Aula 2 noções básicas de psicofarmacologia ii

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Aula 2 noções básicas de psicofarmacologia ii

  1. 1. Disciplina de PSICOFARMACOLOGIA Prof. Dr. Alfredo Cardoso Lhullier
  2. 2.  Farmacodinâmica: efeitos da medicação no corpo – inclui os efeitos terapêuticos desejados e os efeitos adversos Farmacocinética: efeitos do corpo sobre a medicação – absorção, metabolização e excreção 2
  3. 3.  Sistema de transporte da medicação O coração, os vasos sangüíneos e o sangue são o sistema de transporte do corpo  O sangue carrega o oxigênio e nutrientes aos órgão e traz de volta os resíduos para eliminação. Os medicamentos usam o mesmo “sistema de auto-estradas interno” para viajarem pelo corpo. 1. Entrando na circulação sanguinea: depende de como é tomada; existem várias vias. A rota de administração determina quanto da medicação chegará ao cérebro, e com que rapidez vai fazê-lo. 3
  4. 4. 4
  5. 5.  A mais comum é a via oral, que é a mais lenta e a menos eficiente. Boa parte do que é ingerido passa direto pelo tubo gastrointestinal sem ser absorvido, e boa parte do resto é inativado pelo fígado. Usamos essa via porque é a mais fácil e barata.  Ex. cocaína2. Escolta na corrente sangüínea: Para que a substância não seja metabolizada, necessita ser escoltada por proteínas específicas, entretanto durante este percurso ela não pode também deixar a corrente sangüínea. A maioria dos medicamentos psiquiátricos é altamente ligada a proteínas. 80% ou mais do que foi ingerido é capturado pelas proteínas escolta (conjugação), sendo apenas o restante possível de sair da corrente sangüínea e atingir o órgão alvo. 5
  6. 6.  Quando alguém toma mais de uma medicação, essas proteínas podem ser disputadas por estas drogas, o que elevará a fração livre, aumentando a quantidade que chega ao cérebro (órgão alvo).3. Saindo do corrente sangüínea: Medicações, nutrientes e outras substâncias estão sempre saindo da corrente circulatória. Onde esta medicação vai sair é que determinará seu efeito. Se sair no fígado, será inativada ou metabolizada; se sair no rim, será eliminada. Nossa preocupação maior é com o cérebro, como ela entra nele. 6
  7. 7.  A barreira hematoencefálica é que determina isso. Composta pelos capilares e as células adjacentes a eles (astrócitos). É especialmente difícil para as substâncias que se dissolvem na água cruzarem essa barreira. As substâncias devem ser lipofílicas para ultrapassarem com facilidade, com excessão do lítio, que o faz por ser apenas um átomo. Passada a barreira, finalmente a medicação chega a seu destino e realiza sua função. 7
  8. 8.  Sistema de eliminação de medicação  Os órgãos chave nesse sistema são o fígado e o rim. 1. Fígado: processamento químico.  Existem muitas substâncias perigosas nos alimentos e medicações, que são inativadas pelo fígado, cujo papel é convertê-las em compostos solúveis em água, sendo assim mais facilmente filtradas e eliminadas pelo rim. Esse trabalho, feito por enzimas que retiram ou adicionam partes da molécula, se chama metabolização, e a molécula resultante é chamada metabólito. Às vezes este metabólito é tão ativo quanto a molécula original, às vezes esta última só é ativada quando metabolizada. 8
  9. 9.  Em pacientes idosos, ou com hepatopatias, substâncias com metabólitos ativos são mais difíceis de eliminar, e se acumulam perigosamente. Do sangue que deixa o coração para viajar pelo corpo, somente 30% passam pelo fígado, sendo só essa pequena parcela depurada em primeira mão. A medicação que é tomada pela boca e absorvida no intestino, porém, entra na corrente que vai diretamente para o fígado, passando 100% por este. Este fenômeno é chamado de metabolismo de primeira passagem. Explica porque as doses são tão diferentes por uma e outra via, para fazerem o mesmo efeito. 9
  10. 10. 2. Rins: Eliminação química  Os rins são o sistema de filtragem do corpo. Para ser filtrada por eles, a molécula deve ser relativamente pequena e solúvel em água. A maioria das medicações psiquiátricas não o são, devendo ser bastante metabolizadas para serem filtradas.  Por isso deve-se ter muito cuidado ao administrar medicações a pacientes com doença renal.se os rins são lentos para eliminar, isso pode fazer com que o fígado também lentifique a metabolização, aumentando a concentração da droga ativa no corpo. 10
  11. 11.  Como a medicação psiquiátrica produz seus efeitos?  Quando discutimos esta questão sempre estaremos falando sobre seu efeito na neurotransmissão.  Medicamentos psiquiátricos atuam modulando a neurotransmissão química na sinapse. 1. Início e adaptação. Muitas medicações não atuam diretamente sobre a sinapse, por isso custam algum tempo até agirem. Ao mudarem a neurotransmissão de forma sustentada, desencadeiam uma sequência de eventos no cérebro, que vão alterando gradativamente a neuroquímica, até que se tornam evidentes. 11
  12. 12.  Outras medicações, porém, atuam em seguida de tomadas, como os benzodiazepínicos e os estimulantes. Se assim é, assumimos que este efeito é uma conseqüência direta da “iniciação” na sinapse. Alguns efeitos adversos também ocorrem em seguida de uma simples tomada e são considerados efeitos diretos na sinapse: náuseas, diarréia, com os ISRS; distonias, com os antipsicóticos típicos. Os efeitos de adptação, porém, podem ser de diferente índole. A cocaína, por ex., administrada repetidamente, produz alterações de longa duração no sistema de recompensa, que levam à perda da sensação de euforia e à dependência (craving). Já os antidepressivos tomados de forma repetida, conforme estudos laboratoriais, provocam alterações no número e distribuição de alguns receptores, provavelmente causados pela alteração no tempo de reposição destes. O mesmo acontece com os estabilizadores do humor e anti-psicóticos. 12
  13. 13.  Alguns efeitos adversostambém ocorrem somente após administração prolongada, e também são efeito de adaptação, p. ex. as discinesias causadas por anti- psicóticos atípicos, efeito de mudanças na densidade e/ou sensibilidade de receptores dopaminérgicos nas regiões relacionadas aos movimentos. Início: Ação na sinapse  Basicamente psicofármacos atuam promovendo ou inibindo a neurotransmissão, mas o fazem por diferentes maneiras. 13
  14. 14.  Podem incrementar a neurotransmissão:1. Bloqueando enzimas que destróem os neurotransmissores (IMAO e anticolinesterases)2. Bloqueando a recaptação, como os ISRS.3. Bloqueando o feed-back negativo, realizado pelos auto-receptores presentes no axonio e corpo do neurônio pré-sináptico (mirtazapina)4. Estimulando receptores pós-sinápticos, mimetizando a ação dos neurotransmissores.5. Aumentando a oferta de precurssores dos neurotransmissores, o que é uma maneira muito ineficiente de incrementar a neurotransmissão (L- DOPA)6. Estimulando a liberação de neurotransmissores, como o metilfenidato. 14
  15. 15.  Podem diminuir a neurotransmissão em certos circuitos, bloqueando diretamente os receptores (nefazodona) ou aumentando a liberação de neurotransmissores inibitórios (estabilizadores do humor). Prevendo os efeitos da medicação  Os efeitos para os quais a medicação é prescrita são chamados efeitos terapêuticos, os demais são chamados efeitos colaterais. P. ex. os anti- histamínicos – causam sonolência, ganho de peso e ressecamento nasal. Se um deles é prescrito para ajudar um paciente com insônia, a sonolência é um efeito terapêutico, e a secura nasal e ganho de peso, efeitos colaterais; se é prescrito para alergias sazonais (nariz escorrendo), a secura nasal é o efeito terapêutico e a sonolência o efeito colateral. 15
  16. 16.  Alguns psicofármacos causam múltiplos efeitos por que atuam sobre diferentes neurotransmissores, sendo chamados “drogas sujas”. Os ISRS, por exemplo, substituiram os antidepressivos tricíclicos por este motivo. Em algumas circunstâncias isto pode diminuir o efeito, como no caso dos antipsicóticos atípicos, que justamente são mais eficazes por atuar sobre múltiplos neurotransmissores. Há ainda outra razão: os mesmos receptores estão localizados em diferentes regiões do cérebro, como é o caso dos antagonistas dopaminérgicos. 16
  17. 17.  Prevendo interações entre drogas  Nem todas são ruins. Por ex. alguns antibióticos e alguns antidepressivos  Outras podem ser desastrosas, como no caso do anti- histamínico astamizole e o antibiótico eritromicina, o segundo interferindo na metabolização hepática do primeiro, elevando muito sua concentração no sangue, o que causa arritmias. Separados são seguros, juntos é perigoso.  Interações farmacodinâmicas:  Duas medicações com o mesmo efeito adverso, podem se somar, o que pode ser vantajoso em alguns casos: antidepressivos; ou pode ser ruim se causarem ambos sedação.  Podem também antagonizar efeitos: alucinações com LDOPA e antipsicóticos típicos. 17
  18. 18.  Interações farmacocinéticas:  Algumas podem mudar a maneira como o corpo interage com a outra. Isto pode ocorres de duas maneira: no sistema transportador ou no sistema de eliminação.  Competição pelas proteínas de conjugação, causando maior concentração da droga livre no sangue  Enzimas do citocromo P450: uma medicação pode inibir o efeito da enzima que metaboliza outra droga, o que deve ser antecipado por aquele que prescreve, baseado nas informações fornecidas pelos laboratórios. 18
  19. 19. 19
  20. 20. 1. A avaliação diagnóstica, sujeita a revisões, é fundamental para o nosso modelo.2. A farmacoterapia isolada é geralmente insuficiente para a completa recuperação.3. A fase da doença (p. ex. aguda, manutenção, profilaxia) é de importância crítica em termos de intervenção e duração do tratamento4. A relação risco/benefício deve sempre ser considerada para o desenvolvimento da estratégia do tratamento 20
  21. 21. 5. História pessoal prévia (e possivelmente familiar) de boa ou má resposta a um agente específico usualmente indica a primeira linha de escolha para um episódio subsequente.6. É importante delinear sintomas específicos que sirvam como marcadores para a psicopatologia subjacente e monitorar sua presença ou ausência em um determinado período de tempo.7. É necessário observar o desenvolvimento de efeitos adversos durante todo o tratamento. Esta monitoração frequentemente envolve técnicas laboratoriais de segurança, assim como de eficácia. 21
  22. 22.  Vinheta Clínica nº 4 Vinheta clínica nº 5 22
  23. 23.  Janicak, P.G., Davis, J.M., Prescorn, S.H., Ayd Jr, F.J. “Princípios e Práticas em Psicofarmacoterapia” MedPsi:Rio de Janeiro, 1996. Kelsey, J.E., Newport, D.J., Nemeroff, C.B. “Principles os Psychopharmacology for Mental Health Professionals”. John Wiley & Sons:New Jersey, 2006. 23

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