Sífilis
Avaliação, testagem e acompanhamento do
paciente
Dra Mônica Bannwart Mendes
Sífilis
 Doença bacteriana sistêmica crônica
 Descrita desde a antiguidade – lesões ósseas
 Treponema pallidum sp – 1905 por Hoffman
 1906 – 1° teste sorológico (Wasserman)
 1943 – Mahoney, Arnold e Harris: penicilina
Sífilis
Pacientes não tratados:
◦ 66% permaneciam assintomáticos
(33% cura espontânea e 33% latência indefinida)
◦ 33% evoluíram para complicações tardias
◦ 10% óbito
Sífilis
Treponema pallidum sp:
◦ espiroqueta
◦ observável em microscopia de campo escuro
◦ multiplicação a cada 30-33h
◦ baixa resistência ao meio ambiente: resseca
rapidamente
◦ desinfetantes com cloro e sabão provocam sua morte
Sífilis
Epidemiologia:
 Marcador de saúde pública
 Homem é o reservatório natural
 Vias de saída e entrada: pele e mucosa
 Infectividade / capacidade de penetração: moderada
(aumenta com o número de exposições)
 Patogenicidade / capacidade de produzir doença: alta
 Virulência / capacidade de produzir doença grave: baixa
Sífilis
Transmissão
 Contato direto: presença de lesão
prática sexual desprotegida
contato com lesões ativas
sífilis congênita: via de parto
 Contato indireto: fase latência
prática sexual desprotegida
transfusão de sangue
sífilis congênita: via transplacentária
Sífilis
 Evolui estágios de gravidade variada
 Pode acometer: olhos, sistema cardiovascular, fígado, rins e
sistema nervoso central
Sífilis
Classificação:
 Sífilis recente (com menos de 1 ano de evolução)
primária
secundária
latente recente (assintomática)
 Sífilis tardia (com mais de 1 ano de evolução)
latente tardia
terciária cutânea benigna
visceral
Manual para o manejo das DST em pessoas vivendo com HIV, 2011
Centro de Referência e Treinamento DST/aids-SP
Sífilis
Classificação Clínica:
1) Sífilis Primária:
- 3-4 semanas após contágio
- treponemia
- aparecimento da lesão no local da penetração do agente
- pápula eritematosa e pouco dolorora  úlcera (cancro
duro) de superfície lisa, exsudato claro, única ou múltipla
- pode acompanhar adenomegalia inguinal uni ou bilateral
- involui em 2 a 3 semanas, com ou sem cicatriz
Sífilis
2) Sífilis secundária:
- lesões da disseminação hematogênica do cancro
máculas eritematosas 
pápulas/pustulosas, polimorfismo
oral e vaginal: pápulas esbranquiçadas
hiperqueratósicas
áreas de maior umidade: aspecto vegetante e com odor
lesões palmo-plantares
- alopécia em couro cabeludo e sobrancelhas
- pode estar associada a uveíte, irite, artrite, glomerulonefrite
e síndrome nefrótica
- resolução espontânea em 2 semanas
Sífilis
3) Sífilis terciária:
- 15% apresentam alterações tegumentares (lesões enduradas –
presença de cicatrizes)
- 10% alterações cardiovasculares (aortite – vasa
vasorum, aneurisma de Ao descendente, insuficiência Ao, hipertrofia
ventricular E, coronárias  assintomático)
- 7% neurossífilis (psicoses, demências, paresias)
- após 1 ano de latência
Sífilis
Diagnóstico laboratorial:
 Sorológico não treponêmico: VDRL
- expressa de forma quantitativa: 1/1, 1/2, 1/4, 1/8, 1/16...
- reação que utiliza a cardiolipina (fosfolipídeo)
- pode resultar em falso positivo: 1-2% - EUA
- causas de falso positivo: gravidez
infecção pelo HIV
uso de drogas endovenosas
tuberculose
infecção por ricketsia,
infecção por outras espiroquetas
endocardite bacteriana
alterações da produção de Ig
www.cdc.gov
Sífilis
 Não treponêmico: VDRL
- falso negativo: infecção latente
infecção recente
20% na sífilis primária
 Teste treponêmico: FTA-abs e ELISA
- é o primeiro a positivar
- torna-se permanente em pacientes não tratados
- falso negativo: infecção recente
www.cdc.gov
Sífilis
Tratamento:
 Sífilis primária:
Benzetacil 2.400.000 UI IM dose única
- alternativa: doxiciclina 100mg de 12/12h por 15
dias
 Sífilis latente ou secundária:
Benzetacil 2.400.000 UI IM/semana por 2-3
semanas
- alternativa: doxiciclina 100mg de 12/12h por 30
dias
 Sífilis Terciária:
Sífilis
Avaliação do VDRL pós tratamento:
 Deve haver declínio de 4 vezes o título inicial do VDRL em 6-
12 meses
 Avaliações devem ser realizadas a cada 3 meses
 Ocorrendo a falha, está indicado a pesquisa de outro foco
desconhecido  SNC
 Há indicação de coleta de LCR:
VDRL > 1/32
Títulos não obtiverem queda em 6 meses, ou aumentarem
www.cdc.gov
Resumo
Triagem sorológica: HIV +  SAEI
HIV -
VDRL
reagente e < 1/32
FTA-abs
positivo
Tratamento
FTA-abs
negativo
VDRL falso
positivo, se
títulos1/1 e 1/2
VDRL
não
reagente
Nova testagem em 30
dias, se epidemiologia
Resumo:
Tratamento
Se não houve queda VDRL em 6 meses,
ou VDRL > 1/32,
ou aumento VDRL após tratamento
Encaminhar
Ambulatório de MI
Geral – Bloco 3
(Se HIV -)
Pesquisar nova
infecção ou foco
latente
Queda 4x o
VDRL em 6
meses
Acompanhar por
12 meses com
VDRL e FTA-abs
Resumo
 VDRL 1/1ou1/2 e FTA-abs negativo = falso positivo
 VDRL >1/2 e FTA-abs positivo = tratamento
 VDRL > 1/32 encaminhar para Ambulatório de MI Geral
 FTA-abs positivo = doença = tratamento
 Se paciente possuir HIV e VDRL positivos = encaminhar ao
SAEI
 Se paciente possuir HIV e HBV/HCV/VDRL = encaminhar ao
SAEI
Obrigada
Dra Mônica Bannwart Mendes

Sífilis

  • 1.
    Sífilis Avaliação, testagem eacompanhamento do paciente Dra Mônica Bannwart Mendes
  • 2.
    Sífilis  Doença bacterianasistêmica crônica  Descrita desde a antiguidade – lesões ósseas  Treponema pallidum sp – 1905 por Hoffman  1906 – 1° teste sorológico (Wasserman)  1943 – Mahoney, Arnold e Harris: penicilina
  • 3.
    Sífilis Pacientes não tratados: ◦66% permaneciam assintomáticos (33% cura espontânea e 33% latência indefinida) ◦ 33% evoluíram para complicações tardias ◦ 10% óbito
  • 4.
    Sífilis Treponema pallidum sp: ◦espiroqueta ◦ observável em microscopia de campo escuro ◦ multiplicação a cada 30-33h ◦ baixa resistência ao meio ambiente: resseca rapidamente ◦ desinfetantes com cloro e sabão provocam sua morte
  • 5.
    Sífilis Epidemiologia:  Marcador desaúde pública  Homem é o reservatório natural  Vias de saída e entrada: pele e mucosa  Infectividade / capacidade de penetração: moderada (aumenta com o número de exposições)  Patogenicidade / capacidade de produzir doença: alta  Virulência / capacidade de produzir doença grave: baixa
  • 6.
    Sífilis Transmissão  Contato direto:presença de lesão prática sexual desprotegida contato com lesões ativas sífilis congênita: via de parto  Contato indireto: fase latência prática sexual desprotegida transfusão de sangue sífilis congênita: via transplacentária
  • 7.
    Sífilis  Evolui estágiosde gravidade variada  Pode acometer: olhos, sistema cardiovascular, fígado, rins e sistema nervoso central
  • 8.
    Sífilis Classificação:  Sífilis recente(com menos de 1 ano de evolução) primária secundária latente recente (assintomática)  Sífilis tardia (com mais de 1 ano de evolução) latente tardia terciária cutânea benigna visceral Manual para o manejo das DST em pessoas vivendo com HIV, 2011 Centro de Referência e Treinamento DST/aids-SP
  • 9.
    Sífilis Classificação Clínica: 1) SífilisPrimária: - 3-4 semanas após contágio - treponemia - aparecimento da lesão no local da penetração do agente - pápula eritematosa e pouco dolorora  úlcera (cancro duro) de superfície lisa, exsudato claro, única ou múltipla - pode acompanhar adenomegalia inguinal uni ou bilateral - involui em 2 a 3 semanas, com ou sem cicatriz
  • 10.
    Sífilis 2) Sífilis secundária: -lesões da disseminação hematogênica do cancro máculas eritematosas  pápulas/pustulosas, polimorfismo oral e vaginal: pápulas esbranquiçadas hiperqueratósicas áreas de maior umidade: aspecto vegetante e com odor lesões palmo-plantares - alopécia em couro cabeludo e sobrancelhas - pode estar associada a uveíte, irite, artrite, glomerulonefrite e síndrome nefrótica - resolução espontânea em 2 semanas
  • 11.
    Sífilis 3) Sífilis terciária: -15% apresentam alterações tegumentares (lesões enduradas – presença de cicatrizes) - 10% alterações cardiovasculares (aortite – vasa vasorum, aneurisma de Ao descendente, insuficiência Ao, hipertrofia ventricular E, coronárias  assintomático) - 7% neurossífilis (psicoses, demências, paresias) - após 1 ano de latência
  • 12.
    Sífilis Diagnóstico laboratorial:  Sorológiconão treponêmico: VDRL - expressa de forma quantitativa: 1/1, 1/2, 1/4, 1/8, 1/16... - reação que utiliza a cardiolipina (fosfolipídeo) - pode resultar em falso positivo: 1-2% - EUA - causas de falso positivo: gravidez infecção pelo HIV uso de drogas endovenosas tuberculose infecção por ricketsia, infecção por outras espiroquetas endocardite bacteriana alterações da produção de Ig www.cdc.gov
  • 13.
    Sífilis  Não treponêmico:VDRL - falso negativo: infecção latente infecção recente 20% na sífilis primária  Teste treponêmico: FTA-abs e ELISA - é o primeiro a positivar - torna-se permanente em pacientes não tratados - falso negativo: infecção recente www.cdc.gov
  • 14.
    Sífilis Tratamento:  Sífilis primária: Benzetacil2.400.000 UI IM dose única - alternativa: doxiciclina 100mg de 12/12h por 15 dias  Sífilis latente ou secundária: Benzetacil 2.400.000 UI IM/semana por 2-3 semanas - alternativa: doxiciclina 100mg de 12/12h por 30 dias  Sífilis Terciária:
  • 15.
    Sífilis Avaliação do VDRLpós tratamento:  Deve haver declínio de 4 vezes o título inicial do VDRL em 6- 12 meses  Avaliações devem ser realizadas a cada 3 meses  Ocorrendo a falha, está indicado a pesquisa de outro foco desconhecido  SNC  Há indicação de coleta de LCR: VDRL > 1/32 Títulos não obtiverem queda em 6 meses, ou aumentarem www.cdc.gov
  • 16.
    Resumo Triagem sorológica: HIV+  SAEI HIV - VDRL reagente e < 1/32 FTA-abs positivo Tratamento FTA-abs negativo VDRL falso positivo, se títulos1/1 e 1/2 VDRL não reagente Nova testagem em 30 dias, se epidemiologia
  • 17.
    Resumo: Tratamento Se não houvequeda VDRL em 6 meses, ou VDRL > 1/32, ou aumento VDRL após tratamento Encaminhar Ambulatório de MI Geral – Bloco 3 (Se HIV -) Pesquisar nova infecção ou foco latente Queda 4x o VDRL em 6 meses Acompanhar por 12 meses com VDRL e FTA-abs
  • 18.
    Resumo  VDRL 1/1ou1/2e FTA-abs negativo = falso positivo  VDRL >1/2 e FTA-abs positivo = tratamento  VDRL > 1/32 encaminhar para Ambulatório de MI Geral  FTA-abs positivo = doença = tratamento  Se paciente possuir HIV e VDRL positivos = encaminhar ao SAEI  Se paciente possuir HIV e HBV/HCV/VDRL = encaminhar ao SAEI
  • 19.