ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AO PACIENTE PORTADOR DA
SÍNDROME DE FOURNIER: REVISÃO DE LITERATURA
GABRIELA MONTARGIL
SILVIA CRISTINA BATISTA CRUZ RIBEIRO
SALVADOR
2014
ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AO PACIENTE
PORTADOR DA SÍNDROME DE FOURNIER
Salvador
2014
Artigo apresentado à banca examinadora da Faculdade
Dom Pedro II, como requisito para à obtenção do grau
de Bacharel em Enfermagem, sob a orientação da
professora Sandra Dórea.
ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AO PACIENTE
PORTADOR DA SÍNDROME DE FOURNIER
ASISTENCIA DE ENFERMERÍA AL PACIENTE PORTADOR
DE LA SÍNDROME DE FOURNIER
GABRIELA MONTARGIL*; SILVIA CRISTINA BATISTA CRUZ RIBEIRO**
*Acadêmica do Curso de Enfermagem Faculdade Dom Pedro II. Salvador (BA), Brasil. Tel.: (71)
9911-5338 E-mail: gmontargils2@gmail.com.
**Acadêmica do Curso de Enfermagem Faculdade Dom Pedro II. Salvador (BA), Brasil. Tel.: (71)
8829-3071 E-mail: binhamaralina@gmail.com
Sandra Regina de Freitas Dórea
 Licenciada em Ciências Biológica (UCSAL);
 Especialista em Metodologia do Ensino, Pesquisa e Extensão em Educação (UNEB);
 Mestre em Imunologia (UFBA);
 Professora de Faculdade Dom Pedro II e Professor Substituto Universidade Federal da
Bahia.
E-mail: sandradorea08@gmail.com
ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AO PACIENTE PORTADOR DA SÍNDROME DE
FOURNIER: REVISÃO DE LITERATURA
Resumo
Este artigo tem como objetivo principal compreender a importância da assistência de enfermagem ao
portador da Síndrome de Fournier, a partir de uma revisão de literatura acerca da temática tendo
como objetivo específico reconhecer a importância da assistência de enfermagem no controle e
disseminação desta infecção. A Síndrome de Fournier é uma infecção poli microbiana causada por
bactérias aeróbias e anaeróbias, que induzem o paciente ao desenvolvimento de uma fasceíte
necrotizante abrangendo a região genital, perianal e perineal. Nestes termos, a atuação do
enfermeiro é direcionada ao acompanhamento e tratamento das lesões, tendo como estratégia
principal o bloqueio ou a redução da proliferação bacteriana.
Descritores: Síndrome de Fournier; Assistência de Enfermagem ao Portador de Síndrome de
Fournier; Feridas e Coberturas; Técnicas de Curativos.
ASISTENCIA DE ENFERMERÍA AL PACIENTE PORTADOR DE LA SÍNDROME DE
FOURNIER
Resumen
Este artículo tiene como objetivo discutir sobre la importancia de la assistência de enfermería ao
portador de la Síndrome e Fournier, a partir de una revisión de la literatura sobre el tema teniendo,
como objetivo específico, reconocer la importancia de los cuidados de enfermería en el control y la
propagación de esta infección. La Síndrome de Fournier es una infección polimicrobiana causada por
bacterias aerobias y anaeróbias que induce el paciente al desarrollo de una fasciiti necrotizante que
cubre la zona genital, perianal y perineal. Em consecuecia, las acciones de enfermegem son dirigidas
a la vigilancia y el tratamiento de las lesiones, teniendo como la principal estrategia el bloqueo o
reducción de la proliferación bacteriana.
Palabras clave: Síndrome de Fournier; Assistência de Enfermería ao Portador de la Síndrome de
Fournier; Heridas e Coberturas; Técnicas de Vendajes.
1 INTRODUÇÃO
A Síndrome de Fournier (SF) conforme Cardoso e Féres (2007, p. 493), foi
descrita pela primeira vez em 1764 por Baurienne, recebeu o nome Gangrena de
Fournier em 1864, em homenagem ao urologista francês Jean Alfred Fournier.
Definida como uma infecção polimicrobiana que resulta em uma fasciíte
necrotizante, a SF acomete principalmente a região genital, perianal e perineal
através de uma endarterite obliterante, causando trombose vascular subcutânea e
necrose de tecidos. (HOFFMANN et al 2009, p. 104)
Esta síndrome, segundo Dias (2009, p. 44), incide predominantemente sobre
os idosos ao redor dos 50 anos, apresentando uma mulher atingida para cada 10
homens. Estudo realizado por Candelária et al (2009, p. 197 e 198) mostra que, a
origem da infecção pode ser urogenital ou anal, onde a mortalidade nesta síndrome
não está relacionada ao local de sua origem. Com relação a flora bacteriana, Burgl
(2007, . 490) complementa que os micro-organismos mais comumente encontrados
nas culturas de lesões provenientes da Gangrena de Fournier são: Escherichia coli,
Pseudomonas aeruginosa, Staphylococcus aureus, Staphylococcus epidermidis,
Clostridium difficile e Bacteroides fragilis.
A causa da SF segundo Hoffman et al. (2009, p. 104), pode ser idiopática ou
estar associada a fatores de risco como diabetes mellitus, alcoolismo, trauma
mecânico, procedimentos cirúrgicos, pacientes imunossuprimidos, infecções do trato
urinário ou perianal. Candelária et al. (2009, p.197), complementa que existem ainda
causas raras como a indução infecciosa por implante de prótese peniana. Gutiérrez
(2010, p. 199, tradução nossa), relata a ocorrência da SF em uma paciente de 80
anos em virtude de lesão causada por uma espinha de peixe no canal retal.
De acordo com Cardoso e Féres (2007, p. 493 e 494), após a infecção
instalada, a SF cursa com uma endarterite obliterante que leva a uma trombose dos
vasos periféricos resultando na necrose do tecido. Quando não tratada, a infecção,
dado o caráter de seus micro-organismos, evolui rapidamente para a parede
abdominal anterior, ao retroperitônio, à região dorsal, bem como aos membros
superiores. Desta forma, com a sepse instalada, o paciente evolui com falência
múltipla dos órgãos e óbito. Com relação ao tratamento, Mehl (2010, p. 436), em sua
pesquisa, explana:
[...] O tratamento baseia-se principalmente no manejo cirúrgico, variando
desde a simples drenagem até desbridamento radical com ou sem
derivação fecal ou urinária... [...] uso de antibióticos de largo espectro e
medidas de suporte. Existem também medidas adjuvantes como a câmara
hiperbárica para prevenir a extensão da necrose, reduzir sinais sistêmicos
da infecção e melhorar a sobrevida do tecido isquêmico [...].(MEHL,2010, p.
436)
A assistência de enfermagem é de fundamental importância no tratamento do
portador acometido pela SF. De acordo com Rigoni (2012, p. 12), “a falta de
conhecimento dos profissionais de saúde é fator agravante no tratamento de
patologias mais complexas como a síndrome de fournier”, e enfatiza que a falta de
habilidade na realização dos curativos é fator determinante para o descontrole da
infecção. O estudo de Rigoni (2012, p. 12) ainda frisa que a assistência de
enfermagem consiste na realização de cuidados diários, principalmente relacionados
a troca dos curativos. Para contornar essa questão, a comissão de feridas e
curativos composta por uma equipe multiprofissional é uma alternativa. No hospital,
a comissão de feridas e curativos é responsável por, conforme publicação do
HEMORIO (2010, p. 17 e 18), dar parecer de lesões, realizar busca ativa, padronizar
materiais e técnicas, bem como analisar e elaborar protocolos.
De acordo com o relato de Franco e Gonçalves (2007, p. 203 e 205), o nível
das lesões encontradas na SF exige do enfermeiro o conhecimento específico do
efeito de cada material a ser utilizado, visto que cada um deles possui componentes
que contribuem para a diminuição da flora bacteriana bem como para o
debridamento do tecido necrótico e epitelização posterior (Tabela 1). Os autores
ainda evidenciam a importância do profissional de enfermagem descrevendo a
periodicidade de troca do curativo, bem como a diferença das técnicas de cada
substância. Outro ponto que merece a atenção do enfermeiro é, segundo Cavalini et
al (2002, p. 113 e 114), a evidência que grande parte dos profissionais não está
habilitada para dar uma assistência emocional adequada ao paciente. Este
argumento é comprovado pelos autores, quando demonstram em sua pesquisa, que
as atitudes e comportamentos negativos da equipe de enfermagem, influem no
restabelecimento assim como no relacionamento com o paciente.
Tabela 1: Coberturas especiais utilizadas no tratamento da SF.
COMPOSIÇÃO E MECANISMOS DE AÇÃO DAS COBERTURAS ESPECIAIS
COBERTURA COMPOSIÇÃO MECANISMO DE AÇÃO
Sulfadiazina de
Prata
Sulfadiazina de prata a 1% hidrofílica Exerce ação bactericida imediata e ação
bacteriostática residual
Pomada
Enzimática
Colagenase+clostridiopeptidase
A+enzimas proteolíticas
Degrada o colágeno nativo da ferida
Ácidos Graxos
Essenciais
(AGE)
Ác.linoleico+ác.caprílico+ác.cáprico+vita
mina A, E e lecitina de soja (óleo vegetal)
Promove a quimiotaxia e a
angiogênese, umidifica o meio
acelerando a granulação tecidual. Na
pele íntegra, forma uma película
protetora prevenindo escoriações
Hidrogel
77,7% de água+2,3% de
carboximetilcelulose (CMC)+20% de
propilenoglicol (PPG) em gel transparente
e incolor
Remove tecido desvitalizado por
desbridamento autolítico. O CMC facilita
a reidratação celular e
o desbridamento. O PPG estimula a
liberação de exsudato
Alginato de
Cálcio
Fibras de alginato de cálcio derivado
de algas marinhas
O sódio do exsudato e do sangue
interage com o cálcio do curativo. Essa
troca iônica auxilia no desbridamento
autolítico através absorção, esta resulta
na formação de um gel, que mantém a
umidade apropriada para a cicatrização.
Carvão Ativado Tecido carbonizado e impregnado com
0,15% de nitrato de prata
O carvão ativado absorve o
exsudato e diminui o odor. A prata
exerce ação bactericida
Hidropolímero Almofada de espuma com camadas
sobrepostas de hidropolímero revestidas
de poliuretano
Umedece o ambiente, estimula o
desbridamento autolítico e absorve o
exsudato.
Hidrocolóide
Camada interna composta de
gelatina+pectina+carboximetilcelulose
sódica e camada externa de espuma de
poliuretano
Estimula a angiogênese e o
debridamento autolítico, acelerando
processo de granulação
tecidual
Curativo a
Vácuo
Esponja, tubos conectores, película
adesiva, reservatório para secreções e
bomba de pressão negativa
A pressão negativa estimula
vascularização, granulação e retração
da ferida
Diante deste contexto, a Sistematização da Assistência de Enfermagem
(SAE), auxilia o enfermeiro na aplicação sistematizada de seus cuidados. Definida
por Silva et al (2009, p. 1381) como um método de cuidados sistematizado, esta visa
reduzir as complicações durante o tratamento, facilitando a adaptação e
recuperação do paciente. Na edição (2009-2011) da North American Nursing
Diagnosis Association (NANDA), pode-se identificar diversos diagnósticos de
enfermagem pertinentes a SF. Esta associação, conforme a Escola Paulista de
Medicina, padroniza a classificação dos diversos sinais e sintomas das doenças em
chaves específicas, divididas de acordo com as necessidades humanas básicas
(NHB), o que facilita o manejo do plano terapêutico preconizado pela SAE.
A Síndrome de Fournier é uma doença relativamente incomum onde, segundo
Cardoso e Féres (2007, p. 493), até 1984 estimavam-se em 300 o número de casos
descritos na literatura. Assim sendo, o fato de haver certo desconhecimento acerca
desta patologia, e conscientes da relevância sobre tema proposto, surgiu-se o
interesse em discorrer sobre esta importante síndrome. Discutida neste trabalho
científico, a SF insere-se na comunidade acadêmica como fonte de pesquisa de
elevada relevância social.
A confecção desse artigo é parte integrante do processo avaliativo da
disciplina TCC III do curso de enfermagem da Faculdade Dom Pedro Segundo.
Tendo como objetivo principal, compreender a assistência de enfermagem junto ao
portador da Síndrome de Fournier, reconhecendo sua importância no controle e
disseminação da doença.
2 METODOLOGIA
Trata-se de uma pesquisa de natureza descritiva com uma abordagem
qualitativa, que busca através da literatura orientações e conhecimento para a
resolução de possíveis problemas de estudo dentro de uma revisão sistemática.
2.1 FONTES DE PESQUISA
Foram utilizadas como fonte de pesquisa a Biblioteca Virtual de Saúde
através da BIREME (BIBLIOTECA REGIONAL DE MEDICINA) utilizando-se da base
de dados da literatura Latino- Americana e do Caribe em Ciências da Saúde
(LILACS), Scientific Eletronic Library Online (SCIELO), Revista da Sede de
Enfermagem do Nordeste (Rev Rene), livros técnicos de saúde e protocolos de
enfermagem.
2.2 DESCRITORES
Os descritores utilizados nessa investigação foram: síndrome de Fournier;
assistência de enfermagem ao portador da síndrome de Fournier; doença de
Fournier, fasciíte necrotizante, feridas e coberturas especiais e técnicas de curativos.
Com estes descritores foram feitos cruzamentos, resultando em uma busca
abrangente e criteriosa do tema.
2.3 CRITÉRIOS DE INCLUSÃO
Foram considerados logo na seleção inicial, artigos publicados em português
e em espanhol que retratassem o desenvolvimento da Síndrome de Fournier bem
como as ações de enfermagem nela empregadas. As informações foram
pesquisadas no período compreendido entre os anos de 2007 e 2013 com uma
exceção para 2002.
2.4 CRITÉRIOS DE EXCLUSÃO
Foram excluídos os artigos que não abordaram o tema do estudo, fora do
período definido e os escritos em língua inglesa.
3 RESULTADOS E DISCUSÃO
No presente estudo foram analisados vinte artigos científicos os quais se
enquadraram aos critérios de inclusão previamente estabelecidos. Para a análise e
discussão dos resultados encontrados, foram elaboradas as Tabelas 2 e 3. Nestas
constam dados sobre o ano, os autores bem como os objetivos e
resultados/conclusões obtidos em cada um deles. Nesse sentido, cabe destacar que
a Síndrome de Fournier é enquadrada como uma patologia extremamente
estigmatizante, sendo este um quadro dramático tanto para os profissionais quanto
para os pacientes. Sua fisiopatologia bem como sua origem é um consenso entre as
literaturas estudadas. Com relação ao tratamento existe uma concordância, porém o
enfoque é diferente de acordo com a especialidade, estando a enfermagem
direcionada para as coberturas utilizadas bem como para o suporte emocional do
paciente (Cavalini et al,2002; Franco & Gonçalves, 2008; Riggoni ,2012).
A relação entre o portador e sua patologia é expressa com excelência por
Cavalini et al (2002, p. 111 e 113), única autora encontrada que pesquisou a
percepção do paciente referente a sua patologia e seu atendimento. O trabalho da
autora é extremamente válido, pois não há um tratamento de excelência sem a
compreensão do significado que o doente atribui às diversas fases de sua síndrome.
De início insidioso, os relatos concordam com a descrição de Dias e Popov (2009, p.
46), descrevendo uma dor insuportável, mal estar geral, febre, edema e necrose do
tecido. No decorrer da patologia, os relatos são ainda mais dramáticos onde
novamente há concordância entre a fala do paciente e as literaturas estudadas,
podendo-se inferir que o papel do enfermeiro vai além da atenção técnica. Onde o
apoio do profissional se estende do paciente às angústias da família.
O comportamento ético da equipe médica e de enfermagem influi diretamente
na condição psicológica do paciente como demonstra Cavalini et al (2002, p. 113)
em seu estudo ao citar os seguintes depoimentos: "...disse: ...a mão cabia dentro do
buraco, já pensou que horror". (E 6); "Tinha uma mocinha que entrou no quarto para
ver ...sua cara era de desespero ". (E7); “...o médico falou se sair outra vez é
cemitério ". (E6); "...disseram, que quem vai para cirurgia dificilmente sai da mesa..."
(E6). De acordo com essas declarações, por conta da gravidade das lesões e do
próprio estigma da síndrome de Fournier, o profissional deve evitar comentários
preconceituosos e controlar sua linguagem corporal.
Tabela 2: Objetivos, resultados e conclusão do referencial teórico avaliado.
AUTOR/ANO OBJETIVO RESULTADO/CONCLUSÃO
Candelária et
al.
2009
Avaliar os fatores relacionados à
mortalidade em pacientes atendidos
na Santa Casa de São Paulo, para
estabelecer a importância da
extensão da infecção, doenças
associadas e o tratamento
operatório, visando especificar quais
se relacionam com mortalidade.
Houve presença de doenças associadas
em 74,4% dos casos, sendo, a
presença de sepse fator determinante
nos óbitos. A infecção pulmonar foi
decisiva, presente em seis óbitos, com
um sobrevivente. Assim conclui-se que
os óbitos ocorreram em pacientes com
o prolongamento da doença,
disseminação da infecção e
comprometimento pulmonar.
Lapa et al
2004
Discorrer sobre a necessidade de
estudar a doença, visando
desmistificar a SF aprofundado os
conceitos referentes fisiopatologia,
etiologia, manifestações clinicas e
possíveis formas de tratamento, com
ênfase nos cuidados de
enfermagem.
Os abscessos perineais associados a
uma inadequada ou insuficiente técnica
de drenagem bem como a estados de
imunossupressão, são tidos como os
fatores mais comumente associados
com a SF. Assim, conclui-se que é
imperativo obter conhecimento sobre tal
patologia bem como buscar
atendimento multidisciplinar para o
sucesso terapêutico.
Riggoni
2012
Discorrer sobre o que é a Síndrome
de Fournier, relatando sua
incidência, prevalência, métodos e
tratamento.
Foi observada dificuldade na percepção
da melhora da lesão devido a não
realização correta dos curativos,
evidenciando a falta de conhecimento e
habilidade dos profissionais envolvidos.
Conclui-se que é de fundamental
importância o conhecimento técnico
para que os profissionais prestem
cuidados de melhor qualidade.
Seguindo as diretrizes da SAE, Nascimento et al (2011, p. 04) demonstra em
seu estudo de caso a importância aplicação deste método ao portador da síndrome
de Fournier. Neste estudo, a SAE é aplicada a um paciente acometido pela SF,
seguindo todos os passos da sistematização, bem como evidenciando a importância
do profissional enfermeiro. O autor faz um histórico de enfermagem onde consta um
resumo de como o paciente descobriu sua doença, sua percepção acerca da
mesma, exame físico céfalo-caudal e verificação dos sinais vitais. Podendo-se ainda
acrescentar, conforme Barros (2010, p. 25 e 50), um questionário socioeconômico.
Nascimento et al (2011, p. 03 e 04) segue descrevendo a terapêutica
medicamentosa, as evoluções de enfermagem e ainda realiza o diagnóstico de
enfermagem embasado na North American Nursing Diagnosis Association (NANDA).
Tabela 3: Objetivos, resultados e conclusão do referencial teórico avaliado.
AUTOR/ANO OBJETIVO RESULTADO/CONCLUSÃO
Cardoso e
Féres
2007
Ressaltar a importância de um
diagnóstico precoce, preciso e de um
tratamento imediato.
Embora ainda não consensual, conclui-
se que, os principais fatores
relacionados à mortalidade na SF são:
tempo decorrido entre o início da
doença e início do tratamento, extensão
da necrose e alterações fisiológicas
refletindo o impacto da doença sobre o
paciente.
Dias e Popov
2009
Identificar e descrever as principais
alterações do portador de SF.
A principal alterações do portador de SF
é a infecção. Esta provoca por
isquemia, um ambiente de hipóxia
tecidual que é um alicerce para a
proliferação da infecção. A dor é uma
experiência sensorial e emocional
desagradável real ou potencial, sendo o
motivo mais comum para a busca dos
primeiros cuidados. Assim, conclui-se
que, as principais alterações estão
relacionadas a infecção, necrose e a
dor.
Cavalini et al
2002
Identificar a percepção dos
portadores da Síndrome de Fournier
bem como suas percepções sobre
seus cuidadores.
Os entrevistados deixam claro a
dramaticidade da quadro agravada por
seu início insidioso. Os principais
sintomas relatados são: dor, febre,
edema e ferida caracterizada por
necrose do tecido. Os pacientes fazem
referência à doença tal como descrito
na literatura. Com relação aos sinais e
sintomas, tratamento, localização,
duração e evolução da doença, ficou
evidenciado a falta de orientação aos
pacientes sobre as causas e medidas
preventivas.
Nos diagnósticos da NANDA (2009-2011) pode-se classificar os sinais e
sintomas dos pacientes acometidos pela SF em chaves específicas, divididas de
acordo com as necessidades humanas básicas. Dentre estes pode-se citar: 1
“eliminação urinária prejudicada relacionada à infecção no trato urinário”; 2
“recuperação cirúrgica retardada caracterizada por evidências de interrupção na
cicatrização da área cirúrgica”; 3 “perfusão tissular periférica ineficaz caracterizada
por isquemia microvascular periférica”; 4 “déficit no autocuidado para higiene íntima
relacionada a dor”; 5 “desesperança relacionada a deterioração da condição
fisiológica”; 6 “distúrbio da identidade pessoal caracterizado por distúrbio na imagem
corporal e enfrentamento ineficaz”; 7 “disfunção sexual caracterizada por limitações
percebidas impostas pela doença relacionado a função corporal alterada” e 8
“integridade tissular prejudicada relacionada a tecido destruído caracterizado por
circulação alterada”.
É consenso entre os autores que a principal característica da SF é a grande
variedade de sua flora bacteriana, assim esse tratamento vai exigir antibioticoterapia
de largo espectro, bem como o debridamento radical do tecido necrótico. Rigoni
(2012, p. 12) e Siza (2013, p. 05) descrevem a realização de curativos específicos
para a cobertura da lesão e controle bacteriano. Essas coberturas controlam e
revertem as principais características das lesões da SF: contaminação, exsudação,
necrose e odor. De acordo com essas características, Franco e Gonçalves (2007, p.
204 e 205) enfatizam o uso dessas substâncias que promovem a angiogênese,
retém odores, possuem ação bactericida ou promovem o debridamento autolítico.
Nestes termos, tais coberturas são de extrema importância no tratamento da SF,
bem como, o conhecimento sobre elas valida a importância do enfermeiro durante
este tratamento.
O papel da enfermagem é cuidar do paciente em sua totalidade. Para tanto,
cabe ao profissional exigir da instituição insumos que facilitem esse papel na
compreensão de condições incomuns como a apresentada na SF. A formação de
uma comissão de feridas e curativos, bem como educação continuada são exemplos
de ações que visam evitar complicações futuras e manter os profissionais
atualizados. É de suma importância também, que o profissional seja ético e
responsável com seu paciente, buscando ele próprio galgar novos conhecimentos e
competências no intuito de tornar-se completo e preciso em sua assistência.
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Diante da pesquisa bibliográfica realizada, pôde-se compreender a
fundamental importância do enfermeiro para o tratamento da Síndrome de Fournier.
É vital para os pacientes que o profissional tenha um amplo conhecimento da
síndrome e sua evolução, bem como dos cuidados a serem prestados ao cliente.
Tais cuidados compreendem desde a relevância de um diagnóstico precoce,
evidenciando a importância do conhecimento acerca das fases evolutivas da
gangrena, a uma terapêutica adequada com técnica asséptica correta, visando a
não disseminação da infecção.
A assistência de enfermagem nesta patologia deve se norteada por
intervenções precisas, já que a falta de conhecimento da equipe é um dos principais
fatores agravantes na evolução do tratamento. É responsabilidade do enfermeiro
planejar e implementar a assistência e as ações de enfermagem adequadas ao
cliente, a partir da Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE),
contribuindo para a evolução de seu quadro clínico visando a continuidade de ações
reflexivas.
É papel da instituição hospitalar perceber as dificuldade da equipe e promover
educação continuada para redução de riscos. A educação continuada também é
crucial para a melhor condução do tratamento, já que esta aumenta a habilidade e
destreza do funcionário, transmitindo maior confiança ao cliente. Outro fator
essencial na assistência é o apoio emocional ao paciente. A enfermagem por ser
uma profissão altamente humanizada, não se restringe apenas ao cuidado
tecnicista, devendo esta, prestar ao ser humano cuidado, carinho e atenção em seu
momento de fragilidade. Oferecendo um ambiente seguro, o enfermeiro ajuda a
diminuir a ansiedade do paciente e dos seus familiares, contribuindo para sua
melhora.
A história da enfermagem é marcada por humanização, devoção, ideais e
valores que estão presentes também na formação de seus profissionais. Assim,
acerca da assistência de enfermagem ao portador da síndrome de Fournier, conclui–
se que o enfermeiro é imprescindível na qualidade do atendimento tal como no
controle e disseminação da infecção.
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Assistência de enfermagem ao paciente portador da síndrome de fournier revisão de literatura

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    ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEMAO PACIENTE PORTADOR DA SÍNDROME DE FOURNIER: REVISÃO DE LITERATURA GABRIELA MONTARGIL SILVIA CRISTINA BATISTA CRUZ RIBEIRO SALVADOR 2014
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    ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEMAO PACIENTE PORTADOR DA SÍNDROME DE FOURNIER Salvador 2014 Artigo apresentado à banca examinadora da Faculdade Dom Pedro II, como requisito para à obtenção do grau de Bacharel em Enfermagem, sob a orientação da professora Sandra Dórea.
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    ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEMAO PACIENTE PORTADOR DA SÍNDROME DE FOURNIER ASISTENCIA DE ENFERMERÍA AL PACIENTE PORTADOR DE LA SÍNDROME DE FOURNIER GABRIELA MONTARGIL*; SILVIA CRISTINA BATISTA CRUZ RIBEIRO** *Acadêmica do Curso de Enfermagem Faculdade Dom Pedro II. Salvador (BA), Brasil. Tel.: (71) 9911-5338 E-mail: gmontargils2@gmail.com. **Acadêmica do Curso de Enfermagem Faculdade Dom Pedro II. Salvador (BA), Brasil. Tel.: (71) 8829-3071 E-mail: binhamaralina@gmail.com Sandra Regina de Freitas Dórea  Licenciada em Ciências Biológica (UCSAL);  Especialista em Metodologia do Ensino, Pesquisa e Extensão em Educação (UNEB);  Mestre em Imunologia (UFBA);  Professora de Faculdade Dom Pedro II e Professor Substituto Universidade Federal da Bahia. E-mail: sandradorea08@gmail.com
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    ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEMAO PACIENTE PORTADOR DA SÍNDROME DE FOURNIER: REVISÃO DE LITERATURA Resumo Este artigo tem como objetivo principal compreender a importância da assistência de enfermagem ao portador da Síndrome de Fournier, a partir de uma revisão de literatura acerca da temática tendo como objetivo específico reconhecer a importância da assistência de enfermagem no controle e disseminação desta infecção. A Síndrome de Fournier é uma infecção poli microbiana causada por bactérias aeróbias e anaeróbias, que induzem o paciente ao desenvolvimento de uma fasceíte necrotizante abrangendo a região genital, perianal e perineal. Nestes termos, a atuação do enfermeiro é direcionada ao acompanhamento e tratamento das lesões, tendo como estratégia principal o bloqueio ou a redução da proliferação bacteriana. Descritores: Síndrome de Fournier; Assistência de Enfermagem ao Portador de Síndrome de Fournier; Feridas e Coberturas; Técnicas de Curativos. ASISTENCIA DE ENFERMERÍA AL PACIENTE PORTADOR DE LA SÍNDROME DE FOURNIER Resumen Este artículo tiene como objetivo discutir sobre la importancia de la assistência de enfermería ao portador de la Síndrome e Fournier, a partir de una revisión de la literatura sobre el tema teniendo, como objetivo específico, reconocer la importancia de los cuidados de enfermería en el control y la propagación de esta infección. La Síndrome de Fournier es una infección polimicrobiana causada por bacterias aerobias y anaeróbias que induce el paciente al desarrollo de una fasciiti necrotizante que cubre la zona genital, perianal y perineal. Em consecuecia, las acciones de enfermegem son dirigidas a la vigilancia y el tratamiento de las lesiones, teniendo como la principal estrategia el bloqueo o reducción de la proliferación bacteriana. Palabras clave: Síndrome de Fournier; Assistência de Enfermería ao Portador de la Síndrome de Fournier; Heridas e Coberturas; Técnicas de Vendajes.
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    1 INTRODUÇÃO A Síndromede Fournier (SF) conforme Cardoso e Féres (2007, p. 493), foi descrita pela primeira vez em 1764 por Baurienne, recebeu o nome Gangrena de Fournier em 1864, em homenagem ao urologista francês Jean Alfred Fournier. Definida como uma infecção polimicrobiana que resulta em uma fasciíte necrotizante, a SF acomete principalmente a região genital, perianal e perineal através de uma endarterite obliterante, causando trombose vascular subcutânea e necrose de tecidos. (HOFFMANN et al 2009, p. 104) Esta síndrome, segundo Dias (2009, p. 44), incide predominantemente sobre os idosos ao redor dos 50 anos, apresentando uma mulher atingida para cada 10 homens. Estudo realizado por Candelária et al (2009, p. 197 e 198) mostra que, a origem da infecção pode ser urogenital ou anal, onde a mortalidade nesta síndrome não está relacionada ao local de sua origem. Com relação a flora bacteriana, Burgl (2007, . 490) complementa que os micro-organismos mais comumente encontrados nas culturas de lesões provenientes da Gangrena de Fournier são: Escherichia coli, Pseudomonas aeruginosa, Staphylococcus aureus, Staphylococcus epidermidis, Clostridium difficile e Bacteroides fragilis. A causa da SF segundo Hoffman et al. (2009, p. 104), pode ser idiopática ou estar associada a fatores de risco como diabetes mellitus, alcoolismo, trauma mecânico, procedimentos cirúrgicos, pacientes imunossuprimidos, infecções do trato urinário ou perianal. Candelária et al. (2009, p.197), complementa que existem ainda causas raras como a indução infecciosa por implante de prótese peniana. Gutiérrez (2010, p. 199, tradução nossa), relata a ocorrência da SF em uma paciente de 80 anos em virtude de lesão causada por uma espinha de peixe no canal retal. De acordo com Cardoso e Féres (2007, p. 493 e 494), após a infecção instalada, a SF cursa com uma endarterite obliterante que leva a uma trombose dos vasos periféricos resultando na necrose do tecido. Quando não tratada, a infecção, dado o caráter de seus micro-organismos, evolui rapidamente para a parede abdominal anterior, ao retroperitônio, à região dorsal, bem como aos membros superiores. Desta forma, com a sepse instalada, o paciente evolui com falência múltipla dos órgãos e óbito. Com relação ao tratamento, Mehl (2010, p. 436), em sua pesquisa, explana:
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    [...] O tratamentobaseia-se principalmente no manejo cirúrgico, variando desde a simples drenagem até desbridamento radical com ou sem derivação fecal ou urinária... [...] uso de antibióticos de largo espectro e medidas de suporte. Existem também medidas adjuvantes como a câmara hiperbárica para prevenir a extensão da necrose, reduzir sinais sistêmicos da infecção e melhorar a sobrevida do tecido isquêmico [...].(MEHL,2010, p. 436) A assistência de enfermagem é de fundamental importância no tratamento do portador acometido pela SF. De acordo com Rigoni (2012, p. 12), “a falta de conhecimento dos profissionais de saúde é fator agravante no tratamento de patologias mais complexas como a síndrome de fournier”, e enfatiza que a falta de habilidade na realização dos curativos é fator determinante para o descontrole da infecção. O estudo de Rigoni (2012, p. 12) ainda frisa que a assistência de enfermagem consiste na realização de cuidados diários, principalmente relacionados a troca dos curativos. Para contornar essa questão, a comissão de feridas e curativos composta por uma equipe multiprofissional é uma alternativa. No hospital, a comissão de feridas e curativos é responsável por, conforme publicação do HEMORIO (2010, p. 17 e 18), dar parecer de lesões, realizar busca ativa, padronizar materiais e técnicas, bem como analisar e elaborar protocolos. De acordo com o relato de Franco e Gonçalves (2007, p. 203 e 205), o nível das lesões encontradas na SF exige do enfermeiro o conhecimento específico do efeito de cada material a ser utilizado, visto que cada um deles possui componentes que contribuem para a diminuição da flora bacteriana bem como para o debridamento do tecido necrótico e epitelização posterior (Tabela 1). Os autores ainda evidenciam a importância do profissional de enfermagem descrevendo a periodicidade de troca do curativo, bem como a diferença das técnicas de cada substância. Outro ponto que merece a atenção do enfermeiro é, segundo Cavalini et al (2002, p. 113 e 114), a evidência que grande parte dos profissionais não está habilitada para dar uma assistência emocional adequada ao paciente. Este argumento é comprovado pelos autores, quando demonstram em sua pesquisa, que as atitudes e comportamentos negativos da equipe de enfermagem, influem no restabelecimento assim como no relacionamento com o paciente.
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    Tabela 1: Coberturasespeciais utilizadas no tratamento da SF. COMPOSIÇÃO E MECANISMOS DE AÇÃO DAS COBERTURAS ESPECIAIS COBERTURA COMPOSIÇÃO MECANISMO DE AÇÃO Sulfadiazina de Prata Sulfadiazina de prata a 1% hidrofílica Exerce ação bactericida imediata e ação bacteriostática residual Pomada Enzimática Colagenase+clostridiopeptidase A+enzimas proteolíticas Degrada o colágeno nativo da ferida Ácidos Graxos Essenciais (AGE) Ác.linoleico+ác.caprílico+ác.cáprico+vita mina A, E e lecitina de soja (óleo vegetal) Promove a quimiotaxia e a angiogênese, umidifica o meio acelerando a granulação tecidual. Na pele íntegra, forma uma película protetora prevenindo escoriações Hidrogel 77,7% de água+2,3% de carboximetilcelulose (CMC)+20% de propilenoglicol (PPG) em gel transparente e incolor Remove tecido desvitalizado por desbridamento autolítico. O CMC facilita a reidratação celular e o desbridamento. O PPG estimula a liberação de exsudato Alginato de Cálcio Fibras de alginato de cálcio derivado de algas marinhas O sódio do exsudato e do sangue interage com o cálcio do curativo. Essa troca iônica auxilia no desbridamento autolítico através absorção, esta resulta na formação de um gel, que mantém a umidade apropriada para a cicatrização. Carvão Ativado Tecido carbonizado e impregnado com 0,15% de nitrato de prata O carvão ativado absorve o exsudato e diminui o odor. A prata exerce ação bactericida Hidropolímero Almofada de espuma com camadas sobrepostas de hidropolímero revestidas de poliuretano Umedece o ambiente, estimula o desbridamento autolítico e absorve o exsudato. Hidrocolóide Camada interna composta de gelatina+pectina+carboximetilcelulose sódica e camada externa de espuma de poliuretano Estimula a angiogênese e o debridamento autolítico, acelerando processo de granulação tecidual Curativo a Vácuo Esponja, tubos conectores, película adesiva, reservatório para secreções e bomba de pressão negativa A pressão negativa estimula vascularização, granulação e retração da ferida Diante deste contexto, a Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE), auxilia o enfermeiro na aplicação sistematizada de seus cuidados. Definida por Silva et al (2009, p. 1381) como um método de cuidados sistematizado, esta visa reduzir as complicações durante o tratamento, facilitando a adaptação e
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    recuperação do paciente.Na edição (2009-2011) da North American Nursing Diagnosis Association (NANDA), pode-se identificar diversos diagnósticos de enfermagem pertinentes a SF. Esta associação, conforme a Escola Paulista de Medicina, padroniza a classificação dos diversos sinais e sintomas das doenças em chaves específicas, divididas de acordo com as necessidades humanas básicas (NHB), o que facilita o manejo do plano terapêutico preconizado pela SAE. A Síndrome de Fournier é uma doença relativamente incomum onde, segundo Cardoso e Féres (2007, p. 493), até 1984 estimavam-se em 300 o número de casos descritos na literatura. Assim sendo, o fato de haver certo desconhecimento acerca desta patologia, e conscientes da relevância sobre tema proposto, surgiu-se o interesse em discorrer sobre esta importante síndrome. Discutida neste trabalho científico, a SF insere-se na comunidade acadêmica como fonte de pesquisa de elevada relevância social. A confecção desse artigo é parte integrante do processo avaliativo da disciplina TCC III do curso de enfermagem da Faculdade Dom Pedro Segundo. Tendo como objetivo principal, compreender a assistência de enfermagem junto ao portador da Síndrome de Fournier, reconhecendo sua importância no controle e disseminação da doença.
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    2 METODOLOGIA Trata-se deuma pesquisa de natureza descritiva com uma abordagem qualitativa, que busca através da literatura orientações e conhecimento para a resolução de possíveis problemas de estudo dentro de uma revisão sistemática. 2.1 FONTES DE PESQUISA Foram utilizadas como fonte de pesquisa a Biblioteca Virtual de Saúde através da BIREME (BIBLIOTECA REGIONAL DE MEDICINA) utilizando-se da base de dados da literatura Latino- Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Scientific Eletronic Library Online (SCIELO), Revista da Sede de Enfermagem do Nordeste (Rev Rene), livros técnicos de saúde e protocolos de enfermagem. 2.2 DESCRITORES Os descritores utilizados nessa investigação foram: síndrome de Fournier; assistência de enfermagem ao portador da síndrome de Fournier; doença de Fournier, fasciíte necrotizante, feridas e coberturas especiais e técnicas de curativos. Com estes descritores foram feitos cruzamentos, resultando em uma busca abrangente e criteriosa do tema. 2.3 CRITÉRIOS DE INCLUSÃO Foram considerados logo na seleção inicial, artigos publicados em português e em espanhol que retratassem o desenvolvimento da Síndrome de Fournier bem como as ações de enfermagem nela empregadas. As informações foram pesquisadas no período compreendido entre os anos de 2007 e 2013 com uma exceção para 2002. 2.4 CRITÉRIOS DE EXCLUSÃO Foram excluídos os artigos que não abordaram o tema do estudo, fora do período definido e os escritos em língua inglesa.
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    3 RESULTADOS EDISCUSÃO No presente estudo foram analisados vinte artigos científicos os quais se enquadraram aos critérios de inclusão previamente estabelecidos. Para a análise e discussão dos resultados encontrados, foram elaboradas as Tabelas 2 e 3. Nestas constam dados sobre o ano, os autores bem como os objetivos e resultados/conclusões obtidos em cada um deles. Nesse sentido, cabe destacar que a Síndrome de Fournier é enquadrada como uma patologia extremamente estigmatizante, sendo este um quadro dramático tanto para os profissionais quanto para os pacientes. Sua fisiopatologia bem como sua origem é um consenso entre as literaturas estudadas. Com relação ao tratamento existe uma concordância, porém o enfoque é diferente de acordo com a especialidade, estando a enfermagem direcionada para as coberturas utilizadas bem como para o suporte emocional do paciente (Cavalini et al,2002; Franco & Gonçalves, 2008; Riggoni ,2012). A relação entre o portador e sua patologia é expressa com excelência por Cavalini et al (2002, p. 111 e 113), única autora encontrada que pesquisou a percepção do paciente referente a sua patologia e seu atendimento. O trabalho da autora é extremamente válido, pois não há um tratamento de excelência sem a compreensão do significado que o doente atribui às diversas fases de sua síndrome. De início insidioso, os relatos concordam com a descrição de Dias e Popov (2009, p. 46), descrevendo uma dor insuportável, mal estar geral, febre, edema e necrose do tecido. No decorrer da patologia, os relatos são ainda mais dramáticos onde novamente há concordância entre a fala do paciente e as literaturas estudadas, podendo-se inferir que o papel do enfermeiro vai além da atenção técnica. Onde o apoio do profissional se estende do paciente às angústias da família. O comportamento ético da equipe médica e de enfermagem influi diretamente na condição psicológica do paciente como demonstra Cavalini et al (2002, p. 113) em seu estudo ao citar os seguintes depoimentos: "...disse: ...a mão cabia dentro do buraco, já pensou que horror". (E 6); "Tinha uma mocinha que entrou no quarto para ver ...sua cara era de desespero ". (E7); “...o médico falou se sair outra vez é cemitério ". (E6); "...disseram, que quem vai para cirurgia dificilmente sai da mesa..." (E6). De acordo com essas declarações, por conta da gravidade das lesões e do próprio estigma da síndrome de Fournier, o profissional deve evitar comentários preconceituosos e controlar sua linguagem corporal.
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    Tabela 2: Objetivos,resultados e conclusão do referencial teórico avaliado. AUTOR/ANO OBJETIVO RESULTADO/CONCLUSÃO Candelária et al. 2009 Avaliar os fatores relacionados à mortalidade em pacientes atendidos na Santa Casa de São Paulo, para estabelecer a importância da extensão da infecção, doenças associadas e o tratamento operatório, visando especificar quais se relacionam com mortalidade. Houve presença de doenças associadas em 74,4% dos casos, sendo, a presença de sepse fator determinante nos óbitos. A infecção pulmonar foi decisiva, presente em seis óbitos, com um sobrevivente. Assim conclui-se que os óbitos ocorreram em pacientes com o prolongamento da doença, disseminação da infecção e comprometimento pulmonar. Lapa et al 2004 Discorrer sobre a necessidade de estudar a doença, visando desmistificar a SF aprofundado os conceitos referentes fisiopatologia, etiologia, manifestações clinicas e possíveis formas de tratamento, com ênfase nos cuidados de enfermagem. Os abscessos perineais associados a uma inadequada ou insuficiente técnica de drenagem bem como a estados de imunossupressão, são tidos como os fatores mais comumente associados com a SF. Assim, conclui-se que é imperativo obter conhecimento sobre tal patologia bem como buscar atendimento multidisciplinar para o sucesso terapêutico. Riggoni 2012 Discorrer sobre o que é a Síndrome de Fournier, relatando sua incidência, prevalência, métodos e tratamento. Foi observada dificuldade na percepção da melhora da lesão devido a não realização correta dos curativos, evidenciando a falta de conhecimento e habilidade dos profissionais envolvidos. Conclui-se que é de fundamental importância o conhecimento técnico para que os profissionais prestem cuidados de melhor qualidade. Seguindo as diretrizes da SAE, Nascimento et al (2011, p. 04) demonstra em seu estudo de caso a importância aplicação deste método ao portador da síndrome de Fournier. Neste estudo, a SAE é aplicada a um paciente acometido pela SF, seguindo todos os passos da sistematização, bem como evidenciando a importância do profissional enfermeiro. O autor faz um histórico de enfermagem onde consta um resumo de como o paciente descobriu sua doença, sua percepção acerca da mesma, exame físico céfalo-caudal e verificação dos sinais vitais. Podendo-se ainda acrescentar, conforme Barros (2010, p. 25 e 50), um questionário socioeconômico.
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    Nascimento et al(2011, p. 03 e 04) segue descrevendo a terapêutica medicamentosa, as evoluções de enfermagem e ainda realiza o diagnóstico de enfermagem embasado na North American Nursing Diagnosis Association (NANDA). Tabela 3: Objetivos, resultados e conclusão do referencial teórico avaliado. AUTOR/ANO OBJETIVO RESULTADO/CONCLUSÃO Cardoso e Féres 2007 Ressaltar a importância de um diagnóstico precoce, preciso e de um tratamento imediato. Embora ainda não consensual, conclui- se que, os principais fatores relacionados à mortalidade na SF são: tempo decorrido entre o início da doença e início do tratamento, extensão da necrose e alterações fisiológicas refletindo o impacto da doença sobre o paciente. Dias e Popov 2009 Identificar e descrever as principais alterações do portador de SF. A principal alterações do portador de SF é a infecção. Esta provoca por isquemia, um ambiente de hipóxia tecidual que é um alicerce para a proliferação da infecção. A dor é uma experiência sensorial e emocional desagradável real ou potencial, sendo o motivo mais comum para a busca dos primeiros cuidados. Assim, conclui-se que, as principais alterações estão relacionadas a infecção, necrose e a dor. Cavalini et al 2002 Identificar a percepção dos portadores da Síndrome de Fournier bem como suas percepções sobre seus cuidadores. Os entrevistados deixam claro a dramaticidade da quadro agravada por seu início insidioso. Os principais sintomas relatados são: dor, febre, edema e ferida caracterizada por necrose do tecido. Os pacientes fazem referência à doença tal como descrito na literatura. Com relação aos sinais e sintomas, tratamento, localização, duração e evolução da doença, ficou evidenciado a falta de orientação aos pacientes sobre as causas e medidas preventivas. Nos diagnósticos da NANDA (2009-2011) pode-se classificar os sinais e sintomas dos pacientes acometidos pela SF em chaves específicas, divididas de acordo com as necessidades humanas básicas. Dentre estes pode-se citar: 1 “eliminação urinária prejudicada relacionada à infecção no trato urinário”; 2
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    “recuperação cirúrgica retardadacaracterizada por evidências de interrupção na cicatrização da área cirúrgica”; 3 “perfusão tissular periférica ineficaz caracterizada por isquemia microvascular periférica”; 4 “déficit no autocuidado para higiene íntima relacionada a dor”; 5 “desesperança relacionada a deterioração da condição fisiológica”; 6 “distúrbio da identidade pessoal caracterizado por distúrbio na imagem corporal e enfrentamento ineficaz”; 7 “disfunção sexual caracterizada por limitações percebidas impostas pela doença relacionado a função corporal alterada” e 8 “integridade tissular prejudicada relacionada a tecido destruído caracterizado por circulação alterada”. É consenso entre os autores que a principal característica da SF é a grande variedade de sua flora bacteriana, assim esse tratamento vai exigir antibioticoterapia de largo espectro, bem como o debridamento radical do tecido necrótico. Rigoni (2012, p. 12) e Siza (2013, p. 05) descrevem a realização de curativos específicos para a cobertura da lesão e controle bacteriano. Essas coberturas controlam e revertem as principais características das lesões da SF: contaminação, exsudação, necrose e odor. De acordo com essas características, Franco e Gonçalves (2007, p. 204 e 205) enfatizam o uso dessas substâncias que promovem a angiogênese, retém odores, possuem ação bactericida ou promovem o debridamento autolítico. Nestes termos, tais coberturas são de extrema importância no tratamento da SF, bem como, o conhecimento sobre elas valida a importância do enfermeiro durante este tratamento. O papel da enfermagem é cuidar do paciente em sua totalidade. Para tanto, cabe ao profissional exigir da instituição insumos que facilitem esse papel na compreensão de condições incomuns como a apresentada na SF. A formação de uma comissão de feridas e curativos, bem como educação continuada são exemplos de ações que visam evitar complicações futuras e manter os profissionais atualizados. É de suma importância também, que o profissional seja ético e responsável com seu paciente, buscando ele próprio galgar novos conhecimentos e competências no intuito de tornar-se completo e preciso em sua assistência.
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    4 CONSIDERAÇÕES FINAIS Dianteda pesquisa bibliográfica realizada, pôde-se compreender a fundamental importância do enfermeiro para o tratamento da Síndrome de Fournier. É vital para os pacientes que o profissional tenha um amplo conhecimento da síndrome e sua evolução, bem como dos cuidados a serem prestados ao cliente. Tais cuidados compreendem desde a relevância de um diagnóstico precoce, evidenciando a importância do conhecimento acerca das fases evolutivas da gangrena, a uma terapêutica adequada com técnica asséptica correta, visando a não disseminação da infecção. A assistência de enfermagem nesta patologia deve se norteada por intervenções precisas, já que a falta de conhecimento da equipe é um dos principais fatores agravantes na evolução do tratamento. É responsabilidade do enfermeiro planejar e implementar a assistência e as ações de enfermagem adequadas ao cliente, a partir da Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE), contribuindo para a evolução de seu quadro clínico visando a continuidade de ações reflexivas. É papel da instituição hospitalar perceber as dificuldade da equipe e promover educação continuada para redução de riscos. A educação continuada também é crucial para a melhor condução do tratamento, já que esta aumenta a habilidade e destreza do funcionário, transmitindo maior confiança ao cliente. Outro fator essencial na assistência é o apoio emocional ao paciente. A enfermagem por ser uma profissão altamente humanizada, não se restringe apenas ao cuidado tecnicista, devendo esta, prestar ao ser humano cuidado, carinho e atenção em seu momento de fragilidade. Oferecendo um ambiente seguro, o enfermeiro ajuda a diminuir a ansiedade do paciente e dos seus familiares, contribuindo para sua melhora. A história da enfermagem é marcada por humanização, devoção, ideais e valores que estão presentes também na formação de seus profissionais. Assim, acerca da assistência de enfermagem ao portador da síndrome de Fournier, conclui– se que o enfermeiro é imprescindível na qualidade do atendimento tal como no controle e disseminação da infecção.
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