Cap 2

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Cap 2

  1. 1. Folhas deOUTONO Aquela questão me corroia pordentro, sei que era uma menina deapenas seis anos, e nem deveria mepreocupar com tal coisa, às vezes,tentava me distrair com as bonecas depano que havia ganhado de IrmãCaridade, uma bondosa freira de nossacidade, que havia recebido tal nome porajudar os menos favorecidos, como eu.
  2. 2. Folhas deOUTONOMas só de pensar que, enquanto minhamãe estava lá, trabalhando como se fosseuma pobre escrava no século XVIII, emtroca de míseras migalhas de pão, e eu,me divertindo, distraindo-me em meuquarto, uma grande sensação de culpatomava meu pequeno coração.
  3. 3. Folhas deOUTONOÁs vezes escapava de casa enquantominha mãe estava a trabalhar, para ircolher alguns grãos de café na pequenachácara de um velho coronel nazista,sobrevivente da segunda guerra mundial -ele se gabava por ter atuado ao lado deAdolf Hitler, na horrível perseguição aosjudeus – Lembro-me que aos finais dastardes, quando o sol deixava o céusomente para o brilho da lua, o senhorcoronel tocava um pequeno sino de prata- que o acompanhava desde os temposde guerra
  4. 4. Folhas deOUTONO– e todos nós pegávamos nossospequenos cestos de palha, cheios degrãos de café, e corríamos rumo a ele,nos enfileirávamos, um ao lado do outro.O senhor passava recolhendo o fruto denosso trabalho e nos recompensandocom míseras moedas, eu sempre soubeque aquilo era uma forma de exploração,mas era a única forma de arranjar algunstrocados e poder ajudar minha pobremãe.
  5. 5. Folhas deOUTONO Já era noite quando retornava àminha casa, o cair das folhas secas e osedutor brilho da lua eram minhas únicascompanhias. Ao chegar a casa, vestiaminhas pequenas luvas de lã, paraesconder as mãos calejadas, sujas emachucadas, causada pelo exaustivotrabalho no campo. Após o jantar, meisolava em meu quarto, e observava deminha janela, as folhas alaranjadas esecas das arvores canadenses caírem atéatingirem o solo,
  6. 6. Folhas deOUTONO Ao perceber que minha mãe jáestava a dormir, seguia até a cozinha ecolocava minhas poucas moedas ganhasdo coronel, em um pequeno vasilhame dealumínio, onde minha mãe guardavanossas poucas economias.
  7. 7. Folhas deOUTONO Sei que aquelas míseras moedasnão ajudariam relativamente em nada,mas só de pensar que havia ajudadominha pobre mãe, já me possibilitavasentir a maravilhosa sensação deencostar a cabeça em meu travesseiro eter um sono tranqüilo, fruto da limpaconsciência.
  8. 8. Folhas deOUTONO O sol nasce e seus luminososraios de luz tomam conta do céu, osmesmos atravessam as folhas dasarvores canadenses, atingindo emseguida minha janela, que sem cortina,possibilita a luz atingir intensamente meuquarto, que em poucos segundos, ficatotalmente alaranjado, era algo lindo paramim.
  9. 9. Folhas deOUTONO Estava pronta para seguir até aescola, mas na saída encontro minhamãe, chorando sobre a mesa, tentodescobrir o porquê, perguntando-a omotivo de sua angústia – algo obvio, poismal tínhamos algo para comer – ela tentadisfarçar virando seu rosto para aesquerda, e com um sinuoso gesto, secasuas lagrimas, não respondendo minhainconveniente pergunta.
  10. 10. Folhas deOUTONOApesar da difícil situação quepassávamos, nunca havia visto minhamãe chorando, pelo contrario, ela estavasempre forte, remando contra a maré, quede uma forma ou outra, nos engoliria embreve. O que estava acontecendo? Era oque eu também queria saber, às vezesme assustava com o meu próprio “jeitoadulto” de pensar, culpa da vida, pois aque nós levávamos, não permitia pensarcomo uma menininha de seis anos.
  11. 11. ©2013 Portal Machado de

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