Cap 1

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Cap 1

  1. 1. Folhas deOUTONO Era outono, as folhas caíam dasarvores, amareladas, já sem vida, algo decerta forma charmoso para mim. O ventofrio que soprava do oeste nos obrigava ausar os mais pesados agasalhos. Otempo já se fechava, trovões anunciavama tempestade. Não demora muito e osprimeiros pingos de chuva tocam o asfaltoque fora colocado a menos de seismeses, as pessoas correm desesperadasa procura de um abrigo.
  2. 2. Folhas deOUTONO Minha mãe acabara de mebuscar da escola, estávamos indo paracasa quando a chuva se intensificou,lembro-me de minha mãe me pegando nocolo e correndo em meio à chuva, elatentava me proteger com seu casaco, nãoqueria que eu ficasse doente.
  3. 3. Folhas deOUTONO O amor que sentíamos uma pelaoutra era maior do que um amor de mãepara filha, ou vice-versa, era algo tãobonito, tão intenso. Ela era linda, cabeloscastanhos e levemente cacheados, olhosesverdeados como esmeraldas, o sorrisoera tão lindo, parecia tocar minha alma, eseu rosto, angelical. Morávamos sozinhasem uma precária cabana de sapê, quefora construída por meu próprio pai, anosantes de morrer, não tínhamos muitascoisas, na verdade, apenas doiscolchonetes e alguns cobertores para nosprotegermos nas noites de inverno.
  4. 4. Folhas deOUTONO Minha mãe era uma mulherbatalhadora, incansável, mas eu sentiaque ela estava perdendo a batalha contraa nossa difícil vida. Ela trabalhava emuma pequena cantina italiana, comogarçonete, o dinheiro que ganhava maldava para comprar algo para comer.Apesar de todos os problemas, eu erauma típica criança de cinco anos,brincava em meio ao quintal, tentava medistrair com coisas do cotidiano, pois nãotinha brinquedos.
  5. 5. Folhas deOUTONO As tardes de outono eramperfeitas para mim, adorava aquelaestação, ainda não sei o porquê, as folhasalaranjadas das arvores canadenses meencantava, era algo tão bonito de se ver.Sentava-me aos pés das arvores e ficavaali, por horas, apenas observando asfolhas secas caírem e tocarem no chão. Osino da igreja dava suas badaladas,avisando que já passava das 18h00,minha mãe então grita por mim, era horado jantar.
  6. 6. Folhas deOUTONO Sento-me a mesa, espero minhamãe servir o jantar, nada especial, apenasuma leve sopa, era o que tínhamos paracomer. Após isto, sigo até meu quarto,sento-me em frente a pequena janela, econtinuo a observar as folhas caíremsecas. Era tão estranho, parecia à vidaimitando a natureza, assim como asfolhas, minha mãe parecia estar caindoseca ao chão, sem forças, destruída pelavida, e eu não podia fazer nada.
  7. 7. Folhas deOUTONO Às vezes culpava-me pelasituação em que estávamos talvez se eunão tivesse nascido minha mãe estariaem uma situação melhor. O silencio danoite já tomava conta de nossa casa,minha mãe me põe para dormir e sedespede me dando um doce beijo norosto e uma boa noite, ela deixa o quartoo mais rápido possível, talvez nãoquisesse que eu a visse chorando, poishavia sido demitida pela manhã. Elachorava baixinho em seu quarto,afogando suas lagrimas em seutravesseiro, eu poderia ir até lá, paraconsolá-la, mas só pioraria a situação.
  8. 8. Folhas deOUTONO O sol se põe, e os primeirosraios de luz atingem o meu quarto atravésda janela sem cortina, me levanto e já mepreparo para ir até a escola. Desço asescadas, feitas de bambu, e me despeçode minha mãe, a mesma estava com seusolhos inchados, parecia ter choradodurante toda a madrugada, pergunto seestava tudo bem, “sim” respondeu, masseu tom de voz contradizia o que elaafirmava.
  9. 9. Folhas deOUTONO Alguns meses se passaram acada dia nossa situação piorava minhamãe não conseguia encontrar nenhumemprego, não comia, não dormia, estavanitidamente derrotada, mas aindarelutava, como um servo tentandoescapar das garras de um leão.
  10. 10. Folhas deOUTONO Eu havia terminado de completarseis anos, e via minha mãe morrendopouco a pouco, era angustiante, elaestava tendo o mesmo destino que meupai havia levado, eu estava lá, impotente.O que poderia fazer? Era a pergunta quetomava minha mente e atormentavaminha alma.
  11. 11. ©2013 Portal Machado de

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