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Doutor Vitor Gil

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Doutor Vitor Gil

  1. 1. QUESTIONAMENTO EM QUÍMICA: A ARTE DE PERGUNTAR Victor M. S. Gil Departamento de Química, Univ. de Coimbra e Exploratório, Centro Ciência Viva de Coimbra
  2. 2. V.M.S.GIL and J.C.M.PAIVA, Prediction versus Explanation in Chemistry Teaching , Journal of Chemical Education (2009) (submetido) . V.M.S.GIL, M. HELENA PEDROSA and M.WATTS, Questions about Questioning , em preparação. V.M.S.GIL, University students assessment of the explanatory content of justification statements , International Journal of Science Education (1988), 10 , 581. V.M.S.GIL, Orbitals in Chemistry , Cambridge Univ. Press, UK, 2000.
  3. 3. A. CIÊNCIA, EDUCAÇÃO E CULTURA CIENTÍFICA   B. QUÊS E PORQUÊS EM QUÍMICA C. SOBRE A GESTÃO DAS PERGUNTAS NA SALA DE AULA D. USO E MAU USO DE “PORQUE”
  4. 4. A. CIÊNCIA, EDUCAÇÃO E CULTURA CIENTÍFICA   A ciência, uma criação do Homem para melhor conhecer, controlar e transformar o mundo Resultado e processo   * da satisfação da curiosidade humana desinteressada  da procura de respostas para problemas de sobrevivência e outros problemas práticos  
  5. 5. Contudo é, apenas, uma pequena fracção da nossa relação com o mundo: apenas uma das formas de interagir com a realidade. Considerar as limitações da ciência à luz das aspirações globais e mais profundas da mente humana, segundo A. Moles, em “Les Sciences de l’Imprécis”, 1990, “La pensée scientifique – qui est bien aus sens étymologique notre nouvelle “religion”: le facteur qui nous unit dans la maîtrise du futur – reste une petite fraction de notre vie quotidienne”… Analisar H. Pagels, em “The Dreams of Reason: The Rise of the Sciences of Complexity”, 1988, “in this era of science and technology, there is a conscious space for art, philosophy, etc. as complementary ways of our relating to the real world and acting upon it”.
  6. 6.   1. Ciência e Curiosidade A Ciência avança através de respostas a perguntas de vários tipos: “quês” e “porquês”, e também os “para quês”,os “comos”, os “e se …”. A curiosidade intelectual e a capacidade de fazer perguntas: o que distingue o Homem dos outros animais   A curiosidade inata a cada criança, em processo de sobrevivência: curiosidade essencialmente multi-sensorial e afectiva Segundo alguns estudiosos, a escola pode acabar por atrofiar a curiosidade genuína e reduzir a motivação.
  7. 7. <ul><li>2. A Ciência na Sociedade </li></ul><ul><li>A maneira – complexa – como a Ciência interage com o resto da Sociedade. Fala-se de correlação, porque tais relações não são simples relações de causa-efeito, nem sequer relações lineares. </li></ul><ul><li>Semelhantemente, no domínio da educação em ciência. Por exemplo, PISA: </li></ul><ul><ul><ul><ul><ul><li>Apesar de Finlândia, Japão, Canadá, Coreia, Hong-Kong, Nova-Zelândia e Austrália na parte cimeira do ranking, resposta baixa de alguns países </li></ul></ul></ul></ul></ul><ul><li>    a) possuidores de sistemas de educação tradicionalmente modelares – por exemplo, Alemanha e Hungria </li></ul><ul><li>b) de elevado grau de desenvolvimento geral e educativo – nomeadamente, Noruega e Dinamarca </li></ul>
  8. 8. <ul><li>Uma generalizada insatisfação: </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>jovens alunos e estudantes, </li></ul><ul><li>professores e pais </li></ul><ul><li>escolas </li></ul><ul><li>empregadores e políticos... </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>Pode, mesmo, falar-se de crise (cf. Tytler, 2007). </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>O gosto pela ciência em declínio? </li></ul>
  9. 9. <ul><li>Principais razões (segundo Lyon, 2005): </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>uma pedagogia excessivamente transmissiva </li></ul><ul><li>um conteúdo descontextualizado, que não favorece </li></ul><ul><li>o espontâneo empenhamento dos alunos </li></ul><ul><li>uma dificuldade desnecessária da ciência na escola </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>Mais múltiplos factores mais transversais... </li></ul>
  10. 10. <ul><li>3. Os contextos da aprendizagem em Ciência </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>Necessárias novas metodologias que, de uma forma capaz de competir com outras fontes de interesse e actividade, </li></ul><ul><ul><li>contrariem a acumulação de falhas de aprendizagem – aquisições de conteúdos e outras competências </li></ul></ul><ul><ul><li>ponderem os benefícios das abordagens baseadas em contexto (cf. Testes PISA) </li></ul></ul><ul><ul><li>apostem em abordagens baseadas no questionamento </li></ul></ul><ul><li>ou no questionamento guiado (“guided inquiry-based approaches”) </li></ul>
  11. 11. <ul><li>Contexto prático, da relevância na vida do dia-a-dia (por exemplo, CTSA). Saúde e bem-estar em geral, um dos contextos. </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>Mas, também, os contextos ligados à relevância intelectual e afectiva: </li></ul><ul><ul><li>criação de conflitos cognitivos entre conhecimento científico e o senso comum </li></ul></ul><ul><ul><li>efeito surpresa </li></ul></ul><ul><ul><li>exploração do humor e do duplo sentido das palavras </li></ul></ul><ul><ul><li>relações com outras expressões da cultura como as artes e a literatura, etc. </li></ul></ul><ul><li>  </li></ul>
  12. 12. 4. O ensino experimental das ciências Há ciência, há experiência! Ciência = ideias + observação (espontânea ou intencional) + ideias + experimentação + ideias Ideias: previsão/hipótese, interpretação, correlação, analogia, explicação ... (cf. modelos explicativos e modelos preditivos) Observação/experimentação: Registos sensoriais Actividades práticas Actividades experimentais Actividades laboratoriais
  13. 13. <ul><li>5. Erudição e cultura em ciência </li></ul><ul><li>Sociedade do Conhecimento: rápida incorporação dos </li></ul><ul><li>avanços científicos nas nossas vidas, com alterações sociais e culturais além de alterações económicas. E a Sabedoria? </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>Papel instrumental da ciência no desenvolvimento socio-económico </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>Além dos “para quês” dos resultados </li></ul><ul><ul><li>os “comos” dos processos </li></ul></ul><ul><ul><li>os vários “quês” </li></ul></ul><ul><ul><li>os “porquês” menos ou mais profundos </li></ul></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>Logo: dimensão cultural </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>Enquanto os “quês” servem a erudição, são os “porquês” que suportam a </li></ul><ul><li>cultura … e o espírito crítico e criativo que promovem a cidadania. </li></ul>
  14. 14. 6. As várias dimensões da cultura científica   Dimensão descritiva: informação – factos, nomes, datas, fenómenos, nomes de conceitos e teorias – sobre o universo, a matéria e a vida, informação essa convertida em conhecimento através de ligações significativas que cada um faça com o seu conhecimento anterior.   Dimensão prática e dimensão social: maneira como os resultados da ciência e da tecnologia afectam a nossa vida quotidiana – saúde e bem-estar, aplicações tecnológicas, qualidade do ambiente – e o desenvolvimento sustentado, assim como capacidade de cada cidadão participar, informado, nas decisões colectivas.   Dimensão intelectual: promoção da curiosidade, competências inquisitivas, racionalidade, capacidade em encontrar e seleccionar informação e desenvolvimento de formas de pensamento crítico e criativo.
  15. 15. Dimensão afectiva: encontrar encanto, deslumbramento e excitação na aventura da ciência, juntamente com a consciência das formas como a ciência avança – não apenas aprendendo com os erros, mas também reconhecendo que sucesso gera sucesso.   Dimensão histórica: contextos históricos em que a ciência se foi desenvolvendo, por exemplo, da segurança das verdades aparentemente eternas do positivismo do século XVIII ao desconforto das verdades provisórias e às incertezas e riscos associados à ciência moderna   Dimensão axiológica: associada à promoção dos valores fundamentais, como a honestidade intelectual e a tolerância, e às implicações éticas de alguma investigação científica.
  16. 16. B. QUÊS e PORQUÊS em QUÍMICA A Química desenvolve-se sobretudo à volta de “quês” e “porquês” sobre a natureza, propriedades e transformações da matéria, interpretadas em termos de átomos e suas associações.
  17. 17. Entre os “quês” e os “porquês”, passando pelos “comos” e os “e se’s”, pode estabelecer-se uma cascata do mais superficial ao mais profundo em matéria de conhecimento.     Exemplo:
  18. 18. Duas grandes classes de perguntas: A. Perguntas de índole cognitiva , que requerem uma resposta, focadas em conhecimento: Que, Quem, Quando, Onde, Como, Quanto, Quantos, Porque...      B. Perguntas de índole não-cognitiva , que procuram autorização, apontam para um comportamento não-verbal, exprimem uma opinião, etc.: Posso entrar ? Pode passar a água? Quem diria? etc.
  19. 19. Divisão das perguntas A em várias categorias: A1. Aquisição de informação (simples ou complexa, qualitativa ou quantitativa) A2. Processamento de informação (descrição, comparação, integração, reconciliação, correlação, procura de padrões, relações causa-efeito, previsão, generalização, aplicação, resolução de problemas) A3. Pensamento crítico e criativo (colocação de hipóteses, especulação, explicação, validação de explicação) A4. Organização e reflexão sobre todo o processo de procura de sentido (por ex. Em que ponto estamos? Que tipos de perguntas estamos a considerar?)
  20. 20. Sub-divisão da categoria A1: A1.1 Questões fechadas, de resposta breve * Questões de verdadeiro/falso, sim/não ou disjuntivas (X ou Y). No equilíbrio, a massa de produtos é igual à massa de reagentes. Verdadeiro ou Falso? a A + Bb cC + dD Será que no equilíbrio terminam as reacções, uma oposta da outra? Em igualdade de condições, qual é mais solúvel em água: cloreto de sódio ou carbonato de cálcio? NaCl(s) Na + (aq) + Cl - (aq) CaCO 3 (s) Ca 2+ (aq) + CO 3 2- (aq)
  21. 21. * Questões focadas em seres, objectos, tempo, locais, ... Quem pela primeira vez estabeleceu a variação das constantes de equilíbrio com a temperatura? Qual dos ácidos é comercialmente designado por ácido muriático? Quando (em que século) foi estabelecida a 2ª Lei da Termodinâmica? Onde (em que país) nasceu Henri Le Chatelier?
  22. 22. * Questões que especificam um atributo Qual é o mais denso dos gases reagentes no equilíbrio de síntese do amoníaco? N 2 (g) + 3H 2 (g) 2NH 3 (g) * Questões focadas na quantificação de um atributo Quantas vezes a molécula N 2 é mais pesada que H 2 ?
  23. 23. A1.2 Questões abertas, de resposta mais elaborada * Questões focadas na causa próxima ou consequência de um evento ou acção Qual é a principal causa das chuvas ácidas? Qual a principal consequência das chuvas ácidas no património arquitectónico? Qual o efeito do aumento de temperatura no estado de equilíbrio de uma reacção exotérmica? Como se pode aumentar a percentagem de amoníaco na reacção de síntese a partir de azoto e hidrogénio?
  24. 24. * Questões sobre a ocorrência ou não ocorrência de um determinado evento/acção Como se pode usar o efeito de ião-comum para diminuir a solubilidade do carbonato de cálcio? Que condições favorecem a corrosão metálica?
  25. 25. * Questões que apelam a uma clarificação, semelhanças/ diferenças, definição, ... Qual a diferença entre reacção extensa e reacção rápida? Porque é que se atribui o valor 7 ao pH da água, a 25 ºC ? * Questões que têm a ver com aplicações práticas Para que servem os catalisadores, se eles não alteram as constantes de equilíbrio? * Questões que apelam a uma opinião fundamentada Que acha da reciclagem das latas de alumínio?
  26. 26. * As questões A2 podem apelar a ... ... Cálculo, evidência ou determinação experimental Que quantidade de iodeto de hidrogénio se pode obter a partir de 1,0 mol de hidrogénio e 0,50 mol de iodo, a 500 ºC , sabendo que a constante de equilíbrio para H 2 (g) + I 2 (g) 2HI(g) a 500 ºC é 63? Qual o pH de uma solução aquosa de ácido acético com a concentração 0,10 mol dm -3 ? Qual a solubilidade do fluoreto de cálcio ( K s = 3,9 x 10 -11 ) em água e numa solução aquosa com 0,010 mol dm -3 de ião cálcio? Como se sabe, por via experimental, que a constante de acidez do ácido acético é 1,8 x 10 -5 ?
  27. 27. * ... C omparação, correlação, dedução Que reactividade se pode prever para o metal alcalino césio por comparação com o comportamento dos outros metais alcalinos em posição superior na Tabela Periódica? Como se interpreta o facto de o ouro ser menos oxidável que o ferro em termos de potenciais de redução? Como se justifica o efeito da pressão no equilíbrio de síntese do amoníaco a partir de nitrogénio e hidrogénio, em termos do princípio de Le Chatelier?
  28. 28. * ... Aplicação de modelos teóricos Que alteração de cor se pode prever para uma solução aquosa de sulfato de cobre por adição de amoníaco com base no modelo do campo cristalino? * ... Aplicação de tabelas de valores Qual dos ácidos etanóico e benzóico é mais fraco? Justifique a resposta. Qual dos sais carbonato de chumbo e sulfato de chumbo é mais solúvel em água? Justifique a resposta
  29. 29. * ... Resolução de conflitos com o conhecimento prévio, intuição ou senso comum Como é que a adição de um gás inerte ao sistema em equilíbrio N 2 (g) + 3H 2 (g) 2NH 3 (g) não aumenta a proporção de amoníaco, como resultado de um aumento de pressão total (com V e T constantes)? Considere a diminuição de volume do sistema em equilíbrio N 2 (g) + 3H 2 (g) 2NH 3 (g) a) Em que sentido o sistema devia tender a contrariar essa diminuição: aumento ou diminuição do número de moléculas? b) Mas diminuição de volume é aumento de pressão. Em que sentido deve o sistema contrariar esse aumento: aumento ou diminuição do número de moléculas?
  30. 30. * ... Resolução de conflitos com o conhecimento prévio, intuição ou senso comum (cont.) Como é possível que a água possa ter um pH diferente de 7? 2H 2 O(l) OH - (aq) + H 3 O + (aq) Como é possível que a solubilidade do sulfato de cobre em água seja a mesma, quer se use o sal em bloco ou em pó? Não é verdade que a dissolução é mais rápida se estiver moído? CuSO 4 (s) Cu 2+ (aq) + SO 4 2- (aq)
  31. 31. * Na categoria A3 caem: * Questões que visam as explicações Como se explica que o fluoreto de hidrogénio seja um ácido fraco, ao passo que o cloreto de hidrogénio é um ácido forte? Porque é que o sulfato de magnésio é um sal muito solúvel em água quando o carbonato de magnésio é pouco solúvel?
  32. 32. <ul><li> * Questões especulativas </li></ul><ul><li>E se, em HCl, o isótopo de cloro passar a ser Cl-37 em vez de Cl-35, isso alterará a acidez da substância? </li></ul><ul><ul><li>NB. O AVANÇO DA CIÊNCIA FAZ-SE, EM LARGA MEDIDA, ATRAVÉS DE QUESTÕES DO TIPO “ E SE...” </li></ul></ul>
  33. 33. <ul><li>C. SOBRE A GESTÃO DAS PERGUNTAS NA SALA DE AULA </li></ul><ul><li>Como gere as perguntas que se inscrevem, oportunamente, no currículo em curso? </li></ul><ul><li>Como gere as perguntas que, inscrevendo-se no currículo, surgem precocemente? </li></ul><ul><li>Como gere as perguntas que não se encaixam no currículo em curso? </li></ul><ul><li>Como gere as situações de perguntas daquele aluno que quer é exibir-se ou demorar o desenvolvimento da aula? </li></ul><ul><li>Em especial, como gere as perguntas para que não tem a resposta à mão, ou não tem a resposta apropriada ao nível etário do aluno? </li></ul>
  34. 34. EXEMPLOS NEGATIVOS OU NEUTROS   1. Não interrompas! 2. (Procurando ganhar tempo, talvez o toque para saída) Já vamos a essa questão. 3. A tua pergunta cai no âmbito da disciplina X e não desta. Pergunta ao teu professor de X. 4. Boa pergunta, mas para mais tarde, quando tiveres outros conhecimentos. 5. Vou pensar no assunto em casa e, depois, digo-te a resposta. 6. Confesso que também não sei a resposta a essa pergunta. Vamos mandar um e-mail aos autores do livro?
  35. 35. EXEMPLOS POSITIVOS 1. A tua pergunta, que cai melhor no âmbito da disciplina X, mostra que, afinal, não há fronteiras muito rígidas entre as várias áreas do saber. a. Dou-te, agora, apenas uma primeira resposta. Podemos, depois, falar, em conjunto, com o professor de X. b. Mais alguém nos quer acompanhar nessa reunião? 2. Em qual das categorias (Quê, Como, Porquê, E se...) colocas a tua pergunta? 3. Boa pergunta. Não te esqueças dela, quando, no 3º período, estudarmos ...Se te esqueceres, eu lembrar-te-ei na altura. Vou tomar nota.
  36. 36. <ul><li>4. Boa pergunta. Quem mais tem perguntas à volta deste mesmo assunto? Vamos começar por as registar, conforme as várias categorias. Acham que podíamos pensar num concurso sobre as melhores perguntas? </li></ul><ul><li>5. Boa pergunta. Alguém quer adiantar uma resposta? Vou aproveitando as melhores achegas... </li></ul><ul><li>6. Boa pergunta para colocarmos ao “Google”. Quem quer fazer isso? </li></ul><ul><li>7. A tua pergunta é interessante e relaciona-se com outras como, por exemplo, .... </li></ul><ul><li>A tua pergunta está relacionada com ... pelo que o problema é mais geral, ...sabendo-se que ... </li></ul><ul><li>9. A tua pergunta é interessante e tem muito que se lhe diga. Para já, apenas te adianto ... </li></ul>
  37. 37. D. USO E MAU USO DE “PORQUE” Entre os vários tipos de perguntas: Porque? ... Porquê? que requerem uma resposta ao nível da explicação, da justificação, das razões, eventualmente das causas.   É frequente uma confusão de vários níveis de justificação, ainda que sempre iniciados por porque .
  38. 38. <ul><li>PORQUE É QUE O METAL SÓDIO DESAPARECE NA ÁGUA E O OURO NÃO? </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><ul><li>Porque o sódio reage extensamente com a água. </li></ul></ul><ul><ul><li>Porque a reacção do sódio com a água (formação de Na + e H 2 ) tem uma constante de equilíbrio muito elevada. </li></ul></ul><ul><li>  </li></ul><ul><ul><li>Porque o sódio tem um potencial padrão de oxidação muito maior que o ouro. </li></ul></ul><ul><li>  </li></ul><ul><ul><li>Porque o átomo de sódio tem um electrão de valência fracamente atraído ao núcleo. </li></ul></ul><ul><ul><li>Porque o ião Na + , com uma configuração electrónica idêntica à de um gás raro, é muito estável. </li></ul></ul><ul><ul><li>Porque a reacção no caso do sódio é fortemente exotérmica. </li></ul></ul><ul><ul><li>Porque a reacção no caso do sódio é fortemente exotérmica e conduz a um aumento de entropia do sistema (valor  G 0 negativo). </li></ul></ul><ul><ul><li>Porque a entropia do universo só deixa de aumentar no caso da reacção do sódio com a água quando ela estiver praticamente completa. </li></ul></ul>
  39. 39. <ul><li>PORQUE É QUE A MOLÉCULA DE ÁGUA TEM GEOMETRIA ANGULAR?   </li></ul><ul><ul><li>P orque os núcleos H e O não estão em linha recta. </li></ul></ul><ul><ul><li>Porque é polar. </li></ul></ul><ul><ul><li>Porque o átomo O tem duas orbitais 2p com um electrão cada uma. </li></ul></ul><ul><ul><li>Porque há quatro pares de electrões de valência em repulsão. </li></ul></ul><ul><ul><li>Porque o modelo da repulsão de pares de electrões de valência assim o exige. </li></ul></ul><ul><ul><li>Porque o átomo O utiliza orbitais híbridas de s e p nas ligações O-H. </li></ul></ul><ul><ul><li>Porque a energia para um arranjo angular de dois átomos H e um O é menor do que para um arranjo colinear. </li></ul></ul>
  40. 40. No plano do conteúdo: Erro Irrelevância Insuficiência   No plano da lógica: Contradição Tautologia, analogia, definição/caracterização Implicação e inferência/dedução a partir de regra/princípio/lei Correlação de observáveis (ou de variáveis) a) como correspondências sem grandes ganhos b) com redução vantajosa do campo de informação ao passar-se do primeiro conjunto ao segundo conjunto de dados Interpretação de vários graus   enquanto indevidamente promovidas ao estatuto de explicação
  41. 41. <ul><li>Porque no início de uma tautologia: </li></ul><ul><ul><li>Cargas eléctricas de sinal contrário atraem-se porque há uma força de atracção entre elas (apenas introdução de uma noção nova: força). “Porque” com sentido de “isto é”. </li></ul></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>Porque no início de uma analogia: </li></ul><ul><ul><li>Os iões K + e Ca 2+ são muito estáveis porque têm uma configuração análoga à de um gás raro (relação com situação semelhante que, por seu turno, carece de justificação)*. </li></ul></ul>
  42. 42. <ul><li>Porque como início de definição: </li></ul><ul><ul><li>Há um aumento de temperatura durante a combustão do carvão, porque a reacção é exotérmica (definição de reacção exotérmica). “Porque” com sentido de “ou, para usar outra palavra”. </li></ul></ul><ul><li>  </li></ul><ul><ul><li>A molécula de água tem geometria angular, porque os núcleos H e O não estão em linha recta (definição de geometria angular). “porque” com sentido de “ou, em linguagem mais simples”. </li></ul></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>Porque como início de caracterização: </li></ul><ul><ul><li>O sódio desaparece na água, porque reage extensamente com ela. (caracterização de “desaparece”). “Porque” com sentido de “ou, melhor”. </li></ul></ul><ul><li>  </li></ul><ul><ul><li>Há um aumento de temperatura nas reacções exotérmicas, porque a agitação atómico-molecular dos produtos é maior que a dos reagentes (caracterização de temperatura em termos corpusculares). “Porque” com sentido de “quer dizer”. </li></ul></ul>
  43. 43. <ul><li>Porque como início de uma implicação: </li></ul><ul><ul><li>O electrão tem carga negativa, porque é atraído por placas com carga positiva. </li></ul></ul><ul><li>  </li></ul><ul><ul><li>É necessário arrefecer um vapor para obter o líquido, porque o vapor foi obtido aquecendo o líquido. </li></ul></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>Porque como início de uma dedução/inferência: </li></ul><ul><ul><li>Há conservação de massa durante a reacção entre um ácido e um carbonato, porque a lei de Lavoisier assim o exige (dedução a partir de lei geral). “Porque” com sentido de “de acordo com” ou “como caso particular de”. Quer dizer, a regra/princípio/lei servem aqui para responder à pergunta “Porque dizemos que é assim?” e não à pergunta “Porque é assim?” </li></ul></ul><ul><li>  </li></ul><ul><ul><li>A molécula de água tem geometria angular, porque é polar (inferência a partir de um dado experimental). “Porque” com sentido de “de acordo com”. Resposta à pergunta “Como sabemos que é assim?” </li></ul></ul>
  44. 44. <ul><li>Porque no início de uma correlação: </li></ul><ul><ul><li>O ferro sofre extensa corrosão ao passo que o ouro não, porque o potencial padrão de oxidação é muito maior para o ferro (duas observações correlacionadas: extensão de reacção e potencial de pilhas). “Porque” com o sentido de “em conformidade com”. </li></ul></ul><ul><li>  </li></ul><ul><ul><li>A geometria molecular do metano é tetraédrica, porque o átomo de carbono tem hibridização sp 3 (relação entre um observável, geometria, e uma construção teórica: orbitais híbridas apropriadas à definição de orbitais moleculares quase-localizadas). Não uma relação de causa-efeito, no sentido hibridização-geometria (como ainda, por vezes, se considera), mas geometria a determinar a escolha de orbitais híbridas que minimizam os efeitos de deslocalização*. </li></ul></ul>
  45. 45. <ul><li>Porque no início de uma interpretação de primeiro grau: </li></ul><ul><ul><li>As pedras de calcáreo não desaparecem na água, porque é pequena a solubilidade do carbonato de cálcio em água” (conversão de um facto bruto em linguagem mais científica). “ Porque ” com o sentido “ou, em linguagem mais científica”. </li></ul></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><ul><li>O carbonato de cálcio é pouco solúvel em água, porque tem pequeno produto de solubilidade (conversão da questão inicial noutra ao mesmo nível embora de carácter mais quantitativo). “Porque” no sentido de “o que se pode medir por”. </li></ul></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>Porque no início de uma interpretação de alto grau: </li></ul><ul><ul><li>O carbonato de cálcio é pouco solúvel em água, porque maior solubilidade implicaria uma diminuição da entropia total de sistema+vizinhanças (universo). “Porque” no sentido de “na medida em que”. </li></ul></ul>
  46. 46. <ul><li>Explicações parciais: </li></ul><ul><ul><li>O sódio reage extensamente com a água, </li></ul></ul><ul><li>  </li></ul><ul><ul><ul><li>porque o átomo de sódio tem um electrão de valência fracamente atraído ao núcleo. </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>porque a reacção no caso do sódio é fortemente exotérmica. </li></ul></ul></ul><ul><li>  </li></ul><ul><ul><li>A molécula de água tem geometria angular, </li></ul></ul><ul><ul><ul><li>porque há quatro pares de electrões de valência em repulsão. </li></ul></ul></ul>
  47. 47. <ul><li>Conclusão </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><ul><li>Recusa em aceitar ou oferecer como explicação o que, em rigor, o não é, embora possa constituir passo significativo na direcção da compreensão. </li></ul></ul><ul><ul><li>Meta-nível de explicar a explicação. </li></ul></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>   </li></ul><ul><li>Alternativamente tomar Explicação a diferentes níveis de profundidade (Donald Bligh) </li></ul><ul><li>Explicações regulativas </li></ul><ul><li>Explicações funcionais </li></ul><ul><li>Explicações causais </li></ul><ul><li>Explicações analíticas </li></ul><ul><li>Explicações espaciais e temporais </li></ul><ul><li>Explicações cinemáticas </li></ul><ul><li>Explicações mentais </li></ul>
  48. 48. <ul><li>… Fim </li></ul><ul><li>[email_address] </li></ul>

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