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A FAMÍLIA CONTEMPORÂNEA

      Lorena Portes
      Melissa Portes
  Marco Antonio da Rocha
      organizadores
Embora o modelo de família nuclear
burguesa ou conjugal moderna predomine
em nossa sociedade, não podemos considerá-
la como o único modelo familiar. O
surgimento de novos arranjos familiares nos
leva à conclusão de que o modelo de família
nuclear burguesa (ou moderna) encontra-se
em crise. (LARSCH, 1991)
Fatores que contribuíram
          para essa crise:

A Revolução Industrial – que
exigiu    maior       número   de
trabalhadores nas fábricas;
O Movimento Feminista que veio
alterara    significativamente  o
mundo da mulher;
O Movimento da Juventude
exigindo novos valores.
1960 - A pílula anticoncepcional separou a
sexualidade da reprodução e interferiu
decisivamente na sexualidade feminina,
abalando o valor sagrado da maternidade;

A mulher pôde desvincular a sexualidade
da maternidade: esta  passa a ser uma
opção    e    não     um      “destino”.
1980 – inseminações artificiais, fertilizações
“in vitro” – dissociaram a gravidez da relação
sexual entre homens e mulheres. Isso
provocou mudanças substantivas, afetando a
identificação da família com o mundo natural.

Distinção entre maternidade (tida como
natural) e a maternagem (que pode ser
construída        socialmente).

Mudanças no modo de educar e cuidar das
crianças.
1990 – as mudanças familiares ganham
novo impulso – o exame de DNA permite a
identificação   da    paternidade.

     Qualquer criança nascida de uniões
consensuais ou de casamentos legais pode ter
garantido seus direitos de filiação por parte
do pai e da mãe.
Mudanças no Perfil da Família Brasileira


• Diminuição na Configuração Familiar:
 Estudos demonstram que na década de 90 a tendência
 foi a diminuição na configuração ( menor número de
 pessoas que compõem a família) e aumento da
 diversidade dos grupos familiares;
• Diminui o número de casamentos:
 O número de casamentos em 2002 ( IBGE, 2003) é 4%
 inferior ao de 1991. Há 12 anos eram 7,5 uniões legais
 por mil habitantes. Esse número caiu para 5,7 por mil.
Aumento do número de relações sem
registro:
O número de uniões consensuais, “sem papel passado”
     quase    dobraram     na      última   década;


Casamentos                       tardios:
Homens e mulheres estão casando três anos mais tarde
do   que há uma década. Média de idade feminina: 26,7
anos   –         Média    masculina:    30,3   anos;

Idosos          se       casam           mais:
No grupo com mais de 65 anos, os homens casam-se   cerca de 5
vezes       mais       do        que       as       mulheres;
Uniões precoces:
Nas uniões de 2002, 12% dos cônjuges tinham menos de
                      20 anos;
        Pessoas morando sozinhas:
 Aumentou em 64% o número de pessoas que moram
                   sozinhas;
               Casais sem filhos:
                39% dos casais não tem filhos;
           Famílias monoparentais:
    Mulheres que criam seus filhos sozinhas: aumentou 53%
                      na última década;
Menos casamentos e mais uniões
              rompidas:
De 1991 a 2002 as separações aumentaram 30,7%. Houve        um
              incremento de 59,6% dos divórcios;


                 Recasamentos:
 O percentual de divorciados em novas tentativas de casamento
    passou de 5,3% do total em 1991 para 10,8% em 2002.
A familia contemporanea
Ontem                                              Hoje




Patriarcal - Roma             família
 autoridade do
chefe da família,                                                  Igualitária
 submissão da                             organizações familiares alternativas:
esposa e dos filhos    casamentos sucessivos com parceiros distintos e
 homem - chefe.                           filhos de diferentes uniões;
                     casais homossexuais adotando filhos legalmente;
Sacramental – Idade
média               casais com filhos ou parceiros isolados ou mesmo
 casamento         cada um vivendo com uma das famílias de origem;
                            as chamadas “produções independentes”
 influência da
                                           tornam-se mais freqüentes;
Igreja
                     mais ultimamente, duplas de mães solteiras ou já
 fidelidade
                      separadas compartilham a criação de seus filhos.
A nova família brasileira: desafios
           e impasses
Estudo do IPEA divulgado em setembro de 2008,
mostra que o formato da família brasileira está
se diversificando, com mais espaço para casais
com filhos chefiados por mulheres e núcleos
familiares formados só por pai e filhos.

Já fora de casa, principalmente nas relações de
trabalho, há uma repetição de padrões de
iniqüidade, seja de gênero ou de raça.
                           Fonte : IPEA, 2008
Apesar de o modelo de pai provedor,
mãe e filhos ainda prevalecer, houve
aumento, em dez anos, das outras formas
de organização familiar. Batizado de
monoparentais masculinos, o arranjo
familiar formado por pai/filhos passou de
2,1% em 1993 para 2,7% em 2006.
Pode parecer um número tímido, mas
chama a atenção. É um indício de que um
processo de redefinição de papéis está em
curso.

    Já   as   famílias monoparentais
femininas tiveram um decréscimo de
63,9% em 1993 para 52,9% em 2006).
Já o número de famílias formadas
pelo casal com filhos chefiadas por
mulheres aumentou dez vezes em 13
anos. Em 2006, eram 2,25 milhões de
famílias lideradas pelas mulheres, o que
corresponde a 14,2% do total. Em 1993,
somente 3,4% das famílias tinham esse
formato. "É um resultado extremamente
significativo"                          .
Ao longo da última década observa-se
a manutenção da tendência de aumento na
proporção de famílias chefiadas por
mulheres, que passou de 19,7%, em 1993,
a 28,8%, em 2006. Tal tendência vem
sendo acompanhada com atenção por
pesquisadoras do tema, posto ser um dado
que aponta para contextos de precarização
da   vida   e   do    trabalho   feminino.
As mulheres passaram a ter rendimentos
maiores, mas ainda bem abaixo do obtido pelos
homens. Em 2006, por exemplo, a renda média
das mulheres era de R$ 577. Uma média superior
da que havia sido alcançada em 1993 (R$ 561),
mas ainda bem abaixo do que foi apresentado
pelos homens no mesmo ano: R$ 885,56.
Além de receberem menos, mulheres
ainda são as campeãs em média de horas
semanais dedicadas a afazeres domésticos.
Em 2006, mulheres disseram ter reservado
24,8 horas da semana para essas
atividades. No mesmo ano, homens
dedicaram 10 horas. Houve, no entanto,
uma redução da jornada feminina em
afazeres domésticos, já que em 2001 elas
dedicavam             29           horas.
As novas configurações
      familiares
Família Nuclear - pai, mãe e filhos




       Famílias Reconstituídas:
      aquelas que são formadas,
por casais que trazem filhos do primeiro
              casamento.
              casamento
Famílias Monoparentais:

São famílias decorrentes de divórcio ou separações, onde
 um dos pais assume o cuidado dos filhos e o outro não é
  ativo na parentalidade, ou famílias onde um dos pais é
                      viúvo ou solteiro.

                 Uniões consensuais

 Casais que preferem morar juntos, sem formalizar sua
união. Casais que preferem morar em casas separadas.
São principalmente os divorciados, separados ou viúvos,
que desta forma procuram evitar conflitos existentes nas
                famílias reconstituídas.
Casais sem filhos por opção
Os indivíduos priorizam sua vontade de satisfação
    pessoal. Ex. desenvolvimento da carreira
 profissional. As vezes são casais que possuem
          uma relação conjugal fusional.

             Famílias Unipessoais
 Denominação atual para aquelas pessoas que
 optam por ter um espaço físico individual, onde
  não precisem necessariamente fazer trocas
emocionais vindas de um convívio compartilhado.
Família por Associação

São compostas por amigos que formam uma rede de
  “parentesco” baseada na amizade. Família por
                  Associação

São compostas por amigos que formam uma rede de
       “parentesco” baseada na amizade.
A familia contemporanea
“A situação atual obriga a uma
análise da realidade das famílias
no    mundo      moderno,   sem
estigmatizar nem julgar, já que
existe uma crise do modelo
tradicional de família, mais do
que uma ‘crise da família’ ”.
(Ríos       González,      2004)
“Independente da sua estrutura e configuração, a família é
o palco em que se vive as emoções mais intensas e
marcantes da experiência humana. É o lugar onde é
possível a convivência do amor e do ódio, da alegria e da
tristeza, do desespero e da desesperança. A busca do
equilíbrio entre tais emoções, somada às diversas
transformações na configuração deste grupo social, têm
caracterizado uma tarefa ainda mais complexa a ser
realizada pelas novas famílias”. (Wagner, 2001)
Professor Waltinho - 2007
                              Os dois lados da instituição familiar

                                  e como forma fundamental de
conformismo às exigências         resistência contra essa
sociais                           mesma sociedade.

                                  mas protege mulheres,
mantém a subordinação             crianças e velhos contra a
feminina e dos filhos             violência urbana;

                                  mas é o espaço de
conserva tradições                elaboração de projetos
                                  para o futuro

é um núcleo de tensões e de        mas também o lugar onde se
conflitos                         obtém prazer
O papel da família
A família desempenha papel fundamental não só na relação
com seus membros, mas também na relação com o Estado,
na perspectiva de instituição social decisiva ao
desenvolvimento do processo de integração/inclusão social de
seus membros.
Funções atribuídas à família
        Beatrice Marinho Paulo
→ Função reprodutora – de conceber filhos,
contribuindo para a manutenção da espécie
humana. Entretanto essa função não é tida mais
como primordial para a construção de uma família,
uma vez que hoje são várias formas de se
construir uma família, como por exemplo, a
adoção, a inseminação artificial. A conseqüência
de tantas opções levou a legislação brasileira a
reconhecer a paternidade sócio-afetiva, dando
importância jurídica ao afeto.
→ Função emocional e psicológica – primordial
para a formação do caráter e subsidiar saúde mental. Essa
função mantém vivo os laços afetivos indispensáveis
dentro da família. Entendemos que para se criar uma
criança, um adolescente, visto que são seres em fase de
desenvolvimento, é impreterível o envolvimento desses
seres em laços de carinho, amor, atenção, de modo que
proporcione bem estar, alegria, felicidade. Nesta função
também podemos elencar o desenvolvimento das
potencialidades humanas. Através da segurança passada
dos pais para os filhos, o ser que antes se caracterizava
frágil, passa a construir autonomia e subsídios para
desenvolver suas potencialidades.
→ Função de reprodução das relações sociais –
função designada a reproduzir ideologia vigente,
juntamente com as relações sociais instituídas na
sociedade. Essa função dita as regras, a moral, os
princípios e os valores cultuados pela sociedade,
desenvolvida pela burguesia. Importante para quem está
no poder, essa função garante a ordem, a “paz” do país,
sendo transmitido pelos pais, pela comunidade, pelos
meios de comunicação, pela sociedade como um todo
valores ideológicos, perpetuando assim as idéias e
padrões dominantes e hegemônicos.
→ Função econômica – que mantém financeiramente não
apenas seus entes, como também o Estado. Essa função
garante a sobrevivência e uma vida material digna aos
seus membros. Lembrando que a função econômica se faz
presente na lista de responsabilidades do Estado, não
sendo      unicamente     atribuída    a     família.
       Para o Estado, a função econômica da família é
relevante pelo fato de se configurar na “única instituição
capaz de dar o máximo de retorno, valor, rendimento e
aproveitamento aos recursos a ela destinados.” Ao passo
que, por muitas vezes, com um insignificante salário
mínimo, a família consegue prover educação, saúde,
alimentação aos seus membros.
Esse processo de idealização pode ser melhor compreendido
com as contribuições de Szymanski (1992). A autora realizou
pesquisas com as famílias da periferia de São Paulo. Nessas
pesquisas a autora apresenta um conceito surgido das análises de
observação e depoimentos de seus participantes: a família pensada e
a família vivida. A família pensada seria a família desejada: há o
cumprimento dos papéis delegados, ou seja, o pai como provedor e a
mãe como cuidadora do lar e dos filhos; os filhos seriam obedientes,
não haveria conflito. Todos se dedicariam para cumprir e alcançar o
legado da família perfeita e ideal. É baseada na tradição, uma noção
que é trazida pelo grupo social, pelas instituições ou pela mídia.
Quando não houvesse o alcance a culpa estaria nos indivíduos
fracassados, que não conseguiram vivenciar um modelo que foi
determinado, imposto. Daí a frustração, a sensação de incompetência,

da discriminação.
Já a família vivida é a família do cotidiano, a que se
constrói na vida real e não na novela, na ficção. A ‘família
vivida’ refere-se ao modo de agir habitual dos seus
membros. Herança vivida na família de origem do casal ou
arranjos diferentes do usual. “Família além de reprodutor e
transmissora da cultura, pode ser também um lugar onde
as pessoas buscam seu bem-estar, mesmo que a solução
encontrada não siga o modelo vigente”.(Szymanski, 1992,

p. 16)
A FAMÍLIA VIVIDA E A FAMILIA PENSADA

  Então, diante da crise da família pensada,
 temos que existem, além desta, milhares de
 famílias que não se encaixam no padrão
   da família ideal e, por isso mesmo, são
consideradas como famílias em “disfunção”
  do sistema ou famílias desorganizadas”
          e/ou “desestruturadas”.
Como a família ideal ainda é o modelo para
a maioria das pessoas, vem daí a pressão
para que os outros membros da sociedade
também a constituam, conforme aqueles
rituais     e        características.

     Direta ou indiretamente, ainda exige-se
o casamento "de papel passado", "casamento
de branco na Igreja" e "filhos, os frutos do
casamento".
Daí também o descontentamento, que
pode ser percebido no cotidiano diante de
fatos como a gravidez resultante de uniões
livres ou fora do casamento e a separação
conjugal.

      Como um padrão cultural, a família
ideal faz com que a maioria das pessoas
seja o próprio vigilante destinado a punir a
violação das "normas" e "rituais" que fazem
parte do processo de constituição de uma
família.
Assim, os membros de uma comunidade,
mediante diversos mecanismos disciplinares,
vigiam e punem, constituindo-se nos olhos
atentos       e      nos       "guardiões".

     A punição não é física. São utilizados
outros mecanismos disciplinares bastante
sutis (comentários maliciosos, fofocas etc.),
mas cujos efeitos, envolvendo sentimentos de
culpa, agridem a individualidade, o respeito, a
honra    e   a    dignidade   das     pessoas.
Podemos concluir, então, que      não
existe um único modelo familiar. A família,
pela     perspectiva histórica,     tem-se
apresentado em diversas composições e
características.

     Inclusive,   num     mesmo   espaço
histórico,    têm   coexistido  e  ainda
coexistem, diversos modelos familiares,
embora sempre haja um que que seja
hegemônico.
Família.....
Um núcleo de pessoas que convivem em
determinado lugar, durante um lapso de
tempo mais ou menos longo e que se
acham unidas (ou não) por laços
consagüíneos. Ele tem como tarefa
primordial o cuidado e a proteção de seus
membros, e se encontra dialeticamente
articulado com a estrutura social na qual
está           inserido         (MIOTO).
REFERÊNCIAS
BONETTI, Dilséa Adeodata et al (org). Serviço Social e
Ética. Convite a uma nova práxis. 6ª Ed., São Paulo:
Cortez,                   1998

  CALDERÓN, A. I. ; GUIMARAES, R. F. . Família: A crise
de um modelo hegemônico. Serviço Social e Sociedade,
São   Paulo,  v.     46,  p.   21-34,    1994.

       IPEA - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada.
Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (1993 a
2007).            São             Paulo,          2008.

         ZUGMAN, Denise Kopp. Material didático. Curitiba:
2007.
SZYMANSKI, H.Teorias e “teorias” de famílias. In carvalho, Maria do Carmo Brant de
(org). A família contemporânea em debate. São Paulo, EDUC/ Cortez,1995.
_____________. Trabalhando com famílias. São Paulo: CBIA/SP e IEE- PUC/SP, 1992.
PAULO, B. M. Novas configurações familiares e seus
   vinculos sócio-afetivos. Rio de Janeiro: PUC.
  Departamento de Psicologia, 2005. Dissertação de
                    Mestrado.

REIS, José Roberto T. Família, emoção e ideologia. p. 99-
124. In: CODO, Wanderley; LANE, Silvia T. M. Psicologia
 Social: o homem em movimento. São Paulo: Brasiliense,

                           1984  .
       POSTER, M. Teoria Crítica da Família. Zahar, 1979.

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A familia contemporanea

  • 1. A FAMÍLIA CONTEMPORÂNEA Lorena Portes Melissa Portes Marco Antonio da Rocha organizadores
  • 2. Embora o modelo de família nuclear burguesa ou conjugal moderna predomine em nossa sociedade, não podemos considerá- la como o único modelo familiar. O surgimento de novos arranjos familiares nos leva à conclusão de que o modelo de família nuclear burguesa (ou moderna) encontra-se em crise. (LARSCH, 1991)
  • 3. Fatores que contribuíram para essa crise: A Revolução Industrial – que exigiu maior número de trabalhadores nas fábricas; O Movimento Feminista que veio alterara significativamente o mundo da mulher; O Movimento da Juventude exigindo novos valores.
  • 4. 1960 - A pílula anticoncepcional separou a sexualidade da reprodução e interferiu decisivamente na sexualidade feminina, abalando o valor sagrado da maternidade; A mulher pôde desvincular a sexualidade da maternidade: esta passa a ser uma opção e não um “destino”.
  • 5. 1980 – inseminações artificiais, fertilizações “in vitro” – dissociaram a gravidez da relação sexual entre homens e mulheres. Isso provocou mudanças substantivas, afetando a identificação da família com o mundo natural. Distinção entre maternidade (tida como natural) e a maternagem (que pode ser construída socialmente). Mudanças no modo de educar e cuidar das crianças.
  • 6. 1990 – as mudanças familiares ganham novo impulso – o exame de DNA permite a identificação da paternidade. Qualquer criança nascida de uniões consensuais ou de casamentos legais pode ter garantido seus direitos de filiação por parte do pai e da mãe.
  • 7. Mudanças no Perfil da Família Brasileira • Diminuição na Configuração Familiar: Estudos demonstram que na década de 90 a tendência foi a diminuição na configuração ( menor número de pessoas que compõem a família) e aumento da diversidade dos grupos familiares; • Diminui o número de casamentos: O número de casamentos em 2002 ( IBGE, 2003) é 4% inferior ao de 1991. Há 12 anos eram 7,5 uniões legais por mil habitantes. Esse número caiu para 5,7 por mil.
  • 8. Aumento do número de relações sem registro: O número de uniões consensuais, “sem papel passado” quase dobraram na última década; Casamentos tardios: Homens e mulheres estão casando três anos mais tarde do que há uma década. Média de idade feminina: 26,7 anos – Média masculina: 30,3 anos; Idosos se casam mais: No grupo com mais de 65 anos, os homens casam-se cerca de 5 vezes mais do que as mulheres;
  • 9. Uniões precoces: Nas uniões de 2002, 12% dos cônjuges tinham menos de 20 anos; Pessoas morando sozinhas: Aumentou em 64% o número de pessoas que moram sozinhas; Casais sem filhos: 39% dos casais não tem filhos; Famílias monoparentais: Mulheres que criam seus filhos sozinhas: aumentou 53% na última década;
  • 10. Menos casamentos e mais uniões rompidas: De 1991 a 2002 as separações aumentaram 30,7%. Houve um incremento de 59,6% dos divórcios; Recasamentos: O percentual de divorciados em novas tentativas de casamento passou de 5,3% do total em 1991 para 10,8% em 2002.
  • 12. Ontem Hoje Patriarcal - Roma família  autoridade do chefe da família, Igualitária  submissão da organizações familiares alternativas: esposa e dos filhos  casamentos sucessivos com parceiros distintos e  homem - chefe. filhos de diferentes uniões;  casais homossexuais adotando filhos legalmente; Sacramental – Idade média casais com filhos ou parceiros isolados ou mesmo  casamento cada um vivendo com uma das famílias de origem;  as chamadas “produções independentes”  influência da tornam-se mais freqüentes; Igreja  mais ultimamente, duplas de mães solteiras ou já  fidelidade separadas compartilham a criação de seus filhos.
  • 13. A nova família brasileira: desafios e impasses Estudo do IPEA divulgado em setembro de 2008, mostra que o formato da família brasileira está se diversificando, com mais espaço para casais com filhos chefiados por mulheres e núcleos familiares formados só por pai e filhos. Já fora de casa, principalmente nas relações de trabalho, há uma repetição de padrões de iniqüidade, seja de gênero ou de raça. Fonte : IPEA, 2008
  • 14. Apesar de o modelo de pai provedor, mãe e filhos ainda prevalecer, houve aumento, em dez anos, das outras formas de organização familiar. Batizado de monoparentais masculinos, o arranjo familiar formado por pai/filhos passou de 2,1% em 1993 para 2,7% em 2006.
  • 15. Pode parecer um número tímido, mas chama a atenção. É um indício de que um processo de redefinição de papéis está em curso. Já as famílias monoparentais femininas tiveram um decréscimo de 63,9% em 1993 para 52,9% em 2006).
  • 16. Já o número de famílias formadas pelo casal com filhos chefiadas por mulheres aumentou dez vezes em 13 anos. Em 2006, eram 2,25 milhões de famílias lideradas pelas mulheres, o que corresponde a 14,2% do total. Em 1993, somente 3,4% das famílias tinham esse formato. "É um resultado extremamente significativo" .
  • 17. Ao longo da última década observa-se a manutenção da tendência de aumento na proporção de famílias chefiadas por mulheres, que passou de 19,7%, em 1993, a 28,8%, em 2006. Tal tendência vem sendo acompanhada com atenção por pesquisadoras do tema, posto ser um dado que aponta para contextos de precarização da vida e do trabalho feminino.
  • 18. As mulheres passaram a ter rendimentos maiores, mas ainda bem abaixo do obtido pelos homens. Em 2006, por exemplo, a renda média das mulheres era de R$ 577. Uma média superior da que havia sido alcançada em 1993 (R$ 561), mas ainda bem abaixo do que foi apresentado pelos homens no mesmo ano: R$ 885,56.
  • 19. Além de receberem menos, mulheres ainda são as campeãs em média de horas semanais dedicadas a afazeres domésticos. Em 2006, mulheres disseram ter reservado 24,8 horas da semana para essas atividades. No mesmo ano, homens dedicaram 10 horas. Houve, no entanto, uma redução da jornada feminina em afazeres domésticos, já que em 2001 elas dedicavam 29 horas.
  • 21. Família Nuclear - pai, mãe e filhos Famílias Reconstituídas: aquelas que são formadas, por casais que trazem filhos do primeiro casamento. casamento
  • 22. Famílias Monoparentais: São famílias decorrentes de divórcio ou separações, onde um dos pais assume o cuidado dos filhos e o outro não é ativo na parentalidade, ou famílias onde um dos pais é viúvo ou solteiro. Uniões consensuais Casais que preferem morar juntos, sem formalizar sua união. Casais que preferem morar em casas separadas. São principalmente os divorciados, separados ou viúvos, que desta forma procuram evitar conflitos existentes nas famílias reconstituídas.
  • 23. Casais sem filhos por opção Os indivíduos priorizam sua vontade de satisfação pessoal. Ex. desenvolvimento da carreira profissional. As vezes são casais que possuem uma relação conjugal fusional. Famílias Unipessoais Denominação atual para aquelas pessoas que optam por ter um espaço físico individual, onde não precisem necessariamente fazer trocas emocionais vindas de um convívio compartilhado.
  • 24. Família por Associação São compostas por amigos que formam uma rede de “parentesco” baseada na amizade. Família por Associação São compostas por amigos que formam uma rede de “parentesco” baseada na amizade.
  • 26. “A situação atual obriga a uma análise da realidade das famílias no mundo moderno, sem estigmatizar nem julgar, já que existe uma crise do modelo tradicional de família, mais do que uma ‘crise da família’ ”. (Ríos González, 2004)
  • 27. “Independente da sua estrutura e configuração, a família é o palco em que se vive as emoções mais intensas e marcantes da experiência humana. É o lugar onde é possível a convivência do amor e do ódio, da alegria e da tristeza, do desespero e da desesperança. A busca do equilíbrio entre tais emoções, somada às diversas transformações na configuração deste grupo social, têm caracterizado uma tarefa ainda mais complexa a ser realizada pelas novas famílias”. (Wagner, 2001)
  • 28. Professor Waltinho - 2007 Os dois lados da instituição familiar e como forma fundamental de conformismo às exigências resistência contra essa sociais mesma sociedade. mas protege mulheres, mantém a subordinação crianças e velhos contra a feminina e dos filhos violência urbana; mas é o espaço de conserva tradições elaboração de projetos para o futuro é um núcleo de tensões e de mas também o lugar onde se conflitos obtém prazer
  • 29. O papel da família A família desempenha papel fundamental não só na relação com seus membros, mas também na relação com o Estado, na perspectiva de instituição social decisiva ao desenvolvimento do processo de integração/inclusão social de seus membros.
  • 30. Funções atribuídas à família Beatrice Marinho Paulo
  • 31. → Função reprodutora – de conceber filhos, contribuindo para a manutenção da espécie humana. Entretanto essa função não é tida mais como primordial para a construção de uma família, uma vez que hoje são várias formas de se construir uma família, como por exemplo, a adoção, a inseminação artificial. A conseqüência de tantas opções levou a legislação brasileira a reconhecer a paternidade sócio-afetiva, dando importância jurídica ao afeto.
  • 32. → Função emocional e psicológica – primordial para a formação do caráter e subsidiar saúde mental. Essa função mantém vivo os laços afetivos indispensáveis dentro da família. Entendemos que para se criar uma criança, um adolescente, visto que são seres em fase de desenvolvimento, é impreterível o envolvimento desses seres em laços de carinho, amor, atenção, de modo que proporcione bem estar, alegria, felicidade. Nesta função também podemos elencar o desenvolvimento das potencialidades humanas. Através da segurança passada dos pais para os filhos, o ser que antes se caracterizava frágil, passa a construir autonomia e subsídios para desenvolver suas potencialidades.
  • 33. → Função de reprodução das relações sociais – função designada a reproduzir ideologia vigente, juntamente com as relações sociais instituídas na sociedade. Essa função dita as regras, a moral, os princípios e os valores cultuados pela sociedade, desenvolvida pela burguesia. Importante para quem está no poder, essa função garante a ordem, a “paz” do país, sendo transmitido pelos pais, pela comunidade, pelos meios de comunicação, pela sociedade como um todo valores ideológicos, perpetuando assim as idéias e padrões dominantes e hegemônicos.
  • 34. → Função econômica – que mantém financeiramente não apenas seus entes, como também o Estado. Essa função garante a sobrevivência e uma vida material digna aos seus membros. Lembrando que a função econômica se faz presente na lista de responsabilidades do Estado, não sendo unicamente atribuída a família. Para o Estado, a função econômica da família é relevante pelo fato de se configurar na “única instituição capaz de dar o máximo de retorno, valor, rendimento e aproveitamento aos recursos a ela destinados.” Ao passo que, por muitas vezes, com um insignificante salário mínimo, a família consegue prover educação, saúde, alimentação aos seus membros.
  • 35. Esse processo de idealização pode ser melhor compreendido com as contribuições de Szymanski (1992). A autora realizou pesquisas com as famílias da periferia de São Paulo. Nessas pesquisas a autora apresenta um conceito surgido das análises de observação e depoimentos de seus participantes: a família pensada e a família vivida. A família pensada seria a família desejada: há o cumprimento dos papéis delegados, ou seja, o pai como provedor e a mãe como cuidadora do lar e dos filhos; os filhos seriam obedientes, não haveria conflito. Todos se dedicariam para cumprir e alcançar o legado da família perfeita e ideal. É baseada na tradição, uma noção que é trazida pelo grupo social, pelas instituições ou pela mídia. Quando não houvesse o alcance a culpa estaria nos indivíduos fracassados, que não conseguiram vivenciar um modelo que foi determinado, imposto. Daí a frustração, a sensação de incompetência, da discriminação.
  • 36. Já a família vivida é a família do cotidiano, a que se constrói na vida real e não na novela, na ficção. A ‘família vivida’ refere-se ao modo de agir habitual dos seus membros. Herança vivida na família de origem do casal ou arranjos diferentes do usual. “Família além de reprodutor e transmissora da cultura, pode ser também um lugar onde as pessoas buscam seu bem-estar, mesmo que a solução encontrada não siga o modelo vigente”.(Szymanski, 1992, p. 16)
  • 37. A FAMÍLIA VIVIDA E A FAMILIA PENSADA Então, diante da crise da família pensada, temos que existem, além desta, milhares de famílias que não se encaixam no padrão da família ideal e, por isso mesmo, são consideradas como famílias em “disfunção” do sistema ou famílias desorganizadas” e/ou “desestruturadas”.
  • 38. Como a família ideal ainda é o modelo para a maioria das pessoas, vem daí a pressão para que os outros membros da sociedade também a constituam, conforme aqueles rituais e características. Direta ou indiretamente, ainda exige-se o casamento "de papel passado", "casamento de branco na Igreja" e "filhos, os frutos do casamento".
  • 39. Daí também o descontentamento, que pode ser percebido no cotidiano diante de fatos como a gravidez resultante de uniões livres ou fora do casamento e a separação conjugal. Como um padrão cultural, a família ideal faz com que a maioria das pessoas seja o próprio vigilante destinado a punir a violação das "normas" e "rituais" que fazem parte do processo de constituição de uma família.
  • 40. Assim, os membros de uma comunidade, mediante diversos mecanismos disciplinares, vigiam e punem, constituindo-se nos olhos atentos e nos "guardiões". A punição não é física. São utilizados outros mecanismos disciplinares bastante sutis (comentários maliciosos, fofocas etc.), mas cujos efeitos, envolvendo sentimentos de culpa, agridem a individualidade, o respeito, a honra e a dignidade das pessoas.
  • 41. Podemos concluir, então, que não existe um único modelo familiar. A família, pela perspectiva histórica, tem-se apresentado em diversas composições e características. Inclusive, num mesmo espaço histórico, têm coexistido e ainda coexistem, diversos modelos familiares, embora sempre haja um que que seja hegemônico.
  • 42. Família..... Um núcleo de pessoas que convivem em determinado lugar, durante um lapso de tempo mais ou menos longo e que se acham unidas (ou não) por laços consagüíneos. Ele tem como tarefa primordial o cuidado e a proteção de seus membros, e se encontra dialeticamente articulado com a estrutura social na qual está inserido (MIOTO).
  • 43. REFERÊNCIAS BONETTI, Dilséa Adeodata et al (org). Serviço Social e Ética. Convite a uma nova práxis. 6ª Ed., São Paulo: Cortez, 1998 CALDERÓN, A. I. ; GUIMARAES, R. F. . Família: A crise de um modelo hegemônico. Serviço Social e Sociedade, São Paulo, v. 46, p. 21-34, 1994. IPEA - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (1993 a 2007). São Paulo, 2008. ZUGMAN, Denise Kopp. Material didático. Curitiba: 2007. SZYMANSKI, H.Teorias e “teorias” de famílias. In carvalho, Maria do Carmo Brant de (org). A família contemporânea em debate. São Paulo, EDUC/ Cortez,1995. _____________. Trabalhando com famílias. São Paulo: CBIA/SP e IEE- PUC/SP, 1992.
  • 44. PAULO, B. M. Novas configurações familiares e seus vinculos sócio-afetivos. Rio de Janeiro: PUC. Departamento de Psicologia, 2005. Dissertação de Mestrado. REIS, José Roberto T. Família, emoção e ideologia. p. 99- 124. In: CODO, Wanderley; LANE, Silvia T. M. Psicologia Social: o homem em movimento. São Paulo: Brasiliense, 1984 . POSTER, M. Teoria Crítica da Família. Zahar, 1979.