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Página Miúdos da Pública de 31 de Outubro de 2010. Brincar com bonecas para quê? Blogue Letra pequena online de Rita Pimenta.

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  1. 1. Brincar com bonec   miúdos
  2. 2. P entear, vestir, ralhar, aconchegar são algumas das situações que as crianças recriam com as suas bonecas. Um brinquedo que amplia o jogo de faz-de-conta e traz mais pormenores à história e ao enredo que inventam. “Mas não são indispensáveis”, diz Carla Martins, psicóloga e professora na Universidade do Minho. “As bonecas dão contornos mais realistas às brincadeiras da criança, mas esta não precisa delas para brincar. Pode fazê-lo com ou sem elas.” Receando interpretações apressadas deste argumento, a investigadora em Psicologia do Desenvolvimento prossegue: “Não é para concluírem que afinal as bonecas não fazem falta e podem ser retiradas do mercado…”, ironiza, “mas também não se faça um drama porque alguém não tem uma boneca”. E reforça a relevância da aptidão para inventar: “O importante é que o desenvolvimento da criança seja saudável a ponto de permitir a capacidade simbólica. A de substituir um objecto por outro. Por exemplo, pegar numa colher de pau e fingir que é uma boneca e, a partir daí, criar uma história.” Ou transformar uma “banana num microfone” e dar um concerto ao vivo... A professora, de 39 anos, tem duas filhas, de seis e três, e observa como ambas se relacionam com os seus bonecos, “a forma como brincam são um reflexo dos cuidados que recebem”. Sugere que os adultos prestem atenção ao brincar das crianças, pois “reproduzem situações do quotidiano e vão revelando necessidades de que podem não se ter apercebido”. Dá o exemplo da chegada de um irmão e de como o faz-de- conta à volta de um boneco transformado em bebé pode ajudar a decifrar o sentimento da criança perante esta alteração na sua vida. Essa “ficção” do dia-a-dia “dá-lhes a oportunidade de recriar situações, desempenhando papéis que lhe são familiares. Na maioria das vezes, fazem de mãe ou pai, de professor(a), de médico(a), reconstruindo o que vivenciaram. Esta reconstrução vai ser-lhes útil para reviverem conflitos que experienciaram ou presenciaram, permitindo- lhes ensaiar resoluções para os mesmos”. A capacidade de se pôr no lugar dos outros é mais um aspecto positivo: “Havendo a oportunidade para experimentar vários papéis, que têm de ser negociados com os outros, o jogo funciona como uma experiência de ‘calçar os sapatos do outro’, que terá impacto ao nível da sua   as para quê? Rita Pimenta Se nunca brincou com bonecas, não se preocupe. Se brincou, também não. O que importa é a capacidade de entrar no faz-de-conta. E aí elas dão uma ajuda. Mas não imprescindível. Brinquedos “Proibições” no que toca aos brinquedos com que meninas e meninos podem brincar não fazem sentido. O faz- -de-conta é transversal a ambos os sexos c jorgesilva
  3. 3. miúdos empatia e pensamento sobre o pensamento e sentimentos do outro.” Também a linguagem é exercitada nesta prática. Pergunta a psicóloga à Pública: “Já experimentou ouvir atentamente o que as crianças dizem enquanto estão a ‘fazer de conta’?” E logo responde: “São capazes de fazer imitações perfeitas da mãe, do pai e do(a) professor(a), utilizando palavras, expressões e frases que estão acima do que seria de esperar para o seu nível de desenvolvimento.” Imitar a vida Os brinquedos, no caso as bonecas, “adquirem um papel de relevo enquanto facilitadores da construção da fantasia que a criança pretende criar”. Michel Manson, na sua obra História do Brinquedo e dos Jogos, Brincar Através dos Tempos (Editorial Teorema, 2002), fala assim sobre as bonecas da Antiguidade: “Brinquedo por excelência, onde mais se cristalizam os desejos e afectos infantis, a boneca é uma representação humana, frequentemente provida de membros articulados, para melhor imitar a vida, permitindo desempenhar todos os papéis e praticar todos os deslizes simbólicos e imaginários” (p. 22). E todos os brinquedos são válidos “prò menino e prà menina”. Defende a especialista: “A partir do momento em que o faz-de- conta é transversal a ambos os sexos, não faz sentido haver ‘proibições’ no que toca aos brinquedos com que meninas e meninos poderão brincar. A boneca pode ser a ‘filha’ e o carrinho pode ser o ‘carro da família’, podendo e devendo meninas e meninos brincar com ambos.” E no caso das bonecas mais conhecidas, vende-se a boneca ou a marca? Carla Martins tem consciência do peso da publicidade e de que, às vezes, “quando as crianças pedem uma boneca, não estão a pedi-la por ser uma boneca, mas por ser Barbie ou Pinipon”. Não crê Feng Shui Waldorf, Bonecas Kathe Kruse www. cristinasiopa.pt. €49,62 Família em madeira www.pititi. com., €29,90 Nicki Baby www. cristinasiopa. pt., €17,86 Amelie www. pititi.com. €46,20 Pirata www. pimpumplay. pt., €27,25 My First Cristina www. imaginarium. pt., €18,95 My First Albert www. imaginarium. pt., €16,95 Babipouce Grenadine www.pititi. com. €29,90 Boneco negro www. pimpumplay. pt., €25 Troupe Caroline www. imaginarium. pt., €22,95 que “seja um mal em si”, no entanto, sugere: “Os pais e todos os que estão à volta da criança podem ajudá-la a que brinque com as bonecas de uma forma natural. Não é por ser a Barbie que deixa de ser uma boneca.” E uma criança consegue “transformar” a Barbie, por hipótese, numa agricultora de enxada na mão? “Agora, há tantas diferentes, se calhar já há uma Barbie agricultora e nós não sabemos”, diz divertida. “Uma que não tenha sempre aquele ar de miss…” É difícil de acreditar, mas podemos sempre fazer de conta. a rpimenta@ publico.pt

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