PLANTAS
Profª: Alessandra Vieira
“Enquanto eu me postava ali, com a orla escura da
floresta
ao meu redor, sentia-me enfeitiçada. Então, a primeira
pétala começou a se mexer, depois outra e mais outra, e
a flor explodiu para a vida.”
Margaret Mee (1909-1988), ilustradora
botânica inglesa que passou grande parte
da vida no Brasil, desenhando as plantas
da nossa flora. no texto acima,
a ilustradora refere-se à flor-da-lua,
espécie amazônica de cacto que
só floresce à noite.
Evolução e Classificação das Plantas
■ Faça uma lista com pelo menos 10
nomes de plantas que você conhece.
Depois, estabeleça um critério para
classificá-las em grupos.
■ Você já viu nascer uma samambaia
“sozinha” em um muro? E um matinho
com flor no meio de uma abertura no
asfalto ou na calçada? Como você
acha que essas plantas chegaram a
esses lugares se elas não foram
plantadas por ninguém?
■ Toda planta produz flores? Justifique
sua resposta.
■ Toda planta que produz sementes
também produz frutos? Explique sua
resposta.
Origem e classificação das plantas
■ O ramo da Biologia que estuda as plantas é a Botânica.
■ Em alguns sistemas mais recentes, as algas verdes e as vermelhas têm sido
consideradas plantas, pois, além de semelhanças moleculares, elas, juntamente com
as plantas terrestres, são as únicas que apresentam cloroplastos derivados da
endossimbiose primária. São, por isso, chamadas Arqueplastidas (arque =
primitivos).
Há fortes indícios de que as plantas terrestres tenham surgido de um grupo ancestral de
algas verdes, pois existem várias características que as aproximam, tais como
■ A presença de parede celular composta principalmente de celulose,
■ A existência de clorofilas a e b nos cloroplastos,
■ Reserva de amido.
Na passagem evolutiva das algas verdes para as plantas terrestres, surgiram
algumas características que se mantiveram por seleção natural, pois se revelaram
muito adaptativas à vida no ambiente terrestre, possibilitando a expansão das
plantas nesse ambiente. Duas dessas características são:
■ Camada de células estéreis envolvendo e protegendo os gametângios
(estruturas formadoras de gametas); o gametângio masculino chama-se
anterídio e o feminino, arquegônio; esta camada não existe nos gametângios
das algas;
■ Retenção do zigoto e dos estágios iniciais de desenvolvimento embrionário
dentro do arquegônio, conferindo grande proteção ao embrião; por isso, são
chamadas embriófitas.
■ O cladograma a seguir esquematiza resumidamente algumas características
que surgiram na evolução das plantas.
* Representados
por simplificação;
não são grupos
monofiléticos.
Os termos presentes nas classificações mais antigas ainda são utilizados, mas
eles não têm valor de categoria taxonômica.
O significado deles é:
■ Criptógamas (do grego: kruptós = escondido; gámos = gametas): plantas que
têm as estruturas reprodutoras pouco evidentes;
■ Fanerógamas (do grego: phanerós = visível): plantas que têm estruturas
reprodutoras bem visíveis. Todas desenvolvem sementes e, por isso, são
também denominadas espermatófitas (do grego: sperma = semente).
As criptógamas dividem-se em três grupos:
■ Algas: principalmente aquáticas e sem tecidos;
■ Briófitas: criptógamas terrestres com tecidos, mas sem xilema e floema, tecidos
especializados, respectivamente, no transporte de água e sais minerais (seiva do
xilema) e água e substâncias orgânicas derivadas da fotossíntese (seiva do floema);
são plantas de pequeno porte. Exemplos: musgos e hepáticas;
■ Pteridófitas: criptógamas que têm xilema e floema.
Exemplos: samambaias e avencas.
■ Por apresentarem xilema e floema, as pteridófitas e todas as fanerógamas são
chamadas plantas vasculares ou traqueófitas; As fanerógamas são plantas de maior
porte.
■ As briófitas, que não têm esses tecidos, são chamadas atraqueófitas.
■ Enquanto o corpo das plantas vasculares apresenta raiz, caule e folhas, nas brió fitas
fala-se em rizoide, cauloide e filoide, estruturas externamente semelhantes,
respectivamente, a raiz, caule e folha, mas sem xilema e floema.
■ As fanerógamas são divididas em dois grupos:
■ Gimnospermas: suas sementes são chamadas “nuas”, pois não estão abrigadas no
interior de frutos (daí a denominação: gymnós = nu; sperma = semente).
Exemplo: pinheiro-do-paraná;
■ Angiospermas: apresentam sementes abrigadas no interior de frutos (daí a denominação:
aggêion = vaso; sperma = semente). São exemplos de angiospermas: mangueira,
figueira, laranjeira. Esse grupo é monofilético.
Evolução dos ciclos de vida nas
plantas
Nos diferentes grupos de seres vivos, podemos definir três tipos de ciclo de vida:
■ Ciclo em que os indivíduos são diploides (2n) e formam gametas por meiose. Assim,
apenas os gametas são haploides (n). Após a fecundação, o zigoto (2n) forma por
mitoses o adulto.
É o tipo de ciclo de vida que ocorre, por exemplo, nos animais e em algumas algas,
como em certos grupos de algas verdes.
■ Ciclo de vida em que os indivíduos são haploides (n) e originam gametas por
mitose. Após a fecundação, forma-se o zigoto diploide (2n), que sofre meiose
dando origem a esporos haploides (n); estes se desenvolvem em indivíduos
haploides (n). É o tipo de ciclo de vida que ocorre, por exemplo, nos fungos e em
algumas algas, como certos grupos de algas verdes.
■ Ciclo de vida em que há alternância entre uma geração de indivíduos diploides (2n)
e outra de indivíduos haploides (n). Nesses casos, os indivíduos diploides
produzem esporos por meiose e são denominados esporófitos (fase esporofítica),
e os indivíduos haploides produzem gametas por mitose e são denominados
gametófitos (fase gametofítica). Esse tipo de ciclo de vida com alternância de
gerações, ou metagênese, ocorre, por exemplo, nas algas vermelhas, em muitos
grupos de algas verdes e em todas as plantas terrestres.
Algas vermelhas
■ As algas vermelhas ou rodofíceas (Rhodophyta) podem ser encontradas nos
mares, na água doce e também em locais úmidos sobre rochas e troncos de
árvores.
■ Certas espécies de algas vermelhas são apreciadas na alimentação humana, como
é o caso do nori, utilizado principalmente no preparo de sushi, prato típico da
culinária japonesa.
■ Essa alga tem sido usada também para combater o escorbuto, graças a seu alto
teor de vitamina C.
■ Há representantes unicelulares, mas a maioria é multicelular, como a alga
Pterocladia sp.
Algas verdes
■ As algas verdes ou clorofíceas (Chlorophyta) não formam um grupo monofilético.
Elas podem ser uni ou multicelulares.
■ São principalmente aquáticas, podendo ocorrer também em locais úmidos, sobre
rochas e troncos de árvore.
■ Certas algas verdes unicelulares, em especial aquelas do gênero Chlorella,
ocorrem em associação com ciliados, como o Paramecium e com animais, como
cnidários e moluscos; são as chamadas zooclorelas.
■ Uma alga verde muito comum no litoral brasileiro é a Ulva, conhecida
popularmente por alface-do-mar
Briófitas
■ As briófitas são plantas que apresentam características de transição do ambiente
aquático para o terrestre.
■ Essas plantas dependem da água para a reprodução sexuada, já que seus gametas
masculinos são flagelados e deslocam-se apenas em meio líquido, chegando aos
gametas femininos, que são imóveis.
■ Nos diversos grupos de plantas terrestres, o gameta
■ feminino, chamado oosfera, é sempre imóvel. Nas briófitas e nas pteridófitas, os
gametas masculinos são flagelados e recebem o nome de anterozoides.
■ No grupo dos pinheiros dentro das gimnospermas e nas angiospermas, entretanto, os
gametas masculinos não são flagelados e são chamados de células espermáticas.
■ Algumas espécies de briófitas são muito sensíveis à poluição, e a ausência delas
indica má qualidade do ar.
Hepáticas (Filo Hepatophyta)
■ O filo das hepáticas (do grego: hépatos = fígado) engloba cerca de 6 000 espécies.
■ Os gametófitos têm corpo achatado ou folhoso e se fixam ao solo por meio de
rizoides. Exemplo: Marchantia
■ O esporófito (2n) surge após a fecundação da oosfera pelo anterozoide, que
ocorre no gametângio feminino.
■ Além das espécies de hepáticas que vivem em locais úmidos, há algumas espécies
que retornaram secundariamente para o ambiente aquático.
Antóceros (Filo Anthocerophyta)
■ Nos antóceros, o gametófito apresenta corpo multilobado e o esporófito é
alongado, ereto, chegando a cerca de 5 cm de altura
■ O nome do grupo se deve justamente ao aspecto do esporófito (do grego: keras
= corno).
■ Há cerca de 100 espécies nesse filo.
Musgos (Filo Bryophyta)
■ Grupo com cerca de 9 500 espécies.
■ Além de rizoides, os gametófitos geralmente
possuem um eixo principal — cauloide —, de
onde partem os filoides.
■ Exemplo: musgos-de-turfeira (gênero
Sphagnum).
■ utilizada no melhoramento da textura e da
capacidade de retenção de água nos solos.
■ Em certas partes do mundo, a turfa é
submetida à secagem e usada como
combustível.
■ O esporófito desenvolve-se sobre o gametófito
e é formado pelo pé, pela seta e pela cápsula,
no interior da qual está o esporângio, onde
haverá a formação de esporos por meiose
ciclo de vida dos musgos
Pteridófitas
■ As pteridófitas são as primeiras plantas
vasculares.
■ O surgimento de xilema possibilitou o transporte
rápido de água e sais minerais do solo até as
folhas, e o floema possibilitou o transporte de
água e produtos da fotossíntese das folhas para
as demais partes da planta.
■ As pteridófitas têm também tecidos de
sustentação, o que permitiu que se mantivessem
eretas.
■ Os gametófitos são reduzidos e os esporófitos são
a fase predominante do ciclo de
■ vida.
■ Nos esporófitos, os esporângios podem ficar
reunidos em estruturas especiais chamadas
soros.
■ Cada soro corresponde a vários esporângios
inseridos na face inferior das folhas
■ Pteridófitas do grupo das selaginelas possuem os
esporângios reunidos em estróbilos (ou cones),
ramos curtos com pequenas folhas férteis.
Pterophyta ou Pteridophyta
(pterófitas ou pteridófitas).
■ Os principais representantes são as samambaias e as avencas (ambas
filicíneas), que são plantas comuns em regiões tropicais; as folhas jovens das
filicíneas formam os báculos, designação que decorre da semelhança com
bastões altos de extremidade recurvada.
■ Os esporângios ficam localizados em soros.
■ As samambaias arborescentes podem apresentar, na base de seus troncos
eretos, uma trama de raízes adventícias (raízes que partem do caule), que
pode alcançar grande volume.
■ Essa trama é conhecida popularmente por xaxim, muito utilizado antigamente
na fabricação de vasos para algumas plantas ornamentais.
■ O uso irracional desse recurso natural provocou a diminuição das populações
naturais de espécies formadoras de xaxim e, por isso, o uso do xaxim está
proibido.
L ycopodiophyta ou Lycophyta
■ Agrupa os gêneros Lycopodium e Selaginella . As
espécies do gênero Lycopodium ocorrem desde as
regiões árticas até as tropicais, e as do gênero
Selaginella são muito comuns em matas tropicais,
mas também ocorrem em regiões áridas e
semiáridas, como desertos e caatingas.
■ Nesses locais, os indivíduos permanecem em
estado latente, só se reproduzindo quando há
aumento na umidade do ar ou em épocas de chuva.
Em função dessa característica, essas espécies de
Selaginella são chamadas plantas revivescentes.
■ Os esporângios das plantas desse filo ficam
reunidos em estróbilos.
Ciclos de vida nas Pteridófitas
Gimnospermas
■ Na evolução das plantas, as gimnospermas foram as primeiras a
apresentar adaptações que permitiram sua independência da água para
a reprodução sexuada.
■ Nesse grupo surgiram os grãos de pólen, estruturas que contêm o
gametófito masculino imaturo protegido por um envoltório resistente.
■ Assim protegidos, esses gametófitos podem ser transportados pelo vento
e, ao entrar em contato com o gametófito feminino, germinam, formando
o tubo polínico.
■ Este corresponde ao gametófito masculino maduro, que transporta os
gametas masculinos até a oosfera.
■ Outra condição que trouxe vantagens à expansão das gimnospermas no
ambiente terrestre foi o surgimento do óvulo, que, após a fecundação,
dá origem à semente.
■ Nas gimnospermas, a semente é nua, ou seja, não fica protegida no
interior do fruto.
■ A semente contém o embrião e, ao ser liberada da planta, participa do
processo de dispersão da espécie. Na germinação da semente, o
embrião inicia o processo de formação de uma nova planta.
Filo Cycadophyta
■ São as cicas, segundo maior grupo atual de gimnospermas. Têm estruturas
reprodutivas muito evidentes entre as folhas no ápice da planta.
Filo Ginkgophyta
Esse filo é representado por uma só espécie vivente – Ginkgo biloba –, uma árvore
que pode chegar a 30 metros de altura e que tem folhas em forma de leque
Filo Gnetophyta
Inclui a Ephedra, que pode ser encontrada em regiões áridas de todo o mundo;
produz efedrina, utilizada na medicina como descongestionante.
Filo Coniferophyta
Abrange os pinheiros e as sequoias. É o filo de gimnospermas com o maior
número de espécies. No Brasil, a espécie mais conhecida é o pinheiro-do-paraná
ou araucária (Araucaria angustifolia), planta predominante na Mata de Araucária,
que ocorria desde o Paraná até o Rio Grande do Sul. Atualmente, essa mata está
muito reduzida em função, principalmente, da exploração da madeira dessa árvore.
Outra espécie conhecida é o pinheiro do gênero Pinus, introduzido com sucesso no
Brasil.
Angiospermas
As angiospermas vêm sendo
atualmente classificadas no filo
Anthophyta (do grego: ánthos =
flor), destacando o surgimento de flor
nessa linhagem.
Atualmente, é o maior grupo de
plantas, com cerca de 235 000
espécies.
São exemplos as mangueiras, os
coqueiros, as laranjeiras, as
bananeiras e muitas outras plantas
floríferas.
A Flor
Existem várias morfologias de flor. Para discutirmos a estrutura básica da flor, vamos considerar uma flor
completa, que é aquela que apresenta todos os elementos: pedicelo ou pedúnculo, que se prende ao caule
por uma extremidade e apresenta na outra o receptáculo, onde se inserem os verticilos florais.
Os verticilos florais são conjuntos de folhas modificadas e formam as seguintes estruturas:
• cálice: conjunto de sépalas, geralmente verdes, mas podem apresentar outras cores;
• corola: conjunto de pétalas, que podem ser de diversas cores;
• androceu: formado pelos estames, folhas modificadas em cuja extremidade diferencia-se a antera, no interior
da qual estão os grãos de pólen;
• gineceu: formado por um ou mais pistilos. O pistilo é formado por uma ou mais folhas modificadas
chamadas carpelos, que se fundem dando origem a duas partes: uma porção basal dilatada, denominada
ovário, que contém o óvulo, no qual se desenvolve o gametófito feminino que forma a oosfera (gameta
feminino), e uma porção alongada, denominada estilete, cujo ápice é o estigma.
O perianto da flor (peri = em torno; anto = flor) é o
conjunto cálice-corola. Às vezes pétalas e sépalas têm a
mesma coloração, sendo indistinguíveis e, nesses casos,
são chamadas de tépalas e o conjunto de perigônio
(peri = em torno; gônio = elementos reprodutores).
Qualquer um dos quatro verticilos florais (sépalas,
pétalas, estames, pistilo) pode faltar, mas sempre há,
pelo menos, estames ou pistilos. Quando estames e
pistilos ocorrem na mesma flor, dizemos que elas são
hermafroditas. Geralmente, há mecanismos que
dificultam a autofecundação, o que garante aumento da
variabilidade genética. Um deles é a dicogamia, onde
androceu e gineceu amadurecem em épocas diferentes.
Quando as flores não são hermafroditas, caso apareçam
flores masculinas (estaminadas) e femininas (pistiladas)
em uma mesma planta, a espécie é monoica; se houver
indivíduos só com flores masculinas ou só com flores
femininas, a espécie é dioica.
As flores podem estar agrupadas de diversas maneiras, formando agregados
chamados inflorescências.
Nas plantas anemófilas, as flores apresentam estigmas plumosos e são, em geral,
pouco vistosas.
As flores geralmente têm nectários, estruturas que produzem o néctar, um líquido
nutritivo que serve de alimento para insetos, pássaros e morcegos. Ao se
alimentarem do néctar, esses animais atuam como elementos polinizadores.
Ao contrário das gimnospermas, em que a polinização é feita apenas pelo vento
(anemofilia), nas angiospermas a polinização pode ser feita também por insetos
(entomofilia), aves (ornitofilia) e morcegos (quiropterofilia). Nesses casos, as flores
são vistosas ou apresentam odor característico, o que atrai os animais.
Nas plantas anemófilas, as flores apresentam estigmas plumosos e são, em geral, pouco
vistosas.
As flores geralmente têm nectários, estruturas que produzem o néctar, um líquido
nutritivo que serve de alimento para insetos, pássaros e morcegos. Ao se alimentarem do
néctar, esses animais atuam como elementos polinizadores.
Ciclo de Vida de uma Angiosperma
■ No óvulo há o megasporângio, onde ocorrerá meiose, dando origem a quatro
células n. Três degeneram e uma dá origem ao megásporo funcional (n). Este
forma o gametófito feminino.
■ Cada grão de pólen contém o gametófito masculino, que, nas angiospermas,
tem duas células.
■ Grãos de pólen caem no estigma: a germinação tem início, com a formação do
tubo polínico e dos gametas masculinos.
■ O tubo polínico chega ao óvulo.
■ Dupla fecundação: processo exclusivo das angiospermas. Um gameta masculino
se une à oosfera, dando origem ao zigoto 2n, e o outro gameta se une aos
núcleos polares e dá origem ao endosperma (3n), tecido nutritivo típico das
angiospermas.
■ Semente (desenvolvimento do óvulo após a fecundação).
■ Fruto (desenvolvimento do ovário).
■ Nas angiospermas, os óvulos possuem dois tegumentos, nos quais há um
orifício de passagem chamado micrópila. Esses tegumentos protegem o
megasporângio, que apresenta uma célula 2n especial que formará, por
meiose, o megásporo (n).
■ O megásporo dá origem ao gametófito feminino (n), chamado saco
embrionário, estrutura em que não há formação de arquegônios, mas há
diferenciação direta de uma oosfera (n), que é o gameta feminino. O saco
embrionário também possui outras poucas células e dois núcleos (n),
denominados núcleos polares, que podem se fundir, originando um núcleo
diploide, chamado núcleo secundário do saco embrionário.
Esquema de pistilo
mostrando a formação
do saco embrionário.
Os grupos de Angiospermas
As angiospermas eram agrupadas em: monocotiledôneas e dicotiledôneas.
característica que deu o nome a esses grupos foi o número de cotilédones na semente:
as monocotiledôneas têm um cotilédone, enquanto as dicotiledôneas têm dois. Hoje, no
entanto, se sabe que as dicotiledôneas não formam um grupo monofilético. Duas
linhagens podem ser definidas mais claramente: as magnoliídeas e as
eudicotiledôneas.
Monocotiledôneas Características Eudicotiledôneas
Um Cotilédone Sementes Dois cotilédones
Nervuras geralmente
paralelas.
Nervuras das folhas Nervuras geralmente
reticuladas.
Feixes vasculares
dispersos.
Estrutura interna do caule Feixes vasculares
geralmente dispostos em
forma de anel.
Sistema radicular fasciculado:
não há uma raiz principal.
Raízes Sistema radicular pivotante ou
axial: há uma raiz principal.
Grão de pólen
com uma abertura.
Pólen Grão de pólen
com três aberturas.
Verticilos organizados
com base no número
3 ou seus múltiplos
(flores trímeras).
Flores Verticilos organizados com
base no número 4 ou 5 ou seus
múltiplos (flores tetrâmeras ou
pentâmeras, respectivamente).
A Primeira grande Botânica Brasileira
A botânica Graziela Maciel Barroso é uma referência
na área de sistemática de plantas [...] Responsável
pela catalogação de vegetais das diferentes regiões
do Brasil, tem cerca de 25 plantas batizadas com seu
nome e é responsável pela formação de gerações de
biólogos. Teve uma trajetória acadêmica inusitada.
Aos 30 anos, começou a trabalhar no Jardim Botânico
do Rio de Janeiro, ingressando no curso de Biologia
da Universidade do Estado da Guanabara aos 47
anos e defendendo tese de doutorado aos 60. A
cientista também escreveu dois livros adotados como
referência por cursos de botânica [...]. Como
professora, Graziela atuou nas Universidades
Federais do Rio de Janeiro e de Pernambuco (UFRJ
e UFPE), na Universidade Estadual de Campinas
(Unicamp) e na Universidade de Brasília (UnB).
Também foi a única brasileira a receber, nos Estados
Unidos, a medalha Millenium Botany Award, entregue
a botânicos dedicados à formação de pessoal na
área. Nascida em 1912, morreu em 2003, um mês
antes de ser empossada na Academia Brasileira de
Ciências.
Reprodução assexuada das
plantas■ Nas algas unicelulares pode ocorrer reprodução assexuada por bipartição.
■ Nas algas multicelulares ocorre por fragmentação ou esporulação. A reprodução por
fragmentação ocorre na generalidade das algas, quando uma porção é separada do corpo
e dá origem a um novo indivíduo.
■ Na reprodução por esporulação há formação de esporos, células especializadas que, ao
ser liberadas do corpo do indivíduo que as produziu, têm a capacidade de se desenvolver
diretamente em um novo indivíduo.
■ O principal meio de reprodução assexuada nas briófitas também é a fragmentação: mas há
outros processos, principalmente em hepáticas e musgos.
■ Nesses grupos verifica-se a formação de propágulos, estruturas formadas por células
meristemáticas, que são capazes de produzir uma nova planta. Os propágulos geralmente
ficam abrigados no interior de estruturas especiais em forma de taça, denominadas
conceptáculos.
Fotografia da hepática
Marchantia polymorpha
com vários conceptáculos
(dois deles indicados pelas
setas).
Nas plantas vasculares, a forma mais
comum de reprodução assexuada é
propagação vegetativa, que ocorre
principalmente a partir de caules, pois
eles apresentam botões vegetativos ou
gemas. Estas são formadas por tecidos
indiferenciados que podem originar raízes
e toda uma nova planta. Um exemplo é o
caule de batata (Solanum tuberosum),
que é subterrâneo.
■ Em alguns casos, as folhas também
podem dar origem a novos indivíduos,
como se pode observar na fortuna
(Kalanchoe sp.), na qual os brotos
nascem da margem do limbo; e na
begônia, na qual os brotos nascem da
base do pecíolo.
Fotografia da batata com botões vegetativos já
em início de germinação.
Fotografia de folha da fortuna
(Kalanchoe sp.) com brotos (indicados pelas
setas). A planta adulta mede cerca de 30 cm.
Cultivo de plantas
O ser humano desenvolveu vários mecanismos de propagação vegetativa, por exemplo:
a estaquia, a mergulhia, a alporquia e a enxertia.
Quadro comparando diferentes mecanismos de propagação vegetativa utilizados em
agricultura.
Entre esses mecanismos, a
enxertia é o mais utilizado.
Essa técnica é vantajosa por
vários motivos, dos quais se
destacam os seguintes:
• a muda (cavaleiro) já
encontra um cavalo munido de
raízes e, com isso, o
desenvolvimento é mais
rápido;
• podem-se selecionar plantas
com raízes resistentes a certas
doenças e utilizá-las como
cavalo. Com isso, a
reprodução vegetativa de
espécies sensíveis a essas
doenças torna-se mais
eficiente.
Atualmente, tem sido utilizada
frequentemente a técnica da
propagação vegetativa por
cultura de tecidos.
Em culturas de tecido, tem sido possível modificar o material genético de plantas de interesse
econômico por meio de técnicas especiais que integram a chamada engenharia genética ou
tecnologia do DNA recombinante.
Nesses casos, introduzem-se nas células das plantas trechos da molécula de DNA de outras
espécies, por exemplo, de bactérias. Esses trechos são incorporados ao DNA da planta, que
fica alterada geneticamente: são as plantas transgênicas.
Plantas cultivadas em
laboratório de cultura de
tecidos vegetais. Na
fotografia, cultivo de plantas
de arroz
(Oriza sativa) transgênicas.
Polinização e o desaparecimento
das abelhasUma das causas
relacionadas ao complexo
processo de
desaparecimento das
espécies de abelhas é o
uso de agrotóxicos nas
plantações.
Mesmo que os inseticidas e
os outros agrotóxicos não
matem as abelhas
imediatamente, eles
contaminam os grãos de
pólen e o néctar, alimentos
de vários insetos, inclusive
abelhas, e podem levar à
contaminação de toda a
colmeia.
Referências Bibliográficas
Lopes, Sônia Bio, volume 2 / Sônia Lopes, Sergio Rosso. -- 3. ed. -- São Paulo :
Saraiva, 2016.

Plantas

  • 1.
    PLANTAS Profª: Alessandra Vieira “Enquantoeu me postava ali, com a orla escura da floresta ao meu redor, sentia-me enfeitiçada. Então, a primeira pétala começou a se mexer, depois outra e mais outra, e a flor explodiu para a vida.” Margaret Mee (1909-1988), ilustradora botânica inglesa que passou grande parte da vida no Brasil, desenhando as plantas da nossa flora. no texto acima, a ilustradora refere-se à flor-da-lua, espécie amazônica de cacto que só floresce à noite.
  • 2.
    Evolução e Classificaçãodas Plantas ■ Faça uma lista com pelo menos 10 nomes de plantas que você conhece. Depois, estabeleça um critério para classificá-las em grupos. ■ Você já viu nascer uma samambaia “sozinha” em um muro? E um matinho com flor no meio de uma abertura no asfalto ou na calçada? Como você acha que essas plantas chegaram a esses lugares se elas não foram plantadas por ninguém? ■ Toda planta produz flores? Justifique sua resposta. ■ Toda planta que produz sementes também produz frutos? Explique sua resposta.
  • 3.
    Origem e classificaçãodas plantas ■ O ramo da Biologia que estuda as plantas é a Botânica. ■ Em alguns sistemas mais recentes, as algas verdes e as vermelhas têm sido consideradas plantas, pois, além de semelhanças moleculares, elas, juntamente com as plantas terrestres, são as únicas que apresentam cloroplastos derivados da endossimbiose primária. São, por isso, chamadas Arqueplastidas (arque = primitivos). Há fortes indícios de que as plantas terrestres tenham surgido de um grupo ancestral de algas verdes, pois existem várias características que as aproximam, tais como ■ A presença de parede celular composta principalmente de celulose, ■ A existência de clorofilas a e b nos cloroplastos, ■ Reserva de amido.
  • 4.
    Na passagem evolutivadas algas verdes para as plantas terrestres, surgiram algumas características que se mantiveram por seleção natural, pois se revelaram muito adaptativas à vida no ambiente terrestre, possibilitando a expansão das plantas nesse ambiente. Duas dessas características são: ■ Camada de células estéreis envolvendo e protegendo os gametângios (estruturas formadoras de gametas); o gametângio masculino chama-se anterídio e o feminino, arquegônio; esta camada não existe nos gametângios das algas; ■ Retenção do zigoto e dos estágios iniciais de desenvolvimento embrionário dentro do arquegônio, conferindo grande proteção ao embrião; por isso, são chamadas embriófitas.
  • 5.
    ■ O cladogramaa seguir esquematiza resumidamente algumas características que surgiram na evolução das plantas. * Representados por simplificação; não são grupos monofiléticos.
  • 6.
    Os termos presentesnas classificações mais antigas ainda são utilizados, mas eles não têm valor de categoria taxonômica. O significado deles é: ■ Criptógamas (do grego: kruptós = escondido; gámos = gametas): plantas que têm as estruturas reprodutoras pouco evidentes; ■ Fanerógamas (do grego: phanerós = visível): plantas que têm estruturas reprodutoras bem visíveis. Todas desenvolvem sementes e, por isso, são também denominadas espermatófitas (do grego: sperma = semente).
  • 7.
    As criptógamas dividem-seem três grupos: ■ Algas: principalmente aquáticas e sem tecidos; ■ Briófitas: criptógamas terrestres com tecidos, mas sem xilema e floema, tecidos especializados, respectivamente, no transporte de água e sais minerais (seiva do xilema) e água e substâncias orgânicas derivadas da fotossíntese (seiva do floema); são plantas de pequeno porte. Exemplos: musgos e hepáticas; ■ Pteridófitas: criptógamas que têm xilema e floema. Exemplos: samambaias e avencas.
  • 8.
    ■ Por apresentaremxilema e floema, as pteridófitas e todas as fanerógamas são chamadas plantas vasculares ou traqueófitas; As fanerógamas são plantas de maior porte. ■ As briófitas, que não têm esses tecidos, são chamadas atraqueófitas. ■ Enquanto o corpo das plantas vasculares apresenta raiz, caule e folhas, nas brió fitas fala-se em rizoide, cauloide e filoide, estruturas externamente semelhantes, respectivamente, a raiz, caule e folha, mas sem xilema e floema.
  • 9.
    ■ As fanerógamassão divididas em dois grupos: ■ Gimnospermas: suas sementes são chamadas “nuas”, pois não estão abrigadas no interior de frutos (daí a denominação: gymnós = nu; sperma = semente). Exemplo: pinheiro-do-paraná; ■ Angiospermas: apresentam sementes abrigadas no interior de frutos (daí a denominação: aggêion = vaso; sperma = semente). São exemplos de angiospermas: mangueira, figueira, laranjeira. Esse grupo é monofilético.
  • 10.
    Evolução dos ciclosde vida nas plantas Nos diferentes grupos de seres vivos, podemos definir três tipos de ciclo de vida: ■ Ciclo em que os indivíduos são diploides (2n) e formam gametas por meiose. Assim, apenas os gametas são haploides (n). Após a fecundação, o zigoto (2n) forma por mitoses o adulto. É o tipo de ciclo de vida que ocorre, por exemplo, nos animais e em algumas algas, como em certos grupos de algas verdes.
  • 11.
    ■ Ciclo devida em que os indivíduos são haploides (n) e originam gametas por mitose. Após a fecundação, forma-se o zigoto diploide (2n), que sofre meiose dando origem a esporos haploides (n); estes se desenvolvem em indivíduos haploides (n). É o tipo de ciclo de vida que ocorre, por exemplo, nos fungos e em algumas algas, como certos grupos de algas verdes. ■ Ciclo de vida em que há alternância entre uma geração de indivíduos diploides (2n) e outra de indivíduos haploides (n). Nesses casos, os indivíduos diploides produzem esporos por meiose e são denominados esporófitos (fase esporofítica), e os indivíduos haploides produzem gametas por mitose e são denominados gametófitos (fase gametofítica). Esse tipo de ciclo de vida com alternância de gerações, ou metagênese, ocorre, por exemplo, nas algas vermelhas, em muitos grupos de algas verdes e em todas as plantas terrestres.
  • 13.
    Algas vermelhas ■ Asalgas vermelhas ou rodofíceas (Rhodophyta) podem ser encontradas nos mares, na água doce e também em locais úmidos sobre rochas e troncos de árvores. ■ Certas espécies de algas vermelhas são apreciadas na alimentação humana, como é o caso do nori, utilizado principalmente no preparo de sushi, prato típico da culinária japonesa. ■ Essa alga tem sido usada também para combater o escorbuto, graças a seu alto teor de vitamina C. ■ Há representantes unicelulares, mas a maioria é multicelular, como a alga Pterocladia sp.
  • 14.
    Algas verdes ■ Asalgas verdes ou clorofíceas (Chlorophyta) não formam um grupo monofilético. Elas podem ser uni ou multicelulares. ■ São principalmente aquáticas, podendo ocorrer também em locais úmidos, sobre rochas e troncos de árvore. ■ Certas algas verdes unicelulares, em especial aquelas do gênero Chlorella, ocorrem em associação com ciliados, como o Paramecium e com animais, como cnidários e moluscos; são as chamadas zooclorelas. ■ Uma alga verde muito comum no litoral brasileiro é a Ulva, conhecida popularmente por alface-do-mar
  • 15.
    Briófitas ■ As briófitassão plantas que apresentam características de transição do ambiente aquático para o terrestre. ■ Essas plantas dependem da água para a reprodução sexuada, já que seus gametas masculinos são flagelados e deslocam-se apenas em meio líquido, chegando aos gametas femininos, que são imóveis. ■ Nos diversos grupos de plantas terrestres, o gameta ■ feminino, chamado oosfera, é sempre imóvel. Nas briófitas e nas pteridófitas, os gametas masculinos são flagelados e recebem o nome de anterozoides. ■ No grupo dos pinheiros dentro das gimnospermas e nas angiospermas, entretanto, os gametas masculinos não são flagelados e são chamados de células espermáticas. ■ Algumas espécies de briófitas são muito sensíveis à poluição, e a ausência delas indica má qualidade do ar.
  • 16.
    Hepáticas (Filo Hepatophyta) ■O filo das hepáticas (do grego: hépatos = fígado) engloba cerca de 6 000 espécies. ■ Os gametófitos têm corpo achatado ou folhoso e se fixam ao solo por meio de rizoides. Exemplo: Marchantia ■ O esporófito (2n) surge após a fecundação da oosfera pelo anterozoide, que ocorre no gametângio feminino. ■ Além das espécies de hepáticas que vivem em locais úmidos, há algumas espécies que retornaram secundariamente para o ambiente aquático.
  • 17.
    Antóceros (Filo Anthocerophyta) ■Nos antóceros, o gametófito apresenta corpo multilobado e o esporófito é alongado, ereto, chegando a cerca de 5 cm de altura ■ O nome do grupo se deve justamente ao aspecto do esporófito (do grego: keras = corno). ■ Há cerca de 100 espécies nesse filo.
  • 18.
    Musgos (Filo Bryophyta) ■Grupo com cerca de 9 500 espécies. ■ Além de rizoides, os gametófitos geralmente possuem um eixo principal — cauloide —, de onde partem os filoides. ■ Exemplo: musgos-de-turfeira (gênero Sphagnum). ■ utilizada no melhoramento da textura e da capacidade de retenção de água nos solos. ■ Em certas partes do mundo, a turfa é submetida à secagem e usada como combustível. ■ O esporófito desenvolve-se sobre o gametófito e é formado pelo pé, pela seta e pela cápsula, no interior da qual está o esporângio, onde haverá a formação de esporos por meiose
  • 19.
    ciclo de vidados musgos
  • 20.
    Pteridófitas ■ As pteridófitassão as primeiras plantas vasculares. ■ O surgimento de xilema possibilitou o transporte rápido de água e sais minerais do solo até as folhas, e o floema possibilitou o transporte de água e produtos da fotossíntese das folhas para as demais partes da planta. ■ As pteridófitas têm também tecidos de sustentação, o que permitiu que se mantivessem eretas. ■ Os gametófitos são reduzidos e os esporófitos são a fase predominante do ciclo de ■ vida. ■ Nos esporófitos, os esporângios podem ficar reunidos em estruturas especiais chamadas soros. ■ Cada soro corresponde a vários esporângios inseridos na face inferior das folhas
  • 21.
    ■ Pteridófitas dogrupo das selaginelas possuem os esporângios reunidos em estróbilos (ou cones), ramos curtos com pequenas folhas férteis.
  • 22.
    Pterophyta ou Pteridophyta (pterófitasou pteridófitas). ■ Os principais representantes são as samambaias e as avencas (ambas filicíneas), que são plantas comuns em regiões tropicais; as folhas jovens das filicíneas formam os báculos, designação que decorre da semelhança com bastões altos de extremidade recurvada. ■ Os esporângios ficam localizados em soros.
  • 23.
    ■ As samambaiasarborescentes podem apresentar, na base de seus troncos eretos, uma trama de raízes adventícias (raízes que partem do caule), que pode alcançar grande volume. ■ Essa trama é conhecida popularmente por xaxim, muito utilizado antigamente na fabricação de vasos para algumas plantas ornamentais. ■ O uso irracional desse recurso natural provocou a diminuição das populações naturais de espécies formadoras de xaxim e, por isso, o uso do xaxim está proibido.
  • 24.
    L ycopodiophyta ouLycophyta ■ Agrupa os gêneros Lycopodium e Selaginella . As espécies do gênero Lycopodium ocorrem desde as regiões árticas até as tropicais, e as do gênero Selaginella são muito comuns em matas tropicais, mas também ocorrem em regiões áridas e semiáridas, como desertos e caatingas. ■ Nesses locais, os indivíduos permanecem em estado latente, só se reproduzindo quando há aumento na umidade do ar ou em épocas de chuva. Em função dessa característica, essas espécies de Selaginella são chamadas plantas revivescentes. ■ Os esporângios das plantas desse filo ficam reunidos em estróbilos.
  • 25.
    Ciclos de vidanas Pteridófitas
  • 26.
    Gimnospermas ■ Na evoluçãodas plantas, as gimnospermas foram as primeiras a apresentar adaptações que permitiram sua independência da água para a reprodução sexuada. ■ Nesse grupo surgiram os grãos de pólen, estruturas que contêm o gametófito masculino imaturo protegido por um envoltório resistente. ■ Assim protegidos, esses gametófitos podem ser transportados pelo vento e, ao entrar em contato com o gametófito feminino, germinam, formando o tubo polínico. ■ Este corresponde ao gametófito masculino maduro, que transporta os gametas masculinos até a oosfera. ■ Outra condição que trouxe vantagens à expansão das gimnospermas no ambiente terrestre foi o surgimento do óvulo, que, após a fecundação, dá origem à semente. ■ Nas gimnospermas, a semente é nua, ou seja, não fica protegida no interior do fruto. ■ A semente contém o embrião e, ao ser liberada da planta, participa do processo de dispersão da espécie. Na germinação da semente, o embrião inicia o processo de formação de uma nova planta.
  • 27.
    Filo Cycadophyta ■ Sãoas cicas, segundo maior grupo atual de gimnospermas. Têm estruturas reprodutivas muito evidentes entre as folhas no ápice da planta.
  • 28.
    Filo Ginkgophyta Esse filoé representado por uma só espécie vivente – Ginkgo biloba –, uma árvore que pode chegar a 30 metros de altura e que tem folhas em forma de leque
  • 29.
    Filo Gnetophyta Inclui aEphedra, que pode ser encontrada em regiões áridas de todo o mundo; produz efedrina, utilizada na medicina como descongestionante.
  • 30.
    Filo Coniferophyta Abrange ospinheiros e as sequoias. É o filo de gimnospermas com o maior número de espécies. No Brasil, a espécie mais conhecida é o pinheiro-do-paraná ou araucária (Araucaria angustifolia), planta predominante na Mata de Araucária, que ocorria desde o Paraná até o Rio Grande do Sul. Atualmente, essa mata está muito reduzida em função, principalmente, da exploração da madeira dessa árvore. Outra espécie conhecida é o pinheiro do gênero Pinus, introduzido com sucesso no Brasil.
  • 32.
    Angiospermas As angiospermas vêmsendo atualmente classificadas no filo Anthophyta (do grego: ánthos = flor), destacando o surgimento de flor nessa linhagem. Atualmente, é o maior grupo de plantas, com cerca de 235 000 espécies. São exemplos as mangueiras, os coqueiros, as laranjeiras, as bananeiras e muitas outras plantas floríferas.
  • 33.
    A Flor Existem váriasmorfologias de flor. Para discutirmos a estrutura básica da flor, vamos considerar uma flor completa, que é aquela que apresenta todos os elementos: pedicelo ou pedúnculo, que se prende ao caule por uma extremidade e apresenta na outra o receptáculo, onde se inserem os verticilos florais. Os verticilos florais são conjuntos de folhas modificadas e formam as seguintes estruturas: • cálice: conjunto de sépalas, geralmente verdes, mas podem apresentar outras cores; • corola: conjunto de pétalas, que podem ser de diversas cores; • androceu: formado pelos estames, folhas modificadas em cuja extremidade diferencia-se a antera, no interior da qual estão os grãos de pólen; • gineceu: formado por um ou mais pistilos. O pistilo é formado por uma ou mais folhas modificadas chamadas carpelos, que se fundem dando origem a duas partes: uma porção basal dilatada, denominada ovário, que contém o óvulo, no qual se desenvolve o gametófito feminino que forma a oosfera (gameta feminino), e uma porção alongada, denominada estilete, cujo ápice é o estigma.
  • 34.
    O perianto daflor (peri = em torno; anto = flor) é o conjunto cálice-corola. Às vezes pétalas e sépalas têm a mesma coloração, sendo indistinguíveis e, nesses casos, são chamadas de tépalas e o conjunto de perigônio (peri = em torno; gônio = elementos reprodutores). Qualquer um dos quatro verticilos florais (sépalas, pétalas, estames, pistilo) pode faltar, mas sempre há, pelo menos, estames ou pistilos. Quando estames e pistilos ocorrem na mesma flor, dizemos que elas são hermafroditas. Geralmente, há mecanismos que dificultam a autofecundação, o que garante aumento da variabilidade genética. Um deles é a dicogamia, onde androceu e gineceu amadurecem em épocas diferentes. Quando as flores não são hermafroditas, caso apareçam flores masculinas (estaminadas) e femininas (pistiladas) em uma mesma planta, a espécie é monoica; se houver indivíduos só com flores masculinas ou só com flores femininas, a espécie é dioica.
  • 35.
    As flores podemestar agrupadas de diversas maneiras, formando agregados chamados inflorescências. Nas plantas anemófilas, as flores apresentam estigmas plumosos e são, em geral, pouco vistosas. As flores geralmente têm nectários, estruturas que produzem o néctar, um líquido nutritivo que serve de alimento para insetos, pássaros e morcegos. Ao se alimentarem do néctar, esses animais atuam como elementos polinizadores.
  • 36.
    Ao contrário dasgimnospermas, em que a polinização é feita apenas pelo vento (anemofilia), nas angiospermas a polinização pode ser feita também por insetos (entomofilia), aves (ornitofilia) e morcegos (quiropterofilia). Nesses casos, as flores são vistosas ou apresentam odor característico, o que atrai os animais. Nas plantas anemófilas, as flores apresentam estigmas plumosos e são, em geral, pouco vistosas. As flores geralmente têm nectários, estruturas que produzem o néctar, um líquido nutritivo que serve de alimento para insetos, pássaros e morcegos. Ao se alimentarem do néctar, esses animais atuam como elementos polinizadores.
  • 37.
    Ciclo de Vidade uma Angiosperma ■ No óvulo há o megasporângio, onde ocorrerá meiose, dando origem a quatro células n. Três degeneram e uma dá origem ao megásporo funcional (n). Este forma o gametófito feminino. ■ Cada grão de pólen contém o gametófito masculino, que, nas angiospermas, tem duas células. ■ Grãos de pólen caem no estigma: a germinação tem início, com a formação do tubo polínico e dos gametas masculinos. ■ O tubo polínico chega ao óvulo. ■ Dupla fecundação: processo exclusivo das angiospermas. Um gameta masculino se une à oosfera, dando origem ao zigoto 2n, e o outro gameta se une aos núcleos polares e dá origem ao endosperma (3n), tecido nutritivo típico das angiospermas. ■ Semente (desenvolvimento do óvulo após a fecundação). ■ Fruto (desenvolvimento do ovário).
  • 39.
    ■ Nas angiospermas,os óvulos possuem dois tegumentos, nos quais há um orifício de passagem chamado micrópila. Esses tegumentos protegem o megasporângio, que apresenta uma célula 2n especial que formará, por meiose, o megásporo (n). ■ O megásporo dá origem ao gametófito feminino (n), chamado saco embrionário, estrutura em que não há formação de arquegônios, mas há diferenciação direta de uma oosfera (n), que é o gameta feminino. O saco embrionário também possui outras poucas células e dois núcleos (n), denominados núcleos polares, que podem se fundir, originando um núcleo diploide, chamado núcleo secundário do saco embrionário. Esquema de pistilo mostrando a formação do saco embrionário.
  • 40.
    Os grupos deAngiospermas As angiospermas eram agrupadas em: monocotiledôneas e dicotiledôneas. característica que deu o nome a esses grupos foi o número de cotilédones na semente: as monocotiledôneas têm um cotilédone, enquanto as dicotiledôneas têm dois. Hoje, no entanto, se sabe que as dicotiledôneas não formam um grupo monofilético. Duas linhagens podem ser definidas mais claramente: as magnoliídeas e as eudicotiledôneas.
  • 41.
    Monocotiledôneas Características Eudicotiledôneas UmCotilédone Sementes Dois cotilédones Nervuras geralmente paralelas. Nervuras das folhas Nervuras geralmente reticuladas. Feixes vasculares dispersos. Estrutura interna do caule Feixes vasculares geralmente dispostos em forma de anel. Sistema radicular fasciculado: não há uma raiz principal. Raízes Sistema radicular pivotante ou axial: há uma raiz principal. Grão de pólen com uma abertura. Pólen Grão de pólen com três aberturas. Verticilos organizados com base no número 3 ou seus múltiplos (flores trímeras). Flores Verticilos organizados com base no número 4 ou 5 ou seus múltiplos (flores tetrâmeras ou pentâmeras, respectivamente).
  • 43.
    A Primeira grandeBotânica Brasileira A botânica Graziela Maciel Barroso é uma referência na área de sistemática de plantas [...] Responsável pela catalogação de vegetais das diferentes regiões do Brasil, tem cerca de 25 plantas batizadas com seu nome e é responsável pela formação de gerações de biólogos. Teve uma trajetória acadêmica inusitada. Aos 30 anos, começou a trabalhar no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, ingressando no curso de Biologia da Universidade do Estado da Guanabara aos 47 anos e defendendo tese de doutorado aos 60. A cientista também escreveu dois livros adotados como referência por cursos de botânica [...]. Como professora, Graziela atuou nas Universidades Federais do Rio de Janeiro e de Pernambuco (UFRJ e UFPE), na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e na Universidade de Brasília (UnB). Também foi a única brasileira a receber, nos Estados Unidos, a medalha Millenium Botany Award, entregue a botânicos dedicados à formação de pessoal na área. Nascida em 1912, morreu em 2003, um mês antes de ser empossada na Academia Brasileira de Ciências.
  • 44.
    Reprodução assexuada das plantas■Nas algas unicelulares pode ocorrer reprodução assexuada por bipartição. ■ Nas algas multicelulares ocorre por fragmentação ou esporulação. A reprodução por fragmentação ocorre na generalidade das algas, quando uma porção é separada do corpo e dá origem a um novo indivíduo. ■ Na reprodução por esporulação há formação de esporos, células especializadas que, ao ser liberadas do corpo do indivíduo que as produziu, têm a capacidade de se desenvolver diretamente em um novo indivíduo. ■ O principal meio de reprodução assexuada nas briófitas também é a fragmentação: mas há outros processos, principalmente em hepáticas e musgos. ■ Nesses grupos verifica-se a formação de propágulos, estruturas formadas por células meristemáticas, que são capazes de produzir uma nova planta. Os propágulos geralmente ficam abrigados no interior de estruturas especiais em forma de taça, denominadas conceptáculos. Fotografia da hepática Marchantia polymorpha com vários conceptáculos (dois deles indicados pelas setas).
  • 45.
    Nas plantas vasculares,a forma mais comum de reprodução assexuada é propagação vegetativa, que ocorre principalmente a partir de caules, pois eles apresentam botões vegetativos ou gemas. Estas são formadas por tecidos indiferenciados que podem originar raízes e toda uma nova planta. Um exemplo é o caule de batata (Solanum tuberosum), que é subterrâneo. ■ Em alguns casos, as folhas também podem dar origem a novos indivíduos, como se pode observar na fortuna (Kalanchoe sp.), na qual os brotos nascem da margem do limbo; e na begônia, na qual os brotos nascem da base do pecíolo. Fotografia da batata com botões vegetativos já em início de germinação. Fotografia de folha da fortuna (Kalanchoe sp.) com brotos (indicados pelas setas). A planta adulta mede cerca de 30 cm.
  • 46.
    Cultivo de plantas Oser humano desenvolveu vários mecanismos de propagação vegetativa, por exemplo: a estaquia, a mergulhia, a alporquia e a enxertia.
  • 47.
    Quadro comparando diferentesmecanismos de propagação vegetativa utilizados em agricultura.
  • 48.
    Entre esses mecanismos,a enxertia é o mais utilizado. Essa técnica é vantajosa por vários motivos, dos quais se destacam os seguintes: • a muda (cavaleiro) já encontra um cavalo munido de raízes e, com isso, o desenvolvimento é mais rápido; • podem-se selecionar plantas com raízes resistentes a certas doenças e utilizá-las como cavalo. Com isso, a reprodução vegetativa de espécies sensíveis a essas doenças torna-se mais eficiente. Atualmente, tem sido utilizada frequentemente a técnica da propagação vegetativa por cultura de tecidos.
  • 49.
    Em culturas detecido, tem sido possível modificar o material genético de plantas de interesse econômico por meio de técnicas especiais que integram a chamada engenharia genética ou tecnologia do DNA recombinante. Nesses casos, introduzem-se nas células das plantas trechos da molécula de DNA de outras espécies, por exemplo, de bactérias. Esses trechos são incorporados ao DNA da planta, que fica alterada geneticamente: são as plantas transgênicas. Plantas cultivadas em laboratório de cultura de tecidos vegetais. Na fotografia, cultivo de plantas de arroz (Oriza sativa) transgênicas.
  • 50.
    Polinização e odesaparecimento das abelhasUma das causas relacionadas ao complexo processo de desaparecimento das espécies de abelhas é o uso de agrotóxicos nas plantações. Mesmo que os inseticidas e os outros agrotóxicos não matem as abelhas imediatamente, eles contaminam os grãos de pólen e o néctar, alimentos de vários insetos, inclusive abelhas, e podem levar à contaminação de toda a colmeia.
  • 51.
    Referências Bibliográficas Lopes, SôniaBio, volume 2 / Sônia Lopes, Sergio Rosso. -- 3. ed. -- São Paulo : Saraiva, 2016.