PREFEITURA MUNICIPAL DE CAMPO GRANDE
SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO
SUPERINTENDÊNCIA DE GESTÃO DE POLÍTICAS
EDUCACIONAIS
DIVISÃO DE TECNOLOGIA EDUCACIONAL
Pesquisa: princípio científico e
educativo
Atividade módulo III
CSPTEC: Angela Spalanzani
Escola Municipal Antonio José Paniago
Mediadora: Neiva Valadares
O processo de pesquisa está quase sempre cercado de ritos especiais, cujo
acesso é reservado a poucos iluminados.
Pesquisar - O que é?
É preciso reconhecer que a formação sofisticada do Pesquisador não é mal
em si. Ao contrário, faz parte da Cena, sempre.
A desmitificação mais fundamental, porém, está na crítica à separação
artificial entre ensino e pesquisa.
Como ator social, o pesquisador é fenômeno político, que, na pesquisa, o
traduz sobretudo pelos interesses que mobilizam os confrontos e pelos
interesses aos quais serve. Donde segue: pesquisa é sempre também
fenômeno político, por mais que seja dotada de sofisticação técnica e se
mascare de neutra.
Pesquisa é processo que deve aparecer em todo trajeto educativo, como
princípio educativo que é, na base de qualquer proposta emancipatória.
Pesquisar toma aí contornos muito próprios e desafiadores, a começar pelo
reconhecimento de que o melhor saber é aquele que sabe superar-se.
Desmitificar a pesquisa há de significar, então, a superação de condições
atuais da reprodução do discípulo, comandadas por um professor que nunca
ultrapassou a condição de aluno.
Educação aparece decaída na condição de instrução, informação, reprodução,
quando deveria aparecer como ambiência de instrumentação criativa, em
contexto emancipatório.
Compreendida como capacidade de elaboração própria, a pesquisa condensa-
se numa multiplicidade de horizontes no contexto científico (Demo, 1985b).
Todavia, a pesquisa empírica é apenas um horizonte dela, que, se
exclusivizado, já denota desvirtuamento típico do conceito de pesquisa.
Sobretudo, faz parte do “empirismo” a demissão teórica, segundo a qual se
reduz o que é mais importante ao que é mais empírico, sacrificando a
realidade ao método de captação.
De partida, é mister ressaltar que ao lado da preocupação empírica deve haver
preocupação teórica. “Pesquisa teórica” pode parecer algo estranho, mas,
olhando bem as coisas, é indispensável, como formulação de quadros
explicativos de referência, burilamento conceituai, domínio de alternativas
explicativas na história da ciência, capacidade de criação discursiva e analítica.
Domínio teórico significa a construção, via pesquisa, da capacidade de
relacionar alternativas explicativas, de conhecer seus vazios e virtudes, sua
história, sua consistência, sua potencialidade, de cultivar a polêmica dialogai
construtiva, de especular chances possíveis de caminhos outros ainda não
devassados.
O bom teórico é sobretudo aquele que sabe bem perguntar, colocando a teoria
no devido lugar: instrumentação criativa diante de realidade sempre furtiva.
Todavia, não vale sacralizar a prática. Teoria e prática detêm a mesma
relevância científica e constituem no fundo um todo só. Uma não substitui a
outra e cada qual tem sua lógica própria.
A distância para com a prática é compreensível, sobretudo pelo temor do
confronto, que condiciona mudanças na teoria. Na prática, a teoria é outra, e
vice-versa. Se a discussão crítica é cuidado providencial contra a petrificação
das teorias, o confronto com a prática ainda é mais, porque é a prática que
escancara a pequenez de toda construção teórica.
Se a nossa proposta for correta ou pelo menos aceitável, a pesquisa começa
na infância e está em toda a vida social. Educação criativa começa na e vive da
pesquisa, desde o primeiro dia de vida da criança.
A pesquisa como princípio científico
A atual instituição universitária está em decomposição histórica, seja porque se
mantém medieval, sobretudo em termos de impunidade social, distanciamento
elitista e atraso didático, seja porque perdeu a noção essencial de mérito
acadêmico em troca da burocratização funcional, seja porque é muito pouco
produtiva e criativa, custando muito além do que vale para a sociedade que a
sustenta.
Cumprido esse trajeto, chega-se ao diploma e considera-se o aluno detentor de
nível superior. Quanto ao professor é preciso que, no decorrer dos semestres,
ministre as respectivas aulas e proceda à avaliação da aprendizagem.
Do lado do professor temos a visão empobrecida do ministrador de aulas, ainda
em grande parte pessoas que detêm apenas graduação, sem experiência
comprovada no campo científico.
Pior que isso, há instituições de ensino superior que assim se definem: apenas
dão aula e têm como professor típico esse biscateiro instrutor.
A universidade está marcada fortemente por essa dupla precariedade, o que
lhe transmite imagem insistente de conservadorismo: por não estar fecundada
pela pesquisa, predomina a engrenagem burocrática respectiva, da qual faz
parte o professor-papagaio, que sempre diz a mesma coisa e já sequer sabe o
que diz.
Se a pesquisa é a razão do ensino, vale o reverso: o ensino é a razão da
pesquisa, se não quisermos alimentar a ciência como prepotência a serviço
de interesses particulares.
É preciso insistir que tal postura redefine a função do professor e a função do
aluno. O professor é sobretudo motivador, alguém a serviço da emancipação
do aluno, nunca é a medida do que o aluno deve estudar. O aluno é a nova
geração do professor, o futuro mestre, não o lacaio que precisa de cabresto.
Em vez de um “professor” para cada âmbito, pode-se organizar de tal modo
que no percurso de dois semestres o “aluno” elabora dois ou mais trabalhos,
escolhendo temas de seu maior interesse. Aulas, se necessárias, seriam
esporádicas, introdutórias, já que pode ser pertinente às vezes escutar o
sociólogo da educação, sem fazer disso didática da aprendizagem.
Por tudo isso, é indispensável que no fim da graduação se produza “tese”
científica convincente, na acepção exata de demonstração da capacidade do
novo mestre, que aí conclui uma etapa, para ingressar na vida profissional
com qualidade formal e política.
Com isso o professor enfrenta outros riscos e desafios. Terá que ler mais
material produzido pelos alunos, estar disponível para consulta e discussão,
facilitar retroalimentações constantes e recorrentes.
A pesquisa como princípio educativo
No ambiente lúdico da criança é possível visualizar atitude de pesquisa e
fomentá-la via processo educativo, como postura questionamento criativo,
desafio de inventar soluções próprias, descoberta e criação de
relacionamentos alternativos, sobretudo motivação emancipatória a partir de
um sujeito que se recusa ser tratado como objeto.
Emancipação é o processo histórico de conquista e exercício da qualidade de
ator consciente e produtivo.
No mesmo todo aparece o momento da prática, em dois horizontes
concatenados: o desafio de um projeto concreto emancipatório, que, ciente da
situação dada e causada, coloca- se como enfrentar na prática; toda
conquista de espaço próprio, para ser competente, necessita de organização
adequada, o que levanta a necessidade de exercício concreto da cidadania
organizada.
A compreensão adequada da emancipação somente é viável no quadro da
desigualdade social, como questão histórico-estrutural.
Emancipação quer dizer recuperar o espaço próprio que outros usurparam, já
que poder não é bem abundante disponível, mas apropriado no contexto do
conflito social.
O pré-escolar se destina a isso, se compreendermos como lugar estratégico
da conquista da autodeterminação, através de cuidados assistenciais, da
estimulação psicossocial, do jogo e da educação como tal.
A sala de aulas, lugar em si privilegiado para processos emancipatórios
através da formação educativa, toma-se prisão da criatividade cerceada, à
medida que se instala um ambiente meramente transmissivo e imitativo de
informações de segunda mão.
Desafio concreto será que o professor passe a “elaborar” suas aulas, com mão
própria, acrescentando, sempre que possível e couber, pelo menos sínteses
pessoais.
Trata-se de conseguir convivência produtiva com ele, entendendo-se aí
pesquisa sobretudo como diálogo com a realidade, recriado sempre pelo
professor, com apoio do livro didático, que passa a ser referência relevante,
nem mais nem menos.
O professor precisa investir na idéia de chegar a motivar o aluno a fazer
elaboração própria, colocando isso como meta da formação.
Assim, a crítica aqui formulada volta-se contra o “mero ensinar”, não contra
“ensinar”, que, no devido lugar, é instrumento necessário.
Referência
Demo, Pedro. Pesquisa : princípio científico e educativo - 12. ed. - São
Paulo : Cortez, 2006. (Biblioteca da educação. Serie 1. Escola; v. 14)
Referência
Demo, Pedro. Pesquisa : princípio científico e educativo - 12. ed. - São
Paulo : Cortez, 2006. (Biblioteca da educação. Serie 1. Escola; v. 14)

Ativ ii tópicos frasais

  • 1.
    PREFEITURA MUNICIPAL DECAMPO GRANDE SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO SUPERINTENDÊNCIA DE GESTÃO DE POLÍTICAS EDUCACIONAIS DIVISÃO DE TECNOLOGIA EDUCACIONAL Pesquisa: princípio científico e educativo Atividade módulo III CSPTEC: Angela Spalanzani Escola Municipal Antonio José Paniago Mediadora: Neiva Valadares
  • 2.
    O processo depesquisa está quase sempre cercado de ritos especiais, cujo acesso é reservado a poucos iluminados. Pesquisar - O que é? É preciso reconhecer que a formação sofisticada do Pesquisador não é mal em si. Ao contrário, faz parte da Cena, sempre. A desmitificação mais fundamental, porém, está na crítica à separação artificial entre ensino e pesquisa. Como ator social, o pesquisador é fenômeno político, que, na pesquisa, o traduz sobretudo pelos interesses que mobilizam os confrontos e pelos interesses aos quais serve. Donde segue: pesquisa é sempre também fenômeno político, por mais que seja dotada de sofisticação técnica e se mascare de neutra. Pesquisa é processo que deve aparecer em todo trajeto educativo, como princípio educativo que é, na base de qualquer proposta emancipatória. Pesquisar toma aí contornos muito próprios e desafiadores, a começar pelo reconhecimento de que o melhor saber é aquele que sabe superar-se.
  • 3.
    Desmitificar a pesquisahá de significar, então, a superação de condições atuais da reprodução do discípulo, comandadas por um professor que nunca ultrapassou a condição de aluno. Educação aparece decaída na condição de instrução, informação, reprodução, quando deveria aparecer como ambiência de instrumentação criativa, em contexto emancipatório. Compreendida como capacidade de elaboração própria, a pesquisa condensa- se numa multiplicidade de horizontes no contexto científico (Demo, 1985b). Todavia, a pesquisa empírica é apenas um horizonte dela, que, se exclusivizado, já denota desvirtuamento típico do conceito de pesquisa. Sobretudo, faz parte do “empirismo” a demissão teórica, segundo a qual se reduz o que é mais importante ao que é mais empírico, sacrificando a realidade ao método de captação. De partida, é mister ressaltar que ao lado da preocupação empírica deve haver preocupação teórica. “Pesquisa teórica” pode parecer algo estranho, mas, olhando bem as coisas, é indispensável, como formulação de quadros explicativos de referência, burilamento conceituai, domínio de alternativas explicativas na história da ciência, capacidade de criação discursiva e analítica.
  • 4.
    Domínio teórico significaa construção, via pesquisa, da capacidade de relacionar alternativas explicativas, de conhecer seus vazios e virtudes, sua história, sua consistência, sua potencialidade, de cultivar a polêmica dialogai construtiva, de especular chances possíveis de caminhos outros ainda não devassados. O bom teórico é sobretudo aquele que sabe bem perguntar, colocando a teoria no devido lugar: instrumentação criativa diante de realidade sempre furtiva. Todavia, não vale sacralizar a prática. Teoria e prática detêm a mesma relevância científica e constituem no fundo um todo só. Uma não substitui a outra e cada qual tem sua lógica própria. A distância para com a prática é compreensível, sobretudo pelo temor do confronto, que condiciona mudanças na teoria. Na prática, a teoria é outra, e vice-versa. Se a discussão crítica é cuidado providencial contra a petrificação das teorias, o confronto com a prática ainda é mais, porque é a prática que escancara a pequenez de toda construção teórica. Se a nossa proposta for correta ou pelo menos aceitável, a pesquisa começa na infância e está em toda a vida social. Educação criativa começa na e vive da pesquisa, desde o primeiro dia de vida da criança.
  • 5.
    A pesquisa comoprincípio científico A atual instituição universitária está em decomposição histórica, seja porque se mantém medieval, sobretudo em termos de impunidade social, distanciamento elitista e atraso didático, seja porque perdeu a noção essencial de mérito acadêmico em troca da burocratização funcional, seja porque é muito pouco produtiva e criativa, custando muito além do que vale para a sociedade que a sustenta. Cumprido esse trajeto, chega-se ao diploma e considera-se o aluno detentor de nível superior. Quanto ao professor é preciso que, no decorrer dos semestres, ministre as respectivas aulas e proceda à avaliação da aprendizagem. Do lado do professor temos a visão empobrecida do ministrador de aulas, ainda em grande parte pessoas que detêm apenas graduação, sem experiência comprovada no campo científico. Pior que isso, há instituições de ensino superior que assim se definem: apenas dão aula e têm como professor típico esse biscateiro instrutor. A universidade está marcada fortemente por essa dupla precariedade, o que lhe transmite imagem insistente de conservadorismo: por não estar fecundada pela pesquisa, predomina a engrenagem burocrática respectiva, da qual faz parte o professor-papagaio, que sempre diz a mesma coisa e já sequer sabe o que diz.
  • 6.
    Se a pesquisaé a razão do ensino, vale o reverso: o ensino é a razão da pesquisa, se não quisermos alimentar a ciência como prepotência a serviço de interesses particulares. É preciso insistir que tal postura redefine a função do professor e a função do aluno. O professor é sobretudo motivador, alguém a serviço da emancipação do aluno, nunca é a medida do que o aluno deve estudar. O aluno é a nova geração do professor, o futuro mestre, não o lacaio que precisa de cabresto. Em vez de um “professor” para cada âmbito, pode-se organizar de tal modo que no percurso de dois semestres o “aluno” elabora dois ou mais trabalhos, escolhendo temas de seu maior interesse. Aulas, se necessárias, seriam esporádicas, introdutórias, já que pode ser pertinente às vezes escutar o sociólogo da educação, sem fazer disso didática da aprendizagem. Por tudo isso, é indispensável que no fim da graduação se produza “tese” científica convincente, na acepção exata de demonstração da capacidade do novo mestre, que aí conclui uma etapa, para ingressar na vida profissional com qualidade formal e política. Com isso o professor enfrenta outros riscos e desafios. Terá que ler mais material produzido pelos alunos, estar disponível para consulta e discussão, facilitar retroalimentações constantes e recorrentes.
  • 7.
    A pesquisa comoprincípio educativo No ambiente lúdico da criança é possível visualizar atitude de pesquisa e fomentá-la via processo educativo, como postura questionamento criativo, desafio de inventar soluções próprias, descoberta e criação de relacionamentos alternativos, sobretudo motivação emancipatória a partir de um sujeito que se recusa ser tratado como objeto. Emancipação é o processo histórico de conquista e exercício da qualidade de ator consciente e produtivo. No mesmo todo aparece o momento da prática, em dois horizontes concatenados: o desafio de um projeto concreto emancipatório, que, ciente da situação dada e causada, coloca- se como enfrentar na prática; toda conquista de espaço próprio, para ser competente, necessita de organização adequada, o que levanta a necessidade de exercício concreto da cidadania organizada. A compreensão adequada da emancipação somente é viável no quadro da desigualdade social, como questão histórico-estrutural. Emancipação quer dizer recuperar o espaço próprio que outros usurparam, já que poder não é bem abundante disponível, mas apropriado no contexto do conflito social.
  • 8.
    O pré-escolar sedestina a isso, se compreendermos como lugar estratégico da conquista da autodeterminação, através de cuidados assistenciais, da estimulação psicossocial, do jogo e da educação como tal. A sala de aulas, lugar em si privilegiado para processos emancipatórios através da formação educativa, toma-se prisão da criatividade cerceada, à medida que se instala um ambiente meramente transmissivo e imitativo de informações de segunda mão. Desafio concreto será que o professor passe a “elaborar” suas aulas, com mão própria, acrescentando, sempre que possível e couber, pelo menos sínteses pessoais. Trata-se de conseguir convivência produtiva com ele, entendendo-se aí pesquisa sobretudo como diálogo com a realidade, recriado sempre pelo professor, com apoio do livro didático, que passa a ser referência relevante, nem mais nem menos. O professor precisa investir na idéia de chegar a motivar o aluno a fazer elaboração própria, colocando isso como meta da formação. Assim, a crítica aqui formulada volta-se contra o “mero ensinar”, não contra “ensinar”, que, no devido lugar, é instrumento necessário.
  • 9.
    Referência Demo, Pedro. Pesquisa: princípio científico e educativo - 12. ed. - São Paulo : Cortez, 2006. (Biblioteca da educação. Serie 1. Escola; v. 14)
  • 10.
    Referência Demo, Pedro. Pesquisa: princípio científico e educativo - 12. ed. - São Paulo : Cortez, 2006. (Biblioteca da educação. Serie 1. Escola; v. 14)