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Antropólogo denuncia atuação do indigenismo internacional

  1. 1. ANTROPÓLOGO DENUNCIA ATUAÇÃO DO INDIGENISMOINTERNACIONALEm uma contundente entrevista à Revista Infovias de janeiro de2013 (Ano 3, no. 11), o antropólogo Edward M. Luiz, ex-funcionário da Fundação Nacional do Índio (Funai), fez gravesacusações ao aparato indigenista internacional e sua atuação noBrasil, cujo objetivo, em suas palavras, é frear o processo dedesenvolvimento do País. O antropólogo, que participou de oitoprocessos de delimitação de terras indígenas, afirma que algunsgrupos indígenas estão sendo manipulados por organizaçõesnão-governamentais (ONGs) estrangeiras e jogados contra osprojetos de desenvolvimento de interesse do Estado e dasociedade brasileira, processo que, segundo ele, ameaça travar odesenvolvimento do País.Edward M. Luiz é mestre e doutorando em Antropologia pelaUniversidade de Brasília (UnB) e consultor privado, prestandoserviços a municípios, estados, associações e empresasameaçadas pela demarcação de terras indígenas. Para ele, osindígenas não são obstáculos ao desenvolvimento:(...) Os indígenas nunca foram contrários ao desenvolvimento.Sempre buscaram acesso àquilo que julgavam ser tecnologiasmais desenvolvidas do que as que possuíam. Sempre desejaramcom toda força os novos produtos e avanços com os quais sedeparavam desde os terçados, machados, até o isqueiro, panelasde alumínio, chegando ao rádio, à televisão e mais recentementeaté ao acesso a internet, que uma boa parte já utiliza. Osindígenas deram uma incomensurável contribuição aodesenvolvimento nacional desde o descobrimento do Brasil. OBrasil é um dos poucos países onde o colono europeu encontrou,pode contar com ajuda nativa no esforço conjunto decolonização. Veja, Portugal era o país europeu com o menorterritório durante o século XVI e não tinha recursos humanospara encampar esta iniciativa colonizadora sem a força, o apoio,o conhecimento e o empenho indígena. Durante cinco séculos decolonização portuguesa, com algumas exceções pontuais aqui eacolá, os nossos indígenas juntamente com outros colonos quemigraram para as américas, foram nossos parceiros nessaempreitada colonizadora. Portanto, o que salta aos olhos desteanalista neste início de século XXI, é a forma como alguns gruposindígenas estão sendo sorrateira e inteligentemente manipulados,sendo jogados contra os projetos de desenvolvimento de
  2. 2. interesse do estado e da sociedade brasileira.Em seguida, explica o que está por trás desse conflito:Isso acontece porque sem a bandeira comunista para se opor aodesenvolvimento do capitalismo, restou o ambientalismo e oindigenismo, que ao final so século XX, uniram-se formando ummovimento misógeno, absolutamente contrário a qualquerprojeto desenvolvimentista. No Brasil esse processo é tão forte aponto de seguir freando por mais de três décadas o processo dedesenvolvimento do país.Foram poucos os projetos de desenvolvimento no Brasil que nãoesbarraram e estagnaram ante alguma resistência, seja de terraindígena, unidade de conservação, comunidade quilombola oucomunidade tradicional. Certamente essas comunidades temtodo o direito nessas reinvindicações, estabelecendo acordoscom o estado para serem ressarcidas dos danos provocados, epara encontrarem alternativas à minorar os efeitos deletérios dodesenvolvimento. Mas o que se vê são grupos se opondo deforma veemente e sistemática contra qualquer iniciativa ou obrade desenvolvimento. Eles parecem ser contrários à aberturas deestradas, ferrovias, hidrovias ou usina hidrelétrica, o que geraanimosidade crescente entre eles e o restante da sociedadebrasileira que quer e precisa do desenvolvimento.Este óbice ao desenvolvimento é danoso, pois gera uma espéciede preconceito na sociedade brasileira, que vê estes gruposcomo inimigos do desenvolvimento, como um entrave que não ossão, nem nunca foram empecilho algum ao desenvolvimento emcinco séculos de história. Nunca foram. Claro que um ou outrogrupo indígena tinha alguma resistência, pois tinham receios emedo do desconhecido. Viam os novos colonos como invasoresdesconhecidos. Mas no geral, a grande maioria já tinham tomadoa opção à aliar-se ao novo colono branco, desenvolvendo assim,um processo de dependência simbiótica com ele. O que a eliteintelectual não quer reconhecer de jeito nenhum, é que osindígenas não desapareceram, mas fundiram-se ao colonizador,formando uma nação mestiça. Esta oposição entre indígenas edesenvolvimento nacional foi forjada e recentemente criada.Cresceu e se fortaleceu com o financiamento internacional desdea década de 70.Questionado sobre os interesses que se encontram por trásdessa manipulação de minorias étnicas, para colocá-las contra os
  3. 3. projetos de desenvolvimento brasileiros, ele respondeu:Faz alguns anos que me faço esta pergunta. Por que? Creio queainda preciso me aprofundar em analises e maiores estudos. Istoporque nunca foram feitos estudos de forma sistemática pelasnossas academias. Nossa elite pensante é tão comprometida quefoi preciso pensadores de fora para detectar este fenômeno noBrasil, entre eles Elaine Dewar, Lorenzo Carrasco e SílviaPalacios. A primeira é canadense e os outros dois sãomexicanos. Carrasco me parece ser o mais produtivo e quepoderíamos chamar de investigador sobre o assunto. É ele quemresponde estas perguntas, e eu reconheço que só conseguicomprendê-las depois de contato profundo com as obras dele:Máfia Verde 1 e 2, Ambientalismo à serviço do Governo Mundial.(...) A principal hipótese que Carrasco levanta, é que estes fatoressomados, tornam o Brasil uma clara ameaça ao poder dassuperpotências mundiais. Os países do hemisfério norte,sobretudo os países da Europa, se vêem ameaçados por um paísemergente, ágil e agressivo em suas políticas econômicas edesenvolvimentistas. O Brasil é atualmente a sexta economia domundo e tem tudo para chegar até 2015 como a quinta maioreconomia mundial, ameaçando o ordenamento econômico dohemisfério norte, deixando potências bélicas e econômicas,como Inglaterra e França, para trás. Daí o empenho de estadosestrangeiros se utilizarem de ONGs para manipular as minoriasétnicas e botar freios e barreiras, capazes de impedir estecrescimento. As primeiras e mais versáteis barreiras são associoambientais, ou seja, o vetor indígena e as sociedadestradicionais e quilombolas, que somadas ao elemento vetorambiental, que juntos formam um enorme exército irregular deONGs, um aparato indigenista/ambientalista no país. Este é otermo cunhado por Lorenzo Carrasco, que demonstra com dadosestatísticos, que há um verdadeiro batalhão de ONGs,instituições e pesquisadores orientados por uma agendaideológica, escrita e orquestrada por potências do hemisférionorte - Estados Unidos, Inglaterra, Canadá, Noruega, Dinamarca eAlemanha, que pagam a conta e financiam este aparatoindigenista e ambientalista que opera vigorosamente no Brasil.Entre os financiadores do aparato indigenista, Luiz aponta asagência de cooperação internacional de vários governos doHemisfério Norte:Eu diria, uma parte significativa do movimento indigenista
  4. 4. brasileiro, está sim recebendo dinheiro de organizações nãogovernamentais, de agências de cooperações internacionais dospaíses do hemisfério norte. Por exemplo; a GTZ, ONG [naverdade, agência governamental - n.e.] alemã, foi quem financioupor décadas todas as iniciativas de demarcação de terrasindígenas no Brasil. Praticamente todas as demarcaçõesocorridas na década de 90 foram financiadas pela agência alemãde cooperação.Em sua visão, há claras evidências de que interessesinternacionais estão engajados em frear o desenvolvimentonacional, manipulando causas aparentemente legítimas:As provas e evidências que eu coletei até o momento, indicamque sim. Há um crescente interesse no controle e domínio derecursos naturais nacionais. Tais interesses escusos seescondem por trás de iniciativas e atividades aparentementelegítimas, como por exemplo, demarcar terras indígenas, criaçãode territórios quilombolas, de comunidades tradicionais eunidades de conservação. Reconhecer territórios indígenas e decomunidades tradicionais poderia ser um importante instrumentopara assegurar o desenvolvimento desta parcela da populaçãonacional. Contudo está se tornando um instrumentodescontrolado de reforma agrária às avessas e de criação deconflitos sociais que joga os indígenas contra a sociedadenacional. O problema é: a forma de demarcação de terrasindígenas atualmente vigente no Brasil, não se preocupa com oscustos sociais e econômicos das demarcações, não busca oconsenso, e sobretudo, não garante segurança constitucional ejurídica a ninguém.Adiante, o antropólogo explica os vícios do processodemarcatório:(...) FUNAI e antropólogos são partes altamente interessadas nademarcação e, daí em diante, é só enfiar a demarcação goelaabaixo e torcer para que o povo permaneça passivo. Já disse erepito: nem o Ministério da Justiça, nem qualquer outro órgão doExecutivo, tem condições nem o devido conhecimento paraidentificar os vícios de origem, os vícios internos que acontecemem um processo de demarcação. Porque isto demanda umconhecimento muito preciso e específico. Em meu entendimentohá um monopólio perigoso. É um monopólio que não oferecesegurança jurídica, nem a produtores e nem a entes federados.Na verdade o que há é um processo totalmente controlado por
  5. 5. um braço do executivo, que é a FUNAI, um órgão pró-indígena.Me parece óbvio e urgente a necessidade de uma reformulaçãodo processo demarcatório, que garanta e assegure os direitos àsociedades tradicionais indígenas, mas ao mesmo tempo,assegure os direitos da outra parte afetada com totalimparcialidade. Seja ela privada ou governamental. (...)(...) Temos um processo demarcatório onde os seis ou seteindivíduos responsáveis, não precisam dar qualquer explicaçõesà sociedade brasileira, que desde Raposa Serra do Sol, não aceitamais estas arbitrariedades. As demarcações são assimirresponsáveis, porque não há nenhum custo político ebaixíssimo custo financeiro nas indenizações advindas doprocesso demarcatório. As mudanças propostas visam corrigirestes defeitos no processo. O Congresso é e será atuante, mas,certamente, encontrará barreiras e dificuldades advindas doaparato indigenista/ambientalista na votação dos projetos de leique visam solucioná-los. (...)

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