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Em parceria com a Professora Helena Abascal, publicamos os relatórios das pesquisas realizados por alunos da fau-Mackenzie, bolsistas PIBIC e PIVIC. O Projeto ARQUITETURA TAMBÉM É CIÊNCIA difunde trabalhos e os modos de produção científica no Mackenzie, visando fortalecer a cultura da pesquisa acadêmica. Assim é justo parabenizar os professores e colegas envolvidos e permitir que mais alunos vejam o que já se produziu e as muitas portas que ainda estão adiante no mundo da ciência, para os alunos da Arquitetura - mostrando que ARQUITETURA TAMBÉM É CIÊNCIA.

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  1. 1. Universidade Presbiteriana MackenzieHABITAÇÃO SOCIAL NO BRASIL (1930 - 1964): HISTÓRIA, POLÍTICA ETIPOLOGIAElisa Felca Glória (IC) e Denise Antonucci (Orientadora)Apoio: PIVIC MackenzieResumoEste trabalho tem por objetivo analisar dentro da história da arquitetura e da política pública brasileiraas origens das habitações sociais, no período de 1930 a 1964, pelos dirigentes fundamentais dehabitação econômica da época – Institutos de Aposentadoria e Pensão (IAPs), Fundação da CasaPopular (FCP) e Departamento de Habitação Popular (DHP) do Distrito Federal (RJ); bem comoidentificar as tipologias adotadas dos conjuntos residenciais aqui estudados. A sistematização ecomplementação de informações sobre os conjuntos habitacionais foram realizadas por meio depesquisas em acervos públicos, em trabalhos já realizados por professores e alunos de PlanejamentoUrbano VII da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo Mackenzie e em levantamento de campo,resultando num inteiro e novo material de análise sobre os edifícios, ampliando as informações sobreo assunto ao longo do tempo. As soluções arquitetônicas e urbanísticas adotadas foram significativaspara inclusão das habitações na vanguarda modernista. A racionalização dos fluxos de circulação, oaproveitamento da luz natural, os espaços de uso comum e áreas verdes, assim como a localizaçãono território e na cidade e o público alvo foram aspectos fundamentais do partido arquitetônicodurante a atuação desses órgãos. Portanto mapeamos as diversas tipologias encontradas ao longodo período de pesquisa e análise em determinadas regiões do Brasil.Palavras-chave: habitação social, arquitetura moderna, política e tipologia.AbstractThis study aims to examine into the history of architecture and Brazilian public politics, the origins ofsocial housing in the period 1930 to 1964, by the fundamental managers of economic dwelling of theepoch - Institutes of Retirement and Pension (IAPs), Foundation House People (FCP) and HousingDepartment (PHD) of the Federal District (RJ), and identify the typologies adopted of the housingdevelopments here studied. The systematization and complementary of information about the housingwere carried by means of researches in public collections, the work already done by teachers andstudents of Urban Planning VII of the Faculty of Architecture and Urbanism Mackenzie and fieldsurveys, resulting in a whole new and material for analysis of buildings, expanding the information onthe subject over time. The architecture and urban solutions adopted were significant for inclusion inthe vanguard of modernist homes. Streamlining the flow of movement, the use of natural light,common use spaces and green areas, as well as the location within the city and target audience andwere key aspects of the architectural style during the performance of these organs. So we map thevarious types found throughout the period of research and analysis in certain regions of Brazil.Key-words: social housing, modern architecture, politics and typology. 1
  2. 2. VII Jornada de Iniciação Científica - 20111. Conceituação e característicasA pesquisa consiste em promover um interesse pela história da habitação no Brasil, sendoinfluenciador para os novos projetos de moradia popular, encarando o problema de formapositiva e identificando questões urbanas e arquitetônicas que possam caracterizar o edifícioe sua tipologia.Para isso podemos dividir o trabalho em três princípios básicos para fornecer subsídios parareflexões e discussões do panorama urbano e arquitetônico. Preocupação em selecionar emapear em diferentes regiões projetos de interesse, não pela quantidade, mas sim pelaimportância das informações oferecidas, que possam vir a ser debatidos; que tais projetosexpressem uma possibilidade de intervenção, segundo as diretrizes urbanas – circulação deautomóveis e pedestres, espaços coletivos entre outros e uma questão política de forteenvolvimento nesse setor habitacional.Os projetos foram elencados após discussões entre orientador e aluno, na perspectiva deincorporar empreendimentos de regiões distintas, onde os órgãos públicos administrativosda época (1930 / 1964) foram mais expressivos. A princípio foram selecionados: Rio deJaneiro – O Conjunto Residencial Prefeito Mendes de Moraes (Pedregulho), ConjuntoResidencial Marquês de São Vicente (Gávea) e Projeto do Realengo; São Paulo – ConjuntoResidencial Mooca, CR Várzea do Carmo, CR Santa Cruz, CR Vila Guiomar, CR Armandode Arruda Pereira (Japurá), CR Piratininga, CR Vila Mariana, CR Nove de Julho e CR SantoAntônio.O processo de seleção de dados ocorreu inicialmente a partir de referências bibliográficas ecomplementado com consultas em órgãos públicos nacionais (Arquivo do Estado,Sindicatos, prefeituras e INSS), acervos físicos e Universidades e Faculdades de Arquiteturae Urbanismo.A análise focou questões políticas, urbanas e arquitetônicas que caracterizam os edifícios. Arelação do projeto com o preexistente e entorno; a importância das ligações viárias; osequipamentos locais e espaços coletivos e públicos; as circulações e acessos prevendo arelação do pedestre para com os veículos; a densidade populacional; a diversificação dastipologias adotadas e o sistema construtivo.2. Introdução2.1. Panorama históricoA produção habitacional no Brasil destacou-se no momento em que o Estado passa aintervir nos problemas de moradia e deixa de lado a questão da construção, 2
  3. 3. Universidade Presbiteriana Mackenziecomercialização, financiamento e locação nas forças do mercado imobiliário. Essaintervenção estatal colocada em prática pelo governo de Getúlio Vargas impulsionou aformação de uma sociedade de cunho urbano – industrial, ativando a economia do país.A idéia era cria uma política habitacional que atendesse a demanda populacional moradoraem cortiços e reduzir o valor despendido pelos trabalhadores com a moradia econseqüentemente diminuir os custos de mão–de–obra e estimular a industrialização.Entre as medidas mais importantes implantadas pelo governo estão: produção de moradiaspor financiamento público; redução dos custos por meio da racionalização da construção;congelamento dos aluguéis; a autoconstrução de casas; e a criação das carteiras prediaisdos Institutos de Aposentadoria e Pensão e da Fundação da Casa Popular.Com essa política em vigor podia-se dizer que garantia ao menos na aparência, melhoreshabitações e qualidade de vida urbana aos trabalhadores. Segundo Bonduki: “Qualquer que fossem as soluções nesse sentido-produção de moradias com subsídios ou financiamento público, redução do custo de produção através da racionalização da construção e diminuição das normas legais, congelamento de aluguéis e regulamentação do mercado de locação ou a autoconstrução de casas pelos próprios trabalhadores era bem-vinda, pois estimularia a industrialização” (BONDUKI, 2004, p.77).A questão habitacional assumiu um papel importante nesse período, os trabalhadores quedependiam de alguma facilidade de financiamento para a compra de uma residência, a partirdessa década tornou-se possível - qualquer assalariado poderia adquirir sua casa própria.Para os trabalhadores, a viabilização ao acesso à propriedade, estaria simbolizando oprogresso material, valorizando o trabalho, demonstrando que compensa e gera lucros. Ecom isso o Estado gerava o bem comum, afastando o operário das revoltas contra a ordempolítica e social.Durante o período populista, a atuação do Estado na produção de moradias e na facilidadede financiamento dessas para os operários foi analisada pela aplicação dos Institutos deAposentadorias e Pensão e da Fundação da Casa Popular, órgãos que atuaram na políticade habitação social no país.Os IAPS foram mais importantes e estratégicos para construção de moradias - seis institutosdivididos em categorias profissionais (comerciário, industriário, marítimo, bancário,condutores de veículos e empregados de empresas de petróleo e estivadores).Embora os Institutos fossem os primeiros órgãos públicos a tratarem das questõeshabitacionais, sempre aparecem de uma forma ambígua, pois os IAPs tinham como 3
  4. 4. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011finalidade proporcionarem benefícios previdenciários (aposentadorias e pensões) eassistência médica.Portanto, durante o período populista a habitação ora se via ligada à seguridade socialplena, ora como mero instrumento de capitalização, desprovida de fins sociais cujasdiferenças se apoiavam na forma de contribuição dos assalariados.A base ideológica dessa iniciativa pública foi a Lei Elói Chaves de 1923, que deu origem aCaixa de Aposentadoria e Pensões (CAPS), cujo controle era feito pelos própriostrabalhadores, existindo um maior controle sobre os recursos arrecadados pelo sistemaprevidenciário autônomo. O contrário acontecia nos IAPS onde a presença do Estado eradeterminante, com gestão do Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio (MTIC) a quemcabia nomear os presidentes dos institutos.No entanto era comum entre esses sistemas previdenciários (as CAPs e os IAPs), segundoBonduki, o “regime de capitalização”, onde os recursos arrecadados pelos contribuintesdeveriam gerar aumento do fundo, o que se tornava uma fonte importante para investimentopúblico de desenvolvimento econômico, como a Companhia Siderúrgica Nacional em VoltaRedonda e a construção de Brasília. “Até então as CAPs pouco fizeram para a construção de moradias, sendo apenas três conjuntos com 576 unidades no Rio de Janeiro, destinados apenas para funcionários públicos e 118 distribuídos entre Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre. (PORTO, 1938, p. 28-9)Os Institutos criaram as carteiras prediais – conhecidos como o “modus operandi” no setorhabitacional para destinar até metade de suas reservas para o financiamento dasconstruções. Estabelecia então algumas condições como redução das taxas de juros de 8%para 6%; prazo de pagamento de 10 para 25 anos; elevação do limite máximo de custeio epermissão da construção de casas para associados que já fossem proprietários, desde quenão tivessem obtido financiamento pelo Estado.No entanto não é simples determinar a quem esses objetivos beneficiavam, talvez tenhammelhorado as condições de moradia no país facilitando o acesso à casa própria, ou quepossa ter ampliado a rentabilidade das reservas dos IAPs, ou ainda ambos estivessemacontecido.De fato ocorreram e até certo ponto melhoraram o atendimento social, pois o aumento dosprazos de pagamento e redução dos juros possibilitou que classes de menor rendaalcançassem o desejo da casa própria. Já para os Institutos, os lucros foram menores e asreservas conseqüentemente foram diminuindo até seu esgotamento quase total pelaimplantação em 1942 do congelamento dos aluguéis. 4
  5. 5. Universidade Presbiteriana MackenzieAos poucos o IAPI (industriários) foi influenciando as demais organizações pela adoção detrês planos, nas operações imobiliárias. Eram eles:Plano A – locação ou venda de unidades habitacionais em conjuntos residenciais adquiridosou construídos pelos institutos;Plano B – financiamento aos associados para aquisição ou construção de terreno próprio;Plano C – empréstimo hipotecário feitos a qualquer pessoa física ou jurídica com objetivo deassegurar maior rentabilidade para o capital existente.Os dois primeiros planos possuíam um caráter social, ainda que os Institutos atendessem aclasse média e alta, mas que concretizou de alguma forma a política habitacional. Enquantoo último representava a segurança dos institutos, garantindo a máxima rentabilidade paraacúmulo dos fundos financeiros.Os IAPs foram essenciais para a viabilização das incorporações imobiliárias, sobretudo noRio de Janeiro. O crescimento financeiro possibilitou um intenso processo de verticalizaçãoe especulação imobiliária. Processo que ficou conhecido, segundo Melo (1992), por “boomdo século”.No entanto, o período em que mais se construiu edifícios habitacionais foi no governo Dutradurante o pós guerra. Temendo uma nova rebelião gerada pela crise de habitação e deabastecimento em geral, Dutra adotou uma política que gerasse maior recurso para osplanos A e B, o que favoreceu o aluguel de moradias aos associados dos IAPs.A adoção dos alugueis, por meio do Plano A, mostra a ambigüidade gerada no período, jáque em 1941, no governo Vargas, havia uma preferência pela casa própria. A construção apartir do final da década de 30 destinou-se aos trabalhadores vinculados aos IAPs. Aocontrario do Plano B que financiava aquisição ou a construção da moradia própria aosassociados.No entanto, para a política, o plano A teve maior importância. Enquanto no B os resultadosse dissipavam em edificações invisíveis que eram financiadas a longo prazo e sem correçãomonetária. O lucro era baixo, ao contrário da opção pelo aluguel, que além de preservar evalorizar os patrimônios e os recursos previdenciários, garantiu ao Estado diversos terrenosurbanos em diferentes pontos do país, o financiamento era feito pelos investimentos dasreservas previdenciárias e por ser rentável, gerava um lucro maior para os institutos.Em 1942 entra em vigor o congelamento dos aluguéis (pela lei do Inquilinato) e emborafosse para beneficiar os inquilinos, repercutiu a favor dos institutos, pois a lei era genérica enão havia nada que especificasse o quanto de aluguel deveria ser cobrado. Nesse sentidopara que não houvesse rendimentos insignificantes, na segunda metade de 1950, os valores 5
  6. 6. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011dos aluguéis ou prestações foram fixados em nível alto e por conseqüência muitos dosedifícios construídos pelos IAPs ficaram desocupados por meses e até anos, o que levou ainvasões dos mesmos pelos próprios associados.Aqueles institutos que optaram pelo plano B tiveram pior resultado, pois as prestações dosfinanciamentos que eram fixas depreciaram com o tempo, ocasionando um retorno menoraos institutos e a aquisição da casa própria por parte de seus beneficiados a prestaçõesbaixas.Isso fortaleceu o populismo, onde os financiamentos e aluguéis das moradias a baixo custonão rendia lucros para continuidade dessa ação e, portanto era vista não como políticasocial, e sim com uma aliança entre classes média urbana e operária.Com isso os institutos estavam tendo seus fundos dilapidados por um investimentoimobiliário que não dava retorno e foram gradativamente deixando de investir nos planos. Além disso, existiam casos de apadrinhamento e clientelismo em que aqueles que ocupavam o topo da pirâmide social e também a burocracia sindical, tinham privilégios quanto às qualidades das moradias. Havia também uma distinção entre aqueles que podiam ou não ser beneficiados é o caso dos trabalhadores assalariados (que tinham direitos sociais) e os subsidiados que não faziam parte dessa ordem social e nem eram integrados na economia formal capitalista. (BONDUKI, 2004, p.108-9)Por outro lado, das categorias profissionais dos IAPs, os bancários eram melhoresatendidos pelo seu instituto (IAPB) nas questões habitacionais, já que recebiam saláriosmédios muito superiores aos dos demais trabalhadores. O que gerou resistência naunificação dos institutos e das carteiras prediais e protesto contra o desvio da finalidadesocial dos fundos previdenciários.De fato não eram responsabilidade dos IAPs as questões das moradias, mas desde 1930até o Estado Novo, Vargas vinha se responsabilizando pelo assunto e encarregou osinstitutos de cuidar do problema, já que do volume de recursos arrecadados dostrabalhadores, metade poderia ser utilizada nas carteiras prediais.No final do Estado Novo, Vargas deu ênfase na necessidade de intervir com mais força naquestão habitacional, ao mesmo tempo em que “pretendia aplicar os recursosprevidenciários numa perspectiva social” (BONDUKI, p. 113), rompendo com a estrutura dosIAPs. Além disso, o discurso tornava-se mais populista ganhando apoio maior contra aoposição democrática em fortalecimento.Vargas então criou a Comissão de Aplicação das Reservas da Previdência Social (Carps),encarregada de estudar as aplicações dos recursos e propor alternativas. Getúlio tambémtinha o projeto de unificação dos institutos, o que permitia aproximar-se de um populismo 6
  7. 7. Universidade Presbiteriana Mackenzieuniversalista, e um órgão específico para tratar das moradias no Brasil. Chegou a serinstituído com a criação do Instituto de Serviço Social do Brasil (ISSB).Com o fim do governo Vargas, em 1945, interrompeu-se o processo de criação de políticahabitacional e com fracasso da unificação dos institutos, levou progressivamente a queda daação dos IAPs na área da moradia.Eliminado a possibilidade da Fundação da Casa Popular administrar os lucrosprevidenciários e após o governo Dutra ter incentivado a produção de conjuntoshabitacionais durante o período pós-guerra, a tecnoburocracia dos institutos aceitou ofinanciamento habitacional de cunho social – destacando tratar-se de uma “cota desacrifício”.Ao longo da década de 1950, o retorno dos investimentos em habitação declinouprogressivamente deixando de ser uma alternativa para o financiamento de moradias.Malgrado a descontinuidade política, a produção habitacional foi significativa, em especial osconjuntos habitacionais do IAPI, que contribuíram com importantes resultados arquitetônico,urbanístico e social que marcou a origem da habitação no Brasil.3.2. Arquitetura Moderna Aplicada As Habitações Sociais Dos iapsA arquitetura moderna surgiu com o principio básico de renovar e rejeitar características dosmovimentos anteriores, principalmente as do século XIX expressada no ecletismo.O ecletismo defendia um modelo através das determinantes construtivas, culturais e locais,e projetos de caráter funcional, estético e tipológico. Os modernistas por sua vez tinhamcomo objetivo transformar essas diretrizes em formas geométricas, de conceito lógico e deentendimento universal, onde a forma era ou parecia ser determinada pela função interna ea estrutura necessária.A expressão da modernidade e a dimensão física dos lugares são consideradas comomediadora dos fluxos. É ele que vai permitir a integração entre o interior e o exteriorA idéia de criar espaços mínimos, econômicos, limpos, úteis e a preocupação com aincidências de luz e ventilação natural asseguram um lugar importante na história daarquitetura moderna.Lembrarmos os três pontos fundamentais do modernismo postulado por Le Corbusier: ospilotis, permitindo que o solo fique livre do volume construído; as fachadas livres deestrutura e os terraços-jardins.A arquitetura moderna, porém não era apenas composta por técnicas avançadas, e porformas puras, mas, sobretudo pela transformação do espaço da sociedade. Alguns fatores 7
  8. 8. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011essenciais da arquitetura moderna eram: a existência de residências para todosindependente da faixa social; a habitação coletiva; a combinação no interior de imóvel comseus prolongamentos, onde pudesse se encaixar todas as necessidades dos seushabitantes num único empreendimento (comércio, creche, escola, associações esportivas,área de lazer, entre outros).Os arquitetos modernos levaram em consideração a funcionalidade do conceito por permitirsua reprodução e utilização infinita vezes e, ainda a possibilidade de construção emqualquer contexto.No Brasil, a arquitetura moderna surgiu na década de 1920, pela influência de arquitetoscomo, Gregori Warchavchik, Rino Levi, Lucio Costa e Flávio de Carvalho e afirma estemovimento em 1930, dando origem a experiências e contribuições que marcaram as artesvisuais do país, inclusive no campo da moradia popular e das tipologias verticais. “[...] contrário ao liberalismo da Primeira República, a Revolução de 1930 tinha como um de seus objetivos as reivindicações sociais ligadas a habitação, e o fazia através dos Institutos de Aposentadoria e Pensão, IAPs que se de um lado dispunham de recursos para isso, de outro reforçavam assim a estrutura de controle corporativo pela qual haviam sido organizados” (BRUNA, 2010: p.120).Essa política habitacional não dispunha apenas da construção de casas térreas e isoladas,mas por conjuntos habitacionais multifamiliares, racionalmente projetados e construídos, oque resultou em moradias de qualidade a baixo custo.Somando as unidades feitas pela Fundação da Casa Popular – FCP no período quecompreende entre 1946 e 1960 chega-se ao total de 140.989 unidades habitacionais. Esteperíodo compreende o governo de Eurico Gaspar Dutra (1946 a 1950) que pressionado pelocrescimento urbano acelerado, sobretudo no Rio de Janeiro, deu ênfase a construção demoradias, por meio dos dois órgãos públicos relacionados: IAPs e FCP.Entretanto de nada adiantaria a quantidade de unidades habitacionais construídas se estasnão tivessem uma boa relação com o núcleo familiar, desde o espaço interno até aorganização urbanística. Segundo Bruno Zevi (1978) a arquitetura “é a arte, em relação aqual o homem não é mero observador podendo admirar ou rejeitar, mas em cujo espaço ohomem penetra, passa a integrá-la e estabelece com ela uma relação vital.”Quando a construção de moradias envolvia o custo elevado do terreno para a locação ou amoradia própria de operários solteiros ou com filhos, era recomendável prestar atenção em: 1. Implantação do bloco habitacional em relação ao terreno 2. Espaço interno e a relação quarto do casal com do filho e demais ambientes. 8
  9. 9. Universidade Presbiteriana Mackenzie 3. Disposição dos apartamentos nos blocos e orientação cardeal. 4. Percursos, superfícies livres, insolação e sombras internas. 5. Métodos e materiais de construção.Uma casa bem projetada, com boa ventilação e insolação, sem umidade e nem calor e frioem excesso é sem dúvida um lugar confortável e saudável aos moradores. E ainda áreaslivres que ofereçam boa arborização, jardins, campos de esporte e área de lazer certamenteserá um lugar difícil para entrada de doenças.Todas essas qualidades que buscamos dar às obras visam ao bem estar social geral dapessoa para quem projetamos.O arquiteto que projetou um grande conjunto habitacional e tornou-se referência mundial eraAfonso Eduardo Reidy e o Conjunto Reisdencial Pedregulho, localizado no Rio de Janeiro.Uma obra que se destacou pelos seus aspectos arquitetônicos e urbanísticos.A idéia era oferecer aos funcionários públicos do Distrito Federal de baixa renda, jardim deinfância, escola primária, supermercado numa única quadra, o que facilitou aos moradoresmenor deslocamento para fazer atividades diárias.O projeto deu certo, mas infelizmente os historiadores não perceberam que Pedregulho nãofoi o primeiro edifício a ter inovações técnicas e construtivas da arquitetura moderna e simque esse já vinha da seqüência de conjuntos anteriormente projetados, no período de 1937a 1950, que abordaram de maneira criativa os problemas da habitação social e dourbanismo crescente e acelerado.Assim parte dos arquitetos que se envolveram com a produção de moradias, pelos Institutosde Aposentadoria e Pensão (IAPs) e do Departamento de Habitação Popular do DistritoFederal (DHP), adotou atitudes de projeto concebidas pelo movimento moderno, garantindopara os trabalhadores de renda mínima, qualidade de vida a custo baixo.No entanto, houve empobrecimento gradativo dos projetos habitacionais, devido aoequívoco por parte do governo de implantação dessa ação, chegando ao auge com aprodução massiva pelo BNH, a partir de 1964 onde havia apenas preocupação em reduçãode custos sem levar em conta outros princípios modernos.Em comparação aos dias atuais, o BNH – Banco Nacional da Habitação e companhiashabitacionais como COHAB e CDHU se equivalem no que diz respeito aos projetos dehabitação social brasileira, “um suposto racionalismo formal desprovido de conteúdo,consubstanciado em projetos de péssima qualidade monótonos, repetitivos, desvinculadosdo contexto urbano e do meio físico e principalmente, desarticulados de um projeto social”(BONDUKI, 1998, p.135). 9
  10. 10. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011Situação que desgastou as moradias sociais produzidas pelo repertório da arquiteturamoderna e rejeitadas, a introdução desses órgãos de financiamento e construção deempreendimentos imobiliários. Portanto merecem serem reavaliados os conjuntosrealizados anterior a 1964, “nas origens da habitação social no Brasil”, de inspiraçãomoderna e que deveriam ter influenciado a arquitetura do pós- moderno.3.3. Os Conjuntos habitacionais produzidos pelos IAPs: de 1940 a 1960Abaixo estão relacionados apenas 8 dos 20 conjuntos habitacionais pesquisados, devido alimitação de páginas para a publicação deste artigo científico. A lista de edifícios conta coma presença de imagens, plantas, tipologias e suas descrições. Conjunto Residencial Vila Guiomar 1940 - 1951 Instituo responsável – IAPI Arquitetos: Carlos Frederico Ferreira Número de unidades habitacionais: 1724 Município: Santo AndréOs conjuntos começaram a ser construídos em 1942 com uma série de residênciasunifamiliares. Apenas dois anos depois é que se iniciaram os primeiros blocos deapartamentos, inaugurados em 1948. As obras de infraestrutura – esgoto, água potável,eletricidade e escoamentos de águas pluviais, foram financiadas pelo próprio IAPI.Hoje o conjunto suporta uma população maior do que o projeto original, pois os térreos livressobre pilotis foram apropriados, loteados e fechados formando outros apartamentos, alémde privatizar o espaço público.O conjunto localiza-se nas proximidades do centro de Santo André, no ABC Paulista.Margeado pela rua da Catequese que faz parte da conexão do centro da cidade ao anelviário metropolitano.Em seu entorno há presença de Escola Estadual Arnaldo Sebastião Vieira, Escola EstadualOdylo da Costa Filho, o posto de saúde Vila Guiomar – INSS e o Ambulatório de SaúdeMental, além da igreja Santo Antônio, construída em mutirão pelos moradores da VilaGuiomar em conjunto com o da Vila Alpina. Também está presente em torno de 1 km oPaço Municipal – na praça Centenário – a Polícia Militar, a Faculdade de Medicina daFundação ABC, além de outras praças e escolas.O terreno foi adquirido pelo IAPI, mas parte foi comprada pela prefeitura de Santo André e acooperativa habitacional do ABC e ocupada por empreendimentos do BNH denominadoconjunto residencial Zodíaco, destinado a empregados de metalúrgicas do ABC. 10
  11. 11. Universidade Presbiteriana Mackenzie Planta esquemática das casas com dois dormitórios (baseado em BRUNA, 1998) e Implantação das casas unifamiliares (BONDUKI, 1998; 191)O conjunto é composto por cassas térreas e blocos laminares de quatro pavimentos,implantados seguindo a topografia do terreno e procurando a melhor orientação solar. Aotodo o conjunto compreende 61 blocos de apartamentos e 265 casas. Construídas de 1941a 1942 as casas são térreas geminadas duas a duas e possuem área útil de 49,42 m² comdois dormitórios. Na segunda fase, as residências construídas em 1946 são isoladas com47,72 m² ou 55 m² de área útil com três dormitórios.Os acessos as unidades habitacionais se dá por caixas de escadas e corredores queservem a quatro apartamentos. Na segunda fase os dois apartamentos são acessados pelopróprio patamar da escada. Vila Guiomar: estado atual dos blocos de habitação. (BRUNA, 2010, p. 194 e 198). Planta das residências da 1ª fase (Revista Industriários, 1950).Os blocos projetados em 1946 e 1948 possuem plantas que podem alternar com um, doisou três dormitórios, sendo de área útil: um dormitório 27,85 m²; 2 dormitórios 41,44 m²; etrês dormitórios 51,29 m². Os de um e três dormitórios foram associados a um mesmo bloco,já o de dois ocupam blocos sozinhos. Aqueles edifícios construídos até 1951 são de apenastrês dormitórios com área útil de 62,90 m². Conjunto Residencial de Santos 1953 Instituo responsável – IAPI Arquitetos: Alim Pedro Número de habitações: 200 Município: Santos“O projeto inicial previa a implantação de 35 blocos, mais equipamentos como escola,ginásio, praça de esportes e centro comercial. Em razão das condições financeiras doInstituto e da situação política vigente na época, apenas cinco blocos residenciais foram 11
  12. 12. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011executados, correspondentes a primeira fase de implantação prevista pelo IAPI. Em razãodisso, apenas ema pequena porção do grande terreno destinado ao conjunto foiefetivamente construída. As áreas remanescentes foram sendo ocupadas porempreendimentos habitacionais de interesse social realizados pelo BNH” (BRUNA, 2010, p.199).Estado das obras em 1957. Planta do pavimento tipo com três dormitórios (Revista Industriários, n. 60, dez.1957).O conjunto possui quatro pavimentos sustentados por pilotis no nível térreo, convivendoapartamentos de dois e três dormitórios no mesmo andar, servidos por caixa de escada doisapartamentos. A orientação das fachadas é nordeste / sudeste, sendo as áreas sociais maisprivilegiadas de insolação que aquelas predominantes de serviços.Atualmente o conjunto se encontra em bom estado de conservação, mas a fachada dosedifícios foi alterada em relação ao original.O conjunto está localizado na quadra entre a avenida Alexandre Martins, rua Frei Franciscode Sampaio, rua Professor Alcides Luiz Alves e rua Marques Gaspar. Caracteriza-se peloalinhamento de quatro edifícios que segue a extremidade da avenida. Seu entorno é bemservido de serviços, comércio e equipamento urbano, garantindo uma boa localização einserção na malha urbana.O espaço público compõe-se apenas pelas vias e calçadas que servem ao conjunto. E osemiprivado que seriam os espaços livres no térreo integrados por jardins, foi cercado(térreos de cada edifício) e utilizado em parte para área de manobras e estacionamento.Já os espaços privados que são as próprias unidades residenciais, possuem duastipologias, organizadas em dois blocos distintos. Os blocos tipo A possuem seisapartamentos de dois dormitórios e quatro de três dormitórios. Os blocos tipo B possuemquatro apartamentos de dois dormitórios e seis apartamentos de três dormitórios. 12
  13. 13. Universidade Presbiteriana Mackenzie Conjunto Residencial Japurá 1947 Instituo responsável - IAPI Arquitetos: Eduardo Kneese de Mello Número de habitações: 310 Município: São PauloO edifício projetado pelo arquiteto Eduardo Kneese de Mello evidencia diversascaracterísticas do movimento moderno, fazendo referências a unidades habitacionais deMarselha, ao conjunto residencial do Pedregulho e ao Parque Guinle. Fachada principal. Fonte: acervo RALMFLocalizado na região central da cidade, o arquiteto resolve o projeto com duas l lâminasdelgadas, acompanhando o traçado do lote, com recuo frontal ocupado por edifício de usomisto com restaurante, bar, serviço e área de lazer na cobertura do edifício habitacional.Atualmente o entorno é privilegiado por diversos equipamentos urbanos e proximidade devias importantes como a rua da Consolação, avenida Nove de Julho e rua Augusta, Além daestação de metrô Anhangabaú e outros transportes coletivos.O conjunto habitacional é formado por dois blocos sendo mais de dezesseis pavimentos formadoabrigando 288 unidades residenciais em forma de duplex, ocupando dois pavimentos cadaunidade e o menor bloco que comporta 22 quitinetes distribuídas em três pavimentos de usomisto que também abriga com rcio e serviços nos dois primeiros pavimentos. comércioO espaço público do edifício constitui constitui-se das calçadas e vias que dão acesso ao perímetrodo conjunto. Já a área semip blica é caracterizada pelas áreas destinadas ao com semipública comércio eserviço localizado nos primeir blocos. primeirosOs espaços semiprivados destinados ao lazer coletivo compõem se tanto no térreo quanto compõem-sena cobertura. As circulações verticais são caracterizadas exclusivamente por um bloco deescada locado na extremidade lateral (no caso do bloco de uso misto) e por seis elevadorese duas escadas locadas eqüidistantes que fazem a ligação das passarelas aos corredoresinternos (no caso do bloco exclusivamente residencial) 13
  14. 14. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011 Da esquerda para a direita: Apartamento tipo –quitinete. Fonte: Acrópole, 1948, n. 119, p. 284. Redesenho: Evie Cristine Meyer Planta dos pavimentos ímpares. Planta dos pavimentos pares. (Arquiteto Eduardo Kneese de Mello).Os espaços privados constituído pelas unidades residenciais obedecem duas tipologias: asquitinetes e os apartamentos duplex.As quitinetes possuem área de 20 m² e são distribuídas em dormitório dormitório-sala/ banheiro ecozinha. Já os apartamentos duplex, com área útil de 69,50 m² foram concebidos de talforma que se aproveitasse o máximo possível sua espacialidade. São distribuídos em: piso espacialidade.inferior – sala e cozinha; e piso superior – dois dormitórios e banheiro. Conjunto Residencial Jardim Piratininga 1946-1950 Instituo responsável - IAPI Arquitetos: Carlos Frederico Ferreira Número de habitações: 406 Município: OsascoO conjunto habitacional Jardim Piratininga apresenta uma disposição de configuraçãohorizontal. Cercado por uma topografia em geral plana, são caracterizadas por viasonduladas que possuem lotes individuais e habitações uifamiliares.Situado junto à rodovia Castelo Branco e vizinho ao INOCOOP Piratininga, o conjuntoresidencial é servido em suas proximidades de quatro escolas estaduais, um centro proximidadesesportivo, o quartel do exército Quintaúna e a estação de ferro Comandante Sampaio. rcito Conjunto de casas em Osasco – SP (Revista Industriarios, n. 4, ago. 1948). Tipologia casa unifamiliar de três dormitórios (Revista Industriarios, 1950) 14
  15. 15. Universidade Presbiteriana MackenzieSuas tipologias habitacionais se caracterizam em dois tipos: tipo 1 com três dormitórios etipo 2 com dois dormitórios. Conjunto Residencial Nove de julho 1946-1950 Instituo responsável - IAPB Arquiteto: Plínio Arruda Botelho Número de habitações: 452 Município: São PauloO conjunto Nove de Julho é composto por três edifícios em formas diferenciadas cortadaspor vias públicas – Avenida Nove de Julho e Av. São Gabriel que levam a zona sul dacidade de São Paulo.Ainda nas proximidades o conjunto conta com comércios e serviços como o UniCor,Sociedade Harmonia de Tênis, a igreja São Gabriel, Museu da Imagem e do Som e o MuseuBrasileiro da Escultura. Edifico 16 de Abril. Fonte: autora.O edifício 16 de Abril em forma de “I” e em tom verde possui 14 apartamentos por lpavimento, sendo 11 andares, totalizando 154 apartamentos. Edifico 12 de Setembro. Fonte: autora.O edifício 12 de Setembro possui a forma de um “T” e cor azul é composto por uma parte desete pavimentos e outra com 11 pavimentos, sendo 12 apartamentos por andar, num total etede 100 apartamentos. 15
  16. 16. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011 Edifício 28 de Agosto. Fonte: autora.Por fim o edifício 28 de Agosto, o maior dos três edifícios tem forma de “L” em tom marrom epossui 18 apartamentos por andar, também com 11 pavimentos, totalizando 198apartamentos. Os três edifícios compõem um total de 452 unidades habitacionais.De cima para baixo da esquerda para a direita: Planta do apartamento n. 1 com três dormitórios; os blocos sãomuito profundos e as unidades de organizam em torno de pátios internos (arquivos INSS-SP). Planta doapartamento n. 2 com dois quartos (arquivos INSS-SP). Planta do apartamento n. 3 com dois quartos (arquivosINSS-SP). Planta do apartamento n. 4 com três quartos (arquivos INSS-SP)Os espaços semiprivados consistem nas áreas livres, garagens e circulações verticais –escadas e elevadores, e horizontais – corredores de acesso às unidades sendo que cadaescada e elevador servem dois apartamentos.As tipologias habitacionais são cinco ao todo. Com 2, 3 e 4 dormitórios, segundo áreasúteis: Apartamento de: 66,15 m², 66,35 m², 90,75 m², 98,10 m² e 114,50 m². Conjunto Residencial da Mooca 1946-1950 Instituo responsável - IAPETEC Número de habitações: 242 Município: São Paulo 16
  17. 17. Universidade Presbiteriana MackenzieO conjunto residencial IAP IAPETEC foi implantado em terreno acidentado, acompanhando as Ccurvas de nível. Na época o empreendimento não chegou a ser ocupado por completo, issosó aconteceu após a extinção dos FAPs, por outros planos de habitação, o que não foi detodo ruim, já que mantiveram a mesma tipologia e a identidade do projeto inicial. im,Esse conjunto residencial localiza se próximo ao outro conjunto realizado pelo IAPI. localiza-seTambém estão presentes a Radial Leste, Av. Salim Farah Maluf, Av. Paes de Barros, viaférrea, estação da Mooca e o Terminal Rodoviário Bresser. taçãoDos equipamentos urbanos estão presentes: a Faculdade São Judas, o Centro esport esportivo eRecreativo do Trabalhador (CERET), o parque municipal de Tatuapé, o Clube AtléticoYpiranga e o centro educacional e espor esportivo Arthur Friedenrich.O núcleo residencial da Mooca contém 242 habitações distribuídos em blocos de 3pavimentos com unidades unifamiliares. Os blocos encontram se isolados ou associados encontram-sedois a dois e as casas são geminadas em renques de 4 a 6 unidades. Vista do edifico e planta-tipo (arquivos INSS-SP)As quadras estão orientadas segundo o eixo norte sul resultando em fachadas que norte-sulcontenham as áreas sociais com máxima insolação possível ao passo que fachadas quecontenham áreas de serviços pratic praticamente não são insolaradas. Conjunto Residencial de Deodoro 1946-1950 Fundação da Casa Popular Arquiteto: Flávio Marinho Rego Número de habitações: 1.314 Município: Rio de JaneiroConjunto Habitacional Presidente Vargas – Guadalupe. Fonte: <www.skyscrapercity.com> e Google map 2010. 17
  18. 18. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011Construído com recursos da Fundação da Casa Popular na década de 1950 numa área de165.000 m², o projeto idealizado p Flavio Marinho Rego, foi inspirado nas barras sinuosas , por arinhodos Conjuntos Residencia Pedregulho e Gávea de Affonso Eduardo Reidy, e na Unité Residenciaisd’Habitation de Le Corbusier.Num total de 1314 unidades, distribuídas em 26 blocos de apartamento sobre pilotis, sendodois deles sinuosos e com sete pavimentos, e os demais com três pavimentos. elesNo planejamento do empreendimento estava previsto a inclusão de serviços comunitários,centro de saúde, mercado, ginásio, quadras esportivas, piscinas, vestiários, administração, eoutros, que não foram desenvolvidos plenamente.Marinho Rego em seu estudo procurou aproveitar ao máximo a área do terreno, adensando adensando-o através da verticalização evitando movimento de terra no terreno de declive até 15 metros,com emprego de pilotis e a constru o de dois blocos sinuosos para acompanhar a construçãotopografia. Os demais 24 blocos laminares foram alinhados paralelamente em distância de20 metros entre si, obtendo boa iluminação e ventilação. Planta da célula tipo fonte: Revista Municipal de Engenharia, 1953, p. 74O uso de pilotis nos blocos residenciais tem sua justificativa fundada no uso coletivo da áreanão construída, para liberação do solo e conseqüente livre circulação de pedestres na área área.O arquiteto teve a preocupação de resguardar os apartamentos das vias de circulação deautomóveis, separando o tráfego com apenas duas vias de acesso que não dãocontinuidade a malha urbana. Apenas uma avenida consolidada atravessa o conjunto àsmarginais do rio Acare, separando sete blocos do conjunto, onde o acesso acontece por s separandouma ponte e uma passarela.Marinho Rego procurou elabora um projeto com qualidade de vida a aproximadamente elaborar7000 moradores, adotando um programa aos moldes proposto pelo movimento moderno, noqual “habitar é um conceito que não envolve apenas moradia, mas engloba condições paraatender ao lazer, educação, assistência medica e social” (MANOEL, Sálua Kairuz. ConjuntoResidencial de Deodoro: A Experiência Moderna da Fundação da Casa Popular Disponível Popular.em: www.docomomo.org.br www.docomomo.org.br) 18
  19. 19. Universidade Presbiteriana MackenzieNos dois principais blocos sinuosos há um pavimento intermediário livre, pelo qual seacessa o edifício e cria um espaço de convivência aos moradores.O conjunto apresenta somente uma tipologia, com três dormitórios, sala, cozinha, banheiro eárea de serviço. As áreas molhadas estão concentradas a fim de facilitar a instalaçãohidráulica. A cozinha e o banheiro recebem iluminação e ventilação indireta pela área deserviço. Os quartos estão voltados para o lado leste e a sala e área de serviço para o ladooposto – a oeste. Conjunto Residencial de Lagoinha 1948 Instituo responsável - IAPI Engenheiro: White Lírio da Silva Número de habitações: 928 Município: Belo HorizonteVista aérea Conj. Residencial da Lagoinha – Belo Horizonte. Fonte: Bonduki 1998. Implantação ConjuntoResidencial da Lagoinha – Belo Horizonte. Disponivel em: www.docomomo.org.br/seminario%203%20pdfs/subtema_A1F/Rodrigo_jesus.pdfLocalizado em área suburbana, mais precisamente na atual avenida Antonio Carlos, via deacesso que servia de interligação do centro com o complexo de lazer da Pampulha. Oconjunto habitacional IAPI (Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Industriários) foitombado pela Prefeitura de Belo Horizonte como um bem patrimonial do município, por suaimportância histórica, social e arquitetônica.O projeto inicial contava com 11 prédios de apartamento, com inclusão de áreas livresinternas com jardins destinados ao lazer. O conjunto hoje conta com 928 moradorasdistribuídas em nove blocos, conta também com lojas, escolas públicas e área de lazer.A aparência dos blocos em forma de ‘U’ cria um espaço vazio entre eles cercado e restrito.A implantação simétrica se confronta com o tipo e a malha urbana do entorno. Sua entradaprincipal é vigorosamente marcada e definida, as demais são compostas por passarelaspara facilitar o adentramento por parte dos pedestres, dada a quantidade de desníveis doterreno. 19
  20. 20. VII Jornada de Iniciação Científica - 2011 Vista da passarela e do pátio interno. Fonte:www.skyscrapercity.com Fonte: /showthread.php?p=45543337Os blocos variam de cinco a oito pavimentos, totalmente fechados compondo um pátiointerno destinado a uso coletivo que recebe luz natural e torna possível o acesso aosapartamentos por corredores e escadas. A circulação vertical e composta apenas porescada, portanto desprovido de elevadores, sendo que para se chegar aos andares maisaltos deve ser pela rampa de entrada localizada no quinto pavimento. tosOs apartamentos por sua vez, apresentam plantas mal projetadas, que dão lugar a máinsolação e mau aproveitamento de espaços.4. ConclusãoA pesquisa resultou basicamente em três partes: a história registrada em fatos políticos queinfluenciaram nas decisões da construção e dos financiamentos de moradias para apopulação de menor renda e que caracterizou o período, sobre incentivo de Getulio Vargas,como “populismo”.Em segundo a contribuição dos arquitetos modernos nos processos construtivos e projetuais ãodessas habitações sociais. Moradias essas, responsáveis pelos Institutos de Aposentadoriae Pensão – IAPs, que carregam ate hoje os traços modernistas essenciais para um bemestar social – qualidade de insolação e ventilação, áreas de convivência e lazer, serviços ecomércios de fácil alcance aos moradores e boa relação do espaço publico e privado doconjunto para com a cidade.5. ReferênciasAZEVEDO, Sérgio de e ANDRADE, Luís Aureliano Gama de. Habitação e Poder dafundação da casa popular ao banco nacional da habitação. Rio de Janeiro, Zahar editores,1981.BONDUKI, Nabil Georges. Affonso Eduardo Reidy. São Paulo: Instituto Lina Bo e P. M.Bardi, 2000.BONDUKI, Nabil. Origens da habitação social no Brasil. São Paulo, Estação Liberdade /FAPESP, 1998.CARMEN, Portinho. Por toda a minha vida. Rio de Janeiro, 1999. 20
  21. 21. Universidade Presbiteriana MackenzieDINIZ, Luciana Nemer. Conjunto Habitacional Presidente Getúlio Vargas: da propostamonumental a sobrevivência nos dias atuais. Disponível em: <www.docomomo.org.br/seminario%207%20pdfs/061.pdf>. Acesso em: 13 de março de 2011.FICHER, Sylvia. Os arquitetos da POLI: ensino e profissão em São Paulo, São Paulo,EDUSP, 2005. FAPESP: Editora da Universidade de São Paulo, 2005.JESUS, Rodrigo Otávio Santana de Conjunto Residencial da Lagoinha: O Impacto daConstrução de um Hofna Capital Mineira. Disponível em: <www.docomomo.org.br/seminario%203%20pdfs/subtema_A1F/Rodrigo_jesus.pdf>. Acesso em: 10 de março de2011.MAGALHÃES, Sergio. Sobre a Cidade: habitação e democracia no Rio de Janeiro. SãoPaulo, PRO Ed., 2002.MANOEL, Sálua Kairuz. Conjunto Residencial de Deodoro: A Experiência Moderna daFundação da Casa Popular. Disponível em: <www.docomomo.org.br/seminario%203%20pdf/subtema_B5F /Salua_manoel.pdf>. Acesso em: 10 de março de 2011.MELLO, Benedito Assagra Ribas de; DAVID, Marcia; SANTOS, Ademir Pereira dosPENEDO, Alexandre; LUNARDI, Carlos; CHAVEDAR, João Francisco; PIRES, JorgeSimões; YUI, Luciana; JUNIOR, Roberto Bianchi; MAIO, Sônia Di; SANTOS, Valéria B.Pedroso dos.Grupo de Trabalho Docomomo SP / Vale do Paraíba. Inventário de ArquiteturaModerna no Vale do Paraíba e Alto Tietê. Disponível em:<www.docomomo.org.br/seminario%203%20pdfs/subtema_A2F/Benedito_mello.pdf>Acesso em: 13 de março de 2011.VILLAÇA, Flávio. Espaço intra-urbano no Brasil. São Paulo, FAPESP, 1998.Contato: elisafelca@yahoo.com.br e denise.antonucci@mackenzie.br 21

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