CESCA Apostila Curso Couro

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CESCA disponibiliza apostila do curso Formação Técnica em Calçado, Módulo Couro. Visite http://cescabrasil.blogspot.com e http://cescacronoanalise.blogspot.com

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CESCA Apostila Curso Couro

  1. 1. 2011 Curso Capacitação Técnica CESCA Consultoria em Gestão de Processos Para os leitores do blog de CESCA, apresento parte didática do curso  realizado in company Formação Técnica em Calçado. Os participantes  são profissionais selecionados pelo Cliente e a carga horária definida  de  acordo  aos  módulos  selecionados.  O  objetivo  é  transferir  conhecimentos  de  toda  a  cadeia  produtiva,  com  vídeos,  planilhas  eletrônicas  prontas  para  usar,  simulações  de  programação  e  provas  de  conhecimento.  Para  obter  certificado,  o  aluno  deve  superar  80  pontos  nas  questões  teóricas  e  práticas,  afinal,  são  profissionais  de  excelência que as empresas precisam para superar a concorrência.     Si deseas traducción para español envía correo para CESCA.        Forte abraço de Ceschini.  CESCA Consultoria em Gestão de Processos  R Bento Gonçalves, 2399, Sala 902, Centro,  Novo Hamburgo, RS, Brasil  http://cescabrasil.blogspot.com  cescabrasil@yahoo.com.br   
  2. 2. 21 - COUROINTRODUÇÃOPele ou couro tem diferença?Sim, couro é uma pele transformada em um material estável e imputrescível através da ação deprodutos curtentes, ou seja, já está curtido. Pele, como é designada, também pode estar curtida, desde quetenha pelos ou lã, ou ainda quando for oriunda de um animal de pequeno porte como: cabra, porco, rã, etc.Principais regiões de uma pelePor ordem decrescente de qualidade e espessura são as seguintes: Grupon, culatra, pescoço e barriga. Aspeles de um modo geral apresentam uma grande variação de espessura entre as regiões de uma mesmapele. Em virtude disto ocorre uma variação da consistência das fibras; ou seja, nas regiões mais espessas,Elasticidade das pelesOutro fator que é de grande influência no processo de confecção de um calçado, são os sentidos deelasticidade de uma pele. A intensidade de elasticidade varia conforme a raça e idade do animal, tipos decurtimento, Engraxe e Acabamento. A elasticidade é um fator que influencia enormemente no calce, bemcomo na resistência e conforto de um calçado. As peles sejam de origem vacum, eqüina, caprina ousuína, tem o mesmo sentido de elasticidade.Já os animais que estão em fase de crescimento, têm os sentidos de maior elasticidade dispostos demaneira diferente.Composição química da peleA constituição química de uma pele em vida (quando ainda está no animal) corresponde à:61% de água34% de fibras colágenas (proteína fibrosa)2% de lipídios1% de sais minerais1% de proteínas globulares1% de outras substânciasHistologia da peleEpidermeDermeHipodermeAssim como a pele humana, a pele dos animais quadrúpEdes são divididas em Epiderme, Derme eHipoderme. Sendo que a Derme é a única camada utilizada para a fabricação de couros e peles, já que aEpiderme é decomposta na operação de Depilação, e a Hipoderme removida na operação de Descarne.A camada Derme é subdividida em: camada Termostática (FLOR) camada Reticular (LADO CARNAL)Epiderme é a camada mais externa composta da queratina (tipo de proteínas bastante fracas). Sãoremovidas na depilação. A epiderme é subdividida em várias camadas:Obs.: A camada quanto mais próxima da derme mais cheia de vitalidade são.Derme CESCA Consultoria em Gestão de Processos | 2
  3. 3. 3a) Flor ou camada TermostáticaSão fibras colágenas dispostas perpendicularmente. Os pontos de união desta camada são suscetíveis aoataque bacteriano e reação com produtos químicos, podendo ainda romper sob qualquer efeito mecânico,ocasionando a "flor solta".b) Camada reticular ou lado carnalSão fibras colágenas dispostas num ângulo de 45º. São maiores e mais grossas. Esta camada é bem maisespessa e irregular em relação a camada anterior, e é responsável pela resistência à tração, aorasgamento, etc.Obs.: Fibras colágenas ou colagênio,são assim denominadas assim por se transformarem em gelatina oucola sob a ação da água quente. Por este motivo as operações que antecedem o curtimento não podem serrealizadas com temperaturas superiores a 35º C.HipodermeÉ a camada mais interna constituída de tecido adiposo, gorduras,carne etc. Tecido adiposo é um tipo degordura existente nesta camada., ( em certos casos, como nas peles de ovelha, este tecido é encontradaentre as camadas termostática e reticular, o que favorece o desprendimento entre estas duas camadas.Ponto Isoelétrico de uma peleÉ quando existe o equilíbrio de cargas negativas e positivas. No ponto isoelétrico, a pele apresenta menorinchamento, reatividade e solubilidade.O ponto isoelétrico de uma proteína (colagênio) é o valor em pH de sua dissolução no qual não ocorremigração de partículas, quando submetidas à ação de um campo elétrico. É o melhor ponto para a adiçãode produtos químicos. Ex: o melhor ponto para a adição da sais de cromo numa pele é quando o pH estáem torno de 2,8.1.2 - PROCESSAMENTO DAS PELES 1. Conservação 2. Pré-remolho 3. Pré-descarne 4. Remolho 5. Depilação e caleiro 6. Descarne 7. Divisão 8. Desencalagem 9. Purga 10. Píquel 11. Curtimento 12. Enxugamento 13. Rebaixamento 14. Neutralização 15. Recurtimento 16. Tingimento 17. Engraxe 18. Secagem 19. Pré-acabamento 20. Acabamento CESCA Consultoria em Gestão de Processos | 3
  4. 4. 41. ConservaçãoA finalidade desta operação é interromper todas as causas que favoreçam a decomposição das peles, demodo a conservá-las nas melhores condições possíveis,até que se inicie o processo de transformação dasmesmas em couro. A conservação de um modo geral baseia-se na desidratação da pele, evitando criarcondições favoráveis à ação enzimática e desenvolvimento de bactérias, reduzindo a degradação damesma em até 95%. Nesta etapa a pele é denominada: Pele Verde. Este processo de desidratação levaem torno de duas a três semanas, após isto, a pele pode ser estocada por mais de 6 meses. CESCA Consultoria em Gestão de Processos | 4
  5. 5. 5Salga à secoEste é o sistema mais utilizado devido ao baixo custo e resultados obtidos. É empregado de 45% a 50% desal (sobre o peso da pele). Vale salientar de que se o sal for muito fino, irá penetrar em excesso eaumentará muito o teor salino; já se ele for grosso, será necessário uma quantidade maior de sal paracobrir a mesma área, pois este, tem uma superfície de contato menor. Além do mais ele poderá marcar aflor do couro. A altura das pilhas também é outro fator a ser observado, pois uma altura excessiva tende amarcar a flor do couro. Para tanto recomenda-se uma pilha de no máximo 1,2 m (para peles pequenas) e1,5 m (para peles grandes).Salmouragem e salgaEste sistema de conservação é de melhor qualidade que a mencionada anteriormente, pois é feito umdescarne inicial e posterior lavagem. Após é feita a salmouragem em tanque durante 18 a 24 horas. Apósdeixa-se escorrer bem a umidade da pele, e executa-se a salga normal.Salga e secagemEste sistema consiste numa salga mais branda com posterior secagem natural. A salga e secagem éutilizada em locais de clima quente e úmido.SecagemEste sistema de conservação é utilizado em locais com clima quente e seco. Consiste numa simplesevaporação da umidade através de ventilação natural à sombra ou ao sol. As peles são postas uma do ladodas outras.Conservação por resfriamentoAs peles são resfriadas em câmaras frias até uma temperatura de 3° C, após são dobradas com o carnalpara dentro e reduzida a temperatura para -1°C, e assim conservando-se durante um bom tempo. Estesistema quando corretamente executado, é de excelente qualidade, porém é raramente utilizado devido aoseu alto custo.2. Pré-remolhoA finalidade desta operação é retirar parte do excesso de sal e limpar as peles superficialmente, além demolhá-las para permitir um bom desempenho no pré-descarne. Esta operação é realizada em fulões. (fig. 7)3 - Pré-descarneO objetivo desta operação é remover o excesso de carne e sebo da pele, facilitando as operaçõesposteriores.4 - RemolhoA finalidade do Remolho é re-hidratar a pele de maneira uniforme para permitir a entrada dos produtos emtoda a sua estrutura, deixando-a com um percentual de umidade semelhante ao que tinha quando noanimal. Outro objetivo do remolho é retirar todo o sal empregado na conservação, além de eliminar sujeiras,parte de proteínas e albuminas. Duração de 6 a 36 horas.5 -Depilação e Caleiro (Encalagem)Esta operação é dividida em duas etapas. A primeira com uma concentração maior de sulfeto de sódio ecal, que decompõem todo sistema epidérmico, inclusive os pelos. Na 2ª etapa é adicionada mais água paradiluir esta concentração, que por sua vez tem a finalidade de intumescer a pele, facilitando a divisão eproporcionando uma espécie de reordenamento das fibras colágenas.A Depilação requer aproximadamente 1 hora de operação, e a Encalagem em torno de 18 horas.6 - Descarne CESCA Consultoria em Gestão de Processos | 5
  6. 6. 6O objetivo desta operação é a remoção de toda a camada hipoderme. O equipamento utilizado para isto é aDescarnadeira.7 - DivisãoO objetivo desta operação é dividir a pele em duas partes: couro flor (camada termostática e reticular) eraspa (restante da camada reticular). Se a raspa tiver boas características, poderá ser curtida e utilizadacomo forro ou como cabedal, se receber um acabamento (geralmente uma película de PU), ou ainda comoCamurção. Caso contrário, o restante da camada reticular não curtida poderá ser utilizado como fonte paraobtenção de gelatinas, gomas, etc.8 - DesencalagemO objetivo desta operação é retirar substâncias alcalinas da pele, utilizadas nas operações de Depilação eCaleiro. A pele chega neste estágio com pH em torno de 12, e para operação de Purga o pH deve serbaixado para 8 ou 9 (devido ao ponto isoelétrico da pele).A intensidade da desencalagem varia em função do tipo de couro que se queira obter. Quanto maior aintensidade da desencalagem, maior será a maciez do couro.9 - PurgaÉ um tratamento com enzimas dado à pele, a fim de fazer uma limpeza final da pele, retirando a Rufa dosfolículos pilosos, restos de gordura, restos de substâncias alcalinas e impurezas ainda contidas na pele.Além da limpeza, a Purga contribui para a obtenção de couros macios e elásticos. Em couros Atanadospara sola, faz-se uma purga superficial para ter um artigo com melhor aspecto final e evitar que a flor fiquequebradiça. Já a Raspa só é purgada quando receber acabamento.10 - PíquelÉ um tratamento com ácidos, que visam baixar o pH da pele de 8, para uma faixa de 2,5 a 4,5 (dependendodo curtimento). Além disso o Píquel completa a desencalagem e interrompe definitivamente a atividadeenzimática. Dependendo dos produtos empregados no Píquel, as peles já piqueladas se manterãoconservadas por mais de 1 ano. O Píquel tem seu tempo de duração em torno de 1h e 30min.11 - CurtimentoA finalidade é transformar a pele num material estável e imputrescível, além de pré-estabelecercaracterísticas ao produto.Dentre os vários produtos curtentes que existem, podemos citar:curtentes minerais: - sais de cromo - sais de zircônio - sais de alumíniocurtentes vegetais: - tanino da Acácia (Mimosa) - tanino do Quebracho - tanino da Castanheira - tanino do Eucalipto12 - EnxugamentoO objetivo desta operação é remover o excesso de água do couro, através de cilíndros, nos quais baixam oteor de umidade de 60% para 40% do peso do couro. É realizada em máquinas denominadasEnxugadeira/estiradeira, que além de removerem o excesso de água, contribuem no aumento da superfíciedo couro. Após o enxugamento o couro necessita de um repouso (de 6 a 24 horas), para permitir umaacomodação das fibras, evitando com que o couro enfraqueça ou solte a flor.13 - Rebaixamento CESCA Consultoria em Gestão de Processos | 6
  7. 7. 7Esta operação visa homogenizar a espessura do couro. A Rebaixadeira é uma máquina que consiste devários cilíndros, dos quais, um é disposto de lâminas que vão retirando o excesso de fibras da camadareticular.14 - NeutralizaçãoA finalidade é desacidificar o couro para que possa haver boa penetração dos produtos recurtentes,corantes e engraxantes. A outra finalidade é a troca dos ácidos fortes livres, por ácidos fracos, evitandoassim consequências maléficas ao couro.15 - RecurtimentoO objetivo desta operação é dar características alternativas aos couros, como por exemplo: couro umpouco encartonado ou com flor mais fina, ou mais claro, etc. Outro objetivo é permitir que os couroscurtidos ao cromo e que tenham defeitos na flor, possam ser corrigidos através de lixa. Para possibilitar aestampagem de um couro, é necessário que seja feito um recurtimento ao tanino. O tempo de recurtimentoleva em torno de 1 hora.16 - TingimentoO objetivo desta operação é dar a cor de fundo ao couro. O tingimento pode ser superficial ou atravessado(fulonado).17 - EngraxeA finalidade desta operação é lubrificar as fibras, dando maior maciez, elasticidade, resistência aorasgamento e toque ao couro. Esta operação que é realizada em fulão tem uma duração deaproximadamente 1 hora.Exemplo de percentuais de óleo:- Napa vestuário 11%- Camurção e Napa calçado 7%- Relax e Naco 5%18 - SecagemEsta operação visa reduzir a umidade do couro de 70% para 18%. A primeira etapa consiste em enxugar ocouro em máquina específica (Enxugadeira), onde o percentual de umidade atinge 50%. A segunda etapada Secagem reduz este percentual de umidade para 30%.19 - Pré-acabamentoÉ um conjunto de operações que visam melhorar as características finais do couro como: toque, maciez,melhor aspecto visual das fibras do lado carnal e superfície da flor do couro.CondicionamentoAmaciamentoSecagem finalRecorteLixamentoImpregnaçãoAcabamento - É um conjunto de operações que visam dar o aspecto final ao produto bem como de conferirproteção ao couro.Existe uma infinidade de tipos de acabamentos em couros, porém existem três tipos básicos que dãoorigem aos demais que são: Anilina, Semi-anilina e Pigmentado.a) AnilinaConsiste num acabamento transparente, no qual a cor é conferida por intermédio de corantes. Ou seja,apesar da primeira camada ser colorida, consegue-se visualizar nitidamente os poros e desenhos naturais CESCA Consultoria em Gestão de Processos | 7
  8. 8. 8b) PigmentadoConsiste num acabamento de cobertura, no qual a cor é conferida por intermédio de pigmentos. Esteacabamento caracteriza-se por ter a flor do couro lixada, e devido as camadas de pigmentos, não seconsegue visualizar a flor.c) Semi-anilinaConsiste num acabamento semi transparente, no qual a cor conferida por intermédio de corantes epigmentos. Este acabamento caracteríza-se por não ter a flor corrigida através de lixa. As camadas de lacatem quase a mesma constituição das empregadas no acabamento anilina (fig. 24).Lacas ou TopsAs camadas de Lacas ou Tops tem como funções principais: proteger e dar bom aspecto visual à flor docouro, além de permitir a estampagem ou gravação do filme de acabamento. Além do mais, estes Topsapresentam características bastante peculiares entre eles.O Top intermediário (que se apresenta em meio aquoso), tem como características: flexibilidade, nãoreação com a camada de tinta e pegajosidade.O Topfinal (que se apresenta em meio solvente), tem como características: pouca flexibilidade, boaresistência à fricção, impermeabilidade e fixação das demais camadas.Nos acabamentos Anilina e Semi-anilina, os Tops são constituídos basicamente por emulsões de ceras. Eem alguns casos, utilizam-se resinas proteicas, conhecida como Caseína. Ela caracteríza-se por conferir aocouro um acabamento bastante brilhante e resistente. A Caseína também se caracteríza por "abrir" o brilhoquando submetido ao calor.Comparando-se com as demais, a Caseína é a resina mais cara.Já nos couros com acabamento de cobertura, podem ser utilizadas as seguintes resinas:a) Resinas proteicas (Caseína)b) Resinas acrílicasc) Nitrocelulosed) Butirato de celulosee) Poliuretano CESCA Consultoria em Gestão de Processos | 8
  9. 9. 9 ESTRUTURA DAS PELES UTILIZADAS1. VacumAs peles vacum compreendem: boi, vaca, touro, bezerro, terneiro, etc. Este tipo de pele é a mais utilizadaem função de seu tamanho, propriedades físico-mecânicas, além de seu baixo custo, em função da grandequantidade de cabeças de gado vacum espalhadas pelo mundo.Em função de seu tamanho e grande espessura, são utilizadas na produção de couros "pesados", inclusivepara fabricação de solas.Enquanto a camada flor apresenta espessura uniforme em todas as regiões da pele, e invariável em funçãoda idade do animal; o mesmo não ocorre com a camada reticular, que varia em função das regiões da pelee idade do animal. A pele de um animal adulto é uma das poucas onde se extrai raspas (restante dacamada reticular dos Couros flor) com boas propriedades físico-mecânicas. Já as peles vacum de animaismuito novos, não tem propriedades físico-mecânicas, além de não poder extrair-se raspas.DenominaçõesWet-blueTermo técnico oriundo do inglês, wet que significa úmido ou molhado; e blue que significa azul, que é acoloração de todo couro curtido ao cromo. O Wet-blue é um couro curtido com sais de cromo,permanecendo úmido (mais de 60% de umidade), no qual é comercializado neste estado. É comumalgumas indústrias de calçados estocarem o Wet-blue com o objetivo de agilizar a produção de courosacabados. Apartir do Wet-blue, o couro é transformado em Semi-cromo, podendo receber qualquer tipo deacabamento. Wet-whiteÉ uma pele molhada de coloração branca, que foi processada até a operação de Píquel, no qual écomercializado neste estado.Semi-acabado ou CrustÉ um couro seco, que já passou por todas as etapas que envolvam fulões. No Semi-acabado restamapenas as operações de pré-acabamento e acabamento.Atanado CESCA Consultoria em Gestão de Processos | 9
  10. 10. 10É um couro curtido com taninos vegetais, utilizado como cabedal para calçados para calçados que sequeiram fazer acabamentos do tipo "queimado". Dentre as suas principais características estão: toqueencartonado, pouca resistência ao rasgo, calor, luz, além de apresentar quase que exclusivamenteacabamentos Anilina.Semi-cromoCouro curtido com sais de cromo e recurtido com taninos vegetais. É o couro mais comercializado emfunção de suas propriedades físico-mecânicas, maciez e fácil manuseio. Também são conhecidos comocouro Cromo.AnilinaDenominação comum atribuída a couros semi-cromo com acabamento Anilina. Porém vale ressaltar queAnilina é um tipo de acabamento, e que o couro Atanado para cabedal recebe unicamente este tipo deacabamento.Semi-anilinaDenominação comum atribuída a couros Semi-cromo com acabamento Semi-anilina. Assim como o Anilina,este também é um tipo de acabamento.NacoCouro semi-cromo com acabamento de cobertura. Para fabricá-lo são utilizados couros com uma insidênciamaior de defeitos na flor, em função do custo. Estes couros tem sua flor corrigida através de lixa, recebendoapós uma camada de pigmentos. O Naco recebe uma estampagem que pode imitar superfície de uma pele,ou ainda receber uma estampa denominada de pólvora. Este acabamento é concluído com a aplicação decamada de resinas (nitrocelulose, ou poliuretano, ou butirato de celulose, ou ainda resinas acrílicas).BoxSemelhante ao couro Naco, porém é mais encartonado, geralmente recebendo uma estampa lisa, o queproporciona alto brilho. A camada de pigmentação caracteríza-se por ser mais densa que o Naco.Ruboff (couro Antik)O Rubof tem sua origem de um couro Box, porém sofre a aplicação de uma camada de tinta bastanteescura sobre o acabamento. Esta camada é removida posteriormente no setor de acabamento das fábricasde calçados, quando o calçado já se encontra montado, proporcionando assim o aparecimento da cor defundo em determinadas partes do calçado, conferindo um aspecto de envelhecido.NubukCouro semi-cromo, tingido na cor, e que recebe um tratamento com lixas (primeiro: lixa grão 220 para daraspecto aveludado; e segundo: lixa grão 380 para homogenizar o efeito escrevente.CamurçãoRaspa de couros curtidos ao cromo. São recurtidos com taninos vegetais, tingidos na cor e engraxados.Recebem um tratamento com lixas para melhorar o aspecto visual das fibras.VernizCouro semi-cromo, com grande intensidade de defeitos na flor, tendo assim sua flor corrigida através delixa. Após pode receber uma película de PU com alto-brilho, ou ainda receber uma densa camada de tintapigmentada e lacas de poliuretano para conferir alto-brilho.MetalizadoCouro semi-cromo, com grande intensidade de defeitos na flor, tendo assim sua flor corrigida através delixa. O acabamento metalizado poderá ser através de uma película de papel metalizado, ou uma camadade tinta pigmentada composta de pó metálico.RelaxCouro semi-cromo que recebe uma forte estampa (tipo flor quebrada). Pode tanto receber acabamentosemi-anilina, como pigmentado. Geralmente quando o acabamento é anilina, o efeito de flor quebrada é CESCA Consultoria em Gestão de Processos | 10
  11. 11. 11Couro SolaCouro curtido fortemente com taninos vegetais. Dependendo da origem do tanino, o produto final poderá terdiferentes tonalidades. Como exemplo disto podemos citar:2 - CaprinaAs peles caprinas compreendem: cabra, bode, cabrito, etc.Esta espécie de pele, em função de sua pequena espessura e tamanho, excelente aspecto visual e altocusto, tem sua utilização restrita à calçados de classe A. A pele de cabra também caracteríza-se por ter acamada flor ocupando a metade da espessura total da pele.PelicaCouro semi-cromo, com acabamento anilina de alto-brilho transparente. Este efeito é obtido através daaplicação final de emulsões de resinas proteicas (caseína).NapaCouro semi-cromo de grande maciez e elasticidade, apresentando acabamento anilina ou semi-anilina.CamurçaA Camurça diferencia-se dos demais tipos de couros e peles, pelo fato de ter valorizado o seu lado carnalatravés de um tratamento especial com o uso de lixas que conferem um excelente aspecto visual. Noentanto a camada flor ainda permanece intacta, o que proporciona maior resistência.3 - SuínaAs peles suínas compreendem: porco, leitão, etc. Estas apresentam quase a mesma composiçãohistológica das demais peles. A diferença reside no fato de a raíz do pelo atravessar toda a pele, até acarne. Em razão disto, é que até mesmo na raspa de porco, aparecem perfuros referentes aos folículospilosos.Porco florDe cada pele suína extrai-se um Porco flor, que consiste da camada flor, mais parte da camada reticular.Em função disto, é de custo mais elevado, obrigando-o a ser utilizado quase que exclusivamente emcalçados sociais e vestuário.Raspa de porcoDe cada pele suína extrai-se em média 3 raspas. Estas já com propriedades físico-mecânicas inferiores doque o Porco flor, além é claro do aspecto visual. A raspa de porco tem seu emprego dirigido à forração decalçados, principalmente como forro avesso.4 – Eqüina. As peles eqüinas compreendem: cavalo, égua, etc.5 – Ovinos. As peles de ovinos compreendem: ovelha, carneiro, cordeiro, etc.6 – Peixe. Estas peles diferem estruturalmente das peles de mamíferos, pelo fato de não apresentaremglândulas sebáceas, e possuir escamas no lugar dos pelos.7 - Outros tipos de pelesExistem outras peles, que são utilizadas para apliques, cintos e até calçados, mas em escala comercialbem menor. Podemos citar as de Jacaré, Crocodilo, cobra, galinha (pés), coelho, peru e rã. DEFEITOSOs defeitos apresentados pelas peles geram uma depreciação muito grande das mesmas. Estes defeitospodem se originar durante a vida do animal, como: marcas de fogo, riscos, marcas de berne, carrapato,entre outros. Os defeitos também podem ser oriundos da esfola mau conduzida, ou também originados de CESCA Consultoria em Gestão de Processos | 11
  12. 12. 12uma conservação ineficiente ou inadequada, bem como de erros no processo de transformação das pelesem couros.1 - Marcas de fogoÉ uma marcação que o proprietário do animal faz, para identificá-lo. Esta marcação pode ser feita tantocom ferro-quente, como com ferro-gelado (resfriado com nitrogênio), deixando uma cicatriz que pode tantoser vista na flor como pelo lado do carnal.2 - Riscos ou arranhõesEstas marcas são causadas por espinhos, galhos de árvores, arames farpados das cercas, pregos ouparafusos salientes das carrocerias de caminhões ou vagões de trens.3 - Cicatriz de Berne (Miíase subcutânea)Estas cicatrizes são causados por larvas que são depositadas na pele do animal, através da moscaBerneira. De 5 a 7 semanas estas larvas vão se desenvolvendo no animal, abandonando-o e causandolesões em forma de nódulos que se verificam tanto na flor, como pelo lado carnal.4 - Cicatriz de CarrapatoO Carrapato se reproduz no solo, mas se desenvolve no animal. Ele causa marcas semelhantes ao Berne,porém nota-se somente na flor.5 - Cicatriz da mosca do chifreEsta marca é semelhante a um perfuro de agulha, e só aparece no lado da flor. É causado por uma mosca,e é bastante freqüente ocorrer em peles provindas dos estados do Paraná e Mato Grosso do Sul.6 - Bicheira (Miíase cutânea)Esta cicatriz é causada por uma mosca que deposita os ovos na pele do animal, dando origem a larvas quemigram para as bordas de lesões. Este tipo de marca é pouco comum. Observando-se apenas pelo lado daflor.7 - EstriasSão espécies de pequenos sulcos na pele do animal (principalmente das fêmeas). Este defeito também éoriundo de animais com mais idade, pois quanto mais velho, menor é o percentual de umidade e menor é aelasticidade. Nota-se este defeito na pele após purgada.8 - VeiamentoEste defeito ocorre devido ao "stress" do animal antes do abate, juntamente com uma sangria maurealizada. Fazendo com que o sangue fique nos vasos sangüineos, dando condições as bactérias dedigerirem o tecido circundante, formando o veiamento, já durante a conservação das peles no curtume.9 - CortesEste defeito pode ser originado por uma esfola mau conduzida, ou no processamento do couro no curtumecomo: nas máquinas de descarnar, rebaixar, etc., por desregulagem da máquina ou pouca habilidade dooperador.10 - Flor comidaSão espécies de cicatrizes que formam pequenas depressões na flor. É mais aparente em couros semi-acabados com brilho e couros com acabamento anilina. O problema tem sua origem ainda no animal vivo.11 - Flor ardidaNeste defeito a flor do couro apresenta uma certa aspereza, que é causada por bactérias resistentes aossais (halófilas) que começam a digerir a flor da pele, já durante a etapa de conservação. A Flor ardidatambém pode ser causada por uma depilação excessiva, pois além da epiderme, a Depilação começa adigerir a camada flor.12 - Descascamento da florA causa deste defeito é a mesma da Flor ardida, porém num estágio bem mais avançado. CESCA Consultoria em Gestão de Processos | 12
  13. 13. 1313 - Rachadura da florEste defeito pode ser causado por bactérias que durante a etapa de conservação enfraquecem a flor docouro, e, ou nas etapas do processamento como: secagem no Toggling, amaciamento mecânico, entreoutras. A outra causa deste defeito pode ser oriunda de uma esfola mecânica mau realizada, pois as garrasque prendem a pele durante a esfola podem escorregar, causando o trincamento da flor da pele.14 - Flor soltaEste é o defeito mais encontrado nos couros. Consiste no desprendimento da camada flor, com a camadareticular. Pode ser causado por uma má Conservação, produtos químicos mal empregados ou em excesso,excessivo trabalho mecânico (fulões e operações de amaciamento). Outro fator que contribui para osurgimento da flor solta é a temperatura dos banhos, pois o calor diminui a resistência do couro.15 - Flor enrugadaEste defeito é mais comum encontrar-se em peles de animais velhos, pois estes não tem tanta elasticidadequanto os animais mais jovens. A Flor enrugada pode ser causada por uma falta de estiramento ou falhanos processos de Curtimento, Recurtimento, Purga ou até mesmo devido a uma secagem forçada emestufas.16 - Eflorescência salinaEste defeito apresenta sob a forma de um pó esbranquiçado, que fica depositado sobre a superfície decouros úmidos (wet-blue).17 - Eflorescência de ácidos graxos (estearina)Este defeito pode ser causado por bactérias resistentes aos sais que atuam sobre as gorduras da pele, queacabam liberando os ácidos graxos por toda a estrutura, ocasionando manchas e regiões mais duras. Nocouro acabado manifesta-se através de manchas brancas (como se fosse talco).18 - Couro vazioCouro com toque vazio ou pouco encorpado, devido a desestruturação das fibras colágenas. Este defeitopode ter duas causas:19 - RufaA Rufa é um resto de material queratinoso (epiderme e pelos), retido nos folículos pilosos (fig. 33),decorrentes de uma Purga ou até mesmo de uma Depilação insuficientes.20 - Couro com substâncias agressivas e/ou com pouca resist. físico-mecânicaEstes problemas geralmente ocorrem devido a uma piquelagem mau conduzida, ou até mesmo por umaNeutralização insuficiente, que fazem com que estas substâncias (ácidos fortes livres) deixem o couro maisseco e sucetível ao rasgamento. Estes defeitos causam: oxidação de peças metálicas como fivelas, ilhósese adornos; manchamento da flor do couro, quando na aplicação de amaciantes; ou até mesmo orompimento do couro nas etapas de montagem do bico, ou em determinadas regiões costuradas.21 - Adesão insuficiente do acabamentoEste defeito apresenta-se sob a forma de um desprendimento da camada de acabamento sobre a flor docouro. Este problema pode ser causado por determinadas operações referentes aos setores de Pré-acabamento e Acabamento, como: não remoção do pó gerado pelo lixamento da flor; incompatibilidadeentre as camadas de tinta e o couro, entre outros.22 - ManchasAs manchas no couro atanado são comuns devido a oxidação do tanino, pela luz. Por isso o cuidado com aestocagem deve ser redobrado.23 - Amarelamento ou DesbotamentoEste efeito é causado pela oxidação ou degradação de produtos químicos contidos no acabamento de umcouro. Esta degradação também é denominada como: pouca solidez à luz. CESCA Consultoria em Gestão de Processos | 13
  14. 14. 1424 - Diferença de tonalidadeEste defeito é uma das características dos couros com acabamento anilina e semi-anilina. Esta diferençaocorre devido a desuniformidade de estrutura e porosidade das peles e couros.25 - Pouco poder de absorçãoEste defeito é causado pelo excesso de material engraxante . A outra causa seria a secagem com chapasquentes ou equipamento denominado Espelhadeira que tem a função conferir grande lisura.26 - Dobras e PregasEstes defeitos são oriundos das etapas do processamento do couro que evolvem máquinas com cilíndros,tais como: Rebaixadeiras, Enxugadeiras, Prensas, Espelhadeiras, entre outras.27 - Marcação de lote e classificaçãoEstas marcações são feitas na flor do couro, para facilitar a industrialização dos mesmos no curtume.28 - Marcação de áreaEsta marcação é feita pelo lado carnal, para determinar a área de um couro. Esta marca poderá causarproblema de ordem estética, quando este for utilizado em calçados sem forro. CESCA Consultoria em Gestão de Processos | 14

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