Capítulo 8 
Procedimentos de 
ensino-aprendizagem 
individualizantes 
1. A aula expositiva 
Nossa anáüse de alguns métodos de ensino indiúdualizantes 
começap elaaulae xpositivap, or ser um dos procedimentosd e ensi-no 
mais anügos e tradicionais, e também o mais difundido nos 
vários graus escolares. 
De acordo com o professorN érici "o métodoe xpositivoc onsiste 
naapresentaçãoor al de um tema,logicamentees truturado"l. Segundo 
essea utor,a exposiçãop ode assumird u,asp osiçõesd idáücas: 
a) Exposição dogmática - De acordo com essa posição, a mensa-gem 
transmitídanãop ode ser contestadad, evendos er aceitas em 
discussõese com a obngaçío de repeti-la,p or ocasiãod as pro-vas 
de verificação. 
b) Exposição aberta ou dialogada - Nessa posição a mensagem 
apresentadap elo professoré simplesp retextop ara desencadear 
a participaçãod a classep, odendoh aver,a ssim,c ontestaçãop,e s-quisae 
discussãoE. nestes entidoq ue hoie se entendeo método 
exposiüvon os domíniosd a educação. 
Nae xposiçãod ogmáticao professora ssumeu map osiçãod omi-nante, 
e nquantoo aluno se mantémp assivoe receptivo.p or outro 
Procedimentosd e ensino-aprendizagemin dividualizantes 155 
lado, na exposição aberta ou dialogada, o professor dialoga com a 
classe, ouvindo o que o aluno tem a üzer, fazendo perguntas e res-pondendo 
às dúvidas dos alunos. Portanto, na exposição dialogada 
õ aluno desempenhau m papel mais ativo, pois particip-ad a exposi-ção 
do profesìor, fazendo comentários, relatando fatos, dando 
óxemploi, argumentando, expondo suas dúvidas e respondendo 
perguntase. aula expositivaq, uando üalogada,f avorecea participa-fao 
dos alunos e estimula sua atividade reflexiva. 
A aula expositivap ode ser usadan as seguintess ituações: 
- quando há necessidaded e transmitir informaçõese conheci-mentos 
seguindo uma estrutura lógica e com economia de 
tempo; 
- ptãintroduzir um novoc onteúdoa, presentandeo e sclarecendo 
òs conceitos básicos da unidade e dando uma visão global do 
assunto: 
- paÍa fazer uma síntesed o conteúrdoa bordado numa unidade, 
dando uma visão globahzadae sintéticad o assunto. 
O professor Luiz Alves de Mattos, em seu livro Su'nuírio de 
Didátièa Geral, indica as c ÍIcteÍísticas de uma boa exposição 
didática: 
a) perfeitod omínioe segurançad o conhecimentoq ue é objeto da 
exposição; 
b) exatidãoe obietividaded os dadosa presentados; 
c) discriminaçío claraentreo que é essenciaol u básicoe o que é 
acidentaol u secundário; 
d) organicidadeo, u seia,b oa concatenaçãdoa sp artese subordina-ção 
dos itens de cadaPatte; 
e) correção,c larezae sobriedaded o estiloe mpregado; 
f) linguagem clara, correta e expressiva; 
g) conclusõesa, plicaçõeso u arremated efinido. 
,dssimp, araq uea a:ulae xpositivap reenchao s requisitosd e uma 
boa exposiçãod idática,r ecomenda-seq ue o professorp repare a 
aula com antecedênciac,o nsiderandoa s característicadso s alunos 
e adaptando-aa o seu grau de desenvolvimento(s ua faixa etária, os 
conhecimentosq ue já possuems obre o conteúdoe studado,s eus 
I Imídco Nérici, Metodologia do ensino, p. ZlO. interessees motivações)A. o planeiara expgsiçãoo, professord eve:
- definir os obietivos com clareza e precisão; 
- ssfsgionar as informações que pretende transmitir e organizar a 
sequênciad e ideias em função do tempo disponível; 
- escolher e criar exemplos adequados e esclarecedores; 
- prevero s materiaise os recursosa udiovisuaisa seremu tiüzados; 
- fazetu m esquemao u sumário dos conteúdose ssenciaisa serem 
transmitidoss, ob aforma de resumoo u sinótico,p ata usar no 
decorrer da aula como material de apoio; 
- distribuir os assuntosa seremt ransmitidosp elo tempod isponível. 
Paraq ue a aula exposìtivaa tinia os obietivosp ara os quais foi pla_ 
neiadae se desenroled e forma eücientes, ugere-seq ue o professor: 
a) Apresentein icialmentea, osa lunos,o assuntoq uev ai ser aborda-do 
no decorrer da exposição e mostre suas ligações com os 
temasj á estudadose conhecidos. 
b) Introduzao novo conteúdop artindod os conhecimentoes expe-riênciasa 
ntcrioresi,s to é, do que o alunoi á conhecee experien-ciou. 
c) Estabeleçuam clima adequadoe ntreo s participantese rnantenha 
a atençãod os ,alunos,r elacionandoo conteúrdoa presentactoa os 
obietivosi,n teressese motivosd os estudantes. 
d) Sejao bietivoe precison a exposiçãoe dê ao temau m tratamento 
ordenadoe lógico.H âváriasf ormasd e se org,anizaor conteúclo 
de uma exposição: 
- apresentarp rimeiramentea *sid eias amplase abrangentesq ue 
servem de ponto de apoio ou de ponto de ancoragem" para as 
ideiasm aise specíficase;m seguidae, xpor as informaçõesp arti-culares, 
mostrando sua relação com as ideias mais genéricas e 
com os princípios gerais; 
- usar uma abordagemin dutiva,e xpondop rimeiramenteo s fatos 
particularese as situaçõesc oncretasp, ata depoisa presentaor s 
conceitose princípiosm aisg eraise abrangenteas elesr elacio-nados: 
',Ponlosd e ancoragemé a denominaçãod adap or Ausubellà s ideiasm ais geraise inclusivas 
de- uma disciplina, que servem de ponte entre o que o aluno iá sabe e aquiio que ele precisa 
saber. 
- propor questões ou problemas, p rL depois apresentar fatos, 
informaçOese argumentosp ara as possíveiss oluções' 
e) Destaque e fixe as ideias mais importantes, registrando-as no 
quadro de giz.. 
0 oc exemplose sclarecedorese relacionadosà vivênciad os alu-nos. 
g) Esümule a participação dos alunos e mantenha-os em atitude 
reflexiva: 
- fazendo pelguntas para que eles respondam; 
- dial6gando com eles; 
- prop<lndo (luestõcs Paru' debate; 
- deixando que eles exponham suas dúvidas; 
- s5çl2lssendo as dúvidas; 
- seliçitapdoe xemplos; 
- pedindop ara que os alunosa presentemc oniecturass obrea 
continuâçãod e uma exPlicação; 
- ou pedindo para que façarn oralmente uma breve síntese do 
que foi até então exPosto. 
h) useu ma linguagems implese coloqui,ael vá cliretoa o assuntod, e 
forma clarae obietivas, emr odeiosn emf loreios.Q uandoe mpre-gar 
uma palavraquev ocôp resumas ejad csconheciddao sa lunos, 
õu um termo científico,e iplique o seu significarJ<p>a, ra facilitar 
a compreensãotl o assuntoe xposto. 
i) Falec om desembaraçoe entusiasmop, ronunciandoa s palavras 
com clateza e variando o tom de voz, os gestos e movimentos' O 
professorN érici sugerei,n clusive,q ue o expositord ê "um certo 
õolorido emocional à exposição, mas sem exageto"z. 
i) Use humor quando achar oportuno, pois aiuda arelaxar, prende 
. a atençáo e cna um clima descontraído. 
k) Use, sempre que possível, para ilustrar a explanação' recursos 
audiovisuaisa uxiliares,c omo o quadro de giz,c ÍIazes,g ravuras' 
álbum seriado, quadros murais, gráficos, mapas, retroproietor etc' 
a 
2 Imídeo NéÍici, Metodologia..., cit., p. 22O.
l) "sinta" a classe, percebendo o grau de atenção clos alunos atra-vés 
de suas reações, e verificando o seu nível cle compreensão 
por meio cle perguntas sobre o assunto exposto. 
m) Intercale a exposição com exercícios para aplicação clo conteúr-do 
apresentado, quando achar oportuno. 
n) Ao concluir a explicação, enfatize as ideizn bâsicas e essenciais, 
sintetizando-as e sistematiz.ando-asn um quadro sinótico, ou 
pedindo aos alunos para resumirem o contéírdo transmitido. 
Estas normas práticas poderão ajudar o professor a tornar sua 
aula expositiva mais compreensível e interessante para os alunos. 
Dentre essas normas, duas em especial devem ser destacadas: 
- uma é a necessidade de se relacionar as ideias mais gerais e 
abrangentes do conteúdo, com as informações particulaies; 
- a outra é a necessidade de se estabelecer uma ponte entre o que 
o estudante jã sabe e aquilo que ele precisa cónhecer. por isso, 
é importante mostrar as semelhanças e diferenças entre as novas 
ideia-sc ontida^sn o conteúdo introduziclo e os cônceitos e princí-pios 
previamente aprendidos e disponíveis na estrutura cognitiva 
do zúuno. 
umaprâtica comum é separar a-s ideias, compar-timentalizando- 
-as em tópicos distintos e estanques. Mas isto não é recomendado. 
Numa boa exposição, o professor deve apresentar os conhecimentos 
(informações, ideias, conceitos e princípios) relacionaclos e enca-cleados 
entre si, mostrando suas semelhanças e diferenças. 
SegundoA ntônio Ronca e Virgínia Escobar ,.qu,alquãrq ue seia a 
forma de orga^ização escolhida, parece-nos que um aspecto deve 
ser sempre cuidado pelo professor: a articulação do todã deve ser 
destacada de maneira nítida. As partes devem estar sempre afticula-das 
entre si e deve,ser sempre visível sua articulaçao com o toclo. É 
importante também não esquecer de relacionar o conteúdo apre-sentado 
na exposição com unidades mais ampla^s do curso".ì- De 
acordo com esses mesmos autores "a aprenditagem signifrcativa 
existe, então, sempre que haja um relacionamento do novó material 
r 
^ntônio 
carlos c. Ronca e Virgínia F. Escobar, 'récnicas pedagigica.s: ílomesticttçíto 01 
de.vylìo à ltartici/xtçrio?, 1t. 97. 
Procedimentosd e ensino-aprendizagemin dividualizantes 159 
com os elementosjá estáveinsa estruturac ognitlvap, oise step roces-so 
de inclusividaded e conceitosa brangentesq, ue servemc omo 
pontosd e ancoragem,é o cerne datprendizagems ignificativaC. aso 
contrário,a retençãoé puramentem ecânica"4.P ortanto,a a;pren-üzagems 
ignificaüvao corre quando o aluno relaciona o novo con-teúdo 
com os conhecimentosa nterioresd e que iá dispõe e que 
constituems uae struturac ognitiva. 
Cabe ainda ressaltar que a exposição deve ser limitada no 
tempo, em função do nível de maturidade dos alunos, e deve ser 
sempre alternada com outras técnicas didáticas. 
2. Bstudo dirigido 
O estudod irigido consistee m fazero aluno estudaru m assunto 
apaÍtir de um roteiro elaboradop elo professorE. ster oteiro estabe-lece 
a extensãoe a profundidaded o estudo. 
Há diversosti poso u modalidadeds e estudod irigido,p oiso pro-fessorp 
ode elaboraru m roteiro contendoi nstruçõese orientações 
p Ía o aluno: 
- ler um textoe depoisr esponderà s perguntas; 
- manipularm ateriaiso u construiro bietose chegara certasc on-clusões; 
- 6$ssrv2r obietos, fatos ou fenômenos e fazer anotações; 
- TsaliTaevx periênciase fazerr elatórios,c hegandoa certasS ene-ralizações. 
O professor deve elaborar roteiros contendo tarefas operatórias 
que mobilizem e dinamizem as operações cogniüvas. 
Tarefas operatórias são "aquelas que se referem à mobilização e 
de operaçõesm entais( no senüdoa mploq ueJeanP iagetdâ' 
^tiv,.ção 
ao termo). Utilizamo brigatoriamentea lgumasa çõese fetivasi,s to é, 
indicam que o aluno deve utilizar seu aparelhamentos ensório- 
-motor, porém integrama s atividadesd esset ipo num contextoo pe-ratório, 
ou melhor, num conjunto dinâmico e otganiztdo de opera-r 
ldern, ibidern, p. 92.
160 Capítulo 8 
ções mentais. Os guias de estudo poderão refletir essa integração: 
dar ao aluno umas tantas instruções sobre ações a realizar, tzis 
como ler (um texto), consultar (um üvro), escrever (uma respos-lz-), 
aÍrotar (algo que observou), rcalizar (uma experiência) etc., 
mas devemc uidar especialmented as 'chaves'o u esúmulosp ara ati-üdades 
mentais"5. 
Essasta refaso peratórias,e stabelecidapso r meio de questõeso u 
problemas a resolver nos roteiros ou guias de estudo, indicam quais 
os esquemasa ssimiladoresq ue estãos endo mobilizadosd urante o 
trabalho mental do aluno. 
A professora Amélia de Castro relaciona algumas operações 
mentais que devem ser usadas como "chaves" nos roteiros ou guias 
de estudod irigido, para desencadeaar s tarefaso peratórias.N o qua-dro 
a seguir, apresentamose ssÍrst arefaso peratórias,ú sando sua 
utilvaçío, no estudo dirigido, por meio de exercícios graduados, 
questionáriose propostasd e aüvidades. 
5 Améliâ D. dc Castro, "O trabalho dirigido". Em: Didtítica lrara a esctiltt tle I? e 29 graus, 
p. l2l. 
('Iìste quadro foi extraído dc Amélia D. de Castro, obra citada, p. l2l-3. 
Procedimentosd e ensino-aprendizagemin dividualizantes 16l 
Na práüca,e ssaso peraçõesm entaisc oniugam-see relacionam- 
-se de vârtas maneiras. E raramente uma tarefa requer apenas uma 
delas.É comumu ma tarefae xigrrd uaso u maiso peraçõesc ogniüvas. 
A técnicad o estudod irigido baseia-sen o pressupostod e que 
a aprendizagem efetiva exige a atividade do aluno. O termo ativi-dade 
aqui é entendido não apenas no sentido físico, de açío efe-tiva, 
mas principalmente no sentido mental, no que se refere à 
SUGESTÃO DE TAREFAS OPERATóruAS6 
Operações cognitivas Tarefas operatórias 
l. Classificar 
Aproximaoru disünguipr or semelhançoaus diferenças; 
ordenacr lassepso r ordemd eg eneralizaScor escentoeu 
decrescentdeis; ünguigr êneroes espéciees;n caixar 
indivíduoesm c lassesd;i vidirg êneroesm e spéciees 
encaixaer spécieesm g êneroest c. 
2. Seriar 
Ordenasr egundcoe rtosc ritérios( numéricoosu físicos); 
seguisr equênciÍorsu progressosse; riarc ronologicamente 
elc. 
3. Relacionar 
Compara(rp ercebesre melhançea ds iferenças, 
distinguir)e; stabelecreerl açõessi mplese múlüplaes ntre 
fatoss ituadonso mqsmop lanoo u hierarquicamente 
ordenadods;is criminacra usaes efeitosa, ntecedentees 
consequentemse, iose fins;v ariarf atoresr;e lacionar 
proporcionalmenettec . 
Operações cognitivas Tarefas operatórias 
4. Analisar 
Decompoor bjetoso u sistemaesm e lementos 
constitutivose;n umeraqr ualidadesp,r opriedades; 
descrevenr.a rrare tc. 
5. Reunir 
Reunirc, omporc onjuntoosu sistemaas p artird e 
elementorse; compoar partird e elementodsis sociados; 
construinr ovoss istemaosu obietose tc. 
6. Sintetizâr 
Reduziar elementofsu ndamentaoisu essenciaisl 
escolhers, elecionaer lementosse gundoc ertosc ritérios; 
reduzira esquemaqsu, adros inóücoss,u mários; 
condensarc;o mpreende(ra preenderre laçõese ssenciais) 
etc. 
7 . Localnr no tempo e no 
espaço 
Seguir ajetosn o tempoe no espaços; ituarf enômenoes 
eventons esseds oiss istemadse referência. 
8. Representar 
Interpretaoru exprimirr elaçõegsr aficamen(tcer oquis, 
gráffcosd,i agramacso, rtesc, aíase tc.)o u por símbolos. 
9. Conceituaer d efinir Explicara, nalisaro u desenvolvecro nceitosd e modo 
lógicoo u operacional. 
10.P rovar JusüÊcaer,s clarecefru, ndamentar e defendepro ntosd e 
vistâ etc. 
I l. Transpor ïransformar,r eproduzir modificandoin; terpretâr 
segundoc ritériosv áriose tc. 
t2.J ulgar Avaliard; iscuüre atribuirv aloresa;p reciarc;r iücar. 
13. Induzir 
Obsenar;e xperimentapr;r oporh ipótesesc;o mprovar 
hipótesepse lae xperiênceiat c. 
14. Deduzir 
Compreenderer laçõesn ecessáriaisu;s tiÍìcar 
logicamentdee; monstraert c. 
I
r62 Capítulo 8 
ação intelectual. Isto é, paÍa aprender, o educando deve rcalizar 
atividadesm entais. 
O estudo dirigido, como técnicap edagógica,d esenvolveu-sea, 
partir de 1915, nos Estados Unidos da América do Norte com o 
nome de supentised study.Sua expansío para os demais países se 
deu ünte anos mais tarde, ou seia, apartir de 1935. 
O estudod irigido surgiu da necessidaded e transmitir aosa lunos 
técnicasd e estudo, isto é, de ensiná-losa estudar.B aseava-se m 
certas consideraçõesd e ordem filosófica: se nossa cilur.lizaçãeos tá. 
em constante mudança e se atualmente o progresso culrural é verti-ginoso, 
tornando parte do conhecimento adquirido nas escolas em 
pouco tempo ultrapassadoe obsoleto,o maisi mportânteé aprender 
a estudare desenvolveor gostod e estudar. 
Com o advento da Psicologia Genéüca deJean Piaget, atêcnic 
do estudo dirigido recebeu um reforço no seu suporte teórico. A 
concepção construtivistz de Piaget contribuiu paÍa r utilização do 
estudod irigido como técnicap edqgógican, a medida em que expli-citou 
as relações entre a ação efeüva e as atiüdades cognitivas na 
construção do conhecimento. 
O estudo dirigido é uma técnica de ensino individualizado, que 
respeitao ritmo de aprendizagemd e cada aluno, embora se realize 
em situaçãos ocial, na sala de aula, com a supervisãod o professor. 
Os obietivos do estudo dirigido podem ser assim definidos: 
a) Desenvolvetré cnicase habilidadesd e estudo,a iudandoo aluno a 
aprendera s formas mais adequadase eficientesd e estudarc ada 
írea do conhecimento. 
b) Promover a aquisição de novos conhecimentos e habilidades, 
ajudando o aluno no processo de construção do conhecimento. 
c) Oferecer aos alunos um roteiro ou guia de estudos contendo 
questõest,a refaso u problemass ignificativosq ue mobilizems eus 
esquemaso peratóriosd e pensamentoc, ontribuindo p Ía o Lper-feiçoamento 
das operações cognitivas. 
d) Desenvolvern os alunos uma atitude de independênciaf rente à 
aquisição do conhecimento e favorecer o sentimento de autocon-fiança 
pelas tarefas realizadas, por meio dapróprtaatiüdade e do 
esforço pessoal. 
A seguir apresentamos algumas sugestões que podem aiudar o 
professorn o planeiamentoe, laboraçãoe aphcaçãod o estudod irigido: 
Procedimentodse ensino-aprendizagienmdi üdualizantes 163 
a) Organize o estudo dirigido considerando os obietivos educacio-nais 
propostos, a na|ntÍez do conteúdo a ser desenvolüdo e as 
habilidadesc ognitivase operaçõesm entaisa seremp raücadas.O 
estudo dirigido deve estar integrado à dinâmica da unidade estu-dadae 
às demaist écnicasu tilizadas.D evet ambéme star adequa-do 
ao tempo disponívelp ara cadaa ula ou sessãod e estudo. 
b) Verifiqueq uais são os conhecimentose habilidadesq ue os alu-nos 
devem adquirir em determinado conteúdo, e otganize tarefas 
operatóriasq ue favoreçama construçãod ash abilidadese conhe-cimentos 
preústos. 
c) Elabore, de forma clara e obietiva, as instruções e orientações 
escritas do roteiro p Ía o estudo dirigido, explicitando as tarefas 
operatórias que o aluno vai executar, de modo que o enunciado 
das perguntaso u questõesfi que compreensívepl ara ele. 
d) Distribua o roteiro ou guia de estudo para os alunos, deixando- 
-os trabalhar com uma margem de tempo suficiente. De vez em 
quando percorra a classe observando os alunos e esclarecendo 
as possíveisd úvidas. 
e) Solicite que os alunos, terminado o tempo de estudo, apresentem 
o resultado do seu trabalho paÍa L classe. Cada item do estudo 
dirigido pode ser apresentadop or um ou mais alunos.A apresen-tação 
deve ser seguida da análise e discussão por parte dos 
demais alunos e de comentários feitos pelo professoç quando 
necessários. 
É interessanter essaltarq ue o estudo dirigido é uma forma de 
ativar e mobiüzar os esquemaso peratóriosq ue constituema estru-tura 
básica da atividade mental do aluno. 
Vejamos 
^goÍa 
um exemplo de estudo dirigido a partir de um 
texto lido. 
Leia, neste capítulo, o texto do item 5, que se refere ao estudo 
dirigido. Apóss ua leitura, faça por escrito as seguintesta refas: 
a) Anote os trechos que você consideroum ais significativos,Í aaen-do 
um breve resumo deles. 
b) Conceituea expressão" estudo dirigido". 
c) Explique qual a função do guia ou roteiro elaborado pelo profes-sor, 
no estudo dirigido. 
d) Defina o que são "tarefas operatórias".
164 Capítul8o 
e) Cite, pelo menos, nove operaçõesc ognitiva.sd entre as quatorze 
apresentadase, xplicandoa que tarefaso peratóriase stãor elacio-nadas. 
f) Explique os pressupostose m que se baseia 
^ 
técnic do estudo 
dirigido. 
g) Explique por que o estudo dirigido é considerado uma técnica de 
ensino individualizado, embora se realize em sifuação social de 
sala de aula. 
h) Analise, 
^ 
p^Ítir da leitura dos obietivos do estudo dirigido apre-sentadosn 
o texto,q uaiss ãoa sp rincipaisv antagendsa técnicad o 
estudo dirigido. 
i) Elabore um roteiro de estudo dirigido para um determinado con-teúdo 
de ensinoq ue você escolher.T omep or basea s sugestõese 
orientações dadas no texto, para o planeiamento, elaboração e 
aplrcaçío do estudo dirigido. 
3. Método Montessori 
O métodoM ontessorie os centrosd e interessed e Decrolyf oram 
os primeiros sistemasd idáticosi ndividualizados. 
Marta Montessori foi a primeira mulher itdian a doutorar-se 
em medicinap elaU niversidaddee Roma,e m 1894.D edicou-sea o 
estudoe tratamentod e criançasd eficientesc, riando procedimentos 
de ensino para facilitaÍ a apÍendizagem dessas crianças. Poste-riormente, 
e ssesp rocedimentosd idáticosf oram adaptadosà s crian-ças 
de desenvolúmento normal, surgindo, assim, o método 
Montessori. O sistema didático elaborado por Maria Montessori 
difundiu-se primeiramente pela ltáüa, e depois em vários outros paí-ses, 
c ontribuindop ^Íaa expansãod os ideaisd a educaçãor enovada. 
"As ideias educativasd e Montessorif oram primeiramentea pli-cadas 
a crianças de 4 a 6 anos, ou seia, em iardins de infância. Em 
lpll, por iniciativa de Maria Mariani Guerrieri, delas se fez 
adaptzçío ao ensino primário, e mesmo aos estudos de 
médio"7. 
Procedimentodse ensino-aprendizagienmdi vidualizantes 165 
Atualmente, no Brasil, o método Montessori é usado com mais 
frequência na pré-escola e nas primeiras séries do primeiro grau. 
O sistemad idático montessorianob aseia-sen uma concepçãod e 
homem e de mundo que poderíamos denominar de "vitalista', pois 
consideraa vidae seup leno desenvolümentoc omo o bem supremo. 
Sua concepção de educação está baseada mais nos princípios 
biológicos do crescimentoe desenvolvimentod o que nos aspectos 
sociaisd e ajustamentoe integração. 
Os princípios básicos que fundamentam a concepção pedagógi-ca 
de Montessori são os seguintes: 
a) Liberdads- $s avida é desenvolvimentoa, eductçío devef avo-recer 
essed esenvolvimentod, eixando a criança à vontadep ara 
crescere desenvolver-seA. l iberdadeé concebidac omo condição 
de expansão da vida. Em decorrência desse princípio, o sistema 
de ensino montessoriano começa por transformar o ambiente 
escolar, substituindo as carteiras fixas por mesinhas e cadeiras e 
abolindo os prêmios e castigos. Mas Maria Montessori lembra 
que a liberdade não significa abandono nem laissez-fuire total. 
Liberdade e disciplina interior estão interligadas e integradas, 
caminhando iuntas. A liberdade é entendida como desenvolvi-mento 
das manifestaçõese spontâneasd a criança e, nesses enti-do, 
se idenüfica com atividade. 
b) Atividade- A atividadeé uma manifestaçãoe spontâneae deve 
ser respeitada. Por atividade, Montessori entende não apenas a 
atiúdade ffsica, mas também, e principalmente, a atiüdade men-tal, 
reflexiva. O obieüvo básico do processo didático montesso-riano 
é educar p Íaa atiüdade epLÍL o trabalho, enãopaÍaa 
imobilidade, a passiüdade ou a obediência cega. A aprendizagem 
é concebida, portanto, como um processo ativo. 
c) Vitalidade- Consideraavrdae seup leno desenvolümentoc omo 
o bem supremo. Assim sendo, concebe a infância como uma etapa 
' naturaln essep rocessod e desenvolvimenteo lhe atribui um senti-do 
próprio. A infância não é uma fase negativa que deva acabar 
logo, mas um período necessário, que deve ser plenamente 
vivido. 
d) Indiüdualidade- A educaçãod ever espeitara s diferençasin di-viduais 
e a liberdade devep ermitir o desenvolúmentod a perso-nalidade 
e do ctráner indiúdual. 
uma 
nível 
7 M. B. Lourenço Filho, Introdução ao estudo da Escola Noaa, p. l8l.
r66 Capítulo 8 
Emborao embasamentote órico do métodoM ontessoris eiaf un-cionalista, 
seus procedimentos didáücos ainda estão imbuídos da 
psicologia associacionistaq, ue afirma que o desenvolvimentop sí-quico 
se processa por meio de estímulos externos e que as sensa-ções 
são a base das funções intelectuais. Para a psicologia associa-cionista, 
a instrução intelectual começa com o recolhimento de 
dados sensoriais e sua distinção e a posterior transferência de ele-mentoss 
implesp or composiçãoa ssociativa.Daoí c oniuntod e jogos 
sensoriaisq ue Maria Montessoric riou para as crianças,e m fasep ré- 
-escolar, e o variado material para concrettzar as lições, nas séries 
iniciais do primeiro grau. 
A seguir,e nunciamosa lgunsa spectosb :ásicosp reconizadosp elo 
método Montessori e os meios de alcançá-los: 
a) a educaçãod os sentidos,p or meio da rcalizaçãod e iogos senso-riais 
e do uso de material didático próprio; 
b) a educação do movimento, por meio da príücade exercícios ffsi-cos 
e rítmicos e do "exercício da linha", no qual a, criança anda 
sobre uma linha elíptica desenhada no chão, ao som de uma 
música; 
c) a educaçlo da inteligência, por meio de lições e exercícios siste-máticos 
e de materiais para concretizar os conteúdos a serem 
assimilados; 
d) a prâticad ^ "aula do silêncio", que üsa desenvolvear capacida-de 
de atençío, a autodisciplina e a percepção auditiva; nesse 
momento os alunos ficam em silêncio ouvindo apenas a voz do 
professor, que fala em tom baixo; 
e) a realização dos exercícios de üda práttica, que aiudam a crtança 
a adquirir noções referentes aos cuidados com apróprtapessoa 
e com o ambiente. 
4. Centros de interesse 
O método denominado centros de interesse foi criado por 
Oúdio Decroly, que nasceu na Bélgica e formou-se em medicina em 
1896, especializando-sem neurolo$a. Trabalhouc om deficientes 
mentais,i niciando suac arreira pedagÓgicaasoe r nomeadoc hefed o 
serviço de crianças deficientes e médico inspetor das classes espe-ciais 
de Bruxelas. 
Procedimentos de ensino-aprendizagem indiüdualizantes 167 
Em 1901,o rganizoue fundou,n os arredoresd e Bruxelas,u m 
instituto para deficientesm entais,d edicadoà pesquisa,a tendimento 
clínico e educação de excepcionais. Fez, em coniunto com seus 
colaboradores,p esquisasn o campo da psicologiai nfanüI, tanto na 
área de criançasn ormais como naírea de deficientesD. esset raba-lho 
resultaram uma intensa obra de pesquisador e uma expressiva 
obra pedagógica.. 
Em 1907,o rganizoue fundoue m Bruxelasa escolaq ue recebeu 
o nome de L'Ernitage, destinadaa criançasn ormais.D ecrolyc ome-çou 
então a aphctr em crianças normais os resultados de suas 
observaçõese pesquisasn o campo da psicologiai nfantil. 
O sistema pedagógico de Decroly foi submetido à experimenta-ção 
na rede pública e, após ter sido aprovado com resultados satis-fatórios, 
foi adotado e oficiúzado nas escolas públicas belgas. 
Assim, o sistema pedagógico de Decroly difundiu-se rapidamente 
por toda aBélgica,e xpandindo-seta rnbémp or outros países,c omo 
a Espanhae os EstadosU nidos.N a AméricaI 'atina,a s ideias educa-cionais 
de Decroly tiveramg rander epercussãot,e ndo sido divulga-das 
principalmente na Argentina, Uruguai e Bolívia. 
Decroly foi solicitado, inúmeras vezes, a escrever um compên-dio 
que relatasse de forma completa sua pedagogia, mas ele se 
negou a fazê-lo.O grande educador alegavad uas razõesp ara'n ío 
condensare m uma obra escritas ua pedagogiap: rimeiramentep or-que 
sua concepçãoe ducaüvaa indanío estavac oncluída;e m segun-do 
lugar, porque seu sistema pedagógico estava baseado em princí-pios 
e não em fórmulas rígidas.E le deu algumass ugestõesd e pro-ceümentos 
educaüvosm, as insistian o fato de que havian ecessida-de 
de adaptá-losà s reais condiçõese característicasd a clientela 
escolar. O mestre não queria que seu sistema educativo se cristali-zasse 
nos procedimentos que recomendava. 
Decroly tinha um ponto em comum com Maria Montessori: sua 
concepção educativa, assim como a da educadora itaÍa;na, tinha 
uma fundamentaçãop redominantementeb iológica. Ele não negav^ 
que o homem era um ser social. Mas antes de ser um ente social, o 
homem era um ser biológico. A üda social seria, assim, a proieção 
de necessidadeüst ais. 
Quantoa os princípios fundamentaisd a teoria pedagógicad e 
Decroly, podemos dizer que ele concebia a educação como 
autoeducaçío. Daí a necessidtde da atividade interessada dos 
educandos. O fim da educação era o de manter e conseÍvaÍ a 
vida e o de criar condiçõesp ara o pleno desenvolvimentod o ser 
L
humano. o lema da escola criada por Decroly era "uma escola 
paÍa a vida e pela vida". 
LourençoF ilho resumeo s princípiosc apitaisd o sistemap eda-gógicod 
e Decroly,d izendoq ue ele é .,pragmatistan o encararo s 
fins da educaçãoe ativistan os procedimentosq ue recomendaM. ais 
particularmentea ssentas obre uma concepçãob iológicad a evolu-çãod 
a criança,r azãop or que exigeo ensinoi ndividualizadop elos 
tipos de educando;g lobalizadore, nfim, ou admitindoa educação 
como integraçãod e atividadesn, em semprec omo ponto de partida 
mas' ao menosc omo recursod idático"Í1E. mborao sistemae duca-tivo 
de Decroly se norteie pelos princípios aqui enunciadosn, ele 
ainda subsistemc ertos esquemasin telectualistasd, ecorrentesd e 
uma possíveiln fluênciad a üdâtica do educadora lemãoH erbarte 
de resquíciosd a psicologiaa -ssociacionistqau, e predominoun os 
fins do século XIX. 
o sistemap edagógicoe laboradop or Decrolyi nclui umas éried e 
procedimentosq ue abarcamt oda a organizaçãoe scolar.o método 
globalizador de integraçío das atividades denominado centros de 
interesse é apenas uma das medidas propostas dentro de seu siste-ma. 
Veiamosa lgunsd os procedimentoss ugeridosp or Decroly: 
a) Organizaçãod e classesh omogêneasd e acordo com o ritmo de 
aprendizagemd os alunos. Decroly acreditavaq ue essa medida 
iria contribuir para o maior aproveitamentdoo s alunos.O s pro_ 
cedimentosd e ensino-aprendizagemde veriam vartar de acordo 
com as característicasd e cadac lasse. 
b) Diminuição do número de alunos por classe. 
c) Reformulaçãod o programae scolard e modo alevar em contaa 
evoluçãod osi nteressensa turaisd a criançae asc ondiçõeslo cais. 
O programa proposto por Decroly parte do estudo da criança, de 
suÍÌsn ecessidadevsit ais,d o funcionamentod e seusó rgãose do 
ambiente em que vive, englobando os principais aspectos davrda 
humana e social. 
Decroly propôs um programa composto por ideias associadas, 
que pode ser assim resumido: 
Procedimentodse ensino-aprendizagienmdi vidualizantes 169 
l. A criança e suas necessidades: 
l.l. necessidaddee alimentar-se de fazers uah igiene; 
1.2.n ecessidaddee lutar contraa s intempéries; 
1.3.n ecessidaded e defender-sec ontra os perigos e acidentes 
diversos; 
1.4.n ecessidaddee açío e do trabalhos olidário. 
2. Acnança e seu meio: 
2.1. a criança e a família; 
2.2. a criança e a escola; 
2.3. a criança e a sociedade; 
2.4.a criançae os animais; 
2.5. a criança e as plantas; 
2.6. a criançae aTerra,a átguaa, r, minerais; 
2.7. acriança e o Sol, a Lua e as estrelas. 
d) Modificaçãod os processosd e ensinoc om o uso dos centrosd e 
interesseq, ue é um métodog lobalizadon, o qual as atividades 
escolaress ãoi ntegradase os diversose lementosd o conteúdos ão 
estudadosd e forma associadae com relaçãoe ntres i, numat en-tativa 
de garantir a unidade de conhecimento. 
De acordo com Decroly, paru se obter um bom aproveitamento 
escolar não basta a reforma do programa. É preciso modificar a 
dinâmica do trabalho escolaç permitindo o desenvolvimentdoa 
individualidadea travésd a atiüdade interessadad o educando.P ara 
que issoo corra,D ecrolyr ecomendaq ue o ensinos ed esenvolvpao r 
centros de interesse, que partem do elemento afetivo primordial 
paraa aquisiçãod o conhecimentoq, ue é o interessed o escolar.O 
tempo de desenvolümentod e cadac entro ou eixo do conhecimen-to 
variad e acordoc om o interessed o aluno. 
No métodoc riadop or Decroly,o conhecimenton ão se apresen-ta 
separado por disciplina-s estanques, sem significação p Ía o 
aluno. Peloc ontrário,o conhecimentos e apresentad e forma inte-grada, 
sendo percebido em sua unidade. Os centros de interesse 
integram as atividades discentes e criam um laço de união entre os 
conteúdosf,a zendo-osc onvergirp ara um mesmoc entroo u eixo de 
trabalho cogniüvo. 
De acordoc om LauraC .A mato,c entrosd e interesse" são agru-pamentos 
de conteúdos e de atiüdades educativas realizadas em E M. B. Lourenço Filho, obra cirada, p. l8Íì.
t70 Capítulo 8 
torno de temas centrais de grande significado p ra a criança"9. A 
base psicológica do método é a ideia de que a vidz mental é uma 
unidadee não a soma das partes.É por lsso "que os assuntosa 
sereme studadosd evems er apresentadose m seu todo, não reparti-dos 
em disciplinas... Daí a ideia de globalizaçío do ensino, de ensi-no 
globalizadg"l{t. 
Nosc entrosd e interesseo, aluno percorres ucessivamenteem, 
cadag randet emao u assunto,t rês fasesd o pensamentoo: bservação, 
associaçãoe expressão. 
Portanto, há três etapas básicas no tratamento de qualquer 
assuntod entrod os centrosd e interesse: 
a) Observaç^o- Os exercíciosd e observaçãop õem os alunos em 
contatoc om os obietos,o s seres,o s fenômenose os aconteci-mentos. 
S ão,p or isso,a baser acionald os demaise xercíciose a 
alavancadasa tividadesm entais.O se xercíciosd e observaçãoe sti-mulam 
e apelam paÍa a linguagem e o cálculo, pois o ato de 
observar gera outras operações mentais como comparar, estâbe-lecer 
semelhanças e diferenças, classificar, ordenar, contar, 
mediç pesar. Os exercícios de observação estão relacionados 
também ao trabalho de aquisição de vocabulário e às atividades 
de leitura e escrita. 
b) Associaçío- Sãoa s atividadesq ue levamo aluno afazer asso-ciaçõesn 
o tempoe no espaço,r elacionandoo s novosc onheci-mentos: 
- a obietoso u fatosa tuais,m asd istantes( associaçãnoo espaço); 
- a acontecimentoso corridos em outras épocas (associaçãon o 
tempo); 
- às suas causas e efeitos. 
As atividadesd e associaçãoe stãol igadas,m ais diretamente,à s 
operações mentais de localização no tempo e no espaço, de aniílise 
e de transferênciad o conhecimento. 
') Laura C. AnrÍrto, citada por Imídeo Nérici; Metodologia..., cit., p. 215 
ro lmídeo Nérici, ibidem, p. 214. 
Procedimentosd e ensino-aprendizagemin dividualizantes 17l 
c) Expressão- São aüúdades que permitem a manifestaçãod o 
pensamentop or intermédio dos diversost ipos de linguagern: 
oral, escrita, pliísüca, corporal, musical etc. Nas atiüdades de 
expressãoo, aluno sintetizao conhecimentoa dquiridos obre o 
assunto ou tema estudado e o comunica por meio de um relato 
oral ou escrito, do desenho, do trabalho manual, de uma drama-tiz 
çáo etc. Por isso, as atividades de expressão estão ligadas, 
principalmente, à operação mental de síntese. 
Por fim, convém lembrar que Decroly aftrmava que os centros 
de interesse deveriam aproveitar os fatos da üda corrente do aluno, 
dando üda e colorido ao trabalho escolar. Mas o uso desse método 
requeru m professorp reparado,q ue saiba" encaminhara atiüdade 
interessada das crianças, paÍz- a aquisição das técnicas escolares 
indispensáveeis d os conhecimentoism prescindíveiàs üda social.A 
atividadein teressadéa o meio,n ão o fim do trabalhoe scolar"tl. 
Decroly ressaltavata mbém a necessidaded e empregar ativida-desl 
údicasn a aprendizzgemis, to é, de utilizari ogoso u brinquedos 
com funções educativas. 
Resumo 
l. lt uula e.rpttsitira ó unt dos pro<'t'dirrrentos didriticos mtris trntigos 
t' Íradir.iotttris. st'ttdo iriltda ltrrgulnt'lr(e ulilizrrda lros vtirios 
rrír't'is de t'nsilro. Aiuallrrt'tríe. a aula expositivtt Íettt sido realiza-drr. 
corrt rrttris l'requôIt<'ia. enl sutì fornra alrerta ou dialogtda. 
l)iìra (lu('o alrtlro ltosstt par(it'ipar dela ntais alivatnt'nÍe. exl)orl-do 
ideias. argtunelr(atrdo. firrnruliurdo srttrs dtividas. le<'t'ndo 
r.onrerr(iirios. elabortrlrrlo t'xt'trtplos. rt'spondt'trdo t pt'rgulrlas. 
2. No r,.sírrln dirigido. o ttltttto esludn uln <'onleúdo leltdo por basr' 
unr ro(t'iro firrnrtrltrclo ptlo ;rrofessor. Os rott'iros eltlrortrdos 
develrr r.orrler Íarr.fas oltertkirirrs rlrrc nlivcrn e lrrobilizt'lrt os ('s-ll 
M. B. Lourcnço l-ilho, obra citada, p. 19G7.
(luernas nrenlsis dos alrrnos. pondo eln a1:tìo suas ol)eriìções <.og-nilivas. 
iì. o nólulo illonrossori lnsein-st rìrrrÌrrì <.olreepçrio *r,ilalis(a.' dt, 
honreln e de mundo. ;rois t.onsidertr a vida e serr Pleno dt'sen'rl-vilnenlo 
rorno o benr su;rrelrro. lìulrdarnenla-se nos prinr.íPios de 
liberdade. aÍividade. viralidacle t i'di'idrralicladi. lrrorn,r'e a 
educaçâo dos senridos. do rnovilrrtnto t da i'teligênr.ia. tr prriÍi- 
<'n da trulodisci;rli'a. a capacidade de eo.cenrração e a realiza-ção 
dos exer<.í<.iosd e vidtr prtitir.tr. 
4. os ecntnts de inreres.s. co'sriluenr unl 
'rótodo 
globalizaclor e 
interdisciplinar, pois integranr irs a(ivithdes dis<,enÍes (r os (.on_ 
teúdos, fazendo-os eonver;1ir l)iìra o nlesnlo <.enÍro ou tlixo de 
lr.ballro r:ognirivo. Parrenr do i.rertsse do edrrea.do. que i, 
prineipal eleme'Ío afe(ir'' para a aquisição de eonheciniento. 'e 
aproveilam os falos de sua vida t.olidiana. Iìsse nrétodo foi cria-do 
por Ovídio De<.roly. Nos r.t nlros de inlertrsse. há (rôs eÍapas 
básieas na abordagern de etrda gr...de Íelna ou assu'Ío: obser-vação. 
trssociação e t'xpressiìo. 
Arividodes 
Trabalho índividual 
I . selecioned, enÌreo s vórioss ugestõepsr óticoso presentodosn,o item 
ì., destec opítulo- A oulo expositivo- , os .in.o qr" você consi-dero 
moisi mportonÌeps oro operfeiçooro ploneiomentoe execuçõo 
do oulo expositivo. 
2. Anoliseo ofirmoçõoo seguír,j ustificondo-poo r escrito:o método 
Montessorie stó fundomentodoe m umo concepçõo" vitolisto,d, e 
homem e de mundo. 
3. Expliquee m que consisteo métodod os centrosd e interesse. 
4' cite os fosesd o métodod os centrosd e interessee,x pricondoe m gue 
consistec odo umo delos. 
Trabalho em grupo 
Selecioneu m componentec urriculore dentrod ele um determinodo 
conteúdo.P loneieu m estudod irigido poro essec onteúdo,e loborondo 
um roleirog ue conÌenhot oreÍoso perotóriosA. presentep oro os demois 
gruposd o closseo estudod irigidoe loborodo,e xplicitondoo seuo bie 
tivo e os operoçõesc ognitivose nvolvidose m codo torefoo peroÌório. 
Le i t ura c o rnp lerne n t ar 
Dois tipos de educação 
Existe uma oposição entre dois tipos de educação: a educação ..bancária" 
ou "convergente"e a educação" problenratizadora;o' u "libertadora". 
A educação "bancária" apresenta as seguintes características: 
- lìstá ba^seadnaa transmissãod o conhecimentoe da experiênciad o pro-fessor. 
- Atribui uma importância suprema ao "conteúdo da nratéria" e, consequen-temente, 
espera que os alunos o absorvam sem rnodificações e o reprodu-zam 
fielmente nas prova^s. 
- Seu obietivo fundamental é produzir um aumento de conhecimentos no 
aluno, sem preocupar-sec om ele como pessoai ntegrale como membro de 
uma comunidade. 
- Çemq consequêncian atural,o aluno é passivo,g rande tomador de notas, 
exímio memorizador, prefere maneiar conceitos abstratos a resolver de 
forma original e criadora problemas concretos da realidade em que vive. 
A educação" problematizadora",p or seu lado, par-ted a^ss eguintesid eias: 
- Uma pessoa só conhece bem algo quando o transforma, transformando-se 
ela também no processo. 
- A solução de problemas implica na participação aüva e no diálogo constan-te 
entre alunos e professores. A aprendizagem é concebida como a respos-ta 
natural do aluno ao desafio de uma situação-problema. 
- A aprendizagem torna-se uma pesquisa em que o aluno passa de uma visão 
"sincrética" ou global do problema a uma úsão "analítica" de ms5Íns - 
através de sua teonzação - p Ía chegar a uma ,.síntese" proüsória, que 
equivale à compreensão. Desta apreensão zrmpla e profunda da estrutu- 
I
174 Capítulo 8 
ra do problema e de suas consequênciasn a^scem"h ipóteses de solução" 
que obrigam a uma seleção das soluções mais üáveis. A síntese tem conti-nuidade 
na práxis, isto é, na atiúdade transformadora da realidade. 
(Adaptado de Juan Diiu Bordenave e Adair Martins pcreira, 
Estratégias de ensino-aprendizagem, p. lO.) 
Atividade sobre a leitura complementar 
Faça um estágio de obseruação em urw, classe de sua escolba. Depois, 
analise a aula obseruada, terrdo por base as ideias apresentadaspelos auto-res 
r?o texto complementar. 
Capítulo 9 
Procedimentos de 
ensino-aprendizagem 
socializantes 
1. 0 uso de iogos 
O iogo é uma atividadef ísica ou mental organizadap or um sis-tema 
de regras. É uma atividade lúdica, pois joga-se pelo simples 
prazer de redizar esseü po de atividade.J ogar é uma atividaden a-tural 
do ser humano. 
Ao recorrer ao uso de iogos, o professor está criando na sala de 
aula uma atmosfera de motivação que permite aos alunos participar 
ativamented o processo ensino-aprendizagema, ssimilando expe-riências 
e informações e, sobretudo, incorporando atitudes e va-lores. 
O iogo é um recurso didáücov aliosop elass eguintesr azões: 
a) Correspondea um impulson aturald o aluno,s eiae le criançao u 
adulto.N estes entido,s aüsfazu ma necessidadein terior, pois o ser 
humanoa presentau ma tendêncial údica. 
b) Absorve o iogador de forma intensa e total, criando um clima de 
' entusiasmo,p ois na situaçãod e jogo coexistemd ois elementos: 
o pÍazeÍ e o esforçoe spontâneoÉ. estea spectod e envolvimento 
emocional que torna o iogo uma atividade com forte teor moti-vacional, 
c puz de gerar um estado de vibração e euforia. 
Em virtude dessa atmosfera de pÍazeÍ dentro da qual se desen-rola, 
o iogo é portador de um interesse intrínseco, que canaliza as 
energias no senüdo de um esforço total para a consecução de seu 
-l

Atividade2 didatica

  • 1.
    Capítulo 8 Procedimentosde ensino-aprendizagem individualizantes 1. A aula expositiva Nossa anáüse de alguns métodos de ensino indiúdualizantes começap elaaulae xpositivap, or ser um dos procedimentosd e ensi-no mais anügos e tradicionais, e também o mais difundido nos vários graus escolares. De acordo com o professorN érici "o métodoe xpositivoc onsiste naapresentaçãoor al de um tema,logicamentees truturado"l. Segundo essea utor,a exposiçãop ode assumird u,asp osiçõesd idáücas: a) Exposição dogmática - De acordo com essa posição, a mensa-gem transmitídanãop ode ser contestadad, evendos er aceitas em discussõese com a obngaçío de repeti-la,p or ocasiãod as pro-vas de verificação. b) Exposição aberta ou dialogada - Nessa posição a mensagem apresentadap elo professoré simplesp retextop ara desencadear a participaçãod a classep, odendoh aver,a ssim,c ontestaçãop,e s-quisae discussãoE. nestes entidoq ue hoie se entendeo método exposiüvon os domíniosd a educação. Nae xposiçãod ogmáticao professora ssumeu map osiçãod omi-nante, e nquantoo aluno se mantémp assivoe receptivo.p or outro Procedimentosd e ensino-aprendizagemin dividualizantes 155 lado, na exposição aberta ou dialogada, o professor dialoga com a classe, ouvindo o que o aluno tem a üzer, fazendo perguntas e res-pondendo às dúvidas dos alunos. Portanto, na exposição dialogada õ aluno desempenhau m papel mais ativo, pois particip-ad a exposi-ção do profesìor, fazendo comentários, relatando fatos, dando óxemploi, argumentando, expondo suas dúvidas e respondendo perguntase. aula expositivaq, uando üalogada,f avorecea participa-fao dos alunos e estimula sua atividade reflexiva. A aula expositivap ode ser usadan as seguintess ituações: - quando há necessidaded e transmitir informaçõese conheci-mentos seguindo uma estrutura lógica e com economia de tempo; - ptãintroduzir um novoc onteúdoa, presentandeo e sclarecendo òs conceitos básicos da unidade e dando uma visão global do assunto: - paÍa fazer uma síntesed o conteúrdoa bordado numa unidade, dando uma visão globahzadae sintéticad o assunto. O professor Luiz Alves de Mattos, em seu livro Su'nuírio de Didátièa Geral, indica as c ÍIcteÍísticas de uma boa exposição didática: a) perfeitod omínioe segurançad o conhecimentoq ue é objeto da exposição; b) exatidãoe obietividaded os dadosa presentados; c) discriminaçío claraentreo que é essenciaol u básicoe o que é acidentaol u secundário; d) organicidadeo, u seia,b oa concatenaçãdoa sp artese subordina-ção dos itens de cadaPatte; e) correção,c larezae sobriedaded o estiloe mpregado; f) linguagem clara, correta e expressiva; g) conclusõesa, plicaçõeso u arremated efinido. ,dssimp, araq uea a:ulae xpositivap reenchao s requisitosd e uma boa exposiçãod idática,r ecomenda-seq ue o professorp repare a aula com antecedênciac,o nsiderandoa s característicadso s alunos e adaptando-aa o seu grau de desenvolvimento(s ua faixa etária, os conhecimentosq ue já possuems obre o conteúdoe studado,s eus I Imídco Nérici, Metodologia do ensino, p. ZlO. interessees motivações)A. o planeiara expgsiçãoo, professord eve:
  • 2.
    - definir osobietivos com clareza e precisão; - ssfsgionar as informações que pretende transmitir e organizar a sequênciad e ideias em função do tempo disponível; - escolher e criar exemplos adequados e esclarecedores; - prevero s materiaise os recursosa udiovisuaisa seremu tiüzados; - fazetu m esquemao u sumário dos conteúdose ssenciaisa serem transmitidoss, ob aforma de resumoo u sinótico,p ata usar no decorrer da aula como material de apoio; - distribuir os assuntosa seremt ransmitidosp elo tempod isponível. Paraq ue a aula exposìtivaa tinia os obietivosp ara os quais foi pla_ neiadae se desenroled e forma eücientes, ugere-seq ue o professor: a) Apresentein icialmentea, osa lunos,o assuntoq uev ai ser aborda-do no decorrer da exposição e mostre suas ligações com os temasj á estudadose conhecidos. b) Introduzao novo conteúdop artindod os conhecimentoes expe-riênciasa ntcrioresi,s to é, do que o alunoi á conhecee experien-ciou. c) Estabeleçuam clima adequadoe ntreo s participantese rnantenha a atençãod os ,alunos,r elacionandoo conteúrdoa presentactoa os obietivosi,n teressese motivosd os estudantes. d) Sejao bietivoe precison a exposiçãoe dê ao temau m tratamento ordenadoe lógico.H âváriasf ormasd e se org,anizaor conteúclo de uma exposição: - apresentarp rimeiramentea *sid eias amplase abrangentesq ue servem de ponto de apoio ou de ponto de ancoragem" para as ideiasm aise specíficase;m seguidae, xpor as informaçõesp arti-culares, mostrando sua relação com as ideias mais genéricas e com os princípios gerais; - usar uma abordagemin dutiva,e xpondop rimeiramenteo s fatos particularese as situaçõesc oncretasp, ata depoisa presentaor s conceitose princípiosm aisg eraise abrangenteas elesr elacio-nados: ',Ponlosd e ancoragemé a denominaçãod adap or Ausubellà s ideiasm ais geraise inclusivas de- uma disciplina, que servem de ponte entre o que o aluno iá sabe e aquiio que ele precisa saber. - propor questões ou problemas, p rL depois apresentar fatos, informaçOese argumentosp ara as possíveiss oluções' e) Destaque e fixe as ideias mais importantes, registrando-as no quadro de giz.. 0 oc exemplose sclarecedorese relacionadosà vivênciad os alu-nos. g) Esümule a participação dos alunos e mantenha-os em atitude reflexiva: - fazendo pelguntas para que eles respondam; - dial6gando com eles; - prop<lndo (luestõcs Paru' debate; - deixando que eles exponham suas dúvidas; - s5çl2lssendo as dúvidas; - seliçitapdoe xemplos; - pedindop ara que os alunosa presentemc oniecturass obrea continuâçãod e uma exPlicação; - ou pedindo para que façarn oralmente uma breve síntese do que foi até então exPosto. h) useu ma linguagems implese coloqui,ael vá cliretoa o assuntod, e forma clarae obietivas, emr odeiosn emf loreios.Q uandoe mpre-gar uma palavraquev ocôp resumas ejad csconheciddao sa lunos, õu um termo científico,e iplique o seu significarJ<p>a, ra facilitar a compreensãotl o assuntoe xposto. i) Falec om desembaraçoe entusiasmop, ronunciandoa s palavras com clateza e variando o tom de voz, os gestos e movimentos' O professorN érici sugerei,n clusive,q ue o expositord ê "um certo õolorido emocional à exposição, mas sem exageto"z. i) Use humor quando achar oportuno, pois aiuda arelaxar, prende . a atençáo e cna um clima descontraído. k) Use, sempre que possível, para ilustrar a explanação' recursos audiovisuaisa uxiliares,c omo o quadro de giz,c ÍIazes,g ravuras' álbum seriado, quadros murais, gráficos, mapas, retroproietor etc' a 2 Imídeo NéÍici, Metodologia..., cit., p. 22O.
  • 3.
    l) "sinta" aclasse, percebendo o grau de atenção clos alunos atra-vés de suas reações, e verificando o seu nível cle compreensão por meio cle perguntas sobre o assunto exposto. m) Intercale a exposição com exercícios para aplicação clo conteúr-do apresentado, quando achar oportuno. n) Ao concluir a explicação, enfatize as ideizn bâsicas e essenciais, sintetizando-as e sistematiz.ando-asn um quadro sinótico, ou pedindo aos alunos para resumirem o contéírdo transmitido. Estas normas práticas poderão ajudar o professor a tornar sua aula expositiva mais compreensível e interessante para os alunos. Dentre essas normas, duas em especial devem ser destacadas: - uma é a necessidade de se relacionar as ideias mais gerais e abrangentes do conteúdo, com as informações particulaies; - a outra é a necessidade de se estabelecer uma ponte entre o que o estudante jã sabe e aquilo que ele precisa cónhecer. por isso, é importante mostrar as semelhanças e diferenças entre as novas ideia-sc ontida^sn o conteúdo introduziclo e os cônceitos e princí-pios previamente aprendidos e disponíveis na estrutura cognitiva do zúuno. umaprâtica comum é separar a-s ideias, compar-timentalizando- -as em tópicos distintos e estanques. Mas isto não é recomendado. Numa boa exposição, o professor deve apresentar os conhecimentos (informações, ideias, conceitos e princípios) relacionaclos e enca-cleados entre si, mostrando suas semelhanças e diferenças. SegundoA ntônio Ronca e Virgínia Escobar ,.qu,alquãrq ue seia a forma de orga^ização escolhida, parece-nos que um aspecto deve ser sempre cuidado pelo professor: a articulação do todã deve ser destacada de maneira nítida. As partes devem estar sempre afticula-das entre si e deve,ser sempre visível sua articulaçao com o toclo. É importante também não esquecer de relacionar o conteúdo apre-sentado na exposição com unidades mais ampla^s do curso".ì- De acordo com esses mesmos autores "a aprenditagem signifrcativa existe, então, sempre que haja um relacionamento do novó material r ^ntônio carlos c. Ronca e Virgínia F. Escobar, 'récnicas pedagigica.s: ílomesticttçíto 01 de.vylìo à ltartici/xtçrio?, 1t. 97. Procedimentosd e ensino-aprendizagemin dividualizantes 159 com os elementosjá estáveinsa estruturac ognitlvap, oise step roces-so de inclusividaded e conceitosa brangentesq, ue servemc omo pontosd e ancoragem,é o cerne datprendizagems ignificativaC. aso contrário,a retençãoé puramentem ecânica"4.P ortanto,a a;pren-üzagems ignificaüvao corre quando o aluno relaciona o novo con-teúdo com os conhecimentosa nterioresd e que iá dispõe e que constituems uae struturac ognitiva. Cabe ainda ressaltar que a exposição deve ser limitada no tempo, em função do nível de maturidade dos alunos, e deve ser sempre alternada com outras técnicas didáticas. 2. Bstudo dirigido O estudod irigido consistee m fazero aluno estudaru m assunto apaÍtir de um roteiro elaboradop elo professorE. ster oteiro estabe-lece a extensãoe a profundidaded o estudo. Há diversosti poso u modalidadeds e estudod irigido,p oiso pro-fessorp ode elaboraru m roteiro contendoi nstruçõese orientações p Ía o aluno: - ler um textoe depoisr esponderà s perguntas; - manipularm ateriaiso u construiro bietose chegara certasc on-clusões; - 6$ssrv2r obietos, fatos ou fenômenos e fazer anotações; - TsaliTaevx periênciase fazerr elatórios,c hegandoa certasS ene-ralizações. O professor deve elaborar roteiros contendo tarefas operatórias que mobilizem e dinamizem as operações cogniüvas. Tarefas operatórias são "aquelas que se referem à mobilização e de operaçõesm entais( no senüdoa mploq ueJeanP iagetdâ' ^tiv,.ção ao termo). Utilizamo brigatoriamentea lgumasa çõese fetivasi,s to é, indicam que o aluno deve utilizar seu aparelhamentos ensório- -motor, porém integrama s atividadesd esset ipo num contextoo pe-ratório, ou melhor, num conjunto dinâmico e otganiztdo de opera-r ldern, ibidern, p. 92.
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    160 Capítulo 8 ções mentais. Os guias de estudo poderão refletir essa integração: dar ao aluno umas tantas instruções sobre ações a realizar, tzis como ler (um texto), consultar (um üvro), escrever (uma respos-lz-), aÍrotar (algo que observou), rcalizar (uma experiência) etc., mas devemc uidar especialmented as 'chaves'o u esúmulosp ara ati-üdades mentais"5. Essasta refaso peratórias,e stabelecidapso r meio de questõeso u problemas a resolver nos roteiros ou guias de estudo, indicam quais os esquemasa ssimiladoresq ue estãos endo mobilizadosd urante o trabalho mental do aluno. A professora Amélia de Castro relaciona algumas operações mentais que devem ser usadas como "chaves" nos roteiros ou guias de estudod irigido, para desencadeaar s tarefaso peratórias.N o qua-dro a seguir, apresentamose ssÍrst arefaso peratórias,ú sando sua utilvaçío, no estudo dirigido, por meio de exercícios graduados, questionáriose propostasd e aüvidades. 5 Améliâ D. dc Castro, "O trabalho dirigido". Em: Didtítica lrara a esctiltt tle I? e 29 graus, p. l2l. ('Iìste quadro foi extraído dc Amélia D. de Castro, obra citada, p. l2l-3. Procedimentosd e ensino-aprendizagemin dividualizantes 16l Na práüca,e ssaso peraçõesm entaisc oniugam-see relacionam- -se de vârtas maneiras. E raramente uma tarefa requer apenas uma delas.É comumu ma tarefae xigrrd uaso u maiso peraçõesc ogniüvas. A técnicad o estudod irigido baseia-sen o pressupostod e que a aprendizagem efetiva exige a atividade do aluno. O termo ativi-dade aqui é entendido não apenas no sentido físico, de açío efe-tiva, mas principalmente no sentido mental, no que se refere à SUGESTÃO DE TAREFAS OPERATóruAS6 Operações cognitivas Tarefas operatórias l. Classificar Aproximaoru disünguipr or semelhançoaus diferenças; ordenacr lassepso r ordemd eg eneralizaScor escentoeu decrescentdeis; ünguigr êneroes espéciees;n caixar indivíduoesm c lassesd;i vidirg êneroesm e spéciees encaixaer spécieesm g êneroest c. 2. Seriar Ordenasr egundcoe rtosc ritérios( numéricoosu físicos); seguisr equênciÍorsu progressosse; riarc ronologicamente elc. 3. Relacionar Compara(rp ercebesre melhançea ds iferenças, distinguir)e; stabelecreerl açõessi mplese múlüplaes ntre fatoss ituadonso mqsmop lanoo u hierarquicamente ordenadods;is criminacra usaes efeitosa, ntecedentees consequentemse, iose fins;v ariarf atoresr;e lacionar proporcionalmenettec . Operações cognitivas Tarefas operatórias 4. Analisar Decompoor bjetoso u sistemaesm e lementos constitutivose;n umeraqr ualidadesp,r opriedades; descrevenr.a rrare tc. 5. Reunir Reunirc, omporc onjuntoosu sistemaas p artird e elementorse; compoar partird e elementodsis sociados; construinr ovoss istemaosu obietose tc. 6. Sintetizâr Reduziar elementofsu ndamentaoisu essenciaisl escolhers, elecionaer lementosse gundoc ertosc ritérios; reduzira esquemaqsu, adros inóücoss,u mários; condensarc;o mpreende(ra preenderre laçõese ssenciais) etc. 7 . Localnr no tempo e no espaço Seguir ajetosn o tempoe no espaços; ituarf enômenoes eventons esseds oiss istemadse referência. 8. Representar Interpretaoru exprimirr elaçõegsr aficamen(tcer oquis, gráffcosd,i agramacso, rtesc, aíase tc.)o u por símbolos. 9. Conceituaer d efinir Explicara, nalisaro u desenvolvecro nceitosd e modo lógicoo u operacional. 10.P rovar JusüÊcaer,s clarecefru, ndamentar e defendepro ntosd e vistâ etc. I l. Transpor ïransformar,r eproduzir modificandoin; terpretâr segundoc ritériosv áriose tc. t2.J ulgar Avaliard; iscuüre atribuirv aloresa;p reciarc;r iücar. 13. Induzir Obsenar;e xperimentapr;r oporh ipótesesc;o mprovar hipótesepse lae xperiênceiat c. 14. Deduzir Compreenderer laçõesn ecessáriaisu;s tiÍìcar logicamentdee; monstraert c. I
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    r62 Capítulo 8 ação intelectual. Isto é, paÍa aprender, o educando deve rcalizar atividadesm entais. O estudo dirigido, como técnicap edagógica,d esenvolveu-sea, partir de 1915, nos Estados Unidos da América do Norte com o nome de supentised study.Sua expansío para os demais países se deu ünte anos mais tarde, ou seia, apartir de 1935. O estudod irigido surgiu da necessidaded e transmitir aosa lunos técnicasd e estudo, isto é, de ensiná-losa estudar.B aseava-se m certas consideraçõesd e ordem filosófica: se nossa cilur.lizaçãeos tá. em constante mudança e se atualmente o progresso culrural é verti-ginoso, tornando parte do conhecimento adquirido nas escolas em pouco tempo ultrapassadoe obsoleto,o maisi mportânteé aprender a estudare desenvolveor gostod e estudar. Com o advento da Psicologia Genéüca deJean Piaget, atêcnic do estudo dirigido recebeu um reforço no seu suporte teórico. A concepção construtivistz de Piaget contribuiu paÍa r utilização do estudod irigido como técnicap edqgógican, a medida em que expli-citou as relações entre a ação efeüva e as atiüdades cognitivas na construção do conhecimento. O estudo dirigido é uma técnica de ensino individualizado, que respeitao ritmo de aprendizagemd e cada aluno, embora se realize em situaçãos ocial, na sala de aula, com a supervisãod o professor. Os obietivos do estudo dirigido podem ser assim definidos: a) Desenvolvetré cnicase habilidadesd e estudo,a iudandoo aluno a aprendera s formas mais adequadase eficientesd e estudarc ada írea do conhecimento. b) Promover a aquisição de novos conhecimentos e habilidades, ajudando o aluno no processo de construção do conhecimento. c) Oferecer aos alunos um roteiro ou guia de estudos contendo questõest,a refaso u problemass ignificativosq ue mobilizems eus esquemaso peratóriosd e pensamentoc, ontribuindo p Ía o Lper-feiçoamento das operações cognitivas. d) Desenvolvern os alunos uma atitude de independênciaf rente à aquisição do conhecimento e favorecer o sentimento de autocon-fiança pelas tarefas realizadas, por meio dapróprtaatiüdade e do esforço pessoal. A seguir apresentamos algumas sugestões que podem aiudar o professorn o planeiamentoe, laboraçãoe aphcaçãod o estudod irigido: Procedimentodse ensino-aprendizagienmdi üdualizantes 163 a) Organize o estudo dirigido considerando os obietivos educacio-nais propostos, a na|ntÍez do conteúdo a ser desenvolüdo e as habilidadesc ognitivase operaçõesm entaisa seremp raücadas.O estudo dirigido deve estar integrado à dinâmica da unidade estu-dadae às demaist écnicasu tilizadas.D evet ambéme star adequa-do ao tempo disponívelp ara cadaa ula ou sessãod e estudo. b) Verifiqueq uais são os conhecimentose habilidadesq ue os alu-nos devem adquirir em determinado conteúdo, e otganize tarefas operatóriasq ue favoreçama construçãod ash abilidadese conhe-cimentos preústos. c) Elabore, de forma clara e obietiva, as instruções e orientações escritas do roteiro p Ía o estudo dirigido, explicitando as tarefas operatórias que o aluno vai executar, de modo que o enunciado das perguntaso u questõesfi que compreensívepl ara ele. d) Distribua o roteiro ou guia de estudo para os alunos, deixando- -os trabalhar com uma margem de tempo suficiente. De vez em quando percorra a classe observando os alunos e esclarecendo as possíveisd úvidas. e) Solicite que os alunos, terminado o tempo de estudo, apresentem o resultado do seu trabalho paÍa L classe. Cada item do estudo dirigido pode ser apresentadop or um ou mais alunos.A apresen-tação deve ser seguida da análise e discussão por parte dos demais alunos e de comentários feitos pelo professoç quando necessários. É interessanter essaltarq ue o estudo dirigido é uma forma de ativar e mobiüzar os esquemaso peratóriosq ue constituema estru-tura básica da atividade mental do aluno. Vejamos ^goÍa um exemplo de estudo dirigido a partir de um texto lido. Leia, neste capítulo, o texto do item 5, que se refere ao estudo dirigido. Apóss ua leitura, faça por escrito as seguintesta refas: a) Anote os trechos que você consideroum ais significativos,Í aaen-do um breve resumo deles. b) Conceituea expressão" estudo dirigido". c) Explique qual a função do guia ou roteiro elaborado pelo profes-sor, no estudo dirigido. d) Defina o que são "tarefas operatórias".
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    164 Capítul8o e)Cite, pelo menos, nove operaçõesc ognitiva.sd entre as quatorze apresentadase, xplicandoa que tarefaso peratóriase stãor elacio-nadas. f) Explique os pressupostose m que se baseia ^ técnic do estudo dirigido. g) Explique por que o estudo dirigido é considerado uma técnica de ensino individualizado, embora se realize em sifuação social de sala de aula. h) Analise, ^ p^Ítir da leitura dos obietivos do estudo dirigido apre-sentadosn o texto,q uaiss ãoa sp rincipaisv antagendsa técnicad o estudo dirigido. i) Elabore um roteiro de estudo dirigido para um determinado con-teúdo de ensinoq ue você escolher.T omep or basea s sugestõese orientações dadas no texto, para o planeiamento, elaboração e aplrcaçío do estudo dirigido. 3. Método Montessori O métodoM ontessorie os centrosd e interessed e Decrolyf oram os primeiros sistemasd idáticosi ndividualizados. Marta Montessori foi a primeira mulher itdian a doutorar-se em medicinap elaU niversidaddee Roma,e m 1894.D edicou-sea o estudoe tratamentod e criançasd eficientesc, riando procedimentos de ensino para facilitaÍ a apÍendizagem dessas crianças. Poste-riormente, e ssesp rocedimentosd idáticosf oram adaptadosà s crian-ças de desenvolúmento normal, surgindo, assim, o método Montessori. O sistema didático elaborado por Maria Montessori difundiu-se primeiramente pela ltáüa, e depois em vários outros paí-ses, c ontribuindop ^Íaa expansãod os ideaisd a educaçãor enovada. "As ideias educativasd e Montessorif oram primeiramentea pli-cadas a crianças de 4 a 6 anos, ou seia, em iardins de infância. Em lpll, por iniciativa de Maria Mariani Guerrieri, delas se fez adaptzçío ao ensino primário, e mesmo aos estudos de médio"7. Procedimentodse ensino-aprendizagienmdi vidualizantes 165 Atualmente, no Brasil, o método Montessori é usado com mais frequência na pré-escola e nas primeiras séries do primeiro grau. O sistemad idático montessorianob aseia-sen uma concepçãod e homem e de mundo que poderíamos denominar de "vitalista', pois consideraa vidae seup leno desenvolümentoc omo o bem supremo. Sua concepção de educação está baseada mais nos princípios biológicos do crescimentoe desenvolvimentod o que nos aspectos sociaisd e ajustamentoe integração. Os princípios básicos que fundamentam a concepção pedagógi-ca de Montessori são os seguintes: a) Liberdads- $s avida é desenvolvimentoa, eductçío devef avo-recer essed esenvolvimentod, eixando a criança à vontadep ara crescere desenvolver-seA. l iberdadeé concebidac omo condição de expansão da vida. Em decorrência desse princípio, o sistema de ensino montessoriano começa por transformar o ambiente escolar, substituindo as carteiras fixas por mesinhas e cadeiras e abolindo os prêmios e castigos. Mas Maria Montessori lembra que a liberdade não significa abandono nem laissez-fuire total. Liberdade e disciplina interior estão interligadas e integradas, caminhando iuntas. A liberdade é entendida como desenvolvi-mento das manifestaçõese spontâneasd a criança e, nesses enti-do, se idenüfica com atividade. b) Atividade- A atividadeé uma manifestaçãoe spontâneae deve ser respeitada. Por atividade, Montessori entende não apenas a atiúdade ffsica, mas também, e principalmente, a atiüdade men-tal, reflexiva. O obieüvo básico do processo didático montesso-riano é educar p Íaa atiüdade epLÍL o trabalho, enãopaÍaa imobilidade, a passiüdade ou a obediência cega. A aprendizagem é concebida, portanto, como um processo ativo. c) Vitalidade- Consideraavrdae seup leno desenvolümentoc omo o bem supremo. Assim sendo, concebe a infância como uma etapa ' naturaln essep rocessod e desenvolvimenteo lhe atribui um senti-do próprio. A infância não é uma fase negativa que deva acabar logo, mas um período necessário, que deve ser plenamente vivido. d) Indiüdualidade- A educaçãod ever espeitara s diferençasin di-viduais e a liberdade devep ermitir o desenvolúmentod a perso-nalidade e do ctráner indiúdual. uma nível 7 M. B. Lourenço Filho, Introdução ao estudo da Escola Noaa, p. l8l.
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    r66 Capítulo 8 Emborao embasamentote órico do métodoM ontessoris eiaf un-cionalista, seus procedimentos didáücos ainda estão imbuídos da psicologia associacionistaq, ue afirma que o desenvolvimentop sí-quico se processa por meio de estímulos externos e que as sensa-ções são a base das funções intelectuais. Para a psicologia associa-cionista, a instrução intelectual começa com o recolhimento de dados sensoriais e sua distinção e a posterior transferência de ele-mentoss implesp or composiçãoa ssociativa.Daoí c oniuntod e jogos sensoriaisq ue Maria Montessoric riou para as crianças,e m fasep ré- -escolar, e o variado material para concrettzar as lições, nas séries iniciais do primeiro grau. A seguir,e nunciamosa lgunsa spectosb :ásicosp reconizadosp elo método Montessori e os meios de alcançá-los: a) a educaçãod os sentidos,p or meio da rcalizaçãod e iogos senso-riais e do uso de material didático próprio; b) a educação do movimento, por meio da príücade exercícios ffsi-cos e rítmicos e do "exercício da linha", no qual a, criança anda sobre uma linha elíptica desenhada no chão, ao som de uma música; c) a educaçlo da inteligência, por meio de lições e exercícios siste-máticos e de materiais para concretizar os conteúdos a serem assimilados; d) a prâticad ^ "aula do silêncio", que üsa desenvolvear capacida-de de atençío, a autodisciplina e a percepção auditiva; nesse momento os alunos ficam em silêncio ouvindo apenas a voz do professor, que fala em tom baixo; e) a realização dos exercícios de üda práttica, que aiudam a crtança a adquirir noções referentes aos cuidados com apróprtapessoa e com o ambiente. 4. Centros de interesse O método denominado centros de interesse foi criado por Oúdio Decroly, que nasceu na Bélgica e formou-se em medicina em 1896, especializando-sem neurolo$a. Trabalhouc om deficientes mentais,i niciando suac arreira pedagÓgicaasoe r nomeadoc hefed o serviço de crianças deficientes e médico inspetor das classes espe-ciais de Bruxelas. Procedimentos de ensino-aprendizagem indiüdualizantes 167 Em 1901,o rganizoue fundou,n os arredoresd e Bruxelas,u m instituto para deficientesm entais,d edicadoà pesquisa,a tendimento clínico e educação de excepcionais. Fez, em coniunto com seus colaboradores,p esquisasn o campo da psicologiai nfanüI, tanto na área de criançasn ormais como naírea de deficientesD. esset raba-lho resultaram uma intensa obra de pesquisador e uma expressiva obra pedagógica.. Em 1907,o rganizoue fundoue m Bruxelasa escolaq ue recebeu o nome de L'Ernitage, destinadaa criançasn ormais.D ecrolyc ome-çou então a aphctr em crianças normais os resultados de suas observaçõese pesquisasn o campo da psicologiai nfantil. O sistema pedagógico de Decroly foi submetido à experimenta-ção na rede pública e, após ter sido aprovado com resultados satis-fatórios, foi adotado e oficiúzado nas escolas públicas belgas. Assim, o sistema pedagógico de Decroly difundiu-se rapidamente por toda aBélgica,e xpandindo-seta rnbémp or outros países,c omo a Espanhae os EstadosU nidos.N a AméricaI 'atina,a s ideias educa-cionais de Decroly tiveramg rander epercussãot,e ndo sido divulga-das principalmente na Argentina, Uruguai e Bolívia. Decroly foi solicitado, inúmeras vezes, a escrever um compên-dio que relatasse de forma completa sua pedagogia, mas ele se negou a fazê-lo.O grande educador alegavad uas razõesp ara'n ío condensare m uma obra escritas ua pedagogiap: rimeiramentep or-que sua concepçãoe ducaüvaa indanío estavac oncluída;e m segun-do lugar, porque seu sistema pedagógico estava baseado em princí-pios e não em fórmulas rígidas.E le deu algumass ugestõesd e pro-ceümentos educaüvosm, as insistian o fato de que havian ecessida-de de adaptá-losà s reais condiçõese característicasd a clientela escolar. O mestre não queria que seu sistema educativo se cristali-zasse nos procedimentos que recomendava. Decroly tinha um ponto em comum com Maria Montessori: sua concepção educativa, assim como a da educadora itaÍa;na, tinha uma fundamentaçãop redominantementeb iológica. Ele não negav^ que o homem era um ser social. Mas antes de ser um ente social, o homem era um ser biológico. A üda social seria, assim, a proieção de necessidadeüst ais. Quantoa os princípios fundamentaisd a teoria pedagógicad e Decroly, podemos dizer que ele concebia a educação como autoeducaçío. Daí a necessidtde da atividade interessada dos educandos. O fim da educação era o de manter e conseÍvaÍ a vida e o de criar condiçõesp ara o pleno desenvolvimentod o ser L
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    humano. o lemada escola criada por Decroly era "uma escola paÍa a vida e pela vida". LourençoF ilho resumeo s princípiosc apitaisd o sistemap eda-gógicod e Decroly,d izendoq ue ele é .,pragmatistan o encararo s fins da educaçãoe ativistan os procedimentosq ue recomendaM. ais particularmentea ssentas obre uma concepçãob iológicad a evolu-çãod a criança,r azãop or que exigeo ensinoi ndividualizadop elos tipos de educando;g lobalizadore, nfim, ou admitindoa educação como integraçãod e atividadesn, em semprec omo ponto de partida mas' ao menosc omo recursod idático"Í1E. mborao sistemae duca-tivo de Decroly se norteie pelos princípios aqui enunciadosn, ele ainda subsistemc ertos esquemasin telectualistasd, ecorrentesd e uma possíveiln fluênciad a üdâtica do educadora lemãoH erbarte de resquíciosd a psicologiaa -ssociacionistqau, e predominoun os fins do século XIX. o sistemap edagógicoe laboradop or Decrolyi nclui umas éried e procedimentosq ue abarcamt oda a organizaçãoe scolar.o método globalizador de integraçío das atividades denominado centros de interesse é apenas uma das medidas propostas dentro de seu siste-ma. Veiamosa lgunsd os procedimentoss ugeridosp or Decroly: a) Organizaçãod e classesh omogêneasd e acordo com o ritmo de aprendizagemd os alunos. Decroly acreditavaq ue essa medida iria contribuir para o maior aproveitamentdoo s alunos.O s pro_ cedimentosd e ensino-aprendizagemde veriam vartar de acordo com as característicasd e cadac lasse. b) Diminuição do número de alunos por classe. c) Reformulaçãod o programae scolard e modo alevar em contaa evoluçãod osi nteressensa turaisd a criançae asc ondiçõeslo cais. O programa proposto por Decroly parte do estudo da criança, de suÍÌsn ecessidadevsit ais,d o funcionamentod e seusó rgãose do ambiente em que vive, englobando os principais aspectos davrda humana e social. Decroly propôs um programa composto por ideias associadas, que pode ser assim resumido: Procedimentodse ensino-aprendizagienmdi vidualizantes 169 l. A criança e suas necessidades: l.l. necessidaddee alimentar-se de fazers uah igiene; 1.2.n ecessidaddee lutar contraa s intempéries; 1.3.n ecessidaded e defender-sec ontra os perigos e acidentes diversos; 1.4.n ecessidaddee açío e do trabalhos olidário. 2. Acnança e seu meio: 2.1. a criança e a família; 2.2. a criança e a escola; 2.3. a criança e a sociedade; 2.4.a criançae os animais; 2.5. a criança e as plantas; 2.6. a criançae aTerra,a átguaa, r, minerais; 2.7. acriança e o Sol, a Lua e as estrelas. d) Modificaçãod os processosd e ensinoc om o uso dos centrosd e interesseq, ue é um métodog lobalizadon, o qual as atividades escolaress ãoi ntegradase os diversose lementosd o conteúdos ão estudadosd e forma associadae com relaçãoe ntres i, numat en-tativa de garantir a unidade de conhecimento. De acordo com Decroly, paru se obter um bom aproveitamento escolar não basta a reforma do programa. É preciso modificar a dinâmica do trabalho escolaç permitindo o desenvolvimentdoa individualidadea travésd a atiüdade interessadad o educando.P ara que issoo corra,D ecrolyr ecomendaq ue o ensinos ed esenvolvpao r centros de interesse, que partem do elemento afetivo primordial paraa aquisiçãod o conhecimentoq, ue é o interessed o escolar.O tempo de desenvolümentod e cadac entro ou eixo do conhecimen-to variad e acordoc om o interessed o aluno. No métodoc riadop or Decroly,o conhecimenton ão se apresen-ta separado por disciplina-s estanques, sem significação p Ía o aluno. Peloc ontrário,o conhecimentos e apresentad e forma inte-grada, sendo percebido em sua unidade. Os centros de interesse integram as atividades discentes e criam um laço de união entre os conteúdosf,a zendo-osc onvergirp ara um mesmoc entroo u eixo de trabalho cogniüvo. De acordoc om LauraC .A mato,c entrosd e interesse" são agru-pamentos de conteúdos e de atiüdades educativas realizadas em E M. B. Lourenço Filho, obra cirada, p. l8Íì.
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    t70 Capítulo 8 torno de temas centrais de grande significado p ra a criança"9. A base psicológica do método é a ideia de que a vidz mental é uma unidadee não a soma das partes.É por lsso "que os assuntosa sereme studadosd evems er apresentadose m seu todo, não reparti-dos em disciplinas... Daí a ideia de globalizaçío do ensino, de ensi-no globalizadg"l{t. Nosc entrosd e interesseo, aluno percorres ucessivamenteem, cadag randet emao u assunto,t rês fasesd o pensamentoo: bservação, associaçãoe expressão. Portanto, há três etapas básicas no tratamento de qualquer assuntod entrod os centrosd e interesse: a) Observaç^o- Os exercíciosd e observaçãop õem os alunos em contatoc om os obietos,o s seres,o s fenômenose os aconteci-mentos. S ão,p or isso,a baser acionald os demaise xercíciose a alavancadasa tividadesm entais.O se xercíciosd e observaçãoe sti-mulam e apelam paÍa a linguagem e o cálculo, pois o ato de observar gera outras operações mentais como comparar, estâbe-lecer semelhanças e diferenças, classificar, ordenar, contar, mediç pesar. Os exercícios de observação estão relacionados também ao trabalho de aquisição de vocabulário e às atividades de leitura e escrita. b) Associaçío- Sãoa s atividadesq ue levamo aluno afazer asso-ciaçõesn o tempoe no espaço,r elacionandoo s novosc onheci-mentos: - a obietoso u fatosa tuais,m asd istantes( associaçãnoo espaço); - a acontecimentoso corridos em outras épocas (associaçãon o tempo); - às suas causas e efeitos. As atividadesd e associaçãoe stãol igadas,m ais diretamente,à s operações mentais de localização no tempo e no espaço, de aniílise e de transferênciad o conhecimento. ') Laura C. AnrÍrto, citada por Imídeo Nérici; Metodologia..., cit., p. 215 ro lmídeo Nérici, ibidem, p. 214. Procedimentosd e ensino-aprendizagemin dividualizantes 17l c) Expressão- São aüúdades que permitem a manifestaçãod o pensamentop or intermédio dos diversost ipos de linguagern: oral, escrita, pliísüca, corporal, musical etc. Nas atiüdades de expressãoo, aluno sintetizao conhecimentoa dquiridos obre o assunto ou tema estudado e o comunica por meio de um relato oral ou escrito, do desenho, do trabalho manual, de uma drama-tiz çáo etc. Por isso, as atividades de expressão estão ligadas, principalmente, à operação mental de síntese. Por fim, convém lembrar que Decroly aftrmava que os centros de interesse deveriam aproveitar os fatos da üda corrente do aluno, dando üda e colorido ao trabalho escolar. Mas o uso desse método requeru m professorp reparado,q ue saiba" encaminhara atiüdade interessada das crianças, paÍz- a aquisição das técnicas escolares indispensáveeis d os conhecimentoism prescindíveiàs üda social.A atividadein teressadéa o meio,n ão o fim do trabalhoe scolar"tl. Decroly ressaltavata mbém a necessidaded e empregar ativida-desl údicasn a aprendizzgemis, to é, de utilizari ogoso u brinquedos com funções educativas. Resumo l. lt uula e.rpttsitira ó unt dos pro<'t'dirrrentos didriticos mtris trntigos t' Íradir.iotttris. st'ttdo iriltda ltrrgulnt'lr(e ulilizrrda lros vtirios rrír't'is de t'nsilro. Aiuallrrt'tríe. a aula expositivtt Íettt sido realiza-drr. corrt rrttris l'requôIt<'ia. enl sutì fornra alrerta ou dialogtda. l)iìra (lu('o alrtlro ltosstt par(it'ipar dela ntais alivatnt'nÍe. exl)orl-do ideias. argtunelr(atrdo. firrnruliurdo srttrs dtividas. le<'t'ndo r.onrerr(iirios. elabortrlrrlo t'xt'trtplos. rt'spondt'trdo t pt'rgulrlas. 2. No r,.sírrln dirigido. o ttltttto esludn uln <'onleúdo leltdo por basr' unr ro(t'iro firrnrtrltrclo ptlo ;rrofessor. Os rott'iros eltlrortrdos develrr r.orrler Íarr.fas oltertkirirrs rlrrc nlivcrn e lrrobilizt'lrt os ('s-ll M. B. Lourcnço l-ilho, obra citada, p. 19G7.
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    (luernas nrenlsis dosalrrnos. pondo eln a1:tìo suas ol)eriìções <.og-nilivas. iì. o nólulo illonrossori lnsein-st rìrrrÌrrì <.olreepçrio *r,ilalis(a.' dt, honreln e de mundo. ;rois t.onsidertr a vida e serr Pleno dt'sen'rl-vilnenlo rorno o benr su;rrelrro. lìulrdarnenla-se nos prinr.íPios de liberdade. aÍividade. viralidacle t i'di'idrralicladi. lrrorn,r'e a educaçâo dos senridos. do rnovilrrtnto t da i'teligênr.ia. tr prriÍi- <'n da trulodisci;rli'a. a capacidade de eo.cenrração e a realiza-ção dos exer<.í<.iosd e vidtr prtitir.tr. 4. os ecntnts de inreres.s. co'sriluenr unl 'rótodo globalizaclor e interdisciplinar, pois integranr irs a(ivithdes dis<,enÍes (r os (.on_ teúdos, fazendo-os eonver;1ir l)iìra o nlesnlo <.enÍro ou tlixo de lr.ballro r:ognirivo. Parrenr do i.rertsse do edrrea.do. que i, prineipal eleme'Ío afe(ir'' para a aquisição de eonheciniento. 'e aproveilam os falos de sua vida t.olidiana. Iìsse nrétodo foi cria-do por Ovídio De<.roly. Nos r.t nlros de inlertrsse. há (rôs eÍapas básieas na abordagern de etrda gr...de Íelna ou assu'Ío: obser-vação. trssociação e t'xpressiìo. Arividodes Trabalho índividual I . selecioned, enÌreo s vórioss ugestõepsr óticoso presentodosn,o item ì., destec opítulo- A oulo expositivo- , os .in.o qr" você consi-dero moisi mportonÌeps oro operfeiçooro ploneiomentoe execuçõo do oulo expositivo. 2. Anoliseo ofirmoçõoo seguír,j ustificondo-poo r escrito:o método Montessorie stó fundomentodoe m umo concepçõo" vitolisto,d, e homem e de mundo. 3. Expliquee m que consisteo métodod os centrosd e interesse. 4' cite os fosesd o métodod os centrosd e interessee,x pricondoe m gue consistec odo umo delos. Trabalho em grupo Selecioneu m componentec urriculore dentrod ele um determinodo conteúdo.P loneieu m estudod irigido poro essec onteúdo,e loborondo um roleirog ue conÌenhot oreÍoso perotóriosA. presentep oro os demois gruposd o closseo estudod irigidoe loborodo,e xplicitondoo seuo bie tivo e os operoçõesc ognitivose nvolvidose m codo torefoo peroÌório. Le i t ura c o rnp lerne n t ar Dois tipos de educação Existe uma oposição entre dois tipos de educação: a educação ..bancária" ou "convergente"e a educação" problenratizadora;o' u "libertadora". A educação "bancária" apresenta as seguintes características: - lìstá ba^seadnaa transmissãod o conhecimentoe da experiênciad o pro-fessor. - Atribui uma importância suprema ao "conteúdo da nratéria" e, consequen-temente, espera que os alunos o absorvam sem rnodificações e o reprodu-zam fielmente nas prova^s. - Seu obietivo fundamental é produzir um aumento de conhecimentos no aluno, sem preocupar-sec om ele como pessoai ntegrale como membro de uma comunidade. - Çemq consequêncian atural,o aluno é passivo,g rande tomador de notas, exímio memorizador, prefere maneiar conceitos abstratos a resolver de forma original e criadora problemas concretos da realidade em que vive. A educação" problematizadora",p or seu lado, par-ted a^ss eguintesid eias: - Uma pessoa só conhece bem algo quando o transforma, transformando-se ela também no processo. - A solução de problemas implica na participação aüva e no diálogo constan-te entre alunos e professores. A aprendizagem é concebida como a respos-ta natural do aluno ao desafio de uma situação-problema. - A aprendizagem torna-se uma pesquisa em que o aluno passa de uma visão "sincrética" ou global do problema a uma úsão "analítica" de ms5Íns - através de sua teonzação - p Ía chegar a uma ,.síntese" proüsória, que equivale à compreensão. Desta apreensão zrmpla e profunda da estrutu- I
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    174 Capítulo 8 ra do problema e de suas consequênciasn a^scem"h ipóteses de solução" que obrigam a uma seleção das soluções mais üáveis. A síntese tem conti-nuidade na práxis, isto é, na atiúdade transformadora da realidade. (Adaptado de Juan Diiu Bordenave e Adair Martins pcreira, Estratégias de ensino-aprendizagem, p. lO.) Atividade sobre a leitura complementar Faça um estágio de obseruação em urw, classe de sua escolba. Depois, analise a aula obseruada, terrdo por base as ideias apresentadaspelos auto-res r?o texto complementar. Capítulo 9 Procedimentos de ensino-aprendizagem socializantes 1. 0 uso de iogos O iogo é uma atividadef ísica ou mental organizadap or um sis-tema de regras. É uma atividade lúdica, pois joga-se pelo simples prazer de redizar esseü po de atividade.J ogar é uma atividaden a-tural do ser humano. Ao recorrer ao uso de iogos, o professor está criando na sala de aula uma atmosfera de motivação que permite aos alunos participar ativamented o processo ensino-aprendizagema, ssimilando expe-riências e informações e, sobretudo, incorporando atitudes e va-lores. O iogo é um recurso didáücov aliosop elass eguintesr azões: a) Correspondea um impulson aturald o aluno,s eiae le criançao u adulto.N estes entido,s aüsfazu ma necessidadein terior, pois o ser humanoa presentau ma tendêncial údica. b) Absorve o iogador de forma intensa e total, criando um clima de ' entusiasmo,p ois na situaçãod e jogo coexistemd ois elementos: o pÍazeÍ e o esforçoe spontâneoÉ. estea spectod e envolvimento emocional que torna o iogo uma atividade com forte teor moti-vacional, c puz de gerar um estado de vibração e euforia. Em virtude dessa atmosfera de pÍazeÍ dentro da qual se desen-rola, o iogo é portador de um interesse intrínseco, que canaliza as energias no senüdo de um esforço total para a consecução de seu -l