Biografia de Allan Kardec
Vamos nos utilizar de textos biográficos de Allan Kardec, com os quais
responderemos a 25 questões, alinhando assim m resumo dos fatos da vida do
Codificador da nossa Doutrina.
“Allan Kardec nasceu na cidade de Lyon, na França, a
3 de outubro de 1804,recebendo na pia batismal o nome
de Hippolyte. Seu pai se chamava Jean Baptiste Antoine
Rivail. Seu nome era Hippolyte Léon Denizard Rivail.”
(A Missão de Allan Kardec, Carlos Imbassahy)
Ato original do nascimento de Rivail:
Em doze vendemiário do ano treze — Ato de
nascimento de Denisard, Hypolite Léon Rivail, nascido
ontem às sete horas da noite, filho de Jean Baptiste
Antoine Rivail, homem de lei; residente em Bourg de
l’Ain, e atualmente em Paris, e de Jeanne Louise
Duhamel, sua esposa”. O sexo da criança foi
reconhecido masculino. Testemunhas maiores: Syriaque Frederic Dittmar, Diretor do
Estabelecimento de Águas Minerais, sobredita rua Sala, e Jean François Targe,
residente à mesma rua. Sob requisição do Sr. Pierre Rodamel, médico residente à rua
Saint Dominique,no 78. Leitura feita, e assinaram. Constatado por mim, prefeito
abaixo assinado / e “presentemente em Lyon, rue Sala no 74. (Allan Kardec e o seunome
civil, Washington Luiz Nogueira Fernandes, Reformadormarço de 2000, FEB)
1. Quando e onde nasceu Allan Kardec?
R.: Em Lyon, na França, aos 03 de outubro do ano de 1804 , filho de Jean Baptiste
Antoine Rivail, e de Jeanne Louise Duhamel.
“Educado na Escola de Pestalozzi, em Yverdun (Suíça),
tornou-se um dos mais eminentes discípulos desse célebre
professor e um dos zelosos propagandistas do seu sistema
de educação, que tão grande influência exerceu sobre a
reforma do ensino na França e na Alemanha. Nascido sob a
religião católica, mas educado num país protestante, os atos
de intolerância que por isso teve de suportar, no tocante a
essa circunstância, cedo o levaram a conceber a ideia de
uma reforma religiosa, na qual trabalhou em silêncio
durante longos anos com o intuito de alcançar a unificação
das crenças. Faltava-lhe, porém, o elemento indispensável à
solução desse grande problema.” (Biografia de Allan
Kardec, Revista Espírita, maio de 1869)
“Johann Pestalozzi exerceu grande influência no pensamento educacional e foi um
grande adepto da educação pública. Democratizou a educação, proclamando ser o
direito absoluto da criança, ler plenamente desenvolvidos os poderes dados por Deus.
Johann Pestalozzi
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Seu entusiasmo obrigou governantes a se interessarem pela educação das crianças das
classes desfavorecidas.
Na organização da escola de Pestalozzi, as turmas eram formadas com os menores de
oito anos, com os alunos entre oito e onze anos e outra turma com idades de onze a
dezoito anos.” (Guia do Cursista, Ministério da Educação, Brasília, 2009)
2. Onde completou seus estudos?
R.: Em Iverdum, na Suiça.
3. Qual a religião da família onde nasceu Kardec ?
R.: Católico.
“Concluídos seus estudos, voltou para a França. Conhecendo a fundo a língua alemã,
traduzia para a Alemanha diferentes obras de educação e de moral e, o que é muito
característico, as obras de Fénelon, que o tinham seduzido de modo particular.”
(Biografia de Allan Kardec, Obras Póstumas)
“Entre as suas numerosas obras de educação, citaremos
as seguintes: Plano proposto para melhoramento da
Instrução pública (1828); Curso prático e teórico de
Aritmética, segundo o método Pestalozzi, para uso dos
professores e das mães de família (1824); Gramática
francesa clássica (1831); Manual dos exames para os
títulos de capacidade; Soluções racionais das questões e
problemas de Aritmética e de Geometria (1846);
Catecismo gramatical da língua francesa (1848);
Programa dos cursos usuais de Química, Física,
Astronomia, Fisiologia, que ele professava no Liceu
Polimático; Ditados normais dos exames da
Municipalidade e da Sorbona, seguidos de Ditados
especiais sobre as dificuldades ortográficas (1849), obra
muito apreciada na época do seu aparecimento e da qual
ainda recentemente eram tiradas novas edições.” (Biografia
de Allan Kardec, Revista Espírita, maio de 1869)
4. Quais as principais obras de Kardec, antes que ele
fundasse o Espiritismo ?
R.: Plano para o Melhoramento da Instrução Pública
(1828)
Curso Prático e Teórico de Aritmética, segundo o Método
de Pestalozzi e para uso dos professores e das mães de
família (1829)
Gramática Clássica Francesa (1831)
Matéria para Exames de Capacidade; Soluções Racionais
de Questões e Problema de Aritmética e Geometria (1846)
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Programas dos Cursos ordinários de Física, Química, Astronomia e Fisiologia
A ESPOSA DE ALLAN KARDEC
O registro civil nos informa que: "Amélie Gabrielle
Boudet, filha de Julien-Louis Boudet, proprietário e antigo
tabelião, e de Julie Louise Seigneat de Lacombe, nasceu em
Thiais (Sena), aos 2 do Frimário do ano IV (portanto
nascida em 23 de novembro de 1795).
A senhorita Amélia Boudet tinha, pois, mais nove anos
que o Sr. Rivail, mas na aparência dir-se-ia ter menos dez
que ele, quando, em 6 de fevereiro de 1832, se firmou em
Paris o contrato de casamento de Hippolyte-Léon-
Denizard Rivail, diretor do Instituto Técnico à rua de
Sèvres (Método de Pestalozzi), filho de Jean-Baptiste
Antoine e senhora, Jeanne Duhamel, residentes em Château-du-Loir, com Amélie-
Gabrielle Boudet, filha de Julien Louis e senhora Julie Louise Seigneat de Lacombe,
residentes em Paris, 35 rua de Sèvres.
5. Com quem se casou Allan Kardec?
R.: Com a professora Amélie Gabrielle Boudet.
KARDEC FUNDOU UMA ESCOLA
Em Paris fundou um Instituto Técnico à rua Sèvres, n° 35, nos moldes de Pestalozzi.
Sabe-se que teve como sócio um tio materno, jogador inveterado, que levou o Instituto
à liquidação. A quota do dr. Rivail foi colocada em comandita na firma de uns amigos
que, pouco depois, declararam falência. O jovem não desanimou: passou a fazer
traduções, a preparar cursos em colégios e institutos, e ainda achava tempo para dar
cursos gratuitos. (Biografia de Allan Kardec, Julio de Abreu Filho, Pensamento Social Editora)
O VALOR QUE COUBE A KARDEC PELA LIQUIDAÇÃO DO INSTITUTO TÉCNICO
O sócio do Sr. Rivail tinha a paixão do jogo; arruinou o sobrinho, perdendo grossas
somas em Spa e em Aix-la-Chapelle. O Sr. Rivail requereu a liquidação do Instituto, de
cuja partilha couberam 45.000 francos a cada um deles. Essa soma foi colocada pelo Sr.
e Sra. Rival em casa de um dos seus amigos íntimos, negociante, que fez maus negócios
e cuja falência nada deixou aos credores. (Biografia de Allan Kardec, Henry Sausse)
6. Que fundou Kardec à rua Sévres, 35 ?
R.: Um estabelecimento de ensino nos moldes do de Pestalozzi , grande educador,
amigo de Kardec.
7. Com quem Kardec se associou, em seu colégio, à Rua Sévres, 35 ?
R.: Com um tio materno.
8. Que lhe aconteceu ?
R.: O tio de Kardec, amante do jogo, perdeu grandes quantias, o que obrigou Kardec
a liquidar o estabelecimento, cabendo a cada um 45.000 francos. Essa importância foi
depositada na casa de um amigo, que faliu, perdendo Kardec todo o seu dinheiro.
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KARDEC TORNA-SE CONTADOR
Longe de desanimar com esse duplo revés, o Sr. e Sra. Rivail lançaram-se
corajosamente ao trabalho. Ele encontrou e pôde encarregar-se da contabilidade de três
casas, que lhe produziam cerca de 7.000 francos por ano; e, terminado o seu dia, esse
trabalhador infatigável escrevia à noite, ao serão, gramáticas, aritméticas, livros para
estudos pedagógicos superiores; traduzia obras inglesas e alemãs e preparava todos os
cursos de Levy-Alvarès, frequentados por discípulos de ambos os sexos do Faubourg
Saint-Germain. Organizou também em sua casa, à rua de Sèvres, cursos gratuitos de
química, física, astronomia e anatomia comparada, de 1835 a 1840, e que eram muito
frequentados. (Biografia de Allan Kardec, Henry Sausse)
9. Como passou a viver Kardec ?
R.: Fazia a contabilidade de três casas comerciais e escrevia obras didáticas.
A PRIMEIRA VEZ QUE OUVIU FALAR DAS MESAS GIRANTES
Foi em 1854 que pela primeira vez ouvi falar das mesas girantes. Encontrei um dia o
magnetizador, Sr. Fortier, a quem eu conhecia desde muito tempo e que me disse: Já
sabe da singular propriedade que se acaba de descobrir no Magnetismo? Parece que já
não são somente as pessoas que se podem magnetizar, mas também as mesas,
conseguindo-se que elas girem e caminhem à vontade. — “É, com efeito, muito
singular, respondi; mas, a rigor, isso não me parece radicalmente impossível. O fluido
magnético, que é uma espécie de eletricidade, pode perfeitamente atuar sobre os
corpos inertes e fazer que eles se movam.” (Allan Kardec, Obras Póstumas, A minha primeira
iniciação no Espiritismo)
10. Apesar de as mesas girantes terem invadido toda a Europa a partir de 1852,
1uando Kardec ouviu, pela primeira vez, falar das mesas girantes ?
R.: No ano de 1854.
11. Quem era o Sr. Fortier ?
R.: Um estudioso do Magnetismo e amigo de Kardec.
KARDEC ENCONTRA NOVAMENTE O SR. FORTIER
Os relatos, que os jornais publicaram, de experiências feitas em Nantes, em Marselha
e em algumas outras cidades, não permitiam dúvidas acerca da realidade do
fenômeno.
Algum tempo depois, encontrei-me novamente com o Sr. Fortier, que me disse: Temos
uma coisa muito mais extraordinária; não só se consegue que uma mesa se mova,
magnetizando-a, como também que fale. Interrogada, ela responde. — Isto agora,
repliquei-lhe, é outra questão. Só acreditarei quando o vir e quando me provarem que
uma mesa tem cérebro para pensar, nervos para sentir e que possa tornar-se
sonâmbula. Até lá, permita que eu não veja no caso mais do que um conto para fazer-
nos dormir em pé. (Allan Kardec, Obras Póstumas, A minha primeira iniciação no Espiritismo)
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12. Ao responder para Fortier, Kardec demonstra que conhecia muito bem as
magnetizações sobre determinadas pessoas, que as tornava sonâmbulas. O que
Kardec respondeu?
R.: “Eu só acreditaria, quando ver e quando me tiverem provado que uma mesa tem
cérebro para pensar, nervos para sentir e que se possa tornar sonâmbula”.
KARDEC ENCONTRA-SE COM O AMIGO CARLOTTI
No ano seguinte, estávamos em começo de 1855, encontrei-me com o Sr. Carlotti,
amigo de 25 anos, que me falou daqueles fenômenos durante cerca de uma hora, com o
entusiasmo que consagrava a todas as ideias novas. Ele era corso, de temperamento
ardoroso e enérgico e eu sempre lhe apreciara as qualidades que distinguem uma
grande e bela alma, porém desconfiava da sua exaltação. Foi o primeiro que me falou
na intervenção dos Espíritos e me contou tantas coisas surpreendentes que, longe de
me convencer, aumentou-me as dúvidas. Um dia, o senhor será dos nossos, concluiu.
Não direi que não, respondi-lhe; veremos isso mais tarde. (Allan Kardec, Obras Póstumas, A
minha primeira iniciação no Espiritismo)
A PRIMEIRA VEZ QUE ALLAN KARDEC ASSISTE A UMA REUNIÃO DE
MANIFESTAÇÕES DAS MESAS GIRANTES
Já no tempo de Kardec, os magnetizadores aplicavam imposição de mãos sobre
determinadas pessoas que ficavam sonambulizadas e que receitavam remédio. A
nomenclatura que se adota atualmente para este tipo de ocorrência é fenômeno
anímico, quando ocorre a expansão do corpo espiritual, e que se for realizado por
pesquisadores sérios estará assistido por bons espíritos.
“Passado algum tempo, pelo mês de maio de 1855, fui à casa da sonâmbula Sra.
Roger, em companhia do Sr. Fortier, seu magnetizador. Lá encontrei o Sr. Pâtier e a Sra.
Plainemaison, que daqueles fenômenos me falaram no mesmo sentido em que o Sr.
Carlotti se pronunciara, mas em tom muito diverso. O Sr. Pâtier era funcionário
público, já de certa idade, muito instruído, de caráter grave, frio e calmo; sua
linguagem pausada, isenta de todo entusiasmo, produziu em mim viva impressão e,
quando me convidou a assistir às experiências que se realizavam em casa da Sra.
Plainemaison, à rua Grange-Batelière, 18, aceitei imediatamente. A reunião foi marcada
para terça-feira, 1º de maio às oito horas da noite.
“Foi aí que, pela primeira vez, presenciei o fenômeno das mesas que giravam,
saltavam e corriam em condições tais que não deixavam lugar para qualquer dúvida.
Assisti então a alguns ensaios, muito imperfeitos, de escrita mediúnica numa ardósia,
com o auxílio de uma cesta. Minhas ideias estavam longe de precisar-se, mas havia ali
um fato que necessariamente decorria de uma causa. Eu entrevia, naquelas aparentes
futilidades, no passatempo que faziam daqueles fenômenos, qualquer coisa de sério,
como que a revelação de uma nova lei, que tomei a mim estudar a fundo.” (Allan Kardec,
Obras Póstumas, A minha primeira iniciação no Espiritismo)
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13. Quando e onde Kardec assistiu pela primeira vez, os fenômenos das mesas
girantes ?
R.: Foi em maio de 1855, na cada da sra. Plainemaison, a convite do sr. Pâtier.
Quando se aplicavam persistentes imposições de mãos sobre esta senhora, ela se
tornava sonâmbula.
KARDEC PASSA A FREQUENTAR UM SEGUNDO GRUPO
“Bem depressa, ocasião se me ofereceu de observar mais atentamente os fatos, como
ainda o não fizera. Numa das reuniões da Sra. Plainemaison, travei conhecimento com
a família Baudin, que residia então à rua Rochechouart. O Sr. Baudin me convidou
para assistir às sessões hebdomadárias que se realizavam em sua casa e às quais me
tornei desde logo muito assíduo.” (Allan Kardec, Obras Póstumas, A minha primeira iniciação no
Espiritismo)
14. Depois das reuniões em casa da sra. Plainemaison, onde Kardec prosseguiu
em suas observações?
R.: Na casa da família Baudin.
KARDEC APLICA UM MÉTODO AOS FENÔMENOS
“Foi nessas reuniões que comecei os meus estudos sérios de Espiritismo, menos,
ainda, por meio de revelações, do que de observações. Apliquei a essa nova ciência,
como o fizera até então, o método experimental; nunca elaborei teorias preconcebidas;
observava cuidadosamente, comparava, deduzia consequências; dos efeitos procurava
remontar às causas, por dedução e pelo encadeamento lógico dos fatos, não admitindo
por válida uma explicação, senão quando resolvia todas as dificuldades da questão.”
(Allan Kardec, Obras Póstumas, A minha primeira iniciação no Espiritismo)
15. Que método Kardec aplicou aos fenômenos que assistia?
R.: O método experimental.
O RESULTADO DAS PRIMEIRAS OBSERVAÇÕES DE KARDEC
Um dos primeiros resultados que colhi das minhas observações foi que os Espíritos,
nada mais sendo do que as almas dos homens, não possuíam nem a plena sabedoria,
nem a ciência integral; que o saber de que dispunham se circunscrevia ao grau, que
haviam alcançado, de adiantamento, e que a opinião deles só tinha o valor de uma
opinião pessoal. Reconhecida desde o princípio, esta verdade me preservou do grave
escolho de crer na infalibilidade dos Espíritos e me impediu de formular teorias
prematuras, tendo por base o que fora dito por um ou alguns deles. O simples fato da
comunicação com os Espíritos, dissessem eles o que dissessem, provava a existência do
mundo invisível ambiente. Já era um ponto essencial, um imenso campo aberto às
nossas explorações, a chave de inúmeros fenômenos até então inexplicados. O segundo
ponto, não menos importante, era que aquela comunicação permitia se conhecessem o
estado desse mundo, seus costumes, se assim nos podemos exprimir. Vi logo que cada
Espírito, em virtude da sua posição pessoal e de seus conhecimentos, me desvendava
uma face daquele mundo, do mesmo modo que se chega a conhecer o estado de um
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país, interrogando habitantes seus de todas as classes, não podendo um só,
individualmente, informar-nos de tudo. Compete ao observador formar o conjunto,
por meio dos documentos colhidos de diferentes lados, colecionados, coordenados e
comparados uns com outros. Conduzi-me, pois, com os Espíritos, como houvera feito
com homens. Para mim, eles foram, do menor ao maior, meios de me informar e não
reveladores predestinados. (Allan Kardec, Obras Póstumas, A minha primeira iniciação no
Espiritismo)
16. Qual foi o resultado de suas primeiras observações?
Resposta:
1 – que os espíritos, sendo as almas dos homens, não tinham nem a soberana
sabedoria, nem a soberana ciência.
2 – que o seu saber era limitado ao grau de seu adiantamento, e que sua opinião não
tinha senão o valor de uma opinião pessoal. Isto preservou Kardec de formular teorias
prematuras, apenas com a comunicação de um só ou de alguns espíritos.
OS PRECURSORES DO ESPIRITISMO
“Victorien Sardou e seu pai, o Professor e lexicógrafo Antoine
Léandre Sardou; do futuro membro da Academia Francesa, Saint-
René Taillandier; do livreiro e editor da Academia, Pierre-Paul
Didier; de Tiedeman-Marthèse e de outros, que acompanhavam,
havia cinco anos, o estudo desses fenômenos e tinham reunido
cinquenta cadernos de comunicações diversas, obtidas
principalmente por intermédio da “sonâmbula” Srta. Japhet. (Zêus
Wantuile FranciscoThiessen, Allan Kardec Pesquisa Biobibliográfica e Ensaios
de Interpretação, volume 02, p. 71)
“A princípio o Sr. Rivail, longe de ser um entusiasta dessas manifestações e absorvido
por outras preocupações, esteve a ponto de as abandonar, o que talvez tivesse feito se
não fossem as instantes solicitações dos Srs. Carlotti, René Taillandier, membro da
Academia das Ciências, Tiedeman-Manthêse, Sardou, pai e filho, e
Didier, editor, que acompanhavam havia cinco anos o estudo
desses fenômenos e tinham reunido cinquenta cadernos de
comunicações diversas, que não conseguiam pôr em ordem.
Conhecendo as vastas e raras aptidões de síntese do Sr. Rivail, esses
senhores lhe enviaram os cadernos, pedindo-lhe que deles tomasse
conhecimento e os pusesse em termos —, os arranjasse. Este
trabalho era árduo e exigia muito tempo, em virtude das lacunas e
obscuridades dessas comunicações; e o sábio enciclopedista
recusava-se a essa tarefa enfadonha e absorvente, em razão de
outros trabalhos.” (Biografia de Allan Kardec, Henry Sausse)
Saint-René Taillandier
Victorien Sardou
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17. Por que Kardec esteve na iminência de abandonar suas observações?
R.: A princípio Kardec não se entusiasmou pelo fenômeno das comunicações de
espíritos, pois estava absorvido por outras preocupações no momento.
18. Quais foram as pessoas que aconselharam Allan Kardec a perseverar?
R.:
 Victorien Sardou
 Antoine Léandre Sardou
 Pierre-Paul Didier
 Tiedeman- Marthèse
 Saint-René Taillandier
 Srta Japhet
19. Que entregaram esses Srs. a Kardec, e por quê?
R.: Entregaram a Kardec 50 _ _ dernos de comunicações recebidas em 5 anos, pois
conheciam bastante o seu poder de síntese e de ordenação.
O PROTETOR ZÉFIRO
“Uma noite, seu Espírito protetor Zephyr deu-lhe, por um médium, uma
comunicação toda pessoal, na qual lhe dizia, entre outras coisas, tê-lo conhecido em
uma precedente existência, quando, ao tempo dos Druidas, viviam juntos nas Gálias.
Ele se chamava, então, Allan Kardec, e, como a amizade que lhe havia votado só fazia
aumentar, prometia-lhe esse Espírito secundá-lo na tarefa muito importante a que ele
era chamado, e que facilmente levaria a termo.” (Biografia de Allan Kardec, Henry Sausse)
20. Onde foi buscar o pseudônimo de Allan Kardec?
R.: Um espírito lhe revelou que haviam vivido entre os dru _ _ _ _, na Gália, e então
Hyppolite Rivail se chamava Allan Kardec.
ALLAN KARDEC RETORNA ÀS SESSÕES
“Tais as disposições com que empreendi meus estudos e neles prossegui sempre.
Observar, comparar e julgar, essa a regra que constantemente segui.
Até ali, as sessões em casa do Sr. Baudin nenhum fim determinado tinham tido.
Tentei lá obter a resolução dos problemas que me interessavam, do ponto de vista da
Filosofia, da Psicologia e da natureza do mundo invisível. Levava para cada sessão
uma série de questões preparadas e metodicamente dispostas. Eram sempre
respondidas com precisão, profundeza e lógica. A partir de então, as sessões
assumiram caráter muito diverso. Entre os assistentes contavam-se pessoas sérias, que
tomaram por elas vivo interesse e, se me acontecia faltar, ficavam sem saberem o que
fazer. As perguntas fúteis haviam perdido, para a maioria, todo atrativo.” (Allan Kardec,
Obras Póstumas, A minha primeira iniciação no Espiritismo)
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21. Disposto Kardec à obra de sintetizar e coordenar os 50 cadernos, que rumo
tiveram as sessões do Sr. Baudin?
R.: As sessões então passaram a ter um objetivo sério e Kardec propunha aos Espíritos
uma sequência de perguntas já preparadas e metodicamente dispostas. As perguntas
versavam sobre filosofia, psicologia e natureza do mundo invisível.
KARDEC ASSUME SUA MISSÃO
Foram aquelas mesmas questões que, sucessivamente desenvolvidas e completadas,
constituíram a base de O Livro dos Espíritos. No ano seguinte, em 1856, frequentei ao
mesmo tempo as reuniões espíritas que se celebravam à
rua Tiquetone, em casa do Sr. Roustan e Srta. Japhet,
sonâmbula. Eram sérias essas reuniões e se realizavam
com ordem. As comunicações eram transmitidas por
intermédio da Srta. Japhet, médium, com auxílio de uma cesta de bico.
Estava concluído, em grande parte, o meu trabalho e tinha as proporções de um livro.
Eu, porém, fazia questão de submetê-lo ao exame de outros Espíritos, com o auxílio de
diferentes médiuns. Lembrei-me de fazer dele objeto de estudo nas reuniões do Sr.
Roustan. Ao cabo de algumas sessões, disseram os Espíritos que preferiam revê-lo na
intimidade e marcaram para tal efeito certos dias nos quais eu trabalharia em particular
com a Srta. Japhet, a fim de fazê-lo com mais calma e também de evitar as indiscrições
e os comentários prematuros do público.
Não me contentei, entretanto, com essa verificação; os Espíritos assim me haviam
recomendado. Tendo-me as circunstâncias posto em relação com outros médiuns,
sempre que se apresentava ocasião eu a aproveitava para propor algumas das questões
que me pareciam mais espinhosas. Foi assim que mais de dez médiuns prestaram
concurso a esse trabalho. Da comparação e da fusão de todas as respostas,
coordenadas, classificadas e muitas vezes retocadas no silêncio da meditação, foi que
elaborei a primeira edição de O Livro dos Espíritos, entregue à publicidade em 18 de
abril de 1857. Pelos fins desse mesmo ano, as duas Srtas. Baudin se casaram; as
reuniões cessaram e a família se dispersou. Mas, então, já as minhas relações
começavam a dilatar-se e os Espíritos me multiplicaram os meios de instrução, tendo
em vista meus ulteriores trabalhos. (Allan Kardec, Obras Póstumas, A minha primeira iniciação
no Espiritismo)
22. Esse trabalho de Kardec, que livro veio a formar?
R.: O Livro dos Espíritos
MÉDIUNS QUE COLABORARAM COM ALLAN KARDEC
Na ingente tarefa de codificação do Espiritismo, Allan Kardec contou com o valioso
concurso de três meninas que se tornaram as médiuns principais no trabalho de
compilação de "O Livro dos Espíritos": Caroline Baudin, Julie Baudin e Ruth Celine
Japhet. As duas primeiras foram utilizadas para a concatenação da essência dos
ensinos espíritas e a última para os esclarecimentos complementares. Ultimada a obra e
ratificados todos os ensinamentos ali contidos, por sugestão dos Espíritos, Allan
Kardec recorreu a outros médiuns, estranhos ao primeiro grupo, dentre eles Japhet e
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Roustan, médiuns intuitivos; a senhora Canu, sonâmbula inconsciente; Canu, médium
de incorporação; a Sra. Leclerc, médium psicógrafa; a Sra. Clement, médium psicógrafa
e de incorporação; a Sra. De Pleinemaison, auditiva e inspirada; Sra. Roger,
clarividente; e Srta. Aline Carlotti, médium psicógrafa e de incorporação. (Biografia de
Allan Kardec, Grandes Vultos do Espiritismo, Paulo Alves Godoy)
23. Assinale o nome dos médiuns que colaboraram com Allan Kardec
Resposta:
1. Caroline Baudin 7. Julie Baudin
2. Ruth Celine Japhet 8. Roustan
3. Sra. Canu 9. Sr. Canu
4. Sra. Leclerc 10. Aline Carlotti
5. Sra. de Plainemaison 11. Sra. Roger
6. Sra. Clement
PRIMEIRA SOCIEDADE ESPÍRITA
A primeira sociedade espírita regularmente constituída foi fundada por Allan Kardec,
em Paris, no dia 1o. de abril de 1858. Seu nome era "Sociedade Parisiense de Estudos
Espíritas". A ela o codificador emprestou o seu valioso concurso, propugnando para
que atingisse os nobilitantes objetivos para os quais foi criada. (Biografia de Allan Kardec,
Grandes Vultos do Espiritismo, Paulo Alves Godoy)
24. Quando foi fundada a primeira sociedade espírita do mundo, e qual era o seu
nome?
R.: Foi fundada no dia 1o. de abril de abril. Seu nome era "Sociedade Parisiense de
Estudos Espíritas".
OS LIVROS ESPÍRITAS ESCRITOS POR ALLAN KARDEC
Além da sua obra científica e literária, há que acrescentar as da Codificação Espírita,
que vinham abrir um caminho novo no campo da Filosofia. Assim é que ele publicou:
Em 18-4-1857—O Livro dos Espíritos.
Em 1861 —O Livro dos Médiuns.
Em 1864—O Evangelho segundo o Espiritismo.
Em 1865—O Céu e Inferno ou a Justiça Divina segundo o Espiritismo.
Em 1868—A Gênese, os Milagres e as Predições segundo o Espiritismo.
O que é o Espiritismo.
Introdução ao estudo da doutrina espírita.
Obras Póstumas, publicada quase 21 anos após a desencarnação do mestre.
A Revue Spirite. (A Missão de Allan Kardec, Carlos Imbassahy)
25. Quando foi publicado o Livro dos Espíritos?
R.: 18 de abril de 1857.

Biografia de Allan Kardec

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    Biografia de AllanKardec Vamos nos utilizar de textos biográficos de Allan Kardec, com os quais responderemos a 25 questões, alinhando assim m resumo dos fatos da vida do Codificador da nossa Doutrina. “Allan Kardec nasceu na cidade de Lyon, na França, a 3 de outubro de 1804,recebendo na pia batismal o nome de Hippolyte. Seu pai se chamava Jean Baptiste Antoine Rivail. Seu nome era Hippolyte Léon Denizard Rivail.” (A Missão de Allan Kardec, Carlos Imbassahy) Ato original do nascimento de Rivail: Em doze vendemiário do ano treze — Ato de nascimento de Denisard, Hypolite Léon Rivail, nascido ontem às sete horas da noite, filho de Jean Baptiste Antoine Rivail, homem de lei; residente em Bourg de l’Ain, e atualmente em Paris, e de Jeanne Louise Duhamel, sua esposa”. O sexo da criança foi reconhecido masculino. Testemunhas maiores: Syriaque Frederic Dittmar, Diretor do Estabelecimento de Águas Minerais, sobredita rua Sala, e Jean François Targe, residente à mesma rua. Sob requisição do Sr. Pierre Rodamel, médico residente à rua Saint Dominique,no 78. Leitura feita, e assinaram. Constatado por mim, prefeito abaixo assinado / e “presentemente em Lyon, rue Sala no 74. (Allan Kardec e o seunome civil, Washington Luiz Nogueira Fernandes, Reformadormarço de 2000, FEB) 1. Quando e onde nasceu Allan Kardec? R.: Em Lyon, na França, aos 03 de outubro do ano de 1804 , filho de Jean Baptiste Antoine Rivail, e de Jeanne Louise Duhamel. “Educado na Escola de Pestalozzi, em Yverdun (Suíça), tornou-se um dos mais eminentes discípulos desse célebre professor e um dos zelosos propagandistas do seu sistema de educação, que tão grande influência exerceu sobre a reforma do ensino na França e na Alemanha. Nascido sob a religião católica, mas educado num país protestante, os atos de intolerância que por isso teve de suportar, no tocante a essa circunstância, cedo o levaram a conceber a ideia de uma reforma religiosa, na qual trabalhou em silêncio durante longos anos com o intuito de alcançar a unificação das crenças. Faltava-lhe, porém, o elemento indispensável à solução desse grande problema.” (Biografia de Allan Kardec, Revista Espírita, maio de 1869) “Johann Pestalozzi exerceu grande influência no pensamento educacional e foi um grande adepto da educação pública. Democratizou a educação, proclamando ser o direito absoluto da criança, ler plenamente desenvolvidos os poderes dados por Deus. Johann Pestalozzi
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    2 Seu entusiasmo obrigougovernantes a se interessarem pela educação das crianças das classes desfavorecidas. Na organização da escola de Pestalozzi, as turmas eram formadas com os menores de oito anos, com os alunos entre oito e onze anos e outra turma com idades de onze a dezoito anos.” (Guia do Cursista, Ministério da Educação, Brasília, 2009) 2. Onde completou seus estudos? R.: Em Iverdum, na Suiça. 3. Qual a religião da família onde nasceu Kardec ? R.: Católico. “Concluídos seus estudos, voltou para a França. Conhecendo a fundo a língua alemã, traduzia para a Alemanha diferentes obras de educação e de moral e, o que é muito característico, as obras de Fénelon, que o tinham seduzido de modo particular.” (Biografia de Allan Kardec, Obras Póstumas) “Entre as suas numerosas obras de educação, citaremos as seguintes: Plano proposto para melhoramento da Instrução pública (1828); Curso prático e teórico de Aritmética, segundo o método Pestalozzi, para uso dos professores e das mães de família (1824); Gramática francesa clássica (1831); Manual dos exames para os títulos de capacidade; Soluções racionais das questões e problemas de Aritmética e de Geometria (1846); Catecismo gramatical da língua francesa (1848); Programa dos cursos usuais de Química, Física, Astronomia, Fisiologia, que ele professava no Liceu Polimático; Ditados normais dos exames da Municipalidade e da Sorbona, seguidos de Ditados especiais sobre as dificuldades ortográficas (1849), obra muito apreciada na época do seu aparecimento e da qual ainda recentemente eram tiradas novas edições.” (Biografia de Allan Kardec, Revista Espírita, maio de 1869) 4. Quais as principais obras de Kardec, antes que ele fundasse o Espiritismo ? R.: Plano para o Melhoramento da Instrução Pública (1828) Curso Prático e Teórico de Aritmética, segundo o Método de Pestalozzi e para uso dos professores e das mães de família (1829) Gramática Clássica Francesa (1831) Matéria para Exames de Capacidade; Soluções Racionais de Questões e Problema de Aritmética e Geometria (1846)
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    3 Programas dos Cursosordinários de Física, Química, Astronomia e Fisiologia A ESPOSA DE ALLAN KARDEC O registro civil nos informa que: "Amélie Gabrielle Boudet, filha de Julien-Louis Boudet, proprietário e antigo tabelião, e de Julie Louise Seigneat de Lacombe, nasceu em Thiais (Sena), aos 2 do Frimário do ano IV (portanto nascida em 23 de novembro de 1795). A senhorita Amélia Boudet tinha, pois, mais nove anos que o Sr. Rivail, mas na aparência dir-se-ia ter menos dez que ele, quando, em 6 de fevereiro de 1832, se firmou em Paris o contrato de casamento de Hippolyte-Léon- Denizard Rivail, diretor do Instituto Técnico à rua de Sèvres (Método de Pestalozzi), filho de Jean-Baptiste Antoine e senhora, Jeanne Duhamel, residentes em Château-du-Loir, com Amélie- Gabrielle Boudet, filha de Julien Louis e senhora Julie Louise Seigneat de Lacombe, residentes em Paris, 35 rua de Sèvres. 5. Com quem se casou Allan Kardec? R.: Com a professora Amélie Gabrielle Boudet. KARDEC FUNDOU UMA ESCOLA Em Paris fundou um Instituto Técnico à rua Sèvres, n° 35, nos moldes de Pestalozzi. Sabe-se que teve como sócio um tio materno, jogador inveterado, que levou o Instituto à liquidação. A quota do dr. Rivail foi colocada em comandita na firma de uns amigos que, pouco depois, declararam falência. O jovem não desanimou: passou a fazer traduções, a preparar cursos em colégios e institutos, e ainda achava tempo para dar cursos gratuitos. (Biografia de Allan Kardec, Julio de Abreu Filho, Pensamento Social Editora) O VALOR QUE COUBE A KARDEC PELA LIQUIDAÇÃO DO INSTITUTO TÉCNICO O sócio do Sr. Rivail tinha a paixão do jogo; arruinou o sobrinho, perdendo grossas somas em Spa e em Aix-la-Chapelle. O Sr. Rivail requereu a liquidação do Instituto, de cuja partilha couberam 45.000 francos a cada um deles. Essa soma foi colocada pelo Sr. e Sra. Rival em casa de um dos seus amigos íntimos, negociante, que fez maus negócios e cuja falência nada deixou aos credores. (Biografia de Allan Kardec, Henry Sausse) 6. Que fundou Kardec à rua Sévres, 35 ? R.: Um estabelecimento de ensino nos moldes do de Pestalozzi , grande educador, amigo de Kardec. 7. Com quem Kardec se associou, em seu colégio, à Rua Sévres, 35 ? R.: Com um tio materno. 8. Que lhe aconteceu ? R.: O tio de Kardec, amante do jogo, perdeu grandes quantias, o que obrigou Kardec a liquidar o estabelecimento, cabendo a cada um 45.000 francos. Essa importância foi depositada na casa de um amigo, que faliu, perdendo Kardec todo o seu dinheiro.
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    4 KARDEC TORNA-SE CONTADOR Longede desanimar com esse duplo revés, o Sr. e Sra. Rivail lançaram-se corajosamente ao trabalho. Ele encontrou e pôde encarregar-se da contabilidade de três casas, que lhe produziam cerca de 7.000 francos por ano; e, terminado o seu dia, esse trabalhador infatigável escrevia à noite, ao serão, gramáticas, aritméticas, livros para estudos pedagógicos superiores; traduzia obras inglesas e alemãs e preparava todos os cursos de Levy-Alvarès, frequentados por discípulos de ambos os sexos do Faubourg Saint-Germain. Organizou também em sua casa, à rua de Sèvres, cursos gratuitos de química, física, astronomia e anatomia comparada, de 1835 a 1840, e que eram muito frequentados. (Biografia de Allan Kardec, Henry Sausse) 9. Como passou a viver Kardec ? R.: Fazia a contabilidade de três casas comerciais e escrevia obras didáticas. A PRIMEIRA VEZ QUE OUVIU FALAR DAS MESAS GIRANTES Foi em 1854 que pela primeira vez ouvi falar das mesas girantes. Encontrei um dia o magnetizador, Sr. Fortier, a quem eu conhecia desde muito tempo e que me disse: Já sabe da singular propriedade que se acaba de descobrir no Magnetismo? Parece que já não são somente as pessoas que se podem magnetizar, mas também as mesas, conseguindo-se que elas girem e caminhem à vontade. — “É, com efeito, muito singular, respondi; mas, a rigor, isso não me parece radicalmente impossível. O fluido magnético, que é uma espécie de eletricidade, pode perfeitamente atuar sobre os corpos inertes e fazer que eles se movam.” (Allan Kardec, Obras Póstumas, A minha primeira iniciação no Espiritismo) 10. Apesar de as mesas girantes terem invadido toda a Europa a partir de 1852, 1uando Kardec ouviu, pela primeira vez, falar das mesas girantes ? R.: No ano de 1854. 11. Quem era o Sr. Fortier ? R.: Um estudioso do Magnetismo e amigo de Kardec. KARDEC ENCONTRA NOVAMENTE O SR. FORTIER Os relatos, que os jornais publicaram, de experiências feitas em Nantes, em Marselha e em algumas outras cidades, não permitiam dúvidas acerca da realidade do fenômeno. Algum tempo depois, encontrei-me novamente com o Sr. Fortier, que me disse: Temos uma coisa muito mais extraordinária; não só se consegue que uma mesa se mova, magnetizando-a, como também que fale. Interrogada, ela responde. — Isto agora, repliquei-lhe, é outra questão. Só acreditarei quando o vir e quando me provarem que uma mesa tem cérebro para pensar, nervos para sentir e que possa tornar-se sonâmbula. Até lá, permita que eu não veja no caso mais do que um conto para fazer- nos dormir em pé. (Allan Kardec, Obras Póstumas, A minha primeira iniciação no Espiritismo)
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    5 12. Ao responderpara Fortier, Kardec demonstra que conhecia muito bem as magnetizações sobre determinadas pessoas, que as tornava sonâmbulas. O que Kardec respondeu? R.: “Eu só acreditaria, quando ver e quando me tiverem provado que uma mesa tem cérebro para pensar, nervos para sentir e que se possa tornar sonâmbula”. KARDEC ENCONTRA-SE COM O AMIGO CARLOTTI No ano seguinte, estávamos em começo de 1855, encontrei-me com o Sr. Carlotti, amigo de 25 anos, que me falou daqueles fenômenos durante cerca de uma hora, com o entusiasmo que consagrava a todas as ideias novas. Ele era corso, de temperamento ardoroso e enérgico e eu sempre lhe apreciara as qualidades que distinguem uma grande e bela alma, porém desconfiava da sua exaltação. Foi o primeiro que me falou na intervenção dos Espíritos e me contou tantas coisas surpreendentes que, longe de me convencer, aumentou-me as dúvidas. Um dia, o senhor será dos nossos, concluiu. Não direi que não, respondi-lhe; veremos isso mais tarde. (Allan Kardec, Obras Póstumas, A minha primeira iniciação no Espiritismo) A PRIMEIRA VEZ QUE ALLAN KARDEC ASSISTE A UMA REUNIÃO DE MANIFESTAÇÕES DAS MESAS GIRANTES Já no tempo de Kardec, os magnetizadores aplicavam imposição de mãos sobre determinadas pessoas que ficavam sonambulizadas e que receitavam remédio. A nomenclatura que se adota atualmente para este tipo de ocorrência é fenômeno anímico, quando ocorre a expansão do corpo espiritual, e que se for realizado por pesquisadores sérios estará assistido por bons espíritos. “Passado algum tempo, pelo mês de maio de 1855, fui à casa da sonâmbula Sra. Roger, em companhia do Sr. Fortier, seu magnetizador. Lá encontrei o Sr. Pâtier e a Sra. Plainemaison, que daqueles fenômenos me falaram no mesmo sentido em que o Sr. Carlotti se pronunciara, mas em tom muito diverso. O Sr. Pâtier era funcionário público, já de certa idade, muito instruído, de caráter grave, frio e calmo; sua linguagem pausada, isenta de todo entusiasmo, produziu em mim viva impressão e, quando me convidou a assistir às experiências que se realizavam em casa da Sra. Plainemaison, à rua Grange-Batelière, 18, aceitei imediatamente. A reunião foi marcada para terça-feira, 1º de maio às oito horas da noite. “Foi aí que, pela primeira vez, presenciei o fenômeno das mesas que giravam, saltavam e corriam em condições tais que não deixavam lugar para qualquer dúvida. Assisti então a alguns ensaios, muito imperfeitos, de escrita mediúnica numa ardósia, com o auxílio de uma cesta. Minhas ideias estavam longe de precisar-se, mas havia ali um fato que necessariamente decorria de uma causa. Eu entrevia, naquelas aparentes futilidades, no passatempo que faziam daqueles fenômenos, qualquer coisa de sério, como que a revelação de uma nova lei, que tomei a mim estudar a fundo.” (Allan Kardec, Obras Póstumas, A minha primeira iniciação no Espiritismo)
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    6 13. Quando eonde Kardec assistiu pela primeira vez, os fenômenos das mesas girantes ? R.: Foi em maio de 1855, na cada da sra. Plainemaison, a convite do sr. Pâtier. Quando se aplicavam persistentes imposições de mãos sobre esta senhora, ela se tornava sonâmbula. KARDEC PASSA A FREQUENTAR UM SEGUNDO GRUPO “Bem depressa, ocasião se me ofereceu de observar mais atentamente os fatos, como ainda o não fizera. Numa das reuniões da Sra. Plainemaison, travei conhecimento com a família Baudin, que residia então à rua Rochechouart. O Sr. Baudin me convidou para assistir às sessões hebdomadárias que se realizavam em sua casa e às quais me tornei desde logo muito assíduo.” (Allan Kardec, Obras Póstumas, A minha primeira iniciação no Espiritismo) 14. Depois das reuniões em casa da sra. Plainemaison, onde Kardec prosseguiu em suas observações? R.: Na casa da família Baudin. KARDEC APLICA UM MÉTODO AOS FENÔMENOS “Foi nessas reuniões que comecei os meus estudos sérios de Espiritismo, menos, ainda, por meio de revelações, do que de observações. Apliquei a essa nova ciência, como o fizera até então, o método experimental; nunca elaborei teorias preconcebidas; observava cuidadosamente, comparava, deduzia consequências; dos efeitos procurava remontar às causas, por dedução e pelo encadeamento lógico dos fatos, não admitindo por válida uma explicação, senão quando resolvia todas as dificuldades da questão.” (Allan Kardec, Obras Póstumas, A minha primeira iniciação no Espiritismo) 15. Que método Kardec aplicou aos fenômenos que assistia? R.: O método experimental. O RESULTADO DAS PRIMEIRAS OBSERVAÇÕES DE KARDEC Um dos primeiros resultados que colhi das minhas observações foi que os Espíritos, nada mais sendo do que as almas dos homens, não possuíam nem a plena sabedoria, nem a ciência integral; que o saber de que dispunham se circunscrevia ao grau, que haviam alcançado, de adiantamento, e que a opinião deles só tinha o valor de uma opinião pessoal. Reconhecida desde o princípio, esta verdade me preservou do grave escolho de crer na infalibilidade dos Espíritos e me impediu de formular teorias prematuras, tendo por base o que fora dito por um ou alguns deles. O simples fato da comunicação com os Espíritos, dissessem eles o que dissessem, provava a existência do mundo invisível ambiente. Já era um ponto essencial, um imenso campo aberto às nossas explorações, a chave de inúmeros fenômenos até então inexplicados. O segundo ponto, não menos importante, era que aquela comunicação permitia se conhecessem o estado desse mundo, seus costumes, se assim nos podemos exprimir. Vi logo que cada Espírito, em virtude da sua posição pessoal e de seus conhecimentos, me desvendava uma face daquele mundo, do mesmo modo que se chega a conhecer o estado de um
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    7 país, interrogando habitantesseus de todas as classes, não podendo um só, individualmente, informar-nos de tudo. Compete ao observador formar o conjunto, por meio dos documentos colhidos de diferentes lados, colecionados, coordenados e comparados uns com outros. Conduzi-me, pois, com os Espíritos, como houvera feito com homens. Para mim, eles foram, do menor ao maior, meios de me informar e não reveladores predestinados. (Allan Kardec, Obras Póstumas, A minha primeira iniciação no Espiritismo) 16. Qual foi o resultado de suas primeiras observações? Resposta: 1 – que os espíritos, sendo as almas dos homens, não tinham nem a soberana sabedoria, nem a soberana ciência. 2 – que o seu saber era limitado ao grau de seu adiantamento, e que sua opinião não tinha senão o valor de uma opinião pessoal. Isto preservou Kardec de formular teorias prematuras, apenas com a comunicação de um só ou de alguns espíritos. OS PRECURSORES DO ESPIRITISMO “Victorien Sardou e seu pai, o Professor e lexicógrafo Antoine Léandre Sardou; do futuro membro da Academia Francesa, Saint- René Taillandier; do livreiro e editor da Academia, Pierre-Paul Didier; de Tiedeman-Marthèse e de outros, que acompanhavam, havia cinco anos, o estudo desses fenômenos e tinham reunido cinquenta cadernos de comunicações diversas, obtidas principalmente por intermédio da “sonâmbula” Srta. Japhet. (Zêus Wantuile FranciscoThiessen, Allan Kardec Pesquisa Biobibliográfica e Ensaios de Interpretação, volume 02, p. 71) “A princípio o Sr. Rivail, longe de ser um entusiasta dessas manifestações e absorvido por outras preocupações, esteve a ponto de as abandonar, o que talvez tivesse feito se não fossem as instantes solicitações dos Srs. Carlotti, René Taillandier, membro da Academia das Ciências, Tiedeman-Manthêse, Sardou, pai e filho, e Didier, editor, que acompanhavam havia cinco anos o estudo desses fenômenos e tinham reunido cinquenta cadernos de comunicações diversas, que não conseguiam pôr em ordem. Conhecendo as vastas e raras aptidões de síntese do Sr. Rivail, esses senhores lhe enviaram os cadernos, pedindo-lhe que deles tomasse conhecimento e os pusesse em termos —, os arranjasse. Este trabalho era árduo e exigia muito tempo, em virtude das lacunas e obscuridades dessas comunicações; e o sábio enciclopedista recusava-se a essa tarefa enfadonha e absorvente, em razão de outros trabalhos.” (Biografia de Allan Kardec, Henry Sausse) Saint-René Taillandier Victorien Sardou
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    8 17. Por queKardec esteve na iminência de abandonar suas observações? R.: A princípio Kardec não se entusiasmou pelo fenômeno das comunicações de espíritos, pois estava absorvido por outras preocupações no momento. 18. Quais foram as pessoas que aconselharam Allan Kardec a perseverar? R.:  Victorien Sardou  Antoine Léandre Sardou  Pierre-Paul Didier  Tiedeman- Marthèse  Saint-René Taillandier  Srta Japhet 19. Que entregaram esses Srs. a Kardec, e por quê? R.: Entregaram a Kardec 50 _ _ dernos de comunicações recebidas em 5 anos, pois conheciam bastante o seu poder de síntese e de ordenação. O PROTETOR ZÉFIRO “Uma noite, seu Espírito protetor Zephyr deu-lhe, por um médium, uma comunicação toda pessoal, na qual lhe dizia, entre outras coisas, tê-lo conhecido em uma precedente existência, quando, ao tempo dos Druidas, viviam juntos nas Gálias. Ele se chamava, então, Allan Kardec, e, como a amizade que lhe havia votado só fazia aumentar, prometia-lhe esse Espírito secundá-lo na tarefa muito importante a que ele era chamado, e que facilmente levaria a termo.” (Biografia de Allan Kardec, Henry Sausse) 20. Onde foi buscar o pseudônimo de Allan Kardec? R.: Um espírito lhe revelou que haviam vivido entre os dru _ _ _ _, na Gália, e então Hyppolite Rivail se chamava Allan Kardec. ALLAN KARDEC RETORNA ÀS SESSÕES “Tais as disposições com que empreendi meus estudos e neles prossegui sempre. Observar, comparar e julgar, essa a regra que constantemente segui. Até ali, as sessões em casa do Sr. Baudin nenhum fim determinado tinham tido. Tentei lá obter a resolução dos problemas que me interessavam, do ponto de vista da Filosofia, da Psicologia e da natureza do mundo invisível. Levava para cada sessão uma série de questões preparadas e metodicamente dispostas. Eram sempre respondidas com precisão, profundeza e lógica. A partir de então, as sessões assumiram caráter muito diverso. Entre os assistentes contavam-se pessoas sérias, que tomaram por elas vivo interesse e, se me acontecia faltar, ficavam sem saberem o que fazer. As perguntas fúteis haviam perdido, para a maioria, todo atrativo.” (Allan Kardec, Obras Póstumas, A minha primeira iniciação no Espiritismo)
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    9 21. Disposto Kardecà obra de sintetizar e coordenar os 50 cadernos, que rumo tiveram as sessões do Sr. Baudin? R.: As sessões então passaram a ter um objetivo sério e Kardec propunha aos Espíritos uma sequência de perguntas já preparadas e metodicamente dispostas. As perguntas versavam sobre filosofia, psicologia e natureza do mundo invisível. KARDEC ASSUME SUA MISSÃO Foram aquelas mesmas questões que, sucessivamente desenvolvidas e completadas, constituíram a base de O Livro dos Espíritos. No ano seguinte, em 1856, frequentei ao mesmo tempo as reuniões espíritas que se celebravam à rua Tiquetone, em casa do Sr. Roustan e Srta. Japhet, sonâmbula. Eram sérias essas reuniões e se realizavam com ordem. As comunicações eram transmitidas por intermédio da Srta. Japhet, médium, com auxílio de uma cesta de bico. Estava concluído, em grande parte, o meu trabalho e tinha as proporções de um livro. Eu, porém, fazia questão de submetê-lo ao exame de outros Espíritos, com o auxílio de diferentes médiuns. Lembrei-me de fazer dele objeto de estudo nas reuniões do Sr. Roustan. Ao cabo de algumas sessões, disseram os Espíritos que preferiam revê-lo na intimidade e marcaram para tal efeito certos dias nos quais eu trabalharia em particular com a Srta. Japhet, a fim de fazê-lo com mais calma e também de evitar as indiscrições e os comentários prematuros do público. Não me contentei, entretanto, com essa verificação; os Espíritos assim me haviam recomendado. Tendo-me as circunstâncias posto em relação com outros médiuns, sempre que se apresentava ocasião eu a aproveitava para propor algumas das questões que me pareciam mais espinhosas. Foi assim que mais de dez médiuns prestaram concurso a esse trabalho. Da comparação e da fusão de todas as respostas, coordenadas, classificadas e muitas vezes retocadas no silêncio da meditação, foi que elaborei a primeira edição de O Livro dos Espíritos, entregue à publicidade em 18 de abril de 1857. Pelos fins desse mesmo ano, as duas Srtas. Baudin se casaram; as reuniões cessaram e a família se dispersou. Mas, então, já as minhas relações começavam a dilatar-se e os Espíritos me multiplicaram os meios de instrução, tendo em vista meus ulteriores trabalhos. (Allan Kardec, Obras Póstumas, A minha primeira iniciação no Espiritismo) 22. Esse trabalho de Kardec, que livro veio a formar? R.: O Livro dos Espíritos MÉDIUNS QUE COLABORARAM COM ALLAN KARDEC Na ingente tarefa de codificação do Espiritismo, Allan Kardec contou com o valioso concurso de três meninas que se tornaram as médiuns principais no trabalho de compilação de "O Livro dos Espíritos": Caroline Baudin, Julie Baudin e Ruth Celine Japhet. As duas primeiras foram utilizadas para a concatenação da essência dos ensinos espíritas e a última para os esclarecimentos complementares. Ultimada a obra e ratificados todos os ensinamentos ali contidos, por sugestão dos Espíritos, Allan Kardec recorreu a outros médiuns, estranhos ao primeiro grupo, dentre eles Japhet e
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    10 Roustan, médiuns intuitivos;a senhora Canu, sonâmbula inconsciente; Canu, médium de incorporação; a Sra. Leclerc, médium psicógrafa; a Sra. Clement, médium psicógrafa e de incorporação; a Sra. De Pleinemaison, auditiva e inspirada; Sra. Roger, clarividente; e Srta. Aline Carlotti, médium psicógrafa e de incorporação. (Biografia de Allan Kardec, Grandes Vultos do Espiritismo, Paulo Alves Godoy) 23. Assinale o nome dos médiuns que colaboraram com Allan Kardec Resposta: 1. Caroline Baudin 7. Julie Baudin 2. Ruth Celine Japhet 8. Roustan 3. Sra. Canu 9. Sr. Canu 4. Sra. Leclerc 10. Aline Carlotti 5. Sra. de Plainemaison 11. Sra. Roger 6. Sra. Clement PRIMEIRA SOCIEDADE ESPÍRITA A primeira sociedade espírita regularmente constituída foi fundada por Allan Kardec, em Paris, no dia 1o. de abril de 1858. Seu nome era "Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas". A ela o codificador emprestou o seu valioso concurso, propugnando para que atingisse os nobilitantes objetivos para os quais foi criada. (Biografia de Allan Kardec, Grandes Vultos do Espiritismo, Paulo Alves Godoy) 24. Quando foi fundada a primeira sociedade espírita do mundo, e qual era o seu nome? R.: Foi fundada no dia 1o. de abril de abril. Seu nome era "Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas". OS LIVROS ESPÍRITAS ESCRITOS POR ALLAN KARDEC Além da sua obra científica e literária, há que acrescentar as da Codificação Espírita, que vinham abrir um caminho novo no campo da Filosofia. Assim é que ele publicou: Em 18-4-1857—O Livro dos Espíritos. Em 1861 —O Livro dos Médiuns. Em 1864—O Evangelho segundo o Espiritismo. Em 1865—O Céu e Inferno ou a Justiça Divina segundo o Espiritismo. Em 1868—A Gênese, os Milagres e as Predições segundo o Espiritismo. O que é o Espiritismo. Introdução ao estudo da doutrina espírita. Obras Póstumas, publicada quase 21 anos após a desencarnação do mestre. A Revue Spirite. (A Missão de Allan Kardec, Carlos Imbassahy) 25. Quando foi publicado o Livro dos Espíritos? R.: 18 de abril de 1857.