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Prosa e verso

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Prosa e verso

  1. 1. teoria da literaturaProsa e verso Manoel Neves
  2. 2. A PROSA aspectos técnicosEstruturado em parágrafos [linhas regulares q vão até o final da margem direita], o texto emprosa é linear, evolutivo, e, a priori, exige preocupação maior c/ o sentido e não c/ a forma. O CANGURU BRANCO, Oswaldo França Júnior Como todos aqui têm suas raridades eu, para não me sentir diferente, peguei minha fortuna e comprei uma raridade. Fui comprá-la longe, na Austrália. E agora sou igual a todos, também tenho a minha raridade. Comprei um canguru branco. Não serve para nada, não faz nada, mas é uma raridade. É um canguru branco. E muitos me invejam e admiram.
  3. 3. O VERSO aspectos técnicosEstruturado em linhas irregulares que não vão até o final da página, o verso pode articular poemas épicos poemas q contam histórias [poemas épicos] e q apresentam os mesmos elementos que anarrativa [narrador, personagem, tempo, espaço, enredo]: O desertor, Morte e vida severina poemas líricos poemas centrados em torno da subjetividade de um eu e que apresentam comentários, sentimentos, emoções ou mesmo fazem reflexão sobre o próprio fazer poético.
  4. 4. O POEMA ÉPICO prosa e versoE foi assim que o operárioDo edifício em construçãoQue sempre dizia simComeçou a dizer não.E aprendeu a notar coisasA que não dava atenção:Notou que sua marmitaEra o prato do patrãoQue sua cerveja pretaEra o uísque do patrãoQue seu macacão de zuarteEra o terno do patrãoQue o casebre onde moravaEra a mansão do patrãoQue seus dois pés andarilhosEram as rodas do patrãoQue a dureza do seu diaEra a noite do patrãoQue sua imensa fadigaEra amiga do patrão.
  5. 5. POESIA E EXPRESSIVIDADE aspectos técnicosnem todos poemas líricos falam de sentimentos ou emoções poético prosaico belo cotidiano especial comum incomum dia-a-dia
  6. 6. POESIA E EXPRESSIVIDADE poético ou prosaico ANTIODE, João Cabral de Melo Neto Poesia, te escrevia flor Sabendo que és fezes Fezes como um cogumelo qualquer Nascendo em nossa boca MERDA E OURO, Paulo Leminski Merda é veneno. No entanto, não há nada que seja mais bonito que uma bela cagada. Cagam ricos, cagam padres, cagam reis e cagam fadas. Não há merda que se compare à bosta da pessoa amada. LEITURA SILENCIOSA, José Américo Miranda Já li seu corpo Com os olhos Agora quero lê-lo Em braile.
  7. 7. O LIRISMO aspectos técnicosconsiste na revelação da subjetividade, do sentimento, da emoção; pode ser social filosófico amoroso metalinguístico política mundo amor poemasociedade morte amado[a] verso história homem afetividade estrofeeconomia vida sentimento amoroso fazer poético
  8. 8. POESIA E EXPRESSIVIDADE espécies de lirismo RONDÓ DA RONDA NOTURNA, Ricardo Aleixo
  9. 9. POESIA E EXPRESSIVIDADE espécies de lirismo DESENCANTO, Manuel Bandeira Eu faço versos como quem chora De desalento... de desencanto... Fecha meu livro, se por agora Não tens motivo nenhum de pranto. Meu verso é sangue. Volúpia ardente... Tristeza esparsa... remorso vão... Dói-me nas veias. Amargo e quente, Cai, gota a gota, do coração. E nestes versos de angústia rouca Assim dos lábios a vida corre, Deixando um acre sabor na boca. – Eu faço versos como quem morre.
  10. 10. POESIA E EXPRESSIVIDADE espécies de lirismo O SEU OLHAR, Arnaldo Antunes
  11. 11. POESIA E EXPRESSIVIDADE espécies de lirismo SEM TÍTULO, Augusto de Campos
  12. 12. POESIA E EXPRESSIVIDADE espécies de lirismo PESSOA, Arnaldo AntunesCoisa que acaba. Troço que tem fim. Sujeito. Que não dura, que se extingue. Míngua.Negócio finito, que finda. Festa que termina. Coisa que passa, se apaga, fina. Pessoa. Troçoque definha. Que será cinzas. Que o chão devora. Fogo que o vento assopra. Bolha queestoura. Sujeito. Líquido que evapora. Lixo que se joga fora. Coisa que não sobra, soçobra,vai embora. Que nada fixa. A foto amarela o filme queima embolora a memória falha opapel se rasga se perde não se repete. Pessoa. Pedaço de perda. Coisa que cessa, fenece,apodrece. Fome que se sacia. Negócio que some, que se consome. Sujeito. Água que o solseca, que a terra bebe. Algo que morre, falece, desaparece. Cara, bicho, objeto. Nome quese esquece.
  13. 13. POESIA E EXPRESSIVIDADE espécies de lirismo ALÇAR AS NUVENS, Manoel Neves alçar as nuvens soprar segredos nos teus cabelos alçar as nuvens levar brinquedos pros teus desejos alçar as nuvens soltar os elos deste meu medo alçar as nuvens dizer teu nome no meu degredo
  14. 14. A PROSA POÉTICA prosa e verso parágrafo lirismo figuras de ling. ORIENTAÇÃO, Guimarães Rosa [fragmento]Ora, casaram-se. Com festa, a comedida comédia: noiva e noivo e bolo. O par – ocompimpo – til no i, pingo no a, o que de ambos, parecidos como uma rapadura e umaescada. Ele, gravata no pescoço, aos pimpolins de gato, feliz como um assovio. Ela,pomposa, ovante feito galinha que pôs. Só não se davam o braço. No que não, o mundonão movendo-se, em sua válida intraduzibilidade.Nem se soube o que se passaram, depois, nesse rio-acima. Lolalita dona-de-casa, depanelas, leque e badulaques, num oco. Quim, o novo-casado, de mesuras sem cura, comesquisitâncias e coisinhezas, lunático-de-mel, ainda mais felizquim. Deu a ela um quimãode baeta, lenço bordado, peça de seda, os chinelinhos de pano.

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