Resumos de História – 4º teste
       Após a derrota alemã na II Guerra Mundial, e tendo em conta o sucedido anos antes, na
I Guerra Mundial, os países vencedores sentiram a necessidade de criar medidas capazes de
impedir que uma nova guerra voltasse, jamais, a despontar.

        Deste modo, a Alemanha foi dividida em quatro partes essenciais e cada
uma dessas era administrada por uma das grandes potências vencedoras
(Inglaterra, França, URSS e EUA). O país divide-se, assim, em dois núcleos
centrais: os liberais e capitalistas e os comunistas russos. Tendo em conta os
meios administrativos de ambos, a Rússia sentiu-se ameaçada.

        Enquanto isto sucedia, os países de leste eram também conquistados
(sovietizados) pela URSS, dado que fora convocada a esta o poder de libertar estes
países do nazismo – que resultou numa oportunidade para os sovietizar. Este facto
dá força ao conceito de “cortina de ferro” preconizada por Churchill, que
evidenciava o clima de tensão que se vivia entre o comunismo e os liberais. Deste
modo, Estaline cria o Kominform (Secretariado de Informação comunista), em
1947, que vinha substituir o antigo Komintern. Era um organismo que visava o
controlo e a propagação do comunismo pelo mundo.

        Entretanto, a 12 de Março do mesmo ano (1947), o presidente norte-americano Harry
Truman põe em evidência a necessidade de resistir às tentativas de dominação russa. O que este
pretendia era combater o comunismo soviético através da contenção e ajudar a Europa a
reerguer-se do caos da guerra – é então lançada a doutrina Truman. Entretanto, o clima político
permanecia instável e propício à propagação dos ideais soviéticos. Deste modo, o secretário de
Estado norte-americano George Marshall propõe um plano de ajuda económica à Europa que
fica conhecido como o Plano Marshall e irá complementar-se na doutrina Truman. Este projecto
concebia fundos monetários aos vários países da Europa, incluindo aqueles que se encontravam
sob o domínio soviético. A Rússia vê esta ajuda dos EUA como um meio de divulgação dos
seus ideais liberais e capitalistas e recusa-a em todos os países sob o seu domínio.

        Neste sentido, a Rússia responde em janeiro de 1949 com a criação do Plano Molotov,
que visava estabelecer uma cooperação entre os países de domínio soviético e estipulavam a
longo prazo a ajuda técnica e financeira, assim como o fomento das trocas comerciais entre
nações. Deste modo, cria-se o COMECON (Conselho de Assistência Económica Mútua), uma
organização de cooperação económica destinada a promover o desenvolvimento financeiro e as
atividades comerciais e industriais destes países.

        Além disso, na Alemanha, Berlim era administrado pelas três potências liberais que
viram este território como o campo de batalha ideal a conter o avanço soviético, fazendo dos
seus territórios alemães uma república federal, a República Federal Alemã (RFA). Por sua vez,
a Rússia, após enormes protestos, faz para o seu território semelhante escolha, criando a
República Democrática Alemã (RDA).

         No entanto, as três potências mantêm “estacionadas” as suas tropas na cidade de Berlim,
o que é visto por Estaline como uma ameaça. Deste modo inicia-se o Bloqueio de Berlim, no
qual os sovietes bloqueiam todos os acessos terrestres à cidade por parte das potências aliadas.
Para tal, a União Soviética bloqueia as linhas ferroviárias e rodoviárias e tenta comandar os
portos, tendo com isto em vista o bloqueio da produção industrial, para que, deste modo, estes
necessitassem da ajuda soviética e se retirassem da cidade para assim alargar o seu território
para a capital.

        Assim, a 24 de Junho de 1948, Estaline decreta o Bloqueio de Berlim. As potências
liberais são forçadas a abastecer a cidade através de uma ponte aérea durante 321 dias
(Operação Vittle), até que, a 12 de Maio de 1949, Estaline suspende o bloqueio, deixando na
capital um clima caótico de pobreza e fome.

        Deste modo, inicia-se um período de forte tensão, o qual se deu o nome de Guerra Fria.
Este prolongou-se até meados dos anos 80, no entanto, foi até meados dos anos 50 que a tensão
foi mais visível. Os Estados Unidos e a URSS viram-se hostilizados e intimidados um pelo
outro ao longo deste tempo, que resultou em enormes mudanças pelo mundo inteiro. Ninguém
desejava ou tinha sequer forças para entrar noutro conflito mundial como o ocorrido poucos
anos antes com a II Guerra Mundial, no entanto, a ganância, o poder, e maioritariamente as
diferenças políticas entre as duas potências despontaram um clima perigoso que se encontrava
aliado ao desejo de possuir mais do que o outro, quer em armamento, como em territórios. Deste
modo, o liberalismo e o marxismo-estalinista viram-se num campo de combate no qual nenhum
queria sucumbir à guerra, no entanto queriam superar o adversário em tudo.

        Devido a este conflito, os EUA não tardaram a encontrar aliados que os apoiassem na
contenção do comunismo. Neste sentido, dá-se em 1949 a assinatura do Tratado do Atlântico
Norte, entre os EUA, o Canadá e algumas nações europeias. Mais tarde isto viria a dar origem à
Organização do Tratado do Atlântico Norte – OTAN (ou NATO), uma importante organização
militar do pós-guerra que visava “regular por meios pacíficos todas as divergências
internacionais em que possam encontrar-se envolvidas por forma que não façam perigar a paz e
segurança internacionais”.

        A partir desta aliança formada formaram-se inúmeras outras, de modo que, em 1959, já
três quartos do mundo se encontravam ligados aos EUA. Estas novas alianças multilaterais
contavam com a Organização dos Estados Americanos (OEA), que ligavam a América; na
Oceânia (ANZUS); no Sudoeste Asiático (Organização do Tratado da Ásia de Sudoeste –
OTASE); Médio Oriente (Pacto de Bagdade).

         O mundo encontrava-se então dividido. Por um lado, existia o sistema repressivo e
comunista de Estaline, por outro, o sistema liberal e capitalista que representava o resto da
Europa e EUA. Este segundo “mundo” tinha como objetivo travar a expansão do socialismo
comunista e assegurar a paz e justiça liberal mundial. Era já dado como certo desde o ocorrido
na Grande Depressão que o Estado deveria possuir um papel interventivo na sociedade. Este
facto não foi negado, mas sim priorizado durante esta altura. Em 1945 dão-se as eleições em
Inglaterra que colocam no poder o líder do Partido Trabalhista, ClementAtlee, deixando claro
que a necessidade era o socialismo, em vez o conservadorismo até então preconizado pela figura
de Churchill. Por todo o mundo,partidos com idealismos idênticos começaram a proliferar –
adeptos da social-democracia, que rejeita os ideais de Marx e evidenciam a necessidade de
novas reformas sociais e da melhoria de vida dos trabalhadores. Nisto, encontra-se apenas a
exceção de países como a Itália e a RFA (República Federal Alemã), que receavam os partidos
socialista e deram poder aos democratas-cristãos, que tinham na sua ideologia a doutrina social
da igreja e visavam o bem estar do homem maioritariamente a nível espiritual.

       Deste modo, enfatiza-se a preocupação do Estado como a nação, fomentam-se os
programas de nacionalizações dos bancos, das companhias de seguros, da produção de energia,
dos transportes, entre outras. O Estado torna-se, assim, o principal agente da economia,
nascendo a conceção do Estado como Estado-providência.

         O Estado-providência nasce no Reino Unido como walfarestate, ou seja, um Estado que
tem na sua totalidade o objetivo de ver melhorar as condições de vida da sua população. Para
tal, criam-se medidas, tais como o sistema nacional de saúde (NationalHealthService), que torna
gratuitos todos os serviços médicos e que se estende a todos os cidadãos, e um sistema de
proteção social que engloba o abono de família, de desemprego, de reforma, e a baixa médica
para doentes, assim como alguns subsídios aos mais pobres. Estas medidas permitem uma
estabilização social e económica, tornando as nações mais prósperas.
O mundo entrou assim num período que não via fim à sua prosperidade. O governo
trabalhava arduamente para obter resultados e, ao longo de 1945 e 1973 não houve qualquer
crise ou diminuição da economia e das taxas de crescimento. O capitalismo regressou em alta,
maioritariamente na RFA, na França e no Japão, que ficaram denominados como “milagres
económicos”. Um grande apoio a esta causa foram os acordos de BrettonWoods, feitos entre os
EUA e o Japão, nos quais se estabeleceu o dólar como a moeda de maior poder e cujo objetivo
era o de criar instituições monetárias e mecanismos de apoio financeiro que trouxessem
estabilidade económica e facilitassem o câmbio de moedas (deste resultou, entre outras, a
criação do FMI), e a criação da CEE. Estes trinta anos de crescente prosperidade ficaram
conhecidos como os “Trinta Gloriosos” – expressão tornada popular pelo economista francês
Jean Fourastié.

        Estes anos conheceram inúmeras mudanças, como já vimos. Entre elas ocorreu um
enorme progresso tecnológico, fomentado pela aposta das novas grandes empresas e fábricas e
que atingia todos os sectores. Além disso, é de destacar também a preferência ao petróleo em
relação ao carvão (que se mantinha como predilecto desde a Revolução Indústrial), dado que o
primeiro era de tal forma abundante e rico cujos preços se viram reduzidos e óptimos para a sua
compra. É também de evidenciar o aumento das grandes empresas e a concentração industrial,
que foi unicamente permitida pela melhoria das condições de vida, que fomentaram a
possibilidade de crescimento da classe média e da classe alta para patamares mais elevados na
sociedade. Não só tudo isto, mas deu-se também um aumento da população ativa, que ocorreu
não só devido ao “baby-boom”, ou seja, ao aumento geral da natalidade no anos 40 e 50,
também devido à maior integração da população feminina no mercado de trabalho, e além disso,
também se fez notar um crescimento da população que emigrava de países menos desenvolvidos
à procura de melhores condições de vida (entre estes, Portugal estava entre os países com maior
taxa de imigrantes). Esta mão-de-obra crescente era também mais qualificada devido ao
aumento da escolaridade obrigatória, o que contribuo para o bom desenvolvimento das nações.

       Não obstante o que foi referido, adicionou-se ainda a modernização da agricultura nos
países desenvolvidos, permitindo a autosuficiência dos mesmos, a capacidade não só de
importar como também de exportar produtos alimentares e diminuiu a dependência externa.
Finalmente, notou-se um crescimento do sector terciário, ou seja, dos serviços. A este sector
dedicava-se maioritariamente a classe média e, deste modo, com o seu aumento, nota-se que se
deu um aumento favorável na classe média, diminuindo a pobreza neste países.

        Tudo isto motiva a sociedade ao típico consumismo, com a agravante dos progressos
tecnológicos e da importância dos novos sectores, como é o caso da publicidade, que permitem
também um aumento dos produtos e fomentam a necessidade de os adquirir.

        Deste modo, a sociedade mundial capitalista abastece-se de um leque de bens, tais como
automóveis, electrodomésticos, roupas, telefones, televisões, os quais a população tem agora
dinheiro para adquirir. Inventa-se assim as “tendências”, ou seja, os bens que é necessário
adquirir e que, passada uma época, são deitados fora e substituídos por outros objectos (“passam
de moda”). Nisto vem também a publicidade ajudar, criando uma única “propaganda de
consumo” que manipula os indivíduos a adquirirem certos produtos através de técnicas
psicológicas de persuasão.

        Entretanto, do outro lado do globo, a URSS divulgava e espalhava a sua palavra e os
seus ideais marxistas. Saído da II Guerra Mundial, o comunismo contava apenas com dois
partidários: a URSS e a Mongólia. No entanto, o tempo e as eventualidades permitiram a
propagação rápida das suas ideias. Entre 1945 e 1949 o comunismo propaga-se até à Europa
Ocidental (Coreia do Norte e China). Já nos anos 50 e 60 alastra-se para até à Ásia (Vietname,
Camboja e Birmânia) e encontra em Cuba o seu local de eleição, devido à sua proximidade dos
EUA.
Foi a partir da URSS que todos os ideais marxistas partiram e foi graças à necessidade
de libertar certos países dos domínios totalitaristas, trabalho que coube à URSS nos acordos de
Ialta (dos quais Estaline se iria aproveitar) e à primeira vaga de descolonização que Estaline viu
a sua oportunidade ser viavelmente conseguida.

        A primeira vaga comunista propagou-se pela Europa Oriental e foi realizada sobre
ordem de pressão pela URSS. Em 1948 todos os países de Leste motivados pelo comunismo já
possuíam Partido Único e viviam sob ideais semelhantes aos da União Soviética. Estes novos
partidos receberam a designação de Democracias Populares pois viviam soube a égide dos
ideais comunistas, opunham-se aos regimes liberais, possuíam partido único e tinham um
Estado que controlava tudo, desde a economia à cultura.

        Em 1955 os laços entre a Albânia, a Bulgária, a Hungria e a República Democrata
Alemã, a Polónia, a Roménia, a URSS e a Checoslováquia, ou seja, democracias populares
foram reforçados através do Pacto de Varsóvia. Este pacto militar visava a aliança entre os
vários países e a “una” protecção contra qualquer agressão – bastante similar à NATO, nos
EUA. Deste modo, tanto os EUA como a URSS possuíam aliados suficientes para se
defenderem em caso de nova guerra, comprometendo qualquer tentativa de ambas as potências
atacarem.

        Por sua vez, a segunda vaga deu-se na Ásia. Esta contou apenas com o apoio da URSS e
não foi directamente resultado das ordens e tropas militares dirigidas por Estaline, mas sim por
vontade própria dos trabalhadores das nações em constituírem os ideais do marxismo. Muitos
países assim se revolucionaram, à exceção da Coreia do Norte, que foi resultado direto das
ordens da URSS. Em primeiro lugar, a Coreia fora, na sua totalidade, incumbida de ser libertada
do governo japonês após a II Guerra Mundial, por parte da União Soviética e dos EUA. No
entanto, as duas potências não pareciam encontrar consenso no modo de dirigir a recém-nação.
Deste modo, a Coreia divide-se em duas potências, uma comunista e a outra liberal e capitalista.
Apesar de ainda assim se manterem nos dias de hoje, entre 1950 e 1953 este facto resultou
numa severa guerra entre o norte e o sul, até que por força militar as conseguiram parar.

         A China, por sua vez, tornou-se socialista a partir de vários movimentos revolucionários
nacionalistas. Em 1949, Mao Tsé-Tung proclama a instauração de uma República Popular, após
trinta anos de falhadas tentativas. Apesar de não terem contado com um grande apoio por parte
da URSS, a China assina, em Moscovo, um Tratado de Amizade e Aliança entre as duas nações.
Assim, a URSS passa a contar com mais uma aliança, apesar de anos mais tarde esta ser
quebrada.

        Além disso, a América Latina é também alvo das tentações comunistas, nomeadamente
nos anos 60 e 70. O seu ponto fulcral foi Cuba onde, em 1959, Fidel Castro e Che Guevara
derrotam o ditador Fulgêncio Batista. Até então estes comunistas não tinham qualquer ligação
com a URSS, no entanto, após serem hostilizados por parte dos EUA, aceitam o apoio dos
soviéticos e transformam Cuba em mais um aliado no comunismo. É devido a esta aliança que a
Guerra Fria se torna mais temível aquando de 1962 uns aviões americanos avistam em Cuba
armas nucleares capazes de atacar território americano. Kennedy, já presidente, envia um aviso
que acaba por se resolver num acordo, no qual a américa se compromete a não mais tentar
derrubar o regime de Cuba.

        Tal como é já do conhecimento geral, o comunismo soviético sempre dera prioridade à
indústria, maioritariamente à indústria pesada e às infraestruturas, tais como os complexos
siderúrgicos e as centrais hidroeléctricas. Este factor vai-se propagar para todos os países
Europeus sob a alçada comunista. O que trará enormes consequências. Apesar de certos países
terem visto um crescimento notável na indústria, a vida das suas populações só piorou. As horas
de trabalho mantêm-se, os salários sobem bastante lentamente e as carências de bens proliferam.
Além disso, não demora muito tempo até que os resultados da excessiva industrialização se
mostrem prejudiciais. As empresas vêm-se privadas de quaisquer poder e entusiasmo e fazem
apenas o pedido para alcançar as metas dos planos ditados. Na agricultura não se fazem
quaisquer avanços, sendo que algumas nações exportadoras de cereais passam a ter que os
importar.

        Na tentativa de solucionar o problema, o novo líder soviético, NikitaKruchtchev,
efectua um conjunto de reformas. Este plano inicia-se em 1959 com o reforço das indústrias de
consumo e de habitação. Segue-se um aumento das terras cultivadas, no sentido de aumentar a
produção agrícola. No entanto, o resultado destas medidas fica muito aquém do que era
esperado e a economia colapsa quando, na década de 70, sobe ao poder Leonidas Brejnev, que
trás consigo uma era de corrupção e abuso de poder.

        Entretanto, as potências Americana e Soviética disputavam tudo o que podiam numa
guerra de tensão e competição que parecia não ter fim. Não apenas o muro de Berlim expunha
as suas divergências, mas também as competições de armamento que foram realizadas.

        Em primeiro lugar, os EUA sentiram-se surpreendidos quando, em Setembro de 1949,
os Russos fazem explodir a sua primeira bomba atómica, que estes acreditavam serem os únicos
a possuir até então. A necessidade de superar os Russos fê-los procurar uma receita mais potente
que a bomba atómica, fazendo em 1952, explodir a primeira bomba de hidrogénio, que no ano
seguinte também já se encontrava sob a alçada dos Russos.

         Assim, o segundo ponto iniciou-se com o aumento gigantesco do orçamento da nação
americana para o armamento “convencional”. Este orçamento triplica após a invasão da Coreia
do Sul pelos comunistas, e sente-se a necessidade de possuir mais armas e um maior poder
terrestre, aéreo e naval. A este plano segue-se, obviamente, um igual por parte da URSS, que
gasta 80% do seu orçamento em despesas militares.

           O mundo encontrava-se, segundo Churchill, resvalado para o “equilíbrio instável do
terror”.

        No entanto, nem todas as competições entre as duas superpotências foram perigosas. A
competição mais saudável desenvolveu-se com os progressos tecnológicos a nível da ciência e
da aeroespacial. Devido à receita deixada pela Alemanha nazi que trabalhava secretamente num
projecto de mísseis criam-se os primeiros foguetes que, na Rússia, se desenvolvem em satélites
e foguetes capazes de sobrevoar o espaço e, até, levar consigo passageiros.

         Deste modo, em outubro de 1957, a Rússia eleva-se a um nível mais elevado quando
consegue colocar em órbita o primeiro satélite artificial da História, o Sputnik 1. Após inúmeras
tentativas falhadas e a morte de alguns cães domésticos, o Sputnik 2 consegue levar a primeira
passageira no espaço que sobrevive, a cadela Laika. Isto destrói os Americanos, que
rapidamente tentam superar as suas ações, em várias tentativas falhadas. Só em 1958
conseguem o lançamento com sucesso do Explorer 1. Por sua vez, mais algumas sondas são
enviadas até que os Russos conseguem tocar na lua. Assim, continuam a criar-se metas entre as
duas potências que conseguem ser superadas, principalmente pela União Soviética, até que, em
1969, os Americanos conseguem colocar dois astronautas na superfície lunar, convocando assim
a sua liderança perante a URSS.

       Entretanto, no continente asiático, o Japão dava uma reviravolta em relação ao estado
como havia saída da II guerra mundial, ou seja, humilhado e destruído. O “milagre japonês” foi
o nome dado ao seu rápido progresso e à sua prosperidade após a guerra. No início sob a alçada
dos EUA, até conseguir total independência, em 1952, mantendo a aliança entre ambos e
favorando dos apoios financeiros e técnicos americanos.

         No entanto, o que realmente permitiu ao Japão ascender foi a sua tradição e cultura
altamente trabalhadores, assim como um pensamento virado para o progresso. Em primeiro
lugar, o Partido Liberal-Democrata era o governo acertado para a época, um Estado interventivo
que criou as condições favoráveis ao avanço económico do país. Em segundo lugar, dado que na
II Guerra Mundial esta nação se encontrava aliada à Alemanha nazi o japão foi também vítima
das condições tratadas que visavam impedir uma nova guerra, ou seja, o Japão viu-se privado de
qualquer armamento militar que pudesse ser prejudicial, o que resultou numa junção do
orçamento até então utilizado para o armamento, canalizando-o para outros recursos financeiros,
dado que promoveu o seu desenvolvimento. Além disso, a mentalidade japonesa foi um dos
factores decisivos para o progresso deste país, dado que a ligação desde sempre criada no Japão
visava que o patrão deveria fazer tudo em função do trabalhador e, por sua vez, o trabalhador
devia dedicar a sua vida à empresa onde é funcionário. Deste modo, ambos cooperavam de
modo amigável e favorável, de tal modo que, nos primeiros anos, os funcionários abdicaram dos
seus aumentos de salários para os dar à empresa, de modo a promover a renovação tecnológica.

         Assim, o Japão ganhou um novo objetivo: tornar-se a primeira sociedade consumista
asiática.

        Esta meta foi atingida devido à criação de medidas e planos de produção vários,
bastante similares aos americanos. Em primeiro lugar, deu-se o primeiro “boom” económico
entre 1955 e 1961, devido ao fomento da produção industrial, que triplicou nesse período de
tempo. Dentro desta medida os sectores que adquiriram maior importância foram os da indústria
pesada (construção naval, máquinas, indústria química) e dos bens de consumo, tais como os
televisores, as rádios, os electrodomésticos, entre outros. Além disso, viu-se também um forte
aumento no comércio externo, que duplicou.

        Deste modo, em meados dos anos 60 e inícios dos anos 70 a produção industrial
duplicou e criaram-se inúmeros postos de trabalho. Desenvolveu-se também a indústria
siderúrgica, assim como novos sectores, tais como o automóvel, a televisão a cores, os
aparelhos de circuito integrado, entre outros.

       Assim, com o segundo “boom” este colocou-se em terceiro lugar nas potências
mundiais, tendo à sua frente a URSS e os EUA.

        Entretanto, na China via-se nos anos 50 uma separação na aliança feita com a União
Soviética. Esta separação sucede-se devido às divergências de ideais, pois enquanto o
comunismo via no operariado a “massa”, o líder do Estado, Mao dava esse papel ao camponês,
que protegia e admirava como líder da nação. Assim, os dois blocos dividem-se e o comunismo
chinês passa a ser representado como Maoísmo, devidos aos seus ideais próprios. Além disso, a
China adopta, anos passados, um programa de fomento económico ao qual dará o nome de
“grande salto em frente”. Este programa visava “apanhar, em 15 anos, a Inglaterra”, sem
quaisquer ajudas externas.

        A indústria pesada é, deste modo, posta de parte e o enfase passa para os campos e as
pequenas indústrias locais. Para ajudar no enclausuramento da China, Mao faz ferozes críticas
ao actual líder soviético, Kruchtchev, defendendo Estaline e acusa os “novos soviéticos” de se
afastarem do caminho socialista de Marx. A isto, a União Soviética responde com ameaças. A
china Maoísta considera a sua nação como “verdadeiramente socialista”.

        No entanto, o seu programa do “grande salto em frente” cai no falhanço e é abandonado
em 1960, o que afasta Mao Tsé-Tung do poder por breves tempos, enquanto tenta eliminar os
seus opositores e restabelecer a “paz” que pretendia. No seu regresso, Mao lança um novo
programa, a “Revolução Cultural” – apoiada pelas suas “Citações”, ou seja, pelas anotações que
colocara no seu “livro vermelho”, publicado em 1964. Este livro foi durante anos citado e
seguidos por milhares de jovens, que viam nas suas citações mandamentos bíblicos. Alguns
jovens criavam até o seu próprio “livro vermelho”, com a mesma capa vermelha, mas na qual
colocavam a sua imagem e as suas citações (sempre inspiradas nas de Mao). Esta revolução é
levada a cabo pelo líder chinês e pelos seus jovens seguidores, o que rapidamente desencadeia
na violência, colocando a China à beira da anarquia e da guerra civil. Em 1968 recorre-se às
forças militares para impor a ordem e terminar o ambiente caótico e tenso que se vivia.
Entretanto, milhões de mortos foram conseguidos, milhões de perseguidos e milhões de
jovens tiveram que ser enviados para campos de reeducação. No entanto, os esforços de Mao
acabam por dar frutos e, em 1971, o país dá entrada na ONU e recebe o cargo de Conselho de
Segurança.

       Anos antes, a Europa do pós-guerra fomenta a necessidade de ascender e voltar a um
patamar aceitável como potência mundial. Esta necessidade de melhorar foi conseguida através
da união entre várias nações, ideia preconizada por Churchill, que apela ao renascimento
europeu semelhante aos EUA.

        Criam-se, deste modo, várias organizações europeias que promovem encontros, debates
e congressos. Em primeiro lugar, é criada a CECA, devido às ideais de Shuman (1950), que
coloca em evidência a necessidade de cooperação entre a Alemanha e a França no domínio da
produção do aço e do carvão. CECA – Comunidade Europeia do Carvão e do Aço – integra,
além das nações que Shuman evidenciou, a Bélgica, a Itália, a Holanda e Luxemburgo. Esta
comunidade estabeleceu uma zona de minas e siderurgia colectiva que era orientada e
controlada por uma Alta Autoridade.

        Após a criação desta comunidade segue-se a criação de uma comunidade muito mais
vasta e importante, até considerada o início da União Europeia, a CEE (Comunidade Europeia
do Carvão e do Aço). Esta é criada a partir da assinatura do Tratado de Roma, em 1957, no qual
os países que integravam a CECA se comprometeram a implementar a livre circulação de
mercadorias, de capitais e de trabalhadores, bem como a livre prestação de serviços.
Basicamente, deu-se um fomento e facilitou-se os acessos e o comércio entre as várias nações
que assinaram o contrato, de tal modo que, no ano de 1968, se consegue concretizar a união
aduaneira, ou seja, a livre circulação de mercadorias, dando assim mais um passo na direcção da
União Europeia.

       Finalmente, a CEE torna-se, em 1970, a maior potência comercial do Mundo, gerando
assim o seu alargamento. Deste modo, em 1973 novos países assinavam o Tratado, tais como o
Reino Unido, a Irlanda e a Dinamarca.

       Anos antes, após a II Guerra que abalou o mundo, dá-se uma nova vaga de
descolonizações, nomeadamente em África e na Ásia, e tem o seu início em 1945.

        Tem o seu início com a independência da Líbia, que se encontrava sob a proteção da
ONU, em 1951. Cinco anos mais tarde seguem-se Marrocos e a Tunísia, que se encontravam
sob o domínio francês. Além destas, a Argélia era outra colónia de igual importância sob o
domínio francês, no entanto, devido à existência de milhares de colonos franceses que se
recusaram a sair do território, esta entrou numa guerra e só ganha independência em 1961.

       O propagar da independência no continente africano resulta na organização de
movimentos nacionalistas que promovem a luta contra os colonizadores, ou seja, fomentam a
independência e a identidade das colónias. Este novo processo conta, obviamente, com o apoio
da ONU, eterna defensora da igualdade e da justiça. Em 1960, a Assembleia Geral aprova a
Resolução 1514, que visa o direito à autodeterminação dos territórios que se encontram sob
administração estrangeira, condenando as forças armadas das suas metrópoles.

        Entre as décadas de 40 e 70 evidenciam-se cerca de 70 novos países, outrora colónias,
que ganham a sua independência. No entanto, apesar de ser direito alienável a sua
independência, este facto não vai retirar as ex-colónias da dependência externa das metrópoles.
Isto sucede dado que o conjunto de colónias que se separaram dos seus “administradores”
constituem o Terceiro Mundo, ou seja, são regiões pobres e altamente populosas, a adicionar a
falta de recursos e meios que estes têm para se desenvolverem, pois são zonas naturais,
fracamente ou nada industrializadas, que passam a depender da exportação de matérias-primas,
que lhes são compradas pelos países desenvolvidos que, por sua vez, usufruem destas para as
transformarem em bens essenciais, que mais tarde as ex-colónias terãoque comprar para
sustentarem a sua vida. Isto torna-se um ciclo vicioso, dado que o preço das matérias-primas é
altamente reduzido em comparação ao preço dos produtos industrializados, permitindo assim o
total endividamento destes países. Assim, a dependência continua a ser um problema real, no
entanto, é feito de forma indirecta, pois é através de companhias e acordos mútuos que esta
dependência é “oficializada”.

        Além disto, a descolonização tem outros efeitos sobre o globo, como por exemplo a
existência de novos países que terão que se administrar política e economicamente sozinhos.
Este facto revela a possibilidade de estes novos países encontrarem uma nova via, que não fosse
igual à do liberalismo ou do comunismo assente até então. Em via disto, estreitam-se os laços
entre os novos países e dá-se, em 1955, a conferência de Bandung, na Indonésia, onde se
promovem novos princípios: a negação do colonialismo, a rejeição da política de blocos, e a
aliança pacífica entre nações.

        Esta conferência tem grandes proporções no mundo “colonial” e inspira o Movimento
dos Não Alinhados, que é criado na Conferência de Belgrado, em 1961, movimento que
estabelece uma nova via política como alternativa ao comunismo e ao liberalismo.

        Este movimento cria então uma nova política. Em base, esta visava defender as
restantes colónias, propagar a descolonização, defendia “uma política ativa, positiva e
construtiva” e pretendia estabelecer a paz mundial. No entanto, apenas a medida de luta contra o
colonialismo foi realmente levada a cabo.

        Entretanto, em Portugal vivia-se um período de declínio do Estado Novo. O regime
salazarista fraquejava e avistava-se já um fim. Apesar das campanhas que tinham por objetivo a
“revolução agrícola”, na década de 50 a agricultura continuava pobre e pouco produtiva. A isto
culpavam-se as dimensões agrícolas, que se viam no norte divididas em minifúndios, ou seja,
pequenas parcelas que não permitiam o uso de novas indústrias e, no sul, os latifúndios,
propriedades enormes mas que não eram aproveitadas.

       Face ao problema de produção elaboraram-se novos planos de reforma, como a
mecanização da exploração agrícola. Assim, dá-se o II Plano de Fomento (1959), que visava
aumentar a produção e a qualidade de vida dos agricultores, no entanto este plano falha.

Resumos de História - 4ºteste 12ºano

  • 1.
    Resumos de História– 4º teste Após a derrota alemã na II Guerra Mundial, e tendo em conta o sucedido anos antes, na I Guerra Mundial, os países vencedores sentiram a necessidade de criar medidas capazes de impedir que uma nova guerra voltasse, jamais, a despontar. Deste modo, a Alemanha foi dividida em quatro partes essenciais e cada uma dessas era administrada por uma das grandes potências vencedoras (Inglaterra, França, URSS e EUA). O país divide-se, assim, em dois núcleos centrais: os liberais e capitalistas e os comunistas russos. Tendo em conta os meios administrativos de ambos, a Rússia sentiu-se ameaçada. Enquanto isto sucedia, os países de leste eram também conquistados (sovietizados) pela URSS, dado que fora convocada a esta o poder de libertar estes países do nazismo – que resultou numa oportunidade para os sovietizar. Este facto dá força ao conceito de “cortina de ferro” preconizada por Churchill, que evidenciava o clima de tensão que se vivia entre o comunismo e os liberais. Deste modo, Estaline cria o Kominform (Secretariado de Informação comunista), em 1947, que vinha substituir o antigo Komintern. Era um organismo que visava o controlo e a propagação do comunismo pelo mundo. Entretanto, a 12 de Março do mesmo ano (1947), o presidente norte-americano Harry Truman põe em evidência a necessidade de resistir às tentativas de dominação russa. O que este pretendia era combater o comunismo soviético através da contenção e ajudar a Europa a reerguer-se do caos da guerra – é então lançada a doutrina Truman. Entretanto, o clima político permanecia instável e propício à propagação dos ideais soviéticos. Deste modo, o secretário de Estado norte-americano George Marshall propõe um plano de ajuda económica à Europa que fica conhecido como o Plano Marshall e irá complementar-se na doutrina Truman. Este projecto concebia fundos monetários aos vários países da Europa, incluindo aqueles que se encontravam sob o domínio soviético. A Rússia vê esta ajuda dos EUA como um meio de divulgação dos seus ideais liberais e capitalistas e recusa-a em todos os países sob o seu domínio. Neste sentido, a Rússia responde em janeiro de 1949 com a criação do Plano Molotov, que visava estabelecer uma cooperação entre os países de domínio soviético e estipulavam a longo prazo a ajuda técnica e financeira, assim como o fomento das trocas comerciais entre nações. Deste modo, cria-se o COMECON (Conselho de Assistência Económica Mútua), uma organização de cooperação económica destinada a promover o desenvolvimento financeiro e as atividades comerciais e industriais destes países. Além disso, na Alemanha, Berlim era administrado pelas três potências liberais que viram este território como o campo de batalha ideal a conter o avanço soviético, fazendo dos seus territórios alemães uma república federal, a República Federal Alemã (RFA). Por sua vez, a Rússia, após enormes protestos, faz para o seu território semelhante escolha, criando a República Democrática Alemã (RDA). No entanto, as três potências mantêm “estacionadas” as suas tropas na cidade de Berlim, o que é visto por Estaline como uma ameaça. Deste modo inicia-se o Bloqueio de Berlim, no qual os sovietes bloqueiam todos os acessos terrestres à cidade por parte das potências aliadas. Para tal, a União Soviética bloqueia as linhas ferroviárias e rodoviárias e tenta comandar os portos, tendo com isto em vista o bloqueio da produção industrial, para que, deste modo, estes necessitassem da ajuda soviética e se retirassem da cidade para assim alargar o seu território para a capital. Assim, a 24 de Junho de 1948, Estaline decreta o Bloqueio de Berlim. As potências liberais são forçadas a abastecer a cidade através de uma ponte aérea durante 321 dias
  • 2.
    (Operação Vittle), atéque, a 12 de Maio de 1949, Estaline suspende o bloqueio, deixando na capital um clima caótico de pobreza e fome. Deste modo, inicia-se um período de forte tensão, o qual se deu o nome de Guerra Fria. Este prolongou-se até meados dos anos 80, no entanto, foi até meados dos anos 50 que a tensão foi mais visível. Os Estados Unidos e a URSS viram-se hostilizados e intimidados um pelo outro ao longo deste tempo, que resultou em enormes mudanças pelo mundo inteiro. Ninguém desejava ou tinha sequer forças para entrar noutro conflito mundial como o ocorrido poucos anos antes com a II Guerra Mundial, no entanto, a ganância, o poder, e maioritariamente as diferenças políticas entre as duas potências despontaram um clima perigoso que se encontrava aliado ao desejo de possuir mais do que o outro, quer em armamento, como em territórios. Deste modo, o liberalismo e o marxismo-estalinista viram-se num campo de combate no qual nenhum queria sucumbir à guerra, no entanto queriam superar o adversário em tudo. Devido a este conflito, os EUA não tardaram a encontrar aliados que os apoiassem na contenção do comunismo. Neste sentido, dá-se em 1949 a assinatura do Tratado do Atlântico Norte, entre os EUA, o Canadá e algumas nações europeias. Mais tarde isto viria a dar origem à Organização do Tratado do Atlântico Norte – OTAN (ou NATO), uma importante organização militar do pós-guerra que visava “regular por meios pacíficos todas as divergências internacionais em que possam encontrar-se envolvidas por forma que não façam perigar a paz e segurança internacionais”. A partir desta aliança formada formaram-se inúmeras outras, de modo que, em 1959, já três quartos do mundo se encontravam ligados aos EUA. Estas novas alianças multilaterais contavam com a Organização dos Estados Americanos (OEA), que ligavam a América; na Oceânia (ANZUS); no Sudoeste Asiático (Organização do Tratado da Ásia de Sudoeste – OTASE); Médio Oriente (Pacto de Bagdade). O mundo encontrava-se então dividido. Por um lado, existia o sistema repressivo e comunista de Estaline, por outro, o sistema liberal e capitalista que representava o resto da Europa e EUA. Este segundo “mundo” tinha como objetivo travar a expansão do socialismo comunista e assegurar a paz e justiça liberal mundial. Era já dado como certo desde o ocorrido na Grande Depressão que o Estado deveria possuir um papel interventivo na sociedade. Este facto não foi negado, mas sim priorizado durante esta altura. Em 1945 dão-se as eleições em Inglaterra que colocam no poder o líder do Partido Trabalhista, ClementAtlee, deixando claro que a necessidade era o socialismo, em vez o conservadorismo até então preconizado pela figura de Churchill. Por todo o mundo,partidos com idealismos idênticos começaram a proliferar – adeptos da social-democracia, que rejeita os ideais de Marx e evidenciam a necessidade de novas reformas sociais e da melhoria de vida dos trabalhadores. Nisto, encontra-se apenas a exceção de países como a Itália e a RFA (República Federal Alemã), que receavam os partidos socialista e deram poder aos democratas-cristãos, que tinham na sua ideologia a doutrina social da igreja e visavam o bem estar do homem maioritariamente a nível espiritual. Deste modo, enfatiza-se a preocupação do Estado como a nação, fomentam-se os programas de nacionalizações dos bancos, das companhias de seguros, da produção de energia, dos transportes, entre outras. O Estado torna-se, assim, o principal agente da economia, nascendo a conceção do Estado como Estado-providência. O Estado-providência nasce no Reino Unido como walfarestate, ou seja, um Estado que tem na sua totalidade o objetivo de ver melhorar as condições de vida da sua população. Para tal, criam-se medidas, tais como o sistema nacional de saúde (NationalHealthService), que torna gratuitos todos os serviços médicos e que se estende a todos os cidadãos, e um sistema de proteção social que engloba o abono de família, de desemprego, de reforma, e a baixa médica para doentes, assim como alguns subsídios aos mais pobres. Estas medidas permitem uma estabilização social e económica, tornando as nações mais prósperas.
  • 3.
    O mundo entrouassim num período que não via fim à sua prosperidade. O governo trabalhava arduamente para obter resultados e, ao longo de 1945 e 1973 não houve qualquer crise ou diminuição da economia e das taxas de crescimento. O capitalismo regressou em alta, maioritariamente na RFA, na França e no Japão, que ficaram denominados como “milagres económicos”. Um grande apoio a esta causa foram os acordos de BrettonWoods, feitos entre os EUA e o Japão, nos quais se estabeleceu o dólar como a moeda de maior poder e cujo objetivo era o de criar instituições monetárias e mecanismos de apoio financeiro que trouxessem estabilidade económica e facilitassem o câmbio de moedas (deste resultou, entre outras, a criação do FMI), e a criação da CEE. Estes trinta anos de crescente prosperidade ficaram conhecidos como os “Trinta Gloriosos” – expressão tornada popular pelo economista francês Jean Fourastié. Estes anos conheceram inúmeras mudanças, como já vimos. Entre elas ocorreu um enorme progresso tecnológico, fomentado pela aposta das novas grandes empresas e fábricas e que atingia todos os sectores. Além disso, é de destacar também a preferência ao petróleo em relação ao carvão (que se mantinha como predilecto desde a Revolução Indústrial), dado que o primeiro era de tal forma abundante e rico cujos preços se viram reduzidos e óptimos para a sua compra. É também de evidenciar o aumento das grandes empresas e a concentração industrial, que foi unicamente permitida pela melhoria das condições de vida, que fomentaram a possibilidade de crescimento da classe média e da classe alta para patamares mais elevados na sociedade. Não só tudo isto, mas deu-se também um aumento da população ativa, que ocorreu não só devido ao “baby-boom”, ou seja, ao aumento geral da natalidade no anos 40 e 50, também devido à maior integração da população feminina no mercado de trabalho, e além disso, também se fez notar um crescimento da população que emigrava de países menos desenvolvidos à procura de melhores condições de vida (entre estes, Portugal estava entre os países com maior taxa de imigrantes). Esta mão-de-obra crescente era também mais qualificada devido ao aumento da escolaridade obrigatória, o que contribuo para o bom desenvolvimento das nações. Não obstante o que foi referido, adicionou-se ainda a modernização da agricultura nos países desenvolvidos, permitindo a autosuficiência dos mesmos, a capacidade não só de importar como também de exportar produtos alimentares e diminuiu a dependência externa. Finalmente, notou-se um crescimento do sector terciário, ou seja, dos serviços. A este sector dedicava-se maioritariamente a classe média e, deste modo, com o seu aumento, nota-se que se deu um aumento favorável na classe média, diminuindo a pobreza neste países. Tudo isto motiva a sociedade ao típico consumismo, com a agravante dos progressos tecnológicos e da importância dos novos sectores, como é o caso da publicidade, que permitem também um aumento dos produtos e fomentam a necessidade de os adquirir. Deste modo, a sociedade mundial capitalista abastece-se de um leque de bens, tais como automóveis, electrodomésticos, roupas, telefones, televisões, os quais a população tem agora dinheiro para adquirir. Inventa-se assim as “tendências”, ou seja, os bens que é necessário adquirir e que, passada uma época, são deitados fora e substituídos por outros objectos (“passam de moda”). Nisto vem também a publicidade ajudar, criando uma única “propaganda de consumo” que manipula os indivíduos a adquirirem certos produtos através de técnicas psicológicas de persuasão. Entretanto, do outro lado do globo, a URSS divulgava e espalhava a sua palavra e os seus ideais marxistas. Saído da II Guerra Mundial, o comunismo contava apenas com dois partidários: a URSS e a Mongólia. No entanto, o tempo e as eventualidades permitiram a propagação rápida das suas ideias. Entre 1945 e 1949 o comunismo propaga-se até à Europa Ocidental (Coreia do Norte e China). Já nos anos 50 e 60 alastra-se para até à Ásia (Vietname, Camboja e Birmânia) e encontra em Cuba o seu local de eleição, devido à sua proximidade dos EUA.
  • 4.
    Foi a partirda URSS que todos os ideais marxistas partiram e foi graças à necessidade de libertar certos países dos domínios totalitaristas, trabalho que coube à URSS nos acordos de Ialta (dos quais Estaline se iria aproveitar) e à primeira vaga de descolonização que Estaline viu a sua oportunidade ser viavelmente conseguida. A primeira vaga comunista propagou-se pela Europa Oriental e foi realizada sobre ordem de pressão pela URSS. Em 1948 todos os países de Leste motivados pelo comunismo já possuíam Partido Único e viviam sob ideais semelhantes aos da União Soviética. Estes novos partidos receberam a designação de Democracias Populares pois viviam soube a égide dos ideais comunistas, opunham-se aos regimes liberais, possuíam partido único e tinham um Estado que controlava tudo, desde a economia à cultura. Em 1955 os laços entre a Albânia, a Bulgária, a Hungria e a República Democrata Alemã, a Polónia, a Roménia, a URSS e a Checoslováquia, ou seja, democracias populares foram reforçados através do Pacto de Varsóvia. Este pacto militar visava a aliança entre os vários países e a “una” protecção contra qualquer agressão – bastante similar à NATO, nos EUA. Deste modo, tanto os EUA como a URSS possuíam aliados suficientes para se defenderem em caso de nova guerra, comprometendo qualquer tentativa de ambas as potências atacarem. Por sua vez, a segunda vaga deu-se na Ásia. Esta contou apenas com o apoio da URSS e não foi directamente resultado das ordens e tropas militares dirigidas por Estaline, mas sim por vontade própria dos trabalhadores das nações em constituírem os ideais do marxismo. Muitos países assim se revolucionaram, à exceção da Coreia do Norte, que foi resultado direto das ordens da URSS. Em primeiro lugar, a Coreia fora, na sua totalidade, incumbida de ser libertada do governo japonês após a II Guerra Mundial, por parte da União Soviética e dos EUA. No entanto, as duas potências não pareciam encontrar consenso no modo de dirigir a recém-nação. Deste modo, a Coreia divide-se em duas potências, uma comunista e a outra liberal e capitalista. Apesar de ainda assim se manterem nos dias de hoje, entre 1950 e 1953 este facto resultou numa severa guerra entre o norte e o sul, até que por força militar as conseguiram parar. A China, por sua vez, tornou-se socialista a partir de vários movimentos revolucionários nacionalistas. Em 1949, Mao Tsé-Tung proclama a instauração de uma República Popular, após trinta anos de falhadas tentativas. Apesar de não terem contado com um grande apoio por parte da URSS, a China assina, em Moscovo, um Tratado de Amizade e Aliança entre as duas nações. Assim, a URSS passa a contar com mais uma aliança, apesar de anos mais tarde esta ser quebrada. Além disso, a América Latina é também alvo das tentações comunistas, nomeadamente nos anos 60 e 70. O seu ponto fulcral foi Cuba onde, em 1959, Fidel Castro e Che Guevara derrotam o ditador Fulgêncio Batista. Até então estes comunistas não tinham qualquer ligação com a URSS, no entanto, após serem hostilizados por parte dos EUA, aceitam o apoio dos soviéticos e transformam Cuba em mais um aliado no comunismo. É devido a esta aliança que a Guerra Fria se torna mais temível aquando de 1962 uns aviões americanos avistam em Cuba armas nucleares capazes de atacar território americano. Kennedy, já presidente, envia um aviso que acaba por se resolver num acordo, no qual a américa se compromete a não mais tentar derrubar o regime de Cuba. Tal como é já do conhecimento geral, o comunismo soviético sempre dera prioridade à indústria, maioritariamente à indústria pesada e às infraestruturas, tais como os complexos siderúrgicos e as centrais hidroeléctricas. Este factor vai-se propagar para todos os países Europeus sob a alçada comunista. O que trará enormes consequências. Apesar de certos países terem visto um crescimento notável na indústria, a vida das suas populações só piorou. As horas de trabalho mantêm-se, os salários sobem bastante lentamente e as carências de bens proliferam. Além disso, não demora muito tempo até que os resultados da excessiva industrialização se mostrem prejudiciais. As empresas vêm-se privadas de quaisquer poder e entusiasmo e fazem
  • 5.
    apenas o pedidopara alcançar as metas dos planos ditados. Na agricultura não se fazem quaisquer avanços, sendo que algumas nações exportadoras de cereais passam a ter que os importar. Na tentativa de solucionar o problema, o novo líder soviético, NikitaKruchtchev, efectua um conjunto de reformas. Este plano inicia-se em 1959 com o reforço das indústrias de consumo e de habitação. Segue-se um aumento das terras cultivadas, no sentido de aumentar a produção agrícola. No entanto, o resultado destas medidas fica muito aquém do que era esperado e a economia colapsa quando, na década de 70, sobe ao poder Leonidas Brejnev, que trás consigo uma era de corrupção e abuso de poder. Entretanto, as potências Americana e Soviética disputavam tudo o que podiam numa guerra de tensão e competição que parecia não ter fim. Não apenas o muro de Berlim expunha as suas divergências, mas também as competições de armamento que foram realizadas. Em primeiro lugar, os EUA sentiram-se surpreendidos quando, em Setembro de 1949, os Russos fazem explodir a sua primeira bomba atómica, que estes acreditavam serem os únicos a possuir até então. A necessidade de superar os Russos fê-los procurar uma receita mais potente que a bomba atómica, fazendo em 1952, explodir a primeira bomba de hidrogénio, que no ano seguinte também já se encontrava sob a alçada dos Russos. Assim, o segundo ponto iniciou-se com o aumento gigantesco do orçamento da nação americana para o armamento “convencional”. Este orçamento triplica após a invasão da Coreia do Sul pelos comunistas, e sente-se a necessidade de possuir mais armas e um maior poder terrestre, aéreo e naval. A este plano segue-se, obviamente, um igual por parte da URSS, que gasta 80% do seu orçamento em despesas militares. O mundo encontrava-se, segundo Churchill, resvalado para o “equilíbrio instável do terror”. No entanto, nem todas as competições entre as duas superpotências foram perigosas. A competição mais saudável desenvolveu-se com os progressos tecnológicos a nível da ciência e da aeroespacial. Devido à receita deixada pela Alemanha nazi que trabalhava secretamente num projecto de mísseis criam-se os primeiros foguetes que, na Rússia, se desenvolvem em satélites e foguetes capazes de sobrevoar o espaço e, até, levar consigo passageiros. Deste modo, em outubro de 1957, a Rússia eleva-se a um nível mais elevado quando consegue colocar em órbita o primeiro satélite artificial da História, o Sputnik 1. Após inúmeras tentativas falhadas e a morte de alguns cães domésticos, o Sputnik 2 consegue levar a primeira passageira no espaço que sobrevive, a cadela Laika. Isto destrói os Americanos, que rapidamente tentam superar as suas ações, em várias tentativas falhadas. Só em 1958 conseguem o lançamento com sucesso do Explorer 1. Por sua vez, mais algumas sondas são enviadas até que os Russos conseguem tocar na lua. Assim, continuam a criar-se metas entre as duas potências que conseguem ser superadas, principalmente pela União Soviética, até que, em 1969, os Americanos conseguem colocar dois astronautas na superfície lunar, convocando assim a sua liderança perante a URSS. Entretanto, no continente asiático, o Japão dava uma reviravolta em relação ao estado como havia saída da II guerra mundial, ou seja, humilhado e destruído. O “milagre japonês” foi o nome dado ao seu rápido progresso e à sua prosperidade após a guerra. No início sob a alçada dos EUA, até conseguir total independência, em 1952, mantendo a aliança entre ambos e favorando dos apoios financeiros e técnicos americanos. No entanto, o que realmente permitiu ao Japão ascender foi a sua tradição e cultura altamente trabalhadores, assim como um pensamento virado para o progresso. Em primeiro lugar, o Partido Liberal-Democrata era o governo acertado para a época, um Estado interventivo que criou as condições favoráveis ao avanço económico do país. Em segundo lugar, dado que na
  • 6.
    II Guerra Mundialesta nação se encontrava aliada à Alemanha nazi o japão foi também vítima das condições tratadas que visavam impedir uma nova guerra, ou seja, o Japão viu-se privado de qualquer armamento militar que pudesse ser prejudicial, o que resultou numa junção do orçamento até então utilizado para o armamento, canalizando-o para outros recursos financeiros, dado que promoveu o seu desenvolvimento. Além disso, a mentalidade japonesa foi um dos factores decisivos para o progresso deste país, dado que a ligação desde sempre criada no Japão visava que o patrão deveria fazer tudo em função do trabalhador e, por sua vez, o trabalhador devia dedicar a sua vida à empresa onde é funcionário. Deste modo, ambos cooperavam de modo amigável e favorável, de tal modo que, nos primeiros anos, os funcionários abdicaram dos seus aumentos de salários para os dar à empresa, de modo a promover a renovação tecnológica. Assim, o Japão ganhou um novo objetivo: tornar-se a primeira sociedade consumista asiática. Esta meta foi atingida devido à criação de medidas e planos de produção vários, bastante similares aos americanos. Em primeiro lugar, deu-se o primeiro “boom” económico entre 1955 e 1961, devido ao fomento da produção industrial, que triplicou nesse período de tempo. Dentro desta medida os sectores que adquiriram maior importância foram os da indústria pesada (construção naval, máquinas, indústria química) e dos bens de consumo, tais como os televisores, as rádios, os electrodomésticos, entre outros. Além disso, viu-se também um forte aumento no comércio externo, que duplicou. Deste modo, em meados dos anos 60 e inícios dos anos 70 a produção industrial duplicou e criaram-se inúmeros postos de trabalho. Desenvolveu-se também a indústria siderúrgica, assim como novos sectores, tais como o automóvel, a televisão a cores, os aparelhos de circuito integrado, entre outros. Assim, com o segundo “boom” este colocou-se em terceiro lugar nas potências mundiais, tendo à sua frente a URSS e os EUA. Entretanto, na China via-se nos anos 50 uma separação na aliança feita com a União Soviética. Esta separação sucede-se devido às divergências de ideais, pois enquanto o comunismo via no operariado a “massa”, o líder do Estado, Mao dava esse papel ao camponês, que protegia e admirava como líder da nação. Assim, os dois blocos dividem-se e o comunismo chinês passa a ser representado como Maoísmo, devidos aos seus ideais próprios. Além disso, a China adopta, anos passados, um programa de fomento económico ao qual dará o nome de “grande salto em frente”. Este programa visava “apanhar, em 15 anos, a Inglaterra”, sem quaisquer ajudas externas. A indústria pesada é, deste modo, posta de parte e o enfase passa para os campos e as pequenas indústrias locais. Para ajudar no enclausuramento da China, Mao faz ferozes críticas ao actual líder soviético, Kruchtchev, defendendo Estaline e acusa os “novos soviéticos” de se afastarem do caminho socialista de Marx. A isto, a União Soviética responde com ameaças. A china Maoísta considera a sua nação como “verdadeiramente socialista”. No entanto, o seu programa do “grande salto em frente” cai no falhanço e é abandonado em 1960, o que afasta Mao Tsé-Tung do poder por breves tempos, enquanto tenta eliminar os seus opositores e restabelecer a “paz” que pretendia. No seu regresso, Mao lança um novo programa, a “Revolução Cultural” – apoiada pelas suas “Citações”, ou seja, pelas anotações que colocara no seu “livro vermelho”, publicado em 1964. Este livro foi durante anos citado e seguidos por milhares de jovens, que viam nas suas citações mandamentos bíblicos. Alguns jovens criavam até o seu próprio “livro vermelho”, com a mesma capa vermelha, mas na qual colocavam a sua imagem e as suas citações (sempre inspiradas nas de Mao). Esta revolução é levada a cabo pelo líder chinês e pelos seus jovens seguidores, o que rapidamente desencadeia na violência, colocando a China à beira da anarquia e da guerra civil. Em 1968 recorre-se às forças militares para impor a ordem e terminar o ambiente caótico e tenso que se vivia.
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    Entretanto, milhões demortos foram conseguidos, milhões de perseguidos e milhões de jovens tiveram que ser enviados para campos de reeducação. No entanto, os esforços de Mao acabam por dar frutos e, em 1971, o país dá entrada na ONU e recebe o cargo de Conselho de Segurança. Anos antes, a Europa do pós-guerra fomenta a necessidade de ascender e voltar a um patamar aceitável como potência mundial. Esta necessidade de melhorar foi conseguida através da união entre várias nações, ideia preconizada por Churchill, que apela ao renascimento europeu semelhante aos EUA. Criam-se, deste modo, várias organizações europeias que promovem encontros, debates e congressos. Em primeiro lugar, é criada a CECA, devido às ideais de Shuman (1950), que coloca em evidência a necessidade de cooperação entre a Alemanha e a França no domínio da produção do aço e do carvão. CECA – Comunidade Europeia do Carvão e do Aço – integra, além das nações que Shuman evidenciou, a Bélgica, a Itália, a Holanda e Luxemburgo. Esta comunidade estabeleceu uma zona de minas e siderurgia colectiva que era orientada e controlada por uma Alta Autoridade. Após a criação desta comunidade segue-se a criação de uma comunidade muito mais vasta e importante, até considerada o início da União Europeia, a CEE (Comunidade Europeia do Carvão e do Aço). Esta é criada a partir da assinatura do Tratado de Roma, em 1957, no qual os países que integravam a CECA se comprometeram a implementar a livre circulação de mercadorias, de capitais e de trabalhadores, bem como a livre prestação de serviços. Basicamente, deu-se um fomento e facilitou-se os acessos e o comércio entre as várias nações que assinaram o contrato, de tal modo que, no ano de 1968, se consegue concretizar a união aduaneira, ou seja, a livre circulação de mercadorias, dando assim mais um passo na direcção da União Europeia. Finalmente, a CEE torna-se, em 1970, a maior potência comercial do Mundo, gerando assim o seu alargamento. Deste modo, em 1973 novos países assinavam o Tratado, tais como o Reino Unido, a Irlanda e a Dinamarca. Anos antes, após a II Guerra que abalou o mundo, dá-se uma nova vaga de descolonizações, nomeadamente em África e na Ásia, e tem o seu início em 1945. Tem o seu início com a independência da Líbia, que se encontrava sob a proteção da ONU, em 1951. Cinco anos mais tarde seguem-se Marrocos e a Tunísia, que se encontravam sob o domínio francês. Além destas, a Argélia era outra colónia de igual importância sob o domínio francês, no entanto, devido à existência de milhares de colonos franceses que se recusaram a sair do território, esta entrou numa guerra e só ganha independência em 1961. O propagar da independência no continente africano resulta na organização de movimentos nacionalistas que promovem a luta contra os colonizadores, ou seja, fomentam a independência e a identidade das colónias. Este novo processo conta, obviamente, com o apoio da ONU, eterna defensora da igualdade e da justiça. Em 1960, a Assembleia Geral aprova a Resolução 1514, que visa o direito à autodeterminação dos territórios que se encontram sob administração estrangeira, condenando as forças armadas das suas metrópoles. Entre as décadas de 40 e 70 evidenciam-se cerca de 70 novos países, outrora colónias, que ganham a sua independência. No entanto, apesar de ser direito alienável a sua independência, este facto não vai retirar as ex-colónias da dependência externa das metrópoles. Isto sucede dado que o conjunto de colónias que se separaram dos seus “administradores” constituem o Terceiro Mundo, ou seja, são regiões pobres e altamente populosas, a adicionar a falta de recursos e meios que estes têm para se desenvolverem, pois são zonas naturais, fracamente ou nada industrializadas, que passam a depender da exportação de matérias-primas, que lhes são compradas pelos países desenvolvidos que, por sua vez, usufruem destas para as transformarem em bens essenciais, que mais tarde as ex-colónias terãoque comprar para
  • 8.
    sustentarem a suavida. Isto torna-se um ciclo vicioso, dado que o preço das matérias-primas é altamente reduzido em comparação ao preço dos produtos industrializados, permitindo assim o total endividamento destes países. Assim, a dependência continua a ser um problema real, no entanto, é feito de forma indirecta, pois é através de companhias e acordos mútuos que esta dependência é “oficializada”. Além disto, a descolonização tem outros efeitos sobre o globo, como por exemplo a existência de novos países que terão que se administrar política e economicamente sozinhos. Este facto revela a possibilidade de estes novos países encontrarem uma nova via, que não fosse igual à do liberalismo ou do comunismo assente até então. Em via disto, estreitam-se os laços entre os novos países e dá-se, em 1955, a conferência de Bandung, na Indonésia, onde se promovem novos princípios: a negação do colonialismo, a rejeição da política de blocos, e a aliança pacífica entre nações. Esta conferência tem grandes proporções no mundo “colonial” e inspira o Movimento dos Não Alinhados, que é criado na Conferência de Belgrado, em 1961, movimento que estabelece uma nova via política como alternativa ao comunismo e ao liberalismo. Este movimento cria então uma nova política. Em base, esta visava defender as restantes colónias, propagar a descolonização, defendia “uma política ativa, positiva e construtiva” e pretendia estabelecer a paz mundial. No entanto, apenas a medida de luta contra o colonialismo foi realmente levada a cabo. Entretanto, em Portugal vivia-se um período de declínio do Estado Novo. O regime salazarista fraquejava e avistava-se já um fim. Apesar das campanhas que tinham por objetivo a “revolução agrícola”, na década de 50 a agricultura continuava pobre e pouco produtiva. A isto culpavam-se as dimensões agrícolas, que se viam no norte divididas em minifúndios, ou seja, pequenas parcelas que não permitiam o uso de novas indústrias e, no sul, os latifúndios, propriedades enormes mas que não eram aproveitadas. Face ao problema de produção elaboraram-se novos planos de reforma, como a mecanização da exploração agrícola. Assim, dá-se o II Plano de Fomento (1959), que visava aumentar a produção e a qualidade de vida dos agricultores, no entanto este plano falha.