O NEGRO NA
CONSTRUÇÃO DA
NAÇÃO BRASILEIRA
1
O NEGRO E O ATRASO
DA NAÇÃO: racismo
cientifico e os
homens de ciência
O negro e os males
da nação
⊙ Abolição da escravidão (1888)
⊙ Instituição que permeia as relações
sociais;
⊙ Segundo Carlos Moore, 70% da
população brasileira era negra pós-
abolição;
⊙ Branqueamento como missão
civilizatória (1910-193-)
⊙ Branquear, caldear como viabilização da
nação
⊙ Sur les metis (1911), João Batista Lacerda
⊙ Imigração europeia
3
Dica
Documentário-
Menino 23
Disponível no
Youtube
Conde Buffon (1707-
1788)
⊙ Naturalista francês;
⊙ Precursor das
teorias
evolucionistas;
⊙ Continente europeu e
o homem europeu
como parâmetro de
comparação;
⊙ Europa > África/Ásia
> América
Arthur Gobineau
(1816-1882)
⊙ Teorias sobre o
racismo e
eugenia
⊙ Miscigenação
=degeneração
⊙ Visitou o Brasil
em 1869
⊙ Propôs uma
solução para
nossa questão
Cesare Lombroso
(1835-1909)
⊙ Médico
criminalista
⊙ Teoria do
criminoso nato
⊙ Determina,
através de
características
físicas, quem era
o “homem
delinquente”
4
Podemos também citar Euclides da Cunha, Silvio Romero, Oliveira Vianna,
entre outros como exemplos de intelectuais que se debruçaram sobre o tema do
clareamento racial. Esse enfoque predomina até meados da década de 1920. O
futuro do Brasil via eugenia – ou seja, “melhoramento” da raça – foi pensado
dentro das instituições, especialmente faculdades de direito e de medicina. Esses
lugares deram eco e atuaram fortemente na divulgação desses pensamentos, ou
seja, houve uma institucionalização desse debate, como bem mostrado por Lilia
Schwarz (2005) e Mariza Correia (2003). Argumentos evolucionistas permitiram
explicar cientificamente as diferenças, classificar as espécies, localizar os pontos
de atraso e implantar políticas públicas racistas no Brasil. Como afirma Schwarz,
essas teorias foram justificativas “para expulsar a 'parte gangrenada' da população,
sem deixar de garantir que o futuro seria branco e ocidental” (2005, p. 178).
5
2
CALDEAR, MISTURAR
E EXOTIZAR:
a fórmula perfeita
Dica-
Documentário:
Você já foi à
Bahia? (1944)
https://www.youtub
e.com/watch?
v=Cafw6T_RYe0
• Ao perceber a inviabilidade do desaparecimento do negro, o
enfoque dos discursos oficiais passa de negativa, tentando
superar degeneração da raça, para positiva, exaltando a cultura
miscigenada. O mestiço ganha espaço e vira símbolo nacional.
Nota-se que no discurso nacionalista o negro desaparece, vira
mestiço, e o fato de o Brasil ser um país mestiço vira sinônimo de
igualdade racial, cristalizado na ideia de democracia racial. Nesse
modelo pautado pela versão oficial, a desigualdade e a violência
são desprezadas em nome de um ideal de uma nova brasilidade.
• Estado Novo- Getúlio Vargas.
• Gilberto Freyre (1900-1987)- democracia racial.
• Literatura, artes, festejando a mestiçagem nacional.
• No Congresso da Unesco de 1949, o Brasil de Arthur Ramos e
Gilberto Freyre se transformaria em exemplo para um mundo do
pós-guerra, um modelo de paz e concórdia.
• Conciliação, apagamento das diferenças.
• Leis discriminatórias: : decreto de Lei n° 3688 (1942): “Lei da
vadiagem” que considera a ociosidade um crime passível de
punição: 15 dias a 3 meses. ”Lei de cotas” (1934) que limitava o
acesso a estrangeiros no país.
7
3
PELO RECONHECIMENTO
DA DIVERSIDADE:
negritude como potência
No fim da década de 1940, o Brasil se apresenta como solução para o problema das
raças no mundo. A Organização das Nações Unidas financiou uma série de
pesquisas sobre as relações raciais no país, pois havia uma crença de que éramos o
“laboratório de civilização”, uma vez que teria oferecido, segundo seu idealizador,
Arthur Ramos, “a solução mais científica e mais humana para o problema, tão
agudo entre outros povos, da mistura de raças e de culturas” (1943, p. 9). Em
linhas gerais, o resultado do conhecido como projeto Unesco, que perdurou até a
década de 1960, foi a constatação da existência do preconceito racial no Brasil,
uma das suas mais importantes descobertas, desfazendo assim, pelo menos no
âmbito do discurso científico, o mito da democracia racial.
9
• Podemos colocar o renascimento do movimento negro organizado no contexto de
surgimento e estabelecimento do projeto Unesco, pois mesmo não tendo recebido
seu financiamento, seus principais intelectuais – Abdias do Nascimento, Édison
Carneiro e Guerreiro Ramos – influenciaram, ainda que indiretamente, o desenho do
projeto, sua realização no Rio de Janeiro e como tais estudos foram recebidos e
divulgados. Como também pesquisadores ligados ao projeto de pesquisa da ONU
apontam a influência que o TEN teria exercido nas suas pesquisas, a exemplo de
Charles Wagley, Roger Bastide, Costa Pinto, os quais, inclusive, participaram do
Congresso do Negro Brasileiro apresentando teses ou dando pareceres. Outra
observação válida é que os trabalhos de intelectuais como Roger Bastide e Florestan
Fernandes, que buscavam por meio de seus estudos elucidar o preconceito racial no
Brasil, descreviam nos seus textos teóricos o que os militantes do movimento negro já
tentavam superar na prática.
10
• Segundo Guimarães (2002), este termo teria sido forjado por um
crítico das formulações freyreanas, Florestan “O movimento negro
organizado ‘africanizou-se’. A partir daquele instante, as lideres contra
o racismo tinham como uma das premissas a promoção de uma
identidade étnica específica do negro. O discurso tanto da negritude
quanto do resgate das raízes ancestrais norteou o comportamento da
militância. Houve a incorporação do padrão de beleza, da
indumentária e da culinária africana” (DOMINGUES, 2007, p. 116).
• Década de 1970- Influenciado pelo movimento negro internacional,
especialmente o négritude que tinha como proposta negar a política de
assimilação à cultura europeia que os povos negros vinham sofrendo
valorizando o orgulho racial e as raízes africanas que tinha como
referencias intelectuais como: Aimé Césaire, Léon Damas e Léopold
Sédar Senghor. O movimento se opunha a ideologia oficial do Estado
brasileiro que visava a assimilação, a democracia racial e o
lusotropicalismo.
11
CONCLUSÃO
Mas todo mundo pensava
assim naquela época...
• Juliano Moreira (1873-1933, o médico que revolucionou
a psiquiatria no Brasil. Um aspecto marcante na obra de Juliano
Moreira foi sua explícita discordância quanto à atribuição da
degeneração do povo brasileiro à mestiçagem, especialmente a uma
suposta contribuição negativa dos negros na miscigenação. A posição
de Moreira era minoritária entre os médicos, na primeira década do
século XX, época em que ele mais diretamente se referiu a esta
divergência, polemizando com o médico maranhense Raimundo Nina
Rodrigues (1862-1906). Também desafiava outro pressuposto comum
à época, de que existiriam doenças mentais próprias dos climas
tropicais.
• Manuel Querino (1851-1923) um dos mais destacados intelectuais
baianos, é considerado pelo professor Jeferson Bacelar (UFBA) como
um dos fundadores da Antropologia brasileira. Em sua obra registra a
importância de tantas pessoas, negras e mestiças, que contribuíram
para o enriquecido da cultura brasileira, Manuel Querino dedicou
verbetes biográficos a algumas delas no livro “Artistas bahianos:
13
Dica- Podcast:
Vidas negras
Terra de cientistas
https://open.spotif
y.com/episode/0M
bq5SKFzkTISUkq
5uQP35?si=ab41a
80c78264fce
Uma estética
negra:
https://open.spotif
y.com/episode/6b
uZCPRR8T4JHNE
A7B8Ad9?
si=d0ee5a70e7174
480
• Abdias do Nascimento (1914-2011)
poeta, escritor, dramaturgo, artista
plástico e ativista pan-africanista, fundou
o Teatro Experimental do Negro e o
projeto Museu de Arte Negra. Suas
pinturas, largamente exibidas dentro e
fora do Brasil exploram o legado cultural
africano no contexto do combate ao
racismo. Professor Emérito da
Universidade do Estado de Nova York, ele
foi deputado federal, senador da
República e secretário do governo do
Estado do Rio de Janeiro. 14

o negro na contribuicph_-_slides_04.pptx

  • 1.
    O NEGRO NA CONSTRUÇÃODA NAÇÃO BRASILEIRA
  • 2.
    1 O NEGRO EO ATRASO DA NAÇÃO: racismo cientifico e os homens de ciência
  • 3.
    O negro eos males da nação ⊙ Abolição da escravidão (1888) ⊙ Instituição que permeia as relações sociais; ⊙ Segundo Carlos Moore, 70% da população brasileira era negra pós- abolição; ⊙ Branqueamento como missão civilizatória (1910-193-) ⊙ Branquear, caldear como viabilização da nação ⊙ Sur les metis (1911), João Batista Lacerda ⊙ Imigração europeia 3
  • 4.
    Dica Documentário- Menino 23 Disponível no Youtube CondeBuffon (1707- 1788) ⊙ Naturalista francês; ⊙ Precursor das teorias evolucionistas; ⊙ Continente europeu e o homem europeu como parâmetro de comparação; ⊙ Europa > África/Ásia > América Arthur Gobineau (1816-1882) ⊙ Teorias sobre o racismo e eugenia ⊙ Miscigenação =degeneração ⊙ Visitou o Brasil em 1869 ⊙ Propôs uma solução para nossa questão Cesare Lombroso (1835-1909) ⊙ Médico criminalista ⊙ Teoria do criminoso nato ⊙ Determina, através de características físicas, quem era o “homem delinquente” 4
  • 5.
    Podemos também citarEuclides da Cunha, Silvio Romero, Oliveira Vianna, entre outros como exemplos de intelectuais que se debruçaram sobre o tema do clareamento racial. Esse enfoque predomina até meados da década de 1920. O futuro do Brasil via eugenia – ou seja, “melhoramento” da raça – foi pensado dentro das instituições, especialmente faculdades de direito e de medicina. Esses lugares deram eco e atuaram fortemente na divulgação desses pensamentos, ou seja, houve uma institucionalização desse debate, como bem mostrado por Lilia Schwarz (2005) e Mariza Correia (2003). Argumentos evolucionistas permitiram explicar cientificamente as diferenças, classificar as espécies, localizar os pontos de atraso e implantar políticas públicas racistas no Brasil. Como afirma Schwarz, essas teorias foram justificativas “para expulsar a 'parte gangrenada' da população, sem deixar de garantir que o futuro seria branco e ocidental” (2005, p. 178). 5
  • 6.
  • 7.
    Dica- Documentário: Você já foià Bahia? (1944) https://www.youtub e.com/watch? v=Cafw6T_RYe0 • Ao perceber a inviabilidade do desaparecimento do negro, o enfoque dos discursos oficiais passa de negativa, tentando superar degeneração da raça, para positiva, exaltando a cultura miscigenada. O mestiço ganha espaço e vira símbolo nacional. Nota-se que no discurso nacionalista o negro desaparece, vira mestiço, e o fato de o Brasil ser um país mestiço vira sinônimo de igualdade racial, cristalizado na ideia de democracia racial. Nesse modelo pautado pela versão oficial, a desigualdade e a violência são desprezadas em nome de um ideal de uma nova brasilidade. • Estado Novo- Getúlio Vargas. • Gilberto Freyre (1900-1987)- democracia racial. • Literatura, artes, festejando a mestiçagem nacional. • No Congresso da Unesco de 1949, o Brasil de Arthur Ramos e Gilberto Freyre se transformaria em exemplo para um mundo do pós-guerra, um modelo de paz e concórdia. • Conciliação, apagamento das diferenças. • Leis discriminatórias: : decreto de Lei n° 3688 (1942): “Lei da vadiagem” que considera a ociosidade um crime passível de punição: 15 dias a 3 meses. ”Lei de cotas” (1934) que limitava o acesso a estrangeiros no país. 7
  • 8.
  • 9.
    No fim dadécada de 1940, o Brasil se apresenta como solução para o problema das raças no mundo. A Organização das Nações Unidas financiou uma série de pesquisas sobre as relações raciais no país, pois havia uma crença de que éramos o “laboratório de civilização”, uma vez que teria oferecido, segundo seu idealizador, Arthur Ramos, “a solução mais científica e mais humana para o problema, tão agudo entre outros povos, da mistura de raças e de culturas” (1943, p. 9). Em linhas gerais, o resultado do conhecido como projeto Unesco, que perdurou até a década de 1960, foi a constatação da existência do preconceito racial no Brasil, uma das suas mais importantes descobertas, desfazendo assim, pelo menos no âmbito do discurso científico, o mito da democracia racial. 9
  • 10.
    • Podemos colocaro renascimento do movimento negro organizado no contexto de surgimento e estabelecimento do projeto Unesco, pois mesmo não tendo recebido seu financiamento, seus principais intelectuais – Abdias do Nascimento, Édison Carneiro e Guerreiro Ramos – influenciaram, ainda que indiretamente, o desenho do projeto, sua realização no Rio de Janeiro e como tais estudos foram recebidos e divulgados. Como também pesquisadores ligados ao projeto de pesquisa da ONU apontam a influência que o TEN teria exercido nas suas pesquisas, a exemplo de Charles Wagley, Roger Bastide, Costa Pinto, os quais, inclusive, participaram do Congresso do Negro Brasileiro apresentando teses ou dando pareceres. Outra observação válida é que os trabalhos de intelectuais como Roger Bastide e Florestan Fernandes, que buscavam por meio de seus estudos elucidar o preconceito racial no Brasil, descreviam nos seus textos teóricos o que os militantes do movimento negro já tentavam superar na prática. 10
  • 11.
    • Segundo Guimarães(2002), este termo teria sido forjado por um crítico das formulações freyreanas, Florestan “O movimento negro organizado ‘africanizou-se’. A partir daquele instante, as lideres contra o racismo tinham como uma das premissas a promoção de uma identidade étnica específica do negro. O discurso tanto da negritude quanto do resgate das raízes ancestrais norteou o comportamento da militância. Houve a incorporação do padrão de beleza, da indumentária e da culinária africana” (DOMINGUES, 2007, p. 116). • Década de 1970- Influenciado pelo movimento negro internacional, especialmente o négritude que tinha como proposta negar a política de assimilação à cultura europeia que os povos negros vinham sofrendo valorizando o orgulho racial e as raízes africanas que tinha como referencias intelectuais como: Aimé Césaire, Léon Damas e Léopold Sédar Senghor. O movimento se opunha a ideologia oficial do Estado brasileiro que visava a assimilação, a democracia racial e o lusotropicalismo. 11
  • 12.
    CONCLUSÃO Mas todo mundopensava assim naquela época...
  • 13.
    • Juliano Moreira(1873-1933, o médico que revolucionou a psiquiatria no Brasil. Um aspecto marcante na obra de Juliano Moreira foi sua explícita discordância quanto à atribuição da degeneração do povo brasileiro à mestiçagem, especialmente a uma suposta contribuição negativa dos negros na miscigenação. A posição de Moreira era minoritária entre os médicos, na primeira década do século XX, época em que ele mais diretamente se referiu a esta divergência, polemizando com o médico maranhense Raimundo Nina Rodrigues (1862-1906). Também desafiava outro pressuposto comum à época, de que existiriam doenças mentais próprias dos climas tropicais. • Manuel Querino (1851-1923) um dos mais destacados intelectuais baianos, é considerado pelo professor Jeferson Bacelar (UFBA) como um dos fundadores da Antropologia brasileira. Em sua obra registra a importância de tantas pessoas, negras e mestiças, que contribuíram para o enriquecido da cultura brasileira, Manuel Querino dedicou verbetes biográficos a algumas delas no livro “Artistas bahianos: 13
  • 14.
    Dica- Podcast: Vidas negras Terrade cientistas https://open.spotif y.com/episode/0M bq5SKFzkTISUkq 5uQP35?si=ab41a 80c78264fce Uma estética negra: https://open.spotif y.com/episode/6b uZCPRR8T4JHNE A7B8Ad9? si=d0ee5a70e7174 480 • Abdias do Nascimento (1914-2011) poeta, escritor, dramaturgo, artista plástico e ativista pan-africanista, fundou o Teatro Experimental do Negro e o projeto Museu de Arte Negra. Suas pinturas, largamente exibidas dentro e fora do Brasil exploram o legado cultural africano no contexto do combate ao racismo. Professor Emérito da Universidade do Estado de Nova York, ele foi deputado federal, senador da República e secretário do governo do Estado do Rio de Janeiro. 14

Notas do Editor

  • #3 Um país que demorou para aceitar e demonizou a herança negra.
  • #7 Um país que demorou para aceitar e demonizou a herança negra.
  • #14 Um país que demorou para aceitar e demonizou a herança negra.