RELATÓRIO DE CORROSÃO
   Corrosão e Proteção de Superfícies




                 Salvador

                  2011
INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA - BAHIA




  ATIVIDADE AVALIATIVA DE CORROSÃO E PROTEÇÃO DE SUPERFÍCIES




                   RELATÓRIO DE CORROSÃO

                      Corrosão em aço-carbono




                               Trabalho apresentado ao Instituto Federal de
                               Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia, pelo
                               estudante, turma , orientado pela professora, em
                               atividade avaliativa apresentada em




                             Salvador

                               2011
SUMÁRIO




1.   INTRODUÇÃO .................................................................................... 3

2.   DESCRIÇÃO DO SISTEMA ............................................................... 4

     2.1. LOCALIZAÇÃO .......................................................................... 4

     2.2. O QUE HÁ AO REDOR DO LOCAL ......................................... 4

     2.3. MATERIAL UTILIZADO .......................................................... 4

     2.4. FATORES QUE PODEM INFLUENCIAR ................................ 4

3.   MECANISMO ...................................................................................... 6

4.   ANÁLISE DO PROCESSO CORROSIVO ......................................... 6

5.   CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................ 8

6.   REFERÊNCIAS .................................................................................... 8

7.   ANEXOS ............................................................................................... 9
3



1. INTRODUÇÃO


A corrosão eletroquímica é caracterizada pela formação de uma pilha eletroquímica, que tem
como características a transformação de energia química em elétrica e vice-versa.

A transformação de energia química em energia elétrica é um processo natural, espontâneo, é
encontrado tranquilamente na natureza, porém para que o ocorra o processe inverso é
necessário a aplicação de alguma energia externa.

Uma pilha eletroquímica apresenta quatro componentes básicos, e removendo um desses ou
aplicando alguma forma de proteção em algum (geralmente no anôdo) cessa-se a transferência
de elétrons, barrando também a continuação da corrosão. Os componentes são: ânodo (onde
ocorre a oxidação, ou seja, é o componente que vai sofrer corrosão), cátodo (eletrodo por
onde os elétrons entram na solção), eletrólito (geralmente é uma solução com íons que
transportam a corrente elétrica) e o circuito metálico (circuito por onde passam os elétrons do
ânodo em direção ao cátodo).

Vale lembrar que para a formação de uma pilha eletroquímica não é necessário que existam
dois metais com potenciais de redução diferentes, deste modo pode haver a formação da pilha
em um material de composição única: áreas aleatórias do material funcionarão como cátodo e
outras como ânodo.

Quando há a formação de uma pilha onde o ânodo é o Ferro (Fe), este vai passar pelo
processo de oxidação, ou ferrugem, como é mais conhecido.

A ferrugem é um processo auto-catalítico, ou seja, uma vez iniciado o processo e se não
houver nenhuma intervenção, o ânodo vai se deteriorar até não restar mais nada além dos
produtos da corrosão. Este tipo de deterioração, que vai ser abordado nesse relatório, tem
como característica o aumento da velocidade, entre outros aspectos, em meios quentes e com
eletrólitos salinos; por isso que em regiões de costeiras a degradação de materiais por
ferrugem é tão comum.

As formas de corrosão observadas foram: filiforme, por fresta e por pite.



2. DESCRIÇÃO DO SISTEMA


       2.1. Localização

       A estrutura corroída está localizada na Avenida ACM, nº 376, Pituba, Salvador – BA.
Faz parte da fachada do Hospital Santa Clara.

       2.2. O que há ao redor do local
4



       O ambiente em questão é um grande centro de movimentação de automóveis e fica a
aproximadamente 900 metros do mar, o que o deixa exposto a altas concentrações de
compostos de enxofre, monóxido e dióxido de carbono e também sujeito às influências da
maresia (principalmente íons cloretos), por mais que seja uma influência pequena.

       2.3. Material Utilizado

       O material usado na fabricação do objeto de estudo é o aço carbono. Este material vem
sendo muito utilizado na produção de bens para a sociedade e tem na sua composição, além
do Ferro, quantidades definidas de Silício, Manganês, Cobre, Enxofre, Fósforo e Carbono (a
quantidade deste pode variar até 1% em relação ao total da massa do aço). O teor desses
elementos adicionados ao Ferro, principalmente o Carbono, determina as propriedades
mecânicas e metalúrgicas do aço.

       2.4. Fatores que podem influenciar

      Por se tratar de uma corrosão em meio atmosférico úmido, a oxidação do metal vai
depender principalmente da umidade relativa, substâncias poluentes, temperatura e tempo de
permanência do filme de eletrólito na superfície metálica.

          Umidade relativa: existe uma grande relação entre a alta umidade e o processo de
           corrosão. Pode-se tomar como exemplo o ferro, que em ambientes com umidade
           relativa acima de 70% se oxida de forma rápida. Existe um valor da umidade
           adotado como crítico para determinados meios metálicos; a partir desse valor o
           processo se acelera.
          Substâncias poluentes: Pode-se dividir entre sólidos e gases. Os gases encontrados
           na atmosfera de um modo geral são CO2 (dióxido de carbono), CO (monóxido de
           carbono), SO2 (dióxido de enxofre), NH3 (amônia) e H2S. O material sólido pode
           ser admitido como:
                Deposição de sais como (NH4)2SO4 e NaCl, pois são eletrólitos fortes. A
                   névoa salina, possivelmente presente no ambiente em questão, contém
                   essencialmente sais como NaCl e MgCl2.
                Deposição de substâncias que tem como característica reter água (a
                   retenção da água na superfície metálica influencia a formação de uma
                   pilha). A exemplo tem-se o MgCl2 e o CaCl2.
                Permanência na superfície metálica de materiais que podem provocar a
                   criação de uma pilha de aeração diferencial, corroendo a camada logo
                   abaixo do depósito.
                Permanência na superfície metálica de materiais que retém gases poluentes,
                   como é o caso do carvão, que pode reter o dióxido de enxofre, SO2.

A junção desses gases ou sólidos com uma umidade relativa alta torna o meio muito propício
à corrosão.

          Temperatura: baixas temperaturas aumentam a condensação do vapor de água no
           metal e a residência de gases em sua superfície.
5



          Tempo de permanência do filme de eletrólito no material metálico: um tempo
           grande acarreta no favorecimento da formação de uma pilha naquele local.

Abaixo, o foto do sistema em estudo:




                                        Foto 1




                                        Foto 2
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3. MECANISMO


A formação da ferrugem se dá pelas seguintes reações:

No ânodo:      Fe  Fe+2 + 2e-

No cátodo:     2 H2O + ½ O2 + 2e-  2 OH-

Formação do Hidróxido Ferroso:       Fe+2 + 2 OH-  Fe(OH)2

Formação da magnetita, pouco O2 no meio: 3 Fe(OH)2  Fe3O4 + 2 H2O + H2

Formação da ferrugem:         2 Fe(OH)2 + H2O + ½ O2  2 Fe(OH)3

                              2 Fe(OH)3  Fe2O3.H20 + 2 H2O

Os óxidos de enxofre e carbono presentes na atmosfera podem reagir com a água formando
ácido sulfúrico (H2SO4) e ácido carbônico (H2CO3), que são ácidos que podem acelerar a
corrosão do aço, através das seguintes reações:

2 SO2(g)+O2  2 SO3(g)                                     CO2(g) + H2O  H2CO3

SO3(g)+H2O  H2SO4                                          Fe + H2CO3  FeCO3 + H2

Fe + H2SO4  FeSO4 + H2



4. ANÁLISE DO PROCESSO CORROSIVO


Os sais formados podem funcionar como uma película protetora, mas qualquer dano a essa
película cria uma pilha de corrosão, que vai corroer o Ferro, por ter um potencial de redução
menor do que o da película.

Como já foi citado, existe corrosão filiforme, por fresta e por pite no sistema em estudo.

A corrosão por pite é um tipo de corrosão bem localizado que provoca sulcos no material,
com profundidade normalmente maior do que o diâmetro e em forma angular. Ataca,
geralmente, onde a película protetora foi destruída, formando uma pilha ativa-passiva. A
degradação da película se dá pela ação principalmente do íon cloreto. Pode-se notar a
corrosão por pite no lado direito da foto 1.

A corrosão por fresta é uma variação do pite. A pilha de aeração diferencial (devido às
deformações do material metálico) faz com que haja esse tipo de corrosão. É muito comum
em parafusos, rebites, películas descoladas de tinta, entre outros.
7



A corrosão filiforme se processa na camada de revestimento do material, como a película de
pintura. A corrosão progride ao longo da superfície criando filamentos parecidos entre si.
Podem-se citar como causa da corrosão filiforme as deformações no material, ou seja, os
motivos do aparecimento são basicamente iguais aos de fresta. Na foto 1 pode-se perceber
claramente os filamentos ao longo da estrutura.

Devido às deformações no material, houve o depósito de partículas sólidas ou eletrólitos em
solução, gerando uma pilha ou criando um mecanismo para isso. Há também retenção de água
nas partes em forma de “depressões” ou onde o nível é mais baixo. Isso permite a separação
em íons dos ácidos provenientes das reações dos óxidos com a água, criando uma solução
propícia para a formação da pilha.

Os íons cloreto, possivelmente provenientes da névoa salina, destroem a camada de proteção
existente no material, o que cria outra pilha de corrosão.

As frestas existentes no material metálico são as principais responsáveis pela pilha de aeração
diferencial, pois no interior da fresta existe menos oxigênio (região anódica) do que fora,
devido à reação inicial que consome o oxigênio (cátodo): 2 H2O + ½ O2 + 2e-  2 OH-.
O processo catódico então continua fora da fresta, já que no interior o oxigênio é escasso. Os
íons Fe+2 do interior da fresta hidrolisam-se, diminuindo o pH dentro dela: Fe+2 + H2O 
Fe(OH)+ + H+. Deve-se levar em conta na análise do processo e da velocidade da corrosão a
relação área catódica/área anódica, pois quanto maior a região catódica em comparação com a
região anódica, maior será a ação corrosiva, o que pode ser notado no sistema em estudo, pois
a área catódica é muito maior do que a anódica.

Os produtos finais desta corrosão são a magnetita (Fe3O4 – coloração preta) e a ferrugem
(Fe2O3 – coloração alaranjada ou castanho-avermelhada). A coloração preta pode ser
claramente notada ao longo do sistema e a coloração alaranjada fica mais visível em volta dos
parafusos.

Para revitalizar a estrutura em questão e impedir que o processo corrosivo continue, deve-se
retirar a camada de tinta danificada, fazer uma lavagem para descontaminação com um
produto específico (um agente tensoativo a base de água) e depois da secagem aplicar uma
nova película de tinta protetora ou outro inibidor apropriado (a tinta é mais recomendada por
se tratar um local que precisa aparentar uma boa estética).

Há vários mecanismos que poderiam ter sido aplicados para evitar a corrosão da estrutura
estudada, principalmente a corrosão por fresta. Podem ser citadas algumas alternativas
preventivas:

- Usar soldas contínuas, sem deformações, e não deixar fendas do metal de solda.

- Impedir a entrada de eletrólitos ou água nas frestas através de massas de vedação, quando a
eliminação da fresta é, na prática, impossível

- Não deixar áreas que favorecem o acúmulo de sólidos, como as já citadas depressões no
material e cantos.
8



- Usar aços galvanizados (com revestimento de zinco ou outro metal com potencial de
redução menor que o do aço em questão).

- Usar aços patináveis (com Cromo e Cobre na composição para formar uma película de óxido
em volta do Ferro)

- Usar pinturas adequadas para a proteção/ impermeabilização do aço.

- Limpar constantemente o local para evitar a permanência de todos os tipos de substâncias
prejudiciais.



5. CONSIDERAÇÕES FINAIS


Pode-se observar com a apresentação desse relatório a extrema importância e atenção que
devem ser dadas à manutenção e proteção dos meios metálicos. A corrosão é hoje um grande
problema tanto na indústria quanto nas instalações normais de qualquer cidade, ocasionando
enormes prejuízos financeiros e até acidentes. Para evitar esse tipo de transtorno deve-se
estudar bem o projeto de construção de qualquer estrutura e avaliar todas as alternativas de
proteção cabíveis.

Uma boa técnica de proteção do meio pode reduzir futuros custos com troca de peças ou de
todo o material, além de manter uma boa aparência da estrutura.

A cada dia novos estudos sobre formas de evitar a corrosão e/ou parar o processo corrosivo
são feitas com o intuito de melhorar a duração do material, já que a prevenção e a
revitalização de materiais corroídos é uma área extremamente importante em qualquer
segmento.




6. REFERÊNCIAS


http://www.metalica.com.br/protecao-frente-a-corrosao

http://pt.wikipedia.org/wiki/Corros%C3%A3o

http://qnesc.sbq.org.br/online/qnesc19/a04.pdf

http://www.portalabpg.org.br/PDPetro/3/trabalhos/IBP0642_05.pdf

http://www.aaende.org.ar/sitio/biblioteca/material/PDF/COTE214.PDF
9



http://www.ebah.com.br/content/ABAAAAfNEAL/fundamentos

http://pt.wikipedia.org/wiki/Ferrugem

http://pt.scribd.com/doc/55122208/9/INFLUENCIA-DE-OUTROS-FATORES-NA-
VELOCIDADE-DA-CORROSAO

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1517-70762009000300012&script=sci_arttext

http://www.slideshare.net/juniorli/meios-corrosivos

http://www.rioinox.com/A%C3%A7o%20Carbono.pdf

GENTIL, Vicente. Corrosão. 2ª Edição Rio de Janeiro: Editora Guanabara Dois, 1982.

451 págs.



7. ANEXOS




              Foto 3                                          Foto 4

Relatório corrosão

  • 1.
    RELATÓRIO DE CORROSÃO Corrosão e Proteção de Superfícies Salvador 2011
  • 2.
    INSTITUTO FEDERAL DEEDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA - BAHIA ATIVIDADE AVALIATIVA DE CORROSÃO E PROTEÇÃO DE SUPERFÍCIES RELATÓRIO DE CORROSÃO Corrosão em aço-carbono Trabalho apresentado ao Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia, pelo estudante, turma , orientado pela professora, em atividade avaliativa apresentada em Salvador 2011
  • 3.
    SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO .................................................................................... 3 2. DESCRIÇÃO DO SISTEMA ............................................................... 4 2.1. LOCALIZAÇÃO .......................................................................... 4 2.2. O QUE HÁ AO REDOR DO LOCAL ......................................... 4 2.3. MATERIAL UTILIZADO .......................................................... 4 2.4. FATORES QUE PODEM INFLUENCIAR ................................ 4 3. MECANISMO ...................................................................................... 6 4. ANÁLISE DO PROCESSO CORROSIVO ......................................... 6 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................ 8 6. REFERÊNCIAS .................................................................................... 8 7. ANEXOS ............................................................................................... 9
  • 4.
    3 1. INTRODUÇÃO A corrosãoeletroquímica é caracterizada pela formação de uma pilha eletroquímica, que tem como características a transformação de energia química em elétrica e vice-versa. A transformação de energia química em energia elétrica é um processo natural, espontâneo, é encontrado tranquilamente na natureza, porém para que o ocorra o processe inverso é necessário a aplicação de alguma energia externa. Uma pilha eletroquímica apresenta quatro componentes básicos, e removendo um desses ou aplicando alguma forma de proteção em algum (geralmente no anôdo) cessa-se a transferência de elétrons, barrando também a continuação da corrosão. Os componentes são: ânodo (onde ocorre a oxidação, ou seja, é o componente que vai sofrer corrosão), cátodo (eletrodo por onde os elétrons entram na solção), eletrólito (geralmente é uma solução com íons que transportam a corrente elétrica) e o circuito metálico (circuito por onde passam os elétrons do ânodo em direção ao cátodo). Vale lembrar que para a formação de uma pilha eletroquímica não é necessário que existam dois metais com potenciais de redução diferentes, deste modo pode haver a formação da pilha em um material de composição única: áreas aleatórias do material funcionarão como cátodo e outras como ânodo. Quando há a formação de uma pilha onde o ânodo é o Ferro (Fe), este vai passar pelo processo de oxidação, ou ferrugem, como é mais conhecido. A ferrugem é um processo auto-catalítico, ou seja, uma vez iniciado o processo e se não houver nenhuma intervenção, o ânodo vai se deteriorar até não restar mais nada além dos produtos da corrosão. Este tipo de deterioração, que vai ser abordado nesse relatório, tem como característica o aumento da velocidade, entre outros aspectos, em meios quentes e com eletrólitos salinos; por isso que em regiões de costeiras a degradação de materiais por ferrugem é tão comum. As formas de corrosão observadas foram: filiforme, por fresta e por pite. 2. DESCRIÇÃO DO SISTEMA 2.1. Localização A estrutura corroída está localizada na Avenida ACM, nº 376, Pituba, Salvador – BA. Faz parte da fachada do Hospital Santa Clara. 2.2. O que há ao redor do local
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    4 O ambiente em questão é um grande centro de movimentação de automóveis e fica a aproximadamente 900 metros do mar, o que o deixa exposto a altas concentrações de compostos de enxofre, monóxido e dióxido de carbono e também sujeito às influências da maresia (principalmente íons cloretos), por mais que seja uma influência pequena. 2.3. Material Utilizado O material usado na fabricação do objeto de estudo é o aço carbono. Este material vem sendo muito utilizado na produção de bens para a sociedade e tem na sua composição, além do Ferro, quantidades definidas de Silício, Manganês, Cobre, Enxofre, Fósforo e Carbono (a quantidade deste pode variar até 1% em relação ao total da massa do aço). O teor desses elementos adicionados ao Ferro, principalmente o Carbono, determina as propriedades mecânicas e metalúrgicas do aço. 2.4. Fatores que podem influenciar Por se tratar de uma corrosão em meio atmosférico úmido, a oxidação do metal vai depender principalmente da umidade relativa, substâncias poluentes, temperatura e tempo de permanência do filme de eletrólito na superfície metálica.  Umidade relativa: existe uma grande relação entre a alta umidade e o processo de corrosão. Pode-se tomar como exemplo o ferro, que em ambientes com umidade relativa acima de 70% se oxida de forma rápida. Existe um valor da umidade adotado como crítico para determinados meios metálicos; a partir desse valor o processo se acelera.  Substâncias poluentes: Pode-se dividir entre sólidos e gases. Os gases encontrados na atmosfera de um modo geral são CO2 (dióxido de carbono), CO (monóxido de carbono), SO2 (dióxido de enxofre), NH3 (amônia) e H2S. O material sólido pode ser admitido como:  Deposição de sais como (NH4)2SO4 e NaCl, pois são eletrólitos fortes. A névoa salina, possivelmente presente no ambiente em questão, contém essencialmente sais como NaCl e MgCl2.  Deposição de substâncias que tem como característica reter água (a retenção da água na superfície metálica influencia a formação de uma pilha). A exemplo tem-se o MgCl2 e o CaCl2.  Permanência na superfície metálica de materiais que podem provocar a criação de uma pilha de aeração diferencial, corroendo a camada logo abaixo do depósito.  Permanência na superfície metálica de materiais que retém gases poluentes, como é o caso do carvão, que pode reter o dióxido de enxofre, SO2. A junção desses gases ou sólidos com uma umidade relativa alta torna o meio muito propício à corrosão.  Temperatura: baixas temperaturas aumentam a condensação do vapor de água no metal e a residência de gases em sua superfície.
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    5  Tempo de permanência do filme de eletrólito no material metálico: um tempo grande acarreta no favorecimento da formação de uma pilha naquele local. Abaixo, o foto do sistema em estudo: Foto 1 Foto 2
  • 7.
    6 3. MECANISMO A formaçãoda ferrugem se dá pelas seguintes reações: No ânodo: Fe  Fe+2 + 2e- No cátodo: 2 H2O + ½ O2 + 2e-  2 OH- Formação do Hidróxido Ferroso: Fe+2 + 2 OH-  Fe(OH)2 Formação da magnetita, pouco O2 no meio: 3 Fe(OH)2  Fe3O4 + 2 H2O + H2 Formação da ferrugem: 2 Fe(OH)2 + H2O + ½ O2  2 Fe(OH)3 2 Fe(OH)3  Fe2O3.H20 + 2 H2O Os óxidos de enxofre e carbono presentes na atmosfera podem reagir com a água formando ácido sulfúrico (H2SO4) e ácido carbônico (H2CO3), que são ácidos que podem acelerar a corrosão do aço, através das seguintes reações: 2 SO2(g)+O2  2 SO3(g) CO2(g) + H2O  H2CO3 SO3(g)+H2O  H2SO4 Fe + H2CO3  FeCO3 + H2 Fe + H2SO4  FeSO4 + H2 4. ANÁLISE DO PROCESSO CORROSIVO Os sais formados podem funcionar como uma película protetora, mas qualquer dano a essa película cria uma pilha de corrosão, que vai corroer o Ferro, por ter um potencial de redução menor do que o da película. Como já foi citado, existe corrosão filiforme, por fresta e por pite no sistema em estudo. A corrosão por pite é um tipo de corrosão bem localizado que provoca sulcos no material, com profundidade normalmente maior do que o diâmetro e em forma angular. Ataca, geralmente, onde a película protetora foi destruída, formando uma pilha ativa-passiva. A degradação da película se dá pela ação principalmente do íon cloreto. Pode-se notar a corrosão por pite no lado direito da foto 1. A corrosão por fresta é uma variação do pite. A pilha de aeração diferencial (devido às deformações do material metálico) faz com que haja esse tipo de corrosão. É muito comum em parafusos, rebites, películas descoladas de tinta, entre outros.
  • 8.
    7 A corrosão filiformese processa na camada de revestimento do material, como a película de pintura. A corrosão progride ao longo da superfície criando filamentos parecidos entre si. Podem-se citar como causa da corrosão filiforme as deformações no material, ou seja, os motivos do aparecimento são basicamente iguais aos de fresta. Na foto 1 pode-se perceber claramente os filamentos ao longo da estrutura. Devido às deformações no material, houve o depósito de partículas sólidas ou eletrólitos em solução, gerando uma pilha ou criando um mecanismo para isso. Há também retenção de água nas partes em forma de “depressões” ou onde o nível é mais baixo. Isso permite a separação em íons dos ácidos provenientes das reações dos óxidos com a água, criando uma solução propícia para a formação da pilha. Os íons cloreto, possivelmente provenientes da névoa salina, destroem a camada de proteção existente no material, o que cria outra pilha de corrosão. As frestas existentes no material metálico são as principais responsáveis pela pilha de aeração diferencial, pois no interior da fresta existe menos oxigênio (região anódica) do que fora, devido à reação inicial que consome o oxigênio (cátodo): 2 H2O + ½ O2 + 2e-  2 OH-. O processo catódico então continua fora da fresta, já que no interior o oxigênio é escasso. Os íons Fe+2 do interior da fresta hidrolisam-se, diminuindo o pH dentro dela: Fe+2 + H2O  Fe(OH)+ + H+. Deve-se levar em conta na análise do processo e da velocidade da corrosão a relação área catódica/área anódica, pois quanto maior a região catódica em comparação com a região anódica, maior será a ação corrosiva, o que pode ser notado no sistema em estudo, pois a área catódica é muito maior do que a anódica. Os produtos finais desta corrosão são a magnetita (Fe3O4 – coloração preta) e a ferrugem (Fe2O3 – coloração alaranjada ou castanho-avermelhada). A coloração preta pode ser claramente notada ao longo do sistema e a coloração alaranjada fica mais visível em volta dos parafusos. Para revitalizar a estrutura em questão e impedir que o processo corrosivo continue, deve-se retirar a camada de tinta danificada, fazer uma lavagem para descontaminação com um produto específico (um agente tensoativo a base de água) e depois da secagem aplicar uma nova película de tinta protetora ou outro inibidor apropriado (a tinta é mais recomendada por se tratar um local que precisa aparentar uma boa estética). Há vários mecanismos que poderiam ter sido aplicados para evitar a corrosão da estrutura estudada, principalmente a corrosão por fresta. Podem ser citadas algumas alternativas preventivas: - Usar soldas contínuas, sem deformações, e não deixar fendas do metal de solda. - Impedir a entrada de eletrólitos ou água nas frestas através de massas de vedação, quando a eliminação da fresta é, na prática, impossível - Não deixar áreas que favorecem o acúmulo de sólidos, como as já citadas depressões no material e cantos.
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    8 - Usar açosgalvanizados (com revestimento de zinco ou outro metal com potencial de redução menor que o do aço em questão). - Usar aços patináveis (com Cromo e Cobre na composição para formar uma película de óxido em volta do Ferro) - Usar pinturas adequadas para a proteção/ impermeabilização do aço. - Limpar constantemente o local para evitar a permanência de todos os tipos de substâncias prejudiciais. 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS Pode-se observar com a apresentação desse relatório a extrema importância e atenção que devem ser dadas à manutenção e proteção dos meios metálicos. A corrosão é hoje um grande problema tanto na indústria quanto nas instalações normais de qualquer cidade, ocasionando enormes prejuízos financeiros e até acidentes. Para evitar esse tipo de transtorno deve-se estudar bem o projeto de construção de qualquer estrutura e avaliar todas as alternativas de proteção cabíveis. Uma boa técnica de proteção do meio pode reduzir futuros custos com troca de peças ou de todo o material, além de manter uma boa aparência da estrutura. A cada dia novos estudos sobre formas de evitar a corrosão e/ou parar o processo corrosivo são feitas com o intuito de melhorar a duração do material, já que a prevenção e a revitalização de materiais corroídos é uma área extremamente importante em qualquer segmento. 6. REFERÊNCIAS http://www.metalica.com.br/protecao-frente-a-corrosao http://pt.wikipedia.org/wiki/Corros%C3%A3o http://qnesc.sbq.org.br/online/qnesc19/a04.pdf http://www.portalabpg.org.br/PDPetro/3/trabalhos/IBP0642_05.pdf http://www.aaende.org.ar/sitio/biblioteca/material/PDF/COTE214.PDF
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