Primavera

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Primavera

  1. 1. DIA <br />MUNDIAL <br />DA <br />POESIA<br />21 de Março<br />
  2. 2. Olhos postos na terra, tu virás <br />no ritmo da própria primavera, <br />e como as flores e os animais <br />abrirás as mãos de quem te espera.<br />Eugénio de Andrade<br />1923 — 2005 )<br />
  3. 3. As PalavrasSão como um cristal,as palavras.Algumas, um punhal,um incêndio.Outras,orvalho apenas.Secretas vêm, cheias de memória.Inseguras navegam:barcos ou beijos,as águas estremecem.Desamparadas, inocentes,leves.Tecidas são de luze são a noite.E mesmo pálidasverdes paraísos lembram ainda.Quem as escuta? Quemas recolhe, assim,cruéis, desfeitas,nas suas conchas puras?<br />Eugénio de Andrade(1923-2005)<br />
  4. 4. Ser Poeta<br /> <br />Ser poeta é ser mais alto, é ser maior<br />Do que os homens! Morder como quem beija!<br />É ser mendigo e dar como quem seja<br />Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!<br /> <br />É ter de mil desejos o esplendor<br />E não saber sequer que se deseja!<br />É ter cá dentro um astro que flameja,<br />É ter garras e asas de condor!<br /> <br />É ter fome, é ter sede de Infinito!<br />Por elmo, as manhãs de oiro e cetim…<br />É condensar o mundo num só grito!<br /> <br />E é amar-te, assim, perdidamente…<br />É seres alma e sangue e vida em mim<br />E dizê-lo cantando a toda a gente!<br /> <br />Florbela Espanca<br />(1894 – 1930)<br />
  5. 5. Há uma primavera em cada vida:é preciso cantá-la assim florida,pois se Deus nos deu voz, foi para cantar!E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada,que seja a minha noite uma alvorada,que me saiba perder...para me encontrar....Florbela Espanca <br />(1894 – 1930)<br />
  6. 6. A FONTE <br />Com voz nascente a fonte nos convida <br />A renascermos incessantemente <br />Na luz do antigo sol nu e recente <br />E no sussurro da noite primitiva. <br />Sophia de Mello Breyner Andresen <br />(1919 – 2004)<br />
  7. 7. GLÓRIA <br />Depois do Inverno, morte figurada, <br />A primavera, uma assunção de flores. <br />A vida <br />Renascida <br />E celebrada <br />Num festival de pétalas e cores. <br />Miguel Torga <br />(1907 -1995)<br />
  8. 8. Cada árvore é um ser para ser em nósCada árvore é um ser para ser em nósPara ver uma árvore não basta vê-aa árvore é uma lenta reverênciauma presença reminiscenteuma habitação perdidae encontradaÀ sombra de uma árvoreo tempo já não é o tempomas a magia de um instante que começa sem fima árvore apazigua-nos com a sua atmosfera de folhase de sombras interioresnós habitamos a árvore com a nossa respiraçãocom a da árvorecom a árvore nós partilhamos o mundo com os deuses<br /> <br />António Ramos Rosa<br />1924- <br />
  9. 9. AUTOPSICOGRAFIA <br />O poeta é um fingidor.Finge tão completamenteQue chega a fingir que é dorA dor que deveras sente. <br />E os que lêem o que escreve,Na dor lida sentem bem,Não as duas que ele teve,Mas só a que eles não têm. <br />E assim nas calhas de rodaGira, a entreter a razão,Esse comboio de cordaQue se chama coração. <br />Fernando Pessoa <br />(1888 — 1935)<br />
  10. 10. Primavera<br />Abre-te, Primavera!<br />Tenho um poema à espera<br />Do teu sorriso.<br />Um poema indeciso<br />Entre a coragem e a covardia.<br />Um poema de lírica alegria<br />Refreada,<br />A temer ser tardia<br />E ser antecipada.<br />Dantes, nascias<br />Quando eu te anunciava.<br />Cantava,<br />E no meu canto acontecias<br />Como o tempo depois te confirmava.<br />Cada verso era a flor que prometias<br />No futuro sonhado...<br />Agora, a lei é outra: principias,<br />E só então eu canto confiado.<br />Miguel Torga<br />(1907 -1995)<br />
  11. 11. Flores<br />Era preciso agradecer às floresTerem guardado em si,Límpida e pura,Aquela promessa antigaDuma manhã futura.<br />Sophia de Mello Breyner Andresen <br />(1919 – 2004)<br />
  12. 12. Saudação à Primavera<br />Na hora certa.<br />Disse que chegaria.Declarou dia e hora.Tão longe que ela moraque diabo, atése lhe perdoariaque, perdendo a maré,chegasse no outro dia.<br />De tudo se abrigouna sorte ingratae à hora exacta“aqui estou!”disse da alta esfera.<br />Bem-vinda Primavera!<br />Mário Castrim<br />(1920 – 2002)<br />
  13. 13. What A Wonderful World | Louis Armstrong <br />I see trees of green, red roses tooI see them bloom for me and youAnd I think to myself what a wonderful world.I see skies of blue and clouds of whiteThe bright blessed day, the dark sacred nightAnd I think to myself what a wonderful world.The colors of the rainbow so pretty in the skyAre also on the faces of people going byI see friends shaking hands saying how do you doThey're really saying I love you.I hear babies cry, I watch them growThey'll learn much more than I'll never knowAnd I think to myself what a wonderful worldYes I think to myself what a wonderful world.<br />

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