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O papel do orientador profissional é fundamentalmente esclarecer situações,conscientizar e vincular a problemática do adol...
família, da estrutura educacional e dos meios de comunicação de massa. Estes cristalizam aideologia pela representação das...
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O papeldo orientador profissional

  1. 1. O papel do Orientador Profissional- Revisão críticaYvette Piha Lehman O enquadre teórico que encontramos na área de Orientação Profissional nos colocafrente ao seguinte dilema:a) será que há neste momento pouca possibilidade de inovar na área? Oub) devido à complexidade da área, urge novas abordagens, teorias e novos campos de atuação do orientador? Observamos que as abordagens atuais não abarcam toda gama da problemáticavocacional, pois é muito restrita frente aos novos problemas e situações sociais. Muitos profissionais da área são pressionados para buscar soluções e novasestratégias. De fato, inúmeros fatores intervêm e muitas publicações, que supostamentecontêm novas abordagens, não chegam a ter qualquer força inovadora que possa nos tirardeste dilema. A própria produção científica na área, o número de revistas existentes sobre o tema,está cada vez menor, ou deixou de ser restrita à área de Orientação Vocacional. Porexemplo, a revista Vocacional Guindance Quartely muda em 1986 para CareerDevelopment Quartely. Podemos nos perguntar o porquê desta situação? Questionamentos anteriores, que possibilitavam definir abordagens diferentes,atualmente não têm a mesma validade para discriminar e avaliar a eficiência das váriasestratégias e os enquadres teóricos divergentes que permitiam ao orientador profissional seauto-definir. Desta maneira a problemática que advém da técnica utilizada se dilui e nosremete a questionamentos mais amplos que talvez ultrapassam a própria área da psicologia. O que fazer frente as novas situações do mercado e da ideologia social frente aotrabalho do homem na nossa sociedade? Qual é o papel específico do orientadorprofissional frente a esta situação? O que a nossa sociedade espera do homem em relaçãoao trabalho? Será que estamos caminhando para uma nova concepção de trabalho e o seucorrespondente projeto social? Quais a novas demandas sociais que existem hoje para apessoa que escolhe? São claras? O problema da escolha pessoal tem a ver com toda esta dinâmica, pois nestemomento emergem todos estes questionamentos, que são tanto de ordem individual, quantode ordem social. É neste momento que surge o confronto de todas essas variáveisdecorrentes destas ordens. O problema da escolha na adolescência nos remete a uma questão de aquisição deidentidade, à formulação de que adulto quer ser e ao delineamento de um projeto de vida.Este momento é um momento crucial, pois envolve a sua entrada na vida adulta e aconscientização de seu projeto de vida, antecipando a sua definição do seu papel adulto. Consideramos que o trabalho que realizamos é de elaboração de um projeto de vidado mundo adulto, através da conscientização das identificações, conscientes einconscientes, subjacentes à escolha do indivíduo.
  2. 2. Assim, o vínculo com a profissão será vivenciado como auto-reparação é como umestado de preparação para ser vivenciado em si mesmo como um fazer reparatório. Por isso,podemos afirmar que o processo de orientação profissional tem valor profilático. Partimos do princípio que a escolha não é causal e que de alguma forma o vínculocom a profissão futura há de Ter algo reparatório para o indivíduo. Nosso principal enfoque segue a teoria de Bohoslavsky, R. (1971), que se baseiatanto na sua conceituação de Orientação Profissional quanto em sua prática na EscolaPsicanalítica Inglesa, na Psicologia do Ego de Hartmann e nos aspectos psico-sociais queinfluenciam a escolha. Enfatiza que a escolha se remete a uma relação e o vínculo entre oindivíduo, o outro e o futuro. Bohoslavsky se apóia numa visão psicanalítica e na hipótese de Wender de que asvocações expressam respostas do ego a chamados internos, provenientes de objetos internosdanificados, que pedem e reclamam a reparação do ego. Para o autor, o problema da escolha pessoal tem que ser definido com a dificuldadedas pessoas em alcançar escolhas conscientes e autônomas, que podem abranger tantoaspectos de ordem pessoal, considerando a estrutura da pessoa que escolha, quanto aspectosda estrutura social em que se dá esta escolha, tendo como base a dialética dos desejos eidentificações sociais. Talvez o orientador profissional tenha que incluir, na sua concepção, um novomodelo de escolha, que inclui, além das grandes especializações, um modelo que enfoqueaopção de um modo mais dinâmico. Com isto quero dizer um modelo que inclui uma opção que não esteja totalmentefechada e que segue o que Bleger (1970) claramente explicita, quando disse: “o homem denosso tempo deve também cronicamente ser uma pessoa em crise – e esta crise contínua é amelhor adaptação ao meio que se quer modificar e transformar”. Vemos aqui que o modelo de identidade atual e de maturidade inclui como parte deuma crise permanente que o faz um pesquisador constante de seu meio, de seus aspectosinternos, evitando uma identidade ajustada ou alienada. Para que a pessoa que escolhe, temos que desmistificar que a escolha temnecessariamente de ser permanente. Temos que torna-lo consciente que isto atualmente éuma ilusão, pois até o conceito de educação hoje entra num modelo de educaçãocontinuada, que pode se confrontar com o modelo segundo o qual, uma vez formado, já estáconquistado o seu espaço profissional. Hoje existe a necessidade de se reajustar constantemente a uma formação quemuitas vezes se justapõe com a vida profissional, acompanhando as inovações na área. De certo modo isso implica uma visão dinâmica e ativa de escolha. Uma constantere-constextualização e atualização profissional são necessárias, procurando desenvolver umprofissional ativo na sua área. Em outras palavras, não ser um profissional alienado e simcriativo. Este novo recontextualizar da orientação profissional também têm que envolver opróprio orientador profissional, que terá que contribuir para que o orientando assente na suaidentidade profissional o contexto educacional, histórico-social e os fatores ideológicossubjacentes a estes. Este re-contextualizar tanto do orientador quanto do orientando é absolutamentenecessário para evitar que o adolescente sinta que a necessidade de uma adaptação a umanova realidade na estrutura social e educativa seja por causa de falhas pessoais. A escolha da profissão não mais traz um alívio imediato e permanente.
  3. 3. O papel do orientador profissional é fundamentalmente esclarecer situações,conscientizar e vincular a problemática do adolescente, frente à escolha de seu futuro, como contexto histórico e as situações locais onde esta escolha se dá. Muitas vezes podemos confundir uma pessoa que está neste processo de constantequestionamento com outra, totalmente confusa, que se deixa envolver e que permite que aprópria situação a escolha. O desenvolvimento vocacional apontado por Super (1968), onde vemos avinculação dos indivíduos às ocupações, passa evolutivamente por cinco etapas. Cada umaoferece características e determinantes específicos. São: crescimento (13-14 anos);exploração (15-24 anos); estabelecimento (24-44 anos); manutenção (44-64 anos) edeclínio (após os 64). Atualmente, observamos que nesse desenvolvimento as crises vocacionais são cadavez mais freqüentes, levando o sujeito a se re-introduzir em etapas anteriores, fazendoressurgir as questões correspondentes a essas etapas, não se observando umdesenvolvimento evolutivo linear. Basta mencionar a quantidade de jovens que após teremingressado na faculdade ficam insatisfeitos com a sua primeira escolha e procuram novoscaminhos. Esta crise pode surgir tanto de uma situação pessoal, como pode ser decorrente doatual modelo de educação continuada e todas as questões que ela nos coloca. Vários fatores que emergem deste modelo de educação continuada confundemmuitos orientadores, que se perguntam a quem esta se dirige: para as pessoas super-especializadas ou para as pessoas que tiveram uma formação lacunar, e que buscam naeducação continuada uma tentativa de superar lacunas deixadas pela formação anterior. Nós, como profissionais, obviamente estamos sendo diretamente atingidos por estasmudanças. Isto nos faz propor um novo modelo, igualmente dinâmico, de escolha, ou areformulação do atual modelo estático, que nos permite visualizar a identidade ocupacionalque emerge deste novo modelo. Depois de esclarecidas a dupla ordem de determinação da escolha do sujeito(individual e social). Cai por terra a noção de que a escolha do indivíduo é livre ouautônoma. Isto não significa que estas inexistem, mas são de fato liberdade e autonomiarelativas, que emergem na consciência a partir das identificações e das demandas sociais. Nós como orientadores profissionais temos que ter muito claro a consciência dacrise, seja porque o próprio trabalho, ou a própria noção de trabalho, está se modificando,ou seja porque o valor do trabalho hoje não é o mesmo que antigamente. Temos uma sériede ideologias concomitantes e paradoxais – colocando-nos frente a uma série decontradições. Sem dúvida, nesta área fica mais explícito o tangenciamento e a duplainfluência entre o orientador e o social. Cada vez mais nos confrontamos, e temos que lidar, com as encruzilhadasvocacionais. Temos que conhecer, e até tentar prever, as condições futuras da profissãoescolhida. E também ter em mente a realidade nacional no plano educativo e econômico. Isto que estou assinalando pode parecer utópico dentro de um âmbito brasileiroonde a realidade das condições de trabalho são tão divergentes, tanto no nível dedesenvolvimento econômico, desenvolvimento técnico e do desenvolvimento educacional. Temos demandas sociais muito diversas e necessidades sociais que são igualmentediversas. A escolha é multi e sobredeterminada. As contradições sociais e as demandassociais expressam-se por meio de novas exigências, que o sujeito percebe através da
  4. 4. família, da estrutura educacional e dos meios de comunicação de massa. Estes cristalizam aideologia pela representação das profissões, das suas relações, dos requisitos pessoais parase ter acesso a elas, seu sentido social, e o próprio valor do trabalho e organização. Entretanto, recentemente observamos que de alguma forma estas representações nãochegam a se cristalizar, ou seja as demandas e as contradições sociais não são claramentedistinguidas. Há uma certa anarquia de valores observada num crescente desconhecimentodestas demandas sociais pelo jovem. Ou, dito de outra forma, o material representacionaldo seu super ego e do ideal de ego são freqüentemente vagos para uma futura definição. De fato, colabora com isto toda uma realidade profissional onde novas profissõessurgem a todo momento, outras desaparecem e outras se modificam ou se subdividem.Basta ver o que a própria psicologia se modificou, seja a nível do sistema educativo, docampo de trabalho e das áreas segundo a evolução das diversas técnicas que o profissionalsegue. Nesse momento, onde o social está numa vertiginosa transformação, a apreensão darealidade se torna confusa e difusa. Muitas vezes o nosso trabalho começa pela clarificaçãodesta confusão, e nesta o que de importante existe para o indivíduo que escolhe. Todas estas questões trazem para o campo da Orientação Profissional novosproblemas. Destaco, aqui, o desmoronamento da identidade profissional. Vemos cada vezmais freqüentemente adultos cujo sentido de sua profissão se perdeu – são adultos queescolheram de forma madura, mas que entretanto, por alguma razão, não encontram maissentido na sua escolha. É como se houvesse uma implosão de todo seus ideais. Estes casos poderiam ser convertidos em apenas casos que podem ser encaminhadospara terapia. Entretanto, ao meu ver são casos onde a crise se origina de uma série decondições advindas da profissão. É uma crise de lucidez, e está no campo da orientaçãoprofissional. Poderíamos chamar estes de casos atípicos, mas entretanto, após tanto tempo naárea, podemos ver que trazem pontos de reflexão. Aqui é possível detectar, descrever e definir, com certa precisão, um conjunto decondutas, sentimentos e ansiedades, estados de ânimo, fantasias e defesas que não podemser incluídos dentro dos conceitos habituais utilizados para caracterizar a patologia mental. Isto faz com que o campo de Orientação Profissional comece a se ampliar e novassituações a se delinearem. Há uma maior atenção e interesse na área. Existem váriosinstitutos de orientação especializados para atender estas situações novas ou para atender aorientação de carreira, seja nos altos níveis, como também em relação a re-colocação deprofissionais dispensados ou no momento de aposentadoria. Orientação Profissional hoje é um campo que transcende em muito a situaçãoindividual de cada orientador e suas técnicas, pois para ela convergem todos os conflitos deordem social, institucional e psicológica que marcam nosso dia-a-dia.
  5. 5. BIBLIOGRAFIABOHOSLAVSKY, R. Orientação Vocacional – A estratégia clínica. São Paulo, Martins Fontes, 1977BOHOSLAVSKY, R. Lo Vocacional: Teoria, Técnica e Ideologia. Buenos Aires, Busqueda, 1975.CARVALHO, M. M. M. J. Orientação Profissional em Dinâmicas de Grupo: Teoria e Técnica. Campinas, Editorial Psy, 1995.LEHMAN, Y. P. Aspectos afetivos e cognitivos na Orientação Profissional de adolescentes. São Paulo, 1980. Dissertação (mestrado). Instituto de Psicologia da USP.LEHMAN, Y. P. Aquisição da identidade vocacional em uma sociedade em crise – dois momentos na escolha profissional liberal. São Paulo, 1988. Tese (doutoramento). Instituto de Psicologia da USP.SUPER, D. E.; BOHN, M. J. J. Psicologia Ocupacional. São Paulo, Atlas, 1980.

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