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UNIVERSIDADE LUSÓFONA DE HUMANIDADES E TÉCNOLOGIAS

Treino das Capacidades
Motoras e TécnicoTácticas
Manutenção da posse de bola -Passe
Rui Horta
03/01/2014

“Uma acção de jogo é, uma relação funcional entre o jogador e o contexto situacional em que se
encontra, no qual se desenvolve um conjunto de recursos específicos, com o intuito do
cumprimento de objectivos estratégicos e tácticos.” (Castelo, 2009)
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Treino das Capacidades Motoras e Técnico-Tácticas

Índice
Temática ........................................................................................................................................ 2
Objectivos do trabalho .................................................................................................................. 3
Revisão Bibliográfica ..................................................................................................................... 4
Jogos desportivos colectivos ..................................................................................................... 4
Futebol ...................................................................................................................................... 4
Manutenção de posse de bola .................................................................................................. 5
Subsistema Táctico/Técnico ...................................................................................................... 6
Passe.......................................................................................................................................... 8
Definição ............................................................................................................................... 8
Execução................................................................................................................................ 8
Opções tácticas dos jogadores no passe ............................................................................... 9
Análises ............................................................................................................................... 10
Combinações Tácticas ............................................................................................................. 11
Caracterização do Jogo de Futebol ......................................................................................... 12
Resistência Específica .............................................................................................................. 13
Efeito da fadiga no passe ........................................................................................................ 14
Proposta de Trabalho .................................................................................................................. 15
Bibliografia .................................................................................................................................. 20

Rui Alexandre Horta Vieira - 21303425
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Treino das Capacidades Motoras e Técnico-Tácticas

Temática
O futebol é provavelmente o desporto mais popular do mundo. Apesar da sua
natureza universal e a sua história se estender à mais de cem anos, ainda existem muitas
incertezas quanto às suas exigências multidimensionais (fisiológicas, psicológicas,
biomecânicas) e, portanto, quanto ao planeamento do treino ideal. Na verdade, este jogo
é muito complexo, porque o terreno de jogo é substancialmente grande (cerca de 100 x
60 m), a bola é controlada com os pés e com a cabeça e podem haver interacções com
os onze companheiros de equipa e entre os onze adversários, quase todos com diferentes
papéis no jogo (Aguiar, Botelho, Lago, Maças, & Sampaio, 2012).
Este trabalho foi realizado no âmbito da unidade curricular de Treino das
Capacidades Motoras e Técnico-Tácticas, e tem como objectivo desenvolver um estudo
sobre uma acção técnica ou situação técnico/táctica.
A situação técnico/táctica escolhida é a manutenção de posse de bola com o
foco na acção técnica de passe para a realização da mesma.

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Treino das Capacidades Motoras e Técnico-Tácticas

Objectivos do trabalho

Este trabalho foi desenvolvido com objectivos, sendo que pode ser definido um
objectivo geral e um objectivo específico. Como objectivo geral, este trabalho tem uma
importância no aumento da base teórica sobre o futebol, e sobre o tema escolhido,
nomeadamente, o passe e a manutenção de posse de bola. O objectivo específico deste
trabalho assenta numa melhor compreensão da prescrição de exercícios para o
desenvolvimento do passe para a manutenção de posse de bola, procurando criar
exercícios de treino que aperfeiçoem esta situação técnico/táctica e a sua acção técnica
inerente (o passe), partindo de uma situação mais analítica para situações de maior
complexidade, com um crescendo da intenção táctica adjacente ao exercício e ao seu
objectivo.

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Treino das Capacidades Motoras e Técnico-Tácticas

Revisão Bibliográfica
Jogos desportivos colectivos

Os jogos desportivos colectivos podem ser caracterizados, entre outros factores,
pela preeminência da aciclicidade técnica, por solicitações e efeitos acumulativos,
morfológicos-funcionais e motores e por uma elevada participação psíquica.
(Teodorescu, 2003). “Os jogadores necessitam de manter uma permanente atitude
táctico-estratégica atendendo ao vasto leque de acontecimentos cuja frequência,
ordem cronológica e complexidade não podem ser previstas antecipadamente nos
Jogos Desportivos Colectivos” (Graça & Oliveira, 2005).
“O futebol é um jogo desportivo colectivo, no qual os jogadores estão agrupados
numa relação de adversidade – rivalidade desportiva, numa luta incessante pela
conquistada posse da bola com o objectivo de a introduzir o maior número de vezes
na baliza adversária e evitá-los na sua própria baliza, com vista à obtenção da
vitória” (Castelo, 2009). O mesmo autor refere, que ao longo da sua existência, esta
modalidade tem sido ensinada, treinada e investigada, à luz de diferentes
perspectivas, as quais deixam perceber concepções diversas a propósito do conteúdo
do jogo e das características que o ensino e o treino devem assumir, na procura da
eficácia. O desenrolar do jogo de Futebol encerra um conjunto diversificado de
situações momentâneas do jogo que por si só, representam uma sucessão de
acontecimentos imprevisíveis. Os jogadores perante as situações – problema que
lhes sucedem no decorrer do jogo, têm de tomar decisões certas no meio uma grande
imprevisibilidade. Perante isto, é necessário que o processo de treino decorra cada
vez mais da reflexão metódica e organizada da análise competitiva do conteúdo do
jogo, ajustando-se e adaptando-se a essa realidade. Este contexto orienta
irremediavelmente a forma de encarar a prática, não sendo esta reduzida à “simples”
alternância entre a carga (esforço) e descanso (regeneração). Daí a necessidade desta
assentar numa base teórica – prática formulada e fundamentada a partir da análise
do seu conteúdo, pois só assim, podemos intervir eficientemente nessa realidade
competitiva. De forma a elaborar uma actividade metodológica – sistemática e
diferenciada, e definir igualmente os fundamentos pedagógicos do seu ensino
(Castelo, 1994)

Futebol
Segundo Garganta (1997) o jogo de futebol decorre da natureza do confronto
entre dois sistemas dinâmicos complexos, as equipas, e caracteriza-se pela alternância
de ordem e desordem sucessiva, estabilidade e instabilidade, uniformidade e variedade,
sendo que o futebol é “um desporto colectivo que opõe duas equipas formadas por 11
jogadores num espaço claramente definido, numa luta incessante pela conquista da
posse de bola com a finalidade (objectivo) de a introduzir o maior número de vezes
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Treino das Capacidades Motoras e Técnico-Tácticas

possível na baliza adversária (marcar golo) e evitar que esta entre na sua própria baliza
(Castelo, 2009).
Além da relação de oposição entre as equipas em confronto, existe uma relação
de cooperação entre os elementos da mesma equipa, cooperação essa que ocorre num
contexto aleatório e volátil que traduz a essência do jogo (Garganta & Pinto, 1994).
Apesar do jogo de futebol ter uma aparente simplicidade na sua finalidade,
marcar golo e evitar golo, este contém em si uma ampla e complexa variedade de
variáveis quer do domínio técnico, táctico, físico, psicológico e social que se
condicionam mutuamente, complica-se ainda mais pela variedade de estratégias préestabelecidas e através da aplicação de medidas tácticas, consequentes das alterações
previstas ou não, que ocorrem durante um jogo (Castelo, 2009).
No entender de Teoduresco (1984) uma equipa pode ser considerada como um
sistema, “uma vez que as acções dos jogadores são integradas numa determinada
estrutura, segundo um determinado modelo, de acordo com certos princípios e regras;
tem uma determinada funcionalidade uma vez que o objectivo visado e a repartição das
missões de cada jogador são coordenadas com as dos outros companheiros
(organização); é um sistema dinâmico, uma vez que tem a capacidade de autoregulação, portanto, de se adaptar às situações (factores de perturbação, isto é, acções
dos adversários) sem se desorganizar com facilidade”.

Manutenção de posse de bola
A posse de bola é a capacidade do jogador ou equipa de estar no controlo da
bola contra o adversário, com resultado em: habilidades, velocidade e confiança, apesar
da pressão do adversário (Amuchie & Amodu, 2002). Por outras palavras, é a
habilidade e a capacidade de jogadores de uma equipa para manter a posse de bola o
maior tempo que puder, enquanto a equipa adversária tenta recuperar a posse de bola.
A posse de bola tem de ser vista como o primeiro passo para o desenvolvimento
e culminação do processo ofensivo. Usufruir da posse de bola é condição fundamental
para a concretização dos objectivos fundamentais do ataque: a progressão/ finalização e,
a manutenção de posse de bola. A manutenção da posse de bola pressupõe evitar o risco
irracional presente em alguns jogadores que, em diferentes circunstâncias do jogo,
perdem a posse de bola. Agindo desta forma, estes comprometem todo um esforço
colectivo que, determinou a sua recuperação, bem como, todos os comportamentos de
carácter ofensivo até esse momento executados (Castelo, 2009).
“Em função de um conjunto de circunstancialismos inerentes ao próprio jogo,
independentemente da dimensão estratégica e táctica (plano) da equipa para essa
partida, a resolução de diferentes contextos situacionais prever a impossibilidade
temporária de se progredir ou, de se atacar a baliza adversária em condições que
possibilitem, um sucesso mínimo aceitável. Neste sentido, não havendo ou não se
percepcionando essas condições mínimas, os jogadores devem manter a posse de bola,
de forma, a temporizar o processo ofensivo até que essas condições se reúnam. Assim, a
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Treino das Capacidades Motoras e Técnico-Tácticas

maximização deste objectivo até que essas condições se reúnam. Assim, a maximização
deste objectivo pressupõe: (i) avaliar e resolver as situações de jogo, em função do
binómio risco/segurança, (ii) quebrar o ritmo de jogo do adversário e, (iii) controlar a
iniciativa do jogo.
(1) Avaliar e resolver as situações de jogo em função do binómio
risco/segurança. Cada jogador quando intervém sobre a bola, deverá
percepcionar e avaliar prognosticamente de forma realista, quais as
vantagens e desvantagens, para os objectivos tácticos da sua equipa, da
execução deste ou daquele comportamento. Assim, dentro de um leque mais
ou menos largo de opções. É preferível uma acção táctico/técnica “a mais”
do que, uma acção que entregue a bola ao adversário. Logo, uma
determinada intervenção táctico/técnica pode não constituir a solução mais
adequada para uma dada situação momentânea de jogo, mas permite à
equipa manter a posse de bola que, é sempre um aspecto positivo.
(2) Quebrar o ritmo do jogo adversário. Os jogadores deverão ter o sentido e a
sensibilidade táctica de, em certas situações de jogo, terem que quebrar o
ritmo de jogo do adversário. Para que isso aconteça, assumem
comportamentos que, imprimam um ritmo mais conveniente à sua própria
equipa. Ou, criar uma falsa noção de ritmo que, proporcione uma acentuação
da iniciativa do ataque, através de acções colectivas realizadas em
profundidade, aproximando-se da grande área adversária, a partir da qual se
circula a bola em termos de largura, utilizando os jogadores dos sectores
mais recuados.
(3) Controlar a iniciativa do jogo. Assumir uma iniciativa constante e agressiva
de jogo é um dos pressupostos fundamentais para: (i) surpreender o
adversário, (ii) cansá-lo fisicamente, (iii) obriga-lo a jogar sobre uma grande
pressão psicológica e, por último (iv) criar condições favoráveis, para que a
equipa adversária evidencie situações de crise de raciocínio táctico. ”
(Castelo, 2009).

Subsistema Táctico/Técnico
“Qualquer actividade humana, nos seus diferentes domínios, suporta-se numa
determinada racionalidade que, é genericamente dominada de procedimento técnico.
Com efeito, durante a actividade competitiva, o desempenho de um jogador ou de uma
equipa, consiste sempre na unidade entre a tomada de decisão e a execução de uma
acção ou acções sucessivas, bem como, o resultado objectivo dessa ou dessas acções.
Em competição ou em treino, quando referimos que, este ou aquele jogador tem uma
boa técnica, procuramos evidenciar que, a sua forma de resolver as diferentes
contextualidades situacionais é: (i) mais precisa, mais segura e mais económica
relativamente à acção em si (eficiência da acção) e, (ii) coerente e adaptada
relativamente aos comportamentos dos restantes colegas, numa dimensão estratégica
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Treino das Capacidades Motoras e Técnico-Tácticas

pré-concebida em função das circunstancias que envolvem a competição e, táctica
estabelecida pelas conjunturas de cada situação de jogo (eficácia da acção) ” (Castelo,
2009).
Técnica e táctica do jogo de futebol têm uma importância essencial na
preparação global de jogadores de futebol. É por isso que surge a necessidade de
identificação dos elementos técnicos e tácticos do jogo de futebol, que são realizados
com alto grau de eficiência (Jankovic, Leontijevic, Jelusic, & Pasic, 2010).
O subsistema táctico/técnico deriva da noção de organização dinâmica de uma
equipa de futebol, é definido pelos procedimentos accionados na fase de ataque ou de
defesa pelos jogadores individualmente ou colectivamente na procura de solucionar
situações de jogo. Os jogadores são condicionados interiormente pelos processos
cognitivos, fisiológicos, afectivos e motores, e exteriormente pelas condições
contextuais da situação, que é suportado pelas Leis que definem os comportamentos do
jogo de futebol (Castelo, 2009).
“Uma acção de jogo é, uma relação funcional entre o jogador e o contexto
situacional em que se encontra, no qual se desenvolve um conjunto de recursos
específicos, com o intuito do cumprimento de objectivos estratégicos e tácticos. Nesta
perspectiva as acções táctico/técnicas são um meio para atingir um fim, sendo o
culminar de um processo psico-fisiologico, sistematicamente treinado, em
conformidade com as Leis de jogo, com o intuito de atingir um rendimento individual e
colectivo máximo.” (Castelo, 2009).
“Os níveis do subsistema procedimental fundamenta-se essencialmente nos
diferentes níveis de formação e rendimento de uma equipa, a qual reflecte, em função
das situações de jogo, uma organização elementar e complexa que, assenta em acções,
as quais procuram a execução de comportamentos de carácter: (i) individual e, (ii)
colectivo.
Acções individuais ofensivas e defensivas – a execução de um complexo de
procedimentos táctico/técnicos, que objectivam de imediato a resolução das situações de
jogo.
Acções colectivas ofensivas e defensivas – a execução de um complexo de
procedimentos que objectivam: (i) a coerência de movimentação e, uma ocupação
racional do espaço de jogo, (ii) a resolução temporária das situações tácticas de jogo e,
(iii) as soluções estereotipadas das partes fixas do jogo.”(Castelo, 2009)
O vocábulo técnica é entendido por Garganta como sendo um conjunto de
processos bem definidos e transmissíveis que se destinam à produção de certos
resultados. No Futebol, as técnicas constituem acções motoras especializadas que
permitem resolver as tarefas do jogo (Garganta, 2002).
Para Garganta and Pinto (1994) “a aprendizagem dos procedimentos técnicos
constitui apenas uma parte dos pressupostos necessários para que, em situação de jogo,
os praticantes sejam capazes de resolver os problemas que o contexto específico lhes
coloca. Desde os primeiros momentos da aprendizagem, importa que os praticantes
assimilem um conjunto de princípios que vão do modo como cada um se relaciona com
o móbil do jogo (bola), até à forma de comunicar com os colegas e contra comunicar
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Treino das Capacidades Motoras e Técnico-Tácticas

com os adversários, passando pela noção de ocupação racional do espaço de jogo”.

Passe
“O passe consiste numa transmissão do móbil de jogo entre os elementos da
mesma equipa na fase ofensiva. Nessa medida, constitui um meio que une as intenções
dos jogadores e traduz a coesão ofensiva de uma equipa (Wrzos, 1984), razão pela qual,
em alguns casos, funciona como um indicador importante para a caracterização do estilo
e método de jogo praticados.” (Garganta, 1997)
Definição

“Entendemos por passe, a acção táctico/técnica de relação de comunicação material
(com bola), estabelecida entre dois jogadores da mesma equipa. Neste âmbito, o passe é
a acção de relação colectiva mais simples de observar e executar. A acção tácticotécnica de passe é, considerado o elemento básico de colaboração entre os jogadores de
uma mesma equipa (os quais devem possuir uma ampla “bagagem técnica”, formada
por diferentes tipos de passe), sendo imprescindível para a consecução dos objectivos
tácticos do ataque. O passe é, sem duvida, a acção predominante no jogo de futebol. Em
80% das situações em que o jogador está de posse de bola, a sua intenção é de a passar a
outro companheiro. Nas restantes situações, dribla, finta, conduz, simula ou remata.”
(Castelo, 2009).
Execução

“Segundo Hughes (1990) “nada destrói tão rapidamente a confiança de uma equipa
como um passe impreciso, nada constrói tão rapidamente a confiança de uma equipa
como um passe preciso… não existe nenhum substituto para uma boa acção técnica de
passe e não existe nenhuma estratégia que resista a passe imprecisos”. A execução
táctico/técnica do passe é baseada numa atitude que, procura levar o centro do jogo
rapidamente em direcção à baliza adversária, consubstanciando dois aspectos essenciais:
(i) táctico e, (ii) técnico.
Táctico- Seleccionar o passe. É determinado pela análise da situação
momentânea de jogo que, por si estabelecerá, o objectivo táctico da execução do passe.
Esta análise é baseada em cinco factores: 1- posição dos companheiros. A existência ou
não, de atacantes posicionados ou preparados para explorar espaços vitais do terreno de
jogo, de forma a poderem concretizar o desenvolvimento ou a concretização do ataque;
2- posição dos adversários. Consubstancia o nível de organização defensiva e, a
possibilidade de se poder tirar vantagem da sua precariedade; 3- zona do terreno de
jogo. Onde se calcula a relação entre o risco e a segurança da execução da acção
(observa-se a diminuição percentual da execução deste procedimento à medida que o
centro de jogo se aproxima da baliza adversária). Neste sentido, 60% dos passes são
executados no meio campo, devendo-se ao facto destas zonas do terreno de jogo se
constituírem como espaços preferenciais para a preparação e, construção das acções
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Treino das Capacidades Motoras e Técnico-Tácticas

ofensivas. Complementarmente, os jogadores quando perto da baliza adversária têm que
encontrar e executar outros procedimentos, tais como o drible/finta ou simulação que,
consubstanciam a procura de criação de vantagens para a concretização eficiente do
processo ofensivo; 4- conhecer os limites da sua capacidade. O atacante deve saber os
limites das suas capacidades de forma a não executar acções para as quais não está
habilitado. Assim, mesmo que a decisão seja a mais correcta para determinada situação
de jogo, importa, fazê-la corresponder às suas verdadeiras capacidades de execução do
passe seleccionando e, 5- objectivos tácticos da equipa. Estes pressupostos
compreendem um largo conjunto de factores tais como, o resultado numérico
momentâneo do jogo, do tempo de jogo, quebra do ritmo de jogo do adversário,
temporizar para que os companheiros se desloquem para certas posições, as quais
determinem um elevado nível de organização ofensiva. Assim, há que adequar
tacticamente a acção de passe em função dos objectivos momentâneos da equipa.
Técnico- executar o passe. É determinado pela execução propriamente dita desta acção.
Neste sentido existem cinco factores fundamentais para a execução do passe: (i)
simular. O atacante deverá simular a sua verdadeira intenção táctica, produzindo um
conjunto de “falsos sinais”, contribuindo assim para que os defesas adoptem
posicionamentos inadequados à situação do jogo, (ii) tipo de passe a executar. O tipo de
passe depende, largamente, da intenção táctica pré-estabelecida pelo atacante. Assim,
este poderá ter uma amplitude longa ou curta, uma trajectória alta ou rasa, ser executada
com ou sem efeito, (iii) tempo de passe. Um passe executado no tempo correcto põe o
companheiro (receptor), numa posição de máxima vantagem e, naturalmente, torna o
trabalho defensivo mais difícil e complexo, (iv) potência do passe. Um passe eficaz
atinge o alvo a uma velocidade, que não cria problemas acrescidos ao companheiro na
recepção da bola. Se isto não acontecer, irá ter consequências marcantes, não só, na
relação de comunicação entre os dois jogadores, como na diminuição da fluidez e ritmo
do processo ofensivo e, (v) precisão do passe. Este factor determina se o companheiro
(receptor), tem ou não, que modificar a direccionalidade e o objectivo do seu
comportamento para recepcionar a bola. A precisão não é tudo no passe, mas tudo o
resto, não tem qualquer significado se o passe for impreciso.” (Castelo, 2009)
Opções tácticas dos jogadores no passe

Castelo (2009) definiu que “a acção técnico-táctica de passe é um meio para atingir
um fim”, o que nos leva a uma cascata de decisão relativa a uma ordem de prioridades
da sua dimensão estratégico-táctica:
1- Passar a bola para um espaço entre a linha defensiva e a linha final do terreno de
jogo, desde que haja companheiros preparados para explorar esse espaço e
rapidamente atacar a baliza adversária.
2- Passar a bola a um companheiro, que esteja posicionado de forma profunda no
ataque, desde que tenha apoio/cobertura por parte dos seus colegas, evitando-se
assim, situações de inferioridade numérica.

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Treino das Capacidades Motoras e Técnico-Tácticas

3- Passar a bola a um companheiro pondo o máximo de adversários à frente da
linha da bola, isto é, impossibilitando que estes se posicionem entre a bola e a
sua própria baliza.
4- Passar a bola mudando rapidamente o ângulo de ataque, proporcionando largura
e profundidade a este processo e simultaneamente procurar desequilibrar a
organização defensiva adversária.
5- Passar a bola para trás (na direcção da sua própria baliza) como ultimo recurso,
devido ao facto deste estar pressionado pelos adversários, não ter nenhuma outra
opção ou que o colega a quem passar a bola está em melhores condições para
cumprir os objectivos tácticos momentâneos da equipa. (Castelo, 2009)

Análises

Segundo Castelo (2009) “todas as superfícies corporais podem ser executadas
para a execução desta acção táctico/técnica, mas os mais utilizados são: os pés (parte
interna, externa e peito do pé), a cabeça e as mãos (pelo guarda-redes dentro da sua
grande área e no lançamento de linha lateral). O emprego da melhor superfície para
passar a bola, será função da situação de jogo, da direcção, precisão e velocidade que
queiramos transmitir-lhe. Assim, quanto maior for a área de impacto, maior será a
precisão do passe, mas menor será a distancia que a bola poderá percorrer. Logo, quanto
menor for a superfície de contacto, menos preciso será a acção, mas maior será a
distância a que a bola poderá ser lançada. Portanto, a parte do pé que oferece maior
precisão é a parte interna e, a que permite lançar a bola a uma maior distância é, o peito
do pé, se não considerar-mos a ponta do pé. Observa-se que a parte interna do pé é
preponderante e fundamental em qualquer zona, sector ou corredor do terreno de jogo,
em relação a todas as outras formas de contacto na execução de um passe. A parte
interna do pé é, a superfície corporal de contacto que imprime e transmite uma maior
precisão, eficácia e segurança a esta acção táctico/técnica. Todavia, verifica-se uma
diminuição de utilização desta superfície corporal (cerca de 23%), à medida que o
centro do jogo se aproxima da baliza adversária. Este facto pode ser explicado pela
necessidade dos jogadores terem de utilizar outras partes do pé, adaptando-se rápida e
eficientemente, em função das exigências prementes e determinantes da situação de
jogo (p. ex.: a utilização do calcanhar), ou de imprimirem uma maior velocidade e
potencia à acção de passe (p. ex.: o peito do pé). Outro aspecto importante ligado às
análises da acção de passe é, a relação privilegiada entre os jogadores. Assim observa-se
que o guarda-redes recebe, fundamentalmente passes dos defesas (59%). Os defesas dos
médios (46%) e os jogadores médios recebem fundamentalmente, passes dos
companheiros do mesmo sector (42%). Os jogadores avançados recebem
fundamentalmente passes dos médios (54%).”

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Combinações Tácticas
Podemos considerar as combinações tácticas como um aspecto fundamental para
a manutenção da posse de bola, sendo estas definidas segundo Castelo (2009) como: “a
coordenação das acções individuais de natureza ofensiva, de dois ou três jogadores,
desenvolvidos no absoluto respeito pelos princípios do ataque, (gerais e específicos).
Visando a resolução de uma tarefa parcial (temporária) específica do jogo e,
assegurando a criação de condições mais favoráveis (analogamente aos deslocamentos
ofensivos), tem termos numéricos, espaciais e temporais.”.
O objectivo das combinações tácticas, é, a resolução táctica das situações
momentâneas do jogo, criando assim condições favoráveis à realização dos objectivos
do processo ofensivo. Esta acção tem como objectivo: colocar atacantes em espaços
vitais e livres de oposição; romper o equilíbrio ou manter o desequilíbrio da organização
defensiva da equipa adversária; e reorganizar constantemente o método defensivo
adversário, que tem como consequência um nível maior de empenho físico e mental dos
seus jogadores. (Castelo, 2009)
As combinações tácticas podem ser classificadas como combinações simples,
combinações directas e combinações indirectas.
“Combinação simples (combinações a dois ou “passa-e-sai”). A realização das
combinações tácticas simples, são consumadas de forma que: (i) o portador da bola fixa
a acção do adversário directo (penetração), (ii) executa um passe a um companheiro,
que consubstancia um deslocamento ofensivo de apoio, seguido de um deslocamento
imediato (passar e mover), para um espaço ou posição facilitadora e favorável para
receber a bola.
Combinação directa (um-dois ou passa-e-sai). A realização das combinações
tácticas directas, são consumadas de forma que: (i) o portador da bola fixa a acção do
adversário directo (penetração), (ii) execução de um passe a um companheiro que
consubstancia um deslocamento ofensivo de apoio, seguido de um deslocamento
imediato (passar e mover) para um espaço ou posição facilitadora e favorável para a
recepção da bola e, (iii) devolução da bola ao portador inicial.
Combinação indirecta (combinações a três jogadores). A utilização de
combinações simples (a dois), são muitas vezes difíceis de concretizar, face às grandes
concentrações de jogadores ou à falta de espaços livres. São assim fáceis de anular
sempre, que a cobertura defensiva é assegurada. De modo a garantir um maior
desequilíbrio na organização defensiva, integra-se mais um jogador, realizando uma
combinação a três, que abre mais possibilidades. Em função da iniciativa (selecção de
uma opção), da circunstancia (local da acção espaço) e, da colocação ou posicionamento
sobre o terreno (posição relativa dos adversários baliza): (i) o portador da bola fixa a
acção do adversário directo (penetração), (ii) execução de um passe a um companheiro
que consubstancia um deslocamento ofensivo de apoio, seguido de um deslocamento
imediato (passar e mover) para um espaço ou posição facilitadora e favorável para a
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Treino das Capacidades Motoras e Técnico-Tácticas

recepção da bola e, (iii) devolução da bola, não ao portador inicial, mas a um 3º jogador
cuja situação favorável resulta de um benefício directo (fruto da acção que
desencadeou) e, um benefício indirecto (fruta da acção desenvolvida pelo primeiro
portador da bola).” (Castelo, 2009).
Os meios de suporte às combinações tácticas resultam essencialmente nos
deslocamentos ofensivos de apoio. As combinações são complementadas com a
introdução de mudanças de ritmo e direcção, as quais assumem consequências muito
acentuadas no equilíbrio defensivo adversário, quer por, resultarem em situações em
que o jogador de posse de bola fica livre de marcação, e por permitirem criar no
momento situações de superioridade numérica nas unidades funcionais da equipa
(Castelo, 2009).

Caracterização do Jogo de Futebol
O futebol incorpora períodos de exercício de alta intensidade intercalados com
períodos de exercício de baixa intensidade (Svensson & Drust, 2005). Ekblom (1986),
Reilly & Doran (2003) e Reilly & Thomas (1976) citados por (Svensson & Drust,
2005) referem que as demandas fisiológicas do futebol exigem que os jogadores para
serem competentes, a sua aptidão física deve incluir potência aeróbia e anaeróbia,
força muscular, flexibilidade e agilidade.
O futebol é um desporto intermitente que se caracteriza por aproximadamente
1200 mudanças acíclicas e imprevisíveis de actividade (todas entre 3 a 5 segundos),
envolvendo, entre outros, 30 a 40 sprints, mais de 700 mudanças de direcção, e 30 a 40
“tackles” e saltos. Além disso, o jogo requer outras acções intensas como
desacelerações, remates, dribles, e “tackles”. Todos estes esforços impostos aos
jogadores contribuem para tornar o futebol fisiologicamente muito exigente. Análises
revelaram que os jogadores de futebol de primeira classe realizam 2 a 3 Km de alta
intensidade de execução (> 15 km/h) e aproximadamente 0,6 quilómetros de sprint (>
20 km/h). Além disso, estas distâncias de corrida e sprint correspondem,
respectivamente, a 28% e 58% mais que os níveis de jogadores de nível moderado
profissionais (Iaia, Rampinini, & Bangsbo, 2009). A distância total percorrida durante
um jogo é 10.86±0.18km para jogadores de topo e 10.33±0.26km para jogadores de
nível moderado (Mohr, Krustrup, & Bangsbo, 2003). As equipas menos bem sucedidas
apresentam maiores decréscimos na distância total de sprint percorrida durante uma
partida, o que sugere que a capacidade de realizar actividades de alta intensidade ao
longo de um jogo é muito importante. Cada uma das posições de jogo é caracterizada
pelo seu próprio perfil de actividade e diferentes requisitos tácticos em relação ao
movimento da bola. Os defesas centrais percorrem menos distância a alta intensidade de
execução, enquanto os avançados realizam mais sprints e um número maior de
actividade de alta intensidade, quando a equipa detém a posse de bola do que os médios
centro e os defesas. Durante a segunda parte do jogo, a distância total e de alta
intensidade sofre uma queda acentuada, com a quantidade de esforços de alta
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Treino das Capacidades Motoras e Técnico-Tácticas

intensidade a apresentarem valores 20% a 40% menores nos últimos 15 minutos do jogo
em comparação com os 15 minutos iniciais. Um maior decréscimo na corrida é
observado quanto mais actividade for realizada na primeira parte do jogo. Estes
resultados indicam que os jogadores apresentam níveis de fadiga no final de um jogo e,
esporadicamente, durante um jogo (Iaia et al., 2009). A fadiga também pode ter um
impacto negativo na precisão, com os jogadores menos aptos a mostrar uma
deterioração mais acentuada no desempenho técnico (Rampinini et al., 2007). Segundo
Mombaerts (1991) 61% do trabalho em jogo é realizado com predomínio da fonte
aeróbia, com valores de VO2max de 60% a 75% e com velocidade de 3 a 10Km/h; 24%
do trabalho é desenvolvido no limiar anaeróbio conforme a qualidade atlética do
jogador com valores de 80% a 85% do VO2max e 10 a 17Km/h; cerca de 14% do
trabalho é desenvolvido utilizando a capacidade anaeróbia aláctica, em “sprints” curtos
de 2 a 3 segundos (10-15m) com velocidades compreendidas entre os 18 e 27Km/h. O
mesmo autor alertou para o facto de ao longo dos anos haver uma evolução no volume
de “sprints” curtos: 1947 (71); 1970 (145); 1985 (185); e 1989 (195). Mombaerts (1991)
afirma que 50% do tempo de jogo se joga sem bola. No tempo que se joga com bola as
acções desenvolvidas são: passes (33%); domínio e controlo de bola (20%); duelos 1x1a
nível do terreno de jogo (20%); duelos 1x1 aéreos (10%); esquemas tácticos (10%);
intercepções (5%); e remates (2%). Agnevik (1975) e Jacobs (1982) citados por
Mombaerts (1991) constataram a existência de uma depleção quase completa dos
“stocks” de glicogénio no final do jogo, relativamente aos dois tipos de fibras
musculares. Esta “depleção” tem implicações ao nível da força muscular, prestação
técnica e prestação motora ao nível das distâncias e intensidades dos deslocamentos.

Resistência Específica
Os jogos reduzidos podem ser usados como um modo eficaz de treino para
melhorar a aptidão aeróbica e performance de jogo em jogadores de futebol. Não foram
encontradas diferenças entre o treino específico e genérico (treino intervalado), a
escolha do modo de treino aeróbio deve ser baseado principalmente na necessidade
prática. Por exemplo, jogos reduzidos podem ser uteis para o treino de aptidão aeróbia e
componentes táctico-técnicas simultaneamente. Este factor pode ser uma vantagem
especialmente para jovens jogadores de futebol, promovendo a melhoria das habilidades
motoras específicas do desporto. Além disso, o uso de jogos reduzidos aumenta a
motivação dos jogadores e faz com que o treino aeróbio de alta intensidade seja mais
aceitável da parte dos jogadores (Impellizzeri et al., 2005).
Para preparar fisicamente um jogo, o planeamento do treino deve incluir várias
actividades físicas específicas, como jogos modificados, treino táctico e treino técnico,
bem como a realização de jogos de preparação (que são partidas de futebol
competitivos) contra equipas adversárias. É evidente que cada actividade física durante
o treino de futebol irá melhorar a condição física dos atletas de diferentes maneiras,
colocando diferentes tipos de cargas fisiológicas aos jogadores (Eniseler, 2005).
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Treino das Capacidades Motoras e Técnico-Tácticas

Os valores mais altos de frequência cardíaca ocorrem durante o jogo de futebol
(frequência cardíaca média = 157 ± 19 b/min), e os valores mais baixos de frequência
cardíaca ocorrem durante o treino técnico (frequência cardíaca média = 118 ± 21
b/min). Além disso, os valores médios da frequência cardíaca durante as actividades de
treino táctico e técnico foram menores do que aqueles apresentados durante o jogo
modificado. A razão para os valores mais altos de frequência cardíaca durante a partida
e actividades de jogos modificados em comparação com os valores durante o treino
táctico e técnico de futebol podem ser justificados porque o jogo é jogado com a
presença física e pressão de um adversário. Os jogadores reagem a este tipo de pressão e
movem-se mais rapidamente durante o jogo, o que resulta em aumento das taxas de
frequência cardíaca (Eniseler, 2005).

Efeito da fadiga no passe
A fadiga relacionada com o jogo induz um declínio na capacidade de realizar um
passe curto. Além disso, um efeito negativo sobre a capacidade de realizar um passe
curto e a sua precisão foi encontrado após curtos períodos de actividade de alta
intensidade. Portanto, a deterioração das habilidades de passe curto podem estar
relacionadas com a fadiga acumulada durante todo o jogo, bem como para a fadiga
aguda resultante das fases de alta intensidade de curta duração (Rampinini et al., 2007).

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Treino das Capacidades Motoras e Técnico-Tácticas

Proposta de Trabalho
Neste capítulo será apresentada uma proposta de trabalho, com exercícios de
treino, planeados para o desenvolvimento do passe para a manutenção da posse de bola.
Os exercícios apresentarão uma ordem de progressão, partindo de um exercício menos
específico e mais analítico, para um exercício com muita especificidade.
O treino do passe não deve ser dissociado das condicionantes do jogo, como o
posicionamento do adversário e dos colegas, pelos que todos os exercícios que se
seguem apresentam oposição e, os exercícios mais específicos devem ter em conta os
princípios específicos do jogo respeitando as suas orientações.

Exercício: Especifico Preparação Geral Manutenção de posse de bola
Objectivo: Técnica de passe; Criação de linhas de passe
Forma: Complementar Integrado
Dominante Técnico-Táctica: Técnica de passe Regime: Resistência específica
Número: 6 (4x2)
Espaço: 20x20 (quadrado)
Orgânica: A equipa de 4 avançados tenta manter a posse de bola, e após realizar 6
passes consecutivos sem nenhum adversário interceptar a bola, a equipa faz um ponto.
Em caso de acontecer uma combinação directa, conta como três passes. Se a equipa que
está a defender recuperar a bola e conseguir fazer um passe conta um ponto para a
equipa defensiva. De 5 em 5 minutos troca a dupla que está a defender e acaba o
exercício quando todos tiverem defendido.
Critérios de Êxito: Criação de linhas de passe laterais e frontais, passe preciso.

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Treino das Capacidades Motoras e Técnico-Tácticas

Exercício: Especifico Preparação Geral Manutenção de posse de bola
Objectivo: Técnica de passe; Manutenção de posse de bola
Forma: Complementar Integrado
Dominante Técnico-Táctica: Técnica de passe Regime: Resistência específica
Número: 12 (4+4x4)
Espaço: 30x30 (quadrado)
Orgânica: A equipa branca mantem a posse de bola e tem de realizar no mínimo 5
passes para poder fazer a bola mudar de zona (para a zona da equipa cinzenta). Da
equipa defensiva apenas dois jogadores realizam pressão, sendo que os outros dois
ficam na área delimitada pelos sinalizadores. Após a bola passar para a zona da equipa
cinzenta os dois jogadores da zona realizam pressão e os dois defesas que fizeram
pressão ficam na zona. Os defesas da zona delimitada podem interceptar a bola aquando
a realização do passe. De 6 em 6 minutos troca a equipa que está a defender. A equipa
que realizar menos transições de zona, arruma o material no fim do exercício.
Variantes: A bola apenas pode ser jogada pelo chão; Passar para uma situação de 5x3.
Critérios de Êxito: Criação de linhas de passe laterais e frontais, passe preciso.

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Treino das Capacidades Motoras e Técnico-Tácticas

Exercício: Especifico Preparação Geral Manutenção de posse de bola
Objectivo: Técnica de passe; Manutenção de posse de bola
Forma: Complementar Integrado
Dominante Técnico-Táctica: Técnica de passe Regime: Resistência específica
Número: 8 (3+2Jx3)
Espaço: 35x25 (rectângulo)
Orgânica: A equipa vermelha mantem a posse de bola e tem de realizar no mínimo 4
passes entre os jogadores de campo (passe para os jokers não conta) para poder fazer a
bola mudar de sector (transição de sector tem de ser feita pelas portas de entrada e o
passe tem de ser realizado por um jogador de campo). No sector ofensivo a equipa
procura finalizar. A equipa branca tenta recuperar a bola e, se recuperar a bola no sector
ofensivo, pode finalizar de imediato.
Variantes: Os jokers jogam apenas a 1 toque.
Critérios de Êxito: Criação de linhas de passe laterais e frontais, passe preciso;
combinações tácticas utilizando os jokers.

Exercício: Especifico Preparação Competitivo
Objectivo: Técnica de passe; Manutenção de posse de bola
Forma: Fundamental Fase III (GR+4+1Jx4+GR)
Dominante Técnico-Táctica: Manutenção de posse de bola Regime: Resistência
específica
Número: 9+2GR
Espaço: 45x35 (rectângulo)
Orgânica: A equipa em posse de bola tem de realizar no mínimo 6 passes para poder
finalizar. Em caso de ser o último defesa a perder a bola, a equipa que recuperou a posse
de bola pode finalizar de imediato. Sempre que existir uma interrupção (golo; falta; etc.)
a bola é reposta pelo guarda-redes da equipa de quem seguiria a bola.
Variantes: O joker joga apenas a 1 toque.
Critérios de Êxito: Criação de linhas de passe laterais e frontais, passe preciso.

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Treino das Capacidades Motoras e Técnico-Tácticas

Exercício: Especifico Preparação Competitivo
Objectivo: Manutenção de posse de bola
Forma: Fundamental Fase III (GR+10x10+GR)
Dominante Técnico-Táctica: Manutenção de posse de bola Regime: Resistência
específica
Número: 20+2GR
Espaço: 70x50 (rectângulo)
Orgânica: A jogada inicia-se sempre do guarda-redes da equipa vermelha (sempre que
existir uma interrupção (golo; falta; etc.) a bola é reposta pelo guarda-redes da equipa
vermelha). A equipa vermelha para poder finalizar tem de realizar 10 passes, sendo que
a equipa branca não tem restrições para finalizar e deve procurar marcar golo através de
uma transição defesa-ataque rápida (ex.: ataque rápido). Ao fim de 25 minutos, as
equipas devem trocar de campo, passando a equipa branca a jogar em ataque organizado
e a equipa vermelha a jogar em transição rápida.
Variantes: Em caso de dificuldade na realização de 10 passes, reduzir a condicionante
para 8 passes antes de finalizar. Em caso de facilidade na realização de 10 passes,
aumentar a condicionante para 12 passes antes de finalizar.
Critérios de Êxito: Criação de linhas de passe laterais e frontais, passe preciso; cumprir
com as referências do processo ofensivo da equipa.

A capacidade motora a desenvolver nestes exercícios para suportar a acção
técnica e a situação táctica é a resistência especifica de jogo, pois para a realização de
manutenção da posse de bola, é necessária uma constante movimentação dos jogadores
sem bola, de modo a criar linhas de passe para os seus colegas e a realizar combinações
tácticas frequentes para assegurar a manutenção da posse de bola. Como foi constatado
na revisão de literatura a fadiga do jogo afecta a precisão do passe, o que demonstra que
a resistência específica de jogo para além de ser importante para assegurar as
desmarcações dos colegas sem bola e as combinações tácticas, é também importante
Rui Alexandre Horta Vieira - 21303425
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Treino das Capacidades Motoras e Técnico-Tácticas

para garantir a precisão dos passes e assim manter a posse de bola. As dimensões dos
espaços para a realização dos exercícios foram baseadas na tabela 2 do estudo “A
Review on the Effects of Soccer Small-Sided Games”.
No tempo em que a equipa detém a posse de bola, a acção mais
desenvolvida é o passe (33%), como demonstrado na literatura, pelo que esta acção
ganha extrema importância no jogo e no treino. Então, os exercícios que visam o
desenvolvimento do passe devem envolver características semelhantes às do jogo, para
que o processo de ensino-aprendizagem alcance maiores índices de sucesso. A escolha
de exercícios sempre com oposição deve-se ao facto de proporcionar um processo de
aprendizagem onde os jogadores para realizar passes têm de ter em conta as linhas de
intercepção da bola dos adversários, para além de realizarem passes com pressão do
adversário e com movimentos tanto dos colegas como dos adversários.

Rui Alexandre Horta Vieira - 21303425
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Treino das Capacidades Motoras e Técnico-Tácticas

Bibliografia
Aguiar, M., Botelho, G., Lago, C., Maças, V., & Sampaio, J. (2012). A Review on the Effects of
Soccer Small-Sided Games. Journal of Human Kinetics volume, 33, 103-113.
Amuchie, & Amodu. (2002). Passing as an important factor in Ball Possession in Soccer: An
Exploratory Study. Journal of National Institute for Sports, 2(1), 10-17.
Castelo, J. (1994). Futebol, Modelo Técnico-Táctico do jogo: Edições F.M.H. U.T.L.
Castelo, J. (2009). Futebol. Organização Dinãmica do Jogo (3 ed.): Centro de Estudos de
Futebol da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias.
Eniseler, N. (2005). Heart Rate and blood lactate concentrations as predictors of physiological
load on elite soccer players during various soccer training activities. Journal of Strength
and Conditioning Research, 19(4), 799–804.
Garganta, J. (1997). Modeleção táctica do jogo de futebol - Estudo da organização da fase
ofensiva em equipas de alto rendimento. (Doutoramento ), Universidade do Porto Faculdade de Ciências do Desporto e de Educação Física.
Garganta, J. (2002). Competências no ensino e treino de jovens futebolistas. EF y Deportes.
Revista Digital, 8(45).
Garganta, J., & Pinto, J. (1994). O ensino do futebol. In O ensino dos jogos desportivos (pp. 95136): Centro de Estudos dos Jogos Desportivos, Faculdade de Ciências do Desporto e
de Educação Física da Universidade do Porto, Porto.
Graça, A., & Oliveira, J. (2005). O ensino dos jogos desportivos. : Centro de Estudos dos Jogos
Desportivos, Faculdade de Ciências do Desporto e de Educação Física da Universidade
do Porto, Porto.
Iaia, M., Rampinini, E., & Bangsbo, J. (2009). High-Intensity Training in Football. International
Journal of Sports Physiology and Performance, 4, 291-306.
Impellizzeri, F. M., Marcora, S. M., Castagna, C., Reilly, T., Sassi, A., Iaia, F. M., & Rampinini, E.
(2005). Physiological andPerformance Effects of Generic versus Specific Aerobic
Training in Soccer Players. International Journal Sports Medicine.
Jankovic, A., Leontijevic, B., Jelusic, V., & Pasic, M. (2010). Analysis of passes of Serbian
Football (soccer) team in qualifying for the World Cup 2010. Proceedings of the Faculty
of Physical Education, University of Banja Luka.
Mohr, M., Krustrup, P., & Bangsbo, J. (2003). Match performance of high-standard soccer
players with special reference to development of fatigue. Journal of Sports Sciences,
23, 519–528.
Mombaerts, E. (1991). Football - De l'analyse de jeu à la formation du joueur. Paris: Actio Ed.
Rampinini, E., Impellizzeri, F. M., Castagna, C., Azzalin, A., Bravo, D. F., & Wislkff, U. (2007).
Effect of Match-Related Fatigue on Short-Passing Ability in Young Soccer Players.
Medicine & Science in Sports & Exercise, Journal of the American College of Sports
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Svensson, M., & Drust, B. (2005). Testing soccer players. Journal of Sports Sciences, 23(6), 601 –
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Teodorescu, L. (2003). Problemas da Teoria e Metedologia Nos Jogos Desportivos Colectivos (2ª
ed.): Livros Horizonte.
Teoduresco, L. (1984). Problemas de teoria e metodologia nos jogos desportivos. Lisboa: Livros
Horizonte.

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Trabalho de Treino das Capacidades Motora e Técnico Tácticas - Passe na manutenção de posse de bola

  • 1. UNIVERSIDADE LUSÓFONA DE HUMANIDADES E TÉCNOLOGIAS Treino das Capacidades Motoras e TécnicoTácticas Manutenção da posse de bola -Passe Rui Horta 03/01/2014 “Uma acção de jogo é, uma relação funcional entre o jogador e o contexto situacional em que se encontra, no qual se desenvolve um conjunto de recursos específicos, com o intuito do cumprimento de objectivos estratégicos e tácticos.” (Castelo, 2009)
  • 2. UNIVERSIDADE LUSÓFONA DE HUMANIDADES E TÉCNOLOGIAS 1 Treino das Capacidades Motoras e Técnico-Tácticas Índice Temática ........................................................................................................................................ 2 Objectivos do trabalho .................................................................................................................. 3 Revisão Bibliográfica ..................................................................................................................... 4 Jogos desportivos colectivos ..................................................................................................... 4 Futebol ...................................................................................................................................... 4 Manutenção de posse de bola .................................................................................................. 5 Subsistema Táctico/Técnico ...................................................................................................... 6 Passe.......................................................................................................................................... 8 Definição ............................................................................................................................... 8 Execução................................................................................................................................ 8 Opções tácticas dos jogadores no passe ............................................................................... 9 Análises ............................................................................................................................... 10 Combinações Tácticas ............................................................................................................. 11 Caracterização do Jogo de Futebol ......................................................................................... 12 Resistência Específica .............................................................................................................. 13 Efeito da fadiga no passe ........................................................................................................ 14 Proposta de Trabalho .................................................................................................................. 15 Bibliografia .................................................................................................................................. 20 Rui Alexandre Horta Vieira - 21303425
  • 3. UNIVERSIDADE LUSÓFONA DE HUMANIDADES E TÉCNOLOGIAS 2 Treino das Capacidades Motoras e Técnico-Tácticas Temática O futebol é provavelmente o desporto mais popular do mundo. Apesar da sua natureza universal e a sua história se estender à mais de cem anos, ainda existem muitas incertezas quanto às suas exigências multidimensionais (fisiológicas, psicológicas, biomecânicas) e, portanto, quanto ao planeamento do treino ideal. Na verdade, este jogo é muito complexo, porque o terreno de jogo é substancialmente grande (cerca de 100 x 60 m), a bola é controlada com os pés e com a cabeça e podem haver interacções com os onze companheiros de equipa e entre os onze adversários, quase todos com diferentes papéis no jogo (Aguiar, Botelho, Lago, Maças, & Sampaio, 2012). Este trabalho foi realizado no âmbito da unidade curricular de Treino das Capacidades Motoras e Técnico-Tácticas, e tem como objectivo desenvolver um estudo sobre uma acção técnica ou situação técnico/táctica. A situação técnico/táctica escolhida é a manutenção de posse de bola com o foco na acção técnica de passe para a realização da mesma. Rui Alexandre Horta Vieira - 21303425
  • 4. UNIVERSIDADE LUSÓFONA DE HUMANIDADES E TÉCNOLOGIAS 3 Treino das Capacidades Motoras e Técnico-Tácticas Objectivos do trabalho Este trabalho foi desenvolvido com objectivos, sendo que pode ser definido um objectivo geral e um objectivo específico. Como objectivo geral, este trabalho tem uma importância no aumento da base teórica sobre o futebol, e sobre o tema escolhido, nomeadamente, o passe e a manutenção de posse de bola. O objectivo específico deste trabalho assenta numa melhor compreensão da prescrição de exercícios para o desenvolvimento do passe para a manutenção de posse de bola, procurando criar exercícios de treino que aperfeiçoem esta situação técnico/táctica e a sua acção técnica inerente (o passe), partindo de uma situação mais analítica para situações de maior complexidade, com um crescendo da intenção táctica adjacente ao exercício e ao seu objectivo. Rui Alexandre Horta Vieira - 21303425
  • 5. UNIVERSIDADE LUSÓFONA DE HUMANIDADES E TÉCNOLOGIAS 4 Treino das Capacidades Motoras e Técnico-Tácticas Revisão Bibliográfica Jogos desportivos colectivos Os jogos desportivos colectivos podem ser caracterizados, entre outros factores, pela preeminência da aciclicidade técnica, por solicitações e efeitos acumulativos, morfológicos-funcionais e motores e por uma elevada participação psíquica. (Teodorescu, 2003). “Os jogadores necessitam de manter uma permanente atitude táctico-estratégica atendendo ao vasto leque de acontecimentos cuja frequência, ordem cronológica e complexidade não podem ser previstas antecipadamente nos Jogos Desportivos Colectivos” (Graça & Oliveira, 2005). “O futebol é um jogo desportivo colectivo, no qual os jogadores estão agrupados numa relação de adversidade – rivalidade desportiva, numa luta incessante pela conquistada posse da bola com o objectivo de a introduzir o maior número de vezes na baliza adversária e evitá-los na sua própria baliza, com vista à obtenção da vitória” (Castelo, 2009). O mesmo autor refere, que ao longo da sua existência, esta modalidade tem sido ensinada, treinada e investigada, à luz de diferentes perspectivas, as quais deixam perceber concepções diversas a propósito do conteúdo do jogo e das características que o ensino e o treino devem assumir, na procura da eficácia. O desenrolar do jogo de Futebol encerra um conjunto diversificado de situações momentâneas do jogo que por si só, representam uma sucessão de acontecimentos imprevisíveis. Os jogadores perante as situações – problema que lhes sucedem no decorrer do jogo, têm de tomar decisões certas no meio uma grande imprevisibilidade. Perante isto, é necessário que o processo de treino decorra cada vez mais da reflexão metódica e organizada da análise competitiva do conteúdo do jogo, ajustando-se e adaptando-se a essa realidade. Este contexto orienta irremediavelmente a forma de encarar a prática, não sendo esta reduzida à “simples” alternância entre a carga (esforço) e descanso (regeneração). Daí a necessidade desta assentar numa base teórica – prática formulada e fundamentada a partir da análise do seu conteúdo, pois só assim, podemos intervir eficientemente nessa realidade competitiva. De forma a elaborar uma actividade metodológica – sistemática e diferenciada, e definir igualmente os fundamentos pedagógicos do seu ensino (Castelo, 1994) Futebol Segundo Garganta (1997) o jogo de futebol decorre da natureza do confronto entre dois sistemas dinâmicos complexos, as equipas, e caracteriza-se pela alternância de ordem e desordem sucessiva, estabilidade e instabilidade, uniformidade e variedade, sendo que o futebol é “um desporto colectivo que opõe duas equipas formadas por 11 jogadores num espaço claramente definido, numa luta incessante pela conquista da posse de bola com a finalidade (objectivo) de a introduzir o maior número de vezes Rui Alexandre Horta Vieira - 21303425
  • 6. UNIVERSIDADE LUSÓFONA DE HUMANIDADES E TÉCNOLOGIAS 5 Treino das Capacidades Motoras e Técnico-Tácticas possível na baliza adversária (marcar golo) e evitar que esta entre na sua própria baliza (Castelo, 2009). Além da relação de oposição entre as equipas em confronto, existe uma relação de cooperação entre os elementos da mesma equipa, cooperação essa que ocorre num contexto aleatório e volátil que traduz a essência do jogo (Garganta & Pinto, 1994). Apesar do jogo de futebol ter uma aparente simplicidade na sua finalidade, marcar golo e evitar golo, este contém em si uma ampla e complexa variedade de variáveis quer do domínio técnico, táctico, físico, psicológico e social que se condicionam mutuamente, complica-se ainda mais pela variedade de estratégias préestabelecidas e através da aplicação de medidas tácticas, consequentes das alterações previstas ou não, que ocorrem durante um jogo (Castelo, 2009). No entender de Teoduresco (1984) uma equipa pode ser considerada como um sistema, “uma vez que as acções dos jogadores são integradas numa determinada estrutura, segundo um determinado modelo, de acordo com certos princípios e regras; tem uma determinada funcionalidade uma vez que o objectivo visado e a repartição das missões de cada jogador são coordenadas com as dos outros companheiros (organização); é um sistema dinâmico, uma vez que tem a capacidade de autoregulação, portanto, de se adaptar às situações (factores de perturbação, isto é, acções dos adversários) sem se desorganizar com facilidade”. Manutenção de posse de bola A posse de bola é a capacidade do jogador ou equipa de estar no controlo da bola contra o adversário, com resultado em: habilidades, velocidade e confiança, apesar da pressão do adversário (Amuchie & Amodu, 2002). Por outras palavras, é a habilidade e a capacidade de jogadores de uma equipa para manter a posse de bola o maior tempo que puder, enquanto a equipa adversária tenta recuperar a posse de bola. A posse de bola tem de ser vista como o primeiro passo para o desenvolvimento e culminação do processo ofensivo. Usufruir da posse de bola é condição fundamental para a concretização dos objectivos fundamentais do ataque: a progressão/ finalização e, a manutenção de posse de bola. A manutenção da posse de bola pressupõe evitar o risco irracional presente em alguns jogadores que, em diferentes circunstâncias do jogo, perdem a posse de bola. Agindo desta forma, estes comprometem todo um esforço colectivo que, determinou a sua recuperação, bem como, todos os comportamentos de carácter ofensivo até esse momento executados (Castelo, 2009). “Em função de um conjunto de circunstancialismos inerentes ao próprio jogo, independentemente da dimensão estratégica e táctica (plano) da equipa para essa partida, a resolução de diferentes contextos situacionais prever a impossibilidade temporária de se progredir ou, de se atacar a baliza adversária em condições que possibilitem, um sucesso mínimo aceitável. Neste sentido, não havendo ou não se percepcionando essas condições mínimas, os jogadores devem manter a posse de bola, de forma, a temporizar o processo ofensivo até que essas condições se reúnam. Assim, a Rui Alexandre Horta Vieira - 21303425
  • 7. UNIVERSIDADE LUSÓFONA DE HUMANIDADES E TÉCNOLOGIAS 6 Treino das Capacidades Motoras e Técnico-Tácticas maximização deste objectivo até que essas condições se reúnam. Assim, a maximização deste objectivo pressupõe: (i) avaliar e resolver as situações de jogo, em função do binómio risco/segurança, (ii) quebrar o ritmo de jogo do adversário e, (iii) controlar a iniciativa do jogo. (1) Avaliar e resolver as situações de jogo em função do binómio risco/segurança. Cada jogador quando intervém sobre a bola, deverá percepcionar e avaliar prognosticamente de forma realista, quais as vantagens e desvantagens, para os objectivos tácticos da sua equipa, da execução deste ou daquele comportamento. Assim, dentro de um leque mais ou menos largo de opções. É preferível uma acção táctico/técnica “a mais” do que, uma acção que entregue a bola ao adversário. Logo, uma determinada intervenção táctico/técnica pode não constituir a solução mais adequada para uma dada situação momentânea de jogo, mas permite à equipa manter a posse de bola que, é sempre um aspecto positivo. (2) Quebrar o ritmo do jogo adversário. Os jogadores deverão ter o sentido e a sensibilidade táctica de, em certas situações de jogo, terem que quebrar o ritmo de jogo do adversário. Para que isso aconteça, assumem comportamentos que, imprimam um ritmo mais conveniente à sua própria equipa. Ou, criar uma falsa noção de ritmo que, proporcione uma acentuação da iniciativa do ataque, através de acções colectivas realizadas em profundidade, aproximando-se da grande área adversária, a partir da qual se circula a bola em termos de largura, utilizando os jogadores dos sectores mais recuados. (3) Controlar a iniciativa do jogo. Assumir uma iniciativa constante e agressiva de jogo é um dos pressupostos fundamentais para: (i) surpreender o adversário, (ii) cansá-lo fisicamente, (iii) obriga-lo a jogar sobre uma grande pressão psicológica e, por último (iv) criar condições favoráveis, para que a equipa adversária evidencie situações de crise de raciocínio táctico. ” (Castelo, 2009). Subsistema Táctico/Técnico “Qualquer actividade humana, nos seus diferentes domínios, suporta-se numa determinada racionalidade que, é genericamente dominada de procedimento técnico. Com efeito, durante a actividade competitiva, o desempenho de um jogador ou de uma equipa, consiste sempre na unidade entre a tomada de decisão e a execução de uma acção ou acções sucessivas, bem como, o resultado objectivo dessa ou dessas acções. Em competição ou em treino, quando referimos que, este ou aquele jogador tem uma boa técnica, procuramos evidenciar que, a sua forma de resolver as diferentes contextualidades situacionais é: (i) mais precisa, mais segura e mais económica relativamente à acção em si (eficiência da acção) e, (ii) coerente e adaptada relativamente aos comportamentos dos restantes colegas, numa dimensão estratégica Rui Alexandre Horta Vieira - 21303425
  • 8. UNIVERSIDADE LUSÓFONA DE HUMANIDADES E TÉCNOLOGIAS 7 Treino das Capacidades Motoras e Técnico-Tácticas pré-concebida em função das circunstancias que envolvem a competição e, táctica estabelecida pelas conjunturas de cada situação de jogo (eficácia da acção) ” (Castelo, 2009). Técnica e táctica do jogo de futebol têm uma importância essencial na preparação global de jogadores de futebol. É por isso que surge a necessidade de identificação dos elementos técnicos e tácticos do jogo de futebol, que são realizados com alto grau de eficiência (Jankovic, Leontijevic, Jelusic, & Pasic, 2010). O subsistema táctico/técnico deriva da noção de organização dinâmica de uma equipa de futebol, é definido pelos procedimentos accionados na fase de ataque ou de defesa pelos jogadores individualmente ou colectivamente na procura de solucionar situações de jogo. Os jogadores são condicionados interiormente pelos processos cognitivos, fisiológicos, afectivos e motores, e exteriormente pelas condições contextuais da situação, que é suportado pelas Leis que definem os comportamentos do jogo de futebol (Castelo, 2009). “Uma acção de jogo é, uma relação funcional entre o jogador e o contexto situacional em que se encontra, no qual se desenvolve um conjunto de recursos específicos, com o intuito do cumprimento de objectivos estratégicos e tácticos. Nesta perspectiva as acções táctico/técnicas são um meio para atingir um fim, sendo o culminar de um processo psico-fisiologico, sistematicamente treinado, em conformidade com as Leis de jogo, com o intuito de atingir um rendimento individual e colectivo máximo.” (Castelo, 2009). “Os níveis do subsistema procedimental fundamenta-se essencialmente nos diferentes níveis de formação e rendimento de uma equipa, a qual reflecte, em função das situações de jogo, uma organização elementar e complexa que, assenta em acções, as quais procuram a execução de comportamentos de carácter: (i) individual e, (ii) colectivo. Acções individuais ofensivas e defensivas – a execução de um complexo de procedimentos táctico/técnicos, que objectivam de imediato a resolução das situações de jogo. Acções colectivas ofensivas e defensivas – a execução de um complexo de procedimentos que objectivam: (i) a coerência de movimentação e, uma ocupação racional do espaço de jogo, (ii) a resolução temporária das situações tácticas de jogo e, (iii) as soluções estereotipadas das partes fixas do jogo.”(Castelo, 2009) O vocábulo técnica é entendido por Garganta como sendo um conjunto de processos bem definidos e transmissíveis que se destinam à produção de certos resultados. No Futebol, as técnicas constituem acções motoras especializadas que permitem resolver as tarefas do jogo (Garganta, 2002). Para Garganta and Pinto (1994) “a aprendizagem dos procedimentos técnicos constitui apenas uma parte dos pressupostos necessários para que, em situação de jogo, os praticantes sejam capazes de resolver os problemas que o contexto específico lhes coloca. Desde os primeiros momentos da aprendizagem, importa que os praticantes assimilem um conjunto de princípios que vão do modo como cada um se relaciona com o móbil do jogo (bola), até à forma de comunicar com os colegas e contra comunicar Rui Alexandre Horta Vieira - 21303425
  • 9. UNIVERSIDADE LUSÓFONA DE HUMANIDADES E TÉCNOLOGIAS 8 Treino das Capacidades Motoras e Técnico-Tácticas com os adversários, passando pela noção de ocupação racional do espaço de jogo”. Passe “O passe consiste numa transmissão do móbil de jogo entre os elementos da mesma equipa na fase ofensiva. Nessa medida, constitui um meio que une as intenções dos jogadores e traduz a coesão ofensiva de uma equipa (Wrzos, 1984), razão pela qual, em alguns casos, funciona como um indicador importante para a caracterização do estilo e método de jogo praticados.” (Garganta, 1997) Definição “Entendemos por passe, a acção táctico/técnica de relação de comunicação material (com bola), estabelecida entre dois jogadores da mesma equipa. Neste âmbito, o passe é a acção de relação colectiva mais simples de observar e executar. A acção tácticotécnica de passe é, considerado o elemento básico de colaboração entre os jogadores de uma mesma equipa (os quais devem possuir uma ampla “bagagem técnica”, formada por diferentes tipos de passe), sendo imprescindível para a consecução dos objectivos tácticos do ataque. O passe é, sem duvida, a acção predominante no jogo de futebol. Em 80% das situações em que o jogador está de posse de bola, a sua intenção é de a passar a outro companheiro. Nas restantes situações, dribla, finta, conduz, simula ou remata.” (Castelo, 2009). Execução “Segundo Hughes (1990) “nada destrói tão rapidamente a confiança de uma equipa como um passe impreciso, nada constrói tão rapidamente a confiança de uma equipa como um passe preciso… não existe nenhum substituto para uma boa acção técnica de passe e não existe nenhuma estratégia que resista a passe imprecisos”. A execução táctico/técnica do passe é baseada numa atitude que, procura levar o centro do jogo rapidamente em direcção à baliza adversária, consubstanciando dois aspectos essenciais: (i) táctico e, (ii) técnico. Táctico- Seleccionar o passe. É determinado pela análise da situação momentânea de jogo que, por si estabelecerá, o objectivo táctico da execução do passe. Esta análise é baseada em cinco factores: 1- posição dos companheiros. A existência ou não, de atacantes posicionados ou preparados para explorar espaços vitais do terreno de jogo, de forma a poderem concretizar o desenvolvimento ou a concretização do ataque; 2- posição dos adversários. Consubstancia o nível de organização defensiva e, a possibilidade de se poder tirar vantagem da sua precariedade; 3- zona do terreno de jogo. Onde se calcula a relação entre o risco e a segurança da execução da acção (observa-se a diminuição percentual da execução deste procedimento à medida que o centro de jogo se aproxima da baliza adversária). Neste sentido, 60% dos passes são executados no meio campo, devendo-se ao facto destas zonas do terreno de jogo se constituírem como espaços preferenciais para a preparação e, construção das acções Rui Alexandre Horta Vieira - 21303425
  • 10. UNIVERSIDADE LUSÓFONA DE HUMANIDADES E TÉCNOLOGIAS 9 Treino das Capacidades Motoras e Técnico-Tácticas ofensivas. Complementarmente, os jogadores quando perto da baliza adversária têm que encontrar e executar outros procedimentos, tais como o drible/finta ou simulação que, consubstanciam a procura de criação de vantagens para a concretização eficiente do processo ofensivo; 4- conhecer os limites da sua capacidade. O atacante deve saber os limites das suas capacidades de forma a não executar acções para as quais não está habilitado. Assim, mesmo que a decisão seja a mais correcta para determinada situação de jogo, importa, fazê-la corresponder às suas verdadeiras capacidades de execução do passe seleccionando e, 5- objectivos tácticos da equipa. Estes pressupostos compreendem um largo conjunto de factores tais como, o resultado numérico momentâneo do jogo, do tempo de jogo, quebra do ritmo de jogo do adversário, temporizar para que os companheiros se desloquem para certas posições, as quais determinem um elevado nível de organização ofensiva. Assim, há que adequar tacticamente a acção de passe em função dos objectivos momentâneos da equipa. Técnico- executar o passe. É determinado pela execução propriamente dita desta acção. Neste sentido existem cinco factores fundamentais para a execução do passe: (i) simular. O atacante deverá simular a sua verdadeira intenção táctica, produzindo um conjunto de “falsos sinais”, contribuindo assim para que os defesas adoptem posicionamentos inadequados à situação do jogo, (ii) tipo de passe a executar. O tipo de passe depende, largamente, da intenção táctica pré-estabelecida pelo atacante. Assim, este poderá ter uma amplitude longa ou curta, uma trajectória alta ou rasa, ser executada com ou sem efeito, (iii) tempo de passe. Um passe executado no tempo correcto põe o companheiro (receptor), numa posição de máxima vantagem e, naturalmente, torna o trabalho defensivo mais difícil e complexo, (iv) potência do passe. Um passe eficaz atinge o alvo a uma velocidade, que não cria problemas acrescidos ao companheiro na recepção da bola. Se isto não acontecer, irá ter consequências marcantes, não só, na relação de comunicação entre os dois jogadores, como na diminuição da fluidez e ritmo do processo ofensivo e, (v) precisão do passe. Este factor determina se o companheiro (receptor), tem ou não, que modificar a direccionalidade e o objectivo do seu comportamento para recepcionar a bola. A precisão não é tudo no passe, mas tudo o resto, não tem qualquer significado se o passe for impreciso.” (Castelo, 2009) Opções tácticas dos jogadores no passe Castelo (2009) definiu que “a acção técnico-táctica de passe é um meio para atingir um fim”, o que nos leva a uma cascata de decisão relativa a uma ordem de prioridades da sua dimensão estratégico-táctica: 1- Passar a bola para um espaço entre a linha defensiva e a linha final do terreno de jogo, desde que haja companheiros preparados para explorar esse espaço e rapidamente atacar a baliza adversária. 2- Passar a bola a um companheiro, que esteja posicionado de forma profunda no ataque, desde que tenha apoio/cobertura por parte dos seus colegas, evitando-se assim, situações de inferioridade numérica. Rui Alexandre Horta Vieira - 21303425
  • 11. UNIVERSIDADE LUSÓFONA DE HUMANIDADES E TÉCNOLOGIAS 10 Treino das Capacidades Motoras e Técnico-Tácticas 3- Passar a bola a um companheiro pondo o máximo de adversários à frente da linha da bola, isto é, impossibilitando que estes se posicionem entre a bola e a sua própria baliza. 4- Passar a bola mudando rapidamente o ângulo de ataque, proporcionando largura e profundidade a este processo e simultaneamente procurar desequilibrar a organização defensiva adversária. 5- Passar a bola para trás (na direcção da sua própria baliza) como ultimo recurso, devido ao facto deste estar pressionado pelos adversários, não ter nenhuma outra opção ou que o colega a quem passar a bola está em melhores condições para cumprir os objectivos tácticos momentâneos da equipa. (Castelo, 2009) Análises Segundo Castelo (2009) “todas as superfícies corporais podem ser executadas para a execução desta acção táctico/técnica, mas os mais utilizados são: os pés (parte interna, externa e peito do pé), a cabeça e as mãos (pelo guarda-redes dentro da sua grande área e no lançamento de linha lateral). O emprego da melhor superfície para passar a bola, será função da situação de jogo, da direcção, precisão e velocidade que queiramos transmitir-lhe. Assim, quanto maior for a área de impacto, maior será a precisão do passe, mas menor será a distancia que a bola poderá percorrer. Logo, quanto menor for a superfície de contacto, menos preciso será a acção, mas maior será a distância a que a bola poderá ser lançada. Portanto, a parte do pé que oferece maior precisão é a parte interna e, a que permite lançar a bola a uma maior distância é, o peito do pé, se não considerar-mos a ponta do pé. Observa-se que a parte interna do pé é preponderante e fundamental em qualquer zona, sector ou corredor do terreno de jogo, em relação a todas as outras formas de contacto na execução de um passe. A parte interna do pé é, a superfície corporal de contacto que imprime e transmite uma maior precisão, eficácia e segurança a esta acção táctico/técnica. Todavia, verifica-se uma diminuição de utilização desta superfície corporal (cerca de 23%), à medida que o centro do jogo se aproxima da baliza adversária. Este facto pode ser explicado pela necessidade dos jogadores terem de utilizar outras partes do pé, adaptando-se rápida e eficientemente, em função das exigências prementes e determinantes da situação de jogo (p. ex.: a utilização do calcanhar), ou de imprimirem uma maior velocidade e potencia à acção de passe (p. ex.: o peito do pé). Outro aspecto importante ligado às análises da acção de passe é, a relação privilegiada entre os jogadores. Assim observa-se que o guarda-redes recebe, fundamentalmente passes dos defesas (59%). Os defesas dos médios (46%) e os jogadores médios recebem fundamentalmente, passes dos companheiros do mesmo sector (42%). Os jogadores avançados recebem fundamentalmente passes dos médios (54%).” Rui Alexandre Horta Vieira - 21303425
  • 12. UNIVERSIDADE LUSÓFONA DE HUMANIDADES E TÉCNOLOGIAS 11 Treino das Capacidades Motoras e Técnico-Tácticas Combinações Tácticas Podemos considerar as combinações tácticas como um aspecto fundamental para a manutenção da posse de bola, sendo estas definidas segundo Castelo (2009) como: “a coordenação das acções individuais de natureza ofensiva, de dois ou três jogadores, desenvolvidos no absoluto respeito pelos princípios do ataque, (gerais e específicos). Visando a resolução de uma tarefa parcial (temporária) específica do jogo e, assegurando a criação de condições mais favoráveis (analogamente aos deslocamentos ofensivos), tem termos numéricos, espaciais e temporais.”. O objectivo das combinações tácticas, é, a resolução táctica das situações momentâneas do jogo, criando assim condições favoráveis à realização dos objectivos do processo ofensivo. Esta acção tem como objectivo: colocar atacantes em espaços vitais e livres de oposição; romper o equilíbrio ou manter o desequilíbrio da organização defensiva da equipa adversária; e reorganizar constantemente o método defensivo adversário, que tem como consequência um nível maior de empenho físico e mental dos seus jogadores. (Castelo, 2009) As combinações tácticas podem ser classificadas como combinações simples, combinações directas e combinações indirectas. “Combinação simples (combinações a dois ou “passa-e-sai”). A realização das combinações tácticas simples, são consumadas de forma que: (i) o portador da bola fixa a acção do adversário directo (penetração), (ii) executa um passe a um companheiro, que consubstancia um deslocamento ofensivo de apoio, seguido de um deslocamento imediato (passar e mover), para um espaço ou posição facilitadora e favorável para receber a bola. Combinação directa (um-dois ou passa-e-sai). A realização das combinações tácticas directas, são consumadas de forma que: (i) o portador da bola fixa a acção do adversário directo (penetração), (ii) execução de um passe a um companheiro que consubstancia um deslocamento ofensivo de apoio, seguido de um deslocamento imediato (passar e mover) para um espaço ou posição facilitadora e favorável para a recepção da bola e, (iii) devolução da bola ao portador inicial. Combinação indirecta (combinações a três jogadores). A utilização de combinações simples (a dois), são muitas vezes difíceis de concretizar, face às grandes concentrações de jogadores ou à falta de espaços livres. São assim fáceis de anular sempre, que a cobertura defensiva é assegurada. De modo a garantir um maior desequilíbrio na organização defensiva, integra-se mais um jogador, realizando uma combinação a três, que abre mais possibilidades. Em função da iniciativa (selecção de uma opção), da circunstancia (local da acção espaço) e, da colocação ou posicionamento sobre o terreno (posição relativa dos adversários baliza): (i) o portador da bola fixa a acção do adversário directo (penetração), (ii) execução de um passe a um companheiro que consubstancia um deslocamento ofensivo de apoio, seguido de um deslocamento imediato (passar e mover) para um espaço ou posição facilitadora e favorável para a Rui Alexandre Horta Vieira - 21303425
  • 13. UNIVERSIDADE LUSÓFONA DE HUMANIDADES E TÉCNOLOGIAS 12 Treino das Capacidades Motoras e Técnico-Tácticas recepção da bola e, (iii) devolução da bola, não ao portador inicial, mas a um 3º jogador cuja situação favorável resulta de um benefício directo (fruto da acção que desencadeou) e, um benefício indirecto (fruta da acção desenvolvida pelo primeiro portador da bola).” (Castelo, 2009). Os meios de suporte às combinações tácticas resultam essencialmente nos deslocamentos ofensivos de apoio. As combinações são complementadas com a introdução de mudanças de ritmo e direcção, as quais assumem consequências muito acentuadas no equilíbrio defensivo adversário, quer por, resultarem em situações em que o jogador de posse de bola fica livre de marcação, e por permitirem criar no momento situações de superioridade numérica nas unidades funcionais da equipa (Castelo, 2009). Caracterização do Jogo de Futebol O futebol incorpora períodos de exercício de alta intensidade intercalados com períodos de exercício de baixa intensidade (Svensson & Drust, 2005). Ekblom (1986), Reilly & Doran (2003) e Reilly & Thomas (1976) citados por (Svensson & Drust, 2005) referem que as demandas fisiológicas do futebol exigem que os jogadores para serem competentes, a sua aptidão física deve incluir potência aeróbia e anaeróbia, força muscular, flexibilidade e agilidade. O futebol é um desporto intermitente que se caracteriza por aproximadamente 1200 mudanças acíclicas e imprevisíveis de actividade (todas entre 3 a 5 segundos), envolvendo, entre outros, 30 a 40 sprints, mais de 700 mudanças de direcção, e 30 a 40 “tackles” e saltos. Além disso, o jogo requer outras acções intensas como desacelerações, remates, dribles, e “tackles”. Todos estes esforços impostos aos jogadores contribuem para tornar o futebol fisiologicamente muito exigente. Análises revelaram que os jogadores de futebol de primeira classe realizam 2 a 3 Km de alta intensidade de execução (> 15 km/h) e aproximadamente 0,6 quilómetros de sprint (> 20 km/h). Além disso, estas distâncias de corrida e sprint correspondem, respectivamente, a 28% e 58% mais que os níveis de jogadores de nível moderado profissionais (Iaia, Rampinini, & Bangsbo, 2009). A distância total percorrida durante um jogo é 10.86±0.18km para jogadores de topo e 10.33±0.26km para jogadores de nível moderado (Mohr, Krustrup, & Bangsbo, 2003). As equipas menos bem sucedidas apresentam maiores decréscimos na distância total de sprint percorrida durante uma partida, o que sugere que a capacidade de realizar actividades de alta intensidade ao longo de um jogo é muito importante. Cada uma das posições de jogo é caracterizada pelo seu próprio perfil de actividade e diferentes requisitos tácticos em relação ao movimento da bola. Os defesas centrais percorrem menos distância a alta intensidade de execução, enquanto os avançados realizam mais sprints e um número maior de actividade de alta intensidade, quando a equipa detém a posse de bola do que os médios centro e os defesas. Durante a segunda parte do jogo, a distância total e de alta intensidade sofre uma queda acentuada, com a quantidade de esforços de alta Rui Alexandre Horta Vieira - 21303425
  • 14. UNIVERSIDADE LUSÓFONA DE HUMANIDADES E TÉCNOLOGIAS 13 Treino das Capacidades Motoras e Técnico-Tácticas intensidade a apresentarem valores 20% a 40% menores nos últimos 15 minutos do jogo em comparação com os 15 minutos iniciais. Um maior decréscimo na corrida é observado quanto mais actividade for realizada na primeira parte do jogo. Estes resultados indicam que os jogadores apresentam níveis de fadiga no final de um jogo e, esporadicamente, durante um jogo (Iaia et al., 2009). A fadiga também pode ter um impacto negativo na precisão, com os jogadores menos aptos a mostrar uma deterioração mais acentuada no desempenho técnico (Rampinini et al., 2007). Segundo Mombaerts (1991) 61% do trabalho em jogo é realizado com predomínio da fonte aeróbia, com valores de VO2max de 60% a 75% e com velocidade de 3 a 10Km/h; 24% do trabalho é desenvolvido no limiar anaeróbio conforme a qualidade atlética do jogador com valores de 80% a 85% do VO2max e 10 a 17Km/h; cerca de 14% do trabalho é desenvolvido utilizando a capacidade anaeróbia aláctica, em “sprints” curtos de 2 a 3 segundos (10-15m) com velocidades compreendidas entre os 18 e 27Km/h. O mesmo autor alertou para o facto de ao longo dos anos haver uma evolução no volume de “sprints” curtos: 1947 (71); 1970 (145); 1985 (185); e 1989 (195). Mombaerts (1991) afirma que 50% do tempo de jogo se joga sem bola. No tempo que se joga com bola as acções desenvolvidas são: passes (33%); domínio e controlo de bola (20%); duelos 1x1a nível do terreno de jogo (20%); duelos 1x1 aéreos (10%); esquemas tácticos (10%); intercepções (5%); e remates (2%). Agnevik (1975) e Jacobs (1982) citados por Mombaerts (1991) constataram a existência de uma depleção quase completa dos “stocks” de glicogénio no final do jogo, relativamente aos dois tipos de fibras musculares. Esta “depleção” tem implicações ao nível da força muscular, prestação técnica e prestação motora ao nível das distâncias e intensidades dos deslocamentos. Resistência Específica Os jogos reduzidos podem ser usados como um modo eficaz de treino para melhorar a aptidão aeróbica e performance de jogo em jogadores de futebol. Não foram encontradas diferenças entre o treino específico e genérico (treino intervalado), a escolha do modo de treino aeróbio deve ser baseado principalmente na necessidade prática. Por exemplo, jogos reduzidos podem ser uteis para o treino de aptidão aeróbia e componentes táctico-técnicas simultaneamente. Este factor pode ser uma vantagem especialmente para jovens jogadores de futebol, promovendo a melhoria das habilidades motoras específicas do desporto. Além disso, o uso de jogos reduzidos aumenta a motivação dos jogadores e faz com que o treino aeróbio de alta intensidade seja mais aceitável da parte dos jogadores (Impellizzeri et al., 2005). Para preparar fisicamente um jogo, o planeamento do treino deve incluir várias actividades físicas específicas, como jogos modificados, treino táctico e treino técnico, bem como a realização de jogos de preparação (que são partidas de futebol competitivos) contra equipas adversárias. É evidente que cada actividade física durante o treino de futebol irá melhorar a condição física dos atletas de diferentes maneiras, colocando diferentes tipos de cargas fisiológicas aos jogadores (Eniseler, 2005). Rui Alexandre Horta Vieira - 21303425
  • 15. UNIVERSIDADE LUSÓFONA DE HUMANIDADES E TÉCNOLOGIAS 14 Treino das Capacidades Motoras e Técnico-Tácticas Os valores mais altos de frequência cardíaca ocorrem durante o jogo de futebol (frequência cardíaca média = 157 ± 19 b/min), e os valores mais baixos de frequência cardíaca ocorrem durante o treino técnico (frequência cardíaca média = 118 ± 21 b/min). Além disso, os valores médios da frequência cardíaca durante as actividades de treino táctico e técnico foram menores do que aqueles apresentados durante o jogo modificado. A razão para os valores mais altos de frequência cardíaca durante a partida e actividades de jogos modificados em comparação com os valores durante o treino táctico e técnico de futebol podem ser justificados porque o jogo é jogado com a presença física e pressão de um adversário. Os jogadores reagem a este tipo de pressão e movem-se mais rapidamente durante o jogo, o que resulta em aumento das taxas de frequência cardíaca (Eniseler, 2005). Efeito da fadiga no passe A fadiga relacionada com o jogo induz um declínio na capacidade de realizar um passe curto. Além disso, um efeito negativo sobre a capacidade de realizar um passe curto e a sua precisão foi encontrado após curtos períodos de actividade de alta intensidade. Portanto, a deterioração das habilidades de passe curto podem estar relacionadas com a fadiga acumulada durante todo o jogo, bem como para a fadiga aguda resultante das fases de alta intensidade de curta duração (Rampinini et al., 2007). Rui Alexandre Horta Vieira - 21303425
  • 16. UNIVERSIDADE LUSÓFONA DE HUMANIDADES E TÉCNOLOGIAS 15 Treino das Capacidades Motoras e Técnico-Tácticas Proposta de Trabalho Neste capítulo será apresentada uma proposta de trabalho, com exercícios de treino, planeados para o desenvolvimento do passe para a manutenção da posse de bola. Os exercícios apresentarão uma ordem de progressão, partindo de um exercício menos específico e mais analítico, para um exercício com muita especificidade. O treino do passe não deve ser dissociado das condicionantes do jogo, como o posicionamento do adversário e dos colegas, pelos que todos os exercícios que se seguem apresentam oposição e, os exercícios mais específicos devem ter em conta os princípios específicos do jogo respeitando as suas orientações. Exercício: Especifico Preparação Geral Manutenção de posse de bola Objectivo: Técnica de passe; Criação de linhas de passe Forma: Complementar Integrado Dominante Técnico-Táctica: Técnica de passe Regime: Resistência específica Número: 6 (4x2) Espaço: 20x20 (quadrado) Orgânica: A equipa de 4 avançados tenta manter a posse de bola, e após realizar 6 passes consecutivos sem nenhum adversário interceptar a bola, a equipa faz um ponto. Em caso de acontecer uma combinação directa, conta como três passes. Se a equipa que está a defender recuperar a bola e conseguir fazer um passe conta um ponto para a equipa defensiva. De 5 em 5 minutos troca a dupla que está a defender e acaba o exercício quando todos tiverem defendido. Critérios de Êxito: Criação de linhas de passe laterais e frontais, passe preciso. Rui Alexandre Horta Vieira - 21303425
  • 17. UNIVERSIDADE LUSÓFONA DE HUMANIDADES E TÉCNOLOGIAS 16 Treino das Capacidades Motoras e Técnico-Tácticas Exercício: Especifico Preparação Geral Manutenção de posse de bola Objectivo: Técnica de passe; Manutenção de posse de bola Forma: Complementar Integrado Dominante Técnico-Táctica: Técnica de passe Regime: Resistência específica Número: 12 (4+4x4) Espaço: 30x30 (quadrado) Orgânica: A equipa branca mantem a posse de bola e tem de realizar no mínimo 5 passes para poder fazer a bola mudar de zona (para a zona da equipa cinzenta). Da equipa defensiva apenas dois jogadores realizam pressão, sendo que os outros dois ficam na área delimitada pelos sinalizadores. Após a bola passar para a zona da equipa cinzenta os dois jogadores da zona realizam pressão e os dois defesas que fizeram pressão ficam na zona. Os defesas da zona delimitada podem interceptar a bola aquando a realização do passe. De 6 em 6 minutos troca a equipa que está a defender. A equipa que realizar menos transições de zona, arruma o material no fim do exercício. Variantes: A bola apenas pode ser jogada pelo chão; Passar para uma situação de 5x3. Critérios de Êxito: Criação de linhas de passe laterais e frontais, passe preciso. Rui Alexandre Horta Vieira - 21303425
  • 18. UNIVERSIDADE LUSÓFONA DE HUMANIDADES E TÉCNOLOGIAS 17 Treino das Capacidades Motoras e Técnico-Tácticas Exercício: Especifico Preparação Geral Manutenção de posse de bola Objectivo: Técnica de passe; Manutenção de posse de bola Forma: Complementar Integrado Dominante Técnico-Táctica: Técnica de passe Regime: Resistência específica Número: 8 (3+2Jx3) Espaço: 35x25 (rectângulo) Orgânica: A equipa vermelha mantem a posse de bola e tem de realizar no mínimo 4 passes entre os jogadores de campo (passe para os jokers não conta) para poder fazer a bola mudar de sector (transição de sector tem de ser feita pelas portas de entrada e o passe tem de ser realizado por um jogador de campo). No sector ofensivo a equipa procura finalizar. A equipa branca tenta recuperar a bola e, se recuperar a bola no sector ofensivo, pode finalizar de imediato. Variantes: Os jokers jogam apenas a 1 toque. Critérios de Êxito: Criação de linhas de passe laterais e frontais, passe preciso; combinações tácticas utilizando os jokers. Exercício: Especifico Preparação Competitivo Objectivo: Técnica de passe; Manutenção de posse de bola Forma: Fundamental Fase III (GR+4+1Jx4+GR) Dominante Técnico-Táctica: Manutenção de posse de bola Regime: Resistência específica Número: 9+2GR Espaço: 45x35 (rectângulo) Orgânica: A equipa em posse de bola tem de realizar no mínimo 6 passes para poder finalizar. Em caso de ser o último defesa a perder a bola, a equipa que recuperou a posse de bola pode finalizar de imediato. Sempre que existir uma interrupção (golo; falta; etc.) a bola é reposta pelo guarda-redes da equipa de quem seguiria a bola. Variantes: O joker joga apenas a 1 toque. Critérios de Êxito: Criação de linhas de passe laterais e frontais, passe preciso. Rui Alexandre Horta Vieira - 21303425
  • 19. UNIVERSIDADE LUSÓFONA DE HUMANIDADES E TÉCNOLOGIAS 18 Treino das Capacidades Motoras e Técnico-Tácticas Exercício: Especifico Preparação Competitivo Objectivo: Manutenção de posse de bola Forma: Fundamental Fase III (GR+10x10+GR) Dominante Técnico-Táctica: Manutenção de posse de bola Regime: Resistência específica Número: 20+2GR Espaço: 70x50 (rectângulo) Orgânica: A jogada inicia-se sempre do guarda-redes da equipa vermelha (sempre que existir uma interrupção (golo; falta; etc.) a bola é reposta pelo guarda-redes da equipa vermelha). A equipa vermelha para poder finalizar tem de realizar 10 passes, sendo que a equipa branca não tem restrições para finalizar e deve procurar marcar golo através de uma transição defesa-ataque rápida (ex.: ataque rápido). Ao fim de 25 minutos, as equipas devem trocar de campo, passando a equipa branca a jogar em ataque organizado e a equipa vermelha a jogar em transição rápida. Variantes: Em caso de dificuldade na realização de 10 passes, reduzir a condicionante para 8 passes antes de finalizar. Em caso de facilidade na realização de 10 passes, aumentar a condicionante para 12 passes antes de finalizar. Critérios de Êxito: Criação de linhas de passe laterais e frontais, passe preciso; cumprir com as referências do processo ofensivo da equipa. A capacidade motora a desenvolver nestes exercícios para suportar a acção técnica e a situação táctica é a resistência especifica de jogo, pois para a realização de manutenção da posse de bola, é necessária uma constante movimentação dos jogadores sem bola, de modo a criar linhas de passe para os seus colegas e a realizar combinações tácticas frequentes para assegurar a manutenção da posse de bola. Como foi constatado na revisão de literatura a fadiga do jogo afecta a precisão do passe, o que demonstra que a resistência específica de jogo para além de ser importante para assegurar as desmarcações dos colegas sem bola e as combinações tácticas, é também importante Rui Alexandre Horta Vieira - 21303425
  • 20. UNIVERSIDADE LUSÓFONA DE HUMANIDADES E TÉCNOLOGIAS 19 Treino das Capacidades Motoras e Técnico-Tácticas para garantir a precisão dos passes e assim manter a posse de bola. As dimensões dos espaços para a realização dos exercícios foram baseadas na tabela 2 do estudo “A Review on the Effects of Soccer Small-Sided Games”. No tempo em que a equipa detém a posse de bola, a acção mais desenvolvida é o passe (33%), como demonstrado na literatura, pelo que esta acção ganha extrema importância no jogo e no treino. Então, os exercícios que visam o desenvolvimento do passe devem envolver características semelhantes às do jogo, para que o processo de ensino-aprendizagem alcance maiores índices de sucesso. A escolha de exercícios sempre com oposição deve-se ao facto de proporcionar um processo de aprendizagem onde os jogadores para realizar passes têm de ter em conta as linhas de intercepção da bola dos adversários, para além de realizarem passes com pressão do adversário e com movimentos tanto dos colegas como dos adversários. Rui Alexandre Horta Vieira - 21303425
  • 21. UNIVERSIDADE LUSÓFONA DE HUMANIDADES E TÉCNOLOGIAS 20 Treino das Capacidades Motoras e Técnico-Tácticas Bibliografia Aguiar, M., Botelho, G., Lago, C., Maças, V., & Sampaio, J. (2012). A Review on the Effects of Soccer Small-Sided Games. Journal of Human Kinetics volume, 33, 103-113. Amuchie, & Amodu. (2002). Passing as an important factor in Ball Possession in Soccer: An Exploratory Study. Journal of National Institute for Sports, 2(1), 10-17. Castelo, J. (1994). Futebol, Modelo Técnico-Táctico do jogo: Edições F.M.H. U.T.L. Castelo, J. (2009). Futebol. Organização Dinãmica do Jogo (3 ed.): Centro de Estudos de Futebol da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias. Eniseler, N. (2005). Heart Rate and blood lactate concentrations as predictors of physiological load on elite soccer players during various soccer training activities. Journal of Strength and Conditioning Research, 19(4), 799–804. Garganta, J. (1997). Modeleção táctica do jogo de futebol - Estudo da organização da fase ofensiva em equipas de alto rendimento. (Doutoramento ), Universidade do Porto Faculdade de Ciências do Desporto e de Educação Física. Garganta, J. (2002). Competências no ensino e treino de jovens futebolistas. EF y Deportes. Revista Digital, 8(45). Garganta, J., & Pinto, J. (1994). O ensino do futebol. In O ensino dos jogos desportivos (pp. 95136): Centro de Estudos dos Jogos Desportivos, Faculdade de Ciências do Desporto e de Educação Física da Universidade do Porto, Porto. Graça, A., & Oliveira, J. (2005). O ensino dos jogos desportivos. : Centro de Estudos dos Jogos Desportivos, Faculdade de Ciências do Desporto e de Educação Física da Universidade do Porto, Porto. Iaia, M., Rampinini, E., & Bangsbo, J. (2009). High-Intensity Training in Football. International Journal of Sports Physiology and Performance, 4, 291-306. Impellizzeri, F. M., Marcora, S. M., Castagna, C., Reilly, T., Sassi, A., Iaia, F. M., & Rampinini, E. (2005). Physiological andPerformance Effects of Generic versus Specific Aerobic Training in Soccer Players. International Journal Sports Medicine. Jankovic, A., Leontijevic, B., Jelusic, V., & Pasic, M. (2010). Analysis of passes of Serbian Football (soccer) team in qualifying for the World Cup 2010. Proceedings of the Faculty of Physical Education, University of Banja Luka. Mohr, M., Krustrup, P., & Bangsbo, J. (2003). Match performance of high-standard soccer players with special reference to development of fatigue. Journal of Sports Sciences, 23, 519–528. Mombaerts, E. (1991). Football - De l'analyse de jeu à la formation du joueur. Paris: Actio Ed. Rampinini, E., Impellizzeri, F. M., Castagna, C., Azzalin, A., Bravo, D. F., & Wislkff, U. (2007). Effect of Match-Related Fatigue on Short-Passing Ability in Young Soccer Players. Medicine & Science in Sports & Exercise, Journal of the American College of Sports Medicine, 934-942. Svensson, M., & Drust, B. (2005). Testing soccer players. Journal of Sports Sciences, 23(6), 601 – 618. Teodorescu, L. (2003). Problemas da Teoria e Metedologia Nos Jogos Desportivos Colectivos (2ª ed.): Livros Horizonte. Teoduresco, L. (1984). Problemas de teoria e metodologia nos jogos desportivos. Lisboa: Livros Horizonte. Rui Alexandre Horta Vieira - 21303425