A
n
a
i
sd
oI
I
C
o
n
g
r
e
s
s
oI
n
t
e
r
n
a
c
i
o
n
a
l
d
e
D
e
s
i
g
nd
eI
n
t
e
r
a
ç
ã
o
É
r
i
c
oF
i
l
e
n
o
,
R
i
c
a
r
d
oC
o
u
t
oeR
o
b
s
o
nS
a
n
t
o
s
(
o
r
g
a
n
i
z
a
d
o
r
e
s
)
I
n
t
e
r
a
c
t
i
o
nS
o
u
t
hA
mé
r
i
c
a2
0
1
0
:
a
n
a
i
sd
oI
I
C
o
n
g
r
e
s
s
oI
n
t
e
r
n
a
c
i
o
n
a
l
d
eD
e
s
i
g
nd
e
I
n
t
e
r
a
ç
ã
o/
O
r
g
.
:
É
r
i
c
oF
i
l
e
n
o
,
R
i
c
a
r
d
oC
o
u
t
o
,
R
o
b
s
o
nS
a
n
t
o
s
.
-C
u
r
i
t
i
b
a
:
I
n
t
e
r
a
c
t
i
o
n
D
e
s
i
g
nA
s
s
o
c
i
a
t
i
o
nC
u
r
i
t
i
b
a
,
2
0
1
0
.
I
S
B
N9
7
8
-
8
5
-
6
4
2
1
4
-
0
0
-
2
1
.
T
e
c
n
o
l
o
g
i
a
.
2
.
D
e
s
i
g
n
.
3
.
D
e
s
e
n
h
oI
n
d
u
s
t
r
i
a
l
.
4
.
D
e
s
i
g
nd
eI
n
t
e
r
a
ç
ã
o
.
I
.
F
i
l
e
n
o
,
É
r
i
c
o
.
I
I
.
C
o
u
t
o
,
R
i
c
a
r
d
o
.
I
I
I
.
S
a
n
t
o
s
,
R
o
b
s
o
n
.
I
V
.
T
í
t
u
l
o
.
C
D
D6
2
0
.
8
2
I
x
D
AC
u
r
i
t
i
b
a
Érico Fileno
Ricardo Couto
Robson Santos
organizadores
INTERACTION SOUTH AMERICA 2010
ANAIS DO II CONGRESSO INTERNACIONAL DE DESIGN DE INTERAÇÃO
1ª Edição
Curitiba
Interaction Design Association – Curitiba
2010
Apresentação
Em novembro de 2009 realizou‐se o Interaction South America ’09, que
estabeleceu‐se como um fórum para pensar e discutir os diversos aspectos do
Design de Interação: planejamento, estratégias, métodos, conhecimentos,
técnicas e tecnologias. A realização desta segunda edição da conferência –
Interaction South America ’10 – é a demonstração definitiva do
estabelecimento da atividade no País.
Cabe citar que, fundamentalmente, tanto a primeira edição quanto esta
segunda edição foram fruto de uma intensa interação humana; também de
ambas resultaram novos laços, novas perspectivas e novas interações. Para
isto projetamos: para tornar as pessoas mais próximas umas das outras, para
facilitar a troca social e o crescimento dos pares. É disto que tratam os artigos
contidos neste volume ‐ possibilitar a aproximação humana por meio de
artefatos, serviços e interfaces.
Boa leitura e boas interações!
Érico Fileno
Ricardo Couto
Robson Santos
Índice
AIVA: Ambiente Instrucional Virtual Autônomo: uma proposta de LMS baseado em
hipermídia adaptativa
Bruno Corrêa e André Monat ......................................................................................... 1
Sistema de Rastreamento da Mão Humana Utilizando Visão Computacional para
Aplicações Embarcadas
Rodrigo F. Freitas, Paulo C. Cortez, Rodrigo C. S. Costa e Antônio C. da S. Barros ......... 9
Virtual Wheel: Proposta de Um Método de Interação Gestual para Jogos de Corrida
Rodrigo F. Freitas, Rodrigo C. S. Costa e Paulo C. Cortez .............................................. 19
Design de interação aplicado a modelos colaborativos na cobertura jornalística em
eventos de calamidade pública
Augusto Lohmann, Ruy Menezes, Thiago Lima e Andre Monat ................................... 27
O design de material jornalístico: do impresso ao virtual – os desafios da
interatividade
Thiago Censi e André Monat ......................................................................................... 37
Design de Interação: Estudo do Processo Interativo e Semiótico em Espaços Físicos e
Virtuais
Douglas D’agostini e Silvia Bertagnolli .......................................................................... 47
Recomendações de usabilidade para TV Digital Interativa baseadas na experiência
dos usuários com os celulares
Harlley Roberto de Oliveira ........................................................................................... 54
Reconhecimento de Fonemas usando Predição Linear para movimento labial de
modelos faciais humanóides virtuais
Raphael T. S. Carvalho, Rodrigo C. S. Costa e Paulo C. Cortez ...................................... 61
Uma Visão da Tecnologia além da Interação
Milena Lopes e Christina Sega ...................................................................................... 70
Sistema de Orientação e Navegação para Terminais de Ônibus Urbanos de Porto
Alegre
Marcelo Ferranti e Heli Meurer .................................................................................... 75
C.D.E. ‐ Uma Ferramenta para Análise de Jogos
Thiago Alves, Bruno Bulhões e Rafael Dubiela ............................................................. 84
O uso da metodologia de personas na produção de perfis para hipermídia adaptativa
Thiago Pinheiro ………………………………………………………………......................………………….. 97
Estudo comparativo de extensões UML nos artefatos do projeto de sistemas
interativos
Maria Cristina Machado Domingues e Lucia Filgueiras .............................................. 105
Design no Contexto da Interação
Cristina Portugal ......................................................................................................... 115
Influência do perfil do usuário na inteligibilidade de interfaces de data warehouse
Mônica Gouvea e Lucia Filgueiras ............................................................................... 124
Tecnologias para Assistir Pessoas com Deficiência Auditiva: Levantamento e
Discussão sobre seu Uso
Soraia Silva Prietch ...................................................................................................... 130
Circinus: Sistema Brasileiro de Controle de Tráfego Aéreo
Michelle Dalmas Loeffler ............................................................................................ 139
O processo de colaboração em ambientes hipermidiáticos na EAD: modalidades,
tecnologias e design de informação
Israel Braglia, Alice Cybis e Berenice Gonçalves ......................................................... 149
Aplicação de Matriz de Prioridade na verificação de preferências de leitores na
compra de livros em livrarias online
Adriano Bernardo Renzi e Sydney Freitas ................................................................... 157
Avaliação de Usabilidade em contexto de mobilidade: observação de uso do
aplicativo do Facebook para iPhone
Brenda Lucena ............................................................................................................ 165
Implementando Acessibilidade em um Sistema de Gestão de Aprendizagem através
do Design Centrado no Usuário
Virgínia Chalegre, Fabrício Teles e Audrey Vasconcelos ............................................. 173
Medindo Emoções em Reuniões no Second Life
Cleyton Slaviero, Jivago Medeiros, Karen Figueiredo, Willian Silva, Cintia Caetano
Ramalho da Silva e Ana Cristina Bicharra Garcia ........................................................ 181
Interatividade e navegação em infográficos digitais
Bruna Reginato, Luciano Adorno e Richard Perassi .................................................... 189
Observações Etnográficas na Avaliação da Usabilidade de Dispositivos Móveis de
Coleta de Dados Estatísticos
Luiz Agner, Patricia Tavares e Simone Bacellar Leal Ferreira ..................................... 198
Metodologia Projetual no Ensino de Design Digital Interativo
Paula Tramujas e Luciane Hilu .................................................................................... 207
Vision‐Based System for Smart Store Showcase
Thiago de Freitas Oliveira Araujo, Alexsandro José Virgínio dos Santos e Everaldo
Fernandes Monteiro ................................................................................................... 216
AIVA – Ambiente Instrucional Virtual Autônomo: uma
proposta de LMS baseado em hipermídia adaptativa
Bruno de Souza Corrêa
PPD – ESDI/UERJ
Rua Evaristo da Veiga, 95
20031-040 – Rio de Janeiro, RJ
brcorrea@yahoo.com.br
André Soares Monat
PPD – ESDI/UERJ
Rua Evaristo da Veiga, 95
20031-040 – Rio de Janeiro, RJ
andresmonat@yahoo.com.br
RESUMO
Este trabalho apresenta a Hipermídia Adaptativa (HA)
como caminho válido no desenvolvimento de novas
técnicas de usabilidade de interfaces e ergonomia
informacional voltados para a educação a distância.
Enquanto os estudos atuais sobre ergonomia informacional
buscam encontrar soluções de usabilidade aplicáveis a uma
grande população de usuários, reduzindo a um grande perfil
todos os perfis individuais, a HA procura atribuir
características múltiplas a um sistema, adaptando a forma
de apresentação, a estrutura de navegação e o próprio
conteúdo a uma ampla gama de perfis individuais de
usuários. Desta forma, um sistema pode se apresentar de
maneira diferenciada para cada usuário, buscando criar um
ambiente exclusivo, personalizado e direcionado às suas
necessidades e expectativas. Esse tipo de tecnologia tem um
potencial de utilidade especialmente alto nas aplicações
voltadas para a Educação a Distância (EaD), justificando a
concentração de esforços de pesquisa e desenvolvimento
nesta área.
Palavras-chave do autor
Hipermídia adaptativa, educação a distância, design de
interfaces.
ABSTRACT
This paper presents the Adaptive Hypermedia (AH) as a
valid path in the development of new techniques of interface
usability and informational ergonomics geared to distance
education. While the current studies on informational
ergonomics seek usability solutions applicable to a large
user population, reducing to a high profile all the individual
profiles, the HA demand assign multiple features to a
system, adapting the form, the navigation structure and the
content itself to a wide range of individual profiles of users.
Thus, a system can appear differently for each user, seeking
to create an exclusive, personalized and targeted
environment to their needs and expectations. This type of
technology has a particularly high utility potential in
applications directed to Distance Learning (DL), justifying
the concentration of efforts on research and development in
this area.
Author Keywords
Adaptive hypermedia, distance learning, interface design.
ACM Classification Keywords
H.5.2 - Informatio Interfaces and Presentation (e.g., HCI):
User Interfaces;
H.5.4 - Informatio Interfaces and Presentation (e.g., HCI):
Hypertext/Hypermedia;
K.3.1. Computers and Education: Computer Uses in
Education.
INTRODUÇÃO
O crescente interesse de instituições de ensino,
organizações e do próprio governo na educação à distância
via Internet impulsiona a pesquisa e o desenvolvimento de
ambientes e tecnologias que possibilitem o trânsito cada vez
mais eficiente de conteúdos instrucionais entre entidades
com um nível crescente de afastamento geográfico,
acadêmico e sócio-cultural. Desta forma, é necessário o
desenvolvimento de ferramentas que permitam uma
interface objetiva entre os sistemas e os seus usuários,
demandando que os próprios cursos precisem ser
organizados e disponibilizados de forma acessível e
compreensível à maior população de estudantes possível,
buscando neutralizar as diferenças acadêmicas e sócio-
culturais que possam existir entre estes usuários.
A democratização do acesso à educação a distância é um
dos focos de investigações da área de Hipermídia
Adaptativa (HA), que, de acordo com Brusilovsky (1996), é
o estudo de sistemas, arquiteturas, métodos e técnicas
capazes de promover a adaptação de hiperdocumentos
e hipermídia em geral aos objetivos, necessidades,
preferências e desejos de seus usuário. Palazzo (2000)
complementa que a HA objetiva adaptar a interface dos
sistemas de ensino para cada usuário. Isso significa ajustar
textos, imagens e sons durante a sua navegação, mas esta
adaptação só ocorre durante a execução do sistema, ou seja,
a partir do momento em que o usuário utiliza as
funcionalidades do mesmo.
ENSINO A DISTÂNCIA
Segundo a Associação Brasileira de Educação a Distância,
ABED, muitas são as definições possíveis e apresentadas,
mas há um consenso mínimo em torno da idéia de que EAD
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 1
é a modalidade de educação em que as atividades de
ensino-aprendizagem são desenvolvidas majoritariamente
(e em bom número de casos exclusivamente) sem que
alunos e professores estejam presentes no mesmo lugar à
mesma hora.
Moran (2002) explica que educação a distância é o processo
de ensino/aprendizagem onde professores e alunos não
estão normalmente juntos, fisicamente, mas podem estar
conectados, interligados por tecnologias, principalmente as
telemáticas, como a Internet. Hoje temos a educação
presencial, semi-presencial (parte presencial/parte virtual ou
a distância) e educação a distância (ou virtual). A presencial
é a dos cursos regulares, em qualquer nível, onde
professores e alunos se encontram sempre num local físico,
chamado sala de aula. É o ensino convencional. A
semipresencial acontece em parte na sala de aula e outra
parte a distância, através de tecnologias. A educação a
distância pode ter ou não momentos presenciais, mas
acontece fundamentalmente com professores e alunos
separados fisicamente no espaço e ou no tempo, mas
podendo estar juntos através de tecnologias de
comunicação.
Aspectos legais
A educação a distância no Brasil está amparada no Artigo
80 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996 conhecida
como Lei de Diretrizes e Bases (anexo 02), regulamentado
pelo Decreto nº 5.622, de 19 de dezembro de 2005 (anexo
03) e na Portaria 4059 de 10/12/2004 do MEC.
O Artigo 80 da Lei nº 9.394 define que “o Poder Público
incentivará o desenvolvimento e a veiculação de programas
de ensino a distância, em todos os níveis e modalidades de
ensino, e de educação continuada”, sendo o conceito de
educação a distância definido pelo Decreto nº 5.622, que a
caracteriza “como modalidade educacional na qual a
mediação didático-pedagógica nos processos de ensino e
aprendizagem ocorre com a utilização de meios e
tecnologias de informação e comunicação, com estudantes e
professores desenvolvendo atividades educativas em
lugares ou tempos diversos”. O mesmo decreto delimita em
seu Art. 1o
a obrigatoriedade de momentos presenciais para
as avaliações dos estudantes, estágios obrigatórios (quando
previstos na legislação pertinente), defesa de trabalhos de
conclusão de curso (quando previsto na legislação
pertinente) e atividades relacionadas a laboratórios de
ensino, quando for o caso.
Também são listadas no Decreto todas as modalidades de
ensino que podem ser apresentadas como programas de
educação a distância, a saber:
- Educação básica: apenas para complementação de
aprendizagem, situações emergenciais ou situações em que
os cidadãos estejam impedidos, por motivo de saúde, de
acompanhar ensino presencial; sejam portadores de
necessidades especiais e requeiram serviços especializados
de atendimento; se encontram no exterior, por qualquer
motivo; vivam em localidades que não contem com rede
regular de atendimento escolar presencial;
compulsoriamente sejam transferidos para regiões de difícil
acesso, incluindo missões localizadas em regiões de
fronteira; ou estejam em situação de cárcere;
- educação de jovens e adultos (nos termos do Artigo 37 da
Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996);
- educação especial, respeitadas as especificidades legais
pertinentes;
- educação profissional, abrangendo os seguintes cursos e
programas:
a) técnicos, de nível médio;
b) tecnológicos, de nível superior;
- educação superior, abrangendo os seguintes cursos e
programas:
a) sequenciais;
b) de graduação;
c) de especialização;
d) de mestrado;
e) de doutorado.
Um aspecto importante a ser observado sobre a legislação
vigente é o de que não há citações que limitem o uso da
tecnologia. Ao contrário, conforme consta no Parágrafo 3º
do Artigo 80 da Lei de Diretrizes e Bases, “as normas para
produção, controle e avaliação de programas de educação a
distância e a autorização para sua implementação, caberão
aos respectivos sistemas de ensino, podendo haver
cooperação e integração entre os diferentes sistemas”. Tal
aspecto provê amplas possibilidades de desenvolvimento e
aplicação de ferramentas e mídias.
A Portaria 4059 trata da oferta de conteúdo a distância nas
grades curriculares dos cursos superiores reconhecidos pelo
MEC, estabelecendo as seguintes diretrizes:
- Art. 1º As instituições de ensino superior poderão
introduzir, na organização pedagógica e curricular de seus
cursos superiores reconhecidos, a oferta de disciplinas
integrantes do currículo que utilizem modalidade semi-
presencial, com base no art. 81 da Lei nº 9.394, de 1.996, e
no disposto nesta Portaria.
§ 1º Para fins desta Portaria, caracteriza-se a modalidade
semi-presencial como quaisquer atividades didáticas,
módulos ou unidades de ensino-aprendizagem centrados na
auto-aprendizagem e com a mediação de recursos didáticos
organizados em diferentes suportes de informação que
utilizem tecnologias de comunicação remota.
§ 2º Poderão ser ofertadas as disciplinas referidas no caput,
integral ou parcialmente, desde que esta oferta não
ultrapasse 20 % (vinte por cento) da carga horária total do
curso.
§ 3º As avaliações das disciplinas ofertadas na modalidade
referida no caput serão presenciais.
Contexto histórico
A evolução da EaD vem seguindo os avanços das
tecnologias de comunicação. Pode-se dizer que são ciclos
de inovação incremental, que, segundo Lemos (2000), é a
introdução de qualquer tipo de melhoria em um produto,
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 2
processo ou organização da produção dentro de um
contexto, sem alteração na sua estrutura. Em EaD, esses
ciclos são caracterizados pela manutenção das metodologias
básicas de ensino e design instrucional, com as maiores
mudanças acontecendo apenas nos meios de acesso e
disseminação da informação. Portanto, o próprio conceito
de educação a distância não pode ser considerado inovativo
em níveis além do incremental.
Sherron y Boettcher (1997) separam a linha evolutiva da
educação a distância em quatro gerações:
• Primeira Geração - 1850 a 1960. Começa via papel
impresso e anos mais tarde ganha a participação do rádio e
da televisão. Característica: uma tecnologia predominante.
• Segunda Geração - 1960 a 1985. Os meios são fitas
de áudio, televisão, fitas de vídeo, fax e papel impresso.
Característica: múltiplas tecnologias sem computadores.
• Terceira Geração - 1855 a 1995. Correio eletrônico,
papel impresso, sessões de chat, mediante uso de
computadores, Internet, CD, videoconferência e fax.
Característica: múltiplas tecnologias incluindo os
computadores e as redes de computadores.
• Quarta Geração - 1995 a 2005 (estimado). Correio
eletrônico, chat, computador, Internet, transmissões em
banda larga, interação por vídeo e ao vivo,
videoconferência, fax, papel impresso. Característica:
múltiplas tecnologias incluindo o começo das tecnologias
computacionais de banda larga.
• Taylor (2003) fala em uma quinta geração, que
somaria todos os recursos característicos da quarta geração
a sistemas inteligentes totalmente automatizados,
maximizando o uso da Internet.
A quinta geração da educação a distância, proposta por
Taylor, fala na comunicação totalmente mediada por
computador, o que dependeria de sistemas inteligentes e
autônomos capazes de, entre outras coisas, se adaptar às
características dos usuários e definirem quais caminhos um
determinado curso pode tomar.
HIPERMÍDIA ADAPTATIVA
Em alinhamento à proposta de Taylor, um dos caminhos
para a difusão de sistemas inteligentes de cursos a distância
é o desenvolvimento de sistemas baseados em hipermídia
adaptativa, que, segundo Brusilovsky (1996), são capazes
de construir um modelo de objetivos, preferências e
conhecimento de cada usuário individualmente e usar este
modelo durante a interação com o usuário para adaptar o
sistema às necessidades deste usuário.
Assis (2005) nos lembra que se pode considerar que
sistemas hipermídia são, de certa forma, sempre
adaptativos, uma vez que ao proporcionarem liberdade de
navegação aos diferentes usuários, estão possibilitando que
eles adaptem o sistema às suas necessidades de informação,
ou seja, o próprio usuário é responsável pela adaptação.
Entretanto, Brusilovsky (1996) atenta para o fato de que,
em algumas áreas de aplicação, é necessário que o próprio
sistema de hipermídia se adapte ao usuário, caracterizando
a hipermídia adaptativa.
Palazzo (2002) define que um sistema de HA deve
satisfazer a três critérios básicos:
(1) ser um sistema hipertexto ou hipermídia;
(2) possuir um modelo do usuário;
(3) ser capaz de adaptar a hipermídia do sistema usando tal
modelo.
A figura 1 demonstra a taxonomia básica de sistemas de
hipermídia adaptativa, segundo Brusilovsky (2001).
Técnicas de adaptação
Assis (2005) propõe uma interpretação mais clara e precisa
sobre o quê pode ser adaptado – ou seja, qual o resultado
real da adaptação, qual aspecto da aplicação muda –,
propõe-se aqui uma diferenciação entre a adaptação do teor
do conteúdo e a adaptação da estrutura do conteúdo, esta
última considerada como um tipo de adaptação de
navegação. Distingue-se, ainda, um outro tipo de adaptação
de navegação: a adaptação da topologia do hiperespaço
(alterações nos destinos dos elos ou na quantidade de elos).
Em relação à apresentação (interface), separa-se as
alterações na aparência do conteúdo das alterações na
aparência dos elos. A Tabela 1 apresenta a classificação
proposta.
Figura 1. Taxonomia das tecnologias de hipermídia
adaptativa (Brusilovsky,2001).
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 3
AIVA – AMBIENTE INSTRUCIONAL VIRTUAL
AUTÔNOMO
Com base nestes preceitos é apresentada a proposta do
modelo de gerenciamento de ensino a distância AIVA que
se baseia na determinação de um sistema para a criação de
cursos em ambiente gráfico, com etapas seqüenciadas e a
opção de edição de conteúdos instrucionais por
fluxogramas e camadas. Este sistema inclui caminhos
acionados pela inserção de módulos, hiperlinks e camadas
de modelos de usuários e adaptações de conteúdo e
navegação.
A filosofia básica do AIVA contempla os seguintes
requisitos:
- Edição gráfica e textual de conteúdos;
- Flexibilidade para aplicação de recursos multimídia;
- Adaptações baseadas em modelos de usuário por nível de
conhecimento e aferição de rendimento (testes);
- Testes com questões objetivas;
- Totalmente baseada na WEB;
A taxonomia do AIVA
As técnicas de adaptação apresentadas são disponibilizadas
em conjunto, paralelamente entre si, tendo como critério-
base o modelo de usuário. Para uma melhor compreensão
deste conceito, todos os elementos que compõem o AIVA
podem ser organizados em camadas editáveis pelos autores
dos conteúdos instrucionais alimentados no sistema. Esta
organização por camadas permite a visualização da
flexibilidade de composição das adaptações, propiciando
que um grande número de modelos de usuários distintos
seja alimentado no AIVA. Além disso, o conteúdo
instrucional é dividido em módulos e cada um deles pode
receber combinações próprias de adaptações. Combinações
diferentes das camadas permitem a adaptação dos módulos
de conteúdos instrucionais a diferentes critérios de
modelagem de usuários, ou seja, para cada modelo de
usuário haverá configurações próprias dos módulos,
conforme demonstra a Figura 2. À Camada de Conteúdo
Básico, pode-se adicionar (+) a Camada de Conteúdo
Adaptado e/ou a Camada de Navegação Adaptada. Da
mesma forma, essas camadas de adaptações podem ser
removidas (-).
Comparando-se as características das adaptações permitidas
no AIVA com a taxonomia das tecnologias de hipermídia
adaptativa descrita por Brusilovsky (2001), que contempla
todos os tipos de adaptações de conteúdo, apresentação e
navegação descritos por ele, temos uma idéia exata do
aproveitamento das possibilidades interativas do AIVA
(Figura 3).
Tabela 1. O quê é adaptado (Assis, 2005).
Figura 2. Fluxograma de camadas do AIVA.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 4
Os módulos contidos dentro de cada modelo de usuário são
editados individualmente. Assim, a manipulação das
camadas prevê a ativação ou desativação das adaptações em
qualquer etapa do curso que estiver sendo criado.
Para ilustrar e exemplificar a aplicação de uma adaptação
de conteúdo na tela de um curso apresentado através do
AIVA, uma tela contendo um texto específico é mostrada
em três momentos diferentes, cada um sob a influência de
um modelo de usuário distinto. Na primeira tela (Figura 4),
o texto é apresentado na sua formatação básica, sob
influência de uma modelagem de usuário denominada
MU01. A segunda tela (Figura 5) exibe o texto contendo
uma adaptação de conteúdo através da qual, além da
informação textual, vê-se um complemento ilustrado do
assunto abordado. Essa tela está sob a influência da
modelagem de usuário MU02.
A terceira tela (Figura 6) exemplifica o conteúdo textual
com alterações da linguagem utilizada, adaptando-se ao
modelo de usuário MU03. É importante notar que As
questões visuais relacionadas ao AIVA remetem a um
ambiente simples e padronizado, que atenda aos requisitos
de legibilidade exigidos pelos padrões atuais de usabilidade.
Essas características visam manter a atenção dos usuários
focada no conteúdo que está sendo exibido pelo sistema,
sem elementos de distração.
Interfaces de inserção de conteúdo
A proposta do AIVA prevê que a tela inicial de adição de
cursos apresente uma área de fluxograma contendo o balão
Figura 4. Exemplo de tela do curso visível para o
modelo de usuário MU01, mostrando um módulo
com conteúdo textual básico.
Figura 5. Exemplo de tela do curso visível para o
modelo de usuário MU02, mostrando um módulo
com conteúdo textual básico complementado por
ilustração.
Figura 6. Exemplo de tela do curso visível para o
modelo de usuário MU03, mostrando um módulo
com conteúdo textual com modificações na
linguagem e informações adicionais.
Figura 3. Em azul, as técnicas de adaptação
empregadas no AIVA.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 5
indicativo do primeiro módulo de conteúdo e um menu,
através do qual são selecionados os modelos de usuários
previamente determinados e as adaptações que poderão ser
usadas, tanto as de conteúdo quanto as de navegação
(Figura 7). Todo o processo é gráfico.
Para se acrescentar conteúdo ao módulo indicado, basta
clicar no balão e uma tela de edição WYSIWYG será aberta
(Figura 8).
Uma vez salvo o conteúdo básico do módulo, o sistema
retorna para a tela inicial de edição, onde serão
selecionados o modelo de usuário e as suas adaptações
correspondentes (Figuras 9 e 10), através do menu.
Na mesma tela podem ser selecionadas as adaptações de
conteúdo e de navegação, que ficam indicadas no
fluxograma como novos balões. A Figura 11 mostra o sub-
menu das adaptações de conteúdo e a forma como são
indicadas no fluxograma ao serem selecionadas.
Figura 7. Proposta de tela incial da área de edição
de cursos.
Figura 8. Exemplo de conteúdo sendo inserido no
editor WYSIWYG.
Figura 9. Menu de seleção do modelo de usuário.
Figura 10. Modelo de usuário selecionado e sua
indicação junto ao balão do módulo.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 6
A figura 12 demonstra o sub-menu das adaptações de
navegação e a representação no fluxograma daquelas que
foram selecionadas.
Sempre que alguma adaptação de conteúdo ou de
manipulação de links é selecionada e inserida no
fluxograma, ela pode ser customizada através do editor
WYSIWYG, que apresentará o conteúdo básico do módulo
como ponto de partida para as modificações referentes a
cada adaptação.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O cenário atual da educação a distância (EaD) no Brasil
aponta para uma tendência à continuidade tecnológica e
metodológica caracterizada pela proliferação de
plataformas de gerenciamento de cursos distribuídas em
pacotes fechados, de código aberto, que demandam o
envolvimento de profissionais com sólidos conhecimentos
de tecnologias de informação na sua implementação e
administração. Estes sistemas, utilizados na maioria das
instituições brasileiras, são pouco flexíveis às grandes
variações de perfis de usuários existentes no país. Ou seja,
um curso é apresentado da mesma maneira para diversas
categorias (econômicas, sociais, culturais, educacionais,
etc.) de usuários. A tecnologia de hipermídia adaptativa
permite que páginas estáticas se tornem adaptáveis a
diferentes modelos e perfis de usuários. Entretanto, há a
necessidade de se agregar essa tecnologia aos ambientes
virtuais de aprendizagem e fazê-lo de uma forma que
usuários leigos em informática consigam trabalhar
facilmente. O AIVA é uma tentativa de se promover uma
união viável e acessível entre a hipermídia adaptativa e os
AVAs, permitindo que conteudistas possam alimentar e
editar materiais instrucionais através de editores
WYSIWYG combinados com gerenciadores de
fluxogramas, especificar diferentes modelos de usuários e
definir adaptações de conteúdos a estes modelos.
Este trabalho abre caminho para a criação futura de um
ambiente virtual de aprendizagem completo baseado em
hipermídia adaptativa, contendo outras ferramentas como
áreas de testes e avaliações de desempenho, ferramentas de
comunicação cooperativa, geradores de perfis de usuários,
etc. Espera-se, com isso, o desenvolvimento de um sistema
que possa ser disponibilizado ao mercado de educação a
distância, contribuindo para a sua democratização e
evolução.
Estudos futuros poderão viabilizar a integração do AIVA a
ambientes virtuais de aprendizagem atualmente disponíveis,
atribuindo a estes as características da hipermídia
adaptativa.
Outra possibilidade de estudo futuro é a inclusão de novas
técnicas de adaptação, permitindo ao AIVA utilizar toda a
tecnologia de hipermídia adaptativa prevista da taxonomia
de Brusilovsky.
No campo da pesquisa experimental, os estudos poderão ser
direcionados para a aferição da eficiência do AIVA em
relação a sistemas que já tenham bases consolidadas de
usuários. Para isso, uma versão beta do AIVA deverá ser
implementada para testes com usuários. Desta forma será
possível implementar um programa evolutivo dos aspectos
ligados à usabilidade do sistema.
A evolução desta pesquisa pode culminar na demonstração
de novas modalidades e técnicas de adaptação de
hipermídia, em adição àquelas já demonstradas por outros
autores.
Figura 11. Menu das adaptações de conteúdo
ativado e a representação, no fluxograma, das
adaptações selecionadas.
Figura 12. Menu das adaptações de navegação
ativado e a representação, no fluxograma, das
adaptações selecionadas.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 7
REFERÊNCIAS
1. Associação Brasileira de Educação a Distância –
ABED. Anuário Brasileiro Estatístico de Educação Aberta
e a Distância de 2008 – ABRAEAD 2008. São Paulo, Brasil,
2008.
2. Assis, Patrícia Seefelder de. Arquitetura para
adaptação e meta-adaptação de sistemas hipermídia. Tese
Doutorado; orientador: Daniel Schwabe. – Rio de Janeiro :
PUC-Rio, Departamento de Informática, 2005.
3. Brusilovsky, P. Methods and Techniques of adaptive
hypermedia. In: User Modeling and User Adapted
Interaction, v. 6, n. 2-3, p. 87-129, 1996.
4. Brusilovsky, P. User Modeling and User-Adapted
Interaction. Kluwer, 2001.
5. Palazzo, Luiz Antônio Moro. Sistemas de Hipermídia
Adaptativa, 2002. In:
http://ia.ucpel.tche.br/~lpalazzo/sha/sha.htm .
6. Taylor, James C. Fifth Generation Distance Education.
International Council for Open and Distance Education
(ICDE), 2003. Disponível em
http://eprints.usq.edu.au/136/1/Taylor.pdf.
7. Lemos, C. Inovação na Era do Conhecimento. IN:
Parcerias Estratégicas, nº8, maio, 2000, MCT.
8. Moran, J. M. Novos caminhosdo ensino a distância.
Em: Informe CEAD - Centro de Educação a Distância.
SENAI, Rio de Janeiro, ano 1, n.5, out-dezembro de 1994,
páginas 1-3. Atualizado em 2002.
9. Sherron, G. y Boettcher, J. Distance learning: The shift
to interactivity. CAUSE Professional. Paper Series 17.
Boulder; CO: CAUSE, 1997.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 8
Sistema de Rastreamento da Mão Humana Utilizando
Visão Computacional
Rodrigo Fernandes Freitas, Paulo César Cortez, Rodrigo C. S. Costa, Antônio C. da S. Barros
Laboratório de Engenharia de Sistemas de Computação
Campus do Pici S/N, Bloco 723,
rodrigo@gihm.info, cortez@gihm.info
RESUMO
O mercado de dispositivos portáteis tem crescido muito nos
últimos anos, o que os tornou parte importante da vida
diária da maioria da população. Porém, a interação
usuário com eles ainda é baseada em teclados pequenos e
incômodos. Com o avanço do poder
desses dispositivos, eles agora conseguem executar pesados
aplicativos como navegadores de internet e manipuladores
de imagens, os quais se beneficiariam bastante de novas
formas de interação. Este trabalho propõe um sistema de
interação para dispositivos portáteis através do rastreamento
da mão baseado em Visão Computacional. Os resultados
obtidos demonstram que este sistema apresenta uma boa
taxa de processamento, bem como é invariante à rotação da
mão e consegue reconhecer todos os gest
Author Keywords
Rastreamento da Mão, Dispositivos Portáteis
Interação.
ACM Classification Keywords
I.4.9. I.4.9. Image processing and computer vision:
Applications.
INTRODUÇÃO
O mercado dos dispositivos portáteis, como os telefones
celulares e smartphones, tem tido um grande crescimento
nos últimos anos. Tanto a diminuição dos custos e do
volume de hardware quanto o aumento da capacidade de
processamento e armazenamento ajudaram
tipo de dispositivo mais popular, fazendo deles parte
indispensável da rotina diária da maioria
cada geração são desenvolvidos dispositivos cada vez
menores e com maior poder computacional, como visto na
Figura 1 [28].
Permission to make digital or hard copies of all or part of this work for
personal or classroom use is granted without fee provided that copies are
not made or distributed for profit or commercial advantage and that copies
bear this notice and the full citation on the first page. To copy otherwise,
or republish, to post on servers or to redistribute to lists, requires prior
specific permission and/or a fee.
CHI 2009, April 4–9, 2009, Boston, Massachusetts, USA.
Copyright 2009 ACM 978-1-60558-246-7/09/04...$5.00.
Sistema de Rastreamento da Mão Humana Utilizando
Computacional para Aplicações Embarcadas
, Paulo César Cortez, Rodrigo C. S. Costa, Antônio C. da S. Barros
Laboratório de Engenharia de Sistemas de Computação, Universidade Federal do Ceará
, Bloco 723, Cx. Postal 6015, CEP 60455-970 – Fortaleza
cortez@gihm.info, rodcosta@gimh.info, carlos@gimh.info
O mercado de dispositivos portáteis tem crescido muito nos
últimos anos, o que os tornou parte importante da vida
da população. Porém, a interação do
ainda é baseada em teclados pequenos e
de processamento
desses dispositivos, eles agora conseguem executar pesados
aplicativos como navegadores de internet e manipuladores
de imagens, os quais se beneficiariam bastante de novas
. Este trabalho propõe um sistema de
para dispositivos portáteis através do rastreamento
da mão baseado em Visão Computacional. Os resultados
obtidos demonstram que este sistema apresenta uma boa
taxa de processamento, bem como é invariante à rotação da
mão e consegue reconhecer todos os gestos propostos.
Dispositivos Portáteis, Sistemas de
Image processing and computer vision:
O mercado dos dispositivos portáteis, como os telefones
, tem tido um grande crescimento
nos últimos anos. Tanto a diminuição dos custos e do
quanto o aumento da capacidade de
processamento e armazenamento ajudaram a tornar este
tipo de dispositivo mais popular, fazendo deles parte
maioria da população. A
cada geração são desenvolvidos dispositivos cada vez
menores e com maior poder computacional, como visto na
Figura 1. Evolução dos celulares.
Apesar do avanço significativo na performance e nas
capacidades dos dispositivos portáteis, as interfaces com os
usuários ainda são largamente baseadas no conjunto
pequena e teclado. O uso
pode às vezes ser incômodo, pois o número de botões é
limitado e deve-se pressionar as teclas várias vezes para se
obter o resultado desejado [13
suficiente para modos mais simples de interação, como
originar e receber chamadas telefônicas; aplicações mais
complexas exigem técnicas de interação mais intuitivas
Por causa do seu aumento de capacidade computacional, os
dispositivos portáteis são agora capazes de processar
aplicações que antes somente
plataformas de maior poder computacional, como os
Computadores Pessoais (PCs) e
gráficos como jogos, navegadores de internet e
manipuladores de imagens são cada vez mais comuns em
dispositivos portáteis. Muitas dess
beneficiar largamente da presença de um dispositivo de
entrada mais intuitivo [28].
Nas últimas décadas tem havido uma pesquisa muito
intensa para o desenvolvimento de novas formas de
interação com dispositivos portáteis, com vários
tecnologias sendo propostas, tais como telas de toque,
reconhecimento de voz e sensores de movimento
como visto na Figura 2.
Permission to make digital or hard copies of all or part of this work for
classroom use is granted without fee provided that copies are
not made or distributed for profit or commercial advantage and that copies
bear this notice and the full citation on the first page. To copy otherwise,
istribute to lists, requires prior
9, 2009, Boston, Massachusetts, USA.
7/09/04...$5.00.
Sistema de Rastreamento da Mão Humana Utilizando
para Aplicações Embarcadas
, Paulo César Cortez, Rodrigo C. S. Costa, Antônio C. da S. Barros
Federal do Ceará - UFC
Fortaleza - CE
carlos@gimh.info
. Evolução dos celulares.
Apesar do avanço significativo na performance e nas
capacidades dos dispositivos portáteis, as interfaces com os
usuários ainda são largamente baseadas no conjunto tela
pequena e teclado. O uso de teclados não-ergonômicos
pode às vezes ser incômodo, pois o número de botões é
se pressionar as teclas várias vezes para se
[13]. Esse tipo de abordagem é
suficiente para modos mais simples de interação, como
riginar e receber chamadas telefônicas; aplicações mais
complexas exigem técnicas de interação mais intuitivas [3].
Por causa do seu aumento de capacidade computacional, os
dispositivos portáteis são agora capazes de processar
aplicações que antes somente eram possíveis em
plataformas de maior poder computacional, como os
Computadores Pessoais (PCs) e notebooks. Aplicativos
gráficos como jogos, navegadores de internet e
manipuladores de imagens são cada vez mais comuns em
dispositivos portáteis. Muitas dessas aplicações podem se
beneficiar largamente da presença de um dispositivo de
Nas últimas décadas tem havido uma pesquisa muito
intensa para o desenvolvimento de novas formas de
interação com dispositivos portáteis, com vários tipos de
tecnologias sendo propostas, tais como telas de toque,
reconhecimento de voz e sensores de movimento [15],
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 9
Figura 2. Exemplos de novas formas de interação com
dispositivos portáteis: (a) Exemplo de utilização através de tela
de toque. (b) Exemplo de utilização através de sensor de
movimento.
Contudo, essas soluções apresentam várias limitações. Com
as caras telas de toque é necessário que o usuário opere o
aparelho com ambas as mãos. O reconhecimento de voz
peca às vezes pela falta de confiabilidade. Já para os
sensores de movimento, precisa-se da inclusão de hardware
extra no dispositivo móvel, o que acarreta em um acréscimo
no custo do aparelho [12].
Hoje em dia câmeras digitais de baixa resolução vêm
integradas à maioria dos dispositivos portáteis produzidos
com o objetivo de obter-se fotografias e vídeos [25].
Dessa forma é interessante o desenvolvimento de formas de
interação com dispositivos móveis baseados em Visão
Computacional, os quais não sofrem das limitações
apresentadas anteriormente e utilizam as câmeras já
embutidas nos aparelhos, evitando aumento de custo do
produto pela adição de hardware extra [1].
Com a capacidade de processamento atual dos dispositivos
portáteis, é possível processar as imagens capturadas pelo
aparelho e oferecer novas formas de interação ao usuário
através de técnicas de detecção de movimento, detecção de
cores e reconhecimento de gestos, dentre outras [2].
Dentre as formas de interação citadas anteriormente, a área
de reconhecimento de gestos e rastreamento da mão
humana tem sido bastante pesquisada nos últimos anos para
o desenvolvimento de aplicações para computadores
pessoais [26, 8, 18] e recentemente também tem sido
estudada para o desenvolvimento de interações com
dispositivos portáteis [12, 10, 27].
O objetivo geral deste trabalho é descrever o
desenvolvimento de um sistema de rastreamento da mão
humana, possibilitando o uso da câmera como dispositivo
sensor para interação com sistemas embarcados.
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Esta seção descreve alguns fundamentos da área de
processamento de imagens necessários para um melhor
entendimento deste trabalho e também descreve as etapas
que constituem um sistema de Visão Computacional.
Figura 3. Etapas constituintes de um Sistema de Visão
Computacional.
Um sistema de Visão Computacional é composto pelas
etapas mostradas na Figura 3, descritas em maiores detalhes
a seguir.
A etapa de aquisição consiste na captura das imagens por
um elemento sensor, gerando uma matriz com valores
discretos à qual podem ser aplicadas diversas operações. O
processo de aquisição pode ser realizado através de uma
ampla gama de dispositivos, tais como webcams, câmeras
de infra-vermelho, câmeras digitais, dentre outros [11].
As imagens fornecidas pelos dispositivos sensores citados
na seção anterior tendem a apresentar uma degradação da
sua qualidade pela introdução de ruído, deformação
geométrica ou borramento devido ao movimento do objeto.
A etapa de pré-processamento consiste na aplicação de
métodos para melhorar a qualidade da imagem e reduzir as
degradações introduzidas pelos elementos sensores [24].
A etapa de pré-processamento pode se dar através de dois
tipos de técnicas: restauração e realce. As técnicas de
restauração preocupam-se principalmente com a
reconstrução ou recuperação de uma imagem que foi
degradada e um conhecimento prévio sobre o fenômeno de
degradação pode ser utilizado para este propósito. As
técnicas de realce melhoram a qualidade subjetiva das
imagens aguçando certos atributos delas, tais como bordas e
contraste, e reduzindo o ruído [11].
Tanto as operações de restauração quanto as de realce
podem ser vistas como filtros digitais bidimensionais.
Dentre as diversas técnicas disponíveis na literatura, uma
das técnicas de restauração no domínio espacial mais
utilizada é a aplicação do filtro da média, o qual consiste
em uma janela deslizante de tamanho 2N+1 x 2N+1, em
que o pixel (x,y) da imagem (I) em que a janela está
centrada é substituído na imagem filtrada (J) através de:
,  = ∑ ∑  + ,  + 

 

  (2)
A segmentação de uma imagem consiste em dividí-la em
um certo número de regiões, em que cada região tem um
alto grau de uniformidade em algum parâmetro específico,
tal como brilho, cor, textura ou mesmo movimento [7].
O nível de detalhes no qual essa sub-divisão da imagem se
baseia depende do problema a ser resolvido. A acurácia da
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 10
Figura 4. Exemplo da aplicação do processo de limiarização
sobre um histograma.
segmentação determina o eventual sucesso ou fracasso do
sistema de processamento de imagens, de forma que deve-
se dedicar considerável cuidado para aumentar a
probabilidade de segmentação correta [11].
Dentre as diversas técnicas de segmentação existentes, a
limiarização é muito utilizada na literatura devido às suas
propriedades intuitivas, facilidade de implementação e
baixo custo computacional [11]. O funcionamento deste
método pode ser entendido através da Figura 4.
Considere o histograma da Figura 4 como correspondendo
ao histograma de uma imagem qualquer, composta de
objetos claros e um fundo escuro. Uma maneira fácil de
extrair os objetos do fundo é selecionar um limiar T que
separe os dois agrupamentos. Assim, qualquer ponto (x,y)
na imagem tal que f(x,y)  T é chamado de um ponto do
objeto; caso contrário, o ponto é chamado de ponto do
fundo [8]. Dessa forma, a imagem segmentada g(x,y) é dada
por:
,  = 
1, ,  ≥ 
0, ,   
 (3)
Após a segmentação de uma imagem em suas regiões
componentes, o conjunto resultante de pixels deve ser
representado e descrito de forma adequada para o
processamento computacional subsequente. Basicamente, a
representação de uma região pode ser realizada de duas
maneiras: a primeira é representar a região em termos de
suas características externas (seu contorno); a segunda é
representar a região em termos de suas características
internas (os pixels que compreendem a região) [11].
Escolhe-se uma representação externa quando o foco
principal do problema reside nas características da forma,
tais como cantos e inflexões. A representação interna é
escolhida quando se deseja observar as propriedades locais
do objeto, tais como cor e textura [21].
Na categoria de representação externa, o algoritmo de
código em cadeia é uma abordagem muito utilizada. Uma
região geralmente descreve um conteúdo (ou pontos
internos) rodeado por uma borda, chamada de contorno.
Um ponto é definido como estando no contorno se ele faz
parte da região e se há pelo menos um pixel na sua
vizinhança que não é parte da região [22].
Figura 5. Principais tipos de análise de conectividade: (a)
conectividade-4; (b) conectividade-8.
Figura 6. Conectividade no código em cadeia.
Dessa forma, o código em cadeia é formado concatenando-
se o número que designa a direção do próximo pixel. Isto é
repetido para cada ponto do contorno até se alcançar o
ponto inicial [24]. O código em cadeia pode ser realizado
com base em conectividades do tipo 4 e 8 (como visto na
Figura 5). As direções tanto na conectividade-4 que na
conectividade-8 podem ser atribuídas como mostrado na
Figura 6.
Após o processo de representação de um objeto, a tarefa
seguinte é a de descrição ou seleção de atributos, de forma
a extrair atributos dos dados representados que resultem em
alguma informação quantitativa de interesse ou que sejam
básicos para diferenciar uma classe de objetos de outra;
essa diferenciação ocorre na fase seguinte de
reconhecimento [14].
De modo a terem utilidade para a etapa de reconhecimento,
os descritores selecionados devem possuir um conjunto de
importantes propriedades: dois objetos devem ter os
mesmos descritores apenas se eles tiverem as mesmas
características; objetos similares devem ter descritores com
valores similares; os descritores devem ser invariantes a
mudanças no objeto como escala, rotação, translação e
perspectiva; e os descritores devem representar a essência
de um objeto de forma eficiente, contendo informações
apenas sobre o que torna aquela objeto único ou diferente
dos outros objetos [22].
A partir da representação do contorno originada pelo código
em cadeia, um descritor que pode-se extrair dele são os seus
pontos críticos. Pontos críticos ou cantos são pontos muito
importantes de um objeto, visto que a informação sobre
uma forma se concentra em seus cantos [20]. Pontos
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 11
críticos são definidos como pontos em que a linha do
contorno da região apresenta uma variação brusca na sua
direção, ou seja, é um ponto com alto valor de amplitude no
sinal de curvatura [23].
A curvatura k(t) de uma curva paramétrica c(t) = (x(t), y(t))
é definida como:
 =
!#!#!!
!$%!$

$
'
(4)
Fica claro pela equação que para estimar a curvatura é
necessário o cálculo das derivadas de x(t) e y(t). Devido ao
fato do contorno ter natureza discreta (ou seja,
espacialmente amostrado) o cálculo das derivadas se torna
um problema computacional, dificultando a utilização
direta desta fórmula [6].
Uma abordagem básica que evita o cálculo da fórmula é a
definição de medidas de curvatura alternativas baseadas nos
ângulos entre vetores definidos em termos dos elementos
discretos do contorno. Considere c(n) = (x(n), y(n)) como
sendo uma curva discreta. Os seguintes vetores podem ser
definidos [6]:
() = ) − ) − , ) − ) −  (5)
+) = ) − ) + , ) − ) +  (6)
Esses vetores são definidos entre o atual ponto do contorno
e os vizinhos para a direita e para a esquerda, como
mostrado na Figura 7.
O modelo digital de pontos de alta curvatura proposto por
Johnston e Rosenfeld (1973) [17] é definido pela seguinte
equação:
,) =
-./0./
||-./||||0./||
(7)
em que ,) é o cosseno do ângulo entre os vetores ()
e +). Dessa forma, temos que −1 ≤ ,) ≤ 1, com
,) = −1 para linhas retas e ,) = 1 quando o ângulo
se torna 0° (o menor ângulo possível). Neste sentido, ,)
pode ser utilizado como uma medida capaz de localizar
pontos de curvatura alta, ou seja, maiores que um certo
limiar.
Finalmente, a etapa de reconhecimento consiste do
processo de atribuir um rótulo para um objeto baseado em
seus descritores [11].
Figura 7. Indicação da curvatura baseada no ângulo.
METODOLOGIA
Nesta seção são apresentados, inicialmente, os
equipamentos e os ambientes de simulação e
desenvolvimento utilizados neste trabalho e, em seguida, o
algoritmo de interação proposto.
Equipamentos Utilizados
No desenvolvimento deste trabalho os algoritmos são
inicialmente desenvolvidos em um Computador Pessoal
(PC) e, em seguida, adaptados e embarcados em um
dispositivo portátil. Os equipamentos utilizados no
desenvolvimento deste trabalho são resumidamente
descritos na Tabela 1.
Para a realização dos experimentos foram utilizados um PC
e um aparelho celular. O computador possui como
acessório uma câmera Microsoft NX-3000. O aparelho
celular não possui Unidade de Ponto Flutuante (FPU).
Todos os cálculos em ponto flutuante são feitos através de
software no processador de ponto fixo (inteiro). O uso de
ponto flutuante aumenta o custo computacional,
necessitando a adaptação do código para ponto fixo.
Simulação
As simulações realizadas seguem a estrutura ilustrada na
Figura 8. O primeiro passo, a aquisição, é realizado pelo
pacote de aquisição de imagens presentes no Simulink.
O último passo, a exibição dos resultados, é realizado pelo
pacote de processamento de vídeo e imagens do Simulink,
Computador Pessoal
Telefone
Celular
Fabricante IBM Samsung
Modelo MT-M 8212-G4P SGH-A706
Processador Intel Pentium D
ARM9 à
143MHz
RAM 2GB -
OS
Windows XP com
SP2
Qualcomm
REX
Câmera
1.3 MPix Microsoft
NX-3000 2MPix
Tabela 1. Equipamentos utilizados no desenvolvimento do
trabalho.
Figura 8. Etapas na simulação do processo de Visão
Computacional.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 12
exibindo no monitor ou salvando em arquivo a saída do
sistema.
Os processamentos intermediários são implementados
utilizando os blocos padrões de operações diversas
Desenvolvimento
O diagrama da implementação em C ANSI dos métodos de
interação baseados em visão é mostrado na Figura 9. Nesta
figura, as setas representam o acesso de informações. Os
algoritmos de VC desenvolvidos neste trabalho possuem
um acesso indireto ao hardware, devido à necessidade de
utilização do método proposto em várias plataformas
(Windows e REX). Os códigos desenvolvidos são
implementados em C ANSI e utilizam apenas comandos
presentes nas bibliotecas padrões.
Após as simulações, os algoritmos são implementados em
C ANSI e em seguida embarcados e testados no dispositivo
portátil. Para cada plataforma, é desenvolvido um conjunto
de comandos de acesso ao meio físico dependente de cada
plataforma. Por exemplo, para os testes realizados no PC, a
interface de acesso ao hardware da câmera é feita utilizando
comandos existentes na Interface de Programação de
Aplicativos (API) do OpenCV que, ao fim do
processamento, converte os frames adquiridos em um vetor
em ponto fixo (inteiro) [16].
Para testar os algoritmos, foi desenvolvida uma aplicação
em C++ que realiza a execução do código. Esta aplicação
inicia os algoritmos de rastreamento da mão e entra em um
laço que adquire um frame da câmera, executa o algoritmo
proposto e exibe os resultados até que uma tecla seja
pressionada. Após sair do laço, a aplicação fecha os
algoritmos de VC.
No ambiente REX, os algoritmo são compilados em C
ANSI e enviados para o grupo de desenvolvedores do
Samsung Instituto de Desenvolvimento para Informática
(SIDI). Os desenvolvedores implementaram a interface de
acesso ao hardware e integram o algoritmo em uma
aplicação nativa do sistema operacional, deixando
disponível o conjunto de algoritmos para serem testados e
avaliados.
Figura 9. Diagrama da implementação em C dos algoritmos.
Método Proposto de Interação para Dispositivos
Portáteis
Este trabalho propõe um método com baixo esforço
computacional capaz de identificar um conjunto de gestos
padronizados para formar um sistema de interação com
dispositivos portáteis através do rastreamento da mão
humana.
O sistema proposto segue o processo de um Sistema de
Visão Computacional descrito na seção de Fundamentação
Teórica. A seguir são detalhadas as técnicas utilizadas em
cada uma das etapas que formam o sistema proposto.
A etapa de aquisição do método proposto é realizada pela
câmera embutida do dispositivo móvel. A imagem
fornecida pelo telefone celular para a realização dos testes
encontra-se no espaço de cores YCbCr.
Para a realização da etapa de pré-processamento foi
escolhida a aplicação do Filtro da Média sobre a imagem
adquirida pela câmera. O objetivo com isso é atenuar o
ruído presente na imagem, de forma a melhorar a etapa
seguinte de segmentação.
Vários testes foram realizados e foi observado que a
utilização de uma janela 5x5 para o Filtro da Média
apresenta o melhor equilíbrio entre custo computacional e
desempenho de filtragem.
O objetivo da etapa de segmentação é identificar a região
da imagem filtrada que corresponde à mão do usuário. Para
realizar essa segmentação, é utilizada a técnica de
limiarização no espaço de cores YCbCr.
A técnica de limiarização foi escolhida devido ao seu baixo
custo computacional. Ela é realizada no espaço de cores
YCbCr para evitar o processo de conversão da imagem para
outros espaços de cores, o que acarretaria em
processamento adicional.
Os limiares utilizados para a segmentação da pele são
propostos por Chai e Ngan (1999) [4], em que são
classificados como pele os pixels da imagem cujas
intensidades se encontrem na faixa de valores 77 a 127 para
o canal Cb e na faixa de valores 133 a 173 para o canal Cr.
O restante dos pixels da imagem é classificado como sendo
fundo da imagem. O processo de limiarização de pele
utilizado pode ser representado pela seguinte expressão:
,  = 
1, 77  45  127 8 133  4,  173
0, :;= :=),á, =
 (7)
onde g(x,y) é a imagem segmentada e Cb e Cr são os
valores nos canais Cb e Cr, respectivamente, dos pixels
(x,y) da imagem filtrada.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 13
Figura 10. (a) Imagem filtrada na etapa anterior de pré-
processamento. (b) Imagem segmentada de acordo com a
equação 7.
Na Figura 10 é representado o processo de limiarização. Na
Figura 10(a) é mostrada a imagem filtrada obtida na etapa
anterior, composta da mão do usuário, um objeto circular de
cor semelhante à da pele e um fundo cinza. Na Figura 10(b)
é mostrado o resultado da limiarização, com a mão e o
objeto circular tendo sido segmentados.
Para a representação dos dados da imagem segmentada na
etapa anterior, utiliza-se a representação através do
algoritmo de código em cadeia, a qual é uma representação
baseada no contorno do objeto, visto que se deseja obter
informações sobre as inflexões deste contorno para
identificar as pontas dos dedos da mão usuário.
O primeiro passo é a extração do contorno. Um ponto P é
definido como um ponto de contorno (c(x,y) = 1) quando
este é um ponto de fundo (g(x,y) = 0) e pelo menos um
ponto do objeto de interesse pertence à sua vizinhança
g(x,y) = 1. Na Figura 11(a) é mostrada a imagem
segmentada obtida na etapa anterior e na Figura 11(b) é
mostrada o resultado da extração do contorno da imagem.
O algoritmo de código em cadeia é então aplicado sobre a
imagem do contorno. Descarta-se os menores contornos da
imagem e preserva-se apenas o maior contorno encontrado
pelo código em cadeia, armazenando-se as suas
coordenadas x e y.
Na Figura 12(a) é mostrado a imagem de contorno obtida
na etapa anterior e na Figura 12(b) é mostrado o resultado
da aplicação do algoritmo de código em cadeia na imagem
do contorno, em que restou apenas o maior contorno (o
contorno da mão) e foi descartado o menor contorno (o
contorno do objeto circular).
Figura 11. (a) Imagem segmentada na etapa anterior do
sistema. (b) Imagem com o contorno extraído das regiões
segmentadas da imagem.
Figura 12. (a) Imagem do contorno obtida anteriormente. (b)
Imagem com o maior contorno armazenado na lista encadeada
gerada pelo algoritmo de código em cadeia.
Para a descrição dos dados representados, utiliza-se como
atributos a curvatura e os pontos críticos do contorno da
mão do usuário, os quais podem ser utilizados para localizar
as pontas dos dedos da mão, como proposto no trabalho de
Leal et al. (2009) [19]. O cálculo da curvatura é realizado
sobre o contorno da região da mão seguindo a abordagem
mostrada na seção de Fundamentação Teórica.
Na Figura 13(a) é mostrado o contorno representado pela
lista do algoritmo de código em cadeia. Na Figura 13(b) são
mostradas em cor cinza escuro as regiões de alta curvatura
encontradas, que correspondem às regiões ao redor das
pontas dos dedos e dos vales entre os dedos da mão.
Dentro de cada uma dessas regiões de alta curvatura,
seleciona-se o ponto central de cada uma delas como sendo
o ponto crítico representado a ponta dos dedos e dos vales.
Apenas as pontas dos dedos são interessantes para o
método, por isso deve-se eliminar os pontos críticos que
representam os vales. Isso é feito identificando o ponto
médio do segmento de reta formado pelos dois pontos
extremos da região de alta curvatura.
Caso esse ponto se encontre sobre uma região de pele, o
ponto crítico corresponde a uma ponta de dedo. Caso
contrário, o ponto crítico corresponde a um vale e é
descartado do processamento.
O resultado dessa etapa de descrição é representado na
Figura 14. Na Figura 14(a) são mostradas as regiões de alta
curvatura encontradas e na Figura 14(b) os pontos críticos
definidos a partir dessas regiões de alta curvatura, os quais
correspondem às pontas dos dedos da mão do usuário.
Figura 13. (a) Imagem com o maior contorno da imagem. (b)
Imagem com as regiões de alta curvatura do contorno em
cinza escuro.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 14
Figura 14. (a) Imagem com as regiões de alta curvatura do
contorno em cinza escuro. (b) Imagem com os pontos críticos
(pontas dos dedos) do contorno localizados.
A etapa de reconhecimento consiste em
que o usuário está realizando para a câmera. O sistema
desenvolvido reconhece gestos para seis ações pré
definidas: Apontamento (Figura 15(a)),
15(b)), Zoom-out (Figura 15(c)), Rotação Horária (Figura
15(d)), Rotação Anti-Horária (Figura
(Figura 15(f)). O fluxograma do processo de
reconhecimento é mostrado na Figura 16
Primeiramente o sistema verifica a quantidade de pontas de
dedos identificados na etapa anterior de descrição. Caso o
número de dedos reconhecidos seja igual a 1, o sistema
identifica o gesto do usuário como sendo de apontamento e
armazena a posição x-y da ponta de dedo encontrada.
Caso o número de dedos reconhecidos seja igual a 2, o
sistema pode identificar dois tipos de gestos: gesto p
ação de zoom ou de rotação. Para diferenciar entre os dois,
verifica-se o ângulo da reta formada pelas pontas dos dois
dedos reconhecidos.
Caso o ângulo da reta formada pelas pontas dos dedos seja
de aproximadamente 90°, o sistema identifica o gesto
realizado como sendo de zoom. Caso o ângulo seja de
aproximadamente 45° ou 125°, o sistema identifica o gesto
realizado como sendo de rotação. Caso o ângulo assuma
quaisquer outros valores, o sistema identifica o gesto como
sendo inválido.
Caso o gesto realizado seja de zoom, deve
referente a zoom in ou zoom out. Isso é feito calculando
o tamanho do segmento de reta formado pelas pontas dos
dois dedos do usuário. Se essa distância for maior que um
certo limiar, o gesto é de zoom in; se essa distância for
menor que um certo limiar, o gesto é de
Caso o gesto realizado seja de rotação, deve
se ele é referente à rotação horária ou anti
feito verificando-se o ângulo da reta formada pelas pontas
dos dois dedos do usuário. Caso o ângulo seja de
aproximadamente 45°, o gesto é de rotação horária; caso o
ângulo seja de aproximadamente 125°, o gesto é de
anti-horária.
Caso o número de dedos reconhecidos seja igual a 3, o
sistema identifica o gesto como sendo de Arrastar e
armazena a coordenada da ponta do dedo central.
(a) Imagem com as regiões de alta curvatura do
contorno em cinza escuro. (b) Imagem com os pontos críticos
(pontas dos dedos) do contorno localizados.
em identificar o gesto
que o usuário está realizando para a câmera. O sistema
desenvolvido reconhece gestos para seis ações pré-
), Zoom-in (Figura
), Rotação Horária (Figura
Horária (Figura 15(e)) e Arrastar
). O fluxograma do processo de
6.
Primeiramente o sistema verifica a quantidade de pontas de
dedos identificados na etapa anterior de descrição. Caso o
econhecidos seja igual a 1, o sistema
identifica o gesto do usuário como sendo de apontamento e
y da ponta de dedo encontrada.
Caso o número de dedos reconhecidos seja igual a 2, o
sistema pode identificar dois tipos de gestos: gesto para a
ou de rotação. Para diferenciar entre os dois,
se o ângulo da reta formada pelas pontas dos dois
Caso o ângulo da reta formada pelas pontas dos dedos seja
de aproximadamente 90°, o sistema identifica o gesto
. Caso o ângulo seja de
aproximadamente 45° ou 125°, o sistema identifica o gesto
realizado como sendo de rotação. Caso o ângulo assuma
quaisquer outros valores, o sistema identifica o gesto como
, deve-se identificar se é
. Isso é feito calculando-se
o tamanho do segmento de reta formado pelas pontas dos
dois dedos do usuário. Se essa distância for maior que um
se essa distância for
menor que um certo limiar, o gesto é de zoom out.
Caso o gesto realizado seja de rotação, deve-se identificar
rotação horária ou anti-horária. Isso é
se o ângulo da reta formada pelas pontas
dos dois dedos do usuário. Caso o ângulo seja de
aproximadamente 45°, o gesto é de rotação horária; caso o
ângulo seja de aproximadamente 125°, o gesto é de rotação
Caso o número de dedos reconhecidos seja igual a 3, o
sistema identifica o gesto como sendo de Arrastar e
armazena a coordenada da ponta do dedo central. Caso o
Figura 15. Gestos suportados pelo sistema. (a) Gesto de ação
de apontamento. (b) Gesto de ação de
ação de zoom out. (d) Gesto de ação de rotação horária. (e)
Gesto de ação de rotação anti
arrastar.
Figura 16. Fluxograma do processo de reconhecimento dos
gestos.
número de dedos reconhecidos seja algum outro que não
1,2 ou 3, o sistema não reconhece nenhum gesto válido.
O método de interação para dispositivos portáteis baseado
em rastreamento da mão descrito
no sistema proposto no trabalho
Formas de Avaliação
O algoritmo proposto neste trabalho será avaliado em três
critérios distintos: custo computacional, quantidade de
Gestos suportados pelo sistema. (a) Gesto de ação
apontamento. (b) Gesto de ação de zoom in. (c) Gesto de
. (d) Gesto de ação de rotação horária. (e)
Gesto de ação de rotação anti-horária. (f) Gesto de ação de
arrastar.
Fluxograma do processo de reconhecimento dos
gestos.
número de dedos reconhecidos seja algum outro que não
1,2 ou 3, o sistema não reconhece nenhum gesto válido.
para dispositivos portáteis baseado
em rastreamento da mão descrito neste trabalho é baseado
no sistema proposto no trabalho de Cortez et al. (2008) [5].
O algoritmo proposto neste trabalho será avaliado em três
: custo computacional, quantidade de
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 15
gestos reconhecidos e invariância à rotação no gesto de
apontamento.
RESULTADOS
Nesta seção são descritos os resultados e as avaliações da
realização deste trabalho de acordo com as formas de
avaliação descritas na seção anterior.
Resultados da Implementação do Método Proposto
O resultado do reconhecimento realizado pelo sistema
proposto dos gestos é mostrado na Figura 17. Para cada
item da Figura, tem-se à direita a imagem obtida pela
câmera do dispositivo móvel e tem-se à esquerda a imagem
segmentada com o contorno rastreado em vermelho, as
regiões de alta curvatura encontradas em amarelo e as
pontas de dedo localizadas em verde.
Pequenos ícones também são mostrados no canto inferior
esquerdo de cada imagem segmentada indicando o gesto
que foi reconhecido: o desenho de uma seta surge quando o
gesto reconhecido é de Apontamento; o desenho de setas se
expandindo surge quando o gesto reconhecido é de Zoom
In; o desenho de setas se retraindo surge quando o gesto
reconhecido é de Zoom Out; o desenho de setas em rotação
horária surge quando o gesto reconhecido é de Rotação
Horária; o desenho de setas em rotação anti-horária surge
quando o gesto reconhecido é de Rotação Anti-Horária; e,
Figura 17. Resultado do reconhecimento dos gestos suportados
pelo sistema. (a) Resultado do reconhecimento do gesto de
apontamento. (b) Resultado do reconhecimento do gesto de
zoom in. (c) Resultado do reconhecimento do gesto de zoom
out. (d) Resultado do reconhecimento do gesto de rotação
horária. (e) Resultado do reconhecimento do gesto de rotação
anti-horária. (f) Resultado do reconhecimento do gesto de
arrastar.
Método Proposto
Tempo Médio 14,60 ms
Tempo Máximo 19 ms
Tempo Mínimo 13 ms
Variância 2,513
Tabela 2. Tempo de processamento médio, máximo e mínimo,
em milisegundos, e a variância para o método proposto.
Método Quantidade de Gestos
Método Proposto 6
Tabela 3. Quantidade de gestos reconhecidos pelo método
proposto.
finalmente, o desenho de um quadrado sendo arrastado
surge quando o gesto reconhecido é de Arrastar.
Custo Computacional
Os tempos de processamento, em milissegundos, médio,
máximo, mínimo e a variância dos tempos de
processamento do método proposto são apresentados na
Tabela 2.
Quantidade de Gestos Reconhecidos
A quantidade de gestos reconhecidos pelo método é
mostrada na Tabela 3.
O método proposto consegue reconhecer até seis gestos
diferentes (apontamento, zoom in, zoom out, rotação
horária, rotação anti-horária e arrastar). Com um maior
número de gestos reconhecidos, mais ações podem ser
associadas a ele.
Invariância à Rotação para o Gesto de Apontamento
O reconhecimento do gesto de apontamento é mostrado na
Figura 18 sob diferentes ângulos de rotação da mão em
relação à câmera. Um marcador verde em forma de cruz
indica a localização da ponta do dedo reconhecida.
Figura 18. Rastreamento da ponta do dedo sob diferentes
ângulos re rotação da mão em relação à câmera.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 16
Percebe-se pelas imagens que, independente do ângulo de
rotação da mão em relação à câmera, o método consegue
localizar a ponta do dedo da mão do usuário (em todas as
imagens, o marcador aparece na ponta do dedo do usuário).
Isso se deve ao fato da escolha dos pontos críticos do
contorno como descritores da mão, visto que eles são
descritores invariantes à rotação.
CONCLUSÕES
Neste trabalho foi apresentado um sistema de interação com
dispositivos portáteis baseado em técnicas de Visão
Computacional para rastreamento da mão humana.
Nos testes realizados até o momento o sistema apresentou
um comportamento dentro da expectativa, tendo
conseguido identificar os gestos propostos com um tempo
de processamento relativamente baixo. Foi mostrado
também que o rastreamento da ponta do dedo para o gesto
de apontamento é invariante à rotação da mão em relação à
câmera.
Como perspectivas futuras, têm-se a comparação do método
proposto com outros algoritmos de rastreamento da mão
para dispositivos portáteis existentes na literatura de modo a
validar seus resultados, bem como a definição de outras
formas de avaliação do seu desempenho.
AGRADECIMENTOS
Os autores gostariam de agradecer ao LESC - Laboratório
de Engenharia de Sistemas de Computação -, ao DETI -
Departamento de Engenharia de Teleinformática - e à
CAPES - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de
Nível Superior - pelo apoio financeiro e pelo fornecimento
das condições materiais necessárias para o desenvolvimento
deste trabalho.
REFERÊNCIAS
1. Banard, M., Hannuksela, J., Sangi, P., Heikkilä, J. A
vision based motion interface for mobile phones. In The
5th
International Conference on Computer Vision
Systems, v. 108, p. 188-195, 2007.
2. Campo, C., Navarrete, C., Garcia-Rubio, C.
Performance evaluation of J2ME and Symbian
applications in smart camera phones. In International
Conference on Consumer Electronics, 1-2, 2007.
3. Capin, T., Haro, A., Wilkson, S. Camera-based virtual
environment interaction on mobile devices. In Lecture
Notes in Computer Science, 4263, 765-773, Germany,
2006.
4. Chai, D., Ngan, K. N. Face segmentation using skin-
color map in videophone applications. In IEEE
Transactions on Circuits and Systems for Video
Technology, 9(4), 1999.
5. Cortez, P. C., Costa, R. C. S., Soares, J. M., Siqueira, R.
da S., Leite Neto, C. F., Freitas, R. F., Barros, A. C. da
S., Ribeiro, F. C. Sistema de Reconhecimento de Gestos
da Mão Utilizando Visão Artificial Aplicado à Interação
com Dispositivos Portáteis. Patente PI 0805755-9,
depositada em 18/02/2008.
6. Costa, L. da F., César, R. M. Shape Analysis and
Classification: Theory and Practice, CRC Press, 2001.
7. Davies, E. R. Machine Vision: Theory, Algorithms,
Practicalities, 3rd edition, Morgan Kauffman Publishers
Inc, San Francisco, CA, USA, 2004.
8. Dorfmuller-Ulhaas, K., Schmalstieg, D. Finger tracking
for interaction in augmented environments. In Proc.
IEEE and ACM International Symposium on Augmented
Reality, p. 55, 2001.
9. Freitas, R. F., Costa, R. C. S., Barros, A. C. da S.,
Siqueira, R. da S., Cortez, P. C., Soares, J. M.
Algoritmos para segmentação da pele utilizando
modelos de cores RGB em ambiente Matlab/Simulink,
Conexões: Ciência e Tecnologia, 1, 65-71, 2007.
10.Gallo, O., Arteaga, S. M., Davis, J. E. A camera-based
poiting interface for móbile devices. In 15th
IEEE
International Conference on Image Processing, 1420-
1423, 2008.
11.Gonzalez, R. C., Woods, R. E. Digital Image
Processing. Pearson Prentice Hall, New Jersey, USA,
2008.
12.Hannuksela, J., Sangi, P., Heikkilä, J. Motion-based
finger tracking for user interaction with mobile devices.
In Proc. 4th
European Conference on Visual Media
Production, 2007.
13.Hannuksela, J., Sangi, P., Heikkilä, J. Vision-based
motion estimation for interaction with mobile devices.
In Computer Vision and Image Understanding, 108,
188-195, 2007.
14.Higashimo, W. A. Estudo comparativo de algoritmos de
subtração de fundo em sequência de imagens.
Dissertação, Universidade Estadual de Campinas,
Campinas, 2006.
15.Hinckley, K., Pierce, J., Sinclair, M., Horvitz, E.
Sensing techniques for mobile interaction. In Proc. 13th
Annual ACM Symposium on User Interface, Software
and Technology, 91-100, 2000.
16.Intel. Open source computer vision library: reference
manual. Estados Unidos, 2000.
17.Johnston, E., Rosenfeld, A. Angle detection on digital
curves, In IEEE Trans, 875-878, 1973.
18.Koike, H., Sato, Y., Kobayashi, Y. Integration paper and
digital information on enhanced desk: a method for real
time finger tracking on an augmented desk system. In
ACM Transactions on Computer-Human Interaction,
8(4), 307-322, 2001.
19.Leal, F. R. M., Barros, A. C. da S., Freitas, R. F., Costa,
R. C. S., Cortez, P. C., Soares, J. M., Espinosa, M. G. L.
Estudo comparativo de formas de representação da mão
humana para o reconhecimento de gestos baseado em
redes neurais artificiais, momentos de Hu e atributos de
forma. In XVIII Seminário de Computação, 18, 2009.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 17
20.Masood, A., Sarfraz, M. Corner detection by sliding
rectangles along planar curves. In Computer Graphic-
UK, 31, 440-448, 2007.
21.Moeslund, T., Granum, E. A survey of computer vision
based human motion capture. In Computer Vision and
Image Understanding, 81(3), 231-268, 2001.
22.Nixon, M., Aguado, A. Feature Extraction  Image
Processing, 1st
edition, Elsevier, UK, 2002.
23.Paula Junior, I. C. de. Abordagem wavelet para detecção
de cantos em formas. Dissertação (Mestrado) –
Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2007.
24.Pitas, I. Digital Image Processing: Algorithms and
Applications, 1st
edition, John Wiley  Sons, Inc., New
York, NY, USA, 2000.
25.Pressman, R. S. Engenharia de Software, 6th edition,
McGraw-Hill, 2006.
26.Truyenque, M. A. Q. Uma aplicação de visão
computacional que utiliza gestos da mão para interagir
com o computador. Dissertação (Mestrado) – Pontifícia
Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro,
2005.
27.Tsang, W. M., Pun, K. A finger-tracking virtual mouse
realized in an embedded system. In Proc. International
Symposium on Intelligent Signal Processing and
Communication Systems, 781-7784, 2005.
28.Wang, J., Zhai, S., Canny, J. Camera phone based
motion sensing: Interaction techniques, applications and
performance study. In Proc. UIST ’06, ACM, 101-110,
2006.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 18
Virtual Wheel: Proposta de Um Método de Interação
Gestual para Jogos de Corrida
Rodrigo Fernandes Freitas, Paulo César Cortez, Rodrigo C. S. Costa, Antônio C. da S. Barros
Laboratório de Engenharia de Sistemas de Computação, Universidade Federal do Ceará - UFC
Campus do Pici S/N, Bloco 723, Cx. Postal 6015, CEP 60455-970 – Fortaleza - CE
rodrigo@gihm.info, cortez@gihm.info, rodcosta@gimh.info, carlos@gimh.info
RESUMO
A indústria de jogos eletrônicos ou video games é hoje uma
das maiores indústrias do mundo, com lucros anuais da
ordem de dezoito bilhões de dólares. Tradicionalmente, a
forma de interação do ser humano com os video games é
realizada através de dispositivos físicos como joysticks,
mouse e teclado. Contudo, existe uma tendência de
mercado em criar formas mais intuitivas para realizar esta
interação, como por exemplo através de métodos de visão
computacional. Este artigo apresenta o Virtual Wheel, um
método de reconhecimento de gestos para interação com
jogos de corrida. O método proposto consiste na localização
e reconhecimento das mãos do usuário, o qual simula o uso
de um volante real e realiza movimentos para a esquerda e a
direita, além de poder acionar comandos especiais erguendo
os polegares. Os resultados mostram que o sistema é
possível de ser utilizado em conjunto com jogos de corrida.
Author Keywords
Interação por gestos, Segmentação de pele,
Reconhecimento de gestos.
ACM Classification Keywords
I.4.9. Image processing and computer vision: Applications.
INTRODUÇÃO
Atualmente, a indústria de jogos eletrônicos (games) é uma
das maiores do ramo de entretenimento, com lucros anuais
entre 18 e 25 bilhões de dólares, e também é uma das que
mais crescem, com uma taxa de crescimento de 15 a 25%
por ano [7, 16]. A indústria de games também possui uma
presença crescente no Brasil, com uma arrecadação de 80
milhões de reais em 2008 no país [1].
A maior parte dos jogos para computador é controlada por
dispositivos de entrada convencionais como joystick,
teclado e mouse. Tais jogos não permitem que o jogador
faça uso de seus movimentos naturais para interagir com os
mesmos, o que implica que ele deve aprender a controlá-
los, ou seja, associar sequências de apertos de botões e
movimentos de eixos a ações dentro do jogo [15].
Existem vários motivos para um jogador desejar mudar a
forma de interação com um jogo. Usar um dispositivo de
entrada diferente ou uma nova forma de interação (por
exemplo, através de sons captados por um microfone ou por
reconhecimento de gestos) pode tornar a experiência de
jogar mais realista e divertida. Além disto, o
reconhecimento de gestos é uma forma de interação mais
intuitiva, podendo tornar o jogo acessível a usuários com
necessidades físicas especiais [14].
Um exemplo de método de interação a partir do
reconhecimento de gestos é o Kinect, produzido pela
Microsoft. O Kinect consiste em uma nova tecnologia para
o console Xbox 360, sem fios ou controles físicos,
reconhecendo o movimento do usuário através de uma
câmera especial, a ZCam. Através do processamento de
vídeo é realizado o mapeamento completo do corpo, além
do reconhecimento comandos de voz [12]. Sua utilização é
mostrada na Figura 1.
Figura 1. Kinect sendo utilizado em conjunto com um jogo de
corrida.
Permission to make digital or hard copies of all or part of this work for
personal or classroom use is granted without fee provided that copies are
not made or distributed for profit or commercial advantage and that copies
bear this notice and the full citation on the first page. To copy otherwise,
or republish, to post on servers or to redistribute to lists, requires prior
specific permission and/or a fee.
CHI 2009, April 4–9, 2009, Boston, Massachusetts, USA.
Copyright 2009 ACM 978-1-60558-246-7/09/04...$5.00.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 19
Figura 2. Playstation Move da Sony em funcionamento.
A Sony realiza o desenvolvimento um controle sensível a
movimento, o Playstation Move, que conta com o auxílio
de esferas coloridas para que seu movimento possa ser
rastreado pelo Playstation Eye, a câmera do console
Playstation 3 [13], como mostrado na Figura 2.
No trabalho de Paula et al. (2006) [11] é proposto o
Camera Kombat, jogo de luta que, através do emprego de
Visão Computacional, possibilita aos usuários jogarem
utilizando o próprio corpo nos combates. Através de
técnicas de subtração de fundo, os jogadores são
identificados, possibilitando o reconhecimento das ações
realizadas por eles, como soco, chute ou esquiva, como
mostrado na Figura 3.
Figura 3. Camera Kombat em funcionamento,
detectando os jogadores e os movimentos realizados por
estes.
Figura 4. Demonstração do GeFighters, com a utilização de
marcadores para indicar a localização das mãos direita e
esquerda.
Teixeira et al. (2006) [15] propõem o GeFighters, outro
jogo de luta em que o usuário utiliza seus próprios
movimentos, mas diferente do Camera Kombat, o sistema é
baseado em marcadores para a identificação das mãos
esquerda e direita, como mostrado na Figura 4.
Estes trabalhos descritos na literatura são capazes de
reconhecer os movimentos do jogador e permitem a
interação com os jogos de maneira bastante efetiva. Porém,
eles sofrem de algumas limitações. O Kinect e o Playstation
Move são dependentes da utilização de câmeras especials, a
ZCam e o PlaystationEye respectivamente, restringindo seu
uso aos usuários que possuam tal dispositivo de hardware,
além de só poderem ser utilizados nos consoles para os
quais foram desenvolvidos, o XBox 360 e o Playstation 3,
respectivamente. O Camera Konbat e o GeFigthers podem
ser utilizados com câmeras de vídeos comuns, no entanto o
primeiro exige que o fundo permaneça estático e qualquer
variação de luminosidade causará falhas na detecção dos
movimentos. Já o segundo requer a existência de objetos
padronizados, no caso os marcadores que indicam a mão
esquerda e direita, para o reconhecimento dos movimentos.
Este trabalho tem como objetivo apresentar um sistema de
Visão Computacional (VC) que captura imagens através de
uma webcam comum e permite ao usuário controlar um
jogo de corrida qualquer através de gestos manuais. O
sistema dá a impressão ao usuário de estar segurando um
volante de automóvel, podendo girá-lo para a esquerda ou
para a direita, similarmente ao movimento feito ao dirigir
um veículo. Além disto, o sistema proposto permite o
acionamento de comandos especiais através do
reconhecimento dos dedos polegares, possibilitando o envio
de informações, similar ao realizado pelos botões de um
controle de video game.
O trabalho está organizado em 5 seções. A próxima seção
descreve os métodos que compõem o sistema de VC, em
seguida, a metodologia proposta é descrita. Na seção 4 são
descritos os resultados obtidos a partir da metodologia
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 20
Figura 5. Diagrama de blocos das etapas de um Sistema de
Visão Artificial.
proposta e, por fim, a seção 5 descreve as conclusões e as
perspectivas de trabalhos futuros.
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Um sistema de Visão Artificial é composto das etapas
mostradas na Figura 5, as quais são detalhadas a seguir.
Aquisição da Imagem
A etapa de aquisição consiste da captura das imagens por
um elemento sensor, gerando uma matriz com valores
discretos à qual podem ser aplicadas diversas operações. A
imagem adquirida pode ser representada em diversos
espaços de cores, tais como YCbCr, RGB e HSV [4].
Pré-Processamento
A etapa de pré-processamento consiste no processo de
manipular uma imagem de modo que a imagem resultante
seja mais apropriada do que a imagem original para uma
aplicação específica. Ou seja, a principal meta é melhorar
uma imagem em algum sentido pré-definido, de modo a
recuperar uma imagem dos danos sofridos na etapa de
aquisição [4].
Há uma infinidade de técnicas de pré-processamento na
literatura. Uma técnica muito utilizada é a aplicação do
filtro da média, o qual consiste em uma janela deslizante de
tamanho 2N+1 x 2N+1, em que o pixel (x,y) da imagem (I)
em que a janela está centrada é substituído na imagem
filtrada (J) através de:
,  = ∑ ∑  + ,  + 

 

  (1)
Segmentação de Imagens Digitais
O processo de segmentação de uma imagem digital consiste
em subdividir uma dada imagem em regiões ou objetos com
base em características destas regiões, as quais são
compostas por um conjunto de pixels satisfazendo um dado
critério [4].
Existem diversas técnicas capazes de segmentar um objeto
em uma imagem digital. Uma das técnicas muito utilizadas
é a segmentação por limiarização. Este tipo de segmentação
é baseado na distribuição dos níveis de cinza da imagem e
possui um baixo custo computacional [8].
A limiarização funciona através do estabelecimento de um
limiar T que separa a imagem em duas regiões. Os pixels da
imagem f(x,y) cujos valores são maiores que T são
classificados como pontos do objeto e os pontos da imagem
f(x,y) cujos valores são menores que T são classificados
como fundo. Dessa forma, pode-se criar uma imagem
segmentada g(x,y) em que, por exemplo, os pixels
referentes ao objeto recebam um valor 1 (branco) e os
pixels referentes ao fundo recebam um valor 0 (preto) [3].
O processo de limiarização pode ser então representado
pela seguinte expressão:
,  = 
1, ,  ≥ 
0, ,   
 (2)
Representação e Descrição
Após a segmentação de uma imagem, o conjunto resultante
de pixels deve ser representado e descrito de forma
adequada para o processamento computacional
subseqüente. A representação pode se dar na forma de
contornos ou de regiões completas [4].
Feita a representação, vem o processo de descrição ou
seleção de atributos, de forma a extrair atributos dos dados
representados que resultem em alguma informação
quantitativa de interesse ou que sejam básicos para
diferenciar uma classe de objetos de outra [5].
Um dos algoritmos existentes para a representação é o
algoritmo de elementos ou componentes conectados.
Elementos conectados são um conjunto de pixels agrupados
cujos valores de intensidade satisfazem um certo critério de
similaridade (no caso de imagens binárias, se seus valores
de intensidade são iguais). Esse algoritmo tem o objetivo de
identificar e rotular todos os agrupamentos de pixels
conectados presentes na imagem [4]. A Figura 6 mostra
uma região com três elementos conectados.
A partir da representação por elementos conectados, um
atributo importante de descrição que se pode extrair é o
centro de massa de um objeto. Uma das técnicas existentes
para o cálculo do centro de massa de um objeto é baseada
na Transformada da Distância, descrito no trabalho de
Morris e Elshehry (2002) [10]. Neste trabalho, a
Transformada da Distância é utilizada para calcular a
posição do centro de massa da região da mão por apresentar
maior robustez à presença do antebraço na imagem do que
as outras técnicas de cálculo do centro de massa.
Figura 6. Região com três elementos conectados.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 21
No trabalho de Leal et al. (2009)
algoritmo de representação e descrição para a detecção de
pontos críticos da mão humana. O algoritmo consiste, na
fase de representação, da aplicação de um algoritmo de
código em cadeia, o qual armazena em uma lista uma
sequência de segmentos conectados de modo a representar
o contorno da mão. Na fase de descrição, utiliza
informação do valor da curvatura dos pontos do contorno
para a identificação dos pontos críticos da mão, os quais
correspondem às pontas dos dedos e aos vales entre os
dedos.
Os pontos correspondentes aos vales entre os dedos são
descartados, restando somente os pontos correspondentes às
pontas dos dedos.
Reconhecimento e Decisão
Reconhecimento é o processo de atribuir um rótulo a um
determinado objeto baseado nos seus descritores, indicando
o seu significado. Já decisão é o processo de verificar qual
ação o sistema deve efetuar com base nos objetos que foram
reconhecidos [4].
METODOLOGIA
Esta seção apresenta o sistema de Visão
proposto, bem como detalha a metodologia utilizada para
desenvolvê-lo. O algoritmo proposto segue o mesmo
processo de um sistema de Visão Artificial mostrado na
Figura 5, na seção de Fundamentação Teórica
Aquisição
A etapa de aquisição da imagem é feita utilizando uma
webcam, fornecendo uma imagem representada no espaço
cores YCbCr. Para a captura da imagem da
utilizada a biblioteca OpenCV [6], que contém uma série d
funções na área de processamento de imagem. Com a
imagem adquirida, realiza-se todo o processo de
segmentação, extração do contorno e localização dos
centros de massa.
Pré-Processamento
Para a realização da etapa de pré-
escolhida aplicação do Filtro da Média sobre a imagem
adquirida pela câmera. Vários testes foram realizados e foi
observado que a utilização de uma janela 5x5 para o Filtro
da Média apresenta o melhor equilíbrio entre custo
computacional e desempenho de filtragem.
Segmentação
Neste trabalho, é segmentada a região da pele formada
pelos braços do usuário. Para isso, utiliza
limiarização descrita na seção anterior
YCbCr. Uma vantagem de realizar a segmentação neste
formato de cores consiste em evitar o esforço
computacional de converter a imagem para outro espaço de
cores, como RGB ou HSV.
Os limiares utilizados foram propostos por
(1999) [2]. Os pixels que estiverem nas faixas de valores do
canais Cb = [77,127] e Cr = [133,173] s
como pele.
(2009) [8] é descrito um
algoritmo de representação e descrição para a detecção de
pontos críticos da mão humana. O algoritmo consiste, na
, da aplicação de um algoritmo de
código em cadeia, o qual armazena em uma lista uma
sequência de segmentos conectados de modo a representar
o contorno da mão. Na fase de descrição, utiliza-se a
informação do valor da curvatura dos pontos do contorno
a identificação dos pontos críticos da mão, os quais
correspondem às pontas dos dedos e aos vales entre os
correspondentes aos vales entre os dedos são
descartados, restando somente os pontos correspondentes às
Reconhecimento é o processo de atribuir um rótulo a um
determinado objeto baseado nos seus descritores, indicando
o seu significado. Já decisão é o processo de verificar qual
ação o sistema deve efetuar com base nos objetos que foram
isão Computacional
proposto, bem como detalha a metodologia utilizada para
lo. O algoritmo proposto segue o mesmo
processo de um sistema de Visão Artificial mostrado na
seção de Fundamentação Teórica.
A etapa de aquisição da imagem é feita utilizando uma
, fornecendo uma imagem representada no espaço
cores YCbCr. Para a captura da imagem da webcam é
, que contém uma série de
funções na área de processamento de imagem. Com a
se todo o processo de
segmentação, extração do contorno e localização dos
-processamento foi
ção do Filtro da Média sobre a imagem
adquirida pela câmera. Vários testes foram realizados e foi
observado que a utilização de uma janela 5x5 para o Filtro
da Média apresenta o melhor equilíbrio entre custo
computacional e desempenho de filtragem.
a região da pele formada
pelos braços do usuário. Para isso, utiliza-se a técnica de
no espaço de cores
YCbCr. Uma vantagem de realizar a segmentação neste
em evitar o esforço
computacional de converter a imagem para outro espaço de
Os limiares utilizados foram propostos por Chai e Ngan
. Os pixels que estiverem nas faixas de valores do
canais Cb = [77,127] e Cr = [133,173] são considerados
Uma das vantagens da utilização dos limiares propostos por
Chai e Ngan (1999) é a sua capacidade de segmentar
corretamente os mais variados tons de pele
ser visto na Figura 7.
Representação e Descrição
Neste trabalho é desenvolvido um método capaz de
reconhecer os gestos mostrados na Figura
Figura 7. Os limiares propostos por Chai e Ngan (1999)
conseguem segmentar corretamente os mais variados tons de
pele
Figura 8. (a) Gesto com as mãos
câmera. (b) Gesto com as mãos fechadas apontadas para a
câmera rotacionadas para a esquerda. (c) Gesto com as mãos
fechadas apontadas para a câmera rotacionadas para a
direita. (d) Gesto com as mãos fechadas e com o polegar
esquerdo erguido. (e) Gesto com as mãos fechadas e com o
polegar direito erguido.
Uma das vantagens da utilização dos limiares propostos por
Chai e Ngan (1999) é a sua capacidade de segmentar
corretamente os mais variados tons de pele, conforme pode
Representação e Descrição
Neste trabalho é desenvolvido um método capaz de
reconhecer os gestos mostrados na Figura 8.
Os limiares propostos por Chai e Ngan (1999)
conseguem segmentar corretamente os mais variados tons de
pele.
. (a) Gesto com as mãos fechadas apontadas para a
câmera. (b) Gesto com as mãos fechadas apontadas para a
câmera rotacionadas para a esquerda. (c) Gesto com as mãos
fechadas apontadas para a câmera rotacionadas para a
direita. (d) Gesto com as mãos fechadas e com o polegar
do erguido. (e) Gesto com as mãos fechadas e com o
polegar direito erguido.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 22
Na Figura 8(a) é mostrado o gesto com as mãos do usuário
fechadas e apontadas para a câmera. Na Figura 8(b) é
mostrado o gesto com as mãos fechadas apontadas para a
câmera rotacionadas para a esquerda. Na Figura 8(c) é
mostrado o gesto com as mãos fechadas apontadas para a
câmera rotacionadas para a direita. Na Figura 8(d) é
mostrado o gesto com as mãos apontadas para a câmera e o
dedo polegar esquerdo erguido. Na Figura 8(e) é mostrado
o gesto com as mãos fechadas apontadas para a câmera e o
dedo polegar direito erguido.
Para o reconhecimento destes gestos, aplica-se sobre a
imagem segmentada através do método de limiarização o
algoritmo de elementos conectados descrito na seção
anterior a fim de localizar os dois objetos com tom de pele
de maior área na imagem, correspondendo às regiões dos
braços do usuário. O objeto segmentado localizado mais à
direita é considerado o braço direito, e o objeto localizado
mais à esquerda é considerado o braço esquerdo.
Em cada uma dessas regiões são calculadas as coordenadas
do centro de massa (xd e yd para o braço direito e xe e ye
para o braço esquerdo), bem como as coordenadas das
pontas dos dedos polegares, caso eles estejam erguidos,
através do método descrito em [8].
Na próxima seção é descrito o método para o
reconhecimento dos gestos apresentados na Figura 8.
Reconhecimento dos Gestos
Para a utilização do sistema proposto, o usuário deve
simular estar segurando um volante e apontar as mãos para
a câmera, como representado na Figura 8(a). Com base nas
coordenadas dos centros de massa das duas mãos,
calculadas a partir do método descrito na sub-seção anterior
e os quais são mostrados como círculos verdes na Figura
9(a), é possível definir um eixo de rotação do volante
virtual, formado pela reta que une os centros de massa das
duas mãos, conforme mostrado na Figura 9(a). Com base
nesse eixo, define-se o ângulo de rotação do volante que o
usuário simula estar segurando, como mostrado na Figura
9(b).
Para reconhecer os gestos de rotação à direita e à esquerda
utiliza-se o ângulo θ do eixo com a horizontal, o qual é
dado por:
 = tan!

#$#%
$%
' (3)
Figura 9. (a) Identificação dos centros de massa de cada uma
das mãos e construção do eixo de rotação. (b) Giro do volante
definido a partir do ângulo do eixo de rotação.
A partir do valor deste ângulo, o movimento do volante
virtual para a esquerda ou para a direita é realizado
utilizando a seguinte expressão:
()* +,-.) = /
0,-.1), −20°    20°
5678,19:,  ≥ 20°
; 1, .:,  ≤ −20°
 (4)
Acionamento de Comandos Especiais
Além dos movimentos para esquerda e direita, o sistema
desenvolvido é capaz também de identificar dois comandos
especiais (A e B) que simulam dois botões de um controle
de um video game.
Para acionar o comando especial botão A e o comando
especial botão B, o usuário deve erguer o polegar esquerdo
e direito, respectivamente, conforme mostrado nas Figuras
8(d) e 8(e).
Envio de Comandos doTeclado
Neste trabalho, utiliza-se o movimento do Volante Virtual
reconhecido para fazer a interação com um jogo de corrida.
Para isto, os movimentos reconhecidos acionam teclas
específicas e que são importantes para o jogo.
Isto é feito através da função nativa do Windows
keybd_event, a qual sintetiza o pressionar de um botão do
teclado. A função recebe como parâmetros o código ASCII
da tecla desejada e o estado dela (pressionada ou liberada)
[9]. Há cinco comandos que podem ser enviados pelo
sistema desenvolvido:
• Aceleração: comando enviado ininterruptamente
ao computador, exceto quando acionado o
comando Desacelera visto a seguir, codificado pela
tecla 'X';
• Esquerda: comando enviado quando o usuário
gira o volante para a esquerda, codificado pela
tecla 'L';
• Direita: comando enviado quando o usuário gira o
volante para a direita, codificado pela tecla 'R';
• Desaceleração: comando enviado quando o
usuário ergue o polegar esquerdo, acionando o
comando Botão A, fazendo com que o veículo
do jogo pare de acelerar.
• Item: comando enviado quando o usuário ergue o
polegar direito, acionando o comando Botão B,
indicando o uso de um item especial, codificado
pela tecla 'Z'.
RESULTADOS
Esta seção apresenta os resultados alcançados na
implementação do sistema proposto. Primeiramente são
descritos os resultados do reconhecimento dos gestos
propostos. Em seguida, são descritos os resultados da
utilização do sistema proposto em conjunto com um game
comercial. Por fim são descritas algumas limitações
presentes no método proposto.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 23
Figura 10. (a) Direção de movimento Centro. (b) Direção de
movimento Esquerda. (c) Direção de movimento Direita.
Figura 11. (a) Usuário habilitando o comando Botão A com
o polegar esquerdo. (b) Usuário habilitando o comando
Botão B com o polegar esquerdo.
Reconhecimento dos Gestos
Na Figura 10(a) é mostrado o usuário segurando o
“volante” na posição de direção “Centro”. Na Figura 10(b)
é mostrado o usuário segurando o volante na posição de
direção “Esquerda”. Na Figura 10(c) é mostrado o usuário
segurando o “volante” na posição de direção “Direita.
O resultado do reconhecimento dos comandos especiais é
mostrado na Figura 11: na Figura 11(a) aparece o resultado
do reconhecimento do comando Botão A e o desenho de um
quadrado verde no canto superior esquerdo do frame
indicando o reconhecimento do comando; e na Figura 11(b)
aparece o resultado do reconhecimento do comando Botão
B e o desenho de um quadrado verde no canto superior
direito do frame indicando o reconhecimento do comando.
Integração com Jogos
Na Figura 12 é mostrado o usuário realizando o movimento
para esquerda e o personagem no jogo seguindo o comando
recebido. Na Figura 13 é mostrado o usuário realizando o
movimento para a direita e o personagem no jogo seguindo
o comando recebido.
Figura 12. Usuário realizando comando Esquerda e
comando sendo realizado no jogo com o carro girando para a
esquerda.
Figura 13. Usuário realizando comando Direita e comando
sendo realizado no jogo com o carro girando para a direita.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 24
Figura 14. (a) Personagem do usuário no jogo com um item
especial, um casco de tartaruga vermelho, armazenado
(mostrado na região superior da tela). (b) Usuário aciona o
comando Botão B com o polegar direito, liberando o item
especial. (c) Item especial indo atingir o oponente colocado à
frente do usuário.
Na Figura 14 é mostrado o usuário acionando o comando
Botão B com o polegar direito erguido, o qual faz com
que o personagem no jogo acione o item especial que ele
detinha (no caso, um casco vermelho que vai atingir o
oponente que está a sua frente).
Taxas de Acerto
A identificação tanto da direção de movimento quanto do
acionamento dos comandos especiais possuem taxas de
reconhecimento muito próximas a 100. Ocorrem erros de
detecção apenas quando o centro de massa de um dos
braços acaba se posicionando na região do antebraço e não
na região da mão, como mostrado na Figura 15.
Figura 15. Erro de detecção pode ocorrer quando o centro de
massa de um dos braços cai na região do antebraço, e não na
região da mão.
Figura 16. Limitação do algoritmo quando o usuário está
vestindo uma camisa vermelha.
Limitações
O sistema apresenta limitações quando o usuário está
vestindo uma camisa de cor parecida com o tom da pele
(vermelha, amarela, laranja), pois o algoritmo de
segmentação identifica erroneamente essas cores como
sendo regiões de pele, e quando o usuário está sem camisa.
Dessa forma o sistema não consegue de reconhecer os dois
braços do usuário em posição de volante e detectar a
angulação do volante do usuário. Essa limitação é
mostrada na Figura 16.
CONCLUSÃO
Neste trabalho foi apresentado um sistema de Visão
Computacional que identifica gestos para a interação com
jogos eletrônicos de corrida baseado no ângulo formado
pelas mãos do usuário e na detecção dos dedos polegares da
mão.
O sistema apresenta boa usabilidade, não tendo
demonstrado grandes dificuldades para ser utilizado, devido
à sua concepção intuitiva (o usuário controla o jogo de
corrida como se estivesse dirigindo um automóvel de
verdade). A robustez de detecção também foi muito boa.
Foi possível até mesmo vencer a corrida que é mostrada nas
Figuras acima.
O sistema apresenta limitações quando o usuário está
trajando uma camisa de cor vermelha, laranja ou amarela,
devido à segmentação de regiões dessas cores como pele,
bem como quando o usuário utiliza o sistema sem camisa.
Nessas situações, não é possível pelo sistema identificar
corretamente os braços e mãos do usuário na imagem,
impossibilitando-o de identificar a direção de curva
indicada pelo usuário ou o acionamento dos comandos
especiais através dos dedos polegares.
Procurando diminuir as limitações apresentadas, como
perspectiva futura será realizada uma pesquisa sobre
métodos de segmentação de pel mais robustos, capazes de
detectar com maior eficiência o tom de pele humano, além
de serem realizados estudos mais completos sobre as
condições de funcionamento do sistema nas mais variadas
situações.
AGRADECIMENTOS
Os autores gostariam de agradecer ao LESC - Laboratório
de Engenharia de Sistemas de Computação -, ao DETI -
Departamento de Engenharia de Teleinformática - e à
CAPES - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 25
Nível Superior - pelo apoio financeiro e pelo fornecimento
das condições materiais necessárias para o desenvolvimento
deste trabalho.
REFERÊNCIAS
1. Abragames. A indústria brasileira de jogos eletrônicos:
um mapeamento do crescimento do setor nos últimos 4
anos. Relatório Técnico, Associação Brasileira das
Desenvolvedoras de Jogos Eletrônicos, 2008.
2. Chain, D., Ngan, K. N. Face segmentation using skin-
color map in videophone applications. CirSysVideo,
1999.
3. Freitas, R. F., Costa, R. C. S., Barros, A. C. da S.,
Siqueira, R. da S., Cortez, P. C., Soares, J. M.
Algoritmos para segmentação da pele utilizando
modelos de cores RGB em ambiente Matlab/Simulink,
Conexões: Ciência e Tecnologia, 1, 65-71, 2007.
4. Gonzalez, R. C., Woods, R. E. Digital Image
Processing. Pearson Prentice Hall, New Jersey, USA,
2008.
5. Higashimo, W. A. Estudo comparativo de algoritmos de
subtração de fundo em sequência de imagens.
Dissertação, Universidade Estadual de Campinas,
Campinas, 2006.
6. Intel. Open source computer vision library: reference
manual. Estados Unidos, 2000.
7. Kirriemuir, J. The relevance of video games and gaming
consoles to the higher and further education learning
experince. The Joint Information Systems Committee,
TSW 02-01, 2, Junho de 2002.
8. Leal, F. R. M., Barros, A. C. da S., Freitas, R. F., Costa,
R. C. S., Cortez, P. C., Soares, J. M., Espinosa, M. G. L.
Estudo comparativo de formas de representação da mão
humana para o reconhecimento de gestos baseado em
redes neurais artificiais, momentos de Hu e atributos de
forma. XVIII Seminário de Computação, 18, 2009.
9. Microsoft Development (MSDN). Keybd_event
Function. Disponível em: http://msdn.microsoft.com/en-
us/library/ms646304(VS.85).aspx. Acesso em: 30 de
ago. 2010.
10.Morris, T., Elshehry, S. O. Hand segmentation form live
video. Proc. International Conference on Image
Science, Systems and Technology, 6-10, 2002.
11.Paula, L. R. P., Bonini Neto, R., Miranda, F. R. de.
Camera Kombat – interação livre para jogos. V
Brazillian Symposium on Computer Games and Digital
Entertainment, 2006.
12.Microsoft Corporation. Kinect. Disponível em:
http://www.xbox.com/en-US/live/projectnatal/. Acesso
em: 30 de ago. 2010.
13.Paul, F. Microsoft unveils new Xbox technology, enlists
Facebook. Disponível em:
http://www.reuters.com/article/internetNews/idUSTRE5
506FO20090601. Acesso em: 30 de ago. 2010.
14.Souza, R., Bandeira, H. Uma abordagem para o
desenvolvimento de jogos adaptáveis a diversos
controladores. Simpósio Brasileiro de Jogos para
Computador e Entretenimento Digital (SBGames), IV,
2007.
15.Teixeira, J.M., Farias, T., Pessoa, S., Rodrigues, C. E.,
Costa, N., Cananéa, I., Teichrieb, V., Kelner, J.
Gefighters: usando gestos para interagir com um jogo de
luta. 8th Symposium on Virtual Reality, 2006.
16.Williams, D. Structure and competition in the US home
video game industry. The International Journal on
Media Management, 4(1), 41-54, 2002.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 26
Design de interação aplicado a modelos colaborativos na
cobertura jornalística em eventos de calamidade pública
RESUMO
O artigo apresenta uma análise dos modelos de colaboração
utilizados pelos principais sites noticiosos do Brasil em
eventos de calamidade pública, em especial na cobertura
das fortes chuvas que provocaram enchentes e uma série de
transtornos no estado do Rio de Janeiro em abril de 2010. A
partir do estudo de caso dos modelos colaborativos de dois
dos principais portais jornalísticos do país, este artigo
pretende apontar as principais características e deficiências
das ferramentas atuais, propondo um novo modelo baseado
em mapas geográficos, que avance a questão do design de
interação no que diz respeito a relação do jornal com o
leitor-usuário, bem como no aproveitamento desse
conteúdo gerado pela colaboração na geração de uma base
de dados para políticas públicas que possam resultar em
uma série de medidas para o controle de situações de
calamidade futuras.
Author Keywords
Design, Colaboração, Mapas, Jornalismo, Interface,
Interação, Colaboração, Usuário
ACM Classification Keywords
DESIGN
INTRODUÇÃO
Nos últimos anos, a popularização das tecnologias digitais e
a ampliação das formas de acesso à Internet, além da queda
progressiva do custo de computadores e de conexão, vêm
criando um cenário propício à ampliação das práticas
comunicativas na Rede. Essa tendência vem modificando o
fluxo de informações na rede e inspira e justifica o
surgimento de experiências de jornalismo participativo,
processo em que os próprios internautas passam a atuar na
produção da notícia. Segundo BRAGA (2007, p.4), “os
fenômenos comunicacionais, na sociedade contemporânea,
apresentam uma diacronia muito dinâmica – não apenas
conseqüência do avanço tecnológico, mas também dos
processos sociais interativos que se diversificam
correlatamente”.
Permitir ao leitor a interação e o registro de sua 'voz'
qualifica enormemente a notícia. Como coloca
DALMONTE (2009, p.193), a efetiva participação do
leitor, ou a possibilidade de participação, desempenham
importante papel para o desenvolvimento do efeito de real,
pois as notícias não estão distantes, dispersas no mundo
virtual. Ao interagir com um produto jornalístico, o leitor
agrega àquela peça informativa não apenas suas impressões,
mas seus dados pessoais. O recurso jornalístico de uso de
personagens [personagem, no jornalismo, refere-se a
alguém que tenha vivenciado, ou vivencia, o fato narrado.
Este personagem, por meio da particularização, permite
ilustrar e dar densidade àquilo que é reportado, coloca o
autor] é ampliado, pois além das fontes selecionadas para a
composição do texto, outras vozes são agregadas, fazendo
com que a matéria se torne mais polifônica. Sob a
perspectiva de diversos olhares, vai além da instância de
produção.
Em função disso, muitos sites noticiosos estão se adaptando
a essa nova realidade. Há um interesse dos grandes jornais
online em expandir a participação e a interação com o
leitor, porém a grande maioria ainda mantém o controle das
fases da produção informativa nas mãos de jornalistas e
editores. Aliado ao fato de ser uma funcionalidade
relativamente nova, o conteúdo enviado pelo leitor ainda é
aproveitado de maneira incipiente pelos jornais. Na grande
maioria dos casos observados e exemplificados ao longo
deste artigo, a participação do leitor é feita através de um
formulário preenchido textualmente e publicada ou como
comentário a alguma notícia previamente publicada, ou
como matéria jornalística completa, com o leitor ocupando,
individualmente, o papel de um jornalista. Não existe, até o
momento, a idéia de formar um conteúdo verdadeiramente
coletivo a partir da colaboração de leitores, em um formato
que possa complementar o conteúdo oferecido pelos sites
jornalísticos, mas que fuja do formato tradicional de texto
noticioso, seja no processo de envio da colaboração, seja no
momento da publicação do conteúdo enviado.
Um exemplo de inovação nesse sentido se dá, por exemplo,
na possibilidade de utilização de mapas e ferramentas de
natureza georreferenciada como complemento ao processo
noticioso. Num momento em que o uso de ferramentas
desse tipo, como, por exemplo, o Google Maps, torna-se
cada vez mais usual entre os usuários domésticos, a idéia de
agregar conceitos de jornalismo participativo ao caráter
intuitivo e até mesmo lúdico dos mapas apresenta-se como
uma alternativa bastante interessante e desafiadora.
Para tanto, faz-se necessário o aperfeiçoamento da
integração dos dados e metadados gerados a partir da
colaboração de leitores com mapas temáticos, com o intuito
de melhorar o entendimento e a leitura das informações na
interface do modelo de colaboração, passando desde o
momento do envio da colaboração por parte do internauta
até as inúmeras possibilidades de aproveitamento dos dados
em ações de estratégia, de negócios ou mesmo de utilidade
pública.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 27
OBJETIVO
O objetivo deste artigo é analisar a cobertura jornalística em
eventos de calamidade pública pelo viés da colaboração dos
leitores, tomando como exemplo o caso específico da
cobertura das enchentes ocorridas no estado do Rio de
Janeiro em abril de 2010, onde dados fornecidos pelos
leitores foram utilizados na tentativa de criar um mapa da
situação. A idéia é apontar as limitações do modelo e
oferecer uma proposta de colaboração que apresente
melhores soluções para a complexidade de um sistema
alimentado por dados enviados por usuários, de modo a
gerar não apenas conteúdo individual, ilustrativo e
sensacionalista, mas uma base de dados com real utilidade
pública no mapeamento de problemas. Dessa forma, a partir
das observações feitas, o modelo de colaboração proposto
pretende avançar o estudo em ferramentas geográficas
aplicadas ao jornalismo, dentro de um sistemas de
visualização de dados espaciais em ambiente SIGWeb para
transmissão da informação e ações estratégicas.
JORNALISMO COLABORATIVO
A consolidação e o crescimento da Internet nos últimos
anos vêm criando as condições necessárias para a
ampliação das práticas comunicativas, nas quais a
participação dos usuários é cada vez mais intensa. Wikis,
Blogs e websites colaborativos (em que a produção de
conteúdo é feita pelos usuários) são algumas das
ferramentas que, ao longo dos últimos anos, vêm
estimulando os usuários a produzirem o seu próprio
conteúdo. Essas transformações provocaram uma série de
alterações na forma de gerar e distribuir informações, bem
como na forma de se fazer jornalismo na Internet.
O fluxo de notícias, que até pouco tempo atrás era
monopólio do jornalista ou do veículo de informação, é
reconfigurado, e leitores/usuários comuns passam a ter
papel fundamental na emissão do conteúdo. A esse
fenômeno, dá-se o nome de jornalismo colaborativo,
jornalismo participativo ou jornalismo cidadão. Alguns
autores entendem haver pequenas diferenças entre as três
nomenclaturas, mas o termo “jornalismo colaborativo”
tende a ser utilizado como o signo que melhor representa a
o processo de colaboração de usuários dentro do
jornalismo.
O primeiro e mais evidente facilitador do jornalismo
colaborativo é o fator tecnológico. A ampliação do acesso à
Internet e a queda progressiva do custo de computadores e
de conexão têm servido como motivador para uma maior
interferência popular no processo noticioso. Além disso, os
blogs, wikis e outros sites colaborativos simplificaram a
publicação de conteúdo e a cooperação online, tornando-se
ferramentas familiares a grande parte dos usuários de
internet. A popularização de máquinas fotográficas digitais
e celulares que podem captar fotos ou vídeos, bem como o
avanço da conexão de internet móvel, facilitam o registro e
divulgação dos fatos no momento em que eles ocorrem,
dando ao cidadão comum o poder do „furo de reportagem‟.
Um segundo fator importante foge à dimensão tecnológica
e trata dos discursos que defendem a livre circulação da
informação, pensamento que vem da insatisfação com a
qualidade do jornalismo oferecido até então. Alex Primo e
Marcelo Träsel (2006, op. Cit. p.39) alertam que essa
insatisfação sempre existiu. No entanto, anteriormente
quando um leitor encontrava um erro ou uma imprecisão na
notícia eles podiam apenas enviar cartas ou telefonar para
os veículos para emitir suas opiniões. Hoje eles podem
produzir, em seus blogs ou mesmo nos jornais online, seu
próprio conteúdo, apresentando sua visão particular dos
fatos.
Essa grande liberdade gerada pelo jornalismo colaborativo
deu origem a diversos discursos que duvidam da
legitimidade das peças produzidas não pelos jornalistas
profissionais, mas pelos usuários comuns. Os jornalistas da
„velha imprensa‟ se valem dos processos tradicionais de
produção para se distanciar e até mesmo desqualificar as
iniciativas dos blogueiros e dos chamados “cidadãos
repórteres”. As principais críticas se dão em relação à
limitação de fontes, a pouca periodicidade, ao caráter
opinativo e à falta de compromisso com o leitor.
(BORGES, op. Cit. p.42) Enfim, duvida-se da postura ética
dos „leigos‟. Para a velha imprensa, há uma certa relutância
em acatar o blogueiro no papel do jornalista.
A comunicação colaborativa traz ainda novos paradigmas
para o processo de edição e filtragem da informação. Antes
existiam “portões” de informação controlados por
jornalistas em redações que eram responsáveis por
selecionar quais fatos seriam publicados de acordo com
critérios de noticiabilidade e em função da limitação de
espaço oferecida pelos meios tradicionais. Em um artigo
que analisa a produção colaborativa na Internet, Filipe
Barros (2007) explica que esse processo seletivo é
conhecido como gatekeeping pois remete à idéia do guarda
(keeper) de um portão (gate) que é responsável pela decisão
dos conteúdos veiculados pelo veículo.
No novo contexto da Web, Bruns (2003) propõe uma re-
contextualização dessa teoria e utiliza o termo gatewatching
para denominar os processos de filtragem que existem na
Internet. Nesse novo processo o guarda é substituído por
um vigia, o usuário, que tem o poder de decisão sobre
aquilo que tem mais ou menos importância, está certo ou
errado.
Nesse sentido, a metamoderação é uma maneira de se
garantir a qualidade e a autenticidade das notícias enviadas
pelos cidadãos-repórteres. Nesse sistema os próprios
usuários do site são responsáveis em controlar o fluxo de
informações fazendo correções ou alertas sobre conteúdos
inapropriados. Primo e Träsel (2006 op. Cit. p 45)
exemplificam:
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 28
“Uma matéria polêmica, tendenciosa ou mesmo falsa pode
receber milhares de mensagens de leitores consertando ou
retificando os dados recém publicados. E com a
possibilidade de escrita hipertextual, as respostas no fórum
podem trazer links para outras fontes na Web, que
aperfeiçoam o tema em discussão. Mas o que diferencia o
webjornalismo participativo é a descentralização do
processo de correção de informações erradas.”
A partir dos exemplos de experiências bem sucedidas na
área do jornalismo colaborativo, os grandes jornais
precisaram rever seus conceitos e abrir espaço para esse
“novo” leitor que não deseja apenas ser um agente passivo
da informação jornalística. Em função disso, cada vez mais
os sites das grandes empresas jornalísticas vêm buscando
uma forma de estreitar a relação com seus leitores, bem
como de oferecer ferramentas que permitam ao leitor uma
postura ativa no que diz respeito à geração de conteúdo.
O que se verifica é que, nos últimos anos, houve uma
verdadeira tentativa de abertura de jornais à escrita
colaborativa de notícias. É o caso do canal “Eu-Repórter”
criado pela versão online do jornal online O Globo1
em
2006. Nele a audiência é incentivada a mandar notícias,
opiniões, fotos, vídeos ou arquivos em áudio que sejam de
interesse jornalístico. Com isso a empresa expande sua
oferta de produtos relativamente sem custo algum já que ao
publicar sua notícia, na maioria das vezes, o colaborador
cede à empresa os direitos autorais relativos ao material
encaminhado. Além disso, a empresa tem a chance de
aumentar sua receita publicitária já que se amplia o
envolvimento do internauta com o jornal online e aumenta-
se seu tempo de permanência na página. Mas, por outro
lado, o público passa a ser melhor servido, pois uma grande
rede de repórter-cidadãos faz a cobertura de uma maior
quantidade de eventos que uma equipe reduzida de
profissionais não poderia dar conta.
O jornalismo colaborativo traz, portanto, um novo
paradigma para a produção e a recepção de notícias. No
entanto, é preciso deixar claro que ele não vem substituir as
formas tradicionais de jornalismo ou mesmo os sites
oficiais de jornalismo, mas sim aparece como uma nova
opção na oferta de notícias, criando um novo
relacionamento entre os interagentes do processo noticioso.
MODELOS COLABORATIVOS ATUAIS
Em pesquisa aos sites dos principais jornais do país e do
mundo, o que se nota é uma semelhança muito grande no
tratamento dado a questão da colaboração de usuários.
Basicamente, a versão online dos jornais proporcionou duas
novas formas de colaboração por parte do leitor (além das
já tradicionais sugestões de pauta presentes desde o
jornalismo impresso):
a) Comentários simples em formato de texto sobre notícias
já publicadas, onde o envio é feito através de um box de
texto por usuários previamente cadastrados;
b) Notícia produzida pelo próprio leitor, através de um
formulário que permite o envio de texto, fotos e vídeos.
Em todos os casos, podem ocorrer pequenas variações
(maior ou menor controle por parte do jornal sobre o
conteúdo publicado, cadastros com diferentes níveis de
complexidade, possibilidade de dar notas às noticias ou
comentários), mas o formato seguido pelos principais
jornais do mundo é basicamente o mesmo.
O usuário é identificado via cadastro prévio, e através de
formulários, é capaz de participar de forma ativa do jornal.
No caso de comentários, eles são publicados logo após a
notícia em questão, em ordem cronológica. No caso de
notícias, recebem formatação semelhante às notícias
produzidas por jornalistas, mas ficam organizadas em
seções específicas, com nomes sugestivos como “Eu-
Leitor”, “VC no G1”, em espécies de mini-jornais dentro
dos jornais, de forma a deixar claro o que é conteúdo
gerado pelo jornal e o que é fruto da colaboração de
usuários. Essa diferenciação é fundamental e em muitos
casos deveria ser melhor trabalhada, de tal forma que o
leitor, seja ele experiente no uso da internet ou iniciante,
possa diferenciar de imediato o que é conteúdo gerado e
editado por profissionais e o que é conteúdo enviado por
colaboração de outros leitores. Dessa maneira, o jornal se
isenta da possibilidade de confundir o leitor, ficando a
critério do próprio avaliar se a informação encontrada é
digna de confiança e credibilidade.
No caso específico da cobertura das enchentes e
deslizamentos ocorridos no Rio de Janeiro em abril de
2010, os sites do jornal O GLOBO (figura 1) e o portal G1
de notícias (figura 2), dois dos maiores portais de notícias
do país, com editorias distintas, apresentaram uma idéia
similar, baseada em uma plataforma de colaboração de
mapas com algum grau de interação, na tentativa de
oferecer uma possibilidade de visualização das notícias que
fugisse do modelo tradicional do jornalismo impresso e se
apresentasse numa ferramenta que aproveitasse melhor as
possibilidades da internet. Entretanto, a interatividade
oferecida apresenta algumas características que podem
limitar a experiência do usuário, e os mapas oferecidos não
são capazes de aproveitar ao máximo a pluralidade de
opiniões e conteúdos oferecidos pelos leitores/usuários.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 29
Figura 1
No jornal O GLOBO (figura 1), o mapa oferecido aos
leitores sequer era uma ferramenta desenvolvida
especificamente para isso. O jornal utilizou a plataforma do
Google Maps na íntegra, ou seja, todo o conteúdo gerado
pelo usuário ia diretamente para a base de dados do Google
Maps, e não para a base de dados do jornal. Como o Google
Maps não é uma ferramenta criada e voltada
especificamente para a participação jornalística no relato de
catástrofes, fica evidente que 1) a interface e a apresentação
dos conteúdos gerados não é a ideal para um site noticioso;
2) a ferramenta apresentada pelo jornal não possibilita o
cruzamento das informações e a possibilidade de
visualização por camadas dentro de uma base de dados
integralmente de posse do jornal; 3) Como a base de dados
é externa, o jornal não aproveita em nada o potencial do
conteúdo enviado pelos seus leitores, e o mapa passa a ter
apenas caráter ilustrativo.
Além disso, pela própria legenda do mapa nota-se que um
mesmo ícone é utilizado para 2 situações diferentes
(“alagamento” e “lixo, lama e árvores”), tendo apenas uma
variação na cor, o que dificulta o entendimento imediato
por parte do internauta que não é capaz de reconhecer o
evento de maneira intuitiva. Em uma ferramenta gerada
especificamente para a colaboração de usuários em casos de
calamidades, os ícones representativos de cada evento
poderiam ser melhor pensados, apontando imediatamente o
assunto abordado em cada relato.
Da mesma forma, o leitor que desejasse enviar o seu relato
deveria fazer todo o procedimento através da interface de
envio de conteúdo do próprio Google Maps, que também
não foi desenvolvida especificamente para o envio de
colaboração em casos de calamidades.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 30
Figura 2
No caso do portal G1, a ferramenta foi desenvolvida
especificamente para uso na situação das chuvas e para
publicar os relatos dos seus leitores.
Como primeiro fator a ser apontado, o leitor que desejasse
enviar seu relato tinha a sua disposição um formulário
padrão de envio de notícias, o mesmo encontrado para o
envio de qualquer outra colaboração para qualquer outra
editoria do jornal. Dessa forma, a única opção do usuário é
relatar toda a sua experiência durante o período das chuvas
de forma textual, com a possibilidade de incluir fotos ou
vídeos (um ou outro) para ilustrar seu relato. Após o envio
da colaboração, o material não é publicado imediatamente.
Tudo passa por uma equipe do próprio site que avalia o que
pode ser publicado ou não, filtrando o que é relevante
jornalisticamente do que não é fato noticioso. Em função
dessa característica, a ferramenta perde parte de sua
funcionalidade como um produto de conteúdo
verdadeiramente coletivo, uma vez que uma parte dos
relatos enviados não são adicionados ao mapa. Não se tem,
portanto, uma visão em tempo real da situação dos
diferentes pontos da cidade, e sim a possibilidade de
navegar pelos relatos previamente selecionados.
Com relação às escolhas gráficas e da arquitetura da
ferramenta, podem ser apontadas outras características que
poderiam ser trabalhadas para melhorar a experiência do
usuário: 1) Ícones iguais, não há distinção gráfica dos
assuntos relatados; 2) Ausência de navegação por camadas,
como, por exemplo, a visualização por temas e/ou por
bairros; 3) O processo de envio da colaboração e da
marcação territorial não é feito diretamente no mapa, o que
tornaria o processo mais dinâmico e lúdico.
Nesse caso, apesar do modelo ser inteiramente
desenvolvido para a finalidade da colaboração, percebe-se
que não há um aproveitamento pleno do conteúdo recebido.
O resultado obtido, a exemplo da ferramenta observada no
site d‟O GLOBO, é um mapa que ilustra o conteúdo
jornalístico, mas que não gera uma base de dados a partir do
conteúdo gerado coletivamente.
PROPOSTA DE MODELO COLABORATIVO
O modelo gráfico subdivide-se em duas partes, a página de
edição das informações fornecidas pelo internauta (figura
3), e a visualização dos dados publicados (figuras 4 e 5).
Em ambos os casos um mapa em formato vetor é carregado
pelo browser, e disposto na janela junto com informações
cartográficas como legenda, símbolo de orientação (Norte),
escala e pictogramas referentes a eventos, além de serviços
de previsão do tempo, busca de localização e botão de
ajuda.
Na página de edição o individuo é capaz de transcrever e
localizar os pontos onde um ou mais eventos aconteceram
dentro de determinado percurso, intuitivamente e com
poucos cliques. É possível traçar uma rota apontando a
origem do percurso e o destino final simplesmente
arrastando o “ícone rota” para o primeiro ponto, até o ponto
seguinte. Ao soltar o botão esquerdo do mouse (on release),
automaticamente uma caixa de diálogo abre para edição de
relato, publicação de foto e indicação de horário inicial e
final, apresentando assim o tempo de duração do evento.
Para cada tarefa iniciada, como abrir um ponto de rota, é
necessário o fechamento completo da mesma. Somente
depois de fechar o segundo ponto de localização será
possível passar para outra ação, como adicionar um
pictograma de alagamento por exemplo.
Em seguida o cliente decide pela finalização e publicação
da rota, ou continua alimentando o mapa com outras
informações. Nesse caso todo o percurso fica em destaque,
com o zoom ajustado a tela, e os pictogramas estão ativos
para o usuário arrastar cada ícone de evento até o
correspondente ponto no mapa. Como no evento “rota”, ao
soltar o botão esquerdo do mouse, automaticamente uma
caixa de diálogo abre para edição de relato, publicação de
foto e indicação de horário, quantas forem necessárias.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 31
6
Conforme os maiores índices de ocorrências ligados a fortes
chuvas fornecidas pela Defesa Civil, os eventos
selecionados são representados pelos pictogramas descritos
respectivamente pela ordem da barra de ocorrências de
cima para baixo como: ocorrências criminais (assaltos a
pedestres, carros, agressões físicas e verbais e etc.),
alagamentos, deslizamentos, quedas de árvores e galhos,
eletricidade (postes caídos, falta de luz, fios de alta tensão
em locais de circulação de pessoas e etc.) e ocorrências
automobilísticas (batidas de carro e motos, veículos com
defeito, transito intenso ou parado).
Tanto no evento “rota”, quanto nos eventos de
“ocorrências”, o participante tem a opção de preencher a
caixa de diálogo com sua versão de cada acontecimento,
como somente indicar no mapa cada ocorrência utilizando
os elementos gráficos.
Importante frisar, para utilização da área de edição é
necessário um pequeno cadastro com informações de nome,
idade, sexo e e-mail válido. Após a confirmação do
cadastro e o preenchimento do login e senha, uma rápida
apresentação sobre o funcionamento da ferramenta ajuda o
cliente nos primeiros passos para publicação das
informações no site.
Essas informações cadastrais devem servir como base de
controle para o jornal e para uma maior confiabilidade das
informações recebidas via colaboração. Entretanto, é
importante que essas informações sejam confidenciais e
publicadas somente com o aval do colaborador, de forma a
evitar problemas éticos em casos onde o relato enviado
possa provocar constrangimentos ao leitor.
A imagem seguinte exemplifica o modelo gráfico, baseado
no testemunho do geógrafo Guilherme Medina do dia 5 de
abril de 2010 sobre os transtornos ocorridos durante as
fortes chuvas no Município de Niterói.
Relato - 5 de abril de 2010 (figura 3)
Guilherme Medina morador de Niterói bairro Fonseca
“Dia 5 de abril é meu aniversário de casamento. Nessa
segunda feira à noite, por volta de 20h00min, saí de casa
(Endereço Rua Desembargador Lima Castro, Fonseca –
Niterói – RJ) para jantar num restaurante situado na Av.
Sete de Setembro, Icaraí (Niterói – RJ).
Durante o jantar, a chuva que começou fraca foi se
intensificando, e em poucos minutos a avenida estava
completamente alagada. No momento mais crítico, os
clientes do restaurante tiveram que subir nas mesas para
evitar contato com a água contaminada. Somente as
11h00min da manhã do dia seguinte consegui retornar para
casa sem meu carro, dias depois foi constatado que tive
perda total do mesmo.
No trajeto de volta pra casa, constatei em alguns pontos,
galhos de árvores e barrancos caídos e fios elétricos no
chão.”.
Figura 3
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 32
A visualização das informações de conteúdo colaborativo
pelo público de internet, não necessita de cadastro ou login.
Todos os dados de ocorrências e relatos são impressos no
próprio mapa, passando o cursor em cima de cada ícone ou
clicando na parte lateral esquerda de legendas. É possível
também verificar os diferentes eventos dentro de uma rota
ou um ponto geográfico, digitando a rua ou localidade na
área de busca, ou clicando sobre uma área ativa (rota
definida por um ou mais transeuntes).
Para a diferenciação do número de ocorrência em cada
ponto ou rota, usamos uma escala com diferentes graus de
saturação de cor no modelo HSV, onde a cor menos
saturada significa número pequeno de eventos, e a mais
saturada uma maior incidência do mesmo. A cor vermelha
no grau máximo de saturação supõe intuitivamente para o
usuário do serviço uma situação crítica, proporcionando
assim um melhor entendimento da legenda para o
internauta.
Além da barra de saturação, o cliente também pode
verificar os números reais de cada evento com o passar do
cursor sobre o ícone correspondente. Informações relativas
a rota pesquisada pelo usuário, além do numero real,
também é possível visualizar um gráfico comparativo com
diferentes tipos de eventos, mas somente quando a rota
pesquisada apresentar mais de uma ocorrência.
No campo de relatos publicados por pessoas vitimas de
transtornos decorrentes das chuvas, a seleção pode ser feita
clicando na parte lateral esquerda, na barra de ícones de
ocorrências, para visualizar os comentários referentes a
cada evento, ou clicando nos ícones do mapa para ler o
conteúdo de cada evento.
Figura 4
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 33
Figura 5
Na visualização do mapa em diferentes escalas, os ícones
de eventos da mesma ocorrência unem-se quando o zoom
diminui, e se distanciam ao diminuir a escala. A figura 5
representa a figura 4 em escala reduzida. Neste contexto, os
pictogramas são substituídos por círculos em tamanhos e
cores diferentes (BERTIN 1983), conforme o número de
ocorrências do conjunto de eventos no ponto do mapa. Ao
passar o cursor sobre cada circulo os ícones referentes ao
ponto no mapa aparecem de forma ampliada, indicando
assim os eventos ocorridos em determinada área.
DECORRÊNCIAS DA APLICAÇÃO DO MODELO
A elaboração de tópicos de informação com a colaboração
de toda uma população apresenta vantagens inúmeras,
como demonstram os sistemas colaborativos vigentes. No
entanto, a introdução de políticas públicas baseadas nessas
ferramentas implica em questões complexas e nada triviais.
A autogerência e a natureza anárquica do meio podem
causar diversos problemas intrínsecos à natural oposição
entre os regimes (a saber, o sistema político de gestão
pública e a autogestão da internet). Quando essa ferramenta
é organizada, mediada e gerida por uma instituição
jornalística particular, com interesses próprios, tais questões
são ainda mais preocupantes. Sendo assim, os usos oficiais
dessa ferramenta podem ser impedidos, ou ao menos
limitados. Implicações como definição de áreas para
atuação por parte de órgãos do poder público, como a
Defesa Civil, podem ser de difícil operacionalidade.
A construção de um mecanismo de jornalismo participativo
com o auxílio de georreferenciamento das informações se
propõe, então, a ser uma ferramenta de denúncia, memória
e cobrança de ações públicas pela população. O uso de
mapas colaborativos permite que se tenha (1) a construção
de um painel de dados hiperlocais; (2) a visualização da
distribuição das ocorrências pelo território da cidade; (3)
uma percepção mais aprimorada das informações, tanto
qualitativa quanto quantitativamente e (4) um modelo de
organização que respeita e está diretamente ligado à
natureza das informações.
Por dados hiperlocais (1) devemos compreender as
informações altamente localizadas, de difícil obtenção em
uma cobertura jornalística convencional. Como coloca
OLIVEIRA e HOLANDA (2010), o termo 'hiperlocal' se
refere a algo extremamente localizado, como uma
informação sobre um bairro ou uma rua. Para este tipo de
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 34
situação surgiram alguns modelos de jornalismo
colaborativo no Brasil, como o desenvolvido pelo Jornal O
Globo no Rio de Janeiro, com a criação do site Bairros.com
[http://www.oglobo.globo.com/rio/bairros/]; o papel do
cidadão [é] fundamental na difusão de conteúdos
hiperlocais, porque, por questões estruturais e econômicas,
a cobertura jornalística não pode alcançar tal amplitude.
Temos, assim, uma mudança de escala no trato do espaço
público, passando a trabalhá-lo não mais na visão
cartográfica lato sensu, mas alcançando a escala humana e
seu referenciais próximos, como a divisão por bairros, ruas,
quarteirões, prédios e espaços. Para o cidadão comum, essa
mudança permite uma melhor compreensão dos aspectos
abordados, uma vez que a visualização se aproxima
bastante da visão de mundo que ele possui, facilitando a
manipulação das informações e a contribuição com dados
próprios.
Georreferenciar uma entrada significa contextualizá-la e,
dessa forma, torná-la mais precisa. Ainda mais quando
agrupada a outros depoimentos de mesma natureza,
passamos a vislumbrar a realidade de determinada região
(2). Dessa forma, é possível mapear os tipos de problemas
característicos de cada região e qual as deficiências
presentes de modo geral. A ação de avaliação não necessita
de uma abstração e memória do local citado, já carregando
junto de si a informação da área tratada e suas questões
contíguas. Sendo assim, tanto numa percepção quantitativa
(certamente afetada pelos hábitos de determinada
população, pelas possibilidades e interesse de interação com
o modelo jornalístico) das ocorrências, quanto na
qualitativa, existe uma melhoria considerável na apreensão
destas informações.
Por último, a organização das informações a partir de uma
mapa facilita não apenas a busca mas também recuperar
determinada informação (4). Segundo PREECE, ROGERS
e SHARP (2005), nossa interação com qualquer interface se
estabelece também dentro de nossos padrões e capacidade
cognitivas, sendo um desses processos o de memória, sobre
o qual as autoras citam a pesquisa de Mark Lansdale,
psicólogo britânico, estudioso do problema de recuperação
de informação. Em relação a esta questão afirmam:
Ele [Lansdale] sugere ser interessante olhar para esse
processo como composto de dois processos da memória:
recuperação direta, seguida de verificação baseada em
reconhecimento. A primeira refere-se a utilizar informações
memorizadas sobre o arquivo que se deseja, para chegar o
mais próximo possível dele. (...) A segunda ocorre quando a
recuperação não conseguiu produzir o resultado que o
usuário esperava, exigindo, pois, que se consultem todos os
diretórios ou arquivos. (...) Lansdale propõe que os sistemas
de gerenciamento de arquivos devem ser projetados visando
a otimizar os dois tipos de processo da memória. Em
particular, os sistemas devem ser projetados de forma a
deixar que os usuários utilizem a memória que têm para
limitar a área que está sendo pesquisada e então representar
a informação nessa área da interface de forma a ajudá-los
ao máximo a encontrar o que precisam. (PREECE,
ROGERS e SHARP, 2005, p. 103)
Se expandirmos um pouco o conceito acima e substituirmos
a idéia de arquivo pela de notícia ou informação,
perceberemos como a organização e filtragem das
informações colabora para a navegação do usuário.
Tendo em vista todas essas questões, fica evidente a
utilidade de tal modelo no fomento de um arcabouço para a
discussão por parte da população das questões deficitárias
no que tange o espaço público e sua [in]capacidade de
abrigar aqueles que nele habitam; identificando quais os
problemas estruturais e quais os ocasionais, permitindo uma
conscientização e um aprendizado, além de ferramentas de
fiscalização da gestão pública. Todas essas questões podem,
ainda, ser aproveitadas pelo próprio veículo de
comunicação, seja gerando reportagens em resposta à
questionamentos dos leitores, seja em função da detecção
de padrões e outros interesses que possam gerar notícia
jornalística. Dessa forma, a colaboração do leitor na
construção da narrativa do jornalística se torna plena, pois
não apenas sua participação é publicada como serve de base
para direcionar as próprias editorias do jornal na busca de
conteúdo noticioso propício aos interesses e necessidades
de seus leitores
Sob o ponto de vista das ferramentas de webjornalismo que
se apresentam frente não só às novas tecnologias, mas
também por conta da familiarização da comunidade para
com elas, o modelo aqui proposto apresenta características
que o incluem no bojo dos aprimoramentos da chamada 4ª
geração do webjornalismo (BARBOSA, 2007 apud
DALMONTE, 2009, p. 123). Isso porque sua estrutura de
georeferenciamento armazena as informações em bases de
dados que reconfiguram a visualização da informação em
função da busca do usuário -- aqui, como o fez
DALMONTE (2009, p.227), é importante diferenciar banco
de dados e base de dados: [Para] Ribas (2005, p.7), tomado
por referência Colle (2002), (...) 1) banco de dados é o
conjunto de informações, o conteúdo armazenado em uma
base de dados; 2) e base de dados é a estutura lógico-
matemática que permite o armazenamento e a estruturação
dos conjuntos, de modo que os dados são independentes e
podem ser modificados, representados ou consultados de
diversas maneiras. Percebe-se, assim, a atualidade das
questões aqui levantadas, em um sistema que abarca quase
todas as características apontadas por Palacios (2002) como
sendo as representativas do webjornalismo, a saber: 1)
multimidialidade, 2) interatividade, 3) hipertextualidade, 4)
personalização, 5) atualização e 6) memória.
CONCLUSÃO
Como apresentado ao longo do artigo, o enfoque no design
de interação das ferramentas colaborativas permite o
desenvolvimento de modelos que aproveitem melhor a
potencialidade existente na relação do leitor com o site
noticioso.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 35
Na questão específica da cobertura jornalística em situações
de calamidade pública, conclui-se que é possível propor um
novo modelo de colaboração que atenda simultaneamente
aos interesses dos leitores e dos sites de notícias,
fornecendo subsídios para a aplicação de políticas públicas
por parte dos órgãos responsáveis.
Do ponto de vista do leitor-usuário, o modelo proposto
permite uma interação que foge do modelo de
preenchimento de formulários, padrão dos sites noticiosos,
e busca uma solução visual, gráfica e georreferenciada, o
que traz uma nova perspectiva para a experiência e o
envolvimento do usuário, tanto no processo de envio de
colaboração quanto na visualização da informação. A
geração de uma base de dados a partir dos relatos dos
leitores gera um estímulo a participação, uma vez que o
conteúdo enviado não se perde ao longo do tempo, e passa a
fazer parte de um conteúdo único, verdadeiramente
colaborativo e constantemente em atualização.
Pelo viés dos sites noticiosos, o modelo proposto traz como
grande benefício a geração de uma base de dados
alimentada pelos leitores, o que se constitui em uma fonte
constante de pautas e notícias. Conhecendo melhor seu
leitor e suas necessidades, o jornal é capaz de se tornar cada
vez mais atraente e oferecer conteúdo especializado, ou
mesmo personalizado, de acordo com as necessidades e
interesses de seu público alvo.
No âmbito das políticas públicas, o modelo proposto serve
como uma central de denúncias, memória e cobrança, uma
ferramenta de ligação direta entre o cidadão e os órgãos
públicos, com o site jornalístico fazendo a função de
intermediador. O site de notícias passa a ter, mais do que
nunca, uma função verdadeiramente social.
Dessa forma, o conteúdo apresentado ao longo do artigo
promove o avanço da questão envolvendo o design de
interfaces e de interação na área do jornalismo colaborativo
e das ferramentas com base em georreferência,
incentivando o desenvolvimento de novos modelos de
colaboração que possam aliar o papel jornalístico com a
função de utilidade pública.
REFERÊNCIAS
1. BARROS, Filipe. Produção e edição colaborativa na
Internet: o caso overmundo. Ciberlegenda, n 19, Out.
2007. Disponível em:
http://www.uff.br/ciberlegenda/edout2007.html
Acesso em: Outubro de 2009.
2. BERTIN, Jacques. Semiology of Graphics: Diagrams,
Networks, Maps. Madison, Wis.: University of
Wisconsin Press, 1983. English translation and later
edition of a text fi rst published in 1967.
3. BORGES, Andre. Blog: uma ferramenta para o
jornalismo. In: FERRARI, Pollyana. Hipertexto,
Hipermídia: as novas ferramentas da comunicação
digital. São Paulo: Contexto, 2007. p. 41 – 52
4. BRAGA, José Luiz. Comunicação, disciplina indiciária.
In: ENCONTRO DA COMPÓS, 16.,2007, Curitiba.
Anais...Curitiba: Universidade Tuiuti do Paraná,
jun.2007. Trabalho apresentado no GT Epistemologia da
Comunicação.
5. BREWER, Cynthia. Designing Better Maps: A Guide
for GIS Users (first edition 2005).
6. BRUNS, Axel. Gatewatching, not gatekeeping:
Collaborative online news. In: Media International
Austrália, n. 107, p. 31-44, 2003. Disponível em:
http://eprints.qut.edu.au/archive/00000189/01/Bruns_Ga
tewatching.PDF
Acesso em: Outubro de 2009.
7. CÂMARA, Gilberto; MIGUEL, Antônio; DRUCK,
Suzana, CARVALHO, Marília. Análise Espacial e
Geoprocessamento. Website do INPE,
http://www.dpi.inpe.br/gilberto/livro/analise/cap1-
intro.pdf - 05/10/2009.
8. DALMONTE, Edson Fernando. Pensar o discurso no
webjornalismo: temporalidade, paratexto e comunidades
de experiência. Salvador: EDUFBA, 2009
9. HENRIQUE, César. Geoprocessamento: Tecnologia
transdisciplinar. Ed. do autor Minas Gerais: 2000.
10.MARTINELLI, Marcello. Mapas da Geografia e
Cartografia Temática. 4 ed. Sã Paulo: Editora Contexto,
2008
11.OLIVEIRA, Nelson de; HOLANDA, ANDRÉ
FABRÍCIO DA CUNHA. Jornalismo participativo e
informação hiperlocal: o papel de Mashups e hashtags
na construção da notícia em redes sociais. in: Revista
Iniciacom - Revista Brasileira de Iniciação Científica em
Comunicação Social, Vol. 2, Nº 1 (2010)
12.PREECE, Jennifer; ROGERS, Yvonne; SHARP, Helen.
Design de interação: Além da interação homem-
computador. Bookman, 2005.
13.PRIMO, Alex; TRÄSEL, Marcelo Ruschel.
Webjornalismo Participativo e a produção aberta de
notícias. Contracampo (UFF), 2006, v. 14, p. 37 – 56
14.SPENCE, ROBERT. Information Visualization: Design
for Interaction (2nd Edition).
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 36
O design de material jornalístico: do impresso ao
virtual - os desafios da interatividade
RESUMO
O jornalismo sempre foi um dos campos mais tradicionais
do design. Com a popularização da internet e dos sites de
notícias, este campo se tornou mais abrangente e
heterogêneo. Este artigo apresenta o processo de transposi-
ção do meio impresso para o meio hipermidiático que o jor-
nalismo vem sofrendo desde os anos 1990. É feita uma
apresentação do workflow de produção de notícias, que
passa pela apuração, criação e publicação de notícias na mí-
dia tradicional impressa e sua transposição e adequação pa-
ra a internet, algumas soluções existentes hoje para o acesso
a matérias jornalísticas em webistes e leitores digitais. No
fim é feita uma proposta de um programa utilizando cons-
truído sob o padrão de programação MVC, visando facilitar
o trabalho do designer na criação de layout para conteúdo
jornalístico para diferentes mídias.
Palavras-chave
Design de notícias, interação, hipermídia, mvc
ACM Classification Keywords
H5.4. Information interfaces and presentation: Hypertext /
Hypermedia.
INTRODUÇÃO
A internet e as mídias eletrônicas apresentam hoje uma
realidade que há alguns anos era impensável: um enorme
volume de informação acessível a todos. A rede mundial de
computadores se tornou um dos principais veículos de in-
formação e notícias, divulgadas de maneira quase instantâ-
nea. Mídias eletrônicas permitem conteúdo rico, adicionan-
do sons, vídeos e conteúdo interativo ao texto jornalístico.
Atualmente, todos os principais jornais e revistas têm suas
versões online, que muitas vezes não exploram todas as
possibilidades destes novos meios de comunicação. Este
artigo pretende analisar algumas soluções de adaptação e
transposição do conteúdo jornalístico para as novas mídias,
além de apresentar uma alternativa de solução para uma
reportagem originalmente publicada na edição impressa da
revista Veja.
O SURGIMENTO DA INTERNET
Em 1969 foram ligados dois centros de pesquisa através de
uma rede de computadores a uma grande distância na Cali-
fórnia, EUA, dando início a Arpanet. De uso estritamente
militar, com o objetivo de cobrir todo o território norte-
americano para troca de informações sobre a segurança na-
cional do país e resistir a possíveis ataques inimigos, a rede
começou a incorporar outros centros de pesquisa e univer-
sidades dos EUA a partir de 1970.
Em 1973 foi criada a primeira conexão internacional,
ligando a Arpanet à Universidade de Londres. Em 1978
foram incorporadas redes de outros países e, em 1981, a
rede internacional cobria os EUA, Canadá, Reino Unido,
Europa e Austrália. Em 1988 começa a exploração comer-
cial da rede: serviços de email foram conectados e provedo-
res comerciais de serviços, os chamados ISP (Internet
Service Providers) foram criados. Outras redes separadas -
como Usenet e BITNET - foram conectadas ao que já se
chamava de internet.
No entanto, o acesso ainda era limitado. Em 1991 o
laboratório europeu CERN introduziu a World Wide Web,
criação de Tim Berners Lee, que permitia a utilização de
sistemas e ferramentas para criação e visualização de infor-
mação em sistemas hipermídia. A criação da linguagem
HTML (Hypertext Markup Language) permitiu a exibição
da informação através de uma estrutura de hipertexto e o
navegador Mosaic trouxe uma interface gráfica que
facilitava a navegação. Posteriormente, os navegadores
Netscape e Internet Explorer tiveram um importante papel
na popularização da rede [12].
Em 2004 surgiu o conceito de Web 2.0, que ao contrário do
que o nome sugere não usa uma nova versão de protocolos
ou novas tecnologias, mas procura criar aplicativos basea-
dos na web focados em na troca de informação, interope-
rabilidade, design centrado no usuário e colaboração, usan-
do tecnologias conhecidas como linguagens de script rodan-
do no servidor (PHP, ASP.NET, Java) com Javascript, uma
linguagem de programação que roda no computador do
usuário [27]. A Web 2.0 permite uma maior participação do
usuário, permitindo que ele desempenhe um papel ativo na
construção do conteúdo.
Hoje no Brasil o acesso à Internet chega a 63,2 milhões de
pessoas [2] o que demonstra sua importância como meio de
comunicação.
Jornalismo na internet
Com a abertura comercial da internet e o acesso da po-
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 37
pulação em geral à rede, começaram a surgir os websites
comerciais, preocupados em manter uma presença online,
mas ainda receosos em relação ao potencial comunicacional
e às possibilidades de retorno financeiro. O Chicago
Tribune em 1992 foi o primeiro jornal a publicar uma
edição online, uma cópia da sua edição impressa. O New
York Times lançou sua versão em 1994, e no fim do século
todos os principais jornais estavam online [19]. No Brasil, o
primeiro jornal a criar uma versão online foi o Jornal do
Brasil. Outros jornais criaram suas edições online em
seguida, como a Folha de São Paulo, o Estado de São Paulo
e O Globo.
A transposição do material jornalístico da mídia impressa
para a internet passa por três fases distintas [23]: Na
primeira fase, chamada transpositiva, os sites jornalísticos
apresentavam transposições de partes de suas matrizes,
apresentando uma ou duas matérias de suas principais edi-
torias, atualizadas uma vez por dia, acompanhando a produ-
ção e a publicação das edições impressas. Nesta fase, o
trabalho do designer não tinha uma fronteira definida e
frequentemente era feito por profissionais de informática
que criavam as páginas como um todo, do layout à
programação.
Em um segundo momento, conhecido como metáfora, os
produtos jornalísticos começam a explorar as possibilidades
oferecidas pela internet de maneira experimental, sem se
distanciar de sua versão impressa. Nesta fase diminui o
intervalo de atualizações das notícias, começam a surgir de
formas de interação com o autor ou com outros usuários
através de ferramentas como email ou fóruns de debate. A
criação do conteúdo jornalístico passa a levar em considera-
ção os recursos de hipermídia na internet. O designer passa
a ter uma atuação mais específica, na criação de templates,
material gráfico e adequação do conteúdo ao layout.
No terceiro momento o webjornalismo se distancia de vez
do modelo de mídia tradicional, deixando de ser apenas
uma versão da mídia tradicional e passando a explorar as
verdadeiras possibilidades oferecidas pela rede, facilitado
pela melhora da tecnologia de transmissão de dados
possibilitando a transmissão mais rápida de sons, imagens e
vídeos. Muitos websites jornalísticos no Brasil estão hoje
na segunda fase: seu conteúdo principal é uma versão da
edição impressa, com o acréscimo de alguns elementos
extra em multimídia. As equipes se tornam maiores, com
funções mais específicas; surgem novas áreas para o design
como, por exemplo, design de interação. Alguns exemplos
de jornais que possuem características da terceira fase no
mundo são o Telegraph, da Inglaterra [4], o El País da
Espanha [5] e a MSNBC, dos EUA [17].
Segundo GUERRERO e HUERTA [24] as fases do de-
senvolvimento da imprensa online não são três, mas quatro.
Na primeira, há uma reprodução do conteúdo textual im-
presso, sem imagens. Nesta fase não havia quase nenhum
recurso destinado à internet nas editorias dos jornais. Na
segunda fase, começam a ser incorporados recursos de
hipertexto e multimídia, como links, imagens, vídeo e
áudio. Neste momento começa a separação entre o
webjornalismo e o jornalismo impresso. Na terceira fase há
um incremento de recursos multimídia, acréscimo de
serviços de entretenimento, comunidades e serviços sociais.
Há o início de oferta de comércio eletrônico. Na quarta fase
é que se encontra o conteúdo produzido exclusivamente
para a internet. Elementos interativos como chats e
enquetes são incorporados às reportagens. Há uma reserva
de recursos e profissionais exclusivos para a produção de
conteúdo online. Ainda segundo os autores, é possível que
uma mesma publicação possua características que a inclua
em mais de uma fase. O designer desempenha nestas fases
papéis similares aos apresentados nas fases anteriores.
PERSPECTIVAS DO JORNALISMO
A abertura comercial da internet aconteceu de forma muito
abrupta, fazendo com que todas as empresas buscassem um
lugar no ciberespaço sem planejamento prévio. Estar na
internet era importante, afinal os concorrentes também cor-
riam para ter um site. No caso dos jornais principalmente as
estratégias de negócios se provaram inadequadas. No come-
ço, a nova mídia foi vista ceticismo em relação as suas
possibilidades de geração de renda. As direções de alguns
jornais não perceberam na rede uma oportunidade de novos
negócios, mas sim uma oportunidade de atrair novos
leitores para os jornais impressos, principalmente leitores
mais jovens, que vêm deixando de ler jornais [8]. Em outros
casos pensou-se que a disponibilidade do conteúdo integral
gratuitamente para os leitores na internet possibilitaria um
retorno com publicidade. O retorno nunca veio e os leitores
se acostumaram a ter de graça o mesmo conteúdo pelo qual
teriam que pagar para ler no jornal impresso [3]. Acabou se
criando um círculo vicioso, porque se o jornal passa a
cobrar pelo conteúdo perde leitores para os concorrentes,
onde o conteúdo é gratuito, e se continua disponibilizando
material gratuito continua atuando no vermelho.
Ainda assim muitos jornais cogitaram ou fizeram
experiências com a cobrança de acesso às notícias online,
de certa maneira paradoxal em relação à vontade de se re-
crutar jovens leitores. O New York Times chegou a cobrar
o acesso a seu conteúdo até 2007, quando aboliu a cobrança
procurando gerar mais renda com um aumento no número
de anunciantes. O editor-executivo do jornal, Bill Keller,
anunciou que o jornal estudava voltar a cobrar o acesso de
seus leitores em 2010 para diminuir os prejuízos. Rupert
Murdoch, o diretor da News Corp., empresa que reúne
jornais como o The Times e o The Sun, ingleses, e o norte-
americano New York Post, afirmou que todos os jornais da
empresa terão um modelo de cobrança onde parte do
conteúdo é gratuito e parte é paga. Este modelo é baseado
no utilizado pelo site do jornal sobre economia Wall Street
Journal, que também faz parte da News Corp. e é hoje um
dos poucos grandes webjornais que apresenta lucro. Alguns
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 38
críticos a cobrança afirmam que o único motivo de sucesso
do Wall Street Journal é que os leitores tendem a estar de
acordo com a cobrança quando buscam notícias especia-
lizadas, como é o caso deste jornal.
O The Times começou com o sistema de cobranças em
meados de 2010, e após três semanas a estimativa de queda
no número de leitores era próxima de 90% [7]. O jornal se
dividiu em dois na internet, em referência ao Times, que
circula de segunda a sábado, e o Sunday Times, que circula
somente aos domingos. A assinatura do primeiro custa uma
libra esterlina por dia, enquanto do segundo custa duas
libras esterlinas por semana, com assinaturas gratuitas para
bibliotecas cadastradas. No primeiro mês de cobrança o
jornal teve um declínio de 48% nos pageviews além de cair
609 posições no ranking Alexa, que mede a popularidade de
websites no mundo todo. Essa queda levou muitos leitores
aos jornais concorrentes como o Guardian e o Telegraph ou
mesmo a outros jornais que não são concorrentes diretos do
Times, como o tablóide Daily Mail.
Apesar de tudo, segundo Borges [3], a internet não é a prin-
cipal culpada nessa queda no número de leitores do jornal
impresso, que vem acontecendo desde o final dos anos 80,
antes da popularização da grande rede. O autor cita como
uma das causas o fato de que muitos jornais, que
tradicionalmente tinham uma administração familiar, passa-
ram a ser dirigidos por grupos de investimento como a já
citada News Corp. Nestes grupos a pressão por lucro é
maior, podendo levar em alguns casos a redução de recur-
sos, de custos e de pessoal, refletindo em uma queda na
qualidade do produto jornalístico.
No Brasil, O Globo Online disponibiliza as notícias de
última hora e outras notícias exclusivas da versão online
gratuitamente. O conteúdo do jornal impresso, incluindo as
colunas de opinião, só podem ser acessados por assinantes
da versão impressa. Não há assinatura exclusiva para a
versão eletrônica. Segundo Borges [3], O Globo Online não
se sustenta com propaganda e é um dos poucos jornais
online lucrativos graças à publicação dos chamados produ-
tos editoriais, ou seja, matérias pagas por empresas que bus-
cam a divulgação de seu ramo de atividade e atingir o pú-
blico consumidor do jornal.
O Jornal do Brasil recentemente publicou um comunicado
que devido suas dívidas o jornal deixará de circular como
impresso, sendo publicado exclusivamente na internet a
partir do dia 1º de setembro de 2010.
Porém nem tudo está perdido para o jornalismo. Os
smartphones, celulares modernos, com recursos como
agenda, acesso à internet e possibilidade de instalação de
aplicativos que aumentam suas funcionalidades, se tor-
naram um dos principais tipos de dispositivo de consumo
de mídia no mundo inteiro. Mais recentemente surgiram
também os leitores eletrônicos, e-readers em inglês, apare-
lhos voltados especificamente para a leitura de livros, jor-
nais ou revistas. Os jornais passaram a publicar conteúdo
também para estes dispositivos, através de assinatura ou
venda de exemplares avulsos, como faz o jornal O Globo
para a plataforma Kindle, da Amazon. A Esquire lança suas
edições simultaneamente nas bancas e como aplicativo para
o celular iPhone, da Apple. Muitos jornais e revistas já lan-
çaram aplicativos e edições para o leitor de ebooks iPad,
também da Apple. As perspectivas de lucros com venda de
conteúdo para estes dispositivos são promissoras, as
empresas estão empolgadas com o segmento e vêm
planejando modelos de cobrança pelo conteúdo desde o
início, diferente do que foi feito na web.
ESCRITA IMPRESSA VS. ESCRITA ELETRÔNICA
A escrita passou por milhares de anos de evolução com
quase nenhuma mudança. O papel, que só como suporte da
escrita impressa é utilizado a cerca de 500 anos, hoje cede
terreno para suportes eletrônicos de escrita, que possuem
características distintas que refletem na forma como o texto
é lido. Hoje se cria conteúdo para a escrita eletrônica sem
considerar estas características, como se estes suportes se
comportassem da mesma maneira que o papel.
Na leitura tradicional a imagem é formada pela reflexão da
luz no papel. A resolução os textos e imagens, medida em
DPI (pontos por polegada, em inglês), é de 300 no caso das
revistas e de 150 a 200DPI no caso dos jornais. Essas duas
características são as principais responsáveis pelo conforto
da leitura do papel, que pode ainda ser dobrado e facilmente
carregado no bolso ou em uma bolsa, ter suas margens
usadas para anotações a lápis ou caneta e seus cantos
dobrados para a marcação de páginas. Alguns usuários afir-
mam sentir a falta de uma relação física com o texto ele-
trônico [16]. Os impressos não precisam de eletricidade
para ser lidos, bastando um pouco de luz ambiente.
Leitores eletrônicos
Os leitores eletrônicos ou digitais podem ser de dois
principais tipos: monitores CRT ou LCD e telas de E-Ink.
Monitores de CRT ou LCD
Monitores de CRT e LCD possuem características bastante
parecidas. Os primeiros eram mais comuns há algum
tempo, mas são maiores, pesados e consomem mais ener-
gia. Os monitores de LCD, mais portáteis, ficaram popu-
lares e estão presentes em computadores, laptops, televiso-
res, telefones celulares e outros dispositivos. Ambos pos-
suem baixa resolução de tela (72 a 100 DPI), com a imagem
formada através de emissão de luz, por isso têm não pos-
suem a riqueza de detalhe da impressão em papel e causam
maior incômodo na leitura. A iluminação ambiente também
influencia na leitura em dispositivos deste tipo: são quase
impossíveis de serem lidos sob incidência de luz direta
como a da luz do sol. Sua autonomia de bateria também é
considerada baixa em relação aos dispositivos de E-Ink.
Sua principal vantagem é a possibilidade de uso de imagens
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 39
coloridas e vídeos em conjunto com o texto escrito.
Monitores de E-Ink
A tecnologia de E-Ink (tinta eletrônica em inglês) surgiu
para fazer com que a leitura eletrônica ficasse mais próxima
da leitura no papel. Sua imagem é formada por micro
esferas que possuem um lado claro e outro escuro. Através
de uma descarga elétrica essas micro esferas se orientam
para formar a imagem, como no papel, através da reflexão
de luz. Sua resolução é maior que a dos monitores de LCD
e CRT – o leitor eletrônico Kindle possui uma resolução
próxima a de um jornal – e sofrem menos influência da
iluminação direta. Os leitores de tinta eletrônica em comer-
cialização hoje não são coloridos nem têm a possibilidade
de uso de vídeo.
Leitores digitais no mercado
Os dois leitores eletrônicos portáteis mais conhecidos à
venda hoje são o Kindle, da Amazon, e o iPad, da Apple. A
Amazon contou com sua relação com as editoras para a
disposição de um grande número de títulos em um leitor de
e-ink, o mais similar possível à leitura tradicional. Já a
Apple apostou em um leitor baseado na tecnologia LCD,
podendo assim vender tanto livros como jogos e filmes já
disponíveis em sua loja online. Sendo assim, o Kindle é ex-
clusivamente um leitor eletrônico, enquanto o iPad é um
dispositivo para consumo de mídia em geral, inclusive li-
vros, jornais e revistas eletrônicos. Existem alguns outros
leitores eletrônicos de menor expressão produzidos pela
Sony e pela Barnes  Noble também com tela em e-ink. No
Brasil a Positivo lançou um leitor eletrônico em meados de
2010 e a livraria online Gato Sabido vende seus leitores
eletrônicos chamados Cool-er, ambos com tela de E-Ink.
Os leitores eletrônicos em geral possuem algumas funções
que buscam mimetizar os impressos, como a possibilidade
de se marcar ou sublinhar trechos do texto, marcar páginas
para posterior consulta e anotações laterais. Estas funções
em geral precisam de um mínimo de aprendizado sobre o
funcionamento do dispositivo em questão.
Leitura eletrônica
Com as diferentes características dos suportes eletrônicos, a
leitura ocorre de maneira diferente na tela e no monitor.
Alguns estudos indicam que ela ocorre de maneira até 30%
mais lenta nos monitores LCD e CRT [16]. Em outro
estudo conduzido [18] os leitores atribuíram notas altas em
relação à satisfação de leitura tanto no iPad quanto no
Kindle, apesar de levarem de 7 a 10% a mais de tempo para
lerem um texto eletrônico nos aparelhos em relação à uma
versão impressa. À leitura na tela do computador foram
atribuídas notas muito baixas.
O usuário de textos eletrônicos corre o olho pela tela, prin-
cipalmente pela parte superior, buscando imagens e texto
em destaque para decidir o que gostaria ou não de ler. A
arrumação do conteúdo em seções, com cabeçalhos e textos
em destaque também facilita esta seleção, assim como fra-
ses curtas e diretas. Como no papel, blocos de texto muito
largos fazem com que o leitor se perca ao passar para a
linha seguinte. Porém, este é um fator mais crítico no
monitor, pois as linhas podem extrapolar o limite da tela,
fazendo com que o uso da barra de rolagens horizontal seja
necessário e se torne ainda mais difícil achar a próxima
linha.
Algumas regras de escrita são similares às de estilo jornalís-
tico, outras são novas ou adaptações para melhor adequar a
leitura ao monitor. Deve-se procurar manter os parágrafos
pequenos, com no máximo 100 palavras cada um. As linhas
de texto também não podem ser muito compridas, para que
o leitor não se perca, e jamais deve ficar maior que a largu-
ra da tela, para que não haja necessidade do uso da barra de
rolagem. Algumas outras observações devem ser tomadas,
como manter a ordem direta nas sentenças e evitar palavras
ou linguagem rebuscada, mantendo a leitura o mais simples
possível [13, 28].
O corpo da fonte de texto também é um fator importante a
ser levado em consideração. Os usuários em geral costu-
mam estar a uma distância maior da tela de computador do
que a distância em que seguram um livro ou outro impres-
so, portanto o texto no computador não pode ter uma fonte
com o mesmo tamanho de corpo que num impresso. Um es-
paço entrelinhas maior, que deixa o texto “respirar” tam-
bém facilita a leitura em suportes eletrônicos.
Smartphones e leitores eletrônicos costumam ser segurados
a uma distância similar da dos livros, porém nos primeiros,
devido ao tamanho reduzido da tela, as linhas de textos ten-
dem a ficar muito curtas, fazendo com que a leitura seja
mais lenta.
JORNALISMO E TECNOLOGIA
O webjornalismo possui algumas características que o
diferenciam do jornalismo impresso tradicional, sendo uma
das principais a interatividade. O leitor se relaciona dire-
tamente com o autor e com outros leitores, através de chat,
email, sistema de comentário (e opinião) dos leitores e fó-
runs de discussão. O leitor pode passar a se sentir como par-
te integrante do processo e pode construir a publicação. Ele
tem uma atitude ativa, é um coautor ou editor da matéria.
Sem ele, não há narrativa.
Este processo de construção leva a uma customização ou
personalização do conteúdo jornalístico. O usuário constrói
sua narrativa, se aprofundando ou não em determinados
temas. As publicações têm a possibilidade de fornecer
conteúdos individualizados de acordo com o interesse do
usuário, através da pré-seleção dos assuntos por parte do
leitor ou de maneira automática, através da análise de seus
padrões de navegação [19].
Outro fator que diferencia o webjornal do jornalismo tradi-
cional é a facilidade de atualização. A periodização é uma
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 40
característica marcante da mídia tradicional. As edições
acontecem em um intervalo pré-determinado, normalmente
com um tempo relativamente grande entre estas edições. No
webjornal a atualização é constante, à medida que chegam
as notícias. O conceito de edições se dilui e a facilidade de
atualização termina com o espaço de tempo entre a produ-
ção e a circulação das informações. O usuário tem acesso
imediato ao produto jornalístico.
Por se tratar da notícia jornalística em formato de hipermí-
dia, os webjornais possuem como característica uma capaci-
dade de armazenamento de informações muito grande, fa-
zendo com que a consulta a materiais antigos relacionados à
notícia em questão seja feita de maneira fácil e rápida, per-
mitindo que o leitor faça uma contextualização. Portanto o
leitor de um webjornal tem a sua disposição um volume
muito maior de informações acessíveis rapidamente através
de um clique podendo escolher o aprofundamento desejado
de acordo com seus interesses.
A produção jornalística
A produção de material jornalístico pode ser dividida em
apuração, produção e circulação das informações. A utiliza-
ção dos computadores começa a reestruturar a produção jor-
nalística, acelerando todo o processo. Na apuração o com-
putador pode ser usado para checar informações, buscar
dados anteriores que contextualizam a notícia atual. Na fase
de produção de notícias é no computador que são digitados
os textos, editadas as fotos (que hoje não precisam mais ser
reveladas) e montada a diagramação. Na última fase, de cir-
culação, o computador hoje tem a possibilidade de levar o
conteúdo jornalístico direto para o leitor. Ele deixa então de
ser apenas uma ferramenta para se torna parte constituinte
da produção e consumo do jornalismo.
Metodologia de produção de notícias
O workflow de produção de conteúdo jornalístico hoje foi
criado pela mídia impressa, e foi sendo adaptado para o
webjornalismo e o jornalismo eletrônico. Este processo de
produção hoje é inteiramente digital e pode ser dividido nos
seguintes subprocessos: produção de conteúdo textual, pro-
dução de conteúdo de imagem, produção de anúncios, jun-
ção de todos estes conteúdos em um produto (o jornal em
si) e por fim a publicação. A produção de imagens e a pro-
dução editorial normalmente se desenvolvem em conjunto,
podendo às vezes se correr em paralelo.
Texto
O texto pode ser produzido na própria edição ou remota-
mente pelos funcionários do jornal, ou pode ser adquirido
externamente de outras serviços, jornais ou agências ao re-
dor do mundo, e importados para o sistema de armazena-
mento utilizado pelo jornal. Pode ser uma reportagem enco-
mendada ou a notícia de algum fato ocorrido. Este texto, ao
entrar no sistema, é catalogado através de arquivos XML,
onde são acrescentados os dados como autoria, data e pala-
vras-chave para posterior recuperação, e em seguida é ar-
mazenado no banco de dados.
Imagens
As imagens podem ser fotografias, ilustrações ou infográ-
ficos. As fotografias produzidas pelo próprio jornal são
capturadas em câmeras digitais, enquanto infográficos e
ilustrações são produzidos ou finalizados em softwares es-
pecíficos. Em alguns casos o próprio repórter pode, diante
da necessidade, ser ele mesmo o fotógrafo e utilizar até te-
lefones celulares para as fotografias. As imagens também
podem ser adquiridas em bancos de imagem ou outra fonte
independente, e chegam à edição através de transferência
FTP, email ou outros meios. Todas as imagens utilizadas
também são catalogadas usando arquivos XML, sendo por
fim são adicionadas ao banco de dados do jornal.
Comercial
O processo de produção do material comercial normal-
mente é totalmente separado do resto do conteúdo. Produzi-
do pelo próprio anunciante, ele chega ao jornal fechado
(pronto pra impressão) através de FTP, HTTP ou email.
Este material é então checado para verificação de conteúdo
e adequação técnica, depois identificado e armazenado no
banco de dados, para que possa ser inserido automatica-
mente na grade da página do jornal.
Editorial
O conteúdo editorial consiste de uma junção e aquisição de
conteúdos de imagem, texto e anúncios. Funcionários
chamados de copy editors organizam todo o conteúdo de
imagem e texto manualmente em módulos da grade da pá-
gina, através de softwares de editoração eletrônica e de
acordo com definições dos editores de seção. Alguns tipos
de conteúdo, como anúncios e material de adquirido de ou-
tras agências, é inserido automaticamente de acordo com o
espaço na página. Paralelamente as imagens estão sendo re-
produzidas e editadas, com cortes e acertos de resolução e
tamanho. É nesta área que se concentra a maior parte do
trabalho do designer. Dependendo da seção ou da página
em questão ele terá mais ou menos liberdade para a criação
do layout, respeitando ou extrapolando a grade utilizada pe-
lo jornal.
Pós-editorial
Depois que todas as páginas de cada seção estão prontas,
elas são enviadas ao editor de seção para aprovação, quando
é considerada pronta para impressão (print-ready). A página
print-ready é salva em diversas resoluções e tipos de arqui-
vo, para serem usadas em mídias diferentes. Os arquivos
em alta resolução são enviados para a gráfica por FTP para
a produção dos fotolitos e chapas para impressão.
A produção de notícias no webjornalismo
Apesar de ter em comum com o jornalismo impresso a es-
trutura básica de produção de notícias, o webjornalismo
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 41
Figura 1: O jornal O Globo em sua versão para o Kindle –
foto de Michel Filho para O Globo
possui algumas características que diferenciam seus méto-
dos de publicação. A principal diferença é que o jornal onli-
ne diminui o tempo entre o ocorrido e sua publicação. As
notícias em tempo real trazem uma agilidade que só é
possível nessa mídia. O repórter envia para a redação ou
publica remotamente notas curtas durante o dia, conforme
as ocorrências, que posteriormente podem ser reutilizadas e
desenvolvidas para se tornar pequenas notícias, dependendo
da relevância ou repercussão. Frequentemente a repercus-
são determina que notícias serão mais trabalhadas para a
versão impressa do jornal.
Os jornais online normalmente têm um corpo menor de
repórteres e é comum que repórteres da versão impressa
sejam utilizados na versão online. Os repórteres do jornal
online têm maior autonomia e devem decidir que notícia
devem aprofundar. No caso de um notícia inicialmente apu-
rada por um repórter da versão impressa, é de responsabili-
dade do repórter do webjornal de averiguar os fatos e fazer
o aprofundamento. O editor do jornal online deve estar
sempre atento para atualizar notas, matérias e chamadas, as-
sim como decidir a o que dar destaque, pois um webjornal
está em constante fechamento.
No jornal online o espaço para publicação é virtualmente
infinito. O editor do jornal impresso tem uma preocupação
com o tamanho das páginas, a publicação de anúncios e sua
influência no layout, que não são as preocupações do editor
online. No webjornal notícias podem ser mais aprofunda-
das, outros temas que sofreram desgaste podem ser tra-
balhados e outras informações que no impresso seriam des-
cartadas podem ser publicadas com fotos, vídeos e até links
para notícias antigas, ajudando a dar o aprofundamento e
entendimento que o leitor desejar.
Segundo alguns analistas, a velocidade de publicação dos
webjornais deve empurrar os jornais impressos para uma
posição mais analítica, sem se ater aos acontecimentos em
si e mais ao seu contexto [3].
O Globo e o Kindle
O jornal O Globo lançou uma versão de seu jornal para o
leitor eletrônico Kindle, da Amazon. Esta edição eletrônica
só pode ser adquirida, em formato avulso ou por assinatura,
através da livraria online, em dólares e com cartão de crédi-
to internacional. O conteúdo é quase o mesmo da edição
impressa. Por uma restrição da Amazon deve ser enviada a
edição internacional do jornal a ser publicado. No caso do
Globo isso significa retirar informações localizadas como
as editorias de bairro e informações sobre eventos culturais.
Também por restrição da livraria eletrônica são retirados
todos os anúncios.
O jornal O Globo utiliza um software de gerenciamento e
arquivamento de reportagens, padrão no mercado editorial,
em que foi feita uma adaptação para gerar, junto com o
último clichê uma versão em XML que será enviada para a
Amazon para ser convertida em seu formato proprietário.
As fotos utilizadas são versões em baixa resolução em
formato JPG, as mesmas usadas no site do jornal.
O aparelho está agora em sua segunda versão e foi pensado
inicialmente para livros, não conteúdo jornalístico. Talvez
por isso a Amazon tenha fixado regras rígidas na publi-
cação e vinculado essa edição eletrônica a uma edição im-
pressa. Pode ser que no futuro o aparelho possa ter algumas
funções que permitam uma frequência maior de atualização
e talvez uma conexão com o site do jornal, permitindo a in-
clusão de hiperlinks e outros recursos hipermídia no apa-
relho.
A Esquire e o iPhone
Em Janeiro de 2010 a revista Esquire lançou sua edição
impressa com uma versão em formato de aplicativo para
iPhone, usando uma plataforma para a publicação de
revistas para o smartphone da Apple chamada Everest, cria-
da pela empresa ScrollMotion e vendida na época por
U$1,99, contra U$4,99 da versão impressa.
A versão para iPhone foi lançada não como uma edição
especial, mas como sendo a própria revista, com o conteúdo
integral à disposição do leitor para a leitura no smartphone.
Com exceção de uma pesquisa do tipo Quizz, a seção de
cartas e pequenos boxes de texto suplementar em alguns
artigos, tudo está presente nesta versão digital. Após este
número da revista a editora Hearst lançou uma versão do
leitor digital que oferece edições avulsas e assinaturas
trimestrais, semestrais e anuais. O aplicativo pode ser lido
no iPad, mas não foi desenvolvida explorando o maior es-
paço em tela do aparelho.
A edição eletrônica analisada, de janeiro de 2010, tem
como único anunciante a marca de desodorantes Axe em
pequenos banners após os artigos ou apresentada como uma
matéria, no fim do sumário. Como material bônus, um ví-
deo da “mais sexy mulher do mundo”, como eleita pela re-
vista em uma edição anterior.
O aplicativo é aberto com uma imagem da capa, exatamente
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 42
igual da versão impressa. O sumário da edição só pode ser
lido com o aparelho na orientação vertical, mas com a
opção de visualização das fotos em tamanho maior com ro-
lagem horizontal ou em tamanho menor em uma lista com
rolagem vertical. É possível ainda filtrar as matérias por
editorias.
Os artigos podem ser lidos com o aparelho na orientação
vertical (retrato) ou horizontal (paisagem), e seguem sem-
pre a mesma formatação, com uma barra horizontal no topo
com o logotipo da revista e a editoria a que o artigo perten-
ce. Logo abaixo está o assunto seguido do título, sempre em
vermelho, o subtítulo e o autor, sempre em cinza, com um
contraste mais baixo, mas que não compromete a leitura.
Nos artigos onde há imagens, a imagem principal vem abai-
xo do nome do autor. Nas matérias em que há mais de uma
imagem, as outras se encontram distribuídas pelo texto,
ocupando a largura completa da tela. Um toque em qual-
quer delas abre um álbum com todas as imagens daquele
artigo, mesmo quando só há uma.
A tipografia escolhida para os artigos é muito próxima em
tamanho e estilo à tipografia da versão impressa. Trata-se
de uma escolha interessante, já que o artigo eletrônico será
lido em uma distância próxima à da versão impressa, e a
largura da linha no formato paisagem faz com que o texto
fique com uma largura muito próxima à das colunas da
revista impressa. No formato vertical as linhas são mais
curtas e a leitura mais lenta. O texto alinhado à esquerda
não cria “rios”, os espaços excessivos entre as palavras cau-
sados por hifenização deficiente, ou no caso, inexistente.
A navegação é feita com um toque na parte esquerda da tela
para ir para o artigo seguinte ou na parte direita pra ir para o
artigo anterior. Adicionalmente dois botões no fim do artigo
possuem a mesma função. Uma animação simulando uma
passagem de página de um bloco de notas indica que o
leitor está navegando frente ou para trás.
O leitor pode gravar seus artigos favoritos para acesso
posterior. Não é possível, porém, marcar como favorito um
ponto específico do artigo, marcar trechos de interesse no
texto ou anotações na página.
O acréscimo de alguma interação maior poderia causar
maior interesse dos usuários. A periodização e o conteúdo
iguais aos da versão impressa causam algumas reclamações
de usuários no site do aplicativo na loja online da Apple.
A REVISTA VEJA E A VEJA ONLINE
A revista Veja disponibiliza uma versão online para todo o
conteúdo de suas revistas antigas desde 1997, assim que a
edição seguinte chega às bancas. Há também uma página
especial feita em Flash que dá acesso ao conteúdo integral
de todas as revistas já lançadas.
Para este trabalho, foi selecionada uma reportagem da
revista Veja para análise de sua transposição para a internet
intitulada “Eles não arredam o pé”, de autoria de Thaís
Oyama, publicada na edição 2109, de 22 de abril de 2009,
que relata a vida de lutadores de sumô brasileiros vivendo
no Japão.
Esta reportagem foi escolhida por se tratar de um tema em
que a velocidade de divulgação não é um fator de extrema
importância. São reportagens que não tratam de fatos re-
centes onde novos acontecimentos acrescentam informa-
ções e esclarecimentos à reportagem, mas são frutos de pes-
quisas e investigações por parte do repórter. Como não há
uma grande pressa para a publicação, podem ser trabalha-
das com mais liberdade e tempo para a versão em
hipermídia.
Revista impressa
A reportagem ocupa duas páginas e meia na revista
impressa. Na abertura a foto dos dois lutadores de sumô
brasileiros toma metade da primeira página e mais uma
coluna da segunda, com o título alinhado à imagem,
ocupando a mesma largura.
A reportagem apresenta um texto corrido, interrompido no
subtítulo e na legenda da foto. À direita da segunda página,
ocupando uma coluna, está um infográfico, ocupando o
espaço de uma coluna, constituído de uma lista de itens em
negrito relativos ao esporte, cada um com um comentário
em peso normal, divididos por linhas pontilhadas, em um
fundo que remete ao sol nascente, mas em cinza. Um dos
itens, que se refere à alimentação dos atletas, contém uma
fotografia de um prato de refeição típico dos lutadores de
sumô, e no fim do infográfico há uma imagem de dois
lutadores se enfrentando.
A terceira e última página da revista contém a última coluna
de texto e um box, com fundo cinza e tipografia sem seri-
Figura 2: Versões impressa e para iPhone da revista
Esquire lado a lado
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 43
Figura 3: Versão impressa da reportagem
Figura 4: Impressão de tela da versão online da matéria
fas, diferente da tipografia utilizada no restante da reporta-
gem. Este box apresenta um reportagem relacionada à pri-
meira, sobre confusões envolvendo lutadores de sumô fora
do ringue, como consumo de álcool e drogas ilícitas e
brigas, resultando em banimentos do esporte. Ilustrando o
box está uma fotografia de um dos ídolos do esporte, que
foi suspenso após ter sido flagrado com maconha.
Trata-se de uma reportagem curta sobre um tema não po-
pular no Brasil. Há poucas explicações sobre a luta e a difi-
culdade dos atletas, e o único infográfico não é convidativo
nem acrescenta muito ao texto.
Revista Online
A Veja Online passa por constantes reformulações gráficas
que atingem somente reportagens recentes. As reportagens
antigas permanecem hoje no site da revista com o layout
original.
A página de artigos começa com um banner publicitário,
seguido do cabeçalho de navegação que dá acesso a outras
publicações da Editora Abril. Logo depois, o logotipo da
revista, um campo de formulário para busca e pesquisa e
três colunas de links para áreas do site.
O conteúdo principal da página com a versão online da re-
portagem é dividido em quatro colunas. A primeira contém
menus de navegação com acesso para as áreas com o
conteúdo das edições atuais da revista Veja, das revistas re-
gionais e especiais e a áreas do site. Na segunda coluna está
o menu de navegação da edição que está sendo consultada.
A última coluna é reservada para banners de publicidade,
oferecendo assinatura da própria revista ou produtos de
outras empresas. Estas três colunas ocupam 1/6 da largura
da página cada uma. Parte desta navegação passou para a
parte superior da página no novo layout.
A outra coluna, com largura equivalente a metade da
página, é ocupada pela reportagem em si. Apresentada em
uma única página, de grande extensão vertical a reportagem
cria uma grande barra de rolagem. A imagem dos lutadores
tem o tamanho reduzido em relação à revista impressa e
fica abaixo do título. O texto da reportagem segue logo
após a fotografia, composto em Verdana, com tamanho de
13 e entrelinha de 16 píxels.
Logo após o texto encontra-se o mesmo infográfico da
revista, mas desta vez em formato de imagem, o que
significa que se o leitor quiser aumentar para facilitar a
leitura o texto perderá a definição, podendo mesmo não
aumentar. Após o infográfico, o texto do box sobre as
confusões dos lutadores, sobre um fundo cinza, é composto
com a mesma tipografia do texto principal. A pequena foto
do lutador banido ilustra o texto.
A reportagem digital apresenta um texto corrido muito
longo, com um espaço entrelinhas curto, desconfortável
para leitura na tela. A reportagem poderia ainda contar com
recursos multimídia ou mesmo links para fontes alternativas
para melhorar e aprofundar o entendimento com o leitor. O
infográfico apresentado como imagem também não ajuda,
pois além de ser simples demais como o original impresso,
ainda não possibilita o aumento sem a perda de resolução.
SOFTWARE PARA CRIAÇÃO DE TEXTO JORNALÍSTICO
Após a análise das particularidades de cada um dos suportes
para o conteúdo jornalístico, foi criada a sugestão de um
aplicativo que levasse em consideração a leitura em diver-
sos tipos de suporte como computadores desktop, netbooks,
celulares, ou impressos.
Decidiu-se pela utilização da arquitetura de programação
Model-View-Controller (MVC), que permite a separação
entre a estrutura lógica e a estrutura de apresentação.
Aplicativos que usam esta arquitetura são divididos em três
partes: a primeira, chamada de modelo, é responsável pela
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 44
Figura 5: Protótipo do aplicativo com material do jornal
Sinal, da ESDI-UERJ
manutenção e armazenamento da informação (normalmente
um banco de dados); a segunda, chamada visão, é uma re-
presentação deste modelo que oferece ao usuário a possibi-
lidade de interação com estas informações (a interface de
usuário, ou UI em inglês); por último temos o controlador,
que cuida de receber as ações do usuário, faz o tratamento e
filtragem e passa essas ações para o modelo, para que as
informações sejam atualizadas. Neste tipo de padrão de
desenvolvimento os testes podem ser feitos em cada uma
das partes em separado, agilizando o desenvolvimento e
fazendo com que a manutenção seja mais fácil e simples.
O aplicativo serve para gerenciamento e publicação de uma
edição de um jornal. O designer poderá acrescentar e editar
várias matérias de uma edição de um jornal. Poderá também
acrescentar material bruto que o ajudará na criação da mate-
ria, textos, imagens, links, documentos, vídeos, etc. O usuá-
rio poderá acrescentar novos arquivos ou novos diretórios
contendo vários arquivos.
O designer terá a sua disposição um editor “universal”,
onde a diagramação inicial será criada. Em outras telas,
com editores específicos para celular, internet ou e-book e
mídia impressa, a matéria poderá ser refinada para se
adequar melhor à mídia em questão. O usuário poderá
acrescentar imagens, vídeos e links para a versão para a
internet, por exemplo, ou organizar as diferentes matérias
na grade de um jornal impresso.
Quando todas as versões estão prontas o usuário clica no
botão de “Publicar edição”, e o software cuida das três
diferentes arquivos de saída: HTML para celulares
smartphone, HTML para iPad e computadores e um PDF
pronto para a impressão.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Por conta do baixo retorno financeiro, os jornais e revistas
impressas investem menos em recursos e pessoal para suas
versões online. Com o surgimento de leitores de e-book e
crescimento no número de leitores online e usuários cuja
principal fonte de notícias é a internet, além do declínio no
número de leitores dos jornais e revistas impressos, a
situação tende a mudar. É importante que os jornais mante-
nham uma estratégia visando o fortalecimento de suas ver-
sões online para não ficarem defasados em relação à
concorrência. Uma das maneiras de garantir este fortale-
cimento é atraindo leitores através do uso de recursos multi-
mídia e hipermídia, explorando todos os recursos e possi-
bilidades da web. O cuidado na composição da reportagem
ajuda a aumentar a fidelidade do leitor.
Uma solução como o software sugerido no artigo facilitaria
trabalho jornalístico e aceleraria o processo de criação de
conteúdo levando em consideração as características únicas
de cada suporte.
REFERENCES
1. Barbosa, Suzana. Banco de dados como metáfora para o
jornalismo digital de terceira geração. In Anais do III
Congresso da SOPCOM, Lisboa, 2005.
2. Brasileiros detêm recorde de acesso à internet. Jornal
Hoje, Rede Globo de Televisão. São Paulo, 16 jun.
2009.
3. Borges, Juliano. Webjornalismo: Política e jornalismo
em tempo real. Rio de Janeiro: Editora Apicuri, 2009
4. DAYLY Telegraph.
http://www.telegraph.co.uk/
5. EL País.
http://www.elpais.com/
6. Esquire app for iPhone.
http://itunes.apple.com/us/app/esquire-
magazine/id363140965?mt=8
7. Halliday, Josh. Times loses almost 90% of online
readership. In Guardian.co.uk
http://www.guardian.co.uk/media/2010/jul/20/times-
paywall-readership
8. Leckner, Sara e Appelgren, Ester. E-paper News
Publishing: Strategies for Product and Production. In
Nordicom Review. Stokholm, 2007.
9. Lévy, Pierre. As tecnologias da Inteligência: O futuro
do pensamento na era da informática. São Paulo:
Editora 34, 1997.
10.Lévy, Pierre. O que é virtual. São Paulo: Editora 34,
1996.
11.Memória, Felipe. Design para a internet: projetando a
experiência perfeita. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 45
12.Mielniczuk, Luciana. Características e implicações do
jornalismo na Web. IN: Anais do II Congresso da
SOPCOM, Lisboa, 2001.
13.Moherdaui, Luciana. Guia de Estilo Web: produção e
edição de notícias online. São Paulo: Senac São Paulo,
2000
14.Moura, Mônica. O design de hipermídia: comunicação e
semiótica. Dissertação (Doutorado em Comunicação).
PUC-SP. São Paulo.
15.Moura, Mônica. Design de hipermídia: dos princípios
aos elementos. São Paulo: Rosari, 2007.
16.Monteiro, Luis e Nojima, Vera Lúcia. Do papel ao
monitor - A transformação da publicação impressa em
digital: o caso do JB Online. 2002. Dissertação
(Mestrado em Design). PUC-Rio, Rio de Janeiro.
17.MSNBC.
http://www.msnbc.msn.com
18.Nielsen, Jakob: iPad and Kindle Reading Speeds
http://www.useit.com/alertbox/ipad-kindle-reading.html
19.Oliveira, Bruno Sérgio C. de e Monat, André Soares.
Aplicando técnicas de hipermídia adaptativa em jornais
online. 2007. Dissertação (Mestrado em Design). ESDI-
UERJ. Rio de Janeiro
20.Oyama, Thaís. Eles não arredam o pé. In Veja, no
2109, p.
104-106, abr. 2009
21.Preece, Jennifer, Rogers, Yvonne e SHARP, Helen.
Design de Interação: Além da interação homem-
computador. Porto Alegre: Bookman, 2005
22.Reagan, Gillian. New York Times demos the first
publisher app on Apple’s iPad. In: Business Insider,
2005
http://www.businessinsider.com/new-york-times-is-the-
first-publisher-shown-on-apples-ipad-2010-1
23.Ribas, Beatriz. O contexto digital e os gêneros
jornalísticos: considerações sobre a retórica da
narrativa na Web. 2007
http://www.facom.ufba.br/jol/pdf/2006_ribas_sbpjor_po
rtoalegre_narrativa.pdf.
24.RIBAS, Beatriz. Web Semântica e produção de notícias:
Anotações para o estudo da aplicação da tecnologia ao
campo do Jornalismo. Artigo apresentado como
Comunicação Coordenada, Mesa: Jornalismo e
Tecnologia, coordenada por Walter Teixeira Lima Jr, no
V SBPJor. Aracaju, 2007
http://www.facom.ufba.br/jol/pdf/2007_ribas_sbpjor_ar
acaju_websemantica.pdf.
25.Rupert Murdoch vai cobrar pelo conteúdo de todos os
seus sites. In: Folha Online, 2009
http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u
606507.shtml
26.Schwingel, Carla. O processo de produção e os
elementos constitutivos dos sistemas de publicação de
conteúdos do ciberjornalismo. In: Anais do V SBPjor -
Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo.
Aracaju, 2007.
27. Web 2.0.
http://en.wikipedia.org/wiki/Web_2.0
28.Yahoo Style Guide.
http://styleguide.yahoo.com/
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 46
Design de Interação: Estudo do Processo Interativo e
Semiótico em Espaços Físicos e Virtuais.
RESUMO
Este artigo apresenta um estudo sobre a influência que a
engenharia semiótica exerce na orientação de usuários em
espaços físicos e virtuais. Através de um resgate histórico
foi possível identificar os vetores que contribuíram para que
os seres humanos, dentro do processo de interação,
pudessem assumir códigos comuns de comunicação visual e
assim interagissem melhor com seu ambiente.
Palavras-chave autor
Interação, design, semiótica, comunicação visual
INTRODUÇÃO
A utilização de códigos visuais vem sendo uma das formas
que a sociedade encontrou para estabelecer um conjunto de
orientações capazes de normatizar ações em meio à vida
atribulada do cotidiano.
Entende-se como código visual todo o conjunto de sinais
visuais convencionais utilizados na comunicação dos seres
humanos, tais como as letras do alfabeto, as cores do
semáforo, os gestos utilizados pela Linguagem Brasileira de
Sinais (LIBRAS) e tudo o que transmite uma mensagem
previamente codificada.
Esses códigos, inseridos na cultura e no cotidiano,
representam, seguramente, significados que já estão
consagrados na vida das pessoas. Assim, diante de para
qualquer sinal vermelho entende-se que aquilo representa
ou significa perigo, proibição, e o mesmo acontece com a
cor verde, a qual inspira coisas positivas, de continuidade e
aprovação.
Porém, a familiarização com determinados códigos visuais
não implica o conhecimento de seus significados ou das
ações que ele influencia. O fato é que no decorrer dos anos
os códigos visuais assumiram um importante papel na
comunicação e na orientação. Em um primeiro momento,
apenas os espaços físicos foram influenciados, e os espaços
virtuais em um segundo momento, onde se percebe
claramente a adoção de metáforas e destes códigos visuais
para que o usuário destes espaços possa estabelecer relações
com a realidade.
O artigo prossegue organizado em seções: a primeira
apresenta um breve histórico dos códigos visuais; a segunda
a relação destes códigos com os signos;
CÓDIGOS VISUAIS
Em 1889, Pierre-Benjamin Brousset publicou na França —
La circulation humaine par les signaux à terre — um
fascículo que pretendia entre outras coisas criar um
conjunto de sinais codificados para a circulação das pessoas
na cidade. A sua idéia era dar ao público das cidades
liberdade de ação em diversas circunstâncias da vida,
ajudando a facilitar as decisões do grande contingente de
pessoas em todos os locais sujeitos a uma regulamentação
de ordem ou segurança. Com esse trabalho, Brousset
estruturou o sistema de circulação humana em três
elementos: a Direção em que se movem as pessoas, a
Indicação do trajeto e o Destino a alcançar.
A inspiração para propor esse conjunto codificado de sinais
para a circulação nas vias partiu da observação das
bandeiras utilizadas nas navegações marítimas, elas
oportunizaram a comunicação através do uso de cores e
formas, estabelecendo mensagens que são reconhecidas a
distância. Em princípio, a proposta de Brousset apresentava
a utilização de três cores principais, o verde, o vermelho e o
amarelo, que foram baseadas naquela que eram utilizadas
pela navegação, junto com outras cores de apoio, como o
preto e o branco, que combinados entre si definiam a
direção em situações de ambigüidade e que poderiam gerar
dúvidas.
O verde foi designado para identificar a direção que as
pessoas deveriam seguir, assim evidenciando o fluxo
permitido. O amarelo foi utilizado como um código de
advertência, que logo chamava atenção por seu contraste
muito forte no ambiente. O vermelho era uma cor
estritamente relacionada para uma informação de
interrupção, ou seja, seu código visual determinava que a
circulação tanto dos automóveis quanto dos pedestres por
determinado ponto fosse suspensa. Hoje, essas cores ainda
são utilizadas nas cidades e possuem forte impacto nos
Permission to make digital or hard copies of all or part of this work for
personal or classroom use is granted without fee provided that copies are
not made or distributed for profit or commercial advantage and that copies
bear this notice and the full citation on the first page. To copy otherwise,
or republish, to post on servers or to redistribute to lists, requires prior
specific permission and/or a fee.
CHI 2009, April 4–9, 2009, Boston, Massachusetts, USA.
Copyright 2009 ACM 978-1-60558-246-7/09/04...$5.00.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 47
ambientes virtuais, pois é através delas que as mensagens
de situações de erro, advertência e sucesso, são sinalizadas
aos usuários. Além dos códigos cromáticos, Brousset
propôs seis formas diferentes para indicar, principalmente,
o sentido de fluxo, como, para cima, para baixo, à direita, à
esquerda, acima à direita e acima à esquerda.
Anos depois, já no início do século XX, com o constante
aumento das cidades e, por conseqüência, a intensa
proliferação de veículos nas ruas motivou um conjunto de
ações promovidas por entidades privadas como a Michelin,
Renault, Citröen e o Clube de Turismo da França, assim
como as italianas Fiat, Pirelli e o Clube de Turismo da Itália
a fim de organizar as vias com a utilização de uma
sinalização viária. Essas entidades privadas não só
patrocinaram a colocação dos sinais de trânsito nas vias
públicas como também os utilizaram para promoção de suas
marcas que eram aplicadas junto às placas de sinalização.
Em 1908, no primeiro Congresso Internacional Viário
realizado em Paris na França, foi adotado um conjunto de
quatro sinais de obstáculos. As placas foram desenhadas
com uma forma circular, para que se diferenciassem das
placas retangulares que indicavam as rotas, e com símbolos
utilizados em branco sob fundo azul, que representavam a
passagem por um nível que era representado por uma
barreira ou cerca, um cruzamento, que tinha o desenho de
duas linhas sobrepostas formando um “X”, para indicar
uma lombada, utilizava-se o desenho de duas elevações na
pista, e para curva perigosa o desenho de um traçado
bastante fechado em formato de “Z”, Figura 1.
Figura 1. Sinais de trânsito na França, em 1908.
No decorrer das décadas a prática de sinalizar o trânsito
passou a ser requisito em cidades que recebiam visitantes
de outros países e que necessitavam de orientações claras e
seguras em sua viagem. Conselhos foram criados, normas
foram apresentadas e decisões de cunho internacional
puderam ser adotadas por diversos países. Esses sinais
viários passaram a fazer parte do repertório visual e da
cultura dos povos.
A sociedade, desde o início, foi exposta a esse conjunto de
normas e regulamentações que serviram como importante
instrumento de organização da vida cotidiana. Hoje,
percebe-se que a cultura absorveu alguns desses códigos,
que formam criados para atender determinadas demandas
de comunicação das ruas, mas que permanecem em nosso
repertório cognitivo até os dias de hoje. Esse fato representa
a positiva constatação de que muitos dos códigos visuais
utilizados nas ruas tornaram-se também facilmente
reconhecíveis nos ambientes virtuais.
Os ambientes virtuais, como a Internet e os programas de
computador, hoje, são as grandes avenidas por onde os
usuários transitam. O fluxo de entrada e saída desses
ambientes e plataformas computacionais diversas é intenso.
Os usuários têm contato com orientações, caminhos,
desvios e atalhos que os levam de um ponto ao outro, de
forma muita rápida. Os signos gráficos nesses ambientes,
sob a forma de cores, ícones ou símbolos, cumprem o
mesmo papel da sinalização viária, identificam lugares,
indicam caminhos, advertem sobre problemas, alertam
sobre perigos, etc., e contribuem para o melhor
entendimento da nossa navegação dentro do ambiente
virtual.
DE SIGNO A CÓDIGO VISUAL
O signo é a essência de qualquer mensagem gerada, com ou
sem a intenção de comunicar algo. Ele é o núcleo de
qualquer forma de comunicação do ser humano. Para Peirce
(2003) um signo é aquilo que representa algo para alguém.
Nas palavras de Epstein (2001), o signo é um ente mediato
ou algo que está por outra coisa. Costuma-se dizer que os
signos são tão importantes para o estudo da semiótica
quanto os átomos para a física ou as células para a biologia.
Sua relação é de mediação, pois ele carrega consigo o
significado de determinado objeto para que possa ser
interpretado por alguém. Assim, o signo faz parte de um
processo semiótico cumprindo a função de elo mediador
entre dois ou mais entes, Epstein (2001).
Entende-se que o signo responde por outra coisa, representa
algo e é compreendido e interpretado por alguém. O signo
não é um objeto com propriedades, mas uma relação
(BENSE  WALTER, 1975 apud in EPSTEIN, 2001,
p.20). Segundo Epstein (2001) o signo representa uma
função, a função sígnica. A função sígnica ocorre sob três
principais membros compostos pelo signo como meio, pelo
objeto designado e pela consciência interpretadora. Por
possuir essa relação triádica, um signo é signo quando há
alguém que possa interpretá-lo como signo de algo, em
conseqüência disso o significado é então a interpretação
desse signo, que por sua vez indica um objeto, (PEIRCE,
2003 apud in EPSTEIN, 2001, p.21).
Peirce destaca ainda que o processo semiótico não precisa
ser intencional e nem os signos produzidos de forma
artificial. Os sintomas e outros fenômenos naturais que se
tornam signos de outros fenômenos e todos os atos de
inferência codificados culturalmente são atos semióticos.
Em virtude disso, os signos foram classificados em dois
grupos: signos naturais e signos artificiais. Para Epstein
(2001), no primeiro sua função sígnica é simplesmente
inferida pelo homem, que através da observação de um
fenômeno deduz algo, no segundo essa função é instituída,
ou seja, é aceita como um costume.
Os signos naturais representam algo que pela observação de
uma constância indica um evento que conduz a um
conhecimento de outra coisa. A fumaça provocada pelo
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 48
fogo, por exemplo, não tem a intenção de gerar um signo,
mas pela nossa experiência deduzimos que embaixo dela
ele existe, mesmo quando há apenas a fumaça. Para Epstein
(2001) os signos naturais são eventos, fatos ou
simplesmente marcas que associam duas classes de
fenômenos mediados por códigos culturais. Desse modo, só
adquirem ao significado de signos porque, são observados
pelo homem como precedendo, sendo simultâneos ou
sucedendo outros fenômenos naturais. Tudo isso só tem
sentido quando os signos naturais representam algo que
esteja inserido dentro da cultura humana.
O ato de transmitir mensagens codificadas, ou seja,
mensagens artificialmente instituídas não representam algo
que deva prioritariamente existir para que sejam
interpretados e criados julgamentos sobre determinado
signo. O ser humano é capaz de atribuir significado mesmo
àqueles signos que não foram gerados com o intuito de
transmitir uma mensagem.
No caso dos signos artificiais a intencionalidade na
transmissão de uma mensagem é o que os diferencia dos
signos naturais. O estabelecimento de uma comunicação
entre os seres humanos no sentido de que ambos
compreendam o real significado da mensagem, só será
possível através da codificação das mesmas, pois o
entendimento exato do significado que se quer transmitir
necessita determinantemente do entendimento comum entre
o emissor da mensagem e o receptor dela, que terão no
signo convencionado, ou melhor, artificialmente instituído,
o fator chave para sua comunicação. Essa forma de
atribuição de um significado comumente estabelecido pode
ser denominada como o processo de codificação da
mensagem, onde o código, aqui, equivale ao significado
exato que será compreendido tanto pelo emissor da
mensagem quanto pelo receptor. Um exemplo de
mensagens codificadas são as bandeiras utilizadas na
navegação, e que Brousset utilizou como parâmetro na
criação de um código visual de circulação no trânsito das
cidades, onde algumas cores foram previamente
estabelecidas e convencionadas para que transmitissem
determinadas mensagens.
Essa forma visual convencionada de comunicar e o
posterior reconhecimento dos significados das mensagens
através dos signos artificiais podem ser denominados de
codificação visual, e o código visual representa as formas
com que a comunicação será estabelecida, seja através de
cores, letras, números, etc. que foram previamente
estabelecidos como os meios de transmissão de uma
mensagem compreensível.
OS SIGNOS E A COMUNICAÇÃO VISUAL
Todas as mensagens que são percebidas pelas pessoas
através dos seus sentidos e podem ser compreendidas como
o objeto de uma comunicação. Entre os animais percebe-se
que existe um padrão quando eles desejam se comunicar:
trocam sons, substâncias químicas ou posturas corporais,
por exemplo, com o objetivo de realizar a comunicação.
Epstein (2001) afirma que o único critério operacional
viável para configurar a ocorrência da comunicação entre os
animais é a mudança ostensiva de comportamento. Em
outras palavras, a comunicação pressupõe que exista uma
determinada resposta a algum estímulo gerado, seja ele
visual, sonoro, térmico, entre outros.
Para Munari (2006), praticamente tudo o que o ser humano
pode ver é comunicação visual, mas as condições
fundamentais para que ela funcione é a exatidão da
informação, a objetividade dos sinais, a codificação unitária
e a ausência de falsas interpretações. A comunicação visual
ocorre através de mensagens visuais de são emitidas ao um
receptor, que por sua vez possuí três filtros em que a
mensagem deverá passar: o filtro sensorial, o filtro
funcional e o filtro cultural.
O filtro sensorial diz respeito aos sentidos do emissor e sua
capacidade de assimilar uma mensagem de acordo com sua
condição física. Um exemplo está no daltonismo, cuja
condição de distinguir entre algumas cores representa uma
incapacidade de assimilar determinada mensagem
cromática. Já o filtro funcional diz respeito às
características psico-fisiológicas constitutivas do receptor.
Nesse caso uma criança analisa uma mensagem de forma
diferente do que um adulto. Por fim, o filtro cultural que é
estabelecido de acordo com o universo cultural de cada
indivíduo, ou seja, a mensagem só será assimilada se fizer
parte do repertório da pessoa.
Os componentes de uma mensagem visual são, segundo
Munari (2006), a informação que se quer transmitir
transportada pela mensagem, e o suporte, que é o conjunto
de elementos que a torna visível, como a forma, a cor, a
textura, o módulo, a estrutura etc. Ambos os elementos são
signos e como tal transmitem um significado para o
receptor.
Toda a comunicação visual baseia-se no emprego de signos,
sejam eles naturais ou artificiais. Para Epstein (2001) a
intencionalidade e o propósito da transmissão da
informação têem sido, desde há muito, um traço que separa
essas duas definições de signos. Os signos artificiais são
produzidos essencialmente pela ação do homem. A forma
de uma chaleira, os sinais de trânsito, o desenho de uma
maçaneta, as ruas da cidade, uma determinada cor aplicada
em alguma bandeira e tudo o que tenha sido feito
intencionalmente pelo ser humano representa e significa
alguma coisa. Ou seja, dentro de um contexto, o emissor da
mensagem gerou um signo que será reconhecido
visualmente pelo receptor, isto ocorre, pois existe uma
codificação que permite o emissor da mensagem e o
receptor estabelecerem uma comunicação.
Munari (2006) interpreta essa divisão de intencionalidade
dos signos dizendo que todas as mensagens que passam
pelos olhos possuem ao menos duas distinções: a
comunicação casual, conforme foi abordado previamente,
não representa uma intenção de transmitir uma mensagem,
e a comunicação intencional, que pelo contrário, deve ser
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 49
recebida na totalidade como um código preciso ou uma
informação precisa pretendida pela intenção do emissor.
A intencionalidade da comunicação pode ser observada sob
dois aspectos: o aspecto prático, que diz respeito à
funcionalidade dessas mensagens deixando de lado seu
caráter decorativo, e o aspecto estético, que por sua vez
representa a configuração de uma forma, sua volumetria e
relações harmônicas de proporção. Para Epstein (2001)
trata-se de duas funções: a função semântica e a função
estética. Moles (1969) apud in Epstein (2001) afirma que o
ponto de vista semântico é lógico, estruturado, enunciável e
facilmente traduzível de um suporte para outro, além disso,
ele prepara para ações. Já o ponto de vista estético é
dificilmente traduzido de uma linguagem a outra, é mais
difícil preparar estados e enunciá-lo.
Ainda segundo Epstein (2001), a função semântica
concerne de preferência, a determinação precisa do
significado, e assim sendo o significante deve ser claro e
não chamar a atenção sobre si, e na função estética, ocorre
o contrário, o significante torna-se mais opaco, chamando a
atenção sobre si, sobre sua forma e sua própria
materialidade.
Desse modo, a comunicação visual, representa um sistema
de signos compostos pelas mensagens — informações — e
pelos meios condutores — suportes — dessa mensagem
como as palavras, os sinais, os desenhos, as cores etc., que
inseridos na cultura de um povo assumem um determinado
significado sendo eles de função prática ou estética.
COMUNICAÇÃO E DESIGN NO PROCESSO DE
INTERATIVIDADE
Partindo-se do princípio que a interação é um ação exercida
mutuamente por duas ou mais “coisas”, e que o processo
interativo exige uma comunicação que permita que o
receptor de uma mensagem interaja ativamente com o
emissor, pode-se seguramente admitir que os ambientes
físicos e virtuais são planos onde ocorrem essas interações.
Levando-se, ainda, em consideração que toda a mensagem
fixada nos ambientes físicos e virtuais pode representar o
estabelecimento de um processo interativo, onde o usuário é
informado sobre algo e que existe uma resposta a essa
informação.
Isso é facilmente percebido ao andar por determinado
ambiente, onde os usuários são orientados a partir de sinais,
estes compreendem a informação que aquele ambiente está
transmitindo e a resposta é decidir que caminho escolher.
Assim, quando uma interface virtual é acessada o usuário
está buscando determinado objetivo e ela tem que orientá-lo
de alguma forma, de modo que seja possível chegar ao
destino pretendido. Os sinais que surgem no percurso de
interação do usuário estabelecem uma relação de interação
com ele, exigindo sempre uma tomada de decisão.
Caso contrário, se ocorrer uma quebra no processo
interativo, tanto da parte do usuário, por algum déficit
cognitivo, ou da mensagem que não foi adequadamente
codificada, a interatividade no ambiente deixa de existir.
Os códigos visuais utilizados tanto nos ambientes físicos
quanto virtuais são elementos fundamentais no processo
interativo com os usuários. Através de uma linguagem
codificada podem vir a ser decisivos no cumprimento de
algumas tarefas. A preocupação em desenhar esses sistemas
interativos faz parte do estudo do design de interação.
Winograd (1997) apud in Preece (2005) descreve o design
de interação como o projeto de espaços para comunicação e
interação humana. Já para Preece (2005) é o design de
produtos interativos que fornecem suporte às atividades
cotidianas das pessoas.
A visão exposta por Winograd (1997) parece revelar uma
maior abrangência do entendimento do que é o design de
interação, diferentemente da definição de Preece (2005)
focada em determinados objetos e não em uma idéia ampla
de espaços interativos, e sua relação com os usuários.
Assim pode-se entender que a interação só pode existir com
a reunião dos seguintes elementos: (i) o usuário que irá
manipular ou agir sobre determinada mensagem; (ii) a
informação estabelecida como um código convencionado e
compreendido dentro da relação entre emissor e receptor;
(iii) o suporte que é escolhido de acordo com as intenções
de comunicação do emissor e a capacidade do emissor em
recebê-la, sendo ele visual, sonoro, gestual, tátil, etc.; e (iv)
o ambiente determinado pela característica de sua
configuração que pode ser física ou virtual.
Figura 2. Interpretação do Processo Interativo.
Segundo essa proposta os usuários estabelecem a sua
interação dentro um ambiente físico ou virtual, assim
quando se está dentro de uma interface física, como um
parque público, ou em frente a uma interface virtual como
um programa de edição de textos, procuram-se as
informações que ajudarão a realizar as tarefas, como ir de
um ponto ao outro ou identificar locais, por exemplo.
A forma como serão entendidos os espaços físicos ou
virtuais é determinada pelas informações que são
disponibilizadas para compreender esse ambiente. Essas
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 50
informações são os códigos que foram estabelecidos
previamente entre o emissor e o receptor como sendo a
forma com que irão interagir dentro de um processo de
envio de uma mensagem e uma resposta a ela. Dentro dessa
lógica as informações estarão disponíveis para os usuários
sob a forma de um suporte que pode ser visual, sonoro, tátil,
gestual, ou seja, intimamente ligado aos sentidos do
usuário.
O design de interação é, portanto, o equacionamento das
variáveis que envolvem os usuários dos sistemas
interativos, dentro de ambientes físicos ou virtuais, e sua
comunicação a partir das respostas às informações alocadas
nos suportes que estabelecem relações com seus sentidos.
Desse modo, o usuário que identifica um ícone, ou seja, um
suporte visual, na sua área de trabalho do computador está
visualizando dentro de um ambiente virtual uma
informação codificada que permite com que ele tenha uma
resposta ao agir sobre determinada informação apresentada.
MODELOS CONCEITUAIS E METÁFORAS DE
INTERFACE
A tecnologia faz parte de uma realidade contida em nossa
cultura há pouco mais de três décadas. Antigamente,
quando era necessário pesquisar qualquer informação, não
era ao computador que as pessoas recorriam, mas sim às
revistas, aos jornais e aos livros, disponíveis todos os dias
sempre da mesma forma.
Com o advento da Internet, grande parte da informação,
hoje em dia, vem através do meio digital. As pessoas
passam a maior parte do dia em frente ao computador,
trabalhando, estudando, se divertindo e buscando
informação. E está tudo ali, na tela, ao alcance de alguns
cliques. Ao pensar que grande todas as informações sobre
tudo está na Internet, basta entrar em algum site de busca
que tudo sobre tudo está disponível de forma textual ou
gráfica.
Desse modo, pode-se afirmar que a Internet é um marco na
história da humanidade, principalmente, no sentido
evolutivo do saber humano. Assim como no momento em
que o homem descobriu a escrita como forma de
comunicação, o que se vê hoje são diversos avanços para
torná-la disponível através de diferentes meios, do virtual
ao real, do digital ao físico.
A busca por informação tornou-se uma obsessão por parte
de algumas pessoas. Úteis ou não, todas elas chegam até os
usuários através de uma interface. As interfaces, aqui
apresentadas como meios físicos ou virtuais de interação
entre informações e usuários, requerem sempre uma
resposta, ou ação diante dela. Dentro desta lógica a
observação das limitações físicas, psíquicas e culturais do
usuário faz parte da forma como uma determinada
informação será decodificada por ele.
Os ambientes construídos como shopping centers,
universidades, prédios públicos, etc. são verdadeiras
interfaces. Assim como nesses ambientes, ao se utilizar o
computador, percebe-se em ambos a necessidade de
orientação. As pessoas os acessam procurando realizar
determinada tarefa, que pode caracterizar-se pela busca de
um caminho, por exemplo.
Para transmitir informação nos ambientes construídos
podem ser utilizados recursos visuais, táteis e sonoros a fim
de criar uma interação com o usuário, ou seja, criando
conseqüentemente uma resposta ou uma tomada de decisão.
Nos ambientes virtuais a abordagem visual é ainda mais
latente. Ambos possuem informações pictóricas, textuais e
cromáticas que estabelecem uma estreita relação entre si.
Grande parte dos ícones que vemos no computador tem em
sua origem a associação com as placas regulamentadoras de
trânsito. Tudo isso porque quando o computador foi
introduzido na cultura já existia um conjunto de códigos
visuais capazes de fornecer ordens, advertências,
identificações e outras normatizações que eram
reconhecidas através das mensagens pictóricas, cromáticas,
etc.
Neste ponto cabe aqui trazer um conceito muito aplicado no
desenvolvimento das interfaces digitais, que são os modelos
conceituais e as metáforas de interface.
Para Preece (2005) o modelo conceitual é “uma descrição
do sistema proposto — em termos de um conjunto de idéias
e conceitos integrados a respeito do que ele deve fazer, de
como deve se comportar em com o que deve se parecer —
que seja compreendida pelos usuários da maneira
pretendida.”
Os modelos conceituais são baseados, principalmente, nas
necessidades dos usuários, onde o ponto central nesse
processo de design consiste, segundo Preece (2005), em
decidir, inicialmente, o que os usuários farão para conseguir
realizar suas tarefas.
A partir dessas definições pode-se retirar duas importantes
questões referentes a esses modelos conceituais aplicados,
principalmente, na atividade do usuário dentro de ambientes
virtuais, que são: a) a questão de que tipo de tarefa será
realizada pelo usuário; b) a questão de com o que deve se
parecer o sistema proposto. Essas duas questões levam,
inevitavelmente, a uma divisão dos modelos conceituais em
duas categorias principais: os baseados em atividades e os
baseados em objetos.
Segundo Preece (2005) os tipos mais comuns de atividades
em que os usuários estarão envolvidos são: a instrução, a
conversação, a manipulação e navegação, e a exploração e
pesquisa.
Cada uma dessas atividades tem propriedades diferentes e
sugerem maneiras diferentes de se desenvolver uma
interface. Dentro da questão levantada do tipo de tarefa será
realizada pelo usuário, a atividade de manipulação e
navegação possui uma estreita relação entre o ambiente
virtual e físico, como explica Preece (2005).
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 51
O ambiente virtual compartilha algumas das propriedades
do mundo físico, permitindo que os usuários utilizem seus
conhecimentos a respeito de como os objetos físicos se
comportam quando interagem com objetos virtuais.
(PREECE, 2005, p.63)
Para Preece (2005) a Manipulação e navegação é o modelo
conceitual que descreve a atividade de manipular objetos e
navegar por espaços virtuais explorando o conhecimento
que os usuários têm de como fazer isso no mundo físico. Ou
seja, todas as experiências cognitivas e perceptuais dos
usuários são lavadas em consideração no momento de
projetar, por exemplo, um sistema de signos gráficos
capazes de auxiliá-lo na realização de sua tarefa.
A importância de determinadas representações serem
diretamente associadas a objetos do cotidiano é
fundamental nos ambientes virtuais, que devido a ordem
cronológica estão suscetíveis à códigos visuais já
consagrados na cultura dos ambientes físicos. Dentro dessa
lógica a atividade de navegar ou percorrer um caminho
dentro de um ambiente virtual utiliza como modelo
conceitual as vias públicas e avenidas que transitamos. Essa
associação é tão clara que freqüentemente são utilizados
sinais gráficos muito parecidos com as mensagens e
códigos visuais utilizados nas ruas, como as placas de
trânsito, por exemplo, Figura 3.
Figura 3. Placa de advertência - espaços físicos (à esquerda) e
ícone de advertência – espaços virtuais (à direita).
A categoria de modelos conceituais baseados em objetos
“tendem a ser mais específicos do que modelos conceituais
baseados em atividades, enfocando a maneira como um
certo objeto é utilizado em um determinado contexto”
(PREECE, 2005, p.72). Estes modelos fazem, geralmente,
uma analogia com algo do mundo físico.
A primeira interface projetada com o intuito de estabelecer
a associação direta entre objetos do mundo físico no
ambiente virtual foi desenvolvida pela Xerox em 1981.
Através do sistema 8010 “Star” os desenvolvedores, que
passaram vários anos da fase inicial do projeto pensando
em um modelo conceitual adequado para utilização de um
sistema para escritórios, chegaram a uma solução que fazia
menção ao próprio ambiente físico dos usuários. Eles
queriam fazer com que os usuários imaginassem o
computador tal e qual um ambiente de escritório, assim
poderiam utilizar os mesmos objetos no ambiente virtual
que estavam acostumados a usar no ambiente físico. O
objetivo principal era tornar a experiência dos usuários com
a interface virtual mais familiar com as analogias feitas por
ele através dos ambientes físicos.
Outra importante forma de se descrever um modelo
conceitual é através das metáforas de interface. Segundo
Preece (2005) esse modelo pode ser baseado em uma
atividade do mundo físico ou objeto, ou em ambos. Ao
considerar mais uma vez que a navegação nos ambientes
virtuais constitui-se em uma metáfora alusiva ao próprio ato
de navegar por ambientes físicos, aí está motivo pelo qual
alguns ícones se apresentam em forma e cor muito similares
as mensagens visuais contidas em placas de trânsito.
Ao considerar o acesso a determinado conteúdo, este
pressupõe a entrada em determinado nível do percurso.
Qual seria a indicação supostamente mais familiar para
indicar que o acesso é restrito? Normalmente, como já foi
observado anteriormente, a indicação ocorre através das
cores das placas regulamentadoras do trânsito é que
exemplificam melhor essa informação. A cor vermelha
empregada nos ícones como forma de interromper a ação,
ou evidenciar que tal caminho ou informação está sob certo
aspecto impedido, negado, restringido, interrompido; ela é
feita na grande maioria das vezes por uma metáfora de
conhecimento familiar, ou seja, faz alusão diretamente as
ações e objetos do mundo físico que são as placas de
regulamentação nos acessos as avenidas principais, figura
4.
Figura 4. Placas de restrição à direita e ícones de
restrição à direita.
As metáforas de interface provaram ser muito bem
sucedidas, oferecendo aos usuários um mecanismo familiar
para orientá-los a entender e aprender como utilizar um
sistema. As pessoas consideram mais fáceis entender e
comentar a respeito do que estão fazendo na interface do
computador utilizando termos que lhes são familiares —
sejam elas avessas a computadores ou programadores
altamente experientes (PREECE, 2005, p.77).
Assim quando os desenvolvedores do sistema Star da Xerox
criaram um ambiente virtual a partir da associação direta a
organização de um escritório tiveram que adaptar as rotinas
empregadas no mundo físico para o ambiente virtual, como
o arquivamento de documentos em pastas, caixas de
correspondências, arquivos e outros objetos transformados
em ícones de computador, que guardavam semelhança ao
objeto físico.
CONCLUSÃO
Nota-se ao longo deste ensaio a tentativa de um estudo
semiótico dos códigos visuais que permitem a navegação
tanto no ambiente físico quanto virtual. Isso é perfeitamente
compreensível pelo fato de que ambos os ambientes são
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 52
projetados para que os usuários interajam por suas
estruturas, seja pela obtenção de uma informação ou pela
necessidade de identificar locais e mensagens que visem
auxiliá-lo nessa tarefa.
Através de um breve resgate histórico pudemos remontar o
momento em que a sociedade se viu diante da necessidade
da organização dos fluxos de pedestres e veículos, o que
notoriamente veio a se tornar não só um item de
organização de uma informação para as pessoas, mas um
código utilizado amplamente em diversos meios que
haveria o contato (interação) entre o homem e o meio físico
ou virtual.
Os códigos visuais enquanto signos artificiais
representaram assim uma importante ferramenta para a
sociedade ordenar as ações da vida cotidiana,
principalmente em ambientes onde o usuário necessitaria
trafegar, ou seja, sair de um ponto inicial em busca de um
objetivo final percorrendo caminhos e traçando rotas de
navegação, ou identificar determinados pontos que o fariam
reconhecer algum local.
Seu caráter convencional, atribuído justamente por sua
artificialidade, carrega informações tão poderosas que
somente através do estudo do significado que essas
mensagens transmitem é que poderíamos compreender sua
ampla aplicação em diversos meios de comunicação.
Não importa em que meio esteja sendo estabelecida essa
interação, o seres humanos sempre estarão em busca de
uma forma eficaz de comunicarem-se e tornar esse contato
com os sistemas de informação apenas ambientes mais
seguros que possam ajudar na sua tomada de decisão.
Dessa forma o estudo dentro desse campo do design de
interação representa uma importante contribuição para que
novas ferramentas e conhecimentos de outras áreas como a
semiótica, a psicologia e a ergonomia cognitiva se juntem
formando um saber decisivo dentro dessa área. No entanto
observa-se que somente estudos isolados talvez não
consigam efetivamente trazer a luz alguns conceitos que
podem estar em outros campos do saber.
Fica estabelecido, aqui, que a comunicação efetiva entre um
usuário e o ambiente ocorre por meio de uma interface,
percebe-se que tanto o mundo físico quanto o virtual
possuem uma estreita relação no que diz respeito a atuação
dos usuários dentro de seus espaços.
Pode-se assim, definir que a interface representa o meio
pelo qual se estabelece uma relação entre a informação e a
tomada de decisão. O olhar sobre as características
cognitivas do usuário nos ambientes sejam físicos ou
virtuais, faz parte de um estudo não só de semiótica, como
também aspectos sociológicos que ultrapassam as próprias
questões de significação.
Tudo faz parte de uma teia onde usuários dentro de
ambientes atribuem ao seu próprio saber os aspectos
decorrentes da observação e entendimento dos códigos
visuais que por ele são aceitos como parte de seu próprio
código de vida. Assim, tanto as cores quanto as formas em
termos gerais são o que são, seja no mundo físico ou virtual
e constituem-se por meio de uma disseminação cultural em
parâmetros para a ordem da vida cotidiana.
BIBLIOGRAFIA
1. Costa, Joan. Señalética Corporativa. Barcelona: Costa
Punto, 2007.
2. Epstein, Isaac. O Signo. 4. ed. São Paulo: Ática, 1991.
3. Munari, Bruno. Design e Comunicação Visual:
contribuição para uma metodologia didática. São Paulo:
Martins Fontes, 2001.
4. Preece, Jennifer; Rogers, Yvone; Sharp, Helen. Design
de interação: além da interação homem-computador.
Porto Alegre: Bookman, 2005.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 53
Recomendaçõses de usabilidade para TV Digital Interativa baseadas na
experiência dos usuários com os celulares
Harlley Roberto de Oliveira
IEC PUC Minas - Instituto de Educação Continuada
Av. Brasil, 2033, 7.º andar – Praça da Liberdade
Belo Horizonte/MG – CEP 30.140-002
harlley@gmail.com
RESUMO
Este artigo descreve como a interatividade da TV vem
evoluindo ao longo dos anos e hoje é possível interagir pelo
telefone, SMS, Internet e até pelo próprio aparelho de
televisão. Explica como é possível aproveitar na indústria
da TV interativa, as formas de interação e de usabilidade
que foram estudadas e aprendidas durante anos no mercado
de celulares.
Palavras-chave
TV Digital Interativa, Usabilidade, celular, recomendações
INTRODUÇÃO
Desde sua invenção, a TV sofreu duas grandes mudanças, a
primeira foi o início da transmissão das imagens em cores,
que até então, só eram feitas em preto e branco. A segunda
grande mudança foi a digitalização da TV, que ganhou
qualidade na transmissão de som, imagem e a possibilidade
do telespectador interagir diretamente com o conteúdo
exibido.
Este artigo pretende apresentar uma síntese da história e
evolução da interatividade na televisão e apresentar várias
opções de tecnologia que já são realidade e ampliam as
possibilidades de interatividade com a TV.
Com o aumento das funcionalidades da televisão, se torna
necessário um estudo sobre a usabilidade destes novos
aparelhos e tecnologias. Pelo fato dessa evolução da
televisão ser bastante recente, poucos estudos foram feitos.
Este artigo compara a forma de interação da TV e dos
celulares, e propõe que se use algumas recomendações de
usabilidade feitas pela indústria de celulares, no recente
mercado de aplicativos para TV que está se formando.
INTERATIVIDADE NA TV
Interatividade pode ser definida como “a extensão em que
os usuários podem participar modificando a forma e o
conteúdo do ambiente mediado em tempo real.” (Primo
apud Steuer, 1993). A interatividade na TV vem evoluindo
ao longo dos anos. Atualmente, é comum que essa
interatividade seja feita pelo telefone, Internet e até mesmo
diretamente pelo aparelho de televisão.
Existia um programa de televisão na década de 1950
chamado Winky Dink que pode ser considerado o primeiro
programa interativo da televisão. As crianças interagiam
com o programa através de um kit que tinha canetinhas
hidrocor e uma película transparente para colocar na tela da
TV. Eram exibidas imagens pontilhadas para que as
crianças completassem usando as canetinhas coloridas.
Figura 1: Programa Winky Dink da década de 1950
No Brasil, uma das primeiras experiências de sucesso
envolvendo a interação dos telespectadores com um
programa de televisão, foi na década de 1990 na Rede
Globo, com o programa Você Decide. Eram exibidas
pequenas histórias, que no final sempre envolviam decisões
polêmicas que os personagens precisavam tomar. Era aberto
um espaço de votação por telefone, onde o público podia
escolher o melhor final para o episódio.
Outra experiência de interatividade na televisão brasileira
inaugurado em 1996, também pela rede Globo, foi uma
sessão de filmes chamada Intercine. Durante o intervalo do
programa, a emissora anuncia dois filmes, dos quais o
telespectador pode escolher um e votar por telefone. Então
o filme mais votado é exibido no dia seguinte.
Em alguns programas jornalísticos atualmente, os
telespectadores têm a oportunidade de conversar pela
Internet com especialistas que participaram de determinado
programa. As pessoas também podem enviar mensagens e
vídeos, que podem ser exibidos durante os programas.
Outro sucesso de interatividade na televisão, que engloba
interatividade através de telefone, mensagens de texto e
Internet, é o reality show Big Brother Brasil. Nele os
telespectadores decidem quem sai do jogo e interferem em
vários outros aspectos do programa. Um episódio que
ilustra bem o poder da interatividade do usuário, foi uma
determinada prova que ocorreu no programa. Os usuários
podiam decidir pela Internet, como o ambiente no jogo se
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 54
comportava com os participantes. Existiam dispositivos
conectados pela Internet, que simulavam chuva, vento,
temperatura e iluminação do ambiente.
Figura 2: Exemplo de interatividade no programa Big Brother
Brasil.
Cada um dos exemplos citados mostra um tipo de
interatividade. Segundo Bordewijk e Kaam, Jensen citados
por Primo (2005) existem quatro tipos de interatividade: a)
interatividade de transmissão, onde o usuário pode escolher
dentro de algumas opções, o conteúdo que deseja receber;
b) interatividade de consulta, o usuário pode solicitar
conteúdo através de mão dupla com o auxílio de um canal
de retorno; c) interatividade de conversação, onde o usuário
pode produzir e enviar suas próprias informações em um
via de mão-dupla; d) interatividade de registro, que registra
informações do usuário e responde às necessidades e ações
dele.
De acordo com uma pesquisa feita pela Nielsen Company
(2009) nos Estados Unidos, 59% das pessoas assistem
televisão e acessam a Internet ao mesmo tempo. Aqui no
Brasil também é possível observar este mesmo
comportamento, principalmente no microblog Twitter. As
pessoas interagem com os seus amigos fazendo comentários
sobre o programa de televisão que estão assistindo naquele
momento. Vários programas de TV e artistas têm um perfil
no Twitter para interagir diretamente com os
telespectadores.
Enquanto muitas pessoas usam a Internet para interagir com
o conteúdo da TV, muitas outras fazem o caminho inverso,
e usam a Internet para acessar conteúdos que até pouco
tempo só estavam disponíveis através de emissoras de
televisão, operadoras de tv a cabo e locadoras. O YouTube,
site de compartilhamento de vídeos na Internet, exibiu 5,5
bilhões de vídeos só no mês de abril de 2009. O serviço
Hulu, que é especializado em exibir vídeos de maior
duração, como filmes e séries, em abril de 2009 teve um
crescimento de 490% de exibições em relação ao mês de
abril de 2008 (Nielsen Company, 2009).
A Internet também é usada para baixar filmes e séries
através de um protocolo de compartilhamento de arquivos
chamado torrent. Um fato que evidencia o hábito dos
usuários em baixar filmes e séries pela Internet é o recorde
de número de downloads do último episódio da série Lost.
Mais de um milhão e meio de pessoas em todo o mundo
baixaram o episódio em um período de 24 horas após a
exibição na TV nos EUA (Portal G1, 2010).
Observando esta tendência de convergência entre a TV e a
Internet, muitas empresas desenvolveram produtos que têm
o objetivo de fazer essa integração entre as duas
tecnologias.
TECNOLOGIAS
A primeira iniciativa de integração da TV com a Internet foi
a Web TV, um set-up-box que era ligado na TV e permitia
navegar na Internet e visualizar emails. Foi criada por Steve
Perlman e vendida em 1997 para a Microsoft, onde teve o
seu nome mudado para MSN TV.
Em 2006, Steve Jobs, Co-fundador da empresa Apple,
anunciou a Apple TV, um aparelho eletrônico que deve ser
ligado na televisão e serve para ver vídeos no Youtube e
alugar e ver filmes em alta definição.
Existe também uma opção de código livre. O XBMC (Xbox
Media Center) é um software que pode transformar
qualquer computador em uma central multimídia, para ver
fotos, filmes e músicas baixados da Internet. Basta instalar
no computador e conectar o computador a televisão.
O Boxee Box da empresa D-link é um hardware que já vem
com um software derivado do XBMC chamado Boxee. Ele
é composto de uma caixa e um controle remoto que tem em
uma de suas faces um teclado qwerty.
Figura 3: Boxee Box e seu controle remoto com teclado
qwerty.
Mesmo sem comprar o hardware, é possível baixar
gratuitamente o software Boxee e instalar em qualquer
computador ou Apple TV ligados a televisão.
Os consoles de vídeo-games mais modernos, como
Nintendo Wii, Playstation 3 e X-Box 360 também têm
recursos de integração da TV com a Internet. Além de
navegação em sites e organização de músicas e fotos, é
possível baixar filmes e seriados diretamente da Internet
para a casa do usuário. Estes vídeo-games têm uma parceria
com a Netflix, maior empresa de aluguel de vídeo sob
demanda, que tem mais de 13 milhões de clientes. Este
serviço está disponível somente nos EUA.
Além de vídeo-games, a Netflix tem parceria com diversos
fabricantes de equipamentos como blue-ray players, home
theaters e televisores. O sucesso de serviços como Netflix,
prova que os usuários estão cada vez mais interessados em
escolher o horário e o conteúdo que querem assistir.
Comportamento bem diferente do que é oferecido
atualmente na TV aberta e TV a cabo.
Estes produtos têm uma característica em comum: eles
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 55
trazem conteúdo da internet para a TV, porém eles não são
integrados com o conteúdo da TV aberta ou a cabo. Isto
significa que o usuário deve escolher em assistir o conteúdo
vindo da Internet ou o conteúdo vindo das emissoras de TV.
Não é possível acessar os dois tipos de conteúdo ao mesmo
tempo. O Yahoo e a Google lançaram plataformas de
desenvolvimento de aplicativos que se integram melhor
entre o conteúdo vindo das emissoras e o conteúdo que vem
da Internet.
O Yahoo anunciou na feira de tecnologia CES de 2009, o
lançamento de uma plataforma de desenvolvimento de
widgets para TV, chamada Yahoo! Connected TV. O
Yahoo fez parcerias com Samsung, LG e Sony, e estas
empresas já disponibilizaram no mercado televisores e
aparelhos de blue ray compatíveis com widgets. Widgets
são pequenos aplicativos que tem funções específicas como
previsão do tempo, acesso a redes sociais, exibição de fotos,
entre outras. É um recurso bastante conhecido por usuários
de computadores e celulares.
“Widgets are rich Internet applications that
traditionally have been run on the desktop, inside a
browser, or inside a mobile device.” (Yahoo, 2010)
Conforme uma pesquisa feita pela comScore (2007), líder
global de métricas digitais, cerca de 177 milhões de pessoas
usaram widgets na web em abril de 2007. Pela sua
simplicidade e número reduzido de funcionalidades, os
widgets tem grandes chances de se tornarem um padrão de
exibição de conteúdo da web na TV, pois eles ocupam
apenas parte da tela da TV e não atrapalham a exibição do
conteúdo que está sendo exibido.
Em maio de 2010, a empresa Google em parceria com
empresas como Sony, Intel e Logitech anunciaram o
lançamento da Google TV, que deve vir em alguns blue-ray
players e televisores da Sony, além de set-up-boxes da
Logitech. O principal diferencial da Google TV em relação
aos outros produtos relatados é que, por utilizar o sistema
operacional Android, será possível os desenvolvedores
criarem aplicativos exclusivos para a TV. Além disto, virá
com o navegador Google Chrome. Isto permitirá levar aos
usuários um experiência muito rica de Internet através dos
televisores.
Assim como os celulares evoluíram e se transformaram em
Smartphones, tendo uma experiência rica de internet e a
possibilidade de instalação de aplicativos, o mesmo está
acontecendo com os televisores, evoluindo para o que
muitos profissionais de tecnologia estão chamando de
SmartTV.
INTERATIVIDADE NO CANAL ABERTO DE TELEVISÃO
BRASILEIRA
No dia 26 de novembro de 2003 através do decreto n.º
4.901 (DOU, 2003) foi instituído o Sistema Brasileiro de
Televisão Digital – SBTVB, que tem como objetivo mudar
o padrão de transmissão dos canais de TV aberta de sinal
analógico para o sinal digital. Além da melhoria da
qualidade de imagem e a possibilidade de exibição de
vídeos em alta definição, o sistema brasileiro de TV digital
oferece a possibilidade de envio de dados através do canal
de interatividade (ABNT, 2008). Desta forma será possível
aos usuários receberem aplicativos através de broadcast e
interagirem com as emissoras através do canal de
interatividade, que pode ser feito pela Internet, através de
banda larga, internet discada e 3G. Pode ser feito também
através de SMS, no caso de celulares compatíveis com o
Sistema Brasileiro de TV Digital.
Para se ter acesso a interatividade, é necessário que o
conversor digital seja compatível com a tecnologia Ginga,
camada de software responsável em garantir a
compatibilidade entre o hardware dos diversos receptores
com as aplicações interativas desenvolvidas para a TV.
(Soares e Barbosa, 2009)
Figura 4. Aplicações interativas experimentais utilizando
Ginga.
As aplicações interativas do sistema brasileiro de TV digital
dependem das emissoras para serem desenvolvidas e
distribuídas para os usuários. Isso pode limitar os tipos de
aplicações que serão criadas, limitando-se ao interesse das
emissoras. Este modelo de distribuição de aplicativos leva
desvantagem em relação aos modelos criados pela Google e
Yahoo.
É essencial criar um ecossistema de aplicativos que possam
ser criados por qualquer empresa de software e que fiquem
a disposição dos usuários para instalação nas suas
televisões. Se não, pode ocorrer o mesmo que aconteceu
com o mercado de aplicativos para celulares no Brasil.
Enquanto o desenvolvimento de aplicativos dependiam
exclusivamente das operadoras de telefonia celular, as
ofertas eram escassas e se limitavam a ringtones e jogos
muito simples.
O desenvolvimento de aplicativos para celulares só se
popularizou depois de iniciativas de lojas de aplicativos
como a AppStore da Apple e Android Market do Google,
onde desenvolvedores de todo o mundo tem a possibilidade
de desenvolver aplicativos e os usuários tem uma gama
enorme de opções de aplicativos para instalarem em seus
celulares.
TV INTERATIVA E A USABILIDADE
O que vimos até agora, mostra que a televisão está
ganhando várias funcionalidades, como vídeo sob demanda,
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 56
instalação de aplicativos e acesso a Internet. Com isso se
faz necessário ter um estudo maior em relação a interação
com o usuário.
Embora a TV esteja evoluindo e agregando cada vez mais
funcionalidades, existem poucos estudos em relação a
usabilidade. “Usabilidade é geralmente considerada como
o fator que assegura que os produtos são fáceis de usar,
eficientes e agradáveis da perspectiva do usuário” (Preece,
Rogers e Sharp, 2005).
Com a televisão convergindo com a Internet, é comum que
se tente aproveitar aspectos de interação já existentes nos
computadores. Porém, a interação entre o usuário e a
televisão tem alguns pontos diferentes em relação a
interação com o computador.
O computador é usado geralmente por apenas uma pessoa
de cada vez e a poucos centímetros de distância, enquanto
que a TV é usada geralmente por mais de uma pessoa ao
mesmo tempo e fica a uns 3 metros de distância dos
usuários. Enquanto no computador é comum ser feito uma
grande entrada de dados através do teclado, na TV a
principal tarefa é assistir aos programas e a entrada de
dados é bem menor do que em um computador. (Nielsen,
1997)
Além de comparar a televisão com o computador, é
possível fazer a comparação com um outro dispositivo que
está cada vez mais presente na vida das pessoas, o celular.
Pan e Ryu (2009) acreditam que os estudos e as lições
aprendidas pela indústria de celulares podem ajudar no
desenvolvimento de interfaces para a televisão. Além disso,
a maioria dos usuários de celular também são usuários de
televisão.
O celular foi criado para fazer e receber ligações. O que fez
com que inicialmente, tivesse uma interface simples,
basicamente números e botões para atender e cancelar
chamadas. Muito parecida com a que as pessoas estavam
acostumadas no telefone fixo.
A medida que foram inseridas novas funcionalidades, como
envio de mensagens de texto, música, fotos e acesso a
Internet, a interface começou a se tornar mais complexa,
com a adição de teclas direcionais, menus de navegação e
teclado alfa-numérico. Pelo fato de terem ficado mais
complexos por causa do aumento de funcionalidades, a
usabilidade passou a ser um diferencial para o sucesso dos
celulares e de seus aplicativos (Pan e Ryu, 2009).
A maioria dos celulares (com excessão dos que são
touchscreen) tem similaridades de interação com o controle
remoto da televisão. Os menus são controlados por teclas
direcionais e tem teclas específicas para interação com o
software. Tanto em aplicativos na TV quanto no celular, é
recomendado que se minimize a necessidade de entrada de
textos.
Figura 5. Similaridades de interação entre celular e televisão.
Apesar da televisão ter uma tela bem maior que o celular,
não é recomendado que este espaço todo seja ocupado pela
exibição de aplicativos e menus, pois poderia atrapalhar a
principal interação do usuário com a televisão, assisti-lá.
Por isso o formato de widget (pequenos aplicativos) é o
mais indicado para a TV. O celular também tem restrição
na exibição de muito conteúdo em sua tela, primeiramente
por causa do tamanho e em segundo porque o usuário
geralmente faz outras tarefas enquanto o usa. Os
aplicativos, tanto na TV quanto no celular, devem ser
simples e cumprir seus objetivos rapidamente, sem tirar a
atenção do usuário em sua tarefa principal.
Figura 6: Aplicativos de previsão do tempo em uma TV e no
Iphone, respectivamente.
Considerando o uso de widgets como uma forma de
interação entre o usuário e a televisão, e as similaridades
entre estes widgets com aplicativos para celulares, é
possível aproveitar as recomendações de empresas da
indústria de celulares.
RECOMENDAÇÕES DE USABILIDADE
Apple e Nokia têm recomendações (guidelines) para o
desenvolvimento de interfaces para celulares, que podem
ser aproveitadas no desenvolvimento de widgets para a TV.
A empresa Google também têm recomendações específicas
para o desenvolvimento de aplicativos para TV.
“As recomendações (guidelines) e os padrões
(standards) de design existem para ajudar os
designers a criarem designs melhores a partir da
experiência de outros.” (Preece, Rogers e Sharp,
2005)
A empresa Apple sugere em seu iPhone Human Interface
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 57
Guidelines:
• A tela compacta do iPhone faz com que seja
necessário desenvolver uma interface específica
para o aparelho, menor do que as interfaces feitas
para computadores de mesa.
• Mostrar na interface sempre uma tela de cada vez,
diferente dos aplicativos para computadores de
mesa, onde é comum mostrar várias janelas ao
mesmo tempo, geralmente uma sobrepondo a
outra.
• A interface deve ser intuitiva a ponto de o usuário
não precisar da Ajuda do aplicativo para aprender
como usá-lo.
• A interface deve sempre dar feedback das ações
acionadas pelo usuário. É importante manter o
usuário sempre informado sobre o status da
aplicação.
• Digitação de textos toma tempo e atenção do
usuário, é recomendado minimizar a necessidade
de entrada de dados e sempre optar pela interação
onde o usuário escolhe uma opção de menu.
Normalmente é mais fácil para o usuário,
selecionar um item de uma lista do que digitar
palavras.
• Mostrar informações sucintamente, quando o texto
na interface é curto e direto, o usuário compreende
mais rapidamente as ações que deve tomar.
• Focar na tarefa principal. Ao decidir o que mostrar
em cada tela da aplicação, veja o que é crítico e
realmente necessário para o usuário naquele
momento.
A empresa de celulares Nokia sugere em seu Top 10
usability guidelines for S60 applications:
• Forneça um modelo claro de navegação.
Funcionalidades essenciais devem sempre aparecer
na tela principal, e a navegação deve focar nas
principais tarefas.
• Use a linguagem do usuário. Usar linguagem
familiar dos usuários da aplicação e evitar termos
técnicos.
• Esconda a complexidade da conexão do celular.
Status de conexão deve ser mostrada claramente.
• Forneça feedback útil. Se o processamento levar
mais que meio segundo, é recomendado indicar
que algo está acontecendo.
• Seja consistente com controles. Diminua a
quantidade de erros usando as teclas de
funcionalidades dos celulares, conhecidas como
softkeys.
• Forneça um menu de opções simples.
• Use abas de forma inteligente. As principais
funcionalidades devem estar na primeira aba.
• Facilite a entrada de informações. Ao invés de
entrada de texto, prefira disponibilizar uma lista de
opções, para que o usuário escolha uma. Ofereça
sempre valores padrões.
• Mostre a informação de forma clara. Informações
essenciais não devem ser mostradas só na forma de
ícones. Use cores e símbolos pra destacar e
agrupar ítens.
• Forneça ajuda. Ajuda contextual deve ser
disponibilizada na aplicação. Informações detalhas
devem estar disponíveis em um site ou no manual.
A empresa Google também sugere algumas recomendações
para criar websites e aplicativos para o seu novo produto, o
Google TV (Google, 2010):
• Entenda que o conteúdo é o que mais importa.
Forneça o conteúdo desejado para ele o quanto
antes. Não interrompa quando o usuário estiver
assistindo TV, melhore a experiência que ele está
tendo.
• Respeite o contexto da sala de estar. Pense sobre o
que os usuários podem querer ou não, quando
estão assistindo TV com a família e amigos.
• Se lembre que a TV é social. Leve em
consideração como grupos de pessoas podem usar
seu aplicativo e ofereça formas em que a pessoa
mesmo sozinha, use a TV em um contexto social.
• Aprenda as vantagens e desvantagens da tela e do
aúdio da TV. As cores na TV podem aparecer de
forma diferente. O texto deve ser legível a
distância. O som também é uma possibilidade de
interação.
• Ofereça opções simples e faça com que as formas
de interação sejam óbvias e fáceis de escolher.
Tenha uma navegação simples, para ser feita pelas
teclas direcionais do controle remoto.
• Agrupe seu conteúdo, controles e interações por
prioridade e dispense tudo o que não for essencial.
• Faça com que a ação principal esteja acessível a
um clique. Não esconda funcionalidades
importantes em um menu.
• Sempre que possível deixe uma opção padrão já
selecionada.
• Evite usar ícones abstratos. Use textos curtos,
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 58
claros e os teste com os usuários.
• Diminua a necessidade do usuário fazer rolagem
vertical da tela.
• Navegação é um ponto crítico. O usuário precisa
de uma interação que seja rápida e fácil de ser
acionada a distância com o controle remoto,
geralmente com uma mão e no escuro.
• A tela da TV é diferente do computador. Evite
cores muito saturadas e com muito brilho. Faça
elementos de interface maiores, como botões,
imagens e textos.
• Aproveite as vantagens de uma tela grande e
projete sempre considerando resoluções de
1280x720 e 1920x1080.
Observando as recomendações da Apple, Nokia e Google é
possível notar que tanto na interação com celular, quando
na interação com a TV, várias recomendações estão
relacionadas a simplicidade.
“Take things away until the design breaks, then
put that last thing back in.” (Cooper, 2007)
“Dialogues should not contain information which
is irrelevant or rarely needed. Every extra unit of
information in a dialogue competes with the
relevant units of information and diminishes their
relative visibility.” (Nielsen, 2005).
O aplicativo deve sempre ter apenas as funciondades
essenciais e que possam ser acionadas de forma rápida.
Outro ponto que as recomendações tem em comum é que
tanto no celular quando na TV existe uma restrição de
entrada de dados, isso faz com que seja necessário evitar
entrada de dados através de digitação de textos.
Para atender as necessidades de interação da TV, é possível
compilar as recomendações estudadas em 6 recomendações:
• Navegação simples através de menus acionados
pelas teclas direcionais (setas) e teclas coloridas
(vermelho, verde, azul e amarelo) do controle
remoto.
• Entrada de dados deve ser feita sempre que
possível através de lista de opções com valores
padrões pré-selecionados. Se houver necessidade
de entrada de texto, deve ser usado o teclado alfa-
numérico do controle remoto.
• Textos, imagens e botões devem ser grandes e
legíveis a uma distância de até 3 metros,
considerando resoluções de 1280x720 e
1920x1080.
• Manter o usuário informado (feedback) sobre o
status do aplicativo sem interromper o conteúdo
que está sendo exibido na TV. Pode ser usado sons
e pequenas animações para chamar a atenção do
usuário.
• Os textos devem ser curtos, diretos e falarem a
língua do usuário.
• Sempre considere que a TV geralmente é usada
por mais de uma pessoa ao mesmo tempo.
CONCLUSÃO
Este artigo apresentou um breve histórico sobre a
interatividade na televisão e as tecnologias que estão
trazendo novas funcionalidades para a TV. Com este
aumento de funcionalidades se faz necessário um estudo da
usabilidade, para não tornar a TV complicada de usar.
Sendo a TV interativa um recente paradigma de interação,
foram feitos poucos estudos de usabilidade em relação a
ela. Então a proposta do trabalho foi fazer um comparativo
das formas de interação entre celular e TV e se chegou a
conclusão que é possível aproveitar a experiência dos
usuários com celulares para desenvolver a interface dos
aplicativos para TV. Foram elaboradas 6 recomendações de
usabilidade baseado em recomendações feitas pelas
empresas Apple, Nokia e Google.
REFERÊNCIAS
1. ABNT NBR 15607-1 (2008). Associação Brasileira de
Normas Técnicas, Televisão digital terrestre – Canal de
Interatividade, Parte 1: Protocolos, interfaces físicas e
interfaces de software.
2. Apple (2010) iPhone Human Interface Guidelines.
Disponível em:
http://developer.apple.com/iphone/library/documentati
on/UserExperience/Conceptual/MobileHIG/Introduction
/Introduction.html. Último acesso em 11 de Junho de
2010.
3. comScore (2007) Widget Metrix. Disponível em:
http://www.comscore.com/Press_Events/Press_Releases
/2007/06/comScore_Launches_Widget_Metrix. Último
acesso em 23 de abril de 2010.
4. Cooper, Alan. About Face 3: The Essentials of
Interaction Design. Willey, 2007.
5. IBGE (2008) Pesquisa Nacional por Amostra de
Domicílios – 2008. Disponível em:
http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/notici
a_visualiza.php?id_noticia=1455. Último acesso em 11
de Maio de 2010.
6. Google (2010) Designing websites for Google TV.
Disponível em:
http://www.google.com/tv/developer/. Último acesso
em 14 de Junho de 2010.
7. Nielsen Company (2009) Tree Screen Report.
Disponível em:
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 59
http://in.nielsen.com/site/documents/3Screens_4Q09_U
S_rpt.pdf. Último acesso em 01 de Maio de 2010.
8. Nielsen Company (2009) News Release. Disponível
em: http://blog.nielsen.com/nielsenwire/wp-
content/uploads/2009/05/nielsenaprilvideocensus.pdf.
Último acesso em 27 de Maio de 2010.
9. Nielsen, Jacob. TV Meets the Web. Alertbox for
February 15, 1997. Disponível em:
http://www.useit.com/alertbox/9702b.html. Último
acesso: em 11 de junho de 2010.
10. Nielsen, Jacob. (2005) Ten Usability Heuristics.
Disponível em:
http://www.useit.com/papers/heuristic/heuristic_list.ht
ml. Último acesso em 14 de Junho de 2010.
11. Nokia (2010) Top 10 usability guidelines for S60
applications. Disponível em:
http://http://library.forum.nokia.com/index.jsp?
topic=/Design_and_User_Experience_Library/GUID-
91171CD3-FAF5-4B57-B6AE-30A407C66F16.html.
Último acesso em 14 de Junho de 2010.
12. Pan, Younghwan;Ryu, Young Sam . Insights for the TV
Interface from the Mobile Phone Interface. Journal of
Usability Studies. Vol. 4, Issue 4, August 2009.
Disponível em:
http://www.upassoc.org/upa_publications/jus/2009augu
st/ryu1.html. Último acesso: em 3 de junho de 2010.
13. Portal G1 (2010) Final de ‘Lost’ bate recorde de
downloads na internet. Disponível em:
http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2010/05/final-de-
lost-bate-recorde-de-downloads-na-internet.html.
Último acesso em 27 de Maio de 2010.
14. Preece, Jenifer; Rogers, Yvonne; Sharp, Helen. Design
de interação: além da interação homem-computador.
Porto Alegre: Bookman, 2005.
15. Primo, Alex. Enfoques e desfoques no estudo da
interação mediada por computador. Disponível
em:www.ufrgs.br/limc/PDFs/enfoques_desfoques.pdf
. Último acesso em 08 de junho de 2010.
16. Soares, L. F. G. ; Barbosa, Simone Diniz Junqueira .
Programando em NCL. 1. ed. Rio de Janeiro: Elsevier -
Campus, 2009
17. Yahoo (2010) Design Guidelines. Disponível em:
http://developer.yahoo.com/connectedtv/devguide/CT
V_DG_Design_Guidelines.html#CTV_DG_User_Interf
ace_Dimensions. Último acesso em 14 de Junho de
2010.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 60
Reconhecimento de Fonemas usando Predição Linear
para movimento labial de modelos faciais humanóides
virtuais
Raphael T. S. Carvalho, Rodrigo C. S. Costa, Paulo C. Cortez
Universidade Federal do Ceará, Brazil
Dept. de Engenharia de Teleinformática
Grupo de Interação Homem Máquina
raphael, rodcosta, cortez@gihm.info
ABSTRACT
Linear predictive analysis is a technique widely used in the
recognition of phonemes. In this article, we discuss the
different aspects of their applications in vowel recognition
of the Portuguese language and lip movements of a virtual
humanoid facial model. LP analysis is used to extract
features of the shape of the vocal tract, which is correlated
with the phoneme being spoken. The vectors of extracted
features are classified into a set of seven vowels using
artificial neural networks. The computational effort and
performance classification of this technique are analyzed.
The information extracted from the vowel can be applied to
the lip movement in entertainment applications and avatar
animation in virtual environments.
Author Keywords
Linear Predictive Analysis, vowel recognition, avatar
animation, lip movements.
1. INTRODUÇÃO
Personagens animados por computador podem ser
representados em duas ou três dimensões. Conhecidos
como humanóides virtuais ou avatares, podem ser
controlados por diferentes técnicas. Nas indústrias de jogos
são tradicionalmente manipulados através de joysticks.
Também é possı́vel animá-los através da utilização de
comandos presentes em interfaces gráficas, nas quais o
usuário deve escolher os comandos dentre um conjunto
finito de botões ou através de um mouse ou teclado [12].
Existem várias metodologias para animar um modelo facial
humanóide virtual, podendo ser baseadas em parâmetros
matemáticos, nas caracterı́sticas fı́sicas da face, em visão
artificial e no processamento da voz [1].
Geralmente, os métodos baseados em visão artificial se
Submetido para Interaction South America 2010.
concentram em apenas detectar a boca, por exemplo, aberta
ou fechada. Por outro lado, uma forma para realizar a
animação dos movimentos labiais de forma mais realista é
utilizar o reconhecimento de fonemas e palavras, a partir
do processamento da voz [8]. Em virtude disso, o objetivo
deste trabalho é realizar o estudo da técnica baseada em
Predição Linear usada no reconhecimento da fala para
aplicar na animação do movimento labial de um modelo
facial humanóide virtual.
O reconhecimento da fala consiste em identificar fonemas,
sı́labas, palavras para formar a mensagem original, ou
uma informação na qual existe uma seleção mais direta
da resposta, sem interpretação dela. Assim, uma ação
pode ser executada diretamente quando um padrão falado é
reconhecido [9].
O reconhecimento automático da voz consiste no processo
de extrair automaticamente a informação lingüı́stica do sinal
da fala, a qual está codificada. Este processo normalmente
acontece em três etapas conforme mostrado na Figura 1 [9].
A primeira etapa consiste em obter digitalmente o sinal de
áudio e convertê-lo para um padrão a ser utilizado pelas
etapas seguintes.
Figure 1. Etapas do processo de reconhecimento de voz.
A segunda etapa realiza a extração das caracterı́sticas que
descrevem adequadamente o sinal de voz ou o representam
de forma mais compacta. Esta etapa é necessária devido ao
fato do sinal de voz não ser usado diretamente para alimentar
a etapa de reconhecimento, exceto quando sub-amostrado.
Geralmente, o sinal de voz é ruidoso e pode possuir
milhares de amostras, tornando difı́cil seu armazenamento
e aumentando a complexidade do classificador.
A etapa de reconhecimento da fala consiste em classificar
essas caracterı́sticas e, em geral, é dividida em treinamento
e classificação. No treinamento, as caracterı́sticas dos
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 61
fonemas são utilizadas para determinar um modelo que
represente cada classe. A etapa de classificação usa o
modelo gerado no treinamento para determinar qual fonema
é pronunciado.
Baseado no processo de reconhecimento da voz, este artigo
está dividido em 9 seções. A Seção 2 apresenta os
fundamentos da produção da fala. A Seção 3 descreve a
ferramenta matemática utilizada para realização do trabalho.
A Seção 4 apresenta a técnica de extração de caracterı́sticas
para reconhecimento de fonemas. As Seções 5 e 6
descrevem o conjunto de dados e a metodologia de
simulação utilizados no trabalho, respectivamente. A Seção
7 descreve os resultados dos testes e por fim, a Seção
8 apresenta as considerações finais e as perspectivas de
trabalhos futuros.
2. MODELAGEM DA PRODUÇÃO DA FALA
A fala é uma das capacidades ou aptidões que os
seres humanos possuem de comunicação, manifestando
seus pensamentos, opiniões e sentimentos através dos
vocábulos. Consiste no principal sinal entre os distintos
sinais abordados pela linguagem natural, como por exemplo,
ideogramas, gestos, gritos, trejeitos e outros tipos de
linguagem corporal [9].
Existem duas principais fontes de caracterı́sticas da fala
especı́ficas aos locutores, as fı́sicas e as adquiridas (ou
aprendidas). As caracterı́sticas fı́sicas relacionam-se
principalmente ao trato vocal, estrutura formada pelas
cavidades que vão das pregas vocais até os lábios e o nariz
[11]. A Figura 2 ilustra o conjunto de órgãos que formam o
trato vocal e compõem o sistema de produção da fala.
Figure 2. Sistema de produção da fala [11].
Na produção da fala, as cordas vocais situadas na laringe são
excitadas pelo ar vindo dos pulmões. A vibração das pregas
vocais geradas devido à passagem do fluxo de ar produz
um som fraco e constituı́do de poucos harmônicos, que é
amplificado quando passa pelas cavidades de ressonância
(laringe, faringe, boca e nariz) e ganha “forma” final
quando é articulado através de movimentos de lı́ngua, lábios,
mandı́bula, dentes e palato [11].
Essa passagem pelas cavidades do trato vocal altera o
espectro do som devido às ressonâncias, que formam picos
de energia no espectro de frequência conhecidos como
formantes. Através da análise espectral da fala produzida
é possı́vel estimar a forma do trato vocal.
Uma classificação comum dos eventos sonoros é feita quanto
ao estado de vibração das cordas vocais. Adota-se uma
convenção de três estados: silêncio, vozeados (sonoros) e
não-vozeados (surdos). O silêncio representa a etapa em
que nenhum som é produzido. Os sons ou fonemas sonoros
são aqueles em que as cordas vocais são tensionadas e
vibram de maneira aproximadamente periódica. Os sons
surdos são produzidos quando não há vibração das cordas
vocais, de modo que o som é formado basicamente nas
cavidades do trato vocal, resultando em um sinal com
natureza não-periódica ou aleatória [11].
São ilustrados na Figura 3 exemplos de sons vozeados e
não-vozeados, em que se pode observar na Figura 3(a) a
natureza aleatória dos sons não-vozeados e, na Figura 3(b),
a forma quasi-periódica de um fonema vozeado.
(a) Elocução do fonema
/s/: Som não-vozeado.
(b) Fonema /z/: Som
vozeado
Figure 3. Exemplo de eventos sonoros vozeados e não-vozeados [11].
Os sons vozeados não devem ser confundidos com os
fonemas da lı́ngua portuguesa, uma vez que, o som é
entendido como uma complexa realidade fı́sico acústica
de cada unidade sonora da fala, enquanto que os fonemas
correspondem a percepção eclética e interpretativa realizada
pelo falante e ouvinte, respectivamente [9].
O fonema é a menor unidade sonora (fonética) de
uma lı́ngua que estabelece contraste de significado para
diferenciar palavras. Os fonemas, na lı́ngua portuguesa, são
classificados em vogais, semi-vogais e consoantes.
As vogais são sons produzidos sem obstáculos para a
passagem de ar, que passa livremente pela boca, oriundo
do pulmão. Sua emissão é independente de outro fonema,
por isso constitui a base da sı́laba. Os sons das vogais
produzem-se a partir de diferentes posicionamentos dos
músculos da boca, constituı́dos pela lı́ngua, pelos lábios e
pelo palato.
Na produção das vogais, a forma do trato vocal é constante
com o tempo e uniforme, com as vibrações sustentadas das
cordas vocais. Assim, para as vogais, o trato vocal pode ser,
aproximadamente, modelado como uma concatenação de
uma série de tubos cilı́ndricos de área transversal uniforme
[5].
Uma aproximação simples do modelo que consiste em 𝑚
tubos acústicos é ilustrado na Figura 4. Os tubos têm as áreas
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 62
Figure 4. Representação esquemática do sistema vocal e aproximação
por tubos concatenados [5].
transversais 𝐴1 a 𝐴𝑚. Embora estes valores têm grande
variação de pessoa para pessoa, a distribuição é semelhante
em relação a uma dada vogal.
As semi-vogais sempre acompanham uma vogal, formando
sı́laba com ela. Na lı́ngua escrita, as semi-vogais são
representadas pelo i e u, podendo em alguns casos serem
representadas pelo e e o.
As consoantes são fonemas produzidos através da obstrução
do ar proveniente do pulmão, precisando de uma vogal para
ser emitidos. Esses obstáculos podem ser totais ou parciais,
a partir da posição da lı́ngua e dos lábios.
Com base no conhecimento sobre as caracterı́sticas
da formação da fala humana, é possı́vel entender os
fundamentos da técnica de extração de caracterı́sticas
descrita na próxima seção.
3. PREDIÇÃO LINEAR
Predição Linear (LP) é uma operação matemática em que os
valores futuros de um sinal de tempo-discreto são estimados
como uma função linear de amostras passadas.
Em Processamento Digital de Sinais (PDS), LP é
freqüentemente chamada Codificação Linear Preditiva
(LPC) e pode então ser vista como um sub-conjunto de teoria
de filtros.
Para um sinal discreto 𝑠𝑛, LP consiste em modelar o sinal
como a saı́da de um sistema com entrada desconhecida 𝑢𝑛,
representado matematicamente por [7]
𝑠𝑛 = −
𝑝
∑
𝑘=1
𝑎𝑘 ⋅ ˆ
𝑠𝑛−𝑘 + 𝐺 ⋅
𝑞
∑
𝑙=0
𝑏𝑙 ⋅ 𝑢𝑛−1, 𝑏0 = 1 (1)
em que 𝑎𝑘, 1 ⩽ 𝑘 ⩽ 𝑝, 𝑏𝑙, 1 ⩽ 𝑙 ⩽ 𝑞, e o ganho 𝐺 são os
parâmetros do sistema hipotético. Esta equação mostra que
a saı́da 𝑠𝑛 é uma função linear de saı́das passadas e entradas
presentes e passadas.
A equação 1 pode também ser especificada no domı́nio
da freqüência aplicando-se a Transformada Z em ambos
os lados dessa equação, obtendo com isso a função de
transferência 𝐻(𝑧) do sistema [7]
𝐻(𝑧) =
𝑆(𝑧)
𝑈(𝑧)
= 𝐺
1 +
𝑞
∑
𝑙=1
𝑏𝑙 ⋅ 𝑧−𝑙
1 +
𝑝
∑
𝑘=1
𝑎𝑘 ⋅ 𝑧−𝑘
, (2)
em que 𝑈(𝑧) é a Transformada Z da entrada desconhecida
𝑢𝑛 e 𝑆(𝑧) é a Transformada Z de 𝑠𝑛 dada por
𝑆(𝑧) =
∞
∑
𝑛=−∞
𝑠𝑛 ⋅ 𝑧−𝑛
. (3)
Quando 𝑏𝑙 = 0 para 1 ⩽ 𝑙 ⩽ 𝑞, tem-se um modelo chamado
de todo-pólo, também conhecido como Auto-Regressivo
(AR) [7].
3.1 Estimação dos parâmetros
O modelo todo-pólo é utilizado nos sinais da fala, em
que o sinal de entrada 𝑢𝑛 pode ser considerado como
desconhecido. Desta forma, o sinal 𝑠𝑛 pode ser predito
somente através do somatório ponderado linearmente das
amostras passadas. A aproximação de 𝑠𝑛 por ˜
𝑠𝑛 é dada por
˜
𝑠𝑛 = −
𝑝
∑
𝑘=1
𝑎𝑘 ⋅ ˆ
𝑠𝑛−𝑘. (4)
A estimação dos parâmetros desse modelo pode ser feita
através do Método dos Mı́nimos Quadráticos (MMQ), em
que assumi-se que o erro 𝑒𝑛, entre o valor atual 𝑠𝑛 e o valor
predito ˜
𝑠𝑛, é dado por
𝑒𝑛 = 𝑠𝑛 − ˜
𝑠𝑛 = 𝑠𝑛 +
𝑝
∑
𝑘=1
𝑎𝑘 ⋅ ˆ
𝑠𝑛−𝑘. (5)
No MMQ, os parâmetros 𝑎𝑘 são obtidos com o resultado
da minimização do Erro Quadrático Médio (MSE-Mean
Squared Error) ou do erro total em função de cada um
dos parâmetros. A análise pode ser realizada através de
duas abordagens. A primeira assume 𝑠𝑛 como um sinal
determinı́stico e a segunda como um processo aleatório.
Na primeira abordagem, o erro quadrático 𝐸 é dado por [7]
𝐸 =
∑
𝑛
𝑒𝑛
2
=
∑
𝑛
(
𝑠𝑛 +
𝑝
∑
𝑘=1
𝑎𝑘 ⋅ ˆ
𝑠𝑛−𝑘
)2
, (6)
podendo ser minimizado utilizando a expressão
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 63
∂𝐸
∂𝑎𝑖
= 0, 1 ⩽ 𝑖 ⩽ 𝑝 (7)
A partir das equações 6 e 7, obtém-se o seguinte conjunto de
equações
𝑝
∑
𝑘=1
𝑎𝑘
∑
𝑛
𝑠𝑛−𝑘 ⋅ 𝑠𝑛−𝑖 = −
∑
𝑛
𝑠𝑛𝑠𝑛−𝑖. (8)
O MSE total, denotado por 𝐸𝑝, é obtido expandindo a
equação 6 e substituindo na equação 8, resultando em
𝐸𝑝 =
∑
𝑛
𝑠𝑛
2
+
𝑝
∑
𝑘=1
𝑎𝑘
∑
𝑛
𝑠𝑛 ⋅ 𝑠𝑛−𝑘 (9)
Existem dois métodos para estimar os parâmetros
dependendo do intervalo de duração do erro: o método de
autocorrelação e método da covariância.
No Método de Autocorrelação, o erro é minimizado para um
intervalo infinito −∞  𝑛  ∞. Assim, as equações 8 e 9
são reduzidas a [7]
𝑝
∑
𝑘=1
𝑎𝑘 ⋅ 𝑅(𝑖 − 𝑘) = −𝑅(𝑖), 1 ⩽ 𝑖 ⩽ 𝑝 (10)
𝐸𝑝 = 𝑅(0) +
𝑝
∑
𝑘=1
𝑎𝑘𝑅(𝑘), (11)
em que
𝑅(𝑖) =
∞
∑
𝑛=−∞
𝑠𝑛𝑠𝑛+1, (12)
é a função de autocorrelação do sinal 𝑠𝑛. Note que 𝑅(𝑖) é
uma função par, ou seja, 𝑅(−𝑖) = 𝑅(𝑖). Os parâmetros
𝑅(𝑖 − 𝑘) formam o que é conhecido como matriz de
autocorrelação. Na prática, o sinal 𝑠𝑛 é conhecido ou
utilizado apenas em um intervalo finito 0 ⩽ 𝑛 ⩽ 𝑁 − 1.
Desta forma, a função de autocorrelação é dada por
𝑅(𝑖) =
𝑁−1−𝑖
∑
𝑛=0
𝑠′
𝑛𝑠′
𝑛+1, 𝑖 ⩾ 0. (13)
No Método da Covariância, o erro é minimizado para um
intervalo finito 0 ⩽ 𝑛 ⩽ 𝑁 − 1. Assim, as equações 8 e 9
são reduzidas a
𝑝
∑
𝑘=1
𝑎𝑘 ⋅ 𝜑𝑘𝑖 = −𝜑0𝑖, 1 ⩽ 𝑖 ⩽ 𝑝 (14)
𝐸𝑝 = 𝜑00 +
𝑝
∑
𝑘=1
𝑎𝑘𝜑0𝑘, (15)
em que a covariância do sinal 𝑠𝑛 no dado intervalo é dada
por
𝜑𝑖𝑘 =
𝑁−1
∑
𝑛=0
𝑠𝑛−𝑖𝑠𝑛−𝑘. (16)
Os coeficientes 𝜑𝑘𝑖 na equação 14 formam a matriz de
covariância. A partir da equação 16, pode-se mostrar que
a matriz de covariância 𝜑𝑖𝑘 é simétrica, ou seja, 𝜑𝑘𝑖 = 𝜑𝑖𝑘.
Com base na equação 16, observa-se que os termos ao longo
da diagonal principal estão relacionados com o coeficiente
anterior através da relação
𝜑𝑖+1,𝑘+1 = 𝜑𝑖𝑘 + 𝑠−𝑖−1𝑠−𝑘−1 − 𝑠𝑁−1−𝑖𝑠𝑁−1−𝑘. (17)
A partir da equação 17, verifica-se que para determinar os
valores do sinal 𝑠𝑛, para −𝑝 ⩽ 𝑛 ⩽ 𝑁 − 1, deve ser
conhecido um total de 𝑝 + 𝑁 amostras. O método de
covariância reduz-se ao método de autocorrelação quando
𝑁 tende ao infinito.
A segunda abordagem considera o sinal aleatório e o erro 𝑒𝑛
na equação 5 também é um processo aleatório. Pelo MMQ,
minimiza-se o valor esperado ℰ do quadrado da erro, ou seja
𝐸 = ℰ(𝑒𝑛
2
) = ℰ
(
𝑠𝑛 +
𝑝
∑
𝑘=1
𝑎𝑘 ⋅ ˆ
𝑠𝑛−𝑘
)2
. (18)
Aplicar a equação 7 na equação 18 resulta em
𝑝
∑
𝑘=1
𝑎𝑘 ⋅ ℰ(𝑠𝑛−𝑘𝑠𝑛−𝑖) = ℰ(𝑠𝑛𝑠𝑛−𝑖), 1 ⩽ 𝑖 ⩽ 𝑝. (19)
O erro médio mı́nimo é então dado por
𝐸𝑝 = ℰ(𝑠𝑛
2
) +
𝑝
∑
𝑘=1
𝑎𝑘ℰ𝑠𝑛𝑠𝑛−𝑘. (20)
A forma de resolução das equações 19 e 20 depende se o
processo 𝑠𝑛 é estacionário ou não estacionário. No caso em
que 𝑠𝑛 é um processo estacionário, tem-se que
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 64
ℰ(𝑠𝑛−𝑘𝑠𝑛−𝑖) = 𝑅(𝑖 − 𝑘), (21)
em que 𝑅(𝑖) é a autocorrelação do processo. Com isso, as
equações 19 e 9 reduzem-se a equações idênticas a 10 e
11, respectivamente. A única diferença é que, neste caso,
a autocorrelação é de um processo estacionário em vez de
um sinal determinı́stico. O caso estacionário fornece a
mesma solução para os coeficientes 𝑎𝑘 que o método de
autocorrelação no caso determinı́stico [7]. Além disso, se
o processo é estacionário e ergódico, a autocorrelação pode
ser calculada para um tempo médio.
Se 𝑠𝑛 é um processo não-estacionário, tem-se que
ℰ(𝑠𝑛−𝑘𝑠𝑛−𝑖) = 𝑅(𝑛 − 𝑘, 𝑛 − 𝑖), (22)
em que 𝑅(𝑛 − 𝑘, 𝑛 − 𝑖) é a autocorrelação não-estacionária
entre os tempos 𝑛−𝑘 e 𝑛−𝑖. Assumindo-se que a estimação
de parâmetros de interesse ocorre no tempo n=0, as equações
19 e 9 podem ser reescritas como
𝑝
∑
𝑘=1
𝑎𝑘𝑅(−𝑘, −𝑖) = 𝑅(0, −𝑖), (23)
𝐸′
𝑝 = 𝑅(0, 0) +
𝑝
∑
𝑘=1
𝑎𝑘𝑅(0, 𝑘). (24)
respectivamente, em que 𝐸′
𝑝 é o erro médio mı́nimo do
processo não-estacionário.
Na estimativa dos coeficientes de autocorrelação
não-estacionário do sinal 𝑠𝑛, nota-se que os processos
não-estacionários são não ergódicos e, portanto, não se pode
substituir a média do conjunto por um tempo médio.
No entanto, para uma determinada classe de processos
não-estacionários, conhecidos como processos localmente
estacionários, é razoável estimar a função de autocorrelação
com relação a um ponto no tempo como um tempo médio
de curto prazo. Exemplos de processos não estacionários,
que podem ser considerados localmente estacionários, são
de sinais da fala e de Eletroencefalograma(EEG) [7].
De maneira análoga ao caso estacionário, estima-se
𝑅(−𝑘, −𝑖) através de 𝜑𝑖𝑘 utilizando a equação 16. Usar
esta aproximação para a autocorrelação de um processo
não-estacionário conduz a uma solução para os parâmetros
𝑎𝑘 na equação 23 que é idêntico ao que é dado pela
equação 14 no método de covariância para o caso
determinı́stico. Observa-se que, para um sinal estacionário,
𝑅(𝑡, 𝑡′
) = 𝑅(𝑡 − 𝑡′
) e, portanto, as equações 23 e 24 são
reduzidas e resultam nas equações 10 e 11.
3.2 Cálculo dos Parâmetros Preditivos
Para cada uma das duas abordagens de predição linear
apresentada anteriormente, os coeficientes preditivos 𝑎𝑘,
1 ⩽ 𝑘 ⩽ 𝑝, podem ser calculados resolvendo um conjunto
de 𝑝 equações em que 𝑝 é desconhecido. Essas equações são
mostradas na equação 10 para o método de autocorrelação
(estacionário) e na equação 14 para o método da covariância
(não-estacionário).
Existem diversos métodos para otimizar os cálculos
necessários para solução dessas equações, por exemplo, o
método de redução ou eliminação de Gauss e o método
de redução de Crout [7]. Estes métodos gerais requerem
𝑝3
/3 + 𝑂(𝑝2
) operações (multiplicações ou divisões) e 𝑝2
locais de armazenamento.
Entretanto, evidencia-se através de 10 e 14 que a matriz
de coeficientes em cada caso é uma matriz de covariância.
Matrizes de covariância são simétricas e, em geral,
semi-definidas positiva, embora na prática são, geralmente,
definidas positiva.
Portanto, as equações 10 e 14 podem ser solucionadas
mais eficientemente através do método de decomposição de
Cholesky. Este método requer 𝑝3
/6 + 𝑂(𝑝2
) cálculos e
𝑝2
/2 armazenamento, ou seja, representa metade do esforço
computacional dos métodos gerais [7].
É possı́vel reduzir mais o armazenamento e o tempo de
cálculo, analisando a forma especial da equação 10. Esta
equação pode ser expandida na forma matricial
⎡
⎢
⎢
⎣
𝑅0 𝑅1 . . . 𝑅𝑝−1
𝑅1 𝑅0 . . . 𝑅𝑝−2
.
.
.
.
.
.
...
.
.
.
𝑅𝑝−1 𝑅𝑝−2 . . . 𝑅0
⎤
⎥
⎥
⎦ =
⎡
⎢
⎢
⎣
𝑎1
𝑎2
.
.
.
𝑎𝑝
⎤
⎥
⎥
⎦ = −
⎡
⎢
⎢
⎣
𝑅1
𝑅2
.
.
.
𝑅𝑝
⎤
⎥
⎥
⎦ .
(25)
Através desta equação é possı́vel observar que a matriz de
autocorrelação 𝑝 × 𝑝 é simétrica e os elementos ao longo de
qualquer diagonal são idênticos.
[6] propôs um procedimento recursivo para solucionar esse
tipo de equação. O procedimento foi mais tarde reformulado
por [10]. Este método supõe que o vetor coluna no
lado direito da equação 25 é um vetor coluna genértico.
Um outro método, proposto por [3], considera que este
vetor coluna compreende os mesmos elementos encontrados
na matriz de autocorrelação, possuindo um desempenho
computacional duas vezes maior que o método de [6]. O
método requer apenas 2𝑝 locais de armazenamento e 𝑝2
+
𝑂(𝑝) operações: uma grande redução de complexidade em
relação aos métodos gerais.
O procedimento recursivo de Durbin pode ser especificado
através das seguintes equações [7]:
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 65
𝐸0 = 𝑅(0), (26)
𝑘𝑖 = −
𝑅(𝑖) +
𝑖−1
∑
𝑗=1
𝑎
(𝑖−1)
𝑗 𝑅(𝑖 − 𝑗)
𝐸𝑖−1
, (27)
𝑎
(𝑖)
𝑖 = 𝑘𝑖, (28)
𝑎
(𝑖)
𝑗 = 𝑎
(𝑖−1)
𝑗 + 𝑘𝑖 ⋅ 𝑎
(𝑖−1)
𝑖−𝑗 , 1 ⩽ 𝑗 ⩽ 𝑖 − 1, (29)
𝐸𝑖 = (1 − 𝑘2
𝑖 )𝐸𝑖−1. (30)
Estas equações 27 a 30 são solucionadas recursivamente
para 𝑖 = 1, 2, . . . , 𝑝, cuja solução final é dada por
𝑎𝑗 = 𝑎
(𝑝)
𝑗 . (31)
O cálculo dos coeficientes de autocorrelação ou de
covariância requer 𝑝 ⋅ 𝑁 operações, que podem influenciar o
tempo da computação se 𝑁  𝑝, como é freqüentemente
o caso.
A solução da equação 25 não é afetada se todos os
coeficientes de autocorrelação são multiplicados por uma
constante. Em particular, se todos 𝑅(𝑖) são normalizados,
isto é divididos por 𝑅(0), são formados os coeficientes de
autocorrelação normalizados 𝑟(𝑖)
𝑟(𝑖) =
𝑅(𝑖)
𝑅(0)
. (32)
em que ∣𝑟(𝑖)∣ ⩽ 1.
Um sub-produto do algoritmo recursivo de [3] é o cálculo
do erro mı́nimo total 𝐸𝑖 em cada etapa. Pode-se facilmente
mostrar que o erro mı́nimo 𝐸𝑖 diminui à medida que a ordem
da predição aumenta. Neste caso 𝐸𝑖 não é negativo, logo, é
um erro quadrático. Portanto, tem-se que [7]
1 ⩽ 𝐸𝑖 ⩽ 𝐸𝑖−1, 𝐸0 = 𝑅(0). (33)
Se os coeficientes de autocorrelação são normalizados
utilizando a equação 32, então o erro mı́nimo 𝐸𝑖 é também
dividido por 𝑅(0), sendo conhecido como erro normalizado
𝑉𝑖, dado por
𝑉𝑖 =
𝐸𝑖
𝑅(0)
= 1 +
𝑖
∑
𝑘=1
𝑎𝑘𝑟(𝑘). (34)
Considerando-se a relação descrita na equação 33 é possı́vel
observar que
1 ⩽ 𝑉𝑖 ⩽ 𝑝, 𝑖 ⩾ 0. (35)
Também, utilizando as equações 30 e 34, o erro normalizado
final 𝑉𝑝 é dado por
𝑉𝑝 =
𝑝
∏
𝑖=1
1 − 𝑘𝑖
2
. (36)
As quantidades intermediárias 𝑘𝑖, 1 ⩽ 𝑖 ⩽ 𝑝, são conhecidas
como coeficientes de reflexão, também denominados de
coeficientes de correlação parcial. O coeficiente 𝑘𝑖 pode
ser interpretado como a correlação parcial (negativa) entre
𝑠𝑛 e 𝑠𝑛+1, mantendo 𝑠𝑛+1, ⋅ ⋅ ⋅ , 𝑠𝑛+𝑖−1 fixos. O uso
do termo “coeficiente de reflexão” vem da teoria de linha
de transmissão, em que 𝑘𝑖 pode ser considerado como
coeficientes de reflexão no limite entre duas seções com
impedâncias 𝑍𝑖 + 𝑍𝑖+1, sendo dado por [7]
𝑘𝑖 =
𝑍𝑖+1 − 𝑍𝑖
𝑍𝑖+1 + 𝑍𝑖
. (37)
Assim, a função de transferência 𝐻(𝑧) pode então ser
considerada como uma seqüência de seções com taxas de
impedância, usando a equação 37, sendo dada por
𝑍𝑖+1
𝑍𝑖
=
1 + 𝑘𝑖
1 − 𝑘𝑖
, 1 ⩽ 𝑘 ⩽ 𝑝. (38)
A mesma explicação pode ser dada para qualquer tipo
de situação em que existe transmissão de onda plana
com incidência normal, em um meio consistindo de uma
seqüência de seções com diferentes impedâncias. No caso
de um tubo acústico com 𝑝 seções de igual espessura, a
taxa de impedância reduz ao inverso da taxa de áreas de
seção-transversal consecutivas. Este fato pode ser usado na
análise da fala.
4. EXTRAÇÃO DE CARACTERı́STICAS
Para identificar o fonema, alguma de suas caracterı́sticas
no tempo/frequência ou em algum outro domı́nio devem
ser conhecidos. Assim, uma caracterı́stica pode ser
definida como uma unidade mı́nima, que distingue fonemas
maximamente próximos [4].
Através da extração de caracterı́sticas, o espaço de dados
é transformado num espaço de caracterı́sticas que possui
a mesma dimensão do espaço de dados original, porém
é representado por um número reduzido de caracterı́sticas
efetivas [2].
O método baseado em Predição Linear realiza a extração
da informação da forma do trato vocal, utilizando a análise
proposta por [13]. O método compara um modelo do filtro
acústico, representado na Figura 4 pelos tubos conectados,
com o modelo de produção da fala.
A comparação entre o modelo de tubo acústico e o modelo
derivado da LP conduz a seguinte conclusão. Os coeficientes
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 66
de reflexão 𝑘𝑖, calculados como um subproduto do algoritmo
recursivo de LP, estão diretamente relacionados com a
variação da área do trato vocal, conforme o modelo do tubo
concatenadas, através da equação [5]
𝑘𝑖 =
𝐴𝑖−1 − 𝐴𝑖
𝐴𝑖−1 + 𝐴𝑖
. (39)
Estes coeficientes de reflexão são usados como
caracterı́sticas para classificação. As caracterı́sticas
extraı́das fornecem a informação da forma do trato vocal
para vogais sustentadas, através da equação 39.
5. CONJUNTO DE DADOS
Para analisar a LP na extração de caracterı́sticas, utiliza-se
um conjunto de dados formado pelas amostras de áudio
dos fonemas do tipo vogal. Essas amostras são capturadas
de 13 pessoas, sendo uma do sexo feminino, pronunciando
cada vogal durante aproximadamente 3 segundos de forma
constante e sem pausas, variando-se apenas a distância para
o microfone. Para aquisição das amostras é utilizado um
microfone para computadores pessoais da marca Leadership.
As vogais pronunciadas consistem nas vogais da lı́ngua
portuguesa a, ê, é, i, ô, ó, u. No total, o conjunto de dados
possui 7 classes de vogais.
As amostras de áudio são extraı́das a uma taxa de
amostragem de 8kHz e 8 bits na quantização, ou seja, a
configuração mı́nima de digitalização de um sinal de voz.
Utiliza-se a configuração mı́nima para permitir uma melhor
análise da técnica de extração de caracterı́sticas, explorando
ao máximo o potencial desta técnica. Todas as amostras
foram gravadas em uma sala fechada com ruı́do proveniente
de condicionadores de ar e de forma espontânea.
6. METODOLOGIA DE SIMULAÇÃO
Para avaliar o desempenho dessa técnica são realizadas
simulações em um computador pessoal da marca Dell
com processador Intel Pentium D de 2,80 GHz e 2
GB de memória RAM com sistema operacional Windows
XP. Todas as simulações foram realizadas utilizando-se a
plataforma de simulação Simulink do Maltab versão 2006b.
A Figura 5 ilustra o fluxograma da metodologia do
reconhecimento de vogais usando Predição linear.
O sinal de voz é não-estacionário e ruidoso, de modo que
a analogia com filtros digitais somente é válida para um
perı́odo de tempo aproximadamente estacionário da fala, que
geralmente é em torno de 10 a 30 ms.
Para esse fim, implementa-se o janelamento do sinal
utilizando uma janela retangular que é movida ao longo do
sinal de voz sem sobreposição entre frames adjacentes. O
tamanho dessa janela nos testes é de 32ms, ou seja, 256
amostras de áudio por frame para um taxa de amostragem
de 8kHz.
Quanto à etapa de extração de caracterı́sticas, varia-se
Figure 5. Fluxograma do reconhecimento de vogais usando LP.
a quantidade de caracterı́sticas extraı́das por frame de
áudio. No método baseado em LP varia-se a quantidade de
coeficientes de reflexão de 8 a 28.
O classificador utilizado para avaliar as técnicas de extração
é a rede neural Perceptron Multicamadas (MLP) com 2
camadas, 1 camada de entrada com quantidade de neurônios
igual ao número de caracterı́sticas extraı́das e 1 camada de
saı́da com 7 neurônios referentes às classes das vogais. Os
parâmetros de treinamento da rede neural são escolhidos
para se obter um estudo mais preciso e são: 100 épocas de
treinamento, MSE desejado de 10−5
e passo de apredizagem
de 0, 01.
Para avaliar o desempenho de classificação, o conjunto de
dados é dividido em dois conjunto: um de treinamento e
outro de teste. As amostras são embaralhadas aleatoriamente
e 80% delas são atribuı́as ao conjunto de treinamento,
enquanto os 20% restantes são utilizados no teste.
A avaliação da técnica é feita com base nas taxas de acerto
média, máxima, mı́nima e desvio-padrão, e na matriz de
confusão. Além disso, o tempo total médio de treinamento
e de reconhecimento são determinados. Os resultados são
extraı́dos de 10 simulações independentes.
O resultado da classificação da rede neural é mostrado
no modelo facial humanóide virtual. Cada vogal tem
uma representação visual no modelo facial chamada de
visema, referente a um movimento labial especı́fico para a
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 67
vogal. Estes visemas são usados para a animação facial
sincronizada com a fala, ou seja, na animação do formato
do lábio enquanto um dado fonema é pronunciado.
7. RESULTADOS
Na Tabela 1 são mostrados as estatı́sticas da taxas de acerto
e o desvio padrão da taxa de acerto obtidos pela Predição
Linear neste trabalho. Na tabela em questão, utiliza-se a
notação LP-X, em que X denota o número de coeficientes
de reflexão de LP. Na Tabela 2 são mostrados o tempo total
médio de treinamento
Table 1. Desempenho de reconhecimento.
Taxas de Reconhecimento(%)
mı́nima média máxima desvio padrão
LP-8 63,19 78,24 88,46 8,60
LP-12 72,53 83,57 92,86 6,40
LP-16 68,13 89,29 95,60 8,25
LP-20 78,57 89,23 95,05 5,92
LP-24 66,48 87,14 94,51 9,22
LP-28 60,99 85,88 98,35 12,29
Table 2. Tempo total médio de treinamento e de teste.
Tempo Total Médio
Treinamento (s) Teste (ms)
LP-8 20,35 11,7
LP-12 22,61 12,4
LP-16 27,80 21,8
LP-20 59,75 24,3
LP-24 72,51 22,1
LP-28 98,93 23,1
Através da Tabela 1, observa-se que a taxa média de acerto
varia entre 78,24% e 89,29%. Os melhores desempenhos
médio de classificação são obtidos pelas configurações
LP-16 e LP-20, com taxa média superior a 89%. Dentre as
duas melhores configurações, a com melhor custo-benefı́cio
é a LP-16, pois possui o menor tempo de treinamento e de
execução.
Figure 6. Taxa média de acerto para extração utilizando Predição
Linear.
Através da Figura 6, observa-se que para valores de
coeficientes de reflexão maiores que 16 ocorre uma
diminuição na taxa média de reconhecimento.
Na Tabela 3 é mostrada a matriz de confusão para
configuração com melhor taxa média, LP-16, em que se
observa que pelo menos 79% e no máximo 98% das
vogais são classificadas corretamente, conforme mostrado
na Figura 7.
Table 3. Matriz de confusão da configuração LP-16.
Vogal Esperada
a ê é i ô ó u
Vogal
Reconhecida
a 252 2 3 0 0 19 0
ê 1 243 4 20 0 4 0
é 4 3 246 0 1 1 0
i 1 18 3 210 2 0 0
ô 0 1 2 4 227 23 42
ó 0 0 1 0 7 209 1
u 0 0 0 1 21 6 238
A vogal ó possui o pior reconhecimento com 79,8% de
corretos reconhecimentos. A vogal u possui um desempenho
intermediário com 84,7% das amostras classificadas
corretamente. As demais vogais conseguem reconhecer
corretamente mais que 88% das amostras de teste.
Figure 7. Porcentagem de reconhecimento por vogal na configuração
LP-16.
Através dos resultados da Tabela 2, quanto maior o número
de caracterı́sticas extraı́das em cada frame de áudio, maior
o custo computacional de treinamento. Isto ocorre devido
a configuração do classificador, em que a quantidade de
neurônios da camada de entrada é igual ao número de
caracterı́sticas extraı́das.
8. CONCLUSÕES
Através dos resultados apresentados neste trabalho,
concluiu-se que o método de reconhecimento de fonemas
baseado em Predição Linear pode ser utilizado como
ferramenta para animação do movimento labial de modelos
faciais humanóides virtuais em aplicações de interação.
Nos testes realizados até o momento este método apresentou
um comportamento dentro da expectativa, tendo conseguido
identificar todas vogais da lı́ngua portuguesa com alta taxa
de acerto e com um tempo de processamento relativamente
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 68
baixo, que é necessário para a sincronização da fala com a
animação facial.
Como perspectivas futuras, pretende-se avaliar tecnicamente
a interação com o usuário através da animação de avatares
em tempo real e implementar outras técnicas com baixo
custo de processamento para aplicações em ambientes
embarcados.
9. AGRADECIMENTOS
Agradecimentos à Coordenação de Aperfeiçoamento de
Pessoal de Nı́vel Superior (CAPES), ao Laboratório de
Engenharia de Sistemas de Computação (LESC) e ao
Departamento de Engenharia de Teleinformática (DETI) da
Universidade Federal do Ceará.
References
1. N. I. Badler and D. M. Chi. Virtual human animation
based on movement observation and cognitive behavior
models. Proceedings of Computer Animation, pages
128–137, 1999.
2. R. C. S. Costa. Inspeção Automática de Laranjas
Destinadas à Produção de Suco, Utilizando Técnicas
de Processamento Digital de Imagens. Monografia
de Final de Curso, Centro Federal de Educação
Tecnológica do Ceará, 2006.
3. J. Durbin. The fitting of time-series models. Revue de
l’Institut International de Statistique, pages 233–244,
1960.
4. O. Farooq and S. Datta. Phoneme recognition
using wavelet based features. Information Sciences,
150(1-2):5–15, MAR 2003.
5. S. Kshirsagar and N. Magnenat-Thalmann. Lip
Synchronization Using Linear Predictive Analysis.
MIRALAB, CUI, University of Geneva, 2000.
6. N. Levinson. The Wiener RMS (Root Mean Square)
Error Criterion in Filter Design and Prediction. Journal
of Mathematics and Physics, 25(4):261–278, 1946.
7. J. Makhoul. Linear Prediction: A Tutorial Review.
Proceedings of the IEEE, 63(4):561–580, 1975.
8. e. a. P. C. Cortez. Patente pi-xxxxxx, Dez 2009.
9. M. B. Paula. Reconhecimento de palavras faladas
utilizando redes neurais artificiais. Monografia de Final
de Curso, UFPEL, 2000.
10. E. Robinson. Statistical Communication and Detection.
Griffin, London, page 249, 1967.
11. A. H. D. SOUZA JÚNIOR. Avaliação de Redes
Neurais Auto-organizáveis para reconhecimento de voz
em sistemas embarcados. Dissertação de Mestrado,
UFC, 2009.
12. B. M. Sullivan. Linking Audio And Visual Information
While Navigating In A Virtual Reality Kiosk Display.
Phd, University of Massachusets, Lowell, 2002.
13. H. Wakita. Direct Estimation of the Vocal Tract Shape
by Inverse Filtering of Acoustic Speech Waveforms.
Transactions on audio and eletroacoustics,IEEE, 21(5),
October 1973.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 69
Uma Visão da Interação além da Tecnologia
Milena Ribeiro Lopes
Instituto Nokia de Tecnologia
calma.milena@gmail.com
+55 61 81524819
Christina Maria Pedrazza Sega
Universidade de Brasília
segach@hotmail.com
+ 55 61 81318456
RESUMO
A área de design de interação surgiu em um contexto
essencialmente tecnológico que busca melhorar o uso dos
produtos portáteis com a reformulação da lógica de
comunicação entre homem e dispositivo. Por isso, muitos
autores que tentam definir os conceitos desta nova área
atrelam a disciplina à tecnologia. Temos visto, porém, que,
apesar de ter surgido neste âmbito, o Design de Interação
pode ser aplicado a muitos outros contextos e produtos, que
não necessariamente dependem de tecnologia. A interação é
tema de estudo em diversas áreas de conhecimento que
buscam entender o comportamento humano, mas é o
Design que propõe novas soluções de interação que poderão
beneficiar a todas elas. O Design de Interação é essencial à
computação, aos dispositivos móveis e a evolução dos
mesmos no mercado, mas pode também ser muito útil
quando aplicado a outras áreas, como Arquitetura, Cinema,
Marketing, entre outras.
Palavras-chave
Interação; design; contexto.
ACM Classification Keywords
H5.m. Information interfaces and presentation (e.g., HCI):
Miscellaneous.
INTRODUÇÃO
O cenário tecnológico no qual nos encontramos atualmente
tem sido berço para nascimento de muitas áreas de pesquisa
que visam acompanhar as inovações e as necessidades
humanas atreladas a elas.
A otimização da computação a tornou compacta, ubíqua,
portátil e possibilitou sua agregação a outros produtos de
uso pessoal, como PDAs e celulares. Esses produtos que
nos auxiliam diariamente em nossas tarefas são um grande
alvo de pesquisas para acompanhar as inovações
incessantes.
Os estudos a respeito dos novos adventos tecnológicos têm
sido tecidos por diversas áreas, como engenharia,
computação, psicologia e design, que colaboram
harmonicamente para as melhorias desses produtos e dão
origem a novas áreas de pesquisa que permeiam todas elas:
fatores humanos, usabilidade, interação homem-
computador, experiência do usuário, interface do usuário,
entre outras. O design de interação apareceu nesse mesmo
contexto, visando encontrar formas de melhorar a interação
e projetar interfaces inteligentes de forma nova e coerente.
As limitações a este cenário mercadológico momentâneo do
design de interação é o interesse particular desse estudo,
que visa analisar os conceitos e fundamentos atribuídos ao
mesmo e propor uma ampliação do contexto-foco da área,
para além da tecnologia.
CONCEITOS DE DESIGN DE INTERAÇÃO
O termo design de interação ainda é muito discutido por
especialistas que deram origem a vários conceitos nos
últimos anos, com diferentes reflexões a respeito dessa
nova área do design. A tentativa de encontrar os
fundamentos adequados para o design de interação visa
delimitar o campo de atuação dos pesquisadores e
profissionais deste ramo do design.
Bill Moggridge [15], que foi um dos primeiros a falar sobre
o assunto, e provavelmente o criador do termo, defende a
ideia de que o design de interação é o “design dos aspectos
subjetivo e qualitativo de todas as coisas; é ao mesmo
tempo digital e interativo, criando soluções que são
funcionais, desejáveis e acessíveis”. Sob essa perspectiva, o
design de interação se alinha aos propósitos do design na
função, estética e valor, e enfatiza o contexto tecnológico
no qual se insere. Dan Saffer [19] enquadra a disciplina nas
“artes aplicadas” e a define como “a arte que facilita as
interações entres os humanos por meio de produtos e
serviços que tenham algum tipo de consciência”. Deste
ponto de vista, a interação se destina a conectar humanos
com o auxílio de tecnologias inteligentes. Saffer [19]
explica muito bem o porquê de esta área seguir a
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 70
metodologia do design, reforçando que a forma de trabalhar
do design atende aos propósitos do design de interação,
como por exemplo, foco no usuário, prototipagem e
incorporação de emoção.
David Malouf [12], por sua vez, concordou com a linha de
raciocínio de Robert Reimann [18] e disse que os produtos,
serviços e sistemas devem responder aos estímulos criados
pelos seres humanos, e que essas respostas precisam ser
significativas, persuasivas e semi-previsíveis. Não muito
diferente disso, Nico McDonald [13] falou sobre a área que
definiria o relacionamento entre as ações do usuário e as
respostas para as mesmas.
Com base nessas definições e no contexto tecnológico no
qual o Design de Interação surgiu, é possível compreender
por que a disciplina está atrelada aos produtos e às
tecnologias mais recentes, e se destaca mais entre os
dispositivos móveis. Essa ênfase pode ser explicada pela
tendência de otimizar funções nos aparelhos e pela
necessidade crescente de tornar nossas atividades portáteis
e móveis. De acordo com Nico McDonald [13], o maior
desafio da área é projetar interações que são sensíveis à sua
localização e à sua atividade.
Uma das maiores preocupações discutidas pelos
especialistas, com o aparecimento desta nova disciplina, é
conseguir conceituá-la e delimitá-la para distingui-la das
outras disciplinas que compartilham temas, práticas e
teorias comuns.
Muitos dos elementos usados para descrever o design de
interação já são estudados por outras áreas e, às vezes, pode
parecer que este apenas reúne propriedades de outras
disciplinas em uma só. Saffer [19], por exemplo, apontou
componentes como o tempo, espaço, movimento, aparência,
textura e som como sendo os mais importantes em um
projeto. Esses componentes não são exclusivos do design
de interação, pois tempo, espaço, movimento e som já são
dimensões exploradas em todos os projetos com interfaces
digitais. Aparência e textura são elementos da arte e do
design como um todo e por isso não caracterizam uma nova
forma de arte por si só. Robert Reimann [18] afirma que
essa nova disciplina apropria-se das teorias do design
tradicional, da psicologia e engenharias e utiliza as técnicas
do design, apesar de ter seus próprios métodos de análise.
Analisando essas ideias e concatenando os elementos, é
possível entender que o Design de Interação é chamado de
Design devido à metodologia que utiliza (envolve técnicas
de pesquisa, geração de alternativas, análise e validação por
meio de protótipos), mas se diferencia por seu objetivo.
Diferentemente das outras subáreas do Design, ele se
preocupa em estudar e projetar respostas para as ações do
homem nos produtos cotidianos através de elementos
visuais, táteis e sonoros. Por essa diferenciação, o Design
de Interação é respeitado por muitos como uma nova
disciplina, apesar de utilizar parâmetros de usabilidade,
experiência do usuário, fatores humanos, design emocional
e psicologia cognitiva para a criação das soluções
interativas.
ESTUDOS DA INTERAÇÃO NA COMUNICAÇÃO
As interações sociais são estudadas há décadas por
comunicadores e sociólogos, que nos apresentaram os
estudos do comportamento do indivíduo e das massas na
sociedade, que possibilitaram um maior entendimento a
respeito das ações dos homens e das necessidades dos
mesmos. Esses estudos originaram pesquisas direcionadas
ao comportamento do consumidor, compartilhadas pelas
áreas da publicidade, marketing e psicologia, que teceram
estudos a respeito do processamento cognitivo e dos
estímulos sensoriais sinestésicos que podem ocasionar no
comportamento de um indivíduo.
De acordo com Sêga [20], para compreender o mundo e
ser por ele compreendido, o homem precisa integrar-se
nesse mundo. A autora defende a ideia de que através da
troca de experiências individuais e coletivas, os
significados dessas representações passam a ser
compreendidos mutuamente por todos, estabelecendo-se
as relações sociais e suas convenções. Esses conceitos nos
levam a refletir sobre as convenções impostas na interação
do homem com o mundo, do homem com o homem, de
acordo com Mead [14], do homem com o objeto, proposto
por Baudrillard [1], e do homem com ambientes.
O INTERACIONISMO SIMBÓLICO
As ideias interacionistas surgiram com a psicologia de
William James [8] e seus principais seguidores foram:
Charles Cooley [3], John Dewey [6] e George Herbert
Mead [14].
Os estudiosos do Interacionismo Simbólico compreendem
a linguagem como representação simbólica da realidade. O
mundo das linguagens é vasto, visto que há duas categorias
maiores de linguagens: a linguagem verbal e a linguagem
não-verbal. Dentro desta última categoria há uma gama de
outras formas de comunicação, como: a) pictorial
(desenhos, gravuras); b) auditiva (códigos de uma língua, a
sonora e a musical); c) gestual e expressiva (expressões
faciais).
O pai do interacionismo simbólico foi George Herbert
Mead [14] e seu maior discípulo foi Herbert Blumer [2],
criador do termo “interacionismo simbólico”, em 1937.
Embora Blumer concordasse com Mead, procurou ampliar
o campo do interacionismo, resolveu dar maior relevância
ao conceito de “significado” que, até então, havia sido
relegado ao segundo plano pelas ciências sociais da época.
Para ele, o universo dos indivíduos é constituído de objetos
e, para tanto, ele dividiu os objetos em: 1) físicos (coisas);
b) sociais; c) abstratos (ideias). Para ele, os objetos só
adquirem significado através da interação simbólica,
embora seus significados se diferenciem de pessoa para
pessoa, dependendo do contexto sócio-cultural dessas
pessoas.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 71
A realidade simbólica diz respeito sobre a maneira como
os indivíduos produzem símbolos e como esses indivíduos,
na categoria de receptores, assimilam outros símbolos
vindos de diferentes culturas. O símbolo busca uma relação
de identificação e de aproximação entre os membros de
uma dada sociedade, estabelecendo relações de interação
através da troca e compreensão da linguagem verbal ou
não-verbal, como a dos objetos. Como exemplo disso,
temos a guitarra elétrica simbolizando o “rock n’ roll”,
passando a ser um ícone desse gênero musical e assim
compreendido pelos seus adeptos.
Os meios de comunicação de massa, em especial a
televisão, vêm desempenhando a função de interagir os
indivíduos na sociedade de massa com determinados tipos
de programa, como por exemplo, os reality shows, com o
feedback do público telespectador.
No campo da mídia, a publicidade também vem cumprindo
com esse papel social de interação. Mesmo que ela atenda
aos interesses da economia, ela integra o indivíduo no
grupo em que pertence. Ultimamente, a publicidade vem
recebendo mais atenção e controle ético dos órgãos
responsáveis pela veiculação publicitária em vários países,
incluindo o Brasil. Separando os efeitos nocivos que ela
possa proporcionar aos indivíduos menos atentos a sua
manipulação, os produtos anunciados e destinados à venda
assumem o lugar da companhia ideal para o ser humano.
Tais objetos são capazes até de amenizar, mesmo que
temporariamente, a solidão de alguém. Se não fosse dessa
forma, as pesquisas de opinião pública não estariam
investigando o gosto do consumidor e até a compulsão
pelo consumo que algumas pessoas têm. Estudos pelos
quais os analistas do comportamento humano vêm se
interessando cada vez mais.
Ao anunciar um determinado produto e,
preferencialmente, a marca deste, o público-alvo, quer da
televisão, rádio ou mídia impressa, o elege como sendo
seu parceiro, sua cara-metade. Podemos ver isso nas
marcas de tênis e jeans usados pelos jovens, como forma
de auto-afirmação e de aceitação pelo grupo. Análises de
anúncios mostram que um homem, ao adquirir um carro,
está buscando, inconscientemente, a parceria ideal para
ele, ou seja, o relacionamento perfeito que ele gostaria de
ter ou a substituição de uma relação que já não o satisfaz
mais. Um carro não tem as reações humanas indesejáveis,
plenas de surpresas desagradáveis e que possam estar fora
de seu controle. À medida que a mídia dita os padrões
estéticos vigentes, a indústria automobilística procura
ajustar-se ao novo padrão estético e às necessidades
psicológicas e racionais do indivíduo. Consequentemente,
as indústrias automobilísticas, evidentemente com o apoio
de psicólogos e designers, projetaram os carros com
formas arredondadas lembrando as curvas do corpo
feminino, pois o formato redondo está mais relacionado à
emoção do que as linhas retas, sendo estas mais voltadas
para o raciocínio e a lógica, conforme Sêga (2005).
INTERAÇÃO MECÂNICA
No dia-a-dia, interagimos com objetos, com pessoas e com
o entorno em tempo integral, mas poucas vezes essa
interação é consciente. Quase toda a comunicação não-
verbal que realizamos é mecânica, fazemos por instinto ou
por aprendizado. Gazzaniza [7] afirma que em nosso
cotidiano temos 2% de consciência sobre as decisões que
tomamos e 98% de inconsciência, o que nos sugere que a
maior parte das nossas ações fazemos “adormecidos”.
De acordo com a teoria do cérebro tríplice de MacLean
[11], nosso cérebro humano é divido em três partes
relacionadas com fases da evolução da nossa espécie:
cérebro primitivo (instintivo, reptiliano), sistema límbico
(emocional, mamífero) e neocórtex (intelectual, primata),
mais evoluído e moderno, que compartilhamos com os
elefantes e cetáceos.
O cérebro primitivo está relacionado com a maneira como
gerenciamos a informação do presente e das sensações do
entorno. Para detectar as mudanças de informação
precisamos tê-las ordenadas, e em situações que existe
muita mudança de informação não detectamos bem o que
acontece ao nosso redor. Precisamos da ordem para
gerenciar a informação. Porém, quando recebemos sempre
os mesmos padrões, nos aborrecemos e nos desconectamos
do mundo exterior. Portanto, é importante que em nosso
cotidiano vivenciemos experiências que rompam com o
padrão, que tragam certo grau de complexidade para nossas
tarefas diárias.
O sistema límbico está relacionado com o passado, com a
memória e com a emoção. Ele se desenvolve em nossa
evolução quando começamos a viver em grupos e constituir
família, pois sem emoção e sem memória, uma mãe não
cuidaria de seus filhos (como os répteis que abandonam
suas crias). Os seres humanos são especialistas em
comunicação emocional, é como nos comunicamos não-
verbalmente a todo instante, detectando as emoções dos
outros. A interação que exercemos com o mundo ao nosso
redor faz parte dessa comunicação e está impregnada de
emoção. Infelizmente, interagimos mecanicamente em
nosso dia-a-dia, assistimos à televisão sentados no sofá,
fazemos compras com o carrinho percorrendo prateleiras,
abrimos portas para entrar nos lugares, tomamos banho em
pé, comemos sentados ao redor de uma mesa, pedimos
comida por meio de um cardápio, vemos o mundo através
de janelas, tudo de forma inconsciente, pois essas tarefas e
ações já não nos nutrem com novas experiências.
A parte moderna do cérebro, o neocórtex, está relacionada
com o futuro e com as habilidades artísticas, com a criação,
imaginação, compartilhamento de emoções, cooperação
social e experiências religiosas. Essa parte moderna do
cérebro sugere a constante necessidade que os humanos têm
de vivenciar novas experiências, reiterando a necessidade
do cérebro primitivo em oferecer certo grau de
complexidade de informação e do cérebro mamífero em
comunicar emocionalmente com o meio. Esses três cérebros
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 72
e suas características oferecem um questionamento sobre
como estamos interagindo com o meio, sobre a
mecanicidade de nossa comunicação, possibilidades a
serem exploradas nos três planos cerebrais através de novas
experiências interativas.
PRAZER, NOVAS EXPERIÊNCIAS
A construção de novas interações tem como objetivo
proporcionar prazer e satisfazer, principalmente, as
necessidades emocionais e intelectuais por meio da
ampliação da consciência da comunicação com o entorno.
Para entender melhor como funciona a nossa comunicação
com o meio, a nível biológico-psicológico, é necessário
analisar que tipos de pensamentos podemos ter quando
interagimos com o espaço ao nosso redor que estão
relacionados com as sensações processadas por nosso
cérebro e também compreender os tipos e os níveis de
prazer que esse tipo de interação poderia nos prover a nível
consciente e inconsciente. O pensamento produtivo é
definido por Joan Corbella [4] como o tipo de pensamento
que depende ao máximo de estímulos externos, percepções
do mundo exterior, e se ocupa das realidades do mundo e da
solução de problemas. O autor nos fala também do
pensamento criativo, relacionado com a imaginação e o
pensamento quimérico, relacionado com a fantasia e
obedecem apenas às leis da afetividade, deixando de lado a
realidade e a lógica.
O sistema afetivo faz julgamentos e nos permite saber
rapidamente o que é bom ou ruim em nosso entorno, pode
ser a nível inconsciente ou consciente. Já o sistema
cognitivo-emocional é consciente, nos permite interpretar e
dar sentido às coisas, ao mundo. De acordo com Damasio
[5], o afeto e a emoção são essenciais para o processo de
tomada de decisão, onde o afeto nos permite uma decisão
rápida e a emoção nos faz racionalizar conscientemente e
compreender as causas do afeto.
Donald Norman [17] defende a ideia de que as decisões
inconscientes não são capazes de uma manipulação
simbólica, de um raciocínio cuidadoso, pois o processo é
rápido, simples e automático. Já o processo consciente é
lento e trabalhoso, ponderamos as decisões e refletimos e
racionalizamos bastante para encontrar explicações.
Norman [16] propõe três níveis de processamento
relacionados com emoção e afeto que são aplicáveis ao
Design e aos objetos do nosso cotidiano, que são:
a) Nível visceral: Diz respeito à atração instintiva e ao
impacto emocional imediato. Não é racional e nos faz
gostar ou não de algo à primeira vista;
b) Nível comportamental: Relacionado com a
funcionalidade, efetividade, compreensão e sensação física
durante o uso dos objetos.
c) Nível Reflexivo: Relacionado com significado,
memórias, idéias, mensagens e valores que aportam os
objetos.
Com esses conceitos, podemos interligar o prazer que
sentimos quando vemos, utilizamos ou refletimos sobre um
determinado objeto com as necessidades instintivas,
emocionais ou cognitivas atreladas à natureza humana.
Experimentar e interagir com o entorno, realizando tarefas
cotidianas, de uma forma nova, significa instigar a pensar e
a racionalizar, de uma forma mais consciente (mesmo que
grande parte dessa comunicação ainda seja inconsciente) a
fim de obter prazer suprindo as necessidades emocionais e
intelectuais de nossa mente.
Para isso, é importante ressaltar que a ideia de re-projetar as
interações consiste em questionar a comunicação que existe
agora para melhorá-la e não apenas para promover
experiências novas. Ou seja, analisar como interagimos
com os objetos em determinadas situações e aperfeiçoar a
interação proporcionando uma comunicação mais intuitiva,
mais satisfatória e mais lógica, para que tenhamos mais
prazer, sensação que é reforçada pela complexidade do
novo (novos padrões/necessidades cerebrais) e pela
orientação do Design para emoção e afeto.
INTERAÇÃO PARA MÚLTIPLOS CONTEXTOS
O conceito de design de interação, apesar de ter sido
pensado para produtos tecnológicos, tem muitas aplicações
em produtos e ambientes não-tecnológicos, nos quais a
interação já vem sendo projetada de forma intuitiva.
De acordo com Jon Kolko [10] o design de interação é
reconhecido como um novo campo, porém as pessoas vêm
projetado interações há séculos. Ele afirma que a área tem
profundas raízes em muitas outras disciplinas existentes e
que por isso o assunto fica confuso nas outras áreas que
muitas vezes compartilham os mesmos nomes e as mesmas
técnicas.
Alguns estudos visam ampliar a visão inicial do design de
interação, incluindo estudos do corpo como produto, assim
como o ambiente e outros elementos que fazem parte de um
contexto. Karen Kortbek [9] afirma que o interesse na
inclusão do corpo no design de interação é crescente pela
comunidade de pesquisadores da interação homem-
computador. Em seu estudo de interação em espaços
públicos, a autora inclui técnicas de dramaturgia à
metodologia e explica que direção de atores e design de
interação podem se reabastecer mutuamente se o contexto
interativo, que inclui corpo, ambiente e a interação
propriamente dita, for “assistido” e “dirigido”.
Desta forma, percebemos que “projetar novas interações”
vai mais além da tecnologia e interfaces gráficas. O estudo
da interação pode ser tão importante para a produção de
aparelhos portáteis quanto para a arquitetura, artes plásticas,
design de produtos, entre outros. A área trata de re-projetar
a lógica de comunicação, antes de tudo, e pode ser
estendida a diversas outras áreas, onde a prática já existe
inconscientemente, sem o apoio de pesquisas, da
metodologia e espírito criativo.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 73
CONCLUSÃO
A interação humana e seus reflexos no comportamento
social são do interesse de muitas áreas e vêm sendo
estudadas por especialistas com interesses variados.
O Design contribui com os estudos de Design de
Interação, que se diferenciam por acrescentar uma
perspectiva básica e intrínseca do design: a essência
inventiva, criativa e focada em descobrir novos meios para
solucionar problemas. Esse é o diferencial do Design de
Interação diante das outras áreas de conhecimento, que
estão mais orientadas a entender o comportamento
humano e o reflexo dele na sociedade moderna, enquanto
o Design procura projetar novas soluções com o auxílio
desses estudos interdisciplinares.
Apesar do Design de Interação ter surgido como disciplina
devido à necessidade tecnológica de melhorar a
manipulação de interfaces gráficas, percebe-se que é de
grande interesse também para outras áreas que buscam
inovar e descobrir novas possibilidades de interação.
Conclui-se, portanto, que o Design de Interação tem seu
diferencial por oferecer novas soluções criativas e
inventivas e que o produto do aprofundamento do seu
estudo poderá beneficiar as áreas que estudam a interação,
além de outras que não desenvolvem estudos específicos
nesse assunto, mas que poderão usufruir das
possibilidades inovadoras que estão sendo abertas por esse
novo campo.
REFERÊNCIAS
1. BAUDRILLARD, J. Sistema dos Objetos. São Paulo.
Perspectiva, 2002.
2. BLUMER, H. The Mass, the Public and Public
Opinion. Ed. A. McC. Lee. New York, 1946.
3. COOLEY, Charles H. Human Nature and the Social
Order. New York: Scribner's, 1922.
4. CORBELLA, Joan. Pensar o Viure. Barcelona:
Columna, 1992.
5. DAMÁSIO, Antonio. O erro de Descartes: emoção,
razão e cérebro humano. Portugal: Publicações Europa-
América, 1995.
6. DEWEY, John. Essays in experimental logic. New
York: Dover Publications, 2004.
7. GAZZANIGA, M. S. The Mind´s Past. Berkeley:
University of California Press, 1998.
8. JAMES, W. (1952). The principles of psychology
(Great books of the western world, Vol. 53). Chicago:
Enciclopaedia Britannica. (Original publicado em 1890).
9. KORTBEK, K. Interaction Design for Public Spaces.
MM’08, October 26–31, 2008, Vancouver, British
Columbia, Canada. ACM 978-1-60558-303-7/08/10.
10. KOLKO, J. Thoughts on Interaction Design.
Savannah, GE: Brown Bear, 2007.
11. MACLEAN, P. The Triune Brain Evolution. New
York: Plenun Press, 1990.
12. MALOUF, D. Foundations of Interaction Design.
2007. (http://boxesandarrows.com/view/foundations-of)
13. MCDONALD, N. Action, Interaction, Reaction.
Blueprint, august 2001.
14. MEAD, George H. The Social Psychology. Chicago,
University Press, 1962.
15. MOGGRIDGE, B. Designing Interactions.
Cambrigde, MA: The MIT Press, 2007.
16. NORMAN, D. Emotional Design: Why do we love
(or hate) everyday things? New York: Basic Books,
2004.
17. NORMAN, D. La Psicología de los Objetos
Cotidianos. Madrid: Nerea, 1990.
18. REIMANN, R. So You Want to Be an Interaction
Designer. 2001.
(http://www.cooper.com/journal/2001/06/so_you_want_to
_be_an_interacti.html)
19. SAFFER, D. Designing for Interaction: Creating
Smart Applications and Clever Devices. Berkeley, CA:
New Riders, 2007.
20. SÊGA, C. Relações Sociais, Interação e
Comunicação: Um estudo sobre os elementos
relevantes nas diferentes formas de comunicação. Tese
(doutorado em Ciências da Comunicação) – Faculdade de
Ciência Sociais e Humanas, Universidade Nova de
Lisboa. Lisboa, 2005.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 74
RESUMO
Este artigo é resultado de um projeto acadêmico,
focado em tecnologias digitais interativas.
O projeto propõe um sistema que auxilie na
orientação do usuário de ônibus urbano em grandes
metrópoles, tendo como foco a cidade de Porto
Alegre, capital do estado do Rio Grande do Sul.
Busca contribuir para um maior entendimento acerca
do conjunto urbano por parte de seus usuários, sejam
eles familiarizardos ou desconhecedores deste
ambiente. O sistema será exibido em uma tela
multitoque, utilizada para exibir dados que abrangem
itinerários de linhas de ônibus e a localização do
mesmos em tempo real dentro de um mapa, além de
dados relevantes ao usuário do sistema de transporte
coletivo urbano. O sistema também poderá interagir
com dispositivos móveis (como celulares e
smartphones) através da tecnologia de Bluetooth ,
onde será possível fazer o download de mapas e
itinerários. O projeto foi desenvolvido seguindo a
metodologia projetual de Meurer e Szabluk (2009),
denominada Projeto E, e terá como premissa a
construção de uma interface gráfica amigável,
simples e objetiva, através da implementação de
recursos multimídia interativos, usabilidade e
acessibilidade.
PALAVRAS-CHAVE
Design de Interação, Transporte Coletivo Urbano, Sistemas
de Orientação e Localização.
PALAVRAS-CHAVE ACM
IHC
ABSTRACT
This article is a result of an academic project focused on
digital interactive technologies. It suggests a system that
helps to orient city buses users around big cities, focusing
on a brazilian city called Porto Alegre, capital of Rio
Grande do Sul State.
It also seeks to contribute for a major understanding
about the urban bondaries to the users, no matter if they
know or not the enviroment that surrounds them. The
system will be shown in a multitouch screen, presenting
data about the buses routes and shifts, also the position in
real time of the vehicle in the city map and other kinds of
data that are useful to the urban transport system. This
system will interact with mobile devices using bluetooth
technologies, enabling the users to download relevant
information, like maps and routes accessing the system
database. A metodology called Projeto E was used to
develop the system concept, looking for a friendly user
interface, striving for interactive medias, usability and
accessibility.
KEYWORDS
Interaction Design. Urban Transport System, Orientation
and location systems.
ACM KEYWORDS
HCI
O TRANSPORTE PÚBLICO NO BRASIL
As cidades tendem a se tornar o principal habitat da
humanidade. A ONU identificou no ano de 2000, 2,9
bilhões de habitantes nos centros urbanos (47% da
população mundial total), e projeta que este número
crescerá para 5 bilhões em 2030 (60% da população
mundial total). Além disso, antecipa que, entre 2000
e 2030, quase todo crescimento populacional
mundial se dará nas áreas urbanas de países em
desenvolvimento (UNPD, 2004). No Brasil, mais
especificamente, a população urbana saltou de 18,8
milhões (26,3% do total) em 1940 para 138 milhões
(81,2% do total) em 2000, um aumento de 135
milhões no número de habitantes urbanos em 60
anos. Apenas na última década do século XX, a
população urbana brasileira cresceu em 22.718.968
habitantes - mais da metade da população do Canadá,
Sistema de Orientação e Navegação
para Terminais de Ônibus Urbanos de Porto Alegre
Marcelo Ferranti
Bacharelando em design
Centro Universitário Ritter dos Reis | Uniritter
Porto Alegre | RS
marceloferranti@yahoo.com.br
Prof. Me. Heli Meurer (Orientador)
Centro Universitário Ritter dos Reis | Uniritter
Porto Alegre | RS
heli.meurer@gmail.com
1 http://tinyurl.com/39f4vfo, acesso em 11/10/2010
2 Associação Nacional de Transportes Públicos
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 75
ou um terço da população de França1. Em qualquer
destes cenários urbanos, o transporte público é
essencial para viabilizar a vida social de seus
habitantes, devido às crescentes distâncias a serem
percorridas no espaço intraurbano. É o elo entre
vários componentes do sistema urbano -
especialmente após o século XIX, quando o tráfego
de veículos nas cidades passou a representar um
problema sério (DYCKMAN, 1965). Os atuais
desafios do transporte público no Brasil, segundo a
ANTP2 se baseiam em três pilares principais:
desenvolvimento urbano, transporte público e
trânsito. Estes devem ser tratados de forma conjunta,
dada a sua grande interação. Dentro do setor de
transporte público, alternativas devem ser trabalhadas
a médio prazo para uma melhoria do sistema de
transporte urbano como um todo, com destaque para
a melhoria da prestação de serviços e o aumento da
eficiência de operação, ligados diretamente ao
projeto aqui proposto. O ônibus é a modalidade
predominante de transporte coletivo em alguns dos
maiores centros urbanos mundiais, somando uma
frota de mais de três milhões de veículos, que
transportam anualmente 6,5 trilhões de passageiros
por quilômetro. No Brasil, uma frota de 95 mil
ônibus atende 59 milhões de passageiros por dia, e é
responsável por 92% da demanda por transporte
coletivo, em Porto Alegre esse número é de 1.562
veículos, dispostos em 330 linhas, que antendem
cerca de 1.200.000 passageiros por dia3.
Em Porto Alegre, programas como o sistema TRI
(Transporte Integrado) já fazem uso da tecnologia
para melhorar o serviço de transporte, que utiliza
bilhetagem eletrônica, isso possibilita que a cidade
tenha um sistema mais evoluído de transporte
público coletivo, como é utilizado em outros grandes
centros do Brasil e do mundo. O sistema de
bilhetagem eletrônica também tem como objetivo
integrar itinerários e beneficiar usuários com
descontos na tarifa para usuários de mais de uma
linha para um mesmo trajeto, a chamada Passagem
Integrada (o usuário paga a primeira passagem inteira
e a segunda com 50% de desconto). Apesar desses
investimentos feitos na área de transportes urbanos,
o sistema de transporte coletivo em Porto Alegre
possui vários pontos de deficiência, como as paradas
sem nenhum tipo de sinalização e orientação, muitas
vezes sendo necessário pedir informação à outros
passageiros, ou mesmo ao motorista do veículo.
Metas e ações estão sendo desenvolvidas no
PITMUrb4,segundo cinco eixos de sustentabilidade
que visam a assegurar a implantação do novo
Sistema Integrado de Transporte (SIT), através de um
conjunto de soluções de curto, médio e longo prazo,
que contempla integração institucional; integração de
transporte e intervenções urbanístico-ambientais;
integração funcional do transporte; integração
tarifária; integração de controle e informação ao
usuário; e, integração de financiamento da infra-
estrutura.
Dois centros brasileiros se destacam como referência
no transporte público, como é o caso dos terminais de
Curitiba e o sistema de transporte de Goiânia,
conhecido como SiM (Serviço de Informação
Metropolitano). O SiM consiste em aprimorar a
forma de comunicação com o usuário por meio de
tecnologias digitais, como celulares, computadores,
painéis de informação e Internet, o que representa
uma evolução relevante, quando se considera que a
interação da maioria das empresas de transporte
brasileiras se dá por meio de um telefone 0800, como
é o caso de Porto Alegre. O SiM, que recebeu
investimentos de R$ 50 milhões, dispõe atualmente
de sete serviços gratuitos e em tempo real para a
população de Goiânia. Em uma matéria publicada no
portal Intelog 5, Décio Caetano, diretor-
superintendente do Setransp (Sindicato das Empresas
de Transportes de Passageiros), comenta que o setor
de transporte no Brasil foi muito negligente no
sentido de informação ao usuário, ressaltando que a
informação é um atributo importante para os sistemas
transporte.
UM SISTEMA PROMOVENDO A MOBILIDADE
Atualmente em Porto Alegre, esperar por um ônibus
muitas vezes pode ser frustrante, pois além da longas
filas, não há estimativas de tempo entre uma linha e
outra. Ao mesmo tempo que os terminais carecem de
mapas que exemplifiquem os trajetos, paradas, e
transportes complementares para se chegar ao destino
desejado. Esse projeto propõe um sistema digital
instalado em terminais localizados nas principais
paradas de ônibus de Porto Alegre. Esse painel
exibirá informações que auxiliem os usuários de
transporte coletivo a se orientar dentro do ambiente
físico urbano, através de um sistema de fácil
utilização, baseando-se em um modelo conceitual
focado em metas de usabilidade (eficácia, eficiência,
segurança, utilidade, fácil aprendizado e fácil
lembrança). Também faz uso de heurísticas para
guiar o processo de construção da mesma. Por
interface, entende-se “todos os aparatos materiais que
permitem a interação entre o universo da informação
digital e o mundo ordinário”. (LÉVY, 1996). O
projeto deve considerar uma vasta gama de usuários,
de diferentes faixas etárias e níveis culturais.
3 EPTC - Empresa Pública de Transporte e Circulação
4 Plano Integrado de Transporte e Mobilidade Urbana
5 http://tinyurl.com/2bdygqw acesso em 10/10/2010
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 76
Figura 1. Síntese do projeto
METODOLOGIA UTILIZADA
Para esse projeto, foi utilizada uma metodologia projetual
para sistemas dígito-virtuais denominada Projeto E,
composta de diferentes etapas listadas a seguir.
Figura 2. Metodologia Projeto E
(MEURER E SZABLUK, 2009)
Estratégia
Definir propósitos de projeto, objetivos do negócio,
fundamentação, questões projetuais, identificação de
cenários e personas. Analisar produtos sincrônicos e
tangenciais, além de verificar o percurso evolutivo destes
produtos (diacronia). Desconstrução e análise desenhística
dos mesmos. Análise semântica e heurísticas de termos
dentro do contexto projetual. Elaboração de uma lista de
requisitos e restrições de projeto.
Escopo
Início de geração de alternativas para o produto.
Organização do conteúdo, definição das funcionalidades e
ferramentas, descrição de cenários e casos de uso.
Estrutura
Desenho de organogramas de estrutura, fluxogramas de
tarefas. Elaboração de documentação técnica.
Esqueleto
Desenho de Wireframes, organização estrutural do produto.
Estética
Geração do layout estético-formal do produto. Criação de
malhas diagramacionais. Composição e diagramação final
do produto. Estudo de linguagem gráfico-visual.
Execução
Análises heurísticas e de usabilidade. Implementação do
modelo funcional do produto e definição de tecnologias de
frontend e backend.
O PROJETO
Foi definido que o sistema se chamaria Mover, dando valor
à sua semântica e significado em sicronia ao que o sistema
almeja conquistar: A facilidade de locomoção e orientação
pelos centros urbanos. A seguir são apresentadas as
principais etapas do projeto.
Definindo o usuário
Definir perfis de usuário é uma das partes primárias dentro
de um projeto digital. É através desses perfis que
delimitamos como um produto deve parecer e como irá se
comportar. Esses perfis são criados a partir da observação
de comportamento de usuários, pesquisa de grupos,
pesquisas qualitativas e quantitativas, entrevistas, entre
outras técnicas. Com os dados obtidos no mundo real, são
criados perfis fictícios de possíveis usuários, composto por
fotos, descrições de suas atividades, como profissão e grau
de instrução. Como resultado, cada perfil possui um modelo
mental distinto, ou seja, possuem diferentes idéias de como
um produto ou serviço funcionam. Em seu artigo Cognitive
science and science education Susan Carey`s, define
modelo mental como:
“ ...uma visão de uma pessoa de como um produto/sistema
funciona. Modelos mentais são baseados em fatos
incompletos, experiências passadas e intuição. Elas ajudam
a estruturar a forma e comportamento, influenciam ao o que
as pessoas prestam atenção em situações adversas, e
definem como pessoas encaram e resolvem problemas.”
Já para Norman (1988), modelo mental é um conjunto de
idéias de como um sistema funciona. Pessoas interagem
com sistemas baseadas em suas idéias de como o mesmo
funciona, isso torna o uso de modelos mentais um ponto
importante ao se projetar sistemas, contribuíndo para atingir
seu objetivo primário, que é a usabilidade.
A figura abaixo ilustra o conceito de modelo mental
proposto por Alan Cooper (2007) em seu livro About Face:
Essentials of Interaction Design, onde exemplifica um
alinhamento de como o sistema deve se comportar e como
o usuário imagina que o mesmo se comporte.
6 Plastic Interface for Collaborative Technology Initiatives through Vídeo Exploration
7 Collaborative Analysis of Requirements and Design
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 77
Figura 3. Modelo mental segundo Alan Cooper em seu livro
About Face: Essentials of Interaction Design
Pesquisas qualitativas e quantitativas são utilizadas a fim de
determinar o modelo mental do público que utilizará o
produto. Algumas técnicas para a coleta, organização e
análise de dados são propostas por Preece (2002) como as
participativas PICTIVE 6 (MULLER, 1991) e CARD 7
(TUDOR, 1993), além de estudos etnográficos,
questionários, entrevistas e design contextual.
CONTEXTUALIZAÇÃO
Para o projeto aqui desenvolvido, as técnicas de
questionários e design contextual foram utilizadas, a fim de
se obter uma maior conhecimento em torno do problema a
ser solucionado. Observou-se que grande parte dos usuários
necessitava de ajuda ao utilizar o serviço de ônibus na
cidade de Porto Alegre, solicitando informações a outros
usuários que estavam à espera de algum veículo, ou ao
motorista do mesmo. As dúvidas contemplavam aspectos
relacionados ao próprio terminal de espera, que na grande
maioria das vezes apresentava falhas de comunicação, tais
como falta de identificação, ausência de um mapa
ilustrando os itinerários relacionados ao ponto, e ausência
de índices visuais ou alertas que informassem o tempo
decorrido do último ônibus e o tempo estimado para a
chegada do próximo. Em alguns casos ambos não sabiam
como solucionar o problema em questão, ocasionando uma
frustração com o serviço por parte do usuário. Aspectos
físicos como deficiência na sinalização, propaganda
anexada à estrutura, e deficiências estruturais também
foram registrados.
Finalizada a contextualização, os dados foram registrados e
categorizados a fim de se obter um cenário em torno do
universo comprendido pela problematização do projeto.
Questões projetuais foram respondidas abrangendo aspectos
gerais e específicos, compreendendo aspectos relacionados
ao motorista do veículo, aos passageiros desse veículo, as
paradas de ônibus que formam esse conjunto, as redes de
circulação, a comunidade e o sistema como um todo.
Figura 4. Contextualização do Projeto
Cenário Pretendido
Com base nesses dados, criou-se o cenário pretendido para
o produto, que abrange a criação de um sistema que será
visualizado em telas multitoque, intuitivas para o usuário
leigo em sistemas digitais. Essa tela deve exibir dados
referentes ao tempo de chegada e partida de veículos, essas
informações podem ser exibidas em conjunto com sinais
sonoros, facilitando a compreensão da informação. O
sistema deve permitir a consulta de linhas e itinerários,
obtendo-se o tempo estimado para se chegar ao destino
desejado, além da visualização das rotas de outras linhas
que passam pelo terminal. Smartphones e celulares podem
ser utilizados para efetuar o donwload de mapas, rotas,
horários, entre outras informações. O sistema deve possuir
uma forma de procura por endereços específicos simples e
direto. Sua tela inicial deve apresentar informações
relevantes, como últimas notícias, temperatura, seleção de
idioma e a posição em que o terminal que está sendo
acessado se encontra dentro do mapa urbano de Porto
Alegre, apresentando todas rotas que passam pelo local,
além de exibir endereços e estabelecimentos relevantes ao
usuário.
Esses endereços são estabelecidos utilizando-se pontos de
referência dentro do ambiente urbano, tal como parques,
hospitais, principais avenidas, e eventos que estão
ocorrendo na cidade, como shows e jogos esportivos. Essas
indicações podem se atualizar dinamicamente, baseando-se
no número de buscas a locais efetuados naquele terminal.
Por exemplo, se um sistema situado na aveninda 24 de
Outubro identificar um excesso de buscas para a rua Eudoro
Berlink, mas a mesma não se encontrar como sugestão
dentro do mapa, o sistema se encarregará de apresentá-la
como sugestão.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 78
Figura 5. Cluster de endereços dinâmicos.
Os objetivos operacionais incluem desenhar IGA (Interface
Gráfica Amigável) para tela multitoque, especificar
tamanho e resolução de tela adequados, e a altura em que
essas telas serão instaladas, devendo ser acessado por
crianças, cadeirantes e adultos. Deve estipular tecnologias
de frontend e backend necessárias para sua implementação,
além de definir o nível de automatização do sistema perante
o usuário e definir modos de interação para dispositivos
móveis utilizando Bluetooth.
Análises estruturais e funcionais
Análises denotativas e conotativas foram delimitadas em
torno de elementos-chave relacionados ao produto e a área
estudadas, como definição de Design de interação,
Usabilidade, Tecnologia, Transporte Urbano, com o intuíto
de se obter um universo semântico em torno do tema
estudado. Também buscou-se por referências de produtos
sincrônicos ao sistema proposto, focando em
funcionalidades, com o objetivo de se verificar o que já foi
feito e em que tecnologias e formas esses produtos foram
apresentados, o que funcionou e o que pode se extrair de
melhor de cada sistema. Para esse projeto, cerca de vinte
produtos tengenciais de diferentes universos (jogos digitais,
aplicativos móveis e websites) foram analisados.
Figura 6. Exemplo de análise estrutural de um aplicativo.
As interfaces desses produtos foram descontruídas,
reduzindo-as a wireframes arquitetônicos, a fim de entender
com as partes se relacionam, além de se obter uma visão a
cerca de como suas hierarquias informacionais foram
criadas. Uma análise funcional nesses produtos também foi
efetuada, visando entender o fluxo e o comportamento do
sistema perante as ações do usuário.
Figura 7. Exemplo de análise funcional de um aplicativo
relacionado ao sistema proposto.
8 iPhone interface design
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 79
Requisitos e Restrições do Projeto
Consiste em uma declaração sobre um produto pretendido
que especifica o que ele deve fazer ou como deve operar.
Um dos objetivos da atividade de estabelecimentos de
requisitos, é torná-los o mais específicos, não-ambíguos e
claros possíveis (PREECE et al, 2002) O sistema rodará em
telas touchscreen de alta resolução, dispostas nos principais
terminais de acesso a ônibus urbanos de Porto Alegre. A
interface deve ser intuítiva e possuir o menor número de
botões e configurações possíveis. Deve falar a linguagem
do usuário e possuir prevenção a erros. Informações
pertinentes devem estar a poucos níveis de acesso. O
sistema deve fornecer feedback visual e sonoro, além de
possuir consistência visual. Suas cores devem ser sóbrias e
delimitar diferentes funções com clareza, como ícones
ativos e inativos, seções acessadas e sinais de alerta. Deve
possuir ícones conjuntos com um tags descritivos sobre sua
função, para uma rápida e fácil assimilação da tarefa a ser
executada por parte do usuário. Deve apresentar uma
interface de fácil utilização e reconhecimento, baseando-se
em convenções de navegação e interação, de modo que
especifiquem a aparência e a localização de elementos,
como botões, janelas, para que os usuários saibam onde
procurar por eles quando necessário (KRUG, 2006).
De acordo com MORAES (2002) a interface é
fundamental para um sistema, pois é o elo entre o
sistema e o usuário, sendo a responsável pelo modo
que se realizará a interação com o sistema. Quando
projetada corretamente, agrega um valor substaciável
ao serviço proposto, em caso contrário pode ser a
responsável pela não adoção do mesmo.
Um modelo conceitual do sistema
Baseado nas analises previamente relatadas, foi construído
um modelo conceitual do sistema. PREECE et al (2002),
define modelo conceitual como ...uma descrição do
sistema proposto – em termos de um conjunto de idéias e
conceitos integrados a respeito do que ele deve fazer, de
como deve se comportar e com o que se deve parecer – que
seja compreendida pelos usuários de maneira pretendida.
Deve levar em conta questões como as funções que o
produto irá realizar, como elas se relacionarão uma com as
outras e que tipo de informação deve estar disponível pelo
sistema.
Nessa etapa optou-se pela técnica de card-sorting – que
consiste em organizar a informação coletada com a
finalidade de estruturar uma arquitetura informacional
focada no usuário e suas necessidades – e por técnicas de
prototipagem de baixa fidelidade, criadas utilizando-se
canetas e blocos de papel. Uma das vantagens da
prototipação de baixa fidelidade é a sua agilidade de teste e
facilidade de descarte e reimplementação de ajustes, visto
que nas fases iniciais do projeto, testes são fundamentais
para que o projeto se alinhe aos requisitos do projeto,
economizando tempo e dinheiro ao evitar retrabalho quando
o sistema já está implementado. Testes inicias foram
realizados com possiveis usuários, obtendo-se feedback
imediato quanto à organização e o tipo de opções
oferecidas, contribuíndo para um rápido ajuste e
revalidação de sua estrutura.
Após validados os primeiros protótipos, partiu-se para a
estruturação da informação do sistema. Procurou-se criar
uma arquitetura da informação centrada nos requisitos do
projeto, tendo-se como base também os produtos analisados
previamente. Optou-se por uma hierarquia equilibrada entre
número de opções na tela e profundidade de acesso,
deixando as funções cruciais do sistema em pontos fixos na
estrutra da interface. Segundo Edward Tuffle 8, existem dois
importantes conceitos relacionados à exibição de
informação em uma interface: Adjacent in space
(Adjacentes no espaço) e Stacked in time (Fixados no
tempo).
Figura 8. Conceitos de exibição de informações,
segundo Edward Tuffle.
O primeiro conceito se refere a elementos da estrutura que
compartilham a mesma área, ou seja, a mesma tela,
dependendo dos atributos que um sistema se propõe, essa
abordagem pode definir o nível de complexidade de uma
interface. Ao mesmo tempo, reduz o nível de navegação
entre telas do sistema para atingir informações adicionais,
aumentando assim a interação e a visualização da totalidade
informacional. Enquanto que o segundo conceito divide a
informação em mais telas, reduzindo as chances de o
usuário cometer algum engano, pois essa abordagem serve
como uma espécie de guia através da informação. Também
pode conferir um aspecto minimalista à interface, não
deixando visíveis comandos que não estão sendo utilizados
no momento. No projeto aqui proposto, informações
relevantes e imediatas apresentam-se adjacentes no espaço
enquanto que informações adicionais ou exploratórias
encontram-se fixas no tempo. Uma escala de diferencial
semântico foi criada para especificar o modo pela qual a
estética deve se guiar.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 80
Figura 9. Escala de diferencial semântico.
Após estruturada a informação, começam-se as análises de
tarefa, a fim de investigar as situações de uso de acordo
com os objetivos do usuário. Segundo PREECE et al (2002)
a análise de tarefas é utilizada principalmente para
investigar uma situação existente, não para visionar novos
sistemas ou aparelhos. É empregada para analisar os
fundamentos e propósitos subjacentes do que as pessoas
estão fazendo: o que estão tentando realizar, por que e como
estão lidando com isso. A informação extraída da análise
estabelece uma base de práticas existentes nas quais se
podem construir novos requisitos ou projetar novas tarefas.
Com essa abordagem, análise das principais funções foram
estudadas, simulando difentes cenários possíveis de
acontecerem, como um usuário de mais idade procurando
por alguma informação no sistema, ou um trabalhador que
criou uma rotina ao se deslocar para o mesmo local todos os
dias. Diferentes aspectos emocionais foram levados em
consideração, visto que em muitos casos pessoas com
pressa, ou cansadas ao final do dia utilizarem o transporte
coletivo.
Estética-formal do sistema
A última etapa consiste em estruturar os dados em
uma malha diagramacional, e a concepção do visual
do sistema. A linguagem gráfico-visual de uma
interface tem uma grande influência no modo pelo
qual o usuário a percebe, portanto uma estética
agradável contribui para estabelecer um senso de
confiança, além de aumentar a tolerância quanto à
usabilidade do sistema (MULLET E SANO, 1995).
Para isso optou-se pelo uso de uma tipografia de fácil
leitura, juntamente com um visual simples e
geométrico constituído por poucas cores, onde as
principais funções do sistema são demarcadas por
uma iconografia de fácil reconhecimento, diminuindo
a sobrecarga cognitiva do usuário, evitando que o
mesmo tenha que memorizar os comandos acessados
com maior frequência.
Figura 10. Estrutura modular da interface.
Houve uma preocupação em se manter poucas
funções estáticas na tela do sistema durante a
navegação, priorizando esse espaço para funções de
emergência e de filtros para buscas de locais-chave
no mapa, além de uma função para que o sistema
retorne à sua visualização padrão. Isso instiga o
usuário a explorar o sistema, pois sabe que terá meios
de retornar ao estado padrão do mesmo. (NIELSEN,
1994).
Figura 11. Estrutura informacional da interface.
Após a definição de como as funções dinâmicas de
comportariam, deu-se início a construção da
superfície do sistema. A família tipográfica escolhida
para títulos, barras de identificação, foi a
AvantGarde, por possuir fácil leitura e legibilidade,
tendo a família Verdana como fonte de apoio, para
textos descritivos e pequenas informações,
devido á sua boa legibilidade em telas e monitores.
Uma malha diagramacional foi construida para
definir os espaços ocupados pela navegação global,
mapa e comandos de controle do sistema, segundo
GOMES FILHO (2000), não vemos partes isoladas,
mas relações. Isto é, uma parte na dependência de
outra parte. Para a nossa percepção, que é resultado
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 81
de uma sensação global, as partes são inseparáveis do
todo e são outra coisa que não elas mesmas, fora
desse todo.
Figura 12. Tela inicial do sistema.
O cluster de endereços dinâmicos foi alocado como
marco inicial de navegação, se situando sobre a atual
posição em que o terminal se encontra dentro do
mapa de Porto Alegre. Se o usuário sabe como
chegar ao seu destino, porém não conhece os ônibus
que passam pelo local onde se encontra, ele pode
acessar a função Ônibus que passam por este
terminal, recebendo uma lista detalhada de
itinerários e horários que atravessam o local. Se o
usuário não souber o endereço do local para onde
deseja de deslocar, ele pode selecionar a função
Outro endereço, onde o sistema exibirá uma tela
para inserção de dados apoiadas por um teclado
digital e por funções que auxiliam o usuário a
encontrar endereços específicos. Após inseridos ele
mostrará o itinerário a ser utilizado, porém se
nenhum desses itinerários cruzar o terminal, ele
indica o terminal mais próximo onde encontrar o
ônibus que cobre o itinerário especificado.
O sistema de rastreamento de ônibus exibirá em
tempo real em forma de lista, o tempo ncessário para
que determinado veículo se aproxime do terminal.
Uma vez próximo, o sistema exibe um alerta visual e
sonoro de que o veículo em questão se encontra
poucos metros de distância.
Figura 13. Sistema de alerta de veículo.
O usuário pode acessar a função Informações úteis
que exibirá pontos-chave dentro da cidade de
Porto Alegre. Para saber onde algum deles se
encontram e com chegar aos mesmos, basta
selecionar o local em uma lista. O sistema exibirá a
forma mais fácil de chegar ao ponto baseado no
terminal onde o usuário se encontra.
Figura 14. Busca por pontos-chave dentro de Porto Alegre.
Também é possível inserir pontos de busca de origem
e destino e ter acesso aos itinerários e paradas que
cobrem o percurso.
Figura 15. Sistema exibindo itinerários entre dois pontos
no mapa.
A interação por Bluetooth se dará através da conexão
ao sistema para fazer download de seu banco de
dados, para isso o usuário deve se encontrar a poucos
metros do terminal e acessar a função de bluetooth
em seu celular, tendo acesso direto à arquivos de
mapas e horários.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Esse projeto acadêmico, demonstra que um produto dígito-
virtual desenvolvido através da aplicação do Método E,
pode se facilitado, através de passos que guiam o designer
na execução de análises e tarefas, assegurando em um
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 82
produto de fácil assimilação e utilização. A observação do
usuário no uso cotidiano de transporte público, foi de
grande importância para um entendimento a cerca das
deficiências atuais do sistema, gerando uma lista de
atributos a serem resolvidos ao longo do projeto.
Observação e entrevistas foram realizadas com usuários do
serviço de transporte público de Porto Alegre durante a sua
elaboração, como forma de coleta quantitativa e qualitativa
de dados para criação de perfis de usuários e contrução de
cenários de uso para um melhor entendimento sobre seus
modelos mentais de um serviço de transporte coletivo
urbano. A prototipagem de baixa fidelidade foi de grande
importância para ilustrar e testar modelos de interface e
interação com o sistema, criando um clico de discussão,
projetação e validação, repetidos diversas vezes,
fomentando uma criação participativa entre o designer
e usuários.
O processo de desconstrução de produtos sincrônicos,
revelou funcionalidades determinantes para o projeto, como
a informação dinâmica em clusters, e a atualização em
tempo real de dados sobre os itinerários. Os conceitos de
informação adjacente no espaço e fixa no tempo, ajudaram
a definir o propósito de cada informação presente na tela do
sistema, criando um ambiente limpo, porém com
informações relevantes, que podem ser visualizadas em
mais detalhes se o usuário desejar. Princípos de desenho,
como simetria, tipografia e definições cromáticas, ajudaram
a defirnir um aspecto agradável à superfície do sistema,
contribuindo para uma melhor legibilidade e usabilidade,
aumentando as taxas de adoção do produto.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BOOKMAN ANDERSON, J. R. Cognitive psychology and
its implications. NewYork: Worth Publishers  Freeman,
2000.
BUXTON, BILL, Sketching User Experiences: Getting the
design right and the right design. New York: Elsevier, 2009
COOPER, Alan About Face 3, Wiley; 3rd edition
DYCKMAN, John W. (1965) O transporte urbano. Em:
DAVIS, Kingsley e outros. (1965)Cidades: a urbanização da
humanidade. Trad. José Reznik. 2.ª ed. Rio de Janeiro, RJ:
Zahar, 1972.
GARRETT, Jesse James. The Elements of User Experience.
New York, NY – USA: AIGA –American
Institute of Graphic Arts, 2003. 189p.
GOMES FILHO, João. Gestalt do objeto: Sistema de
Leitura Visual da Forma. São Paulo: Escrituras Editora,
2000.
JENKINS, Henry As Tecnologias da Convergência. São
Paulo: Aleph
KALBACH, James Design de Navegação Web. São Paulo:
KRUG, Steve Não me Faça Pensar. São Paulo: Alta Books
LEVY, Pierre As Tecnologias da Inteligência. São Paulo:
Editora 34
LIDWELL, Willian; HOLDEN, Kritina; BUTLER, Jill.
Universal principles of design. Gloucester,USA: Rockport,
2003. 216 p.
MAEDA, John. As Leis da Simplicidade. São Paulo:
Editora Novo Conceito
MEURER, Heli; SZABLUK, Daniela. Projeto E: aspectos
metodológicos para o desenvolvimento de projetos dígito-
virtuais. In: 9 ERGODESIGN | 9 USIHC, 2009, Curitiba.
Anais do 9 ERGODESIGN | 9 USIHC, 2009.
MEURER, heli; SZABLUK, Daniela. Projeto E:
metodologia projetual para ambientes dígito-virtuais.
Anais do 3o InfoDesign Brasil | Congresso Brasileiro de
Design da Informação. Rio de Janeiro RJ: PUC RIO, 2009.
MORAES, Anamaria de. Design e avaliação de
interface: ergodesign e interação humano-computador.
1 ed. Rio de Janeiro, 2002. 148 p.
MULLET Kevin, SANO, Darrel. Designing Visual
Interfaces: Communication Oriented Techniques. Prentice
Hall, 1995.
NIELSEN, Jacob; LORANGER, Hoa. Usabilidade na Web:
Projetando Websites com Qualidade. Rio de Janeiro:
Campus, 2007.
NORMAN, D. A. O Design do dia a dia. São Paulo: Rocco
PREECE, Jennifer; ROGERS, Yvone; SHARP, Helen.
Design de interação: além da interação homem-
computador. Porto Alegre: Bookman, 2005. 548 p.
ROSENFELD, Louis; MORVILLE, Peter. Information
Architecture for the World Wide Web. Califórnia: O’Reilly
 Associates, 1998.
SHNEIDERMAN, B. Leonardo’s laptop: human needs and
the new computing technologies. London: The MIT Press,
2002.
SAMARA, T., Grid: construção e desconstrução. São
Paulo: Cosac Naify, 2007. 208 p.
TIDWELL, Jenifer Designing Interfaces. Sebastopol:
O`reilly
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 83
C.D.E. Uma Ferramenta para Análise de Jogos
Bruno William Carvalho Bulhões
Departamento de Design da Universidade Federal
do Paraná
460, General Carneiro, ed. Dom Pedro I,
Curitiba-PR
brunobulhoes@adugestudio.com
+55 41 96533274
Thiago de Souza Rodrigues Alves
Departamento de Design da Universidade Federal
do Paraná
460, General Carneiro, ed. Dom Pedro I, Curitiba-
PR
beto@adugestudio.com
+55 41 96265302
Rafael Pereira Dubiela
Departamento de Design da Universidade Federal do Paraná
460, General Carneiro, ed. Dom Pedro I, Curitiba-PR
rafaeldubiela@yahoo.com.br
+55 41 88423123
RESUMO
Neste artigo apresentamos uma abordagem formal e
aprofundada com o intuito de complementar o
conhecimento analítico do Design de Jogos. Baseado no
Framework MDA e em conceitos similares que se
aproximam das necessidades estruturais do nosso estudo,
criamos o Framework CDE (que significa Componentes,
Dinâmicas e Experiência). O Framework serve como uma
ferramenta capaz de fornecer uma visão estruturada
aprimorando tanto o estudo (do artefato – jogo digital)
quanto a prática (auxiliando no design). Componentes
representa o nível mais próximo do designer, onde este é
capaz de ter influência direta, ao passo que é o nível mais
abstrato para o usuário. Dinâmicas representa o nível cujas
interações acontecem, do sistema consigo, do sistema com
o usuário e dos usuários consigo. Experiência é o nível
menos tangível para o designer, porém, entendendo as
influências do sistema nesse aspecto é possível desenvolvê-
lo a fim de atender as necessidades do usuário, através do
entendimento das recompensas oferecidas, canais de
conforto e perfis de jogador. Acreditamos que essa
metodologia servirá para expandir o entendimento de jogos,
de acadêmicos a desenvolvedores.
Palavras Chave
Design de Jogos, Framework CDE, Componentes,
Dinâmicas, Experiência.
Classificação ACM
A.m. General Literature: Miscellaneous.
ABSTRACT
In this paper we present an indepth formal approach that
attempts to expand the analytical knowledge about Game
Design. Based on the MDA Framework and similar
concepts that approach its structural needs, we managed to
build the CDE Framework (standing for Components,
Dynamics and Experience). The framework serves as a tool
to provide a structured view that improves both the study
(of the artifact – digital game) and practical (helping with
the design). Components is the closest level to the
designer, where he directly take action, whereas it is the
most abstract level to the user. Dynamics is the level where
the interactions take place, from system-system to system-
user and user-user interactions. Experience is the least
tangible level to the designer, knowing its influences on the
system he may design it to fit to the user needs, through the
understanding of offered rewards, flow channels and player
profiles. We believe that this methodology will enhance the
understanding of games, from scholars to developers.
Author Keywords
Game Design, Framework CDE, Components, Dynamics,
Experience.
INTRODUÇÃO
Para estudar e desenvolver jogos existem diversas
abordagens e caracterizações que auxiliam os processos.
Um deles é a caracterização de Salen e Zimmerman [21]
que estrutura os jogos emtrês níveis, do formal ao abstrato:
rules, play e culture. Ele tem validade como ferramenta de
investigação, porem não tem a precisão necessária para
aplicação prática de design de jogos. De forma similar,
existe o framework Mechanics, Dynamics e Aestethics
(MDA) de Hunicke et al [13] que defende uma abordagem
do estudo e pratica do design de jogos nesses três níveis, do
formal ao abstrato. O framework MDA tem grande
funcionalidade pratica, e por sua vez não tem a
profundidade e abrangência necessária para estruturas
Permissiontomake digital or hard copies of all or part of this work for
personal or classroom use is grantedwithout fee provided that copies are
not made or distributedforprofit orcommercial advantage andthat copies
bear this notice andthe full citationonthe first page. To copy otherwise,
or republish, to post on servers or to redistribute to lists, requires prior
specific permission and/or a fee.
CHI 2009, April 4–9, 2009, Boston, Massachusetts, USA.
Copyright 2009 ACM 978-1-60558-246-7/09/04...$5.00.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 84
teóricas mais complexas. No entanto, este framework foi o
ponto de partida para o desenvolvimento do nosso próprio,
chamado Componentes, Dinâmicas e Experiência (CDE)
[2].
No framework CDE, componentes lidam com as unidades
que compõem o sistema. As regras, mecânicas, elementos
sensoriais, a narrativa e a interface do jogo são exemplos de
componentes. Componentes formam o nível formal do
framework.
Dinâmicas emergem das interações entre os componentes
do jogo entre si e com os jogadores que utilizam o sistema
de jogo. Portanto, emergem quando um ou mais jogadores
participam do sistema. Dinâmicas formam o nível
intermediário do framework.
Experiência é o ultimo nível, o qual diz respeito às
respostas sensoriais dos jogadores ao participarem de um
jogo. Experiência forma o nível abstrato do framework.
De modo similar ao MDA, o CDE estrutura-se de forma
que os componentes, durante o funcionamento do jogo,
contribuem para a emergência de dinâmicas de jogo, as
quais geram respostas sensoriais (experiência) no jogador.
Este fluxo é relacionado à perspectiva do designer.
O objetivo do framework é auxiliar o estudo e a pratica do
design de jogos ao encorajar os designers a visualizar a
relação de causa-efeito que existe entre cada componente de
um jogo e a experiência que os jogadores têmao jogar.
COMPONENTES
Os componentes dentro do framework CDE lidam com as
peças que compõem o artefato jogo. São o conjunto de
componentes que formam o jogo enquanto umobjeto e que
portanto existem independente do jogo estar sendo jogado
por jogadores ou não. Os componentes são os elementos
que o designer de jogos pode criar, moldar e alterar para
desenvolver o design do jogo.
Nós chegamos à definição dos componentes baseado na
definição de elementos de jogo de Jesse Schell [24] que
divide jogos como contendo quatro componentes:
tecnologia, regras, estética e história. A partir desta
definição, do modelo tipológico de Aarseth e Elverdam [1],
a própria definição de Mechanics de Hunicke et al [13] e da
definição do nível regras de Salen e Zimmerman [22]
chegamos à conclusão que os componentes dos jogos
podem ser caracterizados em três tipos: Regras, Narrativa e
Representação.
Antes de explicar com mais detalhes o que são cada umdos
três componentes é necessário explicar o conceito de half-
real:
“Jogos digitais são duas coisas completamente
diferentes ao mesmo tempo: jogos digitais são
reais no sentido de que eles são compostos por
regras reais que jogadores realmente interagem;
onde ganhar e perder um jogo é um evento do
mundo real. No entanto, quando se ganha umjogo
ao derrotar um dragão, o dragão não é um dragão
real, mas um dragão ficcional. Jogar um jogo
digital é portanto interagir com regras reais
enquanto imagina-se um mundo ficcional e um
jogo digital é um sistema de regras assim como é
um universo ficcional.” [18]
Expandindo este conceito, é possível afirmar que jogos são
ao mesmo tempo, um sistema de regras cuja interação e
desenvolvimento ocorre no mundo real, ao mesmo tempo
em que são uma peça de ficção quando a interpretação
destas regras reais moldam uma representação virtual.
Há claras implicações e discussões metafísicas a partir deste
conceito os quais não entraremos em detalhes neste
trabalho. O importante aqui é apenas salientar que este
conceito permeia nosso framework em todos os três níveis,
em especial neste nível o de componentes. Portanto,
citaremos o conceito de half-real diversas vezes durante a
apresentação de elementos do framework.
Dito isto, podemos prosseguir comas definições específicas
de cada componente.
Regras
Regras são um conjunto de premissas sistêmicas que ditam
o que existe e o que é possívelou não dentro do universo do
jogo. As regras são o principal componente de um jogo no
sentido em que sem elas o jogo não existe . Com base no
framework de Järvinen [17] que apresenta os conceitos de
Components, Procedures, Environments, Themes e
Interface, e a definição de sistemas de Salen e Zimmerman
[19] que apresenta Objects, Attributes, Internal
Relationships e Environments, como elementos de um
sistema em que jogos podem ser enquadrados. Portanto
concluímos que regras além de delimitar o contexto do
jogo, determinam a existência e função de todos os outros
componentes.
Regras são subdividas em quatro categorias, Procedurais,
Contextuais, Composicionais e Operacionais.
Procedurais são as regras que pautamos objetivos, estados
de jogo e como este é controlado, bem como seu começo e
fim. Tais procedimentos ditam o ritmo e a estrutura do jogo.
Contextuais são as regras que definem o espaço de jogo,
física, limites, etc. Essa categoria diz respeito ao espaço de
possibilidades do jogo. As regras determinam este espaço
criando um contexto e um fluxo de jogo.
Composicionais são as regras que delimitam e quantificam
os objetos de jogo, determinando seus atributos, bemcomo
suas relações como sistema.
Operacionais são as regras que definem as ações que cada
agente de jogo pode realizar para alterar o estado do jogo.
Tais regras alteram diretamente o estado do jogo; são as
mecânicas de jogo.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 85
Procedurais (Conditions)
Baseado nos conceitos de Rules, Control e Player Structure
de Aarseth [1], Procedures de Järvinen [17], chegamos à
classificação que compreende Estrutura de jogo, Controle
do Estado de Jogo e Objetivo. Essas são as regras que
determinam as condições fundamentais para existência,
manutenção e conclusão do jogo.
a. Estrutura de jogo: delimita quantos e quais agentes
existem no jogo, quais são as condições que devem ser
atendidas para o início da sessão de jogo e quais condições
necessárias para atingir o estado de fim de jogo. O estado
de fim de jogo pode ser desejável, quando o jogador
cumpre seus objetivos, obtendo vitória, ou indsesejável,
quando o jogador falha durante o percurso do jogo, obtendo
derrota.
b. Controle do estado de jogo: diz respeito a como o
sistema do jogo permite o controle das variáveis de jogo, o
controle do espaço e do tempo. Por exemplo, em um jogo
de estratégia em tempo real, o jogador tem controle dos
recursos, da produção de unidades (objetos controláveis),
dá área visível e do tempo (alguns jogos permitem que o
jogador interrompa o andamento da partida para analisar o
estado atual da mesma).
c. Objetivo: diz respeito aos metas apresentadas e que
devem ser perseguidas durante o jogo. Tais regras podem
descrever um único objetivo que seja o ponto central do
jogo para atingir o estado desejável de fim de jogo, uma
série de objetivos que devem ser cumpridos a fimde atingir
o estado de fim de jogo ou objetivos secundários que não
levam o usuário a um estado desejável fim de jogo, mas o
levam a atingir uma recompensa desejada.
Contextuais (Space of Possibility)
Salen e Zimmerman [20] definem espaço de possibilidades
como todas as ações e estados possíveis que podem ser
conseguidos dentro de um determinado jogo.
Analogamente, Aarseth [1] apresenta os conceitos de Space
e Time. As regras contextuais descrevem o espaço, tempo e
limites do jogo.
a. Espaço: diz respeito ao universo constituinte do jogo, em
quantas e quais dimensões ele existe. Regras espaciais
também dizem respeito a constituição do level design
(configuração espacial do jogo). Por exemplo, no xadrez o
espaço do jogo é uma matriz 8x8.
b. Tempo: diz respeito a a todas as relações de tempo no
universo real. Por exemplo, em um jogo de turnos, quanto
tempo os jogadores têm para desempenhar suas ações,
quanto tempo dura cada turno, a relação do tempo real com
o tempo ficcional (a relação de tempo de jogo, como tempo
do universo do jogo). O tempo é uma dime
c. Física: diz respeito aos princípios físicos que regem o
universo real do jogo. Por exemplo, em um jogo de
plataforma (cujas mecânicas centrais são de movimento) a
física determina a aceleração do personagem, a gravidade
que incide sobre ele e até mesmo a possibilidade de
desempenhar ações que poderiam ser consideradas
“antifísicas” como pulo duplo.
Composicionais (Game Tokens)
Jogos são compostos diversos objetos, portanto vimos a
necessidade de uma categoria específica para tratar essa
diversidade de elementos. Por objetos compreende-se
quaisquer entidades que componham o jogo. Regras
composicionais são responsáveis pela determinação dos
atributos e as relações entre os objetos do jogo dentro do
espaço de possibilidades.
Quanto a classificação, regras composicionais estão
divididas de acordo com a relevância para conquista do
estado de fim de jogo e tipo de acordo coma influência dos
objetos em relação ao sistema.
Além disso, cada objeto tem regras que lhes definem
atributos que são interpretados pelas regras condicionais,
contextuais e operacionais que regem estes atributos. Por
exemplo um objeto de jogo pode ter como atributo sua
posição no espaço, seus pontos de saúde, sua existência ou
não dentro do jogo, a possibilidade de execução de uma
regra operacional ou não, etc.
a. Relevância
• Objetos primários: são objetos fundamentais para
condições de início e fim de jogo. Exemplo a peça do rei no
Xadrez, avatar do Mario em Super Mario Bros. (Nintendo,
1985).
• Objetos secundários: são objetos que existem dentro do
espaço de possibilidades, mas não têm influência direta, ou
não têm influência alguma para que se atinja o estado
desejável fim de jogo. Exemplo as demais peças no Xadrez,
barris explosíveis em Mass Effect 2 (BioWare, 2010).
b. Tipo
• Objetos controláveis: são objetos capazes de
desemepenhar ações controladas pelo jogador.
Em Baldur’s Gate 2: Shadows of Amn o personagem
principal e os demais personagens que podemfazer parte do
grupo, são exemplos de objetos controláveis.
• Objetos não-controláveis: são objetos capazes de
desempenhar ações, no entanto não são controladas pelo
jogador. Objetos não-controláveis são operados pelo
sistema do jogo.
É possível considerar, em geral, inimigos como exemplos
de objetos não-controláveis.
• Objetos inanimados: são objetos que não desempenham
ações, mas podem manipulados por objetos controláveis ou
não controláveis.
Em Super Mario Bros. os blocos quebráveis e os que
contém itens são exemplos de objetos inanimados.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 86
Operacionais (Mechanics)
Regras operacionais correspondem às mecânicas de jogo.
Sicart [25] classifica mecânicas como métodos invocado
por agentes, ou seja, ações executadas por agentes que
exercem alguma influência no jogo. Sem mecânicas um
jogo não existiria, pois sem elas os jogadores seriam
impossibilitados de exercerem influencia sobre o seu
resultado. O conjunto completo de todas as mecânicas em
um determinado jogo pode ser chamado de interface de
jogabilidade.
Mecânicas são categorizadas levando emconsideração dois
atributos: relevância, com base na classificação de Core,
Primary e Secondary Mechanics de Sicart [25], e tipo.
a. Relevância
• Mecânicas centrais: são usadas por umagente de jogo de
maneira relevante, obrigatória e recorrente para atingir o
estado desejado de fim de jogo. Por exemplo, no Super
Mario Bros. as mecânicas centrais são andar e pular. Estas
mecânicas são suficientes e obrigatórias para concluir o
jogo.
• Mecânicas primárias: são mecânicas de auxilio às
centrais podendo ser usadas recorrentemente a fim de
atingir o estado desejado de fim de jogo. No exemplo de
Super Mario Bros. (Nintendo, 1985) a mecânica de corrida
é uma mecânica primária que pode utilizada
recorrentemente para auxiliar a conclusão do jogo mas não
é obrigatória.
• Mecânicas secundárias: são mecânicas que não auxiliam
diretamente o a atingir o resultado desejado de final de
jogo, ou só se apresentam ocasionalmente, ou precisam ser
combinadas com mecânicas primarias. Continuando o
exemplo anterior, atirar bolas de fogo é uma mecânica
secundaria em Super Mario Bros. pois seu uso é ocasional e
contextual.
• Mecânicas acessórias: são mecânicas que não afetam o
resultado do jogo de forma relevante. No Super Mario Bros.
não existe exemplo de mecânicas acessórias, mas se o
personagem tivesse uma mecânica onde ele mostrasse uma
careta para a tela, isto seria um exemplo de mecânica
acessória.
Tipo:
• Mecânicas ativas: mecânicas nas quais o agente deve
oferecer input para que estas sejam realizadas. No jogo
Final Fantasy XII (Square Enix, 2006) a mecânica Attack
pode ser acionada pelo jogador a partir de um menu
contextual, caracterizando-a como uma mecânica ativa.
• Mecânicas passivas: mecânicas que independem de input
do agente para serem realizadas. Estas mecânicas são
acionadas pelas regras em situações projetadas. No mesmo
Final Fantasy XII um gambit programa o personagem a
utilizar a mecânica Attack automaticamente dentro de um
contexto caracteriza esta mecânica como uma mecânica
passiva. Vale portanto ressaltar que o tipo da mecânica não
esta atrelada a ela em si e sim ao contexto do seu uso.
Narrativa
A narrativa contribui com o universo ficcional que Jesper
Juul [18] diz estar presente em todos os jogos, e que faz a
contra-partida com as regras reais (correspondentes ao
universo real) destes. No âmbito da estrutura dos
componentes neste framework, a narrativa em conjunto
com os elementos sensoriais formariam este universo
ficcional.
No que diz que diz respeito ao universo real, esses
elementos e estrutura funcionam de uma maneira diferente.
O início da narrativa é ditado pelas condições de início de
jogo, o desenvolvimento da história é ditado pelo
andamento do jogo conforme suas interações nas diversas
instâncias de jogo e a conclusão da narrativa é quando o
estado de fim de jogo é atingido, seja através da vitória ou
da derrota.
No que diz respeito ao universo ficcioanl, sintetizamos as
classificações propostas por Dubiela [10], que destrincha os
elementos da narrativa emdiversas subcategorias a partir de
“história” e “discurso” e considerando como estrutura suas
definições de “formas de narrativas em jogos eletrônicos
informatizados”, chegamos às seguintes classificações:
Elementos
a. Personagens: são agentes que buscam transpor
obstáculos a fim de atingir o objetivo perseguido.
Personagens são o elemento principal das narrativas.
b. Universo: é o ambiente onde os personagens estão
inseridos e os eventos ocorrem.
c. Eventos: são as ações desempenhadas para que o objetivo
seja atingido. Eventos tambémpressupõemos conflitos que
se apresentamao longo da narrativa.
d. Discurso: é a relação entre drama e temporização, ou seja
a maneira como a narrativa estrutura as ações dramáticas a
fim de gerar expectativa , ao longo do tempo de jogo e
tempo narrativo.
Estrutura
a. Forçada: é um recurso de narração para apresentar
histórias concetadas à narrativa principal ou fragmentos
desta, bem como micro-histórias que se desenvolvem
paralelamente. A principal característica da narrativa
forçada é a de interromper as demais narrativas, bem como
a interação do usuário com o sistema do jogo.
Em Metal Gear Solid 4: Guns of the Patriots é comum o uso
de seqüências animadas como recurso para o
desenvolvimento da história.
b. Evocada: é a situaçõe onde a história a ser narrada já
existia, ou apresenta um episódio específico de uma
narrativa anterior ou está inserida emum universo já criado.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 87
Em American McGee’s Alice a narrativa é construída a
partir de um universo conhecido, criado por Lewis Carrol
em Alice in Wonderland.
c. Embutida: é a narrativa gerada com conteúdo embutido
em si, cujas informações podem ser inseridas em objetos,
artefatos ou até mesmo em espaços configurados para fins
de acessar tais informações. Narrativas embutidas podem
também ser apresentadas através de elementos
representacionais, como a caracterização de personagens,
por exemplo.
Em Singularity são encontradas diversas anotações que
contam histórias de pessoas que viveram no passado, em
relação à narrativa principal, tais anotações enriquecem a
narrativa e, em alguns casos, antecipam eventos que
ocorrerão no jogo.
d. Emergente: é o produto da interação do usuário com o
sistemas de regras do jogo somada a narrativa da história do
jogo. Este tipo de narrativa não possuem uma estrutura
linear ou pré-organizada e são em sua essência randômicas.
Em Gravitation, é possível fazer inferências sobre narrativa
a partir da observação das interações entre o jogador e o
sistema (dinâmicas procedurais).
No universo real, a narrativa, através dos procedimentos, se
dá de maneira semelhante à narrativa emergente, pois as
interações que ocorrem no sistema representam uma
seqüência de fatos. Entretanto o universo real, no que diz
respeito à narrativa, se diferencia da narrativa embutida
uma vez que um jogo pode não apresentar uma narrativa
explícita, mas seus procedimentos ainda configuram uma
história baseada em ma seqüência de acontecimentos que
podem ser interpretados como narrativa.
Em uma partida de Tetris, as peças utilizadas, a maneira
como foram dispostas, as peças eliminadas e a pontuação
obtida contam uma história única e correspondente àquela
partida.
Representação
São os elementos que comunicam aos sentidos (imagens,
som e roteiro) para tornar tangível e compreensível aos
jogadores as regras e apresentar, de fato, a narrativa e seus
elementos. As regras tendem a ser premissas e
procedimentos abstratos e, portanto, necessitam de
elementos sensoriais associados para se tornarem mais
compreensíveis por jogadores humanos. Os elementos
sensoriais são análogos ao alfabeto e a linguagemenquanto
os outros componentes são análogos à mensagem em si.
Assets visuais (elementos gráficos e animações) e sonoros
(música e efeitos sonoros) em jogos digitais bem como o
formato e cores das peças de xadrez são exemplos de
elementos sensoriais.
Baseado no Framework IEZA (Interface, Effect, Zone and
Affect) de representação sonora de Hulberts e van Toi, que
separa as categorias emquatro quadrantes dividos pelo eixo
de diegético e não diegético e pelo eixo de atividade e
ambientação, o segundo eixo é referente ao que motiva a
existência da representação. Considerando essa estrutura,
sintetizamos, a fim de torná-la mais abrangente e
compatível com outras representações além da sonora, em
duas categorias - tipo e função da representação. Tipo
corresponde à natureza da representação; se ela é diegética
ou não diegética. Função diz respeito ao papel dessa
representação, levando em consideração o tipo, e é dividida
entre contextual e informacional. No entanto essas
definições não são rígidas, uma vez que existem elementos
que podemnão se enquadrar em apenas uma função.
Tipo
Diegético: São todas as representações que existem dentro
do universo do jogo.
Não Diegético: São todas as representações que não
existem dentro do universo do jogo.
Função
Contextual: São representações que delimitamcontextos de
jogo. Representações contextuais ambientam o jogo e
caracterizam seus elementos.
A fala dos personagens em Mass Effect é uma
representação contextual sonora e de roteiro, além de fazer
parte do universo do jogo, portanto diegética. Entretanto, as
legendas dessas falas são representações contextuais não
diegética, uma vez que a representação do texto em si não
existe dentro do universo do jogo.
Informacional: São representações que tem como função
facilitar a comunicação do sistema de regras ao jogador.
HUDs (Heads Up Displays) são exemplos de
representações informacionais. Em Shadow of the
Colossus, apesar do HUD representar gráficamente regras
composicionais referentes ao avatar e os inimigos, as
representações em si não fazem parte do universo de jogo,
portanto são não diegéticas. Já em Dead Space a
representação do HUD, além de informar regras
operacionais do avatar, faz parte do universo do jogo por
ser elemento integrado com o traje espacial do personagem,
portanto diegética.
DINÂMICAS
O nível de dinâmicas dentro do framework CDE diz
respeito às interações sistêmicas entre os componentes do
jogo e o jogador durante a instância de jogo. Por instância
de jogo nos referimos a uma partida de um determinado
jogo do começo ao fim.
No framework MDA, Hunicke et al. [13] definem o nível
Dynamics como a fluência do comportamento das
Mecânicas agindo sobre os inputs do jogador e os demais
outputs no decorrer do jogo.
A palavra chave para o conceito de Dinâmicas é
comportamento. Pode-se chamar de dinâmicas de jogo o
comportamento que emerge do sistema a partir da interação
dentre todas as partes do sistema de jogo e os jogadores
participantes. Isso inclui interações entre os componentes,
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 88
do jogador com os componentes e do jogador com outros
jogadores.
Antes de entrar na descrição das categorias de dinâmicas é
oportuno definir o conceito de interação.
Na língua inglesa o conceito que mais se aproxima do que
queremos dizer a respeito de interação é o interplay:
O efeito que duas ou mais coisas têm umas com as outras
[5].
Relação, ação ou influência recíproca. Exercer influência
em algo [8].
No entanto não há umequivalente direto para esse termo na
língua portuguesa, mas analisando as definições de
interplay podemos concluir que é um conceito análogo à
interação que significa:
Influência recíproca [9].
Portanto, o conceito de interação que utilizaremos é: ação,
relação e/ou influência recíproca entre dois agentes ou
objetos.
Nós categorizamos as dinâmicas em três tipos, de acordo
com quais interações são realizadas. Baseado emumestudo
anterior [2], chegamos a Dinâmicas Agenciais, que são as
dinâmicas que emergem da interação ativa do jogador com
o sistema de jogo (regras) e da própria interação entre os
jogadores; Dinâmicas Procedurais, que são as dinâmicas
geradas pelas interações entre as regras do jogo entre si e
com o resto dos componentes, narrativa e a representação;
Dinâmicas Estéticas, que emergem da interação entre
narrativa e representação, e da interação passiva do jogador
com estes componentes.
Dinâmicas Agenciais (Interação Ativa)
São as dinâmicas que surgem da interação do jogador com
as regras e dos jogadores entre si. São dinâmicas que
surgem da ação do jogador sobre outros jogadores, e sobre
o sistema, por isso, as chamamos de dinâmicas agenciais.
As regras operacionais são o principal mecânismo de
interação do jogador com o sistema, é por elas que o
sistema interpreta o input do jogador sobre o sistema, e, a
partir das dinâmicas processuais, geram um output
perceptível em resposta à ação do jogador. Vendo de uma
perspectiva mais profunda pode ser considerada a utilização
emergente dessas mecânicas, isto é, após a interpretação e
domínio da mecânica pelo jogador, este a utiliza com um
objetivo além do que foi proposto para o jogo pelo
designer.
Exemplos: Mockball, x-ray climb, infinite bomb jump são
exemplos de interações inventivas do jogador com as
mecânicas de Super Metroid (Nintendo, 1994); Utilizar o
casco verde como escudo no Super Mario Kart (Nintendo,
1992) também é um exemplo de uma interação inventiva
por parte do jogador.
A interpretação que o jogador infere sobre as outras regras e
o sistema em geral, a criação de regras pelo jogador que não
façam parte do sistema do jogo mas influenciam o
andamento deste, bem como a customização e a
flexibilidade que as regras permitem ao jogador manipular
são interações que desenvolvem outros variados níveis de
dinâmicas agenciais.
Exemplos: Gambitos de Xadrez são interpretação de regras
que, aparentemente, vão contra os objetivos do jogo, mas
com o conhecimento superior de um jogador podem se
tornar estratégias eficientes; O fair play em uma partida de
Futebol é uma regra criada por jogadores com intuito
político que gera uma situação amistosa na disputa;
Planejamento do level up dos personagens no Final Fantasy
X (Squaresoft, 2001) é uma manipulação direta do jogador
sobre as regras do jogo, neste caso os atributos dos
personagens.
As interações entre jogadores surgem a partir do contato
entre os agentes, que podem ou não ser humanos, ao jogar
uma partida de um jogo que possibilite múltiplos jogadores.
Podem haver interações a nível social, interações
psicológicas e interações de jogadores humanos com
jogadores artificiais.
Exemplos: Partidas amistosas de Super Smash Bros. (HAL
Labs., 1999) onde os jogadores estão mais interessados na
atividade social do que na competição; Jogos mentais em
partidas competitivas de jogos de luta; Luck manipulation
de geradores de números aleatórios, presentes na maioria
dos jogos digitais.
Dinâmicas Procedurais (Interação Processual)
São as interações que ocorrem com as regras entre si e as
interações das regras como universo ficcional representado
pelo jogo, narrativa e representação. Basicamente, todo o
sistema de regras e os sub-sistemas que os compõem, se
comportam proceduralmente durante uma instância de jogo
ao modo que esta avança de acordo com a agência dos
participantes. Este comportamento procedural afeta tanto as
regras e o estado de jogo, quanto os sistemas narrativos e
representacionais. Este comportamento procedural é de
extrema importância para a compreensão do conceito de
expressão procedural.
Podemos compreender dinâmicas procedurais como o
comportamento de um determinado jogo, a forma como o
jogo enquanto um sistema comporta-se. Como
explicaremos na seção de expressão procedural, este
comportamento de jogo não é apenas lógico, operacional, e
pode ser utilizado para a expressão através da metáfora ou
da retórica.
Primeiramente a interação entre regras se dá quando duas
regras geram uma terceira regra, quando regras procedurais
afetam a influência de outras regras, ou quando existem um
conjunto de sub-regras de variados tipos que juntas formam
a premissa de uma regra maior, inferida por este conjunto
de regras. Estas regras obscuras, nâo escritas, se traduzem
no conceito de metajogo.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 89
Exemplos: Resposta dinâmica de velocidade máxima em
jogos de corrida, em que os retardatários têm a velocidade
máxima aumentada e os líderes têm sua velocidade máxima
reduzida, a fim de aumentar a dramaticidade; Contraste de
regras entre as magias elementais de Final Fantasy X
(Square 2001), em que fogo e gelo se opõem mutuamente,
assim como água e eletricidade; Gravidade, atrito e
velocidade são regras composicionais por si só e se
complementam, através de suas interações, formando um
sistema de física.
Toda regra operacional é uma interação com uma regra
composicional ou contextual no momento em que é
exercida, uma vez que as mecânicas são fundamentadas
pelas regras procedurais. Alem disso existem mecânicas
cujo uso afeta diretamente as regras. Quando uma regra
procedural ou composicional determina a eficácia de uma
mecânica sobre outra, também se caracteriza interação entre
regras.
Exemplos: A habilidade Armor Break em Final Fantasy X
(Square, 2001) é um exemplo de mecânica que influencia o
estado de uma regra; Triangularidade mecânica presente
principalmente em jogos de luta em que defender supera
atacar, que supera agarrar, que, por sua vez, supera
defender é um exemplo de como outras regras interagem
com regras operacionais.
A profundidade mecânica, quando existemmuitos usos para
uma determinada regra operacional, de um jogo também é
resultante das dinâmicas procedurais. O conceito de
jogabilidade emergente, onde o jogo resulta em muito mais
do que a soma de suas partes (como, por exemplo, Go) é
uma clara manifestação do potencial das dinâmicas
procedurais.
Exemplos: A mecânica de charge shot em Super Metroid
(Nintendo, 1994), combinada com pulo, que a princípio não
inflige dano, modifica a mecânica de pulo gerando o pulo
chamado de pseudo-screwattack, capaz de infligir dano nos
inimigos; A impossibilidade de alterar a direção do pulo do
personagem Mario em Super Mario Bros. surge da
interação da mecânica correr/mover-se com a mecânica de
pulo.
As regras enquanto um sistema também definem toda a
representação e a narrativa no sentido de sua existência,
quando estas surgem e como estas evoluem e são
apresentadas. A relação entre as regras e o o universo
ficcional é direta, as regras determinam o que é possível
dentro daquele universo ficcional e o que este universo
representa, cosntruindo um significado através da
associação de símbolos.
Dinâmicas Estéticas (Interação Sensível)
São as interações que envolvemos componentes ligados ao
universo ficcional do jogo, ou os componentes sensíveis
(narrativa e representação). Ocorrem com as relações
internas entre cada componente, dentre narrativa e
representação, em si, entre ambos e com a interação do
conjunto destes componentes como jogador.
Estas dinâmicas são responsáveis por trazer uma
experiência estética mais impactante, próxima, perceptível,
ao jogador e são fundamentais para auxiliar a expressão
procedural, se forem capaz de reforçar a idéia representada
pelas dinâmicas procedurais.
EXPERIÊNCIA
O nível de experiência diz respeito ao a como o artefato
jogo oferece a satisfação aos jogadores. Como o jogador
busca a satisfação e como o jogo promove sensações que
levam a satisfação através de suas regras e dinâmicas.
É importante salientar satisfação como o objetivo de um
jogador com a atividade de jogar ao contrário da palavra
diversão, pois muitos jogos oferecem a satisfação aos
jogadores não pelo mero entretenimento, ou pelo caráter
lúdico, mas através de recompensas mais profundas, como
aprendizado e superação intelectual. Estes tipos de
recompensas e fontes de satisfação são desassociados da
idéia que se tem por diversão e por isso buscamos manter
distância desta palavra dentro do framework CDE.
Buccini [4] considera experiência como sendo
acontecimentos individuais que ocorrem como
resposta a algum estímulo. Estes acontecimentos
ocorrem, em geral, como conseqüência da
observação ou participação em acontecimentos
reais, imaginários ou virtuais. As experiências
não são fenômenos espontâneos, mas induzidos,
que possuem referencial (partem de algum lugar)
e intencionalidade (objetivam algo).
Portanto, nosso objetivo ao incluir o conceito de
experiência no Framework CDE é entender onde o artefato
contribui para o fenômeno da experiência e qual é a
influência de tal fenômeno nos jogadores.
Recompensas
Para que a satisfação ser atingida, é necessário que o
jogador se mantenha interessado na atividade de jogar e o
motor que mantém o jogador interessado a participar de um
jogo é a motivação. Enquanto um jogo motivar o jogador,
ele continuará jogando.
Segundo Buccini [4], quando um desejo, ou necessidade
humana é satisfeito, o ser humano passa a sentir outras
necessidades e desejos, daí a importância dos produtos
sempre estarem evoluindo visando agradar os usuários.
Buccini elucida o fato de que não basta apenas uma
manifestação que motive o jogador; a motivação precisa ser
realimentada. Um dos fatores importantes para a
manutenção da motivação é a recompensa. Baseado nas 8
formas de diversão apresentadas no capítulo Aesthetics do
Framework MDA (sensation, fellowship, fantasy,
discovery, narrative, expression, challenge e submission)
[13] e na lista de 14 formas de diversão (beauty, immersion,
intellectual problem solving, competition, social
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 90
interaction,comedy, thrill of danger, physical activity, love,
creation, power, discovery, advancement and completition,
application of an ability) de Garneau [11], foi possível
desenvolver um modelo que abrange 9 tipos de
recompensa: conquista, fantasia, drama, expressão,
descoberta, aprendizado, avanço, contemplação e interação
social.
Recompensas como dito, são o que motivam o jogador a
participar da atividade do jogar. Recompensas emjogos são
conquistadas através da superação dos obstáculos que o
jogo oferece ao jogador (seja obstáculos das próprias
regras, ou outros jogadores). A dificuldade em se adquirir
uma recompensa e a intensidade da recompensa afetam a
motivação. Uma recompensa pequena para um grande
esforço é desmotivadora, assim como uma grande
recompensa para um pequeno esforço.
Aprendizado
A construção do aprendizado requer um conjunto de
elementos, uma vez que o aprendizado não é um fenômeno
único. Dentro das correntes da filosofia do aprendizado, se
destaca o construtivismo. Analogamente, a filosofia
construtivista presume que as pessoas aprendam fazendo,
isto é, elas constroem seus conhecimentos em situações de
experiências cognitivas em atividades práticas [23].
Dessa forma, a interação com um jogo pode pressupor a
recompensa atingida com o aprendizado do jogador, isto é,
está ligada ao fato do jogo proporcionar um aprendizado
sobre algo relacionado ao próprio jogo ou ao ato de jogar.
Exemplos: Xadrez, Victoria 2 (Paradox Interactive, 2010),
McDonalds’s Videogame (Molleindustria, 2006).
Avanço
Com o momento da interação entre o usuário e a interface
do jogo digital, se constrói a percepção de recompensa a
partir do crescimento metafórico do personagem. Seria a
recompensa atingida com o acúmulo de riquezas e poder
dentro do universo do jogo ou fora dele. Muitos jogos dão
esta recompensa diretamente, dando objetos, mecânicas
novas ou aumento dos atributos do avatar do jogador.
Exemplos: Final Fantasy XII (Square Enix, 2006), Mass
Effect (BioWare, 2007), Prototype (Radical Entertainment,
2009).
Conquista
É a recompensa sentida pela superação de obstáculos que
apresentem umgrande desafio, que não se pode ser vencido
sem que o jogador domine os meios que se tempara superar
tal obstáculo. Este obstáculo pode, evidentemente, ser um
outro jogador concorrente.
Conquista como recompensa pode se manifestar de diversas
maneiras. Exemplos disso podem ser percebidos em jogos
como nas séries Ninja Gaiden e Contra, cujo ponto central
dos jogos é fazer a superação de cada fase ser uma grande
conquista. Super Metroid, além de outras recompensas,
oferece a possibilidade de jogar buscando a taxa mínima de
itens, ou jogado em ordem inversa, ambos são modos de
jogar que aumentam o desafio do jogo e consequentemente
a sensação de conquista.
Exemplos: Ninja Gaiden Trilogy (Tecmo, 1995), Contra III
(Konami, 1992), Street Fighter 3: Third Strike (Capcom,
1999).
Contemplação
É a recompensa a partir da experiência estética
experienciada pelos sentidos. Em geral, aspectos visuais e
sonoros são recompensas valorizadas por certos perfis de
jogador. A recompensa através dos sentidos se dá a partir
de como os elementos sensoriais do jogo são apresentados e
o quão o jogador se identifica com estes de forma similar as
outras mídias de entretenimento.
Um exemplo de jogo que recompensa jogadores através de
elementos sensoriais é Machinarium (Amanita Design,
2009) [26], onde conforme o jogo progride, novos
personagens e cenários detalhadamente desenhados são
apresentados ao jogador. Estas recompensas sensoriais são
motivadoras o suficiente para manter o jogador interessado
a progredir com o jogo.
Exemplos: Machinarium (Amanita Design, 2009),
Everyday Shooter (Quesay Games, 2007), Shadow of the
Colossus (Team Ico, 2005).
Descoberta
À medida que existe mais de uma forma da recompensa a
ser identificada, é nesse quesito que a recompensa seria
resultante do prazer da descoberta e exploração do
desconhecido. Aqui o usuário pode ter acesso a construção
de novas realidades a partir do princípio da conclusão.
A recompensa da descoberta está ligada ao novo, ao
desconhecido. A partir do desconhecido, cria-se o interesse
por este, em conhecê-lo, torná-lo familiar. Tornar o
desconhecido familiar é o processo que define a
recompensa da descoberta.
Pode-se considerar como uma recompensa pela descoberta,
também, as surpresas, os encontros súbitos com situações
ainda não exploradas, ou esperadas, misturando-se um
pouco à recompensa do drama neste sentido.
Exemplos: The Legend of Zelda: Majora’s Mask (Nintendo,
2000), The Path (Tales of Tales, 2009), Super Metroid
(Nintendo, 1994).
Drama
Aristóteles [3] definiu, em sua época, o drama como a
imitação de uma ação eminente onde os personagens atuam.
Encadeados segundo uma ordem previamente criada,
representam um evento que é uma relação de ações e
acontecimentos demonstrando situações de causa e efeito.
Todavia, no presente artigo, o drama é a recompensa gerada
através da experiência e da estética da narrativa. Logo,
qualquer tipo de jogador pode se sentir recompensado pelo
drama, por acontecimentos, pela exposição de uma história,
etc.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 91
Dessa forma, é possível identificar uma forma dos jogos
recompensarem o jogador sistematicamente com o drama,
separando trechos de jogo com breves sequências
cinemáticas (animações) ou de textos que expõem um
pouco mais o enredo que acompanha o jogo.
Para que a recompensa narrativa possa ser quantificada em
resultados, o jogador ao interagir com a narrativa, deve se
interessar por esta. Porém, para o presente estudo, não será
focado em qual tipo de narrativa ou técnicas são mais ou
menos eficazes como recompensas.
Exemplos: Metal Gear Solid 4: Guns of the Patriots
(Kojima Productions, 2008), Silent Hill 2 (Konami, 2001),
Final Fantasy Tactics (Square, 1997).
Expressão
É a recompensa atingida ao utilizar o jogo como forma de
expressão pessoal. Alguns jogos possibilitamque o jogador
faça as escolhas dentro do universo do jogo de acordo com
suas preferências. Em outras circunstâncias, possibilitam
que o usuário crie conteúdo para o jogo.
Em uma partida do jogo The Sims, o jogador pode
personalizar o lar dos sims ao seu gosto. O jogo Guitar
Hero permite que os jogadores interajam com suas músicas
preferidas, seja as que vêm inclusas no jogo original ou as
que podem ser adquiridas posteriormente. Em ambos os
casos, é possível adquirir conteúdo gerado por outros
usuários.
Exemplos: The Sims (Maxis, 2000), Guitar Hero
(Harmonix Music Systems, 2005), Audiosurf (Dylan
Fitterer, 2008).
Fantasia
É uma recompensa que premia quem busca a fuga da
realidade. Jogos produzem esta recompensa através da
imersão no universo ficcional. Essa imersão pode ser tanto
sensorial quanto interativa, fortalecendo a sensação de que
o jogador está dentro do jogo ou que o jogador é o próprio
avatar controlado. Qualquer perfil de jogador pode se sentir
recompensado pelo simulacro gerado por um jogo imersivo,
mas exploradores e sobreviventes buscam com maior
frequência este tipo de recompensa.
Exemplos: The Elder Scrolls IV: Oblivion (Bethesda Game
Studios, 2006), Zeno Clash (ACE Team, 2009), Crysis
(Crytek Frankfurt, 2008).
Interação Social
Alguns jogos digitais disponibilizam um vasto universo de
interação entre os jogadores. Nesses casos, é possível
estabelecer uma complexa rede de contatos. Essas relações
possuem seus códigos de conduta frequentemente tão ou
mais complexos que as relações interpessoais feitas no
mundo real. Essa forma de explorar novos contatos sociais
seria a recompensa através da interação social trazida por
uma atividade.
Exemplos: World of Warcraft (Blizzard Entertainment,
2004), Farmville (Zynga, 2009), Mario Party 8 (Nintendo,
2007).
Dessa maneira, observa-se que as experiências de
conquista, fantasia, drama, expressão, descoberta,
aprendizado, avanço, contemplação e interação social,
formam as estruturas de recompensas que contribuem para
a motivação dos jogadores com a atividade, bem como com
a obtenção da satisfação.
Canais de Conforto
O que esta sendo apresentado nós apresentamos aqui nesse
artigo como canais de conforto é uma adaptação da
Teoria do Fluxo de Mihaly Csikszentmihalyi [6], teoria esta
que defende que o estado emocional de uma pessoa ao
executar uma atividade depende da habilidade que a pessoa
tem sobre a execução desta atividade e a dificuldade que a
atividade exige para ser completada.
Dependendo destes dois fatores, diversos estados mentais
podem ser atingidos, durnte uma atividade, sendo o mais
importante deles, o de Fluxo, atingido ao se executar uma
atividade onde o participante tem uma grande habilidade e
para completá-la e há uma grande dificuldade imposta [7].
A teoria inicial, que apenas procurava entender o fluxo, foi
expandida, encontrando outros estados emocionais
conforme os níveis de habilidade e dificuldade são
exigidos. No nosso framework, a teoria do fluxo
compreende como o jogo cria um ambiente de conforto ao
dar ao jogador habilidades através da jogabilidade ou treino
e ao mesmo tempo lança desafios de diferentes níveis a este
jogador.
O balanço da habilidade, que no caso de jogos pode ser
reduzida ou ampliada através de regras (facilidades ou
dificuldades de jogabilidade) e da dificuldade apresentada
(os obstáculos do jogo que impedem o jogador de atingir
seu objetivo) ajudam a criar um estado mental para o
jogador durante a atividade. Este estado mental deve ser
confortável ao jogador. Confortável no sentido de ser um
estado mental que o jogador busca coma atividade, não que
este deva ser positivo.
Este estado mental confortável depende do perfil de jogador
e de como o jogo apresenta seu universo ficcional, porém,
um jogador que não se sente confortável dentro do estado
mental promovido pelo jogo, perderá o interesse pela
atividade e abandonará o jogo.
Dentro da teoria do fluxo, existem oito estados mentais,
todos estes estados mentais podem ser produzidos por um
jogo ao balancear habilidade do jogador e desafios
impostos. São eles: Apatia, Tédio, Apreensão,
Relaxamento, Ansiedade, Controle, Exaltação, Fluxo [6].
Obviamente cabe ao designer buscar os canais mais
positivos ou canais onde os jogadores daquele determinado
jogo se sentirão confortáveis.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 92
Em jogos a baixa habilidade pode ser traduzida em
mecânicas muito simples, ou muito difíceis de lidar, ou um
jogo com uma curva de aprendizado que impeça ao jogador
melhorar sua habilidade nele. Se o jogo depender demais de
fatores aleatórios, ou não for claro o suficiente em como o
esforço do jogador determina as alterações do estado do
jogo (falta de feedback) isso também incorre em “baixa
habilidade”. Mecânicas superficiais, que não permitem
avanço ou desenvolvimento de um repertório que torne o
jogador mais eficiente no uso delas, também podem
incorrer em um grau de habilidade baixo para o jogo. O
contrário de tudo isso, mecânicas com profundidade, com
pleno e claro resultado e que permitem que o jogador
desenvolva-as em usos mais eficientes incorre no jogo por
característica permitir um alto valor de habilidade ao
jogador.
O desafio pode ser traduzido em jogos nos obstáculos que o
jogo apresenta ao jogador para impedir que este consiga as
recompensas desejadas com a atividade (referentes ao
capítulo anterior). Há diversas formas de se criar desafios e
não entraremos nelas dentro do escopo deste artigo. Para
este artigo, cosideraremos o grau de dificuldade como emo
quão recorrente é o fracasso (perder o jogo)
contrabalanceado em o quão punitivo é este fracasso, entre
começar o jogo a partir do zero ou continuá-lo a partir de
algum ponto anterior.
Evidentemente canais de conforto variam mesmo dentro de
um determinado jogo, já que os obstáculos e a dificuldade
bem como as habilidades do jogador inerentes ou
permitidas pelo jogo podem variar de acordo comas regras.
Estas variações resultam em flutuações dos canais de
conforto promovidos.
Abaixo segue a descrição dos oito canais de conforto e
quais as condições para que estes emerjam.
Apatia
Apatia é o canal atingido quando a habilidade e os desafios
impostos são ambos baixos. Um jogo que promove a apatia
pode ser considerado como um passatempo quase passivo,
onde o jogador exerce muito pouco esforço para vencer e
não é contestado ou desafiado para tal.
Tédio
Tédio é o canal promovido quando a habilidade permitida é
razoável, mas os desafios impostos são baixos. Um jogo
entediante, portanto, é um jogo que não apresenta desafios
para o jogador e ao mesmo tempo lhe dá recursos razoáveis
para exercer esforço sobre este jogo.
Apreensão
Canal onde a habilidade permitida ou atingida pelo jogador
é baixa e os desafios são razoáveis. Um jogo pode
promover a apreensão como uma retórica estética, porém
não deve-se sustentar uma situação de apreensão por muito
tempo por não ser um estado mental positivo.
Relaxamento
Quando a habilidade do jogador é muito grande e os
desafios impostos são baixos o jogo promove a sensação de
relaxamento. A grande habilidade em contraponto aos
obstáculos leves permitem testes, despreocupação e
desapego, porém sem levar ao tédio, sendo assim, portanto,
um estado mental positivo.
Ansiedade
Jogos muito difíceis e nos quais o jogador não tem muita
habilidade ou não permitem ao jogador muita habilidade,
promovem a sensação de ansiedade. A ansiedade é uma
sensação negativa se persistir por muito tempo, porémpode
ser de grande auxílio retórico se promovida em pequenas
doses.
Controle
Controle é o canal atingido quando um jogo permite uma
grande habilidade para o jogador exercer em face a um
desafio moderado. O canal de controle é positivo a partir do
momento que ao se sentir no controle a maioria das pessoas
se sentem confortáveis com a situação, porémpode não ser
o que o jogador efetivamente esteja buscando.
Exaltação
Uma grande dificuldade como obstáculo a uma habilidade
moderada gera o canal de exaltação. É um estado mental
onde o jogador se sente estimulado, revigorado por estar
enfrentando algo maior do que ele, porém com recursos o
suficiente para superar o obstáculo. Consideramos umcanal
positivo para um jogo promover.
Fluxo
Quando a habilidade e a dificuldade são altas, promove-se o
estado de flow ou fluxo. É um estado mental positivo de
alta concentração, controle e estimulação, algo como a
mistura dos canais de Controle e Exaltação. O jogador se
intensifica e se sente mentalmente engolido pela atividade,
perdendo a sensação de tempo-espaço externos ao jogo.
Portanto, os canais de conforto dizem respeito a como o
jogo, através do balanço de habilidade e dificuldade
definidos pelo designer, constrói um ambiente emocional
para o jogador. Este ambiente deve ser confortável para o
jogador, ou este abandonará a atividade mesmo se as
recompensas forem interessantes.
Perfil do Jogador
O perfil de jogador mede como este tende a participar de
um jogo. O que o motiva a jogar, que expectativas ele tema
respeito do jogo e que tipos de dinâmicas e resultados o
divertem. O perfil é dependente e inerente do próprio
jogador. Para traçar o perfil dos jogadores dentro do nosso
framework, nós utilizamos o estudo Brain Hex [16].
International Hobo é uma empresa que estuda o perfil
demográfico dos jogadores de jogos digitais. O estudo
iniciou-se com o DGD-1 (demography game design 1) [14],
que foi atualizado para DGD-2 (demography game design
2) [15], que, por sua vez, foi utilizado como base para o
BrainHex.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 93
Os perfis que esse estudo contemplou foram: o audaz, o
conquistador, o colecionador, o social, o estrategista, o
sobrevivente e o explorador.
Os perfis são a parte mais importante na compreensão da
satisfação pois são os perfis de jogador que ditam quais
recompensas e quais canais de conforto determinado
jogador busca. Cada perfil tem diferentes ambições, busca
diferentes estímulos e requer diferentes combinações de
recompensas e canais de conforto para se satisfazer comum
jogo.
Audaz
O audaz procura ação eletrizante, radical e em alta
velocidade. O perfil tem como comportamento o foco na
busca pela ação, uso de reflexos e tomada de riscos [16].
O audaz, em geral, busca ser principalmente recompensado
com a conquista, a expressão e a fantasia. Mais do que
qualquer outro perfil, o audaz sente-se confortável no canal
de fluxo. Além do fluxo, o audaz prefere os canais de
exaltação e ansiedade, sentindo-se pouco estimulado nos
canais de controle e relaxamento.
Colecionador
O colecionador gosta de coletar tudo e fazer tudo que é
possível no jogo. O perfil tem como comportamento o
esforço para atingir a satisfação de completar tarefas e
coletas, além da intensa satisfação em cumprir objetivos
que se mostram muito distantes - o que pode se tornar
obsessivo [16].
O colecionador busca como recompensas principalmente o
avanço, o aprendizado, a expressão e a descoberta. O
colecionador sente-se confortável no canal de controle e
relaxamento, podendo também manter-se no canal de fluxo
e tédio, e até mesmo, apatia, se as recompensas forem
frequentes ou grandes o suficiente. Isso acontece pelo fato
do colecionador ser um jogador obstinado, indo além do
que lhe é confortável em prol das recompensas.
Conquistador
O conquistador se esforça ao máximo para atingir a vitória
e gosta de derrotar inimigos incrivelmente difíceis e vencer
outros jogadores. O perfil tem como comportamento a
voracidade que foca e motiva o jogador a conquistar a
vitória e permite intensas emoções ao atingí-la [16].
O conquistador sente-se plenamente recompensado pela
conquista, evidentemente, e também pelo aprendizado e o
avanço. O canal de conforto que o conquistador busca é o
de controle, acima de todos, porém se sentindo confortável
no canal de fluxo e exaltação. Ansiedade e apreensão
podem ser positivos para o conquistador, mas apenas
durante o início do jogo, nas etapas de aprendizado.
Estrategista
O estrategista gosta de resolver quebra-cabeças e
desenvolver estratégias. O perfil tem como comportamento
o foco na atividade mental caracterizada pela busca das
decisões mais eficientes [16].
O estrategista busca a recompensa da conquista, do
aprendizado e da descoberta. O estrategista tambémprocura
jogos que permitam a expressão através de diversas
maneiras de se resolver um problema ou superar um
obstáculo. Seu canal de conforto preferido é o de controle,
podendo também sentir-se confortável com o fluxo e com o
relaxamento.
Explorador
De acordo como estudo, o explorador é o jogador que gosta
de encontrar coisas estranhas e mesmerizantes ou re-
encontrar objetos familiares. O comportamento do
explorador se centra na curiosidade, interesse e no prazer de
estimular os sentidos [16].
O explorador busca o drama, a fantasia e especialmente a
descoberta e a contemplação como recompensas. O
explorador sente-se mais confortável nos canais de controle
e relaxamento, porém aceita doses pontuais de fluxo e
exaltação.
Sobrevivente
O sobrevivente gosta de escapar de ameaças aterrorizantes,
suspense e de riscos desconhecidos. O comportamento
deste perfil está relacionado com a sensação de medo: o
sobrevivente gosta de ser aterrorizado e se sentir seguro
novamente após responder a ameaças [16].
O sobrevivente busca como recompensa o drama, fantasia e
descoberta. O sobrevivente busca os canais de apreensão e
ansiedade, sentindo-se também confortável no canal de
exaltação. O sobrevivente abomina os canais de controle e
relaxamento.
Social
O social gosta de jogar com pessoas emque confia e ajudar
os outros. O perfil tende a ser aberto, mas não se dá bem
com quem abusa de sua confiança [16].
O jogador social busca como principal recompensa a
interação social, e também, fantasia, drama e expressão. O
canal mais procurado é o de relaxamento, porém, os canais
de controle e fluxo são também confortáveis se não
atrapalharem a interação entre os jogadores.
Além disso jogadores geralmente apresentam mais de um
destes perfis, em variados níveis de interesse. Há também
jogadores que apresentamaversão aos gostos de umdestes
perfis [16].
O que quisemos demonstrar é que a aplicação da parte de
experiência do nosso framework pode ser utilizada em
conjunto com outros estudos demográficos para se
descobrir aspectos da experiência de jogo desejados. Assim,
o designer pode compreender aspectos do jogo emrelação à
experiência e desenvolvê-los de acordo com os requisitos
do projeto.
CONCLUSÃO
Neste artigo formalizamos o Framework CDE em sua
totalidade, expandindo o framework MDA ao torná-lo
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 94
menos restrito e compatível com as necessidades de um
estudo mais aprofundado do design de jogos.
Com o conteúdo levantado,é possívelentender quais são os
elementos fundamentais que estruturam o artefato
(Componentes), quais são e como funcionam suas
interações (Dinâmicas) e, por fim, como aspectos da
organização do sistema – recompensas e canais de conforto
– influenciam o usuário (Experiência).
Em relação ao item de Experiência, sob o ponto de vista do
sistema, levando em consideração os aspectos levantados
nos Componentes e suas relações apontadas nas Dinâmicas,
é possível ter uma maior consciência a respeito da
influência das recompensas envolvidas, bem como projetar
jogos que tenham como objetivo induzir determinadas
experiências, tanto no geral quanto em momentos
específicos. Analogamente, sob o ponto de vista do usuário,
o conhecimento levantado sobre perfis de jogador pode ser
utilizado quando houver a intenção de projetar umjogo que
seja capaz de satisfazer determinadas demografias de
jogadores. Com isso é possível estruturar, posteriormente,
um modelo analítico que seja de utilidade em testes
práticos.
Esta estrutura é uma contribuição para o aprofundar o
conhecimento na área de design de jogos, servindo como
ferramenta analítica para estudo, bem como ferramenta
metodológica para auxiliar no desenvolvimento.
AGRADECIMENTOS
Gostaríamos de agradecer aos companheiros de trabalho
Ingrid Skåre e Maurício Perin, que nos apoiam e
acompanham em estudos correlatos.
REFERÊNCIAS
1. Aarseth,E., Smedstad, S. M.  Sunnanå, L. Multi-
dimensional Typology of Games. Game Studies 3, iss. 2,
2003.
2. Alves, T; Bulhões, B. Compreendendo dinâmicas de
jogo: as esferas da interação dentro do framework
CDE. In: Interaction South America, 1., São Paulo, 26 a
28 nov.2009. Anais do 1º congresso regional de Design
da Interação. São Paulo: Universidade Anhembi-
Morumbi, Campus Morumbi, 2009. p. 133-140.
3. Aristóteles.Poética. Ed. Trilíngue de V. Garcia Yebra,
Madrid, 1974.
4. Buccini, M. Design experiencial em ambientes digitais:
um estudo do uso de experiênciasem web sites e junto a
designerse usuáriosde internet.145f. Dissertação
(Mestrado em Design) - Centro de Artes e
Comunicação, Departamento de Design, Universidade
Federal de Pernambuco, Pernambuco, 2006.
5. Cambridge Dictionary. Retrieved August,2009 from:
http://dictionary.cambridge.org/define.asp?key=41547
amp;dict=CALD
6. Csíkszentmihályi, M. Beyond Boredom and Anxiety:
Experiencing Flow in Work and Play. Jossey-Bass,San
Francisco, 1975.
7. Csíkszentmihályi, M. Finding Flow: The Psychology of
Engagement With Everyday Life. Basic Books, 1998.
8. Dictionary.com. Retrieved August,2009, from:
http://dictionary.reference.com/browse/interplay?jss=0
9. Dicionário Aurélio. Retrieved August,2009 from:
http://www.dicionariodoaurelio.com/dicionario.php?P=I
nteracao
10.Dubiela, R. P. A utilização de narrativas embutidasno
auxílio da narrativa da história nos jogos eletrônicos
informatizados. 156f. Dissestação (Mestrado em Design) -
Setor de Humanas, Departamento de Design,
Universidade Federal do Paraná, Paraná, 2008.
11.Garneau, P. A. Fourteen forms of fun. Retrieved May,
2009, from Gamasutra:
http://www.gamasutra.com/features/20011012/garneau_
01.htm 2001.
12.Harvey, A.  Samyn, M. Realtime Art Manifesto.
Retrieved from: http://tale-of-tales.com/tales/RAM.html.
2006.
13.Hunicke, R., Le Blanc, M.  Zubek, R. MDA: a formal
approach to game design and game research. Proc.
GDC, San Jose, 2004.
14.International Hobo. DGD1. Retrieved May, 2010, from:
http://blog.ihobo.com/articles/DGD1.shtml 2006
15.International Hobo. DGD2. Retrieved May, 2010, from:
http://survey.ihobo.com/DGD2/intro.php 2008.
16.International Hobo. Brain Hex. Retrieved May, 2010,
from: http://blog.brainhex.com 2009.
17.Järvinen, A. Making and breaking games:a typology of
rules. Proc. Level Up Conference 2003.
18.Juul, J. Half-real: video games between real rules and
fictional worlds. The MIT Press,Cambridge, 2005, 163-
197.
19.Salen, K.  Zimmerman, E. Rules of Play: Game
Design Fundamentals. The MIT Press, Cambridge,
2004, 68-77.
20.Salen, K.  Zimmerman, E. Rules of Play: Game
Design Fundamentals. The MIT Press, Cambridge,
2004, 93-94
21.Salen, K.  Zimmerman, E. Rules of Play: Game
Design Fundamentals. The MIT Press, Cambridge,
2004, 137-144.
22.Salen, K.  Zimmerman, E. Rules of Play: Game
Design Fundamentals. The MIT Press, Cambridge,
2004, 153-192.
23.Schär, G. S.  Krueger H. Using New Learning
Technologies with Multimedia. IEEE MultiMedia 7 (3).
doi:10.1109/93.879767
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 95
24.Schell, J. The Art of Game Design: A book of lenses.
Morgan Kaufman, Massachusetts,2008, 39-46.
25.Sicart, M. Defining game mechanics. Game Studies 8,
iss. 2, 2008. Retrieved from:
http://gamestudies.org/0802/articles/sicart
26.Vanord, K. Machinarium Review, 2009. Gamespot.
Retrieved May, 2010, from:
http://www.gamespot.com/pc/adventure/machinarium/re
view.html
LUDOGRAFIA
 Alexey Pajitnov. (1984). Tetris (Eletronika 60).
 ACE Team. (2009). Zeno Clash (Windows).
 Amanita Design. (2009). Machinarium(Windows).
 Bethesda Game Studios. (2006). The Elder Scrolls IV:
Oblivion (Windows).
 Blizzard Entertainment. (2004). World of Warcraft
(Windows).
 BioWare. (2000). Baldur’s Gate 2: Shadowsof Amn
(Windows).
 BioWare. (2007). Mass Effect (Windows).
 BioWare. (2010). Mass Effect 2 (Windows).
 Capcom. (1999). Street Fighter3: Third Strike
(Arcade).
 Crytek Frankfurt. (2008). Crysis (Windows).
 Dylan Fitterer. (2008). Audiosurf (Windows).
 EA Redwood Shores. (2008). Dead Space (Windows).
 HAL Laboratory. (1999). SuperSmash Bros (Nintendo
64).
 Harmonix Music Systems. (2005). Guitar Hero
(Playstation 2).
 Intelligent Systems. (2001). Advance Wars (Game Boy
Advance).
 Jason Rohrer. (2008). Gravitation (Windows).
 Kojima P1roductions. (2008). Metal Gear Solid 4: Guns
of the Patriots (Playstation 3).
 Konami. (1992). Contra III: The Alien Wars (Super
Nintendo Entertainment System).
 Konami. (2001). Silent Hill 2 (Playstation 2).
 Maxis. (2000). The Sims (Windows).
 Molleindustria. (2006). McDonald’s Videogame
(Online).
 Nintendo. (1985). Super Mario Bros. (NES).
 Nintendo. (1992). Super Mario Kart (Super NES).
 Nintendo. (1994). Super Metroid (Super NES).
 Nintendo. (2000). The Legend of Zelda: Majora’s Mask
(Nintendo 64).
 Nintendo. (2009). Mario Party 8 (Wii).
 Paradox Interactive. (2010). Victoria 2 (Windows).
 Queasy Games. (2007). Everyday Shooter (Playstation
3).
 Radical Entertainment. (2009). Prototype (Windows).
 Raven Software. (2010). Singularity (Windows).
 Rogue Entertainment. (2000). American McGee’s Alice
(Windows).
 Square. (1997). Final Fantasy Tactcs (Playstation).
 Square. (2001). Final Fantasy X (Playstation 2).
 Square Enix. (2006). Final Fantasy XII (Playstation 2).
 Tales of Tales. (2009). The Path (Windows).
 Team Ico. (2001). Ico (Playstation 2).
 Team Ico. (2005). Shadow of the Colossus (Playstation
2).
 Tecmo. (1995). Ninja Gaiden Trilogy (Super NES).
 Zynga. (2009). Farmville (Online)
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 96
O USO DA METODOLOGIA DE PERSONAS NA
PRODUÇÃO DE PERFIS PARA HIPERMÍDIA ADAPTATIVA
Thiago Pinheiro
ESDI/UERJ
Rua Evaristo da Veiga, 95
Rio de Janeiro/RJ
t_pinheiro@yahoo.com
Barbara Szaniecki
ESDI/UERJ
Rua Evaristo da Veiga, 95
Rio de Janeiro/RJ
dolar.rj@terra.com.br
André Monat
ESDI/UERJ
Rua Evaristo da Veiga, 95
Rio de Janeiro/RJ
andresmonat@yahoo.com.br
RESUMO
Este artigo é parte integrante de um projeto em
desenvolvimento que visa construir uma hipermídia
adaptativa para auxiliar visitas guiadas em museus. Nele
analisaremos a importância da metodologia de personas
para o design centrado no usuário e descreveremos em
detalhes a utilização desta ferramenta na criação dos perfis
a serem atendidos pelo sistema proposto em sua fase de
implementação.
ABSTRACT
This paper is part of a project in progress for the production
of an adaptive hypermedia for guided visitation at
museums. Here we analyze the importance of the
methodology of personas in user-centered design and
describe in details the use of this tool for the creation of the
profiles to be assisted by the proposed system at the
implementation stage.
Palavras-chave
Personas, hipermídia adaptativa, visitas guiadas, museus.
ACM Classification Keywords
H5.4. Information interfaces and presentation:
Hypertext/Hypermedia.
INTRODUÇÃO
No início da era industrial, os processos de engenharia e
venda, por si sós, eram suficientes para gerar produtos que
fossem desejáveis aos olhos dos consumidores. Para que as
pessoas adquirissem alguma coisa, bastava que o bem
atendesse a seus critérios de utilidade, qualidade e que
oferecesse um preço razoável pelo qual estivessem
dispostas a pagar. Com o passar do tempo, a indústria
percebeu a necessidade de diferenciar seus produtos de
outros com igual funcionalidade e o design passou a figurar
como elemento de destaque nessa estratégia. Designers
gráficos passaram a ser contratados para desenvolver
embalagens e propagandas mais eficazes e designers
industriais se dedicaram progressivamente a projetar
produtos mais ergonômicos, eficientes e atraentes.
Nesse contexto de valorização do produto por adequação às
necessidades dos utentes, surgem a filosofia e as
metodologias do design centrado no usuário, do inglês
user-centered design (UCD).
O termo user-centered design foi cunhado por Donald
Norman [8], que o definiu como sendo uma filosofia
baseada nos interesses e necessidades do usuário para a
geração de produtos mais facilmente inteligíveis e usáveis.
A Usability Professionals’ Association (UPA) [11] define
UCD como uma abordagem em design que foca todos os
processos – planejamento, projeto e desenvolvimento – no
usuário.
Embora devesse ser o senso comum, centrar o design no
usuário não é um procedimento natural. Tendemos a ser
egocêntricos e acabamos por desenvolver produtos
baseados em nossas próprias vontades e necessidades,
mesmo que na maioria das vezes não sejamos o utilizador
final desses produtos. Às vezes, até mesmo procuramos
pessoas com perfis semelhantes ao nosso para pedirmos
opinião sobre nossos projetos – a conclusão é o nascimento
de um produto inadequado ao público a que vai servir.
Metodologias do UCD
À medida que a filosofia do design centrado no usuário
ganhou força, algumas metodologias surgiram para
concretizar os princípios por ela preconizados.
Mas foi apenas em 1999 que se deu o surgimento da
primeira e única normatização do UCD, instituída pela ISO
13407 (“Human-centred design processes for interactive
systems”) [6].
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 97
De acordo com essa norma, uma vez identificada a
necessidade de centrar os processos no usuário, quatro
atividades vão formar o ciclo principal de trabalho (Figura
1):
a) especificação do contexto: identifica-se quem utilizará o
produto, com que finalidade e sob que condições;
b) especificação dos requisitos: identificam-se as
necessidades comerciais e que necessidades do usuário
devem ser satisfeitas para que o produto seja bem-sucedido;
c) design das soluções: atividade onde o conhecimento
angariado é concretizado em diferentes protótipos que
serão testados junto aos usuários;
d) avaliação do processo: esta etapa leva em consideração o
feedback dos utentes e verifica-se o preenchimento dos
critérios percebidos na segunda fase. Aqui se avalia a
necessidade de modificações no produto, gerando mais uma
iteração do ciclo ou liberando o produto para o lançamento.
Apesar de não especificar métodos exatos, a norma serve
de base para várias metodologias do design centrado no
usuário, dentre as quais podemos citar também, outro
modelo de processos igualmente bastante conhecido – o do
ciclo de engenharia da usabilidade, proposto por Jakob
Nielsen [7]. Este sistema consiste em onze etapas, a saber:
1) conhecimento do usuário;
2) análise competitiva;
3) definição de metas de usabilidade;
4) design paralelo;
5) design participativo;
6) design coordenado;
7) análise heurística;
8) prototipagem;
9) teste empírico;
10) design iterativo;
11) coleta de feedback.
Como se percebe aqui, mesmo que descritas em alto nível,
as atividades são identificadas mais detalhadamente do que
no modelo proposto pela ISO. O fluxo básico é bastante
semelhante nos dois esquemas – ambos partem da pesquisa
sobre o usuário para identificação de requisitos/objetivos e
chegam à prototipagem e teste do design, explorando a
natureza iterativa do processo. Ambos os modelos também
reforçam que o feedback dos usuários deve ser considerado
desde cedo, já que alterações no design são notavelmente
menos custosas quando feitas nas etapas iniciais do
desenvolvimento.
Ainda embasada na normatização da ISO, se destaca a
metodologia de Personas, ferramenta estudada e utilizada
no desenvolvimento deste artigo, que descreveremos mais
minuciosamente adiante.
HIPERMÍDIA ADAPTATIVA
Este artigo é parte integrante de um projeto mais amplo
cujo objetivo é verificar a possibilidade da elaboração de
uma hipermídia adaptativa para auxílio a visitas guiadas a
museus.
Figura 1. Ciclo básico de atividades no design centrado no usuário segundo a ISO 13407.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 98
Cabe neste momento esclarecer o conceito de hipermídia,
que Freire [4] aponta como sendo semelhante ao hipertexto,
mas difere deste uma vez que as ligações (links) são
representadas também por elementos de diferentes
formatos, tais como imagens, gráficos, vídeos, áudios,
animações, etc. Sendo assim, a hipermídia constitui uma
base de dados na qual o usuário navega entre as
informações de forma interativa e não-seqüencial,
determinando seu próprio percurso de acesso e uso da
informação – características herdadas do próprio
hipertexto.
Peter Brusilovsky [1] aponta a hipermídia adaptativa como
uma direção relativamente nova na pesquisa sobre as
relações entre hipermídia e modelos de usuário. Essa
tecnologia promete sanar a limitação de aplicativos de
hipermídia tradicional, onde é apresentado a todos os
usuários um mesmo conteúdo de página e um mesmo
conjunto de links a uma população relativamente diversa.
Os sistemas de hipermídia adaptativa constroem um
modelo de objetivos, preferências e conhecimento prévio
de cada usuário individual e usam esse modelo ao longo da
interação com o usuário, a fim de se adaptar às
necessidades deste.
Sendo assim, o sistema auxiliar para visitas guiadas se
colocaria como um recurso para apresentar roteiros
personalizados que sugerissem as obras mais relevantes a
serem vistas pelos usuários do museu, levando em
consideração as preferências e a bagagem cultural de cada
um.
Para a geração dos perfis a serem atendidos pela hipermídia
proposta, optamos por utilizar a metodologia de personas,
exposta a seguir.
PERSONAS
A idéia de personas foi introduzida por Alan Cooper em
seu livro The Inmates are Running the Asylum [2].
Contrastando com a abordagem da norma ISO 13407, o uso
de personas compreende a aplicação de uma metodologia
completa, uma ferramenta com métodos bem definidos que
se propõe a tratar mais eficientemente a questão do design
centrado no usuário.
O termo persona é compartilhado com os profissionais de
marketing, onde serve a propósito diferente. A distinção
básica entre a persona do marketing e a persona do design é
que a primeira é baseada em dados demográficos,
influenciando nos processos de venda e distribuição; a
última se baseia puramente nos usuários e vai guiar o
processo de design [2]. Em outras palavras, a construção de
personas para o marketing obedece a um processo de
pesquisa quantitativa e estatística, enquanto no design
temos como direção a pesquisa etnográfica/qualitativa.
De acordo com Alan Cooper, personas são arquétipos
hipotéticos de usuários reais, definidos com rigor e precisão
significativos. Em outras palavras, trata-se de personagens
fictícios, construídos a partir da coleta de dados dos
usuários em potencial e que servirão para orientar o
desenvolvimento do produto.
John Pruitt [9] advoga que a metodologia de personas é de
grande potencial para concretizar o design centrado no
usuário. Para Pruitt, A utilização dessa metodologia serviria
não apenas de ligação entre a parte burocrática e a
execução do design, mas iria além, gerando empatia entre a
equipe de desenvolvimento e fazendo com que as
perspectivas do usuário fossem efetivamente levadas a
sério.
Cooper assume o uso de personas também como alternativa
para sanar o fenômeno que denominou “usuário elástico”.
O autor chama à atenção a imprecisão do termo usuário,
uma vez que numa equipe de desenvolvimento, cada
participante tem uma concepção diversa quanto às
características e necessidades do público-alvo. Em
momentos críticos do desenvolvimento dos projetos, esses
“usuários” assumem uma elasticidade para que se encaixem
convenientemente nos argumentos de quem quer esteja
decidindo. Isto confere a uma equipe de desenvolvimento, a
liberdade de projetar conforme queiram, enquanto
aparentemente servem ao “usuário” [3].
Vasara [12] reforça que as personas trazem à vida os tipos-
chave de usuários, especialmente para aqueles que não
participaram do levantamento de dados.
Nota-se que o investimento de tempo na realização da
pesquisa inicial é compensador uma vez que guia as etapas
conseguintes, atendo a equipe aos reais objetivos,
necessidades e limitações do usuário e evitando falhas cuja
correção posterior seria ainda mais dispendiosa em tempo e
em custos.
Com base nos fatores expostos, é comum o surgimento da
pergunta: por que não basear os perfis em pessoas de
verdade?
Pessoas reais tendem a ter peculiaridades que não se
aplicam ao público-alvo geral, o que poderia interferir no
design de forma negativa. Exemplificando, Alan Cooper
cita o presidente de uma companhia que, baseado em sua
preferência particular, determina que todos os softwares
produzidos pela empresa fossem operados apenas pelo
mouse. Projetar com esse usuário em mente excluiria todos
os demais que gostam de utilizar o teclado para a
manipulação de software.
Outro motivo para não serem usadas pessoas reais, jaz no
conceito “usuários não são designers”. Para Jakob Nielsen
[7], se pessoas reais fossem usadas no lugar de personas,
invariavelmente seriam solicitadas a opinar sobre questões
no design e, embora os usuários sejam hábeis em identificar
problemas, não são capazes de elaborar a soluções por não
serem designers.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 99
A metodologia de personas
Desde sua introdução por Alan Cooper em 1999, a
metodologia de personas vem ganhando destaque através
do estudo de outros autores e de sua crescente utilização no
desenvolvimento de produtos e serviços. Percebemos que
as técnicas usadas para produção das personas variam entre
os autores e de acordo com o contexto do planejamento,
constituindo um método bem definido, porém flexível.
Apesar de ser de comum acordo entre os autores que as
informações devem ser coletadas diretamente dos usuários
em potencial, a maioria não especifica as ferramentas
usadas – mesmo porque o contexto é único para cada
projeto. Em linhas gerais, concordam em dedicar sua
atenção à pesquisa qualitativa. Goodwin [5] explica que as
personas são baseadas primariamente em dados
etnográficos, sugerindo que a pesquisa deve ser
essencialmente baseada em dados qualitativos, coletados
através de entrevistas e observação.
Goodwin vai além e abranda o valor da pesquisa
quantitativa, propondo que esta seja usada apenas para
validar as descobertas da pesquisa qualitativa caso haja
tempo hábil e verba disponível para realizar a investigação
extra.
No desenvolvimento deste projeto, utilizamos os seis
passos propostos por Pruitt e Adlin conforme resumo a
seguir:
1º passo: identificar categorias de usuários que são
importantes para seu projeto, de forma a facilitar o
processamento dos dados e estabelecer uma ponte entre os
tipos de usuários e as personas a serem criadas.
2º passo: processar os dados para extrair informações
relevantes ao desenvolvimento do produto.
3º passo: identificar e criar esqueletos, diferenciando-os
através dos detalhes que caracterizam cada categoria.
4º passo: priorizar os esqueletos que serão efetivamente
desenvolvidos ao nível de persona.
5º passo: enriquecer os esqueletos selecionados com
detalhes, histórias, personalidades, contextos, etc.,
elevando-os efetivamente ao nível de persona.
6º passo: validar a as personas, checando se estas refletem
os dados coletados e se abrangem todas as possíveis
hipóteses.
APLICAÇÃO
Reconhecemos que nos diversos estudos de casos,
freqüentemente relatados nas obras para exemplificar a
aplicação da metodologia de personas, o objetivo era
definir prioridades e reduzir ao máximo o número de perfis,
delineando mais precisamente o público-alvo para o qual se
estava projetando.
Em oposição, este trabalho tem como prioridade abranger,
dentro do espectro de freqüentadores de museus, o mais
variado público possível. Para isto, utilizamos a exposição
“Virada Russa”, em cartaz na cidade do Rio de Janeiro
entre junho e agosto de 2009 no Centro Cultural do Banco
do Brasil (CCBB), como cenário para realização de
entrevistas a serem usadas como base para a identificação
do público freqüentador de museus.
Elaboramos um conjunto de perguntas (Anexo A) que
serviu de roteiro para as entrevistas. Consideramos as
seguintes variáveis:
 Freqüência de visitação a exposições;
 Motivo da visitação;
 Nível de conhecimento prévio sobre o tema;
 Nível de interesse por material multimídia;
 Interesse pelo serviço de visita guiada.;
 Necessidade de informações adicionais;
 Tempo estimado de permanência no local;
 Tempo efetivo de permanência no local.
Valorizando o aspecto qualitativo da metodologia
empregada, permitiu-se que os entrevistados falassem
livremente e as informações relevantes eram registradas
reservadamente em seguida. Naturalmente, o nível de
colaboração variou bastante entre os 33 visitantes
abordados e, dentre os que mais contribuíram, nove
apresentaram características peculiares que influenciavam
de forma significativa seu comportamento durante a
visitação.
Além do “usuário básico”, identificamos duas categorias
importantes de usuários: a que requeria informação
diferenciada e a que requeria apresentação diferenciada.
Tendo por base estes nove visitantes que se destacaram nas
entrevistas, elaboramos e categorizamos dez esqueletos
listados e descritos a seguir.
Entende-se por esqueleto os perfis que poderiam
potencialmente dar origem a uma persona devido a suas
singularidades (o mesmo que arquétipo, para Alan Cooper).
Categoria 1: usuários básicos
 A leiga: Teve seu interesse por arte iniciado
recentemente e, por isso, tem pouco conhecimento e
opinião crítica sobre o assunto. Tenta assimilar, num
nível geral, toda informação a seu alcance. Peculiaridade:
tenta captar o máximo de informações gerais por ser
ignorante no assunto.
 O visitante casual: Não tem qualquer interesse em se
aprofundar no assunto. Está presente na exposição por
acaso e seu tempo de permanência variará de acordo com
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 100
Roberta (27 anos)
Roberta é assistente administrativa há sete anos numa empresa de médio porte. Descende de
uma família de classe média, mas devido a dificuldades do passado, só pôde iniciar sua
faculdade em administração após os 25 anos. Atualmente ela mora com a mãe e com o irmão
mais novo.
Apesar de sua rotina apertada, Roberta gosta de sair com seu namorado e amigos nos fins-de-
semana.
Seus programas preferidos incluem bate-papo em barzinhos, cinema e programas culturais, que
aprendeu a apreciar por influência de seu namorado, estudante de cinema.
Mesmo sem ter tido acesso a cultura com freqüência em sua juventude, Roberta se interessa
pelo assunto e busca apreender panoramicamente tudo o que lhe é apresentado. Ela e o
namorado passam bastante tempo procurando novas exposições na internet e conversando
sobre as visitações que fazem.
Geraldo (56 anos)
Geraldo é formado em belas artes e é artista plástico há mais de 30 anos. Trabalha
principalmente como consultor para museus e casas de cultura, o que lhe garante uma vida
bastante confortável.
Sua condição econômica lhe possibilitou construir um grande ateliê e visitar várias exposições
dentro e fora do Brasil, tornando-o um visitante ilustre e exigente a qualquer exposição.
Nas horas vagas, Geraldo gosta de ouvir música clássica, beber um bom vinho e freqüentar
exposições com sua esposa, que escreve críticas de arte para uma revista.
Geraldo também aprecia pesquisar sobre vida e obra de artistas famosos, o que lhe serve de
inspiração e estimula sua criatividade para novos trabalhos.
Patrícia (36 anos)
Patrícia é professora de história em uma escola particular. Ela tem uma filha de 5 anos bastante
esperta chamada Diana.
Patrícia se separou do pai de sua filha durante a gestação e tenta ao máximo suprir a ausência
do pai mantendo o dia da Diana com muitas atividades.
A mãe se esforça para dar uma boa formação à filha e tenta levá-la a programas culturais
sempre que possível.
Patrícia também se interessa por exposições de arte, mas nem sempre é possível acompanhá-las
tranqüilamente ao lado da filha, sendo freqüentes as pausas para lanchar, beber água, levá-la ao
banheiro, etc. Junto da filha, Patrícia também se diverte bastante assistindo a peças e a filmes
infantis.
Felipe (11 anos)
Felipe é filho de um casal de grandes empresários.
Os pais de Felipe investem pesado em sua formação, pois esperam que ele um dia venha a
gerenciar os negócios da família.
O casal matriculou o filho numa escola particular de período integral, onde ele cursa
atualmente a quinta série do ensino fundamental.
Para preencher o dia dos alunos, a escola oferece várias atividades extraclasse como prática de
esportes, passeios, sessões de filme, aulas de reforço, visitas culturais, etc.
Felipe é estudioso e gosta de sua agenda cheia. Ele tem um interesse especial por literatura
infantil e desenho.
O hobby favorito de Felipe é desenhar e pintar paisagens, atividade para a qual possui bastante
facilidade.
Tabela 1. Personas criadas no desenvolvimento do projeto.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 101
o interesse que lhe será incitado pelo tema/obras.
Peculiaridade: dispensa qualquer informação sobre as
obras; seu objetivo é apenas passar o tempo.
 A acompanhante: Visitante interessada na temática, mas
cujo nível de formação a leva a desconfiar da
fidedignidade das informações, se estas não forem
apresentadas de forma adequada, tendendo ao
desinteresse nesses casos. Está visitando a exposição
como acompanhante; seu tempo de permanência
dependerá da companhia. Peculiaridade: seu tempo de
permanência depende da amiga. Descarta informações
que aparentam não ser confiáveis.
Categoria 2: requer conteúdo diferenciado
 O sabe-tudo: Visitante com conhecimento prévio sobre a
temática da exposição. Dispensa informações gerais; se
interessa por conteúdo que o mantenha distinto do
público geral. Peculiaridade: assume ser apreciador
especial e detentor de conhecimento privilegiado sobre o
tema, o que o faz valorizar apenas informações raras.
 O artista: Visitante do ramo das artes visuais,
acostumado com fartura de informações do mundo da
arte e, por isso, se interessa por dados sobre a vida/obra
dos autores, bem como detalhamento técnico.
Peculiaridade: exigente bem como detalhamento técnico,
como quanto à qualidade da exposição, sente necessidade
de informações sobre os artistas e dados técnicos das
obras.
 O artista de rua: É interessado em arte em geral. Devido à
sua própria condição, valoriza o contexto histórico e
social em que as obras são produzidas, sentindo
necessidade destas informações. Peculiaridade: sente
necessidade de contextualização histórica e social.
 A estudante: Está visitando a exposição primariamente
em tarefa de pesquisa escolar, mas também tem interesse
no assunto. Precisa coletar o máximo de informações
possíveis em virtude de sua atividade. Peculiaridade: tem
interesse parcial no assunto, mas obrigatoriamente requer
o máximo de informações que puder coletar para seu
trabalho.
Categoria 3: requer apresentação diferenciada
 A mãe: Usuária que leva o filho consigo para a
exposição. Necessita de flexibilidade na apresentação das
informações por estar conciliando a visitação com a
atividade materna, sendo freqüentes as interrupções.
Peculiaridade: tem sua visita constantemente
interrompida pelo filho, o que aumenta seu tempo de
permanência no local e ressalta a necessidade de
flexibilidade na apresentação.
 O exigente: Visitante que requer atenção especial nos
aspectos de legibilidade e qualidade geral da
apresentação da exposição. Peculiaridade: preocupa-se
com a qualidade da exposição, especialmente com os
fatores ergonômicos, como legibilidade dos textos.
Categoria 4: requer apresentação e conteúdo diferenciados
 A criança: Visitante infanto-juvenil em atividade escolar
ou acompanhado dos pais. Peculiaridade: requer
linguagem adequada/conteúdo diferenciado.
É ponto pacífico entre os autores que as personas devem
abranger todas as possíveis hipóteses e que, se necessário,
pode-se criar perfis baseados em características
presumidas.
Assim, a necessidade nos fez traçar, por meio de suposição,
o décimo esqueleto, que denominamos “A Criança” para
completar nosso quadro de possibilidades (embora não
tenhamos tido a oportunidade de entrevistar nenhum
infanto-juvenil no decorrer da pesquisa).
RESULTADO
Analisando os esqueletos, traçamos prioridades e
aglutinamos necessidades comuns, reduzindo-os a quatro
perfis a serem elevados ao nível de persona. Certificou-se
de que todas as categorias de usuários fossem atendidas,
validando assim o resultado obtido e apresentado em
detalhes na Tabela 1.
Esta obra compreende parte de um projeto mais amplo
ainda em desenvolvimento, que verificará nas próximas
etapas, a possibilidade da construção da referida hipermídia
com base nos perfis gerados na atual fase da pesquisa.
Optamos por desenvolver o sistema adaptativo sob a forma
de um aplicativo para a plataforma Android, ambiente
operacional para telefones celulares, nascido de um
consórcio iniciado pela empresa Google.
Nossa intenção é disponibilizar aos visitantes, um aparelho
celular munido da aplicação na recepção de museus. O
programa identificará elementos-chave que permitirão
classificar o tipo de usuário e associá-lo a uma das personas
geradas, adaptando sua interface de acordo com o nível de
exigência de cada um.
Inicialmente cogitamos sugerir a visualização de diferentes
obras para cada persona sob a forma de percursos ou
seqüências. No entanto, percebemos que seria não só mais
agradável, mas principalmente mais coerente, encorajar os
visitantes a percorrerem a exposição livremente e a
vivenciarem uma experiência própria, segundo suas
preferências e o tempo de que dispusessem. Concluímos
que oferecer um trajeto pré-definido poderia ser
erroneamente tomado como uma imposição, reduzindo as
possibilidades, até mesmo em virtude da organização das
obras e do espaço físico do museu.
Para promover o aspecto adaptativo à sugestão das obras,
optamos então por oferecer uma lista de “obras
imperdíveis”, gerada e atualizada para cada usuário
modelado a partir de seu comportamento durante a
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 102
exposição. A hipermídia ofereceria inicialmente uma lista
padrão contendo as obras mais relevantes e, à medida que o
usuário percorresse a exposição com o dispositivo móvel, o
sistema armazenaria um histórico das obras visualizadas
que serviria de base estatística para distinguir a preferência
por certo estilo ou movimento artístico, atualizando a
listagem em concordância com as predileções do usuário e
de seu tempo disponível.
Ainda conforme os conceitos da adaptatividade, a
hipermídia empregaria os princípios propostos por
Brusilovsky adequando seu conteúdo através da adaptação
da linguagem e da modificação de fragmentos textuais [1].
CONCLUSÃO
Vimos o uso da metodologia de personas orientando a
pesquisa e a criação de perfis a serem atendidos por uma
hipermídia adaptativa para auxílio a visitas guiadas a
museus. Apesar da bibliografia ainda um pouco restrita,
muitos casos bem-sucedidos têm sido relatados,
demonstrando grande eficácia, especialmente no
desenvolvimento de software.
Mesmo tendo sido formalizada há relativamente pouco
tempo, a metodologia compreende conceitos já bastante
discutidos por pensadores do design, da ergonomia e, mais
recentemente, da usabilidade, demonstrando ser uma
ferramenta poderosa do design centrado no usuário.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 103
REFERÊNCIAS
1. Brusilovsky, P. Adaptive Hypermedia. User modeling
and User-Adapted Interaction 11:87-100, 2001. Kluwer
Academic Publishers, Netherlands, 2001.
2. Cooper, A. The inmates are running the asylum: why
high-tech products drive us crazy and how to restore the
sanity. Indianapolis: Sams Publishing, 1999.
3. Cooper, A., Reimann, R., Cronin, D. About face 3: the
essentials of Interaction design. Indianapolis, Wiley
Publishing Inc., 2007.
4. Freire, L. Design de hipermídia: a busca pela melhor
compreensão deste tema. InfoDesign Revista Brasileira
de Design da Informação v. 5, n. 1, p. 36-41, 2008.
5. Goodwin, K. Getting from Research to Personas:
Harnessing the Power of Data.
http://www.cooper.com/journal/2002/11/getting_from_r
esearch_to_perso.html.
6. ISO 13407:1999 Human-centered design processes for
interactive systems. Geneve, International Organization
for Standardization, 1999.
7. Nielsen, J. Usability engineering. San Diego, Morgan
Kaufmann Publishers, 1993.
8. Norman, D. The design of everyday things. London,
MIT Press, 1990.
9. Pruitt, J., Adlin, T. The persona lifecycle: keeping
people in mind throughout product design. San
Francisco, Morgan Kaufmann Publishers, 2006.
10. Pruitt, J., Grudin, J. Personas: Practice and Theory
(2003). http://research.microsoft.com/en-us/um/people/
jgrudin/ publications / personas/Pruitt-Grudin.pdf.
11. UPA (Usability Professionals’ Association). What is
User-centered Design?
http://www.usabilityprofessionals.org/usability_resourc
es/about_usability/what_is_ucd.html.
12. Vasara, K. Introducing personas in a software project.
2003. 63 f. Tese (Mestrado em Ciência da
Computação). Helsinki University of Technology,
Helsinki, 2003.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 104
Estudo comparativo de extensões UML
nos artefatos do projeto de sistemas interativos
First Author Name (Blank if Blind Review)
Affiliation (Blank if Blind Review)
Address (Blank if Blind Review)
e-mail address (Blank if Blind Review)
Optional phone number (Blank if Blind Review)
Second Author Name (Blank if Blind Review)
Affiliation (Blank if Blind Review)
Address (Blank if Blind Review)
e-mail address (Blank if Blind Review)
Optional phone number (Blank if Blind Review)
RESUMO
Este trabalho analisa o problema de projetar e desenvolver
interfaces para sistemas interativos, sob o ponto de vista da
documentação gerada por esse processo. As representações
dos diversos aspectos do projeto geraram extensões UML.
No entanto nem todas as necessidades do projeto de
sistemas interativos são atendidas por essas extensões,
sobretudo, porque uma única representação não é suficiente
para contemplar os diversos níveis de abstração que
precisam ser abordados no projeto de sistemas interativos.
Dessa forma, este trabalho realiza uma análise comparativa
dessas soluções, no contexto de um projeto real. O
resultado desta análise é empregado na proposta de um
conjunto de artefatos para o projeto de sistemas interativos.
PALAVRAS CHAVE
Modelagem da interação; extensões UML; Interação
Homem-Computador; artefatos do processo de software.
ABSTRACT
This paper examines the problem of designing and
developing interactive interfaces to systems from the point
of view of documentation generated by this process. The
representations of the various aspects of the project
generated extensions UML. However, not all the needs of
the project, interactive systems are addressed by these
extensions, mainly because a single representation is not
sufficient to cover the various levels of abstraction that
must be addressed in the design of interactive systems.
Thus, this work performed a comparative analysis of these
solutions in the context of a real project. The result of this
analysis is employed in the proposal of a set of artifacts to
the project of interactive systems.
Keywords
Modeling the interaction, Extensions UML, IHC, Artifacts
of the process of software.
INTRODUÇÃO
Para permanecerem competitivas, as equipes de projetos de
software buscam na modelagem do sistema os diversos
níveis de abstração do processo de desenvolvimento de
software. O uso de modelos auxilia no entendimento e na
comunicação da equipe. A elaboração de modelos elimina
detalhes irrelevantes para o processo e serve como
catalisador, possibilitando a criação de visões simplificadas
de realidades complexas [24].
Como conseqüência do progresso na área de hardware e de
software, aumentaram as opções de estilo de interação e a
complexidade dos softwares projetados e diversificou-se o
perfil dos usuários, tendo ocorrido também o aumento da
busca por usabilidade.
Para facilitar a representação da interação e da interface de
sistemas interativos, autores, vêm estendendo a UML. No
entanto o projeto de sistemas interativos, como qualquer
projeto de software, é uma construção intelectual que passa
por diferentes níveis de abstração. A UML, útil para
capturar diversas abstrações do projeto de software, pode
ser adequada à representação das abstrações específicas da
interação homem-computador.
Na experiência profissional da autora como analista e
desenvolvedora de sistemas interativos, observou-se que a
representação da interação assume diferentes aspectos, a
saber:
 representação do perfil dos diversos usuários que
interagem com o sistema;
 representação do diálogo entre sistema e usuário;
 representação da seqüência das telas e de sua navegação;
 representação dos símbolos; e
 representação das funções do sistema.
A consistência dessa representação e sua comunicabilidade
no ambiente de projeto são aspectos importantes, não
apenas para o sucesso do projeto de um sistema interativo,
mas também, para a eficácia e a produtividade de uma
equipe de projeto.
Contudo há a preocupação da comunidade de
desenvolvimento de software em garantir que a UML seja
completa para o desenvolvimento de software e que se
preencham todas as lacunas. Para tanto, autores, como
Page-Jones[20], Conallen [5], Silva e Paton [25] e Nunes
[16], dentre outros, utilizaram mecanismos de extensão, os
quais são elementos de modelagem que permitem
tratamento visual e especializado e definem como criar
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 105
novas semânticas na construção da interação do usuário
com o sistema.
ARTEFATOS DO PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO
DE SISTEMAS INTERATIVOS
As atividades da Engenharia de Software, em geral,
envolvem uma grande quantidade e variedade de tipos de
artefatos, os quais são gerados durante o processo de
desenvolvimento de software. Um artefato pode ser visto
como qualquer informação gerada, alterada ou usada no
decorrer do processo de desenvolvimento [9]. Sendo assim,
um artefato pode estar na forma de um modelo, um
elemento do modelo (um gráfico, uma classe, um
subsistema etc), um caso de teste, uma ata de reunião, um
manual etc.
Quando os artefatos produzidos são claros, a tendência é a
de que os atores do desenvolvimento de sistema se
entendam. Por sua vez, um documento, ainda que esteja
bem escrito, pode causar dificuldades de entendimento a
quem o lê, por causa de determinada escolha ou decisão
para se constituir daquela maneira. Por esse motivo, são
produzidos diversos artefatos ao longo do processo de
desenvolvimento de sistemas interativos, algumas vezes,
com aspectos repetidos em diferentes níveis de
detalhamento e com relação entre si [1].
Esta pesquisa considerou os artefatos sugeridos por sete
diferentes trabalhos, os quais foram selecionados por vários
motivos: em primeiro lugar, porque todos tratam de
processos de desenvolvimento de sistemas interativos.
Nesse sentido, a coleção de trabalhos captura as diversas
gerações de processos de desenvolvimento de sistemas
interativos, surgidas ao longo dos últimos vinte anos –
desde o trabalho sobre a Engenharia Cognitiva, de Norman
e Draper [15], até a abordagem orientada a objetos de
Mayhew [13], passando por trabalhos clássico da
Engenharia de Usabilidade de Nielsen [14] e do ciclo
estrela, proposto por Hix e Hartson [7]. Este trabalho
considera também a posição da ISO sobre o referido
processo, em sua norma 13.407 [8].
Outro fator relevante para a seleção desses trabalhos foi o
fato de discutirem especificamente os artefatos gerados
pelos mesmos processos. Nesse sentido, contribuem
também: o trabalho de Mayhew [13], o qual revela uma
preocupação importante com os artefatos; o trabalho de
Paula e Silva [21, 25] que define um artefato da Engenharia
Semiótica e o trabalho de Brown [3], que detalha os
artefatos produzidos modernamente na documentação do
projeto de websites.
Nos trabalhos centrados no processo, considera-se que eles
sugerem atividades, das quais é possível extrair artefatos no
processo de desenvolvimento de software, os quais
expressam a necessidade dos projetistas na representação de
suas idéias. Os processos descritos pelos autores, e suas
respectivas atividades, não serão descritas neste artigo por
limitações de espaço.
SELEÇÃO DOS ARTEFATOS
A partir de uma leitura dos autores foi possível extrair os
artefatos para o desenvolvimento de sistemas interativos:
a) perfil dos usuários – é o documento que descreve o tipo
de usuários, perfil e atividades por eles desempenhadas;
b) cenários – são composições realistas da tarefa do usuário,
relacionadas com o objetivo da avaliação, as quais simulam
uma tarefa real, em que o usuário interage com o sistema e
onde é registrado cada procedimento tomado;
c) personas – são perfis de usuários fictícios, mas
representativos;
d) especificação de casos de uso – são narrativas de texto
do caso de uso. Caso de uso são descrições de interações
típicas entre os usuários e o sistema. Eles representam a
interface externa do sistema e especificam um conjunto de
exigências do que o sistema deve fazer;
e) protótipo – tem a função de demonstrar os requisitos de
um sistema;
f) plano de testes – consiste na definição das metas e dos
objetivos dos testes no escopo da iteração (ou projeto), os
itens-alvo, a abordagem adotada, os recursos necessários e
os produtos que serão liberados;
g) diagrama de tarefas – descreve detalhes de como o
processo é implementado, bem como, as instruções e ordens
para a sua execução;
h) questionário com o usuário;
i) manual de instalação – contém instruções para instalação
do sistema;
j) manual do usuário – contém instruções de como o
sistema pode ser operado pelo usuário;
k) tabela de signos – descreve os signos integrantes da
conversa usuário-preposto do designer;
l) diagrama de metas – especifica as metas que os usuários
terão ao utilizarem o sistema e a relação entre essas;
m) diagrama de interação – representa uma visão global das
possíveis conversas que podem ocorrer entre o usuário e o
preposto do designer para alcançarem as metas
representadas no diagrama de metas;
n) mapa do sistema (site maps) – organiza e estrutura o
conteúdo do sistema e seus acessos por meio de um mapa,
ampliando sua visualização e proporcionando modificações
em sua navegação;
o) fluxo de interação (flow charts) – trata tanto do fluxo da
interação das telas do sistema, quanto da interação entre o
sistema e o usuário; e
p) wireframes – desenvolve esboços das telas do sistema,
com pré-disposições e posicionamento de conteúdos e
funcionalidades.
ARTEFATOS UML NO PROCESSO DE MODELAGEM DE
SISTEMAS INTERATIVOS
Segundo Booch, Rumbaugh e Jacobson [2], no processo de
desenvolvimento de um software, é benéfica a produção
dos seguintes artefatos: requisitos, arquitetura, projeto,
código-fonte, planos de projetos, planos de testes,
protótipos e versões. Dependendo da cultura de
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 106
desenvolvimento, alguns desses artefatos são tratados de
maneira mais ou menos formal do que outros.
A partir do estudo dos modelos de processos realizados,
foram selecionadas três fases que contribuem para a
construção da camada interativa no processo de modelagem
e desenvolvimento de interface: análise de requisitos,
design e testes.
Análise de requisitos – São representados pelas descrições
de Caso de Uso , diagramas de Caso de Uso , diagramas de
classe e diagramas de seqüência.
Design – diagramas de atividades, diagramas de estado de
transição e diagramas de pacotes, contendo componentes de
design.
Testes – diagramas de classe e de compontes. Casos de uso
para orientar os testes de usabilidade.
Embora a UML não se refira primordialmente a elaboração
de teste, é possível fazer testes unitários por meio dos
diagramas de classe (Unit test), além de teste integrado com
os diagramas de componentes (component test).
EXTENSÕES DA UML PARA SISTEMAS INTERATIVOS
Alguns autores, preocupados em garantir que a UML seja
completa para o desenvolvimento de software e preencha
todas as lacunas de representação necessárias nesse
processo, utilizaram mecanismos de extensão para criar
novas semânticas necessárias para representar a interação
do usuário com o sistema, a análise de requisitos, a
construção de interfaces e a interação entre objetos que
compõem o sistema. Para representar essa preocupação, foi
feito um levantamento de extensões da UML, cujo
resultado é apresentado a seguir, na Tabela 1.
EXTENSÕES UML SELECIONADAS PARA UM ESTUDO
COMPARATIVO
Foi realizado um estudo comparativo das extensões UML
para representação da interação homem-computador, por
meio de uma análise comparativa aplicada a um projeto real
de software interativo, o qual não está descrito neste artigo
por limitações de espaço. O foco da comparação é a
representatividade da extensão em cada artefato, que deve
oferecer ao projetista um meio de expressar precisamente
suas intenções em todo o processo de desenvolvimento. As
extensões selecionadas foram: Page-Jones, UMLi, WAE e
Wisdom, [20,4, 25 e 16].
Page-Jones [20] desenvolveu dois diagramas adicionais
para representar a IU na UML, o diagrama para layout de
janelas, estendido do diagrama de caso de uso, e diagrama
para navegação de janelas, estendido do Diagrama de
pacote.
UMLi é um projeto de pesquisa desenvolvido pelo grupo de
gerência da informação da Universidade de Manchester, em
1998. Segundo Paton e Silva [4], a UMLi foi desenvolvida
para proporcionar interação amigável entre usuário e
sistema. Ela propõe dois novos diagramas UML para o
projeto de IU, descritos como Diagrama IU e Diagrama de
Atividade Estado de Seleção.
Extensão Ano Foco Autores Ref.
Diagramas
de Layout e
de
Navegação
de Janelas.
1996 Prototipação e
navegação de tela.
Page-Jones [20]
UMLi 1998 Modelagem de
interface e modelagem
do comportamento UI.
Paton e Silva [25]
WAE 1998 Internet Jim Conallen [5]
WISDOM 2000 Modelagem de
Sistemas Interativos –
prototipação evolutiva.
Nuno Jardim
Nunes
[15]
AUML 2000 Modelagem de
sistemas envolvendo
objetos e Modelagem
de comunicação entre
agentes (objetos).
Odell,
Parunak e
Bauer
[17]
Libra 2004 Comportamento de
elementos: objetos e
aspectos.
Chaves [4]
IMML 2003 Modelagem visual de
interfaces de usuário.
Descrição abstrata de
IU.
Jair
Cavalcante
Leite
[11]
TUML 1997 Modelos temporais. Svinterikou [26]
UMP²D 2000 Desenvolvimento de
aplicações paralelas.
André Luís
Olivete, Dr.
Onofre
Trindade
Júnior
[18]
Xchart 1997 Modelo de
Especificação e
implementação de
gerenciadores de
diálogo.
Fábio
Nogueira de
Lucena
[12]
UWE 2000 Extensão para modelar
Sistema Hipermídia
Adaptativa (SHAs).
Nora Parcus
de Koch
[10]
UML-MC 2002 Extensão da UML para
representar Mapas
Conceituais
Robinson e
Crespo
[23]
Tabela 1 – Extensões UML levantadas
Criada por Conallen [25], a WAE (Web Application
Extension for UML) estende a notação UML e traz novos
estereótipos com semântica e restrições adicionais,
permitindo a modelagem de elementos específicos da
arquitetura envolvida numa aplicação Web, incluindo-os
nos modelos dos sistemas. Conallen propõe Experiência do
Usuário (UX), a qual é apresentada por meio de um
conjunto de diagramas utilizados pra descrever a IU.
De acordo com Nunes [16], a arquitetura de IU WISDOM é
uma extensão do padrão de análise
interface/entidade/controle (model-view-controller, MVC)
da UML. Nunes propõe nove artefatos, são eles: Modelo
perfil do usuário estendido do diagrama de caso de uso,
Modelo de domínio/negócio estendido dos diagramas de
classe e diagramas de atividade, Modelo de casos de uso
essencial estendido do diagrama de caso de uso, Modelo de
Análise e Modelo de Interação ambos estendidos dos
diagramas de classe, Modelo de desenho estendido dos
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 107
diagramas de classe e diagramas de estado, Modelo de
diálogo estendido do diagrama de classe, Modelo de
Requisitos estendido do diagrama de classe e diagrama de
estado e Modelo de Implementação.
As extensões foram aplicadas em um projeto do Centro
XXXXXX do xxxxxxxx na Seção de XXXXXXX O
projeto visa ao desenvolvimento de um sistema interativo
denominado Sistema de Gestão de Árvores Urbanas
(SISGAU). O estudo comparativo analisa as extensões
UML nas fases de análise de requisitos, design e teste.
Nas extensões estudadas, foram encontrados para a fase de
análise de requisitos, o modelo de perfil do usuário e o
modelo de diálogo, ambos da WISDOM.
Modelo de Perfil do Usuário – é representado por um
diagrama de casos de uso, com os estereótipos de
classificação, ação e composição. Esse modelo segue a
perspectiva definida pelo mapa de papéis do usuário, ilustra
e organiza características dos usuários e seus papéis, tipo de
usuário, conjunto de interesses, comportamento,
responsabilidades e expectativas em relação ao sistema.
Essa extensão mostra – por meio do diagrama de casos de
uso – os usuários do sistema e seus papéis, acrescentando
descrições textuais para explicar responsabilidades,
expectativas e comportamentos.
Modelo de Diálogo – esse modelo especifica a estrutura de
diálogo da aplicação interativa, focando as tarefas e seus
usuários.
A Figura 2, a seguir, descreve esta situação: um grupo de
usuário (administrador e inspetor) pode consultar, cadastrar
e alterar as telas avaliação, diagnóstico e prospecção do
tronco, seguindo essa seqüência. No caso, a interface de
Avaliação do Tronco tem as seguintes funções:
InserirAvaliacaotronco(),alteraAvaliacao
tronco(),consultaAvaliacaotronco().
Nota-se que o usuário Consulta apenas consulta as telas
avaliação tronco, diagnóstico tronco e propecção tronco.
É interessante ressaltar neste modelo que, além de ele
demonstrar os tipos de usuários, suas tarefas (consultar,
alterar e cadastrar) e as telas que percorre, ele descreve
também as funções contidas em cada tela.
Os artefatos identificados como necessários para o Design
são: protótipos, mapa do sistema, fluxo de interação,
diagrama de interação e Wireframe. As extensões que se
aplicam a essa fase são:
a) Page-Jones – Diagrama de navegação de Janelas e
Diagrama de Janela;
b) UMLi – Interação do Fluxo de Telas e Diagrama IU;
c) WAE – Mapa de caminho de navegação, Descrição de
telas e conteúdo, Fluxo de navegação; e
d) WISDOM – Fluxo de telas – modelo de interação,
modelo de desenho ou apresentação.
Figura 2 - Modelo de diálogo – WISDOM.
Page-Jones [20] propõe o diagrama de navegação de
janelas, que é uma extensão do diagrama de estado da
UML, cujo objetivo é mostrar como os usuários podem
passar de uma janela para outra ao longo de rotas
expressivas e importantes na aplicação.
Seguindo o fluxo exposto na Figura 3 a seguir, verifica-se
que a interface (denominada pelo autor de janela)
Avaliação do Tronco foi acionada a partir da interface
Avaliação do Colo. Nessa interface, é executada a função
InserirAvaliacaoTronco e, a partir dos botões
diagnóstico e prospecção, é possível navegar para outras
duas telas: Diagnóstico ou Prospecção.
A interface Diagnóstico recebe os dados do tronco
(demonstrado pelo colchete diagnostico.tronco, da classe
diagnóstico) e a interface prospecção recebe os dados da
FendaRachadura (classe).
Caso o usuário escolha a interface Prospecção, ele terá de
passar necessariamente pela interface Diagnóstico e, se ele
escolher a interface Diagnóstico, a próxima interface que
ele percorrerá é a de Avaliação Copa.
Todos os estereótipos demonstrados na Figura 3 (cb, nav e
jn), inserida a seguir, fazem parte da extensão, segundo
proposta de seu autor.
Figura 3 – Diagrama de navegação de janelas –
Fonte: Page-Jones [20]
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 108
O que torna esta extensão atraente é o fato de ela ser
simples em demonstrar a navegação de telas (prisma), as
funções que a interface necessita para sua execução e os
eventos (botões). Outra vantagem é o fato de não haver
necessidade de uma ferramenta específica para desenhar
esse diagrama.
Outro diagrama proposto por Page-Jones [20] é o de
janelas, que tanto pode ser uma extensão do diagrama de
caso de uso como pode ser uma extensão do diagrama de
pacote, quando representa agrupamentos exclusivamente de
elementos.
Para desenhar o diagrama de janelas, foi utilizada a
ferramenta Microsoft Visio. Foi desenhado o diagrama de
caso de uso e, nesse, foi indicada uma interface denominada
Diagrama de Layout, exposto na Figura 4, a seguir.
No Diagrama de Layout – Figura 5, a seguir – foram
colocados os elementos da interface sem nenhum
refinamento.
Figura 4 – Caso de Uso Avaliação Tronco – Fonte:
Page Jones [20].
A proposta de Page-Jones é bem simples: ele estende o
diagrama de caso de uso da UML para demonstrar o
protótipo.
Na UMLi, Paton e Silva [25] propõem o diagrama de
Interação do Fluxo de Telas, o qual é uma alternativa para
representar o processo descrito por um caso de uso. Para
tanto, esse diagrama dispõe dos mesmos elementos dos
diagramas de estado, ou seja, eventos e estados, mas esses
não se restringem a um único objeto. O diagrama de
Interação do Fluxo de Telas é muito parecido com o
diagrama de navegação de janelas do Page-Jones [20].
Na Figura 6 a seguir, está demonstrada a seguinte situação:
os dados da interface Avaliação Colo (descrito pelo
estereótipo AvaliacaoColo.dados, classe
AvalicaoColo) são enviados, após confirmação, para a
interface Avaliação Tronco que é composta pela função
InserirAvaliacaoTronco e pelos dados do
diagnóstico, presentes na classe diagnóstico
(diagnostico.tronco) e da fendaRachadura,
presente na classe prospecçao
(prospeccao.fendaRachadura ).
Figura 5 – Diagrama de Janela – Avaliação Tronco.
De acordo com os dados recebidos, o sistema ativa a
interface Prospecção Tronco ou Diagnóstico Tronco e, se
ativar a interface Prospecção, a seqüência posterior será a
interface Diagnóstico Tronco e Avaliação Copa.
Assim, a extensão apresenta o nome das telas: Avaliação
Tronco, Prospecção Tronco e Diagnóstico Tronco; o fluxo
das telas; os eventos activates e confirms; as
funções InserirAvaliacaoTronco,
InserirDadosProspecçao e
InserirDadosDiagnostico; e os dados
dados.AvaliacaoColo, dignostico.tronco e 
Prospeccao.fendaRachadura .
Figura 6 – Interação do Fluxo de Telas – UMLi.
Outro diagrama proposto por Paton e Silva é o UI, utilizado
para modelar interface. Esse diagrama é estendido a partir
do diagrama de classe da UML e as instâncias dessas
classes são os próprios objetos interagindo.
Para modelar o Diagrama IU, é necessário ter o diagrama
de classes da UML. O Diagrama IU, representado na Figura
7 a seguir, apresenta a interface Avaliação Tronco, na qual,
estão os objetos extraídos do diagrama de classe da UML,
e, nesse, constam os ícone editores, que é um ícone de
entrada de dados. Dentro da interface, há também dois
recipientes e, dentro desses recipientes, há informações
emitidas pelos usuários – do diagnóstico e da prospecção.
Essas serão utilizadas em outras interfaces. Há o símbolo
responsável por receber informações emitidas por usuários
tanto fora como dentro dos recipientes.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 109
Figura 7 – Diagrama IU.
Na WAE Conallen [5] propõe um novo conceito na
modelagem de sistemas e apresenta o modelo de
experiência do usuário (UX), o qual é usado para descrever
a equipe e as atividades dos responsáveis em manter a
interface com o usuário. Para a fase de Design, Conallen
propõe na UX quatro artefatos: Fluxo de tela, Mapa de
Caminho de Navegação, Descrição de Telas e Conteúdo e
Cenários do Roteiro.
a) Fluxo de Tela
Um artefato da UX é o Fluxo da tela, na Figura 8 a seguir, o
usuário inspetor acessa a interface Avaliação Tronco, por
meio de uma página client, que acessa uma página server a
qual contêm as funções do sistema: interferência,
fenda_rachadura e diagnostico_tronco.
Figura 8 – Fluxo da tela – WAE.
O fluxo de tela demonstra o tipo de usuário, a interface, as
funções executadas e o tipo de armazenamento – cliente ou
servidor.
b) Mapa de Caminho de Navegação
O artefato mapa de caminho de navegação é bem simples e
expressa o nome das interfaces e o caminho que o usuário
deve percorrer para navegar no sistema.
No SISGAU, não há um menu onde o usuário seleciona a
tela que ele quer cadastrar. Desse modo, ele tem de seguir
uma seqüência de telas (Wizard) e, quando modelada no
Mapa de Caminho de Navegação, essa seqüência de telas
tornou-se confusa.
c) Diagrama de Descrições de Telas e Conteúdo
Esse artefato do modelo UX é uma extensão do diagrama
de classe da UML. A interface é representada com uma
classe estereotipada, com ícones e atributos estereotipados,
como se vêem a seguir na Figura 10. O nome da interface é
usado como nome da classe – tem um símbolo indicando
que é uma interface – e a descrição da interface capturada é
usada como a descrição da classe. As classes podem ser
organizadas em pacotes. Neste estudo, são analisadas duas
interfaces: Avaliação Tronco e Diagnóstico Tronco, os
dados de entrada da interface são indicados pelo estereotipo
dexibido e os dados são gerenciados pelo estereotipo
dbanco.
Exemplificando, o diagrama de Descrições de telas e
conteúdo é um diagrama de classe da UML com
estereótipos indicando quais dados são de entrada – aqueles
produzidos pelo usuário – e quais dados são gerenciais –
aqueles produzido pelo sistema, além de um ícone,
indicando quais classes são interfaces.
Figura 9 – Descrição de Telas e Conteúdo – WAE.
d) Cenários do Roteiro
Conalen, no Artefato Cenários do Roteiro, descreve um
fluxo de telas com entrada de dados do usuário, visto a
seguir, na Figura 18. Nesse, o usuário fornece informações
sobre a interface (Avaliação do Tronco) e a navegação é
orientada para a próxima interface, desde que se tenha
obtido sucesso na inserção de dados. Ou, explicando
melhor, a Figura 10 demonstra esta situação: o usuário
inspetor acessa a interface Avaliação do Tronco, que
dispara a função InsereAvaliacao(). Se os dados forem
consistentes, aparece a interface Diagnóstico Tronco; caso
os dados estejam incompletos, aparece a interface Dados
Perdidos (interface de erro); e, se houver erro de
processamento (problemas externo ao sistema, por exemplo
conexão da rede), aparece a interface Erro de
Processamento.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 110
Figura 10 – Cenários do Roteiro – Fluxo de navegação
determinado pela entrada de dados do usuário.
Essa extensão apresenta um cenário de roteiro de forma
bem macro, sem muito detalhamento de interface e não há
descrições das funções do sistema nem dos eventos.
Na WISDOM, Nunes [16] propõe dois artefatos para essa
fase: modelo de interação e modelo de apresentação. O
modelo de interação é um fluxo de casos de uso. Na Figura
11, está demonstrada a seguinte situação: se o usuário
acessar o caso de uso localização, terá duas opções, incluir
ou alterar/consultar. Caso ele opte por incluir, ele segue
uma seqüência de telas até finalizar (wisard), caso
contrário, ele pode acessar a interface que quer alterar ou
consultar.
Figura 11 – Fluxo de Casos de Uso – Modelo de Interação –
WISDOM.
A proposta desse artefato não é descrever o fluxo de
interfaces, mas demonstrar a seqüência dos casos de uso.
Na modelagem desse fluxo, constatou-se que, quando os
casos de uso seguem obrigatoriamente uma seqüência que
independe da ação do usuário, fica inviável a sua
visualização.
Outra proposta de Nunes é o modelo de apresentação, uma
extensão do diagrama de classe. Esse modelo apresenta o
nome da Interface, seus eventos e objetos. Após modelar o
modelo de apresentação, é possível desenhar o protótipo da
interface.
A Figura 12, a seguir, expõe o modelo de apresentação, o
qual traz um diagrama de classe estereotipado, em que está
descrita a interface Avaliação Tronco. Essa possui dois
eventos: voltar ou prospecção. Dentro da interface
Avaliação Tronco, há três divisões: Interferência,
Diagnóstico e Fenda/Rachadura e os objetos que compõem
cada divisão. O protótipo é construído a partir do diagrama
de classe estereotipado.
Figura 12 – Modelo de desenho ou apresentação –
WISDOM.
Os artefatos identificados como necessários para o Teste
são: questionário com o usuário, documentação de testes,
manual de instalação e manual do usuário. Não há artefatos
para representação dessa fase nas extensões estudadas.
VANTAGENS E DESVANTAGENS DAS EXTENSÕES
Page-Jones
Os dois artefatos propostos por Page-Jones [20], o
Diagrama de Layout de Janela e o Diagrama de Navegação
de Janela, são artefatos simples de modelar e que não
precisam de ferramenta específica para desenhá-los.
O objetivo principal do Diagrama de Layout de Janela é
adicionar o protótipo aos diagramas UML. Esse protótipo
apresenta detalhes da interface que, muitas vezes, não são
descritos nos casos de uso nem nos diagramas de classe.
A vantagem principal que esse diagrama oferece é a de
detalhar o caso de uso por meio de um protótipo. Outra
vantagem é promover uma estrutura para uma posterior
especificação da interface, a qual inclui validações cruzadas
de campos requeridos, sincronizações entre campos,
verificações de banco de dados e assim por diante. Um
ponto negativo é que alguns requisitos não aparecem na
especificação, por exemplo, os requisitos não funcionais.
O objetivo do Diagrama de Navegação de Janela é mostrar
como os usuários podem passar de uma janela para outra ao
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 111
longo de rotas expressivas e importantes da aplicação. O
Diagrama de Navegação de Janela mostra as rotas de
interação para um caso de uso. A vantagem desse diagrama
está na representação da navegação e na opção de rotas
alternativas. Uma desvantagem é que não há descrição do
tipo de usuário.
UMLi
Os dois artefatos propostos por Paton e Silva [25] –
Diagrama UI e Diagrama de Atividade – são artefatos não
tão simples de modelar, pois requerem ferramenta
específica. Os autores desenvolveram a ARGOi, mas não
foi possível a sua utilização neste trabalho.
O objetivo do artefato Diagrama UI é modelar a interface
com o usuário e, para tanto, ele apresenta entradas e saídas
de dados, além dos objetos da tela.
Uma desvantagem é que somente quem conhece a
simbologia entende o que o diagrama quer demonstrar, pois
não se trata de algo ontológico.
O objetivo do Diagrama de Atividade é apresentar a
seqüência de estados e eventos da tela, deixando sua
aparência muito semelhante à de um fluxograma.
Uma vantagem desse artefato é que ele está diretamente
ligado ao Diagrama UI. Seguindo o Diagrama de Atividade
e interpretando o Diagrama UI, é possível compreender a
interação e projetar a interface. Outra vantagem desse
diagrama é o fato de ele apresentar um processo descrito
por um caso de uso.
WAE
Os artefatos propostos por Conallen [5] serão eficazes para
modelar a interface, se utilizados conjuntamente, pois um
completa o outro.
O objetivo do artefato Fluxo de Tela é descrever os
caminhos ao longo de todas as telas que participam dos
cenários e os caminhos de navegação esperados são
modelados com associações entre as telas.
Uma vantagem desse artefato é o fato de ser de fácil
modelagem e entendimento. Sua desvantagem é não dispor
de simbologia para demonstrar um fluxo alternativo.
O objetivo do Mapa de Caminho de navegação é apresentar
uma visão da aplicação cujo objetivo é mostrar como
usuários do sistema navegarão nele. Esse mapa é
representado em diagrama hierárquico em árvore.
Uma vantagem do Mapa de Caminho de Navegação é a
apresentação de rotas de navegação, juntamente com as
funcionalidades do sistema e os usuários.
O objetivo do artefato Descrição de Telas e Conteúdo é
apresentar os objetos de cada interface e as classes que
interagem com a mesma. E uma desvantagem desse artefato
é a não-apresentação de eventos (“voltar”, “próxima
página” etc.).
O objetivo do Cenário do Roteiro é compreender e
estruturar os cenários, mostrando o ponto de vista do
usuário.
A vantagem desse artefato é que ele conta a história da
aplicação por meio das telas. Outra vantagem é a oferta de
um esquema de roteiro mapeado para o modelo de caso de
uso. Sua desvantagem é fornecer visão pouco detalhada das
interfaces e da interação.
WISDOM
O objetivo do artefato Modelo do Perfil do Usuário é
apresentar os usuários do sistema, mediante descrição de:
tipo de usuário, comportamento, responsabilidades e
expectativas em relação ao sistema. A vantagem desse
diagrama é apresentar o usuário e suas tarefas aos
stakeholders.
O objetivo do Modelo de diálogo é especificar a estrutura
de diálogo da interface, ou seja, explicitar as seqüência das
tarefas e fornecer relações que assegurem consistência dos
diferentes elementos de apresentação.
A vantagem desse artefato é o fato de descreve as funções
contidas em cada tela, além de demonstrar os tipos de
usuários, suas tarefas (consultar, alterar e cadastrar) e as
telas por ele percorridas.
O objetivo do Modelo de Interação é organizar os
elementos da arquitetura do sistema, diretamente
relacionados com sua estrutura de utilização.
A vantagem desse artefato é que ele demonstra a seqüência
dos casos de uso. E uma desvantagem é que ele inviabiliza
a modelagem e sua visualização, quando os casos de uso
seguem obrigatoriamente uma seqüência.
O objetivo do Modelo de Apresentação é definir a parte
perceptível do sistema, ou seja, a interface, focando como
as diferentes entidades de apresentação estão estruturadas
de forma a realizar a interação com o usuário.
PROPOSTA DE ARTEFATOS
Analisando os artefatos levantados, os quais foram descritos
anteriormente, e a modelagem das interfaces em um projeto
real, verifica-se que não há necessidade de produzir todos
os artefatos na modelagem de sistemas interativos. A
pressão dos clientes por prazos menores obriga os
desenvolvedores a buscarem soluções de modelagem mais
rápidas, eficazes e que atendam às expectativas dos clientes
e da equipe de desenvolvimento.
Tendo em vista essas premissas, foram extraídos um
conjunto de artefatos classificados por esta pesquisadora, no
contexto da qualidade em uso, como eficazes, produtivos e
satisfatórios. Esses artefatos foram extraídos dos modelos
propostos pelos autores estudados e na aplicação das
extensões, esses artefatos estão descritos na Tabela 3.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 112
Verifica-se que uma parte expressiva dos artefatos
propostos foi extraída das extensões UML.
Fases e
visões
Artefatos Propostos Autores/
extensões
Análise de
Requisitos –
visão de caso
de uso.
Questionário com o usuário. [9]
Modelo de Perfil do usuário. [12]
Cenários. [7], [11], [10],
[ 9] e [15]
Tabela de signos. [15]
Modelo de tarefas. [11], [10], [6] e
[9]
Análise de
Design –
Visão lógica
e de
concorrência.
Definição da Arquitetura –
Deployment.
[2]
Validação e detalhamento do
cronograma de
desenvolvimento.
Experiência da
autora.
Diagrama de estado estendido
por meio do modelo de diálogo.
WISDOM [12]
Diagrama de Janela. Page-Jones [14]
Mapa de caminho de navegação. WAE [4].
Fluxo de telas. WAE [4].
Testes –
Visão de
componentes
e de
implantação
Programas bem documentados. Experiência da
autora.
Bibliotecas. Experiência da
autora.
Banco de dados – MER e
dicionário de dados.
Experiência da
autora.
Cenários do roteiro. WAE [4].
Manual de instalação e manual
do usuário.
[9]
Tabela 3 – Artefatos sugeridos para a modelagem de
projeto de sistemas interativos
CONCLUSÃO
Este trabalho levantou os artefatos dos modelos de
processo, tal como sugere a literatura – artefatos gerados
pela UML e artefatos das extensões UML – os quais são
propostas para modelagem de interação das interfaces, para
o desenvolvimento do sistema interativo.
Fez-se um estudo comparativo das extensões, por meio de
sua aplicação a um sistema real, no qual, o foco da
comparação foi a representatividade dos artefatos gerados,
de modo a oferecer ao projetista um meio de expressar
precisamente suas intenções em todo o processo de
desenvolvimento, medindo, em um contexto de uso, a
eficácia, a produtividade e a satisfação.
Uma das conclusões obtidas a partir deste trabalho é o fato
de os artefatos gerados pelos processos de desenvolvimento
de sistemas interativos não serem explícitos. Foi necessário
que a autora inferisse nos artefatos das atividades sugeridas
por vários dos autores pesquisados, porque não há
padronização de artefatos propostos pelos autores.
Outra conclusão apresentada neste artigo é a de que a
modelagem de sistemas interativos não pode se basear
somente em elementos definidos pelo metamodelo da
UML. A UML, por ser uma linguagem de modelagem, não
atende às necessidades de representação de um sistema
interativo, já que é originalmente destinada a oferecer uma
forma visual gráfica de comunicação para representação
dos principais conceitos e elementos de um sistema.
Entretanto uma das fortes características da linguagem de
modelagem unificada, presente em seu metamodelo é o
mecanismo de extensão que essa linguagem implementa.
Entende-se ser impossível modelar artefatos dos modelos
de processos de desenvolvimento de sistemas interativos
somente a partir de elementos da UML e seus diagramas.
Uma das alternativas, então, é utilizar extensões da UML
em conjunto com os diagramas da UML, tendo em vista
suas visões.
Os autores das extensões estudadas, [14, 18, 4 e 12],
recomendam a modelagem de sistemas interativos por meio
dos diagramas UML, aos quais eles acrescentam extensões
e adicionam artefatos para facilitar o entendimento dos
stakeholders.
De modo geral, a análise e a implementação dos artefatos
das extensões mostraram que:
 o primeiro passo para promover o desenvolvimento de
softwares interativos com qualidade e fácil de utilizar
deve ser a garantia de que os envolvidos nos projetos
(stakeholders) gerem artefatos de qualidade e
compreendam essa atividade de forma contextualizada;
 para modelar a interação, em geral, os autores adaptaram
o diagrama de estado da UML e incluíram estereótipos
(elementos de modelos), para facilitar a visualização e a
contextualização;
 não há produtividade no desenvolvimento dos artefatos
propostos pelas extensões por faltarem ferramentas que
apóiem a modelagem com os elementos específicos das
extensões;
 falta manual de instrução ou uma documentação
sintetizada que indique como aplicar as extensões em um
projeto de sistemas interativos;
 as extensões têm, em geral, simplicidade na semântica;
 as extensões possibilitam a construção de mecanismos
adaptados a necessidades específicas.
 somente os artefatos das extensões não conseguem
satisfazer todas as fases do projeto de sistemas
interativos. A fase mais representada é a de Design.
Enfim, este estudo demonstrou que não há na literatura uma
regra. Ademais os autores estudados não fazem indicações
de quais artefatos são necessários para modelagem do
processo de sistemas interativos. Esse trabalho procurou
nos autores dos processos de desenvolvimento de software,
na UML e em suas extensões, o melhor dos artefatos
propostos e, assim, sugeriu uma lista desses que sejam
capazes de demonstrar especificação, visualização,
modelagem e documentação.
REFERÊNCIAS
1. Bombani, L.; Ciancarini, P.; Vitali, F. “Sophisticated
hypertext funcionalities for software engineering”. In:
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 113
Proceedings of the 22nd International Conference on
Software Engineering. Limerick (Irlanda), 2000.
2. Booch, G.; Rumbaugh, J.; Jacobson, I. The Modeling
Language User Guide. Massachusetts: Addison-
Wesley, 1999.
3. Brown, D. M. “Communicating Design Developing
Web Site Documentation for Design and Planning”.
New Riders, 2007.
4. Chaves, R. Aspectos e MDA – Criando modelos
executáveis baseados em aspectos. Dissertação de
Mestrado. Florianópolis, Universidade Federal de
Santa Catarina, 2004.
5. Conallen, J. Desenvolvendo aplicações web com UML.
São Paulo: Campus, 2003.
6. Filgueiras, L. V. L. “Interface Homem x Computador”
– Notas de Aula. Instituto de Pesquisas Tecnológicas
do Estado de São Paulo. São Paulo, 2004.
7. Hix, D.; Hartson, H. R. Developing user interfaces:
Ensuring Usability Through Product  Process. New
York (EUA): Wiley  Sons Inc., 1993.
8. ISO 13407 - Human-Centred Design process for
interactive systems, International Organization for
Standardization. 1999.
9. Jacobson, I.; Booch, G.; Rumbaugh, J. The unified
software development process. Boston
(Massachusetts): Addison Wesley, 1999.
10. Koch, N.; Baumeister, H.; Hennicker, R.; Mandel, L.
“Extending UML to Model Navigation and
Presentation in Web Applications”. Proceedings of
Modelling Web Applications in the UML Workshop –
UML'2000, York (UK), outubro, 2000.
11. Leite, J. C. “Specifying a user interface as an
interactive message”. HCI International 2003 - 10th
International Conference on Human-Computer
Interaction, Creta, 2003.
12. Lucena, F. N. Xchart – Um modelo de especificação e
implementação de gerenciadores de diálogo. Tese de
Doutorado. Instituto de Computação da Universidade
Estadual de Campinas Campinas (SP). 1997.
13. Mayhew, D. J. The usability engineering lifecycle. San
Francisco: Morgan-Kaufmann, 1999.
14. Nielsen, J. Usability engineering. New York:
Academic Press, 1993.
15. Norman, D. A.; Draper, S. W. User centered system
design: New perspectives on Human-Computer
Interaction. Hillsdale (EUA): Lawrence Erlbaum
Associate Publishers, 1986.
16. Nunes, N. J., Cunha; J. F. “WISDOM: A software
engineering method for small software development
companies”. IEEE Software, outubro, 2000.
17. Odell, James; Parunak, H. Van Dyke; Bauer, Bernhard.
“Extending UML for agents”. Proceedings of the
agent-oriented information systems workshop at the
17th National Conference on artificial intelligence –
AaaiAAI – 2000. Encontrado em
http://www.jamesodell.com/ExtendingUML.pdf. e
acessado em março/2005.
18. Olivete A. L. S.; Trindade Jr, O. “UMP2D – A
utilização da UML no desenvolvimento de aplicações
paralelas”. In: XXVII Seminário Integrado de Software
e Hardware, 2000, Curitiba (PR), 2000.
19. OMG (Object Management Group). “UML 2.0
Infrastructure specification”. October, 2004.
Encontrado em http://www.omg.org/docs/ptc/04-10-
02.pdf . Acesso em janeiro/2005.
20. Page-Jones, M. Fundamentos do desenho orientado a
objeto com UML. São Paulo: Makron Books, 2001.
21. Paula, M. G. Projeto da interação humano-computador
baseado em modelos fundamentados na engenharia
semiótica – Construção de um modelo de interação.
Dissertação de Mestrado, Pontifícia Universidade
Católica do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 2003.
22. Pressman, Roger S. Software engineering – A
practitioner’s approach. 6th ed. New York: McGraw-
Hill, 2004.
23. Robinson, G.; Crespo, S. “UML-MC – Estendendo a
notação gráfica da UML para suportar mapas
conceituais de sistemas de auxílio em ambientes de
Ensino a Distância”. VII Simpósio de Informática e II
Mostra Regional de SoftwareAcadêmico. Uruguaiana,
2002.
24. Silva, B. S. MoLIC. 2ª. ed. Revisão de uma linguagem
para modelagem da interação humano-computador.
Dissertação de Mestrado. Pontifícia Universidade
Católica do Rio de Janeiro. Rio De Janeiro, 2003.
25. Silva, P. P.; Paton, W. User interface modeling in
UMLi. IEEE Software, Stanford University (CA,
USA), 2003.
26. Svinterikou, M.; Theodoulidis, B. “The temporal
unified modelling language –TUML”. Timelab
Technical Report – UMIST. Manchester (UK),
outubro, 1997.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 114
Design no Contexto da Interação
Cristina Portugal
Pontifical University Catholic of Rio de Janeiro
Av. Gal Felicíssimo Cardoso, 835 – Tio de Janeiro
crisportugal@gmail.com
RESUMO
Um marco do mundo contemporâneo é a célere e
inexorável disseminação das tecnologias de informação e
comunicação em vários setores da sociedade. Muitos
aspectos da sociabilidade humana estão emergindo por
meio dos recursos das tecnologias, criando um novo cenário
de experiências e interações. Adotando a definição do
Design como campo, que nas palavras de Meurer, “se
relaciona com a totalidade do espectro concreto e
intelectual da interação humana”, este artigo aborda
questões que envolvem o Design no contexto da interação,
com o objetivo de discutir como no design de interfaces
digitais podem ser disponibilizados informações
significativas e criar experiências agradáveis. Neste artigo
também serão abordadas questões de jogo e aprendizagem
como base teórica para o desenvolvimento de um jogo
multimídia como exemplo de um produto interativo digital
desenvolvido pelo grupo de pesquisa no âmbito do CNPq,
intitulado “Pedagogia do Design”,
Palavras-chave
Design, Design de interação; Experiência; Jogo
ACM Classification Keywords
Design de produtos interativos digitais. Jogos
INTRODUCTION
Uma questão significativa presente no mundo
contemporâneo é a avalanche de novas tecnologias com as
quais interagimos cotidianamente. As transformações
tecnológicas e suas conseqüências sociais, éticas, culturais,
educacionais, ambientais dentre outras, se processam
velozmente, produzindo novas formas de interação. Diante
deste fato torna-se fundamental buscar novos modelos,
novos métodos e novas abordagens para o Design no
contexto da interação. Este artigo através de uma revisão
bibliográfica tem por objetivo discutir questões sobre as
tecnologias de informação e comunicação â luz do Design,
abordando aspectos de interação e de criar experiências.
Partindo do princípio que o Design tem a função social de
tornar o ambiente inteligível, possibilitando nossa ação a
partir de interações e experiências.
Diante deste fato cito Kerckhove (1997), que se ocupou em
discutir a relação do Design, da tecnologia e da cultura,
com vistas a problematizar a relação do Design no contexto
da interação, tema deste artigo
Existem claramente mais questões no Design além de servir
para conter e seduzir. Num sentido mais amplo, o Design
desempenha um papel metafórico, traduzindo benefícios
funcionais em modalidades cognitivas e sensoriais. O
Design encontra a sua forma e seu lugar como uma espécie
de som harmônico, um eco da tecnologia. O Design
frequentemente faz o eco do caráter específico da
tecnologia e corresponde ao seu impulso básico. Sendo a
forma exterior visível ou texturizada dos artefatos culturais,
o Design emerge como aquilo a que poderíamos chamar da
pele da cultura’. (Kerckhove, 1997 apud Fontoura 2002, p.
75). (Grifo do autor)
Adotando as idéias acima esboçadas, neste trabalho
pretendeu-se apresentar o Design como um campo que pode
contribuir efetivamente para a produção de interfaces
criando interações e experiências, aspectos importantes no
desenvolvimento cognitivo do ser humano.
Citando Bonsiepe (1997), o Design é o domínio no qual se
estrutura a interação entre o usuário e o produto, para
facilitar ações efetivas. Assim, acredito que através de
métodos e técnicas de Design aplicado às tecnologias pode-
se construir uma sociedade melhor, com mais
oportunidades para os futuros cidadãos, criando uma
sociedade mais sustentável.
Para Fontoura (2002), o Design é um amplo campo que
envolve e para o qual convergem diferentes disciplinas. Ele
pode ser visto como uma atividade, como um processo ou
entendido em termos dos seus resultados tangíveis. Ele
pode ser visto como uma função de gestão de projetos,
como atividade projetual, como atividade conceitual, ou
ainda como um fenômeno cultural. É tido como um meio
para adicionar valor às coisas produzidas pelo homem e
também como um veículo para as mudanças sociais e
políticas. (Fontoura, 2002, p. 68). Vindo ao encontro das
idéias de Fontoura sobre o campo de Design, lanço mão de
Bonsiepe que escreveu: “Existe o perigo de se cair na
armadilha das generalizações vazias do tipo ‘tudo é
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 115
Design’. Porém, nem tudo é Design e nem todos são
designers. O termo Design se refere a um potencial ao qual
cada um tem acesso e que se manifesta na invenção de
novas práticas da vida cotidiana. [.] Design é uma atividade
fundamental, com ramificações capilares em todas as
atividades humanas; por isso, nenhuma profissão pode
pretender o monopólio do Design.” (Bonsiepe, 1997, p.15).
Partindo de uma visão aberta à inclusão que caracteriza a
área do Design, no presente estudo defendo a idéia de que
existe no campo do Design um grande potencial para
trabalhos conjuntos com diversas áreas, com vistas a
atender a novas exigências da sociedade contemporânea.
Foi precisamente este entendimento que conduziu as
reflexões aqui realizadas sobre as possibilidades de um
diálogo interdisciplinar entre Design e Design de interação
como base para a discussão do papel do Design na
construção de interfaces digitais que disponibilizem
informações significativas e promovam experiências
agradáveis.
O Design é um processo ativo que influencia a sociedade
criando sua cultura material. Segundo essa ótica, Meurer,
citado por Frascara (1997) diz que o mundo em que
vivemos é mais que a matéria que se há solidificado como
forma, e que se deteve no tempo. Sua forma está definida
mediante a atividade e a ação é seu centro. Se o Design é
concebido orientado em direção a ação, entendida como
interação ativa e mudança criadora, ele não focará somente
o objeto como forma. Ao contrário, os designers se
preocuparão pelo desenvolvimento de modelo de processos
interativos, nos quais os objetos desempenham um papel
central indiscutível como meio para a ação. Segundo esta
visão, o Design se relaciona com a totalidade do espectro
concreto e intelectual da interação humana, da interação
entre as pessoas, dos produtos, e com o mundo em que
vivemos. (Meurer, apud Frascara, 1997, p. 220).
Tomando esta definição do Design como campo, que nas
palavras de Meurer, “se relaciona com a totalidade do
espectro concreto e intelectual da interação humana”, trago
aqui uma reflexão de questões que envolvem o Design no
contexto da interação.
DESIGN DE INTERAÇÃO: CRIAR EXPERIÊNCIAS
As tecnologias intelectuais vêm reformulando a visão do
homem sobre o mundo, vários aspectos da sociabilidade
humana estão emergindo por meio dos recursos das
tecnologias de informação e de comunicação, criando assim
uma nova paisagem de experiências e interações.
O AIGA (American Institute of Graphic Arts) coloca que
Design de Experiência possui a visão de um produto ou
serviço a partir do seu ciclo de vida completo com o
consumidor, de antes dele perceber a necessidade até o
momento de descarte; prioriza a criação de relações com
indivíduos, não mercados de massa. A preocupação com a
evocação e a criação de ambientes que se conectem em
níveis de valor ou emoção com o consumidor; construído
tanto sobre as disciplinas tradicionais de Design, quanto a
partir de um ambiente variado de outras disciplinas.
Para Winograd (1997), em uma visão tradicional da
interface, a interação acontece entre a pessoa e a máquina e
sobre o espaço que é sustentado entre elas. Entretanto, este
espaço é aberto e habitado por outras pessoas e outros
dispositivos, formando uma rede complexa de interações
que não se sustenta simplesmente na criação da melhor
ferramenta de trabalho dentro de um mundo pré-existente,
mas na criação de novos mundos onde os indivíduos sejam
capazes de perceber, agir e responder às experiências.
Para melhor explorar o tema sobre Design no contexto da
interação lanço mão de Shedroff (2010), que utiliza o termo
Information interaction Design, que é a intersecção das
disciplinas Design da Informação, Design de Interação e
Design Sensorial.
Segundo o autor, Design da Informação aborda a
organização e apresentação de dados: a sua transformação
em informações válidas e significativas. Embora a criação
desta informação é algo que todos nós fazemos, em certa
medida, ela só recentemente foi identificada como uma
disciplina com comprovados processos que podem ser
empregados ou ensinados. Enquanto o Design da
Informação centra-se principalmente na representação de
dados e sua apresentação, a ênfase em Design de Interação
é a de criar experiências agradáveis. E o Design Sensorial
refere-se ao emprego de todas as técnicas com as quais nós
nos comunicamos com os outros através dos nossos
sentidos.
Ou seja, uma categoria abrangente sobre as disciplinas
envolvidas com a criação e apresentação dos meios de
comunicação para as aplicações hipermídia, como; design
gráfico, animação, vídeo, tipografia, som, etc, Estes níveis
de compreensão são importantes porque definem os limites
com os quais podemos criar e comunicar. Para o
desenvolvimento de um projeto hipermídia, o design deve
estar atento para o visual, o verbal, o sonoro, o tátil e o
sinestésico que devem estar presentes de acordo com os
objetivos e as características dos usuários a que se destina o
projeto.
Citando Bonsiepe (1997), a interface deve ser entendida em
um caráter mais amplo desde sua ação instrumental,
relacionada a desenvolvimento de produtos até sua ação
comunicativa, uso de signos e informações. O autor ressalta
que uma das características da hipermídia que a torna
interessante é a interação dialógica do meio visual com o
discursivo, nela a informação pode vir sob a forma texto,
áudio, imagens, seqüências de vídeos, animações, música e
sons (Bonsiepe, 1997, p. 144). Entretanto estas formas
precisam ser elaboradas dentro do processo de
desenvolvimento de uma interface, pois se as possibilidades
abertas pela tecnologia de informação e comunicação
estarão ou não disponíveis dependerá da qualidade de
interface. Esta poderá inibir ou facilitar o acesso às
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 116
informações, dependerá se a organização e apresentação de
dados e a sua transformação em informações são válidas e
significativas e que possibilite a ação efetiva na
comunicação.
A escolha de atributos adequados e a implementação destes
de forma consistente é imprescindível para o
desenvolvimento de uma experiência coesa afirma Shedroff
(1999).. Existem poucos detalhes que não afetam a
apresentação, a legibilidade e compreensão do significado
de uma mensagem. Mesmos detalhes como um tipo
justificado (alinhado à esquerda, alinhado à direita, ou
centralizado) altera a legibilidade e a percepção de um
parágrafo e, por conseguinte, do próprio texto. Todos os
detalhes sensoriais devem se coordenados não somente uns
com os outros, mas com as metas e as mensagens do
projeto. Uma síntese mais integrada e cuidadosa desses
processos irá resultar em uma experiência mais atraente,
envolvente e adequada, bem como um melhor sucesso da
comunicação e da interação.
Pôr sua vez, Carvalho (2006) apresenta fatores de
influência das experiências que ocorrem durante o uso de
interfaces, são eles: indivíduo, artefatos, estímulos, contexto
e momentos.
O fator indivíduo corresponde ao conjunto de
características do ser humano que interferem em sua
maneira de interagir com o mundo. Artefatos são os objetos
presentes no ambiente e com os quais o indivíduo interage:
desde um site, sua aparência e seu conteúdo, até a cadeira
na qual o indivíduo está sentado durante a experiência. Essa
interação indivíduo-artefato ocorre através de estímulos, e
tudo isso se dá dentro de um determinado contexto, ou seja,
a situação que acontece no ambiente em volta do indivíduo.
Por fim, a experiência pode ser decomposta em momentos,
estágios específicos que possuem características próprias.
As experiências enriquecedoras para Dewey (1937) são
dotadas de duas características fundamentais: Continuidade
e Interação
Continuidade descreve os aspectos das experiências
relacionados ao indivíduo, onde suas experiências passadas
influenciam qualitativamente as experiências atuais e
futuras. Em outras palavras, uma experiência adequada
modifica o indivíduo e a qualidade das experiências
subseqüentes.
Interação descreve os aspectos das experiências
relacionados ao ambiente, onde as experiências correntes
surgem da interação entre experiências passadas e a
situação atual.
Desta forma, segundo este pensamento de Dewey, quando
os componentes internos (relacionados ao indivíduo)
interagem adequadamente com os externos (as formas,
presentes no ambiente) dá-se origem a uma situação, uma
experiência completa que modifica tanto o indivíduo quanto
o contexto no qual ele está inserido. Ou seja, os humanos
interagem com as formas ao seu redor, originando as
experiências. Essa interação é composta, portanto, de
elementos ativos e passivos, combinados de forma peculiar,
em uma relação de fazer e sofrer as conseqüências do ato.
Para Preece et al. (2005) o objetivo de um sistema, em
termos de interação humano-computador é atender às
necessidades do usuário. Para isso, devem ser especificadas
as metas de usabilidade e as metas de experiência do
usuário, que diferem entre si na forma como são
operacionalizadas (o que fazer e por quais meios).
Metas de usabilidade: a usabilidade é o fator que assegura
que os sistemas são fáceis de usar, eficientes e agradáveis –
da perspectiva do usuário. Desta forma, para ter boa
usabilidade, um sistema interativo deve ser: 1. Eficaz; 2.
Eficiente; 3. Seguro; 4. Útil; 5. Fácil de aprender; 6. Fácil
de se lembrar como se usa (memorização).
Metas de experiência do usuário: com o tempo, o
surgimento de novas tecnologias (web, realidade virtual,
etc) com suas novas possibilidades, aliadas ao aumento da
diversidade das áreas de aplicação (entretenimento,
educação etc) suscitou um novo conjunto de interesses,
ligados à qualidade das experiências. Desta forma, para
atender a esta nova demanda, um sistema interativo deve
possuir características como as mostradas a seguir: 1.
Satisfatório; 2. Agradável; 3. Divertido; 4. Interessante; 5.
Útil; 6. Motivador; 7. Esteticamente apreciável; 8.
Incentivador de criatividade; 9. Compensador; 10.
Emocionalmente adequado.
Nem sempre é adequado para um sistema atender a todas
essas metas com a mesma intensidade. A análise das
necessidades do usuário, contexto de uso e tarefa a ser
realizada é que vai guiar seu estabelecimento
Então, voltamos à questão que norteou o presente trabalho:
técnicas e métodos de Design aplicados ao Design da
Informação e interação podem promover a potencialização
e o enriquecimento da construção da legibilidade do
discurso comunicativo nos ambientes, sejam eles concretos
ou digitais, criando experiências significativas e interações?
Para isto acontecer, sugere Shedroff (2010), que devemos
primeiro rever os nossos objetivos e mensagens e reavaliar
os tipos de experiências que queremos para o nosso público.
Temos também, que perguntar ao usuário quais são as suas
necessidades e desejos com relação a estas experiências.
Não se trata de testes de usuário, que precisa ser feito mais
tarde, quando algumas possibilidades foram desenvolvidas,
mas um inquérito crucial antes do início do projeto. O
processo deve envolver idéias alternativas que atendam a
esses objetivos, mensagens, e os interesses do público e
habilidades até surgir possíveis soluções. Estas segundo o
autor devem tomar forma com ferramentas do Design
Sensorial, que é simplesmente uma categoria abrangente
sobre as disciplinas envolvidas com a criação e
apresentação dos meios de comunicação. Entre outras
disciplinas, estas incluem a escrita, design gráfico,
iconografia, cartografia, caligrafia, tipografia, ilustração,
teoria das cores, fotografia, animação e cinema e design de
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 117
som, canto e música. As possíveis soluções devem ser
testadas antes de serem aprovadas.
A seguir vamos apresentar a fundamentação teórica sobre
jogo que norteou todo o processo de desenvolvimento de do
jogo multimídia desenvolvido a luz de métodos e técnicas
de Design que será apresentado na próxima secção.
SOBRE JOGO E APRENDIZAGEM
Neste artigo vamos abordar questões sobre linguagem e
jogo como ferramentas auxiliares para uma mudança de
olhar para a educação para a alfabetização de crianças
surdas. Tendo por base as idéias de Vigotysky (1987),
Bruner (1992), Tisuko Kishimoto (2004) dentre outros,
apresentaremos algumas reflexões sobre a linguagem e o
jogo, com objetivo a ampliar o entendimento sobre estas
questões presentes nos objetos concreto e multimídia que
foram configurados como o objeto deste estudo.
Segundo Fromberg (1987), as principais características do
jogo são basicamente as seguintes: 1. simbolismo – uma
vez que representa a realidade e atitudes; 2. significação –
porque permite relacionar, substituindo ou expressando
experiência; 3. voluntário ou intrinsecamente motivado –
uma vez que incorpora motivos e interesses; 4. episódico –
porque as metas são desenvolvidas espontaneamente.
Variando conforme os campos de conhecimento, os
contextos culturais e os objetivos dos usuários, o jogo pode
ter funções educativas, terapêuticas, culturais, entre outras
(Fromberg, 1987 apud Kishimoto, 2004:29).
Dentre as principais características do jogo, o simbolismo é
tido como a principal e é incorporado pela maioria das
teorias. Ao divisar a realidade da fantasia, a criança
expressa significados com base em sua experiência e
conduz a atividade imaginária motivada pelo ato voluntário.
Ao expressar seus motivos, faz uso de regras implícitas ou
episódios que mudam conforme seus interesses, de onde
surge a incerteza das atividades lúdicas. As regras externas
são postas pelo contexto social.
Diversas são as modalidades de jogos, como por exemplo,
de movimento (no domínio sensório-motor); de construção;
simbólicos, motores e verbais; de exterior e interior; sócio-
dramáticos; esportivos. Embora sendo todos jogos, a
especificidade de cada um depende dos elementos que os
compõem, segundo Kishimoto. A diversidade dos jogos
aponta, também, para a variedade de suas significações, que
mudam de acordo com o contexto e com a cultura.
Por seu turno, Bruner (1992), influenciado por psicólogos e
lingüistas como Vygotsky, Chomsky e Miller, pesquisa as
relações entre o jogo e a linguagem. Para ele, o jogo tem
formato idealizado e fechado, porque de início é
constitutivo e auto-contido. A espécie humana utiliza o jogo
para desenvolver a linguagem e suas formas de uso (regras),
ou seja, a gramática. O autor considera que o jogo de
linguagem está dissociado do resultado, do uso instrumental
e o caráter lúdico regula o saber-fazer, que é marcado pela
flexibilidade, frivolidade e afetividades.
O autor se propõe a tratar o tema da relação entre o jogo, a
linguagem e o pensamento examinando as implicações
práticas de este tema: como organizar as atividades das
crianças nos grupos de jogo para ajudar-lhes a desenvolver
seu potencial e viver mais plenamente. Sintetiza quais são
as funções fundamentais do jogo na atividade das crianças.
Em primeiro lugar, no jogo se reduz a gravidade das
conseqüências dos erros e dos fracassos. No fundo, o jogo é
uma atividade séria que não tem conseqüências frustrantes
para a criança. Trata-se de uma atividade que se justifica
por si mesma. Podemos considerar o jogo um excelente
meio de exploração que por si só desperta estímulo.
Em segundo lugar, o jogo se caracteriza por uma conexão
bastante débil entre os meios e os fins. Não quer dizer com
isso que as crianças não busquem uma finalidade e não
empreguem meios para obter-las no jogo, mas o que ocorre
frequentemente, as crianças mudam de objetivos quando
estão atuando, para adaptar-se aos novos meios ou vice-
versa. E, também as crianças não atuam assim somente
porque a elas se apresentam obstáculos, senão por emoção e
alegria. O jogo serve como meio de exploração e também
de invenção.
Outro ponto que tem estreita relação com a anterior é a
característica do jogo proporcionar que as crianças não se
preocupem demasiado pelos resultados, e sim, modificam o
que estão fazendo para deixar livre o caminho para sua
fantasia. Se não podem interferir no jogo as crianças
tendem a entendiar-se rapidamente com a atividade Ao
observar uma criança empilhando blocos de madeira,
poderemos nos surpreender da diversidade e a riqueza de
combinações que a criança introduz no jogo. O que oferece
uma oportunidade ímpar de enriquecer a banalidade.
Em terceiro lugar, apesar de sua variedade, o jogo
raramente é aleatório ou casual, pelo contrário, geralmente
contém regras. As vezes estas regras são mais difíceis de
discernir, entretanto, sempre vale a pena observar com
atenção qual é a finalidade formal de um jogo.
Em quarto lugar, se diz que o jogo é uma projeção da vida
interior em direção ao mundo exterior, em contraste com a
aprendizagem, a qual interiorizamos o mundo externo e o
fazemos parte de nós mesmos. O jogo é uma atividade
sumariamente importante para o crescimento, como
veremos mais adiante. Jogar produz uma sensação muito
particular de onipotência que pode ser embriagante e as
vezes inclusive aterradora.
Por último, não faz falta dizer que o jogo diverte e que
diverte muito. Inclusive os obstáculos que é posto no jogo
para ser superados tornam-se divertidos. Na realidade, estes
obstáculos parecem necessários, porque pelo contrário com
a falta de desafios a criança tende a entendiar-se muito
rapidamente. Neste sentido, Bruner acredita que podemos
assimilar o jogo a fim de solucionar problemas de uma
maneira mais agradável. Quer dizer que se não
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 118
consideramos que o jogo é fonte de diversão não
entenderemos realmente de que se trata.
Bruner (1992) afirma que o jogo variado, elaborado e
prolongado é mais útil para os seres humanos do que o jogo
pobre, vazio e descontínuo. E chega, a uma breve
conclusão, jogar não é só uma atividade infantil. O jogo
para as crianças e para os adultos é uma forma de usar a
inteligência. Ou melhor, uma atitude com respeito ao uso da
inteligência. E um laboratório que se experimentam formas
de combinar o pensamento, a linguagem e a fantasia. O
autor compara a situação de jogar com uma estufa de
planta, e constata que do mesmo modo que se pode asfixiar
as plantas de um jardim plantando muitas, também se pode
criar uma atmosfera na qual a linguagem e o pensamento
não se desenvolvam nem produzam as flores que um
esperaria cultivar.
Vygotsky (1987) aponta o jogo com a atividade simbólica
mais importante da infância, uma vez que possibilita a
expressão da situação imaginária, fruto de experiências
adquiridas pela criança no contexto social. Ao considerá-la
como um ser ativo e criativo e ao situar a responsabilidade
do adulto na zona de desenvolvimento proximal, Vygotsky
elimina a dicotomia jogo e educação. Segundo suas idéias,
ao se observar a criança que brinca é possível compreender
seus interesses e oferecer subsídios para a educação. Neste
particular, a linguagem se faz presente para auxiliar o
desenvolvimento do pensamento (Vygotsky, 1988)
Para Kishimoto, a consciência está relacionada com a zona
de desenvolvimento proximal (Vygotsky), por se tratar de
ferramenta particular para a aprendizagem assistida. Se o
adulto participa da aprendizagem da criança de modo
sistemático, a criança ajuda a si mesma, tomando
consciência da própria atividade. Os sistemas de signos
disponíveis para a criança, em particular a linguagem, são
essenciais para esta tomada de consciência.
O desenvolvimento da consciência da criança é impossível
sem o emprego da linguagem no contexto interpessoal. Para
Bruner, (1992), a linguagem é uma ferramenta pluri-
funcional que transforma as ações da criança e a faz
participar da vida intelectual e social que a cerca.
Efetivamente, Vigotisky considerou o jogo como forma
particular de atividade cognitiva espontânea que se reflete
até que ponto no processo de construção de conhecimento e
de organização da mente tem sua origem na influência que
o entorno social e intrínseco exerce sobre a própria
evolução psicológica do indivíduo.
Os jogos evoluíram com o desenvolvimento cognitivo,
afetivo e social das crianças porque sua natureza e
significado implica a personalidade inteira da criança e sua
forma de compreender o mundo que a rodeia. Todo jogo se
realiza em um entorno, ou cenário psicológico dentro do
qual a criança sente seguro para atuar, criativo para se
expressar suas idéias, e disposto a moldá-las, se o contexto
não oferece alternativas melhores. Pois, jogar não e estudar
nem trabalhar, mas jogando a criança aprende, sobre
conhecer e compreender seu mundo social. O jogo é um
fator espontâneo de educação e cabe um uso didático do
mesmo, sempre e quando, a intervenção não desvirtue sua
natureza de ensino-aprendizagem diferencial.
Os jogos Muñtitrilhas que foram projetados objeto deste
estudo visam potencializar a capacidade lúdica das crianças
surdas, já que articula as estruturas psicológicas tanto
cognitivas, emocionais e afetivas e trabalha a linguagem no
sentido de ferramenta e consideram o contexto e as
possibilidades de ampliação de sentido, em função das
experiências comuns e diversas de professores e alunos.
Aderentes às idéias de Bruner (1992), têm na linguagem um
recurso essencial para a construção do pensamento e das
interações sociais, possibilitando a tomada de consciência, a
iniciativa, a comunicação e as relações sociais.
Neste estudo o que se pretende é uma mudança de olhar
sobre o Design em Situações de Ensino-aprendizagem para
alfabetização de surdos, que deve se centrar em métodos
contextualizados da realidade de cada indivíduo,
considerando suas experiências de vida. Assim, torna-se
importante que o professor conceba a própria situação de
aprendizagem como uma experiência que, se percebida e
compreendida, possa fornecer fundamentos para que se
reflita sobre a melhor maneira de ensinar o surdo a ler e a
escrever. O que se percebe é que a maneira como se realiza
o processo de educação e socialização dos surdos não lhes é
permitido que construam outras realidades, diferentes das
que lhes são apresentadas, reafirmando, dessa forma, a sua
condição de excluído.
A seguir vamos apresentar a descrição do processo para a
construção do material educativo multimídia.
METODOLOGIA PARA O JOGO MUTI-TRILHAS
MULTIMÍDIA
O Jogo Mylti-Trilhas foi desenvolvido pelo grupo de
pesquisa no âmbito do CNPq, intitulado “Pedagogia do
Design”, certificado pela Pontifícia Universidade Católica
do Rio de Janeiro (PUC-Rio), coordenado pela Profª Dra.
Rita Maria de Souza Couto do Laboratório Interdisciplinar
de Design/Educação (LIDE) do Departamento de Artes 
Design da PUC-Rio.
O Multitrilhas foi projetado em duas versões: um jogo
concreto e uma versão multimídia, sendo este último
apresentado em detalhes neste artigo. Ambas as versões do
jogo apresentam três cenários da cidade do Rio de Janeiro -
Jardim Zoológico, Pão de Açúcar e Quartel Central do
Corpo de Bombeiros - e permitem que sejam trabalhados
percursos, ações, repetições, deslocamentos, além de
raciocínio, interação e tomada de decisão, entre outros
aspectos.
Para a concepção do ambiente virtual deve-se determinar o
objetivo do objeto multimídia. A idéia deve ser baseada no
seu público alvo e nos objetivos que pretende atingir com
suas telas. Esta idéia deve ser o fundamento para se
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 119
desenvolver para o desenvolvimento o tema e o design da
página. O público alvo: quem é o usuário do ambiente
virtual que se pretende alcançar? Qual é a idade? Sexo?
Nível de escolaridade? Nível socioeconômico? Grupo
étnico a que pertence? Linguagem? Expectativas?
Conhecimento computacional? Todas estas questões foram
amplamente consideradas no desenvolvimento do ambiente
virtual.
Depois de um longo processo de investigação e gerações de
idéias fizemos um primeiro protótipo de como
considerávamos um material educativo para crianças surdas
e partimos para a experimentação. O objeto multimídia foi
muito bem aceito nas experimentações realizadas com os
professores e alunos do INES/RJ. Eles foram unânimes em
afirmar que além do aprendizado de LIBRAS e do
Português, o objeto multimídia possibilita exercitar a
coordenação motora, o raciocínio abstrato, a localização
espacial, entre outros aspectos.
Assim, após observarmos o contato da criança surda com
um objeto multimídia, partimos para o aperfeiçoamento do
jogo multimídia em termos de linguagem visual e
programação.
Em sua versão final, o jogo consta de um passeio pela
cidade do Rio de Janeiro, inicialmente a partir de três
conjuntos de três cenários cada: Pão de Açúcar, Corpo de
Bombeiro e o Jardim Zoológico, conforme os cenários do
objeto concreto mencionado anteriormente. Cada cenário
possui links para três tarefas: quebra-cabeça, ligar pontos e
associação de palavras/imagens.
A partir dessas considerações partimos para a análise da
tarefa, que compreende o detalhamento do conjunto de
objetivos que o usuário tem para usar o sistema, assim
como os passos das ações necessárias para cumprir os
objetivos propostos no sistema.
Assim, seguindo os conceitos amplamente discutidos por
Portugal (2004) sobre como construir um ambiente virtual
de aprendizagem, mapas de navegação e sua importância,
foi desenvolvido um fluxograma, que é um esboço visual da
informação, onde cada nível ou link representa uma tela ou
um controle que deve ser criado. Com a estrutura do
conteúdo e da navegabilidade do objeto decididos, partimos
para o storyboard do objeto multimídia. Nos storyboards,
estão estipuladas todas as características visuais, cromáticas
e de localização dos elementos gráficos e das mídias. Eles
são uma parte da metodologia de concepção em que são
feitos os layouts básicos de configuração geral do sistema
multimídia.
Para o layout do objeto multimídia utilizamos diversos
modelos do objeto concreto como: cenários, personagens,
cores etc. para que haja uma relação direta entre os dois
objetos. Mostrar para a criança as pontes de um material
concreto para um virtual ajuda a trabalhar a questão da
abstração, que para a criança surda é um a situação difícil
de ser compreendida.
Para definirmos o layout das telas, fizemos primeiro um
fluxograma da jogabilidade do objeto multimídia. Após
definirmos o fluxograma e a jogabilidade do objeto
multimídia partimos para os layouts das telas. Segundo
Portugal (2004), a diagramação da tela precisa levar em
conta os seguintes aspectos:
Consistência - estabelecer uma estrutura de página, uma
malha, e um estilo para que direcionem textos e gráficos, na
construção de ritmo e unidade entre as páginas do site.
Desenvolvimento do storyboard - nos storyboards, estão
estipuladas todas as características visuais, cromáticas e de
localização dos elementos gráficos e das mídias.
Hierarquia visual - um dos princípios do Design Gráfico é
criar uma forte consistência de hierarquia visual, dando
ênfase aos elementos mais importantes, onde os conteúdos
devem ser organizados de forma lógica e previsível.
Para a maioria dos sistemas interativos, as telas são um
componente chave para o sucesso do projeto e são as
origens de muitos argumentos importantes. As telas com
muita informação ou confusas podem provocar irritação e
layouts inconsistentes podem prejudicar ou inibir a ação do
usuário.
Neste estágio foi finalizada a primeira programação do
objeto multimídia, visando a realização de experimentações
com alunos do INES/RJ/RJ.
Além dos critérios de design, foram levados em
consideração os aspectos ergonômicos e educacionais para
o desenvolvimento do objeto multimídia. A partir dos
critérios ergonômicos abordados largamente por Portugal
(2004) em sua dissertação de mestrado, deve-se utilizar
métodos de inspeção de usabilidade em interfaces.
Considerando os critérios ergonômicos, um ambiente
educacional bem projetado deve permitir a identificação do
modelo de aprendizagem que ele privilegia. As ferramentas
do sistema devem ser fáceis de usar, possuir aspectos
motivacionais e respeitar as individualidades. Precisam
incluir, para tanto, aspectos como clareza de conteúdo,
correção dos conteúdos, carga informacional e gestão de
erros.
O projeto está baseado numa resolução padrão, o que torna
o sistema mais eficiente para futuras atualizações sem a
necessidade de mexer em todos arquivos do interativo para
adequações.
VERSÃO 1.9 DO JOGO MUTI-TRILHAS MULTIMÍDIA
Os primeiros passos para fazer o planejamento do Jogo
Multitrilhas foram dados após as entrevistas com a equipe
do INES, nas quais foram discutidos os objetivos do
ambiente de aprendizagem virtual, o perfil do usuário deste
ambiente, o conteúdo a ser trabalhado, os recursos
disponíveis em termos de equipamentos, entre outras
questões, demos início à seleção e organização do conteúdo
do jogo Muñtitrilhas multimídia, tendo por base, também,
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 120
os seguintes princípios:
Usabilidade: a usabilidade de um sistema é um conceito que
se refere à qualidade da interação de sistemas com os
usuários,
Aplicabilidade: considera que cada especialista tem um
domínio e que a interface deve funcionar como um meio
para o usuário.
Comunicabilidade: tem por objetivo permitir que o usuário,
através da sua interação com a aplicação, seja capaz de
compreender as premissas, intenções e decisões tomadas
pelo projetista durante o processo de Design. No
planejamento do jogo, além de definirmos o conteúdo a ser
disponibilizado e sua forma de organização, foi
determinado quanto tempo seria preciso para completar
cada uma das tarefas propostas, tendo em vista o problema
anteriormente já comentado, relacionado com a dificuldade
do surdo para fixar a atenção nas tarefas que está
executando.
Estabelecido estes passos, partimos para o projeto de
Design do conteúdo do ambiente virtual, sua organização
detalhada e montagem. Nesta etapa, os seguintes aspectos,
dentre outros, foram considerados: linguagem visual,
acessibilidade, percepção visual, relação figura e fundo,
variações de browsers, frames, mapa de navegação, layouts
de telas, menus, cabeçalhos e rodapés, ícones, tipografia,
layout de tabelas, sistemas de cores e recursos multimídia.
Um fluxograma como esboço visual da informação foi
desenvolvido onde cada nível ou link representava uma tela
ou um controle a ser criado. Uma programação visual
específica foi criada para o software, incluindo identidade e
linguagem visual.
Ficou definido que a entrada no ambiente virtual se daria
por meio de uma página inicial que levaria o usuário para
páginas secundárias. A partir desta definição, os controles
da interface (ou como o usuário irá interagir com a tela do
computador) foram projetados. Foram realizados vários
protótipos até que se chegasse à Versão 1.0 do jogo, que
integra o presente artigo.
O resultado final foi testado em diferentes computadores,
em monitores de tamanhos diversos e em vários sistemas
operacionais diferentes, visando antecipar problemas na
execução do CD do jogo.
Componentes do Jogo
A Versão 1.0 do jogo é composta por cenários que devem
ser explorados com o mouse e cada um deles apresenta
diferentes atividades, a saber: liga-pontos, quebra-cabeça,
associa-palavra/imagem, desenho, pintura, dentre outras.
Cenários
Com o intuito de manter uma identidade do jogo multimídia
com o jogo concreto, os cenários deste último foram
redesenhados para ficarem compatíveis com a mídia digital,
para que recursos mal dimensionados não prejudicassem o
acesso e dificultassem a navegação. As telas apresentam,
então, três cenas do Jardim Zoológico, três do Pão de
Açúcar e três do Quartel Central do Corpo de Bombeiros.
Figura 1. Tela inicial do Jogo Multi-Trilhas Multimídia
Personagens – animação
Identificarmos a pertinência de utilizar elementos
animados, pois animação é um recurso multimídia que
também pode ser utilizado para representar informações e,
quando bem utilizada, torna-se, também, um recurso para
motivação.
Figura 2. Personagens do Jpgo Multi-Trilhas
Elementos sensíveis nos cenários - Estilo de interação
O estilo de interação utilizado foi a manipulação direta,
composta de ações baseadas numa analogia entre o cursor e
a mão, as representações gráficas e os objetos do domínio.
Este estilo de interface de manipulação direta foi escolhido
por permitir ao usuário agir diretamente sobre os objetos da
tela com o mouse (dados ou representações de objetos do
domínio) sem a necessidade de outros comandos.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 121
Figura 3. Eñementos clicáveis nos cenários
Figura 4. Atividade do cenário Pão de Açucar
No jogo Muñtitrilhas as tarefas são chamadas a partir das
ilustrações, que por sua vez conduzem necessariamente a
palavras em LIBRAS e Português escrito. As palavras em
Libras são apresentadas por meio de vídeo (Imagens do
Dicionário de Libras disponível no site do INES) e as
palavras em Português apresentam-se escritas na tela.
Figura 5. Exemplo de tela das palavras em LIBRAS e
Português
Na Tese de Doutorado de Cristina Portugal intitulada,
Design em situações de ensino-aprendizagem: um diálogo
interdisciplinar, pode-se encontrar em detalhes todo o
possesso de desenvolvimento deste jogo e suas aplicações.
CONCLUSÃO
Segundo o entendimento do grupo de pesquisa do LIDE,
todo material educativo a ser projetado deve oferecer
possibilidades de interpretação que demandam o
desenvolvimento de juízos e a participação ativa dos
intérpretes e não apenas uma simples relação de uso
unilateral. A opção de se desenvolver um jogo multimídia
se deu ao fato de que linguagem digital implica todas as
formas de comunicação, concernentes à oralidade, à escrita,
à imagem, ao som, ao colorido, às ações, aos sentimentos e
valores. O modo como as informações estarão
disponibilizadas, veiculadas, organizadas em ambientes de
aprendizagem implicam em uma série de fatores, que
contribuirão, ou não, para o processo ensino-aprendizagem,
alterando as relações, implicando nas interações entre
professores e alunos. Tendo como pressuposto que o
trabalho com o surdo não pode se limitar ao processo de
alfabetização, mas sim, a todo um trabalho de aquisição de
linguagem, neste estudo pretendemos abordar métodos de
aquisição de linguagem de surdos, dentro de uma visão
multisensorial.
De acordo com Moraes (1997), tudo que construímos é na
realidade uma experiência e que cada um organiza a sua
própria experiência e o faz de maneira distinta, como um
princípio básico na construção do conhecimento. As novas
tecnologias de informação e de comunicação propiciam que
nossa relação com o ambiente seja, cada vez mais, efetuada
não pela interação com os objetos em si, mas sim com os
signos que expressam estes objetos, a partir de uma
linguagem inteligível que possibilita nossa ação.
Portanto, o Design tem a função social de tornar o ambiente
inteligível, possibilitando nossa ação a partir dos signos e
da construção da legibilidade do discurso comunicativo nos
ambientes, sejam eles virtuais ou não.
Entretanto, problematiza Shedroff (2010), ainda há muito
para todos nós aprendermos e compartilharmos sobre essas
questões. Ambos Design da Informação e Design de
Interação são disciplinas extremamente novas e elas vão
crescer consideravelmente à medida que experimentamos e
criamos. Elas são, no entanto, as chaves para uma melhor
compreensão sobre a comunicação e nos servirá ao longo
da próxima fase do nosso desenvolvimento. Como exemplo
desta nova fase podemos citar, a convergência intensa com
a internet avançada (fixa e móvel) e o desenvolvimento de
meios eletrônicos interativos minimamente invasivos
(interfaces naturais, dispositivos portáteis e microsensores)
traz novos desafios para o campo do Design.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 122
REFERENCIAS
1. AIGA (American Institute of Graphic Arts).
Disponível em: http://www.aiga.org/. Acesso em
10 abr. 2010.
2. BONSIEPE, G. Design do material ao digital.
Florianópolis: FIESC/IEL, 1997.
3. CARVALHO, C. R. M. de. Experiência do usuário
na web: um estudo de caso em comércio
eletrônico. Tese de Doutorado. Universidade
Federal de Ceará, Fortaleza, 2006.
4. BRUNER, J.. Juego, pensamiento y lenguage.
Barcelona, Paidós, 1992.
5. DEWEY, J. Art as Experience, New York,
Perigee. 1980.
6. FRASCARA, J. Diseño gráfico y comunicación.
Buenos Aires: Infinito, 1997.
7. FONTOURA, A. M. EdaDe – Educação de
crianças e jovens através do Design. Florianópolis,
2002. 337p. Tese (Doutorado em Engenharia da
Produção) – Programa de Pós-Graduação em
Engenharia da Produção, Santa Catarina: UFSC,
2002.
8. KISIMOTO, T. M. (2004). O brincar e a
Linguagem. In: Espaço: Informativo técnico-
científico do INES. Nº22, (jul-dez 2004), págs. 47-
53). Rio de Janeiro.
9. MORAES, M. C. O Paradigma educacional
emergente. Campinas, SP: Papirus, 1997
10. PORTUGAL, C. Design em Situações de Ensino-
aprendizagem. Um diálogo Interdisciplinar. 2009.
206p. Tese (Doutorado em Design ),
Departamento de Artes  Design. Pontifícia
Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de
Janeiro, 2009.
11. _______. Design como interface de comunicação
para ambientes de aprendizado mediados pela
internet. 2004. 171p. Dissertação (Mestrado em
Design ), Departamento de Artes  Design.
Pontifícia Universidade Católica do Rio de
Janeiro, Rio de Janeiro, 2004.
12. PREECE, J., ROGERS, Y., SHARP, H. Design de
interação: além da interação homem-computador.
Porto Alegre: Bookman, 2005.
13. SHEDROFF, N. Information interaction Design : a
unified field theory of Design. Disponível em:
http://www.nathan.com/thoughts/unified/.
Acesso em: 05 fev. 2010-
14. WINOGRAD, T. Bringing Design to Software.
New York. ACM Press, 1997.
15. VYGOTSKY, L. S.. Pensamento e Linguagem.
São Paulo: Martins Fontes, 1997.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 123
Influência do perfil do usuário na inteligibilidade de
interfaces de data warehouse
Mônica Gouvêa
IPT - Instituto de Pesquisas Tecnológicas do
Estado de São Paulo
Av. Prof. Almeida Prado, 532
05508-901 São Paulo SP
gouvea.monica@gmail.com
Lucia Vilela Leite Filgueiras
IPT - Instituto de Pesquisas Tecnológicas do
Estado de São Paulo
Av. Prof. Almeida Prado, 532
05508-901 São Paulo SP
lfilguei@gmail.com
RESUMO
A forma pela qual a informação extraída de um data
warehouse é visualizada pelo usuário final é de
fundamental importância, já que decisões são tomadas
com base na informação apresentada. Percebeu-se ser
necessário explorar as relações de dependência entre a
a compreensão de soluções de interface e o perfil de
seu usuário. Para realizar este estudo, fizemos uma
abordagem que se baseia em duas técnicas pouco
usadas, a de Human Dynamics para explorar o perfil
de usuário e a de Sense-Making para compreender a
dinâmica de uso das interfaces DW. Apresentamos
neste artigo os resultados deste estudo.
PALAVRAS-CHAVE
Interface de Data Warehouse, Sense-Making, Human
Dynamics.
1. INTRODUÇÃO
Data warehouses(DW) são arquiteturas de Banco de
Dados, estruturadas de forma a armazenar
informações históricas extraídas das atividades das
empresas, principalmente de seus dados transacionais.
As informações do DW destinam-se à geração de
relatórios e produção de tendências, de alta relevância
nos processos decisórios das empresas. A forma pela
qual a informação é extraída do DW e visualizada
pelo usuário final é de fundamental importância. A
interface de usuário de um DW está diretamente
relacionada com a ferramenta de front end, por meio
da qual se configura um conjunto de dados e a forma
de representação para demonstração. A ferramenta é
chamada de front end porque é através dela que os
usuários finais do DW interagem com as informações.
A ferramenta influencia na inteligibilidade da
informação e por isso, esta escolha deve levar em
conta o perfil do usuário que irá manipulá-la.
A experiência profissional da primeira autora na
implantação de DW em diversas empresas de
diferentes ramos de negócios - financeiro, logístico e
de telecomunicações - indica que, quando a decisão
da construção de um DW é tomada, vários fatores são
avaliados pelos altos gestores da companhia. Entre
esses fatores, considera-se o orçamento
disponibilizado para tal implementação, a empresa
responsável pela implementação da solução; o
Sistema Gerenciador de Banco de Dados (SGBD) que
será utilizado para o armazenamento das informações,
as ferramentas a serem disponibilizadas e a equipe
que irá responder pelo processo de desenvolvimento e
implantação do sistema.
O que se tem verificado é que, em geral, as soluções
de interface com o DW são propostas de acordo com a
empresa responsável por implementar a solução DW,
ou seja, geralmente, são soluções de interface que
utilizam produtos de propriedade da empresa. Para o
usuário final que utiliza a solução, cabe apenas aceitar
e adequar-se à interface selecionada.
No entanto, os desenvolvedores poderiam optar por
diferentes soluções, mais adequadas a suprir as
necessidades do usuário. Porém, as ferramentas de
front end são escolhidas e disponibilizadas,
normalmente sem levar em consideração o perfil do
usuário final que as irá utilizar.
Para Heckel, apud Araujo [1], “Quando os
computadores pessoais foram inventados...alguns de
nós éramos programadores; nossa especialidade era a
comunicação com computadores, uma atividade
substancialmente diferente da comunicação com seres
humanos”. O profissional de TI, afirma Araújo, acaba
por não mensurar os fatores humanos quando
desenvolve uma interface, esquecendo-se de pensar
nas expectativas do usuário final e na sua interação
com o sistema. Souza et al. [13] descrevem a
interação como um processo que engloba as ações do
usuário, sobre a interface de um sistema, e suas
interpretações e reações, sobre as respostas reveladas
por essa interface.
Para caracterizar a interface de DW, é necessário
conceituar o termo interface que será utilizado neste
trabalho. A interface é a camada por meio da qual o
usuário final obtém as informações necessárias do
DW, construída por meio de uma ferramenta de front
end, que permite a análise dos dados coletados.
Ainda com base na experiência profissional da
primeira autora, observa-se que a maioria dos esforços
para resolver o problema crescente da subutilização
ou de rejeição ao sistema DW, devido a sua interface,
tem sido concentrada no desenvolvimento de novas
ferramentas de front-end, o que enfrenta apenas parte
do problema da rejeição.
Quando do desenvolvimento de solução de uma
interface, é importante que o desenvolvedor de TI
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 124
concentre-se na forma pela qual vai disponibilizar a
solução para o usuário final. Para se produzir a
informação consolidada e adequada à decisão, a partir
do DW, existem camadas de dados e diversos
programas que processam a informação antes de gerar
a visão da informação que o usuário deseja. Essas
camadas são transparentes ao usuário, não ocorrendo
a necessidade de interação, sendo que a camada mais
importante para o usuário é a interface no front end.
Assim, o sucesso de um DW pode depender da
disponibilidade da ferramenta certa de front end para
as necessidades de seus usuários.
O que se observa, também, é que o usuário, muitas
vezes, rejeita a solução de interface DW pela perda da
liberdade em função das regras que, muitas vezes, ele
mesmo definiu e acaba por descartar essa solução,
mesmo que ela esteja implementada em uma
ferramenta ideal. As informações geradas pelo usuário
dependem da realidade dele, de sua necessidade
específica, conforme a demanda exigida em seu
negócio, de seu perfil, das tarefas que realiza de posse
da informação, de conhecimentos prévios, entre
outras necessidades. Estes fatores fazem com que a
opção pelas ferramentas mais simples apresente mais
flexibilidade, ao contrário das consultas
disponibilizadas pelo DW que, usualmente, não levam
em consideração o usuário como indivíduo e com
necessidades individuais.
Assim, o foco proposto neste estudo é o de considerar
o usuário final de DW como o mais importante e
influente fator para determinar necessidades de
informação, conforme análise de Ferreira [5],
baseando-se na análise do perfil do usuário final para
a geração de consultas para DW.
Para tanto, o presente artigo está organizado da
seguinte forma: na primeira seção apresentam-se
modelos de usuários de DW englobando os papéis dos
usuários, bem como os perfis de usuários vistos pelo
Human Dynamics. Na segunda seção descreve-se a
abordagem de Sense-Making usada para a
compreensão das necessidades dos usuários. Na
terceira seção descreve-se o experimento realizado e
em seguida, os resultados obtidos com aplicação dos
métodos propostos.
2. MODELO DE USUÁRIOS DW
O objetivo da modelagem de usuários é caracterizá-
los, para que o projeto possa ser adequado a eles. O
modelo dos usuários de DW deve levar em conta os
seguintes aspectos: o papel que ele exerce no
ambiente DW e de suas tarefas neste ambiente; suas
características individuais, pessoais, de formação,
de capacidade de abstração, de concentração e sua
atitude, a que denominamos aqui aquilo que define o
o tipo de comportamento humano em relação à
informação e à busca por ela.
O conhecimento sobre o usuário precisa ser traduzido
na forma de um modelo, compreensível e usável pelos
projetistas. Conforme Filgueiras e Aquino Jr.[6],
dentro do processo de modelagem de usuários,
podem-se distinguir duas facetas:
O papel realizado pelo usuário num sistema
computacional corresponde à função específica de
cada usuário, que é definida pelas tarefas que ele
realiza. Em uma organização, os indivíduos trabalham
juntos, porém de forma estruturada. Essa estrutura
define o relacionamento entre as pessoas, sendo que
os diferentes papéis de cada usuário são as diferentes
tarefas que eles realizam. Da mesma forma, no
relacionamento com um sistema computacional,
algumas tarefas podem ser exclusivas de usuários
específicos e outras tarefas podem ser comuns a
diferentes papéis de usuários.
O perfil é a visão estatística das características
individuais do usuário, em relação a aspectos
socioeconômicos e bagagem de conhecimento. Em
especial, uma característica relevante do perfil que
merece destaque neste trabalho é o comportamento do
indivíduo na busca por informação.
Desenvolver o modelo de usuário é desenvolver
arquétipos de usuários para representação de uma
população que realiza um determinado papel. O DW é
um gerador de informações para tomada de decisão e
acompanhamento de indicadores que visam auxiliar
na administração de um negócio, sob a perspectiva do
usuário final que vai fazer uso das informações
disponibilizadas. Identifica-se, pois, a importância de
se obter o modelo de usuários que buscam as
informações dentro dessa base de dados.
2.1. Papéis no ambiente DW
Soares [12] cita que o ambiente DW envolve, desde
profissionais de processamento de dados, até analistas
de negócios que podem ser considerados como
usuários do ambiente. Existe uma comunidade de
usuários do sistema DW, com diversos papéis.
Segundo Inmon [7], a geração atual de ferramentas de
front end tem transformado, muitas vezes, os usuários
finais em administradores de dados, o que esse autor,
descreve como não sendo o desejo do usuário.
Este trabalho preocupa-se com os usuários a quem se
denominou gestores da informação que se
relacionam com a interface de um DW, quando da
busca e extração de informações de acordo com suas
necessidades gerenciais. O que diferencia os gestores
da informação em relação a sua interação com a
interface DW é a forma de acesso à informação.
Adotando-se a nomenclatura usada na comunidade de
prática, há dois principais papéis, user e power user.
Enquanto user é o usuário que apenas consulta e
navega nos relatórios, o power user é o usuário que
pode criar e desenvolver novas consultas (queries)
2.2 Perfil segundo a experiência com uso da
ferramenta de interface
Cooper e Reimann [2] destacam três tipos de usuário
a que denominam Iniciantes, Experientes e
Intermediários. Os iniciantes tornam-se intermediários
muito rapidamente. Os indivíduos que ocupam o nível
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 125
de iniciantes tendem a migrar para o nível de
intermediário e se, por acaso, não o conseguem, a
tendência é a de buscarem outro produto ou atividade
que os eleve a um nível intermediário e não mais o
deixe na posição de iniciantes.
Observa-se existir aquele sentimento de frustração
descrito por Cooper e Reimann, de usuários mais
experientes em relação ao DW, pelo motivo de os
produtos disponibilizados serem criados baseados em
perfis de usuários iniciantes. Se, por um lado, a
tecnologia evoluiu rapidamente, levando o usuário
final à mudança no seu comportamento, por outro
lado, esse fator, ainda que considerado positivo, pode
ocasionar subutilização ou rejeição da interface DW.
Tendo como base o que foi descrito por Cooper e
Reimann, o usuário passa a ser exigido muito mais em
seu nível de conhecimento e, caso ocorra alguma
barreira que ele não consegue transpor e que possa
interromper sua comunicação com o sistema de
interface DW em sua busca por informação, ele,
muito provavelmente, tende a subutilizar, rejeitar e,
até mesmo, a buscar outro produto.
Esse fato nos levou a analisar as dinâmicas envolvidas
no relacionamento com a informação.
2.3. Perfil humano segundo Human Dynamics
A experiência prática da primeira autora mostrou que,
muito freqüentemente, uma mesma interface
desenvolvida para indivíduos com o mesmo perfil e o
mesmo papel não tinha o mesmo efeito de satisfação.
Observou-se que uma característica comportamental,
a atitude perante a busca da informação, tinha um
papel relevante.
Na interação com os DW, os comportamentos
humanos que interessam são a capacidade de
abstração, a capacidade de síntese e a tomada de
decisão.
Human Dynamics (HD) é uma teoria que identifica
grupos de comportamento comuns relacionados à
aprendizagem e à resolução de problemas e, dessa
forma, espera-se que essa técnica possa contribuir
para a identificação dos perfis de usuários. A teoria
nasceu na Suécia com Sandra Seagal e David Horne e
foi usada para tratar as crianças e suas características
individuais de aprendizagem, bem como em diversas
empresas para analisar as relações corporativas e
desenvolver as equipes. HD evidencia e documenta
diferenças inerentes no funcionamento de pessoas,
vendo-as como sistemas inteiros, com diferentes
“dinâmicas de personalidade”. Essas diferenças são,
segundo seus autores, mais fundamentais do que
idade, raça, cultura ou sexo; podem ser identificadas
desde a infância [11].
Nove sistemas humanos distintos foram identificados;
cinco deles, altamente predominantes. Cada sistema é
composto de três princípios organizadores básicos: o
mental, o emocional e o físico.
Estes princípios possuem uma dimensão quantitativa
(pessoal) e outra qualitativa (transpessoal), o que
forma nove sistemas possíveis. De acordo com Seagal
e Horne [10], verificou-se que cinco desses são mais
numerosos distanciando-se dos demais:
 Mental-físico;
 Emocional-mental ou emocional-objetivo);
 Emocional-físico ou emocional-subjetivo);
 Físico-mental e
 Físico-emocional.
Em virtude de HD oferecer um novo paradigma de
compreensão do comportamento humano, tanto
coletivo quanto individual, acredita-se ser ela uma
forma adequada para segmentar em grupos os
indivíduos estudados. Diante da proposta deste
trabalho que é a de caracterizar os perfis de usuários
existentes, quando de sua interação com um DW,
verifica-se a necessidade de segmentar os usuários
identificados em grupos para facilitar o processo de
análise. Assim, neste estudo, os perfis de usuário
foram determinados com o uso de HD.
3. SENSE-MAKING NA COMPREENSÃO DAS
NECESSIDADES DOS USUÁRIOS
Esta seção é dedicada ao estudo de necessidades do
usuário gestor da informação de DW. O objetivo é
mostrar um método sistemático para realizar um
diagnóstico preciso das causas dos problemas
manifestados por tais usuários. Este método é usado
na pesquisa de campo com os usuários, visando
verificar as necessidades reais deles e a distância entre
essas necessidades e as ferramentas disponibilizadas
para acesso à informação.
O método escolhido para esta investigação é o Sense-
Making, de Dervin [4]. O conceito básico do Sense-
Making é que, durante a trajetória de um indivíduo,
barreiras podem surgir em seu caminho e as reações
de cada indivíduo a essas situações são de acordo com
as suas características individuais. Para a análise
dessa relação, no Sense-Making, desenvolveu-se o
trinômio situação-lacuna-uso, tradução para o original
situations-gaps-uses::
 Situação: o evento e o tempo no contexto do
evento;
 Lacuna: vazios que necessitam de pontes, cuja
transposição permite obter as informações
necessárias ou as respostas às questões que
indivíduos se propõem na situação estudada; as
lacunas se movimentam no tempo e no espaço;
 Uso: é aquilo para o qual o indivíduo busca sentido,
criando novo senso.
No Sense-Making, o foco é dado no movimento
cognitivo do indivíduo através do tempo e do espaço,
na busca por vencer as descontinuidades (as lacunas)
usando qualquer sentido que tenha ele tenha
construído. A metodologia de Sense-Making
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 126
reconhece esses movimentos por informação de forma
holística, preocupando-se não apenas com os
conceitos, mas também com as atitudes, emoções,
visões. Um aspecto essencial do Sense-Making são os
movimentos, portanto. Percebemos que ao entender
os movimentos, e ao equacionar as forças que os
promovem ou impedem, somos capazes de entender a
forma como os indivíduos operam seus trinômios
situação-lacuna-uso.
Algumas situações e respectivos movimentos,
identificados por Dervin são:
 Indeciso: estar em um ponto em que você precisa
escolher entre dois ou mais caminhos à frente.
 Arrastado: ser arrastado por um caminho que não
foi da sua escolha.
 Andando em círculos: não ter caminhos a seguir.
 Perdendo o rumo: estar em um caminho e, de
repente, ele desaparecer.
 Barreira: saber onde você quer ir, mas algo ou
alguém está bloqueando o seu caminho.
 Sendo levado: seguir algo ou alguém porque ele/ela
sabe mais que você e pode mostrar-lhe o caminho.
 Esperando algo: gastar tempo esperando alguma
coisa em particular.
 Matando o tempo: gastar tempo sem esperar nada
em particular.
 Desligando: perder a sintonia.
 Observando: assistir ao que acontece sem se
preocupar com o movimento.
 Em movimento: Ver-se progredindo sem bloqueio e
sem necessidade de observação.
Para obter dos usuários a sua visão do problema, a
metodologia de Sense-Making descreve diferentes
formas de entrevistas, que procuram capturar a
dinâmica dos trinômios situação-lacuna-uso, entre as
quais destacam-se as seguintes.
A Micro-Moment Time-Line Interview baseia-se em
uma linha do tempo que vai sendo construída na
entrevista, pedindo-se que o entrevistado explore o
que aconteceu em uma determinada situação
relevante, passo a passo, especificando o que
aconteceu primeiramente e assim por diante. Para
cada trinômio detectado, a entrevista procura
compreender as informações necessárias para criar o
entendimento e o movimento no tempo. A Micro-
Element Interview é baseada na identificação de fatos
relevantes e da exploração dos trinômios associados a
estes fatos. Na Life-Line Interview solicita-se ao
entrevistado que recorde uma série de situações que
ocorreram em sua vida, ou em uma extensão
significativa do tempo.
O procedimento para se iniciar uma entrevista,
segundo Márdero [8], tanto individual como em
grupo, é o de solicitar a narração da última vez que o
vivenciou determinada situação. O entrevistador deve,
naquele momento, tentar identificar três partes do
triângulo: a situação, a lacuna e o uso, ou ajuda.
4. METODOLOGIA PROPOSTA
Definiu-se o Sense-Making como linha mestra para
este trabalho, com vistas a aplicação de questionários
e entrevistas, por apresentar uma abordagem centrada
no usuário, o que permite reconhecer aspectos
individuais de cada usuário em seu processo de
extração de informações de um DW. Deseja-se
estudar como pessoas com diferentes dinâmicas de
personalidade exploram interfaces DW, evidenciando
as diferenças em seus movimentos de Sense-Making.
4.1. Atribuição do perfil HD
A atribuição dos perfis de usuário foi feita por meio
de auto-avaliação de cada sujeito envolvido na
pesquisa. Como HD não tem um questionário para a
atribuição dos perfis, mas depende do auto-
conhecimento, fornecemos aos participantes uma
descrição de cada perfil, bem como uma lista de
atributos que descrevem a dinâmica de personalidade.
Cada participante identificou-se com uma das
descrições, sendo este o perfil atribuído à pessoa.
Os sujeitos foram caracterizados pelos atributos:
 Nome do indivíduo. Para garantia de privacidade,
eles são denominados por letras: A, B, C e D.
 HD: informa o perfil Human Dynamics;
 Papelque o indivíduo realiza, no uso de DW.
 Perfil de conhecimento da tarefa: por meio de um
questionário, avaliou-se o grau de conhecimento do
indivíduo sobre a ferramenta de front end em uso.
No experimento, foi solicitado aos participantes que
realizassem três diferentes conjuntos de tarefas:
navegar por um relatório existente, modificar um
relatório existente, criar um novo relatório. A
interface apresentada aos usuários foi desenvolvida
sobre a ferramenta SAP BW– Business Warehouse.
A ferramenta de front end usada foi o BEx Analyzer.
Aplicou-se um protocolo de observação do
comportamento do usuário diante de situações
relativas à interação com o DW, após o que se passou
para uma entrevista micro-moment [3].
No instrumento de pesquisa desenvolvido, as
seguintes informações foram preenchidas.
 Tarefa: Identifica o momento e descreve a tarefa
que estava fazendo.
 Movimento: estado, segundo a relação apresentada.
5. RESULTADOS
O experimento envolveu quatro usuários. Como o
número é muito pequeno, os resultados são de
natureza qualitativa. Os resultados aqui apresentados
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 127
são os de dois dos indivíduos estudados, pertencentes
às dinâmicas de personalidade do HD emocional-
subjetivo e mental-físico. Dentre os papéis de usuário,
um é power user e o outro é classificado como user.
Para facilidade na demonstração dos resultados do
experimento, desenvolveu-se uma adaptação do
gráfico descrito por Sanchez et al. [9] para mostrar os
movimentos do indivíduo ao executar as tarefas
determinadas. Os eixos escolhidos por Sanchez foram
Arousal-Sleepiness e Pleasure/Displeasure. A
adaptação, mostrada na Figura 1, buscou mapear o
comportamento do indivíduo durante o experimento.
O eixo de iniciativa representa comportamentos em
que o usuário está no controle (pró-ativo) e
comportamentos em que o sistema está no controle. O
eixo de apreciação representa comportamento de
aceitação e de rejeição da situação. Sobre este gráfico,
representam-se os estados de movimento do indivíduo
na medida em que ele evolui nas tarefas.
Figura 1- Representação gráfica da observação de
situação de uso
A seguir, selecionaram-se alguns caminhos
percorridos pelo usuário para a representação gráfica
da observação da situação de uso. Nestes gráficos, a
usuária A (em vermelho) tem 32 anos, perfil HD
emocional-subjetivo e papel de power user; ela
trabalha como analista de DW. O usuário B (em azul)
tem 45 anos, perfil HD mental-físico e papel de user,
sendo um executivo usuário da informação gerencial.
Ambos usaram todas as três interfaces, porém aqui
apresentamos o resultado para a ferramenta Analyser.
A análise mostrada na Figura 2 é a dos participantes
realizando a tarefa 1, de navegar em um relatório já
existente. O usuário A, quando se depara com a
situação-gap-uso demonstra facilidade e age com
entusiasmo, o que é característica de seu perfil HD.
Contudo, ao se deparar com um ambiente impessoal,
com falta de oportunidade para se expressar
individualmente, ou seja, buscar a informação da
forma que imagina, gera o sentimento de ser arrastado
por caminhos que não foram de sua escolha.
Ao contrário do emocional-subjetivo, ao analisarmos
o comportamento do mental-físico, verificamos que o
usuário B demonstra ser “arrastado”, pois como tem
facilidade na visão do todo em um processo e não
consegue buscar a informação da forma que imagina,
a sensação de estar em caminhos que não foram sua
escolha o faz se sentir aborrecido. Em conseqüência
disso, ele se desliga, desconecta-se da atividade, sem
dar muita importância, por achá-la fácil em demasia.
Figura 2 - Observação de situação de uso para tarefa 1
(emocional- subjetivo X mental-fisico)
A figura 3 mostra o gráfico para a segunda tarefa, na
qual se solicita que os participantes modifiquem um
relatório existente. Note-se que o usuário A, indivíduo
emocional-subjetivo, continua se sentindo arrastado
pela especificação das tarefas, que não dá espaço ao
sua vontade de criar novas formas. A segunda tarefa é
dada ao indivíduo mental-físico que, ao se deparar
com barreiras durante a execução da tarefa, sofre
stress pela falta de tempo para completar a tarefa, e
busca comunicação objetiva com outra pessoa.
Figura 3- Observação de situação de uso para tarefa 2
(emocional-subjetivo X mental-físico)
A figura 4 mostra a terceira tarefa, de criar um novo
relatório. O indivíduo A tem facilidade e sente-se
confortável em criar soluções próprias, portanto,
mantendo-se em movimento e observando seus
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 128
resultados. Eventualmente, quando a tarefa se torna
muito fácil, ele se desconcentra. Já o indivíduo B, no
papel de user, entende o problema, busca ver o tipo de
solução que deseja, mas sente dificuldade. Então, não
perde tempo em solicitar que alguém mais técnico ou
algum assistente execute a tarefa para que ele não
perca tempo nessa atividade.
Figura 5 Observação de situação de uso para tarefa 3
(Emocional- subjetivo X Mental-fisico)
6. CONCLUSÕES
O objetivo deste estudo não foi o de realizar um
experimento abrangente sobre o uso de interfaces de
DW, mas o de investigar as diferenças individuais e
sua importância no entendimento dessas interfaces.
Ao obter os resultados desse estudo, sedimentou-se a
importância do conhecimento a respeito do usuário de
um DW durante o desenvolvimento do projeto. Para
obtenção desse conhecimento, aplicou-se uma
metodologia pouco conhecida, sendo que um objetivo
alcançado, embora secundário, foi o de ensaiar essas
metodologias na avaliação de uso.
Embora a classificação do HD seja multifacetada,
pode-se dizer que as pessoas emocionais-subjetivas
tendem a criar e manter conexões harmoniosas com
os outros. São muito autoconscientes. Estão
acostumadas a experimentar mudanças, porém as
abordam com cautela, pois são sensíveis não apenas
às vantagens, mas também aos possíveis problemas
inerentes ao novo. As pessoas mental-físicas não
mudam com freqüência de direção ou
impensadamente. Pessoas mental-físicas mantêm seus
hábitos, dia após dia, porque tendo verificado o que
lhes é mais adequado não vêem qualquer motivo que
os faça mudar. Necessitam de tempo para avaliar
cuidadosamente as propostas de mudanças que lhe
assegurem um sentido racional, e para ver se estas
mudanças lhe servem a propósitos de longo prazo.
Observamos que o HD permite uma avaliação e
agrupamento dos indivíduos e suas tendências, o que
possibilita analisar os motivos que levam um usuário
a utilizar ou não determinadas ferramentas de
interface, de acordo com as tendências de cada HD.
A utilização da metodologia Sense-Making para
direcionamento da aplicação dos protocolos de
observação e entrevistas é válida conceitualmente e
adequada para representar as reações
comportamentais por dinâmica de personalidade (HD)
envolvida no processo, de forma ampla.
6. REFERÊNCIAS
1. Araújo, A.. Projeto de Interfaces Inteligentes -
Um Estudo de Caso para o Smart Analyst.
Mestrado em Informática, CT/UFES, Vitória,
1998
2. Cooper, A.; Reimann, R. About Face 2.0 The
essentials of interaction Design. Wiley
Publishing, Inc, 2003.
3. Dervin, B. Observing, being victimizing by, and
colluding with isms 1997.
http://communication.sbs.ohio-state.edu/Sense-
Making/inst/iDERVIN97isms.html/.
4. Dervin, B; Foreman-Wernet, L. Sense-Making
Methodology Reader. Selected Writings Of
Brenda Dervin. Hampton Press 2003.
5. Ferreira, S.M.S.P.. Estudos de Necessidade de
Informação: dos paradigmas tradicionais à
abordagem Sense-Making. 1997
http://www.eca.usp.br/nucleos/sense/textos/abord
.htm.
6. Filgueiras, L. V. L.; Aquino Jr, P. T.; User
Modeling With Personas. Conferencia Latino-
Americana De Interaccion Humano-
Computadora. 2005
7. Inmon, W.H. User Reaction To The Data
Warehouse http://www.inmoncif.com
8. Márdero, M. A. A. A abordagem do Sense-
Making para estudo de necessidades e
comportamento de busca e uso de informação.
1997 http://www.cg.org.br/gt/gtbv/artigo01.htm
9. Sanchez, J.A. Conveying Mood and Emotion in
Instant Messaging by Using a Two-Dimensional
Model for Affective States. IHC 2006. Natal,
2006.
10. Seagal, S.; Horne, D. The Human Dynamics
Body of Knowledge – and its Implications for
Education: A Brief
http://www.newhorizons.org/strategies/styles/hor
ne.htm.
11. SIEG, Human Dynamics (HD),
http://www.sieg.com.br/hd.html
12. Soares, V. J. Modelagem incremental no
ambiente de data warehouse, Dissertação
(Mestrado), UFRJ dez.1988.
13. Souza, C. S.; Leite, J. C.; Prates, R.O  Barbosa,
S.D.J., Projeto de Interfaces de Usuário:
Perspectivas Cognitiva e Semiótica, Anais da
Jornada de Atualização em Informática, XIX
Congresso da SBC, 1999.
http://www.dimap.ufrn.br/~jair/piu/
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 129
Tecnologias para Assistir Pessoas com Deficiência
Auditiva: Levantamento e Discussão sobre seu Uso
Soraia Silva Prietch
UFMT/ Rondonópolis
Rodovia Rondonópolis-Guiratinga KM 06 (MT
270) Bairro Sagrada Família – CEP 78.735-901
soraia@ufmt.br
Lucia Vilela Leite Filgueiras
Escola Politécnica da Universidade de São Paulo
Av. Prof. Luciano Gualberto, nº 158, São Paulo –
SP – CEP 05508-900
lfilguei@usp.br
ABSTRACT
This work takes as a basis the definition of Assistive
Technology by performing a survey on this topic,
particularly on the implementation of the technologies
currently available to assist the deaf community, followed
by results and discussions formulated from reflection of the
materials found in the literature.
Keywords
Assistive Technology, Acessibility, Deaf Person.
1 INTRODUÇÃO
A maior barreira enfrentada por pessoas com deficiência
auditiva (seja esta parcial ou total) é a comunicação com
outras pessoas de seu convívio. Essa barreira, muitas
vezes, reprime uma grande quantia de pessoas, que
possuem déficit auditivo, sendo que uma parcela dessa
quantia não tem conhecimento de que, atualmente, existem
diversos recursos acessíveis para auxiliar a compreensão
do que está sendo realizado ou o atendimento de suas
necessidades. Neste contexto, as tecnologias assistivas
podem trazer grande auxílio para minimizar as
dificuldades que a barreira de comunicação proporciona,
pois tais tecnologias, geralmente, agregam conhecimentos
de diversos campos dos saberes, podendo ser representadas
em formatos de recursos variados com a finalidade de
promover a acessibilidade às pessoas com algum tipo de
deficiência em qualquer ambiente social, seja de educação,
de saúde, de moradia, de lazer, dentre outros.
Levando em conta o exposto, tem-se como objetivo, com
esta pesquisa, realizar um estudo bibliográfico, em
profundidade, sobre as tecnologias assistivas disponíveis
para apoio às pessoas com deficiência auditiva.
Além de levantar quais tecnologias assistivas estão
disponíveis, faz-se necessário identificar quais se
encontram em desenvolvimento, quais são os próximos
desafios, bem como discutir os pontos positivos e negativos
das pesquisas já realizadas e das perspectivas do que ainda
está por vir. Este é um trabalho em andamento, cujo
objetivo final é o de projetar recursos digitais com
propósito de auxílio ao processo de ensino-aprendizagem
de pessoas surdas. Desta forma, este levantamento
proporcionará subsídio para as decisões de projeto
necessárias, posteriormente.
As seções deste artigo se encontram organizadas da
seguinte maneira: a Seção 2 enfoca o levantamento
bibliográfico a respeito das tecnologias assistivas, sejam
propostas, pesquisas já concluídas, e desafios apontados; a
Seção 3 aborda os resultados e discussões referentes ao
conteúdo levantado na seção anterior; e, na Seção 4
constam as considerações finais deste trabalho.
2 TECNOLOGIAS PARA ASSISTIR PESSOAS SURDAS
Nesta seção é apresentado o resultado de um levantamento
bibliográfico e comercial, das tecnologias, atualmente
disponíveis, para assistir pessoas surdas no uso do
computador, desenvolvidas por grupos de pesquisadores
provenientes de diversos países.
2.1 Acesso remoto
A seguir, alguns trabalhos constam dispostos na Tabela 1,
os quais agrupam aplicações de tecnologias assistivas para
acesso remoto que possibilitam a ampliação da
comunicação de pessoas com necessidades auditivas
especiais, principalmente, via telefonia celular.
Tabela 1. Relação de trabalhos que tratam das tecnologias
assistivas, de acesso remoto, para pessoas surdas.
Tecnologias Artigos
Telefone de surdos [21]
Luva conversora para celular [46]
MobileASL [14], [15]
SignWriting em telefonia móvel [2]
Alertas visuais e táteis para telefones celulares [28]
O trabalho de Hersh et al [21] tem como objetivo discutir a
relação entre a legislação e o uso de espaços públicos por
pessoas com deficiência, evidenciando as adaptações feitas
a dispositivos projetados para o uso diário. Em especial, os
autores mencionam o design de telefones e alarmes,
processadores de fala portáveis, além de informar diversas
categorias de dispositivos eletrônicos.
Já no artigo de Sarji [46] é descrito um protótipo de luva
portável que traduz gestos (American Sign Language,
ASL) em fala (língua inglesa), de baixo custo, que utiliza
sistema embarcado, transferindo as informações de sinais
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 130
comunicadas através da luva com sensores, por meio de
Bluetooth, para telefone celular ou PDA, além disso,
utiliza aplicações COTS. Assim é enfatizado o uso de
interface natural e de mobilidade, cujas características são
exploradas para possibilitar o aumento da comunicação
entre pessoas surdas e ouvintes.
Em 2006, Cavender, Ladner e Roth [14] publicaram um
trabalho a respeito do MobileASL, que na época
mencionaram que o acesso a celulares nos Estados Unidos,
por pessoas surdas, era limitado a mensagens de texto, o
que ocasionava em uma pressão pela comunicação em
língua inglesa ao invés da Língua Americana de Sinais
(ASL), sua língua materna. Neste sentido, os autores
realizaram sua pesquisa, com o auxílio de pessoas surdas,
a fim de determinar as técnicas de compressão de vídeo
mais viáveis para explorar a natureza visual da língua de
sinais, já vislumbrando a possibilidade futura de acesso em
tempo real através do telefone celular. Com o passar de
alguns anos, no artigo de Cherniavsky et al [15], em
continuidade ao trabalho anterior, é descrito o sistema
MobileASL para comunicação de vídeo em tempo real
através da rede atual de telefonia celular dos EUA.
Segundo os autores, o objetivo do MobileASL é possibilitar
que as pessoas surdas se comuniquem em língua de sinais,
via celular, através de compressão e transmissão de vídeos,
em tempo real, da língua de sinais. O sistema foi avaliado
em um estudo de usuário com participantes fluentes em
ASL, os quais foram envolvidos em conversas irrestritas de
telefones celulares em um laboratório, tendo como
resultado que o dispositivo pode possibilitar o aumento da
comunicação visual entre pessoas surdas e ouvintes.
Contudo, de todos os artigos mencionados na Tabela 1 o
trabalho de Ketabdar e Polzehl [28], apesar de relatar uma
versão demo, se destaca por sua utilidade no dia-a-dia, pois
através do microfone do celular é captado o áudio do
ambiente, sobre o qual é realizada análise de contexto para
emissão de avisos de mudanças que ocorreram naquele
local.
2.2 Acesso direto/ local
Nesta subseção são abordados trabalhos que relatam o
projeto, o desenvolvimento e/ou a avaliação de tecnologias
assistivas de acesso direto ou local, as quais podem
proporcionar maior interação entre ouvintes e pessoas com
deficiência auditiva. Tais trabalhos podem ser
visualizados, de forma resumida, na Tabela 2.
Tabela 2. Relação de trabalhos que tratam das tecnologias
assistivas, de acesso direto/ local, para pessoas surdas.
Tecnologias Artigos
Processadores de fala portáteis [21]
Luva tradutora [7]
BSL para correios [16], [27]
Semi-transparência de vídeo em reuniões [35]
O trabalho de Bedregal, Dimuro e Costa [7] introduz o
reconhecimento de gestos de mão, durante a comunicação
na Língua Brasileira de Sinais, adquiridos por uma luva de
dados. O método usa um conjunto de ângulos das juntas
dos dedos e da separação entre os dedos para a
classificação das configurações de mão, e classificações de
segmentos de gestos de mão para a realização do
reconhecimento. Assim, considera-se que esta seja uma
aplicação interessante para locais onde ouvintes não
compreendem a língua de sinais, e a luva serviria como
um sistema tradutor. Contudo, algumas questões ainda
devem ser consideradas como, por exemplo, as expressões
faciais, o movimento do corpo e do braço, dentre outros
pontos de extrema importância para efetuar o
reconhecimento de uma comunicação em língua de sinais.
No artigo de Cox et al [16] é apresentado o TESSA, um
sistema experimental que objetiva auxiliar transações entre
uma pessoa surda e um funcionário dos Correios através da
tradução da fala do funcionário para a língua de sinais.
Um sistema reconhecedor de fala reconhece a fala do
funcionário e, então, o sistema sintetiza a sequência
apropriada de sinais na Língua Britânica de Sinais (BSL)
usando um avatar desenvolvido especialmente para esta
finalidade. Os resultados desta avaliação foram positivos,
apesar de alguns pontos que foram apontados, não haviam
sido ainda melhorados no sistema. Contudo, os autores
colocam, ainda, que a maioria dos aspectos identificados
para melhorias estava sendo planejada para serem
desenvolvidas mais adiante no projeto ViSiCAST.
Neste contexto, no artigo de Kennaway [27] é discutida a
experiência que os autores tiveram com o projeto
ViSiCAST, no qual foi utilizada uma descrição de gestos
de linguagem independente de avatar. Assim, foi
desenvolvido um software chamado Animgen, para
sintetizar animação de dados a partir de tais descrições,
juntamente com uma descrição de geometria do avatar
particular, primariamente se preocupado com o aspecto
não-linguístico. Nota-se que na ausência de um dos
sentidos do corpo humano, no caso a audição, outros
sentidos devem ser estimulados, neste caso, o visual por
meio de animação.
Para Miller et al [35], realizar reuniões é parte vital da
participação em atividades sociais, sendo que para uma
pessoa surda, que não entende a língua falada,
acompanhar um discurso em reuniões pode se tornar
confuso se existirem muitas fontes de informações
simultaneamente. Quando a pessoa se concentra em uma
das fontes de informação, esta perde as informações
provenientes de outras fontes; por exemplo, enquanto a
pessoa olha os slides de um apresentador, esta perde
informações advindas do intérprete de sinais. Assim, o
trabalho dos referidos autores relata o uso da tecnologia de
semi-transparência de vídeo, a partir da qual foram
desenvolvidas duas aplicações para assistir o surdo em
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 131
reuniões de grupos locais e reuniões de pessoas com acesso
remoto. Durante a realização desta pesquisa, as
características das aplicações foram projetadas
iterativamente, à medida que os feedbacks eram
incorporados a partir de indicações de pessoas surdas. Esta
pesquisa é uma extensão do projeto Facetop, descrito no
artigo de Miller, Culp e Stotts [34].
Percebe-se, com os trabalhos apresentados aqui, que a
questão da exploração visual se faz bastante presente.
Tanto no caso da luva [7], quanto no uso de avatar [27] e
da semi-transparência de vídeo [35] este sentido é
privilegiado, visto que é uma das formas de comunicação
mais eficientes para interagir com pessoas surdas.
2.3 Tradutores
Esta sub-seção aborda pesquisas sobre a conversão de uma
língua de sinais para uma língua oral-auditiva. Na Tabela
3, apresentam-se os trabalhos que tratam de tradutores.
Foram encontrados tradutores referentes às línguas dos
seguintes países: Espanha, Estados Unidos da América,
Brasil, África do Sul e Itália.
Tabela 3. Relação de trabalhos que tratam sobre tradutores, de
línguas, para pessoas surdas.
Tecnologias Autores
Língua Espanhola de Sinais (SSL) [45]
Reconhecedores automáticos de ASL [31]
Português para LIBRAS (Falibras-MT) [50]
SOTAC [9]
SWService [48]
BuscaSigno [19]
Língua Sul Africana de Sinais [52]
3DictSL: dicionário online de língua de sinais
internacional
[10]
No trabalho de San-Segundo et al [45] foi desenvolvida
uma proposta de arquitetura para tradução do espanhol
falado para a comunicação na Língua Espanhola de Sinais
(Spanish Sign Language, SSL) para pessoas surdas, a qual
compreende em quatro módulos: reconhecimento de fala,
análise semântica, geração de sequência de gestos e
animação dos gestos.
De acordo com Lu e Huenerfauth [31], gravações de
captura de movimentos de língua de sinais são usadas em
pesquisas de reconhecimento automático dessas línguas ou
animações de línguas de sinais genéricas, as quais
possuem aplicativos de acessibilidade para usuários surdos
com baixos níveis de alfabetização em linguagem escrita.
Luvas de captura de movimento são usadas para registrar a
configuração de mão do usuário. Infelizmente, estas luvas
requerem um consumo de tempo e um processo de
calibração manual inexato cada vez que o usuário a utiliza.
Este artigo descreve o projeto e a avaliação de um novo
protocolo de calibração para luvas de captura de
movimento, o qual é projetado para tornar o processo mais
eficiente e ser acessível para participantes que são surdos e
utilizam a Língua Americana de Sinais (ASL). O
protocolo foi avaliado experimentalmente; pessoas surdas
que se comunicam em ASL usaram as luvas, foram
calibradas (usando o novo protocolo e usando uma rotina
de calibração fornecida pelo fabricante da luva), e foram
questionados a respeito do desempenho da sequência de
configuração de mão. O novo protocolo recebeu pontuação
significativamente mais alta do que a calibração padrão. O
protocolo tem sido disponibilizado livremente online, e
inclui direcionamentos para pesquisadores, imagens e
vídeos de como participantes movimentam suas mãos
durante o processo e direcionamentos para participantes
(como vídeos de ASL e textos em inglês).
O artigo de Tavares, Coradine e Breda [50] apresenta um
ambiente, chamado Falibras-MT, para a autoria de
tradutores automáticos de textos do Português para
LIBRAS, na forma gestual animada. Esse ambiente usa
memória de tradução para permitir que o tradutor a ser
especificado possa considerar o domínio de conhecimento
do texto inicial, além de outras características importantes,
tais como discurso e pragmática das línguas envolvidas. É
apresentada uma visão geral sobre o projeto do ambiente,
com suas principais funções e a arquitetura.
Em Breda et al [9] é apresentada uma análise do SOTAC
(Software of Automatized Translation based on
Knowledge), o qual tem como objetivo traduzir textos, de
forma automática, de português para LIBRAS e de
LIBRAS para português, baseado em conhecimento. É
apresentado o projeto e um protótipo de um sistema para
autoria e uso de tradução automática para suporte à
tradução. A saída traduzida é fornecida em uma linguagem
alvo e pode ser apresentada nas formas de texto, de vídeo,
ou de áudio. O artigo também apresenta uma análise de
usabilidade, navegabilidade, funcionalidade e
complexidade do sistema, assim como sua capacidade de
integração com outras tecnologias existentes.
O trabalho de Souza e Pinto [48] tem como objetivo
apresentar a SWService (SignWritting Service), uma
biblioteca que fornece os recursos necessários para que
softwares baseados na web possam utilizar a Língua
Brasileira de Sinais na forma escrita. A solução apresenta
como principal vantagem a utilização da tecnologia Web-
Services, o que permite seu uso sem necessidade de
desenvolvimento ou instalação local. Além disso, são
apresentados estudo de caso e pesquisa de opinião sobre o
Sign WebForum, um fórum de discussão que utiliza a
SWService para efetuar a escrita e a leitura de mensagens
em Português e LIBRAS. Já no artigo de Duduchi e
Capovilla [19] é descrita a construção de uma interface
computacional, denominada BuscaSigno, para o acesso ao
léxico da língua brasileira de sinais sem depender de
conhecimento da língua portuguesa. E neste mesmo ano,
van Zijl [52] relatou sua pesquisa sobre o projeto da
máquina de tradução da língua sul africana de sinais.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 132
Conforme Buttussi, Chittaro e Coppo [10], descrevem que
vários pesquisadores propuseram dicionários multimídia
para línguas de sinais de países específicos, mas existem
poucas propostas de dicionários multi-linguagem. Além
disso, os dicionários multimídias existentes sofrem várias
limitações, onde a maioria deles permite somente a
pesquisa de palavra para sinal, enquanto somente algumas
delas exploram parâmetros de sinais (isto é, configuração
de mão, orientação, localização e movimento) para
permitir uma busca de sinal para palavra. As soluções
atuais também usam imagens ou vídeos para representar
sinais e seus parâmetros, mas imagens 2D são
freqüentemente enganosas para uma identificação correta.
Desta forma, o trabalho de Buttussi, Chittaro e Coppo [10]
teve como objetivo enfrentar os problemas acima descritos,
explorando tecnologias Web3D, tais como X3D e H-Anim
humanoids, para melhor entender os sinais e simplificar a
busca de sinais para palavra, e de sinais para sinais,
propondo um dicionário online de língua de sinais
internacional, chamado 3DictSL. Assim, os autores
apresentam uma proposta de arquitetura cliente/servidor
do 3DictSL e ferramenta de autoria, a qual permite que
pessoas surdas ampliem o dicionário com sua própria
linguagem, além disso, a pesquisa também apresenta
detalhes da interface com o usuário do site e como as
tecnologias AJAX, ASP.NET, Javascript e X3D são
combinadas para desenvolver a proposta. Como o trabalho
se configura em um estudo de caso prático, o artigo
mencionado discute somente a implementação da Língua
Italiana de Sinais (LIS).
Destaca-se, dentre estes trabalhos, o artigo de Buttussi,
Chittaro e Coppo [10], pois apresenta vários aspectos
relevantes, a saber: a disponibilização de conteúdo online,
a proposição de um dicionário multi-linguagem
envolvendo diversas línguas de sinais e orais-auditivas de
uma gama de países, e a possibilidade de contar com
tecnologia de representação 3D para facilitar a animação
de gestos.
Nesta linha, existem vários desafios, a citar: questões
relacionadas aos regionalismos da língua de sinais dentro
de um próprio país; considerações de que uma língua de
sinais de um país possui estrutura gramatical diferente da
língua materna aos ouvintes, dentre outros.
2.4 Recursos de ensino-aprendizagem
Existem, hoje em dia, diversas iniciativas que incentivam a
presença de aprendizes surdos em ambientes educacionais,
e fornecem recursos facilitadores para o acesso e a
permanência destes estudantes nas diferentes etapas e
modalidades de cursos. Alguns destes exemplos são
mencionados na Tabela 4 e descritos na sequência.
Tabela 4. Relação de trabalhos que tratam das tecnologias
assistivas, como recursos de ensino-apredizagem, para pessoas
surdas.
Tecnologias Autores
Jogos educativos [1], [8], [20], [44]
Ambientes de aprendizagem [11], [18], [36],
[40], [49]
Apoio para a pessoa surda no ensino
superior
[13], [14], [29],
[43]
No artigo de Brashear [8], a autora descreve sobre o
CopyCat, um jogo sobre a Língua Americana de Sinais
(ASL) que a tecnologia de reconhecimento de gestos para
auxiliar crianças surdas a praticar suas habilidades na
ASL. A base de dados das amostras de sinais, utilizada no
jogo, foi coletada a partir de estudos com usuários
(crianças surdas), jogando uma versão do jogo Mágico de
Oz da Escola da Área de Atlanta para Surdos (EUA). No
artigo de Adamo-Villani e Wright [1] são descritas a
implementação e a avaliação da segunda versão do SMILE
(Science and Math in an Immersive Learning
Environment), um jogo de aprendizagem imersivo que
emprega um ambiente virtual de fantasia 3D para engajar
crianças surdas e com deficiência auditiva em tarefas
educacionais baseadas em matemática em ciências. Nesta
versão, (a) foram combinadas estratégias usadas em jogos
de computador comerciais com lições de pesquisas
educacionais em aprendizagem e motivação, bem como (b)
foram avaliados a usabilidade e o recurso através de um
estudo de usuário. Já em Saliés e Starosky [44], discute a
questão do uso de jogos, por uma criança surda durante
terapia de fala, no processo de aquisição da língua
portuguesa como sua segunda língua, e o artigo de
Henderson et al [20] enfoca o desenvolvimento de um jogo
que utiliza a ASL para crianças surdas.
No artigo de Drigas e Kouremenos [18] é apresentado um
Sistema de Gerenciamento de Aprendizagem (LMS), o
qual oferece vídeos na Língua Grega de Sinais (GSL,
Greek Sign Language) em correspondência a cada texto
contido no ambiente de aprendizagem. O sistema foi
projetado para adultos surdos com o propósito de formação
ao longo da vida profissional e educacional. No sistema, as
necessidades especiais dos aprendizes surdos são atendidas
da seguinte forma: informação bilingue (texto e linguagem
de sinais), alto nível de visualização, aprendizagem
interativa e exploratória, e aprendizagem com seus pares
através de vídeo conferência. O trabalho de Panselina,
Sigalas e Tzougraki [40] também trata do enfoque
educacional a estudantes surdos, contudo o mesmo aborda
o design e o desenvolvimento de uma ferramenta
multimídia bilingue (usando a GSL) para o ensino de
conceito de química.
Ainda no contexto de ambientes de aprendizagem, os
trabalhos brasileiros [11], [36] e [49] merecem destaque,
pois são três abordagens diferentes umas das outras, mas
que trazem contribuições bastante interessantes para o foco
de interesse da presente pesquisa. O primeiro apresenta um
sistema de autoria online para simplificação de textos, e
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 133
também discute as potencialidades do uso de tal
ferramenta no contexto educacional. O segundo trabalho
dispõe “um modelo de uma plataforma, de educação
baseado nos critérios de acessibilidade digital
considerando, a prióri, as características dos surdos”. E, no
terceiro artigo, os autores promovem a comparação entre a
avaliação de usabilidade e a avaliação de acessibilidade da
ferramenta HagáQuê, cujo recurso refere-se a um software
de autoria, com finalidade pedagógica, para a produção de
histórias em quadrinho.
Segundo Saksiri, Ferrell e Ruenwongsa [43], na Tailândia
existe uma grande necessidade de melhorar as
oportunidades educacionais para estudantes com
deficiência auditiva em idade de ingressar em cursos
universitários. Assim, esta pesquisa descreve dois aspectos
desta questão: (a) projeto e teste de uma ferramenta
instrucional com animações de sinais virtual para a Língua
Tailandesa de Sinais, e (b) investigação de como
instrutores que ministram aulas em universidades podem,
de maneira eficaz, ensinar estudantes surdos e avaliar seu
desempenho, particularmente utilizando esta ferramenta.
Para isso, foi realizada revisão de literatura, construído um
modelo 3D que inclui expressões faciais rudimentares, e
foi concebida uma estrutura para investigar o processo
instrucional.
Em sua pesquisa, Cavender [13] expõe que estudantes com
deficiência auditiva enfrentam barreiras com relação ao
acesso a universidades, tornando isso um desafio, e
considera que as tecnologias educacionais têm o potencial
para melhor incluir esses estudantes no meio acadêmico.
Neste contexto, a autora descreve sua proposta de trabalho,
a qual trata do desenvolvimento e da avaliação de uma
plataforma, utilizando conceitos de computação ubíqua,
para sala de aula para que estudantes com deficiência
auditiva possam acessar intérpretes e captionists
remotamente, evitando dispersão visual, e facilitando o
acesso, a interação e a permanência de pessoas surdas no
ensino superior. Discutindo ainda o ensino superior,
Cavender, Ladner e Roth [14] relatam sobre um curso
acadêmico de verão em computação, com nove semanas de
duração, para pessoas surdas, apresentando os problemas
que esses estudantes passam, bem como as lições
aprendidas pelos professores ao tentar contornar esses
problemas.
No artigo de Kheir e Way [29], os autores informam que
computadores, cada vez mais, estão se tornando presentes
em sala de aula, com os laptops dos estudantes se tornando
norma, ainda assim, alguns usos benéficos desta tecnologia
tão difundida estão sendo ignorados. Softwares de
reconhecimento de fala estão amadurecendo, e possuem o
potencial de fornecer notas em tempo real tendo
assistência em sala de aula, particularmente para
estudantes surdos. Assim, o artigo mencionado relata o
design e a avaliação do sistema Villanova University
Speech Transcriber (VUST) que, segundo os autores,
diminui custos comparando-se ao método tradicional e
aumenta a acessibilidade durante palestras de ciência da
computação para estudantes surdos usando um software de
reconhecimento de fala em tempo real.
Faz-se necessário destacar que o acesso à educação é um
dos direitos que todas as pessoas, com algum tipo de
deficiência ou não, possui, devendo ser respeitado e
priorizado. Os trabalhos mencionados aqui contribuem de
forma abrangente, no sentido de existir diversificadas
iniciativas de pesquisas (jogos, EAD, computação ubíqua,
dentre outras), sendo estas profundamente fundamentadas
nas necessidades educacionais especiais das pessoas
surdas, visto que estas contam com desejos, anseios e
aspectos de aprendizagem diferenciados.
2.5 Outros dispositivos de uso na vida diária
Além dos recursos já apresentados anteriormente nesta
seção, ainda podem ser citadas outras soluções que além de
bastante interessantes, ainda promovem a articulação entre
pessoas surdas e equipamentos/ dispositivos, que antes
eram restritos a pessoas ouvintes, em um formato criativo e
interativo. Alguns exemplos seguem relacionados na
Tabela 5.
Tabela 5. Relação de trabalhos que tratam das tecnologias
assistivas, para uso no dia-a-dia, para pessoas surdas.
Tecnologias Autores
Alarmes [21]
Percepção da música [26], [37]
Percepção de sons no ambiente de trabalho [22], [33], [51]
Legendas emotivas para TV [39]
Assistência à saúde [42]
A pesquisa de Nanayakkara et al [37] relata sobre um
protótipo de sistema projetado para tentar enriquecer a
experiência de música para as pessoas surdas. Este sistema
foi desenvolvido com base em um conceito inicial guiado
por informações obtidas a partir de um levantamento
aprofundado conduzido com 43 participantes surdos, cujo
resultado sugeriu que o protótipo melhora a experiência
musical de uma pessoa surda, sendo que os usuários
preferiram ou a cadeira háptica sozinha (54%) ou a cadeira
háptica com o display visual (46%). É interessante
mencionar que o trabalho descreve o uso de interface
multimodal (tátil e visual), buscando maior inclusão dos
surdos em ambientes que envolvem música.
Em linha de pesquisa semelhante à descrita no parágrafo
anterior, Karam et al [26] desenvolveram o Modelo
Humano de Cóclea (Model Human Cochlea, MHC) é uma
técnica de substituição sensorial para apresentação de
música como múltiplos canais de estímulos vibro-táteis. O
protótipo MHC foi introduzido para um grupo de cidadãos
idosos surdos em um centro comunitário, onde eles
poderiam testar a cadeira, e fornecer um feedback sobre
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 134
sua experiência. Os resultados deste trabalho sugerem que
o MHC pode, potencialmente, oferecer maior significado
para expressar a informação emocional básica a partir de
música em um display vibro-tátil quando os sinais se
aproximam mais aos elementos de percepção da música
tais como melodia e peças instrumentais.
Na pesquisa de Ho-Ching, Mankoff e Landay [22], os
autores desenvolveram dois protótipos, os quais consistem
em displays visuais para fornecer sensibilização do áudio
do ambiente para indivíduos surdos. A pesquisa foi
realizada no campo de trabalho, com participantes surdos e
ouvintes, a atenção foi concentrada no suporte à
sensibilidade de sons não ligados à fala, tais como
telefones tocando e sons de batidas, no ambiente de
trabalho. Em termos de design, foram utilizados dois tipos
de equipamentos: o primeiro, um (a) spectrograph, que
realiza o registro fotográfico de um espectro luminoso,
mostrando passo e amplitude, enquanto o segundo, um (b)
positional ripples, mostra amplitude e localização dos
sons, sendo que ambos suportam monitoramento e
notificação de sons, a descoberta de novos sons, e não
requerem um conhecimento a priori dos sons detectados.
Um experimento controlado envolvendo participantes
surdos resultou que nenhum display distrai
significativamente. Contudo, usuários preferiram o display
positional ripples, pois o consideraram mais fácil de
monitorar (notificações de sons foram detectadas com 90%
de sucesso no laboratório instalado).
No trabalho de Matthews, Fong e Mankoff [33] é
ponderado que sons constantemente ocorrem ao nosso
redor, nos mantendo alerta no ambiente e que pessoas com
deficiência auditiva têm dificuldade em manter essa
sensibilização dos sons. Desta forma, é apresentada uma
investigação de displays periféricos e visuais para auxiliar
pessoas surdas a manter essa sensibilidade de som do
ambiente. Assim, os autores apresentam duas
contribuições: primeiro, (a) é apresentado um conjunto de
preferências de design visual e requisitos funcionais para a
visualização dos periféricos de áudio sem fala que irão
auxiliar em melhorias em futuras aplicações. Sendo assim,
preferências de design visual incluem fácil interpretação,
capacidade de enxergar, e distrações apropriadas, e
requisitos funcionais incluem a capacidade de identificar
que som ocorreu, exibe um histórico de sons apresentados,
customiza a informação que é mostrada, e determina a
precisão da informação apresentada; e, segundo, (b) foram
projetados, implementados e avaliados dois protótipos em
pelo funcionamento que incorporam essas preferências e
requisitos, servindo como exemplo para futuros designers
na tentativa de promover o progresso em direção à
compreensão de saber qual a melhor forma de
proporcionar a sensibilização periférica de áudio para os
surdos.
Segundo Tomitsch e Grechenig [51], em trabalhos
anteriores já foi investigado o valor da visualização de sons
de ambiente para pessoas com deficiência auditiva. Este
trabalho foi construído com base nestes resultados e
especificamente explora a aplicabilidade do teto para tais
visualizações. Assim, foram reunidos requisitos de design
baseados em um processo de design participativo incluindo
entrevistas com especialistas, um questionário online, bem
como um workshop de design em uma organização local
para pessoas surdas. Os resultados do workshop mostraram
que as pessoas aprovaram a ideia do uso do teto para
visualização de ambiente. Contudo, eles também
expressaram uma forte necessidade de um display
tradicional suplementar para obter maiores detalhes das
informações sobre como ocorrem os sons. Os autores
expressam a intenção da criação de um protótipo com
aplicações de computação ubíqua e reforçam a importância
do levantamento de requisitos junto ao público-alvo.
Conforme Ohene-Djan, Wright e Combie-Smith [39],
muitas pessoas surdas ou deficientes auditivas usam
legendas para obter acesso ao conteúdo de áudio de
apresentações na TV e em filmes. Contudo, legendas
informam ao visualizador o que está sendo dito, e falham
ao comunicar como está sendo dito. Esta falha emocional
vivenciada pelo visualizador destaca um significante
prejuízo à apresentação da legenda em curso,
especialmente quando usado para aprendizagem por uma
pessoa surda. Portanto, no artigo mencionado, foi descrito
um sistema que demonstra a apresentação de legendas que
descreve as emoções por trás das palavras usadas na tela.
O sistema também oferece aos espectadores a habilidade de
personalizar e adaptar suas interações com as legendas,
para auxiliá-los em seu processo de aprendizagem. No
entanto, é válido refletir se esse tipo de recurso, ao invés de
auxiliar, não iria atrapalhar o leitor/usuário por aumentar
a quantidade de texto a ser lido.
O artigo de Piper e Hollan [42] descreve o projeto e a
avaliação da Interface Compartilhada de Fala (Shared
Speech Interface, SSI), uma aplicação para um display de
mesa (tabletop) multitoque interativo projetado para
facilitar conversações médicas entre um paciente surdo e
um ouvinte, onde o médico não possui domínio da língua
de sinais. Assim, foi empregado um processo de projeto
participativo envolvendo pessoas surdas, bem como
médicos e especialista. Sendo relatados os resultados a
partir de uma avaliação que compara a conversação
quando facilitada por: (a) uma mesa digital, (b) um
intérprete de língua de sinais humano, e (c) ambos. Essa
pesquisa revela que os displays de mesa têm propriedades
valiosas para facilitar a discussão entre os indivíduos
mencionados, bem como melhora a privacidade e
independência.
É importante destacar os trabalhos de Karam et al [26] e
de Nanayakkara et al [37], pois nos mesmos são relatados
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 135
projetos e experimentos inovadores, os quais possibilitam
às pessoas com necessidades auditivas especiais a sensação
musical, o que se imagina ser uma experiência
emocionante, intensa e diferenciada.
Além dos trabalhos acima descritos, existem muitos outros
que tratam de diversos temas interessantes a respeito de
tecnologias assistivas para pessoas surdas, alguns
exemplos, a saber: (a) Design e/ou avaliação de sistemas:
[4], [23] e [47]; (b) Soluções para a Web: [17], [24], [54];
(c) Reconhecimento facial ou de movimento de lábios:
[25], [41], [53]; (d) Computação vestível: [3], [12], [32].
3 RESULTADOS E DISCUSSÕES
Ao efetuar a busca pelas palavras-chaves deaf e hearing
impaired no The Guide to Computing Literature do ACM
Portal, foram apresentados 1.175 e 1.131 trabalhos
relacionados, respectivamente, sendo que destes foram
obtidos artigos que datam de 1970 até 2010, ou seja, o
interesse por pesquisas em tecnologias para assistir pessoas
surdas não é tema tão recente quanto se imagina, pois
constam registrados 40 anos de trabalhos realizados nesta
temática. É válido lembrar que dos mil cento e trinta e um
trabalhos localizados no guia, muitos destes foram listados
pelo fato de terem citado referências nos artigos com a
palavra-chave em questão, e não por tratar realmente do
assunto, sendo assim esta quantidade de trabalhos que
relacionam a computação e a surdez não é precisamente
concreta. Além destes termos de pesquisa e de base de
dados, também, foram localizadas outras fontes utilizando
diferentes termos de busca, os quais constam relacionados
no Apêndice, ao final deste artigo. E o que se percebe, no
que tange à quantidade de trabalhos publicados nesta
temática, é que nas bases literárias internacionais se
encontra um número muito maior e mais rico do que nas
bases nacionais observadas.
Retomando aos mencionados trabalhos da década de 70, se
percebe que naquele período as aplicações da computação
para o auxílio às pessoas surdas eram diferentes das atuais,
devido a uma série de fatores os quais não serão tratados
neste artigo, se preocupando com as primeiras
experiências, descritas por Newton e Vonhof [38], da
introdução do computador na educação de pessoas surdas,
com o relato de uso de softwares do tipo CAI, no artigo de
Barnes [5], com a atuação de pessoas surdas enquanto
profissionais da área de computação, no trabalho de Bates
[6], dentre outras. Contudo, hoje em dia, mesmo com
recursos mais avançados e conhecimentos acumulados
desde então, ainda existe uma constante busca em termos
de melhorias na assistência às pessoas com deficiência
auditiva que naquela época já havia sido iniciada.
Sendo assim, no contexto deste trabalho, tendo-se como
tema principal as tecnologias assistivas, verificou-se a
amplitude das pesquisas que vêm sendo desenvolvidas, no
mundo todo, para que pessoas surdas possam ter condições
iguais, ou o mais similares possível, de pessoas ouvintes
para o alcance de uma qualidade de vida, no mínimo,
adequada. Neste sentido, ao longo do texto exposto, na
Seção 2, se encontra a descrição de esforços no processo de
idealização, desenvolvimento e avaliação de sistemas com
aplicações de diversas naturezas, sejam sistemas de
tradução de uma língua oral para uma língua de sinais (ou
vice-versa), sejam sistemas de reconhecimento de fala,
jogos eletrônicos, animação de avatares para execução de
sinais, sistemas para telefonia celular, projetos que
envolvem computação ubíqua, dispositivos com interfaces
diferenciadas como as luvas para captura de gestos e as
cadeiras vibro-táteis, dentre outros.
Outrossim, conforme dito no parágrafo acima, ao
mencionar o mundo todo, é importante destacar que
existem pessoas surdas em qualquer país e, com isso, deve-
se lembrar que sua língua materna deve ser respeitada, a
qual não é a mesma língua oral que as pessoas ouvintes se
comunicam, sendo assim alguns destes exemplos também
constam no levantamento bibliográfico que são os casos da
Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) que não é a língua
portuguesa, a Língua Americana de Sinais (ASL) que não
é a língua britânica, dentre outras. Levando ainda essa
discussão em consideração, faz-se necessário acrescentar
que os estudos que envolvem aplicações em alta tecnologia
assistiva devem englobar conhecimentos de algumas áreas
como, por exemplo, linguística, computação, psicologia,
fonoaudiologia e pedagogia, sendo, portanto, uma rica
experiência para as pessoas que embarcam nesse processo.
Desta forma, é possível perceber através dos grupos de
pesquisadores, autores dos trabalhos estudados, que existe
uma formação multidisciplinar adequadamente
representada.
Além disso, foi possível observar algumas tendências nos
trabalhos mais recentes como os dispositivos móveis, as
interfaces naturais, as tecnologias de objetos interativos, as
redes sem fio, as interfaces multimodais, a computação
vestível, enfim, um universo de novas descobertas e outras
ainda por surgir, sendo que a tecnologia permeia toda essa
evolução e em alta velocidade, buscando ampliar a
mobilidade, a praticidade, a comunicação, a autonomia,
dentre outros. Com isso, inicia-se uma reflexão sobre os
desafios agregados a essas tendências, em especial, por se
tratarem de pesquisas que envolvem o ser humano como
público-alvo/usuário direto destas tecnologias, questões
como ética, segurança e privacidade entram em jogo, as
quais ainda devem ser largamente refletidas e debatidas.
Por fim, vale ainda ressaltar que se considera importante
que as pesquisas realizadas no meio acadêmico tivessem
algum incentivo no sentido de que os produtos e resultados
gerados se tornassem, amplamente, divulgados e aplicados
no uso prático diário, não sendo apenas engavetados. Uma
sugestão seria a formação de parcerias com grandes
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 136
empresas de tecnologia pudessem garantir a produção em
série de determinadas aplicações, após tempo determinado
de teste e avaliação baseada em critérios de qualidade
internacionais. Neste contexto, cabe mencionar a
existência da Lei da Inovação Tecnológica [30], a qual
“dispõe sobre incentivos à inovação e à pesquisa científica
e tecnológica no ambiente produtivo”, na tentativa de
promover a integração entre, por exemplo, Universidades e
empresas na produção de produtos inovadores.
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
As respostas obtidas, durante a realização deste trabalho,
significam que existe uma gama de possibilidades de
pesquisa a serem conduzidas sobre o assunto, visto que o
tema é bastante abrangente no que tange a áreas de
conhecimento envolvidas. Além disso, a temática de
tecnologias para assistência a pessoas com deficiência é
tópico de interesse em diversas subáreas da computação,
em especial, de interface homem-máquina, pois trata da
relação direta entre o usuário e os mais variados tipos de
tecnologia. Tais respostas ajudam a resolver o problema
em mãos, já mencionado anteriormente, que se refere à
limitação principal de pessoas surdas, a comunicação desta
com as pessoas ouvintes e, em alguns casos, com pessoas
com o mesmo tipo de deficiência que ainda não se
expressam através da língua de sinais de seu país.
Com relação às perspectivas de continuidade deste
trabalho, podem ser citados os seguintes: (a) a ampliação e
o aprofundamento das leituras sobre o tema em questão;
(b) o contato com pessoas surdas de local previamente
determinado, a fim de absorver detalhes da cultura e das
necessidades dessas pessoas tão especiais; (c) a proposição,
o desenvolvimento e a avaliação de um protótipo de
tecnologias assistivas voltadas para o auxílio de pessoas
com deficiência auditiva.
REFERÊNCIAS
1.Adamo-Villani, N.; Wright, K. SMILE: an immersive
learning game for deaf and hearing children. Intern.
Conference on Computer Graphics and Interactive
Techniques archive, ACM SIGGRAPH 2007, No. 17.
2.Ahmed, A.S.; Seong, D.S.K. SignWriting on mobile
phones for the deaf. Mobility '06.
3.Amemiya, T.; et al. Virtual Leading Blocks for the Deaf-
Blind: A Real-Time Way-Finder by Verbal-Nonverbal
Hybrid Interface and High-Density RFID Tag Space.
IEEE Virtual Reality 2004, p.165.
4.Barbacena, I.L.; et al. Comparative analysis of tactile
sensitivity between blind, deaf and unimpaired people.
International Journal of Advanced Media and
Communication, Volume 3, Issue 1/2, June 2009.
5.Barnes, O. D. CAI at the National Technical Institute for
the Deaf. ACM, SIGCUE, Vol.5, Issue 1, 1971.
6.Bates, R.L. The deaf in computer professions. ACM,
SIGCAPH Computers and the Physically Handicapped,
Issue 6, April 1972.
7.Bedregal, B.R.C.; Dimuro, G.P.; Costa, A.C. Interval
Fuzzy Rule-Based Hand Gesture Recognition. Scientific
Computing, Computer Arithmetic and Validated
Numerics. 12th GAMM, IEEE, 2006.
8.Brashear, H. Improving the Efficacy of Automated Sign
Language Practice Tools. ACM, SIGACCESS
Accessibility and Computing, Issue 89, Sept/2007.
9.Breda, W.; et al. SOTAC: A Software for Knowledge-
Based Automatic Translation. WCCE 2009.
10.Buttussi, F.; Chittaro, L.; Coppo, M. Using Web3D
Technologies for Visualization and Search of Signs in an
International Sign Language Dictionary. ACM, Web3D
2007, Italy, April 15–18, 2007.
11.Candido Jr, Arnaldo; et al. Supporting the adaptation
of texts for poor literacy readers: a text simplification
editor for Brazilian Portuguese. Proceedings of the
Fourth Workshop on Innovative Use of NLP for Building
Educational Applications, 2009.
12.Caporusso, N. A wearable Malossi alphabet interface
for deafblind people. ACM, AVI '08: The Working
Conference on Advanced Visual Interfaces, May 2008.
13.Cavender, A.C. Using Networked Multimedia to
Improve Educational Access for Deaf and Hard of
Hearing Students. ACM, SIGACCESS, Issue 89, 2007.
14.Cavender, A.C.; Ladner, R.E.; Roth, R.I. The summer
academy for advancing deaf and hard of hearing in
computing. SIGCSE '09.
15.Cherniavsky, N.; et al. Activity Analysis Enabling
Real-Time Video Communication on Mobile Phones for
Deaf Users. UIST’09, ACM, October 4–7, 2009.
16.Cox, S.; et al. TESSA, a system to aid communication
with deaf people. ASSETS 2002, July 8-10, 2002.
17.Debevc, M.; et al. Accessible Multimodal Web Pages
with Sign Language Translations for Deaf and Hard of
Hearing Users. DEXA '09.
18.Drigas, A.S., Kouremenos, D. An e-Learning
Management System for the Deaf people. WSEAS
Transactions on Advances in Engineering Education,
Issue 1, Volume 2, pp. 20-24, 2005.
19.Duduchi, M.; Capovilla, F.C. BuscaSigno: a construção
de uma interface computacional para o acesso ao léxico
da língua de sinais Brasileira. IHC, 2006.
20.Henderson, V.; et al. Development of an American
Sign Language game for deaf children Proposing a
speech to gesture translation architecture for Spanish
deaf people. IDC '05.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 137
21.Hersh, M.A. (Ed) et al. Assistive Technology for the
Hearing-Impaired, Deaf and Deafblind. Springer, 2003.
22.Ho-Ching, F.W; et al. Can you see what I hear? The
Design and Evaluation of a Peripheral Sound Display for
the Deaf. CHI 2003, ACM, Volume 5, Issue No. 1.
23.Huenerfauth, M. Improving Spatial Reference in
American Sign Language Animation through Data
Collection from Native ASL Signers. UAHCI '09.
24.Jing,A.;Qiang,L. How to Estimate Web-Based Distance
Education for the Deaf Undergraduate. CASE '09.
25.Joumun,F.E.; Gnanayutham,P.; George,J. Multimedia
Interfaces for BSL Using Lip Readers. ICCHP '08.
26.Karam, M.; et al. Modelling Perceptual Elements of
Music in a Vibrotactile Display for Deaf Users: A Field
Study. IEEE, Computer Society, ACHI, 2009.
27.Kennaway, R. Experience with and requirements for a
gesture description language for synthetic animation.
Gesture-Based Communication in HCI, Springer, 2003.
28.Ketabdar, H.; Polzehl, T. Tactile and visual alerts for
deaf people by mobile phones. Assets '09.
29.Kheir, R.; Way, T. Inclusion of Deaf Students in
Computer Science Classes using Real-time Speech
Transcription. ACM, ITiCSE’07, Jun 2007.
30.Lei nº 10.973, de 2 de dezembro de 2004. Disponível
em: http://www.planalto.gov.br/.
31.Lu, P.; Huenerfauth, M. Accessible Motion-Capture
Glove Calibration Protocol for Recording Sign Language
Data from Deaf Subjects. ASSETS’09.
http://latlab.cs.qc.cuny.edu/research.html .
32.Massaro, D.W.; et al. IGlasses: an automatic wearable
speech supplementin face-to-face communication and
classroom situations. IMCI '08.
33.Matthews, T.; Fong, J.; Mankoff, J. Visualizing Non-
Speech Sounds for the Deaf. ASSETS’05, 2005.
34.Miller, D.; Culp, J.; Stotts, D. Facetop tablet: note-
taking assistance for deaf persons. Assets '06.
35.Miller, D.; et al. Semi-transparent Video Interfaces to
Assist Deaf Persons in Meetings. ACMSE 2007.
36.Miranda, Andréa; et al. Vias-Ka: modelo de
acessibilidade para sistemas computacionais de educação
a distância. LA Conference on HCI, 2005.
37.Nanayakkara, S.; et al. An Enhanced Musical
Experience for the Deaf: Design and Evaluation of a
Music Display and a Haptic Chair. CHI 2009.
38.Newton, R.H.; Vonhof, P.W. MDS: a unique project in
computer-assisted mathematics. AFIPS '70 (Fall).
39.Ohene-Djan,J.; Wright,J.; Combie-Smith,K. Emotional
Subtitles: A System and Potential Applications for Deaf
and Hearing Impaired People. CVHI 2007.
40.Panselina, M.E.; Sigalas, M.P.; Tzougraki, C. Design
and Development of a Bilingual Multimedia Educational
Tool for Teaching Chemistry Concepts to Deaf Students
in Greek Sign Language. Education and Information
Technologies, Volume 7, Issue 3, 2002.
41.Parent, R.; King, S.; Fujimura, O. Issues with Lip Sync
Animation: Can You Read My Lips? IEEE Computer
Society, CA '02: Computer Animation, 2002.
42.Piper, A.M.; Hollan, J.D. Supporting Medical
Conversations between Deaf and Hearing Individuals
with Tabletop Displays. CSCW’08.
43.Saksiri, B.; Ferrell, W.G.; Ruenwongsa, P. Virtual Sign
Animated Pedagogic Agents To Support Computer
Education For Deaf Learners. Accessibility and
Computing, Number 86, Sept 2006.
44.Saliés, T.G.; Starosky, P. How a deaf boy gamed his
way to second-language acquisition: Tales of
intersubjectivity. Simulation and Gaming, Volume 39,
Issue 2, June 2008.
45.San-Segundo, R.; et al. Proposing a speech to gesture
translation architecture for Spanish deaf people. JVLC,
Vol.19 Issue 5, 2008.
46.Sarji, D.K. HandTalk: Assistive Technology for the
Deaf. Embedded Computing, IEEE Intel. Sys., 2008.
47.Song, J.W.; Yang, S.H. A Mobile Communication System
Designed for the Hearing-Impaired. UAHCI '09.
48.Souza, V.C.; Pinto, S.C.C.S. Customizando Ambientes
na Web para a Língua Brasileira de Sinais usando Web-
Services. RBIE, Vol. 15, No 2, 2007.
49.Tanaka, Eduardo H.; Bim, Sílvia A.; Rocha, Heloísa V.
Comparing accessibility evaluation and usability
evaluation in HagáQuê. LA Conference on HCI, 2005.
50.Tavares, O.L., et al. Falibras-MT. Autoria de tradutores
automáticos de textos do português para LIBRAS, na
forma gestual animada: Uma abordagem com memória
de tradução. XXV CSBC, III TIL, 2005.
51.Tomitsch, M.; Grechenig, T. Design Implications for a
Ubiquitous Ambient Sound Display for the Deaf. CVHI 07.
52.van Zijl, L. South African sign language machine
translation project. Assets '06.
53.Vogler, C.; Goldenstein, S. Facial movement analysis
in ASL. Springer-Verlag, Universal Access in the
Information Society, Volume 6, Issue 4, January 2008.
54.Yao, D.; Qiu, Y.; Huang, H. Web-based Chinese sign
language broadcasting system. W4A '09: Intern. Cross-
Disciplinary Conference on Web Accessibililty, 2009.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 138
Circinus
Sistema Brasileiro de Controle de Tráfego Aéreo
Por Michelle Dalmas Loeffler – Graduada em Design pelo Uniritter
RESUMO
O transporte aéreo é um meio de deslocamento rápido,
cômodo e em contínuo crescimento. Em vista deste
crescimento observa-se a superlotação e congestionamentos
em aeroportos. O impacto deste fluxo no controle de tráfego
aéreo resulta em profissionais estressados propensos a
erros, que fatalmente podem resultar em graves acidentes.
Diante deste cenário, surge a iniciativa de propor uma
transformação no sistema de controle atualmente utilizado
pelos controladores de tráfego aéreo, em um sistema com
maior autonomia de controle e com uma interface gráfica
amigável, minimizando a sobrecarga cognitiva destes
profissionais. O presente trabalho sugere soluções para o
problema em questão seguindo o método do projeto “E” de
Meurer e Szabluk (2009).
Palavras-chaves
Desenho de Interação, Design, Desenho Industrial,
Ergonomia Cognitiva, Tráfego Aéreo, IGA, Automação.
ABSTRACT
Air transport is a means of rapid deployment and comodo
that increasingly growing. In view of this growth there is a
super-capacity and congestion at airports. The impact of
this flow on air traffic control results in stressed-out
professionals prone to error, which may inevitably result in
serious accidents. In this scenario, there is the initiative of
transforming the control system currently used by air traffic
controllers in a system with greater autonomy and control
with a friendly graphical user interface, minimizing the
cognitive overload of these professionals. This study
analyzes and proposes solutions to the problem in question,
following the method E, Meurer and Szabluk, (2009).
Key words
Interaction Design, Design, Industrial Design, Cognitive
Ergonomics, Air Traffic, IGA, Automation.
INTRODUÇÃO
Este artigo resume o trabalho de diplomação do curso de
Design da autora.
Com a popularização do transporte aéreo, muitas pessoas
acabam o elegendo por ser rápido, cômodo, além de custar
quase o mesmo que o transporte rodoviário. Essa crescente
demanda ocasionou transtornos às companhias aéreas, aos
aeroportos, à administração de transporte aéreo, e, em
especial, ao controle de tráfego aéreo.
Atualmente o sistema em uso para o controle de tráfego
aéreo no Brasil é o sistema X-4000. Um outro sistema,
começou a ser instalado, em novembro de 2009 no
CINDACTA II (Centro Integrado de Defesa Aérea e
Controle de Tráfego Aéreo) de Curitiba, onde seguirá com
as instalações primeiramente nos centros de controle (ACC)
e futuramente também irá para os controles de aproximação
(APP) em aeroportos. O nome desse sistema é Sagitario que
significa “Sistema Avançado de Gestão das Informações de
Tráfego Aéreo e Relatórios de Interesse Operacional”. O
sistema Sagitario foi concebido com preocupações em
fatores humanos, tendo como uma das principais
referências a Eurocontrol (Organização Européia para a
Segurança da Navegação Aérea), e possui ícones melhor
elaborados, menu de interação sobre as etiquetas eletrônicas
(representação gráfica de um voo, com informações
referentes a ele) entre outras funcionalidades.
Segundo a FAA, não existe um estudo conclusivo sobre a
melhor visualização em contraste de figura fundo,
recomendam cautela quanto ao uso das cores, “Atualmente,
parece haver consenso de que o fundo deve ser cinza, assim
como as demais informações de estrutura do espaço aéreo
(aerovias, aeródromos, etc.) também devam ser
representados em distintas tonalidades de cinza” (Siewerdt
– Atech, em uma conversa por e-mail, 2009). Alguns países
de primeiro mundo projetam para daqui alguns anos tornar
obsoleta a tecnologia por radar, dando espaço ao controle
por satélite, onde a cobertura é total, evitando assim riscos
de perder conexões com aeronaves.
Em Portugal, o sistema de controle utilizado é o LISATM-
L2k, esse sistema possui interface caracter, porém conta
com janelas de cor de fundo branco onde são exibidos os
comandos mais executados.
OBJETIVO PRINCIPAL
Projetar uma Interface Gráfica Amigável (IGA) para o
Sistema de Controle de Tráfego Aéreo brasileiro para APP,
e ACC, focando a ergonomia cognitiva e automação do
sistema.
METODOLOGIA
Para desenvolvimento da interface gráfica do Sistema de
A compilação deste trabalho tem todos os direitos de reprodução ©2009
reservados. Nenhuma parte pode ser compilada ou impressa, gravada e
fotocopiada, através de qualquer meio mecânico ou eletrônico, sem a
devida autorização da autora e detentora dos direitos de reprodução.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 139
Controle de Tráfego Aéreo, o método aplicado é o “Projeto
E”, de Meurer e Szabluk, 2009. Este método compreende as
seguintes etapas:
Estratégia – justificativa, objetivos, métodos,
cronograma, recursos, questões projetuais, identificação dos
cenários, situação inicial e situação final, equalização dos
fatores projetuais, taxonomia, análises linguísticas, análises
desenhísticas, análise heurística, lista de identificação dos
requisitos e restrições do projeto;
Escopo – organização do conteúdo em módulos,
submódulos e categorias, geração de alternativas,
posicionamento do produto entre seus concorrentes;
Estrutura – desenho completo do organograma geral e
dos fluxos de tarefas, gerar alternativas, “buscando modelos
que atendam os requisitos e restrições identificados na
Estratégia” (Meurer e Szabluk, 2009).
Esqueleto – alternativas de wireframes (quadros de
arames) estruturais e arquiteturais, definição de malhas
filosofal, construtiva e diagramacional;
Estética – estudo e definição das malhas, composição,
diagramação e identidade gráfico-visual;
Execução – modelo funcional navegável.
ORGANIZAÇÃO DO CONTROLE DE TRÁFEGO AÉREO
Para controlar o espaço aéreo, são necessários diversos
órgãos para garantir voos seguros. Segundo o Departamento
de Controle de Espaço Aéreo (DECEA1
), o Brasil é
responsável por administrar um espaço aéreo territorial de
8.511.965 km², além de o espaço sobrejacente à área
oceânica, que se estende até o meridiano 10º W, perfazendo
um total de 22 milhões de Km². Neste espaço existe uma
série de eventos acontecendo ao mesmo tempo: aeronaves
comerciais voando, aeronaves militares em treinamento,
voos de asa-delta, e todos esses eventos devem acontecer
harmoniosamente ente eles.
O DECEA, é o órgão responsável por gerenciar e controlar
as atividades inerentes à segurança da navegação aérea. O
tráfego aéreo organiza-se em centros de controle de área
(ACC), em Controle de Aproximação terminal (APP) e as
Torres de Controle (TWR). O CINDACTA, conforme
Jucewicz (1997, p. 122), é o Centro integrado de Defesa
Aérea e Controle de Tráfego Aéreo, constituído pelos
subsistemas de detecção por radar, tratamento de dados,
1
http://www.decea.gov.br/espaco-aereo/gerenciamento-de-
trafego-aereo/
defesa aérea, tratamento de plano de voo, visualização e
comunicações. O sistema de detecção por radar é composto
por radares distribuídos nas áreas de monitoramento. Nas
áreas de monitoramento encontram-se dois radares
independentes, o radar primário e o radar secundário. O
radar primário permite a visualização na tela como uma
imagem bruta, apresentando a localização geográfica, a
distância e o rumo; e o radar secundário, apresenta a
altitude e a velocidade das aeronaves em uma imagem
sintética no monitor, enviadas pelo transponder do avião. A
cobertura dos radares alcança 260 milhas náuticas
(aproximadamente 480 km) e altitude ilimitada.
O CINDACTA I está localizado em Brasília e é
responsável, além de Brasília, pelos estados do Rio de
Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte; o CINDACTA II,
localizado em Curitiba, é responsável pelos estados do Rio
Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul
e parte do sul de São Paulo; o CINDACTA III, de Recife, é
responsável pela região nordeste e pela área oceânica que
separa o Brasil da África e da Europa; e o CINDACTA IV,
localizado em Manaus, é responsável pela região
amazônica. Os ACC são responsáveis pelo controle de
largas extensões das aerovias dentro dos limites de
jurisdição correspondentes ao CINDACTA de controle; o
APP é responsável pelo controle da chegada e da saída dos
voos nos aeroportos, se responsabilizando por um raio de
40 milhas náuticas de controle. A TWR, que atua em um
raio de 2,7 milhas náuticas, controla visualmente o
aeródromo quando os aviões pousam ou decolam da
cabeceira da pista. Este controle não exige o uso intenso do
monitor, porém possui um sistema específico para torre,
com o mapa do aeródromo, diferente dos usados nos APP e
ACC.
PERFIL DOS CONTROLADORES
No Brasil, o controle é feito em sua maioria por militares,
homens e mulheres (em menor escala), com idade entre 20
e 50 anos. È exigido deste profissional raciocínio rápido e
lógico, domínio da fraseologia técnica, bom conhecimento
da língua inglesa, das normas e das instruções que
disciplinam a atividade de controle de tráfego aéreo
emitidas pelo DECEA, equilíbrio emocional e visão
espacial. (Ministério da Defesa, Comando da Aeronáutica ,
2006).
O controlador é responsável por manter a distância mínima
de segurança entre as aeronaves, de 5 milhas (9
quilômetros) lateralmente e 1000 pés (cerca de 300 metros)
de altitude, através da observação na imagem sintética
obtida pelo sistema de controle de tráfego aéreo; conceder
informações meteorológicas ao piloto a bordo, via rádio ou
mensagem; autorizar e manejar pousos de emergências,
remanejando o tráfego em tais eventualidades; calcular e
autorizar altitudes e velocidades; autorizar planos de voos,
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 140
enfim, são responsáveis por centenas de vidas que circulam
em vias aéreas controladas por eles.
Os controladores trabalham 8h por dia com intervalos de 30
minutos a cada duas horas. Segundo a International Stress
Management Association do Brasil (ISMA-BR, apud
Instituto de Educação Superior de Brasília, 2006), a
profissão de Controlador de Tráfego Aéreo, está em
segundo lugar na pesquisa, como a mais estressante,
perdendo apenas para policiais e seguranças que estão em
primeiro lugar. Pereira (2008), mostra em estudos
desenvolvidos pelo Núcleo do Instituto de Ciências da
Atividade Física (NUICAF) no APP e na TWR do Rio de
janeiro entre os anos de 1999 e 2000, que os controladores
consideram sua profissão importante, mas não são
reconhecidos pela sociedade e nem pela própria
organização. Esses trabalhadores possuíam sintomas
elevados de estresse e cansaço excessivo, dores de cabeça,
sensação de desgaste físico, insônia e tensão muscular.
COMO ACONTECE UM VOO CONTROLADO
Conforme relato de Carlos Alberto Soares Figueira,
Controlador de tráfego aéreo do controle de aproximação
do aeroporto Salgado Filho, Porto Alegre, Brasil, um voo
inicia-se no planejamento que é feito sobre sua trajetória,
onde é levado em consideração uma série de fatores, como
por exemplo, fatores meteorológicos, horário de partida e
chegada, entre outros.
O piloto antes de partir, chamará a TWR e solicitará
autorização para prosseguir para a localidade pretendida, no
nível de voo proposto. Nesse momento, também pedirá
autorização para acionar os motores e iniciar o taxi. A TWR
por sua vez solicitará a autorização para o ACC para a
aeronave prosseguir em rota até o destino planejado. O
ACC autorizará a aerovia (AWY) e nível de voo (altitude),
coordenará, juntamente com o APP, qual saída a aeronave
deverá fazer após a decolagem. De posse de todas as
autorizações, o controlador autorizará o acionamento dos
motores e também o taxi até o ponto de espera (local
próximo a cabeceira da pista em uso para a decolagem). O
piloto, novamente, fará contato com o Controlador da TWR
solicitando autorização de decolagem.
Após a decolagem, o Piloto receberá da Torre de Controle a
hora de decolagem e instruções para trocar a frequência do
rádio e chamar o APP de partida, a partir deste momento a
aeronave é conduzida a sua rota o mais rápido possível e
também é separada de outros tráfegos que porventura
evoluam naquele setor.. O piloto é instruído pelo
controlador a trocar a frequência de rádio e a chamar o
ACC, para prosseguir na parte mais extensa do seu voo,
logo após a aeronave ultrapassar o limite lateral ou vertical
da Terminal (TMA), local controlado pelo APP. O
Controlador do ACC mantém a aeronave em voo seguro até
atingir o nível de voo autorizado dentro da aerovia. O piloto
deverá solicitar qualquer mudança acentuada que pretenda
realizar, desde a velocidade até a nova rota desejada, ao
ACC. Manterá então a rota e altitude até próximo de seu
destino quando solicitará autorização de descida. O ACC
autorizará a descida para um nível de voo pré-coordenado
com o APP de chegada e informará o piloto sobre o
procedimento de descida que será realizado no local e sobre
os fenômenos meteorológicos presentes no local de destino.
Quando a aeronave ingressar no espaço aéreo do APP, o
Piloto será instruído a trocar a frequência de rádio e chamar
o Controlador do APP de chegada. Em contato com o APP
de chegada o piloto receberá, novamente, todas as
informações referentes a sua aproximação. O piloto será
instruído a chamar a TWR somente após a aeronave ter sido
conduzida até a aproximação final, depois de a mesma ter
sido separada dos outros tráfegos e depois que os
Controladores do APP de chegada estejam seguros que o
pouso vai se realizar sem problemas.
Ainda na aproximação final o piloto fará contato com a
TWR e solicitará autorização de pouso. Os controladores,
após avistarem a aeronave, autorizarão o pouso. O piloto
receberá do controlador a hora de seu pouso e será instruído
a deixar a pista pelo caminho apropriado, iniciando o taxi
até o local de estacionamento onde desligará os motores.
CENÁRIO ATUAL
Os sistemas de controle de tráfego aéreo no Brasil, são
desenvolvidos pela Atech – Tecnologias Críticas.
Algumas das funcionalidades do sistema X-4000 são login
e senha; planos de voos; visualização de nuvens; vetoração
(medidas de distância e velocidade); alerta rota de colisão;
estado do voo através da etiqueta; visualização sintética ou
bruta do radar; Imprimir strips (descrição do plano de voo);
escrever texto; informações sobre esteira de turbulência;
mensagens; zoon; modo assistente/controlador; cópia de
segurança do sistema; ocultar barras de ferramentas.
O sistema Sagitario possui além das funcionalidades do
sistema X-4000; visibilidade de data e hora, latitude e
longitude, nome do operador; e apesar de ainda não possuir,
foi projetado para receber a cobertura via satélite.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 141
Figura 8 – Tela do sistema X-4000 com aplicação de um vídeo-
mapa (sobreposição de imagem no fiundo). Fonte: arquivo
pessoal
CENÁRIO PRETENDIDO
A proposta de uma nova interface para sistema de controle
de tráfego aéreo, sugere o uso de recursos estéticos para
tornar agradável e amigável o sistema, buscar um nome que
agregue valor simbólico afetivo, além das funções do
sistema X-4000 e do sistema Sagitário, pretende-se outras
funcionalidades como: visulização vertical dos niveis;
visualização em 3D; ajuda; glossário de termos do sistema;
glossário de termos em inglês; selecionar e mover strips
arrastando e soltando o mouse; cópia de segurança da caixa
preta das aeronaves controladas; procurar voos; isolar voos
na tela; mensagens de texto livre com vídeo; contramedida
eletrônica; opções de costumizar o sistema; buscar
automaticamente melhores rotas para o plano de voo; opção
de transferir planos automaticamente e controle do tamanho
da fonte.
ANÁLISE DIACRÔNICA
Inicialmente, entre a primeira e segunda década do século
passado, o controle de tráfego aéreo era realizado via rádio,
entre o controlador e o piloto. O controlador recebia
informações do piloto referentes à jurisdição em que o voo
se encontrava e ao controlador cabia a tarefa de memorizar
e imaginar tal área. Essas informações eram anotadas em
fichas e organizadas em escaninhos verticais , separados por
altitude que serviam de base para as instruções e
procedimentos que o controlador emitia ao piloto com a
finalidade de manter os aviões adequadamente separados
entre si, tanto no espaço aéreo como nos aeroportos.
Nas décadas de 40, 50 e 60 no Brasil, e no ano de 1967 em
Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil, o radar muda
consideravelmente o sistema de controle. Este equipamento
possibilitou aos controladores visualizarem a jurisdição em
que determinada aeronave se encontrava, não dependiam
mais exclusivamente das informações fornecidas pelos
pilotos. Com tela circular de tubo de raios catódicos, o radar
apresentava uma imagem bruta da reflexão (eco) dos alvos
(voos) na tela. Inicialmente as telas que eram “impregnadas
com fósforo que iluminava conforme recebia impulsos
elétricos de um alvo refletido” (Siewerdt – Atech, em uma
conversa por e-mail, 2009), possuíam um fundo entre cor
de cobre e marrom, depois vieram os fundos em cor verde e
alguns em cinza escuro. Importante destacar que ainda
nesse sistema os controladores tinham que memorizar a
informação referente a cada alvo.
Entre a década de 70 e 80, com a evolução da informática,
foi possível “transformar o sinal analógico de vídeo bruto
do eco radar em sinais digitais de vídeo sintético”
(Jucewicz, 1997, p. 111), assim, as informações referentes
aos voos, eram impressas em etiquetas eletrônicas na tela,
ao lado de cada alvo. Aqui a interação entre controlador e
sistema, limitava-se a alguns comandos do MS-DOS.
(Jucewicz, 1997).
Na década de 90, os monitores circulares foram substituídos
por monitores de LCD de resolução 2048 x 2048 (2K x
2K), a imagem sintética vai além da representação gráfica
da etiqueta eletrônica. O sistema X-4000 permite ao
controlador, enviar e receber mensagens entre os órgãos de
controle, as etiquetas mudam de cor dependendo da
situação do voo e, entre outras funções, há o uso de
trackball, isto é, uma espécie de mouse. Este sistema é o
utilizado atualmente pelo DECEA.
ANÁLISE SINCRÔNICA
Sistema Sagitário
O sistema Sagitario, é uma evolução do sistema X-4000. A
interface do sistema Sagitario é limpa e possui ícones
melhores elaborados, prevê minimização de informações;
as tarefas mais frequentes são executadas sobre a etiqueta
eletrônica; a síntese aérea ocupa toda a tela; o acesso as
demais operações ocorrem via barra de ferramentas, que
pode ser fechada quando não estiver em uso; disponibiliza
recurso de sobreposição de imagens meteorológicas e
imagens de interesse sobre a síntese aérea; disponibiliza
recurso de múltiplas janelas que podem ser
redimensionadas; disponibiliza dois tipos de visualização da
etiqueta eletrônica, uma padrão, onde apenas informações
básicas sobre o voo ficam visíveis e outra estendida onde,
as demais informações sobre voo ficam visíveis. Os menus
e as janelas de mensagens não acompanham o mesmo
padrão de coerência formal estética, representados nos
ícones. A família tipográfica utilizada é a Arial. O sistema
Sagitario é uma grande evolução em sistema de controle em
termos de usabilidade, pois no desenvolver de seu projeto,
teve como foco os fatores humanos.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 142
Figura 1 – Tela Sagitario. Fonte: arquivo pessoal
Figura 2 – Etiqueta eletrônica interativa do sistema Sagitario
Fonte: arquivo pessoal
Figura 3 – Janelas de mensagem do sistema Sagitario. Fonte:
arquivo pessoal
Sistema X-4000
O Sistema X-4000 possui interface caracter, isso significa
que não possui metáforas nos menus, botões e janelas, os
botões são identificados por siglas alfanuméricas. A
interação torna-se rígida, pois, em alguns casos, uma única
tarefa depende de dois ou três menus. A cor de fundo da tela
é preto, podendo alternar com “vídeos-mapa” (sobeposição
de imagens pixel); as vias aéreas e etiquetas eletrônicas são
coloridas. Conforme o Manual de Operação do Posto
Controlador e Assistente do Sistema de Tratamento e
Visualização de Dados do APP Brasília (2007), a cor da
etiqueta irá mostrar a situação do voo. Os voos não
controlados pelo posto operador se destacam bastante por
ficarem na cor laranja, poluindo e sobrecarregando de
informação a tela do operador. Os voos controlados pelo
posto operador estão na cor branco, a etiqueta na cor verde,
significa que alguma tarefa está sendo atribuída ao voo, a
etiqueta na cor amarelo, siginifica que o voo está em
processo de transferência e a etiqueta na cor azul piscando,
significa que algum setor de controle está identificando o
voo. Ainda em cada etiqueta existe uma simbologia para
identificar a detecção radar, e são elas: uma cruz indica
detecção do radar primário, um círculo indica detecção do
radar secundário, a cruz e o círculo juntos indicam as duas
detecções radares; um asterisco indica que houve uma
perda de detecção radar, nesse caso, a etiqueta fica estática
na tela por alguns minutos com as últimas informações
radaresantes de perder a detecção. O estilo tipográfico
utilizado neste sistema é fonte pixel, e diferencia o número
zero da letra “o”, utilizando um traço na diagonal no
número zero. Isso facilita para os controladores pois é
rápida diferenciação da letra e do número.
Este é um sistema que exige um grande esforço cognitivo
dos controladores, podendo levá-los ao estresse.
Figura 4 – Tela principal do sistema X-4000 – ACC Curitiba.
Fonte: arquivo pessoal
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 143
Figura 5 – Menu de tarefas relativo ao plano de voo do sistema
X-4000. Fonte: arquivo pessoal
LISATM-L2k
O sistema LISATM-L2k utilizado em Portugal para o
controle de tráfego aéreo, possui funcionalidades
semelhantes ao do sistema Sagitario, mas diferencia-se no
fato de não possuir ícones, possuindo também interface
caracter. Este sistema possui fundo das janelas nas cores
em branco e cinza claro e a seleção em algumas situações,
fica colorida, o que facilitando a leitura.
Figura 6 – Sistema LISATM-L2k. Fonte: arquivo pessoal
É interessante observar que a representação gráfica dos
voos, ocorre trambém através de uma seta, que indica a
direção do voo. Quando há interação sobre a etiqueta
eletrônica, essa fica selecionada, facilitando a visibilidade
dos objetos na tela.
Figura 7 – Sistema LISATM-L2K. Menu de interação sobre
etiqueta eletrônica. Fonte: Eurocontrol2
ORGANIZAÇÃO DA INFORMAÇÃO
As definições de escopo basearam-se nas tarefas a serem
desempenhadas pelos controladores, resultando nas diversas
funcionalidades apresentada pelo Sistema de Controle de
Tráfego Aéreo, exploradas de forma ampla no texto original
deste artigo. Para organizar essas funcionalidades, foi
utilizado a teoria de percepção humana que estuda a
Gestalt. Nesta organização, também foram definidos as
formas de agrupamento das funcionalidades, em abas,
barras de ferramentas, bem como o comportamento de
ocultar e mostrar todas as barras de interações presente na
interface. Foi levado em consideração, durante a
organização da informação os seguintes pré-requisitos: a
automação, para tornar mais autônomo o sistema com o
objetivo de minimizar a sobrecarga de trabalho dos
controladores, a linguagem utilizada nas momenclaturas e
representação gráfica da detecção radar foi mantido para
não prejudicar o modelo mental já adquirido.
TELAS DE ARAMES OU WIREFRAMES
Os wireframes desse sistema foram desenvolvidos com base
em definições de design: área de trabalho do Sistema de
Controle de Tráfego Aéreo: monitores de 28 polegadas
2048x2048px; malhas filosofais de divisão espacial:
retânglo raiz de 4; malha estrutural de 12 módulos de 133px
de largura e espaçamento entre eles de 41px e a malha
diagramacional que se define de acordo com a geração de
alternativas de wireframes estrutruais sem a informação:
2
http://search.eurocontrol.int/http://onesky.eurocontrol.
int/portal/dt?desktop.suid=uid%3Dsearchanon,ou
%3DPeople,o%3Dsearch,o
%3Decmode=basicdatabase=publicdescription=full
scope=LISBOA++Air+Traffic+Management+System-
Link+2000%2B+
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 144
Figura 9 – Definição de wireframe estrutural
Após as definições de malhas e wireframe estrutural,
aplicou-se a informação, obtendo-se o wireframe
arquitetural:
10
2
0
3
0
4
0
5
0
6
0
7
0
8
0
9
0
10
0
110
1
2
0
1
3
0
1
4
0
1
5
0
1
6
0
1
8
0
1
9
0
2
0
0
210
2
2
0
2
3
0
2
4
0
2
5
0
2
6
0
2
7
0
2
8
0
10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 120 130 140 150 160 180 190 200 210 220 230 240 250 260 270 280 290 300 310 320 330 340 350
Assinatura visual Nome do operador Latitude 220° Longitude 60°
Temperatura 25°
20/10/2009
14:33
Logoff Plano de voo Informações Relatório Ajuda
Backup
Cobertura
Mostrar/ocultar Configurações
Padrão Níveis verticais Videos-mapa 3D Imagem bruta
1 2
Turbulência Zoon Mensagens Nuvem Assistente Vetor Localizar
VRG2402
Origem: SBRJ
Tipo: DEP
Estatus: em e
spera, sem at
raso
RVSM: Homologado
Nível de cruzei
ro: 680
Destino: SBSP
V
elocidade: N0444
TAM5402
Origem: SBRJ
Tipo: DEP
Estatus: em e
spera, sem at
raso
RVSM: Homologado
Nível de cruzei
ro: 680
Destino: SBSP
V
elocidade: N0444
GOL2025
Origem: SBRJ
Tipo: DEP
Estatus: em e
spera, sem at
raso
RVSM: Homologado
Nível de cruzei
ro: 680
Destino: SBSP
V
elocidade: N0444
AZU2402
Origem: SBRJ
Tipo: DEP
Estatus: em e
spera, sem at
raso
RVSM: Homologado
Nível de cruzei
ro: 680
Destino: SBSP
V
elocidade: N0444
VRG2402
020 680
444
V Multidetecção
S01 W
VRG2402
020 680
Figura 10 – Definição de wireframe arquiterual
ESTÉTICA
Com os wireframes definidos, aplica-se o desenho de
superfície, onde é definido, logotipo, ícones, imagens,
fontes tipográficas de texto, define-se também cores e
conceito gráfico.
Aqui foi possível definir o contraste entre figura e fundo.
Foi proposto que o voos não controlados pelo posto
operador ficassem na mesma cor dos voos controlados, na
cor branca, porém em uma opacidade mais baixa para que
não se sobressaíssem aos voos controlados pelo posto.
Também foi proposto cor de fundo branco nas janelas
interativas e nas strips, bem como o cuidado com o
espaçamento entrelinhas de texto, para facilitar a leitura
dessas informações e tornar essa uma experiência
agradável. O uso de uma forma de fechamento da etiqueta
eletrônica, facilita a identificação de um grupo de
informações relativas a um voo. A família tipográfica
escolhida para apresentar as informações foi a
TiresiasPcFontZ, desenhada especificamente para uso em
tela. Possui diferenciação entre o número zero e a letra “o”,
em que o número zero possui um traço na diagonal, o que
proporciona boa visibilidade.
Figura 11 – Layout final
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 145
Figura 12 – Detalhe das Strips (informações completas sobre
um plano de voo). Da esquerda para direita: Strip utilizada
pelo sistema X-4000 e strip proposta no sistema Circinus
OS RESULTADOS
Após a conclusão deste trabalho, algumas considerações
foram observadas advindas do controlador de tráfego aéreo
de Porto Alegre, Carlos Figueira, e da empresa que
desenvolve os sistemas de controle de tráfego aéreo a
Atech. O controlador Carlos Figueira, comentou que um
sistema como este facilitaria muito o trabalho dos
controladores, pois apresenta diferentes formas de
visualização do espaço aéreo, oferece a opção de controle
do tamanho da fonte, disponibiliza interações de
minimização das strips, que facilita o uso e comentou sobre
a suavidade do tratamento gráfico, o que torna a navegação
pelo sistema agradável. Os comentários feitos pela Atech
teve alguns retornos negativos e outros positivos. Os
retornos negativos foram que algumas das coisas propostas
já formam estudadas e rejeitadas, como por exemplo:
controladores querem cada vez mais um número maior de
informações, e querem que cada vez mais que a interface
seja limpa, então o uso de janelas sobre a situação aérea
foi alvo de críticas. Outro ponto negativo, foi o uso da barra
de menus e status no topo, pois isso fisiologicamente
falando, pode causar dores musculares, principalmente das
pessoas de baixa estatura, afinal o monitor é grande, e uma
barra de menus no topo exige que o operador incline a
cabeça para trás para visualiza-lo. Os pontos positivos
foram o controle de tamanho da fonte, que atende um
número grande de operadores, com diferentes necessidades
de visualização, e o sistema de busca de voos, bem como a
opção de isolar o voo encontrado na tela para facilitar
localização e visualização dele. Os fatores estéticos também
foi um ponto positivo, porém ainda em questionamento
quanto ao desempenho de máquina para o processamento
dos recursos estéticos.
CONCLUSÃO
Atualmente os sistemas de controle de tráfego aéreo
possuem uma espécie de mouse “trackball” que,
fisiologicamente falando, pode levar a fadiga muscular o
braço do operador. A fadiga ocorre porque o operador é
quem deve adaptar-se ao aparelho, quando deveria ocorrer o
contrário, o operador deveria trazer o aparelho para perto de
si e manuseá-lo como ocorre com um mouse comum que
usamos em casa. Esse é mais um exemplo da falta de
atenção ergonômica dada ao trabalho desenvolvido pelos
profissionais de controle de tráfego aéreo. Essa desatenção
acaba elevando o estresse desses profissionais e
prejudicando a qualidade de desenvolvimento do seu
trabalho.
Outro fator importante que desenvolvedores já estão
pensando em um sistema integrado de controle e
gerenciamento de tráfego aéreo. Atualmente, os APP e os
ACC perdem a visualização dos voos que saíram do seu
limite de controle. A perda visual dos voos acaba
burocratizando e dificultando o fluxo de trabalho dos
controladores devido ao tempo despendido para localizar
esses voos, pois o operador tem que entrar em contato com
o centro que está controlando esse voo. O sistema integrado
possibilita que todo o espaço aéreo seja visível por todos os
postos de controle. O controlador deixará a sua área de
controle ampliada na tela e, no caso de emergências,
independente de quem estiver controlando o voo, poderá
dar suporte a uma aeronave que necessite de socorro. Essa
integração também agrega outras vantagens, como por
exemplo, na comunicação, na automação e nas informações
meteorológicas e aeronáuticas.
É possível perceber que muitos sistemas de controle de
tráfego aéreo no mundo enfrentam as deficiências da
Interface Gráfica Amigável (IGA). As tecnologias críticas
de controle de tráfego aéreo que deveriam ser as pioneiras
nos estudos das interfaces humano-computador e
usabilidade dos sistemas, acabam ficando atrás de muitos
jogos de computadores. Os sistemas de controle de tráfego
aéreo são atrelados ao governo e o cenário atual, que aos
poucos vem se alterando, provavelmente tenha relação com
a burocracia do governo que dificulta tais
desenvolvimentos. Conforme dito anteriormente esse
cenário está mudando, há, atualmente, uma preocupação
maior com sistemas usáveis ou que se preocupem com
fatores humanos, como o sistema Sagitario desenvolvido
pela Atech.
Com condições adequadas e ferramentas de trabalho
favoráveis, os controladores de tráfego aéreo melhorarão a
qualidade do trabalho que desenvolvem. Não podemos
esquecer que estamos falando de vidas. Vidas que cruzam
os céus e vidas de quem controlam essas vidas. Pode-se
concluir que estudos sobre Interface Gráfica Amigável
(IGA), fatores humanos e desenho de interação
apresentariam resultados positivos para outras tecnologias
críticas além do controle de tráfego aéreo. A Interface
Gráfica Amigável deve ser largamente abordada e estudada,
pois poderá oferecer melhores condições de trabalho a
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 146
profissionais que estão constantemente dedicando suas
vidas para o desenvolvimento da sociedade.
Foi possível perceber que é preciso preocupar-se com a a
interface como um todo e não com áreas isoladas, por
exemplo, escopo, estrutura, wireframe e estética como
elementos separados. O usuário no final irá perceber um
único trabalho e seu desempenho poderá avaliar todos os
envolvidos, e na verdade, todos participam do
desenvolvimento de uma única interface.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Livros
AGNER, Luiz. Ergodesign e Arquitetura de Informação:
Trabalhando com o Usuário. Rio de Janeiro: Quartet, 2006.
176p.
BARBA, Polyana; LERNER, Miriam; MORAES,
Anamaria de. O trabalho dos controladores de
aproximação de vôo do Aeroporto Internacional do Rio
de Janeiro: as causas do stress e como ele pode dificultar a
execução da tarefa. Anais do PD Design 96 Estudos em
Design AenD-BR. Rio de Janeiro: Associação de Ensino de
Design do Brasil.
BETINI, Johnni. Manual de Operação do Posto
Controlador e Assistente do Sistema de Tratamento e
Visualização de Dados do APP Brasília. Atech, 2007.
BLACKLOCK, Mark 1997, Integrating Global Air
Traffic Management. Londres, 1998.
BROD JÚNIOR, Marcos. Arte e tecnologia: infografias:
novos conceitos no ensino das artes visuais. 108 p.
Monografia (Especialização em Arte-Educação) - Fundação
Educacional Machado de Assis, Faculdade de Educação
Artística, Santa Rosa, 2001.
DIEZ, Jose Maria Gil 1984, A.T.C. Control de tráfico
aéreo. Madrid: Paraninfo, 1984. 360p.
EYSENCK, Michael W.; KEANE, Mark T. Manual de
psicologia cognitiva. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2007.
GOMES FILHO, João. Ergonomia do objeto: sistema
técnico de leitura ergonômica. São Paulo: Escrituras, 2003.
255 p.
GOMES FILHO, João. Gestalt do objeto: sistema de
leitura visual da forma. 6. ed. São Paulo: Escrituras, 2004.
127 p.
GOMES, Luiz Vidal Negreiros; MEDEIROS, Ligia Maria
Sampaio de. Retículas, Grelhas e Malhas: Noções
Fundamentais e Aplicações. Anais Graphica. Porto Alegre,
2005.
GUIMARÃES, Lia Buarque de Macedo (Ed.). Ergonomia
cognitiva. 2.ed. Porto Alegre: FEENG, 2004. (Série
Monográfica Ergonomia).
ISAAC, Anne R. Air traffic Control: Human
Performance Factors. Aldershot: Ashgate, 1999.
JUCEWICZ, Stefan. Radar. São Paulo: Asa, 1997.
MEMÓRIA, Felipe. Design para a Internet: projetando a
experiência perfeita. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005.
MEURER, Heli. Projetação de Sistema de Administração
de Sítios Virtuais: O Atualizador®. Dissertação (Mestrado
em PPGEP/UFSM). Santa Maria, 2004.130p.
MEURER, heli; SZABLUK, Daniela. Projeto E:
metodologia projetual para ambientes dígito-virtuais. Anais
do 3º InfoDesign Brasil | Congresso Brasileiro de Design da
Informação. Rio de Janeiro RJ: PUC RIO, 2009.
PREECE, Jennifer; ROGERS, Yvone; SHARP, Helen.
Design de interação: além da interação homem-
computador. Porto Alegre: Bookman, 2005.
REBELLO, Luiza Helena Boueri. Design de salas de
controle de tráfego aéreo. Anais do PD Design 96
Estudos em Design AenD-BR. Rio de Janeiro: Associação
de Ensino de Design do Brasil.
ROCHA, Heloisa Vieira da; BARANAUSKAS, Maria
Cecília C. Design e avaliação de Interfaces humano-
computador.Campinas: NIED/UNICAMP, 2003. 244 p.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 147
SAMARA, Timothy. Grid: construção e desconstrução.
Tradução de Denise Bottmann. São Paulo: Cosac Naify,
2007. 208p.
SIEWERDT, Eno. O Controle de Tráfego Aéreo. Artigo
publicado em dezembro de 2003 na revista Albatroz,
EPCAR - Escola Preparatória de Cadetes do Ar. Barbacena,
2003.
TELLES, Ana Luiza Corrêa. Ergonomia e concepção de
interfaces de dispositivos de informação e controle – O
caso dos sistemas digitais de controle distribuído. Anais do
PD Design 96 Estudos em Design AenD-BR. Rio de
Janeiro: Associação de Ensino de Design do Brasil.
Sítios virtuais
AMSTEL, Frederick van. Afinal, o que é Design de
Interação?. Curitiba, 2006. Disponível em:
http://usabilidoido.com.br/. Acesso em: setembro, 2008.
ASSOCIAÇÃO Brasileira de Ergonomia. Disponível em:
http://www.abergo.org.br. Acesso em 3 de outubro de
2009.
ATECH Tecnologias Críticas. Disponível em:
http://www.atech.com.br/. Acesso em 3 de julho de 2008.
CIRCINUS. Disponível em:
http://www.on.br/glossario/alfabeto/c/constelacao_circinus
.html. Acesso em 9 de novembro de 2008.
CONSTELAÇÃO. Disponível em:
http://astro.if.ufrgs.br/const.htm. Acesso em 9 de
novembro de 2008.
CONSTELAÇÃO de Circinus. Disponível em:
http://www.nasa.gov/centers/marshall/multimedia/photoga
llery/photos/photogallery/chandra/chandra5test.html.
Acesso em: setembro de 2009.
CONTROLE de tráfego aéreo. Disponível em:
http://viagem.hsw.uol.com.br/controle-de-trafego-
eua.htm. Acesso em: 16 de setembro de 2008.
DEPARTAMENTO de Controle de Espaço Aéreo.
Disponível em: http://www.decea.gov.br. Acesso em 27
de agosto de 2009.
EUROCONTROL Disponível em:
http://www.eurocontrol.int/index1.html. Acesso em 5 de
julho de 2008.
FEDERAL Aviation Administration. Disponível em:
http://www.faa.gov/. Acesso em 22 de agosto de 2009.
GLOSSÁRIO de termos militares. Disponível em:
http://defesabrasil.com/site/glossario/list-12.php?page=2.
Acesso em 21 de outubro de 2009.
ISB. Disponível em:
http://www.iesb.br/grad/jornalismo/na_pratica/noticias_
detalhes.asp?id_artigo=5296. Acesso em 30 de agosto de
2009.
METEOROLOGIA. Disponível em:
http://www.redemet.aer.mil.br/consulta_msg/consulta_mo
nta_tempo.php?
ID_REDEMET=q8f4jfp9j32pg16vp7rje8k2h4
PHPSESSID=q8f4jfp9j32pg16vp7rje8k2h4. Acesso em
30 de novembro de 2008.
SISTEMA de informação. Disponível em:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Sistema_de_informação.
Acesso em: outubro de 2009.
SOFTWARE. Disponível em:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Software. Acesso em:
setembro de 2009.
TIRESIAS. A family of typefaces. Disponível em:
http://www.tiresias.org/fonts/index.htm. Acesso em
outubro de 2009.
VIRGILIO, Silvia Regina. Software e engenharia de
software. Disponível em:
http://www.inf.ufpr.br/silvia/ES/SweES/SweESalunos.pdf
. Acesso em: setembro de 2009.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 148
O processo de colaboração em ambientes hipermidiáticos
na EAD: modalidades, tecnologias e design de informação
Israel Braglia, Ms.
Universidade Federal de Santa Catarina
Programa de Pós-Graduação em Engenharia do
Conhecimento
israelbraglia@gmail.com
Berenice Gonçalves, Drª.
Universidade Federal de Santa Catarina
Programa de Pós-Graduação em Design e Expressão Gráfica
berenice@cce.ufsc.br
Alice Cybis Pereira, PhD.
Universidade Federal de Santa Catarina
Programa de Pós-Graduação em Engenharia do
Conhecimento
acybis@gmail.com
RESUMO
A colaboração contribui e muito para o processo de ensino
aprendizagem em educação a distância. Sua articulação
com os sistemas hipermidiáticos favorece a troca de
conhecimento e o desenvolvimento do design da
informação na web. Assim, a partir de uma abordagem
analítica, este artigo, apresenta conceitos, modalidade e
processos tecnológicos que dão suporte a colaboração.
Aponta-se as características qualitativas e as contribuições
do processo colaborativo na internet, e sobretudo, no
contexto da educação à distância.
Palavras Chave
Colaboração, design de informação, hipermídia, educação à
distância.
ACM Classification Keywords
H5.m. Information interfaces and presentation (e.g., HCI):
Miscellaneous.
INTRODUÇÃO
A introversão e o isolamento, características dos primeiros
processos que envolviam usuários e computadores,
perderam lugar para as comunidades on-line de interação e
de equipes ativas, movimentadas por multidões de usuários
em chats, fóruns e ferramentas similares. O exercício de
conexão à internet fez juntar milhares de usuários em
listservers, visitar salas de bate-papo e preencher
comunidades on-line com informações úteis e suporte de
respostas recheadas de uma grande diversidade de
conteúdos.
O cenário geral das Tecnologias de Informação e
Comunicação (TICs) vem ampliando as possibilidades de
comunicação. As TICs beneficiam-se das potencialidades
da Internet para incorporar às situações reais um
aprimoramento para a educação a distância (EAD)
elementos como a aprendizagem informal, a aprendizagem
autônoma e a aprendizagem cooperativa para atender às
demandas da sociedade por um novo paradigma
educacional. A educação on-line é uma ação sistemática de
uso de tecnologias, incluindo hipertexto e redes de
comunicação interativa, para distribuição de conteúdo
educacional e apoio à aprendizagem, sem limitação de
tempo ou lugar (FILATRO, 2004). Sua principal
característica é a mediação tecnológica através da conexão
em rede.
A educação on-line se concretiza em diferentes
modalidades, que vão desde a educação presencial apoiada
por tecnologias até a educação totalmente à distância. O
nível de utilização das TICs depende em grande parte da
infra-estrutura tecnológica disponível (como largura de
banda e espaço em disco), da capacidade humana em lidar
com as tecnologias, e também dos objetivos e educacionais
propostos.
O processo colaborativo por estar centrado na operação do
usuário das TICs muito se relaciona com o design da
informação1
Nessa perspectiva, o presente artigo então tem como foco
apontar os principais aspectos da colaboração e suas
contribuições para os processos de interação no contexto da
educação a distância online tendo como base os estudos de
Ben Schneidermann e Catherine Plaisant (2005). Além
que está centrado na aprendizagem e apreensão
do usuário quanto ao conteúdo transmitido através das
TICs.
1
O design de informação é uma área do design gráfico que
objetiva equacionar os aspectos sintáticos, semânticos e
pragmáticos que envolvem os sistemas de informação através da
contextualização, planejamento, produção e interface gráfica da
informação, explica a professora Carla Spinillo, presidente da
SBDI. Segundo Spinillo, seu princípio básico é o de otimizar o
processo de aquisição da informação efetivado nos sistemas de
comunicação analógicos e digitais (FRED PESSOA, 2003).
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 149
disso, busca ressaltar as potencialidades do design da
informação e sua contribuição para a aprendizagem.
O POTENCIAL DO PROCESSO DE COLABORAÇÃO
A discussão sobre colaboração não é recente. Ela surge do
paralelo entre dois pontos importantes para a engenharia de
software, a colaboração e cooperação. É sutil a diferença
entre colaboração e cooperação. Esses termos expressam
formas levemente diferentes de trabalho. De acordo com
Kutova (2006) uma das definições mais antigas dentro da
área de informática, é a de James Bair (1989) que explica
colaboração como sendo a comunicação entre pessoas que
trabalham juntas e com um mesmo objetivo, porém essas
pessoas são avaliadas individualmente, e cooperação como
a comunicação em que não existe mais o conceito de
indivíduo, apenas o de grupo.
Kutova (2006) cita que num projeto colaborativo há mais
espaço para autonomia e para relacionamentos informais. A
permanência dentro do escopo pré-estabelecido é de difícil
controle e nem sempre desejada. Deve haver um estímulo à
interação entre os participantes. Já num projeto cooperativo,
existe uma interdependência positiva. As interações entre os
participantes são essenciais. É provável que surja
espontaneamente, ou de forma planejada, uma estrutura
social, com hierarquias e distribuição de responsabilidades.
As habilidades dos participantes devem ser complementares
para alcance do objetivo único do grupo. Assim, o processo
de colaboração abarca outra discussão: a interação e a
interatividade.
Segundo Silva (2008), o conceito de interação vem de
longe, entretanto o conceito de interatividade é recente.
Pode ter surgido no final dos anos 70 e início da década de
80 no contexto das novas tecnologias de informação. Um
dado que permite esta afirmação é a ausência do termo nos
dicionários de informática até meados dos anos 80.
Para Lemos (1997), a palavra interação está relacionada ao
contato interpessoal e direto chamado por ele “interação
social”; enquanto interatividade é “uma nova qualidade de
interação”, influenciada diretamente pelo meio. “Podemos
compreender a interatividade digital como um diálogo entre
homens e máquinas”.
Para Primo e Cassol (1999), a partir da definição de Steuer,
“[...] interatividade é uma extensão em que usuários podem
participar modificando a forma e o conteúdo do ambiente
mediado em tempo real”. Pode-se dizer então que
interatividade é uma forma de comunicação versátil que
permite que os usuários alterem o fluxo da informação
conforme desejarem. Primo e Cassol (1999) explicam que
para tanto, existem três fatores básicos a serem medidos. O
primeiro é a velocidade que o sistema responde ao usuário,
sendo que a resposta mais rápida permite uma maior
interatividade. O segundo fator é amplitude da interação, ou
seja, o número de elementos possíveis de serem alterados
pelo usuário. E por fim o mapeamento, que é o meio pelo
qual o usuário se conecta e se comunica com o sistema, por
exemplo, mouse, teclado ou gamepad.
Filatro (2008) propõe uma clara diferenciação entre
interação e interatividade. A interação diz respeito ao
comportamento das pessoas em relação a outras pessoas e
aos sistemas. Ela está ligada à ação recíproca pela qual
indivíduos e objetos se influenciam mutuamente. A
interatividade, por sua vez, ao descrever a capacidade ou o
potencial de um sistema propiciar interação, é um pré-
requisito para a interação (FILATRO, 2008).
PROCESSO COLABORATIVO NA EAD
As comunidades de discussão online são comumente usadas
nos sistemas de educação a distância e em cursos de
capacitação de classes presenciais (face-to-face classes).
Para encontrar o constante fluxo de mensagens pelos
instrutores é um desafio gratificante, e os estudantes estão
geralmente satisfeitos com a experiência. A essência da
aula virtual é um meio de facilitar a aprendizagem
colaborativa, muitas vezes com projetos.
A educação a distância para os alunos, permite o aumento
da sua capacidade de estar em constante comunicação uns
com os outros, e é uma forma de evidente benefício. Mas,
mesmo no campus de base dos cursos, a tecnologia
proporciona um meio muito rico para que o ambiente de
aprendizagem colaborativa ultrapasse a aula tradicional,
pela capacidade de conectar os alunos e tornar claro
materiais disponíveis em uma base de dados (HILTZ, 1992;
HAZEMI and HAILES, 2001).
A colaboração em cursos de EAD é caracterizada e
difundida pelos ambientes virtuais de aprendizagem (AVA)
ou ambientes hipermidiáticos de aprendizagem (AHA). Um
AVA consiste em uma opção de mídia que está sendo
utilizada para mediar processo ensino-aprendizagem à
distância. Nos últimos anos, os ambientes virtuais de
aprendizagem estão cada vez mais utilizados no âmbito
acadêmico e corporativo como uma opção tecnológica para
atender esta demanda educacional. Diante do exposto,
destaca-se a importância de um entendimento mais crítico
sobre o conceito que orienta o desenvolvimento ou uso
desses ambientes, assim como, o tipo de estrutura humana e
tecnológica que oferece suporte ao processo ensino-
aprendizagem (CYBIS, 2007).
Os AVAs, sintonizados com os novos paradigmas
epistemológicos da educação, privilegiam a aprendizagem
colaborativa, a construção compartilhada do conhecimento,
a interação, a subjetividade, a autonomia e o
desenvolvimento de uma consciência crítica nos estudantes.
Atraídos pelo potencial sócio-técnico dos ambientes de
aprendizagem, que fazem do digital seu suporte e pela
possibilidade de constante atualização, muitos educadores
têm se utilizado do ciberespaço como um meio para a
renovação de suas práticas pedagógicas (CIBYS, 2006). A
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 150
Interação Homem Computador (IHC) é um campo de
estudo interdisciplinar que tem como objetivo entender
como e porque as pessoas utilizam (ou não) as tecnologias
da informação (PADOVANI, 2002).
Os AVAs são projetados de acordo com a necessidade de
seus usuários. A premissa básica do design centrado no
usuário é a de que suas necessidades sejam levadas em
consideração durante todo processo de design e
desenvolvimento, o que pode ser alcançado avaliando-se o
design em vários estágios de seu desenvolvimento e
corrigindo-o para que se adapte às necessidades dos
usuários (GOULD e LEWIS, 1985). O design, portanto,
progride em ciclos interativos de design – avaliação – novo
design (redesign) (PREECE, et. al. 2005).
Os usuários preferem sistemas que sejam fáceis de aprender
e utilizar assim como eficazes, eficientes, seguros e
satisfatórios. É também essencial que alguns pontos sejam
agradáveis, atraentes, desafiadores, etc. Saber o que avaliar
a importância de avaliar e quando avaliar são, portanto,
tarefas fundamentais. Desse modo, a avaliação é necessária
para a certificação de que os usuários podem vir a utilizar o
produto e apreciá-lo (PREECE, 2002). Além disso, hoje os
usuários procuram muito mais do que um sistema usável,
como aponta a Nielsen Norman Group, uma empresa de
consultoria de usabilidade:
“A experiência do usuário” abrange todos os aspectos da interação do
usuário final... o primeiro requisito para uma experiência exemplar do
usuário consiste em encontrar as necessidades exatas do cliente, sem
ansiedade ou incomodação. A seguir, vem a simplicidade e a elegância,
que produzem produtos bons de se ter e de utilizar.
ESTRATÉGIAS (OU MODALIDADES) QUE
POTENCIALIZAM A COLABORAÇÃO
Através da interface2
Para a educação a distância a colaboração apresenta certa
amplitude de troca de saberes e contribui para o
aprendizado autodirigido. Schneidermann e Plaisant (2005)
apresentam modalidades de colaboração classificados por
eles como fatores de compartilhamento online. Quando bem
gráfica, o design de informação é
apresentado ao usuário, e que através dos sistemas de
informação, pode-se obter a colaboração do mesmo. A
colaboração online é capaz de potencializar o design da
informação através da troca e articulação do conhecimento
de seus usuários. Por este motivo, o processo colaborativo
na internet pode ser classificado de várias maneiras. A
colaboração é a articulação do usuário com a interface
gráfica e sistemas de informação.
2
A interface atua como uma espécie de tradutor realiza a
mediação entre duas partes, tornando uma sensível para a outra.
Em outras palavras, a relação governada pela interface é uma
relação semântica, caracterizada por significado e expressão
[...]Em seu sentido mais simples, a palavra interface se refere a
softwares que dão forma à interação entre usuários e o
computador. (JOHNSON, 2001, p. 17-18).
implementados, esses pontos caracterizam a interação entre
o usuário/sistema de forma qualitativa. A seguir, essas
modalidades são destacadas e comentadas.
Focada em parcerias (focused partnerships): segundo os
autores, a colaboração focada em parcerias permite o
compartilhamento através da parceria online por correio
eletrônico, bate-papo, mensagem instantânea, telefone,
mensagem de voz, vídeo conferência e outras combinações
de tecnologia.
Palestra ou demo (lecture or demo): conforme os mesmos
autores, a palestra ou demo são formatos onde a pessoa
pode compartilhar informações com o maior número de
usuários em locais remotos. A hora de início e a duração é
mesma para todos, as questões podem ser levantadas pelos
participantes. Não é necessária a manutenção do histórico
do assunto, mas a capacidade de se ter um replay é útil para
a posterior análise daqueles que não puderam comparecer –
afirmam eles.
Conferências (conferences): as conferências permitem a
comunicação de grupos distantes ao mesmo tempo (o que a
torna síncrona) ou separados ao longo do tempo (de
maneira assíncrona). Os recursos de colaboração de
conferências são utilizadas para reuniões, planejamentos,
discussões de estudos, problemas com os deveres de casa,
monitoria, etc.
Processo de trabalho estruturado (stuctured work
process): o processo de trabalho estruturado permite que as
pessoas colaborem com os papéis distintos da Organização
onde atuam em tarefas diferentes. Por exemplo, no
desenvolvimento de uma revista científica on-line um editor
projeta a apresentação, outro faz as revisões, outro a
publicação; e assim por diante. Ben Schneidermann e
Catherine Plaisant (2005) ainda dão um exemplo desse tipo
de colaboração em uma agência de seguro-saúde que recebe
notificações, e reembolsa ou rejeita as contas médicas, e até
em uma universidade que efetua admissões por comissão de
registros, opiniões ou aplicações.
Reunião de apoio à decisão (meeting and decision
support): essa colaboração pode ser realizada numa reunião
“face-to-fece” (onde todos estão presencialmente online),
em que cada usuário, utilizando o computador pode fazer
contribuições simultâneas, compartilhar idéias e arquivos e
discutir em janelas diferentes da principal de reunião.
Segundo eles, essa colaboração é ideal para votações.
Comércio eletrônico (electronic commerce): a colaboração
do comércio eletrônico é uma das mais caracterizadas e
utilizadas na web. Ela permite que as pessoas façam
pesquisas de preço, compartilhem suas opiniões sobre
produtos, sobre atendimento, sobre a, venda, serviços de
pós-venda, etc.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 151
Teledemocracia (teledemocracy): permite que pequenas
organizações, grupos profissionais, cidades, estado ou
governos nacionais possam realizar encontros para expor
documentos oficiais, documentos de constituições, ou
chegar a um consenso através de encontros online.
Conjuntos (collaboratories): de acordo com os autores, são
novas formas organizacionais para grupos de cientistas ou
outros profissionais para trabalhar em conjunto ao mesmo
tempo e no mesmo espaço, possibilitando o
compartilhamento de equipamentos caros, tais como
telescópios ou sensores de órbita. Estes grupos
compartilham assuntos de interesse e podem competir por
recursos.
Telepresença (telepresence): permite aos participantes
remotos a ter experiências que são quase como uma co-
presença física. Telepresença é a colaboração apoiada por
ambientes 3D virtuais imersivos, que muitas vezes
envolvem usuários e colocação de dispositivos eletrônicos
vestindo roupa especial, ou inseridos num ambiente
eletrônico contendo sensores para que eles possam
manipular objetos e comunicar uns com os outros no espaço
3D.
O TEMPO E O ESPAÇO NAS INTERFACES
COLABORATIVAS
A grande variedade das modalidades e estratégias de
colaboração exige uma forma de orgaização. Assim, o
modo tradicional de se decompor interfaces colaborativas é
por matriz de tempo/espaço que segundo Ellis, Gibbs, e
Rein (1991) a colaboração pode ser Síncrona ou
Assíncrona, adotando alguns pontos de distinção, conforme
a tabela 01:
Interfaces assíncronas distribuídas: lugar diferente,
tempo diferente
Esse tipo de colaboração é o precursor do avanço
colaborativo na internet. O mais famoso e difundido deles é
o correio eletrônico. Ben Schneidermann e Catherine
Plaisant (2005) afirmam que para muitos usuários, o uso do
e-mail se tornou algo tão prático como o uso do telefone.
Para outros, foi por causa dele que tiveram o primeiro
contato com o computador. O e-mail foi amplamente
apreciado por ser simples, pessoal, de rápido acesso, e por
permitir a comunicação entre parceiros comerciais ou
membros da família, ou por ser conveniente, pois cortar e
colar a partir do “de:/para:” em outros documentos é algo
extremamente fácil.
Interfaces síncronas distribuídas: mesmo tempo, lugar
diferente
Ben Schneidermann e Catherine Plaisant (2005) afirmam
que o sonho de estar em dois lugares ao mesmo tempo
agora é possível. A tecnologia avançou e hoje isso já ocorre
com o telefone e a televisão. Modernas Interfaces de
colaboração estão cada vez mais flexíveis, permitindo
distribuir grupos para trabalhar em conjunto, ao mesmo
tempo, utilizando bate-papo, instant messaging ou texting.
Colaboradores estão desejando a mais rica experiência da
voz humana, que pode ser utilizada por áudio ou vídeo
conferência.
Interfaces síncronas face-to-face: mesmo tempo,
mesmo lugar
A colaboração no mesmo tempo e no mesmo lugar,
conforme Ben Schneidermann e Catherine Plaisant (2005) é
comumente utilizada em setores empresariais onde um time
de pessoas trabalha no mesmo lugar e utiliza diferentes
formas de tecnologia para compartilhar documentos e
arquivos. Salas de reuniões eletrôncias, controle de salas e
locais públicos (eletronic meeting rooms, control rooms
and public spaces). Esse tipo de colaboração é utilizado
para conferências, escolas, reuniões com brainstorming,
votações, etc. Outra forma de eletrocnic meeting que está
ganhando força na educação tanto infantil quanto em
faculdades é o uso do smart board. Em EAD já é comum o
processo de monitoria em meeting rooms e encontros online
de discussão nos ambientes virtuais de aprendizagem.
Interfaces assíncronas de local: tempo diferente,
mesmo lugar
Esse tipo de colaboração também é muito utilizado, porém
não tanto quanto o de mesmo lugar e ao mesmo tempo.
Esse pode ser representado, conforme os autores, por um
time de pessoas que trabalha no mesmo lugar e utiliza
diferentes formas de tecnologia para compartilhar
documentos e arquivos em tempos diferentes. Esse tipo de
colaboração é aplicado em programação de equipe,
calendários de grupo, equipment logs, ordem de serviços,
agenda, etc.
Mesmo Tempo Tempo Diferente
Mesmo
lugar
Síncrona de local
(face-to-face),
controle de salas,
reuniões,
secretarias,
projeções na
parede ,
instalações e
prédios)
Assíncrona de local
(programação de
equipe, calendários
de grupo, equipment
logs)
Lugar
diferente
Síncrona
distribuída (bate-
papo, mensagens
instantâneas,
vídeo / áudio
conferência)
Assíncrona
distribuída (e-mail,
newsgroup, usenet,
listservers, quadros
de discussão,
conferencias, blogs,
wikis, comunidades
online)
Tabela 1: Pontos de Colaboração
Fonte: Schneidermann (2005)
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 152
Contudo, porém, muitas ferramentas tecnológicas estão
disponíveis, mas cabe ao design instrucional, indicá-las de
acordo com a abordagem pedagógica do curso, o público
que pretende atingir, dentre outras especificidades. O certo
é que elas auxiliam a aprendizagem e aumentam a
“sensação de pertencimento”, aumento o vínculo com o
curso evitando o abandono. O sucesso da aplicabilidade do
uso das TICs especificamente para a EAD se dá através de
um mediador como tutoria, monitoria e suporte online para
direcionamento e acompanhamento do processo do
aprendizado.
MECANISMOS DE COLABORAÇÃO E COMUNICAÇÃO
Os tipos de conhecimento que circulam em diferentes
ambientes sociais são diversos, variando entre grupos
sociais e diferentes culturas (PREECE, ROGERS e
SHARP, 2005). Isso parece ser evidente quando ocorre a
interação. A seguir, descreve-se três categorias de
mecanismos sociais de sistemas tecnológicos que podem
ser projetados para facilitar a colaboração e a comunicação:
• O uso de mecanismos conversacionais para facilitar o
fluxo de conversa e ajudar na superação de falhas
durante a mesma;
• O uso de mecanismos de coordenação para permitir que
as pessoas trabalhem juntas e interajam;
• O uso de mecanismos de percepção (awareness) para
descobrir o que está ocorrendo, o que os outros estão
fazendo e, da mesma forma, para permitir o que os
outros saibam o que está acontecendo.
(PREECE, ROGERS e SHARP, 2005).
Mecanismos conversacionais
Basicamente os mecanismos conversacionais permitem as
pessoas coordenar suas “conversas”, tornando possível
saber como iniciá-las e interrompe-las. Assim, a “conversa”
e amaneira como ela é realizada constituem uma parte
fundamental da coordenação de atividades sociais. Um dos
desafios dos designers é considerar como os diferentes tipos
de comunicação podem ser facilitados e apoiados em
ambientes onde há a possibilidade de existirem obstáculos
que a impeçam de acontecer “naturalmente”. São exemplos
o e-mail, videoconferência, videofones, conferência por
computador, salas de bate papo (chat) e troca de
mensagens, além dos sistemas menos familiares como os
ambientes virtuais colaborativos (AVCs) e os media spaces.
Mecanismos de coordenação
A coordenação acontece quando um grupo de pessoas atua
ou interage em conjunto para atingir algo. Em geral, as
atividades colaborativas exigem a coordenação de usuário a
usuário, desse modo, pode-se dizer que a coordenação
colaborativa envolve a comunicação verbal e não verbal, as
agendas (shchedules), regras e convenção, e, as
representações extremas compartilhadas.
Em suma, os mecanismos de coordenação servem para
coordenar ações e registrar a comunicação de seus usuários
(como uma secretária que descreve a ata de uma reunião
com várias pessoas), utilizar esquemas de organização de
pessoas e regras à uma tarefa (como permitir que um aluno
possa assistir mais de uma aula em um dado momento, ou
não permitir que um professor dê mais de uma aula ao
mesmo tempo) e fazer a representação externa de
informações compartilhadas (como, por exemplo, os
calendários das disciplinas).
Assim, as agendas, os calendários compartilhados, os
organizadores eletrônicos de compromissos, ferramentas de
gerenciamento de projetos e ferramentas de workflow que
fornecem formas interativas de organização e planejamento
são alguns dos principais tipos de tecnologias colaborativas
desenvolvidas para fornecer suporte à coordenação
(PREECE, ROGERS e SHARP, 2005).
Mecanismos de percepção (awareness)
Conforme Dourish e Bly (1992), a percepção envolve saber
quem está por perto, o que está acontecendo e quem está
falando com quem. A percepção é uma habilidade da
pessoa em saber o que está ocorrendo no contexto físico e
social, observando atentamente o que está acontecendo à
periferia de seu foco de visão (como perceber pessoas que
estão de mau humor pela maneira como estão falando, com
que rapidez estão comendo ou bebendo, como entrou na
sala, etc). Conforme Preece, Rogers e Sharp (2005), as
várias observações a respeito da percepção levaram os
desenvolvedores de sistemas a considerar como melhor
fornecer informações de percepção para pessoas que
precisam trabalhar juntas, mas que não se encontram no
mesmo espaço físico. Várias tecnologias foram empregadas
a fim de transmitir informações sobre o que as pessoas
estão fazendo e o progresso de seu trabalho em andamento.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 153
IDENTIFICAÇÃO DE MECANISMOS DE COLABORAÇÃO
EM UM AVA
Para ilustrar os pressupostos das bases de colaboração de
Preece, Rogers e Sharp (2005), foi analisado o AVA de um
curso à distância de aperfeiçoamento profissional na área de
qualidade e segurança de alimentos – o ABNT NBR ISO
22000: 2006. Neste ambiente virtual de aprendizagem foi
possível observar a presença dos mecanismos
conversacionais, dos mecanismosde coordenação e de
percepção.
Figura 1: interface do AVA do curso
A interface do curso em questão . apresenta muito texto e
poucas imagens, além de abarcar os mecanismos de
colaboração.. O AVA do curso utiliza como mecanismos
conversacionais, as salas de bate papo (chat) onde os alunos
trocam idéias e debatem/discutem entre si sobre os assuntos
tratados no curso, conforme a figura 2 e os fóruns de
discussão das aulas. Os fóruns de acordo com a figura 3,
são divididos em tópicos de discussão e subdivididos na
discussão dos alunos. Ao clicar sobre um tópico, o
usuário/aluno encontrará a opinião de outro usuário/aluno
sobre o assunto, e poderá responder seus apontamentos num
campo específico que ficará publicado no ambiente como
sua colaboração à discussão em vigor, conforme a figura 4.
Figura 2: ferramenta chat do curso
Figura 3: interface do fórum do curso
Figura 4: ferramenta do fórum do curso
Já com relação aos mecanismos de coordenação, o AVA
possui a ferramenta agenda, representada na figura 5. Este
mecanismo cumpre a função de coordenação de projetos e
publicações de atividades e conteúdos previstos.
Figura 5: mecanismo de agenda do curso
Além da agenda, existe o mecanismo configurar tópicos,
que permite a liberação de tópicos ou bloqueio dos mesmos
ao alunos, quanto tempo (em horas ou em dias) os tópicos
das aulas ficaram disponíveis, além de limitar quem poderá
ter acesso ao conteúdo, e se será possível ter acesso a vários
tópicos ao mesmo tempo, ou não, conforme a figura 6.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 154
Figura 6: interface do mecanismo “configurar tópicos”.
Por mecanismo de percepção, o AVA do curso apresenta o
quadro de avisos, que além de informar os registros dos
andamentos dos trabalhos, serve como “lembretes”, fazendo
com que os usuários do sistema estejam cientes do que está
ocorrendo no contexto dos estudos, observando atentamente
o que está sendo desenvolvido, como ilustra a figura 6.
Além do quadro de avisos, o AVA apresenta a ferramenta
cronograma que administra o cronograma do curso,
apresentando o documento da disciplina em formato .pdf,
conforme a figura 7.
Figura 6 e 7: mecanismo de percepção “quadro de avisos” e
“cronograma”.
Além de todos esses mecanismos analisados, o AVA
apresenta ainda outras ferramentas como sala de aula, que
permite publicar os conteúdos referentes às aulas, glossário,
biblioteca, ambiente de grupo para atividades em grupos,
além de várias ferramentas de correção de trabalhos e
emissão de certificados.
CONCLUSÃO
Longe de abraçar todas as contribuições que o processo de
colaboração oferece para a EaD, este artigo teve como foco
a colaboração para a EaD contribuindo para o processo de
interação online.
Nesse fértil contexto, a modalidade de educação a distância
é potencializada pela colaboração através de seus AVAS,
culminando em uma educação cada vez mais próxima e
mais personalizada, na qual os sujeitos envolvidos têm o
relativo privilégio de escolher a melhor forma de ensinar ou
de aprender. Além de privilegiar ainda a permuta de
conhecimentos em rede e, com isso, tornar fecundo o
campo para o surgimento de comunidades de aprendizagem
que ocorre somente por meio da hipermídia criada com o
design de informação. Com relação ao ambiente virtual
avaliado, ele apresentou mecanismos de percepção e
mecanismos de coordenação que apóiam o processo de
aprendizagem, além dos mecanismos conversacionais (as
salas de bate papo (chat) e os fóruns) ferramentas que
potencializam os processos colaborativos em si.
No âmbito dessa discussão pode-se perceber que existe
certa fusão na relação da colaboração ao planejamento para
a EAD – que se apresenta como a responsável pelo
gerenciamento de informação e exposição do conhecimento
de seus usuários. Essas articulações possibilitam a criação
de conteúdos didáticos adaptados aos usuários através da
criação de banco de modelos de usuários. Por fim, a junção
do processo colaborativo ao design de informação culmina
num fator potencializador para aprendizagem e
conhecimento no ensino a distância em que são capazes de
gerar um produto de aprendizagem apto a suprir as
necessidades dos alunos/usuários apresentando de forma
interativa a informação do conteúdo e facilitando a
aquisição e a troca do conhecimento.
REFERÊNCIAS
1. Bair, J.H. Supporting cooperative work with
computers: addressing meetingmania.
COMPCON Spring apos;89. Thirty-Fourth IEEE
Computer Society International Conference:
Intellectual Leverage, Digest of Papers. Disponível
em:
http://ieeexplore.ieee.org/Xplore/login.jsp?url=ht
tp%3A%2F%2Fieeexplore.ieee.org%2Fiel2%2F23
1%2F7454%2F00301929.pdf%3Farnumber%3D3
01929authDecision=-203 Acesso em: 13 abr.
2009
2. CYBIS, Walter. BETIOL, Adriana Holtz. FAUST,
Richard. Ergonomia e Usabilidade. São Paulo –
SP: Novatec, 2006.
3. FILATRO, Andréa. Design Instrucional
Contextualizado, Senac São Paulo, São Paulo-SP,
2004.
4. HAZEMI, R. HAILES, S. The Digital University
- Building a Learning Community. Heidelberg –
Verlag, Germany: Springer. 2001.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 155
5. JOHNSON, S. Cultura da interface: como o
computador transforma nossa maneira de criar
e comunicar. Rio de Janeiro: Zahar. 2001
6. KUTOVA, Marcos A. S. Colaboração x
Cooperação. Das minhas leituras, 9 de outubro de
2006. Disponível em:
http://blog.kutova.com/2006/10/09/colaboracao-
x-cooperacao/ Acesso em: 10 abr. 2009.
7. LEMOS, A. L. M. Anjos Interativos e
Retribalização do Mundo. Tendência Xxi,
Lisboa, v. 2, p. 19-29, 1997.
8. PADOVANI, S. Avaliação ergonômica de
sistemas de navegação em hipertextos fechados.
In: Design e avaliação de interface. Rio de
Janeiro – RJ: IUsER, 2002.
9. PEREIRA, Alice T. AVA em Diferentes
Contextos. Rio de Janeiro – RJ: Ciência Moderna,
2007.
10. PREECE Jeniffer. ROGERS, Ivonne. SHARP.
Helen. Design de Interação. São Paulo – SP:
Bookman, 2005.
11. PRIMO, A. F. T. AND CASSOL, M. B. F., 1999.
Explorando o conceito de interatividade:
definições e taxonomias. [online]. Disponível em:
http://usr.psico.ufrgs.br/~aprimo/pb/pgie.htm
12. SHNEIDERMAN, Ben; PLAISANT, Catherine.
Designing the user interface. Strategies for
effective Human-Computer Interaction.
Pearson, 2005.
13. SILVA, M. Que é interatividade? Boletim
Técnico do SENAC, Rio de Janeiro, v. 24, n. 2, p.
27-35, 1998.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 156
Aplicação de Matriz de Prioridade na verificação de
preferências de leitores na compra de livros em livrarias
online
RESUMO
Este artigo relata pesquisa sobre preferências de leitores na
compra de livros em livrarias online através da aplicação de
Matriz de Prioridade em duas etapas: a primeira fase
utilizou-se matriz critério x critério; a segunda fase utilizou-
se matriz alternativa x alternativa. Os resultados apresentam
os fatores considerados mais determinantes pelos
respondentes para auxiliar na análise e decisão de compra
de livros.
Palavras-chave
Comércio eletrônico, modelo mental, design de informação
INTRODUÇÃO
A pesquisa1
Vendas do Setor Editorial Brasileiro, realizada
pela FIPE - Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas -
relativas ao mercado de 2007 (CONDE, 2008) apresenta
dados relevantes para o estudo do setor de livrarias online.
Os dados apresentam um salto 285% nas vendas de livro
pela Internet: passou de 891 mil exemplares em 2006 para
3,433 milhões em 2007. Apesar deste aumento considerável
nas vendas online, esta saída representa apenas 1,71% do
total de livros vendidos. As livrarias físicas continuam
como o principal canal de comercialização, com 47,69% do
total. As vendas para distribuidoras, representam 21,58%,
apesar da queda no número de exemplares vendidos de
13,28% em relação a 2006. Vendas de porta a porta
representam 9,61% (fig.1). Atualmente, estatísticas da e-
commerce.org.br, com base em dados da e-Bit, indicam que
o número de e-consumidores vem aumentando
progressivamente desde 2007, ano que apresentava um total
de 9,5 milhões de e-consumidores. Em 2008 este total subiu
para 13,2 milhões (crescimento de 39%), em 2009 a
totalidade passou para 17,6 milhões (crecimento de 33%) e
a estimativa para 2010 é de 23 milhões (crescimento de
30%), gerando um faturamento estimado de 13,60 bilhões.
A pequena representatividade da venda online de livros
indica que há um enorme campo para o aprimoramento do
comércio eletrônico do mercado livreiro no Brasil . Em
pesquisas sobre modelo mental de leitores em livrarias
físicas e lojas online (2008) e estudos sobre design centrado
no usuário (ABRAS, MALONEY-KRICHMAR e PREECE
2004) demonstram que a disponibilização de informação de
qualidade e a construção de um sistema a partir das
necessidades do usuário podem ser de grande importância
para a mudança deste quadro.
Figura 1. Porcentagem de vendas de livros nas diferentes
saídas, publicado no O GLOBO de 1/10/2008.
A partir destas questões e dando continuidade às discussões
levantadas sobre fatores de possível influência na decisão
de compra nas ramificações física e online de livrarias
(2008), procurou-se identificar através da Matriz de
Prioridade a escala das características consideradas
importantes por leitores na hora de comprar livros pela
internet. As características estudadas tem base nos
resultados obtidos em questionários aplicados online com
69 usuários (ibidem). Utilizou-se a técnica Matriz de
Nota1: os resultados da pesquisa Vendas do Setor Editorial Brasileiro,
realizada pela FIPE relativas ao mercado de 2007, foram publicados em
artigo no caderno ProsaVerso do jornal O Globo de 1/10/2008
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 157
Prioridade - MP (COSENZA 1996, p.153) para verificar a
ordem de preferência de 6 características determinadas
importantes para compra em um site de livraria com vendas
online.
A Matriz de Prioridade (MP) aplica-se em situação onde um
grupo de pessoas depara-se com várias alternativas, tendo
que ordená-las de acordo com sua importância para o
alcance do objetivo proposto. A MP direciona a análise das
alternativas de forma lógica e sistemática, levando em
consideração o conjunto de critérios que servirá de
parâmetro para orientar a decisão.
Embora seja uma técnica de aplicação que demanda um
tempo prolongado, dada a quantidade de matrizes a serem
construídas, a Matriz de Prioridade apresenta maior
probabilidade de acerto em função de sua metodologia, que
obriga a avaliação e ponderação dos critérios entre si, bem
como, das alternativas em relação a cada um dos critérios.
ETAPA 1: MATRIZ CRITÉRIO X CRITÉRIO
A Matriz de Prioridade é aplicada em duas etapas: critério x
critério e alternativa x alternativa. A lista de critérios
selecionados para a primeira fase (critério x critério) foram:
1. manusear e folhear virtualmente um livro;
2. informação sobre autor e outras obras de sua autoria;
3. identificar livro com grupo de interesses afins;
4. opinião e recomendações de outros leitores;
5. preço;
6. sinopse/resenha.
A Matriz Critério x Critério consiste em comparar os
critérios pré-determinados entre si e determinar sua
hierarquia. A matriz foi aplicada pela internet através do
aplicativo Google docs em forma de questionário múltipla
escolha, onde os participantes responderam comparações
entre os critérios, atribuindo diferentes graus de
importância. O aplicativo foi mantido ativo até o número de
acessos se estabilizar. Isto ocorreu na terceira semana. Foi
escolhido o Google docs para esta primeira fase, para
facilitar o acesso de respondentes de vários estados
brasileiros.
Os participantes foram selecionados a partir de questionário
online aplicado anteriormente e depois, separados em dois
grupos distintos: respondentes com maior experiência em
compras de livros online (total de 47 pessoas contatadas) e
respondentes com uma única ou nenhuma experiência de
compra de livros pela internet (total de 16 pessoas
contatadas). Entre os convidados para esta etapa,
concordaram em participar 30 leitores do grupo com maior
experiencia e 9 leitores do grupo com menor experiência.
Os resultados foram somados e analisados separadamente
com intuito de verificar a existência de diferenças e
similaridades entre os dois grupos.
Os respondentes foram convidados individualmente por e-
mail com texto padrão. Posteriormente, além de receberem
agradecimento automático do Google docs, foram também
agradecidos individualmente por e-mail.
Estrurura da Matriz Critério x Critério
De acordo com as regras da MP os critérios recebem pontos
relativos ao seu grau de importância percebido pelos
respondentes:
- muito mais importante: 10 pontos
- mais importante: 5 pontos
- igual importância: 1 ponto
- menos importante: 0,2 ponto
- muito menos importante: 0,1 ponto
Os pontos foram distribuidos em uma tabela (fig.2) de
acordo com as respostas. A pontuação de cada critério foi
somada ao final e totalizada nos resultados de todos os
participantes.
Calculou-se a porcentagem referente aos pontos para
verificar a ordem de importância de cada critério segundo
expectativas dos respondentes. Solicitou-se que para cada
pergunta comparativa, fossem feitas observações livres.
Figura 2. Exemplo de aplicação da Matriz Critério x Critério
com o respondente.
ETAPA 2: MATRIZ ALTERNATIVA X ALTERNATIVA
Para a segunta etapa da Matriz de Prioridade, preparou-se
uma tabela para cada critério e compararam-se alternativas
(livrarias online) sob o ponto de vista de cada critério
isoladamente. Três livrarias foram selecionadas através de
levantamento inicial com características mais
representativas e complementares dentro da definição
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 158
comércio misto de livro pela e-commerce.org. O
procedimento de seleção está explicitado mais adiante neste
artigo. Os valores atribuídos seguiram a mesma escala do
procedimento da matriz da primeira etapa (fig.3).
Foram convidados a participar desta etapa seis especialistas
de diferentes áreas, com visões diferentes do design. São
das áreas antropologia, belas artes, economia, literatura
comparada, publicidade e usabilidade.
Figura 3. Exemplo de aplicação da Matriz Alternativa x
Alternativa com o especialista.
Os especialistas foram convidados pessoalmente e a matriz
foi aplicada individualmente. Foi utilizado sempre um
computador com acesso à internet para possibilitar
comparações e esclarecimento de dúvidas relacionadas às
livrarias escolhidas. Os horários foram escolhidos de modo
a melhor acomodar os respondentes. A duração média da
aplicação individual desta etapa foi de 20 minutos. A figura
4 mostra a tabela com a abrangência de especialização de
acordo com o gênero.
Figura 4. Perfil dos especialistas.
Para a segunda etapa foram utilizados apenas os critérios 1)
informação sobre o autor e outras obras de sua autoria, 2)
sinopse e 3) preço. A escolha de apenas três critérios para
esta etapa deveu-se ao fato de as lojas online nacionais
escolhidas como objeto de estudo não apresentarem os
outros critérios. Nenhuma das 3 livrarias apresenta a
ferramenta folhear virtualmente um livro até o momento da
aplicação da MP. Apesar de observado espaço para inclusão
de opiniões de leitores nas 3 livrarias, não foi notada a
exposição destas opiniões nos sites.
A escolha do critério identificação de livro com grupo de
interesses afins para avaliação teve base na utilização de
hipermídia adaptativa (MURTHI 2003 e MONAT 2006)
aplicada em alguns sites estrangeiros (como a
Amazon.com). A coleta de dados por páginas visitadas,
livros escolhidos e deixados para trás, e compras anteriores
possibilitam aplicação de marketing one-to-one (MURTHI
e SAKAR 2003, p.1344-1347, PEPPER e ROGER 1997,
p.63) para instigar novas compras a partir de uma primeira
escolha (people who bought this product also bought... da
Amazon). Os autores (Peppers e Roger 1997, p. 62)
indicam que este processo de utilizar dados captados de
internautas para sugerir soluções personalizadas, pode
trazer indicações de produtos condizentes com as
expectativas dos consumidores.
No entanto, apesar do critério identificação de livro com
grupo de interesses afins ser mostrado como opção nas
livrarias pesquisadas, foi retirado da Matriz Alternativa x
Alternativa: o resultado desta opção na livraria Travessa
expõe livros de mesma autoria do livro inicial, recaindo a
outro critério já avaliado (informação sobre o autor e outras
obras de sua autoria); a livraria Nobel exibe livros com
baixo índice de sucesso nos itens relacionados, baseada em
uma catalogação extremamente básica; a livraria Siciliano
apresenta erro para o link produtos relacionados, enquanto
que produtos do mesmo artista apresenta sempre os exatos
mesmos resultados (“As razões da independência”, “A hora
do rush 2” e “Direito comercial – obrigações mercantis”)
independentemente de que livro é escolhido como base para
pesquisa. A única opção que se aproxima do critério
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 159
identificar livro com grupo de interesses afins é o link
produtos da mesma área.
SELEÇÃO DAS LIVRARIAS ONLINE PARA A PESQUISA
A seleção das livrarias para esta segunda etapa, seguiu
parâmetros que atendesse as diretrizes escolhidas para a
pesquisa.
Para descobrir os websites com potencial para preencher os
requisitos, foi feito uma procura através do Google com
utilização da palavra-chave “livraria”. Os resultados
totalizam 62 páginas com um total de 612 links. Todos os
resultados encontrados nesta procura possuem conteúdo
relacionado com a palavra-chave “livraria”. Os sites
resultantes foram analisados individualmente. Percebeu-se
uma contínua repetição de resultados a partir da página 36.
Foram selecionadas as livrarias brasileiras que possuissem
tanto loja física quanto loja online. Buscou-se atender as
características apresentadas pelo e-commerce.org como
representativo de comércio misto. Para representar uma
livraria com variedade de assuntos, o negócio livreiro
pesquisado deveria possuir títulos em quatro categorias
distintas: infantil, culinária, ficção e arte. A escolha destas 4
categorias como filtro para seleção tiveram base em
observações pessoais efetuadas pelo pesquisador durante
pesquisas anteriores e paralelas a MP sobre o comércio
livreiro de modo a representar melhor livrarias com
abrangência temática em seus negócios. Sites de livrarias
que não apresentassem livros em todas estas categorias
eram descartados. Como procurou-se livrarias com
diversidade de categorias, consequentemente as lojas
especializadas em determinado assunto ou área foram
excluídas. Os sites escolhidos como alternativa para a
matriz deveriam oferecer a possibilidade de compra com
cartão de crédito e entrega de produtos em âmbito nacional.
Apenas 10 sites se mostraram de acordo. A partir desta pré-
seleção, livrarias online com venda de produtos variados de
varejo foram desconsiderados. A preferência foi para
livrarias mistas que vendessem também CDs, DVDs e
artigos de papelaria, considerando sua importância
percentual de vendas pela internet junto ao livro em
território nacional, de acordo com pesquisas da e-
commerce.org.
As livrarias Travessa, Siciliano e Nobel foram selecionadas
pelos filtros aplicados e tem características complementares
relevantes para a pesquisa. A Travessa é um negócio local
(Rio de Janeiro), a Siciliano é espalhada nacionalmente,
enquanto a Nobel possui lojas internacionais (Portugal,
Espanha e Argentina). Apesar da Siciliano e Nobel serem
vinculadas a editoras, os selos da siciliano não carregam seu
nome (Caramelo, ARX Jovem), enquanto que a Nobel sim.
Ao contrário das outras duas, Nobel é uma livraria
franquiada.
Apesar da similaridade entre Siciliano e Saraiva, esta última
foi descartada por oferecer produtos muito variados além de
papelaria e por atualmente serem do mesmo grupo
comercial.
Considerando os recursos disponíveis e a necessidade de
presença física nas livrarias para outras etapas da pesquisa
descartou-se a livraria Cultura cujas lojas são fora do Rio de
Janeiro.
RESULTADOS DAMATRIZ CRITÉRIO X CRITÉRIO
Segundo a totalidade dos valores atribuidos pelos
participantes com maior experiência de compra pela
internet, tem-se o fator mais importante na decisão na
compra de um livro em livraria online o critério
informações sobre o livro pela sinopse, representando
24,8%. O segundo critério mais importante na decisão de
compra teve empate técnico com 22% para informação
sobre autor e outras obras de sua autoria e 21,9% para preço
(considerado um dos grandes atrativos em compras pela
internet – BAKOS 2001, TAMINI 2005). Manusear e
folhear o livro virtualmente (apontado com grande
importância nas compras em livrarias físicas – RENZI,
SANTOS e FREITAS 2008), apresentou 12.6% de
preferência na compra online. Opinião e recomendação de
outros leitores teve 10,4%. Identificar o livro como parte
de grupo com interesses afins (8%) teve a menor pontuação.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 160
Figura 5. Resultados da Matriz Critério x Critério com
respondentes mais experientes em compra online de livros.
Os resultados obtidos com os respondentes de pouca
experiência de compra online foram similares (fig.6).
Houve apenas posicionamento invertido entre os critérios
identificar o livro como parte de grupo com interesses afins
(5˚ lugar) e opinião e recomendação de outros leitores
(6˚lugar).
Figura 6. Resultados da Matriz Critério x Critério com
respondentes menos experientes em compra online de livros.
RESULTADOS DA ETAPA ALTERNATIVA X
ALTERNATIVA
Para os seis especialistas participantes, a livraria Travessa
mostrou-se a melhor indicada segundo critérios de
informação sobre autor e obras de mesma autoria, preço e
sinopse, com 70,1%, 47,4% e 55% das escolhas,
respectivamente. A Siciliano se mostrou em segundo lugar
tanto no preço (38,4 %), quanto sinopse (27,2%). E Nobel
ficou em segundo lugar apenas quanto a informação sobre
autor e obras de mesma autoria (22,2%). Em todos os três
critérios, o site da Travessa se sobressaiu com grande
diferencial (fig.7).
Figura 7. Resultados da segunda etapa.
Aplicando os valores no cálculo da Matriz Final, onde:
∑etapa 1 x ∑etapa 2 = ∑final
tem-se a livraria Travessa como melhor opção das 3
livrarias online com 57,8% dos pontos. A livraria Siciliano
mostrou-se em segundo lugar com 24,6% dos pontos e a
livraria Nobel em terceiro, com 17,6% dos pontos.
DISCUSSÕES E OBSERVAÇÕES
Apesar de preço e descontos serem considerados um dos
principais atrativos de compra pela internet (PROVAR-
FIA), o preço não se mostrou dentro da mostragem desta
pesquisa como fator mais importante na hora de decidir
comprar em livrarias online. Confirmando resultados de
pesquisa de Renzi, Santos e Freitas (2008), informação de
qualidade mostra-se fator de grande importância quando um
leitor busca livros pela internet (fig.6). Resultados da
Matriz de Prioridade indicam informação da sinopse como
critério mais importante e informações sobre autor e outras
obras de mesma autoria em segundo lugar (junto ao critério
preço), entre pessoas com maior experiência de compra
online de livros.
Duas observações captadas na aplicação da Matriz Critério
x Critério podem exemplificar os dados:
- “Comprar um livro de um autor desconhecido só por que
ele é baratinho é jogar dinheiro fora.”
- ”Para mim, o preço do livro é algo que só é definitivo na
decisão de compra se ele for impeditivo. Tipo um livro
muito caro... Daí, ou espero ele baixar de preço, ou fico
atenta a promoções e outras oportunidades. Mas para a
maioria dos livros, com preços na média de mercado, o
preço não pesa muito na decisão.”
Notamos também que o critério folhear virtualmente um
livro (uma informação visual sobre o livro) confirma-se
como atrativo principalmente como auxiliar visual para
verificação de informações internas de livros, como
sumário, assuntos tratados, autores envolvidos (no caso de
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 161
livros com coletâneas de autores e artigos), imagens (em
livros que imagem são um tópico importante, como livros
infantis) e verificação de correlacão entre conteúdo e título.
A possibilidade de manusear livros também foi considerado
a maior vantagem de se comprar livros em livrarias físicas
por 86,9% dos respondentes em questionário aplicado
online (RENZI, SANTOS e FREITAS 2008).
Acrescentando ainda observação de outro respondente: “É
fundamental que haja um trecho do livro para ser apreciado
e avaliado, incluindo sumário, apresentação (no caso de
obras de referência) ou simplesmente o primeiro capítulo ou
um trecho dele em obras literárias.”
Outras observações que despertaram atenção referente ao
manuseio virtual de um livro:
- “Em relação ao manuseio online de livros, acho que o
ponto mais importante é o acesso ao índice do livro.”
- “Acredito que oferecer a opção de manusear e ainda
oferecer essas informações complementares mostra
credibilidade ao produto.”
- “Diversas vezes, a qualidade do conteúdo, ou
simplesmente o achado de uma informação específica,
muito procurada, acabou fazendo com que eu
reconsiderasse uma compra que a princípio teria descartado
pelo preço”
- “Não deixo de comprar porque não manuseei, mas sem
dúvida isso pode icentivar a compra, sobretudo de livros
ilustrados ou de fotos.”
Apesar de constatação da importância deste critério,
nenhuma das 3 livrarias pesquisadas apresentou esta
possibilidade para o consumidor até o momento da
pesquisa. Foi verificado poucos meses depois, durante
aplicação da técnica Think-aloud Protocol (2009) que a
livraria Travessa passou a disponibilizar o aplicativo de
folheamento virtual da Google. O aplicativo, no entanto, é
oferecido para um número muito limitado de livros
(lançamentos e destaques) e sua localização é de dificil
percepção cognitiva de acordo com os participantes. A
visualização do interior do slivros foi considerada pelos
entrevistados longe de simular a do folheamento de livros:
sua passagem de página é vertical e em forma de listagem.
Apesar disto, foi considerado muito positivo a utilização de
topicos do sumário em forma de links possibilitanto o
usuário a acessar diretamento um capitulo com um clique.
A livraria Cultura oferece a possibilidade de “baixar” um
arquivo pdf referente somente ao primeiro capítulo de
alguns livros, mas sem a exposição do índice, ou
possibilidade de “folhear virtualmente” para atribuir uma
experiência mais próxima à necessidade do brasileiro de
manusear objetos antes da compra (RANGEL 1999, apud
MIRANDA 2005, p. 87).
Apesar do critério “identificar livro com grupo de interesses
afins” ter se apresentado em 5˚ lugar de importância dentro
da matriz de prioridade, não podemos ignorar resultados
anteriores (2008) onde usuários entrevistados indicaram
receber positivamente indicação personalizada de livros. A
indicação personalizada é gerada a partir de dados coletados
durante visita do usuário ao site relacionando preferências
do internauta com outros e com próprias visitas anteriores.
Este tipo de processo é denominado marketing one-to-one,
por Peppers e Roger (1997, p. 62) e descrito como
processo de utilizar informações captadas de um
consumidor para incidir soluções personalizadas para
aquele, pode trazer indicações de produtos condizentes com
as expectativas dos consumidores.
Referente a estas sugestões geradas pelo site, 63% dos
respondentes dizem “ficar ao menos curiosos para ver as
indicações apresentadas”. Os autores (ibidem, p.63)
sugerem que ao invés de vender-se um produto para o
máximo de consumidores possíveis durante período de
venda definido, um sistema com marketing one-to-one usa
banco de dados coletados do consumidor e comunicação
interativa para vendê-lo o máximo de produtos e serviços
possíveis pela vida toda. É uma estratégia que requere
gerenciamento individual por parte do negócio eletrônico. A
Amazon.com exibe estes resultados através das opções
better together (melhor juntos) e costumers who bought
items like this also bought (consumidores que compraram
itens como este também compraram).
Resultados dos pesquisadores Senecal e Nantel (2004)
sistemas de recomendação em lojas online com base em
dados coletados sobre os consumidores se mostraram uma
influência mais eficaz na decisão de compra dos
respondentes, com 77% (vinho) das recomendações
escolhida como compra. Recomendações de experts
tiveram segundo lugar na influência, mas com uma
proporção bem menor, com 52% das indicações finalizarem
de fato em compra. Em terceiro lugar, as indicações de
outros consumidores tiveram 39% de efetividade. Segundo
conclusões dos autores, consumidores são de fato
influenciados por sistemas de recomendação em suas
decisões de compra online. Produtos sob indicação de
sistemas de recomendação com base em dados coletados
sobre os e-consumidores foram selecionados para compra
duas vezes mais.
“A opinião de outros leitores é importante, mas o mais
interessante é a informação sobre o que eles também
compraram, que pode levar a descoberta de novos títulos e
autores. Isso vai gerar uma pesquisa sobre o título e o autor
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 162
recomendado e pode levar a uma compra no futuro”
(respondente 8).
Figura 8. Reações de internautas à indicações personalizadas
de livros com base em coleta de dados de visitas anteriores.
As 3 livrarias apresentam ferramenta de mesma
denominação, mas não foi considerada válida como
representativa deste critério: suas aplicações se mostraram
insatisfatórias, ou ainda, com resultados errôneos sob o
ponto de vista dos especialistas convidados para a segunda
etapa. Para um dos especialistas a Nobel parece utilizar uma
correlação de produtos, mas por conta de uma catalogação
simplista, traz resultados por vezes errôneos. Exemplo: O
arqueiro (editora Record), com catalogação literatura
estrangeira/romance resulta em indicações de livros que em
nada são relacionados com o primeiro (confusão do estilo
literário romance, com história romântica). Para outro
especialista quase não dá para localizar a opção de
indicação. O link é visualmente igual e próximo ao link de
prazo de entrega.
A apresentação mais destoante exposta pelos especialistas
ficou por conta da Siciliano, indicando exatamente os
mesmos 3 itens para qualquer livro utilizado como
referência-base. Após o encerramento da pesquisa,
observou-se atualização do sistema de recomendação da
Siciliano durante aplicação do Think-aloud Protocol, mas
ainda considerado pelos usuários como ineficiente e por
vezes trazer dúvidas quanto a veracidade da escolha inicial
de livro. A Nobel desativou posteriormente a possibilidade
desta ferramenta quando juntou-se a empresa Galeria de
compras.
O critério Opiniões de outros leitores não apresentou tanta
importância aqui como observado nos Estados Unidos,
onde 98% dos consumidores leem declarações de terceiros
antes de decidir comprar um produto, com 5% destes
indicando pesquisarem por até mais de uma hora as
opiniões expostas (BEARNE 2008). Foi observada a
tentativa de coletar opiniões de leitores em alguns sites, mas
sem a exposição dos resultados.
O critério sinopse, sendo o mais valorizado para decisão de
compra na matriz de prioridade, é apresentado por vezes
com texto igual, notando-se inclusive que alguns erros de
gramática eram repetidos nas 3 livrarias pesquisadas. A
qualidade de informação da sinopse mostrou-se mais
completa em livros recém lançados, em destaque ou que
fizessem parte de alguma sequência de publicações da
mesma história onde mostravam referências particulares
dos outros livros da série.
As informações sobre o autor e obras de mesma autoria, são
restritas à exposição de outras publicações de mesma
autoria, salvo informações sobre o cultuado Machado de
Assis na Travessa. Isso foi observado por um dos
especialistas durante entrevista. O site da Travessa expõe
links dos tradutores de determinados livros (não todos) para
outras obras com sua participação. Quando se tratando de
livros infantis, é possível encontrar outros livros através de
links ativos nos ilustradores.
CONCLUSÕES
Comparando as observações da Matriz de Prioridade, com
resultados anteriores referente às expectativas dos usuários
na compra de livros e resultados coletados por observação
da tarefa (Think-aloud Protocol) da procura de livros online
é possível verificar algumas questões que contribuem para
uma representatividade de baixas vendas pela internet,
quando comparada às outras saídas de livros.
Atualmente nas livrarias online no Brasil, existem acessos
às informações quanto a sinopse e autor de livro. A
profundidade da informação está diretamente relacionada se
o título em questão pertence ou não à categoria de destaque
e lançamento. Esta variação de atenção da livraria torna
muito difícil para o leitor conhecer e decidir comprar títulos
fora do âmbito bestseller, ou recém-lançados. Em casos
onde existam diferentes edições de uma mesma publicação,
observaram-se informações confusas e imagens e sinopses
por vezes trocadas. Isso resulta em imediata incerteza sobre
qual seria o livro correto a comprar, além de despertar
receio de efetuar compra errada e diminuição de
confiabilidade no site.
A grande maioria dos leitores que utilizam lojas online
fazem procura objetiva. Preferem utilizar livraria física para
procura aleatória pela possibilidade de manusear o livro e
ver outras opções (RENZI, SANTOS e FREITAS 2008). A
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 163
falta de informação de qualidade e da possibilidade de
manusear o livro, mesmo que virtualmente, dificulta a
possibilidade de o leitor conhecer melhor um livro que
venha a “esbarrar” durante a nevegação do site. Se o leitor
estiver muito curioso sobre o livro “esbarrado” (e ainda
lembrar o seu nome), precisará visitar a livraria física para
conhecer mais sobre o livro antes de decidir comprá-lo. A
possibilidade de um venda aleatória pode ser perdida por
um simples esquecimento de nome ou, com o tempo, a
perda de curiosidade sobre o livro.
Mesmo em procuras e compras objetivas, a impossibilidade
de acesso à títulos correlacionados com dados, catalogação
e informação de qualidade torna extremamente difícil a se
adquirir outros produtos a partir de uma primeira escolha.
Considerando a importância dada à informações sobre autor
e a receptividade positiva verificada com livros indicados
(de interpolação correta de dados), o público mostra-se
pronto para mudanças.
Próximos estudos serão direcionados à livraria física com
intuito de observar se além de manusear livros, informações
consideradas importantes na decisão de compra online
podem ter mesma importância em uma busca na loja física.
AGRADECIMENTOS
Gostariamos de agradecer a todos os 69 participantes e 6
especialistas que se dispuseram a contribuir com seu tempo
para a pesquisa respondendo ao questionário, à entrevista e
inclusão voluntária de observações.
REFERENCES
1. Abras, C., Maloney-Krichmar, D., Preece, J. User
Centered Design. W Encyclopedia of Human-
Computer Interaction (2004). Thusnd Oaks: Sage
Publications
2. Bearne, S. Consumers rate luxury brand sites poorly
for quality of experience, New Media Age (2008) F 28.
3. Bakos, Y. The emerging landscape for retail e-
commerce. Journal of economic perspectives – 2001.
Vol.15, number 1 – winter – p.69-80.
4. Conde, M. 2008. Prosa online – O Globo, 1/10/2008.
5. Cossenza, O.N. Manual de técnicas de conclaves. - 2
edição (1996) – Rio de Janeiro. 173. - (IPR. Publ. 656).
6. Miranda, F. Estudo ergonômico de websites de
comércio eletrônico: seleção do produto pelo usuário
no processo de compra. Dissertação (2005) PUC-Rio
7. Monat, A.S., Sérgio, B.. Aplicando técnicas de
hipermídia adaptativa em jornais online, Textos
selecionados de design 1 (2008), 178-198
8. Murthi, B.P.S., Sarkar, S. The role of the management
sciences in reasearch on Personalization. Managemente
Science / Vol.49, No10, October 2003.
9. Pepper, D., Roger, M. Making the transition to One-to-
one marketing. Inc. 1997. v.19 – Janeiro.
10. Renzi, A.B., Freitas, S., Santos, R. Avaliação de fatores
de influência na usabilidade no processo de procura e
compra de livros online na Americanas.com, Anais do
congresso 8˚USIHC (2008).
11. Renzi, A. B., Freitas, S., Santos, R. Expectativas dos
usuários nos processos de procura e decisão de
compras de livros em lojas virtuais e livrarias: um
modelo mental, Anais do congresso Abergo 2008.
12. Renzi, A.B., Freitas, S. Aplicação de Think-aloud
Protocol em teste de usabilidade na procura de livros
em livrarias online: recomendação de leitores.
13. Senecal, S., Nantel, J. The influence of online
recommendations on consumers’ online choices.
Journal od Retailing 80 (2004) 159 - 169
14. Tamini, N., Sebastianelli, R., Rajan, M. What do online
costumers value? Quality progress (2005) 35-39 |
Scranton, PA | July.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 164
Avaliação de Usabilidade em contexto de mobilidade:
observação de uso do aplicativo do Facebook para iPhone
Brenda de Figueiredo Lucena, Mestranda
Pontifícia Universidade Católica – PUC Rio
Rua Marquês de São Vicente, 225, Gávea - Rio de Janeiro, RJ
brenda@brendalucena.com.br
ABSTRACT
O presente artigo apresenta a elaboração, aplicação e um
conjunto de análises resultantes de uma avaliação de
usabilidade do aplicativo do Facebook para o celular
iPhone. Para tal, foram utilizadas observações participativas
associada ao método de pensar em voz alta para comparar o
uso do aplicativo por usuários frequentes e eventuais.
São apresentadas particularidades de uma avaliação de
usabilidade em contextos de mobilidade, além de apresentar
questões referentes à inconsistências da interface gráfica, à
fatores ergonômicos e às diferenças de percepção, pelos
dois perfis de usuários estudados, do modelo conceitual do
aplicativo.
Palavras-chave do autor
Usabilidade, ergonomia, rede social, celular, pensar em voz
alta, observação participativa
ACM Classification Keywords
H.1.2 User/Machine Systems: Human factors. H.5.1
Multimedia Information Systems. H5.2. User Interfaces.
INTRODUÇÃO
O intuito geral deste artigo é compreender melhor as
questões envolvidas no uso de aplicativos para celulares,
como estudo e exploração do tema pela autora para sua
dissertação de mestrado em andamento, na qual, visa
identificar o potencial de sistemas de Realidade Aumentada
em celulares visando interações sociais.
Como, a princípio, qualquer aplicativo desenvolvido para
qualquer marca e sistema operacional de celular poderia ser
o objeto da pesquisa, foi realizado um questionário por e-
mail a 13 pessoas que possuem celulares de última geração,
sendo sua grande maioria smartphones.
Os questionários aplicados tinham apenas como objetivo
encontrar o aplicativo e o celular de uso mais frequente, a
fim de facilitar o acesso aos usuários e aos dispositivos
utilizados para uma avaliação de usabilidade que pode ser
definida como:
a facilidade de uso e a aceitabilidade de um
sistema para uma classe particular de usuários com
a realização de tarefas específicas em um ambiente
específico (Holzinger, 2005).
Foi identificado através dos questionários que o aplicativo
do Facebook, sítio de rede social, era o mais usado em
celulares iPhone. Um indício de confirmação do achado de
Nielsen (2009) em seu relatório de usabilidade em
celulares. No relatório, é detectado que a média de sucesso
no acesso de sítios em celulares era expressivamente maior
em celulares com telas maiores e touch screen, como o
iPhone. E que serviços como os de redes sociais são
altamente adequados para uso em celulares, portanto, sem
esclarecer exatamente quais seriam os fatores que tornariam
o uso de redes sociais tão adequados para este meio.
Haveria então um conjunto de fatores para o uso de
aplicativos do Facebook em celulares iPhone ser tão
frequente para a classe particular de usuários abordada
através do questionário?
Na busca de compreender melhor as questões envolvidas no
uso do aplicativo, foram selecionados, dentre o grupo que
respondeu o questionário anterior, dois perfis de usuários:
os que fazem uso eventual e os que fazem uso frequente do
Facebook. Esses dois grupos de usuários foram observados
e os dados coletados foram comparados com o objetivo de
identificar fatores que indicassem erros recorrentes,
satisfações subjetivas, a fim de demonstrar a curva de
aprendizado do usuários eventuais, dentre outras
elucidações.
QUANTO AOS MÉTODOS UTILIZADOS E À APLICAÇÃO
DAS ENTREVISTAS
Para investigar algumas situações de uso do aplicativo do
Facebook (versão 3.1.2) para iPhone foi escolhido utilizar a
observação participativa que, como apontam Goetz e
LeCompte (apud Bogdwic, 1992), pode ser “um meio para
suscitar das pessoas as maneiras pelas quais elas constroem
Cópias digitais ou impressas deste artigo são permitidas desde que sejam
para uso pessoal ou em sala de aula e com as devidas referências, não se
prestando para fins comerciais. Por favor, mantenha este aviso na primeira
página.Interaction South America 2010 - 2 a 4 de dezembro, Curitiba –
Paraná – Brasil. Copyright 2010 IxDA Curitiba
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 165
suas definições de realidade e do modo como elas
organizam o seu mundo”.
Todas as observações foram realizadas em contexto de uso
pois acreditava-se que fatores externos, do ambiente,
poderiam trazer surpresas para o desempenho da interação
ou influenciar a interação de algum modo. Portanto, antes
de se agendar as observações, os usuários foram
questionados quanto ao local e circunstância de uso mais
frequente do aplicativo.
Para guiar tais observações foram criados três cenários de
uso, com uma descrição narrativa informal (Carrol, 2000
apud Preece, 2005) das tarefas que deveriam ser
completadas.
Em dois dos cenários foram abordadas tarefas que
envolviam apenas a visualização de informações pelo
aplicativo, o que foi classificado como um cenário de uso
passivo (ver tabela 1).
Cenário 1 - Caráter passivo de uso
Você está querendo matar o tempo e resolve
acompanhar um pouco do que acontece no seu
Facebook. Ao navegar pelo Facebook, acha uma
história de um amigo com muitos comentários e
resolve ver mais do que está acontecendo. Ao
terminar de ler todos os comentários relativos à esta
história você se lembra que alguns de seus amigos
fazem aniversário este mês e decide verificar os
próximos aniversariantes.
Cenário 2 - Caráter passivo de uso
Ao passear pela news feed” do seu Facebook, você
fica curioso com um link externo apresentado. Você
acessa o sítio externo e volta para o Facebook para
continuar lendo outras histórias.
tabela 1
No último cenário, classificado como ativo, foram
abordadas tarefas em que o usuário interage com o
aplicativo acrescentando conteúdo (ver tabela 2).
Cenário 3 - Caráter ativo de uso
Você está passeando e tira uma foto com seu celular.
Então, resolve compartilhar a experiência com seus
amigos no Facebook. Faça o upload desta imagem e
depois vasculhe o feed de fotos.
tabela 2
Os entrevistados foram selecionados quanto à frequência de
uso do aplicativo, sendo todos os escolhidos pertencentes
ao universo dos participantes do questionário supracitado.
Portanto, em função desta seleção reduzida, foram
escolhidos quatro usuários que faziam uso frequente do
aplicativo, aqueles que o utilizavam uma ou mais vezes por
dia, e quatro usuários eventuais do aplicativo, aqueles que o
utilizavam no máximo uma vez por semana. Por acaso,
ambos os grupos escolhidos eram formados por dois
homens e duas mulheres.
Dentro do possível, as entrevistas foram agendadas de
modo a serem feitas em sequência por um mesmo perfil de
usuário a fim de facilitar a identificação de padrões de uso
na fase de análise.
Antes do início de cada entrevista os usuários eram
instruídos quanto aos cenários de uso e lhes era pedido que
verbalizassem o que iriam fazer ou tentariam fazer durante
a interação, com o intuito de examinar as estratégias que as
pessoas utilizam para solucionar problemas (Erikson e
Simon, 1985). Este método, desenvolvido por Erikson e
Simon, é denominado pensar em voz alta e visa obter o
que o usuário está pensando, dessa forma, seus processos
de raciocínio são exteriorizados (Preece, 2005).
Em uma das observações, do grupo de usuários frequentes
do aplicativo, o usuário se recusou a pensar em voz alta.
A observação foi concluída, porém, não foi considerada
para esta pesquisa. Portanto, para efeitos de comparação,
uma observação do grupo do usuários eventuais foi também
desconsiderada. Ao final, foram consideradas para análise
três entrevistas de cada grupo.
Cada observação foi documentada em audiovisual, através
de uma câmera digital com tripé portátil (figura 1) que era
segurada pela pesquisadora (figura 2) de modo a capturar a
tela do aparelho celular, enquanto outras observações
relativas ao comportamento dos observados, assim como
comentários feitos por eles, eram anotados logo após o
término da entrevista.
figura 1 figura 2
A escolha por utilizar uma câmera portátil para registrar as
sessões foi tomada após a realização do teste piloto. Nele,
foram realizadas algumas tentativas de se obter uma captura
em vídeo da interação como um todo através de uma
câmera fixa, assim, seria possível que a pesquisadora
ficasse livre para realizar anotações que fossem além da
observação da tela do aplicativo como as expressões dos
participantes. Porém, a câmera fixa deixava o usuário em
posição desconfortável e até mesmo invadia sua área de
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 166
visão, interferindo na interação natural do usuário com o
aparelho celular.
RESULTADOS E ANÁLISES
Os resultados das observações são apresentados
separadamente por cenários de uso. Há ainda, subdividindo
os cenários, categorias de conteúdo que são uma maneira
sistemática, confiável de se codificar o conteúdo em um
conjunto significativo de categorias mutuamente
exclusivas (Williams et al, 1988). Estas categorias foram
escolhidas dentre questões significativas apontadas pelo
conteúdo dos vídeos coletados e são ortogonais, não se
sobrepondo umas às outras de maneira alguma (Preece,
2005).
Os dados coletados de cada grupo (de uso frequente e de
uso eventual) são dispostos lado a lado com finalidade de
comparação. Ao final dos resultados de cada tarefa há a
conclusão da análise de conteúdo.
As imagens de captura de tela do iPhone são utilizadas
como apoio à narrativa e estão relacionadas ao grupo de uso
frequente e/ou ao grupo de uso eventual.
Cenário 1 - Caráter passivo de uso
Acesso inicial do aplicativo.
figura 3 - agrupamento de
aplicativos no iPhone
figura 4 - tela inicial do
iPhone
Uso frequente Uso eventual
P5 e P6 - Faz
agrupamentos dos
aplicativos na tela inicial
do iPhone.
Nenhum usuário faz
agrupamentos dos
aplicativos na tela inicial
do iPhone.
Os entrevistados que fazem uso frequente do aplicativo do
Facebook organizam a tela inicial do iPhone de modo que
os aplicativos que usam com mais frequencia sejam mais
acessíveis.
News Feed longa
Uso frequente Uso eventual
P1 - Não tem o costume de
ficar navegando pelas
histórias das pessoas.
Como tem muitos amigos,
não tem paciência.
Comentou dos amigos que
não tem vida e publicam
muitas histórias,
aumentando seu news
feed.
P6 - Acessa com mais
frequência a seção
notificações, não tem
tempo de navegar pela
news feed.
Nenhum comentário dos
participantes.
A news feed não é uma funcionalidade muito acessada
pelos usuários frequentes.
Acesso aos comentários.
Ícones pequenos distinguem as funcionalidades comentar
e gostar, além de serem apresentados em uma mesma
figura 5 - News Feed figura 6 - Ler comentários
Uso frequente Uso eventual
P1 e P6 - Confundiu o
ícone de comentários de
outras pessoas com o
ícone de gostar.
P2, P3 e P4 - Completa
todo o cenário sem
apresentar dificuldades.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 167
hierarquia gráfica, fazem com que os usuários menos
atentos não percebam a diferença, o que os induz ao erro.
Os usuários frequentes estão tão habituados com o uso do
aplicativo que agiam com mais rapidez, refletindo menos
que os usuários eventuais antes de clicar.
Acesso à funcionalidade Aniversários.
figura 7 - menu
do aplicativo
figura 8 - página
Aniversários
Uso frequente Uso eventual
P1 e P5 - Acertivos com a
localização dos próximos
aniversariantes.
P6 - Encontra a
funcionalidade na segunda
tentativa:
Não se lembrava da
localização da
funcionalidade
Aniversariantes. Ficou
ansioso por não saber,
repetindo a si mesmo: Eu
tenho que saber! Depois de
procurar no ícone Friends,
acha os aniversariantes em
Events, porém, estranha
que não são mostrados
somente os aniversariantes
do mês, mas sim uma lista
com os aniversariantes do
ano, agrupados por meses,
em ordem cronológica
(figura 8).
P2 - Encontra a
funcionalidade na terceira
tentativa.
Procura em Friends
primeiro, depois no botão
+. Ao clicar no botão +,
o usuário menciona que
achava que adicionaria um
ícone a mais no seu menu.
Ao encontrar a
funcionalidade desejada, o
usuário exclama:
É claro, aniversário é um
evento!
P3 e P4 - Encontram a
funcionalidade na terceira
tentativa.
Procuram em Friends,
depois dentro do próprio
perfil, em Profile.
Todos os usuários eventuais tiveram dificuldade de
encontrar os aniversariantes do mês pois não é clara a
associação de eventos a aniversários. Ao comparar com os
resultados dos usuários frequentes, acredita-se que uma vez
feita esta associação, o caminho é memorizado pelo
usuário.
Comparação com sítio acessado via desktop.
figura 9 - primeira página do sítio Facebook para desktop
figura 10 - primeira página do sítio Orkut para desktop
Uso frequente Uso eventual
Nenhuma comparação feita
pelos participantes
P3 - Faz comentário
relativo à outra atividade
que não é proposta no
cenário de uso, menciona
portanto: Uma coisa que
eu acho ruim do aplicativo
é que não dá para bater
papo com os meus
amigos.
Entretanto, a
funcionalidade “chat” é o
ícone que aparece na parte
central do menu do
aplicativo (figura 7).
Ao ter a funcionalidade
apontada pela
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 168
pesquisadora, a
entrevistada complementa
que está acostumada com o
sítio do Facebook no
desktop e esperava que,
enquanto lesse a news
feed, seus amigos
pudessem interrompê-la
(figura 9).
P2 - Ao encontrar a
funcionalidade de
Aniversários do
aplicativo do Facebook, o
usuário comenta: Mas eu
estou acostumado com o
Orkut, onde aparece na
minha home as
informações principais
(figura 10)
Usuários eventuais do aplicativo para iPhone esperam
estruturas e lógicas semelhantes às encontradas no sítio do
Facebook e de outras redes sociais no desktop. Enquanto os
usuários frequentes já se familiarizaram com a estrutura
particular do aplicativo em comparação com a estrutura da
versão para desktop do sítio.
Cenário 2 - Caráter passivo de uso
Acesso a um link externo
figura 11 - link externo
Uso frequente Uso eventual
P1 e P6 - Acessam o link
externo sem problemas.
P5 - Confunde link
externo com link de fotos
P3 e P4 - Acessam o link
externo sem problemas.
de outros usuários.
Assim como na funcionalidade de comentários e de
gostar em que há um pequeno ícone que as diferencia, o
mesmo recurso é utilizado para diferenciar um link externo
de um link para acesso à fotos de outros usuários. Como é
apenas um detalhe que diferencia um botão de outro, o
resultado é a confusão dos usuários mais desatentos.
Mais uma vez é um usuário frequente do aplicativo que é
lesado por um detalhe, pois age com rapidez e reflete
menos que os usuários eventuais antes de clicar.
Atualizações do aplicativo
Uso frequente Uso eventual
P1 - Ao ser solicitada para
acessar um link externo, a
usuária comenta: Isso é muito
chato pois o aplicativo do
Facebook fecha e abre o
Safari.
Fica surpresa ao perceber que
é aberto um browser dentro do
próprio Facebook. Chega à
conclusão de que o aplicativo
foi atualizado e ela não ficou
sabendo da melhoria e
simplesmente evitava clicar
em links externos por ser
inconveniente.
Não houve comentários
pelos usuários.
As comunicações de melhorias a cada nova versão lançada
não são bem comunicadas aos usuários ou são inexistentes.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 169
Cenário 3 - Caráter ativo de uso
Tirando a fotografia
figura 12 - Botão para
fotografar
figura 13 - Escrever legenda
Uso frequente Uso eventual
P1 - Sai do aplicativo do
Facebook e abre outro
aplicativo (More Lomo)
para tirar a foto. Disse
preferir levar mais tempo
para tirar uma foto, mas ter
uma imagem de melhor
qualidade.
P6 - Sai da news feed e
acessa a seção Photos
para tirar uma foto.
Poderia ter acessado a
funcionalidade a partir da
própria news feed (figura
12)
P1, P5 e P6 - Não
percebem que podem
escrever uma legenda para
a foto tirada. Adicionam
um comentário na foto
depois de publicá-la.
P3 e P4 - Realizam a
fotografia e adicionam
uma legenda na imagem
antes de publicá-la. Todos
os passos ocorrem sem
apresentar dúvidas.
P2 - Nunca havia tirado
uma foto pelo Facebook.
Sai do aplicativo para tirar
a fotografia, mas ao voltar
para o aplicativo e subir a
imagem, clica no ícone de
foto (figura 12) e tira
novamente a mesma
fotografia.
Escreve uma legenda na
imagem antes de publicá-
la.
Há diferentes percursos para completar a ação de publicar
uma foto tirada pelo usuário. Nem sempre os usuários
recorriam ao percurso mais curto, mas não necessariamente
ficavam insatisfeitos ou irritados pelo trajeto. Há outros
fatores de satisfação do usuário além do tempo ou da
quantidade de cliques ao se realizar uma tarefa, como por
exemplo, ter uma imagem de melhor qualidade publicada.
Botão write a caption... passa despercebido pelos usuários
frequentes, mas não pelos usuários eventuais. Na verdade o
botão foge do padrão de botões apresentados até então, uma
inconsistência do aplicativo.
Botões pequenos
Uso frequente Uso eventual
Não houve achados P2 - Clica três vezes antes de
conseguir clicar no link
externo com sucesso (figura
11)
P2 - O botão para acesso à
câmera fotográfica (figura 12)
era próximo ao botão que leva
ao menu do aplicativo, o que
o fazia esbarrar nesse outro
botão. Clica duas vezes no
botão errado antes de obter
sucesso.
O mesmo usuário, homem, em duas ocasiões diferentes teve
dificuldade de acessar um botão corretamente pois os
mesmos eram muito pequenos para os seus dedos.
Acesso ao feed de fotos
figura 14 - Atualizações de
fotos
figura 15 - navegando pelas
Atualizações de fotos
Uso frequente Uso eventual
P1 - Encontra a
funcionalidade na segunda
tentativa.
Entrou erroneamente na
pasta que exibe suas
próprias imagens antes de
P2 - Questiona se há feed
de fotos. Encontra a
funcionalidade na terceira
tentativa.
P3 - Encontra a
funcionalidade na quarta
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 170
acertar.
P5 - Tentou procurar
dentro da seção Photos,
sem sucesso.
Chega à conclusão que o
news feed mostra tudo,
conclui que não tem um
feed específico de fotos. A
pesquisadora intervém e
diz que há um feed
específico de fotos, mas
sem indicar o caminho. O
usuário então rapidamente
acha o que foi pedido.
P6 - Encontra a
funcionalidade na quarta
tentativa.
Não sabia que existia uma
seção para ver histórias de
fotos. Imagina que está
dentro da news feed, mas
não encontra. Procura
dentro das seções friends
e photos, também sem
sucesso. Volta à news
feed, encontra e comenta:
Sempre me confundi com
essa história de news feed
e live feed do Facebook.
tentativa.
P4 - Encontra a
funcionalidade na terceira
tentativa.
Acessa um perfil específico,
depois a sua própria pasta
de fotos, até que encontra a
seção desejada.
A funcionalidade era desconhecida por ambos os grupos e
houve uniformidade com relação a quantidade de tentativas
(entre duas e quatro) até se achar a funcionalidade desejada.
O botão live feed, dentro da seção news feed (figura
12), na verdade funciona como um filtro para diversos tipos
de atualizações que o usuário pode ter acesso. Quando a
news feed está selecionada, ou seja, quando é mostrado ao
usuário as atualizações mais relevantes de seus amigos, o
nome do botão aparece como live feed.
O usuário pode então clicar no botão live feed, no caso de
estar na seção news feed, e selecionar outros tipos de
filtros de atualizações, como por exemplo, atualizações de
fotos, links ou status. A forma de botão (figura 15)
confunde o usuário já que, na verdade, o botão tem
comportamento de filtro.
Essa inconsistência da interface gerou confusão e induziu
ao erro ambos os grupos de usuários.
Bugs e acesso à internet
Durante as observações, o aplicativo travou duas vezes em
circunstâncias semelhantes e precisou ser reiniciado. Em
quatro das observações houve problemas de conexão, em
uma delas a conexão estava lenta, em outra havia alguma
configuração do iPhone que estava bloqueando o acesso à
rede 3G da operadora e em duas outras um proxy da rede
wi-fi utilizada bloqueava o acesso a determinados sítios.
Nenhuma ocorrência impediu a realização dos testes,
resultando apenas em atrasos.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Quanto à preparação e à aplicação dos testes
Durante a coleta e análise dos dados foi possível constatar a
importância do pesquisador realizar as observações
acompanhado de mais de uma pessoa. É necessário
interagir com o entrevistado, conversar com ele, operar o
equipamento que será utilizado para o registro da seção,
observar o comportamento e expressões do entrevistado,
além de fazer anotações durante a observação. São muitas
variáveis a serem observadas em um curto período de
tempo, o que torna a coleta de dados uma tarefa complexa
para apenas um pesquisador.
A opção de utilizar a câmera digital portátil impossibilitou a
pesquisadora de realizar anotações durante a observação, o
que provavelmente resultou em perda de informações
relativas ao contexto da interação. Isso reitera a necessidade
das observações serem realizadas com mais um
pesquisador.
Por outro lado, o uso de câmera e tripé de mão foram
flexíveis o suficiente para acompanhar usuários que se
movimentavam ao interagir com o aparelho celular. Como
por exemplo, se movimentar pelo ambiente em busca do
melhor enquadramento para uma fotografia. Entretanto,
foram encontradas algumas limitações, tal como: não é
sempre possível captar com clareza a imagem da tela do
celular pois ora o usuário passa a mão pela frente do visor,
ora o ambiente fica muito claro, ora a câmera não alcança o
ajuste de foco automático a tempo de registrar toda a
interação. Mesmo assim, foram fatores contornáveis pois a
observação foi transcrita imediatamente depois da
entrevista.
Para obter um registro de dados mais completo, seria
desejável ter, além do vídeo do ato da interação do usuário
com o aparelho celular, a captura das telas do aplicativo em
estudo.
Quanto à avaliação do aplicativo
A princípio, acreditava-se que os usuários eventuais do
aplicativo encontrariam mais dificuldades, por conhecerem
menos o aplicativo, e a presente pesquisa procurava
identificar a curva de aprendizado desses usuários eventuais
em comparação aos usuários frequentes. Entretanto, as
observações apontam para usuários frequentes apressados.
Eles organizam, agrupam seus aplicativos para acessá-los
mais rápido. Em contrapartida, são menos reflexivos
durante a interação, logo, pequenos detalhes da interface
não são percebidos, o que os induz à falhas.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 171
Usuários eventuais do aplicativo para iPhone esperam
estruturas e lógicas semelhantes às encontradas no sítio para
desktop do Facebook e de outras redes sociais. Eles
estabelecem um paralelo entre o modelo conceitual do
aplicativo e do sítio, tentando repetir um mesmo modelo
mental. Em contrapartida, os usuários frequentes já se
familiarizaram com o modelo conceitual do aplicativo.
Norman (1983) já apontava que os usuários estabelecem
seus modelos mentais, em relação a dispositivos interativos,
através de analogias. Porém, ele se referia a busca por
estabelecer comparações entre o mundo físico e o mundo
digital. Há entretanto, como o resultado deste estudo
aponta, analogias também inapropriadas, porém, analogias
entre dispositivos interativos.
Há funcionalidades que podem ser acessadas a partir de
diferentes seções do aplicativo, o que resulta em diferentes
percursos para se chegar a um mesmo fim. Um caminho
mais longo, entretanto, quando traz recompensas ao usuário
como a melhora na qualidade de uma imagem, é uma opção
e não indicou a insatisfação do usuário.
Já as inconsistências da interface gráfica geram confusão e
induzem ao erro ambos os grupos de usuários, como no
caso do botão write a caption que foge ao padrão, ou no
caso do botão/filtro da seção news feed. Gerando isso sim
muita insatisfação.
Além disso, o tamanho reduzido da tela de um celular,
mesmo do iPhone que tem uma das maiores telas em
comparação a outros celulares, parece não ter sido levado
em consideração pelos designers da interface do aplicativo
estudado. Ícones muito pequenos distinguem
funcionalidades muito próximas, ou botões também muito
pequenos fazem os usuários com dedos maiores acessarem
outros links indesejados.
AGRADECIMENTOS
A presente pesquisa foi desenvolvida no curso de
Introdução à Interação Humano Computador, ministrado
pela professora Clarisse Sieckenius de Souza, no
departamento de Informática da PUC Rio. Gostaria de
agradecer à profa
. Clarisse pelos direcionamentos durante
e após a pesquisa, à MJV – tecnologia e inovação pelo
suporte durante a empreitada do mestrado, à Isabel Adler
pelas revisões e compartilhamento de referências e à todos
que participaram da pesquisa cedendo seu tempo e
paciência.
REFERÊNCIAS
1. Erikson, K. Simon, H. Protocol analysis: verbal reports
as data. Cambridge: MIT Press (1985).
2. Holzinger, A. Usability engineering methods for
software developers. Commun. ACM 48,1 (Jan. 2005)
DOI= http://doi.acm.org/10.1145/1039530.1039541
3. Mobile Usability. Alertbox, July 20, 2009.
http://www.useit.com/alertbox/mobile-usability.html.
4. Norman, D. Some observations on mental models. In
Gentner, D. and Stevens, A.L. Mental Models.
Hillsdale, NJ: Lawrence Earlbaum Associates (1983)
5. Preece, J. Rogers, Y. Sharp,H. Design de Interação.
Além da Interação homem-computador. Porto Alegre:
Bookman (2005).
6. Williams, F. Rice, E. Rogers, M. Research methods and
the new media. New York: The Free Press (1988).
7. Bogdewic, S. P. Participant Observation. In B. F.
Crabtree and W.L. Miller (eds.), Doing Qualitative
Research. Newbury Park, CA: Sage (1992)
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 172
Implementando Acessibilidade em um Sistema de Gestão
de Aprendizagem através do Design Centrado no Usuário
Virgínia Chalegre, Fabrício Teles, Audrey Vasconcelos
Centro de Informática, Universidade Federal de Pernambuco
Caixa Postal 7851 CDU Recife PE 50732-970, Brasil
{vcc, fst, abv}@cin.ufpe.br
ABSTRACT
The era of digital inclusion has made accessibility a
requirement increasingly essential to Web pages, since this
environment plays a key role in the daily life of people with
special needs. This paper presents the first results towards
the accessibility of a learning management system, through
the user centered design, taking into account expectations
of visually impaired users, and accessibility guidelines
proposed by the WAI/W3C.
RESUMO
A era da inclusão digital tem tornado a acessibilidade um
requisito, cada vez mais, essencial para as páginas Web,
uma vez que este ambiente desempenha papel fundamental
no cotidiano das pessoas com deficiência. Este artigo
apresenta os primeiros resultados rumo à acessibilização de
um sistema de gestão da aprendizagem, através do design
centrado no usuário, levando em consideração as
expectativas de usuários com deficiência visual, bem como
as diretrizes de acessibilidade propostas pela WAI/W3C.
Palavras-chave
Acessibilidade, Learning Management System, Design
Centrado no Usuário.
ACM Classification Keywords
H.5.3 [HCI]: Web-based interaction.
INTRODUÇÃO
Estabelecer normas gerais e critérios básicos para a
promoção da acessibilidade a pessoas com deficiência é o
objetivo da Lei Federal Brasileira de Acessibilidade (Lei Nº
10.098, de 19 de dezembro de 2000). Apesar de seu
razoável tempo de vida, ainda são poucas as ações práticas
para sua operacionalização na sociedade. Especificamente
no ramo da educação, a acessibilidade muitas vezes é
negligenciada, sendo considerada como desejável, quando
deveria ser tratada como essencial.
De acordo com o Censo do IBGE de 2000 [6], estima-se
que 24,5 milhões de pessoas, em torno de 14,5% da
população brasileira, possuem algum tipo de deficiência.
Desse montante, o principal grupo é dos deficientes visuais
que abrange 48,1% do total, sendo incluídas as pessoas
cegas ou com baixa visão.
Levando-se em consideração esse significativo número de
pessoas com deficiência, entende-se a importância de
propor soluções de inclusão em todos os níveis do processo
de educação. Acredita-se que os sistemas de gestão da
aprendizagem (Learning Management System – LMS)
virtuais possam atuar como um facilitador nesse processo,
desde que sejam concebidos com base em requisitos bem
fundamentados de acessibilidade para Web. Nesta
perspectiva, a WAI1
tem desenvolvido especificações,
guias, software e ferramentas em busca da padronização de
tais definições [10].
Entretanto, tornar esses sistemas virtuais acessíveis não é
uma tarefa fácil, visto que geralmente os envolvidos com o
desenvolvimento de ambientes Web conhecem pouco das
necessidades das pessoas com deficiência, como também
muitas vezes não possuem prática com a implementação
dos padrões propostos pela WAI. Alinhado a isso, há ainda
o fato de não se considerar diretrizes de acessibilidade
durante todo o ciclo de desenvolvimento do LMS. Esta
prática propaga inconsistências e causa retrabalho, uma vez
que a validação da acessibilidade geralmente é feita apenas
ao final do desenvolvimento.
O objetivo deste estudo foi desenvolver uma proposta para
um LMS acessível, seguindo a perspectiva do Design
Centrado no Usuário. O grupo de usuários abordado foi o
dos deficientes visuais, por se tratar do maior e mais
representativo subconjunto das pessoas com deficiência.
Avaliou-se como as necessidades de acessibilidade
poderiam ser atendidas em um LMS, tanto pela visão do
1
O World Wide Web Consortium (W3C) é um consórcio
internacional responsável por desenvolver padrões a serem
adotados na Web, sendo a Web Accessibility Initiative
(WAI) um grupo de trabalho da W3C responsável pelas
ações de acessibilidade.
Cópias digitais ou impressas deste artigo são permitidas desde que sejam
para uso pessoal ou em sala de aula e com as devidas referências, não se
prestando para fins comerciais. Por favor, mantenha este aviso na primeira
página.
Interaction South America 2010 - 2 a 4 de dezembro, Curitiba - Paraná -
Brasil
Copyright 2010 IxDA Curitiba.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 173
usuário quanto pela visão da WAI, considerando mais
especificamente as diretrizes Web Content Accessibility
Guidelines (WCAG 2.0).
AMADEUS
Baseada no conceito de blended learning, que reune ensino
à distância (e-learning) e ensino presencial, a plataforma
Amadeus apresenta-se como o primeiro LMS de segunda
geração [2]. A solução, disponível no Portal do Software
Público Brasileiro [7], permite estender as experiências dos
usuários de EaD para diversas plataformas (Internet,
desktop, celulares, PDAs e TV Digital) de forma integrada
e consistente.
O objetivo do Amadeus é ampliar as possibilidades de
trabalho dos professores e proporcionar formas criativas de
relacionamento, promovendo a comunicação e colaboração
entre os participantes. Essa ampliação das formas de
interação dos usuários com os conteúdos e entre os próprios
usuários permite a implementação de novas estratégias de
ensino e de aprendizagem orientadas por teorias
construtivistas ou sociointeracionistas do desenvolvimento
humano. A Figura 1 ilustra a tela principal desse LMS.
Figura 1. Tela Principal do Amadeus.
Apesar do promissor potencial da plataforma, diretrizes de
acessibilidade nunca foram consideradas em sua concepção,
por exemplo, conteúdos não textuais (vídeos, imagens, etc)
não possuem seu respectivo descritivo textual, dificultando
e muitas vezes invializando a utilização de tais conteúdos
por parte dos deficientes visuais, neste caso.
O cenário atual do Amadeus, onde estas dificuldades de
acessibilidade estão presentes, motivou a aplicabilidade da
pesquisa apresentada neste trabalho. Ao utilizar como
estudo de caso esta plataforma, a pesquisa em questão visa
ampliar o grupo de usuários da ferramenta, incluindo os
portadores de deficiência.
DESIGN CENTRADO NO USUÁRIO
Conforme mencionado, o presente estudo foi desenvolvido
com base na abordagem Design Centrado no Usuário, ou
seja, seguiu-se um processo baseado nas quatro fases do
design da interação: Pesquisa, Brainstorm, Avaliação e
Prototipação [8], no qual o ponto central foi a experiência
do usuário.
Nas próximas sub-seções será descrita, detalhadamente, a
execução de cada uma dessas fases no âmbito deste estudo.
Fase 1 - Pesquisa
A metodologia de pesquisa qualitativa utilizada foi a
Grounded Theory [9]. A ideia básica desta metodologia é
ler um banco de dados textual (por exemplo, notas de
campo e transcrições de entrevistas) para descobrir ou
nomear variáveis (denominadas de categorias, conceitos e
propriedades) e seus relacionamentos. A partir daí é
construída uma teoria sobre o fenômeno; neste caso, a
acessibilidade para deficientes visuais nos sistemas de
gestão de aprendizagem.
A formulação das questões de pesquisa, em termos
concretos, foi guiada pelo objetivo de esclarecer o que os
entrevistados revelaram. Os principais questionamentos
respondidos foram:
• Como se dá a interação dos usuários DVs (Deficientes
Visuais) e quais as suas maiores dificuldades no acesso
dos ambientes na Web em geral.
• Relatos de episódios onde o DV enfrentou dificuldades
no acesso às informações nos ambientes Web/EaD.
• Descrições de como funciona a interação do DV com o
professor nos ambientes de EaD.
Dentro da metodologia de pesquisa utilizada foram
definidas duas fontes de dados:
• Entrevistas com usuários com deficiência visual total.
• Documentação da WCAG 2.0.
Tais fontes de dados passaram pelo processo de coleta,
análise e interpretação de dados. A partir da análise e
interpretação da primeira fonte de dados (entrevistas com os
usuários), foram destacados alguns conceitos, a partir das
sugestões de acessibilidade que emanaram das entrevistas
realizadas. A seguir há alguns exemplos destes conceitos,
os quais estão devidamente justificados por trechos
transcritos das entrevistas:
a. Descrever o formato da página e estruturá-las por frames,
cabeçalhos e tabelas, facilitando a navegação, uma vez
que o leitor possui recurso para passar de um componente
para outro.
“... possa fazer a estruturação por frames, pode ser feito
por texto de cabeçalho (header) também - isso facilita (a
navegação) porque os leitores de tela fornecem recursos
para ’pular’ de um frame para outro, para ’pular’ de
uma tabela para a próxima tabela”.
b.Localizador rápido de conteúdo.
“Deve-se criar caminhos/alternativas/soluções diferentes
para pessoas diferentes chegando objetivamente e
diretamente no que interessa, no mesmo conteúdo. Só
isso já facilitaria muitíssimo a criação de sites com
acessibilidade”.
c. Não utilizar CAPTCHA (Completely Automated Public
Turing test to tell Computers and Humans Apart).
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 174
“CAPTCHA é um atentado à acessibilidade para um
deficiente visual”.
d. O conteúdo deve ser objetivo e os componentes não
textuais devem possuir um descritivo textual.
“Por exemplo, se for o caso de ler textos, que estes sejam
objetivos, sem muitas figuras, e caso existam, que sejam
descritas”.
e. Não inserir indicações de cor e desenhos.
“... a utilização de cores é outra coisa que nos atrapalha
muito, porque alguns sites utilizam cores para se
identificar determinados pontos dentro dele, mas pra nós
isso atrapalha. O que para as outras pessoas ajuda, para
nós dificulta a identificação dos elementos”.
f. Quando o material for gravado (leitura de texto, vídeo),
disponibilizar um gerenciador integrado à ferramenta,
que seja possível acessá-lo diretamente, além de permitir
parar, avançar e voltar.
“... quando tiver uma voz gravada nos materiais, tem que
dar a possibilidade de pará-las; ter controle sobre o
áudio”.
g. As avaliações devem ter opções de múltipla escolha
simples. Não deve haver associações entre duplas
colunas.
“... eu desisti de fazer um teste porque ele tinha umas
alternativas de escolha muito complicadas. Associar um
lado com outro, uma coluna com a outra. Associar a da
direita com a esquerda. Então eu o abandonei...”.
h. Informar quando a página é atualizada/modificada e pôr
o foco na funcionalidade selecionada. Por exemplo, se o
usuário selecionar Fórum, a página deve ser atualizada e
o foco deve estar no Fórum, para evitar passar por todos
os links novamente, antes de chegar à funcionalidade
selecionada.
“... em portais de notícias, que possuem várias
manchetes na mesma página, você começa a ler uma
notícia, quando vê já está no meio de outra notícia que
não tem nada a ver com a anterior. Você começa a ler:
‘Hoje o presidente esteve na cidade...’ e em seguida já
vem o texto: ‘... a previsão do tempo é de sol e calor’”.
i. Descrever o link que está sendo acessado.
“É importante para quem não vê (DV) que haja uma
descrição do link que está sendo acessado. O flash diz
que aquele link não tem nome e apenas atribui a esse link
um número, ficando o DV sem saber do que se trata”.
A partir da análise da segunda fonte de dados
(documentação WCAG), foi identificado que a sua
documentação oficial da WCAG 2.0 [10] já estrutura os
dados de forma categórica e conceitual. Desta forma, o
processo de interpretação focou em selecionar os princípios
e recomendações relacionadas às questões de pesquisa deste
trabalho, a saber:
a. Perceptível: A informação e os componentes da interface
do usuário têm de ser apresentados aos usuários de forma
que eles possam perceber.
a1. Alternativas em Texto: Fornecer alternativas em texto
para qualquer conteúdo não textual.
a2. Mídias com base no tempo: Fornecer alternativas para
multimídia baseada no tempo.
b.Operável: Os componentes de interface de usuário e a
navegação devem ser operáveis.
b1. Acessível por Teclado: Fazer com que toda a
funcionalidade fique disponível a partir do teclado.
b2. Tempo Suficiente: Fornecer tempo suficiente aos
utilizadores para lerem e utilizarem o conteúdo.
c. Compreensível: A informação e a operação da interface
de usuário devem ser compreensíveis.
c1. Legível: Tornar o conteúdo de texto legível e
compreensível.
c2. Previsível: Fazer com que as páginas Web surjam e
funcionem de forma previsível.
d.Robusto: O conteúdo tem de ser robusto o suficiente para
poder ser interpretado de forma concisa por diversos
agentes do usuário, incluindo tecnologias assistivas.
e. Compatível: Maximizar a compatibilidade com atuais e
futuros agentes de utilizador, incluindo tecnologias de
apoio.
A partir desta primeira interpretação, um segundo processo
interpretativo foi executado com o objetivo de selecionar as
recomendações de acessibilidade mais importantes, sob a
ótica dos usuários deficientes visuais. As recomendações
selecionadas foram: a1 (Alternativas em Texto), a2 (Mídias
com base no tempo), b1 (Acessível por Teclado), b4
(Navegável), c1 (Legível) e c2 (Previsível).
Tanto estas recomendações de acessibilidade da WAI,
como também as sugestões de acessibilidade identificadas
nas entrevistas com os usuários, foram utilizadas para a
formulação da teoria (diretrizes de acessibilidade aplicadas
neste trabalho) e consideradas nas fases seguintes do
processo de design da interação centrado no usuário.
Fase 2 - Brainstorm
A fase de brainstorm consistiu em uma sessão de 60
minutos, na qual foram exploradas soluções a serem
incorporadas à fase de prototipação. Utilizou-se a técnica de
brainstorm de modo simples e prático, tendo as seguintes
atividades:
a. Exposição das questões de pesquisa.
b.Exposição dos resultados da fase de pesquisa.
c. Apresentação de ideias para elaboração do protótipo.
Algumas da ideias suscitadas no brainstorm foram:
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 175
• Elaboração de ambiente Web, onde o DV utilizasse
linguagem natural falada nas interações, ou seja, com
recursos plenos de reconhecimento e síntese de voz.
• Elaboração de ambiente inteligente, onde o DV tivesse
que intervir manualmente o mínimo possível.
• Adequação de ambiente pré-existente com o foco nas
funcionalidades mais importantes para o usuário aluno de
um curso.
Das ideias apresentadas, a última opção foi selecionada,
visto que as demais se distanciam bastante da realidade e da
viabilidade de implementação a curto e médio prazo.
Portanto, como resultado da fase de brainstorm, temos a
adequação da plataforma atual do Amadeus sob a
perspectiva dos requisitos levantados na fase de pesquisa.
Fase 3 - Prototipação
Na fase de prototipação foi desenvolvido um conjunto de
interfaces associadas aos cenários de utilização de um
sistema de gestão de aprendizagem por deficientes visuais.
O protótipo foi construído primeiramente em papel, como
pode ser visto na Figura 2 e na Figura 3, sendo
posteriormente elaborado em ferramenta de prototipação,
montando telas com um esquema navegacional semelhante
ao que deveria ser o produto final.
Figura 2. Protótipo em Papel - Tela Módulo do Curso.
Figura 3. Protótipo em Papel - Tela Aula Online.
A construção do protótipo levou em consideração os dados
coletados nas entrevistas, bem como as diretrizes de
acessibilidade da W3C. As telas foram divididas por frames
(Figura 4), cada uma com sua respectiva indicação. Elas
foram estruturadas desta forma para melhor organizar o
conteúdo do Amadeus, bem como facilitar a leitura da
ferramenta assistiva. O leitor de tela possui teclas de atalho
que permitem navegar por frames, fazendo com que a
leitura do DV seja mais dinâmica e evite que ele tenha que
ouvir o mesmo texto repetidas vezes.
Figura 4. Estrutura das Telas do Protótipo.
A seguir são apresentadas algumas telas construídas e suas
respectivas descrições:
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 176
Figura 5. Tela de Login.
(1) Imagem do logotipo do Amadeus, com o seguinte
descritivo textual: “Imagem, no topo da tela, com o nome
projetoAmadeus, o logotipo do Amadeus e a versão em que
o sistema se encontra - Alpha”
(2) Barra de acessibilidade com cinco botões distintos e
com seus respectivos equivalentes textuais. Abaixo, seguem
as funcionalidades de cada um, da esquerda para a direita:
• Botão que descreve como o sistema está estruturado, por
exemplo: “A tela está dividida em dois frames: O
primeiro com a imagem do logotipo do Amadeus e com
os botões de acessibilidade e o segundo possui os campos
de login”.
• Botão que ativa o modo acessibilidade para deficientes
auditivos, o qual traduz o texto selecionado para a
Linguagem Brasileira de Sinais (LIBRAS).
• Botão para diminuir o tamanho da letra da tela atual.
• Botão que serve para deixar a letra da tela atual no
tamanho normal.
• Botão para aumentar o tamanho da letra da tela atual.
(3) Campos de entrada de dados, identificados pelo leitor de
tela, para fazer o login no sistema.
(4) Botão, devidamente identificado pelo leitor de tela, com
o descritivo: “Botão Entrar para fazer login no sistema”.
(5) Botão, devidamente identificado pelo leitor de tela, com
o descritivo: “Botão Google para fazer login no sistema,
utilizando a sua conta do Google[5]”.
(6) Link, devidamente identificado pelo leitor de tela, com o
descritivo: “Link Esqueceu a Senha que direciona para a
página de identificação do usuário, onde o sistema irá
enviar uma nova senha por email”.
(7) Link, devidamente identificado pelo leitor de tela, com o
descritivo: “Link Nova Conta que direciona para a página
de cadastro do usuário”.
Figura 6. Tela dos Cursos.
(1) Primeiro item a ser lido pela ferramenta assistiva, assim
que a tela for carregada. Esta área informa ao usuário que
ele está logado e os botões têm as respectivas descrições:
“Botão Perfil que, ao ser selecionado, direciona para uma
tela onde é possível modificar o seu perfil” e “Botão Sair
para fazer o logout no sistema”.
(2) Campo de busca no início da tela para que os usuários,
com e sem deficiência, possam pesquisar o conteúdo de seu
interesse e acessá-lo rapidamente.
(3) Área onde estão listados os cursos, separados por
categorias relacionadas ao aluno. Os links dos cursos têm
seus descritivos textuais, indicando para onde o usuário será
levado. Na categoria Cursos Disponíveis, o botão Inscrição
está ao lado do link para facilitar o acesso, evitando que o
usuário tenha que procurar esta opção para se inscrever no
curso desejado.
Figura 7. Perfil Aluno - Tela do Curso Selecionado.
(1) Menu lateral com todas as opções disponíveis pelo
curso. Cada link tem o descritivo textual que explica o
objetivo da funcionalidade e indica seu direcionamento. Na
Figura 7, a descrição da opção selecionada é “Menu Dados
do Curso, opção que indica o Nome do Curso, Professores,
Objetivos, Programa, Limite de Vagas e datas importantes”.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 177
(2) Barra de navegação, com descritivos textuais nos links.
Foi inserida com o objetivo de prover flexibilidade ao
usuário, proporcionando meios alternativos de acesso e
operação. Esta barra indica onde o usuário se encontra,
facilitando a navegabilidade para os DVs, já que não
acessam as funcionalidades através do mouse.
(3) Conteúdo relativo à opção selecionada do menu. Neste
caso, não é necessário descritivo textual, pois a própria
ferramenta assistiva passa por todo o texto. A preocupação,
nesta área, foi deixar o conteúdo organizado e objetivo,
para que os DVs não percam tempo lendo textos
desnecessários.
Figura 8. Perfil Aluno - Tela Módulo do Curso.
(1) O menu está estruturado de forma que a opção Módulos
seja expandida para que o usuário consiga acessar o módulo
desejado mais facilmente.
(2) Cada módulo possui uma ou mais aulas e avaliações.
Quando a aula está em formato de link, significa que será
uma transmissão online, aberta em uma página
independente da ferramenta, devidamente descrita para
reconhecimento do leitor de tela. Nesta área, são listadas
todas as aulas do módulo selecionado no menu, com seus
respectivos materiais disponíveis:
• AVI – Vídeo da aula, aberto no próprio sistema. É
sugerido que o professor grave seu áudio/imagem e exiba
a apresentação da aula no próprio vídeo. Evitando que o
DV abra a apresentação, pois já estará ouvindo a voz do
professor e entrará em conflito com a voz do leitor de
tela.
• PDF/PPT – Material (textual) para download
disponibilizado em arquivo PDF/PPT. É sugerido não
publicar arquivo PDF de um item escaneado, pois o leitor
de tela não tem capacidade para identificá-lo e reproduzi-
lo através da voz. Para o PPT, a sugestão é que cada
imagem, inserida na apresentação, tenha um equivalente
textual.
Figura 9. Perfil Aluno - Tela Aluno Online.
(1) Aplicativo para reproduzir o vídeo da aula. Este
aplicativo possui botões com seus respectivos equivalentes
textuais e dispostos de uma forma que facilite a navegação
do deficiente visual. Da esquerda para a direita, os botões
são definidos abaixo:
• Tempo de duração do vídeo. Foi inserido no início,
diferentemente das ferramentas mais utilizadas no
mercado, para que o usuário já conheça a duração, assim
que iniciá-lo, e então decida se terá interesse em
continuar ouvindo-o.
• Stop - Comum a todos os reprodutores de vídeo, porém
com o equivalente textual.
• Back - Comum a todos os reprodutores de vídeo, porém
com o equivalente textual.
• Play/Pause - Comum a todos os reprodutores de vídeo,
porém com o equivalente textual.
• Forward - Comum a todos os reprodutores de vídeo,
porém com o equivalente textual.
• Volume - O diferencial desta funcionalidade é que há um
botão para aumentar e outro para diminuir o volume, com
seus respectivos equivalentes textuais, para facilitar a
navegação do deficiente visual.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 178
Figura 10. Perfil Aluno - Tela Módulo do Curso - Avaliação.
(1) Avaliação relacionada ao módulo selecionado, com um
botão e seu equivalente textual para finalizá-la. Possui
perguntas acessíveis com respostas abertas ou de múltipla
escolha. Uma sugestão, relatada pelos deficientes visuais
nas entrevistas, é não inserir perguntas que tenham
relacionamentos de dois lados, pois dificulta a leitura da
ferramenta e consequentemente a localização dos
elementos.
As recomendações da WAI relacionadas ao protótipo do
presente trabalho são detalhadas a seguir:
• Alternativas em Texto: Para cada componente das telas
do protótipo (botão, imagem, link, frame, caixa de texto e
menu) é proposta uma descrição textual, a fim de que os
deficientes visuais possam acessá-los com a ferramenta
assistiva.
• Mídias com Base no Tempo: A ideia é que sejam
fornecidas legendas para a totalidade do áudio pré-
gravado existente em um conteúdo com mídia
sincronizada, com o objetivo de permitir que o usuário
possa gerenciar os áudios, evitando que, por exemplo, o
áudio de uma aula sobreponha o áudio da ferramenta
assistiva.
• Acessível por Teclado: Todo componente tem uma tecla
de atalho para que possa ser acessado via teclado, sendo
também ordenados adequadamente para que o deficiente
visual consiga “desenhar” as telas em sua mente da
mesma forma que as pessoas sem deficiência as
enxergam.
• Navegável: Foi feita uma separação de forma, função e
conteúdo, de maneira a estruturar as páginas e facilitar o
acesso de todos (pessoas com e sem deficiência).
• Legível: A informação é perceptível, ou seja, a proposta é
que o conteúdo seja objetivo o suficiente, que tenha
explicações para palavras incomuns e abreviaturas,
tornando-o de fácil compreensão.
• Previsível: Os mecanismos de navegação são repetidos
em várias páginas Web, tornando a navegação previsível
pela experiência do usuário. Os componentes de entrada
de dados estão disponíveis via teclado, com informações
do que é necessário preencher e os componentes que têm
a mesma funcionalidade são identificados de forma
consistente.
Fase 4 - Avaliação
A avaliação foi feita com alguns entrevistados logo após a
elaboração do protótipo. O processo foi descrever cada tela
do protótipo, com todos os detalhes das funcionalidades,
botões, links, menu, imagens, bem como a interação entre
os componentes e a sequência das telas, ouvindo os seus
comentários a todo momento.
Os usuários validadores do protótipo destacaram a
navegabilidade da interface, considerando-a simples,
objetiva e de fácil interação, com descritivos textuais para
todas as funcionalidades disponíveis. Apontaram como
ponto de melhoria a ênfase aos componentes acessíveis via
teclado, já que, em algumas ferramentas, links do menu, por
exemplo, só expandem com o click do mouse. Além desse,
outros aspectos analisados:
a. Incluir, na barra de acessibilidade, um botão de contraste
do background com a cor da fonte e outro botão para
ativar o modo monocromático, com o objetivo de tornar o
Amadeus acessível também para os usuários que
possuem deficiências visuais específicas (Protanopia:
deficiência com vermelho, Deuteranopia: deficiência com
a cor verde, Tritanopia: deficiência com a cor azul,
acromia: sem cores [3]). A partir de tal necessidade, as
telas do protótipo foram atualizadas para contemplar a
nova barra de acessibilidade (Figura 11).
Figura 11. Barra de acessibilidade com os novos botões.
b.Retirar a opção de “Buscar Curso” da Tela dos Cursos
(Figura 6), porque já existe uma busca no frame acima e,
deixando as duas, pode confundir o usuário DV, além de
tornar cansativo, pois o leitor de tela passará por este
componente cada vez que for selecionada a tela dos
cursos.
c. Colocar uma opção de aumentar e diminuir o volume
através do teclado, além dos botões disponíveis. Esta
melhoria é referente à Figura 9 e vai além do que pode
ser exibido na prototipação. Desta forma, fica como
sugestão para a futura implementação do protótipo.
CONCLUSÃO E PERSPECTIVAS FUTURAS
O objetivo principal deste estudo foi alinhar as necessidades
dos usuários deficientes visuais com as WCAG, propondo
interfaces acessíveis para o uso de um LMS. Usando como
estudo de caso a plataforma Amadeus, novas telas foram
prototipadas, considerando as recomendações de
acessibilidade identificadas. As telas apresentadas, e suas
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 179
respectividas descrições, exemplificam, de forma objetiva,
como funcionalidades de LMS podem se tornar acessíveis.
O protótipo uma vez criado pôde ser avaliado pelos seus
usuários idealizadores, e então novas recomendações foram
propostas. Com esse processo contínuo de envolvimento do
usuário podemos adicionar ganhos às definições de
acessibilidade que não seriam os mesmos ao simplesmente
se considerar a visão proposta pela WAI/W3C.
Conclui-se assim que as recomendações da WAI/W3C não
são suficientes para as definições de acessibilidade de um
LMS, se não estiverem alinhadas às necessidedes dos
usuários finais. Se por um lado as sugestões de
acessibilidade dos usuários não são atendidas por completo
pelas WCAG, por outro, importantes recomendações da
WAI/W3C nem sempre são consideradas pelos usuários.
Ajustar essas duas visões é o caminho para chegarmos a
ambientes virtuais mais acessíveis.
As abordagens consideradas neste trabalho porderão ser
utilizadas para abranger outros grupos de usuários, com
outras necessidades especiais, tais como motora, auditiva
ou cognitiva. E posteriormente realizar a implementação
dessas sugestões de melhorias no Amadeus ou em outro
LMS.
AGRADECIMENTOS
Os autores agradecem ao apoio recebido pelo Centro de
Informática da UFPE, em especial àqueles envolvidos no
projeto Amadeus. Agradecem também aos usuários
deficientes visuais que viabilizaram a elicitação e avaliação
de importantes requisitos para o desenvolvimento da
pesquisa.
REFERÊNCIAS
1. Ambiente Virtual de Aprendizagem Amadeus.
http://amadeus.cin.ufpe.br/.
2. Blog do Ambiente Virtual de Aprendizagem Amadeus.
http://amadeus.cin.ufpe.br/blog/
3. Brasil Media. Otimização de Sites Web Design Flash
padrão W3C.
http://www.brasilmedia.com/Daltonismo.html.
4. Cruz Neto, G. G. Estudos qualitativos para elicitação de
requisitos: uma abordagem que integra análise sócio-
cultural e modelagem organizacional. Tese (Doutorado
em Ciência da Computação) - Universidade Federal de
Pernambuco (2008), 42-49.
5. Google Accounts. http://www.google.com/accounts/
6. Portal Saúde. Dados estatísticos Censo IBGE 2000.
http://portal.saude.gov.br/portal/saude/cidadao/visualiza
r_texto.cfm?idtxt=24202janela=1/.
7. Portal Software Público Brasileiro. Comunidade
Amadeus. http://www.softwarepublico.gov.br/ver-
comunidade?community_id=9677539
8. Preece J., Rogers Y., Sharp H. Design de Interação:
Além da Interação Homem-Computador – Porto Alegre:
Bookman (2005).
9. Strauss A., Corbin C. Basics of qualitative research:
techniques and procedures for developing grounded
theory. Thousand Oaks (California): Sage Publications
(1998),145.
10.W3C. Web Content Accessibility Guidelines 2.0.
http://www.w3.org/TR/WCAG20/.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 180
Medindo Emoções em Reuniões no Second Life
Cleyton Slavieroi
Jivago
Medeirosi
Karen
Figueiredoi
Willian
Jefferson
Freitas da
Silvai
Cintia
Ramalho
Caetano da
Silva
Ana Cristina
Bicharra
Garcia
Instituto de Computação – Universidade Federal Fluminense – Niterói, RJ - Brasil
{cslaviero, jmedeiros, kfigueiredo, wsilva, ccaetano, bicharra}@ic.uff.br
RESUMO
Reuniões são capazes de alterar o estado emocional de
indivíduos, fato que pode influenciar no bom andamento
destas reuniões. A dificuldade de percepção e interpretação
das emoções dos participantes de uma reunião é um dos
fatores que podem prejudicar o trabalho colaborativo à
distância em ambientes virtuais como o Second Life.
Focando neste problema, este trabalho apresenta um
método para medir as emoções de um grupo de
participantes de uma reunião no ambiente virtual Second
Life. Além da descrição do processo de elaboração da
aplicação, este artigo também apresenta uma avaliação
preliminar da aplicação dois ambientes distintos de trabalho
colaborativo no Second Life.
Palavras-chave
Ambientes virtuais, Second Life, emoções, ambientes
colaborativos.
ACM Classification Keywords
H.5 [Information Interfaces and Presentation (e.g., HCI)]:
H5.3 Group and Organization Interfaces – collaborative
computing, computer-supported cooperative work,
synchronous interaction.
INTRODUÇÃO
Muitas empresas e grupos de pesquisa gerenciam projetos
que envolvem pessoas e equipes de trabalho distribuídas
geograficamente. Um mecanismo que dá suporte ao
trabalho colaborativo a distância é a realização de reuniões
virtuais. Nas últimas décadas, várias pesquisas vêm sendo
desenvolvidas com intuito de permitir a prática de reuniões
à distância, incluindo a execução de reuniões em ambientes
virtuais em 3D [4].
Ambientes virtuais são espaços criados por computador
para representar mundos virtuais nos quais os seus
integrantes podem interagir entre si e com objetos virtuais
em tempo real através de entidades controladas, i.e.
avatares[13]. O Second Life (SL) [11] é um ambiente
virtual que permite a criação de salas de reunião virtuais
onde os avatares podem se encontrar e discutir [4].
Apesar de no SL o senso de co-presença ser simulado
através da presença dos avatares no mesmo espaço virtual, a
manifestação da emoção dos usuários é limitada pela
execução de gestos programados para os avatares. A
dificuldade de percepção e interpretação das emoções dos
participantes de uma reunião é um dos fatores que podem
prejudicar a construção da propriedade coletiva (do inglês,
common ground), dificultando o trabalho colaborativo à
distância [6].
Além dos gestos predefinidos para os avatares limitarem a
manifestação emotiva do usuário, um gesto executado
durante uma reunião virtual pode não ser percebido pelos
outros participantes. E ainda que este gesto seja percebido
por todos os participantes, outra questão importante surge:
como registrar todos os gestos realizados em uma reunião e
transformá-los em uma informação que representa o estado
emocional do grupo reunido?
Segundo Olson e Olson [6], o estado emocional de um
grupo pode influenciar diretamente no seu desempenho ao
longo de uma reunião e na qualidade do trabalho produzido.
Avaliar este estado emocional pode auxiliar na condução da
reunião pelo mediador e, até mesmo, condicionar a
interrupção da mesma. Visando solucionar estes problemas,
o objetivo deste trabalho é elaborar um método para a
medição de emoções de um grupo de usuários no ambiente
virtual SL, analisando seu uso em reuniões realizadas neste
ambiente.
A partir desta seção, o restante deste artigo está organizado
da seguinte forma: incialmente, o ambiente virtual Second
Life é brevemente apresentado e alguns trabalhos
relacionados são discutidos; em seguida, algumas teorias
emocionais que serviram de inspiração para a criação do
nosso método de medição são abordadas; mais a frente, o
método de medição proposto, as técnicas utilizadas para sua
concepção, detalhes do modelo da aplicação e da
implementação são apresentados; uma avaliação preliminar
da utilização do método desenvolvido é apresentada logo
Permission to make digital or hard copies of all or part of this work for
personal or classroom use is granted without fee provided that copies are
not made or distributed for profit or commercial advantage and that copies
bear this notice and the full citation on the first page. To copy otherwise,
or republish, to post on servers or to redistribute to lists, requires prior
specific permission and/or a fee.
CHI 2009, April 4–9, 2009, Boston, Massachusetts, USA.
Copyright 2009 ACM 978-1-60558-246-7/09/04...$5.00.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 181
depois e por fim, as conclusões e trabalhos futuros são
traçados.
AMBIENTES VIRTUAIS E SECOND LIFE
Como descrito na seção anterior, o Second Life é um
ambiente virtual. Ele foi criado pela Linden Labs,
localizada em São Francisco, Califórnia, em 2003 [13]. Este
ambiente permite a imersão dos usuários em um nível mais
elevado, comparado aos outros tipos de interação via
Internet, como conversas utilizando mensageiros
instantâneos, redes sociais e comunidades virtuais baseadas
somente em texto.
Diferente dos outros ambientes virtuais em 3D, que são, em
sua maioria, ambientes distintos do mundo real, o SL é
considerado um metaverso, pois visa reproduzir
virtualmente características do mundo real, ou da “primeira
vida” (do inglês, first life) [13]. Ainda assim, o SL
possui limitações se comparado a um ambiente real, como
restrições do próprio ambiente [3]. Uma limitação
importante é a dificuldade de trazer a sensação de realidade
ao ambiente [2], sendo esta pesquisada por nosso trabalho,
no âmbito da captura e medição de emoções.
Embora existam limitações, uma forma de contorná-las é
criando ferramentas [2] ou utilizando as ferramentas
disponíveis no próprio ambiente [13]. O SL possibilita a
criação de objetos virtuais das mais variadas formas, desde
as mais simples até as mais complexas, através das formas
primitivas que disponibiliza. Além disso, utilizando uma
linguagem de programação própria, a Linden Script
Language (LSL) [11], os usuários podem desenvolver
objetos interativos.
A possibilidade de elaborar interações entre objetos e
usuário em um mundo virtual permite superar algumas
limitações, proporcionando maior imersão dos usuários no
ambiente virtual. Na seção a seguir, abordamos alguns
trabalhos na área de ambientes virtuais colaborativos que
poderiam se beneficiar da proposta apresentada por este
trabalho.
Trabalhos Relacionados
Nesta seção abordamos algumas pesquisas que vêm sendo
desenvolvidas na última década com a finalidade de
melhorar a sensação de imersão em ambientes virtuais,
incluindo o SL.
Na área de trabalhos voltados à imersão do usuário em um
ambiente virtual, temos o trabalho de DiPaola e Collins [2],
por exemplo, tentam proporcionar maior imersão por meio
da criação de personagens que possuem expressões faciais e
que movimentam os lábios de acordo com o som emitido
pelo participante representado por esse personagem em um
ambiente virtual 3D chamado OnLive Traveler, que permite
o uso de voz para comunicação. Estas expressões faciais
são selecionadas pelo usuário, e sofrem decaimento, da
mesma forma que as emoções aplicadas neste trabalho.
Apesar os autores não especificam se as taxas são fixas ou
variáveis entre as emoções, como comentado por Picard [9],
fato este que prejudica uma representação mais fiel do
estado emocional dos usuários no ambiente proposto.
Além da procura por maior imersão dos usuários, pesquisas
vêm buscando utilizar o potencial de ambientes virtuais
para criar ambientes colaborativos virtuais, voltados
primariamente para troca de informações, em específico no
SL. Um exemplo de implementação desse tipo de ambiente
é o Time2Play [8], um jogo colaborativo educacional. O
objetivo deste é permitir que crianças criem e encenem
histórias no SL, expressando assim sua criatividade e
imaginação. Outro exemplo é o trabalho de Lucia et al. [4],
que investiga a utilização do SL no auxílio ao trabalho
colaborativo a distância, e propõe um método para
gerenciar reuniões, chamado de SLMeeting.
No que diz respeito a elementos ou objetos auxiliares
dentro de ambientes virtuais colaborativos, temos como
exemplo o Social Proxy [12], um objeto que é anexado a
tela do utilizados. O Social Proxy auxilia a visualização da
presença dos usuários em uma reunião, exibindo inclusive
quem está falando (ou digitando um texto) no momento.
Esta característica permite que a reunião possua uma
sequência bem definida, fato que é dificultado em uma
reunião virtual.
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Conjecturando a importância das emoções, vários
pesquisadores do campo da psicologia desenvolveram
teorias que modelam a geração de emoções em humanos.
Um dos modelos mais importantes é a teoria das emoções
OCC [7]. Este modelo é especialmente difundido na área da
computação devido a sua facilidade de implementação [1].
O modelo mapeia uma lista de 22 emoções principais e
define as emoções como uma reação a um evento, que é
desencadeada por uma avaliação subjetiva do evento de
acordo com os objetivos do agente, normas e crenças.
Para descrever a composição de uma emoção, o modelo
OCC utiliza uma série de atributos, como: (i) tipo, nome da
emoção que está sendo experimentada; (ii) valência, denota
o tipo de reação (positiva ou negativa); (iii) intensidade, a
intensidade da emoção; (iv) time-stamp, o momento no qual
a emoção é criada ou atualizada. Baseado nesses atributos,
Picard [9] discute sobre a intensidade das emoções ao longo
do tempo. Para o autor, a partir do momento em que a
emoção é criada ela tende a diminuir ao longo do tempo e,
conseqüentemente, desaparecer. Emoções mais intensas
tendem a desaparecer mais rapidamente. Se nada acontece
ao agente durante certo tempo, ele se acalma retornando a
um estado neutro.
Os conceitos apresentados nesta seção serviram de base
para a elaboração do método de medição de emoções
apresentado na próxima seção deste trabalho.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 182
MEDINDO EMOÇÕES NO SECOND LIFE
Nesta seção todo processo para a elaboração da aplicação
do método de medição de emoções de um grupo de
participantes de uma reunião para o Second Life será
apresentado em detalhes, desde a sua concepção até a sua
implementação.
Reuniões
Todo o processo de modelagem e desenvolvimento do
componente foi feito através de reuniões no ambiente
Second Life. As reuniões foram realizadas, em sua
totalidade, em uma sala de reunião localizada na ilha
ADDLabs – UFF, com o objetivo de coordenar tarefas,
compartilhar informações, tomar decisões consistentes, e
estabelecer um consenso no grupo para a geração de um
produto final de qualidade. Permitindo assim, controle e
acompanhamento do processo de desenvolvimento através
do ambiente virtual.
A sala de reuniões era composta por um conjunto de
componentes para facilitar a colaboração do grupo, como
whiteboard, agenda de grupo, cronograma de tarefas,
modelo de argumentação, repositório de atas, social Proxy,
etc. Os componentes atuaram como forma de integrar a
equipe e facilitar a coordenação, comunicação e percepção.
A figura 1 mostra o grupo atuando em uma das reuniões.
Figura 1. Grupo atuando durante uma das reuniões
A proximidade com o objeto de estudo, realizando reuniões
dentro do ambiente, nos permitiu perceber as nuances da
utilização do mesmo, fato este que auxiliou na melhor
elaboração deste trabalho.
Foram realizadas seis reuniões com duração máxima de
uma hora. Antes de cada reunião era descrita uma agenda,
contendo tópicos que seriam abordados, a fim de facilitar o
gerenciamento da reunião e o grupo não se envolver em
atividades repetitivas. As agendas eram distribuídas antes
das reuniões a fim de garantir que todos os participantes
fossem informados sobre os tópicos a serem cobertos. Ao
final, era gerada uma ata de reunião, contendo decisões
tomadas, tarefas a serem realizadas por cada participante
além de um cronograma para continuação e andamento do
projeto. Toda a documentação do projeto foi armazenada no
GoogleDocs, de forma a facilitar o compartilhamento caso
o participante necessitasse de alguma informação e não
estivesse com o Second Life aberto.
O grupo atuou de forma distribuída e optou pela utilização
de comunicação via texto, que facilita o registro das
conversas para análises futuras. Uma limitação da utilização
da comunicação via texto é o intervalo de tempo entre o
envio e recebimento de uma mensagem, devido a repetições
de mensagens postadas.
Nas reuniões, foram discutidos aspectos do projeto, como a
elaboração de questionários para a criação do modelo de
usuário, forma de interação dos usuários com a proposta,
modelagens dos objetos EmotionSender e EmotionMeter,
implementação e métodos de avaliação dos resultados. As
próximas seções detalham cada um destes pontos.
O Modelo do Usuário
De forma a caracterizar e identificar os usuários que
utilizarão a aplicação proposta, um questionário1
foi
elaborado. O questionário, composto por doze perguntas,
foi criado para identificar características pessoais e detalhes
de uso do ambiente SL, além de informações que nos
auxiliaram posteriormente na definição de características da
aplicação. Treze usuários foram entrevistados no total.
Analisando as respostas obtidas, foi possível descobrir os
seguintes pontos:
(i) Os usuários que responderam o questionário são
adultos de 21 a 35 anos, e conhecem o SL, em sua
maioria, há pouco tempo (entre um e seis meses);
(ii) 46% dos usuários utilizam pelo menos uma vez por
semana esse ambiente virtual, principalmente para
reuniões;
(iii) Os usuários concordam que a utilização de objetos
criados para auxiliar reuniões, como o Social Proxy
[12], facilitam a realização das mesmas; e
(iv) 77% dos usuários entrevistados concordam que o SL
não tem meios eficazes de transmitir emoções sentidas
por participantes em uma reunião.
Aos entrevistados também foi perguntado que emoções
sentiam quando participavam de uma reunião. As emoções
utilizadas como opções no questionário foram selecionadas
a partir da lista de emoções descrita por Ortony et al. [7].
Seis emoções foram reveladas como as mais sentidas pelos
entrevistados durante uma reunião: admiração, reprovação,
contentamento, descontentamento, satisfação e insatisfação.
Essas são as emoções utilizadas em nossa aplicação.
Por fim, questões de interface e usabilidade foram
investigadas, sendo obtido que os usuários sentem-se mais
1
Questionário e modelo de usuário disponíveis em:
http://www.ic.uff.br/~kfigueiredo/emotionsSL/modeloUsua
rio.pdf.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 183
confortáveis quando eles próprios informam a emoção, ao
invés de serem alertados para informar à emoção que estão
sentindo. Além disso, uma informação importante foi sobre
a leitura do resultado da emoção do grupo pelo usuário. A
grande maioria dos entrevistados (98%) concorda com uma
transição de cores, em ordem decrescente de emoção, de
verde para amarelo e amarelo para vermelho, para informar
o que chamamos de “temperatura” da reunião. Esta e outras
questões sobre o funcionamento da aplicação desenvolvida
são melhor abordadas nas próximas seções.
Técnicas de construção e avaliação
Além do resultado final desse trabalho resultar em uma
nova aplicação para o ambiente SL, o SL também foi
escolhido como ambiente para o desenvolvimento do
trabalho. Assim, foram realizadas seis reuniões dentro do
SL em uma sala de reuniões virtual criada especificamente
para este propósito. Objetos virtuais de apoio a reuniões no
SL também foram utilizados, como um repositório de atas,
uma agenda, um acompanhamento de tarefas, um quadro
branco e o Social Proxy [12].
Para a construção da aplicação do trabalho algumas técnicas
foram adotadas. A primeira delas foi o modelo de tarefas
GOMS (Goals, Operators, Methods, and Selection Rules),
um método que representa a estrutura cognitiva do usuário
em termos de objetivos, operadores, métodos e regras de
seleção [5]. O GOMS foi utilizado como ferramenta para
documentar as interações entre os avatares e os objetos que
compõem a aplicação sob a perspectiva do usuário.
Outras técnicas de construção adotadas foram o desenho do
Modelo de Navegação e Storyboard dos objetos, que
descrevem respectivamente transições entre estados da
interface de acordo com a interação do usuário, e detalhes
de como a interface será organizada.
Para a avaliação das interfaces, foi utilizada uma técnica
denominada Avaliação Heurística. Nesta técnica, um
avaliador externo realiza uma análise sobre diferentes
interações, buscando por problemas de interface [12]. Um
grupo composto por três usuários de ambientes de reuniões
no SL serviu como avaliador externo desse trabalho, sendo
esta avaliação executada após a terceira reunião de
construção do trabalho, ponto no qual já havíamos
desenvolvido um protótipo da aplicação. Os resultados da
Avaliação Heurística foram considerados para a finalização
da aplicação.
O Modelo da Aplicação
Idealizando o desenvolvimento do método de medição de
emoções dos participantes de uma reunião no SL, o modelo
da aplicação foi concebido de forma a constituir de dois
objetos virtuais: o primeiro objeto utilizado pelos
participantes para informar às emoções que estão sentindo e
o segundo objeto, um objeto principal que recebe as
emoções dos participantes e exibe o que chamamos de
Emoção Total (ET) do grupo. Tais objetos são nomeados
EmotionSender (ES) e EmotionMeter (EM),
respectivamente.
Para medir as emoções durante uma reunião é necessário
utilizar uma instância do objeto EM, que deve estar
localizado de maneira que todos os participantes possam
visualizar o valor da ET, e n instâncias do objeto ES, sendo
n o número de participantes da reunião, para que cada
avatar possa interagir com um e somente um ES.
O ES dispõe de seis opções de emoções que podem ser
escolhidas: aprovação, reprovação, contentamento,
descontentamento, satisfação e insatisfação. Estas emoções
fazem parte das emoções principais do modelo OCC e
foram escolhidas após análise dos resultados obtidos pelo
questionário do modelo do usuário. Cada uma das emoções
possui um valor base (VB) que é multiplicado pelo peso da
emoção (p), resultando no valor final da emoção (Tabela 1).
Emoção Valência Valor
Base
(VB)
Peso
(p)
Tempo de
Expiração
Aprova-
ção
+ 0.2 1 25 minutos
Reprova-
ção
- 0.2 1 25 minutos
Conten-
tamento
+ 0.2 2 10 minutos
Desconten
-tamento
- 0.2 2 10 minutos
Satisfação + 0.2 5 5 minutos
Insatis-
fação
- 0.2 5 5 minutos
Tabela 1. Constituição das emoções
Os valores utilizados como peso para as emoções são
baseados no trabalho de Poel et al. [10]. Ao enviar uma
emoção pelo ES, o valor da emoção pode incrementar ou
decrementar o valor da ET de acordo com a valência da
emoção. A Figura 1 apresenta o modelo da aplicação
proposta.
Figura 1. Modelo da aplicação
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 184
Figura 2. Storyboard do objeto EmotionSender
As emoções também possuem um tempo de expiração
associado que passa a contar a partir do seu time-stamp,
neste caso, o momento em que o participante envia a
emoção pelo ES. O tempo de expiração de cada emoção foi
definido de forma inversamente proporcional ao peso da
emoção, seguindo a idéia de Picard [9] de que emoções
mais intensas tendem a desaparecer mais rapidamente.
Logo, quando o tempo de expiração é atingido, o valor da
emoção é retirado ou acrescentado (de acordo com o oposto
da valência da emoção) do valor da ET. A Tabela 1 mostra
todos os valores associados a cada emoção.
Além do valor da emoção, o valor da representatividade do
participante perante o total de participantes da reunião é
considerado no cálculo da ET. O valor final incrementado
ou decrementado da ET é dado através da fórmula:
O valor da ET é representado como uma porcentagem, e ao
iniciar a reunião, o EM é iniciado com o valor de ET em
100% Ao longo da reunião, conforme os participantes
enviam as emoções, este valor varia, nunca ultrapassando o
limite superior, 100%, ou inferior, 0%. De acordo com o
valor da ET, o EM exibe uma cor diferente (Tabela 2),
como mais uma forma dos participantes identificarem a ET
da reunião. Este padrão cromático foi escolhido de acordo
com os resultados apresentados na seção sobre o modelo de
usuário.
A próxima seção apresenta com mais detalhes a interface
dos objetos ES e EM e como a interação entre os avatares e
os objetos é dada.
Os Objetos da Aplicação
O EmotionSender é o objeto utilizado pelos participantes
para informar as emoções que estão sentindo durante a
reunião. Ao interagir com o ES, além de poder selecionar
uma emoção para ser enviada, o usuário também pode
consultar a ajuda de utilização do objeto como mostra o seu
storyboard (Figura 2).
Valor
da ET
Cor Significado
0-24% Vermelha Mau sinal - os participantes
não estão gostando da reunião
25-49% Amarela Sinal de alerta - alguma coisa
está incomodando os
participantes
50-
100%
Verde Bom sinal - o grupo está
apreciando a reunião
Tabela 2. Padrão cromático do EmotionMeter
O EmotionMeter é o objeto principal com o qual os
participantes da reunião poderão visualizar a “temperatura”
da mesma, i.e., o valor da ET do grupo. Por esta razão, a
forma de um termômetro foi escolhida para representar este
objeto. O EM possui dois estados principais: ligado e
desligado. Quando desligado, o usuário pode ligar o objeto
e consultar a ajuda de utilização do objeto. O objeto
desligado não fica habilitado a receber emoções dos
EmotionSender’s presentes. Ao ligar o EM, o usuário é
solicitado a informar o número de participantes da reunião e
a partir desse momento o EM passa a exibir a ET e a
receber as emoções dos ES. Enquanto o EM está ligado, o
usuário tem as opções de reiniciar o objeto, desligar e
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 185
Figura 3. Captura de tela da execução de um dos testes no ambiente de reunião (EmotionSender’s na mesa, e EmotionMeter na
parede do ambiente de reunião)
consultar a ajuda. Ao reiniciar o EM, o valor da ET retorna
a 100% e o usuário é solicitado a confirmar o número de
participantes da reunião.
Devido a limitações de espaço, não apresentaremos neste
trabalho os storyboards do EM, o GOMS e modelos de
navegação dos objetos.
Implementação dos Objetos
Esta seção descreve alguns pontos importantes da
implementação dos objetos EM e ES, que foi feita
utilizando a linguagem LSL (para a criação de scripts no
ambiente SL).
A troca de mensagens entre objetos e avatares é um dos
pontos mais importantes no que diz respeito a
implementações em LSL, sendo a função llSay uma das
mais utilizadas para esse fim. Quando uma mensagem é
enviada utilizando esta função, ela pode ser ouvida por
avatares e objetos em um raio de até 20 metros de distância
a partir do ponto em que foi emitida. Nesta função são
passados como parâmetros o canal pelo qual se deseja
enviar a mensagem e a mensagem a ser enviada, essa tendo
até 1024 bytes. Para que um objeto receba as mensagens de
determinado canal, devemos programá-lo para escutar o
canal pretendido, essa definição é feita utilizando a função
llListen [11].
Na implementação dos objetos EM e ES foi fundamental
descriminar os tipos de mensagens trocadas pelos objetos e
agrupar cada tipo de mensagem em um canal diferente. A
Tabela 3 ilustra o cenário implementado, onde diferentes
mensagens trafegam por diferentes canais. Para a escolha
de canais, foi necessário observar como os mesmos
funcionam neste ambiente.
O SL disponibiliza 2.147.483.647 canais para comunicação
entre canais negativos e positivos. A utilização destes
canais é feita segundo a regra: canais com numeração
menor que zero são utilizados para comunicação somente
entre objetos; canais acima de zero são utilizados para
comunicação privada (tanto entre objetos quanto entre
objetos e avatares); e o canal zero é utilizado para
comunicação pública (broadcast).
Canal Objeto
Emissor
Descrição de uso
777 EmotionMeter Canal utilizado pelo EM
para informar o seu estado
(ex: ligado ou desligado)
para os ES
778 EmotionSender Canal definido para o envio
de emoções pelos ES
779 EmotionMeter Por esse canal, o EM retorna
para o ES o valor
relacionado a emoção
enviada que realmente foi
utilizado (somado ou
subtraído) na ET
800 EmotionSender Quando o tempo de
expiração de uma emoção
enviada é atingido, o valor
anteriormente enviado pelo
canal 779 pelo EM é
retornado a ele pelo ES para
que a ET seja atualizada
801 e
802
EmotionMeter Comunicação entre as partes
do próprio objeto para a
troca de cores.
Tabela 3. Troca de mensagens entre os objetos por diferentes
canais
Para a implementação, foram necessários utilizar canais
com numeração positiva, haja visto que estes objetos
poderiam trocar mensagens com os avatares. A numeração
alta foi utilizada para garantir que não houvesse outros
usuários (ou objetos) utilizando o mesmo canal no
momento de comunicação.
Entretanto, o SL não permite que canais sejam utilizados
exclusivamente por um usuário ou um objeto ou grupo de
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 186
objetos. Isso não impede que usuários, mal-intencionados
ou não, utilizem os canais para comunicação, prejudicando
a comunicação dos objetos EmotionMeter e
EmotionSender.
Para diminuir a chance desse tipo de problema ocorrer, os
objetos somente recebem mensagens provenientes dos
objetos com os nomes das aplicações (EmotionMeter e
EmotionSender).
ESTUDO EXPERIMENTAL
A fim de avaliar a aplicação do método de medição de
emoções elaborado, foram realizados dois testes
preliminares no Second Life.
O primeiro teste teve como objetivo analisar a utilização
dos objetos da aplicação em um ambiente de reunião de
trabalho colaborativo (Figura 3). O teste foi executado
durante duas reuniões, totalizando oito participantes. O
segundo teste ocorreu em uma sala de cinema virtual, e
tinha por objetivo analisar a aplicabilidade dos objetos em
um contexto diferente de uma sala de reunião. O segundo
teste contou com dez participantes espectadores e quatro
responsáveis pelo cinema virtual. Em todos os testes os
participantes foram avisados da existência dos objetos
EmotionSender e EmotionMeter, e receberam instruções
básicas sobre a sua utilização.
Ao fim de cada teste, foi solicitado aos participantes que
respondessem questionários elaborados de modo a avaliar
os experimentos realizados. Estes questionários foram
utilizados para avaliar detalhes de uso dos objetos nos
ambientes, a expressividade dos mesmos, na demonstração
de emoções dos usuários, facilidade de uso e possibilidade
de reuso dos mesmos objetos novamente, na mesma
situação ou em outros ambientes colaborativos. A avaliação
dos resultados provenientes dos questionários é discutida na
próxima seção.
AVALIAÇÃO DOS RESULTADOS
No primeiro teste, o questionário continha seis itens a serem
julgados em uma escala de 1 a 4 pelos participantes da
reunião, sendo 1 a menor nota e 4 a maior, além de uma
pergunta sobre a representação do estado emocional do
grupo no objeto EM. Dessa forma, foi possível descobrir
que os participantes aceitaram bem o uso dos objetos
apresentados, com a maioria (75%) considerando fácil a
utilização dos objetos. Além disso, 63% dos entrevistados
concordam que o EM conseguiu refletir na maior parte do
tempo o estado emocional real dos participantes da reunião.
No segundo teste, dois questionários foram passados: um
para os espectadores e outro para os responsáveis pelo
cinema virtual. De acordo com os resultados obtidos no
questionário dos espectadores, 60% foi capaz de expressar
as emoções que sentiram durante a exibição do filme
através do ES. Para a maioria dos responsáveis do cinema
(75%) o uso dos objetos para medir as emoções dos
espectadores foi relevante durante a exibição do filme, e
75% dos responsáveis adotariam novamente a aplicação em
exibições futuras.
CONCLUSÃO E TRABALHOS FUTUROS
Este artigo apresentou um método para a medição de
emoções de um grupo de participantes de reuniões virtuais
baseado em teorias emocionais já estabelecidas (como as
comentadas na seção “Fundamentação Teórica”),
resultando e contribuindo com uma nova aplicação para o
ambiente Second Life. Ainda que inédito, o trabalho
mostrou-se relevante e bem aceito pelos usuários de tal
ambiente virtual de acordo com os resultados dos
experimentos realizados. Além disso, mostrou-se eficaz não
só no contexto de reuniões de trabalho, mas também em um
cinema virtual como visto na seção anterior.
Dificuldades foram encontradas na implementação dos
objetos utilizando a linguagem LSL. Um exemplo dessa
dificuldade está na falta da estrutura array, fato que foi
contornado, embora tenha tomado um período de tempo
relevante na busca da solução para tal percalço. Com
relação ao ambiente, o fato de não termos como garantir de
que usuários mal intencionados não possam enviar
informações pelos canais privados utilizados pela aplicação
também é uma desvantagem do mesmo.
Outro problema que causou desconforto no momento do
uso da aplicação, tanto entre os utilizadores quanto entre os
autores deste trabalho diz respeito à conexão. A utilização
de ambientes virtuais 3D, dado a quantidade de informação,
exige uma conexão à internet de no mínimo 1Mbps para
uma utilização sem grandes atrasos na resposta dos
movimentos dos personagens e nas ações realizadas. Este
fato pode ser um impedimento na utilização de ambientes
virtuais, e consequentemente de nossa proposta.
Este trabalho pode ser estendido de diferentes formas. Uma
delas é elaboração de uma nova interface para a aplicação,
constituindo em um objeto que possa ser anexado à tela do
usuário a fim de melhorar a visualização dos dados no
ambiente. Outro possível trabalho futuro é a criação de um
terceiro objeto para compor a aplicação que possa capturar
os gestos dos avatares, associando os mesmos às emoções
do EmotionSender para serem posteriormente medidas pelo
EmotionMeter, podendo ser aplicados conceitos de agentes
nesta abordagem. Por fim, novos experimentos e análises
em diferentes contextos podem ser realizados, de forma a
verificar de forma mais abrangente a aplicabilidade do
método proposto.
REFERÊNCIAS
1. Dias, J. e Paiva, A. (2005) “Feeling and reasoning: A
computational model for emotional characters” In
Proceedings of EPIA, 127--140, Springer.
2. DiPaola, S. e Collins, D. (2002) “A 3D Virtual
Environment for Social Telepresence”, In Western
Computer Graphics Symposium. Vernon, BC, Canada.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 187
3. Fisher, J. e Goasgen, S. (2009) “In World Data Services
in Virtual Environments”, In ACMSE ’09. Clemson, SC,
EUA.
4. Lucia, A., Francese, R., Passero, I., e Tortora, G. (2008)
“Slmeeting: Supporting collaborative work in second
life”, In Proc. AVI 2008. ACM Press, 301–304.
5. Nielsen J. (1993) “Usabilty Engineering”, Morgan
Kaufmann, Inc. San Francisco.
6. Olson, G. M. e Olson, J. S. (2000) “Distance Matters”,
Human-computer interaction, in press.
7. Ortony, A., Clore, G.L. e Collins A. (1988) “The
Cognitive Structure of Emotions.” Cambridge University
Press.
8. Pereira, A., Vega, K., Raposo, A. e Fuks, H. (2009)
“Immersive Collaborative Storytelling: Time2Play in
Second Life”, In 2009 Simpósio Brasileiro de Sistemas
Colaborativos.
9. Picard, R. W. (1997). “Affective Computing”, MIT
Press.
10. Poel, M., Akker, R., Nijholt, A. e Kesteren, A. J. (2002)
“Learning emotions in virtual environments”, In Proc.
EMCSR 2002 Symp. Agent Construction and Emotions,
Vienna, Austria.
11. Second Life (2010). Disponível em
http://www.secondlife.com. Acesso: Jun. 2010.
12. Silva, C. R. C., Knechtel, M., Resmini, R., Garcia, A. C.
B. e Montenegro, A. A. (2010). “Simulated Architecture
and Programming Model for Social Proxy in Second
Life”, In International Conference on Information Society
(i-Society 2010), Londres.
13. Silva, C. R. C., Tavares, T. C., Garcia, A. C. B. e
Nogueira, J. L. (2009) “Governo Eletrônico em
Ambientes Colaborativos Virtuais”, In: V Simpósio
Brasileiro de Sistemas de Informação - Workshop de
Teses e Dissertações, Brasília.
i
Nomes em ordem alfabética
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 188
Interatividade e navegação em infográficos digitais
Bruna Rovere Reginato, Pós-graduanda
UFSC/Univali
brunareginato@gmail.com
Luciano Adorno, Mestrando
UFSC/Univali
adorno@vetorial.net
Berenice Gonçalves, Dra
UFSC
berenice@cce.ufsc.br
Richard Luiz Perassi de Sousa, Dr
UFSC
perassi@cce.ufsc.br
RESUMO
Este artigo trata de infografias digitais e suas relações com
as tecnologias da informação, aplicando conceitos
estudados sobre interatividade entre usuário e interface e
sobre parâmetros de navegação na análise de dois
infográficos. O primeiro infográfico foi publicado no site
G1, da Rede Globo. O segundo no jornal on-line Zero Hora
do Grupo RBS. Os dois objetos são infográficos
jornalísticos sobre a gripe A H1N1. O tema foi escolhido
por sua atualidade no momento de produção deste texto.
Porém, este estudo analítico considera especificamente o
nível de interatividade e os tipos de navegação,
estabelecendo critérios comparativos entre os infográficos
apresentados.
Palavras Chave: interatividade; navegação; infografia
digital.
INTRODUÇÃO
Infografia é uma palavra proveniente do termo norte-
americano infographic, indicando o campo de produção e
estudo de infográficos. Por sua vez, infográfico é uma
forma adjetivada referente à infografia (RIBEIRO 2008, p.
17). Infográfico web, infográfico animado, infográfico
interativo ou infográfico digital são algumas variações de
nomenclaturas para a modalidade de infografia
possibilitadas por ambientes hipermidiáticos, em especial a
Internet (Fig. 1).
Figura 1. Infográfico digital.
Fonte: site G1, 2010.
Neste artigo, optou-se por estabelecer uma distinção nesse
campo, utilizando-se a expressão infografia digital, para
diferenciar a parte que trata de infográficos digitais, em
separado da parte que trata de infográficos analógicos ou
impressos, que é nomeada pela expressão infografia
analógica (Fig. 2). Assim, caracteriza-se infográficos
digitais como produtos de design gráfico publicados em
meio digital.
Figura 2. Infográfico analógico.
Fonte: Kanno, 2008.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 189
Ao longo dos anos, a infografia, de um modo geral, tornou-
se recurso indispensável, embora tenha sofrido com o
preconceito de intelectuais, no final da década de 1970, que
consideraram os infográficos como recursos para
analfabetos. Contudo, na cobertura jornalística da Guerra
do Golfo em 1990, os infográficos foram elementos
fundamentais e, atualmente, a infografia é recurso quase
obrigatório em notícias impressas, cumprindo o papel de
roteirizar e explicar visualmente uma notícia (RIBEIRO,
2008).
Para Peltzer (1991, p. 130) infográficos ou infogramas são
“expressões gráficas, mais ou menos complexas, de
informações, cujo conteúdo são fatos ou acontecimentos, a
explicação de como algo funciona, ou a informação de
como é uma coisa”, como gráficos, diagramas, mapas ou
gráficos explicativos. Cairo (2008) considera os termos
infográfico ou infografia de forma mais ampla e geral,
como “qualquer informação apresentada em forma de um
diagrama – isto é, desenhos nos quais se mostram as
relações entre diferentes partes de um conjunto ou sistema –
é uma infografia”. Portanto, infografias são consideradas
mais que desenhos e percebidas como gráficos
informativos, com aplicações e tipologias diversas, que
comportam textos lingüísticos, gráficos e imagens.
O termo grafia faz referência aos elementos gráficos, como
as imagens desenhadas ou grafadas, aos gráficos e também
à escrita. O termo info remete à informação, sendo ainda
mais recentemente associado às tecnologias digitais. Há
informações decorrentes dos textos escritos, mas também as
imagens e os gráficos são elementos informativos.
Além dos elementos gráficos, a própria estrutura
compositora dos infográficos é igualmente informativa.
Assim, por suas características predominantemente gráfico-
informativas, a infografia em geral, inclusive a infografia
jornalística, pertence ao campo de atividades e estudos de
Design Gráfico. Pois, há o predomínio da comunicação não
verbal, decorrente de imagens e outros esquemas gráfico-
visuais, a despeito da presença de textos linguísticos.
Figura 3. Tipos de informacão.
Fonte: Wurman, 1991.
No contexto dos estudos sobre infografia, o conceito de
infografia jornalística tem como foco a informação
noticiosa (fig. 3), relacionada aos eventos da atualidade
transmitidos pela mídia. Referindo-se à informação sobre
pessoas, lugares e acontecimentos que caso não afetem
diretamente as vidas das pessoas, certamente podem
influenciar em suas visões sobre o mundo (WURMAN,
1991, p. 48).
SOBRE INFOGRÁFICOS DIGITAIS
Ao comparar infográficos digitais e analógicos, além dos
aspectos dinâmicos da infografia digital, considera-se a
interatividade uma ferramenta que transforma os leitores
em usuários. Assim, o jornalista e o designer deixam de ser
intérpretes privilegiados que interpretam os dados pelo
leitor, para converter-se em quem oferece recursos para o
usuário compor sua própria realidade (CAIRO, 2008).
Alem disso, também pode-se classificar o infográfico
digital como estático ou dinâmico e passivo ou ativo.
Conforme Ranieri (2008) lembra, um infográfico digital
ainda pode ser classificado como estático quando não há
movimento e dinâmico quando possui algum tipo de
animação. Também pode ser passivo, quando o usuário
apenas o assiste como slide-shows, ou ativo quando
necessita da ação do usuário para que o mesmo possa ser
visto.
As infografias digitais seguem princípios essenciais de
desenho de interação abordados por Norman (1998) , como
(1) visibilidade das funções do objeto, para facilitar sua
percepção e seu uso; (2) feedback ou retroalimentação,
garantindo que o objeto responda às ações do usuário; (3)
affordances que associa as características do objeto à
cultura do usuário, por exemplo, simulando botões físicos
para serem pressionados com o mouse; (4) restrições que
estabelecem limites para a interatividade, de maneira a
preservar o conteúdo noticioso; (5) consistência lógico-
formal da informação. Como na similaridade apresentada
entre as interfaces de todos os infográficos pertencentes a
uma mesma publicação (Cairo, 2008, p. 63-67).
Adaptando as ideias de Preece, Rogers e Sharp (2008),
Cairo (2008, p. 70-75), classifica os infográficos digitais de
acordo com suas funções de instrução, manipulação e
exploração. Nos infográficos instrutivos, o usuário indica
ao dispositivo o que fazer, principalmente, por meio de
botões (fig. 4). Há manipulação quando os usuários podem
trocar características físicas de certos objetos nos
infográficos instrutivos, como tamanho, cor, posição, e
outras características (fig. 5). Os infográficos exploratórios
(fig.6) permitem uma ampla interatividade, com liberdade
para os usuários reconhecerem um amplo ambiente virtual
como uma visita em 360º em uma sala de museu virtual,
games ou aplicativos imersivos, como a plataforma web e
educacional Active Worlds composta por mundo virtuais
que permitem a experiência de escolha e uso de avatares
pelo usuário.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 190
Figura 4. Instrução.
Fonte: Cairo, 2008.
Figura 5. Manipulação.
Fonte: Cairo, 2008.
Figura 6. Exploração.
Fonte: Cairo, 2008.
Um ambiente virtual pode e deve ser organizado como um
infográfico tridimensional, porque não há vantagem em
permitir ao usuário percorrer todo o ambiente sem lhe
oferecer informações. Textos, gráficos, setas e outros
elementos instruem a visitação virtual como uma visita
guiada e comentada.
Os infográficos são necessários aos processos de
informação e comunicação tendo em vista seus recursos
explicativos, interativos e características didáticas próprias.
Características que comportam possibilidades singulares em
relação às formas de apresentação de uma notícia, propondo
experiências interativas com a convergência de recursos
gráficos, sonoros, textuais e fotográficos, que podem ser
animados e manipulados, de acordo com as possibilidades
das tecnologias digitais.
INTERATIVIDADE E NAVEGAÇÃO EM INFOGRÁFICOS
DIGITAIS
O Design de Interação é a área de estudos e atividades que
se dedica ao desenvolvimento de produtos e artefatos
interativos e, portanto, usáveis, cujo sistema ou mecanismo
seja fácil de usar, promovendo sensações e soluções
agradáveis e úteis ao usuário. Dito de outra forma: o
objetivo central em Design de Interação é melhorar a
experiência do usuário e a eficiência do sistema (CAIRO,
2008).
Para Lemos (2010), interatividade é uma nova forma de
interação técnica, de cunho eletrônico-digital, diferente da
interação analógica que caracterizou as mídias tradicionais.
Esse conceito delimita a interatividade como uma ação
dialógica entre o homem e a técnica.
Entretanto para Silva (1998), a interatividade está na
disposição ou predisposição para mais interação, para uma
hiper-interação, para bidirecionalidade - fusão emissão-
recepção -, para participação e intervenção. Portanto, não é
apenas um ato de troca, nem se limita à interação digital.
Interatividade é a abertura para mais comunicação, mais
trocas e mais participação.
Segundo Francis Kretz (1985 apud Santaella, 2004),
existem seis gradações de interatividade. São elas:
- interatividade zero: nos romances, discos, cassetes, que
são acompanhados linearmente, do começo ao fim;
- interatividade linear: quando os romances, discos e
cassetes são folheados e saltados em avanços e recuos;
- interatividade arborescente: quando a seleção se faz pela
escolha em um menu: videotexto arborecente, jornais ou
revistas;
- interatividade linguística: que utiliza palavra chave,
formulários, etc.
- interatividade de criação: que permite ao usuário compor
uma mensagem por correspondência;
- interatividade de comando contínuo: que permite a
modificação, o deslocamento de objetos sonoros ou visuais
mediante a manipulação do usuário como nos videogames.
Estas também possibilitariam uma análise relacionada a
infografia. Contudo, partindo do pressuposto de que a
interatividade é a relação que um usuário estabelece com
um objeto (físico ou virtual) para conseguir um objetivo,
este artigo, adota os níveis de interatividade, de instrução,
de manipulação e de exploração, como elementos de análise
das infografias, propostos por Preece, Rogers e Sharp
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 191
(2005) e adaptado por Cairo (2008), tendo em vista sua
atualidade e aplicações propostas.
A interação do usuário com ambiente hipermídia e
hipertextual é denominada como navegação, porque o verbo
navegar é relacionado à condução de naves, sejam
embarcações ou aeronaves (BORBA, 1991), por ambientes
aquáticos ou aéreos, que permitem incontáveis rotas ou
rumos. Isso diferencia a navegação da condução de
transportes terrestres, que requerem vias pré-determinadas,
como estradas ou estradas de ferro.
Padovani e Moura (2008, p. 18) apresentam diversos
conceitos de navegação, buscando compor um conceito de
navegação hipermídia. Porém, apresentam apenas seus
aspectos característicos ou peculiaridades, indicando a
liberdade de escolha de caminhos e ferramentas de
navegação a cada ponto de tomada de decisão durante a
utilização do sistema hipermídia. Assim, propõem-se a não
imposição de hierarquia, podendo o usuário construir sua
própria hierarquia dentro da estrutura hipermidiática e,
também, admite-se diferentes formas de articulação da
informação, dependendo do caminho escolhido pelo
usuário.
A navegação é ação obrigatória em um ambiente
hipermídia. Por isso, deve ser fácil e auto-explicativa,
requerendo o mínimo de esforço possível do usuário
(PADOVANI E MOURA, 2008, p. 9). Com relação às
estratégias de navegação, essas são classificadas de acordo
com o estudo de outras classificações pré-existentes. Os
parâmetros de navegação avaliados em infográficos
digitais, corresponde à identificação de 6 tipos de padrões
de navegação (Idem, p. 58-59):
1. End-of-branch – o usuário não define um critério de
busca e escolhe uma trilha, selecionando somente os links
sinalizados como não visitados até encontrar a informação
procurada (fig. 7).
Figura 7. Estratégia End-of-branch.
Fonte: Adaptado de Padovani e Moura, 2008.
2. End-of-likely places – o usuário define um critério de
busca e visita apenas os nós (entede-se por nós os pontos ou
links de um sistema) que atendam a este critério até esgotá-
los (fig. 8).
Figura 8. Estratégia End-of-likely places.
Fonte: Adaptado de Padovani e Moura, 2008.
3. Meeting-point – busca cuidadosa em que o usuário
acessa todos os nós imediatamente adjacentes ao nó de
origem antes de prosseguir para outro nó (fig. 9).
Figura 9. Estratégia Meeting-point.
Fonte: Adaptado de Padovani e Moura, 2008.
4. Map-node-map – o usuário acessa os nós de informação
exclusivamente a partir do mapa do site (fig. 10).
Figura 10. Estratégia Map-node-map.
Fonte: Adaptado de Padovani e Moura, 2008.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 192
5. Step-retracing to targets – todos os nós do sistema
visitado são acessados na mesma sequência na revisitação
(fig. 11).
Figura 11. Estratégia Step-retracing to targets.
Fonte: Adaptado de Padovani e Moura, 2008.
6. Backtracking – os nós são visitados na ordem inversa
até o ponto de partida, usando o botão de retorno linear (fig.
12).
Figura 12. Estratégia Backtracking.
Fonte: Adaptado de Padovani e Moura, 2008.
Embora os parâmetros e os padrões não tenham sido
especificamente elaborados para o campo da infografia
digital, como essas apresentam-se como objetos e espaços
de navegação, também podem ser considerados de acordo
com os mesmos critérios.
Memória (2006) recomenda algumas práticas para o
projeto de navegação em sites, mas que podem ser
aplicadas às infografias digitais. É recomendado que a
navegação tenha as seguintes qualidades:
- Ser facilmente aprendida: caso o usuário precise
desperdiçar tempo para aprender como o sistema funciona,
não terá motivação para absorver o seu conteúdo.
- Ter consistência: Quando o sistema de navegação
desenvolvido funciona, o usuário passa a se guiar por ele e
orientar-se pelos elementos que se repetem. A abordagem
da navegação deve ser consistente em todas as páginas.
Devem ser mantidos os elementos de navegação. Quando
não puderem ser mantidos, deve-se criar sub-sites para que
a sua organização faça mais sentido.
- Dar retorno: Estamos condicionados a esperar reações às
nossas ações. Quando apertamos um botão ou giramos o
volume do som, obtemos sempre alguma resposta. Na
navegação web, a mesma coisa deve acontecer. Esse tipo de
informação é o que mostra aos usuários se eles foram bem
sucedidos na sua ação e se o que eles estão fazendo está
tendo algum efeito. Exemplos de aplicações práticas disso
são os botões rollover, que mudam de aparência quando se
passa o cursor sobre eles e podem revelar mais detalhes
sobre o link ou a imagem.
- Estar contextualizado: Para realizar as tarefas, as pessoas
precisam de ferramentas corretas. A navegação deve estar
visível, com todos os links aparecendo, para não ser preciso
usar recursos do navegador ou tentativa e erro. Na maioria
das vezes os links de página anterior são desnecessários,
pois os usuários já estão habituados com o botão de voltar
do navegador. Porém, no caso dos infográficos, podem ser
úteis já que a plataforma de funcionamento geralmente não
permite esse recurso do navegador. Outra questão
importante é informar onde a tarefa termina. Ao final de
uma ação do usuário, por exemplo, deve-se informar que a
tarefa foi executada com sucesso.
- Oferecer alternativas: Assim como os usuários são
diferentes, os hábitos de utilização da web e as
configurações de computador também são. Por isso é
recomendável cuidado ao utilizar certas tecnologias que
necessitam de plug-ins específicos e associar imagens a
textos auxiliando programas para navegação dos deficientes
visuais.
- Garantir economia de tempo e ações: Devemos evitar
caminhos desnecessários e longos que causam frustração
nos usuários. As pessoas não podem demorar muito para
chegar até o conteúdo que estão procurando. Atalhos de
navegação são importantes para que o usuário possa
encontrar o conteúdo que procura mais rapidamente. Bons
exemplos desses atalhos são os menus dropdown (que são
menus expansíveis, que são organizados e visualizados
como sub-níveis de informações na forma de links) , mapas,
índices ou até mesmo as trilhas de migalhas ou
breadcrumbs (navegação estrutural composta por links
textuais que informam ao usuário, o caminho feito por ele,
dentro do site).
ESTUDO ANALÍTICO: O PROCESSO DE
INTERATIVIDADE E NAVEGAÇÃO EM INFOGRÁFICOS
DIGITAIS
Para este estudo foram selecionados dois infográficos. Os
critérios de seleção foram: (1) a atualidade do assunto
noticioso, no momento de produção deste texto, e (2) a
credibilidade e a popularidade das fontes noticiosas, que
são o jornal on-line Zero Hora do Grupo RBS e o portal de
notícias G1 da Rede Globo.
A respeito do nível de interatividade proposto por cada
infográfico, considerou-se a categorização proposta por
Cairo (2008). A avaliação dos parâmetros de navegação
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 193
tomou por base os estudos de Padovani e Moura (2008). A
seguir são apresentadas as imagens das infografias
selecionadas (fig. 13 e fig. 14) e, também, as respectivas
análises.
Figura 13. Infográfico sobre a gripe H1N1.
Fonte: site G1, 2009.
Figura 14. Infográfico sobre a gripe A H1N1.
Fonte: jornal ZH, 2009.
O tema dos infográficos em estudo trata da gripe A H1N1,
as telas das duas infografias (fig. 13 e fig. 14) são
compostas com textos, ilustrações, títulos, linhas, barras
coloridas, fundo e pictogramas. Conforme Lupton e Phillips
(2008), muitos destes elementos e fenômenos visuais como
ponto, linha e plano, até escala, cor, hierarquia e camadas,
entre outros, convergem no design de diagramas
[infografias], onde no “reino dos gráficos de informação, a
estética destes elementos, permanece importante”,
adquirindo significados específicos dependendo da forma
como são articulados e em função de suas marcas gráficas e
relações visuais (LUPTON E PHILLIPS, 2008, p. 199).
Sobre a interatividade dos infográficos digitais
Quanto ao tipo de interatividade apresentada, os
infográficos (fig. 13 e fig. 14), são classificáveis na
categoria instrução, porque permitem a interação do usuário
por meio de botões.
O infográfico do site G1 (fig. 13), além dos botões,
apresenta também abas superiores que, tecnicamente,
desempenham as mesmas funções que os botões, porém
oferecem uma visão geral do sistema, permitindo que o
usuário mude de seção de forma mais rápida.
Nenhum dos infográficos estudados (fig. 13 e fig. 14)
oferecem possibilidades interativas dos tipos identificados
como manipulação ou como exploração (fig. 15).
Níveis de interatividade
Infográficos Instrução Manipulação Exploração
G1 (Fig. 13) X – –
ZH (Fig. 14) X – –
Figura 15. Tabela de níveis interatividade.
Fonte: Tabela dos autores.
Assim, também, não proporcionam ao usuário uma
experiência aprofundada de imersão, com possibilidades de
modificação ou personalização da interface. Além disso,
não propiciam, ainda, experiências com a interatividade que
é possibilitada nos ambientes web 3D.
Aspectos de navegação dos infográficos digitais
Considerou-se que os modos de navegação se dividem em
um número maior de categorias, com distinções sutis.
Portanto, desenvolveu-se uma investigação, na qual os
endereços eletrônico-digitais dos infográficos, foram
visitados e os objetos foram estudados diversas vezes. Nas
visitas e nos estudos, procurou-se as possíveis coincidências
entre os caminhos de navegação dos infográficos,
considerando os parâmetros de navegação propostos por
Padovani e Moura (2008).
De modo geral, o infográfico do G1 (fig. 13) não pode ser
classificado como End-of-branch, porque o usuário não
possui sinalização de links visitados.
Caso o usuário tenha um critério definido e queira, por
exemplo, verificar a primeira e a terceira aba do
infográfico, ficando satisfeito com as informações
adquiridas, a navegação no infográfico do G1 (fig. 13) pode
ser classificada como End-of-likely places, porque o usuário
definiu o sistema de busca e visitou apenas alguns nós da
rede ou sistema. O infográfico do G1 (fig. 13) permite
também os outros tipos subsequentes de navegação, exceto
o Map-node-map, porque o infográfico não apresenta um
mapa de navegação, como acontece comumente em um site.
No infográfico do jornal Zero Hora (fig. 14) também não há
sinalização de links visitados, portanto, não possibilita o
tipo de navegação End-of-branch. Contudo, possibilita a
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 194
visitação do usuário em apenas um de seus nós de rede,
permitindo a navegação do tipo End-of-likely places e
permite revisitação no modo Step-retracing to targets.
A ausência de nós adjacentes impossibilita a navegação do
tipo Meeting-point no infográfico do jornal Zero Hora (fig.
14). Além disso, não permite ainda as navegações do tipo
Map-node-map. Assim como o primeiro (fig. 13), o
segundo infográfico (fig. 14) não apresenta nenhum tipo de
mapa de navegação e, também, não há nenhum botão de
retorno, não podendo ocorrer a navegação linear da forma
como descrita no conceito de Backtracking, a qual
permitiria ao usuário, dentro do sistema, revê-lo em ordem
inversa à visitação inicial.
Em comparação com o segundo infográfico (fig. 14), o
primeiro infográfico (fig. 13) é mais amplo, com relação
aos parâmetros de navegação (fig. 16 e 17). Já em
comparação com o primeiro, o segundo infográfico
mostrou-se bastante limitado com relação aos mesmos
parâmetros de navegação propostos por Padovani e Moura
(2008).
Parâmetros de navegação – parte I
Infográficos End-of-branch End-of-likely
places
Meeting-point
G1 (Fig. 13) – X X
ZH (Fig. 14) – X –
Figura 16. Tabela de parâmetros de navegação – parte I.
Fonte: Tabela dos autores.
Parâmetros de navegação – parte II
Infográficos Map-node-map Step-retracing
to tagerts
Backtracking
G1 (Fig. 13) – X X
ZH (Fig. 14) – X –
Figura 17. Tabela de parâmetros de navegação – parte II.
Fonte: Tabela dos autores.
Alguns dos sistemas interativos de infográficos digitais
aparentemente simples, como infográfico do G1 (fig. 12),
permitem possibilidades diversificadas e complexas de
navegação. Logo, a eficácia de projetos de infografia digital
passa pelo planejamento eficiente das possibilidades de
navegação, as possibilidades de interatividade, a
preocupação com o usuário e a facilitação do entendimento
e consequentemente o uso das interfaces projetadas.
Experiência do usuário na navegação dos infográficos
digitais
Baseado em Nielsen (2010), que afirma que nos testes com
no máximo 5 usuários se obtém os melhores resultados, foi
proposto para 5 pessoas, entre homens e mulheres na faixa
etária entre 20 e 55 anos, que visitassem os endereços
digitais dos infográficos estudados e buscassem
informações a respeito do assunto proposto. As ações destes
usuários foram registradas, a partir de gravação das ações
na tela, para que se verificasse qual caminho de navegação
cada um adotou e em qual dos parâmetros de navegação
propostos por Padovani e Moura (2008) cada um deles se
enquadra.
Na infografia do site G1 foram detectadas sãs seguintes
formas de navegação: End-of-likely places, Meeting-point e
Backtracking. Três usuários navegaram de forma objetiva,
visitando apenas os links que consideraram importantes,
configurando seu modo de navegação como End-of-likely
places. Apenas um desses usuários utilizou o recurso de
navegação Backtracking, realizando um retorno linear
inverso. Os outros dois usuários navegaram visitando todos
os sublinks da infografia, enquadrando-se na navegação
Meeting-point.
Na infografia de Zero Hora todos os cinco usuários
realizaram a navegação exclusivamente da forma End-of-
likely places, sendo que três usuários visitaram de forma
linear e os demais de forma não linear.
Parâmetros de navegação do usuário
Infográficos Usuários
End-of-
likely
places
Meeting-
point
Step-
retracing
to tagert
Backtracking
Usuário 1 X X
Usuário 2 X
Usuário 3 X
Usuário 4 X
G1
(Fig. 13)
Usuário 5 X
Usuário 1 X
Usuário 2 X
Usuário 3 X
Usuário 4 X
ZH
(Fig. 14)
Usuário 5 X
Figura 18. Tabela de parâmetros de navegação do usuário.
Fonte: Tabela dos autores.
Além das classificações de Padovani e Moura, detectou-se
outros padrões de navegação.
No infográfico G1, visualizou-se uma ocorrência onde o
usuário visitou os sublinks mas não todos e não de forma
linear, como é necessário para enquadrar-se no tipo
Meeting-point. Além disso, neste infográfico e no de Zero
Hora, houve revisitação mas não na mesma sequência da
primeira visita, não podendo assim ser chamada de Step-
retracing to target. Por último, também foi identificado em
ambas as infografias um retorno não-linear, não
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 195
classificando-se em Backtracking, que requer um retorno
linear inverso.
Conforme foi observado no item Aspectos de Navegação, o
infográfico de ZH possui menos opções de navegação
principalmente por não possuir sublinks, sendo mais
simples e mais direto. Por esse motivo, apenas um dos
padrões de navegação foi identificado nas ações dos cinco
usuários analisados.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A pesquisa realizada com usuários identificou um padrão de
navegação comum, onde a maioria dos caminhos foram
classificados em apenas duas das classificações propostas
por Padovani e Moura. Acredita-se que isso ocorreu
principalmente pela simplificação dos caminhos de
navegação possíveis dentro dos infográficos, o que
empobrece o grau e o nível de interatividade.
Isso é decorrente da necessidade de transmissão da
informação de maneira clara e direta, em detrimento de
experiências mais ricas e memoráveis na relação entre o
usuário e a interface. Prevê-se o aprendizado instantâneo do
controle visual-cognitivo da interface e de seu
funcionamento porque, provavelmente, o usuário não
voltará a se interessar pela notícia e não terá necessidade de
buscar novamente informações no mesmo infográfico. Isso
estabelece a efemeridade, como característica da
informação jornalística em geral e da infografia noticiosa
em particular.
Durante a pesquisa com usuários, foram identificadas
ações que não se enquadraram em nenhuma das categorias
estudadas. Acredita-se que isso ocorreu pelas
especificidades dos infográficos citadas no parágrafo acima,
sendo esse um recurso específico e com características
próprias que diferem da plataforma web, para que a
classificação de Padovani e Moura, utilizada neste artigo,
foi inicialmente proposta.
Essa ocorrência sugere uma nova oportunidade para
trabalhos futuros, já que os estudos sobre infografia digital,
com relação à navegação ou à interatividade compõem um
vasto campo de pesquisa. É necessário considerar suas
possibilidades de adequação às novas mídias e a velocidade
com que evoluem as possibilidades de novas experiências
interativas. Como por exemplo, o advento televisão digital,
seus recursos e interfaces, a televisão 3D, o aumento
generalizado da velocidade de banda da Internet, as
tecnologias desenvolvidas para mobile, dispositivos de
leituras para e-books, o próprio conteúdo dos e-books que
podem ser dinâmicos e interativos, entre outras
possibilidades.
Conciliar os parâmetros de navegação e de interatividade
em infográficos com as possibilidades das mídias digitais,
as características da informação, as necessidades e a
disponibilidade dos usuários é função do designer projetista
de infografia. Assim, a navegação e a interatividade não são
critérios absolutos, cuja base de reflexão é questionar o
“quanto mais melhor”, porque deve-se considerar uma série
de outros fatores que interessam à rápida difusão das
notícias através dos diversos meios de comunicação digital
existentes ou a se inventar.
Além disso, em razão da infografia ser uma eficaz forma de
apresentação e organização da informação, ela se manterá
presente no universo gráfico-visual independentemente do
dispositivo ou tecnologia empregada para se interagir com
interfaces visuais. Ainda assim, continuará a ser composta
pelos mais básicos elementos gráficos e será cada vez mais
focada na satisfação do usuário, apresentando o
desenvolvimento de alta tecnologia e eficazes recursos de
navegação e interatividade possibilitando experiências
positivas, prazerosas e surpreendentes, possivelmente
ampliando também as possibilidades de mesclagem entre as
área do entretenimento e da informação.
REFERÊNCIAS
1. ActiveWorlds. Active worlds educational universe, in:
http://www.activeworlds.com/edu/awedu.asp,
11/07/2009.
2. Borba, F. Dicionário gramatical de verbos do português
contemporâneo do Brasil. São Paulo: UNESP, 1991.
3. Cairo, A. Infografia 2.0: visualización interactiva de
información en prensa. Madrid: Almut, 2008.
4. G1. Infográfico digital, in:
http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL977582-
5603,00-
INFOGRAFICO+EXPLICA+A+SEPSE+PROBLEMA
+QUE+PODE+LEVAR+A+AMPUTACAO+E+A+MO
RTE.html, 24/08/2010.
5. ____. Gripe H1N1, in:
http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL1280856-
5598,00-
AM+E+RS+CONFIRMAM+MAIS+TRES+MORTES+
PELA+NOVA+GRIPE.html, 02/09/2009.
6. Kanno, M. Mostra nacional de infografia 2009, in:
http://www.scribd.com/doc/13444370/Mostrainfografi
a, 11/09/2010.
7. Lemos, A. Anjos interativos e retribalização do mundo:
sobre interatividade e interfaces digitais, in
http://www.facom.ufba.br/ciberpesquisa/lemos/interac.
html, 28/10/2010.
8. Lupton, E; Phillips, J. Novos fundamentos do design.
São Paulo: Cosac Naify, 2008.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 196
9. Nielsen, J. You only need to test with 5 users , in
http://www.useit.com/alertbox/20000319.html,
28/10/2010.
14.Ribeiro, S. Infografia de imprensa: história e análise
ibérica comparada. Coimbra: Minerva Coimbra, 2008.
10.Norman, D. The design of everyday things. New York:
Basic books, 1988.
11.Padovani, S; Moura, D. Navegação hipermídia: uma
abordagem centrada no usuário. Rio de Janeiro: Ciência
Moderna, 2008.
12.Peltzer, G. Jornalismo iconográfico. Lisboa: Planeta,
1991.
13.Preece, J; Rogers, Y; Sharp, H. Design de interação:
além da interação homem-computador. Porto Alegre:
Bookman, 2005.
15.Santaella, L. Navegar no ciberespaço: o perfil cognitivo
do leitor imersivo. São Paulo: Paulus, 2004.
16.Silva, M. Que é Interatividade, in: Boletim Técnico do
Senac. Rio de Janeiro, v.24, n.2 maio/ago, 1998
17.Wurman, R. Ansiedade de informação. São Paulo:
Cultura, 1991.
18.ZH. Gripe A H1N1, in:
http://www.clicrbs.com.br/zerohora/swf/Gripe_ah1n1/i
ndex.html, 02/09/2009.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 197
Observações Etnográficas na Avaliação da Usabilidade de
Dispositivos Móveis de Coleta de Dados Estatísticos
Patricia Tavares
Departamento de Informática Aplicada
da Universidade Federal do Estado do
Rio de Janeiro (UNIRIO) e IBGE
patricia.tavares@uniriotec.br
Luiz Agner
Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE) e UniverCidade
luizagner@gmail.com
Simone Bacellar Leal Ferreira
Departamento de Informática Aplicada
da Universidade Federal do Estado do
Rio de Janeiro (UNIRIO)
simone@uniriotec.br
RESUMO
O presente artigo apresenta o método, resultados e
conclusões preliminares de observações de campo
inspiradas em técnicas etnográficas. Foi analisada a
usabilidade do aplicativo desenvolvido para os PDAs
(Personal Digital Assistants) da Pesquisa Nacional por
Amostra de Domicílios Contínua do IBGE. A técnica foi
aplicada com a participação de entrevistadores que utilizam
PDAs, dispositivos móveis para coleta de dados durante as
pesquisas domiciliares do Instituto. As conclusões obtidas a
partir das “observações etnográficas” revelaram dados
qualitativos inusitados sobre a usabilidade. Os autores
reuniram relatos sobre o emprego do PDA no ambiente de
campo, apontando seus principais problemas de uso.
Palavras-chave
Usabilidade, PDA, metodologia, etnografia, design,
estatística.
ABSTRACT
This article presents the methodology, results and findings
of field observations where we analyzed the usability of the
software developed for PDAs of the IBGE National
Household Sample Continuous. Ethnography inspired field
observations were applied with the participation of users
who use mobile devices to collect data for statistical
research. The conclusions from field observation
qualitative data revealed to be surprising or unusual. To
register difficulty of use, the authors gathered reports of
interviewers on the use of PDA in the field environment,
pointing out its major problems.
Keywords
Usability, PDA, methodology, ethnography, design, statistics.
INTRODUÇÃO
Com o avanço da tecnologia da informação, as pessoas e as
organizações necessitam cada vez mais de sistemas
desenvolvidos com qualidade. Como é por intermédio das
interfaces que as pessoas se comunicam com os sistemas
para executar suas tarefas, elas precisam ser cada vez mais
projetadas com foco na usabilidade [6].
Existem diferentes métodos de avaliação de usabilidade: há
aqueles sem a presença de usuários - os “métodos de
inspeção” ou “métodos analíticos ou prognósticos”; e há
aqueles que envolvem usuários, chamados de “método de
observação” ou “testes com os usuários”. Estes podem ser
realizados em seu contexto de uso, no campo, ou em
ambientes monitorados, como os laboratórios de
usabilidade [4].
O método proposto neste trabalho representa o mix de
quatro abordagens diversificadas de avaliação: a observação
em contexto de uso (aqui referida também pela expressão
“observação etnográfica” – mas deixando claro que não se
trata do método tradicional da etnografia, tal como é
concebida e aplicada pelas ciências sociais), os testes de
usabilidade com emprego de laboratório portátil, as
entrevistas semi-estruturadas, e a inspeção heurística.
Na primeira fase do método, o usuário foi observado em
seu contexto primordial de uso, ou seja, utilizando o PDA
(Personal Digital Assistants) em visitas de campo, ao
entrevistar cidadãos em seus domicílios. A segunda fase
consistiu em uma observação feita em ambiente semi-
controlado, onde o usuário foi entrevistado e observado, em
local de trabalho, realizando tarefas que simulam situações
verdadeiras que ocorrem, com freqüência, nas suas
atividades de campo.
O método proposto aqui foi desenvolvido e aplicado para
avaliação de usabilidade de um software criado para o PDA
a ser utilizado pelos entrevistadores da Pesquisa Nacional
por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) do
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) [12].
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 198
Neste artigo, será dada ênfase especial à parte inicial do
método que trata da aplicação de observações etnográficas,
de caráter exploratório, e seus resultados. A segunda fase
do método já foi explorada em outros textos de
comunicação científica [12].
A TECNOLOGIA EM CONTEXTO DE COLETA DE
DADOS
Segundo Greene [5], a introdução de uma tecnologia pode
transformar o contexto de uma entrevista para coleta de
dados estatísticos e pesquisas domiciliares, contribuindo
para a sensação de que este é um evento importante para o
informante.
Em alguns casos, a curiosidade sobre a tecnologia pode
chamar mais pessoas para observar ou participar das
entrevistas. Às vezes isso ajuda a “quebrar o gelo”, ficando
mais fácil falar com outros membros de uma família ou da
comunidade. Em algumas raras situações, a tecnologia
poderá inspirar medo ou ansiedade [5].
Os métodos de coleta de dados assistida por computadores
são conhecidos pelos termos CADC (Computer-Assisted
Data Collection), ou pelo termo europeu CADAC, CASIC
(Computer-Assisted Survey Information Collection) e CAI
(Computer-Assisted Interviewing); os métodos tradicionais
de papel e lápis são muitas vezes denotados por PAPI
(Paper-And-Pencil Interviewing).
A característica principal das entrevistas apoiadas por
computador é que as perguntas são orientadas na ordem
correta, seguindo um algoritmo disponibilizado em um
programa interativo na tela do computador.
O software tem a capacidade de configurar a ordem e o tipo
de questões baseando-se nas respostas anteriores, ou na
informação que já dispõe sobre o entrevistado. As respostas
são inseridas diretamente neste computador por um
entrevistador ou pelo próprio entrevistado [7].
Como alternativa aos questionários em papel, a CADC é
bem aceita pelos entrevistados e pelos entrevistadores e a
qualidade dos dados melhora, especialmente quando os
questionários complexos são utilizados.
Em geral, os entrevistados reagem positivamente ao uso do
computador durante uma entrevista: eles atribuem um
maior grau de profissionalismo à pesquisa. A interação
social com o entrevistador é descrita como confortável [7].
A pesquisa que representa o objeto de estudo deste trabalho
– a PNAD Contínua – representa mais uma iniciativa do
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística no sentido de
integrar a tecnologia móvel para apoiar o processo de
entrevista e de coleta de dados sobre as condições de vida
da população brasileira - através do desenvolvimento e da
aplicação de um questionário eletrônico (figura 1), como já
ocorreu nos Censos 2007 e 2010.
A PESQUISA PNAD CONTÍNUA
A PNAD Contínua é uma nova pesquisa do IBGE, que
pretende permitir uma investigação contínua sobre trabalho
e rendimento da população. Ela é o resultado da fusão de
duas pesquisas do Instituto, a Pesquisa Mensal de
Empregos e a Pesquisa Nacional por Amostra de
Domicílios [8].
O IBGE começou a testar a metodologia e o sistema, a
partir de outubro de 2009, nos estados do Pará,
Pernambuco, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul
e no Distrito Federal, prosseguindo com o teste, no ano de
2010, no Rio de Janeiro. Em 2011, a pesquisa será
oficialmente lançada em todo o País [9].
A PNAD Contínua é realizada a partir de uma amostra de
aproximadamente 179.000 domicílios e tem como núcleo
básico questões sobre trabalho e rendimento. Além disso,
vai investigar temas adicionais, como: educação de jovens e
adultos, migração, educação profissional, trabalho infantil,
fecundidade, mobilidade social, nupcialidade, saúde,
segurança alimentar, tecnologia da informação e
comunicação, transferências de renda e uso do tempo [8].
Para a sua coleta de dados, foram desenvolvidos sistemas
para PDA e sistemas de gerenciamento dos dados. Este
estudo de usabilidade analisou a facilidade de uso do
aplicativo desenvolvido para o dispositivo móvel com o
objetivo de gerar recomendações para torná-lo mais
eficiente e adequado, aprimorando a qualidade e a
satisfação na coleta de dados.
Figura 1 - Detalhes da interface do protótipo da PNAD
Contínua para dispositivo móvel, versão 1.0.9.
O método de avaliação de usabilidade aplicado no presente
trabalho, batizado por nós de entrevistas baseadas em
cenários e tarefas, procurou preservar as características
essenciais de um método científico, para emprestar
credibilidade às suas conclusões e à apresentação dos seus
resultados. Este método foi desenvolvido para atender às
condições e às peculiaridades do contexto do IBGE e já
havia sido experimentado anteriormente na avaliação da
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 199
usabilidade de um aplicativo para o Censo Demográfico
2010, tendo sido apresentado e discutido em comunicações
científicas anteriores [12].
A pesquisa, de caráter qualitativo, teve seis etapas: (a)
pesquisa bibliográfica e documental; (b) observações
etnográficas; (c) seleção da amostra de participantes; (d)
entrevistas baseadas em cenários e tarefas; (e) análise dos
resultados; (f) comunicação dos resultados.
Neste paper, serão apresentados os detalhes e alguns
resultados qualitativos reunidos durante a etapa de
“observações etnográficas”. Deixamos claro, entretanto,
que este termo proposto não deve ser confundido com a
aplicação tradicional do método etnográfico, tal como é
compreendido por outras disciplinas, como explicaremos a
seguir.
TÉCNICAS ETNOGRÁFICAS EM IHC
Segundo Cooper [3], etnografia é um termo tomado
emprestado da Antropologia que significa um estudo
imersivo e sistemático de culturas humanas. Segundo Burke
e Kirk [1], a etnografia não é um método, é mais
propriamente uma categoria de pesquisas em Interação
Humano-Computador.
Tendo sido adotada na Antropologia e na Sociologia, a
etnografia se baseia na observação de interações humanas
em um dado ambiente ou atividade social. Pode ser descrita
como a observação de pessoas em seu contexto cultural.
Uma cultura é formada por determinados valores, práticas,
relações e identificações. Deste modo, um ambiente de
trabalho (como um escritório ou uma fábrica) pode ser
descrito como uma cultura, pois é caracterizado por
padrões, práticas de negócios (formais ou informais), e por
relações entre colegas de trabalho e com os gerentes.
De acordo com os autores acima citados, há uma série de
razões pelas quais a etnografia passou a ser importante para
o projeto de interface. Essas razões são as seguintes:
1 - o estudo etnográfico é um meio poderoso de identificar
as necessidades do usuário e enxergar o sistema pelo olhar
do usuário.
2 - descobre a verdadeira natureza do trabalho realizado: é
muito comum os usuários desempenharem suas tarefas de
modo diferente daquilo que foi prescrito. No caso de uma
coleta de dados assistida por computador, por exemplo, nós
descobrimos que o estudo etnográfico poderá ser útil ao
evidenciar se os usuários enunciam as perguntas da
entrevista empregando linguagem informal ou popular, de
modo diverso do que é proposto no questionário eletrônico
oficial. Ou, ainda, será possível observar se desenvolvem
confiança no dispositivo, ou se freqüentemente procuram
realizar um bypass no seu funcionamento normal, com o
intuito de evitar lentidão, travamentos ou perda de
informações.
3 – outra vantagem do estudo etnográfico é que o
pesquisador obtém um alto grau de compreensão do usuário
e pode desempenhar o seu papel em sessões de projeto
participativo.
4 - a natureza aberta (não enviesada) da etnografia habilita
o registro de revelações surpreendentes sobre como o
sistema é utilizado no campo.
Como nos estudos sociológicos, os etnógrafos precisam
estar imersos na cultura do usuário para melhor entender o
que se passa em torno dele. Assim, os etnógrafos devem
olhar, participar e perguntar sobre as atividades do seu dia-
a-dia. Sob o ponto de vista do projeto, deve-se começar a
raciocinar como um usuário.
Se o objetivo da etnografia social é compreender como o
indivíduo ou grupo interage dentro de sua cultura, na
etnografia para o projeto de sistemas, por outro lado, o
objetivo é verificar como o sistema é realmente utilizado.
Visa a identificar problemas na maneira como é usado,
assim como os efeitos do sistema na cultura específica do
local de trabalho, para descobrir possibilidades de
desenvolvimento, dentro daquela atividade ou local.
Os métodos etnográficos podem descobrir fatos inusitados e
valiosos que jamais seriam identificados por métodos in
house. A maior parte dos dados do estudo etnográfico é
elicitado através de observação pessoal, entrevistas ou
gravações em áudio e vídeo. Seus resultados são
informações qualitativas como declarações, impressões,
opiniões e descrições do ambiente ou local.
Segundo Burke e Kirk [1], há termos empregados em IHC
que são praticamente sinônimos de etnografia como:
1 - estudos de campo: termo alternativamente utilizado no
sentido de etnografia;
2 - investigação contextual (contextual inquiry): método
ligeiramente mais específico, focado no modo de dirigir
perguntas ao usuário;
3 - estudo observacional: significa simplesmente olhar o
usuário em seu contexto de trabalho, sem dirigir-lhe
quaisquer perguntas;
4 - observação participante: focada em realizar as
atividades cotidianas de trabalho, lado a lado com o
usuário.
Para Cooper [3], estudos contextuais desenvolvidos no
processo do design de interação devem trazer o espírito da
pesquisa social etnográfica e aplicá-lo em um nível micro.
Em vez de tentar compreender comportamentos e rituais
sociais de uma cultura inteira, seu objetivo deve ser
compreender comportamentos e rituais de grupos de
pessoas que interagem com produtos específicos.
Hugh Beyer e Karen Holtzblatt (apud [3]) foram os
pioneiros na aplicação de uma técnica de “entrevistas
etnográficas”, a que eles denominaram contextual inquiry
(investigação contextual). Esta técnica se tornou
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 200
rapidamente uma referência na indústria de software. O seu
método foi baseado no modelo mestre-aprendiz, ou seja, o
entrevistador observava e fazia perguntas como se fosse um
principiante e o usuário, o seu mestre.
Os dois autores citados enumeraram quatro princípios
básicos que notabilizam o seu método etnográfico:
1 - Contexto: em vez de entrevistar usuários em uma sala
branca e asséptica, a observação e a interação devem se dar
no seu ambiente comum de trabalho, fornecendo o contexto
apropriado para o produto.
2 - Parceria: a entrevista deve ocorrer de modo a ser uma
exploração colaborativa com o usuário, alternando-se entre
a observação do trabalho e a discussão sobre a sua estrutura
e detalhes.
3-Interpretação: a maior parte do trabalho do pesquisador
será ler nas entrelinhas o que acontece a partir dos dados
reunidos sobre o comportamento dos usuários, o que eles
declaram e como se relacionam com o seu ambiente.
4-Foco: o designer deve sutilmente direcionar a entrevista
para captar dados relevantes ao projeto do software.
Cooper et al. [3] enumeram os seguintes melhoramentos
emprestados por sua equipe à técnica original da
investigação contextual de Beyer e Holtzblatt, visando a
maior eficiência na sua prática projetual:
- Encurtamento: a investigação contextual propõe
entrevistas de dia inteiro, mas Cooper considera suficiente
realizar entrevistas de campo com não mais que uma hora
de duração, com cerca de seis usuários bem-selecionados;
- Equipes enxutas: apesar de Beyer e Holtzblatt proporem
uma equipe grande, Cooper et al. sugerem ser mais eficaz
realizar observações, seqüencialmente, com uma equipe de
trabalho enxuta formada por duas ou três pessoas. Todos os
observadores devem interagir com os usuários além de
analisar e compilar os dados;
- Identificação de objetivos: a identificação e a priorização
dos objetivos dos usuários devem ser realizadas antes de
relacionadas as tarefas específicas;
- Pesquisar além do contexto corporativo: a “entrevista
etnográfica” pode buscar informações e ser aplicada
também fora do contexto corporativo.
Cooper et al. explicam que as suas “entrevistas
etnográficas” podem ser agrupadas de modo a refletir
diferentes fases cronológicas, com foco mais abrangente e
amplo, no início, passando a abordar funções e tarefas
específicas nas últimas etapas. Os stakeholders podem ser
acionados para agendar entrevistados adequados a cada fase
do ciclo de entrevistas.
Para Cooper, as regras básicas das “entrevistas
etnográficas” são: entrevistar no local onde a interação
acontece; evitar perguntas fixas; focar em objetivos
primeiro, só depois em tarefas; evitar transformar o usuário
em designer de interface; evitar discussões sobre
tecnologias; encorajar a contação de histórias; solicitar a
demonstração dos artefatos pelo usuário; não formular
perguntas que geram vieses nas respostas.
Após cada “entrevista etnográfica”, a equipe de projetistas
deve se reunir, comparar e discutir as observações,
verificando se questões levantadas pelas entrevistas
anteriores foram respondidas. As fotos e os vídeos devem
ser revisados e postados em um local público, como um
mural. Será útil utilizar esses dados na preparação da
estratégia a ser adotada durante as próximas observações.
ACOMPANHAMENTO DE TRABALHO DE CAMPO
Os autores agendaram acompanhamentos com equipes em
trabalhos de campo da PNAD Contínua, onde o dispositivo
móvel de coleta de dados pode ser observado em seu
contexto real de uso. O objetivo foi reconhecer os
problemas e compreender as dificuldades e as vantagens da
coleta de dados assistida pelo PDA e como o dispositivo
impacta o comportamento do entrevistador e do informante.
Para compreender melhor como o entrevistador da PNAD
Contínua realiza seu trabalho, os autores acompanharam
três equipes do IBGE em entrevistas domiciliares reais da
pesquisa.
Em primeiro lugar, participaram de uma visita de campo no
bairro do Leblon. Em seguida, acompanharam uma equipe
de trabalho do IBGE em diversos bairros no subúrbio
carioca (Encantado, Piedade, Bonsucesso e Higienópolis).
Em outra ocasião, os autores realizaram visita a uma
agência de coleta. Depois disso, foi empreendida visita de
campo a Tanguá (figura 2), no interior do Estado do Rio de
Janeiro, uma área com características rurais.
Figura 2 - Registro de observações etnográficas:
entrevistador aborda um domicílio selecionado em Tanguá,
setor com características rurais no Estado do Rio de Janeiro.
As nossas observações etnográficas realizadas durante o
acompanhamento dessas equipes no campo foram
registradas em imagens, entrevistas em áudio e vídeo, e
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 201
anotações, apresentando a visão do usuário sobre a
interação com o dispositivo móvel no campo.
Como conclusão mais evidente dos acompanhamentos em
contexto de uso, percebeu-se a importância da usabilidade
na construção de aplicativos para os PDAs. Tais
equipamentos possuem limitações físicas, como telas e
teclados reduzidos. A navegação intuitiva e a identificação
eficiente de conteúdos textuais são necessidades absolutas
em dispositivos móveis em situação de pesquisa.
Em geral, usuários em ambientes fixos concentram-se
melhor enquanto que, em ambientes móveis, tendem a se
distrair em função de atividades que acontecem no
ambiente [10].
Os autores do artigo puderam verificar que, como são
utilizados em ambientes externos, os PDAs precisam
suportar condições ambientais adversas (calor, frio,
umidade, seca, luz natural e artificial), dependendo do local
de uso. Concordamos com Simões et al. [11] que o público-
alvo é um desafio, pois o trabalho de campo é realizado
com milhares de pessoas de variados perfis e localizações
geográficas.
A mobilidade impõe limites físicos, visuais e cognitivos ao
usuário [2]. Somam-se a estes fatores a dificuldade de
acesso a domicílios (áreas de alto risco, distantes ou rurais,
em condomínios classe média alta), onde cada vez mais o
informante tem restrições de receber o entrevistador. Para
registrar tais dificuldades, os autores reuniram relatos dos
entrevistadores sobre o uso do dispositivo móvel no
ambiente externo, apontando seus problemas.
O contraste de cores da tela do PDA com a luz solar foi o
problema mais citado nestes relatos: os pesquisadores
fotografaram o dispositivo sob a incidência da luz do sol e
puderam comprovar a gravidade desse problema, que
impede a leitura do questionário (figura 3).
Figura 3 - O dispositivo da PNAD Contínua sob a
incidência da luz solar: legibilidade prejudicada.
RELATÓRIOS DE OBSERVAÇÕES
Nos três textos a seguir, apresentamos partes selecionadas
dos relatórios elaborados pelos autores a partir das
observações etnográficas relacionadas à fase de testes da
pesquisa PNAD Contínua. Os textos representam sínteses
gerais das observações dos pesquisadores; todos os nomes
de indivíduos citados foram alterados para preservação de
privacidade.
Relatório de Trabalho de Campo no Leblon
Numa ensolarada tarde de outono, fomos acompanhar o
trabalho de campo de um dos entrevistadores da pesquisa
PNAD Contínua, no Leblon, um bairro nobre da zona sul
do Rio de Janeiro.
Estávamos em campo eu, Manuela, que trabalha junto à
Diretoria de Informática e integra a da equipe de
desenvolvimento do aplicativo do PDA, Roberto, um
supervisor da pesquisa, responsável pela área, e Reinaldo,
o entrevistador destacado para acompanharmos, que iria,
nesse dia, trabalhar numa rua do alto Leblon.
Esta área apresenta a característica de possuir muitos
edifícios residenciais de famílias de classe média alta que,
não raro, moram em grandes apartamentos ou em
coberturas de luxo.
Após cerca de dez tentativas infrutíferas de abrir domicílios
para aplicar o questionário da PNAD Contínua, finalmente
conseguimos entrar em uma residência a ser pesquisada. O
supervisor Reinaldo ficou nos aguardando na portaria e
subimos pelo elevador até uma das coberturas, onde fomos
recebidos por dona Marlene, que estava em casa
acompanhada da empregada. Reinaldo apresentou-me e a
Manuela como supervisores e perguntou se poderíamos
acompanhar a entrevista, no que obtivemos a anuência da
dona da casa, embora não sem demonstrar certa surpresa
quanto ao número de pessoas a entrar em sua casa.
Ao entrarmos, dona Marlene nos encaminhou para uma
ampla varanda, decorada com vasos de plantas e muito
bom gosto, onde havia dois sofás, cadeiras e uma mesa de
centro. Reinaldo sentou-se no local indicado pela
entrevistada, mas logo foi forçado a reacomodar-se devido
à luminosidade solar que incidia sobre o seu PDA,
impedindo a visibilidade de sua operação.
A entrevista iniciou-se às 11h25min e terminou por volta
das 12h25min. Durante a observação da entrevista e do uso
do dispositivo de mão, eu e Manuela pudemos registrar por
escrito diversos detalhes da interação com o informante.
A maior parte das perguntas dirigidas à entrevistada foi
enunciada de modo informal. Observamos que o
entrevistador (considerado pela chefia um dos seus
melhores funcionários) adaptou, à sua maneira, as
perguntas que a pesquisa apresentava na tela do PDA,
empregando linguagem bastante coloquial. Tal estratégia
contribuiu para descontrair a entrevista, aproximando-a de
uma conversação comum.
A entrevistada passou a conversar em tom informal com o
entrevistador, dando mais detalhes do que o que estava
sendo estritamente perguntado. Isso gerou a necessidade de
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 202
uma dose extra de interpretação das informações por parte
do entrevistador.
A entrevistada passou a relatar um pouco da história de
sua vida. O entrevistador perguntou alguns fatos por
curiosidade pessoal, mesmo estando fora do questionário
da PNAD Contínua. Isto contribuiu para tornar o clima da
entrevista ainda mais descontraído.
A nossa observação destacou a grande experiência e
habilidade pessoal do entrevistador Reinaldo, assim como
a cordialidade e boa educação da entrevistada.
Reinaldo começou o questionário perguntando qual era o
último curso que dona Marlene havia concluído. Ela
informou que foi o mestrado. Com esta resposta, Reinaldo
deduziu algumas outras: por exemplo, nem precisou
perguntar se sabia ler e escrever.
Reinaldo precisou de um tempo considerável entre cada
uma das perguntas do questionário para operar o PDA.
Durante os intervalos, clicava diversas vezes na tela touch-
screen do dispositivo móvel com a sua caneta. Dona
Marlene mostrou-se um pouco entediada, esperando ele
terminar a operação e partir para a próxima pergunta.
Reinaldo teve que voltar atrás nas perguntas do
questionário, pois a informante disse que era arquiteta,
mas depois corrigiu a informação, dizendo que vivia
principalmente da renda de aluguéis.
Além disso, o entrevistador sentiu dificuldade de encaixar
uma aposentadoria proveniente do exterior, declarada pela
entrevistada, em uma categoria específica no questionário
eletrônico.
Reinaldo também se confundiu na interpretação de
respostas para certas questões, como a relação de trabalho
da filha da informante, que era produtora de cinema. Após
perguntas extras, fora do questionário, esta informação se
esclareceu.
Ficou demonstrado certa necessidade de cultura geral por
parte do entrevistador para a correta interpretação de
algumas respostas sobre a produção de filmes. A
informante teve dificuldade em estimar o número de horas
trabalhadas de sua filha, por não ser este um trabalho com
horários rigidamente estabelecidos.
Demonstrando experiência com as perguntas do
questionário, o entrevistador fez cálculos financeiros
mentalmente, o que ajudou a informante a responder
perguntas sobre seus rendimentos totais.
Dona Marlene respondeu pelas três pessoas da casa: ela,
Oswaldo, seu marido e Mariana, sua filha. Quando não
sabia de alguma informação específica, ela ligava para o
marido. Em uma das perguntas, dona Marlene não
conseguiu o contato com o sr. Oswaldo e Reinaldo então
foi para a próxima pergunta. Depois, conseguiu falar com
o sr. Oswaldo e recebeu a informação. Reinaldo precisou
de um grande tempo para encontrar a pergunta no PDA e
inserir a informação que faltava.
A entrevistada telefonou três vezes para o marido para
confirmar dados demográficos e confirmar rendimentos.
Na última vez, ela colocou o marido em contato direto com
o entrevistador pelo telefone.
Após o término da entrevista, perguntamos a Reinaldo o
motivo de ele adaptar as perguntas e não seguir o fluxo
exato do questionário. Ele sabia que a coordenação da
PNAD Contínua orienta que o fluxo do questionário seja
rigorosamente seguido, mas alegou que, se seguisse este
fluxo, seria cansativo e estressante para o informante. Ele
apontou que alguns informantes já ficaram ofendidos com
certas perguntas. Por este motivo, procura abreviar o
questionário com a intenção de tornar a entrevista menos
aborrecida.
Relatório de Visita à Agência de Coleta
Eu e Carlos marcamos para uma quarta-feira, às 10 horas,
mais um teste de campo do software da PNAD Contínua. O
local escolhido foi um posto de coleta na área urbana do
Rio de Janeiro, onde são concentrados trabalhos coletados
de diversos bairros da área central e portuária da cidade.
Fomos recebidos por Soraia, uma das supervisoras da
casa. Conversamos um pouco com ela sobre como eram
conduzidos os trabalhos da pesquisa. Ela se mostrou
grande conhecedora do trabalho do Instituto, falando
também sobre as demais pesquisas domiciliares. Fazia
comparações e enfocou as vantagens e desvantagens de
cada uma delas, entusiasmada em poder expor suas idéias
e sugestões.
Soraia aparentava ter uns 45 anos de idade, usava roupa
de cores discretas, colares e pulseiras nem tanto, e um
suave perfume. Após a breve conversa inicial, pedimos a
ela para nos apresentar Bruna, que participaria do ensaio
de interação.
Fomos ao encontro de Bruna, uma jovem bonita, não muito
alta, de uns 22 anos. Pedi para ela aguardar um pouco o
Carlos, que já estava a caminho. Soube que ela estava
fazendo faculdade de Fonoaudiologia e que trabalhava na
pesquisa da PNAD Contínua porque o horário de trabalho
era compatível com o das aulas na faculdade.
Soraia contou que ela era uma ótima agente de pesquisas
que ingressou no último concurso. Este concurso foi
realizado para suprir as necessidades de recursos humanos
do Instituto, mas tinha como desvantagem a contratação
temporária por dois anos. Soraia comentou que o contrato
já estava no final e eles não tinham a perspectiva de
prorrogar o prazo, lamentando a perda de mais uma
funcionária competente.
Carlos chegou logo em seguida. Antes de começamos o
ensaio de interação com Bruna, fomos conversar com o
chefe da agência para explicar a importância do nosso
trabalho. Ele ficou interessado em detalhes sobre o teste de
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 203
usabilidade e combinamos de conversar após o seu
término.
Enquanto Carlos conduzia os trabalhos com a Bruna,
fiquei observando o movimento da agência. Ela era
composta por dois salões com diversas mesas em estilo
antigo, em madeira escura, enfileiradas e bastante
preservadas, e uma sala reservada para o chefe. O
ambiente lembrava os filmes que retratam repartições
públicas da década de 1940, mais ou menos o período em
que a Instituição foi criada pelo presidente Getúlio Vargas.
Os funcionários iam de um lado para o outro, atendendo
telefones nas diversas mesas e falando alto, algumas vezes
atrapalhando o estudo. Um deles até passou distraidamente
atrás de Bruna, aparecendo na gravação realizada pela
webcam, em uma das tarefas do ensaio. Carlos
delicadamente pediu para que ele saísse do foco da
câmera.
Reparei que o chefe da agência, o sr. Gonzaga, era um “faz
tudo”, pois em um momento ele se propôs a subir uma
escada para trocar uma lâmpada queimada da sala onde
estávamos. A agência estava bem cuidada e em cada salão
podia-se ouvir música ambiente, que saía de caixas de som.
Após o término do teste, fomos ao encontro do chefe. Era
um homem com idade aparente entre 55 e 60 anos, um
antigo funcionário do Instituto. Encontramo-lo agora
debaixo da sua mesa de trabalho consertando a conexão
elétrica dos cabos de um computador.
Ele demonstrou muito interesse em nosso trabalho, dizendo
que a nossa visita era de suma importância. Segundo ele,
muitas vezes, as necessidades do campo são desconhecidas
e sistemas são construídos sem que os usuários possam ter
a oportunidade de contribuir com sua experiência.
Soraia veio a nosso encontro e os dois começaram a
colocar diversos temas em pauta. Discutiu-se a carência de
recursos humanos, pois os concursos públicos não estavam
suprindo a quantidade de funcionários que estavam se
aposentando.
A nova geração de funcionários é formada por jovens que
ainda não atingiram os 30 anos, universitários em sua
maioria, e que estão bastante acostumados a avanços
tecnológicos e ao uso de sites e redes sociais na Internet.
Segundo eles, estes jovens funcionários são contratados por
períodos de até dois anos e muitos são descomprometidos
com o trabalho, por serem temporários. Por outro lado,
alguns funcionários temporários mostram-se perfeitos para
as tarefas, mas precisam ser dispensados assim que o prazo
de contrato se expira.
Os dois veteranos concordaram em vários pontos,
mostrando preocupação com o futuro da Instituição que, na
sua visão, estaria ameaçado devido ao grande número de
aposentadorias que ocorreriam em breve. Disseram que os
treinamentos eram insuficientes para dar conta da enorme
rotatividade de profissionais.
E que as pesquisas só são concluídas porque alguns
servidores “dão o seu sangue” e fazem “das tripas
coração” para obter os dados no campo.
Relatório de Campo em Setor Rural
Após algumas visitas de campo a áreas urbanas do Rio de
Janeiro, resolvemos realizar nossas observações
etnográficas em uma área rural. Eu e Carlos entramos em
contato com Gláucio, um coordenador de pesquisa e
pedimos sua sugestão. Ele propôs visitarmos a região de
Tanguá, um local sob responsabilidade da agência de
Itaboraí, onde são geralmente coletados dados de setores
que, apesar de formalmente considerados áreas urbanas,
têm características marcadamente rurais.
Seguimos os três num automóvel para o referido setor,
acompanhados de Ubiratan, um entrevistador bastante
tagarela. No caminho, sem parar de falar, reclamou que
não havia normalmente carros para ir a setores afastados.
Gláucio interferiu na conversa, enfatizando que os veículos
existentes eram prioridade do censo demográfico.
No decorrer da viagem, fomos percebendo que as
características urbanas, como asfalto, meio-fio, placas e
edificações, foram gradativamente escasseando e dando
lugar às características de uma região rural. Em um
momento da viagem, Ubiratan percebeu que já tínhamos
passado de um supermercado, que era seu último ponto de
referência para a entrada no setor.
Adentramos por uma rua sem asfalto. Observamos a
quantidade de sítios que iam aparecendo no caminho. Em
vários pontos, pudemos passar em meio ao gado pastando e
a muitos pés de laranja. Ubiratan comentou que esta era a
paisagem típica do local, e que o município era grande
produtor de laranjas. Apesar de estarmos no inverno, o sol
era muito forte e o céu azul. Notamos ao passar por
diversas poças d’água que, se estivesse chovendo, não
conseguiríamos chegar ao setor, caso o nosso veículo não
contasse com tração nas quatro rodas.
Cerca de meia hora depois, com bastante dificuldade e
algumas voltas desperdiçadas por entre alamedas sem
calçamento nem placas, em meio a densas plantações e
áreas de pasto, Ubiratan localizou um dos domicílios
selecionados. Estacionamos o nosso veículo sob uma
sombra em frente a uma casa bem simples, com detalhes da
pintura e do reboco descascando. Havia um cachorro que
começou a latir mas parou logo em seguida. Um arbusto
com flores enfeitava o lado de fora da casa e uma gaiola
com um passarinho estava pendurada na parte da frente da
varanda, por onde também passeava um galo.
Um morador chegou à porta. Ubiratan se identificou e
pediu licença para fazer a entrevista em nome do IBGE. O
cidadão ficou um pouco desconfiado mas aceitou a
abordagem. Era um homem calmo que usava uma bermuda
surrada, estava de chinelos e sem camisa. Percebemos que
tinha músculos bem definidos, com a pele curtida de sol,
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 204
aparentando ter uns quarenta anos. Mais tarde, revelou ser
lavrador.
Ubiratan buscou uma sombra na varanda, sentando-se na
sua mureta, tendo sido acompanhado pelo dono da casa.
Após solicitar e beber um copo d’água, ele ligou o seu
PDA, começou a usá-lo silenciosamente; o informante
estava com paciência e, ao mesmo tempo, mostrava
curiosidade, esperando pelas perguntas. A entrevista
começou por volta de 12:15h.
Ubiratan foi empregando palavras simples e assim
conseguiu ganhar a confiança do informante para obter os
dados que precisava.
O informante ficou um pouco envergonhado ao falar o
quanto ganhava por mês. Disse que era lavrador, mas que
muitas vezes não ganhava nada porque perdia toda a
lavoura. Ele respondeu com educação a todas as
perguntas, mas não compreendeu aquela que indagava se
ele gostaria de trabalhar mais horas.
Ubiratan gastou um tempo explicando o propósito desta
pergunta para o homem, mas ele não conseguiu entender.
Gláucio também tentou explicar, mas ele e a esposa
continuaram com dúvidas. Como iria alguém querer
trabalhar mais se já trabalhava tanto?
Na hora de responder ao questionário relativo à sua
esposa, o lavrador a chamou para ajudar. Ela disse que
voltou a estudar à noite e que ia de bicicleta para a escola.
Era empregada doméstica; ganhava cerca de R$ 350,00
por mês. Ubiratan não perguntou quem era o responsável
pelo domicílio, por isto, não sabemos se ele apontou o
lavrador ou a esposa. Enquanto ocorria a entrevista, eu e
Carlos íamos registrando nossas observações por escrito.
Percebemos que as pessoas eram simples, mas educadas e
não cometiam muitos erros de linguagem. Um segundo
homem de meia idade que não se identificou e a filha do
casal, de cerca de uns dez anos, uniram-se ao grupo da
varanda, demonstrando curiosidade. No quintal da casa,
circulavam galinhas e patos e o galo cantava. Pareceu-nos
que a família consumia quase tudo o que plantava.
A entrevista durou cerca de 45 minutos. Nos despedimos,
tiramos fotos e fomos embora. Respondendo a uma
indagação de Carlos, Ubiratan disse no carro que as
últimas alterações realizadas no PDA, sugeridas pelos
estudos de usabilidade, melhoraram a interação e que o
novo teclado virtual havia ficado bem melhor.
PARA EFEITO DE CONCLUSÃO
O presente artigo apresentou a parte exploratória do método
de observações envolvendo usuários, para avaliação de
usabilidade de um dispositivo móvel de coleta de dados de
entrevistas domiciliares, com ênfase em técnicas de
observações etnográficas. Ele foi desenvolvido para ser
aplicado junto aos entrevistadores que utilizaram PDAs
durante a versão experimental da Pesquisa Nacional por
Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua).
O método de avaliação apresentou essencialmente duas
etapas: a primeira consistiu em acompanhar os usuários do
PDA em seu contexto de uso no campo (“observações
etnográficas”), e a segunda envolveu gravações e registros
sistemáticos de tarefas realizadas enquanto os usuários
interagiam com o PDA em um laboratório de usabilidade
portátil.
A segunda etapa do método foi discutida em outras
comunicações científicas [12], ficando o presente texto
reservado especificamente à apresentação de detalhes e
resultados qualitativos das observações etnográficas do
trabalho do usuário no campo.
O impacto desse tipo de entrevista apoiada por computador
na qualidade dos dados tem sido avaliado sistematicamente
por institutos de pesquisas de outros países. Sua principal
característica é que as perguntas são orientadas pelo sistema
na ordem correta, seguindo um algoritmo disponibilizado
em um programa interativo apresentado na tela do
computador. As respostas são inseridas diretamente, neste
computador, com dados digitados pelo entrevistador ou
pelo entrevistado.
Como foi visto, a etapa exploratória do trabalho incluiu
procedimentos de observação em campo inspiradas nas
técnicas da pesquisa etnográfica incorporada à IHC. Tendo
sido adotada na Antropologia e na Sociologia, o estudo
etnográfico se baseia na observação de interações humanas
em um dado ambiente de trabalho ou em uma atividade
social.
A nossa experiência demonstrou que a observação
etnográfica, tal como proposta, pode ser considerada muito
importante para o projeto de interface, pois este tipo de
estudo habilita o projetista a enxergar o sistema pelo olhar
do usuário, revelando a natureza real e não idealizada do
trabalho.
Uma série de conclusões foi obtida dos resultados dessas
observações, muitas das quais revelaram dados
surpreendentes ou inusitados. A mobilidade impõe limites
físicos, visuais e cognitivos ao usuário. Para registrar tais
dificuldades, os autores reuniram relatos de entrevistadores
sobre o uso do PDA no ambiente externo, apontando seus
principais problemas.
O contraste de cores da tela do dispositivo com a luz solar
foi um dos problemas mais citados nestes relatos: os
pesquisadores puderam conferir, na prática, a gravidade
deste evento que impacta seriamente a legibilidade do texto
das perguntas do questionário.
Somou-se a esses fatores a dificuldade de acesso a
domicílios que podem estar em áreas de risco, rurais, ou
distantes. No caso de condomínios classe média alta, cada
vez mais o informante impõe restrições de diversas ordens
para receber o entrevistador.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 205
Nas observações etnográficas que realizamos ficou também
evidente que o entrevistador - não raramente - realiza suas
tarefas de modo diverso ao que lhe foi prescrito no
treinamento. Por exemplo, utiliza linguagem coloquial e
popular para formular as perguntas, em vez de lê-las
formalmente, e inverte a ordem das questões propostas pelo
software de questionário eletrônico, com o objetivo de
reduzir a duração da entrevista, ou torná-la menos
entediante e mais natural para o entrevistado.
Evidências reunidas nos estudos de campo embasaram e
reforçaram conclusões obtidas nos testes com o emprego de
laboratório de usabilidade portátil, em ambiente semi-
controlado, paralelamente realizados. Isto nos permite
afirmar que as duas técnicas têm grande potencial quando
são aplicadas de modo complementar.
Na fase de comunicação dos resultados, as conclusões do
estudo, assim como as recomendações técnicas para a
solução de problemas de usabilidade, foram repassadas para
a equipe de desenvolvimento do software visando
implementações e correções técnicas.
Além de artigos científicos, as conclusões do presente
estudo foram apresentadas em seminário para outras
equipes internas, visando a disseminar e institucionalizar o
emprego da metodologia de avaliação de usabilidade em
dispositivos móveis, com o objetivo de contribuir para
tornar mais eficientes e seguros os processos de coleta de
dados estatísticos.
REFERÊNCIAS
1. Burke, J.; Kirk, A. Choosing Human-Computer
Interaction (HCI) Appropriate Research Methods –
Ethnographic Methods [online]. Disponível em:
http://otal.umd.edu/hci-rm/ethno.html Acesso em:
14/06/2010.
2. Burzagli, L., Billi, M., Palchetti, E., Catarci, T.,
Santucci, G.,  Bertini, E. Accessibility and Usability
Evaluation of MAIS Designer: A New Design Tool for
Mobile Services. Universal Access in HCI, Part II, HCII
2007, LNCS 4555, pp. 275–284, 2007.
3. Cooper, A.; Reimann, R.; Cronin, D. About Face 3: The
Essentials of Interaction Design. Indianapolis, IN; Wiley
Publishing, Inc., 2007.
4. Dias, C. Usabilidade na Web: criando portais mais
acessíveis. 2ªEd., R.J, Alta Books, 2007.
5. Greene, P.D. Handheld computers as tools for writing
and managing field data. Field Methods, 13(2):181-197.
2001. Disponível em: http://fmx.sagepub.com/content/
13/2/181. Acesso em: 02 de setembro de 2010.
6. Leal Ferreira, S.B.,  Nunes, R. e-Usabilidade, Rio de
Janeiro, LTC, 2007.
7. Leeuw, E.D.; Hox, J.J.; Snijkers, G. The effect of
computer-assisted interviewing on data quality. A
review. Pp. 173-198 in B. Blyth (ed.) Market Research
and Information Technology. ESOMAR Monogaph.
Amsterdam: Esomar. 1998. Disponível em:
http://igitur-archive.library.uu.nl/dissertations/2006-
1024-200101/c3.pdf. Acesso em: 02 de setembro de
2010.
8. IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
Quinto Fórum do Sistema Integrado de Pesquisas
Domiciliares por Amostragem. Disponível em:
http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/si
pd/quinto_forum/PNAD_Continua_Questionario.pdf.
Acesso em: 15/12/2008.
9. Leitão, M. Brasil terá um retrato da nova dinâmica do
trabalho. Disponível em: http://oglobo.globo.com
/economia/miriam/posts/2009/08/05/brasil-tera-um-
retrato-da-nova-dinamica-do-trabalho-211361.asp.
Acesso em: 29/03/2010.
10.Loureiro, A. A. F. et al. Comunicação Sem Fio e
Computação Móvel: Tecnologias, Desafios e
Oportunidades. Minicurso apresentado no Congresso da
Sociedade Brasileira de Computação. Campinas, SP.
Ago. 2003. Disponível em: http://homepages.dcc.
ufmg.br/~loureiro/cm/docs/jai03.pdf. Acesso em:
11/06/2008.
11.Simões, et al. Experiência: Coleta de dados por
computadores de mão para censos de proporções
continentais. Concurso Inovação na Gestão Pública
Federal. Disponível em: http://inovacao.enap.gov.br/
index.php?option=com_docmantask=doc_viewgid=
277. Acesso em: 11/06/2009.
12.Tavares, P.; Agner, L.; Leal Ferreira, S. B. Avaliação de
Usabilidade de Dispositivos Móveis de Coleta de Dados
Domiciliares Através de Entrevistas Baseadas em
Cenários e Tarefas. IHC 2010 – IX Simpósio Sobre
Fatores Humanos em Sistemas Computacionais.
October 5-8, 2010, Belo Horizonte, MG, Brasil.
NOTAS
Os autores agradecem aos apoios das equipes da Unidade Estadual do IBGE do Rio de Janeiro, da CODES (Diretoria de
Informática) e da Diretoria Executiva do IBGE, sem os quais esta pesquisa não teria sido possível. As opiniões emitidas neste
artigo são de exclusiva e inteira responsabilidade dos autores, não exprimindo, necessariamente, o ponto de vista do IBGE.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 206
Metodologia Projetual no Ensino de Design Digital Interativo
Paula Rigo Tramujas – Universidade Positivo /
EMBAP
Luciane Hilú – PUCPR / Universidade Positivo
RESUMO
Este presente artigo tem por objetivo apontar algumas
teorias de metodologia utilizadas para o ensino de design
em universidades, discutindo sua aplicabilidade ao universo
do design digital interativo e traçando um comparativo com
a metodologia usada na prática em uma empresa de design
americana – IDEO. Tendo este aporte teórico-comparativo
questionar-se pela possibilidade de incorporação desta no
âmbito de ensino de universitário design.
Palavras-chave do autor
Metodologia, design, ensino, universidade.
Palavras-chave de Classificação ACM
D.2.2 Methodologies: D.2.10 Design
INTRODUÇÃO
Para evidenciar a ligação íntima entre o processo de
desenvolvimento de produtos de design com o tema
metodologia, e discutir sobre os parâmetros metodológicos
necessários de serem cobertos no ensino projetual de design
digital, busca-se neste texto trazer a tona alguns conceitos
essenciais que evocam esta ligação e que podem
proporcionar o vislumbre de um caminho para a construção
do ensino neste âmbito. Com isto objetiva-se delinear
concepções específicas de metodologia para aplicação no
ensino de design digital.
Historicamente, a cada evolução do processo de
desenvolvimento de um produto, verifica-se que o design,
independente da natureza do produto que gera, como
qualquer área do conhecimento científico, sempre
demandou aporte a teorias capazes de embasar sua
produção, seus métodos de projetação e possibilitar
familiaridade com as situações de contextualização nas
quais é utilizado. Sendo assim, a aproximação da
metodologia com o design é resultado da necessidade
constante de se estabelecer um método específico para esta
área, a partir da análise dos já existentes, que possa dar
conta do desenvolvimento de um projeto específico.
Vários autores defendem a existência uma prática projetual
de design permeada por uma metodologia sinequanon, onde
as idéias são pesadas juntamente com os requisitos e
restrições inerentes ao produto a ser executado e ao
problema a ser solucionado, e são geradas e selecionadas
alternativas de solução, de forma crítica.
Desta forma, ter um projeto e uma metodologia de trabalho
bem desenvolvidos e estruturados se tornou um requisito
fundamental para o design alcançar seus objetivos. O
produto final de design se torna, pois, o resultado lógico de
um projeto que envolve métodos que visam atender à
proposta de resolver da melhor maneira todos os
componentes de um dado problema.
Porém, questiona-se se as metodologias desenvolvidas e
utilizadas como base teórica para ensino nas universidades
de design, já discutidas e sedimentadas na academia, são
passíveis de dar conta das necessidades atuais de
desenvolvimento de produtos nesta área, que envolve
atualmente outros níveis de problemática e de construção,
como o caso do design digital, que envolve desde produtos
de natureza estática quanto em movimento, incorporando
por muitas vezes o elemento interação, que traz toda
especificidade ao pensar “fazer design” atual.
“Y es que la tecnologia está permitiendo poner en
marcha planteamientos educativos que intentan
romper con las barreras establecidas por las
instituciones dedicadas e instruir a los futuros
diseñadores, en general demasiado rígidas y no
adaptadas a la realidad de los nuevos medios” [5]
ENSINO DE METODOLOGIA NOS CURSOS DE DESIGN
No âmbito universitário, tanto professor quanto o aluno
precisam utilizar algum tipo de metodologia para a solução
de seus problemas: ao professor cabe o ensino de uma
metodologia para ajudar a nortear este aluno que, para
aprender e evoluir, precisa de um caminho; ao aluno cabe a
aplicação de um método transmitido por meio do professor
em situações onde seja requisitada uma solução de
problema, que se utiliza de uma metodologia de ensino
parametrizada e aprovada pela universidade.
Especificamente na área do Design, onde as soluções de
problemas se concentram na atividade projetual, o aluno, ao
formar-se na universidade e entrar no mercado de trabalho,
de posse do conhecimento de tais metodologias poderá ou
não aplicar aquela ensinada pelo professor para atuar em
sua área de conhecimento. Com o tempo se utilizará de um
método próprio, que deverá ser influenciado pelas
referências que teve ao longo do aprendizado e experiência
no ensino superior.
Permission to make digital or hard copies of all or part of this work for
personal or classroom use is granted without fee provided that copies are
not made or distributed for profit or commercial advantage and that copies
bear this notice and the full citation on the first page. To copy otherwise,
or republish, to post on servers or to redistribute to lists, requires prior
specific permission and/or a fee.
CHI 2009, April 4–9, 2009, Boston, Massachusetts, USA.
Copyright 2009 ACM 978-1-60558-246-7/09/04...$5.00.
1
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 207
Neste sentido é imprescindível a discussão de quais
metodologias ou quais elementos metodológicos deverão
ser apresentados a este aluno durante sua permanência na
Universidade a fim de formar-lhe um arcabouço
teórico/prático e uma formação basilar de consistência para
o desenvolvimento futuro de suas particularidades no seu
próprio processo de desenvolvimento projetual.
Discussões acerca desta temática são comuns e recorrentes
ao longo da história do ensino de design, desde a Escola de
Ulm. A adoção, a partir destas discussões, de métodos
específicos na área de design é, pois, uma prática já
estabelecida. A própria história do “fazer design” ao longo
do último século, aliada à complexidade crescente de
fatores envolvidos nos projetos desta natureza passou a não
permitir mais que seu desenvolvimento se fundamentasse
apenas na intuição ou na experiência adquirida,
principalmente com o crescente desenvolvimento de nichos
de design específicos e particularizados, como o design
gráfico, o de produto e afins.
Consolidou-se, pois, um consenso geral de que, no ato
criativo de qualquer produto de design, a aplicação de
processos metodológicos é essencial para a produção de
resultados coerentes com as necessidades e expectativas
aventadas, especialmente na busca de soluções de
problemas determinados.
Estendendo as concepções de aplicação de metodologia
como item relevante na solução de problemas buscando um
alto nível criativo, verifica-se que a tendência para a
objetivação das atividades criativas se alimenta do anseio
do uso de uma metodologia que possa automaticamente
conduzir a resultados originais e perfeitos, servindo de base
primordial, mas não de verdade absoluta. Nota-se desta
forma que a criação denota em si o gérmen do saber fazer,
que é compreendido também por meio de métodos
aplicados que devem ser repassados para os estudantes na
academia como forma de estímulo à criatividade e
inovação.
Aliando estes aspectos, firmando a necessidade do ensino
da aplicação de métodos no projeto de design, a fim de
dotar os alunos de capacidade de produzir produtos que
atendam às expectativas e necessidades, e que o façam de
uma forma a criá-los originais e criativos, as discussões
teóricas que tiveram lugar ao longo do século XX sobre
design e ensino de design levaram ao estabelecimento de
“caminhos projetuais” mais ou menos similares entre si,
compostos freqüentemente por etapas lineares também
similares e concordantes:
“design é transformar objetivos em objetos. Isso
implica um processo de trabalho que, seja curto ou
longo, se desenvolve com começo, meio e fim:
abrange as etapas de Levantamento / Estudos /
Anteprojeto / Projeto executivo. Quando não é
assim, quando é instantâneo, não é design [...]. O
processo de desenvolvimento do projeto define,
portanto, a própria natureza do design.” [1]
Segundo a concepção geral de produção de design e sua
decorrente aplicação ao ensino, pode-se verificar, pois a
possibilidade de organizar o processo projetual em três
macro etapas, derivadas da observância da proposta
seqüencial de Começo, Meio e Fim de um projeto,
refletidas nos termos gerais: Problema, Projeto e
Realização.
Inúmeras discussões acadêmicas sobre a construção de
teorias metodológicas baseadas nestes três termos tiveram
lugar. O diferencial entre elas se encontra basicamente nas
suas subdivisões ou processos que comportam, sendo que
cada teórico aponta um número de ações e natureza das
mesmas variadas em cada uma destas etapas, segundo o
foco do produto ou da filosofia projetual utilizada.
Amplamente discutidas, estas etapas são valiosas para o
desenvolvimento de produtos de natureza já estabelecida e
de domínio do âmbito do design e devem ser repassadas no
ensino do design na academia. A questão é se, dentro destas
etapas, as suas subdivisões, ou seus enfoques internos,
explicitadas nas teorias particulares, são suficientes para dar
conta da demanda de soluções digitais interativas.
Alerta-se que a cada dia surgem novas demandas de
produção de design em produtos digitais interativos
complexos, que acabam por demandar também
procedimentos de trabalho, pesquisa e desenvolvimento de
design que devem atender necessidades específicas
projetuais e que solicitam do designer um incremento nos
procedimentos das etapas citadas.
Nesta perspectiva busca-se compreender estas
especificidades projetuais e, por meio de um mapeamento
das teorias já existentes e aplicadas no universo de design,
apontar um possível caminho de construção metodológica
que dê conta desta nova ordem.
CAMINHOS METODOLÓGICOS
Apontada a necessidade do ensino metodológico projetual
nos curso de design e a necessidade de se buscar uma
adequação à demanda de design digital atual, deve-se
esclarecer quais teorias tem sido utilizadas e como podemos
atualizá-las para as necessidades de solucionamento de
problemáticas atuais voltadas ao âmbito digital.
A priori faz-se necessário mapear o âmbito da metodologia
em termos mais gerais e amplos, a fim de verificar qual
linha mais se adéqua ao ensino de projetos de design e,
posteriormente, levantar alguns teóricos desta mesma que
podem ser utilizados como parâmetros para mapeamento e
construção de uma metodologia mais voltada para a
atualidade.
Algumas teorias já estabelecidas podem ser citadas como
exemplos para aplicação em disciplinas de metodologia do
design nas universidades. A primeira linha versa sobre as
derivadas do método cartesiano, desenvolvido por René
Descartes (1637), e que se apóia sucintamente na idéia de
que o todo pode ser dividido em partes para uma melhor
2
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 208
análise e compreensão. Parte das premissas inalteráveis e
imutáveis baseadas em Evidência, Análise, Síntese e
Verificação para estruturar um projeto utilizando
metodologia.
A decupagem do ensino do processo de projeto em etapas
bem delineadas é uma opção válida, onde se apresenta um
item por vez para melhor assimilação dos termos pelos
alunos. Porém, no âmbito do projeto de design, onde o
conjunto se apresenta mais amplo do que a soma das partes,
onde o desmembramento dos elementos constrói
significados diversos dos significados resultantes das
interrelações entre eles, corre-se o risco de cair no
reducionismo, já que se retira do contexto o todo, que
envolve todas as fases do projeto.
Outra linha utilizada é a do método holístico. Este trabalha
inserido em um contexto, defendendo que, para entender
uma determinada coisa, é preciso entendê-la como tal,
inserida em um todo maior do qual faz parte. As bases para
esta teoria são a prioridade do todo em detrimento das
partes e de que essas partes só existem porque o todo existe;
dando uma visão unicista ao todo.
A linha holística, aplicada ao ensino de design, preenche a
lacuna deixada pela teoria cartesiana, por encarar o
problema dentro de um contexto maior. Porém pode se
tornar dogmática em demasia, já que nega a significação
independente das partes. Uma terceira linha se apóia sobre
a teoria sistêmica, sendo que esta consegue chegar ao meio-
termo entre a teoria cartesiana e a holística. Esta recente
teoria atual ao invés de explicar o todo somente através da
análise de suas partes, resolve explicar as partes em termos
do todo. Desta maneira as interdisciplinas ampliam-se,
combinam-se e abrangem mais e mais todos os aspectos da
realidade.
Desta forma, a teoria sistêmica, por ser uma teoria
intermediária entre os conceitos da cartesiana e da holística,
apresenta-se a priori como a mais adequada para um
delineamento de uma teoria específica para o ensino do
design em suas configurações projetuais atuais.
METODOLOGIAS ACADÊMICAS DE DESIGN
A partir da concepção sistêmica do processo de projeto de
design, é importante reconhecer os componentes básicos
existentes em metodologias de teóricos da área do design
capazes de se conformarem como procedimentos úteis a
serem incorporados na construção de uma teoria aplicada a
projetos de design digital/interativo.
Foram selecionados os seguintes teóricos para mapeamento
dos procedimentos metodológicos: Bruno Munari, Gui
Bonsiepe, Siegfried Maser e Hans Gugelot (Ver Tabela 1 e
Tabela 2 no final do documento).
Componentes básicos da metodologia
Mapeia-se a seguir as propostas metodológicas e seus
procedimentos dos teóricos selecionados segundo a
constante macro divisão em três etapas gerais: Problema,
Projeto e Realização. Mantém-se no mapeamento a
organização das metodologias nestas três etapas, já que sua
natureza é suficientemente aberta e neutra a fim de permitir
sua extensabilidade aplicativa ao universo do design digital
interativo.
Cabe ressaltar que, todos os autores são claros ao expor que
a metodologia em um projeto de design não é um esquema
fixo, completo ou definitivo, podendo sofrer alterações de
acordo com a necessidade de cada projeto, o que traz
flexibilização na leitura dos termos apontados.
Cruzamento das metodologias apontadas
Em todos os teóricos apontados, as fases se retro
alimentam, reconduzindo o projeto quando necessário,
sendo que as etapas de análise, síntese e desenvolvimento
se intercalam ao longo do processo.
Do cruzamento das etapas/fases das metodologias
apontadas, verifica-se, primeiramente, um foco constante
no problema para a etapa inicial de um processo de projeto
de design. Verifica-se que é unânime a assertiva dos
teóricos de que, se o problema existe, este deve estar bem
definido, sendo exposto em algumas teorias como parte
constituinte a uma fase mais analítica do processo. A etapa
de colocação do problema pode incluir sua decomposição,
remontando ao método cartesiano, inerente à concepção
propriamente dita de análise. Isto se dá a fim de que todos
os seus itens importantes sejam listados. Os componentes
do problema devem ser elucidados e classificados, de
acordo com suas variáveis (finalidade, meios, restrições,
etc.), variáveis estas que aparecem em alguns teóricos mais
detalhadamente do que em outros.
Verifica-se uma preocupação dos teóricos em se levar em
conta a complexidade e o conhecimento do problema desde
sua macroestrutura - subdivisão do processo projetual em
diversas etapas ou fases - até a sua microestrutura -
descrição das especificações de cada uma das fases.
Conhecendo o problema a fundo, o processo de sua solução
pode ser dividido em etapas. A divisão do processo do
projeto é livre, variando de acordo com a natureza do
produto a ser desenvolvido. Porém verifica-se que, após a
etapa de estruturação do problema, outras duas se seguem
com mais ou menos recorrência:
- Projeto;
- Realização do projeto.
Qualquer uma destas etapas podem se subdividir em uma
série de passos diversos. Verifica-se que, apesar de
existirem diversos teóricos e designers que propuseram
metodologias específicas, variando segundo as etapas
listadas e se utilizando dos conceitos vistos aqui, para
desenvolvimento de produtos de design, as bases
permanecem.
Nesta perspectiva, verifica-se que o método a ser
empregado não é absoluto nem definitivo, porém obedece a
3
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 209
certas configurações basilares. O método é passível de
modificações ao longo do processo, caso outros valores
objetivos sejam encontrados que o melhorem, mas se apóia
em pontos importantes sedimentados a serem observados. A
constante evolução e adequação verificada advêm, muitas
vezes não só do objeto de design específico a ser projetado,
ou da situação de projeto encontrada, mas da criatividade
do designer, que aplica sua própria personalidade à sua
maneira de projetar.
Esta conformação metodológica é a atualmente mais
comumentemente ensinada nas escolas de design,
direcionadas ou adequadas mais ou menos segundo a
natureza do produto a ser desenvolvido, seja ele gráfico ou
de produto.
DESIGN DE INTERAÇÃO/CENTRADO NO USUÁRIO
Porém, o universo digital trouxe novas demandas
projetuais, os produtos pedindo por um pensamento
projetual que desse conta das disparidades de percepção
próprias do meio, necessitando de uma nova forma de
pensar o design e sua metodologia. O enfoque desta nova
postura é por um design mais interativo e interdisciplinar.
As metodologias sedimentadas na academia que
compartilham uma maneira lógica e seqüencial de se
projetar um produto, baseadas em um método lógico e
racional, se demonstram não adequadas ao universo
projetual atual interativo e interdisciplinar, não podendo ser
simplistas como não o é qualquer processo relacionado com
o comportamento humano. Esta constatação foi levantada já
antes do advento do design digital, por meados da década
de 1970, quando se verificou que os métodos racionais de
design proporcionavam segurança, reduzindo margens de
erros, mas reduziam também as possibilidades de soluções
em consonância com a necessidade cultural e simbólica do
usuário, além de estarem distantes de uma prática real de
projeto. O discurso de uma metodologia única se esvaiu
com esta constatação, o que permitiu que todas as formas
de projetar fossem tidas como válidas, cada qual aplicável a
um universo de projeto em particular [7].
Porém, se a racionalidade dos métodos no inicio do século
XX foram inadequados às novas necessidades de projeto de
design digital interativo, de alguma maneira se encontra
uma volta à ela mesma, porém de uma outra forma por
meio da inclusão forte do usuário no processo de
desenvolvimento.
Apesar de já existir nas primeiras discussões sobre
metodologia de design a preocupação com o usuário,
verifica-se que atualmente, a produção de design, tem
voltado seu foco para este elemento central, com uma
ênfase maior, explicitando esta ser necessária à produção de
produtos que possam efetivamente ser adequados e usáveis
em todas as suas possibilidades.
Coelho [1], citando Gui Bonsiepe, afirma que um designer
cria formas para atender às necessidades do homem. E que
para atender tais necessidades é preciso estabelecer formas
de conhecer este homem e seu entorno. Por outro lado, o
design de interação, que busca desenvolver produtos
interativos que sejam utilizáveis, ou seja, fáceis de
aprender, eficazes no uso, que proporcionem ao usuário
uma experiência agradável [8] apregoa um conhecimento
amplo do homem-usuário e o do seu entorno.
Enriquecendo a proposta de uma metodologia mais
adequada ao design interativo, Preece, Rogers e Sharp [8]
defendem que o processo de design de interação pode ser
dividido em quatro etapas essenciais e básicas: 1)
identificação das necessidades e estabelecimento de
requisitos, que pode ser compreendida como espelho da
macro fase “Problema” dos teóricos consagrados do século
XX; 2) desenvolvimento de designs alternativos que
preencham estes requisitos, que pode ser incorporada na
macro etapa do “projeto”, 3) construção de versões
interativas dos designs de maneira que possam ser
comunicados a analisados, também incorporada na macro
etapa de “projeto” e 4) avaliação do que está sendo
construído durante o processo. Esta última poderia ser
incorporada em um ou outro autor na etapa de “realização”,
porém, sua característica de empregabilidade não linear ou
seqüencial, a coloca como um termo extra sem
comparativos ou paralelos nas metodologias sedimentadas
do século XX.
Além das etapas básicas, segundo as autoras citadas, o
design de interação deve preencher três características
básicas: 1) os usuários devem estar envolvidos no
desenvolvimento do projeto; 2) a usabilidade específica e as
metas decorrentes da experiência do usuário devem ser
identificadas, claramente documentadas e acordadas no
início do projeto; 3) a iteração em todas as quatro atividades
é inevitável.
Traçando um paralelo das concepções do design de
interação neste aspecto com as metodologias apontadas,
verifica-se um fraco foco nestes três itens, o que claramente
expõe a fragilidade do ensino das mesmas para o aluno de
design digital.
Verifica-se, pois, uma lacuna teórica na construção de
metodologias claramente identificadas no meio acadêmico
que possam ser ensinadas para o estudante de design digital.
Com esta carência acadêmica, busca-se encontrar
manancial em outra área, especificamente a mercadológica,
verificando quais empresas tem tido sucesso no
desenvolvimento de produtos de design com estas
características e se estas possuem uma metodologia clara de
projeto.
Dentre as diversas experiências de empresas que optam por
adotar o design de interação sob a formatação apontada e
que tem uma metodologia claramente definida, pode-se
citar a IDEO, cuja marca particular sempre foi a inovação
em produtos de design e o design centrado no usuário,
filosofia que coloca o usuário no centro de todo o processo
d desenvolvimento de um produto, ou seja, os objetivos do
produto, seu contexto de uso e todos os aspectos das tarefas
4
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 210
que o produto irá suportar são derivados a partir da
perspectiva do usuário.
METODOLOGIAS MERCADOLÓGICAS DE DESIGN –
IDEO
“solo o equilíbrio entre las emociones y la
racionalidad de la ciencia, entre un hacer prático y
un saber bien afirmado, puede realmente
ayudarnos”.[7]
Com esta frase, Edward Schrincker abre a perspectiva para
a proposta de trazer para o ensino da metodologia de
design, conhecimentos tirados de prática in loco.
Com esta abertura, ao verificar a práxis do projeto de
design no mercado de trabalho, podem-se encontrar
metodologias que trazem em si a criatividade própria e
particular, que, confrontadas e aliadas às metodologias já
sedimentadas de teóricos da área, podem servir de espelho
para a evolução de uma teoria metodológica passível de ser
aplicada no ensino do projeto do design em suas
configurações atuais.
Cabe relembrar que as teorias sedimentadas da área de
design foram também espelhadas em teorias de outra
ordem, e, com a análise crítica efetuada pelos teóricos,
puderam se conformar e adequar-se à produção de design.
A mescla das teorias ou de etapas trazidas de outra ordem
então é possível, desde que resulte em maior ganho para o
projeto naquela determinada etapa do processo.
Diante deste cenário e da complexidade dos atuais projetos
de design, busca-se responder a questão de como
instrumentalizar o aluno e desenvolver nele habilidades que
lhe permitam atuar de maneira adequada em projetos de
design no mercado de trabalho? Como criar um ambiente
mobilizador e gerador de conhecimentos, transformando as
aulas de projeto em um laboratório de ideias? Os alunos
precisam de fundamentação teórica para então “fazer
design” [6].
Ao observar grandes escritórios ou empresas de design
mundiais, verifica-se a grande aceitabilidade e relevância
que a empresa IDEO tem no mercado, justamente por sua
maneira peculiar de resolver problemas, utilizando para tal
o design.
A IDEO é uma consultoria de design e inovação localizada
em Palo Alto (EUA) com escritórios na Inglaterra,
Alemanha e China. É uma das referências mundiais em
inovação e design, voltada a desenvolvimento de produtos,
serviços e experiências digitais, sendo que a sua própria
estrutura organizacional esta permeada por um alto grau de
inovação.
Seu foco consiste em poder inovar em todas as propostas de
solução de problemas por meio do design, advindo do
reconhecimento da inovação como ponto central das
estratégias e iniciativas corporativas. Verificou uma grande
sede das empresas do mercado por conhecimento,
especialização, metodologias e práticas de atuação em torno
da inovação e, com base nesta premissa, discutiu e
desenvolveu uma metodologia que possibilitasse o
incremento da inovação para atender às necessidades das
empresas. Esta foi elaborada por meio da sua própria
experiência direta e imediata, adquirida por meio da
aplicação prática e cases de sucesso sendo extremamente
bem desenvolvida e continuamente aprimorada, o que faz
com esteja sempre em consonância com as necessidades
vigentes. Seu pensamento reside na idéia de que o seu
sucesso não advém somente do que se faz, mas como se faz.
Suas conquistas no âmbito do design são, freqüente e
amplamente, associadas a metodologias e ferramentas
específicas desenvolvidas e aplicadas em seus escritórios,
se tornando tão sedimentadas internamente que passaram a
serem passíveis de utilização em outros contextos. Neste
plano, a empresa passou a prestar consultoria para áreas e
empresas além do design, explicitando os métodos de
trabalho para atingir objetivos inovadores e adequados ao
cenário atual.
“Há pouco tempo, conforme a fama da IDEO ia se
espalhando cada vez mais rápida e intensamente, a
empresa recebeu clientes implorando por
conselhos, não apenas para um ou dois produtos,
mas no modo de inovar. A IDEO respondeu a
altura. Boa notícia para os leitores. Isso significa
que a metodologia não funciona apenas para a
IDEO – pode ser aplicada em outras
organizações.” [2]
Tendo por base estas assertivas, buscam-se na metodologia
desenvolvida pela IDEO, alguns métodos ou ferramentas
que possam ser incluídos no ensino acadêmico do design, a
fim de construir um profissional mais próximo às
tendências e necessidades reais de mercado.
“Vagamente descrita, essa metodologia tem cinco
etapas básicas:
1.Compreender o mercado, o cliente, a tecnologia
e as limitações identificadas do problema. [...]
2.Observar pessoas reais em situações de vida real
para descobrir o que modifica o comportamento: o
que as confunde, do que gostam, o que detestam,
onde tem necessidades latentes não atendidas pelos
produtos e serviços atuais. {...}
3.Visualizar conceitos novos para o mundo e para
os clientes que os usarão. [...]
4.Avaliar e aprimorar os protótipos numa série de
interações rápidas [...] nenhuma idéias é tão boa
que não possa ser aperfeiçoada [...]. Obtemos as
opiniões de nossa equipe interna, da equipe do
cliente, de pessoas bem informadas não
diretamente envolvidas no projeto e de pessoas
que constituem o mercado-alvo.[...]
5.Implementar o novo conceito para
comercialização. [...]”
5
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 211
Temos demonstrado que essa metodologia
ilusoriamente simples funciona para tudo, desde a
criação de simples brinquedos infantis até o
lançamento de empresas de comércio eletrônico.”
[2]
Ou seja, se baseia nas seguintes premissas: Observação,
Brainstorming, Prototipação Rápida, Refinamento e
Implementação.
Análise da metodologia IDEO
Traçando um paralelo entre as premissas colocadas pelo
IDEO considerando-as como sendo processos que podem
ser incluídos em macro etapas, verifica-se que a
metodologia desenvolvida pela empresa compartilha das
fases primordiais verificadas nas teorias acadêmicas de
design, abarcando as três fases básicas: – PROBLEMA –
PROJETO – REALIZAÇÃO, o que reafirma a validade de
se pensar neste três termos em projeto de design de
qualquer natureza (Ver Tabela 3 no final do documento).
No detalhamento dos processos internos a cada etapa ou
premissa (Ver Tabela 4 no final do documento)., verifica-se
um grande foco na compreensão do usuário e de seu
entorno, ou seja, a filosofia do projeto é sempre do design
centrado no usuário. Isto faz com que, nesta metodologia,
exista um debruçar maior sobre o mapeamento deste
usuário, mais do que o normalmente sugerido nas
metodologias acadêmicas sedimentadas. Usualmente a
metodologia da empresa comporta inicialmente uma fase
inicial de análise preliminar do problema, identificando o
usuário, seus objetivos, as tarefas e o ambiente. Segue-se a
esta análise uma pesquisa de campo para mapear existentes
similares ao produto a ser desenvolvido no mercado. Este
mapeamento avança em testes que envolvem não só a
utilização do produto, mas entrevistas a usuários ou
envolvidos de alguma forma com aquele determinado
produto entendendo melhor o problema apresentado.
Após a delimitação do problema, as especificações do
projeto são estruturadas para elaboração de propostas na
fase de prototipação inicial, que serão apresentadas e
testadas, verificando seus aspectos mais relevantes para a
combinação das melhores soluções e montagem do
protótipo. As propostas são geradas por meio de técnicas de
criatividade, especificamente a de brainstorming.
Na apresentação do protótipo, este é testado, sendo feita
uma avaliação de usabilidade para então a versão final ser
apresentada ao cliente totalmente conceituada dentro da
análise inicial do problema. A fase de prototipação pode
envolver três níveis de prototipagem, de baixa, média ou
alta fidelidade, o que permite avaliações constantes no
desenvolver do processo de design, também no tocante à
aceitabilidade pelo usuário e alcance das expectativas
quanto à experiência do usuário.
O usuário é envolvido em todas as etapas, sendo
constantemente requisitado para contribuir no
desenvolvimento do projeto.
Após o aceite pelo cliente, o projeto é enfim implementado
para comercialização.
ANALISE COMPARATIVA DAS METODOLOGIAS
Ao se confrontar a metodologia da empresa IDEO com as
dos teóricos levantados neste texto, observam-se algumas
confluências e outras lacunas em cada uma das três etapas
básicas descritas a seguir.
Problema
Apesar da etapa do problema da IDEO incorporar um
grande esforço na compreensão do usuário, do contexto e
dos similares, ainda carece de uma determinação mais clara
da definição do problema a ser resolvido em si. Esta etapa
possui um paralelo na etapa semântica do Maser, que
reponde à questão “o quê”, à Análise da situação do
Gugelot e à coleta e análise de dados de Bruno Munari
(identificada não como etapa de Problema, mas de Projeto).
Porém, falta a discussão ou incorporação de
questionamentos observados nos procedimentos específicos
da etapa pragmática do Maser, que responde à questão
“por quê” (finalidades e objetivos gerais do projeto), e da
Colocação do problema e Definição do problema e
objetivos do Gugelot. Da metodologia de Bruno Munari
verifica-se a falta da definição do problema e de seus
componentes. Quase toda a fase 1 do Gui Bonsiepe não está
detalhada nesta etapa da IDEO, somente a análise de
soluções existentes.
Projeto
Ao se traçar um paralelo da fase de Projeto da IDEO com a
dos teóricos analisados neste texto, verificamos uma maior
similaridade entre os procedimentos. Observa-se uma
lacuna na definição do aspecto sintático do Maser, que
reponde à questão “como”, que envolve basicamente o
planejamento do projeto (tempo, equipe de trabalho, verba,
etc). Somente figura o desenvolvimento das alternativas e
avaliação e escolha das mesmas, embora Maser não
explicite de que maneira isto acontece. De Gugelot percebe-
se uma equivalência, excetuada pela prototipação rápida da
IDEO, inexistente na metodologia do teórico. Bruno
Munari compartilha da metodologia da IDEO com o
procedimento de Criatividade + Idéias, paralelamente ao
brainstorming da empresa, mas apregoa a definição dos
materiais e tecnologias que não aparece na metodologia da
IDEO. Aparece em sua metodologia algo similar à
prototipagem e refinamento, nos procedimentos de
experimentação, modelo e verificação, paralelamente à da
empresa IDEO, porém na sua etapa final, de Realização. O
modelo de Gui Bonsiepe, por seu lado, se assemelha
bastante ao modelo da IDEO, embora tenha mais
detalhamento dos processos.
Realização/implementação
Apesar se ser considerada uma empresa que trabalha nos
aspectos de metas de usabilidade e de experiência de
usuário, não aparece na fase final de
realização/implementação da IDEO aspectos relacionado à
6
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 212
validação do projeto, o que seria um dos diferenciais para a
escolha desta metodologia para o ensino de design nos
moldes atuais. Esta preocupação só aparece em Bruno
Munari. Os outros procedimentos são compartilhados por
todos os autores.
CONSTRUÇÃO DE UMA METODOLOGIA PARA DESIGN
DIGITAL INTERATIVO
Expostas e comparadas as metodologias, e levando em
consideração os aspectos de demanda no desenvolvimento
de um produto de design de cunho digital interativo
baseadas na filosofia do design centrado no usuário e na
busca de metas de usabilidade e de experiência do usuário,
propõe-se a confluência das metodologias segundo os
seguintes processos dentro das três fases gerais:
Problema
1) Definição e descrição do problema
2) Definição dos objetivos
3) Planejamento do projeto
4) Observação/pesquisa do espaço do problema
- descrição do universo envolvido (pelas e das pessoas
envolvidas com o produto)
- descrição e análise de similares
- descrição e análise do público alvo
- descrição e análise do contexto de uso
- pesquisa e definição de tecnologias e materiais
Projeto
1) Geração de idéias (brainstorming) e desenvolvimento de
alternativas
2) Prototipação rápida para validação (interna com os
envolvidos no projeto ou externa com o público alvo)
3) Refinamento (verificação e seleção das alternativas)
4) Detalhamento e otimização da solução adotada
Realização
1) Construção e prova do protótipo de alta fidelidade
(incluindo testes de usabilidade e validação co o
usuário)
2) Adequações derivadas dos testes de usabilidade ou da
validação com o usuário
2) Implementação no formato final para o mercado
3) Documentação final do projeto
CONCLUSÃO
A proposta de se trazer uma metodologia atual
mercadológica como base para a construção de uma
metodologia passível de ser ensinada nas escolas de design
digital, demonstrou a possibilidade de um canal de
comunicação entre o “pensar” metodologia e o “fazer“
metodologia, ou seja, um canal mais aberto entre a práxis e
a teoria.
Devido à similaridade entre a metodologia da IDEO em
seus termos mais básicos e as acadêmicas de design,
resgataram-se as técnicas empregadas no processo de
design da IDEO que foram transpostas para o ensino de
design em prática projetual.
Aliou-se o foco premente na produção de design na idéia do
design centrado no usuário, amplamente requisitado nos
projetos atuais de design agregando as técnicas observadas
no ensino da disciplina metodológica.
O processo de verificação de sucesso de tal abordagem
ainda está em processo, sendo que já conta com um ano de
aplicação a alunos de primeiro período de um curso de
graduação específico de design digital. Até o presente
momento observou-se um alto grau nas propostas de
solução dos alunos aos problemas propostos bem como um
alto grau de qualidade gráfica. Verificando um alto grau de
aquisição de conhecimento e adequação ao briefing-
problema proposto como estudo/exercício.
A aplicação da metodologia da empresa IDEO para
instrumentalizar os alunos de design na prática projetual
demonstrou-se altamente efetiva no quesito de pesquisa a
fim de propor soluções aplicáveis, especificamente no
âmbito de pesquisa do usuário. Nesta perspectiva verifica-
se um grande potencial na sua incorporação nos círculos
acadêmicos, visando atender às necessidades atuais de
design centrado no usuário e de constante de inovação nos
produtos de design. As propostas decorrentes do uso desta
metodologia a fim de responder à problemáticas colocadas
demonstrou um resultado final de produtos com alto grau
de coesão e qualidade, não só estética, mas de adequação às
reais necessidades do briefing e do usuário.
REFERÊNCIAS
1. COELHO, Luiz Antonio L. (org.). Conceitos-chave em
design. Rio de Janeiro: Ed. PUC-Rio: Novas Idéias, 2008.
2. KELLEY, Tom, Littman, Jonathan. A Arte da inovação:
lições de criatividade da IDEO, a maior empresa norte-
americana de design. São Paulo: Futura, 2001.
3. MUNARI, Bruno. Das coisas nascem as coisas. Lisboa:
Edições 70, 1988.
4. MUNARI, Bruno. Design e comunicação Visual:
contribuição para uma metodologia didática. São Paulo:
Martins Fontes, 1997.
5.PELTA, Raquel. Diseñar hoy. Temas contemporâneos de
diseño gráfico. Barcelona: Paidós, 2004. p. 104, 34.
6.PREECE, ROGERS, SHARP. Design de interação: além
da interação homem-computador. São Paulo: Bookman,
7. SILVA, GOMEZ, MERINO. Observação Estimulada
associada a técnicas e ferramentas de criatividade como
subsídios para a construção e adaptação de Métodos de
Design em disciplinas de projetos. In: LOGO – Laboratório
7
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 213
de Orientação Gráfica Organizacional, 2010.
(http://www.logo.ufsc.br/observacao.pdf) 2005.
8._________________. Os estudos das linguagens como
apoio aos processos metodológicos do design. In:
COELHO, Luiz Antonio Luzio (org). Design Método. c.1
Rio de Janeiro; Teresópolis: PUC-Rio; Novas Idéias, 2006.
p. 17 a 38.
TABELAS
Metodologias
Teóricos
Problema Projeto Realização
Bruno
Munari
[4] *
- Problema;
- Definição do
problema;
- Componentes do
problema;
- Coleta de
dados;
- Análise de
dados;
- Criatividade
+ idéia;
- Materiais e
tecnologia;
-Experimentação;
- Modelo;
- Verificação;
- Finalização;
- Solução.
Gui
Bonsiepe
- FASE 1 -
estruturação do
problema
Descobrimento de
uma necessidade;
Valorização de
uma necessidade;
Formulação geral
de um problema;
Formulações
particulares do
problema;
Fragmentação do
problema;
Hierarquização
dos problemas
parciais;
Análise das
soluções
existentes.
- FASE 2 -
Desenvolvim
ento do
Projeto
Desenvolvim
ento das
alternativas;
Verificação e
seleção das
alternativas;
Detalhament
o e
otimização
da solução
adotada;
Construção e
prova do
protótipo;
Fabricação
em série.
- FASE 3 -
Realização do
Projeto
Tabela 1. Quadro comparativo das Metodologias – Bruno
Munari X Gui Bonsiepe
Metodologias
Teóricos
Problema Projeto Realização
Siegfried
Maser
1- Análise:
1.1 - Aspecto
pragmático (por
quê?):
1.2 - Finalidades;
1.3 - Objetivos
gerais do projeto
em si, inclusive
restrições.
2- Aspecto
semântico (o
quê?):
2.1 - Descrição do
problema e
contexto;
2.2 -
Levantamento;
2.3 - Análise.
1- Aspecto
sintático
(como?):
2 -
Planejamento
do caminho do
processo
(macro-
estrutura);
4 -
Planejamento
do tempo;
5 - Constituição
do grupo/forma
de trabalho;
6 -
Financiamento
do projeto;
7 - Definição do
problema;
8 -
Desenvolviment
o das
alternativas;
9 - Avaliação
das
alternativas/esco
lha.
1 - Realização
do projeto
2 -
Implantação
Hans
Gugelot
- Colocação do
problema
- Análise da
situação
- Geração de
alternativas
- Planificação
da produção
- Avaliação e
seleção
- Definição do
problema e
objetivos
Tabela 2. Quadro comparativo das Metodologias – Siegfried
Maser X Hans Gugelot
8
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 214
Metodologia
Teóricos
Problema Projeto Realização
IDEO
1.Compreender o
mercado, o
cliente, a
tecnologia e as
limitações
identificadas do
problema. [...]
2.Observar
pessoas reais em
situações de vida
real para descobrir
o que modifica o
comportamento: o
que as confunde,
do que gostam, o
que detestam,
onde tem
necessidades
latentes não
atendidas pelos
produtos e
serviços atuais.
{...}
3.Visualizar
conceitos
novos para o
mundo e para
os clientes
que os
usarão. [...]
4.Avaliar e
aprimorar os
protótipos
numa série de
interações
rápidas [...]
nenhuma
idéias é tão
boa que não
possa ser
aperfeiçoada
[...]. Obtemos
as opiniões
de nossa
equipe
interna, da
equipe do
cliente, de
pessoas bem
informadas
não
diretamente
envolvidas
no projeto e
de pessoas
que
constituem o
mercado-
alvo.[...]
5.Implementar o
novo conceito
para
comercialização.
[...]”
Tabela 3. Quadro da Metodologia utilizada pela IDEO –
conceito.
Metodologia Detalhamento
Problema
1. Observação
Utiliza os seguintes processos ou técnicas:
- Shadowing
- Observação do público alvo em todas as ações que
realizam em sua interação produtos ou serviços.
- Mapeamento do comportamento
- Registro fotográfico do público alvo usando o
produto ou serviço, mapeando ações relevantes.
- Jornada do consumidor
- Traçado de todas as interações que o público alvo
tem com o produto ou serviço
- Câmera Journals
- Solicitar ao público alvo que façam diários visuais
de suas atividades ou impressões relacionadas ao
produto.
- Entrevistas
- Descobrir, por meio de entrevistas, tudo o que o
público alvo sabe ou não sabe sobre o serviço
oferecido e sua relação com o mesmo avaliando sua
experiência com o mesmo.
- Contação de histórias
- Pedir para que o público alvo conte histórias
particulares sobre suas experiências como
consumidor.
- Grupos não focais
- Entrevistar ou buscar informações com pessoas
diversas do público alvo
Projeto
2. Brainstorming
Um processo intenso de sessão de geração de idéias
baseada na análise de dados obtida na etapa anterior.
3. Prototipação rápida
Realizar protótipos de trabalho a fim de visualizar
possíveis soluções e agilizar as decisões de design e
inovação.
4. Refinamento
Restringir as escolhas a poucas possibilidades,
utilizando, entre outras, as seguintes técnicas:
aplicação de brainstorming de seleção, prototipação
focada e engajamento do cliente.
Realização
5. Implementação
Efetiva implementação final do produto para
comercialização no mercado
Tabela 4. Quadro da Metodologia utilizada pela IDEO –
detalhamento.
9
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 215
Vision-Based System for Smart Store Showcase
Thiago de Freitas Oliveira Araújo
Embedded Systems and Pervasive Computing Lab
Universidade Federal de Campina Grande
Rua Aprígio Veloso, 882 – Bodocongó, 58429-900
thiago.oliveira@ee.ufcg.edu.br
Alexsandro José Virgínio dos Santos
Laboratório de Instrumentação e Controle/DEM
Centro de Tecnologia - Bloco F
Cidade Universitária CEP 58059-900
alexotan@gmail.com
Everaldo Fernandes Monteiro
Protótipos Engenharia
PaqTcPB
Rua Emiliano Rosendo Silva, n 115, sala 03
contato@prototiposengenharia.com.br
ABSTRACT
In this paper we describe the conception of a smart Store
showcase that could track the customers’ behavior when
looking to the showcase and generate a log for optimizing
sales performance on stores. The prototype consisted on a
glass display with four products and a camera to which
image processing techniques were applied to obtain the line
of sight of the customer and see for which product he was
looking.
Author Keywords
HCI, Smart showcase, Computer Vision
ACM Classification Keywords
Human information processing, Computer Vision, Human
Factors
INTRODUCTION
While developments in information technology never had
the explicit goal of changing society, but rather did so as a
side effect, some products have indeed changed the society
behavior by computerizing some daily activity. With its
orientation towards the public as well as the private, the
personal as well as the commercial, it aspires to create
technology that will accompany us throughout our entire
lives, day in and day out. It seems to be clear that with these
technical developments – pushed through largely unnoticed
by the general public and extending quite rapidly into our
everyday lives – unanticipated (if not unacceptable)
standards could soon be set for the rest of our lives. In the
following, we examine the driving factors behind the
visions of pervasive computing and ambient intelligence –
from a technical as well as an economic perspective – and
we try to illustrate the social and ethical implications of a
“smart world” that connects everything to everything else,
where anywhere can potentially be contacted from
anywhere else, and where everybody could conceivably
interact with anybody (and anything) else.
The presence of smart products and environments is
becoming more ubiquitous every day. One of the main
areas of business interest is on the commercial sites, like
supermarkets and stores. Also, the amount of customers
buying on those sites increases every day. In a shopping
mall for example, thousands of clients look through their
showcases daily. Furthermore, it is often a hard, if not
impossible, task for the store owner to keep track of
customers’ satisfaction or the relation between sold
products and the amount of time people stare at a product.
To overcome this problem, we have developed a solution of
a vision-based smart store showcase, which could automate
this process. Along this article lines, we are going to
analyze its concept against human factors of interaction and
the core technology involved behind the solution.
SMART ENVIRONMENTS AND PERCEPTION
Without perception, ubiquitous computing would be
cumbersome, and a smart environment would be
impossible. With perception, an environment can come
alive in its reactions to people and devices. All smart
environments have some kind of sensing, be it cameras,
microphones, active badges, pressure sensors in the floor,
or other specialized sensors. For our system we decided to
track the behavior of customers’ when looking to stores
showcase, as much as it would be possible, we avoid
automatic recognition for two reasons. The first is that
people should be able to protect their own privacy and
security by having the choice of whether or not the system
knows who they are. The second reason is that people
should not have to wonder whether or not the system has
recognized them. An automatic recognition system may
take some unknown amount of time to recognize a room’s a
Permission to make digital or hard copies of all or part of this work for
personal or classroom use is granted without fee provided that copies are
not made or distributed for profit or commercial advantage and that copies
bear this notice and the full citation on the first page. To copy otherwise,
or republish, to post on servers or to redistribute to lists, requires prior
specific permission and/or a fee.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 216
person. Many behaviors are location specific, such as
automatically turning on the lights near a person or routing
telephone calls to the nearest telephone. In the Smart Store
Showcase(3S), we use the location of people measured
from a vision system to collect their movement when
looking to some product at the showcase, as it may be an
insightful feedback for finding for which products people
look at most, for how long, and later for the store owner to
check if the disposal of the items in the store showcase is an
influence to the amount of sales of that item.
People are always doing something. If a system is aware of
their activity, even crudely, it can provide appropriate
services. We have split activity awareness into detection,
recognition, and learning. In activity detection, the goal is
to simply determine whether or not there is activity in the
space. This can be accomplished simply by looking for
motion, either from a dedicated motion detector or a
camera. If the space already has a person tracker, activity
detection is free. Activity recognition means recognizing
some prespecified activity like avoiding the showcase,
looking to some product, side-looking to a product near, not
looking to anything even though the face is detected by the
face detection mechanism. Ideally, we would like to
recognize what people are doing in order to be able to have
a clear view of what they are doing when facing the
showcase. For instance, looking mostly to clothes could
mean for the store owner to take the sports accessories out
of the showcase leaving more space for a wide variety of
clothes. Activity recognition is not a mature research area,
and nearly all activity recognition for smart environments is
done with vision. General activity recognition is hard
because a person’s activity is defined by its evolution in
time, location in space, and utilization of objects. In
addition, there is no well-defined vocabulary of activity.
One of the most compelling forms of activity recognition is
the monitoring of well-being, especially for the young and
old. Activity learning means discovering the normal
patterns of activity in a space. If a system knows what
activity to expect, it can use this information to improve its
ability to perceive the environment. For instance, if people
always reemerge look to the watches, then the system can
devote extra attention to the watches section for this period
to resume tracking. Or when the store is closed the system
could use this time to test the parameters and reacquire a
model of the room. In addition, a model of normal activity
could be used to detect abnormal activity, which could
trigger an alarm, such as no one is looking to the pijamas
for more than one hour. Perception for UI concerns the
perception of things that are meant as intentional commands
to the smart environment, such as a gesture from a person
or a signal from a special UI device.
We discussed the perception of people going about their
normal activities. This could be used to trigger automatic
behaviors. A perceptive environment can also look and
listen for certain actions from people that are specifically
intended as communication with the environment.
TECHNOLOGY TRENDS
If you summarize these technology trends and
developments – tiny, cheap processors with integrated
sensors and wireless communications capability, attaching
information to everyday objects, the remote identification
of objects, the precise localization of objects, flexible
displays based on polymers, and electronic paper – it
becomes clear that the technological basis for a strange new
world has been created: everyday objects that are in some
respects “smart,” and with which we can even communicate
under certain circumstances. There are various ways of
implementing such communication with things. As one
example, imagine everyday objects such as furniture,
packaged food, medication, clothing, or toys being
equipped with an electronic label containing a specific
Internet address as digital information. If you can then read
this Internet address with a portable device just by pointing
it at the object, this device can, independently and with no
further assistance from the object in question, access and
display the associated information from the Internet via the
mobile phone network. The user has the impression that the
object itself has “transmitted” the information, although in
fact it has been supplied to the display device via the
Internet. The information could be, for example, operating
instructions, or cooking instructions for a ready-to-serve
meal, or the information leaflet for medication. The details
of what is displayed may depend on the “context” – for
example, whether the user is a good customer and paid a lot
of money for the product, whether he is over 18 years of
age, what language he speaks, or his current location, – but
also maybe whether he has paid his taxes on time. The
foreseeable technological developments will therefore add
an additional new quality to everyday objects – these might
be able not only to communicate with people and other
“smart” objects, but also to discover where they are, which
other objects are in their vicinity, and what has happened to
them in the past, for example. Objects and devices could
thus behave in a context-sensitive manner and appear to be
“smart,” without actually being “intelligent.” While
technological advances such as miniaturization, increasing
computing power, and wireless connectivity open up the
possibility of new applications, argue that it is not yet clear
how these possibilities are actually going to be put into
practice: we are “brilliant on means, but pretty hopeless
when it comes to ends”. However, this innovation dilemma
– we may know how we can create incredible things, but
we don’t know what needs they are supposed to meet – is
only superficial. The following section describes potential
economic benefits that ubiquitous- computing technology
offers when it comes to industrial processes – benefits that
will be a prominent driver for the proliferation of pervasive
computing, perhaps even more than the above-mentioned
technological progress itself.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 217
Figure 1. Tesco Automated store at Northampton
“The most profound revolutions are not the ones trumpeted
by pundits, but those that sneak in when we are not
looking”. What Mark Weiser formulated over ten years ago
accurately describes the current atmosphere surrounding the
field of pervasive computing. While personal gadgetry in
the form of Smartphone’s and Internet fridges continues to
bedazzle the press, industry has quietly begun setting its
sights on the enormous business potential that technologies
such as wireless sensors, RFID tags, and positioning
systems have to offer. Analysts call it the real-time
economy or now-economy where more and more entities in
the economic process, such as goods, factories, and
vehicles, are being enhanced with comprehensive methods
of monitoring and information extraction. Ultimately, the
whole lifecycle of products, beginning with the “birth” of
their components and ending with their complete
consumption (or recycling), can be witnessed (and, to some
extent, even controlled) in real time. Two important
technologies form the core of these new economic
processes and applications: the ability to track real-world
entities, and the introspection capabilities of smart objects.
Tracking objects in real-time allows for more efficient
business processes, while objects that can monitor their
own status via embedded sensors allow for a range of
innovative business models.
STORE SHOWCASES
At [4] it is possible to observe that sales are dependent on
the space but we are interested in whether increases in
space produce linear, increasing or diminishing returns. To
test this they examined if variations in retail space
(measured in square inches) produced variations in sales
(measured in sales of SKUs). Sections of twenty
independent fashion and department stores in the UK were
used. These stores did not normally stock watches. This
environment ensured that there was no immediate effect
from competitor brands. The sections used varied in size
from 1,600 to 2,890 square feet of retail space. Display
showcases ranging from 144 square inches to 7,012 square
inches were allocated to sections. As the size of the
showcase increased, there was a corresponding increase in
SKUs from 6 to 289. Allocation was random subject to a
constraint; not all store sections could accommodate the
largest cabinets, so these went to bigger sections. Because
of this constraint, it is possible that section size affected the
sales figures for large cabinets. Data were collected by sales
staff, who conducted stock checks of individual SKU’s over
a four week period.
Figure 2. Scatter plot of space level and G-Shock unit
sales
Increase in showcase size generated an increase in product
sales. The Pearson correlation coefficient between the two
variables was 0.88 (p = 0.00). The scatter plot in Figure2
shows that the relationship between space and sales appears
to be curvilinear with accelerating gains from increased
display space, though this assessment rests on relatively
few cases. In the second investigation they examined
whether window and in-store displays in the same store
produced more sales gain than equivalent window and in
store displays in different stores. The sample for this
Investigation consisted of 66 stores of the H. Samuel retail
chain. The selection of this retailer gave geo-demographic
representation across the UK population (H. Samuel have
428 stores with a presence in every major town in the
United Kingdom). The chain accounts for 10 per cent of
watch sales in the UK. The 66 stores were assigned
randomly to one of three treatments groups, as shown in
Table 1. Each display contained the same 42 G-shock lines
with the brand name clearly displayed on a placard. The
way in which products were presented (e.g. solus window)
was held constant in each display treatment. Other factors
such as pricing, stocking and display of other products
remained constant over the period of the experiments.
Inventory management obviously benefits from accurate,
real-time information on the location and condition of
goods, equipment, and manpower. If a company does not
know the location and condition of its stock, and how long
it has been in the warehouse, significant costs are incurred.
Missed profits, oversized inventories, and the devaluation
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 218
of goods depreciating in the warehouse are possible
consequences of a lack of information. The stocktaking
required for business or legal reasons also typically requires
a considerable amount of effort. Stocktaking is not only
expensive; it is inherently error-prone as well. A factory
floor or warehouse equipped with technologies such as
indoor localization and automatic identification can largely
automate the stocktaking process, thereby reducing costs. If
several companies along a supply chain simultaneously use
such precise inventory data in addition to real-time order
information, they can achieve additional savings by
significantly attenuating the so-called “bullwhip effect”.
This effect, often noticed in practice, describes the
following phenomenon: although consumer demand for a
product remains almost constant over time, small changes
in this demand amplify along the supply chain and
ultimately result in either excess production (and associated
storage costs) or sudden interruptions to supply (and
associated missed sales). However, the more information
transparency there is along the supply chain, the more these
undesirable effects are attenuated. By making
comprehensive information available along the supply
chain, a significant reduction in the bullwhip effect can be
achieved. A further step towards the now economy is the
constant monitoring of critical product parameters (e.g., of
temperature-sensitive goods such as chemicals or groceries)
by tiny wireless sensors. Equipped with communications
capabilities, such “introspective” goods are not only able to
monitor themselves, but can also communicate relevant
parameters to the outside world. Smart goods could observe
their condition while in transit and trigger an alarm in the
event of excessive temperatures, which could – if
appropriate – lead to an automatic reordering of damaged
goods. Alternatively, the goods could also attempt to take
corrective action, for example by controlling the
temperature of their container: “As sensors improve and
always-on connectivity becomes a reality, products will be
able to do something about their condition”. In this way,
“self-conscious” products (i.e., products that perceive their
condition, analyze it, and attempt to change their situation if
they are dissatisfied with it) would lower
VISION-BASED SYSTEMS
Vision-based systems are becoming very used in a wide
range of applications, mainly because of its reduced cost,
and also, because of the advance on computer vision and
Image Processing Techniques that are making it possible to
use vision-based solutions on real and daily situation. As an
example, initiatives have been started to improve the safety
of vulnerable road users, namely pedestrians and bicyclists.
European Commission-funded research projects
PROTECTOR (“Preventive Safety for Unprotected Road
User”, 2000-2003) and SAVE-U (“Sensors and System
Architecture for Vulnerable road Users protection”, 2002
2005) are two examples. Both projects are aimed towards
the development of sensor-based solutions for the detection
of vulnerable road users, in order to facilitate the use of
warning or preventive measures to avoid or minimize the
impact of collisions. Many interesting approaches for the
visual recognition of pedestrians can be found in the
literature. However, meaningful quantitative data on overall
system performance is virtually non-existent.
Figure 3. Pedestrian Detection System
Product inspection is an important aspect of modern
industrial manufacturing. The high cost of human visual
inspection has led to the development of on-line vision
based systems capable of performing inspection tasks. The
problem of web inspection is particularly important and
complex, and the research in this field is wide open. Web
inspection systems are currently used for quality control in
numerous production lines such as for cloths and fabrics,
cable insulators, paper, plastic bags, strip steel and metals,
wood and leather. The implementation of an automated
visual inspection system for defect inspection in the textile
industry is of crucial importance. It has been shown that
defects reduce the price of the fabrics by 45% to 65%. A
typical web material is 1–3m wide and is driven with
speeds ranging from 20 m/min to 200 m/min. Good
inspection results can be achieved if the horizontal and
vertical resolution is less than 1mm. In the best case, a man
can detect no more than 60% of the present defects, and he
cannot deal with fabric wider than 2 meters and moving
faster than 30 m/min. On the other hand, in the literature,
235 types of defect and their possible causes are discussed.
Their correct detection and classification is a challenging
task, and major problems such as extremely high data flow,
noise influence, large numbers of defect classes, dynamic
defect populations, inter-class similarity and inter-class
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 219
Figure 4. Visual Inspection System.
Recently, researchers in human-computer interaction have
been exploring interactive tabletops for use by individuals
and groups, as part of multi-display environments, and for
fun and entertainment. A key challenge of surface
computing is that traditional input using the keyboard,
mouse, and mouse-based widgets is no longer preferable;
instead, interactive surfaces are typically controlled via
multi-touch freehand gestures. Whereas input devices
inherently constrain human motion for meaningful human-
computer dialogue, surface gestures are versatile and highly
varied—almost anything one can do with one’s hands could
be a potential gesture. To date, most surface gestures have
been defined by system designers, who personally employ
them or teach them to user-testers .Despite skillful design,
this results in somewhat arbitrary gesture sets whose
members may be chosen out of concern for reliable
recognition. Although this criterion is important for early
prototypes, it is not useful for determining which gestures
match those that would be chosen by users. It is therefore
timely to consider the types of surface gestures people
make without regard for recognition or technical concerns.
What kinds of gestures do non-technical users make? In
users’ minds, what are the important characteristics of such
gestures? Does number of fingers matter like it does in
many designer-defined gesture sets? How consistently are
gestures employed by different users for the same
commands? Although designers may organize their gestures
in a principled, logical fashion, user behavior is rarely so
systematic. As McNeill writes in his laborious study of
human discursive gesture, “Indeed, the important thing
about gestures is that they are not fixed. They are free and
reveal the idiosyncratic imagery of thought”.
All those gestures and human activities when using the
surfaces are tracked using vision based solutions, namely as
blob recognition and tracking for associating an id and a
movement to each finger and therefore it is possible to use
this information to analyze which gesture was done
comparing it to predetermined gestures.
Figure 5. Microsoft Surface Configuration
Figure 6. User Gestures for Input
Figure 7. User interacting with Project natal
SYSTEM OVERVIEW
Setup
The configuration of the 3S(Smart-Store Showcase) system
used in the present study is described in Figure 1. The
system consists of a big store showcase, whose surface is
composed of glass, transparent for the camera. A camera
that captures the images from the customers. The captured
images are processed by a computer running the Image
Processing Core(IPC). Usually, to get better results, it is
necessary to calibrate and make some adjustments on some
parameters, like camera focus, parameters, in addition to
software adjustments, like equalize and balance light. From
captured images, software detects interesting characteristics
for further analysis of customer behaviour. The IPC was
implemented using the C++ language and the Open Source
Computer Vision Library (OpenCV []).
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 220
.
Figure 8. Setup of the Smart Store Showcase.
Customer Recognition
Using Haar-Like Features Classifier from the OpenCV it is
possible to detect the presence and the position of a face on
the image, according to the classification formulas below.
(1)
Recognition of Faces Features
Interesting Face Features to be recognized are eyes, mouth
and nose. Those help on the geometry analysis to find
position and rotation of the customers face[15][18]. Those
characteristics are also found using Haar-like features and
classifiers.
Geometrical Analysis
Geometrical analysis consists of finding the values of
angles between the lines in the triangle formed from lines
leaving from the center of the eyes, passing by the center of
the mouth and the center of the nose. Equation (2)
calculates the tangent of the angle between two lines.
(2)
where,
(3)
Figure 7. Degrees of Freedom of Human Head.
Figure 9. Degrees of Freedom of Human Head.
Figure 10. Geometry of Human Face
Analyzing this information according to figure 11 it is
possible to determine the behavior of the customer to the
showcase, meaning that the customer can be, for example,
looking to a product, not looking at all, or even somehow
looking at an avoidance manner to it(figure 12).
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 221
Figure 11. Customer Patterns when looking to the Showcase
Figure 12. Real-data patterns analysis
The final step of the image processing core is to use a K-
Nearest Neighbor[17] algorithm to associate an id to each
customer to be able to check for how long it keeps looking
to the showcase, and also get a detailed report associating
customer to product.
Figure 13. K-Nearest Neighbour algorithm applied to find the
most probable face according to last position.
Application
TUIO Protocol
The TUIO Protocol [7] is a simple protocol designed to
meet the requirements of table-top tangible user interfaces.
We have adapted the TUIO messages to this type of
application. The 3S is considered as a host that becomes
available to clients, running on a computer attached to it.
With this information the management software is able to
generate a log and a daily spreadsheet relating products
shown on the showcase and the customers’ behavior during
the day.
CONCLUSION
We have characterized and implemented a system for
automating the capture of customers’ behavior when
looking to a store showcase and also, a system to analyze
this data to optimize sales on stores. Our system aims to
incorporate consolidate Vision methods to the field of smart
stores. With this information the store owner would be able
to organize its showcase with a more careful planning. And
also, to see the direct relation between products advertised
on the showcase and products bought. The proposed
solution opens a wide variety of opportunities for future
work, ranging from adapting it to stereo vision, better
tracking algorithms, and Human Factors of this Human
Computer Interface. The new directions of the project are to
develop a system to correlate the elapsed time between
looking and buying, to augment the number of cameras, and
products. Incorporate gaze tracking for measuring attention.
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 222
ACKNOWLEDGMENTS
The authors would like to thank the financial support and
the award fellowship provided by Protótipos Engenharia
Ltda, and the PaqTcPB.
REFERENCES
1. Hidden for blind review.
2. Stojanovic, R., Mitropulos, P., Koulamas, C.,
Karayiannis, Y., Koubias, S., Papadopoulos, G. Real-
Time Vision-Based System for Textile Fabric
Inspection. Real Time Imaging 7,000-000(2001).
3. Krumm, J., Shafer, S., Wilson, A. How a Smart
Environment can use Perception. Microsoft research
paper, 2001.
4. Williamson, M., Kingston, R.E., Lomax, W. Point-of-
Purchase Display and Brand Sales. Australian and New
Zealand Marketing Academy(ANZMAC 2001).
5. Mather, B.D. Vision-Based Pedestrian Detector: The
PROTECTOR System. Proc. IEEE Intelligent Vehicles
Symposium, IEEE(2004).
6. Castrillón-Santana, M., Déniz-Suárez, O., Antón-
Canalís, L., Lorenzo-Navarro, J. Face and Facial Feature
Detector Evaluation. Proc. International Conference on
Computer Vision and Applications (VISAPP 2008).
7. M. Kaltenbrunner, T. Bovermann, R. Bencina, and
E.Costanza, Tuio: A protocol for table-top tangible user
interfaces, Proceedings of the 6th International
Workshop on Gesture in Human-Computer Interaction
and Simulation (GW2005), Vannes (France), 2005.
8. Wobbrock, J.O., Morris, M.R. and Wilson, A.D. User-
defined gestures for surface computing. Proceedings of
the ACM Conference on Human Factors in Computing
Systems (CHI '09). Boston, Massachusetts (April 4-9,
2009). New York: ACM Press, pp. 1083-1092
9. Bohn, J., Coroama, V., Langheinrich, M., Mattern, F.,
Rohs, M. Living in a World of Smart Everyday Objects.
Journal of Human and Ecological Risk Assessment,
10(5):763-786,2004. Viola, P., Jones, M., Robust real-
time object detection, International Journal of
Computer Vision, 2002.
10.Lienhardt, R., Maydt, J. An extended set of haar-like
features for rapid object detection, Proceedings of the
IEEE International Conference on Image Processing,
pp. 900-903,2002.
11.Sing-Tze Bow, Pattern Recognition and Image
Preprocessing, Signal Processing and Communication
Series.2nd Edition.Marcel Dekker, 2002
12.A. Rosenfeld, Some uses of pyramids in image
processing and segmentation, Proceedings of the
DARPA Imaging Understanding Workshop, pp. 112-
120, 1980.
13.C. Tomasi and R. Manduchi, Bilateral filtering for gray
and color images, Conf. Rec. ICCV Bombay, India,
1998, pp.839-846.
14.G. Bradski and A. Kaehler, Learning OpenCV,
Computer Vision with the OpenCV Library, 1st ed.
O’Reilly, 2008.
15.Dervinis, D., Head Orientation Estimation using
Characteristic Points of Face. Elektronika IR
Elektrotechnika, 2006. No.8(72).
16.Hsu, Rein-Lien, Abdel-Mottaleb, M., Jain, A.K, Face
Detection in Color Images, IEEE Transactions on
Pattern Analysis and Machine Intelligence, 2002. 696-
706. Vol.4, Issue 5.
17.Jiangsheng, Y., Method of k-Nearest Neighbors,
Institute of Computational Linguistics, Peking
University, China, 100871, 2002.
18.Murphy-Chutorian,E., Trivedi, M.M, Head Pose
Estimation in Computer Vision: A Survey. IEEE
Transactions on Pattern Analysis and Machine
Intelligence (2008).
Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4
IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 223
Artigos  Interaction South America 2010

Artigos Interaction South America 2010

  • 1.
  • 2.
  • 3.
    Érico Fileno Ricardo Couto RobsonSantos organizadores INTERACTION SOUTH AMERICA 2010 ANAIS DO II CONGRESSO INTERNACIONAL DE DESIGN DE INTERAÇÃO 1ª Edição Curitiba Interaction Design Association – Curitiba 2010
  • 4.
    Apresentação Em novembro de2009 realizou‐se o Interaction South America ’09, que estabeleceu‐se como um fórum para pensar e discutir os diversos aspectos do Design de Interação: planejamento, estratégias, métodos, conhecimentos, técnicas e tecnologias. A realização desta segunda edição da conferência – Interaction South America ’10 – é a demonstração definitiva do estabelecimento da atividade no País. Cabe citar que, fundamentalmente, tanto a primeira edição quanto esta segunda edição foram fruto de uma intensa interação humana; também de ambas resultaram novos laços, novas perspectivas e novas interações. Para isto projetamos: para tornar as pessoas mais próximas umas das outras, para facilitar a troca social e o crescimento dos pares. É disto que tratam os artigos contidos neste volume ‐ possibilitar a aproximação humana por meio de artefatos, serviços e interfaces. Boa leitura e boas interações! Érico Fileno Ricardo Couto Robson Santos
  • 5.
    Índice AIVA: Ambiente InstrucionalVirtual Autônomo: uma proposta de LMS baseado em hipermídia adaptativa Bruno Corrêa e André Monat ......................................................................................... 1 Sistema de Rastreamento da Mão Humana Utilizando Visão Computacional para Aplicações Embarcadas Rodrigo F. Freitas, Paulo C. Cortez, Rodrigo C. S. Costa e Antônio C. da S. Barros ......... 9 Virtual Wheel: Proposta de Um Método de Interação Gestual para Jogos de Corrida Rodrigo F. Freitas, Rodrigo C. S. Costa e Paulo C. Cortez .............................................. 19 Design de interação aplicado a modelos colaborativos na cobertura jornalística em eventos de calamidade pública Augusto Lohmann, Ruy Menezes, Thiago Lima e Andre Monat ................................... 27 O design de material jornalístico: do impresso ao virtual – os desafios da interatividade Thiago Censi e André Monat ......................................................................................... 37 Design de Interação: Estudo do Processo Interativo e Semiótico em Espaços Físicos e Virtuais Douglas D’agostini e Silvia Bertagnolli .......................................................................... 47 Recomendações de usabilidade para TV Digital Interativa baseadas na experiência dos usuários com os celulares Harlley Roberto de Oliveira ........................................................................................... 54 Reconhecimento de Fonemas usando Predição Linear para movimento labial de modelos faciais humanóides virtuais Raphael T. S. Carvalho, Rodrigo C. S. Costa e Paulo C. Cortez ...................................... 61 Uma Visão da Tecnologia além da Interação Milena Lopes e Christina Sega ...................................................................................... 70 Sistema de Orientação e Navegação para Terminais de Ônibus Urbanos de Porto Alegre Marcelo Ferranti e Heli Meurer .................................................................................... 75 C.D.E. ‐ Uma Ferramenta para Análise de Jogos Thiago Alves, Bruno Bulhões e Rafael Dubiela ............................................................. 84 O uso da metodologia de personas na produção de perfis para hipermídia adaptativa Thiago Pinheiro ………………………………………………………………......................………………….. 97 Estudo comparativo de extensões UML nos artefatos do projeto de sistemas interativos Maria Cristina Machado Domingues e Lucia Filgueiras .............................................. 105
  • 6.
    Design no Contextoda Interação Cristina Portugal ......................................................................................................... 115 Influência do perfil do usuário na inteligibilidade de interfaces de data warehouse Mônica Gouvea e Lucia Filgueiras ............................................................................... 124 Tecnologias para Assistir Pessoas com Deficiência Auditiva: Levantamento e Discussão sobre seu Uso Soraia Silva Prietch ...................................................................................................... 130 Circinus: Sistema Brasileiro de Controle de Tráfego Aéreo Michelle Dalmas Loeffler ............................................................................................ 139 O processo de colaboração em ambientes hipermidiáticos na EAD: modalidades, tecnologias e design de informação Israel Braglia, Alice Cybis e Berenice Gonçalves ......................................................... 149 Aplicação de Matriz de Prioridade na verificação de preferências de leitores na compra de livros em livrarias online Adriano Bernardo Renzi e Sydney Freitas ................................................................... 157 Avaliação de Usabilidade em contexto de mobilidade: observação de uso do aplicativo do Facebook para iPhone Brenda Lucena ............................................................................................................ 165 Implementando Acessibilidade em um Sistema de Gestão de Aprendizagem através do Design Centrado no Usuário Virgínia Chalegre, Fabrício Teles e Audrey Vasconcelos ............................................. 173 Medindo Emoções em Reuniões no Second Life Cleyton Slaviero, Jivago Medeiros, Karen Figueiredo, Willian Silva, Cintia Caetano Ramalho da Silva e Ana Cristina Bicharra Garcia ........................................................ 181 Interatividade e navegação em infográficos digitais Bruna Reginato, Luciano Adorno e Richard Perassi .................................................... 189 Observações Etnográficas na Avaliação da Usabilidade de Dispositivos Móveis de Coleta de Dados Estatísticos Luiz Agner, Patricia Tavares e Simone Bacellar Leal Ferreira ..................................... 198 Metodologia Projetual no Ensino de Design Digital Interativo Paula Tramujas e Luciane Hilu .................................................................................... 207 Vision‐Based System for Smart Store Showcase Thiago de Freitas Oliveira Araujo, Alexsandro José Virgínio dos Santos e Everaldo Fernandes Monteiro ................................................................................................... 216
  • 7.
    AIVA – AmbienteInstrucional Virtual Autônomo: uma proposta de LMS baseado em hipermídia adaptativa Bruno de Souza Corrêa PPD – ESDI/UERJ Rua Evaristo da Veiga, 95 20031-040 – Rio de Janeiro, RJ brcorrea@yahoo.com.br André Soares Monat PPD – ESDI/UERJ Rua Evaristo da Veiga, 95 20031-040 – Rio de Janeiro, RJ andresmonat@yahoo.com.br RESUMO Este trabalho apresenta a Hipermídia Adaptativa (HA) como caminho válido no desenvolvimento de novas técnicas de usabilidade de interfaces e ergonomia informacional voltados para a educação a distância. Enquanto os estudos atuais sobre ergonomia informacional buscam encontrar soluções de usabilidade aplicáveis a uma grande população de usuários, reduzindo a um grande perfil todos os perfis individuais, a HA procura atribuir características múltiplas a um sistema, adaptando a forma de apresentação, a estrutura de navegação e o próprio conteúdo a uma ampla gama de perfis individuais de usuários. Desta forma, um sistema pode se apresentar de maneira diferenciada para cada usuário, buscando criar um ambiente exclusivo, personalizado e direcionado às suas necessidades e expectativas. Esse tipo de tecnologia tem um potencial de utilidade especialmente alto nas aplicações voltadas para a Educação a Distância (EaD), justificando a concentração de esforços de pesquisa e desenvolvimento nesta área. Palavras-chave do autor Hipermídia adaptativa, educação a distância, design de interfaces. ABSTRACT This paper presents the Adaptive Hypermedia (AH) as a valid path in the development of new techniques of interface usability and informational ergonomics geared to distance education. While the current studies on informational ergonomics seek usability solutions applicable to a large user population, reducing to a high profile all the individual profiles, the HA demand assign multiple features to a system, adapting the form, the navigation structure and the content itself to a wide range of individual profiles of users. Thus, a system can appear differently for each user, seeking to create an exclusive, personalized and targeted environment to their needs and expectations. This type of technology has a particularly high utility potential in applications directed to Distance Learning (DL), justifying the concentration of efforts on research and development in this area. Author Keywords Adaptive hypermedia, distance learning, interface design. ACM Classification Keywords H.5.2 - Informatio Interfaces and Presentation (e.g., HCI): User Interfaces; H.5.4 - Informatio Interfaces and Presentation (e.g., HCI): Hypertext/Hypermedia; K.3.1. Computers and Education: Computer Uses in Education. INTRODUÇÃO O crescente interesse de instituições de ensino, organizações e do próprio governo na educação à distância via Internet impulsiona a pesquisa e o desenvolvimento de ambientes e tecnologias que possibilitem o trânsito cada vez mais eficiente de conteúdos instrucionais entre entidades com um nível crescente de afastamento geográfico, acadêmico e sócio-cultural. Desta forma, é necessário o desenvolvimento de ferramentas que permitam uma interface objetiva entre os sistemas e os seus usuários, demandando que os próprios cursos precisem ser organizados e disponibilizados de forma acessível e compreensível à maior população de estudantes possível, buscando neutralizar as diferenças acadêmicas e sócio- culturais que possam existir entre estes usuários. A democratização do acesso à educação a distância é um dos focos de investigações da área de Hipermídia Adaptativa (HA), que, de acordo com Brusilovsky (1996), é o estudo de sistemas, arquiteturas, métodos e técnicas capazes de promover a adaptação de hiperdocumentos e hipermídia em geral aos objetivos, necessidades, preferências e desejos de seus usuário. Palazzo (2000) complementa que a HA objetiva adaptar a interface dos sistemas de ensino para cada usuário. Isso significa ajustar textos, imagens e sons durante a sua navegação, mas esta adaptação só ocorre durante a execução do sistema, ou seja, a partir do momento em que o usuário utiliza as funcionalidades do mesmo. ENSINO A DISTÂNCIA Segundo a Associação Brasileira de Educação a Distância, ABED, muitas são as definições possíveis e apresentadas, mas há um consenso mínimo em torno da idéia de que EAD Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 1
  • 8.
    é a modalidadede educação em que as atividades de ensino-aprendizagem são desenvolvidas majoritariamente (e em bom número de casos exclusivamente) sem que alunos e professores estejam presentes no mesmo lugar à mesma hora. Moran (2002) explica que educação a distância é o processo de ensino/aprendizagem onde professores e alunos não estão normalmente juntos, fisicamente, mas podem estar conectados, interligados por tecnologias, principalmente as telemáticas, como a Internet. Hoje temos a educação presencial, semi-presencial (parte presencial/parte virtual ou a distância) e educação a distância (ou virtual). A presencial é a dos cursos regulares, em qualquer nível, onde professores e alunos se encontram sempre num local físico, chamado sala de aula. É o ensino convencional. A semipresencial acontece em parte na sala de aula e outra parte a distância, através de tecnologias. A educação a distância pode ter ou não momentos presenciais, mas acontece fundamentalmente com professores e alunos separados fisicamente no espaço e ou no tempo, mas podendo estar juntos através de tecnologias de comunicação. Aspectos legais A educação a distância no Brasil está amparada no Artigo 80 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996 conhecida como Lei de Diretrizes e Bases (anexo 02), regulamentado pelo Decreto nº 5.622, de 19 de dezembro de 2005 (anexo 03) e na Portaria 4059 de 10/12/2004 do MEC. O Artigo 80 da Lei nº 9.394 define que “o Poder Público incentivará o desenvolvimento e a veiculação de programas de ensino a distância, em todos os níveis e modalidades de ensino, e de educação continuada”, sendo o conceito de educação a distância definido pelo Decreto nº 5.622, que a caracteriza “como modalidade educacional na qual a mediação didático-pedagógica nos processos de ensino e aprendizagem ocorre com a utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação, com estudantes e professores desenvolvendo atividades educativas em lugares ou tempos diversos”. O mesmo decreto delimita em seu Art. 1o a obrigatoriedade de momentos presenciais para as avaliações dos estudantes, estágios obrigatórios (quando previstos na legislação pertinente), defesa de trabalhos de conclusão de curso (quando previsto na legislação pertinente) e atividades relacionadas a laboratórios de ensino, quando for o caso. Também são listadas no Decreto todas as modalidades de ensino que podem ser apresentadas como programas de educação a distância, a saber: - Educação básica: apenas para complementação de aprendizagem, situações emergenciais ou situações em que os cidadãos estejam impedidos, por motivo de saúde, de acompanhar ensino presencial; sejam portadores de necessidades especiais e requeiram serviços especializados de atendimento; se encontram no exterior, por qualquer motivo; vivam em localidades que não contem com rede regular de atendimento escolar presencial; compulsoriamente sejam transferidos para regiões de difícil acesso, incluindo missões localizadas em regiões de fronteira; ou estejam em situação de cárcere; - educação de jovens e adultos (nos termos do Artigo 37 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996); - educação especial, respeitadas as especificidades legais pertinentes; - educação profissional, abrangendo os seguintes cursos e programas: a) técnicos, de nível médio; b) tecnológicos, de nível superior; - educação superior, abrangendo os seguintes cursos e programas: a) sequenciais; b) de graduação; c) de especialização; d) de mestrado; e) de doutorado. Um aspecto importante a ser observado sobre a legislação vigente é o de que não há citações que limitem o uso da tecnologia. Ao contrário, conforme consta no Parágrafo 3º do Artigo 80 da Lei de Diretrizes e Bases, “as normas para produção, controle e avaliação de programas de educação a distância e a autorização para sua implementação, caberão aos respectivos sistemas de ensino, podendo haver cooperação e integração entre os diferentes sistemas”. Tal aspecto provê amplas possibilidades de desenvolvimento e aplicação de ferramentas e mídias. A Portaria 4059 trata da oferta de conteúdo a distância nas grades curriculares dos cursos superiores reconhecidos pelo MEC, estabelecendo as seguintes diretrizes: - Art. 1º As instituições de ensino superior poderão introduzir, na organização pedagógica e curricular de seus cursos superiores reconhecidos, a oferta de disciplinas integrantes do currículo que utilizem modalidade semi- presencial, com base no art. 81 da Lei nº 9.394, de 1.996, e no disposto nesta Portaria. § 1º Para fins desta Portaria, caracteriza-se a modalidade semi-presencial como quaisquer atividades didáticas, módulos ou unidades de ensino-aprendizagem centrados na auto-aprendizagem e com a mediação de recursos didáticos organizados em diferentes suportes de informação que utilizem tecnologias de comunicação remota. § 2º Poderão ser ofertadas as disciplinas referidas no caput, integral ou parcialmente, desde que esta oferta não ultrapasse 20 % (vinte por cento) da carga horária total do curso. § 3º As avaliações das disciplinas ofertadas na modalidade referida no caput serão presenciais. Contexto histórico A evolução da EaD vem seguindo os avanços das tecnologias de comunicação. Pode-se dizer que são ciclos de inovação incremental, que, segundo Lemos (2000), é a introdução de qualquer tipo de melhoria em um produto, Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 2
  • 9.
    processo ou organizaçãoda produção dentro de um contexto, sem alteração na sua estrutura. Em EaD, esses ciclos são caracterizados pela manutenção das metodologias básicas de ensino e design instrucional, com as maiores mudanças acontecendo apenas nos meios de acesso e disseminação da informação. Portanto, o próprio conceito de educação a distância não pode ser considerado inovativo em níveis além do incremental. Sherron y Boettcher (1997) separam a linha evolutiva da educação a distância em quatro gerações: • Primeira Geração - 1850 a 1960. Começa via papel impresso e anos mais tarde ganha a participação do rádio e da televisão. Característica: uma tecnologia predominante. • Segunda Geração - 1960 a 1985. Os meios são fitas de áudio, televisão, fitas de vídeo, fax e papel impresso. Característica: múltiplas tecnologias sem computadores. • Terceira Geração - 1855 a 1995. Correio eletrônico, papel impresso, sessões de chat, mediante uso de computadores, Internet, CD, videoconferência e fax. Característica: múltiplas tecnologias incluindo os computadores e as redes de computadores. • Quarta Geração - 1995 a 2005 (estimado). Correio eletrônico, chat, computador, Internet, transmissões em banda larga, interação por vídeo e ao vivo, videoconferência, fax, papel impresso. Característica: múltiplas tecnologias incluindo o começo das tecnologias computacionais de banda larga. • Taylor (2003) fala em uma quinta geração, que somaria todos os recursos característicos da quarta geração a sistemas inteligentes totalmente automatizados, maximizando o uso da Internet. A quinta geração da educação a distância, proposta por Taylor, fala na comunicação totalmente mediada por computador, o que dependeria de sistemas inteligentes e autônomos capazes de, entre outras coisas, se adaptar às características dos usuários e definirem quais caminhos um determinado curso pode tomar. HIPERMÍDIA ADAPTATIVA Em alinhamento à proposta de Taylor, um dos caminhos para a difusão de sistemas inteligentes de cursos a distância é o desenvolvimento de sistemas baseados em hipermídia adaptativa, que, segundo Brusilovsky (1996), são capazes de construir um modelo de objetivos, preferências e conhecimento de cada usuário individualmente e usar este modelo durante a interação com o usuário para adaptar o sistema às necessidades deste usuário. Assis (2005) nos lembra que se pode considerar que sistemas hipermídia são, de certa forma, sempre adaptativos, uma vez que ao proporcionarem liberdade de navegação aos diferentes usuários, estão possibilitando que eles adaptem o sistema às suas necessidades de informação, ou seja, o próprio usuário é responsável pela adaptação. Entretanto, Brusilovsky (1996) atenta para o fato de que, em algumas áreas de aplicação, é necessário que o próprio sistema de hipermídia se adapte ao usuário, caracterizando a hipermídia adaptativa. Palazzo (2002) define que um sistema de HA deve satisfazer a três critérios básicos: (1) ser um sistema hipertexto ou hipermídia; (2) possuir um modelo do usuário; (3) ser capaz de adaptar a hipermídia do sistema usando tal modelo. A figura 1 demonstra a taxonomia básica de sistemas de hipermídia adaptativa, segundo Brusilovsky (2001). Técnicas de adaptação Assis (2005) propõe uma interpretação mais clara e precisa sobre o quê pode ser adaptado – ou seja, qual o resultado real da adaptação, qual aspecto da aplicação muda –, propõe-se aqui uma diferenciação entre a adaptação do teor do conteúdo e a adaptação da estrutura do conteúdo, esta última considerada como um tipo de adaptação de navegação. Distingue-se, ainda, um outro tipo de adaptação de navegação: a adaptação da topologia do hiperespaço (alterações nos destinos dos elos ou na quantidade de elos). Em relação à apresentação (interface), separa-se as alterações na aparência do conteúdo das alterações na aparência dos elos. A Tabela 1 apresenta a classificação proposta. Figura 1. Taxonomia das tecnologias de hipermídia adaptativa (Brusilovsky,2001). Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 3
  • 10.
    AIVA – AMBIENTEINSTRUCIONAL VIRTUAL AUTÔNOMO Com base nestes preceitos é apresentada a proposta do modelo de gerenciamento de ensino a distância AIVA que se baseia na determinação de um sistema para a criação de cursos em ambiente gráfico, com etapas seqüenciadas e a opção de edição de conteúdos instrucionais por fluxogramas e camadas. Este sistema inclui caminhos acionados pela inserção de módulos, hiperlinks e camadas de modelos de usuários e adaptações de conteúdo e navegação. A filosofia básica do AIVA contempla os seguintes requisitos: - Edição gráfica e textual de conteúdos; - Flexibilidade para aplicação de recursos multimídia; - Adaptações baseadas em modelos de usuário por nível de conhecimento e aferição de rendimento (testes); - Testes com questões objetivas; - Totalmente baseada na WEB; A taxonomia do AIVA As técnicas de adaptação apresentadas são disponibilizadas em conjunto, paralelamente entre si, tendo como critério- base o modelo de usuário. Para uma melhor compreensão deste conceito, todos os elementos que compõem o AIVA podem ser organizados em camadas editáveis pelos autores dos conteúdos instrucionais alimentados no sistema. Esta organização por camadas permite a visualização da flexibilidade de composição das adaptações, propiciando que um grande número de modelos de usuários distintos seja alimentado no AIVA. Além disso, o conteúdo instrucional é dividido em módulos e cada um deles pode receber combinações próprias de adaptações. Combinações diferentes das camadas permitem a adaptação dos módulos de conteúdos instrucionais a diferentes critérios de modelagem de usuários, ou seja, para cada modelo de usuário haverá configurações próprias dos módulos, conforme demonstra a Figura 2. À Camada de Conteúdo Básico, pode-se adicionar (+) a Camada de Conteúdo Adaptado e/ou a Camada de Navegação Adaptada. Da mesma forma, essas camadas de adaptações podem ser removidas (-). Comparando-se as características das adaptações permitidas no AIVA com a taxonomia das tecnologias de hipermídia adaptativa descrita por Brusilovsky (2001), que contempla todos os tipos de adaptações de conteúdo, apresentação e navegação descritos por ele, temos uma idéia exata do aproveitamento das possibilidades interativas do AIVA (Figura 3). Tabela 1. O quê é adaptado (Assis, 2005). Figura 2. Fluxograma de camadas do AIVA. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 4
  • 11.
    Os módulos contidosdentro de cada modelo de usuário são editados individualmente. Assim, a manipulação das camadas prevê a ativação ou desativação das adaptações em qualquer etapa do curso que estiver sendo criado. Para ilustrar e exemplificar a aplicação de uma adaptação de conteúdo na tela de um curso apresentado através do AIVA, uma tela contendo um texto específico é mostrada em três momentos diferentes, cada um sob a influência de um modelo de usuário distinto. Na primeira tela (Figura 4), o texto é apresentado na sua formatação básica, sob influência de uma modelagem de usuário denominada MU01. A segunda tela (Figura 5) exibe o texto contendo uma adaptação de conteúdo através da qual, além da informação textual, vê-se um complemento ilustrado do assunto abordado. Essa tela está sob a influência da modelagem de usuário MU02. A terceira tela (Figura 6) exemplifica o conteúdo textual com alterações da linguagem utilizada, adaptando-se ao modelo de usuário MU03. É importante notar que As questões visuais relacionadas ao AIVA remetem a um ambiente simples e padronizado, que atenda aos requisitos de legibilidade exigidos pelos padrões atuais de usabilidade. Essas características visam manter a atenção dos usuários focada no conteúdo que está sendo exibido pelo sistema, sem elementos de distração. Interfaces de inserção de conteúdo A proposta do AIVA prevê que a tela inicial de adição de cursos apresente uma área de fluxograma contendo o balão Figura 4. Exemplo de tela do curso visível para o modelo de usuário MU01, mostrando um módulo com conteúdo textual básico. Figura 5. Exemplo de tela do curso visível para o modelo de usuário MU02, mostrando um módulo com conteúdo textual básico complementado por ilustração. Figura 6. Exemplo de tela do curso visível para o modelo de usuário MU03, mostrando um módulo com conteúdo textual com modificações na linguagem e informações adicionais. Figura 3. Em azul, as técnicas de adaptação empregadas no AIVA. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 5
  • 12.
    indicativo do primeiromódulo de conteúdo e um menu, através do qual são selecionados os modelos de usuários previamente determinados e as adaptações que poderão ser usadas, tanto as de conteúdo quanto as de navegação (Figura 7). Todo o processo é gráfico. Para se acrescentar conteúdo ao módulo indicado, basta clicar no balão e uma tela de edição WYSIWYG será aberta (Figura 8). Uma vez salvo o conteúdo básico do módulo, o sistema retorna para a tela inicial de edição, onde serão selecionados o modelo de usuário e as suas adaptações correspondentes (Figuras 9 e 10), através do menu. Na mesma tela podem ser selecionadas as adaptações de conteúdo e de navegação, que ficam indicadas no fluxograma como novos balões. A Figura 11 mostra o sub- menu das adaptações de conteúdo e a forma como são indicadas no fluxograma ao serem selecionadas. Figura 7. Proposta de tela incial da área de edição de cursos. Figura 8. Exemplo de conteúdo sendo inserido no editor WYSIWYG. Figura 9. Menu de seleção do modelo de usuário. Figura 10. Modelo de usuário selecionado e sua indicação junto ao balão do módulo. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 6
  • 13.
    A figura 12demonstra o sub-menu das adaptações de navegação e a representação no fluxograma daquelas que foram selecionadas. Sempre que alguma adaptação de conteúdo ou de manipulação de links é selecionada e inserida no fluxograma, ela pode ser customizada através do editor WYSIWYG, que apresentará o conteúdo básico do módulo como ponto de partida para as modificações referentes a cada adaptação. CONSIDERAÇÕES FINAIS O cenário atual da educação a distância (EaD) no Brasil aponta para uma tendência à continuidade tecnológica e metodológica caracterizada pela proliferação de plataformas de gerenciamento de cursos distribuídas em pacotes fechados, de código aberto, que demandam o envolvimento de profissionais com sólidos conhecimentos de tecnologias de informação na sua implementação e administração. Estes sistemas, utilizados na maioria das instituições brasileiras, são pouco flexíveis às grandes variações de perfis de usuários existentes no país. Ou seja, um curso é apresentado da mesma maneira para diversas categorias (econômicas, sociais, culturais, educacionais, etc.) de usuários. A tecnologia de hipermídia adaptativa permite que páginas estáticas se tornem adaptáveis a diferentes modelos e perfis de usuários. Entretanto, há a necessidade de se agregar essa tecnologia aos ambientes virtuais de aprendizagem e fazê-lo de uma forma que usuários leigos em informática consigam trabalhar facilmente. O AIVA é uma tentativa de se promover uma união viável e acessível entre a hipermídia adaptativa e os AVAs, permitindo que conteudistas possam alimentar e editar materiais instrucionais através de editores WYSIWYG combinados com gerenciadores de fluxogramas, especificar diferentes modelos de usuários e definir adaptações de conteúdos a estes modelos. Este trabalho abre caminho para a criação futura de um ambiente virtual de aprendizagem completo baseado em hipermídia adaptativa, contendo outras ferramentas como áreas de testes e avaliações de desempenho, ferramentas de comunicação cooperativa, geradores de perfis de usuários, etc. Espera-se, com isso, o desenvolvimento de um sistema que possa ser disponibilizado ao mercado de educação a distância, contribuindo para a sua democratização e evolução. Estudos futuros poderão viabilizar a integração do AIVA a ambientes virtuais de aprendizagem atualmente disponíveis, atribuindo a estes as características da hipermídia adaptativa. Outra possibilidade de estudo futuro é a inclusão de novas técnicas de adaptação, permitindo ao AIVA utilizar toda a tecnologia de hipermídia adaptativa prevista da taxonomia de Brusilovsky. No campo da pesquisa experimental, os estudos poderão ser direcionados para a aferição da eficiência do AIVA em relação a sistemas que já tenham bases consolidadas de usuários. Para isso, uma versão beta do AIVA deverá ser implementada para testes com usuários. Desta forma será possível implementar um programa evolutivo dos aspectos ligados à usabilidade do sistema. A evolução desta pesquisa pode culminar na demonstração de novas modalidades e técnicas de adaptação de hipermídia, em adição àquelas já demonstradas por outros autores. Figura 11. Menu das adaptações de conteúdo ativado e a representação, no fluxograma, das adaptações selecionadas. Figura 12. Menu das adaptações de navegação ativado e a representação, no fluxograma, das adaptações selecionadas. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 7
  • 14.
    REFERÊNCIAS 1. Associação Brasileirade Educação a Distância – ABED. Anuário Brasileiro Estatístico de Educação Aberta e a Distância de 2008 – ABRAEAD 2008. São Paulo, Brasil, 2008. 2. Assis, Patrícia Seefelder de. Arquitetura para adaptação e meta-adaptação de sistemas hipermídia. Tese Doutorado; orientador: Daniel Schwabe. – Rio de Janeiro : PUC-Rio, Departamento de Informática, 2005. 3. Brusilovsky, P. Methods and Techniques of adaptive hypermedia. In: User Modeling and User Adapted Interaction, v. 6, n. 2-3, p. 87-129, 1996. 4. Brusilovsky, P. User Modeling and User-Adapted Interaction. Kluwer, 2001. 5. Palazzo, Luiz Antônio Moro. Sistemas de Hipermídia Adaptativa, 2002. In: http://ia.ucpel.tche.br/~lpalazzo/sha/sha.htm . 6. Taylor, James C. Fifth Generation Distance Education. International Council for Open and Distance Education (ICDE), 2003. Disponível em http://eprints.usq.edu.au/136/1/Taylor.pdf. 7. Lemos, C. Inovação na Era do Conhecimento. IN: Parcerias Estratégicas, nº8, maio, 2000, MCT. 8. Moran, J. M. Novos caminhosdo ensino a distância. Em: Informe CEAD - Centro de Educação a Distância. SENAI, Rio de Janeiro, ano 1, n.5, out-dezembro de 1994, páginas 1-3. Atualizado em 2002. 9. Sherron, G. y Boettcher, J. Distance learning: The shift to interactivity. CAUSE Professional. Paper Series 17. Boulder; CO: CAUSE, 1997. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 8
  • 15.
    Sistema de Rastreamentoda Mão Humana Utilizando Visão Computacional Rodrigo Fernandes Freitas, Paulo César Cortez, Rodrigo C. S. Costa, Antônio C. da S. Barros Laboratório de Engenharia de Sistemas de Computação Campus do Pici S/N, Bloco 723, rodrigo@gihm.info, cortez@gihm.info RESUMO O mercado de dispositivos portáteis tem crescido muito nos últimos anos, o que os tornou parte importante da vida diária da maioria da população. Porém, a interação usuário com eles ainda é baseada em teclados pequenos e incômodos. Com o avanço do poder desses dispositivos, eles agora conseguem executar pesados aplicativos como navegadores de internet e manipuladores de imagens, os quais se beneficiariam bastante de novas formas de interação. Este trabalho propõe um sistema de interação para dispositivos portáteis através do rastreamento da mão baseado em Visão Computacional. Os resultados obtidos demonstram que este sistema apresenta uma boa taxa de processamento, bem como é invariante à rotação da mão e consegue reconhecer todos os gest Author Keywords Rastreamento da Mão, Dispositivos Portáteis Interação. ACM Classification Keywords I.4.9. I.4.9. Image processing and computer vision: Applications. INTRODUÇÃO O mercado dos dispositivos portáteis, como os telefones celulares e smartphones, tem tido um grande crescimento nos últimos anos. Tanto a diminuição dos custos e do volume de hardware quanto o aumento da capacidade de processamento e armazenamento ajudaram tipo de dispositivo mais popular, fazendo deles parte indispensável da rotina diária da maioria cada geração são desenvolvidos dispositivos cada vez menores e com maior poder computacional, como visto na Figura 1 [28]. Permission to make digital or hard copies of all or part of this work for personal or classroom use is granted without fee provided that copies are not made or distributed for profit or commercial advantage and that copies bear this notice and the full citation on the first page. To copy otherwise, or republish, to post on servers or to redistribute to lists, requires prior specific permission and/or a fee. CHI 2009, April 4–9, 2009, Boston, Massachusetts, USA. Copyright 2009 ACM 978-1-60558-246-7/09/04...$5.00. Sistema de Rastreamento da Mão Humana Utilizando Computacional para Aplicações Embarcadas , Paulo César Cortez, Rodrigo C. S. Costa, Antônio C. da S. Barros Laboratório de Engenharia de Sistemas de Computação, Universidade Federal do Ceará , Bloco 723, Cx. Postal 6015, CEP 60455-970 – Fortaleza cortez@gihm.info, rodcosta@gimh.info, carlos@gimh.info O mercado de dispositivos portáteis tem crescido muito nos últimos anos, o que os tornou parte importante da vida da população. Porém, a interação do ainda é baseada em teclados pequenos e de processamento desses dispositivos, eles agora conseguem executar pesados aplicativos como navegadores de internet e manipuladores de imagens, os quais se beneficiariam bastante de novas . Este trabalho propõe um sistema de para dispositivos portáteis através do rastreamento da mão baseado em Visão Computacional. Os resultados obtidos demonstram que este sistema apresenta uma boa taxa de processamento, bem como é invariante à rotação da mão e consegue reconhecer todos os gestos propostos. Dispositivos Portáteis, Sistemas de Image processing and computer vision: O mercado dos dispositivos portáteis, como os telefones , tem tido um grande crescimento nos últimos anos. Tanto a diminuição dos custos e do quanto o aumento da capacidade de processamento e armazenamento ajudaram a tornar este tipo de dispositivo mais popular, fazendo deles parte maioria da população. A cada geração são desenvolvidos dispositivos cada vez menores e com maior poder computacional, como visto na Figura 1. Evolução dos celulares. Apesar do avanço significativo na performance e nas capacidades dos dispositivos portáteis, as interfaces com os usuários ainda são largamente baseadas no conjunto pequena e teclado. O uso pode às vezes ser incômodo, pois o número de botões é limitado e deve-se pressionar as teclas várias vezes para se obter o resultado desejado [13 suficiente para modos mais simples de interação, como originar e receber chamadas telefônicas; aplicações mais complexas exigem técnicas de interação mais intuitivas Por causa do seu aumento de capacidade computacional, os dispositivos portáteis são agora capazes de processar aplicações que antes somente plataformas de maior poder computacional, como os Computadores Pessoais (PCs) e gráficos como jogos, navegadores de internet e manipuladores de imagens são cada vez mais comuns em dispositivos portáteis. Muitas dess beneficiar largamente da presença de um dispositivo de entrada mais intuitivo [28]. Nas últimas décadas tem havido uma pesquisa muito intensa para o desenvolvimento de novas formas de interação com dispositivos portáteis, com vários tecnologias sendo propostas, tais como telas de toque, reconhecimento de voz e sensores de movimento como visto na Figura 2. Permission to make digital or hard copies of all or part of this work for classroom use is granted without fee provided that copies are not made or distributed for profit or commercial advantage and that copies bear this notice and the full citation on the first page. To copy otherwise, istribute to lists, requires prior 9, 2009, Boston, Massachusetts, USA. 7/09/04...$5.00. Sistema de Rastreamento da Mão Humana Utilizando para Aplicações Embarcadas , Paulo César Cortez, Rodrigo C. S. Costa, Antônio C. da S. Barros Federal do Ceará - UFC Fortaleza - CE carlos@gimh.info . Evolução dos celulares. Apesar do avanço significativo na performance e nas capacidades dos dispositivos portáteis, as interfaces com os usuários ainda são largamente baseadas no conjunto tela pequena e teclado. O uso de teclados não-ergonômicos pode às vezes ser incômodo, pois o número de botões é se pressionar as teclas várias vezes para se [13]. Esse tipo de abordagem é suficiente para modos mais simples de interação, como riginar e receber chamadas telefônicas; aplicações mais complexas exigem técnicas de interação mais intuitivas [3]. Por causa do seu aumento de capacidade computacional, os dispositivos portáteis são agora capazes de processar aplicações que antes somente eram possíveis em plataformas de maior poder computacional, como os Computadores Pessoais (PCs) e notebooks. Aplicativos gráficos como jogos, navegadores de internet e manipuladores de imagens são cada vez mais comuns em dispositivos portáteis. Muitas dessas aplicações podem se beneficiar largamente da presença de um dispositivo de Nas últimas décadas tem havido uma pesquisa muito intensa para o desenvolvimento de novas formas de interação com dispositivos portáteis, com vários tipos de tecnologias sendo propostas, tais como telas de toque, reconhecimento de voz e sensores de movimento [15], Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 9
  • 16.
    Figura 2. Exemplosde novas formas de interação com dispositivos portáteis: (a) Exemplo de utilização através de tela de toque. (b) Exemplo de utilização através de sensor de movimento. Contudo, essas soluções apresentam várias limitações. Com as caras telas de toque é necessário que o usuário opere o aparelho com ambas as mãos. O reconhecimento de voz peca às vezes pela falta de confiabilidade. Já para os sensores de movimento, precisa-se da inclusão de hardware extra no dispositivo móvel, o que acarreta em um acréscimo no custo do aparelho [12]. Hoje em dia câmeras digitais de baixa resolução vêm integradas à maioria dos dispositivos portáteis produzidos com o objetivo de obter-se fotografias e vídeos [25]. Dessa forma é interessante o desenvolvimento de formas de interação com dispositivos móveis baseados em Visão Computacional, os quais não sofrem das limitações apresentadas anteriormente e utilizam as câmeras já embutidas nos aparelhos, evitando aumento de custo do produto pela adição de hardware extra [1]. Com a capacidade de processamento atual dos dispositivos portáteis, é possível processar as imagens capturadas pelo aparelho e oferecer novas formas de interação ao usuário através de técnicas de detecção de movimento, detecção de cores e reconhecimento de gestos, dentre outras [2]. Dentre as formas de interação citadas anteriormente, a área de reconhecimento de gestos e rastreamento da mão humana tem sido bastante pesquisada nos últimos anos para o desenvolvimento de aplicações para computadores pessoais [26, 8, 18] e recentemente também tem sido estudada para o desenvolvimento de interações com dispositivos portáteis [12, 10, 27]. O objetivo geral deste trabalho é descrever o desenvolvimento de um sistema de rastreamento da mão humana, possibilitando o uso da câmera como dispositivo sensor para interação com sistemas embarcados. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Esta seção descreve alguns fundamentos da área de processamento de imagens necessários para um melhor entendimento deste trabalho e também descreve as etapas que constituem um sistema de Visão Computacional. Figura 3. Etapas constituintes de um Sistema de Visão Computacional. Um sistema de Visão Computacional é composto pelas etapas mostradas na Figura 3, descritas em maiores detalhes a seguir. A etapa de aquisição consiste na captura das imagens por um elemento sensor, gerando uma matriz com valores discretos à qual podem ser aplicadas diversas operações. O processo de aquisição pode ser realizado através de uma ampla gama de dispositivos, tais como webcams, câmeras de infra-vermelho, câmeras digitais, dentre outros [11]. As imagens fornecidas pelos dispositivos sensores citados na seção anterior tendem a apresentar uma degradação da sua qualidade pela introdução de ruído, deformação geométrica ou borramento devido ao movimento do objeto. A etapa de pré-processamento consiste na aplicação de métodos para melhorar a qualidade da imagem e reduzir as degradações introduzidas pelos elementos sensores [24]. A etapa de pré-processamento pode se dar através de dois tipos de técnicas: restauração e realce. As técnicas de restauração preocupam-se principalmente com a reconstrução ou recuperação de uma imagem que foi degradada e um conhecimento prévio sobre o fenômeno de degradação pode ser utilizado para este propósito. As técnicas de realce melhoram a qualidade subjetiva das imagens aguçando certos atributos delas, tais como bordas e contraste, e reduzindo o ruído [11]. Tanto as operações de restauração quanto as de realce podem ser vistas como filtros digitais bidimensionais. Dentre as diversas técnicas disponíveis na literatura, uma das técnicas de restauração no domínio espacial mais utilizada é a aplicação do filtro da média, o qual consiste em uma janela deslizante de tamanho 2N+1 x 2N+1, em que o pixel (x,y) da imagem (I) em que a janela está centrada é substituído na imagem filtrada (J) através de: , = ∑ ∑ + , + (2) A segmentação de uma imagem consiste em dividí-la em um certo número de regiões, em que cada região tem um alto grau de uniformidade em algum parâmetro específico, tal como brilho, cor, textura ou mesmo movimento [7]. O nível de detalhes no qual essa sub-divisão da imagem se baseia depende do problema a ser resolvido. A acurácia da Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 10
  • 17.
    Figura 4. Exemploda aplicação do processo de limiarização sobre um histograma. segmentação determina o eventual sucesso ou fracasso do sistema de processamento de imagens, de forma que deve- se dedicar considerável cuidado para aumentar a probabilidade de segmentação correta [11]. Dentre as diversas técnicas de segmentação existentes, a limiarização é muito utilizada na literatura devido às suas propriedades intuitivas, facilidade de implementação e baixo custo computacional [11]. O funcionamento deste método pode ser entendido através da Figura 4. Considere o histograma da Figura 4 como correspondendo ao histograma de uma imagem qualquer, composta de objetos claros e um fundo escuro. Uma maneira fácil de extrair os objetos do fundo é selecionar um limiar T que separe os dois agrupamentos. Assim, qualquer ponto (x,y) na imagem tal que f(x,y) T é chamado de um ponto do objeto; caso contrário, o ponto é chamado de ponto do fundo [8]. Dessa forma, a imagem segmentada g(x,y) é dada por: , = 1, , ≥ 0, , (3) Após a segmentação de uma imagem em suas regiões componentes, o conjunto resultante de pixels deve ser representado e descrito de forma adequada para o processamento computacional subsequente. Basicamente, a representação de uma região pode ser realizada de duas maneiras: a primeira é representar a região em termos de suas características externas (seu contorno); a segunda é representar a região em termos de suas características internas (os pixels que compreendem a região) [11]. Escolhe-se uma representação externa quando o foco principal do problema reside nas características da forma, tais como cantos e inflexões. A representação interna é escolhida quando se deseja observar as propriedades locais do objeto, tais como cor e textura [21]. Na categoria de representação externa, o algoritmo de código em cadeia é uma abordagem muito utilizada. Uma região geralmente descreve um conteúdo (ou pontos internos) rodeado por uma borda, chamada de contorno. Um ponto é definido como estando no contorno se ele faz parte da região e se há pelo menos um pixel na sua vizinhança que não é parte da região [22]. Figura 5. Principais tipos de análise de conectividade: (a) conectividade-4; (b) conectividade-8. Figura 6. Conectividade no código em cadeia. Dessa forma, o código em cadeia é formado concatenando- se o número que designa a direção do próximo pixel. Isto é repetido para cada ponto do contorno até se alcançar o ponto inicial [24]. O código em cadeia pode ser realizado com base em conectividades do tipo 4 e 8 (como visto na Figura 5). As direções tanto na conectividade-4 que na conectividade-8 podem ser atribuídas como mostrado na Figura 6. Após o processo de representação de um objeto, a tarefa seguinte é a de descrição ou seleção de atributos, de forma a extrair atributos dos dados representados que resultem em alguma informação quantitativa de interesse ou que sejam básicos para diferenciar uma classe de objetos de outra; essa diferenciação ocorre na fase seguinte de reconhecimento [14]. De modo a terem utilidade para a etapa de reconhecimento, os descritores selecionados devem possuir um conjunto de importantes propriedades: dois objetos devem ter os mesmos descritores apenas se eles tiverem as mesmas características; objetos similares devem ter descritores com valores similares; os descritores devem ser invariantes a mudanças no objeto como escala, rotação, translação e perspectiva; e os descritores devem representar a essência de um objeto de forma eficiente, contendo informações apenas sobre o que torna aquela objeto único ou diferente dos outros objetos [22]. A partir da representação do contorno originada pelo código em cadeia, um descritor que pode-se extrair dele são os seus pontos críticos. Pontos críticos ou cantos são pontos muito importantes de um objeto, visto que a informação sobre uma forma se concentra em seus cantos [20]. Pontos Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 11
  • 18.
    críticos são definidoscomo pontos em que a linha do contorno da região apresenta uma variação brusca na sua direção, ou seja, é um ponto com alto valor de amplitude no sinal de curvatura [23]. A curvatura k(t) de uma curva paramétrica c(t) = (x(t), y(t)) é definida como: = !#!#!! !$%!$ $ ' (4) Fica claro pela equação que para estimar a curvatura é necessário o cálculo das derivadas de x(t) e y(t). Devido ao fato do contorno ter natureza discreta (ou seja, espacialmente amostrado) o cálculo das derivadas se torna um problema computacional, dificultando a utilização direta desta fórmula [6]. Uma abordagem básica que evita o cálculo da fórmula é a definição de medidas de curvatura alternativas baseadas nos ângulos entre vetores definidos em termos dos elementos discretos do contorno. Considere c(n) = (x(n), y(n)) como sendo uma curva discreta. Os seguintes vetores podem ser definidos [6]: () = ) − ) − , ) − ) − (5) +) = ) − ) + , ) − ) + (6) Esses vetores são definidos entre o atual ponto do contorno e os vizinhos para a direita e para a esquerda, como mostrado na Figura 7. O modelo digital de pontos de alta curvatura proposto por Johnston e Rosenfeld (1973) [17] é definido pela seguinte equação: ,) = -./0./ ||-./||||0./|| (7) em que ,) é o cosseno do ângulo entre os vetores () e +). Dessa forma, temos que −1 ≤ ,) ≤ 1, com ,) = −1 para linhas retas e ,) = 1 quando o ângulo se torna 0° (o menor ângulo possível). Neste sentido, ,) pode ser utilizado como uma medida capaz de localizar pontos de curvatura alta, ou seja, maiores que um certo limiar. Finalmente, a etapa de reconhecimento consiste do processo de atribuir um rótulo para um objeto baseado em seus descritores [11]. Figura 7. Indicação da curvatura baseada no ângulo. METODOLOGIA Nesta seção são apresentados, inicialmente, os equipamentos e os ambientes de simulação e desenvolvimento utilizados neste trabalho e, em seguida, o algoritmo de interação proposto. Equipamentos Utilizados No desenvolvimento deste trabalho os algoritmos são inicialmente desenvolvidos em um Computador Pessoal (PC) e, em seguida, adaptados e embarcados em um dispositivo portátil. Os equipamentos utilizados no desenvolvimento deste trabalho são resumidamente descritos na Tabela 1. Para a realização dos experimentos foram utilizados um PC e um aparelho celular. O computador possui como acessório uma câmera Microsoft NX-3000. O aparelho celular não possui Unidade de Ponto Flutuante (FPU). Todos os cálculos em ponto flutuante são feitos através de software no processador de ponto fixo (inteiro). O uso de ponto flutuante aumenta o custo computacional, necessitando a adaptação do código para ponto fixo. Simulação As simulações realizadas seguem a estrutura ilustrada na Figura 8. O primeiro passo, a aquisição, é realizado pelo pacote de aquisição de imagens presentes no Simulink. O último passo, a exibição dos resultados, é realizado pelo pacote de processamento de vídeo e imagens do Simulink, Computador Pessoal Telefone Celular Fabricante IBM Samsung Modelo MT-M 8212-G4P SGH-A706 Processador Intel Pentium D ARM9 à 143MHz RAM 2GB - OS Windows XP com SP2 Qualcomm REX Câmera 1.3 MPix Microsoft NX-3000 2MPix Tabela 1. Equipamentos utilizados no desenvolvimento do trabalho. Figura 8. Etapas na simulação do processo de Visão Computacional. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 12
  • 19.
    exibindo no monitorou salvando em arquivo a saída do sistema. Os processamentos intermediários são implementados utilizando os blocos padrões de operações diversas Desenvolvimento O diagrama da implementação em C ANSI dos métodos de interação baseados em visão é mostrado na Figura 9. Nesta figura, as setas representam o acesso de informações. Os algoritmos de VC desenvolvidos neste trabalho possuem um acesso indireto ao hardware, devido à necessidade de utilização do método proposto em várias plataformas (Windows e REX). Os códigos desenvolvidos são implementados em C ANSI e utilizam apenas comandos presentes nas bibliotecas padrões. Após as simulações, os algoritmos são implementados em C ANSI e em seguida embarcados e testados no dispositivo portátil. Para cada plataforma, é desenvolvido um conjunto de comandos de acesso ao meio físico dependente de cada plataforma. Por exemplo, para os testes realizados no PC, a interface de acesso ao hardware da câmera é feita utilizando comandos existentes na Interface de Programação de Aplicativos (API) do OpenCV que, ao fim do processamento, converte os frames adquiridos em um vetor em ponto fixo (inteiro) [16]. Para testar os algoritmos, foi desenvolvida uma aplicação em C++ que realiza a execução do código. Esta aplicação inicia os algoritmos de rastreamento da mão e entra em um laço que adquire um frame da câmera, executa o algoritmo proposto e exibe os resultados até que uma tecla seja pressionada. Após sair do laço, a aplicação fecha os algoritmos de VC. No ambiente REX, os algoritmo são compilados em C ANSI e enviados para o grupo de desenvolvedores do Samsung Instituto de Desenvolvimento para Informática (SIDI). Os desenvolvedores implementaram a interface de acesso ao hardware e integram o algoritmo em uma aplicação nativa do sistema operacional, deixando disponível o conjunto de algoritmos para serem testados e avaliados. Figura 9. Diagrama da implementação em C dos algoritmos. Método Proposto de Interação para Dispositivos Portáteis Este trabalho propõe um método com baixo esforço computacional capaz de identificar um conjunto de gestos padronizados para formar um sistema de interação com dispositivos portáteis através do rastreamento da mão humana. O sistema proposto segue o processo de um Sistema de Visão Computacional descrito na seção de Fundamentação Teórica. A seguir são detalhadas as técnicas utilizadas em cada uma das etapas que formam o sistema proposto. A etapa de aquisição do método proposto é realizada pela câmera embutida do dispositivo móvel. A imagem fornecida pelo telefone celular para a realização dos testes encontra-se no espaço de cores YCbCr. Para a realização da etapa de pré-processamento foi escolhida a aplicação do Filtro da Média sobre a imagem adquirida pela câmera. O objetivo com isso é atenuar o ruído presente na imagem, de forma a melhorar a etapa seguinte de segmentação. Vários testes foram realizados e foi observado que a utilização de uma janela 5x5 para o Filtro da Média apresenta o melhor equilíbrio entre custo computacional e desempenho de filtragem. O objetivo da etapa de segmentação é identificar a região da imagem filtrada que corresponde à mão do usuário. Para realizar essa segmentação, é utilizada a técnica de limiarização no espaço de cores YCbCr. A técnica de limiarização foi escolhida devido ao seu baixo custo computacional. Ela é realizada no espaço de cores YCbCr para evitar o processo de conversão da imagem para outros espaços de cores, o que acarretaria em processamento adicional. Os limiares utilizados para a segmentação da pele são propostos por Chai e Ngan (1999) [4], em que são classificados como pele os pixels da imagem cujas intensidades se encontrem na faixa de valores 77 a 127 para o canal Cb e na faixa de valores 133 a 173 para o canal Cr. O restante dos pixels da imagem é classificado como sendo fundo da imagem. O processo de limiarização de pele utilizado pode ser representado pela seguinte expressão: , = 1, 77 45 127 8 133 4, 173 0, :;= :=),á, = (7) onde g(x,y) é a imagem segmentada e Cb e Cr são os valores nos canais Cb e Cr, respectivamente, dos pixels (x,y) da imagem filtrada. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 13
  • 20.
    Figura 10. (a)Imagem filtrada na etapa anterior de pré- processamento. (b) Imagem segmentada de acordo com a equação 7. Na Figura 10 é representado o processo de limiarização. Na Figura 10(a) é mostrada a imagem filtrada obtida na etapa anterior, composta da mão do usuário, um objeto circular de cor semelhante à da pele e um fundo cinza. Na Figura 10(b) é mostrado o resultado da limiarização, com a mão e o objeto circular tendo sido segmentados. Para a representação dos dados da imagem segmentada na etapa anterior, utiliza-se a representação através do algoritmo de código em cadeia, a qual é uma representação baseada no contorno do objeto, visto que se deseja obter informações sobre as inflexões deste contorno para identificar as pontas dos dedos da mão usuário. O primeiro passo é a extração do contorno. Um ponto P é definido como um ponto de contorno (c(x,y) = 1) quando este é um ponto de fundo (g(x,y) = 0) e pelo menos um ponto do objeto de interesse pertence à sua vizinhança g(x,y) = 1. Na Figura 11(a) é mostrada a imagem segmentada obtida na etapa anterior e na Figura 11(b) é mostrada o resultado da extração do contorno da imagem. O algoritmo de código em cadeia é então aplicado sobre a imagem do contorno. Descarta-se os menores contornos da imagem e preserva-se apenas o maior contorno encontrado pelo código em cadeia, armazenando-se as suas coordenadas x e y. Na Figura 12(a) é mostrado a imagem de contorno obtida na etapa anterior e na Figura 12(b) é mostrado o resultado da aplicação do algoritmo de código em cadeia na imagem do contorno, em que restou apenas o maior contorno (o contorno da mão) e foi descartado o menor contorno (o contorno do objeto circular). Figura 11. (a) Imagem segmentada na etapa anterior do sistema. (b) Imagem com o contorno extraído das regiões segmentadas da imagem. Figura 12. (a) Imagem do contorno obtida anteriormente. (b) Imagem com o maior contorno armazenado na lista encadeada gerada pelo algoritmo de código em cadeia. Para a descrição dos dados representados, utiliza-se como atributos a curvatura e os pontos críticos do contorno da mão do usuário, os quais podem ser utilizados para localizar as pontas dos dedos da mão, como proposto no trabalho de Leal et al. (2009) [19]. O cálculo da curvatura é realizado sobre o contorno da região da mão seguindo a abordagem mostrada na seção de Fundamentação Teórica. Na Figura 13(a) é mostrado o contorno representado pela lista do algoritmo de código em cadeia. Na Figura 13(b) são mostradas em cor cinza escuro as regiões de alta curvatura encontradas, que correspondem às regiões ao redor das pontas dos dedos e dos vales entre os dedos da mão. Dentro de cada uma dessas regiões de alta curvatura, seleciona-se o ponto central de cada uma delas como sendo o ponto crítico representado a ponta dos dedos e dos vales. Apenas as pontas dos dedos são interessantes para o método, por isso deve-se eliminar os pontos críticos que representam os vales. Isso é feito identificando o ponto médio do segmento de reta formado pelos dois pontos extremos da região de alta curvatura. Caso esse ponto se encontre sobre uma região de pele, o ponto crítico corresponde a uma ponta de dedo. Caso contrário, o ponto crítico corresponde a um vale e é descartado do processamento. O resultado dessa etapa de descrição é representado na Figura 14. Na Figura 14(a) são mostradas as regiões de alta curvatura encontradas e na Figura 14(b) os pontos críticos definidos a partir dessas regiões de alta curvatura, os quais correspondem às pontas dos dedos da mão do usuário. Figura 13. (a) Imagem com o maior contorno da imagem. (b) Imagem com as regiões de alta curvatura do contorno em cinza escuro. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 14
  • 21.
    Figura 14. (a)Imagem com as regiões de alta curvatura do contorno em cinza escuro. (b) Imagem com os pontos críticos (pontas dos dedos) do contorno localizados. A etapa de reconhecimento consiste em que o usuário está realizando para a câmera. O sistema desenvolvido reconhece gestos para seis ações pré definidas: Apontamento (Figura 15(a)), 15(b)), Zoom-out (Figura 15(c)), Rotação Horária (Figura 15(d)), Rotação Anti-Horária (Figura (Figura 15(f)). O fluxograma do processo de reconhecimento é mostrado na Figura 16 Primeiramente o sistema verifica a quantidade de pontas de dedos identificados na etapa anterior de descrição. Caso o número de dedos reconhecidos seja igual a 1, o sistema identifica o gesto do usuário como sendo de apontamento e armazena a posição x-y da ponta de dedo encontrada. Caso o número de dedos reconhecidos seja igual a 2, o sistema pode identificar dois tipos de gestos: gesto p ação de zoom ou de rotação. Para diferenciar entre os dois, verifica-se o ângulo da reta formada pelas pontas dos dois dedos reconhecidos. Caso o ângulo da reta formada pelas pontas dos dedos seja de aproximadamente 90°, o sistema identifica o gesto realizado como sendo de zoom. Caso o ângulo seja de aproximadamente 45° ou 125°, o sistema identifica o gesto realizado como sendo de rotação. Caso o ângulo assuma quaisquer outros valores, o sistema identifica o gesto como sendo inválido. Caso o gesto realizado seja de zoom, deve referente a zoom in ou zoom out. Isso é feito calculando o tamanho do segmento de reta formado pelas pontas dos dois dedos do usuário. Se essa distância for maior que um certo limiar, o gesto é de zoom in; se essa distância for menor que um certo limiar, o gesto é de Caso o gesto realizado seja de rotação, deve se ele é referente à rotação horária ou anti feito verificando-se o ângulo da reta formada pelas pontas dos dois dedos do usuário. Caso o ângulo seja de aproximadamente 45°, o gesto é de rotação horária; caso o ângulo seja de aproximadamente 125°, o gesto é de anti-horária. Caso o número de dedos reconhecidos seja igual a 3, o sistema identifica o gesto como sendo de Arrastar e armazena a coordenada da ponta do dedo central. (a) Imagem com as regiões de alta curvatura do contorno em cinza escuro. (b) Imagem com os pontos críticos (pontas dos dedos) do contorno localizados. em identificar o gesto que o usuário está realizando para a câmera. O sistema desenvolvido reconhece gestos para seis ações pré- ), Zoom-in (Figura ), Rotação Horária (Figura Horária (Figura 15(e)) e Arrastar ). O fluxograma do processo de 6. Primeiramente o sistema verifica a quantidade de pontas de dedos identificados na etapa anterior de descrição. Caso o econhecidos seja igual a 1, o sistema identifica o gesto do usuário como sendo de apontamento e y da ponta de dedo encontrada. Caso o número de dedos reconhecidos seja igual a 2, o sistema pode identificar dois tipos de gestos: gesto para a ou de rotação. Para diferenciar entre os dois, se o ângulo da reta formada pelas pontas dos dois Caso o ângulo da reta formada pelas pontas dos dedos seja de aproximadamente 90°, o sistema identifica o gesto . Caso o ângulo seja de aproximadamente 45° ou 125°, o sistema identifica o gesto realizado como sendo de rotação. Caso o ângulo assuma quaisquer outros valores, o sistema identifica o gesto como , deve-se identificar se é . Isso é feito calculando-se o tamanho do segmento de reta formado pelas pontas dos dois dedos do usuário. Se essa distância for maior que um se essa distância for menor que um certo limiar, o gesto é de zoom out. Caso o gesto realizado seja de rotação, deve-se identificar rotação horária ou anti-horária. Isso é se o ângulo da reta formada pelas pontas dos dois dedos do usuário. Caso o ângulo seja de aproximadamente 45°, o gesto é de rotação horária; caso o ângulo seja de aproximadamente 125°, o gesto é de rotação Caso o número de dedos reconhecidos seja igual a 3, o sistema identifica o gesto como sendo de Arrastar e armazena a coordenada da ponta do dedo central. Caso o Figura 15. Gestos suportados pelo sistema. (a) Gesto de ação de apontamento. (b) Gesto de ação de ação de zoom out. (d) Gesto de ação de rotação horária. (e) Gesto de ação de rotação anti arrastar. Figura 16. Fluxograma do processo de reconhecimento dos gestos. número de dedos reconhecidos seja algum outro que não 1,2 ou 3, o sistema não reconhece nenhum gesto válido. O método de interação para dispositivos portáteis baseado em rastreamento da mão descrito no sistema proposto no trabalho Formas de Avaliação O algoritmo proposto neste trabalho será avaliado em três critérios distintos: custo computacional, quantidade de Gestos suportados pelo sistema. (a) Gesto de ação apontamento. (b) Gesto de ação de zoom in. (c) Gesto de . (d) Gesto de ação de rotação horária. (e) Gesto de ação de rotação anti-horária. (f) Gesto de ação de arrastar. Fluxograma do processo de reconhecimento dos gestos. número de dedos reconhecidos seja algum outro que não 1,2 ou 3, o sistema não reconhece nenhum gesto válido. para dispositivos portáteis baseado em rastreamento da mão descrito neste trabalho é baseado no sistema proposto no trabalho de Cortez et al. (2008) [5]. O algoritmo proposto neste trabalho será avaliado em três : custo computacional, quantidade de Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 15
  • 22.
    gestos reconhecidos einvariância à rotação no gesto de apontamento. RESULTADOS Nesta seção são descritos os resultados e as avaliações da realização deste trabalho de acordo com as formas de avaliação descritas na seção anterior. Resultados da Implementação do Método Proposto O resultado do reconhecimento realizado pelo sistema proposto dos gestos é mostrado na Figura 17. Para cada item da Figura, tem-se à direita a imagem obtida pela câmera do dispositivo móvel e tem-se à esquerda a imagem segmentada com o contorno rastreado em vermelho, as regiões de alta curvatura encontradas em amarelo e as pontas de dedo localizadas em verde. Pequenos ícones também são mostrados no canto inferior esquerdo de cada imagem segmentada indicando o gesto que foi reconhecido: o desenho de uma seta surge quando o gesto reconhecido é de Apontamento; o desenho de setas se expandindo surge quando o gesto reconhecido é de Zoom In; o desenho de setas se retraindo surge quando o gesto reconhecido é de Zoom Out; o desenho de setas em rotação horária surge quando o gesto reconhecido é de Rotação Horária; o desenho de setas em rotação anti-horária surge quando o gesto reconhecido é de Rotação Anti-Horária; e, Figura 17. Resultado do reconhecimento dos gestos suportados pelo sistema. (a) Resultado do reconhecimento do gesto de apontamento. (b) Resultado do reconhecimento do gesto de zoom in. (c) Resultado do reconhecimento do gesto de zoom out. (d) Resultado do reconhecimento do gesto de rotação horária. (e) Resultado do reconhecimento do gesto de rotação anti-horária. (f) Resultado do reconhecimento do gesto de arrastar. Método Proposto Tempo Médio 14,60 ms Tempo Máximo 19 ms Tempo Mínimo 13 ms Variância 2,513 Tabela 2. Tempo de processamento médio, máximo e mínimo, em milisegundos, e a variância para o método proposto. Método Quantidade de Gestos Método Proposto 6 Tabela 3. Quantidade de gestos reconhecidos pelo método proposto. finalmente, o desenho de um quadrado sendo arrastado surge quando o gesto reconhecido é de Arrastar. Custo Computacional Os tempos de processamento, em milissegundos, médio, máximo, mínimo e a variância dos tempos de processamento do método proposto são apresentados na Tabela 2. Quantidade de Gestos Reconhecidos A quantidade de gestos reconhecidos pelo método é mostrada na Tabela 3. O método proposto consegue reconhecer até seis gestos diferentes (apontamento, zoom in, zoom out, rotação horária, rotação anti-horária e arrastar). Com um maior número de gestos reconhecidos, mais ações podem ser associadas a ele. Invariância à Rotação para o Gesto de Apontamento O reconhecimento do gesto de apontamento é mostrado na Figura 18 sob diferentes ângulos de rotação da mão em relação à câmera. Um marcador verde em forma de cruz indica a localização da ponta do dedo reconhecida. Figura 18. Rastreamento da ponta do dedo sob diferentes ângulos re rotação da mão em relação à câmera. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 16
  • 23.
    Percebe-se pelas imagensque, independente do ângulo de rotação da mão em relação à câmera, o método consegue localizar a ponta do dedo da mão do usuário (em todas as imagens, o marcador aparece na ponta do dedo do usuário). Isso se deve ao fato da escolha dos pontos críticos do contorno como descritores da mão, visto que eles são descritores invariantes à rotação. CONCLUSÕES Neste trabalho foi apresentado um sistema de interação com dispositivos portáteis baseado em técnicas de Visão Computacional para rastreamento da mão humana. Nos testes realizados até o momento o sistema apresentou um comportamento dentro da expectativa, tendo conseguido identificar os gestos propostos com um tempo de processamento relativamente baixo. Foi mostrado também que o rastreamento da ponta do dedo para o gesto de apontamento é invariante à rotação da mão em relação à câmera. Como perspectivas futuras, têm-se a comparação do método proposto com outros algoritmos de rastreamento da mão para dispositivos portáteis existentes na literatura de modo a validar seus resultados, bem como a definição de outras formas de avaliação do seu desempenho. AGRADECIMENTOS Os autores gostariam de agradecer ao LESC - Laboratório de Engenharia de Sistemas de Computação -, ao DETI - Departamento de Engenharia de Teleinformática - e à CAPES - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - pelo apoio financeiro e pelo fornecimento das condições materiais necessárias para o desenvolvimento deste trabalho. REFERÊNCIAS 1. Banard, M., Hannuksela, J., Sangi, P., Heikkilä, J. A vision based motion interface for mobile phones. In The 5th International Conference on Computer Vision Systems, v. 108, p. 188-195, 2007. 2. Campo, C., Navarrete, C., Garcia-Rubio, C. Performance evaluation of J2ME and Symbian applications in smart camera phones. In International Conference on Consumer Electronics, 1-2, 2007. 3. Capin, T., Haro, A., Wilkson, S. Camera-based virtual environment interaction on mobile devices. In Lecture Notes in Computer Science, 4263, 765-773, Germany, 2006. 4. Chai, D., Ngan, K. N. Face segmentation using skin- color map in videophone applications. In IEEE Transactions on Circuits and Systems for Video Technology, 9(4), 1999. 5. Cortez, P. C., Costa, R. C. S., Soares, J. M., Siqueira, R. da S., Leite Neto, C. F., Freitas, R. F., Barros, A. C. da S., Ribeiro, F. C. Sistema de Reconhecimento de Gestos da Mão Utilizando Visão Artificial Aplicado à Interação com Dispositivos Portáteis. Patente PI 0805755-9, depositada em 18/02/2008. 6. Costa, L. da F., César, R. M. Shape Analysis and Classification: Theory and Practice, CRC Press, 2001. 7. Davies, E. R. Machine Vision: Theory, Algorithms, Practicalities, 3rd edition, Morgan Kauffman Publishers Inc, San Francisco, CA, USA, 2004. 8. Dorfmuller-Ulhaas, K., Schmalstieg, D. Finger tracking for interaction in augmented environments. In Proc. IEEE and ACM International Symposium on Augmented Reality, p. 55, 2001. 9. Freitas, R. F., Costa, R. C. S., Barros, A. C. da S., Siqueira, R. da S., Cortez, P. C., Soares, J. M. Algoritmos para segmentação da pele utilizando modelos de cores RGB em ambiente Matlab/Simulink, Conexões: Ciência e Tecnologia, 1, 65-71, 2007. 10.Gallo, O., Arteaga, S. M., Davis, J. E. A camera-based poiting interface for móbile devices. In 15th IEEE International Conference on Image Processing, 1420- 1423, 2008. 11.Gonzalez, R. C., Woods, R. E. Digital Image Processing. Pearson Prentice Hall, New Jersey, USA, 2008. 12.Hannuksela, J., Sangi, P., Heikkilä, J. Motion-based finger tracking for user interaction with mobile devices. In Proc. 4th European Conference on Visual Media Production, 2007. 13.Hannuksela, J., Sangi, P., Heikkilä, J. Vision-based motion estimation for interaction with mobile devices. In Computer Vision and Image Understanding, 108, 188-195, 2007. 14.Higashimo, W. A. Estudo comparativo de algoritmos de subtração de fundo em sequência de imagens. Dissertação, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2006. 15.Hinckley, K., Pierce, J., Sinclair, M., Horvitz, E. Sensing techniques for mobile interaction. In Proc. 13th Annual ACM Symposium on User Interface, Software and Technology, 91-100, 2000. 16.Intel. Open source computer vision library: reference manual. Estados Unidos, 2000. 17.Johnston, E., Rosenfeld, A. Angle detection on digital curves, In IEEE Trans, 875-878, 1973. 18.Koike, H., Sato, Y., Kobayashi, Y. Integration paper and digital information on enhanced desk: a method for real time finger tracking on an augmented desk system. In ACM Transactions on Computer-Human Interaction, 8(4), 307-322, 2001. 19.Leal, F. R. M., Barros, A. C. da S., Freitas, R. F., Costa, R. C. S., Cortez, P. C., Soares, J. M., Espinosa, M. G. L. Estudo comparativo de formas de representação da mão humana para o reconhecimento de gestos baseado em redes neurais artificiais, momentos de Hu e atributos de forma. In XVIII Seminário de Computação, 18, 2009. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 17
  • 24.
    20.Masood, A., Sarfraz,M. Corner detection by sliding rectangles along planar curves. In Computer Graphic- UK, 31, 440-448, 2007. 21.Moeslund, T., Granum, E. A survey of computer vision based human motion capture. In Computer Vision and Image Understanding, 81(3), 231-268, 2001. 22.Nixon, M., Aguado, A. Feature Extraction Image Processing, 1st edition, Elsevier, UK, 2002. 23.Paula Junior, I. C. de. Abordagem wavelet para detecção de cantos em formas. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2007. 24.Pitas, I. Digital Image Processing: Algorithms and Applications, 1st edition, John Wiley Sons, Inc., New York, NY, USA, 2000. 25.Pressman, R. S. Engenharia de Software, 6th edition, McGraw-Hill, 2006. 26.Truyenque, M. A. Q. Uma aplicação de visão computacional que utiliza gestos da mão para interagir com o computador. Dissertação (Mestrado) – Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2005. 27.Tsang, W. M., Pun, K. A finger-tracking virtual mouse realized in an embedded system. In Proc. International Symposium on Intelligent Signal Processing and Communication Systems, 781-7784, 2005. 28.Wang, J., Zhai, S., Canny, J. Camera phone based motion sensing: Interaction techniques, applications and performance study. In Proc. UIST ’06, ACM, 101-110, 2006. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 18
  • 25.
    Virtual Wheel: Propostade Um Método de Interação Gestual para Jogos de Corrida Rodrigo Fernandes Freitas, Paulo César Cortez, Rodrigo C. S. Costa, Antônio C. da S. Barros Laboratório de Engenharia de Sistemas de Computação, Universidade Federal do Ceará - UFC Campus do Pici S/N, Bloco 723, Cx. Postal 6015, CEP 60455-970 – Fortaleza - CE rodrigo@gihm.info, cortez@gihm.info, rodcosta@gimh.info, carlos@gimh.info RESUMO A indústria de jogos eletrônicos ou video games é hoje uma das maiores indústrias do mundo, com lucros anuais da ordem de dezoito bilhões de dólares. Tradicionalmente, a forma de interação do ser humano com os video games é realizada através de dispositivos físicos como joysticks, mouse e teclado. Contudo, existe uma tendência de mercado em criar formas mais intuitivas para realizar esta interação, como por exemplo através de métodos de visão computacional. Este artigo apresenta o Virtual Wheel, um método de reconhecimento de gestos para interação com jogos de corrida. O método proposto consiste na localização e reconhecimento das mãos do usuário, o qual simula o uso de um volante real e realiza movimentos para a esquerda e a direita, além de poder acionar comandos especiais erguendo os polegares. Os resultados mostram que o sistema é possível de ser utilizado em conjunto com jogos de corrida. Author Keywords Interação por gestos, Segmentação de pele, Reconhecimento de gestos. ACM Classification Keywords I.4.9. Image processing and computer vision: Applications. INTRODUÇÃO Atualmente, a indústria de jogos eletrônicos (games) é uma das maiores do ramo de entretenimento, com lucros anuais entre 18 e 25 bilhões de dólares, e também é uma das que mais crescem, com uma taxa de crescimento de 15 a 25% por ano [7, 16]. A indústria de games também possui uma presença crescente no Brasil, com uma arrecadação de 80 milhões de reais em 2008 no país [1]. A maior parte dos jogos para computador é controlada por dispositivos de entrada convencionais como joystick, teclado e mouse. Tais jogos não permitem que o jogador faça uso de seus movimentos naturais para interagir com os mesmos, o que implica que ele deve aprender a controlá- los, ou seja, associar sequências de apertos de botões e movimentos de eixos a ações dentro do jogo [15]. Existem vários motivos para um jogador desejar mudar a forma de interação com um jogo. Usar um dispositivo de entrada diferente ou uma nova forma de interação (por exemplo, através de sons captados por um microfone ou por reconhecimento de gestos) pode tornar a experiência de jogar mais realista e divertida. Além disto, o reconhecimento de gestos é uma forma de interação mais intuitiva, podendo tornar o jogo acessível a usuários com necessidades físicas especiais [14]. Um exemplo de método de interação a partir do reconhecimento de gestos é o Kinect, produzido pela Microsoft. O Kinect consiste em uma nova tecnologia para o console Xbox 360, sem fios ou controles físicos, reconhecendo o movimento do usuário através de uma câmera especial, a ZCam. Através do processamento de vídeo é realizado o mapeamento completo do corpo, além do reconhecimento comandos de voz [12]. Sua utilização é mostrada na Figura 1. Figura 1. Kinect sendo utilizado em conjunto com um jogo de corrida. Permission to make digital or hard copies of all or part of this work for personal or classroom use is granted without fee provided that copies are not made or distributed for profit or commercial advantage and that copies bear this notice and the full citation on the first page. To copy otherwise, or republish, to post on servers or to redistribute to lists, requires prior specific permission and/or a fee. CHI 2009, April 4–9, 2009, Boston, Massachusetts, USA. Copyright 2009 ACM 978-1-60558-246-7/09/04...$5.00. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 19
  • 26.
    Figura 2. PlaystationMove da Sony em funcionamento. A Sony realiza o desenvolvimento um controle sensível a movimento, o Playstation Move, que conta com o auxílio de esferas coloridas para que seu movimento possa ser rastreado pelo Playstation Eye, a câmera do console Playstation 3 [13], como mostrado na Figura 2. No trabalho de Paula et al. (2006) [11] é proposto o Camera Kombat, jogo de luta que, através do emprego de Visão Computacional, possibilita aos usuários jogarem utilizando o próprio corpo nos combates. Através de técnicas de subtração de fundo, os jogadores são identificados, possibilitando o reconhecimento das ações realizadas por eles, como soco, chute ou esquiva, como mostrado na Figura 3. Figura 3. Camera Kombat em funcionamento, detectando os jogadores e os movimentos realizados por estes. Figura 4. Demonstração do GeFighters, com a utilização de marcadores para indicar a localização das mãos direita e esquerda. Teixeira et al. (2006) [15] propõem o GeFighters, outro jogo de luta em que o usuário utiliza seus próprios movimentos, mas diferente do Camera Kombat, o sistema é baseado em marcadores para a identificação das mãos esquerda e direita, como mostrado na Figura 4. Estes trabalhos descritos na literatura são capazes de reconhecer os movimentos do jogador e permitem a interação com os jogos de maneira bastante efetiva. Porém, eles sofrem de algumas limitações. O Kinect e o Playstation Move são dependentes da utilização de câmeras especials, a ZCam e o PlaystationEye respectivamente, restringindo seu uso aos usuários que possuam tal dispositivo de hardware, além de só poderem ser utilizados nos consoles para os quais foram desenvolvidos, o XBox 360 e o Playstation 3, respectivamente. O Camera Konbat e o GeFigthers podem ser utilizados com câmeras de vídeos comuns, no entanto o primeiro exige que o fundo permaneça estático e qualquer variação de luminosidade causará falhas na detecção dos movimentos. Já o segundo requer a existência de objetos padronizados, no caso os marcadores que indicam a mão esquerda e direita, para o reconhecimento dos movimentos. Este trabalho tem como objetivo apresentar um sistema de Visão Computacional (VC) que captura imagens através de uma webcam comum e permite ao usuário controlar um jogo de corrida qualquer através de gestos manuais. O sistema dá a impressão ao usuário de estar segurando um volante de automóvel, podendo girá-lo para a esquerda ou para a direita, similarmente ao movimento feito ao dirigir um veículo. Além disto, o sistema proposto permite o acionamento de comandos especiais através do reconhecimento dos dedos polegares, possibilitando o envio de informações, similar ao realizado pelos botões de um controle de video game. O trabalho está organizado em 5 seções. A próxima seção descreve os métodos que compõem o sistema de VC, em seguida, a metodologia proposta é descrita. Na seção 4 são descritos os resultados obtidos a partir da metodologia Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 20
  • 27.
    Figura 5. Diagramade blocos das etapas de um Sistema de Visão Artificial. proposta e, por fim, a seção 5 descreve as conclusões e as perspectivas de trabalhos futuros. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Um sistema de Visão Artificial é composto das etapas mostradas na Figura 5, as quais são detalhadas a seguir. Aquisição da Imagem A etapa de aquisição consiste da captura das imagens por um elemento sensor, gerando uma matriz com valores discretos à qual podem ser aplicadas diversas operações. A imagem adquirida pode ser representada em diversos espaços de cores, tais como YCbCr, RGB e HSV [4]. Pré-Processamento A etapa de pré-processamento consiste no processo de manipular uma imagem de modo que a imagem resultante seja mais apropriada do que a imagem original para uma aplicação específica. Ou seja, a principal meta é melhorar uma imagem em algum sentido pré-definido, de modo a recuperar uma imagem dos danos sofridos na etapa de aquisição [4]. Há uma infinidade de técnicas de pré-processamento na literatura. Uma técnica muito utilizada é a aplicação do filtro da média, o qual consiste em uma janela deslizante de tamanho 2N+1 x 2N+1, em que o pixel (x,y) da imagem (I) em que a janela está centrada é substituído na imagem filtrada (J) através de: , = ∑ ∑ + , + (1) Segmentação de Imagens Digitais O processo de segmentação de uma imagem digital consiste em subdividir uma dada imagem em regiões ou objetos com base em características destas regiões, as quais são compostas por um conjunto de pixels satisfazendo um dado critério [4]. Existem diversas técnicas capazes de segmentar um objeto em uma imagem digital. Uma das técnicas muito utilizadas é a segmentação por limiarização. Este tipo de segmentação é baseado na distribuição dos níveis de cinza da imagem e possui um baixo custo computacional [8]. A limiarização funciona através do estabelecimento de um limiar T que separa a imagem em duas regiões. Os pixels da imagem f(x,y) cujos valores são maiores que T são classificados como pontos do objeto e os pontos da imagem f(x,y) cujos valores são menores que T são classificados como fundo. Dessa forma, pode-se criar uma imagem segmentada g(x,y) em que, por exemplo, os pixels referentes ao objeto recebam um valor 1 (branco) e os pixels referentes ao fundo recebam um valor 0 (preto) [3]. O processo de limiarização pode ser então representado pela seguinte expressão: , = 1, , ≥ 0, , (2) Representação e Descrição Após a segmentação de uma imagem, o conjunto resultante de pixels deve ser representado e descrito de forma adequada para o processamento computacional subseqüente. A representação pode se dar na forma de contornos ou de regiões completas [4]. Feita a representação, vem o processo de descrição ou seleção de atributos, de forma a extrair atributos dos dados representados que resultem em alguma informação quantitativa de interesse ou que sejam básicos para diferenciar uma classe de objetos de outra [5]. Um dos algoritmos existentes para a representação é o algoritmo de elementos ou componentes conectados. Elementos conectados são um conjunto de pixels agrupados cujos valores de intensidade satisfazem um certo critério de similaridade (no caso de imagens binárias, se seus valores de intensidade são iguais). Esse algoritmo tem o objetivo de identificar e rotular todos os agrupamentos de pixels conectados presentes na imagem [4]. A Figura 6 mostra uma região com três elementos conectados. A partir da representação por elementos conectados, um atributo importante de descrição que se pode extrair é o centro de massa de um objeto. Uma das técnicas existentes para o cálculo do centro de massa de um objeto é baseada na Transformada da Distância, descrito no trabalho de Morris e Elshehry (2002) [10]. Neste trabalho, a Transformada da Distância é utilizada para calcular a posição do centro de massa da região da mão por apresentar maior robustez à presença do antebraço na imagem do que as outras técnicas de cálculo do centro de massa. Figura 6. Região com três elementos conectados. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 21
  • 28.
    No trabalho deLeal et al. (2009) algoritmo de representação e descrição para a detecção de pontos críticos da mão humana. O algoritmo consiste, na fase de representação, da aplicação de um algoritmo de código em cadeia, o qual armazena em uma lista uma sequência de segmentos conectados de modo a representar o contorno da mão. Na fase de descrição, utiliza informação do valor da curvatura dos pontos do contorno para a identificação dos pontos críticos da mão, os quais correspondem às pontas dos dedos e aos vales entre os dedos. Os pontos correspondentes aos vales entre os dedos são descartados, restando somente os pontos correspondentes às pontas dos dedos. Reconhecimento e Decisão Reconhecimento é o processo de atribuir um rótulo a um determinado objeto baseado nos seus descritores, indicando o seu significado. Já decisão é o processo de verificar qual ação o sistema deve efetuar com base nos objetos que foram reconhecidos [4]. METODOLOGIA Esta seção apresenta o sistema de Visão proposto, bem como detalha a metodologia utilizada para desenvolvê-lo. O algoritmo proposto segue o mesmo processo de um sistema de Visão Artificial mostrado na Figura 5, na seção de Fundamentação Teórica Aquisição A etapa de aquisição da imagem é feita utilizando uma webcam, fornecendo uma imagem representada no espaço cores YCbCr. Para a captura da imagem da utilizada a biblioteca OpenCV [6], que contém uma série d funções na área de processamento de imagem. Com a imagem adquirida, realiza-se todo o processo de segmentação, extração do contorno e localização dos centros de massa. Pré-Processamento Para a realização da etapa de pré- escolhida aplicação do Filtro da Média sobre a imagem adquirida pela câmera. Vários testes foram realizados e foi observado que a utilização de uma janela 5x5 para o Filtro da Média apresenta o melhor equilíbrio entre custo computacional e desempenho de filtragem. Segmentação Neste trabalho, é segmentada a região da pele formada pelos braços do usuário. Para isso, utiliza limiarização descrita na seção anterior YCbCr. Uma vantagem de realizar a segmentação neste formato de cores consiste em evitar o esforço computacional de converter a imagem para outro espaço de cores, como RGB ou HSV. Os limiares utilizados foram propostos por (1999) [2]. Os pixels que estiverem nas faixas de valores do canais Cb = [77,127] e Cr = [133,173] s como pele. (2009) [8] é descrito um algoritmo de representação e descrição para a detecção de pontos críticos da mão humana. O algoritmo consiste, na , da aplicação de um algoritmo de código em cadeia, o qual armazena em uma lista uma sequência de segmentos conectados de modo a representar o contorno da mão. Na fase de descrição, utiliza-se a informação do valor da curvatura dos pontos do contorno a identificação dos pontos críticos da mão, os quais correspondem às pontas dos dedos e aos vales entre os correspondentes aos vales entre os dedos são descartados, restando somente os pontos correspondentes às Reconhecimento é o processo de atribuir um rótulo a um determinado objeto baseado nos seus descritores, indicando o seu significado. Já decisão é o processo de verificar qual ação o sistema deve efetuar com base nos objetos que foram isão Computacional proposto, bem como detalha a metodologia utilizada para lo. O algoritmo proposto segue o mesmo processo de um sistema de Visão Artificial mostrado na seção de Fundamentação Teórica. A etapa de aquisição da imagem é feita utilizando uma , fornecendo uma imagem representada no espaço cores YCbCr. Para a captura da imagem da webcam é , que contém uma série de funções na área de processamento de imagem. Com a se todo o processo de segmentação, extração do contorno e localização dos -processamento foi ção do Filtro da Média sobre a imagem adquirida pela câmera. Vários testes foram realizados e foi observado que a utilização de uma janela 5x5 para o Filtro da Média apresenta o melhor equilíbrio entre custo computacional e desempenho de filtragem. a região da pele formada pelos braços do usuário. Para isso, utiliza-se a técnica de no espaço de cores YCbCr. Uma vantagem de realizar a segmentação neste em evitar o esforço computacional de converter a imagem para outro espaço de Os limiares utilizados foram propostos por Chai e Ngan . Os pixels que estiverem nas faixas de valores do canais Cb = [77,127] e Cr = [133,173] são considerados Uma das vantagens da utilização dos limiares propostos por Chai e Ngan (1999) é a sua capacidade de segmentar corretamente os mais variados tons de pele ser visto na Figura 7. Representação e Descrição Neste trabalho é desenvolvido um método capaz de reconhecer os gestos mostrados na Figura Figura 7. Os limiares propostos por Chai e Ngan (1999) conseguem segmentar corretamente os mais variados tons de pele Figura 8. (a) Gesto com as mãos câmera. (b) Gesto com as mãos fechadas apontadas para a câmera rotacionadas para a esquerda. (c) Gesto com as mãos fechadas apontadas para a câmera rotacionadas para a direita. (d) Gesto com as mãos fechadas e com o polegar esquerdo erguido. (e) Gesto com as mãos fechadas e com o polegar direito erguido. Uma das vantagens da utilização dos limiares propostos por Chai e Ngan (1999) é a sua capacidade de segmentar corretamente os mais variados tons de pele, conforme pode Representação e Descrição Neste trabalho é desenvolvido um método capaz de reconhecer os gestos mostrados na Figura 8. Os limiares propostos por Chai e Ngan (1999) conseguem segmentar corretamente os mais variados tons de pele. . (a) Gesto com as mãos fechadas apontadas para a câmera. (b) Gesto com as mãos fechadas apontadas para a câmera rotacionadas para a esquerda. (c) Gesto com as mãos fechadas apontadas para a câmera rotacionadas para a direita. (d) Gesto com as mãos fechadas e com o polegar do erguido. (e) Gesto com as mãos fechadas e com o polegar direito erguido. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 22
  • 29.
    Na Figura 8(a)é mostrado o gesto com as mãos do usuário fechadas e apontadas para a câmera. Na Figura 8(b) é mostrado o gesto com as mãos fechadas apontadas para a câmera rotacionadas para a esquerda. Na Figura 8(c) é mostrado o gesto com as mãos fechadas apontadas para a câmera rotacionadas para a direita. Na Figura 8(d) é mostrado o gesto com as mãos apontadas para a câmera e o dedo polegar esquerdo erguido. Na Figura 8(e) é mostrado o gesto com as mãos fechadas apontadas para a câmera e o dedo polegar direito erguido. Para o reconhecimento destes gestos, aplica-se sobre a imagem segmentada através do método de limiarização o algoritmo de elementos conectados descrito na seção anterior a fim de localizar os dois objetos com tom de pele de maior área na imagem, correspondendo às regiões dos braços do usuário. O objeto segmentado localizado mais à direita é considerado o braço direito, e o objeto localizado mais à esquerda é considerado o braço esquerdo. Em cada uma dessas regiões são calculadas as coordenadas do centro de massa (xd e yd para o braço direito e xe e ye para o braço esquerdo), bem como as coordenadas das pontas dos dedos polegares, caso eles estejam erguidos, através do método descrito em [8]. Na próxima seção é descrito o método para o reconhecimento dos gestos apresentados na Figura 8. Reconhecimento dos Gestos Para a utilização do sistema proposto, o usuário deve simular estar segurando um volante e apontar as mãos para a câmera, como representado na Figura 8(a). Com base nas coordenadas dos centros de massa das duas mãos, calculadas a partir do método descrito na sub-seção anterior e os quais são mostrados como círculos verdes na Figura 9(a), é possível definir um eixo de rotação do volante virtual, formado pela reta que une os centros de massa das duas mãos, conforme mostrado na Figura 9(a). Com base nesse eixo, define-se o ângulo de rotação do volante que o usuário simula estar segurando, como mostrado na Figura 9(b). Para reconhecer os gestos de rotação à direita e à esquerda utiliza-se o ângulo θ do eixo com a horizontal, o qual é dado por: = tan! #$#% $% ' (3) Figura 9. (a) Identificação dos centros de massa de cada uma das mãos e construção do eixo de rotação. (b) Giro do volante definido a partir do ângulo do eixo de rotação. A partir do valor deste ângulo, o movimento do volante virtual para a esquerda ou para a direita é realizado utilizando a seguinte expressão: ()* +,-.) = / 0,-.1), −20° 20° 5678,19:, ≥ 20° ; 1, .:, ≤ −20° (4) Acionamento de Comandos Especiais Além dos movimentos para esquerda e direita, o sistema desenvolvido é capaz também de identificar dois comandos especiais (A e B) que simulam dois botões de um controle de um video game. Para acionar o comando especial botão A e o comando especial botão B, o usuário deve erguer o polegar esquerdo e direito, respectivamente, conforme mostrado nas Figuras 8(d) e 8(e). Envio de Comandos doTeclado Neste trabalho, utiliza-se o movimento do Volante Virtual reconhecido para fazer a interação com um jogo de corrida. Para isto, os movimentos reconhecidos acionam teclas específicas e que são importantes para o jogo. Isto é feito através da função nativa do Windows keybd_event, a qual sintetiza o pressionar de um botão do teclado. A função recebe como parâmetros o código ASCII da tecla desejada e o estado dela (pressionada ou liberada) [9]. Há cinco comandos que podem ser enviados pelo sistema desenvolvido: • Aceleração: comando enviado ininterruptamente ao computador, exceto quando acionado o comando Desacelera visto a seguir, codificado pela tecla 'X'; • Esquerda: comando enviado quando o usuário gira o volante para a esquerda, codificado pela tecla 'L'; • Direita: comando enviado quando o usuário gira o volante para a direita, codificado pela tecla 'R'; • Desaceleração: comando enviado quando o usuário ergue o polegar esquerdo, acionando o comando Botão A, fazendo com que o veículo do jogo pare de acelerar. • Item: comando enviado quando o usuário ergue o polegar direito, acionando o comando Botão B, indicando o uso de um item especial, codificado pela tecla 'Z'. RESULTADOS Esta seção apresenta os resultados alcançados na implementação do sistema proposto. Primeiramente são descritos os resultados do reconhecimento dos gestos propostos. Em seguida, são descritos os resultados da utilização do sistema proposto em conjunto com um game comercial. Por fim são descritas algumas limitações presentes no método proposto. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 23
  • 30.
    Figura 10. (a)Direção de movimento Centro. (b) Direção de movimento Esquerda. (c) Direção de movimento Direita. Figura 11. (a) Usuário habilitando o comando Botão A com o polegar esquerdo. (b) Usuário habilitando o comando Botão B com o polegar esquerdo. Reconhecimento dos Gestos Na Figura 10(a) é mostrado o usuário segurando o “volante” na posição de direção “Centro”. Na Figura 10(b) é mostrado o usuário segurando o volante na posição de direção “Esquerda”. Na Figura 10(c) é mostrado o usuário segurando o “volante” na posição de direção “Direita. O resultado do reconhecimento dos comandos especiais é mostrado na Figura 11: na Figura 11(a) aparece o resultado do reconhecimento do comando Botão A e o desenho de um quadrado verde no canto superior esquerdo do frame indicando o reconhecimento do comando; e na Figura 11(b) aparece o resultado do reconhecimento do comando Botão B e o desenho de um quadrado verde no canto superior direito do frame indicando o reconhecimento do comando. Integração com Jogos Na Figura 12 é mostrado o usuário realizando o movimento para esquerda e o personagem no jogo seguindo o comando recebido. Na Figura 13 é mostrado o usuário realizando o movimento para a direita e o personagem no jogo seguindo o comando recebido. Figura 12. Usuário realizando comando Esquerda e comando sendo realizado no jogo com o carro girando para a esquerda. Figura 13. Usuário realizando comando Direita e comando sendo realizado no jogo com o carro girando para a direita. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 24
  • 31.
    Figura 14. (a)Personagem do usuário no jogo com um item especial, um casco de tartaruga vermelho, armazenado (mostrado na região superior da tela). (b) Usuário aciona o comando Botão B com o polegar direito, liberando o item especial. (c) Item especial indo atingir o oponente colocado à frente do usuário. Na Figura 14 é mostrado o usuário acionando o comando Botão B com o polegar direito erguido, o qual faz com que o personagem no jogo acione o item especial que ele detinha (no caso, um casco vermelho que vai atingir o oponente que está a sua frente). Taxas de Acerto A identificação tanto da direção de movimento quanto do acionamento dos comandos especiais possuem taxas de reconhecimento muito próximas a 100. Ocorrem erros de detecção apenas quando o centro de massa de um dos braços acaba se posicionando na região do antebraço e não na região da mão, como mostrado na Figura 15. Figura 15. Erro de detecção pode ocorrer quando o centro de massa de um dos braços cai na região do antebraço, e não na região da mão. Figura 16. Limitação do algoritmo quando o usuário está vestindo uma camisa vermelha. Limitações O sistema apresenta limitações quando o usuário está vestindo uma camisa de cor parecida com o tom da pele (vermelha, amarela, laranja), pois o algoritmo de segmentação identifica erroneamente essas cores como sendo regiões de pele, e quando o usuário está sem camisa. Dessa forma o sistema não consegue de reconhecer os dois braços do usuário em posição de volante e detectar a angulação do volante do usuário. Essa limitação é mostrada na Figura 16. CONCLUSÃO Neste trabalho foi apresentado um sistema de Visão Computacional que identifica gestos para a interação com jogos eletrônicos de corrida baseado no ângulo formado pelas mãos do usuário e na detecção dos dedos polegares da mão. O sistema apresenta boa usabilidade, não tendo demonstrado grandes dificuldades para ser utilizado, devido à sua concepção intuitiva (o usuário controla o jogo de corrida como se estivesse dirigindo um automóvel de verdade). A robustez de detecção também foi muito boa. Foi possível até mesmo vencer a corrida que é mostrada nas Figuras acima. O sistema apresenta limitações quando o usuário está trajando uma camisa de cor vermelha, laranja ou amarela, devido à segmentação de regiões dessas cores como pele, bem como quando o usuário utiliza o sistema sem camisa. Nessas situações, não é possível pelo sistema identificar corretamente os braços e mãos do usuário na imagem, impossibilitando-o de identificar a direção de curva indicada pelo usuário ou o acionamento dos comandos especiais através dos dedos polegares. Procurando diminuir as limitações apresentadas, como perspectiva futura será realizada uma pesquisa sobre métodos de segmentação de pel mais robustos, capazes de detectar com maior eficiência o tom de pele humano, além de serem realizados estudos mais completos sobre as condições de funcionamento do sistema nas mais variadas situações. AGRADECIMENTOS Os autores gostariam de agradecer ao LESC - Laboratório de Engenharia de Sistemas de Computação -, ao DETI - Departamento de Engenharia de Teleinformática - e à CAPES - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 25
  • 32.
    Nível Superior -pelo apoio financeiro e pelo fornecimento das condições materiais necessárias para o desenvolvimento deste trabalho. REFERÊNCIAS 1. Abragames. A indústria brasileira de jogos eletrônicos: um mapeamento do crescimento do setor nos últimos 4 anos. Relatório Técnico, Associação Brasileira das Desenvolvedoras de Jogos Eletrônicos, 2008. 2. Chain, D., Ngan, K. N. Face segmentation using skin- color map in videophone applications. CirSysVideo, 1999. 3. Freitas, R. F., Costa, R. C. S., Barros, A. C. da S., Siqueira, R. da S., Cortez, P. C., Soares, J. M. Algoritmos para segmentação da pele utilizando modelos de cores RGB em ambiente Matlab/Simulink, Conexões: Ciência e Tecnologia, 1, 65-71, 2007. 4. Gonzalez, R. C., Woods, R. E. Digital Image Processing. Pearson Prentice Hall, New Jersey, USA, 2008. 5. Higashimo, W. A. Estudo comparativo de algoritmos de subtração de fundo em sequência de imagens. Dissertação, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2006. 6. Intel. Open source computer vision library: reference manual. Estados Unidos, 2000. 7. Kirriemuir, J. The relevance of video games and gaming consoles to the higher and further education learning experince. The Joint Information Systems Committee, TSW 02-01, 2, Junho de 2002. 8. Leal, F. R. M., Barros, A. C. da S., Freitas, R. F., Costa, R. C. S., Cortez, P. C., Soares, J. M., Espinosa, M. G. L. Estudo comparativo de formas de representação da mão humana para o reconhecimento de gestos baseado em redes neurais artificiais, momentos de Hu e atributos de forma. XVIII Seminário de Computação, 18, 2009. 9. Microsoft Development (MSDN). Keybd_event Function. Disponível em: http://msdn.microsoft.com/en- us/library/ms646304(VS.85).aspx. Acesso em: 30 de ago. 2010. 10.Morris, T., Elshehry, S. O. Hand segmentation form live video. Proc. International Conference on Image Science, Systems and Technology, 6-10, 2002. 11.Paula, L. R. P., Bonini Neto, R., Miranda, F. R. de. Camera Kombat – interação livre para jogos. V Brazillian Symposium on Computer Games and Digital Entertainment, 2006. 12.Microsoft Corporation. Kinect. Disponível em: http://www.xbox.com/en-US/live/projectnatal/. Acesso em: 30 de ago. 2010. 13.Paul, F. Microsoft unveils new Xbox technology, enlists Facebook. Disponível em: http://www.reuters.com/article/internetNews/idUSTRE5 506FO20090601. Acesso em: 30 de ago. 2010. 14.Souza, R., Bandeira, H. Uma abordagem para o desenvolvimento de jogos adaptáveis a diversos controladores. Simpósio Brasileiro de Jogos para Computador e Entretenimento Digital (SBGames), IV, 2007. 15.Teixeira, J.M., Farias, T., Pessoa, S., Rodrigues, C. E., Costa, N., Cananéa, I., Teichrieb, V., Kelner, J. Gefighters: usando gestos para interagir com um jogo de luta. 8th Symposium on Virtual Reality, 2006. 16.Williams, D. Structure and competition in the US home video game industry. The International Journal on Media Management, 4(1), 41-54, 2002. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 26
  • 33.
    Design de interaçãoaplicado a modelos colaborativos na cobertura jornalística em eventos de calamidade pública RESUMO O artigo apresenta uma análise dos modelos de colaboração utilizados pelos principais sites noticiosos do Brasil em eventos de calamidade pública, em especial na cobertura das fortes chuvas que provocaram enchentes e uma série de transtornos no estado do Rio de Janeiro em abril de 2010. A partir do estudo de caso dos modelos colaborativos de dois dos principais portais jornalísticos do país, este artigo pretende apontar as principais características e deficiências das ferramentas atuais, propondo um novo modelo baseado em mapas geográficos, que avance a questão do design de interação no que diz respeito a relação do jornal com o leitor-usuário, bem como no aproveitamento desse conteúdo gerado pela colaboração na geração de uma base de dados para políticas públicas que possam resultar em uma série de medidas para o controle de situações de calamidade futuras. Author Keywords Design, Colaboração, Mapas, Jornalismo, Interface, Interação, Colaboração, Usuário ACM Classification Keywords DESIGN INTRODUÇÃO Nos últimos anos, a popularização das tecnologias digitais e a ampliação das formas de acesso à Internet, além da queda progressiva do custo de computadores e de conexão, vêm criando um cenário propício à ampliação das práticas comunicativas na Rede. Essa tendência vem modificando o fluxo de informações na rede e inspira e justifica o surgimento de experiências de jornalismo participativo, processo em que os próprios internautas passam a atuar na produção da notícia. Segundo BRAGA (2007, p.4), “os fenômenos comunicacionais, na sociedade contemporânea, apresentam uma diacronia muito dinâmica – não apenas conseqüência do avanço tecnológico, mas também dos processos sociais interativos que se diversificam correlatamente”. Permitir ao leitor a interação e o registro de sua 'voz' qualifica enormemente a notícia. Como coloca DALMONTE (2009, p.193), a efetiva participação do leitor, ou a possibilidade de participação, desempenham importante papel para o desenvolvimento do efeito de real, pois as notícias não estão distantes, dispersas no mundo virtual. Ao interagir com um produto jornalístico, o leitor agrega àquela peça informativa não apenas suas impressões, mas seus dados pessoais. O recurso jornalístico de uso de personagens [personagem, no jornalismo, refere-se a alguém que tenha vivenciado, ou vivencia, o fato narrado. Este personagem, por meio da particularização, permite ilustrar e dar densidade àquilo que é reportado, coloca o autor] é ampliado, pois além das fontes selecionadas para a composição do texto, outras vozes são agregadas, fazendo com que a matéria se torne mais polifônica. Sob a perspectiva de diversos olhares, vai além da instância de produção. Em função disso, muitos sites noticiosos estão se adaptando a essa nova realidade. Há um interesse dos grandes jornais online em expandir a participação e a interação com o leitor, porém a grande maioria ainda mantém o controle das fases da produção informativa nas mãos de jornalistas e editores. Aliado ao fato de ser uma funcionalidade relativamente nova, o conteúdo enviado pelo leitor ainda é aproveitado de maneira incipiente pelos jornais. Na grande maioria dos casos observados e exemplificados ao longo deste artigo, a participação do leitor é feita através de um formulário preenchido textualmente e publicada ou como comentário a alguma notícia previamente publicada, ou como matéria jornalística completa, com o leitor ocupando, individualmente, o papel de um jornalista. Não existe, até o momento, a idéia de formar um conteúdo verdadeiramente coletivo a partir da colaboração de leitores, em um formato que possa complementar o conteúdo oferecido pelos sites jornalísticos, mas que fuja do formato tradicional de texto noticioso, seja no processo de envio da colaboração, seja no momento da publicação do conteúdo enviado. Um exemplo de inovação nesse sentido se dá, por exemplo, na possibilidade de utilização de mapas e ferramentas de natureza georreferenciada como complemento ao processo noticioso. Num momento em que o uso de ferramentas desse tipo, como, por exemplo, o Google Maps, torna-se cada vez mais usual entre os usuários domésticos, a idéia de agregar conceitos de jornalismo participativo ao caráter intuitivo e até mesmo lúdico dos mapas apresenta-se como uma alternativa bastante interessante e desafiadora. Para tanto, faz-se necessário o aperfeiçoamento da integração dos dados e metadados gerados a partir da colaboração de leitores com mapas temáticos, com o intuito de melhorar o entendimento e a leitura das informações na interface do modelo de colaboração, passando desde o momento do envio da colaboração por parte do internauta até as inúmeras possibilidades de aproveitamento dos dados em ações de estratégia, de negócios ou mesmo de utilidade pública. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 27
  • 34.
    OBJETIVO O objetivo desteartigo é analisar a cobertura jornalística em eventos de calamidade pública pelo viés da colaboração dos leitores, tomando como exemplo o caso específico da cobertura das enchentes ocorridas no estado do Rio de Janeiro em abril de 2010, onde dados fornecidos pelos leitores foram utilizados na tentativa de criar um mapa da situação. A idéia é apontar as limitações do modelo e oferecer uma proposta de colaboração que apresente melhores soluções para a complexidade de um sistema alimentado por dados enviados por usuários, de modo a gerar não apenas conteúdo individual, ilustrativo e sensacionalista, mas uma base de dados com real utilidade pública no mapeamento de problemas. Dessa forma, a partir das observações feitas, o modelo de colaboração proposto pretende avançar o estudo em ferramentas geográficas aplicadas ao jornalismo, dentro de um sistemas de visualização de dados espaciais em ambiente SIGWeb para transmissão da informação e ações estratégicas. JORNALISMO COLABORATIVO A consolidação e o crescimento da Internet nos últimos anos vêm criando as condições necessárias para a ampliação das práticas comunicativas, nas quais a participação dos usuários é cada vez mais intensa. Wikis, Blogs e websites colaborativos (em que a produção de conteúdo é feita pelos usuários) são algumas das ferramentas que, ao longo dos últimos anos, vêm estimulando os usuários a produzirem o seu próprio conteúdo. Essas transformações provocaram uma série de alterações na forma de gerar e distribuir informações, bem como na forma de se fazer jornalismo na Internet. O fluxo de notícias, que até pouco tempo atrás era monopólio do jornalista ou do veículo de informação, é reconfigurado, e leitores/usuários comuns passam a ter papel fundamental na emissão do conteúdo. A esse fenômeno, dá-se o nome de jornalismo colaborativo, jornalismo participativo ou jornalismo cidadão. Alguns autores entendem haver pequenas diferenças entre as três nomenclaturas, mas o termo “jornalismo colaborativo” tende a ser utilizado como o signo que melhor representa a o processo de colaboração de usuários dentro do jornalismo. O primeiro e mais evidente facilitador do jornalismo colaborativo é o fator tecnológico. A ampliação do acesso à Internet e a queda progressiva do custo de computadores e de conexão têm servido como motivador para uma maior interferência popular no processo noticioso. Além disso, os blogs, wikis e outros sites colaborativos simplificaram a publicação de conteúdo e a cooperação online, tornando-se ferramentas familiares a grande parte dos usuários de internet. A popularização de máquinas fotográficas digitais e celulares que podem captar fotos ou vídeos, bem como o avanço da conexão de internet móvel, facilitam o registro e divulgação dos fatos no momento em que eles ocorrem, dando ao cidadão comum o poder do „furo de reportagem‟. Um segundo fator importante foge à dimensão tecnológica e trata dos discursos que defendem a livre circulação da informação, pensamento que vem da insatisfação com a qualidade do jornalismo oferecido até então. Alex Primo e Marcelo Träsel (2006, op. Cit. p.39) alertam que essa insatisfação sempre existiu. No entanto, anteriormente quando um leitor encontrava um erro ou uma imprecisão na notícia eles podiam apenas enviar cartas ou telefonar para os veículos para emitir suas opiniões. Hoje eles podem produzir, em seus blogs ou mesmo nos jornais online, seu próprio conteúdo, apresentando sua visão particular dos fatos. Essa grande liberdade gerada pelo jornalismo colaborativo deu origem a diversos discursos que duvidam da legitimidade das peças produzidas não pelos jornalistas profissionais, mas pelos usuários comuns. Os jornalistas da „velha imprensa‟ se valem dos processos tradicionais de produção para se distanciar e até mesmo desqualificar as iniciativas dos blogueiros e dos chamados “cidadãos repórteres”. As principais críticas se dão em relação à limitação de fontes, a pouca periodicidade, ao caráter opinativo e à falta de compromisso com o leitor. (BORGES, op. Cit. p.42) Enfim, duvida-se da postura ética dos „leigos‟. Para a velha imprensa, há uma certa relutância em acatar o blogueiro no papel do jornalista. A comunicação colaborativa traz ainda novos paradigmas para o processo de edição e filtragem da informação. Antes existiam “portões” de informação controlados por jornalistas em redações que eram responsáveis por selecionar quais fatos seriam publicados de acordo com critérios de noticiabilidade e em função da limitação de espaço oferecida pelos meios tradicionais. Em um artigo que analisa a produção colaborativa na Internet, Filipe Barros (2007) explica que esse processo seletivo é conhecido como gatekeeping pois remete à idéia do guarda (keeper) de um portão (gate) que é responsável pela decisão dos conteúdos veiculados pelo veículo. No novo contexto da Web, Bruns (2003) propõe uma re- contextualização dessa teoria e utiliza o termo gatewatching para denominar os processos de filtragem que existem na Internet. Nesse novo processo o guarda é substituído por um vigia, o usuário, que tem o poder de decisão sobre aquilo que tem mais ou menos importância, está certo ou errado. Nesse sentido, a metamoderação é uma maneira de se garantir a qualidade e a autenticidade das notícias enviadas pelos cidadãos-repórteres. Nesse sistema os próprios usuários do site são responsáveis em controlar o fluxo de informações fazendo correções ou alertas sobre conteúdos inapropriados. Primo e Träsel (2006 op. Cit. p 45) exemplificam: Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 28
  • 35.
    “Uma matéria polêmica,tendenciosa ou mesmo falsa pode receber milhares de mensagens de leitores consertando ou retificando os dados recém publicados. E com a possibilidade de escrita hipertextual, as respostas no fórum podem trazer links para outras fontes na Web, que aperfeiçoam o tema em discussão. Mas o que diferencia o webjornalismo participativo é a descentralização do processo de correção de informações erradas.” A partir dos exemplos de experiências bem sucedidas na área do jornalismo colaborativo, os grandes jornais precisaram rever seus conceitos e abrir espaço para esse “novo” leitor que não deseja apenas ser um agente passivo da informação jornalística. Em função disso, cada vez mais os sites das grandes empresas jornalísticas vêm buscando uma forma de estreitar a relação com seus leitores, bem como de oferecer ferramentas que permitam ao leitor uma postura ativa no que diz respeito à geração de conteúdo. O que se verifica é que, nos últimos anos, houve uma verdadeira tentativa de abertura de jornais à escrita colaborativa de notícias. É o caso do canal “Eu-Repórter” criado pela versão online do jornal online O Globo1 em 2006. Nele a audiência é incentivada a mandar notícias, opiniões, fotos, vídeos ou arquivos em áudio que sejam de interesse jornalístico. Com isso a empresa expande sua oferta de produtos relativamente sem custo algum já que ao publicar sua notícia, na maioria das vezes, o colaborador cede à empresa os direitos autorais relativos ao material encaminhado. Além disso, a empresa tem a chance de aumentar sua receita publicitária já que se amplia o envolvimento do internauta com o jornal online e aumenta- se seu tempo de permanência na página. Mas, por outro lado, o público passa a ser melhor servido, pois uma grande rede de repórter-cidadãos faz a cobertura de uma maior quantidade de eventos que uma equipe reduzida de profissionais não poderia dar conta. O jornalismo colaborativo traz, portanto, um novo paradigma para a produção e a recepção de notícias. No entanto, é preciso deixar claro que ele não vem substituir as formas tradicionais de jornalismo ou mesmo os sites oficiais de jornalismo, mas sim aparece como uma nova opção na oferta de notícias, criando um novo relacionamento entre os interagentes do processo noticioso. MODELOS COLABORATIVOS ATUAIS Em pesquisa aos sites dos principais jornais do país e do mundo, o que se nota é uma semelhança muito grande no tratamento dado a questão da colaboração de usuários. Basicamente, a versão online dos jornais proporcionou duas novas formas de colaboração por parte do leitor (além das já tradicionais sugestões de pauta presentes desde o jornalismo impresso): a) Comentários simples em formato de texto sobre notícias já publicadas, onde o envio é feito através de um box de texto por usuários previamente cadastrados; b) Notícia produzida pelo próprio leitor, através de um formulário que permite o envio de texto, fotos e vídeos. Em todos os casos, podem ocorrer pequenas variações (maior ou menor controle por parte do jornal sobre o conteúdo publicado, cadastros com diferentes níveis de complexidade, possibilidade de dar notas às noticias ou comentários), mas o formato seguido pelos principais jornais do mundo é basicamente o mesmo. O usuário é identificado via cadastro prévio, e através de formulários, é capaz de participar de forma ativa do jornal. No caso de comentários, eles são publicados logo após a notícia em questão, em ordem cronológica. No caso de notícias, recebem formatação semelhante às notícias produzidas por jornalistas, mas ficam organizadas em seções específicas, com nomes sugestivos como “Eu- Leitor”, “VC no G1”, em espécies de mini-jornais dentro dos jornais, de forma a deixar claro o que é conteúdo gerado pelo jornal e o que é fruto da colaboração de usuários. Essa diferenciação é fundamental e em muitos casos deveria ser melhor trabalhada, de tal forma que o leitor, seja ele experiente no uso da internet ou iniciante, possa diferenciar de imediato o que é conteúdo gerado e editado por profissionais e o que é conteúdo enviado por colaboração de outros leitores. Dessa maneira, o jornal se isenta da possibilidade de confundir o leitor, ficando a critério do próprio avaliar se a informação encontrada é digna de confiança e credibilidade. No caso específico da cobertura das enchentes e deslizamentos ocorridos no Rio de Janeiro em abril de 2010, os sites do jornal O GLOBO (figura 1) e o portal G1 de notícias (figura 2), dois dos maiores portais de notícias do país, com editorias distintas, apresentaram uma idéia similar, baseada em uma plataforma de colaboração de mapas com algum grau de interação, na tentativa de oferecer uma possibilidade de visualização das notícias que fugisse do modelo tradicional do jornalismo impresso e se apresentasse numa ferramenta que aproveitasse melhor as possibilidades da internet. Entretanto, a interatividade oferecida apresenta algumas características que podem limitar a experiência do usuário, e os mapas oferecidos não são capazes de aproveitar ao máximo a pluralidade de opiniões e conteúdos oferecidos pelos leitores/usuários. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 29
  • 36.
    Figura 1 No jornalO GLOBO (figura 1), o mapa oferecido aos leitores sequer era uma ferramenta desenvolvida especificamente para isso. O jornal utilizou a plataforma do Google Maps na íntegra, ou seja, todo o conteúdo gerado pelo usuário ia diretamente para a base de dados do Google Maps, e não para a base de dados do jornal. Como o Google Maps não é uma ferramenta criada e voltada especificamente para a participação jornalística no relato de catástrofes, fica evidente que 1) a interface e a apresentação dos conteúdos gerados não é a ideal para um site noticioso; 2) a ferramenta apresentada pelo jornal não possibilita o cruzamento das informações e a possibilidade de visualização por camadas dentro de uma base de dados integralmente de posse do jornal; 3) Como a base de dados é externa, o jornal não aproveita em nada o potencial do conteúdo enviado pelos seus leitores, e o mapa passa a ter apenas caráter ilustrativo. Além disso, pela própria legenda do mapa nota-se que um mesmo ícone é utilizado para 2 situações diferentes (“alagamento” e “lixo, lama e árvores”), tendo apenas uma variação na cor, o que dificulta o entendimento imediato por parte do internauta que não é capaz de reconhecer o evento de maneira intuitiva. Em uma ferramenta gerada especificamente para a colaboração de usuários em casos de calamidades, os ícones representativos de cada evento poderiam ser melhor pensados, apontando imediatamente o assunto abordado em cada relato. Da mesma forma, o leitor que desejasse enviar o seu relato deveria fazer todo o procedimento através da interface de envio de conteúdo do próprio Google Maps, que também não foi desenvolvida especificamente para o envio de colaboração em casos de calamidades. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 30
  • 37.
    Figura 2 No casodo portal G1, a ferramenta foi desenvolvida especificamente para uso na situação das chuvas e para publicar os relatos dos seus leitores. Como primeiro fator a ser apontado, o leitor que desejasse enviar seu relato tinha a sua disposição um formulário padrão de envio de notícias, o mesmo encontrado para o envio de qualquer outra colaboração para qualquer outra editoria do jornal. Dessa forma, a única opção do usuário é relatar toda a sua experiência durante o período das chuvas de forma textual, com a possibilidade de incluir fotos ou vídeos (um ou outro) para ilustrar seu relato. Após o envio da colaboração, o material não é publicado imediatamente. Tudo passa por uma equipe do próprio site que avalia o que pode ser publicado ou não, filtrando o que é relevante jornalisticamente do que não é fato noticioso. Em função dessa característica, a ferramenta perde parte de sua funcionalidade como um produto de conteúdo verdadeiramente coletivo, uma vez que uma parte dos relatos enviados não são adicionados ao mapa. Não se tem, portanto, uma visão em tempo real da situação dos diferentes pontos da cidade, e sim a possibilidade de navegar pelos relatos previamente selecionados. Com relação às escolhas gráficas e da arquitetura da ferramenta, podem ser apontadas outras características que poderiam ser trabalhadas para melhorar a experiência do usuário: 1) Ícones iguais, não há distinção gráfica dos assuntos relatados; 2) Ausência de navegação por camadas, como, por exemplo, a visualização por temas e/ou por bairros; 3) O processo de envio da colaboração e da marcação territorial não é feito diretamente no mapa, o que tornaria o processo mais dinâmico e lúdico. Nesse caso, apesar do modelo ser inteiramente desenvolvido para a finalidade da colaboração, percebe-se que não há um aproveitamento pleno do conteúdo recebido. O resultado obtido, a exemplo da ferramenta observada no site d‟O GLOBO, é um mapa que ilustra o conteúdo jornalístico, mas que não gera uma base de dados a partir do conteúdo gerado coletivamente. PROPOSTA DE MODELO COLABORATIVO O modelo gráfico subdivide-se em duas partes, a página de edição das informações fornecidas pelo internauta (figura 3), e a visualização dos dados publicados (figuras 4 e 5). Em ambos os casos um mapa em formato vetor é carregado pelo browser, e disposto na janela junto com informações cartográficas como legenda, símbolo de orientação (Norte), escala e pictogramas referentes a eventos, além de serviços de previsão do tempo, busca de localização e botão de ajuda. Na página de edição o individuo é capaz de transcrever e localizar os pontos onde um ou mais eventos aconteceram dentro de determinado percurso, intuitivamente e com poucos cliques. É possível traçar uma rota apontando a origem do percurso e o destino final simplesmente arrastando o “ícone rota” para o primeiro ponto, até o ponto seguinte. Ao soltar o botão esquerdo do mouse (on release), automaticamente uma caixa de diálogo abre para edição de relato, publicação de foto e indicação de horário inicial e final, apresentando assim o tempo de duração do evento. Para cada tarefa iniciada, como abrir um ponto de rota, é necessário o fechamento completo da mesma. Somente depois de fechar o segundo ponto de localização será possível passar para outra ação, como adicionar um pictograma de alagamento por exemplo. Em seguida o cliente decide pela finalização e publicação da rota, ou continua alimentando o mapa com outras informações. Nesse caso todo o percurso fica em destaque, com o zoom ajustado a tela, e os pictogramas estão ativos para o usuário arrastar cada ícone de evento até o correspondente ponto no mapa. Como no evento “rota”, ao soltar o botão esquerdo do mouse, automaticamente uma caixa de diálogo abre para edição de relato, publicação de foto e indicação de horário, quantas forem necessárias. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 31
  • 38.
    6 Conforme os maioresíndices de ocorrências ligados a fortes chuvas fornecidas pela Defesa Civil, os eventos selecionados são representados pelos pictogramas descritos respectivamente pela ordem da barra de ocorrências de cima para baixo como: ocorrências criminais (assaltos a pedestres, carros, agressões físicas e verbais e etc.), alagamentos, deslizamentos, quedas de árvores e galhos, eletricidade (postes caídos, falta de luz, fios de alta tensão em locais de circulação de pessoas e etc.) e ocorrências automobilísticas (batidas de carro e motos, veículos com defeito, transito intenso ou parado). Tanto no evento “rota”, quanto nos eventos de “ocorrências”, o participante tem a opção de preencher a caixa de diálogo com sua versão de cada acontecimento, como somente indicar no mapa cada ocorrência utilizando os elementos gráficos. Importante frisar, para utilização da área de edição é necessário um pequeno cadastro com informações de nome, idade, sexo e e-mail válido. Após a confirmação do cadastro e o preenchimento do login e senha, uma rápida apresentação sobre o funcionamento da ferramenta ajuda o cliente nos primeiros passos para publicação das informações no site. Essas informações cadastrais devem servir como base de controle para o jornal e para uma maior confiabilidade das informações recebidas via colaboração. Entretanto, é importante que essas informações sejam confidenciais e publicadas somente com o aval do colaborador, de forma a evitar problemas éticos em casos onde o relato enviado possa provocar constrangimentos ao leitor. A imagem seguinte exemplifica o modelo gráfico, baseado no testemunho do geógrafo Guilherme Medina do dia 5 de abril de 2010 sobre os transtornos ocorridos durante as fortes chuvas no Município de Niterói. Relato - 5 de abril de 2010 (figura 3) Guilherme Medina morador de Niterói bairro Fonseca “Dia 5 de abril é meu aniversário de casamento. Nessa segunda feira à noite, por volta de 20h00min, saí de casa (Endereço Rua Desembargador Lima Castro, Fonseca – Niterói – RJ) para jantar num restaurante situado na Av. Sete de Setembro, Icaraí (Niterói – RJ). Durante o jantar, a chuva que começou fraca foi se intensificando, e em poucos minutos a avenida estava completamente alagada. No momento mais crítico, os clientes do restaurante tiveram que subir nas mesas para evitar contato com a água contaminada. Somente as 11h00min da manhã do dia seguinte consegui retornar para casa sem meu carro, dias depois foi constatado que tive perda total do mesmo. No trajeto de volta pra casa, constatei em alguns pontos, galhos de árvores e barrancos caídos e fios elétricos no chão.”. Figura 3 Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 32
  • 39.
    A visualização dasinformações de conteúdo colaborativo pelo público de internet, não necessita de cadastro ou login. Todos os dados de ocorrências e relatos são impressos no próprio mapa, passando o cursor em cima de cada ícone ou clicando na parte lateral esquerda de legendas. É possível também verificar os diferentes eventos dentro de uma rota ou um ponto geográfico, digitando a rua ou localidade na área de busca, ou clicando sobre uma área ativa (rota definida por um ou mais transeuntes). Para a diferenciação do número de ocorrência em cada ponto ou rota, usamos uma escala com diferentes graus de saturação de cor no modelo HSV, onde a cor menos saturada significa número pequeno de eventos, e a mais saturada uma maior incidência do mesmo. A cor vermelha no grau máximo de saturação supõe intuitivamente para o usuário do serviço uma situação crítica, proporcionando assim um melhor entendimento da legenda para o internauta. Além da barra de saturação, o cliente também pode verificar os números reais de cada evento com o passar do cursor sobre o ícone correspondente. Informações relativas a rota pesquisada pelo usuário, além do numero real, também é possível visualizar um gráfico comparativo com diferentes tipos de eventos, mas somente quando a rota pesquisada apresentar mais de uma ocorrência. No campo de relatos publicados por pessoas vitimas de transtornos decorrentes das chuvas, a seleção pode ser feita clicando na parte lateral esquerda, na barra de ícones de ocorrências, para visualizar os comentários referentes a cada evento, ou clicando nos ícones do mapa para ler o conteúdo de cada evento. Figura 4 Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 33
  • 40.
    Figura 5 Na visualizaçãodo mapa em diferentes escalas, os ícones de eventos da mesma ocorrência unem-se quando o zoom diminui, e se distanciam ao diminuir a escala. A figura 5 representa a figura 4 em escala reduzida. Neste contexto, os pictogramas são substituídos por círculos em tamanhos e cores diferentes (BERTIN 1983), conforme o número de ocorrências do conjunto de eventos no ponto do mapa. Ao passar o cursor sobre cada circulo os ícones referentes ao ponto no mapa aparecem de forma ampliada, indicando assim os eventos ocorridos em determinada área. DECORRÊNCIAS DA APLICAÇÃO DO MODELO A elaboração de tópicos de informação com a colaboração de toda uma população apresenta vantagens inúmeras, como demonstram os sistemas colaborativos vigentes. No entanto, a introdução de políticas públicas baseadas nessas ferramentas implica em questões complexas e nada triviais. A autogerência e a natureza anárquica do meio podem causar diversos problemas intrínsecos à natural oposição entre os regimes (a saber, o sistema político de gestão pública e a autogestão da internet). Quando essa ferramenta é organizada, mediada e gerida por uma instituição jornalística particular, com interesses próprios, tais questões são ainda mais preocupantes. Sendo assim, os usos oficiais dessa ferramenta podem ser impedidos, ou ao menos limitados. Implicações como definição de áreas para atuação por parte de órgãos do poder público, como a Defesa Civil, podem ser de difícil operacionalidade. A construção de um mecanismo de jornalismo participativo com o auxílio de georreferenciamento das informações se propõe, então, a ser uma ferramenta de denúncia, memória e cobrança de ações públicas pela população. O uso de mapas colaborativos permite que se tenha (1) a construção de um painel de dados hiperlocais; (2) a visualização da distribuição das ocorrências pelo território da cidade; (3) uma percepção mais aprimorada das informações, tanto qualitativa quanto quantitativamente e (4) um modelo de organização que respeita e está diretamente ligado à natureza das informações. Por dados hiperlocais (1) devemos compreender as informações altamente localizadas, de difícil obtenção em uma cobertura jornalística convencional. Como coloca OLIVEIRA e HOLANDA (2010), o termo 'hiperlocal' se refere a algo extremamente localizado, como uma informação sobre um bairro ou uma rua. Para este tipo de Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 34
  • 41.
    situação surgiram algunsmodelos de jornalismo colaborativo no Brasil, como o desenvolvido pelo Jornal O Globo no Rio de Janeiro, com a criação do site Bairros.com [http://www.oglobo.globo.com/rio/bairros/]; o papel do cidadão [é] fundamental na difusão de conteúdos hiperlocais, porque, por questões estruturais e econômicas, a cobertura jornalística não pode alcançar tal amplitude. Temos, assim, uma mudança de escala no trato do espaço público, passando a trabalhá-lo não mais na visão cartográfica lato sensu, mas alcançando a escala humana e seu referenciais próximos, como a divisão por bairros, ruas, quarteirões, prédios e espaços. Para o cidadão comum, essa mudança permite uma melhor compreensão dos aspectos abordados, uma vez que a visualização se aproxima bastante da visão de mundo que ele possui, facilitando a manipulação das informações e a contribuição com dados próprios. Georreferenciar uma entrada significa contextualizá-la e, dessa forma, torná-la mais precisa. Ainda mais quando agrupada a outros depoimentos de mesma natureza, passamos a vislumbrar a realidade de determinada região (2). Dessa forma, é possível mapear os tipos de problemas característicos de cada região e qual as deficiências presentes de modo geral. A ação de avaliação não necessita de uma abstração e memória do local citado, já carregando junto de si a informação da área tratada e suas questões contíguas. Sendo assim, tanto numa percepção quantitativa (certamente afetada pelos hábitos de determinada população, pelas possibilidades e interesse de interação com o modelo jornalístico) das ocorrências, quanto na qualitativa, existe uma melhoria considerável na apreensão destas informações. Por último, a organização das informações a partir de uma mapa facilita não apenas a busca mas também recuperar determinada informação (4). Segundo PREECE, ROGERS e SHARP (2005), nossa interação com qualquer interface se estabelece também dentro de nossos padrões e capacidade cognitivas, sendo um desses processos o de memória, sobre o qual as autoras citam a pesquisa de Mark Lansdale, psicólogo britânico, estudioso do problema de recuperação de informação. Em relação a esta questão afirmam: Ele [Lansdale] sugere ser interessante olhar para esse processo como composto de dois processos da memória: recuperação direta, seguida de verificação baseada em reconhecimento. A primeira refere-se a utilizar informações memorizadas sobre o arquivo que se deseja, para chegar o mais próximo possível dele. (...) A segunda ocorre quando a recuperação não conseguiu produzir o resultado que o usuário esperava, exigindo, pois, que se consultem todos os diretórios ou arquivos. (...) Lansdale propõe que os sistemas de gerenciamento de arquivos devem ser projetados visando a otimizar os dois tipos de processo da memória. Em particular, os sistemas devem ser projetados de forma a deixar que os usuários utilizem a memória que têm para limitar a área que está sendo pesquisada e então representar a informação nessa área da interface de forma a ajudá-los ao máximo a encontrar o que precisam. (PREECE, ROGERS e SHARP, 2005, p. 103) Se expandirmos um pouco o conceito acima e substituirmos a idéia de arquivo pela de notícia ou informação, perceberemos como a organização e filtragem das informações colabora para a navegação do usuário. Tendo em vista todas essas questões, fica evidente a utilidade de tal modelo no fomento de um arcabouço para a discussão por parte da população das questões deficitárias no que tange o espaço público e sua [in]capacidade de abrigar aqueles que nele habitam; identificando quais os problemas estruturais e quais os ocasionais, permitindo uma conscientização e um aprendizado, além de ferramentas de fiscalização da gestão pública. Todas essas questões podem, ainda, ser aproveitadas pelo próprio veículo de comunicação, seja gerando reportagens em resposta à questionamentos dos leitores, seja em função da detecção de padrões e outros interesses que possam gerar notícia jornalística. Dessa forma, a colaboração do leitor na construção da narrativa do jornalística se torna plena, pois não apenas sua participação é publicada como serve de base para direcionar as próprias editorias do jornal na busca de conteúdo noticioso propício aos interesses e necessidades de seus leitores Sob o ponto de vista das ferramentas de webjornalismo que se apresentam frente não só às novas tecnologias, mas também por conta da familiarização da comunidade para com elas, o modelo aqui proposto apresenta características que o incluem no bojo dos aprimoramentos da chamada 4ª geração do webjornalismo (BARBOSA, 2007 apud DALMONTE, 2009, p. 123). Isso porque sua estrutura de georeferenciamento armazena as informações em bases de dados que reconfiguram a visualização da informação em função da busca do usuário -- aqui, como o fez DALMONTE (2009, p.227), é importante diferenciar banco de dados e base de dados: [Para] Ribas (2005, p.7), tomado por referência Colle (2002), (...) 1) banco de dados é o conjunto de informações, o conteúdo armazenado em uma base de dados; 2) e base de dados é a estutura lógico- matemática que permite o armazenamento e a estruturação dos conjuntos, de modo que os dados são independentes e podem ser modificados, representados ou consultados de diversas maneiras. Percebe-se, assim, a atualidade das questões aqui levantadas, em um sistema que abarca quase todas as características apontadas por Palacios (2002) como sendo as representativas do webjornalismo, a saber: 1) multimidialidade, 2) interatividade, 3) hipertextualidade, 4) personalização, 5) atualização e 6) memória. CONCLUSÃO Como apresentado ao longo do artigo, o enfoque no design de interação das ferramentas colaborativas permite o desenvolvimento de modelos que aproveitem melhor a potencialidade existente na relação do leitor com o site noticioso. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 35
  • 42.
    Na questão específicada cobertura jornalística em situações de calamidade pública, conclui-se que é possível propor um novo modelo de colaboração que atenda simultaneamente aos interesses dos leitores e dos sites de notícias, fornecendo subsídios para a aplicação de políticas públicas por parte dos órgãos responsáveis. Do ponto de vista do leitor-usuário, o modelo proposto permite uma interação que foge do modelo de preenchimento de formulários, padrão dos sites noticiosos, e busca uma solução visual, gráfica e georreferenciada, o que traz uma nova perspectiva para a experiência e o envolvimento do usuário, tanto no processo de envio de colaboração quanto na visualização da informação. A geração de uma base de dados a partir dos relatos dos leitores gera um estímulo a participação, uma vez que o conteúdo enviado não se perde ao longo do tempo, e passa a fazer parte de um conteúdo único, verdadeiramente colaborativo e constantemente em atualização. Pelo viés dos sites noticiosos, o modelo proposto traz como grande benefício a geração de uma base de dados alimentada pelos leitores, o que se constitui em uma fonte constante de pautas e notícias. Conhecendo melhor seu leitor e suas necessidades, o jornal é capaz de se tornar cada vez mais atraente e oferecer conteúdo especializado, ou mesmo personalizado, de acordo com as necessidades e interesses de seu público alvo. No âmbito das políticas públicas, o modelo proposto serve como uma central de denúncias, memória e cobrança, uma ferramenta de ligação direta entre o cidadão e os órgãos públicos, com o site jornalístico fazendo a função de intermediador. O site de notícias passa a ter, mais do que nunca, uma função verdadeiramente social. Dessa forma, o conteúdo apresentado ao longo do artigo promove o avanço da questão envolvendo o design de interfaces e de interação na área do jornalismo colaborativo e das ferramentas com base em georreferência, incentivando o desenvolvimento de novos modelos de colaboração que possam aliar o papel jornalístico com a função de utilidade pública. REFERÊNCIAS 1. BARROS, Filipe. Produção e edição colaborativa na Internet: o caso overmundo. Ciberlegenda, n 19, Out. 2007. Disponível em: http://www.uff.br/ciberlegenda/edout2007.html Acesso em: Outubro de 2009. 2. BERTIN, Jacques. Semiology of Graphics: Diagrams, Networks, Maps. Madison, Wis.: University of Wisconsin Press, 1983. English translation and later edition of a text fi rst published in 1967. 3. BORGES, Andre. Blog: uma ferramenta para o jornalismo. In: FERRARI, Pollyana. Hipertexto, Hipermídia: as novas ferramentas da comunicação digital. São Paulo: Contexto, 2007. p. 41 – 52 4. BRAGA, José Luiz. Comunicação, disciplina indiciária. In: ENCONTRO DA COMPÓS, 16.,2007, Curitiba. Anais...Curitiba: Universidade Tuiuti do Paraná, jun.2007. Trabalho apresentado no GT Epistemologia da Comunicação. 5. BREWER, Cynthia. Designing Better Maps: A Guide for GIS Users (first edition 2005). 6. BRUNS, Axel. Gatewatching, not gatekeeping: Collaborative online news. In: Media International Austrália, n. 107, p. 31-44, 2003. Disponível em: http://eprints.qut.edu.au/archive/00000189/01/Bruns_Ga tewatching.PDF Acesso em: Outubro de 2009. 7. CÂMARA, Gilberto; MIGUEL, Antônio; DRUCK, Suzana, CARVALHO, Marília. Análise Espacial e Geoprocessamento. Website do INPE, http://www.dpi.inpe.br/gilberto/livro/analise/cap1- intro.pdf - 05/10/2009. 8. DALMONTE, Edson Fernando. Pensar o discurso no webjornalismo: temporalidade, paratexto e comunidades de experiência. Salvador: EDUFBA, 2009 9. HENRIQUE, César. Geoprocessamento: Tecnologia transdisciplinar. Ed. do autor Minas Gerais: 2000. 10.MARTINELLI, Marcello. Mapas da Geografia e Cartografia Temática. 4 ed. Sã Paulo: Editora Contexto, 2008 11.OLIVEIRA, Nelson de; HOLANDA, ANDRÉ FABRÍCIO DA CUNHA. Jornalismo participativo e informação hiperlocal: o papel de Mashups e hashtags na construção da notícia em redes sociais. in: Revista Iniciacom - Revista Brasileira de Iniciação Científica em Comunicação Social, Vol. 2, Nº 1 (2010) 12.PREECE, Jennifer; ROGERS, Yvonne; SHARP, Helen. Design de interação: Além da interação homem- computador. Bookman, 2005. 13.PRIMO, Alex; TRÄSEL, Marcelo Ruschel. Webjornalismo Participativo e a produção aberta de notícias. Contracampo (UFF), 2006, v. 14, p. 37 – 56 14.SPENCE, ROBERT. Information Visualization: Design for Interaction (2nd Edition). Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 36
  • 43.
    O design dematerial jornalístico: do impresso ao virtual - os desafios da interatividade RESUMO O jornalismo sempre foi um dos campos mais tradicionais do design. Com a popularização da internet e dos sites de notícias, este campo se tornou mais abrangente e heterogêneo. Este artigo apresenta o processo de transposi- ção do meio impresso para o meio hipermidiático que o jor- nalismo vem sofrendo desde os anos 1990. É feita uma apresentação do workflow de produção de notícias, que passa pela apuração, criação e publicação de notícias na mí- dia tradicional impressa e sua transposição e adequação pa- ra a internet, algumas soluções existentes hoje para o acesso a matérias jornalísticas em webistes e leitores digitais. No fim é feita uma proposta de um programa utilizando cons- truído sob o padrão de programação MVC, visando facilitar o trabalho do designer na criação de layout para conteúdo jornalístico para diferentes mídias. Palavras-chave Design de notícias, interação, hipermídia, mvc ACM Classification Keywords H5.4. Information interfaces and presentation: Hypertext / Hypermedia. INTRODUÇÃO A internet e as mídias eletrônicas apresentam hoje uma realidade que há alguns anos era impensável: um enorme volume de informação acessível a todos. A rede mundial de computadores se tornou um dos principais veículos de in- formação e notícias, divulgadas de maneira quase instantâ- nea. Mídias eletrônicas permitem conteúdo rico, adicionan- do sons, vídeos e conteúdo interativo ao texto jornalístico. Atualmente, todos os principais jornais e revistas têm suas versões online, que muitas vezes não exploram todas as possibilidades destes novos meios de comunicação. Este artigo pretende analisar algumas soluções de adaptação e transposição do conteúdo jornalístico para as novas mídias, além de apresentar uma alternativa de solução para uma reportagem originalmente publicada na edição impressa da revista Veja. O SURGIMENTO DA INTERNET Em 1969 foram ligados dois centros de pesquisa através de uma rede de computadores a uma grande distância na Cali- fórnia, EUA, dando início a Arpanet. De uso estritamente militar, com o objetivo de cobrir todo o território norte- americano para troca de informações sobre a segurança na- cional do país e resistir a possíveis ataques inimigos, a rede começou a incorporar outros centros de pesquisa e univer- sidades dos EUA a partir de 1970. Em 1973 foi criada a primeira conexão internacional, ligando a Arpanet à Universidade de Londres. Em 1978 foram incorporadas redes de outros países e, em 1981, a rede internacional cobria os EUA, Canadá, Reino Unido, Europa e Austrália. Em 1988 começa a exploração comer- cial da rede: serviços de email foram conectados e provedo- res comerciais de serviços, os chamados ISP (Internet Service Providers) foram criados. Outras redes separadas - como Usenet e BITNET - foram conectadas ao que já se chamava de internet. No entanto, o acesso ainda era limitado. Em 1991 o laboratório europeu CERN introduziu a World Wide Web, criação de Tim Berners Lee, que permitia a utilização de sistemas e ferramentas para criação e visualização de infor- mação em sistemas hipermídia. A criação da linguagem HTML (Hypertext Markup Language) permitiu a exibição da informação através de uma estrutura de hipertexto e o navegador Mosaic trouxe uma interface gráfica que facilitava a navegação. Posteriormente, os navegadores Netscape e Internet Explorer tiveram um importante papel na popularização da rede [12]. Em 2004 surgiu o conceito de Web 2.0, que ao contrário do que o nome sugere não usa uma nova versão de protocolos ou novas tecnologias, mas procura criar aplicativos basea- dos na web focados em na troca de informação, interope- rabilidade, design centrado no usuário e colaboração, usan- do tecnologias conhecidas como linguagens de script rodan- do no servidor (PHP, ASP.NET, Java) com Javascript, uma linguagem de programação que roda no computador do usuário [27]. A Web 2.0 permite uma maior participação do usuário, permitindo que ele desempenhe um papel ativo na construção do conteúdo. Hoje no Brasil o acesso à Internet chega a 63,2 milhões de pessoas [2] o que demonstra sua importância como meio de comunicação. Jornalismo na internet Com a abertura comercial da internet e o acesso da po- Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 37
  • 44.
    pulação em geralà rede, começaram a surgir os websites comerciais, preocupados em manter uma presença online, mas ainda receosos em relação ao potencial comunicacional e às possibilidades de retorno financeiro. O Chicago Tribune em 1992 foi o primeiro jornal a publicar uma edição online, uma cópia da sua edição impressa. O New York Times lançou sua versão em 1994, e no fim do século todos os principais jornais estavam online [19]. No Brasil, o primeiro jornal a criar uma versão online foi o Jornal do Brasil. Outros jornais criaram suas edições online em seguida, como a Folha de São Paulo, o Estado de São Paulo e O Globo. A transposição do material jornalístico da mídia impressa para a internet passa por três fases distintas [23]: Na primeira fase, chamada transpositiva, os sites jornalísticos apresentavam transposições de partes de suas matrizes, apresentando uma ou duas matérias de suas principais edi- torias, atualizadas uma vez por dia, acompanhando a produ- ção e a publicação das edições impressas. Nesta fase, o trabalho do designer não tinha uma fronteira definida e frequentemente era feito por profissionais de informática que criavam as páginas como um todo, do layout à programação. Em um segundo momento, conhecido como metáfora, os produtos jornalísticos começam a explorar as possibilidades oferecidas pela internet de maneira experimental, sem se distanciar de sua versão impressa. Nesta fase diminui o intervalo de atualizações das notícias, começam a surgir de formas de interação com o autor ou com outros usuários através de ferramentas como email ou fóruns de debate. A criação do conteúdo jornalístico passa a levar em considera- ção os recursos de hipermídia na internet. O designer passa a ter uma atuação mais específica, na criação de templates, material gráfico e adequação do conteúdo ao layout. No terceiro momento o webjornalismo se distancia de vez do modelo de mídia tradicional, deixando de ser apenas uma versão da mídia tradicional e passando a explorar as verdadeiras possibilidades oferecidas pela rede, facilitado pela melhora da tecnologia de transmissão de dados possibilitando a transmissão mais rápida de sons, imagens e vídeos. Muitos websites jornalísticos no Brasil estão hoje na segunda fase: seu conteúdo principal é uma versão da edição impressa, com o acréscimo de alguns elementos extra em multimídia. As equipes se tornam maiores, com funções mais específicas; surgem novas áreas para o design como, por exemplo, design de interação. Alguns exemplos de jornais que possuem características da terceira fase no mundo são o Telegraph, da Inglaterra [4], o El País da Espanha [5] e a MSNBC, dos EUA [17]. Segundo GUERRERO e HUERTA [24] as fases do de- senvolvimento da imprensa online não são três, mas quatro. Na primeira, há uma reprodução do conteúdo textual im- presso, sem imagens. Nesta fase não havia quase nenhum recurso destinado à internet nas editorias dos jornais. Na segunda fase, começam a ser incorporados recursos de hipertexto e multimídia, como links, imagens, vídeo e áudio. Neste momento começa a separação entre o webjornalismo e o jornalismo impresso. Na terceira fase há um incremento de recursos multimídia, acréscimo de serviços de entretenimento, comunidades e serviços sociais. Há o início de oferta de comércio eletrônico. Na quarta fase é que se encontra o conteúdo produzido exclusivamente para a internet. Elementos interativos como chats e enquetes são incorporados às reportagens. Há uma reserva de recursos e profissionais exclusivos para a produção de conteúdo online. Ainda segundo os autores, é possível que uma mesma publicação possua características que a inclua em mais de uma fase. O designer desempenha nestas fases papéis similares aos apresentados nas fases anteriores. PERSPECTIVAS DO JORNALISMO A abertura comercial da internet aconteceu de forma muito abrupta, fazendo com que todas as empresas buscassem um lugar no ciberespaço sem planejamento prévio. Estar na internet era importante, afinal os concorrentes também cor- riam para ter um site. No caso dos jornais principalmente as estratégias de negócios se provaram inadequadas. No come- ço, a nova mídia foi vista ceticismo em relação as suas possibilidades de geração de renda. As direções de alguns jornais não perceberam na rede uma oportunidade de novos negócios, mas sim uma oportunidade de atrair novos leitores para os jornais impressos, principalmente leitores mais jovens, que vêm deixando de ler jornais [8]. Em outros casos pensou-se que a disponibilidade do conteúdo integral gratuitamente para os leitores na internet possibilitaria um retorno com publicidade. O retorno nunca veio e os leitores se acostumaram a ter de graça o mesmo conteúdo pelo qual teriam que pagar para ler no jornal impresso [3]. Acabou se criando um círculo vicioso, porque se o jornal passa a cobrar pelo conteúdo perde leitores para os concorrentes, onde o conteúdo é gratuito, e se continua disponibilizando material gratuito continua atuando no vermelho. Ainda assim muitos jornais cogitaram ou fizeram experiências com a cobrança de acesso às notícias online, de certa maneira paradoxal em relação à vontade de se re- crutar jovens leitores. O New York Times chegou a cobrar o acesso a seu conteúdo até 2007, quando aboliu a cobrança procurando gerar mais renda com um aumento no número de anunciantes. O editor-executivo do jornal, Bill Keller, anunciou que o jornal estudava voltar a cobrar o acesso de seus leitores em 2010 para diminuir os prejuízos. Rupert Murdoch, o diretor da News Corp., empresa que reúne jornais como o The Times e o The Sun, ingleses, e o norte- americano New York Post, afirmou que todos os jornais da empresa terão um modelo de cobrança onde parte do conteúdo é gratuito e parte é paga. Este modelo é baseado no utilizado pelo site do jornal sobre economia Wall Street Journal, que também faz parte da News Corp. e é hoje um dos poucos grandes webjornais que apresenta lucro. Alguns Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 38
  • 45.
    críticos a cobrançaafirmam que o único motivo de sucesso do Wall Street Journal é que os leitores tendem a estar de acordo com a cobrança quando buscam notícias especia- lizadas, como é o caso deste jornal. O The Times começou com o sistema de cobranças em meados de 2010, e após três semanas a estimativa de queda no número de leitores era próxima de 90% [7]. O jornal se dividiu em dois na internet, em referência ao Times, que circula de segunda a sábado, e o Sunday Times, que circula somente aos domingos. A assinatura do primeiro custa uma libra esterlina por dia, enquanto do segundo custa duas libras esterlinas por semana, com assinaturas gratuitas para bibliotecas cadastradas. No primeiro mês de cobrança o jornal teve um declínio de 48% nos pageviews além de cair 609 posições no ranking Alexa, que mede a popularidade de websites no mundo todo. Essa queda levou muitos leitores aos jornais concorrentes como o Guardian e o Telegraph ou mesmo a outros jornais que não são concorrentes diretos do Times, como o tablóide Daily Mail. Apesar de tudo, segundo Borges [3], a internet não é a prin- cipal culpada nessa queda no número de leitores do jornal impresso, que vem acontecendo desde o final dos anos 80, antes da popularização da grande rede. O autor cita como uma das causas o fato de que muitos jornais, que tradicionalmente tinham uma administração familiar, passa- ram a ser dirigidos por grupos de investimento como a já citada News Corp. Nestes grupos a pressão por lucro é maior, podendo levar em alguns casos a redução de recur- sos, de custos e de pessoal, refletindo em uma queda na qualidade do produto jornalístico. No Brasil, O Globo Online disponibiliza as notícias de última hora e outras notícias exclusivas da versão online gratuitamente. O conteúdo do jornal impresso, incluindo as colunas de opinião, só podem ser acessados por assinantes da versão impressa. Não há assinatura exclusiva para a versão eletrônica. Segundo Borges [3], O Globo Online não se sustenta com propaganda e é um dos poucos jornais online lucrativos graças à publicação dos chamados produ- tos editoriais, ou seja, matérias pagas por empresas que bus- cam a divulgação de seu ramo de atividade e atingir o pú- blico consumidor do jornal. O Jornal do Brasil recentemente publicou um comunicado que devido suas dívidas o jornal deixará de circular como impresso, sendo publicado exclusivamente na internet a partir do dia 1º de setembro de 2010. Porém nem tudo está perdido para o jornalismo. Os smartphones, celulares modernos, com recursos como agenda, acesso à internet e possibilidade de instalação de aplicativos que aumentam suas funcionalidades, se tor- naram um dos principais tipos de dispositivo de consumo de mídia no mundo inteiro. Mais recentemente surgiram também os leitores eletrônicos, e-readers em inglês, apare- lhos voltados especificamente para a leitura de livros, jor- nais ou revistas. Os jornais passaram a publicar conteúdo também para estes dispositivos, através de assinatura ou venda de exemplares avulsos, como faz o jornal O Globo para a plataforma Kindle, da Amazon. A Esquire lança suas edições simultaneamente nas bancas e como aplicativo para o celular iPhone, da Apple. Muitos jornais e revistas já lan- çaram aplicativos e edições para o leitor de ebooks iPad, também da Apple. As perspectivas de lucros com venda de conteúdo para estes dispositivos são promissoras, as empresas estão empolgadas com o segmento e vêm planejando modelos de cobrança pelo conteúdo desde o início, diferente do que foi feito na web. ESCRITA IMPRESSA VS. ESCRITA ELETRÔNICA A escrita passou por milhares de anos de evolução com quase nenhuma mudança. O papel, que só como suporte da escrita impressa é utilizado a cerca de 500 anos, hoje cede terreno para suportes eletrônicos de escrita, que possuem características distintas que refletem na forma como o texto é lido. Hoje se cria conteúdo para a escrita eletrônica sem considerar estas características, como se estes suportes se comportassem da mesma maneira que o papel. Na leitura tradicional a imagem é formada pela reflexão da luz no papel. A resolução os textos e imagens, medida em DPI (pontos por polegada, em inglês), é de 300 no caso das revistas e de 150 a 200DPI no caso dos jornais. Essas duas características são as principais responsáveis pelo conforto da leitura do papel, que pode ainda ser dobrado e facilmente carregado no bolso ou em uma bolsa, ter suas margens usadas para anotações a lápis ou caneta e seus cantos dobrados para a marcação de páginas. Alguns usuários afir- mam sentir a falta de uma relação física com o texto ele- trônico [16]. Os impressos não precisam de eletricidade para ser lidos, bastando um pouco de luz ambiente. Leitores eletrônicos Os leitores eletrônicos ou digitais podem ser de dois principais tipos: monitores CRT ou LCD e telas de E-Ink. Monitores de CRT ou LCD Monitores de CRT e LCD possuem características bastante parecidas. Os primeiros eram mais comuns há algum tempo, mas são maiores, pesados e consomem mais ener- gia. Os monitores de LCD, mais portáteis, ficaram popu- lares e estão presentes em computadores, laptops, televiso- res, telefones celulares e outros dispositivos. Ambos pos- suem baixa resolução de tela (72 a 100 DPI), com a imagem formada através de emissão de luz, por isso têm não pos- suem a riqueza de detalhe da impressão em papel e causam maior incômodo na leitura. A iluminação ambiente também influencia na leitura em dispositivos deste tipo: são quase impossíveis de serem lidos sob incidência de luz direta como a da luz do sol. Sua autonomia de bateria também é considerada baixa em relação aos dispositivos de E-Ink. Sua principal vantagem é a possibilidade de uso de imagens Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 39
  • 46.
    coloridas e vídeosem conjunto com o texto escrito. Monitores de E-Ink A tecnologia de E-Ink (tinta eletrônica em inglês) surgiu para fazer com que a leitura eletrônica ficasse mais próxima da leitura no papel. Sua imagem é formada por micro esferas que possuem um lado claro e outro escuro. Através de uma descarga elétrica essas micro esferas se orientam para formar a imagem, como no papel, através da reflexão de luz. Sua resolução é maior que a dos monitores de LCD e CRT – o leitor eletrônico Kindle possui uma resolução próxima a de um jornal – e sofrem menos influência da iluminação direta. Os leitores de tinta eletrônica em comer- cialização hoje não são coloridos nem têm a possibilidade de uso de vídeo. Leitores digitais no mercado Os dois leitores eletrônicos portáteis mais conhecidos à venda hoje são o Kindle, da Amazon, e o iPad, da Apple. A Amazon contou com sua relação com as editoras para a disposição de um grande número de títulos em um leitor de e-ink, o mais similar possível à leitura tradicional. Já a Apple apostou em um leitor baseado na tecnologia LCD, podendo assim vender tanto livros como jogos e filmes já disponíveis em sua loja online. Sendo assim, o Kindle é ex- clusivamente um leitor eletrônico, enquanto o iPad é um dispositivo para consumo de mídia em geral, inclusive li- vros, jornais e revistas eletrônicos. Existem alguns outros leitores eletrônicos de menor expressão produzidos pela Sony e pela Barnes Noble também com tela em e-ink. No Brasil a Positivo lançou um leitor eletrônico em meados de 2010 e a livraria online Gato Sabido vende seus leitores eletrônicos chamados Cool-er, ambos com tela de E-Ink. Os leitores eletrônicos em geral possuem algumas funções que buscam mimetizar os impressos, como a possibilidade de se marcar ou sublinhar trechos do texto, marcar páginas para posterior consulta e anotações laterais. Estas funções em geral precisam de um mínimo de aprendizado sobre o funcionamento do dispositivo em questão. Leitura eletrônica Com as diferentes características dos suportes eletrônicos, a leitura ocorre de maneira diferente na tela e no monitor. Alguns estudos indicam que ela ocorre de maneira até 30% mais lenta nos monitores LCD e CRT [16]. Em outro estudo conduzido [18] os leitores atribuíram notas altas em relação à satisfação de leitura tanto no iPad quanto no Kindle, apesar de levarem de 7 a 10% a mais de tempo para lerem um texto eletrônico nos aparelhos em relação à uma versão impressa. À leitura na tela do computador foram atribuídas notas muito baixas. O usuário de textos eletrônicos corre o olho pela tela, prin- cipalmente pela parte superior, buscando imagens e texto em destaque para decidir o que gostaria ou não de ler. A arrumação do conteúdo em seções, com cabeçalhos e textos em destaque também facilita esta seleção, assim como fra- ses curtas e diretas. Como no papel, blocos de texto muito largos fazem com que o leitor se perca ao passar para a linha seguinte. Porém, este é um fator mais crítico no monitor, pois as linhas podem extrapolar o limite da tela, fazendo com que o uso da barra de rolagens horizontal seja necessário e se torne ainda mais difícil achar a próxima linha. Algumas regras de escrita são similares às de estilo jornalís- tico, outras são novas ou adaptações para melhor adequar a leitura ao monitor. Deve-se procurar manter os parágrafos pequenos, com no máximo 100 palavras cada um. As linhas de texto também não podem ser muito compridas, para que o leitor não se perca, e jamais deve ficar maior que a largu- ra da tela, para que não haja necessidade do uso da barra de rolagem. Algumas outras observações devem ser tomadas, como manter a ordem direta nas sentenças e evitar palavras ou linguagem rebuscada, mantendo a leitura o mais simples possível [13, 28]. O corpo da fonte de texto também é um fator importante a ser levado em consideração. Os usuários em geral costu- mam estar a uma distância maior da tela de computador do que a distância em que seguram um livro ou outro impres- so, portanto o texto no computador não pode ter uma fonte com o mesmo tamanho de corpo que num impresso. Um es- paço entrelinhas maior, que deixa o texto “respirar” tam- bém facilita a leitura em suportes eletrônicos. Smartphones e leitores eletrônicos costumam ser segurados a uma distância similar da dos livros, porém nos primeiros, devido ao tamanho reduzido da tela, as linhas de textos ten- dem a ficar muito curtas, fazendo com que a leitura seja mais lenta. JORNALISMO E TECNOLOGIA O webjornalismo possui algumas características que o diferenciam do jornalismo impresso tradicional, sendo uma das principais a interatividade. O leitor se relaciona dire- tamente com o autor e com outros leitores, através de chat, email, sistema de comentário (e opinião) dos leitores e fó- runs de discussão. O leitor pode passar a se sentir como par- te integrante do processo e pode construir a publicação. Ele tem uma atitude ativa, é um coautor ou editor da matéria. Sem ele, não há narrativa. Este processo de construção leva a uma customização ou personalização do conteúdo jornalístico. O usuário constrói sua narrativa, se aprofundando ou não em determinados temas. As publicações têm a possibilidade de fornecer conteúdos individualizados de acordo com o interesse do usuário, através da pré-seleção dos assuntos por parte do leitor ou de maneira automática, através da análise de seus padrões de navegação [19]. Outro fator que diferencia o webjornal do jornalismo tradi- cional é a facilidade de atualização. A periodização é uma Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 40
  • 47.
    característica marcante damídia tradicional. As edições acontecem em um intervalo pré-determinado, normalmente com um tempo relativamente grande entre estas edições. No webjornal a atualização é constante, à medida que chegam as notícias. O conceito de edições se dilui e a facilidade de atualização termina com o espaço de tempo entre a produ- ção e a circulação das informações. O usuário tem acesso imediato ao produto jornalístico. Por se tratar da notícia jornalística em formato de hipermí- dia, os webjornais possuem como característica uma capaci- dade de armazenamento de informações muito grande, fa- zendo com que a consulta a materiais antigos relacionados à notícia em questão seja feita de maneira fácil e rápida, per- mitindo que o leitor faça uma contextualização. Portanto o leitor de um webjornal tem a sua disposição um volume muito maior de informações acessíveis rapidamente através de um clique podendo escolher o aprofundamento desejado de acordo com seus interesses. A produção jornalística A produção de material jornalístico pode ser dividida em apuração, produção e circulação das informações. A utiliza- ção dos computadores começa a reestruturar a produção jor- nalística, acelerando todo o processo. Na apuração o com- putador pode ser usado para checar informações, buscar dados anteriores que contextualizam a notícia atual. Na fase de produção de notícias é no computador que são digitados os textos, editadas as fotos (que hoje não precisam mais ser reveladas) e montada a diagramação. Na última fase, de cir- culação, o computador hoje tem a possibilidade de levar o conteúdo jornalístico direto para o leitor. Ele deixa então de ser apenas uma ferramenta para se torna parte constituinte da produção e consumo do jornalismo. Metodologia de produção de notícias O workflow de produção de conteúdo jornalístico hoje foi criado pela mídia impressa, e foi sendo adaptado para o webjornalismo e o jornalismo eletrônico. Este processo de produção hoje é inteiramente digital e pode ser dividido nos seguintes subprocessos: produção de conteúdo textual, pro- dução de conteúdo de imagem, produção de anúncios, jun- ção de todos estes conteúdos em um produto (o jornal em si) e por fim a publicação. A produção de imagens e a pro- dução editorial normalmente se desenvolvem em conjunto, podendo às vezes se correr em paralelo. Texto O texto pode ser produzido na própria edição ou remota- mente pelos funcionários do jornal, ou pode ser adquirido externamente de outras serviços, jornais ou agências ao re- dor do mundo, e importados para o sistema de armazena- mento utilizado pelo jornal. Pode ser uma reportagem enco- mendada ou a notícia de algum fato ocorrido. Este texto, ao entrar no sistema, é catalogado através de arquivos XML, onde são acrescentados os dados como autoria, data e pala- vras-chave para posterior recuperação, e em seguida é ar- mazenado no banco de dados. Imagens As imagens podem ser fotografias, ilustrações ou infográ- ficos. As fotografias produzidas pelo próprio jornal são capturadas em câmeras digitais, enquanto infográficos e ilustrações são produzidos ou finalizados em softwares es- pecíficos. Em alguns casos o próprio repórter pode, diante da necessidade, ser ele mesmo o fotógrafo e utilizar até te- lefones celulares para as fotografias. As imagens também podem ser adquiridas em bancos de imagem ou outra fonte independente, e chegam à edição através de transferência FTP, email ou outros meios. Todas as imagens utilizadas também são catalogadas usando arquivos XML, sendo por fim são adicionadas ao banco de dados do jornal. Comercial O processo de produção do material comercial normal- mente é totalmente separado do resto do conteúdo. Produzi- do pelo próprio anunciante, ele chega ao jornal fechado (pronto pra impressão) através de FTP, HTTP ou email. Este material é então checado para verificação de conteúdo e adequação técnica, depois identificado e armazenado no banco de dados, para que possa ser inserido automatica- mente na grade da página do jornal. Editorial O conteúdo editorial consiste de uma junção e aquisição de conteúdos de imagem, texto e anúncios. Funcionários chamados de copy editors organizam todo o conteúdo de imagem e texto manualmente em módulos da grade da pá- gina, através de softwares de editoração eletrônica e de acordo com definições dos editores de seção. Alguns tipos de conteúdo, como anúncios e material de adquirido de ou- tras agências, é inserido automaticamente de acordo com o espaço na página. Paralelamente as imagens estão sendo re- produzidas e editadas, com cortes e acertos de resolução e tamanho. É nesta área que se concentra a maior parte do trabalho do designer. Dependendo da seção ou da página em questão ele terá mais ou menos liberdade para a criação do layout, respeitando ou extrapolando a grade utilizada pe- lo jornal. Pós-editorial Depois que todas as páginas de cada seção estão prontas, elas são enviadas ao editor de seção para aprovação, quando é considerada pronta para impressão (print-ready). A página print-ready é salva em diversas resoluções e tipos de arqui- vo, para serem usadas em mídias diferentes. Os arquivos em alta resolução são enviados para a gráfica por FTP para a produção dos fotolitos e chapas para impressão. A produção de notícias no webjornalismo Apesar de ter em comum com o jornalismo impresso a es- trutura básica de produção de notícias, o webjornalismo Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 41
  • 48.
    Figura 1: Ojornal O Globo em sua versão para o Kindle – foto de Michel Filho para O Globo possui algumas características que diferenciam seus méto- dos de publicação. A principal diferença é que o jornal onli- ne diminui o tempo entre o ocorrido e sua publicação. As notícias em tempo real trazem uma agilidade que só é possível nessa mídia. O repórter envia para a redação ou publica remotamente notas curtas durante o dia, conforme as ocorrências, que posteriormente podem ser reutilizadas e desenvolvidas para se tornar pequenas notícias, dependendo da relevância ou repercussão. Frequentemente a repercus- são determina que notícias serão mais trabalhadas para a versão impressa do jornal. Os jornais online normalmente têm um corpo menor de repórteres e é comum que repórteres da versão impressa sejam utilizados na versão online. Os repórteres do jornal online têm maior autonomia e devem decidir que notícia devem aprofundar. No caso de um notícia inicialmente apu- rada por um repórter da versão impressa, é de responsabili- dade do repórter do webjornal de averiguar os fatos e fazer o aprofundamento. O editor do jornal online deve estar sempre atento para atualizar notas, matérias e chamadas, as- sim como decidir a o que dar destaque, pois um webjornal está em constante fechamento. No jornal online o espaço para publicação é virtualmente infinito. O editor do jornal impresso tem uma preocupação com o tamanho das páginas, a publicação de anúncios e sua influência no layout, que não são as preocupações do editor online. No webjornal notícias podem ser mais aprofunda- das, outros temas que sofreram desgaste podem ser tra- balhados e outras informações que no impresso seriam des- cartadas podem ser publicadas com fotos, vídeos e até links para notícias antigas, ajudando a dar o aprofundamento e entendimento que o leitor desejar. Segundo alguns analistas, a velocidade de publicação dos webjornais deve empurrar os jornais impressos para uma posição mais analítica, sem se ater aos acontecimentos em si e mais ao seu contexto [3]. O Globo e o Kindle O jornal O Globo lançou uma versão de seu jornal para o leitor eletrônico Kindle, da Amazon. Esta edição eletrônica só pode ser adquirida, em formato avulso ou por assinatura, através da livraria online, em dólares e com cartão de crédi- to internacional. O conteúdo é quase o mesmo da edição impressa. Por uma restrição da Amazon deve ser enviada a edição internacional do jornal a ser publicado. No caso do Globo isso significa retirar informações localizadas como as editorias de bairro e informações sobre eventos culturais. Também por restrição da livraria eletrônica são retirados todos os anúncios. O jornal O Globo utiliza um software de gerenciamento e arquivamento de reportagens, padrão no mercado editorial, em que foi feita uma adaptação para gerar, junto com o último clichê uma versão em XML que será enviada para a Amazon para ser convertida em seu formato proprietário. As fotos utilizadas são versões em baixa resolução em formato JPG, as mesmas usadas no site do jornal. O aparelho está agora em sua segunda versão e foi pensado inicialmente para livros, não conteúdo jornalístico. Talvez por isso a Amazon tenha fixado regras rígidas na publi- cação e vinculado essa edição eletrônica a uma edição im- pressa. Pode ser que no futuro o aparelho possa ter algumas funções que permitam uma frequência maior de atualização e talvez uma conexão com o site do jornal, permitindo a in- clusão de hiperlinks e outros recursos hipermídia no apa- relho. A Esquire e o iPhone Em Janeiro de 2010 a revista Esquire lançou sua edição impressa com uma versão em formato de aplicativo para iPhone, usando uma plataforma para a publicação de revistas para o smartphone da Apple chamada Everest, cria- da pela empresa ScrollMotion e vendida na época por U$1,99, contra U$4,99 da versão impressa. A versão para iPhone foi lançada não como uma edição especial, mas como sendo a própria revista, com o conteúdo integral à disposição do leitor para a leitura no smartphone. Com exceção de uma pesquisa do tipo Quizz, a seção de cartas e pequenos boxes de texto suplementar em alguns artigos, tudo está presente nesta versão digital. Após este número da revista a editora Hearst lançou uma versão do leitor digital que oferece edições avulsas e assinaturas trimestrais, semestrais e anuais. O aplicativo pode ser lido no iPad, mas não foi desenvolvida explorando o maior es- paço em tela do aparelho. A edição eletrônica analisada, de janeiro de 2010, tem como único anunciante a marca de desodorantes Axe em pequenos banners após os artigos ou apresentada como uma matéria, no fim do sumário. Como material bônus, um ví- deo da “mais sexy mulher do mundo”, como eleita pela re- vista em uma edição anterior. O aplicativo é aberto com uma imagem da capa, exatamente Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 42
  • 49.
    igual da versãoimpressa. O sumário da edição só pode ser lido com o aparelho na orientação vertical, mas com a opção de visualização das fotos em tamanho maior com ro- lagem horizontal ou em tamanho menor em uma lista com rolagem vertical. É possível ainda filtrar as matérias por editorias. Os artigos podem ser lidos com o aparelho na orientação vertical (retrato) ou horizontal (paisagem), e seguem sem- pre a mesma formatação, com uma barra horizontal no topo com o logotipo da revista e a editoria a que o artigo perten- ce. Logo abaixo está o assunto seguido do título, sempre em vermelho, o subtítulo e o autor, sempre em cinza, com um contraste mais baixo, mas que não compromete a leitura. Nos artigos onde há imagens, a imagem principal vem abai- xo do nome do autor. Nas matérias em que há mais de uma imagem, as outras se encontram distribuídas pelo texto, ocupando a largura completa da tela. Um toque em qual- quer delas abre um álbum com todas as imagens daquele artigo, mesmo quando só há uma. A tipografia escolhida para os artigos é muito próxima em tamanho e estilo à tipografia da versão impressa. Trata-se de uma escolha interessante, já que o artigo eletrônico será lido em uma distância próxima à da versão impressa, e a largura da linha no formato paisagem faz com que o texto fique com uma largura muito próxima à das colunas da revista impressa. No formato vertical as linhas são mais curtas e a leitura mais lenta. O texto alinhado à esquerda não cria “rios”, os espaços excessivos entre as palavras cau- sados por hifenização deficiente, ou no caso, inexistente. A navegação é feita com um toque na parte esquerda da tela para ir para o artigo seguinte ou na parte direita pra ir para o artigo anterior. Adicionalmente dois botões no fim do artigo possuem a mesma função. Uma animação simulando uma passagem de página de um bloco de notas indica que o leitor está navegando frente ou para trás. O leitor pode gravar seus artigos favoritos para acesso posterior. Não é possível, porém, marcar como favorito um ponto específico do artigo, marcar trechos de interesse no texto ou anotações na página. O acréscimo de alguma interação maior poderia causar maior interesse dos usuários. A periodização e o conteúdo iguais aos da versão impressa causam algumas reclamações de usuários no site do aplicativo na loja online da Apple. A REVISTA VEJA E A VEJA ONLINE A revista Veja disponibiliza uma versão online para todo o conteúdo de suas revistas antigas desde 1997, assim que a edição seguinte chega às bancas. Há também uma página especial feita em Flash que dá acesso ao conteúdo integral de todas as revistas já lançadas. Para este trabalho, foi selecionada uma reportagem da revista Veja para análise de sua transposição para a internet intitulada “Eles não arredam o pé”, de autoria de Thaís Oyama, publicada na edição 2109, de 22 de abril de 2009, que relata a vida de lutadores de sumô brasileiros vivendo no Japão. Esta reportagem foi escolhida por se tratar de um tema em que a velocidade de divulgação não é um fator de extrema importância. São reportagens que não tratam de fatos re- centes onde novos acontecimentos acrescentam informa- ções e esclarecimentos à reportagem, mas são frutos de pes- quisas e investigações por parte do repórter. Como não há uma grande pressa para a publicação, podem ser trabalha- das com mais liberdade e tempo para a versão em hipermídia. Revista impressa A reportagem ocupa duas páginas e meia na revista impressa. Na abertura a foto dos dois lutadores de sumô brasileiros toma metade da primeira página e mais uma coluna da segunda, com o título alinhado à imagem, ocupando a mesma largura. A reportagem apresenta um texto corrido, interrompido no subtítulo e na legenda da foto. À direita da segunda página, ocupando uma coluna, está um infográfico, ocupando o espaço de uma coluna, constituído de uma lista de itens em negrito relativos ao esporte, cada um com um comentário em peso normal, divididos por linhas pontilhadas, em um fundo que remete ao sol nascente, mas em cinza. Um dos itens, que se refere à alimentação dos atletas, contém uma fotografia de um prato de refeição típico dos lutadores de sumô, e no fim do infográfico há uma imagem de dois lutadores se enfrentando. A terceira e última página da revista contém a última coluna de texto e um box, com fundo cinza e tipografia sem seri- Figura 2: Versões impressa e para iPhone da revista Esquire lado a lado Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 43
  • 50.
    Figura 3: Versãoimpressa da reportagem Figura 4: Impressão de tela da versão online da matéria fas, diferente da tipografia utilizada no restante da reporta- gem. Este box apresenta um reportagem relacionada à pri- meira, sobre confusões envolvendo lutadores de sumô fora do ringue, como consumo de álcool e drogas ilícitas e brigas, resultando em banimentos do esporte. Ilustrando o box está uma fotografia de um dos ídolos do esporte, que foi suspenso após ter sido flagrado com maconha. Trata-se de uma reportagem curta sobre um tema não po- pular no Brasil. Há poucas explicações sobre a luta e a difi- culdade dos atletas, e o único infográfico não é convidativo nem acrescenta muito ao texto. Revista Online A Veja Online passa por constantes reformulações gráficas que atingem somente reportagens recentes. As reportagens antigas permanecem hoje no site da revista com o layout original. A página de artigos começa com um banner publicitário, seguido do cabeçalho de navegação que dá acesso a outras publicações da Editora Abril. Logo depois, o logotipo da revista, um campo de formulário para busca e pesquisa e três colunas de links para áreas do site. O conteúdo principal da página com a versão online da re- portagem é dividido em quatro colunas. A primeira contém menus de navegação com acesso para as áreas com o conteúdo das edições atuais da revista Veja, das revistas re- gionais e especiais e a áreas do site. Na segunda coluna está o menu de navegação da edição que está sendo consultada. A última coluna é reservada para banners de publicidade, oferecendo assinatura da própria revista ou produtos de outras empresas. Estas três colunas ocupam 1/6 da largura da página cada uma. Parte desta navegação passou para a parte superior da página no novo layout. A outra coluna, com largura equivalente a metade da página, é ocupada pela reportagem em si. Apresentada em uma única página, de grande extensão vertical a reportagem cria uma grande barra de rolagem. A imagem dos lutadores tem o tamanho reduzido em relação à revista impressa e fica abaixo do título. O texto da reportagem segue logo após a fotografia, composto em Verdana, com tamanho de 13 e entrelinha de 16 píxels. Logo após o texto encontra-se o mesmo infográfico da revista, mas desta vez em formato de imagem, o que significa que se o leitor quiser aumentar para facilitar a leitura o texto perderá a definição, podendo mesmo não aumentar. Após o infográfico, o texto do box sobre as confusões dos lutadores, sobre um fundo cinza, é composto com a mesma tipografia do texto principal. A pequena foto do lutador banido ilustra o texto. A reportagem digital apresenta um texto corrido muito longo, com um espaço entrelinhas curto, desconfortável para leitura na tela. A reportagem poderia ainda contar com recursos multimídia ou mesmo links para fontes alternativas para melhorar e aprofundar o entendimento com o leitor. O infográfico apresentado como imagem também não ajuda, pois além de ser simples demais como o original impresso, ainda não possibilita o aumento sem a perda de resolução. SOFTWARE PARA CRIAÇÃO DE TEXTO JORNALÍSTICO Após a análise das particularidades de cada um dos suportes para o conteúdo jornalístico, foi criada a sugestão de um aplicativo que levasse em consideração a leitura em diver- sos tipos de suporte como computadores desktop, netbooks, celulares, ou impressos. Decidiu-se pela utilização da arquitetura de programação Model-View-Controller (MVC), que permite a separação entre a estrutura lógica e a estrutura de apresentação. Aplicativos que usam esta arquitetura são divididos em três partes: a primeira, chamada de modelo, é responsável pela Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 44
  • 51.
    Figura 5: Protótipodo aplicativo com material do jornal Sinal, da ESDI-UERJ manutenção e armazenamento da informação (normalmente um banco de dados); a segunda, chamada visão, é uma re- presentação deste modelo que oferece ao usuário a possibi- lidade de interação com estas informações (a interface de usuário, ou UI em inglês); por último temos o controlador, que cuida de receber as ações do usuário, faz o tratamento e filtragem e passa essas ações para o modelo, para que as informações sejam atualizadas. Neste tipo de padrão de desenvolvimento os testes podem ser feitos em cada uma das partes em separado, agilizando o desenvolvimento e fazendo com que a manutenção seja mais fácil e simples. O aplicativo serve para gerenciamento e publicação de uma edição de um jornal. O designer poderá acrescentar e editar várias matérias de uma edição de um jornal. Poderá também acrescentar material bruto que o ajudará na criação da mate- ria, textos, imagens, links, documentos, vídeos, etc. O usuá- rio poderá acrescentar novos arquivos ou novos diretórios contendo vários arquivos. O designer terá a sua disposição um editor “universal”, onde a diagramação inicial será criada. Em outras telas, com editores específicos para celular, internet ou e-book e mídia impressa, a matéria poderá ser refinada para se adequar melhor à mídia em questão. O usuário poderá acrescentar imagens, vídeos e links para a versão para a internet, por exemplo, ou organizar as diferentes matérias na grade de um jornal impresso. Quando todas as versões estão prontas o usuário clica no botão de “Publicar edição”, e o software cuida das três diferentes arquivos de saída: HTML para celulares smartphone, HTML para iPad e computadores e um PDF pronto para a impressão. CONSIDERAÇÕES FINAIS Por conta do baixo retorno financeiro, os jornais e revistas impressas investem menos em recursos e pessoal para suas versões online. Com o surgimento de leitores de e-book e crescimento no número de leitores online e usuários cuja principal fonte de notícias é a internet, além do declínio no número de leitores dos jornais e revistas impressos, a situação tende a mudar. É importante que os jornais mante- nham uma estratégia visando o fortalecimento de suas ver- sões online para não ficarem defasados em relação à concorrência. Uma das maneiras de garantir este fortale- cimento é atraindo leitores através do uso de recursos multi- mídia e hipermídia, explorando todos os recursos e possi- bilidades da web. O cuidado na composição da reportagem ajuda a aumentar a fidelidade do leitor. Uma solução como o software sugerido no artigo facilitaria trabalho jornalístico e aceleraria o processo de criação de conteúdo levando em consideração as características únicas de cada suporte. REFERENCES 1. Barbosa, Suzana. Banco de dados como metáfora para o jornalismo digital de terceira geração. In Anais do III Congresso da SOPCOM, Lisboa, 2005. 2. Brasileiros detêm recorde de acesso à internet. Jornal Hoje, Rede Globo de Televisão. São Paulo, 16 jun. 2009. 3. Borges, Juliano. Webjornalismo: Política e jornalismo em tempo real. Rio de Janeiro: Editora Apicuri, 2009 4. DAYLY Telegraph. http://www.telegraph.co.uk/ 5. EL País. http://www.elpais.com/ 6. Esquire app for iPhone. http://itunes.apple.com/us/app/esquire- magazine/id363140965?mt=8 7. Halliday, Josh. Times loses almost 90% of online readership. In Guardian.co.uk http://www.guardian.co.uk/media/2010/jul/20/times- paywall-readership 8. Leckner, Sara e Appelgren, Ester. E-paper News Publishing: Strategies for Product and Production. In Nordicom Review. Stokholm, 2007. 9. Lévy, Pierre. As tecnologias da Inteligência: O futuro do pensamento na era da informática. São Paulo: Editora 34, 1997. 10.Lévy, Pierre. O que é virtual. São Paulo: Editora 34, 1996. 11.Memória, Felipe. Design para a internet: projetando a experiência perfeita. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 45
  • 52.
    12.Mielniczuk, Luciana. Característicase implicações do jornalismo na Web. IN: Anais do II Congresso da SOPCOM, Lisboa, 2001. 13.Moherdaui, Luciana. Guia de Estilo Web: produção e edição de notícias online. São Paulo: Senac São Paulo, 2000 14.Moura, Mônica. O design de hipermídia: comunicação e semiótica. Dissertação (Doutorado em Comunicação). PUC-SP. São Paulo. 15.Moura, Mônica. Design de hipermídia: dos princípios aos elementos. São Paulo: Rosari, 2007. 16.Monteiro, Luis e Nojima, Vera Lúcia. Do papel ao monitor - A transformação da publicação impressa em digital: o caso do JB Online. 2002. Dissertação (Mestrado em Design). PUC-Rio, Rio de Janeiro. 17.MSNBC. http://www.msnbc.msn.com 18.Nielsen, Jakob: iPad and Kindle Reading Speeds http://www.useit.com/alertbox/ipad-kindle-reading.html 19.Oliveira, Bruno Sérgio C. de e Monat, André Soares. Aplicando técnicas de hipermídia adaptativa em jornais online. 2007. Dissertação (Mestrado em Design). ESDI- UERJ. Rio de Janeiro 20.Oyama, Thaís. Eles não arredam o pé. In Veja, no 2109, p. 104-106, abr. 2009 21.Preece, Jennifer, Rogers, Yvonne e SHARP, Helen. Design de Interação: Além da interação homem- computador. Porto Alegre: Bookman, 2005 22.Reagan, Gillian. New York Times demos the first publisher app on Apple’s iPad. In: Business Insider, 2005 http://www.businessinsider.com/new-york-times-is-the- first-publisher-shown-on-apples-ipad-2010-1 23.Ribas, Beatriz. O contexto digital e os gêneros jornalísticos: considerações sobre a retórica da narrativa na Web. 2007 http://www.facom.ufba.br/jol/pdf/2006_ribas_sbpjor_po rtoalegre_narrativa.pdf. 24.RIBAS, Beatriz. Web Semântica e produção de notícias: Anotações para o estudo da aplicação da tecnologia ao campo do Jornalismo. Artigo apresentado como Comunicação Coordenada, Mesa: Jornalismo e Tecnologia, coordenada por Walter Teixeira Lima Jr, no V SBPJor. Aracaju, 2007 http://www.facom.ufba.br/jol/pdf/2007_ribas_sbpjor_ar acaju_websemantica.pdf. 25.Rupert Murdoch vai cobrar pelo conteúdo de todos os seus sites. In: Folha Online, 2009 http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u 606507.shtml 26.Schwingel, Carla. O processo de produção e os elementos constitutivos dos sistemas de publicação de conteúdos do ciberjornalismo. In: Anais do V SBPjor - Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo. Aracaju, 2007. 27. Web 2.0. http://en.wikipedia.org/wiki/Web_2.0 28.Yahoo Style Guide. http://styleguide.yahoo.com/ Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 46
  • 53.
    Design de Interação:Estudo do Processo Interativo e Semiótico em Espaços Físicos e Virtuais. RESUMO Este artigo apresenta um estudo sobre a influência que a engenharia semiótica exerce na orientação de usuários em espaços físicos e virtuais. Através de um resgate histórico foi possível identificar os vetores que contribuíram para que os seres humanos, dentro do processo de interação, pudessem assumir códigos comuns de comunicação visual e assim interagissem melhor com seu ambiente. Palavras-chave autor Interação, design, semiótica, comunicação visual INTRODUÇÃO A utilização de códigos visuais vem sendo uma das formas que a sociedade encontrou para estabelecer um conjunto de orientações capazes de normatizar ações em meio à vida atribulada do cotidiano. Entende-se como código visual todo o conjunto de sinais visuais convencionais utilizados na comunicação dos seres humanos, tais como as letras do alfabeto, as cores do semáforo, os gestos utilizados pela Linguagem Brasileira de Sinais (LIBRAS) e tudo o que transmite uma mensagem previamente codificada. Esses códigos, inseridos na cultura e no cotidiano, representam, seguramente, significados que já estão consagrados na vida das pessoas. Assim, diante de para qualquer sinal vermelho entende-se que aquilo representa ou significa perigo, proibição, e o mesmo acontece com a cor verde, a qual inspira coisas positivas, de continuidade e aprovação. Porém, a familiarização com determinados códigos visuais não implica o conhecimento de seus significados ou das ações que ele influencia. O fato é que no decorrer dos anos os códigos visuais assumiram um importante papel na comunicação e na orientação. Em um primeiro momento, apenas os espaços físicos foram influenciados, e os espaços virtuais em um segundo momento, onde se percebe claramente a adoção de metáforas e destes códigos visuais para que o usuário destes espaços possa estabelecer relações com a realidade. O artigo prossegue organizado em seções: a primeira apresenta um breve histórico dos códigos visuais; a segunda a relação destes códigos com os signos; CÓDIGOS VISUAIS Em 1889, Pierre-Benjamin Brousset publicou na França — La circulation humaine par les signaux à terre — um fascículo que pretendia entre outras coisas criar um conjunto de sinais codificados para a circulação das pessoas na cidade. A sua idéia era dar ao público das cidades liberdade de ação em diversas circunstâncias da vida, ajudando a facilitar as decisões do grande contingente de pessoas em todos os locais sujeitos a uma regulamentação de ordem ou segurança. Com esse trabalho, Brousset estruturou o sistema de circulação humana em três elementos: a Direção em que se movem as pessoas, a Indicação do trajeto e o Destino a alcançar. A inspiração para propor esse conjunto codificado de sinais para a circulação nas vias partiu da observação das bandeiras utilizadas nas navegações marítimas, elas oportunizaram a comunicação através do uso de cores e formas, estabelecendo mensagens que são reconhecidas a distância. Em princípio, a proposta de Brousset apresentava a utilização de três cores principais, o verde, o vermelho e o amarelo, que foram baseadas naquela que eram utilizadas pela navegação, junto com outras cores de apoio, como o preto e o branco, que combinados entre si definiam a direção em situações de ambigüidade e que poderiam gerar dúvidas. O verde foi designado para identificar a direção que as pessoas deveriam seguir, assim evidenciando o fluxo permitido. O amarelo foi utilizado como um código de advertência, que logo chamava atenção por seu contraste muito forte no ambiente. O vermelho era uma cor estritamente relacionada para uma informação de interrupção, ou seja, seu código visual determinava que a circulação tanto dos automóveis quanto dos pedestres por determinado ponto fosse suspensa. Hoje, essas cores ainda são utilizadas nas cidades e possuem forte impacto nos Permission to make digital or hard copies of all or part of this work for personal or classroom use is granted without fee provided that copies are not made or distributed for profit or commercial advantage and that copies bear this notice and the full citation on the first page. To copy otherwise, or republish, to post on servers or to redistribute to lists, requires prior specific permission and/or a fee. CHI 2009, April 4–9, 2009, Boston, Massachusetts, USA. Copyright 2009 ACM 978-1-60558-246-7/09/04...$5.00. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 47
  • 54.
    ambientes virtuais, poisé através delas que as mensagens de situações de erro, advertência e sucesso, são sinalizadas aos usuários. Além dos códigos cromáticos, Brousset propôs seis formas diferentes para indicar, principalmente, o sentido de fluxo, como, para cima, para baixo, à direita, à esquerda, acima à direita e acima à esquerda. Anos depois, já no início do século XX, com o constante aumento das cidades e, por conseqüência, a intensa proliferação de veículos nas ruas motivou um conjunto de ações promovidas por entidades privadas como a Michelin, Renault, Citröen e o Clube de Turismo da França, assim como as italianas Fiat, Pirelli e o Clube de Turismo da Itália a fim de organizar as vias com a utilização de uma sinalização viária. Essas entidades privadas não só patrocinaram a colocação dos sinais de trânsito nas vias públicas como também os utilizaram para promoção de suas marcas que eram aplicadas junto às placas de sinalização. Em 1908, no primeiro Congresso Internacional Viário realizado em Paris na França, foi adotado um conjunto de quatro sinais de obstáculos. As placas foram desenhadas com uma forma circular, para que se diferenciassem das placas retangulares que indicavam as rotas, e com símbolos utilizados em branco sob fundo azul, que representavam a passagem por um nível que era representado por uma barreira ou cerca, um cruzamento, que tinha o desenho de duas linhas sobrepostas formando um “X”, para indicar uma lombada, utilizava-se o desenho de duas elevações na pista, e para curva perigosa o desenho de um traçado bastante fechado em formato de “Z”, Figura 1. Figura 1. Sinais de trânsito na França, em 1908. No decorrer das décadas a prática de sinalizar o trânsito passou a ser requisito em cidades que recebiam visitantes de outros países e que necessitavam de orientações claras e seguras em sua viagem. Conselhos foram criados, normas foram apresentadas e decisões de cunho internacional puderam ser adotadas por diversos países. Esses sinais viários passaram a fazer parte do repertório visual e da cultura dos povos. A sociedade, desde o início, foi exposta a esse conjunto de normas e regulamentações que serviram como importante instrumento de organização da vida cotidiana. Hoje, percebe-se que a cultura absorveu alguns desses códigos, que formam criados para atender determinadas demandas de comunicação das ruas, mas que permanecem em nosso repertório cognitivo até os dias de hoje. Esse fato representa a positiva constatação de que muitos dos códigos visuais utilizados nas ruas tornaram-se também facilmente reconhecíveis nos ambientes virtuais. Os ambientes virtuais, como a Internet e os programas de computador, hoje, são as grandes avenidas por onde os usuários transitam. O fluxo de entrada e saída desses ambientes e plataformas computacionais diversas é intenso. Os usuários têm contato com orientações, caminhos, desvios e atalhos que os levam de um ponto ao outro, de forma muita rápida. Os signos gráficos nesses ambientes, sob a forma de cores, ícones ou símbolos, cumprem o mesmo papel da sinalização viária, identificam lugares, indicam caminhos, advertem sobre problemas, alertam sobre perigos, etc., e contribuem para o melhor entendimento da nossa navegação dentro do ambiente virtual. DE SIGNO A CÓDIGO VISUAL O signo é a essência de qualquer mensagem gerada, com ou sem a intenção de comunicar algo. Ele é o núcleo de qualquer forma de comunicação do ser humano. Para Peirce (2003) um signo é aquilo que representa algo para alguém. Nas palavras de Epstein (2001), o signo é um ente mediato ou algo que está por outra coisa. Costuma-se dizer que os signos são tão importantes para o estudo da semiótica quanto os átomos para a física ou as células para a biologia. Sua relação é de mediação, pois ele carrega consigo o significado de determinado objeto para que possa ser interpretado por alguém. Assim, o signo faz parte de um processo semiótico cumprindo a função de elo mediador entre dois ou mais entes, Epstein (2001). Entende-se que o signo responde por outra coisa, representa algo e é compreendido e interpretado por alguém. O signo não é um objeto com propriedades, mas uma relação (BENSE WALTER, 1975 apud in EPSTEIN, 2001, p.20). Segundo Epstein (2001) o signo representa uma função, a função sígnica. A função sígnica ocorre sob três principais membros compostos pelo signo como meio, pelo objeto designado e pela consciência interpretadora. Por possuir essa relação triádica, um signo é signo quando há alguém que possa interpretá-lo como signo de algo, em conseqüência disso o significado é então a interpretação desse signo, que por sua vez indica um objeto, (PEIRCE, 2003 apud in EPSTEIN, 2001, p.21). Peirce destaca ainda que o processo semiótico não precisa ser intencional e nem os signos produzidos de forma artificial. Os sintomas e outros fenômenos naturais que se tornam signos de outros fenômenos e todos os atos de inferência codificados culturalmente são atos semióticos. Em virtude disso, os signos foram classificados em dois grupos: signos naturais e signos artificiais. Para Epstein (2001), no primeiro sua função sígnica é simplesmente inferida pelo homem, que através da observação de um fenômeno deduz algo, no segundo essa função é instituída, ou seja, é aceita como um costume. Os signos naturais representam algo que pela observação de uma constância indica um evento que conduz a um conhecimento de outra coisa. A fumaça provocada pelo Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 48
  • 55.
    fogo, por exemplo,não tem a intenção de gerar um signo, mas pela nossa experiência deduzimos que embaixo dela ele existe, mesmo quando há apenas a fumaça. Para Epstein (2001) os signos naturais são eventos, fatos ou simplesmente marcas que associam duas classes de fenômenos mediados por códigos culturais. Desse modo, só adquirem ao significado de signos porque, são observados pelo homem como precedendo, sendo simultâneos ou sucedendo outros fenômenos naturais. Tudo isso só tem sentido quando os signos naturais representam algo que esteja inserido dentro da cultura humana. O ato de transmitir mensagens codificadas, ou seja, mensagens artificialmente instituídas não representam algo que deva prioritariamente existir para que sejam interpretados e criados julgamentos sobre determinado signo. O ser humano é capaz de atribuir significado mesmo àqueles signos que não foram gerados com o intuito de transmitir uma mensagem. No caso dos signos artificiais a intencionalidade na transmissão de uma mensagem é o que os diferencia dos signos naturais. O estabelecimento de uma comunicação entre os seres humanos no sentido de que ambos compreendam o real significado da mensagem, só será possível através da codificação das mesmas, pois o entendimento exato do significado que se quer transmitir necessita determinantemente do entendimento comum entre o emissor da mensagem e o receptor dela, que terão no signo convencionado, ou melhor, artificialmente instituído, o fator chave para sua comunicação. Essa forma de atribuição de um significado comumente estabelecido pode ser denominada como o processo de codificação da mensagem, onde o código, aqui, equivale ao significado exato que será compreendido tanto pelo emissor da mensagem quanto pelo receptor. Um exemplo de mensagens codificadas são as bandeiras utilizadas na navegação, e que Brousset utilizou como parâmetro na criação de um código visual de circulação no trânsito das cidades, onde algumas cores foram previamente estabelecidas e convencionadas para que transmitissem determinadas mensagens. Essa forma visual convencionada de comunicar e o posterior reconhecimento dos significados das mensagens através dos signos artificiais podem ser denominados de codificação visual, e o código visual representa as formas com que a comunicação será estabelecida, seja através de cores, letras, números, etc. que foram previamente estabelecidos como os meios de transmissão de uma mensagem compreensível. OS SIGNOS E A COMUNICAÇÃO VISUAL Todas as mensagens que são percebidas pelas pessoas através dos seus sentidos e podem ser compreendidas como o objeto de uma comunicação. Entre os animais percebe-se que existe um padrão quando eles desejam se comunicar: trocam sons, substâncias químicas ou posturas corporais, por exemplo, com o objetivo de realizar a comunicação. Epstein (2001) afirma que o único critério operacional viável para configurar a ocorrência da comunicação entre os animais é a mudança ostensiva de comportamento. Em outras palavras, a comunicação pressupõe que exista uma determinada resposta a algum estímulo gerado, seja ele visual, sonoro, térmico, entre outros. Para Munari (2006), praticamente tudo o que o ser humano pode ver é comunicação visual, mas as condições fundamentais para que ela funcione é a exatidão da informação, a objetividade dos sinais, a codificação unitária e a ausência de falsas interpretações. A comunicação visual ocorre através de mensagens visuais de são emitidas ao um receptor, que por sua vez possuí três filtros em que a mensagem deverá passar: o filtro sensorial, o filtro funcional e o filtro cultural. O filtro sensorial diz respeito aos sentidos do emissor e sua capacidade de assimilar uma mensagem de acordo com sua condição física. Um exemplo está no daltonismo, cuja condição de distinguir entre algumas cores representa uma incapacidade de assimilar determinada mensagem cromática. Já o filtro funcional diz respeito às características psico-fisiológicas constitutivas do receptor. Nesse caso uma criança analisa uma mensagem de forma diferente do que um adulto. Por fim, o filtro cultural que é estabelecido de acordo com o universo cultural de cada indivíduo, ou seja, a mensagem só será assimilada se fizer parte do repertório da pessoa. Os componentes de uma mensagem visual são, segundo Munari (2006), a informação que se quer transmitir transportada pela mensagem, e o suporte, que é o conjunto de elementos que a torna visível, como a forma, a cor, a textura, o módulo, a estrutura etc. Ambos os elementos são signos e como tal transmitem um significado para o receptor. Toda a comunicação visual baseia-se no emprego de signos, sejam eles naturais ou artificiais. Para Epstein (2001) a intencionalidade e o propósito da transmissão da informação têem sido, desde há muito, um traço que separa essas duas definições de signos. Os signos artificiais são produzidos essencialmente pela ação do homem. A forma de uma chaleira, os sinais de trânsito, o desenho de uma maçaneta, as ruas da cidade, uma determinada cor aplicada em alguma bandeira e tudo o que tenha sido feito intencionalmente pelo ser humano representa e significa alguma coisa. Ou seja, dentro de um contexto, o emissor da mensagem gerou um signo que será reconhecido visualmente pelo receptor, isto ocorre, pois existe uma codificação que permite o emissor da mensagem e o receptor estabelecerem uma comunicação. Munari (2006) interpreta essa divisão de intencionalidade dos signos dizendo que todas as mensagens que passam pelos olhos possuem ao menos duas distinções: a comunicação casual, conforme foi abordado previamente, não representa uma intenção de transmitir uma mensagem, e a comunicação intencional, que pelo contrário, deve ser Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 49
  • 56.
    recebida na totalidadecomo um código preciso ou uma informação precisa pretendida pela intenção do emissor. A intencionalidade da comunicação pode ser observada sob dois aspectos: o aspecto prático, que diz respeito à funcionalidade dessas mensagens deixando de lado seu caráter decorativo, e o aspecto estético, que por sua vez representa a configuração de uma forma, sua volumetria e relações harmônicas de proporção. Para Epstein (2001) trata-se de duas funções: a função semântica e a função estética. Moles (1969) apud in Epstein (2001) afirma que o ponto de vista semântico é lógico, estruturado, enunciável e facilmente traduzível de um suporte para outro, além disso, ele prepara para ações. Já o ponto de vista estético é dificilmente traduzido de uma linguagem a outra, é mais difícil preparar estados e enunciá-lo. Ainda segundo Epstein (2001), a função semântica concerne de preferência, a determinação precisa do significado, e assim sendo o significante deve ser claro e não chamar a atenção sobre si, e na função estética, ocorre o contrário, o significante torna-se mais opaco, chamando a atenção sobre si, sobre sua forma e sua própria materialidade. Desse modo, a comunicação visual, representa um sistema de signos compostos pelas mensagens — informações — e pelos meios condutores — suportes — dessa mensagem como as palavras, os sinais, os desenhos, as cores etc., que inseridos na cultura de um povo assumem um determinado significado sendo eles de função prática ou estética. COMUNICAÇÃO E DESIGN NO PROCESSO DE INTERATIVIDADE Partindo-se do princípio que a interação é um ação exercida mutuamente por duas ou mais “coisas”, e que o processo interativo exige uma comunicação que permita que o receptor de uma mensagem interaja ativamente com o emissor, pode-se seguramente admitir que os ambientes físicos e virtuais são planos onde ocorrem essas interações. Levando-se, ainda, em consideração que toda a mensagem fixada nos ambientes físicos e virtuais pode representar o estabelecimento de um processo interativo, onde o usuário é informado sobre algo e que existe uma resposta a essa informação. Isso é facilmente percebido ao andar por determinado ambiente, onde os usuários são orientados a partir de sinais, estes compreendem a informação que aquele ambiente está transmitindo e a resposta é decidir que caminho escolher. Assim, quando uma interface virtual é acessada o usuário está buscando determinado objetivo e ela tem que orientá-lo de alguma forma, de modo que seja possível chegar ao destino pretendido. Os sinais que surgem no percurso de interação do usuário estabelecem uma relação de interação com ele, exigindo sempre uma tomada de decisão. Caso contrário, se ocorrer uma quebra no processo interativo, tanto da parte do usuário, por algum déficit cognitivo, ou da mensagem que não foi adequadamente codificada, a interatividade no ambiente deixa de existir. Os códigos visuais utilizados tanto nos ambientes físicos quanto virtuais são elementos fundamentais no processo interativo com os usuários. Através de uma linguagem codificada podem vir a ser decisivos no cumprimento de algumas tarefas. A preocupação em desenhar esses sistemas interativos faz parte do estudo do design de interação. Winograd (1997) apud in Preece (2005) descreve o design de interação como o projeto de espaços para comunicação e interação humana. Já para Preece (2005) é o design de produtos interativos que fornecem suporte às atividades cotidianas das pessoas. A visão exposta por Winograd (1997) parece revelar uma maior abrangência do entendimento do que é o design de interação, diferentemente da definição de Preece (2005) focada em determinados objetos e não em uma idéia ampla de espaços interativos, e sua relação com os usuários. Assim pode-se entender que a interação só pode existir com a reunião dos seguintes elementos: (i) o usuário que irá manipular ou agir sobre determinada mensagem; (ii) a informação estabelecida como um código convencionado e compreendido dentro da relação entre emissor e receptor; (iii) o suporte que é escolhido de acordo com as intenções de comunicação do emissor e a capacidade do emissor em recebê-la, sendo ele visual, sonoro, gestual, tátil, etc.; e (iv) o ambiente determinado pela característica de sua configuração que pode ser física ou virtual. Figura 2. Interpretação do Processo Interativo. Segundo essa proposta os usuários estabelecem a sua interação dentro um ambiente físico ou virtual, assim quando se está dentro de uma interface física, como um parque público, ou em frente a uma interface virtual como um programa de edição de textos, procuram-se as informações que ajudarão a realizar as tarefas, como ir de um ponto ao outro ou identificar locais, por exemplo. A forma como serão entendidos os espaços físicos ou virtuais é determinada pelas informações que são disponibilizadas para compreender esse ambiente. Essas Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 50
  • 57.
    informações são oscódigos que foram estabelecidos previamente entre o emissor e o receptor como sendo a forma com que irão interagir dentro de um processo de envio de uma mensagem e uma resposta a ela. Dentro dessa lógica as informações estarão disponíveis para os usuários sob a forma de um suporte que pode ser visual, sonoro, tátil, gestual, ou seja, intimamente ligado aos sentidos do usuário. O design de interação é, portanto, o equacionamento das variáveis que envolvem os usuários dos sistemas interativos, dentro de ambientes físicos ou virtuais, e sua comunicação a partir das respostas às informações alocadas nos suportes que estabelecem relações com seus sentidos. Desse modo, o usuário que identifica um ícone, ou seja, um suporte visual, na sua área de trabalho do computador está visualizando dentro de um ambiente virtual uma informação codificada que permite com que ele tenha uma resposta ao agir sobre determinada informação apresentada. MODELOS CONCEITUAIS E METÁFORAS DE INTERFACE A tecnologia faz parte de uma realidade contida em nossa cultura há pouco mais de três décadas. Antigamente, quando era necessário pesquisar qualquer informação, não era ao computador que as pessoas recorriam, mas sim às revistas, aos jornais e aos livros, disponíveis todos os dias sempre da mesma forma. Com o advento da Internet, grande parte da informação, hoje em dia, vem através do meio digital. As pessoas passam a maior parte do dia em frente ao computador, trabalhando, estudando, se divertindo e buscando informação. E está tudo ali, na tela, ao alcance de alguns cliques. Ao pensar que grande todas as informações sobre tudo está na Internet, basta entrar em algum site de busca que tudo sobre tudo está disponível de forma textual ou gráfica. Desse modo, pode-se afirmar que a Internet é um marco na história da humanidade, principalmente, no sentido evolutivo do saber humano. Assim como no momento em que o homem descobriu a escrita como forma de comunicação, o que se vê hoje são diversos avanços para torná-la disponível através de diferentes meios, do virtual ao real, do digital ao físico. A busca por informação tornou-se uma obsessão por parte de algumas pessoas. Úteis ou não, todas elas chegam até os usuários através de uma interface. As interfaces, aqui apresentadas como meios físicos ou virtuais de interação entre informações e usuários, requerem sempre uma resposta, ou ação diante dela. Dentro desta lógica a observação das limitações físicas, psíquicas e culturais do usuário faz parte da forma como uma determinada informação será decodificada por ele. Os ambientes construídos como shopping centers, universidades, prédios públicos, etc. são verdadeiras interfaces. Assim como nesses ambientes, ao se utilizar o computador, percebe-se em ambos a necessidade de orientação. As pessoas os acessam procurando realizar determinada tarefa, que pode caracterizar-se pela busca de um caminho, por exemplo. Para transmitir informação nos ambientes construídos podem ser utilizados recursos visuais, táteis e sonoros a fim de criar uma interação com o usuário, ou seja, criando conseqüentemente uma resposta ou uma tomada de decisão. Nos ambientes virtuais a abordagem visual é ainda mais latente. Ambos possuem informações pictóricas, textuais e cromáticas que estabelecem uma estreita relação entre si. Grande parte dos ícones que vemos no computador tem em sua origem a associação com as placas regulamentadoras de trânsito. Tudo isso porque quando o computador foi introduzido na cultura já existia um conjunto de códigos visuais capazes de fornecer ordens, advertências, identificações e outras normatizações que eram reconhecidas através das mensagens pictóricas, cromáticas, etc. Neste ponto cabe aqui trazer um conceito muito aplicado no desenvolvimento das interfaces digitais, que são os modelos conceituais e as metáforas de interface. Para Preece (2005) o modelo conceitual é “uma descrição do sistema proposto — em termos de um conjunto de idéias e conceitos integrados a respeito do que ele deve fazer, de como deve se comportar em com o que deve se parecer — que seja compreendida pelos usuários da maneira pretendida.” Os modelos conceituais são baseados, principalmente, nas necessidades dos usuários, onde o ponto central nesse processo de design consiste, segundo Preece (2005), em decidir, inicialmente, o que os usuários farão para conseguir realizar suas tarefas. A partir dessas definições pode-se retirar duas importantes questões referentes a esses modelos conceituais aplicados, principalmente, na atividade do usuário dentro de ambientes virtuais, que são: a) a questão de que tipo de tarefa será realizada pelo usuário; b) a questão de com o que deve se parecer o sistema proposto. Essas duas questões levam, inevitavelmente, a uma divisão dos modelos conceituais em duas categorias principais: os baseados em atividades e os baseados em objetos. Segundo Preece (2005) os tipos mais comuns de atividades em que os usuários estarão envolvidos são: a instrução, a conversação, a manipulação e navegação, e a exploração e pesquisa. Cada uma dessas atividades tem propriedades diferentes e sugerem maneiras diferentes de se desenvolver uma interface. Dentro da questão levantada do tipo de tarefa será realizada pelo usuário, a atividade de manipulação e navegação possui uma estreita relação entre o ambiente virtual e físico, como explica Preece (2005). Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 51
  • 58.
    O ambiente virtualcompartilha algumas das propriedades do mundo físico, permitindo que os usuários utilizem seus conhecimentos a respeito de como os objetos físicos se comportam quando interagem com objetos virtuais. (PREECE, 2005, p.63) Para Preece (2005) a Manipulação e navegação é o modelo conceitual que descreve a atividade de manipular objetos e navegar por espaços virtuais explorando o conhecimento que os usuários têm de como fazer isso no mundo físico. Ou seja, todas as experiências cognitivas e perceptuais dos usuários são lavadas em consideração no momento de projetar, por exemplo, um sistema de signos gráficos capazes de auxiliá-lo na realização de sua tarefa. A importância de determinadas representações serem diretamente associadas a objetos do cotidiano é fundamental nos ambientes virtuais, que devido a ordem cronológica estão suscetíveis à códigos visuais já consagrados na cultura dos ambientes físicos. Dentro dessa lógica a atividade de navegar ou percorrer um caminho dentro de um ambiente virtual utiliza como modelo conceitual as vias públicas e avenidas que transitamos. Essa associação é tão clara que freqüentemente são utilizados sinais gráficos muito parecidos com as mensagens e códigos visuais utilizados nas ruas, como as placas de trânsito, por exemplo, Figura 3. Figura 3. Placa de advertência - espaços físicos (à esquerda) e ícone de advertência – espaços virtuais (à direita). A categoria de modelos conceituais baseados em objetos “tendem a ser mais específicos do que modelos conceituais baseados em atividades, enfocando a maneira como um certo objeto é utilizado em um determinado contexto” (PREECE, 2005, p.72). Estes modelos fazem, geralmente, uma analogia com algo do mundo físico. A primeira interface projetada com o intuito de estabelecer a associação direta entre objetos do mundo físico no ambiente virtual foi desenvolvida pela Xerox em 1981. Através do sistema 8010 “Star” os desenvolvedores, que passaram vários anos da fase inicial do projeto pensando em um modelo conceitual adequado para utilização de um sistema para escritórios, chegaram a uma solução que fazia menção ao próprio ambiente físico dos usuários. Eles queriam fazer com que os usuários imaginassem o computador tal e qual um ambiente de escritório, assim poderiam utilizar os mesmos objetos no ambiente virtual que estavam acostumados a usar no ambiente físico. O objetivo principal era tornar a experiência dos usuários com a interface virtual mais familiar com as analogias feitas por ele através dos ambientes físicos. Outra importante forma de se descrever um modelo conceitual é através das metáforas de interface. Segundo Preece (2005) esse modelo pode ser baseado em uma atividade do mundo físico ou objeto, ou em ambos. Ao considerar mais uma vez que a navegação nos ambientes virtuais constitui-se em uma metáfora alusiva ao próprio ato de navegar por ambientes físicos, aí está motivo pelo qual alguns ícones se apresentam em forma e cor muito similares as mensagens visuais contidas em placas de trânsito. Ao considerar o acesso a determinado conteúdo, este pressupõe a entrada em determinado nível do percurso. Qual seria a indicação supostamente mais familiar para indicar que o acesso é restrito? Normalmente, como já foi observado anteriormente, a indicação ocorre através das cores das placas regulamentadoras do trânsito é que exemplificam melhor essa informação. A cor vermelha empregada nos ícones como forma de interromper a ação, ou evidenciar que tal caminho ou informação está sob certo aspecto impedido, negado, restringido, interrompido; ela é feita na grande maioria das vezes por uma metáfora de conhecimento familiar, ou seja, faz alusão diretamente as ações e objetos do mundo físico que são as placas de regulamentação nos acessos as avenidas principais, figura 4. Figura 4. Placas de restrição à direita e ícones de restrição à direita. As metáforas de interface provaram ser muito bem sucedidas, oferecendo aos usuários um mecanismo familiar para orientá-los a entender e aprender como utilizar um sistema. As pessoas consideram mais fáceis entender e comentar a respeito do que estão fazendo na interface do computador utilizando termos que lhes são familiares — sejam elas avessas a computadores ou programadores altamente experientes (PREECE, 2005, p.77). Assim quando os desenvolvedores do sistema Star da Xerox criaram um ambiente virtual a partir da associação direta a organização de um escritório tiveram que adaptar as rotinas empregadas no mundo físico para o ambiente virtual, como o arquivamento de documentos em pastas, caixas de correspondências, arquivos e outros objetos transformados em ícones de computador, que guardavam semelhança ao objeto físico. CONCLUSÃO Nota-se ao longo deste ensaio a tentativa de um estudo semiótico dos códigos visuais que permitem a navegação tanto no ambiente físico quanto virtual. Isso é perfeitamente compreensível pelo fato de que ambos os ambientes são Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 52
  • 59.
    projetados para queos usuários interajam por suas estruturas, seja pela obtenção de uma informação ou pela necessidade de identificar locais e mensagens que visem auxiliá-lo nessa tarefa. Através de um breve resgate histórico pudemos remontar o momento em que a sociedade se viu diante da necessidade da organização dos fluxos de pedestres e veículos, o que notoriamente veio a se tornar não só um item de organização de uma informação para as pessoas, mas um código utilizado amplamente em diversos meios que haveria o contato (interação) entre o homem e o meio físico ou virtual. Os códigos visuais enquanto signos artificiais representaram assim uma importante ferramenta para a sociedade ordenar as ações da vida cotidiana, principalmente em ambientes onde o usuário necessitaria trafegar, ou seja, sair de um ponto inicial em busca de um objetivo final percorrendo caminhos e traçando rotas de navegação, ou identificar determinados pontos que o fariam reconhecer algum local. Seu caráter convencional, atribuído justamente por sua artificialidade, carrega informações tão poderosas que somente através do estudo do significado que essas mensagens transmitem é que poderíamos compreender sua ampla aplicação em diversos meios de comunicação. Não importa em que meio esteja sendo estabelecida essa interação, o seres humanos sempre estarão em busca de uma forma eficaz de comunicarem-se e tornar esse contato com os sistemas de informação apenas ambientes mais seguros que possam ajudar na sua tomada de decisão. Dessa forma o estudo dentro desse campo do design de interação representa uma importante contribuição para que novas ferramentas e conhecimentos de outras áreas como a semiótica, a psicologia e a ergonomia cognitiva se juntem formando um saber decisivo dentro dessa área. No entanto observa-se que somente estudos isolados talvez não consigam efetivamente trazer a luz alguns conceitos que podem estar em outros campos do saber. Fica estabelecido, aqui, que a comunicação efetiva entre um usuário e o ambiente ocorre por meio de uma interface, percebe-se que tanto o mundo físico quanto o virtual possuem uma estreita relação no que diz respeito a atuação dos usuários dentro de seus espaços. Pode-se assim, definir que a interface representa o meio pelo qual se estabelece uma relação entre a informação e a tomada de decisão. O olhar sobre as características cognitivas do usuário nos ambientes sejam físicos ou virtuais, faz parte de um estudo não só de semiótica, como também aspectos sociológicos que ultrapassam as próprias questões de significação. Tudo faz parte de uma teia onde usuários dentro de ambientes atribuem ao seu próprio saber os aspectos decorrentes da observação e entendimento dos códigos visuais que por ele são aceitos como parte de seu próprio código de vida. Assim, tanto as cores quanto as formas em termos gerais são o que são, seja no mundo físico ou virtual e constituem-se por meio de uma disseminação cultural em parâmetros para a ordem da vida cotidiana. BIBLIOGRAFIA 1. Costa, Joan. Señalética Corporativa. Barcelona: Costa Punto, 2007. 2. Epstein, Isaac. O Signo. 4. ed. São Paulo: Ática, 1991. 3. Munari, Bruno. Design e Comunicação Visual: contribuição para uma metodologia didática. São Paulo: Martins Fontes, 2001. 4. Preece, Jennifer; Rogers, Yvone; Sharp, Helen. Design de interação: além da interação homem-computador. Porto Alegre: Bookman, 2005. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 53
  • 60.
    Recomendaçõses de usabilidadepara TV Digital Interativa baseadas na experiência dos usuários com os celulares Harlley Roberto de Oliveira IEC PUC Minas - Instituto de Educação Continuada Av. Brasil, 2033, 7.º andar – Praça da Liberdade Belo Horizonte/MG – CEP 30.140-002 harlley@gmail.com RESUMO Este artigo descreve como a interatividade da TV vem evoluindo ao longo dos anos e hoje é possível interagir pelo telefone, SMS, Internet e até pelo próprio aparelho de televisão. Explica como é possível aproveitar na indústria da TV interativa, as formas de interação e de usabilidade que foram estudadas e aprendidas durante anos no mercado de celulares. Palavras-chave TV Digital Interativa, Usabilidade, celular, recomendações INTRODUÇÃO Desde sua invenção, a TV sofreu duas grandes mudanças, a primeira foi o início da transmissão das imagens em cores, que até então, só eram feitas em preto e branco. A segunda grande mudança foi a digitalização da TV, que ganhou qualidade na transmissão de som, imagem e a possibilidade do telespectador interagir diretamente com o conteúdo exibido. Este artigo pretende apresentar uma síntese da história e evolução da interatividade na televisão e apresentar várias opções de tecnologia que já são realidade e ampliam as possibilidades de interatividade com a TV. Com o aumento das funcionalidades da televisão, se torna necessário um estudo sobre a usabilidade destes novos aparelhos e tecnologias. Pelo fato dessa evolução da televisão ser bastante recente, poucos estudos foram feitos. Este artigo compara a forma de interação da TV e dos celulares, e propõe que se use algumas recomendações de usabilidade feitas pela indústria de celulares, no recente mercado de aplicativos para TV que está se formando. INTERATIVIDADE NA TV Interatividade pode ser definida como “a extensão em que os usuários podem participar modificando a forma e o conteúdo do ambiente mediado em tempo real.” (Primo apud Steuer, 1993). A interatividade na TV vem evoluindo ao longo dos anos. Atualmente, é comum que essa interatividade seja feita pelo telefone, Internet e até mesmo diretamente pelo aparelho de televisão. Existia um programa de televisão na década de 1950 chamado Winky Dink que pode ser considerado o primeiro programa interativo da televisão. As crianças interagiam com o programa através de um kit que tinha canetinhas hidrocor e uma película transparente para colocar na tela da TV. Eram exibidas imagens pontilhadas para que as crianças completassem usando as canetinhas coloridas. Figura 1: Programa Winky Dink da década de 1950 No Brasil, uma das primeiras experiências de sucesso envolvendo a interação dos telespectadores com um programa de televisão, foi na década de 1990 na Rede Globo, com o programa Você Decide. Eram exibidas pequenas histórias, que no final sempre envolviam decisões polêmicas que os personagens precisavam tomar. Era aberto um espaço de votação por telefone, onde o público podia escolher o melhor final para o episódio. Outra experiência de interatividade na televisão brasileira inaugurado em 1996, também pela rede Globo, foi uma sessão de filmes chamada Intercine. Durante o intervalo do programa, a emissora anuncia dois filmes, dos quais o telespectador pode escolher um e votar por telefone. Então o filme mais votado é exibido no dia seguinte. Em alguns programas jornalísticos atualmente, os telespectadores têm a oportunidade de conversar pela Internet com especialistas que participaram de determinado programa. As pessoas também podem enviar mensagens e vídeos, que podem ser exibidos durante os programas. Outro sucesso de interatividade na televisão, que engloba interatividade através de telefone, mensagens de texto e Internet, é o reality show Big Brother Brasil. Nele os telespectadores decidem quem sai do jogo e interferem em vários outros aspectos do programa. Um episódio que ilustra bem o poder da interatividade do usuário, foi uma determinada prova que ocorreu no programa. Os usuários podiam decidir pela Internet, como o ambiente no jogo se Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 54
  • 61.
    comportava com osparticipantes. Existiam dispositivos conectados pela Internet, que simulavam chuva, vento, temperatura e iluminação do ambiente. Figura 2: Exemplo de interatividade no programa Big Brother Brasil. Cada um dos exemplos citados mostra um tipo de interatividade. Segundo Bordewijk e Kaam, Jensen citados por Primo (2005) existem quatro tipos de interatividade: a) interatividade de transmissão, onde o usuário pode escolher dentro de algumas opções, o conteúdo que deseja receber; b) interatividade de consulta, o usuário pode solicitar conteúdo através de mão dupla com o auxílio de um canal de retorno; c) interatividade de conversação, onde o usuário pode produzir e enviar suas próprias informações em um via de mão-dupla; d) interatividade de registro, que registra informações do usuário e responde às necessidades e ações dele. De acordo com uma pesquisa feita pela Nielsen Company (2009) nos Estados Unidos, 59% das pessoas assistem televisão e acessam a Internet ao mesmo tempo. Aqui no Brasil também é possível observar este mesmo comportamento, principalmente no microblog Twitter. As pessoas interagem com os seus amigos fazendo comentários sobre o programa de televisão que estão assistindo naquele momento. Vários programas de TV e artistas têm um perfil no Twitter para interagir diretamente com os telespectadores. Enquanto muitas pessoas usam a Internet para interagir com o conteúdo da TV, muitas outras fazem o caminho inverso, e usam a Internet para acessar conteúdos que até pouco tempo só estavam disponíveis através de emissoras de televisão, operadoras de tv a cabo e locadoras. O YouTube, site de compartilhamento de vídeos na Internet, exibiu 5,5 bilhões de vídeos só no mês de abril de 2009. O serviço Hulu, que é especializado em exibir vídeos de maior duração, como filmes e séries, em abril de 2009 teve um crescimento de 490% de exibições em relação ao mês de abril de 2008 (Nielsen Company, 2009). A Internet também é usada para baixar filmes e séries através de um protocolo de compartilhamento de arquivos chamado torrent. Um fato que evidencia o hábito dos usuários em baixar filmes e séries pela Internet é o recorde de número de downloads do último episódio da série Lost. Mais de um milhão e meio de pessoas em todo o mundo baixaram o episódio em um período de 24 horas após a exibição na TV nos EUA (Portal G1, 2010). Observando esta tendência de convergência entre a TV e a Internet, muitas empresas desenvolveram produtos que têm o objetivo de fazer essa integração entre as duas tecnologias. TECNOLOGIAS A primeira iniciativa de integração da TV com a Internet foi a Web TV, um set-up-box que era ligado na TV e permitia navegar na Internet e visualizar emails. Foi criada por Steve Perlman e vendida em 1997 para a Microsoft, onde teve o seu nome mudado para MSN TV. Em 2006, Steve Jobs, Co-fundador da empresa Apple, anunciou a Apple TV, um aparelho eletrônico que deve ser ligado na televisão e serve para ver vídeos no Youtube e alugar e ver filmes em alta definição. Existe também uma opção de código livre. O XBMC (Xbox Media Center) é um software que pode transformar qualquer computador em uma central multimídia, para ver fotos, filmes e músicas baixados da Internet. Basta instalar no computador e conectar o computador a televisão. O Boxee Box da empresa D-link é um hardware que já vem com um software derivado do XBMC chamado Boxee. Ele é composto de uma caixa e um controle remoto que tem em uma de suas faces um teclado qwerty. Figura 3: Boxee Box e seu controle remoto com teclado qwerty. Mesmo sem comprar o hardware, é possível baixar gratuitamente o software Boxee e instalar em qualquer computador ou Apple TV ligados a televisão. Os consoles de vídeo-games mais modernos, como Nintendo Wii, Playstation 3 e X-Box 360 também têm recursos de integração da TV com a Internet. Além de navegação em sites e organização de músicas e fotos, é possível baixar filmes e seriados diretamente da Internet para a casa do usuário. Estes vídeo-games têm uma parceria com a Netflix, maior empresa de aluguel de vídeo sob demanda, que tem mais de 13 milhões de clientes. Este serviço está disponível somente nos EUA. Além de vídeo-games, a Netflix tem parceria com diversos fabricantes de equipamentos como blue-ray players, home theaters e televisores. O sucesso de serviços como Netflix, prova que os usuários estão cada vez mais interessados em escolher o horário e o conteúdo que querem assistir. Comportamento bem diferente do que é oferecido atualmente na TV aberta e TV a cabo. Estes produtos têm uma característica em comum: eles Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 55
  • 62.
    trazem conteúdo dainternet para a TV, porém eles não são integrados com o conteúdo da TV aberta ou a cabo. Isto significa que o usuário deve escolher em assistir o conteúdo vindo da Internet ou o conteúdo vindo das emissoras de TV. Não é possível acessar os dois tipos de conteúdo ao mesmo tempo. O Yahoo e a Google lançaram plataformas de desenvolvimento de aplicativos que se integram melhor entre o conteúdo vindo das emissoras e o conteúdo que vem da Internet. O Yahoo anunciou na feira de tecnologia CES de 2009, o lançamento de uma plataforma de desenvolvimento de widgets para TV, chamada Yahoo! Connected TV. O Yahoo fez parcerias com Samsung, LG e Sony, e estas empresas já disponibilizaram no mercado televisores e aparelhos de blue ray compatíveis com widgets. Widgets são pequenos aplicativos que tem funções específicas como previsão do tempo, acesso a redes sociais, exibição de fotos, entre outras. É um recurso bastante conhecido por usuários de computadores e celulares. “Widgets are rich Internet applications that traditionally have been run on the desktop, inside a browser, or inside a mobile device.” (Yahoo, 2010) Conforme uma pesquisa feita pela comScore (2007), líder global de métricas digitais, cerca de 177 milhões de pessoas usaram widgets na web em abril de 2007. Pela sua simplicidade e número reduzido de funcionalidades, os widgets tem grandes chances de se tornarem um padrão de exibição de conteúdo da web na TV, pois eles ocupam apenas parte da tela da TV e não atrapalham a exibição do conteúdo que está sendo exibido. Em maio de 2010, a empresa Google em parceria com empresas como Sony, Intel e Logitech anunciaram o lançamento da Google TV, que deve vir em alguns blue-ray players e televisores da Sony, além de set-up-boxes da Logitech. O principal diferencial da Google TV em relação aos outros produtos relatados é que, por utilizar o sistema operacional Android, será possível os desenvolvedores criarem aplicativos exclusivos para a TV. Além disto, virá com o navegador Google Chrome. Isto permitirá levar aos usuários um experiência muito rica de Internet através dos televisores. Assim como os celulares evoluíram e se transformaram em Smartphones, tendo uma experiência rica de internet e a possibilidade de instalação de aplicativos, o mesmo está acontecendo com os televisores, evoluindo para o que muitos profissionais de tecnologia estão chamando de SmartTV. INTERATIVIDADE NO CANAL ABERTO DE TELEVISÃO BRASILEIRA No dia 26 de novembro de 2003 através do decreto n.º 4.901 (DOU, 2003) foi instituído o Sistema Brasileiro de Televisão Digital – SBTVB, que tem como objetivo mudar o padrão de transmissão dos canais de TV aberta de sinal analógico para o sinal digital. Além da melhoria da qualidade de imagem e a possibilidade de exibição de vídeos em alta definição, o sistema brasileiro de TV digital oferece a possibilidade de envio de dados através do canal de interatividade (ABNT, 2008). Desta forma será possível aos usuários receberem aplicativos através de broadcast e interagirem com as emissoras através do canal de interatividade, que pode ser feito pela Internet, através de banda larga, internet discada e 3G. Pode ser feito também através de SMS, no caso de celulares compatíveis com o Sistema Brasileiro de TV Digital. Para se ter acesso a interatividade, é necessário que o conversor digital seja compatível com a tecnologia Ginga, camada de software responsável em garantir a compatibilidade entre o hardware dos diversos receptores com as aplicações interativas desenvolvidas para a TV. (Soares e Barbosa, 2009) Figura 4. Aplicações interativas experimentais utilizando Ginga. As aplicações interativas do sistema brasileiro de TV digital dependem das emissoras para serem desenvolvidas e distribuídas para os usuários. Isso pode limitar os tipos de aplicações que serão criadas, limitando-se ao interesse das emissoras. Este modelo de distribuição de aplicativos leva desvantagem em relação aos modelos criados pela Google e Yahoo. É essencial criar um ecossistema de aplicativos que possam ser criados por qualquer empresa de software e que fiquem a disposição dos usuários para instalação nas suas televisões. Se não, pode ocorrer o mesmo que aconteceu com o mercado de aplicativos para celulares no Brasil. Enquanto o desenvolvimento de aplicativos dependiam exclusivamente das operadoras de telefonia celular, as ofertas eram escassas e se limitavam a ringtones e jogos muito simples. O desenvolvimento de aplicativos para celulares só se popularizou depois de iniciativas de lojas de aplicativos como a AppStore da Apple e Android Market do Google, onde desenvolvedores de todo o mundo tem a possibilidade de desenvolver aplicativos e os usuários tem uma gama enorme de opções de aplicativos para instalarem em seus celulares. TV INTERATIVA E A USABILIDADE O que vimos até agora, mostra que a televisão está ganhando várias funcionalidades, como vídeo sob demanda, Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 56
  • 63.
    instalação de aplicativose acesso a Internet. Com isso se faz necessário ter um estudo maior em relação a interação com o usuário. Embora a TV esteja evoluindo e agregando cada vez mais funcionalidades, existem poucos estudos em relação a usabilidade. “Usabilidade é geralmente considerada como o fator que assegura que os produtos são fáceis de usar, eficientes e agradáveis da perspectiva do usuário” (Preece, Rogers e Sharp, 2005). Com a televisão convergindo com a Internet, é comum que se tente aproveitar aspectos de interação já existentes nos computadores. Porém, a interação entre o usuário e a televisão tem alguns pontos diferentes em relação a interação com o computador. O computador é usado geralmente por apenas uma pessoa de cada vez e a poucos centímetros de distância, enquanto que a TV é usada geralmente por mais de uma pessoa ao mesmo tempo e fica a uns 3 metros de distância dos usuários. Enquanto no computador é comum ser feito uma grande entrada de dados através do teclado, na TV a principal tarefa é assistir aos programas e a entrada de dados é bem menor do que em um computador. (Nielsen, 1997) Além de comparar a televisão com o computador, é possível fazer a comparação com um outro dispositivo que está cada vez mais presente na vida das pessoas, o celular. Pan e Ryu (2009) acreditam que os estudos e as lições aprendidas pela indústria de celulares podem ajudar no desenvolvimento de interfaces para a televisão. Além disso, a maioria dos usuários de celular também são usuários de televisão. O celular foi criado para fazer e receber ligações. O que fez com que inicialmente, tivesse uma interface simples, basicamente números e botões para atender e cancelar chamadas. Muito parecida com a que as pessoas estavam acostumadas no telefone fixo. A medida que foram inseridas novas funcionalidades, como envio de mensagens de texto, música, fotos e acesso a Internet, a interface começou a se tornar mais complexa, com a adição de teclas direcionais, menus de navegação e teclado alfa-numérico. Pelo fato de terem ficado mais complexos por causa do aumento de funcionalidades, a usabilidade passou a ser um diferencial para o sucesso dos celulares e de seus aplicativos (Pan e Ryu, 2009). A maioria dos celulares (com excessão dos que são touchscreen) tem similaridades de interação com o controle remoto da televisão. Os menus são controlados por teclas direcionais e tem teclas específicas para interação com o software. Tanto em aplicativos na TV quanto no celular, é recomendado que se minimize a necessidade de entrada de textos. Figura 5. Similaridades de interação entre celular e televisão. Apesar da televisão ter uma tela bem maior que o celular, não é recomendado que este espaço todo seja ocupado pela exibição de aplicativos e menus, pois poderia atrapalhar a principal interação do usuário com a televisão, assisti-lá. Por isso o formato de widget (pequenos aplicativos) é o mais indicado para a TV. O celular também tem restrição na exibição de muito conteúdo em sua tela, primeiramente por causa do tamanho e em segundo porque o usuário geralmente faz outras tarefas enquanto o usa. Os aplicativos, tanto na TV quanto no celular, devem ser simples e cumprir seus objetivos rapidamente, sem tirar a atenção do usuário em sua tarefa principal. Figura 6: Aplicativos de previsão do tempo em uma TV e no Iphone, respectivamente. Considerando o uso de widgets como uma forma de interação entre o usuário e a televisão, e as similaridades entre estes widgets com aplicativos para celulares, é possível aproveitar as recomendações de empresas da indústria de celulares. RECOMENDAÇÕES DE USABILIDADE Apple e Nokia têm recomendações (guidelines) para o desenvolvimento de interfaces para celulares, que podem ser aproveitadas no desenvolvimento de widgets para a TV. A empresa Google também têm recomendações específicas para o desenvolvimento de aplicativos para TV. “As recomendações (guidelines) e os padrões (standards) de design existem para ajudar os designers a criarem designs melhores a partir da experiência de outros.” (Preece, Rogers e Sharp, 2005) A empresa Apple sugere em seu iPhone Human Interface Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 57
  • 64.
    Guidelines: • A telacompacta do iPhone faz com que seja necessário desenvolver uma interface específica para o aparelho, menor do que as interfaces feitas para computadores de mesa. • Mostrar na interface sempre uma tela de cada vez, diferente dos aplicativos para computadores de mesa, onde é comum mostrar várias janelas ao mesmo tempo, geralmente uma sobrepondo a outra. • A interface deve ser intuitiva a ponto de o usuário não precisar da Ajuda do aplicativo para aprender como usá-lo. • A interface deve sempre dar feedback das ações acionadas pelo usuário. É importante manter o usuário sempre informado sobre o status da aplicação. • Digitação de textos toma tempo e atenção do usuário, é recomendado minimizar a necessidade de entrada de dados e sempre optar pela interação onde o usuário escolhe uma opção de menu. Normalmente é mais fácil para o usuário, selecionar um item de uma lista do que digitar palavras. • Mostrar informações sucintamente, quando o texto na interface é curto e direto, o usuário compreende mais rapidamente as ações que deve tomar. • Focar na tarefa principal. Ao decidir o que mostrar em cada tela da aplicação, veja o que é crítico e realmente necessário para o usuário naquele momento. A empresa de celulares Nokia sugere em seu Top 10 usability guidelines for S60 applications: • Forneça um modelo claro de navegação. Funcionalidades essenciais devem sempre aparecer na tela principal, e a navegação deve focar nas principais tarefas. • Use a linguagem do usuário. Usar linguagem familiar dos usuários da aplicação e evitar termos técnicos. • Esconda a complexidade da conexão do celular. Status de conexão deve ser mostrada claramente. • Forneça feedback útil. Se o processamento levar mais que meio segundo, é recomendado indicar que algo está acontecendo. • Seja consistente com controles. Diminua a quantidade de erros usando as teclas de funcionalidades dos celulares, conhecidas como softkeys. • Forneça um menu de opções simples. • Use abas de forma inteligente. As principais funcionalidades devem estar na primeira aba. • Facilite a entrada de informações. Ao invés de entrada de texto, prefira disponibilizar uma lista de opções, para que o usuário escolha uma. Ofereça sempre valores padrões. • Mostre a informação de forma clara. Informações essenciais não devem ser mostradas só na forma de ícones. Use cores e símbolos pra destacar e agrupar ítens. • Forneça ajuda. Ajuda contextual deve ser disponibilizada na aplicação. Informações detalhas devem estar disponíveis em um site ou no manual. A empresa Google também sugere algumas recomendações para criar websites e aplicativos para o seu novo produto, o Google TV (Google, 2010): • Entenda que o conteúdo é o que mais importa. Forneça o conteúdo desejado para ele o quanto antes. Não interrompa quando o usuário estiver assistindo TV, melhore a experiência que ele está tendo. • Respeite o contexto da sala de estar. Pense sobre o que os usuários podem querer ou não, quando estão assistindo TV com a família e amigos. • Se lembre que a TV é social. Leve em consideração como grupos de pessoas podem usar seu aplicativo e ofereça formas em que a pessoa mesmo sozinha, use a TV em um contexto social. • Aprenda as vantagens e desvantagens da tela e do aúdio da TV. As cores na TV podem aparecer de forma diferente. O texto deve ser legível a distância. O som também é uma possibilidade de interação. • Ofereça opções simples e faça com que as formas de interação sejam óbvias e fáceis de escolher. Tenha uma navegação simples, para ser feita pelas teclas direcionais do controle remoto. • Agrupe seu conteúdo, controles e interações por prioridade e dispense tudo o que não for essencial. • Faça com que a ação principal esteja acessível a um clique. Não esconda funcionalidades importantes em um menu. • Sempre que possível deixe uma opção padrão já selecionada. • Evite usar ícones abstratos. Use textos curtos, Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 58
  • 65.
    claros e osteste com os usuários. • Diminua a necessidade do usuário fazer rolagem vertical da tela. • Navegação é um ponto crítico. O usuário precisa de uma interação que seja rápida e fácil de ser acionada a distância com o controle remoto, geralmente com uma mão e no escuro. • A tela da TV é diferente do computador. Evite cores muito saturadas e com muito brilho. Faça elementos de interface maiores, como botões, imagens e textos. • Aproveite as vantagens de uma tela grande e projete sempre considerando resoluções de 1280x720 e 1920x1080. Observando as recomendações da Apple, Nokia e Google é possível notar que tanto na interação com celular, quando na interação com a TV, várias recomendações estão relacionadas a simplicidade. “Take things away until the design breaks, then put that last thing back in.” (Cooper, 2007) “Dialogues should not contain information which is irrelevant or rarely needed. Every extra unit of information in a dialogue competes with the relevant units of information and diminishes their relative visibility.” (Nielsen, 2005). O aplicativo deve sempre ter apenas as funciondades essenciais e que possam ser acionadas de forma rápida. Outro ponto que as recomendações tem em comum é que tanto no celular quando na TV existe uma restrição de entrada de dados, isso faz com que seja necessário evitar entrada de dados através de digitação de textos. Para atender as necessidades de interação da TV, é possível compilar as recomendações estudadas em 6 recomendações: • Navegação simples através de menus acionados pelas teclas direcionais (setas) e teclas coloridas (vermelho, verde, azul e amarelo) do controle remoto. • Entrada de dados deve ser feita sempre que possível através de lista de opções com valores padrões pré-selecionados. Se houver necessidade de entrada de texto, deve ser usado o teclado alfa- numérico do controle remoto. • Textos, imagens e botões devem ser grandes e legíveis a uma distância de até 3 metros, considerando resoluções de 1280x720 e 1920x1080. • Manter o usuário informado (feedback) sobre o status do aplicativo sem interromper o conteúdo que está sendo exibido na TV. Pode ser usado sons e pequenas animações para chamar a atenção do usuário. • Os textos devem ser curtos, diretos e falarem a língua do usuário. • Sempre considere que a TV geralmente é usada por mais de uma pessoa ao mesmo tempo. CONCLUSÃO Este artigo apresentou um breve histórico sobre a interatividade na televisão e as tecnologias que estão trazendo novas funcionalidades para a TV. Com este aumento de funcionalidades se faz necessário um estudo da usabilidade, para não tornar a TV complicada de usar. Sendo a TV interativa um recente paradigma de interação, foram feitos poucos estudos de usabilidade em relação a ela. Então a proposta do trabalho foi fazer um comparativo das formas de interação entre celular e TV e se chegou a conclusão que é possível aproveitar a experiência dos usuários com celulares para desenvolver a interface dos aplicativos para TV. Foram elaboradas 6 recomendações de usabilidade baseado em recomendações feitas pelas empresas Apple, Nokia e Google. REFERÊNCIAS 1. ABNT NBR 15607-1 (2008). Associação Brasileira de Normas Técnicas, Televisão digital terrestre – Canal de Interatividade, Parte 1: Protocolos, interfaces físicas e interfaces de software. 2. Apple (2010) iPhone Human Interface Guidelines. Disponível em: http://developer.apple.com/iphone/library/documentati on/UserExperience/Conceptual/MobileHIG/Introduction /Introduction.html. Último acesso em 11 de Junho de 2010. 3. comScore (2007) Widget Metrix. Disponível em: http://www.comscore.com/Press_Events/Press_Releases /2007/06/comScore_Launches_Widget_Metrix. Último acesso em 23 de abril de 2010. 4. Cooper, Alan. About Face 3: The Essentials of Interaction Design. Willey, 2007. 5. IBGE (2008) Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – 2008. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/notici a_visualiza.php?id_noticia=1455. Último acesso em 11 de Maio de 2010. 6. Google (2010) Designing websites for Google TV. Disponível em: http://www.google.com/tv/developer/. Último acesso em 14 de Junho de 2010. 7. Nielsen Company (2009) Tree Screen Report. Disponível em: Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 59
  • 66.
    http://in.nielsen.com/site/documents/3Screens_4Q09_U S_rpt.pdf. Último acessoem 01 de Maio de 2010. 8. Nielsen Company (2009) News Release. Disponível em: http://blog.nielsen.com/nielsenwire/wp- content/uploads/2009/05/nielsenaprilvideocensus.pdf. Último acesso em 27 de Maio de 2010. 9. Nielsen, Jacob. TV Meets the Web. Alertbox for February 15, 1997. Disponível em: http://www.useit.com/alertbox/9702b.html. Último acesso: em 11 de junho de 2010. 10. Nielsen, Jacob. (2005) Ten Usability Heuristics. Disponível em: http://www.useit.com/papers/heuristic/heuristic_list.ht ml. Último acesso em 14 de Junho de 2010. 11. Nokia (2010) Top 10 usability guidelines for S60 applications. Disponível em: http://http://library.forum.nokia.com/index.jsp? topic=/Design_and_User_Experience_Library/GUID- 91171CD3-FAF5-4B57-B6AE-30A407C66F16.html. Último acesso em 14 de Junho de 2010. 12. Pan, Younghwan;Ryu, Young Sam . Insights for the TV Interface from the Mobile Phone Interface. Journal of Usability Studies. Vol. 4, Issue 4, August 2009. Disponível em: http://www.upassoc.org/upa_publications/jus/2009augu st/ryu1.html. Último acesso: em 3 de junho de 2010. 13. Portal G1 (2010) Final de ‘Lost’ bate recorde de downloads na internet. Disponível em: http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2010/05/final-de- lost-bate-recorde-de-downloads-na-internet.html. Último acesso em 27 de Maio de 2010. 14. Preece, Jenifer; Rogers, Yvonne; Sharp, Helen. Design de interação: além da interação homem-computador. Porto Alegre: Bookman, 2005. 15. Primo, Alex. Enfoques e desfoques no estudo da interação mediada por computador. Disponível em:www.ufrgs.br/limc/PDFs/enfoques_desfoques.pdf . Último acesso em 08 de junho de 2010. 16. Soares, L. F. G. ; Barbosa, Simone Diniz Junqueira . Programando em NCL. 1. ed. Rio de Janeiro: Elsevier - Campus, 2009 17. Yahoo (2010) Design Guidelines. Disponível em: http://developer.yahoo.com/connectedtv/devguide/CT V_DG_Design_Guidelines.html#CTV_DG_User_Interf ace_Dimensions. Último acesso em 14 de Junho de 2010. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 60
  • 67.
    Reconhecimento de Fonemasusando Predição Linear para movimento labial de modelos faciais humanóides virtuais Raphael T. S. Carvalho, Rodrigo C. S. Costa, Paulo C. Cortez Universidade Federal do Ceará, Brazil Dept. de Engenharia de Teleinformática Grupo de Interação Homem Máquina raphael, rodcosta, cortez@gihm.info ABSTRACT Linear predictive analysis is a technique widely used in the recognition of phonemes. In this article, we discuss the different aspects of their applications in vowel recognition of the Portuguese language and lip movements of a virtual humanoid facial model. LP analysis is used to extract features of the shape of the vocal tract, which is correlated with the phoneme being spoken. The vectors of extracted features are classified into a set of seven vowels using artificial neural networks. The computational effort and performance classification of this technique are analyzed. The information extracted from the vowel can be applied to the lip movement in entertainment applications and avatar animation in virtual environments. Author Keywords Linear Predictive Analysis, vowel recognition, avatar animation, lip movements. 1. INTRODUÇÃO Personagens animados por computador podem ser representados em duas ou três dimensões. Conhecidos como humanóides virtuais ou avatares, podem ser controlados por diferentes técnicas. Nas indústrias de jogos são tradicionalmente manipulados através de joysticks. Também é possı́vel animá-los através da utilização de comandos presentes em interfaces gráficas, nas quais o usuário deve escolher os comandos dentre um conjunto finito de botões ou através de um mouse ou teclado [12]. Existem várias metodologias para animar um modelo facial humanóide virtual, podendo ser baseadas em parâmetros matemáticos, nas caracterı́sticas fı́sicas da face, em visão artificial e no processamento da voz [1]. Geralmente, os métodos baseados em visão artificial se Submetido para Interaction South America 2010. concentram em apenas detectar a boca, por exemplo, aberta ou fechada. Por outro lado, uma forma para realizar a animação dos movimentos labiais de forma mais realista é utilizar o reconhecimento de fonemas e palavras, a partir do processamento da voz [8]. Em virtude disso, o objetivo deste trabalho é realizar o estudo da técnica baseada em Predição Linear usada no reconhecimento da fala para aplicar na animação do movimento labial de um modelo facial humanóide virtual. O reconhecimento da fala consiste em identificar fonemas, sı́labas, palavras para formar a mensagem original, ou uma informação na qual existe uma seleção mais direta da resposta, sem interpretação dela. Assim, uma ação pode ser executada diretamente quando um padrão falado é reconhecido [9]. O reconhecimento automático da voz consiste no processo de extrair automaticamente a informação lingüı́stica do sinal da fala, a qual está codificada. Este processo normalmente acontece em três etapas conforme mostrado na Figura 1 [9]. A primeira etapa consiste em obter digitalmente o sinal de áudio e convertê-lo para um padrão a ser utilizado pelas etapas seguintes. Figure 1. Etapas do processo de reconhecimento de voz. A segunda etapa realiza a extração das caracterı́sticas que descrevem adequadamente o sinal de voz ou o representam de forma mais compacta. Esta etapa é necessária devido ao fato do sinal de voz não ser usado diretamente para alimentar a etapa de reconhecimento, exceto quando sub-amostrado. Geralmente, o sinal de voz é ruidoso e pode possuir milhares de amostras, tornando difı́cil seu armazenamento e aumentando a complexidade do classificador. A etapa de reconhecimento da fala consiste em classificar essas caracterı́sticas e, em geral, é dividida em treinamento e classificação. No treinamento, as caracterı́sticas dos Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 61
  • 68.
    fonemas são utilizadaspara determinar um modelo que represente cada classe. A etapa de classificação usa o modelo gerado no treinamento para determinar qual fonema é pronunciado. Baseado no processo de reconhecimento da voz, este artigo está dividido em 9 seções. A Seção 2 apresenta os fundamentos da produção da fala. A Seção 3 descreve a ferramenta matemática utilizada para realização do trabalho. A Seção 4 apresenta a técnica de extração de caracterı́sticas para reconhecimento de fonemas. As Seções 5 e 6 descrevem o conjunto de dados e a metodologia de simulação utilizados no trabalho, respectivamente. A Seção 7 descreve os resultados dos testes e por fim, a Seção 8 apresenta as considerações finais e as perspectivas de trabalhos futuros. 2. MODELAGEM DA PRODUÇÃO DA FALA A fala é uma das capacidades ou aptidões que os seres humanos possuem de comunicação, manifestando seus pensamentos, opiniões e sentimentos através dos vocábulos. Consiste no principal sinal entre os distintos sinais abordados pela linguagem natural, como por exemplo, ideogramas, gestos, gritos, trejeitos e outros tipos de linguagem corporal [9]. Existem duas principais fontes de caracterı́sticas da fala especı́ficas aos locutores, as fı́sicas e as adquiridas (ou aprendidas). As caracterı́sticas fı́sicas relacionam-se principalmente ao trato vocal, estrutura formada pelas cavidades que vão das pregas vocais até os lábios e o nariz [11]. A Figura 2 ilustra o conjunto de órgãos que formam o trato vocal e compõem o sistema de produção da fala. Figure 2. Sistema de produção da fala [11]. Na produção da fala, as cordas vocais situadas na laringe são excitadas pelo ar vindo dos pulmões. A vibração das pregas vocais geradas devido à passagem do fluxo de ar produz um som fraco e constituı́do de poucos harmônicos, que é amplificado quando passa pelas cavidades de ressonância (laringe, faringe, boca e nariz) e ganha “forma” final quando é articulado através de movimentos de lı́ngua, lábios, mandı́bula, dentes e palato [11]. Essa passagem pelas cavidades do trato vocal altera o espectro do som devido às ressonâncias, que formam picos de energia no espectro de frequência conhecidos como formantes. Através da análise espectral da fala produzida é possı́vel estimar a forma do trato vocal. Uma classificação comum dos eventos sonoros é feita quanto ao estado de vibração das cordas vocais. Adota-se uma convenção de três estados: silêncio, vozeados (sonoros) e não-vozeados (surdos). O silêncio representa a etapa em que nenhum som é produzido. Os sons ou fonemas sonoros são aqueles em que as cordas vocais são tensionadas e vibram de maneira aproximadamente periódica. Os sons surdos são produzidos quando não há vibração das cordas vocais, de modo que o som é formado basicamente nas cavidades do trato vocal, resultando em um sinal com natureza não-periódica ou aleatória [11]. São ilustrados na Figura 3 exemplos de sons vozeados e não-vozeados, em que se pode observar na Figura 3(a) a natureza aleatória dos sons não-vozeados e, na Figura 3(b), a forma quasi-periódica de um fonema vozeado. (a) Elocução do fonema /s/: Som não-vozeado. (b) Fonema /z/: Som vozeado Figure 3. Exemplo de eventos sonoros vozeados e não-vozeados [11]. Os sons vozeados não devem ser confundidos com os fonemas da lı́ngua portuguesa, uma vez que, o som é entendido como uma complexa realidade fı́sico acústica de cada unidade sonora da fala, enquanto que os fonemas correspondem a percepção eclética e interpretativa realizada pelo falante e ouvinte, respectivamente [9]. O fonema é a menor unidade sonora (fonética) de uma lı́ngua que estabelece contraste de significado para diferenciar palavras. Os fonemas, na lı́ngua portuguesa, são classificados em vogais, semi-vogais e consoantes. As vogais são sons produzidos sem obstáculos para a passagem de ar, que passa livremente pela boca, oriundo do pulmão. Sua emissão é independente de outro fonema, por isso constitui a base da sı́laba. Os sons das vogais produzem-se a partir de diferentes posicionamentos dos músculos da boca, constituı́dos pela lı́ngua, pelos lábios e pelo palato. Na produção das vogais, a forma do trato vocal é constante com o tempo e uniforme, com as vibrações sustentadas das cordas vocais. Assim, para as vogais, o trato vocal pode ser, aproximadamente, modelado como uma concatenação de uma série de tubos cilı́ndricos de área transversal uniforme [5]. Uma aproximação simples do modelo que consiste em 𝑚 tubos acústicos é ilustrado na Figura 4. Os tubos têm as áreas Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 62
  • 69.
    Figure 4. Representaçãoesquemática do sistema vocal e aproximação por tubos concatenados [5]. transversais 𝐴1 a 𝐴𝑚. Embora estes valores têm grande variação de pessoa para pessoa, a distribuição é semelhante em relação a uma dada vogal. As semi-vogais sempre acompanham uma vogal, formando sı́laba com ela. Na lı́ngua escrita, as semi-vogais são representadas pelo i e u, podendo em alguns casos serem representadas pelo e e o. As consoantes são fonemas produzidos através da obstrução do ar proveniente do pulmão, precisando de uma vogal para ser emitidos. Esses obstáculos podem ser totais ou parciais, a partir da posição da lı́ngua e dos lábios. Com base no conhecimento sobre as caracterı́sticas da formação da fala humana, é possı́vel entender os fundamentos da técnica de extração de caracterı́sticas descrita na próxima seção. 3. PREDIÇÃO LINEAR Predição Linear (LP) é uma operação matemática em que os valores futuros de um sinal de tempo-discreto são estimados como uma função linear de amostras passadas. Em Processamento Digital de Sinais (PDS), LP é freqüentemente chamada Codificação Linear Preditiva (LPC) e pode então ser vista como um sub-conjunto de teoria de filtros. Para um sinal discreto 𝑠𝑛, LP consiste em modelar o sinal como a saı́da de um sistema com entrada desconhecida 𝑢𝑛, representado matematicamente por [7] 𝑠𝑛 = − 𝑝 ∑ 𝑘=1 𝑎𝑘 ⋅ ˆ 𝑠𝑛−𝑘 + 𝐺 ⋅ 𝑞 ∑ 𝑙=0 𝑏𝑙 ⋅ 𝑢𝑛−1, 𝑏0 = 1 (1) em que 𝑎𝑘, 1 ⩽ 𝑘 ⩽ 𝑝, 𝑏𝑙, 1 ⩽ 𝑙 ⩽ 𝑞, e o ganho 𝐺 são os parâmetros do sistema hipotético. Esta equação mostra que a saı́da 𝑠𝑛 é uma função linear de saı́das passadas e entradas presentes e passadas. A equação 1 pode também ser especificada no domı́nio da freqüência aplicando-se a Transformada Z em ambos os lados dessa equação, obtendo com isso a função de transferência 𝐻(𝑧) do sistema [7] 𝐻(𝑧) = 𝑆(𝑧) 𝑈(𝑧) = 𝐺 1 + 𝑞 ∑ 𝑙=1 𝑏𝑙 ⋅ 𝑧−𝑙 1 + 𝑝 ∑ 𝑘=1 𝑎𝑘 ⋅ 𝑧−𝑘 , (2) em que 𝑈(𝑧) é a Transformada Z da entrada desconhecida 𝑢𝑛 e 𝑆(𝑧) é a Transformada Z de 𝑠𝑛 dada por 𝑆(𝑧) = ∞ ∑ 𝑛=−∞ 𝑠𝑛 ⋅ 𝑧−𝑛 . (3) Quando 𝑏𝑙 = 0 para 1 ⩽ 𝑙 ⩽ 𝑞, tem-se um modelo chamado de todo-pólo, também conhecido como Auto-Regressivo (AR) [7]. 3.1 Estimação dos parâmetros O modelo todo-pólo é utilizado nos sinais da fala, em que o sinal de entrada 𝑢𝑛 pode ser considerado como desconhecido. Desta forma, o sinal 𝑠𝑛 pode ser predito somente através do somatório ponderado linearmente das amostras passadas. A aproximação de 𝑠𝑛 por ˜ 𝑠𝑛 é dada por ˜ 𝑠𝑛 = − 𝑝 ∑ 𝑘=1 𝑎𝑘 ⋅ ˆ 𝑠𝑛−𝑘. (4) A estimação dos parâmetros desse modelo pode ser feita através do Método dos Mı́nimos Quadráticos (MMQ), em que assumi-se que o erro 𝑒𝑛, entre o valor atual 𝑠𝑛 e o valor predito ˜ 𝑠𝑛, é dado por 𝑒𝑛 = 𝑠𝑛 − ˜ 𝑠𝑛 = 𝑠𝑛 + 𝑝 ∑ 𝑘=1 𝑎𝑘 ⋅ ˆ 𝑠𝑛−𝑘. (5) No MMQ, os parâmetros 𝑎𝑘 são obtidos com o resultado da minimização do Erro Quadrático Médio (MSE-Mean Squared Error) ou do erro total em função de cada um dos parâmetros. A análise pode ser realizada através de duas abordagens. A primeira assume 𝑠𝑛 como um sinal determinı́stico e a segunda como um processo aleatório. Na primeira abordagem, o erro quadrático 𝐸 é dado por [7] 𝐸 = ∑ 𝑛 𝑒𝑛 2 = ∑ 𝑛 ( 𝑠𝑛 + 𝑝 ∑ 𝑘=1 𝑎𝑘 ⋅ ˆ 𝑠𝑛−𝑘 )2 , (6) podendo ser minimizado utilizando a expressão Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 63
  • 70.
    ∂𝐸 ∂𝑎𝑖 = 0, 1⩽ 𝑖 ⩽ 𝑝 (7) A partir das equações 6 e 7, obtém-se o seguinte conjunto de equações 𝑝 ∑ 𝑘=1 𝑎𝑘 ∑ 𝑛 𝑠𝑛−𝑘 ⋅ 𝑠𝑛−𝑖 = − ∑ 𝑛 𝑠𝑛𝑠𝑛−𝑖. (8) O MSE total, denotado por 𝐸𝑝, é obtido expandindo a equação 6 e substituindo na equação 8, resultando em 𝐸𝑝 = ∑ 𝑛 𝑠𝑛 2 + 𝑝 ∑ 𝑘=1 𝑎𝑘 ∑ 𝑛 𝑠𝑛 ⋅ 𝑠𝑛−𝑘 (9) Existem dois métodos para estimar os parâmetros dependendo do intervalo de duração do erro: o método de autocorrelação e método da covariância. No Método de Autocorrelação, o erro é minimizado para um intervalo infinito −∞ 𝑛 ∞. Assim, as equações 8 e 9 são reduzidas a [7] 𝑝 ∑ 𝑘=1 𝑎𝑘 ⋅ 𝑅(𝑖 − 𝑘) = −𝑅(𝑖), 1 ⩽ 𝑖 ⩽ 𝑝 (10) 𝐸𝑝 = 𝑅(0) + 𝑝 ∑ 𝑘=1 𝑎𝑘𝑅(𝑘), (11) em que 𝑅(𝑖) = ∞ ∑ 𝑛=−∞ 𝑠𝑛𝑠𝑛+1, (12) é a função de autocorrelação do sinal 𝑠𝑛. Note que 𝑅(𝑖) é uma função par, ou seja, 𝑅(−𝑖) = 𝑅(𝑖). Os parâmetros 𝑅(𝑖 − 𝑘) formam o que é conhecido como matriz de autocorrelação. Na prática, o sinal 𝑠𝑛 é conhecido ou utilizado apenas em um intervalo finito 0 ⩽ 𝑛 ⩽ 𝑁 − 1. Desta forma, a função de autocorrelação é dada por 𝑅(𝑖) = 𝑁−1−𝑖 ∑ 𝑛=0 𝑠′ 𝑛𝑠′ 𝑛+1, 𝑖 ⩾ 0. (13) No Método da Covariância, o erro é minimizado para um intervalo finito 0 ⩽ 𝑛 ⩽ 𝑁 − 1. Assim, as equações 8 e 9 são reduzidas a 𝑝 ∑ 𝑘=1 𝑎𝑘 ⋅ 𝜑𝑘𝑖 = −𝜑0𝑖, 1 ⩽ 𝑖 ⩽ 𝑝 (14) 𝐸𝑝 = 𝜑00 + 𝑝 ∑ 𝑘=1 𝑎𝑘𝜑0𝑘, (15) em que a covariância do sinal 𝑠𝑛 no dado intervalo é dada por 𝜑𝑖𝑘 = 𝑁−1 ∑ 𝑛=0 𝑠𝑛−𝑖𝑠𝑛−𝑘. (16) Os coeficientes 𝜑𝑘𝑖 na equação 14 formam a matriz de covariância. A partir da equação 16, pode-se mostrar que a matriz de covariância 𝜑𝑖𝑘 é simétrica, ou seja, 𝜑𝑘𝑖 = 𝜑𝑖𝑘. Com base na equação 16, observa-se que os termos ao longo da diagonal principal estão relacionados com o coeficiente anterior através da relação 𝜑𝑖+1,𝑘+1 = 𝜑𝑖𝑘 + 𝑠−𝑖−1𝑠−𝑘−1 − 𝑠𝑁−1−𝑖𝑠𝑁−1−𝑘. (17) A partir da equação 17, verifica-se que para determinar os valores do sinal 𝑠𝑛, para −𝑝 ⩽ 𝑛 ⩽ 𝑁 − 1, deve ser conhecido um total de 𝑝 + 𝑁 amostras. O método de covariância reduz-se ao método de autocorrelação quando 𝑁 tende ao infinito. A segunda abordagem considera o sinal aleatório e o erro 𝑒𝑛 na equação 5 também é um processo aleatório. Pelo MMQ, minimiza-se o valor esperado ℰ do quadrado da erro, ou seja 𝐸 = ℰ(𝑒𝑛 2 ) = ℰ ( 𝑠𝑛 + 𝑝 ∑ 𝑘=1 𝑎𝑘 ⋅ ˆ 𝑠𝑛−𝑘 )2 . (18) Aplicar a equação 7 na equação 18 resulta em 𝑝 ∑ 𝑘=1 𝑎𝑘 ⋅ ℰ(𝑠𝑛−𝑘𝑠𝑛−𝑖) = ℰ(𝑠𝑛𝑠𝑛−𝑖), 1 ⩽ 𝑖 ⩽ 𝑝. (19) O erro médio mı́nimo é então dado por 𝐸𝑝 = ℰ(𝑠𝑛 2 ) + 𝑝 ∑ 𝑘=1 𝑎𝑘ℰ𝑠𝑛𝑠𝑛−𝑘. (20) A forma de resolução das equações 19 e 20 depende se o processo 𝑠𝑛 é estacionário ou não estacionário. No caso em que 𝑠𝑛 é um processo estacionário, tem-se que Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 64
  • 71.
    ℰ(𝑠𝑛−𝑘𝑠𝑛−𝑖) = 𝑅(𝑖− 𝑘), (21) em que 𝑅(𝑖) é a autocorrelação do processo. Com isso, as equações 19 e 9 reduzem-se a equações idênticas a 10 e 11, respectivamente. A única diferença é que, neste caso, a autocorrelação é de um processo estacionário em vez de um sinal determinı́stico. O caso estacionário fornece a mesma solução para os coeficientes 𝑎𝑘 que o método de autocorrelação no caso determinı́stico [7]. Além disso, se o processo é estacionário e ergódico, a autocorrelação pode ser calculada para um tempo médio. Se 𝑠𝑛 é um processo não-estacionário, tem-se que ℰ(𝑠𝑛−𝑘𝑠𝑛−𝑖) = 𝑅(𝑛 − 𝑘, 𝑛 − 𝑖), (22) em que 𝑅(𝑛 − 𝑘, 𝑛 − 𝑖) é a autocorrelação não-estacionária entre os tempos 𝑛−𝑘 e 𝑛−𝑖. Assumindo-se que a estimação de parâmetros de interesse ocorre no tempo n=0, as equações 19 e 9 podem ser reescritas como 𝑝 ∑ 𝑘=1 𝑎𝑘𝑅(−𝑘, −𝑖) = 𝑅(0, −𝑖), (23) 𝐸′ 𝑝 = 𝑅(0, 0) + 𝑝 ∑ 𝑘=1 𝑎𝑘𝑅(0, 𝑘). (24) respectivamente, em que 𝐸′ 𝑝 é o erro médio mı́nimo do processo não-estacionário. Na estimativa dos coeficientes de autocorrelação não-estacionário do sinal 𝑠𝑛, nota-se que os processos não-estacionários são não ergódicos e, portanto, não se pode substituir a média do conjunto por um tempo médio. No entanto, para uma determinada classe de processos não-estacionários, conhecidos como processos localmente estacionários, é razoável estimar a função de autocorrelação com relação a um ponto no tempo como um tempo médio de curto prazo. Exemplos de processos não estacionários, que podem ser considerados localmente estacionários, são de sinais da fala e de Eletroencefalograma(EEG) [7]. De maneira análoga ao caso estacionário, estima-se 𝑅(−𝑘, −𝑖) através de 𝜑𝑖𝑘 utilizando a equação 16. Usar esta aproximação para a autocorrelação de um processo não-estacionário conduz a uma solução para os parâmetros 𝑎𝑘 na equação 23 que é idêntico ao que é dado pela equação 14 no método de covariância para o caso determinı́stico. Observa-se que, para um sinal estacionário, 𝑅(𝑡, 𝑡′ ) = 𝑅(𝑡 − 𝑡′ ) e, portanto, as equações 23 e 24 são reduzidas e resultam nas equações 10 e 11. 3.2 Cálculo dos Parâmetros Preditivos Para cada uma das duas abordagens de predição linear apresentada anteriormente, os coeficientes preditivos 𝑎𝑘, 1 ⩽ 𝑘 ⩽ 𝑝, podem ser calculados resolvendo um conjunto de 𝑝 equações em que 𝑝 é desconhecido. Essas equações são mostradas na equação 10 para o método de autocorrelação (estacionário) e na equação 14 para o método da covariância (não-estacionário). Existem diversos métodos para otimizar os cálculos necessários para solução dessas equações, por exemplo, o método de redução ou eliminação de Gauss e o método de redução de Crout [7]. Estes métodos gerais requerem 𝑝3 /3 + 𝑂(𝑝2 ) operações (multiplicações ou divisões) e 𝑝2 locais de armazenamento. Entretanto, evidencia-se através de 10 e 14 que a matriz de coeficientes em cada caso é uma matriz de covariância. Matrizes de covariância são simétricas e, em geral, semi-definidas positiva, embora na prática são, geralmente, definidas positiva. Portanto, as equações 10 e 14 podem ser solucionadas mais eficientemente através do método de decomposição de Cholesky. Este método requer 𝑝3 /6 + 𝑂(𝑝2 ) cálculos e 𝑝2 /2 armazenamento, ou seja, representa metade do esforço computacional dos métodos gerais [7]. É possı́vel reduzir mais o armazenamento e o tempo de cálculo, analisando a forma especial da equação 10. Esta equação pode ser expandida na forma matricial ⎡ ⎢ ⎢ ⎣ 𝑅0 𝑅1 . . . 𝑅𝑝−1 𝑅1 𝑅0 . . . 𝑅𝑝−2 . . . . . . ... . . . 𝑅𝑝−1 𝑅𝑝−2 . . . 𝑅0 ⎤ ⎥ ⎥ ⎦ = ⎡ ⎢ ⎢ ⎣ 𝑎1 𝑎2 . . . 𝑎𝑝 ⎤ ⎥ ⎥ ⎦ = − ⎡ ⎢ ⎢ ⎣ 𝑅1 𝑅2 . . . 𝑅𝑝 ⎤ ⎥ ⎥ ⎦ . (25) Através desta equação é possı́vel observar que a matriz de autocorrelação 𝑝 × 𝑝 é simétrica e os elementos ao longo de qualquer diagonal são idênticos. [6] propôs um procedimento recursivo para solucionar esse tipo de equação. O procedimento foi mais tarde reformulado por [10]. Este método supõe que o vetor coluna no lado direito da equação 25 é um vetor coluna genértico. Um outro método, proposto por [3], considera que este vetor coluna compreende os mesmos elementos encontrados na matriz de autocorrelação, possuindo um desempenho computacional duas vezes maior que o método de [6]. O método requer apenas 2𝑝 locais de armazenamento e 𝑝2 + 𝑂(𝑝) operações: uma grande redução de complexidade em relação aos métodos gerais. O procedimento recursivo de Durbin pode ser especificado através das seguintes equações [7]: Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 65
  • 72.
    𝐸0 = 𝑅(0),(26) 𝑘𝑖 = − 𝑅(𝑖) + 𝑖−1 ∑ 𝑗=1 𝑎 (𝑖−1) 𝑗 𝑅(𝑖 − 𝑗) 𝐸𝑖−1 , (27) 𝑎 (𝑖) 𝑖 = 𝑘𝑖, (28) 𝑎 (𝑖) 𝑗 = 𝑎 (𝑖−1) 𝑗 + 𝑘𝑖 ⋅ 𝑎 (𝑖−1) 𝑖−𝑗 , 1 ⩽ 𝑗 ⩽ 𝑖 − 1, (29) 𝐸𝑖 = (1 − 𝑘2 𝑖 )𝐸𝑖−1. (30) Estas equações 27 a 30 são solucionadas recursivamente para 𝑖 = 1, 2, . . . , 𝑝, cuja solução final é dada por 𝑎𝑗 = 𝑎 (𝑝) 𝑗 . (31) O cálculo dos coeficientes de autocorrelação ou de covariância requer 𝑝 ⋅ 𝑁 operações, que podem influenciar o tempo da computação se 𝑁 𝑝, como é freqüentemente o caso. A solução da equação 25 não é afetada se todos os coeficientes de autocorrelação são multiplicados por uma constante. Em particular, se todos 𝑅(𝑖) são normalizados, isto é divididos por 𝑅(0), são formados os coeficientes de autocorrelação normalizados 𝑟(𝑖) 𝑟(𝑖) = 𝑅(𝑖) 𝑅(0) . (32) em que ∣𝑟(𝑖)∣ ⩽ 1. Um sub-produto do algoritmo recursivo de [3] é o cálculo do erro mı́nimo total 𝐸𝑖 em cada etapa. Pode-se facilmente mostrar que o erro mı́nimo 𝐸𝑖 diminui à medida que a ordem da predição aumenta. Neste caso 𝐸𝑖 não é negativo, logo, é um erro quadrático. Portanto, tem-se que [7] 1 ⩽ 𝐸𝑖 ⩽ 𝐸𝑖−1, 𝐸0 = 𝑅(0). (33) Se os coeficientes de autocorrelação são normalizados utilizando a equação 32, então o erro mı́nimo 𝐸𝑖 é também dividido por 𝑅(0), sendo conhecido como erro normalizado 𝑉𝑖, dado por 𝑉𝑖 = 𝐸𝑖 𝑅(0) = 1 + 𝑖 ∑ 𝑘=1 𝑎𝑘𝑟(𝑘). (34) Considerando-se a relação descrita na equação 33 é possı́vel observar que 1 ⩽ 𝑉𝑖 ⩽ 𝑝, 𝑖 ⩾ 0. (35) Também, utilizando as equações 30 e 34, o erro normalizado final 𝑉𝑝 é dado por 𝑉𝑝 = 𝑝 ∏ 𝑖=1 1 − 𝑘𝑖 2 . (36) As quantidades intermediárias 𝑘𝑖, 1 ⩽ 𝑖 ⩽ 𝑝, são conhecidas como coeficientes de reflexão, também denominados de coeficientes de correlação parcial. O coeficiente 𝑘𝑖 pode ser interpretado como a correlação parcial (negativa) entre 𝑠𝑛 e 𝑠𝑛+1, mantendo 𝑠𝑛+1, ⋅ ⋅ ⋅ , 𝑠𝑛+𝑖−1 fixos. O uso do termo “coeficiente de reflexão” vem da teoria de linha de transmissão, em que 𝑘𝑖 pode ser considerado como coeficientes de reflexão no limite entre duas seções com impedâncias 𝑍𝑖 + 𝑍𝑖+1, sendo dado por [7] 𝑘𝑖 = 𝑍𝑖+1 − 𝑍𝑖 𝑍𝑖+1 + 𝑍𝑖 . (37) Assim, a função de transferência 𝐻(𝑧) pode então ser considerada como uma seqüência de seções com taxas de impedância, usando a equação 37, sendo dada por 𝑍𝑖+1 𝑍𝑖 = 1 + 𝑘𝑖 1 − 𝑘𝑖 , 1 ⩽ 𝑘 ⩽ 𝑝. (38) A mesma explicação pode ser dada para qualquer tipo de situação em que existe transmissão de onda plana com incidência normal, em um meio consistindo de uma seqüência de seções com diferentes impedâncias. No caso de um tubo acústico com 𝑝 seções de igual espessura, a taxa de impedância reduz ao inverso da taxa de áreas de seção-transversal consecutivas. Este fato pode ser usado na análise da fala. 4. EXTRAÇÃO DE CARACTERı́STICAS Para identificar o fonema, alguma de suas caracterı́sticas no tempo/frequência ou em algum outro domı́nio devem ser conhecidos. Assim, uma caracterı́stica pode ser definida como uma unidade mı́nima, que distingue fonemas maximamente próximos [4]. Através da extração de caracterı́sticas, o espaço de dados é transformado num espaço de caracterı́sticas que possui a mesma dimensão do espaço de dados original, porém é representado por um número reduzido de caracterı́sticas efetivas [2]. O método baseado em Predição Linear realiza a extração da informação da forma do trato vocal, utilizando a análise proposta por [13]. O método compara um modelo do filtro acústico, representado na Figura 4 pelos tubos conectados, com o modelo de produção da fala. A comparação entre o modelo de tubo acústico e o modelo derivado da LP conduz a seguinte conclusão. Os coeficientes Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 66
  • 73.
    de reflexão 𝑘𝑖,calculados como um subproduto do algoritmo recursivo de LP, estão diretamente relacionados com a variação da área do trato vocal, conforme o modelo do tubo concatenadas, através da equação [5] 𝑘𝑖 = 𝐴𝑖−1 − 𝐴𝑖 𝐴𝑖−1 + 𝐴𝑖 . (39) Estes coeficientes de reflexão são usados como caracterı́sticas para classificação. As caracterı́sticas extraı́das fornecem a informação da forma do trato vocal para vogais sustentadas, através da equação 39. 5. CONJUNTO DE DADOS Para analisar a LP na extração de caracterı́sticas, utiliza-se um conjunto de dados formado pelas amostras de áudio dos fonemas do tipo vogal. Essas amostras são capturadas de 13 pessoas, sendo uma do sexo feminino, pronunciando cada vogal durante aproximadamente 3 segundos de forma constante e sem pausas, variando-se apenas a distância para o microfone. Para aquisição das amostras é utilizado um microfone para computadores pessoais da marca Leadership. As vogais pronunciadas consistem nas vogais da lı́ngua portuguesa a, ê, é, i, ô, ó, u. No total, o conjunto de dados possui 7 classes de vogais. As amostras de áudio são extraı́das a uma taxa de amostragem de 8kHz e 8 bits na quantização, ou seja, a configuração mı́nima de digitalização de um sinal de voz. Utiliza-se a configuração mı́nima para permitir uma melhor análise da técnica de extração de caracterı́sticas, explorando ao máximo o potencial desta técnica. Todas as amostras foram gravadas em uma sala fechada com ruı́do proveniente de condicionadores de ar e de forma espontânea. 6. METODOLOGIA DE SIMULAÇÃO Para avaliar o desempenho dessa técnica são realizadas simulações em um computador pessoal da marca Dell com processador Intel Pentium D de 2,80 GHz e 2 GB de memória RAM com sistema operacional Windows XP. Todas as simulações foram realizadas utilizando-se a plataforma de simulação Simulink do Maltab versão 2006b. A Figura 5 ilustra o fluxograma da metodologia do reconhecimento de vogais usando Predição linear. O sinal de voz é não-estacionário e ruidoso, de modo que a analogia com filtros digitais somente é válida para um perı́odo de tempo aproximadamente estacionário da fala, que geralmente é em torno de 10 a 30 ms. Para esse fim, implementa-se o janelamento do sinal utilizando uma janela retangular que é movida ao longo do sinal de voz sem sobreposição entre frames adjacentes. O tamanho dessa janela nos testes é de 32ms, ou seja, 256 amostras de áudio por frame para um taxa de amostragem de 8kHz. Quanto à etapa de extração de caracterı́sticas, varia-se Figure 5. Fluxograma do reconhecimento de vogais usando LP. a quantidade de caracterı́sticas extraı́das por frame de áudio. No método baseado em LP varia-se a quantidade de coeficientes de reflexão de 8 a 28. O classificador utilizado para avaliar as técnicas de extração é a rede neural Perceptron Multicamadas (MLP) com 2 camadas, 1 camada de entrada com quantidade de neurônios igual ao número de caracterı́sticas extraı́das e 1 camada de saı́da com 7 neurônios referentes às classes das vogais. Os parâmetros de treinamento da rede neural são escolhidos para se obter um estudo mais preciso e são: 100 épocas de treinamento, MSE desejado de 10−5 e passo de apredizagem de 0, 01. Para avaliar o desempenho de classificação, o conjunto de dados é dividido em dois conjunto: um de treinamento e outro de teste. As amostras são embaralhadas aleatoriamente e 80% delas são atribuı́as ao conjunto de treinamento, enquanto os 20% restantes são utilizados no teste. A avaliação da técnica é feita com base nas taxas de acerto média, máxima, mı́nima e desvio-padrão, e na matriz de confusão. Além disso, o tempo total médio de treinamento e de reconhecimento são determinados. Os resultados são extraı́dos de 10 simulações independentes. O resultado da classificação da rede neural é mostrado no modelo facial humanóide virtual. Cada vogal tem uma representação visual no modelo facial chamada de visema, referente a um movimento labial especı́fico para a Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 67
  • 74.
    vogal. Estes visemassão usados para a animação facial sincronizada com a fala, ou seja, na animação do formato do lábio enquanto um dado fonema é pronunciado. 7. RESULTADOS Na Tabela 1 são mostrados as estatı́sticas da taxas de acerto e o desvio padrão da taxa de acerto obtidos pela Predição Linear neste trabalho. Na tabela em questão, utiliza-se a notação LP-X, em que X denota o número de coeficientes de reflexão de LP. Na Tabela 2 são mostrados o tempo total médio de treinamento Table 1. Desempenho de reconhecimento. Taxas de Reconhecimento(%) mı́nima média máxima desvio padrão LP-8 63,19 78,24 88,46 8,60 LP-12 72,53 83,57 92,86 6,40 LP-16 68,13 89,29 95,60 8,25 LP-20 78,57 89,23 95,05 5,92 LP-24 66,48 87,14 94,51 9,22 LP-28 60,99 85,88 98,35 12,29 Table 2. Tempo total médio de treinamento e de teste. Tempo Total Médio Treinamento (s) Teste (ms) LP-8 20,35 11,7 LP-12 22,61 12,4 LP-16 27,80 21,8 LP-20 59,75 24,3 LP-24 72,51 22,1 LP-28 98,93 23,1 Através da Tabela 1, observa-se que a taxa média de acerto varia entre 78,24% e 89,29%. Os melhores desempenhos médio de classificação são obtidos pelas configurações LP-16 e LP-20, com taxa média superior a 89%. Dentre as duas melhores configurações, a com melhor custo-benefı́cio é a LP-16, pois possui o menor tempo de treinamento e de execução. Figure 6. Taxa média de acerto para extração utilizando Predição Linear. Através da Figura 6, observa-se que para valores de coeficientes de reflexão maiores que 16 ocorre uma diminuição na taxa média de reconhecimento. Na Tabela 3 é mostrada a matriz de confusão para configuração com melhor taxa média, LP-16, em que se observa que pelo menos 79% e no máximo 98% das vogais são classificadas corretamente, conforme mostrado na Figura 7. Table 3. Matriz de confusão da configuração LP-16. Vogal Esperada a ê é i ô ó u Vogal Reconhecida a 252 2 3 0 0 19 0 ê 1 243 4 20 0 4 0 é 4 3 246 0 1 1 0 i 1 18 3 210 2 0 0 ô 0 1 2 4 227 23 42 ó 0 0 1 0 7 209 1 u 0 0 0 1 21 6 238 A vogal ó possui o pior reconhecimento com 79,8% de corretos reconhecimentos. A vogal u possui um desempenho intermediário com 84,7% das amostras classificadas corretamente. As demais vogais conseguem reconhecer corretamente mais que 88% das amostras de teste. Figure 7. Porcentagem de reconhecimento por vogal na configuração LP-16. Através dos resultados da Tabela 2, quanto maior o número de caracterı́sticas extraı́das em cada frame de áudio, maior o custo computacional de treinamento. Isto ocorre devido a configuração do classificador, em que a quantidade de neurônios da camada de entrada é igual ao número de caracterı́sticas extraı́das. 8. CONCLUSÕES Através dos resultados apresentados neste trabalho, concluiu-se que o método de reconhecimento de fonemas baseado em Predição Linear pode ser utilizado como ferramenta para animação do movimento labial de modelos faciais humanóides virtuais em aplicações de interação. Nos testes realizados até o momento este método apresentou um comportamento dentro da expectativa, tendo conseguido identificar todas vogais da lı́ngua portuguesa com alta taxa de acerto e com um tempo de processamento relativamente Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 68
  • 75.
    baixo, que énecessário para a sincronização da fala com a animação facial. Como perspectivas futuras, pretende-se avaliar tecnicamente a interação com o usuário através da animação de avatares em tempo real e implementar outras técnicas com baixo custo de processamento para aplicações em ambientes embarcados. 9. AGRADECIMENTOS Agradecimentos à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nı́vel Superior (CAPES), ao Laboratório de Engenharia de Sistemas de Computação (LESC) e ao Departamento de Engenharia de Teleinformática (DETI) da Universidade Federal do Ceará. References 1. N. I. Badler and D. M. Chi. Virtual human animation based on movement observation and cognitive behavior models. Proceedings of Computer Animation, pages 128–137, 1999. 2. R. C. S. Costa. Inspeção Automática de Laranjas Destinadas à Produção de Suco, Utilizando Técnicas de Processamento Digital de Imagens. Monografia de Final de Curso, Centro Federal de Educação Tecnológica do Ceará, 2006. 3. J. Durbin. The fitting of time-series models. Revue de l’Institut International de Statistique, pages 233–244, 1960. 4. O. Farooq and S. Datta. Phoneme recognition using wavelet based features. Information Sciences, 150(1-2):5–15, MAR 2003. 5. S. Kshirsagar and N. Magnenat-Thalmann. Lip Synchronization Using Linear Predictive Analysis. MIRALAB, CUI, University of Geneva, 2000. 6. N. Levinson. The Wiener RMS (Root Mean Square) Error Criterion in Filter Design and Prediction. Journal of Mathematics and Physics, 25(4):261–278, 1946. 7. J. Makhoul. Linear Prediction: A Tutorial Review. Proceedings of the IEEE, 63(4):561–580, 1975. 8. e. a. P. C. Cortez. Patente pi-xxxxxx, Dez 2009. 9. M. B. Paula. Reconhecimento de palavras faladas utilizando redes neurais artificiais. Monografia de Final de Curso, UFPEL, 2000. 10. E. Robinson. Statistical Communication and Detection. Griffin, London, page 249, 1967. 11. A. H. D. SOUZA JÚNIOR. Avaliação de Redes Neurais Auto-organizáveis para reconhecimento de voz em sistemas embarcados. Dissertação de Mestrado, UFC, 2009. 12. B. M. Sullivan. Linking Audio And Visual Information While Navigating In A Virtual Reality Kiosk Display. Phd, University of Massachusets, Lowell, 2002. 13. H. Wakita. Direct Estimation of the Vocal Tract Shape by Inverse Filtering of Acoustic Speech Waveforms. Transactions on audio and eletroacoustics,IEEE, 21(5), October 1973. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 69
  • 76.
    Uma Visão daInteração além da Tecnologia Milena Ribeiro Lopes Instituto Nokia de Tecnologia calma.milena@gmail.com +55 61 81524819 Christina Maria Pedrazza Sega Universidade de Brasília segach@hotmail.com + 55 61 81318456 RESUMO A área de design de interação surgiu em um contexto essencialmente tecnológico que busca melhorar o uso dos produtos portáteis com a reformulação da lógica de comunicação entre homem e dispositivo. Por isso, muitos autores que tentam definir os conceitos desta nova área atrelam a disciplina à tecnologia. Temos visto, porém, que, apesar de ter surgido neste âmbito, o Design de Interação pode ser aplicado a muitos outros contextos e produtos, que não necessariamente dependem de tecnologia. A interação é tema de estudo em diversas áreas de conhecimento que buscam entender o comportamento humano, mas é o Design que propõe novas soluções de interação que poderão beneficiar a todas elas. O Design de Interação é essencial à computação, aos dispositivos móveis e a evolução dos mesmos no mercado, mas pode também ser muito útil quando aplicado a outras áreas, como Arquitetura, Cinema, Marketing, entre outras. Palavras-chave Interação; design; contexto. ACM Classification Keywords H5.m. Information interfaces and presentation (e.g., HCI): Miscellaneous. INTRODUÇÃO O cenário tecnológico no qual nos encontramos atualmente tem sido berço para nascimento de muitas áreas de pesquisa que visam acompanhar as inovações e as necessidades humanas atreladas a elas. A otimização da computação a tornou compacta, ubíqua, portátil e possibilitou sua agregação a outros produtos de uso pessoal, como PDAs e celulares. Esses produtos que nos auxiliam diariamente em nossas tarefas são um grande alvo de pesquisas para acompanhar as inovações incessantes. Os estudos a respeito dos novos adventos tecnológicos têm sido tecidos por diversas áreas, como engenharia, computação, psicologia e design, que colaboram harmonicamente para as melhorias desses produtos e dão origem a novas áreas de pesquisa que permeiam todas elas: fatores humanos, usabilidade, interação homem- computador, experiência do usuário, interface do usuário, entre outras. O design de interação apareceu nesse mesmo contexto, visando encontrar formas de melhorar a interação e projetar interfaces inteligentes de forma nova e coerente. As limitações a este cenário mercadológico momentâneo do design de interação é o interesse particular desse estudo, que visa analisar os conceitos e fundamentos atribuídos ao mesmo e propor uma ampliação do contexto-foco da área, para além da tecnologia. CONCEITOS DE DESIGN DE INTERAÇÃO O termo design de interação ainda é muito discutido por especialistas que deram origem a vários conceitos nos últimos anos, com diferentes reflexões a respeito dessa nova área do design. A tentativa de encontrar os fundamentos adequados para o design de interação visa delimitar o campo de atuação dos pesquisadores e profissionais deste ramo do design. Bill Moggridge [15], que foi um dos primeiros a falar sobre o assunto, e provavelmente o criador do termo, defende a ideia de que o design de interação é o “design dos aspectos subjetivo e qualitativo de todas as coisas; é ao mesmo tempo digital e interativo, criando soluções que são funcionais, desejáveis e acessíveis”. Sob essa perspectiva, o design de interação se alinha aos propósitos do design na função, estética e valor, e enfatiza o contexto tecnológico no qual se insere. Dan Saffer [19] enquadra a disciplina nas “artes aplicadas” e a define como “a arte que facilita as interações entres os humanos por meio de produtos e serviços que tenham algum tipo de consciência”. Deste ponto de vista, a interação se destina a conectar humanos com o auxílio de tecnologias inteligentes. Saffer [19] explica muito bem o porquê de esta área seguir a Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 70
  • 77.
    metodologia do design,reforçando que a forma de trabalhar do design atende aos propósitos do design de interação, como por exemplo, foco no usuário, prototipagem e incorporação de emoção. David Malouf [12], por sua vez, concordou com a linha de raciocínio de Robert Reimann [18] e disse que os produtos, serviços e sistemas devem responder aos estímulos criados pelos seres humanos, e que essas respostas precisam ser significativas, persuasivas e semi-previsíveis. Não muito diferente disso, Nico McDonald [13] falou sobre a área que definiria o relacionamento entre as ações do usuário e as respostas para as mesmas. Com base nessas definições e no contexto tecnológico no qual o Design de Interação surgiu, é possível compreender por que a disciplina está atrelada aos produtos e às tecnologias mais recentes, e se destaca mais entre os dispositivos móveis. Essa ênfase pode ser explicada pela tendência de otimizar funções nos aparelhos e pela necessidade crescente de tornar nossas atividades portáteis e móveis. De acordo com Nico McDonald [13], o maior desafio da área é projetar interações que são sensíveis à sua localização e à sua atividade. Uma das maiores preocupações discutidas pelos especialistas, com o aparecimento desta nova disciplina, é conseguir conceituá-la e delimitá-la para distingui-la das outras disciplinas que compartilham temas, práticas e teorias comuns. Muitos dos elementos usados para descrever o design de interação já são estudados por outras áreas e, às vezes, pode parecer que este apenas reúne propriedades de outras disciplinas em uma só. Saffer [19], por exemplo, apontou componentes como o tempo, espaço, movimento, aparência, textura e som como sendo os mais importantes em um projeto. Esses componentes não são exclusivos do design de interação, pois tempo, espaço, movimento e som já são dimensões exploradas em todos os projetos com interfaces digitais. Aparência e textura são elementos da arte e do design como um todo e por isso não caracterizam uma nova forma de arte por si só. Robert Reimann [18] afirma que essa nova disciplina apropria-se das teorias do design tradicional, da psicologia e engenharias e utiliza as técnicas do design, apesar de ter seus próprios métodos de análise. Analisando essas ideias e concatenando os elementos, é possível entender que o Design de Interação é chamado de Design devido à metodologia que utiliza (envolve técnicas de pesquisa, geração de alternativas, análise e validação por meio de protótipos), mas se diferencia por seu objetivo. Diferentemente das outras subáreas do Design, ele se preocupa em estudar e projetar respostas para as ações do homem nos produtos cotidianos através de elementos visuais, táteis e sonoros. Por essa diferenciação, o Design de Interação é respeitado por muitos como uma nova disciplina, apesar de utilizar parâmetros de usabilidade, experiência do usuário, fatores humanos, design emocional e psicologia cognitiva para a criação das soluções interativas. ESTUDOS DA INTERAÇÃO NA COMUNICAÇÃO As interações sociais são estudadas há décadas por comunicadores e sociólogos, que nos apresentaram os estudos do comportamento do indivíduo e das massas na sociedade, que possibilitaram um maior entendimento a respeito das ações dos homens e das necessidades dos mesmos. Esses estudos originaram pesquisas direcionadas ao comportamento do consumidor, compartilhadas pelas áreas da publicidade, marketing e psicologia, que teceram estudos a respeito do processamento cognitivo e dos estímulos sensoriais sinestésicos que podem ocasionar no comportamento de um indivíduo. De acordo com Sêga [20], para compreender o mundo e ser por ele compreendido, o homem precisa integrar-se nesse mundo. A autora defende a ideia de que através da troca de experiências individuais e coletivas, os significados dessas representações passam a ser compreendidos mutuamente por todos, estabelecendo-se as relações sociais e suas convenções. Esses conceitos nos levam a refletir sobre as convenções impostas na interação do homem com o mundo, do homem com o homem, de acordo com Mead [14], do homem com o objeto, proposto por Baudrillard [1], e do homem com ambientes. O INTERACIONISMO SIMBÓLICO As ideias interacionistas surgiram com a psicologia de William James [8] e seus principais seguidores foram: Charles Cooley [3], John Dewey [6] e George Herbert Mead [14]. Os estudiosos do Interacionismo Simbólico compreendem a linguagem como representação simbólica da realidade. O mundo das linguagens é vasto, visto que há duas categorias maiores de linguagens: a linguagem verbal e a linguagem não-verbal. Dentro desta última categoria há uma gama de outras formas de comunicação, como: a) pictorial (desenhos, gravuras); b) auditiva (códigos de uma língua, a sonora e a musical); c) gestual e expressiva (expressões faciais). O pai do interacionismo simbólico foi George Herbert Mead [14] e seu maior discípulo foi Herbert Blumer [2], criador do termo “interacionismo simbólico”, em 1937. Embora Blumer concordasse com Mead, procurou ampliar o campo do interacionismo, resolveu dar maior relevância ao conceito de “significado” que, até então, havia sido relegado ao segundo plano pelas ciências sociais da época. Para ele, o universo dos indivíduos é constituído de objetos e, para tanto, ele dividiu os objetos em: 1) físicos (coisas); b) sociais; c) abstratos (ideias). Para ele, os objetos só adquirem significado através da interação simbólica, embora seus significados se diferenciem de pessoa para pessoa, dependendo do contexto sócio-cultural dessas pessoas. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 71
  • 78.
    A realidade simbólicadiz respeito sobre a maneira como os indivíduos produzem símbolos e como esses indivíduos, na categoria de receptores, assimilam outros símbolos vindos de diferentes culturas. O símbolo busca uma relação de identificação e de aproximação entre os membros de uma dada sociedade, estabelecendo relações de interação através da troca e compreensão da linguagem verbal ou não-verbal, como a dos objetos. Como exemplo disso, temos a guitarra elétrica simbolizando o “rock n’ roll”, passando a ser um ícone desse gênero musical e assim compreendido pelos seus adeptos. Os meios de comunicação de massa, em especial a televisão, vêm desempenhando a função de interagir os indivíduos na sociedade de massa com determinados tipos de programa, como por exemplo, os reality shows, com o feedback do público telespectador. No campo da mídia, a publicidade também vem cumprindo com esse papel social de interação. Mesmo que ela atenda aos interesses da economia, ela integra o indivíduo no grupo em que pertence. Ultimamente, a publicidade vem recebendo mais atenção e controle ético dos órgãos responsáveis pela veiculação publicitária em vários países, incluindo o Brasil. Separando os efeitos nocivos que ela possa proporcionar aos indivíduos menos atentos a sua manipulação, os produtos anunciados e destinados à venda assumem o lugar da companhia ideal para o ser humano. Tais objetos são capazes até de amenizar, mesmo que temporariamente, a solidão de alguém. Se não fosse dessa forma, as pesquisas de opinião pública não estariam investigando o gosto do consumidor e até a compulsão pelo consumo que algumas pessoas têm. Estudos pelos quais os analistas do comportamento humano vêm se interessando cada vez mais. Ao anunciar um determinado produto e, preferencialmente, a marca deste, o público-alvo, quer da televisão, rádio ou mídia impressa, o elege como sendo seu parceiro, sua cara-metade. Podemos ver isso nas marcas de tênis e jeans usados pelos jovens, como forma de auto-afirmação e de aceitação pelo grupo. Análises de anúncios mostram que um homem, ao adquirir um carro, está buscando, inconscientemente, a parceria ideal para ele, ou seja, o relacionamento perfeito que ele gostaria de ter ou a substituição de uma relação que já não o satisfaz mais. Um carro não tem as reações humanas indesejáveis, plenas de surpresas desagradáveis e que possam estar fora de seu controle. À medida que a mídia dita os padrões estéticos vigentes, a indústria automobilística procura ajustar-se ao novo padrão estético e às necessidades psicológicas e racionais do indivíduo. Consequentemente, as indústrias automobilísticas, evidentemente com o apoio de psicólogos e designers, projetaram os carros com formas arredondadas lembrando as curvas do corpo feminino, pois o formato redondo está mais relacionado à emoção do que as linhas retas, sendo estas mais voltadas para o raciocínio e a lógica, conforme Sêga (2005). INTERAÇÃO MECÂNICA No dia-a-dia, interagimos com objetos, com pessoas e com o entorno em tempo integral, mas poucas vezes essa interação é consciente. Quase toda a comunicação não- verbal que realizamos é mecânica, fazemos por instinto ou por aprendizado. Gazzaniza [7] afirma que em nosso cotidiano temos 2% de consciência sobre as decisões que tomamos e 98% de inconsciência, o que nos sugere que a maior parte das nossas ações fazemos “adormecidos”. De acordo com a teoria do cérebro tríplice de MacLean [11], nosso cérebro humano é divido em três partes relacionadas com fases da evolução da nossa espécie: cérebro primitivo (instintivo, reptiliano), sistema límbico (emocional, mamífero) e neocórtex (intelectual, primata), mais evoluído e moderno, que compartilhamos com os elefantes e cetáceos. O cérebro primitivo está relacionado com a maneira como gerenciamos a informação do presente e das sensações do entorno. Para detectar as mudanças de informação precisamos tê-las ordenadas, e em situações que existe muita mudança de informação não detectamos bem o que acontece ao nosso redor. Precisamos da ordem para gerenciar a informação. Porém, quando recebemos sempre os mesmos padrões, nos aborrecemos e nos desconectamos do mundo exterior. Portanto, é importante que em nosso cotidiano vivenciemos experiências que rompam com o padrão, que tragam certo grau de complexidade para nossas tarefas diárias. O sistema límbico está relacionado com o passado, com a memória e com a emoção. Ele se desenvolve em nossa evolução quando começamos a viver em grupos e constituir família, pois sem emoção e sem memória, uma mãe não cuidaria de seus filhos (como os répteis que abandonam suas crias). Os seres humanos são especialistas em comunicação emocional, é como nos comunicamos não- verbalmente a todo instante, detectando as emoções dos outros. A interação que exercemos com o mundo ao nosso redor faz parte dessa comunicação e está impregnada de emoção. Infelizmente, interagimos mecanicamente em nosso dia-a-dia, assistimos à televisão sentados no sofá, fazemos compras com o carrinho percorrendo prateleiras, abrimos portas para entrar nos lugares, tomamos banho em pé, comemos sentados ao redor de uma mesa, pedimos comida por meio de um cardápio, vemos o mundo através de janelas, tudo de forma inconsciente, pois essas tarefas e ações já não nos nutrem com novas experiências. A parte moderna do cérebro, o neocórtex, está relacionada com o futuro e com as habilidades artísticas, com a criação, imaginação, compartilhamento de emoções, cooperação social e experiências religiosas. Essa parte moderna do cérebro sugere a constante necessidade que os humanos têm de vivenciar novas experiências, reiterando a necessidade do cérebro primitivo em oferecer certo grau de complexidade de informação e do cérebro mamífero em comunicar emocionalmente com o meio. Esses três cérebros Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 72
  • 79.
    e suas característicasoferecem um questionamento sobre como estamos interagindo com o meio, sobre a mecanicidade de nossa comunicação, possibilidades a serem exploradas nos três planos cerebrais através de novas experiências interativas. PRAZER, NOVAS EXPERIÊNCIAS A construção de novas interações tem como objetivo proporcionar prazer e satisfazer, principalmente, as necessidades emocionais e intelectuais por meio da ampliação da consciência da comunicação com o entorno. Para entender melhor como funciona a nossa comunicação com o meio, a nível biológico-psicológico, é necessário analisar que tipos de pensamentos podemos ter quando interagimos com o espaço ao nosso redor que estão relacionados com as sensações processadas por nosso cérebro e também compreender os tipos e os níveis de prazer que esse tipo de interação poderia nos prover a nível consciente e inconsciente. O pensamento produtivo é definido por Joan Corbella [4] como o tipo de pensamento que depende ao máximo de estímulos externos, percepções do mundo exterior, e se ocupa das realidades do mundo e da solução de problemas. O autor nos fala também do pensamento criativo, relacionado com a imaginação e o pensamento quimérico, relacionado com a fantasia e obedecem apenas às leis da afetividade, deixando de lado a realidade e a lógica. O sistema afetivo faz julgamentos e nos permite saber rapidamente o que é bom ou ruim em nosso entorno, pode ser a nível inconsciente ou consciente. Já o sistema cognitivo-emocional é consciente, nos permite interpretar e dar sentido às coisas, ao mundo. De acordo com Damasio [5], o afeto e a emoção são essenciais para o processo de tomada de decisão, onde o afeto nos permite uma decisão rápida e a emoção nos faz racionalizar conscientemente e compreender as causas do afeto. Donald Norman [17] defende a ideia de que as decisões inconscientes não são capazes de uma manipulação simbólica, de um raciocínio cuidadoso, pois o processo é rápido, simples e automático. Já o processo consciente é lento e trabalhoso, ponderamos as decisões e refletimos e racionalizamos bastante para encontrar explicações. Norman [16] propõe três níveis de processamento relacionados com emoção e afeto que são aplicáveis ao Design e aos objetos do nosso cotidiano, que são: a) Nível visceral: Diz respeito à atração instintiva e ao impacto emocional imediato. Não é racional e nos faz gostar ou não de algo à primeira vista; b) Nível comportamental: Relacionado com a funcionalidade, efetividade, compreensão e sensação física durante o uso dos objetos. c) Nível Reflexivo: Relacionado com significado, memórias, idéias, mensagens e valores que aportam os objetos. Com esses conceitos, podemos interligar o prazer que sentimos quando vemos, utilizamos ou refletimos sobre um determinado objeto com as necessidades instintivas, emocionais ou cognitivas atreladas à natureza humana. Experimentar e interagir com o entorno, realizando tarefas cotidianas, de uma forma nova, significa instigar a pensar e a racionalizar, de uma forma mais consciente (mesmo que grande parte dessa comunicação ainda seja inconsciente) a fim de obter prazer suprindo as necessidades emocionais e intelectuais de nossa mente. Para isso, é importante ressaltar que a ideia de re-projetar as interações consiste em questionar a comunicação que existe agora para melhorá-la e não apenas para promover experiências novas. Ou seja, analisar como interagimos com os objetos em determinadas situações e aperfeiçoar a interação proporcionando uma comunicação mais intuitiva, mais satisfatória e mais lógica, para que tenhamos mais prazer, sensação que é reforçada pela complexidade do novo (novos padrões/necessidades cerebrais) e pela orientação do Design para emoção e afeto. INTERAÇÃO PARA MÚLTIPLOS CONTEXTOS O conceito de design de interação, apesar de ter sido pensado para produtos tecnológicos, tem muitas aplicações em produtos e ambientes não-tecnológicos, nos quais a interação já vem sendo projetada de forma intuitiva. De acordo com Jon Kolko [10] o design de interação é reconhecido como um novo campo, porém as pessoas vêm projetado interações há séculos. Ele afirma que a área tem profundas raízes em muitas outras disciplinas existentes e que por isso o assunto fica confuso nas outras áreas que muitas vezes compartilham os mesmos nomes e as mesmas técnicas. Alguns estudos visam ampliar a visão inicial do design de interação, incluindo estudos do corpo como produto, assim como o ambiente e outros elementos que fazem parte de um contexto. Karen Kortbek [9] afirma que o interesse na inclusão do corpo no design de interação é crescente pela comunidade de pesquisadores da interação homem- computador. Em seu estudo de interação em espaços públicos, a autora inclui técnicas de dramaturgia à metodologia e explica que direção de atores e design de interação podem se reabastecer mutuamente se o contexto interativo, que inclui corpo, ambiente e a interação propriamente dita, for “assistido” e “dirigido”. Desta forma, percebemos que “projetar novas interações” vai mais além da tecnologia e interfaces gráficas. O estudo da interação pode ser tão importante para a produção de aparelhos portáteis quanto para a arquitetura, artes plásticas, design de produtos, entre outros. A área trata de re-projetar a lógica de comunicação, antes de tudo, e pode ser estendida a diversas outras áreas, onde a prática já existe inconscientemente, sem o apoio de pesquisas, da metodologia e espírito criativo. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 73
  • 80.
    CONCLUSÃO A interação humanae seus reflexos no comportamento social são do interesse de muitas áreas e vêm sendo estudadas por especialistas com interesses variados. O Design contribui com os estudos de Design de Interação, que se diferenciam por acrescentar uma perspectiva básica e intrínseca do design: a essência inventiva, criativa e focada em descobrir novos meios para solucionar problemas. Esse é o diferencial do Design de Interação diante das outras áreas de conhecimento, que estão mais orientadas a entender o comportamento humano e o reflexo dele na sociedade moderna, enquanto o Design procura projetar novas soluções com o auxílio desses estudos interdisciplinares. Apesar do Design de Interação ter surgido como disciplina devido à necessidade tecnológica de melhorar a manipulação de interfaces gráficas, percebe-se que é de grande interesse também para outras áreas que buscam inovar e descobrir novas possibilidades de interação. Conclui-se, portanto, que o Design de Interação tem seu diferencial por oferecer novas soluções criativas e inventivas e que o produto do aprofundamento do seu estudo poderá beneficiar as áreas que estudam a interação, além de outras que não desenvolvem estudos específicos nesse assunto, mas que poderão usufruir das possibilidades inovadoras que estão sendo abertas por esse novo campo. REFERÊNCIAS 1. BAUDRILLARD, J. Sistema dos Objetos. São Paulo. Perspectiva, 2002. 2. BLUMER, H. The Mass, the Public and Public Opinion. Ed. A. McC. Lee. New York, 1946. 3. COOLEY, Charles H. Human Nature and the Social Order. New York: Scribner's, 1922. 4. CORBELLA, Joan. Pensar o Viure. Barcelona: Columna, 1992. 5. DAMÁSIO, Antonio. O erro de Descartes: emoção, razão e cérebro humano. Portugal: Publicações Europa- América, 1995. 6. DEWEY, John. Essays in experimental logic. New York: Dover Publications, 2004. 7. GAZZANIGA, M. S. The Mind´s Past. Berkeley: University of California Press, 1998. 8. JAMES, W. (1952). The principles of psychology (Great books of the western world, Vol. 53). Chicago: Enciclopaedia Britannica. (Original publicado em 1890). 9. KORTBEK, K. Interaction Design for Public Spaces. MM’08, October 26–31, 2008, Vancouver, British Columbia, Canada. ACM 978-1-60558-303-7/08/10. 10. KOLKO, J. Thoughts on Interaction Design. Savannah, GE: Brown Bear, 2007. 11. MACLEAN, P. The Triune Brain Evolution. New York: Plenun Press, 1990. 12. MALOUF, D. Foundations of Interaction Design. 2007. (http://boxesandarrows.com/view/foundations-of) 13. MCDONALD, N. Action, Interaction, Reaction. Blueprint, august 2001. 14. MEAD, George H. The Social Psychology. Chicago, University Press, 1962. 15. MOGGRIDGE, B. Designing Interactions. Cambrigde, MA: The MIT Press, 2007. 16. NORMAN, D. Emotional Design: Why do we love (or hate) everyday things? New York: Basic Books, 2004. 17. NORMAN, D. La Psicología de los Objetos Cotidianos. Madrid: Nerea, 1990. 18. REIMANN, R. So You Want to Be an Interaction Designer. 2001. (http://www.cooper.com/journal/2001/06/so_you_want_to _be_an_interacti.html) 19. SAFFER, D. Designing for Interaction: Creating Smart Applications and Clever Devices. Berkeley, CA: New Riders, 2007. 20. SÊGA, C. Relações Sociais, Interação e Comunicação: Um estudo sobre os elementos relevantes nas diferentes formas de comunicação. Tese (doutorado em Ciências da Comunicação) – Faculdade de Ciência Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa. Lisboa, 2005. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 74
  • 81.
    RESUMO Este artigo éresultado de um projeto acadêmico, focado em tecnologias digitais interativas. O projeto propõe um sistema que auxilie na orientação do usuário de ônibus urbano em grandes metrópoles, tendo como foco a cidade de Porto Alegre, capital do estado do Rio Grande do Sul. Busca contribuir para um maior entendimento acerca do conjunto urbano por parte de seus usuários, sejam eles familiarizardos ou desconhecedores deste ambiente. O sistema será exibido em uma tela multitoque, utilizada para exibir dados que abrangem itinerários de linhas de ônibus e a localização do mesmos em tempo real dentro de um mapa, além de dados relevantes ao usuário do sistema de transporte coletivo urbano. O sistema também poderá interagir com dispositivos móveis (como celulares e smartphones) através da tecnologia de Bluetooth , onde será possível fazer o download de mapas e itinerários. O projeto foi desenvolvido seguindo a metodologia projetual de Meurer e Szabluk (2009), denominada Projeto E, e terá como premissa a construção de uma interface gráfica amigável, simples e objetiva, através da implementação de recursos multimídia interativos, usabilidade e acessibilidade. PALAVRAS-CHAVE Design de Interação, Transporte Coletivo Urbano, Sistemas de Orientação e Localização. PALAVRAS-CHAVE ACM IHC ABSTRACT This article is a result of an academic project focused on digital interactive technologies. It suggests a system that helps to orient city buses users around big cities, focusing on a brazilian city called Porto Alegre, capital of Rio Grande do Sul State. It also seeks to contribute for a major understanding about the urban bondaries to the users, no matter if they know or not the enviroment that surrounds them. The system will be shown in a multitouch screen, presenting data about the buses routes and shifts, also the position in real time of the vehicle in the city map and other kinds of data that are useful to the urban transport system. This system will interact with mobile devices using bluetooth technologies, enabling the users to download relevant information, like maps and routes accessing the system database. A metodology called Projeto E was used to develop the system concept, looking for a friendly user interface, striving for interactive medias, usability and accessibility. KEYWORDS Interaction Design. Urban Transport System, Orientation and location systems. ACM KEYWORDS HCI O TRANSPORTE PÚBLICO NO BRASIL As cidades tendem a se tornar o principal habitat da humanidade. A ONU identificou no ano de 2000, 2,9 bilhões de habitantes nos centros urbanos (47% da população mundial total), e projeta que este número crescerá para 5 bilhões em 2030 (60% da população mundial total). Além disso, antecipa que, entre 2000 e 2030, quase todo crescimento populacional mundial se dará nas áreas urbanas de países em desenvolvimento (UNPD, 2004). No Brasil, mais especificamente, a população urbana saltou de 18,8 milhões (26,3% do total) em 1940 para 138 milhões (81,2% do total) em 2000, um aumento de 135 milhões no número de habitantes urbanos em 60 anos. Apenas na última década do século XX, a população urbana brasileira cresceu em 22.718.968 habitantes - mais da metade da população do Canadá, Sistema de Orientação e Navegação para Terminais de Ônibus Urbanos de Porto Alegre Marcelo Ferranti Bacharelando em design Centro Universitário Ritter dos Reis | Uniritter Porto Alegre | RS marceloferranti@yahoo.com.br Prof. Me. Heli Meurer (Orientador) Centro Universitário Ritter dos Reis | Uniritter Porto Alegre | RS heli.meurer@gmail.com 1 http://tinyurl.com/39f4vfo, acesso em 11/10/2010 2 Associação Nacional de Transportes Públicos Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 75
  • 82.
    ou um terçoda população de França1. Em qualquer destes cenários urbanos, o transporte público é essencial para viabilizar a vida social de seus habitantes, devido às crescentes distâncias a serem percorridas no espaço intraurbano. É o elo entre vários componentes do sistema urbano - especialmente após o século XIX, quando o tráfego de veículos nas cidades passou a representar um problema sério (DYCKMAN, 1965). Os atuais desafios do transporte público no Brasil, segundo a ANTP2 se baseiam em três pilares principais: desenvolvimento urbano, transporte público e trânsito. Estes devem ser tratados de forma conjunta, dada a sua grande interação. Dentro do setor de transporte público, alternativas devem ser trabalhadas a médio prazo para uma melhoria do sistema de transporte urbano como um todo, com destaque para a melhoria da prestação de serviços e o aumento da eficiência de operação, ligados diretamente ao projeto aqui proposto. O ônibus é a modalidade predominante de transporte coletivo em alguns dos maiores centros urbanos mundiais, somando uma frota de mais de três milhões de veículos, que transportam anualmente 6,5 trilhões de passageiros por quilômetro. No Brasil, uma frota de 95 mil ônibus atende 59 milhões de passageiros por dia, e é responsável por 92% da demanda por transporte coletivo, em Porto Alegre esse número é de 1.562 veículos, dispostos em 330 linhas, que antendem cerca de 1.200.000 passageiros por dia3. Em Porto Alegre, programas como o sistema TRI (Transporte Integrado) já fazem uso da tecnologia para melhorar o serviço de transporte, que utiliza bilhetagem eletrônica, isso possibilita que a cidade tenha um sistema mais evoluído de transporte público coletivo, como é utilizado em outros grandes centros do Brasil e do mundo. O sistema de bilhetagem eletrônica também tem como objetivo integrar itinerários e beneficiar usuários com descontos na tarifa para usuários de mais de uma linha para um mesmo trajeto, a chamada Passagem Integrada (o usuário paga a primeira passagem inteira e a segunda com 50% de desconto). Apesar desses investimentos feitos na área de transportes urbanos, o sistema de transporte coletivo em Porto Alegre possui vários pontos de deficiência, como as paradas sem nenhum tipo de sinalização e orientação, muitas vezes sendo necessário pedir informação à outros passageiros, ou mesmo ao motorista do veículo. Metas e ações estão sendo desenvolvidas no PITMUrb4,segundo cinco eixos de sustentabilidade que visam a assegurar a implantação do novo Sistema Integrado de Transporte (SIT), através de um conjunto de soluções de curto, médio e longo prazo, que contempla integração institucional; integração de transporte e intervenções urbanístico-ambientais; integração funcional do transporte; integração tarifária; integração de controle e informação ao usuário; e, integração de financiamento da infra- estrutura. Dois centros brasileiros se destacam como referência no transporte público, como é o caso dos terminais de Curitiba e o sistema de transporte de Goiânia, conhecido como SiM (Serviço de Informação Metropolitano). O SiM consiste em aprimorar a forma de comunicação com o usuário por meio de tecnologias digitais, como celulares, computadores, painéis de informação e Internet, o que representa uma evolução relevante, quando se considera que a interação da maioria das empresas de transporte brasileiras se dá por meio de um telefone 0800, como é o caso de Porto Alegre. O SiM, que recebeu investimentos de R$ 50 milhões, dispõe atualmente de sete serviços gratuitos e em tempo real para a população de Goiânia. Em uma matéria publicada no portal Intelog 5, Décio Caetano, diretor- superintendente do Setransp (Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros), comenta que o setor de transporte no Brasil foi muito negligente no sentido de informação ao usuário, ressaltando que a informação é um atributo importante para os sistemas transporte. UM SISTEMA PROMOVENDO A MOBILIDADE Atualmente em Porto Alegre, esperar por um ônibus muitas vezes pode ser frustrante, pois além da longas filas, não há estimativas de tempo entre uma linha e outra. Ao mesmo tempo que os terminais carecem de mapas que exemplifiquem os trajetos, paradas, e transportes complementares para se chegar ao destino desejado. Esse projeto propõe um sistema digital instalado em terminais localizados nas principais paradas de ônibus de Porto Alegre. Esse painel exibirá informações que auxiliem os usuários de transporte coletivo a se orientar dentro do ambiente físico urbano, através de um sistema de fácil utilização, baseando-se em um modelo conceitual focado em metas de usabilidade (eficácia, eficiência, segurança, utilidade, fácil aprendizado e fácil lembrança). Também faz uso de heurísticas para guiar o processo de construção da mesma. Por interface, entende-se “todos os aparatos materiais que permitem a interação entre o universo da informação digital e o mundo ordinário”. (LÉVY, 1996). O projeto deve considerar uma vasta gama de usuários, de diferentes faixas etárias e níveis culturais. 3 EPTC - Empresa Pública de Transporte e Circulação 4 Plano Integrado de Transporte e Mobilidade Urbana 5 http://tinyurl.com/2bdygqw acesso em 10/10/2010 Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 76
  • 83.
    Figura 1. Síntesedo projeto METODOLOGIA UTILIZADA Para esse projeto, foi utilizada uma metodologia projetual para sistemas dígito-virtuais denominada Projeto E, composta de diferentes etapas listadas a seguir. Figura 2. Metodologia Projeto E (MEURER E SZABLUK, 2009) Estratégia Definir propósitos de projeto, objetivos do negócio, fundamentação, questões projetuais, identificação de cenários e personas. Analisar produtos sincrônicos e tangenciais, além de verificar o percurso evolutivo destes produtos (diacronia). Desconstrução e análise desenhística dos mesmos. Análise semântica e heurísticas de termos dentro do contexto projetual. Elaboração de uma lista de requisitos e restrições de projeto. Escopo Início de geração de alternativas para o produto. Organização do conteúdo, definição das funcionalidades e ferramentas, descrição de cenários e casos de uso. Estrutura Desenho de organogramas de estrutura, fluxogramas de tarefas. Elaboração de documentação técnica. Esqueleto Desenho de Wireframes, organização estrutural do produto. Estética Geração do layout estético-formal do produto. Criação de malhas diagramacionais. Composição e diagramação final do produto. Estudo de linguagem gráfico-visual. Execução Análises heurísticas e de usabilidade. Implementação do modelo funcional do produto e definição de tecnologias de frontend e backend. O PROJETO Foi definido que o sistema se chamaria Mover, dando valor à sua semântica e significado em sicronia ao que o sistema almeja conquistar: A facilidade de locomoção e orientação pelos centros urbanos. A seguir são apresentadas as principais etapas do projeto. Definindo o usuário Definir perfis de usuário é uma das partes primárias dentro de um projeto digital. É através desses perfis que delimitamos como um produto deve parecer e como irá se comportar. Esses perfis são criados a partir da observação de comportamento de usuários, pesquisa de grupos, pesquisas qualitativas e quantitativas, entrevistas, entre outras técnicas. Com os dados obtidos no mundo real, são criados perfis fictícios de possíveis usuários, composto por fotos, descrições de suas atividades, como profissão e grau de instrução. Como resultado, cada perfil possui um modelo mental distinto, ou seja, possuem diferentes idéias de como um produto ou serviço funcionam. Em seu artigo Cognitive science and science education Susan Carey`s, define modelo mental como: “ ...uma visão de uma pessoa de como um produto/sistema funciona. Modelos mentais são baseados em fatos incompletos, experiências passadas e intuição. Elas ajudam a estruturar a forma e comportamento, influenciam ao o que as pessoas prestam atenção em situações adversas, e definem como pessoas encaram e resolvem problemas.” Já para Norman (1988), modelo mental é um conjunto de idéias de como um sistema funciona. Pessoas interagem com sistemas baseadas em suas idéias de como o mesmo funciona, isso torna o uso de modelos mentais um ponto importante ao se projetar sistemas, contribuíndo para atingir seu objetivo primário, que é a usabilidade. A figura abaixo ilustra o conceito de modelo mental proposto por Alan Cooper (2007) em seu livro About Face: Essentials of Interaction Design, onde exemplifica um alinhamento de como o sistema deve se comportar e como o usuário imagina que o mesmo se comporte. 6 Plastic Interface for Collaborative Technology Initiatives through Vídeo Exploration 7 Collaborative Analysis of Requirements and Design Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 77
  • 84.
    Figura 3. Modelomental segundo Alan Cooper em seu livro About Face: Essentials of Interaction Design Pesquisas qualitativas e quantitativas são utilizadas a fim de determinar o modelo mental do público que utilizará o produto. Algumas técnicas para a coleta, organização e análise de dados são propostas por Preece (2002) como as participativas PICTIVE 6 (MULLER, 1991) e CARD 7 (TUDOR, 1993), além de estudos etnográficos, questionários, entrevistas e design contextual. CONTEXTUALIZAÇÃO Para o projeto aqui desenvolvido, as técnicas de questionários e design contextual foram utilizadas, a fim de se obter uma maior conhecimento em torno do problema a ser solucionado. Observou-se que grande parte dos usuários necessitava de ajuda ao utilizar o serviço de ônibus na cidade de Porto Alegre, solicitando informações a outros usuários que estavam à espera de algum veículo, ou ao motorista do mesmo. As dúvidas contemplavam aspectos relacionados ao próprio terminal de espera, que na grande maioria das vezes apresentava falhas de comunicação, tais como falta de identificação, ausência de um mapa ilustrando os itinerários relacionados ao ponto, e ausência de índices visuais ou alertas que informassem o tempo decorrido do último ônibus e o tempo estimado para a chegada do próximo. Em alguns casos ambos não sabiam como solucionar o problema em questão, ocasionando uma frustração com o serviço por parte do usuário. Aspectos físicos como deficiência na sinalização, propaganda anexada à estrutura, e deficiências estruturais também foram registrados. Finalizada a contextualização, os dados foram registrados e categorizados a fim de se obter um cenário em torno do universo comprendido pela problematização do projeto. Questões projetuais foram respondidas abrangendo aspectos gerais e específicos, compreendendo aspectos relacionados ao motorista do veículo, aos passageiros desse veículo, as paradas de ônibus que formam esse conjunto, as redes de circulação, a comunidade e o sistema como um todo. Figura 4. Contextualização do Projeto Cenário Pretendido Com base nesses dados, criou-se o cenário pretendido para o produto, que abrange a criação de um sistema que será visualizado em telas multitoque, intuitivas para o usuário leigo em sistemas digitais. Essa tela deve exibir dados referentes ao tempo de chegada e partida de veículos, essas informações podem ser exibidas em conjunto com sinais sonoros, facilitando a compreensão da informação. O sistema deve permitir a consulta de linhas e itinerários, obtendo-se o tempo estimado para se chegar ao destino desejado, além da visualização das rotas de outras linhas que passam pelo terminal. Smartphones e celulares podem ser utilizados para efetuar o donwload de mapas, rotas, horários, entre outras informações. O sistema deve possuir uma forma de procura por endereços específicos simples e direto. Sua tela inicial deve apresentar informações relevantes, como últimas notícias, temperatura, seleção de idioma e a posição em que o terminal que está sendo acessado se encontra dentro do mapa urbano de Porto Alegre, apresentando todas rotas que passam pelo local, além de exibir endereços e estabelecimentos relevantes ao usuário. Esses endereços são estabelecidos utilizando-se pontos de referência dentro do ambiente urbano, tal como parques, hospitais, principais avenidas, e eventos que estão ocorrendo na cidade, como shows e jogos esportivos. Essas indicações podem se atualizar dinamicamente, baseando-se no número de buscas a locais efetuados naquele terminal. Por exemplo, se um sistema situado na aveninda 24 de Outubro identificar um excesso de buscas para a rua Eudoro Berlink, mas a mesma não se encontrar como sugestão dentro do mapa, o sistema se encarregará de apresentá-la como sugestão. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 78
  • 85.
    Figura 5. Clusterde endereços dinâmicos. Os objetivos operacionais incluem desenhar IGA (Interface Gráfica Amigável) para tela multitoque, especificar tamanho e resolução de tela adequados, e a altura em que essas telas serão instaladas, devendo ser acessado por crianças, cadeirantes e adultos. Deve estipular tecnologias de frontend e backend necessárias para sua implementação, além de definir o nível de automatização do sistema perante o usuário e definir modos de interação para dispositivos móveis utilizando Bluetooth. Análises estruturais e funcionais Análises denotativas e conotativas foram delimitadas em torno de elementos-chave relacionados ao produto e a área estudadas, como definição de Design de interação, Usabilidade, Tecnologia, Transporte Urbano, com o intuíto de se obter um universo semântico em torno do tema estudado. Também buscou-se por referências de produtos sincrônicos ao sistema proposto, focando em funcionalidades, com o objetivo de se verificar o que já foi feito e em que tecnologias e formas esses produtos foram apresentados, o que funcionou e o que pode se extrair de melhor de cada sistema. Para esse projeto, cerca de vinte produtos tengenciais de diferentes universos (jogos digitais, aplicativos móveis e websites) foram analisados. Figura 6. Exemplo de análise estrutural de um aplicativo. As interfaces desses produtos foram descontruídas, reduzindo-as a wireframes arquitetônicos, a fim de entender com as partes se relacionam, além de se obter uma visão a cerca de como suas hierarquias informacionais foram criadas. Uma análise funcional nesses produtos também foi efetuada, visando entender o fluxo e o comportamento do sistema perante as ações do usuário. Figura 7. Exemplo de análise funcional de um aplicativo relacionado ao sistema proposto. 8 iPhone interface design Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 79
  • 86.
    Requisitos e Restriçõesdo Projeto Consiste em uma declaração sobre um produto pretendido que especifica o que ele deve fazer ou como deve operar. Um dos objetivos da atividade de estabelecimentos de requisitos, é torná-los o mais específicos, não-ambíguos e claros possíveis (PREECE et al, 2002) O sistema rodará em telas touchscreen de alta resolução, dispostas nos principais terminais de acesso a ônibus urbanos de Porto Alegre. A interface deve ser intuítiva e possuir o menor número de botões e configurações possíveis. Deve falar a linguagem do usuário e possuir prevenção a erros. Informações pertinentes devem estar a poucos níveis de acesso. O sistema deve fornecer feedback visual e sonoro, além de possuir consistência visual. Suas cores devem ser sóbrias e delimitar diferentes funções com clareza, como ícones ativos e inativos, seções acessadas e sinais de alerta. Deve possuir ícones conjuntos com um tags descritivos sobre sua função, para uma rápida e fácil assimilação da tarefa a ser executada por parte do usuário. Deve apresentar uma interface de fácil utilização e reconhecimento, baseando-se em convenções de navegação e interação, de modo que especifiquem a aparência e a localização de elementos, como botões, janelas, para que os usuários saibam onde procurar por eles quando necessário (KRUG, 2006). De acordo com MORAES (2002) a interface é fundamental para um sistema, pois é o elo entre o sistema e o usuário, sendo a responsável pelo modo que se realizará a interação com o sistema. Quando projetada corretamente, agrega um valor substaciável ao serviço proposto, em caso contrário pode ser a responsável pela não adoção do mesmo. Um modelo conceitual do sistema Baseado nas analises previamente relatadas, foi construído um modelo conceitual do sistema. PREECE et al (2002), define modelo conceitual como ...uma descrição do sistema proposto – em termos de um conjunto de idéias e conceitos integrados a respeito do que ele deve fazer, de como deve se comportar e com o que se deve parecer – que seja compreendida pelos usuários de maneira pretendida. Deve levar em conta questões como as funções que o produto irá realizar, como elas se relacionarão uma com as outras e que tipo de informação deve estar disponível pelo sistema. Nessa etapa optou-se pela técnica de card-sorting – que consiste em organizar a informação coletada com a finalidade de estruturar uma arquitetura informacional focada no usuário e suas necessidades – e por técnicas de prototipagem de baixa fidelidade, criadas utilizando-se canetas e blocos de papel. Uma das vantagens da prototipação de baixa fidelidade é a sua agilidade de teste e facilidade de descarte e reimplementação de ajustes, visto que nas fases iniciais do projeto, testes são fundamentais para que o projeto se alinhe aos requisitos do projeto, economizando tempo e dinheiro ao evitar retrabalho quando o sistema já está implementado. Testes inicias foram realizados com possiveis usuários, obtendo-se feedback imediato quanto à organização e o tipo de opções oferecidas, contribuíndo para um rápido ajuste e revalidação de sua estrutura. Após validados os primeiros protótipos, partiu-se para a estruturação da informação do sistema. Procurou-se criar uma arquitetura da informação centrada nos requisitos do projeto, tendo-se como base também os produtos analisados previamente. Optou-se por uma hierarquia equilibrada entre número de opções na tela e profundidade de acesso, deixando as funções cruciais do sistema em pontos fixos na estrutra da interface. Segundo Edward Tuffle 8, existem dois importantes conceitos relacionados à exibição de informação em uma interface: Adjacent in space (Adjacentes no espaço) e Stacked in time (Fixados no tempo). Figura 8. Conceitos de exibição de informações, segundo Edward Tuffle. O primeiro conceito se refere a elementos da estrutura que compartilham a mesma área, ou seja, a mesma tela, dependendo dos atributos que um sistema se propõe, essa abordagem pode definir o nível de complexidade de uma interface. Ao mesmo tempo, reduz o nível de navegação entre telas do sistema para atingir informações adicionais, aumentando assim a interação e a visualização da totalidade informacional. Enquanto que o segundo conceito divide a informação em mais telas, reduzindo as chances de o usuário cometer algum engano, pois essa abordagem serve como uma espécie de guia através da informação. Também pode conferir um aspecto minimalista à interface, não deixando visíveis comandos que não estão sendo utilizados no momento. No projeto aqui proposto, informações relevantes e imediatas apresentam-se adjacentes no espaço enquanto que informações adicionais ou exploratórias encontram-se fixas no tempo. Uma escala de diferencial semântico foi criada para especificar o modo pela qual a estética deve se guiar. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 80
  • 87.
    Figura 9. Escalade diferencial semântico. Após estruturada a informação, começam-se as análises de tarefa, a fim de investigar as situações de uso de acordo com os objetivos do usuário. Segundo PREECE et al (2002) a análise de tarefas é utilizada principalmente para investigar uma situação existente, não para visionar novos sistemas ou aparelhos. É empregada para analisar os fundamentos e propósitos subjacentes do que as pessoas estão fazendo: o que estão tentando realizar, por que e como estão lidando com isso. A informação extraída da análise estabelece uma base de práticas existentes nas quais se podem construir novos requisitos ou projetar novas tarefas. Com essa abordagem, análise das principais funções foram estudadas, simulando difentes cenários possíveis de acontecerem, como um usuário de mais idade procurando por alguma informação no sistema, ou um trabalhador que criou uma rotina ao se deslocar para o mesmo local todos os dias. Diferentes aspectos emocionais foram levados em consideração, visto que em muitos casos pessoas com pressa, ou cansadas ao final do dia utilizarem o transporte coletivo. Estética-formal do sistema A última etapa consiste em estruturar os dados em uma malha diagramacional, e a concepção do visual do sistema. A linguagem gráfico-visual de uma interface tem uma grande influência no modo pelo qual o usuário a percebe, portanto uma estética agradável contribui para estabelecer um senso de confiança, além de aumentar a tolerância quanto à usabilidade do sistema (MULLET E SANO, 1995). Para isso optou-se pelo uso de uma tipografia de fácil leitura, juntamente com um visual simples e geométrico constituído por poucas cores, onde as principais funções do sistema são demarcadas por uma iconografia de fácil reconhecimento, diminuindo a sobrecarga cognitiva do usuário, evitando que o mesmo tenha que memorizar os comandos acessados com maior frequência. Figura 10. Estrutura modular da interface. Houve uma preocupação em se manter poucas funções estáticas na tela do sistema durante a navegação, priorizando esse espaço para funções de emergência e de filtros para buscas de locais-chave no mapa, além de uma função para que o sistema retorne à sua visualização padrão. Isso instiga o usuário a explorar o sistema, pois sabe que terá meios de retornar ao estado padrão do mesmo. (NIELSEN, 1994). Figura 11. Estrutura informacional da interface. Após a definição de como as funções dinâmicas de comportariam, deu-se início a construção da superfície do sistema. A família tipográfica escolhida para títulos, barras de identificação, foi a AvantGarde, por possuir fácil leitura e legibilidade, tendo a família Verdana como fonte de apoio, para textos descritivos e pequenas informações, devido á sua boa legibilidade em telas e monitores. Uma malha diagramacional foi construida para definir os espaços ocupados pela navegação global, mapa e comandos de controle do sistema, segundo GOMES FILHO (2000), não vemos partes isoladas, mas relações. Isto é, uma parte na dependência de outra parte. Para a nossa percepção, que é resultado Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 81
  • 88.
    de uma sensaçãoglobal, as partes são inseparáveis do todo e são outra coisa que não elas mesmas, fora desse todo. Figura 12. Tela inicial do sistema. O cluster de endereços dinâmicos foi alocado como marco inicial de navegação, se situando sobre a atual posição em que o terminal se encontra dentro do mapa de Porto Alegre. Se o usuário sabe como chegar ao seu destino, porém não conhece os ônibus que passam pelo local onde se encontra, ele pode acessar a função Ônibus que passam por este terminal, recebendo uma lista detalhada de itinerários e horários que atravessam o local. Se o usuário não souber o endereço do local para onde deseja de deslocar, ele pode selecionar a função Outro endereço, onde o sistema exibirá uma tela para inserção de dados apoiadas por um teclado digital e por funções que auxiliam o usuário a encontrar endereços específicos. Após inseridos ele mostrará o itinerário a ser utilizado, porém se nenhum desses itinerários cruzar o terminal, ele indica o terminal mais próximo onde encontrar o ônibus que cobre o itinerário especificado. O sistema de rastreamento de ônibus exibirá em tempo real em forma de lista, o tempo ncessário para que determinado veículo se aproxime do terminal. Uma vez próximo, o sistema exibe um alerta visual e sonoro de que o veículo em questão se encontra poucos metros de distância. Figura 13. Sistema de alerta de veículo. O usuário pode acessar a função Informações úteis que exibirá pontos-chave dentro da cidade de Porto Alegre. Para saber onde algum deles se encontram e com chegar aos mesmos, basta selecionar o local em uma lista. O sistema exibirá a forma mais fácil de chegar ao ponto baseado no terminal onde o usuário se encontra. Figura 14. Busca por pontos-chave dentro de Porto Alegre. Também é possível inserir pontos de busca de origem e destino e ter acesso aos itinerários e paradas que cobrem o percurso. Figura 15. Sistema exibindo itinerários entre dois pontos no mapa. A interação por Bluetooth se dará através da conexão ao sistema para fazer download de seu banco de dados, para isso o usuário deve se encontrar a poucos metros do terminal e acessar a função de bluetooth em seu celular, tendo acesso direto à arquivos de mapas e horários. CONSIDERAÇÕES FINAIS Esse projeto acadêmico, demonstra que um produto dígito- virtual desenvolvido através da aplicação do Método E, pode se facilitado, através de passos que guiam o designer na execução de análises e tarefas, assegurando em um Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 82
  • 89.
    produto de fácilassimilação e utilização. A observação do usuário no uso cotidiano de transporte público, foi de grande importância para um entendimento a cerca das deficiências atuais do sistema, gerando uma lista de atributos a serem resolvidos ao longo do projeto. Observação e entrevistas foram realizadas com usuários do serviço de transporte público de Porto Alegre durante a sua elaboração, como forma de coleta quantitativa e qualitativa de dados para criação de perfis de usuários e contrução de cenários de uso para um melhor entendimento sobre seus modelos mentais de um serviço de transporte coletivo urbano. A prototipagem de baixa fidelidade foi de grande importância para ilustrar e testar modelos de interface e interação com o sistema, criando um clico de discussão, projetação e validação, repetidos diversas vezes, fomentando uma criação participativa entre o designer e usuários. O processo de desconstrução de produtos sincrônicos, revelou funcionalidades determinantes para o projeto, como a informação dinâmica em clusters, e a atualização em tempo real de dados sobre os itinerários. Os conceitos de informação adjacente no espaço e fixa no tempo, ajudaram a definir o propósito de cada informação presente na tela do sistema, criando um ambiente limpo, porém com informações relevantes, que podem ser visualizadas em mais detalhes se o usuário desejar. Princípos de desenho, como simetria, tipografia e definições cromáticas, ajudaram a defirnir um aspecto agradável à superfície do sistema, contribuindo para uma melhor legibilidade e usabilidade, aumentando as taxas de adoção do produto. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BOOKMAN ANDERSON, J. R. Cognitive psychology and its implications. NewYork: Worth Publishers Freeman, 2000. BUXTON, BILL, Sketching User Experiences: Getting the design right and the right design. New York: Elsevier, 2009 COOPER, Alan About Face 3, Wiley; 3rd edition DYCKMAN, John W. (1965) O transporte urbano. Em: DAVIS, Kingsley e outros. (1965)Cidades: a urbanização da humanidade. Trad. José Reznik. 2.ª ed. Rio de Janeiro, RJ: Zahar, 1972. GARRETT, Jesse James. The Elements of User Experience. New York, NY – USA: AIGA –American Institute of Graphic Arts, 2003. 189p. GOMES FILHO, João. Gestalt do objeto: Sistema de Leitura Visual da Forma. São Paulo: Escrituras Editora, 2000. JENKINS, Henry As Tecnologias da Convergência. São Paulo: Aleph KALBACH, James Design de Navegação Web. São Paulo: KRUG, Steve Não me Faça Pensar. São Paulo: Alta Books LEVY, Pierre As Tecnologias da Inteligência. São Paulo: Editora 34 LIDWELL, Willian; HOLDEN, Kritina; BUTLER, Jill. Universal principles of design. Gloucester,USA: Rockport, 2003. 216 p. MAEDA, John. As Leis da Simplicidade. São Paulo: Editora Novo Conceito MEURER, Heli; SZABLUK, Daniela. Projeto E: aspectos metodológicos para o desenvolvimento de projetos dígito- virtuais. In: 9 ERGODESIGN | 9 USIHC, 2009, Curitiba. Anais do 9 ERGODESIGN | 9 USIHC, 2009. MEURER, heli; SZABLUK, Daniela. Projeto E: metodologia projetual para ambientes dígito-virtuais. Anais do 3o InfoDesign Brasil | Congresso Brasileiro de Design da Informação. Rio de Janeiro RJ: PUC RIO, 2009. MORAES, Anamaria de. Design e avaliação de interface: ergodesign e interação humano-computador. 1 ed. Rio de Janeiro, 2002. 148 p. MULLET Kevin, SANO, Darrel. Designing Visual Interfaces: Communication Oriented Techniques. Prentice Hall, 1995. NIELSEN, Jacob; LORANGER, Hoa. Usabilidade na Web: Projetando Websites com Qualidade. Rio de Janeiro: Campus, 2007. NORMAN, D. A. O Design do dia a dia. São Paulo: Rocco PREECE, Jennifer; ROGERS, Yvone; SHARP, Helen. Design de interação: além da interação homem- computador. Porto Alegre: Bookman, 2005. 548 p. ROSENFELD, Louis; MORVILLE, Peter. Information Architecture for the World Wide Web. Califórnia: O’Reilly Associates, 1998. SHNEIDERMAN, B. Leonardo’s laptop: human needs and the new computing technologies. London: The MIT Press, 2002. SAMARA, T., Grid: construção e desconstrução. São Paulo: Cosac Naify, 2007. 208 p. TIDWELL, Jenifer Designing Interfaces. Sebastopol: O`reilly Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 83
  • 90.
    C.D.E. Uma Ferramentapara Análise de Jogos Bruno William Carvalho Bulhões Departamento de Design da Universidade Federal do Paraná 460, General Carneiro, ed. Dom Pedro I, Curitiba-PR brunobulhoes@adugestudio.com +55 41 96533274 Thiago de Souza Rodrigues Alves Departamento de Design da Universidade Federal do Paraná 460, General Carneiro, ed. Dom Pedro I, Curitiba- PR beto@adugestudio.com +55 41 96265302 Rafael Pereira Dubiela Departamento de Design da Universidade Federal do Paraná 460, General Carneiro, ed. Dom Pedro I, Curitiba-PR rafaeldubiela@yahoo.com.br +55 41 88423123 RESUMO Neste artigo apresentamos uma abordagem formal e aprofundada com o intuito de complementar o conhecimento analítico do Design de Jogos. Baseado no Framework MDA e em conceitos similares que se aproximam das necessidades estruturais do nosso estudo, criamos o Framework CDE (que significa Componentes, Dinâmicas e Experiência). O Framework serve como uma ferramenta capaz de fornecer uma visão estruturada aprimorando tanto o estudo (do artefato – jogo digital) quanto a prática (auxiliando no design). Componentes representa o nível mais próximo do designer, onde este é capaz de ter influência direta, ao passo que é o nível mais abstrato para o usuário. Dinâmicas representa o nível cujas interações acontecem, do sistema consigo, do sistema com o usuário e dos usuários consigo. Experiência é o nível menos tangível para o designer, porém, entendendo as influências do sistema nesse aspecto é possível desenvolvê- lo a fim de atender as necessidades do usuário, através do entendimento das recompensas oferecidas, canais de conforto e perfis de jogador. Acreditamos que essa metodologia servirá para expandir o entendimento de jogos, de acadêmicos a desenvolvedores. Palavras Chave Design de Jogos, Framework CDE, Componentes, Dinâmicas, Experiência. Classificação ACM A.m. General Literature: Miscellaneous. ABSTRACT In this paper we present an indepth formal approach that attempts to expand the analytical knowledge about Game Design. Based on the MDA Framework and similar concepts that approach its structural needs, we managed to build the CDE Framework (standing for Components, Dynamics and Experience). The framework serves as a tool to provide a structured view that improves both the study (of the artifact – digital game) and practical (helping with the design). Components is the closest level to the designer, where he directly take action, whereas it is the most abstract level to the user. Dynamics is the level where the interactions take place, from system-system to system- user and user-user interactions. Experience is the least tangible level to the designer, knowing its influences on the system he may design it to fit to the user needs, through the understanding of offered rewards, flow channels and player profiles. We believe that this methodology will enhance the understanding of games, from scholars to developers. Author Keywords Game Design, Framework CDE, Components, Dynamics, Experience. INTRODUÇÃO Para estudar e desenvolver jogos existem diversas abordagens e caracterizações que auxiliam os processos. Um deles é a caracterização de Salen e Zimmerman [21] que estrutura os jogos emtrês níveis, do formal ao abstrato: rules, play e culture. Ele tem validade como ferramenta de investigação, porem não tem a precisão necessária para aplicação prática de design de jogos. De forma similar, existe o framework Mechanics, Dynamics e Aestethics (MDA) de Hunicke et al [13] que defende uma abordagem do estudo e pratica do design de jogos nesses três níveis, do formal ao abstrato. O framework MDA tem grande funcionalidade pratica, e por sua vez não tem a profundidade e abrangência necessária para estruturas Permissiontomake digital or hard copies of all or part of this work for personal or classroom use is grantedwithout fee provided that copies are not made or distributedforprofit orcommercial advantage andthat copies bear this notice andthe full citationonthe first page. To copy otherwise, or republish, to post on servers or to redistribute to lists, requires prior specific permission and/or a fee. CHI 2009, April 4–9, 2009, Boston, Massachusetts, USA. Copyright 2009 ACM 978-1-60558-246-7/09/04...$5.00. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 84
  • 91.
    teóricas mais complexas.No entanto, este framework foi o ponto de partida para o desenvolvimento do nosso próprio, chamado Componentes, Dinâmicas e Experiência (CDE) [2]. No framework CDE, componentes lidam com as unidades que compõem o sistema. As regras, mecânicas, elementos sensoriais, a narrativa e a interface do jogo são exemplos de componentes. Componentes formam o nível formal do framework. Dinâmicas emergem das interações entre os componentes do jogo entre si e com os jogadores que utilizam o sistema de jogo. Portanto, emergem quando um ou mais jogadores participam do sistema. Dinâmicas formam o nível intermediário do framework. Experiência é o ultimo nível, o qual diz respeito às respostas sensoriais dos jogadores ao participarem de um jogo. Experiência forma o nível abstrato do framework. De modo similar ao MDA, o CDE estrutura-se de forma que os componentes, durante o funcionamento do jogo, contribuem para a emergência de dinâmicas de jogo, as quais geram respostas sensoriais (experiência) no jogador. Este fluxo é relacionado à perspectiva do designer. O objetivo do framework é auxiliar o estudo e a pratica do design de jogos ao encorajar os designers a visualizar a relação de causa-efeito que existe entre cada componente de um jogo e a experiência que os jogadores têmao jogar. COMPONENTES Os componentes dentro do framework CDE lidam com as peças que compõem o artefato jogo. São o conjunto de componentes que formam o jogo enquanto umobjeto e que portanto existem independente do jogo estar sendo jogado por jogadores ou não. Os componentes são os elementos que o designer de jogos pode criar, moldar e alterar para desenvolver o design do jogo. Nós chegamos à definição dos componentes baseado na definição de elementos de jogo de Jesse Schell [24] que divide jogos como contendo quatro componentes: tecnologia, regras, estética e história. A partir desta definição, do modelo tipológico de Aarseth e Elverdam [1], a própria definição de Mechanics de Hunicke et al [13] e da definição do nível regras de Salen e Zimmerman [22] chegamos à conclusão que os componentes dos jogos podem ser caracterizados em três tipos: Regras, Narrativa e Representação. Antes de explicar com mais detalhes o que são cada umdos três componentes é necessário explicar o conceito de half- real: “Jogos digitais são duas coisas completamente diferentes ao mesmo tempo: jogos digitais são reais no sentido de que eles são compostos por regras reais que jogadores realmente interagem; onde ganhar e perder um jogo é um evento do mundo real. No entanto, quando se ganha umjogo ao derrotar um dragão, o dragão não é um dragão real, mas um dragão ficcional. Jogar um jogo digital é portanto interagir com regras reais enquanto imagina-se um mundo ficcional e um jogo digital é um sistema de regras assim como é um universo ficcional.” [18] Expandindo este conceito, é possível afirmar que jogos são ao mesmo tempo, um sistema de regras cuja interação e desenvolvimento ocorre no mundo real, ao mesmo tempo em que são uma peça de ficção quando a interpretação destas regras reais moldam uma representação virtual. Há claras implicações e discussões metafísicas a partir deste conceito os quais não entraremos em detalhes neste trabalho. O importante aqui é apenas salientar que este conceito permeia nosso framework em todos os três níveis, em especial neste nível o de componentes. Portanto, citaremos o conceito de half-real diversas vezes durante a apresentação de elementos do framework. Dito isto, podemos prosseguir comas definições específicas de cada componente. Regras Regras são um conjunto de premissas sistêmicas que ditam o que existe e o que é possívelou não dentro do universo do jogo. As regras são o principal componente de um jogo no sentido em que sem elas o jogo não existe . Com base no framework de Järvinen [17] que apresenta os conceitos de Components, Procedures, Environments, Themes e Interface, e a definição de sistemas de Salen e Zimmerman [19] que apresenta Objects, Attributes, Internal Relationships e Environments, como elementos de um sistema em que jogos podem ser enquadrados. Portanto concluímos que regras além de delimitar o contexto do jogo, determinam a existência e função de todos os outros componentes. Regras são subdividas em quatro categorias, Procedurais, Contextuais, Composicionais e Operacionais. Procedurais são as regras que pautamos objetivos, estados de jogo e como este é controlado, bem como seu começo e fim. Tais procedimentos ditam o ritmo e a estrutura do jogo. Contextuais são as regras que definem o espaço de jogo, física, limites, etc. Essa categoria diz respeito ao espaço de possibilidades do jogo. As regras determinam este espaço criando um contexto e um fluxo de jogo. Composicionais são as regras que delimitam e quantificam os objetos de jogo, determinando seus atributos, bemcomo suas relações como sistema. Operacionais são as regras que definem as ações que cada agente de jogo pode realizar para alterar o estado do jogo. Tais regras alteram diretamente o estado do jogo; são as mecânicas de jogo. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 85
  • 92.
    Procedurais (Conditions) Baseado nosconceitos de Rules, Control e Player Structure de Aarseth [1], Procedures de Järvinen [17], chegamos à classificação que compreende Estrutura de jogo, Controle do Estado de Jogo e Objetivo. Essas são as regras que determinam as condições fundamentais para existência, manutenção e conclusão do jogo. a. Estrutura de jogo: delimita quantos e quais agentes existem no jogo, quais são as condições que devem ser atendidas para o início da sessão de jogo e quais condições necessárias para atingir o estado de fim de jogo. O estado de fim de jogo pode ser desejável, quando o jogador cumpre seus objetivos, obtendo vitória, ou indsesejável, quando o jogador falha durante o percurso do jogo, obtendo derrota. b. Controle do estado de jogo: diz respeito a como o sistema do jogo permite o controle das variáveis de jogo, o controle do espaço e do tempo. Por exemplo, em um jogo de estratégia em tempo real, o jogador tem controle dos recursos, da produção de unidades (objetos controláveis), dá área visível e do tempo (alguns jogos permitem que o jogador interrompa o andamento da partida para analisar o estado atual da mesma). c. Objetivo: diz respeito aos metas apresentadas e que devem ser perseguidas durante o jogo. Tais regras podem descrever um único objetivo que seja o ponto central do jogo para atingir o estado desejável de fim de jogo, uma série de objetivos que devem ser cumpridos a fimde atingir o estado de fim de jogo ou objetivos secundários que não levam o usuário a um estado desejável fim de jogo, mas o levam a atingir uma recompensa desejada. Contextuais (Space of Possibility) Salen e Zimmerman [20] definem espaço de possibilidades como todas as ações e estados possíveis que podem ser conseguidos dentro de um determinado jogo. Analogamente, Aarseth [1] apresenta os conceitos de Space e Time. As regras contextuais descrevem o espaço, tempo e limites do jogo. a. Espaço: diz respeito ao universo constituinte do jogo, em quantas e quais dimensões ele existe. Regras espaciais também dizem respeito a constituição do level design (configuração espacial do jogo). Por exemplo, no xadrez o espaço do jogo é uma matriz 8x8. b. Tempo: diz respeito a a todas as relações de tempo no universo real. Por exemplo, em um jogo de turnos, quanto tempo os jogadores têm para desempenhar suas ações, quanto tempo dura cada turno, a relação do tempo real com o tempo ficcional (a relação de tempo de jogo, como tempo do universo do jogo). O tempo é uma dime c. Física: diz respeito aos princípios físicos que regem o universo real do jogo. Por exemplo, em um jogo de plataforma (cujas mecânicas centrais são de movimento) a física determina a aceleração do personagem, a gravidade que incide sobre ele e até mesmo a possibilidade de desempenhar ações que poderiam ser consideradas “antifísicas” como pulo duplo. Composicionais (Game Tokens) Jogos são compostos diversos objetos, portanto vimos a necessidade de uma categoria específica para tratar essa diversidade de elementos. Por objetos compreende-se quaisquer entidades que componham o jogo. Regras composicionais são responsáveis pela determinação dos atributos e as relações entre os objetos do jogo dentro do espaço de possibilidades. Quanto a classificação, regras composicionais estão divididas de acordo com a relevância para conquista do estado de fim de jogo e tipo de acordo coma influência dos objetos em relação ao sistema. Além disso, cada objeto tem regras que lhes definem atributos que são interpretados pelas regras condicionais, contextuais e operacionais que regem estes atributos. Por exemplo um objeto de jogo pode ter como atributo sua posição no espaço, seus pontos de saúde, sua existência ou não dentro do jogo, a possibilidade de execução de uma regra operacional ou não, etc. a. Relevância • Objetos primários: são objetos fundamentais para condições de início e fim de jogo. Exemplo a peça do rei no Xadrez, avatar do Mario em Super Mario Bros. (Nintendo, 1985). • Objetos secundários: são objetos que existem dentro do espaço de possibilidades, mas não têm influência direta, ou não têm influência alguma para que se atinja o estado desejável fim de jogo. Exemplo as demais peças no Xadrez, barris explosíveis em Mass Effect 2 (BioWare, 2010). b. Tipo • Objetos controláveis: são objetos capazes de desemepenhar ações controladas pelo jogador. Em Baldur’s Gate 2: Shadows of Amn o personagem principal e os demais personagens que podemfazer parte do grupo, são exemplos de objetos controláveis. • Objetos não-controláveis: são objetos capazes de desempenhar ações, no entanto não são controladas pelo jogador. Objetos não-controláveis são operados pelo sistema do jogo. É possível considerar, em geral, inimigos como exemplos de objetos não-controláveis. • Objetos inanimados: são objetos que não desempenham ações, mas podem manipulados por objetos controláveis ou não controláveis. Em Super Mario Bros. os blocos quebráveis e os que contém itens são exemplos de objetos inanimados. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 86
  • 93.
    Operacionais (Mechanics) Regras operacionaiscorrespondem às mecânicas de jogo. Sicart [25] classifica mecânicas como métodos invocado por agentes, ou seja, ações executadas por agentes que exercem alguma influência no jogo. Sem mecânicas um jogo não existiria, pois sem elas os jogadores seriam impossibilitados de exercerem influencia sobre o seu resultado. O conjunto completo de todas as mecânicas em um determinado jogo pode ser chamado de interface de jogabilidade. Mecânicas são categorizadas levando emconsideração dois atributos: relevância, com base na classificação de Core, Primary e Secondary Mechanics de Sicart [25], e tipo. a. Relevância • Mecânicas centrais: são usadas por umagente de jogo de maneira relevante, obrigatória e recorrente para atingir o estado desejado de fim de jogo. Por exemplo, no Super Mario Bros. as mecânicas centrais são andar e pular. Estas mecânicas são suficientes e obrigatórias para concluir o jogo. • Mecânicas primárias: são mecânicas de auxilio às centrais podendo ser usadas recorrentemente a fim de atingir o estado desejado de fim de jogo. No exemplo de Super Mario Bros. (Nintendo, 1985) a mecânica de corrida é uma mecânica primária que pode utilizada recorrentemente para auxiliar a conclusão do jogo mas não é obrigatória. • Mecânicas secundárias: são mecânicas que não auxiliam diretamente o a atingir o resultado desejado de final de jogo, ou só se apresentam ocasionalmente, ou precisam ser combinadas com mecânicas primarias. Continuando o exemplo anterior, atirar bolas de fogo é uma mecânica secundaria em Super Mario Bros. pois seu uso é ocasional e contextual. • Mecânicas acessórias: são mecânicas que não afetam o resultado do jogo de forma relevante. No Super Mario Bros. não existe exemplo de mecânicas acessórias, mas se o personagem tivesse uma mecânica onde ele mostrasse uma careta para a tela, isto seria um exemplo de mecânica acessória. Tipo: • Mecânicas ativas: mecânicas nas quais o agente deve oferecer input para que estas sejam realizadas. No jogo Final Fantasy XII (Square Enix, 2006) a mecânica Attack pode ser acionada pelo jogador a partir de um menu contextual, caracterizando-a como uma mecânica ativa. • Mecânicas passivas: mecânicas que independem de input do agente para serem realizadas. Estas mecânicas são acionadas pelas regras em situações projetadas. No mesmo Final Fantasy XII um gambit programa o personagem a utilizar a mecânica Attack automaticamente dentro de um contexto caracteriza esta mecânica como uma mecânica passiva. Vale portanto ressaltar que o tipo da mecânica não esta atrelada a ela em si e sim ao contexto do seu uso. Narrativa A narrativa contribui com o universo ficcional que Jesper Juul [18] diz estar presente em todos os jogos, e que faz a contra-partida com as regras reais (correspondentes ao universo real) destes. No âmbito da estrutura dos componentes neste framework, a narrativa em conjunto com os elementos sensoriais formariam este universo ficcional. No que diz que diz respeito ao universo real, esses elementos e estrutura funcionam de uma maneira diferente. O início da narrativa é ditado pelas condições de início de jogo, o desenvolvimento da história é ditado pelo andamento do jogo conforme suas interações nas diversas instâncias de jogo e a conclusão da narrativa é quando o estado de fim de jogo é atingido, seja através da vitória ou da derrota. No que diz respeito ao universo ficcioanl, sintetizamos as classificações propostas por Dubiela [10], que destrincha os elementos da narrativa emdiversas subcategorias a partir de “história” e “discurso” e considerando como estrutura suas definições de “formas de narrativas em jogos eletrônicos informatizados”, chegamos às seguintes classificações: Elementos a. Personagens: são agentes que buscam transpor obstáculos a fim de atingir o objetivo perseguido. Personagens são o elemento principal das narrativas. b. Universo: é o ambiente onde os personagens estão inseridos e os eventos ocorrem. c. Eventos: são as ações desempenhadas para que o objetivo seja atingido. Eventos tambémpressupõemos conflitos que se apresentamao longo da narrativa. d. Discurso: é a relação entre drama e temporização, ou seja a maneira como a narrativa estrutura as ações dramáticas a fim de gerar expectativa , ao longo do tempo de jogo e tempo narrativo. Estrutura a. Forçada: é um recurso de narração para apresentar histórias concetadas à narrativa principal ou fragmentos desta, bem como micro-histórias que se desenvolvem paralelamente. A principal característica da narrativa forçada é a de interromper as demais narrativas, bem como a interação do usuário com o sistema do jogo. Em Metal Gear Solid 4: Guns of the Patriots é comum o uso de seqüências animadas como recurso para o desenvolvimento da história. b. Evocada: é a situaçõe onde a história a ser narrada já existia, ou apresenta um episódio específico de uma narrativa anterior ou está inserida emum universo já criado. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 87
  • 94.
    Em American McGee’sAlice a narrativa é construída a partir de um universo conhecido, criado por Lewis Carrol em Alice in Wonderland. c. Embutida: é a narrativa gerada com conteúdo embutido em si, cujas informações podem ser inseridas em objetos, artefatos ou até mesmo em espaços configurados para fins de acessar tais informações. Narrativas embutidas podem também ser apresentadas através de elementos representacionais, como a caracterização de personagens, por exemplo. Em Singularity são encontradas diversas anotações que contam histórias de pessoas que viveram no passado, em relação à narrativa principal, tais anotações enriquecem a narrativa e, em alguns casos, antecipam eventos que ocorrerão no jogo. d. Emergente: é o produto da interação do usuário com o sistemas de regras do jogo somada a narrativa da história do jogo. Este tipo de narrativa não possuem uma estrutura linear ou pré-organizada e são em sua essência randômicas. Em Gravitation, é possível fazer inferências sobre narrativa a partir da observação das interações entre o jogador e o sistema (dinâmicas procedurais). No universo real, a narrativa, através dos procedimentos, se dá de maneira semelhante à narrativa emergente, pois as interações que ocorrem no sistema representam uma seqüência de fatos. Entretanto o universo real, no que diz respeito à narrativa, se diferencia da narrativa embutida uma vez que um jogo pode não apresentar uma narrativa explícita, mas seus procedimentos ainda configuram uma história baseada em ma seqüência de acontecimentos que podem ser interpretados como narrativa. Em uma partida de Tetris, as peças utilizadas, a maneira como foram dispostas, as peças eliminadas e a pontuação obtida contam uma história única e correspondente àquela partida. Representação São os elementos que comunicam aos sentidos (imagens, som e roteiro) para tornar tangível e compreensível aos jogadores as regras e apresentar, de fato, a narrativa e seus elementos. As regras tendem a ser premissas e procedimentos abstratos e, portanto, necessitam de elementos sensoriais associados para se tornarem mais compreensíveis por jogadores humanos. Os elementos sensoriais são análogos ao alfabeto e a linguagemenquanto os outros componentes são análogos à mensagem em si. Assets visuais (elementos gráficos e animações) e sonoros (música e efeitos sonoros) em jogos digitais bem como o formato e cores das peças de xadrez são exemplos de elementos sensoriais. Baseado no Framework IEZA (Interface, Effect, Zone and Affect) de representação sonora de Hulberts e van Toi, que separa as categorias emquatro quadrantes dividos pelo eixo de diegético e não diegético e pelo eixo de atividade e ambientação, o segundo eixo é referente ao que motiva a existência da representação. Considerando essa estrutura, sintetizamos, a fim de torná-la mais abrangente e compatível com outras representações além da sonora, em duas categorias - tipo e função da representação. Tipo corresponde à natureza da representação; se ela é diegética ou não diegética. Função diz respeito ao papel dessa representação, levando em consideração o tipo, e é dividida entre contextual e informacional. No entanto essas definições não são rígidas, uma vez que existem elementos que podemnão se enquadrar em apenas uma função. Tipo Diegético: São todas as representações que existem dentro do universo do jogo. Não Diegético: São todas as representações que não existem dentro do universo do jogo. Função Contextual: São representações que delimitamcontextos de jogo. Representações contextuais ambientam o jogo e caracterizam seus elementos. A fala dos personagens em Mass Effect é uma representação contextual sonora e de roteiro, além de fazer parte do universo do jogo, portanto diegética. Entretanto, as legendas dessas falas são representações contextuais não diegética, uma vez que a representação do texto em si não existe dentro do universo do jogo. Informacional: São representações que tem como função facilitar a comunicação do sistema de regras ao jogador. HUDs (Heads Up Displays) são exemplos de representações informacionais. Em Shadow of the Colossus, apesar do HUD representar gráficamente regras composicionais referentes ao avatar e os inimigos, as representações em si não fazem parte do universo de jogo, portanto são não diegéticas. Já em Dead Space a representação do HUD, além de informar regras operacionais do avatar, faz parte do universo do jogo por ser elemento integrado com o traje espacial do personagem, portanto diegética. DINÂMICAS O nível de dinâmicas dentro do framework CDE diz respeito às interações sistêmicas entre os componentes do jogo e o jogador durante a instância de jogo. Por instância de jogo nos referimos a uma partida de um determinado jogo do começo ao fim. No framework MDA, Hunicke et al. [13] definem o nível Dynamics como a fluência do comportamento das Mecânicas agindo sobre os inputs do jogador e os demais outputs no decorrer do jogo. A palavra chave para o conceito de Dinâmicas é comportamento. Pode-se chamar de dinâmicas de jogo o comportamento que emerge do sistema a partir da interação dentre todas as partes do sistema de jogo e os jogadores participantes. Isso inclui interações entre os componentes, Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 88
  • 95.
    do jogador comos componentes e do jogador com outros jogadores. Antes de entrar na descrição das categorias de dinâmicas é oportuno definir o conceito de interação. Na língua inglesa o conceito que mais se aproxima do que queremos dizer a respeito de interação é o interplay: O efeito que duas ou mais coisas têm umas com as outras [5]. Relação, ação ou influência recíproca. Exercer influência em algo [8]. No entanto não há umequivalente direto para esse termo na língua portuguesa, mas analisando as definições de interplay podemos concluir que é um conceito análogo à interação que significa: Influência recíproca [9]. Portanto, o conceito de interação que utilizaremos é: ação, relação e/ou influência recíproca entre dois agentes ou objetos. Nós categorizamos as dinâmicas em três tipos, de acordo com quais interações são realizadas. Baseado emumestudo anterior [2], chegamos a Dinâmicas Agenciais, que são as dinâmicas que emergem da interação ativa do jogador com o sistema de jogo (regras) e da própria interação entre os jogadores; Dinâmicas Procedurais, que são as dinâmicas geradas pelas interações entre as regras do jogo entre si e com o resto dos componentes, narrativa e a representação; Dinâmicas Estéticas, que emergem da interação entre narrativa e representação, e da interação passiva do jogador com estes componentes. Dinâmicas Agenciais (Interação Ativa) São as dinâmicas que surgem da interação do jogador com as regras e dos jogadores entre si. São dinâmicas que surgem da ação do jogador sobre outros jogadores, e sobre o sistema, por isso, as chamamos de dinâmicas agenciais. As regras operacionais são o principal mecânismo de interação do jogador com o sistema, é por elas que o sistema interpreta o input do jogador sobre o sistema, e, a partir das dinâmicas processuais, geram um output perceptível em resposta à ação do jogador. Vendo de uma perspectiva mais profunda pode ser considerada a utilização emergente dessas mecânicas, isto é, após a interpretação e domínio da mecânica pelo jogador, este a utiliza com um objetivo além do que foi proposto para o jogo pelo designer. Exemplos: Mockball, x-ray climb, infinite bomb jump são exemplos de interações inventivas do jogador com as mecânicas de Super Metroid (Nintendo, 1994); Utilizar o casco verde como escudo no Super Mario Kart (Nintendo, 1992) também é um exemplo de uma interação inventiva por parte do jogador. A interpretação que o jogador infere sobre as outras regras e o sistema em geral, a criação de regras pelo jogador que não façam parte do sistema do jogo mas influenciam o andamento deste, bem como a customização e a flexibilidade que as regras permitem ao jogador manipular são interações que desenvolvem outros variados níveis de dinâmicas agenciais. Exemplos: Gambitos de Xadrez são interpretação de regras que, aparentemente, vão contra os objetivos do jogo, mas com o conhecimento superior de um jogador podem se tornar estratégias eficientes; O fair play em uma partida de Futebol é uma regra criada por jogadores com intuito político que gera uma situação amistosa na disputa; Planejamento do level up dos personagens no Final Fantasy X (Squaresoft, 2001) é uma manipulação direta do jogador sobre as regras do jogo, neste caso os atributos dos personagens. As interações entre jogadores surgem a partir do contato entre os agentes, que podem ou não ser humanos, ao jogar uma partida de um jogo que possibilite múltiplos jogadores. Podem haver interações a nível social, interações psicológicas e interações de jogadores humanos com jogadores artificiais. Exemplos: Partidas amistosas de Super Smash Bros. (HAL Labs., 1999) onde os jogadores estão mais interessados na atividade social do que na competição; Jogos mentais em partidas competitivas de jogos de luta; Luck manipulation de geradores de números aleatórios, presentes na maioria dos jogos digitais. Dinâmicas Procedurais (Interação Processual) São as interações que ocorrem com as regras entre si e as interações das regras como universo ficcional representado pelo jogo, narrativa e representação. Basicamente, todo o sistema de regras e os sub-sistemas que os compõem, se comportam proceduralmente durante uma instância de jogo ao modo que esta avança de acordo com a agência dos participantes. Este comportamento procedural afeta tanto as regras e o estado de jogo, quanto os sistemas narrativos e representacionais. Este comportamento procedural é de extrema importância para a compreensão do conceito de expressão procedural. Podemos compreender dinâmicas procedurais como o comportamento de um determinado jogo, a forma como o jogo enquanto um sistema comporta-se. Como explicaremos na seção de expressão procedural, este comportamento de jogo não é apenas lógico, operacional, e pode ser utilizado para a expressão através da metáfora ou da retórica. Primeiramente a interação entre regras se dá quando duas regras geram uma terceira regra, quando regras procedurais afetam a influência de outras regras, ou quando existem um conjunto de sub-regras de variados tipos que juntas formam a premissa de uma regra maior, inferida por este conjunto de regras. Estas regras obscuras, nâo escritas, se traduzem no conceito de metajogo. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 89
  • 96.
    Exemplos: Resposta dinâmicade velocidade máxima em jogos de corrida, em que os retardatários têm a velocidade máxima aumentada e os líderes têm sua velocidade máxima reduzida, a fim de aumentar a dramaticidade; Contraste de regras entre as magias elementais de Final Fantasy X (Square 2001), em que fogo e gelo se opõem mutuamente, assim como água e eletricidade; Gravidade, atrito e velocidade são regras composicionais por si só e se complementam, através de suas interações, formando um sistema de física. Toda regra operacional é uma interação com uma regra composicional ou contextual no momento em que é exercida, uma vez que as mecânicas são fundamentadas pelas regras procedurais. Alem disso existem mecânicas cujo uso afeta diretamente as regras. Quando uma regra procedural ou composicional determina a eficácia de uma mecânica sobre outra, também se caracteriza interação entre regras. Exemplos: A habilidade Armor Break em Final Fantasy X (Square, 2001) é um exemplo de mecânica que influencia o estado de uma regra; Triangularidade mecânica presente principalmente em jogos de luta em que defender supera atacar, que supera agarrar, que, por sua vez, supera defender é um exemplo de como outras regras interagem com regras operacionais. A profundidade mecânica, quando existemmuitos usos para uma determinada regra operacional, de um jogo também é resultante das dinâmicas procedurais. O conceito de jogabilidade emergente, onde o jogo resulta em muito mais do que a soma de suas partes (como, por exemplo, Go) é uma clara manifestação do potencial das dinâmicas procedurais. Exemplos: A mecânica de charge shot em Super Metroid (Nintendo, 1994), combinada com pulo, que a princípio não inflige dano, modifica a mecânica de pulo gerando o pulo chamado de pseudo-screwattack, capaz de infligir dano nos inimigos; A impossibilidade de alterar a direção do pulo do personagem Mario em Super Mario Bros. surge da interação da mecânica correr/mover-se com a mecânica de pulo. As regras enquanto um sistema também definem toda a representação e a narrativa no sentido de sua existência, quando estas surgem e como estas evoluem e são apresentadas. A relação entre as regras e o o universo ficcional é direta, as regras determinam o que é possível dentro daquele universo ficcional e o que este universo representa, cosntruindo um significado através da associação de símbolos. Dinâmicas Estéticas (Interação Sensível) São as interações que envolvemos componentes ligados ao universo ficcional do jogo, ou os componentes sensíveis (narrativa e representação). Ocorrem com as relações internas entre cada componente, dentre narrativa e representação, em si, entre ambos e com a interação do conjunto destes componentes como jogador. Estas dinâmicas são responsáveis por trazer uma experiência estética mais impactante, próxima, perceptível, ao jogador e são fundamentais para auxiliar a expressão procedural, se forem capaz de reforçar a idéia representada pelas dinâmicas procedurais. EXPERIÊNCIA O nível de experiência diz respeito ao a como o artefato jogo oferece a satisfação aos jogadores. Como o jogador busca a satisfação e como o jogo promove sensações que levam a satisfação através de suas regras e dinâmicas. É importante salientar satisfação como o objetivo de um jogador com a atividade de jogar ao contrário da palavra diversão, pois muitos jogos oferecem a satisfação aos jogadores não pelo mero entretenimento, ou pelo caráter lúdico, mas através de recompensas mais profundas, como aprendizado e superação intelectual. Estes tipos de recompensas e fontes de satisfação são desassociados da idéia que se tem por diversão e por isso buscamos manter distância desta palavra dentro do framework CDE. Buccini [4] considera experiência como sendo acontecimentos individuais que ocorrem como resposta a algum estímulo. Estes acontecimentos ocorrem, em geral, como conseqüência da observação ou participação em acontecimentos reais, imaginários ou virtuais. As experiências não são fenômenos espontâneos, mas induzidos, que possuem referencial (partem de algum lugar) e intencionalidade (objetivam algo). Portanto, nosso objetivo ao incluir o conceito de experiência no Framework CDE é entender onde o artefato contribui para o fenômeno da experiência e qual é a influência de tal fenômeno nos jogadores. Recompensas Para que a satisfação ser atingida, é necessário que o jogador se mantenha interessado na atividade de jogar e o motor que mantém o jogador interessado a participar de um jogo é a motivação. Enquanto um jogo motivar o jogador, ele continuará jogando. Segundo Buccini [4], quando um desejo, ou necessidade humana é satisfeito, o ser humano passa a sentir outras necessidades e desejos, daí a importância dos produtos sempre estarem evoluindo visando agradar os usuários. Buccini elucida o fato de que não basta apenas uma manifestação que motive o jogador; a motivação precisa ser realimentada. Um dos fatores importantes para a manutenção da motivação é a recompensa. Baseado nas 8 formas de diversão apresentadas no capítulo Aesthetics do Framework MDA (sensation, fellowship, fantasy, discovery, narrative, expression, challenge e submission) [13] e na lista de 14 formas de diversão (beauty, immersion, intellectual problem solving, competition, social Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 90
  • 97.
    interaction,comedy, thrill ofdanger, physical activity, love, creation, power, discovery, advancement and completition, application of an ability) de Garneau [11], foi possível desenvolver um modelo que abrange 9 tipos de recompensa: conquista, fantasia, drama, expressão, descoberta, aprendizado, avanço, contemplação e interação social. Recompensas como dito, são o que motivam o jogador a participar da atividade do jogar. Recompensas emjogos são conquistadas através da superação dos obstáculos que o jogo oferece ao jogador (seja obstáculos das próprias regras, ou outros jogadores). A dificuldade em se adquirir uma recompensa e a intensidade da recompensa afetam a motivação. Uma recompensa pequena para um grande esforço é desmotivadora, assim como uma grande recompensa para um pequeno esforço. Aprendizado A construção do aprendizado requer um conjunto de elementos, uma vez que o aprendizado não é um fenômeno único. Dentro das correntes da filosofia do aprendizado, se destaca o construtivismo. Analogamente, a filosofia construtivista presume que as pessoas aprendam fazendo, isto é, elas constroem seus conhecimentos em situações de experiências cognitivas em atividades práticas [23]. Dessa forma, a interação com um jogo pode pressupor a recompensa atingida com o aprendizado do jogador, isto é, está ligada ao fato do jogo proporcionar um aprendizado sobre algo relacionado ao próprio jogo ou ao ato de jogar. Exemplos: Xadrez, Victoria 2 (Paradox Interactive, 2010), McDonalds’s Videogame (Molleindustria, 2006). Avanço Com o momento da interação entre o usuário e a interface do jogo digital, se constrói a percepção de recompensa a partir do crescimento metafórico do personagem. Seria a recompensa atingida com o acúmulo de riquezas e poder dentro do universo do jogo ou fora dele. Muitos jogos dão esta recompensa diretamente, dando objetos, mecânicas novas ou aumento dos atributos do avatar do jogador. Exemplos: Final Fantasy XII (Square Enix, 2006), Mass Effect (BioWare, 2007), Prototype (Radical Entertainment, 2009). Conquista É a recompensa sentida pela superação de obstáculos que apresentem umgrande desafio, que não se pode ser vencido sem que o jogador domine os meios que se tempara superar tal obstáculo. Este obstáculo pode, evidentemente, ser um outro jogador concorrente. Conquista como recompensa pode se manifestar de diversas maneiras. Exemplos disso podem ser percebidos em jogos como nas séries Ninja Gaiden e Contra, cujo ponto central dos jogos é fazer a superação de cada fase ser uma grande conquista. Super Metroid, além de outras recompensas, oferece a possibilidade de jogar buscando a taxa mínima de itens, ou jogado em ordem inversa, ambos são modos de jogar que aumentam o desafio do jogo e consequentemente a sensação de conquista. Exemplos: Ninja Gaiden Trilogy (Tecmo, 1995), Contra III (Konami, 1992), Street Fighter 3: Third Strike (Capcom, 1999). Contemplação É a recompensa a partir da experiência estética experienciada pelos sentidos. Em geral, aspectos visuais e sonoros são recompensas valorizadas por certos perfis de jogador. A recompensa através dos sentidos se dá a partir de como os elementos sensoriais do jogo são apresentados e o quão o jogador se identifica com estes de forma similar as outras mídias de entretenimento. Um exemplo de jogo que recompensa jogadores através de elementos sensoriais é Machinarium (Amanita Design, 2009) [26], onde conforme o jogo progride, novos personagens e cenários detalhadamente desenhados são apresentados ao jogador. Estas recompensas sensoriais são motivadoras o suficiente para manter o jogador interessado a progredir com o jogo. Exemplos: Machinarium (Amanita Design, 2009), Everyday Shooter (Quesay Games, 2007), Shadow of the Colossus (Team Ico, 2005). Descoberta À medida que existe mais de uma forma da recompensa a ser identificada, é nesse quesito que a recompensa seria resultante do prazer da descoberta e exploração do desconhecido. Aqui o usuário pode ter acesso a construção de novas realidades a partir do princípio da conclusão. A recompensa da descoberta está ligada ao novo, ao desconhecido. A partir do desconhecido, cria-se o interesse por este, em conhecê-lo, torná-lo familiar. Tornar o desconhecido familiar é o processo que define a recompensa da descoberta. Pode-se considerar como uma recompensa pela descoberta, também, as surpresas, os encontros súbitos com situações ainda não exploradas, ou esperadas, misturando-se um pouco à recompensa do drama neste sentido. Exemplos: The Legend of Zelda: Majora’s Mask (Nintendo, 2000), The Path (Tales of Tales, 2009), Super Metroid (Nintendo, 1994). Drama Aristóteles [3] definiu, em sua época, o drama como a imitação de uma ação eminente onde os personagens atuam. Encadeados segundo uma ordem previamente criada, representam um evento que é uma relação de ações e acontecimentos demonstrando situações de causa e efeito. Todavia, no presente artigo, o drama é a recompensa gerada através da experiência e da estética da narrativa. Logo, qualquer tipo de jogador pode se sentir recompensado pelo drama, por acontecimentos, pela exposição de uma história, etc. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 91
  • 98.
    Dessa forma, épossível identificar uma forma dos jogos recompensarem o jogador sistematicamente com o drama, separando trechos de jogo com breves sequências cinemáticas (animações) ou de textos que expõem um pouco mais o enredo que acompanha o jogo. Para que a recompensa narrativa possa ser quantificada em resultados, o jogador ao interagir com a narrativa, deve se interessar por esta. Porém, para o presente estudo, não será focado em qual tipo de narrativa ou técnicas são mais ou menos eficazes como recompensas. Exemplos: Metal Gear Solid 4: Guns of the Patriots (Kojima Productions, 2008), Silent Hill 2 (Konami, 2001), Final Fantasy Tactics (Square, 1997). Expressão É a recompensa atingida ao utilizar o jogo como forma de expressão pessoal. Alguns jogos possibilitamque o jogador faça as escolhas dentro do universo do jogo de acordo com suas preferências. Em outras circunstâncias, possibilitam que o usuário crie conteúdo para o jogo. Em uma partida do jogo The Sims, o jogador pode personalizar o lar dos sims ao seu gosto. O jogo Guitar Hero permite que os jogadores interajam com suas músicas preferidas, seja as que vêm inclusas no jogo original ou as que podem ser adquiridas posteriormente. Em ambos os casos, é possível adquirir conteúdo gerado por outros usuários. Exemplos: The Sims (Maxis, 2000), Guitar Hero (Harmonix Music Systems, 2005), Audiosurf (Dylan Fitterer, 2008). Fantasia É uma recompensa que premia quem busca a fuga da realidade. Jogos produzem esta recompensa através da imersão no universo ficcional. Essa imersão pode ser tanto sensorial quanto interativa, fortalecendo a sensação de que o jogador está dentro do jogo ou que o jogador é o próprio avatar controlado. Qualquer perfil de jogador pode se sentir recompensado pelo simulacro gerado por um jogo imersivo, mas exploradores e sobreviventes buscam com maior frequência este tipo de recompensa. Exemplos: The Elder Scrolls IV: Oblivion (Bethesda Game Studios, 2006), Zeno Clash (ACE Team, 2009), Crysis (Crytek Frankfurt, 2008). Interação Social Alguns jogos digitais disponibilizam um vasto universo de interação entre os jogadores. Nesses casos, é possível estabelecer uma complexa rede de contatos. Essas relações possuem seus códigos de conduta frequentemente tão ou mais complexos que as relações interpessoais feitas no mundo real. Essa forma de explorar novos contatos sociais seria a recompensa através da interação social trazida por uma atividade. Exemplos: World of Warcraft (Blizzard Entertainment, 2004), Farmville (Zynga, 2009), Mario Party 8 (Nintendo, 2007). Dessa maneira, observa-se que as experiências de conquista, fantasia, drama, expressão, descoberta, aprendizado, avanço, contemplação e interação social, formam as estruturas de recompensas que contribuem para a motivação dos jogadores com a atividade, bem como com a obtenção da satisfação. Canais de Conforto O que esta sendo apresentado nós apresentamos aqui nesse artigo como canais de conforto é uma adaptação da Teoria do Fluxo de Mihaly Csikszentmihalyi [6], teoria esta que defende que o estado emocional de uma pessoa ao executar uma atividade depende da habilidade que a pessoa tem sobre a execução desta atividade e a dificuldade que a atividade exige para ser completada. Dependendo destes dois fatores, diversos estados mentais podem ser atingidos, durnte uma atividade, sendo o mais importante deles, o de Fluxo, atingido ao se executar uma atividade onde o participante tem uma grande habilidade e para completá-la e há uma grande dificuldade imposta [7]. A teoria inicial, que apenas procurava entender o fluxo, foi expandida, encontrando outros estados emocionais conforme os níveis de habilidade e dificuldade são exigidos. No nosso framework, a teoria do fluxo compreende como o jogo cria um ambiente de conforto ao dar ao jogador habilidades através da jogabilidade ou treino e ao mesmo tempo lança desafios de diferentes níveis a este jogador. O balanço da habilidade, que no caso de jogos pode ser reduzida ou ampliada através de regras (facilidades ou dificuldades de jogabilidade) e da dificuldade apresentada (os obstáculos do jogo que impedem o jogador de atingir seu objetivo) ajudam a criar um estado mental para o jogador durante a atividade. Este estado mental deve ser confortável ao jogador. Confortável no sentido de ser um estado mental que o jogador busca coma atividade, não que este deva ser positivo. Este estado mental confortável depende do perfil de jogador e de como o jogo apresenta seu universo ficcional, porém, um jogador que não se sente confortável dentro do estado mental promovido pelo jogo, perderá o interesse pela atividade e abandonará o jogo. Dentro da teoria do fluxo, existem oito estados mentais, todos estes estados mentais podem ser produzidos por um jogo ao balancear habilidade do jogador e desafios impostos. São eles: Apatia, Tédio, Apreensão, Relaxamento, Ansiedade, Controle, Exaltação, Fluxo [6]. Obviamente cabe ao designer buscar os canais mais positivos ou canais onde os jogadores daquele determinado jogo se sentirão confortáveis. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 92
  • 99.
    Em jogos abaixa habilidade pode ser traduzida em mecânicas muito simples, ou muito difíceis de lidar, ou um jogo com uma curva de aprendizado que impeça ao jogador melhorar sua habilidade nele. Se o jogo depender demais de fatores aleatórios, ou não for claro o suficiente em como o esforço do jogador determina as alterações do estado do jogo (falta de feedback) isso também incorre em “baixa habilidade”. Mecânicas superficiais, que não permitem avanço ou desenvolvimento de um repertório que torne o jogador mais eficiente no uso delas, também podem incorrer em um grau de habilidade baixo para o jogo. O contrário de tudo isso, mecânicas com profundidade, com pleno e claro resultado e que permitem que o jogador desenvolva-as em usos mais eficientes incorre no jogo por característica permitir um alto valor de habilidade ao jogador. O desafio pode ser traduzido em jogos nos obstáculos que o jogo apresenta ao jogador para impedir que este consiga as recompensas desejadas com a atividade (referentes ao capítulo anterior). Há diversas formas de se criar desafios e não entraremos nelas dentro do escopo deste artigo. Para este artigo, cosideraremos o grau de dificuldade como emo quão recorrente é o fracasso (perder o jogo) contrabalanceado em o quão punitivo é este fracasso, entre começar o jogo a partir do zero ou continuá-lo a partir de algum ponto anterior. Evidentemente canais de conforto variam mesmo dentro de um determinado jogo, já que os obstáculos e a dificuldade bem como as habilidades do jogador inerentes ou permitidas pelo jogo podem variar de acordo comas regras. Estas variações resultam em flutuações dos canais de conforto promovidos. Abaixo segue a descrição dos oito canais de conforto e quais as condições para que estes emerjam. Apatia Apatia é o canal atingido quando a habilidade e os desafios impostos são ambos baixos. Um jogo que promove a apatia pode ser considerado como um passatempo quase passivo, onde o jogador exerce muito pouco esforço para vencer e não é contestado ou desafiado para tal. Tédio Tédio é o canal promovido quando a habilidade permitida é razoável, mas os desafios impostos são baixos. Um jogo entediante, portanto, é um jogo que não apresenta desafios para o jogador e ao mesmo tempo lhe dá recursos razoáveis para exercer esforço sobre este jogo. Apreensão Canal onde a habilidade permitida ou atingida pelo jogador é baixa e os desafios são razoáveis. Um jogo pode promover a apreensão como uma retórica estética, porém não deve-se sustentar uma situação de apreensão por muito tempo por não ser um estado mental positivo. Relaxamento Quando a habilidade do jogador é muito grande e os desafios impostos são baixos o jogo promove a sensação de relaxamento. A grande habilidade em contraponto aos obstáculos leves permitem testes, despreocupação e desapego, porém sem levar ao tédio, sendo assim, portanto, um estado mental positivo. Ansiedade Jogos muito difíceis e nos quais o jogador não tem muita habilidade ou não permitem ao jogador muita habilidade, promovem a sensação de ansiedade. A ansiedade é uma sensação negativa se persistir por muito tempo, porémpode ser de grande auxílio retórico se promovida em pequenas doses. Controle Controle é o canal atingido quando um jogo permite uma grande habilidade para o jogador exercer em face a um desafio moderado. O canal de controle é positivo a partir do momento que ao se sentir no controle a maioria das pessoas se sentem confortáveis com a situação, porémpode não ser o que o jogador efetivamente esteja buscando. Exaltação Uma grande dificuldade como obstáculo a uma habilidade moderada gera o canal de exaltação. É um estado mental onde o jogador se sente estimulado, revigorado por estar enfrentando algo maior do que ele, porém com recursos o suficiente para superar o obstáculo. Consideramos umcanal positivo para um jogo promover. Fluxo Quando a habilidade e a dificuldade são altas, promove-se o estado de flow ou fluxo. É um estado mental positivo de alta concentração, controle e estimulação, algo como a mistura dos canais de Controle e Exaltação. O jogador se intensifica e se sente mentalmente engolido pela atividade, perdendo a sensação de tempo-espaço externos ao jogo. Portanto, os canais de conforto dizem respeito a como o jogo, através do balanço de habilidade e dificuldade definidos pelo designer, constrói um ambiente emocional para o jogador. Este ambiente deve ser confortável para o jogador, ou este abandonará a atividade mesmo se as recompensas forem interessantes. Perfil do Jogador O perfil de jogador mede como este tende a participar de um jogo. O que o motiva a jogar, que expectativas ele tema respeito do jogo e que tipos de dinâmicas e resultados o divertem. O perfil é dependente e inerente do próprio jogador. Para traçar o perfil dos jogadores dentro do nosso framework, nós utilizamos o estudo Brain Hex [16]. International Hobo é uma empresa que estuda o perfil demográfico dos jogadores de jogos digitais. O estudo iniciou-se com o DGD-1 (demography game design 1) [14], que foi atualizado para DGD-2 (demography game design 2) [15], que, por sua vez, foi utilizado como base para o BrainHex. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 93
  • 100.
    Os perfis queesse estudo contemplou foram: o audaz, o conquistador, o colecionador, o social, o estrategista, o sobrevivente e o explorador. Os perfis são a parte mais importante na compreensão da satisfação pois são os perfis de jogador que ditam quais recompensas e quais canais de conforto determinado jogador busca. Cada perfil tem diferentes ambições, busca diferentes estímulos e requer diferentes combinações de recompensas e canais de conforto para se satisfazer comum jogo. Audaz O audaz procura ação eletrizante, radical e em alta velocidade. O perfil tem como comportamento o foco na busca pela ação, uso de reflexos e tomada de riscos [16]. O audaz, em geral, busca ser principalmente recompensado com a conquista, a expressão e a fantasia. Mais do que qualquer outro perfil, o audaz sente-se confortável no canal de fluxo. Além do fluxo, o audaz prefere os canais de exaltação e ansiedade, sentindo-se pouco estimulado nos canais de controle e relaxamento. Colecionador O colecionador gosta de coletar tudo e fazer tudo que é possível no jogo. O perfil tem como comportamento o esforço para atingir a satisfação de completar tarefas e coletas, além da intensa satisfação em cumprir objetivos que se mostram muito distantes - o que pode se tornar obsessivo [16]. O colecionador busca como recompensas principalmente o avanço, o aprendizado, a expressão e a descoberta. O colecionador sente-se confortável no canal de controle e relaxamento, podendo também manter-se no canal de fluxo e tédio, e até mesmo, apatia, se as recompensas forem frequentes ou grandes o suficiente. Isso acontece pelo fato do colecionador ser um jogador obstinado, indo além do que lhe é confortável em prol das recompensas. Conquistador O conquistador se esforça ao máximo para atingir a vitória e gosta de derrotar inimigos incrivelmente difíceis e vencer outros jogadores. O perfil tem como comportamento a voracidade que foca e motiva o jogador a conquistar a vitória e permite intensas emoções ao atingí-la [16]. O conquistador sente-se plenamente recompensado pela conquista, evidentemente, e também pelo aprendizado e o avanço. O canal de conforto que o conquistador busca é o de controle, acima de todos, porém se sentindo confortável no canal de fluxo e exaltação. Ansiedade e apreensão podem ser positivos para o conquistador, mas apenas durante o início do jogo, nas etapas de aprendizado. Estrategista O estrategista gosta de resolver quebra-cabeças e desenvolver estratégias. O perfil tem como comportamento o foco na atividade mental caracterizada pela busca das decisões mais eficientes [16]. O estrategista busca a recompensa da conquista, do aprendizado e da descoberta. O estrategista tambémprocura jogos que permitam a expressão através de diversas maneiras de se resolver um problema ou superar um obstáculo. Seu canal de conforto preferido é o de controle, podendo também sentir-se confortável com o fluxo e com o relaxamento. Explorador De acordo como estudo, o explorador é o jogador que gosta de encontrar coisas estranhas e mesmerizantes ou re- encontrar objetos familiares. O comportamento do explorador se centra na curiosidade, interesse e no prazer de estimular os sentidos [16]. O explorador busca o drama, a fantasia e especialmente a descoberta e a contemplação como recompensas. O explorador sente-se mais confortável nos canais de controle e relaxamento, porém aceita doses pontuais de fluxo e exaltação. Sobrevivente O sobrevivente gosta de escapar de ameaças aterrorizantes, suspense e de riscos desconhecidos. O comportamento deste perfil está relacionado com a sensação de medo: o sobrevivente gosta de ser aterrorizado e se sentir seguro novamente após responder a ameaças [16]. O sobrevivente busca como recompensa o drama, fantasia e descoberta. O sobrevivente busca os canais de apreensão e ansiedade, sentindo-se também confortável no canal de exaltação. O sobrevivente abomina os canais de controle e relaxamento. Social O social gosta de jogar com pessoas emque confia e ajudar os outros. O perfil tende a ser aberto, mas não se dá bem com quem abusa de sua confiança [16]. O jogador social busca como principal recompensa a interação social, e também, fantasia, drama e expressão. O canal mais procurado é o de relaxamento, porém, os canais de controle e fluxo são também confortáveis se não atrapalharem a interação entre os jogadores. Além disso jogadores geralmente apresentam mais de um destes perfis, em variados níveis de interesse. Há também jogadores que apresentamaversão aos gostos de umdestes perfis [16]. O que quisemos demonstrar é que a aplicação da parte de experiência do nosso framework pode ser utilizada em conjunto com outros estudos demográficos para se descobrir aspectos da experiência de jogo desejados. Assim, o designer pode compreender aspectos do jogo emrelação à experiência e desenvolvê-los de acordo com os requisitos do projeto. CONCLUSÃO Neste artigo formalizamos o Framework CDE em sua totalidade, expandindo o framework MDA ao torná-lo Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 94
  • 101.
    menos restrito ecompatível com as necessidades de um estudo mais aprofundado do design de jogos. Com o conteúdo levantado,é possívelentender quais são os elementos fundamentais que estruturam o artefato (Componentes), quais são e como funcionam suas interações (Dinâmicas) e, por fim, como aspectos da organização do sistema – recompensas e canais de conforto – influenciam o usuário (Experiência). Em relação ao item de Experiência, sob o ponto de vista do sistema, levando em consideração os aspectos levantados nos Componentes e suas relações apontadas nas Dinâmicas, é possível ter uma maior consciência a respeito da influência das recompensas envolvidas, bem como projetar jogos que tenham como objetivo induzir determinadas experiências, tanto no geral quanto em momentos específicos. Analogamente, sob o ponto de vista do usuário, o conhecimento levantado sobre perfis de jogador pode ser utilizado quando houver a intenção de projetar umjogo que seja capaz de satisfazer determinadas demografias de jogadores. Com isso é possível estruturar, posteriormente, um modelo analítico que seja de utilidade em testes práticos. Esta estrutura é uma contribuição para o aprofundar o conhecimento na área de design de jogos, servindo como ferramenta analítica para estudo, bem como ferramenta metodológica para auxiliar no desenvolvimento. AGRADECIMENTOS Gostaríamos de agradecer aos companheiros de trabalho Ingrid Skåre e Maurício Perin, que nos apoiam e acompanham em estudos correlatos. REFERÊNCIAS 1. Aarseth,E., Smedstad, S. M. Sunnanå, L. Multi- dimensional Typology of Games. Game Studies 3, iss. 2, 2003. 2. Alves, T; Bulhões, B. Compreendendo dinâmicas de jogo: as esferas da interação dentro do framework CDE. In: Interaction South America, 1., São Paulo, 26 a 28 nov.2009. Anais do 1º congresso regional de Design da Interação. São Paulo: Universidade Anhembi- Morumbi, Campus Morumbi, 2009. p. 133-140. 3. Aristóteles.Poética. Ed. Trilíngue de V. Garcia Yebra, Madrid, 1974. 4. Buccini, M. Design experiencial em ambientes digitais: um estudo do uso de experiênciasem web sites e junto a designerse usuáriosde internet.145f. Dissertação (Mestrado em Design) - Centro de Artes e Comunicação, Departamento de Design, Universidade Federal de Pernambuco, Pernambuco, 2006. 5. Cambridge Dictionary. Retrieved August,2009 from: http://dictionary.cambridge.org/define.asp?key=41547 amp;dict=CALD 6. Csíkszentmihályi, M. Beyond Boredom and Anxiety: Experiencing Flow in Work and Play. Jossey-Bass,San Francisco, 1975. 7. Csíkszentmihályi, M. Finding Flow: The Psychology of Engagement With Everyday Life. Basic Books, 1998. 8. Dictionary.com. Retrieved August,2009, from: http://dictionary.reference.com/browse/interplay?jss=0 9. Dicionário Aurélio. Retrieved August,2009 from: http://www.dicionariodoaurelio.com/dicionario.php?P=I nteracao 10.Dubiela, R. P. A utilização de narrativas embutidasno auxílio da narrativa da história nos jogos eletrônicos informatizados. 156f. Dissestação (Mestrado em Design) - Setor de Humanas, Departamento de Design, Universidade Federal do Paraná, Paraná, 2008. 11.Garneau, P. A. Fourteen forms of fun. Retrieved May, 2009, from Gamasutra: http://www.gamasutra.com/features/20011012/garneau_ 01.htm 2001. 12.Harvey, A. Samyn, M. Realtime Art Manifesto. Retrieved from: http://tale-of-tales.com/tales/RAM.html. 2006. 13.Hunicke, R., Le Blanc, M. Zubek, R. MDA: a formal approach to game design and game research. Proc. GDC, San Jose, 2004. 14.International Hobo. DGD1. Retrieved May, 2010, from: http://blog.ihobo.com/articles/DGD1.shtml 2006 15.International Hobo. DGD2. Retrieved May, 2010, from: http://survey.ihobo.com/DGD2/intro.php 2008. 16.International Hobo. Brain Hex. Retrieved May, 2010, from: http://blog.brainhex.com 2009. 17.Järvinen, A. Making and breaking games:a typology of rules. Proc. Level Up Conference 2003. 18.Juul, J. Half-real: video games between real rules and fictional worlds. The MIT Press,Cambridge, 2005, 163- 197. 19.Salen, K. Zimmerman, E. Rules of Play: Game Design Fundamentals. The MIT Press, Cambridge, 2004, 68-77. 20.Salen, K. Zimmerman, E. Rules of Play: Game Design Fundamentals. The MIT Press, Cambridge, 2004, 93-94 21.Salen, K. Zimmerman, E. Rules of Play: Game Design Fundamentals. The MIT Press, Cambridge, 2004, 137-144. 22.Salen, K. Zimmerman, E. Rules of Play: Game Design Fundamentals. The MIT Press, Cambridge, 2004, 153-192. 23.Schär, G. S. Krueger H. Using New Learning Technologies with Multimedia. IEEE MultiMedia 7 (3). doi:10.1109/93.879767 Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 95
  • 102.
    24.Schell, J. TheArt of Game Design: A book of lenses. Morgan Kaufman, Massachusetts,2008, 39-46. 25.Sicart, M. Defining game mechanics. Game Studies 8, iss. 2, 2008. Retrieved from: http://gamestudies.org/0802/articles/sicart 26.Vanord, K. Machinarium Review, 2009. Gamespot. Retrieved May, 2010, from: http://www.gamespot.com/pc/adventure/machinarium/re view.html LUDOGRAFIA  Alexey Pajitnov. (1984). Tetris (Eletronika 60).  ACE Team. (2009). Zeno Clash (Windows).  Amanita Design. (2009). Machinarium(Windows).  Bethesda Game Studios. (2006). The Elder Scrolls IV: Oblivion (Windows).  Blizzard Entertainment. (2004). World of Warcraft (Windows).  BioWare. (2000). Baldur’s Gate 2: Shadowsof Amn (Windows).  BioWare. (2007). Mass Effect (Windows).  BioWare. (2010). Mass Effect 2 (Windows).  Capcom. (1999). Street Fighter3: Third Strike (Arcade).  Crytek Frankfurt. (2008). Crysis (Windows).  Dylan Fitterer. (2008). Audiosurf (Windows).  EA Redwood Shores. (2008). Dead Space (Windows).  HAL Laboratory. (1999). SuperSmash Bros (Nintendo 64).  Harmonix Music Systems. (2005). Guitar Hero (Playstation 2).  Intelligent Systems. (2001). Advance Wars (Game Boy Advance).  Jason Rohrer. (2008). Gravitation (Windows).  Kojima P1roductions. (2008). Metal Gear Solid 4: Guns of the Patriots (Playstation 3).  Konami. (1992). Contra III: The Alien Wars (Super Nintendo Entertainment System).  Konami. (2001). Silent Hill 2 (Playstation 2).  Maxis. (2000). The Sims (Windows).  Molleindustria. (2006). McDonald’s Videogame (Online).  Nintendo. (1985). Super Mario Bros. (NES).  Nintendo. (1992). Super Mario Kart (Super NES).  Nintendo. (1994). Super Metroid (Super NES).  Nintendo. (2000). The Legend of Zelda: Majora’s Mask (Nintendo 64).  Nintendo. (2009). Mario Party 8 (Wii).  Paradox Interactive. (2010). Victoria 2 (Windows).  Queasy Games. (2007). Everyday Shooter (Playstation 3).  Radical Entertainment. (2009). Prototype (Windows).  Raven Software. (2010). Singularity (Windows).  Rogue Entertainment. (2000). American McGee’s Alice (Windows).  Square. (1997). Final Fantasy Tactcs (Playstation).  Square. (2001). Final Fantasy X (Playstation 2).  Square Enix. (2006). Final Fantasy XII (Playstation 2).  Tales of Tales. (2009). The Path (Windows).  Team Ico. (2001). Ico (Playstation 2).  Team Ico. (2005). Shadow of the Colossus (Playstation 2).  Tecmo. (1995). Ninja Gaiden Trilogy (Super NES).  Zynga. (2009). Farmville (Online) Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 96
  • 103.
    O USO DAMETODOLOGIA DE PERSONAS NA PRODUÇÃO DE PERFIS PARA HIPERMÍDIA ADAPTATIVA Thiago Pinheiro ESDI/UERJ Rua Evaristo da Veiga, 95 Rio de Janeiro/RJ t_pinheiro@yahoo.com Barbara Szaniecki ESDI/UERJ Rua Evaristo da Veiga, 95 Rio de Janeiro/RJ dolar.rj@terra.com.br André Monat ESDI/UERJ Rua Evaristo da Veiga, 95 Rio de Janeiro/RJ andresmonat@yahoo.com.br RESUMO Este artigo é parte integrante de um projeto em desenvolvimento que visa construir uma hipermídia adaptativa para auxiliar visitas guiadas em museus. Nele analisaremos a importância da metodologia de personas para o design centrado no usuário e descreveremos em detalhes a utilização desta ferramenta na criação dos perfis a serem atendidos pelo sistema proposto em sua fase de implementação. ABSTRACT This paper is part of a project in progress for the production of an adaptive hypermedia for guided visitation at museums. Here we analyze the importance of the methodology of personas in user-centered design and describe in details the use of this tool for the creation of the profiles to be assisted by the proposed system at the implementation stage. Palavras-chave Personas, hipermídia adaptativa, visitas guiadas, museus. ACM Classification Keywords H5.4. Information interfaces and presentation: Hypertext/Hypermedia. INTRODUÇÃO No início da era industrial, os processos de engenharia e venda, por si sós, eram suficientes para gerar produtos que fossem desejáveis aos olhos dos consumidores. Para que as pessoas adquirissem alguma coisa, bastava que o bem atendesse a seus critérios de utilidade, qualidade e que oferecesse um preço razoável pelo qual estivessem dispostas a pagar. Com o passar do tempo, a indústria percebeu a necessidade de diferenciar seus produtos de outros com igual funcionalidade e o design passou a figurar como elemento de destaque nessa estratégia. Designers gráficos passaram a ser contratados para desenvolver embalagens e propagandas mais eficazes e designers industriais se dedicaram progressivamente a projetar produtos mais ergonômicos, eficientes e atraentes. Nesse contexto de valorização do produto por adequação às necessidades dos utentes, surgem a filosofia e as metodologias do design centrado no usuário, do inglês user-centered design (UCD). O termo user-centered design foi cunhado por Donald Norman [8], que o definiu como sendo uma filosofia baseada nos interesses e necessidades do usuário para a geração de produtos mais facilmente inteligíveis e usáveis. A Usability Professionals’ Association (UPA) [11] define UCD como uma abordagem em design que foca todos os processos – planejamento, projeto e desenvolvimento – no usuário. Embora devesse ser o senso comum, centrar o design no usuário não é um procedimento natural. Tendemos a ser egocêntricos e acabamos por desenvolver produtos baseados em nossas próprias vontades e necessidades, mesmo que na maioria das vezes não sejamos o utilizador final desses produtos. Às vezes, até mesmo procuramos pessoas com perfis semelhantes ao nosso para pedirmos opinião sobre nossos projetos – a conclusão é o nascimento de um produto inadequado ao público a que vai servir. Metodologias do UCD À medida que a filosofia do design centrado no usuário ganhou força, algumas metodologias surgiram para concretizar os princípios por ela preconizados. Mas foi apenas em 1999 que se deu o surgimento da primeira e única normatização do UCD, instituída pela ISO 13407 (“Human-centred design processes for interactive systems”) [6]. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 97
  • 104.
    De acordo comessa norma, uma vez identificada a necessidade de centrar os processos no usuário, quatro atividades vão formar o ciclo principal de trabalho (Figura 1): a) especificação do contexto: identifica-se quem utilizará o produto, com que finalidade e sob que condições; b) especificação dos requisitos: identificam-se as necessidades comerciais e que necessidades do usuário devem ser satisfeitas para que o produto seja bem-sucedido; c) design das soluções: atividade onde o conhecimento angariado é concretizado em diferentes protótipos que serão testados junto aos usuários; d) avaliação do processo: esta etapa leva em consideração o feedback dos utentes e verifica-se o preenchimento dos critérios percebidos na segunda fase. Aqui se avalia a necessidade de modificações no produto, gerando mais uma iteração do ciclo ou liberando o produto para o lançamento. Apesar de não especificar métodos exatos, a norma serve de base para várias metodologias do design centrado no usuário, dentre as quais podemos citar também, outro modelo de processos igualmente bastante conhecido – o do ciclo de engenharia da usabilidade, proposto por Jakob Nielsen [7]. Este sistema consiste em onze etapas, a saber: 1) conhecimento do usuário; 2) análise competitiva; 3) definição de metas de usabilidade; 4) design paralelo; 5) design participativo; 6) design coordenado; 7) análise heurística; 8) prototipagem; 9) teste empírico; 10) design iterativo; 11) coleta de feedback. Como se percebe aqui, mesmo que descritas em alto nível, as atividades são identificadas mais detalhadamente do que no modelo proposto pela ISO. O fluxo básico é bastante semelhante nos dois esquemas – ambos partem da pesquisa sobre o usuário para identificação de requisitos/objetivos e chegam à prototipagem e teste do design, explorando a natureza iterativa do processo. Ambos os modelos também reforçam que o feedback dos usuários deve ser considerado desde cedo, já que alterações no design são notavelmente menos custosas quando feitas nas etapas iniciais do desenvolvimento. Ainda embasada na normatização da ISO, se destaca a metodologia de Personas, ferramenta estudada e utilizada no desenvolvimento deste artigo, que descreveremos mais minuciosamente adiante. HIPERMÍDIA ADAPTATIVA Este artigo é parte integrante de um projeto mais amplo cujo objetivo é verificar a possibilidade da elaboração de uma hipermídia adaptativa para auxílio a visitas guiadas a museus. Figura 1. Ciclo básico de atividades no design centrado no usuário segundo a ISO 13407. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 98
  • 105.
    Cabe neste momentoesclarecer o conceito de hipermídia, que Freire [4] aponta como sendo semelhante ao hipertexto, mas difere deste uma vez que as ligações (links) são representadas também por elementos de diferentes formatos, tais como imagens, gráficos, vídeos, áudios, animações, etc. Sendo assim, a hipermídia constitui uma base de dados na qual o usuário navega entre as informações de forma interativa e não-seqüencial, determinando seu próprio percurso de acesso e uso da informação – características herdadas do próprio hipertexto. Peter Brusilovsky [1] aponta a hipermídia adaptativa como uma direção relativamente nova na pesquisa sobre as relações entre hipermídia e modelos de usuário. Essa tecnologia promete sanar a limitação de aplicativos de hipermídia tradicional, onde é apresentado a todos os usuários um mesmo conteúdo de página e um mesmo conjunto de links a uma população relativamente diversa. Os sistemas de hipermídia adaptativa constroem um modelo de objetivos, preferências e conhecimento prévio de cada usuário individual e usam esse modelo ao longo da interação com o usuário, a fim de se adaptar às necessidades deste. Sendo assim, o sistema auxiliar para visitas guiadas se colocaria como um recurso para apresentar roteiros personalizados que sugerissem as obras mais relevantes a serem vistas pelos usuários do museu, levando em consideração as preferências e a bagagem cultural de cada um. Para a geração dos perfis a serem atendidos pela hipermídia proposta, optamos por utilizar a metodologia de personas, exposta a seguir. PERSONAS A idéia de personas foi introduzida por Alan Cooper em seu livro The Inmates are Running the Asylum [2]. Contrastando com a abordagem da norma ISO 13407, o uso de personas compreende a aplicação de uma metodologia completa, uma ferramenta com métodos bem definidos que se propõe a tratar mais eficientemente a questão do design centrado no usuário. O termo persona é compartilhado com os profissionais de marketing, onde serve a propósito diferente. A distinção básica entre a persona do marketing e a persona do design é que a primeira é baseada em dados demográficos, influenciando nos processos de venda e distribuição; a última se baseia puramente nos usuários e vai guiar o processo de design [2]. Em outras palavras, a construção de personas para o marketing obedece a um processo de pesquisa quantitativa e estatística, enquanto no design temos como direção a pesquisa etnográfica/qualitativa. De acordo com Alan Cooper, personas são arquétipos hipotéticos de usuários reais, definidos com rigor e precisão significativos. Em outras palavras, trata-se de personagens fictícios, construídos a partir da coleta de dados dos usuários em potencial e que servirão para orientar o desenvolvimento do produto. John Pruitt [9] advoga que a metodologia de personas é de grande potencial para concretizar o design centrado no usuário. Para Pruitt, A utilização dessa metodologia serviria não apenas de ligação entre a parte burocrática e a execução do design, mas iria além, gerando empatia entre a equipe de desenvolvimento e fazendo com que as perspectivas do usuário fossem efetivamente levadas a sério. Cooper assume o uso de personas também como alternativa para sanar o fenômeno que denominou “usuário elástico”. O autor chama à atenção a imprecisão do termo usuário, uma vez que numa equipe de desenvolvimento, cada participante tem uma concepção diversa quanto às características e necessidades do público-alvo. Em momentos críticos do desenvolvimento dos projetos, esses “usuários” assumem uma elasticidade para que se encaixem convenientemente nos argumentos de quem quer esteja decidindo. Isto confere a uma equipe de desenvolvimento, a liberdade de projetar conforme queiram, enquanto aparentemente servem ao “usuário” [3]. Vasara [12] reforça que as personas trazem à vida os tipos- chave de usuários, especialmente para aqueles que não participaram do levantamento de dados. Nota-se que o investimento de tempo na realização da pesquisa inicial é compensador uma vez que guia as etapas conseguintes, atendo a equipe aos reais objetivos, necessidades e limitações do usuário e evitando falhas cuja correção posterior seria ainda mais dispendiosa em tempo e em custos. Com base nos fatores expostos, é comum o surgimento da pergunta: por que não basear os perfis em pessoas de verdade? Pessoas reais tendem a ter peculiaridades que não se aplicam ao público-alvo geral, o que poderia interferir no design de forma negativa. Exemplificando, Alan Cooper cita o presidente de uma companhia que, baseado em sua preferência particular, determina que todos os softwares produzidos pela empresa fossem operados apenas pelo mouse. Projetar com esse usuário em mente excluiria todos os demais que gostam de utilizar o teclado para a manipulação de software. Outro motivo para não serem usadas pessoas reais, jaz no conceito “usuários não são designers”. Para Jakob Nielsen [7], se pessoas reais fossem usadas no lugar de personas, invariavelmente seriam solicitadas a opinar sobre questões no design e, embora os usuários sejam hábeis em identificar problemas, não são capazes de elaborar a soluções por não serem designers. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 99
  • 106.
    A metodologia depersonas Desde sua introdução por Alan Cooper em 1999, a metodologia de personas vem ganhando destaque através do estudo de outros autores e de sua crescente utilização no desenvolvimento de produtos e serviços. Percebemos que as técnicas usadas para produção das personas variam entre os autores e de acordo com o contexto do planejamento, constituindo um método bem definido, porém flexível. Apesar de ser de comum acordo entre os autores que as informações devem ser coletadas diretamente dos usuários em potencial, a maioria não especifica as ferramentas usadas – mesmo porque o contexto é único para cada projeto. Em linhas gerais, concordam em dedicar sua atenção à pesquisa qualitativa. Goodwin [5] explica que as personas são baseadas primariamente em dados etnográficos, sugerindo que a pesquisa deve ser essencialmente baseada em dados qualitativos, coletados através de entrevistas e observação. Goodwin vai além e abranda o valor da pesquisa quantitativa, propondo que esta seja usada apenas para validar as descobertas da pesquisa qualitativa caso haja tempo hábil e verba disponível para realizar a investigação extra. No desenvolvimento deste projeto, utilizamos os seis passos propostos por Pruitt e Adlin conforme resumo a seguir: 1º passo: identificar categorias de usuários que são importantes para seu projeto, de forma a facilitar o processamento dos dados e estabelecer uma ponte entre os tipos de usuários e as personas a serem criadas. 2º passo: processar os dados para extrair informações relevantes ao desenvolvimento do produto. 3º passo: identificar e criar esqueletos, diferenciando-os através dos detalhes que caracterizam cada categoria. 4º passo: priorizar os esqueletos que serão efetivamente desenvolvidos ao nível de persona. 5º passo: enriquecer os esqueletos selecionados com detalhes, histórias, personalidades, contextos, etc., elevando-os efetivamente ao nível de persona. 6º passo: validar a as personas, checando se estas refletem os dados coletados e se abrangem todas as possíveis hipóteses. APLICAÇÃO Reconhecemos que nos diversos estudos de casos, freqüentemente relatados nas obras para exemplificar a aplicação da metodologia de personas, o objetivo era definir prioridades e reduzir ao máximo o número de perfis, delineando mais precisamente o público-alvo para o qual se estava projetando. Em oposição, este trabalho tem como prioridade abranger, dentro do espectro de freqüentadores de museus, o mais variado público possível. Para isto, utilizamos a exposição “Virada Russa”, em cartaz na cidade do Rio de Janeiro entre junho e agosto de 2009 no Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB), como cenário para realização de entrevistas a serem usadas como base para a identificação do público freqüentador de museus. Elaboramos um conjunto de perguntas (Anexo A) que serviu de roteiro para as entrevistas. Consideramos as seguintes variáveis:  Freqüência de visitação a exposições;  Motivo da visitação;  Nível de conhecimento prévio sobre o tema;  Nível de interesse por material multimídia;  Interesse pelo serviço de visita guiada.;  Necessidade de informações adicionais;  Tempo estimado de permanência no local;  Tempo efetivo de permanência no local. Valorizando o aspecto qualitativo da metodologia empregada, permitiu-se que os entrevistados falassem livremente e as informações relevantes eram registradas reservadamente em seguida. Naturalmente, o nível de colaboração variou bastante entre os 33 visitantes abordados e, dentre os que mais contribuíram, nove apresentaram características peculiares que influenciavam de forma significativa seu comportamento durante a visitação. Além do “usuário básico”, identificamos duas categorias importantes de usuários: a que requeria informação diferenciada e a que requeria apresentação diferenciada. Tendo por base estes nove visitantes que se destacaram nas entrevistas, elaboramos e categorizamos dez esqueletos listados e descritos a seguir. Entende-se por esqueleto os perfis que poderiam potencialmente dar origem a uma persona devido a suas singularidades (o mesmo que arquétipo, para Alan Cooper). Categoria 1: usuários básicos  A leiga: Teve seu interesse por arte iniciado recentemente e, por isso, tem pouco conhecimento e opinião crítica sobre o assunto. Tenta assimilar, num nível geral, toda informação a seu alcance. Peculiaridade: tenta captar o máximo de informações gerais por ser ignorante no assunto.  O visitante casual: Não tem qualquer interesse em se aprofundar no assunto. Está presente na exposição por acaso e seu tempo de permanência variará de acordo com Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 100
  • 107.
    Roberta (27 anos) Robertaé assistente administrativa há sete anos numa empresa de médio porte. Descende de uma família de classe média, mas devido a dificuldades do passado, só pôde iniciar sua faculdade em administração após os 25 anos. Atualmente ela mora com a mãe e com o irmão mais novo. Apesar de sua rotina apertada, Roberta gosta de sair com seu namorado e amigos nos fins-de- semana. Seus programas preferidos incluem bate-papo em barzinhos, cinema e programas culturais, que aprendeu a apreciar por influência de seu namorado, estudante de cinema. Mesmo sem ter tido acesso a cultura com freqüência em sua juventude, Roberta se interessa pelo assunto e busca apreender panoramicamente tudo o que lhe é apresentado. Ela e o namorado passam bastante tempo procurando novas exposições na internet e conversando sobre as visitações que fazem. Geraldo (56 anos) Geraldo é formado em belas artes e é artista plástico há mais de 30 anos. Trabalha principalmente como consultor para museus e casas de cultura, o que lhe garante uma vida bastante confortável. Sua condição econômica lhe possibilitou construir um grande ateliê e visitar várias exposições dentro e fora do Brasil, tornando-o um visitante ilustre e exigente a qualquer exposição. Nas horas vagas, Geraldo gosta de ouvir música clássica, beber um bom vinho e freqüentar exposições com sua esposa, que escreve críticas de arte para uma revista. Geraldo também aprecia pesquisar sobre vida e obra de artistas famosos, o que lhe serve de inspiração e estimula sua criatividade para novos trabalhos. Patrícia (36 anos) Patrícia é professora de história em uma escola particular. Ela tem uma filha de 5 anos bastante esperta chamada Diana. Patrícia se separou do pai de sua filha durante a gestação e tenta ao máximo suprir a ausência do pai mantendo o dia da Diana com muitas atividades. A mãe se esforça para dar uma boa formação à filha e tenta levá-la a programas culturais sempre que possível. Patrícia também se interessa por exposições de arte, mas nem sempre é possível acompanhá-las tranqüilamente ao lado da filha, sendo freqüentes as pausas para lanchar, beber água, levá-la ao banheiro, etc. Junto da filha, Patrícia também se diverte bastante assistindo a peças e a filmes infantis. Felipe (11 anos) Felipe é filho de um casal de grandes empresários. Os pais de Felipe investem pesado em sua formação, pois esperam que ele um dia venha a gerenciar os negócios da família. O casal matriculou o filho numa escola particular de período integral, onde ele cursa atualmente a quinta série do ensino fundamental. Para preencher o dia dos alunos, a escola oferece várias atividades extraclasse como prática de esportes, passeios, sessões de filme, aulas de reforço, visitas culturais, etc. Felipe é estudioso e gosta de sua agenda cheia. Ele tem um interesse especial por literatura infantil e desenho. O hobby favorito de Felipe é desenhar e pintar paisagens, atividade para a qual possui bastante facilidade. Tabela 1. Personas criadas no desenvolvimento do projeto. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 101
  • 108.
    o interesse quelhe será incitado pelo tema/obras. Peculiaridade: dispensa qualquer informação sobre as obras; seu objetivo é apenas passar o tempo.  A acompanhante: Visitante interessada na temática, mas cujo nível de formação a leva a desconfiar da fidedignidade das informações, se estas não forem apresentadas de forma adequada, tendendo ao desinteresse nesses casos. Está visitando a exposição como acompanhante; seu tempo de permanência dependerá da companhia. Peculiaridade: seu tempo de permanência depende da amiga. Descarta informações que aparentam não ser confiáveis. Categoria 2: requer conteúdo diferenciado  O sabe-tudo: Visitante com conhecimento prévio sobre a temática da exposição. Dispensa informações gerais; se interessa por conteúdo que o mantenha distinto do público geral. Peculiaridade: assume ser apreciador especial e detentor de conhecimento privilegiado sobre o tema, o que o faz valorizar apenas informações raras.  O artista: Visitante do ramo das artes visuais, acostumado com fartura de informações do mundo da arte e, por isso, se interessa por dados sobre a vida/obra dos autores, bem como detalhamento técnico. Peculiaridade: exigente bem como detalhamento técnico, como quanto à qualidade da exposição, sente necessidade de informações sobre os artistas e dados técnicos das obras.  O artista de rua: É interessado em arte em geral. Devido à sua própria condição, valoriza o contexto histórico e social em que as obras são produzidas, sentindo necessidade destas informações. Peculiaridade: sente necessidade de contextualização histórica e social.  A estudante: Está visitando a exposição primariamente em tarefa de pesquisa escolar, mas também tem interesse no assunto. Precisa coletar o máximo de informações possíveis em virtude de sua atividade. Peculiaridade: tem interesse parcial no assunto, mas obrigatoriamente requer o máximo de informações que puder coletar para seu trabalho. Categoria 3: requer apresentação diferenciada  A mãe: Usuária que leva o filho consigo para a exposição. Necessita de flexibilidade na apresentação das informações por estar conciliando a visitação com a atividade materna, sendo freqüentes as interrupções. Peculiaridade: tem sua visita constantemente interrompida pelo filho, o que aumenta seu tempo de permanência no local e ressalta a necessidade de flexibilidade na apresentação.  O exigente: Visitante que requer atenção especial nos aspectos de legibilidade e qualidade geral da apresentação da exposição. Peculiaridade: preocupa-se com a qualidade da exposição, especialmente com os fatores ergonômicos, como legibilidade dos textos. Categoria 4: requer apresentação e conteúdo diferenciados  A criança: Visitante infanto-juvenil em atividade escolar ou acompanhado dos pais. Peculiaridade: requer linguagem adequada/conteúdo diferenciado. É ponto pacífico entre os autores que as personas devem abranger todas as possíveis hipóteses e que, se necessário, pode-se criar perfis baseados em características presumidas. Assim, a necessidade nos fez traçar, por meio de suposição, o décimo esqueleto, que denominamos “A Criança” para completar nosso quadro de possibilidades (embora não tenhamos tido a oportunidade de entrevistar nenhum infanto-juvenil no decorrer da pesquisa). RESULTADO Analisando os esqueletos, traçamos prioridades e aglutinamos necessidades comuns, reduzindo-os a quatro perfis a serem elevados ao nível de persona. Certificou-se de que todas as categorias de usuários fossem atendidas, validando assim o resultado obtido e apresentado em detalhes na Tabela 1. Esta obra compreende parte de um projeto mais amplo ainda em desenvolvimento, que verificará nas próximas etapas, a possibilidade da construção da referida hipermídia com base nos perfis gerados na atual fase da pesquisa. Optamos por desenvolver o sistema adaptativo sob a forma de um aplicativo para a plataforma Android, ambiente operacional para telefones celulares, nascido de um consórcio iniciado pela empresa Google. Nossa intenção é disponibilizar aos visitantes, um aparelho celular munido da aplicação na recepção de museus. O programa identificará elementos-chave que permitirão classificar o tipo de usuário e associá-lo a uma das personas geradas, adaptando sua interface de acordo com o nível de exigência de cada um. Inicialmente cogitamos sugerir a visualização de diferentes obras para cada persona sob a forma de percursos ou seqüências. No entanto, percebemos que seria não só mais agradável, mas principalmente mais coerente, encorajar os visitantes a percorrerem a exposição livremente e a vivenciarem uma experiência própria, segundo suas preferências e o tempo de que dispusessem. Concluímos que oferecer um trajeto pré-definido poderia ser erroneamente tomado como uma imposição, reduzindo as possibilidades, até mesmo em virtude da organização das obras e do espaço físico do museu. Para promover o aspecto adaptativo à sugestão das obras, optamos então por oferecer uma lista de “obras imperdíveis”, gerada e atualizada para cada usuário modelado a partir de seu comportamento durante a Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 102
  • 109.
    exposição. A hipermídiaofereceria inicialmente uma lista padrão contendo as obras mais relevantes e, à medida que o usuário percorresse a exposição com o dispositivo móvel, o sistema armazenaria um histórico das obras visualizadas que serviria de base estatística para distinguir a preferência por certo estilo ou movimento artístico, atualizando a listagem em concordância com as predileções do usuário e de seu tempo disponível. Ainda conforme os conceitos da adaptatividade, a hipermídia empregaria os princípios propostos por Brusilovsky adequando seu conteúdo através da adaptação da linguagem e da modificação de fragmentos textuais [1]. CONCLUSÃO Vimos o uso da metodologia de personas orientando a pesquisa e a criação de perfis a serem atendidos por uma hipermídia adaptativa para auxílio a visitas guiadas a museus. Apesar da bibliografia ainda um pouco restrita, muitos casos bem-sucedidos têm sido relatados, demonstrando grande eficácia, especialmente no desenvolvimento de software. Mesmo tendo sido formalizada há relativamente pouco tempo, a metodologia compreende conceitos já bastante discutidos por pensadores do design, da ergonomia e, mais recentemente, da usabilidade, demonstrando ser uma ferramenta poderosa do design centrado no usuário. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 103
  • 110.
    REFERÊNCIAS 1. Brusilovsky, P.Adaptive Hypermedia. User modeling and User-Adapted Interaction 11:87-100, 2001. Kluwer Academic Publishers, Netherlands, 2001. 2. Cooper, A. The inmates are running the asylum: why high-tech products drive us crazy and how to restore the sanity. Indianapolis: Sams Publishing, 1999. 3. Cooper, A., Reimann, R., Cronin, D. About face 3: the essentials of Interaction design. Indianapolis, Wiley Publishing Inc., 2007. 4. Freire, L. Design de hipermídia: a busca pela melhor compreensão deste tema. InfoDesign Revista Brasileira de Design da Informação v. 5, n. 1, p. 36-41, 2008. 5. Goodwin, K. Getting from Research to Personas: Harnessing the Power of Data. http://www.cooper.com/journal/2002/11/getting_from_r esearch_to_perso.html. 6. ISO 13407:1999 Human-centered design processes for interactive systems. Geneve, International Organization for Standardization, 1999. 7. Nielsen, J. Usability engineering. San Diego, Morgan Kaufmann Publishers, 1993. 8. Norman, D. The design of everyday things. London, MIT Press, 1990. 9. Pruitt, J., Adlin, T. The persona lifecycle: keeping people in mind throughout product design. San Francisco, Morgan Kaufmann Publishers, 2006. 10. Pruitt, J., Grudin, J. Personas: Practice and Theory (2003). http://research.microsoft.com/en-us/um/people/ jgrudin/ publications / personas/Pruitt-Grudin.pdf. 11. UPA (Usability Professionals’ Association). What is User-centered Design? http://www.usabilityprofessionals.org/usability_resourc es/about_usability/what_is_ucd.html. 12. Vasara, K. Introducing personas in a software project. 2003. 63 f. Tese (Mestrado em Ciência da Computação). Helsinki University of Technology, Helsinki, 2003. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 104
  • 111.
    Estudo comparativo deextensões UML nos artefatos do projeto de sistemas interativos First Author Name (Blank if Blind Review) Affiliation (Blank if Blind Review) Address (Blank if Blind Review) e-mail address (Blank if Blind Review) Optional phone number (Blank if Blind Review) Second Author Name (Blank if Blind Review) Affiliation (Blank if Blind Review) Address (Blank if Blind Review) e-mail address (Blank if Blind Review) Optional phone number (Blank if Blind Review) RESUMO Este trabalho analisa o problema de projetar e desenvolver interfaces para sistemas interativos, sob o ponto de vista da documentação gerada por esse processo. As representações dos diversos aspectos do projeto geraram extensões UML. No entanto nem todas as necessidades do projeto de sistemas interativos são atendidas por essas extensões, sobretudo, porque uma única representação não é suficiente para contemplar os diversos níveis de abstração que precisam ser abordados no projeto de sistemas interativos. Dessa forma, este trabalho realiza uma análise comparativa dessas soluções, no contexto de um projeto real. O resultado desta análise é empregado na proposta de um conjunto de artefatos para o projeto de sistemas interativos. PALAVRAS CHAVE Modelagem da interação; extensões UML; Interação Homem-Computador; artefatos do processo de software. ABSTRACT This paper examines the problem of designing and developing interactive interfaces to systems from the point of view of documentation generated by this process. The representations of the various aspects of the project generated extensions UML. However, not all the needs of the project, interactive systems are addressed by these extensions, mainly because a single representation is not sufficient to cover the various levels of abstraction that must be addressed in the design of interactive systems. Thus, this work performed a comparative analysis of these solutions in the context of a real project. The result of this analysis is employed in the proposal of a set of artifacts to the project of interactive systems. Keywords Modeling the interaction, Extensions UML, IHC, Artifacts of the process of software. INTRODUÇÃO Para permanecerem competitivas, as equipes de projetos de software buscam na modelagem do sistema os diversos níveis de abstração do processo de desenvolvimento de software. O uso de modelos auxilia no entendimento e na comunicação da equipe. A elaboração de modelos elimina detalhes irrelevantes para o processo e serve como catalisador, possibilitando a criação de visões simplificadas de realidades complexas [24]. Como conseqüência do progresso na área de hardware e de software, aumentaram as opções de estilo de interação e a complexidade dos softwares projetados e diversificou-se o perfil dos usuários, tendo ocorrido também o aumento da busca por usabilidade. Para facilitar a representação da interação e da interface de sistemas interativos, autores, vêm estendendo a UML. No entanto o projeto de sistemas interativos, como qualquer projeto de software, é uma construção intelectual que passa por diferentes níveis de abstração. A UML, útil para capturar diversas abstrações do projeto de software, pode ser adequada à representação das abstrações específicas da interação homem-computador. Na experiência profissional da autora como analista e desenvolvedora de sistemas interativos, observou-se que a representação da interação assume diferentes aspectos, a saber:  representação do perfil dos diversos usuários que interagem com o sistema;  representação do diálogo entre sistema e usuário;  representação da seqüência das telas e de sua navegação;  representação dos símbolos; e  representação das funções do sistema. A consistência dessa representação e sua comunicabilidade no ambiente de projeto são aspectos importantes, não apenas para o sucesso do projeto de um sistema interativo, mas também, para a eficácia e a produtividade de uma equipe de projeto. Contudo há a preocupação da comunidade de desenvolvimento de software em garantir que a UML seja completa para o desenvolvimento de software e que se preencham todas as lacunas. Para tanto, autores, como Page-Jones[20], Conallen [5], Silva e Paton [25] e Nunes [16], dentre outros, utilizaram mecanismos de extensão, os quais são elementos de modelagem que permitem tratamento visual e especializado e definem como criar Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 105
  • 112.
    novas semânticas naconstrução da interação do usuário com o sistema. ARTEFATOS DO PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO DE SISTEMAS INTERATIVOS As atividades da Engenharia de Software, em geral, envolvem uma grande quantidade e variedade de tipos de artefatos, os quais são gerados durante o processo de desenvolvimento de software. Um artefato pode ser visto como qualquer informação gerada, alterada ou usada no decorrer do processo de desenvolvimento [9]. Sendo assim, um artefato pode estar na forma de um modelo, um elemento do modelo (um gráfico, uma classe, um subsistema etc), um caso de teste, uma ata de reunião, um manual etc. Quando os artefatos produzidos são claros, a tendência é a de que os atores do desenvolvimento de sistema se entendam. Por sua vez, um documento, ainda que esteja bem escrito, pode causar dificuldades de entendimento a quem o lê, por causa de determinada escolha ou decisão para se constituir daquela maneira. Por esse motivo, são produzidos diversos artefatos ao longo do processo de desenvolvimento de sistemas interativos, algumas vezes, com aspectos repetidos em diferentes níveis de detalhamento e com relação entre si [1]. Esta pesquisa considerou os artefatos sugeridos por sete diferentes trabalhos, os quais foram selecionados por vários motivos: em primeiro lugar, porque todos tratam de processos de desenvolvimento de sistemas interativos. Nesse sentido, a coleção de trabalhos captura as diversas gerações de processos de desenvolvimento de sistemas interativos, surgidas ao longo dos últimos vinte anos – desde o trabalho sobre a Engenharia Cognitiva, de Norman e Draper [15], até a abordagem orientada a objetos de Mayhew [13], passando por trabalhos clássico da Engenharia de Usabilidade de Nielsen [14] e do ciclo estrela, proposto por Hix e Hartson [7]. Este trabalho considera também a posição da ISO sobre o referido processo, em sua norma 13.407 [8]. Outro fator relevante para a seleção desses trabalhos foi o fato de discutirem especificamente os artefatos gerados pelos mesmos processos. Nesse sentido, contribuem também: o trabalho de Mayhew [13], o qual revela uma preocupação importante com os artefatos; o trabalho de Paula e Silva [21, 25] que define um artefato da Engenharia Semiótica e o trabalho de Brown [3], que detalha os artefatos produzidos modernamente na documentação do projeto de websites. Nos trabalhos centrados no processo, considera-se que eles sugerem atividades, das quais é possível extrair artefatos no processo de desenvolvimento de software, os quais expressam a necessidade dos projetistas na representação de suas idéias. Os processos descritos pelos autores, e suas respectivas atividades, não serão descritas neste artigo por limitações de espaço. SELEÇÃO DOS ARTEFATOS A partir de uma leitura dos autores foi possível extrair os artefatos para o desenvolvimento de sistemas interativos: a) perfil dos usuários – é o documento que descreve o tipo de usuários, perfil e atividades por eles desempenhadas; b) cenários – são composições realistas da tarefa do usuário, relacionadas com o objetivo da avaliação, as quais simulam uma tarefa real, em que o usuário interage com o sistema e onde é registrado cada procedimento tomado; c) personas – são perfis de usuários fictícios, mas representativos; d) especificação de casos de uso – são narrativas de texto do caso de uso. Caso de uso são descrições de interações típicas entre os usuários e o sistema. Eles representam a interface externa do sistema e especificam um conjunto de exigências do que o sistema deve fazer; e) protótipo – tem a função de demonstrar os requisitos de um sistema; f) plano de testes – consiste na definição das metas e dos objetivos dos testes no escopo da iteração (ou projeto), os itens-alvo, a abordagem adotada, os recursos necessários e os produtos que serão liberados; g) diagrama de tarefas – descreve detalhes de como o processo é implementado, bem como, as instruções e ordens para a sua execução; h) questionário com o usuário; i) manual de instalação – contém instruções para instalação do sistema; j) manual do usuário – contém instruções de como o sistema pode ser operado pelo usuário; k) tabela de signos – descreve os signos integrantes da conversa usuário-preposto do designer; l) diagrama de metas – especifica as metas que os usuários terão ao utilizarem o sistema e a relação entre essas; m) diagrama de interação – representa uma visão global das possíveis conversas que podem ocorrer entre o usuário e o preposto do designer para alcançarem as metas representadas no diagrama de metas; n) mapa do sistema (site maps) – organiza e estrutura o conteúdo do sistema e seus acessos por meio de um mapa, ampliando sua visualização e proporcionando modificações em sua navegação; o) fluxo de interação (flow charts) – trata tanto do fluxo da interação das telas do sistema, quanto da interação entre o sistema e o usuário; e p) wireframes – desenvolve esboços das telas do sistema, com pré-disposições e posicionamento de conteúdos e funcionalidades. ARTEFATOS UML NO PROCESSO DE MODELAGEM DE SISTEMAS INTERATIVOS Segundo Booch, Rumbaugh e Jacobson [2], no processo de desenvolvimento de um software, é benéfica a produção dos seguintes artefatos: requisitos, arquitetura, projeto, código-fonte, planos de projetos, planos de testes, protótipos e versões. Dependendo da cultura de Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 106
  • 113.
    desenvolvimento, alguns dessesartefatos são tratados de maneira mais ou menos formal do que outros. A partir do estudo dos modelos de processos realizados, foram selecionadas três fases que contribuem para a construção da camada interativa no processo de modelagem e desenvolvimento de interface: análise de requisitos, design e testes. Análise de requisitos – São representados pelas descrições de Caso de Uso , diagramas de Caso de Uso , diagramas de classe e diagramas de seqüência. Design – diagramas de atividades, diagramas de estado de transição e diagramas de pacotes, contendo componentes de design. Testes – diagramas de classe e de compontes. Casos de uso para orientar os testes de usabilidade. Embora a UML não se refira primordialmente a elaboração de teste, é possível fazer testes unitários por meio dos diagramas de classe (Unit test), além de teste integrado com os diagramas de componentes (component test). EXTENSÕES DA UML PARA SISTEMAS INTERATIVOS Alguns autores, preocupados em garantir que a UML seja completa para o desenvolvimento de software e preencha todas as lacunas de representação necessárias nesse processo, utilizaram mecanismos de extensão para criar novas semânticas necessárias para representar a interação do usuário com o sistema, a análise de requisitos, a construção de interfaces e a interação entre objetos que compõem o sistema. Para representar essa preocupação, foi feito um levantamento de extensões da UML, cujo resultado é apresentado a seguir, na Tabela 1. EXTENSÕES UML SELECIONADAS PARA UM ESTUDO COMPARATIVO Foi realizado um estudo comparativo das extensões UML para representação da interação homem-computador, por meio de uma análise comparativa aplicada a um projeto real de software interativo, o qual não está descrito neste artigo por limitações de espaço. O foco da comparação é a representatividade da extensão em cada artefato, que deve oferecer ao projetista um meio de expressar precisamente suas intenções em todo o processo de desenvolvimento. As extensões selecionadas foram: Page-Jones, UMLi, WAE e Wisdom, [20,4, 25 e 16]. Page-Jones [20] desenvolveu dois diagramas adicionais para representar a IU na UML, o diagrama para layout de janelas, estendido do diagrama de caso de uso, e diagrama para navegação de janelas, estendido do Diagrama de pacote. UMLi é um projeto de pesquisa desenvolvido pelo grupo de gerência da informação da Universidade de Manchester, em 1998. Segundo Paton e Silva [4], a UMLi foi desenvolvida para proporcionar interação amigável entre usuário e sistema. Ela propõe dois novos diagramas UML para o projeto de IU, descritos como Diagrama IU e Diagrama de Atividade Estado de Seleção. Extensão Ano Foco Autores Ref. Diagramas de Layout e de Navegação de Janelas. 1996 Prototipação e navegação de tela. Page-Jones [20] UMLi 1998 Modelagem de interface e modelagem do comportamento UI. Paton e Silva [25] WAE 1998 Internet Jim Conallen [5] WISDOM 2000 Modelagem de Sistemas Interativos – prototipação evolutiva. Nuno Jardim Nunes [15] AUML 2000 Modelagem de sistemas envolvendo objetos e Modelagem de comunicação entre agentes (objetos). Odell, Parunak e Bauer [17] Libra 2004 Comportamento de elementos: objetos e aspectos. Chaves [4] IMML 2003 Modelagem visual de interfaces de usuário. Descrição abstrata de IU. Jair Cavalcante Leite [11] TUML 1997 Modelos temporais. Svinterikou [26] UMP²D 2000 Desenvolvimento de aplicações paralelas. André Luís Olivete, Dr. Onofre Trindade Júnior [18] Xchart 1997 Modelo de Especificação e implementação de gerenciadores de diálogo. Fábio Nogueira de Lucena [12] UWE 2000 Extensão para modelar Sistema Hipermídia Adaptativa (SHAs). Nora Parcus de Koch [10] UML-MC 2002 Extensão da UML para representar Mapas Conceituais Robinson e Crespo [23] Tabela 1 – Extensões UML levantadas Criada por Conallen [25], a WAE (Web Application Extension for UML) estende a notação UML e traz novos estereótipos com semântica e restrições adicionais, permitindo a modelagem de elementos específicos da arquitetura envolvida numa aplicação Web, incluindo-os nos modelos dos sistemas. Conallen propõe Experiência do Usuário (UX), a qual é apresentada por meio de um conjunto de diagramas utilizados pra descrever a IU. De acordo com Nunes [16], a arquitetura de IU WISDOM é uma extensão do padrão de análise interface/entidade/controle (model-view-controller, MVC) da UML. Nunes propõe nove artefatos, são eles: Modelo perfil do usuário estendido do diagrama de caso de uso, Modelo de domínio/negócio estendido dos diagramas de classe e diagramas de atividade, Modelo de casos de uso essencial estendido do diagrama de caso de uso, Modelo de Análise e Modelo de Interação ambos estendidos dos diagramas de classe, Modelo de desenho estendido dos Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 107
  • 114.
    diagramas de classee diagramas de estado, Modelo de diálogo estendido do diagrama de classe, Modelo de Requisitos estendido do diagrama de classe e diagrama de estado e Modelo de Implementação. As extensões foram aplicadas em um projeto do Centro XXXXXX do xxxxxxxx na Seção de XXXXXXX O projeto visa ao desenvolvimento de um sistema interativo denominado Sistema de Gestão de Árvores Urbanas (SISGAU). O estudo comparativo analisa as extensões UML nas fases de análise de requisitos, design e teste. Nas extensões estudadas, foram encontrados para a fase de análise de requisitos, o modelo de perfil do usuário e o modelo de diálogo, ambos da WISDOM. Modelo de Perfil do Usuário – é representado por um diagrama de casos de uso, com os estereótipos de classificação, ação e composição. Esse modelo segue a perspectiva definida pelo mapa de papéis do usuário, ilustra e organiza características dos usuários e seus papéis, tipo de usuário, conjunto de interesses, comportamento, responsabilidades e expectativas em relação ao sistema. Essa extensão mostra – por meio do diagrama de casos de uso – os usuários do sistema e seus papéis, acrescentando descrições textuais para explicar responsabilidades, expectativas e comportamentos. Modelo de Diálogo – esse modelo especifica a estrutura de diálogo da aplicação interativa, focando as tarefas e seus usuários. A Figura 2, a seguir, descreve esta situação: um grupo de usuário (administrador e inspetor) pode consultar, cadastrar e alterar as telas avaliação, diagnóstico e prospecção do tronco, seguindo essa seqüência. No caso, a interface de Avaliação do Tronco tem as seguintes funções: InserirAvaliacaotronco(),alteraAvaliacao tronco(),consultaAvaliacaotronco(). Nota-se que o usuário Consulta apenas consulta as telas avaliação tronco, diagnóstico tronco e propecção tronco. É interessante ressaltar neste modelo que, além de ele demonstrar os tipos de usuários, suas tarefas (consultar, alterar e cadastrar) e as telas que percorre, ele descreve também as funções contidas em cada tela. Os artefatos identificados como necessários para o Design são: protótipos, mapa do sistema, fluxo de interação, diagrama de interação e Wireframe. As extensões que se aplicam a essa fase são: a) Page-Jones – Diagrama de navegação de Janelas e Diagrama de Janela; b) UMLi – Interação do Fluxo de Telas e Diagrama IU; c) WAE – Mapa de caminho de navegação, Descrição de telas e conteúdo, Fluxo de navegação; e d) WISDOM – Fluxo de telas – modelo de interação, modelo de desenho ou apresentação. Figura 2 - Modelo de diálogo – WISDOM. Page-Jones [20] propõe o diagrama de navegação de janelas, que é uma extensão do diagrama de estado da UML, cujo objetivo é mostrar como os usuários podem passar de uma janela para outra ao longo de rotas expressivas e importantes na aplicação. Seguindo o fluxo exposto na Figura 3 a seguir, verifica-se que a interface (denominada pelo autor de janela) Avaliação do Tronco foi acionada a partir da interface Avaliação do Colo. Nessa interface, é executada a função InserirAvaliacaoTronco e, a partir dos botões diagnóstico e prospecção, é possível navegar para outras duas telas: Diagnóstico ou Prospecção. A interface Diagnóstico recebe os dados do tronco (demonstrado pelo colchete diagnostico.tronco, da classe diagnóstico) e a interface prospecção recebe os dados da FendaRachadura (classe). Caso o usuário escolha a interface Prospecção, ele terá de passar necessariamente pela interface Diagnóstico e, se ele escolher a interface Diagnóstico, a próxima interface que ele percorrerá é a de Avaliação Copa. Todos os estereótipos demonstrados na Figura 3 (cb, nav e jn), inserida a seguir, fazem parte da extensão, segundo proposta de seu autor. Figura 3 – Diagrama de navegação de janelas – Fonte: Page-Jones [20] Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 108
  • 115.
    O que tornaesta extensão atraente é o fato de ela ser simples em demonstrar a navegação de telas (prisma), as funções que a interface necessita para sua execução e os eventos (botões). Outra vantagem é o fato de não haver necessidade de uma ferramenta específica para desenhar esse diagrama. Outro diagrama proposto por Page-Jones [20] é o de janelas, que tanto pode ser uma extensão do diagrama de caso de uso como pode ser uma extensão do diagrama de pacote, quando representa agrupamentos exclusivamente de elementos. Para desenhar o diagrama de janelas, foi utilizada a ferramenta Microsoft Visio. Foi desenhado o diagrama de caso de uso e, nesse, foi indicada uma interface denominada Diagrama de Layout, exposto na Figura 4, a seguir. No Diagrama de Layout – Figura 5, a seguir – foram colocados os elementos da interface sem nenhum refinamento. Figura 4 – Caso de Uso Avaliação Tronco – Fonte: Page Jones [20]. A proposta de Page-Jones é bem simples: ele estende o diagrama de caso de uso da UML para demonstrar o protótipo. Na UMLi, Paton e Silva [25] propõem o diagrama de Interação do Fluxo de Telas, o qual é uma alternativa para representar o processo descrito por um caso de uso. Para tanto, esse diagrama dispõe dos mesmos elementos dos diagramas de estado, ou seja, eventos e estados, mas esses não se restringem a um único objeto. O diagrama de Interação do Fluxo de Telas é muito parecido com o diagrama de navegação de janelas do Page-Jones [20]. Na Figura 6 a seguir, está demonstrada a seguinte situação: os dados da interface Avaliação Colo (descrito pelo estereótipo AvaliacaoColo.dados, classe AvalicaoColo) são enviados, após confirmação, para a interface Avaliação Tronco que é composta pela função InserirAvaliacaoTronco e pelos dados do diagnóstico, presentes na classe diagnóstico (diagnostico.tronco) e da fendaRachadura, presente na classe prospecçao (prospeccao.fendaRachadura ). Figura 5 – Diagrama de Janela – Avaliação Tronco. De acordo com os dados recebidos, o sistema ativa a interface Prospecção Tronco ou Diagnóstico Tronco e, se ativar a interface Prospecção, a seqüência posterior será a interface Diagnóstico Tronco e Avaliação Copa. Assim, a extensão apresenta o nome das telas: Avaliação Tronco, Prospecção Tronco e Diagnóstico Tronco; o fluxo das telas; os eventos activates e confirms; as funções InserirAvaliacaoTronco, InserirDadosProspecçao e InserirDadosDiagnostico; e os dados dados.AvaliacaoColo, dignostico.tronco e Prospeccao.fendaRachadura . Figura 6 – Interação do Fluxo de Telas – UMLi. Outro diagrama proposto por Paton e Silva é o UI, utilizado para modelar interface. Esse diagrama é estendido a partir do diagrama de classe da UML e as instâncias dessas classes são os próprios objetos interagindo. Para modelar o Diagrama IU, é necessário ter o diagrama de classes da UML. O Diagrama IU, representado na Figura 7 a seguir, apresenta a interface Avaliação Tronco, na qual, estão os objetos extraídos do diagrama de classe da UML, e, nesse, constam os ícone editores, que é um ícone de entrada de dados. Dentro da interface, há também dois recipientes e, dentro desses recipientes, há informações emitidas pelos usuários – do diagnóstico e da prospecção. Essas serão utilizadas em outras interfaces. Há o símbolo responsável por receber informações emitidas por usuários tanto fora como dentro dos recipientes. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 109
  • 116.
    Figura 7 –Diagrama IU. Na WAE Conallen [5] propõe um novo conceito na modelagem de sistemas e apresenta o modelo de experiência do usuário (UX), o qual é usado para descrever a equipe e as atividades dos responsáveis em manter a interface com o usuário. Para a fase de Design, Conallen propõe na UX quatro artefatos: Fluxo de tela, Mapa de Caminho de Navegação, Descrição de Telas e Conteúdo e Cenários do Roteiro. a) Fluxo de Tela Um artefato da UX é o Fluxo da tela, na Figura 8 a seguir, o usuário inspetor acessa a interface Avaliação Tronco, por meio de uma página client, que acessa uma página server a qual contêm as funções do sistema: interferência, fenda_rachadura e diagnostico_tronco. Figura 8 – Fluxo da tela – WAE. O fluxo de tela demonstra o tipo de usuário, a interface, as funções executadas e o tipo de armazenamento – cliente ou servidor. b) Mapa de Caminho de Navegação O artefato mapa de caminho de navegação é bem simples e expressa o nome das interfaces e o caminho que o usuário deve percorrer para navegar no sistema. No SISGAU, não há um menu onde o usuário seleciona a tela que ele quer cadastrar. Desse modo, ele tem de seguir uma seqüência de telas (Wizard) e, quando modelada no Mapa de Caminho de Navegação, essa seqüência de telas tornou-se confusa. c) Diagrama de Descrições de Telas e Conteúdo Esse artefato do modelo UX é uma extensão do diagrama de classe da UML. A interface é representada com uma classe estereotipada, com ícones e atributos estereotipados, como se vêem a seguir na Figura 10. O nome da interface é usado como nome da classe – tem um símbolo indicando que é uma interface – e a descrição da interface capturada é usada como a descrição da classe. As classes podem ser organizadas em pacotes. Neste estudo, são analisadas duas interfaces: Avaliação Tronco e Diagnóstico Tronco, os dados de entrada da interface são indicados pelo estereotipo dexibido e os dados são gerenciados pelo estereotipo dbanco. Exemplificando, o diagrama de Descrições de telas e conteúdo é um diagrama de classe da UML com estereótipos indicando quais dados são de entrada – aqueles produzidos pelo usuário – e quais dados são gerenciais – aqueles produzido pelo sistema, além de um ícone, indicando quais classes são interfaces. Figura 9 – Descrição de Telas e Conteúdo – WAE. d) Cenários do Roteiro Conalen, no Artefato Cenários do Roteiro, descreve um fluxo de telas com entrada de dados do usuário, visto a seguir, na Figura 18. Nesse, o usuário fornece informações sobre a interface (Avaliação do Tronco) e a navegação é orientada para a próxima interface, desde que se tenha obtido sucesso na inserção de dados. Ou, explicando melhor, a Figura 10 demonstra esta situação: o usuário inspetor acessa a interface Avaliação do Tronco, que dispara a função InsereAvaliacao(). Se os dados forem consistentes, aparece a interface Diagnóstico Tronco; caso os dados estejam incompletos, aparece a interface Dados Perdidos (interface de erro); e, se houver erro de processamento (problemas externo ao sistema, por exemplo conexão da rede), aparece a interface Erro de Processamento. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 110
  • 117.
    Figura 10 –Cenários do Roteiro – Fluxo de navegação determinado pela entrada de dados do usuário. Essa extensão apresenta um cenário de roteiro de forma bem macro, sem muito detalhamento de interface e não há descrições das funções do sistema nem dos eventos. Na WISDOM, Nunes [16] propõe dois artefatos para essa fase: modelo de interação e modelo de apresentação. O modelo de interação é um fluxo de casos de uso. Na Figura 11, está demonstrada a seguinte situação: se o usuário acessar o caso de uso localização, terá duas opções, incluir ou alterar/consultar. Caso ele opte por incluir, ele segue uma seqüência de telas até finalizar (wisard), caso contrário, ele pode acessar a interface que quer alterar ou consultar. Figura 11 – Fluxo de Casos de Uso – Modelo de Interação – WISDOM. A proposta desse artefato não é descrever o fluxo de interfaces, mas demonstrar a seqüência dos casos de uso. Na modelagem desse fluxo, constatou-se que, quando os casos de uso seguem obrigatoriamente uma seqüência que independe da ação do usuário, fica inviável a sua visualização. Outra proposta de Nunes é o modelo de apresentação, uma extensão do diagrama de classe. Esse modelo apresenta o nome da Interface, seus eventos e objetos. Após modelar o modelo de apresentação, é possível desenhar o protótipo da interface. A Figura 12, a seguir, expõe o modelo de apresentação, o qual traz um diagrama de classe estereotipado, em que está descrita a interface Avaliação Tronco. Essa possui dois eventos: voltar ou prospecção. Dentro da interface Avaliação Tronco, há três divisões: Interferência, Diagnóstico e Fenda/Rachadura e os objetos que compõem cada divisão. O protótipo é construído a partir do diagrama de classe estereotipado. Figura 12 – Modelo de desenho ou apresentação – WISDOM. Os artefatos identificados como necessários para o Teste são: questionário com o usuário, documentação de testes, manual de instalação e manual do usuário. Não há artefatos para representação dessa fase nas extensões estudadas. VANTAGENS E DESVANTAGENS DAS EXTENSÕES Page-Jones Os dois artefatos propostos por Page-Jones [20], o Diagrama de Layout de Janela e o Diagrama de Navegação de Janela, são artefatos simples de modelar e que não precisam de ferramenta específica para desenhá-los. O objetivo principal do Diagrama de Layout de Janela é adicionar o protótipo aos diagramas UML. Esse protótipo apresenta detalhes da interface que, muitas vezes, não são descritos nos casos de uso nem nos diagramas de classe. A vantagem principal que esse diagrama oferece é a de detalhar o caso de uso por meio de um protótipo. Outra vantagem é promover uma estrutura para uma posterior especificação da interface, a qual inclui validações cruzadas de campos requeridos, sincronizações entre campos, verificações de banco de dados e assim por diante. Um ponto negativo é que alguns requisitos não aparecem na especificação, por exemplo, os requisitos não funcionais. O objetivo do Diagrama de Navegação de Janela é mostrar como os usuários podem passar de uma janela para outra ao Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 111
  • 118.
    longo de rotasexpressivas e importantes da aplicação. O Diagrama de Navegação de Janela mostra as rotas de interação para um caso de uso. A vantagem desse diagrama está na representação da navegação e na opção de rotas alternativas. Uma desvantagem é que não há descrição do tipo de usuário. UMLi Os dois artefatos propostos por Paton e Silva [25] – Diagrama UI e Diagrama de Atividade – são artefatos não tão simples de modelar, pois requerem ferramenta específica. Os autores desenvolveram a ARGOi, mas não foi possível a sua utilização neste trabalho. O objetivo do artefato Diagrama UI é modelar a interface com o usuário e, para tanto, ele apresenta entradas e saídas de dados, além dos objetos da tela. Uma desvantagem é que somente quem conhece a simbologia entende o que o diagrama quer demonstrar, pois não se trata de algo ontológico. O objetivo do Diagrama de Atividade é apresentar a seqüência de estados e eventos da tela, deixando sua aparência muito semelhante à de um fluxograma. Uma vantagem desse artefato é que ele está diretamente ligado ao Diagrama UI. Seguindo o Diagrama de Atividade e interpretando o Diagrama UI, é possível compreender a interação e projetar a interface. Outra vantagem desse diagrama é o fato de ele apresentar um processo descrito por um caso de uso. WAE Os artefatos propostos por Conallen [5] serão eficazes para modelar a interface, se utilizados conjuntamente, pois um completa o outro. O objetivo do artefato Fluxo de Tela é descrever os caminhos ao longo de todas as telas que participam dos cenários e os caminhos de navegação esperados são modelados com associações entre as telas. Uma vantagem desse artefato é o fato de ser de fácil modelagem e entendimento. Sua desvantagem é não dispor de simbologia para demonstrar um fluxo alternativo. O objetivo do Mapa de Caminho de navegação é apresentar uma visão da aplicação cujo objetivo é mostrar como usuários do sistema navegarão nele. Esse mapa é representado em diagrama hierárquico em árvore. Uma vantagem do Mapa de Caminho de Navegação é a apresentação de rotas de navegação, juntamente com as funcionalidades do sistema e os usuários. O objetivo do artefato Descrição de Telas e Conteúdo é apresentar os objetos de cada interface e as classes que interagem com a mesma. E uma desvantagem desse artefato é a não-apresentação de eventos (“voltar”, “próxima página” etc.). O objetivo do Cenário do Roteiro é compreender e estruturar os cenários, mostrando o ponto de vista do usuário. A vantagem desse artefato é que ele conta a história da aplicação por meio das telas. Outra vantagem é a oferta de um esquema de roteiro mapeado para o modelo de caso de uso. Sua desvantagem é fornecer visão pouco detalhada das interfaces e da interação. WISDOM O objetivo do artefato Modelo do Perfil do Usuário é apresentar os usuários do sistema, mediante descrição de: tipo de usuário, comportamento, responsabilidades e expectativas em relação ao sistema. A vantagem desse diagrama é apresentar o usuário e suas tarefas aos stakeholders. O objetivo do Modelo de diálogo é especificar a estrutura de diálogo da interface, ou seja, explicitar as seqüência das tarefas e fornecer relações que assegurem consistência dos diferentes elementos de apresentação. A vantagem desse artefato é o fato de descreve as funções contidas em cada tela, além de demonstrar os tipos de usuários, suas tarefas (consultar, alterar e cadastrar) e as telas por ele percorridas. O objetivo do Modelo de Interação é organizar os elementos da arquitetura do sistema, diretamente relacionados com sua estrutura de utilização. A vantagem desse artefato é que ele demonstra a seqüência dos casos de uso. E uma desvantagem é que ele inviabiliza a modelagem e sua visualização, quando os casos de uso seguem obrigatoriamente uma seqüência. O objetivo do Modelo de Apresentação é definir a parte perceptível do sistema, ou seja, a interface, focando como as diferentes entidades de apresentação estão estruturadas de forma a realizar a interação com o usuário. PROPOSTA DE ARTEFATOS Analisando os artefatos levantados, os quais foram descritos anteriormente, e a modelagem das interfaces em um projeto real, verifica-se que não há necessidade de produzir todos os artefatos na modelagem de sistemas interativos. A pressão dos clientes por prazos menores obriga os desenvolvedores a buscarem soluções de modelagem mais rápidas, eficazes e que atendam às expectativas dos clientes e da equipe de desenvolvimento. Tendo em vista essas premissas, foram extraídos um conjunto de artefatos classificados por esta pesquisadora, no contexto da qualidade em uso, como eficazes, produtivos e satisfatórios. Esses artefatos foram extraídos dos modelos propostos pelos autores estudados e na aplicação das extensões, esses artefatos estão descritos na Tabela 3. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 112
  • 119.
    Verifica-se que umaparte expressiva dos artefatos propostos foi extraída das extensões UML. Fases e visões Artefatos Propostos Autores/ extensões Análise de Requisitos – visão de caso de uso. Questionário com o usuário. [9] Modelo de Perfil do usuário. [12] Cenários. [7], [11], [10], [ 9] e [15] Tabela de signos. [15] Modelo de tarefas. [11], [10], [6] e [9] Análise de Design – Visão lógica e de concorrência. Definição da Arquitetura – Deployment. [2] Validação e detalhamento do cronograma de desenvolvimento. Experiência da autora. Diagrama de estado estendido por meio do modelo de diálogo. WISDOM [12] Diagrama de Janela. Page-Jones [14] Mapa de caminho de navegação. WAE [4]. Fluxo de telas. WAE [4]. Testes – Visão de componentes e de implantação Programas bem documentados. Experiência da autora. Bibliotecas. Experiência da autora. Banco de dados – MER e dicionário de dados. Experiência da autora. Cenários do roteiro. WAE [4]. Manual de instalação e manual do usuário. [9] Tabela 3 – Artefatos sugeridos para a modelagem de projeto de sistemas interativos CONCLUSÃO Este trabalho levantou os artefatos dos modelos de processo, tal como sugere a literatura – artefatos gerados pela UML e artefatos das extensões UML – os quais são propostas para modelagem de interação das interfaces, para o desenvolvimento do sistema interativo. Fez-se um estudo comparativo das extensões, por meio de sua aplicação a um sistema real, no qual, o foco da comparação foi a representatividade dos artefatos gerados, de modo a oferecer ao projetista um meio de expressar precisamente suas intenções em todo o processo de desenvolvimento, medindo, em um contexto de uso, a eficácia, a produtividade e a satisfação. Uma das conclusões obtidas a partir deste trabalho é o fato de os artefatos gerados pelos processos de desenvolvimento de sistemas interativos não serem explícitos. Foi necessário que a autora inferisse nos artefatos das atividades sugeridas por vários dos autores pesquisados, porque não há padronização de artefatos propostos pelos autores. Outra conclusão apresentada neste artigo é a de que a modelagem de sistemas interativos não pode se basear somente em elementos definidos pelo metamodelo da UML. A UML, por ser uma linguagem de modelagem, não atende às necessidades de representação de um sistema interativo, já que é originalmente destinada a oferecer uma forma visual gráfica de comunicação para representação dos principais conceitos e elementos de um sistema. Entretanto uma das fortes características da linguagem de modelagem unificada, presente em seu metamodelo é o mecanismo de extensão que essa linguagem implementa. Entende-se ser impossível modelar artefatos dos modelos de processos de desenvolvimento de sistemas interativos somente a partir de elementos da UML e seus diagramas. Uma das alternativas, então, é utilizar extensões da UML em conjunto com os diagramas da UML, tendo em vista suas visões. Os autores das extensões estudadas, [14, 18, 4 e 12], recomendam a modelagem de sistemas interativos por meio dos diagramas UML, aos quais eles acrescentam extensões e adicionam artefatos para facilitar o entendimento dos stakeholders. De modo geral, a análise e a implementação dos artefatos das extensões mostraram que:  o primeiro passo para promover o desenvolvimento de softwares interativos com qualidade e fácil de utilizar deve ser a garantia de que os envolvidos nos projetos (stakeholders) gerem artefatos de qualidade e compreendam essa atividade de forma contextualizada;  para modelar a interação, em geral, os autores adaptaram o diagrama de estado da UML e incluíram estereótipos (elementos de modelos), para facilitar a visualização e a contextualização;  não há produtividade no desenvolvimento dos artefatos propostos pelas extensões por faltarem ferramentas que apóiem a modelagem com os elementos específicos das extensões;  falta manual de instrução ou uma documentação sintetizada que indique como aplicar as extensões em um projeto de sistemas interativos;  as extensões têm, em geral, simplicidade na semântica;  as extensões possibilitam a construção de mecanismos adaptados a necessidades específicas.  somente os artefatos das extensões não conseguem satisfazer todas as fases do projeto de sistemas interativos. A fase mais representada é a de Design. Enfim, este estudo demonstrou que não há na literatura uma regra. Ademais os autores estudados não fazem indicações de quais artefatos são necessários para modelagem do processo de sistemas interativos. Esse trabalho procurou nos autores dos processos de desenvolvimento de software, na UML e em suas extensões, o melhor dos artefatos propostos e, assim, sugeriu uma lista desses que sejam capazes de demonstrar especificação, visualização, modelagem e documentação. REFERÊNCIAS 1. Bombani, L.; Ciancarini, P.; Vitali, F. “Sophisticated hypertext funcionalities for software engineering”. In: Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 113
  • 120.
    Proceedings of the22nd International Conference on Software Engineering. Limerick (Irlanda), 2000. 2. Booch, G.; Rumbaugh, J.; Jacobson, I. The Modeling Language User Guide. Massachusetts: Addison- Wesley, 1999. 3. Brown, D. M. “Communicating Design Developing Web Site Documentation for Design and Planning”. New Riders, 2007. 4. Chaves, R. Aspectos e MDA – Criando modelos executáveis baseados em aspectos. Dissertação de Mestrado. Florianópolis, Universidade Federal de Santa Catarina, 2004. 5. Conallen, J. Desenvolvendo aplicações web com UML. São Paulo: Campus, 2003. 6. Filgueiras, L. V. L. “Interface Homem x Computador” – Notas de Aula. Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo. São Paulo, 2004. 7. Hix, D.; Hartson, H. R. Developing user interfaces: Ensuring Usability Through Product Process. New York (EUA): Wiley Sons Inc., 1993. 8. ISO 13407 - Human-Centred Design process for interactive systems, International Organization for Standardization. 1999. 9. Jacobson, I.; Booch, G.; Rumbaugh, J. The unified software development process. Boston (Massachusetts): Addison Wesley, 1999. 10. Koch, N.; Baumeister, H.; Hennicker, R.; Mandel, L. “Extending UML to Model Navigation and Presentation in Web Applications”. Proceedings of Modelling Web Applications in the UML Workshop – UML'2000, York (UK), outubro, 2000. 11. Leite, J. C. “Specifying a user interface as an interactive message”. HCI International 2003 - 10th International Conference on Human-Computer Interaction, Creta, 2003. 12. Lucena, F. N. Xchart – Um modelo de especificação e implementação de gerenciadores de diálogo. Tese de Doutorado. Instituto de Computação da Universidade Estadual de Campinas Campinas (SP). 1997. 13. Mayhew, D. J. The usability engineering lifecycle. San Francisco: Morgan-Kaufmann, 1999. 14. Nielsen, J. Usability engineering. New York: Academic Press, 1993. 15. Norman, D. A.; Draper, S. W. User centered system design: New perspectives on Human-Computer Interaction. Hillsdale (EUA): Lawrence Erlbaum Associate Publishers, 1986. 16. Nunes, N. J., Cunha; J. F. “WISDOM: A software engineering method for small software development companies”. IEEE Software, outubro, 2000. 17. Odell, James; Parunak, H. Van Dyke; Bauer, Bernhard. “Extending UML for agents”. Proceedings of the agent-oriented information systems workshop at the 17th National Conference on artificial intelligence – AaaiAAI – 2000. Encontrado em http://www.jamesodell.com/ExtendingUML.pdf. e acessado em março/2005. 18. Olivete A. L. S.; Trindade Jr, O. “UMP2D – A utilização da UML no desenvolvimento de aplicações paralelas”. In: XXVII Seminário Integrado de Software e Hardware, 2000, Curitiba (PR), 2000. 19. OMG (Object Management Group). “UML 2.0 Infrastructure specification”. October, 2004. Encontrado em http://www.omg.org/docs/ptc/04-10- 02.pdf . Acesso em janeiro/2005. 20. Page-Jones, M. Fundamentos do desenho orientado a objeto com UML. São Paulo: Makron Books, 2001. 21. Paula, M. G. Projeto da interação humano-computador baseado em modelos fundamentados na engenharia semiótica – Construção de um modelo de interação. Dissertação de Mestrado, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 2003. 22. Pressman, Roger S. Software engineering – A practitioner’s approach. 6th ed. New York: McGraw- Hill, 2004. 23. Robinson, G.; Crespo, S. “UML-MC – Estendendo a notação gráfica da UML para suportar mapas conceituais de sistemas de auxílio em ambientes de Ensino a Distância”. VII Simpósio de Informática e II Mostra Regional de SoftwareAcadêmico. Uruguaiana, 2002. 24. Silva, B. S. MoLIC. 2ª. ed. Revisão de uma linguagem para modelagem da interação humano-computador. Dissertação de Mestrado. Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Rio De Janeiro, 2003. 25. Silva, P. P.; Paton, W. User interface modeling in UMLi. IEEE Software, Stanford University (CA, USA), 2003. 26. Svinterikou, M.; Theodoulidis, B. “The temporal unified modelling language –TUML”. Timelab Technical Report – UMIST. Manchester (UK), outubro, 1997. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 114
  • 121.
    Design no Contextoda Interação Cristina Portugal Pontifical University Catholic of Rio de Janeiro Av. Gal Felicíssimo Cardoso, 835 – Tio de Janeiro crisportugal@gmail.com RESUMO Um marco do mundo contemporâneo é a célere e inexorável disseminação das tecnologias de informação e comunicação em vários setores da sociedade. Muitos aspectos da sociabilidade humana estão emergindo por meio dos recursos das tecnologias, criando um novo cenário de experiências e interações. Adotando a definição do Design como campo, que nas palavras de Meurer, “se relaciona com a totalidade do espectro concreto e intelectual da interação humana”, este artigo aborda questões que envolvem o Design no contexto da interação, com o objetivo de discutir como no design de interfaces digitais podem ser disponibilizados informações significativas e criar experiências agradáveis. Neste artigo também serão abordadas questões de jogo e aprendizagem como base teórica para o desenvolvimento de um jogo multimídia como exemplo de um produto interativo digital desenvolvido pelo grupo de pesquisa no âmbito do CNPq, intitulado “Pedagogia do Design”, Palavras-chave Design, Design de interação; Experiência; Jogo ACM Classification Keywords Design de produtos interativos digitais. Jogos INTRODUCTION Uma questão significativa presente no mundo contemporâneo é a avalanche de novas tecnologias com as quais interagimos cotidianamente. As transformações tecnológicas e suas conseqüências sociais, éticas, culturais, educacionais, ambientais dentre outras, se processam velozmente, produzindo novas formas de interação. Diante deste fato torna-se fundamental buscar novos modelos, novos métodos e novas abordagens para o Design no contexto da interação. Este artigo através de uma revisão bibliográfica tem por objetivo discutir questões sobre as tecnologias de informação e comunicação â luz do Design, abordando aspectos de interação e de criar experiências. Partindo do princípio que o Design tem a função social de tornar o ambiente inteligível, possibilitando nossa ação a partir de interações e experiências. Diante deste fato cito Kerckhove (1997), que se ocupou em discutir a relação do Design, da tecnologia e da cultura, com vistas a problematizar a relação do Design no contexto da interação, tema deste artigo Existem claramente mais questões no Design além de servir para conter e seduzir. Num sentido mais amplo, o Design desempenha um papel metafórico, traduzindo benefícios funcionais em modalidades cognitivas e sensoriais. O Design encontra a sua forma e seu lugar como uma espécie de som harmônico, um eco da tecnologia. O Design frequentemente faz o eco do caráter específico da tecnologia e corresponde ao seu impulso básico. Sendo a forma exterior visível ou texturizada dos artefatos culturais, o Design emerge como aquilo a que poderíamos chamar da pele da cultura’. (Kerckhove, 1997 apud Fontoura 2002, p. 75). (Grifo do autor) Adotando as idéias acima esboçadas, neste trabalho pretendeu-se apresentar o Design como um campo que pode contribuir efetivamente para a produção de interfaces criando interações e experiências, aspectos importantes no desenvolvimento cognitivo do ser humano. Citando Bonsiepe (1997), o Design é o domínio no qual se estrutura a interação entre o usuário e o produto, para facilitar ações efetivas. Assim, acredito que através de métodos e técnicas de Design aplicado às tecnologias pode- se construir uma sociedade melhor, com mais oportunidades para os futuros cidadãos, criando uma sociedade mais sustentável. Para Fontoura (2002), o Design é um amplo campo que envolve e para o qual convergem diferentes disciplinas. Ele pode ser visto como uma atividade, como um processo ou entendido em termos dos seus resultados tangíveis. Ele pode ser visto como uma função de gestão de projetos, como atividade projetual, como atividade conceitual, ou ainda como um fenômeno cultural. É tido como um meio para adicionar valor às coisas produzidas pelo homem e também como um veículo para as mudanças sociais e políticas. (Fontoura, 2002, p. 68). Vindo ao encontro das idéias de Fontoura sobre o campo de Design, lanço mão de Bonsiepe que escreveu: “Existe o perigo de se cair na armadilha das generalizações vazias do tipo ‘tudo é Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 115
  • 122.
    Design’. Porém, nemtudo é Design e nem todos são designers. O termo Design se refere a um potencial ao qual cada um tem acesso e que se manifesta na invenção de novas práticas da vida cotidiana. [.] Design é uma atividade fundamental, com ramificações capilares em todas as atividades humanas; por isso, nenhuma profissão pode pretender o monopólio do Design.” (Bonsiepe, 1997, p.15). Partindo de uma visão aberta à inclusão que caracteriza a área do Design, no presente estudo defendo a idéia de que existe no campo do Design um grande potencial para trabalhos conjuntos com diversas áreas, com vistas a atender a novas exigências da sociedade contemporânea. Foi precisamente este entendimento que conduziu as reflexões aqui realizadas sobre as possibilidades de um diálogo interdisciplinar entre Design e Design de interação como base para a discussão do papel do Design na construção de interfaces digitais que disponibilizem informações significativas e promovam experiências agradáveis. O Design é um processo ativo que influencia a sociedade criando sua cultura material. Segundo essa ótica, Meurer, citado por Frascara (1997) diz que o mundo em que vivemos é mais que a matéria que se há solidificado como forma, e que se deteve no tempo. Sua forma está definida mediante a atividade e a ação é seu centro. Se o Design é concebido orientado em direção a ação, entendida como interação ativa e mudança criadora, ele não focará somente o objeto como forma. Ao contrário, os designers se preocuparão pelo desenvolvimento de modelo de processos interativos, nos quais os objetos desempenham um papel central indiscutível como meio para a ação. Segundo esta visão, o Design se relaciona com a totalidade do espectro concreto e intelectual da interação humana, da interação entre as pessoas, dos produtos, e com o mundo em que vivemos. (Meurer, apud Frascara, 1997, p. 220). Tomando esta definição do Design como campo, que nas palavras de Meurer, “se relaciona com a totalidade do espectro concreto e intelectual da interação humana”, trago aqui uma reflexão de questões que envolvem o Design no contexto da interação. DESIGN DE INTERAÇÃO: CRIAR EXPERIÊNCIAS As tecnologias intelectuais vêm reformulando a visão do homem sobre o mundo, vários aspectos da sociabilidade humana estão emergindo por meio dos recursos das tecnologias de informação e de comunicação, criando assim uma nova paisagem de experiências e interações. O AIGA (American Institute of Graphic Arts) coloca que Design de Experiência possui a visão de um produto ou serviço a partir do seu ciclo de vida completo com o consumidor, de antes dele perceber a necessidade até o momento de descarte; prioriza a criação de relações com indivíduos, não mercados de massa. A preocupação com a evocação e a criação de ambientes que se conectem em níveis de valor ou emoção com o consumidor; construído tanto sobre as disciplinas tradicionais de Design, quanto a partir de um ambiente variado de outras disciplinas. Para Winograd (1997), em uma visão tradicional da interface, a interação acontece entre a pessoa e a máquina e sobre o espaço que é sustentado entre elas. Entretanto, este espaço é aberto e habitado por outras pessoas e outros dispositivos, formando uma rede complexa de interações que não se sustenta simplesmente na criação da melhor ferramenta de trabalho dentro de um mundo pré-existente, mas na criação de novos mundos onde os indivíduos sejam capazes de perceber, agir e responder às experiências. Para melhor explorar o tema sobre Design no contexto da interação lanço mão de Shedroff (2010), que utiliza o termo Information interaction Design, que é a intersecção das disciplinas Design da Informação, Design de Interação e Design Sensorial. Segundo o autor, Design da Informação aborda a organização e apresentação de dados: a sua transformação em informações válidas e significativas. Embora a criação desta informação é algo que todos nós fazemos, em certa medida, ela só recentemente foi identificada como uma disciplina com comprovados processos que podem ser empregados ou ensinados. Enquanto o Design da Informação centra-se principalmente na representação de dados e sua apresentação, a ênfase em Design de Interação é a de criar experiências agradáveis. E o Design Sensorial refere-se ao emprego de todas as técnicas com as quais nós nos comunicamos com os outros através dos nossos sentidos. Ou seja, uma categoria abrangente sobre as disciplinas envolvidas com a criação e apresentação dos meios de comunicação para as aplicações hipermídia, como; design gráfico, animação, vídeo, tipografia, som, etc, Estes níveis de compreensão são importantes porque definem os limites com os quais podemos criar e comunicar. Para o desenvolvimento de um projeto hipermídia, o design deve estar atento para o visual, o verbal, o sonoro, o tátil e o sinestésico que devem estar presentes de acordo com os objetivos e as características dos usuários a que se destina o projeto. Citando Bonsiepe (1997), a interface deve ser entendida em um caráter mais amplo desde sua ação instrumental, relacionada a desenvolvimento de produtos até sua ação comunicativa, uso de signos e informações. O autor ressalta que uma das características da hipermídia que a torna interessante é a interação dialógica do meio visual com o discursivo, nela a informação pode vir sob a forma texto, áudio, imagens, seqüências de vídeos, animações, música e sons (Bonsiepe, 1997, p. 144). Entretanto estas formas precisam ser elaboradas dentro do processo de desenvolvimento de uma interface, pois se as possibilidades abertas pela tecnologia de informação e comunicação estarão ou não disponíveis dependerá da qualidade de interface. Esta poderá inibir ou facilitar o acesso às Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 116
  • 123.
    informações, dependerá sea organização e apresentação de dados e a sua transformação em informações são válidas e significativas e que possibilite a ação efetiva na comunicação. A escolha de atributos adequados e a implementação destes de forma consistente é imprescindível para o desenvolvimento de uma experiência coesa afirma Shedroff (1999).. Existem poucos detalhes que não afetam a apresentação, a legibilidade e compreensão do significado de uma mensagem. Mesmos detalhes como um tipo justificado (alinhado à esquerda, alinhado à direita, ou centralizado) altera a legibilidade e a percepção de um parágrafo e, por conseguinte, do próprio texto. Todos os detalhes sensoriais devem se coordenados não somente uns com os outros, mas com as metas e as mensagens do projeto. Uma síntese mais integrada e cuidadosa desses processos irá resultar em uma experiência mais atraente, envolvente e adequada, bem como um melhor sucesso da comunicação e da interação. Pôr sua vez, Carvalho (2006) apresenta fatores de influência das experiências que ocorrem durante o uso de interfaces, são eles: indivíduo, artefatos, estímulos, contexto e momentos. O fator indivíduo corresponde ao conjunto de características do ser humano que interferem em sua maneira de interagir com o mundo. Artefatos são os objetos presentes no ambiente e com os quais o indivíduo interage: desde um site, sua aparência e seu conteúdo, até a cadeira na qual o indivíduo está sentado durante a experiência. Essa interação indivíduo-artefato ocorre através de estímulos, e tudo isso se dá dentro de um determinado contexto, ou seja, a situação que acontece no ambiente em volta do indivíduo. Por fim, a experiência pode ser decomposta em momentos, estágios específicos que possuem características próprias. As experiências enriquecedoras para Dewey (1937) são dotadas de duas características fundamentais: Continuidade e Interação Continuidade descreve os aspectos das experiências relacionados ao indivíduo, onde suas experiências passadas influenciam qualitativamente as experiências atuais e futuras. Em outras palavras, uma experiência adequada modifica o indivíduo e a qualidade das experiências subseqüentes. Interação descreve os aspectos das experiências relacionados ao ambiente, onde as experiências correntes surgem da interação entre experiências passadas e a situação atual. Desta forma, segundo este pensamento de Dewey, quando os componentes internos (relacionados ao indivíduo) interagem adequadamente com os externos (as formas, presentes no ambiente) dá-se origem a uma situação, uma experiência completa que modifica tanto o indivíduo quanto o contexto no qual ele está inserido. Ou seja, os humanos interagem com as formas ao seu redor, originando as experiências. Essa interação é composta, portanto, de elementos ativos e passivos, combinados de forma peculiar, em uma relação de fazer e sofrer as conseqüências do ato. Para Preece et al. (2005) o objetivo de um sistema, em termos de interação humano-computador é atender às necessidades do usuário. Para isso, devem ser especificadas as metas de usabilidade e as metas de experiência do usuário, que diferem entre si na forma como são operacionalizadas (o que fazer e por quais meios). Metas de usabilidade: a usabilidade é o fator que assegura que os sistemas são fáceis de usar, eficientes e agradáveis – da perspectiva do usuário. Desta forma, para ter boa usabilidade, um sistema interativo deve ser: 1. Eficaz; 2. Eficiente; 3. Seguro; 4. Útil; 5. Fácil de aprender; 6. Fácil de se lembrar como se usa (memorização). Metas de experiência do usuário: com o tempo, o surgimento de novas tecnologias (web, realidade virtual, etc) com suas novas possibilidades, aliadas ao aumento da diversidade das áreas de aplicação (entretenimento, educação etc) suscitou um novo conjunto de interesses, ligados à qualidade das experiências. Desta forma, para atender a esta nova demanda, um sistema interativo deve possuir características como as mostradas a seguir: 1. Satisfatório; 2. Agradável; 3. Divertido; 4. Interessante; 5. Útil; 6. Motivador; 7. Esteticamente apreciável; 8. Incentivador de criatividade; 9. Compensador; 10. Emocionalmente adequado. Nem sempre é adequado para um sistema atender a todas essas metas com a mesma intensidade. A análise das necessidades do usuário, contexto de uso e tarefa a ser realizada é que vai guiar seu estabelecimento Então, voltamos à questão que norteou o presente trabalho: técnicas e métodos de Design aplicados ao Design da Informação e interação podem promover a potencialização e o enriquecimento da construção da legibilidade do discurso comunicativo nos ambientes, sejam eles concretos ou digitais, criando experiências significativas e interações? Para isto acontecer, sugere Shedroff (2010), que devemos primeiro rever os nossos objetivos e mensagens e reavaliar os tipos de experiências que queremos para o nosso público. Temos também, que perguntar ao usuário quais são as suas necessidades e desejos com relação a estas experiências. Não se trata de testes de usuário, que precisa ser feito mais tarde, quando algumas possibilidades foram desenvolvidas, mas um inquérito crucial antes do início do projeto. O processo deve envolver idéias alternativas que atendam a esses objetivos, mensagens, e os interesses do público e habilidades até surgir possíveis soluções. Estas segundo o autor devem tomar forma com ferramentas do Design Sensorial, que é simplesmente uma categoria abrangente sobre as disciplinas envolvidas com a criação e apresentação dos meios de comunicação. Entre outras disciplinas, estas incluem a escrita, design gráfico, iconografia, cartografia, caligrafia, tipografia, ilustração, teoria das cores, fotografia, animação e cinema e design de Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 117
  • 124.
    som, canto emúsica. As possíveis soluções devem ser testadas antes de serem aprovadas. A seguir vamos apresentar a fundamentação teórica sobre jogo que norteou todo o processo de desenvolvimento de do jogo multimídia desenvolvido a luz de métodos e técnicas de Design que será apresentado na próxima secção. SOBRE JOGO E APRENDIZAGEM Neste artigo vamos abordar questões sobre linguagem e jogo como ferramentas auxiliares para uma mudança de olhar para a educação para a alfabetização de crianças surdas. Tendo por base as idéias de Vigotysky (1987), Bruner (1992), Tisuko Kishimoto (2004) dentre outros, apresentaremos algumas reflexões sobre a linguagem e o jogo, com objetivo a ampliar o entendimento sobre estas questões presentes nos objetos concreto e multimídia que foram configurados como o objeto deste estudo. Segundo Fromberg (1987), as principais características do jogo são basicamente as seguintes: 1. simbolismo – uma vez que representa a realidade e atitudes; 2. significação – porque permite relacionar, substituindo ou expressando experiência; 3. voluntário ou intrinsecamente motivado – uma vez que incorpora motivos e interesses; 4. episódico – porque as metas são desenvolvidas espontaneamente. Variando conforme os campos de conhecimento, os contextos culturais e os objetivos dos usuários, o jogo pode ter funções educativas, terapêuticas, culturais, entre outras (Fromberg, 1987 apud Kishimoto, 2004:29). Dentre as principais características do jogo, o simbolismo é tido como a principal e é incorporado pela maioria das teorias. Ao divisar a realidade da fantasia, a criança expressa significados com base em sua experiência e conduz a atividade imaginária motivada pelo ato voluntário. Ao expressar seus motivos, faz uso de regras implícitas ou episódios que mudam conforme seus interesses, de onde surge a incerteza das atividades lúdicas. As regras externas são postas pelo contexto social. Diversas são as modalidades de jogos, como por exemplo, de movimento (no domínio sensório-motor); de construção; simbólicos, motores e verbais; de exterior e interior; sócio- dramáticos; esportivos. Embora sendo todos jogos, a especificidade de cada um depende dos elementos que os compõem, segundo Kishimoto. A diversidade dos jogos aponta, também, para a variedade de suas significações, que mudam de acordo com o contexto e com a cultura. Por seu turno, Bruner (1992), influenciado por psicólogos e lingüistas como Vygotsky, Chomsky e Miller, pesquisa as relações entre o jogo e a linguagem. Para ele, o jogo tem formato idealizado e fechado, porque de início é constitutivo e auto-contido. A espécie humana utiliza o jogo para desenvolver a linguagem e suas formas de uso (regras), ou seja, a gramática. O autor considera que o jogo de linguagem está dissociado do resultado, do uso instrumental e o caráter lúdico regula o saber-fazer, que é marcado pela flexibilidade, frivolidade e afetividades. O autor se propõe a tratar o tema da relação entre o jogo, a linguagem e o pensamento examinando as implicações práticas de este tema: como organizar as atividades das crianças nos grupos de jogo para ajudar-lhes a desenvolver seu potencial e viver mais plenamente. Sintetiza quais são as funções fundamentais do jogo na atividade das crianças. Em primeiro lugar, no jogo se reduz a gravidade das conseqüências dos erros e dos fracassos. No fundo, o jogo é uma atividade séria que não tem conseqüências frustrantes para a criança. Trata-se de uma atividade que se justifica por si mesma. Podemos considerar o jogo um excelente meio de exploração que por si só desperta estímulo. Em segundo lugar, o jogo se caracteriza por uma conexão bastante débil entre os meios e os fins. Não quer dizer com isso que as crianças não busquem uma finalidade e não empreguem meios para obter-las no jogo, mas o que ocorre frequentemente, as crianças mudam de objetivos quando estão atuando, para adaptar-se aos novos meios ou vice- versa. E, também as crianças não atuam assim somente porque a elas se apresentam obstáculos, senão por emoção e alegria. O jogo serve como meio de exploração e também de invenção. Outro ponto que tem estreita relação com a anterior é a característica do jogo proporcionar que as crianças não se preocupem demasiado pelos resultados, e sim, modificam o que estão fazendo para deixar livre o caminho para sua fantasia. Se não podem interferir no jogo as crianças tendem a entendiar-se rapidamente com a atividade Ao observar uma criança empilhando blocos de madeira, poderemos nos surpreender da diversidade e a riqueza de combinações que a criança introduz no jogo. O que oferece uma oportunidade ímpar de enriquecer a banalidade. Em terceiro lugar, apesar de sua variedade, o jogo raramente é aleatório ou casual, pelo contrário, geralmente contém regras. As vezes estas regras são mais difíceis de discernir, entretanto, sempre vale a pena observar com atenção qual é a finalidade formal de um jogo. Em quarto lugar, se diz que o jogo é uma projeção da vida interior em direção ao mundo exterior, em contraste com a aprendizagem, a qual interiorizamos o mundo externo e o fazemos parte de nós mesmos. O jogo é uma atividade sumariamente importante para o crescimento, como veremos mais adiante. Jogar produz uma sensação muito particular de onipotência que pode ser embriagante e as vezes inclusive aterradora. Por último, não faz falta dizer que o jogo diverte e que diverte muito. Inclusive os obstáculos que é posto no jogo para ser superados tornam-se divertidos. Na realidade, estes obstáculos parecem necessários, porque pelo contrário com a falta de desafios a criança tende a entendiar-se muito rapidamente. Neste sentido, Bruner acredita que podemos assimilar o jogo a fim de solucionar problemas de uma maneira mais agradável. Quer dizer que se não Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 118
  • 125.
    consideramos que ojogo é fonte de diversão não entenderemos realmente de que se trata. Bruner (1992) afirma que o jogo variado, elaborado e prolongado é mais útil para os seres humanos do que o jogo pobre, vazio e descontínuo. E chega, a uma breve conclusão, jogar não é só uma atividade infantil. O jogo para as crianças e para os adultos é uma forma de usar a inteligência. Ou melhor, uma atitude com respeito ao uso da inteligência. E um laboratório que se experimentam formas de combinar o pensamento, a linguagem e a fantasia. O autor compara a situação de jogar com uma estufa de planta, e constata que do mesmo modo que se pode asfixiar as plantas de um jardim plantando muitas, também se pode criar uma atmosfera na qual a linguagem e o pensamento não se desenvolvam nem produzam as flores que um esperaria cultivar. Vygotsky (1987) aponta o jogo com a atividade simbólica mais importante da infância, uma vez que possibilita a expressão da situação imaginária, fruto de experiências adquiridas pela criança no contexto social. Ao considerá-la como um ser ativo e criativo e ao situar a responsabilidade do adulto na zona de desenvolvimento proximal, Vygotsky elimina a dicotomia jogo e educação. Segundo suas idéias, ao se observar a criança que brinca é possível compreender seus interesses e oferecer subsídios para a educação. Neste particular, a linguagem se faz presente para auxiliar o desenvolvimento do pensamento (Vygotsky, 1988) Para Kishimoto, a consciência está relacionada com a zona de desenvolvimento proximal (Vygotsky), por se tratar de ferramenta particular para a aprendizagem assistida. Se o adulto participa da aprendizagem da criança de modo sistemático, a criança ajuda a si mesma, tomando consciência da própria atividade. Os sistemas de signos disponíveis para a criança, em particular a linguagem, são essenciais para esta tomada de consciência. O desenvolvimento da consciência da criança é impossível sem o emprego da linguagem no contexto interpessoal. Para Bruner, (1992), a linguagem é uma ferramenta pluri- funcional que transforma as ações da criança e a faz participar da vida intelectual e social que a cerca. Efetivamente, Vigotisky considerou o jogo como forma particular de atividade cognitiva espontânea que se reflete até que ponto no processo de construção de conhecimento e de organização da mente tem sua origem na influência que o entorno social e intrínseco exerce sobre a própria evolução psicológica do indivíduo. Os jogos evoluíram com o desenvolvimento cognitivo, afetivo e social das crianças porque sua natureza e significado implica a personalidade inteira da criança e sua forma de compreender o mundo que a rodeia. Todo jogo se realiza em um entorno, ou cenário psicológico dentro do qual a criança sente seguro para atuar, criativo para se expressar suas idéias, e disposto a moldá-las, se o contexto não oferece alternativas melhores. Pois, jogar não e estudar nem trabalhar, mas jogando a criança aprende, sobre conhecer e compreender seu mundo social. O jogo é um fator espontâneo de educação e cabe um uso didático do mesmo, sempre e quando, a intervenção não desvirtue sua natureza de ensino-aprendizagem diferencial. Os jogos Muñtitrilhas que foram projetados objeto deste estudo visam potencializar a capacidade lúdica das crianças surdas, já que articula as estruturas psicológicas tanto cognitivas, emocionais e afetivas e trabalha a linguagem no sentido de ferramenta e consideram o contexto e as possibilidades de ampliação de sentido, em função das experiências comuns e diversas de professores e alunos. Aderentes às idéias de Bruner (1992), têm na linguagem um recurso essencial para a construção do pensamento e das interações sociais, possibilitando a tomada de consciência, a iniciativa, a comunicação e as relações sociais. Neste estudo o que se pretende é uma mudança de olhar sobre o Design em Situações de Ensino-aprendizagem para alfabetização de surdos, que deve se centrar em métodos contextualizados da realidade de cada indivíduo, considerando suas experiências de vida. Assim, torna-se importante que o professor conceba a própria situação de aprendizagem como uma experiência que, se percebida e compreendida, possa fornecer fundamentos para que se reflita sobre a melhor maneira de ensinar o surdo a ler e a escrever. O que se percebe é que a maneira como se realiza o processo de educação e socialização dos surdos não lhes é permitido que construam outras realidades, diferentes das que lhes são apresentadas, reafirmando, dessa forma, a sua condição de excluído. A seguir vamos apresentar a descrição do processo para a construção do material educativo multimídia. METODOLOGIA PARA O JOGO MUTI-TRILHAS MULTIMÍDIA O Jogo Mylti-Trilhas foi desenvolvido pelo grupo de pesquisa no âmbito do CNPq, intitulado “Pedagogia do Design”, certificado pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), coordenado pela Profª Dra. Rita Maria de Souza Couto do Laboratório Interdisciplinar de Design/Educação (LIDE) do Departamento de Artes Design da PUC-Rio. O Multitrilhas foi projetado em duas versões: um jogo concreto e uma versão multimídia, sendo este último apresentado em detalhes neste artigo. Ambas as versões do jogo apresentam três cenários da cidade do Rio de Janeiro - Jardim Zoológico, Pão de Açúcar e Quartel Central do Corpo de Bombeiros - e permitem que sejam trabalhados percursos, ações, repetições, deslocamentos, além de raciocínio, interação e tomada de decisão, entre outros aspectos. Para a concepção do ambiente virtual deve-se determinar o objetivo do objeto multimídia. A idéia deve ser baseada no seu público alvo e nos objetivos que pretende atingir com suas telas. Esta idéia deve ser o fundamento para se Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 119
  • 126.
    desenvolver para odesenvolvimento o tema e o design da página. O público alvo: quem é o usuário do ambiente virtual que se pretende alcançar? Qual é a idade? Sexo? Nível de escolaridade? Nível socioeconômico? Grupo étnico a que pertence? Linguagem? Expectativas? Conhecimento computacional? Todas estas questões foram amplamente consideradas no desenvolvimento do ambiente virtual. Depois de um longo processo de investigação e gerações de idéias fizemos um primeiro protótipo de como considerávamos um material educativo para crianças surdas e partimos para a experimentação. O objeto multimídia foi muito bem aceito nas experimentações realizadas com os professores e alunos do INES/RJ. Eles foram unânimes em afirmar que além do aprendizado de LIBRAS e do Português, o objeto multimídia possibilita exercitar a coordenação motora, o raciocínio abstrato, a localização espacial, entre outros aspectos. Assim, após observarmos o contato da criança surda com um objeto multimídia, partimos para o aperfeiçoamento do jogo multimídia em termos de linguagem visual e programação. Em sua versão final, o jogo consta de um passeio pela cidade do Rio de Janeiro, inicialmente a partir de três conjuntos de três cenários cada: Pão de Açúcar, Corpo de Bombeiro e o Jardim Zoológico, conforme os cenários do objeto concreto mencionado anteriormente. Cada cenário possui links para três tarefas: quebra-cabeça, ligar pontos e associação de palavras/imagens. A partir dessas considerações partimos para a análise da tarefa, que compreende o detalhamento do conjunto de objetivos que o usuário tem para usar o sistema, assim como os passos das ações necessárias para cumprir os objetivos propostos no sistema. Assim, seguindo os conceitos amplamente discutidos por Portugal (2004) sobre como construir um ambiente virtual de aprendizagem, mapas de navegação e sua importância, foi desenvolvido um fluxograma, que é um esboço visual da informação, onde cada nível ou link representa uma tela ou um controle que deve ser criado. Com a estrutura do conteúdo e da navegabilidade do objeto decididos, partimos para o storyboard do objeto multimídia. Nos storyboards, estão estipuladas todas as características visuais, cromáticas e de localização dos elementos gráficos e das mídias. Eles são uma parte da metodologia de concepção em que são feitos os layouts básicos de configuração geral do sistema multimídia. Para o layout do objeto multimídia utilizamos diversos modelos do objeto concreto como: cenários, personagens, cores etc. para que haja uma relação direta entre os dois objetos. Mostrar para a criança as pontes de um material concreto para um virtual ajuda a trabalhar a questão da abstração, que para a criança surda é um a situação difícil de ser compreendida. Para definirmos o layout das telas, fizemos primeiro um fluxograma da jogabilidade do objeto multimídia. Após definirmos o fluxograma e a jogabilidade do objeto multimídia partimos para os layouts das telas. Segundo Portugal (2004), a diagramação da tela precisa levar em conta os seguintes aspectos: Consistência - estabelecer uma estrutura de página, uma malha, e um estilo para que direcionem textos e gráficos, na construção de ritmo e unidade entre as páginas do site. Desenvolvimento do storyboard - nos storyboards, estão estipuladas todas as características visuais, cromáticas e de localização dos elementos gráficos e das mídias. Hierarquia visual - um dos princípios do Design Gráfico é criar uma forte consistência de hierarquia visual, dando ênfase aos elementos mais importantes, onde os conteúdos devem ser organizados de forma lógica e previsível. Para a maioria dos sistemas interativos, as telas são um componente chave para o sucesso do projeto e são as origens de muitos argumentos importantes. As telas com muita informação ou confusas podem provocar irritação e layouts inconsistentes podem prejudicar ou inibir a ação do usuário. Neste estágio foi finalizada a primeira programação do objeto multimídia, visando a realização de experimentações com alunos do INES/RJ/RJ. Além dos critérios de design, foram levados em consideração os aspectos ergonômicos e educacionais para o desenvolvimento do objeto multimídia. A partir dos critérios ergonômicos abordados largamente por Portugal (2004) em sua dissertação de mestrado, deve-se utilizar métodos de inspeção de usabilidade em interfaces. Considerando os critérios ergonômicos, um ambiente educacional bem projetado deve permitir a identificação do modelo de aprendizagem que ele privilegia. As ferramentas do sistema devem ser fáceis de usar, possuir aspectos motivacionais e respeitar as individualidades. Precisam incluir, para tanto, aspectos como clareza de conteúdo, correção dos conteúdos, carga informacional e gestão de erros. O projeto está baseado numa resolução padrão, o que torna o sistema mais eficiente para futuras atualizações sem a necessidade de mexer em todos arquivos do interativo para adequações. VERSÃO 1.9 DO JOGO MUTI-TRILHAS MULTIMÍDIA Os primeiros passos para fazer o planejamento do Jogo Multitrilhas foram dados após as entrevistas com a equipe do INES, nas quais foram discutidos os objetivos do ambiente de aprendizagem virtual, o perfil do usuário deste ambiente, o conteúdo a ser trabalhado, os recursos disponíveis em termos de equipamentos, entre outras questões, demos início à seleção e organização do conteúdo do jogo Muñtitrilhas multimídia, tendo por base, também, Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 120
  • 127.
    os seguintes princípios: Usabilidade:a usabilidade de um sistema é um conceito que se refere à qualidade da interação de sistemas com os usuários, Aplicabilidade: considera que cada especialista tem um domínio e que a interface deve funcionar como um meio para o usuário. Comunicabilidade: tem por objetivo permitir que o usuário, através da sua interação com a aplicação, seja capaz de compreender as premissas, intenções e decisões tomadas pelo projetista durante o processo de Design. No planejamento do jogo, além de definirmos o conteúdo a ser disponibilizado e sua forma de organização, foi determinado quanto tempo seria preciso para completar cada uma das tarefas propostas, tendo em vista o problema anteriormente já comentado, relacionado com a dificuldade do surdo para fixar a atenção nas tarefas que está executando. Estabelecido estes passos, partimos para o projeto de Design do conteúdo do ambiente virtual, sua organização detalhada e montagem. Nesta etapa, os seguintes aspectos, dentre outros, foram considerados: linguagem visual, acessibilidade, percepção visual, relação figura e fundo, variações de browsers, frames, mapa de navegação, layouts de telas, menus, cabeçalhos e rodapés, ícones, tipografia, layout de tabelas, sistemas de cores e recursos multimídia. Um fluxograma como esboço visual da informação foi desenvolvido onde cada nível ou link representava uma tela ou um controle a ser criado. Uma programação visual específica foi criada para o software, incluindo identidade e linguagem visual. Ficou definido que a entrada no ambiente virtual se daria por meio de uma página inicial que levaria o usuário para páginas secundárias. A partir desta definição, os controles da interface (ou como o usuário irá interagir com a tela do computador) foram projetados. Foram realizados vários protótipos até que se chegasse à Versão 1.0 do jogo, que integra o presente artigo. O resultado final foi testado em diferentes computadores, em monitores de tamanhos diversos e em vários sistemas operacionais diferentes, visando antecipar problemas na execução do CD do jogo. Componentes do Jogo A Versão 1.0 do jogo é composta por cenários que devem ser explorados com o mouse e cada um deles apresenta diferentes atividades, a saber: liga-pontos, quebra-cabeça, associa-palavra/imagem, desenho, pintura, dentre outras. Cenários Com o intuito de manter uma identidade do jogo multimídia com o jogo concreto, os cenários deste último foram redesenhados para ficarem compatíveis com a mídia digital, para que recursos mal dimensionados não prejudicassem o acesso e dificultassem a navegação. As telas apresentam, então, três cenas do Jardim Zoológico, três do Pão de Açúcar e três do Quartel Central do Corpo de Bombeiros. Figura 1. Tela inicial do Jogo Multi-Trilhas Multimídia Personagens – animação Identificarmos a pertinência de utilizar elementos animados, pois animação é um recurso multimídia que também pode ser utilizado para representar informações e, quando bem utilizada, torna-se, também, um recurso para motivação. Figura 2. Personagens do Jpgo Multi-Trilhas Elementos sensíveis nos cenários - Estilo de interação O estilo de interação utilizado foi a manipulação direta, composta de ações baseadas numa analogia entre o cursor e a mão, as representações gráficas e os objetos do domínio. Este estilo de interface de manipulação direta foi escolhido por permitir ao usuário agir diretamente sobre os objetos da tela com o mouse (dados ou representações de objetos do domínio) sem a necessidade de outros comandos. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 121
  • 128.
    Figura 3. Eñementosclicáveis nos cenários Figura 4. Atividade do cenário Pão de Açucar No jogo Muñtitrilhas as tarefas são chamadas a partir das ilustrações, que por sua vez conduzem necessariamente a palavras em LIBRAS e Português escrito. As palavras em Libras são apresentadas por meio de vídeo (Imagens do Dicionário de Libras disponível no site do INES) e as palavras em Português apresentam-se escritas na tela. Figura 5. Exemplo de tela das palavras em LIBRAS e Português Na Tese de Doutorado de Cristina Portugal intitulada, Design em situações de ensino-aprendizagem: um diálogo interdisciplinar, pode-se encontrar em detalhes todo o possesso de desenvolvimento deste jogo e suas aplicações. CONCLUSÃO Segundo o entendimento do grupo de pesquisa do LIDE, todo material educativo a ser projetado deve oferecer possibilidades de interpretação que demandam o desenvolvimento de juízos e a participação ativa dos intérpretes e não apenas uma simples relação de uso unilateral. A opção de se desenvolver um jogo multimídia se deu ao fato de que linguagem digital implica todas as formas de comunicação, concernentes à oralidade, à escrita, à imagem, ao som, ao colorido, às ações, aos sentimentos e valores. O modo como as informações estarão disponibilizadas, veiculadas, organizadas em ambientes de aprendizagem implicam em uma série de fatores, que contribuirão, ou não, para o processo ensino-aprendizagem, alterando as relações, implicando nas interações entre professores e alunos. Tendo como pressuposto que o trabalho com o surdo não pode se limitar ao processo de alfabetização, mas sim, a todo um trabalho de aquisição de linguagem, neste estudo pretendemos abordar métodos de aquisição de linguagem de surdos, dentro de uma visão multisensorial. De acordo com Moraes (1997), tudo que construímos é na realidade uma experiência e que cada um organiza a sua própria experiência e o faz de maneira distinta, como um princípio básico na construção do conhecimento. As novas tecnologias de informação e de comunicação propiciam que nossa relação com o ambiente seja, cada vez mais, efetuada não pela interação com os objetos em si, mas sim com os signos que expressam estes objetos, a partir de uma linguagem inteligível que possibilita nossa ação. Portanto, o Design tem a função social de tornar o ambiente inteligível, possibilitando nossa ação a partir dos signos e da construção da legibilidade do discurso comunicativo nos ambientes, sejam eles virtuais ou não. Entretanto, problematiza Shedroff (2010), ainda há muito para todos nós aprendermos e compartilharmos sobre essas questões. Ambos Design da Informação e Design de Interação são disciplinas extremamente novas e elas vão crescer consideravelmente à medida que experimentamos e criamos. Elas são, no entanto, as chaves para uma melhor compreensão sobre a comunicação e nos servirá ao longo da próxima fase do nosso desenvolvimento. Como exemplo desta nova fase podemos citar, a convergência intensa com a internet avançada (fixa e móvel) e o desenvolvimento de meios eletrônicos interativos minimamente invasivos (interfaces naturais, dispositivos portáteis e microsensores) traz novos desafios para o campo do Design. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 122
  • 129.
    REFERENCIAS 1. AIGA (AmericanInstitute of Graphic Arts). Disponível em: http://www.aiga.org/. Acesso em 10 abr. 2010. 2. BONSIEPE, G. Design do material ao digital. Florianópolis: FIESC/IEL, 1997. 3. CARVALHO, C. R. M. de. Experiência do usuário na web: um estudo de caso em comércio eletrônico. Tese de Doutorado. Universidade Federal de Ceará, Fortaleza, 2006. 4. BRUNER, J.. Juego, pensamiento y lenguage. Barcelona, Paidós, 1992. 5. DEWEY, J. Art as Experience, New York, Perigee. 1980. 6. FRASCARA, J. Diseño gráfico y comunicación. Buenos Aires: Infinito, 1997. 7. FONTOURA, A. M. EdaDe – Educação de crianças e jovens através do Design. Florianópolis, 2002. 337p. Tese (Doutorado em Engenharia da Produção) – Programa de Pós-Graduação em Engenharia da Produção, Santa Catarina: UFSC, 2002. 8. KISIMOTO, T. M. (2004). O brincar e a Linguagem. In: Espaço: Informativo técnico- científico do INES. Nº22, (jul-dez 2004), págs. 47- 53). Rio de Janeiro. 9. MORAES, M. C. O Paradigma educacional emergente. Campinas, SP: Papirus, 1997 10. PORTUGAL, C. Design em Situações de Ensino- aprendizagem. Um diálogo Interdisciplinar. 2009. 206p. Tese (Doutorado em Design ), Departamento de Artes Design. Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2009. 11. _______. Design como interface de comunicação para ambientes de aprendizado mediados pela internet. 2004. 171p. Dissertação (Mestrado em Design ), Departamento de Artes Design. Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2004. 12. PREECE, J., ROGERS, Y., SHARP, H. Design de interação: além da interação homem-computador. Porto Alegre: Bookman, 2005. 13. SHEDROFF, N. Information interaction Design : a unified field theory of Design. Disponível em: http://www.nathan.com/thoughts/unified/. Acesso em: 05 fev. 2010- 14. WINOGRAD, T. Bringing Design to Software. New York. ACM Press, 1997. 15. VYGOTSKY, L. S.. Pensamento e Linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 1997. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 123
  • 130.
    Influência do perfildo usuário na inteligibilidade de interfaces de data warehouse Mônica Gouvêa IPT - Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo Av. Prof. Almeida Prado, 532 05508-901 São Paulo SP gouvea.monica@gmail.com Lucia Vilela Leite Filgueiras IPT - Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo Av. Prof. Almeida Prado, 532 05508-901 São Paulo SP lfilguei@gmail.com RESUMO A forma pela qual a informação extraída de um data warehouse é visualizada pelo usuário final é de fundamental importância, já que decisões são tomadas com base na informação apresentada. Percebeu-se ser necessário explorar as relações de dependência entre a a compreensão de soluções de interface e o perfil de seu usuário. Para realizar este estudo, fizemos uma abordagem que se baseia em duas técnicas pouco usadas, a de Human Dynamics para explorar o perfil de usuário e a de Sense-Making para compreender a dinâmica de uso das interfaces DW. Apresentamos neste artigo os resultados deste estudo. PALAVRAS-CHAVE Interface de Data Warehouse, Sense-Making, Human Dynamics. 1. INTRODUÇÃO Data warehouses(DW) são arquiteturas de Banco de Dados, estruturadas de forma a armazenar informações históricas extraídas das atividades das empresas, principalmente de seus dados transacionais. As informações do DW destinam-se à geração de relatórios e produção de tendências, de alta relevância nos processos decisórios das empresas. A forma pela qual a informação é extraída do DW e visualizada pelo usuário final é de fundamental importância. A interface de usuário de um DW está diretamente relacionada com a ferramenta de front end, por meio da qual se configura um conjunto de dados e a forma de representação para demonstração. A ferramenta é chamada de front end porque é através dela que os usuários finais do DW interagem com as informações. A ferramenta influencia na inteligibilidade da informação e por isso, esta escolha deve levar em conta o perfil do usuário que irá manipulá-la. A experiência profissional da primeira autora na implantação de DW em diversas empresas de diferentes ramos de negócios - financeiro, logístico e de telecomunicações - indica que, quando a decisão da construção de um DW é tomada, vários fatores são avaliados pelos altos gestores da companhia. Entre esses fatores, considera-se o orçamento disponibilizado para tal implementação, a empresa responsável pela implementação da solução; o Sistema Gerenciador de Banco de Dados (SGBD) que será utilizado para o armazenamento das informações, as ferramentas a serem disponibilizadas e a equipe que irá responder pelo processo de desenvolvimento e implantação do sistema. O que se tem verificado é que, em geral, as soluções de interface com o DW são propostas de acordo com a empresa responsável por implementar a solução DW, ou seja, geralmente, são soluções de interface que utilizam produtos de propriedade da empresa. Para o usuário final que utiliza a solução, cabe apenas aceitar e adequar-se à interface selecionada. No entanto, os desenvolvedores poderiam optar por diferentes soluções, mais adequadas a suprir as necessidades do usuário. Porém, as ferramentas de front end são escolhidas e disponibilizadas, normalmente sem levar em consideração o perfil do usuário final que as irá utilizar. Para Heckel, apud Araujo [1], “Quando os computadores pessoais foram inventados...alguns de nós éramos programadores; nossa especialidade era a comunicação com computadores, uma atividade substancialmente diferente da comunicação com seres humanos”. O profissional de TI, afirma Araújo, acaba por não mensurar os fatores humanos quando desenvolve uma interface, esquecendo-se de pensar nas expectativas do usuário final e na sua interação com o sistema. Souza et al. [13] descrevem a interação como um processo que engloba as ações do usuário, sobre a interface de um sistema, e suas interpretações e reações, sobre as respostas reveladas por essa interface. Para caracterizar a interface de DW, é necessário conceituar o termo interface que será utilizado neste trabalho. A interface é a camada por meio da qual o usuário final obtém as informações necessárias do DW, construída por meio de uma ferramenta de front end, que permite a análise dos dados coletados. Ainda com base na experiência profissional da primeira autora, observa-se que a maioria dos esforços para resolver o problema crescente da subutilização ou de rejeição ao sistema DW, devido a sua interface, tem sido concentrada no desenvolvimento de novas ferramentas de front-end, o que enfrenta apenas parte do problema da rejeição. Quando do desenvolvimento de solução de uma interface, é importante que o desenvolvedor de TI Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 124
  • 131.
    concentre-se na formapela qual vai disponibilizar a solução para o usuário final. Para se produzir a informação consolidada e adequada à decisão, a partir do DW, existem camadas de dados e diversos programas que processam a informação antes de gerar a visão da informação que o usuário deseja. Essas camadas são transparentes ao usuário, não ocorrendo a necessidade de interação, sendo que a camada mais importante para o usuário é a interface no front end. Assim, o sucesso de um DW pode depender da disponibilidade da ferramenta certa de front end para as necessidades de seus usuários. O que se observa, também, é que o usuário, muitas vezes, rejeita a solução de interface DW pela perda da liberdade em função das regras que, muitas vezes, ele mesmo definiu e acaba por descartar essa solução, mesmo que ela esteja implementada em uma ferramenta ideal. As informações geradas pelo usuário dependem da realidade dele, de sua necessidade específica, conforme a demanda exigida em seu negócio, de seu perfil, das tarefas que realiza de posse da informação, de conhecimentos prévios, entre outras necessidades. Estes fatores fazem com que a opção pelas ferramentas mais simples apresente mais flexibilidade, ao contrário das consultas disponibilizadas pelo DW que, usualmente, não levam em consideração o usuário como indivíduo e com necessidades individuais. Assim, o foco proposto neste estudo é o de considerar o usuário final de DW como o mais importante e influente fator para determinar necessidades de informação, conforme análise de Ferreira [5], baseando-se na análise do perfil do usuário final para a geração de consultas para DW. Para tanto, o presente artigo está organizado da seguinte forma: na primeira seção apresentam-se modelos de usuários de DW englobando os papéis dos usuários, bem como os perfis de usuários vistos pelo Human Dynamics. Na segunda seção descreve-se a abordagem de Sense-Making usada para a compreensão das necessidades dos usuários. Na terceira seção descreve-se o experimento realizado e em seguida, os resultados obtidos com aplicação dos métodos propostos. 2. MODELO DE USUÁRIOS DW O objetivo da modelagem de usuários é caracterizá- los, para que o projeto possa ser adequado a eles. O modelo dos usuários de DW deve levar em conta os seguintes aspectos: o papel que ele exerce no ambiente DW e de suas tarefas neste ambiente; suas características individuais, pessoais, de formação, de capacidade de abstração, de concentração e sua atitude, a que denominamos aqui aquilo que define o o tipo de comportamento humano em relação à informação e à busca por ela. O conhecimento sobre o usuário precisa ser traduzido na forma de um modelo, compreensível e usável pelos projetistas. Conforme Filgueiras e Aquino Jr.[6], dentro do processo de modelagem de usuários, podem-se distinguir duas facetas: O papel realizado pelo usuário num sistema computacional corresponde à função específica de cada usuário, que é definida pelas tarefas que ele realiza. Em uma organização, os indivíduos trabalham juntos, porém de forma estruturada. Essa estrutura define o relacionamento entre as pessoas, sendo que os diferentes papéis de cada usuário são as diferentes tarefas que eles realizam. Da mesma forma, no relacionamento com um sistema computacional, algumas tarefas podem ser exclusivas de usuários específicos e outras tarefas podem ser comuns a diferentes papéis de usuários. O perfil é a visão estatística das características individuais do usuário, em relação a aspectos socioeconômicos e bagagem de conhecimento. Em especial, uma característica relevante do perfil que merece destaque neste trabalho é o comportamento do indivíduo na busca por informação. Desenvolver o modelo de usuário é desenvolver arquétipos de usuários para representação de uma população que realiza um determinado papel. O DW é um gerador de informações para tomada de decisão e acompanhamento de indicadores que visam auxiliar na administração de um negócio, sob a perspectiva do usuário final que vai fazer uso das informações disponibilizadas. Identifica-se, pois, a importância de se obter o modelo de usuários que buscam as informações dentro dessa base de dados. 2.1. Papéis no ambiente DW Soares [12] cita que o ambiente DW envolve, desde profissionais de processamento de dados, até analistas de negócios que podem ser considerados como usuários do ambiente. Existe uma comunidade de usuários do sistema DW, com diversos papéis. Segundo Inmon [7], a geração atual de ferramentas de front end tem transformado, muitas vezes, os usuários finais em administradores de dados, o que esse autor, descreve como não sendo o desejo do usuário. Este trabalho preocupa-se com os usuários a quem se denominou gestores da informação que se relacionam com a interface de um DW, quando da busca e extração de informações de acordo com suas necessidades gerenciais. O que diferencia os gestores da informação em relação a sua interação com a interface DW é a forma de acesso à informação. Adotando-se a nomenclatura usada na comunidade de prática, há dois principais papéis, user e power user. Enquanto user é o usuário que apenas consulta e navega nos relatórios, o power user é o usuário que pode criar e desenvolver novas consultas (queries) 2.2 Perfil segundo a experiência com uso da ferramenta de interface Cooper e Reimann [2] destacam três tipos de usuário a que denominam Iniciantes, Experientes e Intermediários. Os iniciantes tornam-se intermediários muito rapidamente. Os indivíduos que ocupam o nível Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 125
  • 132.
    de iniciantes tendema migrar para o nível de intermediário e se, por acaso, não o conseguem, a tendência é a de buscarem outro produto ou atividade que os eleve a um nível intermediário e não mais o deixe na posição de iniciantes. Observa-se existir aquele sentimento de frustração descrito por Cooper e Reimann, de usuários mais experientes em relação ao DW, pelo motivo de os produtos disponibilizados serem criados baseados em perfis de usuários iniciantes. Se, por um lado, a tecnologia evoluiu rapidamente, levando o usuário final à mudança no seu comportamento, por outro lado, esse fator, ainda que considerado positivo, pode ocasionar subutilização ou rejeição da interface DW. Tendo como base o que foi descrito por Cooper e Reimann, o usuário passa a ser exigido muito mais em seu nível de conhecimento e, caso ocorra alguma barreira que ele não consegue transpor e que possa interromper sua comunicação com o sistema de interface DW em sua busca por informação, ele, muito provavelmente, tende a subutilizar, rejeitar e, até mesmo, a buscar outro produto. Esse fato nos levou a analisar as dinâmicas envolvidas no relacionamento com a informação. 2.3. Perfil humano segundo Human Dynamics A experiência prática da primeira autora mostrou que, muito freqüentemente, uma mesma interface desenvolvida para indivíduos com o mesmo perfil e o mesmo papel não tinha o mesmo efeito de satisfação. Observou-se que uma característica comportamental, a atitude perante a busca da informação, tinha um papel relevante. Na interação com os DW, os comportamentos humanos que interessam são a capacidade de abstração, a capacidade de síntese e a tomada de decisão. Human Dynamics (HD) é uma teoria que identifica grupos de comportamento comuns relacionados à aprendizagem e à resolução de problemas e, dessa forma, espera-se que essa técnica possa contribuir para a identificação dos perfis de usuários. A teoria nasceu na Suécia com Sandra Seagal e David Horne e foi usada para tratar as crianças e suas características individuais de aprendizagem, bem como em diversas empresas para analisar as relações corporativas e desenvolver as equipes. HD evidencia e documenta diferenças inerentes no funcionamento de pessoas, vendo-as como sistemas inteiros, com diferentes “dinâmicas de personalidade”. Essas diferenças são, segundo seus autores, mais fundamentais do que idade, raça, cultura ou sexo; podem ser identificadas desde a infância [11]. Nove sistemas humanos distintos foram identificados; cinco deles, altamente predominantes. Cada sistema é composto de três princípios organizadores básicos: o mental, o emocional e o físico. Estes princípios possuem uma dimensão quantitativa (pessoal) e outra qualitativa (transpessoal), o que forma nove sistemas possíveis. De acordo com Seagal e Horne [10], verificou-se que cinco desses são mais numerosos distanciando-se dos demais:  Mental-físico;  Emocional-mental ou emocional-objetivo);  Emocional-físico ou emocional-subjetivo);  Físico-mental e  Físico-emocional. Em virtude de HD oferecer um novo paradigma de compreensão do comportamento humano, tanto coletivo quanto individual, acredita-se ser ela uma forma adequada para segmentar em grupos os indivíduos estudados. Diante da proposta deste trabalho que é a de caracterizar os perfis de usuários existentes, quando de sua interação com um DW, verifica-se a necessidade de segmentar os usuários identificados em grupos para facilitar o processo de análise. Assim, neste estudo, os perfis de usuário foram determinados com o uso de HD. 3. SENSE-MAKING NA COMPREENSÃO DAS NECESSIDADES DOS USUÁRIOS Esta seção é dedicada ao estudo de necessidades do usuário gestor da informação de DW. O objetivo é mostrar um método sistemático para realizar um diagnóstico preciso das causas dos problemas manifestados por tais usuários. Este método é usado na pesquisa de campo com os usuários, visando verificar as necessidades reais deles e a distância entre essas necessidades e as ferramentas disponibilizadas para acesso à informação. O método escolhido para esta investigação é o Sense- Making, de Dervin [4]. O conceito básico do Sense- Making é que, durante a trajetória de um indivíduo, barreiras podem surgir em seu caminho e as reações de cada indivíduo a essas situações são de acordo com as suas características individuais. Para a análise dessa relação, no Sense-Making, desenvolveu-se o trinômio situação-lacuna-uso, tradução para o original situations-gaps-uses::  Situação: o evento e o tempo no contexto do evento;  Lacuna: vazios que necessitam de pontes, cuja transposição permite obter as informações necessárias ou as respostas às questões que indivíduos se propõem na situação estudada; as lacunas se movimentam no tempo e no espaço;  Uso: é aquilo para o qual o indivíduo busca sentido, criando novo senso. No Sense-Making, o foco é dado no movimento cognitivo do indivíduo através do tempo e do espaço, na busca por vencer as descontinuidades (as lacunas) usando qualquer sentido que tenha ele tenha construído. A metodologia de Sense-Making Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 126
  • 133.
    reconhece esses movimentospor informação de forma holística, preocupando-se não apenas com os conceitos, mas também com as atitudes, emoções, visões. Um aspecto essencial do Sense-Making são os movimentos, portanto. Percebemos que ao entender os movimentos, e ao equacionar as forças que os promovem ou impedem, somos capazes de entender a forma como os indivíduos operam seus trinômios situação-lacuna-uso. Algumas situações e respectivos movimentos, identificados por Dervin são:  Indeciso: estar em um ponto em que você precisa escolher entre dois ou mais caminhos à frente.  Arrastado: ser arrastado por um caminho que não foi da sua escolha.  Andando em círculos: não ter caminhos a seguir.  Perdendo o rumo: estar em um caminho e, de repente, ele desaparecer.  Barreira: saber onde você quer ir, mas algo ou alguém está bloqueando o seu caminho.  Sendo levado: seguir algo ou alguém porque ele/ela sabe mais que você e pode mostrar-lhe o caminho.  Esperando algo: gastar tempo esperando alguma coisa em particular.  Matando o tempo: gastar tempo sem esperar nada em particular.  Desligando: perder a sintonia.  Observando: assistir ao que acontece sem se preocupar com o movimento.  Em movimento: Ver-se progredindo sem bloqueio e sem necessidade de observação. Para obter dos usuários a sua visão do problema, a metodologia de Sense-Making descreve diferentes formas de entrevistas, que procuram capturar a dinâmica dos trinômios situação-lacuna-uso, entre as quais destacam-se as seguintes. A Micro-Moment Time-Line Interview baseia-se em uma linha do tempo que vai sendo construída na entrevista, pedindo-se que o entrevistado explore o que aconteceu em uma determinada situação relevante, passo a passo, especificando o que aconteceu primeiramente e assim por diante. Para cada trinômio detectado, a entrevista procura compreender as informações necessárias para criar o entendimento e o movimento no tempo. A Micro- Element Interview é baseada na identificação de fatos relevantes e da exploração dos trinômios associados a estes fatos. Na Life-Line Interview solicita-se ao entrevistado que recorde uma série de situações que ocorreram em sua vida, ou em uma extensão significativa do tempo. O procedimento para se iniciar uma entrevista, segundo Márdero [8], tanto individual como em grupo, é o de solicitar a narração da última vez que o vivenciou determinada situação. O entrevistador deve, naquele momento, tentar identificar três partes do triângulo: a situação, a lacuna e o uso, ou ajuda. 4. METODOLOGIA PROPOSTA Definiu-se o Sense-Making como linha mestra para este trabalho, com vistas a aplicação de questionários e entrevistas, por apresentar uma abordagem centrada no usuário, o que permite reconhecer aspectos individuais de cada usuário em seu processo de extração de informações de um DW. Deseja-se estudar como pessoas com diferentes dinâmicas de personalidade exploram interfaces DW, evidenciando as diferenças em seus movimentos de Sense-Making. 4.1. Atribuição do perfil HD A atribuição dos perfis de usuário foi feita por meio de auto-avaliação de cada sujeito envolvido na pesquisa. Como HD não tem um questionário para a atribuição dos perfis, mas depende do auto- conhecimento, fornecemos aos participantes uma descrição de cada perfil, bem como uma lista de atributos que descrevem a dinâmica de personalidade. Cada participante identificou-se com uma das descrições, sendo este o perfil atribuído à pessoa. Os sujeitos foram caracterizados pelos atributos:  Nome do indivíduo. Para garantia de privacidade, eles são denominados por letras: A, B, C e D.  HD: informa o perfil Human Dynamics;  Papelque o indivíduo realiza, no uso de DW.  Perfil de conhecimento da tarefa: por meio de um questionário, avaliou-se o grau de conhecimento do indivíduo sobre a ferramenta de front end em uso. No experimento, foi solicitado aos participantes que realizassem três diferentes conjuntos de tarefas: navegar por um relatório existente, modificar um relatório existente, criar um novo relatório. A interface apresentada aos usuários foi desenvolvida sobre a ferramenta SAP BW– Business Warehouse. A ferramenta de front end usada foi o BEx Analyzer. Aplicou-se um protocolo de observação do comportamento do usuário diante de situações relativas à interação com o DW, após o que se passou para uma entrevista micro-moment [3]. No instrumento de pesquisa desenvolvido, as seguintes informações foram preenchidas.  Tarefa: Identifica o momento e descreve a tarefa que estava fazendo.  Movimento: estado, segundo a relação apresentada. 5. RESULTADOS O experimento envolveu quatro usuários. Como o número é muito pequeno, os resultados são de natureza qualitativa. Os resultados aqui apresentados Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 127
  • 134.
    são os dedois dos indivíduos estudados, pertencentes às dinâmicas de personalidade do HD emocional- subjetivo e mental-físico. Dentre os papéis de usuário, um é power user e o outro é classificado como user. Para facilidade na demonstração dos resultados do experimento, desenvolveu-se uma adaptação do gráfico descrito por Sanchez et al. [9] para mostrar os movimentos do indivíduo ao executar as tarefas determinadas. Os eixos escolhidos por Sanchez foram Arousal-Sleepiness e Pleasure/Displeasure. A adaptação, mostrada na Figura 1, buscou mapear o comportamento do indivíduo durante o experimento. O eixo de iniciativa representa comportamentos em que o usuário está no controle (pró-ativo) e comportamentos em que o sistema está no controle. O eixo de apreciação representa comportamento de aceitação e de rejeição da situação. Sobre este gráfico, representam-se os estados de movimento do indivíduo na medida em que ele evolui nas tarefas. Figura 1- Representação gráfica da observação de situação de uso A seguir, selecionaram-se alguns caminhos percorridos pelo usuário para a representação gráfica da observação da situação de uso. Nestes gráficos, a usuária A (em vermelho) tem 32 anos, perfil HD emocional-subjetivo e papel de power user; ela trabalha como analista de DW. O usuário B (em azul) tem 45 anos, perfil HD mental-físico e papel de user, sendo um executivo usuário da informação gerencial. Ambos usaram todas as três interfaces, porém aqui apresentamos o resultado para a ferramenta Analyser. A análise mostrada na Figura 2 é a dos participantes realizando a tarefa 1, de navegar em um relatório já existente. O usuário A, quando se depara com a situação-gap-uso demonstra facilidade e age com entusiasmo, o que é característica de seu perfil HD. Contudo, ao se deparar com um ambiente impessoal, com falta de oportunidade para se expressar individualmente, ou seja, buscar a informação da forma que imagina, gera o sentimento de ser arrastado por caminhos que não foram de sua escolha. Ao contrário do emocional-subjetivo, ao analisarmos o comportamento do mental-físico, verificamos que o usuário B demonstra ser “arrastado”, pois como tem facilidade na visão do todo em um processo e não consegue buscar a informação da forma que imagina, a sensação de estar em caminhos que não foram sua escolha o faz se sentir aborrecido. Em conseqüência disso, ele se desliga, desconecta-se da atividade, sem dar muita importância, por achá-la fácil em demasia. Figura 2 - Observação de situação de uso para tarefa 1 (emocional- subjetivo X mental-fisico) A figura 3 mostra o gráfico para a segunda tarefa, na qual se solicita que os participantes modifiquem um relatório existente. Note-se que o usuário A, indivíduo emocional-subjetivo, continua se sentindo arrastado pela especificação das tarefas, que não dá espaço ao sua vontade de criar novas formas. A segunda tarefa é dada ao indivíduo mental-físico que, ao se deparar com barreiras durante a execução da tarefa, sofre stress pela falta de tempo para completar a tarefa, e busca comunicação objetiva com outra pessoa. Figura 3- Observação de situação de uso para tarefa 2 (emocional-subjetivo X mental-físico) A figura 4 mostra a terceira tarefa, de criar um novo relatório. O indivíduo A tem facilidade e sente-se confortável em criar soluções próprias, portanto, mantendo-se em movimento e observando seus Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 128
  • 135.
    resultados. Eventualmente, quandoa tarefa se torna muito fácil, ele se desconcentra. Já o indivíduo B, no papel de user, entende o problema, busca ver o tipo de solução que deseja, mas sente dificuldade. Então, não perde tempo em solicitar que alguém mais técnico ou algum assistente execute a tarefa para que ele não perca tempo nessa atividade. Figura 5 Observação de situação de uso para tarefa 3 (Emocional- subjetivo X Mental-fisico) 6. CONCLUSÕES O objetivo deste estudo não foi o de realizar um experimento abrangente sobre o uso de interfaces de DW, mas o de investigar as diferenças individuais e sua importância no entendimento dessas interfaces. Ao obter os resultados desse estudo, sedimentou-se a importância do conhecimento a respeito do usuário de um DW durante o desenvolvimento do projeto. Para obtenção desse conhecimento, aplicou-se uma metodologia pouco conhecida, sendo que um objetivo alcançado, embora secundário, foi o de ensaiar essas metodologias na avaliação de uso. Embora a classificação do HD seja multifacetada, pode-se dizer que as pessoas emocionais-subjetivas tendem a criar e manter conexões harmoniosas com os outros. São muito autoconscientes. Estão acostumadas a experimentar mudanças, porém as abordam com cautela, pois são sensíveis não apenas às vantagens, mas também aos possíveis problemas inerentes ao novo. As pessoas mental-físicas não mudam com freqüência de direção ou impensadamente. Pessoas mental-físicas mantêm seus hábitos, dia após dia, porque tendo verificado o que lhes é mais adequado não vêem qualquer motivo que os faça mudar. Necessitam de tempo para avaliar cuidadosamente as propostas de mudanças que lhe assegurem um sentido racional, e para ver se estas mudanças lhe servem a propósitos de longo prazo. Observamos que o HD permite uma avaliação e agrupamento dos indivíduos e suas tendências, o que possibilita analisar os motivos que levam um usuário a utilizar ou não determinadas ferramentas de interface, de acordo com as tendências de cada HD. A utilização da metodologia Sense-Making para direcionamento da aplicação dos protocolos de observação e entrevistas é válida conceitualmente e adequada para representar as reações comportamentais por dinâmica de personalidade (HD) envolvida no processo, de forma ampla. 6. REFERÊNCIAS 1. Araújo, A.. Projeto de Interfaces Inteligentes - Um Estudo de Caso para o Smart Analyst. Mestrado em Informática, CT/UFES, Vitória, 1998 2. Cooper, A.; Reimann, R. About Face 2.0 The essentials of interaction Design. Wiley Publishing, Inc, 2003. 3. Dervin, B. Observing, being victimizing by, and colluding with isms 1997. http://communication.sbs.ohio-state.edu/Sense- Making/inst/iDERVIN97isms.html/. 4. Dervin, B; Foreman-Wernet, L. Sense-Making Methodology Reader. Selected Writings Of Brenda Dervin. Hampton Press 2003. 5. Ferreira, S.M.S.P.. Estudos de Necessidade de Informação: dos paradigmas tradicionais à abordagem Sense-Making. 1997 http://www.eca.usp.br/nucleos/sense/textos/abord .htm. 6. Filgueiras, L. V. L.; Aquino Jr, P. T.; User Modeling With Personas. Conferencia Latino- Americana De Interaccion Humano- Computadora. 2005 7. Inmon, W.H. User Reaction To The Data Warehouse http://www.inmoncif.com 8. Márdero, M. A. A. A abordagem do Sense- Making para estudo de necessidades e comportamento de busca e uso de informação. 1997 http://www.cg.org.br/gt/gtbv/artigo01.htm 9. Sanchez, J.A. Conveying Mood and Emotion in Instant Messaging by Using a Two-Dimensional Model for Affective States. IHC 2006. Natal, 2006. 10. Seagal, S.; Horne, D. The Human Dynamics Body of Knowledge – and its Implications for Education: A Brief http://www.newhorizons.org/strategies/styles/hor ne.htm. 11. SIEG, Human Dynamics (HD), http://www.sieg.com.br/hd.html 12. Soares, V. J. Modelagem incremental no ambiente de data warehouse, Dissertação (Mestrado), UFRJ dez.1988. 13. Souza, C. S.; Leite, J. C.; Prates, R.O Barbosa, S.D.J., Projeto de Interfaces de Usuário: Perspectivas Cognitiva e Semiótica, Anais da Jornada de Atualização em Informática, XIX Congresso da SBC, 1999. http://www.dimap.ufrn.br/~jair/piu/ Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 129
  • 136.
    Tecnologias para AssistirPessoas com Deficiência Auditiva: Levantamento e Discussão sobre seu Uso Soraia Silva Prietch UFMT/ Rondonópolis Rodovia Rondonópolis-Guiratinga KM 06 (MT 270) Bairro Sagrada Família – CEP 78.735-901 soraia@ufmt.br Lucia Vilela Leite Filgueiras Escola Politécnica da Universidade de São Paulo Av. Prof. Luciano Gualberto, nº 158, São Paulo – SP – CEP 05508-900 lfilguei@usp.br ABSTRACT This work takes as a basis the definition of Assistive Technology by performing a survey on this topic, particularly on the implementation of the technologies currently available to assist the deaf community, followed by results and discussions formulated from reflection of the materials found in the literature. Keywords Assistive Technology, Acessibility, Deaf Person. 1 INTRODUÇÃO A maior barreira enfrentada por pessoas com deficiência auditiva (seja esta parcial ou total) é a comunicação com outras pessoas de seu convívio. Essa barreira, muitas vezes, reprime uma grande quantia de pessoas, que possuem déficit auditivo, sendo que uma parcela dessa quantia não tem conhecimento de que, atualmente, existem diversos recursos acessíveis para auxiliar a compreensão do que está sendo realizado ou o atendimento de suas necessidades. Neste contexto, as tecnologias assistivas podem trazer grande auxílio para minimizar as dificuldades que a barreira de comunicação proporciona, pois tais tecnologias, geralmente, agregam conhecimentos de diversos campos dos saberes, podendo ser representadas em formatos de recursos variados com a finalidade de promover a acessibilidade às pessoas com algum tipo de deficiência em qualquer ambiente social, seja de educação, de saúde, de moradia, de lazer, dentre outros. Levando em conta o exposto, tem-se como objetivo, com esta pesquisa, realizar um estudo bibliográfico, em profundidade, sobre as tecnologias assistivas disponíveis para apoio às pessoas com deficiência auditiva. Além de levantar quais tecnologias assistivas estão disponíveis, faz-se necessário identificar quais se encontram em desenvolvimento, quais são os próximos desafios, bem como discutir os pontos positivos e negativos das pesquisas já realizadas e das perspectivas do que ainda está por vir. Este é um trabalho em andamento, cujo objetivo final é o de projetar recursos digitais com propósito de auxílio ao processo de ensino-aprendizagem de pessoas surdas. Desta forma, este levantamento proporcionará subsídio para as decisões de projeto necessárias, posteriormente. As seções deste artigo se encontram organizadas da seguinte maneira: a Seção 2 enfoca o levantamento bibliográfico a respeito das tecnologias assistivas, sejam propostas, pesquisas já concluídas, e desafios apontados; a Seção 3 aborda os resultados e discussões referentes ao conteúdo levantado na seção anterior; e, na Seção 4 constam as considerações finais deste trabalho. 2 TECNOLOGIAS PARA ASSISTIR PESSOAS SURDAS Nesta seção é apresentado o resultado de um levantamento bibliográfico e comercial, das tecnologias, atualmente disponíveis, para assistir pessoas surdas no uso do computador, desenvolvidas por grupos de pesquisadores provenientes de diversos países. 2.1 Acesso remoto A seguir, alguns trabalhos constam dispostos na Tabela 1, os quais agrupam aplicações de tecnologias assistivas para acesso remoto que possibilitam a ampliação da comunicação de pessoas com necessidades auditivas especiais, principalmente, via telefonia celular. Tabela 1. Relação de trabalhos que tratam das tecnologias assistivas, de acesso remoto, para pessoas surdas. Tecnologias Artigos Telefone de surdos [21] Luva conversora para celular [46] MobileASL [14], [15] SignWriting em telefonia móvel [2] Alertas visuais e táteis para telefones celulares [28] O trabalho de Hersh et al [21] tem como objetivo discutir a relação entre a legislação e o uso de espaços públicos por pessoas com deficiência, evidenciando as adaptações feitas a dispositivos projetados para o uso diário. Em especial, os autores mencionam o design de telefones e alarmes, processadores de fala portáveis, além de informar diversas categorias de dispositivos eletrônicos. Já no artigo de Sarji [46] é descrito um protótipo de luva portável que traduz gestos (American Sign Language, ASL) em fala (língua inglesa), de baixo custo, que utiliza sistema embarcado, transferindo as informações de sinais Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 130
  • 137.
    comunicadas através daluva com sensores, por meio de Bluetooth, para telefone celular ou PDA, além disso, utiliza aplicações COTS. Assim é enfatizado o uso de interface natural e de mobilidade, cujas características são exploradas para possibilitar o aumento da comunicação entre pessoas surdas e ouvintes. Em 2006, Cavender, Ladner e Roth [14] publicaram um trabalho a respeito do MobileASL, que na época mencionaram que o acesso a celulares nos Estados Unidos, por pessoas surdas, era limitado a mensagens de texto, o que ocasionava em uma pressão pela comunicação em língua inglesa ao invés da Língua Americana de Sinais (ASL), sua língua materna. Neste sentido, os autores realizaram sua pesquisa, com o auxílio de pessoas surdas, a fim de determinar as técnicas de compressão de vídeo mais viáveis para explorar a natureza visual da língua de sinais, já vislumbrando a possibilidade futura de acesso em tempo real através do telefone celular. Com o passar de alguns anos, no artigo de Cherniavsky et al [15], em continuidade ao trabalho anterior, é descrito o sistema MobileASL para comunicação de vídeo em tempo real através da rede atual de telefonia celular dos EUA. Segundo os autores, o objetivo do MobileASL é possibilitar que as pessoas surdas se comuniquem em língua de sinais, via celular, através de compressão e transmissão de vídeos, em tempo real, da língua de sinais. O sistema foi avaliado em um estudo de usuário com participantes fluentes em ASL, os quais foram envolvidos em conversas irrestritas de telefones celulares em um laboratório, tendo como resultado que o dispositivo pode possibilitar o aumento da comunicação visual entre pessoas surdas e ouvintes. Contudo, de todos os artigos mencionados na Tabela 1 o trabalho de Ketabdar e Polzehl [28], apesar de relatar uma versão demo, se destaca por sua utilidade no dia-a-dia, pois através do microfone do celular é captado o áudio do ambiente, sobre o qual é realizada análise de contexto para emissão de avisos de mudanças que ocorreram naquele local. 2.2 Acesso direto/ local Nesta subseção são abordados trabalhos que relatam o projeto, o desenvolvimento e/ou a avaliação de tecnologias assistivas de acesso direto ou local, as quais podem proporcionar maior interação entre ouvintes e pessoas com deficiência auditiva. Tais trabalhos podem ser visualizados, de forma resumida, na Tabela 2. Tabela 2. Relação de trabalhos que tratam das tecnologias assistivas, de acesso direto/ local, para pessoas surdas. Tecnologias Artigos Processadores de fala portáteis [21] Luva tradutora [7] BSL para correios [16], [27] Semi-transparência de vídeo em reuniões [35] O trabalho de Bedregal, Dimuro e Costa [7] introduz o reconhecimento de gestos de mão, durante a comunicação na Língua Brasileira de Sinais, adquiridos por uma luva de dados. O método usa um conjunto de ângulos das juntas dos dedos e da separação entre os dedos para a classificação das configurações de mão, e classificações de segmentos de gestos de mão para a realização do reconhecimento. Assim, considera-se que esta seja uma aplicação interessante para locais onde ouvintes não compreendem a língua de sinais, e a luva serviria como um sistema tradutor. Contudo, algumas questões ainda devem ser consideradas como, por exemplo, as expressões faciais, o movimento do corpo e do braço, dentre outros pontos de extrema importância para efetuar o reconhecimento de uma comunicação em língua de sinais. No artigo de Cox et al [16] é apresentado o TESSA, um sistema experimental que objetiva auxiliar transações entre uma pessoa surda e um funcionário dos Correios através da tradução da fala do funcionário para a língua de sinais. Um sistema reconhecedor de fala reconhece a fala do funcionário e, então, o sistema sintetiza a sequência apropriada de sinais na Língua Britânica de Sinais (BSL) usando um avatar desenvolvido especialmente para esta finalidade. Os resultados desta avaliação foram positivos, apesar de alguns pontos que foram apontados, não haviam sido ainda melhorados no sistema. Contudo, os autores colocam, ainda, que a maioria dos aspectos identificados para melhorias estava sendo planejada para serem desenvolvidas mais adiante no projeto ViSiCAST. Neste contexto, no artigo de Kennaway [27] é discutida a experiência que os autores tiveram com o projeto ViSiCAST, no qual foi utilizada uma descrição de gestos de linguagem independente de avatar. Assim, foi desenvolvido um software chamado Animgen, para sintetizar animação de dados a partir de tais descrições, juntamente com uma descrição de geometria do avatar particular, primariamente se preocupado com o aspecto não-linguístico. Nota-se que na ausência de um dos sentidos do corpo humano, no caso a audição, outros sentidos devem ser estimulados, neste caso, o visual por meio de animação. Para Miller et al [35], realizar reuniões é parte vital da participação em atividades sociais, sendo que para uma pessoa surda, que não entende a língua falada, acompanhar um discurso em reuniões pode se tornar confuso se existirem muitas fontes de informações simultaneamente. Quando a pessoa se concentra em uma das fontes de informação, esta perde as informações provenientes de outras fontes; por exemplo, enquanto a pessoa olha os slides de um apresentador, esta perde informações advindas do intérprete de sinais. Assim, o trabalho dos referidos autores relata o uso da tecnologia de semi-transparência de vídeo, a partir da qual foram desenvolvidas duas aplicações para assistir o surdo em Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 131
  • 138.
    reuniões de gruposlocais e reuniões de pessoas com acesso remoto. Durante a realização desta pesquisa, as características das aplicações foram projetadas iterativamente, à medida que os feedbacks eram incorporados a partir de indicações de pessoas surdas. Esta pesquisa é uma extensão do projeto Facetop, descrito no artigo de Miller, Culp e Stotts [34]. Percebe-se, com os trabalhos apresentados aqui, que a questão da exploração visual se faz bastante presente. Tanto no caso da luva [7], quanto no uso de avatar [27] e da semi-transparência de vídeo [35] este sentido é privilegiado, visto que é uma das formas de comunicação mais eficientes para interagir com pessoas surdas. 2.3 Tradutores Esta sub-seção aborda pesquisas sobre a conversão de uma língua de sinais para uma língua oral-auditiva. Na Tabela 3, apresentam-se os trabalhos que tratam de tradutores. Foram encontrados tradutores referentes às línguas dos seguintes países: Espanha, Estados Unidos da América, Brasil, África do Sul e Itália. Tabela 3. Relação de trabalhos que tratam sobre tradutores, de línguas, para pessoas surdas. Tecnologias Autores Língua Espanhola de Sinais (SSL) [45] Reconhecedores automáticos de ASL [31] Português para LIBRAS (Falibras-MT) [50] SOTAC [9] SWService [48] BuscaSigno [19] Língua Sul Africana de Sinais [52] 3DictSL: dicionário online de língua de sinais internacional [10] No trabalho de San-Segundo et al [45] foi desenvolvida uma proposta de arquitetura para tradução do espanhol falado para a comunicação na Língua Espanhola de Sinais (Spanish Sign Language, SSL) para pessoas surdas, a qual compreende em quatro módulos: reconhecimento de fala, análise semântica, geração de sequência de gestos e animação dos gestos. De acordo com Lu e Huenerfauth [31], gravações de captura de movimentos de língua de sinais são usadas em pesquisas de reconhecimento automático dessas línguas ou animações de línguas de sinais genéricas, as quais possuem aplicativos de acessibilidade para usuários surdos com baixos níveis de alfabetização em linguagem escrita. Luvas de captura de movimento são usadas para registrar a configuração de mão do usuário. Infelizmente, estas luvas requerem um consumo de tempo e um processo de calibração manual inexato cada vez que o usuário a utiliza. Este artigo descreve o projeto e a avaliação de um novo protocolo de calibração para luvas de captura de movimento, o qual é projetado para tornar o processo mais eficiente e ser acessível para participantes que são surdos e utilizam a Língua Americana de Sinais (ASL). O protocolo foi avaliado experimentalmente; pessoas surdas que se comunicam em ASL usaram as luvas, foram calibradas (usando o novo protocolo e usando uma rotina de calibração fornecida pelo fabricante da luva), e foram questionados a respeito do desempenho da sequência de configuração de mão. O novo protocolo recebeu pontuação significativamente mais alta do que a calibração padrão. O protocolo tem sido disponibilizado livremente online, e inclui direcionamentos para pesquisadores, imagens e vídeos de como participantes movimentam suas mãos durante o processo e direcionamentos para participantes (como vídeos de ASL e textos em inglês). O artigo de Tavares, Coradine e Breda [50] apresenta um ambiente, chamado Falibras-MT, para a autoria de tradutores automáticos de textos do Português para LIBRAS, na forma gestual animada. Esse ambiente usa memória de tradução para permitir que o tradutor a ser especificado possa considerar o domínio de conhecimento do texto inicial, além de outras características importantes, tais como discurso e pragmática das línguas envolvidas. É apresentada uma visão geral sobre o projeto do ambiente, com suas principais funções e a arquitetura. Em Breda et al [9] é apresentada uma análise do SOTAC (Software of Automatized Translation based on Knowledge), o qual tem como objetivo traduzir textos, de forma automática, de português para LIBRAS e de LIBRAS para português, baseado em conhecimento. É apresentado o projeto e um protótipo de um sistema para autoria e uso de tradução automática para suporte à tradução. A saída traduzida é fornecida em uma linguagem alvo e pode ser apresentada nas formas de texto, de vídeo, ou de áudio. O artigo também apresenta uma análise de usabilidade, navegabilidade, funcionalidade e complexidade do sistema, assim como sua capacidade de integração com outras tecnologias existentes. O trabalho de Souza e Pinto [48] tem como objetivo apresentar a SWService (SignWritting Service), uma biblioteca que fornece os recursos necessários para que softwares baseados na web possam utilizar a Língua Brasileira de Sinais na forma escrita. A solução apresenta como principal vantagem a utilização da tecnologia Web- Services, o que permite seu uso sem necessidade de desenvolvimento ou instalação local. Além disso, são apresentados estudo de caso e pesquisa de opinião sobre o Sign WebForum, um fórum de discussão que utiliza a SWService para efetuar a escrita e a leitura de mensagens em Português e LIBRAS. Já no artigo de Duduchi e Capovilla [19] é descrita a construção de uma interface computacional, denominada BuscaSigno, para o acesso ao léxico da língua brasileira de sinais sem depender de conhecimento da língua portuguesa. E neste mesmo ano, van Zijl [52] relatou sua pesquisa sobre o projeto da máquina de tradução da língua sul africana de sinais. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 132
  • 139.
    Conforme Buttussi, Chittaroe Coppo [10], descrevem que vários pesquisadores propuseram dicionários multimídia para línguas de sinais de países específicos, mas existem poucas propostas de dicionários multi-linguagem. Além disso, os dicionários multimídias existentes sofrem várias limitações, onde a maioria deles permite somente a pesquisa de palavra para sinal, enquanto somente algumas delas exploram parâmetros de sinais (isto é, configuração de mão, orientação, localização e movimento) para permitir uma busca de sinal para palavra. As soluções atuais também usam imagens ou vídeos para representar sinais e seus parâmetros, mas imagens 2D são freqüentemente enganosas para uma identificação correta. Desta forma, o trabalho de Buttussi, Chittaro e Coppo [10] teve como objetivo enfrentar os problemas acima descritos, explorando tecnologias Web3D, tais como X3D e H-Anim humanoids, para melhor entender os sinais e simplificar a busca de sinais para palavra, e de sinais para sinais, propondo um dicionário online de língua de sinais internacional, chamado 3DictSL. Assim, os autores apresentam uma proposta de arquitetura cliente/servidor do 3DictSL e ferramenta de autoria, a qual permite que pessoas surdas ampliem o dicionário com sua própria linguagem, além disso, a pesquisa também apresenta detalhes da interface com o usuário do site e como as tecnologias AJAX, ASP.NET, Javascript e X3D são combinadas para desenvolver a proposta. Como o trabalho se configura em um estudo de caso prático, o artigo mencionado discute somente a implementação da Língua Italiana de Sinais (LIS). Destaca-se, dentre estes trabalhos, o artigo de Buttussi, Chittaro e Coppo [10], pois apresenta vários aspectos relevantes, a saber: a disponibilização de conteúdo online, a proposição de um dicionário multi-linguagem envolvendo diversas línguas de sinais e orais-auditivas de uma gama de países, e a possibilidade de contar com tecnologia de representação 3D para facilitar a animação de gestos. Nesta linha, existem vários desafios, a citar: questões relacionadas aos regionalismos da língua de sinais dentro de um próprio país; considerações de que uma língua de sinais de um país possui estrutura gramatical diferente da língua materna aos ouvintes, dentre outros. 2.4 Recursos de ensino-aprendizagem Existem, hoje em dia, diversas iniciativas que incentivam a presença de aprendizes surdos em ambientes educacionais, e fornecem recursos facilitadores para o acesso e a permanência destes estudantes nas diferentes etapas e modalidades de cursos. Alguns destes exemplos são mencionados na Tabela 4 e descritos na sequência. Tabela 4. Relação de trabalhos que tratam das tecnologias assistivas, como recursos de ensino-apredizagem, para pessoas surdas. Tecnologias Autores Jogos educativos [1], [8], [20], [44] Ambientes de aprendizagem [11], [18], [36], [40], [49] Apoio para a pessoa surda no ensino superior [13], [14], [29], [43] No artigo de Brashear [8], a autora descreve sobre o CopyCat, um jogo sobre a Língua Americana de Sinais (ASL) que a tecnologia de reconhecimento de gestos para auxiliar crianças surdas a praticar suas habilidades na ASL. A base de dados das amostras de sinais, utilizada no jogo, foi coletada a partir de estudos com usuários (crianças surdas), jogando uma versão do jogo Mágico de Oz da Escola da Área de Atlanta para Surdos (EUA). No artigo de Adamo-Villani e Wright [1] são descritas a implementação e a avaliação da segunda versão do SMILE (Science and Math in an Immersive Learning Environment), um jogo de aprendizagem imersivo que emprega um ambiente virtual de fantasia 3D para engajar crianças surdas e com deficiência auditiva em tarefas educacionais baseadas em matemática em ciências. Nesta versão, (a) foram combinadas estratégias usadas em jogos de computador comerciais com lições de pesquisas educacionais em aprendizagem e motivação, bem como (b) foram avaliados a usabilidade e o recurso através de um estudo de usuário. Já em Saliés e Starosky [44], discute a questão do uso de jogos, por uma criança surda durante terapia de fala, no processo de aquisição da língua portuguesa como sua segunda língua, e o artigo de Henderson et al [20] enfoca o desenvolvimento de um jogo que utiliza a ASL para crianças surdas. No artigo de Drigas e Kouremenos [18] é apresentado um Sistema de Gerenciamento de Aprendizagem (LMS), o qual oferece vídeos na Língua Grega de Sinais (GSL, Greek Sign Language) em correspondência a cada texto contido no ambiente de aprendizagem. O sistema foi projetado para adultos surdos com o propósito de formação ao longo da vida profissional e educacional. No sistema, as necessidades especiais dos aprendizes surdos são atendidas da seguinte forma: informação bilingue (texto e linguagem de sinais), alto nível de visualização, aprendizagem interativa e exploratória, e aprendizagem com seus pares através de vídeo conferência. O trabalho de Panselina, Sigalas e Tzougraki [40] também trata do enfoque educacional a estudantes surdos, contudo o mesmo aborda o design e o desenvolvimento de uma ferramenta multimídia bilingue (usando a GSL) para o ensino de conceito de química. Ainda no contexto de ambientes de aprendizagem, os trabalhos brasileiros [11], [36] e [49] merecem destaque, pois são três abordagens diferentes umas das outras, mas que trazem contribuições bastante interessantes para o foco de interesse da presente pesquisa. O primeiro apresenta um sistema de autoria online para simplificação de textos, e Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 133
  • 140.
    também discute aspotencialidades do uso de tal ferramenta no contexto educacional. O segundo trabalho dispõe “um modelo de uma plataforma, de educação baseado nos critérios de acessibilidade digital considerando, a prióri, as características dos surdos”. E, no terceiro artigo, os autores promovem a comparação entre a avaliação de usabilidade e a avaliação de acessibilidade da ferramenta HagáQuê, cujo recurso refere-se a um software de autoria, com finalidade pedagógica, para a produção de histórias em quadrinho. Segundo Saksiri, Ferrell e Ruenwongsa [43], na Tailândia existe uma grande necessidade de melhorar as oportunidades educacionais para estudantes com deficiência auditiva em idade de ingressar em cursos universitários. Assim, esta pesquisa descreve dois aspectos desta questão: (a) projeto e teste de uma ferramenta instrucional com animações de sinais virtual para a Língua Tailandesa de Sinais, e (b) investigação de como instrutores que ministram aulas em universidades podem, de maneira eficaz, ensinar estudantes surdos e avaliar seu desempenho, particularmente utilizando esta ferramenta. Para isso, foi realizada revisão de literatura, construído um modelo 3D que inclui expressões faciais rudimentares, e foi concebida uma estrutura para investigar o processo instrucional. Em sua pesquisa, Cavender [13] expõe que estudantes com deficiência auditiva enfrentam barreiras com relação ao acesso a universidades, tornando isso um desafio, e considera que as tecnologias educacionais têm o potencial para melhor incluir esses estudantes no meio acadêmico. Neste contexto, a autora descreve sua proposta de trabalho, a qual trata do desenvolvimento e da avaliação de uma plataforma, utilizando conceitos de computação ubíqua, para sala de aula para que estudantes com deficiência auditiva possam acessar intérpretes e captionists remotamente, evitando dispersão visual, e facilitando o acesso, a interação e a permanência de pessoas surdas no ensino superior. Discutindo ainda o ensino superior, Cavender, Ladner e Roth [14] relatam sobre um curso acadêmico de verão em computação, com nove semanas de duração, para pessoas surdas, apresentando os problemas que esses estudantes passam, bem como as lições aprendidas pelos professores ao tentar contornar esses problemas. No artigo de Kheir e Way [29], os autores informam que computadores, cada vez mais, estão se tornando presentes em sala de aula, com os laptops dos estudantes se tornando norma, ainda assim, alguns usos benéficos desta tecnologia tão difundida estão sendo ignorados. Softwares de reconhecimento de fala estão amadurecendo, e possuem o potencial de fornecer notas em tempo real tendo assistência em sala de aula, particularmente para estudantes surdos. Assim, o artigo mencionado relata o design e a avaliação do sistema Villanova University Speech Transcriber (VUST) que, segundo os autores, diminui custos comparando-se ao método tradicional e aumenta a acessibilidade durante palestras de ciência da computação para estudantes surdos usando um software de reconhecimento de fala em tempo real. Faz-se necessário destacar que o acesso à educação é um dos direitos que todas as pessoas, com algum tipo de deficiência ou não, possui, devendo ser respeitado e priorizado. Os trabalhos mencionados aqui contribuem de forma abrangente, no sentido de existir diversificadas iniciativas de pesquisas (jogos, EAD, computação ubíqua, dentre outras), sendo estas profundamente fundamentadas nas necessidades educacionais especiais das pessoas surdas, visto que estas contam com desejos, anseios e aspectos de aprendizagem diferenciados. 2.5 Outros dispositivos de uso na vida diária Além dos recursos já apresentados anteriormente nesta seção, ainda podem ser citadas outras soluções que além de bastante interessantes, ainda promovem a articulação entre pessoas surdas e equipamentos/ dispositivos, que antes eram restritos a pessoas ouvintes, em um formato criativo e interativo. Alguns exemplos seguem relacionados na Tabela 5. Tabela 5. Relação de trabalhos que tratam das tecnologias assistivas, para uso no dia-a-dia, para pessoas surdas. Tecnologias Autores Alarmes [21] Percepção da música [26], [37] Percepção de sons no ambiente de trabalho [22], [33], [51] Legendas emotivas para TV [39] Assistência à saúde [42] A pesquisa de Nanayakkara et al [37] relata sobre um protótipo de sistema projetado para tentar enriquecer a experiência de música para as pessoas surdas. Este sistema foi desenvolvido com base em um conceito inicial guiado por informações obtidas a partir de um levantamento aprofundado conduzido com 43 participantes surdos, cujo resultado sugeriu que o protótipo melhora a experiência musical de uma pessoa surda, sendo que os usuários preferiram ou a cadeira háptica sozinha (54%) ou a cadeira háptica com o display visual (46%). É interessante mencionar que o trabalho descreve o uso de interface multimodal (tátil e visual), buscando maior inclusão dos surdos em ambientes que envolvem música. Em linha de pesquisa semelhante à descrita no parágrafo anterior, Karam et al [26] desenvolveram o Modelo Humano de Cóclea (Model Human Cochlea, MHC) é uma técnica de substituição sensorial para apresentação de música como múltiplos canais de estímulos vibro-táteis. O protótipo MHC foi introduzido para um grupo de cidadãos idosos surdos em um centro comunitário, onde eles poderiam testar a cadeira, e fornecer um feedback sobre Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 134
  • 141.
    sua experiência. Osresultados deste trabalho sugerem que o MHC pode, potencialmente, oferecer maior significado para expressar a informação emocional básica a partir de música em um display vibro-tátil quando os sinais se aproximam mais aos elementos de percepção da música tais como melodia e peças instrumentais. Na pesquisa de Ho-Ching, Mankoff e Landay [22], os autores desenvolveram dois protótipos, os quais consistem em displays visuais para fornecer sensibilização do áudio do ambiente para indivíduos surdos. A pesquisa foi realizada no campo de trabalho, com participantes surdos e ouvintes, a atenção foi concentrada no suporte à sensibilidade de sons não ligados à fala, tais como telefones tocando e sons de batidas, no ambiente de trabalho. Em termos de design, foram utilizados dois tipos de equipamentos: o primeiro, um (a) spectrograph, que realiza o registro fotográfico de um espectro luminoso, mostrando passo e amplitude, enquanto o segundo, um (b) positional ripples, mostra amplitude e localização dos sons, sendo que ambos suportam monitoramento e notificação de sons, a descoberta de novos sons, e não requerem um conhecimento a priori dos sons detectados. Um experimento controlado envolvendo participantes surdos resultou que nenhum display distrai significativamente. Contudo, usuários preferiram o display positional ripples, pois o consideraram mais fácil de monitorar (notificações de sons foram detectadas com 90% de sucesso no laboratório instalado). No trabalho de Matthews, Fong e Mankoff [33] é ponderado que sons constantemente ocorrem ao nosso redor, nos mantendo alerta no ambiente e que pessoas com deficiência auditiva têm dificuldade em manter essa sensibilização dos sons. Desta forma, é apresentada uma investigação de displays periféricos e visuais para auxiliar pessoas surdas a manter essa sensibilidade de som do ambiente. Assim, os autores apresentam duas contribuições: primeiro, (a) é apresentado um conjunto de preferências de design visual e requisitos funcionais para a visualização dos periféricos de áudio sem fala que irão auxiliar em melhorias em futuras aplicações. Sendo assim, preferências de design visual incluem fácil interpretação, capacidade de enxergar, e distrações apropriadas, e requisitos funcionais incluem a capacidade de identificar que som ocorreu, exibe um histórico de sons apresentados, customiza a informação que é mostrada, e determina a precisão da informação apresentada; e, segundo, (b) foram projetados, implementados e avaliados dois protótipos em pelo funcionamento que incorporam essas preferências e requisitos, servindo como exemplo para futuros designers na tentativa de promover o progresso em direção à compreensão de saber qual a melhor forma de proporcionar a sensibilização periférica de áudio para os surdos. Segundo Tomitsch e Grechenig [51], em trabalhos anteriores já foi investigado o valor da visualização de sons de ambiente para pessoas com deficiência auditiva. Este trabalho foi construído com base nestes resultados e especificamente explora a aplicabilidade do teto para tais visualizações. Assim, foram reunidos requisitos de design baseados em um processo de design participativo incluindo entrevistas com especialistas, um questionário online, bem como um workshop de design em uma organização local para pessoas surdas. Os resultados do workshop mostraram que as pessoas aprovaram a ideia do uso do teto para visualização de ambiente. Contudo, eles também expressaram uma forte necessidade de um display tradicional suplementar para obter maiores detalhes das informações sobre como ocorrem os sons. Os autores expressam a intenção da criação de um protótipo com aplicações de computação ubíqua e reforçam a importância do levantamento de requisitos junto ao público-alvo. Conforme Ohene-Djan, Wright e Combie-Smith [39], muitas pessoas surdas ou deficientes auditivas usam legendas para obter acesso ao conteúdo de áudio de apresentações na TV e em filmes. Contudo, legendas informam ao visualizador o que está sendo dito, e falham ao comunicar como está sendo dito. Esta falha emocional vivenciada pelo visualizador destaca um significante prejuízo à apresentação da legenda em curso, especialmente quando usado para aprendizagem por uma pessoa surda. Portanto, no artigo mencionado, foi descrito um sistema que demonstra a apresentação de legendas que descreve as emoções por trás das palavras usadas na tela. O sistema também oferece aos espectadores a habilidade de personalizar e adaptar suas interações com as legendas, para auxiliá-los em seu processo de aprendizagem. No entanto, é válido refletir se esse tipo de recurso, ao invés de auxiliar, não iria atrapalhar o leitor/usuário por aumentar a quantidade de texto a ser lido. O artigo de Piper e Hollan [42] descreve o projeto e a avaliação da Interface Compartilhada de Fala (Shared Speech Interface, SSI), uma aplicação para um display de mesa (tabletop) multitoque interativo projetado para facilitar conversações médicas entre um paciente surdo e um ouvinte, onde o médico não possui domínio da língua de sinais. Assim, foi empregado um processo de projeto participativo envolvendo pessoas surdas, bem como médicos e especialista. Sendo relatados os resultados a partir de uma avaliação que compara a conversação quando facilitada por: (a) uma mesa digital, (b) um intérprete de língua de sinais humano, e (c) ambos. Essa pesquisa revela que os displays de mesa têm propriedades valiosas para facilitar a discussão entre os indivíduos mencionados, bem como melhora a privacidade e independência. É importante destacar os trabalhos de Karam et al [26] e de Nanayakkara et al [37], pois nos mesmos são relatados Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 135
  • 142.
    projetos e experimentosinovadores, os quais possibilitam às pessoas com necessidades auditivas especiais a sensação musical, o que se imagina ser uma experiência emocionante, intensa e diferenciada. Além dos trabalhos acima descritos, existem muitos outros que tratam de diversos temas interessantes a respeito de tecnologias assistivas para pessoas surdas, alguns exemplos, a saber: (a) Design e/ou avaliação de sistemas: [4], [23] e [47]; (b) Soluções para a Web: [17], [24], [54]; (c) Reconhecimento facial ou de movimento de lábios: [25], [41], [53]; (d) Computação vestível: [3], [12], [32]. 3 RESULTADOS E DISCUSSÕES Ao efetuar a busca pelas palavras-chaves deaf e hearing impaired no The Guide to Computing Literature do ACM Portal, foram apresentados 1.175 e 1.131 trabalhos relacionados, respectivamente, sendo que destes foram obtidos artigos que datam de 1970 até 2010, ou seja, o interesse por pesquisas em tecnologias para assistir pessoas surdas não é tema tão recente quanto se imagina, pois constam registrados 40 anos de trabalhos realizados nesta temática. É válido lembrar que dos mil cento e trinta e um trabalhos localizados no guia, muitos destes foram listados pelo fato de terem citado referências nos artigos com a palavra-chave em questão, e não por tratar realmente do assunto, sendo assim esta quantidade de trabalhos que relacionam a computação e a surdez não é precisamente concreta. Além destes termos de pesquisa e de base de dados, também, foram localizadas outras fontes utilizando diferentes termos de busca, os quais constam relacionados no Apêndice, ao final deste artigo. E o que se percebe, no que tange à quantidade de trabalhos publicados nesta temática, é que nas bases literárias internacionais se encontra um número muito maior e mais rico do que nas bases nacionais observadas. Retomando aos mencionados trabalhos da década de 70, se percebe que naquele período as aplicações da computação para o auxílio às pessoas surdas eram diferentes das atuais, devido a uma série de fatores os quais não serão tratados neste artigo, se preocupando com as primeiras experiências, descritas por Newton e Vonhof [38], da introdução do computador na educação de pessoas surdas, com o relato de uso de softwares do tipo CAI, no artigo de Barnes [5], com a atuação de pessoas surdas enquanto profissionais da área de computação, no trabalho de Bates [6], dentre outras. Contudo, hoje em dia, mesmo com recursos mais avançados e conhecimentos acumulados desde então, ainda existe uma constante busca em termos de melhorias na assistência às pessoas com deficiência auditiva que naquela época já havia sido iniciada. Sendo assim, no contexto deste trabalho, tendo-se como tema principal as tecnologias assistivas, verificou-se a amplitude das pesquisas que vêm sendo desenvolvidas, no mundo todo, para que pessoas surdas possam ter condições iguais, ou o mais similares possível, de pessoas ouvintes para o alcance de uma qualidade de vida, no mínimo, adequada. Neste sentido, ao longo do texto exposto, na Seção 2, se encontra a descrição de esforços no processo de idealização, desenvolvimento e avaliação de sistemas com aplicações de diversas naturezas, sejam sistemas de tradução de uma língua oral para uma língua de sinais (ou vice-versa), sejam sistemas de reconhecimento de fala, jogos eletrônicos, animação de avatares para execução de sinais, sistemas para telefonia celular, projetos que envolvem computação ubíqua, dispositivos com interfaces diferenciadas como as luvas para captura de gestos e as cadeiras vibro-táteis, dentre outros. Outrossim, conforme dito no parágrafo acima, ao mencionar o mundo todo, é importante destacar que existem pessoas surdas em qualquer país e, com isso, deve- se lembrar que sua língua materna deve ser respeitada, a qual não é a mesma língua oral que as pessoas ouvintes se comunicam, sendo assim alguns destes exemplos também constam no levantamento bibliográfico que são os casos da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) que não é a língua portuguesa, a Língua Americana de Sinais (ASL) que não é a língua britânica, dentre outras. Levando ainda essa discussão em consideração, faz-se necessário acrescentar que os estudos que envolvem aplicações em alta tecnologia assistiva devem englobar conhecimentos de algumas áreas como, por exemplo, linguística, computação, psicologia, fonoaudiologia e pedagogia, sendo, portanto, uma rica experiência para as pessoas que embarcam nesse processo. Desta forma, é possível perceber através dos grupos de pesquisadores, autores dos trabalhos estudados, que existe uma formação multidisciplinar adequadamente representada. Além disso, foi possível observar algumas tendências nos trabalhos mais recentes como os dispositivos móveis, as interfaces naturais, as tecnologias de objetos interativos, as redes sem fio, as interfaces multimodais, a computação vestível, enfim, um universo de novas descobertas e outras ainda por surgir, sendo que a tecnologia permeia toda essa evolução e em alta velocidade, buscando ampliar a mobilidade, a praticidade, a comunicação, a autonomia, dentre outros. Com isso, inicia-se uma reflexão sobre os desafios agregados a essas tendências, em especial, por se tratarem de pesquisas que envolvem o ser humano como público-alvo/usuário direto destas tecnologias, questões como ética, segurança e privacidade entram em jogo, as quais ainda devem ser largamente refletidas e debatidas. Por fim, vale ainda ressaltar que se considera importante que as pesquisas realizadas no meio acadêmico tivessem algum incentivo no sentido de que os produtos e resultados gerados se tornassem, amplamente, divulgados e aplicados no uso prático diário, não sendo apenas engavetados. Uma sugestão seria a formação de parcerias com grandes Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 136
  • 143.
    empresas de tecnologiapudessem garantir a produção em série de determinadas aplicações, após tempo determinado de teste e avaliação baseada em critérios de qualidade internacionais. Neste contexto, cabe mencionar a existência da Lei da Inovação Tecnológica [30], a qual “dispõe sobre incentivos à inovação e à pesquisa científica e tecnológica no ambiente produtivo”, na tentativa de promover a integração entre, por exemplo, Universidades e empresas na produção de produtos inovadores. 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS As respostas obtidas, durante a realização deste trabalho, significam que existe uma gama de possibilidades de pesquisa a serem conduzidas sobre o assunto, visto que o tema é bastante abrangente no que tange a áreas de conhecimento envolvidas. Além disso, a temática de tecnologias para assistência a pessoas com deficiência é tópico de interesse em diversas subáreas da computação, em especial, de interface homem-máquina, pois trata da relação direta entre o usuário e os mais variados tipos de tecnologia. Tais respostas ajudam a resolver o problema em mãos, já mencionado anteriormente, que se refere à limitação principal de pessoas surdas, a comunicação desta com as pessoas ouvintes e, em alguns casos, com pessoas com o mesmo tipo de deficiência que ainda não se expressam através da língua de sinais de seu país. Com relação às perspectivas de continuidade deste trabalho, podem ser citados os seguintes: (a) a ampliação e o aprofundamento das leituras sobre o tema em questão; (b) o contato com pessoas surdas de local previamente determinado, a fim de absorver detalhes da cultura e das necessidades dessas pessoas tão especiais; (c) a proposição, o desenvolvimento e a avaliação de um protótipo de tecnologias assistivas voltadas para o auxílio de pessoas com deficiência auditiva. REFERÊNCIAS 1.Adamo-Villani, N.; Wright, K. SMILE: an immersive learning game for deaf and hearing children. Intern. Conference on Computer Graphics and Interactive Techniques archive, ACM SIGGRAPH 2007, No. 17. 2.Ahmed, A.S.; Seong, D.S.K. SignWriting on mobile phones for the deaf. Mobility '06. 3.Amemiya, T.; et al. Virtual Leading Blocks for the Deaf- Blind: A Real-Time Way-Finder by Verbal-Nonverbal Hybrid Interface and High-Density RFID Tag Space. IEEE Virtual Reality 2004, p.165. 4.Barbacena, I.L.; et al. Comparative analysis of tactile sensitivity between blind, deaf and unimpaired people. International Journal of Advanced Media and Communication, Volume 3, Issue 1/2, June 2009. 5.Barnes, O. D. CAI at the National Technical Institute for the Deaf. ACM, SIGCUE, Vol.5, Issue 1, 1971. 6.Bates, R.L. The deaf in computer professions. ACM, SIGCAPH Computers and the Physically Handicapped, Issue 6, April 1972. 7.Bedregal, B.R.C.; Dimuro, G.P.; Costa, A.C. Interval Fuzzy Rule-Based Hand Gesture Recognition. Scientific Computing, Computer Arithmetic and Validated Numerics. 12th GAMM, IEEE, 2006. 8.Brashear, H. Improving the Efficacy of Automated Sign Language Practice Tools. ACM, SIGACCESS Accessibility and Computing, Issue 89, Sept/2007. 9.Breda, W.; et al. SOTAC: A Software for Knowledge- Based Automatic Translation. WCCE 2009. 10.Buttussi, F.; Chittaro, L.; Coppo, M. Using Web3D Technologies for Visualization and Search of Signs in an International Sign Language Dictionary. ACM, Web3D 2007, Italy, April 15–18, 2007. 11.Candido Jr, Arnaldo; et al. Supporting the adaptation of texts for poor literacy readers: a text simplification editor for Brazilian Portuguese. Proceedings of the Fourth Workshop on Innovative Use of NLP for Building Educational Applications, 2009. 12.Caporusso, N. A wearable Malossi alphabet interface for deafblind people. ACM, AVI '08: The Working Conference on Advanced Visual Interfaces, May 2008. 13.Cavender, A.C. Using Networked Multimedia to Improve Educational Access for Deaf and Hard of Hearing Students. ACM, SIGACCESS, Issue 89, 2007. 14.Cavender, A.C.; Ladner, R.E.; Roth, R.I. The summer academy for advancing deaf and hard of hearing in computing. SIGCSE '09. 15.Cherniavsky, N.; et al. Activity Analysis Enabling Real-Time Video Communication on Mobile Phones for Deaf Users. UIST’09, ACM, October 4–7, 2009. 16.Cox, S.; et al. TESSA, a system to aid communication with deaf people. ASSETS 2002, July 8-10, 2002. 17.Debevc, M.; et al. Accessible Multimodal Web Pages with Sign Language Translations for Deaf and Hard of Hearing Users. DEXA '09. 18.Drigas, A.S., Kouremenos, D. An e-Learning Management System for the Deaf people. WSEAS Transactions on Advances in Engineering Education, Issue 1, Volume 2, pp. 20-24, 2005. 19.Duduchi, M.; Capovilla, F.C. BuscaSigno: a construção de uma interface computacional para o acesso ao léxico da língua de sinais Brasileira. IHC, 2006. 20.Henderson, V.; et al. Development of an American Sign Language game for deaf children Proposing a speech to gesture translation architecture for Spanish deaf people. IDC '05. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 137
  • 144.
    21.Hersh, M.A. (Ed)et al. Assistive Technology for the Hearing-Impaired, Deaf and Deafblind. Springer, 2003. 22.Ho-Ching, F.W; et al. Can you see what I hear? The Design and Evaluation of a Peripheral Sound Display for the Deaf. CHI 2003, ACM, Volume 5, Issue No. 1. 23.Huenerfauth, M. Improving Spatial Reference in American Sign Language Animation through Data Collection from Native ASL Signers. UAHCI '09. 24.Jing,A.;Qiang,L. How to Estimate Web-Based Distance Education for the Deaf Undergraduate. CASE '09. 25.Joumun,F.E.; Gnanayutham,P.; George,J. Multimedia Interfaces for BSL Using Lip Readers. ICCHP '08. 26.Karam, M.; et al. Modelling Perceptual Elements of Music in a Vibrotactile Display for Deaf Users: A Field Study. IEEE, Computer Society, ACHI, 2009. 27.Kennaway, R. Experience with and requirements for a gesture description language for synthetic animation. Gesture-Based Communication in HCI, Springer, 2003. 28.Ketabdar, H.; Polzehl, T. Tactile and visual alerts for deaf people by mobile phones. Assets '09. 29.Kheir, R.; Way, T. Inclusion of Deaf Students in Computer Science Classes using Real-time Speech Transcription. ACM, ITiCSE’07, Jun 2007. 30.Lei nº 10.973, de 2 de dezembro de 2004. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/. 31.Lu, P.; Huenerfauth, M. Accessible Motion-Capture Glove Calibration Protocol for Recording Sign Language Data from Deaf Subjects. ASSETS’09. http://latlab.cs.qc.cuny.edu/research.html . 32.Massaro, D.W.; et al. IGlasses: an automatic wearable speech supplementin face-to-face communication and classroom situations. IMCI '08. 33.Matthews, T.; Fong, J.; Mankoff, J. Visualizing Non- Speech Sounds for the Deaf. ASSETS’05, 2005. 34.Miller, D.; Culp, J.; Stotts, D. Facetop tablet: note- taking assistance for deaf persons. Assets '06. 35.Miller, D.; et al. Semi-transparent Video Interfaces to Assist Deaf Persons in Meetings. ACMSE 2007. 36.Miranda, Andréa; et al. Vias-Ka: modelo de acessibilidade para sistemas computacionais de educação a distância. LA Conference on HCI, 2005. 37.Nanayakkara, S.; et al. An Enhanced Musical Experience for the Deaf: Design and Evaluation of a Music Display and a Haptic Chair. CHI 2009. 38.Newton, R.H.; Vonhof, P.W. MDS: a unique project in computer-assisted mathematics. AFIPS '70 (Fall). 39.Ohene-Djan,J.; Wright,J.; Combie-Smith,K. Emotional Subtitles: A System and Potential Applications for Deaf and Hearing Impaired People. CVHI 2007. 40.Panselina, M.E.; Sigalas, M.P.; Tzougraki, C. Design and Development of a Bilingual Multimedia Educational Tool for Teaching Chemistry Concepts to Deaf Students in Greek Sign Language. Education and Information Technologies, Volume 7, Issue 3, 2002. 41.Parent, R.; King, S.; Fujimura, O. Issues with Lip Sync Animation: Can You Read My Lips? IEEE Computer Society, CA '02: Computer Animation, 2002. 42.Piper, A.M.; Hollan, J.D. Supporting Medical Conversations between Deaf and Hearing Individuals with Tabletop Displays. CSCW’08. 43.Saksiri, B.; Ferrell, W.G.; Ruenwongsa, P. Virtual Sign Animated Pedagogic Agents To Support Computer Education For Deaf Learners. Accessibility and Computing, Number 86, Sept 2006. 44.Saliés, T.G.; Starosky, P. How a deaf boy gamed his way to second-language acquisition: Tales of intersubjectivity. Simulation and Gaming, Volume 39, Issue 2, June 2008. 45.San-Segundo, R.; et al. Proposing a speech to gesture translation architecture for Spanish deaf people. JVLC, Vol.19 Issue 5, 2008. 46.Sarji, D.K. HandTalk: Assistive Technology for the Deaf. Embedded Computing, IEEE Intel. Sys., 2008. 47.Song, J.W.; Yang, S.H. A Mobile Communication System Designed for the Hearing-Impaired. UAHCI '09. 48.Souza, V.C.; Pinto, S.C.C.S. Customizando Ambientes na Web para a Língua Brasileira de Sinais usando Web- Services. RBIE, Vol. 15, No 2, 2007. 49.Tanaka, Eduardo H.; Bim, Sílvia A.; Rocha, Heloísa V. Comparing accessibility evaluation and usability evaluation in HagáQuê. LA Conference on HCI, 2005. 50.Tavares, O.L., et al. Falibras-MT. Autoria de tradutores automáticos de textos do português para LIBRAS, na forma gestual animada: Uma abordagem com memória de tradução. XXV CSBC, III TIL, 2005. 51.Tomitsch, M.; Grechenig, T. Design Implications for a Ubiquitous Ambient Sound Display for the Deaf. CVHI 07. 52.van Zijl, L. South African sign language machine translation project. Assets '06. 53.Vogler, C.; Goldenstein, S. Facial movement analysis in ASL. Springer-Verlag, Universal Access in the Information Society, Volume 6, Issue 4, January 2008. 54.Yao, D.; Qiu, Y.; Huang, H. Web-based Chinese sign language broadcasting system. W4A '09: Intern. Cross- Disciplinary Conference on Web Accessibililty, 2009. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 138
  • 145.
    Circinus Sistema Brasileiro deControle de Tráfego Aéreo Por Michelle Dalmas Loeffler – Graduada em Design pelo Uniritter RESUMO O transporte aéreo é um meio de deslocamento rápido, cômodo e em contínuo crescimento. Em vista deste crescimento observa-se a superlotação e congestionamentos em aeroportos. O impacto deste fluxo no controle de tráfego aéreo resulta em profissionais estressados propensos a erros, que fatalmente podem resultar em graves acidentes. Diante deste cenário, surge a iniciativa de propor uma transformação no sistema de controle atualmente utilizado pelos controladores de tráfego aéreo, em um sistema com maior autonomia de controle e com uma interface gráfica amigável, minimizando a sobrecarga cognitiva destes profissionais. O presente trabalho sugere soluções para o problema em questão seguindo o método do projeto “E” de Meurer e Szabluk (2009). Palavras-chaves Desenho de Interação, Design, Desenho Industrial, Ergonomia Cognitiva, Tráfego Aéreo, IGA, Automação. ABSTRACT Air transport is a means of rapid deployment and comodo that increasingly growing. In view of this growth there is a super-capacity and congestion at airports. The impact of this flow on air traffic control results in stressed-out professionals prone to error, which may inevitably result in serious accidents. In this scenario, there is the initiative of transforming the control system currently used by air traffic controllers in a system with greater autonomy and control with a friendly graphical user interface, minimizing the cognitive overload of these professionals. This study analyzes and proposes solutions to the problem in question, following the method E, Meurer and Szabluk, (2009). Key words Interaction Design, Design, Industrial Design, Cognitive Ergonomics, Air Traffic, IGA, Automation. INTRODUÇÃO Este artigo resume o trabalho de diplomação do curso de Design da autora. Com a popularização do transporte aéreo, muitas pessoas acabam o elegendo por ser rápido, cômodo, além de custar quase o mesmo que o transporte rodoviário. Essa crescente demanda ocasionou transtornos às companhias aéreas, aos aeroportos, à administração de transporte aéreo, e, em especial, ao controle de tráfego aéreo. Atualmente o sistema em uso para o controle de tráfego aéreo no Brasil é o sistema X-4000. Um outro sistema, começou a ser instalado, em novembro de 2009 no CINDACTA II (Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo) de Curitiba, onde seguirá com as instalações primeiramente nos centros de controle (ACC) e futuramente também irá para os controles de aproximação (APP) em aeroportos. O nome desse sistema é Sagitario que significa “Sistema Avançado de Gestão das Informações de Tráfego Aéreo e Relatórios de Interesse Operacional”. O sistema Sagitario foi concebido com preocupações em fatores humanos, tendo como uma das principais referências a Eurocontrol (Organização Européia para a Segurança da Navegação Aérea), e possui ícones melhor elaborados, menu de interação sobre as etiquetas eletrônicas (representação gráfica de um voo, com informações referentes a ele) entre outras funcionalidades. Segundo a FAA, não existe um estudo conclusivo sobre a melhor visualização em contraste de figura fundo, recomendam cautela quanto ao uso das cores, “Atualmente, parece haver consenso de que o fundo deve ser cinza, assim como as demais informações de estrutura do espaço aéreo (aerovias, aeródromos, etc.) também devam ser representados em distintas tonalidades de cinza” (Siewerdt – Atech, em uma conversa por e-mail, 2009). Alguns países de primeiro mundo projetam para daqui alguns anos tornar obsoleta a tecnologia por radar, dando espaço ao controle por satélite, onde a cobertura é total, evitando assim riscos de perder conexões com aeronaves. Em Portugal, o sistema de controle utilizado é o LISATM- L2k, esse sistema possui interface caracter, porém conta com janelas de cor de fundo branco onde são exibidos os comandos mais executados. OBJETIVO PRINCIPAL Projetar uma Interface Gráfica Amigável (IGA) para o Sistema de Controle de Tráfego Aéreo brasileiro para APP, e ACC, focando a ergonomia cognitiva e automação do sistema. METODOLOGIA Para desenvolvimento da interface gráfica do Sistema de A compilação deste trabalho tem todos os direitos de reprodução ©2009 reservados. Nenhuma parte pode ser compilada ou impressa, gravada e fotocopiada, através de qualquer meio mecânico ou eletrônico, sem a devida autorização da autora e detentora dos direitos de reprodução. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 139
  • 146.
    Controle de TráfegoAéreo, o método aplicado é o “Projeto E”, de Meurer e Szabluk, 2009. Este método compreende as seguintes etapas: Estratégia – justificativa, objetivos, métodos, cronograma, recursos, questões projetuais, identificação dos cenários, situação inicial e situação final, equalização dos fatores projetuais, taxonomia, análises linguísticas, análises desenhísticas, análise heurística, lista de identificação dos requisitos e restrições do projeto; Escopo – organização do conteúdo em módulos, submódulos e categorias, geração de alternativas, posicionamento do produto entre seus concorrentes; Estrutura – desenho completo do organograma geral e dos fluxos de tarefas, gerar alternativas, “buscando modelos que atendam os requisitos e restrições identificados na Estratégia” (Meurer e Szabluk, 2009). Esqueleto – alternativas de wireframes (quadros de arames) estruturais e arquiteturais, definição de malhas filosofal, construtiva e diagramacional; Estética – estudo e definição das malhas, composição, diagramação e identidade gráfico-visual; Execução – modelo funcional navegável. ORGANIZAÇÃO DO CONTROLE DE TRÁFEGO AÉREO Para controlar o espaço aéreo, são necessários diversos órgãos para garantir voos seguros. Segundo o Departamento de Controle de Espaço Aéreo (DECEA1 ), o Brasil é responsável por administrar um espaço aéreo territorial de 8.511.965 km², além de o espaço sobrejacente à área oceânica, que se estende até o meridiano 10º W, perfazendo um total de 22 milhões de Km². Neste espaço existe uma série de eventos acontecendo ao mesmo tempo: aeronaves comerciais voando, aeronaves militares em treinamento, voos de asa-delta, e todos esses eventos devem acontecer harmoniosamente ente eles. O DECEA, é o órgão responsável por gerenciar e controlar as atividades inerentes à segurança da navegação aérea. O tráfego aéreo organiza-se em centros de controle de área (ACC), em Controle de Aproximação terminal (APP) e as Torres de Controle (TWR). O CINDACTA, conforme Jucewicz (1997, p. 122), é o Centro integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo, constituído pelos subsistemas de detecção por radar, tratamento de dados, 1 http://www.decea.gov.br/espaco-aereo/gerenciamento-de- trafego-aereo/ defesa aérea, tratamento de plano de voo, visualização e comunicações. O sistema de detecção por radar é composto por radares distribuídos nas áreas de monitoramento. Nas áreas de monitoramento encontram-se dois radares independentes, o radar primário e o radar secundário. O radar primário permite a visualização na tela como uma imagem bruta, apresentando a localização geográfica, a distância e o rumo; e o radar secundário, apresenta a altitude e a velocidade das aeronaves em uma imagem sintética no monitor, enviadas pelo transponder do avião. A cobertura dos radares alcança 260 milhas náuticas (aproximadamente 480 km) e altitude ilimitada. O CINDACTA I está localizado em Brasília e é responsável, além de Brasília, pelos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte; o CINDACTA II, localizado em Curitiba, é responsável pelos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul e parte do sul de São Paulo; o CINDACTA III, de Recife, é responsável pela região nordeste e pela área oceânica que separa o Brasil da África e da Europa; e o CINDACTA IV, localizado em Manaus, é responsável pela região amazônica. Os ACC são responsáveis pelo controle de largas extensões das aerovias dentro dos limites de jurisdição correspondentes ao CINDACTA de controle; o APP é responsável pelo controle da chegada e da saída dos voos nos aeroportos, se responsabilizando por um raio de 40 milhas náuticas de controle. A TWR, que atua em um raio de 2,7 milhas náuticas, controla visualmente o aeródromo quando os aviões pousam ou decolam da cabeceira da pista. Este controle não exige o uso intenso do monitor, porém possui um sistema específico para torre, com o mapa do aeródromo, diferente dos usados nos APP e ACC. PERFIL DOS CONTROLADORES No Brasil, o controle é feito em sua maioria por militares, homens e mulheres (em menor escala), com idade entre 20 e 50 anos. È exigido deste profissional raciocínio rápido e lógico, domínio da fraseologia técnica, bom conhecimento da língua inglesa, das normas e das instruções que disciplinam a atividade de controle de tráfego aéreo emitidas pelo DECEA, equilíbrio emocional e visão espacial. (Ministério da Defesa, Comando da Aeronáutica , 2006). O controlador é responsável por manter a distância mínima de segurança entre as aeronaves, de 5 milhas (9 quilômetros) lateralmente e 1000 pés (cerca de 300 metros) de altitude, através da observação na imagem sintética obtida pelo sistema de controle de tráfego aéreo; conceder informações meteorológicas ao piloto a bordo, via rádio ou mensagem; autorizar e manejar pousos de emergências, remanejando o tráfego em tais eventualidades; calcular e autorizar altitudes e velocidades; autorizar planos de voos, Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 140
  • 147.
    enfim, são responsáveispor centenas de vidas que circulam em vias aéreas controladas por eles. Os controladores trabalham 8h por dia com intervalos de 30 minutos a cada duas horas. Segundo a International Stress Management Association do Brasil (ISMA-BR, apud Instituto de Educação Superior de Brasília, 2006), a profissão de Controlador de Tráfego Aéreo, está em segundo lugar na pesquisa, como a mais estressante, perdendo apenas para policiais e seguranças que estão em primeiro lugar. Pereira (2008), mostra em estudos desenvolvidos pelo Núcleo do Instituto de Ciências da Atividade Física (NUICAF) no APP e na TWR do Rio de janeiro entre os anos de 1999 e 2000, que os controladores consideram sua profissão importante, mas não são reconhecidos pela sociedade e nem pela própria organização. Esses trabalhadores possuíam sintomas elevados de estresse e cansaço excessivo, dores de cabeça, sensação de desgaste físico, insônia e tensão muscular. COMO ACONTECE UM VOO CONTROLADO Conforme relato de Carlos Alberto Soares Figueira, Controlador de tráfego aéreo do controle de aproximação do aeroporto Salgado Filho, Porto Alegre, Brasil, um voo inicia-se no planejamento que é feito sobre sua trajetória, onde é levado em consideração uma série de fatores, como por exemplo, fatores meteorológicos, horário de partida e chegada, entre outros. O piloto antes de partir, chamará a TWR e solicitará autorização para prosseguir para a localidade pretendida, no nível de voo proposto. Nesse momento, também pedirá autorização para acionar os motores e iniciar o taxi. A TWR por sua vez solicitará a autorização para o ACC para a aeronave prosseguir em rota até o destino planejado. O ACC autorizará a aerovia (AWY) e nível de voo (altitude), coordenará, juntamente com o APP, qual saída a aeronave deverá fazer após a decolagem. De posse de todas as autorizações, o controlador autorizará o acionamento dos motores e também o taxi até o ponto de espera (local próximo a cabeceira da pista em uso para a decolagem). O piloto, novamente, fará contato com o Controlador da TWR solicitando autorização de decolagem. Após a decolagem, o Piloto receberá da Torre de Controle a hora de decolagem e instruções para trocar a frequência do rádio e chamar o APP de partida, a partir deste momento a aeronave é conduzida a sua rota o mais rápido possível e também é separada de outros tráfegos que porventura evoluam naquele setor.. O piloto é instruído pelo controlador a trocar a frequência de rádio e a chamar o ACC, para prosseguir na parte mais extensa do seu voo, logo após a aeronave ultrapassar o limite lateral ou vertical da Terminal (TMA), local controlado pelo APP. O Controlador do ACC mantém a aeronave em voo seguro até atingir o nível de voo autorizado dentro da aerovia. O piloto deverá solicitar qualquer mudança acentuada que pretenda realizar, desde a velocidade até a nova rota desejada, ao ACC. Manterá então a rota e altitude até próximo de seu destino quando solicitará autorização de descida. O ACC autorizará a descida para um nível de voo pré-coordenado com o APP de chegada e informará o piloto sobre o procedimento de descida que será realizado no local e sobre os fenômenos meteorológicos presentes no local de destino. Quando a aeronave ingressar no espaço aéreo do APP, o Piloto será instruído a trocar a frequência de rádio e chamar o Controlador do APP de chegada. Em contato com o APP de chegada o piloto receberá, novamente, todas as informações referentes a sua aproximação. O piloto será instruído a chamar a TWR somente após a aeronave ter sido conduzida até a aproximação final, depois de a mesma ter sido separada dos outros tráfegos e depois que os Controladores do APP de chegada estejam seguros que o pouso vai se realizar sem problemas. Ainda na aproximação final o piloto fará contato com a TWR e solicitará autorização de pouso. Os controladores, após avistarem a aeronave, autorizarão o pouso. O piloto receberá do controlador a hora de seu pouso e será instruído a deixar a pista pelo caminho apropriado, iniciando o taxi até o local de estacionamento onde desligará os motores. CENÁRIO ATUAL Os sistemas de controle de tráfego aéreo no Brasil, são desenvolvidos pela Atech – Tecnologias Críticas. Algumas das funcionalidades do sistema X-4000 são login e senha; planos de voos; visualização de nuvens; vetoração (medidas de distância e velocidade); alerta rota de colisão; estado do voo através da etiqueta; visualização sintética ou bruta do radar; Imprimir strips (descrição do plano de voo); escrever texto; informações sobre esteira de turbulência; mensagens; zoon; modo assistente/controlador; cópia de segurança do sistema; ocultar barras de ferramentas. O sistema Sagitario possui além das funcionalidades do sistema X-4000; visibilidade de data e hora, latitude e longitude, nome do operador; e apesar de ainda não possuir, foi projetado para receber a cobertura via satélite. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 141
  • 148.
    Figura 8 –Tela do sistema X-4000 com aplicação de um vídeo- mapa (sobreposição de imagem no fiundo). Fonte: arquivo pessoal CENÁRIO PRETENDIDO A proposta de uma nova interface para sistema de controle de tráfego aéreo, sugere o uso de recursos estéticos para tornar agradável e amigável o sistema, buscar um nome que agregue valor simbólico afetivo, além das funções do sistema X-4000 e do sistema Sagitário, pretende-se outras funcionalidades como: visulização vertical dos niveis; visualização em 3D; ajuda; glossário de termos do sistema; glossário de termos em inglês; selecionar e mover strips arrastando e soltando o mouse; cópia de segurança da caixa preta das aeronaves controladas; procurar voos; isolar voos na tela; mensagens de texto livre com vídeo; contramedida eletrônica; opções de costumizar o sistema; buscar automaticamente melhores rotas para o plano de voo; opção de transferir planos automaticamente e controle do tamanho da fonte. ANÁLISE DIACRÔNICA Inicialmente, entre a primeira e segunda década do século passado, o controle de tráfego aéreo era realizado via rádio, entre o controlador e o piloto. O controlador recebia informações do piloto referentes à jurisdição em que o voo se encontrava e ao controlador cabia a tarefa de memorizar e imaginar tal área. Essas informações eram anotadas em fichas e organizadas em escaninhos verticais , separados por altitude que serviam de base para as instruções e procedimentos que o controlador emitia ao piloto com a finalidade de manter os aviões adequadamente separados entre si, tanto no espaço aéreo como nos aeroportos. Nas décadas de 40, 50 e 60 no Brasil, e no ano de 1967 em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil, o radar muda consideravelmente o sistema de controle. Este equipamento possibilitou aos controladores visualizarem a jurisdição em que determinada aeronave se encontrava, não dependiam mais exclusivamente das informações fornecidas pelos pilotos. Com tela circular de tubo de raios catódicos, o radar apresentava uma imagem bruta da reflexão (eco) dos alvos (voos) na tela. Inicialmente as telas que eram “impregnadas com fósforo que iluminava conforme recebia impulsos elétricos de um alvo refletido” (Siewerdt – Atech, em uma conversa por e-mail, 2009), possuíam um fundo entre cor de cobre e marrom, depois vieram os fundos em cor verde e alguns em cinza escuro. Importante destacar que ainda nesse sistema os controladores tinham que memorizar a informação referente a cada alvo. Entre a década de 70 e 80, com a evolução da informática, foi possível “transformar o sinal analógico de vídeo bruto do eco radar em sinais digitais de vídeo sintético” (Jucewicz, 1997, p. 111), assim, as informações referentes aos voos, eram impressas em etiquetas eletrônicas na tela, ao lado de cada alvo. Aqui a interação entre controlador e sistema, limitava-se a alguns comandos do MS-DOS. (Jucewicz, 1997). Na década de 90, os monitores circulares foram substituídos por monitores de LCD de resolução 2048 x 2048 (2K x 2K), a imagem sintética vai além da representação gráfica da etiqueta eletrônica. O sistema X-4000 permite ao controlador, enviar e receber mensagens entre os órgãos de controle, as etiquetas mudam de cor dependendo da situação do voo e, entre outras funções, há o uso de trackball, isto é, uma espécie de mouse. Este sistema é o utilizado atualmente pelo DECEA. ANÁLISE SINCRÔNICA Sistema Sagitário O sistema Sagitario, é uma evolução do sistema X-4000. A interface do sistema Sagitario é limpa e possui ícones melhores elaborados, prevê minimização de informações; as tarefas mais frequentes são executadas sobre a etiqueta eletrônica; a síntese aérea ocupa toda a tela; o acesso as demais operações ocorrem via barra de ferramentas, que pode ser fechada quando não estiver em uso; disponibiliza recurso de sobreposição de imagens meteorológicas e imagens de interesse sobre a síntese aérea; disponibiliza recurso de múltiplas janelas que podem ser redimensionadas; disponibiliza dois tipos de visualização da etiqueta eletrônica, uma padrão, onde apenas informações básicas sobre o voo ficam visíveis e outra estendida onde, as demais informações sobre voo ficam visíveis. Os menus e as janelas de mensagens não acompanham o mesmo padrão de coerência formal estética, representados nos ícones. A família tipográfica utilizada é a Arial. O sistema Sagitario é uma grande evolução em sistema de controle em termos de usabilidade, pois no desenvolver de seu projeto, teve como foco os fatores humanos. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 142
  • 149.
    Figura 1 –Tela Sagitario. Fonte: arquivo pessoal Figura 2 – Etiqueta eletrônica interativa do sistema Sagitario Fonte: arquivo pessoal Figura 3 – Janelas de mensagem do sistema Sagitario. Fonte: arquivo pessoal Sistema X-4000 O Sistema X-4000 possui interface caracter, isso significa que não possui metáforas nos menus, botões e janelas, os botões são identificados por siglas alfanuméricas. A interação torna-se rígida, pois, em alguns casos, uma única tarefa depende de dois ou três menus. A cor de fundo da tela é preto, podendo alternar com “vídeos-mapa” (sobeposição de imagens pixel); as vias aéreas e etiquetas eletrônicas são coloridas. Conforme o Manual de Operação do Posto Controlador e Assistente do Sistema de Tratamento e Visualização de Dados do APP Brasília (2007), a cor da etiqueta irá mostrar a situação do voo. Os voos não controlados pelo posto operador se destacam bastante por ficarem na cor laranja, poluindo e sobrecarregando de informação a tela do operador. Os voos controlados pelo posto operador estão na cor branco, a etiqueta na cor verde, significa que alguma tarefa está sendo atribuída ao voo, a etiqueta na cor amarelo, siginifica que o voo está em processo de transferência e a etiqueta na cor azul piscando, significa que algum setor de controle está identificando o voo. Ainda em cada etiqueta existe uma simbologia para identificar a detecção radar, e são elas: uma cruz indica detecção do radar primário, um círculo indica detecção do radar secundário, a cruz e o círculo juntos indicam as duas detecções radares; um asterisco indica que houve uma perda de detecção radar, nesse caso, a etiqueta fica estática na tela por alguns minutos com as últimas informações radaresantes de perder a detecção. O estilo tipográfico utilizado neste sistema é fonte pixel, e diferencia o número zero da letra “o”, utilizando um traço na diagonal no número zero. Isso facilita para os controladores pois é rápida diferenciação da letra e do número. Este é um sistema que exige um grande esforço cognitivo dos controladores, podendo levá-los ao estresse. Figura 4 – Tela principal do sistema X-4000 – ACC Curitiba. Fonte: arquivo pessoal Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 143
  • 150.
    Figura 5 –Menu de tarefas relativo ao plano de voo do sistema X-4000. Fonte: arquivo pessoal LISATM-L2k O sistema LISATM-L2k utilizado em Portugal para o controle de tráfego aéreo, possui funcionalidades semelhantes ao do sistema Sagitario, mas diferencia-se no fato de não possuir ícones, possuindo também interface caracter. Este sistema possui fundo das janelas nas cores em branco e cinza claro e a seleção em algumas situações, fica colorida, o que facilitando a leitura. Figura 6 – Sistema LISATM-L2k. Fonte: arquivo pessoal É interessante observar que a representação gráfica dos voos, ocorre trambém através de uma seta, que indica a direção do voo. Quando há interação sobre a etiqueta eletrônica, essa fica selecionada, facilitando a visibilidade dos objetos na tela. Figura 7 – Sistema LISATM-L2K. Menu de interação sobre etiqueta eletrônica. Fonte: Eurocontrol2 ORGANIZAÇÃO DA INFORMAÇÃO As definições de escopo basearam-se nas tarefas a serem desempenhadas pelos controladores, resultando nas diversas funcionalidades apresentada pelo Sistema de Controle de Tráfego Aéreo, exploradas de forma ampla no texto original deste artigo. Para organizar essas funcionalidades, foi utilizado a teoria de percepção humana que estuda a Gestalt. Nesta organização, também foram definidos as formas de agrupamento das funcionalidades, em abas, barras de ferramentas, bem como o comportamento de ocultar e mostrar todas as barras de interações presente na interface. Foi levado em consideração, durante a organização da informação os seguintes pré-requisitos: a automação, para tornar mais autônomo o sistema com o objetivo de minimizar a sobrecarga de trabalho dos controladores, a linguagem utilizada nas momenclaturas e representação gráfica da detecção radar foi mantido para não prejudicar o modelo mental já adquirido. TELAS DE ARAMES OU WIREFRAMES Os wireframes desse sistema foram desenvolvidos com base em definições de design: área de trabalho do Sistema de Controle de Tráfego Aéreo: monitores de 28 polegadas 2048x2048px; malhas filosofais de divisão espacial: retânglo raiz de 4; malha estrutural de 12 módulos de 133px de largura e espaçamento entre eles de 41px e a malha diagramacional que se define de acordo com a geração de alternativas de wireframes estrutruais sem a informação: 2 http://search.eurocontrol.int/http://onesky.eurocontrol. int/portal/dt?desktop.suid=uid%3Dsearchanon,ou %3DPeople,o%3Dsearch,o %3Decmode=basicdatabase=publicdescription=full scope=LISBOA++Air+Traffic+Management+System- Link+2000%2B+ Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 144
  • 151.
    Figura 9 –Definição de wireframe estrutural Após as definições de malhas e wireframe estrutural, aplicou-se a informação, obtendo-se o wireframe arquitetural: 10 2 0 3 0 4 0 5 0 6 0 7 0 8 0 9 0 10 0 110 1 2 0 1 3 0 1 4 0 1 5 0 1 6 0 1 8 0 1 9 0 2 0 0 210 2 2 0 2 3 0 2 4 0 2 5 0 2 6 0 2 7 0 2 8 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 120 130 140 150 160 180 190 200 210 220 230 240 250 260 270 280 290 300 310 320 330 340 350 Assinatura visual Nome do operador Latitude 220° Longitude 60° Temperatura 25° 20/10/2009 14:33 Logoff Plano de voo Informações Relatório Ajuda Backup Cobertura Mostrar/ocultar Configurações Padrão Níveis verticais Videos-mapa 3D Imagem bruta 1 2 Turbulência Zoon Mensagens Nuvem Assistente Vetor Localizar VRG2402 Origem: SBRJ Tipo: DEP Estatus: em e spera, sem at raso RVSM: Homologado Nível de cruzei ro: 680 Destino: SBSP V elocidade: N0444 TAM5402 Origem: SBRJ Tipo: DEP Estatus: em e spera, sem at raso RVSM: Homologado Nível de cruzei ro: 680 Destino: SBSP V elocidade: N0444 GOL2025 Origem: SBRJ Tipo: DEP Estatus: em e spera, sem at raso RVSM: Homologado Nível de cruzei ro: 680 Destino: SBSP V elocidade: N0444 AZU2402 Origem: SBRJ Tipo: DEP Estatus: em e spera, sem at raso RVSM: Homologado Nível de cruzei ro: 680 Destino: SBSP V elocidade: N0444 VRG2402 020 680 444 V Multidetecção S01 W VRG2402 020 680 Figura 10 – Definição de wireframe arquiterual ESTÉTICA Com os wireframes definidos, aplica-se o desenho de superfície, onde é definido, logotipo, ícones, imagens, fontes tipográficas de texto, define-se também cores e conceito gráfico. Aqui foi possível definir o contraste entre figura e fundo. Foi proposto que o voos não controlados pelo posto operador ficassem na mesma cor dos voos controlados, na cor branca, porém em uma opacidade mais baixa para que não se sobressaíssem aos voos controlados pelo posto. Também foi proposto cor de fundo branco nas janelas interativas e nas strips, bem como o cuidado com o espaçamento entrelinhas de texto, para facilitar a leitura dessas informações e tornar essa uma experiência agradável. O uso de uma forma de fechamento da etiqueta eletrônica, facilita a identificação de um grupo de informações relativas a um voo. A família tipográfica escolhida para apresentar as informações foi a TiresiasPcFontZ, desenhada especificamente para uso em tela. Possui diferenciação entre o número zero e a letra “o”, em que o número zero possui um traço na diagonal, o que proporciona boa visibilidade. Figura 11 – Layout final Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 145
  • 152.
    Figura 12 –Detalhe das Strips (informações completas sobre um plano de voo). Da esquerda para direita: Strip utilizada pelo sistema X-4000 e strip proposta no sistema Circinus OS RESULTADOS Após a conclusão deste trabalho, algumas considerações foram observadas advindas do controlador de tráfego aéreo de Porto Alegre, Carlos Figueira, e da empresa que desenvolve os sistemas de controle de tráfego aéreo a Atech. O controlador Carlos Figueira, comentou que um sistema como este facilitaria muito o trabalho dos controladores, pois apresenta diferentes formas de visualização do espaço aéreo, oferece a opção de controle do tamanho da fonte, disponibiliza interações de minimização das strips, que facilita o uso e comentou sobre a suavidade do tratamento gráfico, o que torna a navegação pelo sistema agradável. Os comentários feitos pela Atech teve alguns retornos negativos e outros positivos. Os retornos negativos foram que algumas das coisas propostas já formam estudadas e rejeitadas, como por exemplo: controladores querem cada vez mais um número maior de informações, e querem que cada vez mais que a interface seja limpa, então o uso de janelas sobre a situação aérea foi alvo de críticas. Outro ponto negativo, foi o uso da barra de menus e status no topo, pois isso fisiologicamente falando, pode causar dores musculares, principalmente das pessoas de baixa estatura, afinal o monitor é grande, e uma barra de menus no topo exige que o operador incline a cabeça para trás para visualiza-lo. Os pontos positivos foram o controle de tamanho da fonte, que atende um número grande de operadores, com diferentes necessidades de visualização, e o sistema de busca de voos, bem como a opção de isolar o voo encontrado na tela para facilitar localização e visualização dele. Os fatores estéticos também foi um ponto positivo, porém ainda em questionamento quanto ao desempenho de máquina para o processamento dos recursos estéticos. CONCLUSÃO Atualmente os sistemas de controle de tráfego aéreo possuem uma espécie de mouse “trackball” que, fisiologicamente falando, pode levar a fadiga muscular o braço do operador. A fadiga ocorre porque o operador é quem deve adaptar-se ao aparelho, quando deveria ocorrer o contrário, o operador deveria trazer o aparelho para perto de si e manuseá-lo como ocorre com um mouse comum que usamos em casa. Esse é mais um exemplo da falta de atenção ergonômica dada ao trabalho desenvolvido pelos profissionais de controle de tráfego aéreo. Essa desatenção acaba elevando o estresse desses profissionais e prejudicando a qualidade de desenvolvimento do seu trabalho. Outro fator importante que desenvolvedores já estão pensando em um sistema integrado de controle e gerenciamento de tráfego aéreo. Atualmente, os APP e os ACC perdem a visualização dos voos que saíram do seu limite de controle. A perda visual dos voos acaba burocratizando e dificultando o fluxo de trabalho dos controladores devido ao tempo despendido para localizar esses voos, pois o operador tem que entrar em contato com o centro que está controlando esse voo. O sistema integrado possibilita que todo o espaço aéreo seja visível por todos os postos de controle. O controlador deixará a sua área de controle ampliada na tela e, no caso de emergências, independente de quem estiver controlando o voo, poderá dar suporte a uma aeronave que necessite de socorro. Essa integração também agrega outras vantagens, como por exemplo, na comunicação, na automação e nas informações meteorológicas e aeronáuticas. É possível perceber que muitos sistemas de controle de tráfego aéreo no mundo enfrentam as deficiências da Interface Gráfica Amigável (IGA). As tecnologias críticas de controle de tráfego aéreo que deveriam ser as pioneiras nos estudos das interfaces humano-computador e usabilidade dos sistemas, acabam ficando atrás de muitos jogos de computadores. Os sistemas de controle de tráfego aéreo são atrelados ao governo e o cenário atual, que aos poucos vem se alterando, provavelmente tenha relação com a burocracia do governo que dificulta tais desenvolvimentos. Conforme dito anteriormente esse cenário está mudando, há, atualmente, uma preocupação maior com sistemas usáveis ou que se preocupem com fatores humanos, como o sistema Sagitario desenvolvido pela Atech. Com condições adequadas e ferramentas de trabalho favoráveis, os controladores de tráfego aéreo melhorarão a qualidade do trabalho que desenvolvem. Não podemos esquecer que estamos falando de vidas. Vidas que cruzam os céus e vidas de quem controlam essas vidas. Pode-se concluir que estudos sobre Interface Gráfica Amigável (IGA), fatores humanos e desenho de interação apresentariam resultados positivos para outras tecnologias críticas além do controle de tráfego aéreo. A Interface Gráfica Amigável deve ser largamente abordada e estudada, pois poderá oferecer melhores condições de trabalho a Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 146
  • 153.
    profissionais que estãoconstantemente dedicando suas vidas para o desenvolvimento da sociedade. Foi possível perceber que é preciso preocupar-se com a a interface como um todo e não com áreas isoladas, por exemplo, escopo, estrutura, wireframe e estética como elementos separados. O usuário no final irá perceber um único trabalho e seu desempenho poderá avaliar todos os envolvidos, e na verdade, todos participam do desenvolvimento de uma única interface. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Livros AGNER, Luiz. Ergodesign e Arquitetura de Informação: Trabalhando com o Usuário. Rio de Janeiro: Quartet, 2006. 176p. BARBA, Polyana; LERNER, Miriam; MORAES, Anamaria de. O trabalho dos controladores de aproximação de vôo do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro: as causas do stress e como ele pode dificultar a execução da tarefa. Anais do PD Design 96 Estudos em Design AenD-BR. Rio de Janeiro: Associação de Ensino de Design do Brasil. BETINI, Johnni. Manual de Operação do Posto Controlador e Assistente do Sistema de Tratamento e Visualização de Dados do APP Brasília. Atech, 2007. BLACKLOCK, Mark 1997, Integrating Global Air Traffic Management. Londres, 1998. BROD JÚNIOR, Marcos. Arte e tecnologia: infografias: novos conceitos no ensino das artes visuais. 108 p. Monografia (Especialização em Arte-Educação) - Fundação Educacional Machado de Assis, Faculdade de Educação Artística, Santa Rosa, 2001. DIEZ, Jose Maria Gil 1984, A.T.C. Control de tráfico aéreo. Madrid: Paraninfo, 1984. 360p. EYSENCK, Michael W.; KEANE, Mark T. Manual de psicologia cognitiva. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2007. GOMES FILHO, João. Ergonomia do objeto: sistema técnico de leitura ergonômica. São Paulo: Escrituras, 2003. 255 p. GOMES FILHO, João. Gestalt do objeto: sistema de leitura visual da forma. 6. ed. São Paulo: Escrituras, 2004. 127 p. GOMES, Luiz Vidal Negreiros; MEDEIROS, Ligia Maria Sampaio de. Retículas, Grelhas e Malhas: Noções Fundamentais e Aplicações. Anais Graphica. Porto Alegre, 2005. GUIMARÃES, Lia Buarque de Macedo (Ed.). Ergonomia cognitiva. 2.ed. Porto Alegre: FEENG, 2004. (Série Monográfica Ergonomia). ISAAC, Anne R. Air traffic Control: Human Performance Factors. Aldershot: Ashgate, 1999. JUCEWICZ, Stefan. Radar. São Paulo: Asa, 1997. MEMÓRIA, Felipe. Design para a Internet: projetando a experiência perfeita. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005. MEURER, Heli. Projetação de Sistema de Administração de Sítios Virtuais: O Atualizador®. Dissertação (Mestrado em PPGEP/UFSM). Santa Maria, 2004.130p. MEURER, heli; SZABLUK, Daniela. Projeto E: metodologia projetual para ambientes dígito-virtuais. Anais do 3º InfoDesign Brasil | Congresso Brasileiro de Design da Informação. Rio de Janeiro RJ: PUC RIO, 2009. PREECE, Jennifer; ROGERS, Yvone; SHARP, Helen. Design de interação: além da interação homem- computador. Porto Alegre: Bookman, 2005. REBELLO, Luiza Helena Boueri. Design de salas de controle de tráfego aéreo. Anais do PD Design 96 Estudos em Design AenD-BR. Rio de Janeiro: Associação de Ensino de Design do Brasil. ROCHA, Heloisa Vieira da; BARANAUSKAS, Maria Cecília C. Design e avaliação de Interfaces humano- computador.Campinas: NIED/UNICAMP, 2003. 244 p. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 147
  • 154.
    SAMARA, Timothy. Grid:construção e desconstrução. Tradução de Denise Bottmann. São Paulo: Cosac Naify, 2007. 208p. SIEWERDT, Eno. O Controle de Tráfego Aéreo. Artigo publicado em dezembro de 2003 na revista Albatroz, EPCAR - Escola Preparatória de Cadetes do Ar. Barbacena, 2003. TELLES, Ana Luiza Corrêa. Ergonomia e concepção de interfaces de dispositivos de informação e controle – O caso dos sistemas digitais de controle distribuído. Anais do PD Design 96 Estudos em Design AenD-BR. Rio de Janeiro: Associação de Ensino de Design do Brasil. Sítios virtuais AMSTEL, Frederick van. Afinal, o que é Design de Interação?. Curitiba, 2006. Disponível em: http://usabilidoido.com.br/. Acesso em: setembro, 2008. ASSOCIAÇÃO Brasileira de Ergonomia. Disponível em: http://www.abergo.org.br. Acesso em 3 de outubro de 2009. ATECH Tecnologias Críticas. Disponível em: http://www.atech.com.br/. Acesso em 3 de julho de 2008. CIRCINUS. Disponível em: http://www.on.br/glossario/alfabeto/c/constelacao_circinus .html. Acesso em 9 de novembro de 2008. CONSTELAÇÃO. Disponível em: http://astro.if.ufrgs.br/const.htm. Acesso em 9 de novembro de 2008. CONSTELAÇÃO de Circinus. Disponível em: http://www.nasa.gov/centers/marshall/multimedia/photoga llery/photos/photogallery/chandra/chandra5test.html. Acesso em: setembro de 2009. CONTROLE de tráfego aéreo. Disponível em: http://viagem.hsw.uol.com.br/controle-de-trafego- eua.htm. Acesso em: 16 de setembro de 2008. DEPARTAMENTO de Controle de Espaço Aéreo. Disponível em: http://www.decea.gov.br. Acesso em 27 de agosto de 2009. EUROCONTROL Disponível em: http://www.eurocontrol.int/index1.html. Acesso em 5 de julho de 2008. FEDERAL Aviation Administration. Disponível em: http://www.faa.gov/. Acesso em 22 de agosto de 2009. GLOSSÁRIO de termos militares. Disponível em: http://defesabrasil.com/site/glossario/list-12.php?page=2. Acesso em 21 de outubro de 2009. ISB. Disponível em: http://www.iesb.br/grad/jornalismo/na_pratica/noticias_ detalhes.asp?id_artigo=5296. Acesso em 30 de agosto de 2009. METEOROLOGIA. Disponível em: http://www.redemet.aer.mil.br/consulta_msg/consulta_mo nta_tempo.php? ID_REDEMET=q8f4jfp9j32pg16vp7rje8k2h4 PHPSESSID=q8f4jfp9j32pg16vp7rje8k2h4. Acesso em 30 de novembro de 2008. SISTEMA de informação. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Sistema_de_informação. Acesso em: outubro de 2009. SOFTWARE. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Software. Acesso em: setembro de 2009. TIRESIAS. A family of typefaces. Disponível em: http://www.tiresias.org/fonts/index.htm. Acesso em outubro de 2009. VIRGILIO, Silvia Regina. Software e engenharia de software. Disponível em: http://www.inf.ufpr.br/silvia/ES/SweES/SweESalunos.pdf . Acesso em: setembro de 2009. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 148
  • 155.
    O processo decolaboração em ambientes hipermidiáticos na EAD: modalidades, tecnologias e design de informação Israel Braglia, Ms. Universidade Federal de Santa Catarina Programa de Pós-Graduação em Engenharia do Conhecimento israelbraglia@gmail.com Berenice Gonçalves, Drª. Universidade Federal de Santa Catarina Programa de Pós-Graduação em Design e Expressão Gráfica berenice@cce.ufsc.br Alice Cybis Pereira, PhD. Universidade Federal de Santa Catarina Programa de Pós-Graduação em Engenharia do Conhecimento acybis@gmail.com RESUMO A colaboração contribui e muito para o processo de ensino aprendizagem em educação a distância. Sua articulação com os sistemas hipermidiáticos favorece a troca de conhecimento e o desenvolvimento do design da informação na web. Assim, a partir de uma abordagem analítica, este artigo, apresenta conceitos, modalidade e processos tecnológicos que dão suporte a colaboração. Aponta-se as características qualitativas e as contribuições do processo colaborativo na internet, e sobretudo, no contexto da educação à distância. Palavras Chave Colaboração, design de informação, hipermídia, educação à distância. ACM Classification Keywords H5.m. Information interfaces and presentation (e.g., HCI): Miscellaneous. INTRODUÇÃO A introversão e o isolamento, características dos primeiros processos que envolviam usuários e computadores, perderam lugar para as comunidades on-line de interação e de equipes ativas, movimentadas por multidões de usuários em chats, fóruns e ferramentas similares. O exercício de conexão à internet fez juntar milhares de usuários em listservers, visitar salas de bate-papo e preencher comunidades on-line com informações úteis e suporte de respostas recheadas de uma grande diversidade de conteúdos. O cenário geral das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) vem ampliando as possibilidades de comunicação. As TICs beneficiam-se das potencialidades da Internet para incorporar às situações reais um aprimoramento para a educação a distância (EAD) elementos como a aprendizagem informal, a aprendizagem autônoma e a aprendizagem cooperativa para atender às demandas da sociedade por um novo paradigma educacional. A educação on-line é uma ação sistemática de uso de tecnologias, incluindo hipertexto e redes de comunicação interativa, para distribuição de conteúdo educacional e apoio à aprendizagem, sem limitação de tempo ou lugar (FILATRO, 2004). Sua principal característica é a mediação tecnológica através da conexão em rede. A educação on-line se concretiza em diferentes modalidades, que vão desde a educação presencial apoiada por tecnologias até a educação totalmente à distância. O nível de utilização das TICs depende em grande parte da infra-estrutura tecnológica disponível (como largura de banda e espaço em disco), da capacidade humana em lidar com as tecnologias, e também dos objetivos e educacionais propostos. O processo colaborativo por estar centrado na operação do usuário das TICs muito se relaciona com o design da informação1 Nessa perspectiva, o presente artigo então tem como foco apontar os principais aspectos da colaboração e suas contribuições para os processos de interação no contexto da educação a distância online tendo como base os estudos de Ben Schneidermann e Catherine Plaisant (2005). Além que está centrado na aprendizagem e apreensão do usuário quanto ao conteúdo transmitido através das TICs. 1 O design de informação é uma área do design gráfico que objetiva equacionar os aspectos sintáticos, semânticos e pragmáticos que envolvem os sistemas de informação através da contextualização, planejamento, produção e interface gráfica da informação, explica a professora Carla Spinillo, presidente da SBDI. Segundo Spinillo, seu princípio básico é o de otimizar o processo de aquisição da informação efetivado nos sistemas de comunicação analógicos e digitais (FRED PESSOA, 2003). Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 149
  • 156.
    disso, busca ressaltaras potencialidades do design da informação e sua contribuição para a aprendizagem. O POTENCIAL DO PROCESSO DE COLABORAÇÃO A discussão sobre colaboração não é recente. Ela surge do paralelo entre dois pontos importantes para a engenharia de software, a colaboração e cooperação. É sutil a diferença entre colaboração e cooperação. Esses termos expressam formas levemente diferentes de trabalho. De acordo com Kutova (2006) uma das definições mais antigas dentro da área de informática, é a de James Bair (1989) que explica colaboração como sendo a comunicação entre pessoas que trabalham juntas e com um mesmo objetivo, porém essas pessoas são avaliadas individualmente, e cooperação como a comunicação em que não existe mais o conceito de indivíduo, apenas o de grupo. Kutova (2006) cita que num projeto colaborativo há mais espaço para autonomia e para relacionamentos informais. A permanência dentro do escopo pré-estabelecido é de difícil controle e nem sempre desejada. Deve haver um estímulo à interação entre os participantes. Já num projeto cooperativo, existe uma interdependência positiva. As interações entre os participantes são essenciais. É provável que surja espontaneamente, ou de forma planejada, uma estrutura social, com hierarquias e distribuição de responsabilidades. As habilidades dos participantes devem ser complementares para alcance do objetivo único do grupo. Assim, o processo de colaboração abarca outra discussão: a interação e a interatividade. Segundo Silva (2008), o conceito de interação vem de longe, entretanto o conceito de interatividade é recente. Pode ter surgido no final dos anos 70 e início da década de 80 no contexto das novas tecnologias de informação. Um dado que permite esta afirmação é a ausência do termo nos dicionários de informática até meados dos anos 80. Para Lemos (1997), a palavra interação está relacionada ao contato interpessoal e direto chamado por ele “interação social”; enquanto interatividade é “uma nova qualidade de interação”, influenciada diretamente pelo meio. “Podemos compreender a interatividade digital como um diálogo entre homens e máquinas”. Para Primo e Cassol (1999), a partir da definição de Steuer, “[...] interatividade é uma extensão em que usuários podem participar modificando a forma e o conteúdo do ambiente mediado em tempo real”. Pode-se dizer então que interatividade é uma forma de comunicação versátil que permite que os usuários alterem o fluxo da informação conforme desejarem. Primo e Cassol (1999) explicam que para tanto, existem três fatores básicos a serem medidos. O primeiro é a velocidade que o sistema responde ao usuário, sendo que a resposta mais rápida permite uma maior interatividade. O segundo fator é amplitude da interação, ou seja, o número de elementos possíveis de serem alterados pelo usuário. E por fim o mapeamento, que é o meio pelo qual o usuário se conecta e se comunica com o sistema, por exemplo, mouse, teclado ou gamepad. Filatro (2008) propõe uma clara diferenciação entre interação e interatividade. A interação diz respeito ao comportamento das pessoas em relação a outras pessoas e aos sistemas. Ela está ligada à ação recíproca pela qual indivíduos e objetos se influenciam mutuamente. A interatividade, por sua vez, ao descrever a capacidade ou o potencial de um sistema propiciar interação, é um pré- requisito para a interação (FILATRO, 2008). PROCESSO COLABORATIVO NA EAD As comunidades de discussão online são comumente usadas nos sistemas de educação a distância e em cursos de capacitação de classes presenciais (face-to-face classes). Para encontrar o constante fluxo de mensagens pelos instrutores é um desafio gratificante, e os estudantes estão geralmente satisfeitos com a experiência. A essência da aula virtual é um meio de facilitar a aprendizagem colaborativa, muitas vezes com projetos. A educação a distância para os alunos, permite o aumento da sua capacidade de estar em constante comunicação uns com os outros, e é uma forma de evidente benefício. Mas, mesmo no campus de base dos cursos, a tecnologia proporciona um meio muito rico para que o ambiente de aprendizagem colaborativa ultrapasse a aula tradicional, pela capacidade de conectar os alunos e tornar claro materiais disponíveis em uma base de dados (HILTZ, 1992; HAZEMI and HAILES, 2001). A colaboração em cursos de EAD é caracterizada e difundida pelos ambientes virtuais de aprendizagem (AVA) ou ambientes hipermidiáticos de aprendizagem (AHA). Um AVA consiste em uma opção de mídia que está sendo utilizada para mediar processo ensino-aprendizagem à distância. Nos últimos anos, os ambientes virtuais de aprendizagem estão cada vez mais utilizados no âmbito acadêmico e corporativo como uma opção tecnológica para atender esta demanda educacional. Diante do exposto, destaca-se a importância de um entendimento mais crítico sobre o conceito que orienta o desenvolvimento ou uso desses ambientes, assim como, o tipo de estrutura humana e tecnológica que oferece suporte ao processo ensino- aprendizagem (CYBIS, 2007). Os AVAs, sintonizados com os novos paradigmas epistemológicos da educação, privilegiam a aprendizagem colaborativa, a construção compartilhada do conhecimento, a interação, a subjetividade, a autonomia e o desenvolvimento de uma consciência crítica nos estudantes. Atraídos pelo potencial sócio-técnico dos ambientes de aprendizagem, que fazem do digital seu suporte e pela possibilidade de constante atualização, muitos educadores têm se utilizado do ciberespaço como um meio para a renovação de suas práticas pedagógicas (CIBYS, 2006). A Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 150
  • 157.
    Interação Homem Computador(IHC) é um campo de estudo interdisciplinar que tem como objetivo entender como e porque as pessoas utilizam (ou não) as tecnologias da informação (PADOVANI, 2002). Os AVAs são projetados de acordo com a necessidade de seus usuários. A premissa básica do design centrado no usuário é a de que suas necessidades sejam levadas em consideração durante todo processo de design e desenvolvimento, o que pode ser alcançado avaliando-se o design em vários estágios de seu desenvolvimento e corrigindo-o para que se adapte às necessidades dos usuários (GOULD e LEWIS, 1985). O design, portanto, progride em ciclos interativos de design – avaliação – novo design (redesign) (PREECE, et. al. 2005). Os usuários preferem sistemas que sejam fáceis de aprender e utilizar assim como eficazes, eficientes, seguros e satisfatórios. É também essencial que alguns pontos sejam agradáveis, atraentes, desafiadores, etc. Saber o que avaliar a importância de avaliar e quando avaliar são, portanto, tarefas fundamentais. Desse modo, a avaliação é necessária para a certificação de que os usuários podem vir a utilizar o produto e apreciá-lo (PREECE, 2002). Além disso, hoje os usuários procuram muito mais do que um sistema usável, como aponta a Nielsen Norman Group, uma empresa de consultoria de usabilidade: “A experiência do usuário” abrange todos os aspectos da interação do usuário final... o primeiro requisito para uma experiência exemplar do usuário consiste em encontrar as necessidades exatas do cliente, sem ansiedade ou incomodação. A seguir, vem a simplicidade e a elegância, que produzem produtos bons de se ter e de utilizar. ESTRATÉGIAS (OU MODALIDADES) QUE POTENCIALIZAM A COLABORAÇÃO Através da interface2 Para a educação a distância a colaboração apresenta certa amplitude de troca de saberes e contribui para o aprendizado autodirigido. Schneidermann e Plaisant (2005) apresentam modalidades de colaboração classificados por eles como fatores de compartilhamento online. Quando bem gráfica, o design de informação é apresentado ao usuário, e que através dos sistemas de informação, pode-se obter a colaboração do mesmo. A colaboração online é capaz de potencializar o design da informação através da troca e articulação do conhecimento de seus usuários. Por este motivo, o processo colaborativo na internet pode ser classificado de várias maneiras. A colaboração é a articulação do usuário com a interface gráfica e sistemas de informação. 2 A interface atua como uma espécie de tradutor realiza a mediação entre duas partes, tornando uma sensível para a outra. Em outras palavras, a relação governada pela interface é uma relação semântica, caracterizada por significado e expressão [...]Em seu sentido mais simples, a palavra interface se refere a softwares que dão forma à interação entre usuários e o computador. (JOHNSON, 2001, p. 17-18). implementados, esses pontos caracterizam a interação entre o usuário/sistema de forma qualitativa. A seguir, essas modalidades são destacadas e comentadas. Focada em parcerias (focused partnerships): segundo os autores, a colaboração focada em parcerias permite o compartilhamento através da parceria online por correio eletrônico, bate-papo, mensagem instantânea, telefone, mensagem de voz, vídeo conferência e outras combinações de tecnologia. Palestra ou demo (lecture or demo): conforme os mesmos autores, a palestra ou demo são formatos onde a pessoa pode compartilhar informações com o maior número de usuários em locais remotos. A hora de início e a duração é mesma para todos, as questões podem ser levantadas pelos participantes. Não é necessária a manutenção do histórico do assunto, mas a capacidade de se ter um replay é útil para a posterior análise daqueles que não puderam comparecer – afirmam eles. Conferências (conferences): as conferências permitem a comunicação de grupos distantes ao mesmo tempo (o que a torna síncrona) ou separados ao longo do tempo (de maneira assíncrona). Os recursos de colaboração de conferências são utilizadas para reuniões, planejamentos, discussões de estudos, problemas com os deveres de casa, monitoria, etc. Processo de trabalho estruturado (stuctured work process): o processo de trabalho estruturado permite que as pessoas colaborem com os papéis distintos da Organização onde atuam em tarefas diferentes. Por exemplo, no desenvolvimento de uma revista científica on-line um editor projeta a apresentação, outro faz as revisões, outro a publicação; e assim por diante. Ben Schneidermann e Catherine Plaisant (2005) ainda dão um exemplo desse tipo de colaboração em uma agência de seguro-saúde que recebe notificações, e reembolsa ou rejeita as contas médicas, e até em uma universidade que efetua admissões por comissão de registros, opiniões ou aplicações. Reunião de apoio à decisão (meeting and decision support): essa colaboração pode ser realizada numa reunião “face-to-fece” (onde todos estão presencialmente online), em que cada usuário, utilizando o computador pode fazer contribuições simultâneas, compartilhar idéias e arquivos e discutir em janelas diferentes da principal de reunião. Segundo eles, essa colaboração é ideal para votações. Comércio eletrônico (electronic commerce): a colaboração do comércio eletrônico é uma das mais caracterizadas e utilizadas na web. Ela permite que as pessoas façam pesquisas de preço, compartilhem suas opiniões sobre produtos, sobre atendimento, sobre a, venda, serviços de pós-venda, etc. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 151
  • 158.
    Teledemocracia (teledemocracy): permiteque pequenas organizações, grupos profissionais, cidades, estado ou governos nacionais possam realizar encontros para expor documentos oficiais, documentos de constituições, ou chegar a um consenso através de encontros online. Conjuntos (collaboratories): de acordo com os autores, são novas formas organizacionais para grupos de cientistas ou outros profissionais para trabalhar em conjunto ao mesmo tempo e no mesmo espaço, possibilitando o compartilhamento de equipamentos caros, tais como telescópios ou sensores de órbita. Estes grupos compartilham assuntos de interesse e podem competir por recursos. Telepresença (telepresence): permite aos participantes remotos a ter experiências que são quase como uma co- presença física. Telepresença é a colaboração apoiada por ambientes 3D virtuais imersivos, que muitas vezes envolvem usuários e colocação de dispositivos eletrônicos vestindo roupa especial, ou inseridos num ambiente eletrônico contendo sensores para que eles possam manipular objetos e comunicar uns com os outros no espaço 3D. O TEMPO E O ESPAÇO NAS INTERFACES COLABORATIVAS A grande variedade das modalidades e estratégias de colaboração exige uma forma de orgaização. Assim, o modo tradicional de se decompor interfaces colaborativas é por matriz de tempo/espaço que segundo Ellis, Gibbs, e Rein (1991) a colaboração pode ser Síncrona ou Assíncrona, adotando alguns pontos de distinção, conforme a tabela 01: Interfaces assíncronas distribuídas: lugar diferente, tempo diferente Esse tipo de colaboração é o precursor do avanço colaborativo na internet. O mais famoso e difundido deles é o correio eletrônico. Ben Schneidermann e Catherine Plaisant (2005) afirmam que para muitos usuários, o uso do e-mail se tornou algo tão prático como o uso do telefone. Para outros, foi por causa dele que tiveram o primeiro contato com o computador. O e-mail foi amplamente apreciado por ser simples, pessoal, de rápido acesso, e por permitir a comunicação entre parceiros comerciais ou membros da família, ou por ser conveniente, pois cortar e colar a partir do “de:/para:” em outros documentos é algo extremamente fácil. Interfaces síncronas distribuídas: mesmo tempo, lugar diferente Ben Schneidermann e Catherine Plaisant (2005) afirmam que o sonho de estar em dois lugares ao mesmo tempo agora é possível. A tecnologia avançou e hoje isso já ocorre com o telefone e a televisão. Modernas Interfaces de colaboração estão cada vez mais flexíveis, permitindo distribuir grupos para trabalhar em conjunto, ao mesmo tempo, utilizando bate-papo, instant messaging ou texting. Colaboradores estão desejando a mais rica experiência da voz humana, que pode ser utilizada por áudio ou vídeo conferência. Interfaces síncronas face-to-face: mesmo tempo, mesmo lugar A colaboração no mesmo tempo e no mesmo lugar, conforme Ben Schneidermann e Catherine Plaisant (2005) é comumente utilizada em setores empresariais onde um time de pessoas trabalha no mesmo lugar e utiliza diferentes formas de tecnologia para compartilhar documentos e arquivos. Salas de reuniões eletrôncias, controle de salas e locais públicos (eletronic meeting rooms, control rooms and public spaces). Esse tipo de colaboração é utilizado para conferências, escolas, reuniões com brainstorming, votações, etc. Outra forma de eletrocnic meeting que está ganhando força na educação tanto infantil quanto em faculdades é o uso do smart board. Em EAD já é comum o processo de monitoria em meeting rooms e encontros online de discussão nos ambientes virtuais de aprendizagem. Interfaces assíncronas de local: tempo diferente, mesmo lugar Esse tipo de colaboração também é muito utilizado, porém não tanto quanto o de mesmo lugar e ao mesmo tempo. Esse pode ser representado, conforme os autores, por um time de pessoas que trabalha no mesmo lugar e utiliza diferentes formas de tecnologia para compartilhar documentos e arquivos em tempos diferentes. Esse tipo de colaboração é aplicado em programação de equipe, calendários de grupo, equipment logs, ordem de serviços, agenda, etc. Mesmo Tempo Tempo Diferente Mesmo lugar Síncrona de local (face-to-face), controle de salas, reuniões, secretarias, projeções na parede , instalações e prédios) Assíncrona de local (programação de equipe, calendários de grupo, equipment logs) Lugar diferente Síncrona distribuída (bate- papo, mensagens instantâneas, vídeo / áudio conferência) Assíncrona distribuída (e-mail, newsgroup, usenet, listservers, quadros de discussão, conferencias, blogs, wikis, comunidades online) Tabela 1: Pontos de Colaboração Fonte: Schneidermann (2005) Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 152
  • 159.
    Contudo, porém, muitasferramentas tecnológicas estão disponíveis, mas cabe ao design instrucional, indicá-las de acordo com a abordagem pedagógica do curso, o público que pretende atingir, dentre outras especificidades. O certo é que elas auxiliam a aprendizagem e aumentam a “sensação de pertencimento”, aumento o vínculo com o curso evitando o abandono. O sucesso da aplicabilidade do uso das TICs especificamente para a EAD se dá através de um mediador como tutoria, monitoria e suporte online para direcionamento e acompanhamento do processo do aprendizado. MECANISMOS DE COLABORAÇÃO E COMUNICAÇÃO Os tipos de conhecimento que circulam em diferentes ambientes sociais são diversos, variando entre grupos sociais e diferentes culturas (PREECE, ROGERS e SHARP, 2005). Isso parece ser evidente quando ocorre a interação. A seguir, descreve-se três categorias de mecanismos sociais de sistemas tecnológicos que podem ser projetados para facilitar a colaboração e a comunicação: • O uso de mecanismos conversacionais para facilitar o fluxo de conversa e ajudar na superação de falhas durante a mesma; • O uso de mecanismos de coordenação para permitir que as pessoas trabalhem juntas e interajam; • O uso de mecanismos de percepção (awareness) para descobrir o que está ocorrendo, o que os outros estão fazendo e, da mesma forma, para permitir o que os outros saibam o que está acontecendo. (PREECE, ROGERS e SHARP, 2005). Mecanismos conversacionais Basicamente os mecanismos conversacionais permitem as pessoas coordenar suas “conversas”, tornando possível saber como iniciá-las e interrompe-las. Assim, a “conversa” e amaneira como ela é realizada constituem uma parte fundamental da coordenação de atividades sociais. Um dos desafios dos designers é considerar como os diferentes tipos de comunicação podem ser facilitados e apoiados em ambientes onde há a possibilidade de existirem obstáculos que a impeçam de acontecer “naturalmente”. São exemplos o e-mail, videoconferência, videofones, conferência por computador, salas de bate papo (chat) e troca de mensagens, além dos sistemas menos familiares como os ambientes virtuais colaborativos (AVCs) e os media spaces. Mecanismos de coordenação A coordenação acontece quando um grupo de pessoas atua ou interage em conjunto para atingir algo. Em geral, as atividades colaborativas exigem a coordenação de usuário a usuário, desse modo, pode-se dizer que a coordenação colaborativa envolve a comunicação verbal e não verbal, as agendas (shchedules), regras e convenção, e, as representações extremas compartilhadas. Em suma, os mecanismos de coordenação servem para coordenar ações e registrar a comunicação de seus usuários (como uma secretária que descreve a ata de uma reunião com várias pessoas), utilizar esquemas de organização de pessoas e regras à uma tarefa (como permitir que um aluno possa assistir mais de uma aula em um dado momento, ou não permitir que um professor dê mais de uma aula ao mesmo tempo) e fazer a representação externa de informações compartilhadas (como, por exemplo, os calendários das disciplinas). Assim, as agendas, os calendários compartilhados, os organizadores eletrônicos de compromissos, ferramentas de gerenciamento de projetos e ferramentas de workflow que fornecem formas interativas de organização e planejamento são alguns dos principais tipos de tecnologias colaborativas desenvolvidas para fornecer suporte à coordenação (PREECE, ROGERS e SHARP, 2005). Mecanismos de percepção (awareness) Conforme Dourish e Bly (1992), a percepção envolve saber quem está por perto, o que está acontecendo e quem está falando com quem. A percepção é uma habilidade da pessoa em saber o que está ocorrendo no contexto físico e social, observando atentamente o que está acontecendo à periferia de seu foco de visão (como perceber pessoas que estão de mau humor pela maneira como estão falando, com que rapidez estão comendo ou bebendo, como entrou na sala, etc). Conforme Preece, Rogers e Sharp (2005), as várias observações a respeito da percepção levaram os desenvolvedores de sistemas a considerar como melhor fornecer informações de percepção para pessoas que precisam trabalhar juntas, mas que não se encontram no mesmo espaço físico. Várias tecnologias foram empregadas a fim de transmitir informações sobre o que as pessoas estão fazendo e o progresso de seu trabalho em andamento. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 153
  • 160.
    IDENTIFICAÇÃO DE MECANISMOSDE COLABORAÇÃO EM UM AVA Para ilustrar os pressupostos das bases de colaboração de Preece, Rogers e Sharp (2005), foi analisado o AVA de um curso à distância de aperfeiçoamento profissional na área de qualidade e segurança de alimentos – o ABNT NBR ISO 22000: 2006. Neste ambiente virtual de aprendizagem foi possível observar a presença dos mecanismos conversacionais, dos mecanismosde coordenação e de percepção. Figura 1: interface do AVA do curso A interface do curso em questão . apresenta muito texto e poucas imagens, além de abarcar os mecanismos de colaboração.. O AVA do curso utiliza como mecanismos conversacionais, as salas de bate papo (chat) onde os alunos trocam idéias e debatem/discutem entre si sobre os assuntos tratados no curso, conforme a figura 2 e os fóruns de discussão das aulas. Os fóruns de acordo com a figura 3, são divididos em tópicos de discussão e subdivididos na discussão dos alunos. Ao clicar sobre um tópico, o usuário/aluno encontrará a opinião de outro usuário/aluno sobre o assunto, e poderá responder seus apontamentos num campo específico que ficará publicado no ambiente como sua colaboração à discussão em vigor, conforme a figura 4. Figura 2: ferramenta chat do curso Figura 3: interface do fórum do curso Figura 4: ferramenta do fórum do curso Já com relação aos mecanismos de coordenação, o AVA possui a ferramenta agenda, representada na figura 5. Este mecanismo cumpre a função de coordenação de projetos e publicações de atividades e conteúdos previstos. Figura 5: mecanismo de agenda do curso Além da agenda, existe o mecanismo configurar tópicos, que permite a liberação de tópicos ou bloqueio dos mesmos ao alunos, quanto tempo (em horas ou em dias) os tópicos das aulas ficaram disponíveis, além de limitar quem poderá ter acesso ao conteúdo, e se será possível ter acesso a vários tópicos ao mesmo tempo, ou não, conforme a figura 6. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 154
  • 161.
    Figura 6: interfacedo mecanismo “configurar tópicos”. Por mecanismo de percepção, o AVA do curso apresenta o quadro de avisos, que além de informar os registros dos andamentos dos trabalhos, serve como “lembretes”, fazendo com que os usuários do sistema estejam cientes do que está ocorrendo no contexto dos estudos, observando atentamente o que está sendo desenvolvido, como ilustra a figura 6. Além do quadro de avisos, o AVA apresenta a ferramenta cronograma que administra o cronograma do curso, apresentando o documento da disciplina em formato .pdf, conforme a figura 7. Figura 6 e 7: mecanismo de percepção “quadro de avisos” e “cronograma”. Além de todos esses mecanismos analisados, o AVA apresenta ainda outras ferramentas como sala de aula, que permite publicar os conteúdos referentes às aulas, glossário, biblioteca, ambiente de grupo para atividades em grupos, além de várias ferramentas de correção de trabalhos e emissão de certificados. CONCLUSÃO Longe de abraçar todas as contribuições que o processo de colaboração oferece para a EaD, este artigo teve como foco a colaboração para a EaD contribuindo para o processo de interação online. Nesse fértil contexto, a modalidade de educação a distância é potencializada pela colaboração através de seus AVAS, culminando em uma educação cada vez mais próxima e mais personalizada, na qual os sujeitos envolvidos têm o relativo privilégio de escolher a melhor forma de ensinar ou de aprender. Além de privilegiar ainda a permuta de conhecimentos em rede e, com isso, tornar fecundo o campo para o surgimento de comunidades de aprendizagem que ocorre somente por meio da hipermídia criada com o design de informação. Com relação ao ambiente virtual avaliado, ele apresentou mecanismos de percepção e mecanismos de coordenação que apóiam o processo de aprendizagem, além dos mecanismos conversacionais (as salas de bate papo (chat) e os fóruns) ferramentas que potencializam os processos colaborativos em si. No âmbito dessa discussão pode-se perceber que existe certa fusão na relação da colaboração ao planejamento para a EAD – que se apresenta como a responsável pelo gerenciamento de informação e exposição do conhecimento de seus usuários. Essas articulações possibilitam a criação de conteúdos didáticos adaptados aos usuários através da criação de banco de modelos de usuários. Por fim, a junção do processo colaborativo ao design de informação culmina num fator potencializador para aprendizagem e conhecimento no ensino a distância em que são capazes de gerar um produto de aprendizagem apto a suprir as necessidades dos alunos/usuários apresentando de forma interativa a informação do conteúdo e facilitando a aquisição e a troca do conhecimento. REFERÊNCIAS 1. Bair, J.H. Supporting cooperative work with computers: addressing meetingmania. COMPCON Spring apos;89. Thirty-Fourth IEEE Computer Society International Conference: Intellectual Leverage, Digest of Papers. Disponível em: http://ieeexplore.ieee.org/Xplore/login.jsp?url=ht tp%3A%2F%2Fieeexplore.ieee.org%2Fiel2%2F23 1%2F7454%2F00301929.pdf%3Farnumber%3D3 01929authDecision=-203 Acesso em: 13 abr. 2009 2. CYBIS, Walter. BETIOL, Adriana Holtz. FAUST, Richard. Ergonomia e Usabilidade. São Paulo – SP: Novatec, 2006. 3. FILATRO, Andréa. Design Instrucional Contextualizado, Senac São Paulo, São Paulo-SP, 2004. 4. HAZEMI, R. HAILES, S. The Digital University - Building a Learning Community. Heidelberg – Verlag, Germany: Springer. 2001. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 155
  • 162.
    5. JOHNSON, S.Cultura da interface: como o computador transforma nossa maneira de criar e comunicar. Rio de Janeiro: Zahar. 2001 6. KUTOVA, Marcos A. S. Colaboração x Cooperação. Das minhas leituras, 9 de outubro de 2006. Disponível em: http://blog.kutova.com/2006/10/09/colaboracao- x-cooperacao/ Acesso em: 10 abr. 2009. 7. LEMOS, A. L. M. Anjos Interativos e Retribalização do Mundo. Tendência Xxi, Lisboa, v. 2, p. 19-29, 1997. 8. PADOVANI, S. Avaliação ergonômica de sistemas de navegação em hipertextos fechados. In: Design e avaliação de interface. Rio de Janeiro – RJ: IUsER, 2002. 9. PEREIRA, Alice T. AVA em Diferentes Contextos. Rio de Janeiro – RJ: Ciência Moderna, 2007. 10. PREECE Jeniffer. ROGERS, Ivonne. SHARP. Helen. Design de Interação. São Paulo – SP: Bookman, 2005. 11. PRIMO, A. F. T. AND CASSOL, M. B. F., 1999. Explorando o conceito de interatividade: definições e taxonomias. [online]. Disponível em: http://usr.psico.ufrgs.br/~aprimo/pb/pgie.htm 12. SHNEIDERMAN, Ben; PLAISANT, Catherine. Designing the user interface. Strategies for effective Human-Computer Interaction. Pearson, 2005. 13. SILVA, M. Que é interatividade? Boletim Técnico do SENAC, Rio de Janeiro, v. 24, n. 2, p. 27-35, 1998. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 156
  • 163.
    Aplicação de Matrizde Prioridade na verificação de preferências de leitores na compra de livros em livrarias online RESUMO Este artigo relata pesquisa sobre preferências de leitores na compra de livros em livrarias online através da aplicação de Matriz de Prioridade em duas etapas: a primeira fase utilizou-se matriz critério x critério; a segunda fase utilizou- se matriz alternativa x alternativa. Os resultados apresentam os fatores considerados mais determinantes pelos respondentes para auxiliar na análise e decisão de compra de livros. Palavras-chave Comércio eletrônico, modelo mental, design de informação INTRODUÇÃO A pesquisa1 Vendas do Setor Editorial Brasileiro, realizada pela FIPE - Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas - relativas ao mercado de 2007 (CONDE, 2008) apresenta dados relevantes para o estudo do setor de livrarias online. Os dados apresentam um salto 285% nas vendas de livro pela Internet: passou de 891 mil exemplares em 2006 para 3,433 milhões em 2007. Apesar deste aumento considerável nas vendas online, esta saída representa apenas 1,71% do total de livros vendidos. As livrarias físicas continuam como o principal canal de comercialização, com 47,69% do total. As vendas para distribuidoras, representam 21,58%, apesar da queda no número de exemplares vendidos de 13,28% em relação a 2006. Vendas de porta a porta representam 9,61% (fig.1). Atualmente, estatísticas da e- commerce.org.br, com base em dados da e-Bit, indicam que o número de e-consumidores vem aumentando progressivamente desde 2007, ano que apresentava um total de 9,5 milhões de e-consumidores. Em 2008 este total subiu para 13,2 milhões (crescimento de 39%), em 2009 a totalidade passou para 17,6 milhões (crecimento de 33%) e a estimativa para 2010 é de 23 milhões (crescimento de 30%), gerando um faturamento estimado de 13,60 bilhões. A pequena representatividade da venda online de livros indica que há um enorme campo para o aprimoramento do comércio eletrônico do mercado livreiro no Brasil . Em pesquisas sobre modelo mental de leitores em livrarias físicas e lojas online (2008) e estudos sobre design centrado no usuário (ABRAS, MALONEY-KRICHMAR e PREECE 2004) demonstram que a disponibilização de informação de qualidade e a construção de um sistema a partir das necessidades do usuário podem ser de grande importância para a mudança deste quadro. Figura 1. Porcentagem de vendas de livros nas diferentes saídas, publicado no O GLOBO de 1/10/2008. A partir destas questões e dando continuidade às discussões levantadas sobre fatores de possível influência na decisão de compra nas ramificações física e online de livrarias (2008), procurou-se identificar através da Matriz de Prioridade a escala das características consideradas importantes por leitores na hora de comprar livros pela internet. As características estudadas tem base nos resultados obtidos em questionários aplicados online com 69 usuários (ibidem). Utilizou-se a técnica Matriz de Nota1: os resultados da pesquisa Vendas do Setor Editorial Brasileiro, realizada pela FIPE relativas ao mercado de 2007, foram publicados em artigo no caderno ProsaVerso do jornal O Globo de 1/10/2008 Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 157
  • 164.
    Prioridade - MP(COSENZA 1996, p.153) para verificar a ordem de preferência de 6 características determinadas importantes para compra em um site de livraria com vendas online. A Matriz de Prioridade (MP) aplica-se em situação onde um grupo de pessoas depara-se com várias alternativas, tendo que ordená-las de acordo com sua importância para o alcance do objetivo proposto. A MP direciona a análise das alternativas de forma lógica e sistemática, levando em consideração o conjunto de critérios que servirá de parâmetro para orientar a decisão. Embora seja uma técnica de aplicação que demanda um tempo prolongado, dada a quantidade de matrizes a serem construídas, a Matriz de Prioridade apresenta maior probabilidade de acerto em função de sua metodologia, que obriga a avaliação e ponderação dos critérios entre si, bem como, das alternativas em relação a cada um dos critérios. ETAPA 1: MATRIZ CRITÉRIO X CRITÉRIO A Matriz de Prioridade é aplicada em duas etapas: critério x critério e alternativa x alternativa. A lista de critérios selecionados para a primeira fase (critério x critério) foram: 1. manusear e folhear virtualmente um livro; 2. informação sobre autor e outras obras de sua autoria; 3. identificar livro com grupo de interesses afins; 4. opinião e recomendações de outros leitores; 5. preço; 6. sinopse/resenha. A Matriz Critério x Critério consiste em comparar os critérios pré-determinados entre si e determinar sua hierarquia. A matriz foi aplicada pela internet através do aplicativo Google docs em forma de questionário múltipla escolha, onde os participantes responderam comparações entre os critérios, atribuindo diferentes graus de importância. O aplicativo foi mantido ativo até o número de acessos se estabilizar. Isto ocorreu na terceira semana. Foi escolhido o Google docs para esta primeira fase, para facilitar o acesso de respondentes de vários estados brasileiros. Os participantes foram selecionados a partir de questionário online aplicado anteriormente e depois, separados em dois grupos distintos: respondentes com maior experiência em compras de livros online (total de 47 pessoas contatadas) e respondentes com uma única ou nenhuma experiência de compra de livros pela internet (total de 16 pessoas contatadas). Entre os convidados para esta etapa, concordaram em participar 30 leitores do grupo com maior experiencia e 9 leitores do grupo com menor experiência. Os resultados foram somados e analisados separadamente com intuito de verificar a existência de diferenças e similaridades entre os dois grupos. Os respondentes foram convidados individualmente por e- mail com texto padrão. Posteriormente, além de receberem agradecimento automático do Google docs, foram também agradecidos individualmente por e-mail. Estrurura da Matriz Critério x Critério De acordo com as regras da MP os critérios recebem pontos relativos ao seu grau de importância percebido pelos respondentes: - muito mais importante: 10 pontos - mais importante: 5 pontos - igual importância: 1 ponto - menos importante: 0,2 ponto - muito menos importante: 0,1 ponto Os pontos foram distribuidos em uma tabela (fig.2) de acordo com as respostas. A pontuação de cada critério foi somada ao final e totalizada nos resultados de todos os participantes. Calculou-se a porcentagem referente aos pontos para verificar a ordem de importância de cada critério segundo expectativas dos respondentes. Solicitou-se que para cada pergunta comparativa, fossem feitas observações livres. Figura 2. Exemplo de aplicação da Matriz Critério x Critério com o respondente. ETAPA 2: MATRIZ ALTERNATIVA X ALTERNATIVA Para a segunta etapa da Matriz de Prioridade, preparou-se uma tabela para cada critério e compararam-se alternativas (livrarias online) sob o ponto de vista de cada critério isoladamente. Três livrarias foram selecionadas através de levantamento inicial com características mais representativas e complementares dentro da definição Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 158
  • 165.
    comércio misto delivro pela e-commerce.org. O procedimento de seleção está explicitado mais adiante neste artigo. Os valores atribuídos seguiram a mesma escala do procedimento da matriz da primeira etapa (fig.3). Foram convidados a participar desta etapa seis especialistas de diferentes áreas, com visões diferentes do design. São das áreas antropologia, belas artes, economia, literatura comparada, publicidade e usabilidade. Figura 3. Exemplo de aplicação da Matriz Alternativa x Alternativa com o especialista. Os especialistas foram convidados pessoalmente e a matriz foi aplicada individualmente. Foi utilizado sempre um computador com acesso à internet para possibilitar comparações e esclarecimento de dúvidas relacionadas às livrarias escolhidas. Os horários foram escolhidos de modo a melhor acomodar os respondentes. A duração média da aplicação individual desta etapa foi de 20 minutos. A figura 4 mostra a tabela com a abrangência de especialização de acordo com o gênero. Figura 4. Perfil dos especialistas. Para a segunda etapa foram utilizados apenas os critérios 1) informação sobre o autor e outras obras de sua autoria, 2) sinopse e 3) preço. A escolha de apenas três critérios para esta etapa deveu-se ao fato de as lojas online nacionais escolhidas como objeto de estudo não apresentarem os outros critérios. Nenhuma das 3 livrarias apresenta a ferramenta folhear virtualmente um livro até o momento da aplicação da MP. Apesar de observado espaço para inclusão de opiniões de leitores nas 3 livrarias, não foi notada a exposição destas opiniões nos sites. A escolha do critério identificação de livro com grupo de interesses afins para avaliação teve base na utilização de hipermídia adaptativa (MURTHI 2003 e MONAT 2006) aplicada em alguns sites estrangeiros (como a Amazon.com). A coleta de dados por páginas visitadas, livros escolhidos e deixados para trás, e compras anteriores possibilitam aplicação de marketing one-to-one (MURTHI e SAKAR 2003, p.1344-1347, PEPPER e ROGER 1997, p.63) para instigar novas compras a partir de uma primeira escolha (people who bought this product also bought... da Amazon). Os autores (Peppers e Roger 1997, p. 62) indicam que este processo de utilizar dados captados de internautas para sugerir soluções personalizadas, pode trazer indicações de produtos condizentes com as expectativas dos consumidores. No entanto, apesar do critério identificação de livro com grupo de interesses afins ser mostrado como opção nas livrarias pesquisadas, foi retirado da Matriz Alternativa x Alternativa: o resultado desta opção na livraria Travessa expõe livros de mesma autoria do livro inicial, recaindo a outro critério já avaliado (informação sobre o autor e outras obras de sua autoria); a livraria Nobel exibe livros com baixo índice de sucesso nos itens relacionados, baseada em uma catalogação extremamente básica; a livraria Siciliano apresenta erro para o link produtos relacionados, enquanto que produtos do mesmo artista apresenta sempre os exatos mesmos resultados (“As razões da independência”, “A hora do rush 2” e “Direito comercial – obrigações mercantis”) independentemente de que livro é escolhido como base para pesquisa. A única opção que se aproxima do critério Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 159
  • 166.
    identificar livro comgrupo de interesses afins é o link produtos da mesma área. SELEÇÃO DAS LIVRARIAS ONLINE PARA A PESQUISA A seleção das livrarias para esta segunda etapa, seguiu parâmetros que atendesse as diretrizes escolhidas para a pesquisa. Para descobrir os websites com potencial para preencher os requisitos, foi feito uma procura através do Google com utilização da palavra-chave “livraria”. Os resultados totalizam 62 páginas com um total de 612 links. Todos os resultados encontrados nesta procura possuem conteúdo relacionado com a palavra-chave “livraria”. Os sites resultantes foram analisados individualmente. Percebeu-se uma contínua repetição de resultados a partir da página 36. Foram selecionadas as livrarias brasileiras que possuissem tanto loja física quanto loja online. Buscou-se atender as características apresentadas pelo e-commerce.org como representativo de comércio misto. Para representar uma livraria com variedade de assuntos, o negócio livreiro pesquisado deveria possuir títulos em quatro categorias distintas: infantil, culinária, ficção e arte. A escolha destas 4 categorias como filtro para seleção tiveram base em observações pessoais efetuadas pelo pesquisador durante pesquisas anteriores e paralelas a MP sobre o comércio livreiro de modo a representar melhor livrarias com abrangência temática em seus negócios. Sites de livrarias que não apresentassem livros em todas estas categorias eram descartados. Como procurou-se livrarias com diversidade de categorias, consequentemente as lojas especializadas em determinado assunto ou área foram excluídas. Os sites escolhidos como alternativa para a matriz deveriam oferecer a possibilidade de compra com cartão de crédito e entrega de produtos em âmbito nacional. Apenas 10 sites se mostraram de acordo. A partir desta pré- seleção, livrarias online com venda de produtos variados de varejo foram desconsiderados. A preferência foi para livrarias mistas que vendessem também CDs, DVDs e artigos de papelaria, considerando sua importância percentual de vendas pela internet junto ao livro em território nacional, de acordo com pesquisas da e- commerce.org. As livrarias Travessa, Siciliano e Nobel foram selecionadas pelos filtros aplicados e tem características complementares relevantes para a pesquisa. A Travessa é um negócio local (Rio de Janeiro), a Siciliano é espalhada nacionalmente, enquanto a Nobel possui lojas internacionais (Portugal, Espanha e Argentina). Apesar da Siciliano e Nobel serem vinculadas a editoras, os selos da siciliano não carregam seu nome (Caramelo, ARX Jovem), enquanto que a Nobel sim. Ao contrário das outras duas, Nobel é uma livraria franquiada. Apesar da similaridade entre Siciliano e Saraiva, esta última foi descartada por oferecer produtos muito variados além de papelaria e por atualmente serem do mesmo grupo comercial. Considerando os recursos disponíveis e a necessidade de presença física nas livrarias para outras etapas da pesquisa descartou-se a livraria Cultura cujas lojas são fora do Rio de Janeiro. RESULTADOS DAMATRIZ CRITÉRIO X CRITÉRIO Segundo a totalidade dos valores atribuidos pelos participantes com maior experiência de compra pela internet, tem-se o fator mais importante na decisão na compra de um livro em livraria online o critério informações sobre o livro pela sinopse, representando 24,8%. O segundo critério mais importante na decisão de compra teve empate técnico com 22% para informação sobre autor e outras obras de sua autoria e 21,9% para preço (considerado um dos grandes atrativos em compras pela internet – BAKOS 2001, TAMINI 2005). Manusear e folhear o livro virtualmente (apontado com grande importância nas compras em livrarias físicas – RENZI, SANTOS e FREITAS 2008), apresentou 12.6% de preferência na compra online. Opinião e recomendação de outros leitores teve 10,4%. Identificar o livro como parte de grupo com interesses afins (8%) teve a menor pontuação. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 160
  • 167.
    Figura 5. Resultadosda Matriz Critério x Critério com respondentes mais experientes em compra online de livros. Os resultados obtidos com os respondentes de pouca experiência de compra online foram similares (fig.6). Houve apenas posicionamento invertido entre os critérios identificar o livro como parte de grupo com interesses afins (5˚ lugar) e opinião e recomendação de outros leitores (6˚lugar). Figura 6. Resultados da Matriz Critério x Critério com respondentes menos experientes em compra online de livros. RESULTADOS DA ETAPA ALTERNATIVA X ALTERNATIVA Para os seis especialistas participantes, a livraria Travessa mostrou-se a melhor indicada segundo critérios de informação sobre autor e obras de mesma autoria, preço e sinopse, com 70,1%, 47,4% e 55% das escolhas, respectivamente. A Siciliano se mostrou em segundo lugar tanto no preço (38,4 %), quanto sinopse (27,2%). E Nobel ficou em segundo lugar apenas quanto a informação sobre autor e obras de mesma autoria (22,2%). Em todos os três critérios, o site da Travessa se sobressaiu com grande diferencial (fig.7). Figura 7. Resultados da segunda etapa. Aplicando os valores no cálculo da Matriz Final, onde: ∑etapa 1 x ∑etapa 2 = ∑final tem-se a livraria Travessa como melhor opção das 3 livrarias online com 57,8% dos pontos. A livraria Siciliano mostrou-se em segundo lugar com 24,6% dos pontos e a livraria Nobel em terceiro, com 17,6% dos pontos. DISCUSSÕES E OBSERVAÇÕES Apesar de preço e descontos serem considerados um dos principais atrativos de compra pela internet (PROVAR- FIA), o preço não se mostrou dentro da mostragem desta pesquisa como fator mais importante na hora de decidir comprar em livrarias online. Confirmando resultados de pesquisa de Renzi, Santos e Freitas (2008), informação de qualidade mostra-se fator de grande importância quando um leitor busca livros pela internet (fig.6). Resultados da Matriz de Prioridade indicam informação da sinopse como critério mais importante e informações sobre autor e outras obras de mesma autoria em segundo lugar (junto ao critério preço), entre pessoas com maior experiência de compra online de livros. Duas observações captadas na aplicação da Matriz Critério x Critério podem exemplificar os dados: - “Comprar um livro de um autor desconhecido só por que ele é baratinho é jogar dinheiro fora.” - ”Para mim, o preço do livro é algo que só é definitivo na decisão de compra se ele for impeditivo. Tipo um livro muito caro... Daí, ou espero ele baixar de preço, ou fico atenta a promoções e outras oportunidades. Mas para a maioria dos livros, com preços na média de mercado, o preço não pesa muito na decisão.” Notamos também que o critério folhear virtualmente um livro (uma informação visual sobre o livro) confirma-se como atrativo principalmente como auxiliar visual para verificação de informações internas de livros, como sumário, assuntos tratados, autores envolvidos (no caso de Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 161
  • 168.
    livros com coletâneasde autores e artigos), imagens (em livros que imagem são um tópico importante, como livros infantis) e verificação de correlacão entre conteúdo e título. A possibilidade de manusear livros também foi considerado a maior vantagem de se comprar livros em livrarias físicas por 86,9% dos respondentes em questionário aplicado online (RENZI, SANTOS e FREITAS 2008). Acrescentando ainda observação de outro respondente: “É fundamental que haja um trecho do livro para ser apreciado e avaliado, incluindo sumário, apresentação (no caso de obras de referência) ou simplesmente o primeiro capítulo ou um trecho dele em obras literárias.” Outras observações que despertaram atenção referente ao manuseio virtual de um livro: - “Em relação ao manuseio online de livros, acho que o ponto mais importante é o acesso ao índice do livro.” - “Acredito que oferecer a opção de manusear e ainda oferecer essas informações complementares mostra credibilidade ao produto.” - “Diversas vezes, a qualidade do conteúdo, ou simplesmente o achado de uma informação específica, muito procurada, acabou fazendo com que eu reconsiderasse uma compra que a princípio teria descartado pelo preço” - “Não deixo de comprar porque não manuseei, mas sem dúvida isso pode icentivar a compra, sobretudo de livros ilustrados ou de fotos.” Apesar de constatação da importância deste critério, nenhuma das 3 livrarias pesquisadas apresentou esta possibilidade para o consumidor até o momento da pesquisa. Foi verificado poucos meses depois, durante aplicação da técnica Think-aloud Protocol (2009) que a livraria Travessa passou a disponibilizar o aplicativo de folheamento virtual da Google. O aplicativo, no entanto, é oferecido para um número muito limitado de livros (lançamentos e destaques) e sua localização é de dificil percepção cognitiva de acordo com os participantes. A visualização do interior do slivros foi considerada pelos entrevistados longe de simular a do folheamento de livros: sua passagem de página é vertical e em forma de listagem. Apesar disto, foi considerado muito positivo a utilização de topicos do sumário em forma de links possibilitanto o usuário a acessar diretamento um capitulo com um clique. A livraria Cultura oferece a possibilidade de “baixar” um arquivo pdf referente somente ao primeiro capítulo de alguns livros, mas sem a exposição do índice, ou possibilidade de “folhear virtualmente” para atribuir uma experiência mais próxima à necessidade do brasileiro de manusear objetos antes da compra (RANGEL 1999, apud MIRANDA 2005, p. 87). Apesar do critério “identificar livro com grupo de interesses afins” ter se apresentado em 5˚ lugar de importância dentro da matriz de prioridade, não podemos ignorar resultados anteriores (2008) onde usuários entrevistados indicaram receber positivamente indicação personalizada de livros. A indicação personalizada é gerada a partir de dados coletados durante visita do usuário ao site relacionando preferências do internauta com outros e com próprias visitas anteriores. Este tipo de processo é denominado marketing one-to-one, por Peppers e Roger (1997, p. 62) e descrito como processo de utilizar informações captadas de um consumidor para incidir soluções personalizadas para aquele, pode trazer indicações de produtos condizentes com as expectativas dos consumidores. Referente a estas sugestões geradas pelo site, 63% dos respondentes dizem “ficar ao menos curiosos para ver as indicações apresentadas”. Os autores (ibidem, p.63) sugerem que ao invés de vender-se um produto para o máximo de consumidores possíveis durante período de venda definido, um sistema com marketing one-to-one usa banco de dados coletados do consumidor e comunicação interativa para vendê-lo o máximo de produtos e serviços possíveis pela vida toda. É uma estratégia que requere gerenciamento individual por parte do negócio eletrônico. A Amazon.com exibe estes resultados através das opções better together (melhor juntos) e costumers who bought items like this also bought (consumidores que compraram itens como este também compraram). Resultados dos pesquisadores Senecal e Nantel (2004) sistemas de recomendação em lojas online com base em dados coletados sobre os consumidores se mostraram uma influência mais eficaz na decisão de compra dos respondentes, com 77% (vinho) das recomendações escolhida como compra. Recomendações de experts tiveram segundo lugar na influência, mas com uma proporção bem menor, com 52% das indicações finalizarem de fato em compra. Em terceiro lugar, as indicações de outros consumidores tiveram 39% de efetividade. Segundo conclusões dos autores, consumidores são de fato influenciados por sistemas de recomendação em suas decisões de compra online. Produtos sob indicação de sistemas de recomendação com base em dados coletados sobre os e-consumidores foram selecionados para compra duas vezes mais. “A opinião de outros leitores é importante, mas o mais interessante é a informação sobre o que eles também compraram, que pode levar a descoberta de novos títulos e autores. Isso vai gerar uma pesquisa sobre o título e o autor Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 162
  • 169.
    recomendado e podelevar a uma compra no futuro” (respondente 8). Figura 8. Reações de internautas à indicações personalizadas de livros com base em coleta de dados de visitas anteriores. As 3 livrarias apresentam ferramenta de mesma denominação, mas não foi considerada válida como representativa deste critério: suas aplicações se mostraram insatisfatórias, ou ainda, com resultados errôneos sob o ponto de vista dos especialistas convidados para a segunda etapa. Para um dos especialistas a Nobel parece utilizar uma correlação de produtos, mas por conta de uma catalogação simplista, traz resultados por vezes errôneos. Exemplo: O arqueiro (editora Record), com catalogação literatura estrangeira/romance resulta em indicações de livros que em nada são relacionados com o primeiro (confusão do estilo literário romance, com história romântica). Para outro especialista quase não dá para localizar a opção de indicação. O link é visualmente igual e próximo ao link de prazo de entrega. A apresentação mais destoante exposta pelos especialistas ficou por conta da Siciliano, indicando exatamente os mesmos 3 itens para qualquer livro utilizado como referência-base. Após o encerramento da pesquisa, observou-se atualização do sistema de recomendação da Siciliano durante aplicação do Think-aloud Protocol, mas ainda considerado pelos usuários como ineficiente e por vezes trazer dúvidas quanto a veracidade da escolha inicial de livro. A Nobel desativou posteriormente a possibilidade desta ferramenta quando juntou-se a empresa Galeria de compras. O critério Opiniões de outros leitores não apresentou tanta importância aqui como observado nos Estados Unidos, onde 98% dos consumidores leem declarações de terceiros antes de decidir comprar um produto, com 5% destes indicando pesquisarem por até mais de uma hora as opiniões expostas (BEARNE 2008). Foi observada a tentativa de coletar opiniões de leitores em alguns sites, mas sem a exposição dos resultados. O critério sinopse, sendo o mais valorizado para decisão de compra na matriz de prioridade, é apresentado por vezes com texto igual, notando-se inclusive que alguns erros de gramática eram repetidos nas 3 livrarias pesquisadas. A qualidade de informação da sinopse mostrou-se mais completa em livros recém lançados, em destaque ou que fizessem parte de alguma sequência de publicações da mesma história onde mostravam referências particulares dos outros livros da série. As informações sobre o autor e obras de mesma autoria, são restritas à exposição de outras publicações de mesma autoria, salvo informações sobre o cultuado Machado de Assis na Travessa. Isso foi observado por um dos especialistas durante entrevista. O site da Travessa expõe links dos tradutores de determinados livros (não todos) para outras obras com sua participação. Quando se tratando de livros infantis, é possível encontrar outros livros através de links ativos nos ilustradores. CONCLUSÕES Comparando as observações da Matriz de Prioridade, com resultados anteriores referente às expectativas dos usuários na compra de livros e resultados coletados por observação da tarefa (Think-aloud Protocol) da procura de livros online é possível verificar algumas questões que contribuem para uma representatividade de baixas vendas pela internet, quando comparada às outras saídas de livros. Atualmente nas livrarias online no Brasil, existem acessos às informações quanto a sinopse e autor de livro. A profundidade da informação está diretamente relacionada se o título em questão pertence ou não à categoria de destaque e lançamento. Esta variação de atenção da livraria torna muito difícil para o leitor conhecer e decidir comprar títulos fora do âmbito bestseller, ou recém-lançados. Em casos onde existam diferentes edições de uma mesma publicação, observaram-se informações confusas e imagens e sinopses por vezes trocadas. Isso resulta em imediata incerteza sobre qual seria o livro correto a comprar, além de despertar receio de efetuar compra errada e diminuição de confiabilidade no site. A grande maioria dos leitores que utilizam lojas online fazem procura objetiva. Preferem utilizar livraria física para procura aleatória pela possibilidade de manusear o livro e ver outras opções (RENZI, SANTOS e FREITAS 2008). A Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 163
  • 170.
    falta de informaçãode qualidade e da possibilidade de manusear o livro, mesmo que virtualmente, dificulta a possibilidade de o leitor conhecer melhor um livro que venha a “esbarrar” durante a nevegação do site. Se o leitor estiver muito curioso sobre o livro “esbarrado” (e ainda lembrar o seu nome), precisará visitar a livraria física para conhecer mais sobre o livro antes de decidir comprá-lo. A possibilidade de um venda aleatória pode ser perdida por um simples esquecimento de nome ou, com o tempo, a perda de curiosidade sobre o livro. Mesmo em procuras e compras objetivas, a impossibilidade de acesso à títulos correlacionados com dados, catalogação e informação de qualidade torna extremamente difícil a se adquirir outros produtos a partir de uma primeira escolha. Considerando a importância dada à informações sobre autor e a receptividade positiva verificada com livros indicados (de interpolação correta de dados), o público mostra-se pronto para mudanças. Próximos estudos serão direcionados à livraria física com intuito de observar se além de manusear livros, informações consideradas importantes na decisão de compra online podem ter mesma importância em uma busca na loja física. AGRADECIMENTOS Gostariamos de agradecer a todos os 69 participantes e 6 especialistas que se dispuseram a contribuir com seu tempo para a pesquisa respondendo ao questionário, à entrevista e inclusão voluntária de observações. REFERENCES 1. Abras, C., Maloney-Krichmar, D., Preece, J. User Centered Design. W Encyclopedia of Human- Computer Interaction (2004). Thusnd Oaks: Sage Publications 2. Bearne, S. Consumers rate luxury brand sites poorly for quality of experience, New Media Age (2008) F 28. 3. Bakos, Y. The emerging landscape for retail e- commerce. Journal of economic perspectives – 2001. Vol.15, number 1 – winter – p.69-80. 4. Conde, M. 2008. Prosa online – O Globo, 1/10/2008. 5. Cossenza, O.N. Manual de técnicas de conclaves. - 2 edição (1996) – Rio de Janeiro. 173. - (IPR. Publ. 656). 6. Miranda, F. Estudo ergonômico de websites de comércio eletrônico: seleção do produto pelo usuário no processo de compra. Dissertação (2005) PUC-Rio 7. Monat, A.S., Sérgio, B.. Aplicando técnicas de hipermídia adaptativa em jornais online, Textos selecionados de design 1 (2008), 178-198 8. Murthi, B.P.S., Sarkar, S. The role of the management sciences in reasearch on Personalization. Managemente Science / Vol.49, No10, October 2003. 9. Pepper, D., Roger, M. Making the transition to One-to- one marketing. Inc. 1997. v.19 – Janeiro. 10. Renzi, A.B., Freitas, S., Santos, R. Avaliação de fatores de influência na usabilidade no processo de procura e compra de livros online na Americanas.com, Anais do congresso 8˚USIHC (2008). 11. Renzi, A. B., Freitas, S., Santos, R. Expectativas dos usuários nos processos de procura e decisão de compras de livros em lojas virtuais e livrarias: um modelo mental, Anais do congresso Abergo 2008. 12. Renzi, A.B., Freitas, S. Aplicação de Think-aloud Protocol em teste de usabilidade na procura de livros em livrarias online: recomendação de leitores. 13. Senecal, S., Nantel, J. The influence of online recommendations on consumers’ online choices. Journal od Retailing 80 (2004) 159 - 169 14. Tamini, N., Sebastianelli, R., Rajan, M. What do online costumers value? Quality progress (2005) 35-39 | Scranton, PA | July. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 164
  • 171.
    Avaliação de Usabilidadeem contexto de mobilidade: observação de uso do aplicativo do Facebook para iPhone Brenda de Figueiredo Lucena, Mestranda Pontifícia Universidade Católica – PUC Rio Rua Marquês de São Vicente, 225, Gávea - Rio de Janeiro, RJ brenda@brendalucena.com.br ABSTRACT O presente artigo apresenta a elaboração, aplicação e um conjunto de análises resultantes de uma avaliação de usabilidade do aplicativo do Facebook para o celular iPhone. Para tal, foram utilizadas observações participativas associada ao método de pensar em voz alta para comparar o uso do aplicativo por usuários frequentes e eventuais. São apresentadas particularidades de uma avaliação de usabilidade em contextos de mobilidade, além de apresentar questões referentes à inconsistências da interface gráfica, à fatores ergonômicos e às diferenças de percepção, pelos dois perfis de usuários estudados, do modelo conceitual do aplicativo. Palavras-chave do autor Usabilidade, ergonomia, rede social, celular, pensar em voz alta, observação participativa ACM Classification Keywords H.1.2 User/Machine Systems: Human factors. H.5.1 Multimedia Information Systems. H5.2. User Interfaces. INTRODUÇÃO O intuito geral deste artigo é compreender melhor as questões envolvidas no uso de aplicativos para celulares, como estudo e exploração do tema pela autora para sua dissertação de mestrado em andamento, na qual, visa identificar o potencial de sistemas de Realidade Aumentada em celulares visando interações sociais. Como, a princípio, qualquer aplicativo desenvolvido para qualquer marca e sistema operacional de celular poderia ser o objeto da pesquisa, foi realizado um questionário por e- mail a 13 pessoas que possuem celulares de última geração, sendo sua grande maioria smartphones. Os questionários aplicados tinham apenas como objetivo encontrar o aplicativo e o celular de uso mais frequente, a fim de facilitar o acesso aos usuários e aos dispositivos utilizados para uma avaliação de usabilidade que pode ser definida como: a facilidade de uso e a aceitabilidade de um sistema para uma classe particular de usuários com a realização de tarefas específicas em um ambiente específico (Holzinger, 2005). Foi identificado através dos questionários que o aplicativo do Facebook, sítio de rede social, era o mais usado em celulares iPhone. Um indício de confirmação do achado de Nielsen (2009) em seu relatório de usabilidade em celulares. No relatório, é detectado que a média de sucesso no acesso de sítios em celulares era expressivamente maior em celulares com telas maiores e touch screen, como o iPhone. E que serviços como os de redes sociais são altamente adequados para uso em celulares, portanto, sem esclarecer exatamente quais seriam os fatores que tornariam o uso de redes sociais tão adequados para este meio. Haveria então um conjunto de fatores para o uso de aplicativos do Facebook em celulares iPhone ser tão frequente para a classe particular de usuários abordada através do questionário? Na busca de compreender melhor as questões envolvidas no uso do aplicativo, foram selecionados, dentre o grupo que respondeu o questionário anterior, dois perfis de usuários: os que fazem uso eventual e os que fazem uso frequente do Facebook. Esses dois grupos de usuários foram observados e os dados coletados foram comparados com o objetivo de identificar fatores que indicassem erros recorrentes, satisfações subjetivas, a fim de demonstrar a curva de aprendizado do usuários eventuais, dentre outras elucidações. QUANTO AOS MÉTODOS UTILIZADOS E À APLICAÇÃO DAS ENTREVISTAS Para investigar algumas situações de uso do aplicativo do Facebook (versão 3.1.2) para iPhone foi escolhido utilizar a observação participativa que, como apontam Goetz e LeCompte (apud Bogdwic, 1992), pode ser “um meio para suscitar das pessoas as maneiras pelas quais elas constroem Cópias digitais ou impressas deste artigo são permitidas desde que sejam para uso pessoal ou em sala de aula e com as devidas referências, não se prestando para fins comerciais. Por favor, mantenha este aviso na primeira página.Interaction South America 2010 - 2 a 4 de dezembro, Curitiba – Paraná – Brasil. Copyright 2010 IxDA Curitiba Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 165
  • 172.
    suas definições derealidade e do modo como elas organizam o seu mundo”. Todas as observações foram realizadas em contexto de uso pois acreditava-se que fatores externos, do ambiente, poderiam trazer surpresas para o desempenho da interação ou influenciar a interação de algum modo. Portanto, antes de se agendar as observações, os usuários foram questionados quanto ao local e circunstância de uso mais frequente do aplicativo. Para guiar tais observações foram criados três cenários de uso, com uma descrição narrativa informal (Carrol, 2000 apud Preece, 2005) das tarefas que deveriam ser completadas. Em dois dos cenários foram abordadas tarefas que envolviam apenas a visualização de informações pelo aplicativo, o que foi classificado como um cenário de uso passivo (ver tabela 1). Cenário 1 - Caráter passivo de uso Você está querendo matar o tempo e resolve acompanhar um pouco do que acontece no seu Facebook. Ao navegar pelo Facebook, acha uma história de um amigo com muitos comentários e resolve ver mais do que está acontecendo. Ao terminar de ler todos os comentários relativos à esta história você se lembra que alguns de seus amigos fazem aniversário este mês e decide verificar os próximos aniversariantes. Cenário 2 - Caráter passivo de uso Ao passear pela news feed” do seu Facebook, você fica curioso com um link externo apresentado. Você acessa o sítio externo e volta para o Facebook para continuar lendo outras histórias. tabela 1 No último cenário, classificado como ativo, foram abordadas tarefas em que o usuário interage com o aplicativo acrescentando conteúdo (ver tabela 2). Cenário 3 - Caráter ativo de uso Você está passeando e tira uma foto com seu celular. Então, resolve compartilhar a experiência com seus amigos no Facebook. Faça o upload desta imagem e depois vasculhe o feed de fotos. tabela 2 Os entrevistados foram selecionados quanto à frequência de uso do aplicativo, sendo todos os escolhidos pertencentes ao universo dos participantes do questionário supracitado. Portanto, em função desta seleção reduzida, foram escolhidos quatro usuários que faziam uso frequente do aplicativo, aqueles que o utilizavam uma ou mais vezes por dia, e quatro usuários eventuais do aplicativo, aqueles que o utilizavam no máximo uma vez por semana. Por acaso, ambos os grupos escolhidos eram formados por dois homens e duas mulheres. Dentro do possível, as entrevistas foram agendadas de modo a serem feitas em sequência por um mesmo perfil de usuário a fim de facilitar a identificação de padrões de uso na fase de análise. Antes do início de cada entrevista os usuários eram instruídos quanto aos cenários de uso e lhes era pedido que verbalizassem o que iriam fazer ou tentariam fazer durante a interação, com o intuito de examinar as estratégias que as pessoas utilizam para solucionar problemas (Erikson e Simon, 1985). Este método, desenvolvido por Erikson e Simon, é denominado pensar em voz alta e visa obter o que o usuário está pensando, dessa forma, seus processos de raciocínio são exteriorizados (Preece, 2005). Em uma das observações, do grupo de usuários frequentes do aplicativo, o usuário se recusou a pensar em voz alta. A observação foi concluída, porém, não foi considerada para esta pesquisa. Portanto, para efeitos de comparação, uma observação do grupo do usuários eventuais foi também desconsiderada. Ao final, foram consideradas para análise três entrevistas de cada grupo. Cada observação foi documentada em audiovisual, através de uma câmera digital com tripé portátil (figura 1) que era segurada pela pesquisadora (figura 2) de modo a capturar a tela do aparelho celular, enquanto outras observações relativas ao comportamento dos observados, assim como comentários feitos por eles, eram anotados logo após o término da entrevista. figura 1 figura 2 A escolha por utilizar uma câmera portátil para registrar as sessões foi tomada após a realização do teste piloto. Nele, foram realizadas algumas tentativas de se obter uma captura em vídeo da interação como um todo através de uma câmera fixa, assim, seria possível que a pesquisadora ficasse livre para realizar anotações que fossem além da observação da tela do aplicativo como as expressões dos participantes. Porém, a câmera fixa deixava o usuário em posição desconfortável e até mesmo invadia sua área de Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 166
  • 173.
    visão, interferindo nainteração natural do usuário com o aparelho celular. RESULTADOS E ANÁLISES Os resultados das observações são apresentados separadamente por cenários de uso. Há ainda, subdividindo os cenários, categorias de conteúdo que são uma maneira sistemática, confiável de se codificar o conteúdo em um conjunto significativo de categorias mutuamente exclusivas (Williams et al, 1988). Estas categorias foram escolhidas dentre questões significativas apontadas pelo conteúdo dos vídeos coletados e são ortogonais, não se sobrepondo umas às outras de maneira alguma (Preece, 2005). Os dados coletados de cada grupo (de uso frequente e de uso eventual) são dispostos lado a lado com finalidade de comparação. Ao final dos resultados de cada tarefa há a conclusão da análise de conteúdo. As imagens de captura de tela do iPhone são utilizadas como apoio à narrativa e estão relacionadas ao grupo de uso frequente e/ou ao grupo de uso eventual. Cenário 1 - Caráter passivo de uso Acesso inicial do aplicativo. figura 3 - agrupamento de aplicativos no iPhone figura 4 - tela inicial do iPhone Uso frequente Uso eventual P5 e P6 - Faz agrupamentos dos aplicativos na tela inicial do iPhone. Nenhum usuário faz agrupamentos dos aplicativos na tela inicial do iPhone. Os entrevistados que fazem uso frequente do aplicativo do Facebook organizam a tela inicial do iPhone de modo que os aplicativos que usam com mais frequencia sejam mais acessíveis. News Feed longa Uso frequente Uso eventual P1 - Não tem o costume de ficar navegando pelas histórias das pessoas. Como tem muitos amigos, não tem paciência. Comentou dos amigos que não tem vida e publicam muitas histórias, aumentando seu news feed. P6 - Acessa com mais frequência a seção notificações, não tem tempo de navegar pela news feed. Nenhum comentário dos participantes. A news feed não é uma funcionalidade muito acessada pelos usuários frequentes. Acesso aos comentários. Ícones pequenos distinguem as funcionalidades comentar e gostar, além de serem apresentados em uma mesma figura 5 - News Feed figura 6 - Ler comentários Uso frequente Uso eventual P1 e P6 - Confundiu o ícone de comentários de outras pessoas com o ícone de gostar. P2, P3 e P4 - Completa todo o cenário sem apresentar dificuldades. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 167
  • 174.
    hierarquia gráfica, fazemcom que os usuários menos atentos não percebam a diferença, o que os induz ao erro. Os usuários frequentes estão tão habituados com o uso do aplicativo que agiam com mais rapidez, refletindo menos que os usuários eventuais antes de clicar. Acesso à funcionalidade Aniversários. figura 7 - menu do aplicativo figura 8 - página Aniversários Uso frequente Uso eventual P1 e P5 - Acertivos com a localização dos próximos aniversariantes. P6 - Encontra a funcionalidade na segunda tentativa: Não se lembrava da localização da funcionalidade Aniversariantes. Ficou ansioso por não saber, repetindo a si mesmo: Eu tenho que saber! Depois de procurar no ícone Friends, acha os aniversariantes em Events, porém, estranha que não são mostrados somente os aniversariantes do mês, mas sim uma lista com os aniversariantes do ano, agrupados por meses, em ordem cronológica (figura 8). P2 - Encontra a funcionalidade na terceira tentativa. Procura em Friends primeiro, depois no botão +. Ao clicar no botão +, o usuário menciona que achava que adicionaria um ícone a mais no seu menu. Ao encontrar a funcionalidade desejada, o usuário exclama: É claro, aniversário é um evento! P3 e P4 - Encontram a funcionalidade na terceira tentativa. Procuram em Friends, depois dentro do próprio perfil, em Profile. Todos os usuários eventuais tiveram dificuldade de encontrar os aniversariantes do mês pois não é clara a associação de eventos a aniversários. Ao comparar com os resultados dos usuários frequentes, acredita-se que uma vez feita esta associação, o caminho é memorizado pelo usuário. Comparação com sítio acessado via desktop. figura 9 - primeira página do sítio Facebook para desktop figura 10 - primeira página do sítio Orkut para desktop Uso frequente Uso eventual Nenhuma comparação feita pelos participantes P3 - Faz comentário relativo à outra atividade que não é proposta no cenário de uso, menciona portanto: Uma coisa que eu acho ruim do aplicativo é que não dá para bater papo com os meus amigos. Entretanto, a funcionalidade “chat” é o ícone que aparece na parte central do menu do aplicativo (figura 7). Ao ter a funcionalidade apontada pela Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 168
  • 175.
    pesquisadora, a entrevistada complementa queestá acostumada com o sítio do Facebook no desktop e esperava que, enquanto lesse a news feed, seus amigos pudessem interrompê-la (figura 9). P2 - Ao encontrar a funcionalidade de Aniversários do aplicativo do Facebook, o usuário comenta: Mas eu estou acostumado com o Orkut, onde aparece na minha home as informações principais (figura 10) Usuários eventuais do aplicativo para iPhone esperam estruturas e lógicas semelhantes às encontradas no sítio do Facebook e de outras redes sociais no desktop. Enquanto os usuários frequentes já se familiarizaram com a estrutura particular do aplicativo em comparação com a estrutura da versão para desktop do sítio. Cenário 2 - Caráter passivo de uso Acesso a um link externo figura 11 - link externo Uso frequente Uso eventual P1 e P6 - Acessam o link externo sem problemas. P5 - Confunde link externo com link de fotos P3 e P4 - Acessam o link externo sem problemas. de outros usuários. Assim como na funcionalidade de comentários e de gostar em que há um pequeno ícone que as diferencia, o mesmo recurso é utilizado para diferenciar um link externo de um link para acesso à fotos de outros usuários. Como é apenas um detalhe que diferencia um botão de outro, o resultado é a confusão dos usuários mais desatentos. Mais uma vez é um usuário frequente do aplicativo que é lesado por um detalhe, pois age com rapidez e reflete menos que os usuários eventuais antes de clicar. Atualizações do aplicativo Uso frequente Uso eventual P1 - Ao ser solicitada para acessar um link externo, a usuária comenta: Isso é muito chato pois o aplicativo do Facebook fecha e abre o Safari. Fica surpresa ao perceber que é aberto um browser dentro do próprio Facebook. Chega à conclusão de que o aplicativo foi atualizado e ela não ficou sabendo da melhoria e simplesmente evitava clicar em links externos por ser inconveniente. Não houve comentários pelos usuários. As comunicações de melhorias a cada nova versão lançada não são bem comunicadas aos usuários ou são inexistentes. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 169
  • 176.
    Cenário 3 -Caráter ativo de uso Tirando a fotografia figura 12 - Botão para fotografar figura 13 - Escrever legenda Uso frequente Uso eventual P1 - Sai do aplicativo do Facebook e abre outro aplicativo (More Lomo) para tirar a foto. Disse preferir levar mais tempo para tirar uma foto, mas ter uma imagem de melhor qualidade. P6 - Sai da news feed e acessa a seção Photos para tirar uma foto. Poderia ter acessado a funcionalidade a partir da própria news feed (figura 12) P1, P5 e P6 - Não percebem que podem escrever uma legenda para a foto tirada. Adicionam um comentário na foto depois de publicá-la. P3 e P4 - Realizam a fotografia e adicionam uma legenda na imagem antes de publicá-la. Todos os passos ocorrem sem apresentar dúvidas. P2 - Nunca havia tirado uma foto pelo Facebook. Sai do aplicativo para tirar a fotografia, mas ao voltar para o aplicativo e subir a imagem, clica no ícone de foto (figura 12) e tira novamente a mesma fotografia. Escreve uma legenda na imagem antes de publicá- la. Há diferentes percursos para completar a ação de publicar uma foto tirada pelo usuário. Nem sempre os usuários recorriam ao percurso mais curto, mas não necessariamente ficavam insatisfeitos ou irritados pelo trajeto. Há outros fatores de satisfação do usuário além do tempo ou da quantidade de cliques ao se realizar uma tarefa, como por exemplo, ter uma imagem de melhor qualidade publicada. Botão write a caption... passa despercebido pelos usuários frequentes, mas não pelos usuários eventuais. Na verdade o botão foge do padrão de botões apresentados até então, uma inconsistência do aplicativo. Botões pequenos Uso frequente Uso eventual Não houve achados P2 - Clica três vezes antes de conseguir clicar no link externo com sucesso (figura 11) P2 - O botão para acesso à câmera fotográfica (figura 12) era próximo ao botão que leva ao menu do aplicativo, o que o fazia esbarrar nesse outro botão. Clica duas vezes no botão errado antes de obter sucesso. O mesmo usuário, homem, em duas ocasiões diferentes teve dificuldade de acessar um botão corretamente pois os mesmos eram muito pequenos para os seus dedos. Acesso ao feed de fotos figura 14 - Atualizações de fotos figura 15 - navegando pelas Atualizações de fotos Uso frequente Uso eventual P1 - Encontra a funcionalidade na segunda tentativa. Entrou erroneamente na pasta que exibe suas próprias imagens antes de P2 - Questiona se há feed de fotos. Encontra a funcionalidade na terceira tentativa. P3 - Encontra a funcionalidade na quarta Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 170
  • 177.
    acertar. P5 - Tentouprocurar dentro da seção Photos, sem sucesso. Chega à conclusão que o news feed mostra tudo, conclui que não tem um feed específico de fotos. A pesquisadora intervém e diz que há um feed específico de fotos, mas sem indicar o caminho. O usuário então rapidamente acha o que foi pedido. P6 - Encontra a funcionalidade na quarta tentativa. Não sabia que existia uma seção para ver histórias de fotos. Imagina que está dentro da news feed, mas não encontra. Procura dentro das seções friends e photos, também sem sucesso. Volta à news feed, encontra e comenta: Sempre me confundi com essa história de news feed e live feed do Facebook. tentativa. P4 - Encontra a funcionalidade na terceira tentativa. Acessa um perfil específico, depois a sua própria pasta de fotos, até que encontra a seção desejada. A funcionalidade era desconhecida por ambos os grupos e houve uniformidade com relação a quantidade de tentativas (entre duas e quatro) até se achar a funcionalidade desejada. O botão live feed, dentro da seção news feed (figura 12), na verdade funciona como um filtro para diversos tipos de atualizações que o usuário pode ter acesso. Quando a news feed está selecionada, ou seja, quando é mostrado ao usuário as atualizações mais relevantes de seus amigos, o nome do botão aparece como live feed. O usuário pode então clicar no botão live feed, no caso de estar na seção news feed, e selecionar outros tipos de filtros de atualizações, como por exemplo, atualizações de fotos, links ou status. A forma de botão (figura 15) confunde o usuário já que, na verdade, o botão tem comportamento de filtro. Essa inconsistência da interface gerou confusão e induziu ao erro ambos os grupos de usuários. Bugs e acesso à internet Durante as observações, o aplicativo travou duas vezes em circunstâncias semelhantes e precisou ser reiniciado. Em quatro das observações houve problemas de conexão, em uma delas a conexão estava lenta, em outra havia alguma configuração do iPhone que estava bloqueando o acesso à rede 3G da operadora e em duas outras um proxy da rede wi-fi utilizada bloqueava o acesso a determinados sítios. Nenhuma ocorrência impediu a realização dos testes, resultando apenas em atrasos. CONSIDERAÇÕES FINAIS Quanto à preparação e à aplicação dos testes Durante a coleta e análise dos dados foi possível constatar a importância do pesquisador realizar as observações acompanhado de mais de uma pessoa. É necessário interagir com o entrevistado, conversar com ele, operar o equipamento que será utilizado para o registro da seção, observar o comportamento e expressões do entrevistado, além de fazer anotações durante a observação. São muitas variáveis a serem observadas em um curto período de tempo, o que torna a coleta de dados uma tarefa complexa para apenas um pesquisador. A opção de utilizar a câmera digital portátil impossibilitou a pesquisadora de realizar anotações durante a observação, o que provavelmente resultou em perda de informações relativas ao contexto da interação. Isso reitera a necessidade das observações serem realizadas com mais um pesquisador. Por outro lado, o uso de câmera e tripé de mão foram flexíveis o suficiente para acompanhar usuários que se movimentavam ao interagir com o aparelho celular. Como por exemplo, se movimentar pelo ambiente em busca do melhor enquadramento para uma fotografia. Entretanto, foram encontradas algumas limitações, tal como: não é sempre possível captar com clareza a imagem da tela do celular pois ora o usuário passa a mão pela frente do visor, ora o ambiente fica muito claro, ora a câmera não alcança o ajuste de foco automático a tempo de registrar toda a interação. Mesmo assim, foram fatores contornáveis pois a observação foi transcrita imediatamente depois da entrevista. Para obter um registro de dados mais completo, seria desejável ter, além do vídeo do ato da interação do usuário com o aparelho celular, a captura das telas do aplicativo em estudo. Quanto à avaliação do aplicativo A princípio, acreditava-se que os usuários eventuais do aplicativo encontrariam mais dificuldades, por conhecerem menos o aplicativo, e a presente pesquisa procurava identificar a curva de aprendizado desses usuários eventuais em comparação aos usuários frequentes. Entretanto, as observações apontam para usuários frequentes apressados. Eles organizam, agrupam seus aplicativos para acessá-los mais rápido. Em contrapartida, são menos reflexivos durante a interação, logo, pequenos detalhes da interface não são percebidos, o que os induz à falhas. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 171
  • 178.
    Usuários eventuais doaplicativo para iPhone esperam estruturas e lógicas semelhantes às encontradas no sítio para desktop do Facebook e de outras redes sociais. Eles estabelecem um paralelo entre o modelo conceitual do aplicativo e do sítio, tentando repetir um mesmo modelo mental. Em contrapartida, os usuários frequentes já se familiarizaram com o modelo conceitual do aplicativo. Norman (1983) já apontava que os usuários estabelecem seus modelos mentais, em relação a dispositivos interativos, através de analogias. Porém, ele se referia a busca por estabelecer comparações entre o mundo físico e o mundo digital. Há entretanto, como o resultado deste estudo aponta, analogias também inapropriadas, porém, analogias entre dispositivos interativos. Há funcionalidades que podem ser acessadas a partir de diferentes seções do aplicativo, o que resulta em diferentes percursos para se chegar a um mesmo fim. Um caminho mais longo, entretanto, quando traz recompensas ao usuário como a melhora na qualidade de uma imagem, é uma opção e não indicou a insatisfação do usuário. Já as inconsistências da interface gráfica geram confusão e induzem ao erro ambos os grupos de usuários, como no caso do botão write a caption que foge ao padrão, ou no caso do botão/filtro da seção news feed. Gerando isso sim muita insatisfação. Além disso, o tamanho reduzido da tela de um celular, mesmo do iPhone que tem uma das maiores telas em comparação a outros celulares, parece não ter sido levado em consideração pelos designers da interface do aplicativo estudado. Ícones muito pequenos distinguem funcionalidades muito próximas, ou botões também muito pequenos fazem os usuários com dedos maiores acessarem outros links indesejados. AGRADECIMENTOS A presente pesquisa foi desenvolvida no curso de Introdução à Interação Humano Computador, ministrado pela professora Clarisse Sieckenius de Souza, no departamento de Informática da PUC Rio. Gostaria de agradecer à profa . Clarisse pelos direcionamentos durante e após a pesquisa, à MJV – tecnologia e inovação pelo suporte durante a empreitada do mestrado, à Isabel Adler pelas revisões e compartilhamento de referências e à todos que participaram da pesquisa cedendo seu tempo e paciência. REFERÊNCIAS 1. Erikson, K. Simon, H. Protocol analysis: verbal reports as data. Cambridge: MIT Press (1985). 2. Holzinger, A. Usability engineering methods for software developers. Commun. ACM 48,1 (Jan. 2005) DOI= http://doi.acm.org/10.1145/1039530.1039541 3. Mobile Usability. Alertbox, July 20, 2009. http://www.useit.com/alertbox/mobile-usability.html. 4. Norman, D. Some observations on mental models. In Gentner, D. and Stevens, A.L. Mental Models. Hillsdale, NJ: Lawrence Earlbaum Associates (1983) 5. Preece, J. Rogers, Y. Sharp,H. Design de Interação. Além da Interação homem-computador. Porto Alegre: Bookman (2005). 6. Williams, F. Rice, E. Rogers, M. Research methods and the new media. New York: The Free Press (1988). 7. Bogdewic, S. P. Participant Observation. In B. F. Crabtree and W.L. Miller (eds.), Doing Qualitative Research. Newbury Park, CA: Sage (1992) Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 172
  • 179.
    Implementando Acessibilidade emum Sistema de Gestão de Aprendizagem através do Design Centrado no Usuário Virgínia Chalegre, Fabrício Teles, Audrey Vasconcelos Centro de Informática, Universidade Federal de Pernambuco Caixa Postal 7851 CDU Recife PE 50732-970, Brasil {vcc, fst, abv}@cin.ufpe.br ABSTRACT The era of digital inclusion has made accessibility a requirement increasingly essential to Web pages, since this environment plays a key role in the daily life of people with special needs. This paper presents the first results towards the accessibility of a learning management system, through the user centered design, taking into account expectations of visually impaired users, and accessibility guidelines proposed by the WAI/W3C. RESUMO A era da inclusão digital tem tornado a acessibilidade um requisito, cada vez mais, essencial para as páginas Web, uma vez que este ambiente desempenha papel fundamental no cotidiano das pessoas com deficiência. Este artigo apresenta os primeiros resultados rumo à acessibilização de um sistema de gestão da aprendizagem, através do design centrado no usuário, levando em consideração as expectativas de usuários com deficiência visual, bem como as diretrizes de acessibilidade propostas pela WAI/W3C. Palavras-chave Acessibilidade, Learning Management System, Design Centrado no Usuário. ACM Classification Keywords H.5.3 [HCI]: Web-based interaction. INTRODUÇÃO Estabelecer normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade a pessoas com deficiência é o objetivo da Lei Federal Brasileira de Acessibilidade (Lei Nº 10.098, de 19 de dezembro de 2000). Apesar de seu razoável tempo de vida, ainda são poucas as ações práticas para sua operacionalização na sociedade. Especificamente no ramo da educação, a acessibilidade muitas vezes é negligenciada, sendo considerada como desejável, quando deveria ser tratada como essencial. De acordo com o Censo do IBGE de 2000 [6], estima-se que 24,5 milhões de pessoas, em torno de 14,5% da população brasileira, possuem algum tipo de deficiência. Desse montante, o principal grupo é dos deficientes visuais que abrange 48,1% do total, sendo incluídas as pessoas cegas ou com baixa visão. Levando-se em consideração esse significativo número de pessoas com deficiência, entende-se a importância de propor soluções de inclusão em todos os níveis do processo de educação. Acredita-se que os sistemas de gestão da aprendizagem (Learning Management System – LMS) virtuais possam atuar como um facilitador nesse processo, desde que sejam concebidos com base em requisitos bem fundamentados de acessibilidade para Web. Nesta perspectiva, a WAI1 tem desenvolvido especificações, guias, software e ferramentas em busca da padronização de tais definições [10]. Entretanto, tornar esses sistemas virtuais acessíveis não é uma tarefa fácil, visto que geralmente os envolvidos com o desenvolvimento de ambientes Web conhecem pouco das necessidades das pessoas com deficiência, como também muitas vezes não possuem prática com a implementação dos padrões propostos pela WAI. Alinhado a isso, há ainda o fato de não se considerar diretrizes de acessibilidade durante todo o ciclo de desenvolvimento do LMS. Esta prática propaga inconsistências e causa retrabalho, uma vez que a validação da acessibilidade geralmente é feita apenas ao final do desenvolvimento. O objetivo deste estudo foi desenvolver uma proposta para um LMS acessível, seguindo a perspectiva do Design Centrado no Usuário. O grupo de usuários abordado foi o dos deficientes visuais, por se tratar do maior e mais representativo subconjunto das pessoas com deficiência. Avaliou-se como as necessidades de acessibilidade poderiam ser atendidas em um LMS, tanto pela visão do 1 O World Wide Web Consortium (W3C) é um consórcio internacional responsável por desenvolver padrões a serem adotados na Web, sendo a Web Accessibility Initiative (WAI) um grupo de trabalho da W3C responsável pelas ações de acessibilidade. Cópias digitais ou impressas deste artigo são permitidas desde que sejam para uso pessoal ou em sala de aula e com as devidas referências, não se prestando para fins comerciais. Por favor, mantenha este aviso na primeira página. Interaction South America 2010 - 2 a 4 de dezembro, Curitiba - Paraná - Brasil Copyright 2010 IxDA Curitiba. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 173
  • 180.
    usuário quanto pelavisão da WAI, considerando mais especificamente as diretrizes Web Content Accessibility Guidelines (WCAG 2.0). AMADEUS Baseada no conceito de blended learning, que reune ensino à distância (e-learning) e ensino presencial, a plataforma Amadeus apresenta-se como o primeiro LMS de segunda geração [2]. A solução, disponível no Portal do Software Público Brasileiro [7], permite estender as experiências dos usuários de EaD para diversas plataformas (Internet, desktop, celulares, PDAs e TV Digital) de forma integrada e consistente. O objetivo do Amadeus é ampliar as possibilidades de trabalho dos professores e proporcionar formas criativas de relacionamento, promovendo a comunicação e colaboração entre os participantes. Essa ampliação das formas de interação dos usuários com os conteúdos e entre os próprios usuários permite a implementação de novas estratégias de ensino e de aprendizagem orientadas por teorias construtivistas ou sociointeracionistas do desenvolvimento humano. A Figura 1 ilustra a tela principal desse LMS. Figura 1. Tela Principal do Amadeus. Apesar do promissor potencial da plataforma, diretrizes de acessibilidade nunca foram consideradas em sua concepção, por exemplo, conteúdos não textuais (vídeos, imagens, etc) não possuem seu respectivo descritivo textual, dificultando e muitas vezes invializando a utilização de tais conteúdos por parte dos deficientes visuais, neste caso. O cenário atual do Amadeus, onde estas dificuldades de acessibilidade estão presentes, motivou a aplicabilidade da pesquisa apresentada neste trabalho. Ao utilizar como estudo de caso esta plataforma, a pesquisa em questão visa ampliar o grupo de usuários da ferramenta, incluindo os portadores de deficiência. DESIGN CENTRADO NO USUÁRIO Conforme mencionado, o presente estudo foi desenvolvido com base na abordagem Design Centrado no Usuário, ou seja, seguiu-se um processo baseado nas quatro fases do design da interação: Pesquisa, Brainstorm, Avaliação e Prototipação [8], no qual o ponto central foi a experiência do usuário. Nas próximas sub-seções será descrita, detalhadamente, a execução de cada uma dessas fases no âmbito deste estudo. Fase 1 - Pesquisa A metodologia de pesquisa qualitativa utilizada foi a Grounded Theory [9]. A ideia básica desta metodologia é ler um banco de dados textual (por exemplo, notas de campo e transcrições de entrevistas) para descobrir ou nomear variáveis (denominadas de categorias, conceitos e propriedades) e seus relacionamentos. A partir daí é construída uma teoria sobre o fenômeno; neste caso, a acessibilidade para deficientes visuais nos sistemas de gestão de aprendizagem. A formulação das questões de pesquisa, em termos concretos, foi guiada pelo objetivo de esclarecer o que os entrevistados revelaram. Os principais questionamentos respondidos foram: • Como se dá a interação dos usuários DVs (Deficientes Visuais) e quais as suas maiores dificuldades no acesso dos ambientes na Web em geral. • Relatos de episódios onde o DV enfrentou dificuldades no acesso às informações nos ambientes Web/EaD. • Descrições de como funciona a interação do DV com o professor nos ambientes de EaD. Dentro da metodologia de pesquisa utilizada foram definidas duas fontes de dados: • Entrevistas com usuários com deficiência visual total. • Documentação da WCAG 2.0. Tais fontes de dados passaram pelo processo de coleta, análise e interpretação de dados. A partir da análise e interpretação da primeira fonte de dados (entrevistas com os usuários), foram destacados alguns conceitos, a partir das sugestões de acessibilidade que emanaram das entrevistas realizadas. A seguir há alguns exemplos destes conceitos, os quais estão devidamente justificados por trechos transcritos das entrevistas: a. Descrever o formato da página e estruturá-las por frames, cabeçalhos e tabelas, facilitando a navegação, uma vez que o leitor possui recurso para passar de um componente para outro. “... possa fazer a estruturação por frames, pode ser feito por texto de cabeçalho (header) também - isso facilita (a navegação) porque os leitores de tela fornecem recursos para ’pular’ de um frame para outro, para ’pular’ de uma tabela para a próxima tabela”. b.Localizador rápido de conteúdo. “Deve-se criar caminhos/alternativas/soluções diferentes para pessoas diferentes chegando objetivamente e diretamente no que interessa, no mesmo conteúdo. Só isso já facilitaria muitíssimo a criação de sites com acessibilidade”. c. Não utilizar CAPTCHA (Completely Automated Public Turing test to tell Computers and Humans Apart). Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 174
  • 181.
    “CAPTCHA é umatentado à acessibilidade para um deficiente visual”. d. O conteúdo deve ser objetivo e os componentes não textuais devem possuir um descritivo textual. “Por exemplo, se for o caso de ler textos, que estes sejam objetivos, sem muitas figuras, e caso existam, que sejam descritas”. e. Não inserir indicações de cor e desenhos. “... a utilização de cores é outra coisa que nos atrapalha muito, porque alguns sites utilizam cores para se identificar determinados pontos dentro dele, mas pra nós isso atrapalha. O que para as outras pessoas ajuda, para nós dificulta a identificação dos elementos”. f. Quando o material for gravado (leitura de texto, vídeo), disponibilizar um gerenciador integrado à ferramenta, que seja possível acessá-lo diretamente, além de permitir parar, avançar e voltar. “... quando tiver uma voz gravada nos materiais, tem que dar a possibilidade de pará-las; ter controle sobre o áudio”. g. As avaliações devem ter opções de múltipla escolha simples. Não deve haver associações entre duplas colunas. “... eu desisti de fazer um teste porque ele tinha umas alternativas de escolha muito complicadas. Associar um lado com outro, uma coluna com a outra. Associar a da direita com a esquerda. Então eu o abandonei...”. h. Informar quando a página é atualizada/modificada e pôr o foco na funcionalidade selecionada. Por exemplo, se o usuário selecionar Fórum, a página deve ser atualizada e o foco deve estar no Fórum, para evitar passar por todos os links novamente, antes de chegar à funcionalidade selecionada. “... em portais de notícias, que possuem várias manchetes na mesma página, você começa a ler uma notícia, quando vê já está no meio de outra notícia que não tem nada a ver com a anterior. Você começa a ler: ‘Hoje o presidente esteve na cidade...’ e em seguida já vem o texto: ‘... a previsão do tempo é de sol e calor’”. i. Descrever o link que está sendo acessado. “É importante para quem não vê (DV) que haja uma descrição do link que está sendo acessado. O flash diz que aquele link não tem nome e apenas atribui a esse link um número, ficando o DV sem saber do que se trata”. A partir da análise da segunda fonte de dados (documentação WCAG), foi identificado que a sua documentação oficial da WCAG 2.0 [10] já estrutura os dados de forma categórica e conceitual. Desta forma, o processo de interpretação focou em selecionar os princípios e recomendações relacionadas às questões de pesquisa deste trabalho, a saber: a. Perceptível: A informação e os componentes da interface do usuário têm de ser apresentados aos usuários de forma que eles possam perceber. a1. Alternativas em Texto: Fornecer alternativas em texto para qualquer conteúdo não textual. a2. Mídias com base no tempo: Fornecer alternativas para multimídia baseada no tempo. b.Operável: Os componentes de interface de usuário e a navegação devem ser operáveis. b1. Acessível por Teclado: Fazer com que toda a funcionalidade fique disponível a partir do teclado. b2. Tempo Suficiente: Fornecer tempo suficiente aos utilizadores para lerem e utilizarem o conteúdo. c. Compreensível: A informação e a operação da interface de usuário devem ser compreensíveis. c1. Legível: Tornar o conteúdo de texto legível e compreensível. c2. Previsível: Fazer com que as páginas Web surjam e funcionem de forma previsível. d.Robusto: O conteúdo tem de ser robusto o suficiente para poder ser interpretado de forma concisa por diversos agentes do usuário, incluindo tecnologias assistivas. e. Compatível: Maximizar a compatibilidade com atuais e futuros agentes de utilizador, incluindo tecnologias de apoio. A partir desta primeira interpretação, um segundo processo interpretativo foi executado com o objetivo de selecionar as recomendações de acessibilidade mais importantes, sob a ótica dos usuários deficientes visuais. As recomendações selecionadas foram: a1 (Alternativas em Texto), a2 (Mídias com base no tempo), b1 (Acessível por Teclado), b4 (Navegável), c1 (Legível) e c2 (Previsível). Tanto estas recomendações de acessibilidade da WAI, como também as sugestões de acessibilidade identificadas nas entrevistas com os usuários, foram utilizadas para a formulação da teoria (diretrizes de acessibilidade aplicadas neste trabalho) e consideradas nas fases seguintes do processo de design da interação centrado no usuário. Fase 2 - Brainstorm A fase de brainstorm consistiu em uma sessão de 60 minutos, na qual foram exploradas soluções a serem incorporadas à fase de prototipação. Utilizou-se a técnica de brainstorm de modo simples e prático, tendo as seguintes atividades: a. Exposição das questões de pesquisa. b.Exposição dos resultados da fase de pesquisa. c. Apresentação de ideias para elaboração do protótipo. Algumas da ideias suscitadas no brainstorm foram: Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 175
  • 182.
    • Elaboração deambiente Web, onde o DV utilizasse linguagem natural falada nas interações, ou seja, com recursos plenos de reconhecimento e síntese de voz. • Elaboração de ambiente inteligente, onde o DV tivesse que intervir manualmente o mínimo possível. • Adequação de ambiente pré-existente com o foco nas funcionalidades mais importantes para o usuário aluno de um curso. Das ideias apresentadas, a última opção foi selecionada, visto que as demais se distanciam bastante da realidade e da viabilidade de implementação a curto e médio prazo. Portanto, como resultado da fase de brainstorm, temos a adequação da plataforma atual do Amadeus sob a perspectiva dos requisitos levantados na fase de pesquisa. Fase 3 - Prototipação Na fase de prototipação foi desenvolvido um conjunto de interfaces associadas aos cenários de utilização de um sistema de gestão de aprendizagem por deficientes visuais. O protótipo foi construído primeiramente em papel, como pode ser visto na Figura 2 e na Figura 3, sendo posteriormente elaborado em ferramenta de prototipação, montando telas com um esquema navegacional semelhante ao que deveria ser o produto final. Figura 2. Protótipo em Papel - Tela Módulo do Curso. Figura 3. Protótipo em Papel - Tela Aula Online. A construção do protótipo levou em consideração os dados coletados nas entrevistas, bem como as diretrizes de acessibilidade da W3C. As telas foram divididas por frames (Figura 4), cada uma com sua respectiva indicação. Elas foram estruturadas desta forma para melhor organizar o conteúdo do Amadeus, bem como facilitar a leitura da ferramenta assistiva. O leitor de tela possui teclas de atalho que permitem navegar por frames, fazendo com que a leitura do DV seja mais dinâmica e evite que ele tenha que ouvir o mesmo texto repetidas vezes. Figura 4. Estrutura das Telas do Protótipo. A seguir são apresentadas algumas telas construídas e suas respectivas descrições: Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 176
  • 183.
    Figura 5. Telade Login. (1) Imagem do logotipo do Amadeus, com o seguinte descritivo textual: “Imagem, no topo da tela, com o nome projetoAmadeus, o logotipo do Amadeus e a versão em que o sistema se encontra - Alpha” (2) Barra de acessibilidade com cinco botões distintos e com seus respectivos equivalentes textuais. Abaixo, seguem as funcionalidades de cada um, da esquerda para a direita: • Botão que descreve como o sistema está estruturado, por exemplo: “A tela está dividida em dois frames: O primeiro com a imagem do logotipo do Amadeus e com os botões de acessibilidade e o segundo possui os campos de login”. • Botão que ativa o modo acessibilidade para deficientes auditivos, o qual traduz o texto selecionado para a Linguagem Brasileira de Sinais (LIBRAS). • Botão para diminuir o tamanho da letra da tela atual. • Botão que serve para deixar a letra da tela atual no tamanho normal. • Botão para aumentar o tamanho da letra da tela atual. (3) Campos de entrada de dados, identificados pelo leitor de tela, para fazer o login no sistema. (4) Botão, devidamente identificado pelo leitor de tela, com o descritivo: “Botão Entrar para fazer login no sistema”. (5) Botão, devidamente identificado pelo leitor de tela, com o descritivo: “Botão Google para fazer login no sistema, utilizando a sua conta do Google[5]”. (6) Link, devidamente identificado pelo leitor de tela, com o descritivo: “Link Esqueceu a Senha que direciona para a página de identificação do usuário, onde o sistema irá enviar uma nova senha por email”. (7) Link, devidamente identificado pelo leitor de tela, com o descritivo: “Link Nova Conta que direciona para a página de cadastro do usuário”. Figura 6. Tela dos Cursos. (1) Primeiro item a ser lido pela ferramenta assistiva, assim que a tela for carregada. Esta área informa ao usuário que ele está logado e os botões têm as respectivas descrições: “Botão Perfil que, ao ser selecionado, direciona para uma tela onde é possível modificar o seu perfil” e “Botão Sair para fazer o logout no sistema”. (2) Campo de busca no início da tela para que os usuários, com e sem deficiência, possam pesquisar o conteúdo de seu interesse e acessá-lo rapidamente. (3) Área onde estão listados os cursos, separados por categorias relacionadas ao aluno. Os links dos cursos têm seus descritivos textuais, indicando para onde o usuário será levado. Na categoria Cursos Disponíveis, o botão Inscrição está ao lado do link para facilitar o acesso, evitando que o usuário tenha que procurar esta opção para se inscrever no curso desejado. Figura 7. Perfil Aluno - Tela do Curso Selecionado. (1) Menu lateral com todas as opções disponíveis pelo curso. Cada link tem o descritivo textual que explica o objetivo da funcionalidade e indica seu direcionamento. Na Figura 7, a descrição da opção selecionada é “Menu Dados do Curso, opção que indica o Nome do Curso, Professores, Objetivos, Programa, Limite de Vagas e datas importantes”. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 177
  • 184.
    (2) Barra denavegação, com descritivos textuais nos links. Foi inserida com o objetivo de prover flexibilidade ao usuário, proporcionando meios alternativos de acesso e operação. Esta barra indica onde o usuário se encontra, facilitando a navegabilidade para os DVs, já que não acessam as funcionalidades através do mouse. (3) Conteúdo relativo à opção selecionada do menu. Neste caso, não é necessário descritivo textual, pois a própria ferramenta assistiva passa por todo o texto. A preocupação, nesta área, foi deixar o conteúdo organizado e objetivo, para que os DVs não percam tempo lendo textos desnecessários. Figura 8. Perfil Aluno - Tela Módulo do Curso. (1) O menu está estruturado de forma que a opção Módulos seja expandida para que o usuário consiga acessar o módulo desejado mais facilmente. (2) Cada módulo possui uma ou mais aulas e avaliações. Quando a aula está em formato de link, significa que será uma transmissão online, aberta em uma página independente da ferramenta, devidamente descrita para reconhecimento do leitor de tela. Nesta área, são listadas todas as aulas do módulo selecionado no menu, com seus respectivos materiais disponíveis: • AVI – Vídeo da aula, aberto no próprio sistema. É sugerido que o professor grave seu áudio/imagem e exiba a apresentação da aula no próprio vídeo. Evitando que o DV abra a apresentação, pois já estará ouvindo a voz do professor e entrará em conflito com a voz do leitor de tela. • PDF/PPT – Material (textual) para download disponibilizado em arquivo PDF/PPT. É sugerido não publicar arquivo PDF de um item escaneado, pois o leitor de tela não tem capacidade para identificá-lo e reproduzi- lo através da voz. Para o PPT, a sugestão é que cada imagem, inserida na apresentação, tenha um equivalente textual. Figura 9. Perfil Aluno - Tela Aluno Online. (1) Aplicativo para reproduzir o vídeo da aula. Este aplicativo possui botões com seus respectivos equivalentes textuais e dispostos de uma forma que facilite a navegação do deficiente visual. Da esquerda para a direita, os botões são definidos abaixo: • Tempo de duração do vídeo. Foi inserido no início, diferentemente das ferramentas mais utilizadas no mercado, para que o usuário já conheça a duração, assim que iniciá-lo, e então decida se terá interesse em continuar ouvindo-o. • Stop - Comum a todos os reprodutores de vídeo, porém com o equivalente textual. • Back - Comum a todos os reprodutores de vídeo, porém com o equivalente textual. • Play/Pause - Comum a todos os reprodutores de vídeo, porém com o equivalente textual. • Forward - Comum a todos os reprodutores de vídeo, porém com o equivalente textual. • Volume - O diferencial desta funcionalidade é que há um botão para aumentar e outro para diminuir o volume, com seus respectivos equivalentes textuais, para facilitar a navegação do deficiente visual. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 178
  • 185.
    Figura 10. PerfilAluno - Tela Módulo do Curso - Avaliação. (1) Avaliação relacionada ao módulo selecionado, com um botão e seu equivalente textual para finalizá-la. Possui perguntas acessíveis com respostas abertas ou de múltipla escolha. Uma sugestão, relatada pelos deficientes visuais nas entrevistas, é não inserir perguntas que tenham relacionamentos de dois lados, pois dificulta a leitura da ferramenta e consequentemente a localização dos elementos. As recomendações da WAI relacionadas ao protótipo do presente trabalho são detalhadas a seguir: • Alternativas em Texto: Para cada componente das telas do protótipo (botão, imagem, link, frame, caixa de texto e menu) é proposta uma descrição textual, a fim de que os deficientes visuais possam acessá-los com a ferramenta assistiva. • Mídias com Base no Tempo: A ideia é que sejam fornecidas legendas para a totalidade do áudio pré- gravado existente em um conteúdo com mídia sincronizada, com o objetivo de permitir que o usuário possa gerenciar os áudios, evitando que, por exemplo, o áudio de uma aula sobreponha o áudio da ferramenta assistiva. • Acessível por Teclado: Todo componente tem uma tecla de atalho para que possa ser acessado via teclado, sendo também ordenados adequadamente para que o deficiente visual consiga “desenhar” as telas em sua mente da mesma forma que as pessoas sem deficiência as enxergam. • Navegável: Foi feita uma separação de forma, função e conteúdo, de maneira a estruturar as páginas e facilitar o acesso de todos (pessoas com e sem deficiência). • Legível: A informação é perceptível, ou seja, a proposta é que o conteúdo seja objetivo o suficiente, que tenha explicações para palavras incomuns e abreviaturas, tornando-o de fácil compreensão. • Previsível: Os mecanismos de navegação são repetidos em várias páginas Web, tornando a navegação previsível pela experiência do usuário. Os componentes de entrada de dados estão disponíveis via teclado, com informações do que é necessário preencher e os componentes que têm a mesma funcionalidade são identificados de forma consistente. Fase 4 - Avaliação A avaliação foi feita com alguns entrevistados logo após a elaboração do protótipo. O processo foi descrever cada tela do protótipo, com todos os detalhes das funcionalidades, botões, links, menu, imagens, bem como a interação entre os componentes e a sequência das telas, ouvindo os seus comentários a todo momento. Os usuários validadores do protótipo destacaram a navegabilidade da interface, considerando-a simples, objetiva e de fácil interação, com descritivos textuais para todas as funcionalidades disponíveis. Apontaram como ponto de melhoria a ênfase aos componentes acessíveis via teclado, já que, em algumas ferramentas, links do menu, por exemplo, só expandem com o click do mouse. Além desse, outros aspectos analisados: a. Incluir, na barra de acessibilidade, um botão de contraste do background com a cor da fonte e outro botão para ativar o modo monocromático, com o objetivo de tornar o Amadeus acessível também para os usuários que possuem deficiências visuais específicas (Protanopia: deficiência com vermelho, Deuteranopia: deficiência com a cor verde, Tritanopia: deficiência com a cor azul, acromia: sem cores [3]). A partir de tal necessidade, as telas do protótipo foram atualizadas para contemplar a nova barra de acessibilidade (Figura 11). Figura 11. Barra de acessibilidade com os novos botões. b.Retirar a opção de “Buscar Curso” da Tela dos Cursos (Figura 6), porque já existe uma busca no frame acima e, deixando as duas, pode confundir o usuário DV, além de tornar cansativo, pois o leitor de tela passará por este componente cada vez que for selecionada a tela dos cursos. c. Colocar uma opção de aumentar e diminuir o volume através do teclado, além dos botões disponíveis. Esta melhoria é referente à Figura 9 e vai além do que pode ser exibido na prototipação. Desta forma, fica como sugestão para a futura implementação do protótipo. CONCLUSÃO E PERSPECTIVAS FUTURAS O objetivo principal deste estudo foi alinhar as necessidades dos usuários deficientes visuais com as WCAG, propondo interfaces acessíveis para o uso de um LMS. Usando como estudo de caso a plataforma Amadeus, novas telas foram prototipadas, considerando as recomendações de acessibilidade identificadas. As telas apresentadas, e suas Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 179
  • 186.
    respectividas descrições, exemplificam,de forma objetiva, como funcionalidades de LMS podem se tornar acessíveis. O protótipo uma vez criado pôde ser avaliado pelos seus usuários idealizadores, e então novas recomendações foram propostas. Com esse processo contínuo de envolvimento do usuário podemos adicionar ganhos às definições de acessibilidade que não seriam os mesmos ao simplesmente se considerar a visão proposta pela WAI/W3C. Conclui-se assim que as recomendações da WAI/W3C não são suficientes para as definições de acessibilidade de um LMS, se não estiverem alinhadas às necessidedes dos usuários finais. Se por um lado as sugestões de acessibilidade dos usuários não são atendidas por completo pelas WCAG, por outro, importantes recomendações da WAI/W3C nem sempre são consideradas pelos usuários. Ajustar essas duas visões é o caminho para chegarmos a ambientes virtuais mais acessíveis. As abordagens consideradas neste trabalho porderão ser utilizadas para abranger outros grupos de usuários, com outras necessidades especiais, tais como motora, auditiva ou cognitiva. E posteriormente realizar a implementação dessas sugestões de melhorias no Amadeus ou em outro LMS. AGRADECIMENTOS Os autores agradecem ao apoio recebido pelo Centro de Informática da UFPE, em especial àqueles envolvidos no projeto Amadeus. Agradecem também aos usuários deficientes visuais que viabilizaram a elicitação e avaliação de importantes requisitos para o desenvolvimento da pesquisa. REFERÊNCIAS 1. Ambiente Virtual de Aprendizagem Amadeus. http://amadeus.cin.ufpe.br/. 2. Blog do Ambiente Virtual de Aprendizagem Amadeus. http://amadeus.cin.ufpe.br/blog/ 3. Brasil Media. Otimização de Sites Web Design Flash padrão W3C. http://www.brasilmedia.com/Daltonismo.html. 4. Cruz Neto, G. G. Estudos qualitativos para elicitação de requisitos: uma abordagem que integra análise sócio- cultural e modelagem organizacional. Tese (Doutorado em Ciência da Computação) - Universidade Federal de Pernambuco (2008), 42-49. 5. Google Accounts. http://www.google.com/accounts/ 6. Portal Saúde. Dados estatísticos Censo IBGE 2000. http://portal.saude.gov.br/portal/saude/cidadao/visualiza r_texto.cfm?idtxt=24202janela=1/. 7. Portal Software Público Brasileiro. Comunidade Amadeus. http://www.softwarepublico.gov.br/ver- comunidade?community_id=9677539 8. Preece J., Rogers Y., Sharp H. Design de Interação: Além da Interação Homem-Computador – Porto Alegre: Bookman (2005). 9. Strauss A., Corbin C. Basics of qualitative research: techniques and procedures for developing grounded theory. Thousand Oaks (California): Sage Publications (1998),145. 10.W3C. Web Content Accessibility Guidelines 2.0. http://www.w3.org/TR/WCAG20/. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 180
  • 187.
    Medindo Emoções emReuniões no Second Life Cleyton Slavieroi Jivago Medeirosi Karen Figueiredoi Willian Jefferson Freitas da Silvai Cintia Ramalho Caetano da Silva Ana Cristina Bicharra Garcia Instituto de Computação – Universidade Federal Fluminense – Niterói, RJ - Brasil {cslaviero, jmedeiros, kfigueiredo, wsilva, ccaetano, bicharra}@ic.uff.br RESUMO Reuniões são capazes de alterar o estado emocional de indivíduos, fato que pode influenciar no bom andamento destas reuniões. A dificuldade de percepção e interpretação das emoções dos participantes de uma reunião é um dos fatores que podem prejudicar o trabalho colaborativo à distância em ambientes virtuais como o Second Life. Focando neste problema, este trabalho apresenta um método para medir as emoções de um grupo de participantes de uma reunião no ambiente virtual Second Life. Além da descrição do processo de elaboração da aplicação, este artigo também apresenta uma avaliação preliminar da aplicação dois ambientes distintos de trabalho colaborativo no Second Life. Palavras-chave Ambientes virtuais, Second Life, emoções, ambientes colaborativos. ACM Classification Keywords H.5 [Information Interfaces and Presentation (e.g., HCI)]: H5.3 Group and Organization Interfaces – collaborative computing, computer-supported cooperative work, synchronous interaction. INTRODUÇÃO Muitas empresas e grupos de pesquisa gerenciam projetos que envolvem pessoas e equipes de trabalho distribuídas geograficamente. Um mecanismo que dá suporte ao trabalho colaborativo a distância é a realização de reuniões virtuais. Nas últimas décadas, várias pesquisas vêm sendo desenvolvidas com intuito de permitir a prática de reuniões à distância, incluindo a execução de reuniões em ambientes virtuais em 3D [4]. Ambientes virtuais são espaços criados por computador para representar mundos virtuais nos quais os seus integrantes podem interagir entre si e com objetos virtuais em tempo real através de entidades controladas, i.e. avatares[13]. O Second Life (SL) [11] é um ambiente virtual que permite a criação de salas de reunião virtuais onde os avatares podem se encontrar e discutir [4]. Apesar de no SL o senso de co-presença ser simulado através da presença dos avatares no mesmo espaço virtual, a manifestação da emoção dos usuários é limitada pela execução de gestos programados para os avatares. A dificuldade de percepção e interpretação das emoções dos participantes de uma reunião é um dos fatores que podem prejudicar a construção da propriedade coletiva (do inglês, common ground), dificultando o trabalho colaborativo à distância [6]. Além dos gestos predefinidos para os avatares limitarem a manifestação emotiva do usuário, um gesto executado durante uma reunião virtual pode não ser percebido pelos outros participantes. E ainda que este gesto seja percebido por todos os participantes, outra questão importante surge: como registrar todos os gestos realizados em uma reunião e transformá-los em uma informação que representa o estado emocional do grupo reunido? Segundo Olson e Olson [6], o estado emocional de um grupo pode influenciar diretamente no seu desempenho ao longo de uma reunião e na qualidade do trabalho produzido. Avaliar este estado emocional pode auxiliar na condução da reunião pelo mediador e, até mesmo, condicionar a interrupção da mesma. Visando solucionar estes problemas, o objetivo deste trabalho é elaborar um método para a medição de emoções de um grupo de usuários no ambiente virtual SL, analisando seu uso em reuniões realizadas neste ambiente. A partir desta seção, o restante deste artigo está organizado da seguinte forma: incialmente, o ambiente virtual Second Life é brevemente apresentado e alguns trabalhos relacionados são discutidos; em seguida, algumas teorias emocionais que serviram de inspiração para a criação do nosso método de medição são abordadas; mais a frente, o método de medição proposto, as técnicas utilizadas para sua concepção, detalhes do modelo da aplicação e da implementação são apresentados; uma avaliação preliminar da utilização do método desenvolvido é apresentada logo Permission to make digital or hard copies of all or part of this work for personal or classroom use is granted without fee provided that copies are not made or distributed for profit or commercial advantage and that copies bear this notice and the full citation on the first page. To copy otherwise, or republish, to post on servers or to redistribute to lists, requires prior specific permission and/or a fee. CHI 2009, April 4–9, 2009, Boston, Massachusetts, USA. Copyright 2009 ACM 978-1-60558-246-7/09/04...$5.00. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 181
  • 188.
    depois e porfim, as conclusões e trabalhos futuros são traçados. AMBIENTES VIRTUAIS E SECOND LIFE Como descrito na seção anterior, o Second Life é um ambiente virtual. Ele foi criado pela Linden Labs, localizada em São Francisco, Califórnia, em 2003 [13]. Este ambiente permite a imersão dos usuários em um nível mais elevado, comparado aos outros tipos de interação via Internet, como conversas utilizando mensageiros instantâneos, redes sociais e comunidades virtuais baseadas somente em texto. Diferente dos outros ambientes virtuais em 3D, que são, em sua maioria, ambientes distintos do mundo real, o SL é considerado um metaverso, pois visa reproduzir virtualmente características do mundo real, ou da “primeira vida” (do inglês, first life) [13]. Ainda assim, o SL possui limitações se comparado a um ambiente real, como restrições do próprio ambiente [3]. Uma limitação importante é a dificuldade de trazer a sensação de realidade ao ambiente [2], sendo esta pesquisada por nosso trabalho, no âmbito da captura e medição de emoções. Embora existam limitações, uma forma de contorná-las é criando ferramentas [2] ou utilizando as ferramentas disponíveis no próprio ambiente [13]. O SL possibilita a criação de objetos virtuais das mais variadas formas, desde as mais simples até as mais complexas, através das formas primitivas que disponibiliza. Além disso, utilizando uma linguagem de programação própria, a Linden Script Language (LSL) [11], os usuários podem desenvolver objetos interativos. A possibilidade de elaborar interações entre objetos e usuário em um mundo virtual permite superar algumas limitações, proporcionando maior imersão dos usuários no ambiente virtual. Na seção a seguir, abordamos alguns trabalhos na área de ambientes virtuais colaborativos que poderiam se beneficiar da proposta apresentada por este trabalho. Trabalhos Relacionados Nesta seção abordamos algumas pesquisas que vêm sendo desenvolvidas na última década com a finalidade de melhorar a sensação de imersão em ambientes virtuais, incluindo o SL. Na área de trabalhos voltados à imersão do usuário em um ambiente virtual, temos o trabalho de DiPaola e Collins [2], por exemplo, tentam proporcionar maior imersão por meio da criação de personagens que possuem expressões faciais e que movimentam os lábios de acordo com o som emitido pelo participante representado por esse personagem em um ambiente virtual 3D chamado OnLive Traveler, que permite o uso de voz para comunicação. Estas expressões faciais são selecionadas pelo usuário, e sofrem decaimento, da mesma forma que as emoções aplicadas neste trabalho. Apesar os autores não especificam se as taxas são fixas ou variáveis entre as emoções, como comentado por Picard [9], fato este que prejudica uma representação mais fiel do estado emocional dos usuários no ambiente proposto. Além da procura por maior imersão dos usuários, pesquisas vêm buscando utilizar o potencial de ambientes virtuais para criar ambientes colaborativos virtuais, voltados primariamente para troca de informações, em específico no SL. Um exemplo de implementação desse tipo de ambiente é o Time2Play [8], um jogo colaborativo educacional. O objetivo deste é permitir que crianças criem e encenem histórias no SL, expressando assim sua criatividade e imaginação. Outro exemplo é o trabalho de Lucia et al. [4], que investiga a utilização do SL no auxílio ao trabalho colaborativo a distância, e propõe um método para gerenciar reuniões, chamado de SLMeeting. No que diz respeito a elementos ou objetos auxiliares dentro de ambientes virtuais colaborativos, temos como exemplo o Social Proxy [12], um objeto que é anexado a tela do utilizados. O Social Proxy auxilia a visualização da presença dos usuários em uma reunião, exibindo inclusive quem está falando (ou digitando um texto) no momento. Esta característica permite que a reunião possua uma sequência bem definida, fato que é dificultado em uma reunião virtual. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Conjecturando a importância das emoções, vários pesquisadores do campo da psicologia desenvolveram teorias que modelam a geração de emoções em humanos. Um dos modelos mais importantes é a teoria das emoções OCC [7]. Este modelo é especialmente difundido na área da computação devido a sua facilidade de implementação [1]. O modelo mapeia uma lista de 22 emoções principais e define as emoções como uma reação a um evento, que é desencadeada por uma avaliação subjetiva do evento de acordo com os objetivos do agente, normas e crenças. Para descrever a composição de uma emoção, o modelo OCC utiliza uma série de atributos, como: (i) tipo, nome da emoção que está sendo experimentada; (ii) valência, denota o tipo de reação (positiva ou negativa); (iii) intensidade, a intensidade da emoção; (iv) time-stamp, o momento no qual a emoção é criada ou atualizada. Baseado nesses atributos, Picard [9] discute sobre a intensidade das emoções ao longo do tempo. Para o autor, a partir do momento em que a emoção é criada ela tende a diminuir ao longo do tempo e, conseqüentemente, desaparecer. Emoções mais intensas tendem a desaparecer mais rapidamente. Se nada acontece ao agente durante certo tempo, ele se acalma retornando a um estado neutro. Os conceitos apresentados nesta seção serviram de base para a elaboração do método de medição de emoções apresentado na próxima seção deste trabalho. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 182
  • 189.
    MEDINDO EMOÇÕES NOSECOND LIFE Nesta seção todo processo para a elaboração da aplicação do método de medição de emoções de um grupo de participantes de uma reunião para o Second Life será apresentado em detalhes, desde a sua concepção até a sua implementação. Reuniões Todo o processo de modelagem e desenvolvimento do componente foi feito através de reuniões no ambiente Second Life. As reuniões foram realizadas, em sua totalidade, em uma sala de reunião localizada na ilha ADDLabs – UFF, com o objetivo de coordenar tarefas, compartilhar informações, tomar decisões consistentes, e estabelecer um consenso no grupo para a geração de um produto final de qualidade. Permitindo assim, controle e acompanhamento do processo de desenvolvimento através do ambiente virtual. A sala de reuniões era composta por um conjunto de componentes para facilitar a colaboração do grupo, como whiteboard, agenda de grupo, cronograma de tarefas, modelo de argumentação, repositório de atas, social Proxy, etc. Os componentes atuaram como forma de integrar a equipe e facilitar a coordenação, comunicação e percepção. A figura 1 mostra o grupo atuando em uma das reuniões. Figura 1. Grupo atuando durante uma das reuniões A proximidade com o objeto de estudo, realizando reuniões dentro do ambiente, nos permitiu perceber as nuances da utilização do mesmo, fato este que auxiliou na melhor elaboração deste trabalho. Foram realizadas seis reuniões com duração máxima de uma hora. Antes de cada reunião era descrita uma agenda, contendo tópicos que seriam abordados, a fim de facilitar o gerenciamento da reunião e o grupo não se envolver em atividades repetitivas. As agendas eram distribuídas antes das reuniões a fim de garantir que todos os participantes fossem informados sobre os tópicos a serem cobertos. Ao final, era gerada uma ata de reunião, contendo decisões tomadas, tarefas a serem realizadas por cada participante além de um cronograma para continuação e andamento do projeto. Toda a documentação do projeto foi armazenada no GoogleDocs, de forma a facilitar o compartilhamento caso o participante necessitasse de alguma informação e não estivesse com o Second Life aberto. O grupo atuou de forma distribuída e optou pela utilização de comunicação via texto, que facilita o registro das conversas para análises futuras. Uma limitação da utilização da comunicação via texto é o intervalo de tempo entre o envio e recebimento de uma mensagem, devido a repetições de mensagens postadas. Nas reuniões, foram discutidos aspectos do projeto, como a elaboração de questionários para a criação do modelo de usuário, forma de interação dos usuários com a proposta, modelagens dos objetos EmotionSender e EmotionMeter, implementação e métodos de avaliação dos resultados. As próximas seções detalham cada um destes pontos. O Modelo do Usuário De forma a caracterizar e identificar os usuários que utilizarão a aplicação proposta, um questionário1 foi elaborado. O questionário, composto por doze perguntas, foi criado para identificar características pessoais e detalhes de uso do ambiente SL, além de informações que nos auxiliaram posteriormente na definição de características da aplicação. Treze usuários foram entrevistados no total. Analisando as respostas obtidas, foi possível descobrir os seguintes pontos: (i) Os usuários que responderam o questionário são adultos de 21 a 35 anos, e conhecem o SL, em sua maioria, há pouco tempo (entre um e seis meses); (ii) 46% dos usuários utilizam pelo menos uma vez por semana esse ambiente virtual, principalmente para reuniões; (iii) Os usuários concordam que a utilização de objetos criados para auxiliar reuniões, como o Social Proxy [12], facilitam a realização das mesmas; e (iv) 77% dos usuários entrevistados concordam que o SL não tem meios eficazes de transmitir emoções sentidas por participantes em uma reunião. Aos entrevistados também foi perguntado que emoções sentiam quando participavam de uma reunião. As emoções utilizadas como opções no questionário foram selecionadas a partir da lista de emoções descrita por Ortony et al. [7]. Seis emoções foram reveladas como as mais sentidas pelos entrevistados durante uma reunião: admiração, reprovação, contentamento, descontentamento, satisfação e insatisfação. Essas são as emoções utilizadas em nossa aplicação. Por fim, questões de interface e usabilidade foram investigadas, sendo obtido que os usuários sentem-se mais 1 Questionário e modelo de usuário disponíveis em: http://www.ic.uff.br/~kfigueiredo/emotionsSL/modeloUsua rio.pdf. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 183
  • 190.
    confortáveis quando elespróprios informam a emoção, ao invés de serem alertados para informar à emoção que estão sentindo. Além disso, uma informação importante foi sobre a leitura do resultado da emoção do grupo pelo usuário. A grande maioria dos entrevistados (98%) concorda com uma transição de cores, em ordem decrescente de emoção, de verde para amarelo e amarelo para vermelho, para informar o que chamamos de “temperatura” da reunião. Esta e outras questões sobre o funcionamento da aplicação desenvolvida são melhor abordadas nas próximas seções. Técnicas de construção e avaliação Além do resultado final desse trabalho resultar em uma nova aplicação para o ambiente SL, o SL também foi escolhido como ambiente para o desenvolvimento do trabalho. Assim, foram realizadas seis reuniões dentro do SL em uma sala de reuniões virtual criada especificamente para este propósito. Objetos virtuais de apoio a reuniões no SL também foram utilizados, como um repositório de atas, uma agenda, um acompanhamento de tarefas, um quadro branco e o Social Proxy [12]. Para a construção da aplicação do trabalho algumas técnicas foram adotadas. A primeira delas foi o modelo de tarefas GOMS (Goals, Operators, Methods, and Selection Rules), um método que representa a estrutura cognitiva do usuário em termos de objetivos, operadores, métodos e regras de seleção [5]. O GOMS foi utilizado como ferramenta para documentar as interações entre os avatares e os objetos que compõem a aplicação sob a perspectiva do usuário. Outras técnicas de construção adotadas foram o desenho do Modelo de Navegação e Storyboard dos objetos, que descrevem respectivamente transições entre estados da interface de acordo com a interação do usuário, e detalhes de como a interface será organizada. Para a avaliação das interfaces, foi utilizada uma técnica denominada Avaliação Heurística. Nesta técnica, um avaliador externo realiza uma análise sobre diferentes interações, buscando por problemas de interface [12]. Um grupo composto por três usuários de ambientes de reuniões no SL serviu como avaliador externo desse trabalho, sendo esta avaliação executada após a terceira reunião de construção do trabalho, ponto no qual já havíamos desenvolvido um protótipo da aplicação. Os resultados da Avaliação Heurística foram considerados para a finalização da aplicação. O Modelo da Aplicação Idealizando o desenvolvimento do método de medição de emoções dos participantes de uma reunião no SL, o modelo da aplicação foi concebido de forma a constituir de dois objetos virtuais: o primeiro objeto utilizado pelos participantes para informar às emoções que estão sentindo e o segundo objeto, um objeto principal que recebe as emoções dos participantes e exibe o que chamamos de Emoção Total (ET) do grupo. Tais objetos são nomeados EmotionSender (ES) e EmotionMeter (EM), respectivamente. Para medir as emoções durante uma reunião é necessário utilizar uma instância do objeto EM, que deve estar localizado de maneira que todos os participantes possam visualizar o valor da ET, e n instâncias do objeto ES, sendo n o número de participantes da reunião, para que cada avatar possa interagir com um e somente um ES. O ES dispõe de seis opções de emoções que podem ser escolhidas: aprovação, reprovação, contentamento, descontentamento, satisfação e insatisfação. Estas emoções fazem parte das emoções principais do modelo OCC e foram escolhidas após análise dos resultados obtidos pelo questionário do modelo do usuário. Cada uma das emoções possui um valor base (VB) que é multiplicado pelo peso da emoção (p), resultando no valor final da emoção (Tabela 1). Emoção Valência Valor Base (VB) Peso (p) Tempo de Expiração Aprova- ção + 0.2 1 25 minutos Reprova- ção - 0.2 1 25 minutos Conten- tamento + 0.2 2 10 minutos Desconten -tamento - 0.2 2 10 minutos Satisfação + 0.2 5 5 minutos Insatis- fação - 0.2 5 5 minutos Tabela 1. Constituição das emoções Os valores utilizados como peso para as emoções são baseados no trabalho de Poel et al. [10]. Ao enviar uma emoção pelo ES, o valor da emoção pode incrementar ou decrementar o valor da ET de acordo com a valência da emoção. A Figura 1 apresenta o modelo da aplicação proposta. Figura 1. Modelo da aplicação Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 184
  • 191.
    Figura 2. Storyboarddo objeto EmotionSender As emoções também possuem um tempo de expiração associado que passa a contar a partir do seu time-stamp, neste caso, o momento em que o participante envia a emoção pelo ES. O tempo de expiração de cada emoção foi definido de forma inversamente proporcional ao peso da emoção, seguindo a idéia de Picard [9] de que emoções mais intensas tendem a desaparecer mais rapidamente. Logo, quando o tempo de expiração é atingido, o valor da emoção é retirado ou acrescentado (de acordo com o oposto da valência da emoção) do valor da ET. A Tabela 1 mostra todos os valores associados a cada emoção. Além do valor da emoção, o valor da representatividade do participante perante o total de participantes da reunião é considerado no cálculo da ET. O valor final incrementado ou decrementado da ET é dado através da fórmula: O valor da ET é representado como uma porcentagem, e ao iniciar a reunião, o EM é iniciado com o valor de ET em 100% Ao longo da reunião, conforme os participantes enviam as emoções, este valor varia, nunca ultrapassando o limite superior, 100%, ou inferior, 0%. De acordo com o valor da ET, o EM exibe uma cor diferente (Tabela 2), como mais uma forma dos participantes identificarem a ET da reunião. Este padrão cromático foi escolhido de acordo com os resultados apresentados na seção sobre o modelo de usuário. A próxima seção apresenta com mais detalhes a interface dos objetos ES e EM e como a interação entre os avatares e os objetos é dada. Os Objetos da Aplicação O EmotionSender é o objeto utilizado pelos participantes para informar as emoções que estão sentindo durante a reunião. Ao interagir com o ES, além de poder selecionar uma emoção para ser enviada, o usuário também pode consultar a ajuda de utilização do objeto como mostra o seu storyboard (Figura 2). Valor da ET Cor Significado 0-24% Vermelha Mau sinal - os participantes não estão gostando da reunião 25-49% Amarela Sinal de alerta - alguma coisa está incomodando os participantes 50- 100% Verde Bom sinal - o grupo está apreciando a reunião Tabela 2. Padrão cromático do EmotionMeter O EmotionMeter é o objeto principal com o qual os participantes da reunião poderão visualizar a “temperatura” da mesma, i.e., o valor da ET do grupo. Por esta razão, a forma de um termômetro foi escolhida para representar este objeto. O EM possui dois estados principais: ligado e desligado. Quando desligado, o usuário pode ligar o objeto e consultar a ajuda de utilização do objeto. O objeto desligado não fica habilitado a receber emoções dos EmotionSender’s presentes. Ao ligar o EM, o usuário é solicitado a informar o número de participantes da reunião e a partir desse momento o EM passa a exibir a ET e a receber as emoções dos ES. Enquanto o EM está ligado, o usuário tem as opções de reiniciar o objeto, desligar e Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 185
  • 192.
    Figura 3. Capturade tela da execução de um dos testes no ambiente de reunião (EmotionSender’s na mesa, e EmotionMeter na parede do ambiente de reunião) consultar a ajuda. Ao reiniciar o EM, o valor da ET retorna a 100% e o usuário é solicitado a confirmar o número de participantes da reunião. Devido a limitações de espaço, não apresentaremos neste trabalho os storyboards do EM, o GOMS e modelos de navegação dos objetos. Implementação dos Objetos Esta seção descreve alguns pontos importantes da implementação dos objetos EM e ES, que foi feita utilizando a linguagem LSL (para a criação de scripts no ambiente SL). A troca de mensagens entre objetos e avatares é um dos pontos mais importantes no que diz respeito a implementações em LSL, sendo a função llSay uma das mais utilizadas para esse fim. Quando uma mensagem é enviada utilizando esta função, ela pode ser ouvida por avatares e objetos em um raio de até 20 metros de distância a partir do ponto em que foi emitida. Nesta função são passados como parâmetros o canal pelo qual se deseja enviar a mensagem e a mensagem a ser enviada, essa tendo até 1024 bytes. Para que um objeto receba as mensagens de determinado canal, devemos programá-lo para escutar o canal pretendido, essa definição é feita utilizando a função llListen [11]. Na implementação dos objetos EM e ES foi fundamental descriminar os tipos de mensagens trocadas pelos objetos e agrupar cada tipo de mensagem em um canal diferente. A Tabela 3 ilustra o cenário implementado, onde diferentes mensagens trafegam por diferentes canais. Para a escolha de canais, foi necessário observar como os mesmos funcionam neste ambiente. O SL disponibiliza 2.147.483.647 canais para comunicação entre canais negativos e positivos. A utilização destes canais é feita segundo a regra: canais com numeração menor que zero são utilizados para comunicação somente entre objetos; canais acima de zero são utilizados para comunicação privada (tanto entre objetos quanto entre objetos e avatares); e o canal zero é utilizado para comunicação pública (broadcast). Canal Objeto Emissor Descrição de uso 777 EmotionMeter Canal utilizado pelo EM para informar o seu estado (ex: ligado ou desligado) para os ES 778 EmotionSender Canal definido para o envio de emoções pelos ES 779 EmotionMeter Por esse canal, o EM retorna para o ES o valor relacionado a emoção enviada que realmente foi utilizado (somado ou subtraído) na ET 800 EmotionSender Quando o tempo de expiração de uma emoção enviada é atingido, o valor anteriormente enviado pelo canal 779 pelo EM é retornado a ele pelo ES para que a ET seja atualizada 801 e 802 EmotionMeter Comunicação entre as partes do próprio objeto para a troca de cores. Tabela 3. Troca de mensagens entre os objetos por diferentes canais Para a implementação, foram necessários utilizar canais com numeração positiva, haja visto que estes objetos poderiam trocar mensagens com os avatares. A numeração alta foi utilizada para garantir que não houvesse outros usuários (ou objetos) utilizando o mesmo canal no momento de comunicação. Entretanto, o SL não permite que canais sejam utilizados exclusivamente por um usuário ou um objeto ou grupo de Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 186
  • 193.
    objetos. Isso nãoimpede que usuários, mal-intencionados ou não, utilizem os canais para comunicação, prejudicando a comunicação dos objetos EmotionMeter e EmotionSender. Para diminuir a chance desse tipo de problema ocorrer, os objetos somente recebem mensagens provenientes dos objetos com os nomes das aplicações (EmotionMeter e EmotionSender). ESTUDO EXPERIMENTAL A fim de avaliar a aplicação do método de medição de emoções elaborado, foram realizados dois testes preliminares no Second Life. O primeiro teste teve como objetivo analisar a utilização dos objetos da aplicação em um ambiente de reunião de trabalho colaborativo (Figura 3). O teste foi executado durante duas reuniões, totalizando oito participantes. O segundo teste ocorreu em uma sala de cinema virtual, e tinha por objetivo analisar a aplicabilidade dos objetos em um contexto diferente de uma sala de reunião. O segundo teste contou com dez participantes espectadores e quatro responsáveis pelo cinema virtual. Em todos os testes os participantes foram avisados da existência dos objetos EmotionSender e EmotionMeter, e receberam instruções básicas sobre a sua utilização. Ao fim de cada teste, foi solicitado aos participantes que respondessem questionários elaborados de modo a avaliar os experimentos realizados. Estes questionários foram utilizados para avaliar detalhes de uso dos objetos nos ambientes, a expressividade dos mesmos, na demonstração de emoções dos usuários, facilidade de uso e possibilidade de reuso dos mesmos objetos novamente, na mesma situação ou em outros ambientes colaborativos. A avaliação dos resultados provenientes dos questionários é discutida na próxima seção. AVALIAÇÃO DOS RESULTADOS No primeiro teste, o questionário continha seis itens a serem julgados em uma escala de 1 a 4 pelos participantes da reunião, sendo 1 a menor nota e 4 a maior, além de uma pergunta sobre a representação do estado emocional do grupo no objeto EM. Dessa forma, foi possível descobrir que os participantes aceitaram bem o uso dos objetos apresentados, com a maioria (75%) considerando fácil a utilização dos objetos. Além disso, 63% dos entrevistados concordam que o EM conseguiu refletir na maior parte do tempo o estado emocional real dos participantes da reunião. No segundo teste, dois questionários foram passados: um para os espectadores e outro para os responsáveis pelo cinema virtual. De acordo com os resultados obtidos no questionário dos espectadores, 60% foi capaz de expressar as emoções que sentiram durante a exibição do filme através do ES. Para a maioria dos responsáveis do cinema (75%) o uso dos objetos para medir as emoções dos espectadores foi relevante durante a exibição do filme, e 75% dos responsáveis adotariam novamente a aplicação em exibições futuras. CONCLUSÃO E TRABALHOS FUTUROS Este artigo apresentou um método para a medição de emoções de um grupo de participantes de reuniões virtuais baseado em teorias emocionais já estabelecidas (como as comentadas na seção “Fundamentação Teórica”), resultando e contribuindo com uma nova aplicação para o ambiente Second Life. Ainda que inédito, o trabalho mostrou-se relevante e bem aceito pelos usuários de tal ambiente virtual de acordo com os resultados dos experimentos realizados. Além disso, mostrou-se eficaz não só no contexto de reuniões de trabalho, mas também em um cinema virtual como visto na seção anterior. Dificuldades foram encontradas na implementação dos objetos utilizando a linguagem LSL. Um exemplo dessa dificuldade está na falta da estrutura array, fato que foi contornado, embora tenha tomado um período de tempo relevante na busca da solução para tal percalço. Com relação ao ambiente, o fato de não termos como garantir de que usuários mal intencionados não possam enviar informações pelos canais privados utilizados pela aplicação também é uma desvantagem do mesmo. Outro problema que causou desconforto no momento do uso da aplicação, tanto entre os utilizadores quanto entre os autores deste trabalho diz respeito à conexão. A utilização de ambientes virtuais 3D, dado a quantidade de informação, exige uma conexão à internet de no mínimo 1Mbps para uma utilização sem grandes atrasos na resposta dos movimentos dos personagens e nas ações realizadas. Este fato pode ser um impedimento na utilização de ambientes virtuais, e consequentemente de nossa proposta. Este trabalho pode ser estendido de diferentes formas. Uma delas é elaboração de uma nova interface para a aplicação, constituindo em um objeto que possa ser anexado à tela do usuário a fim de melhorar a visualização dos dados no ambiente. Outro possível trabalho futuro é a criação de um terceiro objeto para compor a aplicação que possa capturar os gestos dos avatares, associando os mesmos às emoções do EmotionSender para serem posteriormente medidas pelo EmotionMeter, podendo ser aplicados conceitos de agentes nesta abordagem. Por fim, novos experimentos e análises em diferentes contextos podem ser realizados, de forma a verificar de forma mais abrangente a aplicabilidade do método proposto. REFERÊNCIAS 1. Dias, J. e Paiva, A. (2005) “Feeling and reasoning: A computational model for emotional characters” In Proceedings of EPIA, 127--140, Springer. 2. DiPaola, S. e Collins, D. (2002) “A 3D Virtual Environment for Social Telepresence”, In Western Computer Graphics Symposium. Vernon, BC, Canada. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 187
  • 194.
    3. Fisher, J.e Goasgen, S. (2009) “In World Data Services in Virtual Environments”, In ACMSE ’09. Clemson, SC, EUA. 4. Lucia, A., Francese, R., Passero, I., e Tortora, G. (2008) “Slmeeting: Supporting collaborative work in second life”, In Proc. AVI 2008. ACM Press, 301–304. 5. Nielsen J. (1993) “Usabilty Engineering”, Morgan Kaufmann, Inc. San Francisco. 6. Olson, G. M. e Olson, J. S. (2000) “Distance Matters”, Human-computer interaction, in press. 7. Ortony, A., Clore, G.L. e Collins A. (1988) “The Cognitive Structure of Emotions.” Cambridge University Press. 8. Pereira, A., Vega, K., Raposo, A. e Fuks, H. (2009) “Immersive Collaborative Storytelling: Time2Play in Second Life”, In 2009 Simpósio Brasileiro de Sistemas Colaborativos. 9. Picard, R. W. (1997). “Affective Computing”, MIT Press. 10. Poel, M., Akker, R., Nijholt, A. e Kesteren, A. J. (2002) “Learning emotions in virtual environments”, In Proc. EMCSR 2002 Symp. Agent Construction and Emotions, Vienna, Austria. 11. Second Life (2010). Disponível em http://www.secondlife.com. Acesso: Jun. 2010. 12. Silva, C. R. C., Knechtel, M., Resmini, R., Garcia, A. C. B. e Montenegro, A. A. (2010). “Simulated Architecture and Programming Model for Social Proxy in Second Life”, In International Conference on Information Society (i-Society 2010), Londres. 13. Silva, C. R. C., Tavares, T. C., Garcia, A. C. B. e Nogueira, J. L. (2009) “Governo Eletrônico em Ambientes Colaborativos Virtuais”, In: V Simpósio Brasileiro de Sistemas de Informação - Workshop de Teses e Dissertações, Brasília. i Nomes em ordem alfabética Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 188
  • 195.
    Interatividade e navegaçãoem infográficos digitais Bruna Rovere Reginato, Pós-graduanda UFSC/Univali brunareginato@gmail.com Luciano Adorno, Mestrando UFSC/Univali adorno@vetorial.net Berenice Gonçalves, Dra UFSC berenice@cce.ufsc.br Richard Luiz Perassi de Sousa, Dr UFSC perassi@cce.ufsc.br RESUMO Este artigo trata de infografias digitais e suas relações com as tecnologias da informação, aplicando conceitos estudados sobre interatividade entre usuário e interface e sobre parâmetros de navegação na análise de dois infográficos. O primeiro infográfico foi publicado no site G1, da Rede Globo. O segundo no jornal on-line Zero Hora do Grupo RBS. Os dois objetos são infográficos jornalísticos sobre a gripe A H1N1. O tema foi escolhido por sua atualidade no momento de produção deste texto. Porém, este estudo analítico considera especificamente o nível de interatividade e os tipos de navegação, estabelecendo critérios comparativos entre os infográficos apresentados. Palavras Chave: interatividade; navegação; infografia digital. INTRODUÇÃO Infografia é uma palavra proveniente do termo norte- americano infographic, indicando o campo de produção e estudo de infográficos. Por sua vez, infográfico é uma forma adjetivada referente à infografia (RIBEIRO 2008, p. 17). Infográfico web, infográfico animado, infográfico interativo ou infográfico digital são algumas variações de nomenclaturas para a modalidade de infografia possibilitadas por ambientes hipermidiáticos, em especial a Internet (Fig. 1). Figura 1. Infográfico digital. Fonte: site G1, 2010. Neste artigo, optou-se por estabelecer uma distinção nesse campo, utilizando-se a expressão infografia digital, para diferenciar a parte que trata de infográficos digitais, em separado da parte que trata de infográficos analógicos ou impressos, que é nomeada pela expressão infografia analógica (Fig. 2). Assim, caracteriza-se infográficos digitais como produtos de design gráfico publicados em meio digital. Figura 2. Infográfico analógico. Fonte: Kanno, 2008. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 189
  • 196.
    Ao longo dosanos, a infografia, de um modo geral, tornou- se recurso indispensável, embora tenha sofrido com o preconceito de intelectuais, no final da década de 1970, que consideraram os infográficos como recursos para analfabetos. Contudo, na cobertura jornalística da Guerra do Golfo em 1990, os infográficos foram elementos fundamentais e, atualmente, a infografia é recurso quase obrigatório em notícias impressas, cumprindo o papel de roteirizar e explicar visualmente uma notícia (RIBEIRO, 2008). Para Peltzer (1991, p. 130) infográficos ou infogramas são “expressões gráficas, mais ou menos complexas, de informações, cujo conteúdo são fatos ou acontecimentos, a explicação de como algo funciona, ou a informação de como é uma coisa”, como gráficos, diagramas, mapas ou gráficos explicativos. Cairo (2008) considera os termos infográfico ou infografia de forma mais ampla e geral, como “qualquer informação apresentada em forma de um diagrama – isto é, desenhos nos quais se mostram as relações entre diferentes partes de um conjunto ou sistema – é uma infografia”. Portanto, infografias são consideradas mais que desenhos e percebidas como gráficos informativos, com aplicações e tipologias diversas, que comportam textos lingüísticos, gráficos e imagens. O termo grafia faz referência aos elementos gráficos, como as imagens desenhadas ou grafadas, aos gráficos e também à escrita. O termo info remete à informação, sendo ainda mais recentemente associado às tecnologias digitais. Há informações decorrentes dos textos escritos, mas também as imagens e os gráficos são elementos informativos. Além dos elementos gráficos, a própria estrutura compositora dos infográficos é igualmente informativa. Assim, por suas características predominantemente gráfico- informativas, a infografia em geral, inclusive a infografia jornalística, pertence ao campo de atividades e estudos de Design Gráfico. Pois, há o predomínio da comunicação não verbal, decorrente de imagens e outros esquemas gráfico- visuais, a despeito da presença de textos linguísticos. Figura 3. Tipos de informacão. Fonte: Wurman, 1991. No contexto dos estudos sobre infografia, o conceito de infografia jornalística tem como foco a informação noticiosa (fig. 3), relacionada aos eventos da atualidade transmitidos pela mídia. Referindo-se à informação sobre pessoas, lugares e acontecimentos que caso não afetem diretamente as vidas das pessoas, certamente podem influenciar em suas visões sobre o mundo (WURMAN, 1991, p. 48). SOBRE INFOGRÁFICOS DIGITAIS Ao comparar infográficos digitais e analógicos, além dos aspectos dinâmicos da infografia digital, considera-se a interatividade uma ferramenta que transforma os leitores em usuários. Assim, o jornalista e o designer deixam de ser intérpretes privilegiados que interpretam os dados pelo leitor, para converter-se em quem oferece recursos para o usuário compor sua própria realidade (CAIRO, 2008). Alem disso, também pode-se classificar o infográfico digital como estático ou dinâmico e passivo ou ativo. Conforme Ranieri (2008) lembra, um infográfico digital ainda pode ser classificado como estático quando não há movimento e dinâmico quando possui algum tipo de animação. Também pode ser passivo, quando o usuário apenas o assiste como slide-shows, ou ativo quando necessita da ação do usuário para que o mesmo possa ser visto. As infografias digitais seguem princípios essenciais de desenho de interação abordados por Norman (1998) , como (1) visibilidade das funções do objeto, para facilitar sua percepção e seu uso; (2) feedback ou retroalimentação, garantindo que o objeto responda às ações do usuário; (3) affordances que associa as características do objeto à cultura do usuário, por exemplo, simulando botões físicos para serem pressionados com o mouse; (4) restrições que estabelecem limites para a interatividade, de maneira a preservar o conteúdo noticioso; (5) consistência lógico- formal da informação. Como na similaridade apresentada entre as interfaces de todos os infográficos pertencentes a uma mesma publicação (Cairo, 2008, p. 63-67). Adaptando as ideias de Preece, Rogers e Sharp (2008), Cairo (2008, p. 70-75), classifica os infográficos digitais de acordo com suas funções de instrução, manipulação e exploração. Nos infográficos instrutivos, o usuário indica ao dispositivo o que fazer, principalmente, por meio de botões (fig. 4). Há manipulação quando os usuários podem trocar características físicas de certos objetos nos infográficos instrutivos, como tamanho, cor, posição, e outras características (fig. 5). Os infográficos exploratórios (fig.6) permitem uma ampla interatividade, com liberdade para os usuários reconhecerem um amplo ambiente virtual como uma visita em 360º em uma sala de museu virtual, games ou aplicativos imersivos, como a plataforma web e educacional Active Worlds composta por mundo virtuais que permitem a experiência de escolha e uso de avatares pelo usuário. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 190
  • 197.
    Figura 4. Instrução. Fonte:Cairo, 2008. Figura 5. Manipulação. Fonte: Cairo, 2008. Figura 6. Exploração. Fonte: Cairo, 2008. Um ambiente virtual pode e deve ser organizado como um infográfico tridimensional, porque não há vantagem em permitir ao usuário percorrer todo o ambiente sem lhe oferecer informações. Textos, gráficos, setas e outros elementos instruem a visitação virtual como uma visita guiada e comentada. Os infográficos são necessários aos processos de informação e comunicação tendo em vista seus recursos explicativos, interativos e características didáticas próprias. Características que comportam possibilidades singulares em relação às formas de apresentação de uma notícia, propondo experiências interativas com a convergência de recursos gráficos, sonoros, textuais e fotográficos, que podem ser animados e manipulados, de acordo com as possibilidades das tecnologias digitais. INTERATIVIDADE E NAVEGAÇÃO EM INFOGRÁFICOS DIGITAIS O Design de Interação é a área de estudos e atividades que se dedica ao desenvolvimento de produtos e artefatos interativos e, portanto, usáveis, cujo sistema ou mecanismo seja fácil de usar, promovendo sensações e soluções agradáveis e úteis ao usuário. Dito de outra forma: o objetivo central em Design de Interação é melhorar a experiência do usuário e a eficiência do sistema (CAIRO, 2008). Para Lemos (2010), interatividade é uma nova forma de interação técnica, de cunho eletrônico-digital, diferente da interação analógica que caracterizou as mídias tradicionais. Esse conceito delimita a interatividade como uma ação dialógica entre o homem e a técnica. Entretanto para Silva (1998), a interatividade está na disposição ou predisposição para mais interação, para uma hiper-interação, para bidirecionalidade - fusão emissão- recepção -, para participação e intervenção. Portanto, não é apenas um ato de troca, nem se limita à interação digital. Interatividade é a abertura para mais comunicação, mais trocas e mais participação. Segundo Francis Kretz (1985 apud Santaella, 2004), existem seis gradações de interatividade. São elas: - interatividade zero: nos romances, discos, cassetes, que são acompanhados linearmente, do começo ao fim; - interatividade linear: quando os romances, discos e cassetes são folheados e saltados em avanços e recuos; - interatividade arborescente: quando a seleção se faz pela escolha em um menu: videotexto arborecente, jornais ou revistas; - interatividade linguística: que utiliza palavra chave, formulários, etc. - interatividade de criação: que permite ao usuário compor uma mensagem por correspondência; - interatividade de comando contínuo: que permite a modificação, o deslocamento de objetos sonoros ou visuais mediante a manipulação do usuário como nos videogames. Estas também possibilitariam uma análise relacionada a infografia. Contudo, partindo do pressuposto de que a interatividade é a relação que um usuário estabelece com um objeto (físico ou virtual) para conseguir um objetivo, este artigo, adota os níveis de interatividade, de instrução, de manipulação e de exploração, como elementos de análise das infografias, propostos por Preece, Rogers e Sharp Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 191
  • 198.
    (2005) e adaptadopor Cairo (2008), tendo em vista sua atualidade e aplicações propostas. A interação do usuário com ambiente hipermídia e hipertextual é denominada como navegação, porque o verbo navegar é relacionado à condução de naves, sejam embarcações ou aeronaves (BORBA, 1991), por ambientes aquáticos ou aéreos, que permitem incontáveis rotas ou rumos. Isso diferencia a navegação da condução de transportes terrestres, que requerem vias pré-determinadas, como estradas ou estradas de ferro. Padovani e Moura (2008, p. 18) apresentam diversos conceitos de navegação, buscando compor um conceito de navegação hipermídia. Porém, apresentam apenas seus aspectos característicos ou peculiaridades, indicando a liberdade de escolha de caminhos e ferramentas de navegação a cada ponto de tomada de decisão durante a utilização do sistema hipermídia. Assim, propõem-se a não imposição de hierarquia, podendo o usuário construir sua própria hierarquia dentro da estrutura hipermidiática e, também, admite-se diferentes formas de articulação da informação, dependendo do caminho escolhido pelo usuário. A navegação é ação obrigatória em um ambiente hipermídia. Por isso, deve ser fácil e auto-explicativa, requerendo o mínimo de esforço possível do usuário (PADOVANI E MOURA, 2008, p. 9). Com relação às estratégias de navegação, essas são classificadas de acordo com o estudo de outras classificações pré-existentes. Os parâmetros de navegação avaliados em infográficos digitais, corresponde à identificação de 6 tipos de padrões de navegação (Idem, p. 58-59): 1. End-of-branch – o usuário não define um critério de busca e escolhe uma trilha, selecionando somente os links sinalizados como não visitados até encontrar a informação procurada (fig. 7). Figura 7. Estratégia End-of-branch. Fonte: Adaptado de Padovani e Moura, 2008. 2. End-of-likely places – o usuário define um critério de busca e visita apenas os nós (entede-se por nós os pontos ou links de um sistema) que atendam a este critério até esgotá- los (fig. 8). Figura 8. Estratégia End-of-likely places. Fonte: Adaptado de Padovani e Moura, 2008. 3. Meeting-point – busca cuidadosa em que o usuário acessa todos os nós imediatamente adjacentes ao nó de origem antes de prosseguir para outro nó (fig. 9). Figura 9. Estratégia Meeting-point. Fonte: Adaptado de Padovani e Moura, 2008. 4. Map-node-map – o usuário acessa os nós de informação exclusivamente a partir do mapa do site (fig. 10). Figura 10. Estratégia Map-node-map. Fonte: Adaptado de Padovani e Moura, 2008. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 192
  • 199.
    5. Step-retracing totargets – todos os nós do sistema visitado são acessados na mesma sequência na revisitação (fig. 11). Figura 11. Estratégia Step-retracing to targets. Fonte: Adaptado de Padovani e Moura, 2008. 6. Backtracking – os nós são visitados na ordem inversa até o ponto de partida, usando o botão de retorno linear (fig. 12). Figura 12. Estratégia Backtracking. Fonte: Adaptado de Padovani e Moura, 2008. Embora os parâmetros e os padrões não tenham sido especificamente elaborados para o campo da infografia digital, como essas apresentam-se como objetos e espaços de navegação, também podem ser considerados de acordo com os mesmos critérios. Memória (2006) recomenda algumas práticas para o projeto de navegação em sites, mas que podem ser aplicadas às infografias digitais. É recomendado que a navegação tenha as seguintes qualidades: - Ser facilmente aprendida: caso o usuário precise desperdiçar tempo para aprender como o sistema funciona, não terá motivação para absorver o seu conteúdo. - Ter consistência: Quando o sistema de navegação desenvolvido funciona, o usuário passa a se guiar por ele e orientar-se pelos elementos que se repetem. A abordagem da navegação deve ser consistente em todas as páginas. Devem ser mantidos os elementos de navegação. Quando não puderem ser mantidos, deve-se criar sub-sites para que a sua organização faça mais sentido. - Dar retorno: Estamos condicionados a esperar reações às nossas ações. Quando apertamos um botão ou giramos o volume do som, obtemos sempre alguma resposta. Na navegação web, a mesma coisa deve acontecer. Esse tipo de informação é o que mostra aos usuários se eles foram bem sucedidos na sua ação e se o que eles estão fazendo está tendo algum efeito. Exemplos de aplicações práticas disso são os botões rollover, que mudam de aparência quando se passa o cursor sobre eles e podem revelar mais detalhes sobre o link ou a imagem. - Estar contextualizado: Para realizar as tarefas, as pessoas precisam de ferramentas corretas. A navegação deve estar visível, com todos os links aparecendo, para não ser preciso usar recursos do navegador ou tentativa e erro. Na maioria das vezes os links de página anterior são desnecessários, pois os usuários já estão habituados com o botão de voltar do navegador. Porém, no caso dos infográficos, podem ser úteis já que a plataforma de funcionamento geralmente não permite esse recurso do navegador. Outra questão importante é informar onde a tarefa termina. Ao final de uma ação do usuário, por exemplo, deve-se informar que a tarefa foi executada com sucesso. - Oferecer alternativas: Assim como os usuários são diferentes, os hábitos de utilização da web e as configurações de computador também são. Por isso é recomendável cuidado ao utilizar certas tecnologias que necessitam de plug-ins específicos e associar imagens a textos auxiliando programas para navegação dos deficientes visuais. - Garantir economia de tempo e ações: Devemos evitar caminhos desnecessários e longos que causam frustração nos usuários. As pessoas não podem demorar muito para chegar até o conteúdo que estão procurando. Atalhos de navegação são importantes para que o usuário possa encontrar o conteúdo que procura mais rapidamente. Bons exemplos desses atalhos são os menus dropdown (que são menus expansíveis, que são organizados e visualizados como sub-níveis de informações na forma de links) , mapas, índices ou até mesmo as trilhas de migalhas ou breadcrumbs (navegação estrutural composta por links textuais que informam ao usuário, o caminho feito por ele, dentro do site). ESTUDO ANALÍTICO: O PROCESSO DE INTERATIVIDADE E NAVEGAÇÃO EM INFOGRÁFICOS DIGITAIS Para este estudo foram selecionados dois infográficos. Os critérios de seleção foram: (1) a atualidade do assunto noticioso, no momento de produção deste texto, e (2) a credibilidade e a popularidade das fontes noticiosas, que são o jornal on-line Zero Hora do Grupo RBS e o portal de notícias G1 da Rede Globo. A respeito do nível de interatividade proposto por cada infográfico, considerou-se a categorização proposta por Cairo (2008). A avaliação dos parâmetros de navegação Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 193
  • 200.
    tomou por baseos estudos de Padovani e Moura (2008). A seguir são apresentadas as imagens das infografias selecionadas (fig. 13 e fig. 14) e, também, as respectivas análises. Figura 13. Infográfico sobre a gripe H1N1. Fonte: site G1, 2009. Figura 14. Infográfico sobre a gripe A H1N1. Fonte: jornal ZH, 2009. O tema dos infográficos em estudo trata da gripe A H1N1, as telas das duas infografias (fig. 13 e fig. 14) são compostas com textos, ilustrações, títulos, linhas, barras coloridas, fundo e pictogramas. Conforme Lupton e Phillips (2008), muitos destes elementos e fenômenos visuais como ponto, linha e plano, até escala, cor, hierarquia e camadas, entre outros, convergem no design de diagramas [infografias], onde no “reino dos gráficos de informação, a estética destes elementos, permanece importante”, adquirindo significados específicos dependendo da forma como são articulados e em função de suas marcas gráficas e relações visuais (LUPTON E PHILLIPS, 2008, p. 199). Sobre a interatividade dos infográficos digitais Quanto ao tipo de interatividade apresentada, os infográficos (fig. 13 e fig. 14), são classificáveis na categoria instrução, porque permitem a interação do usuário por meio de botões. O infográfico do site G1 (fig. 13), além dos botões, apresenta também abas superiores que, tecnicamente, desempenham as mesmas funções que os botões, porém oferecem uma visão geral do sistema, permitindo que o usuário mude de seção de forma mais rápida. Nenhum dos infográficos estudados (fig. 13 e fig. 14) oferecem possibilidades interativas dos tipos identificados como manipulação ou como exploração (fig. 15). Níveis de interatividade Infográficos Instrução Manipulação Exploração G1 (Fig. 13) X – – ZH (Fig. 14) X – – Figura 15. Tabela de níveis interatividade. Fonte: Tabela dos autores. Assim, também, não proporcionam ao usuário uma experiência aprofundada de imersão, com possibilidades de modificação ou personalização da interface. Além disso, não propiciam, ainda, experiências com a interatividade que é possibilitada nos ambientes web 3D. Aspectos de navegação dos infográficos digitais Considerou-se que os modos de navegação se dividem em um número maior de categorias, com distinções sutis. Portanto, desenvolveu-se uma investigação, na qual os endereços eletrônico-digitais dos infográficos, foram visitados e os objetos foram estudados diversas vezes. Nas visitas e nos estudos, procurou-se as possíveis coincidências entre os caminhos de navegação dos infográficos, considerando os parâmetros de navegação propostos por Padovani e Moura (2008). De modo geral, o infográfico do G1 (fig. 13) não pode ser classificado como End-of-branch, porque o usuário não possui sinalização de links visitados. Caso o usuário tenha um critério definido e queira, por exemplo, verificar a primeira e a terceira aba do infográfico, ficando satisfeito com as informações adquiridas, a navegação no infográfico do G1 (fig. 13) pode ser classificada como End-of-likely places, porque o usuário definiu o sistema de busca e visitou apenas alguns nós da rede ou sistema. O infográfico do G1 (fig. 13) permite também os outros tipos subsequentes de navegação, exceto o Map-node-map, porque o infográfico não apresenta um mapa de navegação, como acontece comumente em um site. No infográfico do jornal Zero Hora (fig. 14) também não há sinalização de links visitados, portanto, não possibilita o tipo de navegação End-of-branch. Contudo, possibilita a Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 194
  • 201.
    visitação do usuárioem apenas um de seus nós de rede, permitindo a navegação do tipo End-of-likely places e permite revisitação no modo Step-retracing to targets. A ausência de nós adjacentes impossibilita a navegação do tipo Meeting-point no infográfico do jornal Zero Hora (fig. 14). Além disso, não permite ainda as navegações do tipo Map-node-map. Assim como o primeiro (fig. 13), o segundo infográfico (fig. 14) não apresenta nenhum tipo de mapa de navegação e, também, não há nenhum botão de retorno, não podendo ocorrer a navegação linear da forma como descrita no conceito de Backtracking, a qual permitiria ao usuário, dentro do sistema, revê-lo em ordem inversa à visitação inicial. Em comparação com o segundo infográfico (fig. 14), o primeiro infográfico (fig. 13) é mais amplo, com relação aos parâmetros de navegação (fig. 16 e 17). Já em comparação com o primeiro, o segundo infográfico mostrou-se bastante limitado com relação aos mesmos parâmetros de navegação propostos por Padovani e Moura (2008). Parâmetros de navegação – parte I Infográficos End-of-branch End-of-likely places Meeting-point G1 (Fig. 13) – X X ZH (Fig. 14) – X – Figura 16. Tabela de parâmetros de navegação – parte I. Fonte: Tabela dos autores. Parâmetros de navegação – parte II Infográficos Map-node-map Step-retracing to tagerts Backtracking G1 (Fig. 13) – X X ZH (Fig. 14) – X – Figura 17. Tabela de parâmetros de navegação – parte II. Fonte: Tabela dos autores. Alguns dos sistemas interativos de infográficos digitais aparentemente simples, como infográfico do G1 (fig. 12), permitem possibilidades diversificadas e complexas de navegação. Logo, a eficácia de projetos de infografia digital passa pelo planejamento eficiente das possibilidades de navegação, as possibilidades de interatividade, a preocupação com o usuário e a facilitação do entendimento e consequentemente o uso das interfaces projetadas. Experiência do usuário na navegação dos infográficos digitais Baseado em Nielsen (2010), que afirma que nos testes com no máximo 5 usuários se obtém os melhores resultados, foi proposto para 5 pessoas, entre homens e mulheres na faixa etária entre 20 e 55 anos, que visitassem os endereços digitais dos infográficos estudados e buscassem informações a respeito do assunto proposto. As ações destes usuários foram registradas, a partir de gravação das ações na tela, para que se verificasse qual caminho de navegação cada um adotou e em qual dos parâmetros de navegação propostos por Padovani e Moura (2008) cada um deles se enquadra. Na infografia do site G1 foram detectadas sãs seguintes formas de navegação: End-of-likely places, Meeting-point e Backtracking. Três usuários navegaram de forma objetiva, visitando apenas os links que consideraram importantes, configurando seu modo de navegação como End-of-likely places. Apenas um desses usuários utilizou o recurso de navegação Backtracking, realizando um retorno linear inverso. Os outros dois usuários navegaram visitando todos os sublinks da infografia, enquadrando-se na navegação Meeting-point. Na infografia de Zero Hora todos os cinco usuários realizaram a navegação exclusivamente da forma End-of- likely places, sendo que três usuários visitaram de forma linear e os demais de forma não linear. Parâmetros de navegação do usuário Infográficos Usuários End-of- likely places Meeting- point Step- retracing to tagert Backtracking Usuário 1 X X Usuário 2 X Usuário 3 X Usuário 4 X G1 (Fig. 13) Usuário 5 X Usuário 1 X Usuário 2 X Usuário 3 X Usuário 4 X ZH (Fig. 14) Usuário 5 X Figura 18. Tabela de parâmetros de navegação do usuário. Fonte: Tabela dos autores. Além das classificações de Padovani e Moura, detectou-se outros padrões de navegação. No infográfico G1, visualizou-se uma ocorrência onde o usuário visitou os sublinks mas não todos e não de forma linear, como é necessário para enquadrar-se no tipo Meeting-point. Além disso, neste infográfico e no de Zero Hora, houve revisitação mas não na mesma sequência da primeira visita, não podendo assim ser chamada de Step- retracing to target. Por último, também foi identificado em ambas as infografias um retorno não-linear, não Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 195
  • 202.
    classificando-se em Backtracking,que requer um retorno linear inverso. Conforme foi observado no item Aspectos de Navegação, o infográfico de ZH possui menos opções de navegação principalmente por não possuir sublinks, sendo mais simples e mais direto. Por esse motivo, apenas um dos padrões de navegação foi identificado nas ações dos cinco usuários analisados. CONSIDERAÇÕES FINAIS A pesquisa realizada com usuários identificou um padrão de navegação comum, onde a maioria dos caminhos foram classificados em apenas duas das classificações propostas por Padovani e Moura. Acredita-se que isso ocorreu principalmente pela simplificação dos caminhos de navegação possíveis dentro dos infográficos, o que empobrece o grau e o nível de interatividade. Isso é decorrente da necessidade de transmissão da informação de maneira clara e direta, em detrimento de experiências mais ricas e memoráveis na relação entre o usuário e a interface. Prevê-se o aprendizado instantâneo do controle visual-cognitivo da interface e de seu funcionamento porque, provavelmente, o usuário não voltará a se interessar pela notícia e não terá necessidade de buscar novamente informações no mesmo infográfico. Isso estabelece a efemeridade, como característica da informação jornalística em geral e da infografia noticiosa em particular. Durante a pesquisa com usuários, foram identificadas ações que não se enquadraram em nenhuma das categorias estudadas. Acredita-se que isso ocorreu pelas especificidades dos infográficos citadas no parágrafo acima, sendo esse um recurso específico e com características próprias que diferem da plataforma web, para que a classificação de Padovani e Moura, utilizada neste artigo, foi inicialmente proposta. Essa ocorrência sugere uma nova oportunidade para trabalhos futuros, já que os estudos sobre infografia digital, com relação à navegação ou à interatividade compõem um vasto campo de pesquisa. É necessário considerar suas possibilidades de adequação às novas mídias e a velocidade com que evoluem as possibilidades de novas experiências interativas. Como por exemplo, o advento televisão digital, seus recursos e interfaces, a televisão 3D, o aumento generalizado da velocidade de banda da Internet, as tecnologias desenvolvidas para mobile, dispositivos de leituras para e-books, o próprio conteúdo dos e-books que podem ser dinâmicos e interativos, entre outras possibilidades. Conciliar os parâmetros de navegação e de interatividade em infográficos com as possibilidades das mídias digitais, as características da informação, as necessidades e a disponibilidade dos usuários é função do designer projetista de infografia. Assim, a navegação e a interatividade não são critérios absolutos, cuja base de reflexão é questionar o “quanto mais melhor”, porque deve-se considerar uma série de outros fatores que interessam à rápida difusão das notícias através dos diversos meios de comunicação digital existentes ou a se inventar. Além disso, em razão da infografia ser uma eficaz forma de apresentação e organização da informação, ela se manterá presente no universo gráfico-visual independentemente do dispositivo ou tecnologia empregada para se interagir com interfaces visuais. Ainda assim, continuará a ser composta pelos mais básicos elementos gráficos e será cada vez mais focada na satisfação do usuário, apresentando o desenvolvimento de alta tecnologia e eficazes recursos de navegação e interatividade possibilitando experiências positivas, prazerosas e surpreendentes, possivelmente ampliando também as possibilidades de mesclagem entre as área do entretenimento e da informação. REFERÊNCIAS 1. ActiveWorlds. Active worlds educational universe, in: http://www.activeworlds.com/edu/awedu.asp, 11/07/2009. 2. Borba, F. Dicionário gramatical de verbos do português contemporâneo do Brasil. São Paulo: UNESP, 1991. 3. Cairo, A. Infografia 2.0: visualización interactiva de información en prensa. Madrid: Almut, 2008. 4. G1. Infográfico digital, in: http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL977582- 5603,00- INFOGRAFICO+EXPLICA+A+SEPSE+PROBLEMA +QUE+PODE+LEVAR+A+AMPUTACAO+E+A+MO RTE.html, 24/08/2010. 5. ____. Gripe H1N1, in: http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL1280856- 5598,00- AM+E+RS+CONFIRMAM+MAIS+TRES+MORTES+ PELA+NOVA+GRIPE.html, 02/09/2009. 6. Kanno, M. Mostra nacional de infografia 2009, in: http://www.scribd.com/doc/13444370/Mostrainfografi a, 11/09/2010. 7. Lemos, A. Anjos interativos e retribalização do mundo: sobre interatividade e interfaces digitais, in http://www.facom.ufba.br/ciberpesquisa/lemos/interac. html, 28/10/2010. 8. Lupton, E; Phillips, J. Novos fundamentos do design. São Paulo: Cosac Naify, 2008. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 196
  • 203.
    9. Nielsen, J.You only need to test with 5 users , in http://www.useit.com/alertbox/20000319.html, 28/10/2010. 14.Ribeiro, S. Infografia de imprensa: história e análise ibérica comparada. Coimbra: Minerva Coimbra, 2008. 10.Norman, D. The design of everyday things. New York: Basic books, 1988. 11.Padovani, S; Moura, D. Navegação hipermídia: uma abordagem centrada no usuário. Rio de Janeiro: Ciência Moderna, 2008. 12.Peltzer, G. Jornalismo iconográfico. Lisboa: Planeta, 1991. 13.Preece, J; Rogers, Y; Sharp, H. Design de interação: além da interação homem-computador. Porto Alegre: Bookman, 2005. 15.Santaella, L. Navegar no ciberespaço: o perfil cognitivo do leitor imersivo. São Paulo: Paulus, 2004. 16.Silva, M. Que é Interatividade, in: Boletim Técnico do Senac. Rio de Janeiro, v.24, n.2 maio/ago, 1998 17.Wurman, R. Ansiedade de informação. São Paulo: Cultura, 1991. 18.ZH. Gripe A H1N1, in: http://www.clicrbs.com.br/zerohora/swf/Gripe_ah1n1/i ndex.html, 02/09/2009. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 197
  • 204.
    Observações Etnográficas naAvaliação da Usabilidade de Dispositivos Móveis de Coleta de Dados Estatísticos Patricia Tavares Departamento de Informática Aplicada da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) e IBGE patricia.tavares@uniriotec.br Luiz Agner Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e UniverCidade luizagner@gmail.com Simone Bacellar Leal Ferreira Departamento de Informática Aplicada da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) simone@uniriotec.br RESUMO O presente artigo apresenta o método, resultados e conclusões preliminares de observações de campo inspiradas em técnicas etnográficas. Foi analisada a usabilidade do aplicativo desenvolvido para os PDAs (Personal Digital Assistants) da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua do IBGE. A técnica foi aplicada com a participação de entrevistadores que utilizam PDAs, dispositivos móveis para coleta de dados durante as pesquisas domiciliares do Instituto. As conclusões obtidas a partir das “observações etnográficas” revelaram dados qualitativos inusitados sobre a usabilidade. Os autores reuniram relatos sobre o emprego do PDA no ambiente de campo, apontando seus principais problemas de uso. Palavras-chave Usabilidade, PDA, metodologia, etnografia, design, estatística. ABSTRACT This article presents the methodology, results and findings of field observations where we analyzed the usability of the software developed for PDAs of the IBGE National Household Sample Continuous. Ethnography inspired field observations were applied with the participation of users who use mobile devices to collect data for statistical research. The conclusions from field observation qualitative data revealed to be surprising or unusual. To register difficulty of use, the authors gathered reports of interviewers on the use of PDA in the field environment, pointing out its major problems. Keywords Usability, PDA, methodology, ethnography, design, statistics. INTRODUÇÃO Com o avanço da tecnologia da informação, as pessoas e as organizações necessitam cada vez mais de sistemas desenvolvidos com qualidade. Como é por intermédio das interfaces que as pessoas se comunicam com os sistemas para executar suas tarefas, elas precisam ser cada vez mais projetadas com foco na usabilidade [6]. Existem diferentes métodos de avaliação de usabilidade: há aqueles sem a presença de usuários - os “métodos de inspeção” ou “métodos analíticos ou prognósticos”; e há aqueles que envolvem usuários, chamados de “método de observação” ou “testes com os usuários”. Estes podem ser realizados em seu contexto de uso, no campo, ou em ambientes monitorados, como os laboratórios de usabilidade [4]. O método proposto neste trabalho representa o mix de quatro abordagens diversificadas de avaliação: a observação em contexto de uso (aqui referida também pela expressão “observação etnográfica” – mas deixando claro que não se trata do método tradicional da etnografia, tal como é concebida e aplicada pelas ciências sociais), os testes de usabilidade com emprego de laboratório portátil, as entrevistas semi-estruturadas, e a inspeção heurística. Na primeira fase do método, o usuário foi observado em seu contexto primordial de uso, ou seja, utilizando o PDA (Personal Digital Assistants) em visitas de campo, ao entrevistar cidadãos em seus domicílios. A segunda fase consistiu em uma observação feita em ambiente semi- controlado, onde o usuário foi entrevistado e observado, em local de trabalho, realizando tarefas que simulam situações verdadeiras que ocorrem, com freqüência, nas suas atividades de campo. O método proposto aqui foi desenvolvido e aplicado para avaliação de usabilidade de um software criado para o PDA a ser utilizado pelos entrevistadores da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) [12]. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 198
  • 205.
    Neste artigo, serádada ênfase especial à parte inicial do método que trata da aplicação de observações etnográficas, de caráter exploratório, e seus resultados. A segunda fase do método já foi explorada em outros textos de comunicação científica [12]. A TECNOLOGIA EM CONTEXTO DE COLETA DE DADOS Segundo Greene [5], a introdução de uma tecnologia pode transformar o contexto de uma entrevista para coleta de dados estatísticos e pesquisas domiciliares, contribuindo para a sensação de que este é um evento importante para o informante. Em alguns casos, a curiosidade sobre a tecnologia pode chamar mais pessoas para observar ou participar das entrevistas. Às vezes isso ajuda a “quebrar o gelo”, ficando mais fácil falar com outros membros de uma família ou da comunidade. Em algumas raras situações, a tecnologia poderá inspirar medo ou ansiedade [5]. Os métodos de coleta de dados assistida por computadores são conhecidos pelos termos CADC (Computer-Assisted Data Collection), ou pelo termo europeu CADAC, CASIC (Computer-Assisted Survey Information Collection) e CAI (Computer-Assisted Interviewing); os métodos tradicionais de papel e lápis são muitas vezes denotados por PAPI (Paper-And-Pencil Interviewing). A característica principal das entrevistas apoiadas por computador é que as perguntas são orientadas na ordem correta, seguindo um algoritmo disponibilizado em um programa interativo na tela do computador. O software tem a capacidade de configurar a ordem e o tipo de questões baseando-se nas respostas anteriores, ou na informação que já dispõe sobre o entrevistado. As respostas são inseridas diretamente neste computador por um entrevistador ou pelo próprio entrevistado [7]. Como alternativa aos questionários em papel, a CADC é bem aceita pelos entrevistados e pelos entrevistadores e a qualidade dos dados melhora, especialmente quando os questionários complexos são utilizados. Em geral, os entrevistados reagem positivamente ao uso do computador durante uma entrevista: eles atribuem um maior grau de profissionalismo à pesquisa. A interação social com o entrevistador é descrita como confortável [7]. A pesquisa que representa o objeto de estudo deste trabalho – a PNAD Contínua – representa mais uma iniciativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística no sentido de integrar a tecnologia móvel para apoiar o processo de entrevista e de coleta de dados sobre as condições de vida da população brasileira - através do desenvolvimento e da aplicação de um questionário eletrônico (figura 1), como já ocorreu nos Censos 2007 e 2010. A PESQUISA PNAD CONTÍNUA A PNAD Contínua é uma nova pesquisa do IBGE, que pretende permitir uma investigação contínua sobre trabalho e rendimento da população. Ela é o resultado da fusão de duas pesquisas do Instituto, a Pesquisa Mensal de Empregos e a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios [8]. O IBGE começou a testar a metodologia e o sistema, a partir de outubro de 2009, nos estados do Pará, Pernambuco, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul e no Distrito Federal, prosseguindo com o teste, no ano de 2010, no Rio de Janeiro. Em 2011, a pesquisa será oficialmente lançada em todo o País [9]. A PNAD Contínua é realizada a partir de uma amostra de aproximadamente 179.000 domicílios e tem como núcleo básico questões sobre trabalho e rendimento. Além disso, vai investigar temas adicionais, como: educação de jovens e adultos, migração, educação profissional, trabalho infantil, fecundidade, mobilidade social, nupcialidade, saúde, segurança alimentar, tecnologia da informação e comunicação, transferências de renda e uso do tempo [8]. Para a sua coleta de dados, foram desenvolvidos sistemas para PDA e sistemas de gerenciamento dos dados. Este estudo de usabilidade analisou a facilidade de uso do aplicativo desenvolvido para o dispositivo móvel com o objetivo de gerar recomendações para torná-lo mais eficiente e adequado, aprimorando a qualidade e a satisfação na coleta de dados. Figura 1 - Detalhes da interface do protótipo da PNAD Contínua para dispositivo móvel, versão 1.0.9. O método de avaliação de usabilidade aplicado no presente trabalho, batizado por nós de entrevistas baseadas em cenários e tarefas, procurou preservar as características essenciais de um método científico, para emprestar credibilidade às suas conclusões e à apresentação dos seus resultados. Este método foi desenvolvido para atender às condições e às peculiaridades do contexto do IBGE e já havia sido experimentado anteriormente na avaliação da Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 199
  • 206.
    usabilidade de umaplicativo para o Censo Demográfico 2010, tendo sido apresentado e discutido em comunicações científicas anteriores [12]. A pesquisa, de caráter qualitativo, teve seis etapas: (a) pesquisa bibliográfica e documental; (b) observações etnográficas; (c) seleção da amostra de participantes; (d) entrevistas baseadas em cenários e tarefas; (e) análise dos resultados; (f) comunicação dos resultados. Neste paper, serão apresentados os detalhes e alguns resultados qualitativos reunidos durante a etapa de “observações etnográficas”. Deixamos claro, entretanto, que este termo proposto não deve ser confundido com a aplicação tradicional do método etnográfico, tal como é compreendido por outras disciplinas, como explicaremos a seguir. TÉCNICAS ETNOGRÁFICAS EM IHC Segundo Cooper [3], etnografia é um termo tomado emprestado da Antropologia que significa um estudo imersivo e sistemático de culturas humanas. Segundo Burke e Kirk [1], a etnografia não é um método, é mais propriamente uma categoria de pesquisas em Interação Humano-Computador. Tendo sido adotada na Antropologia e na Sociologia, a etnografia se baseia na observação de interações humanas em um dado ambiente ou atividade social. Pode ser descrita como a observação de pessoas em seu contexto cultural. Uma cultura é formada por determinados valores, práticas, relações e identificações. Deste modo, um ambiente de trabalho (como um escritório ou uma fábrica) pode ser descrito como uma cultura, pois é caracterizado por padrões, práticas de negócios (formais ou informais), e por relações entre colegas de trabalho e com os gerentes. De acordo com os autores acima citados, há uma série de razões pelas quais a etnografia passou a ser importante para o projeto de interface. Essas razões são as seguintes: 1 - o estudo etnográfico é um meio poderoso de identificar as necessidades do usuário e enxergar o sistema pelo olhar do usuário. 2 - descobre a verdadeira natureza do trabalho realizado: é muito comum os usuários desempenharem suas tarefas de modo diferente daquilo que foi prescrito. No caso de uma coleta de dados assistida por computador, por exemplo, nós descobrimos que o estudo etnográfico poderá ser útil ao evidenciar se os usuários enunciam as perguntas da entrevista empregando linguagem informal ou popular, de modo diverso do que é proposto no questionário eletrônico oficial. Ou, ainda, será possível observar se desenvolvem confiança no dispositivo, ou se freqüentemente procuram realizar um bypass no seu funcionamento normal, com o intuito de evitar lentidão, travamentos ou perda de informações. 3 – outra vantagem do estudo etnográfico é que o pesquisador obtém um alto grau de compreensão do usuário e pode desempenhar o seu papel em sessões de projeto participativo. 4 - a natureza aberta (não enviesada) da etnografia habilita o registro de revelações surpreendentes sobre como o sistema é utilizado no campo. Como nos estudos sociológicos, os etnógrafos precisam estar imersos na cultura do usuário para melhor entender o que se passa em torno dele. Assim, os etnógrafos devem olhar, participar e perguntar sobre as atividades do seu dia- a-dia. Sob o ponto de vista do projeto, deve-se começar a raciocinar como um usuário. Se o objetivo da etnografia social é compreender como o indivíduo ou grupo interage dentro de sua cultura, na etnografia para o projeto de sistemas, por outro lado, o objetivo é verificar como o sistema é realmente utilizado. Visa a identificar problemas na maneira como é usado, assim como os efeitos do sistema na cultura específica do local de trabalho, para descobrir possibilidades de desenvolvimento, dentro daquela atividade ou local. Os métodos etnográficos podem descobrir fatos inusitados e valiosos que jamais seriam identificados por métodos in house. A maior parte dos dados do estudo etnográfico é elicitado através de observação pessoal, entrevistas ou gravações em áudio e vídeo. Seus resultados são informações qualitativas como declarações, impressões, opiniões e descrições do ambiente ou local. Segundo Burke e Kirk [1], há termos empregados em IHC que são praticamente sinônimos de etnografia como: 1 - estudos de campo: termo alternativamente utilizado no sentido de etnografia; 2 - investigação contextual (contextual inquiry): método ligeiramente mais específico, focado no modo de dirigir perguntas ao usuário; 3 - estudo observacional: significa simplesmente olhar o usuário em seu contexto de trabalho, sem dirigir-lhe quaisquer perguntas; 4 - observação participante: focada em realizar as atividades cotidianas de trabalho, lado a lado com o usuário. Para Cooper [3], estudos contextuais desenvolvidos no processo do design de interação devem trazer o espírito da pesquisa social etnográfica e aplicá-lo em um nível micro. Em vez de tentar compreender comportamentos e rituais sociais de uma cultura inteira, seu objetivo deve ser compreender comportamentos e rituais de grupos de pessoas que interagem com produtos específicos. Hugh Beyer e Karen Holtzblatt (apud [3]) foram os pioneiros na aplicação de uma técnica de “entrevistas etnográficas”, a que eles denominaram contextual inquiry (investigação contextual). Esta técnica se tornou Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 200
  • 207.
    rapidamente uma referênciana indústria de software. O seu método foi baseado no modelo mestre-aprendiz, ou seja, o entrevistador observava e fazia perguntas como se fosse um principiante e o usuário, o seu mestre. Os dois autores citados enumeraram quatro princípios básicos que notabilizam o seu método etnográfico: 1 - Contexto: em vez de entrevistar usuários em uma sala branca e asséptica, a observação e a interação devem se dar no seu ambiente comum de trabalho, fornecendo o contexto apropriado para o produto. 2 - Parceria: a entrevista deve ocorrer de modo a ser uma exploração colaborativa com o usuário, alternando-se entre a observação do trabalho e a discussão sobre a sua estrutura e detalhes. 3-Interpretação: a maior parte do trabalho do pesquisador será ler nas entrelinhas o que acontece a partir dos dados reunidos sobre o comportamento dos usuários, o que eles declaram e como se relacionam com o seu ambiente. 4-Foco: o designer deve sutilmente direcionar a entrevista para captar dados relevantes ao projeto do software. Cooper et al. [3] enumeram os seguintes melhoramentos emprestados por sua equipe à técnica original da investigação contextual de Beyer e Holtzblatt, visando a maior eficiência na sua prática projetual: - Encurtamento: a investigação contextual propõe entrevistas de dia inteiro, mas Cooper considera suficiente realizar entrevistas de campo com não mais que uma hora de duração, com cerca de seis usuários bem-selecionados; - Equipes enxutas: apesar de Beyer e Holtzblatt proporem uma equipe grande, Cooper et al. sugerem ser mais eficaz realizar observações, seqüencialmente, com uma equipe de trabalho enxuta formada por duas ou três pessoas. Todos os observadores devem interagir com os usuários além de analisar e compilar os dados; - Identificação de objetivos: a identificação e a priorização dos objetivos dos usuários devem ser realizadas antes de relacionadas as tarefas específicas; - Pesquisar além do contexto corporativo: a “entrevista etnográfica” pode buscar informações e ser aplicada também fora do contexto corporativo. Cooper et al. explicam que as suas “entrevistas etnográficas” podem ser agrupadas de modo a refletir diferentes fases cronológicas, com foco mais abrangente e amplo, no início, passando a abordar funções e tarefas específicas nas últimas etapas. Os stakeholders podem ser acionados para agendar entrevistados adequados a cada fase do ciclo de entrevistas. Para Cooper, as regras básicas das “entrevistas etnográficas” são: entrevistar no local onde a interação acontece; evitar perguntas fixas; focar em objetivos primeiro, só depois em tarefas; evitar transformar o usuário em designer de interface; evitar discussões sobre tecnologias; encorajar a contação de histórias; solicitar a demonstração dos artefatos pelo usuário; não formular perguntas que geram vieses nas respostas. Após cada “entrevista etnográfica”, a equipe de projetistas deve se reunir, comparar e discutir as observações, verificando se questões levantadas pelas entrevistas anteriores foram respondidas. As fotos e os vídeos devem ser revisados e postados em um local público, como um mural. Será útil utilizar esses dados na preparação da estratégia a ser adotada durante as próximas observações. ACOMPANHAMENTO DE TRABALHO DE CAMPO Os autores agendaram acompanhamentos com equipes em trabalhos de campo da PNAD Contínua, onde o dispositivo móvel de coleta de dados pode ser observado em seu contexto real de uso. O objetivo foi reconhecer os problemas e compreender as dificuldades e as vantagens da coleta de dados assistida pelo PDA e como o dispositivo impacta o comportamento do entrevistador e do informante. Para compreender melhor como o entrevistador da PNAD Contínua realiza seu trabalho, os autores acompanharam três equipes do IBGE em entrevistas domiciliares reais da pesquisa. Em primeiro lugar, participaram de uma visita de campo no bairro do Leblon. Em seguida, acompanharam uma equipe de trabalho do IBGE em diversos bairros no subúrbio carioca (Encantado, Piedade, Bonsucesso e Higienópolis). Em outra ocasião, os autores realizaram visita a uma agência de coleta. Depois disso, foi empreendida visita de campo a Tanguá (figura 2), no interior do Estado do Rio de Janeiro, uma área com características rurais. Figura 2 - Registro de observações etnográficas: entrevistador aborda um domicílio selecionado em Tanguá, setor com características rurais no Estado do Rio de Janeiro. As nossas observações etnográficas realizadas durante o acompanhamento dessas equipes no campo foram registradas em imagens, entrevistas em áudio e vídeo, e Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 201
  • 208.
    anotações, apresentando avisão do usuário sobre a interação com o dispositivo móvel no campo. Como conclusão mais evidente dos acompanhamentos em contexto de uso, percebeu-se a importância da usabilidade na construção de aplicativos para os PDAs. Tais equipamentos possuem limitações físicas, como telas e teclados reduzidos. A navegação intuitiva e a identificação eficiente de conteúdos textuais são necessidades absolutas em dispositivos móveis em situação de pesquisa. Em geral, usuários em ambientes fixos concentram-se melhor enquanto que, em ambientes móveis, tendem a se distrair em função de atividades que acontecem no ambiente [10]. Os autores do artigo puderam verificar que, como são utilizados em ambientes externos, os PDAs precisam suportar condições ambientais adversas (calor, frio, umidade, seca, luz natural e artificial), dependendo do local de uso. Concordamos com Simões et al. [11] que o público- alvo é um desafio, pois o trabalho de campo é realizado com milhares de pessoas de variados perfis e localizações geográficas. A mobilidade impõe limites físicos, visuais e cognitivos ao usuário [2]. Somam-se a estes fatores a dificuldade de acesso a domicílios (áreas de alto risco, distantes ou rurais, em condomínios classe média alta), onde cada vez mais o informante tem restrições de receber o entrevistador. Para registrar tais dificuldades, os autores reuniram relatos dos entrevistadores sobre o uso do dispositivo móvel no ambiente externo, apontando seus problemas. O contraste de cores da tela do PDA com a luz solar foi o problema mais citado nestes relatos: os pesquisadores fotografaram o dispositivo sob a incidência da luz do sol e puderam comprovar a gravidade desse problema, que impede a leitura do questionário (figura 3). Figura 3 - O dispositivo da PNAD Contínua sob a incidência da luz solar: legibilidade prejudicada. RELATÓRIOS DE OBSERVAÇÕES Nos três textos a seguir, apresentamos partes selecionadas dos relatórios elaborados pelos autores a partir das observações etnográficas relacionadas à fase de testes da pesquisa PNAD Contínua. Os textos representam sínteses gerais das observações dos pesquisadores; todos os nomes de indivíduos citados foram alterados para preservação de privacidade. Relatório de Trabalho de Campo no Leblon Numa ensolarada tarde de outono, fomos acompanhar o trabalho de campo de um dos entrevistadores da pesquisa PNAD Contínua, no Leblon, um bairro nobre da zona sul do Rio de Janeiro. Estávamos em campo eu, Manuela, que trabalha junto à Diretoria de Informática e integra a da equipe de desenvolvimento do aplicativo do PDA, Roberto, um supervisor da pesquisa, responsável pela área, e Reinaldo, o entrevistador destacado para acompanharmos, que iria, nesse dia, trabalhar numa rua do alto Leblon. Esta área apresenta a característica de possuir muitos edifícios residenciais de famílias de classe média alta que, não raro, moram em grandes apartamentos ou em coberturas de luxo. Após cerca de dez tentativas infrutíferas de abrir domicílios para aplicar o questionário da PNAD Contínua, finalmente conseguimos entrar em uma residência a ser pesquisada. O supervisor Reinaldo ficou nos aguardando na portaria e subimos pelo elevador até uma das coberturas, onde fomos recebidos por dona Marlene, que estava em casa acompanhada da empregada. Reinaldo apresentou-me e a Manuela como supervisores e perguntou se poderíamos acompanhar a entrevista, no que obtivemos a anuência da dona da casa, embora não sem demonstrar certa surpresa quanto ao número de pessoas a entrar em sua casa. Ao entrarmos, dona Marlene nos encaminhou para uma ampla varanda, decorada com vasos de plantas e muito bom gosto, onde havia dois sofás, cadeiras e uma mesa de centro. Reinaldo sentou-se no local indicado pela entrevistada, mas logo foi forçado a reacomodar-se devido à luminosidade solar que incidia sobre o seu PDA, impedindo a visibilidade de sua operação. A entrevista iniciou-se às 11h25min e terminou por volta das 12h25min. Durante a observação da entrevista e do uso do dispositivo de mão, eu e Manuela pudemos registrar por escrito diversos detalhes da interação com o informante. A maior parte das perguntas dirigidas à entrevistada foi enunciada de modo informal. Observamos que o entrevistador (considerado pela chefia um dos seus melhores funcionários) adaptou, à sua maneira, as perguntas que a pesquisa apresentava na tela do PDA, empregando linguagem bastante coloquial. Tal estratégia contribuiu para descontrair a entrevista, aproximando-a de uma conversação comum. A entrevistada passou a conversar em tom informal com o entrevistador, dando mais detalhes do que o que estava sendo estritamente perguntado. Isso gerou a necessidade de Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 202
  • 209.
    uma dose extrade interpretação das informações por parte do entrevistador. A entrevistada passou a relatar um pouco da história de sua vida. O entrevistador perguntou alguns fatos por curiosidade pessoal, mesmo estando fora do questionário da PNAD Contínua. Isto contribuiu para tornar o clima da entrevista ainda mais descontraído. A nossa observação destacou a grande experiência e habilidade pessoal do entrevistador Reinaldo, assim como a cordialidade e boa educação da entrevistada. Reinaldo começou o questionário perguntando qual era o último curso que dona Marlene havia concluído. Ela informou que foi o mestrado. Com esta resposta, Reinaldo deduziu algumas outras: por exemplo, nem precisou perguntar se sabia ler e escrever. Reinaldo precisou de um tempo considerável entre cada uma das perguntas do questionário para operar o PDA. Durante os intervalos, clicava diversas vezes na tela touch- screen do dispositivo móvel com a sua caneta. Dona Marlene mostrou-se um pouco entediada, esperando ele terminar a operação e partir para a próxima pergunta. Reinaldo teve que voltar atrás nas perguntas do questionário, pois a informante disse que era arquiteta, mas depois corrigiu a informação, dizendo que vivia principalmente da renda de aluguéis. Além disso, o entrevistador sentiu dificuldade de encaixar uma aposentadoria proveniente do exterior, declarada pela entrevistada, em uma categoria específica no questionário eletrônico. Reinaldo também se confundiu na interpretação de respostas para certas questões, como a relação de trabalho da filha da informante, que era produtora de cinema. Após perguntas extras, fora do questionário, esta informação se esclareceu. Ficou demonstrado certa necessidade de cultura geral por parte do entrevistador para a correta interpretação de algumas respostas sobre a produção de filmes. A informante teve dificuldade em estimar o número de horas trabalhadas de sua filha, por não ser este um trabalho com horários rigidamente estabelecidos. Demonstrando experiência com as perguntas do questionário, o entrevistador fez cálculos financeiros mentalmente, o que ajudou a informante a responder perguntas sobre seus rendimentos totais. Dona Marlene respondeu pelas três pessoas da casa: ela, Oswaldo, seu marido e Mariana, sua filha. Quando não sabia de alguma informação específica, ela ligava para o marido. Em uma das perguntas, dona Marlene não conseguiu o contato com o sr. Oswaldo e Reinaldo então foi para a próxima pergunta. Depois, conseguiu falar com o sr. Oswaldo e recebeu a informação. Reinaldo precisou de um grande tempo para encontrar a pergunta no PDA e inserir a informação que faltava. A entrevistada telefonou três vezes para o marido para confirmar dados demográficos e confirmar rendimentos. Na última vez, ela colocou o marido em contato direto com o entrevistador pelo telefone. Após o término da entrevista, perguntamos a Reinaldo o motivo de ele adaptar as perguntas e não seguir o fluxo exato do questionário. Ele sabia que a coordenação da PNAD Contínua orienta que o fluxo do questionário seja rigorosamente seguido, mas alegou que, se seguisse este fluxo, seria cansativo e estressante para o informante. Ele apontou que alguns informantes já ficaram ofendidos com certas perguntas. Por este motivo, procura abreviar o questionário com a intenção de tornar a entrevista menos aborrecida. Relatório de Visita à Agência de Coleta Eu e Carlos marcamos para uma quarta-feira, às 10 horas, mais um teste de campo do software da PNAD Contínua. O local escolhido foi um posto de coleta na área urbana do Rio de Janeiro, onde são concentrados trabalhos coletados de diversos bairros da área central e portuária da cidade. Fomos recebidos por Soraia, uma das supervisoras da casa. Conversamos um pouco com ela sobre como eram conduzidos os trabalhos da pesquisa. Ela se mostrou grande conhecedora do trabalho do Instituto, falando também sobre as demais pesquisas domiciliares. Fazia comparações e enfocou as vantagens e desvantagens de cada uma delas, entusiasmada em poder expor suas idéias e sugestões. Soraia aparentava ter uns 45 anos de idade, usava roupa de cores discretas, colares e pulseiras nem tanto, e um suave perfume. Após a breve conversa inicial, pedimos a ela para nos apresentar Bruna, que participaria do ensaio de interação. Fomos ao encontro de Bruna, uma jovem bonita, não muito alta, de uns 22 anos. Pedi para ela aguardar um pouco o Carlos, que já estava a caminho. Soube que ela estava fazendo faculdade de Fonoaudiologia e que trabalhava na pesquisa da PNAD Contínua porque o horário de trabalho era compatível com o das aulas na faculdade. Soraia contou que ela era uma ótima agente de pesquisas que ingressou no último concurso. Este concurso foi realizado para suprir as necessidades de recursos humanos do Instituto, mas tinha como desvantagem a contratação temporária por dois anos. Soraia comentou que o contrato já estava no final e eles não tinham a perspectiva de prorrogar o prazo, lamentando a perda de mais uma funcionária competente. Carlos chegou logo em seguida. Antes de começamos o ensaio de interação com Bruna, fomos conversar com o chefe da agência para explicar a importância do nosso trabalho. Ele ficou interessado em detalhes sobre o teste de Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 203
  • 210.
    usabilidade e combinamosde conversar após o seu término. Enquanto Carlos conduzia os trabalhos com a Bruna, fiquei observando o movimento da agência. Ela era composta por dois salões com diversas mesas em estilo antigo, em madeira escura, enfileiradas e bastante preservadas, e uma sala reservada para o chefe. O ambiente lembrava os filmes que retratam repartições públicas da década de 1940, mais ou menos o período em que a Instituição foi criada pelo presidente Getúlio Vargas. Os funcionários iam de um lado para o outro, atendendo telefones nas diversas mesas e falando alto, algumas vezes atrapalhando o estudo. Um deles até passou distraidamente atrás de Bruna, aparecendo na gravação realizada pela webcam, em uma das tarefas do ensaio. Carlos delicadamente pediu para que ele saísse do foco da câmera. Reparei que o chefe da agência, o sr. Gonzaga, era um “faz tudo”, pois em um momento ele se propôs a subir uma escada para trocar uma lâmpada queimada da sala onde estávamos. A agência estava bem cuidada e em cada salão podia-se ouvir música ambiente, que saía de caixas de som. Após o término do teste, fomos ao encontro do chefe. Era um homem com idade aparente entre 55 e 60 anos, um antigo funcionário do Instituto. Encontramo-lo agora debaixo da sua mesa de trabalho consertando a conexão elétrica dos cabos de um computador. Ele demonstrou muito interesse em nosso trabalho, dizendo que a nossa visita era de suma importância. Segundo ele, muitas vezes, as necessidades do campo são desconhecidas e sistemas são construídos sem que os usuários possam ter a oportunidade de contribuir com sua experiência. Soraia veio a nosso encontro e os dois começaram a colocar diversos temas em pauta. Discutiu-se a carência de recursos humanos, pois os concursos públicos não estavam suprindo a quantidade de funcionários que estavam se aposentando. A nova geração de funcionários é formada por jovens que ainda não atingiram os 30 anos, universitários em sua maioria, e que estão bastante acostumados a avanços tecnológicos e ao uso de sites e redes sociais na Internet. Segundo eles, estes jovens funcionários são contratados por períodos de até dois anos e muitos são descomprometidos com o trabalho, por serem temporários. Por outro lado, alguns funcionários temporários mostram-se perfeitos para as tarefas, mas precisam ser dispensados assim que o prazo de contrato se expira. Os dois veteranos concordaram em vários pontos, mostrando preocupação com o futuro da Instituição que, na sua visão, estaria ameaçado devido ao grande número de aposentadorias que ocorreriam em breve. Disseram que os treinamentos eram insuficientes para dar conta da enorme rotatividade de profissionais. E que as pesquisas só são concluídas porque alguns servidores “dão o seu sangue” e fazem “das tripas coração” para obter os dados no campo. Relatório de Campo em Setor Rural Após algumas visitas de campo a áreas urbanas do Rio de Janeiro, resolvemos realizar nossas observações etnográficas em uma área rural. Eu e Carlos entramos em contato com Gláucio, um coordenador de pesquisa e pedimos sua sugestão. Ele propôs visitarmos a região de Tanguá, um local sob responsabilidade da agência de Itaboraí, onde são geralmente coletados dados de setores que, apesar de formalmente considerados áreas urbanas, têm características marcadamente rurais. Seguimos os três num automóvel para o referido setor, acompanhados de Ubiratan, um entrevistador bastante tagarela. No caminho, sem parar de falar, reclamou que não havia normalmente carros para ir a setores afastados. Gláucio interferiu na conversa, enfatizando que os veículos existentes eram prioridade do censo demográfico. No decorrer da viagem, fomos percebendo que as características urbanas, como asfalto, meio-fio, placas e edificações, foram gradativamente escasseando e dando lugar às características de uma região rural. Em um momento da viagem, Ubiratan percebeu que já tínhamos passado de um supermercado, que era seu último ponto de referência para a entrada no setor. Adentramos por uma rua sem asfalto. Observamos a quantidade de sítios que iam aparecendo no caminho. Em vários pontos, pudemos passar em meio ao gado pastando e a muitos pés de laranja. Ubiratan comentou que esta era a paisagem típica do local, e que o município era grande produtor de laranjas. Apesar de estarmos no inverno, o sol era muito forte e o céu azul. Notamos ao passar por diversas poças d’água que, se estivesse chovendo, não conseguiríamos chegar ao setor, caso o nosso veículo não contasse com tração nas quatro rodas. Cerca de meia hora depois, com bastante dificuldade e algumas voltas desperdiçadas por entre alamedas sem calçamento nem placas, em meio a densas plantações e áreas de pasto, Ubiratan localizou um dos domicílios selecionados. Estacionamos o nosso veículo sob uma sombra em frente a uma casa bem simples, com detalhes da pintura e do reboco descascando. Havia um cachorro que começou a latir mas parou logo em seguida. Um arbusto com flores enfeitava o lado de fora da casa e uma gaiola com um passarinho estava pendurada na parte da frente da varanda, por onde também passeava um galo. Um morador chegou à porta. Ubiratan se identificou e pediu licença para fazer a entrevista em nome do IBGE. O cidadão ficou um pouco desconfiado mas aceitou a abordagem. Era um homem calmo que usava uma bermuda surrada, estava de chinelos e sem camisa. Percebemos que tinha músculos bem definidos, com a pele curtida de sol, Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 204
  • 211.
    aparentando ter unsquarenta anos. Mais tarde, revelou ser lavrador. Ubiratan buscou uma sombra na varanda, sentando-se na sua mureta, tendo sido acompanhado pelo dono da casa. Após solicitar e beber um copo d’água, ele ligou o seu PDA, começou a usá-lo silenciosamente; o informante estava com paciência e, ao mesmo tempo, mostrava curiosidade, esperando pelas perguntas. A entrevista começou por volta de 12:15h. Ubiratan foi empregando palavras simples e assim conseguiu ganhar a confiança do informante para obter os dados que precisava. O informante ficou um pouco envergonhado ao falar o quanto ganhava por mês. Disse que era lavrador, mas que muitas vezes não ganhava nada porque perdia toda a lavoura. Ele respondeu com educação a todas as perguntas, mas não compreendeu aquela que indagava se ele gostaria de trabalhar mais horas. Ubiratan gastou um tempo explicando o propósito desta pergunta para o homem, mas ele não conseguiu entender. Gláucio também tentou explicar, mas ele e a esposa continuaram com dúvidas. Como iria alguém querer trabalhar mais se já trabalhava tanto? Na hora de responder ao questionário relativo à sua esposa, o lavrador a chamou para ajudar. Ela disse que voltou a estudar à noite e que ia de bicicleta para a escola. Era empregada doméstica; ganhava cerca de R$ 350,00 por mês. Ubiratan não perguntou quem era o responsável pelo domicílio, por isto, não sabemos se ele apontou o lavrador ou a esposa. Enquanto ocorria a entrevista, eu e Carlos íamos registrando nossas observações por escrito. Percebemos que as pessoas eram simples, mas educadas e não cometiam muitos erros de linguagem. Um segundo homem de meia idade que não se identificou e a filha do casal, de cerca de uns dez anos, uniram-se ao grupo da varanda, demonstrando curiosidade. No quintal da casa, circulavam galinhas e patos e o galo cantava. Pareceu-nos que a família consumia quase tudo o que plantava. A entrevista durou cerca de 45 minutos. Nos despedimos, tiramos fotos e fomos embora. Respondendo a uma indagação de Carlos, Ubiratan disse no carro que as últimas alterações realizadas no PDA, sugeridas pelos estudos de usabilidade, melhoraram a interação e que o novo teclado virtual havia ficado bem melhor. PARA EFEITO DE CONCLUSÃO O presente artigo apresentou a parte exploratória do método de observações envolvendo usuários, para avaliação de usabilidade de um dispositivo móvel de coleta de dados de entrevistas domiciliares, com ênfase em técnicas de observações etnográficas. Ele foi desenvolvido para ser aplicado junto aos entrevistadores que utilizaram PDAs durante a versão experimental da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua). O método de avaliação apresentou essencialmente duas etapas: a primeira consistiu em acompanhar os usuários do PDA em seu contexto de uso no campo (“observações etnográficas”), e a segunda envolveu gravações e registros sistemáticos de tarefas realizadas enquanto os usuários interagiam com o PDA em um laboratório de usabilidade portátil. A segunda etapa do método foi discutida em outras comunicações científicas [12], ficando o presente texto reservado especificamente à apresentação de detalhes e resultados qualitativos das observações etnográficas do trabalho do usuário no campo. O impacto desse tipo de entrevista apoiada por computador na qualidade dos dados tem sido avaliado sistematicamente por institutos de pesquisas de outros países. Sua principal característica é que as perguntas são orientadas pelo sistema na ordem correta, seguindo um algoritmo disponibilizado em um programa interativo apresentado na tela do computador. As respostas são inseridas diretamente, neste computador, com dados digitados pelo entrevistador ou pelo entrevistado. Como foi visto, a etapa exploratória do trabalho incluiu procedimentos de observação em campo inspiradas nas técnicas da pesquisa etnográfica incorporada à IHC. Tendo sido adotada na Antropologia e na Sociologia, o estudo etnográfico se baseia na observação de interações humanas em um dado ambiente de trabalho ou em uma atividade social. A nossa experiência demonstrou que a observação etnográfica, tal como proposta, pode ser considerada muito importante para o projeto de interface, pois este tipo de estudo habilita o projetista a enxergar o sistema pelo olhar do usuário, revelando a natureza real e não idealizada do trabalho. Uma série de conclusões foi obtida dos resultados dessas observações, muitas das quais revelaram dados surpreendentes ou inusitados. A mobilidade impõe limites físicos, visuais e cognitivos ao usuário. Para registrar tais dificuldades, os autores reuniram relatos de entrevistadores sobre o uso do PDA no ambiente externo, apontando seus principais problemas. O contraste de cores da tela do dispositivo com a luz solar foi um dos problemas mais citados nestes relatos: os pesquisadores puderam conferir, na prática, a gravidade deste evento que impacta seriamente a legibilidade do texto das perguntas do questionário. Somou-se a esses fatores a dificuldade de acesso a domicílios que podem estar em áreas de risco, rurais, ou distantes. No caso de condomínios classe média alta, cada vez mais o informante impõe restrições de diversas ordens para receber o entrevistador. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 205
  • 212.
    Nas observações etnográficasque realizamos ficou também evidente que o entrevistador - não raramente - realiza suas tarefas de modo diverso ao que lhe foi prescrito no treinamento. Por exemplo, utiliza linguagem coloquial e popular para formular as perguntas, em vez de lê-las formalmente, e inverte a ordem das questões propostas pelo software de questionário eletrônico, com o objetivo de reduzir a duração da entrevista, ou torná-la menos entediante e mais natural para o entrevistado. Evidências reunidas nos estudos de campo embasaram e reforçaram conclusões obtidas nos testes com o emprego de laboratório de usabilidade portátil, em ambiente semi- controlado, paralelamente realizados. Isto nos permite afirmar que as duas técnicas têm grande potencial quando são aplicadas de modo complementar. Na fase de comunicação dos resultados, as conclusões do estudo, assim como as recomendações técnicas para a solução de problemas de usabilidade, foram repassadas para a equipe de desenvolvimento do software visando implementações e correções técnicas. Além de artigos científicos, as conclusões do presente estudo foram apresentadas em seminário para outras equipes internas, visando a disseminar e institucionalizar o emprego da metodologia de avaliação de usabilidade em dispositivos móveis, com o objetivo de contribuir para tornar mais eficientes e seguros os processos de coleta de dados estatísticos. REFERÊNCIAS 1. Burke, J.; Kirk, A. Choosing Human-Computer Interaction (HCI) Appropriate Research Methods – Ethnographic Methods [online]. Disponível em: http://otal.umd.edu/hci-rm/ethno.html Acesso em: 14/06/2010. 2. Burzagli, L., Billi, M., Palchetti, E., Catarci, T., Santucci, G., Bertini, E. Accessibility and Usability Evaluation of MAIS Designer: A New Design Tool for Mobile Services. Universal Access in HCI, Part II, HCII 2007, LNCS 4555, pp. 275–284, 2007. 3. Cooper, A.; Reimann, R.; Cronin, D. About Face 3: The Essentials of Interaction Design. Indianapolis, IN; Wiley Publishing, Inc., 2007. 4. Dias, C. Usabilidade na Web: criando portais mais acessíveis. 2ªEd., R.J, Alta Books, 2007. 5. Greene, P.D. Handheld computers as tools for writing and managing field data. Field Methods, 13(2):181-197. 2001. Disponível em: http://fmx.sagepub.com/content/ 13/2/181. Acesso em: 02 de setembro de 2010. 6. Leal Ferreira, S.B., Nunes, R. e-Usabilidade, Rio de Janeiro, LTC, 2007. 7. Leeuw, E.D.; Hox, J.J.; Snijkers, G. The effect of computer-assisted interviewing on data quality. A review. Pp. 173-198 in B. Blyth (ed.) Market Research and Information Technology. ESOMAR Monogaph. Amsterdam: Esomar. 1998. Disponível em: http://igitur-archive.library.uu.nl/dissertations/2006- 1024-200101/c3.pdf. Acesso em: 02 de setembro de 2010. 8. IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Quinto Fórum do Sistema Integrado de Pesquisas Domiciliares por Amostragem. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/si pd/quinto_forum/PNAD_Continua_Questionario.pdf. Acesso em: 15/12/2008. 9. Leitão, M. Brasil terá um retrato da nova dinâmica do trabalho. Disponível em: http://oglobo.globo.com /economia/miriam/posts/2009/08/05/brasil-tera-um- retrato-da-nova-dinamica-do-trabalho-211361.asp. Acesso em: 29/03/2010. 10.Loureiro, A. A. F. et al. Comunicação Sem Fio e Computação Móvel: Tecnologias, Desafios e Oportunidades. Minicurso apresentado no Congresso da Sociedade Brasileira de Computação. Campinas, SP. Ago. 2003. Disponível em: http://homepages.dcc. ufmg.br/~loureiro/cm/docs/jai03.pdf. Acesso em: 11/06/2008. 11.Simões, et al. Experiência: Coleta de dados por computadores de mão para censos de proporções continentais. Concurso Inovação na Gestão Pública Federal. Disponível em: http://inovacao.enap.gov.br/ index.php?option=com_docmantask=doc_viewgid= 277. Acesso em: 11/06/2009. 12.Tavares, P.; Agner, L.; Leal Ferreira, S. B. Avaliação de Usabilidade de Dispositivos Móveis de Coleta de Dados Domiciliares Através de Entrevistas Baseadas em Cenários e Tarefas. IHC 2010 – IX Simpósio Sobre Fatores Humanos em Sistemas Computacionais. October 5-8, 2010, Belo Horizonte, MG, Brasil. NOTAS Os autores agradecem aos apoios das equipes da Unidade Estadual do IBGE do Rio de Janeiro, da CODES (Diretoria de Informática) e da Diretoria Executiva do IBGE, sem os quais esta pesquisa não teria sido possível. As opiniões emitidas neste artigo são de exclusiva e inteira responsabilidade dos autores, não exprimindo, necessariamente, o ponto de vista do IBGE. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 206
  • 213.
    Metodologia Projetual noEnsino de Design Digital Interativo Paula Rigo Tramujas – Universidade Positivo / EMBAP Luciane Hilú – PUCPR / Universidade Positivo RESUMO Este presente artigo tem por objetivo apontar algumas teorias de metodologia utilizadas para o ensino de design em universidades, discutindo sua aplicabilidade ao universo do design digital interativo e traçando um comparativo com a metodologia usada na prática em uma empresa de design americana – IDEO. Tendo este aporte teórico-comparativo questionar-se pela possibilidade de incorporação desta no âmbito de ensino de universitário design. Palavras-chave do autor Metodologia, design, ensino, universidade. Palavras-chave de Classificação ACM D.2.2 Methodologies: D.2.10 Design INTRODUÇÃO Para evidenciar a ligação íntima entre o processo de desenvolvimento de produtos de design com o tema metodologia, e discutir sobre os parâmetros metodológicos necessários de serem cobertos no ensino projetual de design digital, busca-se neste texto trazer a tona alguns conceitos essenciais que evocam esta ligação e que podem proporcionar o vislumbre de um caminho para a construção do ensino neste âmbito. Com isto objetiva-se delinear concepções específicas de metodologia para aplicação no ensino de design digital. Historicamente, a cada evolução do processo de desenvolvimento de um produto, verifica-se que o design, independente da natureza do produto que gera, como qualquer área do conhecimento científico, sempre demandou aporte a teorias capazes de embasar sua produção, seus métodos de projetação e possibilitar familiaridade com as situações de contextualização nas quais é utilizado. Sendo assim, a aproximação da metodologia com o design é resultado da necessidade constante de se estabelecer um método específico para esta área, a partir da análise dos já existentes, que possa dar conta do desenvolvimento de um projeto específico. Vários autores defendem a existência uma prática projetual de design permeada por uma metodologia sinequanon, onde as idéias são pesadas juntamente com os requisitos e restrições inerentes ao produto a ser executado e ao problema a ser solucionado, e são geradas e selecionadas alternativas de solução, de forma crítica. Desta forma, ter um projeto e uma metodologia de trabalho bem desenvolvidos e estruturados se tornou um requisito fundamental para o design alcançar seus objetivos. O produto final de design se torna, pois, o resultado lógico de um projeto que envolve métodos que visam atender à proposta de resolver da melhor maneira todos os componentes de um dado problema. Porém, questiona-se se as metodologias desenvolvidas e utilizadas como base teórica para ensino nas universidades de design, já discutidas e sedimentadas na academia, são passíveis de dar conta das necessidades atuais de desenvolvimento de produtos nesta área, que envolve atualmente outros níveis de problemática e de construção, como o caso do design digital, que envolve desde produtos de natureza estática quanto em movimento, incorporando por muitas vezes o elemento interação, que traz toda especificidade ao pensar “fazer design” atual. “Y es que la tecnologia está permitiendo poner en marcha planteamientos educativos que intentan romper con las barreras establecidas por las instituciones dedicadas e instruir a los futuros diseñadores, en general demasiado rígidas y no adaptadas a la realidad de los nuevos medios” [5] ENSINO DE METODOLOGIA NOS CURSOS DE DESIGN No âmbito universitário, tanto professor quanto o aluno precisam utilizar algum tipo de metodologia para a solução de seus problemas: ao professor cabe o ensino de uma metodologia para ajudar a nortear este aluno que, para aprender e evoluir, precisa de um caminho; ao aluno cabe a aplicação de um método transmitido por meio do professor em situações onde seja requisitada uma solução de problema, que se utiliza de uma metodologia de ensino parametrizada e aprovada pela universidade. Especificamente na área do Design, onde as soluções de problemas se concentram na atividade projetual, o aluno, ao formar-se na universidade e entrar no mercado de trabalho, de posse do conhecimento de tais metodologias poderá ou não aplicar aquela ensinada pelo professor para atuar em sua área de conhecimento. Com o tempo se utilizará de um método próprio, que deverá ser influenciado pelas referências que teve ao longo do aprendizado e experiência no ensino superior. Permission to make digital or hard copies of all or part of this work for personal or classroom use is granted without fee provided that copies are not made or distributed for profit or commercial advantage and that copies bear this notice and the full citation on the first page. To copy otherwise, or republish, to post on servers or to redistribute to lists, requires prior specific permission and/or a fee. CHI 2009, April 4–9, 2009, Boston, Massachusetts, USA. Copyright 2009 ACM 978-1-60558-246-7/09/04...$5.00. 1 Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 207
  • 214.
    Neste sentido éimprescindível a discussão de quais metodologias ou quais elementos metodológicos deverão ser apresentados a este aluno durante sua permanência na Universidade a fim de formar-lhe um arcabouço teórico/prático e uma formação basilar de consistência para o desenvolvimento futuro de suas particularidades no seu próprio processo de desenvolvimento projetual. Discussões acerca desta temática são comuns e recorrentes ao longo da história do ensino de design, desde a Escola de Ulm. A adoção, a partir destas discussões, de métodos específicos na área de design é, pois, uma prática já estabelecida. A própria história do “fazer design” ao longo do último século, aliada à complexidade crescente de fatores envolvidos nos projetos desta natureza passou a não permitir mais que seu desenvolvimento se fundamentasse apenas na intuição ou na experiência adquirida, principalmente com o crescente desenvolvimento de nichos de design específicos e particularizados, como o design gráfico, o de produto e afins. Consolidou-se, pois, um consenso geral de que, no ato criativo de qualquer produto de design, a aplicação de processos metodológicos é essencial para a produção de resultados coerentes com as necessidades e expectativas aventadas, especialmente na busca de soluções de problemas determinados. Estendendo as concepções de aplicação de metodologia como item relevante na solução de problemas buscando um alto nível criativo, verifica-se que a tendência para a objetivação das atividades criativas se alimenta do anseio do uso de uma metodologia que possa automaticamente conduzir a resultados originais e perfeitos, servindo de base primordial, mas não de verdade absoluta. Nota-se desta forma que a criação denota em si o gérmen do saber fazer, que é compreendido também por meio de métodos aplicados que devem ser repassados para os estudantes na academia como forma de estímulo à criatividade e inovação. Aliando estes aspectos, firmando a necessidade do ensino da aplicação de métodos no projeto de design, a fim de dotar os alunos de capacidade de produzir produtos que atendam às expectativas e necessidades, e que o façam de uma forma a criá-los originais e criativos, as discussões teóricas que tiveram lugar ao longo do século XX sobre design e ensino de design levaram ao estabelecimento de “caminhos projetuais” mais ou menos similares entre si, compostos freqüentemente por etapas lineares também similares e concordantes: “design é transformar objetivos em objetos. Isso implica um processo de trabalho que, seja curto ou longo, se desenvolve com começo, meio e fim: abrange as etapas de Levantamento / Estudos / Anteprojeto / Projeto executivo. Quando não é assim, quando é instantâneo, não é design [...]. O processo de desenvolvimento do projeto define, portanto, a própria natureza do design.” [1] Segundo a concepção geral de produção de design e sua decorrente aplicação ao ensino, pode-se verificar, pois a possibilidade de organizar o processo projetual em três macro etapas, derivadas da observância da proposta seqüencial de Começo, Meio e Fim de um projeto, refletidas nos termos gerais: Problema, Projeto e Realização. Inúmeras discussões acadêmicas sobre a construção de teorias metodológicas baseadas nestes três termos tiveram lugar. O diferencial entre elas se encontra basicamente nas suas subdivisões ou processos que comportam, sendo que cada teórico aponta um número de ações e natureza das mesmas variadas em cada uma destas etapas, segundo o foco do produto ou da filosofia projetual utilizada. Amplamente discutidas, estas etapas são valiosas para o desenvolvimento de produtos de natureza já estabelecida e de domínio do âmbito do design e devem ser repassadas no ensino do design na academia. A questão é se, dentro destas etapas, as suas subdivisões, ou seus enfoques internos, explicitadas nas teorias particulares, são suficientes para dar conta da demanda de soluções digitais interativas. Alerta-se que a cada dia surgem novas demandas de produção de design em produtos digitais interativos complexos, que acabam por demandar também procedimentos de trabalho, pesquisa e desenvolvimento de design que devem atender necessidades específicas projetuais e que solicitam do designer um incremento nos procedimentos das etapas citadas. Nesta perspectiva busca-se compreender estas especificidades projetuais e, por meio de um mapeamento das teorias já existentes e aplicadas no universo de design, apontar um possível caminho de construção metodológica que dê conta desta nova ordem. CAMINHOS METODOLÓGICOS Apontada a necessidade do ensino metodológico projetual nos curso de design e a necessidade de se buscar uma adequação à demanda de design digital atual, deve-se esclarecer quais teorias tem sido utilizadas e como podemos atualizá-las para as necessidades de solucionamento de problemáticas atuais voltadas ao âmbito digital. A priori faz-se necessário mapear o âmbito da metodologia em termos mais gerais e amplos, a fim de verificar qual linha mais se adéqua ao ensino de projetos de design e, posteriormente, levantar alguns teóricos desta mesma que podem ser utilizados como parâmetros para mapeamento e construção de uma metodologia mais voltada para a atualidade. Algumas teorias já estabelecidas podem ser citadas como exemplos para aplicação em disciplinas de metodologia do design nas universidades. A primeira linha versa sobre as derivadas do método cartesiano, desenvolvido por René Descartes (1637), e que se apóia sucintamente na idéia de que o todo pode ser dividido em partes para uma melhor 2 Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 208
  • 215.
    análise e compreensão.Parte das premissas inalteráveis e imutáveis baseadas em Evidência, Análise, Síntese e Verificação para estruturar um projeto utilizando metodologia. A decupagem do ensino do processo de projeto em etapas bem delineadas é uma opção válida, onde se apresenta um item por vez para melhor assimilação dos termos pelos alunos. Porém, no âmbito do projeto de design, onde o conjunto se apresenta mais amplo do que a soma das partes, onde o desmembramento dos elementos constrói significados diversos dos significados resultantes das interrelações entre eles, corre-se o risco de cair no reducionismo, já que se retira do contexto o todo, que envolve todas as fases do projeto. Outra linha utilizada é a do método holístico. Este trabalha inserido em um contexto, defendendo que, para entender uma determinada coisa, é preciso entendê-la como tal, inserida em um todo maior do qual faz parte. As bases para esta teoria são a prioridade do todo em detrimento das partes e de que essas partes só existem porque o todo existe; dando uma visão unicista ao todo. A linha holística, aplicada ao ensino de design, preenche a lacuna deixada pela teoria cartesiana, por encarar o problema dentro de um contexto maior. Porém pode se tornar dogmática em demasia, já que nega a significação independente das partes. Uma terceira linha se apóia sobre a teoria sistêmica, sendo que esta consegue chegar ao meio- termo entre a teoria cartesiana e a holística. Esta recente teoria atual ao invés de explicar o todo somente através da análise de suas partes, resolve explicar as partes em termos do todo. Desta maneira as interdisciplinas ampliam-se, combinam-se e abrangem mais e mais todos os aspectos da realidade. Desta forma, a teoria sistêmica, por ser uma teoria intermediária entre os conceitos da cartesiana e da holística, apresenta-se a priori como a mais adequada para um delineamento de uma teoria específica para o ensino do design em suas configurações projetuais atuais. METODOLOGIAS ACADÊMICAS DE DESIGN A partir da concepção sistêmica do processo de projeto de design, é importante reconhecer os componentes básicos existentes em metodologias de teóricos da área do design capazes de se conformarem como procedimentos úteis a serem incorporados na construção de uma teoria aplicada a projetos de design digital/interativo. Foram selecionados os seguintes teóricos para mapeamento dos procedimentos metodológicos: Bruno Munari, Gui Bonsiepe, Siegfried Maser e Hans Gugelot (Ver Tabela 1 e Tabela 2 no final do documento). Componentes básicos da metodologia Mapeia-se a seguir as propostas metodológicas e seus procedimentos dos teóricos selecionados segundo a constante macro divisão em três etapas gerais: Problema, Projeto e Realização. Mantém-se no mapeamento a organização das metodologias nestas três etapas, já que sua natureza é suficientemente aberta e neutra a fim de permitir sua extensabilidade aplicativa ao universo do design digital interativo. Cabe ressaltar que, todos os autores são claros ao expor que a metodologia em um projeto de design não é um esquema fixo, completo ou definitivo, podendo sofrer alterações de acordo com a necessidade de cada projeto, o que traz flexibilização na leitura dos termos apontados. Cruzamento das metodologias apontadas Em todos os teóricos apontados, as fases se retro alimentam, reconduzindo o projeto quando necessário, sendo que as etapas de análise, síntese e desenvolvimento se intercalam ao longo do processo. Do cruzamento das etapas/fases das metodologias apontadas, verifica-se, primeiramente, um foco constante no problema para a etapa inicial de um processo de projeto de design. Verifica-se que é unânime a assertiva dos teóricos de que, se o problema existe, este deve estar bem definido, sendo exposto em algumas teorias como parte constituinte a uma fase mais analítica do processo. A etapa de colocação do problema pode incluir sua decomposição, remontando ao método cartesiano, inerente à concepção propriamente dita de análise. Isto se dá a fim de que todos os seus itens importantes sejam listados. Os componentes do problema devem ser elucidados e classificados, de acordo com suas variáveis (finalidade, meios, restrições, etc.), variáveis estas que aparecem em alguns teóricos mais detalhadamente do que em outros. Verifica-se uma preocupação dos teóricos em se levar em conta a complexidade e o conhecimento do problema desde sua macroestrutura - subdivisão do processo projetual em diversas etapas ou fases - até a sua microestrutura - descrição das especificações de cada uma das fases. Conhecendo o problema a fundo, o processo de sua solução pode ser dividido em etapas. A divisão do processo do projeto é livre, variando de acordo com a natureza do produto a ser desenvolvido. Porém verifica-se que, após a etapa de estruturação do problema, outras duas se seguem com mais ou menos recorrência: - Projeto; - Realização do projeto. Qualquer uma destas etapas podem se subdividir em uma série de passos diversos. Verifica-se que, apesar de existirem diversos teóricos e designers que propuseram metodologias específicas, variando segundo as etapas listadas e se utilizando dos conceitos vistos aqui, para desenvolvimento de produtos de design, as bases permanecem. Nesta perspectiva, verifica-se que o método a ser empregado não é absoluto nem definitivo, porém obedece a 3 Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 209
  • 216.
    certas configurações basilares.O método é passível de modificações ao longo do processo, caso outros valores objetivos sejam encontrados que o melhorem, mas se apóia em pontos importantes sedimentados a serem observados. A constante evolução e adequação verificada advêm, muitas vezes não só do objeto de design específico a ser projetado, ou da situação de projeto encontrada, mas da criatividade do designer, que aplica sua própria personalidade à sua maneira de projetar. Esta conformação metodológica é a atualmente mais comumentemente ensinada nas escolas de design, direcionadas ou adequadas mais ou menos segundo a natureza do produto a ser desenvolvido, seja ele gráfico ou de produto. DESIGN DE INTERAÇÃO/CENTRADO NO USUÁRIO Porém, o universo digital trouxe novas demandas projetuais, os produtos pedindo por um pensamento projetual que desse conta das disparidades de percepção próprias do meio, necessitando de uma nova forma de pensar o design e sua metodologia. O enfoque desta nova postura é por um design mais interativo e interdisciplinar. As metodologias sedimentadas na academia que compartilham uma maneira lógica e seqüencial de se projetar um produto, baseadas em um método lógico e racional, se demonstram não adequadas ao universo projetual atual interativo e interdisciplinar, não podendo ser simplistas como não o é qualquer processo relacionado com o comportamento humano. Esta constatação foi levantada já antes do advento do design digital, por meados da década de 1970, quando se verificou que os métodos racionais de design proporcionavam segurança, reduzindo margens de erros, mas reduziam também as possibilidades de soluções em consonância com a necessidade cultural e simbólica do usuário, além de estarem distantes de uma prática real de projeto. O discurso de uma metodologia única se esvaiu com esta constatação, o que permitiu que todas as formas de projetar fossem tidas como válidas, cada qual aplicável a um universo de projeto em particular [7]. Porém, se a racionalidade dos métodos no inicio do século XX foram inadequados às novas necessidades de projeto de design digital interativo, de alguma maneira se encontra uma volta à ela mesma, porém de uma outra forma por meio da inclusão forte do usuário no processo de desenvolvimento. Apesar de já existir nas primeiras discussões sobre metodologia de design a preocupação com o usuário, verifica-se que atualmente, a produção de design, tem voltado seu foco para este elemento central, com uma ênfase maior, explicitando esta ser necessária à produção de produtos que possam efetivamente ser adequados e usáveis em todas as suas possibilidades. Coelho [1], citando Gui Bonsiepe, afirma que um designer cria formas para atender às necessidades do homem. E que para atender tais necessidades é preciso estabelecer formas de conhecer este homem e seu entorno. Por outro lado, o design de interação, que busca desenvolver produtos interativos que sejam utilizáveis, ou seja, fáceis de aprender, eficazes no uso, que proporcionem ao usuário uma experiência agradável [8] apregoa um conhecimento amplo do homem-usuário e o do seu entorno. Enriquecendo a proposta de uma metodologia mais adequada ao design interativo, Preece, Rogers e Sharp [8] defendem que o processo de design de interação pode ser dividido em quatro etapas essenciais e básicas: 1) identificação das necessidades e estabelecimento de requisitos, que pode ser compreendida como espelho da macro fase “Problema” dos teóricos consagrados do século XX; 2) desenvolvimento de designs alternativos que preencham estes requisitos, que pode ser incorporada na macro etapa do “projeto”, 3) construção de versões interativas dos designs de maneira que possam ser comunicados a analisados, também incorporada na macro etapa de “projeto” e 4) avaliação do que está sendo construído durante o processo. Esta última poderia ser incorporada em um ou outro autor na etapa de “realização”, porém, sua característica de empregabilidade não linear ou seqüencial, a coloca como um termo extra sem comparativos ou paralelos nas metodologias sedimentadas do século XX. Além das etapas básicas, segundo as autoras citadas, o design de interação deve preencher três características básicas: 1) os usuários devem estar envolvidos no desenvolvimento do projeto; 2) a usabilidade específica e as metas decorrentes da experiência do usuário devem ser identificadas, claramente documentadas e acordadas no início do projeto; 3) a iteração em todas as quatro atividades é inevitável. Traçando um paralelo das concepções do design de interação neste aspecto com as metodologias apontadas, verifica-se um fraco foco nestes três itens, o que claramente expõe a fragilidade do ensino das mesmas para o aluno de design digital. Verifica-se, pois, uma lacuna teórica na construção de metodologias claramente identificadas no meio acadêmico que possam ser ensinadas para o estudante de design digital. Com esta carência acadêmica, busca-se encontrar manancial em outra área, especificamente a mercadológica, verificando quais empresas tem tido sucesso no desenvolvimento de produtos de design com estas características e se estas possuem uma metodologia clara de projeto. Dentre as diversas experiências de empresas que optam por adotar o design de interação sob a formatação apontada e que tem uma metodologia claramente definida, pode-se citar a IDEO, cuja marca particular sempre foi a inovação em produtos de design e o design centrado no usuário, filosofia que coloca o usuário no centro de todo o processo d desenvolvimento de um produto, ou seja, os objetivos do produto, seu contexto de uso e todos os aspectos das tarefas 4 Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 210
  • 217.
    que o produtoirá suportar são derivados a partir da perspectiva do usuário. METODOLOGIAS MERCADOLÓGICAS DE DESIGN – IDEO “solo o equilíbrio entre las emociones y la racionalidad de la ciencia, entre un hacer prático y un saber bien afirmado, puede realmente ayudarnos”.[7] Com esta frase, Edward Schrincker abre a perspectiva para a proposta de trazer para o ensino da metodologia de design, conhecimentos tirados de prática in loco. Com esta abertura, ao verificar a práxis do projeto de design no mercado de trabalho, podem-se encontrar metodologias que trazem em si a criatividade própria e particular, que, confrontadas e aliadas às metodologias já sedimentadas de teóricos da área, podem servir de espelho para a evolução de uma teoria metodológica passível de ser aplicada no ensino do projeto do design em suas configurações atuais. Cabe relembrar que as teorias sedimentadas da área de design foram também espelhadas em teorias de outra ordem, e, com a análise crítica efetuada pelos teóricos, puderam se conformar e adequar-se à produção de design. A mescla das teorias ou de etapas trazidas de outra ordem então é possível, desde que resulte em maior ganho para o projeto naquela determinada etapa do processo. Diante deste cenário e da complexidade dos atuais projetos de design, busca-se responder a questão de como instrumentalizar o aluno e desenvolver nele habilidades que lhe permitam atuar de maneira adequada em projetos de design no mercado de trabalho? Como criar um ambiente mobilizador e gerador de conhecimentos, transformando as aulas de projeto em um laboratório de ideias? Os alunos precisam de fundamentação teórica para então “fazer design” [6]. Ao observar grandes escritórios ou empresas de design mundiais, verifica-se a grande aceitabilidade e relevância que a empresa IDEO tem no mercado, justamente por sua maneira peculiar de resolver problemas, utilizando para tal o design. A IDEO é uma consultoria de design e inovação localizada em Palo Alto (EUA) com escritórios na Inglaterra, Alemanha e China. É uma das referências mundiais em inovação e design, voltada a desenvolvimento de produtos, serviços e experiências digitais, sendo que a sua própria estrutura organizacional esta permeada por um alto grau de inovação. Seu foco consiste em poder inovar em todas as propostas de solução de problemas por meio do design, advindo do reconhecimento da inovação como ponto central das estratégias e iniciativas corporativas. Verificou uma grande sede das empresas do mercado por conhecimento, especialização, metodologias e práticas de atuação em torno da inovação e, com base nesta premissa, discutiu e desenvolveu uma metodologia que possibilitasse o incremento da inovação para atender às necessidades das empresas. Esta foi elaborada por meio da sua própria experiência direta e imediata, adquirida por meio da aplicação prática e cases de sucesso sendo extremamente bem desenvolvida e continuamente aprimorada, o que faz com esteja sempre em consonância com as necessidades vigentes. Seu pensamento reside na idéia de que o seu sucesso não advém somente do que se faz, mas como se faz. Suas conquistas no âmbito do design são, freqüente e amplamente, associadas a metodologias e ferramentas específicas desenvolvidas e aplicadas em seus escritórios, se tornando tão sedimentadas internamente que passaram a serem passíveis de utilização em outros contextos. Neste plano, a empresa passou a prestar consultoria para áreas e empresas além do design, explicitando os métodos de trabalho para atingir objetivos inovadores e adequados ao cenário atual. “Há pouco tempo, conforme a fama da IDEO ia se espalhando cada vez mais rápida e intensamente, a empresa recebeu clientes implorando por conselhos, não apenas para um ou dois produtos, mas no modo de inovar. A IDEO respondeu a altura. Boa notícia para os leitores. Isso significa que a metodologia não funciona apenas para a IDEO – pode ser aplicada em outras organizações.” [2] Tendo por base estas assertivas, buscam-se na metodologia desenvolvida pela IDEO, alguns métodos ou ferramentas que possam ser incluídos no ensino acadêmico do design, a fim de construir um profissional mais próximo às tendências e necessidades reais de mercado. “Vagamente descrita, essa metodologia tem cinco etapas básicas: 1.Compreender o mercado, o cliente, a tecnologia e as limitações identificadas do problema. [...] 2.Observar pessoas reais em situações de vida real para descobrir o que modifica o comportamento: o que as confunde, do que gostam, o que detestam, onde tem necessidades latentes não atendidas pelos produtos e serviços atuais. {...} 3.Visualizar conceitos novos para o mundo e para os clientes que os usarão. [...] 4.Avaliar e aprimorar os protótipos numa série de interações rápidas [...] nenhuma idéias é tão boa que não possa ser aperfeiçoada [...]. Obtemos as opiniões de nossa equipe interna, da equipe do cliente, de pessoas bem informadas não diretamente envolvidas no projeto e de pessoas que constituem o mercado-alvo.[...] 5.Implementar o novo conceito para comercialização. [...]” 5 Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 211
  • 218.
    Temos demonstrado queessa metodologia ilusoriamente simples funciona para tudo, desde a criação de simples brinquedos infantis até o lançamento de empresas de comércio eletrônico.” [2] Ou seja, se baseia nas seguintes premissas: Observação, Brainstorming, Prototipação Rápida, Refinamento e Implementação. Análise da metodologia IDEO Traçando um paralelo entre as premissas colocadas pelo IDEO considerando-as como sendo processos que podem ser incluídos em macro etapas, verifica-se que a metodologia desenvolvida pela empresa compartilha das fases primordiais verificadas nas teorias acadêmicas de design, abarcando as três fases básicas: – PROBLEMA – PROJETO – REALIZAÇÃO, o que reafirma a validade de se pensar neste três termos em projeto de design de qualquer natureza (Ver Tabela 3 no final do documento). No detalhamento dos processos internos a cada etapa ou premissa (Ver Tabela 4 no final do documento)., verifica-se um grande foco na compreensão do usuário e de seu entorno, ou seja, a filosofia do projeto é sempre do design centrado no usuário. Isto faz com que, nesta metodologia, exista um debruçar maior sobre o mapeamento deste usuário, mais do que o normalmente sugerido nas metodologias acadêmicas sedimentadas. Usualmente a metodologia da empresa comporta inicialmente uma fase inicial de análise preliminar do problema, identificando o usuário, seus objetivos, as tarefas e o ambiente. Segue-se a esta análise uma pesquisa de campo para mapear existentes similares ao produto a ser desenvolvido no mercado. Este mapeamento avança em testes que envolvem não só a utilização do produto, mas entrevistas a usuários ou envolvidos de alguma forma com aquele determinado produto entendendo melhor o problema apresentado. Após a delimitação do problema, as especificações do projeto são estruturadas para elaboração de propostas na fase de prototipação inicial, que serão apresentadas e testadas, verificando seus aspectos mais relevantes para a combinação das melhores soluções e montagem do protótipo. As propostas são geradas por meio de técnicas de criatividade, especificamente a de brainstorming. Na apresentação do protótipo, este é testado, sendo feita uma avaliação de usabilidade para então a versão final ser apresentada ao cliente totalmente conceituada dentro da análise inicial do problema. A fase de prototipação pode envolver três níveis de prototipagem, de baixa, média ou alta fidelidade, o que permite avaliações constantes no desenvolver do processo de design, também no tocante à aceitabilidade pelo usuário e alcance das expectativas quanto à experiência do usuário. O usuário é envolvido em todas as etapas, sendo constantemente requisitado para contribuir no desenvolvimento do projeto. Após o aceite pelo cliente, o projeto é enfim implementado para comercialização. ANALISE COMPARATIVA DAS METODOLOGIAS Ao se confrontar a metodologia da empresa IDEO com as dos teóricos levantados neste texto, observam-se algumas confluências e outras lacunas em cada uma das três etapas básicas descritas a seguir. Problema Apesar da etapa do problema da IDEO incorporar um grande esforço na compreensão do usuário, do contexto e dos similares, ainda carece de uma determinação mais clara da definição do problema a ser resolvido em si. Esta etapa possui um paralelo na etapa semântica do Maser, que reponde à questão “o quê”, à Análise da situação do Gugelot e à coleta e análise de dados de Bruno Munari (identificada não como etapa de Problema, mas de Projeto). Porém, falta a discussão ou incorporação de questionamentos observados nos procedimentos específicos da etapa pragmática do Maser, que responde à questão “por quê” (finalidades e objetivos gerais do projeto), e da Colocação do problema e Definição do problema e objetivos do Gugelot. Da metodologia de Bruno Munari verifica-se a falta da definição do problema e de seus componentes. Quase toda a fase 1 do Gui Bonsiepe não está detalhada nesta etapa da IDEO, somente a análise de soluções existentes. Projeto Ao se traçar um paralelo da fase de Projeto da IDEO com a dos teóricos analisados neste texto, verificamos uma maior similaridade entre os procedimentos. Observa-se uma lacuna na definição do aspecto sintático do Maser, que reponde à questão “como”, que envolve basicamente o planejamento do projeto (tempo, equipe de trabalho, verba, etc). Somente figura o desenvolvimento das alternativas e avaliação e escolha das mesmas, embora Maser não explicite de que maneira isto acontece. De Gugelot percebe- se uma equivalência, excetuada pela prototipação rápida da IDEO, inexistente na metodologia do teórico. Bruno Munari compartilha da metodologia da IDEO com o procedimento de Criatividade + Idéias, paralelamente ao brainstorming da empresa, mas apregoa a definição dos materiais e tecnologias que não aparece na metodologia da IDEO. Aparece em sua metodologia algo similar à prototipagem e refinamento, nos procedimentos de experimentação, modelo e verificação, paralelamente à da empresa IDEO, porém na sua etapa final, de Realização. O modelo de Gui Bonsiepe, por seu lado, se assemelha bastante ao modelo da IDEO, embora tenha mais detalhamento dos processos. Realização/implementação Apesar se ser considerada uma empresa que trabalha nos aspectos de metas de usabilidade e de experiência de usuário, não aparece na fase final de realização/implementação da IDEO aspectos relacionado à 6 Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 212
  • 219.
    validação do projeto,o que seria um dos diferenciais para a escolha desta metodologia para o ensino de design nos moldes atuais. Esta preocupação só aparece em Bruno Munari. Os outros procedimentos são compartilhados por todos os autores. CONSTRUÇÃO DE UMA METODOLOGIA PARA DESIGN DIGITAL INTERATIVO Expostas e comparadas as metodologias, e levando em consideração os aspectos de demanda no desenvolvimento de um produto de design de cunho digital interativo baseadas na filosofia do design centrado no usuário e na busca de metas de usabilidade e de experiência do usuário, propõe-se a confluência das metodologias segundo os seguintes processos dentro das três fases gerais: Problema 1) Definição e descrição do problema 2) Definição dos objetivos 3) Planejamento do projeto 4) Observação/pesquisa do espaço do problema - descrição do universo envolvido (pelas e das pessoas envolvidas com o produto) - descrição e análise de similares - descrição e análise do público alvo - descrição e análise do contexto de uso - pesquisa e definição de tecnologias e materiais Projeto 1) Geração de idéias (brainstorming) e desenvolvimento de alternativas 2) Prototipação rápida para validação (interna com os envolvidos no projeto ou externa com o público alvo) 3) Refinamento (verificação e seleção das alternativas) 4) Detalhamento e otimização da solução adotada Realização 1) Construção e prova do protótipo de alta fidelidade (incluindo testes de usabilidade e validação co o usuário) 2) Adequações derivadas dos testes de usabilidade ou da validação com o usuário 2) Implementação no formato final para o mercado 3) Documentação final do projeto CONCLUSÃO A proposta de se trazer uma metodologia atual mercadológica como base para a construção de uma metodologia passível de ser ensinada nas escolas de design digital, demonstrou a possibilidade de um canal de comunicação entre o “pensar” metodologia e o “fazer“ metodologia, ou seja, um canal mais aberto entre a práxis e a teoria. Devido à similaridade entre a metodologia da IDEO em seus termos mais básicos e as acadêmicas de design, resgataram-se as técnicas empregadas no processo de design da IDEO que foram transpostas para o ensino de design em prática projetual. Aliou-se o foco premente na produção de design na idéia do design centrado no usuário, amplamente requisitado nos projetos atuais de design agregando as técnicas observadas no ensino da disciplina metodológica. O processo de verificação de sucesso de tal abordagem ainda está em processo, sendo que já conta com um ano de aplicação a alunos de primeiro período de um curso de graduação específico de design digital. Até o presente momento observou-se um alto grau nas propostas de solução dos alunos aos problemas propostos bem como um alto grau de qualidade gráfica. Verificando um alto grau de aquisição de conhecimento e adequação ao briefing- problema proposto como estudo/exercício. A aplicação da metodologia da empresa IDEO para instrumentalizar os alunos de design na prática projetual demonstrou-se altamente efetiva no quesito de pesquisa a fim de propor soluções aplicáveis, especificamente no âmbito de pesquisa do usuário. Nesta perspectiva verifica- se um grande potencial na sua incorporação nos círculos acadêmicos, visando atender às necessidades atuais de design centrado no usuário e de constante de inovação nos produtos de design. As propostas decorrentes do uso desta metodologia a fim de responder à problemáticas colocadas demonstrou um resultado final de produtos com alto grau de coesão e qualidade, não só estética, mas de adequação às reais necessidades do briefing e do usuário. REFERÊNCIAS 1. COELHO, Luiz Antonio L. (org.). Conceitos-chave em design. Rio de Janeiro: Ed. PUC-Rio: Novas Idéias, 2008. 2. KELLEY, Tom, Littman, Jonathan. A Arte da inovação: lições de criatividade da IDEO, a maior empresa norte- americana de design. São Paulo: Futura, 2001. 3. MUNARI, Bruno. Das coisas nascem as coisas. Lisboa: Edições 70, 1988. 4. MUNARI, Bruno. Design e comunicação Visual: contribuição para uma metodologia didática. São Paulo: Martins Fontes, 1997. 5.PELTA, Raquel. Diseñar hoy. Temas contemporâneos de diseño gráfico. Barcelona: Paidós, 2004. p. 104, 34. 6.PREECE, ROGERS, SHARP. Design de interação: além da interação homem-computador. São Paulo: Bookman, 7. SILVA, GOMEZ, MERINO. Observação Estimulada associada a técnicas e ferramentas de criatividade como subsídios para a construção e adaptação de Métodos de Design em disciplinas de projetos. In: LOGO – Laboratório 7 Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 213
  • 220.
    de Orientação GráficaOrganizacional, 2010. (http://www.logo.ufsc.br/observacao.pdf) 2005. 8._________________. Os estudos das linguagens como apoio aos processos metodológicos do design. In: COELHO, Luiz Antonio Luzio (org). Design Método. c.1 Rio de Janeiro; Teresópolis: PUC-Rio; Novas Idéias, 2006. p. 17 a 38. TABELAS Metodologias Teóricos Problema Projeto Realização Bruno Munari [4] * - Problema; - Definição do problema; - Componentes do problema; - Coleta de dados; - Análise de dados; - Criatividade + idéia; - Materiais e tecnologia; -Experimentação; - Modelo; - Verificação; - Finalização; - Solução. Gui Bonsiepe - FASE 1 - estruturação do problema Descobrimento de uma necessidade; Valorização de uma necessidade; Formulação geral de um problema; Formulações particulares do problema; Fragmentação do problema; Hierarquização dos problemas parciais; Análise das soluções existentes. - FASE 2 - Desenvolvim ento do Projeto Desenvolvim ento das alternativas; Verificação e seleção das alternativas; Detalhament o e otimização da solução adotada; Construção e prova do protótipo; Fabricação em série. - FASE 3 - Realização do Projeto Tabela 1. Quadro comparativo das Metodologias – Bruno Munari X Gui Bonsiepe Metodologias Teóricos Problema Projeto Realização Siegfried Maser 1- Análise: 1.1 - Aspecto pragmático (por quê?): 1.2 - Finalidades; 1.3 - Objetivos gerais do projeto em si, inclusive restrições. 2- Aspecto semântico (o quê?): 2.1 - Descrição do problema e contexto; 2.2 - Levantamento; 2.3 - Análise. 1- Aspecto sintático (como?): 2 - Planejamento do caminho do processo (macro- estrutura); 4 - Planejamento do tempo; 5 - Constituição do grupo/forma de trabalho; 6 - Financiamento do projeto; 7 - Definição do problema; 8 - Desenvolviment o das alternativas; 9 - Avaliação das alternativas/esco lha. 1 - Realização do projeto 2 - Implantação Hans Gugelot - Colocação do problema - Análise da situação - Geração de alternativas - Planificação da produção - Avaliação e seleção - Definição do problema e objetivos Tabela 2. Quadro comparativo das Metodologias – Siegfried Maser X Hans Gugelot 8 Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 214
  • 221.
    Metodologia Teóricos Problema Projeto Realização IDEO 1.Compreendero mercado, o cliente, a tecnologia e as limitações identificadas do problema. [...] 2.Observar pessoas reais em situações de vida real para descobrir o que modifica o comportamento: o que as confunde, do que gostam, o que detestam, onde tem necessidades latentes não atendidas pelos produtos e serviços atuais. {...} 3.Visualizar conceitos novos para o mundo e para os clientes que os usarão. [...] 4.Avaliar e aprimorar os protótipos numa série de interações rápidas [...] nenhuma idéias é tão boa que não possa ser aperfeiçoada [...]. Obtemos as opiniões de nossa equipe interna, da equipe do cliente, de pessoas bem informadas não diretamente envolvidas no projeto e de pessoas que constituem o mercado- alvo.[...] 5.Implementar o novo conceito para comercialização. [...]” Tabela 3. Quadro da Metodologia utilizada pela IDEO – conceito. Metodologia Detalhamento Problema 1. Observação Utiliza os seguintes processos ou técnicas: - Shadowing - Observação do público alvo em todas as ações que realizam em sua interação produtos ou serviços. - Mapeamento do comportamento - Registro fotográfico do público alvo usando o produto ou serviço, mapeando ações relevantes. - Jornada do consumidor - Traçado de todas as interações que o público alvo tem com o produto ou serviço - Câmera Journals - Solicitar ao público alvo que façam diários visuais de suas atividades ou impressões relacionadas ao produto. - Entrevistas - Descobrir, por meio de entrevistas, tudo o que o público alvo sabe ou não sabe sobre o serviço oferecido e sua relação com o mesmo avaliando sua experiência com o mesmo. - Contação de histórias - Pedir para que o público alvo conte histórias particulares sobre suas experiências como consumidor. - Grupos não focais - Entrevistar ou buscar informações com pessoas diversas do público alvo Projeto 2. Brainstorming Um processo intenso de sessão de geração de idéias baseada na análise de dados obtida na etapa anterior. 3. Prototipação rápida Realizar protótipos de trabalho a fim de visualizar possíveis soluções e agilizar as decisões de design e inovação. 4. Refinamento Restringir as escolhas a poucas possibilidades, utilizando, entre outras, as seguintes técnicas: aplicação de brainstorming de seleção, prototipação focada e engajamento do cliente. Realização 5. Implementação Efetiva implementação final do produto para comercialização no mercado Tabela 4. Quadro da Metodologia utilizada pela IDEO – detalhamento. 9 Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 215
  • 222.
    Vision-Based System forSmart Store Showcase Thiago de Freitas Oliveira Araújo Embedded Systems and Pervasive Computing Lab Universidade Federal de Campina Grande Rua Aprígio Veloso, 882 – Bodocongó, 58429-900 thiago.oliveira@ee.ufcg.edu.br Alexsandro José Virgínio dos Santos Laboratório de Instrumentação e Controle/DEM Centro de Tecnologia - Bloco F Cidade Universitária CEP 58059-900 alexotan@gmail.com Everaldo Fernandes Monteiro Protótipos Engenharia PaqTcPB Rua Emiliano Rosendo Silva, n 115, sala 03 contato@prototiposengenharia.com.br ABSTRACT In this paper we describe the conception of a smart Store showcase that could track the customers’ behavior when looking to the showcase and generate a log for optimizing sales performance on stores. The prototype consisted on a glass display with four products and a camera to which image processing techniques were applied to obtain the line of sight of the customer and see for which product he was looking. Author Keywords HCI, Smart showcase, Computer Vision ACM Classification Keywords Human information processing, Computer Vision, Human Factors INTRODUCTION While developments in information technology never had the explicit goal of changing society, but rather did so as a side effect, some products have indeed changed the society behavior by computerizing some daily activity. With its orientation towards the public as well as the private, the personal as well as the commercial, it aspires to create technology that will accompany us throughout our entire lives, day in and day out. It seems to be clear that with these technical developments – pushed through largely unnoticed by the general public and extending quite rapidly into our everyday lives – unanticipated (if not unacceptable) standards could soon be set for the rest of our lives. In the following, we examine the driving factors behind the visions of pervasive computing and ambient intelligence – from a technical as well as an economic perspective – and we try to illustrate the social and ethical implications of a “smart world” that connects everything to everything else, where anywhere can potentially be contacted from anywhere else, and where everybody could conceivably interact with anybody (and anything) else. The presence of smart products and environments is becoming more ubiquitous every day. One of the main areas of business interest is on the commercial sites, like supermarkets and stores. Also, the amount of customers buying on those sites increases every day. In a shopping mall for example, thousands of clients look through their showcases daily. Furthermore, it is often a hard, if not impossible, task for the store owner to keep track of customers’ satisfaction or the relation between sold products and the amount of time people stare at a product. To overcome this problem, we have developed a solution of a vision-based smart store showcase, which could automate this process. Along this article lines, we are going to analyze its concept against human factors of interaction and the core technology involved behind the solution. SMART ENVIRONMENTS AND PERCEPTION Without perception, ubiquitous computing would be cumbersome, and a smart environment would be impossible. With perception, an environment can come alive in its reactions to people and devices. All smart environments have some kind of sensing, be it cameras, microphones, active badges, pressure sensors in the floor, or other specialized sensors. For our system we decided to track the behavior of customers’ when looking to stores showcase, as much as it would be possible, we avoid automatic recognition for two reasons. The first is that people should be able to protect their own privacy and security by having the choice of whether or not the system knows who they are. The second reason is that people should not have to wonder whether or not the system has recognized them. An automatic recognition system may take some unknown amount of time to recognize a room’s a Permission to make digital or hard copies of all or part of this work for personal or classroom use is granted without fee provided that copies are not made or distributed for profit or commercial advantage and that copies bear this notice and the full citation on the first page. To copy otherwise, or republish, to post on servers or to redistribute to lists, requires prior specific permission and/or a fee. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 216
  • 223.
    person. Many behaviorsare location specific, such as automatically turning on the lights near a person or routing telephone calls to the nearest telephone. In the Smart Store Showcase(3S), we use the location of people measured from a vision system to collect their movement when looking to some product at the showcase, as it may be an insightful feedback for finding for which products people look at most, for how long, and later for the store owner to check if the disposal of the items in the store showcase is an influence to the amount of sales of that item. People are always doing something. If a system is aware of their activity, even crudely, it can provide appropriate services. We have split activity awareness into detection, recognition, and learning. In activity detection, the goal is to simply determine whether or not there is activity in the space. This can be accomplished simply by looking for motion, either from a dedicated motion detector or a camera. If the space already has a person tracker, activity detection is free. Activity recognition means recognizing some prespecified activity like avoiding the showcase, looking to some product, side-looking to a product near, not looking to anything even though the face is detected by the face detection mechanism. Ideally, we would like to recognize what people are doing in order to be able to have a clear view of what they are doing when facing the showcase. For instance, looking mostly to clothes could mean for the store owner to take the sports accessories out of the showcase leaving more space for a wide variety of clothes. Activity recognition is not a mature research area, and nearly all activity recognition for smart environments is done with vision. General activity recognition is hard because a person’s activity is defined by its evolution in time, location in space, and utilization of objects. In addition, there is no well-defined vocabulary of activity. One of the most compelling forms of activity recognition is the monitoring of well-being, especially for the young and old. Activity learning means discovering the normal patterns of activity in a space. If a system knows what activity to expect, it can use this information to improve its ability to perceive the environment. For instance, if people always reemerge look to the watches, then the system can devote extra attention to the watches section for this period to resume tracking. Or when the store is closed the system could use this time to test the parameters and reacquire a model of the room. In addition, a model of normal activity could be used to detect abnormal activity, which could trigger an alarm, such as no one is looking to the pijamas for more than one hour. Perception for UI concerns the perception of things that are meant as intentional commands to the smart environment, such as a gesture from a person or a signal from a special UI device. We discussed the perception of people going about their normal activities. This could be used to trigger automatic behaviors. A perceptive environment can also look and listen for certain actions from people that are specifically intended as communication with the environment. TECHNOLOGY TRENDS If you summarize these technology trends and developments – tiny, cheap processors with integrated sensors and wireless communications capability, attaching information to everyday objects, the remote identification of objects, the precise localization of objects, flexible displays based on polymers, and electronic paper – it becomes clear that the technological basis for a strange new world has been created: everyday objects that are in some respects “smart,” and with which we can even communicate under certain circumstances. There are various ways of implementing such communication with things. As one example, imagine everyday objects such as furniture, packaged food, medication, clothing, or toys being equipped with an electronic label containing a specific Internet address as digital information. If you can then read this Internet address with a portable device just by pointing it at the object, this device can, independently and with no further assistance from the object in question, access and display the associated information from the Internet via the mobile phone network. The user has the impression that the object itself has “transmitted” the information, although in fact it has been supplied to the display device via the Internet. The information could be, for example, operating instructions, or cooking instructions for a ready-to-serve meal, or the information leaflet for medication. The details of what is displayed may depend on the “context” – for example, whether the user is a good customer and paid a lot of money for the product, whether he is over 18 years of age, what language he speaks, or his current location, – but also maybe whether he has paid his taxes on time. The foreseeable technological developments will therefore add an additional new quality to everyday objects – these might be able not only to communicate with people and other “smart” objects, but also to discover where they are, which other objects are in their vicinity, and what has happened to them in the past, for example. Objects and devices could thus behave in a context-sensitive manner and appear to be “smart,” without actually being “intelligent.” While technological advances such as miniaturization, increasing computing power, and wireless connectivity open up the possibility of new applications, argue that it is not yet clear how these possibilities are actually going to be put into practice: we are “brilliant on means, but pretty hopeless when it comes to ends”. However, this innovation dilemma – we may know how we can create incredible things, but we don’t know what needs they are supposed to meet – is only superficial. The following section describes potential economic benefits that ubiquitous- computing technology offers when it comes to industrial processes – benefits that will be a prominent driver for the proliferation of pervasive computing, perhaps even more than the above-mentioned technological progress itself. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 217
  • 224.
    Figure 1. TescoAutomated store at Northampton “The most profound revolutions are not the ones trumpeted by pundits, but those that sneak in when we are not looking”. What Mark Weiser formulated over ten years ago accurately describes the current atmosphere surrounding the field of pervasive computing. While personal gadgetry in the form of Smartphone’s and Internet fridges continues to bedazzle the press, industry has quietly begun setting its sights on the enormous business potential that technologies such as wireless sensors, RFID tags, and positioning systems have to offer. Analysts call it the real-time economy or now-economy where more and more entities in the economic process, such as goods, factories, and vehicles, are being enhanced with comprehensive methods of monitoring and information extraction. Ultimately, the whole lifecycle of products, beginning with the “birth” of their components and ending with their complete consumption (or recycling), can be witnessed (and, to some extent, even controlled) in real time. Two important technologies form the core of these new economic processes and applications: the ability to track real-world entities, and the introspection capabilities of smart objects. Tracking objects in real-time allows for more efficient business processes, while objects that can monitor their own status via embedded sensors allow for a range of innovative business models. STORE SHOWCASES At [4] it is possible to observe that sales are dependent on the space but we are interested in whether increases in space produce linear, increasing or diminishing returns. To test this they examined if variations in retail space (measured in square inches) produced variations in sales (measured in sales of SKUs). Sections of twenty independent fashion and department stores in the UK were used. These stores did not normally stock watches. This environment ensured that there was no immediate effect from competitor brands. The sections used varied in size from 1,600 to 2,890 square feet of retail space. Display showcases ranging from 144 square inches to 7,012 square inches were allocated to sections. As the size of the showcase increased, there was a corresponding increase in SKUs from 6 to 289. Allocation was random subject to a constraint; not all store sections could accommodate the largest cabinets, so these went to bigger sections. Because of this constraint, it is possible that section size affected the sales figures for large cabinets. Data were collected by sales staff, who conducted stock checks of individual SKU’s over a four week period. Figure 2. Scatter plot of space level and G-Shock unit sales Increase in showcase size generated an increase in product sales. The Pearson correlation coefficient between the two variables was 0.88 (p = 0.00). The scatter plot in Figure2 shows that the relationship between space and sales appears to be curvilinear with accelerating gains from increased display space, though this assessment rests on relatively few cases. In the second investigation they examined whether window and in-store displays in the same store produced more sales gain than equivalent window and in store displays in different stores. The sample for this Investigation consisted of 66 stores of the H. Samuel retail chain. The selection of this retailer gave geo-demographic representation across the UK population (H. Samuel have 428 stores with a presence in every major town in the United Kingdom). The chain accounts for 10 per cent of watch sales in the UK. The 66 stores were assigned randomly to one of three treatments groups, as shown in Table 1. Each display contained the same 42 G-shock lines with the brand name clearly displayed on a placard. The way in which products were presented (e.g. solus window) was held constant in each display treatment. Other factors such as pricing, stocking and display of other products remained constant over the period of the experiments. Inventory management obviously benefits from accurate, real-time information on the location and condition of goods, equipment, and manpower. If a company does not know the location and condition of its stock, and how long it has been in the warehouse, significant costs are incurred. Missed profits, oversized inventories, and the devaluation Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 218
  • 225.
    of goods depreciatingin the warehouse are possible consequences of a lack of information. The stocktaking required for business or legal reasons also typically requires a considerable amount of effort. Stocktaking is not only expensive; it is inherently error-prone as well. A factory floor or warehouse equipped with technologies such as indoor localization and automatic identification can largely automate the stocktaking process, thereby reducing costs. If several companies along a supply chain simultaneously use such precise inventory data in addition to real-time order information, they can achieve additional savings by significantly attenuating the so-called “bullwhip effect”. This effect, often noticed in practice, describes the following phenomenon: although consumer demand for a product remains almost constant over time, small changes in this demand amplify along the supply chain and ultimately result in either excess production (and associated storage costs) or sudden interruptions to supply (and associated missed sales). However, the more information transparency there is along the supply chain, the more these undesirable effects are attenuated. By making comprehensive information available along the supply chain, a significant reduction in the bullwhip effect can be achieved. A further step towards the now economy is the constant monitoring of critical product parameters (e.g., of temperature-sensitive goods such as chemicals or groceries) by tiny wireless sensors. Equipped with communications capabilities, such “introspective” goods are not only able to monitor themselves, but can also communicate relevant parameters to the outside world. Smart goods could observe their condition while in transit and trigger an alarm in the event of excessive temperatures, which could – if appropriate – lead to an automatic reordering of damaged goods. Alternatively, the goods could also attempt to take corrective action, for example by controlling the temperature of their container: “As sensors improve and always-on connectivity becomes a reality, products will be able to do something about their condition”. In this way, “self-conscious” products (i.e., products that perceive their condition, analyze it, and attempt to change their situation if they are dissatisfied with it) would lower VISION-BASED SYSTEMS Vision-based systems are becoming very used in a wide range of applications, mainly because of its reduced cost, and also, because of the advance on computer vision and Image Processing Techniques that are making it possible to use vision-based solutions on real and daily situation. As an example, initiatives have been started to improve the safety of vulnerable road users, namely pedestrians and bicyclists. European Commission-funded research projects PROTECTOR (“Preventive Safety for Unprotected Road User”, 2000-2003) and SAVE-U (“Sensors and System Architecture for Vulnerable road Users protection”, 2002 2005) are two examples. Both projects are aimed towards the development of sensor-based solutions for the detection of vulnerable road users, in order to facilitate the use of warning or preventive measures to avoid or minimize the impact of collisions. Many interesting approaches for the visual recognition of pedestrians can be found in the literature. However, meaningful quantitative data on overall system performance is virtually non-existent. Figure 3. Pedestrian Detection System Product inspection is an important aspect of modern industrial manufacturing. The high cost of human visual inspection has led to the development of on-line vision based systems capable of performing inspection tasks. The problem of web inspection is particularly important and complex, and the research in this field is wide open. Web inspection systems are currently used for quality control in numerous production lines such as for cloths and fabrics, cable insulators, paper, plastic bags, strip steel and metals, wood and leather. The implementation of an automated visual inspection system for defect inspection in the textile industry is of crucial importance. It has been shown that defects reduce the price of the fabrics by 45% to 65%. A typical web material is 1–3m wide and is driven with speeds ranging from 20 m/min to 200 m/min. Good inspection results can be achieved if the horizontal and vertical resolution is less than 1mm. In the best case, a man can detect no more than 60% of the present defects, and he cannot deal with fabric wider than 2 meters and moving faster than 30 m/min. On the other hand, in the literature, 235 types of defect and their possible causes are discussed. Their correct detection and classification is a challenging task, and major problems such as extremely high data flow, noise influence, large numbers of defect classes, dynamic defect populations, inter-class similarity and inter-class Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 219
  • 226.
    Figure 4. VisualInspection System. Recently, researchers in human-computer interaction have been exploring interactive tabletops for use by individuals and groups, as part of multi-display environments, and for fun and entertainment. A key challenge of surface computing is that traditional input using the keyboard, mouse, and mouse-based widgets is no longer preferable; instead, interactive surfaces are typically controlled via multi-touch freehand gestures. Whereas input devices inherently constrain human motion for meaningful human- computer dialogue, surface gestures are versatile and highly varied—almost anything one can do with one’s hands could be a potential gesture. To date, most surface gestures have been defined by system designers, who personally employ them or teach them to user-testers .Despite skillful design, this results in somewhat arbitrary gesture sets whose members may be chosen out of concern for reliable recognition. Although this criterion is important for early prototypes, it is not useful for determining which gestures match those that would be chosen by users. It is therefore timely to consider the types of surface gestures people make without regard for recognition or technical concerns. What kinds of gestures do non-technical users make? In users’ minds, what are the important characteristics of such gestures? Does number of fingers matter like it does in many designer-defined gesture sets? How consistently are gestures employed by different users for the same commands? Although designers may organize their gestures in a principled, logical fashion, user behavior is rarely so systematic. As McNeill writes in his laborious study of human discursive gesture, “Indeed, the important thing about gestures is that they are not fixed. They are free and reveal the idiosyncratic imagery of thought”. All those gestures and human activities when using the surfaces are tracked using vision based solutions, namely as blob recognition and tracking for associating an id and a movement to each finger and therefore it is possible to use this information to analyze which gesture was done comparing it to predetermined gestures. Figure 5. Microsoft Surface Configuration Figure 6. User Gestures for Input Figure 7. User interacting with Project natal SYSTEM OVERVIEW Setup The configuration of the 3S(Smart-Store Showcase) system used in the present study is described in Figure 1. The system consists of a big store showcase, whose surface is composed of glass, transparent for the camera. A camera that captures the images from the customers. The captured images are processed by a computer running the Image Processing Core(IPC). Usually, to get better results, it is necessary to calibrate and make some adjustments on some parameters, like camera focus, parameters, in addition to software adjustments, like equalize and balance light. From captured images, software detects interesting characteristics for further analysis of customer behaviour. The IPC was implemented using the C++ language and the Open Source Computer Vision Library (OpenCV []). Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 220
  • 227.
    . Figure 8. Setupof the Smart Store Showcase. Customer Recognition Using Haar-Like Features Classifier from the OpenCV it is possible to detect the presence and the position of a face on the image, according to the classification formulas below. (1) Recognition of Faces Features Interesting Face Features to be recognized are eyes, mouth and nose. Those help on the geometry analysis to find position and rotation of the customers face[15][18]. Those characteristics are also found using Haar-like features and classifiers. Geometrical Analysis Geometrical analysis consists of finding the values of angles between the lines in the triangle formed from lines leaving from the center of the eyes, passing by the center of the mouth and the center of the nose. Equation (2) calculates the tangent of the angle between two lines. (2) where, (3) Figure 7. Degrees of Freedom of Human Head. Figure 9. Degrees of Freedom of Human Head. Figure 10. Geometry of Human Face Analyzing this information according to figure 11 it is possible to determine the behavior of the customer to the showcase, meaning that the customer can be, for example, looking to a product, not looking at all, or even somehow looking at an avoidance manner to it(figure 12). Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 221
  • 228.
    Figure 11. CustomerPatterns when looking to the Showcase Figure 12. Real-data patterns analysis The final step of the image processing core is to use a K- Nearest Neighbor[17] algorithm to associate an id to each customer to be able to check for how long it keeps looking to the showcase, and also get a detailed report associating customer to product. Figure 13. K-Nearest Neighbour algorithm applied to find the most probable face according to last position. Application TUIO Protocol The TUIO Protocol [7] is a simple protocol designed to meet the requirements of table-top tangible user interfaces. We have adapted the TUIO messages to this type of application. The 3S is considered as a host that becomes available to clients, running on a computer attached to it. With this information the management software is able to generate a log and a daily spreadsheet relating products shown on the showcase and the customers’ behavior during the day. CONCLUSION We have characterized and implemented a system for automating the capture of customers’ behavior when looking to a store showcase and also, a system to analyze this data to optimize sales on stores. Our system aims to incorporate consolidate Vision methods to the field of smart stores. With this information the store owner would be able to organize its showcase with a more careful planning. And also, to see the direct relation between products advertised on the showcase and products bought. The proposed solution opens a wide variety of opportunities for future work, ranging from adapting it to stereo vision, better tracking algorithms, and Human Factors of this Human Computer Interface. The new directions of the project are to develop a system to correlate the elapsed time between looking and buying, to augment the number of cameras, and products. Incorporate gaze tracking for measuring attention. Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 222
  • 229.
    ACKNOWLEDGMENTS The authors wouldlike to thank the financial support and the award fellowship provided by Protótipos Engenharia Ltda, and the PaqTcPB. REFERENCES 1. Hidden for blind review. 2. Stojanovic, R., Mitropulos, P., Koulamas, C., Karayiannis, Y., Koubias, S., Papadopoulos, G. Real- Time Vision-Based System for Textile Fabric Inspection. Real Time Imaging 7,000-000(2001). 3. Krumm, J., Shafer, S., Wilson, A. How a Smart Environment can use Perception. Microsoft research paper, 2001. 4. Williamson, M., Kingston, R.E., Lomax, W. Point-of- Purchase Display and Brand Sales. Australian and New Zealand Marketing Academy(ANZMAC 2001). 5. Mather, B.D. Vision-Based Pedestrian Detector: The PROTECTOR System. Proc. IEEE Intelligent Vehicles Symposium, IEEE(2004). 6. Castrillón-Santana, M., Déniz-Suárez, O., Antón- Canalís, L., Lorenzo-Navarro, J. Face and Facial Feature Detector Evaluation. Proc. International Conference on Computer Vision and Applications (VISAPP 2008). 7. M. Kaltenbrunner, T. Bovermann, R. Bencina, and E.Costanza, Tuio: A protocol for table-top tangible user interfaces, Proceedings of the 6th International Workshop on Gesture in Human-Computer Interaction and Simulation (GW2005), Vannes (France), 2005. 8. Wobbrock, J.O., Morris, M.R. and Wilson, A.D. User- defined gestures for surface computing. Proceedings of the ACM Conference on Human Factors in Computing Systems (CHI '09). Boston, Massachusetts (April 4-9, 2009). New York: ACM Press, pp. 1083-1092 9. Bohn, J., Coroama, V., Langheinrich, M., Mattern, F., Rohs, M. Living in a World of Smart Everyday Objects. Journal of Human and Ecological Risk Assessment, 10(5):763-786,2004. Viola, P., Jones, M., Robust real- time object detection, International Journal of Computer Vision, 2002. 10.Lienhardt, R., Maydt, J. An extended set of haar-like features for rapid object detection, Proceedings of the IEEE International Conference on Image Processing, pp. 900-903,2002. 11.Sing-Tze Bow, Pattern Recognition and Image Preprocessing, Signal Processing and Communication Series.2nd Edition.Marcel Dekker, 2002 12.A. Rosenfeld, Some uses of pyramids in image processing and segmentation, Proceedings of the DARPA Imaging Understanding Workshop, pp. 112- 120, 1980. 13.C. Tomasi and R. Manduchi, Bilateral filtering for gray and color images, Conf. Rec. ICCV Bombay, India, 1998, pp.839-846. 14.G. Bradski and A. Kaehler, Learning OpenCV, Computer Vision with the OpenCV Library, 1st ed. O’Reilly, 2008. 15.Dervinis, D., Head Orientation Estimation using Characteristic Points of Face. Elektronika IR Elektrotechnika, 2006. No.8(72). 16.Hsu, Rein-Lien, Abdel-Mottaleb, M., Jain, A.K, Face Detection in Color Images, IEEE Transactions on Pattern Analysis and Machine Intelligence, 2002. 696- 706. Vol.4, Issue 5. 17.Jiangsheng, Y., Method of k-Nearest Neighbors, Institute of Computational Linguistics, Peking University, China, 100871, 2002. 18.Murphy-Chutorian,E., Trivedi, M.M, Head Pose Estimation in Computer Vision: A Survey. IEEE Transactions on Pattern Analysis and Machine Intelligence (2008). Interaction South America 2010 Curitiba, Brazil - December 2-4 IxDA Curitiba - www.ixdacuritiba.com.br 223