SAÚDE 4.0, INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E SAÚDE DIGITAL
Luiz Carlos Lobo
Resumo
A saúde 4.0 consigna a aplicação de novas tecnologias noi setor saúde
Não se pode mais prescindir do uso de tecnologia em saúde e o advento da internet
e da inteligência artificial, possível graças ao desenvolvimento de computadores
capazes de armazenar um grande volume de dados e processá-los em enorme
velocidade, mudou a humanidade.
Do uso do estetoscópio e raios X, passamos ao uso de prontuários eletrônicos de
pacientes, exames com ultrassom, tomografia, ressonância magnética, uso de
sensores vestíveis e internet das coisas, da telemedicina, de sistemas empregando
Inteligência Artificial e analisando grandes volumes de dados são tecnologias que se
incorporam à atenção em saúde visando sempre aumentar a sua humanidade,
eficiência e resolutividade.
Saúde Digital corresponde à sistematização do uso de novas tecnologias digitais
que processando dados com o uso de computadores, disponibilizados em várias
plataformas, usando redes móveis via internet e centralizando os dados no paciente
refletindo toda a sua trajetória de cuidados recebidos nos vários níveis de atenção à
saúde é um imperativo a ser alcançado e o Conect-SUS (DATASUS-MS) vem
buscando atingir essa meta.
Mas o emprego de tecnologia deverá ampliar e garantir o atendimento em saúde
sem que se perca a visão do indivíduo e da sua problemática única de saúde
Abstract
The advent of the internet and artificial intelligence, made possible by the
development of computers capable of storing a large volume of data and processing
them at enormous speed, has changed humanity.
From the use of the stethoscope and X-rays, we moved on to the use of electronic
patient records, ultrasound examinations, tomography, magnetic resonance, the
use of wearable sensors and the internet of things, telemedicine, systems
employing Artificial Intelligence and analyzing large volumes of data are
technologies that are incorporated into health care, always aiming to increase its
humanity, efficiency, and resolution.
Digital Health corresponds to the systematization of the use of new digital
technologies that processing data with the use of computers, made available on
various platforms, using mobile networks via the internet and centralizing the data
on the patient, reflecting the entire trajectory of care received at the various levels of
care to the patient health is an imperative to be achieved and Conect-SUS
(DATASUS-MS) has been aming to achieve this goal.
But the use of technology should expand and guarantee quality of health care
without losing sight of the individual and its unique health problem.
Introdução
Saúde 4.0 é um conceito da OMS que propõe a incorporação de novas
tecnologias visando a otimização de ações voltadas à promoção, prevenção,
diagnóstico e tratamento de enfermidades e a garantia de um atendimento
humanizado e tempestivo dos pacientes (SAÚDE 4.0 -2021)
Adotar a Saúde 4.0 é investir em soluções digitais e incorporar processos regulares
de registro e análise de dados dos pacientes e da população, visando o
planejamento, caracterização de risco e definição de prioridades das ações de
saúde.
Maior eficiência e produtividade, mas assegurando sempre o acesso, a
integralidade, continuidade e resolutividade dos serviços prestados.
Inteligência artificial (IA) é um ramo da ciência da computação que, usando
computadores capazes de analisar um grande volume de dados e com grande
velocidade de processamento, permitem desenvolver sistemas que simulem a
capacidade humana na percepção de um problema, sendo capazes de identificar
seus componentes, propor e orientar decisões e, em consequência, resolver esse
problema.
Outra definição de Inteligência Artificial indica que seria a criação de sistemas
inteligentes de computação capazes de realizar tarefas sem receber instruções
diretas de humanos (os “robôs” são exemplos disso).
Sistemas com inteligência artificial, usando uma rede neural de computadores, são
capazes de aprender com seus erros, corrigindo seus algoritmos de decisão,
configurando uma “machine learning”.
Rede neural de processamento de dados
Entrada Processamento de dados Saida
Saúde digital
Saúde Digital corresponde ao conjunto de tecnologias digitais, redes sociais,
conectividade móvel e banda larga, utilizando o poder de computação e do universo
de dados convergentes com sensores sem fio, genômica e sistemas de informação
de saúde para, segundo a OMS, revolucionar a forma como as pessoas em todo o
mundo alcançam padrões mais elevados de saúde e acessam serviços para
promover e proteger sua saúde e bem-estar.
Segundo Eric Topol (TOPOL,2019), em 20 anos, todos os trabalhadores da área de
saúde deverão ser capacitados em tecnologias que caracterizam a saúde digital
Por outro lado, deve-se salientar que, a meu ver, nenhuma tecnologia será usada e
incorporada pelo homem, por mais inovadora e atual que seja, caso não aumente a
eficiência e a resolutividade do trabalho a ser desenvolvido
Numa época em que, segundo Eric Topol (TOPOL 2, 2019), o tempo médio de
consulta nos EEUU é de 7 minutos, dos quais 5 digitando dados no computador, e
com o médico interrompendo o paciente em 59 segundos, há que se reconhecer que
já ocorre uma "robotização" da atenção médica. A falta de uma boa relação médico-
paciente explica o alto grau de erros médicos que ocorrem.
Processamento de linguagem natural deve ser oferecido ao profissional de saúde,
evitando que ele tenha que ficar digitalizando dados do seu paciente no computador.
Saúde Digital (SD) abrange uma ampla gama de tecnologias que podem ser
classificadas como sendo:
 de uso amplo
 de uso especializado
Tecnologias classificadas como de uso amplo:
 Prontuário Eletrônico
 Atenção Primária
 Atenção Hospitalar
 Telessaúde e telemedicina
 Acesso a bancos de imagens em várias áreas
 Uso de sistemas baseados em dispositivos de acesso único
(smartphones, tablets...)
 Uso de sistemas vestíveis
 Sistemas de apoio à decisão clínica
 Busca em bases de dados e protocolos
Prontuário eletrônico na atenção primária
O Prontuário Eletrônico do Cidadão (PEC) desenvolvido pelo Ministério da Saúde
foi adotado por todos os municípios e estados do país na Atenção Primária à Saúde
(e.SUS AP, 2020) constituindo uma base de dados única (
Esse prontuário médicos e de saúde orientado por problemas e queixas dos
pacientes, aceitando as premissas estabelecidas por Lawrence Weed (WEED,L,
1964), aceitas pelo e.SUS AB e consignadas no Cadastro Internacional de Atenção
Primária (CIAP2, 2009, permitirá centrar o atendimento em saúde no paciente e não
na doença.
Dados desses prontuários integrarão bases de dados nos Municípios, Estados e
Ministério da Saúde (SISAB) permitindo, ademais, realizar pesquisas utilizando
novas tecnologias e inteligência artificial (big data).
Centralizar a informação no paciente significa registrar no seu prontuário todas as
suas informações, do seu ambiente sócio econômico, dados de saúde obtidos na
atenção primária e coligidos em outros níveis de atenção, exames complementares
realizados, com seus laudos e medicações propostas.
Esse prontuário obtido pela equipe de saúde (e.SUS AB) deverá estar espelhado no
smartphone do paciente e disponibilizado via “nuvem” a pessoas autorizadas nos
vários níveis de atenção à saúde. A tecnologia “blockchain” poderia ser empregada
para assegurar a privacidade da informação. Um embrião desse processo ´está
sendo desenvolvido no DATASUS como ConecteSUS.
A iniciativa da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS-DATASUS, 2021)), parte
do Programa Conecte SUS, estabelece o conceito de uma plataforma padronizada,
moderna e interoperável de serviços, informações e conectividade que é, em si,
transformadora para a Saúde. A RNDS estabelece como objetivo: “promover a troca
de informações entre os pontos da Rede de Atenção à Saúde (RAS), permitindo a
transição e continuidade do cuidado (5)
Prontuário eletrônico na Atenção Hospitalar
A diversidade de sistemas eletrônicos de dados em hospitais é um dos problemas a
ser enfrentado, dificultando a interoperabilidade dos sistemas de informação em
saúde, ou seja, a capacidade de diferentes plataformas digitais partilharem dados
entre si.
O prontuário de um paciente deve refletir a sua vida na instituição, desde a sua
admissão até a sua alta, assinalando diagnósticos, exames complementares,
tratamentos e sua evolução. O prontuário de um paciente deverá registrar online
laudos e resultados de exames e procedimentos realizados, de modo a permitir
eventuais ajustes no tratamento personalizado proposto.
Sistemas funcionando em “background podem ser utilizados para verificar dados de
pacientes de uma unidade, ou sistema de saúde, tais como:
 interação e incompatibilidade de medicamentos,
 dados de exames complementares discrepantes,
 exames solicitados e/ou a serem realizados
Telemedicina e telessaúde
O atendimento médico à distância já era praticado há algum tempo no Brasil,
sobretudo na modalidade de segunda consulta, mas teve aumento significativo com
a chegada da pandemia, de COVID-19, que impôs a necessidade de distanciamento
social. Durante o período mais grave da crise, o grande desafio foi garantir a
continuidade dos atendimentos médicos, mas sem exposição dos mesmos aos
riscos da epidemia.
Considerando que a telemedicina oferece as condições ideais para sanar essa
demanda, foram criados instrumentos emergenciais para a sua liberação, como a
Portaria 467/20 e a Lei 13.989/20 (MS, 2020) Nesse período quase metade dos
brasileiros utilizou algum serviço de telemedicina em uma consulta com seu médico.
Ademais telemedicina oferece oportunidades como
 Teleconsulta - consulta ao médico pelo próprio paciente
 Telepropedêutica – exames feitos pelo paciente com orientação médica
 Intersonsulta - Consulta médica a um colega especialista
 Acesso a sistemas de apoio à decisão clínica, disponibilizados via
internet para acesso de profissionais (DxPlain, Isabel Health, Ada
Health, EPIC) LOBO,LC, 2017
 Tendo em vista o elevado número de sistemas disponíveis criou-se a
“clinical decision support coalition” buscando definir parâmetros
como transparência, indicação de algoritmos e critérios de tomada de
decisão empregados
 Acesso a informações médicas disponíveis em Bancos de Dados,
(Watson, Deep Mind, CIDACS -Fiocruz, UNASUS-ARES, Medline.
Lilacs. CICT-Fiocruz)
 Acesso a redes de informação (Patients like me, CrowdMed, Smart
Patients, ACOR)
 A disponibilização da tecnologia 5G aumentou muito a velocidade
de interação numa sessão de Telemedicina
Acesso a bancos de imagens em várias áreas, como: Processamento
de Imagens. Dermatologia, Oftalmologia, Cardiologia
A cientista Fei-Fei Li, hoje na Universidade de Stanford, criou em 2007 a “Image
Net”, em um sistema aberto (“open source”), registrando 15 milhões de imagens
catalogadas iniciando o processo de reconhecimento de imagens (“pattern
recognition”) por sistemas computacionais (LI, 2015).
Isso foi seguido pelo Google com seu sistema “Open Images”, também em “open
source”, que registrou 9 milhões de imagens, mostrando a viabilidade de se
reconhecer imagens (pattern recognition) o que é feito pela sua análise em múltiplos
segmentos, baseando-se em algoritmos e na categorização feita por humanos.
Mukherjee (MUKERRJEE, 2017) relata a experiência de Sebastian Thrun, da
Universidade de Stanford, armazenando um grande volume de imagens de lesões
da pele (130.000 imagens) classificadas por dermatologistas, em uma rede neural
de computação, validando os diagnósticos realizados usando um conjunto de 14.000
imagens e pedindo que o sistema reconhecesse três tipos de lesão: benignas,
malignas e crescimento não canceroso. O sistema acertou 72% das vezes,
comparando-se com um acerto de 66% feito por dermatologistas qualificados.
A introdução de sistemas de reconhecimento de imagens em patologia tem
aumentado a eficiência e eficácia do diagnóstico realizado a partir de lâminas de
exames realizados a partir de peças cirúrgicas ou biópsias. Ressalte-se que a
ressonância magnética com maior capacidade (7 Tesla) do país está implantada no
departamento de patologia do HC-SP (verificação de óbitos) para permitir realizar
autopsias virtuais, ou seja, não invasivas. Gyorgy Bohm fez, nesse particular, uma
análise sobre o futuro da patologia. (BOHM, 2016).
No Brasil há que se ressaltar o trabalho desenvolvido por Janice Lama (ELPIDIO,
2014), em trabalho conjunto com a Universidade de Brasília, analisando em uma
rede neural um conjunto de 50.000 mamografias (dos quais 35.000 foram avaliados
por biópsia, ou cirurgia) e separando pacientes normais, suspeitos ou com câncer de
mama, permitindo orientar o acompanhamento e/ou tratamento a ser sugerido.
Ressalte-se a importância da disponibilização de bancos de imagens, com
resolutividade feita por IA, para atender com rapidez demandas de profissionais,
sobretudo na Atenção Primária à Saúde e relacionadas ao diagnóstico de lesões da
pele e de biópsias, por exemplo, e avaliar registros digitais de exames realizados,
indicando seus laudos. A telessaúde existente em rede no país leva com frequência
dias para responder a uma demanda.
O reconhecimento de padrões (pattern recognition) pelo computador poderá
indicar o “know what” de um problema de saúde Caberá ao médico discutir o caso
com seu paciente agregando o seu “know-why”, orientando-o e aliviando suas
tensões, já que o computador não tem emoções e nem compreensão do
“outro”.
Uso de sistemas baseados em dispositivos de acesso único
(smartphones, tablets...)
Sistemas de apoio ao diagnóstico de várias morbidades, atendimento domiciliar e,
atenção primária estão disponíveis em celulares e tablets. Cursos modulares e
autoinstrucionais são disponibilizados pela UNASUS em várias plataformas, como
celulares.
Uso de sistemas vestíveis (wearable devices)
Tecnologia vestíveis, ou “wearable””, permitem o monitoramento dos sinais vitais dos
pacientes. Essa tecnologia está presente em sensores de relógios de pulso, pulseiras,
braceletes e faixas abdominais para verificar esses sinais.
Por meio de sensores localizados nesses equipamentos usados pelos pacientes, é
possível analisar a glicemia, distúrbios do sono, pressão arterial, frequência cardíaca e
respiratória, oximetria, eletrocardiograma, passos numa caminhada e exercícios físicos
realizados. Esses dados são registrados no seu celular e podem ser transmitidos, de
pronto, aos médicos assistentes.
Com essa tecnologia, é possível monitorar os pacientes sem que eles deixem suas rotinas
de lado. Ou seja, o paciente coloca o equipamento, como o relógio de pulso e o médico
consegue acompanhar os resultados à distância. Com isso, não há necessidade de que os
mesmos se direcionem ao consultório, ou hospital, com muita frequência.
No futuro, a expectativa é poder coletar informações relacionadas a colesterol e outros
aspectos da saúde, que serão enviados a um banco de dados que irá alertar o médico
caso aconteça alguma alteração significativa.
Tecnologias classificadas como de uso especializado
 Internet das coisas – controle de pacientes remotos
 Inteligência artificial – big data
 Realidade virtual e ampliada
 Diagnóstico de infarto coronariano (interpretação de ECG)
 Regulagem de marcapassos cardíacos
 Genômica
 Acompanhamento de pacientes em suas residências (Amazon Rekognition Alexa e
Google Home)
 Comunicação médico paciente
 - e-mails, WhatsApp, mídias sociais
 Teleatendimentos em cardiologia, oftalmololgia, radiologia, psiquiatria
 Impressão 3D
 Robótica
 Análise preditiva de dados
Internet das coisas – controle de pacientes remotos
A internet das coisas corresponde a conexão, a ser feita por especialista, de equipamentos,
lâmpadas, e outros objetos online através da internet. Seu objetivo é criar uma interconexão
entre eles, que viabiliza a coleta de dados e a automatização de ações.
Sua aplicação na saúde digital pode ser bastante abrangente. Ela vai desde a coleta de
informações nos leitos até a gestão remota de pacientes, práticas de biossegurança hospitalar
através da Internet, entre outras atividades.
Uma vez estabelecida uma rede de internet local, equipamentos simples de usar como o Alexa
da Amazon, ou o Google home, permitem ativar uma TV, equipamentos de som, acender
lâmpadas inteligentes, câmaras, telefones e mobilizar camas a um simples comando de voz do
paciente. Desta maneira, ele poderá ligar e desligar esses equipamentos, fazer chamadas
telefônicas, mesmo acamado.
Por sua vez será possível o acompanhamento remoto desses pacientes por seus cuidadores,
familiares, enfermeiros e médicos.
Inteligência artificial – big data
“BIG DATA” está sendo gradualmente introduzida em pesquisas do setor saúde.
Dados de prevalência, incidência e evolução de enfermidades, permitiriam gerar
estudos estatísticos, antecipar surtos epidemiológicos e prescrever ações
preventivas.
Características de pesquisa em big-data
 Pesquisas realizadas com grande número de participantes (milhares ou
centenas de milhares)
 Pesquisas em grandes bases de dados não estruturadas (terabytes ou petabytes)
 Pesquisa relações entre muitas variáveis, sem especificação prévia, buscando inferir
relações causais de:
 Prontuários Médicos
 dados administrativos
 bancos de dados e imagens
 sensores,
 genomas
 dados epidemiológicos
 dados sócio-ambientais
 Emprega algoritmos agnósticos, ou seja, sem ter conceitos preconcebidos, evitando
a introdução de vieses e riscos na interpretação dos resultados
 Processamento em redes neurais permitindo “treinar” o sistema pela verificação de
erros e acertos (machine learning) aumentando a confiabilidade dos resultados
obtidos.
Realidade virtual e ampliada
Realidade virtual é uma experiência onde a pessoas se insere num ambiente
fictício, como um videogame, um filme, um vídeo. Essa tecnologia, conhecida como
VR (Virtual Reality), usa dispositivos como óculos ou capacetes equipados com telas
adaptadas para simular um espaço tridimensional.
Na saúde digital, a realidade virtual pode ser usada para permitir a imersão de um
aluno num ambiente como uma unidade de terapia intensiva, assegurando seu
aprendizado em situações simuladas. Usa uma tecnologia chamada "head tracking",
em português "movimento de cabeça", que permite que o indicíduo olhe ao redor
desse mundo virtual apenas virando a cabeça.
Realidade ampliada (AR) , ou “augmented reality”, ao invés de transportá-lo para um
mundo virtual, captura imagens digitais e as reproduz no mundo real, através do uso
de uma lente ou de um smartphone.
A realidade aumentada toma como base o ambiente material e o combina com
elementos virtuais para criar uma realidade mista. Um exemplo disso pode ser um
videogame que acontece em sua sala de estar.
A realidade aumentada prevê a inserção de elementos digitais no mundo físico. Uma
aplicação já utilizada é o uso de dispositivos com telas que auxiliam as enfermeiras
a encontrarem as veias dos pacientes.
Diagnóstico de infarto coronariano (interpretação de ECG) e regulagem de
marcapassos cardíacos
A disponibilidade de um cardiologista para interpretar e dar laudos de
eletrocardiogramas realizados remotamente, possibilita o diagnóstico de doenças
cardíacas e assegurando, assim, um tratamento com oportunidade e acurácia.
Na ocorrência de uma bradicardia permanente pode ser necessário implantar um
aparelho marcapasso que analisando a frequência cardíaca emitirá um estímulo
miocárdico para corrigir essa anomalia. Esse equipamento deverá ser revisto
periodicamente em clínicas especializadas, podendo ser regulado por telemetria
através de um telefone.
Genômica
O sequenciamento do genoma humano em 2003 gerou a expectativa de que esse
feito geraria pesquisas da maior relevância no campo da medicina. No entanto,
passados muitos anos o resultado na prática médica do sequenciamento do genoma
humano ainda é uma promessa, sobretudo em relação ao diagnóstico e tratamento
de enfermidades.
A correlação de genômica com oncologia originou o projeto “precision medicine” com
elevadas expectativas de se alcançar a individualização do tratamento de pacientes
Eric Topol (TOPOL, E, 2022) enfatiza a importância do estudo do “single nucleotide
polymorphism array”, ou SNP (menos de 0,1% do genoma), indicando variações
genéticas entre pessoas com uma variedade de condições clínicas como doença
coronariana, fibrilação atrial, câncer de mama, de colo e prostata, diabetes tipo 2.
SNP pode ser analisado em amostras de saliva por empresas como 23andme e
Ancestry DNA ao custo atual de US$99, sendo que o sequenciamento do genoma
individual teve seu valor muito reduzido valendo hoje de US$400 a 600.
Topol relata ter feito o sequenciamento de seu genoma, mas que os dados obtidos
não eram “user friendly” e, pois, pouco informativo.
Não obstante, “genomic medicine” deve ser considerado um novo campo da
medicina, com impacto em oncologia, farmacologia, diagnóstico de doenças ,raras e
não diagnosticadas presentemente.
Impressão 3D
A tecnologia de impressão 3D tem tido sucesso em muitos campos da atividade
humana. No setor de saúde digital também já começa a demonstrar interesse. A
principal finalidade atual tem sido criar modelos precisos e personalizados de
próteses para os pacientes.
Outra tendência na área é a impressão 4D, ainda em processo de desenvolvimento,
prevê que as impressões possam incluir materiais inteligentes, como biomateriais
capazes de substituir tecidos humanos, por exemplo.
Robótica
Outra definição de Inteligência Artificial indica que seria a criação de sistemas
inteligentes de computação capazes de realizar tarefas sem receber instruções
diretas de humanos (os “robôs” são exemplos disso).
A fabricação automatizada de automóveis é um exemplo claro do uso de robôs na
sua linha de produção. Robôs tem sido em uma ampla gama de situações: de
recepção em hotéis e até hospitais, ao emprego de robôs para combater incêndios e
desativar bombas.
Em medicina tem se desenvolvido o uso de robôs em cirurgias sobretudo
laparoscópicas, a qual permite ao cirurgião a realização de procedimentos
minimamente invasivos através de pequenas incisões. O advento do robô trouxe
maior precisão cirúrgica e possibilitou que procedimentos complexos fossem
realizados de forma segura. Por permitir uma visualização ampliada do campo
cirúrgico, em alta definição e tridimensional (3D), o uso do robô garante um melhor
acesso e visualização das estruturas anatômicas, possibilitando uma cirurgia mais
precisa, eficaz e segura.
A disponibilização da tecnologia 5G aumentou muito a velocidade de interação
numa cirurgia robótica.
Os fabricantes de equipamento de cirurgia robótica, como a Da Vinci, exigem um
período de 2 a 4 semanas para treinamento do cirurgião com o equipamento ,
garantindo o uso de todas as suas potencialidades.
Poder-se-ia argumentar que robôs não têm empatia e não atendem pacientes de
forma individualizada e humana, mas muitos pacientes dizem que muitos médicos,
na atualidade, também não o fazem!
Pesquisa de “nuvem de palavras” feitas por Eric Topol nos EEUU indica como os
médicos são atualmente vistos por seus pacientes. (TOPOL E,2,2019)
Conclusão
Tecnologia é a aplicação do conhecimento técnico e científico na solução de
problemas de setores da vida humana.
A aplicação de tecnologias em saúde, teve consequências no estudo do homem, do
seu genoma, caracterizando a sua herança e definição como espécie, ao estudo do
funcionamento de órgãos e sistemas, análise de dados coligidos nos indivíduos e na
população, estudos da etiopatogenia, evolução e tratamento de enfermidades, na
maior e melhor produção de alimentos e na busca de melhores condições de vida do
ser humano.
O uso de tecnologia em saúde teve um grande incremento com o advento da
internet e da inteligência artificial, possível graças ao desenvolvimento de
computadores capazes de armazenar um grande volume de dados e processá-los
em enorme velocidade, mudou a humanidade.
A velocidade da mudança é uma característica da sociedade atual : comunicação
instantânea (ninguém mais envia cartas e mesmo correio eletrônico), informações
disponíveis em qualquer campo do saber , a qualquer tempo e em vária plataformas,
como o celular (discute-se mesmo o futuro de jornais como mensageiros do
conhecimento), viagens em todo o globo e mesmo espaciais, processamento de
imagens do corpo humano, exames de laboratório realizados e disponibilizados em
alta velocidade e estudo genético feito numa amostra de saliva colhida numa
farmácia, e transmissão de imagens do homem via célular são exemplos dessa
mudança..
Por outro lado, não é possível se admitir a espera de semanas para se ter
diagnósticos de imagens transmitidas via celular do profissional atuando em uma
UBS ou hospital, alguns até universitários, ou se ter o laudo de uma tomografia, ou
de uma ressonância em 2 e até 4 semanas. A consulta a bancos de imagens e
sistemas de apoio à decisão clínica deverá ser instantânea no mundo atual
Com o uso de sensores vestíveis e a internet das coisas é possível o controle
remoto dos pacientes evitando que eles tenham que ir ao consultório, ou hospital,
com muita frequência.
Big Data vem transformando o mundo em todos seus setores, inclusive a saúde e
poderemos assim antecipar surtos epidêmicos, evolução e oportunidade de
tratamentos.
Tecnologias disruptivas como o “pendrive”, que aniquilou o uso de tapes, registros e
disponibilização musicais, e advento de novos meios de realizar transações
monetárias, como o PIX, (vem alterando todas a dinâmica bancária) são exemplos
dessas mudanças drásticas do nosso mudo de viver.
E a saúde, incorporando as tecnologias já disponíveis vai mudar a atenção a saúde,
sem que isso signifique substituir médicos, enfermeiros, técnicos e auxiliares da
equipe de saúde que proverão o carinho, a atenção personalizada, continuada e
integral que acalma e alivia as tensões dos pacientes.
Humanizar a atenção integral (corpo e mente) deverá ser sempre apanágio do
trabalho em saúde
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SAÚDE 4^LLLLLLLLJ Inteligência artificial e saúde digital.docx

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    SAÚDE 4.0, INTELIGÊNCIAARTIFICIAL E SAÚDE DIGITAL Luiz Carlos Lobo Resumo A saúde 4.0 consigna a aplicação de novas tecnologias noi setor saúde Não se pode mais prescindir do uso de tecnologia em saúde e o advento da internet e da inteligência artificial, possível graças ao desenvolvimento de computadores capazes de armazenar um grande volume de dados e processá-los em enorme velocidade, mudou a humanidade. Do uso do estetoscópio e raios X, passamos ao uso de prontuários eletrônicos de pacientes, exames com ultrassom, tomografia, ressonância magnética, uso de sensores vestíveis e internet das coisas, da telemedicina, de sistemas empregando Inteligência Artificial e analisando grandes volumes de dados são tecnologias que se incorporam à atenção em saúde visando sempre aumentar a sua humanidade, eficiência e resolutividade. Saúde Digital corresponde à sistematização do uso de novas tecnologias digitais que processando dados com o uso de computadores, disponibilizados em várias plataformas, usando redes móveis via internet e centralizando os dados no paciente refletindo toda a sua trajetória de cuidados recebidos nos vários níveis de atenção à saúde é um imperativo a ser alcançado e o Conect-SUS (DATASUS-MS) vem buscando atingir essa meta. Mas o emprego de tecnologia deverá ampliar e garantir o atendimento em saúde sem que se perca a visão do indivíduo e da sua problemática única de saúde Abstract The advent of the internet and artificial intelligence, made possible by the development of computers capable of storing a large volume of data and processing them at enormous speed, has changed humanity. From the use of the stethoscope and X-rays, we moved on to the use of electronic patient records, ultrasound examinations, tomography, magnetic resonance, the use of wearable sensors and the internet of things, telemedicine, systems employing Artificial Intelligence and analyzing large volumes of data are technologies that are incorporated into health care, always aiming to increase its humanity, efficiency, and resolution. Digital Health corresponds to the systematization of the use of new digital technologies that processing data with the use of computers, made available on various platforms, using mobile networks via the internet and centralizing the data on the patient, reflecting the entire trajectory of care received at the various levels of care to the patient health is an imperative to be achieved and Conect-SUS (DATASUS-MS) has been aming to achieve this goal.
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    But the useof technology should expand and guarantee quality of health care without losing sight of the individual and its unique health problem. Introdução Saúde 4.0 é um conceito da OMS que propõe a incorporação de novas tecnologias visando a otimização de ações voltadas à promoção, prevenção, diagnóstico e tratamento de enfermidades e a garantia de um atendimento humanizado e tempestivo dos pacientes (SAÚDE 4.0 -2021) Adotar a Saúde 4.0 é investir em soluções digitais e incorporar processos regulares de registro e análise de dados dos pacientes e da população, visando o planejamento, caracterização de risco e definição de prioridades das ações de saúde. Maior eficiência e produtividade, mas assegurando sempre o acesso, a integralidade, continuidade e resolutividade dos serviços prestados. Inteligência artificial (IA) é um ramo da ciência da computação que, usando computadores capazes de analisar um grande volume de dados e com grande velocidade de processamento, permitem desenvolver sistemas que simulem a capacidade humana na percepção de um problema, sendo capazes de identificar seus componentes, propor e orientar decisões e, em consequência, resolver esse problema. Outra definição de Inteligência Artificial indica que seria a criação de sistemas inteligentes de computação capazes de realizar tarefas sem receber instruções diretas de humanos (os “robôs” são exemplos disso). Sistemas com inteligência artificial, usando uma rede neural de computadores, são capazes de aprender com seus erros, corrigindo seus algoritmos de decisão, configurando uma “machine learning”. Rede neural de processamento de dados Entrada Processamento de dados Saida
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    Saúde digital Saúde Digitalcorresponde ao conjunto de tecnologias digitais, redes sociais, conectividade móvel e banda larga, utilizando o poder de computação e do universo de dados convergentes com sensores sem fio, genômica e sistemas de informação de saúde para, segundo a OMS, revolucionar a forma como as pessoas em todo o mundo alcançam padrões mais elevados de saúde e acessam serviços para promover e proteger sua saúde e bem-estar. Segundo Eric Topol (TOPOL,2019), em 20 anos, todos os trabalhadores da área de saúde deverão ser capacitados em tecnologias que caracterizam a saúde digital Por outro lado, deve-se salientar que, a meu ver, nenhuma tecnologia será usada e incorporada pelo homem, por mais inovadora e atual que seja, caso não aumente a eficiência e a resolutividade do trabalho a ser desenvolvido Numa época em que, segundo Eric Topol (TOPOL 2, 2019), o tempo médio de consulta nos EEUU é de 7 minutos, dos quais 5 digitando dados no computador, e com o médico interrompendo o paciente em 59 segundos, há que se reconhecer que já ocorre uma "robotização" da atenção médica. A falta de uma boa relação médico- paciente explica o alto grau de erros médicos que ocorrem. Processamento de linguagem natural deve ser oferecido ao profissional de saúde, evitando que ele tenha que ficar digitalizando dados do seu paciente no computador. Saúde Digital (SD) abrange uma ampla gama de tecnologias que podem ser classificadas como sendo:  de uso amplo  de uso especializado Tecnologias classificadas como de uso amplo:  Prontuário Eletrônico  Atenção Primária  Atenção Hospitalar  Telessaúde e telemedicina  Acesso a bancos de imagens em várias áreas  Uso de sistemas baseados em dispositivos de acesso único (smartphones, tablets...)  Uso de sistemas vestíveis  Sistemas de apoio à decisão clínica  Busca em bases de dados e protocolos
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    Prontuário eletrônico naatenção primária O Prontuário Eletrônico do Cidadão (PEC) desenvolvido pelo Ministério da Saúde foi adotado por todos os municípios e estados do país na Atenção Primária à Saúde (e.SUS AP, 2020) constituindo uma base de dados única ( Esse prontuário médicos e de saúde orientado por problemas e queixas dos pacientes, aceitando as premissas estabelecidas por Lawrence Weed (WEED,L, 1964), aceitas pelo e.SUS AB e consignadas no Cadastro Internacional de Atenção Primária (CIAP2, 2009, permitirá centrar o atendimento em saúde no paciente e não na doença. Dados desses prontuários integrarão bases de dados nos Municípios, Estados e Ministério da Saúde (SISAB) permitindo, ademais, realizar pesquisas utilizando novas tecnologias e inteligência artificial (big data). Centralizar a informação no paciente significa registrar no seu prontuário todas as suas informações, do seu ambiente sócio econômico, dados de saúde obtidos na atenção primária e coligidos em outros níveis de atenção, exames complementares realizados, com seus laudos e medicações propostas. Esse prontuário obtido pela equipe de saúde (e.SUS AB) deverá estar espelhado no smartphone do paciente e disponibilizado via “nuvem” a pessoas autorizadas nos vários níveis de atenção à saúde. A tecnologia “blockchain” poderia ser empregada para assegurar a privacidade da informação. Um embrião desse processo ´está sendo desenvolvido no DATASUS como ConecteSUS. A iniciativa da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS-DATASUS, 2021)), parte do Programa Conecte SUS, estabelece o conceito de uma plataforma padronizada, moderna e interoperável de serviços, informações e conectividade que é, em si, transformadora para a Saúde. A RNDS estabelece como objetivo: “promover a troca de informações entre os pontos da Rede de Atenção à Saúde (RAS), permitindo a transição e continuidade do cuidado (5) Prontuário eletrônico na Atenção Hospitalar A diversidade de sistemas eletrônicos de dados em hospitais é um dos problemas a ser enfrentado, dificultando a interoperabilidade dos sistemas de informação em saúde, ou seja, a capacidade de diferentes plataformas digitais partilharem dados entre si. O prontuário de um paciente deve refletir a sua vida na instituição, desde a sua admissão até a sua alta, assinalando diagnósticos, exames complementares, tratamentos e sua evolução. O prontuário de um paciente deverá registrar online laudos e resultados de exames e procedimentos realizados, de modo a permitir eventuais ajustes no tratamento personalizado proposto. Sistemas funcionando em “background podem ser utilizados para verificar dados de pacientes de uma unidade, ou sistema de saúde, tais como:  interação e incompatibilidade de medicamentos,
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     dados deexames complementares discrepantes,  exames solicitados e/ou a serem realizados Telemedicina e telessaúde O atendimento médico à distância já era praticado há algum tempo no Brasil, sobretudo na modalidade de segunda consulta, mas teve aumento significativo com a chegada da pandemia, de COVID-19, que impôs a necessidade de distanciamento social. Durante o período mais grave da crise, o grande desafio foi garantir a continuidade dos atendimentos médicos, mas sem exposição dos mesmos aos riscos da epidemia. Considerando que a telemedicina oferece as condições ideais para sanar essa demanda, foram criados instrumentos emergenciais para a sua liberação, como a Portaria 467/20 e a Lei 13.989/20 (MS, 2020) Nesse período quase metade dos brasileiros utilizou algum serviço de telemedicina em uma consulta com seu médico. Ademais telemedicina oferece oportunidades como  Teleconsulta - consulta ao médico pelo próprio paciente  Telepropedêutica – exames feitos pelo paciente com orientação médica  Intersonsulta - Consulta médica a um colega especialista  Acesso a sistemas de apoio à decisão clínica, disponibilizados via internet para acesso de profissionais (DxPlain, Isabel Health, Ada Health, EPIC) LOBO,LC, 2017  Tendo em vista o elevado número de sistemas disponíveis criou-se a “clinical decision support coalition” buscando definir parâmetros como transparência, indicação de algoritmos e critérios de tomada de decisão empregados  Acesso a informações médicas disponíveis em Bancos de Dados, (Watson, Deep Mind, CIDACS -Fiocruz, UNASUS-ARES, Medline. Lilacs. CICT-Fiocruz)  Acesso a redes de informação (Patients like me, CrowdMed, Smart Patients, ACOR)  A disponibilização da tecnologia 5G aumentou muito a velocidade de interação numa sessão de Telemedicina Acesso a bancos de imagens em várias áreas, como: Processamento de Imagens. Dermatologia, Oftalmologia, Cardiologia A cientista Fei-Fei Li, hoje na Universidade de Stanford, criou em 2007 a “Image Net”, em um sistema aberto (“open source”), registrando 15 milhões de imagens catalogadas iniciando o processo de reconhecimento de imagens (“pattern recognition”) por sistemas computacionais (LI, 2015). Isso foi seguido pelo Google com seu sistema “Open Images”, também em “open source”, que registrou 9 milhões de imagens, mostrando a viabilidade de se reconhecer imagens (pattern recognition) o que é feito pela sua análise em múltiplos segmentos, baseando-se em algoritmos e na categorização feita por humanos.
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    Mukherjee (MUKERRJEE, 2017)relata a experiência de Sebastian Thrun, da Universidade de Stanford, armazenando um grande volume de imagens de lesões da pele (130.000 imagens) classificadas por dermatologistas, em uma rede neural de computação, validando os diagnósticos realizados usando um conjunto de 14.000 imagens e pedindo que o sistema reconhecesse três tipos de lesão: benignas, malignas e crescimento não canceroso. O sistema acertou 72% das vezes, comparando-se com um acerto de 66% feito por dermatologistas qualificados. A introdução de sistemas de reconhecimento de imagens em patologia tem aumentado a eficiência e eficácia do diagnóstico realizado a partir de lâminas de exames realizados a partir de peças cirúrgicas ou biópsias. Ressalte-se que a ressonância magnética com maior capacidade (7 Tesla) do país está implantada no departamento de patologia do HC-SP (verificação de óbitos) para permitir realizar autopsias virtuais, ou seja, não invasivas. Gyorgy Bohm fez, nesse particular, uma análise sobre o futuro da patologia. (BOHM, 2016). No Brasil há que se ressaltar o trabalho desenvolvido por Janice Lama (ELPIDIO, 2014), em trabalho conjunto com a Universidade de Brasília, analisando em uma rede neural um conjunto de 50.000 mamografias (dos quais 35.000 foram avaliados por biópsia, ou cirurgia) e separando pacientes normais, suspeitos ou com câncer de mama, permitindo orientar o acompanhamento e/ou tratamento a ser sugerido. Ressalte-se a importância da disponibilização de bancos de imagens, com resolutividade feita por IA, para atender com rapidez demandas de profissionais, sobretudo na Atenção Primária à Saúde e relacionadas ao diagnóstico de lesões da pele e de biópsias, por exemplo, e avaliar registros digitais de exames realizados, indicando seus laudos. A telessaúde existente em rede no país leva com frequência dias para responder a uma demanda. O reconhecimento de padrões (pattern recognition) pelo computador poderá indicar o “know what” de um problema de saúde Caberá ao médico discutir o caso com seu paciente agregando o seu “know-why”, orientando-o e aliviando suas tensões, já que o computador não tem emoções e nem compreensão do “outro”. Uso de sistemas baseados em dispositivos de acesso único (smartphones, tablets...) Sistemas de apoio ao diagnóstico de várias morbidades, atendimento domiciliar e, atenção primária estão disponíveis em celulares e tablets. Cursos modulares e autoinstrucionais são disponibilizados pela UNASUS em várias plataformas, como celulares. Uso de sistemas vestíveis (wearable devices) Tecnologia vestíveis, ou “wearable””, permitem o monitoramento dos sinais vitais dos pacientes. Essa tecnologia está presente em sensores de relógios de pulso, pulseiras, braceletes e faixas abdominais para verificar esses sinais.
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    Por meio desensores localizados nesses equipamentos usados pelos pacientes, é possível analisar a glicemia, distúrbios do sono, pressão arterial, frequência cardíaca e respiratória, oximetria, eletrocardiograma, passos numa caminhada e exercícios físicos realizados. Esses dados são registrados no seu celular e podem ser transmitidos, de pronto, aos médicos assistentes. Com essa tecnologia, é possível monitorar os pacientes sem que eles deixem suas rotinas de lado. Ou seja, o paciente coloca o equipamento, como o relógio de pulso e o médico consegue acompanhar os resultados à distância. Com isso, não há necessidade de que os mesmos se direcionem ao consultório, ou hospital, com muita frequência. No futuro, a expectativa é poder coletar informações relacionadas a colesterol e outros aspectos da saúde, que serão enviados a um banco de dados que irá alertar o médico caso aconteça alguma alteração significativa. Tecnologias classificadas como de uso especializado  Internet das coisas – controle de pacientes remotos  Inteligência artificial – big data  Realidade virtual e ampliada  Diagnóstico de infarto coronariano (interpretação de ECG)  Regulagem de marcapassos cardíacos  Genômica  Acompanhamento de pacientes em suas residências (Amazon Rekognition Alexa e Google Home)  Comunicação médico paciente  - e-mails, WhatsApp, mídias sociais  Teleatendimentos em cardiologia, oftalmololgia, radiologia, psiquiatria  Impressão 3D  Robótica  Análise preditiva de dados Internet das coisas – controle de pacientes remotos A internet das coisas corresponde a conexão, a ser feita por especialista, de equipamentos, lâmpadas, e outros objetos online através da internet. Seu objetivo é criar uma interconexão entre eles, que viabiliza a coleta de dados e a automatização de ações. Sua aplicação na saúde digital pode ser bastante abrangente. Ela vai desde a coleta de informações nos leitos até a gestão remota de pacientes, práticas de biossegurança hospitalar através da Internet, entre outras atividades. Uma vez estabelecida uma rede de internet local, equipamentos simples de usar como o Alexa da Amazon, ou o Google home, permitem ativar uma TV, equipamentos de som, acender lâmpadas inteligentes, câmaras, telefones e mobilizar camas a um simples comando de voz do paciente. Desta maneira, ele poderá ligar e desligar esses equipamentos, fazer chamadas telefônicas, mesmo acamado.
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    Por sua vezserá possível o acompanhamento remoto desses pacientes por seus cuidadores, familiares, enfermeiros e médicos. Inteligência artificial – big data “BIG DATA” está sendo gradualmente introduzida em pesquisas do setor saúde. Dados de prevalência, incidência e evolução de enfermidades, permitiriam gerar estudos estatísticos, antecipar surtos epidemiológicos e prescrever ações preventivas. Características de pesquisa em big-data  Pesquisas realizadas com grande número de participantes (milhares ou centenas de milhares)  Pesquisas em grandes bases de dados não estruturadas (terabytes ou petabytes)  Pesquisa relações entre muitas variáveis, sem especificação prévia, buscando inferir relações causais de:  Prontuários Médicos  dados administrativos  bancos de dados e imagens  sensores,  genomas  dados epidemiológicos  dados sócio-ambientais  Emprega algoritmos agnósticos, ou seja, sem ter conceitos preconcebidos, evitando a introdução de vieses e riscos na interpretação dos resultados  Processamento em redes neurais permitindo “treinar” o sistema pela verificação de erros e acertos (machine learning) aumentando a confiabilidade dos resultados obtidos. Realidade virtual e ampliada Realidade virtual é uma experiência onde a pessoas se insere num ambiente fictício, como um videogame, um filme, um vídeo. Essa tecnologia, conhecida como VR (Virtual Reality), usa dispositivos como óculos ou capacetes equipados com telas adaptadas para simular um espaço tridimensional. Na saúde digital, a realidade virtual pode ser usada para permitir a imersão de um aluno num ambiente como uma unidade de terapia intensiva, assegurando seu aprendizado em situações simuladas. Usa uma tecnologia chamada "head tracking", em português "movimento de cabeça", que permite que o indicíduo olhe ao redor desse mundo virtual apenas virando a cabeça. Realidade ampliada (AR) , ou “augmented reality”, ao invés de transportá-lo para um mundo virtual, captura imagens digitais e as reproduz no mundo real, através do uso de uma lente ou de um smartphone.
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    A realidade aumentadatoma como base o ambiente material e o combina com elementos virtuais para criar uma realidade mista. Um exemplo disso pode ser um videogame que acontece em sua sala de estar. A realidade aumentada prevê a inserção de elementos digitais no mundo físico. Uma aplicação já utilizada é o uso de dispositivos com telas que auxiliam as enfermeiras a encontrarem as veias dos pacientes. Diagnóstico de infarto coronariano (interpretação de ECG) e regulagem de marcapassos cardíacos A disponibilidade de um cardiologista para interpretar e dar laudos de eletrocardiogramas realizados remotamente, possibilita o diagnóstico de doenças cardíacas e assegurando, assim, um tratamento com oportunidade e acurácia. Na ocorrência de uma bradicardia permanente pode ser necessário implantar um aparelho marcapasso que analisando a frequência cardíaca emitirá um estímulo miocárdico para corrigir essa anomalia. Esse equipamento deverá ser revisto periodicamente em clínicas especializadas, podendo ser regulado por telemetria através de um telefone. Genômica O sequenciamento do genoma humano em 2003 gerou a expectativa de que esse feito geraria pesquisas da maior relevância no campo da medicina. No entanto, passados muitos anos o resultado na prática médica do sequenciamento do genoma humano ainda é uma promessa, sobretudo em relação ao diagnóstico e tratamento de enfermidades. A correlação de genômica com oncologia originou o projeto “precision medicine” com elevadas expectativas de se alcançar a individualização do tratamento de pacientes Eric Topol (TOPOL, E, 2022) enfatiza a importância do estudo do “single nucleotide polymorphism array”, ou SNP (menos de 0,1% do genoma), indicando variações genéticas entre pessoas com uma variedade de condições clínicas como doença coronariana, fibrilação atrial, câncer de mama, de colo e prostata, diabetes tipo 2. SNP pode ser analisado em amostras de saliva por empresas como 23andme e Ancestry DNA ao custo atual de US$99, sendo que o sequenciamento do genoma individual teve seu valor muito reduzido valendo hoje de US$400 a 600. Topol relata ter feito o sequenciamento de seu genoma, mas que os dados obtidos não eram “user friendly” e, pois, pouco informativo. Não obstante, “genomic medicine” deve ser considerado um novo campo da medicina, com impacto em oncologia, farmacologia, diagnóstico de doenças ,raras e não diagnosticadas presentemente. Impressão 3D
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    A tecnologia deimpressão 3D tem tido sucesso em muitos campos da atividade humana. No setor de saúde digital também já começa a demonstrar interesse. A principal finalidade atual tem sido criar modelos precisos e personalizados de próteses para os pacientes. Outra tendência na área é a impressão 4D, ainda em processo de desenvolvimento, prevê que as impressões possam incluir materiais inteligentes, como biomateriais capazes de substituir tecidos humanos, por exemplo. Robótica Outra definição de Inteligência Artificial indica que seria a criação de sistemas inteligentes de computação capazes de realizar tarefas sem receber instruções diretas de humanos (os “robôs” são exemplos disso). A fabricação automatizada de automóveis é um exemplo claro do uso de robôs na sua linha de produção. Robôs tem sido em uma ampla gama de situações: de recepção em hotéis e até hospitais, ao emprego de robôs para combater incêndios e desativar bombas. Em medicina tem se desenvolvido o uso de robôs em cirurgias sobretudo laparoscópicas, a qual permite ao cirurgião a realização de procedimentos minimamente invasivos através de pequenas incisões. O advento do robô trouxe maior precisão cirúrgica e possibilitou que procedimentos complexos fossem realizados de forma segura. Por permitir uma visualização ampliada do campo cirúrgico, em alta definição e tridimensional (3D), o uso do robô garante um melhor acesso e visualização das estruturas anatômicas, possibilitando uma cirurgia mais precisa, eficaz e segura. A disponibilização da tecnologia 5G aumentou muito a velocidade de interação numa cirurgia robótica. Os fabricantes de equipamento de cirurgia robótica, como a Da Vinci, exigem um período de 2 a 4 semanas para treinamento do cirurgião com o equipamento , garantindo o uso de todas as suas potencialidades. Poder-se-ia argumentar que robôs não têm empatia e não atendem pacientes de forma individualizada e humana, mas muitos pacientes dizem que muitos médicos, na atualidade, também não o fazem! Pesquisa de “nuvem de palavras” feitas por Eric Topol nos EEUU indica como os médicos são atualmente vistos por seus pacientes. (TOPOL E,2,2019)
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    Conclusão Tecnologia é aaplicação do conhecimento técnico e científico na solução de problemas de setores da vida humana. A aplicação de tecnologias em saúde, teve consequências no estudo do homem, do seu genoma, caracterizando a sua herança e definição como espécie, ao estudo do funcionamento de órgãos e sistemas, análise de dados coligidos nos indivíduos e na população, estudos da etiopatogenia, evolução e tratamento de enfermidades, na maior e melhor produção de alimentos e na busca de melhores condições de vida do ser humano. O uso de tecnologia em saúde teve um grande incremento com o advento da internet e da inteligência artificial, possível graças ao desenvolvimento de computadores capazes de armazenar um grande volume de dados e processá-los em enorme velocidade, mudou a humanidade. A velocidade da mudança é uma característica da sociedade atual : comunicação instantânea (ninguém mais envia cartas e mesmo correio eletrônico), informações disponíveis em qualquer campo do saber , a qualquer tempo e em vária plataformas, como o celular (discute-se mesmo o futuro de jornais como mensageiros do conhecimento), viagens em todo o globo e mesmo espaciais, processamento de imagens do corpo humano, exames de laboratório realizados e disponibilizados em alta velocidade e estudo genético feito numa amostra de saliva colhida numa farmácia, e transmissão de imagens do homem via célular são exemplos dessa mudança.. Por outro lado, não é possível se admitir a espera de semanas para se ter diagnósticos de imagens transmitidas via celular do profissional atuando em uma UBS ou hospital, alguns até universitários, ou se ter o laudo de uma tomografia, ou
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    de uma ressonânciaem 2 e até 4 semanas. A consulta a bancos de imagens e sistemas de apoio à decisão clínica deverá ser instantânea no mundo atual Com o uso de sensores vestíveis e a internet das coisas é possível o controle remoto dos pacientes evitando que eles tenham que ir ao consultório, ou hospital, com muita frequência. Big Data vem transformando o mundo em todos seus setores, inclusive a saúde e poderemos assim antecipar surtos epidêmicos, evolução e oportunidade de tratamentos. Tecnologias disruptivas como o “pendrive”, que aniquilou o uso de tapes, registros e disponibilização musicais, e advento de novos meios de realizar transações monetárias, como o PIX, (vem alterando todas a dinâmica bancária) são exemplos dessas mudanças drásticas do nosso mudo de viver. E a saúde, incorporando as tecnologias já disponíveis vai mudar a atenção a saúde, sem que isso signifique substituir médicos, enfermeiros, técnicos e auxiliares da equipe de saúde que proverão o carinho, a atenção personalizada, continuada e integral que acalma e alivia as tensões dos pacientes. Humanizar a atenção integral (corpo e mente) deverá ser sempre apanágio do trabalho em saúde Referencias 1. SAÚDE 4.0 , 2021 em https://www.conexasaude.com.br/blog/saude-4-0/ 2. TOPOL, ERIC , 2019 em HEE-Topol Review em file:///D:/Users/luizc/Downloads/HEE-Topol-Review-2019%20(2).pdf 3. TOPOL, Eric. 2019,2, Deep Medicine, How Artificial Intelligence Can Make Gealthcare Human Again, Basic Books, NY, 2019 4. e.SUS AP, 2020 em http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/documentos/esus/Manual_Pec_3_ 2.pdf 5. WEED, L, 1964 em Lobo LCG. Prontuário Médico Orientado para Problemas. Rev Hosp Clin Fac Med S Paulo.1976;31:67-72. 6. CIAP2, 2009 em http://www.sbmfc.org.br/wp- content/uploads/media/file/CIAP%202/CIAP%20Brasil_atualizado.pdf 7. CONECT SUS,2020 em https://conectesus.saude.gov.br/home 8. RNDS-DATASUS, 2021 em https://datasus.saude.gov.br/rnds-2/ 9. MS, 2020 em https://brasilsus.com.br/index.php/pdf/portaria-no-467-2/ 10. LOBO,LC, 2017, em Rev. bras. educ. med. 41 (2) • Apr- Jun 2017 • https://doi.org/10.1590/1981-52712015v41n2esp 11 . LI, FEI FEI 2015 em https://www.ted.com/talks/fei_fei_li_how_we_re_teaching_computers_to_und erstand_pictures 12 MUKHERJEE, S, 2017., A.I. versus M.D., Annals of Medicine, 3:2017 em h ttps://www.newyorker.com/magazine/2017/04/03/ai-versus-md
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    13. BOHM, Gyorgy,A Glimpse of the Future, in https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4982777/ 14. ELPIDIO, F.G.G. BRASIL, L.M., LAMAS, J.M., 2014, Aid System to Evaluation of Breast Calcification by Case-Based Reasoning According to BI- RADS Category em https://www.researchgate.net/publication/300270411_Aid_System_to_Evalua tion_of_Breast_Calcification_by_Case-Based_Reasoning_According_to_BI- RADS_Category 15. TOPOL, E. , 2022 em https://erictopol.substack.com/p/human-genomics- vs- clinical-genomics