Antes do MestreCaeiro
O “Opiário”descreve afase decadentistade Álvarode Campos,umconstante taciturno.Nele
exprime oenfado,aabulia,ocansaço e o abatimento,bemcomoa necessidadede evasãoe
de obternovas sensações,algoque sóa embriaguezdoópiolhe pode proporcionar «Porisso
eu tomo ópio.É um remédio»
Antesde conhecerCaeiro,Campossentia-se desemparado.
Caeiroé o Mestre.É o únicoque consegue atingirapaz e serenidade aorecusaro pensamento
e adotaro sentir,porémnãoprocura um sentidoparaa vidaporque lhe bastaaquiloque vê e
sente emcada momento.
Álvarode Camposdistancia-se doMestre aoaproximar-se de movimentosmodernistas,e cai
no subjetivismo,oque olevaa enveredarpelaconsciência doabsurdo,pelaexperiênciado
tédio,dadesilusãoe dafadiga,a inérciaperante umaexistência monótonae umfracasso
pessoal, «Volto à Europa descontente,eem sortes/De vir a ser um poeta sonambólico»
Aprende de Caeiroaurgênciade sentir,masnão lhe bastaa sensaçãodascoisascomo são e
procura a totalizaçãodas sensações «Eafinalo que quero é fé, é calma/E não ter estas
sensaçõesconfusas».
SegundoCampos “oque o Mestre me ensinoufoi ater clareza,equilíbrio,organizaçãono
delírioe no desvairamento,e tambémme ensinouanãoprocurar ter filosofianenhuma,mas
com alma”.
Nesta primeira fase,Álvaro de Campos lamenta-se do seu vício de pensar «Moro no rés-do-
chão do pensamento/ E ver passar a vida faz-me tédio», ao contrário de Caeiro, que defende
a existência apenas do objetivo.
Por tudo o que aprendeu com ele, Campos afirma que “antes de conhecer Caeiro, eu era uma
máquina nervosa de não fazer coisa nenhuma”, após o conhecer verificou-se.

Antes do Mestre

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    Antes do MestreCaeiro O“Opiário”descreve afase decadentistade Álvarode Campos,umconstante taciturno.Nele exprime oenfado,aabulia,ocansaço e o abatimento,bemcomoa necessidadede evasãoe de obternovas sensações,algoque sóa embriaguezdoópiolhe pode proporcionar «Porisso eu tomo ópio.É um remédio» Antesde conhecerCaeiro,Campossentia-se desemparado. Caeiroé o Mestre.É o únicoque consegue atingirapaz e serenidade aorecusaro pensamento e adotaro sentir,porémnãoprocura um sentidoparaa vidaporque lhe bastaaquiloque vê e sente emcada momento. Álvarode Camposdistancia-se doMestre aoaproximar-se de movimentosmodernistas,e cai no subjetivismo,oque olevaa enveredarpelaconsciência doabsurdo,pelaexperiênciado tédio,dadesilusãoe dafadiga,a inérciaperante umaexistência monótonae umfracasso pessoal, «Volto à Europa descontente,eem sortes/De vir a ser um poeta sonambólico» Aprende de Caeiroaurgênciade sentir,masnão lhe bastaa sensaçãodascoisascomo são e procura a totalizaçãodas sensações «Eafinalo que quero é fé, é calma/E não ter estas sensaçõesconfusas». SegundoCampos “oque o Mestre me ensinoufoi ater clareza,equilíbrio,organizaçãono delírioe no desvairamento,e tambémme ensinouanãoprocurar ter filosofianenhuma,mas com alma”. Nesta primeira fase,Álvaro de Campos lamenta-se do seu vício de pensar «Moro no rés-do- chão do pensamento/ E ver passar a vida faz-me tédio», ao contrário de Caeiro, que defende a existência apenas do objetivo. Por tudo o que aprendeu com ele, Campos afirma que “antes de conhecer Caeiro, eu era uma máquina nervosa de não fazer coisa nenhuma”, após o conhecer verificou-se.