Vânia Sierra
 Intelectual baiano, nascido no dia 13 de setembro de 1915,
em Santo Amaro da Purificação. Formou-se em ciências
sociais e filosofia pela Faculdade Nacional de Filosofia do
Rio de Janeiro, em 1942.
 Trabalhou no Departamento Nacional da Criança em 1942,
assessorou Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e João
Goulart. Foi professor da Escola de Administração Pública
(FGV), em 1951. Dirigiu o ISEB. Foi delegado do Brasil na
ONU. Deputado Federal pela Aliança Socialista Trabalhista
em 1963, tendo seus direitos cassados no ano de 1964. Foi
para o exílio nos EUA, em 1966, e exerceu a profissão de
professor na Universidade do sul da Califórnia.
 Autor de 10 livros e numerosos artigos, traduzidos em
várias línguas.
 Morre no dia 6 de abril na Califórnia.
 Foi partidário do intervencionismo econômico, do
monopólio estatal do petróleo, da nacionalização da
indústria farmacêutica e dos depósitos bancários,
considerando necessária a reforma constitucional, a fim
de que, com o pagamento das desapropriações em
títulos da dívida pública, se pudesse promover a
reforma agrária, inicialmente cooperativista, mas sem
considerar necessário qualquer experiência coletivista.
Defendeu também as reformas eleitoral- voto pra
analfabetos e soldados e elegibilidade de todos os
eleitores, bancária e administrativa. (Correio
Brasiliense, 2001)
 Criticou a influência do marxismo-leninismo no PTB .
 O negro tem sido estudado a partir de categorias e
valores induzidos predominantemente da
realidade Europeia.
 Sociologia consular, enlatada, traidora (Quisling).
Uma sociologia que não passa de um episódio da
expansão cultural dos países da Europa e EUA. É
consumida como verdadeira conserva cultural. São
pseudomorfoses, pois “seus aparatos institucionais
recortados à imagem e semelhança dos países de
grande prestígio cultural, não resultaram da
evolução propriamente, de uma elaboração interna
do processo de crescimento orgânico destes países,
mas de transplantações”(1954:32).
 “Há, hoje, no Brasil duas sociologias: “uma
enlatada”, que se faz via de regra, nos quadros
da escola e no âmbito confinado nas reuniões e
entidades particulares de caráter acadêmico, e
outra que se exprime predominantemente em
comportamentos que se “pensa”, por assim
dizer “com as mãos”, no exercício das
atividades executivas e de aconselhamento nos
quadros dos negócios privados e
governamentais”.
 1- Corrente autonomista – Mesmo errando ao
focalizar o tema da raça, soube vencer a tentação
de tratar o negro como um elemento exótico e
petrificado. Pertencem a esta corrente Sylvio
Romero, Euclides da Cunha, Alberto Torres e
Oliveira Viana.
 2- Corrente monográfica – adota um ponto de vista
estático. Fundada Nina Rodrigues, percebem o
negro como algo estranho, exótico, problemático,
como não-Brasil. Tornam o negro “um problema”
das ciências sociais. Oscar Freire e Arthur Ramos
também participam desta corrente.
 3- corrente caracterizada “pelo propósito antes
de transformar a condição do negro na
sociedade brasileira, do que descrever ou
interpretar os aspectos pitorescos e
particularíssimos da situação de gente de cor”.
Fazem parte desta corrente Abdias
Nascimento.
 “A sociologia do negro tal como tem sido feita
até agora, à luz da perspectiva a que me coloco,
é uma forma sutil de agressão aos brasileiros
de cor, e como tal, constitui-se num obstáculo
para a formação de uma consciência da
realidade étnica do país”(1954).
 No Brasil, o branco tem desfrutado do
privilégio de ver o negro, sem por este último
ser visto. (1959:159)
 Negro tema x negro vida
 “O negro vida é, entretanto, algo que não deixa
se imobilizar, é despistador, protéico,
multiforme, do qual na verdade, não se pode
dar versão definitiva, pois é hoje o que não era
ontem e será amanhã o que não é hoje”.
(1959:215)
 À luz de uma sociologia científica, o que se tem
chamado de “problema do negro” é reflexo da
patologia social do “branco brasileiro”, de sua
dependência psicológica. (1959:236)
 Desde que se define o negro como ingrediente normal
da população do país, como povo brasileiro, carece de
significação falar do problema do negro puramente
econômico, destacado do problema geral das classes
desfavorecidas ou do pauperismo. O negro é povo no
Brasil. Não é um componente estranho de nossa
demografia. Ao contrário é a sua mais importante
matriz demográfica. E este fato tem de ser erigido a
categoria de valor, como o exige a nossa a nossa
dignidade e o nosso orgulho de povo independente. O
negro no Brasil, não é anedota, é um parâmetro da
realidade nacional. A condição do negro no Brasil só é
sociologicamente problemática, em decorrência da
alienação estética do próprio negro e da hipercorreção
estética do branco brasileiro, ávido de identificação
 “Graças ao desenvolvimento econômico e social do
país, os elementos de côr se encontram de alto a
baixo em todas as camadas sociais” (1959:144)
 “O que parece justificar a insistência com que se
considera como problemática a situação do negro
no Brasil é o fato de que ele é portador de uma pele
escura. A côr da pele do negro parece constituir o
obstáculo, a anormalidade a sanar. Dier-se-ia que
na cultura brasileira o branco é o ideal, a norma, o
valor, por excelência”. (1959:149)
 Em “O Negro desde Dentro” propõe a
dialética da negritude sobre 3 prerrogativas
complementares:
1) O Niger Sum – A assunção da negritude pela
cor e pela pele escura (tese)
2) A suspensão da brancura (antítese)
3) Uma compreensão humanista do valor objetivo
da negrura e da luta negra (síntese).
 Sou negro, identifico como meu o corpo em que
o meu e está inserido, atribuo a sua cor a
suscetibilidade de ser valorizada esteticamente
e considero a minha condição étnica como um
dos suportes do meu orgulho pessoal – eis aí
toda uma propedêutica sociológica, todo um
ponto de partida para a elaboração de uma
hermenêutica da situação do negro no Brasil.
(1959:157)
 Representava “uma reação de intelectuais negros e
mulatos que, em resumo, tinha três objetivos
fundamentais:
1) formular categorias, métodos e processos
científicos destinados ao tratamento do problema
racial no Brasil;
2) reeducar os brancos brasileiros, libertando-os de
critérios exógenos de comportamento;
3) descomplexificar os negros e mulatos,
adestrando-os em estilos superiores de
comportamentos no país. (1959:159)
 Visava a integração não subalterna do negro na
sociedade brasileira.
 A situação dos estudos sobre o negro no Brasil
expressam um falsa consciência da questão.
 “É necessário instalarem-se na sociedade
brasileira mecanismos integrativos de
capilaridade social capazes de dar função e
posição aos elementos da massa de côr que se
adestrarem nos estilos das classes dominantes”.
 RAMOS, Alberto Guerreiro. A nova ciência das organizações: uma
reconceituação da riqueza das nações. Rio de Janeiro: Editora da Fundação
Getúlio Vargas, 1989
 RAMOS, Alberto Guerreiro. Administração e Contexto Brasileiro - Esboço de
uma Teoria Geral da Administração. Rio de Janeiro: Editora da Fundação
Getúlio Vargas, 1983
 RAMOS, Alberto Guerreiro. Sociologia e a Teoria das Organizações - Um
Estudo Supra Partidário. Santos: Editora Leopoldianum, 1983
 RAMOS, Alberto Guerreiro. Administração e Estratégia do Desenvolvimento -
Elementos de uma Sociologia Especial da Administração. Rio de Janeiro:
Editora da Fundação Getúlio Vargas, 1966
 RAMOS, Alberto Guerreiro. A Redução Sociológica - Introdução ao Estudo da
Razão Sociológica. Rio de Janeiro: Edições Tempo Brasileiro Ltda, 1965
 RAMOS, Alberto Guerreiro. Mito e verdade da revolução brasileira. Rio de
Janeiro: Zahar, 1963
 RAMOS, Alberto Guerreiro. Introdução Crítica à Sociologia Brasileira. Rio de
Janeiro: Editorial Andes Ltda, 1957

Apresentação guerreiro

  • 1.
  • 2.
     Intelectual baiano,nascido no dia 13 de setembro de 1915, em Santo Amaro da Purificação. Formou-se em ciências sociais e filosofia pela Faculdade Nacional de Filosofia do Rio de Janeiro, em 1942.  Trabalhou no Departamento Nacional da Criança em 1942, assessorou Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e João Goulart. Foi professor da Escola de Administração Pública (FGV), em 1951. Dirigiu o ISEB. Foi delegado do Brasil na ONU. Deputado Federal pela Aliança Socialista Trabalhista em 1963, tendo seus direitos cassados no ano de 1964. Foi para o exílio nos EUA, em 1966, e exerceu a profissão de professor na Universidade do sul da Califórnia.  Autor de 10 livros e numerosos artigos, traduzidos em várias línguas.  Morre no dia 6 de abril na Califórnia.
  • 3.
     Foi partidáriodo intervencionismo econômico, do monopólio estatal do petróleo, da nacionalização da indústria farmacêutica e dos depósitos bancários, considerando necessária a reforma constitucional, a fim de que, com o pagamento das desapropriações em títulos da dívida pública, se pudesse promover a reforma agrária, inicialmente cooperativista, mas sem considerar necessário qualquer experiência coletivista. Defendeu também as reformas eleitoral- voto pra analfabetos e soldados e elegibilidade de todos os eleitores, bancária e administrativa. (Correio Brasiliense, 2001)  Criticou a influência do marxismo-leninismo no PTB .
  • 4.
     O negrotem sido estudado a partir de categorias e valores induzidos predominantemente da realidade Europeia.  Sociologia consular, enlatada, traidora (Quisling). Uma sociologia que não passa de um episódio da expansão cultural dos países da Europa e EUA. É consumida como verdadeira conserva cultural. São pseudomorfoses, pois “seus aparatos institucionais recortados à imagem e semelhança dos países de grande prestígio cultural, não resultaram da evolução propriamente, de uma elaboração interna do processo de crescimento orgânico destes países, mas de transplantações”(1954:32).
  • 5.
     “Há, hoje,no Brasil duas sociologias: “uma enlatada”, que se faz via de regra, nos quadros da escola e no âmbito confinado nas reuniões e entidades particulares de caráter acadêmico, e outra que se exprime predominantemente em comportamentos que se “pensa”, por assim dizer “com as mãos”, no exercício das atividades executivas e de aconselhamento nos quadros dos negócios privados e governamentais”.
  • 6.
     1- Correnteautonomista – Mesmo errando ao focalizar o tema da raça, soube vencer a tentação de tratar o negro como um elemento exótico e petrificado. Pertencem a esta corrente Sylvio Romero, Euclides da Cunha, Alberto Torres e Oliveira Viana.  2- Corrente monográfica – adota um ponto de vista estático. Fundada Nina Rodrigues, percebem o negro como algo estranho, exótico, problemático, como não-Brasil. Tornam o negro “um problema” das ciências sociais. Oscar Freire e Arthur Ramos também participam desta corrente.
  • 7.
     3- correntecaracterizada “pelo propósito antes de transformar a condição do negro na sociedade brasileira, do que descrever ou interpretar os aspectos pitorescos e particularíssimos da situação de gente de cor”. Fazem parte desta corrente Abdias Nascimento.
  • 8.
     “A sociologiado negro tal como tem sido feita até agora, à luz da perspectiva a que me coloco, é uma forma sutil de agressão aos brasileiros de cor, e como tal, constitui-se num obstáculo para a formação de uma consciência da realidade étnica do país”(1954).
  • 9.
     No Brasil,o branco tem desfrutado do privilégio de ver o negro, sem por este último ser visto. (1959:159)  Negro tema x negro vida  “O negro vida é, entretanto, algo que não deixa se imobilizar, é despistador, protéico, multiforme, do qual na verdade, não se pode dar versão definitiva, pois é hoje o que não era ontem e será amanhã o que não é hoje”. (1959:215)
  • 10.
     À luzde uma sociologia científica, o que se tem chamado de “problema do negro” é reflexo da patologia social do “branco brasileiro”, de sua dependência psicológica. (1959:236)
  • 11.
     Desde quese define o negro como ingrediente normal da população do país, como povo brasileiro, carece de significação falar do problema do negro puramente econômico, destacado do problema geral das classes desfavorecidas ou do pauperismo. O negro é povo no Brasil. Não é um componente estranho de nossa demografia. Ao contrário é a sua mais importante matriz demográfica. E este fato tem de ser erigido a categoria de valor, como o exige a nossa a nossa dignidade e o nosso orgulho de povo independente. O negro no Brasil, não é anedota, é um parâmetro da realidade nacional. A condição do negro no Brasil só é sociologicamente problemática, em decorrência da alienação estética do próprio negro e da hipercorreção estética do branco brasileiro, ávido de identificação
  • 12.
     “Graças aodesenvolvimento econômico e social do país, os elementos de côr se encontram de alto a baixo em todas as camadas sociais” (1959:144)  “O que parece justificar a insistência com que se considera como problemática a situação do negro no Brasil é o fato de que ele é portador de uma pele escura. A côr da pele do negro parece constituir o obstáculo, a anormalidade a sanar. Dier-se-ia que na cultura brasileira o branco é o ideal, a norma, o valor, por excelência”. (1959:149)
  • 13.
     Em “ONegro desde Dentro” propõe a dialética da negritude sobre 3 prerrogativas complementares: 1) O Niger Sum – A assunção da negritude pela cor e pela pele escura (tese) 2) A suspensão da brancura (antítese) 3) Uma compreensão humanista do valor objetivo da negrura e da luta negra (síntese).
  • 14.
     Sou negro,identifico como meu o corpo em que o meu e está inserido, atribuo a sua cor a suscetibilidade de ser valorizada esteticamente e considero a minha condição étnica como um dos suportes do meu orgulho pessoal – eis aí toda uma propedêutica sociológica, todo um ponto de partida para a elaboração de uma hermenêutica da situação do negro no Brasil. (1959:157)
  • 15.
     Representava “umareação de intelectuais negros e mulatos que, em resumo, tinha três objetivos fundamentais: 1) formular categorias, métodos e processos científicos destinados ao tratamento do problema racial no Brasil; 2) reeducar os brancos brasileiros, libertando-os de critérios exógenos de comportamento; 3) descomplexificar os negros e mulatos, adestrando-os em estilos superiores de comportamentos no país. (1959:159)  Visava a integração não subalterna do negro na sociedade brasileira.
  • 16.
     A situaçãodos estudos sobre o negro no Brasil expressam um falsa consciência da questão.  “É necessário instalarem-se na sociedade brasileira mecanismos integrativos de capilaridade social capazes de dar função e posição aos elementos da massa de côr que se adestrarem nos estilos das classes dominantes”.
  • 18.
     RAMOS, AlbertoGuerreiro. A nova ciência das organizações: uma reconceituação da riqueza das nações. Rio de Janeiro: Editora da Fundação Getúlio Vargas, 1989  RAMOS, Alberto Guerreiro. Administração e Contexto Brasileiro - Esboço de uma Teoria Geral da Administração. Rio de Janeiro: Editora da Fundação Getúlio Vargas, 1983  RAMOS, Alberto Guerreiro. Sociologia e a Teoria das Organizações - Um Estudo Supra Partidário. Santos: Editora Leopoldianum, 1983  RAMOS, Alberto Guerreiro. Administração e Estratégia do Desenvolvimento - Elementos de uma Sociologia Especial da Administração. Rio de Janeiro: Editora da Fundação Getúlio Vargas, 1966  RAMOS, Alberto Guerreiro. A Redução Sociológica - Introdução ao Estudo da Razão Sociológica. Rio de Janeiro: Edições Tempo Brasileiro Ltda, 1965  RAMOS, Alberto Guerreiro. Mito e verdade da revolução brasileira. Rio de Janeiro: Zahar, 1963  RAMOS, Alberto Guerreiro. Introdução Crítica à Sociologia Brasileira. Rio de Janeiro: Editorial Andes Ltda, 1957