Poemas pinçados

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Palestra com o Professor, Eduardo Barros de Mello no seminário de Poesia Regional organizado pelos acadêmicos do Curso de Letras/UAB/UNIR no município de Rolim de Moura

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Poemas pinçados

  1. 1. POEMAS PINÇADOS EDUARDO MARTINS
  2. 2. INVENÇÃO DE MARIA Invento teu nome Maria de outros ventos que não posso inventar os ventos são corpos os corpos são nomes difíceis de lembrar Maria não alísios são ventos que te cobrem de minhas mãos. Para Maria Elizabete Sanches, minha companheira, no plano do imaginário.
  3. 3. A palavra falta palavras são vozes mudas de faltas que não se ausentam mas que de ausências se mudam para outras faltas-presenças por todos os lados são surdas as palavras que se inventam
  4. 4. não do lado que se escuta mas do outro que se pensa aquele em que à palavra falta seu espaço de ausência não na lacuna do corpo mas no que aí se inventa como ausência há de ser oco ou oco o que aí se pensa.
  5. 5. o poeta escreve pra dentro do vaso que não tem flora nem fora que não tem flores como esta estrofe como este vaso que não se quebra que não seqüela palavra cacos da cola flora de chão cerâmica verde o poeta escreve por dentro argamando a massa futuro vaso que há futuro vaso de ar que se espalha espelho de outro vaso nobre. O VASO
  6. 6. O LADO ABERTO o lado aberto te esconde em tua parte palavra neste lado quase ponte que se estende para o nada que quase mundo some do outro lado da fala para espelhar o indizível em outro espelho muralha
  7. 7. em teu silêncio-livro o lado aberto se espalha em lados de mil ladrilhos de sítios de mudas caras de seu espaço infinito em desenho que se cala o lado aberto te esconde em lado que nunca fala.
  8. 8. O CERAMISTA uma peça quando outra sempre diz mais que de atrito e se une lado a nova pelas mãos do ceramista peça que outro sermão de ser discurso de riscos ou de outro corpo encosta tanto mais cor do que brilhe
  9. 9. ser invento em solo firme ou cerâmica de novo colada quase sentido de cacos de piso posto pois rejunte há de ser risco que se gruda pelo outro ou que outro há de atrito que atrito não se ouve.
  10. 10. transparente, o rosto também é água fora de seus domínios tenta ser olho apenas para evadir-se como parte de rio em seu templo sereno as ondas são inimigas deste mar equilibrado Oceanografia do rosto
  11. 11. como concha, ainda revela-se o rosto pacífico e atlântico índico, em seu idílio de remontar outro mar ártico, em desejo de querer-se íntimo glacial, Antártico, em desejo de se revelar.
  12. 12. Recife, diluidora dos meus sonhos, tens água suficiente para afogar-me tuas lâminas de vento ensaiam o corte de minhas pontes respiratórias em ti sou ilha cercado de males por todos os lados GEOGRAFIA DO MAL
  13. 13. Uma andorinha só Só faz verão Em meus pulmões de chama E mistério acesos De tudo que vive Porque em segredo. Uma andorinha só Só faz verão Por que há de fazer mais ? Por que há de cantar ? Se em meu corpo Clama A canção sitiada Que se canta em degredo. • A CANÇÃO SITIADA
  14. 14. O rastro do rosto Respinga na tela E não convence O rastro do rosto de ontem Sem forma Sem rosto Sem resto O INOMINÁVEL
  15. 15. Se enrola Em Silêncio A sombra de si O rastro do rosto Se inventa No traço sem rosto O rastrocaso O Resto Rima Na cor Morre.
  16. 16. O destino tem mais dúvidas que eu Posso teimar com as pernas E decidir com os ombros Para mim há sempre um pássaro que canta: “Para quem anda o mundo nunca foi redondo”. O NINHO
  17. 17. Doravante é decidir sozinho: Se há para o pássaro o canto Decerto em mim existe o ninho. O destino tem mais dúvidas que eu Com os olhos sempre prontos para o espanto Se há para o pássaro um ninho Decerto para mim existe um canto.
  18. 18. Cabe no copo O que não cabe no corpo E ao corpo retorna líquido Cabe no corpo O que no mundo não caberia Porque de mundo não se compõe Cabe no copo Porque vazio após as noites ALEGORIA
  19. 19. Como a luz que desce ao copo Respira manhã Como manhã ainda tenta o ar Para recompor-se Anda comigo E como copo carrego Para torná-lo Substantivo.

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