ATIVIDADE DE APERFEIÇOAMENTO ACADÊMICO
CORPO E MOVIMENTO
Existem várias formas de discriminação conhecidas, contudo, há duas maneiras mais usuais de
se manifestarem: uma forma mais perceptível à primeira vista, que é reconhecida no
momento e de forma objetiva, porque decorre de preconceito enraizado e expresso muitas
vezes e de maneira inconsciente. Este modo é relativamente aceito pelo grupo. E a segunda
acontece de forma indireta, por meio de alguns atos que não são imediatamente reconhecidos
e normalmente são tidos como inofensivos, mas que, após cometidos, surtem efeitos de
cunho negativo em determinados grupos de pessoas que, a partir de então, passam a sofrer
processos de exclusão ou serem estigmatizados.
"No Brasil, a história de seus conflitos e problemas envolveu bem mais do que a formação de
classes sociais distintas por sua condição material. Nas origens da sociedade colonial, o nosso
país ficou marcado pela questão do racismo e, especificamente, pela exclusão dos negros.
Mais que uma simples herança de nosso passado, essa problemática racial toca o nosso dia a
dia de diferentes formas.”
(www.escolanova.com.br/RainerdeSouza).
Lutar contra o preconceito é uma decisão que precisa ser encampada pela coletividade, não é
uma responsabilidade só de quem é discriminado. "Se a construção da auto-imagem do jovem
em nosso país prevê que o negro se sinta submisso e o branco, superior, sempre haverá
problemas para a sociedade como um todo", analisa a consultora educacional Isabel Santos,
do Centro de Estudo das Relações de Trabalho e Desigualdades, o Ceert. Para combater essa
triste realidade, a instituição está promovendo o prêmio Educar para a Igualdade Racial, que
valoriza iniciativas criativas, desenvolvidas dentro da escola, com o objetivo de promover a
pluralidade cultural e acabar com o racismo.
Ações que valorizem as diferentes etnias e culturas devem, sim, fazer parte do dia-a-dia de
todos os colégios. Mas isso não é tudo. É preciso que os alunos aprendam a repudiar todo e
qualquer tipo de discriminação, seja ela baseada em diferenças de cultura, raça, classe social,
nacionalidade, idade ou preferência sexual, entre outras tantas. "A Pluralidade Cultural é uma
área do conhecimento", lembra Conceição Aparecida de Jesus, uma das autoras dos
Parâmetros Curriculares Nacionais de 5ª a 8ª série, que têm um capítulo inteiro dedicado ao
tema. Pedagoga e consultora, ela ensina a incluir o tema no planejamento. "Cultive o hábito de
ouvir as pessoas e desenvolva projetos pedagógicos com propostas que tenham por base
questões presentes no cotidiano das relações sociais." Quem adota essa prática com
estudantes que sofrem com o preconceito garante: a agitação da turma diminui, todos se
aproximam do professor e os mecanismos de ensino e aprendizagem são facilitados.
No Brasil, ser negro é tornar-se negro. O conhecimento dessas questões pode nos ajudar a
superar o medo e/ou desprezo das diferenças raciais ainda presente na escola e na sociedade.
Entender essa complexidade é uma tarefa dos/as profissionais da educação. É tarefa de uma
escola que se quer cidadã e, por isso mesmo, não pode deixar de incluir a questão racial no seu
currículo e na sua prática (Gomes, 2001:89).
Ser negro ou ser mestiço significa ter uma maior probabilidade de ser recrutado para posições
sociais inferiores. Isto, numa estrutura social que já é profundamente desigual. Então, no meu
entender, o vínculo entre raça e classe é exatamente esse: raça funciona como mecanismo de
seleção social que determina uma medida bastante intensa qual a posição que as pessoas vão
ocupar. (Hasembalg, 1991:46)

Aaa corpo movimento

  • 1.
    ATIVIDADE DE APERFEIÇOAMENTOACADÊMICO CORPO E MOVIMENTO Existem várias formas de discriminação conhecidas, contudo, há duas maneiras mais usuais de se manifestarem: uma forma mais perceptível à primeira vista, que é reconhecida no momento e de forma objetiva, porque decorre de preconceito enraizado e expresso muitas vezes e de maneira inconsciente. Este modo é relativamente aceito pelo grupo. E a segunda acontece de forma indireta, por meio de alguns atos que não são imediatamente reconhecidos e normalmente são tidos como inofensivos, mas que, após cometidos, surtem efeitos de cunho negativo em determinados grupos de pessoas que, a partir de então, passam a sofrer processos de exclusão ou serem estigmatizados. "No Brasil, a história de seus conflitos e problemas envolveu bem mais do que a formação de classes sociais distintas por sua condição material. Nas origens da sociedade colonial, o nosso país ficou marcado pela questão do racismo e, especificamente, pela exclusão dos negros. Mais que uma simples herança de nosso passado, essa problemática racial toca o nosso dia a dia de diferentes formas.” (www.escolanova.com.br/RainerdeSouza). Lutar contra o preconceito é uma decisão que precisa ser encampada pela coletividade, não é uma responsabilidade só de quem é discriminado. "Se a construção da auto-imagem do jovem em nosso país prevê que o negro se sinta submisso e o branco, superior, sempre haverá problemas para a sociedade como um todo", analisa a consultora educacional Isabel Santos, do Centro de Estudo das Relações de Trabalho e Desigualdades, o Ceert. Para combater essa triste realidade, a instituição está promovendo o prêmio Educar para a Igualdade Racial, que valoriza iniciativas criativas, desenvolvidas dentro da escola, com o objetivo de promover a pluralidade cultural e acabar com o racismo. Ações que valorizem as diferentes etnias e culturas devem, sim, fazer parte do dia-a-dia de todos os colégios. Mas isso não é tudo. É preciso que os alunos aprendam a repudiar todo e qualquer tipo de discriminação, seja ela baseada em diferenças de cultura, raça, classe social, nacionalidade, idade ou preferência sexual, entre outras tantas. "A Pluralidade Cultural é uma área do conhecimento", lembra Conceição Aparecida de Jesus, uma das autoras dos Parâmetros Curriculares Nacionais de 5ª a 8ª série, que têm um capítulo inteiro dedicado ao tema. Pedagoga e consultora, ela ensina a incluir o tema no planejamento. "Cultive o hábito de ouvir as pessoas e desenvolva projetos pedagógicos com propostas que tenham por base questões presentes no cotidiano das relações sociais." Quem adota essa prática com estudantes que sofrem com o preconceito garante: a agitação da turma diminui, todos se aproximam do professor e os mecanismos de ensino e aprendizagem são facilitados.
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    No Brasil, sernegro é tornar-se negro. O conhecimento dessas questões pode nos ajudar a superar o medo e/ou desprezo das diferenças raciais ainda presente na escola e na sociedade. Entender essa complexidade é uma tarefa dos/as profissionais da educação. É tarefa de uma escola que se quer cidadã e, por isso mesmo, não pode deixar de incluir a questão racial no seu currículo e na sua prática (Gomes, 2001:89). Ser negro ou ser mestiço significa ter uma maior probabilidade de ser recrutado para posições sociais inferiores. Isto, numa estrutura social que já é profundamente desigual. Então, no meu entender, o vínculo entre raça e classe é exatamente esse: raça funciona como mecanismo de seleção social que determina uma medida bastante intensa qual a posição que as pessoas vão ocupar. (Hasembalg, 1991:46)