O HELENISMO E SUAS
PRINCIPAIS CORRENTES
• O período da história da Grécia entre a morte de Alexandre III (O
Grande) da Macedônia em 323 a.C. e a anexação da península
grega e ilhas por Roma em 147 a.C. Caracterizou-se pela difusão da
civilização grega numa vasta área que se estendia do mar
Mediterrâneo oriental à Ásia Central. De modo geral, o helenismo foi
a concretização de um ideal de Alexandre: o de levar e difundir a
cultura grega aos territórios que conquistava. Foi nesse período que
as ciências tiveram seu primeiro e grande desenvolvimento. O
helenismo marcou um período de transição para o domínio e apogeu
de Roma.
• O lugar: Alexandria – o Museum: biblioteca e centro de difusão da
Filosofia e ciências
• O ecletismo: não há uma única e predominante forma de pensar, ou
escola de pensamento. Há várias interpretações e junções de
diferentes pensadores e teorias
• Tema central: a ética: a arte de viver
• Para a filosofia, contudo, o helenismo marcou o surgimento de um
novo período: a filosofia helenística (cujo início é tradicionalmente
associado com a morte de Alexandre, em 323 a.C.).
• As principais escolas filosóficas deste período são:
• Estoicismo, Epicurismo e Ceticismo
O Estoicismo
• Doutrina filosófica fundada por Zenão de Cítio, que afirma que todo o
universo é corpóreo e governado por um Logos divino (noção que os
estóicos tomam de Heráclito e desenvolvem). A alma está identificada com
este princípio divino, como parte de um todo ao qual pertence. Este lógos
(ou razão universal) ordena todas as coisas: tudo surge a partir dele e de
acordo com ele, graças a ele o mundo é um cosmos (termo que em grego
significa "harmonia").
• Propõe viver de acordo com a lei racional da natureza e aconselha a
indiferença (apathea) em relação a tudo que é externo ao ser. O homem
sábio obedece à lei natural reconhecendo-se como uma peça na grande
ordem e propósito do universo, devendo assim manter a serenidade
perante as tragédias e coisas boas.
• A partir disso surgem conseqüências éticas: deve-se «viver conforme a
natureza»: sendo a natureza essencialmente o logos, essa máxima é
prescrição para se viver de acordo com a razão.
• Sendo a razão aquilo por meio do que o homem torna-se livre e feliz, o
homem sábio não apreende o seu verdadeiro bem nos objetos externos,
mas bem usando estes objetos através de uma sabedoria pela qual não se
deixa escravizar pelas paixões e pelas coisas externas.
• A escola estóica foi bastante influenciada pelas doutrinas cínica além da
clara influência de Sócrates.
O Epicurismo
• Sistema filosófico ensinado por Epicuro de Samos, filósofo ateniense do
século I a.C., e seguido depois por outros filósofos, chamados epicuristas.
• Epicuro propunha uma vida de contínuo prazer como chave para a
felicidade, esse era o objetivo de seus ensinamentos morais. Para Epicuro,
a presença do prazer era sinônimo de ausência de dor, ou de qualquer tipo
de aflição: a fome, a abstenção sexual, o aborrecimento, etc.
• A finalidade da filosofia de Epicuro não era teórica, mas sim bastante
prática. Buscava sobretudo encontrar o sossego necessário para uma vida
feliz e aprazível, na qual os temores perante o destino, os deuses ou a
morte estavam definitivamente eliminados. Para isso fundamentava-se em
uma teoria do conhecimento empirista, em uma física atomista e em uma
ética hedonista.
• A filosofia epicurista conquistou grande número de seguidores. Foi uma
escola de pensamento muito proeminente por um período de sete séculos
depois da morte do fundador. Posteriormente, quase relegou-se ao
esquecimento devido ao início da Idade Média, período em que se
perderam a maioria dos escritos deste filósofo grego.
• A ideia que Epicuro tinha era que para ser feliz o homem necessitava de
três coisas: Liberdade, Amizade e Tempo para meditar. Na Grécia antiga
existia uma cidade na qual, em um muro na frente de um mercado, tinha
escrito toda a filosofia da felicidade de Epicuro, procurando conscientizar as
pessoas que comprar não as tornaria mais felizes como elas acreditavam
O Ceticismo
• O ceticismo é a doutrina que afirma que não se pode obter nenhuma
certeza a respeito da verdade, o que implica numa condição intelectual de
dúvida permanente e na admissão da incapacidade de compreensão de
fenômenos metafísicos, religiosos ou mesmo da realidade. O termo
originou-se a partir do nome comumente dado a uma corrente filosófica
originada na Grécia Antiga.
• O ceticismo costuma ser dividido em duas correntes:
• Ceticismo filosófico - uma postura filosófica em que pessoas escolhem
examinar de forma crítica se o conhecimento e percepção que possuem
são realmente verdadeiros, e se alguém pode ou não dizer se possui o
conhecimento absolutamente verdadeiro;
• Ceticismo científico - uma postura científica e prática, em que alguém
questiona a veracidade de uma alegação, e procura prová-la ou desaprová-
la usando o método científico.
• O Ceticismo filosófico originou-se a partir da filosofia grega. Uma de suas
primeiras propostas foi feita por Pirro de Élis (360-275 a.C.), que viajou até
a Índia numa das campanhas de Alexandre, o Grande para aprofundar seus
estudos, e propôs a adoção do ceticismo "prático"
• Sexto Empírico (200 d.C.), a maior autoridade do ceticismo grego,
desenvolveu ainda mais a corrente, incorporando aspectos do empirismo
em sua base para afirmar o conhecimento.
• Ou seja,o ceticismo filosófico é procurar saber, não se contentando com a
ignorância fornecida atualmente pelos meios públicos, por meio da dúvida.
Opõem-se ao dogmatismo, em que é possível conhecer a verdade.
Plotino e o Neoplatonismo
• Iniciou-se com o filósofo Plotino, apesar de ele afirmar que recebeu os
ensinamentos de Amônio Sacas.
• O neoplatonismo é uma forma de monismo idealista. Plotino ensinou a
existência de um Uno indescritível do qual emanou uma sequência de seres
menores
• Os neoplatônicos não acreditavam no mal e negavam que este pudesse ter
uma real existência no mundo. Isto era mais uma visão otimista do que
dizer que tudo era, em última instância, bom. Era dizer apenas que algumas
coisas eram menos perfeitas que outras. O que outros chamavam de mal,
os neoplatônicos chamavam de imperfeição, de "ausência de bem".
• Acreditavam que a perfeição humana e a felicidade poderiam ser obtidas
neste mundo e que alguém não precisaria esperar uma pós-vida. Perfeição
e felicidade (uma só e mesma coisa) poderiam ser adquiridas pela devoção
à contemplação filosófica.
• O neoplatonismo foi frequentemente usado como um fundamento filosófico
do paganismo clássico, e como um meio de defender o paganismo do
cristianismo. Mas muitos cristãos também foram influenciados pelo
neoplatonismo. Em versões cristãs do neoplatonismo, o Uno é identificado
como Deus. O mais importante destes foi Agostinho de Hipona (ou como é
mais conhecido, por Santo Agostinho) se converteu ao Cristianismo por
influência de Plotino, levando muitos estudiosos a rotular Agostinho o como
um franco neoplatonista.
Plotino e o Neoplatonismo
• A mais elevada medida de liberdade possível ao homem é a
hênôsis.
• O exercício da liberdade conduz a alma ao êxtase, que é uma
visão bem diversa, uma simplificação, uma doação de si,
desejosa de contato, de quietude.
• Como Plotino vê a liberdade? Ele também distingue ações
voluntárias (ekoúsioi ou ephêmin) e involuntárias (akoúsioi),
seguindo a divisão da Ética a Nicômaco do estagirita.
• A responsabilidade humana, irmã gêmea da liberdade.
• O mal moral origina-se exclusivamente na alma humana, porque
se volta à matéria (sensível) e nela imerge. Por conseguinte, o
mal moral não constitui algo primigênio. Dada a sua liberdade, na
alma está a origem de seus atos. Dessarte, a alma, em si sempre
boa, decide-se ou para o bem ou para o mal. O mal moral é
causado por a alma deixar seduzir-se pela matéria para atos
contrários à razão.

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    O HELENISMO ESUAS PRINCIPAIS CORRENTES
  • 2.
    • O períododa história da Grécia entre a morte de Alexandre III (O Grande) da Macedônia em 323 a.C. e a anexação da península grega e ilhas por Roma em 147 a.C. Caracterizou-se pela difusão da civilização grega numa vasta área que se estendia do mar Mediterrâneo oriental à Ásia Central. De modo geral, o helenismo foi a concretização de um ideal de Alexandre: o de levar e difundir a cultura grega aos territórios que conquistava. Foi nesse período que as ciências tiveram seu primeiro e grande desenvolvimento. O helenismo marcou um período de transição para o domínio e apogeu de Roma. • O lugar: Alexandria – o Museum: biblioteca e centro de difusão da Filosofia e ciências • O ecletismo: não há uma única e predominante forma de pensar, ou escola de pensamento. Há várias interpretações e junções de diferentes pensadores e teorias • Tema central: a ética: a arte de viver • Para a filosofia, contudo, o helenismo marcou o surgimento de um novo período: a filosofia helenística (cujo início é tradicionalmente associado com a morte de Alexandre, em 323 a.C.). • As principais escolas filosóficas deste período são: • Estoicismo, Epicurismo e Ceticismo
  • 3.
    O Estoicismo • Doutrinafilosófica fundada por Zenão de Cítio, que afirma que todo o universo é corpóreo e governado por um Logos divino (noção que os estóicos tomam de Heráclito e desenvolvem). A alma está identificada com este princípio divino, como parte de um todo ao qual pertence. Este lógos (ou razão universal) ordena todas as coisas: tudo surge a partir dele e de acordo com ele, graças a ele o mundo é um cosmos (termo que em grego significa "harmonia"). • Propõe viver de acordo com a lei racional da natureza e aconselha a indiferença (apathea) em relação a tudo que é externo ao ser. O homem sábio obedece à lei natural reconhecendo-se como uma peça na grande ordem e propósito do universo, devendo assim manter a serenidade perante as tragédias e coisas boas. • A partir disso surgem conseqüências éticas: deve-se «viver conforme a natureza»: sendo a natureza essencialmente o logos, essa máxima é prescrição para se viver de acordo com a razão. • Sendo a razão aquilo por meio do que o homem torna-se livre e feliz, o homem sábio não apreende o seu verdadeiro bem nos objetos externos, mas bem usando estes objetos através de uma sabedoria pela qual não se deixa escravizar pelas paixões e pelas coisas externas. • A escola estóica foi bastante influenciada pelas doutrinas cínica além da clara influência de Sócrates.
  • 4.
    O Epicurismo • Sistemafilosófico ensinado por Epicuro de Samos, filósofo ateniense do século I a.C., e seguido depois por outros filósofos, chamados epicuristas. • Epicuro propunha uma vida de contínuo prazer como chave para a felicidade, esse era o objetivo de seus ensinamentos morais. Para Epicuro, a presença do prazer era sinônimo de ausência de dor, ou de qualquer tipo de aflição: a fome, a abstenção sexual, o aborrecimento, etc. • A finalidade da filosofia de Epicuro não era teórica, mas sim bastante prática. Buscava sobretudo encontrar o sossego necessário para uma vida feliz e aprazível, na qual os temores perante o destino, os deuses ou a morte estavam definitivamente eliminados. Para isso fundamentava-se em uma teoria do conhecimento empirista, em uma física atomista e em uma ética hedonista. • A filosofia epicurista conquistou grande número de seguidores. Foi uma escola de pensamento muito proeminente por um período de sete séculos depois da morte do fundador. Posteriormente, quase relegou-se ao esquecimento devido ao início da Idade Média, período em que se perderam a maioria dos escritos deste filósofo grego. • A ideia que Epicuro tinha era que para ser feliz o homem necessitava de três coisas: Liberdade, Amizade e Tempo para meditar. Na Grécia antiga existia uma cidade na qual, em um muro na frente de um mercado, tinha escrito toda a filosofia da felicidade de Epicuro, procurando conscientizar as pessoas que comprar não as tornaria mais felizes como elas acreditavam
  • 5.
    O Ceticismo • Oceticismo é a doutrina que afirma que não se pode obter nenhuma certeza a respeito da verdade, o que implica numa condição intelectual de dúvida permanente e na admissão da incapacidade de compreensão de fenômenos metafísicos, religiosos ou mesmo da realidade. O termo originou-se a partir do nome comumente dado a uma corrente filosófica originada na Grécia Antiga. • O ceticismo costuma ser dividido em duas correntes: • Ceticismo filosófico - uma postura filosófica em que pessoas escolhem examinar de forma crítica se o conhecimento e percepção que possuem são realmente verdadeiros, e se alguém pode ou não dizer se possui o conhecimento absolutamente verdadeiro; • Ceticismo científico - uma postura científica e prática, em que alguém questiona a veracidade de uma alegação, e procura prová-la ou desaprová- la usando o método científico. • O Ceticismo filosófico originou-se a partir da filosofia grega. Uma de suas primeiras propostas foi feita por Pirro de Élis (360-275 a.C.), que viajou até a Índia numa das campanhas de Alexandre, o Grande para aprofundar seus estudos, e propôs a adoção do ceticismo "prático" • Sexto Empírico (200 d.C.), a maior autoridade do ceticismo grego, desenvolveu ainda mais a corrente, incorporando aspectos do empirismo em sua base para afirmar o conhecimento. • Ou seja,o ceticismo filosófico é procurar saber, não se contentando com a ignorância fornecida atualmente pelos meios públicos, por meio da dúvida. Opõem-se ao dogmatismo, em que é possível conhecer a verdade.
  • 6.
    Plotino e oNeoplatonismo • Iniciou-se com o filósofo Plotino, apesar de ele afirmar que recebeu os ensinamentos de Amônio Sacas. • O neoplatonismo é uma forma de monismo idealista. Plotino ensinou a existência de um Uno indescritível do qual emanou uma sequência de seres menores • Os neoplatônicos não acreditavam no mal e negavam que este pudesse ter uma real existência no mundo. Isto era mais uma visão otimista do que dizer que tudo era, em última instância, bom. Era dizer apenas que algumas coisas eram menos perfeitas que outras. O que outros chamavam de mal, os neoplatônicos chamavam de imperfeição, de "ausência de bem". • Acreditavam que a perfeição humana e a felicidade poderiam ser obtidas neste mundo e que alguém não precisaria esperar uma pós-vida. Perfeição e felicidade (uma só e mesma coisa) poderiam ser adquiridas pela devoção à contemplação filosófica. • O neoplatonismo foi frequentemente usado como um fundamento filosófico do paganismo clássico, e como um meio de defender o paganismo do cristianismo. Mas muitos cristãos também foram influenciados pelo neoplatonismo. Em versões cristãs do neoplatonismo, o Uno é identificado como Deus. O mais importante destes foi Agostinho de Hipona (ou como é mais conhecido, por Santo Agostinho) se converteu ao Cristianismo por influência de Plotino, levando muitos estudiosos a rotular Agostinho o como um franco neoplatonista.
  • 7.
    Plotino e oNeoplatonismo • A mais elevada medida de liberdade possível ao homem é a hênôsis. • O exercício da liberdade conduz a alma ao êxtase, que é uma visão bem diversa, uma simplificação, uma doação de si, desejosa de contato, de quietude. • Como Plotino vê a liberdade? Ele também distingue ações voluntárias (ekoúsioi ou ephêmin) e involuntárias (akoúsioi), seguindo a divisão da Ética a Nicômaco do estagirita. • A responsabilidade humana, irmã gêmea da liberdade. • O mal moral origina-se exclusivamente na alma humana, porque se volta à matéria (sensível) e nela imerge. Por conseguinte, o mal moral não constitui algo primigênio. Dada a sua liberdade, na alma está a origem de seus atos. Dessarte, a alma, em si sempre boa, decide-se ou para o bem ou para o mal. O mal moral é causado por a alma deixar seduzir-se pela matéria para atos contrários à razão.