Cbee autismo meu

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Cbee autismo meu

  1. 1. ISSN 1984-2279 O Atendimento Educacional Especializado (AEE) e o aluno com autismo: a voz dos professores da sala de recursos multifuncionais1 Marily Oliveira Barbosa2 Neiza de Lourdes Frederico Fumes3RESUMOO atendimento educacional especializado (AEE) veio estabelecer novas formasde agir frente aos alunos com deficiência, auxiliando na permanência comqualidade destes alunos dentro da escola. Em se tratando do aluno comautismo, a sua entrada é relativamente recente e desperta na escola situaçõesdesafiadoras. O objetivo deste estudo é desvelar o entendimento do professordo AEE sobre o autismo e identificar as ações realizadas no AEE para osalunos com autismo. Este estudo é de cunho qualitativo, pois visa obter a visãodos pesquisados sobre o assunto em questão. Para isso utilizamos comoinstrumento a entrevista semi-estruturada e para a análise de dados nosapoiamos na análise de conteúdo. Os resultados demonstraram que todas asprofessoras diziam-se ser favoráveis à inclusão desses alunos no ensinoregular e demonstraram possuir conhecimento sobre o autismo. As ações doAEE ocorriam de formas diferenciadas, sempre de acordo com asnecessidades de cada aluno, com atividades complementares, auxiliando noprocesso de ensino aprendizagem. A totalidade das professoras relataram osdesafios e a satisfação em observar os avanços educacionais de seus alunos.Para melhorar o AEE existe a necessidade de uma parceria entre a escola efamília.Palavras chaves: Atendimento Educacional Especializado (AEE); autismo;professores.INTRODUÇÃO A entrada de alunos com deficiência no ambiente escolar vem passandopor inúmeras transformações, embora ainda muitos sejam os entraves paragarantir os direitos a esta população de frequentarem a escola regular.Diversos mecanismos, como decretos, leis e resoluções começaram a1 Eixo temático: Transtornos globais do desenvolvimento. Indicação da categoria:comunicação2 Mestranda no programa de pós-graduação em educação brasileira pela UniversidadeFederal de Alagoas e integrante do Núcleo de Estudos em Educação e Diversidade(NEEDI). Agência de fomento: CAPES.3 Docente do Centro de Educação da Universidade Federal de Alagoas ecoordenadora do Núcleo de Estudos em Educação e Diversidade (NEEDI). 2416
  2. 2. ISSN 1984-2279aparecer através das reivindicações da sociedade, com o intuito de assegurareste direito. No Brasil, a Constituição Federal de 1988 mobilizou o país emrelação aos direitos individuais e sociais, estabelecendo que todos são iguaisperante a lei, portanto todos tem direitos, inclusive à mesma educação. Sendoassim, o direito do aluno com deficiência adentrar na escola regular foimencionado no artigo 208 ao indicar que o atendimento educacionalespecializado para o aluno com deficiência deve ocorrer preferencialmente narede regular de ensino (BRASIL 1988). A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN) 9394, de1996, dedicou um capítulo para a educação especial e definiu-a como umamodalidade de educação escolar, oferecida preferencialmente na rede regularde ensino (BRASIL, 1996). Esta definição da Educação Especial como modalidade de ensinomanteve-se na Política Nacional de Educação Especial na perspectiva daEducação Inclusiva (2008). Vejamos: Uma modalidade de ensino que perpassa todos os níveis, etapas e modalidades, realiza o atendimento educacional especializado, disponibiliza os serviços e recursos próprios desse atendimento e orienta os alunos e seus professores quanto a sua utilização nas turmas comuns do ensino regular (BRASIL, 2008). Veltrone e Mendes (2011) mencionam que atualmente a política deeducação especial está vinculada ao atendimento educacional especializado,que tem por objetivo incluir a todos na rede regular de ensino, respeitando adiversidade e buscando os apoios necessários para a entrada e permanênciados alunos com deficiência. O atendimento educacional especializado tem afunção: identificar, elaborar e organizar recursos pedagógicos e de acessibilidade que eliminem as barreiras para a plena participação dos alunos, considerando suas necessidades específicas. As atividades desenvolvidas no atendimento educacional especializado diferenciam-se daquelas realizadas na sala de aula comum, não sendo substitutivas à escolarização. Esse atendimento complementa e/ou suplementa a formação dos alunos com vistas à autonomia e independência na escola e fora dela (BRASIL, 2008). 2417
  3. 3. ISSN 1984-2279 Diante do exposto, consideramos que o atendimento educacionalespecializado veio estabelecer novas formas de agir frente aos alunos comdeficiência, auxiliando assim na permanência com qualidade destes alunosdentro da escola. O AEE deve ser realizado na sala de recursos multifuncionais(SRM), que “são ambientes dotados de equipamentos, mobiliários e materiaisdidáticos e pedagógicos para a oferta do AEE”, para a realização, além dosequipamentos, a escola deve possuir um professor especializado que atue noatendimento aos alunos com deficiência, inclusive aos alunos com autismo(BRASIL, 2011). A Resolução CNE/CEB 4/2009 define que fica sob responsabilidade doprofessor do AEE organizar os serviços e recursos pedagógicos para cadaaluno, bem como acompanhar a aplicabilidade deles na sala do ensino regulare ainda orientar professores e familiares sobre estes recursos. Sendo assimobservamos que muitas responsabilidades foram delegadas a este professor eque cabe a ele conhecer os diferentes aspectos dos alunos atendidos pelaeducação especial, para assim auxiliar no desenvolvimento destes dentro dasala de aula regular. O público alvo a ser atendido pela educação especial é extenso,principalmente ao pensarmos que o AEE deve auxiliar a todos os alunos, comsuas diferentes peculiaridades. Em se tratando do aluno com Transtorno Globaldo desenvolvimento, mais especificamente o autismo, foco da nossa pesquisaBelisário Filho (2010, p. 15), apoiado nos estudos de Kanner e Asperger, indicaque: O autismo se caracteriza pela presença de um desenvolvimento acentuadamente prejudicado na interação social e comunicação, além de um repertório marcantemente restrito de atividades e interesses. As manifestações desse transtorno variam imensamente a depender do nível de desenvolvimento e idade. Os alunos com autismo apresentam diversas formas de ser e agir, comrespostas diferentes entre si. Bridi, Fortes e Bridi Filho (2006) afirmam quemuitos profissionais da área da educação enfrentam certo temores em relaçãoaos procedimentos com o aluno com autismo, pois alegam não se sentirempreparados para lidar com eles, por desconhecerem as peculiaridades destes 2418
  4. 4. ISSN 1984-2279alunos, temendo assim uma possível intervenção pedagógica junto à eles. Poroutro lado, concordamos com Cunha e Mata (2006) que consideram que ocontato com os alunos autistas auxilia na mudança de paradigma destesprofessores gerando assim mudanças atitudinais e redimensionando o fazerpedagógico. Silva (2010) salienta que a proposta de inclusão, quando se trata dainclusão de alunos com autismo, demanda grandes desafios à escola como umtodo e principalmente ao professor que irá lidar diretamente com o aluno. Considerando estes aspectos, o objetivo deste estudo é desvelar oentendimento do professor do AEE sobre o autismo e identificar as açõesrealizadas no AEE para os alunos com autismo.METODOLOGIA Esta pesquisa é de natureza qualitativa. Costa (2001) menciona queeste tipo de pesquisa se origina com uma realidade que não pode serquantificada, trabalhando com a subjetividade dos participantes, em particularcom as suas atitudes, valores, crenças, e buscando compreender suasrespostas de forma a tornar o problema mais explícito. Flick (2009) relata que os métodos qualitativos consideram acomunicação do pesquisador com o campo e seus membros como parteexplícita da produção do conhecimento e se caracteriza pela interação diretaentre o pesquisador e o objeto de estudo. Para obtermos os dados da pesquisa utilizamos a entrevistasemiestruturada. O objetivo deste tipo de entrevista “é revelar o conhecimentoexistente de tal modo que se possa expressá-lo na forma de respostas,tornando-se assim, acessível à interpretação” (FLICK, 2009, p.153). Aentrevista semiestruturada é definida como um processo de entrevista queconsiste em perguntas escolhidas de antemão com o objetivo de extrairinformações dos entrevistados, podendo quando necessário acrescentar novasperguntas, visando resultados importantes para a pesquisa em questão(ANGROSINO, 2009). 2419
  5. 5. ISSN 1984-2279 Antes da realização da entrevista foi realizado um levantamento arespeito dos alunos com autismo na cidade de Maceió, através do CensoEscolar municipal (2011), em que foram identificadas 20 alunos com autismomatriculados na rede. De posse desta informação, encaminhamo-nos àsescolas para negociar o acesso à instituição, porém em alguns casos, asinformações não se confirmaram – em algumas escolas não havia alunos comautismo matriculados. Foram confirmados nove alunos com autismo regularmentematriculados em cinco escolas municipais. A partir da identificação desteuniverso, convidamos as professoras das salas de recurso multifuncional queatuavam diretamente com estes alunos para participar da pesquisa. Após estesprofessores terem aceitado tomar parte do estudo, realizamos as entrevistasem seu ambiente de trabalho. Estas foram gravadas em mp4 e a seguirtranscritas. Posteriormente às entrevistas e transcrições, foi realizada uma leiturajuntamente com uma análise minuciosa e exaustiva de todos os dados, e, apartir destes, foram levantadas as categorias. Neste processo fez-se uso daanálise de conteúdo. Minayo (2004, p. 209) menciona que este tipo de análise“[...] consiste em descobrir os núcleos de sentido que compõem umacomunicação cuja presença ou frequência signifiquem alguma coisa para oobjeto analítico visado”, a análise desdobra-se em três etapas: pré-análise;exploração do material e tratamento dos resultados obtidos e interpretação. Através da direção da análise de conteúdo, foram criadas ascategorias, denominadas como: Entendimento dos professores sobre o autismoe o Atendimento Educacional Especializado voltado ao aluno com autismo.RESULTADOS E DISCUSSÃO DOS DADOS Começamos a apresentação dos resultados com a descrição dealgumas características dos participantes da pesquisa, que pode ser vista noquadro 1. Vale salientar que os nomes são fictícios para preservar a identidadedos sujeitos envolvidos nela. 2420
  6. 6. ISSN 1984-2279Quadro1. Características dos participantes da pesquisa Professor Formação Pós-graduação Tempo Alunos com Série Escola da SRM inicial de autismo atuação Eliana Letras Psicopedagogia Márcio Ens. infantil II A e Educação 3 anos Especial. Fernando Ens. A fundamental I Márcia Ens. B Sônia Psicologia Psicologia fundamental I Jurídica e 9 anos Anildo Ens. C Educação fundamental I Especial. Elton Ens. D fundamental I Samanta Pedagogia Psicopedagogia Ernesto Ens. infantil II E 4 meses Carlos Ens. infantil I E Kaldy Ens. infantil I E Dircel Ens. infantil I E Girlene Pedagogia Psicopedagogia 9 anos Antônio Ens. F fundamental I Nivaldo Ens. F fundamental I Em relação às escolas pesquisadas, pudemos ressaltar que todas elaseram de âmbito público e de nível municipal. Todas possuíam diversos alunoscom deficiência regularmente matriculados, entre eles os alunos com autismo.As escolas A e B possuíam uma sala de recursos multifuncionais, do tipo 1, epossuíam professores especializados que atuavam nessas salas no períodomatutino e vespertino. Por outro lado, as escolas C e D não possuíam SRM e,por isso o atendimento dos alunos com deficiência era realizado na escola B,pela professora Sônia. Todas as professoras possuíam formação em nível superior eespecialização na área, conforme a exigência da Política Nacional deEducação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva (BRASIL, 2008).Especificamente, todas tinham formação em nível de pós-graduação lato sensoem Psicopedagogia e Educação Especial. Dito isso, todas tiveram disciplinasem sua formação que tratavam sobre a Educação Especial e nestas disciplinashouve alguma menção sobre o autismo. Além disto, todas as professoras jáhaviam participado de cursos de pequena duração relacionados à temática doautismo. O tempo de atuação das professoras participantes nas SRMs era entrequatro meses e nove anos. Cabe ressaltar que a professora que estava há 4 2421
  7. 7. ISSN 1984-2279meses na SRMs atuava na rede pública de ensino havia cinco anos e possuíaem sua sala um aluno com autismo. Conforme a fala das professoras, todos os alunos com autismoatendidos por elas possuíam diagnóstico, participavam dos atendimentos daSRMs duas vezes por semana e complementavam esse atendimento comsessões com fonoaudiologia e terapia ocupacional. O aluno Ernesto, alémdestas intervenções, participava de sessões de equoterapia e Educação Física.Todos os alunos possuíam plano de atendimento individual e participavam deavaliações contínuas realizadas pelas professoras da SRM. Cabe aquiressaltar que os alunos Márcio, Antônio e Nivaldo possuíam auxiliar de salaexclusiva, disponibilizado pela secretaria municipal de ensino. Vejamos maisdetalhadamente os pontos de vista dos professores através das categorias aseguir.Entendimento dos professores sobre o autismo Ao buscar junto às professoras entrevistadas o entendimento que cadauma delas possuía sobre o autismo as respostas foram diversas, emboraapresentassem concepções similares entre si. Vejamos a seguir a opinião dasprofessoras: O autismo ainda é uma incógnita, porque cada criança autista tem muito mais individualidade do que uma criança que não tem autismo. Cada uma tem uma condição diferenciada, cada uma é uma caixinha de surpresa (Professora Eliana). Assim... o autismo é como se fosse uma caixinha de surpresa. Cada criança age de um jeito. O autista é uma pessoa normal, igual a todo mundo e ele tem os mesmos direitos, ele tem que ir para a sala de aula e só assim ele vai desenvolver a sua vida social, junto com outras crianças. E tem de ser tratada igual às outras crianças (Professora Samanta). No recorte da professora Samanta fica evidenciado que, independenteda criança possuir o autismo, ela tem os mesmos direitos que todos oscidadãos, inclusive de frequentarem a mesma escola, fato citado por diversosdocumentos legais (BRASIL, 1988; 1996; 2008). 2422
  8. 8. ISSN 1984-2279 Corroborando com os dispositivos legais, Cintra, Jesuino e Proença(2010) mencionam que a oportunidade de interação do aluno com autismo noambiente escolar é a base para o seu desenvolvimento, como para o dequalquer outra criança. Ao buscar junto às professoras entrevistas a definição do autismo, elasrecorreram as suas concepções pessoais, inclusive relataram sobre a nãoexistência de uma “cura” para o autismo. Vejamos o que elas nos dizem: Eu definiria como uma doença da alma, um transtorno da alma porque existe algum motivo daquela criança estar vivendo em outro mundo, né? Pode não ser o motivo aparente, pode ser uma família totalmente estruturada, mas existe algum motivo. Tanto é que a medicina tenta encontrar alguma coisa genética, de disfunção biológica, química e não consegue encontrar (Professora Eliana). O autismo é a criança estar no mundinho dela e aos poucos com a ajuda de todos, ele vai acordando e enxergando o mundo da gente, vai deixando o mundinho dele de lado e vindo para o da gente. O autismo pra mim é isso, porque é uma síndrome que até hoje não tem cura, mas que com um bom tratamento com pessoas especializadas o autista consegue desenvolver assim uma vida social, tendo o apoio tanto da família como de profissionais multifuncionais (Professora Samanta). De fato, o atendimento junto às crianças com autismo deve ter umcaráter multidisciplinar, isto é, ser realizado por vários profissionaisespecializados, com cada caso sendo avaliado de forma particularizada,tentando identificar suas necessidades e potencialidades, estimulando ashabilidades presentes em cada criança, objetivando combater oscomportamentos indesejáveis e mal adaptados que interferem nodesenvolvimento da criança com autismo (BANDIM, 2010). Em relação à questão da caracterização da criança com autismo, asprofessoras apontaram para um ou mais dos aspectos que compõe a tríadeque caracteriza o individuo com autismo, conforme Kanner e Asperger, citadospor Belisário Filho (2010), citaram em seus estudos. Tais menções podem serobservadas abaixo: O autismo é um transtorno global do desenvolvimento. É uma criança com muita dificuldade de interação, de comunicação e eu acho que isso é o que mais dificulta. Geralmente ele vem 2423
  9. 9. ISSN 1984-2279 associado há outras coisas, hiperatividade (Professora Girlene). O autismo segundo a parte teórica é aquela criança que tem dificuldade na comunicação, no contato com a realidade, mas ou menos isso. É um aluno igual a qualquer outro (Professora Sônia). Tem as características dos autistas, que é o olhar que eles não conseguem olhar. Não tem aquela interação com a família, principalmente com a mãe e aos poucos é o isolamento, querer ficar sempre sozinho, se apegar a um brinquedo só. Não usar aquele brinquedo como deveria ser usado, também gestos sempre repetitivos, é isso (Professora Samanta). Os indivíduos com autismo apresentam limitações significativas natríade: área social, de comunicação, presença de comportamento incomum erepetitivo (LAMPREIA, 2008). Geralmente, eles apresentam dificuldade com ocontato visual, uso de gestos e expressões faciais na comunicação, brincarcom outros e fazer amizades, dificuldades de linguagem e comunicação e odesenvolvimento precário da imaginação também são característicasessenciais. Apresenta ainda atraso no desenvolvimento da linguagem, sendoque as crianças que desenvolveram a linguagem apresentam problemas parainiciar e manter o diálogo e a tendência de entender tudo literalmente, bemcomo se utilizam da linguagem incomum, estranha ou a usa repetitivamente(WILLIAMS, 2008). Ainda sobre as características do autismo, Bandim (2010) relata que ocomprometimento na interação social na criança com autismo é amplo epersistente, sendo um dos aspectos chave na caracterização do autismo, emrelação aos movimentos incomum e repetitivo, seriam as repetiçõesautomáticas e uniformes de determinado ato motor complexo, pode atingir,áreas como a mímica, gestos e linguagem.O Atendimento Educacional Especializado voltado ao aluno com autismo O atendimento educacional especializado para os alunos com autismodeve funcionar de forma complementar, garantindo apoio a estes alunos,principalmente com atividades desenvolvidas dentro da SRM (BRASIL, 2008). 2424
  10. 10. ISSN 1984-2279A intervenção das professoras parecia se orientar nesta mesma perspectiva,conforme podemos ver: O AEE para mim é o complemento e suplemento para que aquele menino [que tem autismo] não fique em desvantagem. Porque [aluno] tem o déficit, mas aí eu vou trabalhar com ele, para que ele assim não fique em defasagem com o outro aluno (Professora Sônia). Além disso, o AEE é percebido como um grande desafio pelasprofessoras que enfatizam a particularidade do aluno com autismo: Eu acho que o autismo no AEE é o maior desafio, porque não tem receita nenhuma para a criança com autismo. Então para mim está em construção, porque não tem receita, diferente do de baixa visão, porque aí você tem receita, eu vou trabalhar com lente, com isso... No autismo não tem. Então, com o que eu vou trabalhar? Que instrumento eu tenho? Eu acho que a gente tá formando o laboratório, criando um instrumento para trabalhar com eles (Professora Eliana). Estes questionamentos da professora Eliana podem ser compreendidospelo recente ingresso do aluno com autismo no ambiente da escola regular emesmo pelas muitas interrogações ainda existentes em relação ao próprioautismo. Silva (2010) salienta que muitos professores ainda enfrentam diversasdificuldades em lidar com os alunos com autismo, devido à necessidade demodificar determinados atos educativos, uma vez que o aluno com autismorequer da escola e dos professores a adoção de novas práticas pedagógicas. O AEE, segundo Cintra, Jesuino e Proença (2010), se constitui em umconjunto de procedimentos específicos, que auxiliam no processo de ensino eaprendizagem do aluno, principalmente o aluno com autismo que necessita dediversos procedimentos para que assim ele alcance a aprendizagem eficaz. Durante a entrevista buscamos desvelar como acontece o AEE nasescolas em que trabalhavam as professoras entrevistadas. Todas asprofessoras indicaram que o atendimento destes alunos era realizado duasvezes por semana. A professora Sônia e Eliana realizavam estes atendimentosem duplas, no contraturno, junto com alunos com deficiência intelectual,enquanto que as professoras Samanta e Girlene atendiam a seus alunossempre de forma individual e no contraturno. Vejamos como ocorrem estesatendimentos no fragmento abaixo: 2425
  11. 11. ISSN 1984-2279 A gente [professoras do AEE] faz assim: a anamnese primeiro, que é a história de vida com a mãe ou algum responsável, depois faz uma avaliação, depois dessa avaliação a gente procura saber com a mãe se ele já faz alguma atividade em alguma instituição e faz o plano de atendimento. Eu, no caso, faço um relatório escrito e entrego aos professores [...] e peço um relatório para eles me contarem como é essa criança na sala dele. Daí eu recolho e olho para descobrir alguma habilidade para que eu possa explorar aqui na minha sala. Também procuro a família para conhecer. Eu sempre fico buscando algo que a criança tem de potencial (Professora Sônia). Além da professora Sônia, as outras professoras realizavam também aanamnese, avaliação e a busca por parceria com os familiares do aluno comautismo, buscando, desta forma, melhorar a interação e auxiliar no processo deaprendizagem deste aluno. Silva (2010) considera que é através da parceria,entre a família e a escola que o processo de aprendizagem se consolida,auxiliando assim a eliminação de barreiras para efetivo desenvolvimento destealuno. As professoras Eliana e Samanta explicitaram sobre o AEE em seusambientes profissionais: O atendimento para o Fernando é todo de estimulo de aprendizagem. O Fernando está completamente inserido na escola, então ele participa das aulas, das apresentações da escola [...] apesar dele não ter oralidade. Ele faz tudo muito direitinho e você nota a felicidade dele (Professora Eliana). Cada aluno tem um plano diferente, pois cada um tem necessidades diferentes, aí eu vou ver as necessidades de cada um e as potencialidades. O André mal sabia escrever, conhecia todas as letras, mas não escrevia, então eu fui trabalhando com isso, estimulando com jogos e ele está escrevendo e lendo. Já o outro não escreve aí eu fiz trabalho com coordenação, principalmente a questão do limite e agora ele já está tirando [copiando] do quadro (Professora Girlene). O atendimento eu estou trabalhando mais a parte psicomotora deles, com jogos, com vídeos e computador, trabalhando também no pátio, porque o autista tem de ter interação com outros alunos, aí vou para o pátio e faço atividades físicas com eles (Professora Samanta). Conforme observamos, o AEE ocorre de formas diferenciadas, semprede acordo com as necessidades de cada aluno, com atividadescomplementares, auxiliando assim no processo de ensino aprendizagem. 2426
  12. 12. ISSN 1984-2279Stainback et al (1999) expõem que a aprendizagem necessita serindividualizada de acordo com as necessidades, interesses, habilidades ecompetências singulares de cada aluno, inclusive para aqueles que possuemalguma deficiência, proporcionando assim meios para a sua permanência comqualidade no sistema educacional. Cintra, Jesuino e Proença (2010)mencionam que para atuar neste campo o professor tem a responsabilidade deelaborar estratégias pedagógicas e disponibilizar recursos que favoreçam oacesso ao currículo comum, bem como auxiliar na interação destes alunosjunto à comunidade escolar, visando o desenvolvimento da autonomia destesalunos. Quanto às ações realizadas pelas professoras no AEE, procuramosconhecer como elas percebiam a ação pedagógica com alunos com autismo. Atotalidade delas relatou os desafios de se trabalhar com esses alunos, querseja em relação à dificuldade em lidar com eles por contas de suasparticularidades, como também em relação às professoras da sala de aula.Outro ponto levantado por todas as professoras foi a questão do absentismodo aluno, tanto na escola, como também no AEE. Vejamos nos recortes aseguir: Eu acho assim belo, mas eu acho que poderia ser melhor se tivesse assim uma assiduidade dos alunos, das atividades, se eles frequentassem mais a escola, eu não sei como ele se comporta na outra escola, como ele interage (Professora Sônia). A presença dos alunos com autismo no ambiente escolar tornounecessárias diversas modificações, como, por exemplo, a relação dosprofessores da sala de aula comum e a do AEE, entre outras. Veltrone eMendes (2011) afirmam que a permanência destes alunos na escola regularexige a união entre escola, família e o AEE, pois é através dessas parceriasque se faz possível um atendimento de qualidade voltado para esses alunos. Oautismo é um desafio, compreendê-lo exige observação constante,aprendizagens contínuas e, parcerias comprometidas com o desenvolvimentoeducacional eficaz desses alunos. 2427
  13. 13. ISSN 1984-2279CONSIDERAÇÕES FINAIS No decorrer dessa pesquisa foi possível observar que as professorasentrevistadas possuíam conhecimentos atuais sobre o autismo. Todas asprofessoras demonstraram que a escola regular é a base para odesenvolvimento dessas crianças. Em se tratando do AEE e do aluno com autismo, as professorasmencionaram ser um desafio atuar junto a esses alunos. Havia barreiras nocontexto educativo, contudo estes estavam sendo rompidos e os alunos comautismo cotidianamente estavam conseguindo realizar progressos e estesinstigavam a realização de um trabalho cada vez melhor. O AEE junto a essesalunos ocorria de forma diferenciada para cada aluno, visando ampliar aspotencialidades individuais, auxiliando no processo de ensino aprendizagem. Para melhorar o AEE, as professoras mencionaram a necessidade deuma equipe multidisciplinar, bem como a existência de uma parceria entre oAEE, escola e família, pois é através dessa união que os alunos com autismopoderão construir aprendizados reais voltados para a sua independência navida. O atendimento educacional especializado se constitui como mais umaferramenta para auxiliar no desenvolvimento acadêmico dos alunos comautismo, uma vez que esses têm direito a receber uma educação de qualidadeem ambientes acolhedores que promovam não apenas o aprendizado para avida estudantil, mas para toda a vida.REFERÊNCIASANGROSINO, M. Etnografia e observação participante. Porto Alegre:ARTMED, 2009.BANDIM, J. M. Autismo: uma abordagem prática. Recife: Bragaço, 2010.BELISÁRIO FILHO, J. F. A Educação Especial na Perspectiva da InclusãoEscolar: transtornos globais do desenvolvimento. Brasília: Ministério daEducação, Secretaria de Educação Especial, 2010.BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: ImprensaOficial, 1988. 2428
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