IV SEMEAD
Outubro de 1999
ESTRUTURA DE CAPITAL NA AMÉRICA LATINA:
EXISTIRIA UMA CORRELAÇÃO COM
O LUCRO DAS EMPRESAS?
Rubens Famá1
Stefanos Melher2
RESUMO
O levantamento das 500 maiores empresas em faturamento líquido
em 1995, na América Latina, chama a atenção pelos seguintes fatos:
S Das 50 empresas que auferiram maiores “lucros líquidos” nominais
em dólares americanos apenas 13 (26%) são do Brasil enquanto que
daquelas que tiveram os 50 maiores “prejuízos líquidos” 37 (74%)
são instaladas no Brasil.
S Das 50 empresas mais rentáveis no conceito rentabilidade do patri-
mônio (Lucro Líquido / Patrimônio Líquido), apenas 28 (56%) ope-
ravam no Brasil.
Seria a Estrutura de Capital responsável por esta situação?
Através de um conjunto de análises estatísticas procura-se verificar
se a dimensão da participação de capitais de terceiros com relação ao
patrimônio líquido, teria influência sobre os resultados e sobre o valor
daquelas empresas.
Conclui-se que, embora a estrutura de capital daquelas empresas
não pareça responsável pelos fatos acima, há fortes indícios de que o
nível de endividamento se constitui num fator que potencia os resulta-
dos das empresas com tendência a gerar lucro, aumentando conse-
qüentemente seu valor, e age negativamente sobre aquelas com ten-
dência a gerar prejuízo.
1
Professor Titular do Departamento de Administração da Faculdade de Economia,
Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo. E-mail:
rfama@usp.br.
2
Professor de Teoria Matemática de Seguros de Ramos Elementares FEA - PUC-
SP no curso de Ciências Atuariais. Bacharel em Administração de Empresas pela
ESAN/PUC-SP. Bacharel em Ciências Atuariais pela PUC-SP. Mestrando em
Ciências Contábeis e Finanças na PUC-SP.
2
INTRODUÇÃO
Justificativa
São duas as fontes de financiamento externo de uma empresa:
S Recursos de propriedade dos acionistas (também conhecidos como “Patrimônio Líquido”) ou Ca-
pital dos Acionistas; e
S Recursos de propriedade de terceiros, entregues à empresa através de qualquer forma de emprés-
timo, dívida, contas a pagar, etc. (também conhecidos como “Capital de Terceiros”) ou Capital dos
Obrigacionistas.
Uma das formas de se alavancar os resultados de uma empresa tem sido a busca de empréstimos , es-
pecialmente a longo prazo, para permitir a expansão das operações.
Argumenta-se que capitais de terceiros tendem, a longo prazo, a se constituir em fonte de financia-
mento mais barata do que capitais próprios por vários motivos:
a) Por ser, teoricamente, menos exposto ao risco, o financiador pode aceitar uma taxa de risco menor
do que o acionista, especialmente o portador de ações ordinárias nominativas.
b) A dedutibilidade dos juros para fins de imposto de renda reduz o imposto a pagar otimizando o
fluxo de caixa e conseqüentemente o “Valor Presente Líquido” da empresa.
c) No caso de capital próprio, o acionista é penalizado por uma taxação sobre a distribuição dos lucros,
seja sob a forma de dividendos, seja como ganho de capital pela valorização das ações. Entretanto,
recente mudança na lei brasileira passou a tratar dividendos como juros (lei 9249/96).
É bem verdade que, no caso de financiamento, também existem desvantagens a saber:
a) Elevação do risco tendo em vista que os juros acabam se constituindo numa modalidade de custo
fixo, gerando risco financeiro.
b) Existência, segundo alguns autores3
, do denominado “custo de falência”, em parte também ligado
ao risco do negócio.
c) Risco de flutuação para maior da taxa de juros ao longo do tempo. Este tipo de risco parece ter sido
pouco abordado pelos autores de Teoria de Finanças. A variabilidade desta taxa, por fatores con-
junturais, poderia inviabilizar, em determinado momento, a rolagem da dívida pela geração de ala-
vancagem negativa ao negócio.
O Problema
Assim, e a longo prazo, se as teorias refletirem a realidade, os fluxos de caixa das empresas, e conse-
qüentemente os lucros líquidos, não deveriam ser afetadas pela estrutura de capital ou seja pelo elevado
nível de endividamento. Se o forem, as causas potenciais estariam em :
S Problemas de gestão;
3
Veja Ross, Westerfield e Jaffe (1995 – p. 325), Breadley, R.A.. e Myers, S.C. (1998 – p. 485).
3
S Percepção de risco trazido pela elevada proporção de capitais de terceiros com conseqüente eleva-
ção das taxas de juros por parte dos credores (isto seria ainda agravado pelo denominado custo de
falência).
S Risco conjuntural seja político, mercadológico ou macroeconômico, incluindo-se neste último ele-
vação das taxas de juros referenciais.
Observa-se, também, que os quocientes apresentados entre capital de terceiros e valor contábil total de
empresas não financeiras de diversos países, conforme Estatísticas Financeiras da OECD - 1992, tem es-
tado abaixo de 1, o que denota uma postura conservadora das empresas, apesar da aparente vantagem de
se dar preferência a capitais de terceiros, em detrimento de capitais próprios, dentro de uma visão estraté-
gica da estrutura de capital de certos empreendimentos.
Curiosamente, os EUA, país que tem mantido, nos últimos anos, um elevado grau de prosperidade é
aquele onde a relação capital de terceiros e valor contábil total da empresa é muito baixa: 0,50. O Japão,
com os problemas que vem atravessando, apresenta uma relação mais alta: 0,80. Existem, certamente,
diferenças nos procedimentos contábeis que dificultam a interpretação destes números. Mesmo assim, o
fato é, no mínimo, intrigante e gera interesses exploratórios.
No que tange à América Latina, um levantamento efetuado pela edição anual da revista “América –
Economia”, de 1997, que cataloga o ranking das 500 maiores empresas em faturamento líquido da região
em 1995, chama a atenção pelos seguintes fatos:
a) Das 50 empresas que auferiram maiores “lucros líquidos” nominais em dólares americanos apenas
13 (26%) são do Brasil, enquanto que daquelas que tiveram os 50 maiores “prejuízos líquidos” 37
(74%) são instaladas no Brasil.
b) Das 50 empresas mais rentáveis no conceito rentabilidade do patrimônio (Lucro Líquido / Patri-
mônio Líquido), 28 (56%) operavam no Brasil.
Seria a Estrutura de Capital responsável por esta situação?
OBJETIVO
O objetivo deste trabalho consiste em avaliar, através de análises estatísticas de correlação, a existência
de relação entre os resultados e a estrutura de capital daquelas empresas. Analisaremos também se uma
política comercial mais ou menos voltada à exportação, um indicativo de estratégia comercial, explicaria,
por exemplo, melhor o ranking anteriormente citado do que a estrutura de capital em si.
Convém ainda lembrar que, este conjunto de análises não permite determinar as razões da constituição
daquelas estruturas de capitais, se houve expansão nos negócios ou se esta estrutura objetiva cobrir defi-
ciências operacionais. Uma análise deste tipo demandaria um conhecimento muito mais aprofundado de
cada empresa, de seus demonstrativos financeiros ao longo do tempo e até do histórico e comportamento
das administrações respectivas, condições que não se dispõem no momento.
Fundamentos Teóricos
Na teoria de finanças, um dos assuntos mais intrigantes, seja em razão da controvérsia trazida no final
da década de 50 pelas publicações de Modigliani & Miller, seja pela pouca evolução alcançada nos últi-
mos quarenta anos, é aquela que se refere à estrutura de capital. Afinal, existe uma estrutura de capital
ótima para a empresa ou, de fato, seu valor não se altera em função de como seus ativos são financiados?
4
Esta questão de um lado divide os autores e de outro permite encontrar em suas publicações versões que
não identificam claramente suas posições.
Conforme Eugene F. Brigham e Joel F. Houston (1999 – pg 448):
“O capital de terceiros tem diversas vantagens. Primeiro, os juros pagos são dedutíveis
para fins de imposto, o que reduz o custo efetivo da dívida. Segundo, como os portadores de
títulos de dívidas obtêm um retorno fixo, os acionistas não precisam partilhar seus lucros se
os negócios forem extremamente bem-sucedidos.
No entanto, o capital de terceiros também tem desvantagens. Primeiro, quanto mais alto
for o grau de endividamento, mais alta será a taxa de juros. Segundo, se uma empresa en-
frenta tempos difíceis e o lucro operacional não é suficiente para cobrir os pagamentos de
juros, os acionistas terão de cobrir a diferença e, se não puderem fazê-lo, a empresa irá à
falência. Épocas boas podem estar logo adiante, mas o excesso de dívidas ainda pode impe-
dir a empresa de chegar lá e ainda arruinar os acionistas nesse meio-tempo.”
Esta é sem dúvida uma abordagem simples, clara e define o contexto estratégico da relação de capitais
próprios e de terceiros. Os acionistas não desejam partilhar o sucesso financeiro com outros. Preferem
pagar um custo independente do sucesso (juros). Entretanto, se as coisas não correrem como desejado,
seja por problemas de gestão seja por razões conjunturais, os acionistas podem perder seu investimento.
Mais adiante continuam esses autores:
“A política de estrutura de capital envolve uma troca (trade-off) entre risco e retorno:
A utilização de mais capital de terceiros aumenta o grau de risco do fluxo de lucros da
empresa.
No entanto, um grau de endividamento mais alto geralmente leva a uma taxa de retorno
mais alta.
O risco mais alto tende a diminuir o preço da ação, mas uma taxa de retorno esperada
mais alta o faz aumentar. Assim, a estrutura ótima de capital é o equilíbrio entre risco e re-
torno que maximiza o preço das ações de uma empresa.”
Autores como Ross, Westerfield e Jaffe (1995 – pg 300) abordam o assunto sob outro enfoque. Com
base na teoria de Modigliani e Miller (MM) e na teoria da pizza, citam que o valor da empresa independe
da estrutura de capital num mercado eficiente e sem impostos:
“Nossos resultados, neste capítulo, são básicos. Inicialmente, discutimos a decisão de es-
trutura de capital num contexto livre de impostos ou quaisquer outras imperfeições de mer-
cado de capitais. Surpreendentemente, constata-se que, nesse caso, a decisão de estrutura de
capital é irrelevante. Em seguida, argumentamos que há uma peculiaridade, na legislação
fiscal americana, que subsidia o financiamento por meio de capital de terceiros. Por último,
mostramos que um aumento do valor da empresa, com a utilização de financiamento por
meio de capital de terceiros, conduz a um aumento do valor das ações.”
Entretanto afirmam mais adiante que, havendo impostos, a situação se altera:
“Demonstraremos que, devido a uma peculiaridade da legislação fiscal americana, a
proporção da pizza destinada a impostos é menor na empresa com dívidas. Portanto, os ad-
ministradores devem optar por maior endividamento.”
A situação controvertida é ainda enfatizada por Brealey, R. A. e Myers, S.C. (1998 – pg 991) quando
discutem “O Que sabemos e o Que não Sabemos sobre Finanças”. Esses autores ressaltam as seguintes
colocações:
5
“Se a lei de conservação de valor funciona para a adição de fluxos de tesouraria, deve
funcionar também na subtracção desses fluxos. Portanto, as decisões financeiras que sim-
plesmente subdividem os mesmos fluxos de tesouraria operacionais não aumentam o valor
total da empresa. Esta é a idéia básica subjacente à proposição I de Modigliani e Miller: em
mercados perfeitos as alterações na estrutura de capital não afectam o valor. Desde que o
fluxo de tesouraria total gerado pelos activos da empresa não seja modificado pela estrutura
do capital, o valor total é independente da estrutura de capital. O valor da totalidade do bolo
não depende da forma como é cortado em fatias.
Evidentemente a proposição de MM não é A Resposta, mas diz-nos onde devemos procu-
rar as razões pelas quais as decisões sobre estrutura de capital podem ser importantes. Os
impostos são uma das possibilidades. O endividamento proporciona à empresa um benefício
fiscal pelos juros, benefício esse que pode compensar largamente qualquer excesso de im-
posto individual que o investidor tenha de pagar sobre os juros da dívida. Por outro lado,
elevados níveis de endividamento podem impulsionar os gestores a trabalhar mais ardua-
mente e a conduzir melhor o navio. Mas a dívida tem seus inconvenientes, nomeadamente se
conduzir a tensões financeiras com elevados custos.”
No que tange ao tratamento contábil dos juros, a legislação fiscal brasileira (e provavelmente aquela de
outros países) se assemelha à legislação fiscal americana. Os juros, fiscalmente , são despesas dedutíveis
no cálculo do imposto de renda.
Seja como for, diz a teoria da pizza que, num mercado eficiente e perfeito onde os juros para captação
fossem iguais aos de aplicação de recursos, e sem impostos, o valor da empresa V é definido como segue:
V
1
= B + S
Onde:
B = valor de mercado das dívidas e
S = valor de mercado das ações
Por outro lado, os autores também apontam com propriedade que o valor de uma empresa eqüivale ao
valor presente de seus fluxos futuros de caixa. Nesse caso:
∞∞
V
2
= ΣΣ ( LL + D )
t
/ (1 + r
t
)
Onde :
LL= lucro líquido no ano t
D = depreciação no ano t
t = ano ( somatório levado ao infinito ∞ )
r = taxa de desconto ( podendo em tese variar de ano a ano)
Se as teorias estiverem corretas V
1
teria de ser forçosamente igual a V
2
.
Vale ainda a pena observar que, segundo Ross, Westerfield e Jaffe (1995 - pg 340 - 342):
“A Maioria das Empresas tem Índices de Endividamento Baixos. Na verdade, em sua
maioria, as empresas americanas utilizam menos capital de terceiros do que capital próprio.
Muitas destas empresas pagam volumes substanciais de impostos, ......
6
Alterações de Endividamento afetam o Valor da Empresa. Num estudo importante, Ma-
sulis examinou o efeito de anúncios de alteração de estrutura de capital sobre os preços da
ações. .......... O estudo de Masulis permite tirar várias conclusões. Primeiramente, variações
de endividamento que se espera provocarem benefícios fiscais estão associadas a variações
de preços de ações que são compatíveis com essas expectativas. Em segundo lugar, às vezes
os acionistas são afetados desfavoravelmente por uma mudança de endividamento. Isto su-
gere que a empresa não estava adotando uma política de maximização da riqueza do acio-
nista. Em terceiro lugar, é muito fraca a evidência de que os custos de falência tenham al-
gum efeito significativo.
Há Diferenças entre as Estruturas de Capital de um Setor Industrial e Outro. ...
.......... Não podemos afirmar que mais dívida seja melhor que menos dívida.” .(destaques
nossos).
Embora às vezes não claramente descrito, os autores consideram que, estando todas as empresas
igualmente submetidas àquelas imperfeições, seus efeitos, em termos relativos, de uma empresa para ou-
tra, acabam minimizados e podem ser desconsiderados para fins de modelagem acadêmica.
A observação da vida real parece demonstrar o contrário, a ponto que começam a ser questionados, nos
meios acadêmicos, alguns destes conceitos. Outros, como Robert Haughen,4
defendem a necessidade de
ser desenvolvida uma “Nova Teoria de Finanças”.
Coincidentemente, a “Teoria da Complexidade” e a “Teoria do Caos”, parecem apontar numa direção
semelhante, no entanto, por razões diferentes. Segundo estas teorias, mudanças de direção afetam mais o
comportamento dos investidores do que o status quo em si. A direção e intensidade do vetor é que irá
determinar a mudança de comportamento, e a acumulação de mudanças de comportamentos individuais
acabam desencadeando um efeito conjunto que pode ser difícil de controlar, como uma avalancha5
. En-
tretanto, este comentário é apenas ilustrativo e demandaria pesquisas específicas.
Metodologia
Neste trabalho, será examinada a situação das maiores empresas em termos de lucros ou prejuízos no-
minais na América Latina e, através de uma série de análises estatísticas de índices de correlação em rela-
ção a alguns tipo de curvas que possam representar o fenômeno, verificar se, maiores ou menores partici-
pações de capitais de terceiros com relação a patrimônios líquidos, teriam influência sobre os resultados e
assim, sobre o valor daquelas empresas.
Os cálculos de regressão e correlação são testados através de quatro tipos de ajustamentos por mínimos
quadrados, utilizando-se dos seguintes modelos matemáticos:
S Linear: y = a + bx
S Logarítmico: y = a + b ln x
S Exponencial: y = a . ebx
S Potência: y = a.xb
Os dados foram levantados como segue:
4
Para uma exposição mais profunda sobre este aspecto, veja-se Haughen, R. - “The New Finance –The Case
Against Efficient Markets”– Prentice Hall – Englewood Cliffs –1º Ed. 1995.
5
Há estudos recentes que procuram explicar as turbulências dos mercados financeiros pela aplicação da Teoria do
Caos, fundamentada nos conceitos da geometria fractal, que procura medir a irregularidade de linhas, curvas,
planos e volumes.
7
1. A revista “América – Economia”, de 1997, catalogou, com base nos demonstrativos financeiros de
1995, o ranking das 500 maiores empresas em faturamento líquido da América Latina. Deste le-
vantamento constam, entre outros, os seguintes dados:
S Nome da Empresa, Setor e País.
S Faturamento Líquido.
S Ativos Totais.
S Patrimônio Líquido.
S Lucro Líquido.
S Exportações e percentagem sobre vendas.
Por América Latina estão contemplados os seguintes países: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Co-
lômbia, Equador, México, Peru, Uruguai e Venezuela.
2. A não ser no que diz respeito ao Faturamento Líquido que em outra parte do levantamento é tam-
bém mencionado como Vendas, não há referência à metodologia utilizada para definição da no-
menclatura utilizada.
Embora tratando-se de demonstrações financeiras de países diversos, alguns em estágios de desen-
volvimento ainda não muito avançados e que podem, conseqüentemente, estar utilizando critérios
contábeis algo desiguais, entendeu-se que, para a finalidade desta pesquisa e em função da meto-
dologia estatística utilizada, eventuais limitações, se existirem, não invalidam as análises de per si.
3. Tratando-se de uma pesquisa exploratória, reduziu-se, propositadamente, o número de informações
a serem tratadas. Assim, limitou-se neste momento, o âmbito do trabalho, às:
S 50 empresas com maiores Lucros Líquidos nominais em dólares americanos; e
S 50 empresas com maiores Prejuízos Líquidos nominais em dólares americanos.
4. Foram efetuadas as análises estatísticas descritas no início deste capítulo, para testar a existência de
correlação forte, fraca ou nula entre os seguintes dados:
S Patrimônio Líquido com Lucro ou Prejuízo Líquido;
S Capital de Terceiros, ou seja Ativos Totais menos Patrimônio Líquido, com Lucro ou Prejuízo
Líquido;
S Patrimônio Líquido mais Capital de Terceiros, ou seja Ativos Totais, com Lucro ou Prejuízo
Líquido;
S Relação do Índice de Capital de Terceiros sobre Patrimônio Líquido com Índice de Rentabili-
dade do Patrimônio Líquido definido como Lucro ou Prejuízo Líquido sobre Patrimônio Lí-
quido;
S Relação do percentual de Receitas de Exportações e Faturamento Líquido com Índice de Ren-
tabilidade do Patrimônio Líquido.
5. As três primeiras correlações acima tem por objetivo fornecer indicações sobre a possível existên-
cia de uma relação de causa e efeito entre a dimensão do Patrimônio Líquido, do Capital de Tercei-
ros e de Ativos Totais (Patrimônio Líquido + Capital de Terceiros) sobre os resultados nominais
obtidos pelas empresas objeto da pesquisa.
A quarta correlação visa avaliar se a Estrutura de Capital teve algum efeito sobre a rentabilidade
empresarial dada pelos resultados relativos.
8
A quinta correlação objetiva mudar o foco e verificar se condições de mercados, no caso estar mais
ou menos voltado ao mercado externo, teriam um efeito significativo e poderiam vir a explicar me-
lhor estes resultados. Neste caso, um elevado grau de correlação poderia ser um indício de que polí-
ticas cambiais ou conjunturais, favorecendo exportações, ou então a própria estratégia da empresa
na busca de mercados externos, tenham impactos significativos. Se esta situação se configurasse ao
mesmo tempo em que a estrutura de capital demonstrasse pouco efeito sobre os resultados haveria
indícios de que os resultados dependem mais daquela condição mercadológica do que da estratégia
de estruturação do capital.
É importante que se diga que esta metodologia não permite experimentar as situações. Objetiva,
entretanto, levantar indicações exploratórias e mensurar sua força, evidenciadas pelas correlações
mais fortes ou mais fracas.
6. Considerou-se que o Índice de Correlação é:
S Forte: entre 0,8 e 1,0
S Médio: entre 0,6 e 0,8
S Fraco: entre 0,4 e 0,6
S Nulo: abaixo de 0,4
Desenvolvimento e Análise dos Resultados
Considerações Iniciais
As teorias sobre estrutura de capital formuladas sobre o valor das empresas são desenvolvidas, fre-
qüentemente, dentro de contextos de:
S Mercados Eficientes e Perfeitos
S Taxas de Juros Iguais na Tomada e na Aplicação de Recursos
S Não haver Influência de Impostos
As argumentações, geralmente, tendem a minimizar a influência dos conceitos acima sobre os resulta-
dos das empresas na vida real. Entretanto:
1. Não se sabe se os mercados são realmente “Eficientes” e “Perfeitos”. Alguns estudos desenvolvi-
dos nos EUA em décadas passadas parecem demonstrar que sim. Outros que se seguiram a esses
parecem apontar em outra direção, principalmente dadas as condições dos últimos 10 ou 15 anos6
.
Não se sabe, também, se o que foi válido em décadas anteriores ainda é válido hoje ou se, mesmo
naquela época, coincidentemente, o modelo foi trabalhado dentro de um contexto limitado e dentro
de condições especiais. Afinal de contas, modelos desenvolvidos nos EUA, o são numa economia
onde a taxa cambial tende a impactar mais para fora – outros países – do que para dentro – dos
próprios EUA. Não foram, até onde se sabe, concluídas pesquisas comparativas para verificar se-
melhanças ou diferenças no efeito de flutuações cambiais sobre a inflação dos EUA versus a de
outros países – em especial da América Latina. A impressão é de que pode haver diferenças, e
muitas. Isso, entretanto, deverá ser melhor pesquisado e estudos nesse sentido têm sido desenvol-
vidos e são bem vindos.
6
Sobre este assunto é interessante verificar-se os trabalhos desenvolvidos a partir de 1992 por Fama, E. & French,
K.
9
2. As taxas de juros não são iguais na tomada e na aplicação de recursos. No empréstimo a taxa de ju-
ros é mais alta e seu nível dependerá essencialmente de:
Taxas de Juros Internacionais agravadas pelo Risco Conjuntural Internacional;
Risco Conjuntural e Político do País;
Risco do Negócio e da Empresa.
3. Políticas Fiscais e Tributárias existem e impactam os Lucros Líquidos da empresas.
As relações das 50 empresas de maiores lucros nominais e das 50 empresas com maiores prejuízos
nominais se encontram no anexo I. Nele, apresentam-se, além da empresa, país e setor de atividade, os
seguintes dados em US$:
S LL ¾ Lucro Líquido ou PrL ¾ Prejuízo Líquido.
S AT ¾ Ativos Totais.
S PL ¾ Patrimônio Líquido.
S CT ¾ Capital de Terceiros (Ativos Totais – Patrimônio Líquido).
S CT/CP ¾ Relação Capital de Terceiros / Patrimônio Líquido.
S Rent % ¾ Rentabilidade do Patrimônio.
S % Exp ¾ Participações das Exportações no Faturamento.
Análise Inicial do Efeito da Relação Capital de Terceiros Versus Patrimônio Líquido sobre o Resul-
tado da Empresas na América Latina
Em primeiro lugar verificou-se a relação existente entre Capital de Terceiro e Patrimônio Líquido nas
50 empresas de maiores lucros nominais. Os dados demonstram:
S Apenas 13 operam no Brasil, 15 no México, 6 na Argentina, 6 no Chile, 2 na Venezuela, 5 na Co-
lômbia, 2 no Peru e 1 no Uruguai.
S A média aritmética simples da relação Capital de Terceiros / Patrimônio Líquido neste grupo é * :
1. Média Geral: 0,82
2. Nas primeiras 25 empresas (de maiores lucros): 0,79
3. Nas outras 25 (com menores lucros): 0,84
4. Empresas no Brasil: 0,97
5. Empresas em outros países da AL: 0,78
* foram excluídas empresas com números negativos.
As 50 empresas de maiores prejuízos nominais apresentam os seguintes dados:
S 37 empresas operam no Brasil, 8 no México e 5 na Argentina.
S A média aritmética simples da relação Capital de Terceiros / Patrimônio Líquido neste grupo é * :
1. Média geral: 2,13
2. Nas primeiras 25 empresas (maiores prejuízos): 1,44
10
3. Nas outras 25 (com menores prejuízos): 2,85
4. Empresas no Brasil: 1,92
5. Empresas em outros países da AL: 2,86
* foram excluídas empresas com números negativos.
Nenhuma das empresas acima é financeira.
É necessário, também, comparar as médias gerais acima com os quocientes estimados entre capital de
terceiros e valor total contábil de empresas não-financeiras em outros países.
Segundo Ross, Westerfield e Jaffe (4º Ed. – pg 439 e 3º Ed. pg 341) nas estatísticas financeiras da
OECD - Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico - de 1992 e 1989, estas relações,
capital de terceiros versus patrimônio líquido, pouco se alteraram ao longo do tempo e eram, pela ordem
(de forma decrescente):
1992 1989
1. Japão 0,80 0,81
2. Alemanha 0,61 0,61
3. França 0,54 0,63
4. Reino Unido 0,52 0,56
5. Estados Unido 0,50 0,45
6. Canadá 0,45 0,51
Esta análise preliminar parece indicar o seguinte:
1. As empresas de maiores resultados nominais, positivos ou negativos da América Latina mantém,
de modo geral, elevado nível de endividamento em relação ao seu Patrimônio Líquido, se compa-
radas com empresas de outros países.
2. As empresas, de modo geral, tendem a ser conservadoras com relação ao endividamento, inclusive
e, talvez especialmente, em países mais evoluídos e bem sucedidos como por exemplo os Estados
Unidos.
3. As 50 empresas de maiores prejuízos na América Latina tiveram, em média aritmética simples, um
quociente de endividamento 2,6 vezes aquele das 50 empresas de maiores lucros.
4. As 25 empresas com maiores lucros tiveram um nível de endividamento ligeiramente inferior as
outras 25 (também de maiores lucros), enquanto que.
5. As 25 empresas de menores prejuízos tiveram um quociente de endividamento maior que as 25 de
maiores prejuízos.
6. Não existem diferenças significativas na estrutura de capital das empresas lucrativas no Brasil em
comparação com as demais empresas da América Latina.
7. A estrutura de capital não explica o desempenho negativo das empresas no Brasil em comparação
com as demais da América Latina.
Análise da Relação Patrimônio Líquido com Lucro ou Prejuízo Líquido
O objetivo destes cálculos consiste em determinar se existe uma relação entre a dimensão do Patrimô-
nio Líquido e dos Lucros ou Prejuízos Líquidos.
11
As 50 empresas de maiores lucros nominais apresentaram um índice de correlação muito consistente
entre os quatro tipos de curvas utilizadas a saber:
Função linear : 0,629
Função logarítmica: 0,594
Função Exponencial: 0,597
Função Potência: 0,648
Parece, portanto, existir uma certa correlação entre a dimensão do Patrimônio Líquido destas empresas
e a dimensão dos Lucros Líquidos. Não é uma forte correlação, mas é uma correlação média segundo con-
venção relatada e utilizada.
Considerando que as melhores correlações são relativas às funções linear e potência, escolheu-se a li-
near por motivo de simplicidade. Esta função é definida pela seguinte equação:
y = 234,598 + 0,036 x
Onde: y é o Lucro líquido e
x é o Patrimônio Líquido
Quando se efetuou a análise de correlação com as 50 empresas de maiores prejuízos nominais os re-
sultados foram bem diferentes. De fato, descobriu-se que não há correlação alguma (índices muito próxi-
mos de zero). Para estas empresas, os Prejuízos não detêm nenhuma relação aparente com o Patrimônio
Líquido.
Função linear : -0,039
Função logarítmica: inválida (logaritmo negativo)
Função Exponencial: 0,090
Função Potência: inválida (logaritmo negativo)
Isto parece indicar que a dimensão do Patrimônio Líquido tem uma relação com a geração de Lucros
Líquidos mas não detém relação com a geração dos Prejuízos líquidos.
Posto de outra forma, quanto maior a dimensão do Patrimônio Líquido, maior o Lucro Líquido apenas
nas empresas rentáveis.
Análise da Relação entre Capital de Terceiros (ou seja Ativos Totais menos Patrimônio Líquido)
com Lucro ou Prejuízo Líquido
O objetivo destes cálculos consiste em determinar se existe uma relação entre a dimensão do Capital de
Terceiros (ou seja Ativos Totais menos Patrimônio Líquido) com Lucro ou Prejuízo Líquido.
As 50 empresas de maiores lucros nominais apresentaram um índice de correlação muito consistente
entre os quatro tipos de curvas utilizadas a saber:
Função linear : 0,269
Função logarítmica: inválida (logaritmo negativo)
Função Exponencial: 0,276
Função Potência: inválida (logaritmo negativo)
12
Não parece existir correlação entre Capital de Terceiros (ou seja Ativos Totais menos Patrimônio Lí-
quido) com Lucros ou Prejuízos Líquidos.
Quando é efetuada esta análise nas 50 empresas de maiores prejuízos nominais obtém-se resultados
muito semelhantes a saber:
Função linear : 0,089
Função logarítmica: 0,168
Função Exponencial: 0,182
Função Potência: 0,272
Percebe-se que, neste caso, o índice de correlação é muito baixo, correlação nula, tanto para empresas
com Lucros quanto para aquelas com prejuízo.
Assim, a dimensão do Capital de Terceiros não apresentou nenhuma relação ou influência sobre a di-
mensão do resultado seja ele positivo ou negativo.
Análise da Relação entre Ativos Totais (Patrimônio Líquido mais Capital de Terceiros com Lucro
ou Prejuízo Líquido)
O objetivo destes cálculos consiste em determinar se existe uma relação entre a dimensão dos Ativos
Totais (ou seja Patrimônio Líquido mais Capital de Terceiros) com Lucro ou Prejuízo Líquido.
As 50 empresas de maiores lucros nominais apresentaram um índice de correlação muito consistente
entre os quatro tipos de curvas utilizadas a saber:
Função linear : 0,629
Função logarítmica: 0,594
Função Exponencial: 0,608
Função Potência: 0,652
Parece portanto existir uma certa correlação entre a dimensão do Ativo Total destas empresas e a di-
mensão dos Lucros Líquidos. É uma correlação média.
Considerando que as melhores correlações são relativas às funções lineares e potência, escolhemos a
linear por motivo de simplicidade. Esta função é definida pela seguinte equação:
y = 191,014 + 0,03 x
Onde: y é o Lucro líquido e
x é o Ativo Total
Quando foi efetuada a análise de correlação com as 50 empresas de maiores prejuízos nominais os re-
sultados foram bem diferentes. De fato, descobriu-se que a correlação é praticamente nula como demons-
trado a seguir:
Função linear : -0,006
Função logarítmica: 0,132
Função Exponencial: 0,117
Função Potência: 0,262
13
Isto parece indicar que a dimensão do Ativo Total, ou seja do Patrimônio Líquido mais Capital de Ter-
ceiro tem uma relação com a geração de Lucros Líquidos mas não detém relação com a geração dos
Prejuízos Líquidos.
Posto de outra forma, quanto maior a dimensão do Ativo Total, maior o Lucro Líquido apenas nas em-
presas rentáveis.
É também digna de atenção a similaridade nas empresas rentáveis, entre os índices de correlação das
curvas determinantes da relação existentes entre Lucro Líquido e Patrimônio Líquido quando comparada
com a relação existente entre Lucro Líquido e Ativos Totais. São quase iguais. Por outro lado, as duas
funções lineares representativas do fenômeno também detém grandes similaridades a saber:
f(Lucro X Patrimônio Líquido) y = 234,598 + 0,036 x
f(Lucro X Ativos Totais) y = 191,014 + 0,030 x
Análise da Relação entre o Índice de Capital de Terceiros sobre Patrimônio Líquido e o Índice de
Rentabilidade do Patrimônio Líquido
Cabe aqui verificar a existência ou não de correlação entre a rentabilidade do patrimônio líquido e a
estrutura de capital.
As 50 empresas de maiores lucros nominais apresentaram neste caso um índice de correlação médio
para o ajustamento “linear” conforme abaixo:
Função linear : 0,679
Função logarítmica: inválida (logaritmo negativo)
Função Exponencial: 0,474
Função Potência: inválida (logaritmo negativo)
A função linear é representada pela seguinte equação:
y = 6,373 + 12,068 x
Onde: y é a rentabilidade do patrimônio líquido X 100 e
x é relação de capital de terceiros sobre capital próprio
Quando é efetuada esta análise nas 50 empresas de maiores prejuízos nominais obtém-se resultados
muito semelhantes a saber:
Função linear : 0,683
Função logarítmica: inválida (logaritmo negativo)
Função Exponencial: inválida (logaritmo negativo)
Função Potência: inválida (logaritmo negativo)
Neste caso a função linear é representada pela seguinte equação:
y = 19,496 + 11,987 x
onde y e x seguem as mesmas definições acima
14
Percebe-se, portanto, que o índice de correlação é razoável (correlação média) tanto para empresas com
Lucros quanto para aquelas com Prejuízo.
Arredondando as duas equações e comparando-as temos:
50 empresas com maiores Lucros : y = 6,4 + 12 x
50 empresas com maiores Prejuízos: y = 19,5 + 12 x
Ou seja a inclinação da curva (aceleração pela elevação da relação Capital de Terceiros sobre Patrimô-
nio Líquido) é semelhante nos dois casos, apenas que as empresas com lucro iniciam sua alavancagem
num nível mais baixo.
Esta amostra parece portanto indicar que a elevação da relação Capitais de Terceiros versus Patri-
mônio Líquido teve influência sobre a rentabilidade daquelas empresas, tanto as lucrativas quanto as
deficitárias. Assim, este modelo apresenta as seguintes características:
S Se uma empresa for rentável, quanto mais Capitais de Terceiros mais aumenta a rentabilidade.
Sendo ela não rentável, mais Capitais de Terceiros aumentam o prejuízo. De fato, isto viria a con-
firmar que, os juros, constituindo-se em custo fixo financeiro, atuam como alavancagem financeira
favorável ou desfavorável gerando, em razão da volatilidade das vendas, um risco empresarial ou do
negócio e, como conseqüência, risco financeiro.
S Tanto o acréscimo de Lucro quanto de Prejuízo se dão na mesma proporção da elevação da propor-
ção de participação dos Capitais de Terceiros, face aos Patrimônios Líquidos na estrutura de capital
da empresa.
O efeito sobre os lucros nas empresas rentáveis, da participação dos Capitais de Terceiros face aos Pa-
trimônios Líquidos na partida (fazendo-se teoricamente x ¾ 0), é menor que o efeito sobre os prejuízos
das empresas deficitárias (parte fixa da equação).
Análise da Relação do Percentual de Exportações sobre Faturamento Líquido frente ao Índice de
Rentabilidade do Patrimônio Líquido
Além de existir grande deficiência de dados, as correlações calculadas nas 50 empresas de maiores lu-
cros nominais não são significativas e nenhuma relação pode ser estabelecida.
Função linear : 0,035
Função logarítmica: inválida
Função Exponencial: 0,069
Função Potência: inválida
Quando é efetuada esta análise nas 50 empresas de maiores prejuízos nominais obtém-se resultados
muito semelhantes a saber:
Função linear : -0,130
Função logarítmica: inválido
Função Exponencial: inválido
Função Potência: inválido
15
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O estudo realizado, apesar de suas limitações tais como:
a) ser uma análise de situações e dados estáticos desenvolvida com base em modelagem matemática,
b) desenvolver um conjunto de análises que não permitem determinar as razões da constituição da-
quelas estruturas de capitais,
c) não existir informações sobre uma eventual expansão nos negócios ou a existência de deficiências
operacionais.
apresenta resumidamente as características descritas a seguir:
I. Relação entre Patrimônio Líquido (x) e Resultado (y):
Equação das Empresas com Lucro: y = 234,598 + 0,036 x
Índice de correlação: 0,629 (médio)
Equação das Empresas com Prejuízo: Não apresenta correlação.
II. Relação entre Capital de Terceiros e Resultado: Não apresenta correlação.
III. Relação entre Ativos Totais (x) e Resultado (y):
Equação das Empresas com Lucro: y = 191,014 + 0,03 x
Índice de correlação: 0,629 (médio)
Equação das Empresas com Prejuízo: Não apresenta correlação.
IV. Relação entre Índice de Capital de Terceiros sobre Patrimônio Líquido (x) e Índice de
Rentabilidade do Patrimônio Líquido (y):
Equação das Empresas com Lucro: y = 6,373 + 12,068 x
Índice de correlação: 0,679 (médio)
Equação das Empresas com Prejuízo: y = 19,496 + 11,987 x
Índice de correlação 0,683
V. Relação entre Percentual de Exportações sobre Faturamento Líquido e Índice de Rentabilidade
do Patrimônio Líquido: Não apresenta correlação alguma.
A análise dos dados e de seu tratamento matemático e estatístico permitiu observar a existência de in-
dícios de que:
1. As empresas de maiores resultados nominais, positivos ou negativos da América Latina mantém,
de modo geral, elevado nível de endividamento em relação ao seu Patrimônio Líquido, se compa-
radas com empresas de outros países.
2. As empresas mais rentáveis, de modo geral, tendem a ser conservadoras com relação ao endivida-
mento, inclusive e, talvez especialmente, em países mais evoluídos e bem sucedidos.
3. As 50 empresas de maiores prejuízos na América Latina tiveram, em média aritmética simples, um
quociente de endividamento 2,6 vezes aquele das 50 empresas de maiores lucros.
4. Não existem diferenças significativas na estrutura de capital das empresas no Brasil em compara-
ção com as demais empresas da América Latina.
5. A estrutura de capital não explica o desempenho negativo das empresas no Brasil em comparação
com as demais da América Latina.
16
6. A dimensão do Patrimônio Líquido e dos Ativos Totais (ou seja do Patrimônio Líquido mais Ca-
pital de Terceiro) parece estar relacionada com a geração de Lucros Líquidos. Parece, entretanto,
não estar relacionada com a geração dos Prejuízos Líquidos.
Posto de outra forma, quanto maior a dimensão do Patrimônio Líquido ou do Ativo Total, maior o
Lucro Líquido nas empresas rentáveis apenas. A semelhança das equações parece demonstrar que
Patrimônio Líquido e Ativos Totais estão, também, fortemente ligados.
7. A dimensão do Capital de Terceiros não apresentou nenhuma relação ou influência sobre a dimen-
são do resultado seja ele positivo ou negativo.
8. A elevação do índice de endividamento (representado pela relação Capital de Terceiros / Patrimô-
nio Líquido) demonstra estar relacionada com a rentabilidade daquelas empresas, tanto as lucrati-
vas quanto as deficitárias. Assim:
S Em empresas rentáveis, a elevação dos níveis de Capitais de Terceiros está relacionada com o
aumento da rentabilidade do Patrimônio Líquido. Naquelas deficitárias, maiores níveis de Capi-
tais de Terceiros estão relacionados com o aumento do déficit.
S Tanto os acréscimos dos índices de Lucro quanto de Prejuízo se dão na mesma proporção da
elevação da participação dos Capitais de Terceiros face aos Patrimônios Líquidos nas estruturas
de capital das empresas.
S Na origem (relação Capital de Terceiros/ Patrimônio Líquido tendendo a zero) o efeito sobre os
lucros, nas empresas rentáveis, da participação dos Capitais de Terceiros face ao Patrimônio Lí-
quido, é menor que o efeito sobre os prejuízos das empresas deficitárias.
9. O nível de exportações no faturamento da empresa não parece ser uma variável relevante.
Assim, pode-se observar que, o universo analisado apresentou fortes indícios da existência de uma re-
lação entre a estrutura de capital e a rentabilidade das empresas. Tem-se a impressão que o nível de endi-
vidamento opera de forma diversa sobre empresas rentáveis, alavancando o Lucro e empresas não rentá-
veis, alavancando o Prejuízo. Aliás, alavanca mais o Prejuízo do que o Lucro.
Por outro lado, o fato da dimensão do Patrimônio Líquido e dos Ativos Totais terem uma correlação
razoável com o Lucro Líquido das empresas rentáveis e pouca correlação com os prejuízos das deficitá-
rias, enquanto que a dimensão dos Capitais de Terceiros não apresenta correlação alguma com Lucro ou
Prejuízo, levam a crer que, neste particular, outras variáveis, tais como a habilidade e qualidade da gestão
da empresa, possam ser determinantes ou colaterais na geração dos resultados.
Em suma, a estrutura de capital de per si não seria a causa dos lucros ou prejuízos mas seria um fator a
favor das empresas com tendência a gerar lucro, aumentando conseqüentemente seu valor ou contra as
empresas com tendência a gerar prejuízo, reduzindo assim seu valor.
Conclui-se, portanto, que seria importante, e provavelmente de interesse da comunidade financeira,
acadêmica ou não, que este assunto fosse aprofundado e ampliado, tanto em termos do tamanho da amos-
tra e países envolvidos, quanto pelo acompanhamento do comportamento das empresas pesquisadas por
vários anos consecutivos, utilizando-se, métodos estatísticos mais rígidos, tais como regressão múltipla,
que permitam a verificação dos níveis de interdependência das variáveis envolvidas na explicação de pos-
síveis fenômenos.
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BIBLIOGRAFIA
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50 Empresas de Maiores Lucros Líquidos
(em US$ milhões) - Anexo I
Emp País Setor LL AT PL CT Rent % CT/CP %Ex
PBVSA Venezu Petróleo 2.922,00 32.591,00 28.406,00 4.185,00 10,30 0,15 54,40
PEMEX México Petróleo 1.545,70 38.738,20 20.063,70 18.674,50 7,70 0,93 33,80
TELMEX México Telecom 1.474,90 16.106,80 12.523,90 3.582,90 11,80 0,29 15,60
CEMEX México Cimento 1.063,50 10.253,80 4.614,80 5.639,00 23,00 1,22 3,30
CFE México Eletricidad 1.030,10 37.337,60 44.801,90 -7.464,30 2,30 -0,17 1,70
YPF Argentin Petróleo 793,00 9.137,00 5.839,00 3.298,00 13,60 0,56
CODELCO Chile Mineração 636,70 4.743,60 2.449,90 2.293,70 26,00 0,94 98,60
INDL. México Mineração 606,90 3.388,00 2.318,60 1.069,40 26,20 0,46 14,70
FIAT Brasil Automotivo 475,50 2.498,40 834,60 1.663,80 57,00 1,99 7,10
TELEFONI Argentin Telecom 457,80 5.358,40 3.350,00 2.008,40 13,70 0,60
COPEC Chile Petróleo 428,90 4.957,30 3.361,20 1.596,10 12,80 0,47
CARSO México Fumo 416,70 5.765,00 3.627,90 2.137,10 11,50 0,59 18,00
CVG Venezu Metalurgia 400,00 18.093,00 13.146,00 4.947,00 3,00 0,38 27,20
ENDESA Chile Eletricidad 372,70 5.385,50 2.708,20 2.677,30 13,80 0,99
ISPAT México Siderúrgia 358,70 3.438,30 1.929,20 1.509,10 18,60 0,78 38,10
ARACRUZ Brasil Papel 356,50 3.986,80 2.391,60 1.595,20 14,90 0,67 87,70
EPM Colômbi Serv. 340,00 4.811,10 3.537,50 1.273,60 9,60 0,36
FURNAS Brasil Eletricidad 338,50 27.730,50 14.885,00 12.845,50 2,30 0,86
USIMINAS Brasil Siderurgia 336,00 4.441,30 2.811,40 1.629,90 12,00 0,58 20,80
ALFA México Siderurgia 331,20 5.231,60 2.307,30 2.924,30 14,90 1,27 37,00
CESP Brasil Eletricidad 310,50 24.265,40 12.913,70 11.351,70 2,40 0,88
TELECOM Argentin Telecom 306,60 4.649,40 2.322,10 2.327,30 13,20 1,00
CPT Peru Telecom 304,90 2.064,20 1.481,70 582,50 20,60 0,39
CTC Chile Telecom 274,70 3.750,90 1.744,60 2.006,30 15,70 1,15
BRAHMA Brasil Refri/Cerve 257,50 2.566,70 1.022,50 1.544,20 25,20 1,51 1,20
PEREZ Argentin Navegação 264,40 2.100,60 1.461,20 639,40 18,10 0,44
ENERSIS Chile Eletricidad 245,80 3.842,60 1.280,60 2.562,00 19,20 2,00
CIFRA México Comércio 245,70 2.502,90 1.920,20 582,70 12,80 0,30
ACINDER Argentin Siderúrgia 244,90 1.310,20 796,60 513,60 30,70 0,64
CELANES México Química 231,70 1.288,20 953,30 334,90 24,30 0,35 40,20
VALE Brasil Mineração 223,30 13.828,40 10.811,90 3.016,50 2,10 0,28 53,50
NESTLÉ Brasil Alimento 209,70 1.720,60 894,20 826,40 23,50 0,92 4,20
FONDO Colômbi Alimento 204,20 2.178,80 1.705,30 473,50 12,00 0,28 13,40
MODELO México Refri/Cerve 198,40 2.516,60 2.338,00 178,60 8,50 0,08 18,00
SOUZA Brasil Fumo 198,40 2.225,80 1.415,40 810,40 14,00 0,57 2,30
BAVARIA Colômbi Refri/Cerve 197,80 3.778,90 2.881,40 897,50 6,90 0,31 3,60
CMPC Chile Papel 193,00 3.189,30 2.412,60 776,70 8,00 0,32 12,40
CST Brasil Siderúrgia 190,50 4.227,70 3.127,00 1.100,70 6,10 0,35
PETROBR Brasil Petróleo 189,30 30.725,10 20.354,40 10.370,70 2,80 0,51 2,80
PEÑOLES México Mineração 186,80 1.566,70 1.029,40 537,30 18,10 0,52 38,10
TRANSP Argentin Petróleo 181,00 1.704,50 1.051,40 653,10 17,20 0,62
UTE Uruguai Eletricidad 180,10 3.134,80 1.938,60 1.196,20 9,30 0,62 4,50
KIMBERL México Papel 179,30 1.691,80 968,00 723,80 18,50 0,75 5,70
NAC. Brasil Comércio 176,90 45,20
ECOPETR Colômbi Petróleo 172,10 6.069,80 2.046,20 4.023,60 8,40 1,97 19,60
GRUMA México Alimentos 168,60 1.336,00 567,00 769,00 29,70 1,36 54,00
PETROPE Perú Petróleo 165,70 1.173,10 274,10 899,00 60,50 3,88 7,90
CAMARG Brasil Construçã 162,40 2.377,50 1.985,00 392,50 8,20 0,20
ETB Colômbi Telecom 161,10 1.119,10 453,90 665,20 35,50 1,47
TELEVISA México Telecom 159,60 3.918,50 1.550,90 2.367,60 10,30 1,53
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50 Empresas de Maiores Prejuízos Líquidos
(em US$ milhões) - Anexo I
Emp País Setor PrL AT PL CT Rent % CT/CP % Exp
G.SIDEK México Turismo 511,90 3.350,80 427,70 2.923,10 -119,70 6,83 16,30
PETROBR Brasil Petróleo 503,80 1.578,40 1.088,20 490,20 -46,30 0,45 0,60
CELESC Brasil Eletricidad 475,70 1.747,30 1.301,80 445,50 -36,50 0,34
CERJ Brasil Eletricidad 463,60 622,40 138,80 483,60 -334,00 3,48
MOINHO Brasil Alimento 300,30 358,70 165,70 193,00 -181,20 1,16
TELEMIG Brasil Telecom 299,10 2.431,80 1.602,20 829,60 -18,70 0,52
MEXICAN México Aviação 260,00 959,70 -431,30 1.391,00 -60,30 -3,23 21,90
ELETROP Brasil Eletricidad 199,30 12.710,30 7.611,70 5.098,60 -2,60 0,67
MWM Brasil Automotivo 175,10
ALCATEL Brasil Eletrônica 175,00 432,00 64,40 367,60 -271,70 5,71
SERPRO Brasil Serv. 174,40 458,30 228,50 229,80 -76,50 1,01 76,50
SGF Brasil Computaç 166,60 713,00 257,80 455,20 -64,60 1,77 64,60
RFFSA Brasil Transporte 138,40 22.100,90 18.075,80 4.025,10 -0,80 0,22
SEVEL Argentin Automotivo 127,00 1.288,90 386,10 902,80 -22,90 2,34
GRUPO México Textil 118,10 477,70 47,10 524,80 -250,70 -11,14 8,10
COPEL Brasil Eletricidad 114,80 5.909,50 4.125,00 1.784,50 -2,80 0,43
TELEBRÁ Brasil Telecom 114,70 3.446,50 2.539,40 907,10 -4,50 0,36
EMBRATE Brasil Telecom 113,40 6.470,40 5.185,60 1.284,80 -2,20 0,25 4,60
IOCHPE Brasil Automotivo 109,10 872,90 253,30 619,60 -43,10 2,45 14,30
TELESC Brasil Telecom 106,40 988,70 812,50 176,20 -13,10 0,22
ESCELSA Brasil Eletricidad 102,80 925,60 743,30 182,30 -13,80 0,25
TELESP Brasil Telecom 102,20 11.625,10 8.781,20 2.843,90 -1,20 0,32
CELG Brasil Eletricidad 99,90 2.570,90 1.189,50 1.381,40 -8,40 1,16
FERRONA México Transporte 96,30
CELPE Brasil Eletricidad 88,50 863,00 634,40 228,60 -14,00 0,36
ELETROS Brasil Eletricidad 82,90 7.646,40 6.065,20 1.581,20 -1,40 0,26
CONS. G. México Automotivo 75,00 1.077,00 261,50 815,50 -28,70 3,12 8,00
BUFETE México Construçã 74,20 364,60 127,00 237,60 -58,40 1,87 28,80
HID.S.FRA Brasil Eletricidad 68,80 21.428,30 15.083,50 6.344,80 -0,50 0,42
CODESP Brasil Serv.Públi 64,60 937,10 725,50 211,60 -8,90 0,29
TOGA Brasil Papel 63,10 342,20 242,40 99,80 -26,00 0,41
ADUBOS Brasil Química 63,10 251,10 79,20 171,90 -79,70 2,17
ERA.ARG Argentin Aviação 58,10 1.184,90 173,40 1.011,50 -33,50 5,83
ALPARGA Brasil Textil 56,00 602,10 24,00 578,10 -233,30 24,09 8,70
CESP Brasil Eletricidad 53,10 5.645,20 3.159,80 2.485,40 -1,70 0,79
PAUL.FO Brasil Eletricidad 53,00 3.190,70 2.392,50 798,20 -2,20 0,33
AUTOLATIArgentin Automotivo 49,10
BIOGALÊ Brasil Químico 49,00
ENCOL Brasil Construçã 46,00 1.661,10 253,90 1.407,20 -18,10 5,54
BASF Brasil Químico 40,10 890,40 284,70 605,70 -14,10 2,13 5,70
ZF Brasil Autopeças 36,40 170,90 54,20 116,70 -67,20 2,15 11,90
MERCED Argentin Automotivo 34,90 523,40 171,10 352,30 -20,40 2,06
MANNES Brasil Siderurgia 34,90 736,10 575,50 160,60 -6,10 0,28 2,30
CORMEC Argentin Automotivo 29,40 272,80 90,80 182,00 -32,40 2,00
ELDORAD Brasil Comércio 28,40
SEARS México Comércio 27,20 836,50 405,90 430,60 -6,70 1,06
PHILIP Brasil Fumo 25,80 386,50 -25,20 411,70 -102,40 -16,33 19,30
MAKRO Brasil Comércio 23,20 223,60
TROMBINI Brasil Papel 22,90 342,90 132,20 210,80 -17,30 1,60
GR.EMBO México Refri/Cerve 22,20 733,20 446,40 286,80 -5,00 0,64
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    IV SEMEAD Outubro de1999 ESTRUTURA DE CAPITAL NA AMÉRICA LATINA: EXISTIRIA UMA CORRELAÇÃO COM O LUCRO DAS EMPRESAS? Rubens Famá1 Stefanos Melher2 RESUMO O levantamento das 500 maiores empresas em faturamento líquido em 1995, na América Latina, chama a atenção pelos seguintes fatos: S Das 50 empresas que auferiram maiores “lucros líquidos” nominais em dólares americanos apenas 13 (26%) são do Brasil enquanto que daquelas que tiveram os 50 maiores “prejuízos líquidos” 37 (74%) são instaladas no Brasil. S Das 50 empresas mais rentáveis no conceito rentabilidade do patri- mônio (Lucro Líquido / Patrimônio Líquido), apenas 28 (56%) ope- ravam no Brasil. Seria a Estrutura de Capital responsável por esta situação? Através de um conjunto de análises estatísticas procura-se verificar se a dimensão da participação de capitais de terceiros com relação ao patrimônio líquido, teria influência sobre os resultados e sobre o valor daquelas empresas. Conclui-se que, embora a estrutura de capital daquelas empresas não pareça responsável pelos fatos acima, há fortes indícios de que o nível de endividamento se constitui num fator que potencia os resulta- dos das empresas com tendência a gerar lucro, aumentando conse- qüentemente seu valor, e age negativamente sobre aquelas com ten- dência a gerar prejuízo. 1 Professor Titular do Departamento de Administração da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo. E-mail: rfama@usp.br. 2 Professor de Teoria Matemática de Seguros de Ramos Elementares FEA - PUC- SP no curso de Ciências Atuariais. Bacharel em Administração de Empresas pela ESAN/PUC-SP. Bacharel em Ciências Atuariais pela PUC-SP. Mestrando em Ciências Contábeis e Finanças na PUC-SP.
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    2 INTRODUÇÃO Justificativa São duas asfontes de financiamento externo de uma empresa: S Recursos de propriedade dos acionistas (também conhecidos como “Patrimônio Líquido”) ou Ca- pital dos Acionistas; e S Recursos de propriedade de terceiros, entregues à empresa através de qualquer forma de emprés- timo, dívida, contas a pagar, etc. (também conhecidos como “Capital de Terceiros”) ou Capital dos Obrigacionistas. Uma das formas de se alavancar os resultados de uma empresa tem sido a busca de empréstimos , es- pecialmente a longo prazo, para permitir a expansão das operações. Argumenta-se que capitais de terceiros tendem, a longo prazo, a se constituir em fonte de financia- mento mais barata do que capitais próprios por vários motivos: a) Por ser, teoricamente, menos exposto ao risco, o financiador pode aceitar uma taxa de risco menor do que o acionista, especialmente o portador de ações ordinárias nominativas. b) A dedutibilidade dos juros para fins de imposto de renda reduz o imposto a pagar otimizando o fluxo de caixa e conseqüentemente o “Valor Presente Líquido” da empresa. c) No caso de capital próprio, o acionista é penalizado por uma taxação sobre a distribuição dos lucros, seja sob a forma de dividendos, seja como ganho de capital pela valorização das ações. Entretanto, recente mudança na lei brasileira passou a tratar dividendos como juros (lei 9249/96). É bem verdade que, no caso de financiamento, também existem desvantagens a saber: a) Elevação do risco tendo em vista que os juros acabam se constituindo numa modalidade de custo fixo, gerando risco financeiro. b) Existência, segundo alguns autores3 , do denominado “custo de falência”, em parte também ligado ao risco do negócio. c) Risco de flutuação para maior da taxa de juros ao longo do tempo. Este tipo de risco parece ter sido pouco abordado pelos autores de Teoria de Finanças. A variabilidade desta taxa, por fatores con- junturais, poderia inviabilizar, em determinado momento, a rolagem da dívida pela geração de ala- vancagem negativa ao negócio. O Problema Assim, e a longo prazo, se as teorias refletirem a realidade, os fluxos de caixa das empresas, e conse- qüentemente os lucros líquidos, não deveriam ser afetadas pela estrutura de capital ou seja pelo elevado nível de endividamento. Se o forem, as causas potenciais estariam em : S Problemas de gestão; 3 Veja Ross, Westerfield e Jaffe (1995 – p. 325), Breadley, R.A.. e Myers, S.C. (1998 – p. 485).
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    3 S Percepção derisco trazido pela elevada proporção de capitais de terceiros com conseqüente eleva- ção das taxas de juros por parte dos credores (isto seria ainda agravado pelo denominado custo de falência). S Risco conjuntural seja político, mercadológico ou macroeconômico, incluindo-se neste último ele- vação das taxas de juros referenciais. Observa-se, também, que os quocientes apresentados entre capital de terceiros e valor contábil total de empresas não financeiras de diversos países, conforme Estatísticas Financeiras da OECD - 1992, tem es- tado abaixo de 1, o que denota uma postura conservadora das empresas, apesar da aparente vantagem de se dar preferência a capitais de terceiros, em detrimento de capitais próprios, dentro de uma visão estraté- gica da estrutura de capital de certos empreendimentos. Curiosamente, os EUA, país que tem mantido, nos últimos anos, um elevado grau de prosperidade é aquele onde a relação capital de terceiros e valor contábil total da empresa é muito baixa: 0,50. O Japão, com os problemas que vem atravessando, apresenta uma relação mais alta: 0,80. Existem, certamente, diferenças nos procedimentos contábeis que dificultam a interpretação destes números. Mesmo assim, o fato é, no mínimo, intrigante e gera interesses exploratórios. No que tange à América Latina, um levantamento efetuado pela edição anual da revista “América – Economia”, de 1997, que cataloga o ranking das 500 maiores empresas em faturamento líquido da região em 1995, chama a atenção pelos seguintes fatos: a) Das 50 empresas que auferiram maiores “lucros líquidos” nominais em dólares americanos apenas 13 (26%) são do Brasil, enquanto que daquelas que tiveram os 50 maiores “prejuízos líquidos” 37 (74%) são instaladas no Brasil. b) Das 50 empresas mais rentáveis no conceito rentabilidade do patrimônio (Lucro Líquido / Patri- mônio Líquido), 28 (56%) operavam no Brasil. Seria a Estrutura de Capital responsável por esta situação? OBJETIVO O objetivo deste trabalho consiste em avaliar, através de análises estatísticas de correlação, a existência de relação entre os resultados e a estrutura de capital daquelas empresas. Analisaremos também se uma política comercial mais ou menos voltada à exportação, um indicativo de estratégia comercial, explicaria, por exemplo, melhor o ranking anteriormente citado do que a estrutura de capital em si. Convém ainda lembrar que, este conjunto de análises não permite determinar as razões da constituição daquelas estruturas de capitais, se houve expansão nos negócios ou se esta estrutura objetiva cobrir defi- ciências operacionais. Uma análise deste tipo demandaria um conhecimento muito mais aprofundado de cada empresa, de seus demonstrativos financeiros ao longo do tempo e até do histórico e comportamento das administrações respectivas, condições que não se dispõem no momento. Fundamentos Teóricos Na teoria de finanças, um dos assuntos mais intrigantes, seja em razão da controvérsia trazida no final da década de 50 pelas publicações de Modigliani & Miller, seja pela pouca evolução alcançada nos últi- mos quarenta anos, é aquela que se refere à estrutura de capital. Afinal, existe uma estrutura de capital ótima para a empresa ou, de fato, seu valor não se altera em função de como seus ativos são financiados?
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    4 Esta questão deum lado divide os autores e de outro permite encontrar em suas publicações versões que não identificam claramente suas posições. Conforme Eugene F. Brigham e Joel F. Houston (1999 – pg 448): “O capital de terceiros tem diversas vantagens. Primeiro, os juros pagos são dedutíveis para fins de imposto, o que reduz o custo efetivo da dívida. Segundo, como os portadores de títulos de dívidas obtêm um retorno fixo, os acionistas não precisam partilhar seus lucros se os negócios forem extremamente bem-sucedidos. No entanto, o capital de terceiros também tem desvantagens. Primeiro, quanto mais alto for o grau de endividamento, mais alta será a taxa de juros. Segundo, se uma empresa en- frenta tempos difíceis e o lucro operacional não é suficiente para cobrir os pagamentos de juros, os acionistas terão de cobrir a diferença e, se não puderem fazê-lo, a empresa irá à falência. Épocas boas podem estar logo adiante, mas o excesso de dívidas ainda pode impe- dir a empresa de chegar lá e ainda arruinar os acionistas nesse meio-tempo.” Esta é sem dúvida uma abordagem simples, clara e define o contexto estratégico da relação de capitais próprios e de terceiros. Os acionistas não desejam partilhar o sucesso financeiro com outros. Preferem pagar um custo independente do sucesso (juros). Entretanto, se as coisas não correrem como desejado, seja por problemas de gestão seja por razões conjunturais, os acionistas podem perder seu investimento. Mais adiante continuam esses autores: “A política de estrutura de capital envolve uma troca (trade-off) entre risco e retorno: A utilização de mais capital de terceiros aumenta o grau de risco do fluxo de lucros da empresa. No entanto, um grau de endividamento mais alto geralmente leva a uma taxa de retorno mais alta. O risco mais alto tende a diminuir o preço da ação, mas uma taxa de retorno esperada mais alta o faz aumentar. Assim, a estrutura ótima de capital é o equilíbrio entre risco e re- torno que maximiza o preço das ações de uma empresa.” Autores como Ross, Westerfield e Jaffe (1995 – pg 300) abordam o assunto sob outro enfoque. Com base na teoria de Modigliani e Miller (MM) e na teoria da pizza, citam que o valor da empresa independe da estrutura de capital num mercado eficiente e sem impostos: “Nossos resultados, neste capítulo, são básicos. Inicialmente, discutimos a decisão de es- trutura de capital num contexto livre de impostos ou quaisquer outras imperfeições de mer- cado de capitais. Surpreendentemente, constata-se que, nesse caso, a decisão de estrutura de capital é irrelevante. Em seguida, argumentamos que há uma peculiaridade, na legislação fiscal americana, que subsidia o financiamento por meio de capital de terceiros. Por último, mostramos que um aumento do valor da empresa, com a utilização de financiamento por meio de capital de terceiros, conduz a um aumento do valor das ações.” Entretanto afirmam mais adiante que, havendo impostos, a situação se altera: “Demonstraremos que, devido a uma peculiaridade da legislação fiscal americana, a proporção da pizza destinada a impostos é menor na empresa com dívidas. Portanto, os ad- ministradores devem optar por maior endividamento.” A situação controvertida é ainda enfatizada por Brealey, R. A. e Myers, S.C. (1998 – pg 991) quando discutem “O Que sabemos e o Que não Sabemos sobre Finanças”. Esses autores ressaltam as seguintes colocações:
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    5 “Se a leide conservação de valor funciona para a adição de fluxos de tesouraria, deve funcionar também na subtracção desses fluxos. Portanto, as decisões financeiras que sim- plesmente subdividem os mesmos fluxos de tesouraria operacionais não aumentam o valor total da empresa. Esta é a idéia básica subjacente à proposição I de Modigliani e Miller: em mercados perfeitos as alterações na estrutura de capital não afectam o valor. Desde que o fluxo de tesouraria total gerado pelos activos da empresa não seja modificado pela estrutura do capital, o valor total é independente da estrutura de capital. O valor da totalidade do bolo não depende da forma como é cortado em fatias. Evidentemente a proposição de MM não é A Resposta, mas diz-nos onde devemos procu- rar as razões pelas quais as decisões sobre estrutura de capital podem ser importantes. Os impostos são uma das possibilidades. O endividamento proporciona à empresa um benefício fiscal pelos juros, benefício esse que pode compensar largamente qualquer excesso de im- posto individual que o investidor tenha de pagar sobre os juros da dívida. Por outro lado, elevados níveis de endividamento podem impulsionar os gestores a trabalhar mais ardua- mente e a conduzir melhor o navio. Mas a dívida tem seus inconvenientes, nomeadamente se conduzir a tensões financeiras com elevados custos.” No que tange ao tratamento contábil dos juros, a legislação fiscal brasileira (e provavelmente aquela de outros países) se assemelha à legislação fiscal americana. Os juros, fiscalmente , são despesas dedutíveis no cálculo do imposto de renda. Seja como for, diz a teoria da pizza que, num mercado eficiente e perfeito onde os juros para captação fossem iguais aos de aplicação de recursos, e sem impostos, o valor da empresa V é definido como segue: V 1 = B + S Onde: B = valor de mercado das dívidas e S = valor de mercado das ações Por outro lado, os autores também apontam com propriedade que o valor de uma empresa eqüivale ao valor presente de seus fluxos futuros de caixa. Nesse caso: ∞∞ V 2 = ΣΣ ( LL + D ) t / (1 + r t ) Onde : LL= lucro líquido no ano t D = depreciação no ano t t = ano ( somatório levado ao infinito ∞ ) r = taxa de desconto ( podendo em tese variar de ano a ano) Se as teorias estiverem corretas V 1 teria de ser forçosamente igual a V 2 . Vale ainda a pena observar que, segundo Ross, Westerfield e Jaffe (1995 - pg 340 - 342): “A Maioria das Empresas tem Índices de Endividamento Baixos. Na verdade, em sua maioria, as empresas americanas utilizam menos capital de terceiros do que capital próprio. Muitas destas empresas pagam volumes substanciais de impostos, ......
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    6 Alterações de Endividamentoafetam o Valor da Empresa. Num estudo importante, Ma- sulis examinou o efeito de anúncios de alteração de estrutura de capital sobre os preços da ações. .......... O estudo de Masulis permite tirar várias conclusões. Primeiramente, variações de endividamento que se espera provocarem benefícios fiscais estão associadas a variações de preços de ações que são compatíveis com essas expectativas. Em segundo lugar, às vezes os acionistas são afetados desfavoravelmente por uma mudança de endividamento. Isto su- gere que a empresa não estava adotando uma política de maximização da riqueza do acio- nista. Em terceiro lugar, é muito fraca a evidência de que os custos de falência tenham al- gum efeito significativo. Há Diferenças entre as Estruturas de Capital de um Setor Industrial e Outro. ... .......... Não podemos afirmar que mais dívida seja melhor que menos dívida.” .(destaques nossos). Embora às vezes não claramente descrito, os autores consideram que, estando todas as empresas igualmente submetidas àquelas imperfeições, seus efeitos, em termos relativos, de uma empresa para ou- tra, acabam minimizados e podem ser desconsiderados para fins de modelagem acadêmica. A observação da vida real parece demonstrar o contrário, a ponto que começam a ser questionados, nos meios acadêmicos, alguns destes conceitos. Outros, como Robert Haughen,4 defendem a necessidade de ser desenvolvida uma “Nova Teoria de Finanças”. Coincidentemente, a “Teoria da Complexidade” e a “Teoria do Caos”, parecem apontar numa direção semelhante, no entanto, por razões diferentes. Segundo estas teorias, mudanças de direção afetam mais o comportamento dos investidores do que o status quo em si. A direção e intensidade do vetor é que irá determinar a mudança de comportamento, e a acumulação de mudanças de comportamentos individuais acabam desencadeando um efeito conjunto que pode ser difícil de controlar, como uma avalancha5 . En- tretanto, este comentário é apenas ilustrativo e demandaria pesquisas específicas. Metodologia Neste trabalho, será examinada a situação das maiores empresas em termos de lucros ou prejuízos no- minais na América Latina e, através de uma série de análises estatísticas de índices de correlação em rela- ção a alguns tipo de curvas que possam representar o fenômeno, verificar se, maiores ou menores partici- pações de capitais de terceiros com relação a patrimônios líquidos, teriam influência sobre os resultados e assim, sobre o valor daquelas empresas. Os cálculos de regressão e correlação são testados através de quatro tipos de ajustamentos por mínimos quadrados, utilizando-se dos seguintes modelos matemáticos: S Linear: y = a + bx S Logarítmico: y = a + b ln x S Exponencial: y = a . ebx S Potência: y = a.xb Os dados foram levantados como segue: 4 Para uma exposição mais profunda sobre este aspecto, veja-se Haughen, R. - “The New Finance –The Case Against Efficient Markets”– Prentice Hall – Englewood Cliffs –1º Ed. 1995. 5 Há estudos recentes que procuram explicar as turbulências dos mercados financeiros pela aplicação da Teoria do Caos, fundamentada nos conceitos da geometria fractal, que procura medir a irregularidade de linhas, curvas, planos e volumes.
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    7 1. A revista“América – Economia”, de 1997, catalogou, com base nos demonstrativos financeiros de 1995, o ranking das 500 maiores empresas em faturamento líquido da América Latina. Deste le- vantamento constam, entre outros, os seguintes dados: S Nome da Empresa, Setor e País. S Faturamento Líquido. S Ativos Totais. S Patrimônio Líquido. S Lucro Líquido. S Exportações e percentagem sobre vendas. Por América Latina estão contemplados os seguintes países: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Co- lômbia, Equador, México, Peru, Uruguai e Venezuela. 2. A não ser no que diz respeito ao Faturamento Líquido que em outra parte do levantamento é tam- bém mencionado como Vendas, não há referência à metodologia utilizada para definição da no- menclatura utilizada. Embora tratando-se de demonstrações financeiras de países diversos, alguns em estágios de desen- volvimento ainda não muito avançados e que podem, conseqüentemente, estar utilizando critérios contábeis algo desiguais, entendeu-se que, para a finalidade desta pesquisa e em função da meto- dologia estatística utilizada, eventuais limitações, se existirem, não invalidam as análises de per si. 3. Tratando-se de uma pesquisa exploratória, reduziu-se, propositadamente, o número de informações a serem tratadas. Assim, limitou-se neste momento, o âmbito do trabalho, às: S 50 empresas com maiores Lucros Líquidos nominais em dólares americanos; e S 50 empresas com maiores Prejuízos Líquidos nominais em dólares americanos. 4. Foram efetuadas as análises estatísticas descritas no início deste capítulo, para testar a existência de correlação forte, fraca ou nula entre os seguintes dados: S Patrimônio Líquido com Lucro ou Prejuízo Líquido; S Capital de Terceiros, ou seja Ativos Totais menos Patrimônio Líquido, com Lucro ou Prejuízo Líquido; S Patrimônio Líquido mais Capital de Terceiros, ou seja Ativos Totais, com Lucro ou Prejuízo Líquido; S Relação do Índice de Capital de Terceiros sobre Patrimônio Líquido com Índice de Rentabili- dade do Patrimônio Líquido definido como Lucro ou Prejuízo Líquido sobre Patrimônio Lí- quido; S Relação do percentual de Receitas de Exportações e Faturamento Líquido com Índice de Ren- tabilidade do Patrimônio Líquido. 5. As três primeiras correlações acima tem por objetivo fornecer indicações sobre a possível existên- cia de uma relação de causa e efeito entre a dimensão do Patrimônio Líquido, do Capital de Tercei- ros e de Ativos Totais (Patrimônio Líquido + Capital de Terceiros) sobre os resultados nominais obtidos pelas empresas objeto da pesquisa. A quarta correlação visa avaliar se a Estrutura de Capital teve algum efeito sobre a rentabilidade empresarial dada pelos resultados relativos.
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    8 A quinta correlaçãoobjetiva mudar o foco e verificar se condições de mercados, no caso estar mais ou menos voltado ao mercado externo, teriam um efeito significativo e poderiam vir a explicar me- lhor estes resultados. Neste caso, um elevado grau de correlação poderia ser um indício de que polí- ticas cambiais ou conjunturais, favorecendo exportações, ou então a própria estratégia da empresa na busca de mercados externos, tenham impactos significativos. Se esta situação se configurasse ao mesmo tempo em que a estrutura de capital demonstrasse pouco efeito sobre os resultados haveria indícios de que os resultados dependem mais daquela condição mercadológica do que da estratégia de estruturação do capital. É importante que se diga que esta metodologia não permite experimentar as situações. Objetiva, entretanto, levantar indicações exploratórias e mensurar sua força, evidenciadas pelas correlações mais fortes ou mais fracas. 6. Considerou-se que o Índice de Correlação é: S Forte: entre 0,8 e 1,0 S Médio: entre 0,6 e 0,8 S Fraco: entre 0,4 e 0,6 S Nulo: abaixo de 0,4 Desenvolvimento e Análise dos Resultados Considerações Iniciais As teorias sobre estrutura de capital formuladas sobre o valor das empresas são desenvolvidas, fre- qüentemente, dentro de contextos de: S Mercados Eficientes e Perfeitos S Taxas de Juros Iguais na Tomada e na Aplicação de Recursos S Não haver Influência de Impostos As argumentações, geralmente, tendem a minimizar a influência dos conceitos acima sobre os resulta- dos das empresas na vida real. Entretanto: 1. Não se sabe se os mercados são realmente “Eficientes” e “Perfeitos”. Alguns estudos desenvolvi- dos nos EUA em décadas passadas parecem demonstrar que sim. Outros que se seguiram a esses parecem apontar em outra direção, principalmente dadas as condições dos últimos 10 ou 15 anos6 . Não se sabe, também, se o que foi válido em décadas anteriores ainda é válido hoje ou se, mesmo naquela época, coincidentemente, o modelo foi trabalhado dentro de um contexto limitado e dentro de condições especiais. Afinal de contas, modelos desenvolvidos nos EUA, o são numa economia onde a taxa cambial tende a impactar mais para fora – outros países – do que para dentro – dos próprios EUA. Não foram, até onde se sabe, concluídas pesquisas comparativas para verificar se- melhanças ou diferenças no efeito de flutuações cambiais sobre a inflação dos EUA versus a de outros países – em especial da América Latina. A impressão é de que pode haver diferenças, e muitas. Isso, entretanto, deverá ser melhor pesquisado e estudos nesse sentido têm sido desenvol- vidos e são bem vindos. 6 Sobre este assunto é interessante verificar-se os trabalhos desenvolvidos a partir de 1992 por Fama, E. & French, K.
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    9 2. As taxasde juros não são iguais na tomada e na aplicação de recursos. No empréstimo a taxa de ju- ros é mais alta e seu nível dependerá essencialmente de: Taxas de Juros Internacionais agravadas pelo Risco Conjuntural Internacional; Risco Conjuntural e Político do País; Risco do Negócio e da Empresa. 3. Políticas Fiscais e Tributárias existem e impactam os Lucros Líquidos da empresas. As relações das 50 empresas de maiores lucros nominais e das 50 empresas com maiores prejuízos nominais se encontram no anexo I. Nele, apresentam-se, além da empresa, país e setor de atividade, os seguintes dados em US$: S LL ¾ Lucro Líquido ou PrL ¾ Prejuízo Líquido. S AT ¾ Ativos Totais. S PL ¾ Patrimônio Líquido. S CT ¾ Capital de Terceiros (Ativos Totais – Patrimônio Líquido). S CT/CP ¾ Relação Capital de Terceiros / Patrimônio Líquido. S Rent % ¾ Rentabilidade do Patrimônio. S % Exp ¾ Participações das Exportações no Faturamento. Análise Inicial do Efeito da Relação Capital de Terceiros Versus Patrimônio Líquido sobre o Resul- tado da Empresas na América Latina Em primeiro lugar verificou-se a relação existente entre Capital de Terceiro e Patrimônio Líquido nas 50 empresas de maiores lucros nominais. Os dados demonstram: S Apenas 13 operam no Brasil, 15 no México, 6 na Argentina, 6 no Chile, 2 na Venezuela, 5 na Co- lômbia, 2 no Peru e 1 no Uruguai. S A média aritmética simples da relação Capital de Terceiros / Patrimônio Líquido neste grupo é * : 1. Média Geral: 0,82 2. Nas primeiras 25 empresas (de maiores lucros): 0,79 3. Nas outras 25 (com menores lucros): 0,84 4. Empresas no Brasil: 0,97 5. Empresas em outros países da AL: 0,78 * foram excluídas empresas com números negativos. As 50 empresas de maiores prejuízos nominais apresentam os seguintes dados: S 37 empresas operam no Brasil, 8 no México e 5 na Argentina. S A média aritmética simples da relação Capital de Terceiros / Patrimônio Líquido neste grupo é * : 1. Média geral: 2,13 2. Nas primeiras 25 empresas (maiores prejuízos): 1,44
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    10 3. Nas outras25 (com menores prejuízos): 2,85 4. Empresas no Brasil: 1,92 5. Empresas em outros países da AL: 2,86 * foram excluídas empresas com números negativos. Nenhuma das empresas acima é financeira. É necessário, também, comparar as médias gerais acima com os quocientes estimados entre capital de terceiros e valor total contábil de empresas não-financeiras em outros países. Segundo Ross, Westerfield e Jaffe (4º Ed. – pg 439 e 3º Ed. pg 341) nas estatísticas financeiras da OECD - Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico - de 1992 e 1989, estas relações, capital de terceiros versus patrimônio líquido, pouco se alteraram ao longo do tempo e eram, pela ordem (de forma decrescente): 1992 1989 1. Japão 0,80 0,81 2. Alemanha 0,61 0,61 3. França 0,54 0,63 4. Reino Unido 0,52 0,56 5. Estados Unido 0,50 0,45 6. Canadá 0,45 0,51 Esta análise preliminar parece indicar o seguinte: 1. As empresas de maiores resultados nominais, positivos ou negativos da América Latina mantém, de modo geral, elevado nível de endividamento em relação ao seu Patrimônio Líquido, se compa- radas com empresas de outros países. 2. As empresas, de modo geral, tendem a ser conservadoras com relação ao endividamento, inclusive e, talvez especialmente, em países mais evoluídos e bem sucedidos como por exemplo os Estados Unidos. 3. As 50 empresas de maiores prejuízos na América Latina tiveram, em média aritmética simples, um quociente de endividamento 2,6 vezes aquele das 50 empresas de maiores lucros. 4. As 25 empresas com maiores lucros tiveram um nível de endividamento ligeiramente inferior as outras 25 (também de maiores lucros), enquanto que. 5. As 25 empresas de menores prejuízos tiveram um quociente de endividamento maior que as 25 de maiores prejuízos. 6. Não existem diferenças significativas na estrutura de capital das empresas lucrativas no Brasil em comparação com as demais empresas da América Latina. 7. A estrutura de capital não explica o desempenho negativo das empresas no Brasil em comparação com as demais da América Latina. Análise da Relação Patrimônio Líquido com Lucro ou Prejuízo Líquido O objetivo destes cálculos consiste em determinar se existe uma relação entre a dimensão do Patrimô- nio Líquido e dos Lucros ou Prejuízos Líquidos.
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    11 As 50 empresasde maiores lucros nominais apresentaram um índice de correlação muito consistente entre os quatro tipos de curvas utilizadas a saber: Função linear : 0,629 Função logarítmica: 0,594 Função Exponencial: 0,597 Função Potência: 0,648 Parece, portanto, existir uma certa correlação entre a dimensão do Patrimônio Líquido destas empresas e a dimensão dos Lucros Líquidos. Não é uma forte correlação, mas é uma correlação média segundo con- venção relatada e utilizada. Considerando que as melhores correlações são relativas às funções linear e potência, escolheu-se a li- near por motivo de simplicidade. Esta função é definida pela seguinte equação: y = 234,598 + 0,036 x Onde: y é o Lucro líquido e x é o Patrimônio Líquido Quando se efetuou a análise de correlação com as 50 empresas de maiores prejuízos nominais os re- sultados foram bem diferentes. De fato, descobriu-se que não há correlação alguma (índices muito próxi- mos de zero). Para estas empresas, os Prejuízos não detêm nenhuma relação aparente com o Patrimônio Líquido. Função linear : -0,039 Função logarítmica: inválida (logaritmo negativo) Função Exponencial: 0,090 Função Potência: inválida (logaritmo negativo) Isto parece indicar que a dimensão do Patrimônio Líquido tem uma relação com a geração de Lucros Líquidos mas não detém relação com a geração dos Prejuízos líquidos. Posto de outra forma, quanto maior a dimensão do Patrimônio Líquido, maior o Lucro Líquido apenas nas empresas rentáveis. Análise da Relação entre Capital de Terceiros (ou seja Ativos Totais menos Patrimônio Líquido) com Lucro ou Prejuízo Líquido O objetivo destes cálculos consiste em determinar se existe uma relação entre a dimensão do Capital de Terceiros (ou seja Ativos Totais menos Patrimônio Líquido) com Lucro ou Prejuízo Líquido. As 50 empresas de maiores lucros nominais apresentaram um índice de correlação muito consistente entre os quatro tipos de curvas utilizadas a saber: Função linear : 0,269 Função logarítmica: inválida (logaritmo negativo) Função Exponencial: 0,276 Função Potência: inválida (logaritmo negativo)
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    12 Não parece existircorrelação entre Capital de Terceiros (ou seja Ativos Totais menos Patrimônio Lí- quido) com Lucros ou Prejuízos Líquidos. Quando é efetuada esta análise nas 50 empresas de maiores prejuízos nominais obtém-se resultados muito semelhantes a saber: Função linear : 0,089 Função logarítmica: 0,168 Função Exponencial: 0,182 Função Potência: 0,272 Percebe-se que, neste caso, o índice de correlação é muito baixo, correlação nula, tanto para empresas com Lucros quanto para aquelas com prejuízo. Assim, a dimensão do Capital de Terceiros não apresentou nenhuma relação ou influência sobre a di- mensão do resultado seja ele positivo ou negativo. Análise da Relação entre Ativos Totais (Patrimônio Líquido mais Capital de Terceiros com Lucro ou Prejuízo Líquido) O objetivo destes cálculos consiste em determinar se existe uma relação entre a dimensão dos Ativos Totais (ou seja Patrimônio Líquido mais Capital de Terceiros) com Lucro ou Prejuízo Líquido. As 50 empresas de maiores lucros nominais apresentaram um índice de correlação muito consistente entre os quatro tipos de curvas utilizadas a saber: Função linear : 0,629 Função logarítmica: 0,594 Função Exponencial: 0,608 Função Potência: 0,652 Parece portanto existir uma certa correlação entre a dimensão do Ativo Total destas empresas e a di- mensão dos Lucros Líquidos. É uma correlação média. Considerando que as melhores correlações são relativas às funções lineares e potência, escolhemos a linear por motivo de simplicidade. Esta função é definida pela seguinte equação: y = 191,014 + 0,03 x Onde: y é o Lucro líquido e x é o Ativo Total Quando foi efetuada a análise de correlação com as 50 empresas de maiores prejuízos nominais os re- sultados foram bem diferentes. De fato, descobriu-se que a correlação é praticamente nula como demons- trado a seguir: Função linear : -0,006 Função logarítmica: 0,132 Função Exponencial: 0,117 Função Potência: 0,262
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    13 Isto parece indicarque a dimensão do Ativo Total, ou seja do Patrimônio Líquido mais Capital de Ter- ceiro tem uma relação com a geração de Lucros Líquidos mas não detém relação com a geração dos Prejuízos Líquidos. Posto de outra forma, quanto maior a dimensão do Ativo Total, maior o Lucro Líquido apenas nas em- presas rentáveis. É também digna de atenção a similaridade nas empresas rentáveis, entre os índices de correlação das curvas determinantes da relação existentes entre Lucro Líquido e Patrimônio Líquido quando comparada com a relação existente entre Lucro Líquido e Ativos Totais. São quase iguais. Por outro lado, as duas funções lineares representativas do fenômeno também detém grandes similaridades a saber: f(Lucro X Patrimônio Líquido) y = 234,598 + 0,036 x f(Lucro X Ativos Totais) y = 191,014 + 0,030 x Análise da Relação entre o Índice de Capital de Terceiros sobre Patrimônio Líquido e o Índice de Rentabilidade do Patrimônio Líquido Cabe aqui verificar a existência ou não de correlação entre a rentabilidade do patrimônio líquido e a estrutura de capital. As 50 empresas de maiores lucros nominais apresentaram neste caso um índice de correlação médio para o ajustamento “linear” conforme abaixo: Função linear : 0,679 Função logarítmica: inválida (logaritmo negativo) Função Exponencial: 0,474 Função Potência: inválida (logaritmo negativo) A função linear é representada pela seguinte equação: y = 6,373 + 12,068 x Onde: y é a rentabilidade do patrimônio líquido X 100 e x é relação de capital de terceiros sobre capital próprio Quando é efetuada esta análise nas 50 empresas de maiores prejuízos nominais obtém-se resultados muito semelhantes a saber: Função linear : 0,683 Função logarítmica: inválida (logaritmo negativo) Função Exponencial: inválida (logaritmo negativo) Função Potência: inválida (logaritmo negativo) Neste caso a função linear é representada pela seguinte equação: y = 19,496 + 11,987 x onde y e x seguem as mesmas definições acima
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    14 Percebe-se, portanto, queo índice de correlação é razoável (correlação média) tanto para empresas com Lucros quanto para aquelas com Prejuízo. Arredondando as duas equações e comparando-as temos: 50 empresas com maiores Lucros : y = 6,4 + 12 x 50 empresas com maiores Prejuízos: y = 19,5 + 12 x Ou seja a inclinação da curva (aceleração pela elevação da relação Capital de Terceiros sobre Patrimô- nio Líquido) é semelhante nos dois casos, apenas que as empresas com lucro iniciam sua alavancagem num nível mais baixo. Esta amostra parece portanto indicar que a elevação da relação Capitais de Terceiros versus Patri- mônio Líquido teve influência sobre a rentabilidade daquelas empresas, tanto as lucrativas quanto as deficitárias. Assim, este modelo apresenta as seguintes características: S Se uma empresa for rentável, quanto mais Capitais de Terceiros mais aumenta a rentabilidade. Sendo ela não rentável, mais Capitais de Terceiros aumentam o prejuízo. De fato, isto viria a con- firmar que, os juros, constituindo-se em custo fixo financeiro, atuam como alavancagem financeira favorável ou desfavorável gerando, em razão da volatilidade das vendas, um risco empresarial ou do negócio e, como conseqüência, risco financeiro. S Tanto o acréscimo de Lucro quanto de Prejuízo se dão na mesma proporção da elevação da propor- ção de participação dos Capitais de Terceiros, face aos Patrimônios Líquidos na estrutura de capital da empresa. O efeito sobre os lucros nas empresas rentáveis, da participação dos Capitais de Terceiros face aos Pa- trimônios Líquidos na partida (fazendo-se teoricamente x ¾ 0), é menor que o efeito sobre os prejuízos das empresas deficitárias (parte fixa da equação). Análise da Relação do Percentual de Exportações sobre Faturamento Líquido frente ao Índice de Rentabilidade do Patrimônio Líquido Além de existir grande deficiência de dados, as correlações calculadas nas 50 empresas de maiores lu- cros nominais não são significativas e nenhuma relação pode ser estabelecida. Função linear : 0,035 Função logarítmica: inválida Função Exponencial: 0,069 Função Potência: inválida Quando é efetuada esta análise nas 50 empresas de maiores prejuízos nominais obtém-se resultados muito semelhantes a saber: Função linear : -0,130 Função logarítmica: inválido Função Exponencial: inválido Função Potência: inválido
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    15 CONSIDERAÇÕES FINAIS O estudorealizado, apesar de suas limitações tais como: a) ser uma análise de situações e dados estáticos desenvolvida com base em modelagem matemática, b) desenvolver um conjunto de análises que não permitem determinar as razões da constituição da- quelas estruturas de capitais, c) não existir informações sobre uma eventual expansão nos negócios ou a existência de deficiências operacionais. apresenta resumidamente as características descritas a seguir: I. Relação entre Patrimônio Líquido (x) e Resultado (y): Equação das Empresas com Lucro: y = 234,598 + 0,036 x Índice de correlação: 0,629 (médio) Equação das Empresas com Prejuízo: Não apresenta correlação. II. Relação entre Capital de Terceiros e Resultado: Não apresenta correlação. III. Relação entre Ativos Totais (x) e Resultado (y): Equação das Empresas com Lucro: y = 191,014 + 0,03 x Índice de correlação: 0,629 (médio) Equação das Empresas com Prejuízo: Não apresenta correlação. IV. Relação entre Índice de Capital de Terceiros sobre Patrimônio Líquido (x) e Índice de Rentabilidade do Patrimônio Líquido (y): Equação das Empresas com Lucro: y = 6,373 + 12,068 x Índice de correlação: 0,679 (médio) Equação das Empresas com Prejuízo: y = 19,496 + 11,987 x Índice de correlação 0,683 V. Relação entre Percentual de Exportações sobre Faturamento Líquido e Índice de Rentabilidade do Patrimônio Líquido: Não apresenta correlação alguma. A análise dos dados e de seu tratamento matemático e estatístico permitiu observar a existência de in- dícios de que: 1. As empresas de maiores resultados nominais, positivos ou negativos da América Latina mantém, de modo geral, elevado nível de endividamento em relação ao seu Patrimônio Líquido, se compa- radas com empresas de outros países. 2. As empresas mais rentáveis, de modo geral, tendem a ser conservadoras com relação ao endivida- mento, inclusive e, talvez especialmente, em países mais evoluídos e bem sucedidos. 3. As 50 empresas de maiores prejuízos na América Latina tiveram, em média aritmética simples, um quociente de endividamento 2,6 vezes aquele das 50 empresas de maiores lucros. 4. Não existem diferenças significativas na estrutura de capital das empresas no Brasil em compara- ção com as demais empresas da América Latina. 5. A estrutura de capital não explica o desempenho negativo das empresas no Brasil em comparação com as demais da América Latina.
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    16 6. A dimensãodo Patrimônio Líquido e dos Ativos Totais (ou seja do Patrimônio Líquido mais Ca- pital de Terceiro) parece estar relacionada com a geração de Lucros Líquidos. Parece, entretanto, não estar relacionada com a geração dos Prejuízos Líquidos. Posto de outra forma, quanto maior a dimensão do Patrimônio Líquido ou do Ativo Total, maior o Lucro Líquido nas empresas rentáveis apenas. A semelhança das equações parece demonstrar que Patrimônio Líquido e Ativos Totais estão, também, fortemente ligados. 7. A dimensão do Capital de Terceiros não apresentou nenhuma relação ou influência sobre a dimen- são do resultado seja ele positivo ou negativo. 8. A elevação do índice de endividamento (representado pela relação Capital de Terceiros / Patrimô- nio Líquido) demonstra estar relacionada com a rentabilidade daquelas empresas, tanto as lucrati- vas quanto as deficitárias. Assim: S Em empresas rentáveis, a elevação dos níveis de Capitais de Terceiros está relacionada com o aumento da rentabilidade do Patrimônio Líquido. Naquelas deficitárias, maiores níveis de Capi- tais de Terceiros estão relacionados com o aumento do déficit. S Tanto os acréscimos dos índices de Lucro quanto de Prejuízo se dão na mesma proporção da elevação da participação dos Capitais de Terceiros face aos Patrimônios Líquidos nas estruturas de capital das empresas. S Na origem (relação Capital de Terceiros/ Patrimônio Líquido tendendo a zero) o efeito sobre os lucros, nas empresas rentáveis, da participação dos Capitais de Terceiros face ao Patrimônio Lí- quido, é menor que o efeito sobre os prejuízos das empresas deficitárias. 9. O nível de exportações no faturamento da empresa não parece ser uma variável relevante. Assim, pode-se observar que, o universo analisado apresentou fortes indícios da existência de uma re- lação entre a estrutura de capital e a rentabilidade das empresas. Tem-se a impressão que o nível de endi- vidamento opera de forma diversa sobre empresas rentáveis, alavancando o Lucro e empresas não rentá- veis, alavancando o Prejuízo. Aliás, alavanca mais o Prejuízo do que o Lucro. Por outro lado, o fato da dimensão do Patrimônio Líquido e dos Ativos Totais terem uma correlação razoável com o Lucro Líquido das empresas rentáveis e pouca correlação com os prejuízos das deficitá- rias, enquanto que a dimensão dos Capitais de Terceiros não apresenta correlação alguma com Lucro ou Prejuízo, levam a crer que, neste particular, outras variáveis, tais como a habilidade e qualidade da gestão da empresa, possam ser determinantes ou colaterais na geração dos resultados. Em suma, a estrutura de capital de per si não seria a causa dos lucros ou prejuízos mas seria um fator a favor das empresas com tendência a gerar lucro, aumentando conseqüentemente seu valor ou contra as empresas com tendência a gerar prejuízo, reduzindo assim seu valor. Conclui-se, portanto, que seria importante, e provavelmente de interesse da comunidade financeira, acadêmica ou não, que este assunto fosse aprofundado e ampliado, tanto em termos do tamanho da amos- tra e países envolvidos, quanto pelo acompanhamento do comportamento das empresas pesquisadas por vários anos consecutivos, utilizando-se, métodos estatísticos mais rígidos, tais como regressão múltipla, que permitam a verificação dos níveis de interdependência das variáveis envolvidas na explicação de pos- síveis fenômenos.
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    17 BIBLIOGRAFIA DURANT, D. “Costof Debt and Equity Funds for Business: Trends and Problems in Measurement”, in Conference on Research in Business Finance, National Bureau of Economic Research, Nova Iorque, pp 215 – 247, 1952. DURANT, D. “The Cost of Capital, Corporation Finance, and the Theory of Investment: Comment”, American Economic Review, v. 49, n° 4, pp 639 –655, 1959. EUGENE F. Brigham & JOEL F. Houston: “Fundamentos da Moderna Administração Financeira”, Editora Campus Ltda., Rio de Janeiro, 1999. FAMA, E.F. “The Effects of a Firm’s Investment and Financing Decisions”, American Economic Review, pp 272 – 284, 1978. HARRIS, M., RAVIV, A. – “Corporate Control, Contest and Capital Structure”, Journal of Financial Economics, v. 20 pp 55 – 86, 1988. HARRIS, M., RAVIV, A. – “The Theory of Capital Structure”, The Journal of Finance, v. XLVI, n° 1 pp 297 – 355, March, 1991. MODIGLIANI, F., MILLER, N.H. “The Costs of Capital, Corporation Finance, and the Theory of Investment”, American Economic Review, vol. 48, pp 261 – 297, 1958. MODIGLIANI, F., MILLER, N.H. “Corporate Income Taxes and the Cost of Capital: A Correction”, American Economic Review, pp 433 – 443, 1963. RICHARD A. Breadley & STEWART C. Myers: “Princípios de Finanças Empresariais”, Editora McGraw-Hill de Portugal Lda., 5ª. Ed., Portugal,1998. ROSS, S. A. “The Determination of Financial Structure: The Incentive Signalling Approach”, The Bell Journal of Economics, vol. 8, n° 1 pp 23 – 40, Spring 1977. STEPHEN A. Ross, RANDOLPH W. Westerfield & JEFFREY F. Jaffe: Administração Financeira, Editora Atlas S.A., São Paulo, 1995.
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    18 50 Empresas deMaiores Lucros Líquidos (em US$ milhões) - Anexo I Emp País Setor LL AT PL CT Rent % CT/CP %Ex PBVSA Venezu Petróleo 2.922,00 32.591,00 28.406,00 4.185,00 10,30 0,15 54,40 PEMEX México Petróleo 1.545,70 38.738,20 20.063,70 18.674,50 7,70 0,93 33,80 TELMEX México Telecom 1.474,90 16.106,80 12.523,90 3.582,90 11,80 0,29 15,60 CEMEX México Cimento 1.063,50 10.253,80 4.614,80 5.639,00 23,00 1,22 3,30 CFE México Eletricidad 1.030,10 37.337,60 44.801,90 -7.464,30 2,30 -0,17 1,70 YPF Argentin Petróleo 793,00 9.137,00 5.839,00 3.298,00 13,60 0,56 CODELCO Chile Mineração 636,70 4.743,60 2.449,90 2.293,70 26,00 0,94 98,60 INDL. México Mineração 606,90 3.388,00 2.318,60 1.069,40 26,20 0,46 14,70 FIAT Brasil Automotivo 475,50 2.498,40 834,60 1.663,80 57,00 1,99 7,10 TELEFONI Argentin Telecom 457,80 5.358,40 3.350,00 2.008,40 13,70 0,60 COPEC Chile Petróleo 428,90 4.957,30 3.361,20 1.596,10 12,80 0,47 CARSO México Fumo 416,70 5.765,00 3.627,90 2.137,10 11,50 0,59 18,00 CVG Venezu Metalurgia 400,00 18.093,00 13.146,00 4.947,00 3,00 0,38 27,20 ENDESA Chile Eletricidad 372,70 5.385,50 2.708,20 2.677,30 13,80 0,99 ISPAT México Siderúrgia 358,70 3.438,30 1.929,20 1.509,10 18,60 0,78 38,10 ARACRUZ Brasil Papel 356,50 3.986,80 2.391,60 1.595,20 14,90 0,67 87,70 EPM Colômbi Serv. 340,00 4.811,10 3.537,50 1.273,60 9,60 0,36 FURNAS Brasil Eletricidad 338,50 27.730,50 14.885,00 12.845,50 2,30 0,86 USIMINAS Brasil Siderurgia 336,00 4.441,30 2.811,40 1.629,90 12,00 0,58 20,80 ALFA México Siderurgia 331,20 5.231,60 2.307,30 2.924,30 14,90 1,27 37,00 CESP Brasil Eletricidad 310,50 24.265,40 12.913,70 11.351,70 2,40 0,88 TELECOM Argentin Telecom 306,60 4.649,40 2.322,10 2.327,30 13,20 1,00 CPT Peru Telecom 304,90 2.064,20 1.481,70 582,50 20,60 0,39 CTC Chile Telecom 274,70 3.750,90 1.744,60 2.006,30 15,70 1,15 BRAHMA Brasil Refri/Cerve 257,50 2.566,70 1.022,50 1.544,20 25,20 1,51 1,20 PEREZ Argentin Navegação 264,40 2.100,60 1.461,20 639,40 18,10 0,44 ENERSIS Chile Eletricidad 245,80 3.842,60 1.280,60 2.562,00 19,20 2,00 CIFRA México Comércio 245,70 2.502,90 1.920,20 582,70 12,80 0,30 ACINDER Argentin Siderúrgia 244,90 1.310,20 796,60 513,60 30,70 0,64 CELANES México Química 231,70 1.288,20 953,30 334,90 24,30 0,35 40,20 VALE Brasil Mineração 223,30 13.828,40 10.811,90 3.016,50 2,10 0,28 53,50 NESTLÉ Brasil Alimento 209,70 1.720,60 894,20 826,40 23,50 0,92 4,20 FONDO Colômbi Alimento 204,20 2.178,80 1.705,30 473,50 12,00 0,28 13,40 MODELO México Refri/Cerve 198,40 2.516,60 2.338,00 178,60 8,50 0,08 18,00 SOUZA Brasil Fumo 198,40 2.225,80 1.415,40 810,40 14,00 0,57 2,30 BAVARIA Colômbi Refri/Cerve 197,80 3.778,90 2.881,40 897,50 6,90 0,31 3,60 CMPC Chile Papel 193,00 3.189,30 2.412,60 776,70 8,00 0,32 12,40 CST Brasil Siderúrgia 190,50 4.227,70 3.127,00 1.100,70 6,10 0,35 PETROBR Brasil Petróleo 189,30 30.725,10 20.354,40 10.370,70 2,80 0,51 2,80 PEÑOLES México Mineração 186,80 1.566,70 1.029,40 537,30 18,10 0,52 38,10 TRANSP Argentin Petróleo 181,00 1.704,50 1.051,40 653,10 17,20 0,62 UTE Uruguai Eletricidad 180,10 3.134,80 1.938,60 1.196,20 9,30 0,62 4,50 KIMBERL México Papel 179,30 1.691,80 968,00 723,80 18,50 0,75 5,70 NAC. Brasil Comércio 176,90 45,20 ECOPETR Colômbi Petróleo 172,10 6.069,80 2.046,20 4.023,60 8,40 1,97 19,60 GRUMA México Alimentos 168,60 1.336,00 567,00 769,00 29,70 1,36 54,00 PETROPE Perú Petróleo 165,70 1.173,10 274,10 899,00 60,50 3,88 7,90 CAMARG Brasil Construçã 162,40 2.377,50 1.985,00 392,50 8,20 0,20 ETB Colômbi Telecom 161,10 1.119,10 453,90 665,20 35,50 1,47 TELEVISA México Telecom 159,60 3.918,50 1.550,90 2.367,60 10,30 1,53 Página 1 de 2
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    19 50 Empresas deMaiores Prejuízos Líquidos (em US$ milhões) - Anexo I Emp País Setor PrL AT PL CT Rent % CT/CP % Exp G.SIDEK México Turismo 511,90 3.350,80 427,70 2.923,10 -119,70 6,83 16,30 PETROBR Brasil Petróleo 503,80 1.578,40 1.088,20 490,20 -46,30 0,45 0,60 CELESC Brasil Eletricidad 475,70 1.747,30 1.301,80 445,50 -36,50 0,34 CERJ Brasil Eletricidad 463,60 622,40 138,80 483,60 -334,00 3,48 MOINHO Brasil Alimento 300,30 358,70 165,70 193,00 -181,20 1,16 TELEMIG Brasil Telecom 299,10 2.431,80 1.602,20 829,60 -18,70 0,52 MEXICAN México Aviação 260,00 959,70 -431,30 1.391,00 -60,30 -3,23 21,90 ELETROP Brasil Eletricidad 199,30 12.710,30 7.611,70 5.098,60 -2,60 0,67 MWM Brasil Automotivo 175,10 ALCATEL Brasil Eletrônica 175,00 432,00 64,40 367,60 -271,70 5,71 SERPRO Brasil Serv. 174,40 458,30 228,50 229,80 -76,50 1,01 76,50 SGF Brasil Computaç 166,60 713,00 257,80 455,20 -64,60 1,77 64,60 RFFSA Brasil Transporte 138,40 22.100,90 18.075,80 4.025,10 -0,80 0,22 SEVEL Argentin Automotivo 127,00 1.288,90 386,10 902,80 -22,90 2,34 GRUPO México Textil 118,10 477,70 47,10 524,80 -250,70 -11,14 8,10 COPEL Brasil Eletricidad 114,80 5.909,50 4.125,00 1.784,50 -2,80 0,43 TELEBRÁ Brasil Telecom 114,70 3.446,50 2.539,40 907,10 -4,50 0,36 EMBRATE Brasil Telecom 113,40 6.470,40 5.185,60 1.284,80 -2,20 0,25 4,60 IOCHPE Brasil Automotivo 109,10 872,90 253,30 619,60 -43,10 2,45 14,30 TELESC Brasil Telecom 106,40 988,70 812,50 176,20 -13,10 0,22 ESCELSA Brasil Eletricidad 102,80 925,60 743,30 182,30 -13,80 0,25 TELESP Brasil Telecom 102,20 11.625,10 8.781,20 2.843,90 -1,20 0,32 CELG Brasil Eletricidad 99,90 2.570,90 1.189,50 1.381,40 -8,40 1,16 FERRONA México Transporte 96,30 CELPE Brasil Eletricidad 88,50 863,00 634,40 228,60 -14,00 0,36 ELETROS Brasil Eletricidad 82,90 7.646,40 6.065,20 1.581,20 -1,40 0,26 CONS. G. México Automotivo 75,00 1.077,00 261,50 815,50 -28,70 3,12 8,00 BUFETE México Construçã 74,20 364,60 127,00 237,60 -58,40 1,87 28,80 HID.S.FRA Brasil Eletricidad 68,80 21.428,30 15.083,50 6.344,80 -0,50 0,42 CODESP Brasil Serv.Públi 64,60 937,10 725,50 211,60 -8,90 0,29 TOGA Brasil Papel 63,10 342,20 242,40 99,80 -26,00 0,41 ADUBOS Brasil Química 63,10 251,10 79,20 171,90 -79,70 2,17 ERA.ARG Argentin Aviação 58,10 1.184,90 173,40 1.011,50 -33,50 5,83 ALPARGA Brasil Textil 56,00 602,10 24,00 578,10 -233,30 24,09 8,70 CESP Brasil Eletricidad 53,10 5.645,20 3.159,80 2.485,40 -1,70 0,79 PAUL.FO Brasil Eletricidad 53,00 3.190,70 2.392,50 798,20 -2,20 0,33 AUTOLATIArgentin Automotivo 49,10 BIOGALÊ Brasil Químico 49,00 ENCOL Brasil Construçã 46,00 1.661,10 253,90 1.407,20 -18,10 5,54 BASF Brasil Químico 40,10 890,40 284,70 605,70 -14,10 2,13 5,70 ZF Brasil Autopeças 36,40 170,90 54,20 116,70 -67,20 2,15 11,90 MERCED Argentin Automotivo 34,90 523,40 171,10 352,30 -20,40 2,06 MANNES Brasil Siderurgia 34,90 736,10 575,50 160,60 -6,10 0,28 2,30 CORMEC Argentin Automotivo 29,40 272,80 90,80 182,00 -32,40 2,00 ELDORAD Brasil Comércio 28,40 SEARS México Comércio 27,20 836,50 405,90 430,60 -6,70 1,06 PHILIP Brasil Fumo 25,80 386,50 -25,20 411,70 -102,40 -16,33 19,30 MAKRO Brasil Comércio 23,20 223,60 TROMBINI Brasil Papel 22,90 342,90 132,20 210,80 -17,30 1,60 GR.EMBO México Refri/Cerve 22,20 733,20 446,40 286,80 -5,00 0,64 Página 2 de 2