1 | P á g i n a
Resumo – Deformações – Dobras e Falhas 11.º ano
A Terra é um planeta dotado de grande dinamismo. Uma das formas que a Terra tem de mostrar
esse dinamismo é através da ocorrência de processos contínuos, muito lentos e graduais, que
provocam modificações nas formações rochosas – as deformações.
As deformações:
– são alterações que se devem a forças de tensão exercidas sobre as rochas, provocadas pela
mobilidade da litosfera e pelo peso de camadas suprajacentes;
Nota: Define-se tensão como sendo uma força exercida por unidade de área. Esta força leva a
modificações nas condições de pressão e temperatura, que passam a ser diferentes daquelas em
que a rocha se formou.
– quando ocorrem, podem provocar alteração de volume ou alteração da forma das rochas ou,
como é comum, alterar simultaneamente o volume e a forma das rochas;
– podem ocorrer em todos os tipos de rochas.
Mecanismos de deformação
Através do estudo laboratorial do comportamento dos materiais e da observação direta das rochas,
concluiu-se que:
 o tipo de tensões a que as rochas ficam sujeitas são a tensão de compressão, tensão de
distensão (ou tensão de torção) e tensão de cisalhamento;
 o tipo de comportamento que as rochas apresentam, quando estão sob o efeito de tensões,
pode ser frágil ou dúctil:
 frágil – quando entram facilmente em rutura, originando falhas;
 dúctil – quando dificilmente entram em rutura e experimentam deformações permanentes,
originando dobras.
Os mecanismos de deformação das rochas estão associados, normalmente, a diferentes tipos de
limites tectónicos:
2 | P á g i n a
Resumo – Deformações – Dobras e Falhas 11.º ano
3 | P á g i n a
Resumo – Deformações – Dobras e Falhas 11.º ano
Os materiais rochosos podem apresentar diversos tipos de deformações em resposta às tensões
que suportam:
Deformação elástica:
– é um tipo de deformação reversível;
– é proporcional ao esforço aplicado;
– quando a força de tensão é retirada, o material volta ao estado inicial;
– as rochas possuem um limite de elasticidade; quando este limite é ultrapassado, as rochas
passam a manifestar um comportamento plástico ou entram em ruptura;
– as deformações sofridas por uma mola ou por um elástico quando são sujeitos a tensões
são um exemplo deste tipo de deformação.
Deformação plástica:
– é um tipo de deformação irreversível;
– o material, depois de ultrapassado o limite de elasticidade, fica permanentemente
deformado;
– se o limite de plasticidade não for ultrapassado não há ruptura do material;
– origina uma deformação contínua pois, neste caso, não se verifica descontinuidade entre
as partes contíguas do material deformado, tal como
acontece nas dobras;
– as deformações evidenciadas pelo barro ou pela plasticina quando moldados são exemplo
deste tipo de deformação.
Deformação por rutura:
– é uma deformação irreversível;
– ocorre quando o limite de plasticidade da rocha é ultrapassado;
– a rocha entra em rutura formando uma deformação descontínua, pois não há
continuidade entre as partes contíguas do material deformado, tal como acontece
nas falhas;
– acontece, por exemplo, com o pau de giz quando sujeito a tensão.
Os comportamentos apresentados pelas rochas:
– são influenciados pelas condições em que as deformações se processam;
– são, geralmente, frágeis, pois as rochas são materiais pouco plásticos que entram
facilmente em rutura, principalmente quando estão próximas da superfície;
– podem tornar-se dúcteis, quando estão sob ação de temperaturas e pressões elevadas em
zonas mais profundas;
– em situações extremas de pressão e temperatura, são semelhantes ao comportamento de
fluidos muito viscosos;
– dependem dos seguintes fatores:
4 | P á g i n a
Resumo – Deformações – Dobras e Falhas 11.º ano
 tipo de tensão:
– pode ser confinante/litostática ou dirigida/não litostática:
 confinante ou litostática – resulta do peso das camadas suprajacentes e aumenta a
ductilidade da rocha pelo que se torna mais resistente à rutura;
 dirigida ou não litostática – ocorre quando um corpo está sujeito a forças de
intensidade diferente em diversas direções.
 Temperatura
– o aumento da temperatura, aumenta a plasticidade;
– como aumenta com a profundidade, tal como a pressão, as rochas mais profundas
possuem um comportamento mais dúctil;
– um bom exemplo é o do vidro, que é sólido à temperatura ambiente mas funde a
temperaturas elevadas.
 conteúdo em fluidos:
– faz aumentar a plasticidade das rochas;
– tal como um ramo de árvore húmido flete mais facilmente do que um ramo seco, também
um maior conteúdo em fluidos faz aumentar a ductilidade das rochas.
 tempo de atuação:
– se as forças atuarem sobre as rochas durante mais tempo, em princípio, aumenta a
plasticidade.
 composição e estrutura da rocha:
– alguns aspetos estruturais fazem aumentar a plasticidade das rochas, como por exemplo a
xistosidade.
Deformações mais frequentes nas rochas
As deformações que se verificam nas rochas podem apresentar diversos aspetos, sendo os mais
comuns as dobras e as falhas.
5 | P á g i n a
Resumo – Deformações – Dobras e Falhas 11.º ano
Dobras
– são deformações que consistem no arqueamento ou encurvamento das camadas rochosas
inicialmente planas;
– podem ser macro ou microscópicas;
– resultam de tensões compressivas quando o material tem comportamento dúctil;
– caracterizam-se geometricamente pela forma da superfície de referência como, por
exemplo, os planos de estratificação;
– possuem formas mais ou menos regulares e consideram-se dobras cilíndricas aquelas que
são geradas pelo deslocamento de uma reta – geratriz – paralelamente a si própria;
– formam-se no interior da crusta ou do manto de forma lenta e gradual;
– afloram à superfície devido aos movimentos tectónicos e à erosão;
Numa dobra, a posição das camadas rochosas no espaço, ou seja, a atitude dessas camadas, pode
ser definida pela direção e pela inclinação das camadas.
– a geometria das dobras caracteriza-se pelos seguintes elementos:
6 | P á g i n a
Resumo – Deformações – Dobras e Falhas 11.º ano
De acordo com a sua disposição espacial e com a idade das rochas que as constituem, podem ser
classificadas em:
Disposição espacial
 Antiforma
 Sinforma
 Neutra
7 | P á g i n a
Resumo – Deformações – Dobras e Falhas 11.º ano
Idade das rochas do núcleo
 Anticlinal
 Sinclinal
8 | P á g i n a
Resumo – Deformações – Dobras e Falhas 11.º ano
 Falhas
– são deformações descontínuas em que se verifica a fratura das rochas, acompanhada de
deslocamento dos blocos fraturados um em relação ao outro;
– ocorrem quando o limite de plasticidade dos materiais rochosos é ultrapassado;
– resultam de tensões compressivas, distensivos ou de cisalhamento quando as rochas têm
comportamento frágil;
– caracterizam-se pelos seguintes elementos:
– de acordo com a inclinação do plano de falha e com o movimento dos lábios, classificam-se em:
9 | P á g i n a
Resumo – Deformações – Dobras e Falhas 11.º ano
– a posição das falhas no espaço pode definir-se de acordo com a direção e a inclinação do plano
de falha:
 Direção: é o ângulo formado por uma linha horizontal do plano de falha com a linha N-S
geográfica.
 Inclinação: é o ângulo definido entre o plano de falha e uma superfície horizontal.
– podem surgir associadas e com configurações geográficas designadas por fossas
tectónicas ou grabens e maciços tectónicos ou horsts:
10 | P á g i n a
Resumo – Deformações – Dobras e Falhas 11.º ano

Resumo_Dobras e Falhas.pdf

  • 1.
    1 | Pá g i n a Resumo – Deformações – Dobras e Falhas 11.º ano A Terra é um planeta dotado de grande dinamismo. Uma das formas que a Terra tem de mostrar esse dinamismo é através da ocorrência de processos contínuos, muito lentos e graduais, que provocam modificações nas formações rochosas – as deformações. As deformações: – são alterações que se devem a forças de tensão exercidas sobre as rochas, provocadas pela mobilidade da litosfera e pelo peso de camadas suprajacentes; Nota: Define-se tensão como sendo uma força exercida por unidade de área. Esta força leva a modificações nas condições de pressão e temperatura, que passam a ser diferentes daquelas em que a rocha se formou. – quando ocorrem, podem provocar alteração de volume ou alteração da forma das rochas ou, como é comum, alterar simultaneamente o volume e a forma das rochas; – podem ocorrer em todos os tipos de rochas. Mecanismos de deformação Através do estudo laboratorial do comportamento dos materiais e da observação direta das rochas, concluiu-se que:  o tipo de tensões a que as rochas ficam sujeitas são a tensão de compressão, tensão de distensão (ou tensão de torção) e tensão de cisalhamento;  o tipo de comportamento que as rochas apresentam, quando estão sob o efeito de tensões, pode ser frágil ou dúctil:  frágil – quando entram facilmente em rutura, originando falhas;  dúctil – quando dificilmente entram em rutura e experimentam deformações permanentes, originando dobras. Os mecanismos de deformação das rochas estão associados, normalmente, a diferentes tipos de limites tectónicos:
  • 2.
    2 | Pá g i n a Resumo – Deformações – Dobras e Falhas 11.º ano
  • 3.
    3 | Pá g i n a Resumo – Deformações – Dobras e Falhas 11.º ano Os materiais rochosos podem apresentar diversos tipos de deformações em resposta às tensões que suportam: Deformação elástica: – é um tipo de deformação reversível; – é proporcional ao esforço aplicado; – quando a força de tensão é retirada, o material volta ao estado inicial; – as rochas possuem um limite de elasticidade; quando este limite é ultrapassado, as rochas passam a manifestar um comportamento plástico ou entram em ruptura; – as deformações sofridas por uma mola ou por um elástico quando são sujeitos a tensões são um exemplo deste tipo de deformação. Deformação plástica: – é um tipo de deformação irreversível; – o material, depois de ultrapassado o limite de elasticidade, fica permanentemente deformado; – se o limite de plasticidade não for ultrapassado não há ruptura do material; – origina uma deformação contínua pois, neste caso, não se verifica descontinuidade entre as partes contíguas do material deformado, tal como acontece nas dobras; – as deformações evidenciadas pelo barro ou pela plasticina quando moldados são exemplo deste tipo de deformação. Deformação por rutura: – é uma deformação irreversível; – ocorre quando o limite de plasticidade da rocha é ultrapassado; – a rocha entra em rutura formando uma deformação descontínua, pois não há continuidade entre as partes contíguas do material deformado, tal como acontece nas falhas; – acontece, por exemplo, com o pau de giz quando sujeito a tensão. Os comportamentos apresentados pelas rochas: – são influenciados pelas condições em que as deformações se processam; – são, geralmente, frágeis, pois as rochas são materiais pouco plásticos que entram facilmente em rutura, principalmente quando estão próximas da superfície; – podem tornar-se dúcteis, quando estão sob ação de temperaturas e pressões elevadas em zonas mais profundas; – em situações extremas de pressão e temperatura, são semelhantes ao comportamento de fluidos muito viscosos; – dependem dos seguintes fatores:
  • 4.
    4 | Pá g i n a Resumo – Deformações – Dobras e Falhas 11.º ano  tipo de tensão: – pode ser confinante/litostática ou dirigida/não litostática:  confinante ou litostática – resulta do peso das camadas suprajacentes e aumenta a ductilidade da rocha pelo que se torna mais resistente à rutura;  dirigida ou não litostática – ocorre quando um corpo está sujeito a forças de intensidade diferente em diversas direções.  Temperatura – o aumento da temperatura, aumenta a plasticidade; – como aumenta com a profundidade, tal como a pressão, as rochas mais profundas possuem um comportamento mais dúctil; – um bom exemplo é o do vidro, que é sólido à temperatura ambiente mas funde a temperaturas elevadas.  conteúdo em fluidos: – faz aumentar a plasticidade das rochas; – tal como um ramo de árvore húmido flete mais facilmente do que um ramo seco, também um maior conteúdo em fluidos faz aumentar a ductilidade das rochas.  tempo de atuação: – se as forças atuarem sobre as rochas durante mais tempo, em princípio, aumenta a plasticidade.  composição e estrutura da rocha: – alguns aspetos estruturais fazem aumentar a plasticidade das rochas, como por exemplo a xistosidade. Deformações mais frequentes nas rochas As deformações que se verificam nas rochas podem apresentar diversos aspetos, sendo os mais comuns as dobras e as falhas.
  • 5.
    5 | Pá g i n a Resumo – Deformações – Dobras e Falhas 11.º ano Dobras – são deformações que consistem no arqueamento ou encurvamento das camadas rochosas inicialmente planas; – podem ser macro ou microscópicas; – resultam de tensões compressivas quando o material tem comportamento dúctil; – caracterizam-se geometricamente pela forma da superfície de referência como, por exemplo, os planos de estratificação; – possuem formas mais ou menos regulares e consideram-se dobras cilíndricas aquelas que são geradas pelo deslocamento de uma reta – geratriz – paralelamente a si própria; – formam-se no interior da crusta ou do manto de forma lenta e gradual; – afloram à superfície devido aos movimentos tectónicos e à erosão; Numa dobra, a posição das camadas rochosas no espaço, ou seja, a atitude dessas camadas, pode ser definida pela direção e pela inclinação das camadas. – a geometria das dobras caracteriza-se pelos seguintes elementos:
  • 6.
    6 | Pá g i n a Resumo – Deformações – Dobras e Falhas 11.º ano De acordo com a sua disposição espacial e com a idade das rochas que as constituem, podem ser classificadas em: Disposição espacial  Antiforma  Sinforma  Neutra
  • 7.
    7 | Pá g i n a Resumo – Deformações – Dobras e Falhas 11.º ano Idade das rochas do núcleo  Anticlinal  Sinclinal
  • 8.
    8 | Pá g i n a Resumo – Deformações – Dobras e Falhas 11.º ano  Falhas – são deformações descontínuas em que se verifica a fratura das rochas, acompanhada de deslocamento dos blocos fraturados um em relação ao outro; – ocorrem quando o limite de plasticidade dos materiais rochosos é ultrapassado; – resultam de tensões compressivas, distensivos ou de cisalhamento quando as rochas têm comportamento frágil; – caracterizam-se pelos seguintes elementos: – de acordo com a inclinação do plano de falha e com o movimento dos lábios, classificam-se em:
  • 9.
    9 | Pá g i n a Resumo – Deformações – Dobras e Falhas 11.º ano – a posição das falhas no espaço pode definir-se de acordo com a direção e a inclinação do plano de falha:  Direção: é o ângulo formado por uma linha horizontal do plano de falha com a linha N-S geográfica.  Inclinação: é o ângulo definido entre o plano de falha e uma superfície horizontal. – podem surgir associadas e com configurações geográficas designadas por fossas tectónicas ou grabens e maciços tectónicos ou horsts:
  • 10.
    10 | Pá g i n a Resumo – Deformações – Dobras e Falhas 11.º ano