FLEXÃO SIMPLES NA RUÍNA: EQUAÇÕES – CAPÍTULO 7
Libânio M. Pinheiro, Cassiane D. Muzardo, Sandro P. Santos.
12 maio 2003
FLEXÃO SIMPLES NA RUÍNA: EQUAÇÕES
7.1 HIPÓTESES
No dimensionamento à flexão simples, os efeitos do esforço cortante podem
ser considerados separadamente. Portanto, será considerado somente o momento
fletor, ou seja, flexão pura.
Admite-se a perfeita aderência entre as armaduras e o concreto que as
envolve, ou seja, a deformação específica de cada barra da armadura é igual à do
concreto adjacente.
A resistência do concreto à tração é desprezada, ou seja, na região do
concreto sujeita à deformação de alongamento, a tensão no concreto é considerada
nula.
Nas peças de concreto submetidas a solicitações normais, admite-se a
validade da hipótese de manutenção da forma plana da seção transversal até o
estado limite último, desde que a relação abaixo seja mantida:
2
d
0
>
l
l0 → distância entre as seções de momento fletor nulo
d → altura útil da seção
Com a manutenção da forma plana da seção, as deformações específicas
longitudinais em cada ponto da seção transversal são proporcionais à distância até a
linha neutra.
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7.2
7.2 DIAGRAMA DE TENSÕES NO CONCRETO
Permite-se substituir o diagrama parábola-retângulo pelo retangular, com
altura y = 0,8x e tensão σc = 0,85fcd = 0,85fck/γc, exceto nos casos em que a seção
diminuir a partir da linha neutra no sentido da borda mais comprimida. Nestes casos,
σc = 0,95 . 0,85fcd ≈ 0,80fcd. Os diagramas de tensões e alguns tipos de seção
encontram-se nas Figuras 7.1 e 7.2, respectivamente.
2,0‰
0,85 f
0,85 f
0,80 f
ou
h
x
y = 0,8x
= 3,5‰εc
cd
cdcd
Figura 7.1 – Diagrama de tensões
= 0,85fσ = 0,85fσ = 0,80fσ = 0,80fσcd cd cd cd cd cd cd cd
Figura 7.2 – Alguns tipos de seção e respectivas tensões, para diagrama retangular
7.3 DOMÍNIOS POSSÍVEIS
Na flexão, como a tração é resistida pela armadura, a posição da linha
neutra deve estar entre zero e d (domínios 2, 3 e 4), já que para x < 0 (domínio 1) a
seção está toda tracionada, e para x > d (domínio 4a e 5) a seção útil está toda
comprimida. Os domínios citados estão indicados na Figura 7.3.
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7.3
Figura 7.3 – Domínios de deformação
7.3.1 Domínio 2
No domínio 2, a ruína se dá por deformação plástica excessiva do aço, com
a deformação máxima de 10‰; portanto, σsd = fyd. A deformação no concreto varia
de 0 até 3,5‰ (Figura 7.4). Logo, o concreto não trabalha com sua capacidade
máxima e, portanto, é mal aproveitado. A profundidade da linha neutra varia de 0 até
0,259d (0< βx < 0,259), pois:
( )
259,0
)105,3(
5,3
sc
c
23x =
+
=
ε+ε
ε
=β
Figura 7.4 – Deformações no Domínio 2
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7.4
7.3.2 Domínio 3
No domínio 3, a ruína se dá por ruptura do concreto com deformação
máxima εc = 3,5‰ e, na armadura tracionada, a deformação varia de εyd até 10‰, ou
seja, o aço está em escoamento, com tensão σs = fyd (Figura 7.5).
É a situação ideal de projeto, pois há o aproveitamento pleno dos dois
materiais. A ruína é dúctil, pois ela ocorre com aviso, havendo fissuração aparente e
flechas significativas. Diz-se que as seção é subarmada. A posição da linha neutra
varia de 0,259d até x34 (0,259 < βx < βx34).
( ) )5,3(
5,3
ydsc
c
34x
ε+
=
ε+ε
ε
=β ;
s
yd
yd
E
f
=ε
cuε
sε
cuε
sεε <
d
x
yd < 10‰
= 3,5‰
Figura 7.5 – Deformações no Domínio 3
7.3.3 Domínio 4
Assim como no domínio 3, o concreto encontra-se na ruptura, com
εc = 3,5‰. Porém, o aço apresenta deformação abaixo de εyd e, portanto, ele está
mal aproveitado. As deformações podem ser verificadas na Figura 7.6.
O dimensionamento nesse domínio é uma solução antieconômica, além de
perigosa, pois a ruína se dá por ruptura do concreto e sem escoamento do aço. É
uma ruptura brusca, ou seja, ocorre sem aviso. Quando as peças de concreto são
dimensionadas nesse domínio, diz-se que elas são superarmadas, devendo ser
evitadas; para isso pode-se usar uma das alternativas:
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7.5
• Aumentar a altura h, porque normalmente b é fixo, dependendo da
espessura da parede em que a viga é embutida;
• Fixar x como xlim34, ou seja, βx = βx34, e adotar armadura dupla;
• Outra solução é aumentar a resistência do concreto (fck).
sε sε εyd0 <
d
x
cuε
cuε = 3,5‰
<
Figura 7.6 – Deformações no Domínio 4
7.4 EQUAÇÕES DE EQUILÍBRIO
Para o dimensionamento de peças na flexão simples com armadura dupla
(Figura 7.7), considera-se que as barras que constituem a armadura estão
agrupadas, concentradas no centro de gravidade dessas barras.
= 3,5‰ε cdσ
sε
sε
R'
R
M
d'
A
A'
b
d
h
x
y = 0,8xs
d
s
s
c
s
'
c
Figura 7.7 - Resistências e deformações na seção
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7.6
As equações de equilíbrio de forças e de momentos são respectivamente:
Rc + R’s – Rs = 0
Md = γf x Mk = Rc (d - y/2) + R’s (d - d’)
As resultantes no concreto (Rc) e nas armaduras (Rs e R’s) são dadas por:
Rc = b y σcd = b . 0,8x . 0,85fcd = 0,68 bd βx fcd
Rs = As σs
R’s = A’s σ’s
Para diagrama retangular de tensões no concreto, tem-se que:
y = 0,8x → d – y/2 = d (1 - 0,8x/2d) = d (1 - 0,4βx)
Com esses valores, resultam as seguintes equações para armadura dupla:
0,68 bd βx fcd + A’s σ’s - As σ s = 0 (1)
Md = 0,68 bd² βx fcd (1 - 0,4βx) + A’s σ’s (d – d’) (2)
Para armadura simples, A’s = 0. As equações (1) e (2) resultam:
0,68 bd βx fcd - As σ s = 0 (1’)
Md = 0,68 bd² βx fcd (1 - 0,4 β x) (2’)
7.5 EXEMPLOS
A seguir apresentam-se alguns exemplos de cálculo de flexão simples.
7.5.1 Exemplo 1
Cálculo da altura útil (d) e da área de aço (As) para seção retangular.
a) Dados
Concreto C25, Aço CA-50, b = 30 cm, Mk = 210 kN.m, βx= βx23
( )
259,0
)105,3(
5,3
sc
c
23x =
+
=
ε+ε
ε
=β
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7.7
b) Equações de equilíbrio
0,68 bd βx fcd - As σ s = 0 (1’)
Md = 0,68 bd² βx fcd (1 - 0,4βx) (2’)
c) Cálculo de d (equação 2’)
)259,04,01(
4,1
5,2
d21,4 2
×−××0,259××30×0,68=1000×
d = 58,93 cm (h = 59+3 = 62 cm)
d) Cálculo de As (equação 1’)
0
15,1
50
A
4,1
5,2
259,093,583068,0 s =×−××××
As = 12,80 cm²
7.5.2 Exemplo 2
Idem exemplo anterior com βx = βx34.
a) Cálculo de βx34
( ) )5,3(
5,3
ydsc
c
34x
ε+
=
ε+ε
ε
=β
‰07,2
210000
15,1/50
E
f
s
yd
yd ===ε
628,0
)07,25,3(
5,3
34x =
+
=β
b) Cálculo de d (equação 2’)
)628,04,01(
4,1
5,2
628d21,4 2
×−××0,××30×0,68=1000×
d = 41,42 cm (h = 42+3 = 45 cm)
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7.8
c) Cálculo de As (equação 1’)
0
15,1
50
A
4,1
5,2
628,042,413068,0 s =×−××××
As = 21,81 cm²
7.5.3 Exemplo 3
Cálculo da altura útil (d) e da área de aço (As) para seção retangular.
a) Dados
Concreto C25, Aço CA-50, b = 30 cm, h = 45 cm, d = 42cm, Mk = 252 kN.m.
b) Cálculo de βx
Na equação (2’), supondo armadura simples:
Md = 0,68 bd² βx fcd (1 – 0,4βx)
)4,01(
4,1
5,2
423068,04,125200 xx
2
β×−×β×××=×
25704βx² - 64260βx + 35280 = 0
βx² - 2,5βx + 1,3725 = 0
βx = 0,814 (βx > βx34: Domínio 4)
βx = 1,686 (x > d, portanto descartado)
c) Conclusão
Como βx > βx34 , σ s < fyd (domínio 4): há solução melhor com armadura dupla.
7.5.4 Exemplo 4
Idem exemplo anterior, com Mk = 315 kN.m.
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7.9
a) Cálculo de βx (equação 2’)
Md = 0,68 bd² βx fcd (1 – 0,4βx)
)4,01(
4,1
5,2
423068,04,131500 xx
2
β×−×β×××=×
25704βx² - 64260βx + 44100 = 0
βx² - 2,5βx + 1,7157 = 0
∆ = (-2,5)² - 4 x1 x 1,7157 = -0,6128 < 0
b) Conclusão
Não há solução para armadura simples. Neste caso só é possível armadura
dupla (exemplo 5).
7.5.5 Exemplo 5
Solução do exemplo anterior com armadura dupla.
a) Dados
Mk = 315 kN.m, βx = βx34 = 0,628, d’ = 3 cm
b) Cálculo de A’s (Equação 2)
Md = 0,68 bd² βx fcd (1 - 0,4βx) + A’s σ’s (d – d’)
1,4. 31500 = 0,68. 30. 422
. 0,628. 2,5/1,4 (1 - 0,4. 0,628) +A’s 50/1,15. (42–3)
A’s = 8,19 cm²
c) Cálculo de As (equação 1)
0,68 bd βx fcd + A’s σ’s - As σs = 0
0,68 . 30 . 42 . 0,628 . 2,5/1,4 + 8,19 . 50/1,15 - As . 50/1,15 = 0
As = 30,29 cm²
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7.10
d) Armaduras possíveis
As : 6 Ø 25 (Ase = 30 cm²) 2 camadas
8 Ø 22,2 (Ase = 31,04 cm²) 2 camadas
A’s : 2 Ø 25 (Ase = 10 cm²)
3 Ø 20 (Ase = 9,45 cm²)
f) Solução adotada (Figura 7.8)
Figura 7.8 – Detalhamento da seção

07 f simples equacoes

  • 1.
    FLEXÃO SIMPLES NARUÍNA: EQUAÇÕES – CAPÍTULO 7 Libânio M. Pinheiro, Cassiane D. Muzardo, Sandro P. Santos. 12 maio 2003 FLEXÃO SIMPLES NA RUÍNA: EQUAÇÕES 7.1 HIPÓTESES No dimensionamento à flexão simples, os efeitos do esforço cortante podem ser considerados separadamente. Portanto, será considerado somente o momento fletor, ou seja, flexão pura. Admite-se a perfeita aderência entre as armaduras e o concreto que as envolve, ou seja, a deformação específica de cada barra da armadura é igual à do concreto adjacente. A resistência do concreto à tração é desprezada, ou seja, na região do concreto sujeita à deformação de alongamento, a tensão no concreto é considerada nula. Nas peças de concreto submetidas a solicitações normais, admite-se a validade da hipótese de manutenção da forma plana da seção transversal até o estado limite último, desde que a relação abaixo seja mantida: 2 d 0 > l l0 → distância entre as seções de momento fletor nulo d → altura útil da seção Com a manutenção da forma plana da seção, as deformações específicas longitudinais em cada ponto da seção transversal são proporcionais à distância até a linha neutra.
  • 2.
    USP – EESC– Departamento de Engenharia de Estruturas Flexão simples na ruína: equações 7.2 7.2 DIAGRAMA DE TENSÕES NO CONCRETO Permite-se substituir o diagrama parábola-retângulo pelo retangular, com altura y = 0,8x e tensão σc = 0,85fcd = 0,85fck/γc, exceto nos casos em que a seção diminuir a partir da linha neutra no sentido da borda mais comprimida. Nestes casos, σc = 0,95 . 0,85fcd ≈ 0,80fcd. Os diagramas de tensões e alguns tipos de seção encontram-se nas Figuras 7.1 e 7.2, respectivamente. 2,0‰ 0,85 f 0,85 f 0,80 f ou h x y = 0,8x = 3,5‰εc cd cdcd Figura 7.1 – Diagrama de tensões = 0,85fσ = 0,85fσ = 0,80fσ = 0,80fσcd cd cd cd cd cd cd cd Figura 7.2 – Alguns tipos de seção e respectivas tensões, para diagrama retangular 7.3 DOMÍNIOS POSSÍVEIS Na flexão, como a tração é resistida pela armadura, a posição da linha neutra deve estar entre zero e d (domínios 2, 3 e 4), já que para x < 0 (domínio 1) a seção está toda tracionada, e para x > d (domínio 4a e 5) a seção útil está toda comprimida. Os domínios citados estão indicados na Figura 7.3.
  • 3.
    USP – EESC– Departamento de Engenharia de Estruturas Flexão simples na ruína: equações 7.3 Figura 7.3 – Domínios de deformação 7.3.1 Domínio 2 No domínio 2, a ruína se dá por deformação plástica excessiva do aço, com a deformação máxima de 10‰; portanto, σsd = fyd. A deformação no concreto varia de 0 até 3,5‰ (Figura 7.4). Logo, o concreto não trabalha com sua capacidade máxima e, portanto, é mal aproveitado. A profundidade da linha neutra varia de 0 até 0,259d (0< βx < 0,259), pois: ( ) 259,0 )105,3( 5,3 sc c 23x = + = ε+ε ε =β Figura 7.4 – Deformações no Domínio 2
  • 4.
    USP – EESC– Departamento de Engenharia de Estruturas Flexão simples na ruína: equações 7.4 7.3.2 Domínio 3 No domínio 3, a ruína se dá por ruptura do concreto com deformação máxima εc = 3,5‰ e, na armadura tracionada, a deformação varia de εyd até 10‰, ou seja, o aço está em escoamento, com tensão σs = fyd (Figura 7.5). É a situação ideal de projeto, pois há o aproveitamento pleno dos dois materiais. A ruína é dúctil, pois ela ocorre com aviso, havendo fissuração aparente e flechas significativas. Diz-se que as seção é subarmada. A posição da linha neutra varia de 0,259d até x34 (0,259 < βx < βx34). ( ) )5,3( 5,3 ydsc c 34x ε+ = ε+ε ε =β ; s yd yd E f =ε cuε sε cuε sεε < d x yd < 10‰ = 3,5‰ Figura 7.5 – Deformações no Domínio 3 7.3.3 Domínio 4 Assim como no domínio 3, o concreto encontra-se na ruptura, com εc = 3,5‰. Porém, o aço apresenta deformação abaixo de εyd e, portanto, ele está mal aproveitado. As deformações podem ser verificadas na Figura 7.6. O dimensionamento nesse domínio é uma solução antieconômica, além de perigosa, pois a ruína se dá por ruptura do concreto e sem escoamento do aço. É uma ruptura brusca, ou seja, ocorre sem aviso. Quando as peças de concreto são dimensionadas nesse domínio, diz-se que elas são superarmadas, devendo ser evitadas; para isso pode-se usar uma das alternativas:
  • 5.
    USP – EESC– Departamento de Engenharia de Estruturas Flexão simples na ruína: equações 7.5 • Aumentar a altura h, porque normalmente b é fixo, dependendo da espessura da parede em que a viga é embutida; • Fixar x como xlim34, ou seja, βx = βx34, e adotar armadura dupla; • Outra solução é aumentar a resistência do concreto (fck). sε sε εyd0 < d x cuε cuε = 3,5‰ < Figura 7.6 – Deformações no Domínio 4 7.4 EQUAÇÕES DE EQUILÍBRIO Para o dimensionamento de peças na flexão simples com armadura dupla (Figura 7.7), considera-se que as barras que constituem a armadura estão agrupadas, concentradas no centro de gravidade dessas barras. = 3,5‰ε cdσ sε sε R' R M d' A A' b d h x y = 0,8xs d s s c s ' c Figura 7.7 - Resistências e deformações na seção
  • 6.
    USP – EESC– Departamento de Engenharia de Estruturas Flexão simples na ruína: equações 7.6 As equações de equilíbrio de forças e de momentos são respectivamente: Rc + R’s – Rs = 0 Md = γf x Mk = Rc (d - y/2) + R’s (d - d’) As resultantes no concreto (Rc) e nas armaduras (Rs e R’s) são dadas por: Rc = b y σcd = b . 0,8x . 0,85fcd = 0,68 bd βx fcd Rs = As σs R’s = A’s σ’s Para diagrama retangular de tensões no concreto, tem-se que: y = 0,8x → d – y/2 = d (1 - 0,8x/2d) = d (1 - 0,4βx) Com esses valores, resultam as seguintes equações para armadura dupla: 0,68 bd βx fcd + A’s σ’s - As σ s = 0 (1) Md = 0,68 bd² βx fcd (1 - 0,4βx) + A’s σ’s (d – d’) (2) Para armadura simples, A’s = 0. As equações (1) e (2) resultam: 0,68 bd βx fcd - As σ s = 0 (1’) Md = 0,68 bd² βx fcd (1 - 0,4 β x) (2’) 7.5 EXEMPLOS A seguir apresentam-se alguns exemplos de cálculo de flexão simples. 7.5.1 Exemplo 1 Cálculo da altura útil (d) e da área de aço (As) para seção retangular. a) Dados Concreto C25, Aço CA-50, b = 30 cm, Mk = 210 kN.m, βx= βx23 ( ) 259,0 )105,3( 5,3 sc c 23x = + = ε+ε ε =β
  • 7.
    USP – EESC– Departamento de Engenharia de Estruturas Flexão simples na ruína: equações 7.7 b) Equações de equilíbrio 0,68 bd βx fcd - As σ s = 0 (1’) Md = 0,68 bd² βx fcd (1 - 0,4βx) (2’) c) Cálculo de d (equação 2’) )259,04,01( 4,1 5,2 d21,4 2 ×−××0,259××30×0,68=1000× d = 58,93 cm (h = 59+3 = 62 cm) d) Cálculo de As (equação 1’) 0 15,1 50 A 4,1 5,2 259,093,583068,0 s =×−×××× As = 12,80 cm² 7.5.2 Exemplo 2 Idem exemplo anterior com βx = βx34. a) Cálculo de βx34 ( ) )5,3( 5,3 ydsc c 34x ε+ = ε+ε ε =β ‰07,2 210000 15,1/50 E f s yd yd ===ε 628,0 )07,25,3( 5,3 34x = + =β b) Cálculo de d (equação 2’) )628,04,01( 4,1 5,2 628d21,4 2 ×−××0,××30×0,68=1000× d = 41,42 cm (h = 42+3 = 45 cm)
  • 8.
    USP – EESC– Departamento de Engenharia de Estruturas Flexão simples na ruína: equações 7.8 c) Cálculo de As (equação 1’) 0 15,1 50 A 4,1 5,2 628,042,413068,0 s =×−×××× As = 21,81 cm² 7.5.3 Exemplo 3 Cálculo da altura útil (d) e da área de aço (As) para seção retangular. a) Dados Concreto C25, Aço CA-50, b = 30 cm, h = 45 cm, d = 42cm, Mk = 252 kN.m. b) Cálculo de βx Na equação (2’), supondo armadura simples: Md = 0,68 bd² βx fcd (1 – 0,4βx) )4,01( 4,1 5,2 423068,04,125200 xx 2 β×−×β×××=× 25704βx² - 64260βx + 35280 = 0 βx² - 2,5βx + 1,3725 = 0 βx = 0,814 (βx > βx34: Domínio 4) βx = 1,686 (x > d, portanto descartado) c) Conclusão Como βx > βx34 , σ s < fyd (domínio 4): há solução melhor com armadura dupla. 7.5.4 Exemplo 4 Idem exemplo anterior, com Mk = 315 kN.m.
  • 9.
    USP – EESC– Departamento de Engenharia de Estruturas Flexão simples na ruína: equações 7.9 a) Cálculo de βx (equação 2’) Md = 0,68 bd² βx fcd (1 – 0,4βx) )4,01( 4,1 5,2 423068,04,131500 xx 2 β×−×β×××=× 25704βx² - 64260βx + 44100 = 0 βx² - 2,5βx + 1,7157 = 0 ∆ = (-2,5)² - 4 x1 x 1,7157 = -0,6128 < 0 b) Conclusão Não há solução para armadura simples. Neste caso só é possível armadura dupla (exemplo 5). 7.5.5 Exemplo 5 Solução do exemplo anterior com armadura dupla. a) Dados Mk = 315 kN.m, βx = βx34 = 0,628, d’ = 3 cm b) Cálculo de A’s (Equação 2) Md = 0,68 bd² βx fcd (1 - 0,4βx) + A’s σ’s (d – d’) 1,4. 31500 = 0,68. 30. 422 . 0,628. 2,5/1,4 (1 - 0,4. 0,628) +A’s 50/1,15. (42–3) A’s = 8,19 cm² c) Cálculo de As (equação 1) 0,68 bd βx fcd + A’s σ’s - As σs = 0 0,68 . 30 . 42 . 0,628 . 2,5/1,4 + 8,19 . 50/1,15 - As . 50/1,15 = 0 As = 30,29 cm²
  • 10.
    USP – EESC– Departamento de Engenharia de Estruturas Flexão simples na ruína: equações 7.10 d) Armaduras possíveis As : 6 Ø 25 (Ase = 30 cm²) 2 camadas 8 Ø 22,2 (Ase = 31,04 cm²) 2 camadas A’s : 2 Ø 25 (Ase = 10 cm²) 3 Ø 20 (Ase = 9,45 cm²) f) Solução adotada (Figura 7.8) Figura 7.8 – Detalhamento da seção