O AQUECIMENTO GLOBAL E SUAS CATASTRÓFICAS CONSEQÜÊNCIAS

Fernando Alcoforado *

O aquecimento global resulta do efeito estufa provocado pela retenção de calor na baixa
atmosfera da Terra causada pela concentração de gases de diversos tipos. A Terra
recebe radiação emitida pelo Sol que é absorvida pela superfície terrestre aquecendo-a.
Grande parte desta radiação é devolvida para o espaço e a outra parte é absorvida pela
camada de gases que envolve a atmosfera provocando o efeito estufa.É em função deste
fenômeno natural, o efeito estufa, que temos uma temperatura média da Terra na faixa
de 15ºC. Sem este fenômeno, a temperatura média do Planeta seria de -18ºC.

Para se manter em equilíbrio climático, o planeta precisa receber a mesma quantidade
de energia que envia de volta para o espaço. Se ocorrer desequilíbrio por algum motivo,
o globo esquenta ou esfria até a temperatura atingir, mais uma vez, a medida exata para
a troca correta de calor. O aquecimento global é produzido pela atividade humana no planeta
e também por processos naturais , como a decomposição da matéria orgânica e as erupções
vulcânicas, que produzem dez vezes mais gases que o homem. Por eras, os processos
naturais garantiram sozinhos a manutenção do efeito estufa, sem o qual a vida não seria
possível na Terra.

O equilíbrio climático natural foi rompido pela atividade humana desde o século XIX
com a Primeira Revolução Industrial. A partir do século XIX, as concentrações de
dióxido de carbono no ar aumentaram 30%, as de metano dobraram e as de óxido
nitroso subiram 15%. Os gases responsáveis pelo aquecimento global derivados da
atividade humana são produzidos pelos combustíveis fósseis usados nos carros, nas
indústrias e nas termelétricas, pela produção agropecuária e pelas queimadas nas
florestas. Apenas o CO2 acumulado na atmosfera totaliza hoje 750 bilhões de toneladas.

A última vez em que os níveis de gases do efeito estufa estiveram tão altos quanto agora
foi há 3,5 milhões de anos. O ano de 2007 foi o mais quente desde que as temperaturas
começaram a ser registradas, em 1866. Pelo que se sabe, o planeta está mais quente do
que já foi em qualquer momento dos últimos dois milênios. Se mantiver o ritmo atual,
no fim do século a temperatura média será a mais elevada dos últimos 2 milhões de
anos.

As evidências do aquecimento global são, em síntese, as seguintes:

•   11 dos 12 últimos anos foram os mais quentes registrados no planeta
•   Temperatura na região ártica dobrou nos últimos 100 anos
•   Desde 1978, a cada década quase 3% da camada de gelo do Pólo Norte derreteu,
    contribuindo para aumentar o nível do mar
•   Montanhas glaciais e geleiras vêm derretendo em ritmo recorde
•   2.000 metros, foi o comprimento que a geleira Gangotri (que tem agora 25 km), no
    Himalaia, perdeu em 150 anos. E o ritmo está acelerando.
•   Oceanos absorvem 80% do calor excedente gerado nos últimos anos, ajudando a
    aumentar o nível dos mares.




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•   Mesmo que a humanidade consiga limitar o aquecimento global a apenas 2 graus
    Celsius, as gerações futuras terão de lidar com o nível do mar de 12 a 22 metros
    maior do que o atual
•   Nível das chuvas cresceu de forma alarmante nas América do Norte e do Sul, no
    norte da Europa e no norte e no centro da Ásia
•   Secas aumentaram no Sahel, Mediterrâneo, sul da África e partes do sul da Ásia
•   Água do mar no hemisfério norte tem ficado mais fria; no hemisfério sul, o grau de
    salinidade aumentou
•   Aumentou o número de dias quentes e diminuiu a quantidade de nevascas e dias de
    baixa temperatura
•   Desde 1970, aumentou a incidência de tufões e furacões no Atlântico Norte
•   As geleiras do Himalaia estão derretendo, as ilhas do leste da Índia estão ficando
    embaixo d'água e os desertos do país estão sendo inundados por chuvas incomuns.

Se a tendência atual de crescimento dos gases de estufa prosseguir, entre os anos 2020 e
2070, a concentração de dióxido de carbono na atmosfera poderá duplicar e a
temperatura média superficial da Terra poderá aumentar de 1,4°C e 5,8°C até o ano
2100. Hoje as emissões são de 8,8 bilhões de toneladas de carbono (ou 32,3 bilhões de
toneladas de CO2) ao ano. As conseqüências de um constante aumento do dióxido de
carbono na atmosfera serão provavelmente catastróficas se outros fatores moderadores
não entrarem em cena. Um desses fatores moderadores seria a absorção do excesso de
dióxido de carbono e de calor pelos oceanos. Entretanto, a absorção do dióxido de
carbono pelos oceanos é lenta. Além disso, os oceanos só podem processar 50% do
dióxido de carbono gerado pelo homem.

Uma das conseqüências da elevação da temperatura é a expansão térmica do oceano que
contribui para aumentar o seu volume. Em conseqüência da expansão térmica dos oceanos, as
gerações futuras terão de lidar com o nível do mar de 12 a 22 metros maior do que o
atual, de acordo com cientistas da Universidade de Rutgers, em Nova Jersey, Estados
Unidos. O mundo sentirá os efeitos adversos da elevação do nível dos mares enquanto as
coberturas de gelo nos polos continuar a derreter-se em conseqüência da elevação das
temperaturas dos oceanos. O polo Norte pode desaparecer até 2100. Se o atual ritmo de fusão
das coberturas de gelo nos polos prosseguir, grandes extensões de terra ao longo da costa
marítima desaparecerão, juntamente com ilhas de terras baixas e cidades.

O efeito estufa contribuirá para diminuir a precipitação atmosférica em algumas áreas
do planeta fazendo com que nelas ocorram temperaturas mais elevadas e maior
evaporação. Nessas circunstâncias, o fluxo dos rios poderá diminuir em 50% ou mais
podendo alguns deles secar completamente. Importantes lençóis freáticos poderão ficar
seriamente reduzidos, fazendo com que os poços de irrigação sequem. Por outro lado,
outras áreas do globo terrestre poderão ficar alagadas por causa da superabundância de
precipitações, resultando em extensas inundações. Um número maior de furacões
ocorrerá com o aumento das temperaturas globais. O aumento das temperaturas globais
poderá alterar drasticamente o clima e mudar os padrões de precipitação atmosférica em
todo o mundo. Essa alteração poderá provocar condições de umidade incomuns para
certas regiões e aridez para outras.

Para estabilizar a concentração atmosférica do dióxido de carbono, os cientistas
acreditam que as emissões globais devem ser reduzidas das atuais 8,8 para 2 bilhões de
toneladas por ano. No mundo, os principais causadores do efeito estufa são o uso e a


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produção de energia (57%), a utilização do clorofluorcarbono na refrigeração (17%), as
práticas agrícolas (14%), o desmatamento (9%) e outras atividades industriais (3%). No
Brasil, o desmatamento (75,4%), a queima de combustíveis fósseis (22%), os processos
industriais (1,6%) e outros (1%) são os principais responsáveis pelo efeito estufa.

Independentemente das várias soluções que venham a ser adotadas para eliminar ou
mitigar as causas do efeito estufa como, por exemplo, o combate ao desmatamento, a
adoção de novas práticas agrícolas, a mais importante é sem dúvidas a mudança da
matriz energética mundial com a adoção de medidas que contribuam para a eliminação
ou redução do consumo de combustíveis fósseis na produção de energia, bem como para
seu uso mais eficiente nos transportes, na indústria, na agropecuária e nas cidades
(residências e comércio), haja vista ser o uso e a produção de energia responsáveis por
57% dos gases de estufa emitidos pela atividade humana.

Para atingir este objetivo, é imprescindível a implantação de um sistema de energia
sustentável que contribua para a produção de energia limpa. Para existir um sistema de
energia sustentável no mundo com a produção de energia limpa é preciso que até 2030 a
produção de petróleo seja reduzida à metade e a de carvão de 90%, enquanto as fontes
renováveis de energia cresçam quase 4 vezes para reduzir as emissões de carbono à
metade registrada em 1989. No ano 2030, as energias renováveis deveriam ser da ordem
de 70% da produção total de energia do planeta. Estes são os requisitos de um sistema
energético sustentável em todo o mundo.

No Brasil, o esforço deveria ser voltado para o combate ao desmatamento, o controle da
poluição industrial e substituição dos combustíveis fósseis utilizados na produção de
energia por fontes renováveis. Num momento em que se sabe que é preciso minimizar o
aquecimento global através da adoção de técnicas limpas e sustentáveis, investindo-se
em fontes de energia renováveis em substituição aos combustíveis fósseis, o governo
brasileiro decidiu explorar o petróleo descoberto nas profundezas das camadas do pré-
sal no litoral sul/sudeste do país, cujas emissões correspondentes estarão na atmosfera
nos próximos anos, alimentando ainda mais o ciclo do aquecimento global.

Isto significa dizer que, na contramão da luta contra o aquecimento global e suas
catastróficas conseqüências, o governo brasileiro faz planos para explorar o petróleo
descoberto nas camadas do pré-sal no litoral sul/sudeste do país sem que seja abordado
um ponto muito importante em toda esta discussão: a questão ambiental. Fala-se no uso
dos lucros da exploração do petróleo do pré-sal em investimentos na inclusão social e
cultural da população brasileira que entende deva ser feito através da educação, da
saúde e da habitação e, lamentavelmente, nada sobre o impacto desta atividade sobre o
aquecimento global.

*Fernando Alcoforado, 73, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional
pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico,
planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos
livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem
Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000),
Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de
Barcelona, http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento
(Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos
Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the
Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller


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Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe
Planetária (P&A Gráfica e Editora, Salvador, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil
e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011) e
Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012),
entre outros.




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O aquecimento global e suas catastróficas conseqüências

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    O AQUECIMENTO GLOBALE SUAS CATASTRÓFICAS CONSEQÜÊNCIAS Fernando Alcoforado * O aquecimento global resulta do efeito estufa provocado pela retenção de calor na baixa atmosfera da Terra causada pela concentração de gases de diversos tipos. A Terra recebe radiação emitida pelo Sol que é absorvida pela superfície terrestre aquecendo-a. Grande parte desta radiação é devolvida para o espaço e a outra parte é absorvida pela camada de gases que envolve a atmosfera provocando o efeito estufa.É em função deste fenômeno natural, o efeito estufa, que temos uma temperatura média da Terra na faixa de 15ºC. Sem este fenômeno, a temperatura média do Planeta seria de -18ºC. Para se manter em equilíbrio climático, o planeta precisa receber a mesma quantidade de energia que envia de volta para o espaço. Se ocorrer desequilíbrio por algum motivo, o globo esquenta ou esfria até a temperatura atingir, mais uma vez, a medida exata para a troca correta de calor. O aquecimento global é produzido pela atividade humana no planeta e também por processos naturais , como a decomposição da matéria orgânica e as erupções vulcânicas, que produzem dez vezes mais gases que o homem. Por eras, os processos naturais garantiram sozinhos a manutenção do efeito estufa, sem o qual a vida não seria possível na Terra. O equilíbrio climático natural foi rompido pela atividade humana desde o século XIX com a Primeira Revolução Industrial. A partir do século XIX, as concentrações de dióxido de carbono no ar aumentaram 30%, as de metano dobraram e as de óxido nitroso subiram 15%. Os gases responsáveis pelo aquecimento global derivados da atividade humana são produzidos pelos combustíveis fósseis usados nos carros, nas indústrias e nas termelétricas, pela produção agropecuária e pelas queimadas nas florestas. Apenas o CO2 acumulado na atmosfera totaliza hoje 750 bilhões de toneladas. A última vez em que os níveis de gases do efeito estufa estiveram tão altos quanto agora foi há 3,5 milhões de anos. O ano de 2007 foi o mais quente desde que as temperaturas começaram a ser registradas, em 1866. Pelo que se sabe, o planeta está mais quente do que já foi em qualquer momento dos últimos dois milênios. Se mantiver o ritmo atual, no fim do século a temperatura média será a mais elevada dos últimos 2 milhões de anos. As evidências do aquecimento global são, em síntese, as seguintes: • 11 dos 12 últimos anos foram os mais quentes registrados no planeta • Temperatura na região ártica dobrou nos últimos 100 anos • Desde 1978, a cada década quase 3% da camada de gelo do Pólo Norte derreteu, contribuindo para aumentar o nível do mar • Montanhas glaciais e geleiras vêm derretendo em ritmo recorde • 2.000 metros, foi o comprimento que a geleira Gangotri (que tem agora 25 km), no Himalaia, perdeu em 150 anos. E o ritmo está acelerando. • Oceanos absorvem 80% do calor excedente gerado nos últimos anos, ajudando a aumentar o nível dos mares. 1
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    Mesmo que a humanidade consiga limitar o aquecimento global a apenas 2 graus Celsius, as gerações futuras terão de lidar com o nível do mar de 12 a 22 metros maior do que o atual • Nível das chuvas cresceu de forma alarmante nas América do Norte e do Sul, no norte da Europa e no norte e no centro da Ásia • Secas aumentaram no Sahel, Mediterrâneo, sul da África e partes do sul da Ásia • Água do mar no hemisfério norte tem ficado mais fria; no hemisfério sul, o grau de salinidade aumentou • Aumentou o número de dias quentes e diminuiu a quantidade de nevascas e dias de baixa temperatura • Desde 1970, aumentou a incidência de tufões e furacões no Atlântico Norte • As geleiras do Himalaia estão derretendo, as ilhas do leste da Índia estão ficando embaixo d'água e os desertos do país estão sendo inundados por chuvas incomuns. Se a tendência atual de crescimento dos gases de estufa prosseguir, entre os anos 2020 e 2070, a concentração de dióxido de carbono na atmosfera poderá duplicar e a temperatura média superficial da Terra poderá aumentar de 1,4°C e 5,8°C até o ano 2100. Hoje as emissões são de 8,8 bilhões de toneladas de carbono (ou 32,3 bilhões de toneladas de CO2) ao ano. As conseqüências de um constante aumento do dióxido de carbono na atmosfera serão provavelmente catastróficas se outros fatores moderadores não entrarem em cena. Um desses fatores moderadores seria a absorção do excesso de dióxido de carbono e de calor pelos oceanos. Entretanto, a absorção do dióxido de carbono pelos oceanos é lenta. Além disso, os oceanos só podem processar 50% do dióxido de carbono gerado pelo homem. Uma das conseqüências da elevação da temperatura é a expansão térmica do oceano que contribui para aumentar o seu volume. Em conseqüência da expansão térmica dos oceanos, as gerações futuras terão de lidar com o nível do mar de 12 a 22 metros maior do que o atual, de acordo com cientistas da Universidade de Rutgers, em Nova Jersey, Estados Unidos. O mundo sentirá os efeitos adversos da elevação do nível dos mares enquanto as coberturas de gelo nos polos continuar a derreter-se em conseqüência da elevação das temperaturas dos oceanos. O polo Norte pode desaparecer até 2100. Se o atual ritmo de fusão das coberturas de gelo nos polos prosseguir, grandes extensões de terra ao longo da costa marítima desaparecerão, juntamente com ilhas de terras baixas e cidades. O efeito estufa contribuirá para diminuir a precipitação atmosférica em algumas áreas do planeta fazendo com que nelas ocorram temperaturas mais elevadas e maior evaporação. Nessas circunstâncias, o fluxo dos rios poderá diminuir em 50% ou mais podendo alguns deles secar completamente. Importantes lençóis freáticos poderão ficar seriamente reduzidos, fazendo com que os poços de irrigação sequem. Por outro lado, outras áreas do globo terrestre poderão ficar alagadas por causa da superabundância de precipitações, resultando em extensas inundações. Um número maior de furacões ocorrerá com o aumento das temperaturas globais. O aumento das temperaturas globais poderá alterar drasticamente o clima e mudar os padrões de precipitação atmosférica em todo o mundo. Essa alteração poderá provocar condições de umidade incomuns para certas regiões e aridez para outras. Para estabilizar a concentração atmosférica do dióxido de carbono, os cientistas acreditam que as emissões globais devem ser reduzidas das atuais 8,8 para 2 bilhões de toneladas por ano. No mundo, os principais causadores do efeito estufa são o uso e a 2
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    produção de energia(57%), a utilização do clorofluorcarbono na refrigeração (17%), as práticas agrícolas (14%), o desmatamento (9%) e outras atividades industriais (3%). No Brasil, o desmatamento (75,4%), a queima de combustíveis fósseis (22%), os processos industriais (1,6%) e outros (1%) são os principais responsáveis pelo efeito estufa. Independentemente das várias soluções que venham a ser adotadas para eliminar ou mitigar as causas do efeito estufa como, por exemplo, o combate ao desmatamento, a adoção de novas práticas agrícolas, a mais importante é sem dúvidas a mudança da matriz energética mundial com a adoção de medidas que contribuam para a eliminação ou redução do consumo de combustíveis fósseis na produção de energia, bem como para seu uso mais eficiente nos transportes, na indústria, na agropecuária e nas cidades (residências e comércio), haja vista ser o uso e a produção de energia responsáveis por 57% dos gases de estufa emitidos pela atividade humana. Para atingir este objetivo, é imprescindível a implantação de um sistema de energia sustentável que contribua para a produção de energia limpa. Para existir um sistema de energia sustentável no mundo com a produção de energia limpa é preciso que até 2030 a produção de petróleo seja reduzida à metade e a de carvão de 90%, enquanto as fontes renováveis de energia cresçam quase 4 vezes para reduzir as emissões de carbono à metade registrada em 1989. No ano 2030, as energias renováveis deveriam ser da ordem de 70% da produção total de energia do planeta. Estes são os requisitos de um sistema energético sustentável em todo o mundo. No Brasil, o esforço deveria ser voltado para o combate ao desmatamento, o controle da poluição industrial e substituição dos combustíveis fósseis utilizados na produção de energia por fontes renováveis. Num momento em que se sabe que é preciso minimizar o aquecimento global através da adoção de técnicas limpas e sustentáveis, investindo-se em fontes de energia renováveis em substituição aos combustíveis fósseis, o governo brasileiro decidiu explorar o petróleo descoberto nas profundezas das camadas do pré- sal no litoral sul/sudeste do país, cujas emissões correspondentes estarão na atmosfera nos próximos anos, alimentando ainda mais o ciclo do aquecimento global. Isto significa dizer que, na contramão da luta contra o aquecimento global e suas catastróficas conseqüências, o governo brasileiro faz planos para explorar o petróleo descoberto nas camadas do pré-sal no litoral sul/sudeste do país sem que seja abordado um ponto muito importante em toda esta discussão: a questão ambiental. Fala-se no uso dos lucros da exploração do petróleo do pré-sal em investimentos na inclusão social e cultural da população brasileira que entende deva ser feito através da educação, da saúde e da habitação e, lamentavelmente, nada sobre o impacto desta atividade sobre o aquecimento global. *Fernando Alcoforado, 73, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona, http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller 3
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    Aktiengesellschaft & Co.KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (P&A Gráfica e Editora, Salvador, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011) e Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), entre outros. 4