 Vamos ver como é a visão da criação
do nosso planeta do ponto de vista da
ciência e da religião propriamente dita
como Candomblé
 - Visão da Ciência
 - Visão Yorubá
 A palavra candomblé é de origem Bantu (do Kimbundu).........
 Não da forma "aportuguesada" que escrevemos e pronunciamos (Candomblé).

 A palavra dos povos bantu, vem de uma junção de palavras............... KA -
NDOMBE - MBELE ....
 Que tem o significado de : Pequena casa de iniciação dos negros.....
 A PALAVRA CORRETA SERIA : KANDOMBELE...........
 Mas, por que esse culto foi denominado de Candomblé?
 Este culto da forma como é aqui praticado e chamado de Candomblé, não
existe na África. O que existe lá é o que se chama de culto ao orixá, ou seja,
cada região africana cultua um orixá e só inicia elegun ou pessoa daquele orixá.
Portanto, a palavra Candomblé foi uma forma de denominar as reuniões feitas
pelos escravos, para cultuar seus deuses, porque também era comum chamar
de Candomblé toda festa ou reunião de negros no Brasil. Por esse motivo,
antigos Babalorixás e Yalorixás evitavam chamar o “culto dos orixás” de
Candomblé. Eles não queriam com isso serem confundidos com estas festas.
Mas, com o passar do tempo a palavra Candomblé foi aceita e passou a definir
um conjunto de cultos vindo de diversas regiões africanas.
 Candomblé também tem significado de dança. Propriamente, é uma dança
religiosa na qual se reza para os orixás.
 Esta dança é uma invocação feita em roda, em maioria praticada por mulheres,
chamadas de sambas, daí o nome tão comum em nosso Brasil a roda de samba.
 Navios Negreiros – Processo de tráfico humano e escravidão
dentro do contexto
 A escravidão pode ser definida como o sistema de trabalho no
qual o indivíduo (o escravo) é propriedade de outro, podendo
ser vendido, doado, emprestado, alugado, hipotecado,
confiscado. Legalmente, o escravo não tem direitos: não pode
possuir ou doar bens e nem iniciar processos judiciais, mas pode
ser castigado e punido.
 Não existem registros precisos dos primeiros escravos negros que
chegaram ao Brasil. A tese mais aceita é a de que em 1538,
Jorge Lopes Bixorda, arrendatário de pau-brasil, teria traficado
para a Bahia os primeiros escravos africanos.
 Eles eram capturados nas terras onde viviam na África e trazidos
à força para a América, em grandes navios, em condições
miseráveis e desumanas. Muitos morriam durante a viagem
através do oceano Atlântico, vítimas de doenças, de maus
tratos e da fome.
 Os escravos que sobreviviam à travessia, ao chegar ao Brasil, eram
logo separados do seu grupo lingüístico e cultural africano e
misturados com outros de tribos diversas para que não pudessem se
comunicar. Seu papel de agora em diante seria servir de mão-de-
obra para seus senhores, fazendo tudo o que lhes ordenassem, sob
pena de castigos violentos. Além de terem sido trazidos de sua terra
natal, de não terem nenhum direito, os escravos tinham que conviver
com a violência e a humilhação em seu dia-a-dia.
 Muitos dos nossos irmãos escravizados eram de tribos rivais e traziam
de sua pátria mãe essa rivalidade, nas fazendas continuaram por
tempos cultuando esse ódio e também suas divindades
separadamente, em um ponto começaram a entender que se unidos
seriam mais fortes...
 Com o tempo foram se constituindo as nações:
 Os negros escravizados no Brasil pertenciam a diversos grupos
étnicos, incluindo os yoruba, os ewe, os fon, e os bantu. Como a
religião se tornou semi-independente em regiões diferentes do
país, entre grupos étnicos diferentes evoluíram diversas "divisões"
ou nações, que se distinguem entre si principalmente pelo
conjunto de divindades veneradas, o atabaque (música) e a
língua sagrada usada nos rituais.
 A lista seguinte é uma classificação pouco rigorosa das
principais nações e sub-nações, de suas regiões de origem, e
de suas línguas sagradas:
 Nagô ou Yoruba
 Ketu ou Queto (Bahia) e quase todos os estados - Língua yoruba (Iorubá ou Nagô em
Português)
 Efan na Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo
 Ijexá principalmente na Bahia
 Nagô Egbá ou Xangô do Nordeste no Pernambuco, Paraíba, Alagoas, Rio de Janeiro e
São Paulo
 Mina-nagô ou Tambor de Mina no Maranhão
 Xambá em Alagoas e Pernambuco (quase extinto).
 Bantu, Angola e Congo (Bahia, Pernambuco, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas
Gerais, São Paulo, Goiás, Rio Grande do Sul), mistura de línguas Bantu, Kikongo e
Kimbundo.
 Candomblé de Caboclo (entidades nativas índios)
 Jeje A palavra Jeje vem do yoruba adjeje que significa estrangeiro, forasteiro. Nunca
existiu nenhuma nação Jeje na África. O que é chamado de nação Jeje é o
candomblé formado pelos povos fons vindo da região de Dahomey e pelos povos
Mahis ou Mahins. Jeje era o nome dado de forma pejorativa pelos yorubas para as
pessoas que habitavam o leste, porque os mahis eram uma tribo do lado leste e Saluvá
ou povos Savalu do lado sul. O termo Saluvá ou Savalu, na verdade, vem de "Savé"
que era o lugar onde se cultuava Nanã. Nanã, uma das origens das quais seria Bariba,
uma antiga dinastia originária de um filho de Oduduá, que é o fundador de Savé
(tendo neste caso a ver com os povos fons). O Abomey ficava no oeste, enquanto
Ashantis era a tribo do norte. Todas essas tribos eram de povos Jeje,12 (Bahia, Rio de
Janeiro e São Paulo) - língua ewe e língua fon (Jeje)
 Jeje Mina língua mina São Luiz do Maranhão
 Babaçuê13 , Belém, Pará
 Candomblé é uma religião monoteísta, embora alguns defendam a idéia que são
cultuados vários deuses, o deus único para a Nação Ketu é Olorum, para a Nação
Bantu é Nzambi e para a Nação Jeje é Mawu, são nações independentes na prática
diária e em virtude do sincretismo existente no Brasil a maioria dos participantes
consideram como sendo o mesmo Deus da Igreja Católica.
 Os Orixás/Inquices/Voduns recebem homenagens regulares, com oferendas de
animais, vegetais e minerais, cânticos, danças e roupas especiais. Mesmo quando há
na mitologia referência a uma divindade criadora, essa divindade tem muita
importância no dia-a-dia dos membros do terreiro, mas não são cultuados em templo
exclusivo, é louvado em todos os preceitos e muitas vezes é confundido com o Deus
cristão.
 Os Orixás da Mitologia Yoruba foram criados por um deus supremo, Olorun (Olorum)
dos Yoruba;
 os Voduns da Mitologia Fon foram criados por Mawu, o deus supremo dos Fon;
 os Nkisis da Mitologia Bantu, foram criados por Zambi, Zambiapongo, deus supremo e
criador.
 O Candomblé cultua, entre todas as nações, umas cinquenta das centenas deidades
ainda cultuadas na África. Mas, na maioria dos terreiros das grandes cidades, são doze
as mais cultuadas. O que acontece é que algumas divindades têm "qualidades", que
podem ser cultuadas como um diferente Orixá/Inquice/Vodun em um ou outro terreiro.
Então, a lista de divindades das diferentes nações é grande, e muitos Orixás do Ketu
podem ser "identificados" com os Voduns do Jejé e Inquices dos Bantu em suas
características, mas na realidade não são os mesmos; seus cultos, rituais e toques são
totalmente diferentes.
 Orixás têm individuais personalidades, habilidades e preferências rituais, e
são conectados ao fenômeno natural específico (um conceito não muito
diferente do Kami do japonês Xintoísmo). Toda pessoa é escolhida no
nascimento por um ou vários "patronos" Orixás, que um babalorixá
identificará. Alguns Orixás são "incorporados" por pessoas iniciadas durante
o ritual do candomblé, outros Orixás não, apenas são cultuados em árvores
pela coletividade. Alguns Orixás chamados Funfun (branco), que fizeram
parte da criação do mundo, também não são incorporados.
 Acreditam na vida após a morte, e que os espíritos dos babalorixás falecidos
possam materializar-se em roupas específicas, são chamados de babá
Egum ou Egungun e são cultuados em roças dirigidas só por homens no
Culto aos Egungun, os espíritos das iyalorixás falecidas são cultuados
coletivamente Iyami-Ajé nas sociedades secretas Gelede, ambos cultos são
feitos em casas independentes das de candomblé que também se cultuam
os eguns em casas separadas dos Orixás.
 Acreditam que algumas crianças nascem com a predestinação de morrer
cedo são os chamados abikus (nascidos para morrer) que podem ser de
dois tipos, os que morrem logo ao nascer ou ainda criança e os que morrem
antes dos pais em datas comemorativas, como aniversário, casamento, e
outras.
 Os 12 Orixás mais cultuados no Brasil são:
 EXU, OXÓSSI, OXUM, OBALUAÊ, IANSÃ, OSSAIM, OXUMARÉ, XANGÔ, NANÃ,
IEMANJÁ, OXALÁ, OGUM:
 Cada um deles tem seu símbolo, o seu dia da semana. Suas vestimentas e
cores próprias. Como os homens são temperamentais.
 Suas vestimentas são sempre muito ricas de cores.
 Orixá mensageiro
entre os homens e os
deuses, guardião da
porta da rua e das
encruzilhadas. Só
através dele é
possível invocar os
Orixás.
 Elemento: Fogo
 Deus da caça. É o
grande patrono do
Candomblé
brasileiro.
 Elemento: Florestas
 Deusa das águas
doces (rios, fontes e
lagos). É também
deusa do ouro, da
fecundidade do
jogo de búzios e do
amor.
 Deus da peste, das
doenças da pele e,
atualmente da AIDS.
É o médico dos
pobres.
 Elemento: Terra
 Deusa dos ventos e
das tempestades. É
a senhora dos raios e
dona das alma dos
mortos.
 Elemento: Fogo
 Deus das folhas e
ervas medicinais.
Conhece seus usas e
palvras mágicas
(ofós) que
despertam seus
poderes
 Elemento: Matas
 Deus da chuva e do
arco-iris. É ao
mesmo, de natureza
masculina e
feminina. Transporta
a água entre o céu
e a terra.
 Elemento: Água
 Deus do fogo e do
trovão. Diz a
tradição que foi rei
de oyó, cidade da
Nigéria. É viril,
violento e justiceiro.
Castiga os
mentirosos e protege
advogados e juízes.
 Elemento: Fogo
 Deusa da lama e do
fundo dos rios,
associada à
fertilidade, à
doença e a morte. É
a orixá mais velha
de todos e, por isso,
muito respeitada.
 Elemento: Terra
 Considerada deusa
dos mares e
oceanos. É a mãe
de todos os Orixás e
representada com
seus seios volumosos
, simbolizando a
maternidade e a
fecundidade.
 Elemento: Água
 Deus da criação. É o
Orixá que criou os
homens. Obstinado
e independente, é
representado de
duas maneiras:
Oxaguiã, jovem, o
Oxalufã, velho.
 Elemento: Ar
 Deus da guerra, do
fogo e da
tecnologia. No Brasil
é conhecido como
deus guerreiro. Sabe
trabalhar com metal
e, sem sua proteção,
o trabalho não pode
ser proveitoso.
 Elemento: Ferro
 As Ervas dos Orixás
 As ervas detém grande quantidade de Axé (Energia mágico-
universal, sagrada) quem bem combinadas entre si, detém forte
poder de limpeza da aura e produzem energia positiva.
 Um banho, com o Axé das ervas dos Orixá do Candomblé, age
sobre a aura eliminando energias negativas, produzindo energias
positivas.
 Um banho de ervas reúne as ervas adequadas a cada caso,
agindo diretamente sobre esses distúrbios, eliminando os sintomas
provocados pelo acúmulo de energias negativas.
 No tempo das senzalas os negros para poderem cultuar seus
orixás, nkisis e voduns usaram como camuflagem um altar
com imagens de santos católicos e por baixo os
assentamentos escondidos, segundo alguns pesquisadores
este sincretismo já havia começado na África, induzida pelos
próprios missionários para facilitar a conversão.
 Depois da libertação dos escravos começaram a surgir as
primeiras casas de candomblé, e é fato que o candomblé
de séculos tenha incorporado muitos elementos do
cristianismo. Imagens e crucifixos eram exibidos nos templos,
orixás eram freqüentemente identificados com santos
católicos, algumas casas de
 candomblé também incorporam entidades caboclos, que
eram consideradas pagãs como os orixás.
 Mesmo usando imagens e crucifixos inspiravam perseguições
por autoridades e pela Igreja, que viam o candomblé como
paganismo e bruxaria, muitos mesmo não sabendo o que
era isso.
 Nos últimos anos, tem aumentado um movimento em
algumas casas de candomblé que rejeitam o sincretismo aos
elementos cristãos e procuram recriar um candomblé "mais
puro" baseado exclusivamente nos elementos africanos.
 Os Templos de candomblé são chamados de casas, roças ou Terreiros.
 As casas podem ser de linhagem matriarcal, patriarcal ou mista: Casas
pequenas, que são independentes, possuídas e administradas pelo
babalorixá ou iyalorixá dono da casa e pelo Orixá principal
respectivamente. Em caso de falecimento do dono, a sucessão na maioria
das vezes é feita por parentes consangüíneos, caso não tenha um sucessor
interessado em continuar a casa é desativada. Não há nenhuma
administração central.
 Casas grandes, que são organizadas tem uma hierarquia rígida, não é de
propriedade do sacerdote, nem toda casa grande é tradicional, é uma
Sociedade civil ou beneficente.
 A lei federal nº. 6.292 de 15 de dezembro de 1975 protege os terreiros de
candomblé no Brasil, contra qualquer tipo de alteração de sua formação
material ou imaterial. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional
(IPHAN) e o Instituto Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC) são os
responsáveis pelo tombamento das casas.
 A progressão na hierarquia é condicionada ao aprendizado e ao
desempenho dos rituais longos da iniciação. Em caso de morte de uma
iyalorixá, a sucessora é escolhida, geralmente entre suas filhas, na maioria
das vezes por meio de um jogo divinatório Opele-Ifa ou jogo de búzios.
Entretanto a sucessão pode ser disputada ou pode não encontrar um
sucessor, e conduz freqüentemente a rachar ou ao fechamento da casa.
Há somente três ou quatro casas em Brasil que viram seu 100° aniversário.
 Em yoruba, terreiro é egbe e casa é ilé. Normalmente
escrevemos ilê porque é assim que se pronuncia. Note-se
que os nomes das casas sempre começam por ilê axé, que
é o mesmo que "casa de axé".
 em Fon, "casa" é kwe
 em Angola, "casa" é inso ou cazuá.
 Barracão de um candomblé é o espaço onde são realizadas
as festas públicas.
 Também conhecido como Ilê Axé, é o local sagrado para o
povo do santo, onde acontecem as festas públicas, e pode
abrigar uma grande parte dos convidados. No local central
(sob o solo) estão fixados, "plantados" os fundamentos do
orixá da Terra. Todos os adeptos reverenciam seus orixás e
ancestrais em sinal de respeito e amor.
 O barracão também é usado para rituais de Sasanha, Bori,
Ebori, Ory e outras festas internas. Quando as festas
silenciam, pode ser utilizado como um dormitório coletivo,
onde esteiras são espalhadas pelo chão e cada um leva
suas cobertas.
 Preconceito: Preconceito é um juízo pré-concebido, que se manifesta numa atitude discriminatória,
perante pessoas, crenças, sentimentos e tendências de comportamento. O preconceito pode
acontecer de uma forma banal, até um pensamento, por exemplo: que feio, que gorda, que magro,
como é burro este negrão. Há um sentimento de impotência quando se pretende mudar alguém
com forte preconceito.
 Manuel Raimundo Querino foi um abolicionista ferrenho,
lutou contra as perseguições existentes aos praticantes das
religiões afro-brasileiras que eram rotuladas de religiões
bárbaras e pagãs.
 Procópio de Ogum teve o seu reconhecimento por ter
participado da legitimação da religião do candomblé,
durante a perseguição às religiões afro-brasileiras promovida
pelas autoridades do Estado Novo. Nesse período, o Ilê
Ogunjá foi invadido pela polícia baiana, sob a supervisão do
famoso delegado Pedrito Gordo. Procópio foi preso e
espancado. O jornalista Antônio Monteiro foi uma das
pessoas que ajudou na libertação de Procópio. Tal
acontecimento - caso Pedrito - registrou o nome de
Procópio na história popular baiana, chegando mesmo a
fazer parte de uma letra de samba-de-roda.
 O Jornal da Bahia, de 3 de maio de 1855,
faz alusão a uma reunião na casa Ilê Iyá
nassô: "Foram presos e colocados à
disposição da polícia Cristóvão Francisco
Tavares, africano emancipado, Maria
Salomé, Joana Francisca, Leopoldina Maria
da Conceição, Escolástica Maria da
Conceição, crioulos livres; os escravos
Rodolfo Araújo Sá Barreto, mulato; Melônio,
crioulo, e as africanas Maria Tereza,
Benedita, Silvana… que estavam no local
chamado Engenho Velho, numa reunião
que chamavam de candomblé".
 A homossexualidade está presente na maioria das
religiões, porém oculta, indiscutivelmente abafada e
muitas vezes negada pelos ditos ex-homossexuais.
 No Candomblé a homossexualidade é amplamente
aceita e discutida nos dias atuais, mas já teve um
período que homens e homossexuais não podiam ser
iniciados como rodantes (termo usado para pessoas
que entram em transe), não era permitido em festas
que um homem dançasse na roda de candomblé
mesmo que estivesse em transe.
 O mais famoso e revolucionário homossexual do
candomblé foi sem dúvida Joãozinho da Goméia,
que afrontou as matriarcas e ocupou seu espaço
tornando-se conhecido internacionalmente. Tiveram
muitos outros, mas nenhum conseguiu suplantá-lo
em ousadia e popularidade.
 Nas religiões afro-brasileiras que na maioria são religiões
derivadas das religiões tribais africanas, são contra o
aborto e um dos motivos é o religioso, o africano vê o filho
como a continuação da própria vida, filho é o bem mais
precioso que o homem africano possa ter, em
consequência disso, foram trazidos para o Brasil alguns
conceitos.
 No conceito social: Amparam e orientam adolescentes e
mulheres grávidas.
 No conceito religioso: Oxum é quem rege o processo de
fecundidade, cuida do embrião, evita o aborto
espontâneo, não aprova o aborto provocado, mantém a
criança viva e sadia na barriga da mãe até o nascimento.
Uma mulher quando não consegue engravidar, recorre à
Oxum.
 No conceito jurídico: Só aprova a interrupção da
gravidez, nos casos previstos em lei.
 Mas como em toda religião, quando acontece uma
gravidez indesejada, muitas mulheres procuram soluções
alternativas fora dos Terreiros, como: chás, remédios e até
mesmo clínicas de aborto.
 Sacrifício - vem da palavra sacrificar que no sentido religioso é oferecer em
holocausto por meio de cerimônias próprias. Sua origem etimológica é
sacr (de origem provavelmente judaica) e a palavra latina ofício).
 No candomblé, esta parte do ritual denominada de sacrifício não é
propriamente secreta; porém não se realiza senão diante de um reduzido
número de pessoas, todos fiéis da religião.
 Uma pessoa especializada no sacrifício, o Axogun, que tem tal função na
hierarquia sacerdotal, é quem o realiza ou, na sua falta o babalorixá. O
Axogun não pode deixar o animal sentir dor ou sofrer porque a oferenda
não seria aceita pelo Orixá. O objeto do sacrifício, que é sempre um
animal, muda conforme o Orixá ao qual é oferecido; trata-se, conforme a
terminologia tradicional, ora de um animal de duas patas, ora de um
animal de quatro patas, galinha, pombo, bode, carneiro. Na realidade
não se trata de um único sacrifício: sempre que se fizer um sacrifício a
qualquer Orixá, deve ser antes feito um para Exú, o primeiro a ser servido.
 Esse sacrifício não é só uma oferenda aos Orixás. Todas as partes do
animal vão servir de alimento, nada é jogado fora. O couro do animal é
usado para encourar os atabaques, o animal inteiro é limpo e cortado em
partes, algumas partes são preparadas para os Orixás e o restante é
destinado aos demais. Tudo é aproveitado: até a porção oferecida aos
Orixás é posteriormente distribuída entre os filhos da casa como o inché do
Orixá. É usada para confraternização: unem-se os filhos a comer com o pai
ou mãe, havendo repartição do Axé gerado pelo Orixá. (Acredita-se que
após algum tempo que a comida esteja no Peji ela fica impregnada pelo
Axé do Orixá). O sacrifício no candomblé é a renovação do Axé, feito uma
vez por ano para cada Orixá da casa ou em circunstâncias especiais.
 O ritual de iniciação no Candomblé, a feitura no santo, representa um
renascimento, tudo será novo na vida do yàwó, ele receberá inclusive
um nome pelo qual passará a ser chamado dentro da comunidade
do Candomblé.
 É feita a raspagem dos cabelos (orô) e o abiã recebe o oxu
(representa o canal de comunicação entre o iniciado e seu orixá) o
kelê, os delogun, o mokan, o xaorô, os ikan, o ikodidé. O filho de santo
terá que passar agora por um ritual, onde terá seu corpo pintado com
giz, denominado efun. Ele deverá passar por este ritual de pintura por
7 (sete) dias seguidos.

 O abiã terá agora que assentar seu Orixá e ofertar-lhe sacrifícios de
animais de acordo com as características de cada um. Feito isso ele
passa a se chamar yàwó.

 A festa ritualística que marca o término deste período é denominada
Saída de Yàwó, neste momento ele será apresentado à comunidade.
Ele será acompanhado por uma autoridade à frente de todos para
que lhe sejam rendidas homenagens.

 O momento mais aguardado do cerimonial é o orukó. Neste
momento o Orixá dirá o nome de iniciação de seu filho perante todos
e também é neste momento que se abre a sua idade cronológica
dentro de sua vida no santo.
 Pierre Edouard Leopold Verger (Paris, 4 de novembro de 1902 —
Salvador, 11 de fevereiro de 1996) foi um fotógrafo e etnólogo
autodidata franco-brasileiro. Assumiu o nome religioso Fatumbi.
 Era também babalawo (sacerdote Yoruba) que dedicou a
maior parte de sua vida ao estudo da diáspora africana - o
comércio de escravo, as religiões afro-derivadas do novo
mundo, e os fluxos culturais e econômicos resultando de e para
a África.
 Suas fotografias foram publicadas em revistas como Paris-Soir,
Daily Mirror (com o pseudônimo de Mr. Lensman), Life, e Match.
 Na cidade de Salvador, apaixonou-se pelo lugar e pelas
pessoas, e decidiu por bem ficar. Tendo se interessado pela
história e cultura local, ele virou de fotógrafo errante a
investigador da diáspora africana nas Américas. Em 1949, em
Ouidah, teve acesso a um importante testemunho sobre o
tráfico clandestino de escravos para a Bahia: as cartas
comerciais de José Francisco do Santos, escritas no século XIX.
 Definição de Verger sobre o Candomblé: "O Candomblé é para
mim muito interessante por ser uma religião de exaltação à
personalidade das pessoas. Onde se pode ser verdadeiramente
como se é, e não o que a sociedade pretende que o cidadão
seja. Para pessoas que têm algo a expressar através do
inconsciente, o transe é a possibilidade do inconsciente se
mostrar".
 Giselle Cossard Binon - Omindarewa,
(Tanger, Marrocus, 31 de maio de 1923 -
), Iyalorixá do Candomblé do Rio de
Janeiro. Primeira estrangeira a virar
Ialorixá, também conhecida por Mãe
Giselle de Iemanjá. Filha de santo de
Joãozinho da Goméia, iniciada para o
Orixa Iemanja, antropóloga e escritora,
Franco-brasileira.
 João Alves de Torres Filho ou Joãozinho da Goméia
(Inhambupe, 27 de Março de 1914 - São Paulo, 19 de
Março de 1971) foi um sacerdote do Candomblé de
angola.
 Joãozinho da Goméia se tornou um Pai-de-Santo famoso
em uma cidade dominada pelas mulheres, e em torno de
sua trajetória criou-se muita lenda. Mas sempre foi muito
respeitado por seus inúmeros filhos-de-santo, com quem
sempre foi muito rígido e autoritário.
 Em seu Candomblé Joãozinho era conhecido por
incorporar o Caboclo Pedra Preta, entidade indígena. Era
praticante do culto de Angola, e jovem ainda enfrentou
a supremacia dos cultos Jeje e Nagô na antiga Salvador.
Foi também por ser tão jovem e desafiador que acabou
provocando nas tradicionais Mães-de-Santo baianas um
sentimento de repulsa a seu trabalho - aos 26 anos de
idade já havia assumido a chefia de seu terreiro, o
primeiro, que ficava na Ladeira da Pedra. Logo depois,
mudou-se para a rua que o tornaria famoso - a Rua da
Goméia - que ficava no bairro de São Caetano, Cidade
Baixa, onde tocava Angola e Keto, o que aumentava
ainda mais o desprezo por seu nome.
 Maria Escolástica da Conceição Nazaré (Salvador, Bahia,
10 de fevereiro de 1894 - 13 de agosto de 1986)1 ,
conhecida como Mãe Menininha do Gantois, foi uma
Iyálorixá (mãe-de-santo) brasileira, filha de Oxum.
 Foi iniciada no culto dos orixás de Keto aos 8 anos de
idade por sua tia-avó e madrinha de batismo, Pulchéria
Maria da Conceição (Mãe Pulchéria), chamada Kekerê -
em referência à sua posição hierárquica, Iyá kekerê (Mãe
pequena).
 Mãe Menininha abriu as portas do Gantois aos brancos e
católicos - uma abertura que, em muitos terreiros, ainda é
vista com certo estranhamento. Mas afinal, a Lei de Jogos
e Costumes foi extinta em meados dos anos 1970. "Como
um bispo progressista na Igreja Católica, Menininha
modernizou o candomblé sem permitir que ele se
transformasse num espetáculo para turistas", analisa o
professor Cid Teixeira, da Universidade Federal da Bahia.
 Nunca deixou de assistir à missa e até convenceu os
bispos da Bahia a permitir a entrada nas igrejas de
mulheres, inclusive ela, vestidas com as roupas
tradicionais do candomblé.
 Agenor Miranda Rocha, o Pai Agenor, (Luanda, Angola, 8 de setembro de 1907
— Rio de Janeiro, 17 de julho de 2004) foi um babalaô da Religião dos Orixás
Candomblé Foi iniciado aos cinco anos de idade, em 1912, ao orixá Oxalá,
pelas mãos de Sra. Eugênia Ana dos Santos, mais conhecida como Mãe Aninha
de Xango ou Obá Biyi, fundadora do Axé Opô Afonjá, na cidade Salvador,
devido a uma enfermidade, fato este que levou sua Mãe carnal a senhora
Zulmira Miranda, católica Apostólica Romana, fervorosa, a aceitar o feito com
intuito de salvar a vida de seu filho.Quando jovem, e já residindo na cidade do
Rio de Janeiro, foi o nosso Ilustre professor, iniciado nos mistérios da Orixá Ewá,
de onde segue que dado a União destes dois orixas, Oxalufã e Ewá, o nosso
digno professor, ou como ele se auto intitulava, Zelador de Santo, ter um dom
especial nos jogos sagrados dos buzios. O Professor Agenor, como era
conhecido, foi professor catedrático aposentado do Colégio Pedro II, nas
cadeiras de matemática e latim, cantor lírico (seguindo os passos de sua mãe,
o soprano Zulmira Miranda e babalaô adivinho na referida tradição religiosa
candomblé, um dos ocidentais mais conhecedores de a herança e a Cultura
afro-brasileira, além de talvez uma das mais respeitadas personalidades
religiosas por todas as lideranças de tradicionais terreiros do Brasil. Foi o jogo de
búzios (meridilogun)do Prof. Agenor que decidiu a sucessão de importantes
terreiros: Mãe Oké e Mãe Tatá, na Casa Branca do Engenho Velho; Mãe Stella,
no Axé Opô Afonjá; Mãe Índia, no Terreiro do Bogun (o último grande jogo de
sucessão antes do falecimento do professor). Agenor Miranda também foi
poeta e musicista. Seu jogo de búzios foi um dos mais procurados do país. O
velho professor foi orientador espiritual e conselheiro de personalidades de
diferentes procedências religiosas e de muitos babalorixás,como Tatá
Makamba Malaiá em São Paulo, no ano de 1972 e orientador do Babá Augusto
César de Logunedé. Jorge Amado, Zélia Gattai, Almirante Adalberto de Barros
Nunes, Maria Zilda, Maria Bethânia, Gal Costa, Liége Monteiro, Hugo Gross, Zora
Sejlman, Antônio Olinto, Professor Paulo Alonso, Delegado Protógenes
Queiroz,Vera Fisher, Marcelo Picchi, Camila Amado, Heloísa Perissé, Bel Kutner e
Regina Casé, dentre muitos outros, foram amigos ou freqüentavam à casa do
velho professor.
Candomblé

Candomblé

  • 2.
     Vamos vercomo é a visão da criação do nosso planeta do ponto de vista da ciência e da religião propriamente dita como Candomblé
  • 3.
     - Visãoda Ciência  - Visão Yorubá
  • 5.
     A palavracandomblé é de origem Bantu (do Kimbundu).........  Não da forma "aportuguesada" que escrevemos e pronunciamos (Candomblé).   A palavra dos povos bantu, vem de uma junção de palavras............... KA - NDOMBE - MBELE ....  Que tem o significado de : Pequena casa de iniciação dos negros.....  A PALAVRA CORRETA SERIA : KANDOMBELE...........  Mas, por que esse culto foi denominado de Candomblé?  Este culto da forma como é aqui praticado e chamado de Candomblé, não existe na África. O que existe lá é o que se chama de culto ao orixá, ou seja, cada região africana cultua um orixá e só inicia elegun ou pessoa daquele orixá. Portanto, a palavra Candomblé foi uma forma de denominar as reuniões feitas pelos escravos, para cultuar seus deuses, porque também era comum chamar de Candomblé toda festa ou reunião de negros no Brasil. Por esse motivo, antigos Babalorixás e Yalorixás evitavam chamar o “culto dos orixás” de Candomblé. Eles não queriam com isso serem confundidos com estas festas. Mas, com o passar do tempo a palavra Candomblé foi aceita e passou a definir um conjunto de cultos vindo de diversas regiões africanas.  Candomblé também tem significado de dança. Propriamente, é uma dança religiosa na qual se reza para os orixás.  Esta dança é uma invocação feita em roda, em maioria praticada por mulheres, chamadas de sambas, daí o nome tão comum em nosso Brasil a roda de samba.
  • 7.
     Navios Negreiros– Processo de tráfico humano e escravidão dentro do contexto  A escravidão pode ser definida como o sistema de trabalho no qual o indivíduo (o escravo) é propriedade de outro, podendo ser vendido, doado, emprestado, alugado, hipotecado, confiscado. Legalmente, o escravo não tem direitos: não pode possuir ou doar bens e nem iniciar processos judiciais, mas pode ser castigado e punido.  Não existem registros precisos dos primeiros escravos negros que chegaram ao Brasil. A tese mais aceita é a de que em 1538, Jorge Lopes Bixorda, arrendatário de pau-brasil, teria traficado para a Bahia os primeiros escravos africanos.  Eles eram capturados nas terras onde viviam na África e trazidos à força para a América, em grandes navios, em condições miseráveis e desumanas. Muitos morriam durante a viagem através do oceano Atlântico, vítimas de doenças, de maus tratos e da fome.
  • 8.
     Os escravosque sobreviviam à travessia, ao chegar ao Brasil, eram logo separados do seu grupo lingüístico e cultural africano e misturados com outros de tribos diversas para que não pudessem se comunicar. Seu papel de agora em diante seria servir de mão-de- obra para seus senhores, fazendo tudo o que lhes ordenassem, sob pena de castigos violentos. Além de terem sido trazidos de sua terra natal, de não terem nenhum direito, os escravos tinham que conviver com a violência e a humilhação em seu dia-a-dia.  Muitos dos nossos irmãos escravizados eram de tribos rivais e traziam de sua pátria mãe essa rivalidade, nas fazendas continuaram por tempos cultuando esse ódio e também suas divindades separadamente, em um ponto começaram a entender que se unidos seriam mais fortes...
  • 10.
     Com otempo foram se constituindo as nações:  Os negros escravizados no Brasil pertenciam a diversos grupos étnicos, incluindo os yoruba, os ewe, os fon, e os bantu. Como a religião se tornou semi-independente em regiões diferentes do país, entre grupos étnicos diferentes evoluíram diversas "divisões" ou nações, que se distinguem entre si principalmente pelo conjunto de divindades veneradas, o atabaque (música) e a língua sagrada usada nos rituais.  A lista seguinte é uma classificação pouco rigorosa das principais nações e sub-nações, de suas regiões de origem, e de suas línguas sagradas:
  • 11.
     Nagô ouYoruba  Ketu ou Queto (Bahia) e quase todos os estados - Língua yoruba (Iorubá ou Nagô em Português)  Efan na Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo  Ijexá principalmente na Bahia  Nagô Egbá ou Xangô do Nordeste no Pernambuco, Paraíba, Alagoas, Rio de Janeiro e São Paulo  Mina-nagô ou Tambor de Mina no Maranhão  Xambá em Alagoas e Pernambuco (quase extinto).  Bantu, Angola e Congo (Bahia, Pernambuco, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo, Goiás, Rio Grande do Sul), mistura de línguas Bantu, Kikongo e Kimbundo.  Candomblé de Caboclo (entidades nativas índios)  Jeje A palavra Jeje vem do yoruba adjeje que significa estrangeiro, forasteiro. Nunca existiu nenhuma nação Jeje na África. O que é chamado de nação Jeje é o candomblé formado pelos povos fons vindo da região de Dahomey e pelos povos Mahis ou Mahins. Jeje era o nome dado de forma pejorativa pelos yorubas para as pessoas que habitavam o leste, porque os mahis eram uma tribo do lado leste e Saluvá ou povos Savalu do lado sul. O termo Saluvá ou Savalu, na verdade, vem de "Savé" que era o lugar onde se cultuava Nanã. Nanã, uma das origens das quais seria Bariba, uma antiga dinastia originária de um filho de Oduduá, que é o fundador de Savé (tendo neste caso a ver com os povos fons). O Abomey ficava no oeste, enquanto Ashantis era a tribo do norte. Todas essas tribos eram de povos Jeje,12 (Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo) - língua ewe e língua fon (Jeje)  Jeje Mina língua mina São Luiz do Maranhão  Babaçuê13 , Belém, Pará
  • 13.
     Candomblé éuma religião monoteísta, embora alguns defendam a idéia que são cultuados vários deuses, o deus único para a Nação Ketu é Olorum, para a Nação Bantu é Nzambi e para a Nação Jeje é Mawu, são nações independentes na prática diária e em virtude do sincretismo existente no Brasil a maioria dos participantes consideram como sendo o mesmo Deus da Igreja Católica.  Os Orixás/Inquices/Voduns recebem homenagens regulares, com oferendas de animais, vegetais e minerais, cânticos, danças e roupas especiais. Mesmo quando há na mitologia referência a uma divindade criadora, essa divindade tem muita importância no dia-a-dia dos membros do terreiro, mas não são cultuados em templo exclusivo, é louvado em todos os preceitos e muitas vezes é confundido com o Deus cristão.  Os Orixás da Mitologia Yoruba foram criados por um deus supremo, Olorun (Olorum) dos Yoruba;  os Voduns da Mitologia Fon foram criados por Mawu, o deus supremo dos Fon;  os Nkisis da Mitologia Bantu, foram criados por Zambi, Zambiapongo, deus supremo e criador.  O Candomblé cultua, entre todas as nações, umas cinquenta das centenas deidades ainda cultuadas na África. Mas, na maioria dos terreiros das grandes cidades, são doze as mais cultuadas. O que acontece é que algumas divindades têm "qualidades", que podem ser cultuadas como um diferente Orixá/Inquice/Vodun em um ou outro terreiro. Então, a lista de divindades das diferentes nações é grande, e muitos Orixás do Ketu podem ser "identificados" com os Voduns do Jejé e Inquices dos Bantu em suas características, mas na realidade não são os mesmos; seus cultos, rituais e toques são totalmente diferentes.
  • 14.
     Orixás têmindividuais personalidades, habilidades e preferências rituais, e são conectados ao fenômeno natural específico (um conceito não muito diferente do Kami do japonês Xintoísmo). Toda pessoa é escolhida no nascimento por um ou vários "patronos" Orixás, que um babalorixá identificará. Alguns Orixás são "incorporados" por pessoas iniciadas durante o ritual do candomblé, outros Orixás não, apenas são cultuados em árvores pela coletividade. Alguns Orixás chamados Funfun (branco), que fizeram parte da criação do mundo, também não são incorporados.  Acreditam na vida após a morte, e que os espíritos dos babalorixás falecidos possam materializar-se em roupas específicas, são chamados de babá Egum ou Egungun e são cultuados em roças dirigidas só por homens no Culto aos Egungun, os espíritos das iyalorixás falecidas são cultuados coletivamente Iyami-Ajé nas sociedades secretas Gelede, ambos cultos são feitos em casas independentes das de candomblé que também se cultuam os eguns em casas separadas dos Orixás.  Acreditam que algumas crianças nascem com a predestinação de morrer cedo são os chamados abikus (nascidos para morrer) que podem ser de dois tipos, os que morrem logo ao nascer ou ainda criança e os que morrem antes dos pais em datas comemorativas, como aniversário, casamento, e outras.  Os 12 Orixás mais cultuados no Brasil são:  EXU, OXÓSSI, OXUM, OBALUAÊ, IANSÃ, OSSAIM, OXUMARÉ, XANGÔ, NANÃ, IEMANJÁ, OXALÁ, OGUM:  Cada um deles tem seu símbolo, o seu dia da semana. Suas vestimentas e cores próprias. Como os homens são temperamentais.  Suas vestimentas são sempre muito ricas de cores.
  • 15.
     Orixá mensageiro entreos homens e os deuses, guardião da porta da rua e das encruzilhadas. Só através dele é possível invocar os Orixás.  Elemento: Fogo
  • 16.
     Deus dacaça. É o grande patrono do Candomblé brasileiro.  Elemento: Florestas
  • 17.
     Deusa daságuas doces (rios, fontes e lagos). É também deusa do ouro, da fecundidade do jogo de búzios e do amor.
  • 18.
     Deus dapeste, das doenças da pele e, atualmente da AIDS. É o médico dos pobres.  Elemento: Terra
  • 19.
     Deusa dosventos e das tempestades. É a senhora dos raios e dona das alma dos mortos.  Elemento: Fogo
  • 20.
     Deus dasfolhas e ervas medicinais. Conhece seus usas e palvras mágicas (ofós) que despertam seus poderes  Elemento: Matas
  • 21.
     Deus dachuva e do arco-iris. É ao mesmo, de natureza masculina e feminina. Transporta a água entre o céu e a terra.  Elemento: Água
  • 22.
     Deus dofogo e do trovão. Diz a tradição que foi rei de oyó, cidade da Nigéria. É viril, violento e justiceiro. Castiga os mentirosos e protege advogados e juízes.  Elemento: Fogo
  • 23.
     Deusa dalama e do fundo dos rios, associada à fertilidade, à doença e a morte. É a orixá mais velha de todos e, por isso, muito respeitada.  Elemento: Terra
  • 24.
     Considerada deusa dosmares e oceanos. É a mãe de todos os Orixás e representada com seus seios volumosos , simbolizando a maternidade e a fecundidade.  Elemento: Água
  • 25.
     Deus dacriação. É o Orixá que criou os homens. Obstinado e independente, é representado de duas maneiras: Oxaguiã, jovem, o Oxalufã, velho.  Elemento: Ar
  • 26.
     Deus daguerra, do fogo e da tecnologia. No Brasil é conhecido como deus guerreiro. Sabe trabalhar com metal e, sem sua proteção, o trabalho não pode ser proveitoso.  Elemento: Ferro
  • 27.
     As Ervasdos Orixás  As ervas detém grande quantidade de Axé (Energia mágico- universal, sagrada) quem bem combinadas entre si, detém forte poder de limpeza da aura e produzem energia positiva.  Um banho, com o Axé das ervas dos Orixá do Candomblé, age sobre a aura eliminando energias negativas, produzindo energias positivas.  Um banho de ervas reúne as ervas adequadas a cada caso, agindo diretamente sobre esses distúrbios, eliminando os sintomas provocados pelo acúmulo de energias negativas.
  • 29.
     No tempodas senzalas os negros para poderem cultuar seus orixás, nkisis e voduns usaram como camuflagem um altar com imagens de santos católicos e por baixo os assentamentos escondidos, segundo alguns pesquisadores este sincretismo já havia começado na África, induzida pelos próprios missionários para facilitar a conversão.  Depois da libertação dos escravos começaram a surgir as primeiras casas de candomblé, e é fato que o candomblé de séculos tenha incorporado muitos elementos do cristianismo. Imagens e crucifixos eram exibidos nos templos, orixás eram freqüentemente identificados com santos católicos, algumas casas de  candomblé também incorporam entidades caboclos, que eram consideradas pagãs como os orixás.  Mesmo usando imagens e crucifixos inspiravam perseguições por autoridades e pela Igreja, que viam o candomblé como paganismo e bruxaria, muitos mesmo não sabendo o que era isso.  Nos últimos anos, tem aumentado um movimento em algumas casas de candomblé que rejeitam o sincretismo aos elementos cristãos e procuram recriar um candomblé "mais puro" baseado exclusivamente nos elementos africanos.
  • 31.
     Os Templosde candomblé são chamados de casas, roças ou Terreiros.  As casas podem ser de linhagem matriarcal, patriarcal ou mista: Casas pequenas, que são independentes, possuídas e administradas pelo babalorixá ou iyalorixá dono da casa e pelo Orixá principal respectivamente. Em caso de falecimento do dono, a sucessão na maioria das vezes é feita por parentes consangüíneos, caso não tenha um sucessor interessado em continuar a casa é desativada. Não há nenhuma administração central.  Casas grandes, que são organizadas tem uma hierarquia rígida, não é de propriedade do sacerdote, nem toda casa grande é tradicional, é uma Sociedade civil ou beneficente.  A lei federal nº. 6.292 de 15 de dezembro de 1975 protege os terreiros de candomblé no Brasil, contra qualquer tipo de alteração de sua formação material ou imaterial. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e o Instituto Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC) são os responsáveis pelo tombamento das casas.  A progressão na hierarquia é condicionada ao aprendizado e ao desempenho dos rituais longos da iniciação. Em caso de morte de uma iyalorixá, a sucessora é escolhida, geralmente entre suas filhas, na maioria das vezes por meio de um jogo divinatório Opele-Ifa ou jogo de búzios. Entretanto a sucessão pode ser disputada ou pode não encontrar um sucessor, e conduz freqüentemente a rachar ou ao fechamento da casa. Há somente três ou quatro casas em Brasil que viram seu 100° aniversário.
  • 32.
     Em yoruba,terreiro é egbe e casa é ilé. Normalmente escrevemos ilê porque é assim que se pronuncia. Note-se que os nomes das casas sempre começam por ilê axé, que é o mesmo que "casa de axé".  em Fon, "casa" é kwe  em Angola, "casa" é inso ou cazuá.  Barracão de um candomblé é o espaço onde são realizadas as festas públicas.  Também conhecido como Ilê Axé, é o local sagrado para o povo do santo, onde acontecem as festas públicas, e pode abrigar uma grande parte dos convidados. No local central (sob o solo) estão fixados, "plantados" os fundamentos do orixá da Terra. Todos os adeptos reverenciam seus orixás e ancestrais em sinal de respeito e amor.  O barracão também é usado para rituais de Sasanha, Bori, Ebori, Ory e outras festas internas. Quando as festas silenciam, pode ser utilizado como um dormitório coletivo, onde esteiras são espalhadas pelo chão e cada um leva suas cobertas.
  • 33.
     Preconceito: Preconceitoé um juízo pré-concebido, que se manifesta numa atitude discriminatória, perante pessoas, crenças, sentimentos e tendências de comportamento. O preconceito pode acontecer de uma forma banal, até um pensamento, por exemplo: que feio, que gorda, que magro, como é burro este negrão. Há um sentimento de impotência quando se pretende mudar alguém com forte preconceito.
  • 35.
     Manuel RaimundoQuerino foi um abolicionista ferrenho, lutou contra as perseguições existentes aos praticantes das religiões afro-brasileiras que eram rotuladas de religiões bárbaras e pagãs.  Procópio de Ogum teve o seu reconhecimento por ter participado da legitimação da religião do candomblé, durante a perseguição às religiões afro-brasileiras promovida pelas autoridades do Estado Novo. Nesse período, o Ilê Ogunjá foi invadido pela polícia baiana, sob a supervisão do famoso delegado Pedrito Gordo. Procópio foi preso e espancado. O jornalista Antônio Monteiro foi uma das pessoas que ajudou na libertação de Procópio. Tal acontecimento - caso Pedrito - registrou o nome de Procópio na história popular baiana, chegando mesmo a fazer parte de uma letra de samba-de-roda.
  • 36.
     O Jornalda Bahia, de 3 de maio de 1855, faz alusão a uma reunião na casa Ilê Iyá nassô: "Foram presos e colocados à disposição da polícia Cristóvão Francisco Tavares, africano emancipado, Maria Salomé, Joana Francisca, Leopoldina Maria da Conceição, Escolástica Maria da Conceição, crioulos livres; os escravos Rodolfo Araújo Sá Barreto, mulato; Melônio, crioulo, e as africanas Maria Tereza, Benedita, Silvana… que estavam no local chamado Engenho Velho, numa reunião que chamavam de candomblé".
  • 38.
     A homossexualidadeestá presente na maioria das religiões, porém oculta, indiscutivelmente abafada e muitas vezes negada pelos ditos ex-homossexuais.  No Candomblé a homossexualidade é amplamente aceita e discutida nos dias atuais, mas já teve um período que homens e homossexuais não podiam ser iniciados como rodantes (termo usado para pessoas que entram em transe), não era permitido em festas que um homem dançasse na roda de candomblé mesmo que estivesse em transe.  O mais famoso e revolucionário homossexual do candomblé foi sem dúvida Joãozinho da Goméia, que afrontou as matriarcas e ocupou seu espaço tornando-se conhecido internacionalmente. Tiveram muitos outros, mas nenhum conseguiu suplantá-lo em ousadia e popularidade.
  • 40.
     Nas religiõesafro-brasileiras que na maioria são religiões derivadas das religiões tribais africanas, são contra o aborto e um dos motivos é o religioso, o africano vê o filho como a continuação da própria vida, filho é o bem mais precioso que o homem africano possa ter, em consequência disso, foram trazidos para o Brasil alguns conceitos.  No conceito social: Amparam e orientam adolescentes e mulheres grávidas.  No conceito religioso: Oxum é quem rege o processo de fecundidade, cuida do embrião, evita o aborto espontâneo, não aprova o aborto provocado, mantém a criança viva e sadia na barriga da mãe até o nascimento. Uma mulher quando não consegue engravidar, recorre à Oxum.  No conceito jurídico: Só aprova a interrupção da gravidez, nos casos previstos em lei.  Mas como em toda religião, quando acontece uma gravidez indesejada, muitas mulheres procuram soluções alternativas fora dos Terreiros, como: chás, remédios e até mesmo clínicas de aborto.
  • 42.
     Sacrifício -vem da palavra sacrificar que no sentido religioso é oferecer em holocausto por meio de cerimônias próprias. Sua origem etimológica é sacr (de origem provavelmente judaica) e a palavra latina ofício).  No candomblé, esta parte do ritual denominada de sacrifício não é propriamente secreta; porém não se realiza senão diante de um reduzido número de pessoas, todos fiéis da religião.  Uma pessoa especializada no sacrifício, o Axogun, que tem tal função na hierarquia sacerdotal, é quem o realiza ou, na sua falta o babalorixá. O Axogun não pode deixar o animal sentir dor ou sofrer porque a oferenda não seria aceita pelo Orixá. O objeto do sacrifício, que é sempre um animal, muda conforme o Orixá ao qual é oferecido; trata-se, conforme a terminologia tradicional, ora de um animal de duas patas, ora de um animal de quatro patas, galinha, pombo, bode, carneiro. Na realidade não se trata de um único sacrifício: sempre que se fizer um sacrifício a qualquer Orixá, deve ser antes feito um para Exú, o primeiro a ser servido.  Esse sacrifício não é só uma oferenda aos Orixás. Todas as partes do animal vão servir de alimento, nada é jogado fora. O couro do animal é usado para encourar os atabaques, o animal inteiro é limpo e cortado em partes, algumas partes são preparadas para os Orixás e o restante é destinado aos demais. Tudo é aproveitado: até a porção oferecida aos Orixás é posteriormente distribuída entre os filhos da casa como o inché do Orixá. É usada para confraternização: unem-se os filhos a comer com o pai ou mãe, havendo repartição do Axé gerado pelo Orixá. (Acredita-se que após algum tempo que a comida esteja no Peji ela fica impregnada pelo Axé do Orixá). O sacrifício no candomblé é a renovação do Axé, feito uma vez por ano para cada Orixá da casa ou em circunstâncias especiais.
  • 44.
     O ritualde iniciação no Candomblé, a feitura no santo, representa um renascimento, tudo será novo na vida do yàwó, ele receberá inclusive um nome pelo qual passará a ser chamado dentro da comunidade do Candomblé.  É feita a raspagem dos cabelos (orô) e o abiã recebe o oxu (representa o canal de comunicação entre o iniciado e seu orixá) o kelê, os delogun, o mokan, o xaorô, os ikan, o ikodidé. O filho de santo terá que passar agora por um ritual, onde terá seu corpo pintado com giz, denominado efun. Ele deverá passar por este ritual de pintura por 7 (sete) dias seguidos.   O abiã terá agora que assentar seu Orixá e ofertar-lhe sacrifícios de animais de acordo com as características de cada um. Feito isso ele passa a se chamar yàwó.   A festa ritualística que marca o término deste período é denominada Saída de Yàwó, neste momento ele será apresentado à comunidade. Ele será acompanhado por uma autoridade à frente de todos para que lhe sejam rendidas homenagens.   O momento mais aguardado do cerimonial é o orukó. Neste momento o Orixá dirá o nome de iniciação de seu filho perante todos e também é neste momento que se abre a sua idade cronológica dentro de sua vida no santo.
  • 47.
     Pierre EdouardLeopold Verger (Paris, 4 de novembro de 1902 — Salvador, 11 de fevereiro de 1996) foi um fotógrafo e etnólogo autodidata franco-brasileiro. Assumiu o nome religioso Fatumbi.  Era também babalawo (sacerdote Yoruba) que dedicou a maior parte de sua vida ao estudo da diáspora africana - o comércio de escravo, as religiões afro-derivadas do novo mundo, e os fluxos culturais e econômicos resultando de e para a África.  Suas fotografias foram publicadas em revistas como Paris-Soir, Daily Mirror (com o pseudônimo de Mr. Lensman), Life, e Match.  Na cidade de Salvador, apaixonou-se pelo lugar e pelas pessoas, e decidiu por bem ficar. Tendo se interessado pela história e cultura local, ele virou de fotógrafo errante a investigador da diáspora africana nas Américas. Em 1949, em Ouidah, teve acesso a um importante testemunho sobre o tráfico clandestino de escravos para a Bahia: as cartas comerciais de José Francisco do Santos, escritas no século XIX.  Definição de Verger sobre o Candomblé: "O Candomblé é para mim muito interessante por ser uma religião de exaltação à personalidade das pessoas. Onde se pode ser verdadeiramente como se é, e não o que a sociedade pretende que o cidadão seja. Para pessoas que têm algo a expressar através do inconsciente, o transe é a possibilidade do inconsciente se mostrar".
  • 49.
     Giselle CossardBinon - Omindarewa, (Tanger, Marrocus, 31 de maio de 1923 - ), Iyalorixá do Candomblé do Rio de Janeiro. Primeira estrangeira a virar Ialorixá, também conhecida por Mãe Giselle de Iemanjá. Filha de santo de Joãozinho da Goméia, iniciada para o Orixa Iemanja, antropóloga e escritora, Franco-brasileira.
  • 51.
     João Alvesde Torres Filho ou Joãozinho da Goméia (Inhambupe, 27 de Março de 1914 - São Paulo, 19 de Março de 1971) foi um sacerdote do Candomblé de angola.  Joãozinho da Goméia se tornou um Pai-de-Santo famoso em uma cidade dominada pelas mulheres, e em torno de sua trajetória criou-se muita lenda. Mas sempre foi muito respeitado por seus inúmeros filhos-de-santo, com quem sempre foi muito rígido e autoritário.  Em seu Candomblé Joãozinho era conhecido por incorporar o Caboclo Pedra Preta, entidade indígena. Era praticante do culto de Angola, e jovem ainda enfrentou a supremacia dos cultos Jeje e Nagô na antiga Salvador. Foi também por ser tão jovem e desafiador que acabou provocando nas tradicionais Mães-de-Santo baianas um sentimento de repulsa a seu trabalho - aos 26 anos de idade já havia assumido a chefia de seu terreiro, o primeiro, que ficava na Ladeira da Pedra. Logo depois, mudou-se para a rua que o tornaria famoso - a Rua da Goméia - que ficava no bairro de São Caetano, Cidade Baixa, onde tocava Angola e Keto, o que aumentava ainda mais o desprezo por seu nome.
  • 53.
     Maria Escolásticada Conceição Nazaré (Salvador, Bahia, 10 de fevereiro de 1894 - 13 de agosto de 1986)1 , conhecida como Mãe Menininha do Gantois, foi uma Iyálorixá (mãe-de-santo) brasileira, filha de Oxum.  Foi iniciada no culto dos orixás de Keto aos 8 anos de idade por sua tia-avó e madrinha de batismo, Pulchéria Maria da Conceição (Mãe Pulchéria), chamada Kekerê - em referência à sua posição hierárquica, Iyá kekerê (Mãe pequena).  Mãe Menininha abriu as portas do Gantois aos brancos e católicos - uma abertura que, em muitos terreiros, ainda é vista com certo estranhamento. Mas afinal, a Lei de Jogos e Costumes foi extinta em meados dos anos 1970. "Como um bispo progressista na Igreja Católica, Menininha modernizou o candomblé sem permitir que ele se transformasse num espetáculo para turistas", analisa o professor Cid Teixeira, da Universidade Federal da Bahia.  Nunca deixou de assistir à missa e até convenceu os bispos da Bahia a permitir a entrada nas igrejas de mulheres, inclusive ela, vestidas com as roupas tradicionais do candomblé.
  • 55.
     Agenor MirandaRocha, o Pai Agenor, (Luanda, Angola, 8 de setembro de 1907 — Rio de Janeiro, 17 de julho de 2004) foi um babalaô da Religião dos Orixás Candomblé Foi iniciado aos cinco anos de idade, em 1912, ao orixá Oxalá, pelas mãos de Sra. Eugênia Ana dos Santos, mais conhecida como Mãe Aninha de Xango ou Obá Biyi, fundadora do Axé Opô Afonjá, na cidade Salvador, devido a uma enfermidade, fato este que levou sua Mãe carnal a senhora Zulmira Miranda, católica Apostólica Romana, fervorosa, a aceitar o feito com intuito de salvar a vida de seu filho.Quando jovem, e já residindo na cidade do Rio de Janeiro, foi o nosso Ilustre professor, iniciado nos mistérios da Orixá Ewá, de onde segue que dado a União destes dois orixas, Oxalufã e Ewá, o nosso digno professor, ou como ele se auto intitulava, Zelador de Santo, ter um dom especial nos jogos sagrados dos buzios. O Professor Agenor, como era conhecido, foi professor catedrático aposentado do Colégio Pedro II, nas cadeiras de matemática e latim, cantor lírico (seguindo os passos de sua mãe, o soprano Zulmira Miranda e babalaô adivinho na referida tradição religiosa candomblé, um dos ocidentais mais conhecedores de a herança e a Cultura afro-brasileira, além de talvez uma das mais respeitadas personalidades religiosas por todas as lideranças de tradicionais terreiros do Brasil. Foi o jogo de búzios (meridilogun)do Prof. Agenor que decidiu a sucessão de importantes terreiros: Mãe Oké e Mãe Tatá, na Casa Branca do Engenho Velho; Mãe Stella, no Axé Opô Afonjá; Mãe Índia, no Terreiro do Bogun (o último grande jogo de sucessão antes do falecimento do professor). Agenor Miranda também foi poeta e musicista. Seu jogo de búzios foi um dos mais procurados do país. O velho professor foi orientador espiritual e conselheiro de personalidades de diferentes procedências religiosas e de muitos babalorixás,como Tatá Makamba Malaiá em São Paulo, no ano de 1972 e orientador do Babá Augusto César de Logunedé. Jorge Amado, Zélia Gattai, Almirante Adalberto de Barros Nunes, Maria Zilda, Maria Bethânia, Gal Costa, Liége Monteiro, Hugo Gross, Zora Sejlman, Antônio Olinto, Professor Paulo Alonso, Delegado Protógenes Queiroz,Vera Fisher, Marcelo Picchi, Camila Amado, Heloísa Perissé, Bel Kutner e Regina Casé, dentre muitos outros, foram amigos ou freqüentavam à casa do velho professor.