O grande portal da era nova

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Livro que trata do estudo da Doutrina Espírita e dos grupos de estudos nos Centros Espíritas.
Relembrando a missão do Espiritismo e sua grandeza, aqui tratamos de nosso compromisso pessoal na vivência de seus postulados e na sua divulgação, dando destaque à importância do Centro Espírita no contexto da vida diária de cada um e a necessidade de que ele seja o foco irradiador do Consolador, ao tempo em que elencamos algumas recomendações para disseminar os ensinos da Doutrina Espírita aos interessados, através do estudo continuado, tendo por base as orientações dos Benfeitores Espirituais e a arte de pensar.

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O grande portal da era nova

  1. 1. E Nra ova A propósito do estudo da Doutrina Espírita e dos grupos de estudos nos Centros Espíritas. aurício O GRANDE PORTAL DA M ilvaS
  2. 2. 2ª edição Edição Eletrônica Copyrigth 2013 by Maurício Silva Curitiba - PR Contato: portal.eranova@yahoo.com.br Capa e diagramação - pelo autor Imagens próprias do autor ou da Internet (livres) Distribuição gratuita e dirigida Todos os direitos de reprodução, cópia, comunicação ao público e exploração econômica desta obra estão reservados, única e exclusivamente, para o autor. Proibida a sua reprodução parcial ou total através de qualquer forma, meio ou processo, sem a prévia e expressa autorização do autor, nos termos da lei 9.610/98. Edição Eletrônica no Brasil
  3. 3. E Nra ova Maurício Silva Curitiba - PR 2ª edição revista e ampliada Edição eletrônica própria Março de 2015 O GRANDE PORTAL DA
  4. 4. Índice O Grande Portal 5 Pérola cor de ouro 9 Palavras iniciais 11 A título de introdução 17 PARTE 1: Espiritismo para nós 1 A missão de Allan Kardec 21 2 A volta do Consolador prometido 25 3 O grande fanal do Espiritismo 29 PARTE 2: Nós e o Espiritismo 4 O nosso chamado pessoal 37 5 Clareza de posicionamento 41 6 O verdadeiro espírita 45 7 Cuidados pessoais a serviço do Cristo 51 PARTE 3: Espiritismo para todos 8 Importância do estudo 63 9 A necessidade do estudo 67 PARTE 4: Espiritismo e o Centro Espírita 10 O Centro Espírita 79 11 Centro Espírita: Unidade fundamental. Foco de atividade Coletiva 85 12 Visão esquemática das atividades de estudos doutrinários 93 PARTE 5: O portal de entrada 13 Palestras públicas: o portal de entrada no Centro Espírita 101 PARTE 6: Do desconhecido para o conhecido 14 A arte de pensar 111 15 Provocações positivas 127 16 Moldar, emoldurar e modular o ensino do Espiritismo 129
  5. 5. 17 O mundo invisível saiu do silêncio 135 PARTE 7: E o semeador saiu a semear 18 Apresentando o Evangelho Restaurado 149 19 Pontos básicos para uma boa palestra 155 20 E o semeador saiu a semear 165 Palavras finais 169
  6. 6. Formamos uma grande família, na sublime família universal, uma equipe de espíritos afins. Vinculados uns aos outros desde o instante divino em que fomos gerados pelo Excelso Pai, vimos jornadeando a penosos contributos de sofrimentos, em cujas experiências, a pouco e pouco, colocamos os pilotis de segurança para mais expressivas construções... Joanna de Ângelis
  7. 7. O grande portal da era nova |  7 PREFÁCIO Escrito pela Veneranda Benfeitora Espiritual Joanna de Ângelis, especialmente para este livro: GrandeO Portal OEspiritismo é ciência do ser imortal, que se caracteriza pela experimentação de laboratório, demonstrando a realidade dos seus conteúdos filosóficos, que libertam as consequências éti- co-morais-religiosas. Resultado da observação cuidadosa do eminente Prof. Rivail, mais tarde sob o pseudônimo de Allan Kardec, os seus postulados fixam-se nas leis da Natureza, especialmente na lei de amor, ínsita em todo o Universo, por ser a lei de Deus. Para que seja compreendido e praticado oferece incompa- rável tesouro de informações que se encontram na Codificação, constituída pelas obras básicas, cujas estruturas resistem a quais- quer enfrentamentos culturais, bem como naquelas que lhes são complementares, especialmente a Revista Espírita, desde a sua fun- dação no dia 1° de janeiro de 1858 até março de 1869, quando desencarnou o insigne mestre lionês. Não se pode, portanto, conhecer realmente o Espiritismo, se-
  8. 8. 8 |  O grande portal da era nova não mediante o seu grande portal, que é o acesso às obras fun- damentais: O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno e A Gênese. À medida que se toma conhecimento pedagógico da Doutri- na, atravessando-se o grande portal que leva à revelação dos imortais e aos nobres comentários do codificador, alargam-se os horizontes intelectuais e emocionais do indivíduo, propondo-lhe a ampliação dos estudos nas pequenas e oportunas obras O que é o Espiritismo, O principiante espírita e na coletânea exarada na referida Revista Espírita. Graças a esse extraordinário trabalho de pesquisa e informa- ções, o Espiritismo jamais será ultrapassado, conforme assinalou Allan Kardec, porque pode absorver as novas conquistas do pen- samento e deixar à margem o que não seja compatível com as demonstrações da ciência em qualquer época. Trata-se, portanto, de uma doutrina séria para pessoas igual- mente sérias. Não se pode considerar espírita qualquer indivíduo que parti- cipe de reuniões mediúnicas ou doutrinárias, sem as reflexões hau- ridas na Codificação. Entretanto, não se trata de uma proposta elitista, que elimina as pessoas incultas ou desprovidas de conhe- cimentos especializados. Na sua condição de O Consolador, que fora prometido por Jesus, abre-se com imensa facilidade a todos os níveis morais, so- ciais e culturais da humanidade, orientando, confortando e escla- recendo os grandes enigmas existenciais e dando-lhes saudáveis soluções. Destaca, no seu bojo como de importância fundamental, a transformação moral do ser humano para melhor, lutando sempre contra as suas más inclinações, estimulando a prática da caridade por todos os meios e modos ao seu alcance. Paraninfado por Jesus, que administra o planeta terrestre, são os seus Embaixadores, essas estrelas espirituais, que se encontram
  9. 9. O grande portal da era nova |  9 encarregados de promover o progresso da criatura humana, assim como do seu domicílio. Divulgá-lo corretamente é dever inadiável a que se submetem todos aqueles que sorvem as suas águas lustrais que plenificam e libertam da ignorância. A obra que estamos apresentando ao nosso querido público, é um trabalho grave e de atualidade, pelas considerações e apro- fundamentos dos temas apresentados, ao mesmo tempo fácil e agradável de ler, porque fundamentada na excelência da Codifi- cação Espírita. Temos certeza que todo aquele que o ler com real interesse e sem prejuízos adrede estabelecidos, encontrará roteiro de segu- rança e esclarecimento para o aprofundamento das próprias re- flexões e iluminação da consciência. Joanna de Ângelis (Página psicografada pelo médium Divaldo Pereira Franco, na manhã de 18 de dezembro de 2012, em reunião no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.)
  10. 10. Aprofundar, portanto, estudos, no seu organismo doutrinário, é dever de todo espírita consciente, que passará a lecioná-lo, como decorrência do auto-aprimoramento, com segurança e lucidez, não permitindo que a urze do absurdo ou o escalracho da fantasia se lhe imiscuam, gerando dificuldades compreensíveis nas mentes necessitadas e nos espíritos sofridos que pululam em toda parte, sedentos da água viva do Consolador Prometido, que já se encontra na Terra há mais de um século, inaugurando o período de felicidade que se avizinha e de que nos deveremos constituir pioneiros, pela forma como apresentarmos e vivermos o Espiritismo com Jesus. Vianna de Carvalho
  11. 11. O grande portal da era nova |  11 Cor de Ouro Pérola Apérola é uma joia de alto valor. E há as caríssimas, como as raras pérolas do Mar da China Meridional cor de ouro 24 qui- lates, conhecidas como “Ouro do Mar de Sulu”. As pérolas são encontradas em certas conchas de moluscos nas profundezas do mar. O molusco precisa ser ferido, e é a partir daí que a secreção se solidifica formando a pérola. Pérolas são produtos da dor, resultado da entrada de uma substância estranha no interior da ostra, como um grão de areia. A parte interna da concha de uma ostra é uma substância lustrosa chamada nácar. Seu brilho é translúcido, capaz de captar os raios solares. Porém é a pérola que, em todo o seu esplendor reflete as cores do arco-íris. Quando um grão de areia a penetra, as células do nácar co- meçam a trabalhar e cobrem o grão de areia com camadas e mais camadas para proteger o corpo indefeso da ostra. Como resulta- do, uma linda pérola é formada. Uma ostra que não foi ferida, de algum modo, não produz pé- rolas, pois a pérola é uma ferida cicatrizada.
  12. 12. 12 |  O grande portal da era nova Quem de nós já não se sentiu ferido, por esse ou aquele motivo ou circunstância? Quem de nós já não sentiu a alma dorida, o peito dilacerado pela dor moral? Tomemos o exemplo da mãe natureza, que demonstra-nos que a dor pode transmutar-se em joia preciosa e assim convencidos, por nossa vez, que as nossas tristezas se transmutem em luz de alegria; que os nossos padecimentos se façam estimulantes para o doce e suave exercício continuado do bem; que as nossas mágoas sejam transformadas pelo antídoto do perdão; que a ingratidão recebida seja aceita como oportuno convite a solidariedade; que a agressão de qualquer tipo de violência seja a pedra de toque para o exercício precioso de fraternidade e da construção da paz; que os nossos males físicos sejam as janelas que nos permitam visualizar a grandiosidade imperecível do Espírito; que o mal vi- gente seja reconhecido como amor ausente, assim como a sombra é a ausência da luz, e que é, portanto, passageiro, desfazendo-se tão logo se faça a luz do sentimento cristão; e que, por tudo isso, que o eventual esforço a ser dispendido por nós para as lamúrias e queixas, seja utilizado como o combustível moral a ser aplicado na formação da preciosa pérola da resignação e confiança em Deus, dando-nos ânimo para continuado empenho e trabalho reparador até a formação definitiva da “pérola cor de ouro do Mar de Sulu” em nossa realidade espiritual: o alcance da felicidade plena, re- fletindo as cores do arco-íris das luminescentes Leis Divinas. Este livro é para mim uma pérola preciosa, por muitas razões. Que ele ajude-o na sua jornada de renovação pessoal, sen- do-lhe útil.
  13. 13. O grande portal da era nova |  13 Palavras Iniciais Conhecer a História ajuda melhor entender o presente. Por isso iniciamos nossos apontamentos destacando alguns aspectos históricos do Espiritismo, a fim de contextualizar a nossa aborda- gem neste trabalho. Inicialmente, o conteúdo desses apontamentos foi colhido na literatura espírita e em outras obras, aqui dando destaque às cita- ções que fundamentam as nossas assertivas e pavimentam a es- trada do nosso raciocínio, para que, juntamente com o leitor, pos- samos vislumbrar a grandeza e a importância da Doutrina Espírita e a sua especial missão junto a Humanidade. Também visamos enaltecer o dever de fidelidade aos postulados do Espiritismo que temos nós, os espíritas, em nosso cotidiano, bem como relembrar nossos compromissos para com o Centro Espírita, contribuindo com o seu desempenho, cuja razão de existir é ofertar dessa água que dessedenta para sempre aos irmãos do caminho, primando por distribuir o consolo e alimentar a esperança, repetindo diutur- namente o sublime convite do Amigo Celeste: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” 1 . O Centro Espírita, ao oportunizar o conhecimento doutrinário, deve, por conseguinte, fazê-lo de acordo com os propósitos do Espiritismo, e que o faça de modo a facilitar o seu aprendizado, utilizando-se de metodologia adequada, com organização, con- tinuidade e com conteúdo e forma apropriado para cada ocasião. 1 Mateus (11 : 28)
  14. 14. 14 |  O grande portal da era nova Desejando colaborar com aqueles companheiros de lida, in- cumbidos da elaboração de programas de estudos e da sua apli- cação, também trazemos considerações sobre a arte de pensar, que norteia a inteligência humana na assimilação e transmissão do conhecimento. Somos sabedores que são vários os modelos de gestão para as organizações em geral, inclusive para a área de Estudos no Centro Espírita, que é, especificamente, o tema central de nossa aborda- gem neste opúsculo. Aqui focamos um desses modelos, por ser um modelo simples, funcional e sabidamente exitoso. Para esse trabalho, partimos do posicionamento de que o Cen- tro Espírita é uma unidade, é um todo, é um ser coletivo em comu- nhão, e que assim deve ser pensado e trabalhado, independen- temente da quantidade de suas atividades e do número dos seus trabalhadores. Quando falamos em Centro Espírita como sendo uma unidade, um ser coletivo, o fazemos reconhecendo que essa qualidade pre- cisa ser construída com continuado esforço em prol da consolida- ção da união dentre os seus lidadores, primeiramente, o que nos leva a destacar em nossos arrazoados a importância do compro- misso pessoal de cada um com a Causa do Bem, que vem implícita numa organização espírita. Eis a recomendação do Espírito Verdade nesse sentido: Ditosos serão os que houverem trabalhado no campo do Se- nhor, com desinteresse e sem outro móvel, senão a caridade! Seus dias de trabalho serão pagos pelo cêntuplo do que tiverem espe- rado. Ditosos os que hajam dito a seus irmãos: “Trabalhemos jun- tos e unamos os nossos esforços, a fim de que o Senhor, ao chegar, encontre acabada a obra”, porquanto o Senhor lhes dirá: “Vinde a mim, vós que sois bons servidores, vós que soubestes impor si- lêncio aos vossos ciúmes e às vossas discórdias, a fim de que daí não viesse dano para a obra!” 2 2 KARDEC, Allan. O evangelho segundo o espiritismo. Trad. Guillon Ribeiro. 116. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1999. Cap. 20, item 5, p. 315.
  15. 15. O grande portal da era nova |  15 É ainda o Espírito Verdade que nos conclama: Espíritas! amai- -vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo. 3 Em nome desse nosso compromisso pessoal e coletivo que te- mos com Jesus, alinhavamos também algumas considerações a este respeito, buscando aumentar nossa compreensão sobre o as- sunto, e, na razão inversa, diminuindo os riscos de nossas débeis mãos serem causadoras de solução de continuidade ao projeto maior da Instituição que frequentamos, ou do Movimento Espírita que fazemos parte, ou de nossa existência, como um todo. No entanto, repetimos para frisar e para facilitar o acompa- nhamento das ideias expostas, que nossos apontamentos se di- rigem às questões do estudo, programas e aplicadores, não sig- nificando que os conceitos coletados não sirvam para as demais atividades do Centro Espírita, mas é preciso restringir os enfoques, dando objetividade ao texto. Somos daqueles que entendemos que a reunião pública de pa- lestras é o grande portal de entrada num Centro Espírita dos que para ali foram encaminhados pelas leis da vida, a fim de encon- trarem respostas aos seus pedidos de socorro e amparo. O mo- delo trabalhado nesses nossos apontamentos elege essa reunião como o marco zero da estrada do conhecimento espírita, o elo inicial de uma longa corrente de acesso ao aprendizado do Espiri- tismo, que permitirá a cada um melhor conhecimento de si mesmo, despertando-lhe novas razões de viver, ao entender de onde veio, porque está aqui e para onde vai, levando-o, espontaneamente, a vincular-se as ações do Bem, a optar por Jesus. Partindo disso, se faz necessário que as reuniões públicas de palestras sejam consideradas e tratadas como uma reunião de es- tudos, trabalhando e organizando seus temas e seus conteúdos levando-se em conta suas características de reunião de palestras e pública, que os que ali vão, no geral, não são espíritas e que há um fluxo contínuo de pessoas chegando, dos quais uns ficam, 3 KARDEC, Allan. O evangelho segundo o espiritismo. Trad. Guillon Ribeiro. 116. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1999. Cap. 6, item 5, p. 130.
  16. 16. 16 |  O grande portal da era nova outros não voltam mais. No modelo por nós sugerido, a reunião pública de palestras vai pulsar como um marca-passo alimenta- dor desse fluxo de pessoas em direção aos outros grupos de estu- dos. E esses outros grupos de estudos, estruturados em módulos ou ciclos e encadeados de maneira apropriada em seus conteúdos, trabalhando em sincronia entre si e com as reuniões públicas de palestras – em tempo e conteúdo programático -, darão fluidez de modo contínuo no atendimento e encaminhamento interno dos que se acercam do Centro Espírita e da Mensagem Espírita, sem cau- sar descompasso no aprendizado e no funcionamento dos gru- pos de estudos, eliminando a entrada de novas pessoas quando o programa de estudos já está sendo aplicado há tempo. Quanto aos programas de estudos e sua estruturação, nossos apontamentos se alongam mais nas próximas páginas, pontuando aspectos que, sabemos, contribuirão sobremaneira na elaboração e aplicação dos mesmos. Dando fim as nossas palavras iniciais, registramos que nosso papel nesses arrazoados que alinhavamos foi somente o de reu- nir as citações dos Benfeitores Espirituais sobre cada ponto então abordado, ou pegar por empréstimo considerações técnicas ne- cessárias, elencando devida referência bibliográfica e dando o efetivo crédito aos respectivos autores. Sabemos que não estamos apresentando novidade. Mas também sabemos que há algumas práticas no meio espírita, quanto a grupos de estudos, que são lastimáveis, o que por si só justifica nossa iniciativa. Confiamos que a nossa oferenda poderá auxiliar alguma Ins- tituição que se encontre experimentando desafios no campo dos estudos doutrinários, e aqui descubra soluções simples e práticas, que poderão harmonizar suas atividades. E se outra utilidade não tiver nossos apontamentos, que tenha a de enaltecer o Centro Espírita como celeiro de bênçãos, casa acolhedora de todos quantos têm necessidade de esperanças e de consolações. Casa com Jesus sempre presente. Irmão X, no livro Luz Acima, na página intitulada Nas hesita-
  17. 17. O grande portal da era nova |  17 ções de Pedro, recebida pela mediunidade de Chico Xavier, narra diálogo entre o apóstolo e Jesus a respeito de infeliz mulher que ali chegara buscando auxílio, mas trazia consigo todos os estigmas das pecadoras. Fora lapidada e exibia manchas sanguinolentas na roupa em frangalhos. Pronunciava palavras torpes. Revelava- -se semilouca e doente. Pedro, em sua hesitação, questionava: Como agir? Não estaria a sofredora resgatando os próprios débi- tos? Se bebera com loucura na taça dos prazeres, não lhe caberia o fel da aflição? Jesus, manso e pacífico, orientou cada ponto das dúvidas de Pedro, e por fim disse-lhe: - Pedro, para ferir e amaldiçoar, sentenciar e punir, a cidade e o campo estão cheios de maus servidores. Nosso ministério ultra- passa a própria justiça. O Evangelho, para ser realizado, reclama o concurso de quem ampara e educa, edifica e salva, consola e renuncia, ama e perdoa... Abre acesso à nossa irmã transviada e auxilia-a no reerguimento. Não a precipites em despenhadeiros mais fundos... Arranca-a da morte e traze-a para a vida... Não te esqueças de que somos portadores da Boa Nova da Salvação!... E conclui Irmão X a narrativa: O apóstolo levantou-se, deu alguns passos, atravessou exten- sa fileira de irmãos espantados, abriu, de manso, a porta e dirigiu- -se à mulher, acolhedor: - Entre, a casa é sua! - Quem sois? – interrogou a infeliz, assombrada. - Eu? – falou Pedro, com os olhos empapuçados de chorar. E concluiu: - Sou seu irmão.
  18. 18. Centro Espírita é o educandário básico da mente popular. Bezerra de Menezes
  19. 19. O grande portal da era nova |  19 A título de Introdução Costuma-se dizer que os tempos são outros, as diretrizes são novas, os métodos devem ser renovados. O Espiritismo, no entanto, meus filhos, permanece como sendo Jesus em todos os dias da nossa vida, qual porto de amparo às nossas aspirações e barco de segurança para as nossas ambições. [...] É verdade que todos trazemos angústias e pesares, que aguar- damos o lenço da consolação espírita para nossas lágrimas, para os nossos suores, como o bálsamo reconfortante, o penso refazen- te para as feridas do sentimento, do coração. Convém, no entanto, não esquecermos que, ao nosso lado, ruge a tempestade e a batalha se agiganta, esperando a nossa contribuição a benefício dos mais infelizes do que nós. Os que cremos, já possuímos a “pedra mágica do toque” da imortalidade, colocada no coração. Os que sabemos, já somos coparticipantes do banquete da luz. Os que conhecemos, já re- cebemos a revelação como ponte de intercâmbio entre os dois mundos.
  20. 20. 20 |  O grande portal da era nova Para estes, que somos nós, não há meio termo, nem possibili- dades de acomodação com as contingências vantajosas do mun- do, na feição de deslealdade. A conduta seguirá a reta rígida da mensagem evangélica que nos impõe a transformação de dentro para fora. Por esta razão, nesta Casa, como em outras, a luz do Cristo não pode ficar sob o alqueire, mas no velador, oferecendo bên- çãos, brindando apoio aos trôpegos e inseguros que aspiram a mais amplos horizontes e a mais largos ideais de vida. Estais convidados para a Nova Era e não é lícito que estacio- neis, custe o preço que vos seja exigido, sejam quais forem as con- dições que a misericórdia do Senhor vos imponha... [...] Filhos! Não há alternativa, nem outra recomendação, exceto a velha regra áurea do amor em todas e quaisquer circunstâncias. [...] Pela significação desta data, suplicamos ao Amigo Divino e Vi- gilante que abençoe este santuário, transformando-o em templo de paz, em hospital-escola, em oficina de socorro e sabedoria para os cansados da rota. Bezerra de Menezes1 1 FRANCO, Divaldo P. Compromissos iluminativos. Pelo Espírito Bezerra de Menezes. Salvador, BA: Leal, 1991. Cap. 24, p. 73-75.
  21. 21. parte 1 O Espiritismo para nós E Nra ovaO GRANDE PORTAL DA
  22. 22. Se um nome é necessário, inscreveremos em seu frontispício: Escola do Espiritismo Moral e Filosófico, e para ela convidaremos todos quantos têm necessidade de esperanças e consolações. Allan Kardec
  23. 23. O grande portal da era nova |  23 A missão deAllan Kardec ADoutrina Espírita, trazida pelos Espíritos luminares, não é obra do acaso, da vontade momentânea de um autor. Obra de tal magnitude e com propósitos tão sublimes não poderia deixar de acontecer sem antes ter sido minuciosamente planejada pelos Nu- mes Tutelares da Humanidade, sob a direção maior de Jesus. Foi entregue aos homens tendo Allan Kardec como seu insigne Codifi- cador, de cuja missão foi devidamente cientificado em tempo pró- prio, e em seu cumprimento contou ele com um grupo de pessoas abnegadas que o auxiliaram nessa construção, uns diretamente, outros indiretamente. O Prof. Hippolyte Léon Denizard Rivail, mais tarde conhecido como Allan Kardec, já estava, há cerca de um ano, as voltas com os estudos e pesquisas relacionadas com o mundo espiritual e sua relação com o mundo corporal, e vinha se dedicando a revisão do trabalho que posteriormente formaria O Livro dos Espíritos. Ele frequentava, há certo tempo, reuniões que se davam na residên- cia do Sr. Roustan. Na noite de 30 de abril de 1856, numa dessas 1
  24. 24. 24 |  O grande portal da era nova sessões, muito íntima, a que apenas assistiam-na sete ou oito pes- soas, o Prof. Rivail recebeu a primeira revelação da sua missão ditada pelos Espíritos através da médium Srta. Japhet: “Deixará de haver religião e uma se fará necessária, mas ver- dadeira, grande, bela e digna do Criador... Seus primeiros alicer- ces já foram colocados... Quanto a ti, Rivail, a tua missão é aí.” 1 São suas estas palavras: “Foi essa a primeira revelação posi- tiva da minha missão e confesso que, quando vi a cesta voltar-se bruscamente para o meu lado e designar-me nominativamente, não me pude forrar a certa emoção.” 2 Com a argúcia de sua inteligência, Rivail não só identificou de pronto a grandeza e complexidade de sua missão, bem como identificou a grandeza indimensional do que estava por vir, como resultado de seu labor. A estruturação de um doutrina nova: o Es- piritismo. Na sua humildade e diante do seu caráter diamantino, voltou a tratar deste assunto a fim de bem se certificar. Em 7 de maio do mesmo ano, ele assim dirige-se ao Espírito Hahnemann 3 : Pergunta (a Hahnemann) — Outro dia, disseram-me os Espíritos que eu tinha uma importante missão a cumprir e me indicaram o seu objeto. Desejaria saber se confirmas isso. Resposta — Sim e, se observares as tuas aspirações e tendên- cias e o objeto quase constante das tuas meditações, não te sur- preenderás com o que te foi dito. Tens que cumprir aquilo com que sonhas desde longo tempo. É preciso que nisso trabalhes ativa- mente, para estares pronto, pois mais próximo do que pensas vem o dia. 1 KARDEC, Allan. Obras póstumas. Trad. Guillon Ribeiro. 80.ed. Rio de Janeiro: FEB, 1998. “Primeira revelação de minha missão”, p. 337-338. 2 Ibid. p. 338 3 Ibid. p. 338 - 339
  25. 25. O grande portal da era nova |  25 P. — Para desempenhar essa missão tal como a concebo, são- -me necessários meios de execução que ainda não se acham ao meu alcance. R. — Deixa que a Providência faça a sua obra e serás satisfeito. A sua costumeira prudência e o seu bom-senso – marcas regis- tradas de seu proceder – não lhe deram trégua, até que em 12 de junho de 1856, dirige-se ao Espírito Verdade 4 : Pergunta (à Verdade) — Bom Espírito, eu desejara saber o que pensas da missão que alguns Espíritos me assinaram. Dize-me, peço-te, se é uma prova para o meu amor-próprio. Tenho, como sabes, o maior desejo de contribuir para a propagação da verda- de, mas, do papel de simples trabalhador ao de missionário em chefe, a distância é grande e não percebo o que possa justificar em mim graça tal, de preferência a tantos outros que possuem ta- lento e qualidades de que não disponho. Resposta — Confirmo o que te foi dito, mas recomendo-te muita discrição, se quiseres sair-te bem. Tomarás mais tarde conheci- mento de coisas que te explicarão o que ora te surpreende. Não esqueças que podes triunfar, como podes falir. Neste último caso, outro te substituiria, porquanto os desígnios de Deus não assentam na cabeça de um homem. Nunca, pois, fales da tua missão; seria a maneira de a fazeres malograr-se. Ela somente pode justificar- -se pela obra realizada e tu ainda nada fizeste. Se a cumprires, os homens saberão reconhecê-lo, cedo ou tarde, visto que pelos frutos é que se verifica a qualidade da árvore. P. — Nenhum desejo tenho certamente de me vangloriar de uma missão na qual dificilmente creio. Se estou destinado a servir de instrumento aos desígnios da Providência, que ela disponha de mim. Nesse caso, reclamo a tua assistência e a dos bons Espíritos, no sentido de me ajudarem e ampararem na minha tarefa. R. — A nossa assistência não te faltará, mas será inútil se, de teu 4 KARDEC, Allan. Obras póstumas. Trad. Guillon Ribeiro. 80.ed. Rio de Janeiro: FEB, 1998. “Primeira revelação de minha missão”, p. 343
  26. 26. 26 |  O grande portal da era nova lado, não fizeres o que for necessário. Tens o teu livre-arbítrio, do qual podes usar como o entenderes. Nenhum homem é constran- gido a fazer coisa alguma. Apesar dos obstáculos, das armadilhas urdidas pelas mentes infelizes e infelicitadoras, das lutas hercúleas, com grande sacrifí- cio, dedicação e zelo, o notável Prof. Denizard Rivail prosseguiu e concluiu seu grandioso trabalho da Codificação Espírita, legando para a Humanidade os cinco livros basilares, além de vasto ma- terial a mais, como os doze volumes da Revista Espírita: O Livro dos Espíritos, lançado em 18 de abril de 1857; O Livro dos Médiuns ou Guia dos Médiuns e dos Evocadores, lançado em 15 de janeiro de 1861; O Evangelho segundo o Espiritismo, lançado em abril de 1864; O Céu e o Inferno ou a Justiça Divina segundo o Espiritismo, lançado em agosto de 1865; e A Gênese, os Milagres e as Predições segundo o Espiritismo, lançado em 6 de janeiro de 1868. Com ele renasce o Cristianismo simples e puro, incorruptível e nobre dos primeiros tempos, convocando os homens para as fon- tes eternas da paz e da alegria, transformando-se em roteiro insu- perável dos tempos. 5 5 FRANCO, Divaldo P. À luz do espiritismo. Pelo Espírito Vianna de Carvalho. Salvador, BA: Leal, 1968, p. 30
  27. 27. O grande portal da era nova |  27 A volta doConsolador 2 prometido Como dissemos, os planos divinos para a Humanidade come- çaram muito antes de 18 de abril de 1857. No bojo da mensa- gem de Jesus à Terra, no meio dessas Suas luzes, encontramos a anunciação de um advento dos mais significativos para o reconfor- to espiritual dos homens, com a promessa Dele da chegada futura de outro Consolador. Se me amais, guardai os meus mandamentos; e eu rogarei a meu Pai e ele vos enviará outro Consolador, a fim de que fique eternamente convosco: - O Espírito de Verdade, que o mundo não pode receber, porque o não vê e absolutamente o não conhece. Mas, quanto a vós, conhecê-lo-eis, porque ficará convosco e es- tará em vós. - Porém, o Consolador, que é o Santo Espírito, que meu Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará recordar tudo o que vos tenho dito. (S. João, cap. XIV, vv. 15 a 17 e 26.) Jesus promete outro consolador: o Espírito de Verdade, que o mundo ainda não conhece, por não estar maduro para o compre- ender, consolador que o Pai enviará para ensinar todas as coisas e para relembrar o que o Cristo há dito. Se, portanto, o Espírito de Verdade tinha de vir mais tarde ensinar todas as coisas, é que o
  28. 28. 28 |  O grande portal da era nova Cristo não dissera tudo; se ele vem relembrar o que o Cristo disse, é que o que este disse foi esquecido ou mal compreendido. O Espi- ritismo vem, na época predita, cumprir a promessa do Cristo: pre- side ao seu advento o Espírito de Verdade. Ele chama os homens à observância da lei; ensina todas as coisas fazendo compreender o que Jesus só disse por parábolas. Advertiu o Cristo: “Ouçam os que têm ouvidos para ouvir.” O Espiritismo vem abrir os olhos e os ouvidos, porquanto fala sem figuras, nem alegorias; levanta o véu intencionalmente lançado sobre certos mistérios. Vem, finalmente, trazer a consolação suprema aos deserdados da Terra e a todos os que sofrem, atribuindo causa justa e fim útil a todas as dores. [...] Assim, o Espiritismo realiza o que Jesus disse do Consolador prometido: conhecimento das coisas, fazendo que o homem sai- ba donde vem, para onde vai e por que está na Terra; atrai para os verdadeiros princípios da lei de Deus e consola pela fé e pela esperança. 1 Lins de Vasconcellos (Arthur Lins de Vasconcellos Lopes, 1851 – 1952), uma das figuras mais destacadas do Movimento Espíri- ta brasileiro, com vasta ficha de serviços prestados ao Bem, teve, por exemplo, destacada atuação, entre 1947 e 1952, no adven- to do Pacto Áureo 2 , bem como sua participação na Caravana 1 KARDEC, Allan. O evangelho segundo o Espiritismo. Trad. Guillon Ribeiro. 116. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1999. Cap.VI, itens 3 e 4, p. 128 - 129. 2 O chamado Pacto Áureo foi um acordo celebrado entre a Federação Espírita Brasileira (FEB) e representantes de várias Federações e Uniões de âmbito estadual, visando unificar o movimento espírita a nível nacional. Foi assinado na sede FEB, na cidade do Rio de Janeiro, a 5 de outubro de 1949. A expressão é atribuída a Arthur Lins de Vasconcelos Lopes, um de seus signatários à época. A assinatura do Pacto Áureo foi a base para um entendimento entre as instituições espíritas no país, possibilitando uma nova fase de difusão da Doutrina Espírita, viabilizando a convivência entre as mesmas sem prejuízo da liberdade de pensamento e da ação individuais. Como consequência, em 1 de janeiro do ano seguinte (1950), foi instituído o Conselho Federativo Nacional da FEB (CFN), com a posse dos seus onze membros pelo pre- sidente da FEB. Em 8 de março desse mesmo ano, o CFN lançou a Proclamação aos Espíritas. Desde então, o CFN exerce a função de dirimir dúvidas, orientando o movimento Espírita e recomendando diretrizes para os Centros Espíritas.
  29. 29. O grande portal da era nova |  29 da Fraternidade 3 . ao lado de nomes como Leopoldo Machado, Francisco Spinelli e outros. Foi representante da Federação Espírita do Paraná no Conselho Federativo Nacional e membro efetivo da Assembléia Deliberativa da Federação Espírita Brasileira, além de Vice-presidente da Liga Espírita do Estado da Guanabara, 1º se- cretário da Sociedade de Medicina e Espiritismo do Rio de Janeiro e seu presidente de honra, além de muitos outros encargos. É ele que nos diz: O Espiritismo, consolidando a promessa de Jesus Cristo, trouxe à Terra um novo “modus-operandi” capaz de estimular o espíri- to humano no roteiro da dignificação pessoal e social, fazendo-o religioso com religiosidade íntima, capaz de ligá-lo realmente a Deus, destarte, convocando-o para o auxílio aos náufragos e ven- cidos morais do mar proceloso das aflições, redimindo-se, por fim, através da redenção que propicia ao próximo. 4 Vianna de Carvalho (1847 – 1926), destacado conferencista espírita de eloquência rara, articulista e polemista arrebatado, seu nome ficou demarcado na história da difusão doutrinária em vá- rios pontos do Brasil, que teve ensejo de residir ou de visitar, já que, como oficial do Exército Brasileiro, Engenheiro militar, perio- dicamente transferia-se de uma unidade militar à outra. Culto e 3 Firmado o Pacto Áureo restava sua consolidação, colhendo as assinaturas das federa- ções ausentes e criando federações ou órgãos de unificação em estados que ainda não o pos- suíam. Para essa tarefa, formou-se um grupo de espíritas com o propósito de visitar todos os Estados do Norte. Principalmente os Estados que ainda não tinham se decidido sobre o Pacto Áureo, de 5 de outubro de 1949. Os caravaneiros - Arthur Lins de Vasconcelos, Carlos Jordão da Silva, Francisco Spinelli, Ary Casadio e Leopoldo Machado, iniciaram a jornada em 31 de outubro de 1950. De Salvador até o extremo Norte, os caravaneiros visitaram todas as capitais e mais Parnaíba, vivendo em todas elas, inesquecíveis programas de intensa vibração doutrinária e fraternal. Em todas as cidades, a Caravana procedeu da maneira seguinte: (I) Conferências culturais para o grande público, que atraíram verdadeiras multidões a elas, tare- fa quase que da responsabilidade do prof. Leopoldo Machado; (II) Reuniões de mesa-redonda para reajustamento de pontos de vista de choque, das quais o ideal da unificação sempre saiu vitorioso, por isso que de todas elas foram lavradas as respectivas atas; (III) Visitas de estí- mulo às instituições espíritas de assistência social; (IV) Programas sociais, organizados pelos irmãos visitados. A Caravana, cumprida sua tarefa, desfez-se em 13 de dezembro do mesmo ano, encerrando suas viagens em Belo Horizonte, MG. 4 FRANCO, Divaldo P. Sementeira da fraternidade. Por Diversos Espíritos. 3.ed, Salva- dor, BA: Leal, 1979, p. 224
  30. 30. 30 |  O grande portal da era nova fluente, encantava os ouvintes com a Mensagem Espírita. Firme e sensato, contribuía com a organização das Instituições que fre- quentava. Determinado e persistente, mantinha-se em constante trabalho pelo Bem. São suas estas palavras, colhidas de sua larga produção literária através da mediunidade de Divaldo Franco: No momento em que variam as técnicas das “ciências da alma”, no estudo da personalidade humana e dos problemas que lhe são correlatos, o Espiritismo, conforme a Codificação Karde- quiana, é a resposta clara e insofismável para as aflições que se abatem sobre o homem, dando cumprimento à promessa de Jesus, quanto ao Consolador, de que este, em vindo à Terra, não somen- te Lhe recordaria as lições, como também esclareceria, confortaria e conduziria o ser através dos tempos... 5 5 FRANCO, Divaldo P. Enfoques espíritas. Pelo Espírito Vianna de Carvalho. Salvador, BA: Leal, 1980, p. 144
  31. 31. O grande portal da era nova |  31 Espiritismo 3 Aquilo que hoje estamos por fazer em nome do Espiritismo, além da fidelidade aos seus princípios, há de estar em consonância com seus propósitos, que foram estabelecidos desde os seus pri- mórdios e vêm explicitados nas páginas da Codificação conforme palavras de Allan Kardec: “Por meio do Espiritismo, a Humanida- de tem que entrar numa nova fase, a do progresso moral que lhe é consequência inevitável”. 1 É quando o Espiritismo demonstra-nos seu grande fanal, agin- do e fomentando nossas próprias mudanças íntimas, para melhor. A literatura espírita é rica em citações destacando o quanto o Espiritismo, qual celeiro de bênçãos, guarda em seu bojo benefí- cios à Humanidade, bastando que o homem dele se aproxime e, dedicado e laborioso, possa servir-se com abastança segundo as suas necessidades. Quando os ensinos espíritas forem bem compreendidos, exa- minados, absorvidos pelos homens, estes mudarão o comporta- 1 KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Trad. Guillon Ribeiro. 80. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1998. Conclusão, V, p. 482. O grande fanal do
  32. 32. 32 |  O grande portal da era nova mento social, em razão da modificação moral que cada ser se imporá, erguendo-se uma comunidade pacífica e justa, a es- praiar-se, generosa, por toda parte, auxiliando a transformação da Terra, regenerada e luminosa, que seguirá no rumo da destina- ção que a espera como aos seus habitantes, hoje em lutas cruentas e rudes, por haverem abdicado das armas do amor, da mansidão e da fraternidade. Este é o grande fanal do Espiritismo. 2 Raul Teixeira, uma das vozes mais firmes da atualidade na di- vulgação fidedigna da Mensagem Espírita ao redor do Mundo, quando questionado: “Qual a principal Mensagem Espírita?”, deu-nos esta síntese notável: Raul – A mais excelente Mensagem Espírita se configura na proposta de renovação espiritual da pessoa humana. Para o Es- piritismo, o fenômeno mais importante que se pode dar com o in- divíduo é o do seu progresso para Deus, o que se opera mediante o desenvolvimento intelectual, a fim de que conheça as leis que regem o nosso universo material, e o desenvolvimento moral, que se caracteriza pelo devido cumprimento das leis morais, ou seja, aquelas que regem a vida da alma. 3 Leiamos as ponderadas palavras de Allan Kardec, também chamado o bom-senso reencarnado: Quando todos os homens compreenderem o Espiritismo, com- preenderão também a verdadeira solidariedade e, conseguinte- mente, a verdadeira fraternidade. Uma e outra então deixarão de ser simples deveres circunstanciais, que cada um prega as mais das vezes no seu próprio interesse e não no de outrem. O reinado da solidariedade e da fraternidade será forçosamente o da justi- ça para todos e o da justiça será o da paz e da harmonia entre os indivíduos, as famílias, os povos e as raças. Virá esse reinado? 2 FRANCO, Divaldo P. Enfoques espíritas. Pelo Espírito Vianna de Carvalho. Salvador, BA: Leal, 1980, p. 21 - 22 3 TEIXEIRA, Raul T. Ante o vigor do Espiritismo. Entrevistas. Niterói, RJ: Frater, 1998, p. 20
  33. 33. O grande portal da era nova |  33 Duvidar do seu advento seria negar o progresso. Se compararmos a sociedade atual, nas nações civilizadas, com o que era na Idade Média, reconheceremos grande a diferença. Ora, se os homens avançaram até aqui, por que haveriam de parar? Observando- se o percurso que eles hão feito apenas de um século para cá, po- der-se-á avaliar o que farão daqui a mais outro século. [...] Qualquer que seja a influência que um dia o Espiritismo che- gue a exercer sobre as sociedades, não se suponha que ele ve- nha a substituir uma aristocracia por outra, nem a impor leis; pri- meiramente, porque, proclamando o direito absoluto à liberdade de consciência e do livre-exame em matéria de fé, quer, como crença, ser livremente aceito, por convicção e não por meio de constrangimento. Pela sua natureza, não pode, nem deve exercer nenhuma pressão. Proscrevendo a fé cega, quer ser compreendi- do. Para ele, absolutamente não há mistérios, mas uma fé racional, que se baseia em fatos e que deseja a luz. Não repudia nenhuma descoberta da Ciência, dado que a Ciência é a coletânea das leis da Natureza e que, sendo de Deus essas leis, repudiar a Ciência fora repudiar a obra de Deus. Em segundo lugar, estando a ação do Espiritismo no seu poder moralizador, não pode ele assumir nenhuma forma autocrática, porque então faria o que condena. Sua influência será preponderante, pelas modificações que trará às ideias, às opiniões, aos caracteres, aos costumes dos homens e às relações sociais. E maior será essa influência, pela circunstân- cia de não ser imposta. Forte como filosofia, o Espiritismo só teria que perder, neste século de raciocínio, se se transformasse em po- der temporal. Não será ele, portanto, que fará as instituições do mundo regenerado; os homens é que as farão, sob o império das ideias de justiça, de caridade, de fraternidade e de solidariedade, mais bem compreendidas, graças ao Espiritismo. 4 Francisco Spinelli, que desencarnou em 7 de agosto de 1955, presidiu a Federação Espírita do Rio Grande do Sul (Fergs), inte- 4 KARDEC, Allan. Obras póstumas. Trad. Guillon Ribeiro. 80. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1998, “As expiações coletivas”, p. 270-271.
  34. 34. 34 |  O grande portal da era nova grou a Caravana da Fraternidade, que percorreu vários estados do país na propaganda da unificação da prática espírita, foi o criador do programa da Federação Espírita do Rio Grande do Sul (Fergs): “Em cada Centro Espírita uma Livraria”, e grande incenti- vador da Evangelização da Infância e da Juventude, é daqueles que continua contribuindo do mundo espiritual com sua visão da real grandeza e beleza do Espiritismo através de seus ditados: A missão do Espiritismo é inclinar o homem para a fonte da mo- ral austera do Cristo, oferecendo-lhe a água lustral do equilíbrio e o pão salutar da esperança a fim de que, saciado, possa dirigir os passos no rumo da equidade e da honra, em busca do fanal da vida: a felicidade plena! [...] Penetremo-nos, portanto, do dever sadio e nobre da edifica- ção do bem em nós mesmos e, sejam quais forem as conjunturas negativas que os possam intimidar, tenhamos em mente que o Se- nhor, embora abandonado por todos, no Pretório, era o Príncipe vencedor, enquanto Barrabás, aclamado pela maioria, represen- tava o crime que a sociedade pretendia combater. Certos de que a nossa tarefa devemos fazê-la e o nosso dever cabe-nos cumpri-lo, avancemos resolutos e amparados no escla- recimento que acende uma luz íntima na mente, seguindo o ideal espiritista que, atestando a nossa incorruptível imortalidade, nos oferece a instrumentação para vencer todas as dificuldades e che- gar ao posto de vitória com a honra ilibada e o coração tranquilo. 5 Se as propostas espíritas são tão salutares para nós, por que não oportunizarmos a experiência desse conhecimento aos ou- tros? Se nos sentimos estimulados por essa mensagem em viven- ciar seus ensinamentos no nosso dia a dia, na vida de relação social, com nossa família, outros não poderão fazê-lo também, em benefício próprio, desde que conheçam dessas lições? Então, 5 FRANCO, Divaldo P. Crestomatia da imortalidade. Por Diversos Espíritos. Salvador, BA: Leal, 1969, p. 61-64
  35. 35. O grande portal da era nova |  35 por que não o fazemos através de iniciativas pessoais e também nos engajando com mais afinco nas ações de divulgação do Espi- ritismo, nas tarefas no Centro Espírita?
  36. 36. Ao Espiritismo compete a tarefa indeclinável de espalhar nova luz sobre a Humanidade inquieta e atormentada. Vianna de Carvalho
  37. 37. Nós e o Espiritismo E Nra ovaO GRANDE PORTAL DA parte 2
  38. 38. Este instante é o de fazer luz, o da nossa definição espírita, o da nossa realização clara e firme, qu edeixe na história dos tempos o sulco profundo da nossa integração nas hostes da Doutrina apresentada por Allan kardec, como sinal inapagável da nossa vitória sobre a morte, sobre o engodo, sobre a inferioridade, sobre nós mesmos, antecipando a nossa ressurreição que já começa, para a nossa penetração na vida estuante que nos espera. Lins de Vanconcellos
  39. 39. O grande portal da era nova |  39 O nosso chamadoPessoal 4 Quando nos propomos e nos dedicamos a conhecer as proposi- ções espíritas, na medida em que vai se dando o entendimen- to das suas lições, de modo natural e espontâneo vão ocorendo transformações de pensamentos e atitudes nossas perante a vida. É o que nos afirma Allan Kardec: [...] Para os que compreendem o Espiritismo filosófico e nele veem outra coisa, que não somente fenômenos mais ou menos curiosos, diversos são os seus efeitos. O primeiro e mais geral consiste em desenvolver o sentimento religioso até naquele que, sem ser materialista, olha com absoluta indiferença para as questões espirituais... O segundo efeito, quase tão geral quanto o primeiro, é a resig- nação nas vicissitudes da vida. O Espiritismo dá a ver as coisas de tão alto, que, perdendo a vida terrena três quartas partes da sua importância, o homem não se aflige tanto com as tribulações que a acompanham. Daí, mais coragem nas aflições, mais moderação nos desejos...
  40. 40. 40 |  O grande portal da era nova O terceiro efeito é o estimular no homem a indulgência para com os defeitos alheios. Todavia, cumpre dizê-lo, o princípio ego- ísta e tudo que dele decorre são o que há de mais tenaz no homem e, por conseguinte, de mais difícil de desarraigar [...] 1 E alargando esse entendimento do conteúdo doutrinário e de suas propostas, melhor contextualizamos o Espiritismo na Terra e o que ele representa para a Humanidade, e, por conseguinte, nos vemos envoltos pelas malhas da responsabilidade com o bem e a verdade, que do seu bojo extraímos e que passamos a ter, na qua- lidade de adeptos que somos dessa Doutrina revivescente do Cris- tianismo simples e puro. Mais nitidamente, então, se despontam nossos compromissos para conosco mesmo e para com o próximo, perante a imortalidade, e se apresenta, como um grito silencioso de nossa consciência, nosso chamado para o serviço do bem. Ouçamos esse chamado vindo diretamente do venerando Es- pírito Bezerra de Menezes: Fomos chamados para a construção da Era Melhor. Estamos convocados para a tarefa sacrossanta do amor. Doutrina Espírita é conhecimento com responsabilidade; com- promisso indeclinável que nos impomos, a fim de ressarcirmos o passado de sombras, de dúvidas, de mancomunações com o mal que ainda vive dentro de nós. [...] O Espiritismo, no seu segundo século, chama-se “ação”. Até há pouco, combatiam a mensagem luminosa. Os adver- sários, porém, da Terceira Revelação, filhos meus, estão agora dentro de nossas fileiras, dentro de nós... Ou modificamos a nossa forma de agir, de servir e de amar, ou seremos responsáveis pelo adiamento da concretização dos ideais do Consolador na Terra. Esta é a religião, cujo nome foi dado por Jesus. O Consolador, não 1 KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Trad. Guillon Ribeiro. 80. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1998. Conclusão, VII, p. 488-489.
  41. 41. O grande portal da era nova |  41 o esqueçamos. Consolemos as lágrimas, estancando-as no seu nascedouro; atendamos à dor, ferindo-a na origem. Lutemos contra o mal em nossa alma e ganharemos a Terra da Paz. Hoje é o fruto do nosso ontem, mas o amanhã é o nosso hoje vitorioso nimbado de bênçãos com Jesus... 2 2 FRANCO, Divaldo P. Compromissos iluminativos. Pelo Espírito Bezerra de Menezes. Salvador, BA: Leal, 1991, p. 83-84
  42. 42. O de que carece o Movimento Espírita, em seus labores, é daqueles que se sintonizem com a lógica do pensamento espírita, aprumada nas considerações clarificadoras do Espírito da Verdade, capaz de facear o avanço intelectual terrestre, sem temores, sem tibieza, estabelecendo a inabalável fé, que faz a alma crescer, iluminar-se, libertando-se do cruel pieguismoo da exaltação neurótica ou, ainda, do anseio do domínio da opinião, quando uma luz mail alto se ergue, a do Cristo, que o Espiritismo alimenta com os óleos da sua celeste inspiração. Camilo
  43. 43. O grande portal da era nova |  43 Clareza de Posicionamentos 5 Relembremos aqui alguns conceitos, a fim de que, com eles vi- vos na lembrança e pulsantes em nossos corações, reavaliemos nosso comportamento diário, e, se necessário, empreendamos urgentes correções em nosso curso vivencial, recuperemos even- tuais valores que deixaram de ser considerados, reconsideremos certos posicionamentos equivocadamente adotados por nós. Mas que tais proposições não fiquem no discurso, mas se efetivem na prática diária. Para se designarem coisas novas são precisos termos novos. Assim o exige a clareza da linguagem, para evitar a confusão ine- rente à variedade de sentidos das mesmas palavras. Os adeptos do Espiritismo serão os espíritas, ou, se quiserem, os espiritistas. 1 O Espiritismo se apresenta sob três aspectos diferentes: o das manifestações, o dos princípios e da filosofia que delas decorrem 1 KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Trad. Guillon Ribeiro. 80. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1998. Conclusão, VII, p. 486-487.
  44. 44. 44 |  O grande portal da era nova e o da aplicação desses princípios. Daí, três classes, ou, antes, três graus de adeptos: 1° os que creem nas manifestações e se limitam a comprová-las; para esses, o Espiritismo é uma ciência experi- mental; 2° os que lhe percebem as consequências morais; 3° os que praticam ou se esforçam por praticar essa moral. 2 Segundo o Dicionário Aulete, adepto é quem ou o que apren- deu ou assimilou ideias, princípios, de uma religião, doutrina etc. Também é quem ou o que segue, defende, é partidário de uma religião, uma organização, uma doutrina etc. Bem como é aquele que admira e/ou apoia determinada ideia, certos princípios mo- rais, ou modos de agir, de ser, de pensar etc. Com o Espiritismo – Doutrina de ação por excelência – o crente se renova, dia a dia, vivendo a fé em todos os atos. Experimen- tando-a, passa a viver em permanente culto de serviço edificante, porquanto, como Cristo que emerge dos fundos dos tempos, a Ca- ridade faz-se o selo de identificação dos corações no abençoado solo das imperecíveis realizações. Foi por essa razão que Allan Kardec, o apóstolo lionês, afir- mou: - “A Caridade é a alma do Espiritismo. Ela resume todos os deveres do homem para consigo mesmo e para os seus semelhan- tes. É por isso que se pode dizer que não há verdadeiro espírita sem Caridade”. Porque se a Fé cristã é Jesus em luz na alma do homem, a Caridade é a luz de Jesus no coração da Humanidade inteira. Descortinando novos horizontes para o mundo, a fé espírita brilha convidativa renovando concepções em torno da vida e feli- citando o ser. 3 Assim, na qualidade de adeptos do Espiritismo, deveremos perseguir seu Norte proposto. 2 KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Trad. Guillon Ribeiro. 80. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1998. Introdução, I, p. 13 3 FRANCO, Divaldo P. Crestomatia da imortalidade. Por Diversos Espíritos. Salvador, BA: Leal, 1969, p. 216-217
  45. 45. O grande portal da era nova |  45 A Doutrina Espírita, na atualidade, não se reveste apenas de lapidares conceitos, antes se constitui parte essencial para o nosso “modus-vivendi” na Terra. Não é apenas uma mensagem nobre, mas um programa de ação. Não é somente uma bela Filosofia, porém um roteiro para a evolução. Estudemos, portanto, a Doutrina para vivê-la; conheçamos a Doutrina para ensiná-la, realizando o serviço que nos cabe. 4 4 FRANCO, Divaldo P. Sementeira da fraternidade. Por Diversos Espíritos. 3.ed, Salva- dor, BA: Leal, 1979, p. 19
  46. 46. O segredo da felicidade se encontra na ação consciente em relação às Leis Divinas e ao estatuto de comportamento humano. Joanna de Ângelis
  47. 47. O grande portal da era nova |  47 Espírita 6 Não há como deixar de se perceber o quanto o comportamento humano está em desalinho com os princípios cristãos. Por con- seguinte, o quão distante está a consolidação dessa Era Nova na Terra. Aparentemente, tudo conspira contra, havendo pouquíssima atenção dos homens para com as coisas de Deus. O flagrante modelo de vida praticado por maioria de nós, onde prepondera esforços quase que totais pelo ter, em detrimen- to, chegando quase ao desprezo, do propósito pelo ser, tem o egoísmo como seu agente causal. Para os seguidores desse mode- lo, o imediatismo e o consumismo são as únicas regras conhecidas para um “bem viver”. A mensagem que propõe o altruísmo e a ca- ridade como alavancas para se alcançar dias melhores, parece, para estes, como fantasiosas, utópicas, sem consistência, portanto desconsideradas. No entanto, apesar de ser uma luta de pigmeus contra gigan- tes, travada entre a proposta vivencial cristã e o atual modo de viver preponderante entre a maioria dos homens, não há como impedir a instalação definitiva do reino dos céus na Terra, pois o O verdadeiro
  48. 48. 48 |  O grande portal da era nova progresso intelecto moral da Humanidade é Lei Divina. A hora é de escolhas e definições. Jesus, meus filhos – que prossegue crucificado pela ingratidão de muitos homens – é livre em nossos corações, caminha pelos nossos pés, afaga com nossas mãos, fala em nossas palavras gen- tis, e só vê beleza pelos nossos olhos fulgurantes, como estrelas luminíferas no silêncio da noite. 1 Adolfo Bezerra de Menezes (Adolfo Bezerra de Menezes Ca- valcanti, 1831 – 1900), Espírito Benfeitor, em sua última existência notabilizou-se pelo seu amor e dedicação ao próximo e ao Espi- ritismo. Recebeu carinhosamente vários codinomes, como quali- ficativos do seu trabalho ímpar em terras brasileiras, como, por exemplo: Médico dos Pobres, Kardec Brasileiro. Esse venerando Espírito-espírita, pela extensão de sua atuação em prol da assis- tência as necessidades humanas e da divulgação da Mensagem Espírita, pela excelência do amor que vivencia como Guia da Hu- manidade que é, ofertou-nos mais esta oportuna recomendação: Nesse homem aturdido, porém, encontra-se a oportunidade de construir o mundo novo, a era melhor do espírito, a que se refe- rem as palavras renovadoras de Jesus. Antídoto para as problemáticas afligentes da atualidade é o Espiritismo, conforme no-lo ofereceu Allan Kardec, em mensagem de lógica e ciência, de fé e razão, abrindo o pórtico da Era Nova, mediante a proposição do Cristianismo restaurado. Indispensável, portanto, estudar Kardec para melhor compre- ender e amar Jesus. Imperioso conhecer o Espiritismo nas suas fontes puras para, com mais acerto, viver-se o Cristianismo, em espírito e verdade. Eis por que saudamos, nos labores deste dia, um brado de re- novação e uma metodologia libertadora, tendo em vista o mo- 1 FRANCO, Divaldo P. Compromissos iluminativos. Pelo Espírito Bezerra de Menezes. . Salvador, BA: Leal, 1991, p. 116
  49. 49. O grande portal da era nova |  49 mento grave em que se vive na Terra. Só uma Doutrina que “enfrente a razão face a face” e encontre respaldo na ciência, poderá oferecer uma fé robusta capaz de conduzir a criatura com segurança pelo rumo da paz. Espíritas, meus irmãos, estudai para conhecer e instruí-vos para viver o amor em toda a sua plenitude. Não vos inquieteis ante as dificuldades que repontam em toda parte. Mantende o ânimo seguro e permanecei vinculados ao Senhor, a “rocha nossa”. 2 Como dissemos anteriormente, quando as luzes da aceitação da mensagem cristã e do seu entendimento nos visitam, descorti- nam-se para nós as nossas responsabilidades para conosco mes- mo e para com o próximo, pedindo-nos não apenas promessas, mas real e duradouro comprometimento com a Causa do Bem. Não para mudar o Mundo, propriamente dito, mas para realizar mudanças positivas em nós próprios, em nosso mundo íntimo. Ho- mem transformado, Mundo transformado! Em apoio orientativo a essa responsabilidade nobre que vai, ou que deveria ir, dominando nossas atenções e ações, conforme vamos melhor compreendendo e mais vivenciando o Espiritismo, Allan Kardec questionou os Espíritos das Luzes 3 : 642. Para agradar a Deus e assegurar a sua posição futura, bastará que o homem não pratique o mal? “Não; cumpre-lhe fazer o bem no limite de suas forças, por- quanto responderá por todo mal que haja resultado de não haver praticado o bem.” 2 FRANCO, Divaldo P. Compromissos iluminativos. Pelo Espírito Bezerra de Menezes. . Salvador, BA: Leal, 1991, p. 68 3 KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Trad. Guillon Ribeiro. 80. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1998.Perg. 642 e 643, p. 313
  50. 50. 50 |  O grande portal da era nova 643. Haverá quem, pela sua posição, não tenha possibilidade de fazer o bem? “Não há quem não possa fazer o bem. Somente o egoísta nun- ca encontra ensejo de o praticar. Basta que se esteja em relações com outros homens para que se tenha ocasião de fazer o bem, e não há dia da existência que não ofereça, a quem não se ache cego pelo egoísmo, oportunidade de praticá-lo. Porque, fazer o bem não consiste, para o homem, apenas em ser caridoso, mas em ser útil, na medida do possível, todas as vezes que o seu con- curso venha a ser necessário.” Para bem definir os caracteres do verdadeiro espírita, Allan Kardec contempla-nos ainda com suas luzes conceituais: Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más. 4 E nos brinda com mais estas considerações: Os que não se contentam com admirar a moral espírita, que a praticam e lhe aceitam todas as consequências. Convencidos de que a existência terrena é uma prova passageira, tratam de aproveitar os seus breves instantes para avançar pela senda do progresso, única que os pode elevar na hierarquia do mundo dos Espíritos, esforçando- se por fazer o bem e coibir seus maus pen- dores. As relações com eles sempre oferecem segurança, porque a convicção que nutrem os preserva de pensarem praticar o mal. A caridade é, em tudo, a regra de proceder a que obedecem. São os verdadeiros espíritas, ou melhor, os espíritas cristãos. 5 Emmanuel também contribui com a fixação desta definição do verdadeiro espírita em nossa memória, e o faz pela luminosa me- diunidade de Francisco Cândido Xavier, lecionando: 4 KARDEC, Allan. O evangelho segundo o espiritismo. Trad. Guillon Ribeiro. 116. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1999. Cap. 17, item 4, p. 276. 5 ________. O livro dos médiuns. Trad. Guillon Ribeiro. 41.ed. Rio de Janeiro: FEB, 1979. Cap. 3, item 28, q. 3º, p. 41.
  51. 51. O grande portal da era nova |  51 Sabem que a existência na Terra é como estágio na escola. E, por isso, não perdem tempo. Moram no trabalho constante. Indulgentes para com todos e severos para consigo mesmos. Aceitam a justiça perfeita, através da reencarnação, e acolhem no sofrimento o curso preciso ao burilamento da própria alma. Verificam que o erro dos outros podia ser deles próprios e, em razão disso, não perdem a paciência. Reconhecendo-se imperfeitos, perdoam, sem vacilar, as im- perfeições alheias. E vivem a caridade como simples dever, aprendendo e servin- do sempre. São esses que Allan Kardec, em sua palavra esclarecida, de- fine como sendo “os espíritas verdadeiros ou, melhor, os espíritas- -cristãos”. 6 Nessa jornada pelo continente de nossa alma, identificamos conquistas realizadas e a realizar, observamos necessidades nos- sas e dos nossos irmãos, e isso se dá em vários momentos e situa- ções ao longo da existência de cada um de nós. Três caracteres há em todo homem: o do indivíduo, do ser em si mesmo; o de membro da família e, finalmente, o de cidadão. 7 É necessário não fugir do mundo, nem das responsabilidades que nos cercam, mas, sim, realizar, e bem, a parte de serviço con- fiada ao nosso esforço, nos círculos de luta a que estamos sujeito. A atitude primordial do discípulo sincero é, portanto, compre- 6 XAVIER, Francisco C. Seara do médiuns. Pelo Espírito Emmanuel. 2. ed. Rio de Jan eiro: FEB, 1961, p. 32 7 KARDEC, Allan. Obras póstumas. Trad. Guillon Ribeiro. 80. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1998, “As expiações coletivas”, p. 266
  52. 52. 52 |  O grande portal da era nova ender o caráter transitório da existência carnal, concientizar-se de sua imortalidade, consagrar-se ao Mestre como centro essencial da vida e repartir com os semelhantes os seus divinos benefícios. Valorizemos, pois, no Espiritismo, a vida, a vida abundante, conduzindo nossas convicções em atos que falem da excelência da fé imortalista capaz de libertar mentes e tranquilizar corações, em definitivo.8 8 FRANCO, Divaldo P. Crestomatia da imortalidade. Por Diversos Espíritos. Salvador, BA: Leal, 1969, p. 163
  53. 53. O grande portal da era nova |  53 Cristo 7 Abeleza, a profundidade, a abrangência, a objetividade e a qualidade da mensagem da qual nos fazemos portadores nas atividades de exposição doutrinária e de coordenação de gru- pos de estudos – focos deste nosso arrazoado – das quais par- ticipemos, deve ter utilidade para nós próprios, primordialmente, devendo estar em permanente aplicação nas nossas experiências vivenciais, comportamentais. Assim se dando, a nossa fala estará revestida da segurança emocional de quem não somente sabe o que diz, mas de quem já faz uso daquele ensino. Assim, a beleza e a qualidade da mensagem estarão suplementadas pela subs- tância dos nobres sentimentos de quem a transmita, por estar este ciente e confiante de que o que está por repassar aos outros em nome da Doutrina Espírita, é o melhor para si próprio também. A confiança é contagiante. A falta dela também. Nos diz E. Kelly: “A diferença entre um chefe e um líder: um chefe diz, ‘Vá!’ - um líder diz, ‘Vamos!’” Não estamos postulando a condição de que se seja espírito Cuidados pessoais a serviço do
  54. 54. 54 |  O grande portal da era nova puro para que se possa veicular a Mensagem Espírita. Seria enor- me tolice, mas, sim, que estejamos enquadrados na definição kar- dequiana, de quem reconhece suas tendências más e empreende continuado esforço em vencê-las. Há um provérbio na Suécia que diz: “Quando um cego carrega o manco, ambos vão para a frente”, ilustrando a condição de que somos todos irmãos em caminhada comum de evolução espiritual. E auxiliando-nos mutuamente, a caminhada será menos agreste. Acompanhemos a abordagem de Lins de Vasconcellos sobre o tema: A Revelação Espírita, porém, é cristalina e inconfundível, con- clamando todos aqueles que dela se abeberam a um aprofunda- do estudo em torno da vida imortal e impondo a tônica da reno- vação interior, de modo a consubstanciar nas atividades de toda hora o programa traçado pela linha mestra da Codificação: “Fora da Caridade não há salvação”. Estes são dias em que se fazem necessários muito siso no estu- do e muita meditação antes de atitudes e cometimentos, de modo que o labor duramente desenvolvido desde há mais de cem anos não venha a sofrer solução de continuidade por capricho de uns ou insolência de outros, estribados em opiniões pessoais ou apres- sadas disposições de divergir e dissentir... Merece que reexaminemos os postulados kardequianos, aprendendo mais uma vez, como “embaixadores das vozes” de que nos fazemos, a técnica da ação relevante pelo trabalho que edifica, da solidariedade que ajuda e da tolerância que firma o valor do homem na gleba abençoada da caridade. Quando os problemas surgem, urge a aplicação da atitude reflexiva; quan- do as necessidades se multiplicam é indispensável parar a fim de meditar; quando os empeços se avolumam, faz-se imperioso examinar o óbice para vencer as dificuldades, afastando-as do caminho. [...]
  55. 55. O grande portal da era nova |  55 Mais do que nunca estamos sendo convidados a um trabalho positivo de construção da nova Humanidade. Que as nossas ati- tudes não venham comprometer o programa superior, que no mo- mento repousa em nossas débeis e agitadas mãos. 1 Cuidemos para que não sejamos daqueles referidos por Jesus, quando nos disse: “Mas ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que fechais aos homens o reino dos céus; e nem vós entrais nem deixais entrar aos que estão entrando.” 2 “Não nos enganemos quanto às nossas responsabilidades. Coloquemos acima dos “pontos de vistas” a Doutrina Espírita, e além das ambições pessoais o sagrado ideal que juramos desdo- brar e defender, se necessário com o contributo da nossa renúncia e da nossa abnegação.” 3 Está escrito em algum lugar, e com outras palavras, que al- cançar o “inferno” pelos seus caminhos próprios, é uma questão de escolha, que devemos respeitar; mas se chegar ao “inferno” supondo estar trilhando os caminhos do “céu”, é de se lastimar tamanha insensatez. Há pessoas demolidoras e pessimistas em matéria de fé, que estão sempre acionando os camartelos da devastação. Cultivando o mau-humor, fazem-se ríspidas, e o que produ- zem, acionadas por um ideal, desfazem-no pela forma azeda com que se comunicam com os que participam da sua ação. Acreditam-se sempre certas, sem darem margem aos outros de opinar em contrário. Agridem, verbalmente, as correntes com as quais não simpa- tizam, vendo o lado pior de tudo, sem apresentarem a beleza do 1 FRANCO, Divaldo P. Sementeira da fraternidade. Por Diversos Espíritos. 3.ed, Salva- dor, BA: Leal, 1979, p. 98-99 2 Mateus (23 : 13) 3 FRANCO, Divaldo P. Sementeira da fraternidade. Por Diversos Espíritos. 3.ed, Salva- dor, BA: Leal, 1979, p. 99
  56. 56. 56 |  O grande portal da era nova seu ideal incorporada ao seu comportamento. Disseminando a ideia do bem, põem-se contra os outros, os que não concordam com as suas expressões, tanto quanto com aqueles que, embora favoráveis, não se lhes submetem ao talante. São uma propaganda negativa do que pensam defender com entusiasmo e agressividade. O Espiritismo, sendo doutrina de libertação e responsabilida- de, não passa indene a esses propagandistas da violência. 4 A luz não faz coleção de sombras. Não percamos tempo, não desprezemos a oportunidade do trabalho no bem, não disperse- mos forças, não prestemos desserviços em nome do Senhor. A hora é de se definir pela ação nobre, apoiados nos objetivos radiantes da sua luminosa doutrina. São altamente expressivas estas palavras de Emmanuel, Espíri- to, alertando-nos sobre a importância do tempo: Vem! Jesus reserva-te os braços abertos. Vem e atendo-o ainda hoje. É verdade que sempre alcançaste ensejos de serviço, que o Mestre sempre foi abnegado e miseri- cordioso para contigo, mas não te esqueças de que as circunstân- cias se modificam com as horas e de que nem todos os dias são iguais. 5 Não te endureças, pois, na estrada que o Senhor te levou a trilhar, em favor de teu resgate, aprimoramento e santificação. Re- corda a importância do tempo que se chama Hoje. 6 Desfrute hoje, é mais tarde do que supões, recomenda provér- 4 FRANCO, Divaldo P., CHRISPINO, Álvaro (Organizador). Aos espíritas. Coletânea. Salvador, BA: Leal, 2005, p. 45 5 XAVIER, Francisco, C. Fonte viva. Pelo Espírito Emmanuel. 24.ed. Rio de Janeiro: FEB, 2000, p. 344 6 ________. Pão nosso. Pelo Espírito Emmanuel. 18.ed. Rio de Janeiro: FEB, 1999, p. 150
  57. 57. O grande portal da era nova |  57 bio chinês. “[...] Tipo magro de rosto ovalado e de faces rosadas; olhos de um azul bem claro, com entradas frontais acentuadas e bem ampla tonsura. Dono de um discreto e afável sorriso e de um olhar tranquilo e penetrante [...] 7 , assim Raul Teixeira descreve o Espí- rito Camilo, seu orientador espiritual na grandiosa tarefa atual de espalhar os ensinos de Jesus no mundo. Este Benfeitor Espiritual, fortemente vinculado a semeadura do Bem na Terra, que teve oca- sião de nos dizer que o Espiritismo é como um gigantesco oceano do qual estamos nas praias, apenas ...8 nos traz suas amadureci- das reflexões, firmes e determinantes, encharcadas com o afeto paternal de quem dedica profundo amor a Jesus: Entre os companheiros que se situam nesse contexto de ditos espiritistas, grande quantidade ignora os conceitos basilares espí- ritas, mas há outros que se esmeram nas leituras, conhecem vários textos e autores, não para que retirem a orientação feliz para as suas existências, porém, a fim de viverem se digladiando uns com os outros a respeito de pontos de vista que, como pontos de vista, estarão sempre firmados nas faixas de maturidade e de conquis- tas feitas por cada um, sem que, obrigatoriamente, reflitam o real sentido das propostas espíritas. [...] O de que carece o Movimento Espírita, em seus labores, é da- queles que se sintonizem com a lógica do pensamento espírita, aprumada nas considerações clarificadoras do Espírito Verdade, capaz de facear o avanço intelectual terrestre, sem temores, sem tibieza, estabelecendo a inabalável fé, que faz a alma crescer, ilu- minar-se, libertando-se do cruel pieguismo ou da exaltação neu- rótica ou, ainda, do anseio de domínio da opinião, quando uma luz mais alto se ergue, a do Cristo, que o Espiritismo alimenta com 7 FARIA, Osvaldo E. O chamado dos irmãos da luz. Niterói, RJ: Frater, 2008, p. 107 8 Ibid. p. 109
  58. 58. 58 |  O grande portal da era nova os óleos da sua celeste inspiração. 9 É ainda o Benfeitor Espiritual Camilo que nos traz considera- ções graves como sinal de alerta: Variados têm sido os que se deixam conduzir pelas influências narcóticas de muitas mentes atreladas ao mal ou ao marasmo, do Mundo Invisível, naturalmente desleixados com relação a vigilân- cia íntima, realizando seu afazeres, quando os realizam, como quem se desincumbe de um fardo pesado e difícil, mas não como quem participa do alevantamento espiritual da Humanidade. [...] Surgem problemas a solucionar na esfera de renovação do Espírito, sempre postergados, sem que os companheiros se deem conta de que poderão estar sendo minados por fluidos aneste- siantes da vontade. Uma vez que não puderam impedir que muitas criaturas acei- tassem e desejassem servir na Seara do Cristo, Entidades do Além, inimigas do progresso e da luz, que não se dão por vencidas com a primeira perda, fazem com que esses mesmos indivíduos não se movimentem no bem, que tem caráter de premência e que depen- de tão somente da boa vontade dos lidadores. Estão no movimen- to do bem, mas não atuam com o bem, o que é sempre lastimável. 10 E arremata: O que se vê é um processo de pouca vontade para empreen- der mudanças em si mesmo... [...] Muitos dão preferência ao uso de expressões que bem indicam a sua pouca disposição de transformação superior: “não há nada 9 TEIXEIRA, Raul T. Correnteza de luz. Pelo Espírito Camilo. Niterói, RJ: Frater, 1991, p. 51-53 10 Ibid. p. 145-146
  59. 59. O grande portal da era nova |  59 demais nisso”, “todo mundo faz assim”, “todo mundo usa isso”, enquanto outros preferem: “não sou de ferro”, “sou humano ain- da”, “não sou fanático”. Entretanto, surgem os que já se admitem como são, fazendo do seu estado um estado intocável que alimen- tam afirmando: “comigo é assim...”, “quem quiser gostar de mim tem que ser assim”, “sou muito bom, mas não me pise no calo...“, e seguem desfilando as suas “máximas”, mantendo o processo pernicioso de suas renitentes perturbações indefinidamente. 11 Necessário refletirmos demoradamente, o tempo urge. Ama- nhã é um dia tão distante que talvez não o alcancemos ainda pre- sos ao corpo físico. Guardemos em lugar especial da memória e do coração, recomendações colhidas na Boa Nova, que concla- ma-nos a tomar da charrua e não olhar para trás, e, decididos pelo Bem incondicionalmente, façamos do dia de hoje o nosso grande e importante dia de nossas vidas. Convém que eu faça as obras daquele que me enviou, enquan- to é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar. 12 Importa, porém, caminhar hoje, amanhã, e no dia seguinte.... 13 A questão do tempo é tão séria e grave, que desde os tempos em que o Meigo Rabi caminhava pelas terras áridas da Palestina, o alerta já nos era dado: “Digo-vos que não sabeis o que acontecerá amanhã. Porque, que é a vossa vida? É um vapor que aparece por um pouco, e depois se desvanece.” 14 Camilo, Espírito, sempre afável e paternal, amigo e diligente orientador de todos nós, quando, em 15 de março de 1974, se apresentou por primeira vez mediunicamente à Raul Teixeira, assim 11 Ibid. p. 140-141 12 João (9 : 4) 13 Lucas (13 : 33) 14 Tiago (4 : 14)
  60. 60. 60 |  O grande portal da era nova dirigiu-lhe especial mensagem, demarcando nova etapa em sua vida: “Meu filho, Jesus, cujo nome vem sendo proferido por nós ao longo das eras e, ao mesmo tempo, por nós incompreendido, deverá ser a nossa Estrela Maior, a nossa Inspiração Maior, o nos- so Aconchego Maior. Se lograrmos dar conta desse compromis- so, iniciado há tantos séculos sem o necessário êxito, sorveremos a ventura no cálice da vitória, milenarmente suspirada. O tempo urge filho, e não o teremos demasiado... Esqueça-se a si mesmo; recorde-se, porém, dos velhos deveres junto ao Irmão Seráfico de Assis, e que nada nos detenha. Vamos, meu filho, pois o Divino Amigo tem-nos sob o Seu olhar de misericórdia, e temos bem pou- co tempo...” 15 Tomemos estas palavras, como se para nós tivessem sido diri- gidas diretamente, e repitamo-las intimamente no silêncio do nos- so coração, para que ali finquem raízes inamovíveis: “Vamos, meu filho, pois o Divino Amigo tem-nos sob o Seu olhar de misericórdia, e temos bem pouco tempo...” E sempre que iniciarmos um novo dia, que é sinônimo da bon- dade Divina ofertando-nos novas oportunidades, o façamos re- fletindo sobre o que nos propõe Emmanuel, Espírito, em face da indagação posta por Jesus: “Que fazeis de especial?” 16 Em face, pois, de tantos conhecimentos e informações dos pla- nos mais altos, a beneficiarem nossos círculos felizes de trabalho espiritual, é justo ouçamos a interrogação do Divino Mestre: - Que fazeis mais do que os outros? 17 Há três coisas que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a pa- lavra pronunciada e a oportunidade perdida, fala brocardo po- pular chinês. Num belo apólogo, conta Rabindranath Tagore que um lavra- 15 FARIA, Osvaldo E. O chamado dos irmãos da luz. Niterói, RJ: Frater, 2008, p. 107 16 Mateus (5:47) 17 XAVIER, Francisco, C. Vinha de luz. Pelo Espírito Emmanuel. 15.ed. Rio de Janeiro: FEB, 1998, p. 134
  61. 61. O grande portal da era nova |  61 dor, a caminho de casa, com a colheita do dia, notou que, em sentido contrário, vinha suntuosa carruagem, revestida de estrelas. Contemplando-a, fascinado, viu-a estacar, junto dele, e, semies- tarrecido, reconheceu a presença do Senhor do Mundo, que saiu dela e estendeu-lhe a mão a pedir-lhe esmolas... - O quê? – refletiu, espantado – o Senhor da Vida a rogar-me auxílio, a mim, que nunca passei de mísero escravo, na aspereza do solo? Conquanto excitado e mudo, mergulhou a mão no alforje de trigo que trazia e entregou ao Divino Pedinte apenas um grão da preciosa carga. O Senhor agradeceu e partiu. Quando, porém, o pobre homem do campo tornou a si do pró- prio assombro, observou que doce claridade vinha do alforje po- eirento... O grânulo de trigo, do qual fizera sua dádiva, tornara à sacola, transformado em pepita de ouro luminescente... Deslumbrado, gritou: - Louco que fui!... Por que não dei tudo o que tenho ao Sobe- rano da Vida? 18 Vamos repetir as considerações do Espírito Camilo, a fim de bem as fixarmos na memória: Se lograrmos dar conta desse com- promisso, iniciado há tantos séculos sem o necessário êxito, sorve- remos a ventura no cálice da vitória, milenarmente suspirada. Para tanto, nos esforcemos para que não nos façamos espinho, quando podemos ser as pétalas da rosa; para que não sejamos problema, quando podemos ser solução; que não nos façamos obstáculo, quando podemos ser ponte de comunhão. Adotemos os apontamentos de Tiago, o apóstolo, em 1:19: Mas, todo homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tar- 18 XAVIER, Francisco, C. Cartas e crônicas. Pelo Espírito Irmão X. 3.ed. Rio de Janeiro: FEB, 1966, p. 7-8
  62. 62. 62 |  O grande portal da era nova dio para se irar. O Espírito Emmanuel, o grande evangelizador, comenta-nos essa citação: Analisar, refletir, ponderar são modalidades do ato de ouvir. É indispensável que a criatura esteja sempre disposta a identificar o sentido das vozes, sugestões e situações que a rodeiam [...] Quem ouve, aprende. Quem fala, doutrina. Um guarda, outro espalha. Só aquele que guarda, na boa experiência, espalha com êxito. [...] Tenhamos em mente que todo homem nasce para exercer uma função definida. Ouvindo sempre, pode estar certo de que atingi- rá serenamente os fins a que se destina, mas, falando, é possível que abandone o esforço ao meio, e, irando-se, provavelmente não realizará coisa alguma. 19 19 XAVIER, Francisco, C. Caminho, verdade e vida. Pelo Espírito Emmanuel. 18.ed. Rio de Janeiro: FEB, 1998, p. 169-170
  63. 63. Espiritismo para todos E Nra ovaO GRANDE PORTAL DA parte 3
  64. 64. Iluminemos o raciocínio sem descurar o sentimento. Burilemos o sentimento sem desprezar o raciocínio. O Espiritismo, restaurando o Cristianismo, é universidade da alma. Nesse sentido, vale recordar que Jesus, o Mestre por excelência, nos ensinou, acima de tudo, a viver construindo para o bem e para a verdade, como a dizer-nos que a chama da cabeça não derrama a luz da felicidade sem o óleo do coração. Emmanuel
  65. 65. O grande portal da era nova |  65 Estudo 8 Ah! a abençoada oportunidade do estudo dirigido e bem pen- sado se faz como um guia que se propõe a conduzir cami- nhantes por trilhas desconhecidas, apesar de sonhadas, ou como o bom pastor que se apresenta para conduzir as ovelhas ao recan- to farto de alimento. Tanto a disposição para programas pessoais de estudo particular, como a participação em grupos de estudos nos Centros Espíritas, são variáveis de uma mesma equação que se complementam, pois não se pode imaginar o estudo sério do Espiritismo dispensando-lhe apenas o tempo em que estivermos participando de um grupo de estudos no Centro Espírita. Precisa mais. Bem mais. Por essa razão é que se faz imperioso estudar o Espiritismo, trazendo informes destes dias para examiná-los à luz meridiana da Doutrina, clareando as nebulosas informações de psiquistas e parapsicólogos, os problemas morais ao estudo sistemático da moral espírita e as conclusões da ciência ao ensinamento doutri- Importância do
  66. 66. 66 |  O grande portal da era nova nário [...] 1 Joanna de Ângelis, pseudônimo de abnegada religiosa baia- na – Sóror Joana Angélica -, participa do Movimento de reno- vação da Terra junto à falange dos Instrutores Espirituais – essas novas “Vozes dos Céus” – encarregados da sementeira de luz e da esperança entre os homens em nome da Doutrina Espírita, o que o faz desde as épocas da Codificação Espírita, quando, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, encontramos dois ditados seus, assinando: Um Espírito Amigo. A primeira recebida em Havre e a segunda em Bordéus, França, ambas no ano de 1862. Através da profícua mediunidade de Divaldo Pereira Franco, notável tra- balhador da Seara de Jesus, ela tem legado a todos nós diversos livros, donde colhemos essa oportuna assertiva: Estudar o Espiritismo na sua limpidez cristalina e sabedoria in- contestável é dever que não nos é lícito postergar, seja qual for a justificativa a que nos apoiemos. 2 Mas esses programas de estudos precisam ser bem pensados e bem elaborados, como bem recomenda-nos Bezerra de Menezes: Nosso compromisso é com Jesus – nossa barca, nossa bússola, nosso norte, nosso porto... Jesus, meus amigos! Aquele a quem juramos fidelidade, amor e serviço. Hoje é o nosso dia de apresentar o Evangelho restaurado à sofrida alma do povo. Falemos a linguagem simples e comovedora da esperança, trocando verbalismo sonante e vazio pela semente de luz que de- vemos colocar na alma dos que padecem na cegueira das pai- xões e do desequilíbrio. 1 FRANCO, Divaldo P. À luz do espiritismo. Pelo Espírito Vianna de Carvalho. Salvador, BA: Leal, 1968, p. 127 2 ________. Estudos espíritas. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. 2.ed. Salvador, BA: Leal, 1982, p. 12
  67. 67. O grande portal da era nova |  67 A nossa não é outra, senão a tarefa de conduzir com seguran- ça os náufragos das experiências humanas ao porto da paz. 3 Vianna de Carvalho e Lins de Vasconcellos, quais sábios pro- fessores do além, também nos lecionam sobre a importância do estudo e da divulgação da Doutrina Espírita. Começamos citando Vianna de Carvalho: Impostergável, portanto, o compromisso que temos, todos nós, desencarnados e encarnados, de estudar e divulgar o Espiritismo nas bases nobres com que no-lo apresentou Allan Kardec a fim de que o Consolador de que se faz instrumento não apenas enxugue em nós os suores e as lágrimas, mas faça estancar nas fontes do sofrimento as causas de todas as aflições que produzem as lágri- mas e os suores. 4 E agora Lins de Vasconcellos: Depreende-se que o Espiritismo, ao inverso das outras Doutri- nas, cultiva o estudo, favorecendo o discernimento com largueza de vistas em relação aos problemas intrincados da alma encarna- da. [...] “O homem é o que pensa” – eis a nova fórmula. Nem o que demonstra nem o que dele se pensa. A vida íntima, a de natureza mental, significa o ser no seu es- tado real. Por isso, “o progresso completo constitui o objetivo”, como também afirmaram os Espíritos, porquanto são os atos que defi- nem o caráter, oferecendo a contribuição para o mérito ou desme- recimento do indivíduo. 3 FRANCO, Divaldo P. Compromissos iluminativos. Pelo Espírito Bezerra de Menezes. . Salvador, BA: Leal, 1991, p. 79 4 ________. Sementeira da fraternidade. Por Diversos Espíritos. 3.ed, Salvador, BA: Leal, 1979, p. 96
  68. 68. 68 |  O grande portal da era nova [...] Desenvolver as possibilidades intelectuais, iluminando a mente e libertando o coração, eis os objetivos da reencarnação para lo- brigar o êxito a que se propõe. [...] A paz depende sobretudo da razão. Quando a razão se ilumina o coração se eleva, santificando os impulsos e revigorando os sentimentos, o bem e o mal perdem o aspecto dualista para surgirem na feição do Eterno Bem, presente ou ausente. [...] Por isso mesmo crê mais aquele que compreende e não o que vê, ouve, ou que simplesmente foi informado. A autoiluminação é filha do esclarecimento intelectual. O convite ao estudo, em Espiritismo, não pode, desse modo, ser desconsiderado. Elaboremos programas para todos os momentos da vida e re- servemos ao estudo um tempo necessário à manutenção ativa da nossa elaboração espiritual que edifique e felicite. 5 5 FRANCO, Divaldo P. Crestomatia da imortalidade. Por Diversos Espíritos. Salvador, BA: Leal, 1969, p. 115-118
  69. 69. O grande portal da era nova |  69 Estudo 9 Conhecendo a psicologia humana e sabendo que quanto maior a mudança proposta para determinado estado vigente das coisas, maior será a resistência a essa mudança, Allan Kardec in- dicou-nos que o melhor será darmos um passo de cada vez em direção ao pleno esclarecimento humano da realidade espiritual para além da vida. Primeiro se trabalhar o alcance do entendi- mento amplo e mais genérico do espiritualismo, e depois se traba- lhar as proposições espíritas, propriamente ditas. Eis a recomendação de Kardec: É crença geral que, para convencer, basta apresentar os fatos. Esse, com efeito, parece o caminho mais lógico. Entretanto, mostra a experiência que nem sempre é o melhor, pois que a cada passo se encontram pessoas que os mais patentes fatos absolutamen- te não convenceram. A que se deve atribuir isso? É o que vamos tentar demonstrar. No Espiritismo, a questão dos Espíritos é secun- dária e consecutiva; não constitui o ponto de partida. Este precisa- mente o erro em que caem muitos adeptos e que, amiúde, os leva A necessidade do
  70. 70. 70 |  O grande portal da era nova a insucesso com certas pessoas. Não sendo os Espíritos senão as almas dos homens, o verdadeiro ponto de partida é a existência da alma. Todo ensino metódico tem que partir do conhecido para o desconhecido. Convencê-lo de que há nele alguma coisa que escapa às leis da matéria. Numa palavra, primeiro que o torneis espírita, cuidai de torná-lo espiritualista. Mas, para tal, muito outra é a ordem de fatos a que se há de recorrer, muito especial o ensino cabível e que, por isso mesmo, precisa ser dado por outros pro- cessos. Falar-lhe dos Espíritos, antes que esteja convencido de ter uma alma, é começar por onde se deve acabar, porquanto não lhe será possível aceitar a conclusão, sem que admita as premis- sas. Antes, pois, de tentarmos convencer um incrédulo, mesmo por meio dos fatos, cumpre nos certifiquemos de sua opinião relativa- mente à alma, isto é, cumpre verifiquemos se ele crê na existência da alma, na sua sobrevivência ao corpo, na sua individualidade após a morte. Se a resposta for negativa, falar-lhe dos Espíritos seria perder tempo. Eis aí a regra. 1 Emmanuel, Espírito, pela luminosa mediunidade de Francisco Cândido Xavier, ao escrever a abertura do livro Libertação 2 , di- tado por André Luiz, Espírito, nos relembra antiga lenda egípcia que bem caracteriza o grande esforço que é preciso fazer para se veicular a mensagem imortalista num mundo onde o imediatismo e consumismo ditam regras, e onde ninguém quer se mexer da zona de conforto em que se encontra. Ante as portas livres de acesso ao trabalho cristão e ao conhe- cimento salutar que André Luiz vai desvelando, recordamos praze- rosamente a antiga lenda egípcia do peixinho vermelho. No centro de formoso jardim, havia grande lago, adornado de ladrilhos azul-turquesa. Alimentado por diminuto canal de pedra, escoava suas águas, 1 KARDEC, Allan. O livro dos médiuns. Trad. Guillon Ribeiro. 41. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1998. Cap. III, ítem 19, p. 36 2 XAVIER, Francisco, C. Libertação. Pelo Espírito André Luiz. 7.ed. Rio de Janeiro: FEB, 1978, p. 7-11
  71. 71. O grande portal da era nova |  71 do outro lado, através de grade muito estreita. Nesse reduto acolhedor, vivia toda uma comunidade de pei- xes, a se refestelarem, nédios e satisfeitos, em complicadas locas, frescas e sombrias. Elegeram um dos concidadãos de barbatanas para os encargos de rei, e ali viviam plenamente despreocupados, entre a gula e a preguiça. Junto deles, porém, havia um peixinho vermelho, menospreza- do de todos. Não conseguia pescar a mais leve larva, nem refugiar-se nos nichos barrentos. Os outros, vorazes e gordalhudos, arrebatavam para si todas as formas larvárias e ocupavam, displicentes, todos os lugares consagrados ao descanso. O peixinho vermelho que nadasse e sofresse. Por isso mesmo era visto, em correria constante, perseguido pela canícula ou ator- mentado de fome. Não encontrando pouso no vastíssimo domicílio, o pobrezinho não dispunha de tempo para muito lazer e começou a estudar com bastante interesse. Fez o inventário de todos os ladrilhos que enfeitavam as bordas do poço, arrolou todos os buracos nele existentes e sabia, com precisão, onde se reuniria maior massa de lama por ocasião de aguaceiros. Depois de muito tempo, à custa de longas perquirições, encon- trou a grade do escoadouro. A frente da imprevista oportunidade de aventura benéfica, re- fletiu consigo: — “Não será melhor pesquisar a vida e conhecer outros ru- mos?” Optou pela mudança.
  72. 72. 72 |  O grande portal da era nova Apesar de macérrimo pela abstenção completa de qualquer conforto, perdeu várias escamas, com grande sofrimento, a fim de atravessar a passagem estreitíssima. Pronunciando votos renovadores, avançou, otimista, pelo rego d’água, encantado com as novas paisagens, ricas de flores e sol que o defrontavam, e seguiu, embriagado de esperança ... Em breve, alcançou grande rio e fez inúmeros conhecimentos. Encontrou peixes de muitas famílias diferentes, que com ele simpatizaram, instruindo-o quanto aos percalços da marcha e descortinando-lhe mais fácil roteiro. Embevecido, contemplou nas margens homens e animais, em- barcações e pontes, palácios e veículos, cabanas e arvoredo. Habituado com o pouco, vivia com extrema simplicidade, ja- mais perdendo a leveza e a agilidade naturais. Conseguiu, desse modo, atingir o oceano, ébrio de novidade e sedento de estudo. De início, porém, fascinado pela paixão de observar, aproxi- mou-se de uma baleia para quem toda a água do lago em que vivera não seria mais que diminuta ração; impressionado com o espetáculo, abeirou-se dela mais que devia e foi tragado com os elementos que lhe constituíam a primeira refeição diária. Em apuros, o peixinho aflito orou ao Deus dos Peixes, rogando proteção no bojo do monstro e, não obstante as trevas em que pedia salvamento, sua prece foi ouvida, porque o valente cetáceo começou a soluçar e vomitou, restituindo-o às correntes marinhas. O pequeno viajante, agradecido e feliz, procurou companhias simpáticas e aprendeu a evitar os perigos e tentações. Plenamente transformado em suas concepções do mundo, passou a reparar as infinitas riquezas da vida. Encontrou plantas luminosas, animais estranhos, estrelas mó-
  73. 73. O grande portal da era nova |  73 veis e flores diferentes no seio das águas. Sobretudo, descobriu a existência de muitos peixinhos, estudiosos e delgados tanto quanto ele, junto dos quais se sentia maravilhosamente feliz. Vivia, agora, sorridente e calmo, no Palácio de Coral que ele- gera, com centenas de amigos, para residência ditosa, quando, ao se referir ao seu começo laborioso, veio a saber que somente no mar as criaturas aquáticas dispunham de mais sólida garantia, de vez que, quando o estio se fizesse mais arrasador, as águas de outra altitude continuariam a correr para o oceano. O peixinho pensou, pensou... e sentindo imensa compaixão daqueles com quem convivera na infância, deliberou consagrar- -se à obra do progresso e salvação deles. Não seria justo regressar e anunciar-lhes a verdade? Não seria nobre ampará-los, prestando-lhes a tempo valiosas informações? Não hesitou. Fortalecido pela generosidade de irmãos benfeitores que com ele viviam no Palácio de Coral, empreendeu comprida viagem de volta. Tornou ao rio, do rio dirigiu-se aos regatos e dos regatos se en- caminhou para os canaizinhos que o conduziram ao primitivo lar. Esbelto e satisfeito como sempre, pela vida de estudo e serviço a que se devotava, varou a grade e procurou, ansiosamente, os velhos companheiros. Estimulado pela proeza de amor que efetuava, supôs que o seu regresso causasse surpresa e entusiasmo gerais. Certo, a co- letividade inteira lhe celebraria o feito, mas depressa verificou que ninguém se mexia. Todos os peixes continuavam pesados e ociosos, repimpados nos mesmos ninhos lodacentos, protegidos por flores de lótus, de onde saiam apenas para disputar larvas, moscas ou minhocas desprezíveis.
  74. 74. 74 |  O grande portal da era nova Gritou que voltara a casa, mas não houve quem lhe prestasse atenção, porquanto ninguém, ali, havia dado pela ausência dele. Ridicularizado, procurou, então, o rei de guelras enormes e co- municou-lhe a reveladora aventura. O soberano, algo entorpecido pela mania de grandeza, reuniu o povo e permitiu que o mensageiro se explicasse. O benfeitor desprezado, valendo-se do ensejo, esclareceu, com ênfase, que havia outro mundo liquido, glorioso e sem fim. Aquele poço era uma insignificância que podia desaparecer, de momento para outro. Além do escoadouro próximo desdobra- vam-se outra vida e outra experiência. Lá fora, corriam regatos ornados de flores, rios caudalosos repletos de seres diferentes e, por fim, o mar, onde a vida aparece cada vez mais rica e mais surpreendente. Descreveu o serviço de tainhas e salmões, de trutas e esqualos. Deu notícias do peixe-lua, do peixe-coelho e do galo-do-mar. Contou que vira o céu repleto de astros sublimes e que descobrira árvores gigantescas, barcos imensos, cidades praieiras, monstros temíveis, jardins submersos, estrelas do oceano e ofereceu-se para conduzi-los ao Palácio de Coral, onde viveriam todos, prósperos e tranquilos. Finalmente os informou de que semelhante felicidade, porém, tinha igualmente seu preço. Deveriam todos emagrecer, convenientemente, abstendo-se de devorar tanta larva e tanto verme nas locas escuras e aprendendo a trabalhar e estudar tanto quanto era necessário à venturosa jornada. Assim que terminou, gargalhadas estridentes coroaram-lhe a preleção. Ninguém acreditou nele. Alguns oradores tomaram a palavra e afirmaram, solenes, que o peixinho vermelho delirava, que outra vida além do poço era francamente impossível, que aquela história de riachos, rios e oce- anos era mera fantasia de cérebro demente e alguns chegaram a declarar que falavam em nome do Deus dos Peixes, que trazia os
  75. 75. O grande portal da era nova |  75 olhos voltados para eles unicamente. O soberano da comunidade, para melhor ironizar o peixinho, dirigiu-se em companhia dele até à grade de escoamento e, ten- tando, de longe, a travessia, exclamou, borbulhante: — “Não vês que não cabe aqui nem uma só de minhas barba- tanas? Grande tolo! vai-te daqui! não nos perturbes o bem-es- tar... Nosso lago é o centro do Universo... Ninguém possui vida igual à nossa! ...” Expulso a golpes de sarcasmo, o peixinho realizou a viagem de retorno e instalou-se, em definitivo, no Palácio de Coral, aguar- dando o tempo. Depois de alguns anos, apareceu pavorosa e devastadora seca. As águas desceram de nível. E o poço onde viviam os peixes pachorrentos e vaidosos esvaziou-se, compelindo a comunidade inteira a perecer, atolada na lama... A Mensagem Espírita nos faz bem? Agradeçamos àquele que se fez nosso benfeitor em dada ocasião, que nos presenteou com a oportunidade de conhecermos a Doutrina Espírita. Agora queremos que outros tantos aceitem também esse con- vite, o que é louvável. Mas não nos enganemos imaginando que o pretendido en- gajamento das pessoas no estudo se faça sem maiores óbices. Entre outros, há o obstáculo da falta de hábito de leitura periódi- ca, quanto mais de leitura sadia e edificante. Há o empecilho da pouca vontade de estudar com dedicação para se aprender de fato alguma coisa, faltando autodeterminação; também há o fato de que na nossa formação escolar assimilamos equivocadamente que estudo é para quando estamos em banco escolar e, ainda pior, somente para se conseguir aprovação (alcançar nota média suficiente) em cada prova e no final de cada ano, sabendo-se ou não efetivamente a matéria; acrescente-se preconceitos religio-
  76. 76. 76 |  O grande portal da era nova sos, e por aí vai. Se não houver frutos, valeu a beleza das flores; se não houver flores, valeu a sombra das folhas; senão houver folhas, valeu a intenção da semente, escreveu Henfil. Como semeadores da Boa Nova e caminheiros da Era Nova, nos resguardemos nos ensinos de Jesus, ministrados ontem com validade para todo o sempre: Ouvi: Eis que saiu o semeador a semear. E aconteceu que semeando ele, uma parte da semente caiu junto do caminho, e vieram as aves do céu, e a comeram. E outra caiu sobre pedregais, onde não havia muita terra, e nasceu logo, porque não tinha terra profunda. Mas, saindo o sol, queimou-se; e, porque não tinha raiz, se- cou-se. E outra caiu entre espinhos e, crescendo os espinhos, a sufoca- ram e não deu fruto. E outra caiu em boa terra e deu fruto, que vingou e cresceu; e um produziu trinta, outro sessenta, e outro cem. E disse-lhes: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça. 3 Já nos foi dito pelas Vozes dos Céus, em 1857: Poderia sempre o homem, pelos seus esforços, vencer as suas más inclinações? “Sim, e, frequentemente, fazendo esforços muito insignifican- tes. O que lhe falta é a vontade. Ah! Quão poucos dentre vós fa- zem esforços!” 4 Em realidade, somos fracos de vontade, não de inteligência. 3 Marcos (4:3 a 9) 4 KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Trad. Guillon Ribeiro. 80. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1998. Perg. 909, p. 418
  77. 77. O grande portal da era nova |  77 Estamos informados de tantas coisas na vida que são boas, sau- dáveis, importantes e necessárias. As aceitamos, nelas reconhe- cemos tais qualidades, mas não as adotamos, não as praticamos, não fazemos como deveria ser. Entre o saber e o fazer, a vontade é a determinante que faz a diferença! Despertar esse interesse é desafio urgente. Programas de es- tudos bem elaborados, com temas bem escolhidos e apropriada- mente ordenados entre si, apresentados de maneira eficaz, em reuniões bem preparadas e bem conduzidas, com sincero empe- nho em se conquistar cada um dos participantes para os caminhos de Jesus, com dedicação, entusiasmo e oferta de amizade sincera, são fatores que muito auxiliarão tal intento. Sobre a necessidade de estudo e, especialmente, de estudo da Doutrina Espírita, abaixo destacamos várias citações de Allan Kardec constantes em O Livro dos Espíritos, como maior funda- mentação ainda para nosso convencimento: Acrescentemos que o estudo de uma doutrina, qual a Doutrina Espírita, que nos lança de súbito numa ordem de coisas tão nova quão grande, só pode ser feito com utilidade por homens sérios, perseverantes, livres de prevenções e animados de firme e sincera vontade de chegar a um resultado. 5 * O que caracteriza um estudo sério é a continuidade que se lhe dá. 6 * [...] A verdadeira Doutrina Espírita está no ensino que os Espíri- tos deram, e os conhecimentos que esse ensino comporta são por demais profundos e extensos para serem adquiridos de qualquer modo, que não por um estudo perseverante, feito no silêncio e no 5 KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Trad. Guillon Ribeiro. 80. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1998. Introdução, item VIII, p. 31 6 Id.

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