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“Mire veja: o mais importante e bonito, 
do mundo, é isto: que as pessoas não 
estão sempre iguais, ainda não foram 
terminadas - mas que elas vão sempre 
mudando”. 
Guimarães Rosa 
Módulo 2 
FUNDAMENTOS FILOSÓFICOS 
DA BIBLIOTERAPIA
Fundador da Fenomenologia 
Edmund Husserl (1859-1938)
O que é fenomenologia? 
• Fenomenologia: um retorno às coisas 
mesmas, o estudo das essências, sendo, em 
primeira instância, descritiva, buscando 
clarificar temas despojados de conceitos 
preconcebidos, tal como aparecem; 
• Volta-se para as essências vividas, as quais são 
totalidades de sentido temporalmente 
constituídas;
O que é fenomenologia? 
Para Husserl, a consciência não é uma substância 
(alma), mas uma atividade constituída por atos 
(percepção, imaginação, volição, paixão etc.) com 
os quais se visa a algo. Husserl chama a esses atos 
de noesis. Aquilo que é visado pelos atos é 
nomeado por Husserl de noema. 
Cabe à fenomenologia revelar o que há de essencial 
nestes atos. O traço essencial da consciência é a 
intencionalidade: toda consciência “é consciência 
de algo”, diz Husserl.
O que é fenomenologia? 
Husserl propõe o conceito de redução fenomenológica, que 
passa a ser central na fenomenologia: a estrutura e os 
conteúdos da consciência são profundamente distorcidos 
pela maneira que nos engajarmos na vida cotidiana. No 
sentido de se assegurar contra teorizações, Husserl propôs 
a epoché fenomenológica, ou suspensão da atitude 
natural. 
A redução é a operação pela qual a existência efetiva do 
mundo exterior é “posta entre parênteses” para que a 
investigação se ocupe apenas com as operações realizadas 
pela consciência, sem se perguntar se as coisas visadas por 
ela realmente existem ou não. Através da redução, Husserl 
pretende “suspender” a tese do mundo natural.
O que é fenomenologia? 
Fenomenologia: é uma descrição do vivido, é uma 
narrativa das experiências da consciência no decorrer da 
história; preocupa-se com a descrição do fenômeno, o 
questionamento do conhecimento das ciências, a 
valorização do conhecimento intuitivo das vivências, a 
intencionalidade da consciência, a interpretação do 
mundo, a intersubjetividade e o contexto cultural dos 
sujeitos; estuda os sentimentos, os pensamentos e as 
ações. 
Trata-se de uma narrativa transcendental, o que significa 
dizer que leva em conta o modo, ou forma temporal 
segundo a qual o ser humano se constitui na natureza e 
na cultura (CALDIN, p.2).
O que é fenomenologia? 
• Investigar a leitura como função terapêutica 
perpassa pela investigação sobre a linguagem, 
haja vista que somente por meio desta pode-se 
descrever, sistematizar e comunicar os 
significados dos fenômenos, pois tudo começa 
na e pela linguagem (CALDIN, p.2).
O que é existencialismo? 
Existencialismo é uma corrente de 
pensamento, cujo objeto de reflexão 
filosófica é o homem, o ser-no-mundo, 
construtor de seu próprio destino, mas 
submetido a limitações concretas.
Existencialismo 
Efeito das Guerras 
O movimento existencialista se expande e se fortalece 
justamente a partir de 1920, em vista do sofrimento, 
desespero e angústia do entre guerras. 
Atingiu seu auge na Europa com o desencantamento que 
se seguiu da II Guerra Mundial. Depois dessa II Guerra 
este movimento veio a se expandir fora do contexto 
europeu, especialmente na década de 1950. 
Depois de duas Guerras Mundiais, a civilização ocidental 
experimentou uma falência moral. Os existencialistas 
vieram responder aos temas que os homens viveram a 
partir daquela época.
Existencialismo 
• O Existencialismo é entendido como uma 
doutrina filosófica sobre o homem. 
• Esse pensamento se volta para a existência 
concreta com a pergunta: “Quem é o homem?” 
(MENDONÇA, 2013)
Existencialismo 
• a existência é anterior à essência 
O nosso jeito de ser, assim como as nossas ideias, ou as 
essências, não são anteriores às coisas, pois não se acham 
previamente contidas nem na inteligência de Deus nem na 
inteligência do homem. 
As nossas ideias e o nosso modo de existir (nossa essência) 
são contemporâneos das coisas 
• (as ideias não vêm antes do mundo!) 
• No contato com as coisas vamos dando um sentido a elas 
(intencionalidade). Elas são consideradas de um determinado 
ponto de vista, universal ou particular .E quanto ao indivíduo, 
ele vai se fazendo a si mesmo nas suas escolhas, no decorrer 
da sua existência . 
Assim, a existência humana é anterior à essência tanto 
epistemológica como Ontologicamente. (MENDONÇA, 2013)
Existencialismo 
Perspectiva antropológica do Existencialismo: temas ou problemas 
característicos do ser do homem. Temas principais de que se tem ocupado o 
Existencialismo: 
a finitude 
a contingência e a fragilidade da existência humana; 
o desamparo 
a alienação 
a solidão 
a comunicação 
o segredo (o ocultamento ou elamento) 
o nada 
o tédio 
a náusea 
a angústia e o desespero 
a preocupação e o projeto 
o engajamento e o risco.
Existencialismo 
• A angústia e o desespero deixam de ser sintomas 
mórbidos. E assim, deixam de ser objetos da 
psicopatologia, para se tornarem categorias 
ontológicas que propiciam acesso á essência da 
condição humana e do próprio ser. 
Sartre: 
“A existência precede a essência". 
Frase fundamental do Existencialismo. O homem é 
o único que se projeta no futuro (que pode alterar 
seu jeito de ser segundo seu projeto).
Existencialismo 
Essa responsabilidade é que gera a angústia pois 
cada indivíduo está pronto a escolher tanto a si 
como a humanidade, não escapa a essa situação! 
Ele é livre e responsável pela sua liberdade. Somos 
livres para dar sentido a qualquer coisa, mas temos 
que dar sentido a alguma coisa. 
Não há natureza, mas condição humana. 
A necessidade de escolha sempre se impõe, ou seja, 
deve sempre estar dentro dos seus projetos.
Existencialismo 
Angústia: 
É a liberdade, movendo-se, através das possibilidades, 
que poderá criar ao homem um conteúdo. 
Eis o que o homem, ao experimentar essa liberdade, ao 
sentir-se como um vazio, experimenta a angústia da 
escolha. 
A liberdade da decisão inclui a liberdade de fazer o mal. 
Muitas pessoas não suportam essa angústia, fogem dela 
aninhando-se na má fé . 
A má fé: mentir para si mesmo
Existencialismo 
Má-fé é uma defesa contra a angústia e o 
desalento, mas uma defesa equivocada. 
Pela má-fé renunciamos à nossa própria liberdade 
fazendo escolhas que nos afastam do nosso 
projeto fundamental, atribuindo confortadamente 
estas escolhas a fatores externos, ao destino, a 
Deus, aos astros, a um plano universal. 
Para Sartre, a má-fé é uma defesa contra a 
angústia e o desalento, mas uma defesa 
equivocada.
Existencialismo 
Ao deixar de fazer uso da má fé, o individuo sente a 
angústia porque ele não mente mais para si e toma 
consciência de que tudo que ocorre de bom ou mal 
em sua vida é responsabilidade dele, portanto, não 
há ninguém responsável pelos acontecimentos de 
sua vida, quer sejam eles bons ou ruins. 
Toma posse da liberdade de ser! 
Esta passagem do estado de má-fé para a angústia 
é extremamente importante para que o sujeito 
possa ser livre e tenha poder de autoria da sua vida.
Existencialismo 
Martin Heidegger (1889-1976)
Existencialismo 
Em sua obra O ser e o tempo (1927), Heidegger supera o 
conceito de consciência e propõe o conceito de Dasein. O 
termo Dasein refere-se ao existir humano que se dá como 
um acontecer (sein) que se realiza aí (Da), no mundo, 
sendo o próprio existir que constituí o aí em que se dá a 
existência. 
Nesse sentido, tendo-se em vista a “finitude” humana, a 
temporalidade e a historicidade serão fundamentais na 
análise heideggeriana do Dasein, já que que toda 
possibilidade de compreensão do existir humano 
dependerá justamente da temporalidade enquanto 
historicidade e finitude .
Existencialismo 
Em Ser e Tempo, Heidegger (1989) distingue dois 
planos: o ôntico e o ontológico. O ôntico é o plano 
relacionado à elucidação da existência do Dasein; 
ontológico é o plano da apresentação das 
estruturas existenciais do ser. 
As estruturas existenciais – denominadas de 
Existenciais fundamentais constituintes do Dasein 
são: a temporalidade, a espacialidade, o ser-com-o-outro, 
a disposição, a compreensão, o cuidado 
(Sorge), a queda e o ser-para-morte.
Existencialismo 
Existenciais: São os traços fundamentais 
característicos do ser humano. 
• Ser-no-mundo: O homem é sempre um ser-no-mundo, 
ou seja, um ser-em-situação; 
• Temporalidade: Temporal significa o transitório. A 
situação existencial é inseparável da 
temporalidade . O tempo é o que torna possível a 
unidade da existência, constituindo assim a 
totalidade das estruturas do homem. No tempo, 
pode superar ou transcender a si mesmo;
Existencialismo 
• Morte: é a última possibilidade que o homem 
realiza; enquanto ela não chega, falta ao 
homem alguma coisa, algo que ainda será. 
• Vir-a-ser ou Tornar-se: O homem é antes de 
mais nada um ser de projeto. Jamais acabado! 
Ele se angustia ante a liberdade de escolha e 
se dá conta da sua responsabilidade por seu 
destino.
Existencialismo 
Não há uma verdade absoluta, que dê 
garantias ao homem. O que existe são 
possibilidades, que podem ser 
concretizadas ou não, em situações 
particulares. Somos colocados diante de 
possibilidades para fazermos escolhas, o 
que exige de nós grande responsabilidade 
para assumir os riscos das consequências 
de nossa decisão.
Existencialismo 
• Angústia Existencial: Ao perceber que sua 
escolha envolve não apenas a si mesmo, mas 
toda a humanidade e que a responsabilidade 
dessa escolha é inteiramente sua, o homem se 
sentirá angustiado (os angustiados são os mais 
conscientes). 
• A angústia reforça o sentimento da existência, 
pois é no sofrimento, mais do que na alegria, que 
o homem percebe-se como consciência de si. É 
através do sentimento de angústia que se 
desperta no homem a “nostalgia” da libertação.
Existencialismo 
• Existência Autêntica e Inautêntica: 
A autenticidade é a própria busca por si mesmo, a 
busca por tudo aquilo que nos aproxima mais e 
mais de nossa condição de humano A condição 
humana, diferente dos demais seres viventes, é 
liberdade de decisão e a busca de sentido. 
O homem passa uma parte enorme de sua 
existência em busca de um sentido para sua vida. E 
o encontra na vida autêntica, em que assume o seu 
Ser Próprio.
Existencialismo 
Do sentido que o homem dá à sua ação, decorre 
a autenticidade e inautenticidade da sua vida. O 
homem inautêntico é o que vive em função de 
normas e regras pré-estabelecidas, que é 
incapaz de ser original, e, portanto, está 
mergulhado no anonimato. Ao contrário, o 
homem autêntico é aquele que se projeta no 
tempo, sempre em direção de seus projetos, 
visando atingir objetivos decorrentes das suas 
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Existencialismo 
O ser humano, quando tem coragem para enfrentar a 
angústia da insegurança e faz escolhas, agindo para 
concretizá-las, pode obter êxito (vivenciando um clima de 
bem-estar e tranquilidade) ou pode, também, se ver 
fracassado diante de seus empreendimentos. Quando 
ocorre o fracasso, o homem sente dificuldade para 
encontrar um significado para sua experiência frustrada e 
se auto-superar. Na medida que o homem consegue 
superar tais dificuldades, ele adquiri uma compreensão 
mais dinâmica de sua existência e se conscientiza, não 
apenas de suas potencialidades mas, também, de seus 
limites, o que o deixa mais esclarecido e amadurecido em 
relação a sua condição de ser-no-mundo.
“O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: 
esquenta e esfria, aperta, daí afrouxa, sossega e 
depois desinquieta. O que ela quer da gente é 
coragem”. 
João Guimarães Rosa
PERGUNTAS?
Referências Bibliográficas 
CALDIN, Clarice Fortkamp. A teoria merleau-pontyna da linguagem e a biblioterapia. 
Revista Digital de Biblioteconomia e Ciência da Informação, Campinas, v.8, n. 2, p. 23- 
40, jan./jun. 2011. Disponível 
em:http://www.sbu.unicamp.br/seer/ojs/index.php/rbci/article/view/480. Acesso em 
10 out. 2013. 
FRAZÃO, Francisco José de Rezende. A perspectiva Antropológica do Existencialismo. 
Metanoia, São João del-Rei, n. 1, p. 65-68, 1998/1999. Disponível em:< 
http://www.odialetico.xpg.com.br/revistas/Metanoia/frazao7.pdf>. Acesso em 10 
jul.2014. 
MENDONÇA, Marisete Malaguth. Existencialismo e gestalt-terapia. Instituto de 
treinamento e pesquisa em gestalt -terapia de Goiânia-ITGT . Disponível em: 
http://itgt.com.br/wp-content/ 
uploads/2013/01/Existencialismo_Gestalt_Terapia_Prof_Marisete.pdf. Acesso 
em 02 jul. 2014. 
MOREIRA, Virginia. Possíveis contribuições de Husserl e Heidegger para a clínica 
Fenomenológica. Psicologia em Estudo, Maringá, v. 15, n. 4, p. 723-731, out./dez. 
2010. Disponível em:< http://www.scielo.br/pdf/pe/v15n4/v15n4a07>. Acesso em 05 
jul. 2014.

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  • 1. “Mire veja: o mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas - mas que elas vão sempre mudando”. Guimarães Rosa Módulo 2 FUNDAMENTOS FILOSÓFICOS DA BIBLIOTERAPIA
  • 2. Fundador da Fenomenologia Edmund Husserl (1859-1938)
  • 3. O que é fenomenologia? • Fenomenologia: um retorno às coisas mesmas, o estudo das essências, sendo, em primeira instância, descritiva, buscando clarificar temas despojados de conceitos preconcebidos, tal como aparecem; • Volta-se para as essências vividas, as quais são totalidades de sentido temporalmente constituídas;
  • 4. O que é fenomenologia? Para Husserl, a consciência não é uma substância (alma), mas uma atividade constituída por atos (percepção, imaginação, volição, paixão etc.) com os quais se visa a algo. Husserl chama a esses atos de noesis. Aquilo que é visado pelos atos é nomeado por Husserl de noema. Cabe à fenomenologia revelar o que há de essencial nestes atos. O traço essencial da consciência é a intencionalidade: toda consciência “é consciência de algo”, diz Husserl.
  • 5. O que é fenomenologia? Husserl propõe o conceito de redução fenomenológica, que passa a ser central na fenomenologia: a estrutura e os conteúdos da consciência são profundamente distorcidos pela maneira que nos engajarmos na vida cotidiana. No sentido de se assegurar contra teorizações, Husserl propôs a epoché fenomenológica, ou suspensão da atitude natural. A redução é a operação pela qual a existência efetiva do mundo exterior é “posta entre parênteses” para que a investigação se ocupe apenas com as operações realizadas pela consciência, sem se perguntar se as coisas visadas por ela realmente existem ou não. Através da redução, Husserl pretende “suspender” a tese do mundo natural.
  • 6. O que é fenomenologia? Fenomenologia: é uma descrição do vivido, é uma narrativa das experiências da consciência no decorrer da história; preocupa-se com a descrição do fenômeno, o questionamento do conhecimento das ciências, a valorização do conhecimento intuitivo das vivências, a intencionalidade da consciência, a interpretação do mundo, a intersubjetividade e o contexto cultural dos sujeitos; estuda os sentimentos, os pensamentos e as ações. Trata-se de uma narrativa transcendental, o que significa dizer que leva em conta o modo, ou forma temporal segundo a qual o ser humano se constitui na natureza e na cultura (CALDIN, p.2).
  • 7. O que é fenomenologia? • Investigar a leitura como função terapêutica perpassa pela investigação sobre a linguagem, haja vista que somente por meio desta pode-se descrever, sistematizar e comunicar os significados dos fenômenos, pois tudo começa na e pela linguagem (CALDIN, p.2).
  • 8. O que é existencialismo? Existencialismo é uma corrente de pensamento, cujo objeto de reflexão filosófica é o homem, o ser-no-mundo, construtor de seu próprio destino, mas submetido a limitações concretas.
  • 9. Existencialismo Efeito das Guerras O movimento existencialista se expande e se fortalece justamente a partir de 1920, em vista do sofrimento, desespero e angústia do entre guerras. Atingiu seu auge na Europa com o desencantamento que se seguiu da II Guerra Mundial. Depois dessa II Guerra este movimento veio a se expandir fora do contexto europeu, especialmente na década de 1950. Depois de duas Guerras Mundiais, a civilização ocidental experimentou uma falência moral. Os existencialistas vieram responder aos temas que os homens viveram a partir daquela época.
  • 10. Existencialismo • O Existencialismo é entendido como uma doutrina filosófica sobre o homem. • Esse pensamento se volta para a existência concreta com a pergunta: “Quem é o homem?” (MENDONÇA, 2013)
  • 11. Existencialismo • a existência é anterior à essência O nosso jeito de ser, assim como as nossas ideias, ou as essências, não são anteriores às coisas, pois não se acham previamente contidas nem na inteligência de Deus nem na inteligência do homem. As nossas ideias e o nosso modo de existir (nossa essência) são contemporâneos das coisas • (as ideias não vêm antes do mundo!) • No contato com as coisas vamos dando um sentido a elas (intencionalidade). Elas são consideradas de um determinado ponto de vista, universal ou particular .E quanto ao indivíduo, ele vai se fazendo a si mesmo nas suas escolhas, no decorrer da sua existência . Assim, a existência humana é anterior à essência tanto epistemológica como Ontologicamente. (MENDONÇA, 2013)
  • 12. Existencialismo Perspectiva antropológica do Existencialismo: temas ou problemas característicos do ser do homem. Temas principais de que se tem ocupado o Existencialismo: a finitude a contingência e a fragilidade da existência humana; o desamparo a alienação a solidão a comunicação o segredo (o ocultamento ou elamento) o nada o tédio a náusea a angústia e o desespero a preocupação e o projeto o engajamento e o risco.
  • 13. Existencialismo • A angústia e o desespero deixam de ser sintomas mórbidos. E assim, deixam de ser objetos da psicopatologia, para se tornarem categorias ontológicas que propiciam acesso á essência da condição humana e do próprio ser. Sartre: “A existência precede a essência". Frase fundamental do Existencialismo. O homem é o único que se projeta no futuro (que pode alterar seu jeito de ser segundo seu projeto).
  • 14. Existencialismo Essa responsabilidade é que gera a angústia pois cada indivíduo está pronto a escolher tanto a si como a humanidade, não escapa a essa situação! Ele é livre e responsável pela sua liberdade. Somos livres para dar sentido a qualquer coisa, mas temos que dar sentido a alguma coisa. Não há natureza, mas condição humana. A necessidade de escolha sempre se impõe, ou seja, deve sempre estar dentro dos seus projetos.
  • 15. Existencialismo Angústia: É a liberdade, movendo-se, através das possibilidades, que poderá criar ao homem um conteúdo. Eis o que o homem, ao experimentar essa liberdade, ao sentir-se como um vazio, experimenta a angústia da escolha. A liberdade da decisão inclui a liberdade de fazer o mal. Muitas pessoas não suportam essa angústia, fogem dela aninhando-se na má fé . A má fé: mentir para si mesmo
  • 16. Existencialismo Má-fé é uma defesa contra a angústia e o desalento, mas uma defesa equivocada. Pela má-fé renunciamos à nossa própria liberdade fazendo escolhas que nos afastam do nosso projeto fundamental, atribuindo confortadamente estas escolhas a fatores externos, ao destino, a Deus, aos astros, a um plano universal. Para Sartre, a má-fé é uma defesa contra a angústia e o desalento, mas uma defesa equivocada.
  • 17. Existencialismo Ao deixar de fazer uso da má fé, o individuo sente a angústia porque ele não mente mais para si e toma consciência de que tudo que ocorre de bom ou mal em sua vida é responsabilidade dele, portanto, não há ninguém responsável pelos acontecimentos de sua vida, quer sejam eles bons ou ruins. Toma posse da liberdade de ser! Esta passagem do estado de má-fé para a angústia é extremamente importante para que o sujeito possa ser livre e tenha poder de autoria da sua vida.
  • 19. Existencialismo Em sua obra O ser e o tempo (1927), Heidegger supera o conceito de consciência e propõe o conceito de Dasein. O termo Dasein refere-se ao existir humano que se dá como um acontecer (sein) que se realiza aí (Da), no mundo, sendo o próprio existir que constituí o aí em que se dá a existência. Nesse sentido, tendo-se em vista a “finitude” humana, a temporalidade e a historicidade serão fundamentais na análise heideggeriana do Dasein, já que que toda possibilidade de compreensão do existir humano dependerá justamente da temporalidade enquanto historicidade e finitude .
  • 20. Existencialismo Em Ser e Tempo, Heidegger (1989) distingue dois planos: o ôntico e o ontológico. O ôntico é o plano relacionado à elucidação da existência do Dasein; ontológico é o plano da apresentação das estruturas existenciais do ser. As estruturas existenciais – denominadas de Existenciais fundamentais constituintes do Dasein são: a temporalidade, a espacialidade, o ser-com-o-outro, a disposição, a compreensão, o cuidado (Sorge), a queda e o ser-para-morte.
  • 21. Existencialismo Existenciais: São os traços fundamentais característicos do ser humano. • Ser-no-mundo: O homem é sempre um ser-no-mundo, ou seja, um ser-em-situação; • Temporalidade: Temporal significa o transitório. A situação existencial é inseparável da temporalidade . O tempo é o que torna possível a unidade da existência, constituindo assim a totalidade das estruturas do homem. No tempo, pode superar ou transcender a si mesmo;
  • 22. Existencialismo • Morte: é a última possibilidade que o homem realiza; enquanto ela não chega, falta ao homem alguma coisa, algo que ainda será. • Vir-a-ser ou Tornar-se: O homem é antes de mais nada um ser de projeto. Jamais acabado! Ele se angustia ante a liberdade de escolha e se dá conta da sua responsabilidade por seu destino.
  • 23. Existencialismo Não há uma verdade absoluta, que dê garantias ao homem. O que existe são possibilidades, que podem ser concretizadas ou não, em situações particulares. Somos colocados diante de possibilidades para fazermos escolhas, o que exige de nós grande responsabilidade para assumir os riscos das consequências de nossa decisão.
  • 24. Existencialismo • Angústia Existencial: Ao perceber que sua escolha envolve não apenas a si mesmo, mas toda a humanidade e que a responsabilidade dessa escolha é inteiramente sua, o homem se sentirá angustiado (os angustiados são os mais conscientes). • A angústia reforça o sentimento da existência, pois é no sofrimento, mais do que na alegria, que o homem percebe-se como consciência de si. É através do sentimento de angústia que se desperta no homem a “nostalgia” da libertação.
  • 25. Existencialismo • Existência Autêntica e Inautêntica: A autenticidade é a própria busca por si mesmo, a busca por tudo aquilo que nos aproxima mais e mais de nossa condição de humano A condição humana, diferente dos demais seres viventes, é liberdade de decisão e a busca de sentido. O homem passa uma parte enorme de sua existência em busca de um sentido para sua vida. E o encontra na vida autêntica, em que assume o seu Ser Próprio.
  • 26. Existencialismo Do sentido que o homem dá à sua ação, decorre a autenticidade e inautenticidade da sua vida. O homem inautêntico é o que vive em função de normas e regras pré-estabelecidas, que é incapaz de ser original, e, portanto, está mergulhado no anonimato. Ao contrário, o homem autêntico é aquele que se projeta no tempo, sempre em direção de seus projetos, visando atingir objetivos decorrentes das suas mais variadas necessidades.
  • 27. Existencialismo O ser humano, quando tem coragem para enfrentar a angústia da insegurança e faz escolhas, agindo para concretizá-las, pode obter êxito (vivenciando um clima de bem-estar e tranquilidade) ou pode, também, se ver fracassado diante de seus empreendimentos. Quando ocorre o fracasso, o homem sente dificuldade para encontrar um significado para sua experiência frustrada e se auto-superar. Na medida que o homem consegue superar tais dificuldades, ele adquiri uma compreensão mais dinâmica de sua existência e se conscientiza, não apenas de suas potencialidades mas, também, de seus limites, o que o deixa mais esclarecido e amadurecido em relação a sua condição de ser-no-mundo.
  • 28. “O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta, daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem”. João Guimarães Rosa
  • 30.
  • 31. Referências Bibliográficas CALDIN, Clarice Fortkamp. A teoria merleau-pontyna da linguagem e a biblioterapia. Revista Digital de Biblioteconomia e Ciência da Informação, Campinas, v.8, n. 2, p. 23- 40, jan./jun. 2011. Disponível em:http://www.sbu.unicamp.br/seer/ojs/index.php/rbci/article/view/480. Acesso em 10 out. 2013. FRAZÃO, Francisco José de Rezende. A perspectiva Antropológica do Existencialismo. Metanoia, São João del-Rei, n. 1, p. 65-68, 1998/1999. Disponível em:< http://www.odialetico.xpg.com.br/revistas/Metanoia/frazao7.pdf>. Acesso em 10 jul.2014. MENDONÇA, Marisete Malaguth. Existencialismo e gestalt-terapia. Instituto de treinamento e pesquisa em gestalt -terapia de Goiânia-ITGT . Disponível em: http://itgt.com.br/wp-content/ uploads/2013/01/Existencialismo_Gestalt_Terapia_Prof_Marisete.pdf. Acesso em 02 jul. 2014. MOREIRA, Virginia. Possíveis contribuições de Husserl e Heidegger para a clínica Fenomenológica. Psicologia em Estudo, Maringá, v. 15, n. 4, p. 723-731, out./dez. 2010. Disponível em:< http://www.scielo.br/pdf/pe/v15n4/v15n4a07>. Acesso em 05 jul. 2014.