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A Reencarnação –
Entrevistando Hermínio
de Miranda
i
SUMÁRIO
1 A Reencarnação – Conceitos e Fundamentos.............................................................................................................1
1.1 Finalidades da Reencarnação ..............................................................................................................................1
1.1.1 Evolução – Intelectual/Moral/Espiritual.........................................................................................................1
1.1.2 Co-autoria na obra da Criação – Participação/Missão....................................................................................2
1.1.3 Reparação e Reajustes – Expiação/Provação..................................................................................................3
1.1.4 Síntese.............................................................................................................................................................4
2 A Reencarnação – Entrevista com Hermínio de Miranda........................................................................................7
2.1 Reencarnação e Anomalia Cerebral....................................................................................................................7
2.2 Reencarnação e Código Genético........................................................................................................................7
2.3 Reencarnação e Tempo de Permanência na Espiritualidade............................................................................7
2.4 Reencarnação e Obsessão.....................................................................................................................................8
2.5 Reencarnação e Responsabilidade dos Pais........................................................................................................8
2.6 Reencarnação e o Tempo entre Vidas.................................................................................................................8
2.7 Reencarnação e Comunicações Mediúnicas durante a Gravidez.....................................................................9
2.8 Reencarnação e o Resgate total de débitos de Vidas Passadas .........................................................................9
2.9 Reencarnação e o Programa Reencarnatório.....................................................................................................9
2.10 Reencarnação e a Participação da Espiritualidade no Processo ....................................................................10
2.11 Reencarnação e a Consciência Intrauterina.....................................................................................................10
3 A Reencarnação – Visões Doutrinárias.....................................................................................................................11
3.1 Hermínio de Miranda.........................................................................................................................................11
3.1.1 Reencarnação – Instrumento para o Progresso Espiritual.............................................................................11
3.1.2 Reencarnação – O Livro branco da Vida......................................................................................................12
3.2 Emmanuel............................................................................................................................................................14
3.2.1 Reencarnação................................................................................................................................................14
3.2.2 Vidas Sucessivas...........................................................................................................................................15
3.2.3 Reencarnação................................................................................................................................................16
3.2.4 Virtude Solitária............................................................................................................................................17
3.2.5 Jesus e Kardec...............................................................................................................................................18
3.3 Lins de Vasconcelos ............................................................................................................................................20
3.3.1 Renascer e Remorrer.....................................................................................................................................20
3.4 Joanna de Angelis ...............................................................................................................................................21
3.4.1 Considerando a Reencarnação......................................................................................................................21
3.4.2 A Benção da Reencarnação ..........................................................................................................................22
3.4.3 Necessidade da Reencarnação ......................................................................................................................25
3.4.4 Reencarnação e Consciência.........................................................................................................................27
3.5 Herculano Pires...................................................................................................................................................28
3.5.1 A Chave da Reencarnação............................................................................................................................28
3.6 Manoel Philomeno de Miranda .........................................................................................................................29
3.6.1 Reencarnação: Dádiva de Deus ....................................................................................................................29
ii
3.7 Militão Pacheco...................................................................................................................................................32
3.7.1 O Espiritismo Pergunta.................................................................................................................................32
3.8 Martins Peralva...................................................................................................................................................33
3.8.1 Reencarnacionismo, Sim ..............................................................................................................................33
4 Referências ..................................................................................................................................................................36
5 Anexo ...........................................................................................................................................................................37
5.1 Hermínio de Miranda – Biografia.....................................................................................................................37
1
A REENCARNAÇÃO
1 A Reencarnação – Conceitos e Fundamentos
1.1 Finalidades da Reencarnação
1.1.1 Evolução – Intelectual/Moral/Espiritual
(...)
Não podendo os Espíritos aperfeiçoar-se, a não ser por meio das tribulações da existência corpórea, segue-
se que a vida material seja uma espécie de crisol ou de depurador, por onde têm que passar todos os seres do
mundo espírita para alcançarem a perfeição?
Sim, é exatamente isso. Eles se melhoram nessas provas, evitando o mal e praticando o bem; porém, somente
ao cabo de mais ou menos longo tempo, conforme os esforços que empreguem; somente após muitas encarnações ou
depurações sucessivas, atingem a finalidade para que tendem.
Allan Kardec – O Livro dos Espíritos, questão 196
(...)
A encarnação é necessária ao duplo progresso moral e intelectual do Espírito: ao progresso intelectual
pela atividade obrigatória do trabalho; ao progresso moral pela necessidade recíproca dos homens entre si.
A vida social é a pedra de toque das boas ou más qualidades. A bondade, a maldade, a doçura, a violência, a
benevolência, a caridade, o egoísmo, a avareza, o orgulho, a humildade, a sinceridade, a franqueza, a lealdade, a má-
fé, a hipocrisia, em uma palavra, tudo o que constitui o homem de bem ou o perverso tem por móvel, por alvo e por
estímulo as relações do homem com os seus semelhantes.
Para o homem que vivesse insulado não haveria vícios nem virtudes; preservando-se do mal pelo
insulamento, o bem de si mesmo se anularia.
Allan Kardec – O Céu e o Inferno – 1º Parte - Cap. 3 – Item 8.
(...)
A reencarnação é Lei da Vida.
Impositivo estabelecido, irrefragavelmente, constitui processo de evolução, sem o qual a felicidade seria
impossível.
Programada pelo Criador, faculta os mecanismos naturais de desenvolvimento dos valores que
jazem latentes, no ser espiritual, que assim frui, em igualdade de condições, dos direitos que a todos são concedidos.
A reencarnação enobrece o calceta, santifica o vilão, eleva o caído, altera a paisagem moral do revoltado,
dulcificando-o ao largo do tempo, sem pressa, nem violência.
A reencarnação é convite ao aproveitamento da oportunidade e do tempo, que sempre devem ser
colocados a serviço do progresso espiritual e da perfeição, etapa final da contínua busca do ser.
Joanna de Ângelis – Responsabilidade – Cap.5: Considerando a Reencarnação
(...)
A reencarnação é o maior investimento da vida ao Espírito em processo evolutivo, o qual, sem ela, padeceria
a hipertrofia de valores intelecto-morais, pela falta do ensejo da convivência com aqueles que se lhe vinculam pelo
amor santificado, pelo amor asselvajado das paixões dissolventes, ou pelo amor enlouquecido no ódio, na violência,
na perseguição... A conjuntura carnal constitui valiosa aprendizagem para a fixação dos recursos mais elevados do
bem e do progresso na escalada inevitável da evolução.
Manoel Philomeno de Miranda – Temas da Vida e da Morte – Cap. 1: Reencarnação - Dádiva de Deus
2
1.1.2 Co-autoria na obra da Criação – Participação/Missão
(...)
A obrigação que tem o Espírito encarnado de prover ao alimento do corpo, à sua segurança, ao seu bem-
estar, o força a empregar suas faculdades em investigações, a exercitá-las e desenvolvê-las. Útil, portanto, ao seu
adiantamento é a sua união com a matéria.
Daí o constituir uma necessidade a encarnação.
Além disso, pelo trabalho inteligente que ele (o Espírito) executa em seu proveito, sobre a matéria, auxilia a
transformação e o progresso material do globo que lhe serve de habitação.
É assim que, progredindo, colabora na obra do Criador […].
Allan Kardec – A Gênese – Cap. 11 – Item 24.
(...)
Reencarnação nem sempre é sucesso expiatório, como nem toda luta no campo físico expressa punição.
Suor na oficina é acesso à competência. Esforço na escola é aquisição de cultura.
Toda restauração exige dificuldades equivalentes. Todo valor evolutivo reclama serviço próprio. Nada existe
sem preço. Por esse motivo, se as paixões gritam jungidas aos flagelos que lhes extinguem a sombra, as tarefas
sublimes fulgem ligadas às renunciações que lhes acendem a luz.
À vista disso, não te habitues a medir as dores alheias pelo critério de expiação, porque, quase sempre almas
heroicas que suportam o fogo constante das grandes dores morais, no sacrifício do lar ou nas lutas do povo, apenas
obedecem aos impulsos do bem excelso, a fim de que a negação do homem seja bafejada pela esperança de Deus.
Emmanuel – Religião dos Espíritos – Cap. 24: Reencarnação
(...)
No trajeto multimilenário de nossas experiências, aprendemos, entre sucessivos transes de nascimento e
desencarnação, a alegria de viver, descobrindo e reconhecendo a necessidade e a compensação do sofrimento,
sempre forjado por nossas próprias faltas.
Já renascemos e remorremos milhões de vezes, contraindo e saldando obrigações, assinalando a
excelsitude da Providência e o valor inapreciável da humildade, para saber, enfim, que toda revolta humana é
absurda e impotente.
Se há facilidade para remorrer, há dificuldades para renascer. As portas dos cemitérios jamais se
fecham; contudo, as portas da reencarnação só se abrem com a senha do mérito haurido nas edificações
incessantes da Caridade.
Lins de Vasconcellos – O Espírito da Verdade – Cap. 48: Renascer e Remorrer
(...)
Considera o teu estágio na terra, no corpo físico, uma oportunidade especial para o teu crescimento espiritual.
Esforça-te por aproveitar cada momento da superior experiência evolutiva, a fim de poderes amealhar valores
imperecíveis que te acompanharão para sempre.
Joanna de Angelis – Atitudes Renovadas – Cap. 3: Benção da Reencarnação
3
1.1.3 Reparação e Reajustes – Expiação/Provação
(...)
É na vida corpórea que o Espírito repara o mal de anteriores existências, pondo em prática resoluções
tomadas na vida espiritual. Assim se explicam as misérias e vicissitudes mundanas que, à primeira vista, parecem
não ter razão de ser. Justas são elas, no entanto, como espólio do passado – herança que serve à nossa romagem para
a perfectibilidade.
Allan Kardec – O Céu e o Inferno – 1º Parte – Cap. 7 – Item 31
(...)
Mediante as diversas existências corpóreas é que os Espíritos se vão expungindo, pouco a pouco, de suas
imperfeições. As provações da vida os fazem adiantar-se, quando bem suportadas. Como expiações, elas apagam
as faltas e purificam. São o remédio que limpa as chagas e cura o doente.
Allan Kardec – O Evangelho segundo o Espiritismo –- Capítulo 5–- item 10.
(...)
A doutrina da reencarnação, isto é, a que consiste em admitir para o Espírito muitas existências sucessivas,
é a única que corresponde à ideia que formamos da justiça de Deus para com os homens que se acham em condição
moral inferior; a única que pode explicar o futuro e firmar as nossas esperanças, pois que nos oferece os meios de
resgatarmos os nossos erros por novas provações. A razão no-la indica e os Espíritos a ensinam.
Allan Kardec – O Livro dos Espíritos, questão 171 — comentário.
(...)
Livres, estamos interligados perante a Lei, para fazer o melhor, e, escravizados aos compromissos
expiatórios, estaremos acorrentados uns aos outros no instituto da reencarnação, segundo a Lei, para anular o pior
que já foi feito por nós mesmos nas existências passadas.
Ninguém progride sem alguém.
Emmanuel – Justiça Divina – Cap. 4: Virtude Solitária
(...)
A reencarnação significa precioso ensejo de sublimar e superar, registrando como bênçãos nos refolhos da
alma as experiências de libertação do imediatismo e da extravagância.
É expressivo o retorno à carne para refazimento das experiências deixadas à margem; tantas se fazem
necessárias quantas as oportunidades de evoluir, até chegar à perfeição.
Nasce e renasce o Espírito em diversos círculos para conquistar e reconquistar afetos, alargando os
horizontes da fraternidade entre todas as criaturas, de modo a que o Reino de Deus não se transforme em oásis
fechado de felicidade grupal, distante da Humanidade inteira.
Com propriedade, portanto, anotou o Codificador do Espiritismo que "a reencarnação, aliás, precisa ter um
fim útil".
Joanna de Angelis – Lampadário Espírita – Cap. 14: Necessidade da Reencarnação
(...)
O princípio da reencarnação é a chave que nos abre a compreensão para todos os problemas humanos.
Sem ele tudo é mistério e confusão em nossos destinos e a justiça de Deus nos parece absurda.
Herculano Pires – Na Era do Espírito – Cap. 27: A Chave da Reencarnação
4
1.1.4 Síntese
Qual o objetivo da encarnação dos Espíritos?
Deus lhes impõe a encarnação com o fim de fazê-los chegar à perfeição. Para uns, é expiação; para outros,
missão. Mas, para alcançarem essa perfeição, têm que sofrer todas as vicissitudes da existência corporal: nisso é
que está a expiação.
Visa ainda outro fim a encarnação: o de pôr o Espírito em condições de suportar a parte que lhe toca na
obra da criação.
Para executá-la é que, em cada mundo, toma o Espírito um instrumento, de harmonia com a matéria essencial
desse mundo, a fim de aí cumprir, daquele ponto de vista, as ordens de Deus. É assim que, concorrendo para a obra
geral, ele próprio se adianta.
A ação dos seres corpóreos é necessária à marcha do Universo. Deus, porém, na Sua sabedoria, quis que
nessa mesma ação eles encontrassem um meio de progredir e de se aproximar Dele. Deste modo, por uma admirável
lei da Providência, tudo se encadeia, tudo é solidário na Natureza.
Allan Kardec – O Livro dos Espíritos – Questão 132
Qual é a finalidade da reencarnação?
Expiação, melhoramento progressivo da humanidade. Sem isto, onde estaria a justiça?.
Allan Kardec – O Livro dos Espírito–- Questão 167
(..)
“Esta doutrina (a Espírita, a da Reencarnação) é tão antiga quanto o mundo; tal o motivo por que em toda a
parte a encontramos, o que constitui prova de que é verdadeira”.
Allan Kardec – O Livro dos Espíritos – Questão 221-a
(...)
Reconheçamos, portanto, em resumo, que só a doutrina da pluralidade das existências explica o que, sem
ela, se mantém inexplicável; que é altamente consoladora e conforme à mais rigorosa justiça; que constitui para
o homem a âncora de salvação que Deus, por misericórdia, lhe concedeu.
As próprias palavras de Jesus não permitem dúvida a tal respeito. Eis o que se lê no Evangelho de São João,
capítulo III:
Respondendo a Nicodemos, disse Jesus: Em verdade, em verdade, te digo que, se um homem não nascer de
novo, não poderá ver o reino de Deus.
Disse-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer já estando velho? Pode tornar ao ventre de sua mãe para
nascer segunda vez?
Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo que, se um homem não renascer da água e do Espírito, não
poderá entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne e o que é nascido do Espírito é Espírito. Não te
admires de que eu te tenha dito: é necessário que torneis a nascer.
Allan Kardec – O Livro dos Espíritos – 2º Parte – Cap. 5: Pluralidade das Existências
(...)
A Reencarnação é lei universal.
Sem ela, a existência terrena representaria turbilhão de desordem e injustiça; à luz de seus esclarecimentos,
entendemos todos os fenômenos dolorosos do caminho.
O homem ainda não percebeu toda a extensão da misericórdia divina, nos processos de resgate e
reajustamento.
Emmanuel – Caminho, Verdade e Vida – Cap. 110: Vidas Sucessivas
5
(...)
A Reencarnação é instrumento do progresso do ser espiritual.
Ora ele expia, quando são graves os seus delitos, submetendo-se às aflições que constituem disciplinas
educativas mediante as quais se fixam nos painéis profundos da consciência os deveres a cumprir. Noutras vezes são
provações que enrijecem as fibras morais responsáveis pela ação dignificadora.
Longe de ser uma punição, a dádiva do renascimento corporal é bênção do amor, auxiliando o Espírito a
desenvolver os recursos que lhe jazem latentes, qual terra arroteada e adubada em condições de transformar a semente
diminuta no vegetal exuberante que nela dorme.
Joanna de Angelis – Momentos de Consciência – Cap. 10: Reencarnação e Consciência
(...)
Sem renovação, que vale a vida humana?
Se fosse para continuares repetindo aquilo que já foste e o que fizeste, não terias necessidade de novo
corpo e de nova existência — prosseguirias de alma jungida à matéria gasta da encarnação precedente, enfeitando
um jardim de cadáveres.
Vives novamente na carne para o burilamento de teu Espírito. A Reencarnação é o caminho da Grande
Luz.
Ama e trabalha. Trabalha e serve.
Perante o bem, quase sempre, temos sido somente constantes na inconstância e fiéis à infidelidade,
esquecidos de que tudo se transforma, com exceção da necessidade de transformar.
Militão Pacheco - O Espírito da Verdade – Cap. 18: O Espiritismo Pergunta
(...)
As doutrinas reencarnacionistas, ao contrário das não-reencarnacionistas, asseguram:
a) — A continuidade dos laços de família, com a consequente ampliação da parentela espiritual.
b) — A renovação de esperanças, pela certeza da sobrevivência e comunicabilidade da alma.
c) — A universalização do conceito de fraternidade.
d) — Golpe de morte no egoísmo.
e) — O reencontro com almas queridas, no ambiente da família ou fora dele.
f) — O reencontro com adversários e credores, desta e doutras existências.
g) — A consolidação de afetos, com a consequente garantia da continuidade de tarefas em comum.
h) — Melhor compreensão da Justiça e do Amor de Deus.
Com o Espiritismo, que viceja, exuberante, na condição de doutrina eminentemente reencarnacionista, à luz
redentora do Evangelho do Cristo, ficam assegurados, pela oportunidade dos reencontros, o reajuste de situações, o
resgate de débitos, a reabilitação de vítimas.
As excelências do reencarnacionismo nos falam de um Deus que não é, apenas, o Criador do Universo, Causa
Primária de todas as coisas, mas, também, o Pai Compassivo e Bom, Justo e Misericordioso
Martins Peralva – O Pensamento de Emmanuel – Cap. 12: Reencarnacionismo, Sim
(...)
À medida que penetramos os segredos do amor puro, vamos reconhecendo que ninguém pode ser realmente
feliz sem fazer a felicidade alheia no caminho em que avança.
Trabalharemos e sofreremos, assim, por amor, pelos séculos adiante, ajudando-nos uns aos outros a erguer a
felicidade de nosso nível, até que possamos entrar, todos juntos, na suprema felicidade que consiste em nossa
união com Deus para sempre.
Emmanuel – Justiça Divina – Cap. 12: Virtude Solitária
6
(…)
A encarnação não foi imposta ao Espírito, no princípio, como uma punição; ela é necessária ao seu
desenvolvimento e para a realização das obras de Deus, e todos a devem sofrer, tomem o caminho do bem ou do mal;
só que os que seguem o caminho do bem, avançando mais rapidamente, demoram menos a chegar ao fim e lá chegam
em condições menos penosas.
Allan Kardec – O Espiritismo em sua Expressão mais Simples – Cap. 1: Resumo do Ensino dos Espíritos
(...)
Exaltando a filosofia da evolução, através das existências numerosas que nos aperfeiçoam o ser, na
Reencarnação necessária, esclarece o Instrutor Sublime:
– “Ninguém poderá ver o Reino de Deus se não nascer de novo.”
E Allan Kardec conclama:
– “Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sempre, tal é a lei.”
Emmanuel – Reformador – 1957 – Abril – Pag. 80: Jesus e Kardec
7
2 A Reencarnação – Entrevista com Hermínio de Miranda
2.1 Reencarnação e Anomalia Cerebral
1) Na reencarnação sob processo expiatório, ocorre às vezes uma vultosa anomalia cerebral. De que
forma há para esse Espírito aproveitamento da reencarnação? Há algum tipo de percepção?
Resposta: A reencarnação constitui sempre valiosa oportunidade de progresso espiritual.
O corpo físico pode apresentar-se severamente afetado por anomalias inibidoras, mas a entidade espiritual
está presente e atenta ao que se passa.
2.2 Reencarnação e Código Genético
2) Quais são as relações entre a descoberta do código genético humano e o processo reencarnatório? Por
exemplo, se muitas doenças físicas poderão ser evitadas, como ficam as reencarnações de Espíritos que
têm como sua fase evolutiva o ultrapassar justamente doenças físicas?
Resposta: Penso que é cedo para se falar em interferências no código genético que resultem no cancelamento
puro e simples de deficiências físicas ou mentais, que, como sabemos, tem sérias implicações cármicas.
O projeto genoma, recentemente divulgado com enorme espalhafato publicitário, embora represente um
gigantesco passo à frente no entendimento da biologia humana, ainda tem muito trabalho pela frente, como
reconhecem os próprios cientistas. São mais de 3 bilhões as combinações possíveis no ser humano.
Por outro lado, as leis divinas não se sujeitam a manipulações daqueles que se propõem a "brincar de Deus".
Sugiro que se leia, se conseguir localizar, um pequeno artigo meu intitulado "Uma ética para a genética", publicado
em Reformador em junho de 1971, há quase trinta anos, portanto.
Será útil também, se ainda não o fez, a leitura do Time, de 3 de julho de 2000. Diz-se ali, entre outras coisas,
que dois grupos empenharam-se em decifrar as ‘letras bioquímicas ‘ do DNA humano e as instruções codificadas
para construir e operar um ser humano totalmente funcional. Em outras palavras, ninguém, nesse projeto gigantesco,
está pensando no espírito e nem nas leis cármicas. E muito menos, em Deus.
Quanto a mim, fico com Deus e não tenho a pretensão de brincar com ele.
2.3 Reencarnação e Tempo de Permanência na Espiritualidade
3) Quanto tempo, em média, o espírito permanece na pátria espiritual, antes de reencarnar? Meu pai
faleceu há 5 anos; quando eu desencarnar me encontrarei com ele?
Resposta: Cada caso é um caso. Não há uma periodicidade rígida de tantos em tantos anos, entre uma
encarnação e outra.
Certamente você se encontrará com a entidade que foi seu pai, bem como com outros seres que se acham
ligados a você, nesta ou em existências passadas.
8
2.4 Reencarnação e Obsessão
4) Durante o período da gestação, é possível que a mulher seja obsidiada? Se o processo obsessivo já
existir, o obsessor é afastado?
Resposta: Sim, a mulher pode ser obsidiada antes, durante e depois da gestação. A gravidez, por si mesma,
não a livra do processo obsessivo, nem leva a entidade perseguidora a afastar-se automaticamente.
Em muitos casos a gravidez pode até suscitar ou agravar obsessões, quando entidades desorientadas e
vingativas procuram interromper ou perturbar o processo reencarnatório, por ter problemas com a mãe, com a criança
ou com ambos.
A questão é complexa e os casos devem ser tratados com serenidade, compreensão, amor fraterno e prece,
em grupos confiáveis que se dediquem à tarefa dita de desobsessão. Não com o objetivo de nos livrarmos da entidade
perturbadora, mas para que nos pacifiquemos todos, a fim de seguirmos todos juntos e em paz os caminhos
evolutivos. "Reconcilia-te com teu adversário", ensinou o Cristo, "enquanto estás a caminho com ele."
2.5 Reencarnação e Responsabilidade dos Pais
5) Qual a nossa responsabilidade no processo de resgate com relação à vida conjugal, e como isto
influencia a reencarnação daqueles que devem vir como filhos.
Resposta: O lar é o nosso laboratório de trabalho, pesquisa, estudo e aprendizado, bem como um ponto de
reencontro.
A família representa, usualmente, a melhor combinação possível de situações que levem os seres que a
compõem à solução dos problemas que os afligem.
É uma preciosa oportunidade que não deve ser desperdiçada, dado que a felicidade e a paz futuras dependem
do que estamos fazendo hoje.
As entidades que se reencarnam como nossos filhos e filhas constituem parte integrante do projeto elaborado
para a vida terrena e precisam contar conosco para as tarefas que se programaram para realizar junto de nós.
2.6 Reencarnação e o Tempo entre Vidas
6) É possível um espírito reencarnar em pouco tempo e dentro da mesma família onde viveu a última
encarnação?
Resposta: É possível, sim, a uma entidade reencarnar-se na mesma família após alguma permanência na
dimensão póstuma.
A literatura espírita tem documentado numerosos e convincentes casos dessa natureza. Em "Twenty Cases
Suggestive of Reincarnation", o professor Ian Stevenson apresenta (que me lembre) pelo menos dois.
Um deles passou-se na geladas regiões da América do Norte, onde uma entidade reencarnou-se como filho
de seu próprio filho. Ou seja, ele nasceu como neto (ou avô) de si mesmo e seus antigos filhos e filhas passaram a
ser tios e tias na nova existência. Ele os reconheceu como reconheceu também seu antigo relógio de bolso que a
família conservara.
O outro caso narrado pelo Dr. Stevenson nesse livro passou-se no Brasil, na família do professor Francisco
Waldomiro Lorenz, no Rio Grande do Sul. Há uma tradução desse livro em português, mas não tenho comigo os
dados. Se bem me lembro, chama-se Vinte Casos Que Sugerem a Reencarnação (Ou Sugestivos de Reencarnação)
9
2.7 Reencarnação e Comunicações Mediúnicas durante a Gravidez
7) Quando um espírito está se preparando para reencarnar, ele pode se comunicar numa reunião
mediúnica? Em caso afirmativo, como se dá esse processo?
Resposta: A entidade que se prepara para reencarnar-se pode, sim, manifestar-se mediunicamente.
Tivemos um caso desses, que ficou narrado em meu livro Diálogo com as Sombras (Edição FEB).
Mesmo depois de iniciado o processo reencarnatório, a entidade goza de relativa liberdade. Como, aliás,
acontece também com os encarnados, que se manifestam, segundo a Codificação, como espíritos, em estado de
desdobramento.
2.8 Reencarnação e o Resgate total de débitos de Vidas Passadas
8) Pode um Espírito em uma única reencarnação resgatar todos os seus débitos do passado e anular a
vingança de seus inimigos espirituais, através do exemplo do amor puro aos semelhantes?
Resposta: Não é necessário esperar por reencarnações futuras para nos reconciliarmos com nossos
adversários ou com aqueles a quem prejudicamos; podemos começar desde já a tarefa, com a nossa própria
reeducação, o hábito da prece, a prática do amor ao próximo, o reaprendizado da vida.
Temos testemunhado exemplos vivos disso, em nossos trabalhos mediúnicos, no decorrer de quase 40 anos.
Entidades indignadas que conseguimos resgatar com paciente argumentação, compreensão e amor, tinham
ligações conflituosas com membros do nosso próprio grupo.
Não foi preciso, nesses casos, esperar futuras existências de atrito e sofrimento, para trabalhar nossas
divergências. Em outras palavras: "adiantamos o serviço" da reconciliação, que teria de ser feito mais tarde, em
futuras reencarnações.
2.9 Reencarnação e o Programa Reencarnatório
9) Todos os que reencarnam vêm com uma programação reencarnatória? Quando esta programação
existe, pode ser encarada como determinismo? Ou alguns aspectos podem ser modificados?
Resposta: A questão é ampla demais para uma resposta compacta e nem me considero suficientemente
preparado para fazê-lo. Não atribuo, contudo, grande importância e conteúdo a palavras como fatalidade, destino,
acaso. O conceito dominante aqui é o da lei de causa e efeito ou carma.
É evidente que todos nós trazemos para a vida na carne uma programação de trabalho, mas tal programa não
é determinista, porque a lei sempre leva em conta o exercício do livre arbítrio e a consequente responsabilidade por
tudo quanto fazemos ou deixamos de fazer.
Podemos ou não cumprir as tarefas programadas na espiritualidade antes da reencarnação.
Daí, tantos desvios e fracassos, que muito teremos a lamentar ao regressar à dimensão espiritual e verificar
que pouco ou nada realizamos do que estava planejado.
Pior ainda: muitas vezes, fizemos justamente aquilo que não era para fazer. Costumo dizer que o único
determinismo a que estamos irrevogavelmente sujeitos é o de chegar aos mais elevados patamares da perfeição
espiritual. Não fomos criados para o fracasso, o sofrimento eterno, a prática permanente do erro.
Trazemos um plano geral, não um rígido conjunto de ordens que desçam aos detalhes dos detalhes. É como
se tivéssemos que ir de determinado lugar a outro, não importando muito que caminhos vamos percorrer, nem que
tipo de condução iremos usar. Se preferimos fazer uma viagem mais longa, mais difícil, mais demorada e sofrida,
passando por precipícios, desertos e espinheiros, o problema é nosso. Ninguém nos obrigará necessariamente a fazer
as coisas desta ou daquela maneira.
A respeito do descumprimento da programação reencarnatória, sugiro que se leia "As Sete Vidas de Fenelon"
(Publicações Lachâtre).
10
2.10 Reencarnação e a Participação da Espiritualidade no Processo
10) Qual a participação da espiritualidade e do mentor do reencarnante, no retorno do espírito à carne?
Resposta: Pelo que sabemos, mentores e amigos espirituais participam da elaboração de nossos planos
reencarnatórios, ajudando-nos na escolha das prioridades que nos convêm programar segundo nossas possibilidades
e limitações.
2.11 Reencarnação e a Consciência Intrauterina
11) Allan Kardec, em A Gênese, postula que a consciência espiritual vai diminuindo com a proximidade
do parto, sendo que no nascimento o espírito estaria completamente inconsciente. No seu livro "Nossos
filhos são Espíritos", o Sr. transcreve narrativas, obtidas através de regressão, que algumas pessoas
fazem sobre a situação na hora do nascimento. Como conciliar estas duas informações?
Resposta: É pertinente a observação da leitora (ou leitor). No texto que escreveu para A Gênese, Kardec
refere-se ao estado de perturbação do espírito a partir do momento em que é "apanhado pelo laço fluídico" que o
prende ao corpo físico em início de formação.
Prossegue o Codificador, declarando que esse estado de perturbação intensifica-se durante a gestação,
"perdendo o Espírito, nos últimos momentos (quando começam os trabalhos de parto) toda a consciência de si
próprio, de sorte que jamais presencia o seu nascimento. Quando a criança respira, começa o Espírito a recobrar as
faculdades, que se desenvolvem à proporção que se formam e consolidam os órgãos que lhe hão de servir às
manifestações."
Na Questão 380, os Espíritos se haviam manifestado de modo semelhante, ao dizerem que "A perturbação
que o ato da encarnação produz no Espírito não cessa de súbito, por ocasião do nascimento. Só gradualmente se
dissipa, com o desenvolvimento dos órgãos."
De qualquer modo, as técnicas regressivas e as regressões espontâneas da memória não confirmam
generalizado estado de perturbação na entidade reencarnante, ao mesmo tempo em que demonstram nela perfeita
consciência de si mesma durante a gravidez e no momento do parto.
Alguma modalidade de consciência, portanto, está funcionando nessas fases. No capítulo 48 de "Nosso Lar",
uma entidade reencarnada ainda na fase infantil, no berço, manifesta-se com sua personalidade (reencarnação)
anterior, aos familiares que deixara ao morrer como Ricardo.
Em tarefas de nosso grupo mediúnico, conhecemos uma entidade recém-encarnada era ainda um bebê, que
não tinha controle sobre o corpo físico e, por conseguinte, nenhuma condição de se comunicar com a família. No
entanto, revelou-se lúcido e consciente de sua situação no encontro mantido, em desdobramento, com nossos amigos
espirituais.
O caso está relatado no capítulo 19 - Filhos deficientes, de "Nossos Filhos são Espíritos". Ignoro, pois, em
que condições ocorre o estado de perturbação a que se referem os Espíritos.
Hermínio de Miranda – Entrevista - Centro Virtual de Divulgação e Estudo do Espiritismo (CVDEE) -
2009
Nota: A ordenação das Perguntas neste trabalho segue a sequência dos questionamentos feitos ao Hermínio na
entrevista em pauta.
11
3 A Reencarnação – Visões Doutrinárias
3.1 Hermínio de Miranda
3.1.1 Reencarnação – Instrumento para o Progresso Espiritual
(...)
Dentre todas as grandes contribuições da Doutrina Espírita — e são muitas e imensas no seu escopo e
significação — há uma que, a meu ver, merece destaque especial: a ideia da reencarnação, chave de tantos problemas
que, sem ela, permaneceriam insolúveis, envoltos em espessas sombras.
Sabem aqueles que estudam com cuidado a Codificação que o Espiritismo não descobriu a reencarnação,
nem a inventou. O homem não cria; apenas descobre as coisas que Deus criou. Coube, porém, à equipe espiritual,
encarnada e desencarnada, que nos deu a Doutrina Espírita, não apenas introduzir a ideia no contexto do pensamento
ocidental, mas, acima de tudo, demonstrar que ela não entrava em choque com os postulados básicos do Cristianismo;
pelo contrário, explicava certos pontos que de outra forma ficariam obscuros na mensagem luminosa do Cristo.
Com o passar do tempo, avulta cada vez mais a importância da reencarnação, não apenas na melhor
compreensão da Justiça Divina, mas também no entendimento de graves problemas humanos. Já os primeiros
médicos começam a descobrir a valiosa contribuição da doutrina palingenésica para solução de graves distúrbios
psíquicos.
Quando surgir a Biologia do Espírito, os cientistas do futuro, com a mente voltada para Deus, estarão em
condições de buscar nas vidas pregressas não apenas as causas de disfunções mentais, como também a origem remota
de desvios e deformações orgânicas, herança amarga de erros cometidos no passado. Diante de uma evidência tão
gritante, os homens começarão a pensar duas vezes antes de cometerem faltas comprometedoras e pelas quais terão
que pagar pesados resgates, em obediência à lei flexível, mas implacável de causa e efeito.
Hermínio de Miranda – Reencarnação e Imortalidade – Cap. 21: Reencarnação – Instrumento para o
Progresso Espiritual
12
3.1.2 Reencarnação – O Livro branco da Vida
Muita gente aceita sem grande relutância a ideia da reencarnação.
Ela é racional e lógica, e, como se diz hoje, ela se insere no contexto das doutrinas evolucionistas que
dominam as principais tendências do pensamento.
De fato, a reencarnação dos espíritos ao longo dos séculos e dos milênios, explica fenômenos que de outra
forma estariam truncados e incompreensíveis, como a eclosão de fabulosas inteligências em certos seres e a terrível
carga de idiotismo em outros, as simpatias e afinidades entre uns, que mal se conhecem, e antipatias gratuitas e
inexplicáveis entre outros que deveriam estimar-se em razão de estreitos laços de parentesco ou de prolongada
convivência.
Há também sofrimentos e dores a atingirem criaturas boníssimas, há prêmios à maldade, há mágoas para
quem, a nosso ver, não as merece, e alegrias para aqueles que não as conquistaram. A reencarnação explica essas
aparentes incongruências e perplexidades.
Somos seres em trânsito para o futuro e trazemos nos registros do espírito a memória oculta de antigas falhas,
o resíduo ainda invencível de persistentes deficiências que nos condicionam o presente e nos ameaçam o futuro.
Muitos ainda não estão preparados para enfrentar corajosamente as suas responsabilidades e fogem pelas
evasivas que os exoneram da obrigação de pensar e construir no presente as bases da paz futura. Uma dessas fugas
inconsequentes pode ser resumida na seguinte frase que nós espíritas sempre ouvimos:
- Tudo isso é muito bonito e a reencarnação tem a sua lógica, mas como é que eu não me recordo das minhas
possíveis existências anteriores?
Entendem esses que seria muito mais racional que conservássemos ao renascer a memória das vidas passadas.
Seria assim fácil programar a existência atual de modo a evitar a recaída em antigas faltas, a identificar com segurança
velhos amigos tão caros ao nosso espírito e também adversários renitentes que nos perseguem através dos séculos
com os seus ódios e sua vingança.
Seria bom, por exemplo, sabermos que fomos no passado grandes médicos ou artistas eminentes e repetir
com facilidade a experiência na qual fomos vitoriosos e brilhar novamente entre os homens, enobrecer a Humanidade
de conquistas científicas ou artísticas.
O raciocínio que nos leva a esses caminhos é simplista, quase simplório. O que enriquece a estrutura do
espírito não é a repetição monótona de experiências nas quais já nos destacamos, mas a variedade e a universalidade
do conhecimento que se vai acumulando lentamente em nossos arquivos mentais.
Dessa forma, em cada nova existência as coisas se passam como se recebêssemos um livro em branco, no
qual podemos escrever livremente a nossa história, vivendo-a no dia a dia das suas lutas e o do seu aprendizado.
Escrever livremente, talvez seja força de expressão.
Embora esquecidos do passado e livres para imprimir à nossa vida o rumo que desejarmos, trazemos no fundo
da memória espiritual - esquecidos mas não ausentes - todos os condicionamentos que ali se depositaram em
consequência das passadas experiências.
O prêmio da vitória está em suplantar condicionamentos negativos, substituindo as paixões que nos
infelicitaram, pelos impulsos de solidariedade, na conquista de novas posições espirituais.
13
Para o livre exercício do arbítrio é bom que o nosso livro esteja em branco. Só assim, teremos o mérito das
conquistas alcançadas, como também o ônus das concessões ao egoísmo e às paixões subalternas. Somos, assim,
herdeiros de nós mesmos e construtores da nossa paz ou da nossa infelicidade.
Amanhã, quando sofrermos aflição e angústias incompreensíveis, não culpemos o destino cego e cruel, nem
um Deus vingativo que nos persegue - estejamos bem certos de que somente a nós mesmos devemos as nossas dores.
O esquecimento do passado é, pois, uma bênção a mais que as leis de Deus nos concedem e não uma
dificuldade em nosso caminho evolutivo. É bem melhor partir para a aventura maravilhosa de uma nova existência,
esquecidos de antigas angústias, para que as novas aflições não se somem às que nos atormentaram no passado.
É bom amar no filho difícil ou no companheiro incompreensível o antigo desafeto que estamos
lentamente conquistando, em lugar de reconhecê-los na condição de inimigos da nossa paz, a quem é preciso
neutralizar a todo custo.
Nesses reajustes que se processam mais cedo ou mais tarde, agora ou daqui a séculos, é bom que aprendamos
a identificar, na dor que nos assalta, a moeda com que resgatamos antigas faltas.
É bom sabermos que nas futuras encarnações também não nos lembraremos das atuais aflições, nem teremos
saudades das alegrias do presente. Receberemos outra vez o nosso livro em branco. Talvez então já estejamos prontos
para escrever nele um longo poema de amor.
Hermínio de Miranda – Reformador – 1971 – Julho: O Livro Branco da Vida
14
3.2 Emmanuel
3.2.1 Reencarnação
Reencarnação nem sempre é sucesso expiatório, como nem toda luta no campo físico expressa punição.
Suor na oficina é acesso à competência.
Esforço na escola é aquisição de cultura.
Porque alguém se consagre hoje à Medicina, não quer isso dizer que haja ontem semeado moléstias e
sofrimentos.
Muitas vezes, o Espírito, para senhorear o domínio das ciências que tratam do corpo, voluntariamente lhes
busca o trato difícil, no rumo de mais elevada ascensão.
Porque um homem se dedique presentemente às atividades da engenharia, não exprime semelhante escolha
essa ou aquela dívida do passado na destruição dos recursos da Terra.
Em muitas ocasiões, o Espírito elege esse gênero de trabalho, tentando crescer no conhecimento das leis que
regem o plano material, em marcha para mais altos postos na Vida Superior.
Entretanto, se o médico ou o engenheiro sofrem golpes mortais no exercício da profissão a que se devotam,
decerto nela possuem serviço reparador que é preciso atender na pauta das corrigendas necessárias e justas.
Toda restauração exige dificuldades equivalentes. Todo valor evolutivo reclama serviço próprio.
Nada existe sem preço.
Por esse motivo, se as paixões gritam jungidas aos flagelos que lhes extinguem a sombra, as tarefas sublimes
fulgem ligadas às renunciações que lhes acendem a luz.
À vista disso, não te habitues a medir as dores alheias pelo critério de expiação, porque, quase sempre, almas
heroicas que suportam o fogo constante das grandes dores morais, no sacrifício do lar ou nas lutas do povo, apenas
obedecem aos impulsos do bem excelso, a fim de que a negação do homem seja bafejada pela esperança de Deus.
Recorda que, se fosses arrebatado ao Céu, não tolerarias o gozo estanque, sabendo que os teus filhos se
agitam no torvelinho infernal. De imediato, solicitarias a descida aos tormentos da treva para ajudá-los na travessia
da angústia...
Lembra-te disso e compreenderás, por fim, a grandeza do Cristo que, sem débito algum, condicionou-se às
nossas deficiências, aceitando, para ajudar-nos, a cruz dos ladrões, para que todos consigamos, na glória de seu amor,
soerguer-nos da morte no erro à bênção da Vida Eterna.
Emmanuel – Religião dos Espíritos - Cap. 24: Reencarnação
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3.2.2 Vidas Sucessivas
“Não te maravilhes de te haver dito: Necessário vos é nascer de novo.” —
Jesus. (João, capítulo 3, versículo 7.)
A palavra de Jesus a Nicodemos foi suficientemente clara.
Desviá-la para interpretações descabidas pode ser compreensível no sacerdócio organizado, atento às injunções
da luta humana, mas nunca nos espíritos amantes da verdade legítima.
A reencarnação é lei universal.
Sem ela, a existência terrena representaria turbilhão de desordem e injustiça; à luz de seus esclarecimentos,
entendemos todos os fenômenos dolorosos do caminho.
O homem ainda não percebeu toda a extensão da misericórdia divina, nos processos de resgate e reajustamento.
Entre os homens, o criminoso é enviado a penas cruéis, seja pela condenação à morte ou aos sofrimentos
prolongados.
A Providência, todavia, corrige, amando... Não encaminha os réus a prisões infectas e úmidas. Determina
somente que os comparsas de dramas nefastos troquem a vestimenta carnal e voltem ao palco da atividade humana,
de modo a se redimirem, uns à frente dos outros.
Para a Sabedoria Magnânima nem sempre o que errou é um celerado, como nem sempre a vítima é pura e
sincera. Deus não vê apenas a maldade que surge à superfície do escândalo; conhece o mecanismo sombrio de todas
as circunstâncias que provocaram um crime.
O algoz integral como a vítima integral são desconhecidos do homem; o Pai, contudo, identifica as
necessidades de seus filhos e reúne-os, periodicamente, pelos laços de sangue ou na rede dos compromissos
edificantes, a fim de que aprendam a lei do amor, entre as dificuldades e as dores do destino, com a bênção de
temporário esquecimento.
Emmanuel – Caminho, Verdade e Vida – Cap. 110; Vidas Sucessivas
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3.2.3 Reencarnação
Sem a chave da reencarnação, a vida inteira reduzir-se-ia a escuro labirinto.
De existência em existência, no mundo, nossa individualidade imperecível sofre o desgaste da
imperfeição, assim como o aprendiz, de curso a curso, na escola, perde o fardo da ignorância.
Compreendendo semelhante verdade, saibamos valorizar o tempo, no espaço terrestre, realizando
integral aproveitamento da oportunidade que o Senhor nos concede, entre as criaturas, acumulando em nós as riquezas
do conhecimento superior e os tesouros da sublimação pelo aprimoramento de nossas qualidades morais.
Lembremo-nos de que nunca iludiremos a vigilância da Lei.
Na Terra, a organização judiciária corrige tão somente os erros espetaculares, expressos nos crimes
ou nos desregramentos que compelem os missionários da ordem a drásticas atitudes, segregando a delinquência na
penitenciária ou no hospital, derradeiros limites do desequilíbrio a que se acolhem os trânsfugas sociais.
Todavia, é imperioso reconhecer que todas as nossas falhas são registadas em nós mesmos,
constrangendo a Justiça Eterna a providências de reajuste em nosso favor, no instituto universal da reencarnação, que
dispõe de infinitos recursos para o trabalho regenerativo.
De mil modos ilaqueamos na carne a atenção dos juízes humanos, nos delitos ocultos, exercitando a
perversidade com inteligência, oprimindo os outros com suposta humildade, ferindo o próximo com virtudes fictícias,
estragando o equipamento físico sem qualquer consideração para com os empréstimos divinos e, sobretudo,
explorando os irmãos de luta com manifesto abuso de nossos poderes intelectuais...
No entanto, por isso mesmo também, renascemos sob doloroso regime de sanções, dilacerados por
nós mesmos, nas possibilidades que outrora desfrutávamos e que passam a sofrer frustrações aflitivas.
Moléstias da carne e impedimentos do sangue, mutilações e defeitos, inquietações e deformidades,
fobias complexas e deficiências inúmeras constituem pontos de corrigenda do nosso passado que hoje nos
restauram à frente do futuro.
Cultivemos, desse modo, o coração nobre no vaso da consciência reta para que a planta de nossa vida
se levante para o hálito de Deus, porquanto basta a boa vontade na sementeira do amor que o Mestre nos legou para
que a multidão de nossos débitos seja coberta e esquecida pela Divina Misericórdia, possibilitando o soerguimento
de nosso espírito, até agora arrojado ao lodo de velhos compromissos com a sombra, na subida vitoriosa para a luz
imortal.
Emmanuel – Reformador – 1955 – Janeiro: Reencarnação
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3.2.4 Virtude Solitária
Há quem deseje tranquilidade ideal na Terra, com a pretensão de fugir ao erro.
Casa branca no aclive da serra, com o vale rente.
Fontes claras, correndo perto, e jardim florido.
Clima doce e perfume da natureza.
Nenhum aborrecimento.
Nenhum cuidado.
Falta alguma.
Problema algum.
Solidão saborosa em que o morador consiga estirar-se, inerte, em poltronas e redes.
*
No entanto, é no trato da luta que as forças se enrijam e as qualidades se aperfeiçoam.
Considerando-se que o mal é a experiência inferior nos quadros da experiência mais nobre, é nos serviço do
amparo mútuo e da tolerância recíproca que havemos de transformá-lo em bem duradouro, como se tomássemos as
nossas próprias sombras de ontem para convertê-las na luz de hoje.
Livres, estamos interligados perante a Lei, para fazer o melhor, e, escravizados aos compromissos
expiatórios, estaremos acorrentados uns aos outros no instituto da reencarnação, segundo a Lei, para anular o pior
que já foi feito por nós mesmos nas existências passadas.
Ninguém progride sem alguém.
*
Abençoemos, assim, as provações que nos abençoam.
Trabalho é ascensão.
Dor é burilamento.
Toda adversidade avisa, todo sofrimento instrui, todo pranto lava, toda dificuldade e toda crise seleciona.
Virtude solitária é pão na vitrine.
Competência no palanque é usura da alma.
Todos somos alunos na escola da vida.
E ninguém consegue aprender sem dar a lição.
Emmanuel – Justiça Divina – Cap. 4: Virtude Solitária
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3.2.5 Jesus e Kardec
Ante a Revelação Divina, assevera Jesus:
- "Eu não vim destruir a Lei".
E reafirma Allan Kardec:
- "Também o Espiritismo diz: -não venho destruir a lei cristã, mas dar-lhe execução."
Perante a grandeza da vida, exclama o Divino Mestre:
- "Há muitas moradas na casa de meu Pai".
E Allan Kardec acentua:
- "A casa do Pai é o Universo. As diferentes moradas são os mundos que circulam no espaço infinito e
oferecem aos Espíritos, que neles reencarnam, moradas correspondentes ao adiantamento que lhes é próprio”.
Exalçando a lei de amor que rege o destino de todas as criaturas, advertiu-nos o Senhor:
- "Amai-vos uns aos outros como eu vos amei".
E Allan Kardec proclama:
- "Fora da caridade não salvação".
Destacando a necessidade de progresso para o conhecimento e para a virtude, recomenda o Cristo:
- "Não oculteis a candeia sob o alqueire".
E Allan Kardec acrescenta:
- "Para ser proveitosa, tem a fé que ser ativa; não deve entorpecer-se".
Encarecendo o imperativo do esforço próprio, sentencia o Senhor:
- "Buscai e achareis”.
E Allan Kardec dispõe:
- "Ajuda a ti mesmo que o Céu te ajudará".
Salientando o impositivo da educação, disse o Excelso Orientador:
- "Sede perfeitos como é perfeito o vosso Pai Celestial".
E AllanKardec adiciona:
- “Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para
domar suas inclinações infelizes”.
Enaltecendo o espírito de serviço, notificou o Eterno Amigo:
- "Meu Pai trabalha até hoje e eu trabalho também”.
E Allan Kardec confirma:
- "Se Deus houvesse isentado o homem do trabalho corpóreo, seus membros ter-se-iam atrofiados, e, se o
houvesse isentado do trabalho da inteligência, seu espírito teria permanecido na infância, no estado de instinto
a1iimal".
19
Louvando a responsabilidade, ponderou o Senhor:
- "Muito se pedirá a quem muito recebeu".
E Allan Kardec conclui:
- "Aos espíritas muito será pedido, porque muito hão recebido".
Exaltando a filosofia da evolução, através das existências numerosas que nos aperfeiçoa o ser, na
reencarnação, esclarece o Instrutor Sublime:
- "Ninguém poderá ver o Reino de Deus se não nascer de novo".
E Allan Kardec conclama:
- "Nascer, viver, morrer, renascer ainda e progredir sempre, tal é a lei".
Consagrando a elevada missão da verdadeira ciência, avisa o Mestre dos mestres:
- "Conhecereis a verdade e a verdade vos fará livres".
E Allan Kardec enuncia:
- "Fé inabalável só é aquela que pode encarar a razão face a face".
Tão extremamente identificado com o Mestre Divino surge o Apóstolo da Codificação, que os augustos
mensageiros, que lhe supervisionaram a obra, foram positivos nesta síntese que recolhemos da Resposta à Pergunta
número 627, em "O Livro dos Espíritos":
- "Estamos incumbidos de preparar o Reino do Bem que Jesus anunciou."
Eis porque, ante o primeiro centenário das páginas basilares da Codificação, saudamos no Espiritismo
- Chama da Fé Viva a resplender sobre o combustível da Filosofia e da Ciência - o Cristianismo Restaurado ou a
Religião do Amor e da Sabedoria, que, partindo do Espírito Excelso de Nosso Senhor Jesus-Cristo, encontrou em
Allan Kardec o seu fiel refletor para a libertação e ascensão da Humanidade inteira.
Emmanuel – Reformador – 1957 – Abril: 100 anos do Livro dos Espíritos
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3.3 Lins de Vasconcelos
3.3.1 Renascer e Remorrer
Usufruímos na Espiritualidade o continente sem limites de onde viemos; no Universo Físico, o mar sem praias
em que navegamos dequando em quando, e, na Vida Eterna, o abismo sem fundo em que desfrutamos as
magnificências divinas.
No trajeto multimilenário de nossas experiências, aprendemos, entre sucessivos transes de nascimento e
desencarnação, a alegria de viver, descobrindo e reconhecendo a necessidade e a compensação do sofrimento,
sempre forjado por nossas próprias faltas.
Já renascemos e remorremos milhões de vezes, contraindo e saldando obrigações, assinalando a excelsitude
da Providência e o valor inapreciável da humildade, para saber, enfim, que toda revolta humana é absurda e
impotente.
Se as lutas do burilamento moral não têm unidade de medida, a ação do amor é infinita na solução de todos os
problemas e na medicação de todas as dores.
Tolera com paciência as inevitáveis, mas breves provas de agora, para que te rejubiles depois.
Nos compromissos espirituais, todos encontramos solvibilidade através do esforço próprio. Aproveitemos a
bênção da dor na amortização dos débitos seculares que nos ferreteiam as almas, perseverando resignadamente no
posto de sentinelas do bem, até que o Senhor mande render-nos com a transformação pela morte.
Sempre trazemos dívidas de lágrimas uns para com os outros.
Vive, assim, em paz com todos, principalmente junto aos irmãos com os quais a tua vida se entrecomunica a
cada instante, legando, por testamento e fortuna, atos de amor e exemplos de fé, no fortalecimento dos espíritos de
amigos e descendentes.
Se há facilidade para remorrer, há dificuldades para renascer. As portas dos cemitérios jamais se fecham;
contudo, as portas da reencarnação só se abrem com a senha do mérito haurido nas edificações incessantes da
caridade.
As dores iguais criam os ideais semelhantes.
Auxiliemo-nos mutuamente.
O Evangelho – o livro-luz da evolução – é o nosso apoio. Busquemos a Jesus, lembrando-nos de que o lamento
maior, o desesperado clamor dos clamores, que poderia ter partido de seus lábios, na potência de mil ecos dolorosos,
jamais chegou a existir...
Lins de Vasconcellos – O Espírito da Verdade – Cap. 48: Renascer e Remorrer
21
3.4 Joanna de Angelis
3.4.1 Considerando a Reencarnação
A reencarnação é Lei da Vida.
Impositivo estabelecido, irrefragavelmente, constitui processo de evolução, sem o qual a felicidade seria
impossível.
Programada pelo Criador, faculta os mecanismos naturais de desenvolvimento dos valores que
jazem latentes, no ser espiritual, que assim frui, em igualdade de condições, dos direitos que a todos são concedidos.
A reencarnação favorece com dignidade os códigos da Justiça Divina, demonstrando as suas qualidades de
elevação e de amor.
Sem a reencarnação – que proporciona a liberdade de opção, com as consequências decorrentes da escolha –
a vida não teria sentido para os párias sociais, os homens primitivos, os limitados mentais, os amargurados e
infelizes...
Sem a reencarnação, o ódio inato e o amor espontâneo constituiriam aberração perturbadora em a natureza
humana.
Da mesma forma, as tendências e propensões que comandam a maioria dos destinos, seriam fenômenos
cruéis de um determinismo absurdo, violentador das consciências e dos sentimentos.
Sem a reencarnação, permaneceriam como incógnitas geradoras de revolta, as razões dos infortúnios morais,
das enfermidades de alto porte, mutiladoras e degradantes, da miséria social e econômica que vergastam expressivas
massas e grupos da sociedade terrestre.
Sem a reencarnação, os laços de família se diluiriam aos primeiros impactos defluentes dos acontecimentos
danosos...
A reencarnação enseja reequilíbrio, resgate, reparação.
Faculta o prosseguimento das atividades que a morte pareceria interromper.
Proporciona restabelecimento da esperança, entrelaçando as existências corporais que funcionam
como classes para o aprendizado evolutivo no formoso Educandário da vida terrestre.
Oferece bênçãos, liberando de qualquer fatalidade má, que candidataria o Espírito a um estado permanente
de desgraça.
A reencarnação enobrece o calceta, santifica o vilão, eleva o caído, altera a paisagem moral do revoltado,
dulcificando-o ao largo do tempo, sem pressa, nem violência.
A reencarnação é convite ao aproveitamento da oportunidade e do tempo, que sempre devem ser
colocados a serviço do progresso espiritual e da perfeição, etapa final da contínua busca do ser.
Joanna de Angelis – Responsabilidade – Cap. 5: Considerando a Reencarnação
22
3.4.2 A Benção da Reencarnação
Considera o teu estágio na terra, no corpo físico, uma oportunidade especial para o teu crescimento espiritual.
Esforça-te por aproveitar cada momento da superior experiência evolutiva, a fim de poderes amealhar valores
imperecíveis que te acompanharão para sempre.
Tem em mente que o processo evolutivo é realizado através etapas formosas que proporcionam o
aperfeiçoamento moral, a libertação dos atavismos perturbadores, a conquista de bens internos intransferíveis.
Não malbarates os ensejos de aprendizagem através do jogo ilusório do prazer insaciável, mantendo a certeza
de que o tempo é amigo daquele que o utiliza com sabedoria, tornando-se adversário silencioso de quem o gasta na
inutilidade.
A viagem corporal constitui recurso de alta valia para a aquisição de plenitude, o que equivale dizer da auto-
realização, que se converte em paz interior e em sentimento de felicidade.
O corpo é instrumento do Espírito que o deverá comandar seguramente com disciplina e amor.
Dotado de impulsos resultantes do fatalismo biológico, a razão e a consciência devem construir-lhe orientação segura
e recurso de sabedoria para a solução dos desafios e o enfrentamento das dificuldades que são naturais.
Não o desgastes inutilmente, porquanto ele te responderá conforme a maneira com que utilizes a sua
vitalidade.
De acordo com a forma como te conduzas mentalmente, ele refletirá os teus anseios e necessidades de
maneira gentil ou através de inquietações e sofrimentos contínuos.
Engajado na organização mental, o Espírito tem por objetivo administrar-lhe a conduta, ordenar-lhe os
sentimentos, desenvolver as emoções superiores, a fim de conseguir a compreensão legítima da finalidade existencial.
Reserva as tuas reflexões para o desempenho as tarefas que terás de atender, porque todos aqueles que
retornam à vida física estão comprometidos com a retaguarda.
Mesmo os missionários do amor, da caridade, da ciência, da religião, da política e das realizações humanas
aceitaram a experiência do retorno, por gratidão às conquistas passadas, oferecendo-se para auxiliar todos aqueles
que se encontram na retaguarda, à semelhança de estrelas em noite escura...
Recebe o retorno das tuas ações, como quer que se apresentem na atualidade, modificando a estrutura
daquelas que afligem e sublimando aqueloutras que te alegram.
O Espírito é sempre o construtor dos projetos evolutivos dentro das Leis vigentes no Universo.
De acordo com as suas reflexões mentais, palavras e atos, desenha os planos para o futuro que o aguarda
silenciosamente, mas, inflexível.
Ninguém, por isso mesmo, pode evadir-se das consciência, dos deveres relevantes, do crescimento espiritual.
As Leis Divinas estabelecem que o progresso é irrefragável, e nada o detém. Pode-se estacioná-lo no caminho
por algum tempo.
No entanto, momento chega em que o amor de Deus enseja a expiação ao calceta, e ele, encarcerando-se no
corpo, impossibilitado de complicar o processo de evolução, reeduca-se, desperta para a realidade.
Seja qual for a situação em que te encontres hoje na jornada física, agrade a Deus a oportunidade ímpar, por
oferecer-te os instrumentos de libertação e de felicidade.
Se defrontas sofrimentos e inquietações, reserva-te a serenidade, e continua agindo com equilíbrio, de forma
a fruíres mais tarde a paz que ora te falta.
23
Se te encontras algemado a limites e a dores excruciantes, mantém a paciência, porque este fenômeno logo
passará, facultando-te emoções grandiosas.
Se experimentas solidão e desconforto, guarda a confiança em Deus e avança, mesmo que chorando, na
expectativa dos reencontros felizes e das alegrias inefáveis.
Se te atormentam alguns espíritos inferiores, que te inspiram idéias perturbadoras e te exploram as
resistências, ora por eles e ama-os quanto possas. São os irmãos que deixaste desafortunados em dias não muito
distantes.
Se encontras adversidades por onde deambulas, recolhe as lições delas defluentes, porque as semeaste ontem,
tendo agora o ensejo de recolhê-las e superá-las.
Se sofres humilhações e adversidades em toda parte, não recalcitres contra o aguilhão, antes compreende que
essas experiências irão fortalecer-te interiormente, da mesma forma que os vendavais enrijecem as árvores que lhes
sofrem a violência.
Tudo tem uma razão de ser no Universo. Mesmo aquilo que não entendas, está vinculado a causas legítimas
que desencadearam esses efeitos afligentes.
As Leis Morais que vigem em toda parte, emanadas de Deus, são soberanas em sua justiça e alcançam todos
os Espíritos: bons e maus, superiores e inferiores, angélicos e perversos, naturalmente de acordo com o seu nível de
evolução.
Se permaneceres confiante e trabalhando pelo próprio crescimento espiritual, fruirás alegrias desde o
momento em que te entregues ao mister. O fato de estares a serviço do bem e da verdade, do dever e da dignidade,
já constitui divina dádiva, que estás transformando em sabedoria.
Ninguém transita na terra sem experimentar o resultado de seus atos anteriores, o que é perfeitamente
compreensível.
Grande número de queixosos afirma que não se lembra do momento em que delinquiu, o que lhe serviria de
justificativa para não resgatar afrontas nem crimes, o que lhe serviria de justificativa para não resgatar afrontas nem
crimes.
Deus concede o parcial olvido do passado, por compreender que as lembranças boas ou más não se restringem
apenas ao indivíduo, mas, ao grupo no qual se movimentou, facultando-lhe, então, caso recordasse, tomar
conhecimento das ocorrências que foram praticadas pelos demais da esfera fraternal.
Todavia, esse olvido não é total, porquanto, através dos impulsos emocionais, das tendências, as ocorrências,
todos têm conhecimento de como devem ter sido.
Ademais, graças à mediunidade, às recordações espontâneas, quando necessárias, a alguns sonhos, volvem
as cenas felizes ou desventuradas, ressurgem os afetos ou os adversários na paisagem mental.
O importante, portanto, é o hoje, não o que se foi, aquilo que desencadeou a ocorrência que agora vives.
Desse modo, aquieta os sentimentos doridos, procura compreender os objetivos existenciais e atua no bem tanto
quanto te seja possível.
Faze um pouco mais: vai além dos teus limites...
Inscreve-te, de imediato, emocionalmente, nos compromissos de iluminação interior, e trabalha para que a
luz divina de onde procedes desenvolva-se no âmago do teu ser, clareando-te totalmente e tornando-te uma chama
que esparze claridade e alegria.
24
A reencarnação é tesouro de elevado significado e grandioso valor.
Vive-a com serenidade e júbilo, burilando-te espiritualmente e avançando pela estrada que Jesus percorreu,
nela deixando Suas pegadas luminíferas.
Também Ele, que não tinha dívidas, experimentou amarguras e incompreensões, sofreu perseguições
inclementes e dolorosas, prosseguindo, porém afável e gentil, mesmo com aqueles que tentavam dificultar-Lhe o
ministério divino.
Se malbaratas essa chance, não te poderás queixar nem aspirar por nova oportunidade com rapidez, porque
a marcha do progresso obedece a códigos que não podem ser desconsiderados.
Abençoa, desse modo, a tua atual existência, com as lições do Evangelho de Jesus, vivendo-as no dia-a-dia,
feliz e agradecido a Deus com as tuas atitudes renovadas.
Joanna de Angelis – Atitudes Renovadas – Cap. 3: A Benção da Reencarnação
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3.4.3 Necessidade da Reencarnação
"As lutas têm sido cruéis. Dificuldades me assinalam os passos em todo lugar. Sofro em demasia." - Clamam,
com irreflexão, aqueles que jornadeiam, desatentos, a trilha evolutiva.
"Acompanho a marcha do progresso e constato que o êxito a coroar tantas cabeças não me alcança. Creio
que em breve desistirei da luta". - Rebelam-se os companheiros do labor diário, em pleno campo redentor.
"Fracassos me seguem nos melhores empreendimentos, conduzindo-me a desespero infrene. A dor é
comensal dos meus dias. Que fazer?" - Refletem, de mente desalinhada, os que se distanciam da fé racional e se
consomem em interrogações aflitivas.
No entanto, todos esses que seguem, sob aparente amargura, aprendem na enxerga da aflição a valorizar os
tesouros divinos que malbarataram por leviandade ou loucura. Recomeçam pelos sítios em que desertaram da vida,
fixando experiências que a rebeldia, mal contida, ainda hoje transforma em novos cardos a se lhe cravarem nos
tecidos sutis da alma.
Tem paciência diante da aflição punitiva ou libertadora. Não recolhas à análise deprimente dos fatos ou das
oportunidades. Enquanto contabilizas desditas, olvidas a claridade estelar espargindo luminosidade, seja durante o
dia, seja na escuridade da noite. Tudo são lições.
O desgosto de agora transformar-se-á em proveitosa experiência de amanhã. Caminho percorrido - local
identificado. Afervora-te ao exame do trabalho sem a desarmonia ansiosa dos resultados que temes. O que hoje parece
insucesso logo mais se converterá em dadivoso bem.
A reencarnação significa precioso ensejo de sublimar e superar, registrando como bênçãos nos refolhos da
alma as experiências de libertação do imediatismo e da extravagância.
É expressivo o retorno à carne para refazimento das experiências deixadas à margem; tantas se fazem
necessárias quantas as oportunidades de evoluir, até chegar à perfeição.
Nunca se nos deparam os mesmos recursos no roteiro da vida, nas mesmas condições. Não pisarás duas vezes
as águas do mesmo rio.
Embora retornes ao local da véspera, as águas que fluem não são as mesmas. A oportunidade, conquanto se
nos apresente assinalada pelo nosso desagrado, representa preciosa dádiva.
Transforma, portanto, a dor em cântico de júbilo. Cada etapa vencida é vitória conquistada a marcar os teus
triunfos sobre as próprias lutas, incessantemente até conquistares a paz em plenitude.
Não fossem os dissabores, e os estímulos para as tarefas desapareceriam.
A reencarnação ficaria destituída de valor se não BURILASSE os espíritos quando do retorno iluminativo.
O pavio que não arde, conserva-se; todavia, não espalha luz. a lâmina que não se consome, no uso, não vai
além de ornamento a pesar na economia das utilidades.
Nasce e renasce o espírito em diversos círculos para conquistar e reconquistar afetos, alargando os horizontes
da fraternidade entre todas as criaturas, de modo a que o Reino de Deus não se transforme em oásis fechado de
felicidade grupal, distante da Humanidade inteira. Com propriedade, portanto, anotou o Codificador do Espiritismo
que "a reencarnação, aliás, precisa ter um fim útil".
Ascendamos através das lutas diárias nesse "estado transitório" da encarnação, calcando óbices e superando
dificuldades, de tal modo que esta oportunidade significativa para os que se encontram revestidos da organização
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carnal constitua a ponte que leva ao planalto da vida melhor, sem sombra, sem dor, sem desespero, fazendo-os
vencedores das paixões e da morte, verdadeiramente espíritos felizes.
Joanna de Angelis – Lampadário Espírita – Cap. 14: Necessidade da Reencarnação
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3.4.4 Reencarnação e Consciência
A conquista lúcida da consciência abre espaços para o entendimento das leis que regem a vida, facultando o
progresso do ser, que se entrega à tarefa de educação pessoal e, por consequência, da sociedade na qual se encontra
situado.
Não mais lhe atendem as aspirações, os conceitos utópicos e as afirmações pueris destituídas de razão, com
os quais no passado se anestesiava o discernimento dos indivíduos e das massas.
Com ela a idéia de Deus e da sua justiça evolui, arrancando-o do antropomorfismo a que esteve algemado
pela ignorância, para uma realidade mais consentânea com a própria grandeza.
Os velhos tabus, como efeito, cedem lugar aos fatos que podem ser considerados e examinados pela
investigação, produzindo amplas percepções de conteúdos que enriquecem a compreensão.
O crescimento interior elucida a justiça, que já não se aferra aos limites das paixões humanas que a
padronizaram conforme os próprios interesses, agraciando uns e punindo outros, em lamentável aberração ética e de
equanimidade discutível, senão absurda.
A consciência conquistada favorece a penetração nas causas da vida mediante os processos de intuição, de
dedução e de análise decorrente da experiência vívida dos fatores que constituem o Universo.
Engrandecem-se o homem e a mulher que se despojam do temor ou da incredulidade, do beatismo ou da
negação, assumindo uma postura digna, portanto coerente com seu estado da evolução.
Somente a consciência favorece a perfeita identificação com a realidade das vidas sucessivas, concepção-lei
única a corresponder à grandeza da vida.
Sem a consciência, a inteligência lógica crê, mas não se submete; a emoção aceita, porém, receia os
impositivos do estatuto da evolução, no qual está o mecanismo reencarnacionista.
A consciência abre as comportas da inteligência e do sentimento para a natural aceitação das experiências
sucessivas e inevitáveis, que promovem a criatura.
A reencarnação é instrumento do progresso do ser espiritual.
Ora ele expia, quando são graves os seus delitos, submetendo-se às aflições que constituem disciplinas
educativas mediante as quais se fixam nos painéis profundos da consciência os deveres a cumprir. Noutras vezes são
provações que enrijecem as fibras morais responsáveis pela ação dignificadora.
Longe de ser uma punição, a dádiva do renascimento corporal é bênção do amor, auxiliando o espírito a
desenvolver os recursos que lhe jazem latentes, qual terra arroteada e adubada em condições de transformar a semente
diminuta no vegetal exuberante que nela dorme.
Diante dessa realidade, amplia a tua consciência pela meditação e age com segurança ética, entregando-te ao
compromisso de iluminação desde agora.
Nunca postergues os deveres a pretexto de que terás futuras oportunidades.
A tua consciência dirá que hoje e aqui estão o momento e o lugar para a construção do teu ser espiritual, que
se deve elevar, libertando-te dos atavismos primitivos e das paixões perturbadoras.
A consciência da reencarnação impulsionar-te-á ao progresso através do amor e do bem sem alternativas de
fracasso, porque a luz da felicidade brilhando à frente será o estimulo para que alcances a meta.
Sem a reencarnação a vida inteligente retornaria ao caos e a lógica do progresso ficaria reduzida à estupidez,
à ignorância.
A consciência da reencarnação explica Sócrates e o homem bárbaro do seu tempo, Gandhi e o selvagem da
atualidade, a civilização e o primitivismo nesta mesma época.
Lentamente o ser avança e, de etapa em etapa, adquire experiência, conhecimento, sentimento, sabedoria,
consciência.
Joanna de Angelis – Momentos de Consciência – Cap. 10: Reencarnação e Consciência
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3.5 Herculano Pires
3.5.1 A Chave da Reencarnação
O principio da reencarnação é a chave que nos abre a compreensão para todos os problemas humanos.
Sem ele tudo é mistério e confusão em nossos destinos e a justiça de Deus nos parece absurda.
Essa chave foi perdida a partir do IV século da nossa era. As religiões cristãs, adaptando-se aos formalismos
pagãos e judaicos, perderam a chave que Jesus lhes havia deixado em seus ensinos, como ainda hoje podemos ver de
maneira inegável nos Evangelhos. O Cristianismo aturdido não pode encontra-la nos caprichosos labirintos da
Teologia, formulada pelos novos doutores da lei.
Dezoito séculos depois de Cristo os cristãos se veriam desarmados diante do desafio da razão esclarecida
pela evolução cultural. O mundo convertido ao Cristianismo voltaria então às fontes esquecidas da cultura pagã.
Essa apostasia, como a do Imperador Juliano, o lançaria de novo nos dilemas insolúveis da razão desprovida
de luz espiritual.
Há dois séculos nos debatemos nesse torvelinho de loucuras, mas há mais de um século o Espirito da Verdade,
prometido por Jesus, vem renovando na Terra o ensino do Mestre, graças ao restabelecimento da comunicação
mediúnica permanente e natural que nos devolve a chave perdida da reencarnação.
A liberdade para a vida afetiva, que procuramos nas ilusões do corpo carnal, está na realidade do espirito,
onde somos, como Jesus ensinou, semeadores que saíram a semear. A semeadura que fizermos determinara a nossa
colheita, pois as leis naturais nos escravizam aos seus resultados inevitáveis.
Quem planta joio não pode colher trigo. Se semearmos desequilíbrios afetivos em nosso caminho, como
queremos colher os frutos do equilíbrio?
Por outro lado, se a semeadura do passado foi má, como corrigi-la, se continuarmos a semear as mesmas
sementes? A chave da reencarnação nos abre as portas do entendimento.
Temos de renovar as nossas sementeiras. Mas se dermos ouvido às teorias loucas da razão pagã, desprovida
de luz, que pretendem considerar como normais as anomalias sexuais, justificando-as com a falsa plenitude dos gozos
materiais, não sairemos do circulo vicioso da escravidão sensorial.
Herculano Pires – Na Era do Espírito – Cap. 27: A Chave da Reencarnação
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3.6 Manoel Philomeno de Miranda
3.6.1 Reencarnação: Dádiva de Deus
Como é compreensível, a planificação para reencarnações é quase infinita, obedecendo a critérios que
decorrem das conquistas morais ou dos prejuízos ocasionais de cada candidato.
Na generalidade, existem estabelecidos automatismos que funcionam sem maiores preocupações por parte
dos técnicos em renascimento, e pelos quais a grande maioria de Espíritos retorna à carne, assinalados pelas próprias
injunções evolutivas.
Ao lado desse extraordinário automatismo das leis da reencarnação, há programas e labores especializados
para atender finalidades específicas, na execução de tarefas relevantes e realizações enobrecedoras, que exigem largo
esforço dos Mentores encarregados de promover e ajudar os seus pupilos, no rumo do progresso e da redenção.
Sem nos desejarmos deter em pormenores dos casos especiais, referentes aos missionários do amor e aos
abnegados cultores da Ciência e da Arte, os candidatos em nível médio de evolução, antes de serem encaminhados
às experiências terrenas, requerem a oportunidade, empenhando os melhores propósitos e apresentando os recursos
que esperam utilizar, a fim de granjearem a bênção do recomeço, na bendita escola humana...
Examinados por hábeis e dedicados programadores, que recorrem a técnicas mui especiais de avaliação das
possibilidades apresentadas, são submetidos a demorados treinamentos, de acordo com o serviço a empreender, com
vistas ao bem-estar da Humanidade, após o que são selecionados os melhores, diminuindo, com esse expediente, a
margem de insucesso.
Os que não são aceitos, voltam a cursos de especialização para outras atividades, especialmente de equilíbrio
com que se armam de forças para vencer as más inclinações defluentes das existências anteriores que se malograram,
bem como para a aquisição de valiosas habilidades que lhes repontarão, futuramente, no corpo, como tendências e
aptidões.
Concomitantemente, de acordo com a ficha pessoal que identifica o candidato, é feita a pesquisa sobre
aqueles que lhe podem oferecer guarida, dentro dos mapas cármicos, providenciando-se necessários encontros ou
reencontros na esfera dos sonhos, se os futuros genitores já estão no veículo físico, ou diretamente, quando se trata
de um plano elaborado com grande antecedência, no qual os membros do futuro clã convivem, primeiro, na
Erraticidade, donde partem já com a família adrede3 estabelecida...
Executada a etapa de avaliação das possibilidades e a aproximação com a necessária anuência dos futuros
pais, são meticulosamente estudados os mapas genéticos de modo a facultarem, no corpo, a ocorrência das
manifestações físicas como psíquicas, de saúde e doença, normalidade ou idiotia, lucidez e inteligência, memória e
harmonia emocional, duração do cometimento corporal e predisposições para prolongamento ou antecipação da
viagem de retorno, ensejando, assim, probabilidades dentro do comportamento de cada aluno a aprendizagem
terrena...
Fenômenos do determinismo são estabelecidos com margem a alternâncias decorrentes do uso do livre-
arbítrio, de modo a permitir uma ampla faixa de movimentação com certa independência emocional em torno do
destino, embora sob controles que funcionam automaticamente, em consonância com as leis do equilíbrio geral.
São travados debates entre o futuro reencarnante e os seus fiadores espirituais, com a exposição das
dificuldades a enfrentar e dos problemas a vencer, nascendo e se desdobrando a euforia e a esperança em relação ao
futuro.
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Em clima de prece, entre promessas de luta e coragem, sob o apoio de abnegados Instrutores, o Espírito
mergulha no oceano compacto da psicosfera terrena e se vincula a célula fecundada, dando início a novo
compromisso.
Os que o amam, na Espiritualidade, ficam expectantes e interessados pelos acontecimentos, preocupados
pelos sucessos que se darão, e buscando interceder nas horas graves, auxiliando nos momentos mais difíceis,
encorajando sempre...
A reencarnação, porém, que leva a parcial esquecimento das responsabilidades, em razão da imantação
celular que se faz, é sempre cometimento4 de grande porte e alta gravidade.
Conseguido o êxito do renascimento, continua o intercâmbio, durante a primeira infância, com os Amigos
da retaguarda espiritual e, à medida que o corpo absorve o Espírito ou este se assenhoreia daquele, vão-se apagando
as lembranças mais próximas enquanto ressumam as fixações mais fortemente vivas no ser, dando nascimento às
tendências e paixões que a educação e a disciplina moral devem corrigir a benefício do educando.
Nunca cessam, em momento algum, os socorros inspirativos que procedem da esfera espiritual, em contínuas
tentativas pelo aproveitamento integral do valioso investimento a que o Espírito se propôs.
O retorno é feito, quase sempre, com altos índices de fracasso, com agravamento de responsabilidades; de
insucesso, em decorrência da invigilância e da indolência, dando margem a amargura e a perturbação; de perda do
tentame, graças à fatuidade e aos graves comprometimentos do pretérito, de que não se conseguiram libertar...
Pode-se compreender a preocupação afetuosa dos Benfeitores espirituais que acompanham os seus pupilos,
à medida que estes se afastam da sua influência benéfica e se transferem espontaneamente de área vibratória,
entregando-se aos envolvimentos perniciosos e destrutivos.
Instam esses nobres cooperadores do bem, para que os seus protegidos retornem ao roteiro traçado, usando
de mil recursos sutis, ou de interferências mais vigorosas, tais como as enfermidades inesperadas, os acidentes
imprevistos, as dificuldades econômicas, a carência afetiva, de modo a despertarem do anestésico da ilusão os que
se enovelaram nos fins da leviandade ou se intoxicaram pelo bafio do orgulho, do egoísmo, da cólera...
Outras vezes, recorrem a outros amigos e benfeitores, a favores da vida e a ajudas que lhes facilitem a marcha,
perseverando até quando, rechaçados, ficam a distância, aguardando...
A reencarnação é o maior investimento da vida ao Espírito em processo evolutivo, o qual, sem ela, padeceria
a hipertrofia de valores intelecto-morais, pela falta do ensejo da convivência com aqueles que se lhe vinculam pelo
amor santificado, pelo amor asselvajado das paixões dissolventes, ou pelo amor enlouquecido no ódio, na violência,
na perseguição...
A conjuntura carnal constitui valiosa aprendizagem para a fixação dos recursos mais elevados do bem e do
progresso na escalada inevitável da evolução.
Sem dúvida, o parcial olvido dos compromissos assumidos responde por alguns fatores do insucesso, mas,
ao mesmo tempo, isto constitui a mais expressiva concessão do amor do Pai, evitando que se compliquem os
fenômenos da animosidade e do ressentimento, das mágoas e das preferências exclusivistas, que tenderiam a reunir
os afins nos gostos e afetos, produzindo um clima de desprezo e agressão contra aqueles que se lhes opusessem.
Como jamais retrograda o Espírito, no seu processo evolutivo, os insucessos não atingem as conquistas, que
permanecem, agravando, isto sim, o programa de responsabilidades de que se desobrigara, quando falharem as
provações remissoras, mediante as expiações redentoras que serão utilizadas como terapêutica final.
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Todas as conquistas da inteligência – e sempre são logradas novas etapas, nesse campo, em cada reencarnação
– permanecem, embora as aquisições morais, mais lentas, porém, mais importantes, somente através de sacrifício e
renúncia, de amor e devotamento conseguem ser alcançadas.
Com as luzes projetadas pelo Espiritismo, na atualidade, o empreendimento da reencarnação adquire hoje
mais amplo entendimento pelos homens, que reconhecem a sua procedência espiritual, identificando-a e, por sua vez,
preparando-se para o retorno à vida que estua e nela se encontra, inevitavelmente, seja no corpo ou fora dele.
Manoel Philomeno de Miranda – Temas da Vida e da Morte – Cap. 1: Reencarnação – Dádiva de Deus
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3.7 Militão Pacheco
3.7.1 O Espiritismo Pergunta
Meu irmão, não te permitas impressionar apenas com as alterações que convulsionam hoje todas as frentes
de trabalho e descobrimentos na Terra.
Olha para dentro de ti mesmo e mentaliza o futuro.
O teu corpo físico define a atualidade do teu corpo espiritual.
Já viveste, quanto nós mesmos, vidas incontáveis e trazes, no bojo do espírito, as conquistas alcançadas em
longo percurso de experiências na ronda de milênios.
Tua mente já possui, nas criptas da memória, recursos enciclopédicos da cultura de todos os grandes centros
do Planeta.
Teu perispírito já se revestiu com porções da matéria de todos os continentes.
Tuas irradiações, através das roupas que te serviram, já marcaram todos os salões da aristocracia e todos os
círculos de penúria do plano terrestre.
Tua figura já integrou os quadros do poder e da subalternidade em todas as nações.
Tuas energias genésicas e afetivas já plasmaram corpos na configuração morfológica de todas as raças.
Teus sentidos já foram arrebatados ao torvelinho de todas as diversões.
Tua voz já expressou o bem e o mal em todos os idiomas.
Teu coração já pulsou ao ritmo de todas as paixões.
Teus olhos já se deslumbraram diante de todos os espetáculos conhecidos, das trevas do horrível às
magnificências do belo.
Teus ouvidos já registraram todos os tipos de sons e linguagens existentes no mundo.
Teus pulmões já respiraram o ar de todos os climas.
Teu paladar já se banqueteou abusivamente nos acepipes de todos os povos.
Tuas mãos já retiveram e dissiparam fortunas, constituídas por todos os padrões da moeda humana.
Tua pele, em cores diversas, já foi beijada pelo Sol de todas as latitudes.
Tua emoção já passou por todos os transes possíveis de renascimentos e mortes.
Eis por que o Espiritismo te pergunta:
– Não julgas que já é tempo de renovar?
Sem renovação, que vale a vida humana?
Se fosse para continuares repetindo aquilo que já foste e o que fizeste, não terias necessidade de novo corpo
e de nova existência – prosseguirias de alma jungida à matéria gasta da encarnação precedente, enfeitando um jardim
de cadáveres.
Vives novamente na carne para o burilamento de teu espírito.
A reencarnação é o caminho da Grande Luz.
Ama e trabalha. Trabalha e serve.
Perante o bem, quase sempre, temos sido somente constantes na inconstância e fiéis à infidelidade,
esquecidos de que tudo se transforma, com exceção da necessidade de transformar.
Militão Pacheco – O Espírito da Verdade – Cap. 18: O Espiritismo Pergunta
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3.8 Martins Peralva
3.8.1 Reencarnacionismo, Sim
“Esta doutrina (a Espírita, a da Reencarnação) é tão antiga quanto o mundo; tal o motivo por que em toda
a parte a encontramos, o que constitui prova de que é verdadeira”.
Allan Kardec – O Livro dos Espíritos – Questão 221-a
“A moldura social ou doméstica, muitas vezes, é diferente, mas, no quadro do trabalho e da luta, a
consciência é a mesma, com a obrigação de aprimorar-se, ante a bênção de Deus, para a luz da imortalidade”.
Emmanuel – Religião dos Espíritos – Cap. 45: Esquecimento e Reencarnação
A humanidade se vê, realmente, numa bifurcação filosófica: caminhar na direção da luz, com as idéias
reencarnacionistas, ou vagar, sem rumo, dada a escuridão dos caminhos não-reencarnacionistas.
O homem crente na imortalidade da alma tem, assim, um dilema: aceitar as vidas sucessivas, em que a
demonstração da Justiça e do Amor de Deus é evidente, ou adotar a chamada vida única, em que a alma é criada no
momento da concepção, para o corpo que vai nascer.
Às religiões, portanto, cabe o inalienável imperativo de orientar o espírito humano, geralmente confuso, para
que não caminhe às cegas, ante o labirinto das próprias lutas e dos conflitos conscienciais, impregnados de angústia
e sofrimento, de incredulidade e medo.
Faz-se necessária, pois, a análise fria das doutrinas em torno das quais gravitam milhões de inteligências,
encarnadas e desencarnadas.
O essencial é que tenha o homem o melhor, no sentido da preservação de sua felicidade, na Terra ou no
Espaço.
O confronto das doutrinas reencarnacionistas com as não-reencarnacionistas, para que se apontem
excelências e inconveniências, torna-se um imperativo de honesta solidariedade para com aqueles que buscam,
aturdidos, um roteiro espiritual.
Faremos, assim, análise e confronto sinceros e absolutamente respeitosos.
O Espiritismo, florescendo sob as bênçãos do Evangelho, sente-se à vontade para, através de seus adeptos,
focalizar o assunto, seja na tribuna, nos livros ou em artigos doutrinários.
Falemos, em primeiro lugar, das doutrinas não-reencarnacionistas e dos inconvenientes que, a nosso ver,
apresentam. Ei-los:
a) — Descontinuidade dos laços espirituais.
b) — Separação definitiva, com a morte, dos entes queridos.
c) — Separação definitiva, com a morte, dos adversários.
d) — Insuficiência, absoluta, de tempo para o desenvolvimento moral e intelectual da humanidade.
e) — Condução do homem à descrença na Justiça e no Amor de Deus.
Descontinuidade dos laços espirituais: — Tem o inconveniente de limitar as afetividades e os impulsos de
solidariedade humana aos círculos da família consanguínea, estimulando, assim, o egoísmo, chaga monstruosa que
as religiões tentam combater há milênios.
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O homem, já por si mesmo natural e congenitamente egoísta, terá, apenas, por centro de seu interesse e de
seu trabalho o grupo familiar.
Todo o seu esforço, sua luta e empreendimentos girarão, exclusivamente, em favor dos que lhe integram a
equipe de parentela, restringindo, assim, os sentimentos de fraternidade autêntica.
Estimula, portanto, o egocentrismo feroz.
Separação definitiva dos entes queridos: — Ê a doutrina do desespero ante a alma querida que parte, pela
desencarnação.
É o pavor ante o desconhecido, com o que surge, inevitável, a interrogação aflitiva: onde estarão o filho que
partiu, a esposa ou o marido, a mãe ou o pai: no inferno ou no Céu ? . . .
Nos lares espíritas, nota-se, certamente, em ocasiões que tais, a dor-saudade — nunca a dor-revolta! — pela
ausência física do ser amado, compensada pela esperança, com a certeza da presença espiritual.
Nem inferno, nem Céu, mas o plano espiritual correspondente aos méritos daquele que regressou ao Mundo
da Verdade.
Espiritualidade, imortalidade, comunicabilidade dos mortos-vivos com os que ficaram na Terra.
Separação definitiva dos adversários: — Seria a cessação das oportunidades reconciliatórias, tão almejadas
pelos que não aprenderam a odiar.
O adversário, para o espírita, não é um inimigo, mas um irmão colocado, temporariamente, em posição de
antagonismo, e com o qual, mais cedo ou mais tarde, tem o dever de reconciliar-se.
O Espírita — estranha doutrina! — não quer o adversário a distância, nem morto: deseja vê-lo no mesmo
campo de luta, neste ou noutros mundos, com as mesmas oportunidades de crescimento e reabilitação, a fim de que
o reencontro se dê, o mais breve possível, para a sublimidade da reaproximação fraterna, com esquecimento de todas
as hostilidades que se perderam no tempo e no espaço.
Para as doutrinas não-reencarnacionistas, em tese, a morte do adversário é um alívio, é o fim.
Para o espírita é simples mudança de plano, hoje, para o reencontro conciliador, amanhã.
No Espaço, ou em futuras reencarnações, deseja o espírita reaproximar-se do adversário, porque assim
preceitua a doutrina do Amor Universal pregada e exemplificada por Jesus, Senhor e Mestre de nossas vidas.
Insuficiência de tempo para o desenvolvimento moral e intelectual: — Através de várias encarnações é que
o espírito evolui, moral e intelectualmente, adquirindo virtudes e conhecimentos que o farão, em glorioso dia, santo
e sábio.
Numa só vida — mesmo que seja ela de cem anos — poderia o homem adquirir, apenas, instrução de rotina,
se não trouxesse, do passado, patrimônios espirituais e culturais que se alojaram nos escaninhos maravilhosos do
perispírito — o notável porão da individualidade, onde se armazenam méritos e deméritos, para eclosão em futuras
experiências reencarnatórias.
Numa só existência, por mais longa, não se adquiririam todas as virtudes e todos os conhecimentos.
O santo e o sábio — ou o santo-sábio — teriam de ser privilegiados de Deus, escolhidos a dedo.
Em várias existências, o santo e o sábio terão sido os construtores das próprias virtudes e dos próprios
conhecimentos, segundo a maravilhosa engrenagem das leis divinas equânimes e infalíveis, que não estabelecem
predileções por ninguém.
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Enquanto as doutrinas reencarnacionistas nos falam de Deus-Amor, as não-reencarnacionistas conduzem o
homem, infelizmente, à descrença na Justiça Divina, por serem a própria negação do Amor de Deus.
As doutrinas reencarnacionistas, ao contrário das não-reencarnacionistas, asseguram:
a) — A continuidade dos laços de família, com a consequente ampliação da parentela espiritual.
b) — A renovação de esperanças, pela certeza da sobrevivência e comunicabilidade da alma.
c) — A universalização do conceito de fraternidade.
d) — Golpe de morte no egoísmo.
e) — O reencontro com almas queridas, no ambiente da família ou fora dele.
f) — O reencontro com adversários e credores, desta e doutras existências.
g) — A consolidação de afetos, com a consequente garantia da continuidade de tarefas em comum.
h) — Melhor compreensão da Justiça e do Amor de Deus.
Com o Espiritismo, que viceja, exuberante, na condição de doutrina eminentemente reencarnacionista, à luz
redentora do Evangelho do Cristo, ficam assegurados, pela oportunidade dos reencontros, o reajuste de situações, o
resgate de débitos, a reabilitação de vítimas.
As excelências do reencarnacionismo nos falam de um Deus que não é, apenas, o Criador do Universo, Causa
Primária de todas as coisas, mas, também, o Pai Compassivo e Bom, Justo e Misericordioso
Martins Peralva – O Pensamento de Emmanuel – Cap. 12: Reencarnacionismo, Sim
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4 Referências
Esta relação bibliográfica não está, intencionalmente, seguindo os padrões usuais – está numa forma mais
sintética, fazendo uma correlação direta entre o texto do trabalho e os livros/mensagens.
# Autor Livro/Revista/Jornal Cap./Mensagem/Artigo
1 Allan Kardec O Livro dos Espíritos Questão: 132
Questão: 167
Questão: 171
Questão: 196
Questão: 221-a
2 Allan Kardec O Céu e o Inferno 1º Parte – Cap. 3 – Item 8
1º Parte – Cap. 7 – Item 31
3 Allan Kardec A Gênese Cap. 11: Item 24
4 Allan Kardec O Evangelho segundo o Espiritismo Cap. 5 – item 10
5 Allan Kardec O Espiritismo em sua Expressão
mais Simples
Cap. 1: Resumo do Ensino dos
Espíritos
6 Emmanuel Caminho, Verdade e Vida Cap. 110: Vidas Sucessivas
7 Emmanuel Justiça Divina Cap. 4: Virtude Solitária
8 Emmanuel Reformador 1955 – Janeiro: Reencarnação
9 Emmanuel Reformador 1957 – Abril: Jesus e Kardec
10 Emmanuel Reformador 1957 – Abril: 100 anos do Livro dos
Espíritos
11 Emmanuel Religião dos Espíritos Cap. 24: Reencarnação
12 Herculano Pires Na Era do Espírito Cap. 27: A Chave da Reencarnação
13 Hermínio de Miranda Centro Virtual de Divulgação e
Estudo do Espiritismo (CVDEE)
Entrevista – 2009
14 Hermínio de Miranda Reencarnação e Imortalidade Cap. 21: Reencarnação – Instrumento
para o Progresso Espiritual
15 Hermínio de Miranda Reformador 1971 – Julho: O Livro Branco da Vida
16 Joanna de Ângelis Atitudes Renovadas Cap. 3: Benção da Reencarnação
17 Joanna de Ângelis Lampadário Espírita Cap. 1: Necessidade da Reencarnação
18 Joanna de Ângelis Momentos de Consciência Cap. 10: Reencarnação e Consciência
19 Joanna de Ângelis Responsabilidade Cap.5: Considerando a Reencarnação
20 Lins de Vasconcellos O Espírito da Verdade Cap. 48: Renascer e Remorrer
21 Manoel Philomeno de
Miranda
Temas da Vida e da Morte Cap. 1: Reencarnação: Dádiva de
Deus
22 Martins Peralva O Pensamento de Emmanuel Cap. 12: Reencarnacionismo, Sim
23 Militão Pacheco O Espírito da Verdade Cap. 18: O Espiritismo Pergunta
37
5 Anexo
5.1 Hermínio de Miranda – Biografia
Hermínio Corrêa de Miranda (Volta Redonda, 5 de janeiro de 1920/Rio de Janeiro, 8 de julho de 2013) foi
um pesquisador e escritor espírita brasileiro. Habitualmente assina Herminio C. Miranda.
Formou-se em Ciências Contábeis, tendo trabalhado na Companhia Siderúrgica Nacional até se aposentar.
Seu primeiro livro, Diálogo com as Sombras, foi publicado em 1976. Depois vieram muitos outros títulos,
sendo que seus direitos autorais foram sempre cedidos a instituições filantrópicas.
Obras publicadas
Em ordem alfabética:
− A Dama da Noite (coleção "Histórias que os espíritos contaram")
− A Irmã do Vizir (coleção "Histórias que os espíritos contaram")
− A Memória e o Tempo
− A Noviça e o Faraó - a extraordinária história de Omini Sety
− A Reencarnação na Bíblia
− A Reinvenção da Morte (incorporada ao livro As Duas Faces da Vida)
− A Tarefa dos Enxovais (com Orson Peter Carrara)
− Alquimia da Mente
− Arquivos Psíquicos do Egito
− As Duas Faces da Vida
− As Mãos de minha Irmã (da coleção "Histórias que os espíritos contaram", anteriormente
intitulado Histórias que os espíritos contaram)
− As Marcas do Cristo, publicada em dois volumes: 1 – Paulo, o apóstolo dos gentios; 2 – Lutero, o
reformador
− As mil faces da Realidade Espiritual
− As sete vidas de Fénelon (série "Mecanismos secretos da história")
− Autismo, uma leitura espiritual
− Candeias na Noite Escura
− Com quem tu andas? (com Jorge Andrea dos Santos e Suely Caldas Schubert)
− Condomínio Espiritual
− Cristianismo: a Mensagem esquecida
− De Kennedy ao homem artificial - crônicas de um e de outro (com Luciano dos Anjos)
− Diálogo com as Sombras
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− Eu sou Camille Desmoulins (com Luciano dos Anjos), publicada também em francês com o
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A Reencarnação e Você

  • 1. A Reencarnação – Entrevistando Hermínio de Miranda
  • 2. i SUMÁRIO 1 A Reencarnação – Conceitos e Fundamentos.............................................................................................................1 1.1 Finalidades da Reencarnação ..............................................................................................................................1 1.1.1 Evolução – Intelectual/Moral/Espiritual.........................................................................................................1 1.1.2 Co-autoria na obra da Criação – Participação/Missão....................................................................................2 1.1.3 Reparação e Reajustes – Expiação/Provação..................................................................................................3 1.1.4 Síntese.............................................................................................................................................................4 2 A Reencarnação – Entrevista com Hermínio de Miranda........................................................................................7 2.1 Reencarnação e Anomalia Cerebral....................................................................................................................7 2.2 Reencarnação e Código Genético........................................................................................................................7 2.3 Reencarnação e Tempo de Permanência na Espiritualidade............................................................................7 2.4 Reencarnação e Obsessão.....................................................................................................................................8 2.5 Reencarnação e Responsabilidade dos Pais........................................................................................................8 2.6 Reencarnação e o Tempo entre Vidas.................................................................................................................8 2.7 Reencarnação e Comunicações Mediúnicas durante a Gravidez.....................................................................9 2.8 Reencarnação e o Resgate total de débitos de Vidas Passadas .........................................................................9 2.9 Reencarnação e o Programa Reencarnatório.....................................................................................................9 2.10 Reencarnação e a Participação da Espiritualidade no Processo ....................................................................10 2.11 Reencarnação e a Consciência Intrauterina.....................................................................................................10 3 A Reencarnação – Visões Doutrinárias.....................................................................................................................11 3.1 Hermínio de Miranda.........................................................................................................................................11 3.1.1 Reencarnação – Instrumento para o Progresso Espiritual.............................................................................11 3.1.2 Reencarnação – O Livro branco da Vida......................................................................................................12 3.2 Emmanuel............................................................................................................................................................14 3.2.1 Reencarnação................................................................................................................................................14 3.2.2 Vidas Sucessivas...........................................................................................................................................15 3.2.3 Reencarnação................................................................................................................................................16 3.2.4 Virtude Solitária............................................................................................................................................17 3.2.5 Jesus e Kardec...............................................................................................................................................18 3.3 Lins de Vasconcelos ............................................................................................................................................20 3.3.1 Renascer e Remorrer.....................................................................................................................................20 3.4 Joanna de Angelis ...............................................................................................................................................21 3.4.1 Considerando a Reencarnação......................................................................................................................21 3.4.2 A Benção da Reencarnação ..........................................................................................................................22 3.4.3 Necessidade da Reencarnação ......................................................................................................................25 3.4.4 Reencarnação e Consciência.........................................................................................................................27 3.5 Herculano Pires...................................................................................................................................................28 3.5.1 A Chave da Reencarnação............................................................................................................................28 3.6 Manoel Philomeno de Miranda .........................................................................................................................29 3.6.1 Reencarnação: Dádiva de Deus ....................................................................................................................29
  • 3. ii 3.7 Militão Pacheco...................................................................................................................................................32 3.7.1 O Espiritismo Pergunta.................................................................................................................................32 3.8 Martins Peralva...................................................................................................................................................33 3.8.1 Reencarnacionismo, Sim ..............................................................................................................................33 4 Referências ..................................................................................................................................................................36 5 Anexo ...........................................................................................................................................................................37 5.1 Hermínio de Miranda – Biografia.....................................................................................................................37
  • 4. 1 A REENCARNAÇÃO 1 A Reencarnação – Conceitos e Fundamentos 1.1 Finalidades da Reencarnação 1.1.1 Evolução – Intelectual/Moral/Espiritual (...) Não podendo os Espíritos aperfeiçoar-se, a não ser por meio das tribulações da existência corpórea, segue- se que a vida material seja uma espécie de crisol ou de depurador, por onde têm que passar todos os seres do mundo espírita para alcançarem a perfeição? Sim, é exatamente isso. Eles se melhoram nessas provas, evitando o mal e praticando o bem; porém, somente ao cabo de mais ou menos longo tempo, conforme os esforços que empreguem; somente após muitas encarnações ou depurações sucessivas, atingem a finalidade para que tendem. Allan Kardec – O Livro dos Espíritos, questão 196 (...) A encarnação é necessária ao duplo progresso moral e intelectual do Espírito: ao progresso intelectual pela atividade obrigatória do trabalho; ao progresso moral pela necessidade recíproca dos homens entre si. A vida social é a pedra de toque das boas ou más qualidades. A bondade, a maldade, a doçura, a violência, a benevolência, a caridade, o egoísmo, a avareza, o orgulho, a humildade, a sinceridade, a franqueza, a lealdade, a má- fé, a hipocrisia, em uma palavra, tudo o que constitui o homem de bem ou o perverso tem por móvel, por alvo e por estímulo as relações do homem com os seus semelhantes. Para o homem que vivesse insulado não haveria vícios nem virtudes; preservando-se do mal pelo insulamento, o bem de si mesmo se anularia. Allan Kardec – O Céu e o Inferno – 1º Parte - Cap. 3 – Item 8. (...) A reencarnação é Lei da Vida. Impositivo estabelecido, irrefragavelmente, constitui processo de evolução, sem o qual a felicidade seria impossível. Programada pelo Criador, faculta os mecanismos naturais de desenvolvimento dos valores que jazem latentes, no ser espiritual, que assim frui, em igualdade de condições, dos direitos que a todos são concedidos. A reencarnação enobrece o calceta, santifica o vilão, eleva o caído, altera a paisagem moral do revoltado, dulcificando-o ao largo do tempo, sem pressa, nem violência. A reencarnação é convite ao aproveitamento da oportunidade e do tempo, que sempre devem ser colocados a serviço do progresso espiritual e da perfeição, etapa final da contínua busca do ser. Joanna de Ângelis – Responsabilidade – Cap.5: Considerando a Reencarnação (...) A reencarnação é o maior investimento da vida ao Espírito em processo evolutivo, o qual, sem ela, padeceria a hipertrofia de valores intelecto-morais, pela falta do ensejo da convivência com aqueles que se lhe vinculam pelo amor santificado, pelo amor asselvajado das paixões dissolventes, ou pelo amor enlouquecido no ódio, na violência, na perseguição... A conjuntura carnal constitui valiosa aprendizagem para a fixação dos recursos mais elevados do bem e do progresso na escalada inevitável da evolução. Manoel Philomeno de Miranda – Temas da Vida e da Morte – Cap. 1: Reencarnação - Dádiva de Deus
  • 5. 2 1.1.2 Co-autoria na obra da Criação – Participação/Missão (...) A obrigação que tem o Espírito encarnado de prover ao alimento do corpo, à sua segurança, ao seu bem- estar, o força a empregar suas faculdades em investigações, a exercitá-las e desenvolvê-las. Útil, portanto, ao seu adiantamento é a sua união com a matéria. Daí o constituir uma necessidade a encarnação. Além disso, pelo trabalho inteligente que ele (o Espírito) executa em seu proveito, sobre a matéria, auxilia a transformação e o progresso material do globo que lhe serve de habitação. É assim que, progredindo, colabora na obra do Criador […]. Allan Kardec – A Gênese – Cap. 11 – Item 24. (...) Reencarnação nem sempre é sucesso expiatório, como nem toda luta no campo físico expressa punição. Suor na oficina é acesso à competência. Esforço na escola é aquisição de cultura. Toda restauração exige dificuldades equivalentes. Todo valor evolutivo reclama serviço próprio. Nada existe sem preço. Por esse motivo, se as paixões gritam jungidas aos flagelos que lhes extinguem a sombra, as tarefas sublimes fulgem ligadas às renunciações que lhes acendem a luz. À vista disso, não te habitues a medir as dores alheias pelo critério de expiação, porque, quase sempre almas heroicas que suportam o fogo constante das grandes dores morais, no sacrifício do lar ou nas lutas do povo, apenas obedecem aos impulsos do bem excelso, a fim de que a negação do homem seja bafejada pela esperança de Deus. Emmanuel – Religião dos Espíritos – Cap. 24: Reencarnação (...) No trajeto multimilenário de nossas experiências, aprendemos, entre sucessivos transes de nascimento e desencarnação, a alegria de viver, descobrindo e reconhecendo a necessidade e a compensação do sofrimento, sempre forjado por nossas próprias faltas. Já renascemos e remorremos milhões de vezes, contraindo e saldando obrigações, assinalando a excelsitude da Providência e o valor inapreciável da humildade, para saber, enfim, que toda revolta humana é absurda e impotente. Se há facilidade para remorrer, há dificuldades para renascer. As portas dos cemitérios jamais se fecham; contudo, as portas da reencarnação só se abrem com a senha do mérito haurido nas edificações incessantes da Caridade. Lins de Vasconcellos – O Espírito da Verdade – Cap. 48: Renascer e Remorrer (...) Considera o teu estágio na terra, no corpo físico, uma oportunidade especial para o teu crescimento espiritual. Esforça-te por aproveitar cada momento da superior experiência evolutiva, a fim de poderes amealhar valores imperecíveis que te acompanharão para sempre. Joanna de Angelis – Atitudes Renovadas – Cap. 3: Benção da Reencarnação
  • 6. 3 1.1.3 Reparação e Reajustes – Expiação/Provação (...) É na vida corpórea que o Espírito repara o mal de anteriores existências, pondo em prática resoluções tomadas na vida espiritual. Assim se explicam as misérias e vicissitudes mundanas que, à primeira vista, parecem não ter razão de ser. Justas são elas, no entanto, como espólio do passado – herança que serve à nossa romagem para a perfectibilidade. Allan Kardec – O Céu e o Inferno – 1º Parte – Cap. 7 – Item 31 (...) Mediante as diversas existências corpóreas é que os Espíritos se vão expungindo, pouco a pouco, de suas imperfeições. As provações da vida os fazem adiantar-se, quando bem suportadas. Como expiações, elas apagam as faltas e purificam. São o remédio que limpa as chagas e cura o doente. Allan Kardec – O Evangelho segundo o Espiritismo –- Capítulo 5–- item 10. (...) A doutrina da reencarnação, isto é, a que consiste em admitir para o Espírito muitas existências sucessivas, é a única que corresponde à ideia que formamos da justiça de Deus para com os homens que se acham em condição moral inferior; a única que pode explicar o futuro e firmar as nossas esperanças, pois que nos oferece os meios de resgatarmos os nossos erros por novas provações. A razão no-la indica e os Espíritos a ensinam. Allan Kardec – O Livro dos Espíritos, questão 171 — comentário. (...) Livres, estamos interligados perante a Lei, para fazer o melhor, e, escravizados aos compromissos expiatórios, estaremos acorrentados uns aos outros no instituto da reencarnação, segundo a Lei, para anular o pior que já foi feito por nós mesmos nas existências passadas. Ninguém progride sem alguém. Emmanuel – Justiça Divina – Cap. 4: Virtude Solitária (...) A reencarnação significa precioso ensejo de sublimar e superar, registrando como bênçãos nos refolhos da alma as experiências de libertação do imediatismo e da extravagância. É expressivo o retorno à carne para refazimento das experiências deixadas à margem; tantas se fazem necessárias quantas as oportunidades de evoluir, até chegar à perfeição. Nasce e renasce o Espírito em diversos círculos para conquistar e reconquistar afetos, alargando os horizontes da fraternidade entre todas as criaturas, de modo a que o Reino de Deus não se transforme em oásis fechado de felicidade grupal, distante da Humanidade inteira. Com propriedade, portanto, anotou o Codificador do Espiritismo que "a reencarnação, aliás, precisa ter um fim útil". Joanna de Angelis – Lampadário Espírita – Cap. 14: Necessidade da Reencarnação (...) O princípio da reencarnação é a chave que nos abre a compreensão para todos os problemas humanos. Sem ele tudo é mistério e confusão em nossos destinos e a justiça de Deus nos parece absurda. Herculano Pires – Na Era do Espírito – Cap. 27: A Chave da Reencarnação
  • 7. 4 1.1.4 Síntese Qual o objetivo da encarnação dos Espíritos? Deus lhes impõe a encarnação com o fim de fazê-los chegar à perfeição. Para uns, é expiação; para outros, missão. Mas, para alcançarem essa perfeição, têm que sofrer todas as vicissitudes da existência corporal: nisso é que está a expiação. Visa ainda outro fim a encarnação: o de pôr o Espírito em condições de suportar a parte que lhe toca na obra da criação. Para executá-la é que, em cada mundo, toma o Espírito um instrumento, de harmonia com a matéria essencial desse mundo, a fim de aí cumprir, daquele ponto de vista, as ordens de Deus. É assim que, concorrendo para a obra geral, ele próprio se adianta. A ação dos seres corpóreos é necessária à marcha do Universo. Deus, porém, na Sua sabedoria, quis que nessa mesma ação eles encontrassem um meio de progredir e de se aproximar Dele. Deste modo, por uma admirável lei da Providência, tudo se encadeia, tudo é solidário na Natureza. Allan Kardec – O Livro dos Espíritos – Questão 132 Qual é a finalidade da reencarnação? Expiação, melhoramento progressivo da humanidade. Sem isto, onde estaria a justiça?. Allan Kardec – O Livro dos Espírito–- Questão 167 (..) “Esta doutrina (a Espírita, a da Reencarnação) é tão antiga quanto o mundo; tal o motivo por que em toda a parte a encontramos, o que constitui prova de que é verdadeira”. Allan Kardec – O Livro dos Espíritos – Questão 221-a (...) Reconheçamos, portanto, em resumo, que só a doutrina da pluralidade das existências explica o que, sem ela, se mantém inexplicável; que é altamente consoladora e conforme à mais rigorosa justiça; que constitui para o homem a âncora de salvação que Deus, por misericórdia, lhe concedeu. As próprias palavras de Jesus não permitem dúvida a tal respeito. Eis o que se lê no Evangelho de São João, capítulo III: Respondendo a Nicodemos, disse Jesus: Em verdade, em verdade, te digo que, se um homem não nascer de novo, não poderá ver o reino de Deus. Disse-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer já estando velho? Pode tornar ao ventre de sua mãe para nascer segunda vez? Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo que, se um homem não renascer da água e do Espírito, não poderá entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne e o que é nascido do Espírito é Espírito. Não te admires de que eu te tenha dito: é necessário que torneis a nascer. Allan Kardec – O Livro dos Espíritos – 2º Parte – Cap. 5: Pluralidade das Existências (...) A Reencarnação é lei universal. Sem ela, a existência terrena representaria turbilhão de desordem e injustiça; à luz de seus esclarecimentos, entendemos todos os fenômenos dolorosos do caminho. O homem ainda não percebeu toda a extensão da misericórdia divina, nos processos de resgate e reajustamento. Emmanuel – Caminho, Verdade e Vida – Cap. 110: Vidas Sucessivas
  • 8. 5 (...) A Reencarnação é instrumento do progresso do ser espiritual. Ora ele expia, quando são graves os seus delitos, submetendo-se às aflições que constituem disciplinas educativas mediante as quais se fixam nos painéis profundos da consciência os deveres a cumprir. Noutras vezes são provações que enrijecem as fibras morais responsáveis pela ação dignificadora. Longe de ser uma punição, a dádiva do renascimento corporal é bênção do amor, auxiliando o Espírito a desenvolver os recursos que lhe jazem latentes, qual terra arroteada e adubada em condições de transformar a semente diminuta no vegetal exuberante que nela dorme. Joanna de Angelis – Momentos de Consciência – Cap. 10: Reencarnação e Consciência (...) Sem renovação, que vale a vida humana? Se fosse para continuares repetindo aquilo que já foste e o que fizeste, não terias necessidade de novo corpo e de nova existência — prosseguirias de alma jungida à matéria gasta da encarnação precedente, enfeitando um jardim de cadáveres. Vives novamente na carne para o burilamento de teu Espírito. A Reencarnação é o caminho da Grande Luz. Ama e trabalha. Trabalha e serve. Perante o bem, quase sempre, temos sido somente constantes na inconstância e fiéis à infidelidade, esquecidos de que tudo se transforma, com exceção da necessidade de transformar. Militão Pacheco - O Espírito da Verdade – Cap. 18: O Espiritismo Pergunta (...) As doutrinas reencarnacionistas, ao contrário das não-reencarnacionistas, asseguram: a) — A continuidade dos laços de família, com a consequente ampliação da parentela espiritual. b) — A renovação de esperanças, pela certeza da sobrevivência e comunicabilidade da alma. c) — A universalização do conceito de fraternidade. d) — Golpe de morte no egoísmo. e) — O reencontro com almas queridas, no ambiente da família ou fora dele. f) — O reencontro com adversários e credores, desta e doutras existências. g) — A consolidação de afetos, com a consequente garantia da continuidade de tarefas em comum. h) — Melhor compreensão da Justiça e do Amor de Deus. Com o Espiritismo, que viceja, exuberante, na condição de doutrina eminentemente reencarnacionista, à luz redentora do Evangelho do Cristo, ficam assegurados, pela oportunidade dos reencontros, o reajuste de situações, o resgate de débitos, a reabilitação de vítimas. As excelências do reencarnacionismo nos falam de um Deus que não é, apenas, o Criador do Universo, Causa Primária de todas as coisas, mas, também, o Pai Compassivo e Bom, Justo e Misericordioso Martins Peralva – O Pensamento de Emmanuel – Cap. 12: Reencarnacionismo, Sim (...) À medida que penetramos os segredos do amor puro, vamos reconhecendo que ninguém pode ser realmente feliz sem fazer a felicidade alheia no caminho em que avança. Trabalharemos e sofreremos, assim, por amor, pelos séculos adiante, ajudando-nos uns aos outros a erguer a felicidade de nosso nível, até que possamos entrar, todos juntos, na suprema felicidade que consiste em nossa união com Deus para sempre. Emmanuel – Justiça Divina – Cap. 12: Virtude Solitária
  • 9. 6 (…) A encarnação não foi imposta ao Espírito, no princípio, como uma punição; ela é necessária ao seu desenvolvimento e para a realização das obras de Deus, e todos a devem sofrer, tomem o caminho do bem ou do mal; só que os que seguem o caminho do bem, avançando mais rapidamente, demoram menos a chegar ao fim e lá chegam em condições menos penosas. Allan Kardec – O Espiritismo em sua Expressão mais Simples – Cap. 1: Resumo do Ensino dos Espíritos (...) Exaltando a filosofia da evolução, através das existências numerosas que nos aperfeiçoam o ser, na Reencarnação necessária, esclarece o Instrutor Sublime: – “Ninguém poderá ver o Reino de Deus se não nascer de novo.” E Allan Kardec conclama: – “Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sempre, tal é a lei.” Emmanuel – Reformador – 1957 – Abril – Pag. 80: Jesus e Kardec
  • 10. 7 2 A Reencarnação – Entrevista com Hermínio de Miranda 2.1 Reencarnação e Anomalia Cerebral 1) Na reencarnação sob processo expiatório, ocorre às vezes uma vultosa anomalia cerebral. De que forma há para esse Espírito aproveitamento da reencarnação? Há algum tipo de percepção? Resposta: A reencarnação constitui sempre valiosa oportunidade de progresso espiritual. O corpo físico pode apresentar-se severamente afetado por anomalias inibidoras, mas a entidade espiritual está presente e atenta ao que se passa. 2.2 Reencarnação e Código Genético 2) Quais são as relações entre a descoberta do código genético humano e o processo reencarnatório? Por exemplo, se muitas doenças físicas poderão ser evitadas, como ficam as reencarnações de Espíritos que têm como sua fase evolutiva o ultrapassar justamente doenças físicas? Resposta: Penso que é cedo para se falar em interferências no código genético que resultem no cancelamento puro e simples de deficiências físicas ou mentais, que, como sabemos, tem sérias implicações cármicas. O projeto genoma, recentemente divulgado com enorme espalhafato publicitário, embora represente um gigantesco passo à frente no entendimento da biologia humana, ainda tem muito trabalho pela frente, como reconhecem os próprios cientistas. São mais de 3 bilhões as combinações possíveis no ser humano. Por outro lado, as leis divinas não se sujeitam a manipulações daqueles que se propõem a "brincar de Deus". Sugiro que se leia, se conseguir localizar, um pequeno artigo meu intitulado "Uma ética para a genética", publicado em Reformador em junho de 1971, há quase trinta anos, portanto. Será útil também, se ainda não o fez, a leitura do Time, de 3 de julho de 2000. Diz-se ali, entre outras coisas, que dois grupos empenharam-se em decifrar as ‘letras bioquímicas ‘ do DNA humano e as instruções codificadas para construir e operar um ser humano totalmente funcional. Em outras palavras, ninguém, nesse projeto gigantesco, está pensando no espírito e nem nas leis cármicas. E muito menos, em Deus. Quanto a mim, fico com Deus e não tenho a pretensão de brincar com ele. 2.3 Reencarnação e Tempo de Permanência na Espiritualidade 3) Quanto tempo, em média, o espírito permanece na pátria espiritual, antes de reencarnar? Meu pai faleceu há 5 anos; quando eu desencarnar me encontrarei com ele? Resposta: Cada caso é um caso. Não há uma periodicidade rígida de tantos em tantos anos, entre uma encarnação e outra. Certamente você se encontrará com a entidade que foi seu pai, bem como com outros seres que se acham ligados a você, nesta ou em existências passadas.
  • 11. 8 2.4 Reencarnação e Obsessão 4) Durante o período da gestação, é possível que a mulher seja obsidiada? Se o processo obsessivo já existir, o obsessor é afastado? Resposta: Sim, a mulher pode ser obsidiada antes, durante e depois da gestação. A gravidez, por si mesma, não a livra do processo obsessivo, nem leva a entidade perseguidora a afastar-se automaticamente. Em muitos casos a gravidez pode até suscitar ou agravar obsessões, quando entidades desorientadas e vingativas procuram interromper ou perturbar o processo reencarnatório, por ter problemas com a mãe, com a criança ou com ambos. A questão é complexa e os casos devem ser tratados com serenidade, compreensão, amor fraterno e prece, em grupos confiáveis que se dediquem à tarefa dita de desobsessão. Não com o objetivo de nos livrarmos da entidade perturbadora, mas para que nos pacifiquemos todos, a fim de seguirmos todos juntos e em paz os caminhos evolutivos. "Reconcilia-te com teu adversário", ensinou o Cristo, "enquanto estás a caminho com ele." 2.5 Reencarnação e Responsabilidade dos Pais 5) Qual a nossa responsabilidade no processo de resgate com relação à vida conjugal, e como isto influencia a reencarnação daqueles que devem vir como filhos. Resposta: O lar é o nosso laboratório de trabalho, pesquisa, estudo e aprendizado, bem como um ponto de reencontro. A família representa, usualmente, a melhor combinação possível de situações que levem os seres que a compõem à solução dos problemas que os afligem. É uma preciosa oportunidade que não deve ser desperdiçada, dado que a felicidade e a paz futuras dependem do que estamos fazendo hoje. As entidades que se reencarnam como nossos filhos e filhas constituem parte integrante do projeto elaborado para a vida terrena e precisam contar conosco para as tarefas que se programaram para realizar junto de nós. 2.6 Reencarnação e o Tempo entre Vidas 6) É possível um espírito reencarnar em pouco tempo e dentro da mesma família onde viveu a última encarnação? Resposta: É possível, sim, a uma entidade reencarnar-se na mesma família após alguma permanência na dimensão póstuma. A literatura espírita tem documentado numerosos e convincentes casos dessa natureza. Em "Twenty Cases Suggestive of Reincarnation", o professor Ian Stevenson apresenta (que me lembre) pelo menos dois. Um deles passou-se na geladas regiões da América do Norte, onde uma entidade reencarnou-se como filho de seu próprio filho. Ou seja, ele nasceu como neto (ou avô) de si mesmo e seus antigos filhos e filhas passaram a ser tios e tias na nova existência. Ele os reconheceu como reconheceu também seu antigo relógio de bolso que a família conservara. O outro caso narrado pelo Dr. Stevenson nesse livro passou-se no Brasil, na família do professor Francisco Waldomiro Lorenz, no Rio Grande do Sul. Há uma tradução desse livro em português, mas não tenho comigo os dados. Se bem me lembro, chama-se Vinte Casos Que Sugerem a Reencarnação (Ou Sugestivos de Reencarnação)
  • 12. 9 2.7 Reencarnação e Comunicações Mediúnicas durante a Gravidez 7) Quando um espírito está se preparando para reencarnar, ele pode se comunicar numa reunião mediúnica? Em caso afirmativo, como se dá esse processo? Resposta: A entidade que se prepara para reencarnar-se pode, sim, manifestar-se mediunicamente. Tivemos um caso desses, que ficou narrado em meu livro Diálogo com as Sombras (Edição FEB). Mesmo depois de iniciado o processo reencarnatório, a entidade goza de relativa liberdade. Como, aliás, acontece também com os encarnados, que se manifestam, segundo a Codificação, como espíritos, em estado de desdobramento. 2.8 Reencarnação e o Resgate total de débitos de Vidas Passadas 8) Pode um Espírito em uma única reencarnação resgatar todos os seus débitos do passado e anular a vingança de seus inimigos espirituais, através do exemplo do amor puro aos semelhantes? Resposta: Não é necessário esperar por reencarnações futuras para nos reconciliarmos com nossos adversários ou com aqueles a quem prejudicamos; podemos começar desde já a tarefa, com a nossa própria reeducação, o hábito da prece, a prática do amor ao próximo, o reaprendizado da vida. Temos testemunhado exemplos vivos disso, em nossos trabalhos mediúnicos, no decorrer de quase 40 anos. Entidades indignadas que conseguimos resgatar com paciente argumentação, compreensão e amor, tinham ligações conflituosas com membros do nosso próprio grupo. Não foi preciso, nesses casos, esperar futuras existências de atrito e sofrimento, para trabalhar nossas divergências. Em outras palavras: "adiantamos o serviço" da reconciliação, que teria de ser feito mais tarde, em futuras reencarnações. 2.9 Reencarnação e o Programa Reencarnatório 9) Todos os que reencarnam vêm com uma programação reencarnatória? Quando esta programação existe, pode ser encarada como determinismo? Ou alguns aspectos podem ser modificados? Resposta: A questão é ampla demais para uma resposta compacta e nem me considero suficientemente preparado para fazê-lo. Não atribuo, contudo, grande importância e conteúdo a palavras como fatalidade, destino, acaso. O conceito dominante aqui é o da lei de causa e efeito ou carma. É evidente que todos nós trazemos para a vida na carne uma programação de trabalho, mas tal programa não é determinista, porque a lei sempre leva em conta o exercício do livre arbítrio e a consequente responsabilidade por tudo quanto fazemos ou deixamos de fazer. Podemos ou não cumprir as tarefas programadas na espiritualidade antes da reencarnação. Daí, tantos desvios e fracassos, que muito teremos a lamentar ao regressar à dimensão espiritual e verificar que pouco ou nada realizamos do que estava planejado. Pior ainda: muitas vezes, fizemos justamente aquilo que não era para fazer. Costumo dizer que o único determinismo a que estamos irrevogavelmente sujeitos é o de chegar aos mais elevados patamares da perfeição espiritual. Não fomos criados para o fracasso, o sofrimento eterno, a prática permanente do erro. Trazemos um plano geral, não um rígido conjunto de ordens que desçam aos detalhes dos detalhes. É como se tivéssemos que ir de determinado lugar a outro, não importando muito que caminhos vamos percorrer, nem que tipo de condução iremos usar. Se preferimos fazer uma viagem mais longa, mais difícil, mais demorada e sofrida, passando por precipícios, desertos e espinheiros, o problema é nosso. Ninguém nos obrigará necessariamente a fazer as coisas desta ou daquela maneira. A respeito do descumprimento da programação reencarnatória, sugiro que se leia "As Sete Vidas de Fenelon" (Publicações Lachâtre).
  • 13. 10 2.10 Reencarnação e a Participação da Espiritualidade no Processo 10) Qual a participação da espiritualidade e do mentor do reencarnante, no retorno do espírito à carne? Resposta: Pelo que sabemos, mentores e amigos espirituais participam da elaboração de nossos planos reencarnatórios, ajudando-nos na escolha das prioridades que nos convêm programar segundo nossas possibilidades e limitações. 2.11 Reencarnação e a Consciência Intrauterina 11) Allan Kardec, em A Gênese, postula que a consciência espiritual vai diminuindo com a proximidade do parto, sendo que no nascimento o espírito estaria completamente inconsciente. No seu livro "Nossos filhos são Espíritos", o Sr. transcreve narrativas, obtidas através de regressão, que algumas pessoas fazem sobre a situação na hora do nascimento. Como conciliar estas duas informações? Resposta: É pertinente a observação da leitora (ou leitor). No texto que escreveu para A Gênese, Kardec refere-se ao estado de perturbação do espírito a partir do momento em que é "apanhado pelo laço fluídico" que o prende ao corpo físico em início de formação. Prossegue o Codificador, declarando que esse estado de perturbação intensifica-se durante a gestação, "perdendo o Espírito, nos últimos momentos (quando começam os trabalhos de parto) toda a consciência de si próprio, de sorte que jamais presencia o seu nascimento. Quando a criança respira, começa o Espírito a recobrar as faculdades, que se desenvolvem à proporção que se formam e consolidam os órgãos que lhe hão de servir às manifestações." Na Questão 380, os Espíritos se haviam manifestado de modo semelhante, ao dizerem que "A perturbação que o ato da encarnação produz no Espírito não cessa de súbito, por ocasião do nascimento. Só gradualmente se dissipa, com o desenvolvimento dos órgãos." De qualquer modo, as técnicas regressivas e as regressões espontâneas da memória não confirmam generalizado estado de perturbação na entidade reencarnante, ao mesmo tempo em que demonstram nela perfeita consciência de si mesma durante a gravidez e no momento do parto. Alguma modalidade de consciência, portanto, está funcionando nessas fases. No capítulo 48 de "Nosso Lar", uma entidade reencarnada ainda na fase infantil, no berço, manifesta-se com sua personalidade (reencarnação) anterior, aos familiares que deixara ao morrer como Ricardo. Em tarefas de nosso grupo mediúnico, conhecemos uma entidade recém-encarnada era ainda um bebê, que não tinha controle sobre o corpo físico e, por conseguinte, nenhuma condição de se comunicar com a família. No entanto, revelou-se lúcido e consciente de sua situação no encontro mantido, em desdobramento, com nossos amigos espirituais. O caso está relatado no capítulo 19 - Filhos deficientes, de "Nossos Filhos são Espíritos". Ignoro, pois, em que condições ocorre o estado de perturbação a que se referem os Espíritos. Hermínio de Miranda – Entrevista - Centro Virtual de Divulgação e Estudo do Espiritismo (CVDEE) - 2009 Nota: A ordenação das Perguntas neste trabalho segue a sequência dos questionamentos feitos ao Hermínio na entrevista em pauta.
  • 14. 11 3 A Reencarnação – Visões Doutrinárias 3.1 Hermínio de Miranda 3.1.1 Reencarnação – Instrumento para o Progresso Espiritual (...) Dentre todas as grandes contribuições da Doutrina Espírita — e são muitas e imensas no seu escopo e significação — há uma que, a meu ver, merece destaque especial: a ideia da reencarnação, chave de tantos problemas que, sem ela, permaneceriam insolúveis, envoltos em espessas sombras. Sabem aqueles que estudam com cuidado a Codificação que o Espiritismo não descobriu a reencarnação, nem a inventou. O homem não cria; apenas descobre as coisas que Deus criou. Coube, porém, à equipe espiritual, encarnada e desencarnada, que nos deu a Doutrina Espírita, não apenas introduzir a ideia no contexto do pensamento ocidental, mas, acima de tudo, demonstrar que ela não entrava em choque com os postulados básicos do Cristianismo; pelo contrário, explicava certos pontos que de outra forma ficariam obscuros na mensagem luminosa do Cristo. Com o passar do tempo, avulta cada vez mais a importância da reencarnação, não apenas na melhor compreensão da Justiça Divina, mas também no entendimento de graves problemas humanos. Já os primeiros médicos começam a descobrir a valiosa contribuição da doutrina palingenésica para solução de graves distúrbios psíquicos. Quando surgir a Biologia do Espírito, os cientistas do futuro, com a mente voltada para Deus, estarão em condições de buscar nas vidas pregressas não apenas as causas de disfunções mentais, como também a origem remota de desvios e deformações orgânicas, herança amarga de erros cometidos no passado. Diante de uma evidência tão gritante, os homens começarão a pensar duas vezes antes de cometerem faltas comprometedoras e pelas quais terão que pagar pesados resgates, em obediência à lei flexível, mas implacável de causa e efeito. Hermínio de Miranda – Reencarnação e Imortalidade – Cap. 21: Reencarnação – Instrumento para o Progresso Espiritual
  • 15. 12 3.1.2 Reencarnação – O Livro branco da Vida Muita gente aceita sem grande relutância a ideia da reencarnação. Ela é racional e lógica, e, como se diz hoje, ela se insere no contexto das doutrinas evolucionistas que dominam as principais tendências do pensamento. De fato, a reencarnação dos espíritos ao longo dos séculos e dos milênios, explica fenômenos que de outra forma estariam truncados e incompreensíveis, como a eclosão de fabulosas inteligências em certos seres e a terrível carga de idiotismo em outros, as simpatias e afinidades entre uns, que mal se conhecem, e antipatias gratuitas e inexplicáveis entre outros que deveriam estimar-se em razão de estreitos laços de parentesco ou de prolongada convivência. Há também sofrimentos e dores a atingirem criaturas boníssimas, há prêmios à maldade, há mágoas para quem, a nosso ver, não as merece, e alegrias para aqueles que não as conquistaram. A reencarnação explica essas aparentes incongruências e perplexidades. Somos seres em trânsito para o futuro e trazemos nos registros do espírito a memória oculta de antigas falhas, o resíduo ainda invencível de persistentes deficiências que nos condicionam o presente e nos ameaçam o futuro. Muitos ainda não estão preparados para enfrentar corajosamente as suas responsabilidades e fogem pelas evasivas que os exoneram da obrigação de pensar e construir no presente as bases da paz futura. Uma dessas fugas inconsequentes pode ser resumida na seguinte frase que nós espíritas sempre ouvimos: - Tudo isso é muito bonito e a reencarnação tem a sua lógica, mas como é que eu não me recordo das minhas possíveis existências anteriores? Entendem esses que seria muito mais racional que conservássemos ao renascer a memória das vidas passadas. Seria assim fácil programar a existência atual de modo a evitar a recaída em antigas faltas, a identificar com segurança velhos amigos tão caros ao nosso espírito e também adversários renitentes que nos perseguem através dos séculos com os seus ódios e sua vingança. Seria bom, por exemplo, sabermos que fomos no passado grandes médicos ou artistas eminentes e repetir com facilidade a experiência na qual fomos vitoriosos e brilhar novamente entre os homens, enobrecer a Humanidade de conquistas científicas ou artísticas. O raciocínio que nos leva a esses caminhos é simplista, quase simplório. O que enriquece a estrutura do espírito não é a repetição monótona de experiências nas quais já nos destacamos, mas a variedade e a universalidade do conhecimento que se vai acumulando lentamente em nossos arquivos mentais. Dessa forma, em cada nova existência as coisas se passam como se recebêssemos um livro em branco, no qual podemos escrever livremente a nossa história, vivendo-a no dia a dia das suas lutas e o do seu aprendizado. Escrever livremente, talvez seja força de expressão. Embora esquecidos do passado e livres para imprimir à nossa vida o rumo que desejarmos, trazemos no fundo da memória espiritual - esquecidos mas não ausentes - todos os condicionamentos que ali se depositaram em consequência das passadas experiências. O prêmio da vitória está em suplantar condicionamentos negativos, substituindo as paixões que nos infelicitaram, pelos impulsos de solidariedade, na conquista de novas posições espirituais.
  • 16. 13 Para o livre exercício do arbítrio é bom que o nosso livro esteja em branco. Só assim, teremos o mérito das conquistas alcançadas, como também o ônus das concessões ao egoísmo e às paixões subalternas. Somos, assim, herdeiros de nós mesmos e construtores da nossa paz ou da nossa infelicidade. Amanhã, quando sofrermos aflição e angústias incompreensíveis, não culpemos o destino cego e cruel, nem um Deus vingativo que nos persegue - estejamos bem certos de que somente a nós mesmos devemos as nossas dores. O esquecimento do passado é, pois, uma bênção a mais que as leis de Deus nos concedem e não uma dificuldade em nosso caminho evolutivo. É bem melhor partir para a aventura maravilhosa de uma nova existência, esquecidos de antigas angústias, para que as novas aflições não se somem às que nos atormentaram no passado. É bom amar no filho difícil ou no companheiro incompreensível o antigo desafeto que estamos lentamente conquistando, em lugar de reconhecê-los na condição de inimigos da nossa paz, a quem é preciso neutralizar a todo custo. Nesses reajustes que se processam mais cedo ou mais tarde, agora ou daqui a séculos, é bom que aprendamos a identificar, na dor que nos assalta, a moeda com que resgatamos antigas faltas. É bom sabermos que nas futuras encarnações também não nos lembraremos das atuais aflições, nem teremos saudades das alegrias do presente. Receberemos outra vez o nosso livro em branco. Talvez então já estejamos prontos para escrever nele um longo poema de amor. Hermínio de Miranda – Reformador – 1971 – Julho: O Livro Branco da Vida
  • 17. 14 3.2 Emmanuel 3.2.1 Reencarnação Reencarnação nem sempre é sucesso expiatório, como nem toda luta no campo físico expressa punição. Suor na oficina é acesso à competência. Esforço na escola é aquisição de cultura. Porque alguém se consagre hoje à Medicina, não quer isso dizer que haja ontem semeado moléstias e sofrimentos. Muitas vezes, o Espírito, para senhorear o domínio das ciências que tratam do corpo, voluntariamente lhes busca o trato difícil, no rumo de mais elevada ascensão. Porque um homem se dedique presentemente às atividades da engenharia, não exprime semelhante escolha essa ou aquela dívida do passado na destruição dos recursos da Terra. Em muitas ocasiões, o Espírito elege esse gênero de trabalho, tentando crescer no conhecimento das leis que regem o plano material, em marcha para mais altos postos na Vida Superior. Entretanto, se o médico ou o engenheiro sofrem golpes mortais no exercício da profissão a que se devotam, decerto nela possuem serviço reparador que é preciso atender na pauta das corrigendas necessárias e justas. Toda restauração exige dificuldades equivalentes. Todo valor evolutivo reclama serviço próprio. Nada existe sem preço. Por esse motivo, se as paixões gritam jungidas aos flagelos que lhes extinguem a sombra, as tarefas sublimes fulgem ligadas às renunciações que lhes acendem a luz. À vista disso, não te habitues a medir as dores alheias pelo critério de expiação, porque, quase sempre, almas heroicas que suportam o fogo constante das grandes dores morais, no sacrifício do lar ou nas lutas do povo, apenas obedecem aos impulsos do bem excelso, a fim de que a negação do homem seja bafejada pela esperança de Deus. Recorda que, se fosses arrebatado ao Céu, não tolerarias o gozo estanque, sabendo que os teus filhos se agitam no torvelinho infernal. De imediato, solicitarias a descida aos tormentos da treva para ajudá-los na travessia da angústia... Lembra-te disso e compreenderás, por fim, a grandeza do Cristo que, sem débito algum, condicionou-se às nossas deficiências, aceitando, para ajudar-nos, a cruz dos ladrões, para que todos consigamos, na glória de seu amor, soerguer-nos da morte no erro à bênção da Vida Eterna. Emmanuel – Religião dos Espíritos - Cap. 24: Reencarnação
  • 18. 15 3.2.2 Vidas Sucessivas “Não te maravilhes de te haver dito: Necessário vos é nascer de novo.” — Jesus. (João, capítulo 3, versículo 7.) A palavra de Jesus a Nicodemos foi suficientemente clara. Desviá-la para interpretações descabidas pode ser compreensível no sacerdócio organizado, atento às injunções da luta humana, mas nunca nos espíritos amantes da verdade legítima. A reencarnação é lei universal. Sem ela, a existência terrena representaria turbilhão de desordem e injustiça; à luz de seus esclarecimentos, entendemos todos os fenômenos dolorosos do caminho. O homem ainda não percebeu toda a extensão da misericórdia divina, nos processos de resgate e reajustamento. Entre os homens, o criminoso é enviado a penas cruéis, seja pela condenação à morte ou aos sofrimentos prolongados. A Providência, todavia, corrige, amando... Não encaminha os réus a prisões infectas e úmidas. Determina somente que os comparsas de dramas nefastos troquem a vestimenta carnal e voltem ao palco da atividade humana, de modo a se redimirem, uns à frente dos outros. Para a Sabedoria Magnânima nem sempre o que errou é um celerado, como nem sempre a vítima é pura e sincera. Deus não vê apenas a maldade que surge à superfície do escândalo; conhece o mecanismo sombrio de todas as circunstâncias que provocaram um crime. O algoz integral como a vítima integral são desconhecidos do homem; o Pai, contudo, identifica as necessidades de seus filhos e reúne-os, periodicamente, pelos laços de sangue ou na rede dos compromissos edificantes, a fim de que aprendam a lei do amor, entre as dificuldades e as dores do destino, com a bênção de temporário esquecimento. Emmanuel – Caminho, Verdade e Vida – Cap. 110; Vidas Sucessivas
  • 19. 16 3.2.3 Reencarnação Sem a chave da reencarnação, a vida inteira reduzir-se-ia a escuro labirinto. De existência em existência, no mundo, nossa individualidade imperecível sofre o desgaste da imperfeição, assim como o aprendiz, de curso a curso, na escola, perde o fardo da ignorância. Compreendendo semelhante verdade, saibamos valorizar o tempo, no espaço terrestre, realizando integral aproveitamento da oportunidade que o Senhor nos concede, entre as criaturas, acumulando em nós as riquezas do conhecimento superior e os tesouros da sublimação pelo aprimoramento de nossas qualidades morais. Lembremo-nos de que nunca iludiremos a vigilância da Lei. Na Terra, a organização judiciária corrige tão somente os erros espetaculares, expressos nos crimes ou nos desregramentos que compelem os missionários da ordem a drásticas atitudes, segregando a delinquência na penitenciária ou no hospital, derradeiros limites do desequilíbrio a que se acolhem os trânsfugas sociais. Todavia, é imperioso reconhecer que todas as nossas falhas são registadas em nós mesmos, constrangendo a Justiça Eterna a providências de reajuste em nosso favor, no instituto universal da reencarnação, que dispõe de infinitos recursos para o trabalho regenerativo. De mil modos ilaqueamos na carne a atenção dos juízes humanos, nos delitos ocultos, exercitando a perversidade com inteligência, oprimindo os outros com suposta humildade, ferindo o próximo com virtudes fictícias, estragando o equipamento físico sem qualquer consideração para com os empréstimos divinos e, sobretudo, explorando os irmãos de luta com manifesto abuso de nossos poderes intelectuais... No entanto, por isso mesmo também, renascemos sob doloroso regime de sanções, dilacerados por nós mesmos, nas possibilidades que outrora desfrutávamos e que passam a sofrer frustrações aflitivas. Moléstias da carne e impedimentos do sangue, mutilações e defeitos, inquietações e deformidades, fobias complexas e deficiências inúmeras constituem pontos de corrigenda do nosso passado que hoje nos restauram à frente do futuro. Cultivemos, desse modo, o coração nobre no vaso da consciência reta para que a planta de nossa vida se levante para o hálito de Deus, porquanto basta a boa vontade na sementeira do amor que o Mestre nos legou para que a multidão de nossos débitos seja coberta e esquecida pela Divina Misericórdia, possibilitando o soerguimento de nosso espírito, até agora arrojado ao lodo de velhos compromissos com a sombra, na subida vitoriosa para a luz imortal. Emmanuel – Reformador – 1955 – Janeiro: Reencarnação
  • 20. 17 3.2.4 Virtude Solitária Há quem deseje tranquilidade ideal na Terra, com a pretensão de fugir ao erro. Casa branca no aclive da serra, com o vale rente. Fontes claras, correndo perto, e jardim florido. Clima doce e perfume da natureza. Nenhum aborrecimento. Nenhum cuidado. Falta alguma. Problema algum. Solidão saborosa em que o morador consiga estirar-se, inerte, em poltronas e redes. * No entanto, é no trato da luta que as forças se enrijam e as qualidades se aperfeiçoam. Considerando-se que o mal é a experiência inferior nos quadros da experiência mais nobre, é nos serviço do amparo mútuo e da tolerância recíproca que havemos de transformá-lo em bem duradouro, como se tomássemos as nossas próprias sombras de ontem para convertê-las na luz de hoje. Livres, estamos interligados perante a Lei, para fazer o melhor, e, escravizados aos compromissos expiatórios, estaremos acorrentados uns aos outros no instituto da reencarnação, segundo a Lei, para anular o pior que já foi feito por nós mesmos nas existências passadas. Ninguém progride sem alguém. * Abençoemos, assim, as provações que nos abençoam. Trabalho é ascensão. Dor é burilamento. Toda adversidade avisa, todo sofrimento instrui, todo pranto lava, toda dificuldade e toda crise seleciona. Virtude solitária é pão na vitrine. Competência no palanque é usura da alma. Todos somos alunos na escola da vida. E ninguém consegue aprender sem dar a lição. Emmanuel – Justiça Divina – Cap. 4: Virtude Solitária
  • 21. 18 3.2.5 Jesus e Kardec Ante a Revelação Divina, assevera Jesus: - "Eu não vim destruir a Lei". E reafirma Allan Kardec: - "Também o Espiritismo diz: -não venho destruir a lei cristã, mas dar-lhe execução." Perante a grandeza da vida, exclama o Divino Mestre: - "Há muitas moradas na casa de meu Pai". E Allan Kardec acentua: - "A casa do Pai é o Universo. As diferentes moradas são os mundos que circulam no espaço infinito e oferecem aos Espíritos, que neles reencarnam, moradas correspondentes ao adiantamento que lhes é próprio”. Exalçando a lei de amor que rege o destino de todas as criaturas, advertiu-nos o Senhor: - "Amai-vos uns aos outros como eu vos amei". E Allan Kardec proclama: - "Fora da caridade não salvação". Destacando a necessidade de progresso para o conhecimento e para a virtude, recomenda o Cristo: - "Não oculteis a candeia sob o alqueire". E Allan Kardec acrescenta: - "Para ser proveitosa, tem a fé que ser ativa; não deve entorpecer-se". Encarecendo o imperativo do esforço próprio, sentencia o Senhor: - "Buscai e achareis”. E Allan Kardec dispõe: - "Ajuda a ti mesmo que o Céu te ajudará". Salientando o impositivo da educação, disse o Excelso Orientador: - "Sede perfeitos como é perfeito o vosso Pai Celestial". E AllanKardec adiciona: - “Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações infelizes”. Enaltecendo o espírito de serviço, notificou o Eterno Amigo: - "Meu Pai trabalha até hoje e eu trabalho também”. E Allan Kardec confirma: - "Se Deus houvesse isentado o homem do trabalho corpóreo, seus membros ter-se-iam atrofiados, e, se o houvesse isentado do trabalho da inteligência, seu espírito teria permanecido na infância, no estado de instinto a1iimal".
  • 22. 19 Louvando a responsabilidade, ponderou o Senhor: - "Muito se pedirá a quem muito recebeu". E Allan Kardec conclui: - "Aos espíritas muito será pedido, porque muito hão recebido". Exaltando a filosofia da evolução, através das existências numerosas que nos aperfeiçoa o ser, na reencarnação, esclarece o Instrutor Sublime: - "Ninguém poderá ver o Reino de Deus se não nascer de novo". E Allan Kardec conclama: - "Nascer, viver, morrer, renascer ainda e progredir sempre, tal é a lei". Consagrando a elevada missão da verdadeira ciência, avisa o Mestre dos mestres: - "Conhecereis a verdade e a verdade vos fará livres". E Allan Kardec enuncia: - "Fé inabalável só é aquela que pode encarar a razão face a face". Tão extremamente identificado com o Mestre Divino surge o Apóstolo da Codificação, que os augustos mensageiros, que lhe supervisionaram a obra, foram positivos nesta síntese que recolhemos da Resposta à Pergunta número 627, em "O Livro dos Espíritos": - "Estamos incumbidos de preparar o Reino do Bem que Jesus anunciou." Eis porque, ante o primeiro centenário das páginas basilares da Codificação, saudamos no Espiritismo - Chama da Fé Viva a resplender sobre o combustível da Filosofia e da Ciência - o Cristianismo Restaurado ou a Religião do Amor e da Sabedoria, que, partindo do Espírito Excelso de Nosso Senhor Jesus-Cristo, encontrou em Allan Kardec o seu fiel refletor para a libertação e ascensão da Humanidade inteira. Emmanuel – Reformador – 1957 – Abril: 100 anos do Livro dos Espíritos
  • 23. 20 3.3 Lins de Vasconcelos 3.3.1 Renascer e Remorrer Usufruímos na Espiritualidade o continente sem limites de onde viemos; no Universo Físico, o mar sem praias em que navegamos dequando em quando, e, na Vida Eterna, o abismo sem fundo em que desfrutamos as magnificências divinas. No trajeto multimilenário de nossas experiências, aprendemos, entre sucessivos transes de nascimento e desencarnação, a alegria de viver, descobrindo e reconhecendo a necessidade e a compensação do sofrimento, sempre forjado por nossas próprias faltas. Já renascemos e remorremos milhões de vezes, contraindo e saldando obrigações, assinalando a excelsitude da Providência e o valor inapreciável da humildade, para saber, enfim, que toda revolta humana é absurda e impotente. Se as lutas do burilamento moral não têm unidade de medida, a ação do amor é infinita na solução de todos os problemas e na medicação de todas as dores. Tolera com paciência as inevitáveis, mas breves provas de agora, para que te rejubiles depois. Nos compromissos espirituais, todos encontramos solvibilidade através do esforço próprio. Aproveitemos a bênção da dor na amortização dos débitos seculares que nos ferreteiam as almas, perseverando resignadamente no posto de sentinelas do bem, até que o Senhor mande render-nos com a transformação pela morte. Sempre trazemos dívidas de lágrimas uns para com os outros. Vive, assim, em paz com todos, principalmente junto aos irmãos com os quais a tua vida se entrecomunica a cada instante, legando, por testamento e fortuna, atos de amor e exemplos de fé, no fortalecimento dos espíritos de amigos e descendentes. Se há facilidade para remorrer, há dificuldades para renascer. As portas dos cemitérios jamais se fecham; contudo, as portas da reencarnação só se abrem com a senha do mérito haurido nas edificações incessantes da caridade. As dores iguais criam os ideais semelhantes. Auxiliemo-nos mutuamente. O Evangelho – o livro-luz da evolução – é o nosso apoio. Busquemos a Jesus, lembrando-nos de que o lamento maior, o desesperado clamor dos clamores, que poderia ter partido de seus lábios, na potência de mil ecos dolorosos, jamais chegou a existir... Lins de Vasconcellos – O Espírito da Verdade – Cap. 48: Renascer e Remorrer
  • 24. 21 3.4 Joanna de Angelis 3.4.1 Considerando a Reencarnação A reencarnação é Lei da Vida. Impositivo estabelecido, irrefragavelmente, constitui processo de evolução, sem o qual a felicidade seria impossível. Programada pelo Criador, faculta os mecanismos naturais de desenvolvimento dos valores que jazem latentes, no ser espiritual, que assim frui, em igualdade de condições, dos direitos que a todos são concedidos. A reencarnação favorece com dignidade os códigos da Justiça Divina, demonstrando as suas qualidades de elevação e de amor. Sem a reencarnação – que proporciona a liberdade de opção, com as consequências decorrentes da escolha – a vida não teria sentido para os párias sociais, os homens primitivos, os limitados mentais, os amargurados e infelizes... Sem a reencarnação, o ódio inato e o amor espontâneo constituiriam aberração perturbadora em a natureza humana. Da mesma forma, as tendências e propensões que comandam a maioria dos destinos, seriam fenômenos cruéis de um determinismo absurdo, violentador das consciências e dos sentimentos. Sem a reencarnação, permaneceriam como incógnitas geradoras de revolta, as razões dos infortúnios morais, das enfermidades de alto porte, mutiladoras e degradantes, da miséria social e econômica que vergastam expressivas massas e grupos da sociedade terrestre. Sem a reencarnação, os laços de família se diluiriam aos primeiros impactos defluentes dos acontecimentos danosos... A reencarnação enseja reequilíbrio, resgate, reparação. Faculta o prosseguimento das atividades que a morte pareceria interromper. Proporciona restabelecimento da esperança, entrelaçando as existências corporais que funcionam como classes para o aprendizado evolutivo no formoso Educandário da vida terrestre. Oferece bênçãos, liberando de qualquer fatalidade má, que candidataria o Espírito a um estado permanente de desgraça. A reencarnação enobrece o calceta, santifica o vilão, eleva o caído, altera a paisagem moral do revoltado, dulcificando-o ao largo do tempo, sem pressa, nem violência. A reencarnação é convite ao aproveitamento da oportunidade e do tempo, que sempre devem ser colocados a serviço do progresso espiritual e da perfeição, etapa final da contínua busca do ser. Joanna de Angelis – Responsabilidade – Cap. 5: Considerando a Reencarnação
  • 25. 22 3.4.2 A Benção da Reencarnação Considera o teu estágio na terra, no corpo físico, uma oportunidade especial para o teu crescimento espiritual. Esforça-te por aproveitar cada momento da superior experiência evolutiva, a fim de poderes amealhar valores imperecíveis que te acompanharão para sempre. Tem em mente que o processo evolutivo é realizado através etapas formosas que proporcionam o aperfeiçoamento moral, a libertação dos atavismos perturbadores, a conquista de bens internos intransferíveis. Não malbarates os ensejos de aprendizagem através do jogo ilusório do prazer insaciável, mantendo a certeza de que o tempo é amigo daquele que o utiliza com sabedoria, tornando-se adversário silencioso de quem o gasta na inutilidade. A viagem corporal constitui recurso de alta valia para a aquisição de plenitude, o que equivale dizer da auto- realização, que se converte em paz interior e em sentimento de felicidade. O corpo é instrumento do Espírito que o deverá comandar seguramente com disciplina e amor. Dotado de impulsos resultantes do fatalismo biológico, a razão e a consciência devem construir-lhe orientação segura e recurso de sabedoria para a solução dos desafios e o enfrentamento das dificuldades que são naturais. Não o desgastes inutilmente, porquanto ele te responderá conforme a maneira com que utilizes a sua vitalidade. De acordo com a forma como te conduzas mentalmente, ele refletirá os teus anseios e necessidades de maneira gentil ou através de inquietações e sofrimentos contínuos. Engajado na organização mental, o Espírito tem por objetivo administrar-lhe a conduta, ordenar-lhe os sentimentos, desenvolver as emoções superiores, a fim de conseguir a compreensão legítima da finalidade existencial. Reserva as tuas reflexões para o desempenho as tarefas que terás de atender, porque todos aqueles que retornam à vida física estão comprometidos com a retaguarda. Mesmo os missionários do amor, da caridade, da ciência, da religião, da política e das realizações humanas aceitaram a experiência do retorno, por gratidão às conquistas passadas, oferecendo-se para auxiliar todos aqueles que se encontram na retaguarda, à semelhança de estrelas em noite escura... Recebe o retorno das tuas ações, como quer que se apresentem na atualidade, modificando a estrutura daquelas que afligem e sublimando aqueloutras que te alegram. O Espírito é sempre o construtor dos projetos evolutivos dentro das Leis vigentes no Universo. De acordo com as suas reflexões mentais, palavras e atos, desenha os planos para o futuro que o aguarda silenciosamente, mas, inflexível. Ninguém, por isso mesmo, pode evadir-se das consciência, dos deveres relevantes, do crescimento espiritual. As Leis Divinas estabelecem que o progresso é irrefragável, e nada o detém. Pode-se estacioná-lo no caminho por algum tempo. No entanto, momento chega em que o amor de Deus enseja a expiação ao calceta, e ele, encarcerando-se no corpo, impossibilitado de complicar o processo de evolução, reeduca-se, desperta para a realidade. Seja qual for a situação em que te encontres hoje na jornada física, agrade a Deus a oportunidade ímpar, por oferecer-te os instrumentos de libertação e de felicidade. Se defrontas sofrimentos e inquietações, reserva-te a serenidade, e continua agindo com equilíbrio, de forma a fruíres mais tarde a paz que ora te falta.
  • 26. 23 Se te encontras algemado a limites e a dores excruciantes, mantém a paciência, porque este fenômeno logo passará, facultando-te emoções grandiosas. Se experimentas solidão e desconforto, guarda a confiança em Deus e avança, mesmo que chorando, na expectativa dos reencontros felizes e das alegrias inefáveis. Se te atormentam alguns espíritos inferiores, que te inspiram idéias perturbadoras e te exploram as resistências, ora por eles e ama-os quanto possas. São os irmãos que deixaste desafortunados em dias não muito distantes. Se encontras adversidades por onde deambulas, recolhe as lições delas defluentes, porque as semeaste ontem, tendo agora o ensejo de recolhê-las e superá-las. Se sofres humilhações e adversidades em toda parte, não recalcitres contra o aguilhão, antes compreende que essas experiências irão fortalecer-te interiormente, da mesma forma que os vendavais enrijecem as árvores que lhes sofrem a violência. Tudo tem uma razão de ser no Universo. Mesmo aquilo que não entendas, está vinculado a causas legítimas que desencadearam esses efeitos afligentes. As Leis Morais que vigem em toda parte, emanadas de Deus, são soberanas em sua justiça e alcançam todos os Espíritos: bons e maus, superiores e inferiores, angélicos e perversos, naturalmente de acordo com o seu nível de evolução. Se permaneceres confiante e trabalhando pelo próprio crescimento espiritual, fruirás alegrias desde o momento em que te entregues ao mister. O fato de estares a serviço do bem e da verdade, do dever e da dignidade, já constitui divina dádiva, que estás transformando em sabedoria. Ninguém transita na terra sem experimentar o resultado de seus atos anteriores, o que é perfeitamente compreensível. Grande número de queixosos afirma que não se lembra do momento em que delinquiu, o que lhe serviria de justificativa para não resgatar afrontas nem crimes, o que lhe serviria de justificativa para não resgatar afrontas nem crimes. Deus concede o parcial olvido do passado, por compreender que as lembranças boas ou más não se restringem apenas ao indivíduo, mas, ao grupo no qual se movimentou, facultando-lhe, então, caso recordasse, tomar conhecimento das ocorrências que foram praticadas pelos demais da esfera fraternal. Todavia, esse olvido não é total, porquanto, através dos impulsos emocionais, das tendências, as ocorrências, todos têm conhecimento de como devem ter sido. Ademais, graças à mediunidade, às recordações espontâneas, quando necessárias, a alguns sonhos, volvem as cenas felizes ou desventuradas, ressurgem os afetos ou os adversários na paisagem mental. O importante, portanto, é o hoje, não o que se foi, aquilo que desencadeou a ocorrência que agora vives. Desse modo, aquieta os sentimentos doridos, procura compreender os objetivos existenciais e atua no bem tanto quanto te seja possível. Faze um pouco mais: vai além dos teus limites... Inscreve-te, de imediato, emocionalmente, nos compromissos de iluminação interior, e trabalha para que a luz divina de onde procedes desenvolva-se no âmago do teu ser, clareando-te totalmente e tornando-te uma chama que esparze claridade e alegria.
  • 27. 24 A reencarnação é tesouro de elevado significado e grandioso valor. Vive-a com serenidade e júbilo, burilando-te espiritualmente e avançando pela estrada que Jesus percorreu, nela deixando Suas pegadas luminíferas. Também Ele, que não tinha dívidas, experimentou amarguras e incompreensões, sofreu perseguições inclementes e dolorosas, prosseguindo, porém afável e gentil, mesmo com aqueles que tentavam dificultar-Lhe o ministério divino. Se malbaratas essa chance, não te poderás queixar nem aspirar por nova oportunidade com rapidez, porque a marcha do progresso obedece a códigos que não podem ser desconsiderados. Abençoa, desse modo, a tua atual existência, com as lições do Evangelho de Jesus, vivendo-as no dia-a-dia, feliz e agradecido a Deus com as tuas atitudes renovadas. Joanna de Angelis – Atitudes Renovadas – Cap. 3: A Benção da Reencarnação
  • 28. 25 3.4.3 Necessidade da Reencarnação "As lutas têm sido cruéis. Dificuldades me assinalam os passos em todo lugar. Sofro em demasia." - Clamam, com irreflexão, aqueles que jornadeiam, desatentos, a trilha evolutiva. "Acompanho a marcha do progresso e constato que o êxito a coroar tantas cabeças não me alcança. Creio que em breve desistirei da luta". - Rebelam-se os companheiros do labor diário, em pleno campo redentor. "Fracassos me seguem nos melhores empreendimentos, conduzindo-me a desespero infrene. A dor é comensal dos meus dias. Que fazer?" - Refletem, de mente desalinhada, os que se distanciam da fé racional e se consomem em interrogações aflitivas. No entanto, todos esses que seguem, sob aparente amargura, aprendem na enxerga da aflição a valorizar os tesouros divinos que malbarataram por leviandade ou loucura. Recomeçam pelos sítios em que desertaram da vida, fixando experiências que a rebeldia, mal contida, ainda hoje transforma em novos cardos a se lhe cravarem nos tecidos sutis da alma. Tem paciência diante da aflição punitiva ou libertadora. Não recolhas à análise deprimente dos fatos ou das oportunidades. Enquanto contabilizas desditas, olvidas a claridade estelar espargindo luminosidade, seja durante o dia, seja na escuridade da noite. Tudo são lições. O desgosto de agora transformar-se-á em proveitosa experiência de amanhã. Caminho percorrido - local identificado. Afervora-te ao exame do trabalho sem a desarmonia ansiosa dos resultados que temes. O que hoje parece insucesso logo mais se converterá em dadivoso bem. A reencarnação significa precioso ensejo de sublimar e superar, registrando como bênçãos nos refolhos da alma as experiências de libertação do imediatismo e da extravagância. É expressivo o retorno à carne para refazimento das experiências deixadas à margem; tantas se fazem necessárias quantas as oportunidades de evoluir, até chegar à perfeição. Nunca se nos deparam os mesmos recursos no roteiro da vida, nas mesmas condições. Não pisarás duas vezes as águas do mesmo rio. Embora retornes ao local da véspera, as águas que fluem não são as mesmas. A oportunidade, conquanto se nos apresente assinalada pelo nosso desagrado, representa preciosa dádiva. Transforma, portanto, a dor em cântico de júbilo. Cada etapa vencida é vitória conquistada a marcar os teus triunfos sobre as próprias lutas, incessantemente até conquistares a paz em plenitude. Não fossem os dissabores, e os estímulos para as tarefas desapareceriam. A reencarnação ficaria destituída de valor se não BURILASSE os espíritos quando do retorno iluminativo. O pavio que não arde, conserva-se; todavia, não espalha luz. a lâmina que não se consome, no uso, não vai além de ornamento a pesar na economia das utilidades. Nasce e renasce o espírito em diversos círculos para conquistar e reconquistar afetos, alargando os horizontes da fraternidade entre todas as criaturas, de modo a que o Reino de Deus não se transforme em oásis fechado de felicidade grupal, distante da Humanidade inteira. Com propriedade, portanto, anotou o Codificador do Espiritismo que "a reencarnação, aliás, precisa ter um fim útil". Ascendamos através das lutas diárias nesse "estado transitório" da encarnação, calcando óbices e superando dificuldades, de tal modo que esta oportunidade significativa para os que se encontram revestidos da organização
  • 29. 26 carnal constitua a ponte que leva ao planalto da vida melhor, sem sombra, sem dor, sem desespero, fazendo-os vencedores das paixões e da morte, verdadeiramente espíritos felizes. Joanna de Angelis – Lampadário Espírita – Cap. 14: Necessidade da Reencarnação
  • 30. 27 3.4.4 Reencarnação e Consciência A conquista lúcida da consciência abre espaços para o entendimento das leis que regem a vida, facultando o progresso do ser, que se entrega à tarefa de educação pessoal e, por consequência, da sociedade na qual se encontra situado. Não mais lhe atendem as aspirações, os conceitos utópicos e as afirmações pueris destituídas de razão, com os quais no passado se anestesiava o discernimento dos indivíduos e das massas. Com ela a idéia de Deus e da sua justiça evolui, arrancando-o do antropomorfismo a que esteve algemado pela ignorância, para uma realidade mais consentânea com a própria grandeza. Os velhos tabus, como efeito, cedem lugar aos fatos que podem ser considerados e examinados pela investigação, produzindo amplas percepções de conteúdos que enriquecem a compreensão. O crescimento interior elucida a justiça, que já não se aferra aos limites das paixões humanas que a padronizaram conforme os próprios interesses, agraciando uns e punindo outros, em lamentável aberração ética e de equanimidade discutível, senão absurda. A consciência conquistada favorece a penetração nas causas da vida mediante os processos de intuição, de dedução e de análise decorrente da experiência vívida dos fatores que constituem o Universo. Engrandecem-se o homem e a mulher que se despojam do temor ou da incredulidade, do beatismo ou da negação, assumindo uma postura digna, portanto coerente com seu estado da evolução. Somente a consciência favorece a perfeita identificação com a realidade das vidas sucessivas, concepção-lei única a corresponder à grandeza da vida. Sem a consciência, a inteligência lógica crê, mas não se submete; a emoção aceita, porém, receia os impositivos do estatuto da evolução, no qual está o mecanismo reencarnacionista. A consciência abre as comportas da inteligência e do sentimento para a natural aceitação das experiências sucessivas e inevitáveis, que promovem a criatura. A reencarnação é instrumento do progresso do ser espiritual. Ora ele expia, quando são graves os seus delitos, submetendo-se às aflições que constituem disciplinas educativas mediante as quais se fixam nos painéis profundos da consciência os deveres a cumprir. Noutras vezes são provações que enrijecem as fibras morais responsáveis pela ação dignificadora. Longe de ser uma punição, a dádiva do renascimento corporal é bênção do amor, auxiliando o espírito a desenvolver os recursos que lhe jazem latentes, qual terra arroteada e adubada em condições de transformar a semente diminuta no vegetal exuberante que nela dorme. Diante dessa realidade, amplia a tua consciência pela meditação e age com segurança ética, entregando-te ao compromisso de iluminação desde agora. Nunca postergues os deveres a pretexto de que terás futuras oportunidades. A tua consciência dirá que hoje e aqui estão o momento e o lugar para a construção do teu ser espiritual, que se deve elevar, libertando-te dos atavismos primitivos e das paixões perturbadoras. A consciência da reencarnação impulsionar-te-á ao progresso através do amor e do bem sem alternativas de fracasso, porque a luz da felicidade brilhando à frente será o estimulo para que alcances a meta. Sem a reencarnação a vida inteligente retornaria ao caos e a lógica do progresso ficaria reduzida à estupidez, à ignorância. A consciência da reencarnação explica Sócrates e o homem bárbaro do seu tempo, Gandhi e o selvagem da atualidade, a civilização e o primitivismo nesta mesma época. Lentamente o ser avança e, de etapa em etapa, adquire experiência, conhecimento, sentimento, sabedoria, consciência. Joanna de Angelis – Momentos de Consciência – Cap. 10: Reencarnação e Consciência
  • 31. 28 3.5 Herculano Pires 3.5.1 A Chave da Reencarnação O principio da reencarnação é a chave que nos abre a compreensão para todos os problemas humanos. Sem ele tudo é mistério e confusão em nossos destinos e a justiça de Deus nos parece absurda. Essa chave foi perdida a partir do IV século da nossa era. As religiões cristãs, adaptando-se aos formalismos pagãos e judaicos, perderam a chave que Jesus lhes havia deixado em seus ensinos, como ainda hoje podemos ver de maneira inegável nos Evangelhos. O Cristianismo aturdido não pode encontra-la nos caprichosos labirintos da Teologia, formulada pelos novos doutores da lei. Dezoito séculos depois de Cristo os cristãos se veriam desarmados diante do desafio da razão esclarecida pela evolução cultural. O mundo convertido ao Cristianismo voltaria então às fontes esquecidas da cultura pagã. Essa apostasia, como a do Imperador Juliano, o lançaria de novo nos dilemas insolúveis da razão desprovida de luz espiritual. Há dois séculos nos debatemos nesse torvelinho de loucuras, mas há mais de um século o Espirito da Verdade, prometido por Jesus, vem renovando na Terra o ensino do Mestre, graças ao restabelecimento da comunicação mediúnica permanente e natural que nos devolve a chave perdida da reencarnação. A liberdade para a vida afetiva, que procuramos nas ilusões do corpo carnal, está na realidade do espirito, onde somos, como Jesus ensinou, semeadores que saíram a semear. A semeadura que fizermos determinara a nossa colheita, pois as leis naturais nos escravizam aos seus resultados inevitáveis. Quem planta joio não pode colher trigo. Se semearmos desequilíbrios afetivos em nosso caminho, como queremos colher os frutos do equilíbrio? Por outro lado, se a semeadura do passado foi má, como corrigi-la, se continuarmos a semear as mesmas sementes? A chave da reencarnação nos abre as portas do entendimento. Temos de renovar as nossas sementeiras. Mas se dermos ouvido às teorias loucas da razão pagã, desprovida de luz, que pretendem considerar como normais as anomalias sexuais, justificando-as com a falsa plenitude dos gozos materiais, não sairemos do circulo vicioso da escravidão sensorial. Herculano Pires – Na Era do Espírito – Cap. 27: A Chave da Reencarnação
  • 32. 29 3.6 Manoel Philomeno de Miranda 3.6.1 Reencarnação: Dádiva de Deus Como é compreensível, a planificação para reencarnações é quase infinita, obedecendo a critérios que decorrem das conquistas morais ou dos prejuízos ocasionais de cada candidato. Na generalidade, existem estabelecidos automatismos que funcionam sem maiores preocupações por parte dos técnicos em renascimento, e pelos quais a grande maioria de Espíritos retorna à carne, assinalados pelas próprias injunções evolutivas. Ao lado desse extraordinário automatismo das leis da reencarnação, há programas e labores especializados para atender finalidades específicas, na execução de tarefas relevantes e realizações enobrecedoras, que exigem largo esforço dos Mentores encarregados de promover e ajudar os seus pupilos, no rumo do progresso e da redenção. Sem nos desejarmos deter em pormenores dos casos especiais, referentes aos missionários do amor e aos abnegados cultores da Ciência e da Arte, os candidatos em nível médio de evolução, antes de serem encaminhados às experiências terrenas, requerem a oportunidade, empenhando os melhores propósitos e apresentando os recursos que esperam utilizar, a fim de granjearem a bênção do recomeço, na bendita escola humana... Examinados por hábeis e dedicados programadores, que recorrem a técnicas mui especiais de avaliação das possibilidades apresentadas, são submetidos a demorados treinamentos, de acordo com o serviço a empreender, com vistas ao bem-estar da Humanidade, após o que são selecionados os melhores, diminuindo, com esse expediente, a margem de insucesso. Os que não são aceitos, voltam a cursos de especialização para outras atividades, especialmente de equilíbrio com que se armam de forças para vencer as más inclinações defluentes das existências anteriores que se malograram, bem como para a aquisição de valiosas habilidades que lhes repontarão, futuramente, no corpo, como tendências e aptidões. Concomitantemente, de acordo com a ficha pessoal que identifica o candidato, é feita a pesquisa sobre aqueles que lhe podem oferecer guarida, dentro dos mapas cármicos, providenciando-se necessários encontros ou reencontros na esfera dos sonhos, se os futuros genitores já estão no veículo físico, ou diretamente, quando se trata de um plano elaborado com grande antecedência, no qual os membros do futuro clã convivem, primeiro, na Erraticidade, donde partem já com a família adrede3 estabelecida... Executada a etapa de avaliação das possibilidades e a aproximação com a necessária anuência dos futuros pais, são meticulosamente estudados os mapas genéticos de modo a facultarem, no corpo, a ocorrência das manifestações físicas como psíquicas, de saúde e doença, normalidade ou idiotia, lucidez e inteligência, memória e harmonia emocional, duração do cometimento corporal e predisposições para prolongamento ou antecipação da viagem de retorno, ensejando, assim, probabilidades dentro do comportamento de cada aluno a aprendizagem terrena... Fenômenos do determinismo são estabelecidos com margem a alternâncias decorrentes do uso do livre- arbítrio, de modo a permitir uma ampla faixa de movimentação com certa independência emocional em torno do destino, embora sob controles que funcionam automaticamente, em consonância com as leis do equilíbrio geral. São travados debates entre o futuro reencarnante e os seus fiadores espirituais, com a exposição das dificuldades a enfrentar e dos problemas a vencer, nascendo e se desdobrando a euforia e a esperança em relação ao futuro.
  • 33. 30 Em clima de prece, entre promessas de luta e coragem, sob o apoio de abnegados Instrutores, o Espírito mergulha no oceano compacto da psicosfera terrena e se vincula a célula fecundada, dando início a novo compromisso. Os que o amam, na Espiritualidade, ficam expectantes e interessados pelos acontecimentos, preocupados pelos sucessos que se darão, e buscando interceder nas horas graves, auxiliando nos momentos mais difíceis, encorajando sempre... A reencarnação, porém, que leva a parcial esquecimento das responsabilidades, em razão da imantação celular que se faz, é sempre cometimento4 de grande porte e alta gravidade. Conseguido o êxito do renascimento, continua o intercâmbio, durante a primeira infância, com os Amigos da retaguarda espiritual e, à medida que o corpo absorve o Espírito ou este se assenhoreia daquele, vão-se apagando as lembranças mais próximas enquanto ressumam as fixações mais fortemente vivas no ser, dando nascimento às tendências e paixões que a educação e a disciplina moral devem corrigir a benefício do educando. Nunca cessam, em momento algum, os socorros inspirativos que procedem da esfera espiritual, em contínuas tentativas pelo aproveitamento integral do valioso investimento a que o Espírito se propôs. O retorno é feito, quase sempre, com altos índices de fracasso, com agravamento de responsabilidades; de insucesso, em decorrência da invigilância e da indolência, dando margem a amargura e a perturbação; de perda do tentame, graças à fatuidade e aos graves comprometimentos do pretérito, de que não se conseguiram libertar... Pode-se compreender a preocupação afetuosa dos Benfeitores espirituais que acompanham os seus pupilos, à medida que estes se afastam da sua influência benéfica e se transferem espontaneamente de área vibratória, entregando-se aos envolvimentos perniciosos e destrutivos. Instam esses nobres cooperadores do bem, para que os seus protegidos retornem ao roteiro traçado, usando de mil recursos sutis, ou de interferências mais vigorosas, tais como as enfermidades inesperadas, os acidentes imprevistos, as dificuldades econômicas, a carência afetiva, de modo a despertarem do anestésico da ilusão os que se enovelaram nos fins da leviandade ou se intoxicaram pelo bafio do orgulho, do egoísmo, da cólera... Outras vezes, recorrem a outros amigos e benfeitores, a favores da vida e a ajudas que lhes facilitem a marcha, perseverando até quando, rechaçados, ficam a distância, aguardando... A reencarnação é o maior investimento da vida ao Espírito em processo evolutivo, o qual, sem ela, padeceria a hipertrofia de valores intelecto-morais, pela falta do ensejo da convivência com aqueles que se lhe vinculam pelo amor santificado, pelo amor asselvajado das paixões dissolventes, ou pelo amor enlouquecido no ódio, na violência, na perseguição... A conjuntura carnal constitui valiosa aprendizagem para a fixação dos recursos mais elevados do bem e do progresso na escalada inevitável da evolução. Sem dúvida, o parcial olvido dos compromissos assumidos responde por alguns fatores do insucesso, mas, ao mesmo tempo, isto constitui a mais expressiva concessão do amor do Pai, evitando que se compliquem os fenômenos da animosidade e do ressentimento, das mágoas e das preferências exclusivistas, que tenderiam a reunir os afins nos gostos e afetos, produzindo um clima de desprezo e agressão contra aqueles que se lhes opusessem. Como jamais retrograda o Espírito, no seu processo evolutivo, os insucessos não atingem as conquistas, que permanecem, agravando, isto sim, o programa de responsabilidades de que se desobrigara, quando falharem as provações remissoras, mediante as expiações redentoras que serão utilizadas como terapêutica final.
  • 34. 31 Todas as conquistas da inteligência – e sempre são logradas novas etapas, nesse campo, em cada reencarnação – permanecem, embora as aquisições morais, mais lentas, porém, mais importantes, somente através de sacrifício e renúncia, de amor e devotamento conseguem ser alcançadas. Com as luzes projetadas pelo Espiritismo, na atualidade, o empreendimento da reencarnação adquire hoje mais amplo entendimento pelos homens, que reconhecem a sua procedência espiritual, identificando-a e, por sua vez, preparando-se para o retorno à vida que estua e nela se encontra, inevitavelmente, seja no corpo ou fora dele. Manoel Philomeno de Miranda – Temas da Vida e da Morte – Cap. 1: Reencarnação – Dádiva de Deus
  • 35. 32 3.7 Militão Pacheco 3.7.1 O Espiritismo Pergunta Meu irmão, não te permitas impressionar apenas com as alterações que convulsionam hoje todas as frentes de trabalho e descobrimentos na Terra. Olha para dentro de ti mesmo e mentaliza o futuro. O teu corpo físico define a atualidade do teu corpo espiritual. Já viveste, quanto nós mesmos, vidas incontáveis e trazes, no bojo do espírito, as conquistas alcançadas em longo percurso de experiências na ronda de milênios. Tua mente já possui, nas criptas da memória, recursos enciclopédicos da cultura de todos os grandes centros do Planeta. Teu perispírito já se revestiu com porções da matéria de todos os continentes. Tuas irradiações, através das roupas que te serviram, já marcaram todos os salões da aristocracia e todos os círculos de penúria do plano terrestre. Tua figura já integrou os quadros do poder e da subalternidade em todas as nações. Tuas energias genésicas e afetivas já plasmaram corpos na configuração morfológica de todas as raças. Teus sentidos já foram arrebatados ao torvelinho de todas as diversões. Tua voz já expressou o bem e o mal em todos os idiomas. Teu coração já pulsou ao ritmo de todas as paixões. Teus olhos já se deslumbraram diante de todos os espetáculos conhecidos, das trevas do horrível às magnificências do belo. Teus ouvidos já registraram todos os tipos de sons e linguagens existentes no mundo. Teus pulmões já respiraram o ar de todos os climas. Teu paladar já se banqueteou abusivamente nos acepipes de todos os povos. Tuas mãos já retiveram e dissiparam fortunas, constituídas por todos os padrões da moeda humana. Tua pele, em cores diversas, já foi beijada pelo Sol de todas as latitudes. Tua emoção já passou por todos os transes possíveis de renascimentos e mortes. Eis por que o Espiritismo te pergunta: – Não julgas que já é tempo de renovar? Sem renovação, que vale a vida humana? Se fosse para continuares repetindo aquilo que já foste e o que fizeste, não terias necessidade de novo corpo e de nova existência – prosseguirias de alma jungida à matéria gasta da encarnação precedente, enfeitando um jardim de cadáveres. Vives novamente na carne para o burilamento de teu espírito. A reencarnação é o caminho da Grande Luz. Ama e trabalha. Trabalha e serve. Perante o bem, quase sempre, temos sido somente constantes na inconstância e fiéis à infidelidade, esquecidos de que tudo se transforma, com exceção da necessidade de transformar. Militão Pacheco – O Espírito da Verdade – Cap. 18: O Espiritismo Pergunta
  • 36. 33 3.8 Martins Peralva 3.8.1 Reencarnacionismo, Sim “Esta doutrina (a Espírita, a da Reencarnação) é tão antiga quanto o mundo; tal o motivo por que em toda a parte a encontramos, o que constitui prova de que é verdadeira”. Allan Kardec – O Livro dos Espíritos – Questão 221-a “A moldura social ou doméstica, muitas vezes, é diferente, mas, no quadro do trabalho e da luta, a consciência é a mesma, com a obrigação de aprimorar-se, ante a bênção de Deus, para a luz da imortalidade”. Emmanuel – Religião dos Espíritos – Cap. 45: Esquecimento e Reencarnação A humanidade se vê, realmente, numa bifurcação filosófica: caminhar na direção da luz, com as idéias reencarnacionistas, ou vagar, sem rumo, dada a escuridão dos caminhos não-reencarnacionistas. O homem crente na imortalidade da alma tem, assim, um dilema: aceitar as vidas sucessivas, em que a demonstração da Justiça e do Amor de Deus é evidente, ou adotar a chamada vida única, em que a alma é criada no momento da concepção, para o corpo que vai nascer. Às religiões, portanto, cabe o inalienável imperativo de orientar o espírito humano, geralmente confuso, para que não caminhe às cegas, ante o labirinto das próprias lutas e dos conflitos conscienciais, impregnados de angústia e sofrimento, de incredulidade e medo. Faz-se necessária, pois, a análise fria das doutrinas em torno das quais gravitam milhões de inteligências, encarnadas e desencarnadas. O essencial é que tenha o homem o melhor, no sentido da preservação de sua felicidade, na Terra ou no Espaço. O confronto das doutrinas reencarnacionistas com as não-reencarnacionistas, para que se apontem excelências e inconveniências, torna-se um imperativo de honesta solidariedade para com aqueles que buscam, aturdidos, um roteiro espiritual. Faremos, assim, análise e confronto sinceros e absolutamente respeitosos. O Espiritismo, florescendo sob as bênçãos do Evangelho, sente-se à vontade para, através de seus adeptos, focalizar o assunto, seja na tribuna, nos livros ou em artigos doutrinários. Falemos, em primeiro lugar, das doutrinas não-reencarnacionistas e dos inconvenientes que, a nosso ver, apresentam. Ei-los: a) — Descontinuidade dos laços espirituais. b) — Separação definitiva, com a morte, dos entes queridos. c) — Separação definitiva, com a morte, dos adversários. d) — Insuficiência, absoluta, de tempo para o desenvolvimento moral e intelectual da humanidade. e) — Condução do homem à descrença na Justiça e no Amor de Deus. Descontinuidade dos laços espirituais: — Tem o inconveniente de limitar as afetividades e os impulsos de solidariedade humana aos círculos da família consanguínea, estimulando, assim, o egoísmo, chaga monstruosa que as religiões tentam combater há milênios.
  • 37. 34 O homem, já por si mesmo natural e congenitamente egoísta, terá, apenas, por centro de seu interesse e de seu trabalho o grupo familiar. Todo o seu esforço, sua luta e empreendimentos girarão, exclusivamente, em favor dos que lhe integram a equipe de parentela, restringindo, assim, os sentimentos de fraternidade autêntica. Estimula, portanto, o egocentrismo feroz. Separação definitiva dos entes queridos: — Ê a doutrina do desespero ante a alma querida que parte, pela desencarnação. É o pavor ante o desconhecido, com o que surge, inevitável, a interrogação aflitiva: onde estarão o filho que partiu, a esposa ou o marido, a mãe ou o pai: no inferno ou no Céu ? . . . Nos lares espíritas, nota-se, certamente, em ocasiões que tais, a dor-saudade — nunca a dor-revolta! — pela ausência física do ser amado, compensada pela esperança, com a certeza da presença espiritual. Nem inferno, nem Céu, mas o plano espiritual correspondente aos méritos daquele que regressou ao Mundo da Verdade. Espiritualidade, imortalidade, comunicabilidade dos mortos-vivos com os que ficaram na Terra. Separação definitiva dos adversários: — Seria a cessação das oportunidades reconciliatórias, tão almejadas pelos que não aprenderam a odiar. O adversário, para o espírita, não é um inimigo, mas um irmão colocado, temporariamente, em posição de antagonismo, e com o qual, mais cedo ou mais tarde, tem o dever de reconciliar-se. O Espírita — estranha doutrina! — não quer o adversário a distância, nem morto: deseja vê-lo no mesmo campo de luta, neste ou noutros mundos, com as mesmas oportunidades de crescimento e reabilitação, a fim de que o reencontro se dê, o mais breve possível, para a sublimidade da reaproximação fraterna, com esquecimento de todas as hostilidades que se perderam no tempo e no espaço. Para as doutrinas não-reencarnacionistas, em tese, a morte do adversário é um alívio, é o fim. Para o espírita é simples mudança de plano, hoje, para o reencontro conciliador, amanhã. No Espaço, ou em futuras reencarnações, deseja o espírita reaproximar-se do adversário, porque assim preceitua a doutrina do Amor Universal pregada e exemplificada por Jesus, Senhor e Mestre de nossas vidas. Insuficiência de tempo para o desenvolvimento moral e intelectual: — Através de várias encarnações é que o espírito evolui, moral e intelectualmente, adquirindo virtudes e conhecimentos que o farão, em glorioso dia, santo e sábio. Numa só vida — mesmo que seja ela de cem anos — poderia o homem adquirir, apenas, instrução de rotina, se não trouxesse, do passado, patrimônios espirituais e culturais que se alojaram nos escaninhos maravilhosos do perispírito — o notável porão da individualidade, onde se armazenam méritos e deméritos, para eclosão em futuras experiências reencarnatórias. Numa só existência, por mais longa, não se adquiririam todas as virtudes e todos os conhecimentos. O santo e o sábio — ou o santo-sábio — teriam de ser privilegiados de Deus, escolhidos a dedo. Em várias existências, o santo e o sábio terão sido os construtores das próprias virtudes e dos próprios conhecimentos, segundo a maravilhosa engrenagem das leis divinas equânimes e infalíveis, que não estabelecem predileções por ninguém.
  • 38. 35 Enquanto as doutrinas reencarnacionistas nos falam de Deus-Amor, as não-reencarnacionistas conduzem o homem, infelizmente, à descrença na Justiça Divina, por serem a própria negação do Amor de Deus. As doutrinas reencarnacionistas, ao contrário das não-reencarnacionistas, asseguram: a) — A continuidade dos laços de família, com a consequente ampliação da parentela espiritual. b) — A renovação de esperanças, pela certeza da sobrevivência e comunicabilidade da alma. c) — A universalização do conceito de fraternidade. d) — Golpe de morte no egoísmo. e) — O reencontro com almas queridas, no ambiente da família ou fora dele. f) — O reencontro com adversários e credores, desta e doutras existências. g) — A consolidação de afetos, com a consequente garantia da continuidade de tarefas em comum. h) — Melhor compreensão da Justiça e do Amor de Deus. Com o Espiritismo, que viceja, exuberante, na condição de doutrina eminentemente reencarnacionista, à luz redentora do Evangelho do Cristo, ficam assegurados, pela oportunidade dos reencontros, o reajuste de situações, o resgate de débitos, a reabilitação de vítimas. As excelências do reencarnacionismo nos falam de um Deus que não é, apenas, o Criador do Universo, Causa Primária de todas as coisas, mas, também, o Pai Compassivo e Bom, Justo e Misericordioso Martins Peralva – O Pensamento de Emmanuel – Cap. 12: Reencarnacionismo, Sim
  • 39. 36 4 Referências Esta relação bibliográfica não está, intencionalmente, seguindo os padrões usuais – está numa forma mais sintética, fazendo uma correlação direta entre o texto do trabalho e os livros/mensagens. # Autor Livro/Revista/Jornal Cap./Mensagem/Artigo 1 Allan Kardec O Livro dos Espíritos Questão: 132 Questão: 167 Questão: 171 Questão: 196 Questão: 221-a 2 Allan Kardec O Céu e o Inferno 1º Parte – Cap. 3 – Item 8 1º Parte – Cap. 7 – Item 31 3 Allan Kardec A Gênese Cap. 11: Item 24 4 Allan Kardec O Evangelho segundo o Espiritismo Cap. 5 – item 10 5 Allan Kardec O Espiritismo em sua Expressão mais Simples Cap. 1: Resumo do Ensino dos Espíritos 6 Emmanuel Caminho, Verdade e Vida Cap. 110: Vidas Sucessivas 7 Emmanuel Justiça Divina Cap. 4: Virtude Solitária 8 Emmanuel Reformador 1955 – Janeiro: Reencarnação 9 Emmanuel Reformador 1957 – Abril: Jesus e Kardec 10 Emmanuel Reformador 1957 – Abril: 100 anos do Livro dos Espíritos 11 Emmanuel Religião dos Espíritos Cap. 24: Reencarnação 12 Herculano Pires Na Era do Espírito Cap. 27: A Chave da Reencarnação 13 Hermínio de Miranda Centro Virtual de Divulgação e Estudo do Espiritismo (CVDEE) Entrevista – 2009 14 Hermínio de Miranda Reencarnação e Imortalidade Cap. 21: Reencarnação – Instrumento para o Progresso Espiritual 15 Hermínio de Miranda Reformador 1971 – Julho: O Livro Branco da Vida 16 Joanna de Ângelis Atitudes Renovadas Cap. 3: Benção da Reencarnação 17 Joanna de Ângelis Lampadário Espírita Cap. 1: Necessidade da Reencarnação 18 Joanna de Ângelis Momentos de Consciência Cap. 10: Reencarnação e Consciência 19 Joanna de Ângelis Responsabilidade Cap.5: Considerando a Reencarnação 20 Lins de Vasconcellos O Espírito da Verdade Cap. 48: Renascer e Remorrer 21 Manoel Philomeno de Miranda Temas da Vida e da Morte Cap. 1: Reencarnação: Dádiva de Deus 22 Martins Peralva O Pensamento de Emmanuel Cap. 12: Reencarnacionismo, Sim 23 Militão Pacheco O Espírito da Verdade Cap. 18: O Espiritismo Pergunta
  • 40. 37 5 Anexo 5.1 Hermínio de Miranda – Biografia Hermínio Corrêa de Miranda (Volta Redonda, 5 de janeiro de 1920/Rio de Janeiro, 8 de julho de 2013) foi um pesquisador e escritor espírita brasileiro. Habitualmente assina Herminio C. Miranda. Formou-se em Ciências Contábeis, tendo trabalhado na Companhia Siderúrgica Nacional até se aposentar. Seu primeiro livro, Diálogo com as Sombras, foi publicado em 1976. Depois vieram muitos outros títulos, sendo que seus direitos autorais foram sempre cedidos a instituições filantrópicas. Obras publicadas Em ordem alfabética: − A Dama da Noite (coleção "Histórias que os espíritos contaram") − A Irmã do Vizir (coleção "Histórias que os espíritos contaram") − A Memória e o Tempo − A Noviça e o Faraó - a extraordinária história de Omini Sety − A Reencarnação na Bíblia − A Reinvenção da Morte (incorporada ao livro As Duas Faces da Vida) − A Tarefa dos Enxovais (com Orson Peter Carrara) − Alquimia da Mente − Arquivos Psíquicos do Egito − As Duas Faces da Vida − As Mãos de minha Irmã (da coleção "Histórias que os espíritos contaram", anteriormente intitulado Histórias que os espíritos contaram) − As Marcas do Cristo, publicada em dois volumes: 1 – Paulo, o apóstolo dos gentios; 2 – Lutero, o reformador − As mil faces da Realidade Espiritual − As sete vidas de Fénelon (série "Mecanismos secretos da história") − Autismo, uma leitura espiritual − Candeias na Noite Escura − Com quem tu andas? (com Jorge Andrea dos Santos e Suely Caldas Schubert) − Condomínio Espiritual − Cristianismo: a Mensagem esquecida − De Kennedy ao homem artificial - crônicas de um e de outro (com Luciano dos Anjos) − Diálogo com as Sombras − Diversidade dos carismas − Estudos e Crônicas − Eu sou Camille Desmoulins (com Luciano dos Anjos), publicada também em francês com o título “Je suis Camille Desmoulins” − Guerrilheiros da Intolerância (série "Mecanismos secretos da história") − Hahnemann, o apóstolo da medicina espiritual