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INTRODUÇÃO
Aquecimento global é o processo de aumento da temperatura média dos oceanos e
do ar perto da superfície da Terra que ocorre desde meados do século XIX e que deverá continuar
no século XXI, causado pelas emissões humanas de gases do efeito estufa, e amplificado por
respostas naturais a esta perturbação inicial, em efeitos que se autorreforçam em realimentação
positiva.
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FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Conceitos Básicos
Segundo o Quinto Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental sobre
Mudanças Climáticas(IPCC), que deve aparecer na íntegra até fins de 2014, elaborado sob os
auspícios da Organização Meteorológica Mundial e do Programa das Nações Unidas para o Meio
Ambiente, e que representa a síntese científica mais ampla, atualizada e confiável sobre o
assunto, a mudança na temperatura da superfície terrestre vem ocorrendo com certeza no último
século, com um aumento médio de 0,78 °C quando comparadas as médias dos períodos 1850–
1900 e 2003–2012. A média teve uma variação de 0,72 a 0,85 ºC. Cada uma das tês últimas
décadas bateu o recorde anterior de ser a mais quente desde o início dos registros.
É virtualmente garantido que os extremos de temperatura têm aumentado
globalmente desde 1950, e que desde 1970 a Terra acumulou mais energia do que perdeu. A
maior parte do aumento de temperatura se deve a concentrações crescentes de gases do efeito
estufa, emitidos por atividades humanas como a queima de combustíveis fósseis, o uso
de fertilizantes e odesmatamento. Esses gases atuam obstruindo a dissipação do calor terrestre
no espaço.
Por várias questões práticas, os modelos climáticos referenciados pelo IPCC
normalmente limitam suas projeções até o ano de 2100, são análises globais e por isso não
oferecem grande definição de detalhes. Embora isso gere mais incerteza para previsão das
manifestações regionais e locais do fenômeno, as tendências globais já foram bem estabelecidas
e têm se provado confiáveis.
Em geral espera-se uma elevação em torno de 4 °C até o fim do século. Projeções
mais além são mais especulativas, mas não é impossível que o aquecimento progrida ainda mais,
desencadeando efeitos devastadores.
O aumento nas temperaturas globais e a nova composição da atmosfera
desencadeiam várias alterações decisivas nos sistemas da Terra. Afetam os mares, provocando
a elevação do seu nível e mudanças nas correntes marinhas e na composição química da água,
verificando-se acidificação, dessalinização e desoxigenação. Prevê-se uma importante alteração
em todos os ecossistemas marinhos, com impactos na sociedade humana em larga escala.
Afetam irregularmente o regime de chuvas, produzindo enchentes e secas mais
graves e frequentes; tendem a aumentar a frequência e a intensidade de ciclones tropicais e outros
eventos meteorológicos extremos como as ondas de calor e de frio; devem provocar a extinção de
grande número de espécies e desestruturar ecossistemas em larga escala, e gerar por
consequência problemas sérios para a produção de alimentos, o suprimento de água e a produção
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de bens diversos para a humanidade, benefícios que dependem da estabilidade do clima e da
riqueza dos ecossistemas.
O aquecimento e as suas consequências serão diferentes de região para região, mas a
natureza destas variações regionais ainda é difícil de determinar de maneira exata, mas sabe-se
que nenhuma região do mundo será poupada de mudanças, e muitas serão penalizadas
pesadamente, especialmente as mais pobres.
O Ártico é a região que está aquecendo mais rápido, verificando-se progressivo
derretimento do permafrost e do gelo marinho, temperaturas recorde, secas mais intensas e
profunda modificação em seus biomas, com desaparecimento de espécies nativas e invasões em
massa por espécies exóticas. Gelos de montanha em todo o planeta estão também em recuo
acelerado, modificando seus respectivos ecossistemas e reduzindo a disponibilidade de água
potável.
Num cenário de elevação de 3,5 °C a União Internacional para a Conservação da
Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN) prevê a extinção provável de até 70% de todas as
espécies hoje existentes. Se a elevação chegar ao extremo de 6,4°C, que não está descartada, e
de fato a cada dia parece se tornar mais plausível, pode-se prever sem dúvidas mudanças
ambientais em todo o planeta em escala tal que comprometerão irremediavelmente a
sobrevivência da civilização como hoje a conhecemos, bem como da maior parte de toda a vida
na Terra.
Com um modelo de vida predatório e imprevidente, a sociedade já está esgotando
mais de 60% das riquezas naturais da Terra, produzindo taxas de emissão de gases estufa em
elevação contínua.
Considerando que a população mundial está em crescimento rápido, devendo chegar
a 9 bilhões de pessoas em 2050, e que lá suas necessidades de recursos naturais serão muito
maiores do que as atuais, entende-se assim por quê, se a geração presente não fizer nada para
mudar as tendências em vigor de seu modo de vida, deixará de herança um planeta à beira da
exaustão e com um clima profundamente perturbado, tornando a sobrevivência das gerações
futuras necessariamente muito mais difícil.
Neste sentido, esperam-se importantes desafios sociais se agravando em larga escala,
como a fome, a pobreza e a violência. Muitas pesquisas mais recentes trouxeram novas
evidências de que as projeções do IPCC, por mais preocupantes que já sejam, foram
conservadoras, e que as medidas preventivas e mitigadoras adotadas pela sociedade estão
acontecendo num ritmo lento demais e são pouco ambiciosas, aumentando, portanto, a
probabilidade de que o resultado da inação seja desastroso num futuro próximo.
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Embora a imprensa ainda alimente muitas controvérsias, frequentemente mal
informadas, tendenciosas ou distorcidas, e haja grande pressão política e econômica para se negar
ou minimizar as fortes evidências já reunidas, o consenso científico é de que o aquecimento
global está a acontecerinequivocamente, e precisa ser contido com medidas vigorosas sem
nenhuma demora, pois os riscos da inação, sob todos os ângulos, são altos demais.
O Protocolo de Quioto, bem como inúmeras outras políticas e ações nacionais e
internacionais, visam a estabilização da concentração de gases de efeito estufa para evitar uma
interferência antrópica perigosa no ambiente.
Em novembro de 2009 eram 187 os Estados que assinaram e ratificaram o
protocolo. Está prevista para 2014 a publicação da quinta atualização do relatório do IPCC, que
deve sintetizar o resultado de novas pequisas com modelos teóricos mais avançados e novos
dados observacionais. Seu esboço aprovado do Sumário para Criadores de Políticas, no entanto,
já foi divulgado, e segundo declaração do IPCC o novo relatório deve confirmar com ainda maior
segurança a origem humana do problema, e enfatizar que os riscos da inação se tornaram maiores.
Terminologia
O termo "aquecimento global" é um tipo específico de mudança climática à escala
global. O termo "mudança climática" também pode se referir ao esfriamento global. No uso
comum, o termo se refere ao aquecimento ocorrido nas décadas recentes, e subentende-se uma
influência humana.
A Convenção Quadro das Nações Unidas para Mudança do Clima usa o termo
"mudança climática" para mudanças causadas pelo homem, e "variabilidade climática" para
outras mudanças. O termo "alteração climática antrópica" equivale às mudanças no clima
causadas pelo homem.
O termo "antrópico" parece ser mais adequado do que "antropogênico",
um cognato do inglês "anthropogenic", bastante usado neste assunto, inclusive em textos em
português.
Porém, segundo os dicionários Priberam, Aulete e Michaelis, em português
"antropogênico" refere-se especificamente à antropogênese, a geração e reprodução humanas e
às origens e desenvolvimento do homem como espécie (do grego ánthropos, homem + genesis,
origem, criação, geração).
Já "antrópico" é referente àquilo que diz respeito ou procede do ser humano e suas
ações, de maneira mais genérica (do grego anthropikos, humano). O dicionário Michaelis define
como "pertencente ou relativo ao homem ou ao período de existência do homem na
Terra". O dicionário Houaiss traz até mesmo, em uma de suas definições deste verbete, como
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"relativo às modificações provocadas pelo homem no meio ambiente" — daí a preferência pelo
termo "antrópico", neste artigo, para designar as mudanças causadas pela influência humana.
A Terra, em sua longa história, já sofreu muitas mudanças climáticas globais de
grande amplitude. Isso é demonstrado por uma série de evidências físicas e por reconstruções
teóricas. Já houve épocas em que o clima era muito mais quente do que o de hoje, com vários
graus centígrados acima da média atual, tão quente que em certos períodos o planeta deve ter
ficado completamente livre de gelo. Entretanto, isso aconteceu há milhões de anos, e suas causas
foram naturais.
A mudança significativa mais recente foi a última glaciação, que terminou em torno
de 11 mil anos atrás, e projeta-se que outra não aconteça antes de 30 mil anos.
Este último período pós-glacial, chamado Holoceno, também sofreu várias mudanças
notáveis e às vezes abruptas, mas as evidências levam a crer que foram localizadas, e acredita-se
que a temperatura média global tenha permanecido relativamente estável durante os 1000 anos
que antecederam 1850, com flutuações regionais, como o período de calor medieval ou a pequena
idade do gelo, que são melhor explicadas por causas naturais.
Muitas dessas mudanças, especificamente os períodos de aquecimento, são em
alguns aspectos comparáveis e até mais intensas do que as que hoje se verificam, mas em outros
aspectos o aquecimento contemporâneo é distinto, e, se as projeções de aumento de cerca de 5
°C até 2100 se confirmarem, será uma alteração inédita nos últimos 50 milhões de anos da
história do planeta, em particular no que diz respeito à velocidade do aquecimento.
A temperatura global aumentou em média 0,78 °C quando comparada às médias dos
períodos 1850–1900 e 2003–2012, com uma faixa de variação de 0,72 a 0,85 ºC.3 Esse aumento
não pode ser explicado satisfatoriamente sem levarmos em conta a influência humana.
A elevação na temperatura não foi, porém, linear, com várias oscilações para mais e
para menos. Variações desse tipo são naturais e esperadas, mas a tendência geral é claramente
ascendente, e isso as observações têm provado. De fato, há fortes evidência indicando que o
aquecimento antrópico tem sido tão importante que reverteu uma tendência natural dos últimos
5 mil anos de resfriamento do planeta.
Não só os gases estufa vêm aumentando. O aumento das concentrações
de aerossóis atmosféricos, que bloqueiam parte da radiação solar antes que esta atinja a superfície
da Terra e tendem a provocar o resfriamento, também retardou em parte o processo de
aquecimento global. Desde 1979, as temperaturas em terra aumentaram quase duas vezes mais
rápido que as temperaturas no oceano (0,25 °C por década contra 0,13 °C por década.
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As temperaturas na troposfera mais baixa aumentaram entre 0,12 e 0,22 °C por
década desde 1979, de acordo com medições de temperatura via satélite. As variações registradas
para o período 1979-2005 foram:
 global: 0,163 ± 0,046 °C/ década, CRU/UKMO (Brohan et
al., 2006),
 global: 0,174 ± 0,051 °C/ década, NCDC (Smith and
Reynolds, 2005),
 global: 0,170 ± 0,047 °C/ década, GISS (Hansen et al.,
2001).
 Hemisfério Sul, 0,092 ± 0,038 °C/ década, CRU/UKMO
(Brohan et al., 2006)
 Hemisfério Sul, 0,096 ± 0,038 °C/ década, NCDC (Smith
and Reynolds, 2005)
 Hemisfério Norte, sobre terra: 0,328 ± 0,087 °C/ década,
CRU/UKMO (Brohan et al., 2006),
 Hemisfério Norte, sobre terra: 0,344 ± 0,096 °C/ década,
NCDC (Smith and Reynolds, 2005),
 Hemisfério Norte, sobre terra: 0,294 ± 0,074 °C/ década,
GISS (Hansen et al., 2001),
 Hemisfério Norte, sobre terra: 0,301 ± 0,075 °C/ década,
(Lugina et al., 2006).
Emissões antrópicas de outros poluentes - em especial aerossóis de sulfato – podem
gerar um efeito refrigerativo através do aumento do reflexo da luz incidente. Isso explica em
parte o resfriamento observado no meio do século XX, apesar de que o resfriamento pode ter
sido em parte devido à variabilidade natural.
O Paleoclimatologista William Ruddiman argumentou que a influência humana no
clima global iniciou-se por volta de 8.000 anos atrás, com o início do desmatamento florestal
para o plantio e 5.000 anos atrás com o início da irrigação de arroz asiática. A interpretação que
Ruddiman deu ao registro histórico com respeito aos dados de metano tem sido disputado.
Determinação da temperatura global à superfície
A determinação da temperatura global à superfície é feita a partir de dados recolhidos
em terra, sobretudo em estações de medição de temperatura em cidades, e nos oceanos, por meio
de navios e batitermógrafos.
É feita uma seleção das estações a considerar, que são as tidas como mais confiáveis,
e é feita uma correção no caso de estas se encontrarem perto de urbanizações, a fim de compensar
o efeito de "ilha de calor" criado nas cidades.
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As tendências de todas as seções são então combinadas para se chegar a uma
anomalia de temperatura global – o desvio apurado a partir de uma determinada temperatura
média de referência.
O método de cálculo varia segundo os procedimentos de cada instituição de pesquisa.
Por exemplo, no Met Office do Reino Unido, o globo é dividido em seções (por ex., quadriláteros
de 5º latitude por 5º longitude) e é calculada uma média ponderada da temperatura mensal média
das estações escolhidas em cada seção. As seções para as quais não existem dados são deixadas
em branco, sem as estimar a partir das seções vizinhas, e não entram nos cálculos.
A média obtida é então comparada com a referência para o período de 1961-1990,
obtendo-se o valor da anomalia para cada mês. A partir desses valores é então calculada uma
média pesada correspondente à anomalia anual média global para cada Hemisfério e, a partir
destas, a anomalia global.
Às vezes a acurácia e a confiabilidade dessas medições são contestadas, ou se diz que
há poucos dados, mas segundo o Met Office, existem imprecisões, certamente, mas elas são
pequenas. Mesmo utilizando-se de métodos diferentes, as várias instituições de pesquisa que
calculam este dado regularmente encontram valores similares.
Desde janeiro de 1979, os satélites da NASA passaram a medir a temperatura
da troposfera inferior (de 1000m a 8000m de altitude) através da monitoração das emissões
de microondas por parte das moléculas de oxigénio (O2) na atmosfera.
O seu comprimento de onda está diretamente relacionado com a temperatura (estima-
se uma precisão de medida da ordem dos 0.01°C). Não são, portanto, diretamente comparáveis à
temperatura de superfície, mas a tendência de aquecimento apresentado por nas séries históricas
de temperatura por satélite são bastante similares àquelas medidas por termômetros na superfície:
enquanto os dados de superfície da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA)
mostram aquecimento de 0,154 °C por década, os dados da Universidade de Huntsville, Alabama,
tomados a partir dos satélites da NASA, indicam 0,142ºC no mesmo período entre 1979 e 2012
Sensibilidade Climática
Mudanças nas concentrações de gases estufa e aerossois, na cobertura dos solos e
outros fatores interferem no equilíbrio energético do clima e provocam mudanças climáticas.
Essas interferências afetam as trocas energéticas entre o Sol, a atmosfera e a superfície da Terra.
O quanto um dado fator tem a capacidade de afetar este equilíbrio é a medida da sua forçante
radiativa.
A sensibilidade climática, por sua vez, é como o sistema climático responde a uma
certa forçante radiativa sustentada, e é definida praticamente como o quanto a temperatura média
sobe em função da duplicação da quantidade de gás carbônico na atmosfera. Vários fatores
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podem alterar a resposta da natureza à forçante radiativa. Por exemplo, as emissões de gases e
poeira em uma grande erupção vulcânica causam maior reflexão da luz solar de volta ao espaço,
provocando resfriamento do sistema climático. Variações na concentração de vapor d'água
também alteram o equilíbrio, ou a diminuição da calota polar ártica, assim como outros fatores.
O primeiro estudo desse tipo data de 1896, feito pelo sueco Svante Arrhenius. Daí
em diante, inúmeros outros foram feitos, a partir de diversos conjuntos de dados e abordagens
metodológicas, em países e épocas diferentes. Neles incluem-se tanto levantamentos empíricos,
realizados a partir de dados paleoclimáticos ou medições instrumentais recentes, quanto cálculos
teóricos baseados em simulações de computador – os modelos climáticos.
O 5º Relatório do IPCC indica uma sensibilidade climática entre 1,5 e 4,5 °C, se a
concentração de CO2 subir para o dobro dos níveis pré-industriais, isto é, de 280 ppm para 560
ppm. Uma elevação acima de 4 ºC foi considerada improvável em quase todos os modelos do
IPCC.
Uma elevação maior que 6 °C não foi excluída mas é muito improvável, e valores
abaixo de 1 °C são extremamente improváveis. (vide nota ) Nenhum dos cenários matemáticos
é otimista quanto à perspectiva oficial de conseguirmos manter o aquecimento em torno de 2 ºC
- isso se as metas oficiais forem atingidas -, e nenhum deu a esta possibilidade uma chance maior
do que 50%. Em janeiro de 2013, a concentração do CO2 atmosférico atingiu 395 ppm, e continua
em ascensão. Projeções conservadoras apontam para mais de 700 ppm até 2100.
A evolução das emissões, mantidas como vêm se mostrando até aqui, sugerem mais
de 1000 ppm até o final do século.
Nenhum dos efeitos produzidos pelas forçantes climáticas é instantâneo. Devido
à inércia térmica dos oceanos terrestres e à lenta resposta dos outros efeitos indiretos, o sistema
climático da Terra leva mais de três décadas para se estabilizar sob novos parâmetros.
Estudos de comprometimento climático indicam que, por esse motivo, ainda que os
gases estufa se estabilizassem nos níveis do ano 2000, um aquecimento adicional de
aproximadamente 0,5 °C ainda ocorreria devido a um efeito cumulativo retardado. Este
aquecimento adicional é inevitável. Quaisquer que sejam os níveis atingidos em 2100 na
concentração de gás carbônico, seus efeitos perdurarão por muitos séculos, pois o gás permanece
na atmosfera por muito tempo
Modelos climáticos
Um modelo climático é uma representação matemática de cinco componentes do
sistema climático: atmosfera, hidrosfera,criosfera, superfície continental e biosfera. Estes
modelos se baseiam em princípios físicos que incluem dinâmica de fluidos, termodinâmica e
teoria de transporte radiativo.
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Podem incluir componentes que representam o movimento do ar, sua temperatura,
nuvens, e outras propriedades atmosféricas; temperatura oceânica, salinidade, e circulação;
cobertura de gelo continental e oceânica; a transferência de calor e umidade do solo e vegetação
para a atmosfera; processos químicos e biológicos; entre outros. Porém, o comportamento natural
destes elementos não foi suficiente para explicar as mudanças climáticas recentes.
Apenas quando os modelos incluem influências humanas, como o aumento da
concentração de gases estufa ou a mudança no uso da terra, é que eles conseguem reproduzir
adequadamente o aquecimento recente. É significativo que nenhum dos modelos que excluem os
fatores humanos pôde reproduzir as observações com fidelidade, enquanto apenas os que os
incluíram conseguiram se aproximar satisfatoriamente das temperaturas observadas.
Para provar sua confiabilidade os modelos que estabelecem previsões futuras
precisam reproduzir as observações reais registradas historicamente.
Os modelos mais usados são globais, notoriamente imprecisos no que diz respeito a
detalhamentos localizados, e certamente têm limitações e margens de erro, mas eles reproduzem
com grande aproximação as mudanças do clima em escala global observadas no passado e
atestadas por registros de vários tipos. Se a checagem com as séries históricas se confirma, pode-
se usar o mesmo modelo de maneira reversa para prever o futuro com bom grau de confiabilidade.
Mas, pelas suas limitações, os modelos não podem chegar ao nível do detalhe
regional microscópico, e também porque não se pode saber antecipadamente como a sociedade
responderá no futuro próximo a este desafio. Essa resposta, ainda incerta, introduzirá
possivelmente novos fatores na equação, podendo mudar os cenários de longo prazo radicalmente
para melhor ou para pior. De qualquer modo, para minimizar as incertezas, os modelos vêm
sendo constantemente aperfeiçoados.
Apesar dos pesquisadores procurarem incluir tantos processos quanto possível,
simplificações do sistema climático real são inevitáveis, uma vez que há limitações quanto à
capacidade de processamento e disponibilidade de dados. Resultados dos modelos podem variar
devido a diferentes projeções de emissões de gases, bem como à sensibilidade climática do
modelo.
Por exemplo, a margem de erro nas projeções do Quarto Relatório do IPCC de 2007
deve-se a (1) o uso de diversos modelos com diferentes sensibilidades à concentração de gases
estufa, (2) o uso de diferentes estimativas das emissões humanas futuras de gases estufa, e (3)
outras emissões provindas de feedbacks climáticos que não foram incluídas nos modelos
constantes no relatório do IPCC, como a liberação de metano quando derrete o permafrost.
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Os modelos não tomam o aquecimento como premissa, mas calculam, segundo as
leis da física conhecidas, como os gases estufa vão interagir quanto ao transporte radiativo e
outros processos físicos.
Apesar de haver divergências quanto à atribuição de causas do aquecimento ocorrido
na primeira metade do século XX, eles convergem no tocante ao aquecimento recente, a partir
da década de 70, ter sido causado por emissões humanas de gases estufa.
O realismo físico dos modelos é testado através da simulação do clima presente e
passado, a partir dos dados conhecidos. De fato, as principais projeções do IPCC, quando
comparadas às observações subsequentes, mostram-se precisas. Em alguns casos, como o
aumento do nível do mar e a retração da calota polar Ártica, estas projeções mostraram-se
conservadoras demais, com os eventos observados ocorrendo em ritmo bem mais rápido que o
previsto.
As primeiras projeções e as observações subsequentes
A expressão "aquecimento global" não era conhecida até a década de 1970; ela só foi
cunhada em 1975, num artigo do geoquímico Wallace Broecker publicado na revista Science.
Nesta altura ainda não havia sido despertada a atenção geral para o fenômeno que a
expressão descreve, e embora os cientistas há bastante tempo já soubessem que o homem poderia
teoricamente afetar as condições climáticas do planeta, e que certos gases como o dióxido de
carbono deviam estar envolvidos num efeito estufa, não se podia discernir exatamente como as
mudanças aconteceriam. John Tyndall e Svante Arrhenius fizeram os estudos pioneiros no século
XIX. Guy Stewart Callendar, baseando-se nas pesquisas deles, deixou outra contribuição
fundamental em 1938.
Analisando registros históricos mundiais, foi o primeiro a demonstrar
documentalmente a atual tendência de elevação nas temperaturas, descobrindo que o mundo
havia esquentado aproximadamente 0,3°C nos 50 anos anteriores, e foi o primeiro a associar essa
elevação às emissões de carbono derivadas das atividades humanas.
Suas conclusões foram recebidas com bastante ceticismo e seu estudo caiu na
obscuridade, em parte porque este campo de pesquisas recém começava a ser desbravado e havia
muita incerteza, mas também porque ele era apenas um climatologista amador, mas seus gráficos
se aproximam notavelmente das análises mais recentes, e em meados do século XX vários
especialistas já chegavam a resultados semelhantes.
Um deles, Roger Revelle, escreveu em 1965: "Em torno do ano 2000 a elevação nos
níveis atmosféricos de CO2 pode ser suficiente para produzir mudanças mensuráveis e talvez
marcantes no clima, que quase certamente causarão mudanças significativas na temperatura e em
outras propriedades da estratosfera", previsão que, na data apontada, havia se confirmado
11
O primeiro trabalho que enfocou claramente o problema foi publicado em 1979 pela
National Academy of Science dos Estados Unidos, conhecido como o Relatório Charney, onde
declarou-se que "se o dióxido de carbono continuar a se elevar, não há razão para duvidar que
resultarão mudanças climáticas, e não há razão para acreditar que elas serão desprezíveis".
Nos anos 80, foram feitos outros estudos dos impactos das emissões humanas de
gases estufa em projeções futuras de temperatura. Dois destes trabalhos foram realizados em
1981 e 1988 por James Hansen, da NASA, um dos principais climatologistas do mundo.
Além das limitações da época quanto aos dados e capacidade computacional
disponíveis, havia incertezas quanto à própria sensibilidade climática, bem como à evolução das
emissões humanas de gases estufa. Mesmo assim, ambos os trabalhos, quando comparados às
observações subsequentes, mostram bastante precisão.
O primeiro deles projetou evolução de temperatura ligeiramente inferior ao
observado, e se baseou em cálculos que incluíam uma sensibilidade climática de 2,8 °C. O
segundo, por sua vez, superestimou o aumento de temperatura, se baseando em uma sensibilidade
climática de 4,2 °C. Tais resultados corroboram o consenso em torno da sensibilidade climática
de cerca de 3 °C.
Em 1988 Hansen levou seus resultados a uma audiência com o congresso dos Estados
Unidos, marcando a primeira tentativa da comunidade científica de alertar o poder público da
necessidade de ação para limitar emissões de gases estufa. Sua representação recebeu larga
divulgação na imprensa e o tema se tornou imediatamente popular, mas até a data havia grande
cautela entre os cientistas na associação da elevação da temperatura com as atividades humanas.
Desde então as pesquisas se multiplicaram, e a referida associação ganhou crescente
grau de certeza com a compilação de numerosas evidências adicionais, embora ao mesmo tempo
se levantasse grande polêmica sobre a confiabilidade dos achados e das previsões científicas.
A partir de 1990 o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC),
organizado sob a chancela da Organização Meteorológica Mundial e do Programa das Nações
Unidas para o Meio Ambiente, e coordenando uma equipe científica vasta composta de vários
milhares dos melhores especialistas de todo o mundo, passou a publicar seus relatórios. O IPCC
não produz pesquisa original, mas sintetiza o estado da arte neste tema.
O relatório de 1990 já declarou que o efeito estufa já mantinha a Terra mais quente
do que deveria, e previu que as emissões de gases estufa resultantes das atividades humanas,
entre outras consequências, "vão amplificar o efeito estufa, resultando em média num aumento
adicional na temperatura da superfície terrestre. O principal gás estufa, o vapor d'água, vai
aumentar em resposta ao aquecimento global e fazer com que este também aumente".
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Em 2007 veio à luz o Quarto Relatório, apresentando a mais ampla e atualizada
síntese do conhecimento científico sobre o aquecimento global, confirmando, com muito elevado
grau de confiança, que o homem é responsável pelo aquecimento presente, e detalhando com
profundidade as evidências disponíveis e as condições atuais nos vários ecossistemas e na vida
humana, bem como os impactos potenciais futuros sob diferentes cenários de emissão, sugerindo
adicionalmente formas de combate às origens e efeitos do problema.
Vários estudos independentes que vêm sendo realizados nos últimos anos divulgaram
observações que se aproximam das faixas mais pessimistas dos cenários previstos pelo IPCC em
2007, e sugerem que as projeções anteriores, por mais preocupantes que já tenham sido, podem
na verdade ter sido conservadoras em vários aspectos importantes.
Até fins de 2014 deve aparecer na íntegra o Quinto Relatório do IPCC, atualizando
a situação e fazendo previsões com modelos mais sofisticados e dados observacionais
novos. Neste ínterim, os esboços finais aprovados do Sumário para Criadores de Políticas e dos
Volumes I, II e III, respectivamente sobre as bases científicas do aquecimento, sobre os impactos,
vulnerabilidades e adaptação, e sobre a mitigação, já foram divulgados, permitindo apreciações
preliminares. A bibliografia especializada sobre o tema mais que dobrou desde o último relatório,
dando muito maior segurança sobre as conclusões da síntese do IPCC, e trazendo análises novas
sobre dados antes não computados, que ampliaram consideravelmente o entendimento do
fenômeno. Em essência, os resultados do novo documento aumentaram o nível de certeza sobre
a origem humana do problema, confirmaram as tendências climáticas assinaladas nos relatórios
anteriores e a gravidade das perspectivas futuras, e alertaram que os riscos da inação se tornam a
cada dia maiores.
Para Suzana Kahn, que fez parte do grupo de pesquisadores brasileiros que
colaboram com o IPCC, "o grande ganho (do novo relatório) é a comprovação do que tem sido
dito há mais tempo, com muito mais informação sobre o papel dos oceanos, das nuvens e
aerossóis". Mercedes Bustamante, uma das coordenadoras do grupo de trabalho 3, sobre a
mitigação, aponta que também houve mudanças importantes em relação ao relatório anterior no
sentido de unir o estudo do uso da terra e das florestas com o da agricultura, em vista da maior
atenção que vem sendo dada à relação entre conservação da natureza e segurança alimentar
Clima
Projeção das mudanças no regime anual de chuvas até o fim do século XXI. As zonas
mais azuis devem receber mais chuvas, e as mais alaranjadas devem experimentar a maior
redução.
O mapa mostra que praticamente toda a área de produção agropecuária do Brasil, e
grandes biomas úmidos que dependem vitalmente de água e chuva abundantes, como o Pantanal
e a Mata Atlântica, estão sob ameaça de tornarem significativamente mais secos. Outros que
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naturalmente têm menos precipitação, como o Cerrado e a Caatinga, também devem ter seu
equilíbrio afetado negativamente. A Caatinga, que é naturalmente a região mais seca do Brasil,
poderá receber até 50% menos de chuvas nas projeções mais pessimistas (6 °C de aquecimento).
O Pampa, por outro lado, poderá ter sua precipitação aumentada em até 40%. Em
ambos os casos, as mudanças que isso provocará no equilíbrio dos biomas provavelmente serão
significativas. Vários estudos preveem a savanização de grandes áreas daFloresta Amazônica e
a desertificação de outros ecossistemas brasileiros, com extensa perda de biodiversidade e
impacto socioeconômico Portugal todo deve ficar sob influência semelhante.
O aquecimento da atmosfera aumenta sua capacidade de reter vapor d'água, bem
como aumenta a evaporação das águas superficiais (oceanos, lagos e rios). Isso tem dois efeitos
importantes: em primeiro lugar, aumenta a quantidade de água disponível na atmosfera, e em
certas regiões, quando essa água em vapor se converte em chuva, tende a chover com mais
intensidade porque há mais água a descarregar.
Uma série de eventos extremos recentes associados ao ciclo das águas, como chuvas
torrenciais, secas recorde e ciclones tropicais devastadores com pesada precipitação, vem sendo
relacionada ao progressivo aquecimento global, e é prevista uma intensificação em sua
gravidade, embora essas mudanças devam ocorrer de maneira irregular sobre o planeta, com
zonas mais afligidas por precipitação excessiva e outras menos, e algumas até com tendência
inversa, passando a sofrer secas mais fortes e prolongadas. Essa irregularidade é resultado da
combinação de vários outros fatores influenciados pelo aquecimento, como a mudança no regime
de ventos, nas correntes oceânicas e na linha de monções. O segundo efeito deriva do fato de que
o vapor d'água é um gás estufa por si mesmo, e de todos o mais importante, porque existe em
grande quantidade na nossa atmosfera naturalmente. Aumentando o calor, aumenta a quantidade
de vapor d'água na atmosfera, dando importante acréscimo ao efeito estufa gerado pelos outros
gases.
Espera-se que essas alterações no regime de chuvas do mundo afetem negativamente
de múltiplas maneiras a agricultura, as pastagens e a pecuária, a silvicultura e a produção de
alimentos em geral, pois todas essas atividades humanas, que vêm sendo desenvolvidas há
milênios, e que dependem essencialmente de outros seres vivos, dependem também das
condições estáveis e previsíveis do clima às quais todas as espécies foram acostumadas há muito
tempo.
As mudanças atuais são rápidas e grandes demais para a natureza absorvê-las sem
profundo abalo, e deverão alterar todo o conhecido equilíbrio das forças naturais, desorganizando
e desestruturando grande parte dos sistemas produtivos da humanidade construídos sobre esse
mesmo equilíbrio, cuja razoável estabilidade e previsibilidade possibilitou o desenvolvimento de
sistemas de alta produtividade e em larga escala como os que existem hoje, dos quais depende a
humanidade para sua sobrevivência e conforto.
14
Em consequência, prevê-se que deverão crescer a pobreza, certas doenças e a fome,
os conflitos violentos derivados da competição entre grupos e nações por recursos em declínio,
e o uso de recursos tecnológicos, pesticidas e adubos nas criações e culturas para compensar a
queda na produtividade, o que contaminará ainda mais o ambiente e elevará os custos de
produção, prejudicando ambiente, produtores e consumidores de todo o mundo num efeito em
cascata.
O desregramento nas chuvas, junto com a redução acelerada de reservatórios naturais
como os glaciares de montanha, deve provocar paralelamente a redução dos mananciais de água
doce disponível em todo o mundo, afetando ecossistemas, a vida natural e o homem e seus
sistemas produtivos.
Cerca de 700 mil moradias foram destruídas, 3/4 das criações de animais pereceram,
metade da frota pesqueira afundou, um milhão de acres de terras cultivadas foram salgadas por
uma maré de tempestade de 3,5 metros que acompanhou o ciclone, os mananciais de água doce
foram salgados e contaminados, e os sobreviventes sofreram com epidemias de febre
tifoide, cólera, disenteria e outras doenças, além de fome, sede e falta de assistência médica e
abrigo.
A recuperação das nações pobres atingidas por desastres tão graves às vezes leva
anos, só para em pouco tempo serem sujeitas a novos desastres, muitas delas estando localizadas
em áreas naturalmente propensas a eles, como no sudeste asiático e no Caribe.
Com o crescimento constante da população do mundo e sua progressiva concentração
nas cidades, que frequentemente não conseguem se adaptar a tempo para acompanhar o inchaço
populacional e se tornam por isso particularmente vulneráveis, os impactos tendem a ser maiores
pela maior exposição da população somada à maior intensidade dos fenômenos destrutivos.
Embora seja esperado com grande grau de certeza que a intensidade dos eventos de
clima extremo aumente, se o aquecimento vai elevar o número dessas ocorrências já é mais
incerto.
Mas, como observou o pesquisador sênior do National Center for Atmospheric
Research dos Estados Unidos, Kevin Trenberth, mesmo que os eventos "extremos" não se
multipliquem em número, até mesmo os eventos "normais" devem se intensificar em alguma
medida, pois ocorrerão dentro de um ambiente climático que foi todo ele modificado, estando
mais quente e mais úmido.
Variações regionais são esperadas e o efeito dominante depende de muitos fatores,
entre eles a altitude e do tamanho das nuvens e das suas gotículas.
Pesquisas recentes mostram que as nuvens interagem também com muitas outras
alterações físicas e biológicas que ocorrem na Terra, como por exemplo o aumento nos níveis de
15
aerossóis antrópicos, o aumento na umidade troposférica e as imprevisíveis emissões
por vulcanismo, e teoriza-se que possam sofrer influências tão distantes quanto dos raios
cósmicos, que poderiam ser capazes de afetar a formação dos núcleos primários
de condensaçãodas gotículas da chuva. Efeitos combinados de mudanças no tipo ou quantidade
de nuvens, maior umidade e temperatura também devem afetar a produção de precursores
biológicos do ozônio atmosférico, mas todo o papel das nuvens no aquecimento ainda é incerto.
Efeitos sobre o mar
Uma outra causa de grande preocupação é a subida do nível do mar. O nível dos
mares é sujeito a muitas variáveis naturais e, ao contrário do que se poderia imaginar, é bastante
desigual nas diferentes regiões oceânicas. Sua medição é muito complexa, mas encontrou-se que
entre 1961 e 2003 o nível médio aumentou 1,8 (±0,5) milímetros por ano, e entre 1993 e 2003 o
ritmo foi de 3,1 (±0,7) mm por ano. Foi preciso ter em conta muitos fatores para se chegar a uma
estimativa do aumento do nível do mar no passado. Mas diferentes investigadores, usando
métodos diferentes, acabaram por confirmar o mesmo resultado.
O cálculo que levou à conclusão não foi simples de fazer. Na Escandinávia, por
exemplo, as medidas realizadas parecem indicar que o nível das águas do mar está a descer cerca
de 4 milímetros por ano.
No norte das Ilhas Britânicas, o nível das águas do mar está também a descer,
enquanto no sul se está a elevar. Isso deve-se ao fato da Fennoscandia (o conjunto da
Escandinávia, da Finlândia e da Dinamarca) estar ainda a subir, depois de ter sido pressionada
por glaciares de grande massa durante a última era glacial.
Os glaciares parecem ser muito mais afetados pelas mudanças climáticas do que as
camadas de gelo da Gronelândia e Antártica, as quais não se espera que contribuam
significativamente para o aumento do nível do mar nas próximas décadas, por estarem em climas
frios, com baixas taxas de precipitação e derretimento.
O conhecimento da dinâmica marinha ainda é muito incompleto, mas já existe um
consenso de que o nível do mar vai continuar a se elevar pelos séculos à frente, mesmo com a
estabilização imediata das emissões de gases estufa.
Colapso da banquisa antárticaLarsen B em 2002, relacionado ao aquecimento global.
O gelo cobria uma área de c. 3.250 km2. O contorno do estado de Rhode Island, nos Estados
Unidos, foi sobreposto para comparação.
As perdas totais de gelo mundial entre 2005 e 2009 foram calculadas pelo 5º
Relatório do IPCC em 301 gigatoneladas por ano (média), havendo grande consenso de que as
perdas vão continuar grandes no futuro próximo mesmo se as temperaturas se estabilizarem
imediatamente. Não há garantia de que a tendência será reversível.
16
As projeções do IPCC indicam uma elevação média do nível do mar de
aproximadamente 40 a 60 cm até 2100, com uma faixa de variação de 26 a 98 cm, e é virtualmente
certo que a elevação continuará depois de 2100. Projeções independentes indicam níveis ainda
maiores. Em qualquer dos cenários, os impactos sobre o homem serão seguramente vastos.
Muitas ilhas e regiões litorâneas baixas, onde se concentra uma parte expressiva da
população mundial e onde hoje florescem muitas megacidades, como Hong Kong, Nova Iorque,
Rio de Janeiro, Buenos Aires, serão inundadas em graus variáveis, o que causará perdas materiais
e culturais incalculáveis e provocará migrações em massa para regiões mais elevadas, gerando
novos transtornos e despesas em larga escala.
Pelo menos oito megacidades litorâneas são construídas sobre terrenos frágeis que
estão afundando, aumentando ainda mais a rapidez do processo de inundação. Um estudo avaliou
os custos para os Estados Unidos de uma elevação de um metro no nível do mar: isso inundaria
até 30 mil km2 de costas, e cada proprietário de terreno habitacional típico junto à costa deveria
gastar de mil a dois mil dólares em medidas de contenção das águas.
No total, junto com outros custos, seriam gastos de 270 a 475 bilhões de dólares. Isso
poderia ser viável economicamente, mas o estudo concluiu que as perturbações ambientais que
a movimentação e alteração maciça do terreno costeiro causariam poderiam ser inaceitáveis.
Outra pesquisa, analisando o caso do Senegal, calculou que a elevação de um metro
significaria a inundação de 6 mil km2 de terra da região mais populosa do país, provocando um
êxodo de até 180 mil pessoas e danos a propriedades que chegariam a 700 milhões de dólares, o
que equivalia, na data do estudo, a 17% do PIB nacional.
Já existem vários projetos destinados a obras de adaptação e a conter a subida do mar
em alguns locais críticos, construindo-se canais, comportas, diques, ilhas artificiais, muros,
estruturas flutuantes, terraços e outros métodos, como oreflorestamento costeiro e fixação de
dunas.
Os Países Baixos, que possuem grande parte de seu território muitos metros abaixo
do nível do mar e construíram um eficiente sistema de grandes diques para protegê-lo, são
frequentemente apontados como um modelo bem sucedido de ação.
Porém, o tempo para isso está diminuindo, enquanto que a ameaça está
aumentando. A simples elevação do mar também afetará os ecossistemas costeiros, causando sua
degradação ou erradicação, com perdas ou modificações importantes de biodiversidade
17
CONCLUSÃO
Depois de uma séria pesquisa na cadeira de Geografia sob tema “Aquecimento Global”
chagamos a conclusão que O aquecimento global é uma consequência das alterações climáticas
ocorridas no planeta.
É importante realçar que as causas do aquecimento global são muito pesquisadas.
Existe uma parcela da comunidade científica que atribui esse fenômeno como um processo
natural, afirmando que o planeta Terra está numa fase de transição natural, um processo longo e
dinâmico, saindo da era glacial para a interglacial, sendo o aumento da temperatura consequência
desse fenômeno.
No entanto, as principais atribuições para o aquecimento global são relacionadas às
atividades humanas, que intensificam o efeito de estufa através do aumento na queima de gases
de combustíveis fósseis, como petróleo, carvão mineral e gás natural. A queima dessas
substâncias produz gases como o dióxido de carbono (CO2), o metano (CH4) e óxido nitroso
(N2O), que retêm o calor proveniente das radiações solares, como se funcionassem como o vidro
de uma estufa de plantas, esse processo causa o aumento da temperatura. Outros fatores que
contribuem de forma significativa para as alterações climáticas são os desmatamentos e a
constante impermeabilização do solo.
18
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
 Myneni, Ranga. "Amplified Greenhouse Effect Shaping North into
South". EurekAlert,, 10/03/2013
 Hansen, Kathryn. "Amplified Greenhouse Effect Shifts North's
Growing Seasons". NASA Headquarters Press Release, 10/03/2013
 IPCC. Climate Change 2013: The Physical Science Basis:
Technical Summary. Contribution of Working Group I (WGI) to the Fifth Assessment
Report (AR5) of the Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC), 2013
 Betts, Richard A. et al. "When could global warming reach
4°C?" In:Phil. Trans. R. Soc. A, 2011; 369 (1934):67-84
 Lu, Jian; Vechhi, Gabriel A.; Reichler, Thomas. "Expansion of the
Hadley cell under global warming". In: Geophysical Research Letters, 2007; 34(6):L06805
 Nellemann, C. et alii (Eds). "The environmental food crisis – The
environment’s role in averting future food crises". UNEP Rapid Response Assessment
Series. United Nations Environment Programme, GRID-Arendal
 Barnosky, Anthony et al. Scientific Consensus on Maintaining
Humanity’s Life Support Systems in the 21st Century: Information for Policy Makers.
Millenium Alliance for Humanity and the Biosfere, 2013
 Ir para cima↑ Myneni, Ranga. "Amplified Greenhouse Effect
Shaping North into South". EurekAlert, 10/03/2013

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Aquecimento global

  • 1. 1 INTRODUÇÃO Aquecimento global é o processo de aumento da temperatura média dos oceanos e do ar perto da superfície da Terra que ocorre desde meados do século XIX e que deverá continuar no século XXI, causado pelas emissões humanas de gases do efeito estufa, e amplificado por respostas naturais a esta perturbação inicial, em efeitos que se autorreforçam em realimentação positiva.
  • 2. 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Conceitos Básicos Segundo o Quinto Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas(IPCC), que deve aparecer na íntegra até fins de 2014, elaborado sob os auspícios da Organização Meteorológica Mundial e do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, e que representa a síntese científica mais ampla, atualizada e confiável sobre o assunto, a mudança na temperatura da superfície terrestre vem ocorrendo com certeza no último século, com um aumento médio de 0,78 °C quando comparadas as médias dos períodos 1850– 1900 e 2003–2012. A média teve uma variação de 0,72 a 0,85 ºC. Cada uma das tês últimas décadas bateu o recorde anterior de ser a mais quente desde o início dos registros. É virtualmente garantido que os extremos de temperatura têm aumentado globalmente desde 1950, e que desde 1970 a Terra acumulou mais energia do que perdeu. A maior parte do aumento de temperatura se deve a concentrações crescentes de gases do efeito estufa, emitidos por atividades humanas como a queima de combustíveis fósseis, o uso de fertilizantes e odesmatamento. Esses gases atuam obstruindo a dissipação do calor terrestre no espaço. Por várias questões práticas, os modelos climáticos referenciados pelo IPCC normalmente limitam suas projeções até o ano de 2100, são análises globais e por isso não oferecem grande definição de detalhes. Embora isso gere mais incerteza para previsão das manifestações regionais e locais do fenômeno, as tendências globais já foram bem estabelecidas e têm se provado confiáveis. Em geral espera-se uma elevação em torno de 4 °C até o fim do século. Projeções mais além são mais especulativas, mas não é impossível que o aquecimento progrida ainda mais, desencadeando efeitos devastadores. O aumento nas temperaturas globais e a nova composição da atmosfera desencadeiam várias alterações decisivas nos sistemas da Terra. Afetam os mares, provocando a elevação do seu nível e mudanças nas correntes marinhas e na composição química da água, verificando-se acidificação, dessalinização e desoxigenação. Prevê-se uma importante alteração em todos os ecossistemas marinhos, com impactos na sociedade humana em larga escala. Afetam irregularmente o regime de chuvas, produzindo enchentes e secas mais graves e frequentes; tendem a aumentar a frequência e a intensidade de ciclones tropicais e outros eventos meteorológicos extremos como as ondas de calor e de frio; devem provocar a extinção de grande número de espécies e desestruturar ecossistemas em larga escala, e gerar por consequência problemas sérios para a produção de alimentos, o suprimento de água e a produção
  • 3. 3 de bens diversos para a humanidade, benefícios que dependem da estabilidade do clima e da riqueza dos ecossistemas. O aquecimento e as suas consequências serão diferentes de região para região, mas a natureza destas variações regionais ainda é difícil de determinar de maneira exata, mas sabe-se que nenhuma região do mundo será poupada de mudanças, e muitas serão penalizadas pesadamente, especialmente as mais pobres. O Ártico é a região que está aquecendo mais rápido, verificando-se progressivo derretimento do permafrost e do gelo marinho, temperaturas recorde, secas mais intensas e profunda modificação em seus biomas, com desaparecimento de espécies nativas e invasões em massa por espécies exóticas. Gelos de montanha em todo o planeta estão também em recuo acelerado, modificando seus respectivos ecossistemas e reduzindo a disponibilidade de água potável. Num cenário de elevação de 3,5 °C a União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN) prevê a extinção provável de até 70% de todas as espécies hoje existentes. Se a elevação chegar ao extremo de 6,4°C, que não está descartada, e de fato a cada dia parece se tornar mais plausível, pode-se prever sem dúvidas mudanças ambientais em todo o planeta em escala tal que comprometerão irremediavelmente a sobrevivência da civilização como hoje a conhecemos, bem como da maior parte de toda a vida na Terra. Com um modelo de vida predatório e imprevidente, a sociedade já está esgotando mais de 60% das riquezas naturais da Terra, produzindo taxas de emissão de gases estufa em elevação contínua. Considerando que a população mundial está em crescimento rápido, devendo chegar a 9 bilhões de pessoas em 2050, e que lá suas necessidades de recursos naturais serão muito maiores do que as atuais, entende-se assim por quê, se a geração presente não fizer nada para mudar as tendências em vigor de seu modo de vida, deixará de herança um planeta à beira da exaustão e com um clima profundamente perturbado, tornando a sobrevivência das gerações futuras necessariamente muito mais difícil. Neste sentido, esperam-se importantes desafios sociais se agravando em larga escala, como a fome, a pobreza e a violência. Muitas pesquisas mais recentes trouxeram novas evidências de que as projeções do IPCC, por mais preocupantes que já sejam, foram conservadoras, e que as medidas preventivas e mitigadoras adotadas pela sociedade estão acontecendo num ritmo lento demais e são pouco ambiciosas, aumentando, portanto, a probabilidade de que o resultado da inação seja desastroso num futuro próximo.
  • 4. 4 Embora a imprensa ainda alimente muitas controvérsias, frequentemente mal informadas, tendenciosas ou distorcidas, e haja grande pressão política e econômica para se negar ou minimizar as fortes evidências já reunidas, o consenso científico é de que o aquecimento global está a acontecerinequivocamente, e precisa ser contido com medidas vigorosas sem nenhuma demora, pois os riscos da inação, sob todos os ângulos, são altos demais. O Protocolo de Quioto, bem como inúmeras outras políticas e ações nacionais e internacionais, visam a estabilização da concentração de gases de efeito estufa para evitar uma interferência antrópica perigosa no ambiente. Em novembro de 2009 eram 187 os Estados que assinaram e ratificaram o protocolo. Está prevista para 2014 a publicação da quinta atualização do relatório do IPCC, que deve sintetizar o resultado de novas pequisas com modelos teóricos mais avançados e novos dados observacionais. Seu esboço aprovado do Sumário para Criadores de Políticas, no entanto, já foi divulgado, e segundo declaração do IPCC o novo relatório deve confirmar com ainda maior segurança a origem humana do problema, e enfatizar que os riscos da inação se tornaram maiores. Terminologia O termo "aquecimento global" é um tipo específico de mudança climática à escala global. O termo "mudança climática" também pode se referir ao esfriamento global. No uso comum, o termo se refere ao aquecimento ocorrido nas décadas recentes, e subentende-se uma influência humana. A Convenção Quadro das Nações Unidas para Mudança do Clima usa o termo "mudança climática" para mudanças causadas pelo homem, e "variabilidade climática" para outras mudanças. O termo "alteração climática antrópica" equivale às mudanças no clima causadas pelo homem. O termo "antrópico" parece ser mais adequado do que "antropogênico", um cognato do inglês "anthropogenic", bastante usado neste assunto, inclusive em textos em português. Porém, segundo os dicionários Priberam, Aulete e Michaelis, em português "antropogênico" refere-se especificamente à antropogênese, a geração e reprodução humanas e às origens e desenvolvimento do homem como espécie (do grego ánthropos, homem + genesis, origem, criação, geração). Já "antrópico" é referente àquilo que diz respeito ou procede do ser humano e suas ações, de maneira mais genérica (do grego anthropikos, humano). O dicionário Michaelis define como "pertencente ou relativo ao homem ou ao período de existência do homem na Terra". O dicionário Houaiss traz até mesmo, em uma de suas definições deste verbete, como
  • 5. 5 "relativo às modificações provocadas pelo homem no meio ambiente" — daí a preferência pelo termo "antrópico", neste artigo, para designar as mudanças causadas pela influência humana. A Terra, em sua longa história, já sofreu muitas mudanças climáticas globais de grande amplitude. Isso é demonstrado por uma série de evidências físicas e por reconstruções teóricas. Já houve épocas em que o clima era muito mais quente do que o de hoje, com vários graus centígrados acima da média atual, tão quente que em certos períodos o planeta deve ter ficado completamente livre de gelo. Entretanto, isso aconteceu há milhões de anos, e suas causas foram naturais. A mudança significativa mais recente foi a última glaciação, que terminou em torno de 11 mil anos atrás, e projeta-se que outra não aconteça antes de 30 mil anos. Este último período pós-glacial, chamado Holoceno, também sofreu várias mudanças notáveis e às vezes abruptas, mas as evidências levam a crer que foram localizadas, e acredita-se que a temperatura média global tenha permanecido relativamente estável durante os 1000 anos que antecederam 1850, com flutuações regionais, como o período de calor medieval ou a pequena idade do gelo, que são melhor explicadas por causas naturais. Muitas dessas mudanças, especificamente os períodos de aquecimento, são em alguns aspectos comparáveis e até mais intensas do que as que hoje se verificam, mas em outros aspectos o aquecimento contemporâneo é distinto, e, se as projeções de aumento de cerca de 5 °C até 2100 se confirmarem, será uma alteração inédita nos últimos 50 milhões de anos da história do planeta, em particular no que diz respeito à velocidade do aquecimento. A temperatura global aumentou em média 0,78 °C quando comparada às médias dos períodos 1850–1900 e 2003–2012, com uma faixa de variação de 0,72 a 0,85 ºC.3 Esse aumento não pode ser explicado satisfatoriamente sem levarmos em conta a influência humana. A elevação na temperatura não foi, porém, linear, com várias oscilações para mais e para menos. Variações desse tipo são naturais e esperadas, mas a tendência geral é claramente ascendente, e isso as observações têm provado. De fato, há fortes evidência indicando que o aquecimento antrópico tem sido tão importante que reverteu uma tendência natural dos últimos 5 mil anos de resfriamento do planeta. Não só os gases estufa vêm aumentando. O aumento das concentrações de aerossóis atmosféricos, que bloqueiam parte da radiação solar antes que esta atinja a superfície da Terra e tendem a provocar o resfriamento, também retardou em parte o processo de aquecimento global. Desde 1979, as temperaturas em terra aumentaram quase duas vezes mais rápido que as temperaturas no oceano (0,25 °C por década contra 0,13 °C por década.
  • 6. 6 As temperaturas na troposfera mais baixa aumentaram entre 0,12 e 0,22 °C por década desde 1979, de acordo com medições de temperatura via satélite. As variações registradas para o período 1979-2005 foram:  global: 0,163 ± 0,046 °C/ década, CRU/UKMO (Brohan et al., 2006),  global: 0,174 ± 0,051 °C/ década, NCDC (Smith and Reynolds, 2005),  global: 0,170 ± 0,047 °C/ década, GISS (Hansen et al., 2001).  Hemisfério Sul, 0,092 ± 0,038 °C/ década, CRU/UKMO (Brohan et al., 2006)  Hemisfério Sul, 0,096 ± 0,038 °C/ década, NCDC (Smith and Reynolds, 2005)  Hemisfério Norte, sobre terra: 0,328 ± 0,087 °C/ década, CRU/UKMO (Brohan et al., 2006),  Hemisfério Norte, sobre terra: 0,344 ± 0,096 °C/ década, NCDC (Smith and Reynolds, 2005),  Hemisfério Norte, sobre terra: 0,294 ± 0,074 °C/ década, GISS (Hansen et al., 2001),  Hemisfério Norte, sobre terra: 0,301 ± 0,075 °C/ década, (Lugina et al., 2006). Emissões antrópicas de outros poluentes - em especial aerossóis de sulfato – podem gerar um efeito refrigerativo através do aumento do reflexo da luz incidente. Isso explica em parte o resfriamento observado no meio do século XX, apesar de que o resfriamento pode ter sido em parte devido à variabilidade natural. O Paleoclimatologista William Ruddiman argumentou que a influência humana no clima global iniciou-se por volta de 8.000 anos atrás, com o início do desmatamento florestal para o plantio e 5.000 anos atrás com o início da irrigação de arroz asiática. A interpretação que Ruddiman deu ao registro histórico com respeito aos dados de metano tem sido disputado. Determinação da temperatura global à superfície A determinação da temperatura global à superfície é feita a partir de dados recolhidos em terra, sobretudo em estações de medição de temperatura em cidades, e nos oceanos, por meio de navios e batitermógrafos. É feita uma seleção das estações a considerar, que são as tidas como mais confiáveis, e é feita uma correção no caso de estas se encontrarem perto de urbanizações, a fim de compensar o efeito de "ilha de calor" criado nas cidades.
  • 7. 7 As tendências de todas as seções são então combinadas para se chegar a uma anomalia de temperatura global – o desvio apurado a partir de uma determinada temperatura média de referência. O método de cálculo varia segundo os procedimentos de cada instituição de pesquisa. Por exemplo, no Met Office do Reino Unido, o globo é dividido em seções (por ex., quadriláteros de 5º latitude por 5º longitude) e é calculada uma média ponderada da temperatura mensal média das estações escolhidas em cada seção. As seções para as quais não existem dados são deixadas em branco, sem as estimar a partir das seções vizinhas, e não entram nos cálculos. A média obtida é então comparada com a referência para o período de 1961-1990, obtendo-se o valor da anomalia para cada mês. A partir desses valores é então calculada uma média pesada correspondente à anomalia anual média global para cada Hemisfério e, a partir destas, a anomalia global. Às vezes a acurácia e a confiabilidade dessas medições são contestadas, ou se diz que há poucos dados, mas segundo o Met Office, existem imprecisões, certamente, mas elas são pequenas. Mesmo utilizando-se de métodos diferentes, as várias instituições de pesquisa que calculam este dado regularmente encontram valores similares. Desde janeiro de 1979, os satélites da NASA passaram a medir a temperatura da troposfera inferior (de 1000m a 8000m de altitude) através da monitoração das emissões de microondas por parte das moléculas de oxigénio (O2) na atmosfera. O seu comprimento de onda está diretamente relacionado com a temperatura (estima- se uma precisão de medida da ordem dos 0.01°C). Não são, portanto, diretamente comparáveis à temperatura de superfície, mas a tendência de aquecimento apresentado por nas séries históricas de temperatura por satélite são bastante similares àquelas medidas por termômetros na superfície: enquanto os dados de superfície da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) mostram aquecimento de 0,154 °C por década, os dados da Universidade de Huntsville, Alabama, tomados a partir dos satélites da NASA, indicam 0,142ºC no mesmo período entre 1979 e 2012 Sensibilidade Climática Mudanças nas concentrações de gases estufa e aerossois, na cobertura dos solos e outros fatores interferem no equilíbrio energético do clima e provocam mudanças climáticas. Essas interferências afetam as trocas energéticas entre o Sol, a atmosfera e a superfície da Terra. O quanto um dado fator tem a capacidade de afetar este equilíbrio é a medida da sua forçante radiativa. A sensibilidade climática, por sua vez, é como o sistema climático responde a uma certa forçante radiativa sustentada, e é definida praticamente como o quanto a temperatura média sobe em função da duplicação da quantidade de gás carbônico na atmosfera. Vários fatores
  • 8. 8 podem alterar a resposta da natureza à forçante radiativa. Por exemplo, as emissões de gases e poeira em uma grande erupção vulcânica causam maior reflexão da luz solar de volta ao espaço, provocando resfriamento do sistema climático. Variações na concentração de vapor d'água também alteram o equilíbrio, ou a diminuição da calota polar ártica, assim como outros fatores. O primeiro estudo desse tipo data de 1896, feito pelo sueco Svante Arrhenius. Daí em diante, inúmeros outros foram feitos, a partir de diversos conjuntos de dados e abordagens metodológicas, em países e épocas diferentes. Neles incluem-se tanto levantamentos empíricos, realizados a partir de dados paleoclimáticos ou medições instrumentais recentes, quanto cálculos teóricos baseados em simulações de computador – os modelos climáticos. O 5º Relatório do IPCC indica uma sensibilidade climática entre 1,5 e 4,5 °C, se a concentração de CO2 subir para o dobro dos níveis pré-industriais, isto é, de 280 ppm para 560 ppm. Uma elevação acima de 4 ºC foi considerada improvável em quase todos os modelos do IPCC. Uma elevação maior que 6 °C não foi excluída mas é muito improvável, e valores abaixo de 1 °C são extremamente improváveis. (vide nota ) Nenhum dos cenários matemáticos é otimista quanto à perspectiva oficial de conseguirmos manter o aquecimento em torno de 2 ºC - isso se as metas oficiais forem atingidas -, e nenhum deu a esta possibilidade uma chance maior do que 50%. Em janeiro de 2013, a concentração do CO2 atmosférico atingiu 395 ppm, e continua em ascensão. Projeções conservadoras apontam para mais de 700 ppm até 2100. A evolução das emissões, mantidas como vêm se mostrando até aqui, sugerem mais de 1000 ppm até o final do século. Nenhum dos efeitos produzidos pelas forçantes climáticas é instantâneo. Devido à inércia térmica dos oceanos terrestres e à lenta resposta dos outros efeitos indiretos, o sistema climático da Terra leva mais de três décadas para se estabilizar sob novos parâmetros. Estudos de comprometimento climático indicam que, por esse motivo, ainda que os gases estufa se estabilizassem nos níveis do ano 2000, um aquecimento adicional de aproximadamente 0,5 °C ainda ocorreria devido a um efeito cumulativo retardado. Este aquecimento adicional é inevitável. Quaisquer que sejam os níveis atingidos em 2100 na concentração de gás carbônico, seus efeitos perdurarão por muitos séculos, pois o gás permanece na atmosfera por muito tempo Modelos climáticos Um modelo climático é uma representação matemática de cinco componentes do sistema climático: atmosfera, hidrosfera,criosfera, superfície continental e biosfera. Estes modelos se baseiam em princípios físicos que incluem dinâmica de fluidos, termodinâmica e teoria de transporte radiativo.
  • 9. 9 Podem incluir componentes que representam o movimento do ar, sua temperatura, nuvens, e outras propriedades atmosféricas; temperatura oceânica, salinidade, e circulação; cobertura de gelo continental e oceânica; a transferência de calor e umidade do solo e vegetação para a atmosfera; processos químicos e biológicos; entre outros. Porém, o comportamento natural destes elementos não foi suficiente para explicar as mudanças climáticas recentes. Apenas quando os modelos incluem influências humanas, como o aumento da concentração de gases estufa ou a mudança no uso da terra, é que eles conseguem reproduzir adequadamente o aquecimento recente. É significativo que nenhum dos modelos que excluem os fatores humanos pôde reproduzir as observações com fidelidade, enquanto apenas os que os incluíram conseguiram se aproximar satisfatoriamente das temperaturas observadas. Para provar sua confiabilidade os modelos que estabelecem previsões futuras precisam reproduzir as observações reais registradas historicamente. Os modelos mais usados são globais, notoriamente imprecisos no que diz respeito a detalhamentos localizados, e certamente têm limitações e margens de erro, mas eles reproduzem com grande aproximação as mudanças do clima em escala global observadas no passado e atestadas por registros de vários tipos. Se a checagem com as séries históricas se confirma, pode- se usar o mesmo modelo de maneira reversa para prever o futuro com bom grau de confiabilidade. Mas, pelas suas limitações, os modelos não podem chegar ao nível do detalhe regional microscópico, e também porque não se pode saber antecipadamente como a sociedade responderá no futuro próximo a este desafio. Essa resposta, ainda incerta, introduzirá possivelmente novos fatores na equação, podendo mudar os cenários de longo prazo radicalmente para melhor ou para pior. De qualquer modo, para minimizar as incertezas, os modelos vêm sendo constantemente aperfeiçoados. Apesar dos pesquisadores procurarem incluir tantos processos quanto possível, simplificações do sistema climático real são inevitáveis, uma vez que há limitações quanto à capacidade de processamento e disponibilidade de dados. Resultados dos modelos podem variar devido a diferentes projeções de emissões de gases, bem como à sensibilidade climática do modelo. Por exemplo, a margem de erro nas projeções do Quarto Relatório do IPCC de 2007 deve-se a (1) o uso de diversos modelos com diferentes sensibilidades à concentração de gases estufa, (2) o uso de diferentes estimativas das emissões humanas futuras de gases estufa, e (3) outras emissões provindas de feedbacks climáticos que não foram incluídas nos modelos constantes no relatório do IPCC, como a liberação de metano quando derrete o permafrost.
  • 10. 10 Os modelos não tomam o aquecimento como premissa, mas calculam, segundo as leis da física conhecidas, como os gases estufa vão interagir quanto ao transporte radiativo e outros processos físicos. Apesar de haver divergências quanto à atribuição de causas do aquecimento ocorrido na primeira metade do século XX, eles convergem no tocante ao aquecimento recente, a partir da década de 70, ter sido causado por emissões humanas de gases estufa. O realismo físico dos modelos é testado através da simulação do clima presente e passado, a partir dos dados conhecidos. De fato, as principais projeções do IPCC, quando comparadas às observações subsequentes, mostram-se precisas. Em alguns casos, como o aumento do nível do mar e a retração da calota polar Ártica, estas projeções mostraram-se conservadoras demais, com os eventos observados ocorrendo em ritmo bem mais rápido que o previsto. As primeiras projeções e as observações subsequentes A expressão "aquecimento global" não era conhecida até a década de 1970; ela só foi cunhada em 1975, num artigo do geoquímico Wallace Broecker publicado na revista Science. Nesta altura ainda não havia sido despertada a atenção geral para o fenômeno que a expressão descreve, e embora os cientistas há bastante tempo já soubessem que o homem poderia teoricamente afetar as condições climáticas do planeta, e que certos gases como o dióxido de carbono deviam estar envolvidos num efeito estufa, não se podia discernir exatamente como as mudanças aconteceriam. John Tyndall e Svante Arrhenius fizeram os estudos pioneiros no século XIX. Guy Stewart Callendar, baseando-se nas pesquisas deles, deixou outra contribuição fundamental em 1938. Analisando registros históricos mundiais, foi o primeiro a demonstrar documentalmente a atual tendência de elevação nas temperaturas, descobrindo que o mundo havia esquentado aproximadamente 0,3°C nos 50 anos anteriores, e foi o primeiro a associar essa elevação às emissões de carbono derivadas das atividades humanas. Suas conclusões foram recebidas com bastante ceticismo e seu estudo caiu na obscuridade, em parte porque este campo de pesquisas recém começava a ser desbravado e havia muita incerteza, mas também porque ele era apenas um climatologista amador, mas seus gráficos se aproximam notavelmente das análises mais recentes, e em meados do século XX vários especialistas já chegavam a resultados semelhantes. Um deles, Roger Revelle, escreveu em 1965: "Em torno do ano 2000 a elevação nos níveis atmosféricos de CO2 pode ser suficiente para produzir mudanças mensuráveis e talvez marcantes no clima, que quase certamente causarão mudanças significativas na temperatura e em outras propriedades da estratosfera", previsão que, na data apontada, havia se confirmado
  • 11. 11 O primeiro trabalho que enfocou claramente o problema foi publicado em 1979 pela National Academy of Science dos Estados Unidos, conhecido como o Relatório Charney, onde declarou-se que "se o dióxido de carbono continuar a se elevar, não há razão para duvidar que resultarão mudanças climáticas, e não há razão para acreditar que elas serão desprezíveis". Nos anos 80, foram feitos outros estudos dos impactos das emissões humanas de gases estufa em projeções futuras de temperatura. Dois destes trabalhos foram realizados em 1981 e 1988 por James Hansen, da NASA, um dos principais climatologistas do mundo. Além das limitações da época quanto aos dados e capacidade computacional disponíveis, havia incertezas quanto à própria sensibilidade climática, bem como à evolução das emissões humanas de gases estufa. Mesmo assim, ambos os trabalhos, quando comparados às observações subsequentes, mostram bastante precisão. O primeiro deles projetou evolução de temperatura ligeiramente inferior ao observado, e se baseou em cálculos que incluíam uma sensibilidade climática de 2,8 °C. O segundo, por sua vez, superestimou o aumento de temperatura, se baseando em uma sensibilidade climática de 4,2 °C. Tais resultados corroboram o consenso em torno da sensibilidade climática de cerca de 3 °C. Em 1988 Hansen levou seus resultados a uma audiência com o congresso dos Estados Unidos, marcando a primeira tentativa da comunidade científica de alertar o poder público da necessidade de ação para limitar emissões de gases estufa. Sua representação recebeu larga divulgação na imprensa e o tema se tornou imediatamente popular, mas até a data havia grande cautela entre os cientistas na associação da elevação da temperatura com as atividades humanas. Desde então as pesquisas se multiplicaram, e a referida associação ganhou crescente grau de certeza com a compilação de numerosas evidências adicionais, embora ao mesmo tempo se levantasse grande polêmica sobre a confiabilidade dos achados e das previsões científicas. A partir de 1990 o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), organizado sob a chancela da Organização Meteorológica Mundial e do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, e coordenando uma equipe científica vasta composta de vários milhares dos melhores especialistas de todo o mundo, passou a publicar seus relatórios. O IPCC não produz pesquisa original, mas sintetiza o estado da arte neste tema. O relatório de 1990 já declarou que o efeito estufa já mantinha a Terra mais quente do que deveria, e previu que as emissões de gases estufa resultantes das atividades humanas, entre outras consequências, "vão amplificar o efeito estufa, resultando em média num aumento adicional na temperatura da superfície terrestre. O principal gás estufa, o vapor d'água, vai aumentar em resposta ao aquecimento global e fazer com que este também aumente".
  • 12. 12 Em 2007 veio à luz o Quarto Relatório, apresentando a mais ampla e atualizada síntese do conhecimento científico sobre o aquecimento global, confirmando, com muito elevado grau de confiança, que o homem é responsável pelo aquecimento presente, e detalhando com profundidade as evidências disponíveis e as condições atuais nos vários ecossistemas e na vida humana, bem como os impactos potenciais futuros sob diferentes cenários de emissão, sugerindo adicionalmente formas de combate às origens e efeitos do problema. Vários estudos independentes que vêm sendo realizados nos últimos anos divulgaram observações que se aproximam das faixas mais pessimistas dos cenários previstos pelo IPCC em 2007, e sugerem que as projeções anteriores, por mais preocupantes que já tenham sido, podem na verdade ter sido conservadoras em vários aspectos importantes. Até fins de 2014 deve aparecer na íntegra o Quinto Relatório do IPCC, atualizando a situação e fazendo previsões com modelos mais sofisticados e dados observacionais novos. Neste ínterim, os esboços finais aprovados do Sumário para Criadores de Políticas e dos Volumes I, II e III, respectivamente sobre as bases científicas do aquecimento, sobre os impactos, vulnerabilidades e adaptação, e sobre a mitigação, já foram divulgados, permitindo apreciações preliminares. A bibliografia especializada sobre o tema mais que dobrou desde o último relatório, dando muito maior segurança sobre as conclusões da síntese do IPCC, e trazendo análises novas sobre dados antes não computados, que ampliaram consideravelmente o entendimento do fenômeno. Em essência, os resultados do novo documento aumentaram o nível de certeza sobre a origem humana do problema, confirmaram as tendências climáticas assinaladas nos relatórios anteriores e a gravidade das perspectivas futuras, e alertaram que os riscos da inação se tornam a cada dia maiores. Para Suzana Kahn, que fez parte do grupo de pesquisadores brasileiros que colaboram com o IPCC, "o grande ganho (do novo relatório) é a comprovação do que tem sido dito há mais tempo, com muito mais informação sobre o papel dos oceanos, das nuvens e aerossóis". Mercedes Bustamante, uma das coordenadoras do grupo de trabalho 3, sobre a mitigação, aponta que também houve mudanças importantes em relação ao relatório anterior no sentido de unir o estudo do uso da terra e das florestas com o da agricultura, em vista da maior atenção que vem sendo dada à relação entre conservação da natureza e segurança alimentar Clima Projeção das mudanças no regime anual de chuvas até o fim do século XXI. As zonas mais azuis devem receber mais chuvas, e as mais alaranjadas devem experimentar a maior redução. O mapa mostra que praticamente toda a área de produção agropecuária do Brasil, e grandes biomas úmidos que dependem vitalmente de água e chuva abundantes, como o Pantanal e a Mata Atlântica, estão sob ameaça de tornarem significativamente mais secos. Outros que
  • 13. 13 naturalmente têm menos precipitação, como o Cerrado e a Caatinga, também devem ter seu equilíbrio afetado negativamente. A Caatinga, que é naturalmente a região mais seca do Brasil, poderá receber até 50% menos de chuvas nas projeções mais pessimistas (6 °C de aquecimento). O Pampa, por outro lado, poderá ter sua precipitação aumentada em até 40%. Em ambos os casos, as mudanças que isso provocará no equilíbrio dos biomas provavelmente serão significativas. Vários estudos preveem a savanização de grandes áreas daFloresta Amazônica e a desertificação de outros ecossistemas brasileiros, com extensa perda de biodiversidade e impacto socioeconômico Portugal todo deve ficar sob influência semelhante. O aquecimento da atmosfera aumenta sua capacidade de reter vapor d'água, bem como aumenta a evaporação das águas superficiais (oceanos, lagos e rios). Isso tem dois efeitos importantes: em primeiro lugar, aumenta a quantidade de água disponível na atmosfera, e em certas regiões, quando essa água em vapor se converte em chuva, tende a chover com mais intensidade porque há mais água a descarregar. Uma série de eventos extremos recentes associados ao ciclo das águas, como chuvas torrenciais, secas recorde e ciclones tropicais devastadores com pesada precipitação, vem sendo relacionada ao progressivo aquecimento global, e é prevista uma intensificação em sua gravidade, embora essas mudanças devam ocorrer de maneira irregular sobre o planeta, com zonas mais afligidas por precipitação excessiva e outras menos, e algumas até com tendência inversa, passando a sofrer secas mais fortes e prolongadas. Essa irregularidade é resultado da combinação de vários outros fatores influenciados pelo aquecimento, como a mudança no regime de ventos, nas correntes oceânicas e na linha de monções. O segundo efeito deriva do fato de que o vapor d'água é um gás estufa por si mesmo, e de todos o mais importante, porque existe em grande quantidade na nossa atmosfera naturalmente. Aumentando o calor, aumenta a quantidade de vapor d'água na atmosfera, dando importante acréscimo ao efeito estufa gerado pelos outros gases. Espera-se que essas alterações no regime de chuvas do mundo afetem negativamente de múltiplas maneiras a agricultura, as pastagens e a pecuária, a silvicultura e a produção de alimentos em geral, pois todas essas atividades humanas, que vêm sendo desenvolvidas há milênios, e que dependem essencialmente de outros seres vivos, dependem também das condições estáveis e previsíveis do clima às quais todas as espécies foram acostumadas há muito tempo. As mudanças atuais são rápidas e grandes demais para a natureza absorvê-las sem profundo abalo, e deverão alterar todo o conhecido equilíbrio das forças naturais, desorganizando e desestruturando grande parte dos sistemas produtivos da humanidade construídos sobre esse mesmo equilíbrio, cuja razoável estabilidade e previsibilidade possibilitou o desenvolvimento de sistemas de alta produtividade e em larga escala como os que existem hoje, dos quais depende a humanidade para sua sobrevivência e conforto.
  • 14. 14 Em consequência, prevê-se que deverão crescer a pobreza, certas doenças e a fome, os conflitos violentos derivados da competição entre grupos e nações por recursos em declínio, e o uso de recursos tecnológicos, pesticidas e adubos nas criações e culturas para compensar a queda na produtividade, o que contaminará ainda mais o ambiente e elevará os custos de produção, prejudicando ambiente, produtores e consumidores de todo o mundo num efeito em cascata. O desregramento nas chuvas, junto com a redução acelerada de reservatórios naturais como os glaciares de montanha, deve provocar paralelamente a redução dos mananciais de água doce disponível em todo o mundo, afetando ecossistemas, a vida natural e o homem e seus sistemas produtivos. Cerca de 700 mil moradias foram destruídas, 3/4 das criações de animais pereceram, metade da frota pesqueira afundou, um milhão de acres de terras cultivadas foram salgadas por uma maré de tempestade de 3,5 metros que acompanhou o ciclone, os mananciais de água doce foram salgados e contaminados, e os sobreviventes sofreram com epidemias de febre tifoide, cólera, disenteria e outras doenças, além de fome, sede e falta de assistência médica e abrigo. A recuperação das nações pobres atingidas por desastres tão graves às vezes leva anos, só para em pouco tempo serem sujeitas a novos desastres, muitas delas estando localizadas em áreas naturalmente propensas a eles, como no sudeste asiático e no Caribe. Com o crescimento constante da população do mundo e sua progressiva concentração nas cidades, que frequentemente não conseguem se adaptar a tempo para acompanhar o inchaço populacional e se tornam por isso particularmente vulneráveis, os impactos tendem a ser maiores pela maior exposição da população somada à maior intensidade dos fenômenos destrutivos. Embora seja esperado com grande grau de certeza que a intensidade dos eventos de clima extremo aumente, se o aquecimento vai elevar o número dessas ocorrências já é mais incerto. Mas, como observou o pesquisador sênior do National Center for Atmospheric Research dos Estados Unidos, Kevin Trenberth, mesmo que os eventos "extremos" não se multipliquem em número, até mesmo os eventos "normais" devem se intensificar em alguma medida, pois ocorrerão dentro de um ambiente climático que foi todo ele modificado, estando mais quente e mais úmido. Variações regionais são esperadas e o efeito dominante depende de muitos fatores, entre eles a altitude e do tamanho das nuvens e das suas gotículas. Pesquisas recentes mostram que as nuvens interagem também com muitas outras alterações físicas e biológicas que ocorrem na Terra, como por exemplo o aumento nos níveis de
  • 15. 15 aerossóis antrópicos, o aumento na umidade troposférica e as imprevisíveis emissões por vulcanismo, e teoriza-se que possam sofrer influências tão distantes quanto dos raios cósmicos, que poderiam ser capazes de afetar a formação dos núcleos primários de condensaçãodas gotículas da chuva. Efeitos combinados de mudanças no tipo ou quantidade de nuvens, maior umidade e temperatura também devem afetar a produção de precursores biológicos do ozônio atmosférico, mas todo o papel das nuvens no aquecimento ainda é incerto. Efeitos sobre o mar Uma outra causa de grande preocupação é a subida do nível do mar. O nível dos mares é sujeito a muitas variáveis naturais e, ao contrário do que se poderia imaginar, é bastante desigual nas diferentes regiões oceânicas. Sua medição é muito complexa, mas encontrou-se que entre 1961 e 2003 o nível médio aumentou 1,8 (±0,5) milímetros por ano, e entre 1993 e 2003 o ritmo foi de 3,1 (±0,7) mm por ano. Foi preciso ter em conta muitos fatores para se chegar a uma estimativa do aumento do nível do mar no passado. Mas diferentes investigadores, usando métodos diferentes, acabaram por confirmar o mesmo resultado. O cálculo que levou à conclusão não foi simples de fazer. Na Escandinávia, por exemplo, as medidas realizadas parecem indicar que o nível das águas do mar está a descer cerca de 4 milímetros por ano. No norte das Ilhas Britânicas, o nível das águas do mar está também a descer, enquanto no sul se está a elevar. Isso deve-se ao fato da Fennoscandia (o conjunto da Escandinávia, da Finlândia e da Dinamarca) estar ainda a subir, depois de ter sido pressionada por glaciares de grande massa durante a última era glacial. Os glaciares parecem ser muito mais afetados pelas mudanças climáticas do que as camadas de gelo da Gronelândia e Antártica, as quais não se espera que contribuam significativamente para o aumento do nível do mar nas próximas décadas, por estarem em climas frios, com baixas taxas de precipitação e derretimento. O conhecimento da dinâmica marinha ainda é muito incompleto, mas já existe um consenso de que o nível do mar vai continuar a se elevar pelos séculos à frente, mesmo com a estabilização imediata das emissões de gases estufa. Colapso da banquisa antárticaLarsen B em 2002, relacionado ao aquecimento global. O gelo cobria uma área de c. 3.250 km2. O contorno do estado de Rhode Island, nos Estados Unidos, foi sobreposto para comparação. As perdas totais de gelo mundial entre 2005 e 2009 foram calculadas pelo 5º Relatório do IPCC em 301 gigatoneladas por ano (média), havendo grande consenso de que as perdas vão continuar grandes no futuro próximo mesmo se as temperaturas se estabilizarem imediatamente. Não há garantia de que a tendência será reversível.
  • 16. 16 As projeções do IPCC indicam uma elevação média do nível do mar de aproximadamente 40 a 60 cm até 2100, com uma faixa de variação de 26 a 98 cm, e é virtualmente certo que a elevação continuará depois de 2100. Projeções independentes indicam níveis ainda maiores. Em qualquer dos cenários, os impactos sobre o homem serão seguramente vastos. Muitas ilhas e regiões litorâneas baixas, onde se concentra uma parte expressiva da população mundial e onde hoje florescem muitas megacidades, como Hong Kong, Nova Iorque, Rio de Janeiro, Buenos Aires, serão inundadas em graus variáveis, o que causará perdas materiais e culturais incalculáveis e provocará migrações em massa para regiões mais elevadas, gerando novos transtornos e despesas em larga escala. Pelo menos oito megacidades litorâneas são construídas sobre terrenos frágeis que estão afundando, aumentando ainda mais a rapidez do processo de inundação. Um estudo avaliou os custos para os Estados Unidos de uma elevação de um metro no nível do mar: isso inundaria até 30 mil km2 de costas, e cada proprietário de terreno habitacional típico junto à costa deveria gastar de mil a dois mil dólares em medidas de contenção das águas. No total, junto com outros custos, seriam gastos de 270 a 475 bilhões de dólares. Isso poderia ser viável economicamente, mas o estudo concluiu que as perturbações ambientais que a movimentação e alteração maciça do terreno costeiro causariam poderiam ser inaceitáveis. Outra pesquisa, analisando o caso do Senegal, calculou que a elevação de um metro significaria a inundação de 6 mil km2 de terra da região mais populosa do país, provocando um êxodo de até 180 mil pessoas e danos a propriedades que chegariam a 700 milhões de dólares, o que equivalia, na data do estudo, a 17% do PIB nacional. Já existem vários projetos destinados a obras de adaptação e a conter a subida do mar em alguns locais críticos, construindo-se canais, comportas, diques, ilhas artificiais, muros, estruturas flutuantes, terraços e outros métodos, como oreflorestamento costeiro e fixação de dunas. Os Países Baixos, que possuem grande parte de seu território muitos metros abaixo do nível do mar e construíram um eficiente sistema de grandes diques para protegê-lo, são frequentemente apontados como um modelo bem sucedido de ação. Porém, o tempo para isso está diminuindo, enquanto que a ameaça está aumentando. A simples elevação do mar também afetará os ecossistemas costeiros, causando sua degradação ou erradicação, com perdas ou modificações importantes de biodiversidade
  • 17. 17 CONCLUSÃO Depois de uma séria pesquisa na cadeira de Geografia sob tema “Aquecimento Global” chagamos a conclusão que O aquecimento global é uma consequência das alterações climáticas ocorridas no planeta. É importante realçar que as causas do aquecimento global são muito pesquisadas. Existe uma parcela da comunidade científica que atribui esse fenômeno como um processo natural, afirmando que o planeta Terra está numa fase de transição natural, um processo longo e dinâmico, saindo da era glacial para a interglacial, sendo o aumento da temperatura consequência desse fenômeno. No entanto, as principais atribuições para o aquecimento global são relacionadas às atividades humanas, que intensificam o efeito de estufa através do aumento na queima de gases de combustíveis fósseis, como petróleo, carvão mineral e gás natural. A queima dessas substâncias produz gases como o dióxido de carbono (CO2), o metano (CH4) e óxido nitroso (N2O), que retêm o calor proveniente das radiações solares, como se funcionassem como o vidro de uma estufa de plantas, esse processo causa o aumento da temperatura. Outros fatores que contribuem de forma significativa para as alterações climáticas são os desmatamentos e a constante impermeabilização do solo.
  • 18. 18 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS  Myneni, Ranga. "Amplified Greenhouse Effect Shaping North into South". EurekAlert,, 10/03/2013  Hansen, Kathryn. "Amplified Greenhouse Effect Shifts North's Growing Seasons". NASA Headquarters Press Release, 10/03/2013  IPCC. Climate Change 2013: The Physical Science Basis: Technical Summary. Contribution of Working Group I (WGI) to the Fifth Assessment Report (AR5) of the Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC), 2013  Betts, Richard A. et al. "When could global warming reach 4°C?" In:Phil. Trans. R. Soc. A, 2011; 369 (1934):67-84  Lu, Jian; Vechhi, Gabriel A.; Reichler, Thomas. "Expansion of the Hadley cell under global warming". In: Geophysical Research Letters, 2007; 34(6):L06805  Nellemann, C. et alii (Eds). "The environmental food crisis – The environment’s role in averting future food crises". UNEP Rapid Response Assessment Series. United Nations Environment Programme, GRID-Arendal  Barnosky, Anthony et al. Scientific Consensus on Maintaining Humanity’s Life Support Systems in the 21st Century: Information for Policy Makers. Millenium Alliance for Humanity and the Biosfere, 2013  Ir para cima↑ Myneni, Ranga. "Amplified Greenhouse Effect Shaping North into South". EurekAlert, 10/03/2013