Abordagem Introdutória à
 Filosofia e ao Filosofar
Breve enquadramento da Filosofia no
         Ensino Secundário
A UNESCO sugere a todos os Estados
a introdução ou o alargamento da
formação filosófica a toda a
educação secundária, considerando
evidente o vínculo entre Filosofia e
Democracia, entre Filosofia e
Cidadania.
A aprendizagem desta disciplina centra-
se essencialmente no aperfeiçoamento
cognitivo e ético, contribuindo, assim,
directamente, para a procura do
conhecimento, para desenvolver o juízo
crítico e promover a participação na vida
comunitária.
A Filosofia tem três funções essenciais:
• “Permitir a cada um aperfeiçoar a análise
  das convicções pessoais";
• “Aperceber-se da diversidade dos
  argumentos e das problemáticas dos
  outros";
• “Aperceber-se do carácter limitado dos
  nossos saberes, mesmo dos mais
  assegurados".
Observe o quadro com atenção
Magritte – Surrealista
• Pintor de imagens insólitas, às quais deu
  tratamento rigorosamente realista, utilizou-se de
  processos ilusionistas, sempre à procura do
  contraste entre o tratamento realista dos
  objectos e a atmosfera irreal dos conjuntos.
• Suas obras são metáforas que se apresentam
  como representações realistas, através da
  justaposição de objectos comuns, e símbolos
  recorrentes em sua obra, porém de um modo
  impossível de ser encontrado na vida real.
Mensagem da obra de Magritte
• Manifesta a experiência de exterioridade, de
  fragmentação, de ignorância. Exterioridade
  porque nos dá a imagem do objecto e nunca o
  próprio objecto. Fragmentação porque pode
  justapor vários sentidos e até sentidos
  incompatíveis. Ignorância porque há sempre
  uma espécie de “analfabetismo” quando
  tentamos explicitar o sentido de uma obra de
  arte.
Origem etimológica do termo
              “filosofia”
 Deriva das palavras gregas:
 philo (amor) e
 Sophia –(Sabedoria)
                “Amor à sabedoria”
 A análise do termo dá-nos três elementos que
  são constitutivos da atitude filosófica
“Amor à sabedoria”


 A análise do termo dá-nos três elementos
  que são constitutivos da atitude filosófica:

Humildade intelectual - Não considera que sabe
Desejo de saber -Procura constante do saber
Intenção crítica – Não se satisfaz com respostas
                     imediatas
Problemas Filosóficos
• São relativos às nossas crenças básicas
  fundamentais;
• Não podem ser resolvidos pelos métodos das
  ciências.
• As questões filosóficas estão na origem de
  todo o filosofar, sem os problemas não haveria
  filosofia, o ser humano não teria dúvidas.
Objecto, objectivo e o método da
               Filosofia
 Objecto – Todo o real, tudo o que existe pode
  torna-se objecto de reflexão filosófica,
  dependendo da perspectiva em que é
  encarado e dos processos utilizados.
 Objectivo – Compreender melhor o mundo e
  a vida, elucidar conceitos, levantar questões,
  perceber razões e encontrar sentidos.
 Método – Empreendimento racional, quer
  compreender através da razão.
A especificidade da Filosofia
Autonomia - na medida em que os
 filósofos fazem uso da razão,
 independentemente de
 preconceitos e ideias feitas.
Radicalidade - na medida em que
 procura os fundamentos, a raiz, o fim
 último das coisas.
Historicidade – embora os filósofos
 desenvolvam uma reflexão pessoal
 respondem a problemas marcantes da
 sua época.
Universalidade – apesar da
 historicidade os filósofos abordam
 problemas que dizem respeito a toda a
 humanidade
Caracterização da Filosofia
• Actividade intelectual -de procura de
  conhecimento - atitude de curiosidade e
  desejo de conhecer e problematizar o mundo.
• Reflexão crítica – sobre o conhecimento e o
  mundo, isto é, o conjunto de respostas que se
  foram constituindo.
• Atitude prática de procura de sabedoria -
  visa encontrar novas maneiras de conceber o
  mundo, definir o nosso projecto de vida
Áreas da Filosofia
•   Acção: Estudo da intenção das nossas acções.
•   Axiologia: Estudo da natureza dos valores
•   Religião: Estudo da natureza e do objecto da fé religiosa.
•   Moral: Estudo dos princípios que orientam a acção humana.
•   Estética: Estudo dos princípio que sustentam a nossa avaliação da
    obra de arte.
•   Direito: Estudo da natureza e princípios que legitimam a aplicação
    do Direito.
•   Política. Estudo dos princípios fundamentais do estado.
•   Epistemologia: Estudo da origem, natureza e extensão do
    conhecimento.
•   Ontologia e Metafísica: Estudo das questões fundamentais acerca
    da natureza e da realidade.
A Filosofia tem origem na Grécia.
                  Porquê?
 Regime democrático. Em Atenas desenvolvia-se
  progressivamente uma democracia com assembleias
  populares e tribunais eleitos pelos cidadãos.
 O aparecimento da Polis, Cidade-Estado Grega permite uma
  autonomização da vida económica, social cultural;
 A partir do século V a. C. Atenas tornou-se o centro cultural
  da Grécia;
 Promove o debate público na Ágora dos assuntos da
  cidade;
 Contacto privilegiado com outras culturas, devido à
  localização geográfica;
 Tem a tradição de explicar racionalmente os fenómenos
  naturais e humanos;
• O desenvolvimento da democracia exigia que os
  homens recebessem instruções suficientes para
  poderem participar na vida politica. Entre os
  atenienses isso significava sobretudo dominar a
  retórica (arte de bem falar)
• Vindos das colónias gregas, um grupo de
  professores itinerantes (SOFISTAS – sábios
  eruditos) e de filósofos afluiu a Atenas. Os
  sofistas ganhavam o seu sustento ensinando os
  cidadãos, criaram grande rivalidade com os
  filósofos que seguiam uma metodologia
  diferente: procuravam a verdade e a essência
  das coisas, incutindo nas populações o gosto pelo
  saber e espírito critico.
Os Filósofos da Natureza
• Investigadores que se interessavam sobretudo
  pela natureza e pelos processos físicos.
• Os filósofos viam com os seus próprios olhos que
  havia na natureza transformações constantes. Era
  comum entre os primeiros filósofos acreditarem
  que havia um elemento primordial responsável
  por essas transformações. – Procurar esse
  elemento era a grande tarefa destes filósofos.
Sócrates- Filósofo grego (470-399 a.C)
• O filósofo que melhor ilustrou a atitude filosófica.
  Questionava as pessoas sobre os problemas mais
  comuns e levava-as a reconhecer a própria
  ignorância e a abandonar o dogmatismo - fase da
  ironia
• Em seguida, iniciava o processo de investigação e
  clarificação dos conceitos – fase da maiêutica –
  através de um questionamento dirigido, Sócrates
  denunciava as insuficiências de tal definição
Senso comum                 Ciência/ Filosofia
Particular e concreto;       Procuram a universalidade;
Empírico;                    Ultrapassam o nível da
Comum sem ser universal;     experiência sensível;
Incompleto e superficial;    Observam de forma
Subjectivo;                  consciente e interrogativa;
Não aspira ao conhecimento   Procuram rigor e clareza;
universalmente válido;        São mais abstractas;
Não visa uma comunicação     Requerem a utilização de um
exaustiva;                    método;
Usa uma linguagem ambígua    Utilizam uma linguagem mais
Não é metódico;              cuidada, como tal menos
É acrítico;                  ambígua;
Dogmático;                   Interrogam continuamente;
É essencialmente prático e   Procuram solucionar
funcional.                    problemas;
Semelhanças                           Diferenças
   Filosofia/ciência                   Filosofia /Ciência
Exigem ambas uma                  As teorias filosóficas não
metodologia adequada,              exigem reconhecimento e
justificação e rigor de            aceitação universais, as
conceitos;                         científicas exigem o
Ultrapassam o nível da            reconhecimento da
experiência sensível;              comunidade científica.
São mais abstractas;              A validação do conhecimento
Procuram uma objectividade        filosófico depende da qualidade
crescente;                         da argumentação , exigindo o uso
Nenhuma teoria, científica ou     de conceitos rigorosamente
                                   definidos e de argumentos
filosófica, pode ser considerada
                                   válidos, a validação do
como solução definitiva e
                                   conhecimento científico exige
completa para um problema,         demonstração experimental.
exigem revisão e correcção.
Modelo a aplicar na leitura filosófica
1-Tema – Assunto tratado no texto (muitas vezes
   identificado no titulo).
2- Identificação do problema: criação de interrogações
   acerca do tema, o que precisa de ser pensado e
   discutido.
3- Tese: é a posição defendida pelo autor
4- Argumentos: razões que sustentam a tese;
5- Conceitos estruturantes: conceitos chave organizadores
   do discurso. A partir de relações entre conceitos
   constroem-se proposições;
6-Discutir e tomar posição sobre o problema – apresentar
   razões para uma opção
Acesso aos cuidados de saúde
“Ter informação e dinheiro são meios
  fundamentais para ter saúde. Porém se não
  existisse o serviço Nacional de Saúde os pobres
  não teriam acesso aos cuidados médicos, pois
  enquanto que os ricos podem aceder, através da
  medicina privada, aos tratamentos tecnológicos
  mais avançados ou aos novos medicamentos, aos
  pobres só restam os cuidados do Estado. Assim,
  quando formos velhinhos, haverá genética para
  os ricos e genéricos para os pobres.”
                           Jornal expresso, 2009/10/10
1-Tema – Acesso aos cuidados de saúde
2- Identificação do problema: Por que é
  que há desigualdade no acesso aos
  cuidados de Saúde?
  O que origina esta desigualdade?
   Esta desigualdade é legitima?
   A responsabilidade do Estado deve ser
  apenas cívica?
3- Tese: Há desigualdade no acesso aos
cuidados de saúde conforme se é rico ou
pobre.
4- Argumentos:” Os ricos têm acesso à
  informação e dinheiro para recorrer à
  medicina privada e pagar os tratamentos
  tecnológicos mais avançados”;
“os pobres só podem utilizar os cuidados
  mais baratos oferecidos pelo Estado que,
  por razões económicas, usa os
  genéricos”;
5- Conceitos estruturantes:
saúde/doença
informação/ignorância
Ricos / pobres
Medicina privada/SNS
Genética/genéricos
6-Discutir e tomar posição sobre o
problema – Assumir uma posição,
apresentar o nosso ponto de vista
Alegoria da caverna
• Uma alegoria é uma técnica literária que
  permite apresentar uma reflexão filosófica..
  sobre a realidade como se tratasse de uma
  simples história para entreter. Uma
  representação figurativa, quase sempre sob a
  forma humana, de uma proeza, de uma
  virtude, de uma ideia ou ser abstracto, que
  nos é apresentada como uma ficção, com o
  objectivo de tornar mais acessível a
  mensagem.
Qual o objectivo do autor?
• Procura veicular uma mensagem cujo
  conteúdo é simultaneamente ontológico e
  político.
• Platão mostra-nos como os seres humanos
  viviam e como deveriam viver.
1-Tema: A condição humana, a natureza
humana e o modo como se desenrola a sua
existência.
2- Identificação dos problemas
• O que é o conhecimento? -Qual o valor do
  conhecimento que possuímos? - Problemas
  epistemológicos
• O que é a realidade? - Será que confundimos
  aparência com a realidade? – Problemas ontológicos
• O que é o ser humano? – Será que nos conhecemos
  verdadeiramente? – Problemas antropológicos
• Porque valores devemos orientar a nossa vida? –O que
  é a liberdade? – São os seres humanos livres?
  problemas axiológicos
• Qual o sentido da existência – Problemas metafísicos
3-Tese: O autor apresenta-nos um quadro da
condição humana caracterizado pela
ignorância, pela ilusão e pela inconsciência,
sugerindo-nos que é possível ultrapassar esse
quadro.
4-Argumentos
• Porque vivemos acorrentados na escuridão, não temos
  experiência de outros modos de ver a nossa existência,
  não temos consciência da nossa ignorância;
• Para operar a mudança devemos recorrer a alguém
  esclarecido que já tenha experimentado a mesma
  situação e tenha conseguido libertar-se.
• Aprender a ver é difícil, a busca da liberdade através
  do conhecimento implica sacrifício;
• Esta luta envolve perigos; é uma luta de vida ou morte,
  metaforicamente a ignorância é sinónimo de morte. O
  ignorante não quer ser incomodado, é capaz de matar
  os que o incomodam.
5 -CONCEITOS ESTRUTURANTES


IGNORÂNCIA       CONHECIMENTO
TREVAS           LUZ
ILUSÃO           REALIDADE
RESISTÊNCIA      FLEXIBILIDADE
PRISÃO           LIBERDADE
IMOBILISMO       CAMINHADA
ISOLAMENTO       PARTILHA
Conceitos estruturantes
     1º Momento – Descrição da situação
             Imagens                      Conceitos
Os prisioneiros da caverna   Condição humana
Trevas                       Ignorância
Confusão sombras/objectos    Dificuldade de distinguir
                             aparência/realidade
2º Momento – Problematização da
               situação

         Imagens                          Conceitos
-Dificuldade de olhar a luz e os   -Força dos hábito
objectos
-Dificuldade de despertar e --     -Conformismo
resistência dos prisioneiros       -Progressiva eliminação de
-Etapas da ascensão até ao         preconceitos
mundo exterior
-Perturbação do prisioneiro ao     -Espanto, curiosidade.
descobrir o mundo exterior
3º Momento - RESOLUÇÃO DOS PROBLEMAS SUGERIDOS PELA
                     SITUAÇÃO

             Imagens                      Conceitos
-Contemplação da luz do sol               -Conhecimento da verdadeira realidade
-Comparação do mundo exterior com a       -Trabalho de análise.
vida na caverna
-Compreensão da situação vivida na        -Tomada de consciência/mutação do
caverna                                   modo de ser
-O regresso do filósofo à caverna( o      -Amor/dever do sábio
partilhar da descoberta
-Perigosidade de falar a verdade          -Risco do filósofo
Dificuldade de viver de novo nas trevas   -O sofrimento voluntário do sábio
IGNORÂNCIA    CONHECIMENTO
TREVAS        LUZ
ILUSÃO        REALIDADE
RESISTÊNCIA   FLEXIBILIDADE
PRISÃO        LIBERDADE
IMOBILISMO    CAMINHADA
APARÊNCIA     REALIDADE
RESISTENTE    DISPONIVEL
ISOLAMENTO    PARTILHA
6- Sentido e utilidade da tese para a
                 nossa vida
• A descoberta do eu;
• A procura do sentido da vida;
• A formação da personalidade;
• O valor do conhecimento;
• A procura do conhecimento é uma actividade
  difícil;
• O desenvolvimento do pensamento.
Instrumentos lógicos do pensamento e
             do discurso
1-Conceito – é uma abstracção elaborada pela razão, a
  partir dos dados obtidos na experiência, e que serve
  para designar uma classe de objectos ou seres.

Ex: Quando falamos de um gato, estamos a referir-nos a
  um determinado animal de que temos uma imagem.
  Mas o conceito de gato refere-se a todos os indivíduos
  que constituem a classe dos animais domésticos, que
  miam, pertencem à classe dos felinos e à classe dos
  mamíferos
   Termo – expressão verbal do conceito
2-Juízo – é uma relação que se estabelece entre
  dois termos /conceitos (sujeito e predicado),
  um dos quais se afirma ou nega em relação
  ao outro, unidos por um verbo que se chama
  cópula.
   Ex: A Filosofia é um desafio (o predicado
  desafio é afirmado em relação ao sujeito
  Filosofia).
  Proposição -Expressão verbal
• Raciocínio – operação mental ,mediante a
  qual, com base em certas regras, partindo de
  certos juízos, se chega a uma conclusão que
  deles decorre. Trata-se de um encadeamento
  de proposições conhecidas nos permite
  chegar a uma nova proposição, a conclusão.
   Ex: Todos os homens são seres vivos
       Sócrates é homem
        Sócrates é ser vivo

1ª unidade de Filosofia

  • 1.
    Abordagem Introdutória à Filosofia e ao Filosofar
  • 2.
    Breve enquadramento daFilosofia no Ensino Secundário A UNESCO sugere a todos os Estados a introdução ou o alargamento da formação filosófica a toda a educação secundária, considerando evidente o vínculo entre Filosofia e Democracia, entre Filosofia e Cidadania.
  • 3.
    A aprendizagem destadisciplina centra- se essencialmente no aperfeiçoamento cognitivo e ético, contribuindo, assim, directamente, para a procura do conhecimento, para desenvolver o juízo crítico e promover a participação na vida comunitária.
  • 4.
    A Filosofia temtrês funções essenciais: • “Permitir a cada um aperfeiçoar a análise das convicções pessoais"; • “Aperceber-se da diversidade dos argumentos e das problemáticas dos outros"; • “Aperceber-se do carácter limitado dos nossos saberes, mesmo dos mais assegurados".
  • 5.
    Observe o quadrocom atenção
  • 7.
    Magritte – Surrealista •Pintor de imagens insólitas, às quais deu tratamento rigorosamente realista, utilizou-se de processos ilusionistas, sempre à procura do contraste entre o tratamento realista dos objectos e a atmosfera irreal dos conjuntos. • Suas obras são metáforas que se apresentam como representações realistas, através da justaposição de objectos comuns, e símbolos recorrentes em sua obra, porém de um modo impossível de ser encontrado na vida real.
  • 8.
    Mensagem da obrade Magritte • Manifesta a experiência de exterioridade, de fragmentação, de ignorância. Exterioridade porque nos dá a imagem do objecto e nunca o próprio objecto. Fragmentação porque pode justapor vários sentidos e até sentidos incompatíveis. Ignorância porque há sempre uma espécie de “analfabetismo” quando tentamos explicitar o sentido de uma obra de arte.
  • 9.
    Origem etimológica dotermo “filosofia” Deriva das palavras gregas:  philo (amor) e  Sophia –(Sabedoria) “Amor à sabedoria” A análise do termo dá-nos três elementos que são constitutivos da atitude filosófica
  • 10.
    “Amor à sabedoria” A análise do termo dá-nos três elementos que são constitutivos da atitude filosófica: Humildade intelectual - Não considera que sabe Desejo de saber -Procura constante do saber Intenção crítica – Não se satisfaz com respostas imediatas
  • 11.
    Problemas Filosóficos • Sãorelativos às nossas crenças básicas fundamentais; • Não podem ser resolvidos pelos métodos das ciências. • As questões filosóficas estão na origem de todo o filosofar, sem os problemas não haveria filosofia, o ser humano não teria dúvidas.
  • 12.
    Objecto, objectivo eo método da Filosofia  Objecto – Todo o real, tudo o que existe pode torna-se objecto de reflexão filosófica, dependendo da perspectiva em que é encarado e dos processos utilizados.  Objectivo – Compreender melhor o mundo e a vida, elucidar conceitos, levantar questões, perceber razões e encontrar sentidos.  Método – Empreendimento racional, quer compreender através da razão.
  • 13.
    A especificidade daFilosofia Autonomia - na medida em que os filósofos fazem uso da razão, independentemente de preconceitos e ideias feitas. Radicalidade - na medida em que procura os fundamentos, a raiz, o fim último das coisas.
  • 14.
    Historicidade – emboraos filósofos desenvolvam uma reflexão pessoal respondem a problemas marcantes da sua época. Universalidade – apesar da historicidade os filósofos abordam problemas que dizem respeito a toda a humanidade
  • 15.
    Caracterização da Filosofia •Actividade intelectual -de procura de conhecimento - atitude de curiosidade e desejo de conhecer e problematizar o mundo. • Reflexão crítica – sobre o conhecimento e o mundo, isto é, o conjunto de respostas que se foram constituindo. • Atitude prática de procura de sabedoria - visa encontrar novas maneiras de conceber o mundo, definir o nosso projecto de vida
  • 16.
    Áreas da Filosofia • Acção: Estudo da intenção das nossas acções. • Axiologia: Estudo da natureza dos valores • Religião: Estudo da natureza e do objecto da fé religiosa. • Moral: Estudo dos princípios que orientam a acção humana. • Estética: Estudo dos princípio que sustentam a nossa avaliação da obra de arte. • Direito: Estudo da natureza e princípios que legitimam a aplicação do Direito. • Política. Estudo dos princípios fundamentais do estado. • Epistemologia: Estudo da origem, natureza e extensão do conhecimento. • Ontologia e Metafísica: Estudo das questões fundamentais acerca da natureza e da realidade.
  • 17.
    A Filosofia temorigem na Grécia. Porquê?  Regime democrático. Em Atenas desenvolvia-se progressivamente uma democracia com assembleias populares e tribunais eleitos pelos cidadãos.  O aparecimento da Polis, Cidade-Estado Grega permite uma autonomização da vida económica, social cultural;  A partir do século V a. C. Atenas tornou-se o centro cultural da Grécia;  Promove o debate público na Ágora dos assuntos da cidade;  Contacto privilegiado com outras culturas, devido à localização geográfica;  Tem a tradição de explicar racionalmente os fenómenos naturais e humanos;
  • 18.
    • O desenvolvimentoda democracia exigia que os homens recebessem instruções suficientes para poderem participar na vida politica. Entre os atenienses isso significava sobretudo dominar a retórica (arte de bem falar) • Vindos das colónias gregas, um grupo de professores itinerantes (SOFISTAS – sábios eruditos) e de filósofos afluiu a Atenas. Os sofistas ganhavam o seu sustento ensinando os cidadãos, criaram grande rivalidade com os filósofos que seguiam uma metodologia diferente: procuravam a verdade e a essência das coisas, incutindo nas populações o gosto pelo saber e espírito critico.
  • 20.
    Os Filósofos daNatureza • Investigadores que se interessavam sobretudo pela natureza e pelos processos físicos. • Os filósofos viam com os seus próprios olhos que havia na natureza transformações constantes. Era comum entre os primeiros filósofos acreditarem que havia um elemento primordial responsável por essas transformações. – Procurar esse elemento era a grande tarefa destes filósofos.
  • 21.
    Sócrates- Filósofo grego(470-399 a.C) • O filósofo que melhor ilustrou a atitude filosófica. Questionava as pessoas sobre os problemas mais comuns e levava-as a reconhecer a própria ignorância e a abandonar o dogmatismo - fase da ironia • Em seguida, iniciava o processo de investigação e clarificação dos conceitos – fase da maiêutica – através de um questionamento dirigido, Sócrates denunciava as insuficiências de tal definição
  • 22.
    Senso comum Ciência/ Filosofia Particular e concreto; Procuram a universalidade; Empírico; Ultrapassam o nível da Comum sem ser universal; experiência sensível; Incompleto e superficial; Observam de forma Subjectivo; consciente e interrogativa; Não aspira ao conhecimento Procuram rigor e clareza; universalmente válido; São mais abstractas; Não visa uma comunicação Requerem a utilização de um exaustiva; método; Usa uma linguagem ambígua Utilizam uma linguagem mais Não é metódico; cuidada, como tal menos É acrítico; ambígua; Dogmático; Interrogam continuamente; É essencialmente prático e Procuram solucionar funcional. problemas;
  • 23.
    Semelhanças Diferenças Filosofia/ciência Filosofia /Ciência Exigem ambas uma As teorias filosóficas não metodologia adequada, exigem reconhecimento e justificação e rigor de aceitação universais, as conceitos; científicas exigem o Ultrapassam o nível da reconhecimento da experiência sensível; comunidade científica. São mais abstractas; A validação do conhecimento Procuram uma objectividade filosófico depende da qualidade crescente; da argumentação , exigindo o uso Nenhuma teoria, científica ou de conceitos rigorosamente definidos e de argumentos filosófica, pode ser considerada válidos, a validação do como solução definitiva e conhecimento científico exige completa para um problema, demonstração experimental. exigem revisão e correcção.
  • 24.
    Modelo a aplicarna leitura filosófica 1-Tema – Assunto tratado no texto (muitas vezes identificado no titulo). 2- Identificação do problema: criação de interrogações acerca do tema, o que precisa de ser pensado e discutido. 3- Tese: é a posição defendida pelo autor 4- Argumentos: razões que sustentam a tese; 5- Conceitos estruturantes: conceitos chave organizadores do discurso. A partir de relações entre conceitos constroem-se proposições; 6-Discutir e tomar posição sobre o problema – apresentar razões para uma opção
  • 25.
    Acesso aos cuidadosde saúde “Ter informação e dinheiro são meios fundamentais para ter saúde. Porém se não existisse o serviço Nacional de Saúde os pobres não teriam acesso aos cuidados médicos, pois enquanto que os ricos podem aceder, através da medicina privada, aos tratamentos tecnológicos mais avançados ou aos novos medicamentos, aos pobres só restam os cuidados do Estado. Assim, quando formos velhinhos, haverá genética para os ricos e genéricos para os pobres.” Jornal expresso, 2009/10/10
  • 26.
    1-Tema – Acessoaos cuidados de saúde
  • 27.
    2- Identificação doproblema: Por que é que há desigualdade no acesso aos cuidados de Saúde? O que origina esta desigualdade? Esta desigualdade é legitima? A responsabilidade do Estado deve ser apenas cívica?
  • 28.
    3- Tese: Hádesigualdade no acesso aos cuidados de saúde conforme se é rico ou pobre.
  • 29.
    4- Argumentos:” Osricos têm acesso à informação e dinheiro para recorrer à medicina privada e pagar os tratamentos tecnológicos mais avançados”; “os pobres só podem utilizar os cuidados mais baratos oferecidos pelo Estado que, por razões económicas, usa os genéricos”;
  • 30.
    5- Conceitos estruturantes: saúde/doença informação/ignorância Ricos/ pobres Medicina privada/SNS Genética/genéricos
  • 31.
    6-Discutir e tomarposição sobre o problema – Assumir uma posição, apresentar o nosso ponto de vista
  • 32.
    Alegoria da caverna •Uma alegoria é uma técnica literária que permite apresentar uma reflexão filosófica.. sobre a realidade como se tratasse de uma simples história para entreter. Uma representação figurativa, quase sempre sob a forma humana, de uma proeza, de uma virtude, de uma ideia ou ser abstracto, que nos é apresentada como uma ficção, com o objectivo de tornar mais acessível a mensagem.
  • 33.
    Qual o objectivodo autor? • Procura veicular uma mensagem cujo conteúdo é simultaneamente ontológico e político. • Platão mostra-nos como os seres humanos viviam e como deveriam viver.
  • 34.
    1-Tema: A condiçãohumana, a natureza humana e o modo como se desenrola a sua existência.
  • 35.
    2- Identificação dosproblemas • O que é o conhecimento? -Qual o valor do conhecimento que possuímos? - Problemas epistemológicos • O que é a realidade? - Será que confundimos aparência com a realidade? – Problemas ontológicos • O que é o ser humano? – Será que nos conhecemos verdadeiramente? – Problemas antropológicos • Porque valores devemos orientar a nossa vida? –O que é a liberdade? – São os seres humanos livres? problemas axiológicos • Qual o sentido da existência – Problemas metafísicos
  • 36.
    3-Tese: O autorapresenta-nos um quadro da condição humana caracterizado pela ignorância, pela ilusão e pela inconsciência, sugerindo-nos que é possível ultrapassar esse quadro.
  • 37.
    4-Argumentos • Porque vivemosacorrentados na escuridão, não temos experiência de outros modos de ver a nossa existência, não temos consciência da nossa ignorância; • Para operar a mudança devemos recorrer a alguém esclarecido que já tenha experimentado a mesma situação e tenha conseguido libertar-se. • Aprender a ver é difícil, a busca da liberdade através do conhecimento implica sacrifício; • Esta luta envolve perigos; é uma luta de vida ou morte, metaforicamente a ignorância é sinónimo de morte. O ignorante não quer ser incomodado, é capaz de matar os que o incomodam.
  • 38.
    5 -CONCEITOS ESTRUTURANTES IGNORÂNCIA CONHECIMENTO TREVAS LUZ ILUSÃO REALIDADE RESISTÊNCIA FLEXIBILIDADE PRISÃO LIBERDADE IMOBILISMO CAMINHADA ISOLAMENTO PARTILHA
  • 39.
    Conceitos estruturantes 1º Momento – Descrição da situação Imagens Conceitos Os prisioneiros da caverna Condição humana Trevas Ignorância Confusão sombras/objectos Dificuldade de distinguir aparência/realidade
  • 40.
    2º Momento –Problematização da situação Imagens Conceitos -Dificuldade de olhar a luz e os -Força dos hábito objectos -Dificuldade de despertar e -- -Conformismo resistência dos prisioneiros -Progressiva eliminação de -Etapas da ascensão até ao preconceitos mundo exterior -Perturbação do prisioneiro ao -Espanto, curiosidade. descobrir o mundo exterior
  • 41.
    3º Momento -RESOLUÇÃO DOS PROBLEMAS SUGERIDOS PELA SITUAÇÃO Imagens Conceitos -Contemplação da luz do sol -Conhecimento da verdadeira realidade -Comparação do mundo exterior com a -Trabalho de análise. vida na caverna -Compreensão da situação vivida na -Tomada de consciência/mutação do caverna modo de ser -O regresso do filósofo à caverna( o -Amor/dever do sábio partilhar da descoberta -Perigosidade de falar a verdade -Risco do filósofo Dificuldade de viver de novo nas trevas -O sofrimento voluntário do sábio
  • 42.
    IGNORÂNCIA CONHECIMENTO TREVAS LUZ ILUSÃO REALIDADE RESISTÊNCIA FLEXIBILIDADE PRISÃO LIBERDADE IMOBILISMO CAMINHADA APARÊNCIA REALIDADE RESISTENTE DISPONIVEL ISOLAMENTO PARTILHA
  • 43.
    6- Sentido eutilidade da tese para a nossa vida • A descoberta do eu; • A procura do sentido da vida; • A formação da personalidade; • O valor do conhecimento; • A procura do conhecimento é uma actividade difícil; • O desenvolvimento do pensamento.
  • 44.
    Instrumentos lógicos dopensamento e do discurso 1-Conceito – é uma abstracção elaborada pela razão, a partir dos dados obtidos na experiência, e que serve para designar uma classe de objectos ou seres. Ex: Quando falamos de um gato, estamos a referir-nos a um determinado animal de que temos uma imagem. Mas o conceito de gato refere-se a todos os indivíduos que constituem a classe dos animais domésticos, que miam, pertencem à classe dos felinos e à classe dos mamíferos Termo – expressão verbal do conceito
  • 45.
    2-Juízo – éuma relação que se estabelece entre dois termos /conceitos (sujeito e predicado), um dos quais se afirma ou nega em relação ao outro, unidos por um verbo que se chama cópula. Ex: A Filosofia é um desafio (o predicado desafio é afirmado em relação ao sujeito Filosofia). Proposição -Expressão verbal
  • 46.
    • Raciocínio –operação mental ,mediante a qual, com base em certas regras, partindo de certos juízos, se chega a uma conclusão que deles decorre. Trata-se de um encadeamento de proposições conhecidas nos permite chegar a uma nova proposição, a conclusão. Ex: Todos os homens são seres vivos Sócrates é homem Sócrates é ser vivo