Convenio FENIPE e FATEFINA Promoção dos 300.000 Cursos Grátis Pelo Sistema
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CNPJ º 21.221.528/0...
8.29); 10% da renda para que abençoada seja toda a renda (Lv. 27.30; M1 3.10;
Mt 23.23; Lc 11.42); o conceito de um alguém...
Descanso é anterior à entrega da Lei no Sinai. Se alguém pensa que este
significativo e abençoador dia foi estabelecido na...
É preciso encarar esse assunto em termos de tempo e de eternidade.
Estamos falando, ao discutir o descanso, de algo mais q...
Aliança caducaram, e com elas os dias solenes dos judeus.
· É o caso de Levítico 23.48 que registra a instituição, e regul...
Cristo vê a intenção, e não apenas o ato! Creio, portanto, na conservação do
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para a Ceia do Senhor: "No primeiro dia da semana, tendo-nos reunido a fim
de partir o pão, Paulo, que havia de sair no di...
O Dia de Descanso é um tipo dos céus. Já pensaram que toda a boa música
que praticada nas igrejas é apenas uma sombra do q...
“O QUE ENCOBRE AS SUAS TRANSGRESSÕES NUNCA PROSPERARÁ, MAS
O QUE AS CONFESSA E DEIXA, ALCANÇARÁ MISERICÓRDIA” (Pv 28.13).
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somente no Evangelho de João e sua primeira aparição ocorre no capítulo 3, onde
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categoria teológica, e são sinônimos". De acordo com...
Sendo assim, "De acordo com João, o que é o novo nascimento?" Packer faz a
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"não se refere a nada externo que seja comple...
homens, mas em Deus.
O vento é uma força que não podemos dominar nem barrar. O vento não consulta
o beneplácito de ninguém...
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falando também não existe qualquer possibilidad...
experimentou avançar para compreender a plenitude da revelação de Deus em
Cristo? Entre as coisas 'celestiais', que não tê...
sejam a mesma pessoa, e sim, que há uma unidade divina entre ambos para a
nossa redenção. Cooperam mutuamente com esta fin...
espirituais possam ver o reino de Deus; que pessoas afastadas dele por causa do
pecado possam entrar; e que mortos em seus...
A segunda ocasião em que aparece a condição necessária do novo nascimento
em João 3, encontra-se no verso 7. A versão Alme...
HENDRIKSEN, op. cit., p. 145.
J. I. PACKER, Vocábulos de Deus. São José dos Campos: Editora Fiel, 1994, p.
137.
João CALVI...
pois além de ser convencionalmente anunciada é comum vê-la nos vidros dos
carros e nos pára-choques dos caminhões. Entreta...
imputada, e recebida só pela fé" (Rm 5.18; 2 Co 5.21; Gl 2.16).
Para que alguém seja salvo por Cristo é necessário que se ...
pecado e um passo para a vida eterna" (Catecismo de Heidelberg, cf Jo 5.24; Rm
7.24; Fp 1.23). Além disso, ter a vida eter...
como um simples fato que ninguém que se descuida quanto a esses exercícios
pode conseguir grande progresso no caminho da s...
prazer naquilo que não O Glorifica. Por exemplo: Quantas vezes oramos a Deus
com o fim de satisfazermos simplesmente os no...
Sempre a tua vontade cumprir.
(Sammis e Ginsburg)
Parte V
JESUS E O "CRISTO REDENTOR"
Construído no período de 1921 a 1931...
homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, pois não há verdade nele.
Quando ele profere mentira, fala do que ...
Não trataremos das implicações teológicas, o que nos exige estudo aprofundado
de Cristologia, mas podemos e devemos aprove...
derrota, como se fôssemos cegos.
A prova disto é a expressão do texto no vs. 4, "levantaram os olhos", no original. O
vers...
testemunho do Cristo vivo.
A terceira implicação, como não poderia deixar de ser, é decorrente desta, e indica
que...
III ...
ele sempre vai adiante e nunca estaciona em sua marcha triunfal à Jerusalém
celestial. Devemos adentrar a Cidade Santa com...
Na continuação, queremos destacar a influência do ministério de Jesus no seu
contexto e na sua época.
1. O ministério de J...
reporta ao que Deus estava fazendo no meio deles: Porque de vós repercutiu
a palavra do Senhor não só na Macedônia e Acaia...
em que em busca de produtividade sacrificamos a qualidade.
Alguém já disse com muita propriedade: o frango de granja pode ...
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  1. 1. Convenio FENIPE e FATEFINA Promoção dos 300.000 Cursos Grátis Pelo Sistema de Ensino a Distancia – SED CNPJ º 21.221.528/0001-60 Registro Civil das Pessoas Jurídicas nº 333 do Livro A-l das Fls. 173/173 vº, Fundada em 01 de Janeiro de 1980, Registrada em 27 de Outubro de 1984 Presidente Nacional Reverendo Pr. Gilson Aristeu de Oliveira Coordenador Geral Pr. Antony Steff Gilson de Oliveira APOSTILA Nº. 22/300.000 MIL CURSOS GRATIS EM 146 PAGINAS. Apostila 22 Estudo Teológico Sobre Jesus Cristo CREIO NO DIA DO SENHOR Parte - I "Lembra-te do dia do descanso, para o santificar. Seis dias trabalharás, e farás todo o teu trabalho; mas o sétimo dia é o repouso do Senhor teu Deus. Nesse dia não farás trabalho algum, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o estrangeiro que está dentro Das tuas portas. Por que em seis dias fez o Senhor o Céu e a terra, o mar e tudo o que neles há, e ao sétimo dia descansou; Por isso o Senhor abençoou o dia do repouso e o santificou" (Ex 20.8-11) Creio no Dia do Senhor; creio no Dia do Descanso por duas razões, pelo menos: por Quem foi instituído, e para que o foi. Creio no Dia do Senhor porque a Escritura Sagrada apresenta o cuidado e carinho do Criador pela sua criatura, criada à Sua imagem e semelhança; creio porque o próprio Deus descansou; creio pelo aspecto humanitário, e pela sua dimensão altamente espiritual. Creio no Dia do Senhor porque todo o esquema da criação e da nova criação se explica no dia do repouso semanal. E, naturalmente, há um princípio que, embasando o Dia do Descanso, o torna sagrado, separado, santificado: é o princípio de que "a parte significa o todo" (quem se aventurou pelos estudos da estilística reconhece que essa é uma figura de linguagem que toma o nome de sinédoque). É altamente significativo esse princípio para várias práticas do Antigo Testamento, práticas e usos que encontram respaldo na Nova Aliança: no Pentateuco, encontramos o conceito de que se traziam as primícias da colheita para que toda a colheita fosse santificada (Ex. 19.6; Lv 20.26; 1 Pe 2.5,9; Ap 1.6); uma família, a de Abraão, que foi escolhida por Deus para que todas as famílias fossem abençoadas (Gn 12. 1-3; 18.1,18; 27.29); um homem no meio dos outros homens para que todos fossem abençoados (Ex. 28.1; Mt 10.1 ss); o primeiro filho separado e escolhido dos outros filhos para que toda a família fosse abençoada (Ex 22.19b; Jo 3.16; Rm Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida 1
  2. 2. 8.29); 10% da renda para que abençoada seja toda a renda (Lv. 27.30; M1 3.10; Mt 23.23; Lc 11.42); o conceito de um alguém que padece intensos sofrimentos, o "Servo Sofredor", para que todos possam ser resgatados da maldição e da dor (Is 53.1-12; Hb 9.28; 1Pe 2.21-24). O mesmo acontece quanto ao Dia do Descanso, quando se reconhece que o tempo pertence a Deus, bem como o todo da criação (Ex 20.8-11; Dt 5.12-15; Lc 13.10-17; Hb 4.9-11)! O SÉTIMO DIA Vamos partir de um consenso: é preciso traduzir o nome do sétimo dia para tornar o conceito e seu ensino claro, de modo que ninguém confunda o abençoado conceito com o dia da semana em português que tem o mesmo nome. A palavra sábado não pertence à nossa língua, é uma transliteração, um aportuguesamento de uma palavra hebraica (Shabbath) que significa "cessação". Alguém está trabalhando e faz uma pausa no que está fazendo, em hebraico dirá, "vou fazer um shabbath agora"). Significa "interrupção"; é o caso de você estar escrevendo uma carta, o telefone toca e você interrompe o que estava fazendo. Em hebraico, dir-se-ia "preciso fazer um shabbat para atender o telefone". Outras traduções possíveis são "repouso, abstenção, desistência," e, por incrível que pareça, a palavra "greve" do hebraico contemporâneo se traduz por shabbath, por ser uma "cessação de trabalho". Por essas razões, no possível, usaremos a expressão "Dia de Descanso" que é precisamente o que significa o hebraico Yom haShabbath, dia de "sábado", dia de repouso. Esclareçamos que os hebreus dividiam o tempo desta maneira: primeiro dia, segundo dia, terceiro dia, quarto dia, quinto dia, sexto dia e Dia do Descanso. PARA ENTENDER... É necessário que se traduza para que compreendamos a revelação divina, e não nos apeguemos à guarda de um dia do calendário considerado imutável, além de atribuir conotações cerimoniais a uma lei apodítica, moral. Aliás, o dia semanal chamado sábado encontra barreiras no fuso horário. São 11h10, o que significa que começamos o "sábado" do calendário antes de os habitantes dos Estados Unidos (eles mesmos separados no tempo por vários fusos horários) terem começado o "sábado" deles. Se o sábado é imutável, criou-se um problema! E os crentes japoneses já terminaram o culto desta noite e voltaram para casa porque no Japão são 23h10, e já estão dormindo ou se preparando para isso. O fuso horário se tornou herege: no horário de verão, adianta-se uma hora; no horário de inverno, nos Estados Unidos, atrasam uma hora. E nós aprendemos com a Palavra de Deus que a observância do Dia de Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida 2
  3. 3. Descanso é anterior à entrega da Lei no Sinai. Se alguém pensa que este significativo e abençoador dia foi estabelecido na entrega da Lei no Sinai, deve tomar conhecimento de que já era observado. Na realidade, quando da concessão do alimento chamado maná (Ex 16), o relato o menciona: "E ele lhes disse: Isto é o que o Senhor tem dito: Amanhã é repouso, sábado santo ao Senhor; o que quiserdes assar ao forno, assai-o, e o que quiserdes cozer em água; e tudo o que sobejar, ponde-o de lado para vós, guardando-o para amanhã. Guardaram-no, pois, até o dia seguinte, como Moisés tinha ordenado; e não cheirou mal, nem houve nele bicho algum. Então disse Moisés: Comei-o hoje, porquanto hoje é o sábado do Senhor; hoje não o achareis do campo. Seis dias o colhereis, mas o sétimo dia é o sábado; nele não haverá" (Ex 16.23-26). Já existia, portanto, o Dia de Descanso, que vinha sendo observado pelo povo de Deus. E porque o costume do descanso já existia, foi incorporado à Lei com essa recomendação no quarto mandamento: "Lembra-te do dia do descanso para o santificar". Isso nos ensina que a guarda do repouso semanal é marca e evidência da liberdade do ser humano, da sua liberdade individual. Essa é a dimensão humanitária desse dia da qual todos (escravos, estrangeiros, e, mesmo, os animais) deviam se beneficiar de acordo com Êxodo 20.10: "Nesse dia nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o estrangeiro que está dentro das tuas portas". E isso nos ensina que temos a tarefa não só de guardar, mas de "santificar" esse dia; não apenas descanso físico, mas de sustento para o espírito. Nosso ritmo humano de trabalho e descanso, trabalho por seis dias, e descanso em um dia, é reflexo da imagem de Deus porque a Bíblia diz em Gênesis 2.2: "Ora, havendo Deus completado no dia sétimo a obra que tinha feito, descansou nesse dia de toda a obra que fizera". O PRIMEIRO DIA Há um aspecto sagrado no descanso, não no dia da semana (Ex 20.8ss). Esse é o problema de certos grupos religiosos que enfatizam o dia da semana. O que é sagrado não é o dia da semana, mas o descanso, quem é sagrado é o ser humano, porque o próprio Senhor Jesus ensinou que o Dia do Descanso foi feito para o ser humano, não a pessoa para a instituição. Se assim acontecesse, seria um tremendo revés para o plano divino. Quem é imagem e semelhança de Deus é o irmão/a irmã, não o dia. Não é nosso objetivo colocar oposição entre dia e dia, entre o sábado e o domingo, até para não incorremos na condenação paulina que diz "...como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir? Guardais dias..." (Gl 4.10) e "um faz diferença entre dia e dia" (Rm 14.5), como também, "ninguém vos julgue... por causa de sábados" (Cl 2.16b), mas apresentar o aspecto sagrado do repouso da máquina humana. Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida 3
  4. 4. É preciso encarar esse assunto em termos de tempo e de eternidade. Estamos falando, ao discutir o descanso, de algo mais que contagem de tempo. Estamos falando de muito além que contar minutos para fechar a loja. Fixar-se num dia da semana é perder o senso da eternidade, mesmo porque nós não podemos doutrinar em cima de sombras do calendário (cf. Hb 10.1), o sábado temporal, e fazê-lo é perder a noção de que Jesus Cristo, Ele, sim, é o nosso Shabbath, o nosso descanso, como mencionado em Hebreus 4.3: "Porque nós, os que temos crido, é que entramos no descanso, tal como disse: Assim jurei na minha ira: Não entrarão no meu descanso; embora as suas obras estivessem acabadas desde a fundação do mundo". O QUE É ETERNO O acima mencionado é o outro aspecto que deve ser enaltecido: o eterno. Nos dias do ministério terreno de Jesus Cristo, criou-se um extremado fanatismo quanto à questão do descanso semanal, pois, além de não se preparar alimento nesse dia para não acender o fogo, os utensílios usados nem eram removidos e lavados. Há uma explicação mais demorada, detalhada e lúcida sobre este assunto no livro A Guarda do Sábado, de autoria do Pr. Aníbal Pereira Reis. Os essênios nem iam ao sanitário?! Era proibido, entre outras coisas, acender e apagar candeeiro, cozinhar ovo, atar e desatar nó numa corda, dar pontos com uma agulha, escrever duas letras, esfregar as mãos, andar mais que um certo número de passos (cf. At 1.12), e até prestar socorro a alguém que tivesse membros do corpo quebrados, curar, portanto. Contra esse tipo de mentalidade, Jesus Cristo reagiu por ter observado que haviam perdido a dimensão eterna pelas mesquinharias que foram chamadas de religião! E, por essa razão, curou doentes no dia de descanso: · curou um paralítico no poço de Betesda (Jo 5.1-18; cf. v. 9), razão porque foi duplamente chamado de herege (cf. v. 18); · curou uma cego de nascença (Jo 9.1-7, 13,14,16); · curou um homem de mão atrofiada (Mc 3.1-6; Lc 6.6-11); · curou uma mulher com terrível problema na coluna (Lc 13.10-17), · e permitiu, no dia do Shabbath, atividades que eram proibidas pela Lei porque Ele é superior à Lei e Senhor da mesma. Era proibido colher trigo para a alimentação, no entanto, permitiu que as espigas fossem colhidas (Mc 2.23-28). Sentiram que importante e digno é o ser humano, imagem do nosso Deus, semelhança do Criador? Sentiram que a Lei e as suas instituições devem ser vistas à luz da eternidade? Realmente, a carta aos Hebreus diz que a Lei é a sombra dos bens futuros, razão porque afirmamos que não se pode doutrinar em cima de sombras (cf. Hb 10.1). Portanto, com a Nova Aliança, as figuras e sombras da Antiga Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida 4
  5. 5. Aliança caducaram, e com elas os dias solenes dos judeus. · É o caso de Levítico 23.48 que registra a instituição, e regulação da Páscoa (23.4.8); encontramos, pelo contrário, na Nova Aliança, o apóstolo Paulo dizendo que Jesus Cristo é a nossa páscoa (1Co 5.7). · O Antigo Testamento faz referência às primícias (Lv 23.9-25), e quando Paulo escreve 1Coríntios 15.20, diz que Jesus Cristo é "as primícias dos que dormem". · Levítico 23.33-44, ainda, menciona a Festa dos Tabernáculos ou Festa das Tendas Sukkoth), mas o Evangelho de João registra que o próprio Deus tabernaculou, "armou Sua tenda", habitou no nosso meio (cf 1.4). · E sobre o Dia da Expiação, o Yom Kippur (Lv 23.26-32), verifica-se que esse Dia do Perdão encontra o seu lado concreto no Calvário (Hb 2.17) porque esta solene festa judaica, um dos chamados pelos judeus de "dias terríveis" é só uma sombra do Calvário que está projetada. · Assim é que também encontramos o Dia de Descanso, o Yom Shabbath (Lv 23.3), porque Jesus Cristo, Ele, sim, é o nosso shabbath, o nosso repouso (Hb 4.1ss). Oséias, o profeta, vai predizer no capítulo 2.11, que todas essa solenidades serão abolidas. "Também farei cessar todo o seu gozo, as suas festas, as suas luas novas, e os seus sábados, e todas as suas assembléias solenes". Com a Nova Aliança, não estamos mais presos ao tempo, mas, sim, abençoadamente ligados à eternidade pelo sangue de nosso Senhor Jesus Cristo. E o apóstolo Paulo o afirma: "Ninguém, pois, vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa de dias de festa, ou de lua nova, ou de sábados, que são sombras das coisas vindouras; mas o corpo é de Cristo" (Cl 2.16,17). CREIO NO DIA DO DESCANSO Creio no Dia do Senhor porque creio na Nova Aliança de Deus com a humanidade, e nas realidades que ela ampliou do Antigo Pacto do Sinai! Creio no Dia do Senhor porque creio no sangue derramado de Jesus Cristo! Creio que o sacerdócio da Antiga Aliança foi conservado, mas foi ampliado, e o foi com um novo Sumo Sacerdote que é Jesus Cristo, (Hb 2.9-17; 4.14,15; 7.1-28; 9.11ss), e o acesso a esse sacerdócio por todos os crentes (Hb 10.19- 23; 1Pe 2.5,9; Ap 1.6; 5.10; 20.6; 1Tm 2.1; Ef 6.18). Creio que o crente em Jesus Cristo, o salvo pelo Seu sangue é um sacerdote no reino de Deus! Creio no sacrifício único e eterno de Jesus Cristo (Hb 7.26,27; 9.24-28; 10.11- 14)! Creio nas leis morais, até mesmo naquelas mais estritas, porque Jesus Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida 5
  6. 6. Cristo vê a intenção, e não apenas o ato! Creio, portanto, na conservação do descanso! Creio no Dia do Senhor porque aprendo com meu Mestre que a ênfase deve ser dada ao conceito, e não ao dia em si! Creio no Dia do Descanso porque Jesus Cristo é o Senhor desse dia, e o ser humano é superior à instituição temporal: "E prosseguiu [Jesus]: O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado" (Mc 2.27). MAS, POR QUE O PRIMEIRO DIA DA SEMANA? Quando o cristão guarda o primeiro dia da semana, ele o faz no espírito de um novo mandamento, baseado em uma Nova Aliança, e ambos como cumprimento do antigo mandamento e da Antiga Aliança cumpridos na fé cristã. Por que o primeiro dia da semana? Porque a ressurreição de Jesus Cristo é o acontecimento fundamental do evangelho, e realmente tudo no evangelho olha para a ressurreição (cf. 1 Co 15.14,17,19). Que maravilha termos como referencial o túmulo vazio! O dia da semana, em si, nada significa, mas, o que nele ocorreu, sim! Vejam só: o dia 2 de Julho nada significa no Ceará, ou no Mato Grosso, ou em Santa Catarina! Mas é significativo na Bahia porque é o Dia da Independência deste estado ocorrida em 1823. Fora da Bahia não tem sentido! 17 de Abril nada significa para outras igrejas na cidade do Salvador, mas tem mérito na Igreja Batista Sião, que foi organizada nesta data em 1936. O primeiro dia da semana tem significado para o cristão porque em um primeiro dia da semana Jesus Cristo ressuscitou (Mt 28.1; Mc 16.1,2; Lc 24.1; Jo 20.1), e desde os tempos apostólicos, esse dia vem sendo reservado (At 20.7; 1Co 16.2; Ap 1.10, e escritos antigos), e Jesus ressuscitado Se encontrou com os discípulos no primeiro dia da semana (Mc 16.9; Mt 28.9; Lc 24.13,15,36ss; Jo 20.19,26). Por que o primeiro dia da semana? Porque depois de estar debaixo de extrema humilhação num fim de semana, Jesus Cristo, no primeiro dia da semana, gloriosamente ressuscitou. De modo que olhamos o dia do descanso, seja ele o primeiro dia da semana (o descanso temporal), seja o descanso eterno, à luz da ressurreição! E é por essa razão que na Nova Aliança o dia de descanso se chama "Dia do Senhor", significado exato da palavra domingo. Quando se fala "domingo" está sendo usada uma expressão da língua latina, dies dominica, ou seja, "dia que pertence ao Senhor", porque nesse dia, o primeiro da semana (a prima feria), nossos irmãos da Igreja Apostólica descansavam. Reuniam-se Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida 6
  7. 7. para a Ceia do Senhor: "No primeiro dia da semana, tendo-nos reunido a fim de partir o pão, Paulo, que havia de sair no dia seguinte, falava com eles, e prolongou o seu discurso até a meia-noite" (At 20.7); e preparavam ofertas de amor: "No primeiro dia da semana cada um de vós ponha de parte o que puder, conforme tiver prosperado, guardando-o, para que se não faça coletas quando eu chegar" (1 Co 16.2). Eles o faziam no dia da ressurreição de Jesus Cristo! E é isso exatamente o que fazemos, porque compreendemos que o dia do descanso é vital, não é formal, e encontra expressão numa experiência de crescimento, e celebra um acontecimento, e expressa e promove uma experiência transcendental no significado para o crente em Jesus Cristo! Também porque compreendemos que é um memorial de experiência, um monumento à verdade (os antigos hebreus comemoravam o que devia ser lembrado levantando colunas. Colocavam uma pedra, e outra pedra, e uma pedra mais, e assim por diante de modo que levantavam um pilar, uma coluna, um altar (Gn 28.18; Js 22.10) para indicar que alguma coisa importante havia sucedido). Compreendemos que, sendo um memorial de uma eterna experiência, no Dia do Senhor , homens e mulheres confessam, individual e coletivamente, sua fé na obra divina da criação de uma nova raça humana, obra divina que se fez em nós. Dizemos "eu compreendo a imortalidade desta pessoa por causa da ressurreição de Cristo" , e tudo isso lembramos neste primeiro dia da semana (cf. 1Co 15.22). Compreendemos que o Dia do Descanso enfatiza a espiritualidade da vida humana, e lembramos Lucas 12.15: "E disse ao povo: Acautelai-vos e guardai-vos de toda espécie de cobiça; porque a vida do homem não consiste na abundância das coisas que possui". Não é o material, mas o espiritual que vale, e nós somos desafiados a considerar essas interpretações da vida, decidindo por uma posição materialista, aceitando essa abundância de coisas, ou uma posição espiritual, recebendo de mente e coração abertos essa bênção que desejamos e continuamos a desejar e praticar. Creio no Dia do Senhor porque eu me rejubilo nele! Ah, como me alegro, e posso exclamar como o fez o poeta de Israel: "Este é o dia que o Senhor fez; regozigemo-nos, e alegremo-nos nele" (Sl 118.24). Alegro-me por sua mensagem de ressurreição, e o próprio Senhor Jesus Cristo diz: "Não temas; eu sou o primeiro e o último, e o que vivo; fui morto, mas eis aqui estou vivo pelos séculos dos séculos; e tenho as chaves da morte e do hades" (Ap 1.17b,18). Creio no Dia do Senhor porque é um dia de culto, de descanso, de renovação da vida; é um dia de reconhecimento de Deus, de comunhão com Deus, de dedicação do eu em tempo e vida a Deus. Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida 7
  8. 8. O Dia de Descanso é um tipo dos céus. Já pensaram que toda a boa música que praticada nas igrejas é apenas uma sombra do que vem, quando mudaremos toda nossa atividade para o louvor? A pregação vai acabar, a Bíblia diz que "as profecias serão aniquiladas" (1Co 13.8) e restará o eterno louvor do coro dos anjos e salvos! No entanto, lembremos que aos olhos cristãos nenhum dia é mais santo que o outro. Vamos rever os conceitos: não existe dia mais santo que outro porque neles devemos trabalhar, e o trabalho sempre foi considerado uma santa missão. (cf. Ex 20.9). É assim que o Dia do Senhor dá profundidade, dimensão, altura e significado aos demais dias! Que o Senhor nos ajude a compreender essa tão grande realidade, e a compreender que Jesus Cristo, Ele sim, é o nosso eterno descanso! Parte II O CAMINHO DA SALVAÇÃO Todos precisamos de salvação. A vontade de Deus é que todos se salvem. Para consecução desse plano, Ele enviou seu Filho unigênito, “para que todo aquele que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna (Jo 3.16). O verdadeiro caminho é Jesus, que disse: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vem ao Pai, senão por mim” (Jo 14.6). E Ele próprio convida o pecador para receber salvação: “Estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e com ele cearei, e ele, comigo” (Ap 3.20). Primeiro passo O homem deve reconhecer que é pecador; que está afastado de Deus pelo pecado; que está numa situação miserável, pois “TODOS PECARAM E DESTITUÍDOS ESTÃO DA GLÓRIA DE DEUS” (Rm 3.23). “Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós” (1 Jo 1.8). Pela desobediência do primeiro casal o pecado entrou no mundo e com o pecado, a morte. O homem herdou de Adão e Eva a natureza pecaminosa. O pecado original estendeu-se por toda a humanidade como uma herança maldita, porque “semente gera semente da mesma espécie”. Jesus foi o único homem, gerado no ventre de uma mulher, que não foi contaminado pela semente danosa do pecado. Ele foi gerado pela semente de Deus, e como tal pôde pagar o preço de nossa redenção. Segundo passo Arrependimento. Neste passo, o homem reconhece que é pecador e toma a decisão de dar meia volta e seguir caminho diferente. João Batista dizia em suas pregações: “Arrependei-vos, pois está próximo o reino dos céus” (Mt 3.2). Jesus iniciou o seu ministério chamando todos ao arrependimento (Mt 4.17). Não basta arrepender-se; é preciso deixar o pecado, deixar a mentira, o adultério, as palavras torpes, tudo o que estiver em desobediência a Deus. Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida 8
  9. 9. “O QUE ENCOBRE AS SUAS TRANSGRESSÕES NUNCA PROSPERARÁ, MAS O QUE AS CONFESSA E DEIXA, ALCANÇARÁ MISERICÓRDIA” (Pv 28.13). Terceiro passo Aceitar Jesus como Senhor e Salvador: “Se, com a tua boca, confessares ao Senhor Jesus, e, em teu coração, creres que Deus O ressuscitou dos mortos, serás salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação” (Rm 10.9-10). A essência da salvação está neste versículo: fé, senhorio de Cristo e Sua ressurreição. “Confessar ao Senhor Jesus” não significa apenas aceitá-LO de viva voz, numa decisão pública. Compreende, também, levar uma vida cristã de obediência a Ele, em palavras e atos. As conseqüências desses passos Receberá perdão: “Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1 Jo 1.9). Passará a viver uma nova vida: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2 Co 5.17). Será recebido como filho do Altíssimo: “Todos vós sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus” (Gl 3.26). Receberá o Espírito: “Não sabeis vós que sois santuário de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós?” (1 Co 3.16). Salvar-se-á: “Quem nEle crê não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus” (Jo 3.18). Parte III O PASSAPORTE PARA O REINO DE DEUS A mensagem de João 3.1-12 - Suponhamos que você estivesse correndo em direção ao aeroporto a fim de viajar para um país distante. Na hora de mostrar o passaporte no guichê você não o encontra de jeito nenhum. De repente você se lembra que o deixou em casa, em cima do televisor; porém, buscá-lo agora não seria possível porque você mora longe e, de qualquer forma, perderá o vôo. Sem passaporte não há como embarcar. Assim é em relação ao reino de Deus. Sem passaporte não há como entrar nele, e nem ao menos vê-lo. Que passaporte é esse? Quem o expede? Como podemos consegui-lo? Quanto custa? É o que pretendemos conferir neste estudo. 1. O passaporte para o reino de Deus é o novo nascimento. Nicodemos não compreendeu o significado bíblico do ensino de Jesus sobre o reino de Deus, o novo nascimento e suas implicações. E você, compreende? a. Um homem chamado Nicodemos Seu nome é de origem grega e significa "conquistador do povo". É mencionado Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida 9
  10. 10. somente no Evangelho de João e sua primeira aparição ocorre no capítulo 3, onde é descrito como fariseu (partido religioso da época), um dos principais dos judeus (significando que era membro do Sinédrio, o mais alto tribunal civil e eclesiástico de Israel) e mestre (isto é, um escriba, cuja profissão era estudar, interpretar e ensinar a lei). Parece que apesar de saber - juntamente com outros que pensavam como ele (cf. Jo 2.23) - que Jesus era "Mestre vindo da parte de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele" (Jo 3.2), Nicodemos temia ser descoberto pelos judeus e denunciado a seus colegas fariseus, resultando em sua expulsão do Sinédrio e da sinagoga. Seria esta a razão principal pela qual ele foi ter com Jesus de noite? É provável que sim. Em João o medo religioso não é um tema ignorado. Mesmo sendo mestre em Israel Nicodemos não conseguiu entender, a priori, as metáforas espirituais empregadas por Cristo (vv4,9). Nicodemos é mencionado novamente em João 7.50,51, onde mostrou mais coragem ao protestar contra as acusações feitas à pessoa de Jesus, sem que Ele fosse ouvido. A referência final a Nicodemos aparece em João 19.39, onde se registra que ele trouxe uma grande quantidade de especiarias valiosas para ungir o corpo de Jesus, o que indica que era homem de posição social. b. O conceito bíblico de reino de Deus A idéia de reino de Deus está presente em toda a Bíblia. No entanto, a expressão como tal aparece somente no Novo Testamento. A expressão "reino de Deus" ocorre 4 vezes em Mateus, 14 vezes em Marcos, 32 vezes em Lucas, 2 vezes em João, 6 vezes em Atos, 8 vezes em Paulo e 1 vez no Apocalipse. "Reino dos céus" aparece somente em Mateus (33 vezes). "Reino de Deus" e "reino dos céus" são variações lingüísticas da mesma idéia (cf. Mt 19.23,24). Mateus, que escreveu para os judeus, preferia usar a expressão idiomática semítica, enquanto que os demais escritores do NT a forma grega theós (Deus). Os judeus, por respeito e temor, normalmente usavam um termo apropriado no lugar do nome de Deus (cf. Mt 21.25). O reino de Deus também é o reino de Cristo. Jesus fala do reino do Filho do homem (Mt 13.41; 16.28); de "meu reino" (Lc 22.30; Jo 18.36). Paulo fala do "reino do Filho" (Cl 1.13) e "seu reino celestial" (2 Tm 4.18). Pedro menciona a "entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo" (2 Pe 1.11). Deus confiou o reino a Cristo (Lc 22.29), e quando o Filho tiver completado o Seu governo, entregará o reino ao Pai (1 Co 15.24). Por isso, é o "reino de Cristo e de Deus" (Ef 5.5). "O reino do mundo se tornou de nosso Senhor e do seu Cristo" (Ap 11.15). Não existe nenhuma tensão entre "o reino do nosso Deus e a autoridade do seu Cristo" (Ap 12.10). Quando se compara João com os sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas), percebe-se algo interessante. Nos sinóticos o tema dominante é o reino de Deus, cuja expressão aparece somente 2 vezes em João (3.3,5), enquanto que vida, ou vida eterna, é um conceito menos usado. Num estudo cuidadoso de Reino nos Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida 10
  11. 11. sinóticos e de Vida em João, descobre-se que "ambos pertencem à mesma categoria teológica, e são sinônimos". De acordo com C. K. Barret, vida eterna em João "substitui o reino de Deus dos evangelhos sinóticos". Portanto, quando Jesus fala de ver ou entrar no reino de Deus, é o mesmo que ter vida eterna ou ser salvo (cf Jo 3.16,17). O reino de Deus é o âmbito em que seu domínio é reconhecido e obedecido, e no qual prevalece sua graça. A menos que alguém nasça de novo, não pode sequer chegar a ver o reino de Deus; isto é, não pode experimentá-lo e participar dele; não pode possuí-lo e desfrutá-lo (Cf. Lc 2.26; 9.27; Jo 8.51; At 2.27; Ap 18.7). Antes que alguém possa ver esse reino, antes que alguém possa entrar nesse reino, e antes que alguém possa ter vida eterna em qualquer sentido, é necessário nascer de novo. c. O contexto do novo nascimento O contexto do diálogo de João 3 consiste na insuficiência de uma fé baseada em sinais externos (Jo 2.23). Jesus não podia confiar naqueles cuja fé era meramente superficial. Ele tinha conhecimento perfeito da natureza humana (Jo 2.24,25), como se vê na entrevista com Nicodemos. Num contexto mais amplo, por assim dizer, não podemos entender adequadamente a doutrina do novo nascimento fora do contexto do ser humano no pecado. O novo nascimento é necessário por causa da seriedade do pecado e da incapacidade do ser humano de resolver, por si só, o problema do pecado. Foi isso que Jesus disse a Nicodemos quando declarou no verso 6: "O que é nascido da carne, é carne ; e o que é nascido do Espírito, é espírito". Segundo Hendriksen, "Este versículo pode ser parafraseado do seguinte modo: A natureza humana pecadora produz natureza humana pecadora (cf. Jó 14.4, 'Quem da imundícia poderá tirar cousa pura? Ninguém'. Cf. Também Sl 51.5). O Espírito Santo é o autor da natureza humana santificada". Em sua primeira epístola, o apóstolo João trabalha a verdade do diálogo de Jesus com Nicodemos na apresentação de seus resultados na vida moral do crente. Aquele que é nascido de Deus crê e ama a Jesus: "Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo é nascido de Deus; e todo aquele que ama ao que o gerou, também ama ao que dele é nascido" (1 Jo 5.1). Ele pratica a justiça: "Se sabeis que ele é justo, reconhecei também que todo aquele que pratica a justiça é nascido dele" (1 Jo 2.29). Não leva uma vida de pecado: "Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática de pecado; pois o que permanece nele é a divina semente; ora, esse não pode viver pecando, porque é nascido de Deus" (1 Jo 3.9). "Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive em pecado..." (1 Jo 5.18a). Ama seus irmãos em Cristo e conhece a Deus: "Amados, amemo- nos uns aos outros, porque o amor procede de Deus; e todo aquele que ama é nascido de Deus, e conhece a Deus" (1 Jo 4.7). E experimenta a vitória da fé sobre o mundo: "Porque tudo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé" (1 Jo 5.4). O verbo "nascer", empregado por João no Evangelho e em sua 1a Epístola, aparece no texto grego no tempo aoristo ou perfeito, indicando o caráter único, decisivo e completo do novo nascimento, com efeitos profundos e permanentes. Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida 11
  12. 12. Sendo assim, "De acordo com João, o que é o novo nascimento?" Packer faz a pergunta e ele mesmo responde com muita propriedade: "Não é uma alteração ou adição à substância ou às faculdades da alma, e, sim, uma drástica mudança operada sobre a natureza humana caída, que leva o homem a ficar sob o domínio eficaz do Espírito Santo e o torna sensível a Deus, o que ele previamente não era. Não é uma mudança produzida pelo próprio homem, da mesma forma que os infantes nada fazem a fim de induzir ou contribuir para sua própria procriação e nascimento. Trata-se de um livre ato de Deus, não provocado por qualquer mérito ou esforço humano (cf. Jo 1.12; Tt 3.3-7), por ser totalmente um dom da graça divina". 2. O passaporte para o reino de Deus é o novo nascimento produzido pelo Espírito Santo. O Espírito santo é o agente do novo nascimento. Nascer de novo é o mesmo que nascido do Espírito (v8) ou do alto, conforme sugere o advérbio grego ánothen nos versos 3 e 7. Você já nasceu de novo? a. O significado de nascer da água e do Espírito O que significa nascer da água e do Espírito? A expressão nascer da água e do Espírito tem sido interpretada de várias maneiras. As diferentes opiniões acontecem, basicamente, em torno da expressão "nascer da água". As principais interpretações referem-se 1) à palavra de Deus (Pink, Mattew Henry, entre outros); 2) ao batismo com água (Hendriksen, Lenski, entre outros); 3) à operação purificadora do Espírito Santo (Calvino, Packer, entre outros). Estou convencido de que a terceira interpretação é a correta. O argumento de Calvino sobre esta passagem é digno de consideração. Diz ele que "... depois de Jesus Cristo expor a Nicodemos a corrupção de nossa natureza, e dizer-lhe que é preciso que sejamos regenerados, como Nicodemos imaginava um segundo nascimento corporal, Cristo lhe mostra de que maneira Deus nos regenera; a saber, em água e em Espírito; como se dissesse: Pelo Espírito, o qual purificando e regando as almas faz o ofício da água. Desse modo é que eu tomo a água e o Espírito simplesmente pelo Espírito, que é água. Esta maneira de falar não é nova, visto que está de acordo com a que se encontra em Mateus, onde João Batista diz: 'O que vem após mim vos batizará com Espírito Santo e com fogo' (Mt 3.11). Portanto, como batizar com Espírito Santo e com fogo é dar o Espírito Santo, o qual tem a natureza e a propriedade do fogo para regenerar aos fiéis, da mesma forma nascer da água e do Espírito não quer dizer outra coisa senão receber a virtude do Espírito Santo, que faz na alma o mesmo que a água no corpo. Sei que outros interpretam esta passagem de outra maneira; mas eu não tenho dúvida de que este é o sentido próprio e natural da mesma, uma vez que a intenção de Cristo não é outra que advertir-nos sobre a necessidade de nos despojarmos de nossa própria natureza se queremos entrar no reino de Deus. (...) ninguém pode entrar no reino de Deus até ser regenerado com a água viva; isto é, com o Espírito". Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida 12
  13. 13. Packer, seguindo o pensamento de Calvino, diz que em João 3.5 a palavra água "não se refere a nada externo que seja complementar à obra interior do Espírito nem ao batismo de João nem ao batismo cristão nem às águas do nascimento natural, como algumas pessoas têm suposto, mas, sim, ao aspecto purificador da renovação interior como tal, da maneira como é retratada em Ezequiel 36.25-27". Diz ele ainda que o fato de não se mencionar a água no versículo 6 de João 3 é uma evidência de que no verso 5 a água é apenas "uma ilustração de um aspecto da ação renovadora do Espírito". Concluímos, portanto, que assim como não há diferença entre ver o reino de Deus e entrar nele; nenhuma distinção entre ver a vida (Jo 3.36) e entrar nela (Mt 19.17; Mc 9.43,45), também não existe qualquer diferença entre nascer da água e do Espírito. b. Livre e soberanamente Em João 3 a natureza do novo nascimento fica evidente naquela analogia empregada por Jesus quando diz: "O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito" (Jo 3.8). Além disso, a palavra grega ánothen (de novo, vv3,7), que também poderia ser traduzida por "de cima", "do alto", "do céu" (o que é o mesmo que dizer, "de Deus" [Jo 1.13]), evidencia ainda mais o caráter livre e soberano do Espírito Santo na obra da regeneração. Tendo-se em vista a estrutura vertical do pensamento joanino, e a ênfase que ele coloca na ação soberana do Espírito, a tradução "de cima" (e equivalentes), ajusta-se melhor ao contexto. Sendo assim, por que utilizamos também a expressão nascer "de novo"? Nós a utilizamos porque 1) é uma tradução possível no presente contexto, e 2) em João nascer do "alto" significa o mesmo que nascer de novo e vice-versa. "Provavelmente, enquanto Jesus conversava com Nicodemos sobre essas questões, o vento noturno soprou mansamente pelas ruas estreitas do lugarejo, e sua presença refrescante e fria varreu o que fora deixado nas ruas durante o dia. Essa circunstância pode ter sugerido a ilustração usada por Jesus, e convenhamos que foi uma figura simbólica muito apropriada para representar as operações do Espírito de Deus" (CHAMPLIN, op. cit., 307). A comparação que Jesus faz entre o vento e o Espírito Santo em João 3.8 para ilustrar o novo nascimento é muito inteligente. A começar pelo uso dos termos, em português "vento" e "Espírito" são traduções distintas de uma mesma palavra grega, a saber, pneuma. Somente o contexto é que define a tradução correta. A comparação de Jesus também é indicada pela palavra "assim". Além disso, nota- se dois pontos na analogia. O primeiro ponto é visto na expressão "onde quer"; e o segundo (que estudaremos mais adiante) na expressão "não sabes". Teologicamente falando, assim como o vento sopra onde quer, ouvimos a sua voz, mas não sabemos donde vem, nem para onde vai; o Espírito Santo age livre e soberanamente, implantando no coração a vida que tem sua origem não nos Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida 13
  14. 14. homens, mas em Deus. O vento é uma força que não podemos dominar nem barrar. O vento não consulta o beneplácito de ninguém, nem pode ser regulado pelos artifícios de quem quer que seja. Assim acontece com o Espírito. O vento sopra quando quer, onde quer, como quer. Assim se dá com o Espírito. Do modo como o ir e vir do vento não pode ser controlado pelo homem, também o novo nascimento do Espírito é independente da vontade humana (cf. Jo 1.13). O vento é regulado pela sabedoria divina. Todavia, no tocante ao ser humano, é absolutamente livre e soberano em suas operações. Do mesmo modo é o Espírito Santo. Às vezes o vento sopra tão suavemente que as folhas quase não farfalham; em outras ocasiões, sopra com tanta força que seu rugido pode ser ouvido a muitos quilômetros de distância. Assim também podemos observar na questão do novo nascimento. Com algumas pessoas o Espírito Santo trata de maneira tão suave que a sua atuação é quase imperceptível a observadores humanos; com outras, sua ação é tão poderosa, radical e revolucionária que suas operações tornam-se evidentes para muitos. Às vezes, o vento tem alcance meramente local; em outras ocasiões sua área de atuação é de grande alcance. Assim acontece com o Espírito Santo: hoje ele regenera uma ou duas pessoas, ao passo que amanhã poderá compungir o coração de multidões inteiras, conforme ocorreu no dia de Pentecostes. Seja como for, agindo em poucos ou em muitos, ele não consulta homem algum. Age como quer. O novo nascimento se deve à vontade livre e soberana do Espírito Santo de Deus. c. Sobrenatural e misteriosamente O caráter sobrenatural e misterioso do Espírito Santo na obra da regeneração pode ser encontrado também na analogia do vento e o Espírito, principalmente na parte em que Jesus diz: "não sabes donde vem, nem para onde vai". O Mestre ensina a Nicodemos que a obra regeneradora do Espírito Santo não pode ser entendida em seu aspecto místico e sobrenatural, como Nicodemos queria (Jo 3.9), ao mencionar o vento como exemplo de comparação. Do mesmo modo que ninguém sabe de onde vem o vento, nem para onde vai , assim é todo o que é nascido do Espírito. E assim como o vento, a ação oculta do Espírito Santo no coração humano não pode ser vista ou controlada, mas seus efeitos são inconfundivelmente evidentes. Se olharmos atentamente para João 3.1-12, veremos que o sobrenatural e o misterioso estão presentes do começo ao fim da passagem. A própria expressão "nascer de novo" ou "do alto" soava incompreensível aos ouvidos de Nicodemos. O mestre de Israel sabia que Jesus falava de nascimento, mas não entendeu a natureza desse nascimento, que é espiritual (Jo 3.4). Não devemos interpretar a pergunta admirada de Nicodemos como se ele pensasse que realmente deveria retornar ao ventre materno e nascer segunda vez. Certamente ele aguardava uma resposta negativa por parte de Jesus. E assim, como é absolutamente impossível Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida 14
  15. 15. alguém entrar no ventre materno e nascer pela segunda vez, espiritualmente falando também não existe qualquer possibilidade de alguém entrar no reino de Deus se não nascer de novo. Pelo menos, a colocação de Nicodemos em João 3.4 serviu para Jesus desenvolver ainda mais o que Ele queria ensinar. A expressão nascer da água e do Espírito, que para nós ocidentais parece estranha e, por isso, tem dado margem para diversas interpretações, foi usada por Jesus para facilitar a compreensão de Nicodemos sobre o novo nascimento, sem perder de vista o caráter sobrenatural e misterioso do mesmo. Segundo Bruce, a expressão nascer da água e do Espírito "ecoa a linguagem do A. T. e pode ter sido escolhida para fazer soar uma campainha na mente de Nicodemos". E mais: "Se ele considerasse impossível adquirir uma natureza nova mais tarde na vida, agora deveria lembrar que Deus tinha prometido fazer exatamente isto em seu povo Israel: 'Aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; ... e porei dentro de vós espírito novo (Ez 36.25s.). Este 'espírito novo' era o Espírito do próprio Deus: 'Porei dentro em vós o meu Espírito' (Ez 36.27). A promessa a Israel através de Ezequiel foi ampliada na visão do vale de ossos secos, quando o profeta obedeceu à ordem divina: 'Profetiza ao espírito (= sopro), profetiza, ó filho do homem, e dize-lhe: Assim diz o Senhor Deus: Vem dos quatro ventos, ó espírito, e assopra sobre estes ossos, para que vivam' (Ez 37.9). Nesta passagem de Ezequiel, como na presente passagem do quarto evangelho, deve ser lembrado que a mesma palavra hebraica (rûah) e grega (pneuma) pode ser traduzida por 'sopro', 'vento' ou 'espírito', dependendo do contexto". Novamente Jesus é mal compreendido pelo fariseu. "Então, lhe perguntou Nicodemos: Como pode suceder isto? Acudiu-lhe Jesus: Tu és mestre em Israel e não compreendes estas cousas?" (Jo 3.9,10). O ensino de Jesus foi sem dúvida uma grande lição para um homem que acreditava, como muitos de sua época, que podia salvar-se mediante a obediência da lei de Moisés, e por muitos outros preceitos produzidos pelos homens. Jesus esperava que um homem como Nicodemos, famoso por suas exposições das Escrituras, reconhecido como autoridade em todas as questões religiosas (cf. Jo 7.50,51), compreendesse com naturalidade o que Ele dizia, visto que Seu ensino não era completamente novo. Estava respaldado no Antigo Testamento. Jesus continua: "Se, tratando de cousas terrenas, não me credes, como crereis, se vos falar das celestiais?" (Jo 3.11). O que Jesus quis dizer com essas palavras? Se o novo nascimento é algo sobrenatural, por que Ele o chama de "cousas terrenas"? E o que seriam, porventura, as coisas "celestiais"? Uma das melhores interpretações que encontrei foi a de F. F. Bruce. Diz ele: "A maneira mais natural de entender as coisas terrenas é atentar para o que Jesus estava falando. Pode parecer estranho classificar o novo nascimento como algo 'terreno', pois, por natureza, é um nascimento do alto; mas é 'terreno' no sentido de que acontece na terra e pode ser ilustrado por analogias terrenas. No ensino de Jesus, o novo nascimento faz parte do estágio elementar. Há muito mais a ser aprendido depois de compreendida esta lição, mas como pode alguém que ainda não o Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida 15
  16. 16. experimentou avançar para compreender a plenitude da revelação de Deus em Cristo? Entre as coisas 'celestiais', que não têm analogias terrenas, podem ser mencionadas a relação eterna do Filho com o Pai e sua encarnação na terra. Estas coisas estão totalmente fora do alcance da experiência humana; para saber delas somos completamente dependentes de alguém que veio de Deus para revelá-las, o Filho do homem". Concluímos que mesmo quando sabemos o momento exato do nosso novo nascimento, ainda assim não é possível compreender tão alto mistério. Teólogos e filósofos não são capazes de resolver este assunto. A teologia e a filosofia não conseguem desvendá-lo. Charles Hodge, o erudito de Princeton, expressou-se simplesmente da seguinte forma acerca do mistério da regeneração: "Não está ao alcance da filosofia ou da teologia resolver este mistério. É, contudo, o dever do teólogo examinar as várias teorias salvíficas, e rejeitar toda semelhança quando são inconsistentes com a Palavra de Deus". 3. O passaporte para o reino de Deus é o novo nascimento produzido pelo Espírito Santo de graça. Se você ainda não tem, adquira hoje mesmo seu passaporte gratuitamente e faça uma boa viagem. a. Por que de graça? Em um comercial de televisão, o vendedor oferecia um produto que garantia a aquisição de um outro "de graça", segundo ele. "Por que de graça?", perguntava, e a resposta logo em seguida era, "porque de graça é melhor!". No que se refere à obtenção de nosso passaporte para a vida eterna não dá para agir assim. O passaporte para o reino de Deus não pode ser adquirido como se fosse um brinde por termos comprado (ou merecido) alguma coisa. O passaporte para o reino de Deus só pode ser obtido de graça, pela graça, por intermédio da fé. "Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie" (Ef 2.8,9). O passaporte para o reino de Deus é um presente do Senhor para nós; por isso, não existe nenhuma outra maneira de consegui-lo a não ser de graça, pois somos pecadores por natureza, impossibilitados de adquiri-lo por nossos próprios méritos (cf. Rm 3.23; 6.23). Cristo garantiu o nosso passaporte através de sua morte na cruz. O Espírito Santo é, por assim dizer, o expedidor ou agente desse passaporte. Em linguagem teológica isso significa que o Espírito Santo é o aplicador da obra redentora de Cristo. "O único agente eficaz na aplicação da redenção", segundo nos ensina a Confissão de Fé de Westmisnter. De acordo com o Breve Catecismo, "Tornamo- nos participantes da redenção adquirida por Cristo pela eficaz aplicação dela a nós pelo Seu Santo Espírito". Vemos, então, que o Espírito Santo está estreitamente ligado à pessoa e obra de Cristo. Por conta disso, a Bíblia o denomina de "Espírito de Jesus" (At 16.7); "Espírito de Cristo" (Rm 8.9); "Espírito do Filho" (Gl 4.6) e "Espírito de Jesus Cristo" (Fp 1.19). Em outro lugar Paulo diz: "Ora o Senhor é o Espírito" (2 Co 3.17). Isto não significa que Cristo e o Espírito Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida 16
  17. 17. sejam a mesma pessoa, e sim, que há uma unidade divina entre ambos para a nossa redenção. Cooperam mutuamente com esta finalidade. Podemos perceber a clareza deste fato quando lemos Mateus 28.20; João 15.26; 16.14,15, onde Cristo promete retornar a Seus discípulos e a nós no Espírito. É por isso que Paulo diz em algumas vezes que é Cristo e em outras o Espírito Santo quem habita em nós (Rm 8.9,10; 1 Co 3.16; Gl 2.20). Concluímos, então, que o passaporte para o reino de Deus é de graça porque não existe a mínima possibilidade de alguém nascer de novo, ser salvo e obter a vida eterna por seu próprio esforço ou mérito pessoal. A salvação não pode ser comprada ou ganha por obras ou merecimento (At 15.11; Ef 2.8,9). É de graça! Porém, custou um alto preço ao nosso Senhor e Salvador. Paulo diz que fomos "comprados por preço" (1 Co 6.20), e Pedro complementa dizendo que não fomos salvos "mediante cousas corruptíveis, como prata ou ouro..., mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mancha, o sangue de Cristo" (1 Pe 1.18,19). O mérito é todo de Cristo. Ele pagou um alto preço para que míseros pecadores como nós pudessem ser salvos de graça. b. A graça de Deus no novo nascimento. "Graça" é o favor imerecido de Deus para conosco. Nenhum de nós é merecedor de ver ou entrar no reino de Deus através do novo nascimento, a não ser pela graça. Graça é o favor imerecido de Deus para quem estava em débito com Ele. Imaginemos a seguinte situação: ao se deparar na rua com um mendigo que nunca vira antes, alguém tira um dinheiro do bolso e lhe entrega. Esta atitude de ajudar o mendigo, por mais louvável e recomendável que seja, ainda não é graça. É compaixão. Agora, se aquela pessoa compassiva ajudasse um mendigo ou alguém que fez mal a ela; alguém que prejudicou sua vida e, por isso, está em débito com ela, e mesmo assim se dispõe a ajudar o ofensor, isso é graça. Graça é um favor imerecido para quem está em débito com aquele que o ajuda. Uma diferença básica entre graça e compaixão no que se refere à pessoa de Deus, é que na primeira o Senhor nos deu o que não merecíamos. Paulo diz: "Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor" (Rm 6.23). E mais: "Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie" (Ef 2.8,9). Não merecíamos a vida eterna. Quanto à misericórdia ou compaixão de Deus, Ele não nos deu o que merecíamos; a saber, a morte eterna. "Num ímpeto de indignação escondi a minha face por um momento; mas com misericórdia eterna me compadeço de ti, diz o Senhor, o teu Redentor" (Is 54.8). Tiago diz que "Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança" (Tg 1.17). O novo nascimento descrito em João 3 também vem do alto. É um dom da livre graça de Deus. Uma obra realizada pelo Espírito Santo, a fim de que cegos Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida 17
  18. 18. espirituais possam ver o reino de Deus; que pessoas afastadas dele por causa do pecado possam entrar; e que mortos em seus delitos e pecados possam viver a vida do reino. O novo nascimento é o dom da graça de Deus que muda a disposição de nossa alma, inclinando nosso coração para o Senhor. A regeneração é uma dádiva graciosa de Deus, como toda boa dádiva e todo dom perfeito que vêm do alto. Tudo de bom que recebemos ou possuímos nesta vida, e que nos aguarda no futuro também, é pela graça. Nada é nosso, exceto o pecado. "A graça se adapta melhor à nossa necessidade do que qualquer outra coisa. Visto que o pecado é um tirano que reina sobre nós, e pretende levar-nos à morte eterna, que esperança podemos ter de salvação firmados em nossos próprios esforços? Quando nossas consciências ficam alarmadas por causa de nossas muitas falhas vergonhosas, não estamos em desespero? Lembre-se, porém, de que a salvação é pela graça de Deus! A graça de Deus está fundamentada na obediência perfeita e meritória de Cristo. O pecado não pode destruir o valor disso. A graça pode reinar sobre a maior indignidade (cf. Rm 5.21). Na verdade, é só com o indigno que a graça se preocupa. Isso é assombroso! Isso é maravilhoso! Há esperança de salvação para o pior indivíduo, se é que ela é assegurada pela riqueza da graça que reina". c. A condição necessária do novo nascimento A condição necessária do novo nascimento aparece, pelo menos, em duas ocasiões em João 3.1-12. A primeira delas ocorre no verso 3 quando Jesus diz a Nicodemos: "... se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus". Segundo Sproul, "Quando Jesus disse a Nicodemos que 'se' alguém não nascesse de novo, ele estava afirmando aquilo a que chamamos de condição necessária. Uma condição necessária é um requisito absoluto para que um resultado desejado qualquer tenha lugar. Por exemplo, não pode haver fogo sem a presença do oxigênio, pois o oxigênio é uma condição necessária para que haja combustão. (...). A palavra 'se' faz da regeneração um sine qua non da salvação. Não havendo regeneração, não haverá vida eterna". Vale destacar, ainda, que por três vezes nesta passagem Jesus utiliza o prefácio solene "em verdade, em verdade te digo" (Jo 3.3,5,11). As palavras "em verdade" em forma duplicada aparecem 25 vezes somente no Evangelho de João, e sempre pronunciadas pelo Senhor Jesus. Essas palavras - do hebraico amém, transportado para o Novo Testamento - denota uma forte ênfase. Em outras palavras, quando Jesus falou sobre a regeneração como uma condição necessária para ver e entrar no reino de Deus, ele declarou essa condição necessária de maneira enfática. Além dessas palavras ("em verdade,..."), a expressão "não pode" também é crucial no ensino de Jesus. "Trata-se de uma expressão negativa que aborda a idéia de habilidade ou possibilidade. Sem a regeneração, ninguém (negativa universal) é capaz de entrar no reino de Deus. Não há exceções. É impossível alguém entrar no reino de Deus sem ter renascido". Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida 18
  19. 19. A segunda ocasião em que aparece a condição necessária do novo nascimento em João 3, encontra-se no verso 7. A versão Almeida Revista e Atualizada (ARA), adotada neste estudo, traduz assim o versículo: "Não te admires de eu te dizer: importa-vos nascer de novo". Outras possíveis traduções são as seguintes: "Não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo" (ARC); "Por isso não se admire de eu dizer que todos vocês precisam nascer de novo" (BLH). Para Nicodemos aquela história toda sobre nascer de novo parecia muito estranha. Ele estava acostumado à idéia de salvação por meio das obras da lei; isto é, por uma ação do homem. Mas o ensinamento que agora recebe é que a salvação é um dom de Deus, e que, em sua primeira etapa, tem lugar por meio de um acontecimento no qual o homem é necessariamente passivo. "Com freqüência, na pregação de nossos dias, interpreta-se mal a expressão necessário vos é. Deve-se entender claramente que, em concordância com todo o contexto, não se refere à esfera da obrigação moral mas à do decreto divino. Quando Jesus diz: 'Necessário vos é nascer de novo', não significa, 'Fazei todo o possível para nascer de novo'. Pelo contrário, o que quer dizer é: 'Algo tem que suceder-vos: o Espírito Santo deve por em vosso coração a vida do alto'. E Nicodemos precisaria ter um conhecimento suficientemente profundo de sua própria incapacidade e corrupção para compreender isto imediatamente. Assim não teria mostrado com sua expressão ou com suas palavras que lhe parecia tão estranha e surpreendente o ensino de Jesus acerca da absoluta necessidade e do caráter soberano da regeneração". Deus seja louvado por tão grande salvação! O passaporte para o reino de Deus é o novo nascimento produzido pelo Espírito Santo de graça. Notas: À luz das palavras de Nicodemos em João 3.2, é provável que ele tivesse presenciado os sinais que Jesus fazia em Jerusalém durante a festa da páscoa (Jo 2.23). O "sabemos" de Nicodemos (v2) e o "sabemos" de Jesus (v11), parecem sugerir um contraste entre o conhecimento produzido pela reflexão humana e o conhecimento resultante da estreita comunhão com o Pai. Para outras possíveis interpretações consulte R. N. CHAMPLIN, O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo: Lucas-João, Vol. II. Guaratinguetá: A Voz Bíblica, s/d, p. 308. Não estamos considerando as três vezes em que a palavra "reino" aparece isoladamente em João 18.36. Cf. Júlio Paulo Tavares ZABATIERO, Vida. In: DITNT. São Paulo: Vida Nova, Vol. IV, 1983, p. 758. Um exemplo de que as expressões reino de Deus e vida eterna são equivalentes pode ser encontrado em Marcos, onde "entrar na vida" (Mc 9.43,45) é o mesmo que "entrar no reino de Deus" (Mc 9.47). Ibdem. Cf. HENDRIKSEN, op. cit., p. 143. "Carne" em João 3.6 não tem a mesma conotação de João 1.13. Nesta última passagem "carne" indica desejo carnal, o impulso sexual do homem e da mulher; enquanto que em João 3.6 refere-se à natureza não regenerada que está em oposição ao Espírito (cf. Gl 5.17). Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida 19
  20. 20. HENDRIKSEN, op. cit., p. 145. J. I. PACKER, Vocábulos de Deus. São José dos Campos: Editora Fiel, 1994, p. 137. João CALVINO, Institución de la Religión Cristiana (IV, xvi, 25). 3ª ed. Países Bajos: Felire, 1986, Vol. II, p. 1061,2. Em seu comentário de João, Calvino trata deste assunto ainda com mais detalhes. Consulte Calvin's Commentaries: The Gospel According to St John 1-10. Grand Rapids: Eerdmans, 1961, p. 64,65. J. I. PACKER, Na Dinâmica do Espírito. São Paulo: Vida Nova, 1991, p. 64. Idem, p. 64,65. Embora esteja ciente da distinção que alguns teólogos fazem entre "regeneração" e "novo nascimento", neste estudo essas palavras são usadas indistintamente. Jesus não disse que ninguém conhece a direção do vento, e sim, que ninguém conhece sua origem e seu destino. F. F. BRUCE, op. cit., p. 81. Idem, p. 81,82. Note que o pronome pessoal da segunda pessoa do singular (tu) está subentendido na frase; portanto, a expressão "não me credes" refere-se a Nicodemos, enquanto que "como crereis", que está na segunda pessoa do plural, refere-se a Nicodemos e àqueles que ele representava. BRUCE, op. cit., p. 84,85. C. HODGE, Sistematic Theology. Grand Rapids: Eerdmans, 1946, Vol. III, p. 6. XXXIV, 3. Resposta 29. Abraham BOOTH, Somente Pela Graça. São Paulo: PES, 1986, p. 15. R. C. SPROUL, O Mistério do Espírito Santo. São Paulo: Cultura Cristã, 1997, p. 94. Cf. João 7.13; 9.22; 12.42; 19.38. Para outras possibilidades do porquê Nicodemos ter visitado Jesus à noite, consulte G. HENDRIKSEN, Comentario Del Nuevo Testamento: El Evangelio Según San Juan. Grand Rapids: SLC, 1987, p. 142. Alguns eruditos identificam Nicodemos com Nicodemos ben Gorion, um rico cidadão de Jerusalém e irmão de Josefo ben Gorion, o famoso escritor das guerras e antigüidades dos judeus. Mas não há provas conclusivas a respeito desta identificação. Consulte F. F. BRUCE, João: Introdução e Comentário. São Paulo: Vida Nova/Mundo Cristão, 1987, p. 78; R. N. CHAMPLIN, op. cit., p. 303. Cf. G. E. LADD, Reino de Cristo, de Deus, dos Céus In: EHTIC. São Paulo: Vida Nova, Vol. III, 1990, p. 262. Idem, p. 95. Ibdem. Consulte a nota 21 para o significado dos pronomes pessoais usados por Jesus neste diálogo. Cf. G. HENDRIKSEN, op. cit., p. 145. Ibdem. Parte IV O SIGNIFICADO DA SALVAÇÃO Quais as implicações práticas da salvação em Cristo Jesus para o homem e a mulher de hoje? A expressão JESUS SALVA é muito conhecida em nossos dias, Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida 20
  21. 21. pois além de ser convencionalmente anunciada é comum vê-la nos vidros dos carros e nos pára-choques dos caminhões. Entretanto, o que ela realmente significa? Antes de tudo é importante ter em mente que Jesus é salvação. Ele é a própria salvação, ou melhor, a única salvação. Pedro afirmou: "E não há salvação em nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos" (At 4.12). Para o apóstolo Pedro Jesus é a salvação no mais profundo sentido da palavra. Complementando Pedro, o apóstolo Paulo, por sua vez, acrescenta: "Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem" (I Tm 2.5). Além disso, o apóstolo entendia que o propósito divino para a salvação de alguém é eterno. "... Deus nos escolheu desde o princípio para a salvação...", diz Paulo em 2 Tessalonicenses 2.13. E em Efésios 1 diz ainda que Deus nos escolheu em Cristo para a salvação antes da fundação do mundo. O Senhor Jesus, dentre outras maneiras, apresentou a salvação em termos de ato e processo, libertação e manutenção. Vejamos, resumidamente, o que significa a salvação em Cristo Jesus. 1) LIBERTAÇÃO DO PECADO Que é pecado? "Pecado é qualquer falta de conformidade com a lei de Deus, ou qualquer transgressão desta lei" (Breve Catecismo de Westminster, cf Tg 2.10; 4.17; I Jo 3.4). Em outras palavras, pecado é tudo aquilo que se faz contrário à vontade de Deus. É errar o alvo naquilo que Deus quer para a nossa vida. O pecado surgiu no jardim do Éden com a desobediência dos nossos primeiros pais, ao comerem do fruto proibido (Gn 3.12,13; Os 6.7). Uma vez que Adão era o nosso representante diante de Deus, o gênero humano que dele procedeu por geração ordinária, pecou nele e caiu com ele na sua primeira transgressão (Gn 1.28; At 17.26; Rm 5.12-14; I Co 15.21,22). Por causa desta transgressão todo gênero humano possui agora uma natureza corrompida e escravizada pelo pecado (Sl 51.5; Rm 5.18,19; 6.6,17,20; 8.7; Ef 2.1-3). E o resultado final de tudo isto é que a humanidade perdeu a comunhão com Deus, está debaixo de sua ira e maldição, e assim sujeita a todas as misérias nesta vida, à morte e às penas do inferno para sempre (Gn 3.8,24; Mt 25.41-46; Rm 6.23; Ef 2.3). Mas Deus deixou todas as pessoas perecerem em seus pecados? De modo algum! "Tendo Deus, unicamente pela sua boa vontade desde toda a eternidade escolhido alguns para a vida eterna, entrou com eles em um pacto de graça, para os livrar do estado de pecado e miséria, e trazê-los a um estado de salvação por meio de um Redentor" (Breve Catecismo, cf Jo 17.6; Ef 1.4; Tt 1.2). E quando aceitamos a Jesus e por Ele somos salvos, o Pai nos justifica. "Justificação é um ato da livre graça de Deus, no qual Ele perdoa todos os nossos pecados e nos aceita como justos diante de Si, somente por causa da justiça de Cristo a nós Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida 21
  22. 22. imputada, e recebida só pela fé" (Rm 5.18; 2 Co 5.21; Gl 2.16). Para que alguém seja salvo por Cristo é necessário que se arrependa dos seus pecados e creia no Senhor Jesus como único e suficiente Salvador de sua vida (Mc 1.15; At 16.31). 2) LIBERTAÇÃO DO PECADO PARA A VIDA ETERNA A morte foi e sempre será, como conseqüência do pecado, a maior de todas as calamidades que o ser humano já experimentou na face da terra. A morte é o pagamento mais elevado do pecado, "porque o salário do pecado é a morte" (Rm 6.23a). Portanto, viver eternamente, há muitos e muitos anos, tem sido o anseio do coração de cada pessoa. Haja vista, por exemplo, a preocupação de Juan Poncil de Leon que no século XV saiu à procura duma fonte da juventude, e de Cleópatra, a rainha egípcia do século I a. C., que passava horas e horas se banhando em água com plantas aromáticas para imortalizar a sua idade juvenil. A não conformidade com a morte gera a esperança de uma vida eterna. Eis alguns exemplos da Antigüidade: Indígenas colocavam junto aos mortos as armas que estes haviam usado em vida, na certeza de que lhes seriam úteis nas lutas do além. Os groenlandeses enterravam junto às crianças um cão para guiá-las através do bosque sombrio que supunham existir nos limites da outra vida. Os egípcios punham à disposição do morto, na sua tumba, um esboço de uma das regiões do além. Os gauleses 'emprestavam' dinheiro aos defuntos na expectativa de reavê-lo na outra vida. Os gregos colocavam, na boca dos cadáveres, uma moeda de prata, a fim de pagarem a passagem pela travessia de um rio que, segundo se cria, limitava os dois mundos. VIDA ETERNA é a expressão que praticamente resume a missão de Cristo, agora e sempre, para todo aquele que nEle crê. "Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (Jo 3.16). Paulo salienta: "Ele (Cristo) vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados" (Ef 2.1). A palavra "vida" usada por Paulo em Efésios 2.1 é, em grego, ZOE e não BIOS, indicando, desse modo, aquela qualidade de vida espiritual e eterna que só Jesus pode dar. Vale a pena ressaltar que "a vida eterna não é simples existência eterna; significa existir com todas as faculdades desenvolvidas em plenitude de alegria. Não é existir como a erva seca, mas sim, como a flor em toda a sua beleza" (Carlos Spurgeon, O Conquistador de Almas). A vida eterna consiste no conhecimento de Deus (cf Jo 17.3). Este conhecimento, longe de ser uma simples questão de compreensão intelectual acerca de Deus, significa, na verdade, um relacionamento pessoal, devocional e íntimo com Ele. A vida eterna é uma obra da livre graça de Deus que adquirimos quando nos convertemos, isto é, quando nos arrependemos de nossos pecados e cremos em Jesus para a nossa salvação. E nem mesmo a morte física serve de obstáculo para a vida eterna; pelo contrário, a morte, para os crentes, é "uma libertação do Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida 22
  23. 23. pecado e um passo para a vida eterna" (Catecismo de Heidelberg, cf Jo 5.24; Rm 7.24; Fp 1.23). Além disso, ter a vida eterna é o mesmo que estar salvo num processo irreversível (Jo 5.24; 6.47; 10.27,28; I Jo 5.13). Vida eterna, como o próprio nome indica, não é uma coisa que temos hoje e perdemos amanhã. Neste caso seria vida transitória, jamais eterna. "O salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor" (Rm 6.23). 3) LIBERTAÇÃO DO PECADO PARA A VIDA ETERNA EM SANTIDADE DE VIDA A santidade de vida consiste no fato de morrermos cada vez mais para o pecado e vivermos para a retidão (cf Rm 6.6; 12.1,2; Ef 4.20-24; I Pe 1.2). E não há outra coisa que Deus mais deseja para aqueles que foram libertados do pecado, enquanto estiverem no mundo, senão uma vida contínua de santificação. "Pois esta é a vontade de Deus, a vossa santificação", diz Paulo (I Ts 4.3). E Pedro complementa: "... segundo é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos também vós mesmos em todo o vosso procedimento, porque escrito está: Sede santos, porque eu sou santo" (I Pe 1.15,16). Paulo diz ainda em Efésios 1.4 que a nossa eleição por parte de Deus visava a nossa santificação: "... nos escolheu... para sermos santos e irrepreensíveis perante Ele". E não somente isto, mas a santidade de vida é também uma das grandes evidências de nossa eleição e salvação (cf 2 Pe 1.3-11). É necessário que estejamos atentos para o estado perigoso de muitos que professam a fé cristã hoje em dia. Sem a santificação "ninguém verá ao Senhor", diz o autor de Hebreus (Hb 12.14). Quanto a este particular, o erudito John Owen, puritano do século XVII, afirmou: "Não há imaginação mais tola e perniciosa, que costuma caracterizar os homens, do que esta - que pessoas não purificadas, não santificadas, cujas vidas não são santas, supostamente possam ser levadas àquele estado de bem-aventurança que consiste no aprazimento de Deus. Nem tais pessoas desfrutariam de Deus, e nem Deus seria uma recompensa para elas. A santidade, na verdade, será aperfeiçoada no céu, mas os seus primórdios invariavelmente estão confinados a este mundo". "Não há salvação sem santificação", costumavam dizer os puritanos do passado. De que maneira trocamos o pecado pela vida de santidade? Como a velha natureza ainda faz parte de nossa vida, devemos lutar constante e diligentemente contra toda forma de pecado. O bispo anglicano J.C.Ryle, em seu famoso livro Santidade, apresenta-nos uma receita infalível para se lutar contra e vencer o pecado. Diz ele: "A santidade também é algo que depende em muito do uso diligente dos meios bíblicos. Quando falo em meios, tenho em vista a leitura da Bíblia, a oração privada, a freqüência regular à adoração pública, o ouvir constante da Palavra de Deus e a participação regular na Ceia do Senhor. Afirmo Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida 23
  24. 24. como um simples fato que ninguém que se descuida quanto a esses exercícios pode conseguir grande progresso no caminho da santificação. (...). Deus opera através de meios, e Ele nunca abençoará uma alma que pretenda ser tão elevada e espiritual que possa dispensar esses exercícios, como se fossem desnecessários". O Pai celestial nos abençoará através dos meios, mas só se estivermos dispostos a nos apropriarmos deles (Mc 14.38). E não se esqueça: Jesus Cristo deve ser o maior exemplo de santidade a ser imitado por você (Cl 2.6; I Pe 2.21,22; I Jo 2.6). Pois só assim é possível manifestar a fé verdadeira, porque, como sabemos, a fé sem obras é morta! 4) LIBERTAÇÃO DO PECADO PARA A VIDA ETERNA EM SANTIDADE DE VIDA, VISANDO A GLÓRIA DE DEUS Em sua pergunta de nº 3, o Catecismo de Doutrina Cristã declara: "Para que fim vos criou Deus a vós e a todas as coisas?". "Para a sua própria glória", é a resposta. Esta declaração singela resume o conteúdo de toda a Bíblia no que concerne ao propósito de Deus para a Sua criação em geral, e para o ser humano em particular. A glória de Deus é o tema da revelação geral (a criação) e da revelação especial (a Palavra). O Salmo 19 é um exemplo maravilhoso de declaração e manifestação da glória de Deus pela criação (vv1-6) e pela Palavra (vv7-14). Contudo, somente a Bíblia é a única regra para nos dirigir na maneira correta de glorificar a Deus. E dentro do que estamos apresentando até aqui, concluímos, pela Palavra de Deus, que a salvação em Cristo, que consiste na libertação do pecado para vivermos eternamente em santidade de vida, não tem outro fim supremo e principal senão o de glorificar a Deus. Mas o que significa glorificar a Deus? A palavra glorificar às vezes significa tornar alguém glorioso, ou conceder-lhe glória; outras vezes quer dizer reconhecer alguém como glorioso, ou manifestar sua glória. No primeiro sentido se diz que Deus glorifica (torna ou concede glória) tanto a Cristo (At 3.13) como aos justificados (Rm 8.30). Neste caso, portanto, não podemos glorificar a Deus, pois nada podemos acrescentar à perfeição que Ele tem em si mesmo. O segundo sentido de glorificar, que ocorre várias vezes nas Escrituras, quer dizer que podemos e devemos declarar por palavras e atitudes que Deus é glorioso, isto é, honrá-lO e louvá-lO como tal, e tornando conhecidas de outros Sua majestade, bondade, etc. Nós glorificamos a Deus quando cantamos para Ele, quando oramos a Ele, quando estudamos a Sua Palavra e, principalmente, quando fazemos a Sua vontade (Mt 12.50; Lc 6.46-49). Ademais, é importante ficar claro que de nossa parte apenas glorificamos a Deus quando fazemos as coisas com o propósito de glorificá-lO de fato (cf I Co 10.31). Digo isto simplesmente porque Deus não tem Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida 24
  25. 25. prazer naquilo que não O Glorifica. Por exemplo: Quantas vezes oramos a Deus com o fim de satisfazermos simplesmente os nossos próprios interesses? Não duvido que é na oração que muitas vezes usurpamos a glória que pertence a Deus. Tiago 4.3 diz: "Pedis, e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres". Ao tratar dos impedimentos à oração, R.A.Torrey comenta Tiago 4.3 de um modo que deve nos levar à reflexão. Diz ele: "Um propósito egoísta na oração rouba-lhe o poder. Muitas orações são egoístas. Pode tratar-se de coisas perfeitamente adequadas para ser objeto de petição, coisas que sejam da vontade de Deus conceder, mas o motivo da oração é inteiramente errado, e assim ela se anula. O verdadeiro propósito na oração é para que Deus possa ser glorificado na resposta. Se pedirmos algo simplesmente para recebermos o que pedimos e usá-lo em nossos prazeres ou em nossa própria gratificação, estamos 'pedindo mal' e não podemos esperar receber aquilo que pedimos. Isto explica porque muitas orações permanecem sem resposta" (Torrey, Como Orar). Deus quer abençoar muito a você e a mim, mas para isso precisamos fazer a coisa certa, do jeito que a Bíblia nos ensina a fazer. O sentido da vida consiste em atribuir a Deus a glória que exclusivamente Lhe pertence. Por isso precisamos ter em mente ainda outra coisa: É necessário reconhecermos que se existe alguma bondade, habilidade e talento em nós é por causa da graça e misericórdia de Deus para conosco. I.H. Marshall, comentando a trágica morte do rei Herodes em Atos 12, disse corretamente: "A lição é que o próprio Deus age contra aqueles que usurpam a Sua posição e reivindicam para si mesmos as honras divinas". Talvez não cheguemos ao ponto de reivindicar para nós mesmos as honras divinas como Herodes fez, mas não estamos tão longe desse erro como poderíamos pensar. Toda forma de soberba e orgulho é uma péssima indicação de que alguém está querendo para si o que deveria atribuir a Deus. A Bíblia, assim como a história antiga e moderna, tem vários exemplos desastrosos da chamada síndrome de Lúcifer. Porque quem a si mesmo se exaltar será humilhado por Deus. E ser humilhado por Deus é uma experiência deveras terrível. Mas quem a si mesmo se humilhar será exaltado por Deus (Mt 23.12; Pv 15.33). Aprendamos, pois, as sábias lições de João Batista ("Convém que Ele cresça e que eu diminua", Jo 3.30), de Paulo ("Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu para o mundo", Gl 6.14) e do Senhor Jesus Cristo ("Pois o próprio Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos", Mc 10.45). Concluindo: Somos libertados da escravidão do pecado por Cristo para vivermos dia-a-dia a nova vida que glorifica a Deus. Portanto, façamos da seguinte oração o nosso compromisso de fé: Resolutos, Senhor, e com zelo e fervor, Os teus passos queremos seguir! Teus preceitos guardar, o teu nome exaltar, Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida 25
  26. 26. Sempre a tua vontade cumprir. (Sammis e Ginsburg) Parte V JESUS E O "CRISTO REDENTOR" Construído no período de 1921 a 1931, para comemorar o centenário da independência do Brasil, o monumento que representa Cristo contemplando a cidade do Rio de Janeiro, do alto do Corcovado, é o mais imponente símbolo da idolatria nacional. Quiseram as autoridades da época, certamente, proclamar bem alto a opção cristã do Brasil. A imagem de Jesus erigida num pedestal natural, num monte, na capital e mais importante cidade brasileira, atingia plenamente os objetivos. O monumento ficaria defronte para o Pão de Açúcar e Baía de Guanabara, exposto visitação pública e fácil de ser apreciado pelos navegantes. Tudo muito ajustado e correto sob o ponto de vista de seus idealizadores, não fosse um detalhe importante: Deus condena a construção de imagens de qualquer Pessoa da Santíssima trindade, dos anjos e dos santos bíblicos. Não podiam desconhecer a Lei Moral porque o encerramento do cânon do Antigo Testamento se deu mais ou menos a 445 a.C., e as primeiras Bíblias começaram a chegar ao Brasil por volta de 1856. Vejamos o que diz o Segundo Mandamento: "Não farás para ti imagens de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima dos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a maldade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem, e faço misericórdia em milhares aos que me amam e guardam os meus mandamentos" (Êxodo 20.4). Deus é infinitamente divino e grandioso para ser representado por obras feitas por homens. Jesus é Deus. O Segundo Mandamento proíbe fazer imagem do próprio Deus. Há quem acredite que o "Cristo Redentor" com seus braços abertos está abençoando a cidade e seus moradores. Engano. Jesus, o Cristo, ressuscitou e vive. Ele fala, ouve, atende, cura, salva e perdoa. Não está petrificado, mudo, surdo, paralítico e cego. Não decora as casas, os montes, as cidades ou o colo de alguma donzela. Dispensa e rejeita qualquer adoração que lhe seja dirigida por meio de uma imagem, seja ela de 30 centímetros ou de 50 metros de altura, pese dois quilos ou dez toneladas. "Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade" (João 4.24). As "bênçãos" do "Cristo de pedra" não evitaram que o Rio se tornasse na mais carnavalesca das cidades; não evitaram a construção de um monumento à festa da carne, o sambódromo, nem que seus morros se transformassem em reduto de traficantes de drogas. Nem evitaram que a feitiçaria ali fizesse morada. O "Cristo Redentor", além de ser um símbolo da desobediência a Deus, é uma mentira. A figura que ali está não é a de Jesus, o Jesus da Bíblia. Ninguém fotografou o Mestre ou fez qualquer descrição de suas feições: "Suas imagens são mentira. Nelas não há espírito" (Jeremias 10.14). Jesus não pactua com essas coisas e dispensa essas honrarias. Vejamos: "Vós pertenceis ao vosso pai, o diabo, e quereis executar o desejo dele. Ele foi Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida 26
  27. 27. homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, pois não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, pois é mentiroso e pai da mentira" (João 8.44). Jesus também disse: "Eu sou a Verdade" (João 14.6). Ao erguerem o "Cristo Redentor" seus construtores davam cumprimento às inspiradas palavras do apóstolo peregrino": "Pois tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes seus raciocínios se tornaram fúteis, e seus corações insensatos se obscureceram. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos, e mudaram a glória de Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, bem como de aves, quadrúpedes e répteis" (Romanos 1.21- 23). O que devo fazer? Perguntaria um preocupado pecador, arrependido pelas vezes que subiu com reverência ao monumento do falso redentor. Aquele que chorou amargamente por haver negado a Jesus por três vezes, responde: "Arrependei- vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados" (Atos 2.38). "Deus, não levando em conta os tempos da ignorância, manda agora que todos os homens em todos os lugares se arrependam" (Atos 17.30). O monumento deve ser demolido? Se alguém lançar essa idéia enfrentará uma cerrada oposição; muitos serão os argumentos contrários à derrubada do "Cristo". O diabo teve ativa participação nessa obra e deseja a sua perpetuação. Desde o tempo de Adão e Eva o diabo continua dizendo aos homens que vale a pena desobedecer a Deus. Convém a Satanás e a seus anjos que muitos ídolos sejam construídos em todo o Brasil. Ídolos de barro, de pedra, de madeira, de ouro, de prata, de bronze. Por quê? Porque enquanto os olhos e os pensamentos do povo estiverem fixos nessas imagens, o verdadeiro Cristo redentor será esquecido, e não será adorado "em espírito e verdade". Para destruir esse "bezerro de ouro" seria necessário surgir um Moisés, com a face iluminada pela glória de Deus? Haveria necessidade de Deus imprimir em tábuas de pedra um outro Mandamento, mais claro, mais contundente, mais cristalino? Por certo o mais seguro é esperarmos pela promessa do Todo- Poderoso: "E sucederá, naquele dia, diz o Senhor, que eu exterminarei no meio de ti os teus cavalos e destruirei os teus carros; e destruirei as cidades da tua terra e derribarei todas as tuas fortalezas; e tirarei as feitiçarias da tua mão, e não terás agoureiros; E ARRANCAREI DO MEIO DE TI AS TUAS IMAGENS DE ESCULTURA E AS TUAS ESTÁTUAS; e tu não te inclinarás mais diante da obra das tuas mãos; e arrancarei os teus bosques do meio de ti; e destruirei as tuas cidades" (Miquéias 5.10-14). Parte VI AS IMPLICAÇÕES DA RESSURREIÇÃO DE CRISTO Para a Igreja - (Marcos 16.1-8) Nesta ocasião de celebração da Páscoa, devemos estudar sobre as implicações eclesiológicas da ressurreição de nosso Senhor Jesus para nossas vidas em particular e, conseqüentemente, para a Igreja que é o Corpo Vivo de Cristo. Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida 27
  28. 28. Não trataremos das implicações teológicas, o que nos exige estudo aprofundado de Cristologia, mas podemos e devemos aproveitar a ocasião para uma reflexão profunda sobre a nossa prática no ser igreja e ainda, se nossa expressão cúltica é verdadeiramente louvor a Deus e proclamação de seu Evangelho. A ressurreição sempre foi um tema desafiador para o povo de Deus e ainda o é para a igreja. Se estudarmos com seriedade o tema identificaremos três divisões objetivas que são: 1) Ressurreições anteriores a de Jesus: a) 1 Reis 17.22 - O filho da viúva de Sarépta por Elias. b) 2 Reis 4.35 - O filho da sunamita por Eliseu. c) 2 Reis 13.21 - O homem jogado na sepultura de Eliseu, pelo contato com os ossos do profeta. 2) Ressurreições no Ministério de Jesus: a) Mateus 9.25 - A filha de Jairo. b) Lucas 7.15 - O filho da viúva de Naim. c) João 11.44 - Lázaro, o amigo de Jesus. d) Mateus 27.52-53 - Os Santos que morreram justos no momento da morte de Jesus. e) Marcos 16.6 e correlatos - O próprio Senhor Jesus. 3) Ressurreições posteriores a de Jesus: a) Atos 9.37 e 40 - Tabita ou Dorcas, por Pedro. b) Atos 20.9-12 - Êutico, por Paulo em Trôade. De todas as narrativas sobre esta manifestação sobrenatural de Deus a ressurreição de Jesus tem implicações específicas, conforme profetizado no Salmo 16.10, que assevera que o Pai não permitiria que ao Filho habitar com os mortos, mesmo tendo ele estado na habitação dos mortos e proclamado libertação ali, 1 Pedro 3.18 e 19. Veremos pelo menos três destas implicações para nossas vidas e Igreja. I - As barreiras e dificuldades para nossa atuação no mundo são retiradas pelo próprio Deus; (vs. 3 e 4): O texto declara que as mulheres estavam preocupadas com a pedra que era muito grande. Em Mateus 27.60, referindo-se ao tamanho da pedra, o evangelista diz ser mega, isto é, muito grande, de uma amplitude que grande seria pouco para expressar, a pedra colocada na entrada do sepulcro. Os olhos daquelas mulheres, vs. 3, estavam como muitas vezes ficam os olhos da igreja diante dos desafios para a evangelização ou para a realização de seus ministérios, fixados nos problemas, presos nas dificuldades e voltados para a Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida 28
  29. 29. derrota, como se fôssemos cegos. A prova disto é a expressão do texto no vs. 4, "levantaram os olhos", no original. O verso afirma que elas recuperaram a visão ao erguerem os olhos. Na verdade houve uma mudança radical na perspectiva daquelas mulheres. Não mais olhavam para baixo e sim para cima, para o alto, e isso lhes permitiu a visualização do milagre. A pedra estava revolvida e não era mais uma barreira. Amados irmãos e irmãs, erguer os olhos denota ato de fé. Sempre que agimos pela fé os obstáculos, as barreiras e dificuldades para a consecução do ministério da igreja e da evangelização deixam de existir. Deus mesmo nos abre as portas pelo seu poder e para sua glória. A segunda implicação é decorrente da primeira, visto que... II - Não há o que temer, o mais feroz inimigo foi vencido por Jesus; (vs. 5 e 6): A profecia do Salmo 16.10 e 11, já citado, afirma que não haveria destruição espiritual na vida de Jesus. Seu espírito não ficaria no inferno, a habitação dos mortos. A vitória foi prometida e é garantida por Deus para a igreja, que é o Corpo Vivo do Senhor Jesus. O vs. 5 de Marcos 16 fala do medo daquelas mulheres. Esse medo seria uma reação humana que precisava ser vencido. O texto, no original, fala que elas "caíram atônitas de espanto" por não terem visto o corpo de Jesus. Neste instante, o anjo que estava ali para ministrar àqueles corações, vs. 6, diz que não havia motivos para espanto, para o susto. As mulheres foram desafiadas à renunciarem o medo, vencendo-o pela fé. Jesus não estava lá. Não encontraram um corpo inerte e em putrefação. Jesus havia ressuscitado. Acordara! Despertara da morte levantando em triunfo e vitória sobre a morte e o pecado. Jesus ressurgiu! O defunto, aparentemente derrotado, não está inerte e nem mesmo preso em sua lápide, pois no confronto com a morte, com o poder das trevas, Jesus sempre é vitorioso. As mulheres procuravam um homem morto mas encontraram o Deus Vivo! O apóstolo Paulo, em 1 Coríntios 15.54-56, pergunta sobre a vitória da morte, ao que ele mesmo responde: "tragada foi a morte na vitória". A vitória de Jesus Cristo na sua ressurreição. O túmulo de Jesus vazio, fato que nenhum outro líder religioso conseguiu, é prova cabal e insofismável da vitória de Cristo sobre a morte e sobre o inferno. A igreja precisa expressar fé genuína e plena nesta vitória se deseja consumar o Reino de Deus no mundo. Não existe nada que possa deter o triunfo da igreja, a não ser a falta de fé na vitória que nos foi outorgada por Jesus Cristo. O medo é paralisante. A paralisia desemboca na acomodação. A acomodação fossiliza a igreja. Devemos subjugar o medo e rejeitar com veemência a acomodação, libertando-nos do risco da fossilização, para que, pela fé, sejamos uma igreja com autoridade profética no Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida 29
  30. 30. testemunho do Cristo vivo. A terceira implicação, como não poderia deixar de ser, é decorrente desta, e indica que... III - A igreja deve avançar sempre com a convicção de que Jesus vai adiante dela; (vs. 7): Tenho em mente a experiência do povo de Deus na travessia do mar, ao saírem do Egito, quando clamaram ao Senhor diante de um desafio intransponível aos olhos humanos. Deus simplesmente determina: "dize ao povo que marche", Êxodo 14.15. Seria maravilhoso se nós tivéssemos a disposição de apenas marcharmos rumo a vitória do Evangelho no mundo, jamais lamentando os desafios, a dureza dos corações ou a incredulidade reinante. Como igreja, nosso desafio é conquistar a totalidade das etnias pela pregação. A ordem do Mestre é ir, verso 15. Da mesma forma o anjo ordena às mulheres dizendo "ide". É um imperativo. Não existe a alternativa para permanecerem prostradas. Não lhes é oferecida a opção para cumprirem apenas uma parte do mandado. A ordem determinada pelo anjo é tal qual a de Jesus, unívoca e irrefutável. Devemos observar que não é ir em qualquer direção ou sem uma missão específica. É ir para o lugar designado por quem deu a ordem. Ir em frente, para a Galiléia, pois o Senhor vai adiante. No texto original o termo indica que Jesus mesmo preparava o caminho para que seguissem, garantindo a chegada em segurança, bem como a eficácia na missão. O Senhor ressurreto e vitorioso vai adiante da igreja aplainando o caminho para os "pés daqueles que anunciam a Paz". Não encontramos no Texto Sagrado desculpas para ficarmos prostrados ou vislumbrados diante da magnitude da vitória de Cristo. Devemos avançar em ofensiva contra o pecado na proclamação do Evangelho. É imperioso pregarmos a qualquer tempo e circunstâncias a vitória de Jesus Cristo contra o pecado, a morte e o inferno. O Senhor Jesus vai adiante de nós, prepara o caminho, tira as barreiras e rompe os grilhões. A igreja deve segui-lo com firme convicção de fé, pois somos a Igreja vitoriosa, triunfante e gloriosa. Conclusão: É maravilhoso fazermos parte de uma equipe que já tem a garantia da vitória contra os seus opositores e seu Adversário. Amados irmãos e irmãs, se nos detivermos ante aos obstáculos, ante aos temores que nos tentam embotar a consciência e nos arrefecer a fé, ou se nos prostrarmos em inércia ociosa e diabólica resultante de ostracismo espiritual e de uma vida devocional rasa e insipiente, de certo perderemos o Senhor Jesus de vista, pois Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida 30
  31. 31. ele sempre vai adiante e nunca estaciona em sua marcha triunfal à Jerusalém celestial. Devemos adentrar a Cidade Santa com o Senhor. Creiamos, amados, o Senhor mesmo colocará por terra todos os obstáculos. A ressurreição de Jesus é prova mais que contundente de que não precisamos temer, pois o mais vorás inimigo está derrotado e envergonhado, Colossenses 2.15. Nada pode deter o avanço do evangelho no mundo, a não ser o comodismo da igreja. Minha oração é que as implicações da ressurreição de Cristo sejam as implicações pertinentes em nossas vidas e igreja. Somos o Corpo Vivo de Cristo e membros uns dos outros, o que nos impõe convicção de fé e determinação evangelística jamais praticadas em nossa história. Somos nós hoje, como Elias, Eliseu, Pedro e Paulo o foram no passado, os detentores do poder e da unção espiritual para a ressurreição de todo aquele que crer em Cristo Jesus como resultado do nosso testemunho e pregação. Que Deus nos ajude nesta atuação como ressuscitadores dos mortos nos delitos e pecados. Amém. Parte VII MINISTÉRIO DE CRISTO Modelo para o Ministério da Igreja - Parte II Mateus 4. 23-25 4.23. Percorria Jesus toda a Galiléia, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando toda sorte de doenças e enfermidades entre o povo. 4.24. E a sua fama correu por toda a Síria; trouxeram-lhe, então, todos os doentes, acometidos de várias enfermidades e tormentos: endemoninhados, lunáticos e paralíticos. E ele os curou. 4.25. E da Galiléia, Decápolis, Jerusalém, Judéia e dalém do Jordão numerosas multidões o seguiam. 9.35. E percorria Jesus todas as cidades e povoados, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando toda sorte de doenças e enfermidades. Estivemos em ocasião anterior refletindo a respeito do ministério de Cristo e afirmando que o ministério de Cristo era um modelo ideal para o nosso ministério. Na ocasião anterior, falamos de três aspectos do ministério de Jesus Cristo: que o seu ministério foi de ensino, destacando que ao ensinar Jesus apelava à mente de seus ouvintes; também destacamos que o seu ministério foi de proclamação, vendo que neste aspecto Ele apelava ao coração dos ouvintes; finalmente, enfatizamos que o ministério de Jesus Cristo foi um ministério de cura e que Jesus Cristo curava toda sorte de doenças e enfermidades, nesse último aspecto Jesus Cristo estava tratando do corpo. Com isso, queríamos demonstrar a integralidade do ministério de Cristo que envolvia todas as áreas do ser humano. Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida 31
  32. 32. Na continuação, queremos destacar a influência do ministério de Jesus no seu contexto e na sua época. 1. O ministério de Jesus teve repercussão. E a sua fama correu por toda a Síria. Ao ler a narrativa de Mateus podemos perceber que o ministério de Jesus sem que fossem necessários cartazes e anúncios na Folha de Jerusalém ou nos principais programas televisivos de Israel era cada dia mais conhecido. Não que Jesus contasse por trás de si mesmo com uma equipe especialista em estratégia de marketing religioso que apregoasse as suas virtudes e grandezas. Não, não era esse o caso! As coisas excelentes se afirmam por si mesmas. A luz não pode ser escondida, o sabor do sal sempre será perceptível, o brilho do diamante sempre se revela. Quem precisa de propaganda, de anúncio, de divulgação do seu ministério é quem está ansioso por projeção, por sucesso e fama. Jesus, já havia rejeitado anteriormente, no episódio da tentação, usar o poder para provar quem era. Quem é não precisa provar. Satanás disse: se és! Mas Deus disse: Tu és o meu filho amado. Jesus sabia e nos ensina isso, o importante é aquilo que somos para Deus; seus amados. Somos amados por Deus, não pelo sucesso que fazemos, pela fama que temos, pelo poder que possuímos. Nada disso impressiona a Deus. Ele nos ama porque somos seus filhos, não porque somos astros de um teatro religioso. A repercussão do nosso ministério virá como corolário, como conseqüência da ação do Espírito Santo de Deus na nossa vida. Cedo ou tarde virá à luz. Não virá como a conseqüência de uma busca. Assim como a obra de Deus na natureza, como afirma Paulo, não fica escondida, assim a obra do Espírito Santo no meio do povo de Deus há de repercutir. O Espírito produz fruto. A técnica produz fantasia. Foi dito dos primeiros cristãos que eles abalaram o mundo de sua época (Atos 17.6). Devemos ter equilíbrio no que diz respeito a esse assunto. Não cabe a nós proclamar o que fazemos, mas a obra que o Senhor realiza por meio de nós, com certeza ecoará. Ao escrever aos tessalonicenses, no capítulo 1, verso 7, Paulo, assim se Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida 32
  33. 33. reporta ao que Deus estava fazendo no meio deles: Porque de vós repercutiu a palavra do Senhor não só na Macedônia e Acaia, mas também por toda parte se divulgou a vossa fé para com Deus, a tal ponto de não termos necessidade de acrescentar coisa alguma. 2. O ministério de Jesus teve resultados. A segunda coisa a se destacar a respeito do ministério de Jesus Cristo é que o seu ministério teve resultados. Jesus curou enfermos, ressuscitou mortos, restaurou vidas, transformou a história de muitas pessoas. Ao falar da relação da Videira Verdadeira com os seus ramos assim Jesus se expressa: João 15:16 Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça. Há duas coisas que quero destacar neste texto: primeiro, que Jesus deixa claro o seu objetivo para conosco, é que sejamos frutíferos. Jesus não nos chamou para sermos estéreis. A conseqüência de quem está ligado com Jesus Cristo é ser frutífero. O segundo aspecto a ser destacado é a permanência do fruto. Há uma coisa que deve ser levado em conta nas estatísticas evangelásticas dos nossos dias: é o que se denominou de igreja rodoviária. É uma igreja na qual há sempre um grande número de pessoas, mas sempre a caminho. O número de pessoas que chega e que sai é muito grande. Nesse momento fico a pensar na imagem que Cristo criou da videira e uma coisa vem a minha mente; não deveria o fruto ter a qualidade da árvore? Será que algumas uvas que estão aparecendo foram criadas em laboratório, geneticamente modificadas e por isso não têm a qualidade original da videira verdadeira. Pensar que o ministério de Cristo teve resultados deve nos leva a criticar o nosso conformismo que, nos leva procurar desculpas pela falta de resultados. Uma igreja que é nutrida na seiva de Jesus Cristo e que é permanentemente regada com a unção do Espírito Santo é uma igreja produtiva e que se desenvolve. Por outro lado, devemos buscar o selo de qualidade de Cristo na produção. Se a árvore é conhecida pelo fruto, o inverso também é verdadeiro: pelo fruto se conhece a árvore que o gerou. Se não podemos permitir que o comodismo se assenhoreie das vidas de nossas igrejas, não podemos, por outro lado, cair em um pragmatismo vazio Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida 33
  34. 34. em que em busca de produtividade sacrificamos a qualidade. Alguém já disse com muita propriedade: o frango de granja pode ser grande e crescer rápido, mas nunca há de se comparar com o delicioso sabor de uma galinha caipira. 3. O ministério de Jesus teve relevância. Em algumas passagens dos evangelhos podemos aclarar ainda mais esta verdade que já afirmamos, elas não são exaustivas, mas, exemplificativas, há muitas outras que poderiam se somar a essas. Mateus 9.33 E, expelido o demônio, falou o mudo; e as multidões se admiravam, dizendo: Jamais se viu tal coisa em Israel! Marcos 2.12 Então, ele se levantou e, no mesmo instante, tomando o leito, retirou-se à vista de todos, a ponto de se admirarem todos e darem glória a Deus, dizendo: Jamais vimos coisa assim! João 7.45-46 Voltaram, pois, os guardas à presença dos principais sacerdotes e fariseus, e estes lhes perguntaram: Por que não o trouxestes? Responderam eles: Jamais alguém falou como este homem. Finalmente, se o ministério de Jesus Cristo é modelo para no nosso ministério, não podemos perder de vista que o ministério de Jesus Cristo teve relevância. Com isso, nós queremos mostrar que o seu ministério era diferenciado e fazia diferença. Na sua proclamação e na sua prática a igreja tem que demonstrar a sua relevância na sociedade na qual está inserida. Se colocarmos a igreja em comparação com outras instituições poderemos afirmar a sua superioridade de tal sorte que se possa dizer que há ninguém que possa se comparar a ela. Temos tido por Jesus Cristo e pelo seu Reino a paixão que tem a torcida fiel corintiana. Para alguns, as coisas de Deus estão reservadas para o domingo à noite, se não estiver chovendo. Afinal de contas, ninguém é de ferro, talvez de açúcar. E quando o culto fica demorando... onde já se viu, mais de duas horas de culto? Enquanto muitos torcedores de futebol viajam longas distâncias para ver seu time jogar, há muitos crentes que não saem da frente da televisão nem por Jesus Cristo. Temos tido por Jesus Cristo e pelo seu Reino a abnegação que tiveram aqueles que fizeram as grandes revoluções comunistas desse século que Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida 34

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