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SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL 
UNIVERSIDADE FEDERAL DO TOCANTINS 
CAMPUS DE PALMAS 
CURSO DE ARTES-TEATRO 
Emmanuela Niemaier de Moura 
A montagem da Peça: 
“A maldição do vale negro” a partir dos Jogos teatrais 
Palmas - TO 
2014
Emmanuela Niemaier de Moura 
A montagem da Peça: 
“A maldição do vale negro” a partir dos Jogos teatrais 
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à 
Universidade Federal do Tocantins para obtenção 
do título de Licenciado em Artes-Teatro. 
Orientador(a): Profa. Ma. Andreia Lívia de Jesus 
Leão. 
Palmas - TO 
2014
Emmanuela Niemaier de Moura 
A montagem da Peça: “A maldição do vale negro” a partir dos Jogos teatrais. 
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à 
Universidade Federal do Tocantins para obtenção 
do título de Licenciado em Artes-Teatro. 
Aprovado em: 10/10/14 
Banca Examinadora 
Prof. Me. Heitor Martins Oliveira Instituição/Curso: Universidade Federal do Tocantins/ 
Artes- Teatro. 
Julgamento: __________________ Assinatura: ___________________________ 
Profa. Ma. Adriana dos Reis Martins Instituição/Curso: Universidade Federal do Tocantins/ 
Artes- Teatro. 
Julgamento: __________________ Assinatura: ___________________________ 
Profa. Ma. Andreia Lívia de Jesus Leão Instituição/Curso: Universidade Federal do 
Tocantins/ Artes- Teatro. 
Julgamento: __________________ Assinatura: ___________________________
AGRADECIMENTOS 
Agradeço em primeiro lugar a Deus o meu 
redentor e iluminador nessa jornada pelo 
conhecimento. 
Ao meu esposo Fábio pela compreensão e apoio 
que recebi durante esta jornada acadêmica. 
A minha orientadora Andreia que colaborou com 
o meu crescimento cognitivo compartilhando os 
seus saberes necessários para escrita desse artigo.
“Quando o sentido de processo é compreendido, e 
se entende a estória como o resíduo do processo, 
resultado é ação dramática, pois toda a energia e 
ação de cena são geradas pelo simples processo 
de atuação”. Viola Spolin
Resumo 
MOURA, E. N. A montagem da peça: “A maldição do vale negro” a partir dos Jogos Teatrais. 
Trabalho de Conclusão de Curso – Colegiado de Artes-Teatro, Universidade Federal do 
Tocantins, Palmas – TO, 2014. 
Este artigo deseja contextualizar a instauração dos Jogos Teatrais como abordagem 
metodológica na preparação de alunos iniciantes na prática do teatro, com objetivo de 
apresentar uma montagem de uma telenovela do gênero do melodrama. Os alunos 
participantes do projeto são estudantes do 2° ano do ensino médio do Colégio São José da 
cidade de Palmas (TO). Esse trabalho foi desenvolvido no 2° semestre 2013 durante o projeto 
de iniciação a docência (PIBID) do curso de Artes/Teatro da Universidade Federal do 
Tocantins. Proponho um estudo que estabeleça a importância do jogar no processo Teatro- 
Educação. A escolha de usar o sistema dos Jogos Teatrais veio da inquietação pessoal de 
ensinar teatro fazendo teatro. O principal referencial teórico utilizado nesta pesquisa foi: 
Koudela (2001) e Spolin (2001, 2010). Desejo com essa experiência ressaltar a essência do 
teatro na educação, a qual deve estabelecer o elo de confiança entre os alunos e o professor, 
para que as atividades desenvolvidas possibilitem a criação coletiva por meio do jogar para 
criar. 
Palavras-Chave: Jogos Teatrais; Melodrama; Improvisação; Telenovela.
Abstract 
MOURA, E. N. The mounting of the play: “The curse of the Black Valley” from theatre 
games. Course Conclusion Paper – College of Arts-Theatre, Federal University of Tocantins, 
Palmas – TO, 2014. 
This article seeks to contextualize the establishment of Theater Games as a methodological 
preparation of beginners in the practice of theater, aiming to present a montage of a TV Soap 
Opera (a Novel) genre of drama. The students participating in the project are students in 2nd 
year of high school at the College of São Jose in the city of Palmas, Tocantins. This work has 
been developed in the 2nd Semester of 2013 during the course of the project of initiation to 
teaching (PIBID) of the Arts Course at the Federal University Theatre of Tocantins. I propose 
a study to establish the importance of play in theatre-education process. The choice to use the 
system of Theather Games came from personal concern to teach theater doing theater. The 
main theoretical reference adopted in this research was: Koudela (2001) and Spolin (2001, 
2010). I wish to emphasize with this experience the essence of theater in education, which 
must establish the bond of trust between the students and the teacher, so then the activities 
developed enables the collective creation through play to create. 
Keyword: Theater Games; Drama; Improvisation; Novel.
7 
1. INTRODUÇÃO 
O presente artigo deseja contextualizar a instauração dos Jogos Teatrais como 
abordagem metodológica na preparação de alunos iniciantes na prática do teatro, com objetivo 
de apresentar uma montagem de uma telenovela tendo como temática o gênero 
melodramático. O público alvo escolhido para esse projeto foram os alunos que cursavam o 
2° ano do ensino médio no Colégio São José, o projeto foi desenvolvido durante o 2° semestre 
do ano 2013 na cidade de Palmas (TO). O trabalho realizado no Colégio São José faz parte de 
um dos projetos do Programa institucional de bolsa de iniciação a docência (PIBID), o qual 
tem como objetivo levar estudantes da Universidade Federal do Tocantins do curso de Artes- 
Teatro a vivenciar a licenciatura e desenvolver projetos inovadores que proponham uma 
experiência significativa tanto para a escola que recebe o projeto, quanto para os futuros 
professores que os coordenam. Com o projeto PIBID os alunos dos cursos de licenciatura 
ingressam na escola antes mesmo de se graduar e colocam em prática o que estão aprendendo 
na universidade. 
O objetivo principal do projeto de preparação dos alunos para cena usando os Jogos 
Teatrais é envolvê-los na ação e na observação do jogo teatral, para que todos pudessem 
descobrir as possibilidades de criação através da força coletiva do grupo, que é propulsora da 
ação e capaz de levar a construções de cenas e personagens, visando como resultado final a 
montagem da telenovela. 
Como acadêmica do curso de licenciatura em Artes/Teatro escolhi como abordagem 
metodológica para esse processo, os Jogos Teatrais, por ser um trabalho com alunos iniciantes 
na prática teatral. Acredito que os Jogos Teatrais com o seu sistema de regras que estabelece o 
foco1 a ser alcançado contribuem para compreensão, pois a retomada do foco é sempre 
lembrada pelo orientador. O professor deve estar sempre atento às instruções e as avaliações, 
com isso verificar se o foco foi alcançado pelo grupo; se a instrução dele foi suficiente para a 
contribuição do entendimento do jogo e não apenas jogar por jogar. 
Os jogos teatrais podem trazer o frescor e vitalidade para a sala de aula. As oficinas 
de jogos teatrais não são designadas como passatempo do currículo, mas sim como 
complementos para aprendizagem escolar, ampliando a consciência de problemas e 
ideias fundamentais para o desenvolvimento intelectual dos alunos. (SPOLIN, 2007, 
p. 29). 
1 “O conceito Foco altera não somente a atuação do professor como a própria organização da matéria, na medida 
em que ele passa a agir em função de pontos essenciais a serem comunicados aos alunos e não de uma sequência 
predeterminada.” (KOUDELA, 2001, p. 43).
8 
O grande desafio quando se trabalha com adolescentes é mantê-los motivados durante 
o processo, desde a primeira aula até final do projeto. A mudança de interesse nessa fase 
estudantil é muito grande e as atividades oferecidas na escola eram muitas o que tornava mais 
difícil a escolha e a permanência nas aulas de teatro. Observei que na escola os alunos tinham 
outras atividades como torneios de vôlei, banda de música e grupos de quadrilha, essas 
atividades disputavam o tempo e a dedicação deles nas aulas teatro, mas entendo que nessa 
fase escolar os alunos querem participar de todas as atividades ao mesmo tempo e acabam 
desistindo no meio do percurso, necessitando de uma intervenção por parte dos professores 
motivando e inovando as aulas. 
Dessa realidade do colégio veio à questão: como desenvolver um processo de 
montagem de uma telenovela, usando os Jogos Teatrais na preparação dos alunos do Colégio 
São José para a cena, capaz de desenvolvê-los e motivá-los durante todo o processo até 
apresentação final? Como professora de teatro de um projeto que contemplava apenas alunos 
do contra turno escolar, o grande desafio era manter as aulas interessantes e não apenas 
coordenar jogos sem nenhum objetivo, mas construir através dos jogos aulas que estimulasse 
a improvisação e a construção de cenas, para que os alunos vivenciassem a experiência teatral 
sentindo-se motivados para os próximos encontros. 
Segundo Huizinga (2000), desenvolver as habilidades que o próprio ato de jogar pode 
proporcionar pelo simples fato de estar jogando sem nenhuma pretensão, além do que a 
própria atividade exige de cada participante, torna o jogo um descanso da vida cotidiana 
libertando o processo criativo e tornando o jogo prazeroso pra quem joga. Foi com essa 
perspectiva que olhei para a potencialidade dos Jogos Teatrais e coloquei-os em prática para 
estimular em cada aluno a emoção, a fala e o corpo necessário para a montagem do espetáculo 
melodramático. 
A peça escolhida e adaptada para montagem teatral da telenovela foi “A Maldição do 
Vale Negro” escrita por Caio Fernando de Abreu no ano de 1986, com a colaboração do 
diretor teatral Luiz Arthur Nunes. Utilizei como referencial teórico para o processo de 
montagem teatral: Koudela (2001), Thomasseau (2005) e Spolin (2001, 2010). 
No decorrer do trabalho quero descrever a experiência do processo desenvolvido a 
partir do gênero melodramático, do jogo, da telenovela e dos Jogos Teatrais usados no 
laboratório de preparação dos alunos. Para evidenciar o resultado foi realizada uma entrevista 
semiestruturada com os participantes do projeto.
9 
2. METODOLOGIA 
2.1. Natureza da Pesquisa 
Por meio deste trabalho desejo apresentar as experiências durante o processo de 
montagem teatral de uma telenovela adaptada da peça “A Maldição do Vale Negro” que usei 
como fio condutor na preparação dos alunos os Jogos Teatrais. 
Desejo discorrer desde o processo de criação até a apresentação pública e investigar a 
contribuição na aprendizagem do ensino de teatro, a qual enfatizo o processo percorrido pelos 
alunos e não apenas o produto final. Assim pensar no ensino de Teatro como um processo 
constante, onde apreciação estética deve estimular à criação de novos espectadores que 
compreendem e participam do sistema metodológico, da criação de cena até o resultado final 
da apresentação da telenovela, contribuindo na formação artística e cultural dos alunos. 
Nas escolas o teatro deve ser visto como um processo de aquisição de saberes e 
fazeres conquistados através dos seus processos metodológicos e não somente visto como 
apresentações teatrais de datas comemorativas. Desejo nesse artigo discorrer sobre o 
laboratório2 realizado com Jogos Teatrais no Colégio São José, desenvolvido durante o 2° 
semestre do ano 2013, com os alunos que cursavam o 2° ano do ensino médio e fomentar a 
relevância do desenvolvimento dos alunos nas aulas de teatro. 
Com a autorização da direção do colégio passamos nas salas de aula divulgando o 
projeto PIBID, a diretora deixou claro que todos os alunos do 2° ano que tivessem interesse 
poderiam participar. Ela optou pela turma do 2° ano por julgar que os alunos dessa turma 
mostravam mais interesse pelo teatro, todos os alunos que tiveram interesse em participar do 
projeto foram aceitos no grupo. Falamos com os alunos da nossa proposta de trabalhar com o 
gênero melodramático e que durante todo o processo usaríamos os Jogos Teatrais. 
Com o desenvolvimento e a improvisação de cena através dos Jogos Teatrais 
tínhamos como proposta montar cenas de radionovela, telenovela e teatro. Nesse projeto 
participaram do desenvolvimento da radionovela e do teatro melodramático, outros dois 
alunos da Universidade Federal do Tocantins, porém irei detalhar a experiência apenas do 
processo condutor com Jogos Teatrais na preparação dos alunos para as cenas e apresentação 
da telenovela, processo o qual ficou sob a minha orientação. 
2 O laboratório teatral é fundamentado em duas ações que poderão acontecer simultaneamente: a preparação ou 
treinamento do ator e a improvisação das cenas. (SALLES, 2006, p.22)
10 
A escolha do gênero melodramático veio da vontade de resgatar para os tempos atuais 
a telenovela, a radionovela e o teatro exagerado com suas encenações cheias de emoções e 
sentimentos. O melodrama3 é um gênero originado no século XVIII que teve seu contexto 
fundamentado na Revolução Francesa em um período de intensas e radicais transformações 
na França. As temáticas do melodrama refletiam os ideais de “liberdade, igualdade e 
fraternidade”, assumindo desse modo um papel quase institucional da Revolução. 
As paixões políticas despertadas e as terríveis cenas vividas durante a Revolução 
exaltaram a imaginação e exacerbaram a sensibilidade de certas massas populares 
que afinal podem se permitir encenar suas emoções. E para que estas possam 
desenvolver-se o cenário se encherá de prisões, de conspirações e de desgraças 
imensas sofridas por vítimas e traidores que no final pagarão caro suas traições. [...] 
Antes de ser um meio de propaganda, o melodrama será o espelho de uma 
consciência coletiva (MARTÍN-BARBERO, 2003, p.152). 
Compreendo que montar uma telenovela em um único semestre com alunos sem 
experiência teatral requer bastante envolvimento por parte dos alunos e do professor, a saber, 
do pouco tempo que tínhamos, resolvemos fazer uma adaptação da peça “A Maldição do Vale 
Negro” fazendo um recorte de cenas as quais não descaracterizassem a peça mantendo a 
coerência da estória lúdica. 
A peça “A Maldição do Vale Negro” foi indicada por uma professora supervisora do 
PIBID, que nos apresentou a peça e também nos contou do seu projeto realizado em uma 
escola de Florianópolis e o quanto seus alunos se interessaram pela estória. Li a peça e 
apaixonei-me pelo enredo, personagens, tempo e local que aconteceu a narrativa. Além de 
todas as qualidades de uma boa estória, ainda tinha um mistério muito envolvente que poderia 
cativar os curiosos alunos adolescentes. 
O processo foi divido em três etapas: a primeira etapa foi composta pelo 
desenvolvimento dos Jogos Teatrais com o trabalho de corpo e improvisação do ator; a 
segunda etapa pela a apresentação do texto adaptado, as leituras dramáticas, a caracterização 
dos personagens, a voz e a expressão; na terceira etapa realizamos as gravações da telenovela 
e a apresentação para o público. 
Os jogos4 utilizados nas etapas do processo foram: 
“Ouvindo os sons do ambiente”; 
“Sentindo o eu com o eu”; 
3 O vocábulo melodrama nasceu na Itália, no século XVII e designava um drama inteiramente cantado. O termo 
só foi aparecer na França no século XVIII, durante a querela entre franceses e italianos. (THOMASSEAU, 2005, 
p.16). 
4 Os Jogos Teatrais foram selecionados do fichário da Viola Spolin (2001,2010).
11 
“Quem iniciou o movimento”; 
“Cabo-de-guerra”; 
“Espelho”; 
“O jogo da sobrevivência”; 
“Blablação”; 
“Somente pés e pernas”; 
“Somente as mãos”; 
“Vendedor”; 
“Discurso que vagueia”; 
“Jogo da bola”; 
“Caminhada no espaço imitando animais”; 
“Envolvimento em duplas”; 
“Construindo uma história”; 
“Exercício de contato”. 
Para investigar a experiência de criação e de encenação da telenovela realizada pelos 
alunos, propus uma entrevista semiestruturada de vinte minutos com cada participante, que 
combinaram perguntas abertas e fechadas para que os alunos pudessem discorrer sobre as 
experiências no desenvolvimento com os Jogos Teatrais e à apresentação final. Por meio da 
transcrição das entrevistas pude compreender o processo vivenciado por três alunos que 
participaram do projeto. Quero através das entrevistas responder a questão: como desenvolver 
um processo de montagem de uma telenovela, utilizando os Jogos Teatrais na preparação dos 
alunos do Colégio São José para cena, capaz de desenvolvê-los e motivá-los durante todo o 
processo até a apresentação final? 
2.2. Participantes 
O público alvo escolhido para este projeto foram dez alunos que cursavam o 2° ano do 
ensino médio no Colégio São José, moradores da cidade de Palmas (TO) e com a faixa etária 
de 15-16 anos. As entrevistas foram realizadas com apenas três alunos, não fizemos nenhum 
tipo de seleção ou restrição, todos os alunos que quiseram participar do projeto e da entrevista 
poderiam participar. A diretora do colégio optou que o projeto fosse oferecido para a turma do 
2° ano por julgar que esses alunos mostravam mais interesse pelas práticas teatrais.
12 
2.3. Natureza dos Dados 
A coleta dos dados foi realizada através de uma entrevista semiestruturada que 
combinou perguntas abertas e fechadas na tentativa de estimular uma discussão num contexto 
de uma conversa informal. Os alunos puderam discorrer sobre as suas experiências nos 
processos de preparação do ator com Jogos Teatrais e sobre a montagem da telenovela. 
A entrevista semiestruturada é muito usada quando se deseja obter um direcionamento 
maior do tema, intervindo a fim de que os objetivos sejam alcançados. A principal vantagem 
desse estilo de entrevista é que essa técnica quase sempre produz uma melhor amostra da 
população de interesse. Segundo Selltiz (1987), tanto na entrevista aberta como na 
semiestruturada, temos a possibilidade da utilização de recursos visuais como filmagens e 
fotografias, o que pode deixar o entrevistado mais à vontade para fazê-lo lembrar de fatos, que 
não seria possível em um questionário. “A arte do entrevistador consiste em criar uma 
situação onde as respostas do informante sejam fidedignas e válidas” (SELLTIZ, 1987 
p.644). 
As perguntas tiveram seu teor voltado para a compreensão: 
1- De que forma os Jogos Teatrais contribuíram no desenvolvimento criativo para a 
montagem teatral da telenovela? 
2- O que motivou a sua participação até o final do processo? 
3- Qual a dificuldade encontrada no laboratório de preparação do ator para cena? 
Desejo com essas perguntas, com os registros fotográficos e com as filmagens do 
processo estimular as entrevistas para que os alunos possam expor as contribuições da ação 
teatral vivenciada. Os alunos, os pais e a direção do colégio autorizaram os registros 
fotográficos e as filmagens. 
Para o processo de criação cênica é necessário através do referencial teórico expor a 
importância do jogo, dos Jogos Teatrais, do melodrama, da telenovela e do enredo da 
dramaturgia para fundamentar a relevância de cada tema na construção da montagem teatral. 
2.4. Referencial Teórico 
O Jogo
13 
O Jogo5 apenas pelo ato de jogar faz parte das principais bases das civilizações e 
podemos encontrar essa atividade lúdica tanto na vida humana quanto na vida animal, onde os 
animais brincam e têm as suas próprias regras no jogo assim como os humanos. O próprio ato 
de jogar, segundo Huizinga (2000), existe de alguma coisa em jogo que confere um sentido a 
ação e todo jogo significa alguma coisa, ele se diferencia da vida comum por ser uma 
atividade livre e voluntária sem qualquer interesse material. O jogador joga com um conjunto 
de regras estabelecidas, consentidas, com espaço determinado, dentro dos seus próprios 
limites e ritmo. O jogo é um elemento lúdico, entretanto a forma lúdica não consiste no 
esquecimento das regras, que são direcionadas pela razão e estão acompanhadas pelos 
sentimentos de alegria e tensão capazes de envolver o jogador. 
A regra é outro fator muito importante para o conceito de jogo. Todo jogo tem suas 
regras. São estas que determinam aquilo que "vale" dentro do mundo temporário por 
ele circunscrito. As regras de todos os jogos são absolutas e não permitem discussão. 
E não há dúvida de que a desobediência às regras implica na derrocada do mundo do 
jogo. O jogo acaba: O apito do árbitro quebra o feitiço e a vida "real" recomeça 
(HUZINGA, Johan 2000, p.12). 
Quando o jogador descumpre a regra estabelecida do jogo é considerado “desmancha 
prazeres”, pois não cumpre com o acordo feito pelos jogadores podendo ser expulso por 
quebrar o acordo. Huizinga (2000) afirma, que dentro do jogo as regras e costumes da vida 
quotidiana são deixados de lado e a atmosfera lúdica recria um mundo que envolve 
intensamente cada jogador em um novo mundo, onde as regras são outras, porém ressalta que 
o jogo por sua própria natureza tem um ambiente instável, podendo a qualquer momento à 
"vida quotidiana" reafirmar seus direitos, isso devido a um impacto exterior que poderá 
interromper o jogo; ou impacto interior devido a uma quebra das regras do jogo causado pela 
desilusão ou desencanto. 
Partindo do princípio que todo ser pensante é capaz de jogar e ultrapassar o limite da 
realidade desenvolvido pelo imaginário e possibilitar a fluência do processo criativo, quero 
através dos jogos especificamente os Jogos Teatrais, preparar os alunos para criação de 
personagens e cenas. 
Os Jogos Teatrais 
5 “O jogo é uma atividade ou ocupação voluntária, exercida dentro de certos e determinados limites de tempo e 
de espaço, segundo regras livremente consentidas, mas absolutamente obrigatórias, dotado de um fim em si 
mesmo, acompanhado de um sentimento de tensão e de alegria e de uma consciência de ser diferente da vida 
quotidiana” (HUZINGA, 2000, p. 24).
14 
Na década de sessenta nos Estados Unidos surgiram novas formas de teatro 
independente e novos grupos que experimentavam outras formas de comunicação, sendo os 
Jogos Teatrais a consequência dessa experimentação coletiva. A autora do sistema dos Jogos 
Teatrais é a americana Viola Spolin que visa uma atuação marcada pela improvisação e 
espontaneidade. Spolin tem três livros traduzidos em português por Ingrid Koudela que são: 
Improvisação para o teatro, O jogo teatral no livro do diretor e Jogos teatrais: o fichário de 
Viola Spolin. 
Conforme Koudela (2001), o livro Improvisação para o teatro foi editado pela 
primeira vez em 1963 e grande parte do sistema foi desenvolvido na Young Actors Company, 
durante mais de dez anos, com crianças de sete a quatorze anos. 
Spolin recebeu influências de Stanislávski e também de Neva Boyd, com a qual teve 
um treinamento em jogos, arte de contar estórias, danças e canções folclóricas. 
Esteve ligada ao The Compass Players (J 955-1957), em Chicago, que foi o primeiro 
elenco profissional de teatro de improvisação nos Estados Unidos. (KOUDELA, 
2001, p.40) 
Os Jogos Teatrais são caracterizados por suas regras que fazem parte do parâmetro 
central do jogo, as quais constituem um sistema de atuação que pode ser desenvolvido por 
qualquer pessoa, seja ela com experiência teatral ou não, que desejam se expressar através do 
teatro. Os Jogos Teatrais estão apresentados em Improvisação para o teatro e Jogos Teatrais: 
o fichário de Viola Spolin, ambos são como manuais de ensino que auxiliam na prática do 
aprendizado do teatro. Os jogos são detalhados em: Preparação, Descrição do Exercício, 
Instrução, Avaliação, Notas e Áreas de Experiência. 
O corpo dos Jogos Teatrais está dividido em três seções: A, B e C. A seção A é 
composta de uma seleção de jogos teatrais e jogos tradicionais. Contém material 
básico, que pode ser retirado da sequência e apresentado com objetivos educacionais 
específicos. A seção B é uma seleção de Jogos Teatrais, acrescidos da estrutura 
dramática: Onde (Lugar e/ou Ambiente), Quem (personagem e/ou relação) e O Que 
(atividade). A seção C contém uma seleção adicional de Jogos Teatrais. 
(KOUDELA, 2001, p.41) 
Segundo Koudela (2001), o fichário de Jogos Teatrais pode ser usado de formas 
variadas, de acordo com a necessidade particular a ser desenvolvida nas áreas de experiência, 
que são indicadas na ficha de cada jogo e estão reunidas no apêndice do manual, de forma que 
o professor encontre uma listagem de jogos para áreas específicas. 
Com o fichário o professor pode selecionar o jogo que atende a necessidade, a qual 
deseja desenvolver nos alunos. Os jogos oferecem um leque de possibilidades a serem 
desenvolvidas em grupo e em várias categorias, como por exemplo: os jogos de observação, 
os jogos de memória, os jogos sensoriais, os jogos de aquecimento, os jogos de agilidade 
verbal e comunicação não-verbal. As variedades dos jogos possibilitam ao professor
15 
desenvolver no grupo habilidades que contribuam para a criação e encenação teatral 
necessária para a montagem das cenas. 
Os Jogos Teatrais têm o seu sistema fundamentado no jogo e na ação improvisada que 
levam para ação lúdica e aliam-se a ele três dispositivos que sintetizam a especificidade do 
sistema: 
O foco atribuído pelo coordenador é sem dúvida o mais importante; ele designa um 
aspecto específico – objeto, pessoa ou ação na área de jogo – sobre o qual o jogador 
fixa sua atenção. Graças a ele, a experiência teatral pode ser, por assim dizer, 
recortada em segmentos apreensíveis. O segundo é a instrução, ou seja, a retomada 
do foco pelo coordenador, cada vez que isso se faz necessário. Em terceiro lugar, 
aparece a avaliação, efetuada pela plateia composta por uma parcela do próprio 
grupo, em alternância com a parcela de jogadores. (PUPO, 2005, p.4) 
O Foco é o ponto de concentração do ator, o objetivo comum do grupo em solucionar 
o problema e dessa tentativa nasce à cena. Para o estabelecimento do Foco do jogo existe 
sempre o Foco primário (por exemplo, Onde) e o Foco secundário (por exemplo, Quem e O 
Que). Para Koudela (2001), os termos “Onde”, “Quem” e “O Que” são usados no sistema em 
substituição aos termos teatrais como "cenário", "personagem" e "ação de cena". Segundo 
Spolin (2010), a espontaneidade é a energia vital que os Jogos Teatrais promovem, sendo um 
momento de liberdade pessoal e quando estamos frente a frente com a realidade a exploramos 
e agimos em conformidade com ela. 
A espontaneidade equivale, portanto à liberdade de ação e estabelecimento de 
contato com o ambiente. Com grupos iniciantes e também crianças, é fácil verificar 
que, quando o processo de improvisação é deixado totalmente livre, poucas vezes 
ele pode ser identificado com ação espontânea. (KOUDELA, 2001, p.51) 
O processo com os Jogos Teatrais busca o surgimento do gesto espontâneo na 
atuação, com essa metodologia desejo conseguir desenvolver no grupo os gestos exagerados e 
o corpo característico dos personagens do melodrama. 
O melodrama: 
O melodrama apresenta personagens com valores opostos: bondade versus maldade, 
mostrando momentos de grande euforia e serenidade. 
O gênero é marcado por enredos de tramas emocionantes e com reviravoltas sempre 
enfatizando a moral e destacando da trama o herói versus vilão. Conforme Thomasseau 
(2005), o gênero se caracteriza em torno do bem e do mal, do oral, do excesso estético, dos 
juízos morais, dos jogos sentimentais, da intensificação das virtudes e dos vícios das 
personagens, sejam elas vilãs ou heróis.
16 
[...] um gênero teatral que privilegia primeiramente a emoção e a sensação. Sua 
principal preocupação é fazer variarem estas emoções com a alternância e o 
contraste de cenas calmas ou movimentadas, alegres ou patéticas. É também um 
gênero no qual a ação romanesca e espetacular impede a reflexão e deixa os nervos à 
flor da pele [...]. O melodrama é na verdade, a prática em geral de um moral 
convencional e “burguesa”, mas não se pode esquecer que ele veiculou, durante uma 
boa parte do século não só ideias políticas, sociais e socialistas, mas, sobretudo 
humanitárias e “humanistas”, apoiando-se na esperança fundamental de um triunfo 
final das qualidades humanas sobre o dinheiro e o poder. Ele carreou, de 
cambulhada, os sonhos e as esperanças dos estratos sociais mais desfavorecidos, 
mas também criou e manteve a efervescência de um imaginário popular, rico e 
vigoroso (THOMASSEAU, 2005, p.139-140). 
O melodrama supõe conflitos, propõe tornar visível a moral e tem um elevado poder 
de levar o público a fortes emoções seduzindo o espectador. O corpo é expressão direta dos 
sentimentos no melodrama através dos movimentos exagerados e bem explícitos ajudam na 
composição dos personagens “o vilão é antes de tudo nos bigodes e na postura insinuante, 
[...] o herói destila virtude no asseio e na presença modesta e respeitosa” (XAVIER 2002, 
p.95). Os traços de personalidade, de atitudes e desejos são estampados de modo exacerbado 
e claro. 
No enredo do melodrama o traço principal é a surpresa iminente – marca que se 
encontra inserida na elasticidade característica da trama. [...] É aqui que o artista 
aplica o máximo de criatividade. Leva os espectadores de sobressalto em sobressalto 
para um desfecho, que nem sempre concede o repouso do final feliz. A capacidade 
para surpreender deve certamente ser associada ao caráter do enredo. [...] Para o 
espectador, a possibilidade de sobrevirem novos episódios permanece como uma 
suspeita e uma inquietação a lhe instigar o interesse. Sentimentos que, de resto, não 
o abandonarão até as cortinas se fecharem, e que responde pelo estado de vigília 
ininterrupto a que fica submetido. (HUPES, 2000, p. 29). 
Para o desenvolvimento do gênero do melodrama foi necessário à escolha de um texto 
teatral melodramático para trabalharmos as características dos personagens. A peça escolhida 
foi “A Maldição do Vale Negro”, que fizemos uma adaptação para a apresentação da 
montagem da telenovela. 
A Peça: “A Maldição do Vale Negro” 
A peça “A Maldição do Vale Negro” foi escrita por Caio Fernando de Abreu no ano 
de 1986, com a colaboração do diretor teatral Luiz Arthur Nunes. Trata-se de uma peça de um 
único ato do gênero melodramático. A peça retrata a estória de Rosalinda, uma jovem órfã 
que foi criada por seu tio o Conde Maurício e pela a sua governanta Agatha, em um castelo da 
família Belmont na província de Castelfranc na França, que fica em um vale coberto por uma 
extensa floresta conhecida como Vale Negro. A estória tem início na tarde de primavera de 15 
de abril de 1834. O tio e a governanta do castelo guardam um segredo sobre a vida de
17 
Rosalinda, toda a trama é em entorno desse segredo que é capaz de mudar a vida de todos do 
castelo. 
A jovem Rosalinda é seduzida pelo marquês Rafael d’Aliençon que pertence a uma 
família nobre, o qual o tio de Rosalinda o Conde Maurício deve muito dinheiro a família do 
rapaz que é totalmente contra o relacionamento dos dois por duvidar do caráter de Rafael. O 
Conde Maurício descobre que a sobrinha está esperando um filho de Rafael, ele expulsa a 
jovem do castelo e a condena a própria sorte. Rosalinda fica totalmente desapontada, pois 
Rafael termina o namoro e a abandona também. Depois de expulsa do castelo Rosalinda 
encontra um grupo de ciganos que a acolhe e desvenda o terrível segredo sobre sua família. A 
estória é marcada pelas características do melodrama que são o sofrimento e o final feliz. 
Através dessa dramaturgia realizamos a montagem da telenovela. Fizemos uma leitura 
da peça junto com alunos e selecionamos a cena que foi gravada no estilo das telenovelas dos 
anos 50. 
A telenovela: 
O gênero surgiu por influência da radionovela e teve sua veiculação diária6 em 1963, 
onde em pouco tempo ganhou grande destaque na televisão brasileira. As estórias 
inicialmente encenadas nas telenovelas eram baseadas na estrutura radiofônica e com o passar 
dos anos novas formas mais realistas visando projetar a vida cotidiana ganha ascensão. A 
telenovela busca fornecer modelos de conduta de certo ou errado, que através das narrativas 
dos personagens influenciam na formação de identidade dos seus expectadores. 
Esse caráter mais real da novela7 a partir da década de 90 é devido a forte influência 
da escola realista que busca retratar os fatos como eles são, diferenciando-se de forma 
considerável do seu modelo inicial, mas apesar de todo realismo ainda é possível encontrar 
diversos elementos do melodrama como: as histórias de amores contrariados; o amor como 
prêmio; os conflitos derivados do sentimento de culpa; a moral como modo de enfrentar os 
6 Em 1951, Walter Forster, diretor, autor e protagonista, lançou a telenovela “Sua vida me pertence” (TV Tupi, 
1951), respaldado na estrutura radiofônica de apresentar dramaturgia. Inicialmente a telenovela era veiculada 
com 15 capítulos e exibida duas vezes por semana, o que remete à forte ligação com o folhetim do século XIX e 
com todo o arcabouço da radionovela. Foi a partir dessa experiência e também do sucesso que gozava, que a 
telenovela foi transformada em um produto de veiculação diária. Assim, a telenovela começou a ganhar novos 
contornos a partir da sua veiculação diária com de “2-5499 Ocupado” (TV Excelsior, 1963), adaptação de um 
roteiro argentino. 
7 A palavra derivada do francês “nouvelle” é o gênero da televisão que possivelmente mais produz efeitos sobre 
a população.
18 
conflitos; a estrutura de narração enquanto repetição e atraso dos acontecimentos; ascensão 
social via amor e o final feliz. 
Para compreensão do que foi desenvolvido durante a montagem teatral com as 
gravações da telenovela, desejo realizar uma exposição das etapas de todo o processo. 
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO 
Iniciamos o processo de montagem teatral no Colégio São José no mês de outubro de 
2013 na cidade de Palmas (TO) com um encontro semanal de duas horas. O grupo era 
formado por dez alunos, sendo que desses apenas a metade concluíram a montagem e a 
apresentação final do espetáculo melodramático. Os alunos que desistiram foram devido às 
viagens de torneio de vôlei e alguns para participarem da banda do colégio. 
O processo foi divido em três etapas: 
Na primeira etapa apresentamos apenas os Jogos Teatrais sem a apresentação do texto 
e desenvolvemos os jogos na preparação dos alunos para a improvisação das cenas. Optei 
nesse inicio de trabalho por alguns jogos como, por exemplo, “somente pés e pernas e 
somente as mão”, para que os alunos desenvolvessem naquele primeiro momento a percepção 
de todo o corpo, para que percebessem a importância da unidade corporal no processo de 
atuação. 
O ator deve saber que ele constitui um organismo unificado, que seu corpo, da 
cabeça aos dedos do pé, funciona como uma unidade, para uma resposta de vida. O 
corpo deve ser um veículo de expressão e precisa ser desenvolvido para tornar-se um 
instrumento sensível, capaz de perceber, estabelecer contato e comunicar (SPOLIN, 
2010 p. 131). 
No desenvolvimento do jogo “somente pés e pernas”, separamos os jogadores, 
individualmente, e cada jogador recebeu a instrução que deveria demonstrar usando somente 
pés e pernas: Quem ele é? E o que está Fazendo? Foi necessário escolher um estado de ânimo 
como impaciência, pesar, euforia, paciência ou outro sentimento para a composição de cena 
com apenas os membros citados. O foco desse jogo era mostrar “Quem”, “O Quê” e um 
“estado de ânimo” somente com os pés ou pernas. Depois de realizado o jogo, propomos uma 
avaliação para observar e discutir se os jogos foram executados apenas com a parte do corpo 
indicada. 
No jogo “Somente as mãos”, o grupo foi dividido em duplas de jogadores, sendo 
necessário que as duplas estabelecessem “Onde”, “Quem” e “O Quê”. Solicitamos que não 
usassem o diálogo entre jogadores e que a comunicação deveria ser realizada apenas com as
19 
mãos e os antebraços e nenhuma outra parte do corpo poderia ser usada. O foco desse jogo era 
criar uma cena que tivesse um personagem em um lugar realizando alguma atividade e a parte 
do corpo responsável de contar essa estória eram apenas as mãos dos alunos. Realizamos 
depois a avaliação para discutir com os alunos se a cena foi executada apenas com a parte do 
corpo indicada. 
Nos dois jogos os alunos criaram cenas usando apenas os membros do corpo indicado, 
demonstrando gestos suaves, confiantes, amigáveis, de raiva, tensão, medo e tristeza. Os 
jogadores mantiveram os pés e mãos expostas durante todos os jogos, para que 
compreendessem a importância de cada parte do corpo na composição cênica, valorizando o 
que o movimento poderia significar em cena. 
Na segunda etapa do processo apresentamos a peça “A Maldição do Vale Negro”, 
onde realizamos um trabalho de leitura dramática com texto e usamos alguns jogos como o 
“Vendedor e o Construir estória”, para aprimorar a percepção do ouvir, do ver, da agilidade 
verbal, da voz e do contato do corpo na cena. 
No jogo o “Vendedor” cada aluno vendeu ou demonstrou alguma coisa ou produto 
para a plateia. Depois que terminaram o discurso pela primeira vez, os alunos repetiram o 
discurso pela segunda vez, porém dessa última tiveram que convencer a plateia que o produto 
demonstrado anteriormente têm as qualidades opostas do primeiro discurso. O foco dos 
jogadores estava voltado em envolver a plateia e convencer da compra ou não do seu produto. 
Na avaliação desse jogo discutimos a diferença entre os dois discursos e se o vendedor fez 
com que a cena adquirisse vida. 
No desenvolvimento do jogo “Construir estórias” separamos os alunos em dois 
grupos. O primeiro jogador iniciou a estória sobre qualquer assunto e enquanto o jogo 
acontecia o orientador apontou diversos jogadores para que imediatamente continuassem a 
estória a partir do ponto em que o último jogador parou. Isso foi realizado até que a estória 
terminasse ou até que o orientador pedisse para parar. Nesse jogo alguns alunos tiveram 
resistência em participar no primeiro momento e foi preciso um maior tempo para que os mais 
tímidos tivessem a coragem de continuar a estória. Em diversos momentos quando houve a 
recusa de algum deles, nós professores participamos e continuamos a estória, até que todos se 
sentissem confortáveis para participar do jogo. A avaliação que fizemos foi sobre a fluência e 
a improvisação das estórias narradas.
20 
Esses jogos usados foram importantes para que os alunos exercitassem o momento de 
ouvir e o de falar, para que em cena pudessem respeitar o momento da pausa entre as falas dos 
personagens para que o jogo fluísse. 
O ator de teatro improvisacional deve ouvir seu colega ator e escutar tudo o que ele 
diz, para improvisar uma cena. Deve olhar e ver tudo o que está acontecendo. Esta é 
a única forma pela qual os jogadores podem jogar o mesmo jogo em conjunto. 
(SPOLIN, 2010 p. 153). 
Na terceira etapa foram realizadas as gravações da telenovela durante dois dias no 
parque Cesamar localizado na cidade de Palmas (TO) e com a participação de três alunos. Os 
alunos decidiram entre eles quem participaria da telenovela, do teatro e da radionovela. Não 
determinamos nenhum critério na escolha por uma das três modalidades de atuação. A cena 
escolhida para a reprodução da telenovela foi a cena sete, que merece destaque por revelar 
nessa narrativa que Rosalinda esta esperando um filho de Rafael, dando a partir dessa 
declaração o desenrolar e desfecho da estória. 
Durante as filmagens tivemos momentos de tensão devido às repetições nas gravações 
das cenas que foram bastante cansativas para os alunos que estavam encenando e também 
para quem estava fazendo as filmagens, pois não tínhamos materiais profissionais. No 
processo foi preciso controlar o horário das gravações devido à claridade, pois não tínhamos 
material necessário para filmar a noite, também corremos contra o tempo para concluir o 
trabalho antes do horário de grande movimentação no parque. 
Para todos os participantes foi bastante desafiante gravar, editar e reproduzir uma 
telenovela sem os recursos tecnológicos adequados e sem experiência, mas apesar das 
adversidades conseguimos finalizar o processo e mostrar nosso trabalho para o colégio. 
A apresentação foi realizada no Colégio São José em um único dia com três seções na 
sala de vídeo, que é uma sala de aula normal usada para reprodução de filmes aos alunos. 
Fizemos as três seções da telenovela para que os vários alunos do colégio pudessem assistir. 
Apesar da sala ser pequena conseguimos mostrar o nosso trabalho final para cem alunos com 
essa estratégia. Devido à claridade tivemos que levar tecidos e organizar a sala de modo que a 
luz não atrapalhasse a reprodução. 
Após todo o processo de criação com o desenvolvimento dos Jogos Teatrais e da 
apresentação final, foi realizada uma entrevista semiestruturada com três alunos que 
participaram do projeto, para elencar mais informações sobre o trabalho com os jogos durante 
a montagem teatral e a finalização com a telenovela. As questões respondidas pelos três 
alunos foram:
21 
1- De que forma os Jogos Teatrais contribuíram no desenvolvimento criativo para a 
montagem teatral da telenovela? 
2- O que motivou a sua participação até o final do processo? 
3- Qual a dificuldade encontrada no laboratório de preparação do ator para cena? 
Desejo compartilhar a entrevista que é de extrema relevância para análise da 
contribuição dos Jogos Teatrais na visão dos alunos participantes e também evidenciar a 
avaliação por parte do professor orientador. 
Em relação à primeira pergunta: De que forma os Jogos Teatrais contribuíram no 
desenvolvimento criativo para a montagem teatral da telenovela? 
P18 relatou que alguns jogos contribuíram de forma positiva e que o jogo “Discurso 
que vagueia” que tinha como “foco” falar frases do texto explorando as emoções de tristeza, 
alegria, raiva e melancolia foi o jogo que o participante mais gostou, pois impulsionou o 
desenvolvimento das cenas e a frase do texto: “A hipoteca vence hoje, apenas isso” usada no 
jogo citado à cima, marcou muito o aluno. P1 também revelou que o jogo “Exercício de 
contato” não ficou muito claro a contribuição desse jogo no desenvolvimento dele como ator, 
porém reconhece que as instruções para todos os jogos foram esclarecedoras. 
P2 informou que os jogos ajudaram a romper com a barreira da timidez e foram 
fundamentais na preparação dele para as gravações da telenovela: “os Jogos Teatrais tiveram 
toda contribuição e sem eles não conseguiríamos fazer o melodrama, pois não tínhamos 
experiência nenhuma”. Os jogos que marcaram P2 foram: “Sentindo eu como eu” e o “Jogo 
da bola”. 
P3 relatou que o grupo de teatro o ajudou no relacionamento com as pessoas 
contribuindo na comunicação e na interação com as novas pessoas do grupo de teatro. Os 
jogos que contribuíram para o desenvolvimento de P3 foram os jogos “Envolvimento entre 
duplas” e “Quem iniciou o movimento”. 
Analisando as respostas para essa pergunta, observei que todos os três entrevistados 
reconhecem a importância dos Jogos Teatrais na preparação do ator e que sem os jogos o 
grupo não estaria preparado para o jogo final, que ocorreu quando apresentamos a telenovela 
pronta para a plateia. Ficou explícito que durante o laboratório de preparação do ator, alguns 
jogos marcaram os alunos, cada um conseguiu lembrar e citar os jogos que contribuíram para 
o seu desenvolvimento, apenas o aluno P1 citou um jogo que na sua percepção não contribuiu 
para a formação do corpo e da voz do ator. Diante dessa declaração procurei razões que 
8 Os três participantes serão nomeados por P1, P2 e P3.
22 
levassem há não contribuição do jogo, na visão do aluno, que pode ser atribuída pela a falta de 
entrega á proposta do jogo. 
Nos jogos mencionados pelos alunos como “Discurso que vagueia” e o “Exercício de 
contato” os jogadores estabeleceram “Onde”, “Quem” e “O Quê”. No primeiro jogo 
“discurso que vagueia” o jogador não consegue obter informação ou completar uma atividade 
por causa do falatório do outro jogador, que mantém a conversação, mudando de assunto e 
divagando. As falas usadas nesse jogo estavam pautadas na peça “A maldição do vale negro” 
e a frase “hipoteca vence hoje, apenas isso” foi bastante citada pelos alunos. No segundo jogo 
“exercício de cotato” os jogadores tiveram que fazer contato físico direto (tocar) em cada vez 
que era introduzido um novo pensamento ou frase no diálogo. A cada mudança do diálogo 
eram feitos contatos físicos diferentes. Se o contato não pudesse ser feito não deveria haver o 
diálogo. 
Com os jogos “Sentindo o eu como eu” e o “Jogo da bola” o desafio era desenvolver 
o imaginário. No primeiro jogo “Sentindo o eu como eu” o grupo ficou de olhos fechados e 
sentiu o contato do seu corpo com o espaço exterior. No “Jogo da bola” o grupo foi dividido 
entre jogadores e plateia. O professor orientador decidiu o tamanho da bola e depois o grupo 
jogou a bola de um para o outro, a bola ao decorrer do jogo teve vários pesos e tamanhos 
imaginários. 
Os jogos “Envolvimento em duplas” e “Quem iniciou o movimento” foi instaurado 
para desenvolver através da ação a concentração, a observação visual e a confiança no grupo. 
No primeiro jogo “Envolvimento em duplas”, os jogadores estabeleceram um objeto entre eles 
e depois desenvolvem uma atividade com o objeto escolhido, como por exemplo, um lenço 
para vendar os olhos. Nesse caso, o objeto que eles escolheram determinou a atividade e um 
jogador ficou como guia do outro, que estava com os olhos vendados. No segundo jogo 
“Quem iniciou o movimento”, um jogador saiu da sala e um outro jogador do grupo foi 
escolhido para iniciar o movimento, todos permaneceram em círculo. O líder iniciou os 
movimentos e o jogador que saiu foi chamado de volta e foi para o centro do círculo tentar 
descobrir quem estava liderando os movimentos. 
É notório observar o quanto o ato de jogar, mesmo que não seja esse o objetivo central 
do jogo ajudou na interação do grupo, no conhecimento individual, na descoberta de novas 
possibilidades em cena e desenvolveu o corpo e a voz para criação dos personagens. 
No que se refere à segunda pergunta: O que motivou a sua participação até o final do 
processo?
23 
P1 informou que a sua motivação de continuar no processo veio pela formação do 
grupo composto por seus colegas e pelos os professores, o qual ele criou bastante afinidade, 
porém revelou com muita emoção que a principal motivação foi saber que a sua família 
estaria presente no dia da apresentação: “O que me motivou foi saber que pela primeira vez 
meu pai estaria presente no colégio para assistir uma apresentação minha”. 
P2 relatou que é uma pessoa muito tímida e o que motivou a continuar no grupo de 
teatro foi a percepção de uma melhora na comunicação com as pessoas: “Não conseguia me 
comunicar em público e tinha muita resistência em conversar com pessoas fora do meu 
convívio e através dos jogos fui perdendo gradativamente esse sentimento de reclusão”. 
P3 argumentou que a sua motivação para continuar no processo vinha dos jogos 
realizados, que o despertava em cada encontro mais interesse pelo teatro e também que se 
interessou bastante pelo gênero melodramático: “Gostei bastante de participar das dinâmicas 
com os jogos, onde pude experimentar novas formas de comunicação através do corpo e não 
apenas através da fala”. 
Nas respostas para essa pergunta observei que houve uma interação entre os 
participantes que estabeleceram um estreitamento nas relações pessoais, gerando uma 
amizade que foi fundamental para que os alunos se motivassem e continuassem no processo. 
Notei o quanto a família pode influenciar e incentivar os alunos há não desistirem das suas 
atividades no colégio, pois quando há um acompanhamento de perto de algum familiar os 
jovens se sentem motivados a conquistarem um resultado para apresentar e serem admirados. 
Constatei também como as aulas contribuíram na comunicação entre eles, desenvolvendo o 
diálogo no grupo e na vida pessoal de cada participante, e que os jogos despertaram ao 
decorrer dos encontros o desejo de fazer teatro. O gênero melodramático também contribuiu 
bastante, pois era algo novo e desconhecido para o grupo e alguns dos alunos sentiram- se 
motivados a aprender esse estilo teatral. 
Em relação à terceira pergunta: Qual a dificuldade encontrada no laboratório de 
preparação do ator para cena? 
P1 disse que: “A dificuldade foi com o gênero melodramático, nunca tinha escutado 
falar em melodrama”. O participante não conhecia o gênero e teve dificuldade nas 
interpretações exageradas, mas que apesar disso o processo foi muito legal e interessante: 
“Tive a oportunidade de conhecer um novo estilo de teatro, aprendi muito com as leituras 
dramáticas, com a telenovela e considerei o grupo como uma família”.
24 
P2 relatou que sua dificuldade no processo foi: “Fazer a composição dos personagens 
do melodrama e criar um vilão, gosto mais de comédia, tenho dificuldade de ser sério e 
bravo”. Disse também que foi a primeira vez que gravou uma telenovela e que se sentiu 
realizado com o resultado do trabalho. Segundo P2, a experiência com as gravações foi 
bastante estressante: “Tínhamos que voltar e gravar várias vezes e foi muito cansativo, mas 
valeu a pena gostei de tudo, do grupo, das aulas e inclusive até pensei em um dia quem sabe 
fazer uma faculdade de teatro”. 
A dificuldade maior de P3 foi durante a construção do personagem: “Trabalhar com 
várias emoções diferentes foi o mais difícil”. Sobre o processo P3 falou: “Foi bastante 
importante para mim, uma nova descoberta, uma coisa diferente e um novo conhecimento”. 
Essa terceira pergunta ajudou a confirmar o quanto o gênero melodramático ficou 
esquecido por essa geração dos anos 90. Os entrevistados não tinham conhecimento nenhum 
sobre o que é o gênero melodramático, porém o processo teatral serviu para estimular a leitura 
e juntos descobriram uma nova forma de fazer teatro, um estilo teatral diferente do que estão 
acostumados a ver na televisão. As formas de interpretação exageradas e os personagens de 
perfil marcante para serem construídos também foi um ponto de dificuldade para a maioria 
deles. Apesar de toda diversidade encontrada notei que a experiência com os Jogos Teatrais e 
com o melodrama despertaram nos alunos o interesse pela a arte teatral, capaz de envolvê-los 
além do projeto desenvolvido no colégio. A montagem teatral estimulou os alunos para a 
reflexão da essência do teatro na educação e a suas contribuições na formação dos alunos, que 
só foi possível pelo elo de confiança estabelecido entre os alunos e o professor, fundamental 
para que se consiga qualquer tipo de experiência. “Todas as pessoas são capazes de atuar no 
palco. Todas as pessoas são capazes de improvisar. As pessoas que desejarem são capazes de 
jogar e aprender a ter valor no palco.” ( SPOLIN, 2010, p. 3) 
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS 
Os jogos desenvolvidos através da metodologia dos Jogos Teatrais ressaltaram a 
importância do trabalho em grupo. Os problemas de atuação apresentados pelo professor 
coordenador estimularam os jogadores a elaborarem soluções para as problemáticas em cena, 
desenvolvendo as habilidades particulares de cada jogador na criação do corpo, da voz, das 
emoções e das narrativas dos personagens para criação da telenovela. Ressalto que os 
registros realizados com as entrevistas somente foram possíveis através das reflexões
25 
construídas da prática teatral dos alunos, que compreenderam o processo da criação até 
apresentação final da montagem da telenovela, valorizando o percurso de criação para que 
entendessem o objetivo do desenvolvimento de cada jogo. 
É fundamental que o professor estabeleça o seu papel de orientador e estimulador da 
turma e para isso é necessário que o educador tenha clareza do lugar e do objetivo que deseja 
alcançar com a metodologia compartilhada com seus alunos. Observei que á medida que os 
alunos vão se envolvendo e respondendo aos problemas em cena através da criação e 
improvisação, o professor deve propor novos desafios para que os alunos explorem as várias 
possibilidades dos aspectos cênicos, investigando ação dramática dos jogos para que haja um 
desenvolvimento contínuo nas aulas e o processo se torne vivo e não mecânico. 
É de extrema relevância a discussão sobre o papel fundamental da família no aspecto 
incentivador do processo evolutivo da apropriação e aquisição do fazer teatral. Quando o 
aluno recebe apoio familiar ele se sente motivado para continuar o processo, sendo oportuno o 
acompanhamento da família no desenvolvimento do aluno na escola, estabelecendo a 
importância na apreciação dos seus anseios e da superação nas atividades. 
Considero que a essência do teatro na educação esta pautada em estabelecer o elo de 
confiança entre os alunos e o professor, o sistema dos jogos de regras descartam a presença do 
professor autoritário. Os Jogos Teatrais propõe uma dinâmica educacional que o grupo faz do 
jogo um sistema prazeroso de aprendizagem. As atividades possibilitaram a criação coletiva 
por meio do jogar para criar, o que transformam as aulas de teatro em um lugar de exercitar a 
liberdade pessoal, do compartilhamento de ideias e anseios capazes de levar o grupo há 
compreensão da estética teatral. 
Posso considerar que para atingir a fluência nas aulas de teatro é essencial a 
contribuição do professor com aulas que envolvam seus participantes a experimentar o 
processo do jogar teatral que alcance um lugar libertador e criativo, que afete não só o aluno, 
mas também a sua família com os relatos intimistas do processo contemplando assim a 
sociedade com um todo. 
Compreendo que esse projeto desenvolvido em um espaço de tempo tão curto não tem 
um caráter transformador significativo para uma sociedade, porém acredito que as pequenas 
contribuições que os Jogos Teatrais desenvolveram no grupo, comprovada através das 
entrevistas, puderam consolidar nos alunos a importância do processo de criação teatral. 
Durante a montagem da telenovela tivemos problemas com as desistências de alguns 
alunos no decorrer das aulas e também com falta de disponibilidade de outros na participação
26 
dos jogos, aprendi com isso a importância da unidade do grupo e pude constatar que alguns 
jogos desenvolvidos simplesmente não funcionaram, pois o engajamento da turma foi abalado 
com a saída de alguns alunos, sendo necessário um novo planejamento que atendessem as 
expectativas do processo e dos participantes. 
Considero através deste trabalho que consegui responder a questão central de pesquisa 
e que a escrita contribuiu para o desejo de experimentar também outras metodologias com 
jogos, como por exemplo, o Jogo Dramático na versão francesa, para que fosse possível em 
trabalhos futuros analisar as diferenças no processo de preparação dos alunos para cena com 
as duas metodologias. 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
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Editora Hucitec, 2006. 
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HUPPES, Ivete. Melodrama: O gênero e sua permanência. São Paulo: Ateliê editorial, 
2000. 
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Dia.18/09/03. 
Disponível: http://www.canaldaimprensa.com.br/canalant/debate/dnov/debate04.htm Acesso 
em 24 de agosto de 2014. 
KOUDELLA, I.D. Jogos Teatrais. São Paulo: Perspectiva, 2001b. 
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SALLES, Cecília Almeida. Redes da criação: construção da obra de arte. São Paulo: 
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SELLTIZ, Claire. Métodos de pesquisa nas relações sociais. Tradução de Maria Martha 
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edição. São Paulo: EPU, 1987. 
SPOLIN, V. Improvisação para o teatro. (I. D KOUDELLA Trad.) 5°. ed. São Paulo: 
Perspectiva, 2010.
27 
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XAVIER, Ismail. O Olhar e a Cena: Melodrama, Hollywood, Cinema Novo, Nelson 
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  • 1. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL UNIVERSIDADE FEDERAL DO TOCANTINS CAMPUS DE PALMAS CURSO DE ARTES-TEATRO Emmanuela Niemaier de Moura A montagem da Peça: “A maldição do vale negro” a partir dos Jogos teatrais Palmas - TO 2014
  • 2. Emmanuela Niemaier de Moura A montagem da Peça: “A maldição do vale negro” a partir dos Jogos teatrais Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Universidade Federal do Tocantins para obtenção do título de Licenciado em Artes-Teatro. Orientador(a): Profa. Ma. Andreia Lívia de Jesus Leão. Palmas - TO 2014
  • 3. Emmanuela Niemaier de Moura A montagem da Peça: “A maldição do vale negro” a partir dos Jogos teatrais. Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Universidade Federal do Tocantins para obtenção do título de Licenciado em Artes-Teatro. Aprovado em: 10/10/14 Banca Examinadora Prof. Me. Heitor Martins Oliveira Instituição/Curso: Universidade Federal do Tocantins/ Artes- Teatro. Julgamento: __________________ Assinatura: ___________________________ Profa. Ma. Adriana dos Reis Martins Instituição/Curso: Universidade Federal do Tocantins/ Artes- Teatro. Julgamento: __________________ Assinatura: ___________________________ Profa. Ma. Andreia Lívia de Jesus Leão Instituição/Curso: Universidade Federal do Tocantins/ Artes- Teatro. Julgamento: __________________ Assinatura: ___________________________
  • 4. AGRADECIMENTOS Agradeço em primeiro lugar a Deus o meu redentor e iluminador nessa jornada pelo conhecimento. Ao meu esposo Fábio pela compreensão e apoio que recebi durante esta jornada acadêmica. A minha orientadora Andreia que colaborou com o meu crescimento cognitivo compartilhando os seus saberes necessários para escrita desse artigo.
  • 5. “Quando o sentido de processo é compreendido, e se entende a estória como o resíduo do processo, resultado é ação dramática, pois toda a energia e ação de cena são geradas pelo simples processo de atuação”. Viola Spolin
  • 6. Resumo MOURA, E. N. A montagem da peça: “A maldição do vale negro” a partir dos Jogos Teatrais. Trabalho de Conclusão de Curso – Colegiado de Artes-Teatro, Universidade Federal do Tocantins, Palmas – TO, 2014. Este artigo deseja contextualizar a instauração dos Jogos Teatrais como abordagem metodológica na preparação de alunos iniciantes na prática do teatro, com objetivo de apresentar uma montagem de uma telenovela do gênero do melodrama. Os alunos participantes do projeto são estudantes do 2° ano do ensino médio do Colégio São José da cidade de Palmas (TO). Esse trabalho foi desenvolvido no 2° semestre 2013 durante o projeto de iniciação a docência (PIBID) do curso de Artes/Teatro da Universidade Federal do Tocantins. Proponho um estudo que estabeleça a importância do jogar no processo Teatro- Educação. A escolha de usar o sistema dos Jogos Teatrais veio da inquietação pessoal de ensinar teatro fazendo teatro. O principal referencial teórico utilizado nesta pesquisa foi: Koudela (2001) e Spolin (2001, 2010). Desejo com essa experiência ressaltar a essência do teatro na educação, a qual deve estabelecer o elo de confiança entre os alunos e o professor, para que as atividades desenvolvidas possibilitem a criação coletiva por meio do jogar para criar. Palavras-Chave: Jogos Teatrais; Melodrama; Improvisação; Telenovela.
  • 7. Abstract MOURA, E. N. The mounting of the play: “The curse of the Black Valley” from theatre games. Course Conclusion Paper – College of Arts-Theatre, Federal University of Tocantins, Palmas – TO, 2014. This article seeks to contextualize the establishment of Theater Games as a methodological preparation of beginners in the practice of theater, aiming to present a montage of a TV Soap Opera (a Novel) genre of drama. The students participating in the project are students in 2nd year of high school at the College of São Jose in the city of Palmas, Tocantins. This work has been developed in the 2nd Semester of 2013 during the course of the project of initiation to teaching (PIBID) of the Arts Course at the Federal University Theatre of Tocantins. I propose a study to establish the importance of play in theatre-education process. The choice to use the system of Theather Games came from personal concern to teach theater doing theater. The main theoretical reference adopted in this research was: Koudela (2001) and Spolin (2001, 2010). I wish to emphasize with this experience the essence of theater in education, which must establish the bond of trust between the students and the teacher, so then the activities developed enables the collective creation through play to create. Keyword: Theater Games; Drama; Improvisation; Novel.
  • 8. 7 1. INTRODUÇÃO O presente artigo deseja contextualizar a instauração dos Jogos Teatrais como abordagem metodológica na preparação de alunos iniciantes na prática do teatro, com objetivo de apresentar uma montagem de uma telenovela tendo como temática o gênero melodramático. O público alvo escolhido para esse projeto foram os alunos que cursavam o 2° ano do ensino médio no Colégio São José, o projeto foi desenvolvido durante o 2° semestre do ano 2013 na cidade de Palmas (TO). O trabalho realizado no Colégio São José faz parte de um dos projetos do Programa institucional de bolsa de iniciação a docência (PIBID), o qual tem como objetivo levar estudantes da Universidade Federal do Tocantins do curso de Artes- Teatro a vivenciar a licenciatura e desenvolver projetos inovadores que proponham uma experiência significativa tanto para a escola que recebe o projeto, quanto para os futuros professores que os coordenam. Com o projeto PIBID os alunos dos cursos de licenciatura ingressam na escola antes mesmo de se graduar e colocam em prática o que estão aprendendo na universidade. O objetivo principal do projeto de preparação dos alunos para cena usando os Jogos Teatrais é envolvê-los na ação e na observação do jogo teatral, para que todos pudessem descobrir as possibilidades de criação através da força coletiva do grupo, que é propulsora da ação e capaz de levar a construções de cenas e personagens, visando como resultado final a montagem da telenovela. Como acadêmica do curso de licenciatura em Artes/Teatro escolhi como abordagem metodológica para esse processo, os Jogos Teatrais, por ser um trabalho com alunos iniciantes na prática teatral. Acredito que os Jogos Teatrais com o seu sistema de regras que estabelece o foco1 a ser alcançado contribuem para compreensão, pois a retomada do foco é sempre lembrada pelo orientador. O professor deve estar sempre atento às instruções e as avaliações, com isso verificar se o foco foi alcançado pelo grupo; se a instrução dele foi suficiente para a contribuição do entendimento do jogo e não apenas jogar por jogar. Os jogos teatrais podem trazer o frescor e vitalidade para a sala de aula. As oficinas de jogos teatrais não são designadas como passatempo do currículo, mas sim como complementos para aprendizagem escolar, ampliando a consciência de problemas e ideias fundamentais para o desenvolvimento intelectual dos alunos. (SPOLIN, 2007, p. 29). 1 “O conceito Foco altera não somente a atuação do professor como a própria organização da matéria, na medida em que ele passa a agir em função de pontos essenciais a serem comunicados aos alunos e não de uma sequência predeterminada.” (KOUDELA, 2001, p. 43).
  • 9. 8 O grande desafio quando se trabalha com adolescentes é mantê-los motivados durante o processo, desde a primeira aula até final do projeto. A mudança de interesse nessa fase estudantil é muito grande e as atividades oferecidas na escola eram muitas o que tornava mais difícil a escolha e a permanência nas aulas de teatro. Observei que na escola os alunos tinham outras atividades como torneios de vôlei, banda de música e grupos de quadrilha, essas atividades disputavam o tempo e a dedicação deles nas aulas teatro, mas entendo que nessa fase escolar os alunos querem participar de todas as atividades ao mesmo tempo e acabam desistindo no meio do percurso, necessitando de uma intervenção por parte dos professores motivando e inovando as aulas. Dessa realidade do colégio veio à questão: como desenvolver um processo de montagem de uma telenovela, usando os Jogos Teatrais na preparação dos alunos do Colégio São José para a cena, capaz de desenvolvê-los e motivá-los durante todo o processo até apresentação final? Como professora de teatro de um projeto que contemplava apenas alunos do contra turno escolar, o grande desafio era manter as aulas interessantes e não apenas coordenar jogos sem nenhum objetivo, mas construir através dos jogos aulas que estimulasse a improvisação e a construção de cenas, para que os alunos vivenciassem a experiência teatral sentindo-se motivados para os próximos encontros. Segundo Huizinga (2000), desenvolver as habilidades que o próprio ato de jogar pode proporcionar pelo simples fato de estar jogando sem nenhuma pretensão, além do que a própria atividade exige de cada participante, torna o jogo um descanso da vida cotidiana libertando o processo criativo e tornando o jogo prazeroso pra quem joga. Foi com essa perspectiva que olhei para a potencialidade dos Jogos Teatrais e coloquei-os em prática para estimular em cada aluno a emoção, a fala e o corpo necessário para a montagem do espetáculo melodramático. A peça escolhida e adaptada para montagem teatral da telenovela foi “A Maldição do Vale Negro” escrita por Caio Fernando de Abreu no ano de 1986, com a colaboração do diretor teatral Luiz Arthur Nunes. Utilizei como referencial teórico para o processo de montagem teatral: Koudela (2001), Thomasseau (2005) e Spolin (2001, 2010). No decorrer do trabalho quero descrever a experiência do processo desenvolvido a partir do gênero melodramático, do jogo, da telenovela e dos Jogos Teatrais usados no laboratório de preparação dos alunos. Para evidenciar o resultado foi realizada uma entrevista semiestruturada com os participantes do projeto.
  • 10. 9 2. METODOLOGIA 2.1. Natureza da Pesquisa Por meio deste trabalho desejo apresentar as experiências durante o processo de montagem teatral de uma telenovela adaptada da peça “A Maldição do Vale Negro” que usei como fio condutor na preparação dos alunos os Jogos Teatrais. Desejo discorrer desde o processo de criação até a apresentação pública e investigar a contribuição na aprendizagem do ensino de teatro, a qual enfatizo o processo percorrido pelos alunos e não apenas o produto final. Assim pensar no ensino de Teatro como um processo constante, onde apreciação estética deve estimular à criação de novos espectadores que compreendem e participam do sistema metodológico, da criação de cena até o resultado final da apresentação da telenovela, contribuindo na formação artística e cultural dos alunos. Nas escolas o teatro deve ser visto como um processo de aquisição de saberes e fazeres conquistados através dos seus processos metodológicos e não somente visto como apresentações teatrais de datas comemorativas. Desejo nesse artigo discorrer sobre o laboratório2 realizado com Jogos Teatrais no Colégio São José, desenvolvido durante o 2° semestre do ano 2013, com os alunos que cursavam o 2° ano do ensino médio e fomentar a relevância do desenvolvimento dos alunos nas aulas de teatro. Com a autorização da direção do colégio passamos nas salas de aula divulgando o projeto PIBID, a diretora deixou claro que todos os alunos do 2° ano que tivessem interesse poderiam participar. Ela optou pela turma do 2° ano por julgar que os alunos dessa turma mostravam mais interesse pelo teatro, todos os alunos que tiveram interesse em participar do projeto foram aceitos no grupo. Falamos com os alunos da nossa proposta de trabalhar com o gênero melodramático e que durante todo o processo usaríamos os Jogos Teatrais. Com o desenvolvimento e a improvisação de cena através dos Jogos Teatrais tínhamos como proposta montar cenas de radionovela, telenovela e teatro. Nesse projeto participaram do desenvolvimento da radionovela e do teatro melodramático, outros dois alunos da Universidade Federal do Tocantins, porém irei detalhar a experiência apenas do processo condutor com Jogos Teatrais na preparação dos alunos para as cenas e apresentação da telenovela, processo o qual ficou sob a minha orientação. 2 O laboratório teatral é fundamentado em duas ações que poderão acontecer simultaneamente: a preparação ou treinamento do ator e a improvisação das cenas. (SALLES, 2006, p.22)
  • 11. 10 A escolha do gênero melodramático veio da vontade de resgatar para os tempos atuais a telenovela, a radionovela e o teatro exagerado com suas encenações cheias de emoções e sentimentos. O melodrama3 é um gênero originado no século XVIII que teve seu contexto fundamentado na Revolução Francesa em um período de intensas e radicais transformações na França. As temáticas do melodrama refletiam os ideais de “liberdade, igualdade e fraternidade”, assumindo desse modo um papel quase institucional da Revolução. As paixões políticas despertadas e as terríveis cenas vividas durante a Revolução exaltaram a imaginação e exacerbaram a sensibilidade de certas massas populares que afinal podem se permitir encenar suas emoções. E para que estas possam desenvolver-se o cenário se encherá de prisões, de conspirações e de desgraças imensas sofridas por vítimas e traidores que no final pagarão caro suas traições. [...] Antes de ser um meio de propaganda, o melodrama será o espelho de uma consciência coletiva (MARTÍN-BARBERO, 2003, p.152). Compreendo que montar uma telenovela em um único semestre com alunos sem experiência teatral requer bastante envolvimento por parte dos alunos e do professor, a saber, do pouco tempo que tínhamos, resolvemos fazer uma adaptação da peça “A Maldição do Vale Negro” fazendo um recorte de cenas as quais não descaracterizassem a peça mantendo a coerência da estória lúdica. A peça “A Maldição do Vale Negro” foi indicada por uma professora supervisora do PIBID, que nos apresentou a peça e também nos contou do seu projeto realizado em uma escola de Florianópolis e o quanto seus alunos se interessaram pela estória. Li a peça e apaixonei-me pelo enredo, personagens, tempo e local que aconteceu a narrativa. Além de todas as qualidades de uma boa estória, ainda tinha um mistério muito envolvente que poderia cativar os curiosos alunos adolescentes. O processo foi divido em três etapas: a primeira etapa foi composta pelo desenvolvimento dos Jogos Teatrais com o trabalho de corpo e improvisação do ator; a segunda etapa pela a apresentação do texto adaptado, as leituras dramáticas, a caracterização dos personagens, a voz e a expressão; na terceira etapa realizamos as gravações da telenovela e a apresentação para o público. Os jogos4 utilizados nas etapas do processo foram: “Ouvindo os sons do ambiente”; “Sentindo o eu com o eu”; 3 O vocábulo melodrama nasceu na Itália, no século XVII e designava um drama inteiramente cantado. O termo só foi aparecer na França no século XVIII, durante a querela entre franceses e italianos. (THOMASSEAU, 2005, p.16). 4 Os Jogos Teatrais foram selecionados do fichário da Viola Spolin (2001,2010).
  • 12. 11 “Quem iniciou o movimento”; “Cabo-de-guerra”; “Espelho”; “O jogo da sobrevivência”; “Blablação”; “Somente pés e pernas”; “Somente as mãos”; “Vendedor”; “Discurso que vagueia”; “Jogo da bola”; “Caminhada no espaço imitando animais”; “Envolvimento em duplas”; “Construindo uma história”; “Exercício de contato”. Para investigar a experiência de criação e de encenação da telenovela realizada pelos alunos, propus uma entrevista semiestruturada de vinte minutos com cada participante, que combinaram perguntas abertas e fechadas para que os alunos pudessem discorrer sobre as experiências no desenvolvimento com os Jogos Teatrais e à apresentação final. Por meio da transcrição das entrevistas pude compreender o processo vivenciado por três alunos que participaram do projeto. Quero através das entrevistas responder a questão: como desenvolver um processo de montagem de uma telenovela, utilizando os Jogos Teatrais na preparação dos alunos do Colégio São José para cena, capaz de desenvolvê-los e motivá-los durante todo o processo até a apresentação final? 2.2. Participantes O público alvo escolhido para este projeto foram dez alunos que cursavam o 2° ano do ensino médio no Colégio São José, moradores da cidade de Palmas (TO) e com a faixa etária de 15-16 anos. As entrevistas foram realizadas com apenas três alunos, não fizemos nenhum tipo de seleção ou restrição, todos os alunos que quiseram participar do projeto e da entrevista poderiam participar. A diretora do colégio optou que o projeto fosse oferecido para a turma do 2° ano por julgar que esses alunos mostravam mais interesse pelas práticas teatrais.
  • 13. 12 2.3. Natureza dos Dados A coleta dos dados foi realizada através de uma entrevista semiestruturada que combinou perguntas abertas e fechadas na tentativa de estimular uma discussão num contexto de uma conversa informal. Os alunos puderam discorrer sobre as suas experiências nos processos de preparação do ator com Jogos Teatrais e sobre a montagem da telenovela. A entrevista semiestruturada é muito usada quando se deseja obter um direcionamento maior do tema, intervindo a fim de que os objetivos sejam alcançados. A principal vantagem desse estilo de entrevista é que essa técnica quase sempre produz uma melhor amostra da população de interesse. Segundo Selltiz (1987), tanto na entrevista aberta como na semiestruturada, temos a possibilidade da utilização de recursos visuais como filmagens e fotografias, o que pode deixar o entrevistado mais à vontade para fazê-lo lembrar de fatos, que não seria possível em um questionário. “A arte do entrevistador consiste em criar uma situação onde as respostas do informante sejam fidedignas e válidas” (SELLTIZ, 1987 p.644). As perguntas tiveram seu teor voltado para a compreensão: 1- De que forma os Jogos Teatrais contribuíram no desenvolvimento criativo para a montagem teatral da telenovela? 2- O que motivou a sua participação até o final do processo? 3- Qual a dificuldade encontrada no laboratório de preparação do ator para cena? Desejo com essas perguntas, com os registros fotográficos e com as filmagens do processo estimular as entrevistas para que os alunos possam expor as contribuições da ação teatral vivenciada. Os alunos, os pais e a direção do colégio autorizaram os registros fotográficos e as filmagens. Para o processo de criação cênica é necessário através do referencial teórico expor a importância do jogo, dos Jogos Teatrais, do melodrama, da telenovela e do enredo da dramaturgia para fundamentar a relevância de cada tema na construção da montagem teatral. 2.4. Referencial Teórico O Jogo
  • 14. 13 O Jogo5 apenas pelo ato de jogar faz parte das principais bases das civilizações e podemos encontrar essa atividade lúdica tanto na vida humana quanto na vida animal, onde os animais brincam e têm as suas próprias regras no jogo assim como os humanos. O próprio ato de jogar, segundo Huizinga (2000), existe de alguma coisa em jogo que confere um sentido a ação e todo jogo significa alguma coisa, ele se diferencia da vida comum por ser uma atividade livre e voluntária sem qualquer interesse material. O jogador joga com um conjunto de regras estabelecidas, consentidas, com espaço determinado, dentro dos seus próprios limites e ritmo. O jogo é um elemento lúdico, entretanto a forma lúdica não consiste no esquecimento das regras, que são direcionadas pela razão e estão acompanhadas pelos sentimentos de alegria e tensão capazes de envolver o jogador. A regra é outro fator muito importante para o conceito de jogo. Todo jogo tem suas regras. São estas que determinam aquilo que "vale" dentro do mundo temporário por ele circunscrito. As regras de todos os jogos são absolutas e não permitem discussão. E não há dúvida de que a desobediência às regras implica na derrocada do mundo do jogo. O jogo acaba: O apito do árbitro quebra o feitiço e a vida "real" recomeça (HUZINGA, Johan 2000, p.12). Quando o jogador descumpre a regra estabelecida do jogo é considerado “desmancha prazeres”, pois não cumpre com o acordo feito pelos jogadores podendo ser expulso por quebrar o acordo. Huizinga (2000) afirma, que dentro do jogo as regras e costumes da vida quotidiana são deixados de lado e a atmosfera lúdica recria um mundo que envolve intensamente cada jogador em um novo mundo, onde as regras são outras, porém ressalta que o jogo por sua própria natureza tem um ambiente instável, podendo a qualquer momento à "vida quotidiana" reafirmar seus direitos, isso devido a um impacto exterior que poderá interromper o jogo; ou impacto interior devido a uma quebra das regras do jogo causado pela desilusão ou desencanto. Partindo do princípio que todo ser pensante é capaz de jogar e ultrapassar o limite da realidade desenvolvido pelo imaginário e possibilitar a fluência do processo criativo, quero através dos jogos especificamente os Jogos Teatrais, preparar os alunos para criação de personagens e cenas. Os Jogos Teatrais 5 “O jogo é uma atividade ou ocupação voluntária, exercida dentro de certos e determinados limites de tempo e de espaço, segundo regras livremente consentidas, mas absolutamente obrigatórias, dotado de um fim em si mesmo, acompanhado de um sentimento de tensão e de alegria e de uma consciência de ser diferente da vida quotidiana” (HUZINGA, 2000, p. 24).
  • 15. 14 Na década de sessenta nos Estados Unidos surgiram novas formas de teatro independente e novos grupos que experimentavam outras formas de comunicação, sendo os Jogos Teatrais a consequência dessa experimentação coletiva. A autora do sistema dos Jogos Teatrais é a americana Viola Spolin que visa uma atuação marcada pela improvisação e espontaneidade. Spolin tem três livros traduzidos em português por Ingrid Koudela que são: Improvisação para o teatro, O jogo teatral no livro do diretor e Jogos teatrais: o fichário de Viola Spolin. Conforme Koudela (2001), o livro Improvisação para o teatro foi editado pela primeira vez em 1963 e grande parte do sistema foi desenvolvido na Young Actors Company, durante mais de dez anos, com crianças de sete a quatorze anos. Spolin recebeu influências de Stanislávski e também de Neva Boyd, com a qual teve um treinamento em jogos, arte de contar estórias, danças e canções folclóricas. Esteve ligada ao The Compass Players (J 955-1957), em Chicago, que foi o primeiro elenco profissional de teatro de improvisação nos Estados Unidos. (KOUDELA, 2001, p.40) Os Jogos Teatrais são caracterizados por suas regras que fazem parte do parâmetro central do jogo, as quais constituem um sistema de atuação que pode ser desenvolvido por qualquer pessoa, seja ela com experiência teatral ou não, que desejam se expressar através do teatro. Os Jogos Teatrais estão apresentados em Improvisação para o teatro e Jogos Teatrais: o fichário de Viola Spolin, ambos são como manuais de ensino que auxiliam na prática do aprendizado do teatro. Os jogos são detalhados em: Preparação, Descrição do Exercício, Instrução, Avaliação, Notas e Áreas de Experiência. O corpo dos Jogos Teatrais está dividido em três seções: A, B e C. A seção A é composta de uma seleção de jogos teatrais e jogos tradicionais. Contém material básico, que pode ser retirado da sequência e apresentado com objetivos educacionais específicos. A seção B é uma seleção de Jogos Teatrais, acrescidos da estrutura dramática: Onde (Lugar e/ou Ambiente), Quem (personagem e/ou relação) e O Que (atividade). A seção C contém uma seleção adicional de Jogos Teatrais. (KOUDELA, 2001, p.41) Segundo Koudela (2001), o fichário de Jogos Teatrais pode ser usado de formas variadas, de acordo com a necessidade particular a ser desenvolvida nas áreas de experiência, que são indicadas na ficha de cada jogo e estão reunidas no apêndice do manual, de forma que o professor encontre uma listagem de jogos para áreas específicas. Com o fichário o professor pode selecionar o jogo que atende a necessidade, a qual deseja desenvolver nos alunos. Os jogos oferecem um leque de possibilidades a serem desenvolvidas em grupo e em várias categorias, como por exemplo: os jogos de observação, os jogos de memória, os jogos sensoriais, os jogos de aquecimento, os jogos de agilidade verbal e comunicação não-verbal. As variedades dos jogos possibilitam ao professor
  • 16. 15 desenvolver no grupo habilidades que contribuam para a criação e encenação teatral necessária para a montagem das cenas. Os Jogos Teatrais têm o seu sistema fundamentado no jogo e na ação improvisada que levam para ação lúdica e aliam-se a ele três dispositivos que sintetizam a especificidade do sistema: O foco atribuído pelo coordenador é sem dúvida o mais importante; ele designa um aspecto específico – objeto, pessoa ou ação na área de jogo – sobre o qual o jogador fixa sua atenção. Graças a ele, a experiência teatral pode ser, por assim dizer, recortada em segmentos apreensíveis. O segundo é a instrução, ou seja, a retomada do foco pelo coordenador, cada vez que isso se faz necessário. Em terceiro lugar, aparece a avaliação, efetuada pela plateia composta por uma parcela do próprio grupo, em alternância com a parcela de jogadores. (PUPO, 2005, p.4) O Foco é o ponto de concentração do ator, o objetivo comum do grupo em solucionar o problema e dessa tentativa nasce à cena. Para o estabelecimento do Foco do jogo existe sempre o Foco primário (por exemplo, Onde) e o Foco secundário (por exemplo, Quem e O Que). Para Koudela (2001), os termos “Onde”, “Quem” e “O Que” são usados no sistema em substituição aos termos teatrais como "cenário", "personagem" e "ação de cena". Segundo Spolin (2010), a espontaneidade é a energia vital que os Jogos Teatrais promovem, sendo um momento de liberdade pessoal e quando estamos frente a frente com a realidade a exploramos e agimos em conformidade com ela. A espontaneidade equivale, portanto à liberdade de ação e estabelecimento de contato com o ambiente. Com grupos iniciantes e também crianças, é fácil verificar que, quando o processo de improvisação é deixado totalmente livre, poucas vezes ele pode ser identificado com ação espontânea. (KOUDELA, 2001, p.51) O processo com os Jogos Teatrais busca o surgimento do gesto espontâneo na atuação, com essa metodologia desejo conseguir desenvolver no grupo os gestos exagerados e o corpo característico dos personagens do melodrama. O melodrama: O melodrama apresenta personagens com valores opostos: bondade versus maldade, mostrando momentos de grande euforia e serenidade. O gênero é marcado por enredos de tramas emocionantes e com reviravoltas sempre enfatizando a moral e destacando da trama o herói versus vilão. Conforme Thomasseau (2005), o gênero se caracteriza em torno do bem e do mal, do oral, do excesso estético, dos juízos morais, dos jogos sentimentais, da intensificação das virtudes e dos vícios das personagens, sejam elas vilãs ou heróis.
  • 17. 16 [...] um gênero teatral que privilegia primeiramente a emoção e a sensação. Sua principal preocupação é fazer variarem estas emoções com a alternância e o contraste de cenas calmas ou movimentadas, alegres ou patéticas. É também um gênero no qual a ação romanesca e espetacular impede a reflexão e deixa os nervos à flor da pele [...]. O melodrama é na verdade, a prática em geral de um moral convencional e “burguesa”, mas não se pode esquecer que ele veiculou, durante uma boa parte do século não só ideias políticas, sociais e socialistas, mas, sobretudo humanitárias e “humanistas”, apoiando-se na esperança fundamental de um triunfo final das qualidades humanas sobre o dinheiro e o poder. Ele carreou, de cambulhada, os sonhos e as esperanças dos estratos sociais mais desfavorecidos, mas também criou e manteve a efervescência de um imaginário popular, rico e vigoroso (THOMASSEAU, 2005, p.139-140). O melodrama supõe conflitos, propõe tornar visível a moral e tem um elevado poder de levar o público a fortes emoções seduzindo o espectador. O corpo é expressão direta dos sentimentos no melodrama através dos movimentos exagerados e bem explícitos ajudam na composição dos personagens “o vilão é antes de tudo nos bigodes e na postura insinuante, [...] o herói destila virtude no asseio e na presença modesta e respeitosa” (XAVIER 2002, p.95). Os traços de personalidade, de atitudes e desejos são estampados de modo exacerbado e claro. No enredo do melodrama o traço principal é a surpresa iminente – marca que se encontra inserida na elasticidade característica da trama. [...] É aqui que o artista aplica o máximo de criatividade. Leva os espectadores de sobressalto em sobressalto para um desfecho, que nem sempre concede o repouso do final feliz. A capacidade para surpreender deve certamente ser associada ao caráter do enredo. [...] Para o espectador, a possibilidade de sobrevirem novos episódios permanece como uma suspeita e uma inquietação a lhe instigar o interesse. Sentimentos que, de resto, não o abandonarão até as cortinas se fecharem, e que responde pelo estado de vigília ininterrupto a que fica submetido. (HUPES, 2000, p. 29). Para o desenvolvimento do gênero do melodrama foi necessário à escolha de um texto teatral melodramático para trabalharmos as características dos personagens. A peça escolhida foi “A Maldição do Vale Negro”, que fizemos uma adaptação para a apresentação da montagem da telenovela. A Peça: “A Maldição do Vale Negro” A peça “A Maldição do Vale Negro” foi escrita por Caio Fernando de Abreu no ano de 1986, com a colaboração do diretor teatral Luiz Arthur Nunes. Trata-se de uma peça de um único ato do gênero melodramático. A peça retrata a estória de Rosalinda, uma jovem órfã que foi criada por seu tio o Conde Maurício e pela a sua governanta Agatha, em um castelo da família Belmont na província de Castelfranc na França, que fica em um vale coberto por uma extensa floresta conhecida como Vale Negro. A estória tem início na tarde de primavera de 15 de abril de 1834. O tio e a governanta do castelo guardam um segredo sobre a vida de
  • 18. 17 Rosalinda, toda a trama é em entorno desse segredo que é capaz de mudar a vida de todos do castelo. A jovem Rosalinda é seduzida pelo marquês Rafael d’Aliençon que pertence a uma família nobre, o qual o tio de Rosalinda o Conde Maurício deve muito dinheiro a família do rapaz que é totalmente contra o relacionamento dos dois por duvidar do caráter de Rafael. O Conde Maurício descobre que a sobrinha está esperando um filho de Rafael, ele expulsa a jovem do castelo e a condena a própria sorte. Rosalinda fica totalmente desapontada, pois Rafael termina o namoro e a abandona também. Depois de expulsa do castelo Rosalinda encontra um grupo de ciganos que a acolhe e desvenda o terrível segredo sobre sua família. A estória é marcada pelas características do melodrama que são o sofrimento e o final feliz. Através dessa dramaturgia realizamos a montagem da telenovela. Fizemos uma leitura da peça junto com alunos e selecionamos a cena que foi gravada no estilo das telenovelas dos anos 50. A telenovela: O gênero surgiu por influência da radionovela e teve sua veiculação diária6 em 1963, onde em pouco tempo ganhou grande destaque na televisão brasileira. As estórias inicialmente encenadas nas telenovelas eram baseadas na estrutura radiofônica e com o passar dos anos novas formas mais realistas visando projetar a vida cotidiana ganha ascensão. A telenovela busca fornecer modelos de conduta de certo ou errado, que através das narrativas dos personagens influenciam na formação de identidade dos seus expectadores. Esse caráter mais real da novela7 a partir da década de 90 é devido a forte influência da escola realista que busca retratar os fatos como eles são, diferenciando-se de forma considerável do seu modelo inicial, mas apesar de todo realismo ainda é possível encontrar diversos elementos do melodrama como: as histórias de amores contrariados; o amor como prêmio; os conflitos derivados do sentimento de culpa; a moral como modo de enfrentar os 6 Em 1951, Walter Forster, diretor, autor e protagonista, lançou a telenovela “Sua vida me pertence” (TV Tupi, 1951), respaldado na estrutura radiofônica de apresentar dramaturgia. Inicialmente a telenovela era veiculada com 15 capítulos e exibida duas vezes por semana, o que remete à forte ligação com o folhetim do século XIX e com todo o arcabouço da radionovela. Foi a partir dessa experiência e também do sucesso que gozava, que a telenovela foi transformada em um produto de veiculação diária. Assim, a telenovela começou a ganhar novos contornos a partir da sua veiculação diária com de “2-5499 Ocupado” (TV Excelsior, 1963), adaptação de um roteiro argentino. 7 A palavra derivada do francês “nouvelle” é o gênero da televisão que possivelmente mais produz efeitos sobre a população.
  • 19. 18 conflitos; a estrutura de narração enquanto repetição e atraso dos acontecimentos; ascensão social via amor e o final feliz. Para compreensão do que foi desenvolvido durante a montagem teatral com as gravações da telenovela, desejo realizar uma exposição das etapas de todo o processo. 3. RESULTADOS E DISCUSSÃO Iniciamos o processo de montagem teatral no Colégio São José no mês de outubro de 2013 na cidade de Palmas (TO) com um encontro semanal de duas horas. O grupo era formado por dez alunos, sendo que desses apenas a metade concluíram a montagem e a apresentação final do espetáculo melodramático. Os alunos que desistiram foram devido às viagens de torneio de vôlei e alguns para participarem da banda do colégio. O processo foi divido em três etapas: Na primeira etapa apresentamos apenas os Jogos Teatrais sem a apresentação do texto e desenvolvemos os jogos na preparação dos alunos para a improvisação das cenas. Optei nesse inicio de trabalho por alguns jogos como, por exemplo, “somente pés e pernas e somente as mão”, para que os alunos desenvolvessem naquele primeiro momento a percepção de todo o corpo, para que percebessem a importância da unidade corporal no processo de atuação. O ator deve saber que ele constitui um organismo unificado, que seu corpo, da cabeça aos dedos do pé, funciona como uma unidade, para uma resposta de vida. O corpo deve ser um veículo de expressão e precisa ser desenvolvido para tornar-se um instrumento sensível, capaz de perceber, estabelecer contato e comunicar (SPOLIN, 2010 p. 131). No desenvolvimento do jogo “somente pés e pernas”, separamos os jogadores, individualmente, e cada jogador recebeu a instrução que deveria demonstrar usando somente pés e pernas: Quem ele é? E o que está Fazendo? Foi necessário escolher um estado de ânimo como impaciência, pesar, euforia, paciência ou outro sentimento para a composição de cena com apenas os membros citados. O foco desse jogo era mostrar “Quem”, “O Quê” e um “estado de ânimo” somente com os pés ou pernas. Depois de realizado o jogo, propomos uma avaliação para observar e discutir se os jogos foram executados apenas com a parte do corpo indicada. No jogo “Somente as mãos”, o grupo foi dividido em duplas de jogadores, sendo necessário que as duplas estabelecessem “Onde”, “Quem” e “O Quê”. Solicitamos que não usassem o diálogo entre jogadores e que a comunicação deveria ser realizada apenas com as
  • 20. 19 mãos e os antebraços e nenhuma outra parte do corpo poderia ser usada. O foco desse jogo era criar uma cena que tivesse um personagem em um lugar realizando alguma atividade e a parte do corpo responsável de contar essa estória eram apenas as mãos dos alunos. Realizamos depois a avaliação para discutir com os alunos se a cena foi executada apenas com a parte do corpo indicada. Nos dois jogos os alunos criaram cenas usando apenas os membros do corpo indicado, demonstrando gestos suaves, confiantes, amigáveis, de raiva, tensão, medo e tristeza. Os jogadores mantiveram os pés e mãos expostas durante todos os jogos, para que compreendessem a importância de cada parte do corpo na composição cênica, valorizando o que o movimento poderia significar em cena. Na segunda etapa do processo apresentamos a peça “A Maldição do Vale Negro”, onde realizamos um trabalho de leitura dramática com texto e usamos alguns jogos como o “Vendedor e o Construir estória”, para aprimorar a percepção do ouvir, do ver, da agilidade verbal, da voz e do contato do corpo na cena. No jogo o “Vendedor” cada aluno vendeu ou demonstrou alguma coisa ou produto para a plateia. Depois que terminaram o discurso pela primeira vez, os alunos repetiram o discurso pela segunda vez, porém dessa última tiveram que convencer a plateia que o produto demonstrado anteriormente têm as qualidades opostas do primeiro discurso. O foco dos jogadores estava voltado em envolver a plateia e convencer da compra ou não do seu produto. Na avaliação desse jogo discutimos a diferença entre os dois discursos e se o vendedor fez com que a cena adquirisse vida. No desenvolvimento do jogo “Construir estórias” separamos os alunos em dois grupos. O primeiro jogador iniciou a estória sobre qualquer assunto e enquanto o jogo acontecia o orientador apontou diversos jogadores para que imediatamente continuassem a estória a partir do ponto em que o último jogador parou. Isso foi realizado até que a estória terminasse ou até que o orientador pedisse para parar. Nesse jogo alguns alunos tiveram resistência em participar no primeiro momento e foi preciso um maior tempo para que os mais tímidos tivessem a coragem de continuar a estória. Em diversos momentos quando houve a recusa de algum deles, nós professores participamos e continuamos a estória, até que todos se sentissem confortáveis para participar do jogo. A avaliação que fizemos foi sobre a fluência e a improvisação das estórias narradas.
  • 21. 20 Esses jogos usados foram importantes para que os alunos exercitassem o momento de ouvir e o de falar, para que em cena pudessem respeitar o momento da pausa entre as falas dos personagens para que o jogo fluísse. O ator de teatro improvisacional deve ouvir seu colega ator e escutar tudo o que ele diz, para improvisar uma cena. Deve olhar e ver tudo o que está acontecendo. Esta é a única forma pela qual os jogadores podem jogar o mesmo jogo em conjunto. (SPOLIN, 2010 p. 153). Na terceira etapa foram realizadas as gravações da telenovela durante dois dias no parque Cesamar localizado na cidade de Palmas (TO) e com a participação de três alunos. Os alunos decidiram entre eles quem participaria da telenovela, do teatro e da radionovela. Não determinamos nenhum critério na escolha por uma das três modalidades de atuação. A cena escolhida para a reprodução da telenovela foi a cena sete, que merece destaque por revelar nessa narrativa que Rosalinda esta esperando um filho de Rafael, dando a partir dessa declaração o desenrolar e desfecho da estória. Durante as filmagens tivemos momentos de tensão devido às repetições nas gravações das cenas que foram bastante cansativas para os alunos que estavam encenando e também para quem estava fazendo as filmagens, pois não tínhamos materiais profissionais. No processo foi preciso controlar o horário das gravações devido à claridade, pois não tínhamos material necessário para filmar a noite, também corremos contra o tempo para concluir o trabalho antes do horário de grande movimentação no parque. Para todos os participantes foi bastante desafiante gravar, editar e reproduzir uma telenovela sem os recursos tecnológicos adequados e sem experiência, mas apesar das adversidades conseguimos finalizar o processo e mostrar nosso trabalho para o colégio. A apresentação foi realizada no Colégio São José em um único dia com três seções na sala de vídeo, que é uma sala de aula normal usada para reprodução de filmes aos alunos. Fizemos as três seções da telenovela para que os vários alunos do colégio pudessem assistir. Apesar da sala ser pequena conseguimos mostrar o nosso trabalho final para cem alunos com essa estratégia. Devido à claridade tivemos que levar tecidos e organizar a sala de modo que a luz não atrapalhasse a reprodução. Após todo o processo de criação com o desenvolvimento dos Jogos Teatrais e da apresentação final, foi realizada uma entrevista semiestruturada com três alunos que participaram do projeto, para elencar mais informações sobre o trabalho com os jogos durante a montagem teatral e a finalização com a telenovela. As questões respondidas pelos três alunos foram:
  • 22. 21 1- De que forma os Jogos Teatrais contribuíram no desenvolvimento criativo para a montagem teatral da telenovela? 2- O que motivou a sua participação até o final do processo? 3- Qual a dificuldade encontrada no laboratório de preparação do ator para cena? Desejo compartilhar a entrevista que é de extrema relevância para análise da contribuição dos Jogos Teatrais na visão dos alunos participantes e também evidenciar a avaliação por parte do professor orientador. Em relação à primeira pergunta: De que forma os Jogos Teatrais contribuíram no desenvolvimento criativo para a montagem teatral da telenovela? P18 relatou que alguns jogos contribuíram de forma positiva e que o jogo “Discurso que vagueia” que tinha como “foco” falar frases do texto explorando as emoções de tristeza, alegria, raiva e melancolia foi o jogo que o participante mais gostou, pois impulsionou o desenvolvimento das cenas e a frase do texto: “A hipoteca vence hoje, apenas isso” usada no jogo citado à cima, marcou muito o aluno. P1 também revelou que o jogo “Exercício de contato” não ficou muito claro a contribuição desse jogo no desenvolvimento dele como ator, porém reconhece que as instruções para todos os jogos foram esclarecedoras. P2 informou que os jogos ajudaram a romper com a barreira da timidez e foram fundamentais na preparação dele para as gravações da telenovela: “os Jogos Teatrais tiveram toda contribuição e sem eles não conseguiríamos fazer o melodrama, pois não tínhamos experiência nenhuma”. Os jogos que marcaram P2 foram: “Sentindo eu como eu” e o “Jogo da bola”. P3 relatou que o grupo de teatro o ajudou no relacionamento com as pessoas contribuindo na comunicação e na interação com as novas pessoas do grupo de teatro. Os jogos que contribuíram para o desenvolvimento de P3 foram os jogos “Envolvimento entre duplas” e “Quem iniciou o movimento”. Analisando as respostas para essa pergunta, observei que todos os três entrevistados reconhecem a importância dos Jogos Teatrais na preparação do ator e que sem os jogos o grupo não estaria preparado para o jogo final, que ocorreu quando apresentamos a telenovela pronta para a plateia. Ficou explícito que durante o laboratório de preparação do ator, alguns jogos marcaram os alunos, cada um conseguiu lembrar e citar os jogos que contribuíram para o seu desenvolvimento, apenas o aluno P1 citou um jogo que na sua percepção não contribuiu para a formação do corpo e da voz do ator. Diante dessa declaração procurei razões que 8 Os três participantes serão nomeados por P1, P2 e P3.
  • 23. 22 levassem há não contribuição do jogo, na visão do aluno, que pode ser atribuída pela a falta de entrega á proposta do jogo. Nos jogos mencionados pelos alunos como “Discurso que vagueia” e o “Exercício de contato” os jogadores estabeleceram “Onde”, “Quem” e “O Quê”. No primeiro jogo “discurso que vagueia” o jogador não consegue obter informação ou completar uma atividade por causa do falatório do outro jogador, que mantém a conversação, mudando de assunto e divagando. As falas usadas nesse jogo estavam pautadas na peça “A maldição do vale negro” e a frase “hipoteca vence hoje, apenas isso” foi bastante citada pelos alunos. No segundo jogo “exercício de cotato” os jogadores tiveram que fazer contato físico direto (tocar) em cada vez que era introduzido um novo pensamento ou frase no diálogo. A cada mudança do diálogo eram feitos contatos físicos diferentes. Se o contato não pudesse ser feito não deveria haver o diálogo. Com os jogos “Sentindo o eu como eu” e o “Jogo da bola” o desafio era desenvolver o imaginário. No primeiro jogo “Sentindo o eu como eu” o grupo ficou de olhos fechados e sentiu o contato do seu corpo com o espaço exterior. No “Jogo da bola” o grupo foi dividido entre jogadores e plateia. O professor orientador decidiu o tamanho da bola e depois o grupo jogou a bola de um para o outro, a bola ao decorrer do jogo teve vários pesos e tamanhos imaginários. Os jogos “Envolvimento em duplas” e “Quem iniciou o movimento” foi instaurado para desenvolver através da ação a concentração, a observação visual e a confiança no grupo. No primeiro jogo “Envolvimento em duplas”, os jogadores estabeleceram um objeto entre eles e depois desenvolvem uma atividade com o objeto escolhido, como por exemplo, um lenço para vendar os olhos. Nesse caso, o objeto que eles escolheram determinou a atividade e um jogador ficou como guia do outro, que estava com os olhos vendados. No segundo jogo “Quem iniciou o movimento”, um jogador saiu da sala e um outro jogador do grupo foi escolhido para iniciar o movimento, todos permaneceram em círculo. O líder iniciou os movimentos e o jogador que saiu foi chamado de volta e foi para o centro do círculo tentar descobrir quem estava liderando os movimentos. É notório observar o quanto o ato de jogar, mesmo que não seja esse o objetivo central do jogo ajudou na interação do grupo, no conhecimento individual, na descoberta de novas possibilidades em cena e desenvolveu o corpo e a voz para criação dos personagens. No que se refere à segunda pergunta: O que motivou a sua participação até o final do processo?
  • 24. 23 P1 informou que a sua motivação de continuar no processo veio pela formação do grupo composto por seus colegas e pelos os professores, o qual ele criou bastante afinidade, porém revelou com muita emoção que a principal motivação foi saber que a sua família estaria presente no dia da apresentação: “O que me motivou foi saber que pela primeira vez meu pai estaria presente no colégio para assistir uma apresentação minha”. P2 relatou que é uma pessoa muito tímida e o que motivou a continuar no grupo de teatro foi a percepção de uma melhora na comunicação com as pessoas: “Não conseguia me comunicar em público e tinha muita resistência em conversar com pessoas fora do meu convívio e através dos jogos fui perdendo gradativamente esse sentimento de reclusão”. P3 argumentou que a sua motivação para continuar no processo vinha dos jogos realizados, que o despertava em cada encontro mais interesse pelo teatro e também que se interessou bastante pelo gênero melodramático: “Gostei bastante de participar das dinâmicas com os jogos, onde pude experimentar novas formas de comunicação através do corpo e não apenas através da fala”. Nas respostas para essa pergunta observei que houve uma interação entre os participantes que estabeleceram um estreitamento nas relações pessoais, gerando uma amizade que foi fundamental para que os alunos se motivassem e continuassem no processo. Notei o quanto a família pode influenciar e incentivar os alunos há não desistirem das suas atividades no colégio, pois quando há um acompanhamento de perto de algum familiar os jovens se sentem motivados a conquistarem um resultado para apresentar e serem admirados. Constatei também como as aulas contribuíram na comunicação entre eles, desenvolvendo o diálogo no grupo e na vida pessoal de cada participante, e que os jogos despertaram ao decorrer dos encontros o desejo de fazer teatro. O gênero melodramático também contribuiu bastante, pois era algo novo e desconhecido para o grupo e alguns dos alunos sentiram- se motivados a aprender esse estilo teatral. Em relação à terceira pergunta: Qual a dificuldade encontrada no laboratório de preparação do ator para cena? P1 disse que: “A dificuldade foi com o gênero melodramático, nunca tinha escutado falar em melodrama”. O participante não conhecia o gênero e teve dificuldade nas interpretações exageradas, mas que apesar disso o processo foi muito legal e interessante: “Tive a oportunidade de conhecer um novo estilo de teatro, aprendi muito com as leituras dramáticas, com a telenovela e considerei o grupo como uma família”.
  • 25. 24 P2 relatou que sua dificuldade no processo foi: “Fazer a composição dos personagens do melodrama e criar um vilão, gosto mais de comédia, tenho dificuldade de ser sério e bravo”. Disse também que foi a primeira vez que gravou uma telenovela e que se sentiu realizado com o resultado do trabalho. Segundo P2, a experiência com as gravações foi bastante estressante: “Tínhamos que voltar e gravar várias vezes e foi muito cansativo, mas valeu a pena gostei de tudo, do grupo, das aulas e inclusive até pensei em um dia quem sabe fazer uma faculdade de teatro”. A dificuldade maior de P3 foi durante a construção do personagem: “Trabalhar com várias emoções diferentes foi o mais difícil”. Sobre o processo P3 falou: “Foi bastante importante para mim, uma nova descoberta, uma coisa diferente e um novo conhecimento”. Essa terceira pergunta ajudou a confirmar o quanto o gênero melodramático ficou esquecido por essa geração dos anos 90. Os entrevistados não tinham conhecimento nenhum sobre o que é o gênero melodramático, porém o processo teatral serviu para estimular a leitura e juntos descobriram uma nova forma de fazer teatro, um estilo teatral diferente do que estão acostumados a ver na televisão. As formas de interpretação exageradas e os personagens de perfil marcante para serem construídos também foi um ponto de dificuldade para a maioria deles. Apesar de toda diversidade encontrada notei que a experiência com os Jogos Teatrais e com o melodrama despertaram nos alunos o interesse pela a arte teatral, capaz de envolvê-los além do projeto desenvolvido no colégio. A montagem teatral estimulou os alunos para a reflexão da essência do teatro na educação e a suas contribuições na formação dos alunos, que só foi possível pelo elo de confiança estabelecido entre os alunos e o professor, fundamental para que se consiga qualquer tipo de experiência. “Todas as pessoas são capazes de atuar no palco. Todas as pessoas são capazes de improvisar. As pessoas que desejarem são capazes de jogar e aprender a ter valor no palco.” ( SPOLIN, 2010, p. 3) 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS Os jogos desenvolvidos através da metodologia dos Jogos Teatrais ressaltaram a importância do trabalho em grupo. Os problemas de atuação apresentados pelo professor coordenador estimularam os jogadores a elaborarem soluções para as problemáticas em cena, desenvolvendo as habilidades particulares de cada jogador na criação do corpo, da voz, das emoções e das narrativas dos personagens para criação da telenovela. Ressalto que os registros realizados com as entrevistas somente foram possíveis através das reflexões
  • 26. 25 construídas da prática teatral dos alunos, que compreenderam o processo da criação até apresentação final da montagem da telenovela, valorizando o percurso de criação para que entendessem o objetivo do desenvolvimento de cada jogo. É fundamental que o professor estabeleça o seu papel de orientador e estimulador da turma e para isso é necessário que o educador tenha clareza do lugar e do objetivo que deseja alcançar com a metodologia compartilhada com seus alunos. Observei que á medida que os alunos vão se envolvendo e respondendo aos problemas em cena através da criação e improvisação, o professor deve propor novos desafios para que os alunos explorem as várias possibilidades dos aspectos cênicos, investigando ação dramática dos jogos para que haja um desenvolvimento contínuo nas aulas e o processo se torne vivo e não mecânico. É de extrema relevância a discussão sobre o papel fundamental da família no aspecto incentivador do processo evolutivo da apropriação e aquisição do fazer teatral. Quando o aluno recebe apoio familiar ele se sente motivado para continuar o processo, sendo oportuno o acompanhamento da família no desenvolvimento do aluno na escola, estabelecendo a importância na apreciação dos seus anseios e da superação nas atividades. Considero que a essência do teatro na educação esta pautada em estabelecer o elo de confiança entre os alunos e o professor, o sistema dos jogos de regras descartam a presença do professor autoritário. Os Jogos Teatrais propõe uma dinâmica educacional que o grupo faz do jogo um sistema prazeroso de aprendizagem. As atividades possibilitaram a criação coletiva por meio do jogar para criar, o que transformam as aulas de teatro em um lugar de exercitar a liberdade pessoal, do compartilhamento de ideias e anseios capazes de levar o grupo há compreensão da estética teatral. Posso considerar que para atingir a fluência nas aulas de teatro é essencial a contribuição do professor com aulas que envolvam seus participantes a experimentar o processo do jogar teatral que alcance um lugar libertador e criativo, que afete não só o aluno, mas também a sua família com os relatos intimistas do processo contemplando assim a sociedade com um todo. Compreendo que esse projeto desenvolvido em um espaço de tempo tão curto não tem um caráter transformador significativo para uma sociedade, porém acredito que as pequenas contribuições que os Jogos Teatrais desenvolveram no grupo, comprovada através das entrevistas, puderam consolidar nos alunos a importância do processo de criação teatral. Durante a montagem da telenovela tivemos problemas com as desistências de alguns alunos no decorrer das aulas e também com falta de disponibilidade de outros na participação
  • 27. 26 dos jogos, aprendi com isso a importância da unidade do grupo e pude constatar que alguns jogos desenvolvidos simplesmente não funcionaram, pois o engajamento da turma foi abalado com a saída de alguns alunos, sendo necessário um novo planejamento que atendessem as expectativas do processo e dos participantes. Considero através deste trabalho que consegui responder a questão central de pesquisa e que a escrita contribuiu para o desejo de experimentar também outras metodologias com jogos, como por exemplo, o Jogo Dramático na versão francesa, para que fosse possível em trabalhos futuros analisar as diferenças no processo de preparação dos alunos para cena com as duas metodologias. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABREU, Caio Fernando e Luiz Arthur Nunes. A maldição do vale negro. Porto Alegre, IGEL / IEL, 1988. DESGRANGES, Flávio. A pedagogia do teatro: Provocação e dialogismo. São Paulo: Editora Hucitec, 2006. HUIZINGA, J. Homo Ludens. São Paulo: Perspectiva, 2000. HUPPES, Ivete. Melodrama: O gênero e sua permanência. São Paulo: Ateliê editorial, 2000. JOUGUET, Katianne. Ficção em Realidade. Ano II, 19ª edição: A Novela Nossa de Cada Dia.18/09/03. Disponível: http://www.canaldaimprensa.com.br/canalant/debate/dnov/debate04.htm Acesso em 24 de agosto de 2014. KOUDELLA, I.D. Jogos Teatrais. São Paulo: Perspectiva, 2001b. MICHALSKI, Yan. 1º Encontro Renner de Teatro. Boletim Informativo do Inacen, ano II, no 5°, p. 9, 1986. PUPO, Maria Lúcia de Souza Barros. Para desembaraçar os fios. São Paulo: Educação & Realidade, 2005. SALLES, Cecília Almeida. Redes da criação: construção da obra de arte. São Paulo: Horizonte, 2006. SELLTIZ, Claire. Métodos de pesquisa nas relações sociais. Tradução de Maria Martha a Hubner de Oliveira. 2 edição. São Paulo: EPU, 1987. SPOLIN, V. Improvisação para o teatro. (I. D KOUDELLA Trad.) 5°. ed. São Paulo: Perspectiva, 2010.
  • 28. 27 SPOLIN, V. Jogos teatrais. O fichário. (I. D KOUDELLA Trad.) São Paulo: Perspectiva, 2001 a. TÁVOLA, Artur. A Liberdade do Ver: Televisão em Leitura Crítica. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984. THOMASSEAU, Jean-Marie. O melodrama. Tradução e notas Claudia Braga e Jacqueline Penjon. São Paulo: Editora Perspectiva, 2005. XAVIER, Ismail. O Olhar e a Cena: Melodrama, Hollywood, Cinema Novo, Nelson Rodrigues. In: Melodrama ou a Sedução da Moral Negociada.