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PIAN.D.A.1 (work in progress) 
Primeira história ou Ensaio de Brincar com as Palavras 
-­‐ IOKALÁ MAGI – Bia diz forte e sorrindo. 
As crianças se entreolham. 
-­‐ NAGITO BRUNCUCÁ, IT I BIRIÚ, COM KÁ? – Bia aponta para Isadora. 
-­‐ COM KÁ I TÊ – tento ajudar. 
-­‐ TE TU, TUNUKÁKÔ, MININI – pega algumas pedras e tinta. COM KÁ, COM LÁ, COM PIRICULÁ, IIGÔ TIRÊ – sua voz 
adocica. BIRICÔ? 
-­‐ BIRI, BIRI – se arrisca João. 
-­‐ BIRI TÔ, JOJO! 
Todos gargalham. 
-­‐ QUIRIMÁ TU VÁ NIGUÍ? – pergunta Kátia desconfiada apontando um pincel. 
-­‐ PAPAQUERÊ DINO DINÉ – afirmo. 
Vitória com medo olha insistentemente para garrafa do Saci. 
-­‐ Tá todo mundo doido! – Nina tem certeza. 
-­‐ MANIQUENÊ, NINE, TUDOKÚ É LOKÚ – digo. 
-­‐ E KEN É QUE É OCHÊ? – Pablo misturando idiomas. 
-­‐ HHUUMMMMMM... PIÁPORÊ. 
Kátia já está pintando. Violeta pega uma pedra e mergulha na tinta; seu dedo suja também, decide então pintar as 
bochechas. 
-­‐ SSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSQUAQUAQUA – Vitor 
corre por toda a sala – SSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSQUAQUAQUAQUAQUAQUA. 
1 
N.D.A.: 
Referência 
à 
Zina 
Filler, 
artista 
educadora 
que 
sempre 
diz 
que 
nós, 
do 
PIÁ, 
somos 
Nenhuma 
Das 
Alternativas.
-­‐ VRUMMMMMMMMMMMMMMMMMMMTÁTÁTÁTÁ ... TÓIM TENTÉM... DIONNNNNNNNNNNNNN... TIC TIC TIC POW 
POW – Erick acompanha. RÁRÁRÁRÁRÁRÁRÁRÁ… 
-­‐ IRIÚ, XINI? – pergunto pro Otávio. 
-­‐ Tô com fome. 
-­‐ IRIÚ NU MÔÇO? 
Otávio olha com desprezo 
-­‐ É daqui a pouco, tá? – quebro o feitiço. 
... 
-­‐ TEM COR VERMELHALHONA? – quer Juliana. 
-­‐ VERMELHALHONA? 
-­‐ PIRIQUI KIKI, KÔKÔ, KOKA, KIKI, XIXI, PIRIRI, XOXOTA. 
Me assusto. 
-­‐ KABÔ, TICÁ – Bia me salva. 
Juliana larga a tinta. Anda um pouco. Vê o que seus amigos fazem. Decide ser a mãe-gata do Otávio. Ele a olha com 
desprezo... mas acaba deixando. 
-­‐ KABÔ TUTO QUI FÊ? – pergunto em alto e bom som. 
Nenhuma resposta. Passam-se 15 minutos. 
-­‐ aumentando o som: KABÔ TUTO QUI FÊ? Ó O ORÁ – mostro o relógio. 
Nenhuma resposta. 
Nisso, Vitor que corria a sala toda há horas kabrubumbum na folha que splaticum da Kátia: 
-­‐ BUÁÁÁAÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁ! 
-­‐ BUÁÁÁAÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁ! – do Vítor. 
A mãe da menina, que gostava de coçar a orelha na fechadura durante o encontro do PIÁ, entrou e: 
-­‐ UI, UI, AI, AI, UI, O KÊ? O KÊ? AI, UI, AI, AI, AINN, GRRRRRRRRR! SEUS, SUAS, AI, AI, GRRRRRR, GRRRRRRRR! – 
foi o que ela disse. 
-­‐ ............................................. – foi o que nosso olhar disse.
Outras Histórias 
Mestre Ambrósio vem cá, histórias pra nos contar 
... e quase eles não voltaram do ano anterior. Pra trabalhar com criança e adolescente tem sim que gostar deles e tem nada que 
julgá-los. A Beth estava comigo, ainda bem. Queremos fazer teatro. Teatro, teatro, o que é teatro mesmo? O que vocês querem 
falar? Marília chora três semanas seguidas, a mãe lhe disse que era Tpm, mas ela não gostou das fofocas por whatsApp, poxa! 
Ah, já sei, juntem-se em grupos e desenhem os sonhos pro futuro que vocês tem. Eu não tenho nenhum sonho. Não? Nem ter um 
amor correspondido? Nem ganhar na loteria? Nem voar? Não. Então, escreve aí alguma profissão que você quer ser quando 
crescer. Os tambores estavam aquecendo para um mergulho maior, e fazer arte não é necessariamente um mergulhar em si 
mesmo? Eles foram corajosos e começaram a trazer histórias reais, da relação familiar. Tantas dores e muitas dúvidas: eu posso 
ter uma opinião diferente dos meus pais e ainda amá-los? Seria muito duro somente contar esses relatos, precisava surgir um 
suspiro, um respiro, uma figura que brincasse com as dificuldades, um brincante e Bia soprou: Mestre Ambrósio. O mascarado do 
Cavalo Marinho encantou. Acabou vendendo aquelas histórias em troca de doidices: uma pedra obsidiana, um bolo de monstros, 
alguma chuva enlatada, e a metáfora se fez forte quando aquelas crianças e adolescentes tiveram a coragem de subir num palco e 
contar suas próprias histórias para quem quisesse ver e ouvir, inclusive, para suas famílias. 
Mãe-Terra 
Nossa Gaia tem outro nome: Jaqueline, ou para os mais chegados, Jaq. Gosta de coisas naturais, como não poderia deixar de ser, 
e é especialista em geo tinta. Passa por São Paulo olhando e recolhendo as cores de terra: vermelha, roxa, marrom, bege... 
Peneira tudo num peneirão que tem no seu quintal com ajuda dos filhos, enquanto deixa os salgados naturais com recheio de 
escarola no forno, daqui a pouco será hora do lanche. Às sextas luta pela reabertura do Parque Augusta e depois pesquisa em 
cadernos de cultura atividades bacanas para o final de semana. Faz feira aos domingos e mesmo na xepa, consegue identificar o 
tomate mais bonito. Gosta de cheio de chuva. Faz bolinho de banana e deixa com os filhos dividirem no PIÁ. Anda sem pressa. 
Não mata formiga. 
O Vítor e a dona Aranha
Que raiva me dá do Vítor. Ele pula, tropeça nos amigos, não dá boa tarde, destrói os brinquedos que acabamos de construir, grita, 
não me deixa falar, enquanto fazemos roda ele dá voltas na gente, ele sai e se esconde no banheiro, me faz ir atrás dele, recorta 
os gibis que não pode, se pendura em mim, por onde passa só se ouve; “Pára Vitor!”, faz o encontro parar mil vezes para fazermos 
reunião e olharmos nossas atitudes, corre na praça, brinca onde tem pombo, puxa com força o tecido colorido que mandei costurar 
para dar aula, não compra minhas propostas artísticas, está o tempo todo me fazendo questionar o que é ser artista educadora e 
outro dia fez surgir em mim uma grande aranha cabeluda, venenosa, mas que gostava mesmo era de prender criança, sim, prendi 
o Vitor, sem machuca-lo, mas imobilizei seus movimentos; é claro que a aranha era mais forte que ele, era uma aranha adulta, e 
depois de muito lutar, suar, fingiu que desmaiou e assim o soltei. Virou para mim e disse: “Não tá com nada, hein, Dona Aranha!” 
Enfim... Depois desse dia surgiu uma amizade e um amor tão grande. Obrigada Vítor. 
Três meses: dan-çan-do 
Avoa meninada. Coloca um objeto no espaço e conta uma história com o corpo, sem falar. Coloca uma música. Salta, gira, cai e 
repete. Escolhe e repete. Eles gostam de repetir. Renata Avoa no Sesc. Lama, terremoto, vento, chiclete, gesso. Repete o que o 
outro faz. Avoa na praça, nos brinquedos, nas árvores. Pina Bausche é teatro ou dança? Porque eles querem o vestido vermelho? 
Improvisa repetindo. Guerra. O vestido é meu! Pina e as cadeiras com moças e moços. Improvisa e repete o que tem vontade. 
Qual movimento é seu? AnaLu e Miguel estão avoados! Cadeiras dançando: meleca giro de lesma, raio x, trem. Repete. Raphael 
“desavoou”. Último dia de encontro: re-pe-tin-do. Três meses: dan-çan-do. Eles amam re-pe-tir. 
Mulheres Árvores 
Elas só queriam levar mudas de plantas de um lugar para outro. Colocaram nas costas. Havia mudas de cerejeira, de manjericão, 
de girassol e de sequoia. Começaram a andar, o caminho era longo. A que carregava manjericão, de tanto andar, aproveitou para 
matar a sua fome comendo as folhas da planta que carregava. Exalava um hálito bem cheiroso e fazia xixi verde. Acostumou-se 
com isso. O manjericão crescia vistoso e forte e muito mais rápido do que seria comum. O que estava acontecendo? A mulher 
refletiu por longa caminha, e acabou descobrindo que tamanha fartura não passava de uma paixonite aguda do manjericão por ela. 
Continuou o caminho em clima de romance... A que carregava a muda de cerejeira vendo tantos asfaltos cheios de cimento ficou 
uns dias para trás, abrindo buraco e jogando sementes por lá. Deixava-se guiar pelas borboletas. Encontrava cimento, abria
buraco. Ouvia por um dia inteiro o som do vento que a levava para outras paragens. Encontrava cimento, abria buraco. Via um 
buraco gigante. Entrava nele, fazia vários buraquinhos e colocava sementes. Dias ou meses ou anos se passaram. Até que um dia 
olhou para frente e não viu suas companheiras. Olhou para trás e viu buracos. Perdeu-se. Ficou sem certeza. Sentiu saudades do 
caminho de antes, do carinho das mulheres, quis encontra-las. Olhando atrás descobriu que algumas sementes tinham vingado e 
que até um buraco lá no fundo tinha se transformado numa cerejeira bem alta. Subiu e gritou por elas. Imediatamente borboletas 
grudaram em suas roupas que se rasgaram de tão velha. Nua, foi levada com a ajuda do vento ao encontro das mulheres que 
sabiam que, mesmo demorando, um dia ela ia voltar. Depois de muito sol e felicidade, risadas e fartura, veio o inverno. Fazia frio e 
a muda de girassol parecia que morreria antes do destino. Dava dó olhar aquele broto ainda nem aberto, murcho e levemente 
desbotado; precisava de sol! O sol tímido vinha somente nos primeiros raios da manhã, horário que a mulher ainda dormia na 
barraca improvisada, levantada para aguentar aqueles dias de caminhada. Passaram-se alguns dias e a mulher não sabia o que 
fazer. Muito dedicada, jogou água, mas teve medo de matar a planta afogada. Desenhou num papel um sol bem grande e deixou o 
desenho ao lado da planta e nada. Chorou. Chorou um choro grande e sincero, meio dramático, mas era assim mesmo que ela 
era, e suas lágrimas de sal acabaram por matar o girassol. Parecia que para essa mulher a travessia tinha acabado. Ela decidiu 
então enterrar a muda defunta e continuar o trajeto mesmo assim, ajudando a carregar a muda das amigas. Enfim, a mulher que 
carregava a sequoia, sinceramente, ninguém sabia onde estava com a cabeça! Sequoia é uma das árvores maiores que existem 
no mundo. Como o caminho era longo a árvore que não quis esperar foi crescendo. Crescendo igual fome depois de brincar. 
Crescendo igual frio na barriga quando se escorrega num tobogã. Quanto maior, mais pesada! Mas a mulher não desistia, era 
teimosa e queria continuar carregando. Ficou corcunda. As raízes iam rasgando o saco e saindo, o tronco crescendo pro céu, as 
folhas se confundiam com o cabelo da mulher, a casca protegia ambas ali naquele percurso. Não sabia mais se havia uma mulher 
ali, só se via árvore. O que era uma coisa e o que era outra? Finalmente chegaram ao destino exaustas, mas plantaram as mudas 
com alegria. A mulher da sequoia decidiu ficar e não voltar com elas, iria construir uma casa na árvore, descobriu que esse era seu 
grande sonho e se despediu. As outras voltaram. Qual o caminho da volta? – a terceira mulher perguntou para um senhor que 
passava. Ele pensou, mas não teve dúvida. “Como o percurso é longo, é sempre melhor seguir os girassóis, que por sua vez se 
guiam pelo sol. É só voltarem por esse caminho e quando chegarem na plantação de girassol lá adiante, perto do rio de sal, 
repousem e se alimentem da própria flor. Depois sigam a viagem mais fortificadas”. As mulheres se olharam e entenderam tudo.
O QUE ANTE-CEDEU O ENSAIO 
Como escrever um ensaio? 
Ensaio é um texto literário breve, situado entre o poético e o 
didático, expondo ideias, críticas e reflexões éticas e 
filosóficas a respeito de certo tema. É menos formal e mais 
flexível que o tratado. Consiste também na defesa de um 
ponto de vista pessoal e subjetivo sobre um tema 
(humanístico, filosófico, político, social, cultural, moral, 
comportamental, literário, religioso, etc.), sem que se paute 
em formalidades como documentos ou provas empíricas ou 
dedutivas de caráter científico. 
SÃO AS PERGUNTAS QUE ME MOVEM NO 
MUNDO 
LEVANTAMENTO DE PROBLEMAS NO PIÁ 
(Artístico-Pedagógico, Estrutural/Politico, Humano) 
- “Quem é este adulto artista educador? Quais suas 
intervenções, interações e intenções quanto às 
crianças? E quem são estas crianças? De qual infância 
estamos falando?” 
- a estrutura da SMC de continuidade e duração do 
ano PIÁ não condiz com a proposta, mas mesmo assim 
a gente se adapta – força e contradição da adaptação 
do PIÁ ou seria resistência? 
- e quando eu me perco? 
- medo de ser só recreação 
- porque as crianças precisam de mim no processo 
delas? Opa, eu também estou em processo? 
- “química” da equipe: o campo perigoso da 
subjetividade profissional 
- que arte estou falando? Ensinada como e para quem? 
- o que é criação?
De que pensamento artístico-pedagógico estou falando? 
EDUCAÇÃO ANARQUISTA: POR UMA PEDAGOGIA do R I S C O – SILVIO GALO 
“... a educação como fenômeno político-social pode se abrir em duas frentes: ser o veículo da reprodução da sociedade, e, 
portanto, de sua manutenção; ou ser um espaço privilegiado para a realização de algumas tarefas que culminam com um 
processo radical de transformação da realidade social” – p 287 
- “é da individualidade que surge a amplitude social” – idem 
- “A construção de uma sociedade solidária passa também pela construção social da liberdade” – p. 289. “... a liberdade não é 
entendida pelos anarquistas de modo similar à concepção burguesa, e vê na liberdade um fator individual e natural, e não como 
um fator coletivo e cultural, isto é, produzido social e historicamente [...] Sendo a liberdade fruto de uma construção coletiva, ela 
é antes de tudo, um aprendizado” – p. 290 
- “Mas no seio de uma sociedade de exploração como é o capitalismo, qual o significado de uma educação libertária?” – p. 291 
- Antes: Como é possível, em uma sociedade que se formou sobre um discurso liberal, significando um avanço histórico no grau 
de liberdade da sociedade, estar fundada em um sistema de poder e de opressão, tão avessos à liberdade que ela defende e fez 
avançar? – p. 291. Resposta: A liberdade moderna deve ser compreendida em dois aspectos: o social e o individual. Se por um 
lado houve a liberdade individual, mesmo que em detrimento de outras individualidades, não houve um avanço na liberdade 
social. O indivíduo cada vez mais se torna isolado, solitário e imbuído de uma sensação de insignificância e impotência, o que de 
certa maneira, lhe deixa exposto a novos tipos de escravidão” – p. 292 
- “O autoritarismo se exerce quando você delega, no momento em que abdica da autogestão e autoadministração vital. 
Acabamos por transferir a nossa autonomia e entramos submissos no jogo do poder” [...], ou seja, “ao delegarmos a autoridade, 
abdicamos também da responsabilidade. Se alguém tem autoridade sobre nós, passa a assumir a responsabilidade por atos que 
seriam nossos, ou por atos que cometemos como consequência daquela autoridade [...] Ao mesmo, tempo que a submissão traz
um aspecto negativo, é também fonte de certa positividade, pois permite à pessoa a leveza de não precisar assumir a 
responsabilidade sobre os atos” – p. 294 
- Liberdade é um fardo, portanto, segundo o autor existem 3 fugas principais da liberdade: “o autoritarismo, onde decorre 
aquela dissolução do ego no ego coletivo – na perspectiva psicológica – do ponto de visto político; a destrutividade, uma 
compulsão psicológica, uma tentativa de eliminar o mundo, para não ser eliminado por ele; e o conformismo, que através do 
alheamento leva a uma vida mecânica, conformada, sem criatividade, que reproduz indefinidamente a mesmice, sem nenhum 
comprometimento com a singularidade e com a mudança” – p. 297 
- “Uma vida libertária e autônoma implica na negação do poder e no assumir de responsabilidades individuais e sociais” – p. 297 
- “É na busca por segurança que se estabelece o poder”. “Se não delegamos nada a ninguém, vivemos permanentemente em 
risco, [...] risco é sinônimo de liberdade” – p. 297 e 298 
- Resposta à primeira pergunta: “É pedagogia do risco, pois ao mesmo tempo em que preocupa-se em criar condições 
estruturais para que cada um dos indivíduos desenvolva sua singularidade, procura também trabalhar o processo de modo que 
dele brote a liberdade, como construção coletiva do grupo de indivíduos [...] Este é o sentido da educação anarquista no seio da 
sociedade capitalista, a criação de indivíduos críticos, conscientes e criativos, abertos para a amplitude social, e mais do que 
isso, em perfeita relação com ela. Tem função, portanto, de criar o novo, o diferente, quebrar estruturas de reprodução da 
sociedade e, com isso, criar polos de resistência e focos de desenvolvimento de uma revolução social [...] e essa revolução deve 
ser permanente” – p. 300-301 
- “A educação é praticada pela sociedade como um todo, e não apenas pela escola” – p. 305
O QUE ME INSTIGA É O PEGA-PEGA: UM POUCO SOBRE A POÉTICA DO PIÁ – Celso, Karin, Isabelle e 
Roger do PIÁ 
- “...a primeira característica observável na atividade de uma criança é movimento. Ao movimentar-se no espaço por um 
determinado período de tempo, a criança cria e exercita um tempo que se estende como se derramasse no espaço. O constante 
impulso para agir é o que leva a criança a conhecer o mundo. Para a criança ainda não existe a noção de EU e o MUNDO 
estando ela (corpo) mergulhada no mundo (outro) nada se dissocia. Em seus movimentos a criança, inconscientemente, descobre 
e toma posse do seu corpo, experimenta e cria seus contornos, percebe e apreende o que seria o primeiro mundo exterior que lhe 
é apresentado. A criança dorme para dentro do seu próprio corpo.” 
- PAVIS: “O performer realiza a encenação do seu próprio eu” 
- “Percebê-las [a criança] para saber o que elas estão expressando de si mesmas, e refletir como e o que pode fazer o adulto para 
garantir e potencializar a construção do desenvolvimento e aprendizado por elas próprias” 
- “... o verdadeiro encontro com o outro pressupõe o encontro consigo mesmo” 
- “A brincadeira é o território espontâneo de experiências simbólicas e poéticas onde a criança se mostra envolvida, vigorosa 
e intensamente presente em sua ação que transborda de sentido”
FAZER SURGIR ANTIESTRUTURAS 
Marina Marcondes 
Teatralidades, Corporalidades, Espacialidades, Musicalidades ou tudo junto 
- infância: um grande momento de liberação de maneiras de ser e estar, de nonsense, bem como de grande poder de 
dramaticidade, seja no campo cômico, seja no campo trágico, tragicômico, e assim por diante. P. 2 
- como pode ter análise crítica sem análise de contexto? P. 5 
- Abordagem em espiral. P. 6 “Bagunçar um pouco a linearidade das especificidades das quatro linguagens, que, se trabalhadas 
de modo integrado, podem tornar-se uma só” 
- work in process (trabalho em processo). P. 7 
- Poiéses: “Há nessa palavra, uma densidade metafísica e cosmológica que precisamos ter em vista. Significa um produzir que dá 
forma, um fabricar que engendra, uma criação que organiza, ordena e instaura uma realidade nova, um ser”. P. 8 
- Ateliers Livres: experienciação, criação, novidade, expressividade, vida. P. 7 e 
8 
- Liberdade para performar: “o saber não pertence ao educador, não reside em sua formação, técnicas e conhecimento; o saber 
encontra-se entre ele e seus alunos”. P. 11 
- “Nossa noção de infância e de juventude em diálogo com nossa noção do que é Arte conversam conosco e com nossos alunos o 
tempo todo, ruidosa ou silenciosamente”. P. 11 
- “criança sociológica [conceito de Sarmento]. O cerne desta noção de infância está em propor pensar as crianças como seres 
sociais que integram um grupo social distinto”. P. 12 
- “Se sabemos exatamente o que vamos fazer, para que fazê-lo?” Picasso
- “... a partir de tudo que pensamos ser importante ensinar, sim, como adultos responsáveis por seus processos de mergulho na 
educação estética, mas sem nunca deixar de prestar atenção a tudo aquilo que a convivência com elas está nos ensinando em 
contrapartida, em correlação, como correntezas de um mesmo rio, em transformação, em curso permanente” p. 18 
- “... importantes fundamentos: ensino e sou ensinado por meus alunos; meus alunos não são ‘folhas de papel em branco’, 
possuem herança cultural e biografia anterior ao encontro comigo e com as aulas de Arte... E será desse ‘material’ entre mundos, 
entre corpos, entre tempos e espaços que projetos serão criados. As intervenções serão interessantes quanto mais revelarem 
algo sobre quem é o professor de Arte. Essa busca do ‘quem’ também significa a busca de um ‘olhar antropológico’: conexão 
onde quem educa e quem é educado são parte de um mesmo contorno, uma mesma partitura: a partitura relacional”

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Vanessa Biffon - Ensaio Piá 2014

  • 1. PIAN.D.A.1 (work in progress) Primeira história ou Ensaio de Brincar com as Palavras -­‐ IOKALÁ MAGI – Bia diz forte e sorrindo. As crianças se entreolham. -­‐ NAGITO BRUNCUCÁ, IT I BIRIÚ, COM KÁ? – Bia aponta para Isadora. -­‐ COM KÁ I TÊ – tento ajudar. -­‐ TE TU, TUNUKÁKÔ, MININI – pega algumas pedras e tinta. COM KÁ, COM LÁ, COM PIRICULÁ, IIGÔ TIRÊ – sua voz adocica. BIRICÔ? -­‐ BIRI, BIRI – se arrisca João. -­‐ BIRI TÔ, JOJO! Todos gargalham. -­‐ QUIRIMÁ TU VÁ NIGUÍ? – pergunta Kátia desconfiada apontando um pincel. -­‐ PAPAQUERÊ DINO DINÉ – afirmo. Vitória com medo olha insistentemente para garrafa do Saci. -­‐ Tá todo mundo doido! – Nina tem certeza. -­‐ MANIQUENÊ, NINE, TUDOKÚ É LOKÚ – digo. -­‐ E KEN É QUE É OCHÊ? – Pablo misturando idiomas. -­‐ HHUUMMMMMM... PIÁPORÊ. Kátia já está pintando. Violeta pega uma pedra e mergulha na tinta; seu dedo suja também, decide então pintar as bochechas. -­‐ SSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSQUAQUAQUA – Vitor corre por toda a sala – SSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSQUAQUAQUAQUAQUAQUA. 1 N.D.A.: Referência à Zina Filler, artista educadora que sempre diz que nós, do PIÁ, somos Nenhuma Das Alternativas.
  • 2. -­‐ VRUMMMMMMMMMMMMMMMMMMMTÁTÁTÁTÁ ... TÓIM TENTÉM... DIONNNNNNNNNNNNNN... TIC TIC TIC POW POW – Erick acompanha. RÁRÁRÁRÁRÁRÁRÁRÁ… -­‐ IRIÚ, XINI? – pergunto pro Otávio. -­‐ Tô com fome. -­‐ IRIÚ NU MÔÇO? Otávio olha com desprezo -­‐ É daqui a pouco, tá? – quebro o feitiço. ... -­‐ TEM COR VERMELHALHONA? – quer Juliana. -­‐ VERMELHALHONA? -­‐ PIRIQUI KIKI, KÔKÔ, KOKA, KIKI, XIXI, PIRIRI, XOXOTA. Me assusto. -­‐ KABÔ, TICÁ – Bia me salva. Juliana larga a tinta. Anda um pouco. Vê o que seus amigos fazem. Decide ser a mãe-gata do Otávio. Ele a olha com desprezo... mas acaba deixando. -­‐ KABÔ TUTO QUI FÊ? – pergunto em alto e bom som. Nenhuma resposta. Passam-se 15 minutos. -­‐ aumentando o som: KABÔ TUTO QUI FÊ? Ó O ORÁ – mostro o relógio. Nenhuma resposta. Nisso, Vitor que corria a sala toda há horas kabrubumbum na folha que splaticum da Kátia: -­‐ BUÁÁÁAÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁ! -­‐ BUÁÁÁAÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁ! – do Vítor. A mãe da menina, que gostava de coçar a orelha na fechadura durante o encontro do PIÁ, entrou e: -­‐ UI, UI, AI, AI, UI, O KÊ? O KÊ? AI, UI, AI, AI, AINN, GRRRRRRRRR! SEUS, SUAS, AI, AI, GRRRRRR, GRRRRRRRR! – foi o que ela disse. -­‐ ............................................. – foi o que nosso olhar disse.
  • 3. Outras Histórias Mestre Ambrósio vem cá, histórias pra nos contar ... e quase eles não voltaram do ano anterior. Pra trabalhar com criança e adolescente tem sim que gostar deles e tem nada que julgá-los. A Beth estava comigo, ainda bem. Queremos fazer teatro. Teatro, teatro, o que é teatro mesmo? O que vocês querem falar? Marília chora três semanas seguidas, a mãe lhe disse que era Tpm, mas ela não gostou das fofocas por whatsApp, poxa! Ah, já sei, juntem-se em grupos e desenhem os sonhos pro futuro que vocês tem. Eu não tenho nenhum sonho. Não? Nem ter um amor correspondido? Nem ganhar na loteria? Nem voar? Não. Então, escreve aí alguma profissão que você quer ser quando crescer. Os tambores estavam aquecendo para um mergulho maior, e fazer arte não é necessariamente um mergulhar em si mesmo? Eles foram corajosos e começaram a trazer histórias reais, da relação familiar. Tantas dores e muitas dúvidas: eu posso ter uma opinião diferente dos meus pais e ainda amá-los? Seria muito duro somente contar esses relatos, precisava surgir um suspiro, um respiro, uma figura que brincasse com as dificuldades, um brincante e Bia soprou: Mestre Ambrósio. O mascarado do Cavalo Marinho encantou. Acabou vendendo aquelas histórias em troca de doidices: uma pedra obsidiana, um bolo de monstros, alguma chuva enlatada, e a metáfora se fez forte quando aquelas crianças e adolescentes tiveram a coragem de subir num palco e contar suas próprias histórias para quem quisesse ver e ouvir, inclusive, para suas famílias. Mãe-Terra Nossa Gaia tem outro nome: Jaqueline, ou para os mais chegados, Jaq. Gosta de coisas naturais, como não poderia deixar de ser, e é especialista em geo tinta. Passa por São Paulo olhando e recolhendo as cores de terra: vermelha, roxa, marrom, bege... Peneira tudo num peneirão que tem no seu quintal com ajuda dos filhos, enquanto deixa os salgados naturais com recheio de escarola no forno, daqui a pouco será hora do lanche. Às sextas luta pela reabertura do Parque Augusta e depois pesquisa em cadernos de cultura atividades bacanas para o final de semana. Faz feira aos domingos e mesmo na xepa, consegue identificar o tomate mais bonito. Gosta de cheio de chuva. Faz bolinho de banana e deixa com os filhos dividirem no PIÁ. Anda sem pressa. Não mata formiga. O Vítor e a dona Aranha
  • 4. Que raiva me dá do Vítor. Ele pula, tropeça nos amigos, não dá boa tarde, destrói os brinquedos que acabamos de construir, grita, não me deixa falar, enquanto fazemos roda ele dá voltas na gente, ele sai e se esconde no banheiro, me faz ir atrás dele, recorta os gibis que não pode, se pendura em mim, por onde passa só se ouve; “Pára Vitor!”, faz o encontro parar mil vezes para fazermos reunião e olharmos nossas atitudes, corre na praça, brinca onde tem pombo, puxa com força o tecido colorido que mandei costurar para dar aula, não compra minhas propostas artísticas, está o tempo todo me fazendo questionar o que é ser artista educadora e outro dia fez surgir em mim uma grande aranha cabeluda, venenosa, mas que gostava mesmo era de prender criança, sim, prendi o Vitor, sem machuca-lo, mas imobilizei seus movimentos; é claro que a aranha era mais forte que ele, era uma aranha adulta, e depois de muito lutar, suar, fingiu que desmaiou e assim o soltei. Virou para mim e disse: “Não tá com nada, hein, Dona Aranha!” Enfim... Depois desse dia surgiu uma amizade e um amor tão grande. Obrigada Vítor. Três meses: dan-çan-do Avoa meninada. Coloca um objeto no espaço e conta uma história com o corpo, sem falar. Coloca uma música. Salta, gira, cai e repete. Escolhe e repete. Eles gostam de repetir. Renata Avoa no Sesc. Lama, terremoto, vento, chiclete, gesso. Repete o que o outro faz. Avoa na praça, nos brinquedos, nas árvores. Pina Bausche é teatro ou dança? Porque eles querem o vestido vermelho? Improvisa repetindo. Guerra. O vestido é meu! Pina e as cadeiras com moças e moços. Improvisa e repete o que tem vontade. Qual movimento é seu? AnaLu e Miguel estão avoados! Cadeiras dançando: meleca giro de lesma, raio x, trem. Repete. Raphael “desavoou”. Último dia de encontro: re-pe-tin-do. Três meses: dan-çan-do. Eles amam re-pe-tir. Mulheres Árvores Elas só queriam levar mudas de plantas de um lugar para outro. Colocaram nas costas. Havia mudas de cerejeira, de manjericão, de girassol e de sequoia. Começaram a andar, o caminho era longo. A que carregava manjericão, de tanto andar, aproveitou para matar a sua fome comendo as folhas da planta que carregava. Exalava um hálito bem cheiroso e fazia xixi verde. Acostumou-se com isso. O manjericão crescia vistoso e forte e muito mais rápido do que seria comum. O que estava acontecendo? A mulher refletiu por longa caminha, e acabou descobrindo que tamanha fartura não passava de uma paixonite aguda do manjericão por ela. Continuou o caminho em clima de romance... A que carregava a muda de cerejeira vendo tantos asfaltos cheios de cimento ficou uns dias para trás, abrindo buraco e jogando sementes por lá. Deixava-se guiar pelas borboletas. Encontrava cimento, abria
  • 5. buraco. Ouvia por um dia inteiro o som do vento que a levava para outras paragens. Encontrava cimento, abria buraco. Via um buraco gigante. Entrava nele, fazia vários buraquinhos e colocava sementes. Dias ou meses ou anos se passaram. Até que um dia olhou para frente e não viu suas companheiras. Olhou para trás e viu buracos. Perdeu-se. Ficou sem certeza. Sentiu saudades do caminho de antes, do carinho das mulheres, quis encontra-las. Olhando atrás descobriu que algumas sementes tinham vingado e que até um buraco lá no fundo tinha se transformado numa cerejeira bem alta. Subiu e gritou por elas. Imediatamente borboletas grudaram em suas roupas que se rasgaram de tão velha. Nua, foi levada com a ajuda do vento ao encontro das mulheres que sabiam que, mesmo demorando, um dia ela ia voltar. Depois de muito sol e felicidade, risadas e fartura, veio o inverno. Fazia frio e a muda de girassol parecia que morreria antes do destino. Dava dó olhar aquele broto ainda nem aberto, murcho e levemente desbotado; precisava de sol! O sol tímido vinha somente nos primeiros raios da manhã, horário que a mulher ainda dormia na barraca improvisada, levantada para aguentar aqueles dias de caminhada. Passaram-se alguns dias e a mulher não sabia o que fazer. Muito dedicada, jogou água, mas teve medo de matar a planta afogada. Desenhou num papel um sol bem grande e deixou o desenho ao lado da planta e nada. Chorou. Chorou um choro grande e sincero, meio dramático, mas era assim mesmo que ela era, e suas lágrimas de sal acabaram por matar o girassol. Parecia que para essa mulher a travessia tinha acabado. Ela decidiu então enterrar a muda defunta e continuar o trajeto mesmo assim, ajudando a carregar a muda das amigas. Enfim, a mulher que carregava a sequoia, sinceramente, ninguém sabia onde estava com a cabeça! Sequoia é uma das árvores maiores que existem no mundo. Como o caminho era longo a árvore que não quis esperar foi crescendo. Crescendo igual fome depois de brincar. Crescendo igual frio na barriga quando se escorrega num tobogã. Quanto maior, mais pesada! Mas a mulher não desistia, era teimosa e queria continuar carregando. Ficou corcunda. As raízes iam rasgando o saco e saindo, o tronco crescendo pro céu, as folhas se confundiam com o cabelo da mulher, a casca protegia ambas ali naquele percurso. Não sabia mais se havia uma mulher ali, só se via árvore. O que era uma coisa e o que era outra? Finalmente chegaram ao destino exaustas, mas plantaram as mudas com alegria. A mulher da sequoia decidiu ficar e não voltar com elas, iria construir uma casa na árvore, descobriu que esse era seu grande sonho e se despediu. As outras voltaram. Qual o caminho da volta? – a terceira mulher perguntou para um senhor que passava. Ele pensou, mas não teve dúvida. “Como o percurso é longo, é sempre melhor seguir os girassóis, que por sua vez se guiam pelo sol. É só voltarem por esse caminho e quando chegarem na plantação de girassol lá adiante, perto do rio de sal, repousem e se alimentem da própria flor. Depois sigam a viagem mais fortificadas”. As mulheres se olharam e entenderam tudo.
  • 6. O QUE ANTE-CEDEU O ENSAIO Como escrever um ensaio? Ensaio é um texto literário breve, situado entre o poético e o didático, expondo ideias, críticas e reflexões éticas e filosóficas a respeito de certo tema. É menos formal e mais flexível que o tratado. Consiste também na defesa de um ponto de vista pessoal e subjetivo sobre um tema (humanístico, filosófico, político, social, cultural, moral, comportamental, literário, religioso, etc.), sem que se paute em formalidades como documentos ou provas empíricas ou dedutivas de caráter científico. SÃO AS PERGUNTAS QUE ME MOVEM NO MUNDO LEVANTAMENTO DE PROBLEMAS NO PIÁ (Artístico-Pedagógico, Estrutural/Politico, Humano) - “Quem é este adulto artista educador? Quais suas intervenções, interações e intenções quanto às crianças? E quem são estas crianças? De qual infância estamos falando?” - a estrutura da SMC de continuidade e duração do ano PIÁ não condiz com a proposta, mas mesmo assim a gente se adapta – força e contradição da adaptação do PIÁ ou seria resistência? - e quando eu me perco? - medo de ser só recreação - porque as crianças precisam de mim no processo delas? Opa, eu também estou em processo? - “química” da equipe: o campo perigoso da subjetividade profissional - que arte estou falando? Ensinada como e para quem? - o que é criação?
  • 7. De que pensamento artístico-pedagógico estou falando? EDUCAÇÃO ANARQUISTA: POR UMA PEDAGOGIA do R I S C O – SILVIO GALO “... a educação como fenômeno político-social pode se abrir em duas frentes: ser o veículo da reprodução da sociedade, e, portanto, de sua manutenção; ou ser um espaço privilegiado para a realização de algumas tarefas que culminam com um processo radical de transformação da realidade social” – p 287 - “é da individualidade que surge a amplitude social” – idem - “A construção de uma sociedade solidária passa também pela construção social da liberdade” – p. 289. “... a liberdade não é entendida pelos anarquistas de modo similar à concepção burguesa, e vê na liberdade um fator individual e natural, e não como um fator coletivo e cultural, isto é, produzido social e historicamente [...] Sendo a liberdade fruto de uma construção coletiva, ela é antes de tudo, um aprendizado” – p. 290 - “Mas no seio de uma sociedade de exploração como é o capitalismo, qual o significado de uma educação libertária?” – p. 291 - Antes: Como é possível, em uma sociedade que se formou sobre um discurso liberal, significando um avanço histórico no grau de liberdade da sociedade, estar fundada em um sistema de poder e de opressão, tão avessos à liberdade que ela defende e fez avançar? – p. 291. Resposta: A liberdade moderna deve ser compreendida em dois aspectos: o social e o individual. Se por um lado houve a liberdade individual, mesmo que em detrimento de outras individualidades, não houve um avanço na liberdade social. O indivíduo cada vez mais se torna isolado, solitário e imbuído de uma sensação de insignificância e impotência, o que de certa maneira, lhe deixa exposto a novos tipos de escravidão” – p. 292 - “O autoritarismo se exerce quando você delega, no momento em que abdica da autogestão e autoadministração vital. Acabamos por transferir a nossa autonomia e entramos submissos no jogo do poder” [...], ou seja, “ao delegarmos a autoridade, abdicamos também da responsabilidade. Se alguém tem autoridade sobre nós, passa a assumir a responsabilidade por atos que seriam nossos, ou por atos que cometemos como consequência daquela autoridade [...] Ao mesmo, tempo que a submissão traz
  • 8. um aspecto negativo, é também fonte de certa positividade, pois permite à pessoa a leveza de não precisar assumir a responsabilidade sobre os atos” – p. 294 - Liberdade é um fardo, portanto, segundo o autor existem 3 fugas principais da liberdade: “o autoritarismo, onde decorre aquela dissolução do ego no ego coletivo – na perspectiva psicológica – do ponto de visto político; a destrutividade, uma compulsão psicológica, uma tentativa de eliminar o mundo, para não ser eliminado por ele; e o conformismo, que através do alheamento leva a uma vida mecânica, conformada, sem criatividade, que reproduz indefinidamente a mesmice, sem nenhum comprometimento com a singularidade e com a mudança” – p. 297 - “Uma vida libertária e autônoma implica na negação do poder e no assumir de responsabilidades individuais e sociais” – p. 297 - “É na busca por segurança que se estabelece o poder”. “Se não delegamos nada a ninguém, vivemos permanentemente em risco, [...] risco é sinônimo de liberdade” – p. 297 e 298 - Resposta à primeira pergunta: “É pedagogia do risco, pois ao mesmo tempo em que preocupa-se em criar condições estruturais para que cada um dos indivíduos desenvolva sua singularidade, procura também trabalhar o processo de modo que dele brote a liberdade, como construção coletiva do grupo de indivíduos [...] Este é o sentido da educação anarquista no seio da sociedade capitalista, a criação de indivíduos críticos, conscientes e criativos, abertos para a amplitude social, e mais do que isso, em perfeita relação com ela. Tem função, portanto, de criar o novo, o diferente, quebrar estruturas de reprodução da sociedade e, com isso, criar polos de resistência e focos de desenvolvimento de uma revolução social [...] e essa revolução deve ser permanente” – p. 300-301 - “A educação é praticada pela sociedade como um todo, e não apenas pela escola” – p. 305
  • 9. O QUE ME INSTIGA É O PEGA-PEGA: UM POUCO SOBRE A POÉTICA DO PIÁ – Celso, Karin, Isabelle e Roger do PIÁ - “...a primeira característica observável na atividade de uma criança é movimento. Ao movimentar-se no espaço por um determinado período de tempo, a criança cria e exercita um tempo que se estende como se derramasse no espaço. O constante impulso para agir é o que leva a criança a conhecer o mundo. Para a criança ainda não existe a noção de EU e o MUNDO estando ela (corpo) mergulhada no mundo (outro) nada se dissocia. Em seus movimentos a criança, inconscientemente, descobre e toma posse do seu corpo, experimenta e cria seus contornos, percebe e apreende o que seria o primeiro mundo exterior que lhe é apresentado. A criança dorme para dentro do seu próprio corpo.” - PAVIS: “O performer realiza a encenação do seu próprio eu” - “Percebê-las [a criança] para saber o que elas estão expressando de si mesmas, e refletir como e o que pode fazer o adulto para garantir e potencializar a construção do desenvolvimento e aprendizado por elas próprias” - “... o verdadeiro encontro com o outro pressupõe o encontro consigo mesmo” - “A brincadeira é o território espontâneo de experiências simbólicas e poéticas onde a criança se mostra envolvida, vigorosa e intensamente presente em sua ação que transborda de sentido”
  • 10. FAZER SURGIR ANTIESTRUTURAS Marina Marcondes Teatralidades, Corporalidades, Espacialidades, Musicalidades ou tudo junto - infância: um grande momento de liberação de maneiras de ser e estar, de nonsense, bem como de grande poder de dramaticidade, seja no campo cômico, seja no campo trágico, tragicômico, e assim por diante. P. 2 - como pode ter análise crítica sem análise de contexto? P. 5 - Abordagem em espiral. P. 6 “Bagunçar um pouco a linearidade das especificidades das quatro linguagens, que, se trabalhadas de modo integrado, podem tornar-se uma só” - work in process (trabalho em processo). P. 7 - Poiéses: “Há nessa palavra, uma densidade metafísica e cosmológica que precisamos ter em vista. Significa um produzir que dá forma, um fabricar que engendra, uma criação que organiza, ordena e instaura uma realidade nova, um ser”. P. 8 - Ateliers Livres: experienciação, criação, novidade, expressividade, vida. P. 7 e 8 - Liberdade para performar: “o saber não pertence ao educador, não reside em sua formação, técnicas e conhecimento; o saber encontra-se entre ele e seus alunos”. P. 11 - “Nossa noção de infância e de juventude em diálogo com nossa noção do que é Arte conversam conosco e com nossos alunos o tempo todo, ruidosa ou silenciosamente”. P. 11 - “criança sociológica [conceito de Sarmento]. O cerne desta noção de infância está em propor pensar as crianças como seres sociais que integram um grupo social distinto”. P. 12 - “Se sabemos exatamente o que vamos fazer, para que fazê-lo?” Picasso
  • 11. - “... a partir de tudo que pensamos ser importante ensinar, sim, como adultos responsáveis por seus processos de mergulho na educação estética, mas sem nunca deixar de prestar atenção a tudo aquilo que a convivência com elas está nos ensinando em contrapartida, em correlação, como correntezas de um mesmo rio, em transformação, em curso permanente” p. 18 - “... importantes fundamentos: ensino e sou ensinado por meus alunos; meus alunos não são ‘folhas de papel em branco’, possuem herança cultural e biografia anterior ao encontro comigo e com as aulas de Arte... E será desse ‘material’ entre mundos, entre corpos, entre tempos e espaços que projetos serão criados. As intervenções serão interessantes quanto mais revelarem algo sobre quem é o professor de Arte. Essa busca do ‘quem’ também significa a busca de um ‘olhar antropológico’: conexão onde quem educa e quem é educado são parte de um mesmo contorno, uma mesma partitura: a partitura relacional”