AFEGANISTÃO: Guerras e Conflitos
O Afeganistão é um país da Ásia Central,
localizado na conflituosa região
do Oriente Médio, sendo uma nação
predominantemente islâmica.
Sem saída para o oceano e caracterizado
por regiões montanhosas, o Afeganistão é
um país historicamente importante nas
rotas comerciais e disputas políticas da
Ásia.
Vizinho de países com poderio nuclear
como o Paquistão e a China, além de Irã,
Turcomenistão, Uzbequistão e Tajiquistão.
A história do Afeganistão está vinculada
às sucessivas invasões de forças militares
estrangeiras no país.
1747
O primeiro Estado afegão começou a
tomar forma sob a liderança de
Ahmad Shah Durrani, que
estabeleceu um reino baseado em
Kandahar. Incluiu vários grupos
étnicos da região em sua
administração, evitando assim que o
seu reino caísse em uma guerra civil
étnica.
1830
O Dost Mohammad não estava com sua
diplomacia surtindo o efeito que os
britânicos esperavam, então os russos se
aliaram com os persas contra os afegãos,
sob o pretexto de recuperar a cidade de
Herat para a Pérsia.
Os britânicos mudaram sua estratégia.
Invadiram o Afeganistão, derrubram Dost
Mohammad Khan e estabeleceram um
novo emir, Shah Shujah Durrani, que seria
firmemente pró-britânico.
X
1838
Os britânicos mobilizaram mais de 20.000 soldados para a invasão
do Afeganistão, sendo a maioria deles indianos que serviam como
Cipaios no exército privado da British East India Company, com o
objetivo de conter o avanço do Império Russo no Subcontinente
Indiano.
1919
Habibullah Khan, que conseguiu
manter a neutralidade do
Afeganistão durante a Primeira
Guerra Mundial foi assassinado
por nacionalistas e substituído
por seu filho Amanullah Khan.
Amanullah declarou a
independência total e provocou
a Terceira Guerra Anglo-Afegã.
Em agosto de daquele ano
o Tratado de Rawalpindi foi
assinado.
1973
A monarquia afegã, que reinava até então,
foi derrubada após um golpe de estado,
que colocou Mohammed Daoud Khan na
presidência do país.
O novo governo não agradou o Partido
Democrático do Povo Afegão (PDPA), um
partido de orientação marxista, que
resolveu organizar um golpe contra o
presidente.
1978
Com o apoio da URSS, ocorre a
Revolução de Saur, em que o
PDPA tomou o poder, matou
Daoud Khan e instituiu Nur
Muhammad Taraki como o novo
líder. As propostas do novo
governo eram bem diferentes do
cenário religioso ao qual
associamos o Afeganistão.
1978
Ocorreu um racha dentro do
partido, o que levou a um novo
golpe de estado no Afeganistão.
Taraki caiu e Hafizullah Amin
assumiu o poder. Mas ao
contrário do governo anterior,
que era aliado da União
Soviética, a gestão de Amin não
agradou os soviéticos. A URSS
enxergava uma possibilidade de
aproximação entre o
Afeganistão e os EUA.
1979
A URSS invadiu o território afegão, o que resultou no quarto golpe
de estado em menos de 10 anos. Isso levou a um conflito entre os
mujahidin e os soviéticos, que ficou conhecido como Guerra do
Afeganistão.
É aqui que os Estados Unidos entram na história. Inimigo número
um da União Soviética, os EUA decidiram financiar os mujahidin
(combatentes dispostos ao sacrifício da própria vida, em nome de
Alá e da religião, são também patriotas).
X
1989
O Afeganistão foi o “Vietnã” da União Soviética.
Contribuiu para sua falência.
URSS retira suas tropas do Afeganistão, mas continuou apoiando o
governo afegão.
X
1990
Surge o Talibã, um grupo fundamentalista islâmico, com atuação
política e militar. Os grupos paramilitares, mujahidins, tinham
também apoio logístico e treinamento dos Estados Unidos e da
Inglaterra, incluindo três fundadores do Talibã: Mohammed Omar,
Akhtar Mansour e Hibatullah Akhundzada.
1992
URSS retira seu apoio oficial ao governo afegão, assim como os EUA
pararam de financiar os mujahidin.
Diversas facções de mujahidins disputavam o vácuo de
poder deixado pelos soviéticos, em uma guerra civil, na visão do
Talibã, os conflitos geravam sofrimento ao povo afegão, e aconteciam
porque eles não seguiam as interpretações mais rígidas da Sharia.
1994
Omar, com cerca de outros 50 estudantes (que estudavam o talib),
decidiu criar uma organização que militasse pelo endurecimento
das leis no Afeganistão segundo uma interpretação extremista da
Sharia, código de conduta islâmico.
Em dezembro deste ano, em um ataque na cidade natal de Omar,
Kandahar, o grupo tomou o poder na região, devido às armas e
treinamentos recebidos de Paquistão e Estados Unidos, durante a
guerra contra a União Soviética
1995
Com amplo apelo em escolas
religiosas do Afeganistão e do
Paquistão, o Talibã já tinha
cerca de 15 mil membros.
1996
O Talibã conquista Cabul, se tornando o governo de fato do país.
1997
O Talibã renomeou o Afeganistão
como Emirado Islâmico do
Afeganistão.
Apenas Paquistão, Arábia Saudita e
Emirados Árabes Unidos
reconheceram o país, e estabeleceu
uma aliança com Osama Bin Laden,
fundador da Al-Qaeda, outro grupo
extremista islâmico derivado dos
mujahidin.
2001
Após os ataques aos EUA em 11 de setembro, o governo dos Estados
Unidos, em conjunto com outros países, invadiu o Afeganistão,
dando início à chamada "Guerra ao Terror".
A ofensiva foi intensa e, em cerca de dois meses, o governo do
Talibã havia sido deposto e seguiram na busca por Osama Bin Laden.
O Talibã que focava em ações de política interna, primariamente no
Afeganistão e em partes do Paquistão, passou a usar táticas de
terrorismo.
2003
O Talibã sai de foco quando os EUA invadem o Iraque com o
objetivo de derrubar o regime de Saddam Hussein.
2009
O presidente Barack Obama voltou a mandar tropas ao Afeganistão
para combater a ressurgência do Talibã.
2011
Osama Bin Laden foi encontrado e executado pelo exército
americano.
Tem inicio a reorganização das Forças Armadas do Afeganistão.
2014
As tropas estadunidenses deixaram de se envolver diretamente em
combates, assumindo o papel de treinamento e apoio logístico às
forças armadas do Afeganistão.
A partir de então, o Talibã passou a usar táticas políticas e
militares para se reerguer.
2020
Já com controle territorial significativo no país, o Talibã e o governo
dos Estados Unidos assinaram um acordo de paz que previa o fim da
ocupação estrangeira no país.
2021
A medida que as tropas americanas iam sendo retiradas, e as forças
armadas do Afeganistão deixadas como única linha de defesa em
diversas regiões do país, o Talibã avançava na captura de mais
regiões. Com pouca resistência, o Talibã aumentou a intensidade e
a agressividade das ações, chegando a Cabul em 15 de agosto. Após
muita confusão e ataques terroristas, os últimos soldados
estadunidenses deixam o Afeganistão em 31 de agosto do mesmo
ano.
REFERÊNCIAS
https://super.abril.com.br/sociedade/uma-linha-do-tempo-dos-conflitos-no-
afeganistao/
https://www.opovo.com.br/noticias/mundo/2021/08/16/afeganistao-taliba-assume-
governo-do-pais-entenda-o
conflito.html#:~:text=Entre%201996%20e%202001%2C%20o,eletricidade%20depen
diam%20de%20ajuda%20humanit%C3%A1ria.
https://www.bbc.com/portuguese/internacional-57516844
https://mundoeducacao.uol.com.br/geografia/afeganistao.htm
https://iqaraislam.com/a-primeira-guerra-anglo-afega
Prof. Kéliton Ferreira
Mestre em Geografia
Especialista em Docência do Ensino Superior
Licenciatura em Geografia

AFEGANISTÃO: Guerras e Conflitos

  • 1.
    AFEGANISTÃO: Guerras eConflitos O Afeganistão é um país da Ásia Central, localizado na conflituosa região do Oriente Médio, sendo uma nação predominantemente islâmica. Sem saída para o oceano e caracterizado por regiões montanhosas, o Afeganistão é um país historicamente importante nas rotas comerciais e disputas políticas da Ásia. Vizinho de países com poderio nuclear como o Paquistão e a China, além de Irã, Turcomenistão, Uzbequistão e Tajiquistão. A história do Afeganistão está vinculada às sucessivas invasões de forças militares estrangeiras no país.
  • 2.
    1747 O primeiro Estadoafegão começou a tomar forma sob a liderança de Ahmad Shah Durrani, que estabeleceu um reino baseado em Kandahar. Incluiu vários grupos étnicos da região em sua administração, evitando assim que o seu reino caísse em uma guerra civil étnica.
  • 4.
    1830 O Dost Mohammadnão estava com sua diplomacia surtindo o efeito que os britânicos esperavam, então os russos se aliaram com os persas contra os afegãos, sob o pretexto de recuperar a cidade de Herat para a Pérsia. Os britânicos mudaram sua estratégia. Invadiram o Afeganistão, derrubram Dost Mohammad Khan e estabeleceram um novo emir, Shah Shujah Durrani, que seria firmemente pró-britânico. X
  • 5.
    1838 Os britânicos mobilizarammais de 20.000 soldados para a invasão do Afeganistão, sendo a maioria deles indianos que serviam como Cipaios no exército privado da British East India Company, com o objetivo de conter o avanço do Império Russo no Subcontinente Indiano.
  • 6.
    1919 Habibullah Khan, queconseguiu manter a neutralidade do Afeganistão durante a Primeira Guerra Mundial foi assassinado por nacionalistas e substituído por seu filho Amanullah Khan. Amanullah declarou a independência total e provocou a Terceira Guerra Anglo-Afegã. Em agosto de daquele ano o Tratado de Rawalpindi foi assinado.
  • 7.
    1973 A monarquia afegã,que reinava até então, foi derrubada após um golpe de estado, que colocou Mohammed Daoud Khan na presidência do país. O novo governo não agradou o Partido Democrático do Povo Afegão (PDPA), um partido de orientação marxista, que resolveu organizar um golpe contra o presidente.
  • 8.
    1978 Com o apoioda URSS, ocorre a Revolução de Saur, em que o PDPA tomou o poder, matou Daoud Khan e instituiu Nur Muhammad Taraki como o novo líder. As propostas do novo governo eram bem diferentes do cenário religioso ao qual associamos o Afeganistão.
  • 9.
    1978 Ocorreu um rachadentro do partido, o que levou a um novo golpe de estado no Afeganistão. Taraki caiu e Hafizullah Amin assumiu o poder. Mas ao contrário do governo anterior, que era aliado da União Soviética, a gestão de Amin não agradou os soviéticos. A URSS enxergava uma possibilidade de aproximação entre o Afeganistão e os EUA.
  • 10.
    1979 A URSS invadiuo território afegão, o que resultou no quarto golpe de estado em menos de 10 anos. Isso levou a um conflito entre os mujahidin e os soviéticos, que ficou conhecido como Guerra do Afeganistão. É aqui que os Estados Unidos entram na história. Inimigo número um da União Soviética, os EUA decidiram financiar os mujahidin (combatentes dispostos ao sacrifício da própria vida, em nome de Alá e da religião, são também patriotas). X
  • 11.
    1989 O Afeganistão foio “Vietnã” da União Soviética. Contribuiu para sua falência. URSS retira suas tropas do Afeganistão, mas continuou apoiando o governo afegão. X
  • 12.
    1990 Surge o Talibã,um grupo fundamentalista islâmico, com atuação política e militar. Os grupos paramilitares, mujahidins, tinham também apoio logístico e treinamento dos Estados Unidos e da Inglaterra, incluindo três fundadores do Talibã: Mohammed Omar, Akhtar Mansour e Hibatullah Akhundzada.
  • 13.
    1992 URSS retira seuapoio oficial ao governo afegão, assim como os EUA pararam de financiar os mujahidin. Diversas facções de mujahidins disputavam o vácuo de poder deixado pelos soviéticos, em uma guerra civil, na visão do Talibã, os conflitos geravam sofrimento ao povo afegão, e aconteciam porque eles não seguiam as interpretações mais rígidas da Sharia.
  • 14.
    1994 Omar, com cercade outros 50 estudantes (que estudavam o talib), decidiu criar uma organização que militasse pelo endurecimento das leis no Afeganistão segundo uma interpretação extremista da Sharia, código de conduta islâmico. Em dezembro deste ano, em um ataque na cidade natal de Omar, Kandahar, o grupo tomou o poder na região, devido às armas e treinamentos recebidos de Paquistão e Estados Unidos, durante a guerra contra a União Soviética
  • 15.
    1995 Com amplo apeloem escolas religiosas do Afeganistão e do Paquistão, o Talibã já tinha cerca de 15 mil membros.
  • 16.
    1996 O Talibã conquistaCabul, se tornando o governo de fato do país.
  • 17.
    1997 O Talibã renomeouo Afeganistão como Emirado Islâmico do Afeganistão. Apenas Paquistão, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos reconheceram o país, e estabeleceu uma aliança com Osama Bin Laden, fundador da Al-Qaeda, outro grupo extremista islâmico derivado dos mujahidin.
  • 18.
    2001 Após os ataquesaos EUA em 11 de setembro, o governo dos Estados Unidos, em conjunto com outros países, invadiu o Afeganistão, dando início à chamada "Guerra ao Terror". A ofensiva foi intensa e, em cerca de dois meses, o governo do Talibã havia sido deposto e seguiram na busca por Osama Bin Laden. O Talibã que focava em ações de política interna, primariamente no Afeganistão e em partes do Paquistão, passou a usar táticas de terrorismo.
  • 19.
    2003 O Talibã saide foco quando os EUA invadem o Iraque com o objetivo de derrubar o regime de Saddam Hussein.
  • 20.
    2009 O presidente BarackObama voltou a mandar tropas ao Afeganistão para combater a ressurgência do Talibã.
  • 21.
    2011 Osama Bin Ladenfoi encontrado e executado pelo exército americano. Tem inicio a reorganização das Forças Armadas do Afeganistão.
  • 22.
    2014 As tropas estadunidensesdeixaram de se envolver diretamente em combates, assumindo o papel de treinamento e apoio logístico às forças armadas do Afeganistão. A partir de então, o Talibã passou a usar táticas políticas e militares para se reerguer.
  • 23.
    2020 Já com controleterritorial significativo no país, o Talibã e o governo dos Estados Unidos assinaram um acordo de paz que previa o fim da ocupação estrangeira no país.
  • 24.
    2021 A medida queas tropas americanas iam sendo retiradas, e as forças armadas do Afeganistão deixadas como única linha de defesa em diversas regiões do país, o Talibã avançava na captura de mais regiões. Com pouca resistência, o Talibã aumentou a intensidade e a agressividade das ações, chegando a Cabul em 15 de agosto. Após muita confusão e ataques terroristas, os últimos soldados estadunidenses deixam o Afeganistão em 31 de agosto do mesmo ano.
  • 25.
  • 26.
    Prof. Kéliton Ferreira Mestreem Geografia Especialista em Docência do Ensino Superior Licenciatura em Geografia