Cap 5

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Cap 5

  1. 1. Folhas deOUTONO A viagem continuava e a cadaminuto nossa angústia aumentava. Nãosabíamos o que seria de nós, isso nosdava uma sensação de impotência, nãopodíamos fazer nada para reverter àsituação. Passaram-se vários dias, nãosabíamos quantos, pois estávamos semnoção de tempo naquele lugar, a cadadia, mais pessoas morriam entrenós, aquela situação já estava sufocante.
  2. 2. Folhas deOUTONO O navio finalmente atraca, umaleve e falsa sensação de alivio tomavameu coração, aquela terrível viagem haviaterminado, mas nosso desconhecido etemido futuro havia apenas começando. A porta então é aberta por umhomem franzino e de aparência ruim, eleordena para que nós saiamos do navio,repleto de cadáveres.
  3. 3. Folhas deOUTONO Prontamente, obedecemos àordem daquele desconhecido, saímosdaquele navio, e ficamos a espera denovas ordens. Minha mãe estavavisivelmente abalada, seu olhar estavafixo no nada, parecia estar morta, secapor dentro. Lágrimas salgadas saiam deseus olhos e escorriam por seu angelicalrosto, terminando no chãodesconhecido, já eu, estava tãoassustada, sentindo-me como um bichodo mato, acuado na presença deestranhos.
  4. 4. Folhas deOUTONO Após uma longa espera, vimosno horizonte, um velho e desgastadocaminhão seguir em nossa direção, ohomem franzino então acena, para indicarnossa localização. Não demora muito para que ocaminhão chegue até nós, ele estaciona abeira da praia e dele sai um homem alto ebastante encorpado, com um chapéu parase proteger do sol.
  5. 5. Folhas deOUTONO _São eles Riam? – Perguntoucom um estranho sotaque ao homemesguio, se referindo a nós. _Sim, estes são os quesobreviveram – Respondesuavemente, como um empregadorespondendo a seu patrão – O quefazemos com os que não resistiram? –Perguntou Riam
  6. 6. Folhas deOUTONO Jogue no mar, ninguém daráfalta – Disse friamente o homem, como seaquelas vidas perdidas não valessemnada Após o dialogo, Riam entãocomeça a árdua tarefa de descartardezenas de cadáveres, os jogando nomar. O robusto homem de sotaqueestranho nos ordena a entrar em seuveículo, e seguimos viagem.
  7. 7. Folhas deOUTONO Todos estão perplexos eparalisados com o que estavaacontecendo, eu era a única criança emmeio a todos. Desde que havíamoschegado minha mãe não pronunciaranenhuma única palavra, sua facepermanecia a mesma, seu olhar ainda seencontrava fixo no nada, algo assustadorpara mim.
  8. 8. Folhas deOUTONO Após cerca de quarenta minutosde viagem, chegamos a uma grandefazenda, rodeada por cafezais. Descemosdo veículo e somos enfileiradas pelorobusto homem, que nos ordena queficássemos ali, paradas, ele então seguerumo a uma grande casa, que ficava aocentro da enorme plantação.
  9. 9. Folhas deOUTONO O sol forte e escaldante indicavaque o inverno já havia terminado, aocontrario de nossa angústia, queaumentava a cada milésimo de segundo.Não demora muito e o homem volta, comum grande saco em suas mãos, repletode panos velhos _Vamos, vistam isto – Nosordena, obedecemos prontamente. Apósisso, ele chama a um homem negro, fortee alto, que usava os mesmos panosvelhos que nós acabávamos de vestir
  10. 10. Folhas deOUTONO _Levem-nos e ensine o trabalho– Ordena _Sim Sr. Mackenzie – Respondeo escravo _Espere! – Ordena novamente osenhor Mackenzie – Qual é seu nome? –Questiona, direcionando a pergunta paraminha mãe
  11. 11. Folhas deOUTONO _Susan, Susan McCraine –Responde, com a voz trêmula _Esta não, ela permaneceráaqui, será minha! – Ordena Mackenzie aseu súdito _Sim senhor – Responde oescravo
  12. 12. Folhas deOUTONO _Susan, Susan McCraine –Responde, com a voz trêmula _Esta não, ela permaneceráaqui, será minha! – Ordena Mackenzie aseu súdito _Sim senhor – Responde oescravo
  13. 13. Folhas deOUTONO No mesmo momento, odesespero toma conta de minha alma, oque seria de minha mãe nas mãosdaquele tenebroso homem? Tentoimpedir, corro em direção ao horrívelhomem, e tento golpeá-lo com socos epontapés, mas de nada adianta, pois eraapenas uma garotinha de seis anos.
  14. 14. Folhas deOUTONOEle então me golpeia com um rápido tapaem meu rosto, me jogando ao chão nomesmo instante. O que mais me chamoua atenção, foi o desprezo que minha mãedeu a situação, permaneceu a parte detudo, não se impôs e nem medefendeu, eu estava ali, caída nochão, esperando por uma ação dela, quenão aconteceu, talvez ela tenhaenlouquecido com o que estavaocorrendo, era o mais provável.
  15. 15. Folhas deOUTONO O escravo então me pega pelosbraços e me leva rumo aosoutros, seguimos então até os cafezais. _Você não poderia ter feitoaquilo – Me alertou o escravo, logo apósse apresentar como Rasul, um pobreafricano que foi contrabandeado assimcomo a mim e a todos os presentes –Aqui, são eles que mandão, e nós queacatamos.
  16. 16. Folhas deOUTONO _O que é isso? Onde estou? –Pergunto, ainda com os olhos cheios deágua _Estamos no sul da Irlanda, elesnos sequestram e nos trazem aquiilegalmente, para trabalharmos noscafezais – Disse Rasul – É lucrativo paraeles, que economizam com a mão deobra utilizando o tráfico humano – Explicanovamente Rasul
  17. 17. Folhas deOUTONO O que deveria fazer? Submeter-me ou lutar para me ver livre daquelesaproveitadores? Meu único momento derebeldia rendeu uma terrívelsituação, meu rosto ainda se encontravadolorido com a bofetada que levara háalguns minutos atrás, a única forma deainda me ver com vida, era recorrer àsubmissão. Começo então a trabalhar noscafezais, aquilo não era novo paramim, confesso que a experiência detrabalhar na pequena plantação do senhorcoronel me ajudara muito.
  18. 18. Folhas deOUTONO O que poderia fazer? Nada, essaera a única e absoluta resposta para estaquestão, o que o destino guardava paramim? Era o que temia, pois este jámostrou não ser meu amigo.
  19. 19. ©2013 Portal Machado de

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