Análise Crítica - O Pequeno Príncipe

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Análise Crítica - O Pequeno Príncipe

  1. 1. Maria Luísa Santos Teixeira – 2º BA 2014 A obra “Le Petit Prince” ou “O Pequeno Príncipe”, como é conhecido no Brasil, foi escrito pelo francês Antoine de Saint-Exupéry e publicado nos Estados Unidos em 1943. Foi traduzida em mais de 160 línguas e dialetos diferentes, sendo o terceiro livro mais traduzido do mundo. O autor além de escrevê-lo, ilustrou-o com figuras que lembram desenhos infantis devido a pouca técnica, porém graciosas e bem proporcionadas. O livro narra a história contada em primeira pessoa por um piloto de aviões que diz ter a brilhante carreira de pintor desestimulada quando criança. Mesmo adulto, ele permanece ainda frustrado com a incompreensão das “pessoas grandes”, e quando conhece alguém que lhe pareça um pouco lúcido mostra- lhe um de seus desenhos pueris de uma jiboia que acabara de engolir um elefante, para que esta lhe diga o que vê, mas sempre obtém a mesma resposta: um esboço mal feito de um chapéu. Então conta que nunca conhecera um verdadeiro amigo com quem pudesse conversar de fato até que seu avião entrou em pane no deserto do Saara e no dia seguinte fora acordado com a vozinha do pequeno príncipe. Com certeza levou um susto. Como um garotinho poderia aparecer do nada no meio do
  2. 2. deserto? A primeira coisa que ele fez foi pedir ao piloto que lhe desenhasse um carneiro. Mas convencido de que não sabia desenhar, refez o elefante numa jiboia. E para sua surpresa e garotinho entendeu o verdadeiro significado do desenho, o que lhe causou logo grande admiração pela pessoinha. Passaram pouco mais de uma semana conversando. O principezinho revelou pouco a pouco a sua história e o narrador percebeu que ele não era deste planeta, que era um menino questionador, que nunca renunciava a pergunta uma vez que a tivesse feito, que vivia a essência das coisas e que não entendia os adultos. O principezinho conta que morava num planeta pequenino, com três vulcões sendo um deles inativo, infestado por terríveis sementes de baobás que ameaçavam crescer e destruir seu planeta com suas raízes profundas. Havia também uma rosa muito vaidosa e orgulhosa. O pequeno príncipe resolveu deixar seu planeta e nessa viagem conheceu várias pessoas se deparando com ocupações e atitudes fúteis. O primeiro planeta era habitado por um rei que insistia em querer dar ordens e não tolerava indisciplina, vivia num pequeno planeta e não tinha súdito nenhum. O segundo era habitado por um vaidoso que só ouvia elogios. No terceiro, vivia um bêbado que bebia cada vez mais para esquecer sua vergonha por beber. No quarto havia um homem de negócios sério, que se preocupava apenas com sua riqueza. No quinto morava um acendedor de lampiões que seguia a risca o regulamento e não podia nunca abandonar seu posto visto que seu planeta girava cada vez mais rápido e os dias estavam cada vez mais curtos. No sexto trabalhava um geógrafo que dizia ser importante por descrever o mundo, mas na verdade nada sabia, pois não saía para explorar, apenas esperava para que contassem a ele o que viram. O sétimo planeta foi a Terra, onde conheceu uma serpente, que lhe fala que também há solidão quando se está em meio aos homens, uma raposa que lhe ensina o poder da amizade, e por fim o piloto. O fim do livro se dá com a “morte” do pequeno príncipe pela picada da serpente, que não é uma morte de fato visto que, segundo ele, apenas está abandonando seu corpo pesado para poder voltar ao seu planeta. O piloto nunca mais o vê, até mesmo seu corpo desaparece, fica triste quando ele parte, mas aprendeu a apreciar o fato de tê-lo conhecido pelos ensinamentos e pela amizade que lhe proporcionou. A obra se trata de uma crítica aos valores da sociedade e é impressionante o quanto ela consegue ser atemporal, pois mesmo sendo publicada em 1943 até hoje podemos nos identificar e considera-la muito atual. O pequeno príncipe ensina e aprende durante todo o enredo. Ele questiona a ganância, os vícios, a vaidade, egoísmo, solidão, a necessidade exagerada da economia de tempo para alimentar estas más atitudes, o esquecimento da importância de se criar laços, construir amizades, cultivar o amor e o respeito.
  3. 3. Logo no início, quando as “pessoas grandes” desencorajam o narrador a seguir a carreira artística, há uma crítica sobre a impossibilidade dos adultos de sonharem, de verem além. Critica a preocupação das pessoas com os números e suas visões superficiais em relação ás outras pessoas, dando créditos ás aparências sem nem mesmo considerar seu interior. Conta-se também sobre o drama dos baobás. Esta pode ser considerada uma referência para os maus (sentimentos ou pensamentos ruins) que infestam nosso meio e nosso ser, mas cabe a nós não permitir que eles cresçam e se desenvolvam para não acabar destruindo o nosso mundo. Daí a necessidade de sempre se cortar o mal pela raiz, no caso, os baobás, assim que ele se faça reconhecer, pois quando ele crescer será mais difícil se livrar dele. Assim como esta árvore, se os maus não forem eliminados podem perfurar o nosso coração com suas raízes profundas. Estes maus podem ainda por cima ser um dos muitos maus hábitos que os adultos adquirem tão citados no livro. A relação entre a rosa e o principezinho representa uma amizade. O menino se dedicava com amor á sua rosa mas ela era orgulhosa demais para retribuí-lo. E só teve coragem para fazê-lo quando este ficou entristecido por ser ignorado, duvidou dos sentimentos da rosa e decidiu partir. É um recado para o leitor: não tenha vergonha de amar, antes que seja tarde demais. Mas pequeno príncipe também reconheceu seu erro. Conta que levara a sério demais as palavras duras e frias da rosa, e desconsiderou as suas atitudes, pois a for perfumava todo o seu planeta e o iluminava. Desconheceu que a rosa o amava, mas sua vaidade era grande demais para se declarar. Em relação ás pessoas dos planetas, o rei representaria a necessidade das pessoas de se sentirem superiores ou de dar ordens e ser obedecido, mesmo não tendo de fato poder sobre ninguém. O vaidoso representa as pessoas que só veem a si mesmas e precisam ouvir das outras pessoas que são belas, admiráveis. O bêbado descreve os vícios e facilidade com que as pessoas se entregam a eles, tendo as vezes vergonha de tê-los mas nem mesmo tenta eliminá-los. O homem de negócios seria a ganância, a exaltação da riqueza, e ás vezes nem há um motivo relevante para se cultivar tanto dinheiro, o que faz as pessoas se perderem nunca interminável por mais do que já possui, se esquecendo da própria vida. O acendedor poderia representar que o mundo muda, mas as regras, os costumes e os pensamentos não o acompanham com a mesma rapidez, o que causa a opressão de alguns grupos de indivíduos que ficam presos numa sociedade com pensamentos antiquados, sem poder exercer seus direitos e ser respeitado. O geógrafo se dizia conhecedor do universo mas nada sabia pois seu conhecimento dependia das outras pessoas, não era de seu feitio sair para explorar mas sim depender das outras pessoas Na Terra, conhece a raposa e esta conta-lhe como se cativa alguém. É algo puro, inocente, quase sem intenção, o tempo que você gastou com a pessoa a
  4. 4. torna especial. E então cresce a necessidade um do outro e as coisas ao redor começam a ganhar um significado único além do que se vê. A raposa ensina- lhe que o essencial é invisível aos olhos e que das várias rosas que o príncipe viu num jardim, nenhuma era igual a sua rosa, porque eles cativaram um ao outro. E assim como as rosas, há bilhões de pessoas no mundo mas poucos são nossos verdadeiros amigos e todos eles são únicos e peculiares. No entanto, as pessoas se esqueceram das amizades, tratam-nas como sem importância e facilmente substituíveis. Outro ponto que acho incrível neste livro é como ele é para todas as idades. Eu o li quando criança, mas para mim era apenas a história de um garoto que morava em um pequeno planeta e um dia resolveu se aventurar. Hoje percebo o quão rico de ensinamentos ele é. Demonstra de que não é preciso muito para ser feliz e a importância de darmos valor ás coisas do dia a dia, que se tornaram comuns e que nos passam despercebidas. Fala de como é necessário não perdermos a criança que há dentro de nós, pois são elas que podem ver com o coração. Ao mesmo tempo questiona os valores atuais, porque deixamos de lado o verdadeiro caminho da felicidade e se a chamada “maturidade” é um avanço ou um retrocesso. Se trata de um livro infantil com metáforas para adultos e tem alto teor filosófico e poético. É com toda a certeza uma ótima leitura para todos os públicos.

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