Meios de acesso à literatura para pessoas cegas

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Meios de acesso à literatura para pessoas cegas

  1. 1. ISSN 1984-2279 Meios de acesso à literatura para pessoas cegas Amanda Cristina dos Santos Pereira Paulo Eduardo Zorel Vivian Santos Graduandos do curso de Licenciatura em Educação Especial pela Universidade Federal de São Carlos Ailton Barcelos da Costa Pós graduando do Programa de Pós Graduação em Educação Especial pela Universidade Federal de São Carlos Maria Amélia Almeida Docente do curso de Licenciatura em Educação Especial pela Universidade Federal de São Carlos Eixo temático: Deficiência Visual. Categoria: Pôster.ResumoO acesso à literatura por pessoas cegas acontece, prioritariamente, por meioda literatura em braile. Devido ao avanço tecnológico tem ocorrido uma procuramaior pela literatura em áudio. O questionamento de como o acesso à literaturapor pessoas cegas vem ocorrendo diante disso, ancorou o presente estudo.Assim, o objetivo deste é analisar as implicações da utilização desses meios deacesso por pessoas cegas. Para realização deste, serão entrevistados dezparticipantes cegos, destes, seis já foram entrevistados. Como instrumento decoleta de dados, está sendo utilizado um roteiro de entrevista semiestruturado.As entrevistas são gravadas e transcritas e os dados agrupados de acordo comos blocos temáticos, em tabelas e gráficos, para análise qualitativa equantitativa. Resultados preliminares indicam que os sujeitos mais velhos, nãodão preferência por um ou outro meio, pois de acordo com os mesmos, ambostêm suas vantagens e desvantagens. Quanto aos sujeitos mais jovens, umaluno do ensino médio, revelou preferência pelo áudio, e dois outros alunos,que já concluíram o ensino médio e estão se preparando para o ingresso noensino superior, demonstraram preferência pela utilização do braile, masafirmaram utilizar o áudio. Espera-se que a finalização da coleta de dados detodos os participantes possibilite a apresentação de dados mais conclusivos.Palavras-chave: deficiência visual, braile, literatura em áudio Introdução 1 1919
  2. 2. ISSN 1984-2279 A definição científica da deficiência visual se modificou bastante com opassar do tempo, sendo que a atual foi definida no Conselho Internacional deOftalmologia, que ocorreu em 20 de abril de 2002, em Sidney (Austrália), estanova definição divide a deficiência visual em cegueira (perda total da visão),baixa visão (graus menores de perda de visão), visão diminuída (perda defunções visuais, que pode ser medido quantitativamente), visão funcional(capacidade da pessoa de usar a visão nas Atividades de Vida Diária) e perdade visão (é um termo geral, usado em qualquer um dos casos de deficiênciavisual) (REIS, EUFRÁSIO, BAZON, 2010). Já do ponto de vista educacional, segundo Barraga (1985), pessoascegas são aquelas que possuem a percepção de luz insuficiente para enxergar,fazendo-se necessário a utilização do sistema braile para aprender. Neste trabalho abordaremos questões referentes apenas pessoascegas, de causa congênita ou adquirida, para tal, faremos um breve históricoda deficiência visual, utilizando como referência os estudos de Mazzotta(2005). Até o século XVII, as informações científicas quanto à deficiência erambem limitadas, de forma que era mistificada e oculta. A falta de conhecimentofez com que as pessoas com deficiência fossem ignoradas e marginalizadaspor um longo período de tempo. Os primeiros representantes das pessoas com deficiência foram líderesda sociedade e foi na Europa em que se iniciou o movimento em prol daspessoas com deficiência, seguida dos Estados Unidos, Canadá e em seguidade outros países, como o Brasil, sendo que a primeira obra sobre educaçãoespecial é de autoria de Jean-Paul Bonet e foi impressa em 1620, na França. No que diz respeito à deficiência visual, é preciso destacar ValentinHaüy, que fundou em Paris (1784) o Instituto Nacional dos Jovens Cegos,nessa época Haüy já utilizava letras em relevo para ensinar pessoas cegas. 2 1920
  3. 3. ISSN 1984-2279 Após a regularização na vida da França depois da Revolução Francesa,outras escolas para cegos foram abertas, como exemplo temos “... as de LiverPool em 1791, de Londres em 1799 e, já no século XIX, de Viena em 1805 e deBerlin em 1806.” (Silva apud Mazzotta. 2005: 19). Em 1819, Charles Barbier, oficial do exército francês, visitou o InstitutoNacional dos Jovens Cegos e sugeriu um processo de escrita utilizado paratransmitir mensagens durante a noite sem a utilização de luz para não atrair oinimigo, este processo era baseado em pontos salientes que representavam ostrinta e seis sons básicos da língua francesa. Ainda segundo Mazzotta “em 1829,... Louis Braille... fez uma adaptaçãodo código... para as necessidades dos cegos... denominada sonografia e, maistarde, de braile .” (2005, p.19), sendo que nos dias atuais o braile é um sistemacomposto por simbologia especifica para Matemática, Química, Física eMúsica. Já no Brasil, foi fundado por D. Pedro II, em 12 de Setembro de 1854, oImperial Instituto dos Meninos Cegos, que passou a ser chamado de InstitutoBenjamin Constant (IBC), em 24 de Janeiro de 1891. É importante ressaltar que nesta época o atendimento as pessoascegas, bem como as pessoas com outros tipos de deficiência, era bemreduzido, como nos lembra Mazzotta (2005) ao ressaltar que em 1872, apesarde haver 15.848 cegos no Brasil, somente 35 eram atendidos pelo IBC. O IBC foi responsável por diversas ações no Brasil relacionadas àspessoas com cegueira, como exemplo podemos citar a edição, em 1942, daRevista Brasileira para Cegos, a instalação, em 1943, da imprensa braile e adistribuição de livros em braile para pessoas cegas que assim solicitassem apartir de 17 de setembro de 1949. Além do IBC, outras instituições voltadas às pessoas cegas foramfundadas, como a Fundação para o Livro do Cego no Brasil, instalada em São 3 1921
  4. 4. ISSN 1984-2279Paulo no ano de 1946, graças aos esforços de Dorina Nowill. Em 1990, ainstituição passou a ser denominada Fundação Dorina Nowill para Cegos. O governo federal assumiu o atendimento para as pessoas comdeficiência, a partir da criação de Campanhas voltadas para este fim, sendoque a primeira ocorreu em 1957 e foi para os surdos, no ano seguinte foi criadaa Campanha Nacional de Educação e Reabilitação de Deficientes da Visãoque, pouco tempo depois teve seu nome modificado para Campanha Nacionalde Educação de Cegos, ela foi extinta em 3 de julho de 1973, com a criação doCENESP (Centro Nacional de Educação Especial). Em 1986, o CENESP se transformou na Secretaria de EducaçãoEspecial – SESEP que, por sua vez, foi extinta em 15 de Março de 1990, esuas atribuições foram transferidas para a Secretaria Nacional da EducaçãoBásica – SENEB. Diversas outras leis foram implantadas com o passar dos anos, atéchegarmos à realidade atual, onde se visa à educação das pessoas comdeficiência em escolas regulares, recebendo o apoio de salas de recursomultifuncionais (também conhecidas como salas de Atendimento EducacionalEspecializado). Referencial teórico Revisamos os estudos científicos com temas iguais ao nosso, utilizandotanto no “Google Acadêmico” quanto no Catálogo de Publicaciones deServicios Sociales, os seguintes descritores: áudio-livro, braile, meios deacesso deficiente visual, literatura e cegueira. Não encontramos nenhumresultado idêntico, já em relação aos temas semelhantes localizamos, atravésdo “Google Acadêmico” o artigo de Dallabrida e Lunardi (2008) que aborda“...O acesso aos livros em braile, sua materialidade, circulação, práticas e usos,disponíveis em uma biblioteca, para os sujeitos com deficiência visual...”(Dallabrida, Lunardi, 2008, p. 191). 4 1922
  5. 5. ISSN 1984-2279 Por outro lado, através do Catálogo de Publicaciones de ServiciosSociales, tivemos acesso a três trabalhos que julgamos convenientes para opresente trabalho. O primeiro, de Rueda (1995), estuda como a informaçãocontextual pode ajudar em uma leitura mais rápida do sistema braile. Osresultados de seus estudos mostram que esta facilidade em relacionar palavrasa contextos pode sim facilitar a leitura para os cegos, tornando-a mais rápida,mas esta mesma facilidade está intimamente ligada também ao nível deescolarização dos mesmos. Já o segundo, de Hertlein (1998), defende que o ensino escolar (seja eminstituições especializadas ou em escolas regulares) de pessoas comdeficiência visual devem conter o ensino, treino e uso do Sistema Braille,reafirmando a ideia de que com os avanços tecnológicos o Sistema Braile nãopode ser descartado da educação de pessoas com deficiência visual. Por fim, o terceiro, de autoria de Cierco (2002), identifica as diversasdesvantagens encontradas por usuários do braile em Paris, que podem servistas também nos dias de hoje em nosso país, como o acesso a produtos deinformática e equipamentos adaptados, que dificilmente são encontrados nomercado. Baseado no fato de não ter sido encontrado nenhum estudo idêntico aoproposto, bem como o período tecnológico em que vivemos e a escassez deestudos semelhantes, julgou-se importante dar início a uma pesquisa quetivesse como base a influência da tecnologia para os meios de leituraexistentes para as pessoas cegas e que, das pesquisas encontradas, tem-secomo base opiniões de videntes, havendo necessidade de conhecer aperspectiva das pessoas cegas diante do assunto. Logo, surgiu a questão que procuramos elucidar no decorrer desteprojeto: a análise quali-quantitativa da utilização dos meios de acesso àliteratura por pessoas cegas, bem como as implicações da utilização de cadaum desses meios. 5 1923
  6. 6. ISSN 1984-2279 Objetivo Diante do descrito, o presente trabalho tem por objetivo identificar osmeios de acesso à literatura, utilizados por pessoas cegas e analisar os pontospositivos e negativos da utilização destes meios. Método Utilizou-se como método de pesquisa o modelo misto, que consiste,segundo (Sampiere, Collado e Lucio, 2006), na combinação dos modelosqualitativo e quantitativo. A escolha desse método ocorreu devido àpossibilidade de desenvolver uma pesquisa com dados estatísticos, pois autilização do método quantitativo torna possível a coleta de dados concretos,estabelecendo-se com exatidão os padrões de resposta dos participantes, já omodelo qualitativo, torna possível uma melhor interpretação das questões dapesquisa. A coleta de dados foi realizada no município de São Carlos/SP, nainstituição de ensino superior público, Universidade Federal de São Carlos. Espera-se entrevistar dez indivíduos, com cegueira congênita ouadquirida, a partir de 16 anos, que estejam cursando o ensino médio, cursopré-vestibular, graduação ou pós-graduação, desconsiderando o gênero, aprofissão e a classe social dos mesmos. Devido à dificuldade de encontrarparticipantes aptos, bem como a limitação de tempo existente para a pesquisa,foi possível realizar, até o momento, entrevista com seis participantes,seguindo os demais critérios propostos. Tenciona-se, até o final do ano de2012, entrevistar os quatro demais. No que diz respeito aos materiais utilizados, estes compreenderam emfolha de sulfite A4, lápis, caneta, borracha, entre outros. Já os equipamentosutilizados foram: gravador, notebook e impressora. Já o instrumento de coleta de dados consistiu em um roteiro deentrevista semi-estruturada, composto por seis blocos temáticos, sendo estes: 6 1924
  7. 7. ISSN 1984-2279 a) Caracterização do entrevistado: visa conhecer um pouco sobre apessoa que entrevistaremos; b) Conhecimento sobre o braile: abordará questões referentes sobre aescrita, alfabetização e leitura em braile que o entrevistado por ventura possua; c) Acesso ao braile: objetiva identificar os meios de acesso ao braile queo entrevistado possui e/ou conhece; d) Conhecimento sobre áudio-livros: busca saber se o entrevistadoconhece áudios-livros, se os utiliza e se considera que a narração dointerlocutor influencia na interpretação do conteúdo; e) Acesso ao áudio-livro: consiste em identificar os meios de acesso aáudio-livros que o entrevista possui e/ou conhece; f) Preferência quanto à leitura: trata da preferência do entrevistadoquanto a leitura por meio do sistema braile ou áudio- livros, tendo comoobjetivo central identificar as vantagens e desvantagens destes recursos. Sobre a coleta de dados, cada participante foi entrevistado uma únicavez e separadamente. Conforme foi proposto no método houve a gravação doáudio da entrevista e a leitura do termo de livre consentimento. Ospesquisadores não encontraram dificuldade em implementar o instrumento e asentrevistas transcorreram sem nenhum imprevisto. Para a efetuação da análise dos dados, foram criadas tabelas e gráficos,possibilitando maior compreensão dos dados quantitativos e qualitativos. Para garantir o respeito do código de ética no tratamento do serhumano, o trabalho foi submetido ao comitê de ética em pesquisa envolvendoseres humanos da UFSCar, e mediante o parecer favorável do mesmo, foientregue aos participantes um termo de consentimento em braile, o qual foi lidopelo pesquisador e pelo participante só havendo a realização da entrevistaapós a assinatura deste termo por ambos os indivíduos e mais umatestemunha vidente. Além disto, destacamos que a identidade dos participantes foiresguardada e que as informações obtidas serão utilizadas apenas para fins dedivulgação cientifica. 7 1925
  8. 8. ISSN 1984-2279 Resultados Parciais Dos participantes envolvidos na pesquisa, 40% possuem idade entre 30e 40 anos, 40% entre 20 e 30 e 20% entre 16 e 20. Já no que desrespeito aescolarização e ao tipo de cegueira, como é possível visualizar nos gráficosabaixo, pode-se perceber uma variação interessante entre os indivíduosestudados no que se refere ao nível de escolaridade, bem como apredominância da cegueira adquirida, sendo a causa e a idade (quandoadquirida) explicitados na tabela 1.Gráfico 1: nível de escolaridade dos participantes.Fonte: arquivo pessoal.Gráfico 2: tipo de cegueira dos participantes.Fonte: arquivo pessoal.Tabela 1: causa e idade da perda de visão dos cegos adquiridos. Causa e idade (quando adquirido) da perda da visão E1 E2 E3 E4 E5 Acidente de Retinose Toxoplasmose Má formação Causa Desconhecido carro pigmentar na gravidez cerebral Idade 20 anos Congênito Congênito 10 anos 13 anosFonte: arquivo pessoal. 8 1926
  9. 9. ISSN 1984-2279 Dos dados acima, pode-se perceber a prevalência de doenças noque se desrespeito a perda da visão, o que pode ter base de vivermos em umpaís em desenvolvimento, como explicita Temporini e Kara-José (2004, p. 598): “Tomando por base dados populacionais de 1993, a OMS comparou a prevalência de cegueira com dados econômicos de 229 países. Os resultados mostraram que o desenvolvimento econômico de cada país estava associado à respectiva prevalência de cegueira...” Em termos de quantidade de membros na família, pode-seperceber a predominância de três membros contando com o participante 1 etambém nenhum membro outro membro da família é cego.Tabela 2: Quantidade de membros na família dos participantes entrevistados. Quantidade de membros na família Entrevistado 1 Entrevistado 2 Entrevistado 3 Entrevistado 4 Entrevistado 5 3 3 1 3 5Fonte: arquivo pessoal. Por conseguinte, têm-se os dados referentes ao conhecimento sobre obraile que os participantes envolvidos possuem. Para tal, em primeira instânciaanalisou-se se estes conhecem a história do braile (Gráfico 3), podendo-seperceber que ao menos o básico é de conhecimento geral. Já no quedesrespeito a alfabetização em braile, todos os participantes passaram por esteprocesso, que ocorreu sempre em uma instituição especializada em deficiênciavisual, com uma variação média de idade, tal dado pode ser analisado natabela 3. Quanto à forma de escrita em braile, dos cinco entrevistados,quatro citaram tanto o reglete quanto a máquina de escrever em braile e umcitou somente a máquina de escrever em braile2.1 Ver tabela 2.2 Ver anexo 1. 9 1927
  10. 10. ISSN 1984-2279Gráfico 3: Conhecimento sobre a história do braile. Conhecimento sobre a história do braile Áudio-livro Ambos 0 0,2 0,4 0,6 0,8 1 1,2 Quantidade de participantesFonte: arquivo pessoal.Tabela 3: Alfabetização em braile. Alfabetização em braile E1 E2 E3 E4 E5 Idade 26 anos 7 anos 10 anos 11 anos 17 anos 3 Internato 5 Local CIADEVA CIADEVA 4 DADV DADV Padre ChicoFonte: arquivo pessoal. Sobre o acesso ao braile, analisamos se os participantesconhecem locais onde existem textos disponíveis em braile, a resposta foipositiva em todos os casos. Já quanto a locais onde há a possibilidade deimpressão de outros materiais gratuitamente houve somente uma respostanegativa. Quanto aos meios utilizados para escrever em braile houve umavariação nas respostas, havendo prevalência da máquina em escrever embraile, como é possível perceber no gráfico a seguir:3 CIADEVA (Centro de Integração e Apoio ao Deficiência Visual e Auditivo) - É uma escolaespecializada no atendimento à pessoas com deficiência visual e/ou auditiva. (Localizada em Taboão daSerra – SP).4 Instituto de Cegos “Padre Chico” é uma entidade sem fins lucrativos que mantém uma escola de ensinofundamental, totalmente gratuita, em São Paulo, para pessoas cegas e com baixa visão.5 DADV (Deficientes Auditivos e Deficientes Visuais) – É uma instituição localizada em Araras eespecializadas em pessoas com deficiência auditiva e deficiência visual. 10 1928
  11. 11. ISSN 1984-2279Gráfico 4: Equipamento utilizado para escrever em braile. Equipamento utilizado para escrever em braile Ambos Áudio-livro Braile 20% 60% 20%Fonte: arquivo pessoal. Da mesma forma que foi analisado o conhecimento sobre o brailedos participantes, analisou-se o conhecimento dos mesmos quanto a áudio-livros, onde pode-se perceber que a maioria dos participantes sabe daexistência do áudio-livro6, havendo uma grande maioria que desconhece amaneira como se transforma um livro online em áudio-livro7, bem como que avariação na influência da qualidade do livro 8 e da entonação da voz donarrador9 é a mesma,, sendo que o motivo da influência da entonação da vozexplicitado pelos participantes é semelhante10.Tabela 4: Definição de áudio-livro segundo os participantes. Definição de áudio-livro segundo os participantes E1 E2 E3 E4 E5 Uma voz narrando o Livro em NãoDefinição conteúdo escrito; Muito bom. Muito bom. áudio. respondeu. isoladamente, não é bom.Fonte: arquivo pessoal.6 Ver tabela 4.7 Ver gráfico 5.8 Ver gráfico 6.9 Ver gráfico 7.10 Ver tabela 5. 11 1929
  12. 12. ISSN 1984-2279Gráfico 5: Conhecimento sobre transformar livro digitalizado em áudio-livro. Transformar livro digitalizado em áudio-livro 1 No de 0,5 Participantes 0 Ambos Áudio-livroFonte: arquivo pessoal.Gráfico 6: Influência da qualidade do áudio-livro. Influência da qualidade do áudio-livro Ambos Áudio-livro Braile 20% 60% 20%Fonte: arquivo pessoal.Gráfico 7: Influência da entonação da voz do narrador do áudio-livro. Influência da entonação da voz do narrador do áudio-livro Ambos Áudio-livro Braile 20% 60% 20%Fonte: arquivo pessoal. 12 1930
  13. 13. ISSN 1984-2279Tabela 5: causa(s) da influência da entonação da voz do narrador do áudio-livro. Causa(s) da influência da entonação da voz do narrador do áudio-livro E1 E2 E3 E4 E5 Quando há muitas Voz chata pausas ou é narrado Não Não não Não muito rapidamente, semCausa(s) encontra encontra desperta o respondeu. haver interpretação de influência. influência. interesse diálogos, etc, não desperta interesseFonte: arquivo pessoal. Sobre o acesso a áudio-livro, levou-se em primeiramente emconsideração se estes possuem acesso a um computador e a internet, poiscaso não possuíssem, seria complexo utilizar tal recurso. Todos osparticipantes responderam positivamente a estas duas perguntas. Com isso,analisou-se se eles conhecem locais onde se tem áudio-livros disponíveis11, seo utilizam e onde os obtém12.Gráfico 8: Conhecimento quanto a locais que disponibilizam áudio-livros. Conhecimento quanto a locais que disponibilizam áudio-livros Ambos Áudio-livro 50% 50%Fonte: arquivo pessoal.11 Ver gráfico 8.12 Ver tabela 7. 13 1931
  14. 14. ISSN 1984-2279Tabela 7: Utilização de áudio-livros e locais onde obtém. Utilização de áudio-livros e locais onde obtém E1 E2 E3 E4 E5 UtilizaUtilização Utiliza Não utiliza Utiliza Utiliza pouco CIADEVA, Não utiliza, mas Não SENAC Santo sabe que é possível Não sabe Onde especificou Não sabe Amaro e Cento obter no CIADEVA e onde obtém onde onde obter. Cultural de São na fundação Dorina obter. obtém Paulo NowillFonte: arquivo pessoal. Todas as questões elucidadas acima, visavam introduzir o tema daquestão de pesquisa, o qual é respondido nos dados contidos a seguir, ou seja,aqueles referentes a preferência do meio de acesso a literatura utilizado pelaspessoas cegas bem como suas implicações positivas e negativas. Sobre a preferência do meio de acesso, percebeu-se que o braile temgrande destaque, estando presente em 80% das respostas, como é possívelanalisar no gráfico abaixo.Gráfico 9: Preferência do meio de acesso. Preferência do meio de acesso Ambos Áudio-livro Braile 20% 60% 20%Fonte: arquivo pessoal. Sobre as implicações positivas da utilização do braile, houve aprevalência pelo conhecimento da gramática, tendo havido também respostassobre a confiabilidade, o desenvolvimento da coordenação motora fina, a 14 1932
  15. 15. ISSN 1984-2279possibilidade de reler com facilidade algum determinado trecho, como ilustra atabela a seguir:Tabela 8: Implicações positivas da utilização do braile. Implicações positivas da utilização do braile E1 E2 E3 E4 E5 Possibilidade de Conhecimento Conhecimento poder reler com da gramática, Confiabilidade, da gramática, facilidade trechos desenvolvimen conhecimento Conhecimento o que gera que não to da da gramática e da gramática facilidade ao compreendeu coordenação da ortografia escrever gerando maior motora fina, redações. compreensão do tato, etc. que foi lidoFonte: arquivo pessoal. Sobre as implicações negativas da utilização do braile, foi apontadaprincipalmente a velocidade da leitura (lenta) e a falta de portabilidade, outrasimplicações foram apontadas, havendo também participantes que nãovislumbram nenhuma implicação negativa na utilização do braile, como mostraa tabela a seguir.Tabela 9: Implicações negativas da utilização do braile. Implicações negativas da utilização do braile E1 E2 E3 E4 E5 Leitura lenta, Pouco material em Leitura lenta quantidade Braile, quantidade de e quantidade Nenhuma. Nenhuma. grande de folhas e desgaste de folhas folhas natural.Fonte: arquivo pessoal. Já quanto às implicações positivas da utilização do áudio-livro, os itensmais apontados foram à portabilidade, sobre as implicações negativas,diferentemente do que os pesquisadores acreditavam no início da pesquisa,somente foi citado um único fator, sendo este o desconhecimento dagramática, como ilustra a tabela a seguir. 15 1933
  16. 16. ISSN 1984-2279Tabela 10: Implicações positivas e negativas da utilização do áudio-livro. Implicações positivas e negativas da utilização do áudio-livro E1 E2 E3 E4 E5 Maior Leitura Não citou facilidade para Leitura Portabilidade,Positivas rápida, nenhuma compreender rápida agilidade. portabilidade implicação. o conteúdo da bíblia Não Desconheci- Desconheci- encontrou mento da DesconhecimentoNegativas Nenhuma mento da nenhuma gramática e da gramática gramática implicação da ortografia negativaFonte: arquivo pessoal. Por fim, julgou-se interessante analisar um fato marcante da vida doparticipante que envolvesse um meio de acesso, partindo do conceito devalorização das experiências dos mesmos. A seguir têm-se as respostas dosmesmos.Tabela 11: Fato marcante relacionado ao braile e/ou ao áudio-livro. Fato marcante relacionado ao braile e/ou ao áudio-livroE1 O acesso à literatura em braile e áudio (depois de ficar cego).E2 Como eu terminava a leitura em braile rapidamente, um professor me fez ler um livro em braile do lado inverso (conta rindo o participante).E3 Quando eu trabalhava com estética, ficava falando alto para estudar o conteúdo de um concurso público e minhas clientes adoravam minha voz.E4 Foi quando li o áudio-livro d história do Marly e Eu, pois tenho um cachorro que é adestrado pra ser cão guia, então conforme a história ia passando eu fui pensando nele e me emocionei muito.E5 Em áudio-livro que eu possuo em casa (da bíblia), está escrito em Josué “enfrenta-te e tem bom animo” e é o que a gente têm que faze né, mesmo sendo cego não devemos ficar triste. Devemos enfrentar, ter bom ânimo e Jesus nos ajudará, é isso que eu percebo com todas essas coisas que eu vejo ( ele ri ) que eu vejo não, que eu ouço, claro.Fonte: arquivo pessoal. 16 1934
  17. 17. ISSN 1984-2279 Conclusões Pode-se, prioritariamente, concluir que ambos os meios de acessoestudados possuem suas implicações positivas e negativas, de tal forma queas pessoas cegas tendem a optar por ambos, mas apesar disso, em termos depreferência o braile prevalece drasticamente. Este fato é interessante, pois ao se analisar os dados, pode-se perceberque existem mais implicações negativas em relação ao braile do que ao áudiolivro. O fato de haver menos implicações negativas em relação ao áudio-livrodo que ao braile surpreendeu os pesquisadores envolvidos, que acreditavamque o resultado seria o oposto. Um fator que se acreditava que seria explicitado no decorrer da pesquisaé a preferência pelo meio de acesso de acordo com o tipo da cegueira, masdevido ao fato de ter-se um número maior de cegos adquiridos do quecongênitos, bem como ao pequeno número de participantes, não foi possívelelucidar essa questão, deixando-a para outra pesquisa. Também é importante ressaltar o fato de que, até o momento, todos osparticipantes envolvidos foram alfabetizados em uma instituição especializadaem pessoas com deficiência visual, de tal forma que quando forementrevistados participantes que não estão sob a ótica dessa realidade, existe apossibilidade de haver grande modificação nos resultados. Por fim, pode-se concluir que de acordo com os resultados encontrados,independentemente das implicações negativas do braile estarem em maiornúmero do que do áudio-livro, as pessoas cegas continuam preferindo oprimeiro meio citado, de tal forma que é importante elaborar pesquisas quevisem melhorar ou sanar as implicações negativas do braile, tornando-o maisportátil, aumentando sua agilidade na hora da leitura, trabalhando a questão dodesgaste manual das letras do alfabeto de seis pontos a partir do manuseio de 17 1935
  18. 18. ISSN 1984-2279seu usuário e, por fim, a quantidade de folhas em comparação com os textosimpressos. ReferênciasBARRAGA, N. C. Disminuidos visuales y aprendizaje. Madrid: ONCE, 1985.CIERCO, J. Braille y las nuevas tecnologias. Entre dos mundos, n. 19, pp. 61-65,Madrid, Ed. ONCE., ago 2002.DALLABRIDA, A. M.; LUNARDI, G. M. O acesso negado e a reiteração dadependência: a biblioteca e o seu papel no processo formativo de indivíduos cegos.Cadernos Cedes, Campinas, v. 28, n. 75, p. 191-208, 2008.HERTLEIN, J. Braille: requisito imprescindible para la enseñanza y formación de laspersonas ciegas.. Entre dos mundos, n. 12, pp. 5-13, Madrid, Ed. ONCE., out 1998.MAZZOTTA, M. J. S. Educação Especial no Brasil: História e Políticas Públicas.5ed. São Paulo: Cortez, 2005. 208 p.REIS, M. X. dos; EUFRÁSIO, D. A.; BAZON, F.V.M. A formação do professor para oensino superior: prática docente com alunos com deficiência visual. Educação emRevista, Belo Horizonte, v. 26, n. 1, Abr. 2010. Disponível em:<http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-46982010000100006&script=sci_arttext>.Acesso em: 13 jun. 2011.RUEDA, C. S. Utilización de la información contextual en la lectura braille. Entre DosMundos, nº 19, pp. 5-11. Madrid, Ed. ONCE., out 1995SAMPIERI, R. H.; COLLADO, C. F.; LUCIO, P. B. O processo de pesquisa e osenfoques quantitativo e qualitativo. In_____. Metodologia de pesquisa. São Paulo:McGraw-Hill, 2006. 2-21.TEMPORINI, E. R.; KARA-JOSÉ, N. A perda da visão – estratégias de prevenção. ArqBras Oftalmol, v. 67, n. 4, p. 597-601. 2004. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/abo/v67n4/21405.pdf>. Acesso em: 20 dez. 2011. 18 1936

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