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INTRODUÇÃO
A Revolução Inglesa, ocorrida no século XVII, foi um dos principais
acontecimentos da Idade Moderna. Foi considerada a primeira das grandes
revoluções burguesas, isto é, as revoluções encabeçadas por lideranças da
burguesia europeia, que havia se pedro expressivamente forte, do ponto de vista
econômico, ao longo dos séculos XVI e XVII, e que precisava alcançar
legitimidade política. Com o processo da revolução, a burguesia da Inglaterra,
por meio de uma guerra civil e da atuação do Parlamento, conseguiu combater o
Estado absolutista desse país e reformular a estrutura política, que culminaria no
modelo da Monarquia Parlamentarista em 1688.
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DESENVOVIMENTO
A Revolução Inglesa ocorreu no século XVII, no ano de 1640. De
acordo com alguns historiadores, esta insurreição é considerada a primeira
revolução de caráter burguês realizada no ocidente. A origem da Revolução
Inglesa pode ser explicada por uma combinação de diversos fatores.
Na época da Dinastia Tudor, o país apresentava um desenvolvimento
econômico próspero e de várias conquistas. Enquanto Henrique VIII e Elisabeth I
estavam no poder, ocorreu a adoção do anglicanismo, que trouxe grandes
mudanças e era um instrumento importante do Estado.
Além disso, neste período, a Inglaterra encontrava-se unificada e
começou a disputar o descobrimento de novas colônias, fazendo frente aos
espanhóis.
SURGEM AS CONDIÇÕES
A Inglaterra atingiu no século XVII notável desenvolvimento, favorecido
pela monarquia absolutista. Henrique VIII e Elizabeth I unificaram o país,
dominaram a nobreza, afastaram a ingerência papal, criaram a igreja a nacional
inglesa, confiscaram terras da Igreja Católica e passaram a disputar os domínios
coloniais com os espanhóis.
Tais tarefas agradaram à burguesia, mas agora o poder absolutista
tornava-se incômodo, pois barrava o avanço da burguesia mercantil. Grande
parte dos recursos do Estado vinham da venda de monopólios, como aqueles
sobre comércio exterior, sal, sabão, alúmen, arenque e cerveja a, que
beneficiavam um pequeno grupo, a burguesia financeira. E prejudicavam a
burguesia comercial, sem liberdade para suas atividades, e os artesãos, que
pagavam caro por alúmen e produtos indispensáveis a seu trabalho.
Ao mesmo tempo, a garantia de privilégios às corporações de ofício
impedia o aumento da produção industrial, pois eles limitavam a entrada de
novos produtores nas áreas urbanas.
Outro problema econômico estava no campo. A alta de preços e a
expansão do consumo de alimentos e matérias-primas, como a lã, valorizaram as
terras. Isto despertou a cobiça dos produtores rurais. Eles tentavam aumentar suas
posses através dos cerceamentos, isto é, tentavam transformar em propriedade
privada as terras coletivas, devolutas ou sobre as quais havia uma posse precária.
Tais ações expulsavam posseiros e criavam grandes propriedades, nas quais se
investia capital para aumentar a produção. O Estado, para preservar o equilíbrio
social necessário a sua existência, barrava os cerceamentos e punha contra si dois
setores poderosos: a burguesia mercantil e a nobreza progressista rural, a genro.
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No plano político, havia o conflito entre rei e Parlamento. A este, instituído pela
Carta Magna de 1215, cabia o poder de direito, isto é, legítimo. Mas os Tudor
exerceram o poder de fato, convocando pouco o Parlamento.
As classes aí representadas não se opuseram ao absolutismo porque
correspondia a seus interesses. O rei promovia desenvolvimento. No século
XVII, o Parlamento pretendia transformar seu poder de direito em poder de fato.
O rei correu a legitimar seu poder, que era de fato. Só havia uma forma:
considerar o poder real de origem divina, como na França.
A luta política desenvolveu-se então no campo religioso e os reis
manipularam a religião para aumentar seu poder.
No século XVI, os Tudor haviam dado ênfase ao conteúdo do
anglicanismo, isto é, seu lado calvinista, favorecendo a burguesia. Agora, os
Stuart ressaltavam a forma católica do anglicanismo, identificando-se com a
aristocracia, contra a burguesia. Claro, através do catolicismo era mais fácil
justificar a origem divina do poder real.
O Parlamento, dominado pela burguesia mercantil e a genro, radicalizou
suas posições e identificou-se com o puritanismo (forma mais radical do
calvinismo), que rejeitava o anglicanismo.
A Revolução Puritana foi o resultado da luta entre burguesia e realeza pelo
controle político do país.
Podemos dividir o processo histórico da Revolução Inglesa em quatro fases
principais:
A Revolução Puritana e a Guerra Civil, que transcorreu de 1640 a 1649;
A República de Oliver Cromwell, que durou de 1649 a 1658;
A Restauração da dinastia dos Stuart, com os reis Carlos II e Jaime II,
período longo que foi de 1660 a 1688;
Por fim, a Revolução Gloriosa, que encerrou o reinado de Jaime II e instituiu a
Monarquia Parlamentarista.
REVOLUÇÃO PURITANA E GUERRA CIVIL (1640-1649)
A guerra civil entre a burguesia puritana e a Coroa ficou mais intensa
quando, em 1642, Oliver Cromwell convocou a base da pequena burguesia e de
camponeses para formar o Novo Exército Modelo (New Modele Ary). Nessa
base, destacaram-se os Digeres e Liveles, que se caracterizaram por sua
radicalidade política em assuntos como reforma agrária (Digeres) e igualdade de
diretos entre todos os cidadãos (Liveles). Com o Novo Exército Modelo,
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Cromwell conseguiu esmagar as forças da Coroa. Em 1649, a ala radical
burguesa exigiu a decapitação de Carlos I, que ocorreu no dia 31 de janeiro.
“REPÚBLICA” DE OLIVER CROMWELL (1649-1658)
Em 19 de maio de 1649 foi proclamada a República, e Cromwell recebeu
do Parlamento o título de Lorde Protetor (Lorde Protetor da República).
Muitas transformações políticas operadas por Cromwell beneficiaram a
burguesia que foi por ele liderada na Guerra Civil. Uma dessas transformações
foi possibilitada pelos chamados Atos de Navegação, aprovados em 1650, que
restringiam o transporte de produtos ingleses apenas aos navios da própria
Inglaterra.
No entanto, a exemplo dos monarcas autoritários que havia combatido,
Cromwell acabou por se voltar contra o Parlamento. Em 1653, ele o dissolveu
com o auxílio do Exército burguês e instituiu uma ditadura aberta, que teve como
característica principal a execução das lideranças que o ajudaram a formar esse
mesmo Exército, isto é, os Digeres e Liveles, como diz o historiador Christopher
Hill, em sua obra A Revolução Puritana de 1640:
A história da revolução inglesa de 1649 a 1660 pode ser contada em
poucas palavras. O fuzilamento por Cromwell dos Liveles, em Belford, tornou
absolutamente inevitável a restauração da monarquia e dos senhores, pois a
ruptura entre a grande burguesia e a pequena nobreza, por um lado, e as forças
populares, por outro, significava que o seu governo só poderia ser mantido por
um exército (o que, a longo prazo, provou ser extraordinariamente dispendioso e
de difícil controle) ou por um compromisso com os representantes da velha
ordem que restavam.
Um tempo mais tarde, em 1657, Cromwell propôs um novo acordo com os
parlamentares e reabilitou o Parlamento inglês. Todavia, antes que esse acordo
pudesse vigorar, Cromwell faleceu (1658). Em seu lugar, assumiu seu filho,
Richard Cromwell, que não tinha o mesmo prestígio que o pai, sobretudo frente
às classes mais radicais da burguesia. Temendo um levante popular e uma nova
guerra civil, o Parlamento fez uma manobra arriscada: convocou Carlos II, filho
do rei decapitado, para assumir o trono e restaurar a dinastia dos Stuart.
RESTAURAÇÃO DA DINASTIA STUART (1660-1688)
Em 1660, Carlos II assumiu o trono prometendo respeitar os interesses do
Parlamento. Mas logo começou a se articular com antigas lideranças da nobreza
para restaurar o absolutismo, aproximando-se da França de Luís XIV. Entretanto,
a realidade social já era bem diferente de quando seu pai havia reinado e, não
conseguindo uma nova composição tradicional, Carlos II iniciou uma ampla
perseguição religiosa contra os calvinistas. Essa perseguição tinha como pano de
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fundo também a aproximação de Carlos II de membros da Igreja Católica. AA
pesar de anglicanos, os Stuart mantinham boas relações com os membros do
clero, os quais ainda5 possuíam grande influência social, além de posse de terras.
O Parlamento, composto por maioria puritana, ao repudiar as ações de
Carlos, viu-se novamente vítima do autoritarismo: o monarca dissolveu-o em
1681 e governou sozinho até a sua morte, em 1685.
Seu filho, Jaime II, assumiu o torno, reativou o Parlamento, mas procurou
dar seguimento às ações do pai, no que se refere à restauração do absolutismo.
No entanto, Jaime II foi mais além, convertendo-se ao catolicismo e decretando
uma série de medidas que beneficiavam os católicos, como a isenção de
impostos. Novamente, a reação do Parlamento foi imediata.
Temendo que Jaime reivindicasse apoio da França, os membros do
Parlamento trataram de organizar uma manobra política que evitasse um possível
conflito armado.
REVOLUÇÃO GLORIOSA E A FUNDAÇÃO DA MONARQUIA
PARLAMENTARISTA
A manobra consistiu na convocação da filha de Jaime II, Maria II, à época
casada com Guilherme de Orange, governador dos Países Baixos, para
assumir com o marido o trono da Inglaterra.
Guilherme de Orange, inicialmente, não viu com bons olhos o plano,
imaginando que sua esposa, como herdeira legítima, teria mais poderes que
ele. Contudo, mesmo assim, ainda em 1688, Guilherme invadiu a
Inglaterra com seu exército para depor Jaime II e apoiar o Parlamento. A
Cavalaria da nobreza, que também estava descontente com o rei, em vez de
defendê-lo, aliou-se a Guilherme.
A Jaime II, já sem defesa alguma, Guilherme de Orange permitiu a
fuga para a França, onde o monarca permaneceu exilado até o último dia de
vida.
Guilherme de Orange assumiu o trono inglês como Guilherme III.
Por sua ação militar não ter resultado em guerra e derramamento de sangue,
ela recebeu o nome de Revolução Gloriosa. O Parlamento, contudo,
estabeleceu diretrizes novas para Guilherme e Maria antes de coroá-los.
Ambos os reis tiveram que se comprometer a cumprir a chamada
Declaração de Direitos de 1689 (Bill Off Light).
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A Declaração de Direitos limitava a ação dos reis, de modo a impedir
qualquer retorno do absolutismo. Os reis passaram a ter o poderrestrito, e o
poder de decisão política concentrou-se no Parlamento, formando-se,
assim, uma Monarquia Parlamentarista. Além disso, havia o
comprometimento com as liberdades individuais, principalmente com a
liberdade de crenças religiosas.
ANTECEDENTES DA REVOLUÇÃO INGLESA
Os antecedentes da Revolução Inglesa atravessam diversos governos onde,
durante anos, a tomada de decisões relacionadas à religião e à economia da
Inglaterra refletiu imediatamente na insatisfação de grande parte da burguesia da
época. Veja como os governos agiram gradativamente para culminar numa
revolução popular.
A dinastia Tudor significou para a Inglaterra um período de grande
crescimento econômico e consolidação do sistema absolutista de governo.
Henrique VIII foi o responsável pela criação do Anglicanismo, religião de
conteúdo Calvinista e aparência católica e que estreitava os vínculos entre Estado
e burguesia. Grande parte da classe burguesa era de orientação religiosa
Protestante e apoiava o controle que tinha o rei sobre a nova religião.
Com o rompimento das relações entre Estado e igreja católica houve o
confisco de terras pertencentes ao clero e com isso o governo da rainha Elizabeth
I (1558-1603) viu uma oportunidade para favorecer-se junto à burguesia e
ampliar as atividades mercantis da Inglaterra. Contudo este crescimento era
desordenado, pois havia uma exclusão de parte da burguesia. Os beneficiados
eram apenas aqueles que possuíam algum conhecimento de pessoas ligadas à
nobreza. A Lei dos Cerceamentos também foi instaurada, tendo continuidade no
governo de Jaime I (1603-1625), da dinastia Stuart, onde grande parte dos
camponeses perdiam suas terras para a produção de produtos (matérias primas)
que abasteciam o engenhoso comércio britânico.
Seu sucessor no governo, Carlos I (1625-1648) tomou novas medidas que
causaram grande descontentamento pela Inglaterra como a ampliação dos direitos
políticos e legais da população católica da época. A burguesia de maioria
protestante, claro não gostou da ideia da instalação de um governo católico.
OS CONFRONTOS
A burguesia, descontente com o possível governo católico que se
instaurava na Inglaterra, e os camponeses, insatisfeitos com o empobrecimento
causado pelos cerceamentos, decidiram se unirem contra a autoridade do rei,
liderados por Oliver Cromwell instalando um estado de guerra civil com o seu
Exército Puritano. Eles conseguiram subjugar os partidários da nobreza e
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instaurar um novo tipo de governo. O governo de Cromwell teve início no ano de
1649 e uma das medidas que tomou em favor da burguesia e camponeses foi o
decreto dos Atos de Navegação, estes estabeleciam medidas para o
desenvolvimento e incentivo aos negócios burgueses.
Contudo em 1658 Oliver Cromwell faleceu dando lugar ao seu sucessor no
governo, seu filho Richard Cromwell. A nobreza monárquica pressionou o novo
governante de tal forma que este não resistiu e abriu as portas para a restauração
da dinastia Stuart comandada desta vez por Jaime II. Desta vez a burguesia aliou-
se ao genro de Jaime, Guilherme de Orange, pois, temia a restauração de um
regime absolutista. Junto a Guilherme a burguesia pôs abaixo o poder do rei e
deflagrou a Revolução Gloriosa. Esta nova revolução levou Guilherme ao trono e
o mesmo assinou a Declaração dos Direitos, documento que previa a
subordinação da realeza ao parlamento.
A partir de então a Inglaterra enfrentou grande crescimento econômico,
encontrando-se hoje como uma das mais importantes economias do mundo.
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CONCLUSÃO
Concluímos que a Revolução Inglesa do século XVII representou a
primeira manifestação de crise do sistema da época moderna, identificado com o
absolutismo. O poder monárquico, severamente limitado, cedeu a maior parte de
suas prerrogativas ao Parlamento e instaurou-se o regime parlamentarista que
permanece até hoje. O processo que começou com a Revolução Puritana de 1640
e terminou com a Revolução Gloriosa de 1688.
As duas fazem parte de um mesmo processo revolucionário, daí a denominação
de Revolução Inglesa do século XVII e não Revoluções Inglesas. Esse
movimento revolucionário criou as condições indispensáveis para a Revolução
Industrial do século XVIII, abrindo espaço para o avanço do capitalismo. Deve
ser considerada a primeira revolução burguesa da história da Europa no qual
antecipou em 150 anos a Revolução Francesa.
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REFERÊNCIA BIBLIOGRAFICA2
HILL, Christopher. A R evolução Inglesa de 1640. Trad. Wanda Ramos. Lisboa:
Editorial Presença; São Paulo: Livraria Marins Fontes, 1985. p. 101.
http://historiadomundo.uol.com.br/idade-moderna/revolucao-inglesa.htm
http://www.mundovestibular.com.br/articles/6500/1/A-Revolucao-
Inglesa/Paacutegina1.html

A revolução inglesa

  • 1.
    1 INTRODUÇÃO A Revolução Inglesa,ocorrida no século XVII, foi um dos principais acontecimentos da Idade Moderna. Foi considerada a primeira das grandes revoluções burguesas, isto é, as revoluções encabeçadas por lideranças da burguesia europeia, que havia se pedro expressivamente forte, do ponto de vista econômico, ao longo dos séculos XVI e XVII, e que precisava alcançar legitimidade política. Com o processo da revolução, a burguesia da Inglaterra, por meio de uma guerra civil e da atuação do Parlamento, conseguiu combater o Estado absolutista desse país e reformular a estrutura política, que culminaria no modelo da Monarquia Parlamentarista em 1688.
  • 2.
    2 DESENVOVIMENTO A Revolução Inglesaocorreu no século XVII, no ano de 1640. De acordo com alguns historiadores, esta insurreição é considerada a primeira revolução de caráter burguês realizada no ocidente. A origem da Revolução Inglesa pode ser explicada por uma combinação de diversos fatores. Na época da Dinastia Tudor, o país apresentava um desenvolvimento econômico próspero e de várias conquistas. Enquanto Henrique VIII e Elisabeth I estavam no poder, ocorreu a adoção do anglicanismo, que trouxe grandes mudanças e era um instrumento importante do Estado. Além disso, neste período, a Inglaterra encontrava-se unificada e começou a disputar o descobrimento de novas colônias, fazendo frente aos espanhóis. SURGEM AS CONDIÇÕES A Inglaterra atingiu no século XVII notável desenvolvimento, favorecido pela monarquia absolutista. Henrique VIII e Elizabeth I unificaram o país, dominaram a nobreza, afastaram a ingerência papal, criaram a igreja a nacional inglesa, confiscaram terras da Igreja Católica e passaram a disputar os domínios coloniais com os espanhóis. Tais tarefas agradaram à burguesia, mas agora o poder absolutista tornava-se incômodo, pois barrava o avanço da burguesia mercantil. Grande parte dos recursos do Estado vinham da venda de monopólios, como aqueles sobre comércio exterior, sal, sabão, alúmen, arenque e cerveja a, que beneficiavam um pequeno grupo, a burguesia financeira. E prejudicavam a burguesia comercial, sem liberdade para suas atividades, e os artesãos, que pagavam caro por alúmen e produtos indispensáveis a seu trabalho. Ao mesmo tempo, a garantia de privilégios às corporações de ofício impedia o aumento da produção industrial, pois eles limitavam a entrada de novos produtores nas áreas urbanas. Outro problema econômico estava no campo. A alta de preços e a expansão do consumo de alimentos e matérias-primas, como a lã, valorizaram as terras. Isto despertou a cobiça dos produtores rurais. Eles tentavam aumentar suas posses através dos cerceamentos, isto é, tentavam transformar em propriedade privada as terras coletivas, devolutas ou sobre as quais havia uma posse precária. Tais ações expulsavam posseiros e criavam grandes propriedades, nas quais se investia capital para aumentar a produção. O Estado, para preservar o equilíbrio social necessário a sua existência, barrava os cerceamentos e punha contra si dois setores poderosos: a burguesia mercantil e a nobreza progressista rural, a genro.
  • 3.
    3 No plano político,havia o conflito entre rei e Parlamento. A este, instituído pela Carta Magna de 1215, cabia o poder de direito, isto é, legítimo. Mas os Tudor exerceram o poder de fato, convocando pouco o Parlamento. As classes aí representadas não se opuseram ao absolutismo porque correspondia a seus interesses. O rei promovia desenvolvimento. No século XVII, o Parlamento pretendia transformar seu poder de direito em poder de fato. O rei correu a legitimar seu poder, que era de fato. Só havia uma forma: considerar o poder real de origem divina, como na França. A luta política desenvolveu-se então no campo religioso e os reis manipularam a religião para aumentar seu poder. No século XVI, os Tudor haviam dado ênfase ao conteúdo do anglicanismo, isto é, seu lado calvinista, favorecendo a burguesia. Agora, os Stuart ressaltavam a forma católica do anglicanismo, identificando-se com a aristocracia, contra a burguesia. Claro, através do catolicismo era mais fácil justificar a origem divina do poder real. O Parlamento, dominado pela burguesia mercantil e a genro, radicalizou suas posições e identificou-se com o puritanismo (forma mais radical do calvinismo), que rejeitava o anglicanismo. A Revolução Puritana foi o resultado da luta entre burguesia e realeza pelo controle político do país. Podemos dividir o processo histórico da Revolução Inglesa em quatro fases principais: A Revolução Puritana e a Guerra Civil, que transcorreu de 1640 a 1649; A República de Oliver Cromwell, que durou de 1649 a 1658; A Restauração da dinastia dos Stuart, com os reis Carlos II e Jaime II, período longo que foi de 1660 a 1688; Por fim, a Revolução Gloriosa, que encerrou o reinado de Jaime II e instituiu a Monarquia Parlamentarista. REVOLUÇÃO PURITANA E GUERRA CIVIL (1640-1649) A guerra civil entre a burguesia puritana e a Coroa ficou mais intensa quando, em 1642, Oliver Cromwell convocou a base da pequena burguesia e de camponeses para formar o Novo Exército Modelo (New Modele Ary). Nessa base, destacaram-se os Digeres e Liveles, que se caracterizaram por sua radicalidade política em assuntos como reforma agrária (Digeres) e igualdade de diretos entre todos os cidadãos (Liveles). Com o Novo Exército Modelo,
  • 4.
    4 Cromwell conseguiu esmagaras forças da Coroa. Em 1649, a ala radical burguesa exigiu a decapitação de Carlos I, que ocorreu no dia 31 de janeiro. “REPÚBLICA” DE OLIVER CROMWELL (1649-1658) Em 19 de maio de 1649 foi proclamada a República, e Cromwell recebeu do Parlamento o título de Lorde Protetor (Lorde Protetor da República). Muitas transformações políticas operadas por Cromwell beneficiaram a burguesia que foi por ele liderada na Guerra Civil. Uma dessas transformações foi possibilitada pelos chamados Atos de Navegação, aprovados em 1650, que restringiam o transporte de produtos ingleses apenas aos navios da própria Inglaterra. No entanto, a exemplo dos monarcas autoritários que havia combatido, Cromwell acabou por se voltar contra o Parlamento. Em 1653, ele o dissolveu com o auxílio do Exército burguês e instituiu uma ditadura aberta, que teve como característica principal a execução das lideranças que o ajudaram a formar esse mesmo Exército, isto é, os Digeres e Liveles, como diz o historiador Christopher Hill, em sua obra A Revolução Puritana de 1640: A história da revolução inglesa de 1649 a 1660 pode ser contada em poucas palavras. O fuzilamento por Cromwell dos Liveles, em Belford, tornou absolutamente inevitável a restauração da monarquia e dos senhores, pois a ruptura entre a grande burguesia e a pequena nobreza, por um lado, e as forças populares, por outro, significava que o seu governo só poderia ser mantido por um exército (o que, a longo prazo, provou ser extraordinariamente dispendioso e de difícil controle) ou por um compromisso com os representantes da velha ordem que restavam. Um tempo mais tarde, em 1657, Cromwell propôs um novo acordo com os parlamentares e reabilitou o Parlamento inglês. Todavia, antes que esse acordo pudesse vigorar, Cromwell faleceu (1658). Em seu lugar, assumiu seu filho, Richard Cromwell, que não tinha o mesmo prestígio que o pai, sobretudo frente às classes mais radicais da burguesia. Temendo um levante popular e uma nova guerra civil, o Parlamento fez uma manobra arriscada: convocou Carlos II, filho do rei decapitado, para assumir o trono e restaurar a dinastia dos Stuart. RESTAURAÇÃO DA DINASTIA STUART (1660-1688) Em 1660, Carlos II assumiu o trono prometendo respeitar os interesses do Parlamento. Mas logo começou a se articular com antigas lideranças da nobreza para restaurar o absolutismo, aproximando-se da França de Luís XIV. Entretanto, a realidade social já era bem diferente de quando seu pai havia reinado e, não conseguindo uma nova composição tradicional, Carlos II iniciou uma ampla perseguição religiosa contra os calvinistas. Essa perseguição tinha como pano de
  • 5.
    5 fundo também aaproximação de Carlos II de membros da Igreja Católica. AA pesar de anglicanos, os Stuart mantinham boas relações com os membros do clero, os quais ainda5 possuíam grande influência social, além de posse de terras. O Parlamento, composto por maioria puritana, ao repudiar as ações de Carlos, viu-se novamente vítima do autoritarismo: o monarca dissolveu-o em 1681 e governou sozinho até a sua morte, em 1685. Seu filho, Jaime II, assumiu o torno, reativou o Parlamento, mas procurou dar seguimento às ações do pai, no que se refere à restauração do absolutismo. No entanto, Jaime II foi mais além, convertendo-se ao catolicismo e decretando uma série de medidas que beneficiavam os católicos, como a isenção de impostos. Novamente, a reação do Parlamento foi imediata. Temendo que Jaime reivindicasse apoio da França, os membros do Parlamento trataram de organizar uma manobra política que evitasse um possível conflito armado. REVOLUÇÃO GLORIOSA E A FUNDAÇÃO DA MONARQUIA PARLAMENTARISTA A manobra consistiu na convocação da filha de Jaime II, Maria II, à época casada com Guilherme de Orange, governador dos Países Baixos, para assumir com o marido o trono da Inglaterra. Guilherme de Orange, inicialmente, não viu com bons olhos o plano, imaginando que sua esposa, como herdeira legítima, teria mais poderes que ele. Contudo, mesmo assim, ainda em 1688, Guilherme invadiu a Inglaterra com seu exército para depor Jaime II e apoiar o Parlamento. A Cavalaria da nobreza, que também estava descontente com o rei, em vez de defendê-lo, aliou-se a Guilherme. A Jaime II, já sem defesa alguma, Guilherme de Orange permitiu a fuga para a França, onde o monarca permaneceu exilado até o último dia de vida. Guilherme de Orange assumiu o trono inglês como Guilherme III. Por sua ação militar não ter resultado em guerra e derramamento de sangue, ela recebeu o nome de Revolução Gloriosa. O Parlamento, contudo, estabeleceu diretrizes novas para Guilherme e Maria antes de coroá-los. Ambos os reis tiveram que se comprometer a cumprir a chamada Declaração de Direitos de 1689 (Bill Off Light).
  • 6.
    6 A Declaração deDireitos limitava a ação dos reis, de modo a impedir qualquer retorno do absolutismo. Os reis passaram a ter o poderrestrito, e o poder de decisão política concentrou-se no Parlamento, formando-se, assim, uma Monarquia Parlamentarista. Além disso, havia o comprometimento com as liberdades individuais, principalmente com a liberdade de crenças religiosas. ANTECEDENTES DA REVOLUÇÃO INGLESA Os antecedentes da Revolução Inglesa atravessam diversos governos onde, durante anos, a tomada de decisões relacionadas à religião e à economia da Inglaterra refletiu imediatamente na insatisfação de grande parte da burguesia da época. Veja como os governos agiram gradativamente para culminar numa revolução popular. A dinastia Tudor significou para a Inglaterra um período de grande crescimento econômico e consolidação do sistema absolutista de governo. Henrique VIII foi o responsável pela criação do Anglicanismo, religião de conteúdo Calvinista e aparência católica e que estreitava os vínculos entre Estado e burguesia. Grande parte da classe burguesa era de orientação religiosa Protestante e apoiava o controle que tinha o rei sobre a nova religião. Com o rompimento das relações entre Estado e igreja católica houve o confisco de terras pertencentes ao clero e com isso o governo da rainha Elizabeth I (1558-1603) viu uma oportunidade para favorecer-se junto à burguesia e ampliar as atividades mercantis da Inglaterra. Contudo este crescimento era desordenado, pois havia uma exclusão de parte da burguesia. Os beneficiados eram apenas aqueles que possuíam algum conhecimento de pessoas ligadas à nobreza. A Lei dos Cerceamentos também foi instaurada, tendo continuidade no governo de Jaime I (1603-1625), da dinastia Stuart, onde grande parte dos camponeses perdiam suas terras para a produção de produtos (matérias primas) que abasteciam o engenhoso comércio britânico. Seu sucessor no governo, Carlos I (1625-1648) tomou novas medidas que causaram grande descontentamento pela Inglaterra como a ampliação dos direitos políticos e legais da população católica da época. A burguesia de maioria protestante, claro não gostou da ideia da instalação de um governo católico. OS CONFRONTOS A burguesia, descontente com o possível governo católico que se instaurava na Inglaterra, e os camponeses, insatisfeitos com o empobrecimento causado pelos cerceamentos, decidiram se unirem contra a autoridade do rei, liderados por Oliver Cromwell instalando um estado de guerra civil com o seu Exército Puritano. Eles conseguiram subjugar os partidários da nobreza e
  • 7.
    7 instaurar um novotipo de governo. O governo de Cromwell teve início no ano de 1649 e uma das medidas que tomou em favor da burguesia e camponeses foi o decreto dos Atos de Navegação, estes estabeleciam medidas para o desenvolvimento e incentivo aos negócios burgueses. Contudo em 1658 Oliver Cromwell faleceu dando lugar ao seu sucessor no governo, seu filho Richard Cromwell. A nobreza monárquica pressionou o novo governante de tal forma que este não resistiu e abriu as portas para a restauração da dinastia Stuart comandada desta vez por Jaime II. Desta vez a burguesia aliou- se ao genro de Jaime, Guilherme de Orange, pois, temia a restauração de um regime absolutista. Junto a Guilherme a burguesia pôs abaixo o poder do rei e deflagrou a Revolução Gloriosa. Esta nova revolução levou Guilherme ao trono e o mesmo assinou a Declaração dos Direitos, documento que previa a subordinação da realeza ao parlamento. A partir de então a Inglaterra enfrentou grande crescimento econômico, encontrando-se hoje como uma das mais importantes economias do mundo.
  • 8.
    8 CONCLUSÃO Concluímos que aRevolução Inglesa do século XVII representou a primeira manifestação de crise do sistema da época moderna, identificado com o absolutismo. O poder monárquico, severamente limitado, cedeu a maior parte de suas prerrogativas ao Parlamento e instaurou-se o regime parlamentarista que permanece até hoje. O processo que começou com a Revolução Puritana de 1640 e terminou com a Revolução Gloriosa de 1688. As duas fazem parte de um mesmo processo revolucionário, daí a denominação de Revolução Inglesa do século XVII e não Revoluções Inglesas. Esse movimento revolucionário criou as condições indispensáveis para a Revolução Industrial do século XVIII, abrindo espaço para o avanço do capitalismo. Deve ser considerada a primeira revolução burguesa da história da Europa no qual antecipou em 150 anos a Revolução Francesa.
  • 9.
    9 REFERÊNCIA BIBLIOGRAFICA2 HILL, Christopher.A R evolução Inglesa de 1640. Trad. Wanda Ramos. Lisboa: Editorial Presença; São Paulo: Livraria Marins Fontes, 1985. p. 101. http://historiadomundo.uol.com.br/idade-moderna/revolucao-inglesa.htm http://www.mundovestibular.com.br/articles/6500/1/A-Revolucao- Inglesa/Paacutegina1.html