A Nova Demografia Mundial Megatendências que  vão mudar o mundo JACK A. GOLDSTONE George Mason School de Políticas Públicas Originalmente publicado na  FOREIGN AFFAIRS   Jan-Fev/2010 Janeiro de 2010
Nos próximos 40 anos o mundo ficará mais rico Atualmente a população mundial é de 6,8 bilhões A Divisão de População da ONU projeta que até 2050  teremos estabilizado em 9,2 bilhões de pessoas  ( World Population Prospects: The 2008 Revision ) – um crescimento de 35% em 40 anos Apesar do atual clima de crise,  a  produção econômica mundial  deverá aumentar 2-3% por ano no mesmo período ,  o que significa que  a renda global pode aumentar até 67% acima da população nas próximas quatro décadas © 2010 JACK A. GOLDSTONE
Esse enriquecimento, contudo, não será uniforme  O p eso demográfico relativo dos países desenvolvidos  sofrerá uma queda de cerca de 25%, deslocando o  poder econômico para as nações em desenvolvimento A maior parte do crescimento populacional projetado se concentrará  nos países atualmente mais pobres e jovens  A força de trabalho dos países desenvolvidos irá envelhecer e declinar substancialmente, restringindo o crescimento econômico no mundo desenvolvido Pela primeira vez na história, a maior parte da população mundial tornou-se urbanizada, sendo que os maiores centros urbanos estão localizados nos países mais pobres do mundo Nas próximas décadas os centros do crescimento econômico serão as grandes cidades do Terceiro Mundo
A inversão de destino da Europa Crescimento… Início Séc. 18:  20% dos habitantes do mundo viviam na Europa+Rússia Revolução Industrial:  população da Europa cresce e fluxos de emigrantes europeus partem para as Américas 1913:  População da Europa quadruplicou; Europa tem mais gente do que a China Uma em cada 3  pessoas do mundo  vive na Europa  ou América do Norte © 2010 JACK A. GOLDSTONE
A inversão de destino da Europa & Declínio Após 1ª. Guerra Mundial:  Cuidados com saúde e saneamento básico começam a se espalhar para países mais pobres Na Ásia, África e América Latina, as pessoas começam a viver mais, enquanto a taxa de natalidade mantem-se elevada 2003:  apenas  uma em cada 6  pessoas do mundo vive na Europa ou América do Norte 2050:   uma em cada 8  pessoas do mundo viverão na Europa ou América do Norte © 2010 JACK A. GOLDSTONE
O relativo declínio do Ocidente é mais dramático se considerarmos mudanças na renda A Revolução Industrial tornou os europeus não só mais numerosos mas consideravelmente mais ricos Início do século 19:  Europa e America do Norte produzem  32%  do PIB mundial 1950:  Europa e America do Norte produzem  68%  do PIB mundial De 1800 a 1973, a maior parte do crescimento econômico mundial sempre ocorreu na Europa, Estados Unidos e Canadá 2003:  Europa e America do Norte produzem  47%  do PIB mundial 2050:  Europa e America do Norte produzirão menos de  30%  do PIB mundial (participação menor do que em 1820) © 2010 JACK A. GOLDSTONE  Desde 1973 a maior parte do crescimento econômico mundial  ocorre fora da Europa e América do Norte
Cerca de 80% do crescimento do PIB mundial ocorrerá fora da Europa, dos EUA e do Canadá Em meados deste século, a classe média global  ( aqueles  capazes de comprar produtos de consumo duráveis, como automóveis, eletrodomésticos e eletrônicos ) estará  cada vez mais localizada no que hoje é considerado o mundo em desenvolvimento O Banco Mundial prevê que em 2030 o número de pessoas de classe média no mundo em desenvolvimento será de 1,2 bilhões - um aumento de 200% desde 2005 A classe média em desenvolvimento será, sozinha, maior do que a população total da Europa, Japão e Estados Unidos juntos A partir de agora, o principal motor da expansão econômica global será o crescimento dos países recém-industrializados, como  Brasil, China, Índia, Indonésia, México  e  Turquia © 2010 JACK A. GOLDSTONE
Economias desenvolvidas serão menos dinâmicas e suas populações substancialmente mais velhas Europa, Canadá, EUA, Japão, Coréia do Sul e mesmo China  estão envelhecendo a níveis sem precedentes A queda na população ativa é ainda mais severa do que a diminuição do crescimento populacional A geração "baby boom" (1945-65) está se aposentando e não está sendo substituída pelo mesmo número de trabalhadores (+15 anos) © 2010 JACK A. GOLDSTONE  % da população acima de 60 anos 2010 2050 China 12-15% 30% Coréia do Sul 12-15% +40% Europa + Am.Norte 15-22% 30% Japão 30% +40%
A Coréia do Sul é o exemplo mais extremo População diminuirá cerca de 9% até 2050 (de 48M para 44M) População ativa deve sofrer queda de 36% (de 33M para 21M) Sul-coreanos com mais de 60 anos aumentará em quase 150% (7M para 18M) Em 2050 a população ativa será pouco maior do que a população acima de 60 anos © 2010 JACK A. GOLDSTONE
Embora extremo, o caso coreano representa um destino cada vez mais comum para os países desenvolvidos A Europa deve perder 24% da população ativa (cerca de 120M) até 2050 Ao mesmo tempo, a população acima de 60 anos deve aumentar em 47% Nos EUA, índices de fertilidade e imigração maiores do que na Europa elevarão a população ativa em 15% nas próximos quatro décadas Versus 62% de crescimento entre 1950 e 2010 Até 2050, a população acima de 60 anos dos EUA deve dobrar © 2010 JACK A. GOLDSTONE
Todas as forças que alimentaram o crescimento dos países industrializados, de 1950 a 2000, estão enfraquecendo Isto terá um impacto dramático sobre o crescimento econômico nos países desenvolvidos © 2010 JACK A. GOLDSTONE  1950-2000 2000-2050 Aumento na produtividade devido a melhor escolaridade Explosão no número de matrículas em universidades, após a 2ª. Guerra Mundial, não deverá se repetir no século 21 Entrada das mulheres na força de trabalho Mudança social que só ocorre uma vez Inovações tecnológicas Inovadores que criam novos produtos e consumidores dispostos a experimentá-los diminuem com o envelhecimento da população
O crescimento econômico será prejudicado pela redução no número de novos consumidores e novas famílias Enquanto a força de trabalho crescia 0,5-1%  ao ano,  como  ocorreu até 2005, mesmo aumentos de produtividade de apenas  1,7% geravam crescimentos de 2,2 a 2,7% por ano Com a força de trabalho diminuindo 0,2% ao ano (como na Alemanha, Hungria, Japão, Rússia e países bálticos) ou com crescimento inferior a 0,2% (como na Áustria, Rep. Checa, Dinamarca, Grécia e Itália ) o mesmo aumento de 1,7% na produtividade produz apenas 1,5-1,9% de crescimento anual  Países desenvolvidos terão sorte se conseguirem sequer manter este nível de crescimento da produtividade Em muitos países desenvolvidos, a produtividade tende a declinar com o envelhecimento da população © 2010 JACK A. GOLDSTONE
Enquanto isso, países em rápido crescimento na África, América Latina, Oriente Médio e SE Asiático terão populações jovens Cerca de nove em cada dez crianças com menos de 15 anos vivem hoje em países em desenvolvimento Estes são os países que continuarão a ter as maiores taxas de natalidade Mais de 70% do crescimento da população até 2050 ocorrerá em 24 países – todos com menos de 3.855 dólares de renda per capita 13 © 2010 JACK A. GOLDSTONE
Pela primeira vez na história a maioria da população mundial vive em cidades, ao invés do campo Menos de 30% da população mundial era urbana em 1950; mais de 70% será em 2050 Países de baixa renda na Ásia e África urbanizam-se particularmente rápido, com a mecanização da agricultura e as oportunidades de emprego migrando para os setores industrial e de serviços A maioria dos grandes aglomerados urbanos do mundo já se encontra em países de baixa renda Mumbai (pop. 20M), Nova Delhi (17M) e Calcutá (15,6M), na Índia Cidade do México (20M), Xangai (16M), Karachi (13M), Cairo (13M), Manila (12M), Lagos (11M), Jacarta (10M) O mundo também está se urbanizando de forma sem precedente 14 © 2010 JACK A. GOLDSTONE
Muitos desses países têm várias cidades com mais de um milhão de habitantes Paquistão: 8 cidades México: 12 China: mais de 100 15 © 2010 JACK A. GOLDSTONE  % de população urbana 2010 2050 China 40% 73% África Sub-Saariana 35% 67% (1 Bi de pessoas) India 30% 55%
Esta urbanização pode ser desestabilizante Quando os países industrializados se urbanizaram, tinham renda per capita muito maior do que os países que se urbanizarão no século 21 Quando os EUA atingiram 65% de urbanização, em 1950, sua renda per capita era de  US$ 13 mil  (em dólares de 2005) Em contraste, Nigéria, Paquistão e Filipinas, que estão próximos desse nível de urbanização, têm renda per capita de apenas  US$ 1,8 a 4 mil  (em dólares de 2005) 16 © 2010 JACK A. GOLDSTONE
A rápida urbanização pode trazer, de forma amplificada, problemas semelhantes aos da Europa do século 19 Cidades empobrecidas e vulneráveis ao crime organizado, rebeliões e ações de gangues  Desemprego cíclico, policiamento inadequado, saneamento e educação limitados frequentemente geram confrontos trabalhistas, períodos de violência e, ocasionalmente, revoluções – como nas década de 1820, 1830 e em 1848 A demografia política indica que países com população mais jovem são especialmente propensos a desordem civil e menos capazes de criar ou manter instituições democráticas 17 © 2010 JACK A. GOLDSTONE
Uma nova partição em três mundos Um  Novo Primeiro Mundo   de nações industrializadas envelhecendo América do Norte, Europa, Japão, Cingapura, Coréia do Sul e Taiwan, assim como a China depois de 2030 (quando a política do filho único terá provocado envelhecimento significativo) Um  Novo Segundo Mundo   composto por países em rápido crescimento, com economias dinâmicas e um saudável  mix  de jovens e idosos Brasil, Irã, México, Tailândia, Turquia e Vietnã, assim como a China até 2030 Um  Novo Terceiro Mundo   de  países em rápido crescimento , muito jovens e cada vez mais urbanizados, com economias mais pobres e, muitas vezes, governos instáveis 18 © 2010 JACK A. GOLDSTONE
Uma nova política global Instabilidade frequentemente originada da urbanização, conflito econômico, desordem e atividade terrorista do Novo Terceiro Mundo As nações industrializadas e envelhecidas do Novo Primeiro Mundo precisarão construir alianças com as potências emergentes do Novo Segundo Mundo Potências do Segundo Mundo serão protagonistas no século 21 Impulsionarão o crescimento econômico e o consumo das tecnologias desenvolvidas no Primeiro Mundo Serão centrais para a segurança e cooperação internacionais Imperativos religiosos, culturais e geográficos determinam que qualquer relação pacífica e produtiva, entre nações do Primeiro e do Terceiro Mundos, exigirá a cooperação de países do Novo Segundo Mundo 19 © 2010 JACK A. GOLDSTONE
A estrutura das atuais instituições globais deve mudar As instituições internacionais perderão sua legitimidade se excluírem os países de maior crescimento e economias mais dinâmicas do mundo O G-8, por exemplo, se tornará obsoleto na definição da política econômica global O G-20 já está cada vez mais importante – começo de um necessário reconhecimento do Brasil, China, Índia, Indonésia, México, Turquia e outros como potências econômicas globais 20 © 2010 JACK A. GOLDSTONE
A OTAN deveria convidar países como o Brasil e Marrocos, para a aliança, ao invés de países como a  Albânia A OTAN é composta quase inteiramente por países com populações envelhecendo e em declínio e economias de crescimento relativamente lento Orientada ao Hemisfério Norte e à lógica da Guerra Fria, que não endereça adequadamente as ameaças contemporâneas Em momentos de instabilidade, países jovens e populosos podem mobilizar rebeldes muito mais rapidamente do que a OTAN pode mobilizar as tropas necessárias para estabilizá-los © 2010 JACK A. GOLDSTONE  21
Os atuais níveis de imigração são mínimos, comparados com os que podem ocorrer em breve As forças da oferta e demanda atuarão fortemente sobre o Terceiro Mundo, no qual países pobres continuarão a ter aumento dramático da população, nas próximas décadas Em 1950 a população combinada de Bangladesh, Egito, Indonésia, Nigéria, Paquistão e Turquia era de 242 milhões Em 2009, os seis países formavam a concentração muçulmana mais populosa do mundo, com 886 milhões de habitantes Essa população aumentará em 475 milhões até 2050 Nesse período a população dos seis países desenvolvidos mais populosos aumentará apenas 44 milhões  22 © 2010 JACK A. GOLDSTONE

A Nova Demografia Mundial

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    A Nova DemografiaMundial Megatendências que vão mudar o mundo JACK A. GOLDSTONE George Mason School de Políticas Públicas Originalmente publicado na FOREIGN AFFAIRS Jan-Fev/2010 Janeiro de 2010
  • 2.
    Nos próximos 40anos o mundo ficará mais rico Atualmente a população mundial é de 6,8 bilhões A Divisão de População da ONU projeta que até 2050 teremos estabilizado em 9,2 bilhões de pessoas ( World Population Prospects: The 2008 Revision ) – um crescimento de 35% em 40 anos Apesar do atual clima de crise, a produção econômica mundial deverá aumentar 2-3% por ano no mesmo período , o que significa que a renda global pode aumentar até 67% acima da população nas próximas quatro décadas © 2010 JACK A. GOLDSTONE
  • 3.
    Esse enriquecimento, contudo,não será uniforme O p eso demográfico relativo dos países desenvolvidos sofrerá uma queda de cerca de 25%, deslocando o poder econômico para as nações em desenvolvimento A maior parte do crescimento populacional projetado se concentrará nos países atualmente mais pobres e jovens A força de trabalho dos países desenvolvidos irá envelhecer e declinar substancialmente, restringindo o crescimento econômico no mundo desenvolvido Pela primeira vez na história, a maior parte da população mundial tornou-se urbanizada, sendo que os maiores centros urbanos estão localizados nos países mais pobres do mundo Nas próximas décadas os centros do crescimento econômico serão as grandes cidades do Terceiro Mundo
  • 4.
    A inversão dedestino da Europa Crescimento… Início Séc. 18: 20% dos habitantes do mundo viviam na Europa+Rússia Revolução Industrial: população da Europa cresce e fluxos de emigrantes europeus partem para as Américas 1913: População da Europa quadruplicou; Europa tem mais gente do que a China Uma em cada 3 pessoas do mundo vive na Europa ou América do Norte © 2010 JACK A. GOLDSTONE
  • 5.
    A inversão dedestino da Europa & Declínio Após 1ª. Guerra Mundial: Cuidados com saúde e saneamento básico começam a se espalhar para países mais pobres Na Ásia, África e América Latina, as pessoas começam a viver mais, enquanto a taxa de natalidade mantem-se elevada 2003: apenas uma em cada 6 pessoas do mundo vive na Europa ou América do Norte 2050: uma em cada 8 pessoas do mundo viverão na Europa ou América do Norte © 2010 JACK A. GOLDSTONE
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    O relativo declíniodo Ocidente é mais dramático se considerarmos mudanças na renda A Revolução Industrial tornou os europeus não só mais numerosos mas consideravelmente mais ricos Início do século 19: Europa e America do Norte produzem 32% do PIB mundial 1950: Europa e America do Norte produzem 68% do PIB mundial De 1800 a 1973, a maior parte do crescimento econômico mundial sempre ocorreu na Europa, Estados Unidos e Canadá 2003: Europa e America do Norte produzem 47% do PIB mundial 2050: Europa e America do Norte produzirão menos de 30% do PIB mundial (participação menor do que em 1820) © 2010 JACK A. GOLDSTONE Desde 1973 a maior parte do crescimento econômico mundial ocorre fora da Europa e América do Norte
  • 7.
    Cerca de 80%do crescimento do PIB mundial ocorrerá fora da Europa, dos EUA e do Canadá Em meados deste século, a classe média global ( aqueles capazes de comprar produtos de consumo duráveis, como automóveis, eletrodomésticos e eletrônicos ) estará cada vez mais localizada no que hoje é considerado o mundo em desenvolvimento O Banco Mundial prevê que em 2030 o número de pessoas de classe média no mundo em desenvolvimento será de 1,2 bilhões - um aumento de 200% desde 2005 A classe média em desenvolvimento será, sozinha, maior do que a população total da Europa, Japão e Estados Unidos juntos A partir de agora, o principal motor da expansão econômica global será o crescimento dos países recém-industrializados, como Brasil, China, Índia, Indonésia, México e Turquia © 2010 JACK A. GOLDSTONE
  • 8.
    Economias desenvolvidas serãomenos dinâmicas e suas populações substancialmente mais velhas Europa, Canadá, EUA, Japão, Coréia do Sul e mesmo China estão envelhecendo a níveis sem precedentes A queda na população ativa é ainda mais severa do que a diminuição do crescimento populacional A geração "baby boom" (1945-65) está se aposentando e não está sendo substituída pelo mesmo número de trabalhadores (+15 anos) © 2010 JACK A. GOLDSTONE % da população acima de 60 anos 2010 2050 China 12-15% 30% Coréia do Sul 12-15% +40% Europa + Am.Norte 15-22% 30% Japão 30% +40%
  • 9.
    A Coréia doSul é o exemplo mais extremo População diminuirá cerca de 9% até 2050 (de 48M para 44M) População ativa deve sofrer queda de 36% (de 33M para 21M) Sul-coreanos com mais de 60 anos aumentará em quase 150% (7M para 18M) Em 2050 a população ativa será pouco maior do que a população acima de 60 anos © 2010 JACK A. GOLDSTONE
  • 10.
    Embora extremo, ocaso coreano representa um destino cada vez mais comum para os países desenvolvidos A Europa deve perder 24% da população ativa (cerca de 120M) até 2050 Ao mesmo tempo, a população acima de 60 anos deve aumentar em 47% Nos EUA, índices de fertilidade e imigração maiores do que na Europa elevarão a população ativa em 15% nas próximos quatro décadas Versus 62% de crescimento entre 1950 e 2010 Até 2050, a população acima de 60 anos dos EUA deve dobrar © 2010 JACK A. GOLDSTONE
  • 11.
    Todas as forçasque alimentaram o crescimento dos países industrializados, de 1950 a 2000, estão enfraquecendo Isto terá um impacto dramático sobre o crescimento econômico nos países desenvolvidos © 2010 JACK A. GOLDSTONE 1950-2000 2000-2050 Aumento na produtividade devido a melhor escolaridade Explosão no número de matrículas em universidades, após a 2ª. Guerra Mundial, não deverá se repetir no século 21 Entrada das mulheres na força de trabalho Mudança social que só ocorre uma vez Inovações tecnológicas Inovadores que criam novos produtos e consumidores dispostos a experimentá-los diminuem com o envelhecimento da população
  • 12.
    O crescimento econômicoserá prejudicado pela redução no número de novos consumidores e novas famílias Enquanto a força de trabalho crescia 0,5-1% ao ano, como ocorreu até 2005, mesmo aumentos de produtividade de apenas 1,7% geravam crescimentos de 2,2 a 2,7% por ano Com a força de trabalho diminuindo 0,2% ao ano (como na Alemanha, Hungria, Japão, Rússia e países bálticos) ou com crescimento inferior a 0,2% (como na Áustria, Rep. Checa, Dinamarca, Grécia e Itália ) o mesmo aumento de 1,7% na produtividade produz apenas 1,5-1,9% de crescimento anual Países desenvolvidos terão sorte se conseguirem sequer manter este nível de crescimento da produtividade Em muitos países desenvolvidos, a produtividade tende a declinar com o envelhecimento da população © 2010 JACK A. GOLDSTONE
  • 13.
    Enquanto isso, paísesem rápido crescimento na África, América Latina, Oriente Médio e SE Asiático terão populações jovens Cerca de nove em cada dez crianças com menos de 15 anos vivem hoje em países em desenvolvimento Estes são os países que continuarão a ter as maiores taxas de natalidade Mais de 70% do crescimento da população até 2050 ocorrerá em 24 países – todos com menos de 3.855 dólares de renda per capita 13 © 2010 JACK A. GOLDSTONE
  • 14.
    Pela primeira vezna história a maioria da população mundial vive em cidades, ao invés do campo Menos de 30% da população mundial era urbana em 1950; mais de 70% será em 2050 Países de baixa renda na Ásia e África urbanizam-se particularmente rápido, com a mecanização da agricultura e as oportunidades de emprego migrando para os setores industrial e de serviços A maioria dos grandes aglomerados urbanos do mundo já se encontra em países de baixa renda Mumbai (pop. 20M), Nova Delhi (17M) e Calcutá (15,6M), na Índia Cidade do México (20M), Xangai (16M), Karachi (13M), Cairo (13M), Manila (12M), Lagos (11M), Jacarta (10M) O mundo também está se urbanizando de forma sem precedente 14 © 2010 JACK A. GOLDSTONE
  • 15.
    Muitos desses paísestêm várias cidades com mais de um milhão de habitantes Paquistão: 8 cidades México: 12 China: mais de 100 15 © 2010 JACK A. GOLDSTONE % de população urbana 2010 2050 China 40% 73% África Sub-Saariana 35% 67% (1 Bi de pessoas) India 30% 55%
  • 16.
    Esta urbanização podeser desestabilizante Quando os países industrializados se urbanizaram, tinham renda per capita muito maior do que os países que se urbanizarão no século 21 Quando os EUA atingiram 65% de urbanização, em 1950, sua renda per capita era de US$ 13 mil (em dólares de 2005) Em contraste, Nigéria, Paquistão e Filipinas, que estão próximos desse nível de urbanização, têm renda per capita de apenas US$ 1,8 a 4 mil (em dólares de 2005) 16 © 2010 JACK A. GOLDSTONE
  • 17.
    A rápida urbanizaçãopode trazer, de forma amplificada, problemas semelhantes aos da Europa do século 19 Cidades empobrecidas e vulneráveis ao crime organizado, rebeliões e ações de gangues Desemprego cíclico, policiamento inadequado, saneamento e educação limitados frequentemente geram confrontos trabalhistas, períodos de violência e, ocasionalmente, revoluções – como nas década de 1820, 1830 e em 1848 A demografia política indica que países com população mais jovem são especialmente propensos a desordem civil e menos capazes de criar ou manter instituições democráticas 17 © 2010 JACK A. GOLDSTONE
  • 18.
    Uma nova partiçãoem três mundos Um Novo Primeiro Mundo de nações industrializadas envelhecendo América do Norte, Europa, Japão, Cingapura, Coréia do Sul e Taiwan, assim como a China depois de 2030 (quando a política do filho único terá provocado envelhecimento significativo) Um Novo Segundo Mundo composto por países em rápido crescimento, com economias dinâmicas e um saudável mix de jovens e idosos Brasil, Irã, México, Tailândia, Turquia e Vietnã, assim como a China até 2030 Um Novo Terceiro Mundo de países em rápido crescimento , muito jovens e cada vez mais urbanizados, com economias mais pobres e, muitas vezes, governos instáveis 18 © 2010 JACK A. GOLDSTONE
  • 19.
    Uma nova políticaglobal Instabilidade frequentemente originada da urbanização, conflito econômico, desordem e atividade terrorista do Novo Terceiro Mundo As nações industrializadas e envelhecidas do Novo Primeiro Mundo precisarão construir alianças com as potências emergentes do Novo Segundo Mundo Potências do Segundo Mundo serão protagonistas no século 21 Impulsionarão o crescimento econômico e o consumo das tecnologias desenvolvidas no Primeiro Mundo Serão centrais para a segurança e cooperação internacionais Imperativos religiosos, culturais e geográficos determinam que qualquer relação pacífica e produtiva, entre nações do Primeiro e do Terceiro Mundos, exigirá a cooperação de países do Novo Segundo Mundo 19 © 2010 JACK A. GOLDSTONE
  • 20.
    A estrutura dasatuais instituições globais deve mudar As instituições internacionais perderão sua legitimidade se excluírem os países de maior crescimento e economias mais dinâmicas do mundo O G-8, por exemplo, se tornará obsoleto na definição da política econômica global O G-20 já está cada vez mais importante – começo de um necessário reconhecimento do Brasil, China, Índia, Indonésia, México, Turquia e outros como potências econômicas globais 20 © 2010 JACK A. GOLDSTONE
  • 21.
    A OTAN deveriaconvidar países como o Brasil e Marrocos, para a aliança, ao invés de países como a Albânia A OTAN é composta quase inteiramente por países com populações envelhecendo e em declínio e economias de crescimento relativamente lento Orientada ao Hemisfério Norte e à lógica da Guerra Fria, que não endereça adequadamente as ameaças contemporâneas Em momentos de instabilidade, países jovens e populosos podem mobilizar rebeldes muito mais rapidamente do que a OTAN pode mobilizar as tropas necessárias para estabilizá-los © 2010 JACK A. GOLDSTONE 21
  • 22.
    Os atuais níveisde imigração são mínimos, comparados com os que podem ocorrer em breve As forças da oferta e demanda atuarão fortemente sobre o Terceiro Mundo, no qual países pobres continuarão a ter aumento dramático da população, nas próximas décadas Em 1950 a população combinada de Bangladesh, Egito, Indonésia, Nigéria, Paquistão e Turquia era de 242 milhões Em 2009, os seis países formavam a concentração muçulmana mais populosa do mundo, com 886 milhões de habitantes Essa população aumentará em 475 milhões até 2050 Nesse período a população dos seis países desenvolvidos mais populosos aumentará apenas 44 milhões 22 © 2010 JACK A. GOLDSTONE