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Conduta ética do professor com base na pedagogia da autonomia de paulo freire

  1. 1. Akrópolis, Umuarama, v. 17, n. 3, p. 149-158, jul./set. 2009 149A CONDUTA ÉTICA DO PROFESSOR COM BASE NA PEDAGOGIADA AUTONOMIA DE PAULO FREIRETHE TEACHER’S ETHICAL CONDUCT RELIED ON PAULO FREIRES PEDAGOGY OFAUTONOMYAlbino Gabriel Turbay Junior1Gedson Cavinatti Rubio2Fernanda Garcia Velasquez Matumoto3Recebido em agosto/2009Aceito em outubro/20091Mestre em Direito pela UNIPAR. Especia-lista em Direito Processual. Especialista emDocência do Ensino Superior e professor deDireito Penal/UNIPAR – Umuarama – Cam-pus – Sede. E-mail: albino@unipar.br2Graduado em Ciência da Computação pelaUNIPAR e Especialista em Docência do En-sino Superior3Mestre em Direito Processual Penal. Es-pecialista em Direito Empresarial Coorde-nadora do Programa Institucional de Valo-rização do Magistério Superior/UNIPAR eprofessora da UNIPAR – Umuarama – Cam-pus – Sede.JUNOR, A. G. T; RUBIO, G. C; MATUMOTO, F. G. V. A conduta éticado professor com base na pedagogia da autonomia de Paulo Freire.Akrópolis Umuarama, v. 17, n. 3, p. 149-158, jul./set. 2009.Resumo: As aulas do curso de pós-graduação em docência levaram a uma pre-ocupação sobre o comportamento do professor em situações problemáticas,tanto no relacionamento com a própria profissão de professor e a instituiçãoem que se exerce a atividade, quanto no relacionamento com os alunos. Amelhor conduta nestas situações problemáticas é aquela que tem a ética comobase e para isto é preciso entender o que é ética, sendo que, para a busca des-ta compreensão, este trabalho utilizou como base a Pedagogia da Autonomia,de Paulo Freire, que, sem dúvida alguma, apresenta saberes importantes parareflexão sobre uma conduta ética de todo o professor.Palavras-chave: Professor; Situações problemáticas; Ética; Pedagogia da au-tonomiaAbstract: Classes within the post-graduation course in Teaching led us to con-cern teacher’s behavior before problematic conditions, either related to its ownprofession in relation to the institution in which he works, as well as its rela-tionship with the students. The best conduct towards such conditions is theethics-based, reason why understanding ethics is necessary. In the pursuit ofsuch understanding, this study was based on Paulo Freire’s Pedagogy of Auto-nomy, which is sure to present important knowledge for the reflection on everyteacher’s ethical conduct.Keywords: Teacher; Problematic conditions; Ethics; Pedagogy of Autonomy.
  2. 2. Akrópolis, Umuarama, v. 17, n. 3, p. 149-158, jul./set. 2009150JUNIOR, A. G. T; RUBIO, G. C; MATUMOTO, F. G. V.INTRODUÇÃOEm sua atividade profissional, o docente, eminúmeras vezes, se encontra em situações problemá-ticas em que precisa tomar uma decisão, porém estadecisão sempre envolve o questionamento sobre amoralidade de determinado comportamento, o quecria uma reflexão sobre como agir nestas situaçõesproblemáticas.Estes questionamentos giram em torno de si-tuações como, por exemplo, de que forma chamar aatenção de um aluno para a disciplina? Como avaliarum aluno que não se empenha em sala de aula? Ouque nunca é disciplinado? O que fazer quando per-cebe que um aluno está colando? E ainda, quandopercebe que está colando, mas não há provas? Ouresponder a um aluno que questiona seus métodos?O que fazer quando ocorre um conflito em sala deaula, de aluno com outro aluno, ou até mesmo de alu-no com o próprio professor? O que fazer quando nãose sabe uma resposta para um aluno que questio-na? Como fazer quando se percebe que as aulas nãotem sido produtivas: tenta inovar, ou o importante étransmitir o conteúdo e o problema de absorver é doaluno? O que fazer quando se está insatisfeito com aremuneração recebida como professor? O que é serprofessor?Estes são alguns dos problemas que podemacontecer na experiência de sala de aula e da pró-pria atividade de professor, sendo que as respostas eas soluções devem ser construídas por meio de umaconduta ética, respeitando os alunos e a Instituição,mas também se valorizando como professor.Ter a conduta ética adequada evita a respon-sabilidade por danos na relação educacional, danosem relação às pessoas envolvidas, bem como dano àprópria educação, que é o objetivo maior da atividadeda docência.Mas o que é ética? E, ainda, como descobrirqual é a conduta ética para um caso concreto?Neste trabalho, procurou-se estabelecer umconceito de ética, mais especificamente uma éticaque reconheça a condição do ser humano e sua com-plexidade. Em seguida foi pesquisado um sentido deética profissional e as virtudes necessárias para oexercício de uma profissão com ética. Por fim, reco-nhecendo na Pedagogia da Autonomia de Paulo Frei-re uma linha de saberes que levam a uma reflexãosobre a ética do comportamento do professor, foramcatalogados os saberes propostos por Paulo Freirerealizando, uma interpretação por parte dos autoresdeste artigo, com o objetivo, não de resolver todas asquestões formuladas no início, mas de estabelecerum padrão de comportamento e de reflexões que in-diquem uma conduta ética.Um sentido para a ética Para desenvolver um estudo sobre a éticaprofissional do docente, primeiro é necessário esta-belecer o que se entende por ética. Na definição deAdolfo Sanchez Vazquez (2003, p.23),A ética é a teoria ou ciência do comportamentomoral dos homens em sociedade. Ou seja, é ci-ência de uma forma específica de comportamentohumano.A nossa definição sublinha, em primeiro lugar, ocaráter científico desta disciplina; isto é, corres-ponde à necessidade de uma abordagem cientí-fica dos problemas morais. De acordo com estaabordagem, a ética se ocupa de um objeto próprio:o setor da realidade humana que chamamos mo-ral, constituído – como já dissemos – por um tipopeculiar de fatos ou atos humanos. Como ciên-cia, a ética parte de certos tipos de fatos, visandodescobrir-lhes os princípios gerais. Neste sentido,embora parta de dados empíricos, isto é, da exis-tência de um comportamento moral efetivo, nãopode permanecer no nível de uma simples descri-ção ou registro dos mesmos, mas os transcendecom seus conceitos, hipóteses e teorias. Enquan-to conhecimento científico, a ética deve aspirar àracionalidade e objetividade mais completas e, aomesmo tempo, deve proporcionar conhecimentossistemáticos, metódicos e, no limite do possível,comprováveis.Por esta definição percebe-se que a ética nãoé a própria moral, mas a moral é o objeto de estudoda ética em caráter científico. Desta forma, o estudoda ética não tem a intenção de estabelecer regrasfechadas de como se comportar, ou seja, estabele-cer soluções para cada problema prático-moral, e simcriar uma ciência com princípios gerais voltados paraa reflexão de um comportamento moral e, assim, sa-ber agir em situações problemáticas.A ética não se preocupa com qualquer com-portamento humano, mas com aqueles que envolvemproblemas de moral, bem como a reflexão sobre es-tes problemas e a construção de uma ciência, tendocomo objeto o comportamento moral.Quando se pensa em solução de problemascom ética, não significa dizer que a ética tem regraspara todos os comportamentos humanos em cada si-tuação concreta, pois a solução é de cada indivíduo,quando se encontra em um problema prático-moral,mas a ética pode determinar regras sobre como re-fletir sobre um determinado comportamento, genera-lizando, e elaborando princípios para que o indivíduopossa realizar sua conduta dentro de padrões de éti-ca (SÁNCHEZ VÁZQUEZ, 2003, p.17).
  3. 3. Akrópolis, Umuarama, v. 17, n. 3, p. 149-158, jul./set. 2009 151A conduta ética do professor com base...Desta forma, em cada campo de comporta-mento humano devem ser analisados os problemasmorais enfrentados, refletir cuidadosamente sobreeles, fazer juízo de valor, encontrar soluções, e a te-orização destas reflexões se traduz no significado deética, que depois, como ciência, deve manter a inves-tigação dos casos para poder se contextualizar e sereformular na diversidade de situações de problemasmorais dos relacionamentos humanos.Importante citar a ética do gênero humanoencontrada na obra de Edgar Morin (2002, p.105):para ter o sentido ético, é preciso compreender que“qualquer concepção do gênero humano significa de-senvolvimento conjunto das autonomias individuais,das participações comunitárias e do sentimento depertencer à espécie humana. No seio desta tríadecomplexa emerge a consciência”. Com isso, a con-duta ética acontece quando o indivíduo tem a cons-ciência de ser humano, pertencente a uma espécie ede estar reunido com outros pertencentes à mesmaespécie, em uma complexidade de relações que for-mam a sociedade. Ética é reconhecer a complexida-de e a condição do ser humano.Conforme Edgar Morin (2002, p.106), “a an-tropoética supõe a decisão consciente e esclarecidade: assumir a condição humana indivíduo/sociedade/espécie na complexidade do nosso ser; alcançar ahumanidade em nós mesmos, em nossa consciênciapessoal; assumir o destino humano em suas antino-mias e plenitude”. Assim, a ética é assumir a condiçãode ser humano e, para isto, é necessário viver estaética com solidariedade e com compreensão destacondição de ser humano, pois nesta condição os er-ros acontecem, inclusive para quem não compreendeo erro do outro, e compreender é parte do processode humanização, do aprendizado de qualquer ser hu-mano (MORIN, 2002, p.100).Em sala de aula, os problemas práticos mo-rais acontecem constantemente na relação profes-sor/aluno, bem como na relação professor/instituiçãode ensino, e as soluções ocorrem caso a caso, e parase determinar uma conduta ética, tal conduta, comosolução para o caso, deve estar dentro dos princípiosestabelecidos para aquele comportamento, mas prin-cipalmente passando pela compreensão da condiçãode ser humano dos envolvidos.Verificada a definição de ética, para a con-tinuidade deste estudo, faz-se necessária uma defi-nição de ética profissional como âmbito geral, paradepois analisar a ética profissional na profissão dedocente, com suas características específicas.A ética profissionalApesar da individualidade nossos compor-tamentos não refletem apenas no campo individual,e sim no social. Como profissional, o indivíduo atuadentro de um sistema e é necessário que ele respeitea ordem deste sistema, para que possa, com ética,ter sucesso como indivíduo. Conforme Antonio Lopesde Sá (2001, p.110), “Cada conjunto de profissionaisdeve seguir uma ordem que permita a evolução har-mônica do trabalho de todos, a partir da conduta decada um, através de uma tutela no trabalho que con-duza à regulação do individualismo perante o coleti-vo”.O profissional que trabalha somente para terseu salário não tem a consciência de que sua atu-ação profissional faz parte de um sistema social, e,que, ao final, cada profissional é um participante daconstrução do bem comum. Importante lembrar que otrabalho é um dos instrumentos de realização da dig-nidade do ser humano, mas não somente pelo fatoreconômico, e sim pelo social, ou seja, por ser instru-mento de realização da construção de uma socieda-de. A Constituição Federal traz, em seu artigo 1º, queos valores sociais do trabalho e da livre iniciativa sãofundamentos do Estado.Assim, o atuar profissionalmente, com ética,significa dar a importância necessária ao plano socialda profissão, mas tal consciência tem sido difícil, ain-da mais em um mundo imediatista, com uma culturaindividualista e influenciada pelo consumismo, o quefaz que os conceitos sociais das profissões fiquemem segundo plano.Constata Antonio Lopes de Sá (2001, p. 111):“Como o número dos que trabalham, todavia, visandoprimordialmente ao rendimento, é grande, as classesprocuram defender-se contra a dilapidação de seusconceitos, tutelando o trabalho e zelando para queuma luta encarniçada não ocorra na disputa dos servi-ços. Isto porque ficam vulneráveis ao individualismo”.Ainda, para o mesmo autor (2001, p.137): “A profis-são, como a prática habitual de um trabalho, ofereceuma relação entre necessidade e utilidade, no âmbitohumano, que exige uma conduta específica para osucesso de todas as partes envolvidas – quer sejamos indivíduos diretamente ligados ao trabalho, quersejam os grupos, maiores ou menores, onde tal rela-ção se insere”.Para diminuir os riscos do individualismo e doegoísmo, é importante um código de ética profissionalque estabeleça as regras de comportamento entre osintegrantes de uma classe e em relação àqueles quese utilizam dos serviços dos profissionais daquela de-terminada classe.
  4. 4. Akrópolis, Umuarama, v. 17, n. 3, p. 149-158, jul./set. 2009152JUNIOR, A. G. T; RUBIO, G. C; MATUMOTO, F. G. V.Da mesma forma deve ser pensado o com-portamento do professor em sala de aula, pois existea necessidade de atender regras de comportamentoem relação aos alunos, à Instituição em que traba-lha, bem como aos colegas de classe. Um compor-tamento antiético atinge não só a harmonia de umasala de aula, mas de todo o sistema de educação,pois os reflexos de um microssistema (sala de aula)influenciam todo o objetivo de construção social, ain-da mais quando este microssistema é relacionado àeducação.No exercício profissional ético, as virtudesprofissionais básicas são indispensáveis para a for-mação de uma base para que o profissional tenhasucesso no desempenho da profissão. Nos estudosde Antonio Lopes de Sá (2001, p.175), estas virtudesbásicas profissionais, imprescindíveis a qualquer pro-fissão, são as seguintes:Exercício do Zelo – o zelo representa a res-ponsabilidade do profissional com o objeto do traba-lho. Mais ainda, é uma questão da própria imagemdo profissional, pois demonstra a qualidade de seuserviço. O zelo requer que, mesmo em situações ex-tremas, em que aparentemente a solução é muito di-fícil, o profissional tem que primar pelo empenho e aresponsabilidade profissional.Honestidade – o profissional recebe a con-fiança daquele que utiliza seus serviços, por isso serhonesto significa ter responsabilidade perante o beme a felicidade de terceiros.Virtude do sigilo – quando o profissional temconhecimento de um fato, por meio de suas ativida-des, ele tem o dever de manter o sigilo. Isso determinaum comportamento moral sobre fatos de terceiros.Virtude da Competência – ter competênciasignifica estar habilitado para a prática de uma deter-minada profissão, ou seja, conhecer as técnicas doexercício da profissão, bem como toda a parte cientí-fica sobre o tipo de profissão que exerce. A competên-cia é importante para a credibilidade do profissionale, por consequência, evita o cometimento de errosque possam causar danos aos envolvidos na ativi-dade profissional a desempenhada pela profissionalque foi confiado. A ética determina que o profissionalsempre deve estar atualizado em relação às técnicase práticas da profissão que exerce. Conforme o autor(SÁ, 2001, p. 195), “o conhecimento é algo que sedeve exercer com imenso amor e abrangência. Umbom profissional precisa dominar a história de seuramo, a doutrina científica, a filosofia e toda a tecno-logia pertinente às tarefas que executa, atualizando-se sempre em todos os aspectos”.Além das virtudes básicas catalogadas porAntonio Lopes de Sá (2001, p.197), existem virtu-des complementares: 1) orientação e assistência aocliente; 2) ética do coleguismo; 3) ética classista; 4)ética e remuneração; 5) ética da resposta; 6)ética eevolução do conhecimento; 7) ética e revide.A ética do profissional da EducaçãoAs virtudes acima citadas servem para todasas profissões, mas existem virtudes específicas quedeterminam a ética do profissional da docência emseu espaço de sala de aula, espaço pedagógico. Aexigência destas virtudes específicas tem relaçãocom a tarefa do docente como educador e seus cui-dados na relação com os alunos.A prática pedagógica e a ética do docente,bem como as virtudes que o docente deve ter comocomportamento ético, devem estar adequadas a ummodelo de educação na sociedade.A educação tem papel importante no meiosocial, mas é necessário saber como atua a educa-ção conforme sua concepção. Para Cipriano CarlosLuckesi (1994, p.37), a educação pode ser concebidacomo redenção da sociedade, como reprodução dasociedade ou como transformação da sociedade.Como redenção da sociedade, a educaçãotem a finalidade de adaptar os indivíduos à convivên-cia social, mantendo o equilíbrio e o ordenamentosocial, como se a educação estivesse à margem dasociedade, fosse uma concepção autônoma e, sim-plesmente, servindo de instrumento para a coesãosocial.Como reprodução da sociedade, a educa-ção é parte da sociedade. Mas, como integrante daprópria sociedade, tem a tarefa de reproduzir o mo-delo vigente na sociedade com todos seus aspectoseconômicos, sociais e políticos, o que representa naverdade, uma forma de amoldar os indivíduos para aperpetuação de um modelo.Para Luckesi (1994, p.49):A tendência redentora é otimista em relação aopoder da educação sobre a sociedade. A tendên-cia reprodutivista é pessimista, no sentido de quesempre será uma instância a serviço do modelodominante de sociedade. Em termos de resulta-dos, as duas tendências parecem chegar ao mes-mo ponto. A tendência redentora pretende “curar”a sociedade de suas mazelas, adaptando os in-divíduos ao modelo ideal de sociedade (que, nofundo, não é outra senão aquela que atende aosinteresses dominantes). A tendência reprodutivis-ta afirma que a educação não é senão uma ins-tancia de reprodução do modelo de sociedade aoqual serve; que, no caso presente, é a sociedadevigente.
  5. 5. Akrópolis, Umuarama, v. 17, n. 3, p. 149-158, jul./set. 2009 153A conduta ética do professor com base...Deve-se pensar então na educação comotransformação da sociedade, como um instrumentodemocrático inserido no contexto social, refletindo osproblemas econômicos, sociais e políticos, mas sem-pre pensando na realização de um projeto social.Os saberes da pedagogia da autonomia de PauloFreire como construção da conduta ética docen-teNa obra Pedagogia da Autonomia, de PauloFreire (2006), há uma proposta de prática educativarefletindo sobre o compromisso e a responsabilidadedo educador, pois a relação em sala de aula, os limi-tes da ética, do que é “ser ético”, do reconhecer umsujeito do outro lado e não um objeto dos interessesdo docente é parte de uma complexidade em que odespreparo para exercer a função pode resultar emum verdadeiro desastre na tentativa de ser profes-sor, mas Paulo Freire consegue enfrentar o tema comresponsabilidade e com habilidade, chamando o lei-tor para uma reflexão.Na introdução do tema, Paulo Freire chamaa atenção para o comportamento ético do professor,o que motivou este trabalho, relacionando os sabe-res propostos por ele e que são necessários à práticaeducativa, e a obrigatoriedade de que o docente ob-serve estas virtudes. Sobre a ética, diz Paulo Freire(2006, p.15):Gostaria, por outro lado, de sublinhar a nós mes-mos, professores e professoras, a nossa respon-sabilidade ética no exercício de nossa tarefa do-cente. Sublinhar esta responsabilidade igualmenteàquelas e àqueles que se acham em formaçãopara exercê-la. Este pequeno livro se encontra cor-tado ou permeado em sua totalidade pelo sentidoda necessária eticidade que conota expressiva-mente a natureza da prática educativa, enquantoprática formadora. Educadores e educandos nãopodemos, na verdade, escapar à rigorosidade éti-ca. Mas, é preciso deixar claro que a ética de quefalo não é a ética menor, restrita, do mercado, quese curva obediente aos interesses do lucro... Falo,pelo contrário, da ética universal do ser humano.Da ética que condena o cinismo do discurso cita-do acima, que condena a exploração da força detrabalho do ser humano, que condena acusar porouvir dizer, afirmar que alguém falou A sabendoque foi dito B, falsear a verdade, iludir o incauto,golpear o fraco e indefeso, soterrar o sonho e autopia, prometer sabendo que não cumprirá a pro-messa, testemunhar mentirosamente, falar maldos outros pelo gosto de falar mal. A ética de quefalo é a que se sabe traída e negada nos compor-tamentos grosseiramente imorais como na perver-são hipócrita da pureza em puritanismo. A ética deque falo é a que se sabe afrontada na manifesta-ção discriminatória de raça, de gênero, de classe.É por esta ética inseparável da prática educativa,não importa se trabalhamos com crianças, jovensou com adultos, que devemos lutar. E a melhormaneira de por ela lutar é vivê-la em nossa prá-tica, é testemunhá-la, vivaz, aos educandos, emnossas relações com eles...Somente por esta passagem já se percebetodo o comprometimento sugerido por Paulo Freirenuma conduta ética, mas não qualquer ética e simaquela que revela um comportamento transformador,aquela que preserva e valoriza a condição do ser hu-mano e seu contexto social, o que inclui seus direitose seus deveres enquanto cidadão.As virtudes que serão relacionadas a seguir,propostas na Pedagogia da Autonomia de Paulo Frei-re (2006), não prescrevem um moralismo hipócrita,mas uma prática educativa comprometida e respon-sável pela ética do ser humano, uma prática educa-tiva que precisa de decisões, de avaliações e queeduca para a liberdade com responsabilidade social,proporcionando uma consciência crítica do mundo edo conhecimento.Como este trabalho toma por base filosófica,para a ética profissional, os saberes da Pedagogia daAutonomia de Paulo Freire (2006), serão citados ossaberes relacionados na obra com uma breve expli-cação, não como uma simples repetição da obra cita-da, mas como uma interpretação e reflexão pessoalsobre os saberes propostos, no intuito de que sirvacomo um instrumento para proporcionar aos leitoresdeste trabalho uma reflexão sobre a prática educativaética.Por isso mesmo, não se tem a pretensão deesgotar a análise dos saberes propostos por PauloFreire, mas de instigar quem tiver a curiosidade de lereste trabalho a refletir sobre as proposições e buscarum norte em sua prática educativa como profissionalda docência.Os saberes foram divididos por Paulo Frei-re (2006) em três capítulos: 1) não há docência semdiscência; 2) ensinar não é transferir conhecimento;3) ensinar é uma especificidade humana:Em primeiro estão os saberes relacionadosao tema “não há docência sem discência”, isto signi-fica que não se compreende a prática docente semo discente, que o processo de ensino-aprendizagempassa pelo reconhecimento das duas partes envolvi-das – docente e discente – e que os dois aprendem eensinam ao mesmo tempo, quando inseridos em umprocesso ético.Ensinar exige rigorosidade metódica – a uti-lização de método é no sentido de proporcionar aoeducando a capacidade de investigação, para queele não seja simplesmente sujeito passivo da trans-
  6. 6. Akrópolis, Umuarama, v. 17, n. 3, p. 149-158, jul./set. 2009154JUNIOR, A. G. T; RUBIO, G. C; MATUMOTO, F. G. V.ferência de conhecimento, mas sujeito da constru-ção do conhecimento. Com isso, o educador ético éaquele que utiliza métodos para que os educandosaprendam a pensar. Foge à ética o professor que vaià sala de aula para transferir conhecimentos já ob-tidos, sem uma responsabilidade da compreensãoefetiva por parte do aluno.Ensinar exige pesquisa – o professor nãopode achar que seu conhecimento é absoluto. En-sinar exige pesquisa, mesmo de conhecimentos jáobtidos, pois o mundo e os conhecimentos são dinâ-micos, alteram-se, inovam-se, e o professor, para serético, deve estar atento a estas inovações e, princi-palmente, se indagar sobre os conhecimentos e, comisto, levar aos alunos esta realidade dinâmica.Ensinar exige respeito aos saberes dos edu-candos – o currículo e o conteúdo programático deuma escola não têm a totalidade dos conhecimentos,ou dos saberes. Cada indivíduo participante do pro-cesso de ensino-aprendizagem, incluindo os alunos,tem carga cultural que revela saberes importantespara a evolução da sociedade e sua investigação érelevante no processo de formação. O professor éticonão tem a verdade absoluta, mas respeita e refletesobre os conhecimentos trazidos por seus alunos.Ensinar exige criticidade – o professor devepassar aos seus alunos que o conhecimento deve seralcançado com consciência crítica sobre sua aplica-ção nas relações sociais. Isto exige curiosidade parase aceitar ou não o conhecimento proposto, bemcomo para refletir sobre as propostas educativas.Ensinar exige estética e ética – a construçãodo conhecimento faz parte da beleza de ser humano,é formação moral. O conhecimento efetivo tem comoconsequência a mudança. Por isso a educação nãopode ser apenas uma formalidade e sim uma experi-ência humana, que exige a ética para romper e deixarque o novo se revele.Ensinar exige a corporificação das palavraspelo exemplo – na educação transformadora que cha-ma atenção para a responsabilidade social, a relaçãodocente/discente não pode ficar somente no discursoem sala de aula, mas as atitudes do professor, tantoem sala de aula, quanto fora, devem ser exemplos.O professor que fala em democracia não pode tolheros pensamentos e as experiências de seus alunos,senão o exemplo seria contrário ao seu discurso.Ensinar exige risco, aceitação do novo e re-jeição a qualquer forma de discriminação – a tarefado professor que tem conduta ética é de não ficarpreso a um modelo, mas revelar o novo, mesmo queo novo seja uma nova leitura daquilo que já existe, ouconfirmar um conhecimento já existente sem tornar-lhe velho, ou seja, ter a curiosidade de compreen-dê-lo. Ainda, importante que no processo de ensino-aprendizagem não existam atos discriminatórios dequalquer tipo, pois a discriminação é uma forma depensar que impede o alcance do novo.Ensinar exige reflexão crítica sobre a prática- é importante que o professor, quando trabalha ensi-namentos com os alunos, tenha uma reflexão críticasobre a aplicação dos conhecimentos na prática, co-meçando pelo próprio ato de ensinar e suas teoriasdidáticas, que é o momento imediato em sala de aulae, depois, sobre as teorias específicas da disciplinatrabalhada em sala de aula. O professor só tem co-nhecimento efetivo da produtividade de sua práticaeducativa em relação aos seus alunos se reflete criti-camente como o processo está acontecendo em salade aula; o professor não pode achar que seus alunosdevem se adaptar aos seus métodos, sem refletir so-bre estes métodos.Ensinar exige o reconhecimento e a assun-ção da identidade cultural – o professor não podeisolar o conhecimento teórico da realidade social suae de seus alunos. Cada indivíduo, representante dadiversidade social, tem uma carga cultural que deveser percebida pelo professor, bem como deve serpercebida pelo professor a cultura que se forma forada sala de aula, pois esta cultura aprendida nas ruas,no cotidiano, está interiorizada nas pessoas, e nãopode ficar do lado de fora da sala de aula. Interiori-zado nas pessoas, faz com que cada um tenha suapersonalidade, seu jeito de ser, e este jeito de serdeve ser assumido, pois esta assunção leva à proxi-midade entre as pessoas, pelo fato de se reconhecercomo ser humano e, como consequência, valorizar arelação entre pessoas, que é o fundamento da solida-riedade social. Desta forma, se tem uma relação éticaentre docente/discente.Em segundo estão os saberes relacionadosao tema “ensinar não é transferir conhecimento” oque indica que o professor que tem conduta ética nãousa a sala de aula para realizar um discurso vazio deconsciência crítica, ou que mostra suas habilidadesde memorização do conhecimento. Ele abre espaçopara questionamento, para investigação, para refle-xão, proporcionando a dinâmica do processo ensino-aprendizagem e de sua construção.Ensinar exige consciência do inacabamento– a experiência de vida nos mostra que o ser humanoé inacabado, ou seja, que é um ser em evolução eisso importa em errar e acertar, em melhorar, masem também fazer coisas que desagradam os outros,e assim são as pessoas. No espaço de sala de aulaocorrem várias situações e, por isso, o professor deverespeitar a condição humana dos alunos, seu inaca-bamento. O próprio professor é inacabado, ou seja,
  7. 7. Akrópolis, Umuarama, v. 17, n. 3, p. 149-158, jul./set. 2009 155A conduta ética do professor com base...todos estão evoluindo, e essa evolução só acontece-rá de forma ética se houver a compreensão de todosos envolvidos.Ensinar exige o reconhecimento de ser con-dicionado – a frase de Paulo Freire é de pura reflexão(2006, p.53): “gosto de ser gente porque, inacabado,sei que sou um ser condicionado mas, consciente doinacabamento, sei que posso ir mais além dele”. Aconsciência de ser inacabado faz com que o ser hu-mano busque sua evolução, e isto revela que tam-bém é condicionado por fatores histórico-sócio-cultu-rais. Estes fatores, apesar de representaram limitesde difícil superação, podem ser superados quando seexerce a titularidade consciente da vida. A condutaética do professor está no sentido de reconhecer queos alunos, bem como ele mesmo, podem errar, maso que importa é o processo de busca do conhecimen-to, é o lançar-se em novos momentos de busca derompimento do que condiciona o homem. O profes-sor não pode simplesmente transferir conhecimentoe esperar que o aluno memorize. Isto é repetição, éachar que se está acabado, é não ter consciência deser condicionado.Ensinar exige respeito à autonomia do ser doeducando – a eticidade deve respeitar o pensamentodiferente, por isso o professor deve possibilitar a ex-pressão de seus alunos, mesmo que não concorde,mesmo que esta manifestação não seja ética, masque, por meio desta autonomia do aluno, possa ocor-rer o processo de ensino-aprendizagem. O contrárioseria tolher a liberdade do aluno. Mas, ao permitir aexpressão da autonomia do aluno, o professor devesaber construir os limites de liberdade, para que o es-paço sala de aula seja um momento de ética e cons-trução social.Ensinar exige bom senso – no espaço desala de aula existe uma relação de autoridade. Con-tudo, não pode haver um autoritarismo por parte doprofessor. Ele deve ser consciente de suas respon-sabilidades, mas exercer sua profissão respeitando adignidades dos envolvidos e ter bom senso em suasdecisões. Decisão, por exemplo, de fazer a chamadano início da aula ou no final, mas saber que algunsalunos chegarão atrasados ou precisarão sair maiscedo; avaliar os alunos, mas ter bom senso de per-ceber na nota as necessidades dos alunos ou de umdeterminado aluno. Ter bom senso, nos dizeres dePaulo Freire, de perceber que o trabalho do professoré com os alunos e não consigo mesmo, ou seja, exis-te uma função a ser exercida, o que gera responsa-bilidades, por isso o professor deve ter as condiçõesnecessárias para estar em sala de aula, para que oespaço seja propício para a construção do saber.Ensinar exige humildade, tolerância e luta emdefesa dos direitos dos educadores – primeiro que arelação professor/aluno deve ser pautada pela humil-dade e pela tolerância, caso contrário todos os outrossaberes aqui analisados seriam inúteis. Entender oser inacabado é prática de humildade e de tolerân-cia. O desprezo a estes sentimentos pode resultarem situações desastrosas em sala de aula, pois opróprio professor é inacabado e, por mais que tenhaconhecimento do assunto que ministrará em sala deaula, ninguém é detentor da completude dos conhe-cimentos. Por isso, o professor deve estar inserido noprocesso de ensino-aprendizagem e não à margem,como se fosse inatingível e estivesse fazendo o favorde transmitir alguns conhecimentos. Por outro lado,a prática educativa exige que as instituições públicasou privadas ofereçam as condições necessárias paraa prática educativa. O educador tem a tarefa de lu-tar por estas condições e tornar a prática profissionaldigna. Ensinar exige apreensão da realidade – oprofessor, com uma conduta ética, deve saber a es-sência da prática educativa, dos seus procedimentosdidáticos, da pedagogia adotada, ter uma consciên-cia social e política da realidade e com isso instigaros alunos a refletirem sobre os problemas que envol-vem a realidade, pois os conteúdos das disciplinasque se trabalha em sala de aula, ou seja, os objetosda aula, são reais, e não podem ser explicados pormeio de memorização, mas devem ser enfrentadosdentro de um contexto histórico-cultural. O professorque não compreende a realidade somente transmiteconceitos. Por isso, o professor não pode ser inerte,deve pesquisar, tomar consciência desta realidade e,de forma ética, provocar o conhecimento real, mes-mo que demonstre suas convicções sócio-políticas,pois o homem não pode ser alheio aos problemassociais.Ensinar exige alegria e esperança – se aeducação é instrumento de transformação social,deve ser realizada com alegria e esperança. Sem es-perança não há como vislumbrar uma transformação,pois seria uma acomodação ao estado das coisas, equem se acomoda não abre espaço para transforma-ção. Por isso a, esperança tem sido uma condição doser humano em evolução, ou, nas palavras de PauloFreire, ser inacabado. O exercício da esperança exi-ge alegria para levantar os problemas e buscar assoluções. O professor desanimado, sem esperança,acomodado, simplesmente transmite o conteúdo queconsidera acabado, não abre espaço para construçãodo conhecimento e pode causar um dano irreparávelna educação de seus alunos.Ensinar exige a convicção de que a mudan-ça é possível – não faria sentido um profissional da
  8. 8. Akrópolis, Umuarama, v. 17, n. 3, p. 149-158, jul./set. 2009156JUNIOR, A. G. T; RUBIO, G. C; MATUMOTO, F. G. V.docência atuar na área da educação se não acredi-tasse na possibilidade da mudança, seria no mínimocontraditório. A educação é transformadora. Mesmoque o professor não fosse ético e simplesmente esti-vesse transmitindo conhecimento sem alegria e semesperança, alguém que estivesse presente nestaaula mas que, na condição de ser humano, estivessepresente também na realidade social, faria supera-ção dos limites impostos pela transmissão de conhe-cimento e alcançaria um novo momento, o momentoda compreensão e da transformação. O profissionalético deve estar consciente desse movimento dinâmi-co e irrefreável de evolução e fazer suas aulas acre-ditando na transformação, sem ser neutro e tendo umpropósito para sua prática educativa. Aquele que nãoacredita na mudança não poderia estar em sala deaula com a responsabilidade da educação.Ensinar exige curiosidade – Segundo PauloFreire (2006, p.86), “Antes de qualquer tentativa dediscussão de técnicas, de materiais, de métodos parauma aula dinâmica assim, é preciso, indispensávelmesmo, que o professor se ache “repousado” no sa-ber de que a pedra fundamental é a curiosidade doser humano. É ela que me faz perguntar, conhecer,atuar, mais que perguntar, re-conhecer”. O exercícioda curiosidade é parte do processo do conhecimento,e a tarefa do professor é direcionar esta curiosidadepara uma construção de conhecimento, sem mecani-zá-la para um processo de memorização, mas criaras liberdades e seus limites no processo, buscar acompreensão do objeto que se pretende conhecer. Acuriosidade faz parte da inquietação do ser humano,da busca da evolução, e o professor deve preservaresta prática.Na terceira ordem dos saberes estão os sa-beres relacionados a que “ensinar é uma especifici-dade humana” e, conforme Paulo Freire, é sobre arelação de autoridade exercida pelo docente e a se-gurança no exercício da atividade profissional.Ensinar exige segurança, competência pro-fissional e generosidade – o professor deve prezarpor sua formação profissional, ter competência naárea específica de conhecimento que trabalha emsala de aula, mas também na própria formação comodocente. Esta competência gera a segurança paratrabalhar os conteúdos em sala de aula. Ter autori-dade não significa perder a generosidade, mas pelocontrário, tendo generosidade se constrói um ambien-te com disciplina, mas uma disciplina voltada para avalorização das liberdades, ou seja, democrática. Aodemonstrar generosidade o professor é reconhecidopelo aluno como alguém que não tem arrogância, ea compensação é a reação positiva do aluno em di-reção à disciplina e a construção do conhecimento.Desta forma, é possível uma autonomia do educan-do, no sentido de ter responsabilidade pelo ambien-te de disciplina que proporciona o processo ensino-aprendizagem.Ensinar exige comprometimento – a éticarequer que o professor tenha compromisso com suaatuação profissional. Se o professor pensar que a do-cência é entrar em sala de aula, transmitir a matéria esair, e assim, estaria cumprido seu compromisso, nãoentende o que é educação. O professor deve acredi-tar no que faz e na educação como instrumento detransformação social, deve se mostrar como alguémque pensa e está inserido em um contexto social,deve avaliar as ocorrências na relação com os alunose refletir sobre elas e, por meio desta reflexão, fazerautoavaliação, tanto no campo pessoal da relaçãocom os alunos, quanto nos conteúdos trabalhadosem sala de aula, sempre buscando melhorar.Ensinar exige compreender que a educaçãoé uma forma de intervenção no mundo – a educa-ção não pode ser uma simples reprodução do queestá posto, que geralmente está posto por interessesde ideologias dominantes. A atividade profissionaldocente ética é questionadora, é investigadora, nãoé neutra, é preocupada com a preparação científicapara desenvolver o processo de ensino-aprendiza-gem. Assim, por ser reveladora da realidade a edu-cação promove a intervenção no mundo, e a tarefado professor é, com ética, revelar esta realidade eproporcionar que cada indivíduo situado no proces-so sóciocultural forme suas convicções e opiniões, oque significa democracia.Ensinar exige liberdade e autoridade – umdos grandes problemas na relação professor/aluno éo exercício da autoridade por parte do professor ea liberdade do aluno. Os conceitos não podem serantagônicos ou afastados. Pelo contrário, devem serconstruídos em conjunto, pois naquele espaço dasala de aula o professor é a autoridade presente, masseu exercício não pode anular a liberdade do aluno.A disciplina é construída com o esforço de todos. Oprofessor deve criar os limites em conjunto com seusalunos, pois estes limites são saudáveis no espa-ço de construção do saber, e isso acontece melhorquando há humildade, generosidade e compreensãoda razão de se estar em um espaço educacional, tan-to pelo professor, quanto pelo aluno. Esta liberdadedada ao aluno é que caracteriza sua autonomia deprogressivamente ir percebendo sua responsabilida-de no processo educacional. Diferente é o professorlicencioso, que não coloca limites à liberdade dos alu-nos e paga com a indisciplina, que é tão grave quantoo autoritarismo, que afasta o processo democráticoeducacional, pois nenhum dos dois consegue em sua
  9. 9. Akrópolis, Umuarama, v. 17, n. 3, p. 149-158, jul./set. 2009 157A conduta ética do professor com base...plenitude e com ética a construção do conhecimen-to.Ensinar exige tomada consciente de deci-sões – este saber denota que o educador não podeser neutro, pois nem o educando e nem mesmo aeducação é neutra, e compreender isto significa terrespeito pelas opiniões, mas tomar as decisões con-forme suas convicções, para que estas decisões se-jam também respeitadas. Com certeza uma decisãonão irá causar a transformação na sociedade, mas épreciso demonstrar que a transformação é possível.Ensinar exige saber escutar – compreenderque o aluno é um sujeito do processo e não um ob-jeto, compreender que o diálogo tem maior alcancequando se sabe escutar. Quem sabe escutar entendeque não tem o domínio da verdade absoluta, o que éuma condição do ser humano em evolução, e que oconhecimento é construído a partir da percepção daspartes envolvidas. Por isso, é preciso saber o quepensa o aluno, quais são suas experiências. É preci-so escutá-lo, falar com ele, o que significa um diálo-go construtivo. Conforme o autor, a desconsideraçãoda formação humana é a mesma coisa que falar “decima para baixo”, é puro autoritarismo e apenas umtreino para quem fala, pois desta forma não há diálo-go. Escutar significa compreender o outro e propor-cionar desafios para o processo da educação.Ensinar exige reconhecer que a educação éideológica – a conduta ética do professor exige queele faça uma reflexão crítica sobre o que é transmi-tido em sala de aula, pois pode acontecer a trans-missão de uma ideologia que vá contra os valoresfundamentais do ser humano e com isso contribuirpara perpetuar um poder dominante, que leva a dife-renças sociais, discriminação e comodismo. Assim,é importante que o professor tenha uma consciênciacrítica de si mesmo, para compreender o que estánas entrelinhas de seu discurso.Ensinar exige disponibilidade para o diálogo– o saber dialogar é de suma importância para ensi-nar, ou seja, o professor deve estar aberto aos acon-tecimentos, ao contexto social, aos outros e seusproblemas. Assim, fazendo compreensão de mundo,pode tornar eficaz sua tarefa de ensinar. Neste sen-tido, é importante o professor estar aberto para ascondições dos alunos com quem se relaciona, seubairro, sua cidade, sua condição social, para podercompreender o papel que a educação terá na reali-dade destes alunos. Caso contrário, todo o conteúdoensinado corre o risco de ser inútil, ou, ao menos,fora de contexto, e assim ser um conhecimento limi-tado.Ensinar exige querer bem aos educandos –neste saber entra em discussão o saber ser afetivo,pois é importante que o professor saiba se relacionarcom seus alunos, e saiba, neste relacionar, manter aseriedade, o profissionalismo, o cuidado com a for-mação científica, a autoridade, mas também fazeruma relação afetiva. Talvez a melhor maneira de terafetividade, sem que isto resulte num desvirtuamen-to na tarefa de docente, é praticar a profissão comalegria e esperança, pois estes sentimentos refletempositivamente na relação com os alunos, que, perce-bendo o comprometimento do professor se sentemrespeitados e, com isso, a afetividade está se rea-lizando. Uma afetividade no campo profissional quedeixa de lado a arrogância, mas não o compromissocom a realização do ensino, e sempre valoriza o serhumano.ConclusãoPor este trabalho percebe-se que não exis-tem modelos de comportamentos éticos para cadatipo de problema que possa ocorrer nas relações dadocência, que nos dê uma solução ética caso a caso,mas que a base da ética no processo educacional,e principalmente na relação docente-discente, estáno reconhecimento de que, nos dois pólos, existe afigura de um sujeito, ou seja, nesta relação um nãopode colocar o outro como um objeto de seus interes-ses. Assim, o professor não pode exercer sua profis-são com arrogância ou diminuindo a capacidade deseu aluno, a ponto de reduzí-lo como ser humano. Oprofessor deve, com humildade e inteligência, respei-tar a condição de que seu aluno é alguém localiza-do neste mundo e que possui uma história de vida,pois sua história de vida, mesmo que tenha formaçãocultural diferenciada – importante lembrar que a vidaé a representatividade da diversidade, nada é igual,nem mesmo a repetição gera igualdade, por isso érelevante sabermos respeitar o diferente – tem umapotencialidade para intervir em sala de aula, propor-cionar reflexões, trazer o novo (mesmo que seja emum dos aspectos discutidos) e com isso possibilitartransformações.Esta percepção da necessidade do respeitona relação docente-discente, conforme Paulo Freire,passa pelo fato de que “ensinar exige consciência doinacabamento”. A vida e seus aspectos são proces-sos, não se encontram acabados, determinados. Seo determinismo fosse a base de todo conhecimento,nada mais haveria para ser construído, tudo estariapronto e restaria tomarmos ciência. Pelo contrário,a construção é a grande força do conhecimento, eas descobertas por meio de métodos de pesquisae por meio de experiências demonstram a dinâmicada vida. Não sabemos tudo, não estamos acabados
  10. 10. Akrópolis, Umuarama, v. 17, n. 3, p. 149-158, jul./set. 2009158JUNIOR, A. G. T; RUBIO, G. C; MATUMOTO, F. G. V.como pessoas, estamos em processo, temos apenasum conhecimento possível, e o outro ser humano comquem convivemos tem um outro conhecimento pos-sível de experiências pela qual ainda não passamos,por isso sua importância. Achar que o ser humano éum ser acabado é estar fechado para a dinâmica davida, o que pode resultar em discriminação e falta desolidariedade.Desta forma, o espaço físico que se denomi-na como sala de aula é um ambiente convivido pelasdiversidades, e por isso deve ser um espaço aberto,um momento em que a dignidade do ser humano, abusca pela evolução, o respeito, a afetividade, o con-traditório, o debate, a busca de novas soluções (nãosomente técnicas, mas soluções para a vida, para asrelações sociais), enfim, a vida, devem ser valoriza-dos, sempre com o intuito de que fique demonstra-do naquele momento (que pode ser alguns minutos)que as misérias morais e materiais da humanidade,se não podem ser vencidas por completo, podem serdiminuídas pela força da integração da diversidade.Importante ressaltar, ainda, que o espaço fí-sico da sala de aula pode ser constituído por pare-des, mas na verdade é um espaço de intenção, deação, de objetivo, de sentido e de vida. É o local e omomento em que a superação tem uma grande pos-sibilidade de acontecer e, sendo assim, é importanteque o docente não seja autoritário, para, ao invés detolher as manifestações de aprendizagem dos alunos,ele possa contribuir para uma verdadeira construçãodos saberes, das relações sociais, da vida. A relaçãodocente-discente deve ter um sentido construtivo, emque a teoria e a prática sejam uma via de mão dupla,em que o processo de aprendizagem possa se inver-ter constantemente, com o professor aprendendo eseus alunos ensinando com suas histórias de vida.A base da ética está em reconhecer quetodo ser humano é ator e portador de cultura, o quenos faz concluir que temos que aprender a escutaros outros. Este exercício será muito importante paramelhorar como professor, pois escutando os alunospoderemos fazer constatações que serão de grandeutilidade no processo construtivo de ensino-aprendi-zagem, já que possibilitará saber quais são as idéiase necessidades dos alunos.Chama a atenção a questão do comprometi-mento do docente, de titularizar-se como uma autori-dade, exercendo esta autoridade sem arbitrariedade,deixando espaço para a liberdade de manifestaçãodo aluno, mas, ao mesmo tempo, demonstrandoque os limites devem ser respeitados. A autoridadedeve ser exercida com ética, e por vezes com rigor.O professor inoperante não contribui. Também gosta-ria de destacar quando o autor diz que é dever doseducadores pensar e lutar em favor de seus direitos,valorizar-se, motivar-se.Os saberes demonstrados por Paulo Freirevalorizam a autonomia do discente como ser huma-no, a responsabilidade de estar em uma relação quedeve ser ética, a responsabilidade social pelo ensino-aprendizagem e sua aplicação na sociedade, o posi-cionamento frente aos problemas sociais e com issodecidir quais decisões a serem tomadas, o que sepode resumir que o espaço educacional não é umespaço de repetições ou de comodismo, mas é umespaço dinâmico em que o diálogo deve acontecercom respeito e ética, e o papel do professor, para queisto aconteça, é essencial.Com estas reflexões, poderemos tomar de-cisões éticas em várias situações ocorridas em salade aula, principalmente as que envolvem conflitos,problemas e, por fim, entender que a conduta éticado professor envolve uma complexidade de ações,dentro da sala de aula, em relação à instituição emque trabalha, e mesmo fora dela, mas com a res-ponsabilidade de ser docente envolvido no processoeducacional.ReferênciasFREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberesnecessários à prática educativa. 34. ed. São Paulo:Paz e Terra, 2006.LUCKESI, C. C. Filosofia da educação. São Paulo:Cortez, 1994.MORIN, E. Os sete saberes necessários à edu-cação do futuro. Tradução Catarina Eleonora F. daSilva e Jeanne Sawaya. 5. ed. São Paulo: Cortez,2002.SÁ, A. L. Ética profissional. 4. ed. São Paulo: Atlas,2001.VAZQUEZ, A. S. Ética. 24. ed. Rio de Janeiro: Civili-zação Brasileira, 2003.

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